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UNIVERSIDADE REGIONAL DO NOROESTE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO
SUL - UNIJUI
ALANA PATRÍCIA DUARTE DAHMER
SINTOMAS DE DOENÇAS OCUPACIONAIS:
Um estudo com trabalhadores bancários do município de
Crissiumal - RS
Três Passos,
2014
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ALANA PATRÍCIA DUARTE DAHMER
DOENÇAS OCUPACIONAIS: Um estudo com trabalhadores
bancários do município de Crissiumal – RS
Trabalho de Conclusão de Curso
Trabalho de Conclusão de Curso de Administração
da Universidade Regional do Noroeste do Rio
Grande do Sul – UNIJUI, como requisito parcial à
Conclusão de Curso e consequente obtenção de
título de Bacharel em Administração.
Orientadora Profª Ms.: Maira Fátima Pizolotto
Três Passos,
2014
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DEDICATÓRIA
Dedico este trabalho a vocês, que sempre me fizeram
acreditar e persistir na realização dos meus sonhos e
trabalharam muito para que eu pudesse realizá-los,
minha mãe, Lenir e, ao meu pai, Olmiro. A você Luis,
companheiro no amor, na vida e nos sonhos, que
sempre me de força para continuar, me apoiou nas
horas difíceis e compartilhou comigo as alegrias. Aos
meus irmãos, Alice e Luiz, que se preocupam comigo,
torcem pelos meus sonhos e acreditam no meu
potencial. Dedico para vocês esta conquista, que é
muito importante em minha vida. Obrigada por tudo,
por serem a minha Família e estarem sempre ao meu
lado!
4
AGRADECIMENTOS
À Aquele, que me permitiu tudo isso, ao longo de toda a
minha vida, à você Deus, obrigada!
À minha família, que nos momentos de minha ausência
dedicados a este curso, sempre entenderam que o futuro, é
feito a partir da constante dedicação no presente.
À minha mãe Lenir, minha irmã Alice e minha afilhada
Anabel que dedicaram parte do seu precioso tempo em se
dedicar a mim.
Ao meu namorado Luis, pelo amor, companheirismo, e
enorme compreensão.
Aos
professores,
na
tarefa
de
multiplicar
meus
Maira
F.
Pizolotto,
minha
conhecimentos.
À
professora
Mestre
orientadora, pelo incentivo e orientação que me foram
concedidos durante essa jornada.
...e finalmente, aos colegas pela espontaneidade e alegria
na troca de informações e materiais numa rara
demonstração de amizade e solidariedade.
A todos, muito obrigada.
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RESUMO EXPANDIDO
Introdução
O presente trabalho consiste no Trabalho de Conclusão de Curso em que foram
estudados os trabalhadores bancários de três instituições financeiras, um banco estatal
estadual, uma estatal federal e uma cooperativa de crédito, do município de Crissiumal/RS,
com o intuito de conhecer a saúde no trabalho e na vida pessoal destes profissionais, sob a
ótica das doenças ocupacionais.
Dias e Almeida (2001) afirmam que nem sempre há uma relação equilibrada entre as
demandas e as possibilidades do trabalhador em efetuá-las, seja pelas condições desfavoráveis
oferecidas no trabalho, sejam pelas características incompatíveis do trabalhador de realizar
tais demandas. Em consequência a isso, os casos de doenças ocupacionais e seus procedentes
afastamentos estão aumentando gradativamente.
Uma das áreas profissionais mais afetadas por doenças ocupacionais é a área de
serviços financeiros, e por isso a importância deste estudo em ser realizado, comparando entre
três organizações com diferentes direções administrativas.
Oliveira et. al.(1998, apud Silva e Másculo) cita que as transformações no processo de
trabalho bancário, provindas da informatização e automação de grande parte das tarefas,
promoveram consequências para os trabalhadores, elevando os riscos de doenças
ocupacionais, tais como a LER – Lesões por Esforço Repetitivo e o estresse.
As metas ousadas resultantes do desejo de elevar a lucratividade, fazem do
profissional atuante despender um esforço mental e psicológico maior, necessitando procurar
estratégias de enfrentamento, e obter auxílio de um profissional da saúde para superar
problemas e doenças ocupacionais.
O presente estudo tem como objetivo identificar se os trabalhadores de três instituições
bancárias de Crissiumal/RS apresentam sintomas que possam vir a acometê-los com doenças
ocupacionais e descrever as estratégias de enfrentamento utilizadas por estes profissionais.
Metodologia
A classificação da pesquisa é de natureza aplicada, pois refere-se a debater problemas,
apresentando um referencial teórico de determinada área de saber, e indicando soluções
alternativas. (ZAMBERLAN et al. 2014) Caracteriza-se por abordagem quanti-qualitativa,
quanto aos objetivos é exploratória e descritiva, quanto aos procedimentos técnicos, é
bibliográfica, documental, de levantamento, porque o investigador interroga diretamente as
pessoas sobre determinado assunto como é apresentado por Zamberlan et al. (2014) e através
do questionário aplicado aos profissionais estudados. Ainda, é de campo e estudo multicasos,
porque, segundo Bogdan e Biklen (1994 apud Araldi 2003) esse método se configura pelo
estudo de dois ou mais casos, possibilitando aprofundar e observar detalhadamente um
contexto ou indivíduo, de um acontecimento específico.
O questionário foi aplicado nas três agências do município de Crissiumal/RS, sendo
que a instituição estatal estadual tem 10 colaboradores, mas apenas 9 responderam, a
instituição estatal federal possui 7 trabalhadores tendo 100% de retorno e a cooperativa de
crédito que possui duas unidades de atendimento, totaliza 26 colaboradores, obtendo resposta
de 25 apenas. Na análise dos dados coletados foi utilizado o software Excel para tabulação e
análise dos mesmos.
Resultados
Dos respondentes, a cooperativa de crédito é formada principalmente por pessoas da
geração Y, entre 24 e 34 anos, já em comparação às instituições públicas a predominância é
da geração X, com pessoas entre 35 e 54 anos. Outro fator importante de citar é a
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continuidade aos estudos, onde apenas a cooperativa de crédito afirma continuar em
atualização, sendo que as instituições estadual e federal têm em sua maioria parado os
estudos.
O que pode ser constatado na pesquisa é a grande comodidade e monotonia vivida
pelos trabalhadores da instituição estatal estadual, onde a sua maioria está a mais de 12 anos
na empresa, e parte desses está pelo mesmo período de tempo no mesmo cargo e na mesma
cidade. A cooperativa de crédito também apresenta uma certa monotonia, porém com menor
período de tempo, pois a sua maioria está com até sete anos de organização, nos mesmos
cargos e na presente cidade.
Em contraponto, a instituição estatal apresentou um rodízio entre cidades e planos de
carreira interna, pois a maioria de seus trabalhadores está a mais de oito anos na organização,
porém estão de um a três anos no atual cargo, e nesta cidade.
Em relação às demandas pessoais e sua possível influência nas atividades
profissionais, a maioria dos colaboradores das três instituições denotam sofrer com média
frequência interferência. Conforme aponta Lipp (1984, apud LIPP e TANGANELLI, 2002) o
estresse pode ter sua fonte inicial nos fatores externos, que são as exigências do dia a dia,
impostas ao trabalhador, traduzidos em problemas familiares, sociais, de trabalho, doenças de
um filho, perda de uma posição na organização, perda de uma promoção de cargo ou salarial,
dificuldades econômicas, notícias ameaçadoras, medo de assaltos. Estes trabalhadores estão
propícios a desenvolver quadros de estresse e levar a um estresse crônico, que vem a ser a
síndrome de burnout.
Acerca dos sintomas psicológicos de doenças ocupacionais, o nervosismo se destaca
elevando a média, apresentando um índice de 3,1 para os bancos estadual e federal. A
insatisfação é sobressaliente no banco estadual, exibindo um índice de 3,6. Já a ansiedade é
notada em maior frequência no banco federal, com índice de 3,4. Estes sintomas englobam o
estresse, e refletem no esgotamento do trabalhador, podendo desencadear a ocorrência de
outros sintomas e doenças ocupacionais.
O desgaste afeta o próprio indivíduo, os seus familiares e a organização em que
trabalha, pois quanto mais ele ficar estressado, menos apoio e compreensão recebem em sua
vida pessoal, e torna-se menos produtivo no trabalho. (CUSTÓDIO, 2007)
Quanto aos sintomas físicos de doenças ocupacionais, pode ser citado com evidência o
fator de tensão/dor muscular apontado com índice de 3,5 pelo banco estadual, sendo também
o índice mais alto citado dentre todos os fatores. O banco estatal estadual passa a ser a
instituição bancária que mais apresenta sintomas, os quais sejam, dores nas costas, com índice
de 3,4, dores no pescoço/nuca, com índice de 3,3, dores de cabeça, com índice 3,3, dores nos
braços, com um índice de 3,1 e dores nas mãos/dedos, com índice 3.
Lembrando que o quadro funcional da instituição bancária estatal estadual é formado
principalmente por pessoas de 35 a 54 anos, com perfil de alta monotonia, evitando
mudanças, e com a maior parte do trabalho de forma manual, por não possuir tantos recursos
tecnológicos, tendem a apresentar maior possibilidade de desenvolverem dores e tensões
musculares, que podem levar a um quadro clínico de LER/DORT.
Geralmente, os sintomas de LER/DORT aparecem de maneira silenciosa, e são
agravados após períodos de maior quantidade de trabalho ou jornadas prolongadas e, mesmo
sentindo dor e desconforto, o trabalhador tenta continuar suas atividades, diminuindo assim a
capacidade física tanto laboral, quanto nas atividades cotidianas. (MENDES, 2010)
É saliente que a instituição estatal é a organização que utiliza uma gama maior e mais
frequente de estratégias de enfrentamento aos sintomas de doenças ocupacionais, a frequência
apontada em ouvir músicas, é um índice de 4,4, a prática de hobbies e passatempos, um índice
de 4, conversar com amigos, familiares e colegas, um índice de 4, prática de
caminhadas/corridas ou outras atividades físicas, um índice de 3,7 e a verificação de pressão
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arterial, um índice 4. A cooperativa de crédito exibe uma preferência maior em conversar com
amigos, familiares e colegas, com índice de 4,1. Esta estratégia também é bastante utilizada
pelo banco estadual, apresentando índice de 3,7.
Dando ênfase à importância de tomar conhecimento de formas de prevenir e realizar
ações de enfrentamento aos sintomas de doenças ocupacionais, Luersen (2009) defende a
prática de implantar políticas de prevenção nas agências bancárias, evitando doenças
ocupacionais que possam incidir sobre a saúde física e mental dos trabalhadores, adotando
ações de fiscalização e correção, induzindo todos a prevenirem-se de acidentes e doenças
relacionadas ao trabalho, reorganizando a instituição de modo geral, podendo assim diminuir
as afecções e suas consequências que prejudicam não só o colaborador, mas também a
organização, pois terá, em seu efetivo, indivíduos de pouco rendimento ou afastados das suas
atividades.
Conclusão
Neste estudo foi possível identificar os sintomas de doenças ocupacionais sofridos
pelos trabalhadores bancários de instituições estatal estadual, estatal federal e de uma
cooperativa de crédito do município de Crissiumal-RS, bem como as estratégias de
enfrentamento adotados pelos mesmos.
Toda essa mudança associada à competição entre as organizações, à pressão em
cumprir com os objetivos delineados e exigidos pelas direções de cada instituição,
colaboradores acumulando cargos e funções, sendo cobrados por desenvolverem suas
atividades com eficiência e rapidez, sofrendo pressões dos clientes, acaba fazendo com que
doenças ocupacionais se manifestem e contribui para desenvolver uma série de outras
enfermidades.
A instituição bancária que mais apresentou sintomas físicos e psicológicos foi a
instituição estadual, contudo, apresentou apenas média frequência, ou seja, um índice 3,
comparando-a com as outras duas instituições que apresentaram rara ocorrência. É
sobressaliente que a organização que mais sofre com sintomas de doenças ocupacionais
também é a que menos utiliza estratégias de enfrentamento a esses sintomas, demonstrando
um índice 2, correspondendo a rara frequência.
Esta pesquisa auxiliará os colaboradores a utilizar as estratégias adequadas de
enfrentamento para os sintomas sentidos por eles, bem como irá promover o interesse destas
instituições em adotar medidas coletivas de prevenção às doenças ocupacionais, pois terá
colaboradores saudáveis e ativos, realizando suas atividades com eficiência, trazendo lucro
para a organização e proporcionando maior realização profissional ao trabalhador, expandido
estas realizações a sua vida pessoal.
Palavras-chave: doenças ocupacionais, estratégias de enfrentamento.
Referências Bibliográficas
ARALDI, Juciane. Aprendizagem musical de DJs: um estudo multicasos. In. ANAIS –
ABEM,
2003.
[Porto
Alegre,
RS]:[UFRGS],
2003.
Disponível
em:
<
http://www.ufrgs.br/cotidiano/fl_adm/uploads/fck/youblisher_com-896798Aprendizagem_musical_de_DJs_um_estudo_multicasos.pdf>. Acesso em 26 nov. 2014.
CUSTÓDIO, Alessandra Neves. Desgaste Físico e Emocional. Disponível em: <
http://www.rh.com.br/Portal/Qualidade_de_Vida/Artigo/4745/desgaste-fisico-eemocional.html> Acesso em: 22/08/2014.
DIAS, Elizabeth Costa (Org); ALMEIDA, Ildeberto Muniz; et al. Doenças relacionadas ao
Trabalho: Manual de procedimentos para os Serviços de Saúde. Serie A. Normas e manuais
técnicos; n 114. Brasília – DF, 2001.
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LIPP, Marilda Emmanuel Novaes; TANGANELLI, Maria do Sacramento. Stress e qualidade
de vida em magistrados da Justiça do Trabalho: diferenças entre homens e mulheres.
Psicologia: Reflexão e Crítica, v. 15, n. 3, 2002.
LUERSEN, Cristiane Ingrid. Doença Ocupacional no Banco do Brasil: Um olhar sobre a
especificidade de uma agência. 2009. Trabalho de Conclusão de Curso ( Especialização em
Gestão de Negócios Financeiros). Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Porto Alegre,
RS, 2009. Disponível em: <http://www.lume.ufrgs.br/handle/10183/26279?locale=pt_BR>
Acesso em 25/08/2014.
MENDES, Maria Aparecida de Borba. LER/DORT e o Trabalho Bancário. 2010.
Monografia (Bacharelado em Direito). Faculdade de Direito de Curitiba. Curitiba, PR, 2010.
SILVA, Glaucia Wasconcelos; MÁSCULO, Francisco Soares. LER – Epidemia silenciosa
que
causa
reflexos
na
saúde
dos
bancários.
Disponível
em
<http://www.simucad.dep.ufscar.br/projetos/gt_abergo/artigos.html> Acesso em 25/08/2014.
ZAMBERLAN, Luciano (Org.); et al. Pesquisa em Ciências Sociais Aplicadas. Ijuí: Ed.
Unijuí, 2014.
