UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA CENTRO DE CIÊNCIAS TECNOLÓGICAS DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO E SISTEMAS ANTONIO FELIPE GOMES TEIXEIRA APLICAÇÃO DO MODELO SCOR PARA ANÁLISE DE DESEMPENHO DOS SERVIÇOS PRESTADOS POR UM OPERADOR LOGÍSTICO JOINVILLE – SC – BRASIL 2014 ANTONIO FELIPE GOMES TEIXEIRA APLICAÇÃO DO MODELO SCOR PARA ANÁLISE DE DESEMPENHO DOS SERVIÇOS PRESTADOS POR UM OPERADOR LOGÍSTICO Trabalho de Graduação apresentado à Universidade do Estado de Santa Catarina, como requisito parcial para obtenção do grau de Engenheiro de Produção e Sistemas. Orientador: Dr. Fernando Natal De Pretto JOINVILLE – SC – BRASIL 2014 ANTONIO FELIPE GOMES TEIXEIRA APLICAÇÃO DO MODELO SCOR PARA ANÁLISE DE DESEMPENHO DE SERVIÇOS PRESTADOS POR UM OPERADOR LOGÍSTICO Trabalho de conclusão de curso aprovado como requisito parcial para obtenção do grau de Engenheiro em Produção e Sistemas, da Universidade do Estado de Santa Catarina do Centro de Ciências Tecnológicas, Curso de Engenharia de Produção e Sistemas. Banca Examinadora Orientador: _______________________________________________________________ Professor Fernando Natal de Pretto, Dr. UDESC Membro: _______________________________________________________________ Professor Valdesio Benevenutti, MSc. UDESC Membro: _______________________________________________________________ Professor Evandro Bittencourt, Dr. UDESC Joinville (SC), 26 de maio de 2014 AGRADECIMENTOS Aos meus pais e grandes amigos, Yara e Silvio, por todo amor, dedicação e carinho durante toda a vida. Sem vocês eu não teria conquistado nada e é o exemplo de vocês que me inspira a seguir lutando para alcançar meus objetivos. Aos meus irmãos, Vinicius, Matheus, Lucas e Gabriel, por todos os grandes momentos juntos, que ajudaram muito na construção da pessoa que sou hoje. Obrigado pelas conversas sérias e pelos momentos de descontração. A Maria Eugenia, por toda parceria, carinho, compreensão, ajuda e principalmente por acreditar em mim sempre e não deixar desanimar ao longo da elaboração deste trabalho e em todos os dias que estamos juntos. A Universidade do Estado de Santa Catarina, que através de todos os profissionais envolvidos, ofereceu suporte e condições para formação acadêmica. Aos companheiros de empresa, que com sua ajuda possibilitaram que este trabalho fosse desenvolvido na prática, o que contribuiu muito para a minha formação acadêmica. Aos grandes amigos conquistados na universidade e que com certeza levarei para toda a vida. Serei eternamente grato pelo aprendizado em cada momento que passamos juntos, tanto nos momentos de lazer quanto nas atividades desenvolvidas ao longo do curso. “Existem muitas hipóteses na ciência que são erradas. Isso é perfeitamente aceitável; elas são a abertura para descobrir as hipóteses certas. A ciência é um processo auto-corretivo.” (Carl Sagan) ANTONIO FELIPE GOMES TEIXEIRA APLICAÇÃO DO MODELO SCOR PARA ANÁLISE DE DESEMPENHO DE SERVIÇOS PRESTADOS POR UM OPERADOR LOGÍSTICO RESUMO A Logística e o Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos cresceram em complexidade e importância com o passar do tempo e hoje figuram entre os setores que reúnem capacidade de proporcionar diferencial competitivo para as empresas. A terceirização das atividades da logística, função desenvolvida por empresas conhecidas como Operadores Logísticos (OL), é uma ação que vem ganhando notoriedade e aparece como alternativa para alcançar a redução de custos, aumento da diferenciação e incremento da qualidade nas operações logísticas necessárias para a produção e entrega de produtos aos consumidores. O número de Operadores Logísticos no Brasil está crescendo desde o ano de 1994, o que já gera concorrência entre os participantes deste setor. Atualmente as contratantes sentem-se cada vez mais livres para alterar o prestador de serviços, escolhendo o que apresenta melhor desempenho. O principal motivo pelo qual a contratante sente-se insatisfeita com os serviços prestados é a falta de informações de desempenho. Para que os OLs mantenham-se competitivos e cumpram com sua promessa de redução de custo e aumento da qualidade, além de responder às necessidades apresentadas pelos clientes, devem tomar ações que garantam a melhoria contínua de seus serviços. Este trabalho sugere a aplicação do modelo SCOR para mensuração do desempenho dos serviços prestados pelos OLs, auxiliar na definição de metas e na análise de desvios e para manter o prestador de serviços em contato com as melhores práticas do mercado. Foi desenvolvido um estudo de caso onde o modelo foi aplicado, discutindo os principais resultados, tais como o estabelecimento de um conjunto de métricas e indicadores que melhor retratem as operações, melhorias na divulgação do desempenho para os clientes e envolvidos, aumento da confiabilidade nos dados gerenciados e mudança de postura dos colaboradores. Desta forma, conclui-se que a aplicação do modelo é viável para auxiliar a mensuração do desempenho dos serviços prestados por Operadores Logísticos. PALAVRAS-CHAVE: Cadeia de Suprimentos, Terceirização Logística, Operador Logístico, Modelo SCOR, Avaliação de Desempenho. LISTA DE FIGURAS Figura 1 - Primeira Fase da Evolução da Logística ........................................................ 17 Figura 2 – Segunda Fase da Evolução da Logística ....................................................... 18 Figura 3 – Terceira Fase da Evolução da Logística........................................................ 18 Figura 4 - O Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos ............................................... 19 Figura 5 – Evolução do Número do Faturamento dos OLs ............................................ 28 Figura 6 – Perspectivas do modelo The Balanced Scorecard ........................................ 31 Figura 7 – O Modelo Prisma de Desempenho ................................................................ 32 Figura 8 – Processos do modelo SCOR ......................................................................... 34 Figura 9 – Integração dos Processo do modelo SCOR ................................................... 35 Figura 10 – Etapas da Metodologia ................................................................................ 38 Figura 11 - Esquema de Centro de Distribuição............................................................ 44 Figura 12 – Macro Fluxograma dos Processos de Nível I.............................................. 51 Figura 13 - Fluxos dos Produtos Siderúrgicos .............................................................. 52 Figura 14 – Fluxograma do processo de Planjamento .................................................... 55 Figura 15- Fluxograma Transporte Porto - Terminal ..................................................... 56 Figura 16 – Fluxograma Movimentação Interna e Distribuição..................................... 58 Figura 17 – Fluxograma Devolução ............................................................................... 59 Figura 18 – Fluxograma Detalhado Movimentação Interna e Distribuição ................... 61 Figura 20 – Exemplo de Gráfico Padrão ........................................................................ 64 Figura 19- Planilha Eletrônica para coleta de dados ...................................................... 64 Figura 21 – Quadro de Gestão a Vista ............................................................................ 65 LISTA DE QUADROS Quadro 1 - Diferenças entre Produtos e Serviços ........................................................... 22 Quadro 2 – Diferenças entre Prestadores de Serviços Tradicionais e Operadores Logísticos ....................................................................................................................... 27 Quadro 3 – Motivos da Insatisfação dos Contratantes de Operadores Logísticos ......... 28 Quadro 4 – Indicadores Medidos Antes da Aplicação do Modelo SCOR ..................... 48 Quadro 5 – Métricas Nível I ........................................................................................... 53 Quadro 6 – Métricas Nível II - Planejamento................................................................. 55 Quadro 7 – Métricas Nível II – Transporte Porto/Terminal ........................................... 57 Quadro 8 – Métricas Nível II – Movimentação Interna e Distribuição .......................... 58 Quadro 9 – Métricas Nível II - Devolução ..................................................................... 60 Quadro 10 – Indicadores Nível III – Movimentação Interna e Distribuição .................. 61 Quadro 11 – Indicadores, Melhores Práticas e Metas .................................................... 66 LISTA DE ABREVIATURAS BSC BALANCED SCORECARD CD CENTRO DE DISTRIBUIÇÃO CS CADEIA DE SUPRIMENTOS EDI ELETRONICA DATA INTERCHANGE MDIC MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO EXTERIOR MG MINAS GERAIS OL OPERADOR LOGÍSTICO OMC ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DO COMÉRCIO PIB PRODUTO INTERNO BRUTO PR PARANÁ PSL PRESTADOR DE SERVIÇO LOGÍSTICO RS RIO GRANDE DO SUL SC SANTA CATARINA SCC SUPPLY CHAIN CONCIL SCOR SUPPLY CHAIN OPERATIONS REFERENCE SP SÃO PAULO UDESC UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ......................................................................................................... 13 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ............................................................................ 16 2.1 GERENCIAMENTO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS ...................................... 16 2.1.1 Histórico da Logística .......................................................................................... 16 2.1.2 Logística como diferencial competitivo .............................................................. 20 2.2 SERVIÇOS ............................................................................................................... 21 2.3 TERCEIRIZAÇÃO DE SERVIÇOS ........................................................................ 23 2.4 OPERADORES LOGÍSTICOS ................................................................................ 26 2.5 MODELOS DE MENSURAÇÃO DE DESEMPENHO ......................................... 29 2.5.1 The Balanced Scorecard ...................................................................................... 30 2.5.2 Modelo Prisma de Desempenho .......................................................................... 31 2.5.3 Modelo SCOR ..................................................................................................... 32 3 METODOLOGIA...................................................................................................... 36 3.1 IDENTIFICAÇÃO DO PROBLEMA ...................................................................... 36 3.2 BUSCA DE REFERENCIAL TEÓRICO ................................................................ 36 3.3 QUESTIONÁRIOS NÃO ESTRUTURADOS ........................................................ 37 3.4 ANÁLISE DAS MELHORES PRÁTICAS /DEFINIÇÃO DA ESTRATÉGIA ..... 37 4 RESULTADOS E DISCUSSÃO .............................................................................. 39 4.1 APRESENTAÇÃO DA EMPRESA ESTUDADA .................................................. 39 4.2 PRINCIPAIS ATIVIDADES DESENVOLVIDAS PELA EMPRESA .................. 40 4.2.1 Gestão de Transportes e Distribuição .................................................................. 40 4.2.2 Logística InHouse ................................................................................................ 42 4.2.3 Gestão de Centros de Distribuição ...................................................................... 44 4.2.4 Logística de Siderúrgicos .................................................................................... 45 4.3 MÉTODO ATUAL DE MEDIÇÃO DE DESEMPENHO ...................................... 47 4.4 APLICAÇÃO DO MODELO SCOR ....................................................................... 49 4.4.1 Nível I .................................................................................................................. 50 4.4.2 Nível II................................................................................................................. 54 4.4.3 Nível III ............................................................................................................... 60 4.4.4 Nível IV ............................................................................................................... 63 5 CONCLUSÃO............................................................................................................ 67 REFERÊNCIAS ........................................................................................................... 69 13 1 INTRODUÇÃO A concorrência crescente observada em grande parte das indústrias estabelece uma condição para as empresas em geral: aquelas que não atendem às expectativas do seu público alvo estão fadadas ao insucesso. Estas expectativas podem ser traduzidas como sendo principalmente relativas a custo, qualidade e grau de diferenciação dos produtos e serviços ofertados. A empresa que não entende a necessidade dos seus consumidores, ou não consegue responder a altura a estas necessidades, corre o risco de ser substituída por um dos seus concorrentes. A busca pela diferenciação, qualidade e redução de custos nas empresas pode ser observada em todos os seus setores, desde a Produção, setor Financeiro e Marketing – onde medidas constates propõem-se a reduzir os custos e aumentar o volume de vendas – até os setores de Pesquisa e Desenvolvimento e Engenharia – que buscam o desenvolvimento de característica que diferenciem os produtos dos demais presentes no mercado. A evolução e o crescimento da importância da Logística, observado nas quatro fases propostas por Novaes (2007), colocaram-na também entre os setores capazes de proporcionar diferencial competitivo às empresas. No início a Logística compreendia basicamente as simples funções de manuseio de materiais, transporte e armazenagem. Com a evolução criou-se o conceito de Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos, caracterizado como sendo um setor que integra todas as funções já desempenhadas pela logística anteriormente, além de funções estratégicas e de planejamento. Com isto, os executivos das empresas passaram a enxergar na Logística possibilidades de ganhos e diferenciação dos produtos e serviços oferecidos ao mercado. Paralelamente ao desenvolvimento da Logística, observou-se mundialmente a evolução da prática da terceirização de atividades, como a de funções de Segurança Patrimonial, desenvolvimento de produtos e publicidade, por exemplo, as quais não caracterizavam as funções principais das empresas que optavam por terceirizar (HENRIQUE; DELGADO, 2004). Através da terceirização as empresas podiam focar em seus negócios principais, repassando a outras empresas a responsabilidade pela realização das atividades de suporte (GIOVANELA; HAERTHEL, 2009). O sucesso desta prática, que proporcionou também redução de custos, fez com que ela se tornasse cada vez mais comum e mais abrangente. 