UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ CENTRO DE CIENCIAS SOCIAIS APLICADAS CURSO DE ADMINISTRAÇÃO TRABALHO DE CONCLUSÃO DE ESTÁGIO ROTATIVIDADE, BAIXA PRODUTIVIDADE E SAÚDE DO TRABALHADOR: ESTUDO NA EMPRESA NUTRIVALE. JESSICA RÉGIS Administração de Recursos Humanos ITAJAÍ 2013 2 JESSICA RÉGIS TRABALHO DE CONCLUSÃO DE ESTÁGIO ROTATIVIDADE, BAIXA PRODUTIVIDADE E SAÚDE DO TRABALHADOR: ESTUDO NA EMPRESA NUTRIVALE. Trabalho de Estágio desenvolvido para o Estágio Supervisionado do Curso de Administração do Centro de Ciências Sociais Aplicadas – Gestão da Universidade do Vale do Itajaí. Orientadora: Souza ITAJAÍ 2013 Antônia Egídia de 3 AGRADECIMENTOS Agradeço aos meus pais, Angela Maria de Souza e Gilberto Domingos Régis, que me deram a vida, que se doaram inteiros e me ensinaram a viver com dignidade. Pela longa espera e compreensão durante longas jornadas em busca de quem sou, não bastaria um muitíssimo obrigado, mais não poderia deixar de exprimir que o seu amor e compreensão me guiaram até aqui. E ainda obrigada pela oportunidade de ingressar no ensino superior e conhecer pessoas maravilhosas que levarei comigo, para sempre. Às minhas colegas de faculdade Aline Maes, Carolina Giusti e Elisabeth Ferrari por estarem sempre presentes, nos bons e maus momentos, que foram meu alicerce nesta caminhada, não faltaram obstáculos, mas a amizade foi a força que eu precisava pra continuar, vocês entraram na minha vida de forma inesperada e jamais quero que saiam dela. Á minha Orientadora Prof. Dra Antônia Egídia de Souza, que me mostrou temas que eu desconhecia e que mudaram o rumo do meu trabalho, pela dedicação na orientação do presente trabalho, e ainda por fazer parte dessa jornada tão importante, marcou minha caminhada ao conhecê-la. Ao gestor, Allan Jonathan Algayer dos Santos, pela atenção e disponibilidade sempre que preciso, pelas informações, sempre realistas e pela possibilidade de acesso total á elas. Agradeço aos meus amigos por estarem sempre me animando e dando-me forças pra seguir. 4 EPÍGRAFE “O que é necessário para mudar uma pessoa é mudar sua consciência de si mesma”. Abraham Maslow 5 EQUIPE TÉCNICA a) Nome do estagiário Jessica Régis b) Área de estágio Recursos Humanos c) Orientador de conteúdo Prof. Dra Antônia Egídia de Souza d) Supervisor de campo Allan Jonathan Algayer dos Santos e) Responsável pelo Estágio Prof. Mesc. Eduardo Krieger da Silva DADOS DE IDENTIFICAÇÃO DA ORGANIZAÇÃO a) Razão Social Allan Jonathan Algayer Dos Santos EPP. b) Endereço Localiza-se no Município de Itajaí, Bairro centro, Rua silva, nº 113 c) Setor de Desenvolvimento do Estágio Recursos Humanos d) Duração do estágio 240 horas e) Nome e cargo do supervisor de campo Allan Jonathan Algayer dos Santos, Gestor Administrativo e de Recursos Humanos f) Carimbo e visto da organização 7 RESUMO O setor terciário é bastante complexo e para tornar-se competitivo dependente da força de trabalho em função do uso intensivo de mão de obra. Nesse sentindo, a necessidade de sobrevivência tem levado as empresas perceberem que suas estratégias devem estar voltadas para a retenção de seus talentos. Diante disso, as empresas precisam reduzir a rotatividade e melhorar as condições de trabalho. Considerando essas questões, buscou-se investigar na visão do gestor e colaboradores se existe relação, entre a rotatividade, a produtividade e a saúde do trabalhador. A empresa escolhida para o estudo foi a NUTRIVALE refeições coletivas, localiza-se no Município de Itajaí, trata-se de uma cozinha industrial. E por trabalhar diretamente com pessoas, e com um processo tão delicado como o de alimentação coletiva, a gestão de pessoas torna-se bastante relevante. A tipologia adotada no trabalho foi de uma pesquisa diagnóstico, com abordagem qualitativa, o nível da pesquisa caracteriza-se como exploratório, elegeu-se como estrategia o estudo de caso. Para levantamento dos dados foram aplicadas entrevistas semiestrutuadas, com os colaboradores e o gestor. A análise dos dados ocorreu primeiramente pela trascrição das gravações (aúdio) e logo após pela análise das informações obtidas. A partir da análise dos dados, pode-se obervar que em relação a estrutura da gestão de pessoas, constatou-se que é tratada de maneira informal e centrada na figura do gestor que é também, proprietário da organização, os aspectos formais não são mensurados, nem praticados. A pesquisa realizada de forma qualitativa não permitiu estabelecer uma relação de causa e efeito, mas pode-se notar que os resultados obtidos, demonstram que as causas da rotatividade e da baixa produtividade estão interligadas. Sobre a saúde no trabalho cabe destacar que o conteúdo das tarefas das pessoas que atuam nesse tipo de negócio pode afetar a saúde dos trabalhadores em função do grau de risco inerente a atividade. Constata-se que a empresa não tem um programa formal de saúde e segurança no trabalho, porém existe a preocupação, por parte do gestor, com o uso do EPI’S. A pesquisa revela também que a empresa tentou implementar um programa de promoção da saúde, contudo não obteve resultados. PALAVRAS-CHAVE: Gestão de pessoas; produtividade; rotatividade; saúde do trabalhador. 8 LISTA DE ILUSTRAÇÕES Figura 1. Processos de gestão de pessoas.......................................................31 Figura 2. RP previamente aprovada em Budget................................................35 Quadro 1. Comparativo entre as normas ISO 9000, ISO 14000 E OHSAS 18000.................................................................................................................58 Quadro 2. Apresentação dos riscos e sua prevenção.......................................64 Imagem 1. Sede da empresa Nutrivale em Itajaí...............................................79 Figura 3. Organograma da empresa Nutrivale..................................................82 Imagem 2. Colaboradores uniformizados..........................................................84 Tabela 1. Síntese dos resultados da pesquisa com o gestor sobre estrutura de gestão de pessoas...........................................................................................117 Tabela 2. Síntese dos resultados da pesquisa com o gestor sobre as causas da rotatividade e produtividade.............................................................................119 Tabela 3. Síntese dos resultados da pesquisa com o gestor sobre a importância da saúde no trabalho.......................................................................................122 Tabela 4. Síntese dos resultados da pesquisa com os colaboradores sobre estrutura de gestão de pessoas.......................................................................127 Tabela 5. Síntese dos resultados da pesquisa com os colaboradores sobre as causas da rotatividade e produtividade...........................................................129 Tabela 6. Síntese dos resultados da pesquisa com os colaboradores sobre a importância da saúde no trabalho....................................................................135 Tabela 7. Comparação entre os resultados da pesquisa com o gestor versus colaboradores..................................................................................................140 Quadro 3. Sugestões para a empresa.............................................................151 9 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO .............................................................................................. 11 1.1 Objetivo Geral ....................................................................................... 14 1.1.1 Objetivos Específicos ....................................................................... 14 1.2 Justificativa da Realização do Estudo ................................................ 14 1.3 Aspectos metodológicos ..................................................................... 16 1.3.1 Características da Pesquisa ............................................................. 16 1.3.2 Técnicas de coleta e análise dos dados .............................................. 19 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA .................................................................... 28 2.1 A Evolução da Administração de pessoas ......................................... 28 2.1.1 Processos de gestão de pessoas..................................................... 31 2.1.1.1 Subprocessos da movimentação .................................................. 33 2.1.1.2 Subprocessos do Desenvolvimento .............................................. 37 2.1.1.3 Subprocessos da Valorização ....................................................... 38 2.2 Saúde do trabalhador ........................................................................... 39 2.2.1 Saúde e Segurança no Trabalho como sistema de gestão que favorece o desempenho organizacional .................................................... 45 2.2.2 Riscos e prevenções associados à saúde do trabalhador no setor de restaurantes. ............................................................................................. 61 2.3 Produtividade ........................................................................................ 66 2.4 Rotatividade .......................................................................................... 72 3 DESENVOLVIMENTO DO TRABALHO ....................................................... 78 3.1 Descrição da Empresa ......................................................................... 78 3.1.1 Mercado em que a empresa atua..................................................... 80 3.1.2 Estrutural organizacional .................................................................. 81 3.1.3 Ambiente de atuação da empresa.................................................... 85 3.2 Resultados da Pesquisa ................................................................... 86 3.2.1 Atual estrutura de gestão de pessoas .......................................... 87 3.2.2 Fatores causadores da baixa produtividade e da rotatividade na visão do gestor .......................................................................................... 92 3.2.3 Fatores causadores da baixa produtividade e da rotatividade na visão dos colaboradores ..................................................................................... 98 3.2.4 Importância da saúde no trabalho na visão do gestor ................ 103 3.2.5 Importância da saúde no trabalho na visão dos colaboradores ..... 110 3.3 Síntese dos Principais Resultados da Pesquisa .......................... 116 3.4 Sugestões para empresa ................................................................ 151 10 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS ........................................................................ 153 5 REFERÊNCIAS ........................................................................................... 156 APENDICE A, ENTREVISTA SEMIESTRUTURADA APLICADA AO GESTOR DA EMPRESA NUTRIVALE...........................................................................165 APENDICE B, ENTREVISTA SEMIESTRUTURADA APLICADA AOS COLABORADORES DA EMPRESA NUTRIVALE.........................................168 APENDICE C, TERMO DE RESPONSABILIDADE E COMPROMISSO.......175 11 1 INTRODUÇÃO As obras dos próximos eventos no Brasil, a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016, geram necessidades de melhores infraestruturas, e consequentemente o país precisa de construtoras que são o público alvo da empresa NUTRIVALE, sendo assim o mercado das cozinhas industriais só tende a crescer, e está em um momento favorável. A revista Exame PME (Pequenas e Médias Empresas) divulgou um ranking das 100 empresas que mais cresceram entre 2008 e 2011, e o setor que mais cresceu nesse período foi o de serviços, com 19% e seguido pela construção Civil (18%), alias foi a primeira vez que esse segmento aparece entre os maiores. Isso significa que cada vez mais, o setor será cobrado pela qualidade do serviço, e do produto entregue as organizações. Pesquisas de órgãos competentes como o SEBRAE (2012), apontam o ramo de serviços como o empregador de em média de 7,5 milhões, gerando mais da metade da renda nacional, pois corresponde a 54% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2011. O mercado de refeições coletivas, como restaurantes corporativos que fornecem alimentação a empresas como indústrias, deve manter o ritmo de crescimento de dois dígitos para o ano de 2012 ao movimentar R$ 15,1 bilhões, com incremento superior a 12% segundo a Aberc, com a migração da autogestão para restaurantes terceirizados nas cozinhas de empresas, o setor representou nos últimos anos cerca de 7% do faturamento do food service (refeição fora do lar). Segundo a ECD Consultoria em food servisse, o índice deve se manter no fechamento de 2013, quando se estima que a procura por alimentação fora do lar cresça perto de 20%, movimentado cerca de R$ 215 bilhões. Já as refeições coletivas devem atingir R$ 16,6 bilhões com alta de 24%, de acordo com a Aberc, ainda segundo dados da organização, até o momento foram servidas 11,7 bilhões de refeições, neste ano (SINDAL, 2012; ABERC, 2013). A capacidade do setor terciário da economia brasileira é bastante complexa e dependente do fator humano levando a reflexão. A reflexão trata das novas tendências na Gestão de Pessoas e a carência por profissionais 12 comprometidos nas empresas. A Gestão de Pessoas busca atingir melhores níveis de desempenho para alcançar os objetivos da empresa, agindo no sentido de desenvolver um ambiente organizacional que estimule a motivação e liderança de equipes de trabalho, as responsabilidades e níveis de comando juntamente com as estruturas de cargos e relações de poder e compromisso. Destaca-se também que a gestão de pessoas tem por objetivo estabelecer estratégias que permita desenvolver competências e habilidades individuais inovadoras, em benefício do coletivo. Nesse sentido, estudar e propor soluções nessa área torna-se bastante relevante para qualquer empresa e não é diferente para a empresa NUTRIVALE. A empresa em questão passa por algumas dificuldades com força de trabalho em relação a fatores muito importantes numa organização, como a rotatividade e a produtividade, e essas dificuldades podem estar relacionadas diretamente ou indiretamente com a saúde do trabalhador. Com um processo crescente de globalização dos mercados, produtos, recursos e informação, as organizações têm se reestruturado, buscando agregar valor para seus stakeholders. E junto com a globalização do mercado vieram algumas pressões sociais e de mercado sobre o tema da saúde e segurança no trabalho (KUENZER, 1998). Que tem por sua vez provocado rearranjos organizacionais em todos os setores produtivos, e não foi diferente com o setor terciário, onde a empresa Nutrivale atua. Os processos estão se reorganizando em atendimento as exigências de um novo padrão produtivo, de qualidade, sustentabilidade e de saúde e segurança. As estratégias das empresas estão voltadas em reter seus talentos, diminuindo ao máximo a rotatividade e melhorando as condições á que o trabalhador é exposto. O Turnover ou rotatividade de pessoal, no contexto de Recursos Humanos, refere-se à relação entre admissões e demissões ou à taxa de substituição de trabalhadores antigos por novos, em uma organização (CHIAVENATO, 1999). Normalmente o fator rotatividade pode estar ligado a fatores menores mais de grande impacto na organização, como recrutamento e seleção com problemas, baixo comprometimento organizacional, problemas com clima organizacional, trabalho em áreas de risco ou com temperaturas constantes, elevadas ou baixas, remuneração inadequada ou mercado de trabalho aquecido. Todos os fatores relacionados podem afetam diretamente a 13 saúde do trabalhador que precisa de um ambiente organizacional com um clima psicológico adequado, com equipamentos de proteção adequados, em fim uma vida organizacional segura e humana. A vida organizacional do colaborador está ligada também á outro fator de grande valia para o atual mercado que é a produtividade. A produtividade é basicamente definida como a relação entre a produção e os fatores de produção utilizados. A produção é definida como os bens produzidos, quantidade de produtos produzidos (JACQUES, 2002). A empresa no mercado atual vive dos resultados, a busca pela competitividade está levando as empresas a se reorganizarem alterando a prestação dos seus serviços para formas mais eficazes. Entretanto, há um componente essencial na busca por competitividade que é a capacidade de criar serviços melhores, de dispor de mais tecnologia, de saber fazer coisas e saber aprender a fazer coisas novas e melhores. Ressalta-se que a necessidade de sobrevivência levou as empresas em geral a perceberem a importância de reter seus talentos, preocupando - se com a rotatividade, a necessidade de repensar a saúdo do seu trabalhador, focado na sua qualidade de vida e consequentemente na sua produtividade. Diante desse contexto, desenvolver estudos que propõe relacionar rotatividade, produtividade e saúde do trabalhador nas empresas torna-se bastante promissores. Estudar esses aspectos é relevante em qualquer setor da economia e não é diferente em setores que elaboram e fornecem refeições, tanto para o consumidor final quanto para o consumidor industrial. Nesse sentido, a proposta do estágio é investigar o tema em uma cozinha industrial que prepara e fornece alimentos para as empresas. A empresa escolhida é a NUTRIVALE refeições coletivas. Está situada no terceiro setor, localiza-se no Município de Itajaí, Rua Silva, nº 113, Bairro Centro, trata-se de uma cozinha industrial, e trabalha na compra dos alimentos, depois segue o preparo das refeições, as refeições são dispostas nos bufes, e servidas para os funcionários da empresa contratante. E por trabalhar diretamente com pessoas, e com um processo tão delicado como o de alimentação coletiva, está diretamente vinculada a importância do seu quadro de funcionários tornando claramente relevante a 14 gestão de recursos humanos. Todo processo produtivo na sociedade capitalista deve trabalhar, com e por meio de pessoas. E estas pessoas realizam os processos que permitem que as organizações alcancem seus objetivos estabelecidos. A eficiência de uma estrutura depende de sua qualidade intrínseca e do valor da integração das pessoas que ela organiza, e por meio desta pesquisa poderão ser diagnosticados os fatores, que estão afetando a empresa em tão importante dimensão, que é a área de Recursos Humanos. 1.1 Objetivo Geral Neste trabalho propõe-se o seguinte objetivo geral: Investigar na visão do gestor e colaboradores se existe relação, entre a rotatividade, a produtividade e a saúde do trabalhador na empresa NUTRIVALE. 1.1.1 Objetivos Específicos Os objetivos específicos que permitem conduzir o estudo são: Apresentar a cozinha industrial, seus insumos, processos, suas unidades, e serviço final. Descrever a atual estrutura de gestão de pessoas. Identificar os fatores que influenciam na produtividade e na rotatividade Apresentar a importância da saúde no trabalho Propor melhorias para a área de Recursos Humanos. 1.2 Justificativa da Realização do Estudo O presente trabalho buscou produzir novos estudos, socializando novos conhecimentos que servirão de auxílio para outros estudantes da Universidade 15 do Vale do Itajaí (UNIVALI) ilustrando o mercado em que atua uma Cozinha Industrial da região e promovendo novas reflexões sobre a importância da área de prestação de serviços e o tema proposto. Para a NUTRIVALE o trabalho contribuirá na tomada de decisões gerenciais da organização visto que os resultados irão direcionar os esforços dos gestores para os reais problemas que ocorrem na organização, na área de recursos humanos. Possibilitando uma visão mais abrangente dos fatores negativos, assim permitindo uma melhora na produtividade, dimensionando os fatores que desmotivam e afetam a produtividade, o atendimento ao cliente, tornando os funcionários mais estimulados a trabalhar, por meio do conhecimento da informação que os gestores se preocupam com a saúde dos trabalhadores, e levantando a importância do que está ocorrendo na vida organizacional. E tornando clara a dimensão dos problemas relacionados a rotatividade, a produtividade e da saúde dos colaboradores para a organização. Para a acadêmica o trabalho proporcionou a chance de ver de perto tudo que lhe foi exposto na universidade, agora na prática, o dia-a-dia de uma organização, acompanhar a rotina de um administrador, os reais problemas que as empresas enfrentam, e obter um desenvolvimento educacional, bem como a realização pessoal em fazer parte de uma organização. Poder sentir como é a profissão e a possibilidade de ajudar as pessoas da empresa, talvez com um olhar de fora. Permitiu uma visão real da atual situação dos trabalhadores em relação a rotatividade, produtividade e saúde. Isso porque no atual contexto exigem-se dos pesquisadores envolvidos maiores esforços para compreender as mudanças recentes, pois o modo de as pessoas fazerem uso de suas capacidades físicas, cognitivas e afetivas para produzir foi transformado. A organização do trabalho, ao atingir o indivíduo, modifica a sua maneira de enfrentar os riscos e traz efeitos sobre a saúde ainda não perfeitamente conhecidos ou dimensionados. E esse estudo traz para a acadêmica grande expectativa de demonstrar para os acadêmicos, para a UNIVALI, para os Professores e todos que terão acesso ao presente trabalho posteriormente, uma visão da necessidade de estudos nessa área, e a importância de cunho social que o tema tem. Numa visão mais ampla a maneira de se organizar um trabalho é um fator social determinado e determinante de uma lógica social. As condições de 16 trabalho portam, então, as marcas de uma relação de forças e dos valores da sociedade em que elas são geradas. Portanto, o presente estudo também visa uma contribuição de cunho social, e de reflexão sobre o real tratamento que os trabalhadores têm dentro das organizações, a quantidade de informações disponíveis sobre o tema, e se a sociedade tem realmente levantado essa questão, e principalmente dar voz aos funcionários da empresa alvo do estudo. O acesso aos dados ocorreu por meio da abordagem às pessoas do setor gerencial e operacional da organização, assim como a documentos de desligamento. Ressalta-se que a empresa deu liberdade para que a pesquisa fosse realizada. Os custos do trabalho foram bancados pela acadêmica sendo os principais referentes a transporte até a organização, impressão de folhas, e materiais de escritório. 1.3 Aspectos metodológicos Neste item apresenta-se as características do estudo, referentes a tipologia, população e seus instrumentos de pesquisa. De acordo com Severino (1993), metodologia é um conjunto de estratégias e táticas indicadas para diversas fases do processo: da problematizarão, da coleta dos dados e informações, da mensuração das informações, do marco teórico, da formulação de hipóteses, do levantamento das variáveis e seu relacionamento e da análise de dados. 1.3.1 Características da Pesquisa Objetivando investigar a rotatividade, a produtividade e a saúde do trabalhador na empresa Nutrivali Refeições Coletivas, foi efetivado um estudo junto a cozinha industrial, com os seguintes aspectos metodológicos: tipologia do estudo, participantes da pesquisa, instrumentos de coleta de dados e análise dos dados. 17 A tipologia adotada no trabalho foi fundamentada em moldes de uma pesquisa diagnóstico, nas quais foram coletadas informações e analisadas com o objetivo de avaliar os resultados das variaveis em discução. A pesquisa diagnóstico propõe levantar e definir problemas, explorar o ambiente. O diagnóstico normalmente reporta-se a uma stuação, em um momento definido. A rigor, qualquer mudança organizacional deveria ser precendida de uma fase de diagnóstico (ROESCH, 1999, p.77). Conforme Roesch (1999), o tipo de pesquisa diagnóstico explora o ambiente e a situação organizacional através da coleta e analise dos dados, levantado os problemas encontrados. Segundo a mesma autora, a pesquisa diagnóstico é aquela que tem com intuito levantar e definir problemas, explorando o ambiente organizacional. Este trabalho de conclusão de estágio foi enfatizado por uma abordagem predominante qualitativa. A pesquisa qualitativa compreende um conjunto de diferentes técnicas interpretativas que visam descrever e decodificar os componenetes de um sistema complexo de significados (OLIVEIRA, 2002). Tem por objetivo traduzir e expressaro sentido dos fenômenos do mundo social; trata-se de reduzir a distância entre indicador e indicado, entre teoria e dados, entre contexto e ação (GODOY, 1995). Em sua maioria os estudos qualitativos são feitos no local de origem dos dados, não impedem o pesquisador de empregar a lógica do empirismo cientifico, mas partem da suposição de que seja mais apropriado empregar a perspectiva da analise fenomenológica, quando se trata de fenomenos singulares e dotados de certo grau de ambigidade (DEMO, 2001) A pesquisa realizada pode ser classificada como exploratória, tendo em vista que caracteriza um problema com a finalidade de defini-lo melhor, assim como proporciona critérios de compreensão através da descoberta de dados e ideias (PIOVESAN, 1995). Ainda segundo Piovesan (1995), o nível exploratório de pesquisa é utilizado para realizar um estudo preliminar, ou seja, familiarizar-se com o fenômeno que está sendo investigado, de modo que a pesquisa subsequente possa ser concebida com uma maior compreensão e precisão. Além disso, é 18 descritiva, uma vez que tem como principal objetivo descrever as características de certos fenômenos e populações. O nível descritivo segundo Silva & Menezes (2000), tem como propósito principal a caracterização do comportamento das unidades de uma população, ou de um subconjunto dessas unidades, através de sua representação ou descrição sistemática. Ela pode ter como propósito a descrição ou quantificação de características relevantes e, também, a identificação e descrição de relações entre essas características. A pesquisa descritiva tenta responder questões do tipo: quem? Qual? Onde? Quando? E quanto? Sua função essencial é fundamentalmente de relatar. Em se tratando da estrategia, conforme Santos (2002) elegeu-se um estudo de caso, uma vez que neste tipo de estudo efetiva-se a seleção de um objetivo de pesquisa restrito cuja finalidade é aprofundar-lhe os elementos característicos.O propósito de um estudo de caso é reunir informações detalhadas e sistemáticas sobre um fenômeno (SANTOS, 2002). É um procedimento metodológico que enfatiza entendimentos contextuais, sem esquecer-se da representatividade, centrando-se na compreensão da dinâmica do contexto real e envolvendo-se num estudo profundo e exaustivo de um ou poucos objetos, de maneira que se permita o seu amplo e detalhado conhecimento (GIL, 2007; RICHARDSON, 2009). Um estudo de caso é uma história de um fenômeno passado ou atual, elaborada a partir de múltiplas fontes de provas, que pode incluir dados da observação direta e entrevistas sistemáticas, bem como pesquisas em arquivos públicos e privados (VOSS; TSIKRIKTSIS; FROHLICH, 2002). É sustentado por um referencial teórico, que orienta as questões e proposições do estudo, reúne uma gama de informações obtidas por meio de diversas técnicas de levantamento de dados e evidências (MARTINS, 2008). Para Yin (2005, p. 32), “o estudo de caso é uma investigação empírica que investiga um fenômeno contemporâneo dentro de seu contexto da vida real” adequado quando “as circunstâncias são complexas e podem mudar, quando as condições que dizem respeito não foram encontradas antes, quando as situações são altamente politizadas e onde existem muitos interessados” (LLEWELLYN; NORTHCOTT, 2007, p. 195). 19 Martins (2008, p. 11) ressalta que “[...] o estudo de caso possibilita a penetração em uma realidade social, não conseguida plenamente por um levantamento amostral e avaliação exclusivamente quantitativa”. 1.3.2 Técnicas de coleta e análise dos dados A fase de coleta e análise dos dados é importante na elaboração da pesquisa científica, portanto é necessário se ter cuidados para que se possa garantir a fidedignidade dos resultados (CERVO, 2002). Para coletar dados de uma pesquisa em administração é necessário definir quem são os informantes. Segundo Roesch (1999, p. 128), “o estágio pode estar concentrado em um departamento da empresa, como geralmente ocorre com propostas que visam o diagnostico, nos sistemas em determinados setores”. A população envolvida com o presente trabalho são todos os funcionários registrados da empresa, ou seja, 10 funcionários diretos, os quais contribuíram com as informações relevantes sobre o tema do trabalho, além do gestor da empresa parte também interessada na execução do estudo, caracterizando um censo. Censo para Malhotra (2001) é a enumeração completa dos elementos de sua população ou de objeto de estudo. Ainda Malhotra (2001), afirma que população é a soma de todos os elementos que compartilham algum conjunto comum de características e que compreendem o universo para o problema de pesquisa. O período do levantamento foi decorrente do tempo utilizado para análise, coleta, seleção e diagnóstico das informações, respeitando o tempo limite estipulado para entrega e conclusão do trabalho de conclusão de curso. A coleta de dados desta pesquisa foi baseada em fontes de dados primários. Os dados primários foram obtidos através de uma entrevista semiestruturada, apresentada nos apêndices A e B deste trabalho. Uma segunda fonte de dados primários foi à observação direta realizada pela acadêmica. Existem três tipos de entrevista, a estruturada, a semiestruturada e a em profundidade. A entrevista estruturada baseia-se num método previamente planejado do "que" e "como" fazer ao longo da entrevista, esse método prevê 20 todas as questões básicas que deverão ser colocadas aos candidatos de forma padronizada e sistemática. As vantagens são a melhor comparação dos resultados entre diversos candidatos, quando se faz a mesma pergunta para diversos candidatos torna-se mais fácil comparar os resultados (MANZINI, 2003). A entrevista semiestruturada para Triviños (1987, p. 146) tem como característica questionamentos básicos que são apoiados em teorias e hipóteses que se relacionam ao tema da pesquisa. Os questionamentos dariam frutos a novas hipóteses surgidas a partir das respostas dos informantes. O foco principal seria colocado pelo investigador-entrevistador. Complementa o autor, afirmando que a entrevista semiestruturada “[...] favorece não só a descrição dos fenômenos sociais, mas também sua explicação e a compreensão de sua totalidade [...]” além de manter a presença consciente e atuante do pesquisador no processo de coleta de informações (TRIVIÑOS, 1987, p. 152). A entrevista em profundidade não refletem qualquer teoria preconcebida ou ideia que são realizadas com pouca ou nenhuma organização, podem simplesmente começar com uma pergunta de abertura e o seu progresso depender da resposta inicial, tornando-as mais demoradas e difíceis de serem gerenciadas, sendo utilizadas quando pouco se sabe sobre o assunto ou quando é necessário uma profundidade significativa (HAGUETTE, 1997). Para a coleta de dados optou-se pela entrevista semiestruturara, que na visão de Manzini (2003) possibilitam aos funcionários explicações caso não entendessem as perguntas, priorizando o levantamento de questões claras, pois o nível de estudo dos colaboradores da empresa Nutrivale, é composto de ensino médio ou ensino fundamental apenas, proporcionando ao individuo que de sua resposta sem constrangimentos, tornando a entrevista mais próxima da sua realidade acadêmica. Diante da escolaridade dos entrevistados e o número de entrevistados ser reduzido, a melhor opção segundo Triviños (1987) apresenta-se como a entrevista semiestruturara, que se assimila a uma conversa/diálogo com o entrevistado; baseia-se em certos assuntos que se pretende focar; não é tão rígida quanto uma entrevista formal; possui um guia que é adaptável e que não segue um modelo rígido; permite aprofundar questões; a flexibilidade e 21 possibilidade de adaptação ao entrevistado, às suas relações ou ao contexto, permitem uma recolha de dados mais abrangentes. Para Manzini (1991, p. 154), a entrevista semiestruturara está focalizada em um assunto sobre o qual confeccionamos um roteiro com perguntas principais, complementadas por outras questões inerentes às circunstâncias momentâneas à entrevista. Para o autor, esse tipo de entrevista pode fazer emergir informações de forma mais livre e as respostas não estão condicionadas a uma padronização de alternativas. Um ponto semelhante, para ambos os autores, se refere à necessidade de perguntas básicas e principais para atingir o objetivo da pesquisa. Dessa forma, Manzini (1991) salienta que é possível um planejamento da coleta de informações por meio da elaboração de um roteiro com perguntas que atinjam os objetivos pretendidos. O roteiro serviria, então, além de coletar as informações básicas, como um meio para o pesquisador se organizar para o processo de interação com o informante. Torna-se necessário o uso de um roteiro ao optar pela técnica de entrevista, o roteiro da entrevista semiestruturara tem como finalidades: possibilitar a recolha de dados qualitativos comparáveis de confiança; permitir compreender, de forma mais profunda, tópicos de interesse para o desenvolvimento de questões semiestruturadas relevantes e significantes; a habilidade do entrevistador para perspectivar tópicos que podem sair do guia da entrevista torna possível, contudo, a identificação de novos caminhos para ver e compreender o tema a investigar (TRIVIÑOS, 1987). Os pontos fortes da entrevista semiestruturara são: a melhor percepção de mudanças ou diferenças individuais; maior adaptação da entrevista ao entrevistado; flexibilidade na gestão do tempo; mais diversificação na abordagem dos tópicos; maior individualização da comunicação (MANZINI, 1991). As formas de registro da entrevista são por meio, da tomada de notas; do registro de áudio e do registro de vídeo (TRIVIÑOS, 1987). Existem alguns aspectos a seguir na aplicação da entrevista semiestruturara, como uma linguagem acessível; respeito aos papéis de entrevistador e entrevistado, não os invertendo; a estimulação do entrevistado a clarificar as suas ideias; sintetizá-las, verificar as opiniões do entrevistado, 22 para se confirmar, que se compreendeu as perguntas expressas; recolher informação o mais vastas possíveis; se possível de modo presencial, estar atento a interações não verbais; ser sensível à agenda do entrevistado e às suas limitações temporais; preparar gradualmente o fim da entrevista, resumindo ideias ou clarificando; agradecer, no final da entrevista, a ajuda prestada (MANZINI, 2003). A acadêmica utilizou-se também da observação, que se trata, de uma atividade realizada pelos seres vivos para detectar e assimilar informação. O termo também faz referência ao registro de certos fatos (ou ocorrências) através da utilização de instrumentos (GIL, 1995). Ainda segundo Gil (1995), observar faz parte do método científico, pois, à semelhança da experimentação, permite realizar a verificação empírica dos fenômenos. A maior parte das ciências recorre à observação e à experimentação como forma complementar. A observação científica consiste em medir/examinar e registrar os fatos observáveis. Esta atividade deve ser realizada de forma objetiva, sem deixar que as opiniões, os sentimentos e as emoções influenciem no trabalho científico (GIL, 1995). Além da entrevista e da observação, foram utilizadas a pesquisa bibliográfica e o levantamento. Pesquisa bibliográfica, que segundo Gil (1999), são coletas elaboradas a partir de material já publicado, constituído principalmente de livros, artigos de periódicos e disponibilizado na Internet. Destaca-se também que se utilizou entrevista informal não estruturada, que se objetivou uma visão geral do problema pesquisado, quase uma conversa. Nestes casos, comumente recorre-se as informantes chave, especialistas no assunto. Comum em estudos de caso e autobiografias (GIL, 2007). Os dados relacionados com a baixa produtividade a rotatividade e a saúde dos trabalhadores, na empresa Nutrivale, foram coletados através de entrevistas realizadas com todos os colaboradores registrados na empresa, o público entrevistado foi composto por 8 mulheres e 2 Homens, com faixa etária entre 22 á 50 anos, moradoras da cidade de Itajaí e Navegantes. As entrevistas foram realizadas no local de trabalho, e gravadas (áudio) com a devida autorização das entrevistadas. O objetivo da gravação (áudio) é de 23 proporcionar uma análise posterior mais bem elaborada, de forma que não faltasse nenhum detalhe das declarações coletadas. A próxima etapa foi à transcrição, de todos os dados para Word. Com os dados em mãos o segundo passo foi realizar a análise. De acordo com Bardin (1977) o objetivo principal da analise é permitir ao pesquisador o estabeleciomento das conclusões a partir dos dados coletados. A análise dos dados foi efetivada através da aplicação de técnicas qualitativas, envolvendo o estudo aprofundado dos dados primários obtidos nas entrevistas. O processamento dos dados compreende os passos necessários para transformar os dados brutos em dados trabalhados que permitirão a realização das analises e transformações, tanto no tratamento das ideias por meio das respostas dadas pelos coboradores, quanto por meio da observação (MATTAR, 1996). As análises qualitativas empregam a análise de conteúdo. Análise de conteúdo, diferente das pesquisas ditas "quantitativas" onde a análise se dá basicamente com o uso de estatística (calcular médias, gráficos de frequência, testar hipóteses), a análise de conteúdo permite analisar o que foi dito nas entrevistas ou observado pelo entrevistador. Ao se analisar esse material, busca-se classificá-los em grandes "temas" ou "categorias" (Grifos do Autor) que ajude a decifrar o que está por trás dos discursos (BARDIN, 1991). Ainda segundo Bardin (1991), existem duas técnicas fundamentais numa análise de conteúdo são a análise temática (ou categorial) e a análise documental. A análise temática (categorial) foi à primeira técnica de análise de conteúdo a surgir, por isso é a mais difundida; ela tem um caráter generalizante, pois permeia todo o processo de análise, seu enfoque é a totalidade do texto, objetivando, através da classificação e do recenseamento, segundo a frequência da presença ou ausência de itens de sentido, chegar ao significado do texto. "É o método das categorias, espécie de gavetas ou rubricas significativas que permitem a classificação dos elementos de significação constitutivas da mensagem” (BARDIN, 1991, p. 37). A análise documental é uma etapa importante do processo de análise, é o momento em que os dados são tratados a fim de serem consultados com mais facilidade e precisão, "de tal forma que este [o observador] obtenha o 24 máximo de informação (aspecto quantitativo), com o máximo de pertinência (aspecto qualitativo)” (BARDIN, 1991, p. 45). Por intermédio de procedimentos de transformação, os dados são apresentados de forma diferente do original, passando de um estágio primário (bruto) para um estágio secundário (uma representação do primeiro documento). E por se tratarem de aspectos quantitativos são se enquadram na presente pesquisa (GODOY, 1995). E ainda, existem dois tipos de documentos que podem ser submetidos à análise, um deles produzido naturalmente, espontaneamente, sem interferência do pesquisador, e outro obtido por meio de uma entrevista, um questionário, um teste ou experiência (BARDIN, 1977). Por exemplo, documentos naturais podem ser feitos a partir da observação do dia-a-dia da jornada de trabalho dos colaboradores, e fazendo anotações sobre tudo aquilo que julgasse importante; por outro lado, podem-se coletar os dados em entrevistas com os colaboradores, pois assim pode-se ter mais acesso a visão, a subjetividade de cada um, os dois métodos são importantes quando se opta por usar-se de entrevista semiestruturada. Essencialmente, a análise de conteúdo apresenta três etapas fundamentais: a descrição, a inferência e a interpretação. O documento original é tratado, resumido e são enumeradas as características principais, relevantes para a análise – é a etapa da descrição. Para que se chegue à interpretação, ou seja, a significação concedida a essas características, o analista precisa inferir (deduzir de maneira lógica) conhecimentos sobre o emissor da mensagem ou sobre o seu meio (BARDIN, 1991). Primeiramente deve-se fazer uma pré-análise, que tem por objetivo sistematizar as ideias iniciais e torná-las operacionais, de modo que se construa um esquema preciso do plano de desenvolvimento da análise. É um período