FALE COM EFICÁCIA
Por Dale Carnegie
Parte Um: Falar em Público
Uma Forma Fácil e Rápida
By Dale Carnegie
This booklet reveals the secrets of effective speaking that it took me
over 40 years to discover. I have tried to tell you these secrets simply and clearly and to illustrate them vividly. I urge you to carry this
booklet with you and to read it at least three times next week. Read it;
study it; underscore the vital parts.
Copyright © 2008 Dale Carnegie & Associates, Inc. All rights reserved.
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PARTE UM: Falar em Público – Uma Forma Fácil e Rápida
Pode estar a perguntar para si mesmo: “Existe
realmente alguma forma rápida e fácil para falar em
público – ou isso é meramente mais um artigo que
promete mais do que realmente concretiza?”
desgastantes. Por exemplo, uma vez escrevi um livro
sobre Lincoln; e enquanto o escrevi, desperdicei pelo
menos 1 ano de esforço que poderia ter sido poupado
se tivesse conhecido os segredos que vou divulgar.
Não, não estou a exagerar. Vou realmente deixá-lo
entrar no segredo vital – um segredo que tornará fácil
para si falar em público imediatamente. Onde descobri
isso? Em algum livro? Não. Em algum curso de falar em
público? Não. Nem sequer mencionei isso. Descobri
da pior forma – gradual, lenta e penosamente.
O mesmo aconteceu quando perdi dois anos da minha
vida a tentar escrever uma peça.
O mesmo aconteceu enquanto estava a escrever um
livro de falar em público – mais um ano de esforços
desperdiçado porque não tinha conhecimento dos
segredos do sucesso de escrever e falar.
Se, voltasse ao tempo da faculdade e alguém me
desse esta passagem para falar e escrever com
eficácia teria salvo anos e anos de cansaço e esforços
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SE POSSÍVEL, Perca anos em preparação
Que segredos preciosos são esses que tenho andado
a oscilar diante dos seus olhos? Apenas isto: fale sobre
algo que ganhou o direito de falar através de um
estudo ou experiência. Fale sobre algo que conhece
e que sabe. Não perca dez minutos ou dez horas
a preparar um discurso: perca dez semanas ou dez
meses. Ou melhor, perca dez anos.
Fale sobre algo que tenha despertado o seu interesse.
Fale sobre algo que deseje profundamente comunicar
para o seu público.
Para ilustrar o que quero dizer, vamos pegar no caso
de Gay Kellog, uma dona de casa de Roselle, New
Jersey. Kellog nunca discursou em público antes de
participar numa das nossas turmas em Nova Iorque.
Ela estava apavorada, tinha medo, achava que falar
em público era uma arte obscura, que ia para além
das suas capacidades. No entanto, na quarta sessão
do curso discursou, de improviso quando lhe pedi
para falar sobre “a maior mágoa da minha vida”.
O público ficou encantado. Fez uma apresentação
profundamente emocionante. Os ouvintes mal podiam
conter as lágrimas. Eu sei. Eu mal conseguia manter as
lágrimas. A apresentação foi assim:
“A maior mágoa da minha vida é que nunca conheci
o amor de mãe. A minha mãe morreu quando eu
tinha apenas um ano de idade. Fui criada por tios e
outros parentes que estavam tão absorvidos com os
seus próprios filhos que mal tinham tempo para mim.
Nunca fiquei com ninguém, por muito tempo. Ficavam
insatisfeitos quando me viam entrar e contentes
quando me viam partir.
Nunca mostraram algum interesse em mim ou me
deram carinho. Sabia que não era desejada. Mesmo
sendo uma criança, sentia isso. Muitas vezes chorei até
adormecer por causa da solidão. O que mais desejava
era ter alguém a quem mostrar a minha caderneta da
escola. Mas não tinha. Ninguém queria saber. Tudo o
que queria, enquanto era criança, era amor – e nunca
ninguém me deu”.
Será que Gay Kellogg demorou dez anos a preparar
este discurso? Não. Ela gastou vinte anos. Tem-se
preparado para o discurso desde que chorava até
adormecer quando era criança. Tem-se preparado
para o discurso quando lhe doía o coração quando não
tinha ninguém a quem mostrar a caderneta da escola.
