FACULDADE DE TECNOLOGIA DA ZONA LESTE ELAINE SILVA MAIA Melhores práticas para a análise de risco no transporte rodoviário de cargas perigosas na era da sustentabilidade São Paulo 2010 FACULDADE DE TECNOLOGIA DA ZONA LESTE ELAINE SILVA MAIA Melhores práticas para a análise de risco no transporte rodoviário de cargas perigosas na era da sustentabilidade Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Faculdade de Tecnologia da Zona leste sob a orientação da Doutora Marly Cavalcanti para obtenção do diploma de Graduação no Curso de Logística. São Paulo 2010 MAIA, Elaine Silva Melhores práticas para a análise de risco no transporte rodoviário de cargas perigosas na era da sustentabilidade / Elaine Silva Maia – Faculdade de Tecnologia da Zona Leste, São Paulo, 2010. 105 p. Orientador: Dra. Marly Cavalcanti Trabalho de Conclusão de Curso – Faculdade de Tecnologia da Zona Leste 1. Logística. 2. Sustentabilidade. 3. Logística e Sustentabilidade no Transporte Rodoviário de Produtos Perigosos. 4. Estudo de caso FACULDADE DE TECNOLOGIA DA ZONA LESTE MAIA, Elaine Silva Melhores práticas para a análise de risco no transporte rodoviário de cargas perigosas na era da sustentabilidade Monografia apresentada à Faculdade de Tecnologia (Fatec) da Zona leste para obtenção do título de Tecnólogo em Logística Aprovado em: Banca Examinadora Prof. Dra. Marly Cavalcanti_________Instituição: Fatec Zona Leste_ Julgamento: _______________ Assinatura: ______________ Prof. Hilton Silva ________________Instituição: Fatec Zona Leste_ Julgamento: _______________ Assinatura: ______________ Tecg. Ricardo Polezi_____________Instituição: SABESP________ Julgamento: _______________ Assinatura: ______________ São Paulo, 09 de junho de 2010. AGRADECIMENTO A Deus primeiramente, por me dar condições de realizar este trabalho. A minha família pela compreensão e auxilio durante o desenvolvimento. Ao meu namorado pela compreensão e por me incentivar no desenvolvimento deste trabalho. A minha orientadora por sua paciência e indicações valiosas sem as quais não seria possível a realização deste trabalho. A Fabiana Piffer e ao consultor Luiz Ferreira por ter despertado em mim o interesse por assuntos relacionados à sustentabilidade. “O Senhor é meu pastor e nada me faltará” Salmos 23:1 MAIA, Elaine Silva, Melhores práticas para a análise de risco no transporte rodoviário de cargas perigosas na era da sustentabilidade, 105 p., trabalho de conclusão de curso, Faculdade de Tecnologia da Zona Leste, São Paulo, 2010. A sociedade tem pressionado as empresas para que estas demonstrem práticas sustentáveis. A forma com que as empresas encontraram para demonstrar estas práticas foi através da obtenção de certificados tais como o da ISO14001 e no caso das transportadoras de produtos perigosos, o SASSMAQ. Mas, muitas empresas, mesmo certificadas em virtude de proativas, comentem falhas na questão do planejamento e análise de risco. Em muitos casos, limitam-se a cumprir somente o necessário para se manterem dentro da legislação, dos parâmetros para serem certificadas e, assim, não perderem clientes. As organizações não enxergam os ganhos que o planejamento e uma atitude proativa podem trazer, encarando-os apenas como um custo necessário e não como investimento em longo prazo. Palavras-chave: sustentabilidade; rodoviário; perigoso; planejamento; risco. MAIA, Elaine Silva, Melhores práticas para a análise de risco no transporte rodoviário de cargas perigosas na era da sustentabilidade, 105 p., trabalho de conclusão de curso, Faculdade de Tecnologia da Zona Leste, São Paulo, 2010. The Society has pressed the companies to demonstrate sustainable practices. The way that companies found to demonstrate these practices was by obtaining certificates such as ISO14001 and in the case of carriers of dangerous products, the SASSMAQ. But many companies, even certified as a result of proactive, committed faults on the issue of planning and risk analysis. In many cases, are limited to meet only what is necessary to remain within the law, the parameters to be certified and thus not losing customers. Organizations do not see the gains that planning and a proactive attitude can bring, seeing them only as a necessary cost and not as long-term investment. Key words: sustainability; road; dangerous; planning; risk. LISTA DE ILUSTRAÇÕES Ilustração 1 - Distorção da matriz de transportes brasileira e dos preços relativos em comparação com os EUA (2001)..................................................24 Ilustração 2 – Matriz de Transporte (2000) ......................................................25 Ilustração 3 Expressão Método Analise Custo Beneficio................................. 47 Ilustração 4 Questionário...................................................................................87 LISTA DE TABELAS Tabela 1 Acidentes totais......................................................................................53 Tabela 2 Acidentes totais 2006 a 2008 ................................................................54 Tabela 3 Composição Horizontal .........................................................................54 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ABIQUIM – Associação Brasileira da Indústria Química EVA – Economic Value Added (Valor econômico Adicionado) FISPQ – Ficha de Informação de Segurança de Produto Químico ISO - (International Standard Operate) ONU – Organização das Nações Unidas SASSMAQ – Sistema de Avaliação de Saúde, Segurança, Meio Ambiente e Qualidade Sumário Introdução ....................................................................................................... 13 1 Logística ....................................................................................................... 17 1.1 Conceito e definições ............................................................................................ 17 1.2 Processo Logístico ................................................................................................ 21 1.2.1 Produção......................................................................................................... 21 1.2.2 Gestão de Estoque .......................................................................................... 22 1.2.3 Armazenagem ................................................................................................ 23 1.2.4 Distribuição física e transferência (Transporte) ............................................. 23 1.3 Transporte – Modais ............................................................................................. 24 1.3.1 Rodoviário ...................................................................................................... 25 1.3.2 Ferroviário ...................................................................................................... 26 1.3.3 Aquaviário ...................................................................................................... 27 1.3.4 Dutoviário ...................................................................................................... 27 1.3.5 Aéreo .............................................................................................................. 28 1.4 Tipos de Cargas ..................................................................................................... 29 1.5 Logística e a sustentabilidade................................................................................ 29 2 Sustentabilidade de Gestão ........................................................................ 32 2.1 Conceitos e definições .......................................................................................... 32 2.2 Sustentabilidade ambiental ................................................................................... 33 2.3 Sustentabilidade econômica .................................................................................. 35 2.4 Sustentabilidade ambiental versus econômica ...................................................... 36 2.5 Análise de Risco.................................................................................................... 37 2.5.1 Análise de risco empresarial .............................................................................. 38 2.5.1.1 Matriz de riscos ........................................................................................... 40 2.5.1.2 Matriz de importância - desempenho .......................................................... 41 2.5.2 Análise de risco ambiental ................................................................................. 41 2.5.2.1 Método Ad Hoc ........................................................................................... 42 2.5.2.2 Método das Listagens de Controle .............................................................. 43 2.5.2.3 Método da Superposição de cartas .............................................................. 45 2.5.2.4 Método das Redes de Interação................................................................... 45 2.5.2.5 Método das Matrizes de Interação .............................................................. 46 2.5.2.6 Método dos Modelos de Simulação ............................................................ 46 2.5.2.7 Método da Análise Benefício-custo ............................................................ 47 2.5.2.8 Método da Análise Multiobjetivo ............................................................... 48 2.5.2.9 Seleção da Metodologia .............................................................................. 49 3 Logística e Sustentabilidade no Transporte Rodoviário de Produtos Perigosos ........................................................................................................ 50 3.1 Panorama histórico ................................................................................................ 51 3.2 Legislação ............................................................................................................. 56 3.2.1 Decreto 93.044/88 .............................................................................................. 57 3.2.2 Portaria n° 204 de 20/05/1997 ........................................................................... 58 3.2.3 Resolução nº 420, de 12 de fevereiro de 2004 ................................................... 58 3.2.4 Resolução CONTRAN/MJ 91 de 04/05/1999 ................................................... 60 3.2.5 Resolução nº 701, de 25 de agosto de 2004 ....................................................... 61 3.2.6 Resolução nº 1.644, de 26 de setembro de 2006 ................................................ 61 3.2.7 NBR 7500/02 ..................................................................................................... 62 3.2.8 NBR 7503 .......................................................................................................... 63 3.2.9 NBR 7504 .......................................................................................................... 63 3.2.10 NBR 8285 ........................................................................................................ 64 3.2.11 NBR 8286 ........................................................................................................ 64 3.2.12 NBR 9734 ........................................................................................................ 65 3.2.13 NBR 9735 ........................................................................................................ 66 3.2.14 NBR 14064 ...................................................................................................... 67 3.2.14.1 Alteração das NBR sobre transporte de produtos perigosos ..................... 68 3.2.14.2 Atribuições específicas do fabricante, expedidor ou destinatário ............. 69 3.3 Sustentabilidade na atividade de transporte de produtos perigosos ...................... 70 3.4 Análise de risco no transporte de produtos perigosos ........................................... 70 4 Estudo de Caso ............................................................................................ 72 4.1 ISO14001 .............................................................................................................. 74 4.1.1 Princípios de um Sistema de Gestão Ambiental ............................................ 75 4.1.2 Importância estratégica da gestão ambiental para as empresas ..................... 77 4.2 ISO 31000 ............................................................................................................. 77 4.2.1 Gestão de Risco .............................................................................................. 77 4.2.2 A Importância da Gestão de Risco ................................................................. 78 4.3 SASSMAQ ............................................................................................................ 79 4.3.1 Sistema de Avaliação ..................................................................................... 82 4.4 Empresa S Logística.............................................................................................. 83 4.4.1 Histórico ......................................................................................................... 84 4.4.2 Política ........................................................................................................... 85 4.4.2 Questionário de Avaliação ............................................................................. 86 4.4.3 Avaliação ....................................................................................................... 91 Conclusão........................................................................................................ 94 Referências Bibliográficas ............................................................................. 99 ANEXO A – Certificado SASSMAQ .............................................................. 105 13 Introdução Atualmente uma palavra que se ouve com extrema freqüência é sustentabilidade. Seja ela na questão ambiental ou no mercado em que as organizações estão inseridas. Historicamente isto vem desde meados dos anos 90, após a fase expansiva da economia mundial (iniciada por volta de 1950 e que tornou visível o profundo impacto ambiental que a atividade produtiva acabou gerando). Além disto, uma série de comportamentos de cunho ambientalista por parte dos consumidores impôs padrões às empresas que, partir dos anos 90, adotaram a questão ambiental como estratégia mercadológica. (MONTIBELLER, 2007, p.103). Conforme Andrade (2002, apud Leite, 2003, p.124), pesquisas realizadas no Brasil em 1998 pelo CNI, pelo SEBRAE e pelo BNDES revelam que: 90% das grandes empresas e 35% das pequenas e microempresas realizaram investimentos ambientais, independentemente de legislação, mas com propósitos de melhoria de competitividade em exportações, de serviços aos clientes, de atendimento às comunidades, de atendimento as organizações não-governamentais e de melhoria da imagem coorporativa. Mas ainda assim, a natureza e seus ciclos naturais são submetidos às leis da racionalidade econômica. (LEITE, 2003, p-103). A retração dos mercados e ameaça de redução dos lucros em períodos de retração econômica, levam as empresas a desprezar as questões ambientais por estas geralmente (MONTIBELLER, 2007, p.102). implicarem em custos adicionais. 