14 Esta abrangência atingiu também a Logística, setor onde também começou a surgir no mercado empresas especializadas em desempenhar funções deste ramo. A terceirização surgiu como uma alternativa para a redução de custos logísticos aliado a um aumento da qualidade nas operações. As empresas que assumem as atividades da logística desempenhavam no início basicamente funções de transporte e manuseio de materiais. Com o passar do tempo passaram a assumir também as funções de planejamento e controle de operações. Tais empresas foram denominadas Operadores Logísticos (OL). O sucesso da terceirização logística, com o aumento da qualidade e redução dos custos logísticos em muitos casos, fez com o que o número de OLs crescesse muito no Brasil e no mundo para atender a este mercado em expansão (SOUZA; MOURA, 2007). Esta expansão gerou concorrência neste setor, o que é observado na atualidade, onde as empresas contratantes sentem-se livres para rescindir com os OLs e contratar operadores que prestem serviços de acordo com o que desejam (ILOS, 2009). O principal motivo para a insatisfação elencado por ILOS (2009) é a falta de informações de desempenho dos serviços gerenciados pelo OL. Esta preocupação em gerar resultados positivos para diferenciar-se no mercado e responder aos anseios dos clientes traz a tona uma necessidade para os Operadores Logísticos: a definição de um modelo que auxilie a avaliação de desempenho e a definição de metas que proporcionem a melhoria contínua dos serviços prestados pelo OL. Um modelo atual e que é focado na mensuração de desempenho para a Cadeia de Suprimentos e Logística é o Modelo SCOR – Supply Chain Operations Reference, ou Modelo de Referência das Operações da Cadeia de Suprimentos – o qual apresenta metodologia para realizar mapeamento das atividades da cadeia de suprimento das empresas, avaliação de desempenho e direcionamento de melhorias. Foi desenvolvido pelo Conselho de Cadeia de Suprimentos (Supply Chain Council) em 1996 e está em constante aperfeiçoamento. O objetivo geral deste trabalho é a proposta de aplicação do modelo SCOR como forma de mensurar o desempenho dos serviços prestados por um Operador Logístico e de identificar oportunidades de melhoria na Cadeia de Suprimentos gerenciada por este OL. 15 Para o alcance deste objetivo, os objetivos específicos elencados são: i. Identificar o contexto e os tipos de operações gerenciadas por Operadores Logísticos; ii. Mapear os fluxos de informação e de materiais presentes entre os participantes das Cadeias de Suprimentos gerenciados por OLs; iii. Propor indicadores de desempenho que melhor retratem as operações gerenciadas pelo OL, além das melhores práticas do mercado para cada indicador. O presente trabalho divide-se em cinco etapas que se fazem necessárias para a correta explanação dos conceitos e dos métodos utilizados para fundamentar a proposta. Além da presente Introdução aos conceitos, o capítulo 2 traz um referencial teórico que aprofunda os temas envolvidos no estudo, como Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos, Terceirização Logística e Modelos de Avaliação de Desempenho. Depois de realizar levantamento dos assuntos pertinentes ao estudo, apresenta-se no capítulo 3 a metodologia utilizada para a aplicação dos conceitos. A metodologia é apresentada na ordem cronológica que os fatos devem ocorrer durante a aplicação dos conceitos do trabalho. O capítulo 4 refere-se à aplicação dos conceitos em um estudo de caso realizado em um Operador Logístico da cidade de Joinville (SC), o qual não teve o nome identificado por opção da empresa. O estudo traz os principais serviços gerenciados pelo OL em questão e a aplicação do modelo SCOR para a identificação de melhorias na Cadeia de Suprimentos em um dos serviços gerenciados pela empresa. Por fim, o capítulo 5 traz as conclusões referentes a aplicação do modelo, apresentando os resultados obtidos e discussão de possíveis desdobramentos que o trabalho pode trazer, avaliando a possibilidade da aplicação em larga escala por demais Operadores Logísticos. 16 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Neste capítulo serão apresentados conceitos fundamentais para delinear os principais assuntos relacionados ao foco do presente trabalho, dentre eles Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos e Logística, Serviços, Operadores Logísticos e Modelos de Mensuração de Desempenho. 2.1 GERENCIAMENTO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS Esta seção apresenta um histórico da presença da logística durante a evolução da humanidade, bem como explica como se deu o processo de desenvolvimento da Logística Empresarial. Por fim, foca na apresentação da logística como diferencial competitivo nas organizações. 2.1.1 Histórico da Logística Desde o princípio da história da humanidade a logística esteve presente e interferiu no modo de vida dos povos, que se viam obrigados a viver nas proximidades das fontes de alimentos pois não havia maneiras fáceis de transportar e conservá-los. O transporte era limitado ao que as pessoas conseguiam fazer por suas próprias forças (BALLOU, 2006). Com isto, as sociedades ficavam restritas a consumir pouca diversidade de alimentos. Devido ao desenvolvimento do comércio e dos sistemas de transporte e armazenagem de mercadorias, atividades características da logística, esta realidade pode ser alterada, com o consumo dos produtos podendo ser realizado em locais distantes da produção. A importância da logística também foi muito clara na época da expansão dos territórios europeus com o advento das grandes navegações, principalmente nos séculos XIV e XV. O sucesso das expedições dependia fortemente da acurácia dos cálculos de níveis de estoques de suprimentos, pois as viagens demoravam meses e não havia pontos de reposição de alimentos e demais artigos fundamentais, de acordo com Miceli (2008). Erros de planejamento neste sentido poderiam comprometer o alcance dos objetivos das tripulações. 17 Já na Segunda Guerra Mundial, de acordo com Silva e Musseti (2003), as aplicações da logística tiveram grande notoriedade. Serviram como base para posicionar, na quantidade correta e com agilidade, os armamentos, munições, mantimentos e tropas. Segundo Ballou (2006) os militares norte-americanos apoiam desde a Segunda Guerra pesquisas na área da logística, o que impulsionou o crescimento da logística de negócios. Além disso, o termo logística tem seus primórdios ligados ao período de guerra. Uma definição do termo, segundo o dicionário Webster's New Encyclopedic Dictionary (1994) é o de que a logística é o ramo da ciência militar que lida com a obtenção, manutenção e transporte de material, pessoal e instalações. Nos períodos seguintes da história da humanidade a logística cresceu em complexidade e importância para os mais diversos ramos empresariais. Para Novaes (2007), a evolução da Logística no período pós-guerra pode ser classificado em quatro fases: 1. Primeira fase - Atuação segmentada: não havia integração entre os elos da cadeia logística. Ocorreu até a década de 1970. Cada agente da cadeia desempenhava sua função de forma separada, e com estoques de segurança entre eles. Buscava-se economia de escala através dos transportes de altos volumes. Esquematicamente a Figura 1 representa esta fase, apresentando os elos e o estoque existente entre eles. Figura 1 - Primeira Fase da Evolução da Logística Fonte: Portal Marco Arbex 2. Segunda Fase – Integração Rígida: Nesta fase, que ocorreu após os anos 70, os agentes passam a ter alguma integração. A gestão de transportes começou a ser planejada em conjunto pelos elos da cadeia. Porém a integração não era preparada para responder de forma ágil às mudanças no mercado e às crises, 18 como a crise do petróleo que, segundo Souza e Moura (2007), ocorreu neste período e aumentou os custos logísticos. Técnicas como previsão de demanda – que de acordo com Krajewski (1994) são utilizados para estimar quantos produtos serão requeridos em um período de tempo – começam a ser utilizadas nesta fase, o que começou a auxiliar no processo de planejamento logístico. A Figura 2 ilustra esta fase, em que os elos da cadeia logística passam a estar interligados, mas de forma rígida. Figura 2 – Segunda Fase da Evolução da Logística Fonte: Portal Marco Arbex 3. Terceira Fase – Integração Flexível: Começou ao fim da década de 1980. O planejamento logístico começou a ter características mais flexíveis, atendendo melhor aos estímulos e às mudanças ocorridas no mercado. O nível de integração foi favorecido imensamente pela tecnologia EDI -Eletronic Data Interchange, ou Intercâmbio Eletrônico de Dados. De acordo com Bittar e Lima (2004) os ganhos possibilitados pelo EDI estão relacionados à troca de informações em tempo real entre clientes e fornecedores sobre modelos da demanda, nível de estoque e planejamento da produção. A Figura 3 representa esta fase, e tem a forma sinuosa ilustrando a flexibilidade que a logística adquiriu neste período. Figura 3 – Terceira Fase da Evolução da Logística Fonte: Portal Marco Arbex 19 4. Quarta fase – Integração Estratégica: Nesta fase, que ocorre atualmente, a logística passa a caracterizar função estratégica nos processos das organizações. Dá-se maior importância para a redução de custos e desperdícios, aumento da qualidade dos processos logísticos e da visão da logística como diferencial competitivo. A terceirização de atividades logísticas começa a ganhar evidência. Surge o conceito de Cadeia de Suprimentos, que dá mais amplitude e abrangência à logística empresarial. Segundo Chopra e Meindl (2003, p. 3), “a Cadeia de Suprimentos engloba todos os estágios envolvidos no atendimento de um pedido do cliente. Não inclui apenas fabricantes e fornecedores, mas também transportadoras, depósitos, varejistas e os clientes”. A Figura 4 apresenta um resumo das atividades logísticas desempenhadas em cada período e como se deu o processo de incorporação de novas atividades devido às mudanças ocorridas. Nos períodos até 1960 as atividades eram executadas de forma não integrada, como citado anteriormente, não havendo um processo comum que unisse os agentes que desenvolviam tais atividades. Figura 4 - O Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos Fonte: Ballou (2006) 20 Principalmente nos períodos entre os anos de 1960 e 2000, as funções citadas convergiram para um processo comum, denominado Logística Empresarial. Na atualidade o conceito de Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos uniu as funções da Logística com as funções de Planejamento, Marketing e Finanças. Para Ballou (2006) oportunidades para a melhoria de custos ou serviços aos consumidores só são concretizadas com a colaboração e coordenação entre todos estes elos. 2.1.2 Logística como diferencial competitivo A logística tem por objetivo criar valor para os clientes e demais envolvidos com os produtos ou serviços prestados pelas empresas (BALLOU; 2006). Este valor é manifestado em forma de tempo e lugar. Produtos e serviços não tem valor a não ser que sejam fornecidos no local e no tempo em que o cliente deseja adquiri-los. Saber identificar as atividades logísticas que agregam e as que não agregam valor ao cliente final é fundamental para buscar a satisfação dos mesmos. Com a competitividade acirrada do mercado globalizado atual, os custos inerentes aos processos logísticos também devem receber atenção especial na busca do sucesso nos negócios. Para Lima (2006), estima-se que os custos logísticos representem cerca de 13% do PIB do Brasil. Estes custos referem-se ao transporte de mercadorias utilizando diferentes modais para escoar a produção nacional, porém com uma concentração no modal rodoviário (cerca de 60% do volume), além dos custos de armazenagem e custos administrativos. Todos estes custos estão presentes também na composição dos preços finais de produtos e serviços fornecidos pelas empresas. Portanto, reduções de custos logísticos podem representar maior participação no mercado, através da redução do preço final dos produtos, possibilitando também maior lucratividade para as empresas. Além da redução de custos, quanto melhor for desempenhada a função logística maior o diferencial da empresa perante os concorrentes. Isto pode ocorrer através da personalização de sistemas de distribuição, por exemplo, sempre buscando disponibilizar os produtos no local e momento em que o cliente deseja. Atualmente diversas empresas apostam na diferenciação logística para conquistar mercado. Um exemplo desta diferenciação é o conceito de Logística Centrada no Cliente, difundido 21 por Bovet e Thiagarajan (2000). Segundo eles, para que a empresa consiga oferecer serviços diferenciados, quatro passos importantes devem ser seguidos: i. Compreender a necessidade dos clientes, através de levantamento utilizando de métodos como pesquisas e entrevistas com participantes de canais; ii. Compreender a fase do ciclo de vida dos clientes, ou seja, identificar clientes que tem hoje o resultado mais positivo, e quais trarão mais lucratividade no futuro; iii. Desenvolver pacotes de serviços voltados aos clientes: após conhecer a necessidade dos clientes e quais dão melhores resultados, é possível projetar pacotes especiais para cada cliente; iv. Alinhar toda a cadeia de suprimentos à estratégia: Após definir os requisitos dos clientes deve-se coordenar o desempenho de cada um dos elos da cadeia de suprimentos, desde o projeto, a provisão e a fabricação até vendas e distribuição. Além da infra-estrutura e recursos físicos, deve-se dar importância aos recursos humanos, às medidas de desempenho e aos sistemas de informação necessários para que a operação seja bem sucedida. Para que a empresas consigam se concentrar no seu core business, ou seja no seu negócio principal, e além disso para que prestem serviços logísticos de forma diferenciada, com aumento da qualidade e redução de custos, uma tendência tem se observado no mercado (WANKE, 2004). Trata-se da contratação de Prestadores de Serviços Logísticos (PSL), tema que terá mais enfoque nas etapas seguintes deste trabalho. 