guiado mais pela intuição do que pela exploração sistemática dos documentos, composto por atividades não estruturadas abertas, tais como a leitura flutuante, a escolha dos documentos, a formulação das hipóteses e dos objetivos, a referência dos índices e a elaboração de indicadores, a preparação do material (BARDIN, 1991). A codificação é a etapa seguinte, que é responsável pelo tratamento do material coletado. Segundo BARDIN (1991, p. 103), 25 A codificação corresponde a uma transformação – efetuada segundo regras precisas dos dados brutos do texto, transformação esta que, por recorte, agregação e enumeração, permite atingir uma representação do conteúdo, ou da sua expressão, suscetível de esclarecer o analista acerca das características do texto. Apresenta três aspectos: o recorte (escolha das unidades), enumeração (escolha das regras de contagem) e a classificação a ea agregação (escolha das categorias). Há dois tipos de unidades a serem trabalhadas, a unidade de registro e a de contexto. A unidade de registro é a base do processo de codificação, é a unidade de significação a codificar. Para o presente trabalho, a unidade de registro escolhida foi o tema, definido por Bardin (1991, p. 105) como "uma unidade de significação complexa, de comprimento variável; a sua validade não é de ordem linguística, mas antes de ordem psicológica: podem constituir um tema tanto uma afirmação como uma alusão". Uma análise temática busca descobrir os "núcleos de sentido" que compõem a comunicação, cuja presença ou ausência pode trazer algum significado ao objetivo da análise. Bardin (1991, p. 106) complementa, afirmando que: O tema é geralmente utilizado como unidade de registro para estudar motivações de opiniões, de atitudes, de valores, de crenças, de tendências, etc. As respostas a questões abertas, as entrevistas (não diretivas ou mais estruturadas) individuais ou de grupo [...] podem ser, e são frequentemente, analisados tendo o tema por base. A unidade de contexto, de dimensões superiores às da unidade de registro, tem a função de possibilitar a compreensão desta última, na medida em corresponde ao segmento da mensagem, assim a unidade de registro está para a de contexto como a palavra está para a frase (BARDIN, 1991). Há duas principais regras de enumeração dos dados selecionados na etapa anterior: pode-se simplesmente verificar a presença ou a ausência de determinados assuntos ou temas ou, ainda, medir a frequência com que eles aparecem, pois quanto mais uma unidade de registro for mencionada, maior será sua importância. Optando pelo segundo caso, tem-se uma abordagem quantitativa de análise para se chegar a um diagnóstico e inferir sobre o assunto estudado. Por outro lado, numa abordagem qualitativa, a inferência é "fundada na presença do índice (tema, palavra, personagem), e não sobre a 26 frequência da sua aparição, em cada comunicação individual" (BARDIN, 1991, p. 115). A etapa de categorização é "uma operação de classificação de elementos constitutivos de um conjunto, por diferenciação e, seguidamente, por reagrupamento segundo o gênero (analogia), com os critérios previamente definidos" (BARDIN, 1991, p. 117). Portanto, esta etapa conclui o processo de organização da análise e a coloca no ponto de se iniciar o processo de interpretação, pois neste momento as unidades de registro já foram agrupadas, por semelhança, em unidades de contexto e estas, da mesma forma, agrupadas em categorias. As categorias são classes de elementos que se reúnem sob um mesmo título em função de características em comum. A etapa de inferência é uma análise de conteúdo apresenta três polos de inferência: o emissor, o receptor e a mensagem. Para Bardin (1991, p. 134), “qualquer análise de conteúdo passa pela análise da própria mensagem. Esta constitui o material, o ponto de partida e o indicador sem o qual a análise não seria possível!” O emissor pode ser apenas um indivíduo ou um grupo e o que estará sendo enfocado neste caso é a função expressiva da comunicação, pois "a mensagem exprime e representa o emissor” (BARDIN, 1991, p. 133). Por outro lado, a mensagem é dirigida a um receptor ou a um conjunto de indivíduos com a finalidade de agir (função instrumental da comunicação) ou de adaptar-se a eles. Em resumo, qualquer investigação tem como intenção produzir inferências válidas, a partir dos dados; de fato, inferência é um termo que significa, de forma mais simples e direta, indução a partir dos fatos (ROESCH, 1999). Enquanto o objetivo da linguística é a língua, ou seja, o aspecto coletivo e virtual da linguagem, a análise de conteúdo busca a palavra, isto é, o aspecto individual e real da linguagem, consequência da prática da língua realizada por emissores identificáveis (BARDIN, 1991). Segundo Bardin (1977), a análise temática é uma das formas que melhor se adequou a investigações qualitativas. Como propõe o mesmo autor três etapas constituem a aplicação desta técnica de análise: (1) Pré-análise; (2) Exploração do material; (3) Tratamento dos resultados e interpretação. A etapa de pré analise seguiu da seguinte forma, a análise teve início com a realização de uma atividade conhecida como leitura flutuante, que consiste em tomar contato exaustivo com o material para conhecer seu 27 conteúdo (MINAYO, 2007). Atividade esta que objetivou gerar impressões iniciais acerca do material a ser analisado, resultante das entrevistas empregadas com os colaboradores e com o gestor, que tiveram duração média de 2h cada. Para o caso da pesquisa aqui apresentada, as informações obtidas por meio da transcrição das entrevistas foram o primeiro passo, sua leitura e compreensão, resultado em 75 paginas de conteúdo (respostas), dadas pelos colaboradores e pelo gestor, sem tratamento dos dados. Retomaram-se os questionamentos iniciais e os objetivos da pesquisa, reformulando-os frente ao material coletado, e na elaboração de métodos que orientassem a interpretação final. A segunda etapa, que se trata da exploração do material, foram codificadas as informações contidas no material, e recortou-se o texto buscando classificar repetições e maiorias dentre as respostas, este processo demorou 3 semanas para ser concluído, entre ouvir as entrevistas gravadas, transcrevê-las e identificar as informações que contemplavam a maioria. A terceira e última etapa, que se refere ao tratamento dos resultados e interpretação, seguiu da seguinte forma: a fim de analisar os dados obtidos, a acadêmica, tendo à sua disposição resultados significativos e fiéis, ao que foi tratado nas entrevistas, pode então propor inferências e adiantar interpretações a propósito dos objetivos previstos. Após o recorte, os dados foram direcionados as três categorias principais, que são a rotatividade, a produtividade e a importância da saúde no trabalho, temas estes que compuseram os resultados da pesquisa. A partir da descrição foi possível realizar a interpretação com base no arcabouço teórico apresentando no capítulo 2. 28 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA A fundamentação teórica para Silva e Menezes (2005) atribui, essencialmente, credibilidade ao trabalho, faz referência às pesquisas e aos conhecimentos já contribuídos e publicados, situando a evolução do assunto, e assim, dando sustentação ao tema que está sendo estudado. É a analise do estado da arte do problema abordado. Faz-se importante destacar que não se trata de uma simples transcrição de pequenos textos ou citações, mas sim de uma sistematização de ideias, fundamentos, conceitos e proposições de vários autores, apresentados de forma lógica, demonstrando que foram estudados e analisados pelo autor. (Associação Brasileira de Normas Técnicas, NBR-5892,1989). 2.1 A Evolução da Administração de pessoas A atual Gestão de Pessoas teve seu início no final do século XIX com o movimento da administração científica, que foi marcada por Frederick W. Taylor (1856-1915) e Henri Fayol (1841-1925). Esse movimento tinha como objetivo proporcionar fundamentação científica para a padronização das atividades administrativas, para que a improvisação e o empirismo fossem substituídos, fazendo com que a falta de processos organizacionais fosse eliminados (GIL, 2009). Gil (2009) explica que, por meio da técnica de observação, Taylor concluiu que os operários produziam muito menos do que poderiam. Partindo desse pressuposto, desenvolveu seu sistema de Administração Científica, que tinha como fundamento a racionalização do trabalho, que buscava na redução do tempo a simplificação dos movimentos necessários para a execução das tarefas, tornando-as mecânicas e repetitivas. Logo após o movimento da administração cientifica iniciou-se a escola das relações humanas, um movimento que surgiu com a necessidade de comprovar que o produto final sofria alterações de acordo com as influências 29 sofridas no ambiente de trabalho pelos trabalhadores, ou seja, dependendo das condições de trabalho como, a iluminação, exposição a riscos, e até mesmo as condições psicológicas dos trabalhadores o resultado do produto final poderia sofrer alterações. A descoberta da relevância do fator humano na empresa veio proporcionar o refinamento da ideologia da harmonização entre capital e trabalho definidas pelos teóricos da Administração Científica (GIL, 2009). A partir da segunda guerra mundial (década de 40), a administração de pessoal passou a se preocupar mais com as condições de trabalho e com os benefícios disponibilizados aos seus empregados (GIL, 2009). Os estudos sobre o comportamento humano nas organizações aumentam em número e importância e incluem temas como motivação, liderança, participação nas decisões, resolução de conflitos, saúde e lazer (TONELLI; LACOMBE; CALDAS, 2002). A Administração de Recursos Humanos teve seu início na década de 1960, quando essa expressão passou a substituir as utilizadas no âmbito das organizações: Administração de pessoal e Relações Industriais (GIL, 2009). A Administração de Recursos Humanos tem como objetivo oferecer para a organização uma visão sistêmica de seu pessoal. A partir da década de 1990, o ambiente corporativo começa a passar por mudanças cada vez mais velozes e intensas, tanto no ambiente organizacional, quanto na forma com que as empresas utilizam as pessoas. Roncon (2010) explica que o mundo dos negócios experimenta um processo de mudanças contínuas, exigindo uma dinâmica organizacional que compreenda um ambiente mutável e incerto. O impacto dessas influências pode ser sentido pelas pessoas e gestores que procuram apoio e suporte em uma gestão de pessoas mais estratégica e menos centralizadora. Nesta nova era da informação, as equipes de gestão de pessoas passam a assumir atividades estratégicas de orientação global que substituem os antigos departamentos de RH (GIL, 2009). As tarefas operacionais e burocráticas são transferidas para terceiros enquanto a gestão é focada no gerenciamento com e para as pessoas, considerando colaboradores como sujeitos dotados de talento, capacidade, habilidades e atitudes capazes de gerar sucesso organizacional (ARAÚJO, 2006). 30 Ressalta-se o fato que a empresa e o colaborador se relacionam em uma via de mão dupla, desta forma, é de suma importância que a área de Gestão de Pessoas desenvolva suas atividades de forma muito próxima da excelência, ou seja, o processo de Gestão de Pessoas deve integrar o processo de agregar com os demais processos, sendo eles, os de aplicar, recompensar, desenvolver, manter e monitorar as pessoas nas organizações (MARRAS, 2000). A evolução na área de recursos humanos é percebida até mesmo nos conceitos. Hoje, cada vez mais, as organizações acreditam e investem na gestão de pessoas, que vai além dos conhecidos e tradicionais processos burocráticos de RH. Mais do que selecionar, contratar, cuidar dos benefícios e folha de pagamentos, o novo RH tem uma visão ampla do negócio, participa do planejamento estratégico, atende às necessidades de quem contrata e de quem é contratado, e trabalham pelo crescimento, desenvolvimento e sustentabilidade da organização. Este processo de transformação vem acontecendo há, pelo menos, quinze anos e a Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH) o acompanha de perto (GIL, 2009). Uma das atuações estratégicas da área de gestão de pessoas é atrair e reter talentos. Vive-se um novo momento na relação do trabalho. As tecnologias estão mais acessíveis, o que nivela produtos e serviços de empresas concorrentes. O diferencial competitivo está no capital humano, na capacidade que a empresa tem de possuir profissionais competentes, flexibilidade cultural, com expertise (conhecimentos) e equilíbrio emocional (RONCON, 2010). Com base nisso, as organizações buscam a valorização e reconhecimento desse capital. Nesse contexto, os gestores têm um papel prioritário tanto como facilitador, coach (treinador), consultor e como agente de mudanças desse processo. Não basta apenas identificar talentos, é preciso atraí-los e escolher bem onde eles estarão nas organizações. Mas, para isso, é preciso fazer a lição de casa: transformar a empresa num ambiente propício para atrair e reter essas pessoas (ARAÚJO, 2006). A administração gestão de pessoas demonstra que houve realmente alterações significativas como forma evolutiva, quando se partiu da necessidade de apenas contabilizar entradas de empregados na organização, dando maior importância às horas trabalhadas, absenteísmo e atrasos, com 31 efeito nos pagamentos ou descontos, para a fase da administração que considera os recursos humanos como incorporados na estratégia do negócio, da qual surge o cargo de gerente de recursos humanos, tentando assim, humanizar a organização. Esse novo contexto tem a função de alterar o foco de protetor para planejador e agente de mudanças. Dutra (2002), considerado um dos melhores especialistas de gestão de pessoas do país, ensina que a gestão de pessoas deve voltar suas preocupações para as competências com o intuito de substituir obsoletas formas de administração de pessoas. Diante disso, é necessário estabelecer estratégias que considere os processos de gestão do trabalho. 2.1.1 Processos de gestão de pessoas No que se refere à gestão de pessoas, algumas contribuições facilitam entender e trabalhar a questão das interfaces humanas sob a forma de processos. Dutra (2002) apresenta na figura 1, à seguinte classificação: a) movimentação, b) desenvolvimento e c) valorização. Para esse autor, o processo, na categoria de movimentação, tem como finalidade apoiar toda ação de movimentação de pessoas na organização, envolvendo as seguintes práticas (subprocessos): captação, internalização, transferências, promoções, expatriação e recolocação. Na categoria desenvolvimento, estão os seguintes subprocessos: capacitação, carreiras e desempenho. Por último, a categoria valorização, composta por: remuneração, premiação e serviços e facilidades. 32 Figura 1: – Processos de Gestão de Pessoas Fonte: Adaptado Dutra (2002) Para Dutra (2002), os processos e seus papeis ou funções, dividem-se em, agregar pessoas, cujo papel é incluir novas pessoas na empresa. Podem ser denominados processos de provisão ou de suprimento de pessoas, Incluem recrutamento e seleção de pessoas. O processo de aplicar pessoas, tem as funções de, desenhar as atividades que as pessoas irão realizar na empresa, orientar e acompanhar seu desempenho, incluem desenho organizacional e desenho de cargos, análise e descrição de cargos, orientação das pessoas e avaliação de desempenho. Recompensar pessoas tem como funções, incentivar as pessoas e satisfazer suas necessidades individuais mais elevadas, incluem recompensas, remuneração, benefícios e serviços sociais (DUTRA, 2002). O desenvolviemento incrementação treinamento do de pessoas desenvolvimento abrange profissional e desenvolvimento das pessoas, a e capacitação pessoal, e incluem programas de mudanças e desenvolvimento de carreiras e programas de comunicação. Manter pessoas, incluen-se as funções de criar condições ambientais e psicológicas satisfatórias para as atividades das pessoas. Incluem administração da disciplina, higiene, segurança e qualidade de vida e manutenção de relações sindicais. Monitorar pessoa consiste nas funções de acompanhar e controlar as atividades das 33 pessoas e verificar resultados, incluem banco de dados e sistemas de informações (DUTRA , 2002). 2.1.1.1 Subprocessos da movimentação O objetivo da movimentação é oferecer suporte a toda ação de movimento físico de pessoas na empresa. Na movimentação estão envolvidos as seguintes práticas (subprocessos): captação, internalização, transferências, promoções, expatriação e recolocação (DUTRA, 2002). O processo de captação segundo Dutra (2002), passa a ser responsável pela busca de profissionais, alinhados o máximo possível com o padrão referencial. Para tanto, foram revistos e readequados os testes aplicados nos processos seletivos que deveriam envolver a análise das competências do padrão referencial. Também, foram introduzidas novas técnicas de entrevistas e dinâmicas com foco em competências. Profissionais envolvidos nos processos seletivos foram preparados e atuam também como orientadores dos requisitantes, para que estes também fundamentem suas escolhas e decisões de contratação no padrão referencial de competências. Ao solicitarem a abertura de um processo seletivo, os requisitantes definem junto com o profissional de seleção apenas o grau de complexidade das atividades que serão desenvolvidas pelo novo contratado. O perfil do candidato e as competências necessárias já estão desenhados no padrão referencial (DUTRA, 2002). A internalização, objetiva receber o novo colaborador acolhendo-o e informando-o sobre os valores, a cultura a política e as práticas institucionais para sua inserção no processo de trabalho e nas equipes (DUTRA, 2002). A transferência é a movimentação de um colaborador de um setor, para outro, ou de uma filial para outra, alguma movimento que muda a localização do funcionario, dnetro no organograma da empresa. As decisões de transferências se fundamentam no padrão referencial, no grau de complexidade da posição de origem em comparação com a posição de destino 34 do profissional a ser transferido. Também se apóiam nos resultados das avaliações de desempenho e desenvolvimento (DUTRA, 2002). As promoções são mudanças no enquadramento funcional do empregado de uma referência salarial para outra imediatamente superior, dentro de um mesmo cargo, decorrente do merecimento (DUTRA, 2002). As promoções ocorrem, na maioria das organizações, diante de fatores como, assiduidade, pontualidade, responsabilidade e qualidade do serviço, aperfeiçoamento continuo, cumprimento de prazos, produtividade, iniciativa, cooperação e bom relacionamento (LACOMBE, 2005). A expatriação refere-se a oportunidade que a empresa oferece aos colaboradores de exerce sua atividade no exterior (DUTRA, 2002). As organizações visam a expatriação e veem ser necessária certas atitudes como, Benefícios como moradia, escola, carro e cursos; apoio à recolocação do cônjuge do expatriado; fornecem um treinamento ao profissional; fornecem orientação tanto em termos profissionais como pessoais e culturais, antes da expatriação. Preparação e apoio aos expatriados; preparação e apoio as famílias; plano de repatriação e boas chances de crescimento na volta (PEREIRA, 2005). Ainda segundo Pereira (2005), as principais razões pelas quais as companhias enviam expatriados para tarefas internacionais são: abrir novos mercados; facilitar uma fusão ou aquisição; instalar novas tecnologias e sistemas; aumentar a participação de mercado (market share) ou impedir que competidores o façam; desenvolver visão de longo prazo de negócios em países estrangeiros; transferir conhecimento para profissionais locais; aprender e gerar ideias inovadoras; desenvolver habilidades de liderança global. A recolocação profissional ou o outplacement é uma atividade abrangente. Tem como objetivo, estudar junto com o profissional a solução para sua carreira, levando em conta o que o mercado oferece a experiência e o objetivo da pessoa (DUTRA, 2002). Faz parte do trabalho de recolocação, prestar ajuda no preparo do currículo, ensinar a fazer networking, analisar o comportamento do executivo, fornecer informações sobre consultorias, processos de seleção, indicá-lo para vagas de Consultorias de RH, Headhunters ou empresas parceiras, provendo um trabalho fim-a-fim na transição de carreira do profissional (ASSAD, 2012). 35 A demissão é um processo de perda e geralmente desestrutura o profissional, o outplacement além de auxiliar na estratégia de marketing do executivo, também dá suporte para o equilíbrio emocional à medida que fornece informações reais e valiosas sobre o caminho que deve ser trilhado (CALDAS, 2000). Dutra (2002) ainda trata sobre a importância do recrutamento e seleção, e afirma que, o processo merece atenção especial. O recrutamento e seleção de pessoal é um instrumento importante para uma organização. Quando bem administrado, este processo traz benefícios tanto para o empregador quanto para o candidato a ser admitido. O recrutamento de pessoal segundo Marras (2000), é uma atividade de responsabilidade do sistema de administração de recursos humanos que tem por finalidade a captação de recursos humanos interna e externamente a organização objetivando detalhar o subsistema de seleção de pessoal no seu atendimento aos clientes internos da empresa. Ainda segundo o autor, a seleção de pessoal é uma atividade de responsabilidade do sistema de administração de recursos humanos, que tem por finalidade escolher, sob metodologia especifica, candidatos a emprego recebidos pelo setor de recrutamento, para o atendimento das necessidades internas da empresa. O processo de recrutamento de pessoal tem inicio a partir de uma necessidade interna da organização, no que tange á contratação de novos profissionais. Essa necessidade origina-se por motivos diversos, é expressa formalmente, pelo requisitante da área, através de um documento denominado requisição de pessoal (RP). Em linhas gerais, a RP segue um fluxo predeterminado pela própria organização, mas, em geral, o que determina o seu atendimento automático é a sua própria razão de ser, existe, a RP a) Por motivo de substitição ou aumento de quadro previsto em budget, ou b) Por aumento de quadro não previsto em Budget (MARRAS, 2000). Por exemplo uma RP que se enquadra no primeiro caso a) teria um fluxo como o da figura 2. 36 Figura 2 - RP Previamente Aprovada em Budget Fonte: Marras (2000, p.69). O processo de seleção de pessoal segundo Marras (2000) baseia-se na analise comparativa de dois campos: as exigencias do cargo e as caracteristicas do candidato. As exigencias de cargo são as caracteristicas que o cargo exige do profissional em termos de conhecimentos, habilidades e atitudes para o bom desempenho das funções. Dentro das caractesristicas do candidato, são avaliados conjuntos de conhecimentos, habilidades e atitudes que cada candidato possui para desempenhar as suas tarefas (MARRAS, 2000). Compõem-se de trabalhos de prospecção ou coleta de informaões e dados de cada individuo, em particular, na tentativa de conhece-lo extrinseca e intrinsicamente (MARRAS, 2000). Ainda para o autor,para possibiltar essa analise do individuo, o selecionador dispõe de dois instrumentos que são: a) Entrevista de seleção b) Testes diversos de aferição. A entrevista de seleção objetiva detectar dados e informações dos candidatos a emprego subsidiando a avaliação do processo seletivo. Entre outros instrumentos utilizados pelo selecionador, a entrevista de seleção é aquele considera mais importante, para o mesmo. Até alguns anos atrás era tida como instrumento acessório, foi uma epoca em que os testes psicologicos eram mais relevantes que a propria analise pessoal do selecionador (MEDINA, 1995). Essa situação inverteu-se com o tempo. O primado teste psicologico terminou. O elemento substantivo no processo seletivo atual é a analise do selecionador, é a propria entrevista realizada entre candidato e selecionador. 37 Os testes pscicologicos e os demais testes estão sendo considerados elementos adjetivos, complementares á prorpia entrevista (MARRAS, 2000). 2.1.1.2 Subprocessos do Desenvolvimento O desenvolvimento visa promover condições para o desenvolvimento empresarial e individual. Os subprocessos do desenvolvimento são, à capacitação, a carreira e o desempenho (DUTRA, 2002). Capacitar é tornar habilitado para o desempenho de uma função, é qualificar a pessoa para determinado trabalho (DUTRA, 2002). Capacitar tratase de, treinar e visa encaminhar o profissional a um processo de educação, reciclagem e mudança de comportamento. Por meio da capacitação profissional, o trabalhador adquire melhores condições de ação, de conhecimento sobre as necessidades da empresa, do setor e, muitas vezes, estar preparado para capacitar outras pessoas. No processo de capacitação é importante que se trabalhe as habilidades básicas, específicas e de gestão, ou seja, além de aprender especificamente determinada profissão, a pessoa deverá ser estimulada a exercitar suas competências básicas, que trata de sua apresentação pessoal, aparência, autoestima, comunicação, relacionamentos interpessoais, e sua capacidade de se auto gerir, tomar decisões, participar de trabalho em equipe, bem como do seu processo de desenvolvimento no trabalho ( AFFONSO, 1980). A carreira é a soma de todos os cargos ou posições ocupadas por uma pessoa durante sua vida profissional. Refere-se ao percurso profissional em direção a uma especialização almejada, que deverá atender aos objetivos pessoais e profissionais, trazendo satisfação e realização (BALASSIANO, 2006).Trata-se de uma junção das competências individuais, é o conjunto de Conhecimentos, Habilidades e Atitudes (CHA), em virtude das necessidades de uma organização (DUTRA, 2002). Segundo Lucena (1992) desempenho trata-se, dos resultados obtidos de processos e de produtos que permitem avaliá-los e compará-los em relação às 38 metas, aos padrões, aos referenciais pertinentes e a outros processos e produtos. Já o desempenho profissional resulta da aptidão para executar uma atividade, na qual se empenha esforço para obter resultados sendo, portanto a força motriz do desempenho operacional, que influencia e afeta diretamente o desempenho organizacional (BERGAMINI; BERALDO, 1988). A avaliação do desempenho possibilita: definir o grau de contribuição de cada colaborador, identificar a eficácia dos programas de treinamento, obter subsídios para promoção e remuneração, obter subsídios para elaboração de planos de ação para desempenhos insatisfatórios, promover autodesenvolvimento e autoconhecimento dos colaboradores, obter subsídio para elaboração de planos de ação para corrigir desempenhos insatisfatórios. Com isto o benefício da avaliação de desempenho pode melhorar a produtividade do indivíduo na medida em que é aceita pelo funcionário e pela organização; analisa o desempenho do colaborador dentro do cargo ocupado, contribuindo assim para o alcance das metas e objetivos estabelecidos (LUCENA, 1992). 2.1.1.3 Subprocessos da Valorização A valorização visa criar parâmetros e procedimentos para distinção e valorização das pessoas.A categoria valorização, é composta pelos seguintes subprocessos; Remuneração, Premiação e Serviços e Facilidades (DUTRA, 2002). A remuneração, segundo Wood Jr (1999), tem como objetivo principal reconhecer a contribuição e valor agregado dos profissionais através da distinção de diversos níveis de resultado. Para Flannery (1997), a remuneração ou compensação é composta de duas dimensões: a intrínseca (que se refere ao estado psicológico em função do desempenho de uma função) e a extrínseca (que inclui a recompensa tanto monetária quanto não monetária). A remuneração total é composta de uma base de pagamento (remuneração fixa), remuneração indireta (principalmente benefícios) e remuneração variável de 39 acordo com programas específicos que estabelecem previamente objetivos a serem alcançados. De acordo com Pontes (2000), os princípios básicos de um sistema tradicional de remuneração são a garantia da competitividade externa e a justiça interna. Premiação segundo Lopes (1980) consiste em ter o esforço reconhecido, é motivo de satisfação para qualquer profissional. O mercado de trabalho está concorrido e com profissionais altamente qualificados, alcançar um lugar de destaque no meio em que atua traz grande realização. Para celebrar o trabalho realizado pelos funcionários as empresas têm desenvolvido métodos de premiar, para incentivar a produtividade e o comprometimento, com foco na importância dos serviços que o colaborador desenvolve na empresa (BERGAMINI, 1997). A gestão de facilidades abarca múltiplas disciplinas, para assegurar a funcionalidade do ambiente construído, por meio da integração de pessoas, locais, processos e tecnologias. Em busca do melhor método de procedimentos visando facilitar e dinamizar, os processos no ambiente organizacional. Com ênfase no aumento dos benefícios em vista dos serviços, mais agilidade, flexibilidade e conectividade (PORTER, 1993). 2.2 Saúde do trabalhador A Organização Mundial da Saúde (OMS, 2013) define a saúde como sendo o estado de completo bem-estar físico, mental e social. Ou seja, o conceito de saúde transcende à ausência de doenças e afecções. Por outras palavras, a saúde pode ser definida como o nível de eficácia funcional e metabólica de um organismo a nível micro (celular) e macro (social). Desse modo, a saúde deve ser entendida em sentido mais amplo, como componente da qualidade de vida. Assim, não é um “bem de troca”, mas um “bem comum”, um bem e um direito social, em que cada um e todos possam ter assegurados o exercício e a prática do direito à saúde, a partir da aplicação e utilização de toda a riqueza disponível, conhecimentos e tecnologias desenvolvidas pela sociedade nesse campo, adequados às suas 40 necessidades, abrangendo promoção e proteção da saúde, prevenção, diagnóstico, tratamento e reabilitação de doenças. Deve-se considerar esse bem e esse direito como componente e exercício da cidadania, que é um referencial e um valor básico a ser assimilado pelo poder público, para o balizamento e orientação de sua conduta, decisões, estratégias e ações (SOUTO, 2007). Segundo Carvalho Neto e Salim (2001), saúde significava apenas a ausência de doença, mas logo se percebeu que não apresentar nenhuma doença física aparente, não significava ter saúde. Gradativamente, esse conceito foi se expandindo e incorporando as dimensões física, emocional, mental, social e espiritual do ser humano. Ter uma Saúde Perfeita é ter equilíbrio entre estas várias dimensões. Significa também ter Qualidade de Vida, Bem Estar e Felicidade. A saúde é a resultante das condições de alimentação, habitação, educação, renda, meio ambiente, trabalho, transporte, emprego, lazer, liberdade, acesso e posse da terra e acesso aos serviços de saúde. Sendo assim, é principalmente resultado das formas de organização social, de produção, as quais podem gerar grandes desigualdades nos níveis de vida. Por este motivo, a promoção do bem-estar geral torna-se imperativa na modernização da cultura empresarial. Para existir um máximo rendimento dos trabalhadores é necessária a existência de disponibilidade física e mental (SOUTO, 2007). É impossível para uma organização manter um bom desempenho e a máxima rentabilidade com uma força de trabalho “doente”, exausta e desgastada. É possível que, atualmente, grande percentagem das empresas, ainda não leve em consideração a promoção e prevenção da saúde no trabalho, apenas cumprem com a legislação. As empresas, por agora tentam a sobrevivência no mercado de trabalho. No entanto, sem dúvida que os custos elevados, derivados dos problemas escondidos e relacionados com a saúde e o bem-estar, irão conduzir as organizações a se depararem com obstáculos intransponíveis, pela falta da gestão da saúde do trabalhador (PEREZ, 1997). A organização do trabalho deve oferecer aos trabalhadores a possibilidade de realizar algo que tenha sentido, de praticar e desenvolver suas competências, de exercer seus julgamentos e seu livre-arbítrio, de conhecer a 41 evolução de seus desempenhos e de se ajustara um ambiente seguro, na qual sua saúde é levada em consideração, isso afeta diretamente sua produtividade, e consequentemente o desempenho organizacional (OSHA, 2013). A saúde do trabalhador afeta o desempenho da organização por meio do desempenho dos funcionários, que também afetado pelos meios de trabalho á que é exposto. As novas teorias vêm sugerindo que o conceito de trabalho deve ser encarado, como uma experiência de convivência sadia, respeito, compromisso e que contribua na qualidade de vida (SOUTO, 2007). A saúde no trabalho é uma vertente essencial de uma boa empresa, pois contribui para demonstrar que uma empresa é socialmente responsável; protege e reforça a imagem de marca e o valor da marca; ajuda a aumentar a produtividade dos trabalhadores; reforça o compromisso dos trabalhadores para com a empresa; desenvolve mão de obra mais competente e mais saudável; reduz os custos para a empresa e as quebras de produção; permite que as empresas correspondam às expectativas dos clientes em matéria de Saúde e Segurança do Trabalho; e incentiva os trabalhadores a permanecerem na vida ativa durante mais tempo. Qualquer empresa pode obter benefícios consideráveis do investimento em Saúde e Segurança do Trabalho. Melhorias simples podem aumentar a competitividade, a rentabilidade e a motivação dos trabalhadores. A aplicação de um sistema de gestão da SST garante um enquadramento eficaz para prevenir ou minimizar acidentes e problemas de saúde (OSHA, 2013). Do ponto de vista psicológico, o trabalho provoca diferentes graus de motivação e satisfação, principalmente, quanto à forma e ao meio no qual se desempenha a tarefa (KANAANE, 1994). A autora argumenta que os cuidados da empresa com relação a saúde do trabalhador e riscos que estes expostos são podem favorecer o desempenho do funcionário (produtividade e qualidade), pelo tempo na empresa (rotatividade), pela saúde do trabalhador (acidentes de trabalhos e indenizações), pelo estado psicológico do colaborador (problemas de saúde adquiridos no trabalho). À medida que o indivíduo está inserido no contexto organizacional, está sujeito a diferentes variáveis que afetam diretamente o seu trabalho. Atualmente, existe uma preocupação na saúde do indivíduo neste contexto, pois se relaciona, principalmente, com a produtividade da empresa. Ou seja, 42 para que se atinja produtividade e qualidade, é preciso ter indivíduos saudáveis e atribuídos de qualidade. Em contrapartida, a organização atua de forma onde muitas vezes pressiona-se o indivíduo, levando-o a estados de doenças, de insatisfação e desmotivação. Dentre estes, encontra-se a fadiga, distúrbios do sono, alcoolismo, estresse e a síndrome de Burnout1 (PEREZ, 1997). Fica claro a importância do bem-estar e a saúde do indivíduo no trabalho, pois é no trabalho que se passa a maior parte do tempo. A qualidade de vida está diretamente relacionada com as necessidades e expectativas humanas e com a respectiva satisfação por parte da organização. Corresponde ao bem-estar do indivíduo, no ambiente de trabalho, expresso através de relações saudáveis e produtivas (KANAANE, 1994). A saúde do trabalhador está vinculada a organização, também, por meio das responsabilidades que assume ao expor os colaboradores a um ambiente de trabalho perigoso, estressante e mal organizado. A ocorrência dos acidentes de trabalho, independente do tipo que ele seja, pode gerar consequências para a empresa, o trabalhador e a sociedade. Para o trabalhador, por exemplo, pode causar sofrimento físico, desamparo à família e incapacidade para o trabalho. Já a empresa pode sofrer com a perda de faturamento, gasto com serviços médicos e perda de tempo e produtos. Quanto à sociedade, podem existir impactos como: aumento de impostos e do custo de vida e perda de elementos produtivos (CARVALHO NETO; SALIM, 2001). Quando se pensa em gerência de riscos do trabalho, não se está referindo a um ato administrativo isolado e diferenciado do complexo dos demais atos de administrar. A diferença não se identifica no processo, e sim no objetivo a ser administrado, bem como nos resultados que se pretende obter (SOUTO, 2007). Segundo Carvalho Neto e Salim (2001), dentro de uma organização estão contidas três dimensões, a dimensão econômica, a dimensão ecológica e a dimensão social, todas elas podem ser afetadas pela ausência da saúde do trabalhador. Na dimensão econômica estão contidos o lucro a produtividade e a competitividade, a saúde do colaborador afeta a produtividade de maneira à 1 Síndrome de burnout é um distúrbio psíquico de caráter depressivo, precedido de esgotamento físico e mental intenso, definido por Herbert J. Freudenberger também como "[…] um estado de esgotamento físico e mental cuja causa está intimamente ligada à vida profissional". 43 diminuição da mesma por meio de doenças laborais e stress, afeta o lucro por meio da rotatividade e questões trabalhistas, e por ultimo afeta a competitividade pela perda de negócios consequência da contaminação da imagem empresarial (CARVALHO NETO; SALIM, 2001). A dimensão social abrange a segurança, melhoria das condições de trabalho, da qualidade de vida no trabalho, participação, satisfação e motivação. Esta dimensão afeta a organização como se fosse um sistema integrado de problemas que se uni em uma rede de destruição, da vida da organização, dos seus objetivos, dos sonhos, da cultura e do desejo de realizar planos e projetos dos funcionários. Aniquilando seu potencial criativo, por meio de um ambiente de trabalho estressante, de pouca segurança, exposição a riscos constantes sem nenhuma supervisão ou preocupação sobre a saúde do trabalhador, e assim a empresa é transformada em um local perigoso, gerador de doenças, preocupações, frustrações e pouca utilidade social e empresarial (CARVALHO NETO; SALIM, 2001). Na dimensão ecológica está contida, a conservação das matériasprimas, a diminuição de custos, a preocupação com a poluição, a melhoria da qualidade do trabalho. Esta dimensão proporciona a empresa uma imagem consciente, e de preocupação com a vida do colaborador fora do âmbito organizacional, pois incentivando o não desperdício, ele está conscientizando os colaboradores que irão levar as praticas para casa, e consequentemente terão uma visão mais sistema da sociedade, e de quanto o sistema de exploração do ambiente em que se vive é frágil, em sua concepção, de que permanecerá para sempre possível de exploração abusiva. Quanto à melhoria da qualidade dos serviços, ela está sendo cobrada, pois a sociedade já tem uma visão mais realista das práticas que são necessárias para que uma empresa se torne relevante para a sociedade. Por meio dessas cobranças as empresas têm evoluído e melhorado, seu atendimento ao cliente, seu relacionamento com os fornecedores, seu respeito ao meio em que está inserida e aos processos que usa, e aos resíduos deixados pelas suas atividades desenvolvidas (CARVALHO NETO; SALIM, 2001). A saúde não é uma condição simples, estática, isolada. Pelo contrário, como todos os aspectos de vida do homem, ela tem a sua origem histórica e social. Suas raízes se prendem a uma imensa rede de fatores diversos, uns 44 intrigantes do próprio homem e que são partes do seu equipamento somático básico, outros oriundos do ambiente externo. A saúde e a empresa estão interrelacionadas, por estarem num processo de interação constante, de apoio, e de necessidades mútuas. As duas tratam de aspectos de convivência, de objetivos, de organismos, que dependem de uma estrutura complexa e às vezes arriscada para coexistir (CARVALHO NETO; SALIM, 2001). A saúde é uma condição fundamental à produtividade do homem. É um verdadeiro capital á disposição das empresas, razão porque passou a construir pré-condições não somente para ingressar na empresa mais também para uma possibilidade de desenvolvimento econômico e social. Em caráter da dimensão das implicações da saúde para o desempenho organizacional o Brasil, em decorrência de seu próprio processo de evolução e consequentemente maior independência com a economia mundial, está a exigir um número cada vez maior de profissionais e trabalhadores convenientemente qualificados e ajustados para o desempenho do trabalho (PEREZ, 1997). Mas o que se deve ter em mente, é que muitas vezes as empresas estão deixando a desejar em seus processos de recrutamento e seleção, trazendo para dentro de suas empresas, pessoas com doenças laborais adquiridas em outros lugares, que acarretarão em problemas para a empresa. As empresas têm que estar mais cientes de que as informações são imprescindíveis, como histórico médico, informações dos antigos trabalhos, motivos pelo qual saiu do ultimo emprego. As informações irão distinguir as organizações que farão sucesso, que trarão um real serviço responsável, saudável e estruturado para a sociedade (MARRAS, 2000). A responsabilidade não pode sobre cair sobre a empresa sempre que algo acontece com a saúde dos funcionários, pois a mesma também é afetada diretamente, com esses acontecimentos, mas a empresa deve-se preparar e estruturar seus processos para garantir sua segurança e a do colaborador (SOUTO, 2007). A saúde e a segurança do trabalhador dentro de um sistema de gestão empresarial favorecem o desempenho da organização, e hoje existem normas e procedimentos claros e bem delimitados disponíveis as empresas, como a OHSAS 18000, a ISO 14000, a ISO 9001, que por sua vez necessitam da 45 implementação de um Sistema de Gestão Integrado (CERQUEIRA, 2006), que será tratado a seguir no trabalho. 