14 Voltando à palavra sustentabilidade, em poucas palavras, significa explorar de forma controlada a fim de garantir uma continuidade por um longo período (NUNES, 01/09/09 e WWF, 01/09/09). Já no sentido mais abrangente, conforme definição da comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, constituída pela ONU em 1991 (1998, apud Calderoni, p.54 e apud 2007, LEITE, p.127): ... Aquele que atende as necessidades presentes sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem as necessidades [...] é um processo de transformação no qual a exploração de recursos, a direção dos investimentos, a orientação do desenvolvimento tecnológico e a mudança institucional se harmonizam e reforçam o potencial presente e futuro, a fim de atender as necessidades e aspirações humanas. Mas, qual a importância da sustentabilidade para as organizações, sobretudo as ligadas ao transporte de cargas nos dias de hoje? Sobrevivência. Pois o mercado possui riscos sendo caracterizado por incertezas e pela turbulência, tornando a demanda mais volátil e gerando “caos” na cadeia de suprimentos em razão de ações, tais como: promoção de vendas, incentivos para as vendas ou regras de decisão como as referentes à quantidade para repedido. Além disto, conta-se também a vulnerabilidade das cadeias de suprimento das organizações aos distúrbios e as disrupções tais como eventos externos - como os desastres naturais - ou internos como a mudança de estratégia de negócio - tais como “enxugamento”, ou ainda a Terceirização -. (CHRISTOPHER, 2007, p. 234). Além disto, através da análise do risco positivo, a empresa pode enxergar oportunidade de negócios. Em decorrência destes riscos, as organizações precisarão desenvolver programas para gerenciá-los, pois o impacto de eventos não-planejado e imprevisto podem causar sérios efeitos financeiros ao longo de uma rede como um todo. Na obra de Christopher (2007, p.234-235), o exposto fica bem claro através da pesquisa feita na América do Norte onde sugere que organizações ao sofrerem disrupções em suas cadeias de suprimento verificarão significativo 15 impacto no preço de suas ações, uma vez que o problema torna-se público. Em média, as organizações que passaram por este problema viram a média de sua renda operacional despencar 107%, o retorno sobre as vendas cair 114% e o retorno sobre ativos cair 93%. Conforme Christopher (2007), as organizações tem se dedicado muito as questões da sustentabilidade do negócio, mas com um enfoque limitado, principalmente voltado para Tecnologia da Informação (TI) e gestão dos processos internos. Mas o risco da sustentabilidade do negócio pode estar na rede mais ampla da qual o negócio é apenas uma parte. Desta forma sugerese a determinação de um perfil de risco buscando localizar os pontos críticos onde se deve focalizar a atenção. Os principais pontos de risco de um negócio são: • No fornecimento por ser vulnerável a interrupções, dependência de fornecedores, mau gerenciamento dos suprimentos. • Na demanda por sua volatilidade, pelo efeito chicote e situações em que a demanda de um produto afeta a do outro. • No processo pelos gargalos, resilência nos processos, capacidade adicional disponível, etc. • Ambiental, devido às vulnerabilidades externas e aos impactos gerados pela atuação da empresa. Ficam muito claros os impactos no ambiente gerados por uma indústria, mas sabe-se que não é tão visível quando se trata de uma prestadora de serviços. Pois os capitais são induzidos a produzir enormes quantidades de mercadorias em giro muito rápido do processo produtivo visando o lucro em grande volume que superem as taxas de juros, condição imperiosa para o investimento exigindo mais da natureza pressionando seus processos naturais a ponto de ultrapassar a capacidade de absorção ou da reciclagem natural de resíduos e de rejeitos advindos das atividades de produção e consumo (MONTIBELLER, 2007, p. 103). 16 No caso de uma transportadora é mais evidente quando se trata do uso de combustíveis e dos resíduos gerados pela manutenção dos equipamentos (tais como empilhadeiras, porta-paletes, boxes de armazenagem) e dos veículos (peças inservíveis do caminhão). Mas, com uma análise um pouco mais profunda, verifica-se que outros elementos como consumo de água, combustível, papel, perdas no transporte e devoluções, quando submetidos a um planejamento e controle efetivos, além de se reduzir impactos negativos na natureza reduzem-se o custo fixo da empresa, colaborando com o provável aumento de EVA® (Economic Value Added) desde que outros fatores sejam favoráveis (tais como uma boa administração da empresa e condições de mercado sem grandes turbulências). Desta forma fica óbvio que a sustentabilidade exige, num primeiro momento, investimentos tais como ajuste no telhado aliado à manutenção do ar condicionado, treinamento para boas práticas para que os funcionários desliguem o computador na hora do almoço para reduzir o consumo de energia elétrica, troca dos equipamentos de descarga e válvulas de pressão das torneiras por aquelas mais econômicas para diminuir o consumo de água, ajuste nas impressoras para impressão frente e verso, opção de selecionar apenas as partes interessantes para reduzir o consumo de papel, roteirização das entregas, de forma a aproveitar os melhores caminhos para economizar combustível, práticas legais para o descarte correto de materiais inservíveis oriundos da manutenção dos veículos e equipamentos de manuseio de carga, políticas para reaproveitamento de material oriundo da logística reversa. Estes exemplos apresentados trazem benefícios tanto para o planeta como para a organização com a redução de custos em longo prazo. O objetivo deste trabalho é mostrar os benefícios da implantação de uma consciência sustentável em empresas transportadoras de carga rodoviária. 17 1 Logística Logística é um termo, relativamente, recente e que no principio era ligada a uma imagem negativa da empresa por ser atribuída a “culpa” pelas entregas não terem sido feitas no prazo ou que simplesmente, não haviam acontecido. Ao mesmo tempo, havia a valorização dos profissionais que fossem capazes de fazer a “tal” logística acontecer. (ARBACHE, 2006, p. 20). A consciência da importância da logística mesmo estando presente em muitas empresas, ainda está por ser plenamente implementada. Mas, de um modo geral, a logística tem ganhado mais espaço em organizações de todas as atividades e setores. (CHRISTOPHER, 2007, xi). O caso da matéria do USA Today, ilustra que muitas vezes lhe são atribuídas funções que nem são imaginadas, como foi que lhe atribuía à função de atrasar a invasão norte-americana no Iraque. Mas se lhe são atribuídas tantas funções, porque a maioria das pessoas associa a logísticas apenas as operações de transporte e armazenagem dos produtos? (ARBACHE, 2006, p. 20). Para responder esta e outras questões serão apresentadas neste capitulo, os conceitos do que vem ser logística e demais conceitos e assuntos pertinentes ao entendimento da importância da logística nos dias de hoje. 1.1 Conceito e definições A definição de logística irá variar de acordo com o ramo de atividade que a organização desempenha. Por exemplo, para a Marinha que se refere à 18 logística como a ciência de prever necessidade e prover soluções. Já para o Council Logistics Management (sendo esta a maior referência em logística no mundo, principalmente em varejo uma vez que evoluiu do conselho de distribuição física), define logística como sendo “o processo de planejar, implementar, e controlar de maneira eficiente o fluxo e a armazenagem de produtos, bem como os serviços [...] cobrindo desde o ponto de origem até o ponto de consumo, com o objetivo de atender os requisitos do consumidor”.Desta forma, percebe-se que o escopo da logística vai além da movimentação e armazenagem dos produtos. (ARBACHE, 2006, p. 21). Christopher (2007, p. 3), constatou que: Logística é o processo de gerenciamento estratégico da compra, do transporte e da armazenagem de matérias-primas, partes e produtos acabados (além dos fluxos de informação relacionados) por parte da organização e de seus canais de marketing, de tal modo que a lucratividade atual e futura seja maximizada mediante a entrega de encomendas com o menor custo associado. A logística imaginada como apenas ligada à área de estoques e transporte, se deve ao fato destas serem suas atividades mais importantes. Porém, atualmente, com a concorrência tão acirrada gerou a necessidade de integrar os processos internos e externos para que os custos e as ineficiências fossem reduzidos. (ARBACHE, 2006, p. 22). A logística procura essencialmente criar um plano único para o fluxo de produtos e de informação ao longo do negócio. (Christopher, 2007, p. 4). Para Porter (1989, p. 22), “a estratégia de uma unidade empresarial é o caminho para a vantagem competitiva que determinará o seu desempenho”. Vantagem competitiva sustentável tem sido a preocupação de todo administradora que esteja consciente das realidades do mercado. (Christopher, 2007, p.6). Porém deve ser salientar que uma gestão logística eficiente e bem planejada pode não trazer a vantagem esperada caso tenha havido uma avaliação deficiente de mercado, dos clientes ou do poder de barganha dos fornecedores, por exemplo. (ARBACHE, 2006, p. 29). 19 A fonte da vantagem competitiva está na capacidade da organização se diferenciar de seus concorrentes perante o cliente, operando com um custo menor e conseqüentemente com maior lucro. (CHRISTOPHER, 2007, p. 6). O problema está em que alguns requisitos para atender o cliente da melhor forma possível implicam em gastos muito elevados chegando a alguns casos a ser inaceitável. Sendo este um desafio da logística na nova economia. (ARBACHE, 2006, p. 35). Christopher (2007, p. 7), afirma que “tradicionalmente sugere-se que o principal caminho para a redução de custos é com o ganho em maiores volumes de vendas.” O objetivo da empresa é que ela gere lucro, mas, devido à concorrência pode haver a necessidade de investimentos que podem gerar lucros decrescentes, devido aos consumidores buscarem um preço mais baixo e uma maior qualidade do serviço. (ARBACHE, 2006, p. 36). Se o produto que se oferece não é diferenciado em relação aquele oferecido pelo concorrente, então esse produto será tratado como commodity, ou seja, sem diferenciação, assim a venda tenderá para aquele que oferecer o menor preço. (CHRISTOPHER, 2007, p. 8). Se o produto for tratado como commodity então a empresa deverá investir em produtividade para diferenciar-se no preço, ou na estrutura para diferenciar-se em nível de serviço. (ARBACHE, 2006, p. 38). Arbache (2006, p. 37), em sua obra, afirma que: Para que seus produtos sejam adquiridos, as empresas deverão esforçar-se para atingir uma posição de liderança no mercado, por produtividade (baixo custo) ou fornecer um nível de serviço sem competidores. [...] Quando a empresa atinge a condição de líder em custos [...] devendo preocupar em [...] melhorar na mesma velocidade do mercado. 20 Observa-se que a força da marca tende a declinar. (CHRISTOPHER, 2007, p. 9). Neste contexto, apresenta uma nova postura no processo decisório de aquisição. (ARBACHE, 2006, p. 47). Desta forma, tornou necessário o uso de outros meios para ganhar vantagem competitiva, normalmente vinculada ao processo de desenvolvimento de relacionamento com clientes através da oferta de serviços. (CHRISTOPHER, 2007, p. 9). Nesta situação, o consumidor passa a dar maior importância ao conjunto de atributos oferecidos junto com o produto, e que o ajustem às suas necessidades específicas tais como disponibilidade, suporte técnico pós-venda e prazo de entrega que, em alguns casos, passam a ter mais importância do que o próprio produto. Se o cliente não encontrar o que ele busca na empresa, não hesitará em buscá-la em outra. (ARBACHE, 2006, pp. 47-48). O empresário pode pensar que um cliente não faz a diferença, mas as estratégias para redução de custo baseiam-se na economia obtida pela venda em escala. Perder um cliente significa um a menos para atingir a economia planejada. (CHRISTOPHER, 2007, p. 9) Para se evitar este gargalo, há um caminho cada vez mais eficiente que para se obter vantagem de custo que vem pela logística e pelo gerenciamento da cadeia de suprimentos. (CHRISTOPHER, 2007, p. 10). A vantagem competitiva tem origem nas atividades distintas que a empresa desempenha no projeto, produção, marketing, fornecimento e suporte do produto. Cada uma destas atividades contribuem com custos e podem criar uma base para diferenciação junto aos clientes, sendo o que Michael Porter chama de cadeia de valor. A vantagem competitiva depende de como a empresa organiza e desempenha estas atividades. As organizações devem olhar para cada uma destas atividades e avaliar se elas têm vantagem competitiva real. Se não, deve se considerar a terceirização desde que o terceiro ofereça esta vantagem. (CHRISTOPHER, 2007, pp. 13-14). De acordo com o exposto, percebe-se a importância da logística moderna, que, conforme Arbache (2006, p. 49): 21 [...] está baseada na gestão eficaz e eficiente das informações referentes aos dois pontos básicos da cadeia de negócios – demanda e oferta -, de forma que a empresa possa atender às necessidades do mercado que atua, a um custo adequado, garantindo assim, a rentabilidade dos produtos ofertados. Os processos logísticos devem [...] criar valor para o cliente e construir um relacionamento duradouro. No item 1.2 deste capítulo serão discutidos os pontos de relevância do processo logístico. 1.2 Processo Logístico Os processos logísticos são as atividades tais como a produção, gestão de estoque, armazenagem e distribuição física que em conjunto são capazes de conferir ao cliente vantagem em valor em produtividade a fim de construir um relacionamento duradouro. (ARBACHE, 2006, p. 48). Serão abordados nos itens 1.2.1, 1.2.2, 1.2.3 e 1.2.4 deste capítulo cada uma destas atividades. 1.2.1 Produção A produção tem grande peso na estrutura de um produto, sendo responsável por até 30% destes. Para diminuir custos e atender a demanda quanto a customização dos produtos, algumas organizações passaram a utilizar o modelo de produção puxado, ou seja, o fluxo decisório passa a ser no cliente comandada pelos inputs oriundos dos pontos de venda, visando à diminuição do estoque no processo de produção e, conseqüentemente, os custos para a manutenção do mesmo. (ARBACHE, 2000, p. 51). 22 1.2.2 Gestão de Estoque Gestão dos estoques é um dos pontos mais importantes para a empresa, pois precisa ser muito bem executado. O motivo é que a existência do estoque tranqüiliza a empresa com relação às flutuações de demanda para a manutenção de seu nível de serviço, mas, por outro lado, é fonte de constante atrito devido ao capital investido. (ARBACHE, 2000, p. 54). Em épocas de inflação os custos com estoques não são sentidos porque, em sua maioria, os ganhos financeiros quase sempre compensavam o gasto com sua manutenção. Por outro lado, em tempos de estabilidade, a manutenção de estoques passa a ser bastante discutido devido aos indicadores econômicos, principalmente o valor econômico adicionado (EVA) serem diretamente afetados pelo custo de oportunidade de capital oriundo dos produtos em estoque. (ARBACHE, 2000, p. 54). Então, três pontos precisam ser conhecidos para que se faça uma boa gestão dos estoques. • Até quanto tempo podemos adiar o processo de manufatura ou montagem de um produto até que a demanda seja realmente conhecida. (ARBACHE, 2000, p. 55); • Previsão de demanda com previsível grau de assertividade, quanto mais próximo do ponto de consumo, melhor é a previsão. Por isto, tem crescido a busca por informações no ponto de venda por meios automatizados e estudos sobre as condições socioeconômicas da região. (ARBACHE, 2000, p. 55); • O terceiro ponto refere-se à localização do estoque. Buscando qual é a melhor opção, se é centralizar ou descentralizar o estoque. 23 Esta definição depende de quatro variáveis: tempo de resposta, giro do produto, valor agregado e exigência de disponibilidade pelos mercados. (ARBACHE, 2000, p. 56). 1.2.3 Armazenagem Seu planejamento e formatação terão impacto importante no desempenho da distribuição dos produtos. Por este motivo requer um gerenciamento moderno, com a adoção de processos e sistemas aplicados à movimentação e estocagem, mudando a visão tradicional de que uma instalação com armazenagem seja um local destinado à guarda de produtos. (ARBACHE, 2000, pp. 57-59) 1.2.4 Distribuição física e transferência (Transporte) Conforme Fleury, (2000, p. 409): “o transporte de cargas é o principal componente dos sistemas logísticos das empresas. [...] o transporte representa 64% dos custos logísticos, 4,3% do faturamento, e em alguns casos, mais que o dobro do lucro”. Tanto para empresas públicas quanto para as privadas, a principal decisão com relação ao transporte de cargas é a escolha dos modais de transporte. (FLEURY, 2000, p. 409). Devido à importância desta escolha, será feita a explanação de cada um deles nos subitens do item 1.3. 24 1.3 Transporte – Modais São cinco os modais de transporte de cargas: rodoviário, ferroviário, aquaviário, dutoviário e aéreo. (ARBACHE, 2006, p. 67). Conforme Fleury, (2000, p. 409), Cada um possui estrutura de custos e características operacionais específicas que os tornam mais adequados para determinados tipos de produtos e de operações. [...] em relação aos [...] custos, cabe destacar o nível de imobilização de capital em ativos fixos, a existência de economias de escala associadas ao seu uso e a presença de rendimentos crescentes ou decrescentes de escala no consumo de combustíveis, de lubrificantes e de materiais de reposição. [...] escopo dos serviços prestados, por sua vez, merece destaque à possibilidade de contratar junto com os transportadores de serviços de maior valor agregado com base em conhecimento, como, por exemplo, projetos de consultoria em logística [...]. Conforme Fleury, (2000, p. 412), “no Brasil, os preços relativos aos modais de transporte possuem a mesma ordenação encontrada nos EUA: aéreo (maior), rodoviário, ferroviário, dutoviário e aquaviário (menor). [...]”. Segue abaixo gráfico que ilustra o acima exposto: Ilustração 1 - Distorção da matriz de transportes brasileira e dos preços relativos em comparação com os EUA (2001) Fonte: Fleury, 2000, p. 419 25 A seguir será abordada uma breve descrição dos custos envolvidos e da operação para cada um dos modais. 