2.2 SERVIÇOS As definições de serviços são as mais variadas em função da dificuldade de se estabelecer claramente um conceito. Para Zeithaml e Bitner (2003), serviços podem ser definidos como “ações, processos e atuações”. Já Kotler (2005, p.403) tece uma definição um pouco mais ampla para serviços, que segundo ele são “qualquer ato ou desempenho que uma parte pode oferecer a outra e que seja essencialmente intangível. Sua produção pode ou não estar vinculada a um produto físico”. 22 Podem ser produzidos tanto por empresas prestadoras de serviços como por empresas de manufatura, que agregam valor aos produtos vendidos com o oferecimento de serviços como garantia, manutenção e pós-venda de veículos, por exemplo. Algumas características diferenciam os serviços dos bens de consumo, como apresentado no Quadro 1. Quadro 1 - Diferenças entre Produtos e Serviços Bens Serviços Implicações Tangíveis Intangíveis Como os serviços são ações, eles não podem ser vistos, tocados ou sentidos. Por isto não são tangíveis. Padronizados Heterogêneos (em maioria) sua Os resultados dos serviços não são exatamente os mesmos quando aplicados em circunstâncias devido a distintas, fatores como pessoas, local de aplicação, dentre outros. Produção e consumo não Produção simultâneos simultâneos e consumo A produção acontece do junto serviço ao seu consumo, como no caso de consultas médicas, corte de cabelo, limpeza, etc. Não perecíveis Perecíveis Os serviços não podem ser estocados, são consumidos no ato de sua produção. Fonte: Adaptado de Zeithaml e Bitner (2003), p.26 A natureza dos serviços pode ser das mais variadas. Viu-se então a necessidade de segmentá-los por classes. Segundo o portal eletrônico do MDIC (1999), a OMC Organização Mundial do Comércio - (1991) classifica os serviços em doze setores. Dentre eles destaca-se a classe de serviços de transporte e auxiliares (movimentação, estoques e armazenagem) que, como a maioria das demais classes de serviços, está presente em algum grau em todas as empresas na atualidade. Nas indústrias de bens de 23 consumo tais serviços caracterizam função vital, que podem sacramentar o sucesso ou declínio dos negócios. Podem ser desempenhados tanto pela própria organização como por empresas contratadas para este fim. A contratação de empresas para a realização das atividades logísticas é o que define a terceirização logística. 2.3 TERCEIRIZAÇÃO DE SERVIÇOS Transferir a responsabilidade da execução de tarefas de uma empresa para outra, através do estabelecimento de uma relação de parceria entre ambas, é a ideia central da terceirização, ou seja, “é a contratação de terceiros, por parte de uma empresa, para a realização de atividades gerenciais não essenciais, visando à racionalização de custos, à economia de recursos e à desburocratização administrativa” (HOUAISS, 2004, p.327). A decisão pela terceirização geralmente é tomada pela alta gerência das empresas que, com base na estratégia traçada em seu planejamento empresarial, analisa o mercado e decide se este é a melhor fonte para se obter um produto ou serviço ou se a produção própria traz melhores resultados. Caso o mercado seja a melhor opção, a empresa acaba optando pela terceirização da produção dos bens ou serviços (MALTZ; ELLRAM, 1997). A prática da terceirização teve seu início próximo ao período que ocorreram as duas grandes guerras mundiais. Nesta época a demanda por armamentos e a pouca oferta para atendê-la fizeram com que as grandes indústrias buscassem a redistribuição das tarefas, através da transferência de atividades para outras empresas, resultando num aumento de produtividade. Esse momento foi marcado como “a gênese da transição do modelo de produção taylorista/fordista para o modelo atual” (HENRIQUE; DELGADO, 2004, p. 82). Os modelos de produção taylorista/fordista “caracterizavam-se por empresas verticalizadas, capazes de produzir todos os elementos da cadeia produtiva, desde o parafuso ao motor do carro” (HENRIQUE; DELGADO, 2004, p. 82). Estes modelos atendiam às demandas até a Segunda Guerra Mundial, quando principalmente as indústrias bélicas tiveram um salto de produção e para conseguir entregar os seus produtos viram a necessidade de delegar atividades acessórias à outras empresas. Já com a crise petrolífera na década de 1970 a economia global ficou desestabilizada o que obrigou muitas empresas a se reestruturarem para garantir sua sobrevivência devido às dificuldades encontradas neste período, como o aumento no 24 custo de mão-de-obra, energia e insumos (SOUZA; MOURA, 2007). Com isto as empresas buscaram formalizar parcerias com prestadoras de serviço para que estas executassem determinadas atividades essenciais para a fabricação, ocorrendo neste período o ápice do fenômeno da terceirização, cujo objetivo principal era reduzir os custos de produção. No fim da década de 1980 e início da década de 1990, a globalização tornou os processos de troca de informações e deslocamento de mercadorias muito mais ágeis (TREVISAN, 2002). Com a facilidade do intercâmbio de informações, os consumidores puderam compartilhar experiências sobre os produtos de maneira mais fácil. Desta forma ficaram mais exigentes com relação à qualidade dos produtos e serviços. Este processo, que ocorre ainda na atualidade, intensificou a prática da terceirização com o objetivo de entregar produtos com os níveis de qualidade que os consumidores pretendem. Atualmente, além da redução de custos e aumento da qualidade, as razões pelas quais as empresas tem optado por terceirizar atividades são as seguintes (GIOVANELA; HAERTHEL, 2009) : i. Alívio à estrutura organizacional: com a contratação de terceiros, a empresa necessita de menor número de funcionários contratados, o que gera menores encargos trabalhistas, menores custos com contratação, demissão, retenção, salários e encargos. ii. Maior especialidade na prestação de serviços: geralmente a empresa que é contratada possui um grau de especialização no segmento em questão, o que possibilita a prestação de serviços em concordância com as melhores e mais atuais práticas do mercado; iii. Aumento da flexibilidade das empresas: contratando serviços terceirizados, a empresa fica mais livre para realizar manobras como mudanças de foco de atuação, aumento ou redução de Quadro de funcionários, iv. Maior agilidade decisória: pelos mesmos motivos apresentados no item anterior; v. Simplificação da organização: pelo fato da empresa concentrar-se apenas no seu negócio central, deixando de desempenhar certas atividades, a organização como um todo é simplificada; 25 vi. Incremento de produtividade: a especialização oferecida pelos prestadores de serviço pode proporcionar aumento de produtividade, além de aumento da qualidade dos produtos e serviços; vii. Economia de recursos materiais, de instrumentos e maquinários: a organização que transfere a responsabilidade da realização de tarefas para um terceiro ganha com a redução de investimentos em equipamentos, maquinários, veículos e demais ativo, que são oferecidos pelos terceiros. Porém, a prática da terceirização pode também apresentar desvantagens que inviabilizariam o processo. Estas desvantagens seriam (GIOSA, 1993): i. Desconhecimento da Alta Gerência: a gerência que é responsável por contratar a empresa terceira pode estabelecer um contrato que não seja vantajoso ou eventualmente pode-se contratar uma empresa com baixo grau de especialização no setor terceirizado; ii. Resistência e conservadorismo: a entrada de uma empresa terceira pode ocasionar a resistência dos funcionários envolvidos, gerando improdutividade e perda de qualidade dos serviços e produtos; iii. Risco de perda de poder: a terceirização pode ocasionar a perda da autoridade e poder de decisão em alguns casos; iv. Aumento de custos: caso não seja aplicada da forma correta, os custos das atividades terceirizadas podem ser superiores aos custos sem a terceirização. v. Perda de qualidade de produtos e serviços: terceiros com um nível de especialização abaixo do exigido pela empresa poderão entregar serviços e produtos de qualidade inferior. A maioria dos pontos negativos pode ser atenuado e até extinto caso a empresa contratante tenha em mãos mecanismos capazes de mitigar os riscos de insucesso. Para que este processo seja bem sucedido deve-se atentar aos três elementos de serviço ao cliente que são (BALLOU, 2006): 1. Elementos pré-transação: é o que o prestador de serviços demonstra antes da concretização do negócio, sua reputação, sua postura; 2. Elementos de transação: como se dá o processo de negociação e implantação do serviço terceirizado; 26 3. Elementos pós-transação: tudo o que é entregue após a implantação, incluindo a qualidade percebida pelo contratante, a clareza de informações prestadas pela terceirizada, o relacionamento entre os parceiros. Ações da gerência em cada um destes elementos tem o poder de conduzir o processo de terceirização ao sucesso, e caso os objetivos principais sejam atendidos, com a terceirização entregando bons resultados, a empresa diferencia-se no mercado. Como explanado anteriormente, a Gestão da Cadeia de Suprimentos também tem este poder de proporcionar à empresa um diferencial competitivo. Uma prática que vem adquirindo notoriedade nas organizações é a terceirização logística, que alia estes fatores de diferenciação através da entrega de soluções nos diversos elos da cadeia de suprimentos (SOUZA; MOURA, 2007). 2.4 OPERADORES LOGÍSTICOS O fenômeno da terceirização de atividades logísticas passou por todos os processos de amadurecimento que os demais serviços terceirizados, como exposto anteriormente. No início, apenas operações logísticas menos complexas eram transferidas a terceiros. Tais atividades consistiam primordialmente no transporte de mercadorias através de roteiros pré-estabelecidos (SOUZA; MOURA, 2007). Os processos de evolução tanto do Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos como também da terceirização de serviços ocorreram em épocas comuns. A medida que a logística foi adquirindo maior importância estratégica para as empresas, o fenômeno da terceirização também foi se expandindo. Com o surgimento de empresas que se demonstraram capazes de desempenhar mais do que simples operações de transporte, o mercado começou a se abrir para um leque mais amplo de funções logísticas a serem terceirizadas. Com isto surgiu o conceito de Operador Logístico que, na definição da Figueiredo e Mora (2009, p. 126 ), é: Prestador de serviços logísticos, especializado em gerenciar e executar todas ou parte das atividades logísticas nas várias fases da cadeia de suprimentos de seus clientes, agregando valor ao produto dos mesmos, e que tenha competência para, no mínimo, prestar simultaneamente serviços nas três atividades básicas de controle de estoques, armazenagem e gestão de transportes. Os demais 27 serviços que possam ser oferecidos funcionam como diferenciais de cada operador. Contudo, atualmente coexistem no mercado tanto empresas especializadas em prestar serviços de menor complexidade, quanto as que entregam um pacote mais abrangente de serviços. Os primeiros, os Prestadores de Serviços Tradicionais, desempenham geralmente funções relacionadas à gestão de transporte, com serviços genéricos. Já os Operadores Logísticos propõem-se a desenvolver e implementar soluções customizadas para a cadeia de suprimentos de seus clientes. O Quadro 2 apresenta um comparativo entre os Prestadores Tradicionais e os Operadores Logísticos. Quadro 2 – Diferenças entre Prestadores de Serviços Tradicionais e Operadores Logísticos Prestadores de Serviço Tradicionais Operadores Logísticos Concentração em apenas uma atividade Oferece diversas atividades de forma reduzir custos logística: ou transporte, ou estoque, ou integrada. armazenagem. Objetivo da contratante: diminuir custos da Objetivo atividade contratada. da contratante: logísticos, aumentar flexibilidade, melhorar serviços. Contratos de curto a médio prazo (seis meses Contratos longos (5 a 10 anos). a um ano). Know-how limitado e/ou específico. Ampla capacitação em análise, planejamento e operações logísticas. Negociações rápidas (semanas) e em nível Negociações longas (meses) e alto nível operacional. gerencial. Fonte: Adaptado de Fleury (1999) O número de Operadores Logísticos no Brasil cresceu cerca de 68% entre os anos de 1999 e 2008, como mostrado na Figura 5. Já o faturamento deste setor cresceu em torno de 250% no mesmo período (ILOS, 2009). Isto demonstra que o setor encontrar-se em grande expansão no país, o que proporcionou também o crescimento da concorrência entre os OL’s. Desta forma, para manterem-se competitivos no mercado, podendo entregar serviços especializados e de acordo com o que os seus clientes 28 valorizam, é muito importante que os Operadores Logísticos saibam criar fatores de diferenciação. Figura 5 – Evolução do Número do Faturamento dos OLs Fonte: ILOS 2009 Com o aumento da oferta de serviços terceirizados, os contratantes sentem-se mais livres e tem mais opções para trocar de Operador Logístico caso sintam-se insatisfeitos com os serviços prestados. De acordo com o III Panorama da Terceirização Logística no Brasil (2009) os principais motivos para a insatisfação elencados pelas 340 empresas participantes são os presentes no Quadro 3. De acordo com o mais recente Panorama da Terceirização Logística no Brasil (2014), cerca de 78% das empresas entrevistadas já substituíram o prestador de serviços logísticos pelo menos uma vez. Quadro 3 – Motivos da Insatisfação dos Contratantes de Operadores Logísticos Motivo de Insatisfação da Contratante % Pouca ou nenhuma informação de desempenho. 