UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PRÓ – REITORIA DE PLANEJAMENTO E DESENVOLVIMENTO DIRETORIA DE PROJETOS ESPECIAIS PROJETO: “ A VEZ DO MESTRE “ CURSO DE PÓS GRADUAÇÃO LATO SENSU EM GESTÃO ESTRATÉGICA E QUALIDADE LIDERANÇA UM DESAFIO À CAPACIDADE GERENCIAL Maurício Ferreira da Rocha RIO DE JANEIRO, ABRIL DE 2002. UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PRÓ – REITORIA DE PLANEJAMENTO E DESENVOLVIMENTO DIRETORIA DE PROJETOS ESPECIAIS PROJETO: “ A VEZ DO MESTRE “ CURSO DE PÓS GRADUAÇÃO LATO SENSU EM GESTÃO ESTRATÉGICA E QUALIDADE LIDERANÇA UM DESAFIO À CAPACIDADE GERENCIAL Maurício Ferreira da Rocha Monografia apresentada à Universidade Cândido Mendes como requisito da realização do Curso de Especialização “ lato sensu ” em Gestão Estratégica e Qualidade sob a orientação da Profª Maria Esther de Araújo Oliveira. RIO DE JANEIRO, ABRIL de 2002. “O melhor líder é aquele que as pessoas mal sabem que ele existe; não tão bom é aquele que as pessoas obedecem e aclamam; pior quando o desprezam. Deixe de honrar as pessoas, e elas deixarão de honrar você. Mas de um bom líder, que pouco fala, quando a tarefa estiver terminada, todos dirão: isso fomos nós mesmos que fizemos.” Lao – Tsé Filósofo chinês do sec. VI a.c. Dedico este trabalho a quem pretendo fornecer os instrumentos para desenvolver toda a sua capacidade de liderança, tornando-o capaz de direcionar sua vida profissional e pessoal, meu filho Rodrigo. AGRADECIMENTO À minha equipe de trabalho do Setor de Compras da General Electric, que sem vaidades pessoais contribui significativamente para o meu enriquecimento enquanto Líder. SUMÁRIO RESUMO INTRODUÇÃO ..................................................................................................... Página 09 CAPÍTULO I: A LIDERANÇA E O PODER ..............................................................................Página 10 CAPÍTULO II: GESTÃO PARTICIPATIVA ............................................................................... Página 16 CAPÍTULO III: A INTELIGÊNCIA EMOCIONAL .................................................................... Página 22 CAPÍTULO IV: MUDANÇA: O LÍDER DIANTE DO NOVO .................................................... Página 27 CONCLUSÃO ....................................................................................................... Página 35 BIBLIOGRAFIA .................................................................................................. Página 37 RESUMO Esta monografia indica basicamente as diferenças entre os chefes tradicionais, que apenas exercem o poder e são excessivos controladores do cumprimento de metas, e os Líderes modernos, requisitados pelo mercado de hoje como gestores motivacionais capazes de liderar as suas equipes diante dos conflitos e frente a perspectiva do novo. Com este novo enfoque, a liderança buscará valorizar a heterogeneidade das pessoas, resgatando as suas habilidades individuais e promovendo mudanças comportamentais que visem melhorar o trabalho em equipe. No primeiro capítulo, que trata da relação entre a liderança e o poder, começa a ser definido o perfil do novo Líder, que com humildade será capaz de expor-se em pé de igualdade com seus funcionários, substituindo modelos mentais impostos por uma postura mais crítica, porém flexível, que o torne verdadeiramente um agente de mudanças, que visem ações comuns que beneficiem a todos. No segundo capítulo, a definição de Gestão Participativa está diretamente ligada ao nível de motivação e envolvimento das pessoas na obtenção dos resultados e este nível de envolvimento cresce na medida em que o Líder consegue ampliar e exercer uma legítima liderança por adesão; característica das equipes formadas por realizadores, onde existe integração e co-responsabilidade entre as pessoas. No terceiro capítulo, a Inteligência Emocional é definida como uma tese científica que mostra a importância de se considerar a emoção para se chegar a uma sociedade mais equilibrada, em oposição a uma cultura que só apostou no intelecto e relegou ao esquecimento o lado emocional do indivíduo. Será conhecendo e praticando as competências da liderança, ligadas a Inteligência Emocional, que o Líder se destacará como solidário e interessado em assegurar que seus liderados alcancem o melhor equilíbrio entre razão e emoção e, consequentemente, um maior desenvolvimento pessoal e profissional. O quarto capítulo mostra o quanto o conhecimento tem se tornado obsoleto em tão pouco tempo. Daí a necessidade de aceitar, promover mudanças e estar preparado para mudar rapidamente e muitas vezes. Dessa forma, fica clara a idéia de que o Líder precisará também mudar para continuar a exercer a sua liderança. Sua nova tarefa consistirá em ajudar as pessoas a encarar a nova realidade e mobilizá-las para que também façam mudanças. Concluindo, a nova definição de liderança pode ser descrita como o poder renovador exercido pelo Líder, capaz de inspirar e lançar as pessoas a ação, através de uma Gestão Participativa, onde no centro de tudo estará a extraordinária força que existe nelas para transpor os obstáculos. INTRODUÇÃO Ser um executivo de chefia é um dos desafios mais difíceis que se pode enfrentar na carreira. Recorre-se a manuais, onde gerentes e dirigentes buscam conceitos, estratégias