Universidade do Grande Rio
“Prof. José de Souza Herdy”
Joanna Maria Gonçalves de Souza
Indução hormonal de lactação em cabras não gestantes das raças
Saanen e Toggenburg
Duque de Caxias - RJ
2007
1
Joanna Maria Gonçalves de Souza
Indução hormonal de lactação em cabras não gestantes das raças
Saanen e Toggenburg
Monografia apresentada à Universidade do
Grande Rio “Prof. José de Souza Herdy”,
como parte dos requisitos parciais para
obtenção do grau no curso de Medicina
Veterinária.
Sob orientação do Professor:
MSc. Carlos Otávio de Paula Vasconcelos
Co-orientação:
Dr. Jeferson Ferreira da Fonseca
Duque de Caxias - RJ
2007
2
Joanna Maria Gonçalves de Souza
Indução hormonal de lactação em cabras não gestantes das raças
Saanen e Toggenburg
Monografia apresentada à Universidade do
Grande Rio “Prof. José de Souza Herdy”,
como parte dos requisitos parciais para
obtenção do grau no curso de Medicina
Veterinária.
Aprovado em ____de Junho de 2007.
BANCA EXAMINADORA
____________________________________________________
MSc. Carlos Otávio de Paula Vasconcelos
Orientador
____________________________________________________
Dr. Jeferson Ferreira da Fonseca
Co-orientador
____________________________________________________
Dr. Felipe Zandonadi Brandão
3
Dedico este estudo aos meus pais João e Joyce,
pela paciência, confiança, incentivo, dedicação,
carinho e, principalmente, muito amor.
4
AGRADECIMENTOS
Agradeço a Deus por ter me cedido o dom da vida e ter me oferecido todas as condições
para me tornar uma pessoa tão feliz. Por ter me orientado na descoberta da minha grande
vocação, a Medicina Veterinária, e mostrar-me como sou uma pessoa abençoada.
Ao Jeferson, meu orientador da Embrapa, co-orientador de monografia, um dos grandes
responsáveis pela realização deste estudo, pessoa extremamente competente e muito humilde,
apaixonado pelo que faz e, talvez por isso, obtenha tanto sucesso. É um grande líder e, com
isso, leva muita gente com ele, coleciona amigos e admiradores.
Ao Carlos, meu orientador, pessoa muito importante para meu desenvolvimento técnico
e pessoal. Um grande amigo que conquistei durante a faculdade e que me deu muito orgulho
quando aceitou ser meu orientador.
À Dra. Marlene e ao Dr. Henrique Bruschi, pela oportunidade cedida para a realização
deste projeto. Além da disponibilidade dos animais de sua propriedade, me dando total
liberdade para trabalhar, ainda me concederam o prazer de conhecer o Seu Joaquim e a Preta,
que me auxiliaram muito.
Ao Carlos Henrique, que tive o prazer de conhecer nos momentos finais da minha
monografia, me auxiliou muito e tornou-se uma pessoa muito especial para mim.
À minha mãe pelo carinho e amor infinito, por me mostrar que é impossível amor maior
do que de mãe e filha. Agradeço por entender, mesmo com muito sofrimento, a minha grande
ausência, e por saber que essa ausência foi somente física, mas que nunca passei sequer um
dia sem pensar nela.
Ao meu pai por tudo de bom que aconteceu na minha vida. Sempre presente, com uma
palavra de carinho e de apoio. Agradeço por sempre ter acreditado em mim, estar do meu lado
e ser o meu melhor amigo.
5
Às minhas avós, Janice e Norma, por estarem sempre comigo, com todo o amor que
uma avó é capaz de acumular para sua neta.
À minha irmã por todas as brigas de criança, por todas as vezes que brigava comigo
como se fosse minha mãe e, assim, participou diretamente da minha educação. Agradeço por
saber que vai estar sempre lá, de braços abertos pra mim.
Ao Gegê (meu segundo pai), Viviane e Ricardo, que entraram para a família e hoje
cuidam das pessoas mais valiosas do mundo para mim.
À minha prima Beth, simplesmente pelo fato de existir. É uma pessoa maravilhosa, que
contribuiu muito na minha educação e principalmente na formação do meu caráter, sempre
me ensinando os bons princípios.
Ao meu querido coordenador, Prof. Irineu, meu grande conselheiro durante esses anos
de universitária, sempre com uma visão única do futuro. Pessoa com quem aprendi muito e
tenho muito respeito, não só pelo lado profissional que é brilhante, mas também pela amizade
e carinho que desprende para todos nós, nos tratando como filhos.
Ao Prof. Alexandre Pina por ter me acompanhado durante toda minha vida acadêmica,
pelos estágios, monitorias e viagens. Por toda a confiança que sempre depositou em mim e
pela forte amizade que se formou entre nós. Espero poder retribuir um dia tudo de bom que
fez por mim.
Ao Prof. e amigo, Paulo Scherer, por ter me apresentado o primeiro capril da minha
vida, o grande responsável pela minha descoberta no mundo da caprinovinocultura. Nunca
esquecerei de seus ensinamentos.
À Prof. Suzane (Tuti), responsável pelo estágio supervisionado, que soube entender as
nossas oportunidades e sempre nos apoiou em todos os sentidos.
6
Ao Prof. Expedito, por todo o ensinamento sobre princípios de um bom profissional e
ética na nossa profissão. Marcou muito nossa turma e por isso o escolhido para ser nosso
patrono.
Ao Prof. Renato Siqueira, pelo meu primeiro estágio em fazenda e pela amizade.
Ao Prof. Flavio Graça, que foi um professor muito marcante para todos nós. Nos
enriqueceu com seus ensinamentos, além de ser um grande companheiro. Os alunos da
UNIGRANRIO sentem a sua falta.
Ao Prof. Felipe Zandonadi Brandão, que conheci há pouco tempo, mas que aceitou
fazer parte da minha banca de monografia, me dando a certeza de que vai contribuir muito
para o resultado final deste estudo.
Ao pessoal do NUCEN (Núcleo de Estágios), por toda a ajuda que me concederam,
especialmente neste último período, são pessoas sempre dispostas a ajudar a todos nós.
Ao pessoal da Renalvet, Marcio, Karine, Perna, Paulo e Luciana, por terem feito do
meu primeiro estágio na Medicina Veterinária, uma época tão gostosa para mim. À Luisa, que
conheci lá e se tornou uma grande amiga, eterna companheira de estudos, saídas e fofocas.
Ao pessoal da Braspelco, Maurício, Mellini e Claudinha, que me receberam por 15 dias
e fizeram da minha ida à Uberlândia, um momento único.
Ao pessoal da Fazenda Santa Edwiges, Rodrigo, Rafael e ao Chico, que me acolheram e
ensinaram muito. À Patrícia, minha maior companheira de estágios, viagens, eventos, cursos e
congressos, aproveitamos muito!
À Rose e ao Reinaldo Pires, da Fazenda Genéve, pela oportunidade de estágio, por todo
o carinho que me receberam e pela amizade estabelecida.
7
Ao pessoal de Viçosa, Miller, Charles, Gustavo, Aline e Verônica, pelo estágio que
aprendi muito, apesar do curto tempo, e pela amizade que se formou. Pessoas maravilhosas
que nunca vou esquecer.
Ao pessoal da Lagoa da Serra, especialmente, à Aila Louse, por toda a dedicação que
nos recebeu e nos orientou. Formou uma grande família, foram duas semanas de trocas de
experiências, carinho e amizade. Certamente, nenhum de nós jamais vai esquecer da V Turma
de treinamento do PAINT Lagoa.