57,4% Falta de projetos de melhoria contínua. 50,9% Dificuldades de comunicação 49,7% Pouco ou nenhum uso de ferramentas tecnológicas 42,0% Gestão de pessoal inapropriada 23,1% Pós-venda 21,9% Má adaptação à cultura do cliente 18,9% Outros 1,8% Fonte: Adaptado de Portal Supply Chain (2009) 29 De acorco com o Quadro 3, o principal motivo para insatisfação, o qual poderia levar a um encerramento de vínculo ou troca de prestador de serviço, é a falta de informações de desempenho referente às atividades terceirizadas. Uma alternativa que é adotada em larga escala na administração de empresas é a aplicação de Modelos de Mensuração de Desempenho para, dentre outros benefícios, traçar metas e divulgar o desempenho das atividades desenvolvidas. A aplicação destes modelos auxilia também na identificação de projetos de melhoria contínua que possam ser aplicados nas operações terceirizada. 2.5 MODELOS DE MENSURAÇÃO DE DESEMPENHO As medidas de desempenho, segundo Hronec (1994, p.1), representam os “sinais vitais” das empresas. São a quantificação da eficiência e eficácia dos processos desenvolvidos. Tem a função de refletir a forma como o trabalho está sendo desempenhado e se ele está no caminho correto para atingir os objetivos. Quando as medidas de desempenho são bem introduzidas nas empresas elas trazem os benefícios de direcionar os esforços e auxiliar na tomada de decisões que levem ao sucesso nos negócios. Deming (1990) analisa as empresas como sistemas. Para ele, o desempenho de 6cada parte do sistema deverá ser avaliada em função da sua contribuição para o alcance dos objetivos do todo, ou seja, não basta um componente do sistema ter alta performance se o sistema inteiro não vai bem. Daí vê-se a necessidade de analisar a organização em perspectivas distintas para se mensurar o desempenho geral. A relevância do tema para as organizações culminou na concepção de um grande número de modelos de avaliação de desempenho. Para Neely (1999), para cada ramo de negócio haverá critérios diferentes para elaborar os modelos de desempenho. Alguns exemplos de modelos são: The Balanced Scorecard (Kaplan e Norton, 1997); Modelo Prisma de Desempenho (Neely, Adams e Crowe, 2001); Modelo SCOR (Supply Chain Council, 1997); Os dois primeiros modelos citados podem ser aplicados em qualquer tipo de organização, fazendo as devidas adaptações de acordo com o ramo e as necessidades 30 específicas. Já o último é um modelo direcionado à avaliação do desempenho da Cadeia de Suprimentos e da Logística. 2.5.1 The Balanced Scorecard Os modelos de avaliação de desempenho mais comuns, normalmente baseados na gestão das organizações através indicadores contábeis e financeiros, tornaram--se inadequados (KAPLAN; NORTON, 1997). Apenas uma gestão financeira eficaz não era suficiente no mercado competitivo da era da industrialização. Era preciso integrar medidas de desempenho financeiras e não financeiras para se ter um processo robusto de avaliação de desempenho. Desenvolveram então, na década de 1990, o modelo The Balanced Scorecard, que atendia a esta necessidade de integração de medidas. Segundo este modelo, os objetivos e medidas devem refletir a estratégia da organização, traçando metas claras e tangíveis para se obter o sucesso. O modelo sugere que a exposição das medidas financeiras e não financeiras deve ser feita para todos os níveis da organização, para que entendam os objetivos e o que devem fazer para alcança-los. O Balanced Scorecard (BSC) mede o desempenho da organização sob quatro perspectivas: financeira, do cliente, dos processos internos e do aprendizado e crescimento. A perspectiva financeira indica se a estratégia da empresa e sua execução estão contribuindo para a melhoria dos resultados financeiros. Já a perspectiva do cliente permite a visualização do nível de satisfação dos clientes com os produtos e serviços prestados. A perspectiva dos processos internos avalia os processos que são desenvolvidos internamente e que terão maior impacto para a satisfação dos clientes e alcance dos objetivos financeiros. A perspectiva do aprendizado e crescimento identifica medidas para orientar o aprendizado e alinhá-los com as estratégias do negócio. A Figura 6 ilustra as quatro perspectivas e os principais enfoques de cada uma. 31 Figura 6 – Perspectivas do modelo The Balanced Scorecard Fonte: Kaplan e Norton (1997, p. 10) A aplicação do modelo proposto por Kaplan e Norton (1997) permite avaliar o desempenho das organizações dando enfoque a perspectivas além das financeiras. Desta forma apresenta-se como um modelo amplo e aplicável a organizações de diversas naturezas. 2.5.2 Modelo Prisma de Desempenho Assim como o Kaplan e Norton (1997), Neely, Adams e Crowe (2001) entenderam que um modelo balanceado de avaliação de desempenho seria necessário para auxiliar na avaliação no cenário atual das organizações. Desenvolveram o Modelo Prisma, o qual propõe cinco perspectivas que norteiam a analise do desempenho das organizações. A Figura 7 apresenta o modelo de forma esquemática, em que as perspectivas do modelo são integradas em formato de prisma que converge para a satisfação das partes interessadas. 32 Figura 7 – O Modelo Prisma de Desempenho Fonte: Neely, A., Adams, C. e Crowe, P. (2001) As perspetivas do modelo são: a satisfação das partes interessadas (quem são e o que desejam), estratégias (para entregar o que os interessados desejam), processos (quais são os processos que devem ser estabelecidos para desempenhar a estratégia), capacidade (recursos humanos, financeiros e infra-estutura necessários para se alcançar os objetivos) e contribuição das partes interessadas (o que cada interessado deve realizar para satisfazer as necessidades). 2.5.3 Modelo SCOR Os modelos balanceados de mensuração de desempenho deixam lacunas no que se refere à Cadeia de Suprimentos e Logística, segundo alguns autores como Gunasekaran, Patel e Tirtiroglu (2001). Por outro lado, Antoniolli (2003) considera que uma das maiores dificuldades para a gestão da cadeia de suprimentos está no estabelecimento de estratégias para os participantes da mesma. Entendendo estas 33 dificuldades o SCC – Supply Chain Council, entidade formada em 1996, inicialmente por cerca de 70 empresas de todo o mundo – desenvolveu o Modelo SCOR (Supply Chain Operations Reference) para mapeamento das atividades da cadeia de suprimentos, avaliação de desempenho e direcionamento de melhorias. O SCOR reúne o consenso do SCC sobre a gestão da cadeia de suprimentos, apresentando uma estrutura referente aos processos de negócios, principais métricas para medir desempenho, melhores práticas das empresas e tecnologias utilizadas para o alcance da excelência. Foi organizado em cinco categorias distintas de gerenciamento, de modo a contemplar toda as cadeia de suprimentos da organização e as interações com seus clientes e demais envolvidos no negócio. As categorias, que estão representadas esquematicamente na Figura 8, são Planejamento (Plan), Abastecimento (Source), Produção/Operação (Make), Distribuição (Deliver) e Devolução (Return). A aplicação do SCOR se dá em quatro níveis hierárquicos de detalhamento, cada um com um escopo distinto. Segundo o SCC, toda organização que implementa melhorias na sua cadeia de suprimentos deverá aplicar o SCOR até o quarto nível. Resumidamente, o objetivo de cada nível é: Nível 1: Define-se o âmbito de atuação do SCOR na organização, bem como o desempenho a ser atingido em relação à concorrência; Nível 2: Define-se detalhadamente os processos (planejamento, abastecimento, produção e distribuição) que fazem parte da CS da organização, afim de identificar oportunidades de melhorias; Nível 3: Detalha-se as categorias definidas no nível 2. Ocorre a definição de indicadores de desempenho que melhor refletem as operações. Busca-se no mercado as melhores práticas nos processos analisados; Nível 4: Implementação das melhorias identificadas afim de atingir vantagem competitiva. 34 Figura 8 – Processos do modelo SCOR Fonte: Adaptado de SCC (2006). SCOR Manual V. 8.0, p. 2 A Figura 8 apresenta um esquema das categorias do modelo SCOR e das interfaces entre os elos da cadeia de suprimentos. As cinco categorias aparecem em algum grau em todos os participantes da cadeia, e o planejamento é a base para a definição das atividades desempenhadas por cada elo. Já a Figura 9 apresenta a integração dos principais processos existentes na cadeia de suprimentos entre os clientes e os fornecedores. Estes processos permitem que o modelo seja utilizado para representar qualquer cadeia de suprimentos, das mais simples às mais complexas. Um processo poderá ser considerado mais importante que outro dependendo da cadeia que está sendo analisada. O Planejamento está presente em todos os demais processos, pois cada um é projetado separadamente para que se atinjam os objetivos da cadeia. O processo Fornecimento compreende todas as atividades referentes ao suprimento de materiais aos processo produtivos. O processo Produção integra as atividades logísticas referentes à manufatura, como as atividades de programação e abastecimento da produção. O processo Entrega engloba todas as atividades relacionadas à entrega de produtos acabados, como separação de pedidos, faturamento e expedição. Os processo de Retorno (de fornecimento e entrega) referem-se à logística de devoluções e à logística reversa, onde a empresa recebe novamente os produtos ao final de seus ciclos de vida. 35 Figura 9 – Integração dos Processo do modelo SCOR Fonte: Adaptado de Concil of Supply Chain (2006) Observa-se a capacidade que o SCOR apresenta de integrar toda a cadeia logística e os fluxos envolvidos nos processos de suprimento de matérias primas, produção e entrega de produtos acabados aos consumidores. Com a aplicação do SCOR é possível definir indicadores de desempenho para cada processo logístico, pois o mapeamento e as análises proporcionadas possibilitam a observação de quais são os elos mais fragilizados, e que necessitam de ações de melhoria. Com a aplicação constante do modelo é possível aperfeiçoar os processos da cadeia de suprimentos sendo possível alcançar níveis de excelência comparáveis às melhores operações no contexto mundial. 36 3 METODOLOGIA Esta seção irá apresenta o processo metodológico utilizado para formular o problema, coletar dados e analisar informações necessárias para que o objetivo do projeto seja atingido. O capítulo apresenta, de forma cronológica, como se deu o processo de planejamento das atividades desenvolvidas, dividido em quatro etapas. 3.1 IDENTIFICAÇÃO DO PROBLEMA (PESQUISA QUALITATIVA) Pesquisa qualitativa insere o pesquisador no contexto de um problema e este fica em contato direto com o objeto de estudo, procurando entender o fenômeno em questão e o resultado é uma interpretação para tais fenômenos (NEVES, 1996). Tem-se como meta do trabalho analisar a forma como desempenho é avaliado nos serviços prestados por um Operador Logístico e identificar se existe a necessidade de mudança. Para isso realizou-se pesquisa qualitativa referente à forma com que este processo era desenvolvido. Primeiramente delimitou-se as áreas e os processos a serem analisados. Após isto, avaliou-se se a forma atual de medir desempenho, identificando os pontos falhos e que necessitam de mudanças. Este procedimento serviu de base para as próximas etapas do processo de definição e aplicação do modelo. 3.2 BUSCA DE REFERENCIAL TEÓRICO Após a identificação de que era necessário alterar a forma como a gerência mensurava o desempenho dos serviços prestados, foi realizada pesquisa bibliográfica para buscar referências que norteassem o processo de mudança. A pesquisa bibliográfica, segundo Jankoski, Schnaider e Neves (2013) é o levantamento de um determinado tema em bancos de dados de teses, livros, artigos e outros documentos científicos. Como resultado obtém-se uma lista com referências e resumos sobre o tema, que podem ser usados para o entendimento e aperfeiçoamento de conceitos. No contexto da empresa analisada, a busca por referencial teórico foi importante para que conceitos e práticas atuais sobre mensuração de desempenho na cadeia de suprimentos viessem ao conhecimento dos envolvidos no processo, abandonando-se antigos paradigmas e conceitos já ultrapassados que ainda eram utilizados na empresa. 37 Este processo possibilitou que a empresa identificasse modelos possíveis de serem aplicados para mensurar os desempenhos de suas operações. 3.3 QUESTIONÁRIOS NÃO ESTRUTURADOS Após a realização das pesquisas bibliográficas e da seleção de possíveis modelos a serem aplicados ocorreu uma fase no desenvolvimento que contou com as experiências das pessoas diretamente envolvidas nas operações. Para que a melhor alternativa fosse escolhida foram realizados questionários não estruturados com os coordenadores de frentes de negócios, os quais detinham conhecimento do dia-a-dia e puderam contribuir de forma efetiva para a escolha. Segundo Marconi e Lakatos (1996), os questionários não estruturados usam formulários com questões abertas, onde os entrevistados tem a liberdade de alterar a ordem e de formular novas questões. Este processo contribui para a riqueza das informações e resultados obtidos na entrevista. No caso da empresa analisada, os questionários foram aplicados aos coordenadores de forma conjunta, em reuniões periódicas que conduziram o andamento do processo. Ao fim da sistemática aplicada, foi possível identificar qual modelo de mensuração de desempenho e quais os indicadores e métricas melhor retratariam as atividades desenvolvidas pela empresa. 3.4 ANÁLISE DE MELHORES PRÁTICAS E DEFINIÇÃO DA ESTRATÉGIA Determinado o modelo de mensuração de desempenho e os principais indicadores e métricas a serem utilizados, recorreu-se a pesquisas exploratórias para identificar quais as melhores práticas do mercado nos indicadores definidos como primordiais. Este processo serviu como base para a definição da estratégia e as metas para que a empresa alcance o patamar e a maturidade na mensuração de desempenho e tomada de decisões de melhorias. A pesquisa exploratória tem o objetivo de proporcionar maior familiaridade com o tema, podendo envolver levantamento bibliográfico prévio (GIL,2008). 