1 UNIVERSIDADE REGIONAL DO NOROESTE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL - UNIJUI ALANA PATRÍCIA DUARTE DAHMER SINTOMAS DE DOENÇAS OCUPACIONAIS: Um estudo com trabalhadores bancários do município de Crissiumal - RS Três Passos, 2014 2 ALANA PATRÍCIA DUARTE DAHMER DOENÇAS OCUPACIONAIS: Um estudo com trabalhadores bancários do município de Crissiumal – RS Trabalho de Conclusão de Curso Trabalho de Conclusão de Curso de Administração da Universidade Regional do Noroeste do Rio Grande do Sul – UNIJUI, como requisito parcial à Conclusão de Curso e consequente obtenção de título de Bacharel em Administração. Orientadora Profª Ms.: Maira Fátima Pizolotto Três Passos, 2014 3 DEDICATÓRIA Dedico este trabalho a vocês, que sempre me fizeram acreditar e persistir na realização dos meus sonhos e trabalharam muito para que eu pudesse realizá-los, minha mãe, Lenir e, ao meu pai, Olmiro. A você Luis, companheiro no amor, na vida e nos sonhos, que sempre me de força para continuar, me apoiou nas horas difíceis e compartilhou comigo as alegrias. Aos meus irmãos, Alice e Luiz, que se preocupam comigo, torcem pelos meus sonhos e acreditam no meu potencial. Dedico para vocês esta conquista, que é muito importante em minha vida. Obrigada por tudo, por serem a minha Família e estarem sempre ao meu lado! 4 AGRADECIMENTOS À Aquele, que me permitiu tudo isso, ao longo de toda a minha vida, à você Deus, obrigada! À minha família, que nos momentos de minha ausência dedicados a este curso, sempre entenderam que o futuro, é feito a partir da constante dedicação no presente. À minha mãe Lenir, minha irmã Alice e minha afilhada Anabel que dedicaram parte do seu precioso tempo em se dedicar a mim. Ao meu namorado Luis, pelo amor, companheirismo, e enorme compreensão. Aos professores, na tarefa de multiplicar meus Maira F. Pizolotto, minha conhecimentos. À professora Mestre orientadora, pelo incentivo e orientação que me foram concedidos durante essa jornada. ...e finalmente, aos colegas pela espontaneidade e alegria na troca de informações e materiais numa rara demonstração de amizade e solidariedade. A todos, muito obrigada. 5 RESUMO EXPANDIDO Introdução O presente trabalho consiste no Trabalho de Conclusão de Curso em que foram estudados os trabalhadores bancários de três instituições financeiras, um banco estatal estadual, uma estatal federal e uma cooperativa de crédito, do município de Crissiumal/RS, com o intuito de conhecer a saúde no trabalho e na vida pessoal destes profissionais, sob a ótica das doenças ocupacionais. Dias e Almeida (2001) afirmam que nem sempre há uma relação equilibrada entre as demandas e as possibilidades do trabalhador em efetuá-las, seja pelas condições desfavoráveis oferecidas no trabalho, sejam pelas características incompatíveis do trabalhador de realizar tais demandas. Em consequência a isso, os casos de doenças ocupacionais e seus procedentes afastamentos estão aumentando gradativamente. Uma das áreas profissionais mais afetadas por doenças ocupacionais é a área de serviços financeiros, e por isso a importância deste estudo em ser realizado, comparando entre três organizações com diferentes direções administrativas. Oliveira et. al.(1998, apud Silva e Másculo) cita que as transformações no processo de trabalho bancário, provindas da informatização e automação de grande parte das tarefas, promoveram consequências para os trabalhadores, elevando os riscos de doenças ocupacionais, tais como a LER – Lesões por Esforço Repetitivo e o estresse. As metas ousadas resultantes do desejo de elevar a lucratividade, fazem do profissional atuante despender um esforço mental e psicológico maior, necessitando procurar estratégias de enfrentamento, e obter auxílio de um profissional da saúde para superar problemas e doenças ocupacionais. O presente estudo tem como objetivo identificar se os trabalhadores de três instituições bancárias de Crissiumal/RS apresentam sintomas que possam vir a acometê-los com doenças ocupacionais e descrever as estratégias de enfrentamento utilizadas por estes profissionais. Metodologia A classificação da pesquisa é de natureza aplicada, pois refere-se a debater problemas, apresentando um referencial teórico de determinada área de saber, e indicando soluções alternativas. (ZAMBERLAN et al. 2014) Caracteriza-se por abordagem quanti-qualitativa, quanto aos objetivos é exploratória e descritiva, quanto aos procedimentos técnicos, é bibliográfica, documental, de levantamento, porque o investigador interroga diretamente as pessoas sobre determinado assunto como é apresentado por Zamberlan et al. (2014) e através do questionário aplicado aos profissionais estudados. Ainda, é de campo e estudo multicasos, porque, segundo Bogdan e Biklen (1994 apud Araldi 2003) esse método se configura pelo estudo de dois ou mais casos, possibilitando aprofundar e observar detalhadamente um contexto ou indivíduo, de um acontecimento específico. O questionário foi aplicado nas três agências do município de Crissiumal/RS, sendo que a instituição estatal estadual tem 10 colaboradores, mas apenas 9 responderam, a instituição estatal federal possui 7 trabalhadores tendo 100% de retorno e a cooperativa de crédito que possui duas unidades de atendimento, totaliza 26 colaboradores, obtendo resposta de 25 apenas. Na análise dos dados coletados foi utilizado o software Excel para tabulação e análise dos mesmos. Resultados Dos respondentes, a cooperativa de crédito é formada principalmente por pessoas da geração Y, entre 24 e 34 anos, já em comparação às instituições públicas a predominância é da geração X, com pessoas entre 35 e 54 anos. Outro fator importante de citar é a 6 continuidade aos estudos, onde apenas a cooperativa de crédito afirma continuar em atualização, sendo que as instituições estadual e federal têm em sua maioria parado os estudos. O que pode ser constatado na pesquisa é a grande comodidade e monotonia vivida pelos trabalhadores da instituição estatal estadual, onde a sua maioria está a mais de 12 anos na empresa, e parte desses está pelo mesmo período de tempo no mesmo cargo e na mesma cidade. A cooperativa de crédito também apresenta uma certa monotonia, porém com menor período de tempo, pois a sua maioria está com até sete anos de organização, nos mesmos cargos e na presente cidade. Em contraponto, a instituição estatal apresentou um rodízio entre cidades e planos de carreira interna, pois a maioria de seus trabalhadores está a mais de oito anos na organização, porém estão de um a três anos no atual cargo, e nesta cidade. Em relação às demandas pessoais e sua possível influência nas atividades profissionais, a maioria dos colaboradores das três instituições denotam sofrer com média frequência interferência. Conforme aponta Lipp (1984, apud LIPP e TANGANELLI, 2002) o estresse pode ter sua fonte inicial nos fatores externos, que são as exigências do dia a dia, impostas ao trabalhador, traduzidos em problemas familiares, sociais, de trabalho, doenças de um filho, perda de uma posição na organização, perda de uma promoção de cargo ou salarial, dificuldades econômicas, notícias ameaçadoras, medo de assaltos. Estes trabalhadores estão propícios a desenvolver quadros de estresse e levar a um estresse crônico, que vem a ser a síndrome de burnout. Acerca dos sintomas psicológicos de doenças ocupacionais, o nervosismo se destaca elevando a média, apresentando um índice de 3,1 para os bancos estadual e federal. A insatisfação é sobressaliente no banco estadual, exibindo um índice de 3,6. Já a ansiedade é notada em maior frequência no banco federal, com índice de 3,4. Estes sintomas englobam o estresse, e refletem no esgotamento do trabalhador, podendo desencadear a ocorrência de outros sintomas e doenças ocupacionais. O desgaste afeta o próprio indivíduo, os seus familiares e a organização em que trabalha, pois quanto mais ele ficar estressado, menos apoio e compreensão recebem em sua vida pessoal, e torna-se menos produtivo no trabalho. (CUSTÓDIO, 2007) Quanto aos sintomas físicos de doenças ocupacionais, pode ser citado com evidência o fator de tensão/dor muscular apontado com índice de 3,5 pelo banco estadual, sendo também o índice mais alto citado dentre todos os fatores. O banco estatal estadual passa a ser a instituição bancária que mais apresenta sintomas, os quais sejam, dores nas costas, com índice de 3,4, dores no pescoço/nuca, com índice de 3,3, dores de cabeça, com índice 3,3, dores nos braços, com um índice de 3,1 e dores nas mãos/dedos, com índice 3. Lembrando que o quadro funcional da instituição bancária estatal estadual é formado principalmente por pessoas de 35 a 54 anos, com perfil de alta monotonia, evitando mudanças, e com a maior parte do trabalho de forma manual, por não possuir tantos recursos tecnológicos, tendem a apresentar maior possibilidade de desenvolverem dores e tensões musculares, que podem levar a um quadro clínico de LER/DORT. Geralmente, os sintomas de LER/DORT aparecem de maneira silenciosa, e são agravados após períodos de maior quantidade de trabalho ou jornadas prolongadas e, mesmo sentindo dor e desconforto, o trabalhador tenta continuar suas atividades, diminuindo assim a capacidade física tanto laboral, quanto nas atividades cotidianas. (MENDES, 2010) É saliente que a instituição estatal é a organização que utiliza uma gama maior e mais frequente de estratégias de enfrentamento aos sintomas de doenças ocupacionais, a frequência apontada em ouvir músicas, é um índice de 4,4, a prática de hobbies e passatempos, um índice de 4, conversar com amigos, familiares e colegas, um índice de 4, prática de caminhadas/corridas ou outras atividades físicas, um índice de 3,7 e a verificação de pressão 7 arterial, um índice 4. A cooperativa de crédito exibe uma preferência maior em conversar com amigos, familiares e colegas, com índice de 4,1. Esta estratégia também é bastante utilizada pelo banco estadual, apresentando índice de 3,7. Dando ênfase à importância de tomar conhecimento de formas de prevenir e realizar ações de enfrentamento aos sintomas de doenças ocupacionais, Luersen (2009) defende a prática de implantar políticas de prevenção nas agências bancárias, evitando doenças ocupacionais que possam incidir sobre a saúde física e mental dos trabalhadores, adotando ações de fiscalização e correção, induzindo todos a prevenirem-se de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho, reorganizando a instituição de modo geral, podendo assim diminuir as afecções e suas consequências que prejudicam não só o colaborador, mas também a organização, pois terá, em seu efetivo, indivíduos de pouco rendimento ou afastados das suas atividades. Conclusão Neste estudo foi possível identificar os sintomas de doenças ocupacionais sofridos pelos trabalhadores bancários de instituições estatal estadual, estatal federal e de uma cooperativa de crédito do município de Crissiumal-RS, bem como as estratégias de enfrentamento adotados pelos mesmos. Toda essa mudança associada à competição entre as organizações, à pressão em cumprir com os objetivos delineados e exigidos pelas direções de cada instituição, colaboradores acumulando cargos e funções, sendo cobrados por desenvolverem suas atividades com eficiência e rapidez, sofrendo pressões dos clientes, acaba fazendo com que doenças ocupacionais se manifestem e contribui para desenvolver uma série de outras enfermidades. A instituição bancária que mais apresentou sintomas físicos e psicológicos foi a instituição estadual, contudo, apresentou apenas média frequência, ou seja, um índice 3, comparando-a com as outras duas instituições que apresentaram rara ocorrência. É sobressaliente que a organização que mais sofre com sintomas de doenças ocupacionais também é a que menos utiliza estratégias de enfrentamento a esses sintomas, demonstrando um índice 2, correspondendo a rara frequência. Esta pesquisa auxiliará os colaboradores a utilizar as estratégias adequadas de enfrentamento para os sintomas sentidos por eles, bem como irá promover o interesse destas instituições em adotar medidas coletivas de prevenção às doenças ocupacionais, pois terá colaboradores saudáveis e ativos, realizando suas atividades com eficiência, trazendo lucro para a organização e proporcionando maior realização profissional ao trabalhador, expandido estas realizações a sua vida pessoal. Palavras-chave: doenças ocupacionais, estratégias de enfrentamento. Referências Bibliográficas ARALDI, Juciane. Aprendizagem musical de DJs: um estudo multicasos. In. ANAIS – ABEM, 2003. [Porto Alegre, RS]:[UFRGS], 2003. Disponível em: < http://www.ufrgs.br/cotidiano/fl_adm/uploads/fck/youblisher_com-896798Aprendizagem_musical_de_DJs_um_estudo_multicasos.pdf>. Acesso em 26 nov. 2014. CUSTÓDIO, Alessandra Neves. Desgaste Físico e Emocional. Disponível em: < http://www.rh.com.br/Portal/Qualidade_de_Vida/Artigo/4745/desgaste-fisico-eemocional.html> Acesso em: 22/08/2014. DIAS, Elizabeth Costa (Org); ALMEIDA, Ildeberto Muniz; et al. Doenças relacionadas ao Trabalho: Manual de procedimentos para os Serviços de Saúde. Serie A. Normas e manuais técnicos; n 114. Brasília – DF, 2001. 8 LIPP, Marilda Emmanuel Novaes; TANGANELLI, Maria do Sacramento. Stress e qualidade de vida em magistrados da Justiça do Trabalho: diferenças entre homens e mulheres. Psicologia: Reflexão e Crítica, v. 15, n. 3, 2002. LUERSEN, Cristiane Ingrid. Doença Ocupacional no Banco do Brasil: Um olhar sobre a especificidade de uma agência. 2009. Trabalho de Conclusão de Curso ( Especialização em Gestão de Negócios Financeiros). Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Porto Alegre, RS, 2009. Disponível em: <http://www.lume.ufrgs.br/handle/10183/26279?locale=pt_BR> Acesso em 25/08/2014. MENDES, Maria Aparecida de Borba. LER/DORT e o Trabalho Bancário. 2010. Monografia (Bacharelado em Direito). Faculdade de Direito de Curitiba. Curitiba, PR, 2010. SILVA, Glaucia Wasconcelos; MÁSCULO, Francisco Soares. LER – Epidemia silenciosa que causa reflexos na saúde dos bancários. Disponível em <http://www.simucad.dep.ufscar.br/projetos/gt_abergo/artigos.html> Acesso em 25/08/2014. ZAMBERLAN, Luciano (Org.); et al. Pesquisa em Ciências Sociais Aplicadas. Ijuí: Ed. Unijuí, 2014. 9 LISTA DE ILUSTRAÇÕES Gráfico 1: Tempo de trabalho na instituição financeira ........................................................... 40 Gráfico 2: Função exercida no momento ................................................................................. 41 Gráfico 3: Tempo de trabalho na presente função .................................................................... 42 Gráfico 4: Tempo de trabalho na unidade de Crissiumal ......................................................... 