FUNDAÇÃO GETULIO VARGAS PROGRAMA FGV MANAGEMENT MBA em Gestão de Pessoas PROCESSO DE INTEGRAÇÃO DE NOVOS FUNCIONÁRIOS EM UMA EMPRESA DE DESENVOLVIMENTO DE SOFTWARE Por KARINE SIMONI ROCHA Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao MBA em Gestão de Pessoas Pós-Graduação lato sensu, Nível de Especialização Programa FGV Management Florianópolis Agosto/2013 Página de Aprovação FUNDAÇÃO GETULIO VARGAS PROGRAMA FGV MANAGEMENT MBA em Gestão de Pessoas O Trabalho de Conclusão de Curso PROCESSO DE INTEGRAÇÃO DE NOVOS FUNCIONÁRIOS EM UMA EMPRESA DE DESENVOLVIMENTO DE SOFTWARE Elaborado por: KARINE SIMONI ROCHA e aprovado pela Coordenação Acadêmica do MBA em Gestão de Pessoas, foi aceito como requisito parcial para a obtenção do certificado do curso de pós-graduação, nível de especialização, do Programa FGV Management. Data: ___________________________________ Ana Lígia Finamor ___________________________________ Doralice Orrigo da Cunha Termo de Compromisso A aluna KARINE SIMONI ROCHA abaixo-assinada, do MBA em Gestão de Pessoas, do Programa FGV Management, realizado nas dependências da SOCIESC, no período de novembro de 2011 a novembro de 2013 declara que o conteúdo do trabalho de conclusão de curso intitulado: PROCESSO DE INTEGRAÇÃO DE NOVOS FUNCIONÁRIOS EM UMA EMPRESA DE DESENVOLVIMENTO DE SOFTWARE, é autêntico, original, e de sua autoria exclusiva. Florianópolis, 18 de agosto de 2013. (Assinaturas) Dedicatória À minha família, pelo apoio incondicional, compreensão e carinho ao longo desses dois anos de estudo e dedicação. Agradecimentos Aos colegas do MBA em Gestão de Pessoas, pela troca de experiências e conhecimentos e por tornar nossos finais de semana mais ricos e divertidos. Aos participantes da pesquisa, pela riqueza dos dados fornecidos, sem os quais o trabalho não teria sido realizado. Aos colegas de trabalho, Alexandre Coelho Pereira e Roseli Rodrigues que contribuíram com suas idéias e conselhos para a elaboração do tema deste trabalho. À minha família, por sempre me apoiar e entender que os finais de semana se tornaram mais curtos, porém não menos aproveitados. E, finalmente agradeço a todos que não foram citados, mas que também, de uma forma ou de outra, são merecidos de meus agradecimentos. Epígrafe “A organização só muda quando se altera o pensamento das pessoas [...]. A intervenção para mudança é nas idéias, e não nos fatos.” Paulo Motta RESUMO O estudo aborda o entendimento com relação ao programa de ambientação e como através dele as organizações conseguem manter e criar comprometimento com a cultura organizacional. Neste sentido, o estudo procurou mostrar como é um processo de integração numa empresa de Software e procurou mostrar a percepção desses novos colaboradores com relação ao programa. Os dados da pesquisa foram coletados por meio de um questionário aplicado aos colaboradores que ingressaram na empresa no primeiro semestre de 2013 e que participaram do Programa de Integração. Os resultados apontaram que, de forma geral, o programa se validou para a maioria dos quesitos, ou seja, a grande maioria dos colaboradores compreendeu a missão, a visão, os valores e os objetivos da empresa. Palavras-chave: Colaboradores, Organização e Programa de Integração LISTA DE TABELAS Tabela 1 - Programa de Integração ....................................................................................... 3229 LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 1 - Quantidade de colaboradores por unidade ......................................................... 2926 Gráfico 2 - Quantidade de colaboradores por cargo. ............................................................ 2926 Gráfico 3 - Data de admissão Fonte: .................................................................................... 3027 Gráfico 4 - Local de trabalho anterior .................................................................................. 3027 Gráfico 5 - Imagem da empresa antes da contratação .......................................................... 3128 Gráfico 6 - Sentimento ao chegar à sua área ........................................................................ 3431 Gráfico 7 - Choque entre o que espera e o que encontrou .................................................... 3431 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ................................................................................................... 11 1.1 Contextualização .................................................................................................. 11 1.2 Objetivos............................................................................................................... 12 1.2.1 Objetivo Geral ...................................................................................................... 12 1.2.2 Objetivos Específicos ........................................................................................... 12 1.3 Relevância do Estudo ........................................................................................... 12 2 CULTURA ORGANIZACIONAL .................................................................... 14 2.1 Definindo Cultura Organizacional........................................................................ 14 2.2 Elementos da Cultura Organizacional .................................................................. 15 2.3 Práticas de Gestão de Pessoas .............................................................................. 16 2.3.1 Práticas de seleção ................................................................................................ 16 2.3.2 Comportamento da alta administração ................................................................. 17 2.3.3 Métodos de socialização ....................................................................................... 17 3 PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO .................................................................... 18 3.1 Definindo Programa de Integração ....................................................................... 18 3.2 Estratégias de Integração ...................................................................................... 19 3.2.1 Estratégias formais e informais ............................................................................ 19 3.2.2 Estratégias individuais e coletivas ........................................................................ 20 3.2.3 Estratégias seqüenciais e aleatórias ...................................................................... 20 3.2.4 Estratégias fixas e variáveis .................................................................................. 21 3.2.5 Estratégias de competição e contexto ................................................................... 21 3.2.6 Estratégias seriais e disjuntivas ............................................................................ 22 3.2.7 Estratégias investidura e desapropriação .............................................................. 22 3.3 Tendência nos Processos de Integração................................................................ 