38 Figura 10 – Etapas da Metodologia Fonte: Autor (2014) Resumidamente o processo metodológico adotado para a elaboração do trabalho é o que consta no esquema da Figura 10. Tal metodologia auxiliou na delimitação do problema a ser estudado, análise do estado atual e o conhecimento de alternativas para a mudança do cenário inicial. 39 4 RESULTADOS E DISCUSSÃO Nesta etapa ocorre a apresentação da empresa que foi definida como estudo de caso, análise da situação atual da mensuração de desempenho na empresa, além da descrição das etapas de aplicação do modelo para melhorar a forma que o desempenho é mensurado inicialmente. 4.1 APRESENTAÇÃO DA EMPRESA ESTUDADA A empresa onde o projeto foi desenvolvido é um Operador Logístico com sede na cidade de Joinville, Santa Catarina. O estado é reconhecido pela diversidade de sua indústria e força da economia. Com um PIB de R$152,4 bilhões em 2010, Santa Cataria destacou-se no cenário brasileiro com a ocupação da quarta posição no ranking nacional, segundo dados do portal do Governo do Estado de Santa Catarina (2013). A economia apresenta atividades bastante diversificadas nas regiões do estado. A região norte, onde localiza-se a cidade de Joinville, é um pólo técnológico, moveleiro e metalmecânico. Destacam-se em Joinville grandes indústrias como Tupy, Embraco, Whirlpool, Tigre, Mexichem, Schulz, Docol e Dholer (DIÁRIO CATARINENSE, 2012). As indústrias citadas, em sua maioria, têm seus fornecedores de matérias primas sediados em regiões geográficas distantes, como é caso das indústrias do ramo metalmecânico, cujos insumos necessários para a produção são em muitos casos importados. Dois grandes portos são muito importantes para a indústria joinvillense. São os portos de São Francisco do Sul e Itajaí, de onde provém boa parte do aço utilizado na produção. O transporte do porto até os armazéns de matéria prima, bem como a gestão destes armazéns, não tem relação com o negócio central da maioria das indústrias. Por conta disso, muitas acabam por transferir a responsabilidade pela execução de tais atividades para outras empresas, assim as indústrias podem focar no seu negócio principal. O mesmo ocorre com a distribuição de produtos acabados, onde a terceirização da gestão de transporte e gestão de centros de distribuição mostra-se como prática bastante vantajosa (Wanke, 2004). Este cenário da região, com grandes indústrias e economia forte, foi favorável ao surgimento de diversas empresas que oferecem serviços de suporte e auxiliam no 40 desenvolvimento da economia, como é o caso das empresas prestadoras de serviços de terceirização logística. Segundo Fleury (2003), o mercado de Operadores Logísticos no Brasil teve início no ano de 1994, sendo que a maioria das primeiras empresas eram multinacionais fundadas no exterior. O sucesso de empresas deste setor nos Estados Unidos e Europa encorajou o início da atividade de muitas empresas no Brasil. A empresa estudada iniciou suas atividades em 1996, demonstrando espírito inovador por investir em um ramo pouco explorado no país até então. 4.2 PRINCIPAIS ATIVIDADES DESENVOLVIDAS PELA EMPRESA No início de suas atividades a empresa estudada concentrou-se na prestação de serviços de transporte e gestão de armazéns, focando principalmente na cadeia logística do aço, processo desenvolvido até hoje. Ao longo do tempo manteve-se atenta às demandas do mercado e acrescentou novos serviços ao seu portfólio para atender às necessidades que surgiram. Este processo foi possível graças ao bom relacionamento da gerência com executivos de grandes empresas, além de constantes participações em feiras e eventos específicos para este fim, o que possibilitou conhecer as necessidades da região. Atualmente é capaz de prestar soluções em todas as fases da cadeia de suprimentos dos seus clientes. O portfólio atual inclui serviços de gestão de transportes e distribuição, logística in house, gestão de centros de distribuição e logística de siderúrgicos. 4.2.1 Gestão de Transportes e Distribuição Os serviços prestados pela empresa referentes à gestão de transportes e distribuição contemplam desde o planejamento até a execução e controle de operações de transporte. Tais operações podem ter tanto a função de suprir as indústrias de matérias-primas, transferir produtos acabados entre fábrica e centros de distribuição ou distribuir os produtos acabados até os clientes. O planejamento consiste no levantamento de dados e seleção de alternativas para os transportes. Ao receber contato de possíveis clientes a empresa realiza visitas e extrai 41 dados utilizando questionários estruturados para este fim. De posse dos dados, cabe ao prestador de serviços apresentar alternativas para a realização da operação. Estas alternativas incluem a seleção modais de transporte, tipo de veículo a ser utilizado, determinação de rotas e demais variáveis relativas ao transporte. Caso o cliente venha a concretizar o negócio, a empresa faz ainda o planejamento da implantação dos serviços terceirizados, o que depende de um perfeito entendimento de como as operações são realizadas antes da terceirização, planejamento da integração dos participantes da cadeia de suprimentos, entendimento de quais recursos e materiais são necessários na operação e ajuste do quadro dos funcionários. Com este ajuste no quadro pode haver tanto contratação de novos funcionários quanto a manutenção dos que já exerciam as funções antes da terceirização. Na fase de execução, vale ressaltar um ponto importante. Segundo Neves (2013) os Operadores Logísticos são prestadores de serviços logísticos que não são baseados em ativos, ou seja, diferente das convencionais Transportadoras, os Operadores Logísticos geralmente não são os donos dos equipamentos e veículos utilizados nas operações. Desta forma cabe ao OL, além do planejamento citado anteriormente, contratar outras empresas que forneçam os equipamentos necessários. Quando as operações já estão implementadas e em curso, o OL realiza então a gestão dos processos envolvidos nas entregas de matérias primas e produtos. Neste caso é o OL que realiza as funções de faturamento dos transportes, emissão de documentos e gestão da comunicação entre todos os envolvidos. Durante o período de vigência da terceirização o Operador Logístico realiza também as funções de controle das operações. Para tanto, realiza a gestão de riscos, seguros e rastreamento das cargas, para certificar o cliente de que os materiais transportados chegarão em segurança. A empresa guarda histórico de dados e documentos referentes aos transportes executados e tem equipe especializada para identificar, analisar e tomar decisões quando ocorrem desvios nos processos. Os serviços de gestão de transporte executados pela empresa estudada são primordialmente transferências de matérias primas desde os portos de São Francisco do Sul e Itajaí até as fábricas dos clientes. Porém serviços de distribuição de produtos acabados também são comuns, sendo que um dos principais clientes da empresa nessa categoria é uma indústria do setor de eletrodomésticos. Os serviços de gestão de transporte são executados pela empresa desde o início de sua existência, porém no começo possuía veículos próprios para a realização das atividades. Com a maturidade 42 adquirida com o passar do tempo e análises das práticas mais comuns no mercado a empresa optou por apenas realizar as funções de planejamento, gestão e controle dos transportes. 4.2.2 Logística InHouse Ao transferir a responsabilidade pela execução de tarefas para outras empresas, observa-se um fato muito comum em diversas organizações. Este fato é o ingresso de uma equipe de prestadores de serviço para a realização do trabalho nas dependências da empresa contratante. Isto é comum em indústrias e demais ramos que contratam serviços terceirizados, englobando também as atividades logísticas. Os processos logísticos que ocorrem no interior das fábricas recebem o nome de logística interna, que contempla atividades como a movimentação de matérias primas dos almoxarifados até as linhas de produção, movimentação e armazenagem de produtos acabados, bem como qualquer transporte que ocorra no interior da fábrica. O Operador Logístico é capaz de realizar o planejamento, execução e controle das atividades da logística interna. Para que as tarefas sejam desenvolvidas com eficiência, treina seus colaboradores nas práticas mais atuais para a realização das mesmas. É comum que a empresa que contrata o prestador de serviços aloque recursos para realizar a gestão conjunta das atividades, concentrando-se principalmente nos processos de controle das operações para assegurar sua eficiência. Na empresa estudada o processo de planejamento inicia com a visita de equipe especializada para realizar levantamento de dados nos clientes que demonstrem interesse em terceirizar as atividades da logística interna. Este levantamento de dados inclui o estudo de tempos e métodos de movimentação de materiais utilizados, bem como os equipamentos e quantidade de pessoas que atuam nas operações. De posse destes dados a empresa pode dimensionar os recursos que serão alocados, considerando também as projeções de aumento de demanda no futuro. Estas informações são utilizadas para a formatação de uma proposta técnica e comercial que é apresentada à empresa, contendo o escopo dos processos que serão executados e o orçamento da terceirização. Na precificação dos serviços são levados em conta a quantidade de colaboradores envolvidos (e o cargo de cada um), os investimentos necessários e o 43 volume de materiais movimentados no período. São estabelecidos valores cobrados caso haja excedentes nos volumes movimentados e caso seja necessário operar em regime de hora extra para cumprir o programado. A receita total obtida pelo Operador Logístico depende diretamente do controle apurado do volume de produtos movimentados em um período. Pode ainda ocorrer de o Operador Logístico sugerir alterações nos processos da logística interna, bem como mudanças de layout fabril que favoreçam o fluxo de materiais. Porém isto não ocorre com freqüência pela falta de procedimentos que permitam a reengenharia de processos. A proposta deste trabalho contempla a identificação de uma maneira que auxilia este processo de proposta de melhorias na cadeia de suprimentos. Este processo pode ser um diferencial apresentado pelo OL e que pode favorecê-lo no mercado. Apresentada a proposta técnica e comercial, a empresa solicitante analisa e negocia valores e condições. Este processo de negociação pode ser longo devido ao fato de a empresa interessada negociar, em muitos casos, também com outros Operadores Logísticos ao mesmo tempo. O OL que apresentar melhores condições, melhores históricos e souber vender melhor seus serviços ganha o contrato. Caso a empresa seja a escolhida é firmado um contrato entre as partes, geralmente de longa duração (até 10 anos), onde são estabelecidos os termos, premissas e responsabilidades de cada um dos parceiros no processo de terceirização. Após o estabelecimento do contrato ocorre o planejamento de implementação dos serviços. Geralmente o início do período da terceirização é marcado por uma transferência gradual da responsabilidade pela execução das tarefas, onde iniciam primeiramente os colaboradores de nível operacional, para depois iniciarem os supervisores e líderes. A empresa estudada tem como principal cliente dos serviços de Logística In House uma indústria de eletrodomésticos sediada em Joinville, que é cliente desde o ano de 2000. Nesta indústria, exerce atividades de gestão de estoques de produtos acabados, realizando as funções de recebimento, endereçamento e estocagem, separação de pedidos e expedição de produtos, bem como todos os subprocessos necessários para o bom andamento desta operação. Realiza também o controle dos estoques fazendo inventários periódicos. A empresa contratante aloca supervisores e líderes que auxiliam no controle da operação, fazendo desta forma a gestão conjunta das atividades. 44 4.2.3 Gestão de Centros de Distribuição Centros de Distribuição (CD) são uma configuração de armazéns que podem receber cargas de diversos fornecedores. Ocorre o fracionamento das cargas e agrupamento e estocagem em quantidades e locais pré-definidos. Alves (2000, p.139) descreve as diferenças entre depósitos comuns e os CDs. Segundo ele os depósitos, operados no sistema push (sistema empurrado), são “instalações cujo objetivo principal é armazenar produtos para ofertar aos clientes”; já os CDs, operados no sistema pull (sistema puxado), são “instalações cujo objetivo é receber produtos just-in-time de modo a atender às necessidades dos clientes”. A Figura 11 apresenta esquematicamente a operação de um CD. Figura 11 - Esquema de Centro de Distribuição Fonte: Alves (2000) Os Centros de Distribuição podem tanto ser dedicados à produtos de apenas um fornecedor como também pode conter produtos de vários fabricantes, neste caso conhecido também como CD Multicliente. O Operador Logístico reúne qualidades que o tornam capaz de planejar, gerenciar e controlar todas as atividades inerentes à operação de um Centro de Distribuição. O planejamento pode contemplar a definição do local ideal para implantação do Centro de Distribuição, utilizando técnicas similares às de projeto de localização de fábricas, que consideram os custos de implantação e as distâncias entre os fornecedores e CD. Deste modo pretende-se escolher o local com a melhor relação custo-benefício para a implantação do CD, ou seja, aquela cujo custo de implantação e as distâncias entre os participantes da cadeia sejam os menores possíveis. Cabe ao Operador Logístico planejar também como será o fluxo de materiais e informações entre a fábrica (de onde saem os produtos acabados), a empresa que fará a gestão de transporte entre a fábrica e o CD, a empresa que fará o transporte entre o CD e o cliente, e a área de recebimento dos clientes. Um mesmo Operador Logístico poderá 45 ser o responsável por integrar toda a logística do produto depois que este sai da fábrica, realizando as funções de gestão de transportes, gestão de CD e gestão da distribuição de produtos acabados até os clientes. A gestão dos Centros de Distribuição envolve as funções de recebimento de materiais, endereçamento, movimentação, estocagem, gestão de pedidos, separação e expedição de produtos, além de toda a gestão dos documentos necessários. O Operador Logístico envolvido nestas atividades aloca operadores de movimentação, inventaristas, faturistas e supervisores, realizando treinamentos e capacitação de todos. Profissionais das áreas administrativa dos CDs exercem as funções de controle de indicadores de produtividade, agendamento de recebimento de cargas e expedição de produtos e funções comerciais. O setor comercial analisa a ocupação do CD e comercializa as posições de armazenamento ociosas, por conta disto é necessário ter um controle apurado da ocupação do armazém. Os CDs tem se tornado uma alternativa logística muito utilizada pelas indústrias pois confere agilidade à logística, armazenando os produtos em regiões geográficas mais próximas de seus consumidores. Quando não existe um CD, no caso de o consumidor solicitar um produto que está em falta deverá aguardar o fluxo logístico total entre a fábrica e o local onde o consumidor irá comprar. Portanto, o CD apresentase como uma alternativa interessante para o caso de fábricas que ficam distantes de seus consumidores. A empresa estudada gerencia CDs de produtos de ramos diferentes. O principal, que já está em operação desde o início das atividades da empresa, é um CD específico para a armazenagem de produtos siderúrgicos, que será abordado com mais detalhes na sequência. Outro CD gerenciado pela empresa é dedicado a armazenagem de produtos alimentícios, utilizado exclusivamente por uma fábrica de biscoitos com sede no estado de Goiás e clientes no Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. 