e até truques que os auxiliem na árdua tarefa de liderar pessoas com sucesso. No entanto, tais “fontes de sabedoria”, que possuem a pretensão de sustentar a Administração como ciência, acabam produzindo chefes excessivamente teóricos e pouco criativos, colocando-os numa verdadeira “cilada”, na medida em que estratégias utilizadas de forma inadequada transformam-se em armadilhas capazes de afastá-los de uma liderança eficaz e reconhecida por suas equipes. Por isso, esta monografia tem por objetivo evidenciar as diferenças de atitudes entre os líderes, que promovem o desenvolvimento da capacidade laborativa das pessoas, lançando-as à ação e transformando-as em agentes de mudanças, e os chefes, que apenas exercem o poder, sendo excessivos controladores do cumprimento de metas. Neste sentido é que a liderança torna-se um verdadeiro desafio a capacidade gerencial, pois com o foco voltado para o cliente e para o processo, o líder deverá desenvolver e motivar indivíduos de forma a obter a sinergia das equipes e alcançar resultados tangíveis e coerentes com uma visão socialmente significativa. Caberá também ao líder valorizar a criatividade de cada indivíduo, normalmente coibida pelos chefes tradicionais, donos do poder e do conhecimento, e resgatar as habilidades individuais, aceitando e promovendo a heterogeneidade do grupo. Portanto, estará formado um time de colaboradores quando, diante de situações de conflito, as inevitáveis diferenças individuais não coloquem as pessoas em posições antagônicas, mas sim, facilitem o desenvolvimento de múltiplas tarefas, através de atitudes e comportamentos positivos, onde a passividade e a agressividade darão lugar a integração, tão necessária a um grupo de trabalho, que pretenda transformar perspectivas e oportunidades em ações comuns. A isto se chamará Gestão Participativa. CAPÍTULO I A LIDERANÇA E O PODER No relacionamento humano, uma pessoa possui mais poder do que a outra ou outras, em função do contexto, da personalidade e dos meios utilizados para conquistar, ampliar e manter este domínio. Nas organizações, há uma estrutura hierárquica de poder conferido aos diretores, gerentes, chefes e supervisores, a qual os demais empregados devem acatar, ou seja, em qualquer grupo de trabalho há um papel previamente definido como detentor da autoridade: o do Líder. Este tem o direito oficializado de controlar o comportamento dos demais. Outros membros, no entanto, podem desejar aquela posição ou simplesmente querer aumentar o poder que possuem, provocando comportamentos competitivos, explícitos ou implicítos, de manobras manipulatórias para alcançar maior controle do grupo, que tende a dividir-se em subgrupos e facções que competem entre si nas lutas pelo poder. Porém, há outras formas de exercer o poder que dependem mais de atributos de personalidade, de carisma, de conhecimento, de apoio, de afeto e de competência interpessoal. Vale enfatizar que as relações interpessoais no grupo são tão ou mais importantes do que a qualificação individual para as tarefas, pois se os membros relacionam-se de maneira harmoniosa, com simpatia e afeto, as probabilidades de colaboração aumentam muito, a sinergia pode ser atingida e resultados produtivos desta gestão participativa surgem de modo consciente através das manifestações de relações interpessoais de coesão, cooperação e harmonia. Como, obviamente, um relacionamento de simpatia e atração parece facilitar o trabalho em conjunto, quando há antipatia e repulsa, o trabalho tende a ficar prejudicado. Portanto, é um desafio para a administração moderna lidar com a dimensão afetiva do relacionamento interpessoal no trabalho, reconhecer os componentes não racionais e saber lidar com tudo aquilo que não é resolvido pela tecnologia das máquinas. A afetividade e o poder são inerentes a toda e qualquer relação interpessoal, seja na família, no trabalho, na comunidade ou na sociedade e o tipo de afetividade existente num relacionamento profissional define sua principal característica: se é amistoso, cordial, de atração e simpatia recíprocas, ou se é de antipatia e antagonismo. No primeiro caso, as pessoas gostam de ficar juntas, sentem prazer na companhia uma da outra, querem comunicar-se, conversar mais, trocar idéias, trabalhar junto. Na segunda hipótese, sentem aversão pela presença do outro, evitam encontrar-se, reduzem a comunicação, não gostam de trabalhar junto. Portanto, há muita diferença entre pessoas trabalhando realmente juntas, num mesmo projeto e para o mesmo objetivo ( esta é uma equipe ) e todas elas apenas trabalhando no mesmo local, ao mesmo tempo e cada uma por si ( este é um grupo ). A maioria dos especialistas em administração e gerência prevê que o futuro pertence a organizações baseadas em equipes. Para tanto, se exigirá dos Líderes que não só valorizem, mas multipliquem o talento humano nas empresas, para alcançar a produtividade e qualidade totais. O perfil desejado para este novo Líder será o do profissional capaz de aprender a expor-se em pé de igualdade com seus funcionários, inclusive na realização de tarefas, ainda que mantendo a função formal dentro da equipe. Saber, então, lidar com o poder, pode ser o começo de tudo para qualquer executivo que pretenda ter sucesso em posições de chefia dentro das organizações. Isto