Não admira que ela pudesse falar sobre o assunto. Ela
nunca apagou essas memórias da sua cabeça.
Gay Kellogg descobriu uma quantidade de memórias
e sentimentos trágicos dentro dela. Ela não tinha que
os estimular. Ela não tinha que se preparar para esse
discurso. O que ela tinha que fazer era deixar os seus
sentimentos e recordações reprimidos virem ao de
cima.
Jesus disse: “O meu jugo é suave e meu fardo é leve”.
Assim é o jugo e o fardo de falar bem. Discursos
ineficazes são geralmente aqueles que são escritos,
memorizados e que soam a artificial. Uma boa conversa
é aquela que vem de dentro de nós, tal como uma
fonte. Muitas pessoas falam da forma como eu nado.
Eu luto com a água e nado um décimo mais rápido do
que um profissional. Oradores fracos, assim como os
maus nadadores, começam tensos e torcem-se a eles
mesmos como nós – e derrotam os seus próprios fins.
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Entusiasme-se que com seu tema
Até as pessoas com capacidades medíocres para
discursar, podem fazer discursos soberbos quando
falam sobre algo que mexe profundamente com
elas. Assisti a uma experiência impressionante, há
uns anos atrás, quando ministrava cursos na Câmara
de Comércio em Brooklyn. Foi um exemplo que vou
recordar para sempre. Foi assim: estávamos a ter uma
sessão sobre falar de improviso. Depois da sessão pedi
que me falassem sobre “O que está errado, se é que
está, com a religião?”
Um membro (um homem, que por sinal nunca
terminou o curso) fez algo que eu nunca tinha visto
nenhum outro orador fazer durante os anos que formei
pessoas para falarem em público. O seu discurso
foi tão emocionante que quando terminou toda a
audiência se levantou em silêncio em forma de tributo.
Este homem falou da maior tragédia da sua vida: a
morte da mãe. Ele ficou tão arrasado, tão aflito que
não queria viver mais. Disse que mesmo quando saía
de casa num dia de sol, era como se tivesse um dia
de nevoeiro. Ele queria morrer. Em desespero foi até
à igreja, ajoelhou-se, chorou e rezou o rosário. Um
sentimento de paz apoderou-se dele – um pedaço
divino de resignação: “Não a minha vontade, mas que
a Tua seja feita”.
Quando terminou o seu discurso, disse num tom de
quem tinha tido uma revelação: “Não há nada de
errado com a religião! Não há nada de errado com o
amor de Deus”.
Nunca vou esquecer aquele discurso por causa do
impacto emocional. Quando lhe dei os parabéns pelo
discurso, ele respondeu: “Sim, e eu não fiz nenhuma
preparação”
Preparação? Bem, se ele não preparou o discurso,
então não sei o que é a preparação. O que ele quis
dizer é que não tinha nenhuma ideia sobre o que
iria ter que apresentar. E ainda bem que não o fez,
porque se tivesse sido avisado previamente, o seu
discurso podia ter sido muito menos eficaz. Poderia
ter trabalhado no assunto, tentar preparar o discurso e
ser artificial. Em vez disso, fez exactamente o que Gay
Kellog fez uns anos mais tarde - levantou-se e abriu o
seu coração como um ser humano que fala com outro.
A verdade da questão é que ele já se preparava para
o discurso quando se ajoelhou e rezou o rosário. Viver,
sentir, pensar, enquanto “os estilingues e as setas
da fortuna ultrajante” – esta é a melhor preparação
inventada até hoje tanto para falar como para escrever.
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OLHE PARA DENTRO DE SI para Tópicos para Falar Sobre
Saberão os iniciantes a necessidade de olhar para
dentro de si para escolher um tema? Saberão? Eles
nunca ouviram falar sobre isso! Estão mais propensos
a olhar para os temas de uma revista. Por exemplo,
lembro-me de ter encontrado uma antiga participante
no metro – uma mulher que estava desanimada por
fazer tão poucos progressos no curso. Perguntei-lhe
sobre o que tinha falado na semana que passou.
Descobri que falou sobre como Mussolini se tinha
permitido a invadir a Etiópia. Retirou essas informações
de um artigo da “Time”. Ela leu o artigo duas vezes.