1.3.1 Rodoviário Na questão de custos, o modal rodoviário apresenta pequenos custos fixos, uma vez que a construção e a manutenção de rodovias dependem do poder público e seus custos variáveis (por exemplo, combustível, óleo e manutenção) são medianos. (FLEURY, 2000, p. 412). Principal modal utilizado, o rodoviário responde por 60,34% do total de cargas movimentadas no Brasil. Sendo utilizado para o transporte de quase todos os produtos manufaturados. Sua predominância é oriunda da deficiência nos demais modais. (ARBACHE, 2006, p. 68). Ilustração 2 - Matriz de Transporte (2000) Fonte: Araujo, 2007, p. 20 O transporte rodoviário compete com o aéreo na preferência para o transporte de pequenas cargas – com relação a peso e dimensões - e com o ferroviário nas grandes. 26 Este tipo de transporte é indicado para operações de coleta e de entrega de mercadorias, as denominadas pontas do serviço de cargas, devido à sua flexibilidade de roteirização e por quase não apresentar limites para onde chegar. (ARBACHE, 2006, p.68; FLEURY, 2000, p. 413). Este modal será abordado no capítulo 3 no que tange ao transporte rodoviário de um tipo de carga, a de produtos perigosos. 1.3.2 Ferroviário Este modal apresenta custos fixos elevados, devido à necessidade de substanciais investimentos em trilhos, terminal, locomotiva e vagões. Já seus custos variáveis são pequenos. (FLEURY, 2000, p. 412). O modal ferroviário deveria ser o grande modal de transporte brasileiro, mas durante muitos anos ficou restrito ao transporte de minérios e combustíveis. O processo de sucateamento e abandono impediu qualquer utilização racional desse modal. (ARBACHE, 2006, p. 68). Indicado para o transporte de grandes distâncias, devido ao seu menor custo, torna-se opção para a melhoria do desempenho dos produtos que tem sua competitividade comprometida pelos custos de transportes e manuseio. (ARBACHE, 2006, p. 68). O ponto de gargalo deste modal é o carregamento e o descarregamento. (Arbache, 2006, p.68), bem como a disponibilidade da malha ferroviária, a qual determina até onde este modal pode chegar. (FLEURY, 2000, p. 413). Com a privatização do sistema, deve-se início ao processo de recuperação deste modal, incluindo mudança de estratégia para atingir setores antes não servidos pela ferrovia. (ARBACHE, 2006, p. 68). 27 1.3.3 Aquaviário O modal aquaviário apresenta custos fixos medianos, decorrentes dos investimentos em embarcações e equipamentos, mas seus custos variáveis são pequenos graças à sua capacidade de transportar grandes volumes e toneladas. (FLEURY, 2000, p. 412). Compreende os modos: marítimo e o hidroviário. O marítimo é caracterizado pelo transporte de longo curso e a cabotagem (termo que define o transporte na costa de um país ou de países fronteiriços, e apresenta várias escalas). (ARBACHE, 2006, p. 69). Para Arbache, (2006, p. 69) “o hidroviário, utiliza os rios, sendo indicado para o transporte de produtos volumosos, pesados, de baixo valor unitário e que possam ser carregados e descarregados por sistemas mecânicos”. O Brasil pode obter vantagem competitiva no comércio internacional com a utilização deste modal graças ao seu baixo custo e grande capacidade de carga. (ARBACHE, 2006, p. 69; FLEURY, 2000, p. 413). 1.3.4 Dutoviário Modal que apresenta os custos fixos mais elevados, devido ao direito de passagem, construção, estações de controle e capacidade de bombeamento. Em contrapartida, apresenta custos variáveis quase nulos, às vezes desprezíveis. (FLEURY, 2000, p. 412) O modal dutoviário é utilizado para transportar produtos específicos, tais como petróleo e seus derivados, gás natural, minério, água, grãos entre outros. (ARBACHE, 2006, p. 70) 28 Dentre suas características, o modal dutoviário é seguro com relação a evitar perdas e roubos durante o transporte, opera 24 horas por dia, sete dias por semana, podendo ser acionado a qualquer momento. Porém somente opera com líquidos, gases e grãos, além de ser inflexível, pois seu sistema só pode ser carregado na origem e descarregado no destino exigindo infraestrutura apropriada. (FLEURY, 2000, p. 413) 1.3.5 Aéreo Os custos fixos neste modal são baixos no que diz respeito ao veículo (aeronave) e ao sistema de manuseio, porém os seus custos variáveis são os mais elevados entre todos os modais principalmente no que diz respeito ao combustível (por ser de tipo especial), bem como na mão de obra e manutenção por exigir conhecimento e tecnologia extremamente técnicos. Conforme Arbache (2006 p. 69), sua principal característica “[...] é a velocidade, oferecendo tempo em transito mais rápido do que qualquer outro modal.” Inicialmente, a maioria das empresas aérea priorizava o transporte de passageiros, situação esta, que vem mudando devido a criação de áreas especifica para cargas, o que tem gerado interesse das empresas aéreas em disputar este mercado com os outros modais. (ARBACHE, 2006, p. 69) O que ainda impede um crescimento deste modal é o valor de seu frete, e as restrições de embarque (tais como peso, dimensões). (FLEURY, 2000, p. 413). 29 1.4 Tipos de Cargas Os tipos de cargas são classificados em: Geral: cargas que não necessitam de condições especiais (SANTOS, 2006, p. 7) Granel: cargas que cuja embalagem é o próprio veículo que a transporta. (ARAUJO, 2005, p. 364) Fracionadas: carga que, para proteção do produto são enviadas em pequenos lotes (podem ser ensacadas ou em caixas). (ARAUJO, 2005, p. 364) Perigosas: cargas compostas por produtos que são classificados como perigosos pela Organização das Nações Unidas (ONU) que, para seu transporte, necessitam da anuência dos órgãos competentes e cumprir uma série de exigências legais por colocar em risco a vida e a saúde das pessoas e do meio ambiente. (ARAUJO, 2007, p. 17) 1.5 Logística e a sustentabilidade Na logística, assim como em qualquer área de negócio, a exemplo de quando uma pessoa decide abrir um negócio ou mesmo aquela que apenas quer oferecer sua força de trabalho a uma organização, tem como objetivo: Ganhar dinheiro, pois, conforme Montibeller (2007, p. 103), “somos regidos pelo âmbito econômico onde há a busca incessante do maior e imediato lucro”. Esta busca pelo maior e imediato lucro induz os capitais a produzir enormes quantidades de mercadorias em giro muito mais rápido do processo produtivo visando obter lucro em grande volume e a taxas que superem a taxa de juro. À medida que a taxa de juro aumenta, a produção e o giro de capital têm que ocorrer de forma cada vez mais rápida. Desta forma, aumenta-se a pressão sobre a natureza, para a produção de bens que são recursos para o sistema produtivo. Além disto, a pressão se dá ao ser ultrapassada a 30 capacidade de absorção ou de reciclagem natural dos resíduos e de rejeitos advindos da atividade humana de produção e de consumo. Portanto, a natureza e suas leis de produção e reprodução se vêem submetidas às leis de racionalidade econômica. (MONTIBELLER, 2007, p. 103). Os exemplos a seguir ilustram esta situação: o comportamento do governo norte-americano em relação ao meio ambiente cuja postura é a de não adotar meios sustentáveis caso isto signifique restrições a produção do país. E no caso, brasileiro a questão da soja transgênica, onde as empresas produtoras pressionavam o governo mostrando os ganhos com a utilização deste produto geneticamente modificado, mas não provaram como foi feita a avaliação de impactos ambientais. (MONTIBELLER, 2007, p. 102). O problema da busca incessante pelo maior e imediato lucro seja em atividades ligadas à logística ou em qualquer outra, está quando é em detrimento ao ambiente, à segurança das pessoas e até mesmo na saúde do negócio. Tal problemática é caracterizada pela cultura do consumo que, conforme Leite (2003, p. 128), “não privilegia os aspectos de melhor utilização dos recursos naturais, e de responsabilidade das empresas para com a sociedade”. Com o intuito de atingir o maior e imediato lucro as empresas buscam constantemente aumentar sua produtividade podendo contribuir para que, no caso das transportadoras rodoviárias de cargas, os motoristas trabalhem sobre forte carga de estresse e acima da jornada permitida, o que pode acarretar em descanso inadequado, baixa qualidade de alimentação, e por fim, uso de drogas para atingir as metas estabelecidas pelas empresas. (ARAUJO, 2007, p. 30). O resultado do acima exposto pode ser observado na obra de Araujo (2007, p. 26), o qual relata que os acidentes de transporte terrestre no Brasil representaram 35.281 óbitos no ano de 1996 equivalendo a 3,9% do total de mortes nesse mesmo ano. O estado de São Paulo teve 25,6% do total de mortes do país. 31 Ainda conforme Araujo (2007, p. 134), as causas dos acidentes estão ligadas principalmente a não aplicação dos itens já citados. Dentre os quais, pode-se destacar a inobservância da escala de trabalho, dos períodos de descanso, de regras e instruções de segurança, de equipamentos, de ajustes e ferramentas defeituosos, e de operações de trabalho que se apresentam inadequadas. Além dos danos ao meio ambiente, pois mesmo que a carga que se espalhou pela via e áreas adjacentes não seja considerada perigosa, produzirá resíduos sólidos e ou líquidos e ou gasosos que poluirão o ambiente. Desta forma fica evidenciado que os empresários não pensam na sustentabilidade da sua empresa e muito menos na questão ambiental, pois conforme Montibeller (2007, p. 102) estes desprezam as questões ambientais por estas geralmente implicarem em custos adicionais. O empresário vê apenas o lucro imediato, mesmo que isto signifique correr o risco de pagar multas, perder a carga, o veículo, o funcionário (em caso de óbito do motorista), assistência médica (em caso do motorista sobreviver ao acidente, mas necessitando de cuidados médicos), ou seja, gerando custos ao longo prazo que, dependendo das proporções, podem até inviabilizar o negócio. Estes custos poderiam ser evitados se fossem investidos valores necessários à prevenção do acidente. Devido à importância de se buscar o equilíbrio para que haja o desenvolvimento econômico e ambiental sustentável faz-se necessário a abordagem da abrangência da questão da sustentabilidade, seja ambiental ou econômica, conforme capitulo a seguir. 32 2 Sustentabilidade de Gestão Atualmente uma palavra que se ouve com extrema freqüência é sustentabilidade. Seja ela na questão ambiental ou no mercado em que as organizações estão inseridas. Historicamente isto vem desde meados dos anos 90, após a fase expansiva da economia mundial (iniciada por volta de 1950 e que tornou visível o profundo impacto ambiental que a atividade produtiva acabou gerando). Além disto, uma série de comportamentos de cunho ambientalista por parte dos consumidores impôs padrões às empresas, que, a partir dos anos 90, adotou a questão ambiental como estratégia mercadológica. (MONTIBELLER, 2007, p. 103). 2.1 Conceitos e definições Voltando a palavra, sustentabilidade em poucas palavras significa explorar de forma controlada a fim de garantir uma continuidade por um longo período (NUNES, 01/09/09 e WWF, 01/09/09). Já no sentido mais abrangente, conforme definição da comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, constituída pela ONU em 1991 (1998, apud Calderoni, p.54 e apud 2007, LEITE, p.127): “... aquele que atende as necessidades presentes sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem as necessidades [...] é um processo de transformação no qual a exploração de recursos, a direção dos investimentos, a orientação do desenvolvimento tecnológico e a mudança institucional se harmonizam e reforçam o potencial presente e futuro, a fim de atender as necessidades e aspirações humanas”. 33 2.2 Sustentabilidade ambiental A questão principal da sustentabilidade ambiental é busca da correta destinação aos resíduos, que resultam de atividade da comunidade, tendo origem industrial, doméstica, hospitalar, comercial, agrícola, e de serviços, que pelas suas características físicas ou químicas, podem causar ou acentuar risco à saúde pública ou ao meio ambiente, quando manuseados de forma inadequada. Estes resíduos, oriundos das atividades mencionadas, são classificados como perigosos (resíduos de classe I – caracterizados de inflamabilidade, corrosividade, reatividade e patogenicidade, podendo representar risco para a saúde pública, provocar mortabilidade ou incidência de doenças, além de causar efeitos adversos ao meio ambiente, quando manuseados de forma inadequada), não inertes (resíduos classe II – os resíduos que não se enquadram nas classes I e III) e inertes (resíduos classe III – resíduos não solúveis como, por exemplo, rocha, tijolos, vidros). (SANTA CECILIA, 2010, p.1 e CRUZ, 2002, p. 3) Ficam muito claros os impactos no ambiente gerados por uma indústria, mas sabe-se que não é tão visível quando se trata de uma prestadora de serviços. Pois os capitais são induzidos a produzir enormes quantidades de mercadorias em giro muito rápido do processo produtivo visando o lucro em grande volume que superem as taxas de juros, condição imperiosa para o investimento exigindo mais da natureza pressionando seus processos naturais a ponto de ultrapassar a capacidade de absorção ou da reciclagem natural de resíduos e de rejeitos advindos das atividades de produção e consumo (MONTIBELLER, 2007, p. 103). No caso de uma transportadora rodoviária, os resíduos mais perceptíveis são os resíduos sólidos gerados, tais como peças inservíveis, estopas sujas com óleo, lodo da caixa separadora da pista de contenção, filtros de óleo usados, embalagens vazias de óleo lubrificante, serragem ou detergentes contaminados utilizados para limpeza - que também são 34 considerados resíduos classe I – perigosos quando a transportadora também desempenha atividade de abastecimento e mecânica. Assim como o resíduo gasoso proveniente do uso de combustíveis, agravado quando não é executada a manutenção periódica do veículo. (SANTA CECILIA, 2010, p.1) Hoje as empresas transportadoras devem observar este quesito, pois o governo brasileiro está implantando o controle de emissões conforme o Ministério do Meio Ambiente através da Resolução N°418/09 (2009), que trata da elaboração de Planos de Controle de Poluição Veicular (PCPV), através de inspeção veicular, a exemplo de São Paulo que mantêm o Programa “Controlar” que realiza inspeção anual, onde o veículo não aprovado perde o direito ao Licenciamento e conseqüentemente o direito de circular pelo município. Desta forma fica óbvio que a sustentabilidade exige, num primeiro momento, investimentos em infraestrutura e mudanças de hábito. Dentre as quais, pode-se destacar a execução de ajustes no telhado aliados à manutenção do sistema de ar condicionado, treinamento para adoção de boas práticas para que os funcionários desliguem o computador na hora do almoço de forma a reduzir o consumo de energia elétrica, troca dos equipamentos de descarga e válvulas de pressão das torneiras por outras mais econômicas visando diminuir o consumo de água, ajuste na programação das impressoras para que imprimam frente e verso, acompanhadas da opção de selecionar apenas as partes interessantes para reduzir o consumo de papel, e no caso operacional, investimentos tais como planejamento para roteirização de entregas de forma a aproveitar os melhores caminhos para economizar combustível, práticas legais para o descarte correto de materiais inservíveis oriundos da manutenção de veículos e equipamentos de manuseio de carga, políticas para reaproveitamento de material oriundo da logística reversa. Medidas como estas, além de contribuírem para o beneficio do planeta, contribuem também para o beneficio da organização com a redução de custos em longo prazo. (NATUREBA, 2010 e SEBRAE, 2006, p. 8) 35 2.3 Sustentabilidade econômica A sustentabilidade econômica é caracterizada por a empresa adotar práticas que criem valor para os seus consumidores e ao mesmo tempo reduzem os desperdícios. (BAÑOLAS, 1999, p.1). Mas qual a importância da sustentabilidade para as organizações, sobretudo as ligadas ao transporte de cargas nos dias de hoje? A resposta é sobrevivência. Pois o mercado possui riscos sendo caracterizado por incertezas e pela turbulência, tornando a demanda mais volátil e gerando “caos” na cadeia de suprimentos em razão de ações. Dentre as quais, pode-se citar a promoção de vendas, incentivos para as vendas ou regras de decisão como as referentes à quantidade para repedido. Além disto, conta-se também a vulnerabilidade das cadeias de suprimento das organizações aos distúrbios e às disrupções tais como eventos externos como os desastres naturais ou internos como a mudança de estratégia de negócio (tais como “enxugamento”, ou ainda a terceirização). (CHRISTOPHER, 2007, p.234). Em decorrência destes riscos, as organizações precisarão desenvolver programas para gerenciá-los, pois o impacto de eventos não-planejado e imprevisto podem causar sérios efeitos financeiros ao longo de uma rede como um todo. Na obra de Christopher (2007, pp. 234-235), o exposto fica bem claro através da pesquisa feita na América do Norte onde sugere que organizações ao sofrerem disrupções em suas cadeias de suprimento verificarão significativo impacto no preço de suas ações, uma vez que o problema torna-se público. Em média, as organizações que passaram por este problema viram a média de sua renda operacional despencar 107%, o retorno sobre as vendas cair 114% e o retorno sobre ativos cair 93%. Conforme Christopher, (2007, p. 236) as organizações tem se dedicado muito as questões da sustentabilidade do negócio, mas com um enfoque limitado, principalmente voltado para a tecnologia da Informação (TI) e gestão 36 dos processos internos. Mas a risco à sustentabilidade do negócio pode estar na rede mais ampla da qual o negócio é apenas uma parte. Desta forma sugere-se a determinação de um perfil de risco buscando localizar os pontos críticos onde se deve focalizar a atenção. No item 2.5 será abordada a questão da analise de risco, foco desta monografia. 