Ao pessoal da Embrapa, aos funcionários, Marquinhos, Meire e D. Lurdes, a todos os
estagiários que tive o prazer de conhecer, Pedro, Leo, André, Bruna, Luisa, Izabel, Jenner,
Mato Grosso, Arashiro e muitos outros, e um agradecimento especial ao Deo, técnico
responsável pelo laboratório de reprodução, uma pessoa sempre disposta a ajudar a todos. Ao
Rafael Gandra, que começou o experimento e que me cedeu a oportunidade de realizá-lo
como monografia. Agradeço pela companhia diária, ajuda no trabalho e pela grande amizade.
Ao meu irmão, Sidney, por estar presente em todos os momentos importantes da minha
vida, pelas noites em claro estudando ou desabafando comigo.
À Marcelle, pelos estudos, pelos almoços, pelo ombro amigo, pela grande companhia
que faz e pela grande falta que fez. À Roberta, pelos estudos, saídas, viagens e,
principalmente, por toda a ajuda que me deu nesse último período, foi quem resolveu tudo por
mim na faculdade durante esse estágio na Embrapa.
Aos meus amigos que me acompanharam durante toda minha vida acadêmica, Gil,
Nathalia, Aline, Briane, Hildo, Fernanda Bracinho e Wagner, companheiros de aulas práticas,
trabalhos em grupo, estudos durante a madrugada e muito mais.
8
Aos meus grandes amigos, Tat, Lét, Leozinho, Léo, que estiveram comigo durante
grande parte da minha vida, nos melhores e piores momentos. Amizades verdadeiras que
levarei para sempre.
Aos laboratórios Calier do Brasil pelo fornecimento do hormônio Afisterone®.
Aos laboratórios Farmavet, pelo fornecimento do hormônio Estrogin®.
9
RESUMO
O objetivo deste estudo foi avaliar a eficiência da utilização de protocolos curtos de 13
dias para a indução de lactação em cabras leiteiras. Foram utilizadas 22 cabras das raças
Saanen (n=8) e Toggenburg (n=14) com idade entre 30 meses e 10 anos, nulíparas e
pluríparas e não gestantes por pelo menos duas estações de acasalamento subseqüentes. Os
animais foram eqüitativamente distribuídos de acordo com peso e escore da condição corporal
(variação de 1 a 5), respectivamente, em dois tratamentos: T1 (n=11; 51,31 ± 9,59 e 3,39 ±
0,39) e T2 (n=11; 50,65 ± 8,40 e 3,45 ± 0,52). Em T1, os animais receberam sete aplicações
em dias alternados (D0, D2, D4, D6, D8, D10 e D12) por via intramuscular de 0,25 mg / Kg
p.v. benzoato de estradiol e 0,75 mg / Kg p.v. progesterona. Em T2, manteve-se o mesmo
esquema de administração de benzoato de estradiol, entretanto a progesterona foi
administrada, nos primeiros sete dias (D0 a D6). Amostras de leite foram coletadas e enviadas
ao laboratório para avaliação de seus constituintes. A eficácia na indução de lactação foi
semelhante (P>0,05) para os animais de T1 (n=9; 81,8 %) e T2 (n=10; 90,9 %) ou entre
nulíparas (n=10; 90,9 %) e pluríparas (n=9; 81,8 %). A produção de leite total no primeiro
mês foi semelhante (P>0,05) entre os animais induzidos em T1 (543 ± 429 Kg) e em T2 (847
± 737 Kg) ou entre nulíparas (791 ± 489 Kg) e pluríparas (668 ± 619 Kg). Os aspectos
qualitativos do leite foram avaliados pelos parâmetros de gordura, proteína, lactose, extrato
seco total e contagem de células somáticas, obtendo médias para T1 de 4,05 ± 0,24 ; 3,73 ±
0,12 ; 4,30 ± 0,05 ; 13,14 ± 0,34 e 1904 ± 430 respectivamente e médias para T2 de 4,02 ±
0,22 ; 3,71 ± 0,27 ; 4,21 ± 0,28 ; 13,21 ± 0,43 e 2567 ± 613, respectivamente. Estes valores
estiveram dentro do padrão da espécie caprina, não havendo diferença entre os tratamentos
(P>0,05). Os protocolos utilizados induziram eficientemente a lactação em cabras.
Palavras–chave: Indução de lactação, estrógeno, progesterona, cabra
10
ABSTRACT
The objective of this study was to evaluate the efficiency of 13-day short-term protocols
in induction of lactation in dairy goats. Twenty two Saanen (n=8) and Toggenburg (n=14)
goats, nuliparous or pluriparous, ageing 30 months to 10 years, not pregnant at least for two
subsequent breeding seasons were used. The animals were equally assigned according to
weight and body condition score (1 to 5), respectively, to two treatments: T1 (n=11; 51.31 ±
9.59 ; 3.39 ± 0.39) and T2: (n=11; 50.65 ± 8.40 ; 3.45 ± 0.52). In T1, animals received 0.25
mg / Kg l.w. of benzoate of estradiol and 0.75 mg / Kg l.w. of progesterone in D0, D2, D4,
D6, D8, D10 and D12. In T2, the administration of benzoate of estradiol was the same and
progesterone administration was done on the first seven days (D0 to D6). Milk samples were
collected and sent to the laboratory to evaluate the composition. The efficacy of inducedlactation was similar (P>0.05) between T1 (n=9; 81.8 %) and T2 (n=10; 90.9 %) or between
nuliparous (n=10; 90.9 %) and pluriparous (n=9; 81.8 %). The milk yield in the first month
was similar between T1 (543 ± 429 Kg) and T2 (847 ± 737 Kg) or between nuliparous (791 ±
489 Kg) and pluriparous (668 ± 619 Kg) (P>0.05). The qualitative aspects of milk were
evaluated for fat, protein, lactose and somatic cell count and had an average for T1 of 4.05 ±
0.24 ; 3.73 ± 0.12 ; 4.30 ± 0.05 ; 13.14 ± 0.34 and 1904 ± 430 respectively, and an average
for T2 of 4.02 ± .22 ; 3.71 ± 0.27 ; 4.21 ± 0.28 ; 13.21 ± 0.43 e 2567 ± 613, respectively.
These parameters were in the normal range for goats. The milk composition didn`t differ
between treatments (P>0.05). The protocols used in this study induced efficiently the lactation
in goats.