Perguntei-lhe se estava interessada no assunto e ela
respondeu que não. Depois perguntei-lhe porque
tinha falado sobre isso. “Bem”, respondeu ela “Tinha
que falar sobre alguma coisa, por isso escolhi esse
tema”.
Pense sobre isso: ali estava uma mulher que tentou
falar sobre Mussolini e a Guerra na Etiópia. Admitiu
que sabia pouco sobre o tema e que não tinha
qualquer interesse no assunto. Ela esqueceu-se de
falar sobre um assunto que tinha adquirido o direito de
falar.
Depois da conversa disse-lhe: “Ouvirei com respeito
e interesse se falar sobre algo que viveu e que
sabe sobre o que fala, nem eu nem ninguém está
interessado na invasão de Mussolini à Etiópia. Não tem
conhecimento suficiente para falar sobre isso para que
consiga captar a nossa atenção ou respeito.”
Fale do coração — Não de um livro
Muitos participantes de Falar em Público são como
aquela participante. Retiram o tema de um livro ou
de uma revista em vez de recorrer ao seu próprio
conhecimento e convicções. Por exemplo, há alguns
anos atrás, fui um dos elementos do júri num concurso
de discursos inter-escolas através da rede NBC. Os
júris nunca tinham visto os concorrentes. Ouvimolos através do estúdio 8G da rádio local. Desejei
que todos os estudantes e professores pudessem
testemunhar o que acontecia naquele estúdio. O
primeiro orador falou sobre “a Democracia numa
Encruzilhada”. O seguinte falou sobre “Como prevenir
a Guerra”. Era dolorosamente evidente que estavam a
falar sobre algo que estudaram e memorizaram. Desta
forma, nem os convidados que estavam no estúdio,
nem o júri prestaram muita atenção ao que diziam. Um
dos elementos do júri era Willem Hendrik Van Loon.
Quando começou a fazer uma caricatura de um dos
participantes, todos os que estavam de pé começaram
a olhar para ele e a ignorar os “discursos” amadores,
as frases memorizadas, que íamos ouvindo.
No entanto, o orador seguinte captou a minha atenção
imediatamente.
Um sénior da Universidade de Yale. Falou sobre o que
estava mal nas universidades. Ganhou o direito de
falar sobre isso. Ouvimo-lo com respeito. Mas o orador
que ganhou o primeiro prémio começou com algo
parecido com isto:
“Acabei de vir do hospital onde tenho uma amiga
em risco de vida por causa de um acidente de carro.
Muitos dos acidentes são causados pela geração mais
nova. Sou um membro dessa geração e quero falar
sobre as causas desses acidentes”.
Todos no estúdio estavam quietos enquanto ele falou.
Falou sobre reabilitações, sem tentar fazer um discurso.
Ele começou a falar sobre algo que ganhou o direito
de falar. Ele estava a falar de dentro.
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Tenha um Forte Desejo de Comunicar
Contudo, deixe-me avisar que não é só por falarmos
sobre algo que ganhamos o direito de falar, que faz
com que tenhamos uma apresentação excelente.
Um outro elemento tem de ser acrescentado – um
elemento que é vital para o discurso. Resumidamente,
para além de ganhar o direito de falar, devemos ter um
profundo desejo de comunicar as nossas convicções
ou sentimentos aos nossos ouvintes.
Quando a Gay Kellog falou sobre o seu mais profundo
pesar – nunca ter conhecido o amor de mãe – não
só ganhou o direito de falar sobre o assunto, como
também tinha um forte desejo emocional de nos
contar a sua experiência. Por isso, os elementos da
turma do Brookling Chamber of Commerce falaram
sobre a morte das suas mães.
Para exemplificar: vamos supor que sou questionado
a falar sobre o aumento do preço do milho e sobre
porcos. Passei vinte anos numa quinta com milho e
porcos em Missouri, então seguramente que ganhei
o direito de falar sobre o assunto, no entanto não
tenho qualquer desejo especial para falar sobre isso.
Agora suponhamos que me pedem para falar sobre o
que está errado com o tipo de educação que tive na
escola; dificilmente poderia falhar ao falar sobre esse
tema, pois disponho dos três elementos básicos para
uma boa conversação. Primeiro, falaria sobre algo que
teria o direito de falar. Segundo falaria sobre algo que
tinha um profundo desejo e convicção de falar sobre o
assunto. Terceiro, teria forma de exemplificar através
da minha própria experiência.