42 Gráfico 5: Carga horária trabalhada diariamente ..................................................................... 43 Gráfico 6: Realização de horas extras ...................................................................................... 44 Gráfico 7: Interferência das demandas da vida pessoal nas atividades de trabalho ................. 45 Gráfico 8: Média dos sintomas psicológicos de doenças ocupacionais por instituição financeira .................................................................................................................................. 46 Gráfico 9: Média dos sintomas físicos de doenças ocupacionais por instituição financeira .. 49 Gráfico 10: Média de estratégias de enfrentamento utilizadas pelas instituições financeiras..52 Gráfico 11: Como percebe a sua saúde .................................................................................... 56 Gráfico 12: Saúde atual comparada há de um ano atrás ........................................................... 56 Quadro 1: LER/DORT por Região, comparado ao País...........................................................19 Quadro 2: Frases do estresse.....................................................................................................21 Quadro 3: Perfil biográfico dos trabalhadores estudados.........................................................39 Quadro 4: Sintomas psicológicos apresentados por cada Insatisfação Financeira...................47 Quadro 5: Sintomas físicos apresentados pelas três Instituições Financeiras...........................50 Quadro 6: Estratégias de enfrentamento utilizadas pelos trabalhadores bancários...................53 10 SUMÁRIO INTRODUÇÃO.......................................................................................................... 11 1. CONTEXTUALIZAÇÃO DO ESTUDO .................................................................. 12 1.1 Apresentação do tema ................................................................................................ 12 1.2 Questão do estudo ...................................................................................................... 13 1.2.1 Objetivo Geral ............................................................................................................ 14 1.2.2 Objetivos Específicos ................................................................................................. 14 1.3 Justificativa................................................................................................................. 14 2. REFERENCIAL TEÓRICO....................................................................................... 16 2.1 Bancos: Estatal Federal, Estatal Estadual, e Cooperativa de Crédito ........................ 16 2.2 Doenças Ocupacionais ............................................................................................... 18 2.3 Estratégias de Enfrentamento ..................................................................................... 25 2.4 Reflexos no trabalho e na vida pessoal ...................................................................... 28 3. METODOLOGIA ...................................................................................................... 31 3.1 Classificação da Pesquisa ........................................................................................... 31 3.2 Sujeitos da Pesquisa e Universo Amostral ................................................................. 33 3.3 Coleta de Dados.......................................................................................................... 33 3.4 Análise e Interpretação de Dados ............................................................................... 34 4. APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS ........................................... 35 4.1 Caracterização do Setor Bancário de Crissiumal - RS ............................................... 35 4.2 Caracterização das Instituições Financeiras Estudadas .............................................. 35 4.2.1 Instituição Financeira Cooperativa de Crissiumal...................................................... 35 4.2.2 Instituição Financeira Estatal Estadual....................................................................... 36 4.2.3 Instituição Financeira Estatal Federal ........................................................................ 37 4.3 Perfil Biográfico dos Trabalhadores Bancários.......................................................... 37 4.4 Perfil Profissional dos Trabalhadores Bancários........................................................ 40 4.5 Sintomas de Doenças Ocupacionais ........................................................................... 44 4.6 Estratégias de Enfrentamento aos Sintomas de Doenças Ocupacionais .................... 52 CONCLUSÃO............................................................................................................ 59 5. REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 62 GLOSSÁRIO..............................................................................................................68 6. APÊNDICE ................................................................................................................ 69 11 INTRODUÇÃO O presente trabalho consiste no projeto de Trabalho de Conclusão de Curso, e tem o intuito de conhecer a saúde no trabalho e na vida pessoal de profissionais bancários, sob a ótica das doenças ocupacionais. Serão estudados os trabalhadores de três instituições financeiras de Crissiumal – RS, sendo um banco estatal federal, um banco estatal estadual e uma cooperativa de crédito, identificando o perfil desse colaborador e verificando a sua saúde e sua vida pessoal quando afligidas pelas doenças ocupacionais. Inicialmente é especificado o que é banco estatal federal, estatal estadual e cooperativa de crédito, abordando serviços bancários, é explanado sobre doenças ocupacionais, bem como estratégias de enfrentamento e reflexos no trabalho e na vida pessoal. O trabalho compõe-se pelas seguintes seções: primeiramente a contextualização do estudo, apresentando o tema, a questão do estudo, objetivos geral e específicos, e a justificativa. Na segunda seção é apresentado o referencial teórico, que embasa o estudo com os temas apresentados acima. A terceira seção é sobre a metodologia da pesquisa, demonstrando as classificações da pesquisa, os sujeitos da pesquisa e universo amostral, a coleta de dados, a análise e interpretação dos dados. O quarto capítulo é a apresentação e análise dos resultados obtidos através da pesquisa. O quinto capítulo compreende a conclusão do estudo. E finalizando, são apresentadas as referências bibliográficas que fundamentaram a pesquisa, seguida do apêndice que trata-se do questionário aplicado. 12 1. CONTEXTUALIZAÇÃO DO ESTUDO A contextualização do estudo é formada pelos subcapítulos de caracterização do setor bancário, apresentação do tema, questão do estudo, objetivos geral e específicos, e justificativa. 1.1 Apresentação do tema O tema deste estudo consiste nas doenças ocupacionais dos trabalhadores bancários. Em meados da década de 90, na tentativa de conter a chamada crise estrutural do capital, que consistia no acúmulo de grandes níveis de mercadorias e estoques, além da queda na produtividade e nos lucros das empresas, o setor bancário é afetado pela reestruturação dos modelos de gestão e pela implementação de novas tecnologias, alterando a organização do trabalho. Segnini (1999), em uma revista divulgada eletronicamente, retrata a reestruturação bancária resultando no intenso desemprego, terceirização e precarização do trabalho e na intensificação do ritmo de desenvolvimento das atividades. Ainda, segundo a autora, o desemprego foi devido à eliminação e unificação de postos de trabalho, à redução de níveis hierárquicos e à implantação de novas tecnologias. As novas tecnologias, ao passo que automatizaram as agências bancárias, ocasionaram, de acordo com Lombardi (1997), a intensificação do ritmo de trabalho e a elevação das metas de produção, a que, somado ao medo de perder o emprego, foi intensificada a jornada laboral, com excessos de horas extras e salários relativamente baixos. Em estudo apresentado pelo Dieese no site da Agência Brasil, em 1990 havia 732 mil bancários no país, caindo 46,3% até 1999, quando chegou a 393 mil vagas, permanecendo até 2001. De 2002 a 2011, o total de empregos em bancos apresentou um crescimento contínuo, totalizando, no primeiro trimestre de 2012, 508 mil vagas de postos de trabalho, um crescimento de 29,3% ao longo de pouco mais de uma década. 13 O conjunto de modificações da década de 90 juntamente com seus reflexos, com o passar dos anos, aumentaram as exigências sobre o trabalhador, e isso fez o bancário adaptar o seu perfil profissional e adotar uma postura negocial, ou seja, ser um bom vendedor. Os bancos estão demandando por profissionais cada vez mais qualificados, pois a estratégia de vendas desenvolvida é o “cultivo de clientes”, segundo Larangeira (1997). A estratégia implica em alto investimento em capital humano, uma vez que, para firmar a relação entre banco e cliente, deve dispor de atendimento de qualidade e promover a estreita relação cliente-funcionário, visando manter a fidelidade do cliente. A pressão em cumprir metas de venda de produtos como seguros e cartões de crédito, é uma das maiores reclamações dos bancários. Porém, com o avanço da tecnologia, a previsão é de que permaneçam nas agências apenas funcionários qualificados e com perfil negociador, e uma das maneiras de mostrar essas habilidades é atingindo e superando metas, para o que o bom relacionamento entre funcionário e cliente pode contribuir efetivamente. A constante cobrança em alcançar metas coloca o funcionário em elevado nível de stress, que normalmente é acompanhado por diversos outros sintomas, como insônia, irritação, transtornos alimentares, enfim, levando a um caso de depressão e à utilização de medicamentos psicotrópicos para melhorar seu estado psicológico. A sobrecarga de trabalho que preconiza o estresse, a ansiedade, a insônia, e o temor de perder o emprego é uma das causas que desencadeia a depressão, como relatado e vivido por muitos profissionais do setor financeiro, podendo desenvolver doenças ocupacionais prejudiciais ao trabalhador e à organização indiretamente. 1.2 Questão do estudo As metas ousadas resultantes do desejo de elevar a lucratividade fazem o profissional atuante despender um esforço mental e psicológico maior, necessitando algumas vezes ministrar medicamentos e obter auxílio de um profissional da saúde para superar problemas e doenças ocupacionais. 14 A questão do estudo evidencia-se pela necessidade de verificar a qualidade de vida pessoal e profissional do trabalhador bancário frente aos problemas enfrentados no dia a dia, permitindo assim a seguinte proposição de estudo: Os trabalhadores bancários do município de Crissiumal – RS apresentam sintomas de doenças ocupacionais? 1.2.1 Objetivo Geral Identificar se os trabalhadores de três instituições bancárias de Crissiumal – RS apresentam sintomas que possam vir a acometê-los com doenças ocupacionais e descrever as estratégias de enfrentamento utilizadas por estes profissionais. 1.2.2 Objetivos Específicos a) Conhecer o perfil biográfico e profissional dos trabalhadores bancários; b) Identificar a existência ou não de sintomas de doenças ocupacionais nestes trabalhadores; c) Descrever as estratégias de enfrentamento a possíveis sintomas apresentados pelos trabalhadores; d) Comparar e analisar as repostas entre as três instituições financeiras. 1.3 Justificativa A pesquisa é de extrema importância para a acadêmica, formanda em Administração pela Unijuí, pois engloba e instiga o conhecimento sobre uma importante área da administração, a gestão de pessoas, área essa de grande interesse e identificação pela acadêmica. O estudo, claro, utiliza-se de toda a carga de aprendizado obtido pela autora durante o curso, sendo ímpar a sua realização em permitir a busca pelo tema proposto e formalizar a conclusão do curso. 15 A importância do estudo deve-se ao fato de que, na presente cidade, muitas pessoas trabalham em instituições financeiras, e há bastantes outras pessoas próximas, ligadas aos profissionais em questão. O estresse e a depressão afetam profissionais da área, porém estas doenças provocam sintomas e situações que refletem em pessoas envolvidas com tais funcionários, sejam companheiros, familiares, ou os próprios clientes, estendendo os sintomas e desequilíbrios emocionais por várias outras áreas profissionais, desencadeando um círculo vicioso, uma vez que todas as áreas se interligam e relacionam. A realização de um levantamento da existência ou não de doenças ocupacionais em profissionais bancários é de notável relevância por poder planejar e implantar estratégias para modificar o ambiente e proporcionar a realização das atividades de forma saudável, beneficiando os trabalhadores, que vão ter qualidade de vida no trabalho, e também as empresas, que vão ter seus colaboradores ativos, satisfeitos e motivados para exercerem suas funções. A sociedade tem, em seu meio, inúmeros trabalhadores que têm seus empregos no ramo bancário. As doenças ocupacionais afetam várias classes trabalhistas e os bancários estão incluídos. Estas doenças têm sintomas psicológicos e físicos, dificultando a vida do indivíduo e de sua família, além de influenciar outras pessoas, como clientes, colegas, vizinhos... Enfim, deve-se lembrar também que toda a sociedade necessita dos produtos e serviços ofertados pelas instituições financeiras. A comunidade demanda de serviços satisfatórios, que lhe agradem e, sobretudo, com bom atendimento, e para isso é necessário haver nestas instituições trabalhadores saudáveis, entusiasmados em atender e realizar suas atividades, justificando assim esta pesquisa. Para embasar e fundamentar o estudo é inicialmente definido o que são bancos e instituições financeiras, abordando os serviços bancários, para então estudar e assimilar sobre doenças ocupacionais, estratégias de enfrentamento e reflexos no trabalho e na vida pessoal. 16 2. REFERENCIAL TEÓRICO A revisão da literatura e a busca por teorias abrangentes sobre o assunto em questão tem a finalidade de conceituar e fundamentar o estudo e seus diagnósticos, permitindo uma análise conceitual e, mais tarde, possibilitar sugestões concretas. O mesmo está estruturado pelas seguintes partes: banco estatal federal, estatal estadual, e cooperativa de crédito, doenças ocupacionais, estratégias de enfrentamento e reflexos no trabalho e na vida pessoal. 