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II Congresso Nacional de Formação de Professores
XII Congresso Estadual Paulista sobre Formação de Educadores
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Trabalho Completo
AS CONTRIBUIÇÕES DE VYGOTSKY NA PRÁTICA DA TUTORIA EM EAD, COM
ÊNFASE NO USO FÓRUM COMO FERRAMENTA PEDAGÓGICA
Márcia Kazume Pereira Sato
Eixo 8 - Educação a distância na formação de professores
- Relato de Experiência - Apresentação Oral
O presente ensaio é referente às contribuições teóricas trazidas por Freire, Piaget e
Vygotsky no sentido de verificar se as mesmas são passíveis de dar respaldo às práticas da
tutoria na Educação a Distância, em especial no uso do Email, Wiki e Fórum,
respectivamente. Este estudo, no qual buscou-se analisar isoladamente as contribuições
teóricas de Vygotsky no uso do fórum como ferramenta pedagógica fundamenta-se em
dados que foram levantados através de revisão bibliográfica na qual foram verificadas
reflexões de tutores acerca de suas dificuldades na mediação pedagógica por meio do
fórum. Às dificuldades apontadas foram analisadas à luz dos ensinamentos vygotskyanos,
como fito de verificar sua compatibilidade e bem como benefícios no uso dessas teorias de
modo a implementar a prática dos tutores no exercício da tutoria em EAD.
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Ficha Catalográfica
AS CONTRIBUIÇÕES DE VYGOTSKY NA PRÁTICA DA TUTORIA EM EAD, COM ÊNFASE NO
USO FÓRUM COMO FERRAMENTA PEDAGÓGICA
Marcia Kazume Pereira Sato. ETC, Fernandópolis, SP
INTRODUÇÃO
No presente estudo pesquisamos algumas teorias pedagógicas de Vigostsky e
apontamos a contribuição desse autor na perspectiva da Educação a Distância (EAD), buscando
nos mesmos fundamentos que deem base para a aplicação de suas teorias no emprego do Fórum
como ferramenta tecnológica para fins pedagógicos, com o intuito de implementar a mediação
desenvolvida pelo tutor.
Para empreender tal investigação nossa pesquisa se dará por meio de revisão de
literatura, analisada à luz dos construtos do respectivo autor cuja reflexão pedagógica
fundamentará nos ensinamentos de Vygotskyanos.
JUSTIFICATIVA
Com o advento da Educação a Distância (EAD), a formação e os estudos acadêmicos
tornaram-se uma realidade para uma grande maioria da população que, por falta de oportunidade
e condições, não conseguiram sentar-se nos bancos escolares. Por meio do Sistema UAB as
Instituições Universitárias, em parceria com os Governos: Federal, Estadual e Municipal, têm
estabelecidos convênios no sentido de oportunizar condições de estudo e desenvolvimento
acadêmico a muitos dos cidadãos e cidadãs no Brasil, buscando planejar, executar e implantar
uma diversidade de cursos de graduação e pós-graduação de forma consorciada.
Com o propósito de auxiliar os discentes neste empreendimento educacional, a EAD
conta com a colaboração dos tutores a distância que, por meio de metodologias e interfaces tem
inovado a prática educativa. Os tutores ao serem contratados por uma instituição educacional tem
a incumbência de estabelecer os contatos e contratos pedagógicos de acordo com os princípios
normativos institucionais. Tais princípios os auxiliam no desenvolvimento de assessoria,
mediação, intervenções pedagógicas de ações de acompanhamento didático pedagógico que
realizam embasados em teorias educacionais que dão suporte ao exercício de sua prática
profissional.
Compreendendo que a tutoria a distância carece de aporte teórico específico, posto que
tais práticas que se descortinam no novo cenário educacional, torna-se imprescindível a análise
das ferramentas utilizadas pelo tutor a distância em variados lócus no qual o fórum, com o intuito
de investigar suas práxis à luz das teorias educacionais trazidas Vygotsky.
Tendo em vista o exposto, podemos verificar como esses referenciais teóricos podem
contribuir para um quê fazer pedagógico capaz de propiciar interação, dialogicidade,
desenvolvimento cognitivo e afetividade entre tutor e educandos nesse novo contexto social,
educacional e tecnológico, capaz de gerar o conhecimento significativo necessário para que os
cursistas adquiram as competências e habilidades que o curso, na modalidade EAD, busca
empreender.
OBJETIVOS
Esse trabalho tem como objetivo geral analisar os conceitos e premissas trazidos por
Vygotsky e investigar sua aplicabilidade na prática da tutoria em EAD a fim de que o tutor conte
com referenciais teóricos que embasem a sua ação como mediador na tutoria exercida por meio
da ferramenta Fórum, disponíveis nos Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVA).