23 4 TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO ............................................................... 25 4.1 Empresas de Tecnologia da Informação ............................................................... 25 5 ASPECTOS METODOLÓGICOS .................................................................... 26 5.1 Tipo de Estudo ...................................................................................................... 26 5.2 População e Amostra ............................................................................................ 26 5.3 Coleta de Dados e Instrumentos de Avaliação ..................................................... 27 5.4 Tratamento Estatístico .......................................................................................... 27 6 APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS ........................................................ 28 6.1 Perfil da amostra ................................................................................................... 28 6.2 Análise dos dados resultados ................................................................................ 30 CONSIDERAÇÕES FINAIS ....................................................................................... 36 REFERÊNCIAS ........................................................................................................... 37 APÊNDICE – Questionário ......................................................................................... 39 11 1 INTRODUÇÃO 1.1 Contextualização Uma das maiores preocupações das organizações atualmente é o primeiro dia de trabalho dos novos funcionários. Porém, em muitas empresas ainda o empregado é apresentado de imediato à área, a à estação e quando muito aos novos colegas de trabalho. As orientações sobre a missão, visão e valores da empresa não são passadas e os colaboradores acabam aprendendo sozinhos nas primeiras semanas de trabalho. Esse autoaprendizadoauto aprendizado pode acarretar um entendimento errôneo e trazer vícios que podem comprometer o resultado esperado pela organização. Em contrapartida existem empresas que já utilizam programas de integração. Este programa trata-se de um ritual importante de entrada do colaborador na vida corporativa. Conseguir transmitir a cultura organizacional durante o período de socialização auxilia para que os recém chegados tenham um sentimento mais solido sólido sobre as expeditivas esperadas para atuar no setor de trabalho e quais comportamentos são valiosos para o crescimento profissional dentro da organização. As empresas de Tecnologia da Informação vêm sofrendo nos últimos anos com a escassez de mão de obra. O departamento de Recursos Humanos destas organizações terá que se adaptar através de melhorias em seus processos internos, com o objetivo dos profissionais escolherem e permanecerem na empresa com o sentimento de terem escolhido um bom lugar para trabalhar, e com visão de crescimento profissional. Colher informações dos colaboradores para conhecer seus pontos a melhorar será uma maneira de atrair e reter bons profissionais. Dentro do exposto, será realizado realizada uma avaliar avaliação sobre um processo de integração, ou seja, verificar se a socialização é realizada de forma adequada. Entendem-se como um programa adequado aquele que consegue reduzir a ansiedade, sanar as expectativas do primeiro dia de trabalho e verificar se os valores da organização são compreendidos. Para tanto, faz-se necessário realizar as seguintes perguntas: Qual é percepção dos colaboradores com relação processo de integração? A missão, visão e valores da organização são compreendidos? Como é a recepção dos novos funcionários ao chegar à estação de trabalho? 12 1.2 Objetivos A seguir serão apresentados os objetivos do trabalho. No primeiro tópico é descrito o objetivo geral e, no tópico seguinte, são detalhados os objetivos específicos. 1.2.1 Objetivo Geral Este estudo pretende ilustrar a importância do processo de integração na percepção dos colaboradores e verificar se os mesmos conseguiram assimilar a missão, a visão e os valores da empresa. Além disso, mostrar se o programa conseguiu minimizar a ansiedade dos recémchegados ao seu local de trabalho. Para isso, será realizado um estudo de caso em uma organização brasileira. Essa empresa oferta empregos relacionados à área de Tecnologia da Informação e a relação de trabalho é regida pela Consolidação das Leis Trabalhistas. A organização que participou da pesquisa é conhecida por ofertar oportunidade de carreira, emprego de longo prazo e benefícios, além de investir em capacitação para seus colaboradores. Serão estudados todos os colaboradores recém-admitidos e que participaram do processo de integração formal da empresa. 1.2.2 a) Objetivos Específicos Investigar as teorias de processos de integração em organizações e ou literatura; b) Conhecer a visão dos novos colaboradores que participaram de processo de integração; c) Identificar melhorias no processo de integração dos novos colaboradores, com vista a aperfeiçoar o acolhimento dos novos profissionais. 1.3 Relevância do Estudo O processo de ambientação de novos colaboradores é um tema de grande importância a ser estudado, pois é necessária a integração das pessoas com o ambiente de trabalho, para que este consiga se dedicar as às tarefas diárias e contribuir de forma efetiva com suas competências e habilidades para o sucesso profissional e sucesso da empresa. O programa de integração é um método que surgiu para diminuir a rotatividade das pessoas nas organizações. Nas empresas de Software, foco do presente trabalho, a necessidade desse programa é ainda mais expressiva, considerando a baixa oferta de mão-de-obra no ramo tecnológico. 13 Conforme o cenário exposto, o presente trabalho justifica-se por sua importância na medida em que fornecerá uma análise relevante à empresa pesquisada e às demais empresas interessadas em utilizar o programa de ambientação como forma de conservação de seus talentos. O acesso às informações, o tempo e os recursos disponíveis para execução do trabalho, justificam a realização do mesmo por sua viabilidade. A realização da pesquisa sugerida é oportuna pelos aspectos principais: primeiro, para o atendimento ao requisito exigido pelo MBA em Gestão de Pessoas da FGV, tendo em vista a necessidade de um tema para construção de um trabalho de finalização de curso integrado a Gestão de Pessoas. Segundo, para construção de uma análise relevante que poderá contribuir para a implementação de futuros trabalhos visando à a evolução dos programas de integração nas empresas. A seguir será revista a literatura sobre cultura organizacional e o processo de integração, incluindo as estratégias utilizadas pelas empresas para integrar os novatos. Além disso, são colocadas algumas tendências sobre programas de socialização utilizados por algumas empresas nacionais e multinacionais. Por fim, é feito um breve relato do que são empresas de Tecnologias da Informação e como está o mercado de trabalho relacionado a este setor. 