Samantha Lins Sales
O IMPACTO DA FORMAÇÃO CONTINUADA NA PRÁTICA PEDAGÓGICA DO
PROFESSOR DA EDUCAÇÃO INFANTIL
Artigo apresentado ao curso de graduação em
Pedagogia da Universidade Católica de Brasília,
como requisito parcial para a obtenção do Título de
Licenciada em Pedagogia.
Orientadora: Simone Braz Ferreira Gontijo
Brasília
2011
Artigo de autoria de Samantha Lins Sales, intitulado O impacto da formação continuada na
prática pedagógica do professor da educação infantil, apresentado como requisito parcial para
a obtenção do grau de Licenciada em Pedagogia da Universidade Católica de Brasília, em 07
de Novembro, defendida e aprovada pela banca examinadora abaixo assinada.
_______________________________________________
Prof. MSc. Simone Braz Ferreira Gontijo
Orientadora
_______________________________________________
Prof. MSc. Tatiana da Silva Portella
Examinadora
Brasília
1
O IMPACTO DA FORMAÇÃO CONTINUADA NA PRÁTICA PEDAGÓGICA DO
PROFESSOR DA EDUCAÇÃO INFANTIL
RESUMO
Este artigo teve como objetivo analisar o impacto da formação continuada no trabalho
pedagógico dos professores da educação infantil. Para tanto, foi elaborado um questionário
com o objetivo de compreender os motivos e critérios que os docentes adotam no momento de
buscar sua capacitação continuada e verificar como os conhecimentos adquiridos no curso são
aplicados na sua prática pedagógica. O resultado da pesquisa revelou um profissional que
possui na formação continuada o caminho para sanar suas dificuldades em sala de aula, já
que, em sua maioria, os cursos por eles desenvolvidos estão diretamente relacionados à
realidade escolar. Entretanto o público pesquisado afirma que os cursos realizados
interferiram em sua prática pedagógica sendo coerentes e direcionados a realidade escolar,
porém apresentam que os mesmos não mantem um padrão qualidade aceitável em função da
falta de qualificação adequada do palestrante ou pela não relação com o contexto educacional.
Dessa maneira, é possível inferir que a consideração da realidade escolar em cursos de
formação continuada é um aspecto qualificador desses cursos, uma vez que incentiva ao
docente a buscar esse aperfeiçoamento, mas sua ausência é fator de desmotivação, pois o
mesmo não se reconhece nesse processo.
PALAVRAS-CHAVE
Formação de professores. Formação continuada. Educação Infantil.
INTRODUÇÃO
O curso de Pedagogia tem sido alvo de intensas modificações estruturais ao longo
de sua história. Esta situação pode ser confirmada na medida em que se analisa o histórico do
curso e as questões políticas e pedagógicas que o compõem, tendo em vista que esta
instabilidade do curso ocorre em virtude da necessidade de aprimorar o processo de formação
de professores e, consequentemente, no ensino e aprendizagem dos estudantes da educação
infantil dos anos iniciais do ensino fundamental.
Demo (1995) afirma que “para atingir patamares aceitáveis de qualidade
educativa da população é estratégia primordial resolver a questão dos professores” (p. 87). O
que corrobora a necessidade de se discutir questões relacionadas tanto à formação docente
inicial quanto a continuada.
Para Libâneo (1998) cada segmento social formula a escola a seu modo de acordo
com os critérios de qualidade de educação que o convêm, entretanto independente da teoria
que busca essa qualificação educacional, todos os agentes precisam estar envolvidos para que
o resultado seja pleno. Nesse sentido, o professor enfrenta dois problemas, pois de um lado
2
está uma formação inicial, muitas vezes inadequada e, de outro, a falta de capacitação
continuada sistemática.
Em relação à formação do professor Gentile (2007) afirma que “o problema
persiste quando os cursos de formação continuada, em vez de oferecerem atualização nas
áreas específicas, tentam suprir as deficiências da faculdade” (p. 37). Aqui é possível
perceber falhas no processo de constituição do profissional em educação, tendo destaque a
não relação teoria e prática o que compromete a prática profissional do professor.
Assim, investir na formação do professor é um passo necessário para a construção
de um caminho educativo sólido. E, nesse sentido, esse trabalho se dispõe a analisar o
impacto da formação continuada no trabalho pedagógico dos professores da educação infantil,
buscando compreender os motivos e critérios que os docentes adotam no momento de buscar
sua capacitação e verificar como os conhecimentos adquiridos no curso são aplicados na sua
prática escolar.
1. Garantias legais sobre a valorização profissional
A prática pedagógica era desenvolvida desde a Grécia antiga, pois os escravos
cultos e os filósofos encaminhavam os filhos dos nobres pelo caminho educativo conduzindoos desde as primeiras letras, ensinando-lhes valores, habilidades, crenças e cultura. Os
pedagogos gregos conduziam as crianças pela trajetória da vida como um todo, fato que não
distancia da função do pedagogo hoje, pois este, ante ao molde social e familiar existente
assume essa responsabilidade de formação cidadã do homem.
Nesse contexto de análise da prática pedagógica, mais especificamente de análise
do processo de formação e perpetuação dessa formação pelo pedagogo, é possível destacar
alguns avanços legais desde a origem da profissão, principalmente após a Constituição
Federal de 1988, onde se garantiu em formato de lei uma educação de qualidade para todos e,
consequentemente, destacou a importância da valorização do profissional da educação.