Os objetivos específicos compreendem:
Discutir a importância e o papel do tutor/professor on line como mediador que estimula a
reflexão, instiga a construção do conhecimento e proporciona a interatividade, embasado
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Vygotsky no uso das ferramentas de modo que suas teóricas sejam capazes de subsidiá-lo na
interação com o cursista, a fim de que este desenvolva autonomia no processo pedagógico,
problematizando e construindo significados a partir dos construtos interatividade e dialogia,
relacionados ao processo de aprendizagem, com o auxílio do fórum como ferramenta pedagógica
que instrumentalize interações no ambiente virtual
METODOLOGIA
A metodologia adotada para desenvolver o presente trabalho é a revisão de literatura
acerca das teorias de Vigotsky para a educação presencial, aplicando-as de forma análoga à EaD,
considerando as contribuições que tais teorias podem trazer à prática da tutoria em EAD, diante
das peculiaridades dessa modalidade de ensino. Elencando os pressupostos teóricos dos
referidos autores apresentaremos a aplicabilidade de alguns aportes teóricos ao processo de
ensino. Segundo Darsie (1999, p.9), "toda prática educativa traz em si uma teoria do
conhecimento. Esta é uma afirmação incontestável e mais incontestável ainda quando referida à
prática educativa escolar" e na perspectiva de Becker (1993) é notório que as teorias de Vygotsky
assume uma perspectiva dialógica e histórico-sociointeracionista.
A revisão de literatura se dará por meio de levantamento, seleção, fichamento,
arquivamento de informações de diferentes obras sobre o tema, compilação das obras
pesquisadas para análise e construção da argumentação a fim de atingir os objetivos propostos.
Para tanto, a pesquisadora, analisará abordagens teóricas acerca da ferramenta fórum,
embasada nas teorias de Vygotsky. Na sequência, com base nas informações teóricas auferidas
das leituras de teorias educacionais, buscaremos oferecer subsídios teóricos que dêem melhor
aporte às práticas da tutoria, no sentido de promover aprendizagem significativa.
Por fim, os resultados oriundos da pesquisa serão reunidos em um documento científico,
com vistas a servir de subsídio a toda a comunidade docente, almejando estimular debates acerca
do assunto, revisão das práticas da tutoria, e ainda sugerir novas diretrizes a esta atividade.
VYGOTSKY E A MEDIAÇÃO PEDAGÓGICA DO TUTOR NO FÓRUM
Vygotsky, por meio de suas teorias sobre o desenvolvimento cognitivo do educando e da
interação deste com o meio social aplicados, pode beneficiar o processo de ensino aprendizagem
ao fornecer subsídios aos educadores para permanente reflexão acerca de sua práxis
educacional, tendo sempre como foco o aprendente.
Destacam-se neste contexto os conceitos de Zona de Desenvolvimento Proximal (ZPD) e
de aprendizagem mediada.
O primeiro conceito é definido como a distância do que se sabe em relação ao que é
possível saber, considerando cada ser único, inclusive no tempo e na forma de aprendizagem.
Vygotsky define a Zona de Desenvolvimento Proximal como a distância
entre o nível de desenvolvimento real que se costuma determinar pela
solução independente de problemas, e o nível de desenvolvimento
potencial determinado através da solução de problemas sob a orientação
de um adulto ou colaboração de outra pessoa. Esta Zona de
Desenvolvimento Proximal se refere ao caminho que o indivíduo irá
percorrer para desenvolver funções em fase de amadurecimento, as quais,
poderão tornar-se funções consolidadas. São as funções que estão no
processo de maturação, podendo ser chamadas de brotos ou flores do
desenvolvimento. (KABKE, 2007, p. 22)
O conceito de aprendizagem mediada por instrumentos (ferramentas capazes de auxiliar
as pessoas a atingirem o máximo de sua potencialidade) e por signos (representações da
realidade) permite que a pessoa faça a representação mental de objetos diante de sua ausência
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material, de forma a possibilitar que ela aprenda através de representações mentais acerca da
experiência vivida não por ela mesma, mas, por outrem.
(...) os signos e os instrumentos. Eles funcionam como meios de
adaptação dirigidos ao controle do próprio indivíduo. O signo é orientado
internamente. Já a função de um instrumento é servir como condutor da
influência humana sobre o objeto da atividade, ele é orientado
externamente. Na verdade, o instrumento é o componente que fica entre o
trabalhador e o objeto de trabalho e pode possibilitar transformação da
natureza. Exemplo: machado corta e a vasilha armazena água. Enfim, o
instrumento pode ser definido como meio de se alcançar um determinado
objetivo, pois ele tem a função para a qual foi criado e a maneira de utilizálo durante o trabalho coletivo. (KABKE, 2007, p. 20)
Ambos os conceitos trazidos por Vygotsky se relacionam perfeitamente e dão aporte
teórico à educação desde o início do século passado, possibilitando verdadeira oxigenação ao
ensino aprendizagem que mediado pelo professor, passa a utilizar da singularidade de cada
pessoa, de seus conhecimentos prévios, de sua trajetória de vida e de seu desenvolvimento social
e cultural como meio para construir o conhecimento de forma significativa e integrada.
Assim, considerando tamanho fomento oferecido por este importante teórico à educação
tradicional, elucidamos aqui, que a educação a distância também se mostra beneficiada por estes
conceitos, conforme asseverado por diversos autores contemporâneos.
