Revisão sistematizada
Repercussões agudas do exercício físico
materno sobre os parâmetros hemodinâmicos
útero-placentários e fetais
Impact of acute maternal exercise on uteroplacental and fetal hemodynamics patterns
Marcos Masaru Okido1
Francisco Akinaga Magario1
Aderson Tadeu Berezowski2
Silvana Maria Quintana2
Geraldo Duarte2
Ricardo de Carvalho Cavalli2
Palavras-chave
Gravidez
Exercício físico
Feto
Ultrassonografia Doppler
Keywords
Pregnancy
Exercise
Fetus
Ultrasonography, Doppler
Resumo
A atividade física está associada a diversos benefícios para a saúde física
e mental. Entre as gestantes, a prática de exercícios físicos ganhou maior ênfase nas últimas décadas, porém,
ainda persistem controvérsias quanto à possibilidade da ocorrência de potenciais efeitos lesivos ao feto. Esta
revisão avaliou os estudos existentes que investigaram os efeitos agudos dos exercícios físicos maternos sobre
os parâmetros hemodinâmicos útero-placentários e fetais. Verifica-se que ocorrem variados graus de desvio do
fluxo sanguíneo para a musculatura esquelética solicitada durante o exercício. Esse efeito é acompanhado de
vasoconstrição visceral e provável redução do fluxo uterino. Entretanto, em gestações normais, mecanismos
compensatórios atuam no leito vascular útero-placentário e no feto, garantindo a homeostase das trocas
gasosas e impedindo efeitos deletérios da hipóxia fetal. A análise dos estudos desta revisão permite concluir
que os exercícios considerados de moderada intensidade em gestações não complicadas parecem ser seguros
e podem ser recomendados.
Abstract
Physical activity is associated with several benefits to physical and mental
health. Among pregnant women, the practice of physical exercises has gained more emphasis over the last few
decades, but controversy still persists regarding the possible occurrence of potential damaging effects on the fetus.
The present systematic review evaluated existing studies that investigated the acute effects of maternal physical
exercise on the hemodynamic uteroplacental and fetal parameters. The occurrence of varied degrees of blood
flow deviation to the skeletal muscle involved in exercise was detected. This effect is accompanied by visceral
vasoconstriction and by a probable reduction of uterine flow. However, in normal pregnancies, compensatory
mechanisms may act on the uteroplacental vascular bed and on the fetus, in order to guarantee the homeostasis
of gas exchanges and prevent deleterious effects of fetal hypoxia. Analysis of the studies reviewed in this survey
permits us to conclude that exercises of moderate intensity in uncomplicated pregnancies seem to be safe and
can be recommended.
Médico Assistente do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade
de São Paulo – USP – Ribeirão Preto (SP), Brasil.
Docente do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo – USP – Ribeirão
Preto (SP), Brasil.
Endereço para correspondência: Marcos Masaru Okido Avenida dos Bandeirantes, 3.900 CEP: 14049-900 – Monte Alegre – Ribeirão Preto (SP),
Brasil E-mail: [email protected]
1
2
Okido MM, Magario FA, Berezowski AT, Quintana SM, Duarte G, Cavalli RC
608
Introdução
Metodologia
A atividade física tem sido considerada importante componente de um estilo de vida saudável devido à sua associação com
diversos benefícios para a saúde física e mental1,2(A).
Nas últimas décadas, a prática de exercícios físicos entre as
mulheres ganhou ênfase e, embora persistam controvérsias quanto
à sua realização durante o período gestacional, essa prática vem
crescendo nesse grupo. Em décadas passadas, as gestantes eram
aconselhadas a reduzirem, ou até mesmo a interromperem, as
suas atividades ocupacionais, acreditando-se que isso poderia
melhorar os desfechos perinatais3(D).