2.4 Sustentabilidade ambiental versus econômica Conforme a obra Andrade et al. (2002, apud Leite, 2003, p. 124), pesquisas realizadas no Brasil em 1998 pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE) e pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) revelam que 90% das grandes empresas e 35% das pequenas e microempresas realizaram investimentos ambientais, independentemente de legislação, mas com propósitos de melhoria de competitividade em exportações, de serviços aos clientes, de atendimento às comunidades, de atendimento as organizações não-governamentais e de melhoria da imagem coorporativa. Mas ainda assim, a natureza e seus ciclos naturais são submetidos às leis da racionalidade econômica. (LEITE, 2003, p. 123). A retração dos mercados e ameaça de redução dos lucros em períodos de retração econômica, levam as empresas a desprezar as questões ambientais por estas geralmente (MONTIBELLER, 2007, p. 102). implicarem em custos adicionais. 37 2.5 Análise de Risco Numa situação ideal, os fatores técnicos, organizacionais e humanos de um sistema de trabalho estão em harmonia. Mas se ocorre um acidente ou um quase acidente, a harmonia é abalada. Por este motivo, são necessários medidas que avaliem as situações de risco do negócio para que o planejamento e o projeto dos sistemas de trabalho eliminem ou restrinja as condições de risco. (ALBERTON, 1996, p. 46). Conforme Araujo, 2005, p. 507, risco é a “combinação da probabilidade de ocorrência e das conseqüências de um determinado evento perigoso”. Para Alberton, 1996, pp. 46 - 47: “o risco está associado à probabilidade de perdas durante a realização de uma atividade [...], e todos os elementos de um sistema apresentam potencial de riscos que podem resultar na destruição do próprio sistema”. Não existe risco zero. O que existe é o risco aceitável. (ARAUJO, 2005, p. 507). Por este motivo, inúmeras técnicas foram e vêm sendo desenvolvidas para identificar, analisar e avaliar os focos geradores de anormalidades. (ALBERTON, 1996, p. 47). A análise de risco deve considerar três elementos: riscos (causas geradoras), sujeitos (sobre quem podem incidir os riscos) e os efeitos (dos riscos sobre os sujeitos). (ALBERTON, 1996, pp. 47). Lembrando que o principal objetivo deve consistir em desenvolver uma consciência do risco, de maneira que todos se comportem com sentimento de responsabilidade. (ALBERTON, 1996, pp. 47-48). Isto porque as políticas regulativas e preventivas devem reconhecer a existência de uma pluralidade de racionalidades entre os leigos e os peritos, sendo necessário elaborar diferentes mensagens para cada um destes grupos 38 culturais a fim de se evitar que o sujeito não aja com segurança. [Ou seja, uma mensagem que é levada aos gerentes a respeitos dos riscos não pode ser abordada da mesma forma à equipe operacional, pois o interesse da gerência está voltando ao custo/benefício da política proposta. Já para a equipe operacional, as mudanças que vão impactar no desempenho de suas tarefas diárias, faz-se sendo necessário que fique explicito que a mudança é necessária para aumentar a segurança neste processo]. (GUIVANT, 1998, pp. 8-10). Conforme Alberton (1996, p. 48): Apesar da gerência de riscos não ser ainda uma prática constante nas organizações brasileiras, acredita-se que o gerenciamento de riscos não onera o balanço final das organizações, e as despesas por ele incorridas não podem ser comparadas aos benefícios que a empresa terá, tanto no tocante à otimização de custos de seguros como na maior proteção dos recursos humanos, materiais, financeiros e ambientais. Com o gerenciamento de riscos é possível a otimização dos resultados do próprio desenvolvimento tecnológico, a partir da redução dos riscos apresentados pelas atividades surgidas na moderna sociedade. A seguir serão estudados neste capitulo, métodos que podem ajudar na identificação dos riscos, a montagem de uma matriz de risco assim como o gerenciamento dos riscos e o plano de emergência tanto no aspecto ambiental quanto empresarial e operação de transporte rodoviário de produtos perigosos. 2.5.1 Análise de risco empresarial Atualmente, a gestão de riscos e controles internos nas empresas é uma estratégia utilizada para implementar ou aprimorar os controles internos com base na identificação e mensuração dos riscos empresariais. Existem duas abordagens de mensuração de riscos, a qualitativa e a quantitativa. Em ambas, 39 a mensuração é definida a partir do conhecimento das probabilidades de ocorrência (freqüência) e pelo impacto financeiro (severidade), associadas aos eventos de perdas identificados nos processos das empresas. (PAULO et al, 2006, p. 1). Para Paulo (2006, p. 1) “na abordagem qualitativa, o nível de risco é avaliado a partir da atribuição de critérios de classificação à freqüência e à severidade, enquanto pela abordagem quantitativa o risco é avaliado por modelos probabilísticos”. Uma das técnicas empregadas para avaliação qualitativa de riscos é o processo de auto-avaliação conhecido como Control Self Assessment (CSA), o qual consiste no mapeamento de processos (process mapping) e na aplicação de questionários (check lists) de controles internos. O uso dessas técnicas produz bons resultados na identificação dos riscos que afetam as atividades empresariais, na avaliação dos níveis de exposição e na definição de planos de melhoria. Mas se mostram limitados quando se trata de detectar situações em que os controles implementados estejam aquém do necessário ou para aqueles riscos que não representam um potencial de perda relevante. Por este motivo, as empresas devem considerar os custos e os benefícios associados a cada alternativa de controle. (PAULO et al, 2006, p. 1). Deve-se buscar uma metodologia de mensuração do nível de controle de riscos, a partir da construção de um índice de desempenho de controle, composto pela capacidade de os controles mitigarem os riscos e pela eficácia dos controles implantados. Deste modo possibilita-se ao gestor de riscos identificar para quais riscos é necessária melhoria de controle, quais possuem controles adequados e quais possuem controles em excesso. Para isso, definese uma matriz de desempenho de controle. (PAULO et al, 2006, p. 1). 40 2.5.1.1 Matriz de riscos A mensuração qualitativa de riscos pode ser gerada através de uma matriz, em que o nível de risco é definido pela composição das variáveis de freqüência (probabilidade) e severidade (impacto financeiro), associadas aos eventos de perda (fatores de risco) inerentes ao processo avaliado. A matriz de riscos é uma ferramenta que pode ser empregada na análise de riscos de processos de várias naturezas. (PAULO et al, 2006, p. 1). A tabulação dos riscos em uma matriz permite fácil identificação dos riscos que podem afetar a empresa, tanto em termos de freqüência quanto de severidade. (PAULO et al, 2006, p. 1). A matriz de risco pode ser construída pela composição de pesos atribuídos às variáveis de freqüência e severidade, podendo ser particionada em regiões que caracterizam os níveis de risco avaliados. A definição dessas regiões pode variar em função do perfil de risco do gestor, dos processos avaliados e dos produtos e serviços operacionalizados. (PAULO et al, 2006, p. 1). De modo geral, pode-se considerar que os riscos situados na região de alto risco seriam indicativos de necessidade de controles mais rígidos, enquanto os riscos situados na região de baixo risco seriam um indicativo de controle adequado. Entretanto, essa leitura não pode ser generalizada, pois o nível de risco obtido a partir de uma matriz de risco não está diretamente associado à ausência ou excesso de controles. (PAULO et al, 2006, p. 1). 41 2.5.1.2 Matriz de importância - desempenho Normalmente utilizada para avaliar o desempenho de um produto ou de um processo produtivo, é construída a partir do nível de importância e do nível de desempenho de critérios competitivos associados aos produtos. (PAULO et al, 2006, p. 1). O nível de importância pode ser determinado por meio da classificação dos critérios em qualificadores e ganhadores de pedidos sendo que os níveis qualificadores representam uma determinada pontuação mínima necessária para competir no mercado. Os níveis ganhadores de pedido são aqueles nos quais o cliente se baseia para escolher seus fornecedores. À essas duas classificações podem-se acrescentar os níveis menos importantes que não são nem qualificadores e nem ganhadores de pedidos, não influenciando os clientes de forma significativa. (PAULO et al, 2006, p. 1). O nível de desempenho poderá ser julgado em função de ser melhor, igual ou pior do que o mercado. (PAULO et al, 2006, p. 1). 2.5.2 Análise de risco ambiental Para a análise de risco ambiental deve-se escolher métodos para a avaliação dos impactos ambientais. A maioria dos métodos resulta da evolução de outros já existentes que visam apoiar a avaliação dos impactos de empreendimentos de diferentes naturezas (BRAGA et al, 2005, p. 256). À medida que a avaliação de impactos ambientais passou a ser uma atividade regulamentada pelo poder público, um dos critérios essenciais para a 42 formulação ou a utilização de um método é a definição do que é considerado impacto ambiental. (BRAGA et al, 2005, p. 256). Conforme o Artigo Primeiro da Resolução Conama nº001/86, considerase impacto ambiental qualquer alteração das propriedades físicas, químicas e biológicas do meio ambiente, causada por qualquer forma de matéria ou energia resultante das atividades humanas que afetem a saúde, segurança e o bem estar da população; as atividades sociais e econômicas; a biota; as condições estéticas e sanitárias do meio ambiente e a qualidade dos recursos naturais. (BRAGA et al, 2005 p. 256). Considera-se que um método é mais adequado quanto maior for seu suporte, bem como as atividades e produtos exigidos para execução dos Estudos de Impacto Ambiental (EIA) / Relatório de Impacto Ambiental (Rima). (BRAGA et al, 2005, p. 257). O método escolhido deve atender as condições para a identificação, predição, interpretação, comunicação, monitoramento, relevância e magnitude dos impactos. (BRAGA et al, 2005, p. 257). A seguir serão apresentados os principais métodos para a avaliação dos impactos ambientais. 2.5.2.1 Método Ad Hoc Neste método, reuniões são promovidas com técnicos e cientistas especializados, que tenha conhecimentos teóricos e práticos em setores relacionados ao empreendimento em análise. Podem ser utilizados questionários previamente respondidos por pessoas com interesse no problema. (BRAGA et al, 2005, p. 258). 43 Neste método tem-se como vantagem a rapidez com que se identifica os impactos mais prováveis, além de se apontar a melhor alternativa e indicar se há viabilidade de aplicação, mesmo quando as informações são escassas. Mas tem como desvantagem a vulnerabilidade de tendências particulares de seus coordenadores e participantes. (BRAGA et al, 2005, p. 258). 2.5.2.2 Método das Listagens de Controle Trata-se da evolução do Método Ad Hoc, onde especialistas preparam listas de fatores potencialmente afetáveis pelas ações propostas. (BRAGA et al, 2005, p. 259). Neste método, tem se como vantagem a simplicidade de aplicação devido à pouca exigência quanto às informações. Porém há desvantagem de não permitir projeções ou a identificação de impactos de segunda ordem. (BRAGA et al, 2005, pp. 259 - 260). 2.5.2.2.1 Listagens descritivas Relacionam ações, componentes ambientais e as características que podem ser afetadas pelo impacto ambiental contendo ou não informações sobre as técnicas mais adequadas para a medição e para a previsão dos indicadores selecionados, assim como a ponderação relativa dos impactos. Mas, possui como desvantagem o fato de não permitir comparações de alternativas mediante a quantificação dos impactos. (BRAGA et al, 2005, p. 260). 44 2.5.2.2.2 Listagens comparativas Trata-se da evolução das listas anteriores, mediante a inclusão de critérios de relevância aos indicadores ambientais. Com a sua aplicação é possível estabelecer a ordem de importância que cada impacto introduz sobre determinado componente do ambiente. Mas não revela a ordem de importância no conjunto de impactos. Por exemplo: fica determinado que tal ação tenha efeito muito grave sobre o lençol freático e efeito muito grave sobre o solo, mas não se consegue precisar se o efeito sobre o solo é pior ou não que o efeito sobre o lençol freático. (BRAGA et al, 2005, p. 267). 2.5.2.2.3 Listagens em questionário Trata-se do método que tem por objetivo contornar uma falha dos métodos anteriores, que não levam em conta as interdependências dos impactos. A listagem é subdividida em categorias genéricas para as quais são organizados questionários acompanhados de instruções para seu preenchimento de instruções para seu preenchimento, bem como de classificação do impacto resultante das ações nelas descritas. (BRAGA et al, 2005, p. 267). 2.5.2.2.4 Listagens ponderais Baseia-se na listagem de parâmetros ambientais, nos quais são atribuídos pesos de acordo com a importância do referido parâmetro analisado. Estes parâmetros e seus respectivos pesos são obtidos com auxílio de uma equipe multidisciplinar. (BRAGA et al, 2005, p. 271). 45 A vantagem deste método reside no fato de que é abrangente e seletivo ao mesmo tempo, bem como muito objetivo para comparação de alternativas, além de permitir a previsão da magnitude pelo emprego de escala de valores. Mas, tem por desvantagem a perda de parte das informações em virtude de sua transformação em números, cujos pesos dados aos impactos não dão garantias de que representam a realidade futura. A distribuição dos impactos sobre os segmentos da população não são identificados, e as medidas mitigadoras não são evidenciados. (BRAGA et al, 2005, pp. 274 - 275). 2.5.2.3 Método da Superposição de cartas Método bastante utilizado para escolha do melhor traçado de projetos lineares, como rodovias e dutos, e também para elaboração de diagnósticos ambientais. Consiste na confecção de cartas temáticas relativas aos fatores ambientais potencialmente afetados pela alternativa, tais como tipo de solo, declividade, ente outros. (BRAGA et al, 2005, p. 275). 2.5.2.4 Método das Redes de Interação Surgiu da necessidade de identificar os impactos indiretos, que são os causados pelos resultados do projeto. Por exemplo, o redirecionamento do tráfego. Esses impactos são mais difíceis de serem avaliados, pois são impactos induzidos e por isto dependem de uma previsão com técnicas mais confiáveis que abranjam um número maior de variáveis. (BRAGA et al, 2005, p. 275). 46 A vantagem é de que pela identificação da cadeia causa-condição-efeito, obtém formas mais eficazes de mitigar os impactos. Já como desvantagem, há o fato de abranger apenas os impactos negativos. (BRAGA et al, 2005, p. 275). 2.5.2.5 Método das Matrizes de Interação Trata-se da evolução das listagens de controle, podendo ser considerados listagens de controle bidimensionais, estando dispostos em colunas e linhas os fatores ambientais e as ações decorrentes de um projeto. Desta forma, é possível detectar as potencialmente responsáveis pelo maior número de impactos. (BRAGA et al, 2005, p. 276). A vantagem é que, através dos indicadores, é possível configurar o potencial impacto de cada ação e estabelecer medidas mitigadoras dos impactos adversos, ou amplificadoras, dos impactos benéficos. (BRAGA et al, 2005, p. 276). Tem por desvantagem a dificuldade de fixar critérios de relevância e ponderação dos indicadores ambientais, o que o torna um método vulnerável a risco quanto os métodos anteriores. (BRAGA et al, 2005, p. 276). 2.5.2.6 Método dos Modelos de Simulação Estes são modelos matemáticos que visam representar a estrutura e o funcionamento dos sistemas ambientais o mais próximo da realidade. Têm como base a definição de objetivos, escolha das variáveis e estabelecimento de suas inter-relações, discussão e interpretação dos resultados. (BRAGA et al, 2005, p. 281). 47 Têm a vantagem de serem versáteis na comparação de alternativas, permitirem projeções, comunicação interdisciplinar e incorporar as relações de variáveis. Por outro lado, há a dificuldade de se encontrar os dados requeridos para o desenvolvimento e a calibração do modelo, bem como de freqüentemente necessitar empregar relações simplificadas entre as variáveis intervenientes, além da dificuldade de se incorporar fatores e possibilidade de induzir no processo de decisão. (BRAGA et al, 2005, p. 281). 