UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES INSTITUTO A VEZ DO MESTRE PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU” QUALIDADE NA TERCEIRIZAÇÃO INDUSTRIAL: Produtos de Higiene Pessoal, Cosméticos e Perfumes. Rosemeri da Silva Paixão Rio de Janeiro 2009 2 UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES INSTITUTO A VEZ DO MESTRE PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU” QUALIDADE NA TERCEIRIZAÇÃO INDUSTRIAL: Produtos de Higiene Pessoal, Cosméticos e Perfumes. OBJETIVOS: O objetivo desse trabalho é demonstrar o que faz uma empresa confiar a fabricação dos seus produtos a terceiros e o que faz uma empresa ser prestadora de serviços e produzir para a empresa cliente, tendo que ser responsável pela qualidade e auxiliando na redução de perdas para o contratante, cumprindo os prazos de entrega dos produtos. 3 AGRADECIMENTOS A Jeová, que tem me guiado durante toda a vida, Aos alunos e professores do Instituto “A Vez do Mestre” que, direta ou indiretamente contribuíram para confecção desse trabalho acadêmico. 4 DEDICATÓRIA Dedico esse trabalho a minha família que sempre esteve comigo na saúde e na doença e que me ensinou que devemos ser fortes diante das dificuldades da vida. 5 RESUMO Este trabalho apresenta uma metodologia que visa tornar mais eficiente e confiável o processo de terceirização nas organizações, tendo como base à bibliografia disponível (suporte teórico) e os casos práticos estudados e analisados em uma empresa cosmética especializada em envasamento de produtos em aerossóis. Utilizando estes critérios, a proposta metodológica desenvolvida contribui para que sejam tomadas, de forma mais adequada, as decisões que envolvem o processo de qualidade na terceirização. As decisões do processo de terceirização de produtos pelo prestador de serviço de terceirização são caracterizadas por três etapas básicas: (1) as vantagens de prestar o serviço de terceirização de produtos; (2) como prestar o serviço de terceirização de produtos com qualidade, que possa vir a ser considerado um bom negócio; e ainda, (3) avaliar periodicamente a satisfação do cliente e o fornecedor escolhido. Para a tomada de decisão em cada caso, utiliza-se uma rotina única para todas as situações. Nesta rotina, são realizadas várias análises, e envolvem-se todos os níveis de decisão da organização para que o processo de terceirizar seja realizado com qualidade e sucesso. Palavras-Chave: Qualidade; Terceirzar; Produção. 6 METODOLOGIA O caso a ser estudado estará apresentando uma empresa cosmética especializada em envasamento de produtos em aerossóis sendo uma referência de como manter uma empresa competitiva, mesmo quando seus produtos estão tão bem no mercado, utilizando a terceirização como um forte aliado dos problemas cotidianos. A empresa tem suas atividades voltadas para o envasamento de produtos de em aerossol onde a mesma não pensava que iria ter chances de se firmar diante de multifuncionais que dominavam o setor, mas esta empresa precisava provar que sabia fazer, e partiu para oferecer os seus serviços a outras empresas que vieram a ser seus concorrentes. O seu mix de produtos abrange a fabricação de cosméticos (laquês, removedores de esmalte, shampoo, condicionadores, secantes de esmalte, silicones para cabelos,...), fabricação de produtos de festas (serpentina, tinturas temporárias para o cabelo,...), fabricação de produtos eletroeletrônicos (limpa contatos eletrônicos,...), produtos automotivos (reparadores de pneus, graxa, silicone automotivos, desengraxantes,...). Foi preparada uma entrevista com o diretor da empresa e esta entrevista busca conhecer melhor, o porquê terceirizar, quais as vantagens e as desvantagens deste serviço, dando um entendimento do por que a empresa decidiu entrar no ramo da terceirização e quais os procedimentos utilizados para a qualidade dos produtos. Esta parceria com as empresas concorrentes também faz parte deste trabalho e o causa uma curiosidade em entender o porque esta parceria com empresas que deveriam estar concorrendo e sendo competitivas entre si e não parceiras neste momento de globalização e disputas acirradas. 7 SUMÁRIO INTRODUÇÃO 8 CAPITULO I Outsourcing 11 CAPÍTULO II Diretrizes de Qualidade para Terceirização de Produtos de Higiene Pessoal, Cosméticos e Perfumes 22 CAPÍTULO III Case 31 CONCLUSÃO 39 ANEXOS 45 ÍNDICE 47 ÍNDICE DE FIGURAS 48 8 INTRODUÇÃO O presente trabalho analisou um caso de uma empresa que fornece produtos e serviços de terceirização que é definida como a contratação de terceiros para executar parte ou totalidade de determinadas funções da organização, ou seja, a empresa delega à terceiros a responsabilidade de realização de determinadas atividades relacionadas ao seu processo produtivo, para concentrar-se naquelas atividades em que mais tem competência. A empresa estudada desenvolve uma metodologia que permite encontrar parceiros para o processo de fabricar produtos, que em muitas vezes são seus próprios concorrentes e, mesmo assim a empresa está preocupada com o custo e a qualidade dos produtos que fabrica para seus clientes. Ela é reconhecida no ramo como sendo uma especialista na produção e uma consultora na execução dos serviços prestados. Escolher o parceiro certo para o desenvolvimento de um produto não é fácil, é preciso uma grande pesquisa para esta escolha, pois o prestador deste serviço terá que ter grande conhecimento e capacidade produtiva para se responsabilizar em fabricar um produto que pertence a terceiros, já que ele será o transformador da imagem do produto da empresa contratante, e este produto refletirá a imagem da empresa no mercado. O estudo de caso é em uma empresa cosmética especializada em envasamento de produtos em aerossóis, uma empresa familiar que foi fundada pela em julho de 1965, tendo suas atividades voltadas a envasamentos de produtos cosméticos, industriais, automotivos e de festas, especialmente aerossóis e prestação deste serviço a terceiros. Mesmo possuindo uma marca própria, a empresa passou a prestar serviço de terceirização visando o aumento da necessidade de envasamento de produtos em aerossol no mercado, aumentando assim a sua produtividade para poder atender as diversas necessidades dos clientes. Os dois (teoria e caso) se associam devido a empresa ser voltada à 9 terceirização de produtos e por se preocupar com seus clientes, sendo responsável pela qualidade dos produtos, tendo pessoas especializadas que auxiliam no lançamento do produto no mercado, prestando assim consultoria a seus clientes. Este estudo de caso sobre terceirização se difere, da maioria dos trabalhos sobre o tema, pelo foco do estudo estar no caso de uma empresa que fornece os produtos e serviços terceirizados e não na empresa cliente. Tal perspectiva permite realçar as motivações e vantagens para a empresa fornecedora de serviços e produtos para o cliente que pretende terceirizar parte de suas atividades. Esta pesquisa, portanto, segue na contramão das freqüentes teorizações sobre o tema terceirizar, que costuma avaliar esses aspectos considerando o ponto de vista da empresa cliente. O objetivo desse trabalho é demonstrar como a fabricação de produtos para terceiros, pode ser também lucrativo para empresas que detêm know how e maquinários que estão sem uso e assim poder transformá-los em um ativo imobilizado que gere lucros para a empresa. O trabalho pretende também analisar as vantagens e desvantagens de empresas produzirem para terceiros e o porquê a empresa analisada se propõe a se ingressar no ramo de terceirização de produtos. Originando, assim, as motivações que viabilizam a decisão de prestar este serviço. Pretende-se demonstrar o que faz uma empresa confiar a fabricação dos seus produtos a terceiros e o que faz uma empresa ser prestadora de serviços e produzir para a empresa cliente, tendo que ser responsável pela qualidade e auxiliando na redução de perdas para o contratante, cumprindo os prazos de entrega dos produtos. A metodologia contribuirá para saber os critérios para escolha dos parceiros que irão satisfazer as necessidades de conveniência da empresa contratante e contratado, alcançando um relacionamento em que se chegue a uma verdadeira parceria entre contratante e contratado. 