2.2.1 Saúde e Segurança no Trabalho como sistema de gestão que favorece o desempenho organizacional Segurança do Trabalho pode ser entendida como um conjunto de medidas que visa minimizar os acidentes de trabalho, doenças ocupacionais, bem como proteger a integridade e a capacidade de trabalho do trabalhador. A Segurança do Trabalho estuda diversas disciplinas como Introdução à Segurança, Higiene e Medicina do Trabalho, Prevenção e Controle de Riscos em Máquinas, Equipamentos e Instalações, Psicologia na Engenharia de Segurança, Comunicação e Treinamento, Administração aplicada à Engenharia de Segurança, O Ambiente e as Doenças do Trabalho, Higiene do Trabalho, Metodologia de Pesquisa, Legislação, Normas Técnicas, Responsabilidade Civil e Criminal, Perícias, Proteção do Meio Ambiente, Ergonomia e Iluminação, Proteção contra Incêndios e Explosões e Gerência de Riscos (SOUTO, 2007). A Segurança do Trabalho é definida por normas e leis. No Brasil, a Legislação de Segurança do Trabalho compõe-se de Normas Regulamentadoras, leis complementares, como portarias e decretos e também as convenções Internacionais da Organização Internacional do Trabalho, ratificadas pelo Brasil (PACHECO JUNIOR, 2000). A saúde e a segurança no trabalho consistem numa disciplina de âmbito alargado, que envolve muitas áreas de especialização. Em um sentido, mais abrangente, deverá ter os seguintes objetivos: a promoção e a manutenção dos mais elevados níveis de bem-estar físico, mental e social dos trabalhadores de todos os setores de atividades; a prevenção para os trabalhadores de efeitos adversos para a saúde decorrentes das suas condições de trabalho; a proteção dos trabalhadores no seu emprego perante os riscos resultantes de condições prejudiciais à saúde; a colocação e a manutenção de trabalhadores num ambiente de trabalho ajustado às suas necessidades físicas e mentais; a adaptação do trabalho ao homem (CARVALHO NETO; SALIM 2001). 46 Para serem bem sucedidas, as medidas de saúde e de segurança no trabalho, exigem a colaboração e a participação tanto de empregadores como dos trabalhadores nos programas de saúde e segurança, obrigando a equacionar questões relacionadas com a medicina do trabalho, a higiene no trabalho, a toxicologia, a educação, a formação, a engenharia de segurança, a ergonomia, a psicologia (SOUTO, 2007). O setor de segurança e saúde tornou-se multidisciplinar e busca incessantemente prevenir os riscos ocupacionais. Esta é a forma mais eficiente de promover e preservar a saúde e a integridade física dos trabalhadores. Nesse aspecto se destaca os profissionais da área, composto por Técnico de Segurança do Trabalho, Engenheiro de Segurança do Trabalho, Médico do Trabalho e Enfermeiro do Trabalho. Estes, por sua vez, atuam na eliminação ou neutralização dos riscos, prevenindo uma doença ou impedindo o seu agravamento. Para tanto, é necessária a antecipação dos riscos que envolvem a análise de projetos de novas instalações, métodos ou processos de trabalho, ou de modificação dos já existentes, visando identificar os riscos potenciais e introduzir medidas de proteção para sua redução ou eliminação (CARVALHO NETO; SALIM, 2001). As mudanças no mundo do trabalho advindas das inovações tecnológicas e organizacionais têm incrementado significativamente a produção nas empresas, eliminando assim tarefas penosas ou pesadas. Essa relação estabelecida entre o homem e a tecnologia ocasionou novos riscos para a saúde dos trabalhadores, tanto nos aspectos físico, mental ou social. Tal processo passou a exigir dos trabalhadores uma maior qualificação e uma crescente intervenção desses nos processos produtivos, o que consequentemente tornou-os mais suscetíveis a acidentes de trabalho (SOUTO, 2007). Tanto as empresas, quanto o Estado não tomaram postura diante de tal fato. Somente em meados dos anos 80 surge o campo da saúde do trabalhador no Brasil com o objetivo de mudar o complexo quadro da saúde. Apesar de tantas transformações serem tão evidentes, ainda fica difícil de serem captadas e apreendidas pelos profissionais. Atualmente, ainda deparamos com empresas desinformadas, desinteressadas ou até mesmo com dificuldades de solucionar assuntos correlatos a acidentes de trabalho (PACHECO JUNIOR, 2000). 47 A relação entre o trabalho e a saúde/ doença surgiu na antiguidade, mas tornou-se um foco de atenção a partir da Revolução Industrial. Afinal, no trabalho escravo ou no regime servil, inexistia a preocupação em preservar a saúde dos que eram submetidos ao trabalho. Os trabalhadores eram equiparados a animais e ferramentas. Com a Revolução Industrial, o trabalhador passou a vender sua força de trabalho tornando-se presa da máquina e da produção rápida para acumulação de capital. As jornadas eram excessivas, em ambientes extremamente desfavoráveis à saúde, aos quais se submetiam também mulheres e crianças. Esses ambientes inadequados propiciavam a acelerada proliferação de doenças infectocontagiosas, ao mesmo tempo em que a periculosidade das máquinas era responsável por mutilações e mortes (CARVALHO NETO; SALIM, 2001). De acordo com Souto (2007), com o passar do tempo, o Estado passou a intervir no espaço do trabalho baseando-se no estudo da causalidade das doenças. Assim, toma figura o médico do trabalho que vai refletir na propensão a isolar riscos específicos e, dessa forma, atuar sobre suas consequências, medicando em função de sintomas e sinais ou, quando muito, associando-os a uma doença legalmente reconhecida. A partir daí houve uma crescente difusão da Matéria de Segurança e Medicina do Trabalho. No Brasil, a legislação trabalhista compõe-se de Normas Regulamentadoras, Normas Regulamentadoras Rurais e outras leis complementares, como portarias, decretos e convenções Internacionais da Organização Internacional do Trabalho. Devido ao fato de ter surgido e se mantido a sombra da legislação, muitos de nós não demos a devida importância a Segurança do trabalho (PACHECO JUNIOR, 2000). As empresas muitas vezes se Limitam a mera leitura da legislação sem preocupações com a interpretação e a cultura de prevenção. Ainda existe uma gama de instituições empresariais que só implantam os programas exigidos por lei para terem os documentos e papéis em seus arquivos com o objetivo de apresentar aos Fiscais do Trabalho, em caso de Fiscalização. Felizmente um maior número de pessoas já compreende que as doenças profissionais são aquelas decorrentes da exposição dos trabalhadores aos riscos ambientais, ergonômicos ou de acidentes (SOUTO, 2007). 48 As questões relacionadas com a saúde no trabalho têm sido objeto de menor atenção do que as questões relacionadas com a segurança no trabalho, porque as primeiras são geralmente mais difíceis quer na sua identificação, na dificuldade da elaboração do seu diagnóstico, e no estabelecimento da relação de causa e efeito. No entanto, quando abordamos o tema da saúde, abordamos igualmente o da segurança, pois um ambiente saudável é, por definição, também um local de trabalho seguro. No entanto, o inverso pode não ser verdade – um local de trabalho considerado seguro não é necessariamente um local de trabalho saudável. O importante é frisar que as questões da saúde e da segurança devem ser identificadas em todos os locais de trabalho. De modo geral, a definição de saúde e de segurança no trabalho engloba quer a saúde quer a segurança, nos seus contextos mais alargados (CARVALHO NETO; SALIM, 2001). Segundo Souto (2007) condições de trabalho deficientes afetam a saúde e a segurança do trabalhador, qualquer tipo de condição de trabalho deficiente tem como consequência o poder de afetar a saúde e a segurança de um trabalhador. A saúde e a segurança no trabalho são importantes por que, o trabalho desempenha um papel relevante na vida das pessoas, considerando que a maioria dos trabalhadores passa pelo menos oito horas por dia no local de trabalho, quer seja numa plantação, num escritório, numa fábrica, etc. Desta forma, os ambientes laborais devem ser seguros e saudáveis. Mas na verdade, não é essa a situação para muitos trabalhadores. Todos os dias, trabalhadores de todo o mundo expostos a múltiplos riscos para a saúde, tais como: poeiras; gases; ruído; vibrações; temperaturas extremas (PACHECO JUNIOR, 2000). Programas eficazes de saúde e segurança no local de trabalho podem ajudar a salvar as vidas dos trabalhadores, através da eliminação ou redução dos riscos e das suas consequências. Os programas de saúde e segurança têm igualmente efeitos positivos, quer no estado de espírito, quer na produtividade do trabalhador, constituindo benefícios importantes. Ao mesmo tempo, um programa eficaz poderá poupar imenso dinheiro aos empregadores (OSHA, 2013). 49 De forma geral ainda, na visão de Souto (2007), a saúde e a segurança no local de trabalho melhoraram na maioria dos países industrializados durante os últimos 20 ou 30 anos. No entanto, a situação nos países em vias de desenvolvimento é menos clara, em grande parte devido à identificação e informação inadequada dos acidentes e doenças, assim como à falta de atualização de registros e de mecanismos informativos. Estima-se que, anualmente, ocorram pelo menos 250 milhões de acidentes de trabalho a nível mundial. 335.000 destes acidentes são fatais (resultam na morte). Tendo em conta que muitos países não possuem uma manutenção rigorosa dos registros e dos mecanismos informativos, pode presumir-se que os dados reais são bastante mais elevados do que aqueles aqui apresentados (CARVALHO NETO; SALIM, 2001). O número de acidentes mortais é muito mais elevado nos países em vias de desenvolvimento do que nos países industrializados. A diferença devese, sobretudo a programas mais eficazes de prevenção em matéria de segurança e saúde no trabalho, à melhoria dos primeiros-socorros e aos serviços de medicina do trabalho existentes nos países industrializados, bem como à participação ativa dos trabalhadores no processo de tomada de decisão sobre questões de saúde e de segurança. Por isso, as organizações evitam multas quando são fiscalizadas pela DRT (PACHECO JUNIOR, 2000). Uma gestão eficaz que leve em conta a saúde do trabalhador pode melhorar a produção e reduzir o absenteísmo (faltas ao trabalho). Melhores condições do ambiente de trabalho podem proporcionar segurança e tranquilidade ao trabalho, contribui para melhorar a imagem da organização; além disso, proporcionam a redução de custos, na medida em que reduzem as faltas ao trabalho e a perda de produção. Ressalta-se, ainda que estratégias que protegem o trabalhador podem proteger a organização, na grande maioria das vezes, contra as ações trabalhistas (insalubridade) e também em ações cíveis de reparação por acidentes ou doenças ocupacionais e fornecem dados estatísticos (relatório anual) mais confiáveis, que permitirão ações futuras mais eficientes no combate aos acidentes (SOUTO, 2007; CARVALHO NETO e SALIM, 2001). Cita Araújo (2006) que as organizações devem garantir que suas operações e atividades sejam realizadas de maneira segura e saudável para os 50 seus empregados, atendendo aos requisitos legais de saúde e segurança, regidos pela Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) e Normas Regulamentadoras que tratam de Segurança e Saúde ocupacional. Assim, o sistema de gestão atua no comprometimento e atendimento aos requisitos legais e regulatórios, podendo trazer inúmeros benefícios tanto do ponto de vista financeiro quanto do ponto de vista motivacional. Conforme Pacheco (2000), tomando como base o pressuposto de que é impossível ocorrer um acidente e suas consequências sem a presença de um perigo, as empresas devem buscar o total conhecimento dos perigos e riscos existentes em seus ambientes de trabalho, estabelecendo uma sistemática que permita a criação de um inventário dos perigos e riscos existentes, contemplando a avaliação dos riscos envolvidos, devendo ser proativo e com objetivo garantir que todos os perigos atuais e futuros sejam identificados e tratados adequadamente. O gerenciamento de riscos é de fundamental importância, pois auxilia a tomada de decisão na área de Segurança e Saúde e permitir melhor alocação de recursos, além de subsidiar o processo de definição de medidas de controle, podendo avaliar quais riscos são toleráveis e quais devem ser controlados. Estes dados também devem subsidiar o estabelecimento dos objetivos e programas, direcionando os recursos para as áreas mais importantes, o que resulta em uma melhoria na relação custobenefício. Em 1999, foi criada A Norma Occupational Health and Safety Assessment (Saúde e Avaliação de Segurança) Series OHSAS 18000, que apresenta os requisitos para um sistema em saúde e segurança ocupacional, permitindo a uma organização controlar seus riscos em saúde e segurança ocupacional e melhorar seu desempenho. Ela não estabelece critérios específicos de desempenho em saúde e segurança ocupacional, nem fornece especificações detalhadas para a concepção de um sistema de gestão. A série de avaliação de saúde e segurança ocupacional OHSAS 18001 foi projetada para ajudar as organizações a formularem políticas e metas de saúde e segurança ocupacional, incluindo a norma 18002, diretrizes para a implantação da OHSAS 18001(CERQUEIRA, 2006). Segundo Cicco (1999) a norma BSI-OHSAS 18001 trata da responsabilidade da empresa de programar uma política de segurança e saúde 51 no trabalho, autorizada pela alta administração, que claramente estabeleça os objetivos gerais de segurança e saúde e o comprometimento com a melhoria do desempenho em segurança e saúde. Através da implantação desta política, define-se um direcionamento geral para a empresa e as diretrizes de atuação em relação à segurança e saúde do trabalho. Estas diretrizes devem ser compostas por requisitos que efetivamente sejam cumpridos pela empresa e que sejam evidenciados de maneira clara. Programas de gestão da segurança e saúde no trabalho. O desdobramento da política e missão da empresa em objetivos quantificados feito sucessivamente ao longo de todos os níveis da organização, de maneira a permitir que cada pessoa saiba exatamente de que forma contribui, faz com que a empresa seja facilmente manobrável, tornandose mais ágil e dinâmica. Ainda, segundo a norma BSI-OHSAS 18001, os programas de gestão de Segurança e Saúde devem ser analisados criticamente em intervalos regulares e planejados. Onde houver necessidade, estes programas devem ser revisados para atender às mudanças nas atividades, produtos, serviços, ou condições operacionais da organização. Os objetivos a serem estabelecidos devem ser mensuráveis sempre que possível, a utilização de objetivos não mensuráveis só é recomendada quando a empresa não encontrar formas adequadas para realizar o seu acompanhamento de forma qualitativa. Os objetivos devem ser comunicados de forma eficaz a fim de que as pessoas possam contribuir para atingi-los (CICCO, 1999). A disseminação dos conceitos de forma adequada nas empresas propicia um ambiente favorável à melhoria do desempenho em segurança e saúde no trabalho e para a implantação dos sistemas de gestão. Pode-se concluir que quando os conceitos são poucos conhecidos ou mal aplicados pelos profissionais responsáveis pelo sistema de gestão, influenciam de maneira direta no desempenho em segurança e saúde no trabalho e repercutindo nos custos decorrentes da falta de segurança e saúde nos ambientes de trabalho e na prática da responsabilidade social. Muitas empresas têm sua gestão de segurança e saúde voltada apenas em ações voltadas para o atendimento aos requisitos legais, atuando de forma reativa e não apresentando resultados significativos. Esta realidade pode ser 52 decorrência de não se adotar uma visão sistêmica na abordagem da gestão de segurança e saúde no trabalho (SOUTO, 2007). Para a norma BSI-OHSAS 18001 (1999), as empresas devem aumentar sua capacidade de julgamento analítico por meio da obtenção de informações atualizadas que lhes permitam construir estratégias consistentes para abordar seus problemas. Devem também, identificar quais elementos chave para o desempenho em Segurança e Saúde no Trabalho (processos, programas, objetivos, procedimentos) devem ser medidos e monitorados, estabelecendo procedimentos para a coleta, processamento dos dados e para a avaliação das informações de modo que permita a tomada de decisões e a intervenção. Recomenda-se que o Sistema de Gestão de Segurança e Saúde contemple entre seus elementos, mecanismos adequados para obter e processar informações que sejam capazes de proporcionar não somente interpretações adequadas sobre os eventos passados, mas assegurar a compreensão dos processos organizacionais a fim de que essas informações possam ser incorporadas ao ciclo de melhoria contínua. Para Jacques (2002), a saúde e a segurança do trabalhador tem sido alvo, de vários debates, se trazido a tona muitas discussões relevantes e reafirmado a importância da discussão e disseminação do tema. Os tópicos mais tratados são a comunicação essencial à segurança; o perigo do excesso de autoconfiança; responsabilidade e comprometimento no trabalho; segurança e saúde para conquistar resultados; ética e consciência profissional para com a própria segurança; impacto de acidentes no meio-ambiente; segurança como atitude e prática de vida; orgulho humano e autossuficiência na causa de acidentes; comprometimento, comunicação e previsibilidade; a segurança e qualidade de vida também em casa e no trajeto; qualificação profissional e atitude; a "gambiarra" como causa de acidentes; o impacto dos acidentes no bolso e carreira de cada trabalhador; Investindo em segurança para crescer profissionalmente; Sua responsabilidade para com colegas, família e sociedade; consciência e criatividade na detecção de riscos; encarando o trabalho seguro como fonte de prazer e tranquilidade (PEREZ, 1997). Destacam-se entre as principais atividades da segurança do trabalho: prevenção de acidentes; promoção da saúde e prevenção de incêndios. Tendo isso em vista, as organizações e os colaboradores devem ter como objetivos, a 53 valorização das pessoas, da profissão e atividade do profissional; promover a reflexão sobre atitudes preventivas de segurança; motivar o profissional a transformar normas de segurança em hábito; criar uma atitude de vigilância e aprendizado contínuos; aprender a detectar riscos e práticas inseguras para a saúde e meio-ambiente; enfrentar os desafios com a garra e paixão de quem é dono do negócio; transformar-se em gestor de suas próprias competências; estar comprometido com o que faz e perceber os benefícios disso; assumir a posição de líder e agente de mudanças; exalar a credibilidade de quem lidera pelo exemplo e enxergar o mercado como seu juiz permanente (PACHECO JUNIOR, 2000; CARVALHO NETO; SALIM, 2001). Cada vez mais as empresas tem buscado a implantação do Sistema de Gestão de Segurança e Saúde no Trabalho - SGSST que se baseia na gestão da prevenção, e surge como a ferramenta para a implantação de medidas preventivas, dotando as empresas de meios de gestão dos aspectos de segurança e saúde no trabalho de uma forma estruturada. Estudos demonstram que a implantação de SGSST traz melhorias significativas nas condições de trabalho, principalmente quando acompanhada de uma nova cultura que considera a SST um dos fatores essenciais na avaliação global do desempenho da empresa. As certificações, como as OHSAS surgem da necessidade de harmonizar as diversas especificações nacionais na área da Segurança e Saúde no Trabalho, que começavam a ser publicadas (PACHECO JUNIOR, 2000). As normas em vigor, que trazem benefícios, e tem foco na segurança e saúde do trabalhador, são: A OHSAS 18001, de caráter internacional e as normas regulamentadoras Brasileiras, que são compostas pela NR1, NR4, NR5, NR6, EPINR9 E NR17. A Norma internacional OHSAS 18001 (Occupational Health and Safety and Safety Assesmente Series) certifica a gestão de Segurança e Saúde do Trabalho. Esta norma entrou em vigor em 1999. Para ser certificada pela norma a empresa deve comprometer-se com a redução dos riscos ambientais e com a melhoria contínua de seu desempenho em relação à saúde ocupacional e segurança dos seus trabalhadores. Para isto a organização deve avaliar periodicamente seu sistema de gestão de segurança e saúde do trabalho (NASCIMENTO, 2007). 54 A NORMA NR 1 Disposições Gerais, as NR relativas à segurança e medicina do trabalho, que são de observância obrigatória pelas empresas privadas e públicas e pelos órgãos públicos de administração direta e indireta, bem como pelos órgãos dos poderes legislativos e judiciário, que possuem empregados regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho - CLT. As disposições contidas na NR aplicam-se, no que couber, aos trabalhadores avulsos, às entidades ou empresas que lhe tomem o serviço e aos sindicatos representativos (CARVALHO, 2006). ANR 4 Serviços especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho, trata das empresas privadas e públicas os órgãos públicos de administração direta e indireta e dos poderes Legislativo e Judiciário, que possuem empregados regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho – CLT manterão, obrigatoriamente, Serviços Especializados em Engenharia e Segurança em Medicina do Trabalho, com a finalidade de promover a saúde e proteger a integridade do trabalhador no local de trabalho. O dimensionamento do SEEMT vincula-se à gradação do risco da atividade principal e ao número total de empregados do estabelecimento que consta do Quadro I e II anexos a NR-4. Fazem parte do SESMT os seguintes profissionais: Técnico de Segurança do Trabalho, Engenheiro de Segurança do Trabalho, Médico do Trabalho, Enfermeiro do Trabalho e Auxiliar de Enfermagem do Trabalho (CICCO, 1999). A norma NR 5 Comissão Interna de Prevenção de Acidentes, trata da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes – CIPA - tem como objetivo a prevenção de acidentes e doenças decorrentes do trabalho, de modo a tornar compatível permanentemente o trabalho com a preservação da vida e a promoção da saúde do trabalhador. Devem constituir CIPA, por estabelecimento, e mantê-la em regular funcionamento as empresas privadas, públicas, sociedades de economia mista, órgãos da administração direta e indireta, instituições beneficentes, associações recreativas, cooperativas, bem como outras instituições que admitam trabalhadores como empregados. Quando o estabelecimento não se enquadrar na necessidade de montar uma CIPA, a empresa designará um responsável pelo cumprimento dos objetivos desta NR (designado), podendo ser adotados mecanismos de participação dos empregados, através de negociação coletiva (CARVALHO, 2006). 55 A NR 6 Equipamentos de Proteção Individual, trata dos EPIs utilizado com a indicação do Certificado de Aprovação – CA, têm como finalidade a proteção da saúde e a integridade física do trabalhador. As empresas são obrigadas a fornecer aos empregados, gratuitamente, EPI adequado ao risco e em perfeito estado de conservação e funcionamento. Esta norma aborda as obrigações do empregador e dos empregados, quanto aos EPIs (CARVALHO, 2006). A EPINR 9 Programa de Prevenção de Riscos Ambientais, Estabelece a obrigatoriedade da elaboração e implementação, por parte de todos os empregadores e instituições que admitam trabalhadores como empregados, do PPRA, visando a preservação da saúde e da integridade dos trabalhadores, através da antecipação, reconhecimento, avaliação e consequente controle da ocorrência de riscos ambientais existentes ou que venham a existir no ambiente de trabalho, tendo em consideração a proteção do meio ambiente e dos recursos naturais (CARVALHO, 2006). A NR 17 Ergonomia, Estabelece parâmetros que permitam a adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores, de modo a proporcionar um máximo de conforto, segurança e desempenho eficiente. Destaca entre outros assuntos: Levantamento, transporte e descarga individual de materiais; Mobiliário dos postos de trabalho? Equipamentos dos postos de trabalho? Condições ambientais de trabalho; Organização do trabalho (CARVALHO, 2006). Outra norma em vigor, e que trata da saúde e segurança ocupacional, é a norma ISO 26000 é uma norma que estabelece as diretrizes sobre responsabilidade social através de um escopo amplo que incorpora a dimensão social, ambiental e econômica do desenvolvimento sustentável envolvendo questões relativas aos direitos dos consumidores, comércio justo, direitos humanos e trabalhistas, combate a todo tipo de discriminação, proteção às populações vulneráveis e relacionamento com as comunidades (OLIVEIRA, 2008). A ISO 26000 aborda a saúde e segurança no trabalho de forma ampla referindo-se a esses dois aspectos como a promoção do mais alto nível de bem-estar físico, mental e social dos trabalhadores e prevenção de perigos à saúde causados pelas condições de trabalho. Referem-se também à proteção 56 dos trabalhadores de riscos à saúde e à adaptação do ambiente de trabalho às necessidades fisiológicas dos trabalhadores. A norma é dividida em princípios da precaução, direitos humanos e práticas de trabalho. No item praticas de trabalho a norma refere-se tanto ao emprego direto quanto terceirizado e ao trabalho autônomo, inclui emprego e relações de trabalho; condições de trabalho e proteção social; diálogo social; saúde e segurança ocupacional; desenvolvimento humano e treinamento no ambiente de trabalho (OLIVEIRA, 2008). A implantação de um sistema de gestão da segurança e da saúde no trabalho (SGSST) pode trazer às organizações benefícios econômicos e sociais para todos, empregadores, trabalhadores e suas famílias e sociedade em geral (PINTO, 2009). A própria Organização Internacional do Trabalho (OIT) nas suas Diretrizes Práticas (1995) para os Sistemas de Gestão da Segurança e Saúde destaca o efeito positivo resultante da introdução dos sistemas de gestão da segurança e da saúde no trabalho ao nível da Organização, tanto no que respeita à redução dos perigos e dos riscos como no que respeita à produtividade. Essas preocupações são relevantes, pois estudos mostram que as organizações perdem de 5% a 10% do seu lucro bruto de vendas com problemas relacionados com doenças causadas por exposições tóxicas, acidentes e outras consequências inseguras ou insalubres, comprometendo a saúde do trabalhador (ISEGNET, 2013). Ressalta-se que o conhecimento sobre a Saúde e Segurança no Trabalho, proporciona a empresa, conhecimentos e competências que lhes permitam gerir um sistema de Segurança Higiene e Saúde no Trabalho, elaborar os documentos necessários a uma boa gestão e avaliar riscos profissionais e apresentar propostas de eliminação e/ou de minimização desses riscos (PACHECO JUNIOR, 2000). Além das normas apresentadas anteriormente elaborou-se um quadro (ver quadro 1) com as principais características das normas, ISO 9000, ISO 14000 e a OHSAS 18000 que considera-se relevantes nos estudos sobre segurança e saúde do trabalhador. 57 NORMA DESCRIÇÃO OBJETIVO INFORMAÇÕES ENCONTRADAS SIGNIFICADO DO CERTIFICADO ISO 9000 ISO 14000 OHSAS 18000 A ISO 9000 é uma série de quatro normas internacionais para "Gestão da Qualidade" e "Garantia da Qualidade". Ela não é destinada a um "produto" nem para alguma indústria específica. Tem como objetivo orientar a implantação de sistemas de qualidade nas organizações. A ISO 14000 é um processo que contém os elementos importantes do gerenciamento de uma empresa para identificar os aspectos significativos relativos a meio ambiente que a empresa pode influenciar e controlar. Permite a empresa demonstrar que tem uma preocupação com o ambiente. Apesar de a norma ser voluntária, o mercado passará a exigir a sua utilização. A OHSAS 18000 ocupa-se do planejamento para a identificação, avaliação e controle dos riscos laborais. Prestar atenção às condições de saúde higiene e segurança no trabalho; Divulgar e sensibilizar as metodologias individuais e coletivas de segurança a todos os colaboradores. Manter métodos e procedimentos no local de trabalho, com a finalidade de reduzir os riscos laborais. Aumentar a consciência ambiental e a importância da preservação dos recursos naturais. E minimizar os impactos ambientais e seus custos. E Garantir o cumprimento da legislação ambiental e regulamentos. Estabelecer um Sistema de Gestão de Segurança e Saúde no Trabalho, para eliminar ou minimizar riscos aos trabalhadores e outras partes interessadas que possam estar expostas a riscos de acidentes e doenças ocupacionais associados a suas atividades. Descreve os fundamentos do sistema de gerenciamento da qualidade e especifica a sua terminologia. Um programa de gerenciamento ambiental; Definição de papéis, de autoridade; Treinamento e conhecimento dos procedimentos; procedimentos para emergência; para monitorar e medir operações com impacto ambiental significativo; e auditoria e ação corretiva. Apresenta abordagem prática e sistemática para identificar perigos de Saúde e Segurança no trabalho e reduzir impactos, promovendo uma estrutura para gerir os riscos associados. Acentua nas informações a necessidade do desempenho por objetivos e metas mensuráveis. Significa que o Sistema de Qualidade da Organização foi avaliado por uma entidade independente reconhecida por um organismo nacional de acreditação, e considerado de acordo com os requisitos da norma ISO 9001. Significa que o Sistema de Gerenciamento Ambiental da Empresa foi avaliado por uma entidade independente reconhecida por um organismo nacional de acreditação, e considerado de acordo com os requisitos da norma ISO 14001. Significa que o Sistema integrado de planejamento e controle, envolvendo a produção, segurança e saúde no trabalho, foi avaliado por uma entidade independente reconhecida por um organismo nacional de acreditação, e considera de acordo com os requisitos da norma OHSAS 18001. 58 Continuação do quadro 1 REQUISITOS PASSOS DA IMPLANTAÇÃO A ISO 9001 agrupou os requisitos em quatro grandes grupos: Responsabilidade da Direção; Gerenciamento de recursos; Realização do Produto; Medição, análise e melhoria, e melhoria contínua de desempenho. A organização deve estabelecer programar, manter e continuamente melhorar um sistema da gestão ambiental, em conformidade com os requisitos desta norma e terminar como ela irá atender esses requisitos. A organização deve definir e documentar o escopo e seu sistema da gestão ambiental. Política Ambiental (Integrada): A Alta Administração deve definir a política ambiental da organização e assegurar que, dentro do escopo definido de seu sistema de gestão ambiental. Requisitos Comuns: Política da empresa, comprometimento da direção, formação, comunicação, objetivos e programas, organização, controle de documentos e registros, controle de não conformidades, ações corretivas e preventivas, análise crítica pela direção, auditorias internas, medições e monitoramento. Requisitos específicos da norma OHSAS, que são: Identificação de perigos. Análise e controle de riscos. Controles operacionais. Preparo para emergências. Investigação de acidentes e incidentes no trabalho. Padronização de todos os processos chaves do negócio, processos que afetam o produto e consequentemente o cliente; Monitoramento e medição dos processos de fabricação para assegurar a qualidade do produto/serviço, através de indicadores de desempenho e desvios; Programar e manter os registros adequados e necessários para garantir a rastreabilidade do processo; Inspeção de qualidade e meios apropriados de ações corretivas quando necessário; e Revisão sistemática dos processos e do sistema da qualidade para garantir sua eficácia. A Política Ambiental deve ser consubstanciada por meio de um documento escrito; Planejamento considerando Aspectos ambientais, Requisitos legais e outros requisitos. Implantação e Operação, Treinamento, Conscientização e Competência, Comunicação, Documentação do Sistema de Gestão Ambiental e Controle de documentos. Verificação e Ação Corretiva, Monitoramento e Medição, Não conformidades e Ações Corretivas e Preventivas. Análise Crítica, Momento da administração, identificar a necessidade de possíveis alterações em sua Política Ambiental, nos seus objetivos e metas. Estabelecer uma política de Higiene, Segurança e Saúde no Trabalho, Detectar perigos para a saúde e a segurança dos trabalhadores, Estabelecer controle operativo para as atividades com riscos, Cumprir a legislação vigente na área, das três esferas de governo, Documentar os processos, definir os registros necessários, e mantê-los. Avaliar e verificar permanentemente o sistema, através de auditorias internas. Programar ações corretivas e preventivas apropriadas, Divulgar a política a todos os trabalhadores e demais partes interessadas. 59 Continuação do quadro 1 BENEFÍCIOS VALIDADE DA CERTIFICAÇÃO PARA A ORGANIZAÇÃO: Maior participação no mercado. Maior satisfação dos clientes. Redução de custos. Melhoria na produção. Maior competitividade. Maior lucro. PARA OS CLIENTES: Maior confiança nos produtos da organização. Redução de custos. Satisfação em relação aos produtos adquiridos. Melhor atendimento em caso de reclamações. Para a empresa: Assegurar o cumprimento da legislação; Estabelecer uma política ambiental para toda a empresa; Redução de riscos referentes a acidentes ambientais; Obter o reconhecimento do público e dos clientes para o esforço de preservação ambiental; Melhorar os métodos de gerenciamento; Reduzir o desperdício do uso de recursos naturais; Reduzir os efluentes e o custo com o seu tratamento; Para os clientes: Confiança no produto fornecido pela empresa; Confiança de que a empresa dá prioridade aos aspectos ambientais; Menor risco de acidentes ambientais. Assegurar aos clientes o comprometimento com uma gestão da SST demonstrável; Fortalecer a imagem da organização e sua participação no mercado; Aprimorar o controle do custo de acidentes; Reduzir acidentes que impliquem em responsabilidade civil; Obter segurança a um custo razoável; Facilitar a obtenção de licenças e autorizações; Estimular o desenvolvimento e compartilhar soluções de prevenção de acidentes e doenças ocupacionais; Melhorar as relações entre indústria e governo. A certificação é válida por três anos, com auditorias/acompanhamento, no mínimo, uma vez por ano ou a cada seis meses. O certificado tem validade de três anos. Após esse prazo ele precisa ser renovado. Além disso, a cada seis meses o sistema é auditado para verificar se ele continua a atender aos requisitos da norma. A certificação é valida por três. Durante estes três anos de certificado válido, são realizadas auditorias de manutenção, que servem para verificar e validar o certificado. Estas auditorias são feitas pelos respectivos organismos de certificação e podem ser semestrais ou anuais, dependendo do seu contrato. Quadro 1 : Comparativo entre as normas ISO 9000, ISO 14000 E OHSAS 18000. Fonte: Adaptado de Valle (2004); Alberton (2003) e Cerqueira (2006). 60 As empresas que optam por várias certificações de forma simultânea precisam estabelecer um sistema integrado de gestão (SIG), que é a combinação de procedimentos e processos, empregados numa organização para implantar suas políticas de gestão e que podem ser mais eficientes para conseguir os objetivos determinados por ela, do que quando há diversos sistemas individuais se sobrepondo. A integração dos sistemas de gestão pode abranger diversos temas, tais como: qualidade, meio ambiente, segurança e saúde ocupacional, recursos humanos, controle financeiro, responsabilidade social, dentre outros (FONSECA, 2009). Os elementos comuns aos sistemas de gestão, ou seja, os que podem ser unificados são: controle de documentos e de dados, registros, auditorias internas, treinamentos, ações corretivas e preventivas, manual de gestão, análise crítica pela administração, aquisição, monitoramento e medição, controle de processo e análise crítica de contrato (FONSECA, 2009). Devido a esses elementos comuns, pode-se obter vantagens com a integração dos sistemas. De acordo com Neto et al (2008), as principais vantagens da implantação de um SIG são: redução de custos de implantação, certificação e manutenção, redução de duplicação ou triplicação de recursos internos e infraestrutura, redução de superposição de documentos e da burocracia, redução da complexidade (entendimento, treinamento etc.), melhora da gestão dos processos, melhora do desempenho organizacional, melhora da satisfação dos clientes e elevação da imagem da organização, a otimização dos processos, o aumento da produtividade. Todos eles podem ser obtidos por meio da otimização de documentos, da redução do número de auditorias internas e externas, da maior rapidez na tomada de decisões envolvendo programas de qualidade, entre outros aspectos positivos (CAPELAS, 2002; CERQUEIRA, 2005). Cabe destacar, ainda que um Sistema de Gestão Integrado, incentiva a compreensão, a integração e a utilização de todos os recursos de uma empresa, de forma a atender às necessidades dos clientes, buscando satisfazê-los por meio de melhorias contínuas. Contudo, um projeto de implantação é influenciado por essas necessidades, bem como pelos objetivos organizacionais, pelo portfólio de produtos, pelo desenho dos processos, pelo tamanho da empresa, pela complexidade de sua estrutura, pelas 61 características de sua cultura,enfim pela sua produtividade (CAPELAS, 2002; RANZANI; OLIVEIRA, 2009). 2.2.2 Riscos e prevenções associados à saúde do trabalhador no setor de restaurantes. Segundo a OHSAS 18001 (2007), o risco pode ser dividido em três interpretações: • Risco Aceitável: risco que foi reduzido a um nível que pode ser tolerado pela organização, levando em consideração suas obrigações legais e sua própria política de saúde e segurança do trabalho. • Risco Potencial: está associado ao fato de a resistência do corpo, eventualmente atingido, ser inferior a uma determinada energia (causadora de acidente, por exemplo). • Risco Efetivo: é a probabilidade de o homem estar exposto a um risco potencial. Já a prevenção é o conjunto de ações, que visam evitar a doença na população, removendo os fatores causais, ou seja, visam a diminuição da incidência da doença. Tem por objetivo a promoção de saúde e proteção específica. Toda empresa deveria optar por uma gestão de risco, que surge com a necessidade de um programa de segurança do trabalho eficiente, constante e integrado, nasce, primordialmente do fato de que um esforço de segurança deve ter um resultado final compatível com o custo e exigências dessa missão, pois de outra forma sua própria existência não teria sentido. O gerenciamento de risco consistente na adoção de melhores práticas de infraestrutura, políticas e metodologias, permitindo uma melhor gestão dos limites de risco aceitáveis, do capital, da precificação e do gerenciamento da carteira. Ganhos consideráveis se tornam possíveis com o Gerenciamento de Risco, no aceite 62 de oportunidades de investimentos não tão atrativas sem o conhecimento prévio dos riscos e suas medidas preventivas (OSHA, 2013). A seguir será apresentado o quadro 2, com os ricos e suas medidas preventivas segundo Michel (2009). 63 Risco Recepção Armazenagem Mercadoria Características e de Risco de Queda de Objetos Risco de Quedas ao Mesmo Nível Risco de Corte Prevenção Movimentação manual de cargas, posturas incorretas. Utilizar carros de transporte manual para movimentar a mercadoria, utilizar luvas ao manusear a mercadoria, cuidado com estiletes e equipamento de abertura das embalagens. Risco composto pelo mau acondicionamento e instabilidade ou danos aos materiais a serem recebidos Não transportar ou Recber cargas que estejam instáveis, manter as zonas de circulação em bom estado de conservação, rejeitar embalagens que estejam danificadas, não empilhar as mercadorias de forma instável ou que dificulte a visibilidade. Estes riscos surgem por meio de tropeços em objetos colocados no chão, escorregões por causa de piso sujo ou molhado, calçado inadequado, iluminação insuficiente. Manuseio de utensílios de corte, utilização de máquinas com lâminas e manuseio de recipientes partidos. Tapetes antiderrapantes nas entradas e saídas, Não empilhar produtos em alturas que dificultem a visibilidade, estalar corrimões nas escadas, sinalizar os obstáculos que não possam ser eliminados, iluminação adequada, limpar e imediato substancias derramadas no chão, não obstruir as zonas de passagem e utilizar calçado adequado. Utilizar máquinas e equipamentos que possuam a zona de corte protegida, utilizar as máquinas de acordo com as instruções do fabricante, formar os trabalhadores na correta e segura utilização das máquinas perigosas exigentes, definir operador para as máquinas perigosas e proibir a utilização das mesmas por qualquer outro trabalhador, manusear facas e utensílios cortantes com suma precaução, utilizar utensílios de corte com o cabo antiderrapante, guardar as facas em lugares com suporte especifico, nunca utilizar facas para outras finalidades como abrir latas, cortar sempre na direção oposta ao corpo, não introduzir alimentos com as mãos nas máquinas utilizar empurrador. 