CONSTRUINDO CAMINHOS PARA EDUCAÇÃO INCLUSIVA Raquel Vidigal Santiago1 Maria das Dores Lima Vilela1 Rua Madre Cabrini, 192 – Centro. Rio Pomba/MG Fone: (32) 3571-1439 ou (32) 8829-8734 [email protected] 1. INTRODUÇÃO Como se aprende sobre a diferença humana? Deve-se ensinar às crianças que os seres humanos são muito diferentes entre si e explicar-lhes em que se diferenciam, para então mostrar que essas diferenças podem ser uma fonte de enriquecimento para todos. Humberto Eco. Dados estatísticos preliminares oficiais, (como mostra, por exemplo, o quadro abaixo) comprovam que aproximadamente 41,5% de alunos com deficiência, estão devidamente matriculados e freqüentando escolas comuns. Política de Atendimento da Educação Especial - Brasil Fonte: Censo escolar – MEC/INEP – 2005(versão preliminar) Todavia, a discriminação e o preconceito ainda são realidades na maioria dos espaços sociais, inclusive entre as instituições escolares. Muitos educadores acreditam na 1 Escola Especial Menino Jesus de Praga – APAE de Rio Pomba/MG. inclusão escolar apenas na forma de socialização, principalmente para aqueles alunos com deficiência mental. Nas instituições citadas acima, mascara-se a realidade ao afirmam que são escolas inclusivas, somente pelo fato de estarem recebendo educandos com deficiência. No entanto, sabe-se que lá não há lugar para o diferente2, sendo este colocado à margem da educação (ensino/aprendizagem). Na maioria das vezes, esse público realiza atividades diferentes das que são propostas para a maioria dos alunos em sala de aula. Tal inclusão é referenciada por Carvalho (2004), como inclusão marginal: Os sujeitos que estão na inclusão marginal não são, necessariamente, rejeitados fisicamente. Podem até estar no mesmo espaço geográfico sem serem reconhecidos e valorizados. É neste termo que se insere a inclusão marginal que também é instável e precário, pouco visível, e por isso perversa, porque se insere no universo simbólico – Carvalho, 2004, p.05. Sabe-se que a função social da escola é formar e informar seus usuários, para que esses possam construir uma sociedade mais justa e igualitária com a participação efetiva de todos os cidadãos. Entretanto, como proceder a este fazer pedagógico sem que se facilite a construção do conhecimento; uma das tarefas primordiais da escola?. Será mesmo que pessoas com deficiência mental não são capazes de elaborar conhecimentos acadêmicos? Ou será que professores e equipe educacional não aceitam culturalmente, e/ou não estão preparados para lidar com este desafio? Soma-se ainda a estes fatos, a falta de políticas públicas adequadas no tratamento da questão. Com o advento da inclusão, que há mais de dez anos tem sua frente defendida por estudiosos e pesquisadores da área, a Educação Inclusiva é o principal ponto para que alunos com necessidades educacionais especiais consigam efetivamente estarem incluídos no setor educacional, elaborando e solidificando conhecimentos acadêmicos. Muitas instituições ainda concebem uma metodologia arcaica e tradicional na consolidação do ensino/aprendizagem. Porém, para que se atenda a este novo paradigma, torna-se fundamental a valorização das diversidades existentes no interior desses educandários. O sistema educacional mineiro tem sido destaque na progressão do número de alunos com necessidades educacionais especiais incluídos, segundo os dados dos últimos censos escolares. Partindo-se da premissa de que incluir não se resume na efetivação da matrícula desses alunos, mas também na garantia de que lhes seja assegurado o direito à permanência, ao percurso e ao pleno desenvolvimento de suas potencialidades, faz-se necessário o estabelecimento de um processo de discussão que instaure uma visão crítico-reflexiva e de maior assertividade nas 2 Pode se trocar o termo “o diferente” por “ à diversidade de pessoas, pensamentos, modos de expressões culturais, etnias, crenças, raças, individualidades, níveis sociais, etc. ações dos professores, dos gestores, da comunidade escolar e de outros setores sociais no que se refere à inclusão.