10 Para as empresas que desejam investir nessa tendência do mercado, que é a terceirização, ela pode ser usada como uma ferramenta para driblar os riscos externos. A terceirização pode ser, inclusive, uma boa saída para as empresas que obtém maquinários obsoletos pela falta de demanda de seus produtos, utilizando a alternativa de fabricar produtos com a marca de seus clientes. Visto que empresas que fornecem este serviço detêm o know-how para estes processos. A terceirização se justifica pela obtenção dos resultados positivos, se tiver parceiros que de fato detenham mão-de-obra altamente qualificada para que consiga um produto final bem acabado, obtendo um menor custo e com melhor qualidade, em relação quando executado pela contratante. Este tema da terceirização tem sido bastante pesquisado sob o ponto de vista da empresa que contrata este serviço. Entretanto, este projeto de pesquisa está na contramão dessa corrente, já que propósito é estudar o tema na perspectiva da empresa que fornece esse tipo de serviço. Esse ponto de vista ainda carece de informações, esta pesquisa pode contribuir neste sentido. 11 CAPÍTULO I OUTSOURCING O termo Outsourcing (Out = fora; Source = fonte externa), conhecido no Brasil pela palavra terceirização que se refere também a uma situação alternativa em que a empresa identifica a necessidade de uma atividade nova, no entanto, decide pelo desenvolvimento desta atividade por um fornecedor, ao invés de desenvolvê-la e incorpora-la ao seu processo. De acordo com Giosa (1993) a terceirização não é uma técnica só aplicada nos dias de hoje, ela vem crescendo desde o início da II Guerra Mundial, com as indústrias bélicas, que se concentravam na produção de armamentos, e faziam isso como empresas produtoras de serviços mediante a contratação. E Queiroz (1998, p.59), complementa que a terceirização se “originou-se nos Estados Unidos da América por volta de 1940, quando este país aliou-se aos países europeus para combater as forças nazistas e posteriormente o Japão”. A abertura comercial, significativa, no Brasil pode ter causado conseqüente aumento da competição no mercado interno, alterando o perfil das micros e pequenas empresas brasileiras. Uma pesquisa realizada pelo Sebrae de acordo com o site Diário do Nordeste, com 1,5 mil indústrias envolvidas em operações de subcontratação, revela que em vez de fabricar o produto final, 69% das micros e 26% das pequenas empresas passaram a produzir e fornecer peças, componentes, subconjuntos e serviços técnicos para uma outra empresa, responsável pela finalização dos produtos. Mas o que vem a ser terceirização de produtos industrializados? De acordo com Giosa (1993), este conceito vem evoluindo com o tempo, com a horizontalização das organizações, onde as empresas passaram a se concentrar em suas atividades fins e a deixar para terceiros as operações que pudessem ser delegadas a empresas que tivessem no mínimo o mesmo nível 12 de qualidade ou superior, para a realização de tarefas que eram realizadas internamente. “Terceirização ou outsourcing pode ser definida como a contratação de terceiros para executar parte ou a totalidade de determinadas funções da organização. Na realidade, trata-se de uma transferência de atividades de uma organização para outra [...] que passam a ser fornecedores. [...] substituindo-se custos fixos por custos variáveis e efetuando-se desinvestimento em ativo fixo” (CHIAVENTO 1999a, p. 415) De acordo com Trevisam (2005, p.26) a terceirização é a contratação de serviços de terceiros para a execução de etapas de fabricação ou fabricação total de produtos. Como este trabalho trata de uma especifica atividade da terceirização que é a produção total ou parcial de produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes, por empresas contratadas para executarem este serviço, segue abaixo algumas definições dadas pelo SGT11 Saúde/Comissão de Produtos para a Saúde/Grupo Ad Hoc de Cosméticos de acordo com o artigo 1°, demonstrado por Trevissan (2005 p.26): Ø Empresa Contratante: empresa titular do produto, que contrata serviços de terceiros, responsável por todos os aspectos legais e técnicos vinculados com o produto e processo objeto da terceirização; Ø Empresa Contratada: empresa que executa etapas de fabricação ou fabricação total de produtos, co-responsável pelos aspectos técnicos e legais inerentes à atividade objeto da terceirização. Chamada de empresa TERCEIRISTA; Ø Fabricação/Manufatura: todas as operações necessárias para a obtenção dos produtos contemplados pela legislação sanitária vigente; Ø Produção/Elaboração: operações determinado desde produto processamento, embalagem, o até envolvidas a recebimento a reparação dos conclusão 13 de materiais, do produto acabado/terminado; Ø Representante Legal: pessoa que representa a empresa e responde administrativamente, civil, comercial e penalmente pela mesma; Ø Responsável Técnico / Diretor Técnico / Regente: profissional legalmente habilitado pela Autoridade competente para exercer a responsabilidade técnica das atividades desenvolvidas pela empresa e reguladas pela legislação sanitária vigente. Estas definições foram mais tarde regulamentadas pelo âmbito do Mercosul: Grupo de Mercado Comum, Resolução de n°. 26 de 2006 (MERCOSUL/GMC/RES. Nº 26/06) – Contratação de Terceirização para Produtos de Higiene Pessoal, Cosméticos e Perfumes, Tendo em vista o Tratado de Assunção, o Protocolo de Ouro Preto, a Decisão Nº 20/02 do Conselho do Mercado Comum e as Resoluções Nº 110/94 e Nº 41/96 do Grupo Mercado Comum. 1.1 - Terceirização e Qualidade As atividades terceirizadas podem conduzir a um maior controle da qualidade, à redução dos desperdícios e retrabalho, tornando a empresa mais competitiva para enfrentar os desafios cada vez maiores da era contemporânea, em meio à globalização econômica (GIOSA, 1993). Administrar a qualidade deve buscar continuamente a satisfação do cliente, mas necessidade das pessoas mudam continuamente e os concorrentes estão sempre tentando se enquadrar a estas mudanças, segundo Campos (2004, p. 109), desta forma a inovação contínua tem como referência os clientes e os concorrentes. Sendo assim: 14 “A Garantia da Qualidade é uma função da empresa que tem como finalidade confirmar que todas as atividades da qualidade estão sendo conduzidas da forma requeria. Portanto a garantia da qualidade é a embaixatriz do cliente na empresa, é a função que visa a confirmar que todas as ações necessárias para o atendimento das necessidades dos clientes estão sendo conduzidas de forma completa e melhor que o concorrente.” (CAMPOS, 2004, p. 113). Mas, quando este concorrente é o nosso cliente? Sendo este nosso parceiro deve-se por ética prover as mesmas Garantias de Qualidade da empresa contratada. Em uma entrevista Fernanda Mendonça, gerente-geral da Freedom Cosméticos considerou que “aos olhos dos clientes, não é interessante ter linhas próprias, pois o cliente receia que todo o empenho dedicado à sua linha de produtos possa ser compartilhado com a linha da empresa contratada” (Moraes, 2007). Mas em relação a qualidade esta observação pode ser considerada como inadequada, visto que o “prestador ou fornecedor de serviços com tecnologia própria, administra e supervisiona as suas atividades (...). Tem resultados de qualidade, eficiência e eficácia” (QUEIROZ, 1998, p. 27). Vicente Falconi, um dos grandes estudiosos no assunto de Qualidade no Brasil, diz que o gerenciamento da qualidade evita muitos problemas no momento da produção de um bem, por isso, a pratica de controle da qualidade é uma obrigação da empresa contratada e também da contratante. Segundo o autor deve haver um “Gerenciamento da Rotina do Trabalho”: “O Gerenciamento da Rotina do Trabalho do Dia-a Dia (ou simplesmente Rotina) é conduzido de tal forma a proporcionar o melhoramento contínuo na empresa pela conjunção das operações de manutenção (cumprimento 15 de padrões e atuação na causa dos desvios) e melhorias (alteração dos padrões para melhor resultado)”. (CAMPOS, 2004, p. 49). Há também a Auditoria de Qualidade, que pode e deve ser efetuada pelo contratante, com o objetivo de assegurar a conformidade dos produtos fabricados pelos terceiristas. E que é assegurado pela Portaria n°. 