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LISTA DE ILUSTRAÇÕES
Gráfico 1: Tempo de trabalho na instituição financeira ........................................................... 40
Gráfico 2: Função exercida no momento ................................................................................. 41
Gráfico 3: Tempo de trabalho na presente função .................................................................... 42
Gráfico 4: Tempo de trabalho na unidade de Crissiumal ......................................................... 42
Gráfico 5: Carga horária trabalhada diariamente ..................................................................... 43
Gráfico 6: Realização de horas extras ...................................................................................... 44
Gráfico 7: Interferência das demandas da vida pessoal nas atividades de trabalho ................. 45
Gráfico 8: Média dos sintomas psicológicos de doenças ocupacionais por instituição
financeira .................................................................................................................................. 46
Gráfico 9: Média dos sintomas físicos de doenças ocupacionais por instituição financeira .. 49
Gráfico 10: Média de estratégias de enfrentamento utilizadas pelas instituições financeiras..52
Gráfico 11: Como percebe a sua saúde .................................................................................... 56
Gráfico 12: Saúde atual comparada há de um ano atrás ........................................................... 56
Quadro 1: LER/DORT por Região, comparado ao País...........................................................19
Quadro 2: Frases do estresse.....................................................................................................21
Quadro 3: Perfil biográfico dos trabalhadores estudados.........................................................39
Quadro 4: Sintomas psicológicos apresentados por cada Insatisfação Financeira...................47
Quadro 5: Sintomas físicos apresentados pelas três Instituições Financeiras...........................50
Quadro 6: Estratégias de enfrentamento utilizadas pelos trabalhadores bancários...................53
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SUMÁRIO
INTRODUÇÃO.......................................................................................................... 11
1.
CONTEXTUALIZAÇÃO DO ESTUDO .................................................................. 12
1.1
Apresentação do tema ................................................................................................ 12
1.2
Questão do estudo ...................................................................................................... 13
1.2.1
Objetivo Geral ............................................................................................................ 14
1.2.2
Objetivos Específicos ................................................................................................. 14
1.3
Justificativa................................................................................................................. 14
2.
REFERENCIAL TEÓRICO....................................................................................... 16
2.1
Bancos: Estatal Federal, Estatal Estadual, e Cooperativa de Crédito ........................ 16
2.2
Doenças Ocupacionais ............................................................................................... 18
2.3
Estratégias de Enfrentamento ..................................................................................... 25
2.4
Reflexos no trabalho e na vida pessoal ...................................................................... 28
3.
METODOLOGIA ...................................................................................................... 31
3.1
Classificação da Pesquisa ........................................................................................... 31
3.2
Sujeitos da Pesquisa e Universo Amostral ................................................................. 33
3.3
Coleta de Dados.......................................................................................................... 33
3.4
Análise e Interpretação de Dados ............................................................................... 34
4.
APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS ........................................... 35
4.1
Caracterização do Setor Bancário de Crissiumal - RS ............................................... 35
4.2
Caracterização das Instituições Financeiras Estudadas .............................................. 35
4.2.1
Instituição Financeira Cooperativa de Crissiumal...................................................... 35
4.2.2
Instituição Financeira Estatal Estadual....................................................................... 36
4.2.3
Instituição Financeira Estatal Federal ........................................................................ 37
4.3
Perfil Biográfico dos Trabalhadores Bancários.......................................................... 37
4.4
Perfil Profissional dos Trabalhadores Bancários........................................................ 40
4.5
Sintomas de Doenças Ocupacionais ........................................................................... 44
4.6
Estratégias de Enfrentamento aos Sintomas de Doenças Ocupacionais .................... 52
CONCLUSÃO............................................................................................................ 59
5.
REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 62
GLOSSÁRIO..............................................................................................................68
6.
APÊNDICE ................................................................................................................ 69
11
INTRODUÇÃO
O presente trabalho consiste no projeto de Trabalho de Conclusão de Curso, e tem o
intuito de conhecer a saúde no trabalho e na vida pessoal de profissionais bancários, sob a
ótica das doenças ocupacionais.
Serão estudados os trabalhadores de três instituições financeiras de Crissiumal – RS,
sendo um banco estatal federal, um banco estatal estadual e uma cooperativa de crédito,
identificando o perfil desse colaborador e verificando a sua saúde e sua vida pessoal quando
afligidas pelas doenças ocupacionais.
Inicialmente é especificado o que é banco estatal federal, estatal estadual e cooperativa
de crédito, abordando serviços bancários, é explanado sobre doenças ocupacionais, bem como
estratégias de enfrentamento e reflexos no trabalho e na vida pessoal.
O trabalho compõe-se pelas seguintes seções: primeiramente a contextualização do
estudo, apresentando o tema, a questão do estudo, objetivos geral e específicos, e a
justificativa. Na segunda seção é apresentado o referencial teórico, que embasa o estudo com
os temas apresentados acima. A terceira seção é sobre a metodologia da pesquisa,
demonstrando as classificações da pesquisa, os sujeitos da pesquisa e universo amostral, a
coleta de dados, a análise e interpretação dos dados. O quarto capítulo é a apresentação e
análise dos resultados obtidos através da pesquisa. O quinto capítulo compreende a conclusão
do estudo. E finalizando, são apresentadas as referências bibliográficas que fundamentaram a
pesquisa, seguida do apêndice que trata-se do questionário aplicado.
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1. CONTEXTUALIZAÇÃO DO ESTUDO
A contextualização do estudo é formada pelos subcapítulos de caracterização do setor
bancário, apresentação do tema, questão do estudo, objetivos geral e específicos, e
justificativa.
1.1 Apresentação do tema
O tema deste estudo consiste nas doenças ocupacionais dos trabalhadores bancários.
Em meados da década de 90, na tentativa de conter a chamada crise estrutural do
capital, que consistia no acúmulo de grandes níveis de mercadorias e estoques, além da queda
na produtividade e nos lucros das empresas, o setor bancário é afetado pela reestruturação dos
modelos de gestão e pela implementação de novas tecnologias, alterando a organização do
trabalho. Segnini (1999), em uma revista divulgada eletronicamente, retrata a reestruturação
bancária resultando no intenso desemprego, terceirização e precarização do trabalho e na
intensificação do ritmo de desenvolvimento das atividades. Ainda, segundo a autora, o
desemprego foi devido à eliminação e unificação de postos de trabalho, à redução de níveis
hierárquicos e à implantação de novas tecnologias.
As novas tecnologias, ao passo que automatizaram as agências bancárias,
ocasionaram, de acordo com Lombardi (1997), a intensificação do ritmo de trabalho e a
elevação das metas de produção, a que, somado ao medo de perder o emprego, foi
intensificada a jornada laboral, com excessos de horas extras e salários relativamente baixos.
Em estudo apresentado pelo Dieese no site da Agência Brasil, em 1990 havia 732 mil
bancários no país, caindo 46,3% até 1999, quando chegou a 393 mil vagas, permanecendo até
2001. De 2002 a 2011, o total de empregos em bancos apresentou um crescimento contínuo,
totalizando, no primeiro trimestre de 2012, 508 mil vagas de postos de trabalho, um
crescimento de 29,3% ao longo de pouco mais de uma década.
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O conjunto de modificações da década de 90 juntamente com seus reflexos, com o
passar dos anos, aumentaram as exigências sobre o trabalhador, e isso fez o bancário adaptar o
seu perfil profissional e adotar uma postura negocial, ou seja, ser um bom vendedor.
Os bancos estão demandando por profissionais cada vez mais qualificados, pois a
estratégia de vendas desenvolvida é o “cultivo de clientes”, segundo Larangeira (1997). A
estratégia implica em alto investimento em capital humano, uma vez que, para firmar a
relação entre banco e cliente, deve dispor de atendimento de qualidade e promover a estreita
relação cliente-funcionário, visando manter a fidelidade do cliente.
A pressão em cumprir metas de venda de produtos como seguros e cartões de crédito,
é uma das maiores reclamações dos bancários. Porém, com o avanço da tecnologia, a previsão
é de que permaneçam nas agências apenas funcionários qualificados e com perfil negociador,
e uma das maneiras de mostrar essas habilidades é atingindo e superando metas, para o que o
bom relacionamento entre funcionário e cliente pode contribuir efetivamente.
A constante cobrança em alcançar metas coloca o funcionário em elevado nível de
stress, que normalmente é acompanhado por diversos outros sintomas, como insônia,
irritação, transtornos alimentares, enfim, levando a um caso de depressão e à utilização de
medicamentos psicotrópicos para melhorar seu estado psicológico.
A sobrecarga de trabalho que preconiza o estresse, a ansiedade, a insônia, e o temor de
perder o emprego é uma das causas que desencadeia a depressão, como relatado e vivido por
muitos profissionais do setor financeiro, podendo desenvolver doenças ocupacionais
prejudiciais ao trabalhador e à organização indiretamente.
1.2 Questão do estudo
As metas ousadas resultantes do desejo de elevar a lucratividade fazem o profissional
atuante despender um esforço mental e psicológico maior, necessitando algumas vezes
ministrar medicamentos e obter auxílio de um profissional da saúde para superar problemas e
doenças ocupacionais.
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A questão do estudo evidencia-se pela necessidade de verificar a qualidade de vida
pessoal e profissional do trabalhador bancário frente aos problemas enfrentados no dia a dia,
permitindo assim a seguinte proposição de estudo: Os trabalhadores bancários do
município de Crissiumal – RS apresentam sintomas de doenças ocupacionais?
1.2.1
Objetivo Geral
Identificar se os trabalhadores de três instituições bancárias de Crissiumal – RS
apresentam sintomas que possam vir a acometê-los com doenças ocupacionais e descrever as
estratégias de enfrentamento utilizadas por estes profissionais.
1.2.2
Objetivos Específicos
a) Conhecer o perfil biográfico e profissional dos trabalhadores bancários;
b) Identificar a existência ou não de sintomas de doenças ocupacionais nestes
trabalhadores;
c) Descrever as estratégias de enfrentamento a possíveis sintomas apresentados pelos
trabalhadores;
d) Comparar e analisar as repostas entre as três instituições financeiras.
1.3 Justificativa
A pesquisa é de extrema importância para a acadêmica, formanda em Administração
pela Unijuí, pois engloba e instiga o conhecimento sobre uma importante área da
administração, a gestão de pessoas, área essa de grande interesse e identificação pela
acadêmica. O estudo, claro, utiliza-se de toda a carga de aprendizado obtido pela autora
durante o curso, sendo ímpar a sua realização em permitir a busca pelo tema proposto e
formalizar a conclusão do curso.
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A importância do estudo deve-se ao fato de que, na presente cidade, muitas pessoas
trabalham em instituições financeiras, e há bastantes outras pessoas próximas, ligadas aos
profissionais em questão. O estresse e a depressão afetam profissionais da área, porém estas
doenças provocam sintomas e situações que refletem em pessoas envolvidas com tais
funcionários, sejam companheiros, familiares, ou os próprios clientes, estendendo os sintomas
e desequilíbrios emocionais por várias outras áreas profissionais, desencadeando um círculo
vicioso, uma vez que todas as áreas se interligam e relacionam.
A realização de um levantamento da existência ou não de doenças ocupacionais em
profissionais bancários é de notável relevância por poder planejar e implantar estratégias para
modificar o ambiente e proporcionar a realização das atividades de forma saudável,
beneficiando os trabalhadores, que vão ter qualidade de vida no trabalho, e também as
empresas, que vão ter seus colaboradores ativos, satisfeitos e motivados para exercerem suas
funções.
A sociedade tem, em seu meio, inúmeros trabalhadores que têm seus empregos no
ramo bancário. As doenças ocupacionais afetam várias classes trabalhistas e os bancários
estão incluídos. Estas doenças têm sintomas psicológicos e físicos, dificultando a vida do
indivíduo e de sua família, além de influenciar outras pessoas, como clientes, colegas,
vizinhos... Enfim, deve-se lembrar também que toda a sociedade necessita dos produtos e
serviços ofertados pelas instituições financeiras. A comunidade demanda de serviços
satisfatórios, que lhe agradem e, sobretudo, com bom atendimento, e para isso é necessário
haver nestas instituições trabalhadores saudáveis, entusiasmados em atender e realizar suas
atividades, justificando assim esta pesquisa.
Para embasar e fundamentar o estudo é inicialmente definido o que são bancos e
instituições financeiras, abordando os serviços bancários, para então estudar e assimilar sobre
doenças ocupacionais, estratégias de enfrentamento e reflexos no trabalho e na vida pessoal.
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2. REFERENCIAL TEÓRICO
A revisão da literatura e a busca por teorias abrangentes sobre o assunto em questão
tem a finalidade de conceituar e fundamentar o estudo e seus diagnósticos, permitindo uma
análise conceitual e, mais tarde, possibilitar sugestões concretas. O mesmo está estruturado
pelas seguintes partes: banco estatal federal, estatal estadual, e cooperativa de crédito, doenças
ocupacionais, estratégias de enfrentamento e reflexos no trabalho e na vida pessoal.
2.1 Bancos: Estatal Federal, Estatal Estadual, e Cooperativa de Crédito
Um banco é uma instituição financeira pertencente ao Sistema Financeiro Brasileiro e
regulado pelo Banco Central do Brasil. De acordo com a Lei n° 7.492 de 16 de junho de 1986,
considera-se instituição financeira a pessoa jurídica de direito público ou privado que tenha
como atividade principal ou acessória, cumulativamente ou não, a captação, intermediação ou
aplicação de recursos financeiros de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, ou a
custódia, emissão, distribuição, negociação, intermediação ou administração de valores
mobiliários. Estas instituições podem também administrar seguros, consórcios, capitalização e
realizar operações de câmbio.
Os bancos têm por objetivo captar recursos monetários das pessoas, aplicando em
contas correntes e poupanças, pagando rendimentos ao poupador. Parte do valor captado é
cedido a outras pessoas, na forma de financiamentos para aquisição de bens móveis e imóveis,
cobrando juros e comissões. A diferença entre o valor pago ao poupador e o valor recebido
como juro é o spread bancário, ou seja, a sua forma de obter lucros. Esta é uma característica
comum aos bancos, públicos e privados, além das cooperativas que atuam na carteira
comercial.
Bancos públicos estaduais e bancos estatais são instituições financeiras intrínsecas ao
governo tanto federal como estadual. Segundo Lopreato (1995), essas instituições foram
criadas como parte integrante do setor público, assim, desempenhando atividades funcionais,
promovendo ações e fomentando programas governamentais, seguindo a política em curso.
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Uma cooperativa de crédito também tem o intuito de promover ações benéficas às
pessoas, porém, estimulando a solidariedade, igualdade e prosperidade entre os seus
associados, que, ajudando-se mutuamente, desenvolvem a instituição e beneficiam-se dela,
(Schimmelfenig, 2010).
Os princípios que norteiam uma cooperativa compõem-se de sete itens, que são: Iadesão voluntária e livre; II-participação econômica dos membros; III-gestão democrática
pelos membros; IV-autonomia e independência; V-educação, formação e informação; VIintercooperação; VII-interesse pela comunidade.
Ademar Schardong, em um artigo publicado pelo site www.cooperativismo.org.br,
fala sobre o ano de 2012, que foi declarado pela Organização das Nações Unidas (ONU),
como o Ano Internacional das Cooperativas. Segundo Schardong, é a celebração de uma
forma diferente de fazer negócios, na qual os associados desfrutam dos resultados gerados de
forma coletiva. Neste contexto, o cooperativismo de crédito promove, cada vez mais, o
desenvolvimento de comunidades no mundo inteiro, através do fortalecimento da economia
local, da democratização do crédito e da desconcentração de renda. Contribui também para a
construção de um mundo melhor.