Keyworks: Induction of lactation, estrogen, progesterone, goat
11
LISTA DE ILUSTRAÇÕES
Figura 1. Granja Água Limpa...................................................................................................28
Figura 2. Cabra #46 antes da utilização do protocolo hormonal...............................................34
Figura 3. Cabra #46 após a utilização do protocolo hormonal ................................................34
Figura 4. Produção de leite semanal em cabras da Classe A induzidas artificialmente à
lactação......................................................................................................................................36
Figura 5. Imagem ultra-sonográfica de hidrometra da cabra #46 antes do tratamento
hormonal...................................................................................................................................41
Figura 6. Imagem ultra-sonográfica da cabra #46 após o tratamento hormonal.......................41
12
LISTA DE TABELAS
Tabela 1. Características individuais das cabras Saanen e Toggenburg selecionadas para a
indução de lactação e sua divisão em Tratamento I ou Tratamento II, sendo P.O. = Puro de
Origem; P.C. = Puro de cruza; P.D. = Puro por Cruza de Origem Desconhecida; S.R.D. = Sem
Raça Definida (Mestiças); T = Toggenburg; S = Saanen; ECC = Escore da Condição
Corporal; NP = Número de Partos; CAT = Categoria (1 = nulíparas e 2 = pluríparas); TRAT =
tratamento hormonal do grupo..................................................................................................30
Tabela 2. Valores médios normais para gordura, proteína, lactose e extrato seco total para o
leite de cabra e valores obtidos após indução artificial da lactação para o tratamento 1 e
tratamento 2...............................................................................................................................38
Tabela 3. Exames ultra-sonográficos realizados antes, no término e sete dias após o término
do protocolo hormonal utilizado para induzir cabras não gestantes e não lactantes à
lactação................................................................................................................................39-40
13
LISTA DE ABREVIATURAS
B.E. – Benzoato de Estradiol
bST – Somatotropina Bovina
CCS – Contagem de Células Somáticas
ECC – Escore da Condição Corporal
EST – Extrato Seco Total
g - Grama
GH – Hormônio do Crescimento
GOR – Gordura
Kg - Kilogramas
LAC – Lactose
mg - miligramas
MHz - Megahertz
P4 – Progesterona
PIF – Fator Inibidor da Prolactina
PL – Lactogênio-Placentário
PRL - Prolactina
PTH – Paratormônio
PTN – Proteína
rbPRL – Prolactina Recombinante Bovina
ST – Somatotropina
14
T1 – Tratamento 1
T2 – Tratamento 2
15
SUMÁRIO
1
INTRODUÇÃO...........................................................................................................17
2
REVISÃO DE LITERATURA..................................................................................19
2.1
Aspectos Gerais...........................................................................................................19
2.2
Hormônios protéicos...................................................................................................19
2.3
Hormônios esteróides..................................................................................................22
2.4
Hidrometra..................................................................................................................26
2.5
Protocolo Hormonal X Saúde Pública......................................................................26
3
MATERIAL E MÉTODOS........................................................................................28
3.1
Local do Estudo...........................................................................................................28
3.2
Seleção das cabras.......................................................................................................28
3.3
Características individuais.........................................................................................29
3.4
Tratamento hormonal.................................................................................................30
3.5
Alimentação.................................................................................................................30
3.6
Ordenha e coleta de amostras de leite.......................................................................31
3.7
Controle dos animais..................................................................................................32
3.8
Análises Estatísticas....................................................................................................32
4
RESULTADOS E DISCUSSÃO................................................................................33
5
CONCLUSÃO.............................................................................................................43
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS......................................................................44
16
1. INTRODUÇÃO
O número de caprinos no mundo é estimado em 743.374.353 animais e o Brasil possui
o nono maior rebanho, com um efetivo de 10.046.888, sendo que 237.416 encontram-se na
Região Sudeste (2,36 %) (FAO, 2003). Segundo o IBGE (2004), o efetivo que apresentou
maior variação positiva no país foi o de caprinos (4,86%). Porém, em termos de produção, o
Brasil encontra-se mais distante do topo (15° lugar), produzindo cerca de 141.000 toneladas
de leite de cabra, enquanto o mundo produz 12.048.890 de toneladas (FAO, 2002).
O leite de cabra é único em múltiplas utilizações. Possui menor alergenicidade devido,
em parte, à menor presença de alfa-s-1-caseína. As proteínas apresentam menor poder
aglomerante e o coalho é menor e mais suave. Os triglicerídeos presentes em maior
quantidade, aumentam a digestibilidade da gordura no leite de cabra, além de maior teor de
vitamina A, cálcio, magnésio, potássio e fósforo, quando comparado ao leite de vaca
(HAENLEIN, 2004). Crianças que se alimentam de leite de cabra possuem ganho de peso 9 %
maior
quando
comparadas
com
crianças
alimentadas
com
leite
de
vaca
(RAZAFINDRAKOTO et al., 1993). Além disso, o leite é matéria prima dos melhores queijos
do continente europeu, possui uso terapêutico e em cosméticos (CORDEIRO, 2006).
Em médias e altas latitudes, caprinos leiteiros apresentam comportamento reprodutivo
sazonal. A indução de estro pode ser eficientemente obtida por vários métodos, todavia,
mesmo sendo submetidas à indução de estro, percentual significativo de fêmeas pode não
ficar gestantes (FONSECA, 2006), prejudicando a produção de leite na entressafra. Animais
de elevada produção leiteira podem estar envolvidos. Outrossim, animais não lactantes e não
gestantes concorrem para a diminuição da eficiência produtiva dos rebanhos caprinos
leiteiros. Neste contexto, a indução da lactação pode ser uma ferramenta importante.
A indução de lactação em fêmeas não gestantes pode ser uma alternativa para aumentar
os lucros, reduzindo o número de animais encaminhados para o abate. A utilização de
17
protocolos hormonais promove indução de lactação sem o estresse do parto, gera uma
oportunidade ao produtor de utilizar fêmeas que sofreram aborto (SMITH & SHERMAN,
1994) ou alta-produtoras, incapazes temporária ou permanentemente de se tornarem gestantes
por problemas reprodutivos diversos (hidrometra, distocias). Além disso, permite a
manutenção da quota de produção de leite, sendo uma alternativa para o manejo alimentar de
cabritos nascidos de partos múltiplos (MELLADO et al., 1996; JEWELL, 2002).
O objetivo deste estudo foi avaliar protocolos de indução e testar a capacidade de
produção de leite em cabras de descarte não gestantes das raças Saanen e Toggenburg, tanto
nulíparas quanto pluríparas, por meio da indução artificial da lactação em protocolos curtos,
utilizando hormônios esteróides.
18
2. REVISÃO DE LITERATURA
2.1 Aspectos gerais
O processo no qual a fêmea é capaz de produzir leite denomina-se lactação. Em um
processo fisiológico, a maturação das glândulas mamárias é iniciada quando ocorre a
implantação e desenvolvimento do embrião no útero. No último mês de gestação, as glândulas
mamárias terminam seu desenvolvimento, devido à hipertrofia das células do parênquima e
distensão dos alvéolos com colostro (NORMAN & LITWAK, 1997).
O processo de lactação pode ser dividido em três estágios: mamogênese (crescimento e
desenvolvimento dos tecidos), lactogênese (processo de formação e secreção do leite) e ejeção
do leite (quando ocorre estímulo / sucção). Vários hormônios estão envolvidos no crescimento
e desenvolvimento da glândula mamária (NORMAN & LITWAK, 1997).
2.1 Hormônios protéicos
O paratormônio (PTH) é necessário para uma ótima lactação. Paratireoidectomia em
fêmeas lactantes leva a uma depressão na produção de leite. Isto pode ocorrer devido a uma
perturbação nas ações do PTH diretamente no tecido mamário, na mobilização de cálcio ósseo
para disponibilizar para a produção de leite ou não estimulando a produção renal de vitamina
D (NORMAN & LITWAK, 1997).
O hormônio de crescimento (GH) ou somatotropina (ST) faz parte de uma família de
hormônios somatolactogênicos (crescimento, morfogênese e reprodução), que integra a
prolactina (PRL) e o lactogênio-placentário (PL) (RODRIGUES et al., 1998). Em ruminantes,
esses hormônios, mostram atividades lactogênica e somatogênica, diferentes quanto à
intensidade de ação (BYATT et al., 1992).