2.1 Bancos: Estatal Federal, Estatal Estadual, e Cooperativa de Crédito Um banco é uma instituição financeira pertencente ao Sistema Financeiro Brasileiro e regulado pelo Banco Central do Brasil. De acordo com a Lei n° 7.492 de 16 de junho de 1986, considera-se instituição financeira a pessoa jurídica de direito público ou privado que tenha como atividade principal ou acessória, cumulativamente ou não, a captação, intermediação ou aplicação de recursos financeiros de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, ou a custódia, emissão, distribuição, negociação, intermediação ou administração de valores mobiliários. Estas instituições podem também administrar seguros, consórcios, capitalização e realizar operações de câmbio. Os bancos têm por objetivo captar recursos monetários das pessoas, aplicando em contas correntes e poupanças, pagando rendimentos ao poupador. Parte do valor captado é cedido a outras pessoas, na forma de financiamentos para aquisição de bens móveis e imóveis, cobrando juros e comissões. A diferença entre o valor pago ao poupador e o valor recebido como juro é o spread bancário, ou seja, a sua forma de obter lucros. Esta é uma característica comum aos bancos, públicos e privados, além das cooperativas que atuam na carteira comercial. Bancos públicos estaduais e bancos estatais são instituições financeiras intrínsecas ao governo tanto federal como estadual. Segundo Lopreato (1995), essas instituições foram criadas como parte integrante do setor público, assim, desempenhando atividades funcionais, promovendo ações e fomentando programas governamentais, seguindo a política em curso. 17 Uma cooperativa de crédito também tem o intuito de promover ações benéficas às pessoas, porém, estimulando a solidariedade, igualdade e prosperidade entre os seus associados, que, ajudando-se mutuamente, desenvolvem a instituição e beneficiam-se dela, (Schimmelfenig, 2010). Os princípios que norteiam uma cooperativa compõem-se de sete itens, que são: Iadesão voluntária e livre; II-participação econômica dos membros; III-gestão democrática pelos membros; IV-autonomia e independência; V-educação, formação e informação; VIintercooperação; VII-interesse pela comunidade. Ademar Schardong, em um artigo publicado pelo site www.cooperativismo.org.br, fala sobre o ano de 2012, que foi declarado pela Organização das Nações Unidas (ONU), como o Ano Internacional das Cooperativas. Segundo Schardong, é a celebração de uma forma diferente de fazer negócios, na qual os associados desfrutam dos resultados gerados de forma coletiva. Neste contexto, o cooperativismo de crédito promove, cada vez mais, o desenvolvimento de comunidades no mundo inteiro, através do fortalecimento da economia local, da democratização do crédito e da desconcentração de renda. Contribui também para a construção de um mundo melhor. As atividades financeiras são divididas em carteiras, como carteira comercial, carteira de investimento e/ou desenvolvimento, de crédito imobiliário, de arrendamento mercantil e de crédito, financiamento e investimento. Os bancos múltiplos são instituições que atuam com mais de uma carteira, dentre elas a comercial, que permite a captação de depósitos à vista. As cooperativas de crédito também podem atuar com a carteira comercial e outras, desenvolvendo atividades muito semelhantes às de um banco. Salienta-se a diferença de bancos e cooperativas, desde gerenciamento, enfoque estratégico, até a parte operacional. O banco trabalha com o objetivo de obter lucro, consequentemente busca atender uma fatia maior da população, buscando de fato maximizar seu resultado e oferecer aos acionistas lucros crescentes. 18 Já uma cooperativa de crédito obviamente também busca o lucro, porém, este é rateado entre seus associados, passando a ser chamado de sobras. As cooperativas atendem o seu associado, em âmbitos regionais, dispondo de um atendimento mais próximo a ale. Schardong (2003) coloca que as cooperativas necessitam ser cada vez mais ágeis e competitivas para contemplar as individualidades e garantir renda. Salienta-se que os aspectos gerenciais tornam-se, então, um fator determinante para possibilitar a concorrência com grandes bancos. A administração precisa ser eficiente para manter a cooperativa rentável numa economia aberta, integrada e altamente concorrencial. Nos bancos, as decisões estratégicas e econômicas são tomadas pela cúpula do Conselho Administrativo, em contraponto, nas cooperativas de crédito as decisões estratégicas são tomadas em conjunto, através de assembleias e comissões formadas pelos seus associados. As operações de crédito realizadas nas cooperativas são personalizadas quanto às condições e prazos, oferecendo soluções adequadas aos associados, que têm acesso às modalidades e taxas iguais para todos. Já nos bancos, as operações de crédito são padronizadas e massificadas, ou seja, de forma que atendam ao público em geral, e as taxas podem variar de acordo com o nível de relacionamento do cliente com a empresa. São visíveis as diferenças entre ambas as instituições. Encontramos os mesmos produtos, porém cada uma com suas metas de acordo com o foco estratégico definido, e os colaboradores desenvolvendo, sob pressão, as atividades delineadas por suas direções. 2.2 Doenças Ocupacionais Doenças ocupacionais são resultantes da exposição do trabalhador aos riscos associados à atividade que exerce. Costa (2009) define-as como moléstias que lenta e progressivamente afetam os indivíduos, originadas de fatores gradativos e duráveis, ligadas às condições de trabalho. 19 Dias e Almeida (2001) afirmam que nem sempre há uma relação equilibrada entre as demandas e as possibilidades do trabalhador em efetuá-las, seja pelas condições desfavoráveis oferecidas no trabalho, seja pelas características incompatíveis do trabalhador em realizar tais demandas. Em consequência a isso, os casos de doenças ocupacionais e seus procedentes afastamentos estão aumentando gradativamente. Os tipos mais comuns de doenças relativas ao trabalho são as lesões por esforço repetitivo (LER) e os distúrbios osteomuscular relacionados ao trabalho (DORT), que apresentam cerca de 30 patologias, entre elas a tendinite (inflamação do tendão) e a tenossivite (inflamação da membrana que envolve os tendões), podendo alterar a estrutura osteomuscular, como tendões, articulações, músculos e nervos. Estes problemas são causados por diversos tipos de pressões existentes no trabalho e afetam pessoas tanto física como psicologicamente. O trabalhador que exerce funções que exijam esforço físico associado à repetitividade de movimentos, após certo tempo, apresenta um rendimento prejudicado pela fadiga muscular e mental, a primeira relativa aos movimentos e postura inadequada (que prejudica o funcionamento do sistema nervoso), e a segunda à necessidade de concentração da atividade. Assim, não apenas a produtividade é afetada, pois, simultaneamente, estão ocorrendo microlesões em tendões, nervos, e, com a continuidade das tarefas, vão se agravando até apresentar um quadro de LER/DORT. De acordo com dados obtidos no Ministério da Previdência Social, foi possível agrupar informações e formar o quadro a seguir. Quadro 1 - LER/DORT por Região, comparado ao País. LER/DORT por Região/País 2010 % 2011 % 2012 % 16.533 100 15.088 100 13.188 100 Brasil 3.214 19,44 2.682 17,78 2.250 17,06 Região Sul Fonte: Ministério da Previdência Social, elaborada pela autora. Analisando o quadro, é possível constatar uma leve queda nos números nos três anos avaliados, porém, observando o percentual de números de casos de LER/DORT na Região Sul em relação ao Brasil, no ano de 2012 são registrados, só na presente região, 17% dos casos. 20 O mercado instiga e valoriza o imediatismo financeiro, e, sobretudo, o retorno rápido, não importando o preço. O custo aplicado na saúde não é atrativo para a organização, uma vez que ela pode rapidamente substituir colaboradores, principalmente em tempo de desemprego (Veloso e Pimenta, 2005). Nas últimas duas décadas, o setor bancário vivenciou uma transformação rápida da tecnologia, implicando inúmeras modificações no processo produtivo. Toda essa mudança expôs os trabalhadores às doenças ocupacionais e acidentes de trabalho. Em conformidade a isso, Oliveira et. al.(1998, apud Silva e Másculo) cita que as transformações no processo de trabalho bancário, provindas da informatização e automação de grande parte das tarefas, promoveram consequências para os trabalhadores, elevando os riscos de doenças ocupacionais, tais como a LER – Lesões por Esforço Repetitivo e o estresse. O enxugamento no número de profissionais bancários e a elevação do lucro coloca o colaborador numa pressão muito alta, tanto de serviço como psicologicamente, propiciando-o a desenvolver doenças ocupacionais. Corroborando com a reflexão, Alexandre (2002) atribui à intensificação da carga de trabalho, traduzida na redução do número de funcionários nas agências bancárias, aumento de horas extras, além da elevada pressão para o cumprimento de metas, como causas para os problemas osteomusculares, desenvolvidos por estes colaboradores. Outra doença ocupacional que afeta muitos trabalhadores é o estresse ocupacional, que deve ser eliminado da estrutura organizacional como fator determinante para elevar a produtividade. Ele pode provocar o absenteísmo de funcionários, turnover, prejuízos com custos de saúde e a queda na produtividade propriamente dita. Um conceito simples e claro para o estresse é o citado por Selye (1965): “Conjunto de reações que um organismo desenvolve ao ser submetido a uma situação que exige esforço de adaptação”. E é denotado tal esforço de adaptação nos ambientes de trabalho dentro das agências, onde a demanda de atendimento cresce, o número de funcionários diminui, e a pressão para atingirem as metas é elevada, transformando em situações hostis para o funcionário lidar. 21 Outro conceito de estresse também apresentado por Selye (1956 apud Kafrouni, 2014) é que na esfera médica, o estresse é a velocidade de uso e desgaste do corpo. Ainda, estresse vem a ser a resposta do corpo a qualquer exigência ou mudança sofrida. Qualquer situação diferente ao vivenciado por uma pessoa pode representar um estresse para tal indivíduo, variando de intensidades, o que é visto como a resposta do corpo para enfrentar tal situação, procurando manter o equilíbrio fisiológico. O problema é resultante da Síndrome Geral de Adaptação (SGA), onde toda mudança de padrão gera um estresse, que varia em níveis de intensidade. Conforme Selye (1959 apud Filgueiras; Hippert, 1999), a SGA é um conjunto de reações e apresenta três fases: a primeira é a fase do alarme, onde são manifestadas reações agudas; a segunda é a da resistência, quando aparentemente as reações cessam, ficando no conformismo; e a terceira é quando se chega à exaustão, quando as ações da primeira fase passam a se manifestam novamente, podendo levar a um colapso no corpo. Ainda segundo o autor, as três fases não necessariamente devem se manifestar para se ter o quadro da síndrome, lembrando que somente o estresse de alta intensidade é que pode levar à fase de exaustão e morte. Em contraponto, Lipp (2001) aponta quatro fases do estresse, apresentando uma fase intermediária entre a resistência e a exaustão, a fase de quase-exaustão. A seguir é apresentado um quadro com as quatro fases do estresse de Lipp (2001), para um melhor entendimento das reações físicas e psicológicas do organismo ao estresse. É importante salientar que uma pessoa pode passar por todas as fases, diferenciando-se uma das outras pela rapidez e pela permanência de cada fase. Quadro 2 - Fases do estresse Fases Alerta Características - Muita adrenalina; Dificuldades - Problemas em dormir; - É o preparo para a luta, para o - Libido em alta; enfrentamento aos estressores; - Musculatura tensa e retesada; - Existe muita motivação, interesse - Humor labial. e produtividade; - O organismo não apresenta sono, fome e nem cansaço. Resistência - Ocorre quando os estressores - Sono volta ao normal; 22 persistem e o organismo tenta - A libido volta ao normal; resistir; - O corpo fica cansado; - Fase de cautela; - Memória começa a falhar; - O organismo demonstra sentir - Demonstração de tédio. cansaço. Quase-Exaustão - Corpo e mente começam a ceder; - Pouco sono; - O organismo já não aguenta mais. - Não existe vida sexual; - Baixa produtividade e criatividade; - Doenças surgem; - A vida perde o brilho; - As pessoas perdem a graça. Exaustão - O organismo adoece, podendo - Pouco sono ou em demasia; aparecer doenças graves como - O indivíduo acorda cansado; úlceras, psoríase, vitiligo, enfartos, - Perda total da libido; entre outras. - Sem condições de produzir; - O corpo está muito cansado e desgastado; - Aparecimento de várias doenças graves. Fonte: Lipp (2001) Para Codo, Soratto e Vasques-Menezes (2004 apud Rego, 2008), apenas a sobrecarga de tarefas não desenvolve o quadro de estresse, mas, ela estando associada à falta de autonomia no cargo, ou seja, delimitando o trabalhador a cumprir exatamente com o que é demandado pelos superiores, pode levar o empregado a sofrer de tal mal. Segundo Cooper, Sloan & Willians (apud Veloso e Pimenta, 2005), os colaboradores com seus valores individuais, ao sofrerem influência de elementos estressores (fontes de pressão), escolhem formas individuais de regular sua situação como mecanismo de combate. A manifestação do estresse (estado de saúde ou satisfação com o trabalho) se dá caso seja escolhida uma estratégia falha de combate. Veloso e Pimenta (2005) complementam ainda que as fontes de pressão que podem contribuir para o quadro de estresse no trabalho são: 23 a) Solução dos problemas dos clientes; b) Problemas com sistemas de informática; c) Cumprir metas, obrigação de vender; d) Excesso de trabalho; e) Inter-relacionamento na organização (vertical-horizontal); f) Falhas no processo de comunicação; g) Excesso de produtos; h) Segurança física, medo de assaltos; i) Valor monetário e a responsabilidade sobre ele; j) Falta de recursos humanos; k) Falta de treinamento; l) Insegurança profissional, instabilidade e medo do desemprego. Segundo Veloso e Pimenta (2005), as fontes de pressão podem ser divididas em cinco grupos que são: fatores intrínsecos ao trabalho, papel na organização, relacionamento interpessoal, carreira/realização e clima/estrutura organizacional. Sobre estas fontes de pressão, Cooper (1983 apud Kafrouni, 2014) aponta ainda um sexto fator que vem a ser a interface lar/trabalho. O autor denota que os sintomas do estresse ocupacional são divididos em sintomas individuais, que são o aumento da pressão arterial, humor deprimido, aumento da ansiedade, irritabilidade, aumento do risco de doenças cardiovasculares; e em sintomas organizacionais, que agrupam o alto absenteísmo, alto “turnover”, baixa autoestima, insegurança e redução da capacidade laboral. Já para Lipp (1984, apud Lipp e Tanganelli, 2002), o estresse se origina de fontes externas e internas. As fontes internas compreendem o jeito de ser da pessoa, o seu tipo de personalidade e a forma como reage às situações da vida. E a forma como o indivíduo interpreta o acontecimento é o que pode torná-lo estressante. As fontes estressoras externas configuram as demandas do dia a dia da pessoa, como os seus problemas familiares, seus compromissos sociais e doenças na família. Até mesmo no âmbito organizacional, se o profissional perde uma posição na empresa, perde uma promoção de cargo ou salarial, passa por dificuldades econômicas, toma conhecimento de notícias ameaçadoras, sofre medo de assalto, enfim, pode desencadear o início do estresse. 