As atividades financeiras são divididas em carteiras, como carteira comercial, carteira
de investimento e/ou desenvolvimento, de crédito imobiliário, de arrendamento mercantil e de
crédito, financiamento e investimento.
Os bancos múltiplos são instituições que atuam com mais de uma carteira, dentre elas
a comercial, que permite a captação de depósitos à vista. As cooperativas de crédito também
podem atuar com a carteira comercial e outras, desenvolvendo atividades muito semelhantes
às de um banco.
Salienta-se a diferença de bancos e cooperativas, desde gerenciamento, enfoque
estratégico, até a parte operacional. O banco trabalha com o objetivo de obter lucro,
consequentemente busca atender uma fatia maior da população, buscando de fato maximizar
seu resultado e oferecer aos acionistas lucros crescentes.
18
Já uma cooperativa de crédito obviamente também busca o lucro, porém, este é
rateado entre seus associados, passando a ser chamado de sobras. As cooperativas atendem o
seu associado, em âmbitos regionais, dispondo de um atendimento mais próximo a ale.
Schardong (2003) coloca que as cooperativas necessitam ser cada vez mais ágeis e
competitivas para contemplar as individualidades e garantir renda. Salienta-se que os aspectos
gerenciais tornam-se, então, um fator determinante para possibilitar a concorrência com
grandes bancos. A administração precisa ser eficiente para manter a cooperativa rentável
numa economia aberta, integrada e altamente concorrencial.
Nos bancos, as decisões estratégicas e econômicas são tomadas pela cúpula do
Conselho Administrativo, em contraponto, nas cooperativas de crédito as decisões
estratégicas são tomadas em conjunto, através de assembleias e comissões formadas pelos
seus associados.
As operações de crédito realizadas nas cooperativas são personalizadas quanto às
condições e prazos, oferecendo soluções adequadas aos associados, que têm acesso às
modalidades e taxas iguais para todos. Já nos bancos, as operações de crédito são
padronizadas e massificadas, ou seja, de forma que atendam ao público em geral, e as taxas
podem variar de acordo com o nível de relacionamento do cliente com a empresa.
São visíveis as diferenças entre ambas as instituições. Encontramos os mesmos
produtos, porém cada uma com suas metas de acordo com o foco estratégico definido, e os
colaboradores desenvolvendo, sob pressão, as atividades delineadas por suas direções.
2.2 Doenças Ocupacionais
Doenças ocupacionais são resultantes da exposição do trabalhador aos riscos
associados à atividade que exerce. Costa (2009) define-as como moléstias que lenta e
progressivamente afetam os indivíduos, originadas de fatores gradativos e duráveis, ligadas às
condições de trabalho.
19
Dias e Almeida (2001) afirmam que nem sempre há uma relação equilibrada entre as
demandas e as possibilidades do trabalhador em efetuá-las, seja pelas condições desfavoráveis
oferecidas no trabalho, seja pelas características incompatíveis do trabalhador em realizar tais
demandas. Em consequência a isso, os casos de doenças ocupacionais e seus procedentes
afastamentos estão aumentando gradativamente.
Os tipos mais comuns de doenças relativas ao trabalho são as lesões por esforço
repetitivo (LER) e os distúrbios osteomuscular relacionados ao trabalho (DORT), que
apresentam cerca de 30 patologias, entre elas a tendinite (inflamação do tendão) e a
tenossivite (inflamação da membrana que envolve os tendões), podendo alterar a estrutura
osteomuscular, como tendões, articulações, músculos e nervos. Estes problemas são causados
por diversos tipos de pressões existentes no trabalho e afetam pessoas tanto física como
psicologicamente.
O trabalhador que exerce funções que exijam esforço físico associado à repetitividade
de movimentos, após certo tempo, apresenta um rendimento prejudicado pela fadiga muscular
e mental, a primeira relativa aos movimentos e postura inadequada (que prejudica o
funcionamento do sistema nervoso), e a segunda à necessidade de concentração da atividade.
Assim, não apenas a produtividade é afetada, pois, simultaneamente, estão ocorrendo
microlesões em tendões, nervos, e, com a continuidade das tarefas, vão se agravando até
apresentar um quadro de LER/DORT.
De acordo com dados obtidos no Ministério da Previdência Social, foi possível
agrupar informações e formar o quadro a seguir.
Quadro 1 - LER/DORT por Região, comparado ao País.
LER/DORT por Região/País
2010
%
2011
%
2012
%
16.533 100 15.088 100 13.188 100
Brasil
3.214 19,44 2.682 17,78 2.250 17,06
Região Sul
Fonte: Ministério da Previdência Social, elaborada pela autora.
Analisando o quadro, é possível constatar uma leve queda nos números nos três anos
avaliados, porém, observando o percentual de números de casos de LER/DORT na Região Sul
em relação ao Brasil, no ano de 2012 são registrados, só na presente região, 17% dos casos.
20
O mercado instiga e valoriza o imediatismo financeiro, e, sobretudo, o retorno rápido,
não importando o preço. O custo aplicado na saúde não é atrativo para a organização, uma vez
que ela pode rapidamente substituir colaboradores, principalmente em tempo de desemprego
(Veloso e Pimenta, 2005).
Nas últimas duas décadas, o setor bancário vivenciou uma transformação rápida da
tecnologia, implicando inúmeras modificações no processo produtivo. Toda essa mudança
expôs os trabalhadores às doenças ocupacionais e acidentes de trabalho. Em conformidade a
isso, Oliveira et. al.(1998, apud Silva e Másculo) cita que as transformações no processo de
trabalho bancário, provindas da informatização e automação de grande parte das tarefas,
promoveram consequências para os trabalhadores, elevando os riscos de doenças
ocupacionais, tais como a LER – Lesões por Esforço Repetitivo e o estresse.
O enxugamento no número de profissionais bancários e a elevação do lucro coloca o
colaborador numa pressão muito alta, tanto de serviço como psicologicamente, propiciando-o
a desenvolver doenças ocupacionais.
Corroborando com a reflexão, Alexandre (2002) atribui à intensificação da carga de
trabalho, traduzida na redução do número de funcionários nas agências bancárias, aumento de
horas extras, além da elevada pressão para o cumprimento de metas, como causas para os
problemas osteomusculares, desenvolvidos por estes colaboradores.
Outra doença ocupacional que afeta muitos trabalhadores é o estresse ocupacional, que
deve ser eliminado da estrutura organizacional como fator determinante para elevar a
produtividade. Ele pode provocar o absenteísmo de funcionários, turnover, prejuízos com
custos de saúde e a queda na produtividade propriamente dita.
Um conceito simples e claro para o estresse é o citado por Selye (1965): “Conjunto de
reações que um organismo desenvolve ao ser submetido a uma situação que exige esforço de
adaptação”. E é denotado tal esforço de adaptação nos ambientes de trabalho dentro das
agências, onde a demanda de atendimento cresce, o número de funcionários diminui, e a
pressão para atingirem as metas é elevada, transformando em situações hostis para o
funcionário lidar.
21
Outro conceito de estresse também apresentado por Selye (1956 apud Kafrouni, 2014)
é que na esfera médica, o estresse é a velocidade de uso e desgaste do corpo. Ainda, estresse
vem a ser a resposta do corpo a qualquer exigência ou mudança sofrida. Qualquer situação
diferente ao vivenciado por uma pessoa pode representar um estresse para tal indivíduo,
variando de intensidades, o que é visto como a resposta do corpo para enfrentar tal situação,
procurando manter o equilíbrio fisiológico.
O problema é resultante da Síndrome Geral de Adaptação (SGA), onde toda mudança
de padrão gera um estresse, que varia em níveis de intensidade. Conforme Selye (1959 apud
Filgueiras; Hippert, 1999), a SGA é um conjunto de reações e apresenta três fases: a primeira
é a fase do alarme, onde são manifestadas reações agudas; a segunda é a da resistência,
quando aparentemente as reações cessam, ficando no conformismo; e a terceira é quando se
chega à exaustão, quando as ações da primeira fase passam a se manifestam novamente,
podendo levar a um colapso no corpo. Ainda segundo o autor, as três fases não
necessariamente devem se manifestar para se ter o quadro da síndrome, lembrando que
somente o estresse de alta intensidade é que pode levar à fase de exaustão e morte.
Em contraponto, Lipp (2001) aponta quatro fases do estresse, apresentando uma fase
intermediária entre a resistência e a exaustão, a fase de quase-exaustão. A seguir é
apresentado um quadro com as quatro fases do estresse de Lipp (2001), para um melhor
entendimento das reações físicas e psicológicas do organismo ao estresse. É importante
salientar que uma pessoa pode passar por todas as fases, diferenciando-se uma das outras pela
rapidez e pela permanência de cada fase.
Quadro 2 - Fases do estresse
Fases
Alerta
Características
- Muita adrenalina;
Dificuldades
- Problemas em dormir;
- É o preparo para a luta, para o - Libido em alta;
enfrentamento aos estressores;
- Musculatura tensa e retesada;
- Existe muita motivação, interesse - Humor labial.
e produtividade;
- O organismo não apresenta sono,
fome e nem cansaço.
Resistência
- Ocorre quando os estressores
- Sono volta ao normal;
22
persistem e o organismo tenta
- A libido volta ao normal;
resistir;
- O corpo fica cansado;
- Fase de cautela;
- Memória começa a falhar;
- O organismo demonstra sentir
- Demonstração de tédio.
cansaço.
Quase-Exaustão
- Corpo e mente começam a ceder;
- Pouco sono;
- O organismo já não aguenta mais.
- Não existe vida sexual;
- Baixa produtividade e
criatividade;
- Doenças surgem;
- A vida perde o brilho;
- As pessoas perdem a graça.
Exaustão
- O organismo adoece, podendo - Pouco sono ou em demasia;
aparecer
doenças
graves
como - O indivíduo acorda cansado;
úlceras, psoríase, vitiligo, enfartos, - Perda total da libido;
entre outras.
- Sem condições de produzir;
- O corpo está muito cansado e
desgastado;
- Aparecimento de várias doenças
graves.
Fonte: Lipp (2001)
Para Codo, Soratto e Vasques-Menezes (2004 apud Rego, 2008), apenas a sobrecarga
de tarefas não desenvolve o quadro de estresse, mas, ela estando associada à falta de
autonomia no cargo, ou seja, delimitando o trabalhador a cumprir exatamente com o que é
demandado pelos superiores, pode levar o empregado a sofrer de tal mal.
Segundo Cooper, Sloan & Willians (apud Veloso e Pimenta, 2005), os colaboradores
com seus valores individuais, ao sofrerem influência de elementos estressores (fontes de
pressão), escolhem formas individuais de regular sua situação como mecanismo de combate.
A manifestação do estresse (estado de saúde ou satisfação com o trabalho) se dá caso seja
escolhida uma estratégia falha de combate.
Veloso e Pimenta (2005) complementam ainda que as fontes de pressão que podem
contribuir para o quadro de estresse no trabalho são:
23
a) Solução dos problemas dos clientes;
b) Problemas com sistemas de informática;
c) Cumprir metas, obrigação de vender;
d) Excesso de trabalho;
e) Inter-relacionamento na organização (vertical-horizontal);
f) Falhas no processo de comunicação;
g) Excesso de produtos;
h) Segurança física, medo de assaltos;
i) Valor monetário e a responsabilidade sobre ele;
j) Falta de recursos humanos;
k) Falta de treinamento;
l) Insegurança profissional, instabilidade e medo do desemprego.
Segundo Veloso e Pimenta (2005), as fontes de pressão podem ser divididas em cinco
grupos que são: fatores intrínsecos ao trabalho, papel na organização, relacionamento
interpessoal, carreira/realização e clima/estrutura organizacional.
Sobre estas fontes de pressão, Cooper (1983 apud Kafrouni, 2014) aponta ainda um
sexto fator que vem a ser a interface lar/trabalho. O autor denota que os sintomas do estresse
ocupacional são divididos em sintomas individuais, que são o aumento da pressão arterial,
humor deprimido, aumento da ansiedade, irritabilidade, aumento do risco de doenças
cardiovasculares; e em sintomas organizacionais, que agrupam o alto absenteísmo, alto
“turnover”, baixa autoestima, insegurança e redução da capacidade laboral.
Já para Lipp (1984, apud Lipp e Tanganelli, 2002), o estresse se origina de fontes
externas e internas. As fontes internas compreendem o jeito de ser da pessoa, o seu tipo de
personalidade e a forma como reage às situações da vida. E a forma como o indivíduo
interpreta o acontecimento é o que pode torná-lo estressante. As fontes estressoras externas
configuram as demandas do dia a dia da pessoa, como os seus problemas familiares, seus
compromissos sociais e doenças na família. Até mesmo no âmbito organizacional, se o
profissional perde uma posição na empresa, perde uma promoção de cargo ou salarial, passa
por dificuldades econômicas, toma conhecimento de notícias ameaçadoras, sofre medo de
assalto, enfim, pode desencadear o início do estresse.
24
Segundo Varella (2014), o estresse pode aumentar a pressão arterial, levando à
hipertensão. Esta, ao longo do tempo, enrijece a musculatura das artérias do organismo e
surge a arteriosclerose, que eleva as chances de desenvolver doenças cardiovasculares. A
hipertensão mal tratada pode lesar os rins e desencadear insuficiência renal, afetar a retina,
promover a cegueira e prejudicar as artérias periféricas, levando à amputação de membros.
A dermatite é uma inflamação crônica da pele caracterizada por lesões avermelhadas e
coceira, podendo, algumas vezes, descamar. Um dos fatores que propiciam a ocorrência dessa
enfermidade é o estresse emocional. (VARELLA, 2014)
De acordo com Varella (2014), outras doenças de cunho físico que podem ser
desenvolvidas em decorrência do uso exagerado de medicamentos anti-inflamatórios,
utilizados como paliativos para a dor (caso de indivíduos com lesões de LER/DORT) e o
estresse percebido pelo trabalhador, são as úlceras estomacais e gastrites.
Um dos mais importantes desdobramentos do estresse ocupacional é a denominada
Síndrome de Burnout, entendida como uma síndrome caracterizada pelo esgotamento físico,
psíquico e mental, em decorrência de trabalho excessivo e estressante. Lipp (2001) a explica
como sendo um quadro de estresse crônico, apresentado por profissionais que despendem alto
nível de atenção e responsabilidade em tomadas de decisão e demais tarefas de sua
competência, além de grande contato com outras pessoas.
Em consonância compreende-se Burnout como um estado de extremo esgotamento de
energias, advindo da intensa exposição ao estresse ocupacional.
Podemos entender Burnout como um estado decorrente de uma tensão crônica
gerada a partir do contato direto e excessivo com outras pessoas na situação de
trabalho, particularmente quando envolve atividade de cuidado. Uma síndrome por
meio da qual o trabalhador perde o sentido da sua relação com o trabalho, de forma
que este já não importa da mesma maneira que antes, e qualquer esforço lhe parece
ser inútil. Esta síndrome afeta, principalmente, profissionais da área de serviços
quando em contato direto com seus usuários. (VASQUES-MENEZES, 2005 apud
REGO, 2008)
25
Varella (2014) complementa que os principais sintomas manifestados por indivíduos
com síndrome de burnout são o esgotamento físico e mental, que refletem em ausências no
trabalho, provocam irritação, isolamento, mudanças repentinas de humor, falha na memória,
ansiedade, depressão, pessimismo e baixa autoestima.