Alguns benefícios maternos, como o controle do peso
e o auxílio na prevenção de diabetes gestacional, têm sido
apontados como secundários à realização de atividade física
pela gestante4,5(B). Entretanto, no âmbito fetal, postula-se
que possa existir algum risco durante a prática de atividade
física na gestação. As respostas fisiológicas do organismo
materno ao exercício, incluindo a estimulação da contratilidade uterina, a hipoglicemia fetal consequente ao incremento
do aporte muscular materno, a hipertermia induzida pelo
exercício e a redução do fluxo sanguíneo útero-placentário
secundário ao desvio aos músculos esqueléticos poderiam ser
lesivos ao feto6-9(B).
Alguns estudos observaram redistribuição do fluxo sanguíneo durante o exercício favorecendo a musculatura esquelética
em atividade e consequente redução do fluxo no território
esplâncnico9,10(B). Em estudo realizado em gestantes antes e
após exercício em bicicleta ergométrica, observou-se alteração
no padrão dopplervelocimétrico da artéria femoral de bifásico
no repouso para contínuo após o exercício, mostrando uma redução significativa da resistência vascular, favorecendo o fluxo
sanguíneo nessa artéria (membro inferior)9(B). Após dança aeróbica em gestantes, observou-se aumento de 130% no pico de
velocidade sistólica e redução de 80% no índice de pulsatilidade
da artéria femoral10(B).
Ao considerarmos resultados perinatais, como peso e idade
gestacional ao nascimento, os estudos atuais não demonstraram
resultados significativos que pudessem inferir riscos ou benefícios
para o recém-nascido de mulheres que tenham se exercitado
durante a gravidez11-13(A).
Assim, a prática da atividade física segura pode acrescentar prováveis benefícios à saúde de alguns grupos de
gestantes. Esta revisão tem o objetivo de avaliar os estudos
existentes que investigaram os efeitos agudos dos exercícios
físicos maternos sobre os parâmetros hemodinâmicos úteroplacentários e fetais.
Realizou-se uma pesquisa bibliográfica utilizando como
estratégia de busca as bases de dados SciELO-Lilacs, MedLinePubMed, Biblioteca Cochrane e Google Scholar nos últimos 20
anos. A busca foi efetuada entre 8 de Fevereiro e 3 de Março de
2010. Foram empregadas as seguintes palavras-chave: [maternal,
exercises, fetal, Doppler]; [pregnancy, exercises, fetal, Doppler];
[maternal, exercises, fetal, effects]; [maternal, exercises, fetal, umbilical
artery]; [maternal, exercises, fetal, cerebral artery]; [maternal, exercises,
uterine artery, Doppler]; e [maternal, exercises, fetal, heart rate].
Foram encontrados 177 estudos e, pela leitura dos títulos,
foram selecionados para revisão sistemática somente os artigos
que abordavam as variáveis a serem utilizadas: frequência
cardíaca fetal (FCF), estudo dopplervelocimétrico da artéria
uterina (AUT), artéria umbilical (AU) e artéria cerebral média
(ACM) fetal antes e após exercícios em gestantes. Após a leitura
dos resumos, foram incluídos apenas estudos experimentais ou
quase-experimentais, totalizando 20 estudos (Tabela 1). Revisões
narrativas, metanálises prévias, editoriais e outros artigos relacionados foram utilizados apenas como embasamento científico
para aprimorar o conhecimento sobre o tema.
FEMINA | Novembro 2010 | vol 38 | nº 11
Resultados
Os estudos encontrados para esta revisão possuem, em geral,
número reduzido de pacientes e, com exceção de um, todos são
ensaios clínicos não randomizados (nível de evidência B). Além
disso, não houve grande homogeneidade entre os estudos em
relação aos pacientes, tipo de exercício e sua intensidade. Houve
predomínio de trabalhos realizados no terceiro trimestre gestacional e exercícios com duração máxima de até 30 minutos,
executados apenas uma vez sem repetições (Tabelas 1 e 2).