64 Continuação quadro 2... Adquirir equipamentos com marcação CE ( II ), ligar todos os equipamentos á terra, fazer inspeção visual ás instalações elétricas antes de iniciar os trabalhos, manter cabos, tomadas e equipamentos em bom estado, evitar várias ligações na mesma tomada, trocar de imediato tomadas e fios danificados, não manusear equipamentos com as mãos úmidas. Risco Elétrico Advêm de defeitos no isolamento dos equipamentos elétricos, incorreto manuseio dos equipamentos elétricos, deficiência na ligação dos equipamentos á tomada. Riscos Ergonômicos Movimentos repetitivos, esforços excessivos, posturas incorretas e rígidas, movimentação manual de cargas. Adaptar o posto de trabalho as características do trabalhador, a altura das superfícies de trabalho devem situar-se entre 87 cm e os 97 cm, para as tarefas de manipulação de carga pesada a altura do posto de trabalho deve ser entre 70 cm e os 90cm, utilizar máquinas que realizem as tarefas repetitivas, evitar permanência muito em pé, utilizar calçado confortável, estabelecer a rotatividade dos postos para evitar muito tempo expostos á atividades repetitivas. Riscos Biológicos Manipulação de alimentos crus ou contaminados, utilização de farinhas ou outros produtos em pó. Evitar peneirar farináceos, adquirir produtos refinados, substituir se possível por produtos em pó por produtos granulados, manter o ambiente de trabalho bem ventilado e limpo, manusear alimentos com luvas, disponibilizar baldes do lixo acionáveis por pedal para evitar contato com o lixo. Risco de Contato com Superfícies/ Substâncias a Temperaturas Extremas Contato com superfícies frias, gelo e alimentos congelados, contato com superfícies quentes, fritadeiras, grelhas e panelas, salpicos ou derrames de substancias a temperaturas elevadas. Evitar debruçar-se ou tentar alcançar algo sobre chapas e panelas, nunca encher totalmente os recipientes que serão aquecidos, introduzir os alimentos em pequenas quantidades aos produtos aquecidos, controlar a temperatura das fritadeiras, ao transportar recipiente aquecido avisar as pessoas ao seu redor, usar roupas com maga compridas e luvas de proteção. 65 Continuação quadro 2... Risco de Térmico Stress Provocado pelo aquecimento excessivo da temperatura ambiente quando são utilizados produtores de calor: fogão, forno, chapas e grelhas. Risco de Incêndio Podem ter diversas origens e ocorrer, nos vários equipamentos, os de chamas, nos de condutas de exaustão, em substancias inflamáveis, provocados por fuga e gás. Riscos na limpeza e desinfecção das instalações e equipamentos Tropeçar em cabos ou objetos colocados nas zonas de circulação, escorregar em locais úmidos, calçado inadequado. Risco Associado a Fatores Psicossociais Os funcionários são expostos a contato com situações de stress. Risco de Exposição ao Ruído Equipamentos e máquinas de trabalho, picadores de gelo, etc. Sistema de exaustão. Quadro 2 : Apresentação dos riscos e sua prevenção. Fonte: Adaptado de Michel (2009). batedeiras, Instalar sistema de exaustão por cima de locais onde haja uma elevada produção de calor, instalar sistema de ventilação, beber água regularmente ao longo da jornada de trabalho, não ingerir álcool ou cafeína, organizar pausas, informar todos os funcionários da cozinha sobre os sintomas provocados pelo calor, utilizar roupa de algodão. Não aquecer óleos ou gorduras em demasia, fazer uma manutenção dos filtros e equipamentos de exaustão, a quantidade de material inflamável no local de trabalho deve ser o suficiente para um dia de trabalho, instalar um sistema de detecção de fuga de gás, fazer uma manutenção periódica às instalações elétricas, manter as instalações protegidas, disponibilizar extintores em numero suficiente, disponibilizar mantas contra fogo, instalar sistema com alarme de incêndio. Limpar derrames de óleos, gorduras e líquidos com detergente desengordurante, sempre que o chão for molhado ou sujo com algo limpar imediatamente, em locais que acabaram de ser lavados, colocar avisos, de piso molhado, não utilizar roupas largas ou muito compridas, utilizar calçado adequado. Distribuir as tarefas de forma clara, planear antecipadamente os trabalhos da jornada de trabalho, respeitar os turnos, reforçar os turno s onde há maior numero de clientes á serem atendidos, prever e planear o trabalho extra, distribuir adequadamente as férias, não prolongar em excesso a jornada de trabalho, considerar queixas e reclamações dos trabalhadores e promover um ambiente seguro. Instalar se possível, equipamentos com nível de ruído baixo, equipamentos com mais ruído afastados do local principal de trabalho, utilizar elementos anti-vibráteis evitando a transmissão de vibração, utilizar protetores auriculares. 66 Embora muito se fale de qualidade enquanto filosofia de gestão provida de uma dimensão estratégica que atravessa todos os patamares da vida das organizações, na prática, tal termo tem-se restringido a uma série de procedimentos de conformidade com regras preestabelecidas como é o caso das certificações e das normatizações, incidindo, sobretudo, na segurança do produto (MICHEL, 2009). A política de qualidade aplicada às condições de trabalho visa a melhoria do ambiente físico e psicossocial do trabalhador, como forma de aumentar a produtividade, o bem-estar e a segurança. Trata-se de uma abordagem mais dinâmica, essencialmente de matriz preventiva, incidindo sobre as causas dos acidentes e das formas de eliminar e/ou diminuir, ao invés de uma visão estática, centrada nos seus efeitos (MICHEL, 2009). 2.3 Produtividade A produtividade é comumente definida como a relação entre produção e recursos. Isto é, compara o que foi produzido com a quantidade de recursos usados. Recurso significa todos os meios que são usados para geração de produtos, sejam serviços ou bens. Normalmente classifica-se como recursos: mão de obra, materiais, máquinas e insumos (energia, água, outros materiais complementares) (MOREIRA, 1993). O conceito de produtividade está relacionado com obter o máximo de resultado com o mínimo de esforço, ou de recursos usados. Pode-se definir produtividade, ainda como uma métrica, um indicador que permite orientar como gerir melhor os recursos. É, portanto, uma medida da eficiência, ou de como se usa os meios produtivos. De modo mais simples seria “fazer a coisa de modo certo” (Grifo do autor). Por outro lado se for feito uma comparação com o conceito de qualidade pode-se dizer que estase relaciona com o atendimento, com a satisfação de alguém que usa os produtos, ou seja, é uma medida da eficácia, que significa “fazer a coisa certa” (Grifo do autor). Diante disso, se a qualidade tem uma relação com o cliente, produtividade tem uma relação com o uso de recursos. 67 (GROVE, 1972). Ressalta-se que a produtividade é uma medida interna que permite obter o resultado esperado com o menor custo Quando se fala em produtividade laboral Hanks (1997) afirma que consiste no aumento ou na diminuição do rendimento, o que se reflete nas variações do trabalho, no capital, na técnica ou noutro qualquer fator. O conceito de produtividade vai além dos aspectos restritos ao processo de produção, pois a geração de valor também depende fundamentalmente das demais etapas do processo produtivo: a compra de bens e serviços intermediários e a venda dos bens e serviços que a empresa produz. Se a estratégia de compras da empresa (quantidade, qualidade, relação com fornecedores, logística de suprimentos) é inadequada e/ou a sua estratégia e resultados de mercado (logística de distribuição, volume de vendas, Mark-up, Market Share, relação com clientes, etc.) são problemáticos, a eficiência de seu processo produtivo pode ficar comprometida, apesar da excelência que possa ter no seu processo de produção (BERGAMO FILHO, 1991). Para produzir precisa-se de pessoas, máquinas, materiais, etc. Para cada tipo de recursos pode-se gerar uma métrica com a relação produção/recurso. Assim pode-se medir a produtividade por várias formas, por cada tipo de recurso, porém é comum utilizar-se o cálculo de produção por homem/hora, ou por mês/máquina (OTT, 1994). Vale lembrar que a produtividade é o resultado do esforço associado a uma determinada tarefa ou trabalho, incluindo conceitos de lucratividade, eficiência, efetividade, valor, qualidade, inovação, nível de vida. Com base nestes resultados os gerentes conseguem analisar e verificar até que ponto os esforços de sua equipe atendem as expectativas da empresa (MOREIRA, 1993). Dado o acirramento da concorrência tem-se tratado o tema da produtividade como uma dimensão da gestão, pois é um elemento essencial na formulação das estratégias competitivas (BERGAMO FILHO, 1991). Ainda, Segundo Bergamo Filho (1991), a gestão da produtividade, se divide em três etapas, a medição da produtividade, a identificação e analise dos fatores determinantes dos gargalos, e a definição e aplicação de propostas. A medição da produtividade ou da eficiência do processo produtivo, o primeiro procedimento para a gestão da produtividade, torna-se determinada 68 pela relação entre valor adicionado (output) e os recursos que a empresa utiliza (inputs) nesse processo. Quando a produção é customizada e/ou os bens e serviços produzidos pela empresa não são homogêneos, esse método de medição é também o mais adequado, pois não apresenta problemas de agregação (BERGAMO FILHO, 1991). A identificação e análise dos fatores determinantes dos gargalos de produtividade, o segundo procedimento para a gestão da produtividade, não se restringe ao “mundo” da produção. Os aspectos relativos às relações da empresa com os mercados (estratégia e resultados), tanto de compra de bens e serviços intermediários, quando de venda dos bens e serviços que produz, também assumem relevância como possíveis gargalos de produtividade ou de eficiência do processo produtivo (BERGAMO FILHO, 1991). As definições e aplicações de propostas de superação de gargalos, o terceiro procedimento para a gestão da produtividade, relativas a qualquer etapa/variável processo produtivo: compras, produção e vendas. Com essa perspectiva, a Gestão da Produtividade também assume uma natureza sistêmica (BERGAMO FILHO, 1991). Em função das questões apresentadas acima se pode afirmar que a gestão da produtividade deve ser vista como um sistema. Sua gestão deixa de ter natureza operacional e transforma-se no eixo da formulação das estratégias da empresa. O quadro analítico da produtividade, de seus fatores determinantes e de suas relações com a lucratividade passa a ser o referencial de planejamento estratégico da empresa. O desempenho do valor adicionado não só é determinado por fatores internos à empresa (gestão, padrão tecnológico), mas também por fatores que relacionam a empresa ao seu ambiente externo, tanto micro (estruturas de mercado, disponibilidade de infraestrutura logística), quanto macroeconômico (taxa de juros e custo de carregamento de estoques, taxa de câmbio) (MOREIRA, 1993). A gestão da produtividade sistêmica desloca a empresa de uma lógica estritamente baseada em custos, para a lógica do ganho. Nessa lógica, o fundamental é gerar valor adicionado, o que pode ocorrer mesmo em situação de custos crescentes. Em certos casos, o aumento de custos pode ser um requisito para o aumento mais do que proporcional do valor adicionado, por 69 exemplo, gastos em Pesquisa, Desenvolvimento e inovações (PD&I) de produto e/ou processo (GROVE, 1983). Na perspectiva da produtividade sistêmica, as despesas com salários, em geral contabilizadas como elementos de custos, são analisadas como uma parcela do valor adicionado gerado pelo processo produtivo. Dessa forma, a determinação dessa parcela está relacionada aos aspectos relativos à distribuição funcional desse valor entre lucros, salários, juros, aluguéis e impostos. Nessa perspectiva, é possível romper a aparente dicotomia entre aumento da taxa de lucro/redução da massa salarial ou aumento da massa salarial/redução da taxa de lucro: em condições de crescimento do valor adicionado é possível definir trajetórias convergentes de aumentos da taxa de lucros e da massa salarial (BERGAMO FILHO, 1991). Existem dois tipos de produtividade a produtividade técnica e a produtividade econômica. A produtividade técnica trabalha indicando a eficiência total dos fatores produtivos empregados, em relação à produção obtida. A produtividade técnica de um sistema produtivo pode, assim, ser representada pela relação entre a saída física de produtos e a quantidade de fatores utilizados. Já a produtividade econômica, indica a monetarização das relações técnicas que formam o processo de produção. Esse conceito apresenta um caráter fundamentalmente operacional, preocupado em monetizar os recursos e os resultados (GROVE, 1983). Empresa produtiva é aquela que consegue viver sem o dono e que os funcionários já sabem o que deve ser feito. Para isso, estratégia e foco são fundamentais e precisam ser compartilhados por toda a equipe. É importante saber diferenciar, o que é importante, do que é urgente. E eliminar a urgência do dia a dia que atrapalha e impede a produtividade (HANKS, 1997). Para ser produtiva uma empresa deve adquirir alguns hábitos como, escrever metas, de curto prazo, médio prazo e as de longo prazo. Dê prioridade às tarefas; aprenda a dizer “não” para pedidos impossíveis de realizar; delegue sempre que possível; evite interrupções; divida projetos extensos em pequenas tarefas. Estabeleça data final para os projetos e trabalhos; faça as tarefas rotineiras no mesmo horário, todos os dias para 70 otimizar o tempo; use tecnologia para lembrar datas de eventos importantes(MOREIRA, 1993). E para que a empresa seja produtiva não basta que ela se reorganize mais os funcionários devem optar por algumas praticas como, estabelecer as prioridades, não adianta estabelecer mais metas do que será possível realizar. Uma coisa de cada vez, é tentador realizar várias tarefas ao mesmo tempo, mas não se engane se concentrar em uma atividade de cada vez é muito mais produtivo. Pausa para o cafezinho é importante, fazer pausas curtas depois de longos períodos dedicados a uma única tarefa (HANKS, 1997; GROVE, 1983). Ainda segundo os autores é preciso deixar as banalidades para serem conversadas após o expediente. É necessário estudar, investir no desenvolvimento pessoal por meio de treinamentos e cursos, ajuda a trazer novas ideias para o trabalho, a aumentar a rede de contatos e potencializa os resultados. Cuidar da vida pessoal, pois ela interfere na empresa, uma boa noite de sono, um fim de semana relaxante e atividades desinteressantes realizadas nos horários vagos, ajudam a aumentar a produtividade no ambiente de trabalho. Saber quando parar, ficar além do horário pode ser necessário às vezes, mas não fazer disso uma rotina. O líder tem que analisar a realidade da própria empresa. Se ele atua em um ambiente onde já existe uma distância entre os funcionários, 'tirar as divisórias' vai melhorar o desempenho, facilitando o treinamento, interação, fluxo de informação, ai deixar a equipe ver o que acontece em toda a companhia. No entanto, em uma realidade contrária, onde se exige mais concentração e é preciso melhorar a produtividade, talvez áreas mais segmentadas sejam mais produtivas (BERGAMO FILHO, 1991). O ambiente de trabalho pode estar vinculado à insatisfação profissional, a um ambiente desmotivador, com equipamentos ultrapassados, decoração desagradável, condições ergonômicas inadequadas, entre outros fatores que acabam afetando a produtividade, a saúde e até mesmo o relacionamento interpessoal na empresa (MOREIRA, 1993). Para gestores e especialistas, é importante entender que, oferecer condições de trabalho condizentes com as atividades que o profissional desenvolve e manter um ambiente físico agradável é essencial, pois não há economia que valha ter um profissional desmotivado na empresa. Um 71 colaborador desmotivado representa muito custo para a empresa. E se a empresa investir em treinamento e, esse indivíduo se desligar, a empresa terá que contratar outro profissional para a mesma função, treiná-lo, prepará-lo e tudo isso é mais custo. E esse dilema está presente na maioria das empresas (GROVE, 1983). O ambiente ideal de trabalho precisa ser compatível com o tipo de atividade desenvolvida, com o nível sociocultural das pessoas envolvidas e com a tradição da organização. Certamente um ambiente de trabalho constantemente escuro, abafado, com equipamentos velhos e obsoletos prejudicará o rendimento das atividades. Por outro lado, funcionários motivados geram resultados acima da média. Tudo o que a empresa puder fazer para aumentar a motivação, oferecendo um ambiente sadio e confortável, é válido (HANKS, 1997). Além de menor rendimento, um ambiente de trabalho desagradável pode acarretar malefícios psíquicos para o profissional. Um ambiente ruim reduz a autoestima e favorece a desmotivação e a desorganização. O ambiente deve, pelo menos, ser arejado e ter boa luminosidade. A armazenagem correta dos materiais utilizados pela empresa ou escritório também favorece a rotina diária dos colaboradores e proporciona maior bem-estar (OTT, 1994). A participação dos colaboradores para manutenção do ambiente é importante. Com poucos minutos por dia as pessoas podem conservar a organização do local, mantendo o espaço de trabalho organizado e evitando o acúmulo de materiais desnecessário. Caso a empresa tenha políticas ou programas como os de reciclagem, é fundamental que cada um contribua para adoção das práticas. A orientação para que o ambiente informal da organização não atrapalhe o desenvolvimento das atividades é evitar conversas, até que as atividades tenham sido cumpridas (MOREIRA, 1993). Ainda hoje, muitas empresas acreditam que manter o funcionário ansioso e estressado torna-o mais produtivo. Em curto prazo, isso pode ser aparentemente verdadeiro, pois as pessoas correm contra o tempo e vivem em função daquela tarefa, em detrimento de quaisquer outros aspectos de sua vida. Estimular a competição entre funcionários tem o mesmo efeito, mas em longo prazo estas políticas podem se voltar contra a produtividade das empresas (GROVE, 1983). 72 Trabalhadores submetidos a ambientes estressantes e chefias desagradáveis tendem, com o passar do tempo, a associar trabalho com desprazer e sofrimento e culpam a empresa pelo prejuízo em suas vidas pessoais, perdendo assim o senso de pertencimento e 'time' que as empresas tanto cobram, mas não estimulam (HANKS, 1997). Ambientes de trabalho em que a falta de humor e os poucos bons relacionamentos, aumentam em muito a probabilidade de os funcionários desenvolverem doenças causadas por estresse, indo de uma simples gripe à depressão e ansiedade aguda. Se as pessoas precisam passar a maior parte de seus dias em seu ambiente de trabalho, convivendo com colegas, é melhor que este ambiente seja fraterno, estimulante e agradável. Muitas pessoas deixam empregos em busca de outras colocações, procurando por maior qualidade de vida. São muitos os prejuízos de ordem financeira e produtiva causados às empresas por elevada rotatividade de pessoal (OTT, 1994). 2.4 Rotatividade A rotatividade de pessoal (Turnover), no contexto de Recursos Humanos, refere-se à relação entre admissões e demissões ou à taxa de substituição de trabalhadores antigos por novos, de uma organização. Normalmente é expressa em termos percentuais. Pode ser também um indicador de saúde organizacional. Tecnicamente o turnover pode ser ocasionado por vários fatores, dentre eles: recrutamento e seleção com problemas, baixo comprometimento organizacional, problemas com clima organizacional, suporte organizacional com problemas, remuneração inadequada e mercado de trabalho aquecido (SILVA, 2001). As organizações têm gastos desnecessários com a rotatividade de funcionários, pois conforme Chiavenato (1999), “[...] a rotatividade envolve vários custos, tais como: custo de recrutamento, custos de seleção, custos de treinamento e custos de desligamento”. 73 Para que a empresa possa fazer uma estatística sobre as causas da rotatividade, é necessário que a mesma faça entrevistas de desligamento, onde possa abranger os motivos de sua saída. Na visão de Chiavenato (1999), a entrevista de desligamento deve ser realizada por um especialista de RH ou gerente de linha e abrange os seguintes aspectos: 1. Motivo que determinou o desligamento (por motivo da organização ou do funcionário); 2. Opinião do funcionário sobre a empresa, o gerente e os colegas; 3. Opinião a respeito do cargo, horário de trabalho e condições de trabalho;4. Opinião sobre o salário, benefícios sociais e oportunidade de progresso; 5. Opinião a respeito do relacionamento humano, moral e sobre a atitude daspessoas; 6. Opinião quanto às oportunidades existentes no mercado de trabalho (CHIAVENATO, 1999). As causas da rotatividade podem estar relacionadas a ofertas mais atraentes por outras empresas; instabilidade econômica; ambiente e imagem organizacional; insatisfação quanto à política salarial da organização; política de benefícios insuficiente; tipo de supervisão exercido sobre o pessoal; falta de políticas e estratégias para crescimento, aprendizagem e desenvolvimento da carreira; o tipo de relacionamento humano dentro da organização; as condições de trabalho da organização; rotina sem desafios; a cultura organizacional da empresa; a política de recrutamento e seleção de recursos humanos; falta de Reconhecimento; entre outros (SILVA, 2001). Para que a empresa obtenha as informações sobre a motivação de o funcionário deixar a empresa torna-se necessário à adoção de algumas práticas de avaliação e mapeamento, como a entrevista de desligamento; a pesquisa de clima; o processo de recrutamento e seleção bem definido e a integração do funcionário com a cultura da empresa (MILKOVICK e BOUDREAU, 2008). A entrevista de desligamento detecta a satisfação e a opinião do ex- funcionário com relação à conduta da empresa, ao relacionamento com os colegas, às políticas de remuneração para saber onde é possível melhorar, além de descobrir qual é a imagem que ele levará da empresa para o mercado (MOBLEY, 1992). Uma ferramenta de mapeamento também necessária é a pesquisa de clima, que tem por finalidade, identificar a percepção coletiva dos seus 74 funcionários, quanto aos fatores que afetam o nível de sua motivação e o grau de satisfação existente em relação à empresa (ASSIS, 2005). O processo de recrutamento e seleção auxilia a empresa a obter conhecimento sobre os fatores que atraem ou não as pessoas para trabalhar na empresa, aspectos da imagem organizacional. Analisar a forma como é passada a oportunidade de crescimento profissional ao candidato, entre outros (MILKOVICK e BOUDREAU, 2008). Assim que o colaborador é admitido pela empresa, é necessário um monitoramento dos colaboradores no período de admissão recente, para avaliar como as suas expectativas estão sendo satisfeitas no processo de interação com a cultura da empresa, sua estrutura, pares e liderança, isso definirá as perspectivas de crescimento e os objetivos do funcionário, perante a cultura e o perfil de liderança da empresa (MOBLEY, 1992). Cabe ressaltar que para as organizações a rotatividade tem um custo elevado, porque envolve diversos fatores e ferramentas de mapeamento. Os custos da rotatividade envolvem o custo de recrutamento e seleção, que por sua vez envolve as despesas do setor de recrutamento e seleção (Salários, Encargos, Materiais); recrutamento, gastos honorários de com anúncios empresas de em jornais, folhetos de recrutamento, material de recrutamento, formulários; gastos com testes de seleção e avaliação de candidatos; e despesas com exames ocupacionais (SILVA, 2001). Existem também os custos de registro e documentação, que envolvem as despesas do pessoal de setor de admissão (Salários, Encargos, Materiais); gastos com formulários, documentação, anotações, registros, processamento de dados, abertura de conta bancária etc. As empresas ainda arcam com o custo de integração; que envolvem as despesas do pessoal de treinamento deve-se fazer o rateio pelo tempo proporcional aplicado ao programa de integração de novos empregados, rateadas pelo número de empregados submetidos ao programa de integração; e custo de tempo do supervisor do órgão requisitante aplicado na ambientação do empregado recém-admitido em sua seção (ASSIS, 2005). Quando as práticas e políticas de mapeamento não resolvem o problema entre empregado e empresa, surgem os custos de desligamento, que envolvem despesas relativas ao processamento do desligamento do 75 empregado (pessoal, anotações, registros, comparecimentos à homologação na Justiça do Trabalho e /ou Sindicato dos Trabalhadores); custo das entrevistas de desligamento (tempo do entrevistador, aplicado às entrevistas de desligamento, custo dos formulários utilizados, custo da elaboração dos relatórios consequentes); e custo das verbas indenizatórias (MOBLEY, 1992). Além dos custos diretos com admissões e desligamentos o turnover gera custos ou impactos financeiros, de tempo e de recursos, como a perda de produtividade; de lucratividade; de capital intelectual; horas extras, que além de perdas financeiras, sobrecarrega os pares; aumento de acidentes e doenças; processos trabalhistas; impacta na motivação das pessoas, no comprometimento; interferindo na credibilidade junto aos clientes e na imagem da organização (SILVA, 2001). O papel do profissional de recursos humanos é estar atento às constantes mudanças do mercado externo e também da realidade das pessoas que compõe a organização. Podem ser movidas ações que auxiliam a manutenção de um baixo indicador de rotatividade de pessoal. Cabe a gestão de pessoas encontrarem quais, as melhores ferramentas eficazes para auxiliar na manutenção do índice de turnover. Improdutividade, salário, motivação, comprometimento na execução das tarefas e falta de reconhecimento profissional são as principais causas que atingem o indicador de rotatividade de pessoal. Os profissionais da área de gestão de pessoas que tenham por objetivo reduzir o seu índice de rotatividade de pessoal devem analisar todo o processo de recrutamento, seleção, treinamento, motivação e também como está sendo o desenvolvimento do colaborador dentro da organização(ASSIS, 2005). Os problemas relacionados ao alto nível de rotatividade de pessoal podem ter seu início mesmo durante o recrutamento e seleção, o recrutador pode acreditar que uma pessoa que possua uma boa qualificação profissional técnica mesmo não possuindo as competências exigidas pelo cargo possa desenvolver um bom trabalho. Essas decisões muitas vezes acarretam em profissionais deslocados, sem interesse de desenvolvimento, e com características que afetam os outros trabalhadores. Os cargos devem ser bem definidos, quanto mais à organização for definida e desenhada, melhor o seu 76 desempenho, perante solicitações de novos colaboradores (MILKOVICK e BOUDREAU, 2008). As ferramentas de avaliação e mapeamento ajudam as empresas a diagnosticar as causas da rotatividade, mais apenas por si só, não trarão todas as respostas que a organização precisa, tornam-se necessárias práticas de gestão como: diagnóstico interno que analisa se a empresa possui um plano de carreira claro, definido até onde os colaboradores podem chegar ao executar suas ações com máxima expertise, qual o clima que reina na empresa, como os supervisores e monitores de qualidade tratam os colaboradores, e se eles dão feedback, deve-se tratar desses dados cuidadosamente (SILVA, 2001). Investir em reciclagens e treinamentos também auxilia na diminuição da rotatividade, mais se deve prestar atenção, de que modo são feitas as reciclagens ou aperfeiçoamento, o gestor deve ver a apostila e participar de alguns cursos. A verificação do comportamento dos colaboradores deve estar em foco da área de recursos humanos, a empresa deve verificar se tem políticas para plantão de finais de semana, feriados e horas extras, cuidar como a escalação de pessoal é feita. Outro ponto que deve ser analisado é quantas faltas ocorrem aos sábados e domingos, e faltas às segundas feiras, que pode ser o dia de procurar outro emprego. Uma empresa atenta a esses fatores tem um percentual muito menor de ser pega de surpresa com uma demissão (MOBLEY, 1992). Já foi o tempo em que as pessoas permaneciam nas organizações por anos e anos, muitas até mesmo tinham como objetivo se aposentar na organização em que um dia fora contratado. Na Era do Conhecimento, uma das características do trabalhador do conhecimento é a mobilidade em busca de melhores oportunidades, ou mesmo a execução de projetos com tempo determinado de execução. Ao contrário do que muitos gestores pensam um índice muito baixo de rotatividade não é sadio para as organizações, pois indica que a organização está estagnada já que não revitaliza ou oxigena a sua mão de obra, fato que pode impedir que novas pessoas, e consequentemente, novos conhecimentos entrem na organização. Por outro lado, um número elevado de rotatividade envolve vários custos à organização, como já foi tratado anteriormente (ASSIS, 2005). 77 Vale lembrar que é preciso administrar a rotatividade mantendo o equilíbrio entre a manutenção das pessoas e a captação de novas e diferentes contribuições, o que significa preservar a cultura organizacional e incorporar inovações. O mais importante é saber atrair, desenvolver, potencializar e preservar pessoas que criem valor para os clientes e para os negócios e, consequentemente, para si mesmas (MILKOVICK; BOUDREAU, 2008). Por fim a perda de pessoas significa perda de conhecimento, de capital intelectual, de inteligência, de entendimento e de domínio dos processos, além de perdas de conexões com os clientes, de mercado e de negócios. O alto turnover é sinônimo de perda de produtividade, de lucratividade e de saúde organizacional. Impacta na motivação das pessoas, no comprometimento, que acaba gerando ainda mais absenteísmo, improdutividade, mais rotatividade, interferindo na credibilidade junto aos clientes, uma “bola de neve” (Grifo do autor) potencializando seus concorrentes (ASSIS, 2005). 78 3 DESENVOLVIMENTO DO TRABALHO Nesta parte do trabalho serão apresentadas, de maneira ordenada e detalhada da forma mais ampla e relevante possível, as etapas do trabalho que consistem em descrever a empresa e apresentar os resultados da pesquisa sobre saúde, rotatividade e produtividade do trabalhador. A descrição das características da empresa é uma síntese do seu atual desempenho, das dificuldades, do seu tipo de gerencia, e o quão complexa é a tomada de decisão, em função de diversos fatores, as limitações do capital disponível, a necessidade de diferenciação dos produtos, o comportamento dos compradores, as políticas adotadas, a cultura da empresa, o perfil dos consumidores e as características da sua força de trabalho, entre outras (PORTER, 1989). Já os resultados da pesquisa têm por finalidade descobrir respostas para questões, mediante a aplicação de métodos científicos. Os Resultados aqui expostos demonstram a existência de uma pergunta que se deseja responder, a elaboração de um conjunto de passos (métodos) que permitam chegar à resposta e a indicação do grau de confiabilidade na resposta obtida (POPPER, 1993). De acordo com os resultados, serão apresentadas sugestões para a empresa. 3.1 Descrição da Empresa2 A empresa Nutrivale surgiu da veia empreendedora do senhor Laertes dos Santos e de sua Esposa senhora Maristela Algayer dos Santos, no ano de 2009, em Itajaí, Santa Catarina. Antes de fundar a Nutrivale os dois trabalhavam na empresa da Irmã do senhor Laertes, a Senhora Sheila dos Santos, que se chamava Refeisul, trabalharam 7 anos, no entanto haviam muitas propostas e empresas que queriam contratar os serviços, da Refeisul, mais a irmã do senhor Laertes estava tomando rumos que já não estavam seguindo os objetivos que o mesmo pretendia atingir, e então ele resolveu abrir 2 As informações utilizadas para a elaboração desses tópicos foram coletadas por meio de entrevista informal com o gestor da empresa. 79 sua própria Cozinha industrial, a Nutrivale que desde 2009 vem crescendo, ganhando mercado e conquistando clientes valorosos. A empresa atuou 7 anos no Paraná, e então surgiram diversas propostas em Santa Catarina, mais a primeira vista um pouco arriscadas. Contando um pouco com a sorte o senhor Laertes mandou sua esposa Maristela vir conhecer a região e as empresas que aqui estavam solicitando sua vinda. Após um ano o casal decidiu vir aproveitar as oportunidades de Santa Catarina. A primeira empresa que os contratou foi a Construtora Triunfo, em Navegantes, que estava trabalhando para o porto de Navegantes na época, e com um número de funcionários grande, que necessitava das refeições, isso abriu muitas portas para a empresa, que estava há pouco tempo na região. Os serviços de refeições para a Triunfo foram oferecidos durante 4 anos, e então a empresa começou a pegar empresas menores para atender, como a Polimix. E quando os serviços diminuírem muito na Triunfo, pois o quadro de funcionários diminui radicalmente com o fim da obra que a empresa estava realizando no porto, e então tornou-se inviável a Nutrivale continuar atendendo, e reincidiu o contrato. E cerca de seis meses o mercado estava estagnado. Não acontecia nenhuma obra considerável, e não aparecia nenhuma proposta de trabalho vantajosa, o senhor Laertes já estava preocupado e pensava em retornar para o Paraná, quando a empresa Constremac Construções entrou em contato com a Nutrivale, e apresentou uma proposta para que eles trabalhassem atendendo seus funcionários que estavam na obra do porto de Itajaí. A obra TECONVI, que se tratava da Execução do projeto de Construção do Novo Cais de 285 m, Reforma do Cais existente (250 m) e Construção do Pátio de Contêineres de 76.156,00 m², e a empresa aceitou, o tempo de duração da obra é de 2 anos. Logo em seguida uma obra em Fortaleza (Ceará), surgiu com a mesma contratante a Constremac, mais a empresa Nutrivale precisaria montar uma cozinha na localidade, dentro do pátio de obras. E assim foi feito o período de duração da obra em fortaleza é de 2 anos. A obra consiste na construção de cais de atracagem de cruzeiros para a copa do mundo. Hoje a empresa está atendendo também uma obra no Rio de Janeiro, que consiste na construção de cais para desembarque de equipamento para refinaria, equipamentos esses que são usados na Coperj da 80 Petrobras, e tem duração de 2 anos. Hoje a empresa atende essas três localidades Itajaí, Fortaleza e Rio de Janeiro. O presente Trabalho foi realizado na cede de Itajaí, Santa Catarina. Imagem 1 – Sede da empresa Nutrivale em Itajaí. Fonte: Arquivos internos da Nutrivale 3.1.1 Mercado em que a empresa atua A Nutrivale atua no ramo de alimentações coletivas, que corresponde às necessidades da vida urbano-industrial, na qual as distâncias, as características dos processos produtivos (ritmos e continuidade no fluxo de produção) e a organização do trabalho (divisão e integração do trabalho) são fatores que restringem as possibilidades do trabalhador realizar suas refeições durante a jornada de trabalho no próprio domicílio. Por isso as empresas, principalmente 81 as construtoras, que precisam de mobilidade, tempo e confiabilidade, estão contratando as cozinhas industriais para seus colaboradores poderem fazer suas refeições em tempo hábil e voltar ao trabalho. O produto com qual a empresa Nutrivale trabalha são os alimentos em geral. O volume produzido médio de alimentação por mês é igual á 14.700 Refeições, e por ano 176.400 Refeições, estes números variam muito de acordo com o quadro de funcionários da contratante. Atualmente a empresa conta com 41 funcionários, divididos em, 10 em Itajaí, 17 em Fortaleza e 14 no Rio de Janeiro. A empresa não tem sede fixa própria, ela aluga os espaços onde atende, pois se muda constantemente junto com as empresas contratantes. 3.1.2 Estrutural organizacional A estrutura organizacional compõe-se dos gestores, que são o primeiro nível da empresa, composto por Maristela Algayer dos Santos e Laertes dos Santos, no segundo nível está o também gestor Allan dos Santos. Logo após dos gestores vêm a Nutricionista, que trata de planejar e elaborar cardápios, medir a temperatura dos alimentos, zelar pela limpeza da cozinha, escolha dos alimentos. Depois vemos Chefes de cozinha, que trabalham na Orientação e supervisão das cozinheiras e auxiliares na produção das refeições, bem como auxiliar no desenvolvimento das atividades. Após os chefes vêm às cozinheiras, que são responsáveis, pelo preparo das refeições, corte de carnes, reposição do balcão térmico. No próximo nível estão as auxiliares de cozinha de nível 1, que auxiliam o cozinheiro no preparo de alimentos. Realizar o pré-preparo de alimentos, lavar os utensílios de cozinha. E as auxiliares de nível 2 que auxiliam na limpeza do salão, repor os alimentos no balcão, servir e auxiliar no atendimento. No mesmo nível existem também as Saladeiras, que atuam com a lavagem de folhas, higienização de legumes, seguindo procedimentos internos, auxiliar na preparação de massas e molhos, montagem de saladas, montagem de Buffet de saladas e reposição dos pratos, zelando pela limpeza e organização. 82 Dentre as características da empresa, torna-se relevante ressaltar que se trata de uma empresa de administração familiar, o casal Laertes dos Santos e Maristela Algayer dos Santos que são os majoritários e o filho único do casal Allan Jonathan Algayer dos Santos que é o atual gestor da cede de Itajaí, de compras e de Recursos Humanos. O serviço de alimentação é uma indústria que fabrica produtos diferentes a cada ciclo produtivo e a cada dia, apresentando, consequentemente um grau de dificuldade relativamente alto na organização da produção. Na figura a seguir será apresentado o organograma da empresa. 83 Figura 3 – Organograma da empresa Nutrivale Fonte: Arquivos Internos da Empresa Nutrivale 84 MISSÃO Oferecer serviços de alimentação por meio de um atendimento personalizado, com excelência na qualidade e no atendimento. VISÃO Ser reconhecida por nossos clientes como a melhor empresa no mercado, por meio da qualidade, do atendimento personalizado e da transparência empresarial, visando à satisfação dos colaboradores e parceiros. VALORES Relacionamentos - constituídos com respeito e confiança. Atendimento Personalizado –cada cliente de acordo com suas necessidades. Transparência empresarial – diante das informações edos concorrentes. Flexibilidade - nas negociações e nas mudanças. Qualidade - nos produtos e na conduta de todas as ações realizadas. Respeito - a todos colaboradores, clientes e fornecedores. Integridade - ética e honestidade. Gratidão - Ter senso de gratidão e cooperação, pois nada se constrói sozinho. Padrões de qualidade claros - deixar visíveis os procedimentos antes, durante e após o manuseio dos alimentos, prezar pela organização e cuidado extremo com os EPI (Equipamento de Proteção Individual). Valorização dos colaboradores – quando você está ciente de seu valor para a organização, você se sente parte dela e responsável pelos resultados. Comprometimento - Ser comprometido com a empresa, contribuindo para o seu crescimento e rentabilidade. Fonte: Empresa Nutrivale 85 Imagem 2 – Colaboradores Uniformizados Fonte: Arquivos internos da Nutrivale 3.1.3 Ambiente de atuação da empresa Diante do ambiente e dos possíveis impactos que podem ocorrer no momento sobre o negócio, deve-se ressaltar, que o andamento das obras para a copa de 2014 no Brasil, pode afetar o negocio se as obras acelerarem pelo prazo de entrega, o tempo da obra diminui e assim o trabalho da Nutrivale torna-se dispensável em menos tempo. Mais ao mesmo tempo em que essa aceleração pode afetar negativamente a empresa as obras iram trazer relevantes necessidades de obras à tona, pontes, barragens, cais e muitas outras necessidades como estradas e outras. Dentre os clientes da Nutrivale estão, a Constremac Construções, no Porto de Itajaí, também atendendo a Constremac na obra no Rio de Janeiro, a Construtora Triunfo, porto de navegantes e obras na BR e em outras localidades do município de Navegantes. 