Em análise ao instrumento fórum, considerando seu uso no ensino a distância, podendo
estabelecer uma cumplicidade a mesma relação entre tutor e aprendiz e o perfeito emprego
dessas teorias.
No fórum, a aprendizagem pode ser mediada pelos instrumentos e signos, privilegia as
percepções e expectativas do cursista, de modo a envolvê-lo na produção do conhecimento,
mudando seu status que deixa de ter caráter de mero receptor, passando a ser partícipe de uma
aprendizagem colaborativa. O uso autônomo do fórum pelo cursista é gerador de intenso
desenvolvimento cognitivo e aprendizagem significativa oriunda das relações estabelecidas
naquele contexto social.
[...] quando aplicamos o princípio da colaboração para estabelecer as Zona
de Desenvolvimento Proximal, obtemos a possibilidade de investiga
diretamente o fator mais determinante da maturação intelectual, que
culminará nos períodos de idade próxima e sucessiva do seu
desenvolvimento. (VYGOTSKY, 1992, p. 270).
O tutor à distância, por outro lado, não obstante a grande diferença do lócus no qual se
desenvolverá a mediação, assume tarefa importantíssima, ao passo que no ambiente fórum, tem
contato constante com o aprendiz e deve usar cada postagem para incentivar maior interação
diante desse vasto espaço potencializador da ZDP oriundo da convivência com as diferentes
opiniões expressadas pelos colegas de curso.
Neste espaço, o tutor deve exercer comunicação educativa capaz de sempre incitar
diálogo problematizador, que leve o aluno à reflexão, ao debate e à construção de significados.
COLABORAÇÕES DE VYGOTSKY PARA A PRÁTICA DA TUTORIA NO USO DO FÓRUM
COMO FERRAMENTA PEDAGÓGICA
A inserção da Educação a Distancia (EAD) na Lei de diretrizes e bases da educação
(LDB) em 1996, reforçada pelos investimentos governamentais - no programa “Computador para
todos”, lançado em 2005 com o objetivo de promover inclusão digital com o oferecimento de linha
de crédito em condições especiais e promoção de internet de banda larga à camada
economicamente vulnerável da população brasileira, levou autoridades governamentais, bem
como educadores, a promoverem práticas educativas que proporcionassem aos novos usuários
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desses equipamentos as competências necessárias para o uso das Tecnologias da Informação e
Comunicação (TIC) e acesso ao conhecimento capaz de tornar suas vidas melhores. Exemplo
disso são os programas Sinergia Digital1 (criado e mantido pela PUCRS) e o - Proinfo i - Programa
Nacional de Informática na Educação, (programa educacional criado em 1997 pelo MEC e
desenvolvido pela extinta Secretaria de Educação à Distância – SEED) que surgiram com o
objetivo de promover educação e capacitação por meio digital
Nesse mesmo ano (2005), o Governo Federal, por meio do Ministério da Educação
(MEC), lançou o programa Universidade Aberta do Brasil (UAB)2, objetivando a promoção de
ensino público superior gratuito e de qualidade à população com dificuldade de acesso à
educação. Para tanto, foi instituído convênio com 25 instituições públicas de ensino superior, que,
por meio de seus 176 polos ofereceram no ano de 2006, 500 vagas para o curso de
Administração. As últimas informações trazidas pelo MEC sobre o número de polos da UAB no
Brasil são de 2010, registrando um total de 900 polos, com plano de expansão contínua desse
número ano após ano.
Estas informações deixam claro o quanto à educação a distância cresceu no Brasil e
quanto continua crescendo, não apenas para a formação em nível superior como também para
cursos de especialização, capacitação, idiomas, dentre outros.
Diante desses novos desafios, as práticas pedagógicas desenvolvidas pelo tutor no
ambiente virtual de aprendizagem (AVA) devem ser cuidadosamente planejadas a fim de que
cada ferramenta utilizada com objetivos pedagógicos seja capaz de levar o cursista a exercer o
máximo de suas potencialidades na busca do conhecimento almejado.
Dentre as ferramentas, destaca-se, o fórum, local de extrema importância, pois
permite intensa interação, posto que é o local no qual se dá o primeiro contato entre tutor e
educando, onde o tutor tem a oportunidade de esclarecer as comandas das atividades propostas
e das atividades complementares, onde os cursistas postam suas dúvidas, comentários,
sugestões e críticas, e onde deve ocorrer a efetiva interação entre os atores educacionais, sendo
capaz de “reforçar o aspecto social da educação, de desenvolver a capacidade de trabalhar em
equipe e de motivar, poder cultivar, em cada um, o sentimento de pertencimento a um grupo, o
que diminui, em grande medida, a sensação de isolamento.”(CUNHA, 2011, p.1).
Contudo, fazer com que todas as funções previstas para um fórum sejam plenamente
operadas é atividade altamente laboriosa ao tutor, que carecedor de pressupostos teóricos mais
específicos para a EAD, muitas vezes encontra dificuldade em promover ao educando o melhor
uso da ferramenta utilizada para desenvolvimento das práticas pedagógicas.
