Samantha Lins Sales O IMPACTO DA FORMAÇÃO CONTINUADA NA PRÁTICA PEDAGÓGICA DO PROFESSOR DA EDUCAÇÃO INFANTIL Artigo apresentado ao curso de graduação em Pedagogia da Universidade Católica de Brasília, como requisito parcial para a obtenção do Título de Licenciada em Pedagogia. Orientadora: Simone Braz Ferreira Gontijo Brasília 2011 Artigo de autoria de Samantha Lins Sales, intitulado O impacto da formação continuada na prática pedagógica do professor da educação infantil, apresentado como requisito parcial para a obtenção do grau de Licenciada em Pedagogia da Universidade Católica de Brasília, em 07 de Novembro, defendida e aprovada pela banca examinadora abaixo assinada. _______________________________________________ Prof. MSc. Simone Braz Ferreira Gontijo Orientadora _______________________________________________ Prof. MSc. Tatiana da Silva Portella Examinadora Brasília 1 O IMPACTO DA FORMAÇÃO CONTINUADA NA PRÁTICA PEDAGÓGICA DO PROFESSOR DA EDUCAÇÃO INFANTIL RESUMO Este artigo teve como objetivo analisar o impacto da formação continuada no trabalho pedagógico dos professores da educação infantil. Para tanto, foi elaborado um questionário com o objetivo de compreender os motivos e critérios que os docentes adotam no momento de buscar sua capacitação continuada e verificar como os conhecimentos adquiridos no curso são aplicados na sua prática pedagógica. O resultado da pesquisa revelou um profissional que possui na formação continuada o caminho para sanar suas dificuldades em sala de aula, já que, em sua maioria, os cursos por eles desenvolvidos estão diretamente relacionados à realidade escolar. Entretanto o público pesquisado afirma que os cursos realizados interferiram em sua prática pedagógica sendo coerentes e direcionados a realidade escolar, porém apresentam que os mesmos não mantem um padrão qualidade aceitável em função da falta de qualificação adequada do palestrante ou pela não relação com o contexto educacional. Dessa maneira, é possível inferir que a consideração da realidade escolar em cursos de formação continuada é um aspecto qualificador desses cursos, uma vez que incentiva ao docente a buscar esse aperfeiçoamento, mas sua ausência é fator de desmotivação, pois o mesmo não se reconhece nesse processo. PALAVRAS-CHAVE Formação de professores. Formação continuada. Educação Infantil. INTRODUÇÃO O curso de Pedagogia tem sido alvo de intensas modificações estruturais ao longo de sua história. Esta situação pode ser confirmada na medida em que se analisa o histórico do curso e as questões políticas e pedagógicas que o compõem, tendo em vista que esta instabilidade do curso ocorre em virtude da necessidade de aprimorar o processo de formação de professores e, consequentemente, no ensino e aprendizagem dos estudantes da educação infantil dos anos iniciais do ensino fundamental. Demo (1995) afirma que “para atingir patamares aceitáveis de qualidade educativa da população é estratégia primordial resolver a questão dos professores” (p. 87). O que corrobora a necessidade de se discutir questões relacionadas tanto à formação docente inicial quanto a continuada. Para Libâneo (1998) cada segmento social formula a escola a seu modo de acordo com os critérios de qualidade de educação que o convêm, entretanto independente da teoria que busca essa qualificação educacional, todos os agentes precisam estar envolvidos para que o resultado seja pleno. Nesse sentido, o professor enfrenta dois problemas, pois de um lado 2 está uma formação inicial, muitas vezes inadequada e, de outro, a falta de capacitação continuada sistemática. Em relação à formação do professor Gentile (2007) afirma que “o problema persiste quando os cursos de formação continuada, em vez de oferecerem atualização nas áreas específicas, tentam suprir as deficiências da faculdade” (p. 37). Aqui é possível perceber falhas no processo de constituição do profissional em educação, tendo destaque a não relação teoria e prática o que compromete a prática profissional do professor. Assim, investir na formação do professor é um passo necessário para a construção de um caminho educativo sólido. E, nesse sentido, esse trabalho se dispõe a analisar o impacto da formação continuada no trabalho pedagógico dos professores da educação infantil, buscando compreender os motivos e critérios que os docentes adotam no momento de buscar sua capacitação e verificar como os conhecimentos adquiridos no curso são aplicados na sua prática escolar. 1. Garantias legais sobre a valorização profissional A prática pedagógica era desenvolvida desde a Grécia antiga, pois os escravos cultos e os filósofos encaminhavam os filhos dos nobres pelo caminho educativo conduzindoos desde as primeiras letras, ensinando-lhes valores, habilidades, crenças e cultura. Os pedagogos gregos conduziam as crianças pela trajetória da vida como um todo, fato que não distancia da função do pedagogo hoje, pois este, ante ao molde social e familiar existente assume essa responsabilidade de formação cidadã do homem. Nesse contexto de análise da prática pedagógica, mais especificamente de análise do processo de formação e perpetuação dessa formação pelo pedagogo, é possível destacar alguns avanços legais desde a origem da profissão, principalmente após a Constituição Federal de 1988, onde se garantiu em formato de lei uma educação de qualidade para todos e, consequentemente, destacou a importância da valorização do profissional da educação. Conforme o Art. 206 da Constituição Federal O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: V – valorização dos profissionais da educação escolar, garantidos, na forma da lei, planos de carreira, com ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos, aos das redes públicas (BRASIL, 1988). A preocupação expressa na lei com a qualidade no ensino relaciona-se diretamente com a valorização profissional, pois a garantia de uma educação geral de qualidade dos alunos está diretamente relacionada com a formação de qualidade dos professores (LIBÂNEO, 1998, p. 38). A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional - LDB também contempla esta preocupação no Art. 67, pois Os sistemas de ensino promoverão a valorização dos profissionais da educação, assegurando-lhes, inclusive nos termos dos estatutos e dos planos de carreira do magistério público: I. Ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos; II. Aperfeiçoamento profissional continuado, inclusive com licenciamento periódico remunerado para esse fim; 3 III. Piso salarial profissional; IV. Progressão funcional baseada na titulação e ou habilitação, e na avaliação do desempenho; V. Período reservado a estudos, planejamento e avaliação, incluído na carga de trabalho, VI. Condições adequada de trabalho. Tendo como base LDB é possível fazer as seguintes considerações: O termo legal que permite o ingresso a carreira docente apenas via concurso público confronta a realidade de uma rede de ensino onde o quadro de temporários se torna fixo em virtude a permanente expectativa da necessidade da presença desses profissionais para garantir a prestação do serviço garantido na Constituição Federal “e na escola brasileira nada é mais permanente do que o professor provisório, temporário” (CARNEIRO, 2010, p. 450). Em contrapartida ao estabelecer a questão da necessidade da formação continuada o docente precisa reconhecer a importância da constante atualização do seu conhecimento que está diretamente relacionado ao dinamismo do contexto social e econômico no qual está inserido e o poder público precisa considerar as necessidades dos professores e das escolas para assim adequar os materiais didáticos e cursos disponibilizados. O aluno precisa ser motivado pelo professor a torna-se sujeito do processo, a produzir conhecimento, a pesquisar. Para tanto, obviamente, o professor precisa cumprir, ele mesmo, este requisito (DEMO, 1995, p. 223). No tocante a questão salarial, esta precisa estar relacionada ao crescimento profissional; ou seja; quanto mais o docente buscar especializações, condizentes com sua realidade em sala de aula, e aplicá-las sistematicamente de modo a proporcionar a produção do conhecimento pelos discentes sua remuneração deverá acompanhar essa progressão, conforme expressa na lei. Entretanto, essa determinação não pode ser compreendida sem estar paralelamente acompanhada pela avaliação, pois o trabalho desenvolvido em sala de aula precisa ser seguido e verificado não apenas pela gestão escolar, mas, sobretudo, pelo próprio professor. Sendo assim fica clara a importância da valorização do profissional da educação para proporcionar à qualificação educacional, e como reflexo dessa valorização a responsabilidade do professor em buscar a continuidade da construção do seu conhecimento, entretanto para proporcionar esse fim o docente precisa ter condições de trabalho adequadas. Desse modo, conclui-se que o Estado precisa organizar as escolas de modo a compor um ambiente adequado para todo público do sistema de ensino com condições de segurança, higiene e conforto coerentes com o espaço e com a proposta de construção de conhecimento por todos os atores educacionais. 2. O professor da Educação Infantil e a formação inicial. O processo formativo do professor da educação infantil assume uma complexidade inerente à história da profissão devido às várias intervenções curriculares na estrutura do curso de Pedagogia, destinado a essa formação, além das novas exigências impostas a esses 4 profissionais em virtude da mudança na estrutura familiar, consequência de um novo contexto socioeconômico. A dicotomia entre cuidar e educar gerou o fato de que, inicialmente, as funções que seriam desempenhadas por esse profissional fossem realizadas por qualquer indivíduo que soubesse ler e escrever, ou seja, trazia a profissão um caráter de improviso. O ensino não era formalizado e a pessoa que dominasse um certo conteúdo podia ensinar, já que nenhuma exigência era feita para que alguém se convertesse num professor (RAMALHO, 2004, p. 55). Com o passar dos anos o processo de formação desse profissional passou por estágios e, atualmente, a LDB 9394/96 permite, mesmo que não seja o ideal, que pessoas com a formação de nível médio ministrem aula na educação infantil e nos anos iniciais do ensino fundamental. Art. 62. A formação de docentes para atuar na educação básica far-se-á em nível superior, em curso de licenciatura, de graduação plena, em universidades e institutos superiores de educação, admitida, como formação mínima para o exercício do magistério na educação infantil e nas quatro primeiras séries do ensino fundamental, a oferecida em nível médio, na modalidade Normal. Portanto, a formação do professor que atuará na Educação Infantil poderá se diferenciar em relação ao nível de exigência se comparado com as demais fases da educação básica. Sendo assim, ao focar a formação do professor de educação infantil percebe-se que muitas discussões acerca desse profissional, sua formação, seja inicial ou continuada, precisam ser trabalhadas e compreendidas para que heranças de desvalorização não sejam