4.2.4 Logística de Siderúrgicos A empresa estudada tem como foco principal a prestação de soluções customizadas para toda a cadeia logística de seus clientes, ou seja, pretende desenvolver soluções tanto para o suprimento de matérias primas (através da prestação de serviços de gestão de transporte), logística interna (movimentação e armazenagem de materiais) e distribuição de produtos. 46 Um ramo em que consegue integrar todas estas soluções, provendo a seus clientes mais do que simples serviços de transporte e movimentação, é o ramo de produtos siderúrgicos. Foi desenvolvida a integração logística para a importação de aço industrializado, na forma de aços longos (vergalhões, arames, perfis e barras) e aços planos (chapas e bobinas), sua armazenagem, o fornecimento deste produto para seus clientes e a distribuição de aço para diversas regiões do Brasil. Para isso conta com equipe especializada que realiza as funções relativas à logística portuária. Tais funções consistem no desembaraço alfandegário, planejamento e controle de operações portuárias, desova de navios, armazenagem prévia para espera de liberação e carregamento de caminhões para o transporte até o local que o cliente deseja. Após as operações no porto o cliente tem a opção de solicitar o transporte diretamente para seu parque fabril ou realizar transporte para o centro de distribuição gerenciado pelo Operador Logístico. No CD, que é dedicado à armazenagem de produtos siderúrgicos, ocorrem as atividades de conferência de peso na entrada dos veículos, descarga e armazenagem. O centro de distribuição conta ainda com equipamentos necessários para realizar operações de beneficiamento, como corte de chapas de aço, caso seja o desejo do cliente. Os produtos ficam armazenados no centro de distribuição até que os clientes solicitem sua remoção e transferência até o local desejado. A terceirização da logística de produtos siderúrgicos traz diversas vantagens para a empresa contratante, como observadas na prática: i Redução de investimentos como a compra de veículos e custos de manutenção; ii Redução da área de armazenagem de matérias primas no parque fabril; iii Redução de custos com mão-de-obra necessária para operacionalizar o armazém de matérias primas e para realizar o transporte; iv Produtos condicionados de maneira correta, por operadores que conhecem suas especificações e cuidados especiais; v Possibilidade de beneficiamento dos produtos na área de armazenagem; vi Monitoramento constante dos produtos; vii Contar com um mesmo Operador Logístico para realizar todas as funções citadas é vantajoso para o contratante porque este pode estabelecer uma relação de parceria com o prestador de serviços, contratando um pacote que contemple toda a solução logística, o que gera menores custos ao se comparar com a contratação dos serviços 47 separadamente. Pode ainda estabelecer metas de longo prazo para a melhoria contínua dos serviços. A aplicação de um modelo de avaliação de desempenho é primordial para que o Operador Logístico identifique oportunidades de ganhos nos processos já desenvolvidos, buscando a melhoria contínua dos serviços prestados, o que é muito valorizado pelas empresas contratantes. Além disso, um modelo de avaliação de desempenho pode ser um diferencial apresentado pela empresa antes da concretização do negócio, ou seja, na fase de pré-transação dos serviços. 4.3 MÉTODO ATUAL DE MEDIÇÃO DE DESEMPENHO Na empresa estudada, a medição de desempenho é realizada sem a aplicação de um modelo pré-estabelecido. Para cada serviço prestado pelo Operador Logístico em questão, a gerência define indicadores de desempenho que considerem necessários, sem antes fazer um estudo suficientemente aprofundado acerca das melhores práticas do mercado. Observou-se ainda que o método apresentou-se inadequado devido a ser inflexível às mudanças ocorridas nas operações. Uma vez definidos os indicadores de desempenho pela gerência não houve revisões dos métodos aplicados. Muitos dos indicadores definidos não faziam mais sentido quando o Operador Logístico deixava de gerenciar atividades de um determinado cliente, por exemplo. Alguns indicadores que foram definidos a quase uma década por gerentes que já não fazem mais parte do quadro de funcionários da empresa continuavam a ser medidos, sem a análise da eficiência e eficácia dos mesmos. Outro fator identificado foi que os gerentes das operações desempenhadas pelo OL muitas vezes não enxergavam a cadeia de suprimentos de forma integral quando definiam os indicadores e métodos de análise. Atentavam-se apenas a uma pequena parcela da mesma, deixando de lado pontos importantes que intervinham no desempenho dos serviços. O Quadro 4 apresenta alguns exemplos de indicadores, utilizados para medir desempenho dos serviços relacionados à gestão de Centros de Distribuição. As dimensões de análise representam o agrupamento dos indicadores que tem uma perspectiva de análise em comum. 48 Quadro 4 – Indicadores Medidos Antes da Aplicação do Modelo SCOR Dimensão de Análise Indicador Quantidade Produtividade de cargas expedidas Tempo de carga e descarga Moral/Pessoal Segurança Financeiro Índice de Faltantes Turn Over médio N° de Acidentes de Trabalho Custo total da Operação Margem de Contribuição Fonte: Primária (2014) Os gerentes concentravam suas atenções quase que exclusivamente nos indicadores financeiros, tomando principalmente ações para o aumento da lucratividade da empresa, prospecção de clientes e redução de custos. Acabavam deixando de lado a preocupação com a qualidade dos serviços prestados. A coleta de dados dos demais indicadores, como os tempos de carga e descarga, era feita da forma manual, com o preenchimento em uma folha de papel para posteriormente outra pessoa apontar os dados em uma planilha eletrônica. Como o número de cargas e descargas era muito grande – chegando a ocorrer mais de cem vezes ao dia para o caso Centro de Distribuição de siderúrgicos – o responsável pelo apontamento escolhia um momento para fazer a tomada dos dados, normalmente quando estava ocioso de outras funções, o que raramente ocorria. Muitas vezes preenchia valores aleatórios para não entregar o relatório em branco. Também não havia procedimentos satisfatórios para a Gestão a Vista, que segundo Mello (1998) é uma forma de comunicar e de explicitar o desempenho da organização, fazendo com que qualquer pessoa que esteja em determinada área entenda o andamento das operações e como elas estão em relação às metas. Um quadro de Gestão a Vista traz as vantagens de expor os indicadores da área e pode trazer as vantagens de engajar os envolvidos para a resolução de problemas, chamar a atenção da alta administração para as falhas do processo e comunicar a todos os bons resultados. Com isto vê-se quão fragilizado o processo estava. Da forma como foi imposto, o método de mensuração de desempenho não estava alcançado os resultados esperados, ou seja, não auxiliou na identificação de problemas e na tomada de decisões para a 49 melhoria contínua dos serviços prestados. Os principais clientes acabavam também por não reconhecer o comprometimento da empresa em melhorar o desempenho. Além disso, como já apresentado, o processo tornou-se desacreditado, tornando-se apenas uma carga adicional de trabalho para o responsável pela atualização dos indicadores. 4.4 APLICAÇÃO DO MODELO SCOR De acordo com o exposto ficou claro que se a empresa desejasse prestar serviços de maior qualidade, sendo reconhecida no mercado por conta disso, deveria realizar mudanças radicais no processo de mensuração do desempenho. As análises referentes ao método atual aplicado na empresa foram apresentadas para a alta administração, que estava também sendo pressionada por um cliente que tinha maior preocupação com a qualidade dos serviços prestados e cobrava por melhores resultados. Ficou claro o caráter emergencial da tomada de decisão quanto a alteração dos métodos. Com isto começou o processo de identificação e discussão da melhor alternativa de modelo de mensuração de desempenho, através da realização de reuniões que envolveram tanto a alta administração, equipe de engenharia de processos e qualidade, além dos coordenadores e líderes das frentes de negócio gerenciadas pelo Operador Logístico. Foram expostos os motivos por traz da necessidade da alteração do método aplicado para a mensuração do desempenho. Os conceitos e as alternativas apresentadas na fundamentação teórica deste trabalho, dentre eles o Balanced Scorecard (Kaplan e Norton, 1997), o Modelo Prisma de Desemepenho (Neely, Adams e Crowe, 2001) e o Modelo SCOR (Supply Chain Council, 1997), serviram para a familiarização dos envolvidos e para facilitar o processo decisório. Em uma semana de reuniões houve discussões referentes aos modelos, onde os envolvidos puderam dar suas opiniões para que a decisão fosse tomada. Definiu-se que a alternativa do modelo SCOR apresentou-se como a mais adequada para a aplicação nos serviços gerenciados pela empresa, principalmente por ter sido desenvolvida exclusivamente para o Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos e ter métricas e indicadores relacionados a todos os processos gerenciados pela empresa. Outro fator importante para a escolha foi que com o SCOR seria possível ter uma base do desempenho das empresas que realizam as melhores práticas do mercado 50 em segmentos semelhantes aos aplicados pela empresa estudada, desta forma poderia relacionar seus resultados com os de outras empresas e seria mais fácil traçar as metas. O modelo SCOR foi formatado para que fosse possível este compartilhamento de informações referentes às melhores práticas das organizações. Houve o entendimento dos responsáveis pelo desenvolvimento do modelo que, como em muitos casos existem interfaces entre os participantes da cadeia de suprimentos, seria necessário uma linguagem padrão para comparar resultados e para nivelar os participantes. Definido o modelo a ser aplicado, iniciou-se o processo de imersão da equipe, onde os envolvidos na implantação buscaram maiores informações e familiaridade com o modelo. Decidiu-se pela aplicação do modelo em uma frente de negócio como piloto, onde seriam elencadas as dificuldades e onde o aprendizado serviria para que não ocorrerem as mesmas dificuldades quando da aplicação do modelo em outras operações. Como apresentado, o modelo SCOR possui quatro níveis hierárquicos de detalhamento. Através do mapeamento de cada nível compreende-se os processos da cadeia desde um maior grau de integração até os sub-processos específicos de cada atividade. Para cada nível serão detalhados os procedimentos da aplicação do SCOR, bem como as métricas de desempenho pertinentes, que auxiliam na análise e tomada de decisão para cada um dos níveis. Vale destacar que o objetivo do presente estudo é proposta de aplicação do modelo, com a sugestão de métricas pertinentes. Não cabe a este trabalho propor melhorias nas cadeias de suprimentos gerenciadas pelo Operador Logístico. 4.4.1 Nível I O Nível I de detalhamento do SCOR é o nível de mais alto grau hierárquico. Neste nível são feitas as definições do escopo do modelo, ou seja, onde será aplicado, quais serão os processos envolvidos e que abrangência o modelo terá em um primeiro momento. Apresenta métricas primárias e globais, que referem-se a mensuração de quanto de sucesso a organização está tendo no mercado em que compete, em relação a indicadores pré-definidos que podem ser comparados com os indicadores dos concorrentes por exemplo. 