86 Os principais concorrentes da região de Itajaí são a Nutrigurme, e a Lamim, mas a Nutrivale tem um diferencial, pois ela é especializada em mobilidade, aceita contratos de obras e segue para onde for necessário, já as concorrentes acima citadas apenas aceitam contratos de empresas fixas. Os fornecedores são o, frigorífico Pamplona, o verdureiro Cunha Comercio de Frutas e Verduras, a padaria Dom Jean, Bahia Norte atacado, Rosar Atacado, Big frango, Sustentari, Prix sucos, Omega distribuidora Atacadista, Forte Food, Atacadão, Assai Atacado, Boi e Cia, Celeta Carne. A empresa está investindo, no momento, em equipamentos, pois está abrindo uma nova sede no Rio de Janeiro e precisa montar toda estrutura. Contratou todos os funcionários novos, e teve de comprar um veículo para transporte dos funcionários. Ao mesmo tempo em que está trabalhando para grandes empresas e com um mercado aquecido, ela está tendo gastos significativos. E a necessidade da mobilidade dos gestores também é um ponto importante, pois como são três localidades, com grandes distancias, as viagens são feitas de avião e isso também requer investimento, tempo e organização, pois não pode coincidir de os gestores estarem na mesma localidade, pois sua presença é indispensável nas cozinhas, pois os empregados não têm contato com as gerencias dos contratantes e nem autoridade para resolver qualquer problema, de documentação ou responder pela cozinha. 3.2 Resultados da Pesquisa Para a realização da pesquisa foi aplicada entrevista semiestruturada, que diante da escolaridade dos entrevistados e o número de entrevistados ser reduzido, a melhor opção segundo Triviños (1987) é a entrevista semiestruturada. Esse tipo de entrevista pode fazer emergir informações de forma mais livre e as respostas não estão condicionadas a uma padronização de alternativas, também tendo uma linguagem mais simplificada e de fácil compreensão. A população envolvida, com o presente trabalho, são todos os funcionários da empresa, ou seja, 10 funcionários diretos, os quais contribuíram com as informações relevantes para o trabalho, além do gestor. O registro das informações aconteceu por meio de áudio, logo após as respostas foram transcritas para meio eletrônico e analisadas. A acadêmica 87 utilizou-se também da observação, que se trata, de uma atividade para detectar e assimilar informação (GIL, 1995). Fazendo a seguir a apresentação dos resultados obtidos, na visão do Gestor e dos Colaboradores, confrontadas com a observação feita pela acadêmica. 3.2.1 Atual estrutura de gestão de pessoas A atual gestão de pessoas evoluiu de métodos simples de contratação, onde se ensinava o trabalho e deixava as pessoas trabalharem, atualmente a gestão de pessoas vem ficando cada vez mais complexa e necessitando da gestão de diversos fatores como a análise e descrição de cargos, o recrutamento e seleção de pessoal, orientação e integração de novos funcionários, administração de cargos e salários, incentivos salariais e benefícios sociais, avaliação do desempenho dos funcionários, comunicação aos funcionários, treinamento e desenvolvimento de pessoal, desenvolvimento organizacional, higiene, segurança e qualidade de vida no trabalho e relações com empregados e relações sindicais (MARRAS, 2000). Esses aspectos vêm sendo cada vez mais levados em consideração para atingir os objetivos da organização. Dentre esses aspectos está o recrutamento, que corresponde ao processo pelo qual a organização atrai candidatos no mercado. O processo de recrutamento auxilia na captação de mão de obra mais adequada à necessidade da empresa de forma a aproveitar de maneira mais adequada, e com possibilidades menores de erros na escolha de perfis esperados pela mesma (GIL, 2009). Além de tempo, os custos podem ser reduzidos quando se faz as escolhas mais próximas da necessidade empresarial (PONTES, 2000). Diante dessas afirmativas pode-se revelar que na empresa alvo do estudo este perfil de colaborador não é bem definido, para que aja essa definição do perfil a empresa deve ter uma cultura bem delimitada para que aja um encaixe entre o perfil do colaborador e o perfil da cultura da empresa (LACOMBE, 2005), como a empresa não parece ter uma cultura delimitada, características fortes tanto no âmbito de desenvolver os colaboradores como na questão de ter processos por escrito, documentados e de base solida, isso á torna às vezes flexível de 88 mais e acaba comprometendo o processo de seleção (PEREIRA, 2005), podese afirmar isto diante das respostas dadas sobre o processo de seleção, que parece seguir um padrão, primeiramente uma entrevista quase que informal com o gestor, um dia sendo observado e um mês de experiência logo após a carteira é assinada, na maioria das entrevistas essa foi à resposta dada. Mas, o que se pode ver no resto do discurso sobre o processo é que não passa de uma conversa, fala da entrevistada número 3: “– a empresa falava no site que precisava de uma saladeira então liguei para cá marquei um horário e vim para a entrevista, viram que hora eu podia trabalhar, falamos sobre o salário e outras coisas”, ao que parece não tem a menor dificuldade de ser contratado, não tem processos bem definidos questões mais complexas a serem levantadas e nem checagem com os antigos empregos, os únicos assuntos que foram relatados que houve perguntas na entrevista foram, fala da entrevistada 5 “ – falamos sobre salário, horário, transporte, alimentação e onde eu já tinha trabalhado”. Diante disso, pode-se observar que a empresa não apresenta procedimentos formais no processo de recrutamento e seleção. Os entrevistados afirmam que o processo é claro, mais apenas veem do âmbito de que eles foram contratados, mais se eles não fossem contratados, qual será a explicação que seria dada aos mesmos? A empresa utiliza o mesmo procedimento para todos os contratados, mas parece não ter um processo adequado, do ponto de vista de gestão profissional. Essa forma pode comprometer a empresa, pois não define claramente o perfil desejado, tornando todo o processo um amontoado de informações irrelevantes (ARAÚJO, 2006) e que dificultam o futuro da empresa, que está vinculado as pessoas que nela atuam. Essa questão pode ser evidenciada na fala do próprio gestor “-meu lado humano grita muito alto, acho que é um ponto negativo às vezes, me enrolo com problemas que não me dizem respeito, e isso afeta minha empresa, seu rendimento e acabo afetando a imagem que os colaboradores têm de mim”. Destaca-se que o perfil do trabalhador deve ser revisto talvez alguém com mais estudo sirva ou não para a função mais o que mais se necessita dentro de uma empresa é a gestão, que delimita e dá foco a empresa e aos colaboradores (RONCON, 2010) e para isso, são necessários processos bem delimitados, uma busca constante por aprimoramento e delimitar o que pode e 89 o que não pode entrar no âmbito da organização, que tipo de futuro essa pessoa espera e de que forma suas habilidades contribuem para a organização (TONELLI; LACOMBE; CALDAS, 2002). Diante da observação feita pela acadêmica durante algumas semanas, observando o trabalho desses colaboradores, eles parecem estar sempre reclamando, e raramente se ajudam, sempre desviando a responsabilidade para o outro, eles parecem, por ter pouco estudo, ter uma visão muito restrita. Pelo que se pode observar, das respostas dadas pelos colaboradores e pela observação, grande parte dos problemas vem da seleção pouco rigorosa feita pela empresa, que acaba desencadeando todos os outros problemas. A empresa parece necessitar de rigor e métodos. A movimentação busca oferecer suporte a toda ação de movimento físico de pessoas na empresa. Na movimentação estão envolvidos as seguintes práticas de captação, internalização, transferências, promoções, expatriação e recolocação (DUTRA, 2002). Na empresa as unicas práticas já realizadasforam a captação e a promoção, diante da captação os problemas já foram relatados a cima, e diante das promoções elas acontecem muito raramente pois a empresa é de pequeno porte e a busca por aprimoramento por parte dos funcionários é quase nula. As promoções deveriam ocorrer, na maioria das organizações, diante de fatores como, assiduidade, pontualidade, responsabilidade e cumprimento prazos, de qualidade do serviço, produtividade, aperfeiçoamento iniciativa, cooperação continuo, e bom relacionamento (LACOMBE, 2005). Diante dessa afimação vem a contribuir esta fala da entrevistada 2 – “ vou ser injusta se não falar que o gestor já tentou varias vezes nos oferecer alguma palestra mais não houve interesse por parte de ninguem”. Diante desta colocação pode-se perceber que não há á intenção de se aprimorar, nem de construir carreira ou ser promovido, pois não existe possibilidade de ser promovido sem aprimoramento, isso é deixado claro por parte do gestor, que vale a pena ressaltar tenta de diverçars formas incentivar que os colaboradores estudem algum tema, qualquer que seja, mais eles afirmam que “ – quado saiu do meu trabalho quero ir pra casa, não quero ficar aqui escutando gente que teve condições melhores que as minhas falado de como devo me comportar”. E ainda afirmam que, entrevistada 8 “ – fui criada ouvindo que o estudo não valia nada, que você tinha era que trabalhar pra 90 viver, foi isso que meus pais deixaram pra mim, e hoje vejo o quanto perdi por ter cido criada dessa forma, mais se tornou minha realidade”. Na maioria das vezes de origens humildes e com pouco estudo a dimenção dos colaboradores sobre o quanto são importantes para a empresa não está visivel, como pode-se observar nesta fala da entrevistada 4 “ - não me sinto muito importante não, eu sei que todo mundo precisa fazer seu trabalho pra que as coisas deem certo mais sei que qualquer um pode fazer o que eu faço”. Diante desta afirmação deve-se tratar das demissões que fazem parte do clico de vida de todas as organizações, muitas vezes é um processo de perda, tanto por parte do colaborador, como por parte da empresa, mais que nem sempre é encarado assim por ambos (LUCENA, 1992). Para contribuir com a afirmação torna-se relevante ressaltar uma fala da entrevistada 6 “ – muitos entram aqui já com a ideia de ficar um curto tempo só para juntar um dinheiro e logo pedir demissão, eles as vezes sabem do custo que isso tem para a empresa, mais não se importam.” Isso traz a tona a discussão sobre o “compromisso” o que essa palavra tem significado para as pessoas na atual estrutura da sociedade, será que esse termo tem realmente raízes na cultura da população brasileira ou essa mistura de povos pode nos ter afastado da nossa própria cultura (ARAÚJO, 2006) e de nossos valores. Talvez tanta competição e a luta pela sobrevivência e o pensamento de que satisfazer nossos desejos é o mais importante, pode ter afetado esse senso de compromisso e responsabilidade. Tornando os gastos e os problemas causados pela má conduta de colaboradores, problemas deixados em segundo plano, para não parar o mercado (LACOMBE, 2005). Torna-se indispensável o desenvolvimento dentro das organizações que visa promover condições para o desenvolvimento empresarial e individual e evitar a rotatividade. Os subprocessos do desenvolvimento são, à capacitação, a carreira e o desempenho (DUTRA, 2002). Capacitar é tornar habilitado para o desempenho de uma função, é qualificar a pessoa para determinado trabalho (DUTRA, 2002). Capacitar trata-se de, treinar e visa encaminhar o profissional a um processo de educação, reciclagem e mudança de comportamento (PEREIRA, 2005), e como o nível de interesse por desenvolvimento por parte dos colaboradores é muito baixo, isso acaba tornando seus comportamentos e ideias pequenos e sem mudanças e reciclagem, isso torna uma maça de 91 pessoas que executam uma tarefa para adquirir seu salário, pra poder suprir suas necessidades básicas, diante desta afirmação pode-se trazer uma fala da entrevistada 4 “ – não tenho condições de estudar agora, por que todos os meus sonhos são deixados de lados por conta da minha família, eu tenho contas pra pagar, tenho filhos pra manter na escola, e tenho que ajudar meu marido a manter nossa casa.” Isso demonstra que as vezes á interesse mais isso fica reprimido por achar fútil, diante da alimentação, do transporte e de manter um lar para sua família. Outro ponto que se deve ressaltar, que pode ser deixado claro após a analise das respostas é que a avaliação do desempenho não ocorre na empresa, e ela possibilitaria a definição do grau de contribuição de cada colaborador, identificação da eficácia dos programas de treinamento, obtenção de subsídios para promoção e remuneração, obtenção de subsídios para elaboração de planos de ação para desempenhos insatisfatórios, promover autodesenvolvimento e autoconhecimento dos colaboradores (LUCENA, 1992). E pode ser confirmado analisando a fala a seguir da entrevistada 2 “ – não temos avaliação em documentos nem nada, e nem dizem como estamos nos saindo, todo dia o processo de produção é diferente e isso dificulta medir os resultados e nos deixa perdidos as vezes”, isso demonstra que é necessária uma resposta mesmo que nem todos os colaboradores estejam dispostos a receber o feedback, isso torna os problemas mais palpáveis e as demissões tem fundamentação (LUCENA, 1992). Um ponto importante a ser analisado é a forma como a valorização é encarada pela empresa e por seus colaboradores, uma fala irá demonstrar isto “- é melhor que não tenha premiação por que isso almenta a competição e um tenta passar por cima do outro”. A valorização visa criar parâmetros e procedimentos para distinção e valorização das pessoas. A categoria valorização, é composta pelos seguintes subprocessos; remuneração, premiação e serviços e facilidades (DUTRA, 2002). Premiação segundo Lopes (1980) consiste em ter o esforço reconhecido, é motivo de satisfação para qualquer profissional, e esses termos estão distorcidos na realidade desses colaboradores, eles devem ser revistos, pois para eles ser premiado não é um modo de elogiar e admirar seu trabalho, é sim um modo de rivalizar os funcionários, e piorar o clima na organização. 92 A empresa apresenta-se como desistente, pois após tentar recolocar os termos no real sentido de sua composição, eles viram resistência pelos colaboradores e desistiram, fala do gestor “tínhamos premiação, eu dava jantares e outras coisas, mais quando percebi que eles estavam competindo de mais, pra conseguir eu parei de oferecer esses presentes pelo bom trabalho feito, pois o clima estava muito ruim dentro da cozinha”. Os colaboradores demonstram, nas entrevistas, que tudo é feito dentro da legislação desde a contratação, a estipulação do salário e do transporte e alimentação. Parecem saber que a empresa tem um ambiente agradável e propício para se desenvolver nem que seja para ir para uma empresa maior, mas a cultura de comodismo parece estar atrelada aos problemas da empresa. O atual quadro de funcionários, é composto por uma Nutricionista, uma cozinheira chefe, uma cozinheira, uma saladeira, duas auxiliares de cozinha de nível 1, uma auxiliar de cozinha de nível 2, um garçom, um motorista e uma auxiliar de limpeza. Este grupo é composto por pessoas de idade entre 22 á 50 anos, na sua maioria composto por mulheres, são 8 mulheres e 2 homens, sendo desses 10 colaboradores, 1 solteiro e 9 casados. Na sua maioria com escolaridade de ensino médio e fundamental, sendo apenas 2 de ensino superior. 3.2.2 Fatores causadores da baixa produtividade e da rotatividade na visão do gestor Esta etapa da pesquisa, visa o atendimento do objetivo especifico delimitado como, a apresentação dos fatores que causam a baixa produtividade e a rotatividade na empresa. A produtividade é o resultado do esforço associado a uma determinada tarefa ou trabalho, incluindo conceitos de lucratividade, eficiência, efetividade, valor, qualidade, inovação e nível de vida (MOREIRA, 1993). A rotatividade de pessoal (Turnover), no contexto de Recursos Humanos, refere-se à relação entre admissões e demissões ou à taxa de substituição de trabalhadores antigos por novos (ASSIS, 2005). 93 Dado o acirramento da concorrência tem-se tratado o tema da produtividade como uma dimensão da gestão, pois é um elemento essencial na formulação das estratégias competitivas (BERGAMO FILHO, 1991), isso pode ser ilustrado na fala do gestor “- tenho um problema sério na área de recursos humanos da minha empresa, minha rotatividade é alta, não tenho como parar tudo pra poder analisar o que realmente está acontecendo, mais isso afeta minha empresa drasticamente, sua imagem, a produtividade dos colaboradores, na qualidade do serviço e nossa capacidade de competir”. A gestão deixa de ter natureza operacional e transforma-se no eixo da formulação das estratégias da empresa (MOREIRA, 1993). A rotatividade pode gerar custos ou impactos financeiros, de tempo e de recursos, como a perda de produtividade; de lucratividade; de capital intelectual; horas extras, que além de perdas financeiras, sobrecarrega os pares; aumento de acidentes e doenças; processos trabalhistas; impacta na motivação das pessoas, no comprometimento; interferindo na credibilidade junto aos clientes e na imagem da organização (SILVA, 2001). Para isso, estratégia e foco são fundamentais e precisam ser compartilhados por toda a equipe. É importante saber diferenciar, o que é importante, do que é urgente. E eliminar a urgência do dia a dia que atrapalha e impede a produtividade (HANKS, 1997), o que parece não fazer parte da cultura da empresa, como se pode observar pela fala do gestor “– não estabelecemos metas e nem fazemos uma avaliação da produtividade dos colaboradores, pois o processo produtivo é diferente todos os dias”. Para ser produtiva uma empresa deve adquirir alguns hábitos como, escrever metas, de curto prazo, médio prazo e as de longo prazo (MOREIRA, 1993). O ambiente de trabalho pode estar vinculado à insatisfação profissional, a um ambiente desmotivador, com equipamentos ultrapassados, decoração desagradável, condições ergonômicas inadequadas, objetivos vagos, entre outros fatores que acabam afetando a produtividade, a saúde e até mesmo o relacionamento interpessoal na empresa (MOREIRA, 1993). Ainda hoje, muitas empresas acreditam que manter o funcionário ansioso e estressado torna-o mais produtivo (GROVE, 1983), a fala do gestor ilustra que isso não é uma realidade na empresa, “– muitos profissionais hoje acreditam que o caminho para o sucesso é passar horas á fio trabalhando, levar problemas para casa e mostrar cada vez mais empenho em múltiplas 94 tarefas, mais a concentração é o caminho para o sucesso”. Isto ilustra que na empresa a cultura de pressão não é estimulada mais o próprio ambiente de trabalho remete á isso, como se pode observar na fala do gestor, “– tivemos que criar uma regra de que elas não possam ficar andando pela cozinha, durante a preparação do almoço e janta, onde o fluxo de panelas fervendo, facas e outros utensílios, que podem machucá-las aumenta, o risco é muito grande, e elas parecem não ter dimensão, que isso está á seu favor e não para reprimi-las”. A desmotivação que pode ser causada pelo ambiente de trabalho estressante como afirma o autor Moreira (1993), pode ter relações com a falta de definição e desenho dos cargos. Os cargos devem ser bem definidos, quanto mais à organização for definida e desenhada, melhor o seu desempenho, perante solicitações de novos colaboradores, de desempenho das atividades e esclarecimentos sobre tarefas realizadas (MILKOVICK e BOUDREAU, 2008). Isso não é feito na empresa como pode se observar na fala do gestor, “– não temos desenho dos cargos, sabemos e deixamos claras as tarefas e atividades de cada um, mais não temos isso documentado e bem definido”. Na empresa uma coisa de cada vez, é tentador, realizar várias tarefas ao mesmo tempo, mas não se engane se concentrar em uma atividade de cada vez é muito mais produtivo. Pausa para o cafezinho é importante, fazer pausas curtas depois de longos períodos dedicados a uma única tarefa (HANKS, 1997; GROVE, 1983), o gestor argumenta sobre o tema que, “– os colaboradores tem um local de descanso só deles, uma sala apenas para seu horário de intervalo, mais suas pausas parecem estar mais concentradas em fumar ou andar pela cidade do que descansar tirar um tempo pra sentar um pouco de conversar, se conhecer melhor e criar relações de proximidade”. Outro fator importante é a organização que é fator de motivação e saúde organizacional, a armazenagem correta dos materiais utilizados pelos colaboradores, favorece a rotina diária da realização das tarefas e proporciona maior segurança e bem-estar (OTT, 1994), “– às vezes entro na cozinha e tem colheres de madeira jogadas pelo chão, esquecidas ali pelas colaboradoras e prontas para causar um acidente, a desorganização é motivo de muitos problemas aqui também”. 95 O alto turnover é sinônimo de perda de produtividade, de lucratividade e de saúde organizacional. comprometimento, que Impacta acaba na motivação gerando ainda das mais, pessoas, no absenteísmo, improdutividade, mais rotatividade, interferindo na credibilidade junto aos clientes, uma “bola de neve” potencializando seus concorrentes (ASSIS, 2005). Isso pode ser observado na fala do gestor que revela “Por mais que tentem entregar os melhores equipamentos, uma boa estrutura, essas pessoas parecem que por ter pouco estudo, não tem dimensão dos fatores á que estão ligadas, que a empresa precisa delas e que cada vez que uma delas abandona seu emprego temos que começar o processo de busca, treinamento, adaptação e desenvolvimento de novo, do zero, isso acaba tornando a empresa um centro de contratações em vez de um lugar produtivo e de realizações, torna-se um núcleo de gastos e perdas”. A rotatividade e a produtividade têm fatores, que vem ligando suas causas, e tem sido alvo de cada vez mais estudo, para dimensionar seus reais impactos, no caso da empresa está fala do gestor ilustra o porquê em sua opinião a empresa sofre com esses dois acontecimentos, “– acho que meu índice de rotatividade é auto, e a produtividade é baixa, por que, o relacionamento com os meus colaboradores, não é o correto, estou aberto á conversa mais eles confundem com falta de hierarquia e isso acaba comprometendo nossa relação, tornando as tarefas mais complexas de serem entendidas”. Oferecer condições de trabalho condizentes com as atividades que o profissional desenvolve e manter um ambiente físico agradável é essencial, pois não há economia que valha ter um profissional desmotivado e sem objetivos na empresa (GROVE, 1983). “- Vejo muita falta de objetivos por parte dos colaboradores acho que cuidar da vida pessoal faz parte de ser um profissional satisfeito, eles vem de lugares humildes, mais parecem não ter objetivos tornando o trabalho muito mais difícil”. O mais importante é saber atrair, desenvolver, potencializar e preservar pessoas e relacionamentos, que criem valor para os clientes e para os negócios e, consequentemente, para si mesmas (MILKOVICK; BOUDREAU, 2008), ilustra-se isso com a fala do gestor, “- A colaboração entre eles é muito pouca, acham que irei elogiar apenas quem era o responsável pela tarefa e 96 que ele será promovido ou coisa do tipo. Eles acham que não ganham nada se ajudando, competitividade não é um tema que se pode tratar aqui tranquilamente, pois eles não tem o conceito de competitividade estabelecido claramente. E muitos outros assuntos por sua baixa escolaridade se tornam difíceis de discutir, até o modo como lidam com os relacionamentos, dentro e fora da empresa, acaba afetando o ambiente de trabalho”. É necessário estudar e investir no desenvolvimento pessoal, por meio de treinamentos e cursos, ajuda a trazer novas ideias para o trabalho, a aumentar a rede de contatos e potencializa os resultados (MOREIRA, 1993), ilustrado na fala do gestor, “– eles não tem uma ideia formada ou conceitos firmes, sobre qualidade de vida no trabalho, um ambiente de trabalho produtivo e organizado, sua mente parece trabalhar de jeito restrito á conceitos muito pequenos, e esquecer de conceitos que são essências pra mantê-los em qualquer empresa, que são, paixão pelo que fazem, objetivos de vida, objetivos de desenvolvimento e estudo, capacidade de dialogo, capacidade de identificar que o ambiente da empresa é propicio pra que eles se desenvolvam, eles tem que querer apenas, mais isso não acontece e ficam presos em salário, se o trabalho é perto de casa, entre outras coisas superficiais, que nunca iram deixar, com que eles se fixem em uma empresa”. Cuidar da vida pessoal é importante para a vida organizacional, pois ela interfere na empresa, relacionamentos saudáveis, uma boa noite de sono, um fim de semana relaxante e atividades desinteressantes realizadas nos horários vagos, ajudam a aumentar a produtividade no ambiente de trabalho (HANKS, 1997; GROVE, 1983), ilustra-se a realidade da empresa na fala do gestor, “– alguns vivem atrás de emprego, mais nunca sabem, o que vai ser amanhã, muitas são mandadas pelos maridos, e só trabalham enquanto eles querem, depois não interessa a empresa não interessa nada, simplesmente pedem a conta do nada e somem. Outras vezes elas não tem mais sonhos, nem objetivos e por conta de 100 R$ vão embora, para poder comprar mais alguma coisa pros filhos, sem se importar o que irão passar no novo emprego.” Segundo Mobley (1992), para avaliar os fenômenos que provocam o turnover é necessário avaliar o comportamento individual de cada um. Sendo assim é preciso, se preocupar em observar como o individuo avalia sua situação econômica, vários fatores organizacionais, e modo como ele integra 97 os fatores ligados ao trabalho e os que não têm relação, ou seja, a maneira como ele relaciona sua vida pessoal e profissional. Isto é ilustrado na fala do gestor, “- Muitas têm um conceito errado de salário, dinheiro, tarefas, vida pessoal e profissional, elas vão embora sem nem conversar, para ganhar mais um pouco, e quando chegam aos locais e são exploradas, vem aqui pedir emprego de novo, e então saem de novo, e eu não permito mais isso, não tenho mais readmissão, pois isso gera, um ciclo vicioso, para a empresa e para essas mulheres, que colocam sua segurança e saúde em risco por R$ 100,00”. Muitos fatores têm sido observados, como os que mais impulsionam a rotatividade e a baixa produtividade, dentro das empresas, alguns desses fatores foram ilustrados ao decorrer do texto, mas entre eles tomam maior intensidade a função inadequada ao perfil do profissional, que segundo Silva(2001) se você contrata uma pessoa dinâmica, automotivada e com muita iniciativa, e a coloca em uma função monótona e burocrática, certamente verá a produtividade cair em pouco tempo. Ao mesmo tempo, se coloca um funcionário passivo e introvertido em uma vaga de vendas, dificilmente verá resultados. Reconheça as diferenças entre as pessoas e trabalhe com elas para garantir um ambiente produtivo (MOREIRA, 1993; SILVA, 2005), “– aqui as pessoas são tratadas de forma igualitária mais acho que elas muitas vezes não se enquadram no cargo, que tem habilidade pra trabalhar, algumas dessas mulheres se tivessem estudo poderiam estar em cargos com maior responsabilidade e que as torna-se mais autoconfiantes de suas habilidades, aqui elas parecem achar seu serviço inútil”. O excesso de trabalho é outro fator tratado pelo autor, é normal que em alguns momentos específicos seja requerido um esforço extra do funcionário para atingir objetivos de curto prazo. O problema é que isso se torna incômodo para algumas pessoas, que tem um ritmo mais lento de trabalho. Cada pessoa reage de forma diferente á um novo ritmo de trabalho. “ – alguns dias preciso que elas realmente deem mais de si, temos mais pessoas pra alimentar, e um tempo reduzido, as vezes sou avisado em cima da hora que terão mais pessoas, e isso dificulta muito o trabalho e os relacionamentos aqui na empresa”. E por fim a falta de treinamento, é responsabilidade da empresa, dar ao funcionário o treinamento e as ferramentas que precisa para uma boa execução do trabalho (MOREIRA, 1993; SILVA, 2005), fala do gestor “ – temos 98 uma ótima estrutura física, e por varia vezes tentei oferecer cursos e palestras, por que eu confio que se elas tivessem oportunidades e novos modos de pensar, seu serviço iria melhorar e muito, mais o que fazer se elas não veem isso, e não se interessam.” Um fator que segundo alguns autores mais que na visão de Bergamo (1991) pode influenciar na produtividade e rotatividade é a falha de alinhamento estratégico. Se a empresa não possui um sistema que alinhe a estratégia da empresa aos objetivos individuais de cada funcionário, não pode esperar muitos casos de desempenho excepcional, fala do gestor, “– acho que muitos aqui, têm a ideia de que eu trabalho apenas, para que minha vida melhore nossos processo não estão documentados e bem identificados, mais sempre tento enfatizar que uma empresa existe, para gerar lucro sim, mais para gerar emprego, para que a sociedade e as pessoas possam continuar vivendo, no ciclo capitalista que optamos por viver”. Ao contrário do que muitos gestores pensam um índice muito baixo de rotatividade não é sadio para as organizações, pois indica que a organização está estagnada já que não revitaliza ou oxigena a sua mão de obra, fato que pode impedir que novas pessoas, e consequentemente, novos conhecimentos entrem na organização. Por outro lado, um número elevado de rotatividade envolve vários custos à organização, é preciso administrar a rotatividade mantendo o equilíbrio entre a manutenção das pessoas e a captação de novas e diferentes contribuições, o que significa preservar a cultura organizacional e incorporar inovações (ASSIS, 2005). 3.2.3 Fatores causadores da baixa produtividade e da rotatividade na visão dos colaboradores Já foi o tempo em que as pessoas permaneciam nas organizações por anos e anos, muitas até mesmo tinham como objetivo se aposentar na organização em que um dia fora contratado. Na Era do Conhecimento, uma das características do trabalhador do conhecimento é a mobilidade em busca de melhores oportunidades (ASSIS, 2005), fala da entrevistada 2, “ – os equipamentos, máquinas o prédio tudo está ótimo, mais o problema mesmo 99 está nas pessoas, que não dão valor á um bom local de trabalho, querem saber de dinheiro por R$ 100,00 já vi pessoas saírem da empresa, sem nem conversar com o gestor pra ver se ele pagaria isso, para ela não sair.” Tecnicamente o turnover pode ser ocasionado por vários fatores, dentre eles: recrutamento e seleção com problemas, baixo comprometimento organizacional, problemas com clima organizacional, rotina organizacional com problemas, remuneração inadequada e mercado de trabalho aquecido (SILVA, 2001), fala da entrevistada 4, “ – gente faltando no horário combinado, gente abusando dos produtos na hora do preparo das refeições, gente lavando louça bem de vagar para não ajudar em mais nada, as pessoas sem vontade de trabalhar e que não gostam do que fazem, pesam muito na equipe”. Ainda hoje, muitas empresas acreditam que manter o funcionário ansioso e estressado torna-o mais produtivo (GROVE, 1983), totalmente contraria á essa afirmação vem a fala da entrevistada 6, “ – muitas aqui não sabem da responsabilidade que nosso trabalho tem, nos temos que cuidar de cada detalhe e isso acaba tornando o ambiente estressante, tem muitos riscos de nos machucar, ainda uma pessoa interessada só no salário, desatenta põem todas nós em risco e dificulta a produção.” A valorização do trabalhador, não apenas no formato já tradicional de "equipe", mas como a entidade física que detém o conhecimento, o como fazer. Essa constatação reforça a rede de interconexões como sendo a essência da cultura empresarial. A empresa não existe descolada dos seus funcionários, aí incluída a própria administração (ARAÚJO, 2006), fala da entrevistada 7, “ – a maioria das mulheres daqui, acham que não tem importância nenhuma, que seu trabalho pode ser feito por qualquer um, e não vou negar que também penso assim.” Trabalhadores submetidos a ambientes estressantes e chefias desagradáveis tendem, com o passar do tempo, a associar trabalho com desprazer e sofrimento e culpam a empresa pelo prejuízo em suas vidas pessoais, perdendo assim o senso de pertencimento e 'time' que as empresas tanto cobram, mas não estimulam (HANKS, 1997), “– as regras são rigorosas, pois mechemos com alimentos, e podemos causar doenças nos trabalhadores da empresa que nos contrata, isso acaba tornando o clima pesado, quando 100 sabemos que tem alguém que está de má fé naquele dia, tudo tem que correr bem todos tem que fazer sua parte se não, os problemas irão nos atingir.” Ambientes de trabalho em que à falta de humor e poucos bons relacionamentos, aumentam em muito a probabilidade de os funcionários desenvolverem doenças causadas por estresse, ou pedirem afastamento da empresa (OTT, 1994), fala da entrevistada 5, “ – quando estou doente ou com dor, não consigo produzir direito, não consigo me concentrar, fico mal humorada por estar mal e ao mesmo tempo ter que estar aqui, sabendo que só estou atrapalhado as outras, mais eu tenho medo de ser demitida muitas vezes trabalhei com dores, mais nunca doente pois o gestor sempre percebeu e me mandou embora”. O gestor deve buscar adotar condutas que mantenham um vínculo construtivo com as pessoas de respeito, apoio, orientação e valorização, com uma relação de observação e manutenção dos postos de trabalho, tornando visível o valor do trabalho de cada um (BERGAMO, 1991), fala da entrevistada 6, “ – o ambiente é muito perigoso e acaba afastando as pessoas, cada uma pra sua tarefa, pra evitar acidentes com facas, raladores, panelas, as pessoas que precisam de ajuda, e sempre querem alguém por perto pra falar se esta indo bem, ficam tristes e não tem vontade de fazer o trabalho, algumas colegas aqui são assim, outras não querem ninguém falando do trabalho delas e fazem as coisas em cima da hora.” A vida pessoal, afeta o trabalho de forma significativa, as pressões sofridas na vida rotineira são trazidas para dentro da empresa, pressões sociais e afetivas, e qualquer aparente conversa sobre algo errado no trabalho, torna-se a válvula de escape deste problema (BERGAMINI, 1998), fala da entrevistada 9, “ – alguns saíram por que roubaram comida, outros por que não davam conta do serviço, eram muito lerdos, alguns por que iam mudar de cidade, outro trabalho que pagava 100,00 á mais, marido que proibia a mulher de trabalhar, outras tinham medo que o marido fizesse um escândalo e humilhasse colegas e o gestor então saia e assim por diante.” A rotatividade de pessoal não é uma causa, mas o efeito, a consequência de certos fenômenos localizados interna e externamente à organização que condicionam a atitude e o comportamento do pessoal (CHIAVENATO, 2002), fala da entrevistada 10, “– nunca tivemos nenhuma 101 reunião sobre o clima da equipe, e acho que isso seria um desastre porque ou todo mundo ia querer falar junto, ou ninguém ia querer falar nada pra não ser demitido. Muitos não iam saber receber as criticas e ia dar muita confusão na cozinha, depois”. As ofertas mais atraentes por outras empresas; instabilidade econômica; ambiente e imagem organizacional; insatisfação quanto à política salarial da organização; política de benefícios insuficiente; tipo de supervisão exercido sobre o pessoal; falta de políticas e estratégias para crescimento, aprendizagem e desenvolvimento da carreira; o tipo de relacionamento humano dentro da organização, tudo isto tem relação com os índices de rotatividade e o nível de produção desempenhado pelo colaborador (SILVA, 2001), fala da entrevistada 1 “ – as pessoas hoje em dia são muito difíceis de conviver e lidar, elas acham que sempre tem a razão, que nada está bom, que tudo tem que ser do jeito delas e que se não for tem coisa melhor logo ali na esquina, muitos já quebraram a cara pensando assim, e hoje estão por ai desempregados, as pessoas são muito fúteis”. O posicionamento frente à atividade que se realiza pode gerar apatia ou entusiasmo. Essa diferença de posturas relaciona-se ao conceito de Trabalho Significativo, responsável por impulsionar ou não o profissional a colocar seu potencial produtivo na tarefa que executa utilizar os equipamentos de proteção e visualizar significado nessas atitudes (BERGAMINI, 1997), fala da entrevistada 4, “ – as normas de higiene, exigem que seja utilizado os EPI’S e isso incomoda muitas pessoas usar touca, luva, não poder usar unha pintada nem brinco, isso mexe com o humor de algumas pessoas, mais tem que entender que o trabalho é esse, e que isso foi explicado pra elas.” A Visão sistêmica, nada mais é, do que entender, como se integram os processos internos e como eles se relacionam com o ambiente externo, como circulam as informações veiculadas através destes processos internos, desde seus pontos de origem, nos quais são geradas, até seus destinos. Possuir visão sistêmica é importante para todos os profissionais de uma organização; pois, assim eles podem se posicionar na estrutura organizacional e compreenderem seu papel e sua importância, como membros de uma equipe na execução de suas tarefas inerentes aos seus cargos dentro das áreas organizacionais em que atuam (DAVIS, 2002) fala da entrevistada 3, “- a 102 maioria aqui não pensa no cliente final, que come nossa comida, só penca que se não fizer vai ser demitida, mais se tivesse ideia da importância do nosso trabalho, seria mais contente no emprego com certeza, se não houvesse os garis quem iria limpar a cidade? Os ricos quem sabe, o trabalho de cada um tem sua importância.” Os colaboradores percebem a falta de comprometimento dos colegas com a organização e para com eles. A falta de investimentos em um programa de qualidade de vida dos colaboradores que ocasionaria em mais retornos positivos para empresa. A falta de um setor, específico, para resolução de conflitos e insatisfação dos colaboradores prejudica os objetivos finais da empresa (BERGAMINI, 1997), fala da entrevistada 6, “- as pessoas trazem problemas de casa pra cá e acabam com o dia de trabalho, só reclamam, mal humor e acaba contagiando todo mundo, você só tem vontade de ir embora pra sair de perto daquela pessoa”. Outro exemplo que dispersa a atenção do colaborador, é, fala da entrevistada 3, “- a saúde dos meus filhos e marido interferi na minha produção, eu não consigo me concentrar, e faço tudo pensando neles e por que não estou lá cuidando deles”. Uma empresa é constituída por uma cadeia de relacionamentos que devem conter respeito, e limites de conteúdo e práticas, fala da entrevistada (DAVIS, 2002) 4, “- o relacionamento com os colegas não é muito bom, tem muitas mulheres, e muita fofoca, aí as briguinhas vão parar na cozinha e acabam por alguém pedir demissão.” A melhoria da produtividade implica uma série de mudanças no nível do produto que é oferecido, o que implica investimento, organização do trabalho, burocracia, atitudes e qualificação profissional (BERGAMINI, 1988), fala da entrevistada 2, “ – muitos se valem da boa vontade do gestor, e da necessidade da empresa de manter as pessoas, pra ficar trabalhando de vagar, incomodando no trabalho dos outros e muitos só entram juntam um dinheiro e saem, por que muitas empresas tem o mesmo problema que a nossa empresa, e eles acabam percebendo isso, e mudam de emprego como quem muda de roupa”. A participação dos colaboradores para manutenção do ambiente é importante. Com poucos minutos por dia as pessoas podem conservar a organização do local (MOREIRA, 1993), fala da entrevistada 3 “ – as mulheres 103 muitas vezes pisam três vezes numa colher de madeira no chão e não ajuntam, não pensam nas outras e nos acidentes. Elas não se ajudam cada uma parece fazer o seu trabalho se possível empurrar mais trabalho pras outras e ir embora bem rápido pra ninguém pedir nada. Deixam tudo fora de ordem, e precisam que sempre alguém fale que tem que fazer se não vão embora e deixam do jeito que esta”. O administrador de recursos humanos deve estar atento aos índices de turnover e saber as causas que o geram, além de conhecer as prováveis consequências que irão gerar nas organizações. Estas podem ser positivas ou negativas, dependendo do tipo de turnover, mas a organização deve criar políticas, práticas e programas de tratamento, evitando possíveis mudanças exigidas para seu gerenciamento (SILVA, 2001), fala do gestor, “não temos nos processos de recursos humanos, bem delimitados, não temos uma pessoa, especifica, que dedique seu tempo á esta função, e poça dar a atenção devida. Faço tanto compras, financeiro e recursos humanos, aqui na empresa”. 