perpetuadas com o passar dos anos, como adverte Libâneo (2010) “importa formalizar uma distinção entre trabalho pedagógico e trabalho docente, separando, portanto, curso de Pedagogia e cursos de licenciaturas” (p. 39). O professor de educação infantil tem um papel de extrema importância no processo de desenvolvimento da criança, mesmo porque nessa fase inicial esse profissional será o responsável pela formação social e cognitiva como um todo, ou seja, o professor precisa trabalhar uma pedagogia interdisciplinar que estimule o saber pensar e para isso precisa desempenhar um processo pedagógico refinado que exige um conhecimento técnico e uma formação sólida, como afirma Demo (1995) “Ao contrário do que se crê, quanto menor a criança, maior teria que ser o profissional” (p. 92). Esse profissional tem um papel estratégico no processo formativo, pois é concentrado em suas mãos a capacidade de formação do homem fato que exige uma atualização constante das práticas pedagógicas que estimule o saber pensar e o saber agir sobre o conhecimento adquirido. Por sua vez, as reestruturações do contexto familiar em função das modificações da sociedade moderna que culminam na ausência do pai, da mãe e de toda uma rede de apoio familiar devido à necessidade que o mercado de trabalho nos impõe transfere, principalmente para o professor da educação infantil a responsabilidade de formar a criança de forma plena, isto é, em suas concepções civis, sociais e educacionais, delegando ao professor a formação 5 do ser em toda sua complexidade. Essa situação, muitas vezes se agrava, pois “o esperado diálogo com os pais do aluno fica truncado ou impossibilitado” (PETROSSI, 2005, p. 69). Nesse contexto, o professor da Educação Infantil pode ter a qualidade de sua formação e atuação comprometida destacando-se como efeitos a descrença em relação a profissão que, por sua vez pode gerar “abandono da sala de aula em busca de outro trabalho, redução da procura dos cursos de licenciatura, escolha de cursos de licenciatura ou pedagogia como última opção, falta de motivação dos alunos matriculados para continuar no curso” (LIBÂNEO, 1998, p. 90). Isso significa dizer que se corre o risco de que esse professor perca o entusiasmo e a dedicação à educação. Além disso, ainda é possível frisar que todo esse processo de desvalorização é coroado com os baixos salários e as deficientes condições de trabalho vivenciadas por esse professor. Apesar de toda essa conjuntura desfavorável é importante destacar que o professor da educação infantil tem sua ação pedagógica focada no aluno e, para tanto, deve trabalhar sua visão contemplando a ação educativa para não desanimar com os impasses políticos e econômicos, não deixar esvanecer seu envolvimento e entrega; manter a crença no papel transformador de seu trabalho ante a sociedade, porém manter-se na luta pela superação das dificuldades anteriormente analisadas. 3. Formação inicial - Importância e fragilidades O ato de ensinar e aprender se faz presente no processo evolutivo do homem desde as primeiras organizações sociais, logo se inferi que a capacidade de transformação presente no ser humano é movida também pelas ações educacionais inerentes a sua própria existência. O papel do educador é fundamental para que o processo da aprendizagem aconteça, sendo assim primar pela qualidade dos cursos de formação precisa ser uma das principais metas da esfera política e governamental porque para que se componha uma sociedade pautada no conhecimento o professor precisa acompanhar essa transformação social e refletir tal dinâmica em sua ação em sala de aula desde a educação infantil. O professor, ainda como graduando, precisa compreender sua função e responsabilidade nesse processo de se constituir um agente transformador do homem e, consequentemente, do meio, logo a característica estratégica dessa profissão é clara e indiscutível (DEMO, 1995). O professorado, diante das novas realidades e da complexidade de saberes envolvidos presentemente na sua formação profissional, precisaria de formação teórica mais aprofundada, capacidade operativa nas exigências da profissão, propósitos éticos para lidar com a diversidade cultural. (LIBÂNEO, 1998, p. 77) Assim, a formação inicial do professor vivenciada em cursos de Pedagogia precisa ser reconhecida com a devida responsabilidade, pela instituição de ensino - com a organização de cursos pautados em teorias consistentes e que paralelamente converse com a realidade escolar; pela comunidade educativa interna - desde os docentes que atuam no curso e pelos alunos - futuros professores que precisam estar comprometidos com seu papel aproveitando 6 desde o espaço físico, a utilização adequada do material didático, à criação novos materiais de acordo com as características do seu público alvo e seus objetivos, a constituição ética e moral do homem. Assim, as pessoas que buscam o curso para formação de professores precisam interiorizar tais conceitos e práticas em sua completude. Libâneo (2010) enfatiza o campo da Pedagogia como aquele que ocupa-se, de fato, dos processos educativos, métodos, maneiras de ensinar, mais antes disso ela tem um significado mais amplo, bem mais globalizante. Ela é um campo de conhecimentos sobre a problemática educativa na sua totalidade e historicidade e, ao mesmo tempo, uma diretriz orientadora da ação educativa. (p. 29) Sendo assim, a importância do curso de Pedagogia, enquanto formação docente, está na capacidade do profissional egresso deste curso poder interferir de forma inovadora na