Nas fêmeas mamíferas, a ação biológica da PRL é mediar a proliferação e diferenciação
das glândulas mamárias e permitir após estímulo apropriado, a secreção do leite (VENZKE,
19
W.G., 1986). A PRL tem a função de iniciar a lactação (lactopoiese). Byatt et al. (1997),
relataram que o DNA mamário total não diferiu entre novilhas tratadas com Prolactina
Recombinante Bovina (rbPRL) ou novilhas do grupo controle. Todavia, o tratamento com
rbPRL aumentou o peso do tecido e estimulou a diferenciação do tecido mamário.
A concentração de PRL no sangue de vacas não obteve grande correlação com a
produção de leite e suplementação com PRL não resultou em aumento na produção de leite
(PLAUT et al., 1987). Este hormônio exerce papel fundamental no controle hormonal da
manutenção da lactação, exceto em ruminantes, onde o GH exerce papel dominante
(FORSYTH, 1989).
O GH é o fator regulador comum dos vários aspectos metabólicos que envolvem o
crescimento e a lactação em bovinos, possuindo uma função galactopoiética, ou seja, ele é
capaz de manter a gestação (RODRIGUES et al., 1998).
Uma das ações estimuladas pelo GH é o aumento do fluxo sanguíneo no úbere
(aumento da perfusão), para maior captação dos precursores do leite. O GH também altera a
capacidade secretora das células e promove a persistência da lactação por diminuir a taxa de
involução mamária (GLUCKMAN & BREIER, 1987). Por meio da regulação do
metabolismo de carboidratos, o GH disponibiliza em vacas gestantes grandes quantidades de
glicose para a síntese de lactose pela glândula mamária (RODRIGUES et al., 1998).
Jordan et al. (1981) relataram que vacas induzidas obtiveram concentrações plasmáticas
de bST (somatotropina bovina) menores do que em vacas lactantes devido ao parto, sugerindo
sua administração no protocolo de indução.
Vacas hormonalmente induzidas a lactação com estrogênio e progesterona produziram
mais leite em resposta ao bST do que vacas do grupo controle que não receberam bST. As
administrações foram realizadas em intervalos de duas semanas, durante dez semanas. Uma
20
análise econômica foi feita para estimar a lucratividade da utilização do bST em vacas
induzidas e obteve resultados satisfatórios (MAGLIARO et al., 2004).
Em cabras Saanen no estádio final da lactação, o bST aumentou a produção de leite em
29 % comparado ao grupo controle (BALDI, 1999). Todavia, sua utilização ainda é muito
contraditória, pois o seu papel durante a lactogênese não é claro. Segundo Tucker (2000), a
hipótese de que o GH não possui um papel importante no início da lactação em vacas parece
ser bem razoável.
O lactogênio-placentário (PL) de ruminantes parece estimular ou provocar o
crescimento mamário (lóbulo-alveolar), agindo no influxo e distribuição de nutrientes,
estimulando a produção de leite (RODRIGUES et al., 1998).
Vinte e três novilhas induzidas à lactação utilizando protocolo de estradiol 17ß (0,05
mg / Kg) e progesterona (0,25 mg / Kg) por sete dias, foram divididas em dois grupos. O
primeiro recebeu PL (40 mg / dia) e o segundo recebeu placebo, durante 18 dias. Entre a 3ª e
8ª semana de lactação, a produção de leite nas novilhas do primeiro grupo foi 22 % maior.
Administração diária de GH bovino (D 57 a D 66 pós lactação) elevou a produção de leite em
ambos os grupos, com um aumento bem mais acentuado no primeiro. Sugeriu-se neste estudo
que o PL é mamogênico e constitui um dos fatores de regulação do crescimento mamário
durante a gestação em bovinos (BYATT, 1997). Porém, há indícios que este hormônio
assume diferentes funções nas várias espécies de ruminantes (FORSYTH, 1986), não se
conhecendo ao certo sua função na espécie caprina.
O desempenho da lactação depende de vários genes codificadores de hormônios
protéicos, como gene da PRL, GH e do PL em determinadas espécies. Além destas proteínas,
os hormônios esteróides (estrogênio e progesterona – não codificado por genes, mas
dependentes de enzimas para sua produção) controlam a lactação (RODRIGUES et al., 1998).
21
2.3 Hormônios esteróides
Com respeito ao envolvimento de hormônios esteróides na lactação, nem o estrogênio,
nem a progesterona são essenciais para estabilizar a secreção de leite. Ovariectomia não tem
efeito na produção de leite em lactação estabilizada em vacas (TUCKER et al., 1967). Porém,
se a ovariectomia for realizada junto com a remoção da adrenal ou hipófise anterior a
lactogênese não ocorre. Isso enfatiza o conceito de que vários fatores interferem positiva ou
negativamente na lactogênese. Em cabras, hormônios esteróides adrenais têm sido
considerados essenciais para a indução e manutenção da secreção de leite (NORMAN &
LITWAK, 1997).
Os efeitos da progesterona são mediados pelos seus receptores nucleares, e como seus
receptores são induzidos pelo estrogênio na maioria dos tecidos (HASLAM & SHYAMALA,
1979), a delineação dos efeitos específicos da progesterona, como distintos dos efeitos do
estrogênio, não são claros (GRAHAM & CLARKE, 1997). Sabe-se que o estrogênio regula o
crescimento mamário por meio de receptores específicos no tecido mamário (PUCA &
BRESCIANI, 1969).
Evidências em camundongos mostraram que o estrogênio inicialmente induziu a
proliferação do estroma seguido de proliferação dos ductos. Em vacas, entretanto, nem os
adipócitos, nem os fibroblastos do estroma mamário se proliferaram em resposta ao
estrogênio, o que mostra que existem diferenças na regulação hormonal na mamogênese entre
as espécies (TUCKER, 2000).
Estudos em cabras ovariectomizadas demonstraram que essa espécie, quando submetida
à administração somente de estrogênio é capaz de levar ao desenvolvimento dos ductos e
tecido lóbulo-alveolar mamário. Porém, ao mesmo tempo, os autores sugeriram que o
estrogênio sozinho é incapaz de levar ao desenvolvimento alveolar ótimo, ou seja, ao
crescimento do sistema lóbulo-alveolar comparado ao da gestação (COWIE et al., 1952).
22
Folley & Malpress (1948) sugeriram que ruminantes poderiam requerer além do
estrogênio, também a progesterona para atingir o desenvolvimento do sistema alveolar, como
se conhecia para outras espécies (camundongos e coelhos), sendo necessária na indução
artificial de lactação.
Além disso, o tecido secretório desenvolvido pelo tratamento de estrogênio associado à
progesterona é histologicamente mais semelhante ao tecido de uma lactação não induzida, que
os tecidos desenvolvidos pelo tratamento somente de estrogênio (FOLLEY et al., 1940;
COWIE et al., 1952).
Atualmente, sabe-se que estrógenos são responsáveis pelo crescimento do sistema de
ductos enquanto a progesterona cria o sistema secretório, assim como causam uma diminuição
no fator inibidor de prolactina (PIF), estimulando ambos, o desenvolvimento alveolar. O
estrogênio também está envolvido na iniciação da lactogênese no momento do parto. Isso
ocorre de duas formas: 1) estimula a liberação de PRL pela hipófise anterior e, 2) aumenta o
número de receptores para PRL nas células mamárias. Embora a PRL esteja sendo secretada
na gestação e as glândulas mamárias estejam se desenvolvendo, o leite não é sintetizado
devido aos altos níveis de progesterona que bloqueiam receptores glucocorticóides, que
possuem um papel importante no desenvolvimento da glândula mamária, levando a uma
diferenciação das células alveolares (TUCKER, 2000). Quando os níveis de progesterona
caem, as células mamárias tornam-se funcionais (SMITH & SCHANBACHER, 1973;
NORMAN & LITWAK, 1997).