24 Segundo Varella (2014), o estresse pode aumentar a pressão arterial, levando à hipertensão. Esta, ao longo do tempo, enrijece a musculatura das artérias do organismo e surge a arteriosclerose, que eleva as chances de desenvolver doenças cardiovasculares. A hipertensão mal tratada pode lesar os rins e desencadear insuficiência renal, afetar a retina, promover a cegueira e prejudicar as artérias periféricas, levando à amputação de membros. A dermatite é uma inflamação crônica da pele caracterizada por lesões avermelhadas e coceira, podendo, algumas vezes, descamar. Um dos fatores que propiciam a ocorrência dessa enfermidade é o estresse emocional. (VARELLA, 2014) De acordo com Varella (2014), outras doenças de cunho físico que podem ser desenvolvidas em decorrência do uso exagerado de medicamentos anti-inflamatórios, utilizados como paliativos para a dor (caso de indivíduos com lesões de LER/DORT) e o estresse percebido pelo trabalhador, são as úlceras estomacais e gastrites. Um dos mais importantes desdobramentos do estresse ocupacional é a denominada Síndrome de Burnout, entendida como uma síndrome caracterizada pelo esgotamento físico, psíquico e mental, em decorrência de trabalho excessivo e estressante. Lipp (2001) a explica como sendo um quadro de estresse crônico, apresentado por profissionais que despendem alto nível de atenção e responsabilidade em tomadas de decisão e demais tarefas de sua competência, além de grande contato com outras pessoas. Em consonância compreende-se Burnout como um estado de extremo esgotamento de energias, advindo da intensa exposição ao estresse ocupacional. Podemos entender Burnout como um estado decorrente de uma tensão crônica gerada a partir do contato direto e excessivo com outras pessoas na situação de trabalho, particularmente quando envolve atividade de cuidado. Uma síndrome por meio da qual o trabalhador perde o sentido da sua relação com o trabalho, de forma que este já não importa da mesma maneira que antes, e qualquer esforço lhe parece ser inútil. Esta síndrome afeta, principalmente, profissionais da área de serviços quando em contato direto com seus usuários. (VASQUES-MENEZES, 2005 apud REGO, 2008) 25 Varella (2014) complementa que os principais sintomas manifestados por indivíduos com síndrome de burnout são o esgotamento físico e mental, que refletem em ausências no trabalho, provocam irritação, isolamento, mudanças repentinas de humor, falha na memória, ansiedade, depressão, pessimismo e baixa autoestima. Contribuindo com o estudo, Codo e Vasques-Menezes (2000) diferem a síndrome de burnout do estresse genérico, pois o primeiro apresenta sentimentos de fracasso, além de exaustão emocional, como sentimentos de fadiga, despersonalização, ações duras e distanciamento das pessoas clientes, e baixa da realização pessoal, que é acompanhada do sentimento de incompetência e insatisfação no trabalho. Colaborando com o raciocínio, Lima (2004) coloca que o estresse é caracterizado pelo excesso de compromisso, as pessoas sentem-se cansadas, com as emoções exacerbadas e com pouca energia. Já os indivíduos que sofrem de burnout caracterizam-se pelo descompromisso, sentem-se esgotados, e resguardam seus sentimentos, além de perder a esperança. Outro quadro psiquiátrico que vem na linha do estresse e da síndrome de burnout é a depressão. Varella (2014) aponta que depressão não é tristeza, e sim uma doença que necessita de tratamento. Se não houver um tratamento correto e suficiente, pode levar vários meses para desaparecer, ou ainda, progredir para níveis mais altos. Depressão é também uma doença recorrente. Apresenta-se como uma doença potencialmente grave que pode vir ou não acompanhada do sentimento de tristeza. Instala-se um humor depressivo, com incapacidade de sentir prazer em atividades habitualmente agradáveis, provocando sintomas como desânimo e falta de interesse por qualquer atividade, interfere com o sono, com a vontade de comer, com a vida sexual, com o trabalho, e pode levar ao suicídio. 2.3 Estratégias de Enfrentamento Segundo Lipp e Tanganelli (2002), as intervenções focadas no indivíduo têm como propósito reduzir as consequências de riscos do estresse ocupacional já existente e são estratégias de enfrentamento individuais. 26 Estratégia de enfrentamento é caracterizada por Limongi-França e Rodrigues (2005) como “conjunto de esforços que uma pessoa desenvolve para manejar ou lidar com as solicitações externas ou internas, que são avaliadas por ela como excessivas ou acima de suas possibilidades”. Não necessariamente essas ações são conscientes, uma vez que o profissional pode simplesmente reagir de alguma forma quando colocado em situação estressante. É necessário analisar não só o agente estressor e a sua respectiva resposta, mas também a forma como a pessoa avalia e enfrenta este fator, levando em conta as características individuais e o ambiente no qual a pessoa está. As intervenções focadas na organização visam alterar os estímulos estressores de tal ambiente, podendo modificar a estrutura organizacional, as condições de trabalho e as relações interpessoais no ambiente de trabalho. Já as intervenções direcionadas ao indivíduo objetivam amenizar os impactos de riscos já existentes, desenvolvendo um repertório eficiente de estratégias de enfrentamento individuais (LIPP, TANGANELLI, 2002). Luersen (2009) menciona formas para solucionar os problemas de doenças ocupacionais, implantando, nas organizações bancárias, políticas efetivas de prevenção a doenças ocupacionais que possam acometer a saúde física e mental dos trabalhadores, incorporando ações de correção e fiscalização, induzindo todos a prevenir acidentes e doenças relacionadas ao trabalho, e reorganizar as agências de modo geral, podendo assim diminuir as afecções e consequências que implicam no afastamento do colaborador. Um mecanismo natural de defesa envolve os mecanismos psicológicos, e Silva (1992) complementa sobre: Nos processos mentais humanos têm sido estudados diferentes mecanismos de defesa, valendo destacar negação, a auto-repressão, a racionalização, diferentes formas de fuga ou evitação, o deslocamento e a idealização. Considera-se que prejuízos importantes para a saúde mental podem advir do uso constante e exacerbado destes mecanismos. Por outro lado, eles fazem parte da vida mental, sendo importantes na autoproteção contra o mal-estar psíquico. A sublimação é reconhecida como um mecanismo de elevada importância na preservação da saúde mental, sendo que esta mesma sublimação se associa, fundamentalmente, ao exercício de atividades laborais significativas. 27 Compreende-se, então, que o processo de autodefesa mental é importante no início do processo de instalação do estresse e demais doenças ocupacionais, pois auxilia no enfrentamento e na aceitação de situações estressantes que expõe o trabalhador a essas causalidades. No entanto, a prática da autodefesa não deve ser prolongada se os sintomas de tais doenças persistirem, podendo piorar o quadro de saúde ao invés de melhorá-lo, devendo o trabalhador procurar auxílio com profissionais adequados e adotar o uso de práticas que possam auxiliar no enfrentamento. O enfrentamento do estresse apresenta uma enorme gama de estratégias que podem ser utilizadas pelos trabalhadores para lidar com situações ameaçadoras, fazendo a pessoa aprender a relacionar-se melhor com o estresse e a restringir o excesso dele, para não prejudicar sua saúde, trabalho e vida pessoal. Segundo Nieman (2003, apud Kafrouni, 2014), uma das formas de enfrentar o estresse e otimizar o estado mental dos trabalhadores é a prática regular de exercícios físicos que promovam a redução da depressão, ansiedade e estresse, melhorando o bem-estar psicológico e elevando a disposição para o dia a dia. A ginástica laboral é um programa fisioterápico que tem como intuito aliviar a tensão provocada pelas atividades repetitivas dos trabalhadores. Estes exercícios podem ser praticados antes, durante ou depois do horário de expediente, buscando benefícios pessoais no trabalho, pois são atividades de integração que proporcionam melhorar a relação de coleguismo entre os funcionários. A qualidade de vida é promovida através desta ação, prevenindo o sedentarismo, aumentando a autoestima do trabalhador e estimulando a sua confiança em si mesmo e na sua competência profissional. Outra estratégia de enfrentamento é o próprio tratamento das doenças ocupacionais, tanto as de caráter físico, que são as LER/DORT, alergias, gastrites, etc., quanto as de caráter psicológico, que podem ser estresse, depressão, transtornos alimentares e mentais, distúrbios de sono e outros. 28 Os tratamentos de LER/DORT precisam, primeiramente, de um diagnóstico clínico realizado através de exames avaliativos e relatos do trabalhador doente, para então passar ao tratamento, que pode envolver o uso de medicamentos e terapias física e mental. Estas devem ser acompanhadas pelo terapeuta ocupacional, pela ação de correção postural e pela avaliação e mudança dos movimentos físicos/reorganização das atividades, que pode incluir a mudança de função do trabalhador dentro da própria agência. Há também o tratamento fitoterápico, que tem por objetivo reduzir a dor e a inflamação, porém o que normalmente apresenta um melhor resultado é o uso de antiinflamatórios e analgésicos, agregados às terapias como acupuntura, yoga e pilates, que proporcionam o alívio de dores momentâneas. Michel (2000) acrescenta: Os medicamentos analgésicos e anti-inflamatórios são eficazes para o combate da dor aguda e inflamação. Isoladamente, não são eficazes para combate da dor crônica. Neste caso, é necessária associação dos psicotrópicos (antidepressivos tricíclicos e fenotiazínicos) que proporcionam efeito analgésico e ansiolítico, estabilizam o humor e promovem alterações na simbologia da dor. Limongi-França e Rodrigues (2005; 1999) sugerem, como forma de prevenir as doenças ocupacionais, modificar regularmente as tarefas no trabalho, procurando evitar ao máximo a monotonia, reduzir o excesso das exaustivas jornadas de trabalho, valorizar a qualidade nas relações sociais, dar condições físicas no trabalho e investir no aprimoramento profissional e pessoal. Ainda indicam utilizar técnicas de relaxamento, praticar exercícios físicos regulares, garantir uma alimentação balanceada e horas de sono apropriado a cada indivíduo, buscar psicoterapia que promova o autoconhecimento e organizar o tempo livre para atividades de lazer que sejam prazerosas. 2.4 Reflexos no trabalho e na vida pessoal Rocha e Glima (2000 apud Silva 2010) apontam malefícios nos órgãos sexuais, como perda de libido e frigidez, também podendo constituir quadros de osteoporose, obesidade, 29 diabete mellitus, podendo também desenvolver câncer, que é a representação da imunidade baixa, compreendendo que o estresse altera negativamente a vida pessoal. Pode-se destacá-los em quatro grupos de atuação: prejuízo da relação consigo e com outros; tensão física e psicológica; queda da capacidade intelectual e perturbações do sono, induzindo à fadiga. Além dos sintomas já mencionados, o estresse pode desencadear outras doenças epidemiológicas que interferem na qualidade de vida do trabalhador. (LIPP e GUEVARA, 2004) Segundo Robbins (2002), os sintomas do estresse ocupacional podem ser divididos em três categorias que são fisiológica, comportamental e psicológica. A fisiológica são as alterações no metabolismo do corpo, como gastrites, psoríases. A comportamental trata das mudanças no comportamento propriamente dito, como alterações na produtividade, absenteísmo no trabalho, turnover, utilização de tabaco e elevado consumo de álcool, como formas de fugir do problema, além da fala rápida. A área psicológica é afetada no que diz respeito à insatisfação no trabalho, tensão, ansiedade, tédio e retardação de atividades. O estresse ocupacional deixa o profissional apático, lento, sem ânimo, trazendo o sentimento de ter um trabalho sem sentido, com insucesso. Para Silva (2010): Nesse sentido, pode-se entender como as principais síndromes e doenças associadas e/ou provocadas pelo stress ocupacional as somatizações, fadiga, distúrbios do sono, depressão, síndrome do pânico, síndrome de Burnout, síndrome residual póstraumática, quadros neuróticos pós-traumáticos, síndromes paranóides, além de alguns distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho (DORT) ou lesões por esforço repetitivo (LER), transtornos psicossomáticos, síndromes de insensibilidade, alcoolismo, uso de outras drogas ilícitas e outros. O colaborador percebe a sua autoestima baixa, refletindo nos relacionamentos com outras pessoas, além de agravar a depressão e alterar os hábitos alimentares. Couto (1987, apud Lipp; Tanganelli, 2002) afirma que o estresse ocupacional intervém na maneira como o indivíduo age nas diversas áreas da sua vida, influenciando na 30 sua qualidade de vida. Assim, no aspecto familiar pode haver desarmonias e falta de apoio, se a pessoa dedicar pouco tempo à família e designar maior tempo para o trabalho. Da mesma forma, na área social, a falta de apoio por parte de amigos e colegas provoca o isolamento e problemas de relacionamentos sociais. No âmbito organizacional, a presença de um colaborador estressado pode incidir na decorrência de atividades ineficientes, comunicação deficitária, desorganização, insatisfação, além de provocar nervosismo e estresse nos demais colegas. A saúde psíquica provém de uma interface harmoniosa entre o indivíduo, o trabalho e a organização (Dejours, 1999). As relações sócio-profissionais dependem da sua qualidade, da capacidade para resistir e do risco de adoecer, onde é possível compreender que a organização de trabalho é o principal fator de desequilíbrio da saúde mental dos trabalhadores. A saúde psíquica é resultante da busca pelo prazer e da negação ao sofrimento, porém o autor complementa que o sofrimento não é patológico e sim um sinal de alerta para evitar o adoecimento. Limongi-França e Rodrigues (1999) apontam que a qualidade de vida no trabalho é uma percepção comprometida das condições de vida no trabalho, abrangendo o bem-estar, garantia de saúde e segurança física, mental e social e treinamentos para realizar as funções com êxito e bom uso da energia pessoal. 