3.2.4 Importância da Saúde no Trabalho na Visão do Gestor O tema foi tratado de forma mais especifica, com foco, na saúde e segurança do trabalho como sistema de gestão que favorece o desempenho organizacional. Segurança e Saúde do Trabalho pode ser entendida, como um conjunto de medidas que visa minimizar os acidentes de trabalho, doenças ocupacionais, bem como proteger a integridade e a capacidade de trabalho do trabalhador (SOUTO, 2007). A Organização Mundial da Saúde (OMS, 2013) define a saúde como sendo o estado de completo bem-estar físico, mental e social. Ou seja, o conceito de saúde transcende à ausência de doenças e afecções. Por outras palavras, a saúde pode ser definida como o nível de eficácia funcional e metabólica de um organismo a nível micro (celular) e macro (social), fala do gestor “não temos um programa atuante de saúde e segurança no trabalho, mais todos os dias, me preocupo em entrar na cozinha e ver se todos estão com os EPI’S, se não tem gente trabalhando doente, tentei por varias vezes fazer um dia de promoção á saúde, em um pesque pague mais nada surtiu 104 efeito e nem despertou interesse nos colaboradores”. As empresas, por agora tentam a sobrevivência no mercado de trabalho. No entanto, sem dúvida que os custos elevados, derivados dos problemas escondidos e relacionados com a saúde e o bem-estar, irão conduzir as organizações a se depararem com obstáculos intransponíveis, pela falta da gestão da saúde do trabalhador (PEREZ, 1997), fala do gestor “– a competitividade vem aumentando e deixando as empresas de mãos atadas, diante de tanta rotatividade, tem muitos empregos disponíveis e as pessoas parecem não ter ainda, um conceito bem formado sobre qualidade de vida no trabalho, o salário vem em primeiro lugar pra maioria das pessoas da área de alimentação, mesmo sendo uma área, que envolva riscos, eles preferem o salário, ao bem estar”. A saúde no trabalho é uma vertente essencial de uma boa empresa, pois contribui para demonstrar que uma empresa é socialmente responsável; protege e reforça a imagem de marca e o valor da marca; ajuda a aumentar a produtividade dos trabalhadores; reforça o compromisso dos trabalhadores para com a empresa; desenvolve mão de obra mais competente e mais saudável; reduz os custos para a empresa e as quebras de produção; permite que as empresas correspondam às expectativas dos clientes em matéria de Saúde (SOUTO, 2007), fala do gestor “– hoje a vantagem competitiva devia estar atrelada ao desenvolvimento tanto social como psicológico da força de trabalho das empresas, mas as pequenas empresas não têm conseguindo, nem manter uma força de trabalho por muito tempo, como então prepará-los se eles não querem, apenas vão à busca de outra oportunidade que não lhe exija muito, este ciclo vicioso vai tornando as empresas um campo de adoecimento dos colaboradores, e vai tornando a mão de obra cada vez mais doente e cansada”. Desse modo, a saúde deve ser entendida em sentido mais amplo, como componente da qualidade de vida. Assim, não é um “bem de troca”, mas um “bem comum”, um bem e um direito social, em que cada um e todos possam ter assegurados o exercício e a prática do direito à saúde, a partir da aplicação e utilização de toda a riqueza disponível, conhecimentos e tecnologias desenvolvidas pela sociedade nesse campo, adequados às suas necessidades, abrangendo promoção e proteção da saúde, prevenção, diagnóstico, tratamento e reabilitação de doenças. Deve-se considerar esse 105 bem e esse direito como componente e exercício da cidadania, que é um referencial e um valor básico a ser assimilado pelo poder público, para o balizamento e orientação de sua conduta, decisões, estratégias e ações (SOUTO, 2007). Para o gestor “às vezes em busca de uma remuneração melhor, eles acabam encontrando o que procuram mais junto vem os gestores exploradores, que tiram até o ultimo suspiro daquele individuo, o sobrecarregam e depois o mandam embora doente e já sem serventia alguma no mercado de trabalho, ninguém irá contratar alguém doente”. Qualquer empresa pode obter benefícios consideráveis do investimento em Saúde e Segurança do Trabalho. A empresa que visa proteger os colaboradores de acidentes e privar pela sua saúde, pode começar com melhorias simples, que podem aumentar a competitividade, a rentabilidade e a motivação dos trabalhadores. A aplicação de um sistema de gestão da SST garante um enquadramento eficaz para prevenir ou minimizar acidentes e problemas de saúde (OSHA, 2013), fala do gestor “– ao investir na saúde dos profissionais a empresa tem como vantagem, o aumento da identificação do colaborador com a instituição, maior comprometimento e rendimento e consequentemente o fortalecimento da própria imagem, mais se nem as pequenas práticas como um dia de promoção da saúde eles não aceitam, imagine investir em algo que não terá á quem contribuir, pois eles não permanecem muito tempo na empresa”. Para que as medidas de saúde e segurança no trabalho sejam bem sucedidas é necessária a colaboração entre empresas e colaboradores. Quando a empresa não trabalha medias de segurança e saúde no trabalho, pode causar sofrimento físico ao colaborador, desamparo à família e incapacidade para o trabalho. Já a empresa pode sofrer com a perda de faturamento, gasto com serviços médicos e perda de tempo e produtos. Quanto à sociedade, podem existir impactos como: aumento de impostos e do custo de vida e perda de elementos produtivos (CARVALHO NETO; SALIM, 2001). O gestor diz que “ por parte da empresa posso falar que temos varias praticas e regras para assegurar a segurança dos colaboradores, não os temos documentados, mais praticamos tudo que está ao nosso alcance. Alguns exemplos são, a constante preocupação com os EPI’S, as regras de higiene, as regras de manuseio de facas e fogões, as regras de conduta de não andar 106 durante a hora de almoço a janta pois o fluxo de panelas fervendo, facas e equipamentos sendo utilizados e movimentados é grande. Já não vejo o mesmo cuidado por parte dos colaboradores, muitas vezes distraídos de suas atividades, conversando assuntos de cunho pessoal na cozinha, indo fumar escondidos, não respeitando a hierarquia da empresa entre outras coisas.” No mercado existem as empresas que optam por uma Cultura de proteção do colaborador enquanto outras, apenas cumprem a legislação. É impossível para uma organização manter um bom desempenho e a máxima rentabilidade com uma força de trabalho “doente”, exausta e desgastada. É possível que, atualmente, grande percentagem das empresas, ainda não leve em consideração a promoção e prevenção da saúde no trabalho, apenas cumprem com a legislação (PEREZ, 1997), fala do gestor, “– no momento posso dizer que apenas cumprimos a legislação, pois acho que pra dizer que temos uma cultura de proteção ao funcionário, teríamos que ter tudo documentado e atividades, como palestras e outros sendo desenvolvidos constantemente, mais como uma tentativa para dar inicio a essas atividades nunca pode ocorrer por desinteresse dos colaboradores, só podemos cumprir com a legislação”. Sendo assim, é principalmente resultado das formas de organização social, do caráter de constituição, das leis, das instituições, do estudo, da ordem de produção, as quais podem gerar grandes desigualdades nos níveis de vida, da população. Por este motivo, a promoção do bem-estar geral tornase imperativa na modernização da cultura empresarial. Para existir um máximo rendimento dos trabalhadores é necessária a existência de disponibilidade física e mental (SOUTO, 2007), fala do gestor “– na sua maioria, vindo de comunidades mais humildes, eles não tem o sentido nem valor do estudo, de normas, e tem um olhar distorcido sobre as leis, que deveriam servir para protegê-los e eles acabam revertendo a situação para se beneficiar ás custas da empresa. Falcas acusações contra a empresa, são coisa rotineira hoje e dia, o que acaba acontecendo é que quando alguém vai a justiça buscar seus direitos ela deveria no mínimo ter uma noção, de que aquilo que está fazendo vai contra tudo que foi usado de base, para criação da lei que esta pessoa se apodera para arrancar dinheiro da empresa.” 107 Os cuidados da empresa com relação à saúde do trabalhador e riscos que estes são expostos podem favorecer o desempenho do funcionário (produtividade e qualidade), pelo tempo na empresa (rotatividade), pela saúde do trabalhador (acidentes de trabalhos e indenizações), pelo estado psicológico do colaborador (problemas de saúde adquiridos no trabalho) (KANAANE, 1994), fala do gestor “– a relação e os conceitos de saúde, direitos, deveres, remuneração e qualidade de vida, estão distorcidos para essas pessoas, a empresa tenta de varias formas tentar mudar essa relação erronia, mas parece que isso está enraizado na cultura no país”. A saúde é uma condição fundamental à produtividade do homem. É um verdadeiro capital á disposição das empresas, razão porque passou a construir pré-condições não somente para ingressar na empresa mais também para uma possibilidade de desenvolvimento econômico e social. (PEREZ, 1997), fala do gestor, “– a sociedade vem investindo nos pensamentos capitalistas maciçamente, mais quando você tem um conceito das coisas ao seu redor, você teve aceso as informações, a cultura e ao estudo, você consegue medir o que é mais importante. Já estas pessoas que são humildes, não dão valor ao estudo, sentem a preção social, essa massa de pensamentos capitalistas, toma posse dos seus filhos e familiares e as tornam provedoras, muitas vezes, do recurso pra manter as necessidades de outras pessoas, aniquilando seus próprios objetivos, sonhos e sua necessidade de aprimoramento, diante da necessidade do bem material, imposto pela sociedade, sua mente não separa os conceitos apenas nota pela pressão do ambiente que deve trabalhar, enquanto puder. Poço falar isto, por que vejo isso, todo dia aqui na empresa, veja o que a sociedade exerce de pressão em um engenheiro civil e em uma cozinheira, eu me surpreendo sempre com isso. Como pedir para alguém ter uma cultura e bons relacionamentos na empresa, se a sociedade nunca ofereceu isso á esta pessoa? ”. O que se deve ter em mente, é que muitas vezes as empresas estão deixando a desejar em seus processos de recrutamento e seleção, trazendo para dentro de suas empresas, pessoas com doenças laborais adquiridas em outros lugares, que acarretarão em problemas para a empresa. As empresas têm que estar mais cientes de que as informações são imprescindíveis, como histórico médico, informações dos antigos trabalhos, motivos pelo qual saiu do 108 ultimo emprego (MARRAS, 2000), fala do gestor “– o que trato nas entrevistas de emprego, são temas como transporte, alimentação, horário de trabalho, onde já trabalho, e mesmo que quisesse não poderia entrar em nada mais complexo, por que, necessito da mão de obra e as vezes temos que aceitar o que o mercado está disponibilizando no momento“. A responsabilidade não poder sobre cair sobre a empresa sempre que algo acontece com a saúde dos funcionários, pois a mesma também é afetada diretamente, com esses acontecimentos, mas a empresa deve-se preparar e estruturar seus processos para garantir sua segurança e a do colaborador (SOUTO, 2007), fala do gestor “– hoje em dia as pessoas, em geral, veem vantagem em tudo, às leis deste país deixam a desejar, e isso abre brechas muitas vezes para empregados tomaram posse de capital da empresa, impropriamente, e sair numa boa, como empresas que exploram o funcionário e não sofrem penalizações, se você tive qualquer coisa, que se parca com uma prova, os advogados irão conseguir tirar dinheiro da empresa, outra profissão que foi distorcida pelas pessoas“. As estratégias que protegem o trabalhador podem proteger a organização, na grande maioria das vezes, contra as ações trabalhistas (insalubridade) e também em ações cíveis de reparação por acidentes ou doenças ocupacionais e fornecem dados estatísticos (relatório anual) mais confiáveis, que permitirão ações futuras mais eficientes no combate aos acidentes (SOUTO, 2007; CARVALHO NETO e SALIM, 2001). As praticas empresariais de saúde e segurança no trabalho, têm por objetivo, a promoção e a manutenção dos mais elevados níveis de bem-estar físico, mental e social dos trabalhadores de todos os setores de atividades; a prevenção para os trabalhadores de efeitos adversos para a saúde decorrentes das suas condições de trabalho; a proteção dos trabalhadores no seu emprego perante os riscos resultantes de condições prejudiciais à saúde; a colocação e a manutenção de trabalhadores num ambiente de trabalho ajustado às suas necessidades físicas e mentais; a adaptação do trabalho ao homem (CARVALHO NETO; SALIM 2001), fala do gestor “– busco deixar o ambiente de trabalho o mais confortável possível, tento não deixar que os relacionamentos e as discussões saiam do controle, e criei uma sala só para o descanso dos funcionários. Poço dizer que talvez erre por não ter achado um meio de pedir seus resultados por que o processo produtivo muda todos os 109 dias, mais isso é uma falha que acho que atrapalha o desempenho dos funcionários, outra coisa, é sobre as premiações que tive de cortar, por que eles não sabiam competir de forma saudável, isso é muito ruim não poder dizer pra pessoa que seu trabalho está ótimo, falo pra eles, mais a recompensa pra muitos surte mais efeito”. Quando se pensa em gerência de riscos do trabalho, não se está referindo a um ato administrativo isolado e diferenciado do complexo dos demais atos de administrar. A diferença não se identifica no processo, e sim no objetivo a ser administrado, bem como nos resultados que se pretende obter (SOUTO, 2007), fala do gestor “muitas vezes acho que por não termos nossos processo documentados e com uma base forte isso ocasiona a maioria dos problemas, e acaba dificultando ainda mais a relação com o funcionário”. Para serem bem sucedidas, as medidas de saúde e de segurança no trabalho, exigem a colaboração e a participação tanto de empregadores como dos trabalhadores nos programas de saúde e segurança, obrigando a equacionar questões relacionadas com a medicina do trabalho, a higiene no trabalho, a toxicologia, a educação, a formação, a engenharia de segurança, a ergonomia, a psicologia (SOUTO, 2007). O gestor argumenta que: “– se nós não temos nossos processos documentados e tudo mais, do mesmo modo os funcionários não tem formação e nem buscam isso, acho que problema pode estar vinculado diretamente com a falta de desenvolvimento tanto dos colaboradores como da minha empresa, eu até tentei por vezes melhorar, mais como vou fazer isso com uma força de trabalho desmotivada e sem objetivos”. A disseminação dos conceitos de forma adequada nas empresas propicia um ambiente favorável à melhoria do desempenho em segurança e saúde no trabalho e para a implantação dos sistemas de gestão (SOUTO, 2007), fala do gestor “– nem mesmo os temas como álcool e cigarro são fáceis de tratar, imagina explicar sobre como as atitudes deles iam influenciar na vida organizacional deles e na capacidade competitiva da empresa? Não consigo aderir praticas simples como a promoção da saúde, e então com surtir efeito nessa rotatividade? E de que forma eu vou poder aumentar a produtividade, se não tenho pessoas com uma visão tão pequena de mundo, dentro da cozinha”. 110 3.2.5 Importância da saúde no trabalho na visão dos colaboradores A saúde é a resultante das condições de alimentação, habitação, educação, renda, meio ambiente, trabalho, transporte, emprego, lazer, liberdade, acesso e posse da terra e acesso aos serviços de saúde (SOUTO, 2007), na visão da entrevistada 1 “ - saúde para mim é estar em um bom estado psicológico e físico. Em que eu não tenha problemas ou transtornos e que possa conviver socialmente e com as necessidades básica atendidas”. Para que se atinja produtividade e qualidade, é preciso ter indivíduos saudáveis e atribuídos de qualidade. Em contrapartida, a organização atua de forma onde muitas vezes pressiona-se o indivíduo, levando-o a estados de doenças, de insatisfação e desmotivação. Dentre estes, encontra-se a fadiga, distúrbios do sono, alcoolismo, estresse e a síndrome de Burnout3 (PEREZ, 1997), diante disto pode-se ressaltar a fala da entrevistada 3 que traz no seu discurso quase que o mesmo dito pela grande maioria das entrevistadas, “ – eu me considero com saúde, por que não tenho nenhum problema no corpo nem na cabeça, não tomo medicações, vou sempre a igreja, a escola dos meus filhos, mas nunca a parques nem coisas do tipo”. A organização do trabalho deve oferecer aos trabalhadores a possibilidade de realizar algo que tenha sentido, de praticar e desenvolver suas competências, de exercer seus julgamentos e seu livre-arbítrio, de conhecer a evolução de seus desempenhos e de se ajustar a um ambiente seguro, na qual sua saúde é levada em consideração, isso afeta diretamente sua produtividade, e consequentemente o desempenho organizacional (OSHA, 2013), diante disto pode-se apresentar a fala da entrevistada 5, “ – não temos nenhum programa de saúde do trabalhador aqui na empresa, temos só nossos EPI’S e regras de conduta. Não temos CIPA”. Fica claro a importância do bem-estar e a saúde do indivíduo no trabalho, pois é no trabalho que se passa a maior parte do tempo. A qualidade 3 Síndrome de burnout é um distúrbio psíquico de caráter depressivo, precedido de esgotamento físico e mental intenso, definido por Herbert J. Freudenberger também como "[…] um estado de esgotamento físico e mental cuja causa está intimamente ligada à vida profissional". 111 de vida está diretamente relacionada com as necessidades e expectativas humanas e com a respectiva satisfação por parte da organização. Corresponde ao bem-estar do indivíduo, no ambiente de trabalho, expresso através de relações saudáveis e produtivas (KANAANE, 1994),diante disto, apresenta-se a fala da entrevistada 2, “ – o ambiente aqui é muito perigoso, com tantas facas panelas quentes e outros equipamentos que podem nos machucar, que isso acaba nos deixando perdidas as vezes, sabemos que as regras são feitas pra nos proteger, mais isso nos torna presas em certos locais da cozinha, nos distancia e nos deixa chateadas”. Destacam-se entre as principais atividades da segurança do trabalho: prevenção de acidentes; promoção da saúde e prevenção de incêndios. Tendo isso em vista, as organizações e os colaboradores devem ter como objetivos, a valorização das pessoas, da profissão e atividade do profissional (PACHECO JUNIOR, 2000; CARVALHO NETO e SALIM, 2001), fala da entrevistada 7, “ – nunca vi nenhum princípio de incêndio aqui na empresa, nem em toalhas nem em outros materiais, sei onde estão os extintores e sei usar porque os bombeiros passaram aqui uma manhã inteira explicando”. Muitas empresas Aniquilam o potencial criativo, por meio de um ambiente de trabalho estressante, de pouca segurança, exposição a riscos constantes sem nenhuma supervisão ou preocupação sobre a saúde do trabalhador, e assim a empresa é transformada em um local perigoso, gerador de doenças, preocupações, frustrações e pouca utilidade social e empresarial (CARVALHO NETO; SALIM, 2001). Para a entrevistada 9, “ – não são as pessoas, nem o gestor, que acabam dificultando e tornando o trabalho mais difícil, e sim, o próprio ambiente, temos que prestar atenção em tudo e isso acaba, nos deixando estressadas, sem vontade de trabalhar, mal humoradas e muitas vezes, os próprios vícios e problemas pessoas, parecem deixar isso mais intenso, e deixando difícil o trabalho e o convívio.” Promover a reflexão sobre atitudes preventivas de segurança; motivar o profissional a transformar normas de segurança em hábito; criar uma atitude de vigilância e aprendizado contínuos; aprender a detectar riscos e práticas inseguras para a saúde e meio-ambiente; enfrentar os desafios com a garra e paixão de quem é dono do negócio; transformar-se em gestor de suas próprias competências; estar comprometido com o que faz e perceber os benefícios 112 disso; assumir a posição de líder e agente de mudanças são posturas, para se preservar a saúde e segurança do trabalhador (PACHECO JUNIOR, 2000; CARVALHO NETO e SALIM, 2001). A entrevistada 6, relata que “ – muitas vezes pequenas discussões ocorrem dentro da cozinha, como quando o gestor tentou trazer palestrantes aqui na empresa e ninguém quis, ai quando tem um assunto importante como esse ninguém liga, ninguém quis, mais quando sai uma fofoca ou coisa do tipo todos tem que saber quem falo e ai começa as discussões, e prejudica o ambiente de trabalho”. A saúde do trabalhador está vinculada a organização, também, por meio das responsabilidades que assume ao expor os colaboradores a um ambiente de trabalho perigoso, estressante e mal organizado (BERGAMINI, 1997). Na visão da entrevistada 10, “A empresa tem um prédio bom, temo bons equipamentos, o gestor criou diversas normas de conduta e higiene, mais mesmo assim as pessoas não veem o lado bom das coisas, acham que ele quer nos limitar a andar para produzir mais, e começam com boatos que logo tomam conta de toda a cozinha e destroem o animo de varias pessoas”. Os ambientes laborais devem ser seguros e saudáveis, mas na verdade, não é essa a situação para muitos trabalhadores. Todos os dias, trabalhadores de todo o mundo são expostos a múltiplos riscos para a saúde, tais como: poeiras; gases; ruído; vibrações; temperaturas extremas (PACHECO JUNIOR, 2000). Conforme a entrevistada 7, “ – uma das coisas que mais incomodam, pra mim, são os barulhos muito forte de batedeiras e liquidificadores, eles são novos e mesmo assim fazem muito barulho, acho que uma sala separada para eles seria bem melhor”. Quando se fala sobre saúde do trabalhador as dimensões mais abordadas pelos pesquisadores diz respeito à comunicação essencial à segurança; o perigo do excesso de autoconfiança; a responsabilidade e comprometimento no trabalho; a segurança e saúde para conquistar resultados; a ética e consciência profissional para com a própria segurança; o impacto de acidentes no meio-ambiente; a segurança como atitude e prática de vida; o orgulho humano e a auto-suficiência na causa de acidentes. Além disso, abordam-se questões como a previsibilidade; a segurança e qualidade de vida do trabalhador e no trabalho; a qualificação profissional e atitude; o impacto dos acidentes na carreira de cada trabalhador (PEREZ, 1997). Para corroborar 113 com essa questão a entrevistada 3 revela que “ [...] as pessoas parecem nem se preocupar com a segurança do colega de trabalho, porque deixam colheres e tudo quanto é coisa jogada pelo chão, não se preocupando, com quem irá escorregar ali depois”.Outra evidencia para corroborar, é a fala da fala da entrevistada 3, “ - Eu não Fumo e nem bebo, mais no intervalo de trabalho, tem muitas pessoas que fingem ir dar uma caminhada para ir até a esquina fumar. A bebida, aqui na empresa é proibida se você for pego bebendo ou alcoolizado é demitido na hora, por que não podemos por em risco a vida de nossos colegas por estarmos alcoolizados”. Em uma visão biomédica4 saúde significava a ausência de doença, mas logo se percebeu que não apresentar nenhuma doença física aparente, não significava ter saúde. Gradativamente, esse conceito foi se expandindo e incorporando as dimensões física, emocional, mental, social e espiritual do ser humano (CARVALHO NETO; SALIM, 2001), ou seja, passou-se de uma visão biomédica para uma visão da integralidade5·. Para a entrevistada 9, “ – muita gente aqui não tem ideia do que realmente é saúde, por que muitos vão embora por conta de um salário um pouco maior, mais onde vão ser explorados maltratados e que ninguém irá respeitar ou se importar com eles”. As empresas devem analisar a responsabilidade para com colegas, família e sociedade; consciência e criatividade na detecção de riscos; encarando o trabalho seguro como fonte de prazer e tranquilidade (PEREZ, 1997), fala da entrevistada 1, “ – a maioria das pessoas aqui não tem nenhum tipo de doença e nem dependentes a si. Todos aqui sabem aos riscos que estão expostos, as condições que tem que se seguir pra trabalhar em uma cozinha industrial, e que o serviço não é fácil, quem gosta de se arrumar, ou é mais calado, acaba se sentindo perdido, mais isso é deixado claro, quando se é contratado, as pessoas é que tem que notar se servem para o serviço”. Os ricos considerados pelos entrevistados foram o Risco de Exposição ao Ruído, Risco Associado a Fatores Psicossociais, Riscos na limpeza e desinfecção das instalações e equipamentos, Risco de Incêndio, Risco de 4 Segundo Marco (2006), a Visão Biomédica é o modo de visão médica tradicional, formada durante o período de evolução da medicina. Caracteriza-se por considerar apenas os fatores biológicos como causas das doenças, o que por sua vez determina os modos de tratamento, no caso exclusivamente, médico. 5 A integralidade como definição legal e institucional é concebida como um conjunto articulado de ações e serviços de saúde, preventivos e curativos, individuais e coletivos, em cada caso, nos níveis de complexidade do sistema. Ao ser constituída, como ato em saúde nas vivências cotidianas dos sujeitos nos serviços de saúde tem germinado experiências que produzem transformações na vida das pessoas, cujas praticas eficazes de cuidado em saúde superam os modelos idealizados para sua realização (EGRY, 2010). 114 Stress Térmico, Risco de Contato com Superfícies/ Substâncias a Temperaturas Extremas, Riscos Biológicos, Riscos Ergonômicos, Risco Elétrico, Risco de Corte, Risco de Quedas ao Mesmo Nível, Risco de Queda de Objetos, Recepção e Armazenagem de Mercadoria (MICHEL, 2009). Diante do risco de Risco de Exposição ao Ruído, já foi tratado anteriormente que as funcionárias indicam uma sala separada para os equipamentos que produzem mais ruídos (liquidificador e batedeira). Diante do risco Associado a Fatores Psicossociais fala da entrevistada 9, “ – não tem brigas aqui na cozinha, apenas pequenas discussões que acabam por virar fofoca e que as vezes tornam o ambiente bem ruim para trabalhar.” Diante do Risco de Stress Térmico, fala da entrevistada 7, “ – A temperatura dentro da cozinha é normal , já trabalhei em cozinhas muito mais quentes, tem ventilação e iluminação boas”. Diante do Risco de Contato com Superfícies/ Substâncias a Temperaturas Extremas, fala da entrevistada 6, “ - o uso de fogão e chapas nas atividades diárias exigem muita concentração da pessoa que está fazendo, eu nunca me queimei aqui na empresa, mais colocar alguém que fala de mais ou que é desatento em uma chapa é pedir para que ela se machuque”. Diante do risco de Recepção e Armazenagem de Mercadoria, fala da entrevistada 6, “ - Nunca me machuquei no recebimento de mercadorias, pois não somos nos que fazemos esse serviço os próprios entregadores colocam lá atrás no deposito. Poucas pessoas tem acesso ao deposito, por isso nunca me feri ao pegar algo no deposito pois que não tenho acesso, mais quem tem diz que é muito organizado e nunca sofreu nenhum acidente”. Diante do Risco de Corte, fala da entrevistada 5, “ - Nunca me cortei ao pegar vidro ou recipiente, por que sempre que algum chega quebrado ou rachado é devolvido na hora”. Diante do Risco de Queda ao mesmo nível, fala da entrevistada 10, “- Já tropeçou em algo no chão, mais não foi nada sério, pois segurei na mesa que estava perto de mim, foi por causa, de uma colher de madeira que uma das minhas colegas deixou caída no chão”. Fala da entrevistada 8, “ - Já escorreguei no piso molhado, pois a moça não tinha colocado o aviso de chão molhado, mais sorte que tinha uma bancada pra eu poder me segurar e ai não caí no chã e nem me machuquei”. Fala da entrevistada 7, “ A escada está em 115 ótimo estado e sempre é limpa e seca antes do horário em que é utilizada, foram colocadas fitas antiderrapante também”. Diante do Risco de Incêndio, fala da entrevistada 2, “ - A Estrutura elétrica da cozinha está em bom estado, aqui temos regras que só um aparelho por tomada e não podemos mechar na fiação, nem trocar utensílios que precisam de eletricidade de lugar sem antes falar com gestor ou trocar o uniforme por um totalmente seco”. Diante do Risco Elétrico, fala da entrevistada 8, “- Nunca tomei descarga elétrica, aqui na empresa pois os fios estão bem encapados e em os equipamentos em ótimas condições. Acho que a responsabilidade é da empresa de manter tudo em ordem e do trabalhador de não tocar em nada estando molhado”. Diante dos Riscos Ergonômicos, fala da entrevistada 10, “- Às vezes cinto dores nos braços, por fazer muitos movimentos repetitivos, cortando legumes, mais não é algo que adquiri na empresa eu já trabalhei no peixe e as baixas temperaturas e o corte acelerado do pescado deixou meus braços mais lentos e doloridos”. Diante do Risco de Queda de Objetos, fala da entrevistada 3, “ - Nunca fraturei a coluna, por que não carregamos excesso de peso aqui na empresa, sempre tem homens pra descarregar as coisas, como os alimentos comprados, ou mudar algo de lugar, são contratados homens”. Diante dos Riscos Biológicos, fala da entrevistada 4, “Nunca tive contaminação por contato com alimentos infectados, e por isto nunca fui afastada do trabalho. Mais isso já aconteceu em outra empresa onde eu fazia as sobremesas e eles sempre pediam para que agente experimentasse, mesmo eu avisando que achava que as mangas já não estão boas pro consumo, eles usaram na sobremesa mesmo assim, quando fui obrigada a provar, eu tive uma intoxicação alimentar e isso me afastou do trabalho por 7 dias, logo que voltem eles começaram a me pressionar a pedir a conta, e acabei fazendo isso mesmo”. Diante dos Riscos na limpeza e desinfecção das instalações e equipamentos, fala da entrevistada 3, “ - São feitas inspeções nas maquinas, nos equipamentos e no local de trabalho, sempre, as vezes os fiscais chegam e saem e agente nem sabia que ele estava na empresa, eles são muito 116 rigorosos quanto a limpeza e organização”. Fala da entrevistada 5, “ - Meu calçado é adequado pro meu serviço sim, ele me protege tanto do frio, como da água da limpeza como do calor da cozinha ou de alguma coisa que possa respingar em mim”. 3.3 Síntese dos Principais Resultados da Pesquisa Esta parte do trabalho visa, à demonstração dos resultados da pesquisa, sobre a causa da rotatividade e baixa produtividade, da importância da saúde no trabalho e da atual gestão de pessoas na empresa alvo do estudo. De forma mais sucinta e clara, que consistirá na reprodução, em poucas palavras, do que o gestor e os colaboradores expressaram amplamente. Utilizando-se, de um quadro síntese, para melhor visualização, das causas, dos problemas na empresa e das contribuições do gestor e colaboradores. 117 3.3.1 Síntese dos resultados da pesquisa, sobre a atual gestão de pessoas, as causas da rotatividade e baixa produtividade e a importância da saúde no trabalho na visão do gestor. Tabela1: Síntese dos resultados da pesquisa com o gestor sobre estrutura de gestão de pessoas Atual Gestão de Pessoas Dimensões Analisadas Resultados Obtidos O Administrador de RH Não tem alguém atento aos índices de turnover e saber as causas que o geram, além de conhecer as prováveis consequências. "A organização não tem políticas e praticas de tratamento das informações, como a entrevista de desligamento. Não temos nos processos de recursos humanos, bem delimitados, não temos uma pessoa, especifica que dedique seu tempo á esta função, e poça dar a atenção devida. Faço tanto compras, financeiro e recursos humanos, aqui na empresa.” Não ter um processo formal, conforme a pesquisa teórica aponta. O processo de Recrutamento O perfil do trabalhador Movimentação Não se adéqua ao da empresa. “Enquanto a empresa necessita de pessoas que busquem o conhecimento e queiram crescer e se desenvolver, os colaboradores parecem estar acomodados em sua zona de conforto e de maneira alguma pensam em estudar, se desenvolver e tem conceitos errados sobre estudo, desenvolvimento e capacidade de melhorar sua qualidade de vida”. As promoções elas acontecem muito raramente, pois a empresa é de pequeno porte e a busca por aprimoramento por parte dos funcionários é quase nula. 118 Objetivos Ambiciosos e Sonhos Como a valorização é encarada pela empresa e por seus colaboradores Desenvolvimento dentro das organizações Premiação e Facilidades Fonte: Elaborado com base nos resultados da pesquisa A maioria dos colaboradores parece não tê-los, dificultando o trabalho em equipe e a delimitação de metas e objetivos. "Tanta competição e a luta pela sobrevivência e o pensamento de que satisfazer nossos desejos é o mais importante, pode ter afetado os conceitos de trabalho, responsabilidade, trabalho em equipe, benefícios e da importância de se gostar do que se faz". Esses termos estão distorcidos na realidade dos colaboradores. “É melhor que não tenha premiação por que isso aumenta a competição e um tenta passar por cima do outro”. O nível de interesse por desenvolvimento por parte dos colaboradores é muito baixo. “Isso acaba tornando seus comportamentos e ideias pequenos e sem mudanças e reciclagem, isso torna uma massa de pessoas que executam uma tarefa para adquirir seu salário, para poder suprir suas necessidades básicas". A empresa fazia uso de premiações com jantares, ou outra premiação, mais a o nível de competição extrapolou o ético e se tornou uma batalha. O clima foi afetado e a empresa não tem mais premiação. 119 Tabela 2: Síntese dos resultados da pesquisa com o gestor sobre as causas da rotatividade e da baixa produtividade Causas da Rotatividade e da Baixa Produtividade Dimensões Analisadas Resultados Obtidos Produtividade como uma dimensão da gestão A rotatividade traz a perda do conhecimento, e prejudica a empresa pelo acirramento da Concorrência. "Isso afeta minha empresa drasticamente, sua imagem, a produtividade dos colaboradores, na qualidade do serviço e nossa capacidade de competir”. A rotatividade pode gerar custos ou impactos financeiros "Sobrecarrega os pares; aumento de acidentes e doenças; processos trabalhistas; impacta na motivação das pessoas, no comprometimento". Não define metas e objetivos. “Não estabelecemos metas e nem fazemos uma avaliação da produtividade dos colaboradores, pois o processo produtivo é diferente todos os dias”. Hábitos da empresa, relacionados a metas e objetivos O funcionário ansioso e estressado torna-o mais produtivo Não é uma realidade na empresa. “Muitos profissionais hoje acreditam que o caminho para o sucesso é passar horas a fio trabalhando, levar problemas para casa e mostrar cada vez mais empenho em múltiplas tarefas, mais a concentração é o caminho para o sucesso”. A cultura de pressão Não é estimulada mais o próprio ambiente de trabalho remete á isso. “Tivemos que criar uma regra de que elas não possam ficar andando pela cozinha, durante a preparação do almoço e janta, onde o fluxo de panelas fervendo, facas e outros utensílios, que podem machucá-las aumenta, o risco é muito grande, e elas parecem não ter dimensão, que isso está á seu favor e não para reprimi-las”. Desmotivação Causada pelo ambiente de trabalho estressante. Os riscos á qual estão expostas e o fluxo de informações e tarefas muito rápido, contribui para que o indivíduo, não acompanhe o ritmo ou se sinta sufocado pelo mesmo e isso acaba por desmotivá-lo. 120 Pausas e Intervalos O não uso por parte dos colaboradores, do local de descanso só deles. “Mais suas pausas parecem estar mais concentradas em fumar ou andar pela cidade do que descansar tirar um tempo pra sentar um pouco, conversar, se conhecer melhor e criar relações de proximidade". Organização no ambiente de Trabalho A não armazenagem correta dos materiais utilizados pelos colaboradores desfavorece a rotina diária da realização das tarefas. “Às vezes entro na cozinha e tem colheres de madeira jogadas pelo chão, esquecidas ali pelas colaboradoras e prontas para causar um acidente, a desorganização é motivo de muitos problemas aqui também”. O alto turnover na empresa Perda de produtividade, de lucratividade, perda da motivação das pessoas, no comprometimento, interferindo na credibilidade junto aos clientes. "Cada vez que uma delas abandona seu emprego temos que começar o processo de busca, treinamento, adaptação e desenvolvimento de novo, do zero, isso acaba tornando a empresa um centro de contratações em vez de um lugar produtivo e de realizações, torna-se um núcleo de gastos e perdas”. Relacionamento com os colaboradores Não é o correto. "Estou aberto a conversa mais eles confundem com falta de hierarquia e isso acaba comprometendo nossa relação, tornando as tarefas mais complexas de serem entendidas". Atrair, desenvolver, potencializar e preservar pessoas e relacionamentos A colaboração entre eles é muito pouca "Eles acham que não ganham nada se ajudando, competitividade não é um tema que se pode tratar aqui tranquilamente, pois eles não têm o conceito de competitividade estabelecido claramente". Trazer novas ideias para o trabalho, aumentar a rede de contatos e potencializa os resultados A falta de desenvolvimento pessoal impede que tudo isso ocorra. “ Eles não tem uma ideia formada ou conceitos firmes, sobre qualidade de vida no trabalho, um ambiente de trabalho produtivo e organizado, sua mente parece trabalhar de jeito restrito a conceitos muito pequenos, e esquecer de conceitos que são essências pra mantê-los em qualquer empresa, que são, paixão pelo que fazem, objetivos de vida, objetivos de desenvolvimento e estudo, capacidade de dialogo, capacidade de identificar o que acontece no ambiente". 121 Vida pessoal Interferi na vida organizacional. “Alguns vivem atrás de emprego, mais nunca sabem, o que vai ser amanhã, muitas são mandadas pelos maridos, e só trabalham enquanto eles querem, por conta de 100 R$ vão embora, sem se importar o que irão passar no novo emprego". Como o individuo avalia sua situação econômica e modo como ele relaciona sua vida pessoal e profissional A maioria com pouco estudo acaba por não ter conceitos dos temas citados, bem definidos, e nem sabe a real situação e econômica no qual está inserido. Não ter avaliação do comportamento individual de cada um também dificulta o diagnóstico da intensidade de interferência da vida pessoal e profissional de cada um. “ Muitas tem um conceito errado de salário, dinheiro, tarefas, vida pessoal e profissional, elas vão embora sem nem conversar, para ganhar mais um pouco, e quando chegam nos locais e são exploradas, vem aqui pedir emprego de novo". Perfis de funcionários diferentes, pessoa dinâmica e funcionário passivo A alocação de um perfil profissional em uma função inadequada, acaba por desmotivar, do âmbito do colaborador, e prejudica a qualidade do serviço do âmbito da organização, pois o mesmo irá executá-la sem afinidade com a atividade. “Muitas vezes não se enquadram no cargo, que tem habilidade pra trabalhar, algumas dessas mulheres se tivessem estudo poderiam estar em cargos, com maior responsabilidade e que as torna-se mais autoconfiantes de suas habilidades, aqui elas parecem achar seu serviço inútil”. Esforço extra do funcionário para atingir objetivos de curto prazo Isso se torna incômodo para algumas pessoas, que tem um ritmo mais lento de trabalho. "Cada pessoa reage de forma diferente a um novo ritmo de trabalho. Alguns dias, é preciso que elas realmente deem mais de si, temos mais pessoas para alimentar e um tempo reduzido". Treinamento O não interesse por parte dos colaboradores, relatado pelo gestor, acaba por tornar o esforço do mesmo, inútil, pois os próprios colaboradores afirmam que não tem interesse. Isso torna os conhecimentos, o modo de pensar e de agir muito distintos, e dificulta a gestão. "Temos uma ótima estrutura física, e por varia vezes tentei oferecer cursos e palestras, por que eu confio que se elas tivessem oportunidades e novos modos de pensar, seu serviço iria melhorar e muito, mais o que fazer se elas não veem isso, e não se interessam.” 122 Alinhamento Estratégico Não possui um sistema que alinhe a estratégia da empresa aos objetivos individuais de cada funcionário. A literatura trata, de que o colaborador deve ter um perfil e um ideal da empresa onde trabalha para poder atribuir valor ao que a empresa faz e as suas tarefas diante da sociedade. Sem isto ele apenas trabalha sem orgulho ou dimensão de valor. “Acho que muitos aqui têm a ideia de que eu trabalho apenas para que minha vida melhore, tento enfatizar que uma empresa existe, para gerar lucro sim, mais para gerar emprego, para que a sociedade e as pessoas possam continuar vivendo, no ciclo capitalista que optamos por viver”. Fonte: Elaborado com base nos resultados da pesquisa Tabela 3: Síntese dos resultados da pesquisa com o gestor sobre a importância da saúde no trabalho Importância da Saúde no Trabalho Dimensões Analisadas Resultados Obtidos Conceito de saúde O conceito de saúde transcende à ausência de doenças e afecções, a maioria dos colaboradores, mesmo com uma educação insuficiente, compreende isto, mais não toma como importante a compreensão e as dimensões que envolvem esse conceito. Isso é intensificado, pela falta de um programa de SST e pela negligencia, por parte dos colaboradores, em não exigir, nem falar nada sobre o tema. Isto torna tanto colaborador como empresa vulneráveis a problemas relacionados a saúde. 