Contribuindo com o estudo, Codo e Vasques-Menezes (2000) diferem a síndrome de
burnout do estresse genérico, pois o primeiro apresenta sentimentos de fracasso, além de
exaustão emocional, como sentimentos de fadiga, despersonalização, ações duras e
distanciamento das pessoas clientes, e baixa da realização pessoal, que é acompanhada do
sentimento de incompetência e insatisfação no trabalho.
Colaborando com o raciocínio, Lima (2004) coloca que o estresse é caracterizado pelo
excesso de compromisso, as pessoas sentem-se cansadas, com as emoções exacerbadas e com
pouca energia.
Já os indivíduos que sofrem de burnout caracterizam-se pelo
descompromisso, sentem-se esgotados, e resguardam seus sentimentos, além de perder a
esperança.
Outro quadro psiquiátrico que vem na linha do estresse e da síndrome de burnout é a
depressão. Varella (2014) aponta que depressão não é tristeza, e sim uma doença que
necessita de tratamento. Se não houver um tratamento correto e suficiente, pode levar vários
meses para desaparecer, ou ainda, progredir para níveis mais altos. Depressão é também uma
doença recorrente. Apresenta-se como uma doença potencialmente grave que pode vir ou não
acompanhada do sentimento de tristeza. Instala-se um humor depressivo, com incapacidade
de sentir prazer em atividades habitualmente agradáveis, provocando sintomas como
desânimo e falta de interesse por qualquer atividade, interfere com o sono, com a vontade de
comer, com a vida sexual, com o trabalho, e pode levar ao suicídio.
2.3 Estratégias de Enfrentamento
Segundo Lipp e Tanganelli (2002), as intervenções focadas no indivíduo têm como
propósito reduzir as consequências de riscos do estresse ocupacional já existente e são
estratégias de enfrentamento individuais.
26
Estratégia de enfrentamento é caracterizada por Limongi-França e Rodrigues (2005)
como “conjunto de esforços que uma pessoa desenvolve para manejar ou lidar com as
solicitações externas ou internas, que são avaliadas por ela como excessivas ou acima de suas
possibilidades”. Não necessariamente essas ações são conscientes, uma vez que o profissional
pode simplesmente reagir de alguma forma quando colocado em situação estressante.
É necessário analisar não só o agente estressor e a sua respectiva resposta, mas
também a forma como a pessoa avalia e enfrenta este fator, levando em conta as
características individuais e o ambiente no qual a pessoa está. As intervenções focadas na
organização visam alterar os estímulos estressores de tal ambiente, podendo modificar a
estrutura organizacional, as condições de trabalho e as relações interpessoais no ambiente de
trabalho. Já as intervenções direcionadas ao indivíduo objetivam amenizar os impactos de
riscos já existentes, desenvolvendo um repertório eficiente de estratégias de enfrentamento
individuais (LIPP, TANGANELLI, 2002).
Luersen (2009) menciona formas para solucionar os problemas de doenças
ocupacionais, implantando, nas organizações bancárias, políticas efetivas de prevenção a
doenças ocupacionais que possam acometer a saúde física e mental dos trabalhadores,
incorporando ações de correção e fiscalização, induzindo todos a prevenir acidentes e doenças
relacionadas ao trabalho, e reorganizar as agências de modo geral, podendo assim diminuir as
afecções e consequências que implicam no afastamento do colaborador.
Um mecanismo natural de defesa envolve os mecanismos psicológicos, e Silva (1992)
complementa sobre:
Nos processos mentais humanos têm sido estudados diferentes mecanismos de
defesa, valendo destacar negação, a auto-repressão, a racionalização, diferentes
formas de fuga ou evitação, o deslocamento e a idealização. Considera-se que
prejuízos importantes para a saúde mental podem advir do uso constante e
exacerbado destes mecanismos. Por outro lado, eles fazem parte da vida mental,
sendo importantes na autoproteção contra o mal-estar psíquico. A sublimação é
reconhecida como um mecanismo de elevada importância na preservação da saúde
mental, sendo que esta mesma sublimação se associa, fundamentalmente, ao
exercício de atividades laborais significativas.
27
Compreende-se, então, que o processo de autodefesa mental é importante no início do
processo de instalação do estresse e demais doenças ocupacionais, pois auxilia no
enfrentamento e na aceitação de situações estressantes que expõe o trabalhador a essas
causalidades. No entanto, a prática da autodefesa não deve ser prolongada se os sintomas de
tais doenças persistirem, podendo piorar o quadro de saúde ao invés de melhorá-lo, devendo o
trabalhador procurar auxílio com profissionais adequados e adotar o uso de práticas que
possam auxiliar no enfrentamento.
O enfrentamento do estresse apresenta uma enorme gama de estratégias que podem ser
utilizadas pelos trabalhadores para lidar com situações ameaçadoras, fazendo a pessoa
aprender a relacionar-se melhor com o estresse e a restringir o excesso dele, para não
prejudicar sua saúde, trabalho e vida pessoal.
Segundo Nieman (2003, apud Kafrouni, 2014), uma das formas de enfrentar o estresse
e otimizar o estado mental dos trabalhadores é a prática regular de exercícios físicos que
promovam a redução da depressão, ansiedade e estresse, melhorando o bem-estar psicológico
e elevando a disposição para o dia a dia.
A ginástica laboral é um programa fisioterápico que tem como intuito aliviar a tensão
provocada pelas atividades repetitivas dos trabalhadores. Estes exercícios podem ser
praticados antes, durante ou depois do horário de expediente, buscando benefícios pessoais no
trabalho, pois são atividades de integração que proporcionam melhorar a relação de
coleguismo entre os funcionários.
A qualidade de vida é promovida através desta ação, prevenindo o sedentarismo,
aumentando a autoestima do trabalhador e estimulando a sua confiança em si mesmo e na sua
competência profissional.
Outra estratégia de enfrentamento é o próprio tratamento das doenças ocupacionais,
tanto as de caráter físico, que são as LER/DORT, alergias, gastrites, etc., quanto as de caráter
psicológico, que podem ser estresse, depressão, transtornos alimentares e mentais, distúrbios
de sono e outros.
28
Os tratamentos de LER/DORT precisam, primeiramente, de um diagnóstico clínico
realizado através de exames avaliativos e relatos do trabalhador doente, para então passar ao
tratamento, que pode envolver o uso de medicamentos e terapias física e mental. Estas devem
ser acompanhadas pelo terapeuta ocupacional, pela ação de correção postural e pela avaliação
e mudança dos movimentos físicos/reorganização das atividades, que pode incluir a mudança
de função do trabalhador dentro da própria agência.
Há também o tratamento fitoterápico, que tem por objetivo reduzir a dor e a
inflamação, porém o que normalmente apresenta um melhor resultado é o uso de antiinflamatórios e analgésicos, agregados às terapias como acupuntura, yoga e pilates, que
proporcionam o alívio de dores momentâneas.
Michel (2000) acrescenta:
Os medicamentos analgésicos e anti-inflamatórios são eficazes para o combate da
dor aguda e inflamação. Isoladamente, não são eficazes para combate da dor crônica.
Neste caso, é necessária associação dos psicotrópicos (antidepressivos tricíclicos e
fenotiazínicos) que proporcionam efeito analgésico e ansiolítico, estabilizam o
humor e promovem alterações na simbologia da dor.
Limongi-França e Rodrigues (2005; 1999) sugerem, como forma de prevenir as
doenças ocupacionais, modificar regularmente as tarefas no trabalho, procurando evitar ao
máximo a monotonia, reduzir o excesso das exaustivas jornadas de trabalho, valorizar a
qualidade nas relações sociais, dar condições físicas no trabalho e investir no aprimoramento
profissional e pessoal. Ainda indicam utilizar técnicas de relaxamento, praticar exercícios
físicos regulares, garantir uma alimentação balanceada e horas de sono apropriado a cada
indivíduo, buscar psicoterapia que promova o autoconhecimento e organizar o tempo livre
para atividades de lazer que sejam prazerosas.
2.4 Reflexos no trabalho e na vida pessoal
Rocha e Glima (2000 apud Silva 2010) apontam malefícios nos órgãos sexuais, como
perda de libido e frigidez, também podendo constituir quadros de osteoporose, obesidade,
29
diabete mellitus, podendo também desenvolver câncer, que é a representação da imunidade
baixa, compreendendo que o estresse altera negativamente a vida pessoal. Pode-se destacá-los
em quatro grupos de atuação: prejuízo da relação consigo e com outros; tensão física e
psicológica; queda da capacidade intelectual e perturbações do sono, induzindo à fadiga.
Além dos sintomas já mencionados, o estresse pode desencadear outras doenças
epidemiológicas que interferem na qualidade de vida do trabalhador. (LIPP e GUEVARA,
2004)
Segundo Robbins (2002), os sintomas do estresse ocupacional podem ser divididos em
três categorias que são fisiológica, comportamental e psicológica. A fisiológica são as
alterações no metabolismo do corpo, como gastrites, psoríases. A comportamental trata das
mudanças no comportamento propriamente dito, como alterações na produtividade,
absenteísmo no trabalho, turnover, utilização de tabaco e elevado consumo de álcool, como
formas de fugir do problema, além da fala rápida. A área psicológica é afetada no que diz
respeito à insatisfação no trabalho, tensão, ansiedade, tédio e retardação de atividades.
O estresse ocupacional deixa o profissional apático, lento, sem ânimo, trazendo o
sentimento de ter um trabalho sem sentido, com insucesso.
Para Silva (2010):
Nesse sentido, pode-se entender como as principais síndromes e doenças associadas
e/ou provocadas pelo stress ocupacional as somatizações, fadiga, distúrbios do sono,
depressão, síndrome do pânico, síndrome de Burnout, síndrome residual póstraumática, quadros neuróticos pós-traumáticos, síndromes paranóides, além de
alguns distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho (DORT) ou lesões por
esforço repetitivo (LER), transtornos psicossomáticos, síndromes de insensibilidade,
alcoolismo, uso de outras drogas ilícitas e outros.
O colaborador percebe a sua autoestima baixa, refletindo nos relacionamentos com
outras pessoas, além de agravar a depressão e alterar os hábitos alimentares.
Couto (1987, apud Lipp; Tanganelli, 2002) afirma que o estresse ocupacional
intervém na maneira como o indivíduo age nas diversas áreas da sua vida, influenciando na
30
sua qualidade de vida. Assim, no aspecto familiar pode haver desarmonias e falta de apoio, se
a pessoa dedicar pouco tempo à família e designar maior tempo para o trabalho. Da mesma
forma, na área social, a falta de apoio por parte de amigos e colegas provoca o isolamento e
problemas de relacionamentos sociais.
No âmbito organizacional, a presença de um colaborador estressado pode incidir na
decorrência de atividades ineficientes, comunicação deficitária, desorganização, insatisfação,
além de provocar nervosismo e estresse nos demais colegas.
A saúde psíquica provém de uma interface harmoniosa entre o indivíduo, o trabalho e
a organização (Dejours, 1999). As relações sócio-profissionais dependem da sua qualidade, da
capacidade para resistir e do risco de adoecer, onde é possível compreender que a organização
de trabalho é o principal fator de desequilíbrio da saúde mental dos trabalhadores. A saúde
psíquica é resultante da busca pelo prazer e da negação ao sofrimento, porém o autor
complementa que o sofrimento não é patológico e sim um sinal de alerta para evitar o
adoecimento.
Limongi-França e Rodrigues (1999) apontam que a qualidade de vida no trabalho é
uma percepção comprometida das condições de vida no trabalho, abrangendo o bem-estar,
garantia de saúde e segurança física, mental e social e treinamentos para realizar as funções
com êxito e bom uso da energia pessoal.
31
3. METODOLOGIA
A metodologia, o tema e o caminho propostos, deve ser bem delineada e coerente,
possibilitando obter o êxito no desenvolvimento do trabalho. Este capítulo aborda os aspectos
da classificação da pesquisa, universo amostral e sujeitos da pesquisa, coleta de dados, análise
e interpretação dos dados.
3.1 Classificação da Pesquisa
A classificação da pesquisa é estruturada pelas características que apresenta em
relação à natureza, à abordagem, aos objetivos e aos procedimentos técnicos. A base teórica
adotada aqui é originária da obra de Zamberlan et al. (2014).
Quanto à natureza, a pesquisa consiste em uma pesquisa aplicada, que intui a adquirir
conhecimentos para aplicação prática em soluções de determinados problemas da realidade,
envolvendo verdades e interesses locais. Zamberlan et al. (2014) esclarece que a pesquisa
aplicada refere-se a debater problemas, apresentando um referencial teórico de determinada
área de saber, e indicar soluções alternativas. Com isso, o presente estudo pretende identificar
se há ou não doenças ocupacionais em profissionais bancários em três instituições financeiras.
Quanto à forma de abordagem, a pesquisa caracteriza-se como quanti-qualitativa, onde
a abordagem quantitativa fez referência a tornar tudo quantificável, como opiniões e
informações para classificar e analisar os dados coletados. Zamberlan et al. (2014) explica
que:
Estes métodos são utilizados na descrição dos fenômenos (estrutura e composição) e
em sua explicação, pois servem para investigar as relações de causa e efeito (cadeia
causal) tanto em fenômenos quanto entre as variáveis selecionadas e também para
esclarecer as influências destas variáveis às demais.
Já por ter uma abordagem qualitativa, a coleta de dados foi realizada diretamente no
ambiente natural, e segundo Zamberlan et al. (2014), o pesquisador é o instrumento-chave,
sendo também descritiva, pois os pesquisadores analisam seus dados indutivamente. O estudo
visa a conhecer as características de perfil biográfico e profissional dos trabalhadores
32
bancários de três instituições financeiras, além de identificar as suas opiniões e sentimentos
quanto à sua saúde ocupacional, induzindo a conhecer a existência ou não de sintomas de
doenças ocupacionais, através da aplicação de um questionário abordando as variáveis em
análise.
Quanto aos objetivos, o estudo é de cunho exploratório e descritivo, justificando-se em
exploratório por não haver informações sobre o tema em questão e onde se busca maior
familiaridade com o problema. Também justifica-se em ser descritivo pois serão explanadas e
descritas as características da população estudada. (ZAMBERLAN et al. 2014)
Quanto aos procedimentos técnicos, a pesquisa consiste em pesquisa bibliográfica,
documental, de levantamento, de campo e estudos multicasos. É uma pesquisa bibliográfica
porque, como conceitua Lakatos; Marconi (2002, apud Zamberlan et al. 2014), fundamenta-se
pelo referencial teórico já publicado acerca dos assuntos abordados pela pesquisa.
Documental, Gil (2002, apud Zamberlan et al. 2014) pois esclarece como sendo um
procedimento técnico que utiliza documentos e/ou materiais que ainda não foram analisados,
mas que não deixam de ter seu valor científico, onde no estudo serão analisados os
questionários respondidos pelos trabalhadores bancários de um banco federal, um banco
estadual e uma cooperativa de crédito. De levantamento porque o investigador interroga
diretamente as pessoas sobre determinado assunto, como é apresentado por Zamberlan et al.