2.5.2.7 Método da Análise Benefício-custo Trata-se do método que tem por objetivo computar os custos e benefícios de um projeto ou de suas alternativas, visando compará-los e ordená-los por meio da relação do Beneficio-liquido (diferença entre os benefícios e os custos) que lhes correspondem. (BRAGA et al, 2005, p. 281). Conforme Braga (2005, p. 281): “Para a comparação das alternativas [...] deve-se calcular para cada uma delas o valor da expressão abaixo, dando-se preferência aquelas que correspondam os maiores valores.” Ilustração 3 - Expressão - Método Análise Benefício-Custo Fonte: BRAGA et al, 2005, p. 281 Conforme Braga et al (2005, p. 281), os elementos da expressão significam: 48 ∑ é o somatório no período de 0 a T unidades de tempo (exemplo, o ano); Bt e Ct são os valores computados para os benefícios e custos correspondentes à alternativa em analise. 1/ (1+r)t é o fator de atualização a ser aplicado ao BL da data t para transformá-lo no seu valor presente com uma taxa de desconto r. VP é o valor presente da alternativa em analise. A análise Beneficio-custo apresenta avaliação monetária dos bens e serviços gerados e dos bens e serviços comprometidos pelo projeto (custos ambientais). (BRAGA et al, 2005, p. 282). 2.5.2.8 Método da Análise Multiobjetivo Consiste na definição dos objetivos que serão considerados em uma determinada situação decisória. Os objetivos refletem as aspirações do decisor ao atendimento de uma meta. A meta é uma intenção ou um objetivo muito genérico que pode ser atendida pelos atributos. Os atributos permitem avaliar se os objetivos traçados estão sendo alcançados. (BRAGA et al, 2005, p. 282). Dependendo das preferências do decisor e da natureza do problema, a análise multiobjetivo pode ser dividida em três técnicas: as que geram o conjunto de soluções não dominadas, onde são trabalhadas apenas as restrições físicas do problema; as que utilizam uma articulação antecipada das preferências, onde as variáveis de decisão podem ser continuas ou discretas em função do tipo de problema, ou ainda, as que utilizam articulação progressiva das preferências, onde se pergunta ao decisor se o nível de atendimento dos objetivos é satisfatório, e se não for o problema é modificado e resolvido novamente. (BRAGA et al, 2005, p. 285). 49 2.5.2.9 Seleção da Metodologia A seleção deverá feita através do diálogo entre o profissional com formação ambiental, e o especializado nas técnicas envolvidas no desenvolvimento do empreendimento sendo este o melhor caminho para a avaliação do impacto ambiental do negócio. (BRAGA et al, 2005, p. 285). 50 3 Logística e Sustentabilidade no Transporte Rodoviário de Produtos Perigosos Antes do desenvolvimento deste capítulo, faz-se necessário esclarecer que esta monografia não tem por objetivo citar ou discutir a legislação pertinente ao transporte de produtos perigosos, e sim, estudar as práticas aplicadas pelas empresas para a realização deste tipo de transporte no âmbito de discutir se seriam as melhores ou não. Porém em alguns momentos, será necessária a citação de algumas das legislações apenas em caráter explicativo de um ponto a ser abordado. Conforme Araujo, (2007, p. 16), o conceito de produto perigoso “[...] refere-se, de uma forma geral, a substâncias com propriedades físico-químicas que podem causar danos à saúde e ao meio ambiente”. Algumas das propriedades físico-químicas utilizadas para a classificação de um produto como perigoso para o transporte, conforme a ONU, e listada em termos de temperatura, pressão, toxicidade, corrosividade, radioatividade, inflamabilidade, potencial de oxidação, explosividade, reação espontânea, polimerização, decomposição, infectantes, entre outros. (ARAUJO, 2007, p. 16). No Brasil, além dos produtos listados pela ONU, são considerados perigosos para o transporte aqueles listados pela Resolução ANTT 420/04 do Ministério dos Transportes (MT). (ARAUJO, 2007, p. 16). Nota-se que tanto a ONU, quanto a Resolução ANTT 420/04 classificam os produtos como perigosos para o transporte. Este foco no transporte se deve ao fato de que nela se concentram as maiores probabilidades de acidentes, com destaque a casos como no Brasil, a distribuição ocorre através de uma malha rodoviária limitada e mal conservada (ARAUJO, 2007, pp. 16 -17). 51 Este é um grande perigo se for levado em levarmos em conta que o modal rodoviário atende a distribuição de todos os produtos perigosos e, ainda, serve de ponta para os demais modais tais como o hidroviário (que atua principalmente na distribuição de combustíveis na malha São Paulo - Mato Grosso do Sul – Paraná); o ferroviário (também voltado para a distribuição de combustíveis e minérios); os polidutos (que atendem a ligação Paulínia / Brasília para o transporte de combustíveis e a ligação Brasil / Bolívia para o gás natural entre outros). (ARAUJO, 2007, p. 19). É fato que, com a privatização de algumas rodovias, houve uma melhoria nas condições de tráfego pelo fato de ser exigido que as concessionárias disponham de planos emergenciais. (ARAUJO, 2007, p. 19). Porém, devido à insuficiência de atenção dada à alguns fatores de segurança, culmina-se em acidentes. No item a seguir, será abordado um panorama histórico do número de acidentes ocorridos no Brasil e suas principais causas. 3.1 Panorama histórico Com o Decreto-Lei 2.063/83, o Brasil foi considerado o primeiro país da América Latina a criar uma regulamentação para o transporte de produtos perigosos. (ARAUJO, 2007, p. 285). A motivação para a criação deste Decreto-Lei surgiu, segundo Araujo (2007, p. 285), “[...] após o acidente com o transporte de pentaclorofenato de sódio (conhecido popularmente como pó da China), que vitimou seis pessoas no Rio de Janeiro”. 52 No decorrer dos anos, o número de acidentes tem crescido bastante devido ao aumento da quantidade de veículos em circulação. Porém, conforme Araujo, (2007, p. 25): “Não existe uma metodologia uniforme que ofereça dados precisos, gerando grande distorção nos números apresentados com relação aos acidentes”. Ainda conforme Araujo (2007, p. 26), a prova disto são as divergências no número de óbitos apresentados por entidades governamentais e nãogovernamentais, pois variam de 27 mil a 81 mil casos anuais. Um estudo realizado pelo Denatran apontou que: • Acontece um milhão de acidentes por ano no Brasil com 40 mil mortes; • Por dia, 350 pessoas sofrem lesões provenientes de acidentes de trânsito; • Uma em cada duas pessoas já sofreu acidentes de transito; • A maioria das vitimas fatais tem entre 20 e 30 anos de idade; • Estima-se que em torno de 500 mil pessoas perdem a vida por ano em decorrência de acidentes; • Estimam-se custos de R$ 20 bilhões por ano. Outra pesquisa, a do programa Volvo – SENAI com todos os envolvidos na atividade de transporte de cargas no Brasil, teve como resultado, que 62% dos profissionais entrevistados concordam que os fatores relacionados ao comportamento do motorista associado às precárias condições das vias são as principais causas de acidentes. (ARAUJO, 2007, p. 27). O motorista que não recebe treinamento não esta aprende técnicas de direção defensiva que o ajudara a antecipar o perigo, descobrir o que fazer para prevenir o acidente, e agir em tempo real, pois a maioria dos acidentes ocorre porque o motorista mesmo percebendo o perigo, espera que o outro tome a iniciativa. (TECNODATA, 2004, p. 3). 53 Outro fator é a questão do motorista estar em condições físicas e psicológicas para efetuar o transporte de maneira correta, pois os problemas de saúde contribuem para o aumento dos perigos no trânsito. A asma, por exemplo, repercutem no sistema cardiovascular e deteriora a condição geral do motorista. Já a pressão alta, pode influenciar sobre o estado de consciência e reflexos do motorista. (ARAUJO, 2007, pp. 27, 249 e 251). Segundo Araujo (2007, p. 28), “uma pesquisa [...] da Fundacentro (1991) realizada no Estado de São Paulo sobre acidentes de trabalho, revelou que a categoria de motorista foi a mais atingida com 20,27% (739) dos 3.646 casos registrados entre 1997 e 1999”. A pesquisa da Fundacentro indicou que um dos principais agentes causadores de mortes foram os veículos com 36,1% dos casos. As vítimas com registro no INSS eram mais velhas e casadas, já as de não contribuintes eram jovens e solteiras. Os horários de maior incidência dos acidentes foram entre 5h e 7h e, principalmente, nos horários entre 15h e 16h (ARAUJO, 2007, p. 28). A seguir, é apresentada a tabela1 com os acidentes totais ocorridos em quatro estados brasileiros no período entre 1995 e 1998. Tabela 1 - Acidentes Totais UF ANO 1995 1996 1997 1998 Total Bahia 6,112 7, 548 10,321 8,622 32,603 Minas 56,249 49,019 51,494 45,217 201,979 de 16,172 26,858 25,382 24,425 92,837 São Paulo 260,171 175,954 194,862 186,228 817,215 Total 338,704 259,379 282,059 264,492 1,144,634 Gerais Rio Janeiro Fonte: ARAUJO, 2007, p. 28 54 Tabela 2 - Acidentes Totais (2006 a 2008) UF ANO 2006 2007 2008 Total Bahia 16.802 23.479 24.489 64.770 Minas Gerais 52.603 68.835 77.417 198.855 Rio de Janeiro 36.439 37.386 39.295 113.120 São Paulo 191.426 234.743 263.613 689.782 Total 297.270 364.443 404.814 1.066.527 Fonte: MPS, 2008, p. 154, 163, 180 e 189 Tabela 3 - Composição Horizontal QUANTIDADE DE ACIDENTES DO TRABALHO URBANO REGISTRADO Anos Motivo Total Típico Trajeto Doença de Trabalho 1988 991.581 926.354 60.202 5.025 1989 888.443 825.081 58.524 4.838 1990 693.572 632.012 56.343 5.217 1991 632.322 579.362 46.679 6.281 1992 532.514 490.916 33.299 8.299 1993 412.293 374.167 22.709 15.417 1994 388.304 350.210 22.824 15.270 1995 424.137 374.700 28.791 20.646 1996 395.455 325.870 34.696 34.889 1997 421.343 347.482 37.213 36.648 1998 414.341 347.738 36.114 30.489 1999 387.820 326.404 37.513 23.903 2000 363.868 304.963 39.300 19.605 2001 340.251 282.965 38.799 18.487 2002 393.071 323.879 46.881 22.311 Continua 55 QUANTIDADE DE ACIDENTES DO TRABALHO URBANO REGISTRADO Anos Motivo Total Típico Trajeto Doença de Trabalho 2003 399.077 325.577 49.642 23.858 2004 465.700 375.171 60.335 30.194 2005 499.680 398.613 67.971 33.096 2006 512.232 407.426 74.636 30.170 2007 518.415 417.036 79.005 22.374 2008 545.268 438.536 88.156 18.576 Fonte: MPS, 2008, p. 128. Nota-se que o número de acidentes total caiu dos aproximados 339 mil em 1995, para um pouco mais de 264 mil em 1998. (Araujo, 2007, p.28). Porém voltou a crescer chegando a quase 405 mil em 2008 conforme soma dos dados divulgados pelo Ministério da Previdência Social (MPS). Porém, houve um aumento nos acidentes de trajeto e naqueles causados por doenças de trabalho em relação ao conjunto total de acidentes. (MPS, 2008, p 128) Conforme o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE, 2007), o adicional de periculosidade por segmento de transporte em São Paulo, é de 31,5% no transporte rodoviário de cargas, e de 38% para o transporte de carga perigosa. Cabe observar uma melhoria, visto que em 1996, o adicional era de 82%. Vale lembrar que o transporte rodoviário de produtos perigosos tem seu potencial de risco aumentado devido à situação da malha rodoviária ser precária. Conforme Araujo, (2007, p. 273) “A estabilidade de um veículo depende do contato entre os pneus e o solo. À medida que a velocidade aumenta, esse contato diminui, e são menores ainda nos casos em que há 56 chuva, pisos irregulares, derramamento de óleos e outros materiais na estrada”. Por este motivo é fundamental o aprimoramento das atividades preventivas, que envolve treinamento dos motoristas, o aumento da fiscalização e uma atuação mais responsável dos setores empresariais envolvidos com a produção e transporte de produtos perigosos. (ARAUJO, 2007, p. 29). O primeiro passo para o aprimoramento das atividades preventivas é o estabelecimento de medidas que identifiquem e gerenciem os riscos inerentes às atividades. No próximo capítulo será abordada a questão da análise de risco e sua importância na prevenção de acidentes e as medidas necessárias para se diminuir o impacto, caso ocorra acidentes. (ARAUJO, 2007, p. 29). 3.2 Legislação Conforme relatado anteriormente no Brasil após o acidente com o transporte de pentaclorofenato de sódio (pó da China que vitimou seis pessoas no Rio de Janeiro) foi criado o Decreto-Lei 2.063/83, regulamentado pelo Decreto 88.821/83, para disciplinar o transporte de produtos perigosos no país. Porém, devido a dificuldades na sua implementação houve a necessidade de revisão do decreto, sendo aprovado o Decreto 96.044/88 (ainda em vigor) e complementado por diversas portarias. (ARAUJO, 2007, p. 285) Com o MERCOSUL, houve a necessidade de elaborar documentos comuns. Foi criado então o Acordo de Alcance Parcial para a Facilitação do Transporte de Produtos Perigosos do MERCOSUL regulamentado pelo Decreto 1.797/96. (ARAUJO, 2007, p. 285) em 30/12/94, 57 Na criação da ANTT (Agencia Nacional dos Transportes) ficou determinado que esta estabelecesse padrões e normas técnicas complementares relativas às operações de transporte terrestre de produtos perigosos. Desta forma, a Portaria MT 204/97 e demais Portarias que inseriam retificações/alterações foram substituídas pela Resolução ANTT 420 – Instruções Complementares ao Regulamento do Transporte de Produtos Perigosos. (ARAUJO, 2007, p. 286-287) A seguir serão transcritas partes dos Decretos, Portarias, Resoluções, e Normas Regulamentadoras (NBRs) pertinentes ao transporte do produtos perigosos. 3.2.1 Decreto 93.044/88 O Decreto 93.044/88 sancionado pelo presidente da republica aprova o Regulamento para o Transporte Rodoviário de Produtos Perigosos e dá outras providências. No Art. 1º Fica aprovado o Regulamento para o Transporte Rodoviário de Produtos Perigosos. No Art. 3º O Ministro de Estado dos Transportes expedirá, mediante portaria, os atos complementares e as modificações de caráter técnico que se façam necessários para a permanente atualização do Regulamento e obtenção de níveis adequados de segurança nesse tipo de transporte de carga. 58 3.2.2 Portaria n° 204 de 20/05/1997 Na portaria n°204/97, o Ministro de Estado dos Transportes concede os seguintes prazos para entrada em vigor das disposições referentes aos padrões de desempenho fixados para embalagens: a) três anos para embalagens novas; e b) cinco anos para embalagens já produzidas, ou que venham a sê-lo no prazo previsto na alínea anterior, e passíveis de reutilização. No parágrafo III - Conceder prazo de dois anos, contados da data de aprovação pelo Conselho Nacional de Trânsito, para entrada em vigor do programa de reciclagem periódica para condutores de veículos automotores utilizados no transporte de produtos perigosos. 3.2.3 Resolução nº 420, de 12 de fevereiro de 2004 A Resolução n° 420/04 aprova as Instruções Complementares ao Regulamento do Transporte Terrestre de Produtos Perigosos. A Diretoria da Agência Nacional de Transportes Terrestres - ANTT, no uso de suas atribuições legais, através da Lei nº 10.233, de 5 de junho de 2001, no art. 22, inciso VII, estabelece que “constitui esfera de atuação da ANTT o transporte de produtos perigosos em rodovias e ferrovias”. Considerando a necessidade de atualização das instruções complementares ao regulamento do transporte terrestre de produtos perigosos, tendo em vista a evolução técnica das normas e padrões praticados internacionalmente com base nas recomendações emanadas do Comitê de Peritos das Nações Unidas, no qual o Brasil integra como representante oficial; 59 Considerando a atribuição do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial - Inmetro de regulamentar e acompanhar os programas de avaliação da conformidade e fiscalização de embalagens, embalagens grandes, contentores intermediários para granéis (IBCs) e tanques portáteis. Aprova as Instruções Complementares ao Regulamento do Transporte Terrestre de Produtos Perigosos. Determina o prazo de 8 (oito) meses, contados a partir da vigência desta Resolução, para exigência do cumprimento das disposições referentes à identificação das unidades de transporte, unidades de carga e dos volumes, alteradas por esta Resolução. Determina à Superintendência de Logística e Transporte Multimodal SULOG que adote as providências para estabelecer Convênios de Cooperação, visando promover a fiscalização nos termos da presente Resolução. Esta Resolução substituiu as Portarias do Ministério dos Transportes de nº 261, de 11 de abril de 1989, de nº 204, de 20 de maio de 1997, de nº 409, de 12 de setembro de 1997, de nº 101, de 30 de março de 1998, de nº 402, de 09 de setembro de 1998, de nº 490, de 16 de novembro de 1998, de nº 342, de 11 de outubro de 2000, de nº 170, de 09 de maio de 2001 e de nº 254, de 10 de julho de 2001. 