porque se por um lado o poder é um ingrediente importante para definir hierarquias dentro de uma empresa, por outro exercê-lo requer comportamentos, habilidades e atitudes capazes de elevar um chefe à posição de Líder, com a total aprovação e reconhecimento de suas equipes. O candidato a Líder deve ter a consciência de que liderar pessoas não o torna diferente delas, o que o obriga a expressar-se plenamente sabendo quem são e, assim como elas, saber quais são os seus talentos e limitações. É neste exercício que aparecerá a primeira qualidade de um Líder: a humildade. Esta será a qualidade que fará com que o aprendizado contínuo seja o principal alicerce da sua carreira. Lamentavelmente, em todas as organizações existem chefes que não conseguem utilizar de forma adequada o poder que têm nas mãos e não raramente, é possível encontrar exemplos de chefes contaminados pelas consequências negativas do poder, equivocadamente exercido sobre as equipes, tornando este uma ferramenta para impor as suas idéias e atitudes aos outros. Não por acaso, neste tipo de profissional, são encontradas características e comportamentos semelhantes, como a fisionomia fechada, onde a falta de um sorriso muitas vezes pode impedir uma aproximação ou uma troca de idéias, que poderia lhe ser muito útil para uma tomada de decisão acertada. Utiliza-se de uma linguagem muito técnica, como se isso lhe garantisse um pretenso reconhecimento de seus conhecimentos. Normalmente não valoriza ou desqualifica as observações dos seus funcionários, a quem sempre tratará como subordinados, num claro sinal de que não está preocupado com o nível de satisfação e motivação das pessoas e nem com a própria impressão que causa. Julga que o poder lhe confere uma auto-suficiência inabalável, enviando tanto através da linguagem verbal quanto da não verbal mensagens negativas que conscientemente demonstram o quanto quer se tornar inatingível, mas que na verdade só o tornam uma figura inacessível e isolada de um grupo do qual sem perceber já não faz parte. Mas existem incontáveis exemplos de líderes de sucesso que souberam usar o poder com humildade. Atitude as vezes rara que pode separar os vencedores dos perdedores, pois um verdadeiro Líder não pode se dar ao luxo de parar de ouvir as pessoas. Ao contrário, deve surpreendê-las incentivando-as a uma atitude próativa, não economizando esforços para mantê-las pensando e inovando. Em suma, as melhores equipes são aquelas que nunca são tão boas que não precisem ser reinventadas sempre. Para tanto, o Líder deverá estar receptivo à participação da equipe nas tomadas de decisão e precisará utilizar uma linguagem verbal positiva, clara e adequada, onde até o tom de voz, o vocabulário e os níveis de seriedade e humor sejam pertinentes e de acordo com cada situação. Mas com a linguagem não verbal também é preciso ter cuidados importantes, pois fatores como contato visual, postura e gestos podem evidenciar a segurança e o auto controle do Líder e influenciar na interação da equipe, que deverá dar respostas baseadas numa escuta ativa e numa reformulação positiva. O verdadeiro Líder estará continuamente refletindo sobre a qualidade da liderança que exerce, pois não basta liderar uma equipe indicando caminhos, aceitando sugestões, definindo metas e conferindo resultados. Além disso, ao Líder também caberá comemorar com a equipe os sucessos alcançados e aprender com os erros cometidos, evitando repetí-los, adotando uma atitude flexível, necessária para promover mudanças. Assim sendo, é verdadeiro afirmar que com algumas qualidades essenciais e um mínimo de conhecimento sobre comportamento humano é possível aprender a liderar uma equipe com sucesso, exercitando a capacidade de viver em grupo, onde indivíduos com diferentes interesses, crenças e características pessoais estarão interagindo na busca de um objetivo comum. De uma forma coletiva ou cooperativa, o Líder terá consciência das consequências dos seus atos e do quanto representa num determinado contexto, onde deverá evitar modelos mentais impostos, incentivando a criatividade no sentido de substituir, através de um processo contínuo de aprendizagem, os condicionamentos, medos e preconceitos por uma postura mais crítica, porém flexível, que o torne verdadeiramente um agente de mudanças ativo e comprometido em transformar perspectivas e oportunidades em ações comuns que beneficiem a todos e por consequência, a ele próprio. É importante mencionar alguns Líderes que souberam exercer bem o poder que lhes foi conferido e que hoje são mundialmente reconhecidos e servem de exemplo para muitos seguidores, como Alfred Sloan, conhecido como o “Pai de Todos”, que após vários anos à frente da General Motors contribuiu decisivamente para que a empresa se transformasse na maior do mundo, consequência de um trabalho de determinação de estratégias e conceitos que auxiliaram e modelaram o mundo dos negócios. Sua história contada em livro transformou o best-seller num manual para gerentes e dirigentes. Brian Dyson, ex-presidente da Coca Cola, famoso por sua postura mais humana sobre a relação com o trabalho, valorizava mais o homem e suas potencialidades do que máquinas e sistemas. Entre outras coisas, dizia que o fato de todos os homens serem diferentes fazia de cada um deles um ser