Conforme o Art. 206 da Constituição Federal
O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: V – valorização
dos profissionais da educação escolar, garantidos, na forma da lei, planos de
carreira, com ingresso exclusivamente por concurso público de provas e
títulos, aos das redes públicas (BRASIL, 1988).
A preocupação expressa na lei com a qualidade no ensino relaciona-se
diretamente com a valorização profissional, pois a garantia de uma educação geral de
qualidade dos alunos está diretamente relacionada com a formação de qualidade dos
professores (LIBÂNEO, 1998, p. 38).
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional - LDB também contempla esta
preocupação no Art. 67, pois
Os sistemas de ensino promoverão a valorização dos profissionais da
educação, assegurando-lhes, inclusive nos termos dos estatutos e dos planos
de carreira do magistério público:
I.
Ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos;
II.
Aperfeiçoamento
profissional
continuado,
inclusive
com
licenciamento periódico remunerado para esse fim;
3
III.
Piso salarial profissional;
IV. Progressão funcional baseada na titulação e ou habilitação, e na
avaliação do desempenho;
V.
Período reservado a estudos, planejamento e avaliação, incluído na
carga de trabalho,
VI. Condições adequada de trabalho.
Tendo como base LDB é possível fazer as seguintes considerações: O termo legal
que permite o ingresso a carreira docente apenas via concurso público confronta a realidade
de uma rede de ensino onde o quadro de temporários se torna fixo em virtude a permanente
expectativa da necessidade da presença desses profissionais para garantir a prestação do
serviço garantido na Constituição Federal “e na escola brasileira nada é mais permanente do
que o professor provisório, temporário” (CARNEIRO, 2010, p. 450). Em contrapartida ao
estabelecer a questão da necessidade da formação continuada o docente precisa reconhecer a
importância da constante atualização do seu conhecimento que está diretamente relacionado
ao dinamismo do contexto social e econômico no qual está inserido e o poder público precisa
considerar as necessidades dos professores e das escolas para assim adequar os materiais
didáticos e cursos disponibilizados.
O aluno precisa ser motivado pelo professor a torna-se sujeito do processo, a
produzir conhecimento, a pesquisar. Para tanto, obviamente, o professor
precisa cumprir, ele mesmo, este requisito (DEMO, 1995, p. 223).
No tocante a questão salarial, esta precisa estar relacionada ao crescimento
profissional; ou seja; quanto mais o docente buscar especializações, condizentes com sua
realidade em sala de aula, e aplicá-las sistematicamente de modo a proporcionar a produção
do conhecimento pelos discentes sua remuneração deverá acompanhar essa progressão,
conforme expressa na lei. Entretanto, essa determinação não pode ser compreendida sem estar
paralelamente acompanhada pela avaliação, pois o trabalho desenvolvido em sala de aula
precisa ser seguido e verificado não apenas pela gestão escolar, mas, sobretudo, pelo próprio
professor.
Sendo assim fica clara a importância da valorização do profissional da educação
para proporcionar à qualificação educacional, e como reflexo dessa valorização a
responsabilidade do professor em buscar a continuidade da construção do seu conhecimento,
entretanto para proporcionar esse fim o docente precisa ter condições de trabalho adequadas.
Desse modo, conclui-se que o Estado precisa organizar as escolas de modo a
compor um ambiente adequado para todo público do sistema de ensino com condições de
segurança, higiene e conforto coerentes com o espaço e com a proposta de construção de
conhecimento por todos os atores educacionais.
2. O professor da Educação Infantil e a formação inicial.
O processo formativo do professor da educação infantil assume uma complexidade
inerente à história da profissão devido às várias intervenções curriculares na estrutura do
curso de Pedagogia, destinado a essa formação, além das novas exigências impostas a esses
4
profissionais em virtude da mudança na estrutura familiar, consequência de um novo contexto
socioeconômico.
A dicotomia entre cuidar e educar gerou o fato de que, inicialmente, as funções
que seriam desempenhadas por esse profissional fossem realizadas por qualquer indivíduo que
soubesse ler e escrever, ou seja, trazia a profissão um caráter de improviso.
O ensino não era formalizado e a pessoa que dominasse um certo conteúdo podia
ensinar, já que nenhuma exigência era feita para que alguém se convertesse num
professor (RAMALHO, 2004, p. 55).
Com o passar dos anos o processo de formação desse profissional passou por
estágios e, atualmente, a LDB 9394/96 permite, mesmo que não seja o ideal, que pessoas com
a formação de nível médio ministrem aula na educação infantil e nos anos iniciais do ensino
fundamental.
Art. 62. A formação de docentes para atuar na educação básica far-se-á em
nível superior, em curso de licenciatura, de graduação plena, em
universidades e institutos superiores de educação, admitida, como formação
mínima para o exercício do magistério na educação infantil e nas quatro
primeiras séries do ensino fundamental, a oferecida em nível médio, na
modalidade Normal.
Portanto, a formação do professor que atuará na Educação Infantil poderá se
diferenciar em relação ao nível de exigência se comparado com as demais fases da educação
básica. Sendo assim, ao focar a formação do professor de educação infantil percebe-se que
muitas discussões acerca desse profissional, sua formação, seja inicial ou continuada,
precisam ser trabalhadas e compreendidas para que heranças de desvalorização não sejam
perpetuadas com o passar dos anos, como adverte Libâneo (2010) “importa formalizar uma
distinção entre trabalho pedagógico e trabalho docente, separando, portanto, curso de
Pedagogia e cursos de licenciaturas” (p. 39).