Frequência cardíaca fetal
A variável mais estudada foi a frequência cardíaca fetal (FCF),
sendo avaliada em 17 estudos (Tabela 3)10,14-30. Houve aumento
significativo da FCF após exercício materno em 10 estudos10,1
4,15,18,20,22,23,27,29,30
(B).
Um aumento da resistência vascular uterina, levando
a uma discreta redução na oferta de oxigênio suporta esses
achados18,29(B). O aumento da FCF também pode ser devido à
passagem de hormônios vasoativos maternos não metabolizados
na placenta, ou à estimulação direta fetal pelos movimentos
maternos durante o exercício e a um discreto aumento da
temperatura23(B).
Repercussões agudas do exercício físico materno sobre os parâmetros hemodinâmicos útero-placentários e fetais
Tabela 1 – Características dos estudos selecionados
Estudo
n
Características dos pacientes
Trimestre
Desenho do estudo
Asakura et al.10
21
Gestações normais
Terceiro
Ensaio não randomizado
Barakat et al.14
26/26
26 gestantes sedentárias
Terceiro
Ensaio clínico randomizado
26 gestantes treinadas
Asai et al.15
48
Gestações normais
Segundo e terceiro
Ensaio não randomizado
Bonnin et al.16
14
Gestações normais Terceiro
Ensaio não randomizado
Chaddha et al.17
35
12 gestações com IP AUT>1,45
Segundo
Ensaio não randomizado
23 gestações normais
Erkkola et al.18
8
Gestações normais
Terceiro
Ensaio não randomizado
Ertan et al.
43
33 gestações normais, 10 gestações com RCIU
Terceiro
Ensaio não randomizado
Hackett et al.9
34
12 gestações normais, 14 hipertensas com Doppler
normal, 8 hipertensas com Doppler anormal
Terceiro
Ensaio não randomizado
Kennelly et al.20
22
Primigestas, não tabagistas
Terceiro
Ensaio não randomizado
Kennelly et al.
258
Gestações normais
Terceiro
Ensaio não randomizado
Manders et al.22
12
Gestações normais, não atletas
Terceiro
Ensaio não randomizado
McMurray et al.23
10
Gestações normais
Segundo
Ensaio não randomizado
Nabeshima et al.24
24
17 gestações normais
Terceiro
Ensaio não randomizado
Terceiro
Ensaio não randomizado
19
21
7 gestações com RCIU
Rafla et al.25
237
193 gestações normais
44 gestações de alto risco (diabetes, hipertensão e RCIU)
Rafla31
18
18 gestações com RCIU
Terceiro
Ensaio na randomizado
Ruissen et al.26
23
Gestações normais
Variável
Ensaio não randomizado
Sasaki et al.27
17
Gestações normais
Terceiro
Ensaio não randomizado
Spinnewijn et al.
30
Gestações normais
Terceiro
Ensaio não randomizado
Watson et al.29
13
Gestações normais, gestantes não treinadas
Segundo (25 semanas) e
terceiro (30 semanas)
Ensaio não randomizado
Webb et al.30
38
22 gestantes treinadas
Segundo e terceiro
Ensaio não randomizado
28
16 gestantes sedentárias
IP: índice de pulsatilidade; AUT: artéria uterina; RCIU: restrição de crescimento intrauterino.
Tabela 2 – Características dos exercícios executados em cada estudo
Autor
Tipo de exercício
Intensidade
Repetições
Duração do exercício (minutos)
Asai et al.15
Bicicleta ergométrica
Submáximo aumento da FC
1
0-30
Asakura et al.10
Aeróbico (dança)
65% de máxima FC
1
0-30
Barakat et al.14
26/26
60% de máxima FC
1
0-30
Bonnin et al.