especial. Pregava a coragem de enfrentar riscos como a melhor forma de aprendizagem e que todos são sempre capazes de um esforço a mais. E o lengendário Jack Welch, executivo americano que por vinte anos foi presidente da General Electric, que sob o seu comando tornou-se uma das empresas mais valiosas do mundo. Jack, como gosta de ser chamado, foi capaz de infundir coragem nas pessoas ao seu redor, de transmitir harmonia nos ambientes onde atuava e de inspirar aumento de desempenho no trabalho, ações que caracterizaram o estilo Jack Welch de comportamento nos negócios. Jack reinventou a empresa criando métodos revolucionários que hoje todas as outras tentam seguir. Mudou tudo antes de ser obrigado a isso. Demitiu cem mil funcionários, vendeu centenas de fábricas e comprou outras, investiu em treinamento, implantou o processo de controle de qualidade Seis Sigma, bem sucedido na Motorola, e transformou a General Electric em líder mundial em todos os setores que atua. De origem humilde, sempre acreditou que o que conta é a criatividade e a crença das pessoas. Sobre equipes dizia que elas só existem quando se tem orgulho delas e que, com integridade, deve haver ausência de fronteiras. Dizia ainda, que uma cultura que usa sua ampla diversidade como recurso ilimitado de oportunidades de aprendizado, percebe que sua maior vantagem competitiva está na capacidade de aprender e transformar esse aprendizado. Por tudo isso e muito mais recebeu o título de “O Executivo do Século”. Como exemplo de um brasileiro que soube primeiro conquistar para depois demonstrar que sabia lidar com o poder, mais recentemente destacou-se no cenário mundial o executivo Carlos Ghosn. Nascido em Rondônia, ganhou fama do outro lado do mundo como o homem que no Japão conseguiu salvar da falência a Indústria Automobilística Nissan. Sua façanha transformou-o em candidato a assumir, em três anos, o comando dos negócios da sociedade, que já é a quinta maior montadora do mundo, formada pela Nissan e a francesa Renault. No Japão, Ghosn virou herói de histórias em quadrinhos e já foram vendidos 210 mil cópias do livro que conta seu desempenho na empresa, onde destaca-se a coragem para cortar 21 mil empregos para conservar 100 mil e fechar 5 fábricas para manter 15. Após históricos oito anos seguidos de prejuízos, com a determinação de Ghosn, que modestamente acredita ainda não ter entrado para a História, a dívida da Nissan que era de US$ 19 bilhões foi reduzida para US$ 7 bilhões. Atualmente o lucro chega US$ 3 bilhões por ano, o que permitirá zerar a dívida até 2005. Como empresário, prega que é necessário assumir riscos desde que haja condições práticas de transformar oportunidades em realidade. Procura manter os trabalhadores de “chão de fábrica” motivados e dentre várias lições afirma: “Ninguém vive só de computador e tecnologia. É preciso ter conteúdo. E aí incluo noções de ética, filosofia, religião, etc. Isso não se aprende no computador”. Assim como estes Líderes de sucesso, cada Líder tem a chance de escrever a sua própria história. Cada um em seu nível é capaz de desempenhar bem o seu papel, bastando para isso o talento necessário para lidar com o poder que lhe é conferido e que lhe permitirá aprender com os exemplos do passado, enfrentar os desafios do presente e planejar o futuro com segurança. CAPÍTULO II GESTÃO PARTICIPATIVA Observa-se atualmente, que o sistema educacional brasileiro está começando a se preocupar em atender ao seu projeto político pedagógico, que visa englobar o ensino, desde as classes de educação infantil, em níveis que vão além do desenvolvimento intelectual da criança, visando também desenvolver-lhe todas as suas potencialidades como ser pensante e atuante em seu grupo de estudo, em sua comunidade e em seu país. Esta mudança surgiu da necessidade de se promover o acesso de todos os indivíduos à informação e, consequentemente, melhor preparar os profissionais que atuarão em um mercado cada vez mais competitivo. De um modo geral, tanto os cursos profissionalizantes como os cursos universitários são orientados principalmente para a formação de candidatos a um possível posto de trabalho, mas o importante é que as pessoas estejam preparadas para pensar e agir por conta própria, defrontando-se com os problemas dentro das organizações com iniciativa empreendedora. Para isso, os indivíduos deverão sentir-se valorizados e preocupados com seu crescimento pessoal e profissional e em se tornarem aquilo que realmente têm capacidade de vir a ser. As pessoas que integram uma verdadeira equipe, mesmo que estejam em níveis hierárquicos menores, deverão enfocar a empresa e a sociedade como um todo como um processo de construção coletivo e de negociação onde deverão interagir. Assim sendo, não bastará ao Líder liderar um grupo no sentido de atingir metas impostas. Liderar implicará em indicar caminhos, aceitando sugestões e negociando metas tangíveis, criando e promovendo mudanças, mas com a flexibilidade necessária à adaptação de todos, estimulando os funcionários e dividindo com eles as responsabilidades da maneira mais simples e esperada, que é depositar confiança neles. Na nova economia, as organizações não distribuem mais recursos fartos e a fundo perdido, nem premiam mais os ineficientes. Ao contrário, premiam e mantém em seus