sociedade. Porém, a prática do professor formado nesse curso apresenta fragilidades que, por vezes, parecem sobrepor sua grandeza, tais como: falta de investimento das esferas governamentais na estrutura física das escolas, no material didático, na segurança, na alimentação e na própria valorização desse profissional com uma remuneração justa e digna. Esses fatores interferem na atuação dos docentes e confrontam diretamente a questão da valorização profissional do professor ante a sociedade que, por sua vez, cobra e o culpa pelas falhas educacionais. Demo (1995) corrobora essa posição ao afirmar que parece claro que dificilmente outra profissão seria mais estratégica que esta. Deve receber atenção devida, em termos de remuneração e formação com todas as conseqüências daí advindas. A sociedade tem o direito de cobrar dele competência, desde que o valorize/remunere convenientemente. (p.89) O problema da valorização profissional se agrava de tal modo que se difunde dentro do curso de Pedagogia aspectos emanados do antigo modelo da escola normal se aprendia uma pedagogia arcaica e a precariedade da formação docente se perpetuava e refletia nos alunos o despreparo e a superficialidade teórica. Hoje o pedagogo colhe os frutos desse histórico instável. Para Libâneo (2010) os pedagogos parecem estar se escondendo de sua profissão ou, ao menos, precisando justificar seu trabalho cotidianamente. Diversas áreas do conhecimento contribuem com seus estudos e pesquisa para o campo educacional, pois as necessidades das crianças são múltiplas e o pedagogo precisa dialogar com todas as áreas (DEMO, 1995, p.94). Porém tais ciências precisam respeitar o campo pedagógico porque cada uma deles investiga a educação sob um foco específico voltado a sua área. Nesse contexto, destaca-se a especificidade do curso de Pedagogia que agrega a outras ciências, mas possui campo próprio como afirma Libâneo (2010); A Pedagogia ocorrerá se as ciências da educação deixarem de partir de diferentes saberes específicos e começarem a tomar a prática dos formados como ponto de partida e chegada para seus objetos de estudo (p. 38). Em virtude disso muitos pedagogos não conseguem contra argumentar esse reducionismo de sua formação, fato que intensifica a ideia que pedagogo é apenas professor 7 de educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental e, assim, esse só precisa saber alfabetizar, dando uma imagem reducionista de que qualquer um faz essa tarefa, não precisando ter preparo específico. Diante dessa realidade fica exposta a fragilidade dessa formação inicial do docente, pois Os professores, como regra, só foram treinados para ensinar, e nunca ultrapassaram o estágio de mera aprendizagem. De cópia em cópia, são cópia, e isto recopiam indefinidamente (DEMO, 1995, p. 100). O professor precisa desenvolver em si a capacidade de criar, de confrontar a realidade e renovar-se, precisa superar a etapa do saber fazer, como se educar fosse seguir uma receita. O curso de formação de professores precisa propiciar um ambiente onde o futuro docente se torne capaz de dominar e renovar o conhecimento, para posteriormente conseguir ser um agente estimulador do mesmo no cotidiano da sala de aula. 4. Formação continuada - Importância e fragilidades Demo (1995) afirma que pedagogo precisa contemplar outras áreas científicas e atualizar-se constantemente, porque a educação se faz do todo e não de partes isoladas. Esse pensamento reflete o que já é fato para todos, principalmente para os professores da Educação Infantil e nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Os conhecimentos precisam ser tratados de forma interdisciplinar, a teoria vista nos cursos de formação precisa estar relacionada à realidade da sala de aula, pois este professor precisa transitar por várias áreas do conhecimento. Nesse sentido, para atender ao aluno de forma direcionada e assertiva o professor precisa buscar outros estudos da sua área de atuação. Isso porque pode-se manter a concepção em relação ao processo de ensinar e aprender, mas não se pode negar que as crianças atendidas por esse profissional estão em processo de formação moral, ética, literária, política, etc., e a bagagem cultural e as influências do mundo que as cercam são as características que aparecem nesse contexto de maneira dinâmica. Assim, tamanha tarefa exige profissional exímio, com correspondente remuneração, prestigio e competência. Esta carece de constante atualização, diante dos reclamos do mundo moderno e da conduta inovadora da sociedade e da economia. (DEMO, 1995, p. 95) O processo de alfabetização exige do profissional uma habilidade educativa que permita ao alfabetizando competências que vão além do copiar, de reconhecer uma letra e escrever uma frase, o aluno precisa entender o que lê, recriar, perguntar e despertar a curiosidade. Para isso, o docente precisa complementar seu conhecimento adquirido durante a universidade, mesmo que este avalie que sua formação foi adequada, pois o mundo é dinâmico e as necessidades e dificuldades dos educandos acompanham essas mudanças. Assim, a formação continuada é pré-requisito para a profissão docente, sendo essa responsabilidade compartilhada com a Secretaria de educação, disponibilizando cursos que 8 vão ao encontro com a realidade escolar, isto é, para além das lacunas de formação deixadas pela formação inicial. Em relação a esse tema é preciso estar atento, pois conforme Moreira (2007) não são raras as Secretarias de educação que procuram programas apenas para cumprir agendas e gastar recursos