(2014), através do questionário aplicado aos profissionais estudados. Ainda, segundo Gil
(2002, apud Zamberlan et al. 2014), em seguida analisa-se quantitativamente e obtêm-se as
conclusões. De campo por ser uma pesquisa desenvolvida dentro do ambiente onde ocorre o
fenômeno, problema em estudo, conforme é explicado por Zamberlan et al. (2014).
Caracteriza-se como um estudo multicaso, porque, segundo Bogdan e Biklen (1994 apud
Araldi 2003), esse método se configura pelo estudo de dois ou mais casos, possibilitando
aprofundar e observar detalhadamente um acontecimento específico num contexto ou
indivíduo. Este estudo investigou e analisou o problema em três instituições financeiras,
reconhecendo a existência ou não de sintomas de doenças ocupacionais em seus
colaboradores.
33
3.2 Sujeitos da Pesquisa e Universo Amostral
O município de Crissiumal – RS dispõe de cinco organizações financeiras, porém para
a realização deste estudo foram selecionadas três destas organizações, que são: uma estatal
federal, uma estatal estadual e uma cooperativa de crédito, esta última apresenta duas
unidades de atendimento. O universo amostral e os sujeitos da pesquisa foram a totalidade de
colaboradores destas instituições, compreendendo, assim, sete colaboradores da instituição
estatal, sendo que retornaram os sete questionários respondidos, dez colaboradores
da
instituição estadual, porém retornaram apenas nove questionários respondidos, e 26
colaboradores da instituição cooperativa de crédito, sendo que retornaram apenas 25
questionários respondidos, totalizando assim 41 questionários respondidos. A pesquisa
apresentou duas abstenções.
3.3 Coleta de Dados
A coleta de dados foi obtida através da aplicação de um questionário onde foram
abordadas questões que identificaram o perfil biográfico e profissional dos trabalhadores,
denotando também a ocorrência ou não de sintomas de doenças ocupacionais, bem como as
estratégias de enfrentamento utilizadas ou não por eles. Possibilitou atingir o objetivo do
presente estudo, que é o de apontar a ocorrência ou não de sintomas de doenças ocupacionais
em profissionais bancários de três instituições financeiras de Crissiumal – RS.
Os itens de estudo, que formaram o questionário apresentado no apêndice A deste
trabalho, foram agrupados em: Perfil Biográfico; Perfil Profissional e Sobre a sua Saúde. Nas
questões a serem respondidas sobre a saúde do entrevistado, para cada uma o respondente
teve de assinalar a intensidade com que sentiu cada sentença, dentre as opções que variavam
de: nenhuma frequência a muita frequência.
A coleta de dados ocorreu entre os dias 19 e 27 de agosto de 2014, com os
questionários sendo entregues pela pesquisadora a cada um deles, explanando o assunto
abordado e clarificando que não teria nenhuma forma de identificação e nem exposição do
trabalhador a organização empregadora.
34
3.4 Análise e Interpretação de Dados
Os questionários, depois de aplicados e coletados, foram tratados e analisados
utilizando para isso o software Excel para elaboração de gráficos que permitam, visualmente,
melhor analisar as respostas e compará-las entre as três instituições.
O processo de análise e tabulação de dados compreendeu a seleção, categorização e
tabulação dos dados coletados. Em poder destes dados, após aplicação instrumental,
procedeu-se uma análise e interpretação dos mesmos para posterior transcrição de resultados.
Para análise foram constatadas as variáveis estabelecidas para a pesquisa, levando em
conta o perfil dos trabalhadores bancários de Crissiumal-RS, a identificação de sintomas de
doenças ocupacionais, tanto físico como mentais, e tomado conhecimento de estratégias de
enfrentamento utilizadas por cada um, comparando cada variável ao tipo de instituição
financeira estudada.
Concomitantemente foi realizada uma relação entre os dados coletados com o
referencial teórico, na intenção de fundamentar a pesquisa e seus resultados.
35
4. APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS
4.1 Caracterização do Setor Bancário de Crissiumal - RS
O setor, de modo geral, foi amplamente reestruturado em seu modelo de trabalho entre
os anos 1990 e 2000, onde reduziram-se os postos de trabalho e passou a ser exigido o mesmo
desempenho daqueles que continuaram nas instituições financeiras.
Desde 2000 para cá, houve uma restauração dos postos de trabalho, o número de vagas
cresceu continuamente na última década, mas muito se deve ao fato de os bancos terem se
expandido em larga escala, ou seja, abertura de novas agências, e pela demanda dos clientes
que chegam às agências e deparam-se com poucos funcionários para atender.
Com a moeda estabilizada, as instituições financeiras passaram a procurar outras
formas de obter a lucratividade, e então adotaram a redução de custos e a busca incessante de
rendimentos, o que tem refletido em condições de trabalho piores, e uma elevada carga de
pressão sobre os profissionais bancários, que passaram a viver sob tensão, carga exaustiva de
trabalho e constante sensação de insegurança que permeia o ambiente de trabalho. Esses
fatores podem desencadear doenças ocupacionais que prejudicam o colaborador e a sua
produtividade.
Os trabalhadores estudados exercem suas atividades em instituições financeiras da
cidade de Crissiumal – RS, onde são encontradas as seguintes organizações: um banco estatal
federal, um estatal estadual, e uma cooperativa de crédito.
4.2 Caracterização das Instituições Financeiras Estudadas
4.2.1
Instituição Financeira Cooperativa de Crissiumal
A primeira organização estudada é uma instituição financeira cooperativa, existente
desde 1902, com 112 anos de atividades, e presente em 10 estados brasileiros, contando com
mais de 1.100 pontos de atendimento. Tem seus negócios focados no crescimento de seus
36
associados. Diferentemente dos outros bancos, a cooperativa não tem clientes, e sim sócios,
que passam a serem seus donos. A direção é delineada pelos seus diretores e executivos
qualificados para exercerem suas funções, porém, os associados podem colaborar na gestão
através de seu voto e representação por parte de uma pessoa de sua comunidade.
A Cooperativa de Crédito oferece mais de 100 produtos e serviços financeiros, dentre
eles investimentos, seguros, consórcios, concessão de crédito, cartões de crédito. O associado
ainda usufrui de opções de atendimento além do convencional, através da internet, agentes
credenciados e caixas eletrônicos.
Em Crissiumal, a Cooperativa de Crédito atua em duas unidades, uma com foco no
público rural e aposentados, e outra com foco no público urbano e empresarial. Apresenta um
quadro funcional com 26 colaboradores efetivados, tendo 13 pessoas em cada unidade,
alocados em cargos de caixa, retaguarda, atendimento, gerência e subgerências. Destes 26
colaboradores, apenas 25 responderam ao questionário.
4.2.2
Instituição Financeira Estatal Estadual
A segunda instituição financeira é uma instituição financeira estadual, presente no
Estado há 86 anos, apresentando-se como Sociedade de Economia Mista, sob a forma de
Sociedade Anônima, com foco de atuação na região Sul do Brasil, atendendo pessoas físicas e
jurídicas, de micro, pequeno, médio e grande porte, empregando quase 12 mil colaboradores.
Seus produtos e serviços financeiros disponibilizados são seguros, consórcios,
previdência privada, cartões de crédito, financiamentos imobiliário e rural. Conta com 485
agências de atendimento, além de caixas eletrônicos, correspondentes bancários e internet.
A agência de Crissiumal conta com dez funcionários efetivos, distribuídos em cargos
de atendimento, caixa, gerência e subgerência. Destes dez funcionários, apenas 9 responderam
ao questionário aplicado.
37
4.2.3
Instituição Financeira Estatal Federal
A terceira instituição financeira é uma organização pública estatal federal, onde parte
de seu capital é privado e parte dele confere à União. Esta empresa foi o primeiro banco a
operar no país, sendo hoje, a maior instituição financeira do Brasil. É uma organização com
mais de 200 anos de atividades, com sólida função social, uma vez que é agente financeiro do
Governo, conquistando valores de confiança, segurança, modernidade e credibilidade entre
seus clientes.
Está presente em todo o Brasil, dispondo de 18 mil postos de atendimento, além de
meios alternativos, como internet, correspondentes bancários e caixas eletrônicos, emprega
mais de 109 mil colaboradores.
Oferece uma extensa gama de produtos e serviços, compreendendo principalmente os
negócios voltados à agricultura e pecuária, além de serviços tradicionais de demais
instituições financeiras.
A unidade de Crissiumal dispõe de sete colaboradores em seu quadro funcional,
distribuídos em cargos de caixa, atendimento, gerência e subgerência. Na presente instituição
obtivemos a totalidade de questionários respondidos.
4.3 Perfil Biográfico dos Trabalhadores Bancários
Com base nos resultados obtidos nas três instituições pode-se observar a
predominância de colaboradores do sexo masculino em ambas as organizações. É saliente o
domínio da geração X, ou seja, pessoas entre 35 e 54 anos nas instituições públicas, tanto
federal como estadual, onde os funcionários são concursados. Já na cooperativa é
predominante a faixa etária de 24 a 34 anos, compreendendo a geração Y, onde os
colaboradores são contratados com base em provas e entrevistas de aptidão. Nota-se a
prevalência de funcionários casados nas três organizações, seguido de pessoas solteiras.
38
Sobre a escolaridade, os trabalhadores das duas instituições públicas cursaram até o
ensino superior, concluindo-o. Já na cooperativa de crédito é acentuado o número de
profissionais que ainda estão cursando o ensino superior, o que é aceitável, uma vez que o
público é formado principalmente por jovens. Porém outro número que chama a atenção é que
possui o segundo maior número de funcionários com pós-graduação completa, lembrando que
são pessoas jovens, em sua maioria com menos de 34 anos, remetendo à ideia de
trabalhadores com formação elevada e em constante renovação. Conforme a pesquisa, grande
parte dos trabalhadores da cooperativa permanecem estudando, ao contrário das organizações
públicas, cuja maioria de seus colaboradores concluíram seus estudos e pararam.
Vale ressaltar que dois trabalhadores da organização estadual cursaram apenas o
ensino médio, lembrando que é uma organização onde prevalece o número de funcionários
acima dos 35 anos. Esta instituição também apresentou dois trabalhadores que não estão
continuando com seus estudos, marcando uma parcela desta instituição como trabalhadores
estagnados no tempo, acomodados com a situação, podendo levar a compreender que há
desmotivação e esgotamento.
Uma reflexão importante de ser comentada é a evidência de a cooperativa de crédito
ter em sua grande maioria um quadro funcional jovem, da faixa de 24 a 34 anos, caracterizado
por pessoas ativas, com vivacidade e ambição. Em contrapartida, as instituições estadual e
federal são salientes a maioria de seu quadro funcional ser formado por pessoas da faixa de 35
a 54 anos, compreendendo um perfil clássico, centrado, com maior experiência e comedido.
Encontramos uma coincidência entre as três instituições no que se refere a filhos, a
maioria de seus funcionários ainda não têm filhos. Entre os profissionais que têm filhos,
prevalecem os números de um filho, dois filhos e um filho, para a cooperativa de crédito,
banco estadual e banco federal, respectivamente.
Outro fator avaliado no estudo é se o entrevistado reside em Crissiumal, ou se reside
em outra cidade, fator esse que pode exercer influência na incidência ou não de sintomas de
doenças ocupacionais. De acordo com o levantamento realizado, a grande maioria dos
colaboradores das três instituições financeiras reside na cidade, sendo apontada a cidade de
Horizontina para dois dos casos e um preferiu não responder.
39
A seguir são dispostos estes índices em um quadro para melhor compreensão.
Quadro 3 - Perfil biográfico dos trabalhadores estudados
Cooperativa de
Estatal
Crédito
Estadual
Estatal Federal
Sexo
Masculino
16
7
6
Feminino
8
2
1
Geração Z – de 16 a 23 anos
3
1
2
Geração Y – de 24 a 34 anos
18
2
1
Geração X – de 35 a 54 anos
4
6
4
Solteiro
8
1
3
Casado
10
6
3
União Estável
7
2
1
Ens. Médio Completo
-
2
-
Curso Superior Completo
3
4
5
Curso Superior em Andamento
11
1
1
Pós Graduação Completa
8
1
1
Pós Graduação em Andamento
3
1
-
Não
4
7
4
Sim
21
2
3
Não
15
5
4
Sim
10
4
3
Idade
Estado Civil
Escolaridade
Permanece Estudando
Tem Filhos
40
Quantos filhos têm
1 filho
7
1
2
2 filhos
3
3
-
4 filhos
-
-
1
Não
1
3
-
Sim
24
6
7
Reside em Crissiumal
Fonte: Dados da pesquisa, elaborado pela autora.
4.4 Perfil Profissional dos Trabalhadores Bancários
Esta etapa serve para elucidar-nos sobre as características profissionais dos
trabalhadores entrevistados.
9
8
7
6
5
4
3
2
1
0
8
7
Menos de 1 ano
6
5
De 1 a 3 anos
De 4 a 7 anos
3
2
2
1 1
1
2
1
2
De 8 a 10 anos
De 10 a 12 anos
Mais de 12 anos
Cooperativa de
Crédito
Estadual
Estatal
Gráfico 1 – Tempo de trabalho na instituição financeira
Fonte: Dados da pesquisa
O gráfico 1 apresenta a divisão dos participantes por instituição financeira em relação
à variável tempo de trabalho na instituição. Dos colaboradores da Cooperativa de Crédito que
responderam, oito pessoas estão de 4 a 7 anos, seguidas de sete pessoas que estão de 1 a 3
anos e de seis pessoas que estão a mais de 12 anos na organização. Na Instituição Estadual
41
cinco pessoas já atuam na empresa a mais de 12 anos e na Instituição Federal duas pessoas
estão a menos de um ano, duas pessoas de 8 a 10 anos e duas pessoas a mais de 12 anos.
12
10
10
Caixa
8
Escriturário/Atendente
6
6
5
4
Área de Negócios
3
2
3
2 2
2
Área Administrativa
2
1 1
1
1
1 1
0
Cooperativa de
Crédito
Estadual
Estatal
Sub-Gerente
Gerente Geral
Gráfico 2 – Função exercida no momento
Fonte: Dados da pesquisa
O gráfico 2 expõe a função que o trabalhador exerce no momento em cada
organização, sendo que os valores mais significativos foram na Cooperativa de Crédito onde
dez colaboradores atuam na área de negócios, onde se enquadram as funções de gerente de
negócios pessoa física ou jurídica e assistente de negócios. Na Instituição Estadual cinco
pessoas estão como escriturários/atendentes, podendo ter funções de auxiliar administrativo,
atendente geral e assistente de atendimento. Semelhante à Instituição Federal que tem três
pessoas como escriturários/atendentes.