O professor de educação infantil tem um papel de extrema importância no
processo de desenvolvimento da criança, mesmo porque nessa fase inicial esse profissional
será o responsável pela formação social e cognitiva como um todo, ou seja, o professor
precisa trabalhar uma pedagogia interdisciplinar que estimule o saber pensar e para isso
precisa desempenhar um processo pedagógico refinado que exige um conhecimento técnico e
uma formação sólida, como afirma Demo (1995) “Ao contrário do que se crê, quanto menor a
criança, maior teria que ser o profissional” (p. 92). Esse profissional tem um papel estratégico
no processo formativo, pois é concentrado em suas mãos a capacidade de formação do
homem fato que exige uma atualização constante das práticas pedagógicas que estimule o
saber pensar e o saber agir sobre o conhecimento adquirido.
Por sua vez, as reestruturações do contexto familiar em função das modificações
da sociedade moderna que culminam na ausência do pai, da mãe e de toda uma rede de apoio
familiar devido à necessidade que o mercado de trabalho nos impõe transfere, principalmente
para o professor da educação infantil a responsabilidade de formar a criança de forma plena,
isto é, em suas concepções civis, sociais e educacionais, delegando ao professor a formação
5
do ser em toda sua complexidade. Essa situação, muitas vezes se agrava, pois “o esperado
diálogo com os pais do aluno fica truncado ou impossibilitado” (PETROSSI, 2005, p. 69).
Nesse contexto, o professor da Educação Infantil pode ter a qualidade de sua
formação e atuação comprometida destacando-se como efeitos a descrença em relação a
profissão que, por sua vez pode gerar “abandono da sala de aula em busca de outro trabalho,
redução da procura dos cursos de licenciatura, escolha de cursos de licenciatura ou pedagogia
como última opção, falta de motivação dos alunos matriculados para continuar no curso”
(LIBÂNEO, 1998, p. 90). Isso significa dizer que se corre o risco de que esse professor perca
o entusiasmo e a dedicação à educação. Além disso, ainda é possível frisar que todo esse
processo de desvalorização é coroado com os baixos salários e as deficientes condições de
trabalho vivenciadas por esse professor.
Apesar de toda essa conjuntura desfavorável é importante destacar que o professor
da educação infantil tem sua ação pedagógica focada no aluno e, para tanto, deve trabalhar
sua visão contemplando a ação educativa para não desanimar com os impasses políticos e
econômicos, não deixar esvanecer seu envolvimento e entrega; manter a crença no papel
transformador de seu trabalho ante a sociedade, porém manter-se na luta pela superação das
dificuldades anteriormente analisadas.
3. Formação inicial - Importância e fragilidades
O ato de ensinar e aprender se faz presente no processo evolutivo do homem
desde as primeiras organizações sociais, logo se inferi que a capacidade de transformação
presente no ser humano é movida também pelas ações educacionais inerentes a sua própria
existência.
O papel do educador é fundamental para que o processo da aprendizagem
aconteça, sendo assim primar pela qualidade dos cursos de formação precisa ser uma das
principais metas da esfera política e governamental porque para que se componha uma
sociedade pautada no conhecimento o professor precisa acompanhar essa transformação
social e refletir tal dinâmica em sua ação em sala de aula desde a educação infantil.
O professor, ainda como graduando, precisa compreender sua função e
responsabilidade nesse processo de se constituir um agente transformador do homem e,
consequentemente, do meio, logo a característica estratégica dessa profissão é clara e
indiscutível (DEMO, 1995).
O professorado, diante das novas realidades e da complexidade de saberes
envolvidos presentemente na sua formação profissional, precisaria de
formação teórica mais aprofundada, capacidade operativa nas exigências da
profissão, propósitos éticos para lidar com a diversidade cultural.
(LIBÂNEO, 1998, p. 77)
Assim, a formação inicial do professor vivenciada em cursos de Pedagogia precisa
ser reconhecida com a devida responsabilidade, pela instituição de ensino - com a organização
de cursos pautados em teorias consistentes e que paralelamente converse com a realidade
escolar; pela comunidade educativa interna - desde os docentes que atuam no curso e pelos
alunos - futuros professores que precisam estar comprometidos com seu papel aproveitando
6
desde o espaço físico, a utilização adequada do material didático, à criação novos materiais de
acordo com as características do seu público alvo e seus objetivos, a constituição ética e moral
do homem. Assim, as pessoas que buscam o curso para formação de professores precisam
interiorizar tais conceitos e práticas em sua completude.
Libâneo (2010) enfatiza o campo da Pedagogia como aquele que
ocupa-se, de fato, dos processos educativos, métodos, maneiras de ensinar,
mais antes disso ela tem um significado mais amplo, bem mais globalizante.
Ela é um campo de conhecimentos sobre a problemática educativa na sua
totalidade e historicidade e, ao mesmo tempo, uma diretriz orientadora da
ação educativa. (p. 29)
Sendo assim, a importância do curso de Pedagogia, enquanto formação docente,
está na capacidade do profissional egresso deste curso poder interferir de forma inovadora na
sociedade.
Porém, a prática do professor formado nesse curso apresenta fragilidades que, por
vezes, parecem sobrepor sua grandeza, tais como: falta de investimento das esferas
governamentais na estrutura física das escolas, no material didático, na segurança, na
alimentação e na própria valorização desse profissional com uma remuneração justa e digna.