51 Para o estudo definiu-se o serviços de Logística de Siderúrgicos como a frente de negócio ideal para a aplicação do modelo SCOR inicialmente. Como apresentado, os serviços de Logística de Siderúrgicos integram várias fases da Cadeia de Suprimentos, como a logística de abastecimento (ou suprimento), logística interna (movimentação e armazenagem de materiais) e distribuição de produtos. Esta definição compreende uma das etapas do Nível I do SCOR. No Nível I os processos logísticos envolvidos na análise são apresentados na forma de macro processos, não entrando em detalhes operacionais. O mapeamento é global e simplificado. Para a realização dos serviços de Logística de Siderúrgicos são desenvolvidos os macro processos apresentados na Figura 12, que representa o diagrama de nível I do SCOR. Vale ressaltar que as atividades logísticas envolvidas no processo de Produção não existem em um CD, então não serão consideradas na análise. Figura 12 – Macro Fluxograma dos Processos de Nível I Transporte Porto - Terminal Movimentação Interna/Distribuição CLIENTES FORNECEDORES PLANEJAMENTO Devolução Fonte: Autor (2014) Como se trata de um fluxo logístico entre regiões geográficas distantes, a observação do processo é facilitada com o desenvolvimento de um mapa geográfico destacando os fluxos, desde a obtenção até a distribuição aos clientes. Neste caso, a obtenção é no porto e excluem-se da análise os fluxos logísticos que ocorrem até a chegada do produto acabado ao terminal portuário. A logística até o porto não é desempenhada pelo Operador Logístico em questão. Geograficamente, o fluxo é como apresentado na Figura 13. Os principais clientes estão situados nas cidades de Belo Horizonte – Minas Gerais, São Paulo – SP, Curitiba – PR e Porto Alegre – RS, além de Joinville. A Figura 13 a seta cheia representa o suprimento de produtos, ou seja, o transporte do porto em 52 Itajaí – SC até o centro de distribuição em Joinville. As linhas pontilhadas representam a distribuição de produtos até os principais clientes. Figura 13 - Fluxos dos Produtos Siderúrgicos Fonte: Autor (2014) As métricas deste nível devem ser o mais universais quanto for possível, não entrando em detalhes e particularidades da operação analisada para que se possa comparar os resultados com os obtidos pela concorrência. Diz-se que são universais pois não importa a cadeia que está sendo analisada, as métricas deste nível continuam fazendo sentido e sendo aplicáveis, o que permite comparar a cadeia de empresas diferentes. É comum a categorização das métricas do nível I em cinco atributos de desempenho, são eles: Confiabilidade da Cadeia, Responsividade da Cadeia, Flexibilidade da Cadeia, Custos da Cadeia e Gerenciamento de Ativos da Cadeia. Desta forma, as métricas definidas neste nível, para cada um dos atributos, são os que constam no Quadro 5. 53 Quadro 5 – Métricas Nível I Atributo de Desempenho Métrica Nível I Confiabilidade da Cadeia Atendimento Perfeito do Pedido Responsividade da Cadeia Ciclo de Atendimento do Pedido Flexibilidade da Cadeia Ciclo da Resposta às Mudanças Custo da Cadeia Custo de Gerenciamento da Cadeia Gerenciamento de Ativos : da Cadeia Retorno sobre os Ativos da Cadeia Fonte: Autor (2014) A Confiabilidade da Cadeia refere-se ao desempenho da cadeia em entregar os produtos certos, na quantidade correta, na hora certa, para o cliente certo, com a documentação necessária. Ou seja, refere-se ao atendimento perfeito do pedido. Na entrega dos produtos da Logística de Siderúrgicos, é comum da empresa cometer erros na entrega, falhando em alguns dos fatores comentados. Para que a empresa atinja a confiabilidade total da cadeia deve levar em conta todos os fatores e tomar ações para que a incidência de erros seja a mínima possível. A Responsividade da Cadeia refere-se à velocidade que a cadeia entrega os produtos aos clientes. Para que o produto esteja na hora certa na posse do cliente é importante que a cadeia adquira velocidade suficiente que a permita entregar os pedidos a tempo. A Flexibilidade da Cadeia é a medida do tempo de resposta do agente a mudanças ocorridas no mercado que interfiram na gestão da cadeia. Tais mudanças podem ser em decorrência de novas legislações impostas ao setor de transportes, por exemplo. É importante que o Operador Logístico esteja sempre atento às legislações vigentes, além de demais fatores que possam exigir rápidas tomadas de decisão para responder de forma flexível. Os Custos da Cadeia e Gerenciamento de Ativos da Cadeia são atributos relacionados à gestão financeira da cadeia analisada. As métricas de custos referem-se ao acompanhamento dos custos inerentes à cadeia, considerando tanto custos fixos para manter a cadeia, como os variáveis, que dependem do volume movimentado no período. Já o Gerenciamento de Ativos as métricas são relativas ao retorno financeiro decorrente do investimento em ativos. Como explicado anteriormente, o Operador 54 Logístico em questão não é proprietário dos veículos utilizados nos transportes, porém pode ser interessante analisar o retorno no caso de investimentos em estruturas de armazenagem, por exemplo, e a métrica de gestão de ativos deve ser analisada para entender se os investimentos são vantajosos ou não ao longo do tempo. Este conjunto de atributos e métricas são suficientes para o nível I de detalhamento do SCOR. Com eles a alta administração consegue ter uma visão dos macro processos e dos principais atributos que devem ser levados em conta para entregar serviços de qualidade e com resultados satisfatórios. 4.4.2 Nível II No nível II ocorre o detalhamento das definições realizadas no nível I. Serão apresentados fluxogramas detalhando cada processo relativo à Logística de Siderúrgicos gerenciadas pela empresa estudada, contemplando todos os macro processos, afim de identificar pontos de melhoria. Nesta etapa também serão discutidas métricas de desempenho pertinentes e mais detalhadas do que no nível I. A partir do macro fluxograma apresentado na Figura 12 da página 51 o objetivo do nível II é detalhar os processos (Planejamento, Transporte Porto-Terminal, Movimentação Interna/Distribuição e Devolução). O processo de Planejamento ocorre em algum grau em todos os demais processos, além de estar relacionado às atividades que devem ocorrer antes da entrada de um novo cliente, as quais estão representadas na Figura 14. Algumas destas atividades não dependem exclusivamente do Operar Logístico, como a resposta do cliente após apresentação de proposta. Àquelas que dependem exclusivamente do OL foram elencados alguns indicadores, os quais estão presentes no Quadro 6. 55 Figura 14 – Fluxograma do processo de Planjamento Contato Cliente Estudo da CS do cliente Análise por parte do cliente Elaboração da Proposta Fecha negócio? Sim Apresentação da Proposta Planejamento do início das operações Não Fim Fonte: Autor (2014) As métricas relativas ao processo de planejamento foram dividas em duas áreas as quais são responsáveis pela elaboração das atividades desta fase e merecem atenção por estarem intimamente relacionadas ao processo de captação de clientes e implantação de serviços terceirizados. Quadro 6 – Métricas Nível II - Planejamento Área de Análise Comercial Métrica Nível II - Planejamento Contatos realizados no período Ciclo de análise da CS Desenvolvimento Ciclo de Projetos de elaboração da Proposta Ciclo de projeto de implantação Fonte: Autor (2014) Indicadores relacionados ao total de contatos realizados são interessantes para medir o quanto a empresa tem sido procurada, ou o quanto os profissionais da área comercial estão realizando contatos que podem gerar novos negócios. A métrica de 56 Análise da CS (Cadeia de Suprimentos) se desdobra em indicadores relacionados ao tempo gasto para fazer a análise da cadeia do possível cliente, levantando dados que serão necessários nas fases de elaboração da proposta e projeto de implantação. O ciclo de elaboração da proposta refere-se a quanto tempo está sendo despendido para elaborar uma prosposta. Monitorar indicadores desta métrica é importante para que não perder clientes por atrasos na apresentação de propostas, fato que ocorreu algumas vezes na empresa. O ciclo de projeto é relacionado ao tempo necessário pra projetar o início das atividades terceirizadas. Tais métricas relativas ao planejamento podem ser aplicadas a todos os serviços prestados pela empresa, não exclusivamente aos serviços de Logística de Siderúrgicos. O processo de Transporte Porto-Terminal envolve todas as atividades realizadas após a atracação do navio carregado de produtos, contemplando também o planejamento relativo à preparação do OL para a chegada do navio, como a programação da atracação e transporte (onde ocorre a contratação de empresas para realizar o transporte). Após a chegada do navio ocorre a descarga, a armazenagem temporária no terminal portuário, o carregamento de veículos, a expedição e o transporte até o CD. A Figura 15 apresenta o fluxograma do processo contendo as atividades que ocorrem após o planejamento. O Quadro 7 apresenta as principais métricas definidas para este processo. Figura 15- Fluxograma Transporte Porto - Terminal Atracação Navio Transporte até o CD Descarga de Produtos Armazenagem Terminal Carregamento Veículos Fim Fonte: Autor (2014) A armazenagem no terminal portuário é necessária no período entre a descarga e o carregamento dos veículos que transportam os produtos até o CD. Os produtos devem ficar armazenados ocupando lugar no terminal, o que gera custos. Portanto quanto mais eficiente for a operação, menor os custos relativos a esta armazenagem. Os demais 57 custos são relativos ao transporte, os quais são contratados de outras empresas prestadoras de serviços Quadro 7 – Métricas Nível II – Transporte Porto/Terminal Dimensão Análise de Métrica Nível II – Transporte Porto/Terminal Custo de Armazenagem no terminal Custo Custo do Frete/Receita Líquida Custo do Frete/Peso Transportado Produtividade Total de cargas expedidas no período Fonte: Autor (2014) Monitorar os indicadores de custo neste caso é importante para verificar a lucratividade do serviço. Para a dimensão de análise Produtividade definiu-se o indicador de total de cargas expedidas em um período, que analisada ao longo do tempo permite comparar a eficiência dos serviços prestados em períodos diferentes. Os processos de Movimentação Interna e Distribuição contemplam o planejamento do CD para a chegada das cargas, como a programação de turnos extras de trabalho para aumentar a produtividade por dia e a definição dos locais de armazenagem para os produtos que estão chegando, além de roteirização para entrega e contratação de empresas para realizar a distribuição. Além do planejamento, o processo contempla todas as atividades desenvolvidas entre a chegada dos veículos carregados ao CD até a entrega aos clientes finais, as quais estão representadas na Figura 16. 58 Figura 16 – Fluxograma Movimentação Interna e Distribuição Chegada Veículos Pesagem e Conferência Descarga Recebimento de Pedidos Separação de Produtos Carregamento e Expedição Armazenagem Transporte ao Cliente Final Fonte: Autor (2014) Com a realização do mapeamento das atividades desenvolvidas nos processos de movimentação interna e distribuição foi possível identificar as métricas Nível II, as quais são apresentados no Quadro 8. Para cada dimensão são apresentadas métricas relativas às atividades desenvolvidas. As métricas de nível II serão detalhadas no nível III, onde são definidos indicadores e as melhores práticas para cada um. Quadro 8 – Métricas Nível II – Movimentação Interna e Distribuição Dimensão de Análise Métricas Nível II Movimentação Interna/Distribuição Doca para Estoque Tempo Tempo médio em trânsito Acurácia do Inventário Estoque Indisponível (produtos avariados) Qualidade/Desempenho Índice de Produtos Avariados na movimentação Índice de Produtos Avariados no transporte 59 Qualidade/Desempenho Entregas Corretas e no Prazo (OTIF) Índice de Ocupação do Armazém Produtividade Taxa de Movimentação Expedições por Período Custo CD/Unidade Movimentada Custo de Manutenção do Armazém Custo Custo do Frete/Receita Líquida Custo do Frete/Peso Transportado Fonte: Autor (2014) A devolução de produtos ocorre quando a entrega apresenta falhas, podendo ser tanto por conta de avarias no transporte, faltas e sobras de produtos, expedição de produtos errados, dentre outros. Todas estas falhas são responsabilidade da gestão do CD, e se forem recorrentes podem fazer com o que os clientes percam a confiança no Operador Logístico. A função de planejamento neste processo refere-se à roteirização e ao local de armazenagem dos produtos de devolvidos. As atividades relacionadas ao processo de devolução são apresentadas no fluxograma da Figura 17. Figura 17 – Fluxograma Devolução Contato Cliente Classificação Devolução Recebimento Descarga Armazenagem Fonte: Autor (2014) Para que os resultados das falhas não sejam tão negativos para o Operador Logístico, deve-se fazer um acompanhamento das métricas relatadas no Quadro 9, tornando possível a destinação correta às devoluções com o menor tempo de resposta e custo possível. Além destes fatores, é muito importante realizar estatísticas referentes ao índice de devolução por tipo de produto, por motivo de devolução e por transportadora que realiza a distribuição do produto. Desta forma pode-se tomar decisões para diminuir o índice devolução para cada causador. Anteriormente à aplicação do modelo SCOR a empresa não realizava acompanhamentos e as falhas eram muitas vezes recorrentes. 60 Quadro 9 – Métricas Nível II - Devolução Dimensão de Análise Métrica Nível II - Devolução Frete de Devolução Custo Custo de Manutenção de Estoque de Avariados Tempo Ciclo de Resposta Tempo de Retorno Índice de Devolução por Tipo de Produto Causa Índice de Devolução por Motivo Índice de Devolução por Transportadora Fonte: Autor (2014) Caracteriza-se desta forma o nível II de detalhamento do modelo SCOR, onde o foram detalhados os subprocessos, caracterizando assim as operações relativas à Logística de Siderúrgicos desempenhados pela empresa. Com este detalhamento foi possível identificar ineficiências e propor métricas de desempenho que auxiliem a tomada de decisão na busca pela melhora contínua. 4.4.3 Nível III O objetivo do Nível III é entrar no detalhe das atividades desenvolvidas em cada um dos processos e subprocessos definidos nos níveis I e II. Para o desenvolvimento a partir daqui focou-se na aplicação do nível III nos processos de Movimentação Interna e Distribuição, que foram escolhidos como piloto por serem os processos com mais falhas e que necessitam de maiores ações corretivas. Para a definição do Nível III elaborou-se um fluxograma, apresentado na Figura 18, detalhando as atividades desenvolvidas no Centro de Distribuição. Isto possibilitou a identificação dos pontos onde seriam necessárias correções e mudanças. 