348/97 da Anvisa. Por isso a preocupação de empenho dedicado à linha de produtos do contratante possa ser compartilhado com a linha da empresa contratada, só pode acontecer com contratados que não são parceiros e que não tem a qualidade como objetivo principal dos serviços prestados, o que também pode ser visto em seus produtos de marca própria. 1.2 - Seleção do Parceiro A seleção da parceria deve ser muito avaliada, para tanto deve se estabelecer uma relação de muita confiança e solidez. Ambas precisam estar em sintonia, ou seja, devem ter os mesmos objetivos e metas préestabelecidas. Muito embora tenham papéis diferentes no que fazem devem querer atingir o mesmo resultado. E este resultado alcançado é partilhado como se fosse uma sociedade, onde a igualdade de decisões deve ser respeitada e a hierarquia abolida. Vicente Falconi cita, em seu livro, Monteiro Lobato, referente ao Programa proposto aos operários da empresa editora que trazia o seu nome, que dizia que o sócio-consumidor participa dos lucros, recebendo artigos cada vez mais caprichados e por preços cada vez mais baixos. A industria que procura lesar esse sócio, impingindo artigos malfeitos e caros, não é indústria, é pirataria. A troca de parceiros de uma organização se dá por muitos motivos e o principal é a insatisfação do serviço prestado. A contratada pode vir a falhar em muitos aspectos como: falha na entrega, má qualidade nos produtos ou 16 serviços ou até mesmo a confiabilidade que foi passada a contratante e que não está sendo mais cumprida. Peter Druck (1993, p. 263), dizia que a “melhoria visa aperfeiçoar ainda mais aquilo que já tem sucesso, é uma atividade ininterrupta que requer metas quantitativas específicas [...]. A melhoria começa com o feedback [...]. Desta forma podemos observar que os parceiros além da melhoria de seus processos devem também ser respeitados com a atividade de retroação das atividades executadas por terceiros. 1.3 - A terceirização em Atividade de Assessoria Algumas organizações não agregam valor aos seus produtos e serviços, quando isso acontece às organizações adotam a terceirização como alternativa, contratando uma empresa prestadora de serviços que faz um levantamento no foco da empresa para chegar a uma conclusão sobre o que terceirizar. “Muitas organizações preferem concentrar-se exclusivamente no seu core business, transferindo para outras organizações as atividades não-essenciais que estas poderiam fazer melhor e a custo mais baixos. Isso significa livrar a carga de supervisão e diminuir a amplitude de atividades organizacionais diferenciadas, reduzindo o leque de múltiplas atenções do nível institucional e permitindo à organização dedicar-se exclusivamente às suas atividades essenciais”. (CHIAVENATO, 1999a. p. 415) A terceirização dentro da linha de produção, nada mais é que, os produtos ou acessórios que a empresa fabrica ou monta, em um determinado espaço físico localizado dentro da empresa ou não, ou até mesmo com a limpeza de suas máquinas bem como a manutenção. 17 Já fora do ambiente de produção no ambiente externo, o transporte, a entrega, de peças ou até mesmo de máquinas, a jardinagem da fábrica e o serviço de limpeza de todos os setores, e bem como a parte da segurança. Onde, toda atividade exercida pela empresa, todos os setores, e o local de todo o processo da empresa, bem como: fabricação ou montagem do produto, o local de armazenamento e o controle dos produtos, o transporte e a entrega do produto, todas as máquinas envolvidas na fabricação, à parte de segurança da empresa ou até mesmo a escolta do produto até o cliente. 1.4 – Vantagens e Riscos da Terceirização Prestar o serviço de terceirização de produtos, dá a empresa contratada à responsabilidade de demonstrar as vantagens deste tipo de serviço prestado, mas mesmo que estas empresas tentem enumerar estas vantagens, há sempre o lado negativo para este serviço. A terceirização pode trazer alguns riscos. A organização abre mão do controle sobre a atividade, visto que o produto é do contratante. Ela fica à mercê dos clientes externos. O produto ou serviço produzido internamente se transforma em produto acabado a ser adquirida pelo contratante que às vezes exigi demais ao terceirista. (CHIAVENATO, 1999a). Ao terceirizar parte da produção a empresa que contrata o serviço “a divisão do trabalho é transferida para além das fronteiras da organização. O segredo é ponderar as vantagens e os riscos decorrentes da terceirização”. (CHIAVENATO, 1999a, p. 416). Problemas externos também podem causar atrasos na entrega do produto ao contratado, e se o terceirista não estiver atento a estes problemas 18 pode perder clientes. Se o contratado também produz para si mesmo, ele deve estar atento aos problemas com a capacidade de produção, pois se a demanda de produtos for maior que a oferta de disponibilidade para produzir dentro da empresa do contratado, este problema poderá acarretar a perda do cliente. À medida que há uma crescente evolução na globalização, aonde o mercado vem exigindo cada vez mais produtos altamente qualificados e com as crises que vêm acontecendo durante essas mudanças, torna-se primordial para uma empresa se apegar àquilo que ela faz de melhor, concentrando suas energias para atuar em processos que irão trazer resultados reais. Na avaliação do Sebrae, muitas das micros e pequenas encontraram na subcontratação uma fórmula eficaz para sobreviver criando alianças estratégicas. “Algumas empresas enfrentam uma demanda em declínio e vêem poucas possibilidades de crescimento. Outras, porém, estão criando novas soluções para os novos problemas dos consumidores. Muitas estão encontrando formas de oferecer ‘mais por menos” (KOTLER E ARMSTRONG, 1999, p. 15). Podem ser enumeras as razões para que uma empresa preste o serviço de terceirização de produtos: “São três as justificativas para a terceirização. Em primeiro lugar, o argumento de custo. As economias de escala permitem que as organizações sejam capazes de fornecer determinadas atividades especializadas com custos unitários mais baixos. Em segundo lugar, o argumento de qualidade. As organizações fornecedoras 19 de determinadas atividades especializadas podem fazê-lo de maneira melhor. Uma organização que pretende realizar todas as coisas diferentes ao mesmo tempo jamais conseguirá fazê-lo com qualidade adequada. Em terceiro lugar, o argumento do core business. O core business de uma organização representa suas atividades essenciais ligadas diretamente à sua missão e objetivos organizacionais” (CHIAVENATO, 1999a, p. 415). Uma pesquisa feita pelo Sebrae, conforme o site do Diário do Nordeste (2000), para 40% as empresas contratantes, a maior vantagem do sistema é não precisar contratar funcionários especializados, nem investir em máquinas e equipamentos. Outros 19% optam pelo sistema para reduzir custos gerais, garantir maior lucratividade e rapidez de produção, mas para o contratado que já está acostumado com este tipo de serviço e que dispõem de maquinário, estes possivelmente não seriam grandes problemas. 