quadros apenas aqueles que, motivados, conseguem com eficiência cumprir com os compromissos assumidos. Caberá então ao Líder, promover um ambiente estimulador, descontraído e confiável, que mantenha as pessoas de sua equipe criativas e capazes de resolver por si só os problemas do dia a dia. Este estímulo equivale ao clássico dilema entre “dar o peixe” ou “ensinar a pescar” e ninguém duvida que a segunda alternativa é a melhor. Surge então uma palavra-chave dentro do que se chama Gestão Participativa: motivação. Será motivando os seus funcionários que o Líder transformará o ambiente de trabalho em algo produtivo, alegre e agradável. Afinal, se o trabalho pode ser encarado apenas como garantia de sustento, sem repressão, também pode ser o mecanismo necessário e de capacidade irrestrita para suprir as necessidades de crescimento pessoal e profissional do indivíduo. Dessa forma, a obrigatoriedade em se cumprir tarefas poderá dar lugar à atividades prazerosas, que visem resultados concretos e a conquista de uma eficiência inabalável, que promova uma auto-estima alta em cada indivíduo, que por sua vez estará cada vez mais comprometido com os resultados e com a organização. Sabedor de tudo isso, o Líder deverá evitar atitudes preconceituosas e vícios de conduta, desenvolvendo e permitindo que seus funcionários desenvolvam suas potencialidades de acordo com alguns atributos humanos, como a inteligência, a vontade e a afetividade. A inteligência é o plano em que predominam a razão, o conhecimento, a capacidade analítica e solucionadora de problemas. A vontade, que é o campo da liberdade e representa a autonomia do querer, onde a motivação evidenciará preferências e interesses pessoais. E a afetividade, que através das emoções, sentimentos e amizade será um ingrediente indispensável para a manutenção da equipe e para a obtenção da solidariedade. Dessa consciência de valores brota o entusiasmo à ação comum, que solidifica o espírito de equipe e que mantém um grupo integrado e criativo, em que todos se empenham com entusiasmo por um objetivo comum. Com interfuncionalidade as pessoas, Líder e liderados, se integram e interagem na organização acumulando conquistas. A liderança, então, passa a ser sinônimo de integração e caracteriza-se basicamente pelo poder de influenciação, pois quem domina um conhecimento, é persuasivo, passa credibilidade e obtém aceitação, está liderando. Com poder de aglutinação o Líder forma uma equipe. Outro poder que distingue o Líder é o reconhecimento de sua representatividade e será interpretanto anseios, ideais e reivindicações que o Líder será aceito como representante legítimo de uma equipe. Mas o que se espera essencialmente de um Líder é que tenha visão estratégica. Que seja capaz de abrir perspectivas ao grupo, divisar oportunidades e, com a equipe, procurar os meios para transformá-las em ações comuns e resultados mutuamente vantajosos. Para obter resultados grupais, o Líder pode exercer uma liderança por carisma, onde se apóia em seus atributos pessoais para impressionar e fazer agir. Pelo seu caráter personalístico, esse estilo, embora empolgue imediatamente, é frágil, uma vez que insinua um tipo ideal; atribui uma auréola de herói e, qualquer comportamento fora destes padrões, pode levar a decepções irreversíveis. O Líder também pode liderar pela força apoiando-se na autoridade para coercitivamente obter resultados. Exerce pressão permanente para manter o grupo alerta, sob o risco de punições. Porém, a motivação pelo medo é perigosa, pois mantém o espírito ressentido e, nas crises, a fragilidade grupal transparece em desagregação e ineficácia. Geralmente, transforma a equipe em um grupo psicologicamente fragilizado, sem autonomia para decisões básicas e com embotamento de sua criatividade. Já na liderança por adesão o Líder impõe-se por livre aceitação grupal, pela participação criativa de seus liderados. Neste tipo de liderança há co-responsabilidade, pois existe integração. Ao contrário de totalitarismos de todo tipo, grupos radicais, fanatismos e movimentos revolucionários, o que caracteriza a liderança por adesão é a Gestão Participativa, que só é exercitada em organizações de cultura aberta, onde equipes integradas são formadas através de uma renovação contínua e onde existe uma consequente coesão, que pode definir e justificar uma situação especial positiva, quando retrata o empenho coletivo e a atitude de todos diante dos compromissos comuns assumidos. Estes compromissos comuns também podem ser chamados de objetivos e, numa gestão participativa, são o produto do pensamento estratégico e da capacidade de avaliar criticamente as situações e decidir. Podem ser também traduzidos como metas, que bem quantificadas geram o comprometimento com os resultados. Assim, as metas podem ser consideradas como forças agregadoras e operacionalizadoras do “espírito de equipe”, desde que não se cometa o erro frequente, de muitos planejamentos estratégicos, que consideram a meta como um compromisso individual, o que certamente estimula uma competição predatória e desagregadora. Portanto, numa liderança por adesão, o trabalho passa a ser entendido concretamente como esforço grupal e o Líder terá nas mãos uma equipe de realizadores, onde todos serão co-responsáveis e estarão igualmente envolvidos