Esses fatores interferem na atuação dos docentes e confrontam diretamente a questão da
valorização profissional do professor ante a sociedade que, por sua vez, cobra e o culpa pelas
falhas educacionais.
Demo (1995) corrobora essa posição ao afirmar que
parece claro que dificilmente outra profissão seria mais estratégica que esta.
Deve receber atenção devida, em termos de remuneração e formação com
todas as conseqüências daí advindas. A sociedade tem o direito de cobrar
dele competência, desde que o valorize/remunere convenientemente. (p.89)
O problema da valorização profissional se agrava de tal modo que se difunde
dentro do curso de Pedagogia aspectos emanados do antigo modelo da escola normal se
aprendia uma pedagogia arcaica e a precariedade da formação docente se perpetuava e refletia
nos alunos o despreparo e a superficialidade teórica. Hoje o pedagogo colhe os frutos desse
histórico instável. Para Libâneo (2010) os pedagogos parecem estar se escondendo de sua
profissão ou, ao menos, precisando justificar seu trabalho cotidianamente.
Diversas áreas do conhecimento contribuem com seus estudos e pesquisa para o
campo educacional, pois as necessidades das crianças são múltiplas e o pedagogo precisa
dialogar com todas as áreas (DEMO, 1995, p.94). Porém tais ciências precisam respeitar o
campo pedagógico porque cada uma deles investiga a educação sob um foco específico
voltado a sua área. Nesse contexto, destaca-se a especificidade do curso de Pedagogia que
agrega a outras ciências, mas possui campo próprio como afirma Libâneo (2010);
A Pedagogia ocorrerá se as ciências da educação deixarem de partir de
diferentes saberes específicos e começarem a tomar a prática dos formados
como ponto de partida e chegada para seus objetos de estudo (p. 38).
Em virtude disso muitos pedagogos não conseguem contra argumentar esse
reducionismo de sua formação, fato que intensifica a ideia que pedagogo é apenas professor
7
de educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental e, assim, esse só precisa saber
alfabetizar, dando uma imagem reducionista de que qualquer um faz essa tarefa, não
precisando ter preparo específico.
Diante dessa realidade fica exposta a fragilidade dessa formação inicial do
docente, pois
Os professores, como regra, só foram treinados para ensinar, e nunca
ultrapassaram o estágio de mera aprendizagem. De cópia em cópia, são
cópia, e isto recopiam indefinidamente (DEMO, 1995, p. 100).
O professor precisa desenvolver em si a capacidade de criar, de confrontar a
realidade e renovar-se, precisa superar a etapa do saber fazer, como se educar fosse seguir
uma receita. O curso de formação de professores precisa propiciar um ambiente onde o futuro
docente se torne capaz de dominar e renovar o conhecimento, para posteriormente conseguir
ser um agente estimulador do mesmo no cotidiano da sala de aula.
4. Formação continuada - Importância e fragilidades
Demo (1995) afirma que pedagogo precisa contemplar outras áreas científicas e
atualizar-se constantemente, porque a educação se faz do todo e não de partes isoladas. Esse
pensamento reflete o que já é fato para todos, principalmente para os professores da Educação
Infantil e nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Os conhecimentos precisam ser tratados
de forma interdisciplinar, a teoria vista nos cursos de formação precisa estar relacionada à
realidade da sala de aula, pois este professor precisa transitar por várias áreas do
conhecimento.
Nesse sentido, para atender ao aluno de forma direcionada e assertiva o professor
precisa buscar outros estudos da sua área de atuação. Isso porque pode-se manter a concepção
em relação ao processo de ensinar e aprender, mas não se pode negar que as crianças
atendidas por esse profissional estão em processo de formação moral, ética, literária, política,
etc., e a bagagem cultural e as influências do mundo que as cercam são as características que
aparecem nesse contexto de maneira dinâmica. Assim,
tamanha tarefa exige profissional exímio, com correspondente remuneração,
prestigio e competência. Esta carece de constante atualização, diante dos
reclamos do mundo moderno e da conduta inovadora da sociedade e da
economia. (DEMO, 1995, p. 95)
O processo de alfabetização exige do profissional uma habilidade educativa que
permita ao alfabetizando competências que vão além do copiar, de reconhecer uma letra e
escrever uma frase, o aluno precisa entender o que lê, recriar, perguntar e despertar a
curiosidade.
Para isso, o docente precisa complementar seu conhecimento adquirido durante a
universidade, mesmo que este avalie que sua formação foi adequada, pois o mundo é
dinâmico e as necessidades e dificuldades dos educandos acompanham essas mudanças.
Assim, a formação continuada é pré-requisito para a profissão docente, sendo essa
responsabilidade compartilhada com a Secretaria de educação, disponibilizando cursos que
8
vão ao encontro com a realidade escolar, isto é, para além das lacunas de formação deixadas
pela formação inicial.
Em relação a esse tema é preciso estar atento, pois conforme Moreira (2007) não
são raras as Secretarias de educação que procuram programas apenas para cumprir agendas e
gastar recursos percebendo-se um desvirtuamento na aplicação dos recursos. Esse é um
indicador da fragilidade da formação continuada, pois o sistema de ensino que não defini
políticas claras para a formação continuada, muitas vezes atribuída à falta de recursos
(CARNEIRO, 2010).