14 2 CULTURA ORGANIZACIONAL O presente capítulo tem por objetivo ampliar o entendimento do leitor a respeito de cultura organizacional. Devido a sua influência dentro da empresa, faz-se necessário destacar a importância que a cultura organizacional possui nos resultados da organização. O comportamento de cada indivíduo dentro da empresa é formado de acordo com a definição da cultura, isso implica na maneira como as pessoas vão desempenhar suas atividades. Cada organização possui seu modelo de gestão e cultura própria. As empresas escolhem a forma de definir seus valores e escolher sua visão, missão e política a serserem perseguidas. Essa missão, visão e valor devem ser repassados aos colaboradores com o intuito de criar a cultura da empresa. 2.1 Definindo Cultura Organizacional As organizações são formadas por um conjunto de valores, crenças, paradigmas, hábitos e preconceitos que as pessoas compartilham durante o trabalho. Em geral, a cultura é definida dessa maneira. Assim, Araújo (2006) ressalta que a cultura organizacional é um conjunto de características humanas que não são inerentes as pessoas. Essas características podem ser criadas, preservadas e aprimoradas através do intermédio da comunidade e da cooperação entre os indivíduos. A cultura também pode ser entendida como um conjunto de valores, normas e princípios já disseminados dentro da organização, conjunto este que integra a estrutura e os comportamentos, criando desta forma uma maneira peculiar e duradoura de como é a vida organizacional (MOURA apud LUZ, 2003). Para Mendes (2010), é um sistema de valores compartilhados entre os colaboradores, em todos os níveis, que diferencia uma empresa das demais. Especificamente trata-se de um conjunto de características-chave que a empresa valoriza, compartilha e utiliza para alcançar seus objetivos e se manter imortal. Torres (2012), mencionada que cultura organizacional é uma mistura da visão e da cultura da alta gestão e que é construída ao longo do tempo. Freitas (2005) descreve cultura primeiramente como um instrumento de poder e depois como um conjunto de representações imaginarias sociais que se constroem e reconstroem nas 15 interações do dia a dia dentro da empresa e que expressam em valores, normas, significados e interpretações, dando um sentido de direção e de unidade, onde a empresa se torna uma fonte de identidade e de reconhecimento para seus funcionários. Shein (1982) também define cultura organizacional como sendo um conjunto de premissas básicas validadas ao longo do tempo por um determinado grupo de indivíduos. Para se manterem competitivas as empresas precisam ter o entendimento da definição de cultura organizacional e através dela procurar criar uma identidade única para todos os colaboradores. Snell e George (2010) defendem que os administradores precisam fiscalizar as atitudes e as tarefas dos funcionários para que possam entender a cultura de cada um, através de técnicas fundamentais que servirão de base para o sucesso da empresa. Entretanto, os administradores devem observar a cultura de perto, pois se ocorrer divergência de valores, crenças, costumes dos funcionários que compõem a organização, poderá desenvolver um clima organizacional negativo, uma vez que a relação entre a empresa e os colaboradores não está em sintonia. 2.2 Elementos da Cultura Organizacional Para um entendimento melhor sobre cultura organizacional é preciso analisar os dois níveis existentes. Segundo Oliveira (2012) os dois níveis da cultura organizacional são: a) Subjetiva: Refere-se aos padrões compartilhados de crenças, valores, suposições e expectativas dos funcionários, e as formas do grupo de perceber o ambiente organizacional e seus valores, normas e papéis. Essa cultura também abrange a cultura gerencial, os estilos e orientações de lideranças, esquemas mentais e jeitos de se comportar e dar soluções aos problemas que são influenciados pelos valores defendidos pela organização; b) Objetiva: Refere-se aos artefatos criados por uma organização, por exemplo, a configuração dos escritórios, as áreas de lazer, o espaço do café, dentro outros. Estas instalações podem refletir os valores das organizações. Embora esses dois níveis da cultura sejam importantes para a plena compreensão de uma dada organização, existem também os elementos visíveis da cultura que refletem valores mais profundos na mente dos colaboradores da organização (OLIVEIRA, 2012). Segundo Oliveira (2012) os elementos da cultura organizacional são: a) Cerimônias: Eventos que celebram os mitos, heróis e símbolos da empresa; b) Ritos: Cerimônias para comunicar idéiasideias ou realizar propósitos; 16 c) Rituais: Ações para reformar normas e valores culturais; d) Histórias: Relados de eventos passados que mostram e transmitem normas e valores culturais mais profundos; e) Mitos: Histórias imaginárias que auxiliam a explicar atividades ou eventos que, de outra maneira, poderiam ser confusos; f) Heróis: Pessoas de sucesso que disseminam os valores e o caráter da organização; g) Símbolos: Objetos, ações ou eventos dotados de significados especiais, e que permitem as pessoas da organização trocar idéiasideias e mensagens emocionais; h) Linguagem: Conjunto de símbolos verbais que podem refletir a cultura particular da empresa. 2.3 Práticas de Gestão de Pessoas Depois de instituída a cultura organizacional as empresa precisam desenvolver práticas para mantê-la e reforçá-la. Existem métodos que facilitam a assimilação e reforçam a cultura organizacional. Segundo Oliveira (2012) existe três fatores, administrados pelas empresas, que desempenham um papel fundamental para a sustentação da cultura, as práticas de seleção, comportamento da alta administração e métodos de socialização. 2.3.1 Práticas de seleção Segundo Oliveira (2012) a meta do processo de seleção é identificar e contratar colaboradores que possuem conhecimento, aptidões e habilidades, para desenvolver com sucesso suas atividades. Para Chiavenato (2009) a seleção de pessoas funciona como um filtro que permite apenas que determinadas pessoas possam entrar na organização, ou seja, os indivíduos que apresentam as características almejadas pela empresa. As organizações utilizam algumas técnicas de seleção tais como: entrevista de seleção, provas os testes de conhecimentos[ACP1], teste psicológicos, testes de personalidade e técnicas de simulação para observar o comportamento do indivíduo. Dessa maneira, o processo de seleção consegue descartar os indivíduos que podem afetar na cultura da organização, ou seja, o processo de seleção ajuda na manutenção da cultura de uma empresa. 17 2.3.2 Comportamento da alta administração O comportamento dos altos executivos estabelece normas que são visualizadas e utilizadas pelos níveis mais baixos. São eles que orientam os colaboradores podem correr o grau de liberdade entre líder e liderados, qual o vestuário adequado e as quais ações compensarão em termos de aumento salarial, promoções e demais recompensas (OLIVEIRA, 2012). 