A história tem sido repetidamente alterada por
pessoas que têm o desejo e a capacidade de transferir
as suas convicções e emoções para os seus ouvintes.
Se John Wesley não tivesse esse desejo e capacidade
nunca teria fundado uma seita religiosa que mudou o
mundo. Se Pedro – o Eremita não tivesse esse desejo e
convicção nunca poderia ter despertado a atenção do
mundo e mergulhado a Europa numa das mais fúteis
e sangrentas Cruzadas pela posse da Terra Santa.
Se Hitler não tivesse a capacidade para transferir o
seu ódio e amargura para os seus ouvintes, não teria
tomado o poder da Alemanha e colocado o mundo
em guerra.
Fale sobre as Suas Experiências
Neste momento está preparado para fazer pelo
menos uma dúzia de bons discursos – discursos que
mais ninguém no mundo faria, porque ninguém teria
precisamente a mesma experiência que teve. Que
assuntos são esses? Não sei. Mas você sabe. Por isso
tenha sempre consigo uma folha de papel por umas
semanas e escreva nela todos os temas que está
preparado para falar, pela sua experiência – temas
como “o maior pesar da minha vida”, “A minha maior
ambição” e “Porque gosto (não gosto) da escola”.
Faça isso e surpreenda-se com a forma como a sua
lista de tópicos aumenta.
Boas notícias para si: o seu progresso enquanto orador
dependerá da escolha dos temas certos, mais que
a sua capacidade inata para falar. Pode-se sentir à
vontade e fazer um bom discurso imediatamente se
fizer somente o que fez Gay Kellog: fale sobre alguma
experiência que o afectou profundamente, alguma
experiência que o tem feito pensar durante vinte
anos. Mas nunca será assim tão fácil se tentar discursar
acerca da “Invasão de Mussolini à Etiópia” ou “A
Democracia numa Encruzilhada”.
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Fale sobre Coisas que tenha Estudado
Falar sobre as nossas próprias experiências é
obviamente a forma mais rápida para desenvolver a
coragem e a auto-confiança, mas depois de ganhar
um pouco de experiência quererá falar sobre outros
temas. Que temas? E onde os poderá encontrar?
Em todo o lado. Por exemplo, uma vez pedi a uma
turma de gestores da Telephone Company de Nova
Iorque para apontar todas as ideias que ocorrerem
durante a semana. Estavamos em Novembro. Uma das
pessoas viu o Dia de Graças sublinhado no calendário
e falou sobre muitas coisas pelas quais deveria estar
agradecida. Outra pessoa viu alguns pombos na
rua e inspirou-se. Falou sobre os pombos e nunca
irei esquecer o seu discurso. Mas o vencedor foi um
elemento que viu um insecto a subir uma gola de um
homem no metro. Fez um discurso que não esqueci
em vinte anos.
Ande com um Livro de Rascunhos
Porque não faz o que Voltaire fez? Voltaire, um dos
escritores mais conceituados do século XVII, trazia no
bolso o que ele chamava de “Livro de Rascunhos”
– um caderno onde anotou todas as suas ideias e
pensamentos mais fugazes. Porque não anda com
um “Livro de Rascunhos”? Assim, se se irritar com um
funcionário desagradável anote no caderno a palavra
“Desagrado”. De seguida tente listar outros incidentes
desagradáveis. Seleccione o melhor e conte-nos o que
devemos saber sobre o assunto. Pronto! Terá uma
conversa de dois minutos sobre “desagrado”.
“Cante Algo Simples”
Não tente falar sobre assuntos que abalaram o mundo,
como a Bomba Atómica. Escolha algo simples – não
irá fazer quase nada, desde que a ideia o apanhe e
não o contrário. Por exemplo, recentemente ouvi uma
estudante deste curso, Mary A. Leer, de Chicago, falar
sobre a “Porta do Fundo”. Pode achar o seu discurso
aborrecido assim que o ler; mas se tivesse ouvido tal
como eu ouvi ia adorar devido ao seu entusiasmo ao
falar da porta do fundo. De facto, nunca tinha ouvido
antes ninguém falar com tanto entusiasmo sobre
a pintar a porta do fundo! O ponto ao qual quero
chegar é o seguinte: qualquer objecto fará com que
ganhe o direito de falar sobre ele quer seja através de
estudo ou através da experiência e irá tornar-se muito
interessado em falar sobre ele
7
Esta é a Famosa Conversa sobre Portas do Fundo!