Combinações exógenas de progesterona e estrogênio agem sinergicamente para
estimular o crescimento lóbulo-alveolar, porém, estudos recentes mostram que são os altos
níveis de progesterona durante a gestação que ajudam a regular esse crescimento (TUCKER,
2000).
23
A utilização de estrógenos e progesterona sozinhos ou em associação, pode levar ao
desenvolvimento da glândula mamária e iniciar a lactação em fêmeas bovinas (HAMMOND,
1944; COLLIER, 1976; CHAKRIYARAT, 1978; PEEL, 1978). Entretanto, foi mostrado que
a combinação de estrógenos e progesterona exógenos alcançam somente 73 % do
desenvolvimento das glândulas mamárias do que o observado durante a gestação normal em
vacas (SUD et al., 1968). Primeiramente, foram utilizados protocolos hormonais longos com
administrações de esteróides por 120 a 180 dias (HANCOCK, 1954; TURNER, 1956).
Todavia, estes tratamentos hormonais geralmente resultavam em baixa produção de leite com
média relativamente baixa de vacas responsivas, gerando uma baixa eficiência (JEWELL,
2002).
Cowie et al. (1952) compararam a eficiência na indução de lactação em cabras por meio
de pellets impregnados de estrógeno associado a progesterona, por 70 ou 140 dias. Os autores
encontraram evidências de uma correlação negativa entre a duração do tratamento e o
desempenho durante a lactação.
Benson et al. (1955), utilizaram o protocolo de 0,5 mg de hexoestrol e 70 mg de
progesterona por dia durante 150 dias em 14 cabras, em ambos os tratamentos. Porém, no
segundo tratamento, procedeu-se a administração de 0,25 mg de hexoestrol por dia, durante
15 dias pós-lactação, o que corresponderia fisiologicamente aos 15 dias pós-parto. Não houve
diferença significativa na produção de leite em ambos os grupos.
Smith & Schanbacher (1973) reportaram que a lactação em vacas poderia ser
eficientemente induzida por meio de um protocolo curto de sete dias, associando estradiol ß
17 e progesterona. A justificativa deste tratamento proposto foi a tentativa de mimetizar o que
ocorre no último mês de gestação em vacas, ou seja, altos níveis destes hormônios esteróides,
enquanto ocorre grande aumento no desenvolvimento mamário (MAGLIARO et al., 2004).
Com a utilização do proposto protocolo os autores supracitados obtiveram uma taxa de 60 %
24
de sucesso na indução, porém com grande variabilidade na produção de leite dentre as vacas
responsivas. Essa produção variável também foi relatada em estudos realizados
posteriormente em vacas (COLLIER et al., 1975, COLLIER et al., 1977; CHAKRIYARAT et
al., 1978; KESINGER et al., 1979; BYATT et al., 1994) e em cabras (MELLADO et al.,
1996). Posteriormente, sugeriram-se modificações no sentido de aumentar a eficiência na
indução hormonal das fêmeas em estudo, além de diminuir a variabilidade na resposta à
produção de leite, utilizando os diversos hormônios envolvidos nos diferentes estádios da
lactação (JEWELL, 2002).
Vacas tratadas com reserpina, um tranqüilizante que aumenta níveis de PRL no sangue,
produziram mais leite do que em vacas do grupo controle (COLLIER, 1977; PEEL et al.,
1978; KESINGER et al., 1979). Protocolos com dexametasona (BALL et al., 2000) ou acetato
de fluoroprednisolona (glucorticóides), têm aumentado o sucesso nos protocolos de indução
(TUCKER & MEITES, 1965; CKAKRIYARAT, 1978).
Outras tentativas para aumentar a produção de leite envolvem a administração de GH
no início da ordenha em vacas induzidas, que aumentou a produção de leite (28,3 Kg / dia),
comparado ao grupo controle (24,1 Kg / dia) que recebeu somente estrogênio e progesterona
(KESINGER et al., 1998).
Mellado et al. (1996) induziram cabras mestiças com cipionato de estradiol e
progesterona por sete dias. Após 11 dias, administraram doses de dexametasona por três dias.
Os autores obtiveram 95 % de sucesso na indução, porém com produções muito variáveis e
atingindo valores muito baixos, comparados ao grupo controle.
Não está completamente elucidado porque alguns animais respondem ao processo de
indução de lactação melhor do que outros. Todavia, o fator genético constitui o principal
gerador das diferenças de performance observadas entre os indivíduos de uma população, ou
de raças diferentes, durante a lactação não induzida (RODRIGUES et al., 1998).
25
Vacas previamente induzidas à lactação não apresentam alterações em sua performance
reprodutiva, ou produção de leite na lactação seguinte. A produção de leite foi idêntica
(P<0,05) entre grupos induzidos a lactação anteriormente e grupos controle. Além disto, não
houve diferença entre os constituintes do leite (porcentagens de lactose, proteína, gordura) ou
CCS entre os grupos controle e previamente induzidos a lactação (BALL et al., 2000).
Concentrações de estrogênio e progesterona no leite produzido por vacas
hormonalmente induzidas foram similares aos valores presentes no leite de vacas em lactação
no pós-parto (JORDAN et al., 1981).
Magliaro et al. (2004) encontraram vantagens econômicas significantes induzindo vacas
improdutivas a lactarem artificialmente. O custo de reposição de novilhas seria mais alto do
que todo o gasto com os protocolos de indução, sem contabilizar custos com a inseminação
artificial. Adicionalmente, as vacas induzidas artificialmente, estão livres de patologias do
pós-parto como febre do leite, cetose, retenção de placenta ou deslocamento de abomaso.
2.4 Hidrometra
Pseudo-gestação em cabras é caracterizado por uma condição patológica do útero
quando ocorre acúmulo de um fluido asséptico no lúmen, na presença de corpo lúteo
persistente. Esta condição uterina denomina-se hidrometra e corresponde a maior causa de
subfertilidade em cabras (KORNALIJNSLIJPER, et al., 1997). É uma doença comum em
cabras leiteiras e sua etiologia e patogênese não estão completamente elucidadas (WITTEK et
al., 1998). A presença deste fluido no útero pode ser facilmente diagnosticada por meio de
avaliações ultra-sonográficas (KORNALIJNSLIJPER, et al., 1997).
2.5 Protocolo hormonal X Saúde Pública
Esse protocolo hormonal não causa prejuízo à saúde pública, pois o leite produzido em
indução artificial de lactação não difere do leite do pós-parto, tanto em seus constituintes,
26
como nos teores de estrogênio e progesterona em vacas (JORDAN et al., 1981), ou em cabras
(MELLADO et al, 1996). Todavia, existe um período de carência para utilização deste leite na
alimentação. Segundo os fabricantes dos hormônios, esse período corresponde a 10 dias,
devendo o leite ser descartado neste tempo (Estrogin®, Farmavet).
27
3. MATERIAL E MÉTODOS
3.1 Local do estudo
O estudo foi realizado entre os meses de Março a Junho de 2007 na Granja Água
Limpa, situada no município de Piau, MG, a uma altitude de 411m e 21°31’76’’Sul e
43°16’79’’Oeste de latitude e longitude respectivamente. A temperatura máxima neste
período foi 27,4° C e a mínima 23,9° C e a média da umidade 73,7 %.