2.3.3 Métodos de socialização A socialização é o método de familiarização de uma pessoa que entra na organização, ou seja, o novo funcionário é orientado a fazer cursos, palestras, treinamentos, entre outros, para conhecer a cultura da organização, para conseguir desempenhar melhor suas novas atribuições. Segundo Oliveira (2012) a socialização dos funcionários é o estágio mais crítico, pois é nesse momento que a organização procura moldar os indivíduos com os valores, crenças e missão da empresa. Os colaborados que não conseguem assimilar tal conhecimento acabam sendo excluídos da organização. O capítulo a seguir irá tratar mais profundamente sobre o tema socialização, este tema recebe diferentes denominações, tais como: orientação, treinamento prévio, programa de ambientação e programa de integração. Porém, todas essas denominações referem-se a um conjunto de práticas que tem por meta facilitar e adequar o funcionário à organização. 18 3 PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO O presente capítulo abordará o tema programa de integração, trazendo conceitos importantes para a compreensão do tema. 3.1 Definindo Programa de Integração Entende-se por programa de integração as ações que a empresa adota para integrar o novo colaborador a à cultura organizacional. Chiavenato (2009) define que o programa de integração é um método de socialização mais utilizado e que tem por objetivo treinar os novos funcionários da organização, para familiarizá-lo com a linguagem usual da empresa, com os costumes internos, com a estrutura da organização, com os produtos e serviços, com a missão e com os objetivos da empresa. Para Garcia e Araujo (2009) o programa de ambientação consiste na transmissão da história e da cultura da empresa para os novos funcionários que irão exercer suas atividades dentro da organização. Van Maanen (1989) define socialização organizacional como um processo pelo qual os funcionários assimilam valores, normas, comportamentos esperados, que fazem com que ele faça parte de uma organização. Para Motta (1993) socializar ou integrar é quando a empresa amolda os colaboradores as às suas necessidades, ou seja, o novo colaborador nasce com potencialidades comportamentais e a empresa desenvolve alguns comportamentos de acordo com as necessidades e os padrões do seu grupo. O processo de integração é uma maneira que algumas empresas utilizam para receber o novo colaborador. Porém, nem todas as empresas possuem este processo institucionalizado. As empresas que utilizam este processo segundo Motta (1993) fazem de maneira formal e intensiva, aplicando a todos aos novos membros e com finalidade de familiarizá-los com a missão, visão, valores, entre outros. Segundo Oliveira (2012) a socialização é definida como sendo um processo constituído de três etapas: pré-ingresso, confronto e metamorfose. O pré-ingresso abrange o ensinamento que ocorre antes do novo colaborador ingressar na empresa. Na etapa de confronto o funcionário conhece de fato o que é a organização, e compreende que pode existir divergência entre as suas expectativas e a realidade da empresa. Na última etapa o funcionário aceita a 19 realidade da empresa, e exerce suas atividades, e aperfeiçoa sua maneira de trabalhar de acordo com as normas da empresa. O programa de integração deve englobar tanto as expectativas da organização quanto do individuoindivíduo, constituindo uma seqüênciasequência de aprendizados pelas pelos quais passa o profissional na sua relação com o ambiente que está inserido. Na próxima seção serão mencionadas os modelos e estratégias de integração utilizadas pelas organizações. 3.2 Estratégias de Integração Van Maanem (1989) apresenta sete estratégias de socialização organizacional utilizadas pelas organizações, sendo que cada uma delas se opõe diretamente com a outra. 3.2.1 Estratégias formais e informais A estratégia formal refere-se quanto o papel do [ACP3]novo colaborador foi explicado e destacado pela empresa. Quanto maior a formalização dos processos, maior é a especificação do papel pelos colaboradores, e maior é a diferenciação entre o papel desempenhado por outros funcionários dentro da empresa. No processo informal, não existe diferenciação definida para o novo colaborador, e o aprendizado ocorre através de redes sociais ligadas a função que ele irá exercer. Sendo assim, o processo informal é aquele onde o indivíduo aprende por experiência própria (VAN MAANEN, 1989). O processo formal orienta o individuoindivíduo para desempenhar um determinado status na empresa, em contra partida, o processo informal prepara apenas para realizar uma função (VAN MAANEN, 1989). O autor menciona que as estratégias formais geram estresse para os indivíduos, pois nessa fase o colaborador é taxado pela empresa como um aprendiz devido à utilização de título. Nesse sentido, o novo colaborador por pode se sentir constrangido, isolado e acaba não participando dos momentos de confraternização do dia-a-dia com os funcionários mais experientes. Enquanto que o processo informal, aumenta a socialização entre o novo colaborador e os colaboradores mais experientes, pois o novo empregado escolhe os agentes de socialização. Além de aprender a exercer suas atividades. 20 Entretanto, o sucesso da socialização é determinado pelo relacionamento entre o agente e o socializado, ou seja, o conhecimento, a habilidade e atitudes que o agente possui e transfere para o novo colaborador (VAN MAANEN, 1989). Chiavenato(1999) também menciona esta estratégia e a define que o processo formal está baseado na atenção dada ao novo colaborador, ou seja, repasses sobre a função que irá exercer, além de detalhes precisos, contudo, sempre de maneira formal. Já o modelo informal, é dado pouca atenção ao colaborador, mas ele é colocado a frente à nova função[ACP4]. 3.2.2 Estratégias individuais e coletivas A estratégia coletiva refere-se à socialização em grupo, onde todos os novos colaboradores compartilham experiências idênticas e com resultados parecidos. No programa de socialização em grupo, os indivíduos identificam-se uns com os outros, e desenvolvem assim uma consciência coletiva (VAN MAANEN, 1989). No processo de socialização individual, os novos colaboradores são socializados individualmente. Para Van Maanen (1989) esse processo usa mais recursos financeiros e tempo da organização. Dessa forma, a estratégia individual se torna inviável para as empresas que contratam uma grande quantidade de funcionários ao longo do ano. Para Chiavenato(1999) nas estratégias de socialização coletiva o colaborador pode fazer a integração juntamente com outros que também estão entrando na empresa ou de forma individual. 3.2.3 Estratégias seqüenciaissequenciais e aleatórias A socialização seqüencialsequencial é aquela onde o novo colaborador passa por uma série de fases para alcançar um posicionamento dentro da empresa. Enquanto que, na socialização aleatória, o processo é alcançado em um estágio transacional (VAN MAANEN, 1989). Para Van Maanen (1989) o processo seqüencialsequencial pode ou não ter uma relação lógica entre as fases. Contudo, se existir uma ligação entre as fases, o processo de assimilação do conteúdo fica mais coeso, e os funcionários conseguem acumular informação e perceber que o nível de conhecimento está diferente de quando entrou na organização. 21 Nesse sentido, se o programa de integração é realizado por diferentes instrutores, os mesmos devem agir da forma mais coesa possível para atingir os resultados esperados (VAN MAANEN, 1989). 