42
9
8 8
8
7
6
Menos de 1 ano
5
De 1 a 3 anos
5
4
4
De 4 a 7 anos
3
3
2
2
2 2
2
De 8 a 10 anos
2
1
1
De 10 a 12 anos
1
1
Mais de 12 anos
0
Cooperativa de
Crédito
Estadual
Estatal
Gráfico 3 – Tempo de trabalho na presente função
Fonte: Dados da pesquisa
O próximo fator avaliado e apresentado no gráfico 3 indica o tempo que cada
colaborador trabalha no cargo atual. Como valores perceptíveis, na Cooperativa de Crédito
oito pessoas exercem a mesma função de 1 a 3 anos e oito pessoas de 4 a 7 anos. Na
Instituição Estadual quatro pessoas já estão a mais de 12 anos na mesma função.
8
7 7
7
6
5
Menos de 1 ano
4
4
3
De 1 a 3 anos
4
3
2
3
2
2
De 4 a 7 anos
3
De 8 a 10 anos
2
2
1
1
1
De 10 a 12 anos
Mais de 12 anos
0
Cooperativa de
Crédito
Estadual
Estatal
Gráfico 4 – Tempo de trabalho na unidade de Crissiumal
Fonte: Dados da pesquisa
Questionados sobre há quanto tempo trabalham na unidade de Crissiumal, a
Cooperativa de Crédito aponta 14 de seus colaboradores que estão de 1 a 7 anos na unidade,
43
na Instituição Estatal Estadual constatamos que os mesmos quatro funcionários que atuam a
mais de 12 anos no mesmo cargo também estão esse mesmo período realizando estas
atividades na unidade de Crissiumal. Na Instituição Estatal Federal a maioria de seus
colaboradores são novos na unidade, tendo cinco pessoas com menos de 1 ano a até 3 anos, e
apenas dois funcionários que estão de 8 a mais de 12 anos, conforme mostra o gráfico 4
anteriormente.
30
25
25
20
15
6 horas
10
8 horas
7
4
5
2
3
0
Cooperativa de
Crédito
Estadual
Estatal
Gráfico 5 – Carga horária trabalhada diariamente
Fonte: Dados da pesquisa
Analisando a carga horária diária exercida por cada colaborador em suas organizações,
percebemos que a Cooperativa de Crédito tem a sua totalidade de funcionários trabalhando 8
horas por dia. Isso é explicado por ter seu regime de trabalho para todos os cargos
estabelecido em 160 horas mensais, representando 8 horas diárias de trabalho. A Instituição
Estadual tem sete de seus funcionários trabalhando 6 horas por dia, e duas pessoas
trabalhando 8 horas por dia; um respondente preferiu abster-se nessa questão. Já na Instituição
Federal quatro colaboradores trabalham 6 horas diárias e três funcionários trabalham 8 horas
por dia, sendo possível identificar que estes são os cargos de gerência e subgerência,
conforme é apresentado no gráfico 5 acima.
44
16
15
14
12
10
10
9
8
Não
6
4
4
Sim
3
2
0
Cooperativa de
Crédito
Estadual
Estatal
Gráfico 6 – Realização de horas extras
Fonte: Dados da pesquisa
No gráfico 6, os participantes tiveram que responder se realizam horas extras ou não.
Na Cooperativa de Crédito 15 pessoas disseram que não e dez que realizam horas extras. Na
Instituição Estatal Estadual nove colaboradores responderam negativamente e uma pessoa não
respondeu. Já na Instituição Estatal Federal três funcionários afirmaram não fazer hora extra e
quatro funcionários que sim.
Dos que responderam positivamente, surgiram respostas como de 1 a 2 horas diárias, e
1 a 40 horas mensais, sendo relatado, em alguns questionários, que as horas extras podem ser
compensadas de um mês para outro.
4.5 Sintomas de Doenças Ocupacionais
Agora vamos tomar conhecimento da existência ou não de sintomas que possam vir a
acometer os trabalhadores bancários das três instituições financeiras em estudo, com doenças
ocupacionais, bem como, as estratégias de enfrentamento que utilizam.
45
Os participantes foram questionados se as demandas da vida pessoal interferem nas
atividades de trabalho, e demonstraram que, em alguns momentos, certas situações podem sim
interferir na produção do trabalho, conforme aponta o gráfico 7 a seguir.
19
20
18
16
14
12
Nunca
10
8
6
6
6
6
Às Vezes
Sempre
4
2
2
1
1
0
Cooperativa de
Crédito
Estadual
Estatal
Gráfico 7 – Interferência das demandas da vida pessoal nas atividades de trabalho
Fonte: Dados da pesquisa
Conforme visualizamos, mais da metade dos trabalhadores das três instituições
financeiras afirmam sofrer intervenções de aspectos ligados a sua vida pessoal, como
familiares, amigos e compromissos sociais. Interferências estas que lhes tiram a atenção,
tomam seu tempo e consomem sua concentração, refletindo em chances de causar acidentes
no trabalho, ou simplesmente gerar erros nas atividades desempenhadas.
O estresse como citado no referencial teórico, pode ter sua fonte nos fatores externos,
que são as exigências do dia a dia impostas ao trabalhador, traduzidas em problemas
familiares, sociais, de trabalho, doenças de um filho, perda de uma posição na organização,
perda de uma promoção de cargo ou salarial, dificuldades econômicas, notícias ameaçadoras,
medo de assaltos. (LIPP, 1984, apud LIPP e TANGANELLI, 2002).
Como vemos, estes trabalhadores em estudo estão propícios a tornarem-se indivíduos
estressados, uma vez que as demandas da vida pessoal podem transformar-se em fontes
estressoras, acometendo o indivíduo a desenvolver quadros de estresse, e elevando mais tarde
ao estresse crônico, referenciado pela síndrome de burnout. (LIPP, 2001)
46
O gráfico 8 a seguir apresenta a média dos sintomas psicológicos por instituição
financeira. As questões que formam esta média foram os itens 1 a 14 da tabela de sintomas.
Os entrevistados tiveram que responder para cada sentença a frequência com que ela ocorria,
dentre nunca, raramente, às vezes, frequentemente e sempre.
Neste gráfico percebemos uma ocorrência média de sintomas psicológicos nos
trabalhadores da instituição estadual e bem menor nos trabalhadores da cooperativa de crédito
e da instituição federal. Constata-se então uma pressão psicológica um pouco maior em uma
instituição estadual em comparação às demais.
3,5
3
3
2
2,5
2
2
2
1,5
Média Sintomas Psicológicos
1
0,5
0
Cooperativa Estadual
de Crédito
Estatal
Média Geral
2= Raramente
3= Às Vezes
Gráfico 8 – Média dos sintomas psicológicos de doenças ocupacionais por instituição
financeira
Fonte: Dados da pesquisa
Relacionando cada sintoma à doença que desenvolve, temos: indisposição, desânimo e
abatimento, esgotamento, sensação de perda das forças físicas, depressão, insatisfação,
isolamento no trabalho, falta de memória, irritação - de parecer uma bomba prestes a explodir
- perda do senso de humor e ansiedade, que caracterizam, muitas vezes, a síndrome de
burnout. O estresse pode ser sentido com todos os sintomas citados anteriormente e mais o
nervosismo e alterações no sono, como insônia ou dormência. (CODO e VASQUESMENEZES, 2000; COOPER, 1983, apud KAFROUNI, 2014; LIPP, 2001; VARELLA, 2014)
47
Contudo, alguns sintomas podem levar a diagnósticos de doenças físicas, como o
estresse, a irritação e o nervosismo. Podem também gerar quadros de doenças dermatológicas,
como alergias na pele, vermelhidão, caspa seborreica no couro cabeludo, ou então
desenvolver gastrites nervosas e úlceras. (LIPP, 2001)
Desânimo e abatimento, insatisfação no trabalho, esgotamento e indisposição,
associados a pressões psicológicas, medo de perder o emprego e sofrer dificuldades
econômicas, desencadeiam casos de depressão e promovem o sintoma de isolamento. A
depressão promove inúmeras doenças e moléstias, como transtornos de humor, síndrome do
pânico, transtorno obsessivo compulsivo, enfim. (VARELLA, 2014)
Já a ansiedade, o nervosismo, sensações de parecer uma bomba prestes a explodir,
alterações no sono e depressão, podem desenvolver distúrbios alimentares como anorexia ou,
em outro extremo, apresentar obesidade, distúrbio que pode estar ligado à depressão e tê-la
como uma das fontes geradoras também.
Os trabalhadores foram inquiridos a responder a intensidade com que ocorrem
sintomas psicológicos conforme o quadro a seguir:
Quadro 4 - Sintomas psicológicos apresentados por cada Instituição Financeira
Cooperativa de
Estatal Estatal
Sintomas Psicológicos
Crédito
Estadual Federal
Indisposição
2,4
3
2,5
Nervosismo
2,7
3,1
3,1
Depressão
1,9
2,6
1,7
Desânimo e abatimento
2
3,1
2,1
Esgotamento
2,2
3,3
2,7
Insatisfação
1,9
2,5
3,6
Isolamento no trabalho
1,7
2,5
1,8
Irritação
2,2
2,5
1,8
Falta de memória
2,1
2,4
2,5
Sensações de perda de força física
1,6
2,6
1,5
De parecer uma bomba a explodir
1,5
2,4
2,1
Alterações no sono (insônia,
agitação)
1,9
2,7
2,4
Perda de senso de humor
1,7
3,1
2,4
Ansiedade
2,8
2,7
3,4
Fonte: Dados da Pesquisa
48
Notam-se alguns índices que contribuíram efetivamente para chegar à média de 2,33
de sintomas psicológicos entre as instituições financeiras, caracterizando a frequência de
raramente ocorrer tais sintomas.
Dentre estes índices, o nervosismo se destaca elevando a média, apresentando um
índice de 3,1 para os bancos estadual e federal. A insatisfação é sobressaliente no banco
estadual, exibindo um índice de 3,6. Já a ansiedade é notada em maior frequência no banco
federal, com índice de 3,4.
Os fatores que contribuíram para a queda na média são compreendidos pelo banco
federal que apresenta os menores índices na depressão e na sensação de perda das forças
físicas, com índices de 1,7 e 1,5 respectivamente. A cooperativa de crédito também colaborou
para baixar a média com seus índices de 1,5 e 1,7 para os fatores de parecer como uma bomba
prestes a explodir e perda do senso de humor.
Conforme foi apontado na pesquisa, a frequência média com que ocorrem sintomas de
caráter psicológico de doenças ocupacionais é de raras a algumas vezes, porém sabemos que
acontece, com certa frequência, encontrarmos profissionais da área extremamente estressados,
ou relatos de familiares que convivem com estes profissionais e contam sobre suas tensões,
estresse e demais problemas sofridos. Entendemos então que não só o trabalhador sofre com
os malefícios das doenças ocupacionais, mas todas as pessoas que convivem com ele, desde
familiares até colegas e clientes.
Custódio (2007) aborda o assunto:
O desgaste afeta tanto o indivíduo e os seus familiares quanto às organizações, afinal
quanto mais as pessoas ficam estressadas e recebem menos apoio em suas vidas
pessoais, menos capazes elas se tornam em lidar com os problemas do trabalho. O
trabalho de alta qualidade requer tempo e esforço, compromisso e criatividade, mas
os indivíduos desgastados já não estão mais dispostos a oferecer isso
espontaneamente.
Para desenvolver as atividades com êxito, os funcionários precisam estar tranquilos,
focados no trabalho e estimulados a desenvolverem sua criatividade, contudo, se o trabalhador
está cansado e sem ânimo para o trabalho, não realizará as suas tarefas com excelência,
deixando a empresa a desejar, obtendo o descontentamento do gerente. Logo, a organização
49
investindo em seu funcionário, motivando-o e cuidando da sua saúde, estará investindo em
sua própria produção, obtendo o retorno através do trabalho bem sucedido destes
colaboradores.
No gráfico 9 é mostrada a média de sintomas físicos de doenças ocupacionais por
instituição financeira. Esta média é calculada entre as sentenças 15 e 26 da tabela de sintomas,
onde os participantes marcaram a frequência (nunca, raramente, às vezes, frequentemente,
sempre) com que ocorrem.
Nota-se a prevalência novamente de sintomas com média frequência na instituição
estadual e de frequência rara nas instituições cooperativa de crédito e federal.
3,5
3
3
2
2,5
2
2
2
1,5
Média Sintomas Físicos
1
0,5
0
Cooperativa Estadual
de Crédito
Estatal
Média Geral
2= Raramente
3= Às Vezes
Gráfico 9 – Média dos sintomas físicos de doenças ocupacionais por instituição financeira
Fonte: Dados da pesquisa
Vale relacionar os sintomas às doenças que levam a desenvolver, para melhor
entendimento e análise. O próprio sintoma de fome exagerada leva à obesidade e a alterações
negativas nos níveis de colesterol, triglicerídeos e glicemia, promovendo a hipertensão,
pressão alta, que inclusive pode levar, futuramente, a ter problemas coronários, ou ainda, o
açúcar no sangue que traduz-se automaticamente em diabetes, podendo constituir inúmeros
sintomas próprios dela, como a cegueira. (VARELLA, 2014)
50
A falta de apetite pode configurar a anemia, baixa da imunidade e sensações de
esgotamento, além de mal estar. Além disso, se a falta de apetite estiver associada à
depressão, poder promover a anorexia.
Dores no estômago podem representar uma gastrite ou outras afecções estomacais.
Dores no peito podem ser sinal de problema coronário ou cardíaco, além de hipertensão. A
alergia provém do estresse, da irritação e do nervosismo como exposto anteriormente.
(VARELLA, 2014)
Para obter a média de ocorrência de sintomas físicos, os entrevistados se depararam
com questões indagando a frequência de:
Quadro 5 - Sintomas físicos apresentados pelas três Instituições Financeiras
Cooperativa de
Estatal Estatal
Sintomas Físicos
Crédito
Estadual Federal
Fome exagerada/falta de
apetite
1,8
2,8
2,2
Pressão alta/baixa
1,6
1,7
1,5
Dor no estômago
1,8
2,6
1,8
Mal estar
1,5
2,4
1,4
Dores no peito
1,3
1,8
1,1
Alergias
1,6
1,5
1
Tensão/dor muscular
2,3
2,4
3,5
Dores nas costas
2,7
2,5
3,4
Dores no pescoço/nuca
2,4
2,7
3,3
Dores de cabeça
2,4
2,4
3,3
Dores nos braços
1,8
2
3,1
Dores nas mãos/dedos
1,7
1,8
3
Fonte: Dados da pesquisa
Observam-se alguns fatores que contribuíram efetivamente para designar o índice de
2,33 de sintomas físicos de doenças ocupacionais na média entre as instituições financeiras,
configurando uma frequência rara na ocorrência dos referidos sintomas.
Pode ser citado com certa evidência o fator de tensão/dor muscular na elevação da
média, sendo apontado com índice de 3,5 pelo banco estadual, o índice mais alto citado dentre
todos os fatores. O banco estadual passa a ser a instituição bancária que mais apresenta
sintomas, que são: dores nas costas, com índice de 3,4; dores no pescoço/nuca, com índice de
51
3,3; dores de cabeça, com índice 3,3; dores nos braços, com um índice de 3,1 e dores nas
mãos/dedos, com índice 3.
Lembrando que o quadro funcional da instituição bancária estatal estadual é formado
principalmente por pessoas de 35 a 54 anos, com perfil de alta monotonia, evitando
mudanças, e com a maior parte do trabalho de forma manual, por não possuir tantos recursos
tecnológicos, tendem a apresentar maior possibilidade de desenvolverem dores e tensões
musculares que podem levar a um quadro clínico de LER/DORT. E como vimos, estes
trabalhadores já apresentam tais sintomas.