Hoje a realidade escolar exige do professor atualizações do fazer pedagógico,
pois, frequentemente, os professores vivenciam situações que requerem uma alfabetização
científica e tecnológica e o professor é responsável por sua formação continuada, podendo
este fazer das suas horas de coordenação pedagógica um espaço que possibilite a apropriação
desse conhecimento, pois conforme assegura o Art. 67 da LDB em seu inciso V “período
reservado de estudos, planejamento e avaliação, incluído na carga de trabalho”.
A valorização profissional marca a discussão da formação continuada com uma
grande parcela de importância porque o descrédito social em relação a este profissional
acentua a fragilidade da categoria.
A questão salarial torna-se tanto mais relevante, pois para formar-se
adequadamente e manter-se atualizado é mister acesso às devidas
instrumentações, tais como cursos, livros, produtos, meios eletrônicos e
participação em eventos pertinentes. DEMO (Barreto, 1991 apud, 1991ª;
Furlani, 1998; Ribeiro, 1991; Silva. E.T. 1991)
Para o professor garantir uma formação continuada adequada é necessário que este
acredite na educação e busque especializar-se e avaliar continuamente seu trabalho para,
assim, redirecioná-lo com assertividade.
MATERIAL E MÉTODOS
Para a coleta de dados da pesquisa foi elaborado um questionário composto por
três perguntas com respostas de múltipla escolha com o objetivo de identificar os participantes
da pesquisa - professores da educação infantil - e cinco perguntas abertas que contemplam a
investigação de como a formação continuada é trabalhada por esses docentes, seu impacto na
prática pedagógica e os motivos e critérios que os levam procurar tal qualificação. As
perguntas destinadas a tal objetivo foram: a) O que o motiva a procurar um curso de formação
continuada?; b) Quais critérios você utiliza para selecionar o curso a realizar?; c) Os cursos
realizados foram coerentes e direcionados para a realidade escolar?; d) Explique como a
aprendizagem nos cursos de formação realizada influenciou em sua prática pedagógica?; e)
Qual sua percepção em relação à qualidade dos cursos freqüentados por você? Os
participantes tiveram duas semanas para responder e devolver o questionário, pois assim
poderiam utilizar os dias de reunião pedagógica, quarta – feira, para preenchimento e entrega
do mesmo.
A pesquisa foi realizada numa escola pública localizada na cidade de Samambaia
Norte. A instituição prioriza a oferta da educação infantil, possui vinte e oito turmas, sendo
9
quatorze em cada turno: matutino e vespertino. A escola conta com vinte professores, todos
foram convidados a participar da pesquisa, sendo que desses dez aceitaram. Dos professores
participantes das pesquisa 90% são do sexo feminino e 10%do sexo masculino, a idade qual
prevaleceu foram dos profissionais acima de quarenta e um anos, sendo 50%; os docentes de
até trinta anos foram 20%, de trinta e um à trinta e cinco foram 20% e de trinta e seis a
quarenta foi10%. O tempo de magistério dos professores acima de sete anos, sendo 80%,
tendo apenas 10% de até três anos e 10% de quatro a sete anos.
RESULTADOS
As questões abertas do questionário privilegiaram aspectos relacionados à
percepção dos professores quanto a sua formação continuada. Na primeira questão foi
perguntado ao professor o que o motiva a procurar um curso de formação continuada e 60%
dos entrevistados afirmam que tal motivo está ligado ao aperfeiçoamento da prática em sala
de aula 20% focaram na questão da atualização e os outros 20% no processo de aquisição de
conhecimento.
Na segunda questão foi perguntado sobre quais critérios o professor utiliza para
selecionar o curso a realizar, 70% declaram que suas dificuldades individuais direcionam a
escolha dos cursos e áreas a serem aprofundadas os demais 30% baseiam-se nas dificuldades
apresentadas pelos alunos.
A terceira questão investigou a coerência entre os cursos realizados pelos
professores e a relação com a realidade escolar e 60% afirmaram que os conteúdos dos cursos
apresentam uma relação direta com o cotidiano da sala de aula, 10% não se manifestaram e os
demais 30% afirmaram que não houve conexão entre os cursos realizados e suas atividades
diárias.
Na quarta pergunta foi solicitado que o professor explicasse como a
aprendizagem, fruto dos cursos de formação, influencia em sua prática pedagógica e 100%
afirmaram que a partir dos cursos de formação continuada redefiniram seus métodos de
ensino.
Na quinta questão foi investigada a percepção dos professores em relação à
qualidade dos cursos frequentados e 60% afirmaram que os cursos desenvolvidos tiveram a
qualidade prejudicada seja pela superficialidade na discussão dos temas, pela não relação com
a realidade escolar, pelo caráter eventual dos cursos, sendo apresentados apenas em formato
de poucos encontros e temas que não estão diretamente relacionados à rotina escolar ou pela
falta de experiência do professor formador em educação infantil, o que afasta da realidade
esse nível de ensino. Os demais 40% confirmaram que todas as ações desenvolvidas pelos
cursos apresentavam uma excelente relação conteúdo e prática.
DISCUSSÃO
A pesquisa apresentada demonstrou que os docentes percebem os cursos de
formação continuada como um impulsionador que os leva ao aperfeiçoamento e,
10
consequentemente, a mudança da prática pedagógica. Logo, estes cursos são de extrema
importância para sanar suas dificuldades diante da dinâmica escolar.