“Há quatro anos atrás quando me mudei para o meu
actual apartamento, a porta do fundo estava pintada
com uma mancha cinzenta. Era terrível. Todas as vezes
que abria aquela porta sentia-me deprimida. Então
comprei uma lata de tinta azul e pintei a parte de
dentro e de fora da porta. A pintura ficou parecida
com algo como uma sombra azul, a sombra mais
requintada que tinha visto; e todas as vezes que abria
aquela porta depois disso parecia que estava a olhar
para um pedaço de céu.
“Nunca me senti tão irritada como numa noite em
que cheguei a casa e descobri que o pintor tinha
derrubado a minha porta que parecia uma tela e
depois pintou-a com uma sombra cinzenta horrenda.
Estava prestes a estrangular aquele pintor.
o impressionar, enquanto que as portas do fundo
contam contos. Uma porta de fundo desleixada retrata
desleixo nos cuidados com a casa. Mas uma porta de
fundo que seja pintada com uma cor alegre com vasos
de plantas à volta e baldes do lixo pintados diz-nos
que nessa casa vive uma pessoa interessante e com
imaginação. Já comprei uma lata de tinta azul e, no
próximo sábado, vai estar bom tempo e vou pintar
novamente a minha porta com alegria e inspiração”.
E assim foi. Temos um grande número de exemplos
que mostram o poder dos oradores que:
(a) Ganharam o direito para falar sobre o as
sunto, através do estudo ou experiência
vivida;
(b) Estão entusiasmados com eles mesmos; e
“Pode contar muito mais sobre as pessoas a partir
das suas portas do fundo do que a partir da porta
da frente. As portas da frente são embelezadas para
(c) Estão ansiosos por comunicar as suas ideias e
sentimentos aos outros.
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COMO PREPARAR E TRANSMITIR AS SUAS FALAS
Existem oito princípios que o ajudarão a
preparar o discurso:
I. Faça notas breves de assuntos interessantes
que queria mencionar.
II. Não escreva o seu discurso.
Porquê? Porque se o fizer irá usar uma linguagem correcta em vez de uma linguagem fácil ou convencional;
e quando se levantar para falar irá ver que vai-se tentar
lembrar do que escreveu. Isso o afastará da possibilidade
de falar naturalmente e com brilho.
III. Nunca, nunca memorize uma frase.
Se memorizar a sua fala é quase certo que a esquecerá;
a sua audiência ficará concerteza insatisfeita, pois
ninguém quer ouvir um discurso pré-fabricado. Mesmo
que não se esqueça das suas falas, vai sempre soar que é
memorizado. Irá ficar com um olhar distante e um tom de
voz distante. Não vai soar como um ser humano que nos
está a contar algo.
Se, num discurso longo tiver o medo de esquecer o
que tem para dizer tome algumas notas e tenha-as
na sua mão e olhe para elas ocasionalmente. É o que
usualmente faço.
IV. Enriqueça o seu discurso com ilustrações e
exemplos.
De longe, a forma mais fácil de tornar uma palestra
interessante é preenchê-la com exemplos. Para ilustrar
o que quero dizer, vamos olhar para o folheto que
estão a ler agora. Cerca de metade dessas páginas
estão dedicadas à ilustração. Primeiro, temos o
exemplo da Gay Kellog sobre o seu sofrimento
quando era criança. A próxima ilustração é sobre o
tema “O que está errado com a religião”. De seguida
temos o exemplo da mulher que tentou falar da
invasão de Mussolini à Etiópia, seguida da história do
concurso dos quatro estudantes através da rádio – e
por aí em diante. O seu maior problema ao escrever
um livro ou preparar um discurso não é ter ideias,
mas ilustrar para tornar essas ideias mais claras,
vividas e inesquecíveis. Os filósofos da Roma Antiga
costumavam dizer “Exemplum docet” (exemplos
ensinam). E como escreve-los aqui!