123 Mercado de Trabalho A falta da gestão da saúde do trabalhador e o mercado de alimentação aquecido propiciam um fluxo grande de pessoas migrando de empresa a empresa em um curto espaço de tempo. Isso acaba disfarçando problemas estruturais e administrativos dentro das empresas, e na carreira dessas pessoas. "Sem dúvida que os custos elevados, derivados dos problemas escondidos e relacionados com a saúde e o bem-estar, irão conduzir as organizações a se depararem com obstáculos intransponíveis". A Saúde no Trabalho contribui para demonstrar que uma empresa é socialmente responsável; protege e reforça a imagem de marca e o valor da marca “Hoje a vantagem competitiva devia estar atrelada ao desenvolvimento tanto social como psicológico da força de trabalho das empresas, mas as pequenas empresas não têm conseguindo nem manter uma força de trabalho por muito tempo, como então prepará-los se eles não querem, apenas vão em busca de outra oportunidade que não lhe exija muito, este ciclo vicioso vai tornando as empresas um campo de adoecimento dos colaboradores, e vai tornando a mão de obra cada vez mais doente e cansada”. A saúde em sentido mais amplo, como componente da qualidade de vida A literatura trata que a saúde deveria ser, um bem e um direito social, em que cada um e todos possam ter assegurados o exercício e a prática do direito à saúde. Mas a precariedade do acesso a saúde, do nível de qualidade de vida e estresse na rotina diária, dificultam a saúde dentro da organização. “ As vezes em busca de uma remuneração melhor, eles acabam encontrando o que procuram mais junto vem os gestores exploradores, que tiram até o ultimo suspiro daquele individuo, o sobrecarregam e depois o mandam embora doente e já sem serventia alguma no mercado de trabalho". Cultura de proteção aos colaboradores Falta de um SST que garanta um enquadramento eficaz para prevenir ou minimizar acidentes e problemas de saúde. O não enquadramento de um perfil de colaborador, nem um perfil da empresa, acaba por contribuir com a falta de cultura, e afastar a empresa e seu ambiente de metodologias e critérios aceitáveis, o que torna o ambiente arriscado, á esses colaboradores que não cobram, não se importam, e não delimitam o que querem de forma racional e protecionista, á seu favor. 124 Colaboração entre empresas e colaboradores A empresa não trabalha medias de segurança e saúde no trabalho, e o colaborador não cobra e nem se compromete com as praticas já existentes. “ Por parte da empresa posso falar que temos varias praticas e regras para assegurar a segurança dos colaboradores, não os temos documentados, mais praticamos tudo que está ao nosso alcance. Já não vejo o mesmo cuidado por parte dos colaboradores, muitas vezes distraídos de suas atividades, conversando assuntos de cunho pessoal na cozinha, indo fumar escondidos, não respeitando a hierarquia da empresa entre outras coisas.” Cultura de proteção ou apenas cumpre a legislação Apenas cumpre a legislação. “No momento posso dizer que apenas cumprimos a legislação, pois acho que pra dizer que temos uma cultura de proteção ao funcionário, teríamos que ter tudo documentado e atividades, como palestras e outros sendo desenvolvidos constantemente, mais como as tentativas para dar inicio a essas atividades nunca pode ocorrer por desinteresse dos colaboradores, só podemos cumprir com a legislação”. Desigualdades nos níveis de vida, da população O Rendimento dos trabalhadores é afetado pela sua disponibilidade física e mental. Que é está diretamente relacionada, com o nível de vida á que está inserido, e o acesso, ao suprimento, de suas necessidades básicas. " A maioria vindo de comunidades mais humildes, eles não tem o sentido nem valor do estudo, de normas, e tem um olhar distorcido sobre as leis, que deveriam servir para protegê-los e eles acabam revertendo a situação para se beneficiar ás custas da empresa. Falcas acusações contra a empresa, são coisa rotineira hoje Os cuidados da empresa com relação a saúde do trabalhador e riscos que estes são expostos A empresa apresenta diversas regras de conduta dentro da cozinha, de manuseio, de facas e utensílios cortantes, entre outras, mais isso parece não ter um efeito positivo na conduta dos colaboradores, que veem isso como restrições impostas para aumentar a produção e privá-los de se movimentar ou conversas. “A relação e os conceitos de saúde, direitos, deveres, remuneração e qualidade de vida, estão distorcidos para essas pessoas, a empresa tenta de varias formas tentar mudar essa relação erronia, mas parece que isso está enraizado na cultura no país”. 125 A saúde como condição fundamental á produtividade do homem. Saúde como capital á disposição das empresas Enquanto muitas empresas tratam, a saúde e a vida dos funcionários como recursos com prazo de validade, muitas empresas,como a empresa alvo do estudo, buscam de formas simples, criar um relacionamento de dialogo e de respeito, mais que não é entendido desta forma pelos colaboradores que parecem concordar com a gestão de exploração. " Muitas empresas, e ramos produtivos, da sociedade, vem investindo nos pensamentos capitalistas maciçamente, mais quando você tem um conceito das coisas ao seu redor, você teve aceso as informações, a cultura e ao estudo, você consegue medir o que é mais importante. Já estas pessoas que são humildes, não dão valor ao estudo, sentem a preção social, essa massa de pensamentos capitalistas, toma posse dos seus filhos e familiares e as tornam provedoras, muitas vezes, do recurso pra manter as necessidades de outras pessoas". Empresas deixando a desejar em seus processos de recrutamento e seleção Trazendo para dentro de suas empresas, pessoas com doenças laborais adquiridas em outros lugares, que acarretarão em problemas para a empresa. “O que trato nas entrevistas de emprego, são temas como transporte, alimentação, horário de trabalho, onde já trabalho, e mesmo que quisesse não poderia entrar em nada mais complexo, por que, necessito da mão de obra e as vezes temos que aceitar o que o mercado está disponibilizando no momento“. A responsabilidade sobre á saúde do trabalhador Não pode cair sobre a empresa sempre que algo acontece com a saúde dos funcionários, pois a mesma também é afetada diretamente, com esses acontecimentos, “ Hoje em dia as pessoas, em geral, veem vantagem em tudo, as leis deste país deixam a desejar, e isso abre brechas muitas vezes para empregados tomaram posse de capital da empresa, impropriamente, e sair numa boa, como empresas que exploram o funcionário e não sofrem penalizações, se você tive qualquer coisa, que se parca com uma prova, os advogados irão conseguir tirar dinheiro da empresa, outra profissão que foi distorcida pelas pessoas“. 126 Gerência de riscos do trabalho É tratado como ato administrativo, isolado e diferenciado do complexo dos demais atos de administrar. Isto traz uma visão de dificuldade e indisponibilidade de tempo e recursos, para gerenciá-lo. Mais como qualquer outro ato administrativo, o gerenciamento de riscos deve estar atrelado as de mais gestões da empresa, deve ser parte da cultura, dos objetivos e metas, da imagem da empresa perante clientes e sociedade. “Muitas vezes acho que por não termos nossos processo documentados e com uma base forte isso ocasiona a maioria dos problemas, e acaba dificultando ainda mais a relação com o funcionário”. A disseminação dos conceitos de forma adequada nas empresas Não é Feita, pela dificuldade de disponibilidade de tempo e de interesse por parte dos colaboradores, as palestras e temas da atualidade não podem ser tratados de forma, nem simplificada, nem mais ampla, e isso torna os trabalhadores, uma maça heterogênea, mais de forma restrita e negativa, diante do não conhecimento, e da não disseminação dos conceitos, que delimitam a compreensão da complexidade e do valor, do trabalho, da saúde, da qualidade de vida, do objetivo da empresa e de suas práticas. “Nem mesmo os temas como álcool e cigarro são fáceis de tratar, imagina explicar sobre como as atitudes deles iam influenciar na vida organizacional deles e na capacidade competitiva da empresa?" Fonte: Elaborado com base nos resultados da pesquisa 127 3.3.2 Síntese dos resultados da pesquisa, sobre a atual gestão de pessoas, as causas da rotatividade e baixa produtividade e a importância da saúde no trabalho na visão dos colaboradores. Tabela 4: Síntese dos resultados da pesquisa com os colaboradores sobre estrutura de gestão de pessoas Atual Gestão de Pessoas Dimensões Analisadas Resultados Obtidos O processo de recrutamento Não passa de uma conversa, quase que informal, não tem processos bem definidos, o que torna os argumentos perante contratação ou não contratação, vulneráveis e sem bases firmes, o processo ocorre sempre da mesma forma, mais ao ser questionado, se torna claramente vulnerável e ineficiente. " [...] liguei para cá marquei um horário e vim para a entrevista, viram que hora eu podia trabalhar, falamos sobre salário, horário, transporte, alimentação e onde eu já tinha trabalhado”. Outro fator importante é que a pessoa é questionada em que empresas trabalharam, mais não é ligado ou entra-se em contato para saber o real motivo da demissão ou afastamento. As Promoções deveriam ocorrer diante de fatores como, assiduidade, pontualidade, responsabilidade e qualidade do serviço, aperfeiçoamento continuo, entre outros. Não há á intenção de se aprimorar, nem de construir carreira ou ser promovido, por parte dos colaboradores, eles estão acomodados no nível de conhecimento em que estão, e na zona de conforto estabelecida pela própria empresa, que não torna obrigatório o aprimoramento continuo, e a presença nas palestras. "Vou ser injusta se não falar que o gestor já tentou varias vezes nos oferecer alguma palestra mais não houve interesse por parte de ninguém”. 128 Desenvolvimento de novas habilidades A maioria dos colaboradores tem uma visão distorcida a respeito da adquirir novas habilidades. "Fui criada ouvindo que o estudo não valia nada, que você tinha era que trabalhar pra viver, foi isso que meus pais deixaram pra mim, e hoje vejo o quanto perdi por ter sido criada dessa forma, mais se tornou minha realidade”. Você se considera importante para que a empresa cumpra seus objetivos A dimensão dos colaboradores, sobre o quanto são importantes, para a empresa, não está visível e parece inexistir, na grande maioria. “ não me sinto muito importante não, eu sei que todo mundo precisa fazer seu trabalho pra que as coisas deem certo mais sei que qualquer um pode fazer o que eu faço”. Demissão faz parte da vida de todas as organizações, mas é um processo de perda. A falta de compromisso, e a ideia de disponibilidade de emprego, a cada esquina, tem feito com que as empresas percam informações, conhecimentos, habilidades, perfis lideres entre outras coisas fundamentais para a empresa. Por parte dos colaboradores parece estar ligada á não compreensão desta relação de perda, e as futilidades impostas como motivo para estar trabalhando. "Muitos entram aqui já com a ideia de ficar um curto tempo só para juntar um dinheiro e logo pedir demissão". Avaliação do desempenho Não ocorre na empresa, dificultando a definição do grau de contribuição de cada colaborador, o nível de dificuldade de cada tarefa, e o perfil mais adequado a mesma. "Todo dia o processo de produção é diferente e isso dificulta medir os resultados e nos deixa perdidos as vezes". Fonte: Elaborado com base nos resultados da pesquisa 129 Tabela 5: Síntese dos resultados da pesquisa com os colaboradores sobre as causas da rotatividade e da baixa produtividade Causas da Rotatividade e da Baixa Produtividade Dimensões Analisadas Resultados Obtidos Busca de melhores oportunidades A falta de diálogo e negociação, uma visão erronia sobre o que é uma melhor oportunidade, e a distorção de muitas práticas e regulamentos, veem a contribuir com o fluxo rápido de mudança de emprego. “O problema mesmo está nas pessoas, que não dão valor á um bom local de trabalho, querem saber de dinheiro por R$ 100,00 já vi pessoas saírem da empresa, sem nem conversar com o gestor pra ver se ele pagaria isso, para ela não sair.” O turnover pode ser ocasionado por vários fatores A literatura aponta diversos fatores como possíveis causas do Turnover, mais na empresa o baixo comprometimento parece ser a maior parte do problema. “Gente faltando no horário combinado, gente abusando dos produtos na hora do preparo das refeições, gente lavando louça bem de vagar para não ajudar em mais nada, as pessoas sem vontade de trabalhar e que não gostam do que fazem, pesam muito na equipe”. A valorização do trabalhador e a influencia nas equipes Como a empresa apresenta-se como desistente perante a valorização do trabalhador por meio de metas e objetivos que visem o alcance de premiação, isso torna a valorização do trabalhador, na empresa, quase que imperceptível, os trabalhadores que se sentem valorizados com um pequeno elogio verbal, se sentem tranquilos, mais os que precisam de competição e atribuição de valor e mais agilidade á si e as tarefas que executa acaba por não se sentir nem um pouco valorizado. Tanto que eles detêm o conhecimento sobre as tarefas e procedimentos, mais não percebem e nem buscam se aprimorar. “A maioria das mulheres daqui, acham que não tem importância nenhuma, que seu trabalho pode ser feito por qualquer um, e não vou negar que também penso assim.” 130 Ambientes estressantes e Chefias desagradáveis Ambientes de trabalho A literatura afirma que associar trabalho com desprazer e sofrimento, acabam por trazer um pensamento de culpar a empresa, pelo prejuízo em suas vidas pessoais, perdendo assim o senso de pertencimento e time. As chefias, que não se adéquam, as necessidades do perfil do colaborador, ao nível de seriedade, atribuído de acordo com a tarefa e seu risco, acabam por criar uma lacuna, entre colaborador e empresa, que se torna cada vez mais insuportável. A chefia vem sendo descartada, de modo a atribuir lideres, que entendam e vivam, a rotina da empresa, mais de forma á servir de exemplo de conduta e busca do alcance de metas. Tornando as regras, parte de um complexo roteiro de vivencia e desenvolvimento. A empresa que não consegue, acaba por impor o não conformismo nos colaboradores, e a indignação, perante qualquer coisa dita pelo gestor ou superior, pois ele parece distante e despreocupado, ou próximo de mais, e colega, como é o caso da empresa alvo do estudo. “As regras são rigorosas pois mechemos com alimentos, e podemos causar doenças nos trabalhadores da empresa que nos contrata, isso acaba tornando o clima pesado, quando sabemos que tem alguém que está de má fé naquele dia, tudo tem que correr bem todos tem que fazer sua parte se não, os problemas irão nos atingir.” A falta de humor e poucos bons relacionamentos, são os dois fatores que mais influenciam no clima da organização e na sua capacidade produtiva, pois afetam o humor e a capacidade de dividir e otimizar as tarefas, relacionadas a produção. " Quando estou doente ou com dor, não consigo produzir direito, não consigo me concentrar, fico mal humorada por estar mal e ao mesmo tempo ter que estar aqui, sabendo que só estou atrapalhado as outras". 131 Conduta do Gestor Tipo de liderança que as pessoas preferem, difere e isso acaba por tornar a gestão dessas pessoas, ainda mais complexa, pois a necessidade dela, de características de um líder pode não estar sendo suprida. “O ambiente é muito perigoso e acaba afastando as pessoas, cada uma pra sua tarefa, pra evitar acidentes com facas, raladores, panelas, as pessoas que precisam de ajuda, e sempre querem alguém por perto pra falar se esta indo bem, ficam tristes e não tem vontade de fazer o trabalho, algumas colegas aqui são assim, outras não querem ninguém falando do trabalho delas e fazem as coisas em cima da hora.” A vida pessoal, afeta o trabalho de forma significativa As pressões sofridas na vida privada são trazidas para dentro da empresa, afetando o clima da equipe, o humor, a produtividade, o diálogo e o trabalho em equipe. “Alguns saíram por que roubaram comida, outros por que não davam conta do serviço, eram muito lerdos, alguns por que iam mudar de cidade, outro trabalho que pagava 100,00 á mais, marido que proibia a mulher de trabalhar". A rotatividade de pessoal não é uma causa, mas o efeito, de certos fenômenos localizados interna e externamente à organização Os fatores de cunho pessoal e profissional, mais que muitas vezes estão invisíveis aos olhos do gestor, acabam por condicionar a atitude e o comportamento das pessoas. “Nunca tivemos nenhuma reunião, sobre o clima da equipe, um dia para falar sobre como está nossa vida, o relacionamento com a família. Acho que isso seria um desastre porque ou todo mundo ia querer falar junto, ou ninguém ia querer falar nada pra não ser demitido”. 132 Fatores relacionados aos índices de rotatividade e o nível de produção desempenhado pelo colaborador O não dimensionamento de uma oferta mais atraente, por outras empresas, é um desses fatores, indicados pela literatura, que acabam por partir do próprio colaborador, e contribuem com a rotatividade e a baixa produtividade. Contribuem de forma, em que, o não conformismo, com sua atual situação e o desejo de algo melhor acaba por influenciar nas atitudes e práticas dos colaboradores. “Elas acham que sempre tem a razão, que nada está bom, que tudo tem que ser do jeito delas e que se não for tem coisa melhor logo ali na esquina, muitos já “quebraram a cara pensando” assim, e hoje estão por ai desempregados, as pessoas são muito fúteis”. O posicionamento frente à atividade que se realiza pode gerar apatia ou entusiasmo O profissional é Impulsionado ou não, é coloca seu potencial produtivo na tarefa que executa de acordo com sua sensibilidade as regras e normas e seu posicionamento, diante de características do seu perfil pessoal, como beleza, moda ou conforto. Muitas vezes o meio de aprimoramento, premiações e elogios, diminui as características pessoas e revela as profissionais, mais nem sempre isso ocorre. “As normas de higiene, exigem que seja utilizado os EPI’S e isso incomoda muitas pessoas usar touca, luva, não poder usar unha pintada nem brinco, isso mexe com o humor de algumas pessoas, mais tem que entender que o trabalho é esse, e que isso foi explicado pra elas.” 133 A importância de investir em temas como, a qualidade de vida dos colaboradores A falta de comprometimento com a organização e para com os colegas, demonstra uma dificuldade de conceituação, por parte dos colaboradores, sobre a qualidade de vida, eles parecem não entender que as vezes as pessoas tem problemas que não conseguem separar da vida profissional, e que naquele dia, seu potencial produtivo e de comunicação estará mais baixo. Emvez disto o mau humor se torna generalizado e o ambiente fica insustentável. Os benefícios que mais conhecimento traria ás suas vidas, como o conhecimento para exigir, melhorias e adequações, e de cumprir apenas o que realmente lhe cabe, seriam significativos. “As pessoas trazem problemas de casa pra cá e acabam com o dia de trabalho, só reclamam,mau humor e acaba contagiando todo mundo, você só tem vontade de ir embora pra sair de perto daquela pessoa”. Atenção do colaborador Por se tratar, na grande maioria, de mulheres, a atenção, está quase sempre dispersa. Mesmo que não haja um problema na empresa, a quantidade de coisas que são atribuídas á essas mulheres fora do trabalho, acaba por tornar sua atenção sempre pela metade, se estão aqui pensam nos filhos, se estão em casa pensam que se esqueceu de fazer algo na empresa, e isso torna o ambiente mais perigoso e suscetível a acidentes. “A saúde dos meus filhos e marido interferi na minha produção, eu não consigo me concentrar, e faço tudo pensando neles e por que não estou lá cuidando deles”. 134 A melhoria da produtividade implica uma série de mudanças Implica investimento, organização do trabalho, burocracia, atitudes e qualificação profissional. se a empresa alvo o estudo, focasse nesta linha de raciocínio teria quase toda sua força de trabalho demitida, pode-se exemplificar por isto, como as implicações do aumento da produtividade, uma mudança drástica na empresa. “ Muitos se valem da boa vontade do gestor, e da necessidade da empresa de manter as pessoas, pra ficar trabalhando de vagar, incomodando no trabalho dos outros e muitos só entram juntam um dinheiro e saem, por que muitas empresas tem o mesmo problema que a nossa empresa, e eles acabam percebendo isso, e mudam de emprego como quem muda de roupa”. Esta fala ilustra o modo pequeno, como os colaboradores, pensam e agem, e o quão difícil é o gerenciamento de alguém, que não gerencia nem suas prioridades, que no caso seria a sua segurança e qualidade de vida, que é deixado de lado por qualquer migalha, ou inconformidade com o seu desejo ideal de empresa. A participação dos colaboradores para manutenção do ambiente Não há. “As mulheres muitas vezes pisam três vezes numa colher de madeira no chão e não ajuntam, não pensam nas outras e nos acidentes. Elas não se ajudam cada uma parece fazer o seu trabalho se possível empurrar mais trabalho pras outras e ir embora bem rápido pra ninguém pedir nada. Deixam tudo fora de ordem, e precisam que sempre alguém fale que tem que fazer se não vão embora e deixam do jeito que esta”. Fonte: Elaborado com base nos resultados da pesquisa 135 Tabela 6: Síntese dos resultados da pesquisa com os colaboradores sobre a importância da saúde no trabalho Importância da Saúde no Trabalho Dimensões Analisadas Resultados Obtidos Saúde é Condições de alimentação, habitação, educação, renda, meio ambiente, trabalho, transporte, emprego, lazer, liberdade, acesso e posse da terra e acesso aos serviços de saúde, precários. “Saúde para mim é estar em um bom estado psicológico e físico. Em que eu não tenha problemas ou transtornos e que possa conviver socialmente e com as necessidades básicas atendidas”. Os colaboradores parecem ter um conceito de saúde, mais não o atribuem ao seu trabalho e as suas escolhas. Como Atingir a produtividade e qualidade Torna-se complicado atingir a produtividade necessária e com qualidade, pois a dificuldade está em manter os indivíduos saudáveis e atribuídos de qualidades, pois as próprias condutas e ideias dos mesmos acabam por corromper o elo da empresa, com as praticas corretas, pois tudo parece estar contido em mais um pouco de bonificação salarial. “Eu me considero com saúde, por que não tenho nenhum problema no corpo nem na cabeça, não tomo medicações, vou sempre a igreja, a escola dos meus filhos, mas nunca a parques nem coisas do tipo”. A organização do trabalho e a evolução de seus desempenhos e de se ajustar a um ambiente seguro, na qual sua saúde é levada em consideração Não é Percebido pelos funcionários. “Não temos nenhum programa de saúde do trabalhador aqui na empresa, temos só, nossos EPI’S e regras de conduta. Não temos CIPA”. 136 A importância do bem-estar e a saúde do indivíduo no trabalho, pois é no trabalho que se passa a maior parte do tempo Está diretamente relacionada com as necessidades e expectativas humanas e com a respectiva satisfação por parte da organização. Expresso através de relações saudáveis e produtivas, que raramente ocorrem. “O ambiente aqui é muito perigoso, com tantas facas panelas quente e outros equipamentos que podem nos machucar, que isso acaba nos deixando perdidas às vezes, sabemos que as regras são feitas pra nos proteger, mais isso nos torna presas em certos locais da cozinha, nos distancia e nos deixa chateadas”. Entre as principais atividades da segurança do trabalho estão a prevenção de acidentes; promoção da saúde e prevenção de incêndios A prevenção de Incêndios é trabalhada da seguinte fora na empresa, os colaboradores foram instruídos pelos bombeiros, em uma manhã, sobre a aplicação, manuseio e armazenagem corretos dos extintores, sabem sua localização na empresa. Diante deste ponto a empresa parece ter controle. "Nunca vi nenhum princípio de incêndio aqui na empresa, nem em toalhas nem em outros materiais, sei onde estão os extintores e sei usar porque os bombeiros passaram aqui uma manhã inteira explicando”. Do ponto de vista psicológico, o trabalho provoca diferentes graus de motivação e satisfação “Não são as pessoas, nem o gestor, que acabam dificultando e tornando o trabalho mais difícil, e sim, o próprio ambiente, temos que prestar atenção em tudo e isso acaba, nos deixando estressadas, sem vontade de trabalhar, mal humoradas e muitas vezes, os próprios vícios e problemas pessoas, parecem deixar isso mais intenso, e deixando difícil o trabalho e o convívio.” Promover a reflexão sobre atitudes preventivas de segurança Não consegui motivar o profissional a transformar normas de segurança em hábito. A dimensão social Somente através do ato de trabalho, o apoio mútuo entre as sociedades trabalhistas podem fazer com que as pessoas desse ambiente possam ampliar uma visão de um lado social mais justo, mas complexo e até mesmo esse poder social trabalhista tem o poder de mudar um lado político totalmente controlador. 137 A saúde do trabalhador está vinculada a organização Por meio das responsabilidades que assume ao expor os colaboradores a um ambiente de trabalho perigoso. “A empresa tem um prédio bom, temo bons equipamentos, o gestor criou diversas normas de conduta e higiene, mais mesmo assim as pessoas não veem o lado bom das coisas, acham que ele quer nos limitar a andar para produzir mais, e começam com boatos que logo tomam conta de toda a cozinha e destroem o animo de varias pessoas”. A comunicação essencial à segurança; a responsabilidade e comprometimento no trabalho; Não ocorre “ [...] As pessoas parecem nem se preocupar com a segurança do colega de trabalho, porque deixam colheres e tudo quanto é coisa jogada pelo chão, não se preocupando, com quem irá escorregar ali depois”. De uma visão biomédica para uma visão da integralidade Ainda permanece a biomédica, a maioria dos colaboradores ainda dimensiona sua saúde com foco de tratamento e causa só físico. “ Muita gente aqui não tem ideia do que realmente é saúde, por que muitos vão embora por conta de um salário um pouco maior, mais onde vão ser explorados maltratados e que ninguém irá respeitar ou se importar com eles”. Proteger a integridade e a capacidade de trabalho do trabalhador Não existe cooperação entre empresa e funcionários. " Eu não fumo e nem bebo, mais no intervalo de trabalho, tem muitas pessoas que fingem ir dar uma caminhada para ir até a esquina fumar. A bebida, aqui na empresa é proibida se você for pego bebendo ou alcoolizado é demitido na hora, por que não podemos por em risco a vida de nossos colegas por estarmos alcoolizados”. Responsabilidade para com colegas, consciência e criatividade na detecção de riscos; encarando o trabalho seguro como fonte de prazer e tranquilidade Não ocorre. “A maioria das pessoas aqui não tem nenhum tipo de doença e nem dependentes a si. Todos aqui sabem aos riscos que estão expostos, as condições que tem que se seguir pra trabalhar em uma cozinha industrial, e que o serviço não é fácil, quem gosta de se arrumar, ou é mais calado, acaba se sentindo perdido, mais isso é deixado claro, quando se é contratado, as pessoas é que tem que notar se servem para o serviço”. Diante do Risco de Exposição ao Ruído Poderia ser controlado. “Seria melhor que os equipamentos que fazem maios barulho, como batedeiras e liquidificador ficassem em uma sala separada". 138 Diante do risco Associado a Fatores Psicossociais Controlado por meio do modo e as perspectivas de comportamento perante os outros. “ Não tem brigas aqui na cozinha, apenas pequenas discussões que acabam por virar fofoca e que as vezes tornam o ambiente bem ruim para trabalhar.” Diante do Risco de Stress Térmico Controlado com uma boa ventilação. “A temperatura dentro da cozinha é normal , já trabalhei em cozinhas muito mais quentes, tem ventilação e iluminação boas”. Diante do Risco de Contato com Superfícies/ Substâncias a Temperaturas Extremas Sem controle, pois qualquer distração pode ocasionar uma queimadura ou acidente. “O uso de fogão e chapas nas atividades diárias exigem muita concentração da pessoa que está fazendo, eu nunca me queimei aqui na empresa, mais colocar alguém que fala de mais ou que é desatento em uma chapa é pedir para que ela se machuque”. Diante do risco de Recepção e Armazenagem de Mercadoria Controlado, pois as colaboradoras não exercem a função de movimentar cargas pesadas e nem recepcionar alimentos danificados (como vidros). “Nunca me machuquei no recebimento de mercadorias, pois não somos nos que fazemos esse serviço os próprios entregadores colocam lá atrás no deposito. Poucas pessoas tem acesso ao deposito, por isso nunca me feri ao pegar algo no deposito pois que não tenho acesso, mais quem tem diz que é muito organizado e nunca sofreu nenhum acidente”. Diante do Risco de Corte Sem controle, pois o uso de equipamentos e utensílios cortantes é intenso, apenas com a atenção das funcionárias pode ser evitado. “Nunca me cortei ao pegar vidro ou recipiente, por que sempre que algum chega quebrado ou rachado é devolvido na hora”. Diante do Risco de Queda ao mesmo nível Sem controle, pela desorganização dentro da cozinha, e falta de responsabilidade para com os colegas. “ Já tropeçou em algo no chão, mais não foi nada sério, pois segurei na mesa que estava perto de mim, foi por causa, de uma colher de madeira que uma das minhas colegas deixou caída no chão”. 139 Diante do Risco de Incêndio Controlado, pela estrutura e equipamentos disponíveis para controle de incêndio, e o treinamento que é dado pelos bombeiros “ - A Estrutura elétrica da cozinha está em bom estado, aqui temos regras que só um aparelho por tomada e não podemos mechar na fiação, nem trocar utensílios que precisam de eletricidade de lugar sem antes falar com gestor ou trocar o uniforme por um totalmente seco”. Diante do Risco Elétrico Controlado, com uma boa instalação elétrica e normas de apenas um equipamento por tomada “- Nunca tomei descarga elétrica, aqui na empresa pois os fios estão bem encapados e em os equipamentos em ótimas condições. Acho que a responsabilidade é da empresa de manter tudo em ordem e do trabalhador de não tocar em nada estando molhado”. Diante dos Riscos Ergonômicos Sem controle, pois antigos trabalhos podem influenciar “ - As vezes cinto dores nos braços, por fazer muitos movimentos repetitivos, cortando legumes, mais não é algo que adquiri na empresa eu já trabalhei no peixe e as baixas temperaturas e o corte acelerado do pescado deixou meus braços mais lentos e doloridos”. Diante do Risco de Queda de Objetos Controlado, pois essa função não é exercida pelas colaboradoras, e pelas regras de não movimentação de equipamentos sem autorização “ - Nunca fraturei a coluna, por que não carregamos excesso de peso aqui na empresa, sempre tem homens pra descarregar as coisas, como os alimentos comprados, ou mudar algo de lugar, são contratados homens”. Diante dos Riscos Biológicos Controlado, controle dos alimentos rigoroso e não existe experimentação de alimentos duvidosos (vencidos ou mal cheirosos) “Nunca tive contaminação por contato com alimentos infectados, e por isto nunca fui afastada do trabalho. Mais isso já aconteceu em outra empresa onde eu fazia as sobremesas e eles sempre pediam para que agente experimentasse, mesmo eu avisando que achava que as mangas já não estão boas pro consumo, eles usaram na sobremesa mesmo assim, quando fui obrigada a provar, eu tive uma intoxicação alimentar e isso me afastou do trabalho por 7 dias, logo que voltem eles começaram a me pressionar a pedir a conta, e acabei fazendo isso mesmo”. 140 Diante dos Riscos na limpeza e desinfecção das instalações e equipamentos Controlado, sapato adequado para não haver o contato com a água da limpeza, luvas na limpeza dos equipamentos e manutenção semanal dos equipamentos, além do uniforme que visa proteger de qualquer contato, do corpo com produtos de limpeza “ São feitas inspeções nas maquinas, nos equipamentos e no local de trabalho, sempre, as vezes os fiscais chegam e saem e agente nem sabia que ele estava na empresa, eles são muito rigorosos quanto a limpeza e organização”. Fala da entrevistada 5, “ Meu calçado é adequado pro meu serviço sim, ele me protege tanto do frio, como da água da limpeza como do calor da cozinha ou de alguma coisa que possa respingar em mim”. Fonte: Elaborado com base nos resultados da pesquisa Tabela 7 - Comparação entre os resultados da pesquisa com o gestor versus colaboradores Tabela síntese dos Resultados da pesquisa, comparação entre a opinião do Gestor e dos Colaboradores. Atual Gestão de Pessoas Dimensões Analisadas O processo de Recrutamento Visão do Gestor Não ter um processo formal, conforme a pesquisa teórica aponta. Visão do Colaborador Não passa de uma conversa, quase que informal, não tem processos bem definidos, o que torna os argumentos perante contratação ou não contratação, vulneráveis e sem bases firmes, o processo ocorre sempre da mesma forma, mais ao ser questionado, se torna claramente vulnerável e ineficiente. “[...] liguei para cá marquei um horário e vim para a entrevista, viram que hora eu podia trabalhar, falamos sobre salário, horário, transporte, alimentação e onde eu já 141 tinha trabalhado”. Outro fator importante é que a pessoa é questionada em que empresas trabalharam, mais não é ligado ou entra-se em contato para saber o real motivo da demissão ou afastamento. O perfil do trabalhador O nível de interesse por desenvolvimento por parte dos colaboradores é muito baixo. “Isso acaba tornando seus comportamentos e ideias pequenos e sem mudanças e reciclagem, isso torna uma maça de pessoas que executam uma tarefa para adquirir seu salário, pra poder suprir suas necessidades básicas". A maioria dos colaboradores tem uma relação erronia com o estudo , conceitos destorcidos e uma desvalorização do mesmo, que vem de suas origens. "Fui criada ouvindo que o estudo não valia nada, que você tinha era que trabalhar pra viver, foi isso que meus pais deixaram pra mim, e hoje vejo o quanto perdi por ter sido criada dessa forma, mais se tornou minha realidade”. Movimentação, toda ação de movimento físico de pessoas na empresa As promoções elas acontecem muito raramente, pois a empresa é de pequeno porte e a busca por aprimoramento por parte dos funcionários é quase nula. Não há á intenção de se aprimorar, nem de construir carreira ou serem promovidos, por parte dos colaboradores, eles estão acomodados no nível de conhecimento em que estão, e na zona de conforto estabelecida pela própria empresa, que não torna obrigatório o aprimoramento continuo, e a presença nas palestras. "Vou ser injusta se não falar que o gestor já tentou varias vezes nos oferecer alguma palestra mais não ouvi interesse por parte de ninguém”. Objetivos Ambiciosos e Sonhos A maioria dos colaboradores parece não tê-los, dificultando o trabalho em equipe e a delimitação de metas e objetivos, fala do gestor, "Tanta competição e a luta pela sobrevivência e o pensamento de que satisfazer nossos desejos é o mais importante, pode ter afetado os conceitos de trabalho, responsabilidade, trabalho em equipe, benefícios e da importância de se gostar do que se faz". A dimensão dos colaboradores, sobre o quanto são importantes, para a empresa, não está visível e parece inexistir, na grande maioria. “não me sinto muito importante não, eu sei que todo mundo precisa fazer seu trabalho pra que as coisas deem certo mais sei que qualquer um pode fazer o que eu faço”. Como a valorização é encarada pela Esses termos estão distorcidos na realidade dos colaboradores. “ É melhor que não tenha premiação por que isso aumenta a competição e um tenta Não ocorre na empresa, dificultando a definição do grau de contribuição de cada colaborador, o nível de dificuldade de cada tarefa, e o perfil mais adequado à mesma. "Todo dia o processo de produção 142 empresa e por seus colaboradores passar por cima do outro”. é diferente e isso dificulta medir os resultados e nos deixa perdidos às vezes". Causas da Rotatividade e Baixa Produtividade Dimensões Analisadas Visão do Gestor Visão do Colaborador A rotatividade pode gerar custos ou impactos financeiros "Sobrecarrega os pares; aumento de acidentes e doenças; processos trabalhistas; impacta na motivação das pessoas, no comprometimento". A literatura aponta diversos fatores como possíveis causas do Turnover, mais na empresa o baixo comprometimento Organizacional, parece ser a maior parte do problema. “ Gente faltando no horário combinado, gente abusando dos produtos na hora do preparo das refeições, gente lavando louça bem de vagar para não ajudar em mais nada, as pessoas sem vontade de trabalhar e que não gostam do que fazem, pesam muito na equipe”. O funcionário ansioso e estressado torna-o mais produtivo Não é uma realidade na empresa. “Muitos profissionais hoje acreditam que o caminho para o sucesso é passar horas á fio trabalhando, levar problemas para casa e mostrar cada vez mais empenho em múltiplas tarefas, mais a concentração é o caminho para o sucesso”. As regras são rigorosas pois mechemos com alimentos, e podemos causar doenças nos trabalhadores da empresa que nos contrata, isso acaba tornando o clima pesado, quando sabemos que tem alguém que está de má fé naquele dia, tudo tem que correr bem todos tem que fazer sua parte se não, os problemas irão nos atingir. Desmotivação Causada pelo ambiente de trabalho estressante. Os riscos á qual estão expostas e o fluxo de informações e tarefas muito rápido, contribui para que o indivíduo, não acompanhe o ritmo ou se sinta sufocado pelo mesmo e isso acaba por desmotiválo. O profissional é Impulsionado ou não, e coloca seu potencial produtivo na tarefa que executa de acordo com sua senilidade as regras e normas e seu posicionamento, diante das características do seu perfil pessoal, como beleza, moda ou conforto. Muitas vezes o meio de aprimoramento, premiações e elogios, diminui as características pessoas e revela as profissionais, mais nem sempre isso ocorre. “As normas de higiene, exigem que seja utilizado os EPI’S e isso incomoda muitas pessoas usar touca, luva, não poder usar unha pintada nem brinco, isso mexe com o humor de algumas pessoas, mais tem que entender que o trabalho é esse, e que isso foi explicado pra elas.” A Não há. “ As mulheres muitas vezes pisam três vezes numa colher de Organização no não armazenagem correta dos materiais 143 ambiente de Trabalho utilizados pelos colaboradores desfavorece a rotina diária da realização das tarefas. “Às vezes entro na cozinha e tem colheres de madeira jogadas pelo chão, esquecidas ali pelas colaboradoras e prontas para causar um acidente, a desorganização é motivo de muitos problemas aqui também”. madeira no chão e não ajuntam, não pensam nas outras e nos acidentes. Elas não se ajudam cada uma parece fazer o seu trabalho se possível empurrar mais trabalho pras outras e ir embora bem rápido pra ninguém pedir nada. Deixam tudo fora de ordem, e precisam que sempre alguém fale que tem que fazer se não vão embora e deixam do jeito que esta”. O alto turnover na empresa Perda de produtividade, de lucratividade, perda da motivação das pessoas, no comprometimento, interferindo na credibilidade junto aos clientes. "Cada vez que uma delas abandona seu emprego temos que começar o processo de busca, treinamento, adaptação e desenvolvimento de novo, do zero, isso acaba tornando a empresa um centro de contratações em vez de um lugar produtivo e de realizações, torna-se um núcleo de gastos e perdas”. A literatura aponta diversos fatores como possíveis causas do Turnover, mais na empresa o baixo comprometimento Organizacional, parece ser a maior parte do problema. “Gente faltando no horário combinado, gente abusando dos produtos na hora do preparo das refeições, gente lavando louça bem de vagar para não ajudar em mais nada, as pessoas sem vontade de trabalhar e que não gostam do que fazem, pesam muito na equipe”. Vida pessoal Interferi na vida organizacional. “Alguns vivem atrás de emprego, mais nunca sabem, o que vai ser amanhã, muitas são mandadas pelos maridos, e só trabalham enquanto eles querem, por conta de 100 R$ vão embora, sem se importar o que irão passar no novo emprego". As pressões sofridas na vida rotineira são trazidas para dentro da empresa, afetando o clima da equipe, o humor, a produtividade, o diálogo e o trabalho em equipe. “Alguns saíram por que roubaram comida, outros por que não davam conta do serviço, eram muito lerdos, alguns por que iam mudar de cidade, outro trabalho que pagava 100,00 á mais, marido que proibia a mulher de trabalhar". O Administrador de RH Não tem alguém atento aos índices