(PROJETO INCLUIR- 2006, Secretaria de Estado de Educação/MG). Se a escola reproduz a sociedade e ao mesmo tempo provocar sua transformação pois facilitar a reconstrução de conhecimentos, atitudes e formas de conduta – a valorização das diferenças ocorrendo por esta, certamente serão aceitas e valorizadas na comunidade onde se inserem. A Inclusão Escolar torna-se, portanto, questão de justiça social. Nesta nova era, onde a educação para todos é assegurada pela Constituição Brasileira de 1988, sendo garantido o acesso ao ensino fundamental regular a todas as crianças e adolescentes sem exceção; reforçada pela LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional) de 1996 e pela convenção de Guatemala em 2001 que proíbe qualquer tipo de diferenciação, exclusão ou restrição baseada nas deficiências das pessoas, faz-se extremamente necessário um novo posicionamento, revisando conceitos e mudando atitudes, não só da comunidade escolar, mas de todo segmento social. É preciso lançar um novo olhar à educação brasileira. Mesmo depois de 18 anos de promulgação da Constituição que prevê “igualdade de condições para o acesso e permanência na escola”, alguns professores e diretores acreditam que estudantes com deficiência não conseguem aprender e, em classe, devem apenas brincar ou passar o tempo. Revista Nova Escola. Reportagem: A sociedade em busca de mais tolerância, páginas 34 a 36, outubro de 2006, nº196. Em entrevista concedida à revista Nova Escola, em maio de 2005, Maria Tereza Mantoan3 responde ao ser questionada sobre “o que faz uma escola ser inclusiva?” Em primeiro lugar, um bom projeto pedagógico, que começa pela reflexão. Diferentemente do que muitos possam pensar, inclusão é mais do que ter rampas e banheiros adaptados. A equipe da escola inclusiva deve discutir o motivo de tanta repetência e indisciplina, de os professores não darem conta do recado e de os pais não participarem. Um bom projeto valoriza a cultura, a história e as experiências anteriores da turma. As práticas pedagógicas também precisam ser revistas. Como as atividades são selecionadas e planejadas para que todos aprendam? Atualmente, muitas escolas diversificam o programa, mas esperam que no fim das contas todos tenham os mesmos resultados. Os alunos precisam de liberdade para aprender do seu modo, de acordo com as suas condições. E isso vale para os estudantes com deficiência ou não. 3 Pedagoga especializada em educação de pessoas com deficiência mental Centre National d'Etudes et de Formation pour L'Enfance Inadaptée et L'Adaptation Scolaire - CNEFASES - Beaumont-sur - Oise/França. Mestre em Educação / área de concentração Psicologia Educacional Universidade Estadual de Campinas UNICAMP / SP- 1987.Doutor em Educação / área de concentração Psicologia Educacional Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP / SP - 1991 Professora do Departamento de Metodologia de Ensino Faculdade de Educação – UNICAMP.Coordenadora do LEPED- Laboratório de Estudos e Pesquisas em Ensino e Reabilitação de Pessoas com Deficiências - Departamento de Educação / Fe / UNICAMP. Professora Convidada e Pesquisadora do NIED - Núcleo de Informática Aplicada à Educação – UNICAMP. Assessoria pedagógica a redes de ensino público que desenvolvem projetos de inclusão escolar - Educação para Todos. Sabe-se, portanto, que esta torna-se uma tarefa difícil, por divergir da cultura educacional que se formou desde os primórdios da história da educação formal, no mundo. É preciso que haja uma revisão no modelo de organização pedagógica do ensino fundamental para que a inclusão educacional consolide-se. Prioriza-se, como um dos pontos chaves para esta construção, a conscientização e formação dos agentes educacionais - principalmente a formação dos professores: soldados que estão na linha de frente da batalha –, e as mudanças metodológicas, conceituais, atitudinais e estruturais que deverão acontecer no cenário educacional para que a inclusão escolar ocorra de fato. Neste processo, deve-se também, lançar mão dos chamados “Atendimentos Educacionais Especializados”, que se referem à adoção de práticas educacionais especificamente adequadas ao atendimento de educando com necessidades educativas especiais. Acredita-se ser, então, urgentemente necessária, a execução real desta política mundial, para que a inclusão de fato se torne realidade dentro das escolas comuns. Não basta somente colocá-los dentro de uma sala de aula, é preciso que se garanta a aprendizagem desses alunos. Portanto, este trabalho tem por objetivo traçar metas e construir caminhos que possam servir de apoio às escolas regulares comuns no desenvolvimento de uma verdadeira Educação para Todos. 