percebendo-se um desvirtuamento na aplicação dos recursos. Esse é um indicador da fragilidade da formação continuada, pois o sistema de ensino que não defini políticas claras para a formação continuada, muitas vezes atribuída à falta de recursos (CARNEIRO, 2010). Hoje a realidade escolar exige do professor atualizações do fazer pedagógico, pois, frequentemente, os professores vivenciam situações que requerem uma alfabetização científica e tecnológica e o professor é responsável por sua formação continuada, podendo este fazer das suas horas de coordenação pedagógica um espaço que possibilite a apropriação desse conhecimento, pois conforme assegura o Art. 67 da LDB em seu inciso V “período reservado de estudos, planejamento e avaliação, incluído na carga de trabalho”. A valorização profissional marca a discussão da formação continuada com uma grande parcela de importância porque o descrédito social em relação a este profissional acentua a fragilidade da categoria. A questão salarial torna-se tanto mais relevante, pois para formar-se adequadamente e manter-se atualizado é mister acesso às devidas instrumentações, tais como cursos, livros, produtos, meios eletrônicos e participação em eventos pertinentes. DEMO (Barreto, 1991 apud, 1991ª; Furlani, 1998; Ribeiro, 1991; Silva. E.T. 1991) Para o professor garantir uma formação continuada adequada é necessário que este acredite na educação e busque especializar-se e avaliar continuamente seu trabalho para, assim, redirecioná-lo com assertividade. MATERIAL E MÉTODOS Para a coleta de dados da pesquisa foi elaborado um questionário composto por três perguntas com respostas de múltipla escolha com o objetivo de identificar os participantes da pesquisa - professores da educação infantil - e cinco perguntas abertas que contemplam a investigação de como a formação continuada é trabalhada por esses docentes, seu impacto na prática pedagógica e os motivos e critérios que os levam procurar tal qualificação. As perguntas destinadas a tal objetivo foram: a) O que o motiva a procurar um curso de formação continuada?; b) Quais critérios você utiliza para selecionar o curso a realizar?; c) Os cursos realizados foram coerentes e direcionados para a realidade escolar?; d) Explique como a aprendizagem nos cursos de formação realizada influenciou em sua prática pedagógica?; e) Qual sua percepção em relação à qualidade dos cursos freqüentados por você? Os participantes tiveram duas semanas para responder e devolver o questionário, pois assim poderiam utilizar os dias de reunião pedagógica, quarta – feira, para preenchimento e entrega do mesmo. A pesquisa foi realizada numa escola pública localizada na cidade de Samambaia Norte. A instituição prioriza a oferta da educação infantil, possui vinte e oito turmas, sendo 9 quatorze em cada turno: matutino e vespertino. A escola conta com vinte professores, todos foram convidados a participar da pesquisa, sendo que desses dez aceitaram. Dos professores participantes das pesquisa 90% são do sexo feminino e 10%do sexo masculino, a idade qual prevaleceu foram dos profissionais acima de quarenta e um anos, sendo 50%; os docentes de até trinta anos foram 20%, de trinta e um à trinta e cinco foram 20% e de trinta e seis a quarenta foi10%. O tempo de magistério dos professores acima de sete anos, sendo 80%, tendo apenas 10% de até três anos e 10% de quatro a sete anos. RESULTADOS As questões abertas do questionário privilegiaram aspectos relacionados à percepção dos professores quanto a sua formação continuada. Na primeira questão foi perguntado ao professor o que o motiva a procurar um curso de formação continuada e 60% dos entrevistados afirmam que tal motivo está ligado ao aperfeiçoamento da prática em sala de aula 20% focaram na questão da atualização e os outros 20% no processo de aquisição de conhecimento. Na segunda questão foi perguntado sobre quais critérios o professor utiliza para selecionar o curso a realizar, 70% declaram que suas dificuldades individuais direcionam a escolha dos cursos e áreas a serem aprofundadas os demais 30% baseiam-se nas dificuldades apresentadas pelos alunos. A terceira questão investigou a coerência entre os cursos realizados pelos professores e a relação com a realidade escolar e 60% afirmaram que os conteúdos dos cursos apresentam uma relação direta com o cotidiano da sala de aula, 10% não se manifestaram e os demais 30% afirmaram que não houve conexão entre os cursos realizados e suas atividades diárias. Na quarta pergunta foi solicitado que o professor explicasse como a aprendizagem, fruto dos cursos de formação, influencia em sua prática pedagógica e 100% afirmaram que a partir dos cursos de formação continuada redefiniram seus métodos de ensino. Na quinta questão foi investigada a percepção dos professores em relação à qualidade dos cursos frequentados e 60% afirmaram que os cursos desenvolvidos tiveram a qualidade prejudicada seja pela superficialidade na discussão dos temas, pela não relação com a realidade escolar, pelo caráter eventual dos cursos, sendo apresentados apenas em formato de poucos encontros e temas que não estão diretamente relacionados à rotina escolar ou pela falta de experiência do professor formador em educação infantil, o que afasta da realidade esse nível de ensino. Os demais 40% confirmaram que todas as ações desenvolvidas pelos cursos apresentavam uma excelente relação conteúdo e prática. DISCUSSÃO A pesquisa apresentada demonstrou que os docentes percebem os cursos de formação continuada como um impulsionador que