na obtenção dos resultados. Neste ambiente, o processo de integração, iniciado pela liderança por adesão, completa-se pela contínua renovação, onde a análise crítica e a avaliação dos resultados oferecem subsídios para a reconstrução do conhecimento. Nisso reside o diferencial para se chegar ao sucesso, pois numa época de grandes transformações é vital que todos os profissionais estejam conscientizados de que as realizações de hoje não serão as mesmas de amanhã e será este o exercício diário e indispensável para não se cair na rotina e na obsolescência; o desafio permanente de imprimir originalidade a cada momento. Por tudo isso, pode-se dizer que uma gestão verdadeiramente participativa é aquela obtida através de uma legítima liderança por adesão. Liderança essa que integra Líder e liderados e os prepara para lidar com a velocidade das mudanças do dia-a-dia, não só no ambiente interno das empresas, mas também no ambiente externo, onde mudanças políticas, sociais e econômicas deverão ser corretamente interpretadas para permitir um também correto planejamento estratégico. Saindo um pouco da teoria, pode-se listar posições e atitudes de um Líder que na prática desenvolverá a gestão participativa. Por exemplo, ao dirigir uma reunião o que menos importa é seguir uma agenda formal ou informal préestabelecida. O foco de sua atenção deverá estar voltado para os sentimentos de cada pessoa, de modo a ajudá-las a expressarem suas reações diante do assunto em discussão, valorizando e avaliando as diferentes posições que os membros assumem e os modos pelos quais reagem entre si. Como objetivo primordial, ao Líder não caberá apenas operar a sua organização eficientemente. Deverá ajudar os membros de sua equipe a se reconhecerem como tal, estabelecendo um ambiente no qual aprendizagem e realização caminharão juntas. Para avaliar o desempenho de cada membro da equipe, o Líder deverá, antes de mais nada, envolver a todos no estabelecimento dos objetivos, fazendo com que a avaliação objetiva da produção e da eficiência de cada pessoa tenha como base os padrões de desempenho pré-definidos por todos. Quando ocorrer uma discordância intensa entre o Líder e um membro da equipe, em primeiro lugar deverá apoiar a pessoa por apresentar seus pontos de vista. Depois, ouvir também os outros membros, fazendo com que se expressem e se envolvam no caso. Diante de divergências entre dois ou mais membros da equipe, o Líder deverá deixar que cada parte se expresse livremente, cuidando apenas em manter a discussão relacionada à tarefa e ao assunto em pauta e deverá encorajar os outros membros da equipe a ajudarem a resolver o caso, visando a melhor solução para todas as partes. Como a melhor maneira de motivar alguém que não está atuando à altura de sua capacidade, o Líder deverá tentar conhecê-lo melhor para compreender as razões do seu desempenho, indicar a importância do seu trabalho e mostrar-lhe que sua falta de motivação está afetando negativamente a todos os membros da equipe. Ao julgar o desempenho de uma pessoa da equipe, o Líder deverá considerar como elemento mais importante a sua habilidade de conviver com seus colegas e ajudá-los a aprender a produzir. Depois, considerar sua competência técnica e experiência e exaltar seu sucesso em alcançar os objetivos que estabeleceu para si. Ao enfrentar problemas altamente polêmicos, o Líder deverá ajudar cada membro da equipe a compreender a sua própria atitude em relação à controvérsia e sua posição, assegurando-se que todos compreenderão as premissas ideológicas e suas aplicações no processo de radicalização das posições, impedindo que tais problemas perturbem a atmosfera da equipe. Como meta prioritária, o Líder não deverá apenas assegurar-se que todos os membros da equipe tenham fundamentação sólida de conhecimentos e habilidades, que os ajudarão a tornarem-se trabalhadores eficazes. Além disso, deverá contribuir para que todos trabalhem eficazmente em equipe. O primeiro passo na atualização do potencial de cada um como pessoa não estará em encorajar cada membro a aceitar a responsabilidade por sua própria educação e eficácia, mas em compreender as relações interpessoais e estimular a utilização dos recursos totais da equipe na solução dos problemas. Enfim, entre as múltiplas responsabilidades da liderança estão a necessidade de atentar para todos os detalhes necessários à execução das tarefas e consecução das metas organizacionais; conhecer bem os membros da equipe como pessoas singulares com interesses, sentimentos e comportamentos diferenciados; permanecer conscientizado e compreender a importância do clima sócio-emocional da equipe e suas implicações sobre a produtividade. CAPÍTULO III A INTELIGÊNCIA EMOCIONAL Os historiadores têm assinalado que a criação das sociedades anônimas, por volta de 1840, quando a Revolução Industrial tomava força, promovendo a produção e o consumo em massa, foi a mais notável inovação institucional, no âmbito das relações econômicas, dos últimos dois séculos. As empresas modernas foram criadas a partir da constatação de que ações isoladas se tornam improdutivas se comparadas à ação coordenadora coletiva de uma organização econômica com finalidades definidas. Sem as sociedades anônimas e, mais tarde, as empresas de capital aberto, viveríamos em um