Na sequência, passaremos à análise de algumas dificuldades apontadas por tutores
de um curso de Orientação Pedagógica em Educação a Distância, realizado em instituição publica
de ensino superior no ano de 2006 (BATISTA; GOBARA, 2006), e de um mini curso de
Metodologia de Ensino de Química Via Telemática, promovido pela USP em 2005 (DOTTA
GIORDAN (2007). Em seguida, verificadas as dificuldades apresentadas por tutores participantes
do mini curso citado, buscaremos apoio nas teorias trazidas por Vygotsky para então analisarmos
como estas teorias desenvolvidas com base em observação da educação presencial podem
contribuir para um melhor desenvolvimento da educação na modalidade a distância.
PRINCIPAIS DIFICULDADES APONTADAS
CONTRIBUIÇÕES TEÓRICAS DE VYGOSTSKY
NA
LITERATURA,
SEGUIDAS
DAS
Nesta etapa, analisaremos duas situações específicas (itens A e B), apontadas por
tutores como dificuldades percebidas por eles no exercício de suas práticas pedagógicas. Tais
1
O projeto Sinergia Digital foi criado pela PUCRS em 2004, com o objetivo de ajudar na inclusão digital das pessoas
em condição de vulnerabilidade, auxiliando-as a adquirir os conhecimentos necessários para o uso de ferramentas
computacionais. Para tanto, as aulas são ministradas por universitários, diplomados e funcionários da PUCRS nos
próprios laboratórios da Universidade.
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informações foram trazidas a este estudo à partir de compilação de dados colhidos em revisão de
literatura.
Para compilação de ambas as informações a seguir, utilizamos de dois estudos:
* Dotta e Giordan, (2007) que discute e demonstra o aproveitamento o aproveitamento
das TIC e das TDV pela educação (mais especificamente a EAD) buscando verificar se essas
tecnologias são de fato geradoras de efetiva aprendizagem, de acordo com o crivo teórico de
Vygotsky ao analisar as interações havidas entre tutores e estudantes de um minicurso de
Química. Os autores esclarecem que a aprendizagem de forma colaborativa desenvolve
potencialidades individuais oriundas das diversas formas de interações sociais que se
estabelecem no ambiente virtual, o que implica em uma redimensão do papel do educador em
vista de atender as novas situações que se desencadeiam.
* Batista e Gobara (2006) que discute o processo de interação entre tutores e
cursistas, diante da observação do fórum on line de um curso de pós graduação de Orientação
Pedagógica em Educação a Distância. Neste estudo as autoras, após colheita de informações
com os participantes do curso, apontaram as maiores dificuldades sentidas pelos tutores e
cursistas, e evidenciaram que o fórum como ferramenta pedagógica, não atingiu as
potencialidades desejadas em razão da não compreensão da real funcionalidade deste
instrumento, bem como da falta de formação e de intencionalidade dos tutores que deixaram de
utilizar o ambiente como lócus de problematização das atividades e dos comentários dos
cursistas.
As dificuldades apontadas nos estudos compilados foram:
A) FORMAÇÃO POUCO ESPECIALIZADA DO DOCENTE E A FALTA DE COMPREENSÃO DA
REAL FUNÇÃO DO FÓRUM E USO DO FÓRUM COMO DEPÓSITO DE ATIVIDADES
De acordo com as palavras de Batista e Gobara (2006) ao entrevistarem os agentes de
um curso oferecido na modalidade a distância tanto cursistas como professores não fizeram um
bom aproveitamento do fórum por não disporem de conhecimentos acerca da real função desse
lócus. De acordo com as informações auferidas pelas pesquisadoras, esse entrave ocorreu em
razão da baixa qualificação desses profissionais no tocante ao uso das mídias e ferramentas
como objetos educacionais. Para extrair qualquer perigo de subjetivação da pesquisa, segue
extrato comprobatório enfatizado por Batista e Gobara:
As análises das entrevistas com professores e alunos e das informações
obtidas nos fóruns das disciplinas do curso sugerem que as poucas
interações observadas são decorrentes de uma formação pouco
especializada dos docentes e de práticas presenciais tradicionais. Além
disso, verificou-se que há entre os sujeitos investigados, certo
desconhecimento das potencialidades do fórum on-line como um
instrumento virtual de aprendizagem, adequado para promover a interação
e a construção do conhecimento de forma colaborativa nesse contexto
(BATISTA; GOBARA, 2006, p.2).
Também a abordagem aos temas e a forma como os estudantes foram recepcionados no
curso EAD (de forma análoga à das práticas de ensino presencial), sem considerar a importância
de diferenças discursivas e a ignorância da necessidade de superar a distância física havida no
AVA foram fatores que contribuíram para o mal uso dessa ferramenta, segundo os autores.