31 3. METODOLOGIA A metodologia, o tema e o caminho propostos, deve ser bem delineada e coerente, possibilitando obter o êxito no desenvolvimento do trabalho. Este capítulo aborda os aspectos da classificação da pesquisa, universo amostral e sujeitos da pesquisa, coleta de dados, análise e interpretação dos dados. 3.1 Classificação da Pesquisa A classificação da pesquisa é estruturada pelas características que apresenta em relação à natureza, à abordagem, aos objetivos e aos procedimentos técnicos. A base teórica adotada aqui é originária da obra de Zamberlan et al. (2014). Quanto à natureza, a pesquisa consiste em uma pesquisa aplicada, que intui a adquirir conhecimentos para aplicação prática em soluções de determinados problemas da realidade, envolvendo verdades e interesses locais. Zamberlan et al. (2014) esclarece que a pesquisa aplicada refere-se a debater problemas, apresentando um referencial teórico de determinada área de saber, e indicar soluções alternativas. Com isso, o presente estudo pretende identificar se há ou não doenças ocupacionais em profissionais bancários em três instituições financeiras. Quanto à forma de abordagem, a pesquisa caracteriza-se como quanti-qualitativa, onde a abordagem quantitativa fez referência a tornar tudo quantificável, como opiniões e informações para classificar e analisar os dados coletados. Zamberlan et al. (2014) explica que: Estes métodos são utilizados na descrição dos fenômenos (estrutura e composição) e em sua explicação, pois servem para investigar as relações de causa e efeito (cadeia causal) tanto em fenômenos quanto entre as variáveis selecionadas e também para esclarecer as influências destas variáveis às demais. Já por ter uma abordagem qualitativa, a coleta de dados foi realizada diretamente no ambiente natural, e segundo Zamberlan et al. (2014), o pesquisador é o instrumento-chave, sendo também descritiva, pois os pesquisadores analisam seus dados indutivamente. O estudo visa a conhecer as características de perfil biográfico e profissional dos trabalhadores 32 bancários de três instituições financeiras, além de identificar as suas opiniões e sentimentos quanto à sua saúde ocupacional, induzindo a conhecer a existência ou não de sintomas de doenças ocupacionais, através da aplicação de um questionário abordando as variáveis em análise. Quanto aos objetivos, o estudo é de cunho exploratório e descritivo, justificando-se em exploratório por não haver informações sobre o tema em questão e onde se busca maior familiaridade com o problema. Também justifica-se em ser descritivo pois serão explanadas e descritas as características da população estudada. (ZAMBERLAN et al. 2014) Quanto aos procedimentos técnicos, a pesquisa consiste em pesquisa bibliográfica, documental, de levantamento, de campo e estudos multicasos. É uma pesquisa bibliográfica porque, como conceitua Lakatos; Marconi (2002, apud Zamberlan et al. 2014), fundamenta-se pelo referencial teórico já publicado acerca dos assuntos abordados pela pesquisa. Documental, Gil (2002, apud Zamberlan et al. 2014) pois esclarece como sendo um procedimento técnico que utiliza documentos e/ou materiais que ainda não foram analisados, mas que não deixam de ter seu valor científico, onde no estudo serão analisados os questionários respondidos pelos trabalhadores bancários de um banco federal, um banco estadual e uma cooperativa de crédito. De levantamento porque o investigador interroga diretamente as pessoas sobre determinado assunto, como é apresentado por Zamberlan et al. (2014), através do questionário aplicado aos profissionais estudados. Ainda, segundo Gil (2002, apud Zamberlan et al. 2014), em seguida analisa-se quantitativamente e obtêm-se as conclusões. De campo por ser uma pesquisa desenvolvida dentro do ambiente onde ocorre o fenômeno, problema em estudo, conforme é explicado por Zamberlan et al. (2014). Caracteriza-se como um estudo multicaso, porque, segundo Bogdan e Biklen (1994 apud Araldi 2003), esse método se configura pelo estudo de dois ou mais casos, possibilitando aprofundar e observar detalhadamente um acontecimento específico num contexto ou indivíduo. Este estudo investigou e analisou o problema em três instituições financeiras, reconhecendo a existência ou não de sintomas de doenças ocupacionais em seus colaboradores. 33 3.2 Sujeitos da Pesquisa e Universo Amostral O município de Crissiumal – RS dispõe de cinco organizações financeiras, porém para a realização deste estudo foram selecionadas três destas organizações, que são: uma estatal federal, uma estatal estadual e uma cooperativa de crédito, esta última apresenta duas unidades de atendimento. O universo amostral e os sujeitos da pesquisa foram a totalidade de colaboradores destas instituições, compreendendo, assim, sete colaboradores da instituição estatal, sendo que retornaram os sete questionários respondidos, dez colaboradores da instituição estadual, porém retornaram apenas nove questionários respondidos, e 26 colaboradores da instituição cooperativa de crédito, sendo que retornaram apenas 25 questionários respondidos, totalizando assim 41 questionários respondidos. A pesquisa apresentou duas abstenções. 3.3 Coleta de Dados A coleta de dados foi obtida através da aplicação de um questionário onde foram abordadas questões que identificaram o perfil biográfico e profissional dos trabalhadores, denotando também a ocorrência ou não de sintomas de doenças ocupacionais, bem como as estratégias de enfrentamento utilizadas ou não por eles. Possibilitou atingir o objetivo do presente estudo, que é o de apontar a ocorrência ou não de sintomas de doenças ocupacionais em profissionais bancários de três instituições financeiras de Crissiumal – RS. Os itens de estudo, que formaram o questionário apresentado no apêndice A deste trabalho, foram agrupados em: Perfil Biográfico; Perfil Profissional e Sobre a sua Saúde. Nas questões a serem respondidas sobre a saúde do entrevistado, para cada uma o respondente teve de assinalar a intensidade com que sentiu cada sentença, dentre as opções que variavam de: nenhuma frequência a muita frequência. A coleta de dados ocorreu entre os dias 19 e 27 de agosto de 2014, com os questionários sendo entregues pela pesquisadora a cada um deles, explanando o assunto abordado e clarificando que não teria nenhuma forma de identificação e nem exposição do trabalhador a organização empregadora. 34 3.4 Análise e Interpretação de Dados Os questionários, depois de aplicados e coletados, foram tratados e analisados utilizando para isso o software Excel para elaboração de gráficos que permitam, visualmente, melhor analisar as respostas e compará-las entre as três instituições. O processo de análise e tabulação de dados compreendeu a seleção, categorização e tabulação dos dados coletados. Em poder destes dados, após aplicação instrumental, procedeu-se uma análise e interpretação dos mesmos para posterior transcrição de resultados. Para análise foram constatadas as variáveis estabelecidas para a pesquisa, levando em conta o perfil dos trabalhadores bancários de Crissiumal-RS, a identificação de sintomas de doenças ocupacionais, tanto físico como mentais, e tomado conhecimento de estratégias de enfrentamento utilizadas por cada um, comparando cada variável ao tipo de instituição financeira estudada. Concomitantemente foi realizada uma relação entre os dados coletados com o referencial teórico, na intenção de fundamentar a pesquisa e seus resultados. 35 4. APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS 4.1 Caracterização do Setor Bancário de Crissiumal - RS O setor, de modo geral, foi amplamente reestruturado em seu modelo de trabalho entre os anos 1990 e 2000, onde reduziram-se os postos de trabalho e passou a ser exigido o mesmo desempenho daqueles que continuaram nas instituições financeiras. Desde 2000 para cá, houve uma restauração dos postos de trabalho, o número de vagas cresceu continuamente na última década, mas muito se deve ao fato de os bancos terem se expandido em larga escala, ou seja, abertura de novas agências, e pela demanda dos clientes que chegam às agências e deparam-se com poucos funcionários para atender. Com a moeda estabilizada, as instituições financeiras passaram a procurar outras formas de obter a lucratividade, e então adotaram a redução de custos e a busca incessante de rendimentos, o que tem refletido em condições de trabalho piores, e uma elevada carga de pressão sobre os profissionais bancários, que passaram a viver sob tensão, carga exaustiva de trabalho e constante sensação de insegurança que permeia o ambiente de trabalho. Esses fatores podem desencadear doenças ocupacionais que prejudicam o colaborador e a sua produtividade. Os trabalhadores estudados exercem suas atividades em instituições financeiras da cidade de Crissiumal – RS, onde são encontradas as seguintes organizações: um banco estatal federal, um estatal estadual, e uma cooperativa de crédito. 4.2 Caracterização das Instituições Financeiras Estudadas 4.2.1 Instituição Financeira Cooperativa de Crissiumal A primeira organização estudada é uma instituição financeira cooperativa, existente desde 1902, com 112 anos de atividades, e presente em 10 estados brasileiros, contando com mais de 1.100 pontos de atendimento. Tem seus negócios focados no crescimento de seus 36 associados. Diferentemente dos outros bancos, a cooperativa não tem clientes, e sim sócios, que passam a serem seus donos. A direção é delineada pelos seus diretores e executivos qualificados para exercerem suas funções, porém, os associados podem colaborar na gestão através de seu voto e representação por parte de uma pessoa de sua comunidade. A Cooperativa de Crédito oferece mais de 100 produtos e serviços financeiros, dentre eles investimentos, seguros, consórcios, concessão de crédito, cartões de crédito. O associado ainda usufrui de opções de atendimento além do convencional, através da internet, agentes credenciados e caixas eletrônicos. Em Crissiumal, a Cooperativa de Crédito atua em duas unidades, uma com foco no público rural e aposentados, e outra com foco no público urbano e empresarial. Apresenta um quadro funcional com 26 colaboradores efetivados, tendo 13 pessoas em cada unidade, alocados em cargos de caixa, retaguarda, atendimento, gerência e subgerências. Destes 26 colaboradores, apenas 25 responderam ao questionário. 4.2.2 Instituição Financeira Estatal Estadual A segunda instituição financeira é uma instituição financeira estadual, presente no Estado há 86 anos, apresentando-se como Sociedade de Economia Mista, sob a forma de Sociedade Anônima, com foco de atuação na região Sul do Brasil, atendendo pessoas físicas e jurídicas, de micro, pequeno, médio e grande porte, empregando quase 12 mil colaboradores. Seus produtos e serviços financeiros disponibilizados são seguros, consórcios, previdência privada, cartões de crédito, financiamentos imobiliário e rural. Conta com 485 agências de atendimento, além de caixas eletrônicos, correspondentes bancários e internet. A agência de Crissiumal conta com dez funcionários efetivos, distribuídos em cargos de atendimento, caixa, gerência e subgerência. Destes dez funcionários, apenas 9 responderam ao questionário aplicado. 37 4.2.3 Instituição Financeira Estatal Federal A terceira instituição financeira é uma organização pública estatal federal, onde parte de seu capital é privado e parte dele confere à União. Esta empresa foi o primeiro banco a operar no país, sendo hoje, a maior instituição financeira do Brasil. É uma organização com mais de 200 anos de atividades, com sólida função social, uma vez que é agente financeiro do Governo, conquistando valores de confiança, segurança, modernidade e credibilidade entre seus clientes. Está presente em todo o Brasil, dispondo de 18 mil postos de atendimento, além de meios alternativos, como internet, correspondentes bancários e caixas eletrônicos, emprega mais de 109 mil colaboradores. Oferece uma extensa gama de produtos e serviços, compreendendo principalmente os negócios voltados à agricultura e pecuária, além de serviços tradicionais de demais instituições financeiras. A unidade de Crissiumal dispõe de sete colaboradores em seu quadro funcional, distribuídos em cargos de caixa, atendimento, gerência e subgerência. Na presente instituição obtivemos a totalidade de questionários respondidos. 4.3 Perfil Biográfico dos Trabalhadores Bancários Com base nos resultados obtidos nas três instituições pode-se observar a predominância de colaboradores do sexo masculino em ambas as organizações. É saliente o domínio da geração X, ou seja, pessoas entre 35 e 54 anos nas instituições públicas, tanto federal como estadual, onde os funcionários são concursados. Já na cooperativa é predominante a faixa etária de 24 a 34 anos, compreendendo a geração Y, onde os colaboradores são contratados com base em provas e entrevistas de aptidão. Nota-se a prevalência de funcionários casados nas três organizações, seguido de pessoas solteiras. 