2. JUSTIFICATIVA Esta proposta de trabalho se faz, por percebermos o amplo sentido da Educação Especial e sua relevância no processo da Educação Inclusiva - escola de qualidade para todos, entendendo o tema Inclusão como um amplo projeto social. Durante os últimos anos, entre vários estudos (leituras, palestras, encontros, debates, seminários, etc.), formou-se um novo olhar para a Educação Especial, e ao mesmo tempo se constatou que a visão geral sobre Inclusão é muito restrita e, muitas vezes entendida de forma errônea. Mesmo com toda efervescência causada pelo paradigma da inclusão educacional, percebe-se que ainda cultiva-se no interior de muitas instituições comuns e especiais uma forte tendência ao trabalho de integração, confundindo-se ao de inclusão escolar. Orientação SD nº01/2005, nos relata o seguinte: A inserção de um número maior de alunos com deficiências e condutas típicas em classes comuns e a garantia do aprendizado desses alunos representam um avanço histórico em relação ao movimento de integração, que pressupunham algum tipo de treinamento do aluno, para permitir sua participação no processo educacional comum. Na educação inclusiva, a escola deve estar revisando suas práticas, mudando concepções, revendo seu papel, reconhecendo e valorizando as diferenças, explicitando claramente no seu projeto pedagógico, o compromisso com o êxito do processo de ensino, a capacitação de seus profissionais e a oferta de recursos pedagógicos especiais aos alunos que deles necessitarem. Não basta apenas garantir a matrícula e permanência do aluno com deficiência na escola regular/comum, é preciso principalmente garantir a aprendizagem desses educandos. A promoção da educação inclusiva, fundamentada no princípio da universalização do acesso à educação e na atenção à diversidade, requer uma filosofia de educação de qualidade para todos. Na busca deste pressuposto é essencial o desenvolvimento de uma pedagogia centrada na criança, a ampliação da participação da família e da comunidade nos espaços educacionais, a organização das escolas para a participação e aprendizagem de todos os alunos e alunas e a formação de redes de apoio à inclusão. http://portal.mec.gov.br/seesp/ Programa: Educação Inclusiva: Direito á diversidade – Inclusão: um desafio para os sistemas de ensino Consulta feita em 12/04/2008. Percebeu-se, também, pelo momento histórico atual, que se faz imprescindível a ressignificação da escola especial/educação especial e das escolas comuns; para que estas deixem de ser vistas como escolas segregacionistas, e passem a ser entendidas como pontes mediadoras indispensáveis na inclusão educacional do aluno – tenha ele uma deficiência ou não. Cabe aqui citar Hugo Otto Beyer4 (2006), em seu texto “Inclusão e avaliação na escola”, referindo-se á Educação Especial Móvel: Nós nos encontramos numa situação de significativa mudança na função pedagógica da educação especial, o que pode representar uma mudança do conceito de uma educação especial fixa, estabelecida fisicamente em espaços circunscritos, basicamente nas escolas especiais, para o conceito de uma educação especial móvel, dinâmica, que se desloca para atender os alunos nas escolas do ensino regular. Acreditamos então, que esta nova forma de atuação da Educação Especial faz-se necessária por entendermos que só a partir da tomada de consciência do conceito e das metodologias de uma “Educação Inclusiva”, tornando-a praxe no interior dos educandários, é 4 Possui Graduação em Pedagogia pela Faculdade Portoalegrense de Educação, Ciências e Letras (1986), Mestrado em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1988), Doutorado em Educação/Educação Especial, pela Universität Hamburg (1993), Alemanha, e Pós-Doutorado em Educação/Educação Especial, pela Universität Dortmund (1998), Alemanha. Atualmente é Professor Adjunto da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Tem experiência na área de Educação, com ênfase em Educação Especial, atuando principalmente nos seguintes temas: educação inclusiva, abordagem vygotskiana, abordagem de R. Feuerstein e psicopedagogia. Principais obras publicadas são O Fazer Psicopedagógico: a abordagem de Reuven Feuerstein a partir de Piaget e Vygotsky (Porto Alegre: Mediação, 2002, 3a. ed., 206 p.) e Inclusão e avaliação na escola de alunos com necessidades educacionais especiais (Porto Alegre: Mediação, 2006, 2a. ed., 128 p.). que educadores, pais e sociedade, conseguirão compreender e valorizar à diversidade, sem qualquer tipo de discriminação e/ou preconceito. Para o Projeto Incluir – Secretaria do Estado de Educação/MG (Cartilha, página 8), é compatível à escola especial: Cabe à escola especial apoiar e complementar a escola comum oferecendo recursos educacionais aos alunos, proporcionando diferentes alternativas de atendimento,garantindo que sejam reconhecidas e atendidas as particularidades de cada aluno com deficiência e conduta típica Sobre a forma dos atendimentos educacionais especializados a Orientação SD nº 01/20055, assegura: A modalidade educação especial deve ser oferecida aos alunos com deficiência e condutas típicas que dela necessitarem, em escolas de educação infantil, fundamental e médio. Deve ser assegurado um conjunto de ações, recursos e serviços educacionais especializados, organizados institucionalmente para apoiar, complementar e, em alguns casos, substituir os serviços educacionais comuns. Embora diferenciados, os serviços educacionais especiais não podem desenvolverse isoladamente, devendo integrar-se numa estratégia global de educação. Porém, só estas medidas não bastam para que se chegue à plenitude deste trabalho. É preciso consolidarmos alianças entre as APAEs, Secretarias Regionais de Educação do Estado de MG, Secretarias Municipais de Educação, Assistência Social e Saúde, para que se consiga êxitos e eficácia nos programas de atendimentos educacionais especializados, atendimentos à família e aos professores da rede regular comum e especial. Tais alianças são previstas também pela rede de apoio do Projeto incluir da Secretaria de Estado de Educação/MG: Para que a educação inclusiva seja implementada torna-se necessária a articulação em rede das escolas públicas com outras instituições, comunidade e demais recursos existentes em cada município. A implementação de ações que assegurem a identificação de organizações e agentes sociais possibilitará o desenho da rede. A articulação em rede destes atores favorecerá alunos, famílias e a comunidade em geral. (...) Para iniciar esta rede no município é preciso a participação de representantes: da Superintendência Regional de Ensino - SRE, da Secretaria Municipal da Educação, das escolas, dos serviços especializados, da comunidade, dos demais setores sociais governamentais e não governamentais de: saúde, transporte, trabalho, assistência social, lazer, cultura, esporte, previdência social, habitação e urbanismo com toda a comunidade. Para o Projeto Incluir são competências das Instituições Especializadas conveniadas: • Participar das discussões relativas ao Projeto no município. 5 ORIENTAÇÃO SD nº 01/2005 - orienta o atendimento de alunos com necessidades educacionais especiais decorrentes de deficiências e condutas típicas. Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais/Subsecretaria de Desenvolvimento da Educação • Reorganizar os atendimentos educacionais especializados conforme as diretrizes da Secretaria de Educação. • Disponibilizar, sempre que necessário, os seus profissionais e os atendimentos educacionais especializados complementares para o atendimento de alunos com deficiência e condutas típicas matriculados nas escolas públicas. Entendemos a “Educação Inclusiva” como um amplo projeto sócio-histórico indispensável à construção de uma sociedade justa para todos. Portanto, o trabalho relatado a seguir, demonstra os caminhos que estão sendo percorridos pelas equipes pedagógicas das Escolas Comuns de Rio Pomba/MG ( Municipais e Estadual - de 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental) juntamente com a Escola Especial Menino Jesus de Praga, mantida pela APAE de Rio Pomba/MG (profissionais especializados em Educação Especial). 