Contudo, a falta da compreensão da real função do fórum, como um local importante para
a gestão e acompanhamento da aprendizagem e manutenção permanente da interatividade,
capaz de manter o estudante ligado ao curso, aos outros estudantes e ao tema de estudo
proposto, conferindo-lhe o sentimento de pertencimento, foi o que mais pesou, tendo em vista
que o fórum, no caso analisado, acabou sendo reduzido a local onde eram depositadas as
comandas das atividades e as atividades realizadas pelo estudante.
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B) PRECARIEDADE DAS INTERAÇÕES
A interação é muito mais importante no ambiente virtual para a EAD do que em sala para
a educação tradicional (presencial). E o fórum, por si só, não promove interação fazendo-se, pois,
necessário, que o tutor seja perspicaz ao instigar o grupo, propor nova abordagem ou enfoque ao
tema, e aproveitar as postagens feitas pelos cursistas para, a partir delas, incitar o
aprofundamento ao tema. Deve, portanto, existir uma intencionalidade por parte do tutor e
também por parte do educando, no sentido de utilizar este lócus para ampliar as ideias, expandir
ou concentrar o foco, de acordo com as informações acessadas e com o conhecimento que se
deseja colaborativamente produzir e não podemos aqui nos ouvidar de que a interação também é
uma forma de construir conhecimentos, neste caso específico, o conhecimento trazido por outros
cursistas eventualmente mais experientes.
Vejamos as características e propósitos da interatividade trazidos por PAZ, s/d,
citando Vygotsky:
Uma premissa de Vygotsky (1998) é de que o funcionamento mental no
ser humano é oriundo de processos sociais, pois não se pode estudar o
comportamento do indivíduo em contexto isolado, mas em interação com
outros indivíduos. Afirma também que esse processo de interação social é
responsável por transformações no comportamento, pois os processos
sociais e psicológicos são moldados por formas de mediação e se dão a
partir da transformação de objetos em signos culturais (PAZ, s/d).
Contudo, para que a interação aconteça, é primaz que o tutor promova a mediação
dialógica, que aqui embasamos com os conceitos Vygotskyanos sobre a Zona de
Desenvolvimento Proximal, que consiste no que a pessoa é capaz de desenvolver sozinha (a
partir de seus conhecimentos concatenados advindos de suas experiências vividas) e do que esta
mesma pessoa não é capaz de desenvolver sem contar com a ajuda de outros considerando aqui
o nível potencial de desenvolvimento desse ser em razão das intervenções do outro. Os
pressupostos trazidos pela teoria sociocultural ressaltam que é a partir da relação com o outro que
o indivíduo consegue real desenvolvimento.
Isso esclarece, portanto, que a mediação é fundamental para a promoção de um melhor
desenvolvimento do aluno e deve embasar as práticas educacionais havidas no fórum por meio da
linguagem, da comunicação, pois é através da comunicação que o tutor tem a oportunidade de
desenvolver processos cognitivos nos quais o estudante dispõe, para então levá-lo a novas
problematizações capazes de ampliar seu desenvolvimento cognitivo na sua interação com os
outros.
Entende-se, daí, que a interação com o mediador, que intervém na ZDP,
leva o aluno a alcançar progressos que não seriam possíveis sem essa
interferência. Mas não só a interação do aluno com o professor é capaz de
promover tais avanços. Para Vygotsky, o aluno menos experiente se
beneficia da interação com o mais experiente na medida em que também
este auxilia o primeiro em elaborações que sozinho não poderia realizar;
não se pode negar, porém, que também ocorre o benefício do mais
experiente, pois, na tentativa de ajudar o outro, este é obrigado a
reestruturar o próprio conhecimento, as próprias concepções (CUNHA,
2011, p. 2).
A figura a seguir, nos dá uma visão sintética, porém, bastante compreensível, da teoria
histórico-cultural, elencando aqui não conceitos, mas, a importância e também as idiossincrasias
necessárias ao educador no planejamento e desenvolvimento de sua práxis educacional, visando
6
11235
alcançar a promoção da comunicação e mediação geradoras de interatividade entre os cursistas
no uso do fórum como ferramenta pedagógica:
Figura 1: Teoria histórico-cultural – Fonte: Elaboração própria baseado no texto de DOTTA;
GIORDAN, (2007)
Com o objetivo de melhor vislumbrarmos e também corroborarmos os efeitos positivos que
as teorias de Vygotsky podem trazer à educação a distância quando incluídas pelo tutor em seu
conjunto de práticas educacionais, sobretudo no uso do fórum como ferramenta pedagógica no
Ambiente Virtual de Aprendizagem, passamos a analisar, com o respaldo das teorias de
Vygostsky , alhures elencadas, a atuação de dois tutores em contato com seus alunos, no uso do
fórum em um minicurso de Química. Estes diálogos nos foram trazidos por Dotta e Giordan:
EPISÓDIO 1
Data: 22/11/2006 - 11:09:48 | Mensagem Enviada por: Aluno 49
Minha Dúvida é:
quando damos nome a um alcool temos que contar apenas os
hidrocarbonetos
da cadeia principal? ou para dar o nome ao alcool devo contar todos os
hidrocarbonetos do composto?
qual seria o nome desse composto?