38 Sobre a escolaridade, os trabalhadores das duas instituições públicas cursaram até o ensino superior, concluindo-o. Já na cooperativa de crédito é acentuado o número de profissionais que ainda estão cursando o ensino superior, o que é aceitável, uma vez que o público é formado principalmente por jovens. Porém outro número que chama a atenção é que possui o segundo maior número de funcionários com pós-graduação completa, lembrando que são pessoas jovens, em sua maioria com menos de 34 anos, remetendo à ideia de trabalhadores com formação elevada e em constante renovação. Conforme a pesquisa, grande parte dos trabalhadores da cooperativa permanecem estudando, ao contrário das organizações públicas, cuja maioria de seus colaboradores concluíram seus estudos e pararam. Vale ressaltar que dois trabalhadores da organização estadual cursaram apenas o ensino médio, lembrando que é uma organização onde prevalece o número de funcionários acima dos 35 anos. Esta instituição também apresentou dois trabalhadores que não estão continuando com seus estudos, marcando uma parcela desta instituição como trabalhadores estagnados no tempo, acomodados com a situação, podendo levar a compreender que há desmotivação e esgotamento. Uma reflexão importante de ser comentada é a evidência de a cooperativa de crédito ter em sua grande maioria um quadro funcional jovem, da faixa de 24 a 34 anos, caracterizado por pessoas ativas, com vivacidade e ambição. Em contrapartida, as instituições estadual e federal são salientes a maioria de seu quadro funcional ser formado por pessoas da faixa de 35 a 54 anos, compreendendo um perfil clássico, centrado, com maior experiência e comedido. Encontramos uma coincidência entre as três instituições no que se refere a filhos, a maioria de seus funcionários ainda não têm filhos. Entre os profissionais que têm filhos, prevalecem os números de um filho, dois filhos e um filho, para a cooperativa de crédito, banco estadual e banco federal, respectivamente. Outro fator avaliado no estudo é se o entrevistado reside em Crissiumal, ou se reside em outra cidade, fator esse que pode exercer influência na incidência ou não de sintomas de doenças ocupacionais. De acordo com o levantamento realizado, a grande maioria dos colaboradores das três instituições financeiras reside na cidade, sendo apontada a cidade de Horizontina para dois dos casos e um preferiu não responder. 39 A seguir são dispostos estes índices em um quadro para melhor compreensão. Quadro 3 - Perfil biográfico dos trabalhadores estudados Cooperativa de Estatal Crédito Estadual Estatal Federal Sexo Masculino 16 7 6 Feminino 8 2 1 Geração Z – de 16 a 23 anos 3 1 2 Geração Y – de 24 a 34 anos 18 2 1 Geração X – de 35 a 54 anos 4 6 4 Solteiro 8 1 3 Casado 10 6 3 União Estável 7 2 1 Ens. Médio Completo - 2 - Curso Superior Completo 3 4 5 Curso Superior em Andamento 11 1 1 Pós Graduação Completa 8 1 1 Pós Graduação em Andamento 3 1 - Não 4 7 4 Sim 21 2 3 Não 15 5 4 Sim 10 4 3 Idade Estado Civil Escolaridade Permanece Estudando Tem Filhos 40 Quantos filhos têm 1 filho 7 1 2 2 filhos 3 3 - 4 filhos - - 1 Não 1 3 - Sim 24 6 7 Reside em Crissiumal Fonte: Dados da pesquisa, elaborado pela autora. 4.4 Perfil Profissional dos Trabalhadores Bancários Esta etapa serve para elucidar-nos sobre as características profissionais dos trabalhadores entrevistados. 9 8 7 6 5 4 3 2 1 0 8 7 Menos de 1 ano 6 5 De 1 a 3 anos De 4 a 7 anos 3 2 2 1 1 1 2 1 2 De 8 a 10 anos De 10 a 12 anos Mais de 12 anos Cooperativa de Crédito Estadual Estatal Gráfico 1 – Tempo de trabalho na instituição financeira Fonte: Dados da pesquisa O gráfico 1 apresenta a divisão dos participantes por instituição financeira em relação à variável tempo de trabalho na instituição. Dos colaboradores da Cooperativa de Crédito que responderam, oito pessoas estão de 4 a 7 anos, seguidas de sete pessoas que estão de 1 a 3 anos e de seis pessoas que estão a mais de 12 anos na organização. Na Instituição Estadual 41 cinco pessoas já atuam na empresa a mais de 12 anos e na Instituição Federal duas pessoas estão a menos de um ano, duas pessoas de 8 a 10 anos e duas pessoas a mais de 12 anos. 12 10 10 Caixa 8 Escriturário/Atendente 6 6 5 4 Área de Negócios 3 2 3 2 2 2 Área Administrativa 2 1 1 1 1 1 1 0 Cooperativa de Crédito Estadual Estatal Sub-Gerente Gerente Geral Gráfico 2 – Função exercida no momento Fonte: Dados da pesquisa O gráfico 2 expõe a função que o trabalhador exerce no momento em cada organização, sendo que os valores mais significativos foram na Cooperativa de Crédito onde dez colaboradores atuam na área de negócios, onde se enquadram as funções de gerente de negócios pessoa física ou jurídica e assistente de negócios. Na Instituição Estadual cinco pessoas estão como escriturários/atendentes, podendo ter funções de auxiliar administrativo, atendente geral e assistente de atendimento. Semelhante à Instituição Federal que tem três pessoas como escriturários/atendentes. 42 9 8 8 8 7 6 Menos de 1 ano 5 De 1 a 3 anos 5 4 4 De 4 a 7 anos 3 3 2 2 2 2 2 De 8 a 10 anos 2 1 1 De 10 a 12 anos 1 1 Mais de 12 anos 0 Cooperativa de Crédito Estadual Estatal Gráfico 3 – Tempo de trabalho na presente função Fonte: Dados da pesquisa O próximo fator avaliado e apresentado no gráfico 3 indica o tempo que cada colaborador trabalha no cargo atual. Como valores perceptíveis, na Cooperativa de Crédito oito pessoas exercem a mesma função de 1 a 3 anos e oito pessoas de 4 a 7 anos. Na Instituição Estadual quatro pessoas já estão a mais de 12 anos na mesma função. 8 7 7 7 6 5 Menos de 1 ano 4 4 3 De 1 a 3 anos 4 3 2 3 2 2 De 4 a 7 anos 3 De 8 a 10 anos 2 2 1 1 1 De 10 a 12 anos Mais de 12 anos 0 Cooperativa de Crédito Estadual Estatal Gráfico 4 – Tempo de trabalho na unidade de Crissiumal Fonte: Dados da pesquisa Questionados sobre há quanto tempo trabalham na unidade de Crissiumal, a Cooperativa de Crédito aponta 14 de seus colaboradores que estão de 1 a 7 anos na unidade, 43 na Instituição Estatal Estadual constatamos que os mesmos quatro funcionários que atuam a mais de 12 anos no mesmo cargo também estão esse mesmo período realizando estas atividades na unidade de Crissiumal. Na Instituição Estatal Federal a maioria de seus colaboradores são novos na unidade, tendo cinco pessoas com menos de 1 ano a até 3 anos, e apenas dois funcionários que estão de 8 a mais de 12 anos, conforme mostra o gráfico 4 anteriormente. 30 25 25 20 15 6 horas 10 8 horas 7 4 5 2 3 0 Cooperativa de Crédito Estadual Estatal Gráfico 5 – Carga horária trabalhada diariamente Fonte: Dados da pesquisa Analisando a carga horária diária exercida por cada colaborador em suas organizações, percebemos que a Cooperativa de Crédito tem a sua totalidade de funcionários trabalhando 8 horas por dia. Isso é explicado por ter seu regime de trabalho para todos os cargos estabelecido em 160 horas mensais, representando 8 horas diárias de trabalho. A Instituição Estadual tem sete de seus funcionários trabalhando 6 horas por dia, e duas pessoas trabalhando 8 horas por dia; um respondente preferiu abster-se nessa questão. Já na Instituição Federal quatro colaboradores trabalham 6 horas diárias e três funcionários trabalham 8 horas por dia, sendo possível identificar que estes são os cargos de gerência e subgerência, conforme é apresentado no gráfico 5 acima. 44 16 15 14 12 10 10 9 8 Não 6 4 4 Sim 3 2 0 Cooperativa de Crédito Estadual Estatal Gráfico 6 – Realização de horas extras Fonte: Dados da pesquisa No gráfico 6, os participantes tiveram que responder se realizam horas extras ou não. Na Cooperativa de Crédito 15 pessoas disseram que não e dez que realizam horas extras. Na Instituição Estatal Estadual nove colaboradores responderam negativamente e uma pessoa não respondeu. Já na Instituição Estatal Federal três funcionários afirmaram não fazer hora extra e quatro funcionários que sim. Dos que responderam positivamente, surgiram respostas como de 1 a 2 horas diárias, e 1 a 40 horas mensais, sendo relatado, em alguns questionários, que as horas extras podem ser compensadas de um mês para outro. 4.5 Sintomas de Doenças Ocupacionais Agora vamos tomar conhecimento da existência ou não de sintomas que possam vir a acometer os trabalhadores bancários das três instituições financeiras em estudo, com doenças ocupacionais, bem como, as estratégias de enfrentamento que utilizam. 45 Os participantes foram questionados se as demandas da vida pessoal interferem nas atividades de trabalho, e demonstraram que, em alguns momentos, certas situações podem sim interferir na produção do trabalho, conforme aponta o gráfico 7 a seguir. 19 20 18 16 14 12 Nunca 10 8 6 6 6 6 Às Vezes Sempre 4 2 2 1 1 0 Cooperativa de Crédito Estadual Estatal Gráfico 7 – Interferência das demandas da vida pessoal nas atividades de trabalho Fonte: Dados da pesquisa Conforme visualizamos, mais da metade dos trabalhadores das três instituições financeiras afirmam sofrer intervenções de aspectos ligados a sua vida pessoal, como familiares, amigos e compromissos sociais. Interferências estas que lhes tiram a atenção, tomam seu tempo e consomem sua concentração, refletindo em chances de causar acidentes no trabalho, ou simplesmente gerar erros nas atividades desempenhadas. O estresse como citado no referencial teórico, pode ter sua fonte nos fatores externos, que são as exigências do dia a dia impostas ao trabalhador, traduzidas em problemas familiares, sociais, de trabalho, doenças de um filho, perda de uma posição na organização, perda de uma promoção de cargo ou salarial, dificuldades econômicas, notícias ameaçadoras, medo de assaltos. (LIPP, 1984, apud LIPP e TANGANELLI, 2002). Como vemos, estes trabalhadores em estudo estão propícios a tornarem-se indivíduos estressados, uma vez que as demandas da vida pessoal podem transformar-se em fontes estressoras, acometendo o indivíduo a desenvolver quadros de estresse, e elevando mais tarde ao estresse crônico, referenciado pela síndrome de burnout. (LIPP, 2001) 46 O gráfico 8 a seguir apresenta a média dos sintomas psicológicos por instituição financeira. As questões que formam esta média foram os itens 1 a 14 da tabela de sintomas. Os entrevistados tiveram que responder para cada sentença a frequência com que ela ocorria, dentre nunca, raramente, às vezes, frequentemente e sempre. Neste gráfico percebemos uma ocorrência média de sintomas psicológicos nos trabalhadores da instituição estadual e bem menor nos trabalhadores da cooperativa de crédito e da instituição federal. Constata-se então uma pressão psicológica um pouco maior em uma instituição estadual em comparação às demais. 3,5 3 3 2 2,5 2 2 2 1,5 Média Sintomas Psicológicos 1 0,5 0 Cooperativa Estadual de Crédito Estatal Média Geral 2= Raramente 3= Às Vezes Gráfico 8 – Média dos sintomas psicológicos de doenças ocupacionais por instituição financeira Fonte: Dados da pesquisa Relacionando cada sintoma à doença que desenvolve, temos: indisposição, desânimo e abatimento, esgotamento, sensação de perda das forças físicas, depressão, insatisfação, isolamento no trabalho, falta de memória, irritação - de parecer uma bomba prestes a explodir - perda do senso de humor e ansiedade, que caracterizam, muitas vezes, a síndrome de burnout. O estresse pode ser sentido com todos os sintomas citados anteriormente e mais o nervosismo e alterações no sono, como insônia ou dormência. (CODO e VASQUESMENEZES, 2000; COOPER, 1983, apud KAFROUNI, 2014; LIPP, 2001; VARELLA, 2014) 47 Contudo, alguns sintomas podem levar a diagnósticos de doenças físicas, como o estresse, a irritação e o nervosismo. Podem também gerar quadros de doenças dermatológicas, como alergias na pele, vermelhidão, caspa seborreica no couro cabeludo, ou então desenvolver gastrites nervosas e úlceras. (LIPP, 2001) Desânimo e abatimento, insatisfação no trabalho, esgotamento e indisposição, associados a pressões psicológicas, medo de perder o emprego e sofrer dificuldades econômicas, desencadeiam casos de depressão e promovem o sintoma de isolamento. A depressão promove inúmeras doenças e moléstias, como transtornos de humor, síndrome do pânico, transtorno obsessivo compulsivo, enfim. (VARELLA, 2014) Já a ansiedade, o nervosismo, sensações de parecer uma bomba prestes a explodir, alterações no sono e depressão, podem desenvolver distúrbios alimentares como anorexia ou, em outro extremo, apresentar obesidade, distúrbio que pode estar ligado à depressão e tê-la como uma das fontes geradoras também. Os trabalhadores foram inquiridos a responder a intensidade com que ocorrem sintomas psicológicos conforme o quadro a seguir: Quadro 4 - Sintomas psicológicos apresentados por cada Instituição Financeira Cooperativa de Estatal Estatal Sintomas Psicológicos Crédito Estadual Federal Indisposição 2,4 3 2,5 Nervosismo 2,7 3,1 3,1 Depressão 1,9 2,6 1,7 Desânimo e abatimento 2 3,1 2,1 Esgotamento 2,2 3,3 2,7 Insatisfação 1,9 2,5 3,6 Isolamento no trabalho 1,7 2,5 1,8 Irritação 2,2 2,5 1,8 Falta de memória 2,1 2,4 2,5 Sensações de perda de força física 1,6 2,6 1,5 De parecer uma bomba a explodir 1,5 2,4 2,1 Alterações no sono (insônia, agitação) 1,9 2,7 2,4 Perda de senso de humor 1,7 3,1 2,4 Ansiedade 2,8 2,7 3,4 Fonte: Dados da Pesquisa 48 Notam-se alguns índices que contribuíram efetivamente para chegar à média de 2,33 de sintomas psicológicos entre as instituições financeiras, caracterizando a frequência de raramente ocorrer tais sintomas. Dentre estes índices, o nervosismo se destaca elevando a média, apresentando um índice de 3,1 para os bancos estadual e federal. A insatisfação é sobressaliente no banco estadual, exibindo um índice de 3,6. Já a ansiedade é notada em maior frequência no banco federal, com índice de 3,4. Os fatores que contribuíram para a queda na média são compreendidos pelo banco federal que apresenta os menores índices na depressão e na sensação de perda das forças físicas, com índices de 1,7 e 1,5 respectivamente. A cooperativa de crédito também colaborou para baixar a média com seus índices de 1,5 e 1,7 para os fatores de parecer como uma bomba prestes a explodir e perda do senso de humor. Conforme foi apontado na pesquisa, a frequência média com que ocorrem sintomas de caráter psicológico de doenças ocupacionais é de raras a algumas vezes, porém sabemos que acontece, com certa frequência, encontrarmos profissionais da área extremamente estressados, ou relatos de familiares que convivem com estes profissionais e contam sobre suas tensões, estresse e demais problemas sofridos. Entendemos então que não só o trabalhador sofre com os malefícios das doenças ocupacionais, mas todas as pessoas que convivem com ele, desde familiares até colegas e clientes. Custódio (2007) aborda o assunto: O desgaste afeta tanto o indivíduo e os seus familiares quanto às organizações, afinal quanto mais as pessoas ficam estressadas e recebem menos apoio em suas vidas pessoais, menos capazes elas se tornam em lidar com os problemas do trabalho. O trabalho de alta qualidade requer tempo e esforço, compromisso e criatividade, mas os indivíduos desgastados já não estão mais dispostos a oferecer isso espontaneamente. Para desenvolver as atividades com êxito, os funcionários precisam estar tranquilos, focados no trabalho e estimulados a desenvolverem sua criatividade, contudo, se o trabalhador está cansado e sem ânimo para o trabalho, não realizará as suas tarefas com excelência, deixando a empresa a desejar, obtendo o descontentamento do gerente. Logo, a organização 49 investindo em seu funcionário, motivando-o e cuidando da sua saúde, estará investindo em sua própria produção, obtendo o retorno através do trabalho bem sucedido destes colaboradores. No gráfico 9 é mostrada a média de sintomas físicos de doenças ocupacionais por instituição financeira. Esta média é calculada entre as sentenças 15 e 26 da tabela de sintomas, onde os participantes marcaram a frequência (nunca, raramente, às vezes, frequentemente, sempre) com que ocorrem. Nota-se a prevalência novamente de sintomas com média frequência na instituição estadual e de frequência rara nas instituições cooperativa de crédito e federal. 