3.2.4 Estratégias fixas e variáveis Estratégias fixas dão um posicionamento ao novo funcionário do tempo preciso que ele irá levar para completar uma determinada fase. Exemplo, um estudante que chega a uma universidade sabe o tempo que levará pra se formar. No processo variável a organização não passa o tempo que o novo colaborador vai levar para passar para outra fase. Logo, não conhecer o tempo necessário para crescer dentro de uma organização, pode levar os novos colaboradores a procurar a informação que não foi passada com os colegas mais antigos (VAN MAANEN, 1989). Para o autor os processos variáveis dão aos responsáveis do processo uma ferramenta de grande valor para influenciar no comportamento das pessoas, mas se não for bem administrada, pode gerar incertezas e confusões. Já na estratégia fixa, os indivíduos possuem uma idéiaideia de tempo e, conseqüentementeconsequentemente, permite saber o que esperar no futuro, e podempodendo assim, formar amizades durante as experiências de socialização. Portanto, na estratégia variável as pessoas podem se separar e se dividir, enquanto que na estratégia fixa os colaboradores se ilustram mais leais e coesos. Para Chiavenato(1999) a estratégia de socialização uniforme é quando a organização utiliza passos entre o programa de integração e ao exercício pleno das atividades, ou seja, quando existe um passo a passo para complementar a socialização dos funcionários. Quando não existe o passo a passo é denominado um processo variável. 3.2.5 Estratégias de competição e contexto A estratégia de competição ocorre quando os novos colaboradores são colocados em programas de socialização diferentes. Por exemplo, a organização cria programas distintos para grupos de pessoas com habilidades, com ambições ou com experiências parecidas. Na estratégia contexto a criação de programas distintos não existe, ou seja, não possui separação de grupos independentemente de sexo, idade e conhecimento (VAN MAANEN, 1989). Van Maanen (1989) coloca que a socialização competitiva possui algumas conseqüênciasconsequências como: 22 a) A empresa espera que o funcionário aja de acordo com sua posição e ele é desestimulado a desenvolver outros esforços; b) O alcance dos funcionários é explicado mais pelo recrutamento do que pelas caracterizas dos indivíduos; c) A competição pode ocasionar a ambição do novo colaborador de uma maneira poderosa; d) Na estratégia de competição os funcionários se arriscam menos. Na competição todos os funcionários respondem por si e dificilmente agem em grupos contra ou a favor da organização. O contexto remete a uma cooperação e uma união maior entre os colaboradores da empresa (VAN MAANEN, 1989). 3.2.6 Estratégias seriais e disjuntivas Na estratégia serial, os colaboradores mais experientes preparam os novos funcionários para assumir suas atividades na organização. Dessa forma, a empresa garante que os valores não sejam mudados com o tempo, ou seja, se a organização preza pela continuidade dos processos, a estratégia serial é a mais adequada. Quando não existe a troca de experiência entre os antigos funcionários e os novos, o processo de socialização é denominado disjuntiva. No processo serial existe a desvantagem de gerar estagnação e contaminação, pois a maneira de fazer as coisas não muda, não existe inovação. A estratégia disjuntiva oferece mais oportunidade para que o novo colaborador seja mais inventivo e original (VAN MAANEN, 1989). Para Chiavenato(1999) a estratégia de socialização seriado [ACP5]é aquele que os funcionários são treinados e encorajados com o objetivo de mostrar os passos da integração. A estratégia disjuntiva é citada pelo autor como processo randômico, ou seja, é o processo que permite que o colaborador fique livre e trabalhando por conta própria. 3.2.7 Estratégias investidura e desapropriação Os processos de socialização investidura e desapropriação estão relacionados com a intensidade com que os indivíduos confirmam ou destroem sua identidade para ser um membro da empresa. No processo de investidura a organização identifica a utilidade e estabelece a viabilidade de utilização das características que os novos colaboradores possuem. A empresa pode fazer uso dessa identidade uma vez que esteja precisando. Por exemplo, a organizações 23 contratam gerentes pensando em como suas características podem auxiliar no crescimento da empresa. Já no processo de desapropriação os valores e a identidade individuais devem ser anulados e trocados por novos durante o processo de integração (VAN MAANEN, 1989). As técnicas de socialização têm como objetivo fazer com que o novo funcionário seja e se comporte de acordo como a empresa considera apropriadoa. Van Maanen (1989) observou que a socialização ocorre basicamente pelo treinamento, porém, depende também das expeditivas dos selecionados. Entretanto, é mais provável que um funcionário bem socializado seja mais comprometido com a empresa, e conseqüentementeconsequentemente desenvolvem desenvolva suas atividades de forma mais disposta, e mais eficiente e menos disposto a sair da organização. O autor, sita cita que a socialização deve ser também motivada pelos benefícios contínuos para a empresa, como a criação de laços entre os novos funcionários e a empresa. Chiavenato(1999) cita estas estratégias como sendo de reforço e eliminação. O processo por reforço apóiaapoia qualidades que o novo colaborador possui, enquanto que a eliminação não reforça qualidades e características presentes no indivíduo, que a organização na não apóieapoie. 3.3 Tendência nos Processos de Integração Segundo Barros (2013), no primeiro dia de trabalho os novos colaboradores são jogados numa sala fechada, onde a área de recursos tem a tarefa de dizer em algumas horas como é a rotina corporativa. Logo em seguida, é passado um vídeo institucional explicando o histórico da empresa, sua estrutura, seus processos e o cardápio de benefícios. Em alguns casos, dependendo o presidente aparece na tela para dar boas vindasboas-vindas. Para a autora, este tem sido o processo de integração utilizado pelas organizações ao longo dos anos. Em contrapartida, existem empresas que já estão mudando essa forma de receber os novos funcionários. Na Net, o programa de integração foi revisado pela última vez em fevereiro de 2013 e é realizado em dois dias. No primeiro dia os recém-chegados aprendem sobre como um sinal de TV a cabo chega à casa do assinante, e são passadas informações institucionais e do negócio. No segundo dia, todos os novos colaboradores passam o dia acompanhando as equipes de manutenção nas casas (BARROS, 2013). A Monsanto, empresa de produtos e serviços para a agricultura, desde 2010 passou a realizar o programa de integração de um dia para uma semana. O programa é sempre aberto pelo presidente e, de segunda a quarta, os novos funcionários passam por um treinamento que 24 explica as funções de aça cada área e como eles elas se relacionam. Na quinta e na sexta, são realizadas as visitas nas áreas de manufatura em algumas cidades onde seja desenvolvido trabalho de campo pela organização (BARROS, 2013). O laboratório Sabin, com sede em Brasília, teve