H3C-CH2-CH-CH2-OH
|
CH2
|
CH3
Data: 23/11/2006 - 06:56:59 | Mensagem Enviada por: Tutor H
7
11236
Aluno 49, a nomenclatura de álcoois segue as regras da nomenclatura de
compostos ramificados, ou seja, no final do nome vem o da cadeia
principal
(somente carbonos pertencentes a esta).
Veja o exemplo:
CH3 - CH - CH2 - CH - CH3
||
CH3 OH
4-metil-2-pentanol
A partir deste exemplo, tente colocar o nome no seu exercício e nos envie.
DOTTA;GIORDAN (2007, p.10)
Nesse primeiro caso, protagonizado pelo tutor H e o aluno 49, não houve real e
significativa interação entre cursista e tutor, em razão da precariedade da comunicação que se
estabeleceu ali, o tutor H não se ocupou de promover dialogicidade com o educando, deixando de
explorar as origens de suas dúvidas, de verificar quais conhecimentos prévios o cursista detinha e
capazes de levá-lo a uma busca da solução para o problema apontado.
Nesta experiência, ao contrário do que preconizou Vygotsky, os aspectos
educacionais empregados no ensino não foram capazes de se adiantarem ao desenvolvimento do
indivíduo para que, por meio da experiência histórico-cultutal do educando e da sua relação com o
outro (alteridade) novos desenvolvimentos fossem gerados.
O conceito de Zona de Desenvolvimento Proximal em momento algum fora utilizado
no sentido de verificar o que este estudante era capaz de produzir sozinho e o que ele era capaz
de produzir auxiliados pela relação e intervenções do outro.
A prática de responder diretamente à pergunta lançada, não correspondeu aos
ideários da mediação pedagógica, nem tão pouco continha em si os requisitos indispensáveis à
realização da comunicação dialógica, pelo contrário, tratou-se apenas de mera comunicação
científica, de modo que, apesar da manutenção do tema científico em questão houve digressão da
prática educacional, que além de não explorar as potencialidades do estudante acabou por reduzir
sua atividade cognitiva ao fornecer um exemplo a ser “copiado” (simplesmente reproduzido)
prestigiando dessa forma o envio da atividade e não a busca pelo conhecimento e pelo
desenvolvimento humano.
Essa prática nos mostra que não basta ao tutor conhecimento acerca do assunto
tratado ou conhecimento técnico para manipulação da ferramenta; tais conhecimentos só surtirão
os efeitos esperados pelo curso quando forem empregados em conjunto com um processo
comunicativo eficiente e carregado de intencionalidades pedagógicas desde a abordagem ao
aluno até o convite para uma nova conversa.
EPISÓDIO 2
Data: 04/11/2006 - 00:45:11 | Mensagem Enviada por: Aluno 44
Olá.
Sabemos que o cloreto de sódio é uma substância polar (...) Gostaria de
saber
por que o cloreto de sódio refinado não volta a juntar-se, refazendo suas
ligações intermoleculares, voltando à forma de cristal (...). É correto dizer
que essa substância realiza ligações intermoleculares, já que se trata de
uma
substância iônica? Abraços.
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Data: 13/11/2006 - 10:59:23 | Mensagem Enviada por: Tutor G
Olá, Aluno 44! Obrigada por consultar este serviço de orientação. Este seu
interesse sobre um fenômeno que acontece no cotidiano é muito oportuno.
Você demonstra saber que o cloreto de sódio é o resultado (...)
Vamos somente relembrar que as moléculas (...)
Você menciona ‘ligações intermoleculares’ e (...) É este um dos motivos
para
sua dúvida? Por causa do nome? Existiriam outros motivos, caso queira
me informar?
Bem, por enquanto, posso informar (...)
No site
http://www.ucs.br/ccet/defq/naeq/material_didatico/textos_interativos_33.ht
m,
você pode visualizar uma figura animada, representanto (...)
Não entendi bem quando você se refere ao “cloreto de sódio refinado não
voltar à forma de cristal”. Para tentar responder, gostaria de saber qual
sua opinião sobre alguma diferença física entre o cloreto de sódio refinado
e aquele que você diz ‘em forma de cristal’. Por exemplo, um pequenino
“grãozinho” de cloreto de sódio não seria um cristal?
Aguardo seu contato para completar a explicação.
Espero ter ajudado. Um abraço,
Tutor G
Data: 13/11/2006 - 22:48:29 | Mensagem Enviada por: Aluno 44
Olá Tutor G! Obrigado por responder às minhas dúvidas. Ainda não
conhecia (...)
Quanto o termo "em forma de cristal", eu me referia à pedra do cloreto de
sódio, como nesta imagem:
http://www.chem.ox.ac.uk/icl/heyes/structure_of_solids/Scans/Halite(NaCl).
JPG
E retomando à pergunta, já que o cloreto de sódio apresenta os dois pólos
de cargas opostas, por que quando está refinado não tenta refazer as
ligações interiônicas a fim de retomar à forma de pedra? Quero dizer, um
pólo atrairia o outro de carga oposta, desta forma o sal tentaria voltar ao
seu arranjo anterior.