3,5 3 3 2 2,5 2 2 2 1,5 Média Sintomas Físicos 1 0,5 0 Cooperativa Estadual de Crédito Estatal Média Geral 2= Raramente 3= Às Vezes Gráfico 9 – Média dos sintomas físicos de doenças ocupacionais por instituição financeira Fonte: Dados da pesquisa Vale relacionar os sintomas às doenças que levam a desenvolver, para melhor entendimento e análise. O próprio sintoma de fome exagerada leva à obesidade e a alterações negativas nos níveis de colesterol, triglicerídeos e glicemia, promovendo a hipertensão, pressão alta, que inclusive pode levar, futuramente, a ter problemas coronários, ou ainda, o açúcar no sangue que traduz-se automaticamente em diabetes, podendo constituir inúmeros sintomas próprios dela, como a cegueira. (VARELLA, 2014) 50 A falta de apetite pode configurar a anemia, baixa da imunidade e sensações de esgotamento, além de mal estar. Além disso, se a falta de apetite estiver associada à depressão, poder promover a anorexia. Dores no estômago podem representar uma gastrite ou outras afecções estomacais. Dores no peito podem ser sinal de problema coronário ou cardíaco, além de hipertensão. A alergia provém do estresse, da irritação e do nervosismo como exposto anteriormente. (VARELLA, 2014) Para obter a média de ocorrência de sintomas físicos, os entrevistados se depararam com questões indagando a frequência de: Quadro 5 - Sintomas físicos apresentados pelas três Instituições Financeiras Cooperativa de Estatal Estatal Sintomas Físicos Crédito Estadual Federal Fome exagerada/falta de apetite 1,8 2,8 2,2 Pressão alta/baixa 1,6 1,7 1,5 Dor no estômago 1,8 2,6 1,8 Mal estar 1,5 2,4 1,4 Dores no peito 1,3 1,8 1,1 Alergias 1,6 1,5 1 Tensão/dor muscular 2,3 2,4 3,5 Dores nas costas 2,7 2,5 3,4 Dores no pescoço/nuca 2,4 2,7 3,3 Dores de cabeça 2,4 2,4 3,3 Dores nos braços 1,8 2 3,1 Dores nas mãos/dedos 1,7 1,8 3 Fonte: Dados da pesquisa Observam-se alguns fatores que contribuíram efetivamente para designar o índice de 2,33 de sintomas físicos de doenças ocupacionais na média entre as instituições financeiras, configurando uma frequência rara na ocorrência dos referidos sintomas. Pode ser citado com certa evidência o fator de tensão/dor muscular na elevação da média, sendo apontado com índice de 3,5 pelo banco estadual, o índice mais alto citado dentre todos os fatores. O banco estadual passa a ser a instituição bancária que mais apresenta sintomas, que são: dores nas costas, com índice de 3,4; dores no pescoço/nuca, com índice de 51 3,3; dores de cabeça, com índice 3,3; dores nos braços, com um índice de 3,1 e dores nas mãos/dedos, com índice 3. Lembrando que o quadro funcional da instituição bancária estatal estadual é formado principalmente por pessoas de 35 a 54 anos, com perfil de alta monotonia, evitando mudanças, e com a maior parte do trabalho de forma manual, por não possuir tantos recursos tecnológicos, tendem a apresentar maior possibilidade de desenvolverem dores e tensões musculares que podem levar a um quadro clínico de LER/DORT. E como vimos, estes trabalhadores já apresentam tais sintomas. Concordando, Mendes (2010) afirma: Normalmente os sintomas da LER/DORT aparecem de maneira insidiosa, passando desapercebidos de imediato, razão pela qual são agravados após períodos de maior quantidade de trabalho ou jornadas prolongadas e, mesmo com a incidência da dor, o trabalhador busca formas de desenvolver seu trabalho, diminuindo assim a capacidade física tanto laboral, quanto nas atividades cotidianas. O trabalhador procura continuar suas atividades, desconsiderando a dor e o desconforto que podem estar lhe acometendo, sem tirar tempo para buscar tratamento. Quando se derem conta estarão provavelmente com um quadro de LER/DORT, fazendo do trabalho um período de tortura e sofrimento, levando a insatisfação e o esgotamento com suas tarefas, que mais tarde podem evoluir à síndrome de burnout. De acordo com Mendes (2010), LER/DORT é resultante da sobrecarga do sistema osteomuscular agregada à falta de tempo para sua recuperação. Essa sobrecarga é sentida seja pela utilização excessiva de alguns determinados músculos em movimentos repetitivos com ou sem esforço, seja pela estagnação de membros em determinadas posições por longo período de tempo, especialmente quando essas posições exigem esforço do sistema musculoesquelético. A concentração exigida do trabalhador e a tensão imposta pela organização são fatores que influenciam na ocorrência das LER/DORT. Os fatores que ocasionaram a queda da média foram apontados principalmente pelo banco estatal federal, em que menos sofrem de pressão alta/baixa com índice de 1,5, mal estar com índice de 1,4, dores no peito com um índice de 1,1 e alergias com um índice 1. 52 4.6 Estratégias de Enfrentamento aos Sintomas de Doenças Ocupacionais Analisamos agora os resultados apontados nas estratégias de enfrentamento adotadas pelos trabalhadores em cada instituição financeira e obtivemos as médias apresentadas a seguir pelo gráfico 10. Neste gráfico constatamos o inverso dos resultados obtidos nos sintomas tanto físico como psicológicos, ou seja, encontramos uma frequência média de medidas preventivas ou de tratamento utilizadas por colaboradores da cooperativa de crédito e da instituição estatal federal, e uma frequência rara em trabalhadores da instituição estatal estadual. Podemos então fazer a relação da ocorrência de sintomas de doenças ocupacionais com estratégias de enfrentamento, onde o indivíduo que utiliza mais frequentemente alguma estratégia de enfrentamento sente menor ocorrência de sintomas de doenças ocupacionais. 3,5 3 3 3 3 2,5 2 2 Média de Estratégias de Enfrentamento 1,5 1 0,5 0 Cooperativa Estadual de Crédito Estatal Média Geral 2= Raramente 3= Às Vezes Gráfico 10 – Média de estratégias de enfrentamento utilizadas pelas instituições financeiras Fonte: Dados da pesquisa Identificando e relacionando estratégias de enfrentamento com alguns sintomas de doenças ocupacionais, podemos relatar: Os profissionais participantes foram questionados sobre a frequência com que utilizam estratégias de enfrentamento. A prática de hobbies, ou seja, atividades prazerosas como 53 terapia de relaxamento e distração da mente, conversar com outras pessoas, ler livros, escutar músicas, passear com a família, e até mesmo o consumo saudável de produtos para elevar a autoestima, contribuem para descontrair a mente e os músculos, aliviando a tensão, relaxando, trazendo calma, e enfrentando diretamente o estresse e a depressão, e os diversos sintomas de irritação, nervosismo, ansiedade e insatisfação. Praticar atividades físicas, sejam quais forem, desde que a pessoa goste, irá elevar as cargas de adrenalina e serotonina (hormônio da felicidade, age diretamente no humor, sono, apetite, memória, emoções e no desejo sexual) no sangue, trazendo um bem-estar consigo mesmo para o indivíduo, proporcionando a integração da equipe e melhorando a relação de coleguismo. Além disso, a prática de exercícios físicos promove resistência e condicionamento ao corpo do trabalhador. Quadro 6 - Estratégias de enfrentamento utilizadas pelos trabalhadores bancários Cooperativa de Estatal Estatal Crédito Estadual Federal 3,4 2,8 4 4,1 3,7 4 atividades físicas 3,3 3 3,7 Ir ao cinema, teatro 1,4 1,5 1,8 Leitura de bons livros 2,5 2,4 3 Escutar músicas 3,7 3,4 4,4 Fazer as refeições nos horários adequados 3,4 2,1 3,5 Passear com familiares, amigos 3,8 3,2 3,5 Investir na autoestima (roupas, calçados) 3,6 3,1 3,2 Ingestão de bebidas alcoólicas 2,7 2,3 3 Fumar tabaco (cigarros e charutos) 1,04 1 1,2 Alimentar-se de alimentos saudáveis 3,7 3,4 3,8 Prática de terapias psicológicas 1,2 1,3 1,1 Hábito de consultas médicas de rotina 2,6 2,8 3,1 Estratégias de Enfrentamento Prática de hobbies e passatempos Conversar com amigos, familiares, colegas Prática de caminhadas/corridas ou outras 54 Uso de dietas nutricionais 1,3 1,3 1,1 Prática de fisioterapia 1,6 1,3 1,8 Verificação de pressão arterial 2,3 2,8 4 1,5 1,8 1,2 2,4 2,4 3,1 Uso de medicamentos tranquilizantes/ calmantes Hábito de se informar sobre prevenções de lesões e má-postura no trabalho Fonte: Dados da pesquisa É possível observar algumas estratégias de enfrentamento a sintomas de doenças ocupacionais que fizeram elevar a média ou baixá-la. A média de utilização de estratégias de enfrentamento entre as instituições financeiras foi de 2,66, caracterizando uma frequência mediana, ou seja, algumas vezes é realizado algum tipo de estratégia. Destaca-se a frequência apontada pelos funcionários do banco estatal federal em ouvir músicas, indicando um índice de 4,4. Nota-se também que é a instituição financeira que mais utiliza estratégias de enfrentamento, como a prática de hobbies e passatempos, com índice de 4; conversar com amigos, familiares e colegas, com índice de 4; prática de caminhadas/corridas ou outras atividades físicas, com índice de 3,7; e a verificação de pressão arterial, com índice 4. A cooperativa de crédito exibe uma preferência maior em conversar com amigos, familiares e colegas, com índice de 4,1. Esta estratégia também é bastante utilizada pelo banco estatal estadual, apresentando índice de 3,7. Os índices responsáveis pela queda na média foram exibidos no que se refere a ir ao cinema, teatro, onde foi apontado um índice de 1,4 na cooperativa de crédito, um índice de 1,5 no banco estadual e 1,8 no banco federal. O fator fumar tabaco também exibiu índices baixos, onde a cooperativa de crédito mostrou índice de 1,04, o banco estadual índice de 1 e o banco federal índice 1,2. Outras estratégias que da mesma forma apresentam índices baixos pelas três instituições foram a prática de terapias psicológicas, o uso de dietas nutricionais, a prática de fisioterapia e o uso de medicamentos tranquilizantes/calmantes. Outro fator que é possível constatar é o hábito de se informar sobre métodos de prevenção de LER/DORT, que na instituição estatal apresentou um índice um pouco maior 3,1 comparado à cooperativa de crédito e à instituição estatal que apresentaram cada uma o 55 índice de 2,4. São índices baixos, caracterizando frequências médias, onde deveria ser dada uma atenção especial, por desempenharem uma profissão de grande risco de apresentar doenças ocupacionais, principalmente LER/DORT. Dando ênfase à importância de tomar conhecimento de formas de prevenir e realizar ações para isso, Luersen (2009) defende a prática de implantar políticas de prevenção nas agências bancárias, evitando doenças ocupacionais que possam incidir sobre a saúde física e mental dos trabalhadores, adotando ações de fiscalização e correção, induzindo todos a prevenirem-se de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho, reorganizando a instituição de modo geral, podendo assim diminuir as afecções e suas consequências que prejudicam não só o colaborador, mas também a organização, pois terá, em seu efetivo, indivíduos de pouco rendimento ou afastados das suas atividades. A prática de exercícios físicos é uma das estratégias que mais pontuou nas três instituições bancárias, com índices acima de 3. Em específico na organização estatal federal, contribuiu certamente na prevenção de sintomas de doenças ocupacionais, como pode ser conferido nas médias de sintomas tanto físicos, como psicológicos, onde mostra que os trabalhadores apresentam poucos sintomas com baixa frequência. Isso é reforçado por Nieman (2003, apud Kafrouni, 2014) que afirma, com clareza, que a prática regular de atividade física é a melhor maneira de controlar o estresse, melhorando o estado mental de indivíduos, promovendo a diminuição da depressão, da ansiedade e do próprio estresse. Instigados a responder, de forma geral, como percebem a sua saúde, 14 colaboradores da cooperativa de crédito responderam como boa, a instituição estatal estadual somou oito funcionários com saúde boa, e na instituição estatal federal quatro colaboradores afirmaram ter uma saúde muito boa e três colaboradores, boa, conforme é apresentado no gráfico 11 a seguir. 56 16 14 14 12 10 8 8 Excelente 8 Muito Boa 6 4 4 3 3 2 Boa 1 0 Cooperativa de Crédito Estadual Estatal Gráfico 11 – Como percebe a sua saúde Fonte: Dados da pesquisa O gráfico 12 teve o intuito de identificar como cada trabalhador percebe a sua saúde no momento, comparando-a a um ano atrás, onde visualizamos que 14 funcionários da cooperativa de crédito e cinco da instituição estatal federal, respectivamente, afirmaram ter quase a mesma saúde de um ano atrás. Na instituição estatal estadual sete colaboradores sentem a sua saúde um pouco pior agora do que a um ano atrás. 16 14 14 Muito melhor agora do que há um ano atrás 12 10 8 Um pouco melhor agora do que há um ano atrás 7 6 5 5 Quase a mesma de um ano atrás 4 4 2 2 2 2 0 Cooperativa de Crédito Estadual Estatal Gráfico 12 – Saúde atual comparada há de um ano atrás Fonte: Dados da pesquisa Um pouco pior agora do que há um ano atrás 57 É possível fazer algumas considerações acerca dos resultados obtidos e analisados, como o fato de que a instituição financeira estatal estadual é a organização que apresentou índices um pouco maiores na presença de sintomas tanto físicos como psicológicos em relação às outras organizações. Podemos correlacionar isso com o fato de que dois terços dos trabalhadores são da geração X, pararam de aperfeiçoar-se nos estudos, a maioria trabalha a mais de 12 anos no mesmo cargo e estão alocados por esse mesmo período nesta cidade. É possível notar um grande sedentarismo profissional, sendo que boa parte dos funcionários da agência está acomodada, claramente não são acostumados a mudanças, e isso reflete na insatisfação, esgotamento e outros problemas de saúde relacionados às doenças ocupacionais. Outro fator importante que pode ser analisado junto aos motivos e que está aquém da pesquisa é o tipo de fluxo de operações, pois a organização não tem todos os seus processos modernizados e está bastante atrás das outras empresas na questão tecnológica, expondo seu funcionário a uma burocracia muito maior e com chances maiores de retrabalho. A instituição financeira estatal federal apresenta praticamente a mesma situação. Cerca de metade dos trabalhadores estão com mais de 8 anos de empresa, pertencem à geração X, evoluíram até o ensino superior e estagnaram seus estudos, somando a isto o fato de realizarem hora-extra. Porém estes diferem por terem pouco tempo de labor na agência desta cidade, expondo que estão em ritmo de mudanças, pois, em algum período de tempo, migrarão para novos desafios. Relacionando ao resultado obtido, é a organização que mais pratica atividades de enfrentamento aos sintomas de doenças ocupacionais. Já na cooperativa de crédito encontramos uma grande distinção em relação às organizações já citadas, pois encontramos dois terços dos trabalhadores pertencentes à geração Y, sendo, portanto, pessoas mais novas, que estão completando seu ensino superior ou já possuem pós-graduação completa. Boa parte de seus colaboradores estão a mais de quatro anos na instituição ou ainda a mais de 12 anos, e de 1 a 7 anos no mesmo cargo e na mesma cidade. Seus trabalhadores sofrem com rara frequência nervosismo, ansiedade e dores nas costas. Notamos que há pouca incidência de sintomas de doenças ocupacionais e que utilizam mais as estratégias de ouvir músicas, conversar com familiares, amigos e colegas, praticar hobbies, passear e alimentar-se saudavelmente. Isto denota que procuram evitar os sintomas psicológicos citados, no entanto deixam a desejar no aspecto dos cuidados físicos. 