de turnover e saber as causas que o geram, além de conhecer as prováveis consequências. "A organização não tem políticas e praticas de tratamento das informações, como a entrevista de desligamento. Não temos nos processos de recursos humanos, bem delimitados, não temos uma pessoa, especifica que dedique seu tempo á esta função, e poça dar a atenção devida. Tipo de liderança que as pessoas preferem, difere e isso acaba por tornar a gestão dessas pessoas, ainda mais complexa, pois a necessidade dela, de características de um líder pode não estar sendo suprida. “O ambiente é muito perigoso e acaba afastando as pessoas, cada uma pra sua tarefa, pra evitar acidentes com facas, raladores, panelas, as pessoas que precisam de ajuda, e sempre querem alguém por perto pra falar se esta indo bem, ficam tristes e não tem vontade de fazer o trabalho, algumas colegas aqui são assim, outras não querem 144 Faço tanto compras, financeiro e recursos humanos, aqui na empresa.” ninguém falando do trabalho delas e fazem as coisas em cima da hora.” Importância da Saúde no Trabalho Dimensões Analisadas Visão do Gestor Visão do Colaborador Conceito de saúde O conceito de saúde transcende à ausência de doenças e afecções, a maioria dos colaboradores, mesmo com uma educação insuficiente, compreende isto mais não toma como importante a compreensão e as dimensões que envolvem esse conceito. Isso é intensificado, pela falta de um programa de SST e pela negligencia, por parte dos colaboradores, em não exigir, nem falar nada sobre o tema. Isto torna tanto colaborador como empresa vulneráveis a problemas relacionados a saúde. Condições de alimentação, habitação, educação, renda, meio ambiente, trabalho, transporte, emprego, lazer, liberdade, acesso e posse da terra e acesso aos serviços de saúde, precários “ Saúde para mim é estar em um bom estado psicológico e físico. Em que eu não tenha problemas ou transtornos e que possa conviver socialmente e com as necessidades básicas atendidas”. Os colaboradores parecem ter um conceito de saúde, mais não o atribuem ao seu trabalho e as suas escolhas. A saúde em sentido mais amplo, como componente da qualidade de vida A saúde deveria ser um bem e um direito social, em que cada um e todos possam ter assegurados o exercício e a prática do direito à saúde. Mas a precariedade do acesso à saúde, do nível de qualidade de vida e estresse na rotina diária, dificultam a saúde dentro da organização. “Às vezes em busca de uma remuneração melhor, eles acabam encontrando o que procuram mais junto vem os gestores exploradores, que tiram até o ultimo suspiro daquele individuo, o sobrecarregam e depois o mandam embora doente e já sem serventia alguma no mercado de trabalho". Está diretamente relacionada com as necessidades e expectativas humanas e com a respectiva satisfação por parte da organização. Expresso através de relações saudáveis e produtivas, que raramente ocorrem. “O ambiente aqui é muito perigoso, com tantas facas panelas quentes e outros equipamentos que podem nos machucar, que isso acaba nos deixando perdidas as vezes, sabemos que as regras são feitas pra nos proteger, mais isso nos torna presas em certos locais da cozinha, nos distancia e nos deixa chateadas”. Cultura de proteção aos Falta de um SST que garanta um enquadramento eficaz para prevenir ou minimizar acidentes e A prevenção de Incêndios é trabalhada da seguinte fora na empresa, os colaboradores foram instruídos pelos bombeiros, em uma manhã, 145 colaboradores problemas de saúde. O não enquadramento de um perfil de colaborador, nem um perfil da empresa, acaba por contribuir com a falta de cultura, e afastar a empresa e seu ambiente de metodologias e critérios aceitáveis, o que torna o ambiente arriscado, á esses colaboradores que não cobram não se importam, e não delimitam o que querem de forma racional e protecionista, á seu favor. sobre a aplicação, manuseio e armazenagem corretos dos extintores, sabem sua localização na empresa. Diante deste ponto a imprensa parece ter controle. "Nunca vi nenhum princípio de incêndio aqui na empresa, nem em toalhas nem em outros materiais, sei onde estão os extintores e sei usar porque os bombeiros passaram aqui uma manhã inteira explicando”. Cultura de proteção ou apenas cumpre a legislação Apenas cumpre a legislação. “No momento posso dizer que apenas cumprimos a legislação, pois acho que pra dizer que temos uma cultura de proteção ao funcionário, teríamos que ter tudo documentado e atividades, como palestras e outros sendo desenvolvidos, constantemente, mais como as tentativas, para dar inicio a essas atividades nunca pode ocorrer por desinteresse dos colaboradores, só podemos cumprir com a legislação”. Não consegui motivar o profissional a transformar normas de segurança em hábito. Desigualdades nos níveis de vida, da população O Rendimento dos trabalhadores é afetado pela sua disponibilidade física e mental. Que está diretamente relacionada, com o nível de vida á que está inserido, e o acesso, ao suprimento, de suas necessidades básicas. “A maioria vindo de comunidades mais humildes, eles não tem o sentido nem valor do estudo, de normas, e tem um olhar distorcido sobre as leis, que deveriam servir para protegê-los e eles acabam revertendo a situação para se beneficiar ás custas da empresa. Falcas acusações contra a empresa, são coisa rotineira hoje Os cuidados da A empresa apresenta diversas regras de conduta Somente através do ato de trabalho, o apoio mútuo entre as sociedades trabalhistas podem fazer com que as pessoas desse ambiente, possa ampliar uma visão, de um lado social mais justo, mas complexo e até mesmo esse poder social trabalhista tem o poder de mudar um lado político totalmente controlador. Por meio das responsabilidades que assume ao expor os 146 empresa com relação a saúde do trabalhador e riscos que estes são expostos dentro da cozinha, de manuseio, de facas e utensílios cortantes, entre outras, mais isso parece não ter um efeito positivo na conduta dos colaboradores, que veem isso como restrições impostas para aumentar a produção e privá-los de se movimentar ou conversas. “A relação e os conceitos de saúde, direitos, deveres, remuneração e qualidade de vida, estão distorcidos para essas pessoas, a empresa tenta de varias formas tentar mudar essa relação erronia, mas parece que isso está enraizado na cultura no país”. colaboradores a um ambiente de trabalho perigoso. “A empresa tem um prédio bom, temo bons equipamentos, o gestor criou diversas normas de conduta e higiene, mais mesmo assim as pessoas não veem o lado bom das coisas, acham que ele quer nos limitar a andar para produzir mais, e começam com boatos que logo tomam conta de toda a cozinha e destroem o animo de varias pessoas”. A responsabilidade sobre á saúde do trabalhador Não pode sobre cair sobre a empresa sempre que algo acontece com a saúde dos funcionários, pois a mesma também é afetada diretamente, com esses acontecimentos.“Hoje em dia as pessoas, em geral, veem vantagem em tudo, as leis deste país deixam a desejar, e isso abre brechas muitas vezes para empregados tomaram posse de capital da empresa, impropriamente, e sair numa boa, como empresas que exploram o funcionário e não sofrem penalizações, se você tive qualquer coisa, que se parca com uma prova, os advogados irão conseguir tirar dinheiro da empresa, outra profissão que foi distorcida pelas pessoas“. Ainda permanece a biomédica, a maioria dos colaboradores ainda dimensiona sua saúde com foco de tratamento e causa só físico. “Muita gente aqui não tem ideia do que realmente é saúde, por que muitos vão embora por conta de um salário um pouco maior, mais onde vão ser explorados maltratados e que ninguém irá respeitar ou se importar com eles”. 147 Gerência de riscos do trabalho É tratado como ato administrativo, isolado e diferenciado do complexo dos demais atos de administrar. Isto traz uma visão de dificuldade e indisponibilidade de tempo e recursos, para gerenciá-lo. Mais como qualquer outro ato administrativo, a gerencia de riscos, deve estar atrelada, as de mais gestões da empresa, deve ser parte da cultura, dos objetivos e metas, da imagem da empresa perante clientes e sociedade. “Muitas vezes acho que por não termos nossos processo documentados e com uma base forte isso ocasiona a maioria dos problemas, e acaba dificultando ainda mais a relação com o funcionário”. Não existe cooperação entre empresa e funcionários. “Eu não Fumo e nem bebo, mais no intervalo de trabalho, tem muitas pessoas que fingem ir dar uma caminhada para ir até a esquina fumar. A bebida, aqui na empresa é proibida se você for pego bebendo ou alcoolizado é demitido na hora, por que não podemos por em risco a vida de nossos colegas por estarmos alcoolizados”. A disseminação dos conceitos de forma adequada nas empresas Não é feita, pela dificuldade de disponibilidade de tempo e de interesse por parte dos colaboradores, as palestras e temas da atualidade não podem ser tratados de forma, nem simplificada, nem mais ampla, e isso torna os trabalhadores, uma maça heterogênea, mais de forma restrita e negativa, diante do não conhecimento, e da não disseminação dos conceitos, que delimitam a compreensão da complexidade e do valor, do trabalho, da saúde, da qualidade de vida, do objetivo da empresa e de suas práticas. “Nem mesmo os temas como álcool e cigarro são fáceis de tratar, imagina explicar sobre como as atitudes deles iam influenciar na vida organizacional deles e na capacidade competitiva da empresa?" Não ocorre. “A maioria das pessoas aqui não tem nenhum tipo de doença e nem dependentes a si. Todos aqui sabem aos riscos que estão expostos, as condições que tem que se seguir pra trabalhar em uma cozinha industrial, e que o serviço não é fácil, quem gosta de se arrumar, ou é mais calado, acaba se sentindo perdido, mais isso é deixado claro, quando se é contratado, as pessoas é que tem que notar se servem para o serviço”. Fonte: Elaborado com base nos resultados da pesquisa 148 A partir da elaboração das Tabelas (1 a 7) foi possível evidenciar alguns pontos relevantes, que se considera oportuno, destacar, relativos aos objetivos propostos. Quanto à estrutura da gestão de pessoas a revisão teórica aponta a importância de torná-la formal e dentro de uma visão estratégica, com foco nos aspectos formais, como a estrutura organizacional, as descrições de cargos, os objetivos e estratégias, a tecnologia e práticas operacionais, as políticas e diretrizes de pessoal, os métodos e procedimentos e as medidas de produtividade física e financeira (DUTRA, 2004). Em relação à empresa pesquisada, constatou-se que é tratada de maneira informal e centrada na figura do gestor que é também, proprietário da organização, os aspectos formais não são mensurados, nem praticados. Conforme Gil (2001, p. 17) "Gestão de Pessoas é a função gerencial que visa à cooperação das pessoas que atuam nas organizações para o alcance dos objetivos tanto organizacionais quanto individuais", na empresa alvo do estudo nenhum objetivo é compartilhado, nem delimitado e a cooperação no ambiente de trabalho é quase nula. Após a análise dos dados, pode-se relatar que os problemas quanto a estrutura de gestão de pessoas da empresa alvo do estudo, podem estar ligados, o processo de recrutamento, informal e sem métodos definidos; promoções sem bases, em fatores de promoção e a falta de indicadores de desempenho; o não desenvolvimento de novas habilidades, por parte dos colaboradores; o não reconhecimento da importância de seu trabalho; demissão por motivo fútil, falta de comunicação e falta de divisão hierárquica; não ter avaliação de desempenho nem medidor de produtividade, falta de uma gestão de recursos humanos ativa e competente; a não possibilidade de movimentação, pelo tamanho da empresa; a ausência de critérios de valorização; não ter premiação nem facilidades para os funcionários, a maneira informal da divisão das atividades e a desorganização de documentos, equipamentos e materiais no ambiente de trabalho. A literatura aponta que para ser produtiva uma empresa deve adquirir alguns hábitos como, escrever metas, de curto prazo, médio prazo e as de longo prazo. Dê prioridade às tarefas; aprenda a dizer “não” para pedidos impossíveis de realizar; delegue sempre que possível; evite interrupções; divida projetos extensos em pequenas tarefas. Estabeleça data final para os projetos 149 e trabalhos; faça as tarefas rotineiras no mesmo horário, todos os dias para aperfeiçoar o tempo; use tecnologia para lembrar datas de eventos importantes (MOREIRA, 1993). A literatura ainda aponta que as causas da rotatividade, podem estar relacionadas, a ofertas mais atraentes por outras empresas; instabilidade econômica; ambiente e imagem organizacional; insatisfação quanto à política salarial da organização; política de benefícios insuficiente; tipo de supervisão exercido sobre o pessoal; falta de políticas e estratégias para crescimento, aprendizagem e desenvolvimento da carreira; o tipo de relacionamento humano dentro da organização; as condições de trabalho da organização; rotina sem desafios; a cultura organizacional da empresa; a política de recrutamento e seleção de recursos humanos; falta de Reconhecimento; entre outros (SILVA, 2001). A pesquisa realizada de forma qualitativa não permitiu estabelecer uma relação de causa e efeito, mas pode-se notar que os resultados obtidos, demonstram que as causas da rotatividade e da baixa produtividade estão interligadas. Alguns achados da pesquisa podem contribuir para tal fenômeno como:(1) o não dimensionamento da produtividade como fator de gestão; (2) os funcionários desmotivados; (3) o não uso do intervalo de forma adequada, e nem o uso da área de convívio reservada aos mesmos; (4) a falta de organização no ambiente de trabalho, tanto com os materiais, como alimentos e documentações; (5) relacionamento inadequado, por parte do gestor, para com os colaboradores; (6) não há o desenvolvimento e potencialização dos funcionários, por próprio desinteresse dos mesmos; (7) a falta de contribuições com novas ideias, por parte dos colaboradores; (8) a ausência de avaliação de desempenho, quanto a salários e benefícios; (9) perfil do colaborador incompatível com o da empresa; (10) falta de treinamento, por desinteresse dos colaboradores; (11) falta de alinhamento estratégico; (12) mercado aquecido; (13) o baixo comprometimento; (14) pouca valorização do colaborador; (15) as equipes mal divididas; (16) ambiente de trabalho estressante; (17) a falta de separação entre vida pessoal e profissional; (18) níveis de produção excessivos, em dias de pico; (19) o posicionamento apático frente ás tarefas a se realizar; (20) a falta de capacidade de adequação e mudança dos colaboradores; (21) a participação quase nula, por parte dos colaboradores, quanto à manutenção do ambiente de trabalho, dentre outros 150 fatores que vem subliminares, por parte dos colaboradores, no seu modo de percepção do mundo, do estudo e da vida. Quanto à importância da saúde no trabalho, a literatura aponta que, a saúde não é uma condição simples, estática, isolada. Pelo contrário, como todos os aspectos de vida do homem, ela tem a sua origem histórica e social. Suas raízes se prendem a uma imensa rede de fatores diversos, uns intrigantes do próprio homem e que são partes do seu equipamento somático básico, outros oriundos do ambiente externo. A saúde e a empresa estão interrelacionadas, por estarem num processo de interação constante, de apoio, e de necessidades mútuas. As duas tratam de aspectos de convivência, de objetivos, de organismos, que dependem de uma estrutura complexa e às vezes arriscada para coexistir (CARVALHO NETO; SALIM, 2001). Embora a pesquisa realizada de forma qualitativa não permitiu estabelecer uma resposta ideal sobre a importância da saúde no trabalho, porém alguns achados podem contribuir para tal fenômeno como: (1) a pesquisa apontou que a saúde é importante, por estar diretamente ligada, a boa parte do tempo, da vida, das pessoas, que elas passam na empresa; (2) da preservação de sua capacidade produtiva, da sua empregabilidade; (3) da sua segurança física e mental; (4) da segurança de suas famílias principalmente de seus filhos, pois a maioria das entrevistadas era do sexo feminino, onde o cuidado com os filhos sobre cai muito mais á mulher; (5) é no trabalho, ou por meio dele, que se realiza grande parte dos desejos; (6) a motivação dos trabalhadores é reforçada quando as condições de trabalho são seguras e saudáveis, e assim se mantem se são apresentados políticas e sistemas de SST eficazes. A definição de políticas de segurança no trabalho podem contribuir para a participação ativa dos trabalhadores nos processos de decisão relativos à SST, as pessoas, as equipes e as organizações podem ser reconhecidas e recompensadas pelos seus sucessos; (7) se os riscos de SST forem prevenidos e controlados eficazmente, muitos dos benefícios econômicos da SST se revelarão. Nada fazer não é opção. Tomar a iniciativa pode revelar-se muito benéfico para a sua empresa, os seus lucros e a sua imagem, que garante vantagem competitiva. 151 3.4 Sugestões para Empresa Após a análise dos resultados da pesquisa foi possível apresentar algumas contribuições que a empresa poderá utilizar como práticas de gestão. O que Por que Criar beneficios de premiação Avaliar o desempenho A definição dos cargos e salários Criação de um inventário dos perigos e riscos existentes Descrever o perfil desejado para ocupação dos cargos Melhorar o site da empresa O melhor uso desligamento das A partir do momento em que a equipe observa que a liderança está dedicada a direcionar o trabalho, com objetivos mensuráveis, ela se relaciona melhor com as tarefas e se torna mais produtiva, premiar os funcionários que apresentem os melhores resultados. Evitando considerações subjetivas e premiar os funcionários que apresentem os melhores resultados, responderá positivamente às necessidades da empresa. A empresa não possui um a definição dos cargos e salários, isso iria contribuir para evitar a distorção entre a descrição dos cargos e a função exercida pelos membros da organização. Isso ocorre devido a ausência de uma análise detalhada das funções. O plano de cargos e salários é uma ferramenta utilizada para determinar ou sustentar as estruturas de cargos e salários de forma justa dentro da organização. Contemplando a avaliação dos riscos envolvidos, devendo ser proativo e com objetivo garantir que todos os perigos atuais e futuros sejam identificados e tratados adequadamente. Isso facilita o entendimento de quem vem em busca de emprego. Acarretaria em melhor visibilidade por futuros contratantes. Indicações para o site: fotos dos Bufês montados, dos uniformes, do cuidado com a higiene, os eventos que a empresa já atendeu. entrevistas de Que devem ser utilizalas como fonte de dados de gestão não apenas como “coisa padrão”. Ainda mas que, a empresa já tem mais não as usa pra nada, e muito mal elaborada. Indicace um melhor uso destas informações para controle dos motivos da rotatividade e uma melhor elaboração, visando o minimo de conteudo interessante á empresa e ao gestor. 152 Trabalhar com a pesquisa de clima Reuniões para melhor visualização do clima da equipe Acompanhamento efetivo, dos funcionários, nos períodos de experiência Estruturar um banco de dados com a informação de funcionáros As visitas ao local de trabalho, no mesmo horário que irá trabalhar A contratação de um Técnico de Segurança do Trabalho O desenvolvimento de uma sala separada para os equipamentos com mais ruído Fazer um dia da família O certificado da OHSAS 18000 Muito necessária nesse tipo de ambiente, em que a valorização é muito importante, pois a pessoa não se sente muito importante, acaba trazendo desmotivação e aumenta a rotatividade. Que foi muito citado pelos colaboradores, como nunca foi realizado. Pelo gestor do processo, visando a redução de pedidos de demissão, já fica visível se a pessoa se enquadra ou não, uma supervisão de longe, superficial, deixa passar muita coisa. Que passaram pela entrevista não foram contratados, mas eram interessantes para a empresa, se o cargo dele estivece disponivel. Redução de desistência e não adaptação devido ao horário, dentro do período de experiência. Engenheiro de Segurança do Trabalho, Médico do Trabalho ou Enfermeiro do Trabalho. Estes, por sua vez, atuam na eliminação ou neutralização dos riscos, prevenindo uma doença ou impedindo o seu agravamento. Alguém que também trabalhe sobre a temática e sua importância com os funcionários (palestras). Pois foi muito, pedida pelas funcionárias, as batedeiras e os liquidificadores, e não precisa de muito espaço físico. Em algum lugar, para confraternização. As entrevistadas falam muito da família e de o quanto querem estar com eles, modo de incentivar, ir á um lugar simples, deixe que eles indiquem o local. Após todos estes procedimentos e reestruturações ainda torna-se valido a tentativa de conseguir, o certificado da OHSAS 18000, para que seus processos quanto ao trabalhador tenham base consistente. OHSAS 18000 trata da responsabilidade da empresa, de programar uma política de segurança e saúde no trabalho, autorizada pela alta administração, que claramente estabeleça os objetivos gerais de segurança e saúde e o comprometimento com a melhoria do desempenho em segurança e saúde. Através da implantação desta política, define-se um direcionamento geral para a empresa e as diretrizes de atuação em relação à segurança e saúde do trabalho. Quadro 3: Sugestões para empresa Fonte: Elaborado com base nos resultados da pesquisa 153 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS A necessidade de sobrevivência levou as empresas em geral a perceber a importância de reter seus talentos, preocupando-se com a rotatividade, repensando a saúde do trabalhador, focando na qualidade de vida e consequentemente na produtividade. A empresa em questão passa por algumas dificuldades na área de Recursos Humanos, quanto a fatores muito importantes numa organização, como a rotatividade e a produtividade, e essas dificuldades podem estar relacionadas diretamente ou indiretamente com a saúde do trabalhador, o que trouxe à tona a importância de um estudo nesta área, dimensionando os fatores causadores dos problemas citados. O que se pode observar é que uma organização, com equipamentos novos, matérias de qualidade, estrutura física em ordem, financeiro eficaz, mas que não possui um processo eficiente de gestão de pessoas diferenciado e valorativo torna-se obsoleta de mais para conseguir competir no atual mercado. A necessidade do Processo de Gestão de Pessoas é prioridade para qualquer tipo de negócio, independentemente do porte da empresa. Nesse contexto, a proposta do trabalho foi investigar, na visão do gestor e colaboradores se existe relação, entre a rotatividade, a baixa produtividade e a saúde do trabalhador. A empresa alvo do estudo foi a empresa NUTRIVALE. Primeiramente, foram dimensionados os objetivos da pesquisa, que como componentes principais seriam a apresentação da cozinha industrial, seus insumos, processos, suas unidades, e serviço final, a identificação da situação atual do seu quadro de funcionários, a identificação dos fatores causadores da baixa produtividade e da rotatividade, a apresentação da importância da saúde no trabalho e propor melhorias para a área de Recursos Humanos. Para viabilizar o objetivo foi aplicadauma entrevista semi-estruturada, primeiramente com o gestore logo após com 10 colaboradores, que participaram da pesquisa, e de posse desses dados utilizou-se a análise qualitativa para chegar aos objetos. Para a análise qualitativa empregou-se a tecnica de análise de conteúdo que consiste em: descrever e interpretar o conteúdo de toda classe de documentos e textos. Essa análise, conduzindo a descrições sistemáticas, qualitativas ou quantitativas, ajuda a reinterpretar as 154 mensagens e a atingir uma compreensão de seus significados num nível que vai além de uma leitura comum, e estabeleceram-se como categorias de análise a rotatividade, a produtividade e a saúde no trabalho. Como resultados pode-se dizer que a rotatividade e a baixa produtividade estão ligadas a saúde no trabalho direta e/ou indiretamente. Observou-se que quando os trabalhadores estão com problemas de saúde, de alguma forma, reflete no seu humor, na sua capacidade de convívio social, na sua produtividade, no desempenho diante das tarefas, na sua capacidade de compreensão e todos esses fatores sendo afetados, envolvem, o ambiente de trabalho e consequentemente o tempo que o colaborador está disposto a passar na empresa. Um ambiente estressante, desmotivador, acaba por comprometer o relacionamento do colaborador com a empresa e incentiva as discussões, o estresse, a pouca paciência e o ciclo de perda das demissões. E, ainda diante da saúde do trabalhador é considerável ressaltar que sua importância esta diretamente ligada, aos fatores de preservação de sua capacidade produtiva, da sua empregabilidade; da sua segurança física e mental; da segurança de suas famílias principalmente de seus filhos, pois a maioria das entrevistadas era do sexo feminino. Diante disto, percebe-se que a relação é clara, do ponto de vista em que, a saúde afeta os objetivos e motivação pessoais, a produção é movida por estas variáveis e quando á um problema com estas variáveis, a rotatividade acaba, por ser o desfecho do problema. Vale apontar que apesar dos critérios estabelecidos para realizar as análises é importante que sejam salientados alguns aspectos referentes às suas limitações. Em primeiro lugar, o método utilizado nesta pesquisa, o estudo de caso, embora tenha permitido uma verificação completa e profunda das variáveis escolhidas dentro da organização analisada, caracteriza-se por estar limitado à situação estudada, não permitindo a generalização plena de seus resultados e conclusões para outras organizações. Outra limitação está relacionada com as características da empresa como: tamanho, estrutura e processos não formais de gestão. Diante dos resultados da pesquisa e da importância revelada, desta relação, entre rotatividade, produtividade e saúde no trabalho, sugere-se estudar outros temas como: a influência do trabalho em cozinhas indústrias na 155 vida das mulheres e de suas famílias, pela maioria ser de sexo feminino; os impactos da baixa escolaridade no relacionamento com gestor e a dificuldade de comunicação; desenvolver sistema de medição de produtividade; desenvolver programas de benefícios; diagnóstico sobre o efeito da cultura organizacional e da liderança na produtividade da empresa e elaborar um plano de gestão de pessoas. 156 5 REFERÊNCIAS ABERC (São Paulo). Associação brasileira de empresas de refeições coletivas: Mercado de Refeições Coletivas de 2013. Disponível em: <http://www.aberc.com.br/mercadoreal.asp?IDMenu=21>. Acesso em: 21 fev. 2013. ANDRÉ, M. E. D. A. Estudo de Caso em Pesquisa e avaliação educacional. Brasília: Liber Livro Editora, 2005. AFFONSO, C. R. 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Cargo ocupado:_______________________________________________ Tempo na função:______________________________________________ Turno de Trabalho: TRABALHO DIURNO ( ) TRABALHO NOTURNO( ) Sexo:( ) Feminino ( ) Masculino Estado civil:( ) Casada(o) ( ) Solteira(o) Jornada de Trabalho: ___________________________ Horas Extras: SIM ( ) NÃO ( ) Questões Direcionadas ao Gestor Saúde e segurança no Trabalho como Sistema de gestão que favorece o desempenho organizacional 1. Em sua opinião a empresa que trata bem seus funcionários, que se importa com a saúde dos mesmos, tem vantagem competitiva sobre as demais? Por quê? 2. Ao seu observar a empresa visa proteger os colaboradores de acidentes e privar pela sua segurança? 3. Para que as medidas de segurança e saúde no trabalho sejam bem sucedidas é necessária à colaboração entre empresa e colaboradores, você acha que isso ocorre na empresa? Os funcionários utilizam sempre os EPI? E mantém a atenção na atividade que estão fazendo? 4. A empresa tem uma cultura de proteção aos colaboradores ou apenas cumpre a legislação? 5. Já ocorreram casos aqui na empresa, de funcionário acusar a empresa de ter lhe causado algum dano na saúde, e isso não ser verdade? Em caso positivo o que aconteceu? E como o gestor lidou com a situação? 6. Os colaboradores tem uma área de descanso? 7. Como são tratados os temas cigarro e álcool na empresa? 166 8. A empresa faz ações de promoção da saúde do trabalhador? Quais? 9. Essas ações contribuem para reduzir e rotatividade no trabalho? 10. Apresentou resultados positivos para a produtividade? De que forma? 11. A produtividade é a relação entre produção e recursos. Como você vê essa relação clara dentro do processo produtivo da empresa? 12. A empresa mede a produtividade do trabalhador? Como? 13. Alguma vez já foi feita alguma pesquisa com os colaboradores sobre como estava o trabalho, se os aspectos da empresa estavam bem, se existia sugestões? Ou esse tipo de atividade nunca foi realizada? 14. Existe algum incentivo para aumento de produtividade? 167 APENDICE B, ENTREVISTA SEMIESTRUTURADA APLICADA AOS COLABORADORES DA EMPRESA NUTRIVALE. 168 ROTEIRO DA ENTREVISTA SEMI-ESTRUTURADA Descrição do entrevistado Objetivo da Entrevista O objetivo desta entrevista é contribuir para meu TCC, que visa identificar a relação entre a rotatividade à baixa produtividade e a saúde e segurança no trabalho, na visão dos colaboradores. Destaca-se que as informações obtidas na entrevista serão apresentadas de forma global de modo a não expor o trabalhador a constrangimentos. Cargo ocupado:_______________________________________________ Tempo na função:______________________________________________ Turno de Trabalho: TRABALHO DIURNO ( ) TRABALHO NOTURNO( ) Sexo: ( ) Feminino ( ) Masculino Estado civil: ( ) Casada(o) ( ) Solteira(o) Jornada de Trabalho: ___________________________ Horas Extras: SIM ( ) NÃO ( ) Processo de Gestão de Pessoas – Movimentação, Desenvolvimento, Valorização. 1. Como foi o processo de seleção para que você fosse contrato(a), achou o processo bem claro? 2. Quais foram os critérios que foram passados para você, para a escolha do seu cargo? 3. Você considera-se importante para que a empresa cumpra os objetivos organizacionais? (visão sistêmica). 4. É explicado para você como ocorrem às promoções (de cargo)? 5. Desde que você começou na empresa, já foi oferecido algum curso ou palestra de capacitação, e qual o tema abordado? 6. Que tarefas você executa na empresa? E está de acordo com o que foi apresentado na entrevista de emprego? 7. Na empresa existe possibilidade, na sua visão, de construir uma carreira, ou ter objetivos ambiciosos (sonhos)? 169 8. A empresa faz algum tipo de avaliação do seu desempenho, em caso positivo, que tipo de avaliação, e existe uma resposta de como você se saiu? 9. Como a empresa mede seu resultado? Você cumpri metas? 10. A atividade que você exerce pode levar ao estresse? Por que? 11. Existe alguma premiação para os melhores funcionários (cumprimento de horário, produção acima da média, uniforme e EPI em ordem). Qual o objetivo dessa premiação? 12. Você saberia dizer quais são os EPI que seu cargo exige que você use? A empresa já explicou claramente o que são EPI e qual sua importância? 13. O trabalho em equipe contribui para o seu bem estar na empresa? 14. A empresa tem alguma pratica para promover a saúde do trabalhador? 15. Existe algum tipo de preparação do funcionário para desenvolver novas habilidades? 16. Qual a intensidade dos investimentos da organização em novos equipamentos, melhora na estrutura, isso é visível? Saúde e Segurança no Trabalho 17. O que é saúde para você? 18. Você se considera com saúde? Tem alguma doença física, como diabetes ou outras? Tem algum problema psicológico, como síndrome do pânico, ou outra? E quanto a sua saúde social, tem participado de encontros, como igreja, parques, família, escola? 19. Quais foram os exames que foram feitos para sua admissão na empresa? 20. Tem alguma pessoa doente ou com alguma dependência à qual você é responsável? 21. Existe na organização um sistema de gestão de Saúde e Segurança no Trabalho atuante? 22. Na empresa existe CIPA? (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes). 170 23. Existem muitas brigas dentro do local de trabalho? Alteração comportamento, por parte dos gestores ou colegas colaboradores? do 24. Você sabe dos riscos a que esta exposta (o)? E acha que os EPI estão de acordo com sua função, ou seria necessária mais alguma coisa? 25. A temperatura dentro da cozinha é normal ou está acima do que você considera suportável? Já passou mal alguma vez por conta do calor á que está exposta? Existe ventilação na cozinha? 26. Nas suas atividades está incluído o uso do fogão e das chapas? Em caso positivo já se queimou? Foi grave? Qual foi o procedimento após a queimadura?(por parte dos gestores). 27. Ao receber mercadorias, você já se machucou ao manusear as cargas manualmente? 28. Ao pegar alimentos ou materiais no deposito já aconteceu algum acidente, pois os mesmos estavam mal acondicionados? 29. Alguma vez já se machucou por tropeçar em objetos esquecidos ou derrubados pelos colegas de trabalho, no chão? 30. Ao pegar algum vidro ou recipiente se cortou, pois o mesmo estava quebrado? 31. Como está a estrutura elétrica da cozinha? Os fios estão encapados, as tomadas têm muitos aparelhos ligados ao mesmo tempo? 32. Você já tomou algum tipo de descarga elétrica, pois seu uniforme ou equipamentos estavam molhados? De quem era a responsabilidade de verificar? 33. Você tem alguma dor ou lesão mais séria causada por movimentos repetitivos? Em que movimento você mais sente dor? 34. Já fraturou a coluna por carregar excesso de peso ao manusear cargas manualmente? 35. Você já contraiu alguma doença por contato com alimentos contaminados? Qual o alimento? E o tratamento te afastou do trabalho por quanto tempo? 36. Você já passou mal pelo excesso de temperatura no ambiente de trabalho (frio ou calor)? 171 37. Desde que está na empresa, já viu algum principio de incêndio ocorrer na cozinha (equipamento pegar fogo, pano, recipientes)? Sabe onde os extintores estão? E como usa-los? 38. Você já sofreu algum acidente por escorregar no piso molhado? Avia algum aviso? 39. Seu calçado é adequado para o local de trabalho, a temperatura á que você está exposta (o)? Ou não? E por quê? 40. Você está exposta (o) a muito ruído? Quais equipamentos mais emitem ruído? Você acha que pode ser pela falta de manutenção? Seria melhor se estes equipamentos estivessem em um local separado? 41. Há inspeções periódicas das máquinas, equipamentos e do local de trabalho, por parte dos órgãos fiscalizadores e da empresa contratante? 42. O comportamento diante da limpeza e manutenção muda diante das visitas dos especialistas? 43. Você fuma ou faz uso de bebidas alcoólicas? Frequentemente? No local de trabalho isso é permitido? Existe alguma campanha de conscientização? 44. Qual o tempo do seu intervalo de trabalho? Você tem uma área para descansar? Isso faz diferença na hora de voltar ao trabalho? 45. No seu local de trabalho você sobe ou desce escadas? E sua estrutura é adequada? Já sofreu algum acidente? E por que ocorreu o acidente? Ao chegar ao local de trabalho alguém se certifica de que a escada está seca? 46. Alguma das seguintes doenças ou outros desconfortos é sentida por você em uma base frequente? Você às associa suas condições de trabalho? Dor de cabeça – Problemas nos ossos e dores musculares – problemas de visão ou audição – problemas cardíacos - problemas intestinais – alergias – fadiga física ou mental – tremores ou fobias – depressão – transtorno do sono. Produtividade 47. O processo de compras de materiais é organizado de que forma? E é bem executado? 172 48. Para produzir são necessários pessoas, máquinas e Materiais, em que fator a empresa mais tem problemas? E por quê? 49. Quais são as maiores dificuldades em produzir na empresa? 50. Dentro da produtividade estão às pessoas, que por sua vez utilizam dos recursos, para oferecer serviços e bens, as pessoas na empresa são responsáveis pelo que produzem? Preocupam-se com o consumidor? 51. Você tem ideia do quanto pode interferir no sucesso da empresa? E que o crescimento da empresa resultará em uma melhor possibilidade de salário, benefícios e qualidade de vida para você? A empresa tenta trazer essa ideia para o ambiente de trabalho? 52. As praticas dos colaboradores estão de acordo com o que lhes foi passado para produzir dentro dos padrões exigidos pelas contratantes? E o que acarretaria no não cumprimento? 53. O que mais afeta a sua produtividade? Calor, frio extremo, stress, problemas na vida pessoal, outras. 54. A sua saúde interferi diretamente na sua capacidade produtiva, no seu humor? 55. O gestor liberaria você no pico de atendimento? Por estar se sentindo mal? 56. Quais equipamentos que oferecem algum risco você manuseia? 57. O arranjo físico (localização dos móveis, utensílios, fogões) da empresa contribui para produção? Haveria uma disposição diferente da atual do arranjo físico que contribuiria mais? Rotatividade 58. Das questões que vou citar a seguir, quais delas seriam motivo para você sair da empresa em que trabalha. ( ) Não gostar da atividade exercida Outra oportunidade de emprego Excesso de trabalho Turno de trabalho desagradável Temperatura elevada no ambiente de trabalho Ambiente de trabalho barulhento Falta de comunicação com os colegas 173 Falta de colaboração entre os colegas Trabalho não reconhecido Relacionamento ruim com o encarregado Injustiça por parte do superior Falta de oportunidade de crescimento Salário não compatível com a tarefa Outra: Estas questões citadas estão presentes no seu ambiente de trabalho? 59. Do tempo em que está trabalhando na empresa quantos colegas já pediram demissão? E eles comentaram porque saíram? O que disseram? (não é necessário falar o nome). 60. A empresa tem gastos consideravelmente grandes quando tem um alto índice de rotatividade, você acha que os funcionários tem dimensão disso? Ou não se preocupam, às vezes entram já com a ideia de trabalhar por um curto período? 61. Alguma vez você já conversou sobre a possibilidade de outro horário de trabalho, pois algum colega precisava mudar o horário também? Em caso positivo como foi à conversa com o gestor? 62. Já foi realizada alguma atividade ou reunião sobre como está o relacionamento interpessoal da equipe em que você trabalha? 63. Quais fatores da empresa podem vir a te fazer pedir demissão? Esclarecimentos, que o nome e nenhum dado que aqui for discutido será repassado ao gestor do jeito que está ele apenas verá o TCC pronto, já tratado, sem ter a menor condição de distinguir quem deu as respostas. 174 APENDICE C, TERMO DE RESPONSABILIDADE E COMPROMISSO. 175 TERMO DE RESPONSABILIDADE E COMPROMISSO. Pelo presente TERMO DE RESPONSABILIDADE E COMPROMISSO, eu, _________________________________________________________________, (nome completo do colaborador) ocupante do cargo/emprego de ___________________________________________, do quadro de pessoal da NUTRIVALE Refeições Coletivas, permito que todo dialogo que aqui se seguirá durante a entrevista feita pela acadêmica _____________________________, poderá ser gravado (áudio) por meio de seu (nome completo da Acadêmica) celular, para fins educacionais, para conclusão do seu curso de Administração na instituição UNIVALI de Itajaí. A entrevista ocorrerá durante meu horário de trabalho, sendo permitido pelo gestor, ___________________________________________, ( nome completo do gestor) com inicio as ________h e Termino as _________h. Assumo (Colaborador), voluntariamente, os seguintes compromissos: 1) Responder os questionamentos da acadêmica sobre o tema de seu trabalho de conclusão de curso(TCC), que envolvem a saúde e segurança do trabalhador, a rotatividade e a produtividade. 2) Não interromper a entrevista para voltar ao posto de trabalho ou usufruir de tempo de descanso. 3) Permitir a gravação (áudio) por parte da Acadêmica. Declaro (Colaborador), estar ciente de Que: 1) Tudo o que aqui for dito será gravado (áudio), para fins acadêmicos, e apenas a acadêmica poderá ter acesso as gravações, para utilizar na conclusão de seu TCC, não permitindo que mais ninguém ouça o que aqui irei lhe dizer. 2) O gestor não saberá de modo algum, quem deu as respostas, pois o mesmo só verá o trabalho após tratamento dos dados, impossibilitando possíveis represálias ou demissões. Itajaí, ______/______/______. __________________________________________ (Assinatura do Colaborador) ___________________________________________________ (Assinatura da Acadêmica) 176 ASSINATURA DOS RESPONSÁVEIS Jessica Régis Estagiária Allan Jonathan Algayer dos Santos Supervisor de Campo Prof. Dra Antônia Egídia de Souza Orientadora de Estágio Prof. Mesc. Eduardo Krieger da Silva Responsável pelos Estágios em Administração