A pesquisa foi iniciada com a abordagem do tema motivação com o intuito de
compreender o que leva o professor a procurar cursos de formação continuada. Pode-se
afirmar que tais motivos são a necessidade de atualização, a aquisição de conhecimentos e o
aperfeiçoamento da prática pedagógica, sendo este último o mais recorrente.
Assim, o aperfeiçoamento da prática realizada em sala de aula é a base das
preocupações dos docentes ao procurar tal formação, sendo a aquisição de conhecimento e
atualização, inerentes a essa primeira preocupação.
A necessidade de atualização para atrair a atenção e o interesse dos alunos.
(PROFESSOR F)
Estar sempre atualizada com as mudanças na educação e o que pode
acontecer. (PROFESSOR G)
Tal fato pode nos indicar um entendimento simplista acerca da formação
continuada porque pensar uma prática pedagógica que não contemple a dinâmica do contexto
mundial e que, consequentemente, não agrega um conhecimento mais amplo do contexto
educacional é reduzir a prática pedagógica ao saber-fazer, a uma ação de transposição de
métodos e adequação de recursos e não de compreensão do saber educativo.
Os saberes no qual os professores precisam se firmar transitam na compreensão de
como o conteúdo pode atuar no processo de aprendizagem, qual sua relação com outros
saberes e como interagir com as demais ciências, quais recursos metodológicos podem ser
assimilados e em quais situações, ou seja, o professor precisa ir além do próprio domínio do
conteúdo e do como transmiti-lo, enfim precisa compreender o contexto para interagir nele.
Temos consciência de que essa visão do que seja “conhecer o conteúdo que se
deve ensinar" é inovadora para muitos professores e/ou futuros professores,
pois são poucos os cursos de graduação em que encontramos disciplinas que
discutam essas problemáticas e que façam uma estreita ligação entre o
conteúdo es-pecífico e as reflexões históricas e filosóficas de sua produção
(CARVALHO e PEREZ, 2010).
É importante ressaltar que os dois motivadores já citados podem ou não ter um
impacto positivo no trabalho pedagógico do professor, pois dependerá de como este
encaminha seu trabalho, uma vez que
a escola de hoje precisa propor respostas educativas e metodológicas em
relação a novas exigências de formação postas pelas realidades
contemporâneas como a capacitação tecnológica, a diversidade cultural, a
alfabetização tecnológica, a superinformação, o relativismo ético, a
consciência ecológica (LIBÂNEO, 1998, p. 80).
Os docentes precisam reconhecer que as modificações em curso implicam diretamente
no processo educacional e, com isso, precisam não ser resistentes ao inevitável e sim se
mostrarem aptos a agregar esse conhecimento a favor do seu trabalho atualizando-o de modo
a favorecer o saber.
11
Ao destacarem-se as respostas dos professores sobre os critérios que os levam a
procurar esse aperfeiçoamento destaca-se a preocupação em sanar suas dificuldades
individuais em detrimento das dificuldades apresentadas pelos alunos, uma vez que apenas
30% dos professores afirmaram que os temas dos cursos escolhidos tiveram como foco às
dificuldades apresentadas pelos alunos. Aqui percebe-se que as respostas dos professores
apesar de inicialmente parecerem controversas estão inter-relacionadas, pois a dificuldade de
aprendizagem do aluno pode ser em função da própria dificuldade do professor ministra-lo.
Minhas dificuldades encontradas em sala de aula (PROFESSOR G).
Garantir minha formação atualizada em cursos relacionados com minha área
de formação (PROFESSOR I).
Dessa forma, o docente precisa reconhecer que sua maneira de trabalhar precisa ser
aprimorada em função da aprendizagem dos alunos e não minimizar essa situação atribuindo a
não aprendizagem ao desinteresse e descompromisso da família, além de outros aspectos que
são exclusivamente centrados no aluno.
O fracasso do aluno precisa, de partida, ser compartido com o do professor,
evitando-se remetê-lo apenas a incompetência do aluno (DEMO, 1995,
p.49).
O professor precisa contextualizar sua maneira de trabalhar com a realidade
encontrada em sala de aula, trazer formas alternativas, mais educativas e produtivas
permeadas em seu projeto pedagógico, não se trata de iniciar um processo de atribuição de
culpas seja docente, discente ou familiar e sim centrar-se no processo de construção e
reconstrução do saber, incentivando ao aluno a pesquisa, a lançar-se a um mundo
oportunidades que é a educação e, com isso, oportunizar a família a acompanhar seu
crescimento praticando, efetivamente, a relação família/escola, onde a aquisição e a
transformação do conhecimento refletem nas relações sociais.
Em relação à adequação dos cursos ao cotidiano da escola os dados apontam que a
maioria dos professores vivenciaram cursos que privilegiam essa característica, fato que se
analisado isoladamente seria uma enorme conquista para o processo educacional. Conforme
aponta o Professor J:
Sim, porque sempre faço cursos direcionados às turmas em que estou
atuando. As atividades exploradas nos cursos nos mostram novas maneiras
de introduzir conteúdos de maneira dinâmica e divertida.
Porém, ao analisar as repostas do questionário como um todo, principalmente em
relação à prática pedagógica e a qualidade dos cursos, percebe-se uma lacuna, pois como um
curso que direciona seus estudos a realidade escolar de modo a promover mudanças em sua
prática pode ter a qualidade duvidosa?
Em relação à qualidade dos cursos o Professor J afirma:
A qualidade dos cursos deixa a desejar.