1.4.1 – Tributação na prestação de serviços para terceiros: Uma das grandes vantagens da prestação de serviço de terceirização de produtos são os impostos para o terceirizado, quem presta o serviço fica isento do IPI (Imposto sobre produtos Industrializados), de acordo com Código Fiscal de Operações e Prestações – CFOP – disponibilizado no site do Portal da Receita, Finanças e Controle do Estado do Rio de Janeiro, o IPI fica a cargo de quem é o fabricante do produto e não de quem está prestando um serviço de fabricação. Lembrando que esta operação é apenas para empresas que enviam insumos para industrialização, seguem abaixo, na figura 1, as classificações dos Códigos Fiscais de Operação (CFOP): 20 NOTA FISCAL EMITIDA PELO CLIENTE PARA O TERCEIRISTA CFOP NATUREZA DE OPERAÇÃO Remessa para Industrialização Suspensão de IPI conf. Art. 42 Inc. VI decreto 4.544/02-RIPI 5.901 Suspensão do ICMS conf. Art. 52 do livro 1 decreto 27.427 de 17.11.00 NOTAS FISCAIS EMITIDAS PELO TERCEIRISTA APÓS INDUSTRIALIZAÇÃO DOS INSUMOS CFOP NATUREZA DE OPERAÇÃO Retorno de industrialização 5.124 Suspensão de IPI conf. Art. 42 Inc. VII decreto n. 4.544/02 RIPI Retorno de material utilizado no processo de industrialização 5.902 Suspensão de IPI conf. Art. 42 Inc. VII decreto 4.544/02-RIPI Suspensão do ICMS conf. Art. 52 do livro 1 decreto 27.427 de 17.11.00 Retorno de material não utilizado no processo de industrialização 5.903 Suspensão de IPI conf. Art. 42 Inc. VII decreto 4.544/02-RIPI Suspensão do ICMS conf. Art. 52 do livro 1 decreto 27.427 de 17.11.00 Figura 1 – Classificação Fiscal para terceirização de produtos. Fonte: Portal da Receita, Finanças e Controle do Estado do Rio de Janeiro. Sendo assim, o IPI é tributado apenas uma vez, na nota fiscal em que o produto é vendido para o comércio. Esta vantagem pode ser de grande proveito ao terceirista que além de aproveitar o tempo ocioso que sua máquina possa ter sem que fabrique seu próprio produto, ele pode usar desta vantagem de terceirista para se livrar de alguns impostos mesmo que esteja produzindo. 21 1.5 - A Decisão de Manter Ou Não a Terceirização A empresa contratada para a fabricação do produto tem uma grande responsabilidade ao produzir, visto que, o produto reflete a imagem da empresa contratante no mercado. Dentro desse contexto, o processo da terceirização deve ser periodicamente avaliado para se verificar se o mesmo está atingindo os objetivos esperados. Essas avaliações dão base na tomada de decisão da empresa contratante no que diz respeito a decidir se mantém ou desfaz o processo com a empresa contratada. Daí a necessidade desta última atender e superar as exigências, objetivando a manutenção e até, a inclusão de novos produtos no processo da terceirização. Para a empresa iniciar a prestação da terceirização de produtos com eficácia, esta deve ter o conhecimento das diretrizes e critérios claros para que o objetivo seja alcançado, seguem algumas relacionadas, como: o produto a ser produzido pode ser um que se exija alto grau de especialização de funcionários ou um avançado maquinário, ou ainda, pode ser um produto onde as atividades sejam secundárias ao negócio central da empresa contratante. Criação de parceiros é fundamental para a empresa, para isso é importante que a mesma possua experiência na execução da atividade, com quadro de profissionais capacitados para demonstrar segurança. E para a manutenção dos parceiros é necessário manter a qualidade na produção dos produtos igual, ou melhor, do que era produzido pela própria empresa (Giosa, 1993). 22 CAPÍTULO II DIRETRIZES DE QUALIDADE PARA TERCEIRIZAÇÃO DE PRODUTOS DE HIGIENE PESSOAL, COSMÉTICOS E PERFUMES A diretriz é o conjunto de instruções ou indicações para se levar a termo um negócio ou uma empresa e o objetivo de qualquer empresa é satisfazer o mercado, sem compreender o mercado, fica quase impossível uma empresa sobreviver, para Slack, Chambers e Johnston (2002), os objetivos de desempenho ajudam a tornar uma empresa competitiva, pois formam os cinco tipos de providências que uma empresa precisa tomar para contribuir com a competitividade que são: qualidade, rapidez, confiabilidade, flexibilidade e custo. Estes objetivos devem perseguir os produtos e os serviços para satisfazer o cliente e em todos esses a qualidade tem o seu papel principal em relação ao atendimento, os produtos e o custo dos produtos, a abordagem da qualidade baseada no valor defende que a qualidade seja percebida em relação ao preço (SLACK; CHAMBERS; JOHNSTON, 2002). “O gerenciamento pelas diretrizes é uma sistema administrativo, praticado por todas as pessoas da empresa, que visa garantir a sobrevivência [...], conduzido pela alta administração da empresa, tem como objetivo maior direcionar a caminhada eficiente do controle da qualidade (Rotina) para a sobrevivência da empresa a longo prazo.” (CAMPOS, 2004, p. 75). A “qualidade é a capacidade do produto de desempenhar suas funções. Inclui sua durabilidade geral, confiabilidade, precisão, facilidade de operação e de consertos, e outros atributos valiosos” (KOTLER E ARMSTRONG, 1999, p. 192). Mas não só as diretrizes descritas acima elevam o sucesso da 23 organização: “Para mobilizar e utilizar plenamente as pessoas em suas atividades, as organizações estão mudando os seus conceitos e alterando as suas práticas gerenciais. Em vez de investirem diretamente em produtos e serviços, elas estão investindo nas pessoas [...]. Em vez de investirem diretamente nos clientes, elas estão investindo nas pessoas que os entendem e as servem e que sabem como satisfaze-los e encanta-los. As pessoas passam a constituir o elemento básico do sucesso empresarial” (CHIAVENATO, 1999b, p. 4) Para Paladini (2008, p. 229), as estratégias da produção da qualidade são conhecidas como qualidade na origem. Tratando-se de um processo que visa induzir as pessoas a produzir com qualidade. Para tanto, segundo o mesmo autor, é preciso que as pessoas envolvidas no processo de fabricação devam ter uma nova postura, mentalidade, hábitos e comportamentos. As pessoas são a vida de uma organização, saber fazer com que elas entendam o objetivo organizacional e fazer com que a organização ajude as pessoas a alcançarem seus objetivos pessoais, faz com que haja uma sinergia constante em melhoria e desenvolvimento organizacional, as empresas que hoje estão atentas a este diferencial que são as pessoas, passam a ser mais competitivas. Sendo assim, uma empresa que presta serviços de terceirização, ter pessoas comprometidas pode ser tornar também um diferencial e ajuda o terceiro a cumprir as diretrizes estabelecidas pelos órgãos governamentais. 24 2.1 – Assuntos Regulatórios Uma das preocupações das empresas contratantes é que a empresa contratada esteja em dia com as exigências dos Órgãos Governamentais, estando com as licenças e os certificados atualizados para que a mesma não seja interditada por esses órgãos, o que poderia ocasionar o atraso ou até mesmo a não entrega dos produtos. Por isso, a empresa contratante e a contratada devem estar atentos às legislações pertinentes e em suas atualizações para que não haja surpresas nas fiscalizações dos órgãos competentes. Algumas empresas contratam um Analista de Assuntos Regulatórios (Regulatory Affairs) para controlar os Certificados e Licenças dos Órgãos Federais, Estaduais e Municipais tais como: - Agencia Nacional de Vigilância Sanitária e Secretaria de Vigilância Sanitária do Estado referente aos Registros e Notificações de Produtos, Procedimento Operacional Padrão, Boas Práticas de Fabricação; - Matérias-Primas Controladas pela Polícia Federal, Polícia Civil (DFAE), Ministério do Exército; - Órgãos Ambientais: IBAMA, FEEMA, Secretarias do Meio Ambiente do Estado e do Município. 2.1.1 – Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) A Anvisa é um Órgão Federal, que atua em diversas áreas da saúde e uma dessas atividades é garantir a segurança e a qualidade dos produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes. Por todas as empresas que fabricam, terceirizam ou prestam serviço de terceirização destes produtos, sendo total ou parcial, devem ter uma Licença de Funcionamento de Empresa (LFE) expedido da Anvisa, publicado no Diário Oficial. 25 “Ato privativo do órgão competente do Ministério da Saúde, incumbido da Vigilância Sanitária dos produtos de que trata o Decreto nº 79.094/77, contendo permissão para que as empresas exerçam as atividades sob regime de Vigilância Sanitária, instituído pela Lei nº 6.360/76, mediante comprovação de requisitos técnicos e administrativos específicos” (ANVISA, 2008). Uma das grandes atribuições legais é o cumprimento da Portaria N°. 