60 3.2.4 Resolução CONTRAN/MJ 91 de 04/05/1999 Dispõe sobre os Cursos de Treinamento Específico e Complementar para Condutores de Veículos Rodoviários Transportadores de Produtos Perigosos. Estabelecer as Normas Gerais dos Cursos de Treinamento Específico e Complementar para Condutores de Veículos Rodoviários Transportadores de Produtos Perigosos destinados ao condutor que deseja habilitar-se a conduzir veículos para transportar produtos perigosos ou para a renovação do seu certificado do curso de Treinamento Específico. Os Cursos mencionados serão ministrados por: a) órgão ou entidade executivo rodoviário da União ou instituições vinculadas ao Sistema Nacional de Formação de Mão-de-Obra nas modalidades de ensino a distância e/ou de ensino regular; e b) estabelecimentos ou empresas legalmente instalados na forma da legislação local e cujo funcionamento tenha sido autorizado pelo órgão ou entidade executivo de trânsito do Estado ou do Distrito Federal, apenas na modalidade de ensino regular. b) As instituições, em funcionamento, vinculadas ao Sistema Nacional de Formação de Mão-de-Obra ou empresas e os estabelecimentos autorizados pelo órgão ou entidade executivo de trânsito do Estado ou do Distrito Federal deverão ser recadastrados até 1o de outubro de 1999, com posterior renovação a cada dois anos. O condutor comprovará a participação em Curso de Treinamento Específico para Transporte de Produtos Perigosos mediante Certificado atualizado. 61 3.2.5 Resolução nº 701, de 25 de agosto de 2004 A Resolução dá nova redação aos itens das Instruções Complementares ao Regulamento do Transporte Terrestre de Produtos Perigosos, relacionados no Anexo a esta Resolução. Art. 2º Determinar o prazo de 90 (noventa) dias, contados a partir da publicação desta Resolução, para o cumprimento das disposições constantes do item 5.4.1.1 de a) a d), referentes às informações exigidas na documentação de transporte. 3.2.6 Resolução nº 1.644, de 26 de setembro de 2006 A Resolução n° 1.644/06 altera o Anexo à Resolução nº 420, de 12 de fevereiro de 2004, que aprova as Instruções Complementares ao Regulamento do Transporte Terrestre de Produtos Perigosos. A Diretoria da Agência Nacional de Transportes Terrestres - ANTT, considerando a necessidade de ajustes decorrentes da aplicação das disposições da Resolução nº 420, de 2004, e as atualizações derivadas da evolução tecnológica de aspectos relacionados ao transporte de produtos perigosos, constantes da 12ª edição das Recomendações para o Transporte de Produtos Perigosos das Nações Unidas. 62 3.2.7 NBR 7500/02 Segundo a ABNT (2002), a NBR 7500/02 define embalagem, painel de segurança, rótulo, rótulo de risco, rótulo de segurança e símbolo. Estabelece as cores utilizadas no transporte de produtos perigosos, os rótulos de risco, de manuseio e especiais. O destaque fica para a melhor definição de rótulo de segurança, como sendo o local onde contam a identificação do produto, as informações primárias de manuseio, armazenamento, transporte e descarte. Inclui o número de risco, o número da ONU e o nome apropriado para embarque. Para a rotulagem das embalagens, o idioma a ser usado é o oficial do Brasil. A partir de 02/11/00, nos rótulos de segurança das embalagens externas deverá haver um retângulo na parte inferior do rótulo de segurança, contendo o número de risco na parte superior e o número ONU na parte inferior, em uma área mínima de 3% do rótulo de segurança. Os painéis de segurança devem ser na cor alaranjada, sendo que podem ser refletivos ou não, e os números de risco e da ONU devem ser indeléveis, ou seja, não removíveis, na cor preta. Agora, são permitidos números adesivos, desde que atendidos aos padrões de algarismos previsto na norma, bem como o posicionamento de cada um deles. Portanto, sejam muito rigorosos em relação à qualidade do adesivo e da cola, pois, caso haja possibilidade de retirar o adesivo sem destruí-lo, será considerado descumprimento à norma. Não é permitido aplicar algarismo sobre algarismo. Também deixou de ser obrigatória a pintura preta no verso dos painéis de segurança e rótulos de risco removíveis. Agora, apenas não é permitida a utilização dos versos para indicar produtos ou classes diferentes do indicado na frente. O verso somente poderá ser na cor alaranjada quando forem transportados diversos produtos perigosos no mesmo veículo. Nos demais 63 casos, podem ser de qualquer outra cor, inclusive do material utilizado na confecção (tais como madeira, ferro, alumínio, vinil, etc). 3.2.8 NBR 7503 Segundo a ABNT (2002), a NBR 7503, estabelece o novo modelo de ficha, sem figuras e rótulo de risco. Deve ter uma faixa vertical vermelha, de 5mm em cada lateral, distante entre si de, no mínimo, 188 mm e altura mínima de 250 mm. O papel deve ser branco, de tamanho A4 (210 X 297 mm), com gramatura entre 75 e 90 g/m2. Toda impressão deve ser preta, com exceção da tarja. Apesar de não ser obrigatória, pode-se utilizar a ficha de emergência para produtos não perigosos, sendo que nestes casos, a tarja deverá ser de cor verde. As principais novidades são a inclusão dos campos EPI e Nome do fabricante ou importador. Neste último, caso o expedidor seja também o fabricante ou importador, não há a necessidade de ser preenchido. 3.2.9 NBR 7504 Segundo a ABNT (2002), a NBR 7503 alterou o tipo de papel de Kraft puro para Kraft, com gramatura mínima de 90 g/m2. Na área "A" o segundo texto passou a ser: "Em caso de emergência, estacione, se possível em área vazia, avise à Polícia (190), aos Bombeiros (193) e ao (s) telefone(s) de emergência Nº ___________________". Na área "D", a terceira frase passou a ser " - eliminar ou manter afastadas todas as fontes de ignição". 64 Cabe lembrar que a ficha de emergência deve estar dentro do envelope e não grampeada a ele. 3.2.10 NBR 8285 Segundo a ABNT (2002), a NBR 8285 estabelece o preenchimento do novo modelo de ficha de emergência, campo a campo, que não mais possuem altura definida. As informações previstas como obrigatórias são as mínimas possíveis, podendo ser complementadas com outras julgadas necessárias. Podem ser informados telefones de órgãos de informações centralizadas, tais como Pró Química/ABIQUIM. Entretanto, DEVEM ser mencionados os telefones de emergências das corporações dos bombeiros e dos órgãos de policiamento de trânsito, da defesa civil e do meio ambiente, ao longo do itinerário. O verso da ficha de emergência somente pode ser utilizado para este fim e não para conter informações. O campo EPI deve apresentar a relação de equipamentos necessários para o atendimento emergencial, e não para o transporte, previsto pela NBR 9734 da ABNT. 3.2.11 NBR 8286 Segundo a ABNT (2002), a NBR 8286, apresenta a definição de compartimento, embalagem confiada ao transporte, etiqueta, tanque compartimentado, tanque de carga, unidade de acondicionamento e unidade de transporte. 65 Estabelece que os painéis de segurança e rótulos de risco não utilizados para identificação do produto no veículo, devem estar agrupados e fixados de maneira a não estar visível durante o transporte e não se espalharem em caso de acidente, a fim de não confundir que estiver atendendo a emergência. As unidades de transporte vazias e não descontaminadas estão sujeitas às mesmas prescrições que os veículos carregados. Para as embalagens, quando não puder portar diretamente o rótulo de risco, ele deve ser aposto em uma etiqueta. As embalagens vazias que tenham contido produtos perigosos estão sujeitas às mesmas prescrições que as embalagens cheias, até que tenham sido expurgadas de qualquer resíduo do seu interior. 3.2.12 NBR 9734 Segundo a ABNT (2002), a NBR 9734 estabelece os equipamentos para o motorista e ajudantes (caso haja), que devem receber treinamento para a utilização correta. São previstos 21 grupos diferentes e uma listagem de produtos perigosos, conforme a Portaria Nº 204/97 do Ministério dos Transportes, relacionado-as a cada um dos grupos. Muito embora agora também seja prevista para o transporte de produtos explosivos e radioativos, caso haja alguma norma específica a um ou a grupos de produtos, não será aplicada. Para os produtos perigosos não listados e não pertencentes à classe 1 (explosivos - Grupo 21) devem ser utilizados EPI básico - luva e capacete de boa resistência e compatível com o produto transportado - e máscara com filtro compatível com o produto. 66 3.2.13 NBR 9735 Segundo a ABNT (2002), a NBR 9735, os materiais de fabricação dos componentes do conjunto para situações de emergência devem ser compatíveis e apropriados aos produtos transportados e de material antifaiscante, em se tratando de produtos cujo risco principal ou subsidiário seja inflamável. De modo geral, além dos extintores de incêndio previsto pela NBR 12712 e 13095, os equipamentos obrigatórios são: a) dois calços com as seguintes dimensões mínimas: 150 x 200 x 150 mm. b) jogo de ferramentas adequado para reparos em situações de emergência durante a viagem, sendo que não foram especificados quais são as ferramentas, pois variam em função do tipo do veículo, do equipamento de transporte e parafusos utilizados. c) dispositivos para sinalização/isolamento da área: - 50 m de fita ou corda para isolamento da área do acidente e da via; a corda deve ter um diâmetro mínimo de 5 mm e a fita uma largura mínima de 70 mm - material para advertência composto de quatro placas autoportantes com dimensões mínimas de 340 mm x 470 mm, com a inscrição "PERIGO AFASTE-SE", com seis dispositivos (podendo ser: tripés, ou cones, ou cavaletes) para sustentação da corda ou fita para caminhões, caminhão trator com semi-reboque, caminhão com reboque ou outras combinações de veículos, ou quatro dispositivos para demais veículos, para sinalizar os quatro lados do veículo; - quatro cones para sinalização. d) dispositivos complementares: 67 - uma lanterna comum de no mínimo duas pilhas médias, sendo que, para produtos a granel cujo risco principal ou subsidiário seja inflamável, a lanterna deve ser a prova de explosão. Os veículos que transportam carga líquida embalada, além dos equipamentos citados acima, podem portar dispositivos para contenção, tais como martelo e cones (batoques) diversos de material não-metálico, almofadas e tirantes para fixação da almofada. Existem ainda, equipamentos específicos para o transporte de óxido de eteno e ácido clorídrico. O transportador deve propiciar o treinamento adequado a todo seu pessoal, para utilização do conjunto para situações de emergência, bem como devem ser bem acondicionados/fixados e localizados em lugar de fácil acesso. 3.2.14 NBR 14064 Segundo a ABNT (2002), a NBR 14064, todas as entidades que participam, direta ou indiretamente, do atendimento a emergências geradas pelo transporte de produtos perigosos, tem as seguintes atribuições: Treinar periodicamente suas equipes de atendimento, de forma individual e/ou integrada com outros órgãos; Manter sistemas de plantão permanente para o atendimento as emergências; Independentemente do acionamento e mobilização de outros órgãos, a primeira entidade presente no local do acidente deve adotar medidas iniciais para controle da situação, tais como: • Avaliação preliminar da ocorrência; • Sinalização do local; • Identificação do(s) produto(s) envolvido(s); 68 • Socorro as vitima; • Acionamento de outras entidades. 3.2.14.1 Alteração das NBR sobre transporte de produtos perigosos Segundo a ABNT (2002), a NBR 14064 a atribuição específica do transportador é: • Fornecer equipamentos e mão-de-obra para a solução do problema apresentado, tanto do ponto de vista de segurança, como ambiental e trânsito/ferrovia; • Providenciar a neutralização, remoção ou disposição dos eventuais produtos ou resíduos envolvidos na ocorrência, de acordo com a orientação e supervisão do órgão do meio ambiente e fabricante do produto; • Operacionalizar a transferência de cargas quando necessário, providenciando os recursos indispensáveis para tal, em concordância com o fabricante, expedidor e/ou destinatário da carga; • Fornecer as informações necessárias aos órgãos envolvidos, quanto às características, riscos e precauções com relação ao(s) produto(s), visando propiciar condições seguras e adequadas no manuseio, estivagem e transferência da carga; • Operacionalizar a remoção da unidade de transporte, em concordância com os representantes dos órgãos de transito/ferrovia, corpo de bombeiros e órgãos de meio ambiente. 69 NOTA- podem ser mantidos acordos de cooperação entre empresas de transporte ou empresas especializadas para auxilio no atendimento as emergências. 3.2.14.2 Atribuições específicas do fabricante, expedidor ou destinatário Segundo a ABNT (2002), a NBR 14064: • Apoiar no fornecimento de equipamentos e mão-de-obra para a solução do problema apresentado, tanto do ponto de vista de segurança, como ambiental e de transito/ferrovia; • Providencia a neutralização, remoção ou disposição dos eventuais produtos ou resíduos envolvidos na ocorrência, de acordo com a orientação e supervisão do órgão do meio ambiente e fabricante do produto; • Operacionalizar a transferência de cargas quando necessário, providenciando os recursos indispensáveis para tal, em concordância com o transportador • Fornecer as informações necessárias aos órgãos envolvidos, quanto as características, riscos precauções com relação ao(s) produto(s), visando propiciar condições seguras e adequadas no manuseio, estivagem e transferência da carga; • Apoiar o transportador na operacionalização da remoção da unidade de transporte em concordância com os representantes dos órgãos de transito ou da ferrovia, corpo de bombeiros e órgãos do meio ambiente. NOTA- podem ser mantidos acordos de cooperação entre empresas especializadas para auxilio no atendimento a emergências. 70 3.3 Sustentabilidade na atividade de transporte de produtos perigosos O transporte que tem como referencia a sustentabilidade ambiental implica na adoção de princípios de preservação dos recursos naturais, no alcance de níveis e padrões adequados à qualidade do ar, das águas e do solo, na preservação de acidentes e na precaução no atendimento as emergências. (ARAUJO, 2007, pp. 55-61) A exceção do acidente, a sustentabilidade ambiental relacionada ao transporte terrestre esta inserida no planejamento territorial e conseqüente implantação de infra-estrutura viária; na redução e controle de emissões veiculares; na preferência ao transporte coletivo nas áreas urbanas; no uso de fontes alternativas mais limpas, dentre outros. (ARAUJO, 2007, pp. 55-61) 3.4 Análise de risco no transporte de produtos perigosos No Brasil cerca de 70% das cargas consideradas perigosas são transportadas via modal rodoviário, o que aumenta a probabilidade de acidentes nas estradas envolvendo este tipo de produtos. Cabe destacar que em 2004, a quantidade de acidentes de trânsito aparecia como o segundo maior problema de saúde pública no país, perdendo apenas para a desnutrição. (ALVES et al, 2002, pp. 1-2). Conforme ALVES et al, 2002, p. 2: Os acidentes envolvendo o transporte rodoviário de produtos perigosos apresentam sérios impactos ao meio ambiente devido às propriedades químicas presentes nos materiais transportados, como a inflamabilidade, toxicidade, corrosividade entre outros. [...] representam sérios riscos tanto no que diz respeito à segurança como 71 na saúde da população, assim como compromete a sustentabilidade ambiental das áreas impactadas. Infelizmente, no que tange o aspecto acidente com produtos perigosos, a evolução para a gerência de riscos é resultado do aprendizado após a ocorrência de acidentes catastróficos, tornando-se fundamental para a avaliação dos riscos com base nos requisitos da legislação ambiental e de segurança. (ARAUJO, 2005, p. 507). Desta forma, para Araujo, (2005, p. 507): Foram estabelecidos elementos chaves para implementação de uma gestão segura de produtos perigosos: o Planejamento, identificação e avaliação dos riscos; Implementação de controles operacionais preventivos; Plano de Emergência e Contingência; e, Limpeza e recuperação de área impactada. 72 4 Estudo de Caso Uma realidade para qualquer tipo de organização brasileira é a preocupação constante com o custo. Não serão considerados aspectos tais como se a carga tributária é alta, se há concorrência desleal de produtos importados, se há erros de gestão, entre outros. A questão é que pontos como planejamento, certificações, controle de qualidade ainda são considerados custos pelo empresariado, e só não são cortados do orçamento da organização devido à pressão dos clientes. As transportadoras rodoviárias de produtos perigosos interpretam que a análise de risco se restringe ao cumprimento do especificado na FISPQ (Ficha de Informação e Segurança de Produto Químico) e da legislação pertinente não sendo necessária análise das suas atividades como complemento, ou ainda por exigência dos clientes. O exemplo clássico de exigência de seus clientes é que, quando estes possuem certificados como o da ISO14001 e para manter a certificação, passam a exigir de seus fornecedores e parceiros, práticas ambientalmente corretas no desenvolvimento de suas atividades, ou ainda que possuam certificados como ISO14001 ou SASSMAQ. A posse do certificado muitas vezes é o suficiente para o cliente, não sendo necessário, por exemplo, que o fornecedor responda questionário sobre destinação de resíduos, análise de risco, dentre outros. Mas mesmo certificadas algumas empresas só cumprem o que são obrigadas a fazer. A afirmação parece contraditória, pois como uma empresa que possui SASSMAQ onde se acredita que tenha um excelente desempenho nas áreas de segurança, saúde, meio ambiente e qualidade das empresas que prestam 73 serviços à indústrias químicas, estando comprovadamente qualificada para execução de serviços logísticos pode não se preocupar com a análise de risco e não enxergar seus benefícios para a empresa como um todo? Neste ponto, quanto à relevância da análise de risco para as empresas transportadoras de produtos perigosos, foram levantadas duas hipóteses: Hipótese 1) Será que a empresa não buscou ferramentas para mensurar os benefícios por não acreditar que haja retorno para este gasto interpretandoo como custo e não como investimento, fazendo-o apenas para não perder clientes e cumprindo apenas o exigido para a Certificação? Ou ainda, foram utilizadas ferramentas, mas de forma inadequada, que gerou resultados inadequados ou insatisfatórios? Trata-se de um problema cultural? Hipótese 2) Será que se estas empresas se preocupassem não só com o ganhar dinheiro e não perdê-lo através das multas e sim com a sustentabilidade de seus negócios através de uma analise de risco mais detalhada e não só a inerente a sua atividade, será que esta empresa comprovadamente teria um ganho maior do que uma empresa que apenas cumpre o básico para não estar fora da lei? Ou será que o retorno financeiro é tão pequeno que não compensa o investimento em uma análise de risco mais detalhada? Para auxiliar na busca da resposta às estas questões, antes de apresentar um estudo de caso único da empresa S Logística de Cargas, faz-se necessário estabelecer o que é e quais exigências são feitas as organizações para que obtenham certificações ISO14001, ISO 31000 e SASSMAQ. 