Abraços
Data: 18/11/2006 - 22:46:32 | Mensagem Enviada por: Tutor G
Olá, Aluno 44!
Bem-vindo de volta!
A foto que vc indicou é muito interessante e como vc vê, (...)
Acontece que a formação de cristais ocorre somente a partir de um líquido
ou
gás. Por que não a partir de "ligação" entre sólidos (partículas do sal
refinado, como vc sugeriu? As forças interiônicas são muito (...)
Espero ter esclarecido um pouco mais.
Um abraço,
Tutor G
Data: 27/11/2006 - 02:50:39 | Mensagem Enviada por: Aluno 44
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Tutor G, só mais uma dúvida!
Qual o motivo das forças interionicas enfraquecerem neste caso?
Abraços.
Data: 29/11/2006 - 12:04:24 | Mensagem Enviada por: Tutor G 12
Olá, Aluno 44!
Como vai?
Sobre a sua pergunta (...)
Vamos resumir, para tentar seguir um raciocínio: como você sabe, nas
ligações covalentes (...)
Finalmente, falamos em forças (...). Veja bem, não é transferência de
elétrons, mas 'deslocamento' da nuvem eletrônica. Então, esta força (...)
Aluno 44, a sua curiosidade é muito motivadora e penso que você continua
com dúvidas, porque em ciência, o conhecimento de um fenômeno leva a
outro, que por sua vez gera outro raciocínio e assim por diante. Não tem
fim... Eu também tenho muitas dúvidas, sobre muitas coisas... mas isto é
bom, porque buscar respostas torna-se um desafio.
Mas, como você é muito interessado (...) tenho certeza de que vai achar
facilmente na internet, sites que o ajudarão a entender mais a Química,
completando a educação escolar.
Dá trabalho... mas vale a pena!
Abraços,
Tutor G
(...)
(DOTTA; GIORDAN (2007, p.11-12).
No episódio 2, em que temos o tutor G e o aluno 44, vislumbramos uma eficaz atuação
do tutor, que, através de uma pergunta consegue estabelecer amplo e consistente diálogo com o
estudante por meio de uso de hiperlinks com mídias e linguagens diversas (indicação de sites na
internet). A forma mais afetuosa de receber e despedir-se do aluno nas postagens, bem como as
considerações entusiastas do tutor acerca do conhecimento trazido pelo estudante em suas
opiniões, mostram respeito aos conhecimentos e experiências tidas pelo estudante e
receptividade à dialogicidade.
A forma de apontar caminhos, intencionalmente finalizadas por uma interrogação,
constituiu convite ao aluno para pensar e repensar outras possibilidades, incumbindo-lhe de
retomar o diálogo posteriormente com possíveis respostas à pergunta lançada pelo tutor. Esta
prática torna inegável a importância de o tutor revestir suas práticas de conceitos de dialogicidade,
mediação pedagógica e de zona de desenvolvimento proximal no uso do fórum, para que novas
problematizações sejam permanentemente criadas, com o fito de levar o estudante a também
perquirir novas respostas e soluções para um problema que pode aparentemente ser simples e
sem importantes nuances a serem consideradas, mas que podem mostrar com a evolução do
processo educacional a base para inúmeras considerações e observações.
Esta práxis assegura ainda o permanente retorno do cursista ao fórum em razão da
acolhida recebida, do respeito devotado às suas opiniões, inferências e dúvidas, além do aguardo
do tutor no sentido de que ele que contribua com suas considerações à nova pergunta
(problematização) lançada.
Analisando os dois diálogos verbais havidos entre tutores e cursistas nos Episódios 1
e 2 verificamos acentuada diferença no exercício da prática da tutoria, bem como no deslinde
educacional proporcionado por ambas as práticas.
O uso dessa ferramenta, no segundo Episódio mostrou-se, de fato, eficaz na obtenção
dos resultados esperados para a interação no ambiente fórum.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
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11239
Com base na proposta trazida por este estudo em seus objetivos, foram analisados
pressupostos teóricos de Vygotsky acerca da educação, e investigado se esses conceitos,
originalmente elaborados e empregados a partir da educação tradicional poderiam ser aplicados
na educação a distância, fundamentando a prática da tutoria pelo uso do Fórum como instrumento
pedagógico disponível nos Ambientes Virtuais de Aprendizagem.
Analisamos ainda, a relevância da atuação do tutor/professor on line na prática da
mediação instigadora da construção do conhecimento, ensejadora de reflexão e de interatividade
essenciais ao processo de ensino-aprendizagem, sobretudo no emprego do fórum como
instrumento através do qual se desenvolveu a prática pedagógica no AVA.