Não obtido
Moderada
1
Não obtido
Chaddha et al.17
Bicicleta
Variável
1
0-30
Erkkola et al.18
Bicicleta ergométrica
Extenuante
1
0-30
Ertan et al.19
Bicicleta ergométrica
Moderada
1
0-30
Hackett et al.9
Bicicleta
Não obtido
1
Não obtido
Kennelly et al.20
Bicicleta ergométrica
Até limite anaeróbico
1
0-30
Kennelly et al.21
Bicicleta ergométrica
Variável
1
0-30
Manders et al.22
Bicicleta ergométrica
Submáximo aumento da FC
1
0-30
McMurray et al.23
Dança aeróbica
Moderado
1
40
Nabeshima et al.24
Caminhada Esteira
Máximo de 150 bpm da FC materna
1
0-30
Rafla et al.25
Bicicleta ergométrica
70% de máxima FC
1
5
Rafla31
Bicicleta ergométrica
65% de máxima FC
1
5
Ruissen et al.26
Série de flexão de joelhos
Não obtido
1
Não obtido
Sasaki et al.28
Nado
Variável
1
31-60
Spinnewijn et al.29
Bicicleta ergométrica
Moderado
1
20
Watson et al.
Bicicleta e nado
Esforço máximo
1
0-30
Webb et al.30
Bicicleta ergométrica
Máximo de 145 bpm da FC materna
3x/semana
25
16
29
FC: frequência cardíaca; bpm: batimentos por minuto.
FEMINA | Novembro 2010 | vol 38 | nº 11
609
Okido MM, Magario FA, Berezowski AT, Quintana SM, Duarte G, Cavalli RC
Tabela 3 – Estudos que avaliaram a frequência cardíaca fetal antes e após exercício físico em gestantes
Autor
n
Frequência cardíaca fetal (pré versus pós exercício)
Valor estatístico
Asai et al.15
48
Aumento
Significativo
Asakura et al.10
21
Aumento
Significativo
Barakat et al.14
26/26
Aumento nos dois grupos
Comparação entre os grupos: não significativo*
Bonnin et al.16
14
Não houve alteração
–
Chaddha et al.17
35
Não houve alteração
–
Erkkola et al.18
8
Aumento
Significativo
Ertan et al.19
43
Avaliado nos dois grupos
Não significativo
Kennelly et al.20
22
Aumento imediatamente após exercício
Significativo
Kennelly et al.21
258
Aumento
Não significativo
Manders et al.22
12
Aumento por 30 minutos após exercício
Significativo
McMurray et al.23
10
Aumento
Significativo
Rafla et al.25
237
Não houve alteração
–
Ruissen et al.26
23
Não houve alteração
–
Sasaki et al.27
17
Aumento
Significativo
Spinnewijn et al.28
30
Watson et al.
13
Webb et al.30
38
29
Não houve alteração
–
Ligeira bradicardia imediatamente após exercício (com bicicleta).
Significativo
Aumento após 10-20 minutos de exercício (com bicicleta e nado).
Significativo
Aumento nos dois grupos
Significativo
*Aumento em cada grupo foi significativo.
A bradicardia fetal foi observada em apenas um estudo como
episódio transitório imediatamente após exercício descrito como
de máximo esforço29(B).
Artéria uterina
Os estudos que avaliaram as alterações de fluxo sanguíneo
na artéria uterina mostram resultados conflitantes (Tabela 4).
Em quatro estudos9,18,20,29, observou-se aumento significativo
da impedância ao fluxo, não sendo comprovado em outros
três10,16,19. As diferenças dos resultados podem ser decorrentes
das variações metodológicas empregadas em cada investigação,
principalmente em relação aos diferentes níveis de intensidade
dos exercícios executados20(B).
Uma vasoconstrição visceral generalizada decorrente do
incremento na circulação de catecolaminas explicaria a hipótese de aumento da resistência ao fluxo na artéria uterina9(B).
Mecanismos compensatórios, como a redistribuição do fluxo ao
espaço interviloso em detrimento do miométrio e a hemoconcentração, são citados para aumentar a captação de oxigênio e
evitar a hipóxia fetal18(B).