Concordando, Mendes (2010) afirma:
Normalmente os sintomas da LER/DORT aparecem de maneira insidiosa, passando
desapercebidos de imediato, razão pela qual são agravados após períodos de maior
quantidade de trabalho ou jornadas prolongadas e, mesmo com a incidência da dor,
o trabalhador busca formas de desenvolver seu trabalho, diminuindo assim a
capacidade física tanto laboral, quanto nas atividades cotidianas.
O trabalhador procura continuar suas atividades, desconsiderando a dor e o
desconforto que podem estar lhe acometendo, sem tirar tempo para buscar tratamento.
Quando se derem conta estarão provavelmente com um quadro de LER/DORT, fazendo do
trabalho um período de tortura e sofrimento, levando a insatisfação e o esgotamento com suas
tarefas, que mais tarde podem evoluir à síndrome de burnout.
De acordo com Mendes (2010), LER/DORT é resultante da sobrecarga do sistema
osteomuscular agregada à falta de tempo para sua recuperação. Essa sobrecarga é sentida seja
pela utilização excessiva de alguns determinados músculos em movimentos repetitivos com
ou sem esforço, seja pela estagnação de membros em determinadas posições por longo
período de tempo, especialmente quando essas posições exigem esforço do sistema
musculoesquelético. A concentração exigida do trabalhador e a tensão imposta pela
organização são fatores que influenciam na ocorrência das LER/DORT.
Os fatores que ocasionaram a queda da média foram apontados principalmente pelo
banco estatal federal, em que menos sofrem de pressão alta/baixa com índice de 1,5, mal estar
com índice de 1,4, dores no peito com um índice de 1,1 e alergias com um índice 1.
52
4.6 Estratégias de Enfrentamento aos Sintomas de Doenças Ocupacionais
Analisamos agora os resultados apontados nas estratégias de enfrentamento adotadas
pelos trabalhadores em cada instituição financeira e obtivemos as médias apresentadas a
seguir pelo gráfico 10.
Neste gráfico constatamos o inverso dos resultados obtidos nos sintomas tanto físico
como psicológicos, ou seja, encontramos uma frequência média de medidas preventivas ou de
tratamento utilizadas por colaboradores da cooperativa de crédito e da instituição estatal
federal, e uma frequência rara em trabalhadores da instituição estatal estadual.
Podemos então fazer a relação da ocorrência de sintomas de doenças ocupacionais
com estratégias de enfrentamento, onde o indivíduo que utiliza mais frequentemente alguma
estratégia de enfrentamento sente menor ocorrência de sintomas de doenças ocupacionais.
3,5
3
3
3
3
2,5
2
2
Média de Estratégias de
Enfrentamento
1,5
1
0,5
0
Cooperativa Estadual
de Crédito
Estatal
Média
Geral
2= Raramente
3= Às Vezes
Gráfico 10 – Média de estratégias de enfrentamento utilizadas pelas instituições financeiras
Fonte: Dados da pesquisa
Identificando e relacionando estratégias de enfrentamento com alguns sintomas de
doenças ocupacionais, podemos relatar:
Os profissionais participantes foram questionados sobre a frequência com que utilizam
estratégias de enfrentamento. A prática de hobbies, ou seja, atividades prazerosas como
53
terapia de relaxamento e distração da mente, conversar com outras pessoas, ler livros, escutar
músicas, passear com a família, e até mesmo o consumo saudável de produtos para elevar a
autoestima, contribuem para descontrair a mente e os músculos, aliviando a tensão, relaxando,
trazendo calma, e enfrentando diretamente o estresse e a depressão, e os diversos sintomas de
irritação, nervosismo, ansiedade e insatisfação.
Praticar atividades físicas, sejam quais forem, desde que a pessoa goste, irá elevar as
cargas de adrenalina e serotonina (hormônio da felicidade, age diretamente no humor, sono,
apetite, memória, emoções e no desejo sexual) no sangue, trazendo um bem-estar consigo
mesmo para o indivíduo, proporcionando a integração da equipe e melhorando a relação de
coleguismo. Além disso, a prática de exercícios físicos promove resistência e
condicionamento ao corpo do trabalhador.
Quadro 6 - Estratégias de enfrentamento utilizadas pelos trabalhadores bancários
Cooperativa de
Estatal
Estatal
Crédito
Estadual
Federal
3,4
2,8
4
4,1
3,7
4
atividades físicas
3,3
3
3,7
Ir ao cinema, teatro
1,4
1,5
1,8
Leitura de bons livros
2,5
2,4
3
Escutar músicas
3,7
3,4
4,4
Fazer as refeições nos horários adequados
3,4
2,1
3,5
Passear com familiares, amigos
3,8
3,2
3,5
Investir na autoestima (roupas, calçados)
3,6
3,1
3,2
Ingestão de bebidas alcoólicas
2,7
2,3
3
Fumar tabaco (cigarros e charutos)
1,04
1
1,2
Alimentar-se de alimentos saudáveis
3,7
3,4
3,8
Prática de terapias psicológicas
1,2
1,3
1,1
Hábito de consultas médicas de rotina
2,6
2,8
3,1
Estratégias de Enfrentamento
Prática de hobbies e passatempos
Conversar
com
amigos,
familiares,
colegas
Prática de caminhadas/corridas ou outras
54
Uso de dietas nutricionais
1,3
1,3
1,1
Prática de fisioterapia
1,6
1,3
1,8
Verificação de pressão arterial
2,3
2,8
4
1,5
1,8
1,2
2,4
2,4
3,1
Uso de medicamentos tranquilizantes/
calmantes
Hábito de se informar sobre prevenções
de lesões e má-postura no trabalho
Fonte: Dados da pesquisa
É possível observar algumas estratégias de enfrentamento a sintomas de doenças
ocupacionais que fizeram elevar a média ou baixá-la. A média de utilização de estratégias de
enfrentamento entre as instituições financeiras foi de 2,66, caracterizando uma frequência
mediana, ou seja, algumas vezes é realizado algum tipo de estratégia.
Destaca-se a frequência apontada pelos funcionários do banco estatal federal em ouvir
músicas, indicando um índice de 4,4. Nota-se também que é a instituição financeira que mais
utiliza estratégias de enfrentamento, como a prática de hobbies e passatempos, com índice de
4; conversar com amigos, familiares e colegas, com índice de 4; prática de
caminhadas/corridas ou outras atividades físicas, com índice de 3,7; e a verificação de pressão
arterial, com índice 4. A cooperativa de crédito exibe uma preferência maior em conversar
com amigos, familiares e colegas, com índice de 4,1. Esta estratégia também é bastante
utilizada pelo banco estatal estadual, apresentando índice de 3,7.
Os índices responsáveis pela queda na média foram exibidos no que se refere a ir ao
cinema, teatro, onde foi apontado um índice de 1,4 na cooperativa de crédito, um índice de 1,5
no banco estadual e 1,8 no banco federal. O fator fumar tabaco também exibiu índices baixos,
onde a cooperativa de crédito mostrou índice de 1,04, o banco estadual índice de 1 e o banco
federal índice 1,2. Outras estratégias que da mesma forma apresentam índices baixos pelas
três instituições foram a prática de terapias psicológicas, o uso de dietas nutricionais, a prática
de fisioterapia e o uso de medicamentos tranquilizantes/calmantes.
Outro fator que é possível constatar é o hábito de se informar sobre métodos de
prevenção de LER/DORT, que na instituição estatal apresentou um índice um pouco maior
3,1 comparado à cooperativa de crédito e à instituição estatal que apresentaram cada uma o
55
índice de 2,4. São índices baixos, caracterizando frequências médias, onde deveria ser dada
uma atenção especial, por desempenharem uma profissão de grande risco de apresentar
doenças ocupacionais, principalmente LER/DORT.
Dando ênfase à importância de tomar conhecimento de formas de prevenir e realizar
ações para isso, Luersen (2009) defende a prática de implantar políticas de prevenção nas
agências bancárias, evitando doenças ocupacionais que possam incidir sobre a saúde física e
mental dos trabalhadores, adotando ações de fiscalização e correção, induzindo todos a
prevenirem-se de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho, reorganizando a instituição de
modo geral, podendo assim diminuir as afecções e suas consequências que prejudicam não só
o colaborador, mas também a organização, pois terá, em seu efetivo, indivíduos de pouco
rendimento ou afastados das suas atividades.
A prática de exercícios físicos é uma das estratégias que mais pontuou nas três
instituições bancárias, com índices acima de 3. Em específico na organização estatal federal,
contribuiu certamente na prevenção de sintomas de doenças ocupacionais, como pode ser
conferido nas médias de sintomas tanto físicos, como psicológicos, onde mostra que os
trabalhadores apresentam poucos sintomas com baixa frequência. Isso é reforçado por
Nieman (2003, apud Kafrouni, 2014) que afirma, com clareza, que a prática regular de
atividade física é a melhor maneira de controlar o estresse, melhorando o estado mental de
indivíduos, promovendo a diminuição da depressão, da ansiedade e do próprio estresse.
Instigados a responder, de forma geral, como percebem a sua saúde, 14 colaboradores
da cooperativa de crédito responderam como boa, a instituição estatal estadual somou oito
funcionários com saúde boa, e na instituição estatal federal quatro colaboradores afirmaram
ter uma saúde muito boa e três colaboradores, boa, conforme é apresentado no gráfico 11 a
seguir.
56
16
14
14
12
10
8
8
Excelente
8
Muito Boa
6
4
4
3
3
2
Boa
1
0
Cooperativa de
Crédito
Estadual
Estatal
Gráfico 11 – Como percebe a sua saúde
Fonte: Dados da pesquisa
O gráfico 12 teve o intuito de identificar como cada trabalhador percebe a sua saúde
no momento, comparando-a a um ano atrás, onde visualizamos que 14 funcionários da
cooperativa de crédito e cinco da instituição estatal federal, respectivamente, afirmaram ter
quase a mesma saúde de um ano atrás. Na instituição estatal estadual sete colaboradores
sentem a sua saúde um pouco pior agora do que a um ano atrás.
16
14
14
Muito melhor agora do
que há um ano atrás
12
10
8
Um pouco melhor agora
do que há um ano atrás
7
6
5
5
Quase a mesma de um
ano atrás
4
4
2
2
2
2
0
Cooperativa de
Crédito
Estadual
Estatal
Gráfico 12 – Saúde atual comparada há de um ano atrás
Fonte: Dados da pesquisa
Um pouco pior agora do
que há um ano atrás
57
É possível fazer algumas considerações acerca dos resultados obtidos e analisados,
como o fato de que a instituição financeira estatal estadual é a organização que apresentou
índices um pouco maiores na presença de sintomas tanto físicos como psicológicos em
relação às outras organizações. Podemos correlacionar isso com o fato de que dois terços dos
trabalhadores são da geração X, pararam de aperfeiçoar-se nos estudos, a maioria trabalha a
mais de 12 anos no mesmo cargo e estão alocados por esse mesmo período nesta cidade. É
possível notar um grande sedentarismo profissional, sendo que boa parte dos funcionários da
agência está acomodada, claramente não são acostumados a mudanças, e isso reflete na
insatisfação, esgotamento e outros problemas de saúde relacionados às doenças ocupacionais.
Outro fator importante que pode ser analisado junto aos motivos e que está aquém da
pesquisa é o tipo de fluxo de operações, pois a organização não tem todos os seus processos
modernizados e está bastante atrás das outras empresas na questão tecnológica, expondo seu
funcionário a uma burocracia muito maior e com chances maiores de retrabalho.
A instituição financeira estatal federal apresenta praticamente a mesma situação. Cerca
de metade dos trabalhadores estão com mais de 8 anos de empresa, pertencem à geração X,
evoluíram até o ensino superior e estagnaram seus estudos, somando a isto o fato de
realizarem hora-extra. Porém estes diferem por terem pouco tempo de labor na agência desta
cidade, expondo que estão em ritmo de mudanças, pois, em algum período de tempo,
migrarão para novos desafios. Relacionando ao resultado obtido, é a organização que mais
pratica atividades de enfrentamento aos sintomas de doenças ocupacionais.
Já na cooperativa de crédito encontramos uma grande distinção em relação às
organizações já citadas, pois encontramos dois terços dos trabalhadores pertencentes à
geração Y, sendo, portanto, pessoas mais novas, que estão completando seu ensino superior
ou já possuem pós-graduação completa. Boa parte de seus colaboradores estão a mais de
quatro anos na instituição ou ainda a mais de 12 anos, e de 1 a 7 anos no mesmo cargo e na
mesma cidade. Seus trabalhadores sofrem com rara frequência nervosismo, ansiedade e dores
nas costas. Notamos que há pouca incidência de sintomas de doenças ocupacionais e que
utilizam mais as estratégias de ouvir músicas, conversar com familiares, amigos e colegas,
praticar hobbies, passear e alimentar-se saudavelmente. Isto denota que procuram evitar os
sintomas psicológicos citados, no entanto deixam a desejar no aspecto dos cuidados físicos.
58
Temos que frisar o fato de que os sintomas de doenças ocupacionais foram mais
demonstrados pelas instituições públicas, que têm seus colaboradores concursados e com
regime estatutário, portanto com mais estabilidade de emprego em relação aos colaboradores
da cooperativa de crédito, que possuem contratos celetistas acordados, e, por mais que o
questionário tenha sido impessoal, pode ter ocorrido pressão psicológica por conta de manterse no emprego.
59
CONCLUSÃO
Neste estudo foi possível identificar os sintomas de doenças ocupacionais sofridos
pelos trabalhadores bancários de instituições estatal estadual, estatal federal e de uma
cooperativa de crédito do município de Crissiumal-RS, bem como as estratégias de
enfrentamento adotados pelos mesmos.
O setor financeiro no momento passa por uma instabilidade econômica, com brusca
controvérsia, demonstrada no ano anterior pelo fomento da economia por parte do governo,
representando uma grande liberação de crédito, com taxas de juros subsidiados, incentivando
o consumo de bens. O mercado instigando das instituições financeiras metas internas de
vendas e liberações de crédito, além da pressão exercida pelos clientes que tinham elevado
poder de decisão.
Neste ano, a economia incitou os colaboradores destas organizações a reduzir a
liberação de recursos, a taxas de juros mais elevadas, e exigindo ações de cobrança para
baixar a inadimplência a níveis aceitáveis, em decorrência da medida anterior, que promoveu
o consumo irresponsável dos cidadãos.
Toda essa mudança associada à competição entre as organizações, à pressão em
cumprir com os objetivos delineados e exigidos pelas direções de cada instituição,
colaboradores acumulando cargos e funções, sendo cobrados por desenvolverem suas
atividades com eficiência e rapidez, sofrendo pressões dos clientes, acaba fazendo com que
doenças ocupacionais se manifestem e contribui para desenvolver uma série de outras
enfermidades.