seu período de socialização ampliado de um para dois dias neste ano. Este tempo é apenas para os recém-chegados conhecerem as informações básicas do negócio da empresa. O laboratório criou o chamado Treinamento Básico Introdutório (TBI), nesse treinamento os novos colaboradores passam uma semana escutando todos os gestores a respeito de sua trajetória na empresa e dos setores que comandam (BARROS, 2013). A multinacional Diageo, dona das marcar Johnnie Walker e Smirnoff, estendeu seu programa de integração para 120 dias. O processo inicia antes da chegada dos novos colaboradores, por meio da chamada ‘pré-admissão’. Os novatos recebem ainda em casa um kit de boas-vindas, composto de dois copos e um pen drive com todo o material do processo de integração e todas as políticas corporativas da organização, juntamente com uma carta de boas vindasboas-vindas da presidente da companhia. No dia da admissão, é realizada uma integração presencial de oitos horas, e o passo seguinte é o acompanhamento de 120 dias de casa, com encontros bimestrais, formais entre o gestor do contratado e um profissional do RH, que conversam sobre como está sendo a adaptação do novato (BARROS, 2013). Três meses é o tempo que os novos colaboradores da Allianz possuem para se integrar ao trabalho. Após o período de ambientação, o RH faz contanto contato com o colaborador e o gestor para avaliar como está o processo de adaptação (BARROS, 2013). A empresa John Deere, fabricante de tratores e máquinas agrícolas, abre seu programa de integração com a participação de algum executivo da organização, que fala sobre seu trabalho e conta sua trajetória de carreira. Além disso, são realizadas dinâmicas de grupo com os novatos e representantes de áreas-chaves, como marketing, TI e produtos, sobre as metas e os projetos de cada setor (BARROS, 2013). Foi-se o tempo onde o processo de integração era conduzido apenas pela área de Recursos Humanos. A tendência atualmente é de colocar a equipe em campo, envolver os líderes da área e aumentar o tempo do processo de ambientação. O objetivo é gerar o sentimento de pertencimento e engajamento com relação à organização (BARROS, 2013). 25 4 TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO O presente capítulo tem por objetivo de explicar o que são empresas de TI e como está o mercado de trabalho relacionado a esse setor. 4.1 Empresas de Tecnologia da Informação A Tecnologia da Informação (TI) é definida como um conjunto de recursos tecnológicos e computadores para o gerenciamento e uso da informação. Segundo Fiorentin (2011), a Tecnologia da Informação é uma gigante área responsável pelo gerenciamento de qualquer tipo de informação que utilize equipamentos, operações e armazenamento de dados, com a finalidade de gerar e manter a informação para o auxílio da tomada de decisão. Conforme Adriana Beal (2001), a principal vantagem que a tecnologia da informação oferece para as organizações, é a sua capacidade de melhorar a qualidade e a disponibilidade de conhecimento e informações para a empresa, clientes e fornecedores. Nesse sentido, a TI disponibiliza as às organizações oportunidades para a melhoria dos processos internos e dos serviços prestados. Para a organização e gestão das informações, as empresas de TI desenvolvem Sistemas Integrados de Gestão Empresarial, mais conhecido por ERP (Enterprise Resource Planning). ERP é definido como uma plataforma de softwares desenvolvida para integrar e armazenar todas as informações de negócio das diversas áreas de uma organização. Para o desenvolvimento de ERP, as empresas de TI precisam expressivamente de pessoas capacitadas para o aperfeiçoamento desta solução. Neste sentido, o mercado de trabalho relacionado à área de TI vem sofrendo com a falta de profissionais. De acordo com Venceslau (2013), a consultoria IDC realizou uma análise e divulgou que no Brasil existe uma carência 39,9 mil profissionais de tecnologia. Até 2015, esse número deve crescer para 117 mil vagas abertas semabertas, sem que as organizações encontrem profissionais qualificados para atendê-las. Diante desta perspectiva, as empresa de TI necessitam trabalhar a cultura organizacional e diminuir a ansiedade dos profissionais recém-chegados. Para tanto, existem os programas de socialização que ajudam a entender e assimilar os valores, a missão, a visão da organização. 26 5 ASPECTOS METODOLÓGICOS O capítulo sobre metodologia será subdividido conforme suas classificações: primeiro será abordado o tipo de estudo em questão, em seguida a população e amostra a que se refere a presente pesquisa, depois a coleta de dados e os instrumentos utilizados, seguido dos tratamentos estatísticos e, por fim, as limitações da pesquisa. 5.1 Tipo de Estudo Em relação ao objetivo do estudo, pode-se classificá-lo como sendo um estudo de caso. Segundo Gil (2002) o estudo de caso é uma modalidade que permite uma pesquisa aprofundada, ou seja, permite um conhecimento amplo sobre o assunto estudado. É comum a utilização do estudo de caso nas pesquisas, já que esse método tem por objetivo apontar um exame detalhado de um ambiente ou situação em particular. Neste tipo de pesquisa o pesquisador não interfere sobre o estudo, apenas revela como ele o percebe. (FONSECA, 2002). No que se refere à abordagem do problema, classifica-se como pesquisa quantitativa. Quantitativa, pois irá traduzir em números as informações coletadas, utilizando-se de métodos estatísticos, para viabilizar a análise dos dados (SILVA e MENEZES 2005). Todavia, para interpretar melhor as expectativas dos funcionários com relação ao processo de integração utilizou-se também da abordagem qualitativa, pois irá ajudar na compreensão ou explicação da situação pesquisada. (MINAYO, 2001). 5.2 População e Amostra Silva & Menezes (2005) diferenciam os conceitos de população e amostra: “população (ou universo da pesquisa) é a totalidade de indivíduos que possuem as mesmas características definidas para um determinado estudo. Amostra é parte da população ou do universo, selecionada de acordo com uma regra ou plana.” A população do estudo é representada pelos colaboradoresos contratados pela empresa no primeiro semestre do ano de 2013 e que passaram pelo processo de socialização. A amostra escolhida foi intencional, ou seja, quando são “escolhidos casos para a amostra que representem o “bom julgamento” da população/universo.” (SILVA e MENEZES 27 2005). Para a preservação das informações dos colaboradores, foi garantido o anonimato dos mesmos na apresentação dos resultados deste estudo. 5.3 Coleta de Dados e Instrumentos de Avaliação A coleta de dados está relacionada ao problema, a hipótese ou os pressupostos da pesquisa, tendo como objetivo auferir elementos para viabilizar o alcance dos objetivos propostos (SILVA e MENEZES 2005). De acordo com Silva (2005), o questionário pode ser definido como “uma série ordenada de perguntas que devem ser respondidas por escrito pelo informante. [...] deve ser objetivo, limitado em extensão e estar acompanhado de instruções”. A autora explica que os questionários podem conter: a) Perguntas abertas: não delimitam a resposta. Exemplo “Qual a sua opinião?”; b) Perguntas fechadas: delimitam a resposta a duas alternativas. Exemplo: “sim” ou “não”; c) Múltiplas escolhas: são perguntas fechadas, porém delimitam a resposta a uma série de alternativas possíveis. 