61 Figura 18 – Fluxograma Detalhado Movimentação Interna e Distribuição Fonte: Autor (2014) O Quadro 10 apresenta os indicadores definidos para este nível, os quais são focados na operação e são relacionados com a rotina do dia-a-dia do Centro de Distribuição. Quadro 10 – Indicadores Nível III – Movimentação Interna e Distribuição Indicadores Dimensão de Análise Custo Pessoal Produtividade Qualidade Movimentação Interna/Distribuição Horas Extras Custo Frete/Receita Líquida Índice de Absenteísmo N° de Acidentes no Período Taxa de Movimentação Taxa de Ocupação da Agenda Avaria Interna % de Entregas Perfeitas Tempo de Carga Tempo Nível Tempo de Descarga Eficiência da Expedição Fonte: Autor (2014) III 62 Os indicadores de custo são necessários para monitorar a saúde financeira dos serviços prestados. O indicador de custo com Horas Extras é um exemplo de indicador que não era analisado com a atenção que ele merece. Muitas vezes deixava-se de repassar ao cliente o custo de horas extras necessárias para atender pedidos além de uma quantidade pré-estabelecida em contrato. Com isto o faturamento total da empresa era prejudicado. O indicador de Índice de Absenteísmo também reflete no faturamento, pois para atender a programação muitas vezes a empresa necessitava contratar turnos de horas extras por conta haver muitos funcionários faltantes. A Taxa de Movimentação representa o peso total movimentado por pessoa e por hora trabalhada. Está intimamente relacionada à eficiência do trabalho desenvolvido no CD. Caso constate-se que esta taxa está baixa, ações devem ser realizadas para identificar os motivos e melhorar os procedimentos. A Taxa de Ocupação da Agenda refere-se ao total das agendas de recebimento e expedição que já estão ocupadas com as programações feitas anteriormente. Auxilia o CD a identificar a necessidade de aumentar ou diminuir o número de docas disponíveis para as operações e ainda auxilia na elaboração das programações de cargas ou descargas. Os indicadores da dimensão qualidade são relacionados à qualidade com que o serviço está sendo desenvolvido. Os indicadores sugeridos para isto são os indicadores de Índice de Avaria, que se refere ao índice de produtos danificados na movimentação interna, com relação ao total de produtos movimentados. Para a composição do indicador de entregas perfeitas são levados em conta a qualidade do produto entregue, se o produto foi entregue dentro do prazo, no local correto, na quantidade certa e com toda a documentação necessária. Apenas entregas que atendem a todos estes fatores são consideradas entregas perfeitas, o que é um índice que deve ser sempre próximo de 100%. Os indicadores de Tempo de Carga e Descarga merecem atenção, pois melhorias nestes tempos podem levar a operação a tornar-se mais ágil, fazendo com que o cliente receba os produtos rapidamente após fazer a solicitação. Já o indicador de Eficiência da Expedição representa ao atendimento de pedidos dentro do prazo fixado pelo cliente. Com todos os indicadores e métricas estabelecidos até o nível III de detalhamento a empresa tem uma base completa que pode utilizar para identificar melhorias para 63 desempenhar suas funções com maior qualidade e diferencial, atributos que são reconhecidos pelos clientes. 4.4.4 Nível IV No nível IV, estágio em que são implementados os conceitos definidos até aqui, ocorre também a sugestão de ações que podem proporcionar vantagem competitiva da empresa em relação aos seus concorrentes. São levadas em conta tecnologias e procedimentos atuais que possam trazer qualidade aos serviços prestados pelo Operador Logístico. As coletas de dados para gerar os indicadores dependeram da definição de um formato que tornasse o processo simples e prático, já que a coleta de dados seria diária. Na maioria dos produtos que chegam ao CD existe uma etiqueta fixada pelo fornecedor onde existe um código de barras contendo informações importantes como peso, fornecedor e data de expedição. Desta forma foi possível instituir um sistema de informação simples com um dispositivo de leitura de código de barras para retirar os dados dos produtos e lançá-los em uma planilha eletrônica para consolidação. A implantação do leitor de código de barras possibilitou ainda a diminuição do trabalho manual necessário para o lançamento de dados no momento de realizar o faturamento dos produtos expedidos. O lançamento manual ficava suscetível a erros que poderiam gerar devoluções ou até mesmo divergências nos valores faturados. Para a consolidação dos dados obtidos dos códigos de barras dos produtos desenvolveu-se uma planilha padrão, onde o responsável deveria inserir os dados que não se encontravam no código de barras, mas que eram necessários para gerar os indicadores. Estes dados são os tempos de operação, quantidade de pessoas envolvidas, total de horas extras necessárias, e dados referentes às notas fiscais. A Figura 19 representa parcialmente a planilha eletrônica desenvolvida. Esta e outras planilhas que são utilizadas para realizar os cálculos dos indicadores estão apresentadas no Apêndice deste trabalho. 64 Figura 19- Planilha Eletrônica para coleta de dados Fonte: Autor (2014) Além das planilhas de cálculo, o nível IV serviu para definir procedimentos para a Gestão a Vista da operação. Para tanto foram desenvolvidos gráficos padrão, contendo as informações mais importantes relativas a cada indicador, como o histórico dos dados, a forma de cálculo e a dimensão de análise. A Figura 20 apresenta um exemplo de gráfico padrão desenvolvido nesta etapa. Figura 20 – Exemplo de Gráfico Padrão Fonte: Autor (2014) O exemplo utilizado é o gráfico do indicador Índice de Absenteísmo. Na parte superior pode-se identificar o nome e a dimensão do indicador e a operação que está sendo analisada. Na parte inferior aparece a fórmula utilizada para o cálculo do mesmo. A seta indica qual a direção que o indicador deve evoluir para trazer vantagens para a 65 operação. No exemplo utilizado pode-se destacar o seguinte fato: o índice de absenteísmo apresenta tendência de decrescimento ao longo do período analisado. Isto pode ser explicado pelo fato de os funcionários entenderem que o acompanhamento está sendo feito e que quanto maior o índice, pior a qualidade da qualidade da operação. Para tornar possível a visualização dos indicadores por todos os interessados, foi desenvolvido um quadro de gestão a vista, posicionado em local de fácil acesso junto às docas de recebimento e expedição do CD. O quadro possui o layout apresentado na Figura 21. Figura 21 – Quadro de Gestão a Vista Fonte: Autor (2014) Além da fixação dos indicadores principais, é possível apontar no quadro os erros e a eficiência da operação em cada dia do mês. O quadro facilitou ainda a realização de reuniões diárias, onde se apresentam as metas e os principais indicadores de atualização diária são discutidos, como indicadores de erros de expedição, absenteísmo e eficiência. O quadro possui também local determinado para alocação dos planos de ação definidos para melhorar os índices que estão abaixo das metas. Os indicadores do nível III e as ferramentas de coleta de dados foram implementados na empresa, possibilitando a geração dos indicadores que são apresentados no Quadro 11. 66 Quadro 11 – Indicadores, Melhores Práticas e Metas Dimensão de Análise Indicadores Nível III Movimentação Interna/Distribuição Horas Extras Custo Custo Frete/Receita Líquida Absenteísmo Pessoal/Segurança N° de Acidentes no Período Produtividade Qualidade Tempo Taxa de Movimentação Taxa de Ocupação da Agenda Avaria Interna % de Entregas Perfeitas Tempo de Carga Tempo de Descarga Eficiência da Expedição Média de 6 Meses de Unidade Aplicação 182 h 23% % 3,42% % 2 N° toneladas/ 20,33 hora.homem 22,50% % 0,50% % 65% % 01:33 h 03:42 h 99,70% % Melhores Práticas Meta Depende do negócio Depende do negócio 1% 0 Depende do produto 25 75% 50% 0% 0% 70% 70% Depende do produto 01:00:00 Depende do produto 03:00:00 100% 100% Fonte: Autor (2014) As melhores práticas, quando definidas, foram retiradas de fontes como Ângelo (2005), Conceição e Quintão (2004), Tiperlog (2005) e SCC (2006). As metas foram definidas em reuniões com a gerência do CD de produtos siderúrgicos gerenciados pela empresa estudada, através da análise das melhores práticas e do que a equipe poderia entregar em um primeiro momento. Após a aplicação do modelo e o início da tomada de dados, a alta administração do Operador Logístico definiu que seriam necessárias reuniões periódicas com os responsáveis pelo CD para realizar acompanhamento das números. Isto foi muito importante para aproximar a gerência do OL da operação, sendo possível um acompanhamento mais dedicado, diminuindo a ocorrêcia de falhas não tratadas no CD. O passo seguinte na busca pela melhoria contínua dos serviços prestados é o uso de ferramentas que permitam tomar ações nos indicadores que estão abaixo da média, estudando as causas e propondo intervenções para aperfeiçoar cada um dos indicadores. Fazer deste processo de idenficação e melhoria um cíclo é o caminho para a melhoria contínua e o alcance de níveis de excelência nas operações. 100 18% 1% 0 67 5 CONCLUSÃO Este estudo visou à aplicação do modelo SCOR como forma de responder à necessidade apresentada pelos contratantes de serviços de Operadores Logísticos, os quais desejavam obter informações mais precisas referentes ao desempenho dos serviços prestados. Com a identificação da necessidade de mudança na forma como o desempenho era avaliado na empresa estudada iniciou-se o processo de mapeamento das atividades gerenciadas pelo Operador Logístico, conforme estabelecido no modelo. Isto proporcionou a identificação de diversas falhas nos processos. Um exemplo eram as falhas na contabilização de horas extras necessárias para cumprir às progamações, onde muitas vezes deixava-se de repassar os custos aos clientes, comprometendo a lucratividade da operação. Identificou-se também falhas nos cálculos do volume total movimentado, indicador que é a base utilizada para realizar o faturamento dos serviços prestados. Estes problemas de contabilização que vinham ocorrendo podiam levar a uma decisão errada por parte da diretoria do Operador Logístico. Poderia ser tomada a decisão, por exemplo, de descontinuar a operação de determinado cliente, por esta parecer financeiramente desvantajosa, onde de fato não era, as análises estavam apresentando falhas. Com a aplicação do modelo, a empresa pode ter mais confiança nos dados, diminuindo as dúvidas acerca do faturamento dos serviços prestados. Outra vantagem apresentada tem relação com a qualidade da operação. O mapeamento possibilitou o conhecimento de fragilidades nos processos, como é o exemplo das tratativas relacionadas aos produtos devolvidos, onde não eram realizados relatórios e ações corretivas. O modelo propõe a discussão diária dos erros ocorridos nas operações, além da análise dos indicadores de índice de devolução para cada causador. Desta forma pode-se tomar ações que buscam a entrega de produtos com os níveis de qualidade que o cliente deseja. O acompanhamento dos indicadores propostos permite que o OL busque a realização das operações sem falhas, o que pode torna-lo reconhecido pela confiabilidade de suas operações, possibilitando o aumento de sua participação no mercado. Permite ainda a identificação e redução dos desperdícios nas operações, permitindo ao Operador Logístico reduzir seus custos, podendo também reduzir o preço final dos serviços. Com isto o OL estaria cumprindo com seus objetivos, ou seja, gerenciando as operações com qualidade assegurada dos serviços prestados aliados à redução de custos para o cliente. 68 A aplicação do modelo pode auxiliar o Operador Logístico também na fase de planejamento de novos negócios. O mapeamento proposto ajuda no levantamento de dados importantes para o estudo da cadeia de suprimentos dos possíveis clientes, possibilitando ao OL fazer os estudos de forma mais ágil e confiável, identificando possibilidades de melhoria antes mesmo de começar a gerenciar atividades logísticas. Isto contribui para a imagem do Operador Logístico perante o mercado, pois realizando os processos propostos os clientes e possíveis clientes podem enxergar o OL como parceiro confiável e que irá ter o compromisso de entregar sempre serviços cada vez de melhor qualidade. A aplicação do modelo vai ao encontro também das maiores necessidades elencadas pelas empresas que estão insatisfeitas com os Operadores Logísticos que contratam, as quais gostariam de ter acesso a informações de desempenho dos OLs, bem como estão insatisfeitas com a falta de projetos de melhoria contínua, como apresentado anteriormente. O modelo torna o Operador Logístico capaz de responder a estas necessidades, tornando possível a fidelização dos clientes. Vale salientar que o modelo não deve ser engessado ou eterno. Na verdade este deve passar por revisões constantes que proporcionem o aumento gradual do escopo, adição de novas tecnologias e revisão de metas, sempre buscando a melhoria contínua e a visão sobre todos os elos da logística nas atividades gerenciadas pela empresa. Os resultados pretendidos só são alcançados se a gerência das operações gereciadas pelo OL esteja engajada e comprometa-se a explicar para os colaboradores a importância da mensuração do desempenho e das ações de melhoria propostas. Conclui-se que a aplicação do modelo até a fase que foi apresentada gera resultados qualitativos como os apresentados. Resultados quantitativos, como o aumento do faturamento, diminuição de custos ou diminuição dos tempos de ciclo de movimentação e transporte são desdobramentos e resultados futuros que a aplicação do modelo pode trazer. Por fim, pode-se destacar que o modelo mostrou-se como ideal para a aplicação em serviços prestados por Operadores Logísticos, por ser completo e considerar todos os elos em que os OLs podem estar inseridos. Fazendo as devidas adaptações, devido às diferenças presentes nas cadeias de suprimentos, qualquer Operador Logístico que necessite poderá aplicar o modelo para definir indicadores e auxiliar na mensuração de desempenho e busca pela melhora contínua dos serviços prestados. 69 REFERÊNCIAS ALVES. P., Implantação de tecnologias de automação de depósitos: um estudo de casos. Dissertação submetida ao corpo docente do Instituto de Pós-graduação e Pesquisa em Administração – COPPEAD – UFRJ. Rio de Janeiro, 2000. 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