12
Em relação ao grupo de professores que indicou a participação em cursos que não
consideraram a realidade escolar é interessante pontuar que além desse fato há uma tendência
a culpabilização dos professores por situações diversas ocorridas na escola, como declara o
Professor A:
Participei de um cujo tema era indisciplina em sala de aula e durante a
palestra tratou-se de outra temática, da qual responsabilizam o professor por
tudo.
Há uma tendência em se responsabilizar ao professor pelas mazelas da educação,
já que a relação com o aluno é direta e, muitas vezes, a direção, os coordenadores
pedagógicos e família não são identificados nesse contexto. Essa tendência pode se retratada
inclusive nas políticas de avaliação externa.
Os participantes da pesquisa foram unânimes ao afirmar que a formação
continuada influenciou diretamente sua prática pedagógica ao ponto de mudar suas ações em
sala de aula, o que nos leva a interpretação que todos os cursos de formação por eles
vivenciados eram de boa qualidade, já que os mesmos refletiram mudanças em na ação
pedagógica, conforme afirma o professor H:
Mudei minha maneira de agir e adquirir novas técnicas.
O professor, bem como qualquer profissional não está pronto, formado ao
terminar a graduação, o mesmo precisa atualizar-se constantemente, e a formação continuada
é nesse processo o meio para ajudar o docente compreender sua ação como educador e sua
responsabilidade social.
O professor, para tanto, carece capacitar-se a construir ambiente propício,
dentro do qual cabe a aula, desde que instrumentadora da emancipação
(DEMO, 1995, p. 104).
O docente deve proporcionar uma aprendizagem crítica, pois o aluno precisa se
identificar como sujeito capaz de transformar sua história. Dentro desse contexto é importante
ressaltar que o educador, deve se perceber nesse processo e buscar nos cursos de formação
além de técnicas a serem desenvolvidas em sala de aula, dominar conhecimentos estratégicos
da ação de transformação da realidade, permitindo ao outro criar criticamente sem com isso
persistir na ideia de reprodução vazia e indiferente do conhecimento. Assim, a partir do
momento em que há coerência entre a realidade escolar e o que é oferecido nos cursos de
formação continuada os conhecimentos adquiridos interferem na prática pedagógica, fato este
que altera a relação dos professores com os conteúdos e com os alunos.
Em relação à qualidade dos cursos de formação continuada dos quais os
professores participaram 60% apontaram que a qualidade destes estava comprometida, pois
não eram relacionados à realidade escolar. Tal fato permite identificar a falta de clareza dos
docentes em relação ao tema e/ou ao objeto da pesquisa, pois em todos os pontos anteriores se
mostraram assertivos em relação à qualidade dos cursos por serem coerentes com a realidade
escolar, bem como auxiliarem na redefinição do método de ensino e, nessa questão
13
especificamente, deixam claro suas insatisfações com os cursos de formação continuada
conforme apresentam os professores:
Acredito que os cursos deveriam ser mais voltados para prática escolar
(PROFESSOR B).
Fracos, acredito que deveriam ser ministrados por profissionais que saibam a
realidade de uma sala de aula (PROFESSOR E).
Assim, a qualidade das atividades desenvolvidas nos cursos é questionada pelos
professores em função da qualificação dos profissionais que os ministram – já que esses não
estão sintonizados com a prática escolar – e, consequentemente, o conteúdo apresentado
destoa da prática escolar. O professor precisa transforma-se, capacitar-se de modo a conversar
com a realidade e com os autores, estabelecendo assim um relacionamento dialético.
Outra característica apresentada foi à necessidade de ações de formação
continuada, pois palestras e oficinas de um encontro não dão conta da complexidade da sala
da aula.
Para Martins (2008)
O problema não para por aí. Sem critérios bem definidos para a
implementação dos programas, acabam sendo ofertados, a título de formação
continuada, cursos de curta duração, palestras e seminários que não têm o
poder de acompanhar a evolução do professor nem de mudar a forma como
ele trabalha (p.54).
Sendo assim, para garantir a qualidade na formação docente é preciso introduzir, em
caráter de urgência, uma formação inicial e continuada que se comunique com a realidade
para que se possam introduzir as inovações pedagógicas necessárias ao ambiente educacional.
Além dos dados já discutidos é interessante pontuar que um dos participantes
destacou a necessidade de se ter mais cursos na área de exatas, observação que demonstra o
interesse do professor numa área muitas vezes negligenciada na formação inicial do professor
que vai atuar na educação infantil. Libâneo (1998) afirma que
Sabe-se que são consideráveis as deficiências do professorado em relação ao
aprender a pensar, de modo que eles próprios necessitam dominar estratégias
de pensar e de pensar sobre o próprio pensar (p. 86).
Essa situação reflete a fragilidade de alguns currículos de Pedagogia, pois o
professor ao exercer a docência acaba por buscar cursos de treinamento visando à solução de
problemas cotidianos, centrados num saber-fazer receitas prontas.
É preciso reafirmar que a realidade escolar não pode ser esquecida ao se
fundamentar a formação continuada, pois a coerência do cotidiano educacional com os
conteúdos abordados nos cursos é essencial para que o professor tenha interesse em buscar
essa complementação do conhecimento, mas os cursos precisam extrapolar essa realidade e
enxergar o professor como um profissional capaz de propor transformações políticas, sociais,
culturais e econômicas.