As construções do capril são em estrutura metálica, coberta com telhas de aço zincado e
divisórias de arame liso e estacas de aço, com piso suspenso em madeira ripada. As baias
possuem uma área de 30m² (15m de comprimento por 2m de largura), onde foi fornecida a
alimentação em pista de trato. São dotadas internamente de cocho para sal mineral,
bebedouros e rampa de alimentação. A parte lateral apresenta fileiras de árvores para proteção
do sol e dos ventos.
Figura l. Granja Água Limpa.
3.2 Seleção das cabras
Todas as cabras selecionadas apresentavam histórico de problemas reprodutivos,
formando um grupo de fêmeas que seriam encaminhadas para descarte. Todos os animais
28
foram desverminados e vacinados contra linfadenite caseosa, pneumoenterite e pasteurelose.
Foi realizada a tosquia da garupa e do úbere para uma maior higienização e após a palpação
do úbere, evidenciou-se a presença de ambas as glândulas mamárias em todos os animais.
Realizou-se o teste da caneca do fundo preto para descartar a possibilidade de mastite clínica.
Todas as cabras foram avaliadas por meio de ultra-som (Aloka® SSD 500, Japão) utilizando
transdutor linear trans-retal de 5 MHz para averiguar a presença de patologias ovarianas ou
uterinas. As cabras que apresentaram alterações na ultra-sonografia receberam o mesmo
tratamento das demais e tiveram seus dados anotados para um posterior controle.
3.3 Características Individuais
O grupo selecionado constituía-se de vinte e duas cabras não lactantes e não gestantes
das raças Saanen (n=8) e Toggenburg (n=14), com idade entre 30 meses e dez anos. Nulíparas
(n=5; 50,28 ± 9,64 e 3,5 ± 0,5) e pluríparas (n=17; 51, 19 ± 8,85 e 3,40 ± 0,45) foram
eqüitativamente distribuídas de acordo com peso e escore da condição corporal (ECC)
respectivamente, em dois tratamentos (T1, n=11, 51,31 ± 9,59 ; 3,39 ± 0,39) e (T2, n=11,
50,65 ± 8,40 ; 3,45 ± 0,52) para indução da lactação (Tabela 1).
29
TABELA 1. Características individuais das cabras Saanen e Toggenburg selecionadas para a indução de
lactação e sua divisão em Tratamento I ou Tratamento II, sendo P.O. = Puro de Origem; P.C. = Puro de cruza; P.D. =
Puro por Cruza de Origem Desconhecida; S.R.D. = Sem Raça Definida (Mestiças); T = Toggenburg; S = Saanen; ECC =
Escore da Condição Corporal; NP = Número de Partos; CAT = Categoria (1 = nulíparas e 2 = pluríparas); TRAT =
tratamento hormonal do grupo.
CABRA
NÚMERO
0210
0050
3364
3389
2571
4427
97006
0018
0026
4417
4438
99178
0046
97009
3391
4452
0024
2328
97004
2064
4441
99111
GRAU
DATA DE
PESO
DE
RAÇA NASCIMENTO (Kg) ECC NP CAT TRAT
SANGUE
P.O.
S.R.D.
P.O.
P.O.
P.O.
P.O.
S.R.D.
S.R.D.
S.R.D.
P.D.
P.O.
P.O.
P.D.
S.R.D.
P.D.
P.C.
S.R.D.
S.R.D.
S.R.D.
P.D.
P.C.
P.O.
T
T
T
T
T
T
S
S
S
S
T
T
T
T
T
T
S
S
S
T
S
T
20/08/2000
01/01/2000
12/02/2003
12/07/2003
09/11/2002
09/10/2004
01/01/1997
01/01/2000
01/01/2000
14/08/2004
01/01/2004
09/12/1999
01/01/2000
01/01/1997
17/12/2003
10/09/2004
01/01/2000
09/11/2002
01/01/1997
17/06/2002
14/09/2004
01/01/1999
56,2
59,8
50,0
41,2
54,2
40,8
67,5
47,0
39,5
63,2
45,0
41,6
47,6
64,0
42,5
43,8
65,5
56,0
53,5
50,0
50,2
42,5
3,5
3,75
3,5
2,75
3,75
3,25
3,75
3,0
2,75
3,75
3,5
3,25
3,5
3,75
3,5
3,5
3,75
3,75
3,5
2,0
4,0
3,5
2
3
1
0
2
0
2
1
2
0
2
4
2
1
1
1
1
0
2
1
0
4
2
2
2
1
2
1
2
2
2
1
2
2
2
2
2
2
2
1
2
2
1
2
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
2
2
2
2
2
2
2
2
2
2
2
3.4 Tratamento Hormonal
Em T1, os animais receberam sete aplicações em dias alternados por via intramuscular
de 0,25 mg / Kg p.v. benzoato de estradiol (Estrogin® Farmavet, São Paulo, Brasil) e 0,75 mg
/ Kg p.v. progesterona (Afisterone® Laboratórios Calier, Osasco, Brasil) no D0, D2, D4, D6,
D8, D10 e D12. Em T2, manteve-se o mesmo esquema de administração de benzoato de
estradiol, entretanto a progesterona foi administrada em dias não alternados, nos primeiros
sete dias (D0 a D6).
30
3.5 Alimentação
As cabras inicialmente foram alimentadas com capim elefante picado (Pennisetum
purpureum) e sal mineral ad libidum, 200g de feno de Tifton, 1 Kg de silagem de milho e 1
Kg de concentrado especial para cabras em lactação (21 % de Proteína Bruta e 85 %
Nutrientes Digestíveis Totais por animal). Após a primeira ordenha (D20), dobrou-se a
quantidade de concentrado fornecido, totalizando em média 2 Kg por animal e foram
fornecidos 100 g de caroço de algodão por dia por cabra. As sobras foram coletadas para
pesagem.
3.6 Ordenha e coleta de amostras de leite
Após oito dias da última administração hormonal, todas as cabras foram submetidas à
ordenha manual (D20), duas vezes ao dia, pela manhã às 08 horas e à tarde às 17 horas.
Foram realizadas pesagens do leite com uma balança eletrônica (Toledo do Brasil®,
modelo 9094-I) e as produções anotadas em fichas individuais, em ambas as ordenhas diárias
e perdurou durante 15 dias. Após os 15 dias iniciais, o leite foi pesado coletivamente,
obtendo-se então, somente o valor da produção total das cabras e semanalmente prosseguiram
as pesagens individuais. A persistência da lactação foi acompanhada até os 50 dias de lactação
(D 70).
Amostras de leite foram coletadas no dia cinco (D25) e sete (D27) dias após, e então
semanalmente (D34 e D43). Essas amostras foram enviadas para o Laboratório de Qualidade
do Leite, no Centro Nacional de Pesquisas em Gado de Leite na Embrapa de Juiz de Fora.
Foram realizados testes para Contagem de Células Somáticas (CCS), teores de Proteína
(PTN), Gordura (GOR), Lactose (LAC) e Extrato Seco Total (EST), por meio do
equipamento Bentley Combi 2300 (International Dairy Federation, 1995 ; International Dairy
Federation, 1996).
31
3.7 Controle dos animais
Foi realizada a pesagem de todas as cabras a cada sete dias sempre imediatamente após
a ordenha, antes de receberem a alimentação à base de concentrados, além de avaliação de
ECC. Avaliações ultra-sonográficas foram realizadas ao final do tratamento hormonal (D16) e
uma semana após (D23) para detectar possíveis alterações.
3.8 Análises Estatísticas
A análise estatística compreendeu a análise de variância para comprovação de
diferenças entre variáveis quantitativas, cujas médias foram testadas pelo teste de SNK (5%).