348, de 18 de agosto de 1997 da Anvisa, onde há um dos principais conceitos de Qualidade Total na fabricação de Produtos de Higiene Pessoal, Cosméticos e Perfumes, sendo esta, o Manual de Boas Práticas de Fabricação e Controle (BPF e C), que as empresas contratante e contratada vão se guiar para implementar as BPF e C e garantir um nível de qualidade para os produtos fabricados. A Portaria 348/97 descreve as atividades que guiam a garantia da qualidade, dando definições e orientações de como a empresa contratante ou contratada devem efetuar as operações de fabricação, recebimento de materiais e estocagem, bem como a elaboração de processos, capacitação de pessoal e procedimentos que visam a limpeza e desinfecção de máquinas utilizadas durante a fabricação e aferição/calibração de instrumentos de medição, onde há regulamentações são estabelecidas pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (INMETRO). A Portaria 348/97 também define as responsabilidades na fabricação com terceiros e os deveres do Terceirista além de todos os cumprimentos das diretrizes estabelecidas. Para atender as exigências do MERCOSUL/GMC/RES. Nº 26/06, a Anvisa aprova o Regulamento Técnico na Resolução N°. 176, de 21 de setembro de 2006, referente à Contratação de Terceirização para Produtos de Higiene Pessoal, Cosméticos e Perfumes. Que estabelece as definições para exercer as atividades de tercerização. 26 Para que haja uma sinergia entre contratante e contratado, sem que haja problemas com desentendimentos, é preciso que ambos formalizem um contrato para que possam identificar suas responsabilidades, este por fim, é de vital importância de acordo com Trevisan (2005, p. 26) “o contrato é o documento devidamente legalizado em cada Estado Parte que estabelece o vinculo entre as empresas envolvidas nas atividades objeto”, sendo este necessário para que os órgãos regulamentadores possam analisar o vínculo de parceria entre as empresas. 2.1.2 - Matéria-Prima controlada por Órgãos Governamentais Na composição dos Produtos de Higiene Pessoal, Cosméticos e Perfumes, pode haver matérias-primas que também são utilizadas para outro seguimento de produto, como explosivos e entorpecentes. Estas matérias- primas são controladas, e suas vendas restritas para as empresas quem detêm os Certificados e Licenças para poderem comprá-las. Alguns Órgãos controlam, fiscalizam e licenciam as empresas para que possam fabricar e adquirir através de compras, estas matérias-primas, de acordo com suas legislações: - Matérias-Primas utilizadas também para produtos explosivos são regulamentadas pelo Ministério do Exército no Decreto nº. 3665, de 20 de Novembro de 2000 que cria a Diretoria de Fiscalização de Produtos Controlados (DFPC), e quem fiscaliza as empresas é a Divisão de Fiscalização de Armas e Explosivos da Polícia Civil (DFAE), as empresas que utilizam qualquer matéria-prima listada pelos órgãos devem preparar o movimento de consumo industrial e depósito dos produtos químicos controlados e obter o Certificado de Registro do Exército e do DFAE. - Matérias-Primas utilizadas também para produtos entorpecentes, são regulamentadas pela Central de Controle de Produtos Químicos do 27 Departamento de Polícia Federal de acordo com a Portaria N 1274, de 25 de °. agosto de 2003, que compromete a exercer o controle e a fiscalização de precursores e outros produtos químicos essenciais empregados na fabricação clandestina de drogas, como estratégia fundamental para prevenir e reprimir o tráfico ilícito e o uso indevido de entorpecentes e substâncias psicotrópicas. Para isso as empresas devem obter Certificado de Registro Cadastral e o respectivo Certificado de Licença de Funcionamento e seguir todos os tramite de controle exigidos pelo Órgão. 2.1.3 – Órgãos Ambientais Órgãos Ambientais devem ser uma preocupação dos Terceiristas, pois estes também influenciam na operação da empresa, por isso devem estar atendos as legislações ambientais e suas atualizações sejam eles de qualquer instância: Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente (FEEMA), as Secretarias Estadual e Municipal do Meio Ambiente, etc. O contratante deve ter atualizados os Certificados Ambientais analisando periodicamente os efluentes, poluição do ar, poluição sonora, etc, desempenhando assim, um papel sócio-ambiental e sendo uma empresa ecologicamente correta. 2.1.4 – Associações, Federações, Fundações e Sindicatos Para alguns terceiristas que queiram se aprofundar ainda mais nos Assuntos Regulatórios e que visam a melhoria e a qualidade de seus serviços, podem procurar algumas entidades que auxiliam muitas empresas a serem vistas pelos contratantes como uma empresa responsável que tem como objetivo a Qualidade Total. Sendo assim temos: 28 A Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (ABIHPEC), que é uma entidade que representa, nacional e internacionalmente, empresas relacionadas à produção, promoção e comercialização de produtos acabados e insumos destinados aos cuidados pessoais. E para as empresas no Rio de Janeiro temos o Sindicato das Indústrias de Produtos Cosméticos e Higiene Pessoal do Rio de Janeiro (SIPATERJ) que é filiado a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (FIRJAN) e que também é associado a ABIHPEC. promover ações que contribuam O SIPATERJ tem como Missão, efetivamente para o progresso e desenvolvimento das Indústrias de Cosméticos, Perfumaria e Higiene Pessoal do Estado do Rio de Janeiro. Já a O Sistema FIRJAN é composto por cinco Instituições que são o Centro Industrial do Rio de Janeiro (CIRJ), Serviço Social da Indústria (SESI), Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e Instituto Euvaldo Lodi (IEL) que trabalham de forma integrada para o desenvolvimento da indústria fluminense, promovem ações para garantir uma posição de destaque para o estado no cenário nacional nos níveis político, econômico e social. Todas as Instituições se caracterizam hoje fortemente como prestadoras de serviços às empresas. Não podendo esquecer do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE) da Região, que auxilia as empresas nos desafios do empreendedorismo e que são de grande valia para orientar sobre o mercado e as necessidades para crescimento institucional. Para as empresas que querem receber prêmios de qualidade podem também se candidatar ao Prêmio Nacional da Qualidade® (PNQ), concedido pela Fundação Nacional de Qualidade (FNQ) que tem como missão ”Disseminar os fundamentos da Excelência em Gestão para o aumento de competitividade das organizações e do Brasil”. 29 Algumas entidades orientam o contratado no desenvolvimento do seu negócio, o que pode atrair uma clientela que valoriza a qualidade de seus produtos através das diretrizes que estas entidades proporcionam. 2.2 – Entrega do Produto Final com Rapidez e Qualidade O contratado que exerce o serviço de terceirista e que detêm marca própria, deve ter uma logística que vá de encontro com os seus interesses e aos interesses do contratante, nunca se esquecendo de um bom Planejamento e Controle da Produção (PCP), “normalmente as atividades de PCP são desenvolvidas por um departamento de apoio a Produção, dentro da Gerência Industrial” Tubino (2000, p.23). O PCP deve “administrar os recursos humanos e físicos com base nos planos, direcionar a ação dos recursos humanos sobre o físico e acompanhar esta ação, permitindo a correção de prováveis desvios” Tubino (2000, p.23). E para diminuir estes desvios, o PCP deve ter os critérios que serão os princípios que se tomam como referências para emitir uma apreciação e conduzir uma análise. De acordo com Slack, Chambers e Johnston (2002 p.97): “À medida que o volume dos produtos e serviços cresce, os concorrentes começam a desenvolver seus próprios produtos e serviços [...]. Acompanhar a demanda pode ser a principal preocupação [...]”