5.4 Tratamento Estatístico Segundo Lakatos e Marconi (1991), “uma vez manipulados os dados e obtidos os resultados, o passo seguinte é a análise e a interpretação dos mesmos, constituindo-se ambas no núcleo central da pesquisa”. Por tratar-se de uma análise qualitativa e quantitativa, em que os pesquisados respondiam perguntas abertas e fechadas sobre o programa de ambientação utilizado pela empresa, para tabulação das questões quantitativa utilizou-se como suporte o software Excel, que permitiu tabular os dados, cruzar informações, construir gráficos específicos, estruturar tabelas, realizar contagem de respostas e analisar os resultados através de percentuais. Para a tabulação da pergunta aberta utilizou-se a abordagem da analiseanálise do conteúdo como forma de apuração dos dados. A análise de conteúdo é um método formal para a análise de dados qualitativos. (COLLIS e HUSSY, 2006) 28 6 APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS O presente capítulo apresentará os resultados da pesquisa aplicada junto aos colaboradores que participaram do processo de integração, bem como fará comparativos dos dados observados em relação à revisão de literatura, atendendo aos objetivos traçados para este estudo. O resultado do estudo será apresentado em duas etapas. Na primeira etapa será mostrado o perfil da amostra, ou seja, é descrito o número de participantes por unidade, por cargo e por data de contratação. Na segunda etapa, será mostrada à percepção dos novos colaboradores antes de fazer parte da organização, de qual empresa era proveniente, a compreensão e assimilação do colaborador com relação aos valores, a missão, a visão da organização, o sentimento dos recémchegados ao setor de trabalho, o sentimento com relação à organização e depoimentos sobre a importância do programa de socialização. 6.1 Perfil da amostra O instrumento de coleta de dados foi um questionário com 22 questões. O questionário foi enviado por emaile-mail aos colaboradores da empresa. A população pesquisada foram todos os 15 colaboradores, que foram admitidos no primeiro semestre de 2013 e que participaram do Programa de Integração. Os dados foram tratados de forma numérica e de forma conjunta para não haver a identificação dos envolvidos e analisados descritivamente. O Gráfico 1 representa a quantidade de colaboradores por unidade. 29 Colaboradores por unidade 11% 11% 45% UNGP UNJ SIENGE UNIC 11% SAJ 22% Gráfico 1 - Quantidade de colaboradores por unidade Fonte: Dados primários Segundo sinaliza o gráfico, a unidade UNGP é a que possui o maior número de colaboradores que participaram da pesquisa, ou seja, 45% dos pesquisados são provenientes desta unidade. Além do número de colaboradores por unidade, os pesquisados informaram sobre o cargo que estão exercendo. O número de funcionários por cargo ajuda conhecer melhor o nível de abrangência das ações nos programas de integração. Colaboradores por Cargo 11% Analista de Sistemas 23% 11% Analista Implementador Estagiário Analista de Relacionamento Gestor de Projetos 11% 22% 11% 11% Analista de Suporte Assistente de Marketing Gráfico 2 - Quantidade de colaboradores por cargo. Fonte: Dados primários O Gráfico 2 ilustra a quantidade de colaboradores por cargo. Pode-se perceber que a maioria dos contratados são Analistas de Sistemas (23%) e Analistas Implementadores (22%). 30 Por se tratar de uma empresa da área de Tecnologia da Informação, os cargos mais ofertados estão relacionados à análise e a programação. A pesquisa também procurou saber o período de contratação dos colaboradores, e verificou-se que 67% dos pesquisados foram admitidos no dia 11/03/2013 e apenas 33% entraram na empresa no dia 18/03/2013 conforme mostra o Gráfico 3. Data de Admissão 33% 11/03/2013 18/03/2013 67% Gráfico 3 - Data de admissão Fonte: Dados primários 6.2 Análise dos dados resultados O Gráfico 4, mostra o local de trabalho dos colaboradores antes de entrar na empresa. Local de trabalho anterior 11% Empresa privada na área de TI Empresa privada outras áreas 33% 56% Gráfico 4 - Local de trabalho anterior Fonte: Dados primários Empresa própria 31 Pode-se observar que 56% dos novos colaboradores contratados são provenientes de empresas privadas relacionadas à área de Tecnologia da Informação, 33% da amostra que respondeu a pesquisa veio de empresa privadas de outras áreas e os demais de empresas próprias. Foi questionado aos pesquisados qual a imagem que eles tinham antes de entrar na empresa. O Gráfico 5 mostra os resultados obtidos. Qual imagem anterior da empresa De um lugar onde poderia realizar-se profissionalmente 6 5 6 Do melhor lugar para se trabalhar 4 De um lugar tranquilo 3 Do lugar que mais oferece vantagens a seus colaboradores 2 1 2 2 2 2 1 0 1 De um lugar onde se trabalha muito e se ganha bem De um lugar como qualquer outro para se trabalhar Gráfico 5 - Imagem da empresa antes da contratação Fonte: Dados primários Nessa questão foi dada opção do respondente escolher mais de uma opção. A resposta mais selecionada mostra que os novos colaboradores tiveram interesse em fazer parte da empresa, porque acreditaram que a organização é um lugar onde poderiam realizar-se profissionalmente. Os colaboradores também possuem o sentimento que a organização remete a um lugar tranqüilotranquilo, a um melhor lugar pra se trabalhar, a um lugar que oferece vantagens, a um lugar onde se trabalha muito e se ganha bem e apenas um pesquisado respondeu que a empresa é como qualquer outro lugar para se trabalhar. O item ‘de um lugar onde se trabalha pouco e se ganha bem’ não foi citado por nenhum pesquisado. A Tabela 1 mostra o estudo de forma conjunta a respeito da percepção dos novos colaboradores com relação ao programa de integração. Dos 15 recém-chegados pesquisados apenas 60% responderam aà pesquisa. 32 Tabela 1 - Programa de Integração Questões Sim Respostas Não Parcialmente O programa de integração demonstrou de forma efetiva a missão da empresa? 08 01 O programa de integração demonstrou de forma efetiva a visão da empresa? 08 01 O programa de integração demonstrou de forma efetiva os objetivos organizacionais? 08 01 O programa de integração demonstrou de forma efetiva quais são os valores organizacionais? 08 01 O programa de integração demonstrou de forma efetiva qual será o meu papel como funcionário desta empresa no contexto? 03 01 05 O programa de integração ofereceu conteúdos que tiveram aplicabilidade imediata no meu trabalho? 06 02 01 O programa de integração foi conduzido por instrutores que possuem pleno conhecimento teórico do assunto? 08 A diversidade de atividades executadas durante o programa foi adequada para a compreensão do seu trabalho? 06 01 02 O programa conseguiu explicitar os comportamentos que são adequados que os funcionários tenham na empresa? 04 01 04 Você acredita que incorporou os valores desta empresa em relação ao desenvolvimento do seu trabalho? 