Variáveis não-paramétricas foram avaliadas pelo teste do qui-quadrado (λ2). Estes testes
foram realizados por meio do programa SAS (Statistical Analysis Systems).
32
4. RESULTADOS E DISCUSSÃO
Das vinte e duas cabras induzidas hormonalmente à lactação, três apresentaram
produção insignificante (13,6 %), sendo então consideradas não responsivas (20 g de leite por
dia) e foram retiradas do experimento aos 15 dias após a primeira ordenha. Destas, duas se
encontravam no T1 (uma nulípara e uma plurípara) e uma no T2 (plurípara). Não houve
diferença na eficácia dos protocolos quanto à indução da lactação, entre os tratamentos (T1 =
81,8 % ou T2 = 90,9 %) ou entre categorias (nulíparas = 90,9 % ou pluríparas = 81,8 %)
(P>0,05).
O T1 foi estabelecido de acordo com o protocolo adotado por Cammuso et al., (2000)
onde os autores obtiveram valores variando de 20 a 530 g de leite / dia / cabra no primeiro
mês. O presente estudo obteve média na produção no primeiro mês de 20 a 1488 g de leite /
dia / cabra. O T2 foi proposto na tentativa de mimetizar o mais próximo possível o momento
do parto, quando ocorre uma queda brusca nos valores plasmáticos de progesterona
concomitante a um aumento no estrogênio circulante. Como citado por Tucker (2000), o
estrogênio é necessário na iniciação da lactogênese após o parto, enquanto a progesterona
bloqueia receptores glucocorticóides inibindo a síntese de leite. A produção de leite no
primeiro mês para T2 variou de 21 a 2562 g de leite / dia / cabra.
Segundo Tucker (2000), na não utilização da PRL ou do GH, os esteróides ovarianos,
estrogênio e progesterona falharam em estimular a mamogênese. Todavia, o presente estudo
obteve sucesso na indução por meio de protocolos curtos somente com hormônios esteróides,
como pode-se visualizar nas Figuras 2 e 3.
33
Figura 2. Cabra # 0046 antes da utilização do protocolo hormonal.
Figura 3. Cabra # 0046 após a utilização do protocolo hormonal.
34
Embora não precisamente quantificado, as cabras permaneceram em estro durante ≅ 15
dias após o término do tratamento hormonal. Uma justificativa para isto pode ser devido ao
fato de que em vacas, a progesterona declina rapidamente após a última aplicação de estradiol
ß 17 e progesterona, porém o estrogênio declina somente sete dias após esse tratamento (ERB
et al., 1976).
A cabra de número 99178 (T2), que estava produzindo em média 160 g, adoeceu e foi
retirada do experimento. A fêmea de número 4417 (4,5 %) (T1), com produção média diária
de 650g de leite, secou espontaneamente aos 33 dias (D 53) de lactação, sendo que fato
semelhante foi observado por Mellado et al. (1996), em 20 % das cabras induzidas. A cabra
de número 26 (T1) apresentou mastite clínica, corroborando com os resultados da CCS, onde
obteve as maiores médias do grupo. Desta forma, mesmo produzindo cerca de 1000 g de leite
por dia, a fêmea foi removida do estudo.
Após o controle leiteiro no trigésimo dia de lactação, as cabras responsivas foram
divididas em duas classes: Classe A (produção média superior a 400 g de leite por dia) e B
(produção média inferior a 400 g de leite por dia). As cabras da classe B (T1 = 3 e T2 = 2),
foram removidas do experimento. Desta forma, das vinte e duas cabras que iniciaram a
lactação, mantiveram-se somente onze (T1 = 4 e T2 = 7), que produziram em média 923 ±
362 g de leite por dia em T1 e 1239 ± 588 g de leite por dia em T2, até o trigésimo dia de
lactação (D 50). Dentre as cabras da Classe A, encontrou-se grande variabilidade na resposta
à produção de leite em ambos os tratamentos, 478 a 1488 g (T1) e 637 a 2562 g (T2). Os
resultados encontrados não diferiram com relação ao tratamento (P>0,05).
Mellado et al. (1996) encontraram uma grande variação na produção de leite diária (77
a 637 mL). Nas cabras tratadas hormonalmente, a produção no pico da lactação foi a metade
da produção do grupo controle (cabras que iniciaram a lactação pós-parto na mesma época
das cabras induzidas). As cabras controle, ou seja, cabras que iniciaram lactação após o parto,
35
produziram mais leite do que cabras tratadas hormonalmente em todos os dias da curva de
lactação (P<0,01).
Segundo TUCKER (2000), a indução hormonal da lactação não alcança valores de
produção de leite na lactação induzida quando comparada à lactação no pós-parto. De forma
geral, lactações induzidas alcançaram no máximo 60 a 70 % da produção de leite da lactação
anterior (SMITH & SCHANBACHER, 1973; COLLIER et al., 1975, COLLIER et al., 1977;
CHAKRIYARAT et al., 1978; KESINGER et al., 1979; FOWLER et al., 1991). Este estudo
obteve em média ≅ 47 % dos valores de produções de leite de lactações anteriores em
pluríparas. Esta diferença na produção de leite em fêmeas induzidas artificialmente ocorre, em
parte, em função da proliferação incompleta do tecido mamário e inadequada diferenciação de
células secretórias. Cabras obtiveram volume máximo de parênquima medido pela imagem de
ressonância magnética somente na 8ª semana de lactação e correspondeu a apenas 70 % do
volume de parênquima normal. A produção de leite por unidade de parênquima foi similar ao
observado em lactações no pós-parto (FOWLER et al., 1991).
A produção de leite no primeiro mês em cabras da Classe A (n = 11), foi em média 560
± 383 g na primeira semana, 933 ± 530 g na segunda, 1395 ± 645 g na terceira e 1609 ± 652 g
na quarta semana, sendo observado um aumento semanal, conforme indicado na figura 4.
Figura 4. Produção de leite sem anal em cabras da
Classe A induzidas artificialm ente à lactação
1800
1600
1400
mL
1200
1000
800
600
400
200
0
0
1
2
3
4
Sem ana
36
Das três cabras consideradas não responsivas (97004, 18 e 3389), havia duas pluríparas
e uma nulípara. Ressalta-se que as produções anteriores em lactações não induzidas, também
apresentavam valores muito baixos. A cabra 97004 apresentava duas lactações anteriores com
média de 0,93 Kg de leite por dia, enquanto a cabra 18 uma lactação prévia com média de
1,48 Kg. A fêmea número 3389, mesmo tendo sido exposta à três estações de monta
anteriormente, não havia gestado.
A média diária de produção de leite no primeiro mês de lactação foi de 791 ± 546 g
para as nulíparas (n = 5) e, para as pluríparas (n = 17), 668 ± 637 g de leite por dia. Não
houve diferença significativa entre as produções de leite entre nulíparas ou pluríparas
(P>0,05). Das cinco nulíparas induzidas, uma foi considerada não responsiva e outra secou
como descrito anteriormente. As outras três, produziram em média, 1,2 Kg de leite por dia, o
que representa uma média superior à esperada para nulíparas, considerando que a produção de
leite é maior para animais que estejam em segunda lactação ou mais (LARSON, 1985).
É interessante destacar que a cabra de número 46, de maior produção de leite neste
estudo, possuía três lactações anteriores, com uma média de produção de 1,97 Kg de leite por
dia. Sua média de produção de leite diária durante o primeiro mês de lactação induzida foi de
2,6 Kg.