. Visto que para prever esta demanda é preciso ter conhecimento dos concorrentes, pois estes poderão ser os futuros clientes. Ser criterioso com processo de terceirização faz com que os produtos saiam da empresa com qualidade, pois a satisfação do cliente é ligada à qualidade, a percepção imediata desta qualidade é muito importante. “A satisfação do cliente depende do desempenho do produto percebido com relação ao valor relativo às expectativas do comprador”. (KOTLER E ARMSTRONG, 1999, p. 6). Sendo assim, para os autores se o desempenho 30 faz jus às expectativas, o comprador fica satisfeito. Na terceirização, de produtos industriais, tem que haver um bom planejamento estratégico da produção para prever a demanda e atende-la sem que possa atrasar a produção do cliente, de acordo com Tubino (2000), devese assim formular planos, direcionar as ações dos recursos humanos para que as pessoas auxiliem nas funções dos sistemas de produção e principalmente prever a capacidade de produção que é o fator físico limitante do processo produtivo, se a empresa está preparada para prestar serviço de terceirização ela deve se planejar a tempo, antes mesmo que o pedido chegue, consultando o cliente e pedido um planejamento antecipado da produção. 31 CAPÍTULO III CASE O caso estudado foi em uma empresa cosmética especializada em envasamento de produtos em aerossóis. A entrevista foi feita com o Diretor Geral da empresa que concedeu uma visita no dia 02 de outubro de 2008, nessa visita foi respondida uma entrevista que está no Anexo I. A empresa está há mais de 40 anos no mercado tendo marcas próprias, e a terceirização industrial faz parte de uma das finalidades da mesma, tendo por volta de 20 contratantes e já prestou e presta serviços de terceirização para grandes empresas nacionais e multinacionais. 3.1- Objetivos de Ser Terceirista O objetivo da empresa entrevistada diz não ser só financeiro, serve também para criar fama no mercado, se relacionar com diretores de grandes corporações, tendo como resultado a troca de conhecimento e tecnologia. Tendo como missão “Produtos melhores para viver melhor, através dos aerossóis”, nesta missão o objetivo de colocar produtos cada vez mais responsáveis em relação ao meio ambiente, até porque o aerossol utilizava o gás CFC (clorofluorcarbono), um gás que prejudicava a camada de ozônio e hoje a empresa utiliza o gás butano/propano, que não trás nenhum mal ao planeta. 3.1.1 - Flexibilidade A empresa tem uma grande flexibilidade de modificar seus produtos como também em desenvolver o produto que o cliente desejar independente dos que ela possui no mercado. 32 Isso se dá pelo grande investimento em maquinários, treinamento do pessoal e seu laboratório de desenvolvimento equipado para atender a necessidade do cliente. Os clientes da empresa, em geral, querem os menores lotes possíveis e entregas em cima da hora, ou seja, o Just In Time, prazos longos de pagamento, e o máximo de garantia possível para o produto final mesmo que eles tenham dado a fórmula ou tenham mandado o produto para apenas envasar. Por isso, a empresa dá aos contratantes diversos meios possíveis para que eles possam escolher a forma que desejam ser atendidos e a forma que eles querem que a empresa manipule seus produtos, visando assim a excelência do produto final e a flexibilidade de poder oferecer os seus serviços a um mercado tão exigente e competitivo. 3.1.2 - Especialização A empresa observou que havia empresas que tinham dificuldades de produzir o seu produto e lançá-lo no mercado, empresa estas que não possuem a especialização em envasamentos de produtos em aerossóis. Pensando assim, a mesma investiu em mais maquinário para que pudesse atender a demanda de produtos próprios e produtos de terceiros, aproveitando o momento de mudanças mundiais, e começando a conquistar fatias significativas deste mercado. Para que a empresa pudesse ser tão flexível, ela teria que ter em seu quadro funcional, pessoas especializadas no tipo de atividade que ela exerce, então a empresa passou a treinar seus funcionários para que haja qualidade deste o recebimento dos insumos até a entrega do produto final ao contratante. 33 3.1.3 - Responsabilidades Para a empresa a responsabilidade da terceirização é muito complexa, isso se dá pelo produto final obtido, este deve estar em conformidade com os padrões estabelecidos pela empresa contratada, o que nem sempre é possível, pois os fornecedores também fazem parte desta tarefa, já que devem entregar os insumos em tempo hábil e com qualidade. Firmar um contrato para cada contratante e de extrema importância, principalmente quando o terceirista atende várias empresas com vários tipos de produtos que acabam recebendo vários tipos de processos de produção. O contrato servirá para que as responsabilidades de cada um sejam claras, pois se houver um insucesso no produto o terceirista possa se respaldar naquilo que foi acordado entre as partes. Pagnoncelli (1993), diz que “a responsabilidade com o serviço é muito grande para o terceirista, visto que para atender os pedidos ele deve estar atento” em por exemplo: greve de transporte público, greve da categoria, atraso na entrega de insumos, férias coletivas, feriados, etc. A responsabilidade da empresas contratada deve ser da entrega do insumo até a entrega do produto ao contratante do serviço de terceirização. Sendo assim, o contratado deve ser responsável pelas boas praticas de fabricação, peso, volume, relatórios de início, meio e fim de cada produção. 3.1.4 - Vantagens e Desvantagens de Ser Terceirista Para a empresa a vantagem principal de ser terceirista é a de reduzir o seu custo fixo, ter a oportunidade de desenvolver novas tecnologias em aerossol para várias empresas, aumentando assim a participação sobre o total de aerossóis produzidos no país. 34 A desvantagem encontrada pela empresa é a falta de conhecimento de técnico dos engenheiros das empresas contratantes, pois alguns produtos que eles vendem em embalagens plásticas como: géis, pomadas, cremes..., e que querem transformar estes produtos em aerossóis, acabam não compreendendo que esta modificação deve ser bem estudada para que o produto alcance a conformidade e que pressionados pelo departamento de marketing, acabam querendo lançar o produto rapidamente no mercado, e por fim não realizam certos testes de estabilidade e compatibilidade. 3.2 - Entrevista com o Diretor Quando a empresa foi fundada no início da década de 60 o ambiente da indústria de aerossol estava apenas nascendo no país. Uma firma pequena não tinha chance de se afirmar diante de poucas multinacionais que dominavam o setor. Os aerossóis eram uma espécie de “mágica”. Constituíam e ainda constituem a embalagem mais completa e complexa inventada pelo homem por várias razões, entre elas a embalagem não serve apenas para proteger o produto até o momento do consumo, mas também é o seu sistema de aplicação dispensação e uso, parecendo ter vida em si, uma vez que a pressão interna se manifesta ao toque de um simples botão. Assim a empresa precisava provar que sabia fazer, e partiu para oferecer os seus serviços a outras empresas que viriam a ser suas concorrentes mais adiante. Há mais de quatro décadas a firma terceiriza cosméticos, produtos domésticos, produtos de uso automotivo, produtos técnicos, produtos sanitários saneantes e outros. A vantagem principal de prestar o serviço é reduzir o seu custo fixo, também desenvolver novas tecnologias pioneiras, e aumentar a participação sobre o total de aerossóis produzidos no país. As dificuldades conhecimentos técnicos encontradas dos são engenheiros principalmente das outras a falta empresas, 35 de que pressionados pelo Departamento de Marketing querem fazer lançamentos de produtos rapidamente sem realizar os devidos testes de estabilidade e compatibilidade. Os ganhos empresariais são de tornar a firma conhecida no ambiente corporativo, pois ela torna-se responsável por uma quantidade de produtos que seus clientes, empresas