58 Temos que frisar o fato de que os sintomas de doenças ocupacionais foram mais demonstrados pelas instituições públicas, que têm seus colaboradores concursados e com regime estatutário, portanto com mais estabilidade de emprego em relação aos colaboradores da cooperativa de crédito, que possuem contratos celetistas acordados, e, por mais que o questionário tenha sido impessoal, pode ter ocorrido pressão psicológica por conta de manterse no emprego. 59 CONCLUSÃO Neste estudo foi possível identificar os sintomas de doenças ocupacionais sofridos pelos trabalhadores bancários de instituições estatal estadual, estatal federal e de uma cooperativa de crédito do município de Crissiumal-RS, bem como as estratégias de enfrentamento adotados pelos mesmos. O setor financeiro no momento passa por uma instabilidade econômica, com brusca controvérsia, demonstrada no ano anterior pelo fomento da economia por parte do governo, representando uma grande liberação de crédito, com taxas de juros subsidiados, incentivando o consumo de bens. O mercado instigando das instituições financeiras metas internas de vendas e liberações de crédito, além da pressão exercida pelos clientes que tinham elevado poder de decisão. Neste ano, a economia incitou os colaboradores destas organizações a reduzir a liberação de recursos, a taxas de juros mais elevadas, e exigindo ações de cobrança para baixar a inadimplência a níveis aceitáveis, em decorrência da medida anterior, que promoveu o consumo irresponsável dos cidadãos. Toda essa mudança associada à competição entre as organizações, à pressão em cumprir com os objetivos delineados e exigidos pelas direções de cada instituição, colaboradores acumulando cargos e funções, sendo cobrados por desenvolverem suas atividades com eficiência e rapidez, sofrendo pressões dos clientes, acaba fazendo com que doenças ocupacionais se manifestem e contribui para desenvolver uma série de outras enfermidades. Em consonância aos objetivos definidos pelo estudo, a pesquisa apontou os sintomas de doenças ocupacionais percebidos pelos funcionários de um banco estatal federa, de um banco estatal estadual e de uma cooperativa de crédito, assim como as estratégias para enfrentar tais sintomas apresentados pelos mesmos. Sendo assim, a instituição bancária que mais apresentou sintomas físicos e psicológicos foi a instituição estatal estadual, mesmo assim, apresentando média frequência de casos, apenas, ou seja, um índice 3, comparando-a 60 com as outras duas instituições que apresentaram rara ocorrência. É sobressaliente que a organização que mais sofre com sintomas de doenças ocupacionais também é a que menos utiliza estratégias de enfrentamento a esses sintomas, demonstrando um índice 2, correspondendo a rara frequência. Outro fator apontado pela pesquisa é referente a idade dos trabalhadores, onde prevaleceu pessoas da geração X, entre 35 e 54 anos, nas instituições públicas, tanto estadual como federal, diferenciando-se da cooperativa de crédito onde é expressivo o número de pessoas da geração Y, com idades entre 24 e 34 anos. O sexo masculino destaca-se nas três instituições. A cooperativa de crédito destaca-se por ter a grande maioria do seu quadro funcional, formado por pessoas que estão a menos de sete anos na instituição, associando a idade apresentada anteriormente, evidencia-se um perfil jovem e vivaz de colaboradores, em contraponto, as organizações públicas estadual e federal apresentam mais da metade do seu quadro com trabalhadores que já estão na instituição a mais de oito anos e combinando com as idades levantadas, nota-se um perfil mais experiente e maduro de funcionários. No levantamento realizado, é sobressaliente a média frequência de ocorrência dos sintomas de esgotamento, insatisfação, nervosismo, tensões e dores musculares, compreendendo o tronco e membros superiores dos trabalhadores da instituição estadual e de ansiedade e nervosismo na instituição federal. Já as estratégias de enfrentamento frequentemente adotadas são a prática de hobbies, conversar com outras pessoas, escutar músicas, praticar atividades físicas apresentadas pela organização estatal federal, e conversar com outras pessoas foi apontada tanto pela instituição estatal estadual como pela cooperativa de crédito, esta última que também prefere passear com familiares, escutar músicas e investir na autoestima. Nota-se que a instituição bancária que mais sofre sintomas de doenças ocupacionais também é a que menos utiliza ações para prevenir e tratar tais sintomas, o que pode agravar-se com o tempo, levando os trabalhadores a enfermidades mais complicadas. Embora no estudo não tenha sido apontado com muita frequência, a pesquisadora pode observar por um período de tempo que alguns sintomas de doenças ocupacionais estão presentes na vida de muitos dos colaboradores estudados, mesmo que eles não o reconheçam. 61 A irritação, nervosismo, ansiedade, alterações no sono, esgotamento e insatisfação com o trabalho são mais frequentes e até mesmo perceptíveis pelos clientes, dentre os sintomas psicológicos, do que o descrito na pesquisa. Dentre os sintomas físicos é saliente e visível alergias e vermelhidão na pele de alguns colaboradores, a ocorrência de dores no estômago, coluna e membros superiores, são até relatados informalmente à pesquisadora, e frisando que no momento da pesquisa não tenha sido expressado isso. O trabalho prazeroso é um dos pilares que proporcionam o equilíbrio emocional do ser humano, juntamente com o relacionamento saudável com outras pessoas, tanto afetivo como social, e a própria saúde do indivíduo. Se um destes pilares não estiver firme, certamente desestabilizará os outros pilares, refletindo na infelicidade da pessoa. Com base no estudo, é importante implementar nas instituições citadas, medidas para prevenir sintomas de doenças ocupacionais, promover o autoconhecimento, a motivação e o bom relacionamento entre colegas, para todos manterem este pilar firme. Esta pesquisa irá auxiliar os colaboradores a utilizar as estratégias adequadas de enfrentamento para os sintomas sentidos por eles, bem como irá promover o interesse destas instituições em adotar medidas coletivas de prevenção as doenças ocupacionais, pois terá colaboradores saudáveis e ativos, realizando suas atividades com eficiência, trazendo lucro para a organização e proporcionando maior realização profissional ao trabalhador, expandido estas realizações a sua vida pessoal. Como sugestão para futuros estudos, é indicado realizar uma nova pesquisa com determinado grupo, observando por um período maior as reações sentidas pelos trabalhadores, bem como as estratégias utilizadas para lidar com tais sintomas, no intuito de descrever com exatidão os sintomas e ações demonstrados por eles. E a realização de uma nova pesquisa com foco no estresse ocupacional também é importante realizar, uma vez que não foi abordado explicitamente neste estudo, para tomarmos conhecimento deste mal que afeta inúmeras pessoas, inclusive os profissionais desta área, e que desencadeia muitos outros sintomas tanto físicos como psicológicos de doenças ocupacionais. 62 5. REFERÊNCIAS ALEXANDRE, Francisco F. Reestruturação e o fim da segurança no emprego no Banco do Brasil. Tese (Pós-Graduação em Economia e Gestão das Relações do Trabalho) – Pontifícia Universidade Católica, São Paulo, SP, 2002. ARALDI, Juciane. Aprendizagem musical de DJs: um estudo multicasos. In. ANAIS – ABEM, 2003. 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TENDINITE – Inflamação ocasionada no tendão (ou em mais de um tendões). TENOSSIVITE - Inflamação da membrana que envolve os tendões. TURNOVER – Também é conhecido como rotatividade em uma organização. Serve como indicador da saúde organizacional, pois aponta o giro entre entradas e saídas de colaboradores em uma empresa. 69 6. APÊNDICE Apêndice A – Questionário de aplicação aos trabalhadores de bancos estadual, estatal e cooperativa de crédito. Prezado Entrevistado, O presente questionário tem como única função subsidiar a elaboração do trabalho de conclusão de curso de Administração na Unijuí, que tem como tema: identificar se os trabalhadores de três instituições bancárias de Crissiumal – RS apresentam sintomas de doenças ocupacionais e descrever as estratégias de enfrentamento utilizadas por estes profissionais. A sua contribuição é muito importante, e sua identidade será preservada. Obrigada. Alana Duarte Dahmer. Acadêmica do Curso de Administração da Unijuí. 70 PARTE I – Perfil biográfico Sexo: ( ) Masculino ( ) Feminino Faixa Etária: ( ) De 16 a 23 anos ( ) De 24 a 34 anos ( ) De 35 a 54 anos ( ) Acima de 55 anos ( ) Casado ( ) União Estável Estado Civil: ( ) Solteiro ( ) Divorciado ( ) Viúvo Qual a sua escolaridade: ( ) Ensino Médio Completo ( ) Ensino Médio Incompleto ( ) Ensino Técnico Completo ( ) Ensino Técnico Incompleto ( ) Curso Superior Completo ( ) Curso Superior Incompleto ( ) Pós Graduação Completa ( ) Pós Graduação Incompleta Permanece estudando? Tem filhos: ( ) Não Se sim, quantos? ( )1 ( ) Não ( ) Sim O que?____________________ ( ) Sim ( )2 Reside em Crissiumal? ( ) Não ( )3 ( ) Sim ( )4 ( )5 ( ) + de 5 Onde?_________________________ 71 PARTE II – Perfil Profissional Há quanto tempo trabalha nesta organização? ( ) Menos de 1 ano ( ) De 1 a 3 anos ( ) De 4 a 7 anos ( ) De 8 a 10 anos ( ) De 10 a 12 anos ( ) Mais de 12 anos Exerce função de: ( ) Caixa (Caixa Geral; Tesoureiro; Caixa Retaguarda) ( ) Escriturário/Atendente (Aux. Administrativo; Atendente Geral; Assistente Atendimento) ( ) Área de Negócios (Gerente de Negócios PF/PJ; Assistente de Negócios) ( ) Área Administrativa (Retaguarda) ( ) Subgerente (Gerente Administrativo Financeiro; Gerente de Serviços; Gerente de Relacionamento; Gerente PF/PJ) ( ) Gerente Geral ( ) Outro: __________________________________ Há quanto tempo trabalha neste cargo? ( ) Menos de 1 ano ( ) De 1 a 3 anos ( ) De 4 a 7 anos ( ) De 8 a 10 anos ( ) De 10 a 12 anos ( ) Mais de 12 anos Há quanto tempo trabalha na Unidade de Crissiumal? ( ) Menos de 1 ano ( ) De 1 a 3 anos ( ) De 4 a 7 anos ( ) De 8 a 10 anos ( ) De 10 a 12 anos ( ) Mais de 12 anos Qual a sua carga horária de trabalho? Qual a sua carga horária de trabalho? Diária ( ) 6 horas ( ) 8 horas Semanal ( ) 30 horas ( ) 40 horas Mensal ( ) 120 horas ( ) 160 horas Realiza horas extras? ( ) Não Se sim, quantas horas? Diária: _________________ Semanal: _________________ Mensal: _________________ ( ) Sim 72 PARTE III – Sobre a sua saúde As demandas da vida pessoal interferem nas atividades de trabalho? ( ) Nunca ( ) Às vezes ( ) Sempre As próximas questões visam identificar se há existência ou não de sintomas de doenças ocupacionais. Utilize a escala abaixo para suas respostas: Nunca Raramente Às vezes Frequentemente Sempre 1 2 3 4 5 1.Eu tenho me sentido indisposto? 1 2 3 4 5 2.Eu tenho me sentido nervoso? 1 2 3 4 5 3.Eu tenho me sentido deprimido? 1 2 3 4 5 4.Eu tenho me sentido desanimado e abatido? 1 2 3 4 5 5.Eu tenho me sentido esgotado? 1 2 3 4 5 6.Eu tenho me sentido insatisfeito? 1 2 3 4 5 7.Eu tenho me sentido isolado no trabalho? 1 2 3 4 5 8.Eu tenho me sentido irritado? 1 2 3 4 5 9.Eu sinto dificuldade com a minha memória? 1 2 3 4 5 10.Eu tenho a sensação de perdas das forças físicas? 1 2 3 4 5 11.Eu me sinto como uma bomba prestes a explodir? 1 2 3 4 5 12.Eu tenho dificuldades para dormir/sono agitado? 1 2 3 4 5 13.Eu sinto que perdi o senso de humor? 1 2 3 4 5 14.Eu fico ansioso? 1 2 3 4 5 15.Eu tenho fome exagerada/falta de apetite? 1 2 3 4 5 16.Eu tenho pressão alta/baixa? 1 2 3 4 5 17.Eu sinto dores no estômago? 1 2 3 4 5 18.Eu sinto mal estar sem causa aparente? 1 2 3 4 5 19.Eu sinto dores no peito? 1 2 3 4 5 73 20.Eu tenho alergias na pele? 1 2 3 4 5 21.Eu sinto tensão/dor muscular? 1 2 3 4 5 22.Eu sinto dores nas costas? 1 2 3 4 5 23.Eu sinto dores no pescoço/nuca? 1 2 3 4 5 24.Eu sinto dores de cabeça? 1 2 3 4 5 25.Eu sinto dores nos braços? 1 2 3 4 5 26.Eu sinto dores nas mãos/dedos? 1 2 3 4 5 As próximas questões se referem às ações que você realiza para evitar doenças ocupacionais. Utilize a escala abaixo para suas respostas. Nunca Raramente Às vezes Frequentemente Sempre 1 2 3 4 5 1.Eu pratico hobbies e passatempos 1 2 3 4 5 2.Eu procuro conversar com amigos, familiares, colegas 1 2 3 4 5 3.Eu faço caminhadas/corridas ou outras atividades físicas 1 2 3 4 5 4.Eu vou ao cinema/teatro 1 2 3 4 5 5.Eu leio bons livros 1 2 3 4 5 6.Eu escuto músicas 1 2 3 4 5 7.Eu realizo minhas refeições nos horários adequados 1 2 3 4 5 8.Eu passeio com familiares/amigos 1 2 3 4 5 9.Eu invisto na minha autoestima (roupas, calçados) 1 2 3 4 5 10.Eu ingiro bebida alcoólica 1 2 3 4 5 11.Eu fumo tabaco (cigarro, charuto) 1 2 3 4 5 12.Eu me alimento de coisas saudáveis 1 2 3 4 5 13.Eu faço terapias psicológicas 1 2 3 4 5 14.Eu realizo consultas médicas de rotina 1 2 3 4 5 74 15.Eu faço fisioterapia 1 2 3 4 5 16.Eu sigo dietas nutricionais 1 2 3 4 5 17.Eu verifico a pressão arterial 1 2 3 4 5 18.Eu uso medicamentos tranquilizantes/calmantes 1 2 3 4 5 19.Eu me informo sobre prevenções de lesões e mápostura no trabalho 1 2 3 4 5 Em geral, você diria que a sua saúde é: ( ) Excelente ( ) Muito boa ( ) Boa ( ) Ruim ( ) Muito ruim ( Comparada a um ano atrás, como você classificaria sua saúde neste momento: ( ) Muito melhor agora do que a um ano atrás ( ) Um pouco melhor agora do que a um ano atrás ( ) Quase a mesma de um ano atrás ( ) Um pouco pior agora do que a um ano atrás ( ) Muito pior agora do que a um ano atrás. ) Péssima