Em relação ao tipo de exercício, no estudo de Watson et
al.30 verificou-se aumento da relação sístole/diástole (S/D) no
estudo dopplervelocimétrico das artérias uterinas, sendo este
mais acentuado após exercício em bicicleta comparado com
o grupo que realizou atividade aquática. Essa diferença pode
estar associada aos efeitos hidrostáticos que levariam à menor
contração do volume plasmático29(B).
610
FEMINA | Novembro 2010 | vol 38 | nº 11
Artéria umbilical
Os resultados obtidos entre os 11 estudos que avaliaram as
alterações de fluxo na artéria umbilical decorrentes do exercício físico
são controversos (Tabela 5). Seis estudos não mostraram mudanças
significativas nessa artéria18-20,24,26,29(B). Três investigações realizadas
no terceiro trimestre com gestações não complicadas mostraram
redução da impedância nessa artéria após exercício10,14,16(B).
Entre os estudos que demonstraram aumento da resistência,
destaca-se o de Chadda et al.17, realizado com 35 gestantes entre
a 22ª a 26ª semanas de gestação, 12 caracterizadas por insuficiência vascular útero-placentária, com índice de pulsatilidade
(IP) da artéria uterina maior que 1,45, e 23 gestações normais.
Observou-se aumento do IP da artéria umbilical em resposta ao
exercício nas gestantes do primeiro grupo. Esse grupo apresentou
maior frequência de pré-eclampsia e piores resultados perinatais,
como restrição de crescimento intrauterino (RCIU)17(B).
O estudo de Rafla26, realizado com 18 gestantes apresentando RCIU no terceiro trimestre, também demonstrou aumento
do IP após execução do exercício físico. Uma explicação citada
é que haveria desvio sanguíneo com redução do fluxo úteroplacentário, levando a uma vasoconstrição induzida pela hipóxia
e ao aumento da resistência ao fluxo31(B).
Artéria cerebral média
A artéria cerebral média foi avaliada em três estudos (Tabela 6)14,16,19. Houve redução significativa dos índices de resistência
Repercussões agudas do exercício físico materno sobre os parâmetros hemodinâmicos útero-placentários e fetais
Tabela 4 – Estudos que avaliaram o fluxo sanguíneo da artéria uterina pela doplervelocimetria antes e após exercício físico em gestantes
Estudo
Asakura et al.10
Bonnin et al.16
Erkkola et al.18
Ertan et al.19
Hackett et al.9
Kennelly et al.20
Watson et al.29
n
21
14
8
43
34
22
13
Artéria uterina (pré versus pós exercício)
Avaliado PVS e IP. Não houve alteração
Avaliado IR. Não houve alteração
Aumento da relação S/D nos primeiros 3 minutos
Avaliado IR dos dois grupos.
Avaliado IR. Aumento nos primeiros 30 segundos. Aumento mais significativo nas gestações complicadas
Avaliado IP. Aumento da AUD em 2 minutos após exercício (p=0,039)
Relação S/D. Aumento. Maior após bicicleta versus nado Valor estatístico
–
–
Significativo
Não significativo
Significativo
Significativo
Significativo
PVS: pico de velocidade sistólica, IP: índice de pulsatilidade, IR: índice de resistência, Relação S/D: relação sístole/diástole, AUD: artéria uterina direita.
Tabela 5 – Estudos que avaliaram o fluxo sanguíneo da artéria umbilical pela doplervelocimetria antes e após exercício físico em gestantes
Estudo
Asakura et al.10
Barakat et al.14
Bonnin et al.16
Chaddha et al.17
Erkkola et al. 18
Ertan et al. 19
Kennelly et al.20
Nabeshima et al. 24
Rafla31
Ruissen et al.26
Watson et al.29
n
21
26/26
14
35
8
43
22
24
18
23
13
Artéria umbilical (pré versus pós exercício)
Avaliado IP. Redução
Avaliado IP. Redução no grupo treinado. Aumento no Grupo Controle
Avaliado IR. Redução
Avaliado IP. Aumento no grupo com IP>1,45.