muito maiores, não tem conhecimentos ou condições de produzir. O diferencial que a firma oferece é a sua experiência de mais de 40 anos prestando este serviço, o conhecimento das melhores fontes de suprimentos de matérias primas e componentes para o ramo, e sua flexibilidade de mudar de um produto para o outro sem abandonar o foco de Controle de Qualidade da linha oferecendo uma garantia de performance superior ao que o mercado está acostumado em serviços terceirizados. Empresa foi a primeira empresa a investir na criação, com muita dificuldade, de uma usina de tratamento de hidrocarbonos alifáticos para substituir os CFCs que estavam atacando a camada de ozônio. A responsabilidade de uma terceirização é complexa no ambiente empresarial do Brasil, pois as leis tendem a ser contraditórias e excessivas gerando diferentes interpretações. Uma das principais armadilhas é a responsabilidade trabalhista ao se terceirizar um produto. Outro problema é saber até que ponto o terceirista garantirá o produto produzido em suas dependências pois, tudo depende dos componentes que ele recebe do seu cliente, e pelos quais o cliente deverá se responsabilizar. No caso de o terceirista oferecer o serviço no estilo Full Service, isto é dando tudo menos a marca do produto (em alguns casos até a marca é alocada com exclusividade para um determinado cliente sujeitando o mesmo a um consumo mínimo para permanecer dono no mercado da referida marca) neste caso, o terceirista deverá assumir a total responsabilidade até o consumo final do produto e 36 também diante do Código do Consumidor. Em geral este não é o caminho pois a firma cliente não quer perder o controle, e assim sendo ela acaba se responsabilizando pelo produto, ficando o terceirista responsável apenas pelas boas práticas de manufatura, peso e volume corretos, e relatórios de início meio e fim de cada produção. Para se terceirizar um produto há várias pré-condições entre elas estabelecer a parte legal de registro, estudar a viabilidade, ver se o produto já existe sob embalagem tradicional não aerossol e neste caso adaptar a fórmula para aerossol o que pode significar a mudança completa da mesma, a firma também exige que os engenheiros da empresa cliente se interessem pela parte científica do empreendimento, pois deve tentar se empenhar no processo para poder compreendê-lo e assumir uma parte da responsabilidade do processo. Isto é determinado em um contrato de serviços onde é indicado onde começa e onde acaba a responsabilidade de cada uma das partes. Tentar “encuralar” o mercado só porque se é dono de uma tecnologia, nunca deu certo para pequenas empresas. Isto apenas deu certo para grandes grupos empresariais que conseguem impor marcas, embalagem, e estabelecer hábitos de uso. Colocar um produto no mercado é tão difícil como fabrica-lo, ou talvez ainda mais e exige grande dedicação, equipes de grande porte e grande investimento de capital. Certamente não é o caminho mais confortável para se agir. Os clientes em geral querem os menores lotes possíveis, entrega encima da hora, ou seja, o Just In Time, prazos longos de pagamento, e o máximo de garantia possível para o produto final mesmo que eles tenham dado a fórmula ou tenham mandado o produto para apenas envasar. Há uma tendência de fugir da responsabilidade em relação ao produto e o segundo e terceiro escalão das firmas em geral tende a culpar o terceiro pelo insucesso do produto, pois esta é a maneira mais confortável de salvar a própria pele. Um contrato de serviço muito refinado deve ser negociado com cada um dos clientes e para cada um dos produtos, pois pode ter enorme diferença de 37 produto a produto. No exterior, muitos países legislaram sobre esta situação e existem contratos modelo prontos para serem assinados. Escritórios de advocacia se especializaram em cuidar de causas de litígio em volta de envasamento de aerossóis. Prestar serviços para o próprio concorrente, quando o cliente é um concorrente de verdade, ele sabe do que está falando e as limitações e exigências para cada produto, o que torna a coisa mais fácil. Prestar serviços para alguém que está tentando entrar no mercado ignorando quase tudo sobre o mesmo é a atividade mais difícil, pois se deve explicar cada pequeno pormenor o que onera a operação. A maioria dos clientes escolheu a firma para terceirizar justamente porque ela está bem colocada no mercado, e demonstra possuir a tecnologia necessária para produzir o que eles querem. Alguns dos clientes, até colocam isto como pré-condição antes de escolher o envasador. O objetivo da terceirização na empresa não é apenas financeiro, mas tem fundo acadêmico, serve para treinar as próprias equipes, diluir custos, criar fama no mercado, e ser relacionar com as diretorias de grandes corporações tendo como resultado a tramitação de novas tecnologias, e a antecipação de lançamentos no mercado internacional e outros resultados intangíveis. A firma desenvolve produtos novos sem parar, mesmo que não haja encomenda para eles, ou não sejam lançados de imediato. São chamados produtos prontos "de prateleira" assim estarão prontos para aproveitar oportunidades. Os clientes em geral ficam dependentes da consultoria do envasador para dar o acabamento final aos seus produtos. Em casos raros o cliente já vem com a tecnologia desenvolvida. A missão da empresa é "Produtos melhores para viver melhor, através dos aerossóis". Também pode ser incluído como missão perseguir o objetivo de colocar no mercado produtos cada vez mais responsáveis em relação ao meio ambiente, e investir nas pessoas visando não espremer lucros delas 38 como alias acontece na maioria das corporações competitivas de hoje, mas vislumbrando o elemento humano, pois sem as pessoas nada disso estaria aqui. As riquezas não existem sem pessoas, e a qualidade das pessoas determina o proveito que se pode tirar das riquezas produzidas. A observação final é que todo o setor e toda a atividade podem ser realizadores desde que as pessoas criem foco, aprendam a amar o que estão fazendo, e não percam o rumo, isto é, não torne os lucros seu alvo, mas como foi dito "viver melhor" criar satisfação, criar valor agregado ao produto e qualidade. Não seremos lembrados pelo nosso saldo bancário, mas certamente podemos deixar nossa marca se pudermos influir de forma positiva e construtiva na vida dos outros. Produtos industrializados, não só os aerossóis, são objetos que convivem conosco e passam a fazer parte de nosso dia a dia, é importante que eles sejam honestos, ter o preço justo, faça o que se propõe a fazer, e facilitem a nossa vida, de outra maneira perdem a sua razão de ser, e passam a ser apenas um modismo passageiro. Um dos fatores principais de trabalhar para terceiros, sendo estes concorrentes, é que se a empresa contratada não fizer, outro vai fazer. Desta forma é melhor que este movimento financeiro fique conosco do que acabe caindo nas mãos de outra empresa sem muita especialização. 