Para tanto, tomamos por base as lições de Vygotsky acerca da interatividade e da
dialogia, originalmente estruturadas para o ensino aprendizagem na modalidade tradicional. Por
meio de revisão de literatura verificamos a importância desses construtos para o ensino
aprendizagem e analisamos também os resultados auferidos em dois estudos diferentes,
oferecidos na modalidade a distância, nos quais cursistas e tutores apontaram suas principais
dificuldades no uso do fórum, além da análise da relação dialógica havida entre dois tutores e
dois estudantes de um curso, também oferecido na modalidade EAD.
Foi, com fundamento em informações teóricas, analisada a prática do tutor, e
conceituada a interatividade, com o objetivo de melhor entender as relações dialógicas e a
interatividade essenciais à boa prática educativa diante das peculiaridades da EAD. Verificou-se a
importância da mediação eficaz desenvolvida por meio do uso adequado e pautado em
intencionalidades, de ferramentas como o Fórum.
Pudemos, desse modo, perceber quão importante é a prática pedagógica no ambiente
Fórum, vez que neste espaço são realizadas importantes atividades, tais como: a recepção do
discente, o esclarecimento de comandas de atividades, a postagem de discussões e material
adicional, o esclarecimento de dúvidas e o debate acerca de resultados, e ainda, o local no qual o
estudante tem a oportunidade de relacionar-se com outros colegas de curso.
De acordo com as concepções de Vygotsky a respeito da Zona de Desenvolvimento
Proximal (ZPD) e de aprendizagem mediada, prestigiar a singularidade de cada cursista,
valorizando seu desenvolvimento social e cultural, seu conhecimento e experiências prévias, e
estimulá-lo à superação de novas problematizações pedagógicas por meio de seu contato com o
outro, possibilita a construção de conhecimento de forma significativa e integrada.
Seguindo na contribuição teórica trazida por Vygotsky, ressaltou-se ainda que a
aplicabilidade da mediação no ambiente fórum pelos instrumentos e signos, coloca o cursista na
condição de colaborador ativo no processo de ensino aprendizagem, otimizando seu
desenvolvimento cognitivo e sua maturação intelectual.
Entretanto, por maiores que possam ser as potencialidades que o uso do fórum como
ferramenta pedagógica possa oferecer à EAD, a compilação dos estudos feitos por Batista e
Gobara; Dotta e Giordan, deixaram claro que ainda existem dificuldades importantes a serem
superadas pelos tutores para o bom uso pedagógico desta ferramenta.
Foram destacadas pelos autores supracitados dificuldades decorrentes da formação
pouco especializada do tutor, bem como de sua inexata compreensão quanto a real função do
fórum, que em não raras vezes, foi utilizado como mero repositório de atividades, sem a
preocupação de, ali, intentar promover a interatividade e a dialogicidade problematizadora.
Ainda, de acordo com a pesquisa, tutores e cursistas apontaram como dificuldades a
precariedade das interações, que, usualmente, ocorriam sem revestirem-se de real proposta
pedagógica. De forma que o tutor só se manifestava quando solicitado, limitando-se a,
objetivamente, responder ao questionamento do cursista, não o estimulando a aprofundar-se no
assunto ou verificar novas possibilidades para solução do problema. Essa situação sugere que a
falta de intencionalidade pedagógica do tutor no uso do fórum, reduz sua potencialidade e não
gera efetiva interatividade.
Os fragmentos de diálogo havido entre dois tutores e cursistas, trazido nos estudos de
Giordan e Dotta (2007), nos permitiu vislumbrar tanto a prática pedagógica falha e não propulsora
de real interação e de conhecimento significativo, quanto a boa prática pedagógica carregada de
intenções e geradora de manutenção da interação e da construção do conhecimento pelo próprio
cursista a partir dos questionamentos feitos pelo tutor.
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11240
Este conjunto de arrazoações deixa claro o quanto o conhecimento das mídias e
ferramentas tecnológicas, bem como a práxis da mediação são fundamentais ao desenvolvimento
do cursista, devendo, portanto, as práticas exercidas no fórum pelo tutor serem permeadas pela
dialogicidade capaz de promover processo cognitivo necessário para que o aluno, por meio de
novas problematizações, ampliem seu conhecimento cognitivo na interação com o outro.
As teorias Vygotskyanas, sobretudo, da Zona de Desenvolvimento Proximal, Teoria
Histórico-Cultural e de Mediação dialógica, não obstante tenham sido inicialmente construídas
para emprego na educação presencial, podem contribuir sobremaneira com o tutor, no sentido de
lhe dar subsídios doutrinários suficientes para auxiliá-lo a intentar práticas inovadoras no uso do
fórum, que se valham do desenvolvimento já consolidado pelo cursista para gerar novas
inferências e discussões capazes de levá-lo a desenvolver-se cognitivamente e construir novos
saberes.
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O ProInfo é um programa educacional criado em 1997 pelo MEC e desenvolvido pela Secretaria de Educação à
Distância – SEED, que objetiva levar a informática à escola pública com o fim de eliminar o fosso digital existente em
especial nas comunidades mais carentes, enriquecendo o processo de ensino aprendizagem, conferindo autonomia no
uso dos instrumentos comunicacionais e preparando para o trabalho
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Relatório do Trabalho Final de Curso