Por exemplo, deixem-me mostrar o valor de uma
ilustração. Há alguns anos atrás, um congressista
fez um discurso tempestuoso, acusando o governo
de desperdiçar dinheiro ao imprimir panfletos
desnecessários. Ele mostrou o que queria dizer
quando mostrou um panfleto de “The Love Life of the
Bullfrog”. Teria esquecido esse discurso se não fosse
esse exemplo. Provavelmente esqueci milhares de
outros factos ao longo da década, mas não esquecerei
a sua acusação de que o governo desperdiça o nosso
dinheiro.
Exemplum docet. Não é somente o exemplo que
ensina, mas trata-se da única coisa que ensina. Já
ouvi palestras brilhantes que esqueci imediatamente
porque não foram dados exemplos que ficassem na
minha memória.
V. Saiba mais sobre o tema.
Ida Tarbell, uma das escritoras americanas mais
distintas disse-me há alguns anos atrás, enquanto
recebia um cabo de S.S. McClure, fundador da
McClure Magazine, que lhe pediu que escrevesse um
artigo de duas páginas sobre o Cabo Atlântico. Tarbell
entrevistou o gerente e retirou toda a informação
necessária para escrever as 500 palavras para o artigo.
Mas ela não ficou por aqui. Ela foi à biblioteca do
British Mudeum e leu alguns artigos e livros sobre o
Cabo Atlântico e a biografia de Cyrus West Field, o
homem que passou o Cabo Atlântico.
Ela estudou secções sobre cabos no British Mudeum
e visitou uma fábrica na periferia e viu o fabrico de
cabos. “Quando escrevi estas duas páginas sobre o
Cabo Atlântico”, disse Tarbell, e contou-me a história,
“ tinha material suficiente para escrever um livro.
Mas esse material não me impediu de escrever com
confiança, clareza e interesse. Isso deu-me energia de
reserva.”
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Ida Tarbell aprendeu após vários anos de experiência
que tinha que ganhar o direito de falar sobre o tema
“Cabo Atlântico”. O mesmo principio se aplica no
discurso. Desenvolva essa capacidade preciosa,
conhecida como energia de reserva.
VI. Ensaie o seu discurso conversando com
amigos.
Will Rogers preparou o seu famoso programa de
Rádio de Sábado à noite tentando conversar sobre o
tema que iria abordar com as pessoas que ia estando
durante a semana. Se, por exemplo, queria falar
sobre um assunto banal, poderia ver qual a sua piada
sobre o tema durante a semana. Poderia ver qual
das suas piadas teve mais impacto e quais dos seus
comentários suscitaram mais interesse nas pessoas.
Essa é uma excelente forma para ensaiar o discurso,
mais que ensaiar os seus gestos em frente a um
espelho.
VII. Em vez de nos preocuparmos sobre a transmissão, encontre formas de melhorá-la.
Têm-se escrito e divulgadas muitas questões
prejudiciais, sem sentido e enganosas sobre a
transmissão do discurso. A verdade é que quando
enfrenta a audiência deve-se esquecer tudo, como
a voz, respiração, gestos, postura, empatia. Esqueça
tudo excepto o que está a dizer. O que os ouvintes
querem, tal como a mãe de Hamlet disse, “tem mais
valor, quando menos arte tiver”. Faça o que um gato
faz quando quer caçar um rato. Não olha à sua volta
e diz “preocupo-me como está o meu rabo, e se
me preocupar se estou a agir bem e qual é a minha
expressão facial?” Aquele gato estava tão concentrado
em apanhar o rato para o seu jantar que não podia
estar errado ou parecer errado – e o mesmo acontece
consigo, se estiver tão interessado na sua audiência e
no que está a dizer, esquecerá de si próprio.
Não pense que expressar as suas ideias e emoções
requer anos de experiência técnica, como um técnico
de som ou pintor. Qualquer pessoa pode discursar
de forma esplendida em casa quando está irritado.
Por exemplo, se alguém lhe bateu num determinado
instante irá ficar irritado e fazer um discurso excelente.