39 CONCLUSÃO A terceirização pode ser de grande valia para empresas que tentem maquinário, espaço, tempo e capacitação tecnológica para poder se responsabilizar em prestar o serviço de ser terceirista e para tanto deve esta preparado para poder atender todas as exigências dos contratantes. Estar preparado para uma mudança na empresa, referente a um possível choque de cultura, pode fazer com que o negócio não seja bem sucedido, mas estando preparado para a competitividade e as ameaças, assim como no próprio produto da empresa, a terceirização poderá ser um aliado, tanto na troca de informações entre empresas como também entre um forte laço de parceria, já que trocar de terceirista não e como parar de comprar em outra padaria. Na terceirização tem que existir um compromisso sério, assim como na fabricação de um produto próprio. O terceirista deve se estar atendo as mudanças globais e no que o mercado vem exigindo, olhando sempre para o micro e macro ambiente. Saber gerir o negócio não só com o capitalismo, mas também com o lado humano, fazendo das pessoas os maiores colaboradores para o sucesso da organização. Para prestar um serviço de terceirização a organização não deve ser só um terceirista, mas também deve ser um consultor que auxilia o cliente no desenvolvimento do produto, devido a sua experiência do mercado, sendo holístico nas contingências que poderão surgir no futuro, para que assim tenha sempre o cliente fidelizado. Perceber qual é a hora de prestar um serviço de terceirização é ter “em mãos”, pessoas qualificadas, capacidade para produzir, fornecedores e pessoal capacitado e comprometido. Pois com a globalização muitas empresas multinacionais podem estar precisando de um terceirista, para poderem ser um 40 parceiro na produção de seus produtos, basta o terceirista estar preparado para gerir mais esse desafio. A gestão da qualidade não deve estar em um segundo plano, pois é com ela que o contratante irá se basear na escolha do terceirista, estar atento as normas existentes que visam dar diretrizes para a qualidade na terceirização industrial de produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes é um diferencial para que a terceirização seja vista com uma boa alternativa para o contratado. 41 REFERÊNCIAS Agencia Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Disponível em: <http://www.anvisa.gov.br/e-legis/>. Acesso em: 10 out. 2008. Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (ABIHPEC). Disponível em: <http://www.abihpec.org.br>. Acesso em: 07 out. 2008. ALVAREZ, Manuel S. B. Terceirização: parceria e qualidade. Rio de Janeiro: Campus, 1996. CAMPOS, Vicente Falconi, TQC – Controle da qualidade total (no estilo japonês). Minas Gerais: INDG, 2004. CHIAVENATO, Idalberto. Administração dos novos tempos. 2. ed. Rio de Janeiro: Campus, 1999a. CHIAVENATO, Idalberto. 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A terceirização responsável: modernidade e modismo: São Paulo, LTR, 1997. 43 Sindicato das Indústrias de Produtos Cosméticos e Higiene Pessoal do Rio de Janeiro (SIPATERJ). Disponível em: <http://www.sipaterj.com.br/quemsomos.asp>. Acesso em: 08 out. 2008. SLACK, Nigel; CHAMBERS, Stuart; JOHNSTON, Robert. Administração da produção. São Paulo: Atlas, 2002. TREVISAN, Carlos Alberto. Terceirização. São Paulo: Cosmetics & Toiletries (Ed. Em Português), 2005. TUBINO, Dalvio Ferrari. Manual de planejamento e controle da produção. São Paulo: Atlas, 2000. 44 ANEXOS Índice de anexos Anexo 1 >> Entrevista com o Diretor da empresa pesquisada 45 45 ANEXO 1 Entrevista com o diretor da empresa pesquisada. 1. O que levou a empresa a entrar no ramo da terceirização? E há quanto tempo presta esse tipo de serviço? Quando fundamos a empresa no início da década de 60 o ambiente da indústria de aerossol estava apenas nascendo no país. Uma firma pequena não tinha chance de se afirmar diante de poucas multinacionais que dominavam o setor. 2. Há alguma flexibilidade? A empresa observou que havia empresas que tinham dificuldades de produzir o seu produto e lançá-lo no mercado, empresa estas que não possuem a especialização em envasamentos de produtos em aerossóis. Pensando assim, investimos em mais maquinário para que pudesse atender a demanda de produtos próprios e produtos de terceiros, aproveitando o momento de mudanças mundiais, e começando a conquistar fatias significativas deste mercado. 3. Quais as vantagens de prestar este tipo de serviço e quais as dificuldades encontradas? A vantagem principal de prestar o serviço é reduzir o seu custo fixo, também desenvolver novas tecnologias pioneiras, e aumentar a participação sobre o total de aerossóis produzidos no país. As dificuldades encontradas são principalmente a falta de conhecimentos técnicos dos engenheiros das outras empresas, que pressionados pelo Departamento de Marketing querem fazer lançamentos de produtos rapidamente sem realizar os devidos testes de estabilidade e compatibilidade. 4. Qual a Missão? Qual o diferencial? Produtos melhores para viver melhor, através dos aerossóis e o diferencial que a firma oferece é a sua experiência de mais de 40 anos prestando este serviço, o conhecimento das melhores fontes de suprimentos de matérias primas e componentes para o ramo, e sua flexibilidade de mudar de um produto para o outro sem abandonar o foco de Controle de Qualidade da linha oferecendo uma garantia de performance superior ao que o mercado está acostumado em serviços terceirizados. 5. Quais os ganhos empresariais de uma terceirização? O objetivo da terceirização não é apenas financeiro, mas tem fundo acadêmico, serve para treinar as próprias equipes, diluir custos, criar fama no mercado, e ser relacionar com as diretorias de grandes corporações tendo como resultado a tramitação de novas tecnologias, e a antecipação de lançamentos no mercado internacional e outros resultados intangíveis. 6. Como é dividida a responsabilidade de terceirização? A firma desenvolve produtos novos sem parar, mesmo que não haja encomenda para eles, ou não sejam lançados de imediato. São chamados produtos prontos "de prateleira" assim estarão prontos para aproveitar oportunidades. Os clientes em geral ficam dependentes da consultoria do envasador para dar o acabamento final aos seus produtos. Em casos raros o cliente já vem com a tecnologia desenvolvida. 7. A empresa utiliza os critérios de excelência para prestar o serviço de terceirização? Utilizamos as normas da Anvisa e principalmente as Boas Praticas de Fabricação exigido pela mesma. Também seguimos todos os procedimentos exigidos pelos Órgãos Governamentais para que possamos estar enquadrados em suas exigências, desta forma temos as licenças e os certificados de todos os órgãos pertinentes. 8. Quais as maiores exigências de seus clientes? A maioria dos clientes escolheu a firma para terceirizar justamente porque ela está bem colocada no mercado, e demonstra possuir a tecnologia necessária para produzir o que eles querem. Alguns dos clientes, até colocam isto como pré-condição antes de escolher o envasador. 46 9. A empresa tem várias linhas de produtos? Porque prestar um serviço de terceirização se poderiam investir na qualidade de seus próprios produtos? Um dos fatores principais de trabalhar para terceiros, sendo estes concorrentes, é que se a nossa firma não fizer, outro vai fazer, de forma que é melhor que este movimento financeiro fique conosco do que acabe caindo em outra empresa. E em relação a qualidade, este é um fator primordial não só para a nossas marcas, mas também para os nossos parceiros. 10. Parar sua produção para fazer produtos de terceiros, não gera falta de qualidade para seus próprios produtos? Como isso é gerenciado? Temos um setor de PCP (Programa e Controle da Produção) dividido para os nossos produtos e para os produtos de terceiros, desta forma os dois se comunicam para que possam programar a fabricação dos produtos. 47 ÍNDICE INTRODUÇÃO 8 CAPITULO I OUTSOURCING 1.1 – Terceirização e Qualidade 1.2 – Seleção do Parceiro 1.3 – A terceirização em Atividade de Assessoria 1.4 – Vantagens e Riscos da Terceirização 1.4.1 – Tributação na Prestação de Serviços para Terceiros 1.5 – A Decisão de Manter Ou Não a Terceirização 11 13 15 16 17 19 21 CAPÍTULO II DIRETRIZES DE QUALIDADE PARA TERCEIRIZAÇÃO DE PRODUTOS DE HIGIENE PESSOAL, COSMÉTICOS E PERFUMES 2.1 – Assuntos Regulatórios 2.1.1 – Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) 2.1.2 – Matéria-Prima Controlada por Órgãos Governamentais 2.1.3 – Órgãos Ambientais 2.1.4 – Associações, Federações, Fundações e Sindicatos 2.2 – Entrega do Produto Final com Rapidez e Qualidade 22 24 24 26 27 27 29 CAPÍTULO III CASE 3.1 – Objetivos de Ser Terceirista 3.1.1 – Flexibilidade 3.1.2 – Especialização 3.1.3 – Responsabilidades 3.1.4 – Vantagens e Desvantagens de Ser Terceirista 3.2 – Entrevista com o Diretor 31 31 31 32 33 33 35 CONCLUSÃO 39 ANEXOS 45 ÍNDICE 47 ÍNDICE DE FIGURAS 48 48 ÍNDICE DE FIGURAS FIGURA 1 – Fonte de Informação Segundo Portal da Receita, Finanças e Controle do Estado do Rio de Janeiro 20