14
CONCLUSÃO
A formação continuada no trabalho pedagógico dos professores da educação
infantil é essencial para que o processo educativo caminhe e se desenvolva; porque a
graduação não contempla em si as complexidades que a sala de aula nos reserva e as
diferentes abordagens que precisam ser dadas as características de cada contexto.
A análise da pesquisa como um todo possibilita identificar que os professores
buscam os cursos de formação continuada de acordo suas dificuldades, percebem como um
todo que são coerentes com a proposta inicial, porém não apresentam a qualidade esperada, e
mesmo assim apesar desse quadro conseguem assimilar pontos positivos que os levam a
mudar sua prática, enfim os docentes baseiam sua formação continuada na superficialidade do
contexto, sendo esse ponto uma espécie de herança da graduação superficial que não
contempla teoria e prática.
Os professores apresentaram-se conscientes da necessidade de se buscar o
conhecimento continuamente e de que essa ação interfere diretamente na prática pedagógica.
No entanto, apesar de reconhecerem essa formação como fundamental o professorado indica a
necessidade de melhorar a qualidade dos cursos aproximando-os do dia-a-dia da escola e
buscando minimizar as dificuldades dos docentes.
Assim, fica a reflexão sobre a necessidade de se investir em políticas públicas de
formação continuada mais coerentes com a atuação docente sem perder de vista a condição de
pesquisador inerente a essa profissão. O poder público deve se responsabilizar não só pela
oferta de cursos, mas oferecer condições que permitam a compra de livros atualizados,
participação em eventos e palestras. Enfim, que se possibilite ao professor se colocar no
mundo como protagonista de sua história e grande motivador para a construção das histórias
de seus alunos.
Além disso, uma formação adequada pode proporcionar aos professores
valorização profissional, pois se estaria participando da construção da sociedade do
conhecimento de forma ativa desde a produção crítica de seu material didático até sua
utilização pedagogicamente consciente.
Dessa maneira, é importante ressaltar a importância de o professor zelar por sua
competência tanto quanto pela valorização, pois esta vem como reflexo de suas ações. A
pesquisa apresentada nos sensibilizou nesse sentido no momento em que apresentou
professores preocupados com sua formação continuada, porém desencorajados pela falta de
realidade na aplicação da mesma, apesar de aparentemente irem ao encontro de suas
necessidades.
15
REFERÊNCIAS
BRASIL. Emenda constitucional nº 9, de 9 de novembro e 1995. Diário Oficial da União,
Brasília, v. 126, n. 66, p. 6009, 10 nov. 1995. Seção 1, pt. 1.1988.
CARNEIRO, Moacir Alves. LDB fácil. 17.ed. Petrópolos: Vozes, 2010.
CARVALHO, ANA. M. P. de, Daniel Gil Perez. O saber e o saber fazer dos professores.
In: CASTRO, A. D. de; CARVALHO, A. M. P. de (org.) Ensinar a Ensinar - Didática para a
Escola Fundamental e Média. São Paulo: Pioneira, 2001, pp. 107-121
DEMO, Pedro. Desafios modernos da Educação. 3.ed. Petrópolis: Vozes.1995
GURGEL, Thais. A origem do sucesso e do fracasso escolar. Nova Escola. São Paulo, n. 216,
p. 48-61, out. 2008.
GENTILE, Paola; CASSI, Patrícia. Educação, vista pelos olhos do professor. Nova Escola.
São Paulo. n. 207. P. 32-39. Nov. 2007
LIBÂNEO, José Carlos. Adeus professor, adeus professora?: novas exigências
educacionais e profissão docente. V.67. São Paulo: Cortez, 1998.
________. Pedagogia e Pedagogos, para quê?. 12. Ed. São Paulo: Cortez, 2010.
PETROSSI, Helena Gemignani [et al]. Revisitando o saber e o fazer docente. São Paulo:
Pioneira Thomson Learning, 2005.
RAMALHO, Betânia Leite.; NUNEZ, Isauro, Beltrán.; GAUTHIER, Clermont. Formar o
professor profissionalizar o ensino. 2.Ed. Porto Alegre: Sulina, 2004.
16
APÊNDICE
Curso de Pedagogia
Este questionário é uma atividade complementar do trabalho de conclusão de curso da
graduação de Pedagogia cursada na Universidade Católica de Brasília e tem por objetivo
identificar a percepção dos professores acerca dos cursos de formação continuada
freqüentados e a aplicação dos conhecimentos adquiridos as necessidades cotidianas de
sala de aula. Desde já agradeço pela sua colaboração, respondendo as questões abaixo,
sua identificação não é necessária e os dados recolhidos serão utilizados somente para
desenvolvimento da pesquisa.
Atenciosamente.
Sexo:
Idade:
( ) Masculino
( ) Até 30 anos ( ) 31 à 35 anos
( ) Feminino
( ) 36 à 40 anos ( ) Acima de 41
Tempo de Magistério:
( ) Até três ano ( ) De quatro a sete anos ( ) Mais de sete anos
1. O que o motiva a procurar um curso de formação continuada?
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
2. Quais critérios você utiliza para selecionar o curso a realizar?
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
3. Os cursos realizados foram coerentes e direcionados para a realidade escolar?
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
4. Explique como a aprendizagem nos cursos de formação realizados influenciou em sua
prática pedagógica?
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
5. Qual sua percepção em relação à qualidade dos cursos ofertados e por você realizado?
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
Download

Samantha Lins Sales O IMPACTO DA FORMAÇÃO CONTINUADA