Os seus gestos, a sua postura, a sua expressão facial
será perfeita, devido ao sentimento de raiva que sente
nesse momento. E lembre-se, não tem que apresentar
sobre como expressar emoções. Pode expressar as
suas emoções perfeitamente desde quando tinha seis
meses de idade. Pergunte a qualquer mãe.
Observe um grupo de crianças a brincar. Que
expressão engraçada. Que ênfase, gestos e posturas
de comunicação perfeitas! Jesus disse: “Se não vos
tornades como criancinhas, não podemos entrar no
reino dos céus e se se torna tão natural e espontâneo
e livre como crianças a brincar, pode entrar no reino da
boa expressão”.
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Se a sua Atitude é Boa – O seu Discurso também será
O seu problema não é como aprender a falar com
enfâse ou como gesticular ou como estar. Esses são
meros efeitos. O seu problema é lidar com a causa
que provoca esses efeitos. Essa causa é interior, é sua,
é profunda; é a sua atitude mental e emocional. Se
estiver em condições mentais e emocionais estáveis
fará um discurso soberbo. Não terá que se esforçar
para o fazer. Vai fazê-lo tão naturalmente como
quando respira.
produzam boas transmissões estão irremediavelmente
a trabalhar para si.
Vou repetir: A transmissão é meramente o efeito de
uma causa que procedeu e a produziu. Então, se não
gosta da sua forma de comunicar, não complique
tentando mudá-la. Vá até à base e mude as causas que
a produzem. Mude a sua atitude mental e emocional.
VIII. Não imite os outros; seja você próprio.
Para exemplificar, um Contra-Almirante da Marinha
dos EUA frequentou este curso. Ele comandou um
esquadrão da frota dos EUA durante a I Guerra
Mundial. Ele não tinha medo de comandar uma
batalha, mas tinha medo de enfrentar a audiência
durante as suas viagens todas as semanas, desde a
sua casa em New Haven, a Connecticut, a Nova Iorque
para fazer este curso.
Depois de uma dezena de sessões ele ainda estava
aterrorizado. Por isso, um dos nossos formadores, o
Professor Elmer Nyberg, teve uma ideia que podia
fazer o Almirante “sair da concha”. Havia um radical
na turma. O professor Nyberg levou-o para o outro
lado da sala e disse: “Pergunto-me se terá um discurso
suficientemente forte que justifique a sua filosofia de
governo? Obviamente isso faria que o Almirante de
enfurecesse, que era exactamente o que ele queria.
Ele irá esquecer-se de si próprio e a sua ânsia de
refutar a si próprio o fará ter um bom discurso. O
elemento radical disse “Claro, será um prazer”. Não
foi muito longe na sua conversa, quando o ContraAlmirante levantou e gritou: “Páre! Páre! Isso é
uma sedição!” Depois fez uma discurso forte sobre
quando cada um de nós deve ao nosso País e sobre a
liberdade de cada um.
O professor Nyberg voltou-se para o Almirante e disse,
“Parabéns, Almirante! Que discurso brilhante” O
almirante respondeu “Não estava a discursar, estava a
dizer uma coisa ou outra àquela pessoa insignificante”.
Depois, o professor Nyberg explicou que tudo foi
encenação para que o Almirante “saísse da concha” e
se esquecesse dele próprio.
O Contra-Almirante descobriu o que irá descobrir
quando se sentir mexido por uma causa maior que
si próprio. Irá descobrir que todos os medos de
falar serão banidos e que não deve dar importância
à transmissão da mensagem, desde que as causas
No início vim para Nova Iorque para estudar Arte
Dramática na American Academy. Era aspirante a
actor. Tive o que considerava ser uma ideia brilhante,
um passo para o sucesso. A minha campanha para
alcançar o sucesso era tão simples, tão infalível que
eu era incapaz de compreender como é que pessoas
com ambição ainda não a tivessem descoberto. Foi o
seguinte, eu ia estudar vários actores famosos naquele
dia – John Drew, E. H. Sothern, Walter Hampden e
Otis Skinner. Depois imitava os pontos de cada um
deles e fazia-o numa combinação brilhante e triunfante
de todos eles. Que parvoíce! Que trágico! Tive que
perder anos da minha vida imitando outras pessoas
para perceber que devo ser eu próprio e que não
poderia ser mais ninguém.