74 4.1 ISO14001 Devido ao aumento da procura pelo mercado, tanto nacional como o internacional, por produtos e serviços que respeitem o meio ambiente, é cada vez mais comum a decisão de se implementar um SGA – Sistema de Gestão Ambiental. (ARAUJO, 2007, p. 162). O SGA é um processo onde as organizações definem seus objetivos e metas com relação ao meio ambiente, à saúde se seus empregados, fornecedores, clientes e comunidade, continuamente, no intuito de mostrar que envolve diretamente questões estratégicas da empresa. (SEIFFERT, 2002, p. 41) A norma ISO 14001 é a única da série que permite a certificação por terceiros de um Sistema de Gestão Ambiental, sendo a única cujo conteúdo é auditado na forma de requisitos obrigatórios de um SGA. A ISO 14004 embora seja uma norma que visa a orientação, de caráter não certificável, fornece importantes informações para a implantação dos requisitos da ISO 14001. (SEIFFERT, 2002, p. 49) O Sistema de Gestão Ambiental (SGA-ISO 14001) tem entre seus elementos integrantes uma política ambiental, o estabelecimento de objetivos e metas, o monitoramento e medição de sua eficácia, a correção de problemas associados à implantação do sistema, além de sua análise e revisão como forma de aperfeiçoá-lo, melhorando desta forma o desempenho ambiental geral (SEIFFERT, 2002, p. 51-52) A idéia de aperfeiçoamento é central para a questão ambiental. Assim, o sistema de gestão ambiental apresenta-se como um processo estruturado que possibilita a melhoria contínua, num ritmo estabelecido pela organização de acordo com suas circunstâncias, inclusive econômicas (SEIFFERT, 2002, p. 52) 75 As possibilidades oferecidas por configurações de implantação de SGA’s adaptáveis, vão ao encontro das necessidades das organizações, principalmente em virtude das incertezas de mercado que as assolam atualmente. (SEIFFERT, 2002, p. 52) Porém, deve-se salientar que para que sejam atingidos os objetivos de qualidade ambiental, o sistema de gestão ambiental deve estimular as organizações a considerar a adoção de tecnologias disponíveis, levando em consideração a relação benefício/custo das mesmas (SEIFFERT, 2002, p. 52) Cada vez mais, existe uma tendência mundial de buscar-se a melhoria no processo de gestão ambiental. Para muitas empresas pró-ativas, a gestão ambiental tornou-se uma questão estratégica, e não uma questão de atendimento a exigências legais. (SEIFFERT, 2002, p. 53) 4.1.1 Princípios de um Sistema de Gestão Ambiental Conforme a obra de Seiffert (2002, pp. 53-54), os princípios de um sistema de gestão ambiental são: • Comprometimento e política – comprometimento da alta administração e o estabelecimento de uma política ambiental; • Planejamento – formulação de um plano para o cumprimento da política ambiental, através da identificação de aspectos ambientais e avaliação dos impactos ambientais, caracterização dos requisitos legais envolvidos, definição de critérios internos de desempenho, estabelecimento de objetivos e metas ambientais e um programa de gestão ambiental; • Implantação – criação e capacitação de mecanismos de apoio à política, objetivos e metas ambientais. Isto se dá através da 76 capacitação e de recursos humanos, físicos e financeiros, da harmonização do sistema de gestão ambiental, do estabelecimento de responsabilidade técnica e pessoal, da conscientização ambiental e motivação, do desenvolvimento de conhecimentos, habilidades e atitudes. Além de ações que apóiem comunicação e relato, deve-se dispor de documentação do sistema de gestão ambiental, controle operacional, preparação e atendimento de emergências; • Medição desempenho e avaliação ambiental, – que medição e possibilitam monitoramento ações corretivas do e preventivas e de registro do sistema de gestão ambiental e gestão da informação; • Análise crítica e melhoria contínua - modificação do sistema com objetivo de alcançar a melhoria contínua de seu desempenho, através de sua análise crítica. A norma ISO 14.001 possui como características: 1. Pró-atividade: seu foco reside na ação e no pensamento pró-ativo, em lugar de reação a comandos e políticas de controle do passado. 2. Abrangência: tem por objetivo envolver todos os membros da organização na proteção ambiental, sejam eles clientes, funcionários, acionistas, fornecedores e sociedade. Pode ser utilizada por qualquer tipo de organização, industrial ou de serviço, independente de porte ou ramo de atividade. A ISO 14.001 não estabelece padrões de desempenho ambientais absolutos. Os princípios enunciados possibilitam o estabelecimento de uma visão integrada da gestão ambiental numa organização, embora seus enunciados apresentem um caráter amplo, eles possibilitam o embasamento de linhas de ação integradas, as quais levam a operacionalização do sistema de gestão ambiental. (SEIFFERT, 2002, pp. 53-54), 77 4.1.2 Importância estratégica da gestão ambiental para as empresas As empresas, notadamente consideradas pela sociedade como sendo as principais responsáveis pela poluição, tornaram-se vulneráveis a ações legais, a boicotes e recusas por parte dos consumidores, que hoje consideram a qualidade ambiental como uma de suas necessidades principais a serem atendidas (SEIFFERT, 2002, pp. 53-54). Desta forma, empresas que demonstram um cuidado ambiental têm uma boa imagem perante os clientes. E, além disto, por sua abrangência, a ISO14001 cobra das empresas certificadas o envolvimento de todos os membros da organização, inclusive fornecedores e parceiros. Com isto a empresa certificada ISO cobra de seus fornecedores e parceiros uma postura pro meio ambiente. (SEIFFERT, 2002, pp. 53-54). 4.2 ISO 31000 A ISO 31000 é a recém lançada norma de Gestão de Risco. Foi publicada em novembro de 2009 pela ABNT. Seu objetivo é fornecer princípios e diretrizes para a implementação eficaz da Gestão de Risco nas organizações alinhada com a visão integrada de ERM – Enterprise Risk Management. (CAMPOS, 2009, p. 1). 4.2.1 Gestão de Risco Em tempos atuais, onde as crises são recorrentes e seus impactos atingem a todos devido ao atual mundo globalizado, a gestão de riscos 78 conforme Campos (2009, p. 2): “tornou-se ainda mais necessária para as empresas que se preocupam com a sustentabilidade e a perenidade de seus negócios.” Porém a falta de consenso quanto à terminologia e aos conceitos na gestão de risco faz com que as empresas a trate de forma isolada, sendo encarada de forma diferente por cada área da empresa e não de forma integrada, pois a não integração gera incertezas que podem afetar os seus objetivos. (CAMPOS, 2009, p. 1). A busca por este consenso culminou com o desenvolvimento de uma norma que busca dar diretrizes para a implementação de gestão de risco em organizações de qualquer tipo, tamanho ou área de atuação podendo ser aplicada nos vários setores da empresa (Campos, 2009, p. 1) 4.2.2 A Importância da Gestão de Risco A pergunta principal é, porque além das ISOs 9000 e 14000 a empresa deveria se preocupar em ser certificada em mais esta norma? Que tipo de beneficio esta norma pode trazer? Evitar o impacto financeiro negativo para a organização. Um exemplo disto é o caso da Toyota que teve que fazer um recall devido a problemas no acelerador do veículo que poderia ficar preso. Isto demonstraria um clássico modelo de corte agressivo de custos onde se introduz riscos adicionais a empresa sem o devido manejamento. Como conseqüência há uma séria degradação da imagem, pois o consumidor terá dúvidas quanto à qualidade de seus produtos. (CICCO, 2010, p. 1). 79 Além disto, a avaliação de risco permite que se faça análise não só das possibilidades de perdas como também das possibilidades de ganho, o chamado risco positivo. (CICCO, 2010, p. 1). Ainda conforme Cicco (2010, p. 1), As ferramentas de gestão de risco usadas para evitar ou mitigar as perdas podem ser associadas para se chegar ao risco de ganho. No artigo Gestão de Risco Operacionais “Positivos” a busca pela Maximização de Ganhos em adição à Prevenção de Perdas, a Elo Group (2007, p. 3) apresenta que o ser humano tem dificuldades em se concentrar ao mesmo tempo em ameaças e oportunidades. Como prova disto, a Elo Group, indica a análise SWOT, onde as identificações de oportunidade e de ameaça são feitas separadamente. A esta dificuldade eles denominaram mind-set. E, além disto, o ser humano atribui maior importância ao risco de perda do que a um ganho não aproveitado. Desta maneira as empresas buscam ferramentas de gestão para as suas incertezas focando-se nas perdas em detrimento aos ganhos. Esta incapacidade de se enxergar os ganhos dá-se o nome de miopia organizacional. (ELO GROUP, 2007, pp. 3-4) Para evitar esta situação de miopia organizacional, o Elo group ensina: “Ao invés de apenas perguntar “o que pode dar errado?”, pergunte “o que pode dar mais certo do que ocorre hoje?””. (ELO GROUP, 2007, p. 4) 4.3 SASSMAQ O Sistema de Avaliação de Segurança, Saúde, Meio Ambiente e Qualidade (SASSMAQ) é um sistema de avaliação e certificação idealizado pela Abiquim (Associação Brasileira da Indústria Química) cujo objetivo é a redução continua dos riscos envolvidos nas operações de transporte e distribuição dos produtos químicos. (ARAUJO, 2007, p. 165). 80 Conforme a Abiquim (2010): “O Sassmaq possibilita uma avaliação do desempenho nas áreas de segurança, saúde, meio ambiente e qualidade das empresas que prestam serviços à indústria química.” A Abiquim recomenda aos seus associados (indústria química) a utilização de parceiros e prestadores de serviços (como as transportadoras de carga perigosa) a fim de melhorar o padrão de segurança, saúde, meio ambiente e qualidade em toda a cadeia produtiva. Sendo que em 1994, a Abiquim lançou a “Sistemática de Avaliação de Transportadoras, realizando desde então, diversos cursos para associados, profissionais especializados e empresas envolvidas no processo. (ARAUJO, 2007, p. 166) Inicialmente a Abiquim treinava profissionais para realizar as auditorias de avaliação nas transportadoras, porém devido a uma reestruturação do setor que reduziu os profissionais especializados na área de avaliação, o preenchimento do cadastro e do questionário de avaliação passou a ser feito por profissionais não treinados pela Abiquim. (ARAUJO, 2007, p. 166). Desde então, para conferir maior credibilidade, a avaliação das empresas é feita por organismos certificadores credenciados pela Abiquim. São avaliados os “elementos centrais”, compostos pelos aspectos administrativos, financeiros e sociais da empresa, e os “elementos específicos”, constituídos pelos serviços oferecidos e pela estrutura operacional. (ABIQUIM, 2010). Algumas destas empresas mantêm operações de transporte, limpeza, armazenagem entre outras. Objetivando evitar duplicidade nas avaliações dos módulos específicos do SASSMAQ (rodoviário, estação limpeza, atendimento à emergências), estes estão alinhados com os elementos centrais e específicos. Caso a empresa possua mais de uma atividade no mesmo local, pode efetuar a avaliação através dos módulos integrados. (ABIQUIM, 2010). A combinação dos elementos “centrais” e “específicos” permite avaliação global de desempenho de cada fornecedor, facilitando ao contratante a escolha 81 daquele que mais se enquadra as suas necessidades. (ARAUJO, 2007, p. 167). A avaliação pelo Sassmaq não é obrigatória, mas sua aplicação gera um importante diferencial para as empresas certificadas pelo sistema pela comprovação de que oferecem serviços qualificados nas operações de logística. (ABIQUIM, 2010). Além disto, reduz custo já que é utilizado um único sistema de avaliação, reconhecido por seus clientes da indústria química. Outro dado relevante é que terá o privilégio da participação garantida no mercado logístico de produtos químicos. (ARAUJO, 2007, p. 169). Conforme a Abiquim (2010), a estrutura de funcionamento do SASSMAQ é a seguinte: Abiquim é responsável pelo gerenciamento do Sistema de Avaliação de Segurança, Saúde, Meio Ambiente e Qualidade; Organismos de certificação são especializados e credenciados para a avaliação, inspeção e auditoria de sistemas. As prestadoras de serviços de logística são as empresas interessadas na aplicação do Sassmaq visando sua qualificação para atender a indústria química, e a indústria química, como usuária dos serviços de logística procura estender a toda a cadeia produtiva os princípios de segurança, saúde, meio ambiente e qualidade que adota em suas operações A empresa que pretende ser avaliada no SASSMAQ deve escolher um dos organismos certificadores credenciados pela Abiquim, após, deve informar ao escolhido a classe dos produtos transportados, de que maneira são transportados, se o transporte é feito por frota própria ou se por terceiros, a cobertura geográfica das operações de transporte, as atividades desempenhadas além do transporte como armazenamento, por exemplo, se possui instalações próprias de estacionamento, abastecimento, manutenção preventiva, manutenção corretiva, estações de limpeza, dentre outros e 82 finalmente as plantas ou unidades que serão avaliadas – desde que estejam legalmente estabelecidas. (ARAUJO, 2007, p.169 - 170) 4.3.1 Sistema de Avaliação No sistema de avaliação composto por questionários de avaliação, todas as perguntas são respondidas com “Sim”, “Não” ou “N/A”. Para avaliar será pontuado a cada resposta “sim” 1 ponto, e para o “não” zero pontos. A resposta “N/A” corresponde a “não aplicável” e será utilizada quando a questão não for pertinente ao serviço prestado pela empresa. (Araujo, 2007, p. 170) Conforme a Abiquim (2010), as questões são divididas em: • Mandatórias: (M) São os requisitos legais e devem ser obrigatoriamente atendidos. • Indústria química: (I) São itens de interesse específico da indústria química. • Desejável: (D) São requisitos não obrigatórios, mas que demonstram o interesse da empresa em adotar um processo de melhoria contínua O questionário busca avaliar seis áreas da empresa, conforme Araujo (2007, pp. 172-174), que são elas: • Gerenciamento: verifica se a empresa possui a documentação exigida por lei, se estabelece políticas, objetivos, metas, indicadores de desempenho, como se relaciona com seus fornecedores, como compra insumos, como descarta resíduos, como trata as “nãoconformidades” e como revisa e audita o sistema. • Segurança do trabalho, saúde ocupacional e meio ambiente: verifica se a empresa preserva a integridade física dos 83 colaboradores, clientes e comunidades que atuam, bem como se promove a preservação do meio ambiente. • Equipamentos: verifica se as operações são seguras e confiáveis, desde a compra até a inspeção e manutenção dos equipamentos. • Planejamentos das operações: verifica se há procedimentos escritos que visam à conformidade das operações, permitindo o monitoramento e a rastreabilidade dos documentos. • Segurança patrimonial e confidenciabilidade: verifica se a empresa preserva a confidencialidade das informações do trato comercial e se há controle sobre a carga transportada, os veículos da frota. • Inspeção Local: verifica se as condições das instalações físicas. Por ser subjetiva pode ser comprovada por documentos legais como o AVCB (Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros). Uma vez que a empresa recebe o certificado SASSMAQ, deverá se programar para a reavaliação em no máximo 2 anos. 4.4 Empresa S Logística Empresa de nacional de médio porte com 60 funcionários, cuja sede e armazém situa-se na Vila Aeroporto – Guarulhos – SP. A Empresa S é certificada pela SASSMAQ (documento encontra-se no Anexo A), possui autorizações da ANVISA e Exercito para transporte de cargas especiais que exigem anuência destes órgãos. Apesar de a S atender a todo território nacional, possui como foco de negócio os municípios de Campinas, Guarulhos, Santos, São Paulo, Varginha e região (MG). 