mundo de mercados individuais, com piratas ou clãs dominando as relações de compra e venda, que constituem a essência do comércio, da produção e da prestação de serviços. As empresas, ao lado das grandes instituições hierárquicas, tanto civis como militares, dão forma e conteúdo às diversas instâncias do governo. Nunca é demais lembrar que os governos arrecadam e distribuem os impostos, mas os geradores das receitas são as empresas e as pessoas que nelas trabalham. Seria inimaginável uma economia moderna sem empresas e empresas sem Líderes. Não apenas no sentido de condução de negócios particulares, Líderes empresariais são homens e mulheres capazes de lidar com a velocidade das mudanças políticas, sociais e econômicas. Essa capacidade decorre do fato de que as empresas estão estruturadas para captar informações e adquirir conhecimentos, indo muito além de mercados locais ou mais próximos. Espera-se então que os Líderes modernos dêem a contribuição de sua experiência e conhecimento, captando os sinais da sociedade e suas aspirações, tornando-se, em consequência, agentes de mudanças. Através de suas lideranças deverão promover o debate e a proposição de idéias, acima de questões setoriais ou conjunturais de interesse de grupos. Deverão ajudar as empresas a repensar o seu papel no mercado em face de novos desafios, como a globalização, o surgimento contínuo de novas tecnologias, a questão do meio ambiente e as crescentes responsabilidades sociais de cada indivíduo. Em vista disso, o Líder moderno, consciente do seu papel e conhecedor das influências da Inteligência Emocional na liderança, deixará de administrar empresas e passará a administrar pessoas, implementando medidas úteis aos objetivos da empresa, mas sempre tentando encontrar razões que atendam as necessidades das pessoas que fazem parte dela. É crucial que as pessoas saibam que fazem a diferença e que as idéias delas contam. A Inteligência Emocional é uma tese científica que vem pôr em questão certas visões estreitas que até hoje dominaram o conhecimento humano. Numa época em que se multiplicam manuais de auto-ajuda, tentando nos adestrar para a felicidade, Daniel Goleman busca a ciência como guia para esta viagem pelos descaminhos da mente humana. Sem prescrever fórmulas mágicas, sem apontar terapias alternativas para a salvação da humanidade, Goleman revela de que modo certos conhecimentos científicos podem efetivamente atuar na transformação do Homem. Partindo de casos do cotidiano, mostra como a incapacidade de lidar com as próprias emoções pode destruir vidas ou acabar com carreiras promissoras. Ao mesmo tempo esclarece de que modo se pode atuar diretamente sobre a Inteligência Emocional para que problemas assim sejam evitados. Nos dias de hoje, é flagrante a crise que a humanidade atravessa. Crimes hediondos, suicídios e abuso de drogas são sinais alarmantes de uma sociedade emocionalmente doente. Tudo isso é o reflexo de uma cultura que só apostou no intelecto, relegando ao esquecimento o lado emocional do indivíduo. Este estudo polêmico mostra a importância de se considerar a emoção para se chegar a uma sociedade mais equilibrada e feliz e alerta que a razão não é a única responsável pelo nosso destino. Dessa forma, se apresenta o livro Inteligência Emocional de Daniel Goleman, que em suma redefine o que é ser inteligente. Esta iniciativa se harmoniza também com o conceito que se tem hoje das empresas. Algumas competências de liderança ligadas à Inteligência Emocional podem ser desenvolvidas pelos Líderes e entre as mais importantes estão as seguintes: Autoconsciência emocional: os Líderes de elevada autoconsciência emocional mantêm-se em sintonia com seus sinais internos, reconhecendo como seus sentimentos os afetam e ao seu desempenho profissional, ou seja, reconhecem melhor as suas próprias emoções, entendendo as causas dos seus sentimentos, diferenciando-os dos seus atos. Auto-avaliação precisa: os Líderes de grande autoconsciência costumam conhecer bem suas limitações e pontos fortes, e exibem um bom senso de humor em relação a si mesmos. São receptivos a críticas e feedback. Consciência organizacional: o Líder dotado de uma aguda consciência social pode demonstrar grande astúcia política, mostrando-se capaz de identificar redes sociais cruciais e compreender as principais relações de poder. Autocontrole: os Líderes dotados de bom autocontrole emocional encontram maneiras de administrar seus impulsos e emoções mais perturbadores, e até de canalizá-los de forma proveitosa. Passa a ter maior tolerância à frustração e controle da raiva, evitando brigas e ofensas verbais que perturbam a ordem e o bem estar da equipe. Expressando adequadamente a raiva, sem brigar, o comportamento agressivo ou autodestrutivo dará lugar a sentimentos positivos sobre si mesmo, a equipe e a empresa. O Líder que controla as suas emoções, não no sentido de reprimí-las, mas sim tendo o total domínio sobre elas, conseguirá lidar com a tensão e a ansiedade, evitando o isolamento. Transparência: os Líderes transparentes põem seus valores em prática. A transparência – a exposição franca, perante os demais, de seus sentimentos, crenças e atos – possibilita a integridade. Assumem abertamente erros ou falhas e, em vez de fazer vista grossa para o comportamento antiético