os leva ao aperfeiçoamento e, 10 consequentemente, a mudança da prática pedagógica. Logo, estes cursos são de extrema importância para sanar suas dificuldades diante da dinâmica escolar. A pesquisa foi iniciada com a abordagem do tema motivação com o intuito de compreender o que leva o professor a procurar cursos de formação continuada. Pode-se afirmar que tais motivos são a necessidade de atualização, a aquisição de conhecimentos e o aperfeiçoamento da prática pedagógica, sendo este último o mais recorrente. Assim, o aperfeiçoamento da prática realizada em sala de aula é a base das preocupações dos docentes ao procurar tal formação, sendo a aquisição de conhecimento e atualização, inerentes a essa primeira preocupação. A necessidade de atualização para atrair a atenção e o interesse dos alunos. (PROFESSOR F) Estar sempre atualizada com as mudanças na educação e o que pode acontecer. (PROFESSOR G) Tal fato pode nos indicar um entendimento simplista acerca da formação continuada porque pensar uma prática pedagógica que não contemple a dinâmica do contexto mundial e que, consequentemente, não agrega um conhecimento mais amplo do contexto educacional é reduzir a prática pedagógica ao saber-fazer, a uma ação de transposição de métodos e adequação de recursos e não de compreensão do saber educativo. Os saberes no qual os professores precisam se firmar transitam na compreensão de como o conteúdo pode atuar no processo de aprendizagem, qual sua relação com outros saberes e como interagir com as demais ciências, quais recursos metodológicos podem ser assimilados e em quais situações, ou seja, o professor precisa ir além do próprio domínio do conteúdo e do como transmiti-lo, enfim precisa compreender o contexto para interagir nele. Temos consciência de que essa visão do que seja “conhecer o conteúdo que se deve ensinar" é inovadora para muitos professores e/ou futuros professores, pois são poucos os cursos de graduação em que encontramos disciplinas que discutam essas problemáticas e que façam uma estreita ligação entre o conteúdo es-pecífico e as reflexões históricas e filosóficas de sua produção (CARVALHO e PEREZ, 2010). É importante ressaltar que os dois motivadores já citados podem ou não ter um impacto positivo no trabalho pedagógico do professor, pois dependerá de como este encaminha seu trabalho, uma vez que a escola de hoje precisa propor respostas educativas e metodológicas em relação a novas exigências de formação postas pelas realidades contemporâneas como a capacitação tecnológica, a diversidade cultural, a alfabetização tecnológica, a superinformação, o relativismo ético, a consciência ecológica (LIBÂNEO, 1998, p. 80). Os docentes precisam reconhecer que as modificações em curso implicam diretamente no processo educacional e, com isso, precisam não ser resistentes ao inevitável e sim se mostrarem aptos a agregar esse conhecimento a favor do seu trabalho atualizando-o de modo a favorecer o saber. 11 Ao destacarem-se as respostas dos professores sobre os critérios que os levam a procurar esse aperfeiçoamento destaca-se a preocupação em sanar suas dificuldades individuais em detrimento das dificuldades apresentadas pelos alunos, uma vez que apenas 30% dos professores afirmaram que os temas dos cursos escolhidos tiveram como foco às dificuldades apresentadas pelos alunos. Aqui percebe-se que as respostas dos professores apesar de inicialmente parecerem controversas estão inter-relacionadas, pois a dificuldade de aprendizagem do aluno pode ser em função da própria dificuldade do professor ministra-lo. Minhas dificuldades encontradas em sala de aula (PROFESSOR G). Garantir minha formação atualizada em cursos relacionados com minha área de formação (PROFESSOR I). Dessa forma, o docente precisa reconhecer que sua maneira de trabalhar precisa ser aprimorada em função da aprendizagem dos alunos e não minimizar essa situação atribuindo a não aprendizagem ao desinteresse e descompromisso da família, além de outros aspectos que são exclusivamente centrados no aluno. O fracasso do aluno precisa, de partida, ser compartido com o do professor, evitando-se remetê-lo apenas a incompetência do aluno (DEMO, 1995, p.49). O professor precisa contextualizar sua maneira de trabalhar com a realidade encontrada em sala de aula, trazer formas alternativas, mais educativas e produtivas permeadas em seu projeto pedagógico, não se trata de iniciar um processo de atribuição de culpas seja docente, discente ou familiar e sim centrar-se no processo de construção e reconstrução do saber, incentivando ao aluno a pesquisa, a lançar-se a um mundo oportunidades que é a educação e, com isso, oportunizar a família a acompanhar seu crescimento praticando, efetivamente, a relação família/escola, onde a aquisição e a transformação do conhecimento refletem nas relações sociais. Em relação à adequação dos cursos ao cotidiano da escola os dados apontam que a maioria dos professores vivenciaram cursos que privilegiam essa característica, fato que se analisado isoladamente seria uma enorme conquista para o processo educacional. Conforme aponta o Professor J: Sim, porque sempre faço cursos direcionados às turmas em que estou atuando. As atividades exploradas nos cursos nos mostram novas maneiras de introduzir conteúdos de maneira dinâmica e divertida. Porém, ao analisar as repostas do questionário como um todo, principalmente em relação à prática pedagógica e a qualidade dos cursos, percebe-se uma lacuna, pois como um curso que direciona seus estudos a realidade escolar de modo a promover mudanças em sua prática pode ter a qualidade duvidosa? Em relação à qualidade dos cursos o Professor J afirma: A qualidade dos cursos deixa a desejar. 