Avaliado relação S/D. Não houve alteração
Avaliado IR nos dois grupos
Redução imediatamente após exercício
Avaliado relação S/D
Avaliado IP. Aumento
Avaliado IP. Não houve alteração
Avaliado relação S/D. Aumento imediatamente após exercício associado à redução da FCF
Valor estatístico
Significativo
Comparação entre os grupos: significativo
Significativo
Significativo
–
Não significativo
Não significativo
Não significativo
Significativo
–
Não significativo
IP: índice de pulsatilidade, IR: índice de resistência, Relação S/D: relação sístole/diástole, FCF: frequência cardíaca fetal.
Tabela 6 – Estudos que avaliaram o fluxo sanguíneo da artéria cerebral média fetal pela dopplervelocimetria antes e após exercício
físico em gestantes
Estudo
Barakat et al. 14
Bonnin et al. 16
Ertan et al.19
n
26/26
14
43
Artéria cerebral média (pré versus pós exercício)
Avaliado IP. Redução nos dois grupos
Aumento da velocidade média. Redução do IR
IR dos dois grupos. Redução.
Valor estatístico
Comparação entre os grupos: significativo
Significativo
Significativo
IP: índice de pulsatilidade, IR: índice de resistência.
e pulsatilidade avaliados. Os resultados sugerem uma vasodilatação
reflexa da circulação cerebral fetal com o exercício resultante de uma
dessaturação da hemoglobina fetal16,19(B). O fenômeno da vasodilatação, nesse caso, pode traduzir apenas um efeito protetor fisiológico
do encéfalo fetal durante a atividade física materna16,19(B).
Considerações finais
A avaliação dos estudos desta revisão permite inferir que
o desvio do fluxo sanguíneo para a musculatura em atividade
durante o exercício físico implica em uma provável redução do
fluxo na artéria uterina. Entretanto, em gestações normais, prováveis mecanismos compensatórios atuariam no leito vascular
útero-placentário, permitindo a homeostase das trocas gasosas
e impedindo efeitos deletérios da hipóxia fetal. O feto também
possuiria respostas compensatórias manifestadas com o aumento
da frequência cardíaca e a vasodilatação cerebral. A questão é até
que ponto esses mecanismos compensatórios conseguiriam manter
o equilíbrio das trocas placentárias sem que houvesse prejuízo.
O nível de intensidade de esforço físico em curto e longo prazos
considerados seguros durante a gestação ainda não é conhecido. A
análise dos estudos desta revisão permite concluir que os exercícios
considerados de moderada intensidade em gestações não complicadas
parecem ser seguros. Mais estudos randomizados devem ser realizados,
com metodologias passíveis de comparação e casuísticas maiores,
para que adequados níveis de evidência sejam alcançados.
O American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG), em
2002, recomendou para as gestantes na ausência de complicações
clínicas ou obstétricas a realização de 30 minutos de atividade
física moderada diariamente. As contraindicações absolutas citadas
são: doença cardíaca, doença pulmonar restritiva, incompetência
istmo cervical, gestação múltipla com risco de trabalho de parto
prematuro, sangramento persistente no segundo ou terceiro
trimestre, placenta prévia após a 26ª semana, trabalho de parto
pré-termo, ruptura de membranas e pré-eclâmpsia32(D).
Considerando-se os potenciais benefícios que a atividade
física pode proporcionar, é razoável seguir as orientações do
ACOG até que novas evidências sejam publicadas.
FEMINA | Novembro 2010 | vol 38 | nº 11
611
Okido MM, Magario FA, Berezowski AT, Quintana SM, Duarte G, Cavalli RC
Leituras suplementares
1.
2.
3.
4.
5.
6.
7.
8.
9.
10.
11.
12.
13.
14.
15.
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Repercussões agudas do exercício físico materno sobre