3. OBJETIVOS • Fomentar o processo da Educação Inclusiva nas escolas de Rio Pomba que oferecem o primeiro segmento do Ensino Fundamental (1º ao 5º ano) • Garantir a qualidade da educação oferecida nas escolas regulares comuns aos alunos com deficiência que dela se utilizarem. • Proporcionar o processo de construção da Educação Especial Móvel, • Apoiar as escolas regulares comuns e especiais, na ressignificação de suas práticas pedagógicas; • Promover ações para a organização e regularização dos Atendimentos Educacionais Especializados, oferecidos pelo Setor Educacional das APAE de Rio Pomba. • • Contribuir para a formação de professores das escolas comuns e especiais Apoiar e complementar a escola comum oferecendo recursos educacionais aos alunos, proporcionando diferentes alternativas de atendimento, garantindo que sejam reconhecidas e atendidas as particularidades de cada aluno com deficiência e condutas típicas. • Auxiliar a construção do PDI (Plano de Desenvolvimento Individual ) dos alunos que dele necessitarem; • Elaborar e encaminhar o pedido de autorização do atendimento educacional especializado – sala de recurso, junto à Secretaria Estadual de Educação. 4. METODOLOGIA Projeto: CONSTRUINDO CAMINHOS PARA EDUCAÇÃO INCLUSIVA, procurou fomentar o processo da Educação inclusiva, buscando a garantia da qualidade da educação através da elaboração criteriosa e consciente do PDI (Plano de Desenvolvimento Individualizado) do aluno com necessidades educacionais especiais e na construção de atendimentos educacionais especializados, sob a forma de salas de recursos. Para tanto, estudos, reuniões e práticas pedagógicas diferenciadas foram realizadas entre professores, coordenadores pedagógicos e diretores da escola comum e especial além, é claro, dos pais e alunos. Com o processo de inclusão educacional, onde alunos da escola especial tiveram suas transferências para escola comum, foi proposto pelos profissionais especializados em educação especial, uma parceria com as escolas comuns, com o objetivo de construir, ou pelo menos, começar a construção, da uma educação de qualidade para todos. Pensou-se em estar organizando os documentos necessários para o processo de construção das salas de recursos, no caso o preenchimento do “Formulário VI” – documento encaminhado á Secretaria Estadual de Educação de MG para a concessão da autorização dos atendimentos. Porém, para que se consiga preencher corretamente este formulário, é preciso que o aluno tenha previamente, um PDI, elaborado e preenchido pela equipe pedagógica da escola onde este aluno encontra-se matriculado. É a partir das informações do PDI, que se tem os dados necessários para o preenchimento do item 5 do Formulário VI - Avaliação Educacional do Aluno, mostrando a real necessidade educacional deste aluno. Então o primeiro passo teria que ser incentivar, orientar e acompanhar a elaboração do PDI de cada aluno que apresentasse dificuldades reais de aprendizagem, visto que nesta escola este processo ainda não ocorria. Algumas medidas então foram tomadas. Veja a seguir: Reunião de planejamento das atividades que deveriam ser realizadas na execução do projeto, juntamente com toda a equipe educacional das escolas comuns (diretores, coordenadores pedagógicos e professores), estabelecendo períodos para a realização de cada etapa. Levantamento da demanda de alunos com necessidades educacionais especiais, dos apoios necessários para a efetivação da educação inclusiva, e da regularização/legalização dos atendimentos educacionais especializados, e elaboração do Relatório Circunstanciado e da Avaliação Educacional Inicial do aluno (entrevista com: pais realizada pelos professores). Elaboração do plano de atendimento, traçando os objetivos educacionais a serem alcançado, de acordo com a individualidade/necessidade de cada aluno, encerrando a construção do PDI. Ao término destas etapas, foi possível constatar muitos avanços, por exemplo, quando começamos a realização do projeto, não havia elaboração de tais documentos pelas escolas comuns, hoje já se tem mais de 190 – cento e noventa – PDIs escolares construídos na Rede Municipal e Estadual de Rio Pomba, com a devida responsabilidade e seriedade que o assunto merece. Sobre cada uma das etapas acima. Reunião de planejamento: No mês de março, em conversa prévia com a direção das escolas comuns, pedimos um espaço numa reunião pedagógica de módulo II – estas reuniões acontecem semanalmente nas escolas estaduais, e também em alguns momentos na Rede Municipal de Educação -, para que pudéssemos repassar para toda equipe pedagógica – coordenadores e professores - a proposta, o objetivo do projeto e o cronograma que teríamos que cumprir em cada etapa. Assim aconteceu e a aceitação por parte das equipes foram boas. Levantamento da demanda: Ficou estabelecido que nos meses de março e abril teria que se realizar o levantamento de alunos com defasagem na aprendizagem escolar e daqueles que também apresentavam muitos problemas de comportamento, causando prejuízo para si e para o grupo. Ainda neste período deveria acontecer a construção do Relatório Circunstanciado e da Avaliação Educacional Inicial do aluno. Neste dia também orientamos todos os passos para realização das atividades. Assim, ocorreu. Pais foram chamados para um entrevista e os professores também realizaram a avaliação educacional inicial dos alunos. Nesta etapa identificou-se o primeiro obstáculos – alguns pais foram chamados várias vezes à escola e não compareceram – primeiro entrave para educação inclusiva: falta de compromisso de algumas famílias. Elaboração do plano de atendimento: Em abril voltamos a reunião de módulo II, conferimos a realização da primeira etapa. Também orientamos o para o próximo passo - a elaboração do plano de atendimento - e estabelecemos a data para sua realização, julho de 2008. Nesta fase, outro obstáculo surgiu. A falta de tempo por parte dos professores – que muitas vezes trabalham em duas escolas para complementar o orçamento financeiro e pelo excesso de atividades que levam para fazer em casa. Tentamos sanar esta dificuldade propondo que integrantes da equipe especializada em educação especial (pedagoga e professoras), faríamos visitas periodicamente á escola Padre Manoel de Jesus Maria6, em horário de escolarização, oferecendo vivências aos alunos de práticas pedagógica criativas e diferenciadas, as quais facilitam e tornam possível o ensino para todos, na perspectiva de um trabalho contextualizado, recreativo e lúdico; assim o professor regente de turma teria um momento, junto aos coordenadores pedagógicos da escola, para traçarem o plano de atendimento individual do aluno. Nesta etapa, que até agora, confesso a vocês, pra mim foi a mais surpreendente, interessante, desafiadora e de maior crescimento profissional, foi onde também pudemos constatar o empenho de cada professor regente, sua garra, profissionalismo e cumprimento de sua função, formando e informando os futuros cidadãos. Aqui tivemos que tomar algumas cuidados: Fizemos uma analise informal de cada turma junto ao regente da classe que estaríamos posteriormente, traçamos objetivos curriculares a serem trabalhados – uma espécie de objetivo curricular a ser trabalhado com essas turmas -, confeccionamos materiais didáticos necessário para cada atividade e nas visitas em cada sala, executamos as atividades elaboradas. Entre as atividades trabalhadas, estavam o jogo de balata naval (de letras e números), histórias contadas, dobraduras, jogos variados como varetas e bingos de substantivos, caixas surpresas. Conseguimos prender a atenção dos alunos fazendo com que eles participassem das atividades, prestando atenção e tentando construir por eles mesmos o conhecimento. Daria para escrever um livro relatando todas as incríveis experiências que passamos estes dias dos meses de junho e julho, nas salas de aulas as quais visitamos. Pudemos também detectar aqueles alunos que realmente precisam de um acompanhamento especializado – educacional e/ou clínico – para uma melhor performance na aprendizagem escolar. Fatos interessantes desta fase: 6 Escola Estadual que faz parte do projeto. Atende hoje cerca de 500alunos de 06 a 12 anos. A maioria de seus usuários se constitui de educandos de classe econômica-social baixa e cultura peculiar. A instituição encontra-se muito bem equipada, com estrutura arquitetônica reformada, profissionais capacitados e sendo dirigida por uma gestão democrática e participativa. No dia 02 de junho de 2008, fomos eu (coordenadora pedagógica) e a professora Marilú (profissionais especializados em educação especial) iniciar o processo de aplicação de atividades diferenciadas em salas de aula. Neste primeiro dia, ficamos de 8:00 às 9:30 na sala da professora Maria José Batista, 3º Ano do Ensino Fundamental. Levamos a atividade “Pega Varetas”, para trabalhar conteúdos de adição e subtração (conteúdos estes pedidos pela própria professora). Cada aluno recebeu uma tabela com cores e espaços para registro e soma dos pontos obtidos no jogo. Todos os alunos participaram ativamente da brincadeira e ao final fizemos tabulação dos pontos auxiliando aqueles alunos que tinha alguma dificuldade. Sentimos que os alunos, no trabalho em grupo (ou quando este sai da rotina tradicional), ficam muito falantes e agitados. Alguns alunos, ao voltarem para suas carteiras (pois o jogo de varetas que aconteceu entre grupos de três alunos no chão da sala), não conseguiram mais ficar disciplinados. Isso ainda é estranho e difícil para nós professores acostumados a trabalhar com turmas silenciosas (mesmo que estas fiquem apáticas e passivas ao conteúdo trabalhado). Ficamos também um pouco preocupados com o barulho feito dentro da sala durante o jogo, mas esta preocupação logo teve fim, pois ao retornar a sala, a professora disse que gostou muito da atividade pois os alunos interagiram bastante. Pediu para que voltássemos sempre, e que queria aprender mais sobre a metodologia. Prometemos para ela que também gostaríamos de continuar esse trabalho e que mandaríamos alguns materiais de aplicação da adição e subtração de forma criativa e prazerosa para o aluno. No segundo momento, neste mesmo dia, de 10:00 às 11:15, os trabalhos se desenvolveram na Sala da Professora Vanessa (também 3º Ano do Ensino Fundamental e com o mesmo objetivo: adição e subtração, também a pedido da professora). Nesta sala, notamos a presença de alunos muito agitados, que só queriam jogar futebol e que não conseguiam ficar assentado em suas cadeiras. Porém, durante o jogo de varetas, um só aluno não conseguiu concluir o que foi pedido (ou seja, completar a queda do jogo), mostrando agressividade, impaciência e intolerância com os colegas e adultos que ali estavam. Durante esse tempo, tivemos em quase todas as salas de aula contando histórias, brincando com palavras e números, desenvolvendo produções textuais coletivas e construindo conhecimento junto com os alunos. E assim se desenvolveram estas atividades durante esses meses (junho e julho). No começo não tínhamos total domínio do comportamento dos alunos, mais aos poucos fomos desenvolvendo atividades lúdicas que tranqüilizavam as crianças. O próximo passo seria o preenchimento da Avaliação Educacional do Aluno – item 5 do Formulário VI, o que também é feito pelo professor regente e equipe pedagógica da escola onde este aluno está matriculado. Esta etapa está em andamento e deverá ser concluída até meados do mês de agosto. Com as avaliações prontas, a instituição especializada já poderá preencher e montar pedido de autorização para o Atendimento Educacional Especializado em 2009 – Sala de Recursos/Formulário VI e encaminhá-lo junto a Secretaria Regional de Educação no período estabelecido pela mesma - geralmente isso ocorre em setembro. 5. MUITAS CONCLUSÕES CHEGAMOS ATÉ AQUI Reconhecemos o valor da equipe pedagógica (corpo docente, coordenadoras e diretoras) das escolas comuns e o excelente trabalho realizado com alunos carentes, muitas vezes discriminados e rotulados pela sociedade como alunos problemas. Acreditamos que o PDI construído pelas professoras já representa um enorme passo ruma à educação inclusiva, pois com certeza novos olhares serão lançados para os alunos com necessidades educacionais especiais. Criação de parcerias e alianças com os setores educacionais comuns e especiais, ressignificando a prática pedagógica de ambos, no alcance da educação de qualidade para todos; A importância da de participação dos pais na elaboração do PDI, construindo em conjunto os objetivos imprescindíveis para felicidade dos alunos/filhos. Conhecimento da diversidade existente em sala de aula comum e o desafio de estar atingindo e repeitando a todos os educando igualitariamente, assegurando direitos e singularidades. A felicidade de saber que estamos no caminho certo, mesmo cometendo alguns erros. Raquel Vidigal Santiago Coordenadora Pedagógica Escola Especial Menino Jesus de Praga. Esta proposta de trabalho se faz, por percebermos o amplo sentido da Educação Especial e sua relevância no processo da Educação Inclusiva - escola de qualidade para todos, entendendo o tema Inclusão como um amplo projeto social. Julho de 2008