12 Em relação ao grupo de professores que indicou a participação em cursos que não consideraram a realidade escolar é interessante pontuar que além desse fato há uma tendência a culpabilização dos professores por situações diversas ocorridas na escola, como declara o Professor A: Participei de um cujo tema era indisciplina em sala de aula e durante a palestra tratou-se de outra temática, da qual responsabilizam o professor por tudo. Há uma tendência em se responsabilizar ao professor pelas mazelas da educação, já que a relação com o aluno é direta e, muitas vezes, a direção, os coordenadores pedagógicos e família não são identificados nesse contexto. Essa tendência pode se retratada inclusive nas políticas de avaliação externa. Os participantes da pesquisa foram unânimes ao afirmar que a formação continuada influenciou diretamente sua prática pedagógica ao ponto de mudar suas ações em sala de aula, o que nos leva a interpretação que todos os cursos de formação por eles vivenciados eram de boa qualidade, já que os mesmos refletiram mudanças em na ação pedagógica, conforme afirma o professor H: Mudei minha maneira de agir e adquirir novas técnicas. O professor, bem como qualquer profissional não está pronto, formado ao terminar a graduação, o mesmo precisa atualizar-se constantemente, e a formação continuada é nesse processo o meio para ajudar o docente compreender sua ação como educador e sua responsabilidade social. O professor, para tanto, carece capacitar-se a construir ambiente propício, dentro do qual cabe a aula, desde que instrumentadora da emancipação (DEMO, 1995, p. 104). O docente deve proporcionar uma aprendizagem crítica, pois o aluno precisa se identificar como sujeito capaz de transformar sua história. Dentro desse contexto é importante ressaltar que o educador, deve se perceber nesse processo e buscar nos cursos de formação além de técnicas a serem desenvolvidas em sala de aula, dominar conhecimentos estratégicos da ação de transformação da realidade, permitindo ao outro criar criticamente sem com isso persistir na ideia de reprodução vazia e indiferente do conhecimento. Assim, a partir do momento em que há coerência entre a realidade escolar e o que é oferecido nos cursos de formação continuada os conhecimentos adquiridos interferem na prática pedagógica, fato este que altera a relação dos professores com os conteúdos e com os alunos. Em relação à qualidade dos cursos de formação continuada dos quais os professores participaram 60% apontaram que a qualidade destes estava comprometida, pois não eram relacionados à realidade escolar. Tal fato permite identificar a falta de clareza dos docentes em relação ao tema e/ou ao objeto da pesquisa, pois em todos os pontos anteriores se mostraram assertivos em relação à qualidade dos cursos por serem coerentes com a realidade escolar, bem como auxiliarem na redefinição do método de ensino e, nessa questão 13 especificamente, deixam claro suas insatisfações com os cursos de formação continuada conforme apresentam os professores: Acredito que os cursos deveriam ser mais voltados para prática escolar (PROFESSOR B). Fracos, acredito que deveriam ser ministrados por profissionais que saibam a realidade de uma sala de aula (PROFESSOR E). Assim, a qualidade das atividades desenvolvidas nos cursos é questionada pelos professores em função da qualificação dos profissionais que os ministram – já que esses não estão sintonizados com a prática escolar – e, consequentemente, o conteúdo apresentado destoa da prática escolar. O professor precisa transforma-se, capacitar-se de modo a conversar com a realidade e com os autores, estabelecendo assim um relacionamento dialético. Outra característica apresentada foi à necessidade de ações de formação continuada, pois palestras e oficinas de um encontro não dão conta da complexidade da sala da aula. Para Martins (2008) O problema não para por aí. Sem critérios bem definidos para a implementação dos programas, acabam sendo ofertados, a título de formação continuada, cursos de curta duração, palestras e seminários que não têm o poder de acompanhar a evolução do professor nem de mudar a forma como ele trabalha (p.54). Sendo assim, para garantir a qualidade na formação docente é preciso introduzir, em caráter de urgência, uma formação inicial e continuada que se comunique com a realidade para que se possam introduzir as inovações pedagógicas necessárias ao ambiente educacional. Além dos dados já discutidos é interessante pontuar que um dos participantes destacou a necessidade de se ter mais cursos na área de exatas, observação que demonstra o interesse do professor numa área muitas vezes negligenciada na formação inicial do professor que vai atuar na educação infantil. Libâneo (1998) afirma que Sabe-se que são consideráveis as deficiências do professorado em relação ao aprender a pensar, de modo que eles próprios necessitam dominar estratégias de pensar e de pensar sobre o próprio pensar (p. 86). Essa situação reflete a fragilidade de alguns currículos de Pedagogia, pois o professor ao exercer a docência acaba por buscar cursos de treinamento visando à solução de problemas cotidianos, centrados num saber-fazer receitas prontas. É preciso reafirmar que a realidade escolar não pode ser esquecida ao se fundamentar a formação continuada, pois a coerência do cotidiano educacional com os conteúdos abordados nos cursos é essencial para que o professor tenha interesse em buscar essa complementação do conhecimento, mas os cursos precisam extrapolar essa realidade e enxergar o professor como um profissional capaz de propor transformações políticas, sociais, culturais e econômicas. 