No início do experimento, as cabras apresentavam peso corporal em média de 51,3 ±
9,6 Kg (T1) e 50,7 ± 8,4 Kg (T2) e, ao final, 47,5 ± 9,0 Kg (T1) e 45,7 ± 7,2 Kg (T2).
Todavia, essa redução é esperada, já que fêmeas em lactação necessitam mobilizar reservas
corporais para produção de leite. Não houve diferença entre os tratamentos com relação ao
peso (P>0,05).
37
Com relação ao ECC, no início do protocolo hormonal as cabras apresentavam em
média 3,39 ± 0,39 (T1) e 3,45 ± 0,52 (T2) e, ao final, 3,5 ± 1,78 (T1) e 3,39 ± 1,73 (T2). Esse
resultado foi semelhante em ambos os tratamentos (P>0,05).
Os aspectos qualitativos do leite foram analisados de acordo com parâmetros de GOR,
PRT, LAC, EST, e CCS, obtendo médias para T1 de 4,05 ± 0,24 ; 3,73 ± 0,12 ; 4,30 ± 0,05 ;
13,14 ± 0,34 e 1904 ± 430 respectivamente e médias para T2 de 4,02 ± 0,22 ; 3,71 ± 0,27 ;
4,21 ± 0,28 ; 13,21 ± 0,43 e 2567 ± 613, respectivamente. Estes valores encontram-se dentro
do padrão para a espécie caprina, como indicado na Tabela 2 (ALBUQUERQUE &
CASTRO, 1996). Não houve diferença (P>0,05) entre o leite de uma lactação natural ou
induzida artificialmente em cabras (CAMMUSO et al., 2000) ou em vacas (BALL et al.,
2000), com relação aos parâmetros avaliados acima.
TABELA 2. Valores médios normais para gordura, proteína, lactose e extrato seco total para o leite de cabra e
valores obtidos após indução artificial da lactação para o tratamento 1 e tratamento 2.
CONSTITUINTES
(%)
VALORES
MÉDIOS
NORMAIS
TRATAMENTO 1
TRATAMENTO 2
Gordura
4,69
4,05
4,02
Proteína
3,95
3,73
3,71
Lactose
4,72
4,3
4,21
Extrato Seco Total
14,12
13,14
13,21
Estudos reportaram que a indução de lactação não afetou a produção de leite e
percentagem dos constituintes do leite, durante uma lactação natural subseqüente em cabras
(MELLADO et al., 1996) ou em vacas (BALL et al., 2000).
38
As avaliações ultra-sonográficas realizadas antes, durante e após o protocolo hormonal,
constataram que não houve a formação de cistos ovarianos, ou quaisquer outras alterações
morfológicas.
Tabela 3: Exames ultra-sonográficos realizados antes, no término e sete dias após o término do protocolo
hormonal utilizado para induzir cabras não gestantes e não lactantes à lactação.
Cabra –
Identificação
Exame antes do
protocolo hormonal
Exame ao término do
protocolo hormonal
0024
NDN
NDN
0026
OE = Folículos
NDN
0050
NDN
OD = Folículos
OE = NDN
210
Conteúdo uterino
OD = CL
Conteúdo uterino
0046
Hidrometra
OD = Folículos
Pouco conteúdo uterino
4452
Hidrometra
NDN
99111
OD = Folículo
NDN
97009
Hidrometra
NDN
3389
NDN
NDN
3391
OD = Folículos
OE = CL
NDN
2064
Hidrometra
97004
OD = CL
NDN
OD = Folículos
OE = CL
Conteúdo uterino
4417
NDN
Pouco conteúdo uterino
4441
NDN
NDN
0018
OD = CL
NDN
Conteúdo uterino
4438
Hidrometra
NDN
4427
OE = CL
NDN
99178
NDN
Pouco conteúdo uterino
3364
NDN
OE = Folículos
Pouco conteúdo uterino
Exame uma semana
após o término
OD = NDN
OE = Folículos
OD = NDN
OE = NDN
OD = Folículos
OE = Folículos
Pouco conteúdo uterino
(cio?)
OD = Folículos
OE = NDN
Pouco conteúdo uterino
(cio?)
OD = Folículos
OE = NDN
OD = Folículos
OE = NDN
OD = NDN
OE = Folículos
OD = Folículo
OE = Folículos
OD = NDN
OE = NDN
OD = NDN
OE = Pequenos
Folículos
OD = NDN
OE = NDN
Pouco conteúdo uterino
OD = Folículos
OE = CL
Pouco conteúdo uterino
OD = NDN
OE = Folículos
OD = Folículos
OE = NDN
OD = Folículos
OE = NDN
Conteúdo uterino
OD = Folículo
OE = Folículo
OD = NDN
OE = Folículo
OD = NDN
OE = NDN
Conteúdo uterino
OD = Folículo
39
NDN
97006
NDN
2571
NDN
2328
Hidrometra
NDN
OD = CL
OE = NDN
NDN
OD = Folículos
NDN
OE = Folículos
OD = Folículos
OE = Folículos
Pouco conteúdo uterino
(cio?)
OD = CL
OE = Folículo
OD = NDN
OE = Folículos
NDN = Nada digno de nota; OD = Ovário direito; OE = Ovário esquerdo; CL = Corpo Lúteo;
Este estudo não objetivou avaliar os animais por meio de exame ultra-sonográfico para
diagnosticar possíveis gestações pós-cobertura. Porém, grande parte das cabras (n=15)
apresentou estro durante a lactação induzida e foram cobertas. Autores relataram que não há
alteração na performance reprodutiva e taxa de fertilidade após indução de lactação em cabras
(MELLADO et al. 1996) ou em vacas (COLLIER et al., 1975 ; BALL et al., 2000).
Ressalta-se que cabras que apresentavam hidrometra antes do tratamento de indução
não apresentavam mais essa condição patológica ao final, como pode-se visualizar nas figuras
4 e 5.
40
Figura 5. Imagem ultra-sonográfica de hidrometra
da cabra #46 antes do tratamento hormonal.
Figura 6. Imagem ultra-sonográfica da cabra #46
após o tratamento hormonal.
Este estudo não objetivou avaliar a duração da lactação das cabras induzidas, porém
estudos reportaram que a duração da lactação é a mesma, quando comparada com a lactação
de um grupo controle (MELLADO et al., 1996).
41
O custo do tratamento hormonal foi de R$ 1.106,00, ou seja, R$ 50,27 por cabra
induzida. No primeiro mês de lactação, as cabras produziram 325 Kg de leite (já descontados
a produção dos dez primeiros dias). O valor do leite pago ao produtor nesta região é variável
de acordo com qualidade do leite e época do ano. Considerando a média do preço do leite de
R$ 1,10, e o preço da indução por cabra, são necessários 45 Kg de leite para obter um custo
favorável na indução.
Segundo Mellado et al. (1996), o custo do tratamento hormonal por animal foi
equivalente aproximadamente à metade da produção de leite das cabras induzidas à lactação.
A indução hormonal à lactação não causa prejuízos à saúde pública, já que o leite da
indução não difere do leite produzido no pós-parto quanto à valores de estrogênio ou
progesterona em vacas (JORDAN et al., 1981), ou em cabras (MELLADO et al, 1996). Vale
ressaltar que essa condição é válida somente quando se respeita o período de carência de dez
dias dos hormônios.
42
6. CONCLUSÃO
A indução hormonal de lactação foi eficiente em ambos os protocolos propostos, em
cabras Saanen e Toggenburg, não gestantes e não lactantes, independente da categoria animal,
sendo elas, nulíparas ou pluríparas.
43
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48
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Joanna Maria Gonçalves de Souza Indução hormonal de