Em consonância aos objetivos definidos pelo estudo, a pesquisa apontou os sintomas
de doenças ocupacionais percebidos pelos funcionários de um banco estatal federa, de um
banco estatal estadual e de uma cooperativa de crédito, assim como as estratégias para
enfrentar tais sintomas apresentados pelos mesmos. Sendo assim, a instituição bancária que
mais apresentou sintomas físicos e psicológicos foi a instituição estatal estadual, mesmo
assim, apresentando média frequência de casos, apenas, ou seja, um índice 3, comparando-a
60
com as outras duas instituições que apresentaram rara ocorrência. É sobressaliente que a
organização que mais sofre com sintomas de doenças ocupacionais também é a que menos
utiliza estratégias de enfrentamento a esses sintomas, demonstrando um índice 2,
correspondendo a rara frequência.
Outro fator apontado pela pesquisa é referente a idade dos trabalhadores, onde
prevaleceu pessoas da geração X, entre 35 e 54 anos, nas instituições públicas, tanto estadual
como federal, diferenciando-se da cooperativa de crédito onde é expressivo o número de
pessoas da geração Y, com idades entre 24 e 34 anos. O sexo masculino destaca-se nas três
instituições. A cooperativa de crédito destaca-se por ter a grande maioria do seu quadro
funcional, formado por pessoas que estão a menos de sete anos na instituição, associando a
idade apresentada anteriormente, evidencia-se um perfil jovem e vivaz de colaboradores, em
contraponto, as organizações públicas estadual e federal apresentam mais da metade do seu
quadro com trabalhadores que já estão na instituição a mais de oito anos e combinando com
as idades levantadas, nota-se um perfil mais experiente e maduro de funcionários.
No levantamento realizado, é sobressaliente a média frequência de ocorrência dos
sintomas de esgotamento, insatisfação, nervosismo, tensões e dores musculares,
compreendendo o tronco e membros superiores dos trabalhadores da instituição estadual e de
ansiedade e nervosismo na instituição federal.
Já as estratégias de enfrentamento frequentemente adotadas são a prática de hobbies,
conversar com outras pessoas, escutar músicas, praticar atividades físicas apresentadas pela
organização estatal federal, e conversar com outras pessoas foi apontada tanto pela instituição
estatal estadual como pela cooperativa de crédito, esta última que também prefere passear
com familiares, escutar músicas e investir na autoestima.
Nota-se que a instituição bancária que mais sofre sintomas de doenças ocupacionais
também é a que menos utiliza ações para prevenir e tratar tais sintomas, o que pode agravar-se
com o tempo, levando os trabalhadores a enfermidades mais complicadas.
Embora no estudo não tenha sido apontado com muita frequência, a pesquisadora pode
observar por um período de tempo que alguns sintomas de doenças ocupacionais estão
presentes na vida de muitos dos colaboradores estudados, mesmo que eles não o reconheçam.
61
A irritação, nervosismo, ansiedade, alterações no sono, esgotamento e insatisfação com o
trabalho são mais frequentes e até mesmo perceptíveis pelos clientes, dentre os sintomas
psicológicos, do que o descrito na pesquisa.
Dentre os sintomas físicos é saliente e visível alergias e vermelhidão na pele de alguns
colaboradores, a ocorrência de dores no estômago, coluna e membros superiores, são até
relatados informalmente à pesquisadora, e frisando que no momento da pesquisa não tenha
sido expressado isso.
O trabalho prazeroso é um dos pilares que proporcionam o equilíbrio emocional do ser
humano, juntamente com o relacionamento saudável com outras pessoas, tanto afetivo como
social, e a própria saúde do indivíduo. Se um destes pilares não estiver firme, certamente
desestabilizará os outros pilares, refletindo na infelicidade da pessoa. Com base no estudo, é
importante implementar nas instituições citadas, medidas para prevenir sintomas de doenças
ocupacionais, promover o autoconhecimento, a motivação e o bom relacionamento entre
colegas, para todos manterem este pilar firme.
Esta pesquisa irá auxiliar os colaboradores a utilizar as estratégias adequadas de
enfrentamento para os sintomas sentidos por eles, bem como irá promover o interesse destas
instituições em adotar medidas coletivas de prevenção as doenças ocupacionais, pois terá
colaboradores saudáveis e ativos, realizando suas atividades com eficiência, trazendo lucro
para a organização e proporcionando maior realização profissional ao trabalhador, expandido
estas realizações a sua vida pessoal.
Como sugestão para futuros estudos, é indicado realizar uma nova pesquisa com
determinado grupo, observando por um período maior as reações sentidas pelos trabalhadores,
bem como as estratégias utilizadas para lidar com tais sintomas, no intuito de descrever com
exatidão os sintomas e ações demonstrados por eles.
E a realização de uma nova pesquisa com foco no estresse ocupacional também é
importante realizar, uma vez que não foi abordado explicitamente neste estudo, para
tomarmos conhecimento deste mal que afeta inúmeras pessoas, inclusive os profissionais
desta área, e que desencadeia muitos outros sintomas tanto físicos como psicológicos de
doenças ocupacionais.
62
5.
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66
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Histórico.
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Disponível
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Cândido Mendes. Rio de Janeiro, RJ, 2010.
VARELLA,
Drauzio.
Depressão.
Disponível
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______. Dermatite Atópica. Disponível em: <http://drauziovarella.com.br/letras/d/dermatiteatopica/> Acesso em: 26/11/2014.
______.
Dermatite
Seborreica
(Caspa).
Disponível
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<http://drauziovarella.com.br/letras/c/dermatite-seborreica/> Acesso em: 26/11/2014.
______.
Estresse
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Depressão.
Disponível
em:
<http://drauziovarella.com.br/drauzio/estresse-e-depressao/> Acesso em 26/11/2014.
______.
Hipertensão.
Disponível
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em:
67
______.
L.E.R.
(Lesão
por
Esforço
Repetitivo).
Disponível
em:
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______.
Lesões
por
Esforços
Repetitivos
(L.E.R./D.O.R.T.).
Disponível
<http://drauziovarella.com.br/letras/l/lesoes-por-esforcos-repetitivos-l-e-r-d-o-r-t/>
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______. Psoríase. Disponível em: <http://drauziovarella.com.br/letras/p/psoriase/> Acesso
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Úlceras
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VELOSO, Henrique Maia; PIMENTA, Solange Maria. Análise do estresse ocupacional na
realidade bancária: Um estudo de caso. Revista de Administração de FEAD-MG. v. 2. n. 1,
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ZAMBERLAN, Luciano (Org.); et al. Pesquisa em Ciências Sociais Aplicadas. Ijuí: Ed.
Unijuí, 2014.
68
GLOSSÁRIO
ABSENTEÍSMO – Hábito de não comparecer, de estar ausente.
BURNOUT – Síndrome caracterizada pelo esgotamento físico, psíquico e mental, em
decorrência de trabalho excessivo e estressante.
LABORAL – Relativo ou pertencente ao trabalho no aspecto econômico, jurídico e social.
OSTEOMUSCULAR – Relativo aos ossos e os músculos.
PSICOTRÓPICO – Substância medicamentosa que atua sobre o psiquismo, quer como
calmante, quer como estimulante.
SPREAD – (pal.ING.) Economia. A diferença entre o preço pago ao produtor por um produto
e o preço que o consumidor paga por ele. A diferença, num dado período, entre o preço mais
alto e o mais baixo de um produto. Taxa que incide sobre um empréstimo, variável de acordo
com o país que o solicita.
TENDINITE – Inflamação ocasionada no tendão (ou em mais de um tendões).
TENOSSIVITE - Inflamação da membrana que envolve os tendões.
TURNOVER – Também é conhecido como rotatividade em uma organização. Serve como
indicador da saúde organizacional, pois aponta o giro entre entradas e saídas de colaboradores
em uma empresa.
69
6.
APÊNDICE
Apêndice A – Questionário de aplicação aos trabalhadores de bancos estadual, estatal
e cooperativa de crédito.
Prezado Entrevistado,
O presente questionário tem como única função subsidiar a elaboração do trabalho de
conclusão de curso de Administração na Unijuí, que tem como tema: identificar se os
trabalhadores de três instituições bancárias de Crissiumal – RS apresentam sintomas de
doenças ocupacionais e descrever as estratégias de enfrentamento utilizadas por estes
profissionais.
A sua contribuição é muito importante, e sua identidade será preservada.
Obrigada.
Alana Duarte Dahmer.
Acadêmica do Curso de Administração da Unijuí.
70
PARTE I – Perfil biográfico
Sexo: (
) Masculino
(
) Feminino
Faixa Etária:
(
) De 16 a 23 anos
(
) De 24 a 34 anos
(
) De 35 a 54 anos
(
) Acima de 55 anos
( ) Casado
( ) União Estável
Estado Civil:
(
) Solteiro
(
) Divorciado
(
) Viúvo
Qual a sua escolaridade:
(
) Ensino Médio Completo
(
) Ensino Médio Incompleto
(
) Ensino Técnico Completo
(
) Ensino Técnico Incompleto
(
) Curso Superior Completo
(
) Curso Superior Incompleto
(
) Pós Graduação Completa
( ) Pós Graduação Incompleta
Permanece estudando?
Tem filhos:
(
) Não
Se sim, quantos? (
)1
( ) Não
(
) Sim
O que?____________________
( ) Sim
( )2
Reside em Crissiumal? ( ) Não
( )3
(
) Sim
( )4
( )5
( ) + de 5
Onde?_________________________
71
PARTE II – Perfil Profissional
Há quanto tempo trabalha nesta organização?
(
) Menos de 1 ano
( ) De 1 a 3 anos
( ) De 4 a 7 anos
(
) De 8 a 10 anos
( ) De 10 a 12 anos
(
) Mais de 12 anos
Exerce função de:
(
) Caixa (Caixa Geral; Tesoureiro; Caixa Retaguarda)
(
) Escriturário/Atendente (Aux. Administrativo; Atendente Geral; Assistente Atendimento)
(
) Área de Negócios (Gerente de Negócios PF/PJ; Assistente de Negócios)
(
) Área Administrativa (Retaguarda)
( ) Subgerente (Gerente Administrativo Financeiro; Gerente de Serviços; Gerente de
Relacionamento; Gerente PF/PJ)
(
) Gerente Geral
(
) Outro: __________________________________
Há quanto tempo trabalha neste cargo?
(
) Menos de 1 ano
(
) De 1 a 3 anos
( ) De 4 a 7 anos
(
) De 8 a 10 anos
( ) De 10 a 12 anos
(
) Mais de 12 anos
Há quanto tempo trabalha na Unidade de Crissiumal?
(
) Menos de 1 ano
( ) De 1 a 3 anos
( ) De 4 a 7 anos
(
) De 8 a 10 anos
( ) De 10 a 12 anos
(
) Mais de 12 anos
Qual a sua carga horária de trabalho?
Qual a sua carga horária de trabalho?
Diária
(
) 6 horas
(
) 8 horas
Semanal
(
) 30 horas
(
) 40 horas
Mensal
(
) 120 horas
(
) 160 horas
Realiza horas extras?
( ) Não
Se sim, quantas horas?
Diária: _________________
Semanal: _________________
Mensal: _________________
(
) Sim
72
PARTE III – Sobre a sua saúde
As demandas da vida pessoal interferem nas atividades de trabalho?
(
) Nunca
(
) Às vezes
(
) Sempre
As próximas questões visam identificar se há existência ou não de sintomas de doenças
ocupacionais. Utilize a escala abaixo para suas respostas:
Nunca Raramente Às vezes Frequentemente Sempre
1
2
3
4
5
1.Eu tenho me sentido indisposto?
1
2
3
4
5
2.Eu tenho me sentido nervoso?
1
2
3
4
5
3.Eu tenho me sentido deprimido?
1
2
3
4
5
4.Eu tenho me sentido desanimado e abatido?
1
2
3
4
5
5.Eu tenho me sentido esgotado?
1
2
3
4
5
6.Eu tenho me sentido insatisfeito?
1
2
3
4
5
7.Eu tenho me sentido isolado no trabalho?
1
2
3
4
5
8.Eu tenho me sentido irritado?
1
2
3
4
5
9.Eu sinto dificuldade com a minha memória?
1
2
3
4
5
10.Eu tenho a sensação de perdas das forças físicas?
1
2
3
4
5
11.Eu me sinto como uma bomba prestes a explodir?
1
2
3
4
5
12.Eu tenho dificuldades para dormir/sono agitado?
1
2
3
4
5
13.Eu sinto que perdi o senso de humor?
1
2
3
4
5
14.Eu fico ansioso?
1
2
3
4
5
15.Eu tenho fome exagerada/falta de apetite?
1
2
3
4
5
16.Eu tenho pressão alta/baixa?
1
2
3
4
5
17.Eu sinto dores no estômago?
1
2
3
4
5
18.Eu sinto mal estar sem causa aparente?
1
2
3
4
5
19.Eu sinto dores no peito?
1
2
3
4
5
73
20.Eu tenho alergias na pele?
1
2
3
4
5
21.Eu sinto tensão/dor muscular?
1
2
3
4
5
22.Eu sinto dores nas costas?
1
2
3
4
5
23.Eu sinto dores no pescoço/nuca?
1
2
3
4
5
24.Eu sinto dores de cabeça?
1
2
3
4
5
25.Eu sinto dores nos braços?
1
2
3
4
5
26.Eu sinto dores nas mãos/dedos?
1
2
3
4
5
As próximas questões se referem às ações que você realiza para evitar doenças ocupacionais.
Utilize a escala abaixo para suas respostas.
Nunca Raramente Às vezes Frequentemente Sempre
1
2
3
4
5
1.Eu pratico hobbies e passatempos
1
2
3
4
5
2.Eu procuro conversar com amigos, familiares, colegas
1
2
3
4
5
3.Eu faço caminhadas/corridas ou outras atividades
físicas
1
2
3
4
5
4.Eu vou ao cinema/teatro
1
2
3
4
5
5.Eu leio bons livros
1
2
3
4
5
6.Eu escuto músicas
1
2
3
4
5
7.Eu realizo minhas refeições nos horários adequados
1
2
3
4
5
8.Eu passeio com familiares/amigos
1
2
3
4
5
9.Eu invisto na minha autoestima (roupas, calçados)
1
2
3
4
5
10.Eu ingiro bebida alcoólica
1
2
3
4
5
11.Eu fumo tabaco (cigarro, charuto)
1
2
3
4
5
12.Eu me alimento de coisas saudáveis
1
2
3
4
5
13.Eu faço terapias psicológicas
1
2
3
4
5
14.Eu realizo consultas médicas de rotina
1
2
3
4
5
74
15.Eu faço fisioterapia
1
2
3
4
5
16.Eu sigo dietas nutricionais
1
2
3
4
5
17.Eu verifico a pressão arterial
1
2
3
4
5
18.Eu uso medicamentos tranquilizantes/calmantes
1
2
3
4
5
19.Eu me informo sobre prevenções de lesões e mápostura no trabalho
1
2
3
4
5
Em geral, você diria que a sua saúde é:
(
) Excelente ( ) Muito boa ( ) Boa (
) Ruim
( ) Muito ruim (
Comparada a um ano atrás, como você classificaria sua saúde neste momento:
( ) Muito melhor agora do que a um ano atrás
(
) Um pouco melhor agora do que a um ano atrás
( ) Quase a mesma de um ano atrás
( ) Um pouco pior agora do que a um ano atrás
( ) Muito pior agora do que a um ano atrás.
) Péssima
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