14 CONCLUSÃO A formação continuada no trabalho pedagógico dos professores da educação infantil é essencial para que o processo educativo caminhe e se desenvolva; porque a graduação não contempla em si as complexidades que a sala de aula nos reserva e as diferentes abordagens que precisam ser dadas as características de cada contexto. A análise da pesquisa como um todo possibilita identificar que os professores buscam os cursos de formação continuada de acordo suas dificuldades, percebem como um todo que são coerentes com a proposta inicial, porém não apresentam a qualidade esperada, e mesmo assim apesar desse quadro conseguem assimilar pontos positivos que os levam a mudar sua prática, enfim os docentes baseiam sua formação continuada na superficialidade do contexto, sendo esse ponto uma espécie de herança da graduação superficial que não contempla teoria e prática. Os professores apresentaram-se conscientes da necessidade de se buscar o conhecimento continuamente e de que essa ação interfere diretamente na prática pedagógica. No entanto, apesar de reconhecerem essa formação como fundamental o professorado indica a necessidade de melhorar a qualidade dos cursos aproximando-os do dia-a-dia da escola e buscando minimizar as dificuldades dos docentes. Assim, fica a reflexão sobre a necessidade de se investir em políticas públicas de formação continuada mais coerentes com a atuação docente sem perder de vista a condição de pesquisador inerente a essa profissão. O poder público deve se responsabilizar não só pela oferta de cursos, mas oferecer condições que permitam a compra de livros atualizados, participação em eventos e palestras. Enfim, que se possibilite ao professor se colocar no mundo como protagonista de sua história e grande motivador para a construção das histórias de seus alunos. Além disso, uma formação adequada pode proporcionar aos professores valorização profissional, pois se estaria participando da construção da sociedade do conhecimento de forma ativa desde a produção crítica de seu material didático até sua utilização pedagogicamente consciente. Dessa maneira, é importante ressaltar a importância de o professor zelar por sua competência tanto quanto pela valorização, pois esta vem como reflexo de suas ações. A pesquisa apresentada nos sensibilizou nesse sentido no momento em que apresentou professores preocupados com sua formação continuada, porém desencorajados pela falta de realidade na aplicação da mesma, apesar de aparentemente irem ao encontro de suas necessidades. 15 REFERÊNCIAS BRASIL. Emenda constitucional nº 9, de 9 de novembro e 1995. Diário Oficial da União, Brasília, v. 126, n. 66, p. 6009, 10 nov. 1995. Seção 1, pt. 1.1988. CARNEIRO, Moacir Alves. LDB fácil. 17.ed. Petrópolos: Vozes, 2010. CARVALHO, ANA. M. P. de, Daniel Gil Perez. O saber e o saber fazer dos professores. In: CASTRO, A. D. de; CARVALHO, A. M. P. de (org.) Ensinar a Ensinar - Didática para a Escola Fundamental e Média. São Paulo: Pioneira, 2001, pp. 107-121 DEMO, Pedro. Desafios modernos da Educação. 3.ed. Petrópolis: Vozes.1995 GURGEL, Thais. A origem do sucesso e do fracasso escolar. Nova Escola. São Paulo, n. 216, p. 48-61, out. 2008. GENTILE, Paola; CASSI, Patrícia. Educação, vista pelos olhos do professor. Nova Escola. São Paulo. n. 207. P. 32-39. Nov. 2007 LIBÂNEO, José Carlos. Adeus professor, adeus professora?: novas exigências educacionais e profissão docente. V.67. São Paulo: Cortez, 1998. ________. Pedagogia e Pedagogos, para quê?. 12. Ed. São Paulo: Cortez, 2010. PETROSSI, Helena Gemignani [et al]. Revisitando o saber e o fazer docente. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2005. RAMALHO, Betânia Leite.; NUNEZ, Isauro, Beltrán.; GAUTHIER, Clermont. Formar o professor profissionalizar o ensino. 2.Ed. Porto Alegre: Sulina, 2004. 16 APÊNDICE Curso de Pedagogia Este questionário é uma atividade complementar do trabalho de conclusão de curso da graduação de Pedagogia cursada na Universidade Católica de Brasília e tem por objetivo identificar a percepção dos professores acerca dos cursos de formação continuada freqüentados e a aplicação dos conhecimentos adquiridos as necessidades cotidianas de sala de aula. Desde já agradeço pela sua colaboração, respondendo as questões abaixo, sua identificação não é necessária e os dados recolhidos serão utilizados somente para desenvolvimento da pesquisa. Atenciosamente. Sexo: Idade: ( ) Masculino ( ) Até 30 anos ( ) 31 à 35 anos ( ) Feminino ( ) 36 à 40 anos ( ) Acima de 41 Tempo de Magistério: ( ) Até três ano ( ) De quatro a sete anos ( ) Mais de sete anos 1. O que o motiva a procurar um curso de formação continuada? __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ 2. Quais critérios você utiliza para selecionar o curso a realizar? __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ 3. Os cursos realizados foram coerentes e direcionados para a realidade escolar? __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ 4. Explique como a aprendizagem nos cursos de formação realizados influenciou em sua prática pedagógica? __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ 5. Qual sua percepção em relação à qualidade dos cursos ofertados e por você realizado? __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________