84 Os veículos possuem sistemas de rastreamento gerenciados e monitorados via satélite, sendo que os principais serviços desempenhados pela S são: o Trânsito Aduaneiro em Todo Território Nacional (DTA). o Cargas Nacionalizadas das Zonas Primárias e Secundárias. o Cargas Especiais (Refrigeradas, Perigoso-Químicas, com Excesso de medidas / peso e sensíveis). o Mercadorias com Transporte Controlado pelo Exército (Somos homologados pelo Ministério de Defesa) As cargas perigosas / químicas são assim classificadas pelos fabricantes com base no número ONU relacionadas na Resolução 420 da ANTT, assim como o caso das mercadorias com transporte controlado pelo Exercito só serão transportadas com a anuência deste órgão. 4.4.1 Histórico A S, fundada em 15 de julho de 1991, especializou-se no transporte rodoviário de cargas nas operações de Importação e Exportação. Nesse período, diversificou seus serviços adquirindo diversos certificados de transporte, que possibilitam a S o transporte das mais diversas cargas. 85 4.4.2 Política Na política de qualidade, a S assume o compromisso com a garantia de satisfação dos seus clientes e parceiros além de confirmar a sua preocupação em relação ao respeito à legislação e ao meio ambiente. Abaixo transcrição da política, missão e visão da S, assinados pelo seu gerente geral, A (2008, pp. 1-2): A S Logística de Cargas Ltda. se compromete a cumprir a legislação vigente para o Sistema de Gestão Integrado, orientar e encorajar seus colaboradores para assegurar de maneira responsável a inovação dos objetivos de segurança, saúde, meio ambiente e qualidade da organização em consonância com os princípios da prática de melhoria continua, assim sendo, estabelece: Nossos objetivos Todos os colaboradores tem a obrigação e responsabilidade de preservar a sua própria saúde e segurança e de todos que possam ser afetados com a realização de seu trabalho, priorizando a prevenção de danos a comunidade, ao meio ambiente e ao patrimônio atendendo a legislação e normas internas da organização. Na prestação de serviço de transporte todos os colaboradores comprometem-se a zelar pela proteção do meio ambiente interno e externo, relatando a gerência as sugestões de melhorias contínuas e aspectos que direta ou indiretamente possam provocar impactos ambientais. Todos somos responsáveis para cumprir os requisitos dos clientes, a legislação pertinente e os da organização, buscando sempre a melhoria contínua de todo serviço prestado garantindo atender as expectativas de nossos clientes. JA Gerência Geral 19/09/2008 86 A política de uma empresa expressa qual é o compromisso dela através de seu negócio com seus colaboradores, fornecedores e clientes. 4.4.2 Questionário de Avaliação Segue modelo de questionário enviado a S por e-mail: 87 88 89 90 RESPOSTAS: O questionário foi respondido pela L, colaboradora responsável pela área de qualidade da empresa designada para responder questões e fornecer dados e documentos pertinentes aos clientes e interessados sobre as políticas da S quanto à meio ambiente, saúde e segurança. Questão 1: Conforme L em entrevista via telefone em 2010, a resposta foi que “Conforme o produto que a gente transporta. Se ele tem ONU é um produto perigoso, ele tem um risco grande.” Questão 2: Conforme L em entrevista via telefone em 2010, a resposta foi que “Administrativo estão sujeitos ao ergonômico, já o motorista a análise de risco é mais detalhada pois é feita conforme ONU da mercadoria, legislação, SASSMAQ (que a empresa tem por transportar produto químico.” Questão 4: Conforme L em entrevista via telefone em 2010, a resposta foi que “grande importância diante disto é analisado, o valor de transporte de cargas, os impactos no ambiente. Tudo é em cima desta analise” Questão 5: Conforme L em entrevista via telefone em 2010, a resposta foi que “A analise de risco no transporte de produto perigoso e a mitigação dos riscos são baseados na Ficha do produto (FISPQ) que o cliente manda e em cima deste documento faz a analise dos itens importantes, cuidados especiais, etc.” Questão 6. Conforme L em entrevista via telefone em 2010, a resposta foi que “Não enxerga ganhos. Apenas na questão do transporte. Não tem ganhado extra por ter este cuidado.” Questão 7: Conforme L em entrevista via telefone em 2010, a resposta foi que “tem conscientização da importância do SASSMAQ é feito treinamento com qualquer empregado quando entra na empresa (contratado) é dado treinamento onde é falado da importância do SASSMAQ dentre outros. 91 “Os funcionários tem consciência, pois é dito a eles que em cima disto é que conseguimos o certificado. Sem o certificado o cliente não “dá carga”. E se ele não “der a carga”, a empresa acaba fechando.” 4.4.3 Avaliação O planejamento estratégico e uma postura proativa estabelecem analises em busca da prevenção, antecipando aos fatos, o que permite a organização estar mais preparada para enfrentar os desafios de mercado, e a crescer saudavelmente. Além disto, permite que a empresa utilize as ferramentas também para verificar os riscos positivos, aumentando a oportunidade de negócios. Porém a empresa S, não demonstra esta visão, pois através das respostas obtidas verificasse que ou a empresa S possui um planejamento inadequado que desta forma não permite que a alta direção enxergue o potencial que teria se adotasse uma postura mais proativa. Assim mantêm a um modelo onde apenas cumpri o que é exigido e nada mais que isto. Outra evidência é que durante o período de outubro de 2004 a abril de 2009, Elaine S. Maia trabalhou em um cliente da empresa S, a empresa é certificado por ISO 14000 e por ISO 9000, neste período pode-se vivenciar sua atuação junto ao cliente. O cliente é uma empresa de gerenciamento de fretes contratada pela indústria para em seu lugar, executar os serviços de contratação de frete internacional, e contratação de frete para coleta ou entrega de mercadorias e desembaraço aduaneiro quando previsto em contrato, para trazer ou enviar suas mercadorias ou insumos, perigoso ou não, do exterior para o Brasil e viceversa. 92 Elaine Maia inicialmente trabalhou com cotação de frete, onde a S oferecia fretes e condições pertinentes para as necessidades da empresa. Este setor estava intimamente ligado ao setor comercial da empresa e ao operacional, permitindo que pudesse ter visão clara da atuação da S no desempenho do seu serviço. A S desenvolvia bem o serviço para a qual foi contratada – entrega ou coleta da carga conforme designado pelo cliente – porém era comum a ocorrência de pequenos atrasos e houve casos de pequenas avarias. Os motivos na maioria das vezes eram a não observância de itens que haviam sido especificados pelo cliente quanto ao manuseio, ou quanto ao local de coleta ou entrega da carga. Com relação a ISO, quando a empresa passou a exigir que a S demonstrasse uma maior preocupação com o meio ambiente e com a qualidade dos serviços prestados houve certa resistência. O cliente para cumprir as exigências da ISO enviava questionários a S para que através de suas respostas fosse efetuada uma pontuação conforme segue: • 27 a 30 pontos = Fornecedor aprovado • 11 a 26 pontos = Fornecedor preferencial – a ser usado quando não houver fornecedor aprovado disponível • 00 a 10 pontos = Fornecedor secundário – a ser usado quando não houver um fornecedor preferencial disponível. Parece ilógico aceitar um fornecedor que não pontue, mas devemos levar em consideração que o procedimento sobre o qual a empresa deveria seguir para qualificar os seus fornecedores deveria abranger os 6 escritórios que a empresa possui: Campinas – Viracopos, Guarulhos, Manaus, Santos e São Paulo. A empresa que fazia coleta das lâmpadas fluorescentes em Manaus não conseguia pontuar, mas era a única que desempenhava este serviço no local. A S por não especificar de forma adequada os seus procedimentos quanto ao descarte de materiais e as praticas para preservação do meio 93 ambiente recebia pontuação baixa, o que prejudicava o cliente quanto a evidenciar nas auditorias a utilização de fornecedores alinhados com sua política ambiental e da qualidade. Foram necessárias reuniões e até ameaça de não mais contratá-la para que se adequasse as exigências do cliente. 94 Conclusão A análise de risco é de suma importância para qualquer organização. Além de evitar que os riscos se convertem em perdas reais ou estabelecer um plano para mitigá-los caso se tornem realidade, antes disto, deve-se uma postura proativa através do autoconhecimento e de um planejamento estratégico para a organização. A organização é conhecida verdadeiramente no ato que se define qual é o negócio principal da empresa, aonde ela quer chegar e de que maneira ela deve fazer para atingir os objetivos. Deve-se salientar que o autoconhecimento envolve também os seus fornecedores e parceiros, pois eles são uma extensão da organização. Pois a falha dos mesmos impacta diretamente no nível de serviço da organização. Um exemplo prático, pode ser ilustrado: se o fornecedor de combustível para a frota da empresa S não o fornecer, enquanto a situação de abastecimento de combustível não for sanados, o prazo de coleta e entrega das mercadorias fica comprometido. Isto sem contar as perdas financeiras quanto a pagar mais caro pelo combustível de outro fornecedor devido à urgência, as multas pelo não cumprimento do prazo estipulado e risco de perder os clientes. O planejamento estratégico e uma postura proativa estabelecem analises em busca da prevenção, antecipando aos fatos, o que permite a organização estar mais preparada para enfrentar os desafios de mercado, e a crescer saudavelmente. A importância do planejamento estratégico e da postura proativa não pode aparecer depois que as coisas acontecem, a exemplo a crise financeira mundial ao qual passamos recentemente e a possível crise devido à desestabilização européia devido a dois fatores atuais, a crise na Grécia - onde 95 conforme publicação do Jornal da Tarde de 06/05/2010 “é improvável um consenso político nacional” devido à oposição apoiar as manifestações da população contra as medidas econômicas impostas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). A segunda delas atribui-se ao vulcão Eyjallajokul na Islândia, cuja erupção espalhou cinzas pelos ares e vem atrapalhando as operações aéreas em países como Inglaterra, França e Alemanha que impactam diretamente as áreas ligadas à logística e transporte – conforme o Jornal da Tarde de 09/05/2010, “na Espanha, 19 aeroportos foram fechados, prejudicando cerca de 40 mil passageiros (...) a maioria dos vôos entre América do Norte e a Europa são desviados, o que aumenta o tempo de viagem e provoca atrasos” - pois se a indústria não produz, o que as transportadoras vão transportar? E se o modal aéreo não pode ser utilizado, quais as alternativas de transporte válidas? O sistema alternativo ao aéreo é capaz de atender a demanda de maneira satisfatória? Deixar perguntas como estas para serem respondidas na hora do sufoco podem ser fatais para a organização. Obviamente a análise de risco e a postura proativa não podem evitar todos os tipos de risco e também é hipócrita achar que todos os riscos são inteiramente mitigáveis, mas há de convir que os impactos em uma empresa preparada sejam bem menores do que uma empresa que não está O Brasil, até o momento, tem suportado bem as pressões de mercado, já que até bem pouco tempo atrás, pela desconfiança do mercado internacional, se viu obrigado a cumprir determinadas exigências dos países consumidores para participar deste mercado. Mas a situação das empresas brasileiras poderia ser melhor se o empresariado não buscasse apenas o ganho em curto prazo. E verdade que o custo Brasil, principalmente ligado ao transporte e armazenagem de cargas é muito elevado, mas isto seria resolvido se as empresas planejassem melhor. O Estudo de caso demonstrou isto, pois empresas como a S não interpretam que a análise de risco traz benefícios financeiros à empresa, mesmo tendo certificados como SASSMAQ que pregam a análise e 96 planejamento para que haja o correto controle das operações realizadas pela organização. O fato é que as organizações não enxergam os benefícios que a postura proativa traz em longo prazo. Tais como: redução do prêmio de seguro, dos gastos com acidentes, integração com fornecedores e parceiros, e, uma boa imagem perante os clientes. Que geram receitas devido ao custo de oportunidade ser mais bem aproveitado. Desta forma, o estudo de caso confirma a hipótese 1 pois se a S fizesse a correta avaliação dos riscos e gastos com acidentes, principalmente se envolve produtos perigosos, saberia que o acidente pode ter conseqüências mais sérias e as cifras para reparar danos ao ambiente, pessoas, a sociedade, ao patrimônio da própria organização, além da mancha negra na imagem podem ser desastroso para a saúde financeira da organização. Eliminar ou ter um plano para mitigar o risco de acidentes com cargas perigosas em transportadoras como a S são vitais. A integração com os fornecedores e parceiros é essencial, pois estes são uma extensão da empresa. Sua atuação impacta diretamente nas operações da organização. Se estiver estabelecido um bom relacionamento entre a organização e os seus fornecedores e parceiros, as operações diárias são mais proveitosas e eficientes. A organização bem estruturada e proativa passa uma imagem positiva, através de um bom nível de serviços, fidelizando os seus clientes e ganhando destaque no mercado. Comprovando que a sustentabilidade do negócio é vital para o desenvolvimento saudável dos negócios. Mantendo a boa imagem no mercado e o bom nível de serviço através da melhoria contínua, que faz a organização esteja sempre inovando e não seja ultrapassada pelos seus concorrentes. As organizações brasileiras, principalmente as transportadoras rodoviárias de cargas perigosas, mesmo com os benefícios listados se mantêm 97 relutantes neste sentido, pois apenas cumprem o que os clientes e a legislação exigem. Alguns por considerá-la custo outro por falta de consenso quanto à terminologia e aos conceitos na gestão de risco. A ISO 31000 vem para auxiliar dando diretrizes as organizações para a implementação da gestão de risco. Porém é necessário que a alta direção assuma este compromisso, e não apenas faça o mínimo apenas para manter a certificação. A empresa deve verificar que a gestão de risco proporciona benefícios como um negócio forte, sustentável, preparado para enfrentar as crises, além do beneficio do risco positivo. As pessoas associam as ferramentas de gestão de risco a evitar ou mitigar as perdas e não enxerga que podem ser utilizadas para aproveitamento do risco de ganho. A Elo Group (2007, p. 4) ensina: “Ao invés de apenas perguntar “o que pode dar errado?”, pergunte “o que pode dar mais certo do que ocorre hoje?””. Neste ponto comprova-se a hipótese 2, pois se a empresa S fizesse correta análise de risco para evitar perdas, associada a uma para enxergar as oportunidades melhoraria a saúde financeira da empresa permitindo um crescimento saudável, sustentável. A evolução das exigências de mercado, as experiências com as crises recentes estão forçando as organizações mudarem para se adequar a modelos mais proativos, pois a gestão de risco torna-se cada vez mais necessária para garantir a sustentabilidade e a perenidade, a continuidade de seus negócios. A sociedade não aceita mais que empresas como a British Petroleum, que não previu que o acidente que atinge o Golfo do México, conforme o Jornal da Tarde (09/05/2010) derrame cerca de 800 mil litros de petróleo no mar a cada dia fique sem punição. A falta de planejamento faz com que medidas sejam tomadas as pressas sem a devida análise da eficácia como a caixa de aço e cimento que não foi capaz de conter o vazamento porque não foi previsto que os cristais de gelo se formariam bloqueando a cúpula da estrutura. A divulgação de estudos que comprovem a eficácia da análise de risco e a atuação proativa das empresas pode mudar a mentalidade do empresariado, 98 principalmente as transportadoras de produtos perigosos. Apenas com o comprometimento com a sustentabilidade e a adoção de atitudes proativas é que veremos uma sociedade mais segura e com menos acidentes graves. 99 Referências Bibliográficas ABIQUIM. SASSMAQ. O que é? Disponível em: http://www.abiquim.org.br/sassmaq/geral/oque.asp. Acessado em: 02.05.2010. ALVES, Priscilla; Gontijo, Geisa Aparecida da Silva; Raia Junior, Archimedes Azevedo. Análise do transporte rodoviário de produtos perigosos no estado de São Paulo suas conseqüências no meio ambiente. Programa de pós-graduação em Engenharia Urbana. São Carlos: UFSCar, --. p.1-2. Disponível em: http://www.ambiente- augm.ufscar.br/uploads/A3-038.pdf. Acessado em: 31.03.2010 ANTT. Legislação. Disponível em: http://www.antt.gov.br/legislacao/PPerigosos/Nacional/index.asp. 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