Para exemplificar o que quero dizer: há alguns anos
atrás propus-me a escrever o melhor livro sobre falar
em público para empresários que eu alguma vez
escrevi. Tive a mesma ideia parva de escrever este livro
tal como tinha sobre a representação: eu ia retirar as
ideias de outros autores e pô-las todas num livro – um
livro que tinha tudo. Então, juntei muitos livros sobre
o tema e passei um ano a incorporar as ideias dos
autores no meu caderno. Mas, mais uma vez vi que
estava a fazer papel de parvo. Esta mistura de ideias
era tão sintetizada, tão sem graça que ninguém se
iria interessar em lê-lo. Então, deitei fora um ano de
trabalho e comecei tudo de novo. Nessa altura disse
para mim mesmo: “Tenho que ser Dale Carnegie, com
todos os defeitos e limitações. Não é possível ser outra
pessoa.” Assim, desisti de tentar ser uma combinação
de pessoas, arregacei as mangas e comecei a fazer o
que deveria ter feito no início: escrevi um livro sobre
falar em público baseado nas minhas experiências,
observações e convicções.
Porque não lucra com o meu desperdício de tempo?
Não imite os outros.
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Não tenha medo de ser Você Próprio
Seja você mesmo. Tenha em consideração o sábio
conselho que Irving Berlin deu a George Gershwin.
Quando ambos se conheceram, Berlin era famoso
– mas Gershwin era um jovem e lutador compositor
que trabalhava por 35 dólares por semana em Tin Pan
Alley. Berlin, impressionado com a capacidade de
Gershwin, ofereceu-lhe emprego como seu assistente
musical por três vezes mais do salário que estava a
receber. “Mas não aceite o trabalho”, alertou Berlin.
“Se o fizer, poderá desenvolver-se como eu. Mas se
insistir em ser você próprio, um dia se tornará um
compositor de primeira.” Gershwin prestou atenção a
essa advertência e rapidamente transformou-se num
compositor significante da sua geração.
Pode cantar somente o que é. Pode pintar somente
o que é. Pode falar somente sobre o que é. Deve ser
o que as suas experiências, o meu meio ambiente e
a sua herança fez de si. Para o melhor ou para o pior,
deve cultivar o seu próprio jardim. Para o melhor ou
para o pior deve tocar o seu instrumento na orquestra
da sua vida. Como disse Emerson no seu ensaio,
“Autoconfiança”.
Há uma altura na vida de todos os homens que
desenvolvem a convicção de que a inveja é
ignorância; que a imitação é suicídio; que deve
assumir para o melhor e para o pior como a sua
porção; que, embora o universo esteja cheio de
coisas boas, que não é a semente de milho que
chegará até ele; mas sim através do seu trabalho
no pedaço de terra que lhe é dado para cultivar.
O poder que reside nele é novo na natureza e
ninguém para além dele saberá o que pode fazer
com ele, e não saberá enquanto não tentar.
“Seja você próprio! Não imite os outros!” Esse
conselho é bom para a música, para a literatura e
para o discurso. É original. Orgulhe-se disso. Nunca
antes alguém foi exactamente igual a si; e ninguém
no futuro virá a ser. Então aproveite ao máximo a sua
individualidade. O seu discurso pode ser uma parte
de si, um tecido vivo em si, que irá crescer através das
suas experiências, convicções, personalidade e a sua
forma de estar.
Numa última análise, toda a arte é autobiografável.
Resumindo
Como fazer um progresso rápido e fácil em Aprender a Falar em Público
Fale sobre algo que::
III. Nunca, nunca, nunca memorize frases.
(a) Ganhou o direito de falar através do
estudo ou experiência;
IV. Preencha o seu discurso com ilustrações e
exemplos.
(b) Está entusiasmo em falar; e
V. Saiba mais sobre o que pode falar.
(c) Está ansioso por contar aos seus ouvintes.
VI. Ensaie o seu discurso conversando com os
seus amigos.
I. Tome notas sobre temas de interesse que
queira mencionar.
VII. Em vez de se preocupar com a transmissão,
encontre formas de melhorá-la.
II. Não escreva as suas falas.
VIII. Não imite os outros; Seja você próprio.
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FALE COM EFICÁCIA Por Dale Carnegie