06 O programa atendeu suas necessidades chaves de conhecimento da empresa com um todo? 02 01 06 O programa atendeu suas necessidades chaves de conhecimento para o exercício do seu trabalho? 03 03 03 O programa atendeu suas necessidades chaves de conhecimento dos valores organizacionais? 07 O programa atendeu suas necessidades chaves de conhecimento de como você pode crescer na empresa? 01 02 06 71 59,67% 11 9,24% 37 31,09% TOTAL DE INDICAÇÕES: 01 03 02 Fonte: Dados primários Os dados mostram que o programa de socialização comunicou de forma efetiva apenas 89% (sim) para os quesitos referentes à visão, missão, os objetivos organizacionais e os valores organizacionais. Ainda percebeu-se que o programa foi conduzido por instrutores que possuem um pleno conhecimento do assunto. Enquanto que, 11% compreenderam parcialmente estes quesitos. Constatou-se que o programa atendeu as necessidades chaves de conhecimento dos valores organizacionais para 78% dos colaboradores que responderam aà pesquisa. Porém, 22% dos respondentes entenderam parcialmente as necessidades chaves. Para 67% o programa ofereceu um conteúdo que teve aplicabilidade imediata no trabalho, que a variedade de atividades realizadas durante o programa foi adequada para a compreensão do trabalho e este percentual de respondentes acredita que incorporou os valores 33 da empresa em relação ao desenvolvimento das atividades. Em contrapartida, 22% informaram que o programa não ofereceu um conteúdo que tivesse uma aplicabilidade imediata no trabalho e 11% neste quesito achou que atendeu parcialmente. Com relação à diversidade de atividades executas durante o programa, 11% não acreditam que os exercícios ajudaram na compreensão do trabalho e 22% informam que atendeu parcialmente. Quanto à incorporação dos valores da empresa em relação ao desenvolvimento do trabalho, 33% incorporou parcialmente. Os 44,4% dos respondentes informou que o programa conseguiu explicitar os comportamentos adequados que os funcionários precisam possuir. Para, 11%, o processo não explicitou os comportamentos, e 44,4% acha que o programa atendeu parcialmente. Para, 33% o processo de integração demonstrou de forma efetiva qual o papel do funcionário dentro da organização, e que o programa atendeu suas necessidades chaves de conhecimento para o exercício do trabalho. Enquanto que, para 11%, o programa não demonstrou o papel do funcionário, e 56% acreditam que o processo demonstrou parcialmente o papel do colaborador. Para o quesito conhecimento para exercício das atividades [ACP6]33% dos respondentes informou que o programa não atendeu e 33% dos participantes responderam que atende parcialmente as necessidades. O quesito necessidades chaves de conhecimento da empresa como todo teve apenas 22% de respostas positivas e 11% de respostas negativas. A grande maioria 67% informou que o programa não transmitiu o conhecimento da empresa como um todo. Para o quesito necessidades chaves de conhecimento de crescimento na organização apenas 11% responderamu que o programa atendeu suas necessidades. Enquanto que, 22% informaram que não atendeu e que 67% atenderam parcialmente. Fazendo uma avaliação geral das respostas positivas, negativas e parciais, houve concordância em 59,67% dos participantes que o programa de socialização atendeu suas necessidades. Apenas 9,24% responderam que não atende e 31,09% disseram que atendeu parcialmente. Por isso, novos estudos devem ser realizados para entender de maneira mais detalhada, o que estes colaboradores destacariam para que o processo integrasse de forma mais efetiva os recém-chegados, e melhorar a validade das ações nos quesitos destacados. No geral o programa de socialização foi validado como satisfatório, porém alguns quesitos chaves devem ser administrados. A pesquisa também procurou mostrar como o funcionário se sentiu ao chegar aà área de trabalho. O Gráfico 6 ilustra em quantidade a percepção destes colaboradores. Lembrando que foi dada a opção de selecionar mais de uma opção. 34 Sentimento ao chegar à sua área 7 6 7 Bem acolhido (a) Integrado (a) 5 Confiante 4 Sub-aproveitado (a) 4 3 Pronto (a) para produzir 3 2 2 2 Bem aproveitado (a) 2 1 Inseguro (a) 1 0 1 Gráfico 6 - Sentimento ao chegar à sua área Fonte: Dados primários O gráfico aponta que a maioria se sentiu bem acolhido, integrado e confiante ao chegar à sua estação de trabalho. Embora, alguns tenham se sentido também sub- aproveitadosubaproveitado e inseguros. O Gráfico 7 mostra se ocorreu algum choque entre aquilo que o colaborador esperava encontrar e que encontrou na equipe de trabalho. Choque entre o que se esperava e o que se encontrou 4 3,5 4 Não pude produzir logo que cheguei 4 Encontrei o que buscava na empresa 3 2,5 Meu setor não tinha sequer estrutura física para me receber 2 1,5 É exatamente como imaginei 1 1 0,5 0 1 1 As pessoas não têm o preparo que imaginei que teriam 1 Gráfico 7 - Choque entre o que espera e o que encontrou Fonte: Dados primários A maioria informou que não conseguiu produzir logo que chegou a estação de trabalho e encontraram o que buscavam na empresa. Um respondente informou que a empresa é exatamente como imaginava. A pesquisa apresentou uma resposta que informou que a empresa 35 não havia disponibilizado estrutura física pra receber o colaborador e que as pessoas não têm o preparo imaginado. Além do questionário fechado, a pesquisa procurou entender com os novos colaboradores quais as principais vantagens de um programa de integração. A seguir são mostrados os depoimentos. Para o colaborador A, a principal vantagem é: Melhorar o feedback entre os integrantes da equipe e fortalecer o trabalho colaborativo. Para o colaborador B, o programa de integração é importante para: Disponibilizar uma visão macro da empresa antes de iniciar minhas atividades. Para o colaborador C, o programa é necessário para: Garantir o preparo do colaborador para atuar de forma eficiente na sua função. Para o colaborador D, o processo de socialização é importante para: É importante principalmente para grandes empresas, pois fornece uma visão global da empresa, e possibilita uma melhor assimilação de quais são os valores e comportamento dos novos funcionários esperados pela empresa. Para o colaborador E, o programa se faz necessário para: O programa integração dá uma visão geral da empresa, do ramo dela e quais são seus cliente. A maior vantagem que vislumbro é de que eu me senti bem acolhido na empresa. Para o colaborador F, G e H, o programa é importante para: O conhecimento da empresa, seus valores e forma de trabalhar. Os depoimentos fornecidos ressaltam em sua maioria que a principal vantagem do programa 36 CONSIDERAÇÕES FINAIS Esta pesquisa 37 REFERÊNCIAS ARAÚJO, L. C. G. Gestão de pessoas: estratégias e integração organizacional. São Paulo: Atlas, 2006. BEAL, Adriana. Manual de Gestão de Tecnologia da Informação, 2001. BARROS, Isabela. Para dar boas vindas aos novatos empresa mudam o processo de integração. Disponível em: < http://oglobo.globo.com/blogs/tecnologia/posts/2013/06/26/mudancas-no-mercado-de-ti499849.asp>. Acesso em 11 de agosto de 2013. CHIAVENATO, I. Gestão de Pessoas. Rio de Janeiro: Campus, 2008. COLLIS, Jill; HUSSEY, Roger. 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