alheio, preferem confrontá-lo. Empatia: os Líderes empáticos conseguem entrar em sintonia com uma ampla variedade de sinais emocionais, o que lhes permite perceber as emoções sentidas, mas não ditas, por uma pessoa ou grupo, ou seja, o Líder conseguirá ouvir as emoções ao desenvolver a capacidade de adotar a perspectiva do outro. Inspiração: os Líderes inspiradores criam ressonância e instigam as pessoas com uma visão empolgante ou uma missão compartilhada. Incentivam um sentido de objetivo comum que vai além das tarefas cotidianas. Conseguem canalizar produtivamente as emoções através de uma maior comunicabilidade, maior autocontrole e menor impulsividade. Desenvolvimento dos demais: os Líderes hábeis no cultivo das habilidades alheias demonstram um interesse genuíno por aqueles que estão ajudando e compreendem suas metas e seus pontos fortes e fracos. Sabem como dar um feedback oportuno e construtivo, tornando-se mentores naturais. Agindo democraticamente no lidar com os outros, conseguem um ambiente harmonioso na equipe, onde existirão cooperatividade e prestatividade. Serão capazes de desenvolver a capacidade de analisar e compreender relacionamentos, agindo como mediadores na solução de conflitos e na negociação de acordos. Catalização de mudanças: os Líderes capazes de catalizar a mudança sabem não só reconhecer a necessidade de transformação como desafiar o status quo e bater-se pela nova ordem. Sem dúvida, o Líder que conseguir desenvolver estas e outras competências de liderança ligadas à Inteligência Emocional estará muito mais preparado e próximo de uma carreira de sucesso, onde, num mundo de negócios em constante mutação, conseguirá antever desafios e oportunidades; definir metas e planos de trabalho e perseguir os resultados com menos tempo e recursos; motivar e envolver as equipes, despertando a iniciativa; demonstrar verdadeiro interesse pelas pessoas, estimulando o desenvolvimento de cada profissional; ouvir sempre a opinião da equipe antes de tomar decisões importantes; estimular a cooperação entre pessoas e áreas, evitando os desgastes decorrentes da competição e agir com transparência, falando sempre a verdade e estando sempre aberto ao diálogo e a idéias inovadoras. Com essas aptidões, o Líder será capaz de organizar suas equipes, coordenar as ações e concentrar os esforços de todos. Será também um legítimo mediador, negociando soluções para evitar ou resolver conflitos e conseguirá manter um relacionamento interpessoal de empatia, onde todos reagirão adequadamente aos sentimentos e preocupações das pessoas. Estamos, então, diante do Líder do futuro, que conscientemente se afastará cada vez mais de posturas coercitivas, onde supostamente, através de um modelo extremamente controlador, promovia a motivação das pessoas para a execução das tarefas, sob ameaças de punições e enxergava como a maneira mais adequada de incentivo apenas promessas de promoções e mais dinheiro. Ao invés disso, promoverá relações interpessoais mais humanizadas, onde os integrantes da equipe se apoiarão mutuamente e estarão engajados em procurar responsabilidades e oportunidades de se tornarem mais qualificados e competentes em seus trabalhos, encarando sempre as suas tarefas como interessantes e desafiantes. Na base de tudo isso, estará o Líder moderno, interessado em assegurar que seus liderados alcancem o melhor equilíbrio possível entre razão e emoção e que através deste equilíbrio estejam felizes. Portanto, no mercado competitivo de hoje, torna-se indispensável a utilização da Inteligência Emocional nas empresas, onde não há mais lugar para chefes controladores e sim para Líderes solidários e capazes de sentir os sentimentos das pessoas com quem trabalham e, ao contrário de alguns administradores que ainda hesitam ao lidar com o Quociente de inteligência Emocional das pessoas, a aproximação afetiva não evitará que sejam tomadas as decisões duras que os negócios exigem, mas permitirá que sejam tomadas de um modo mais humano. Como disse Antoine de Saint-Exupéry, autor do consagrado O Pequeno Príncipe, “É com o coração que se vê corretamente; o essencial é invisível aos olhos”. CAPÍTULO IV MUDANÇA: O LÍDER DIANTE DO NOVO As maiores autoridades em liderança definem que as empresas do futuro farão parte de um quadro integrado, capaz de descobrir soluções para uma maior competitividade. Desta integração farão parte um nível de tecnologia altíssimo, uma produção com qualidade assegurada e uma gerência despojada, que delegará poderes ao trabalhador e flexibilizará os processos de fabricação. Neste contexto, onde as pessoas serão o diferencial e darão sustentação a competitividade das empresas, os Líderes precisarão fazer uma autocrítica de crenças e comportamentos para adoção de uma nova postura no trabalho, capaz de torná-los aptos a se manterem competitivos e em crescimento. Mas, sem dúvida, mudar de atitude, rever conceitos e aceitar inovações, pode se tornar uma tarefa difícil não só para os Líderes, mas também para todos os funcionários de uma organização. Numa análise mais profunda da maneira pela qual a sociedade funcionou até bem pouco tempo, chega-se a constatação de que ela necessita de categorias, hierarquias e comportamentos pré-definidos. Nesta sociedade, altamente competitiva, paradoxalmente os seres humanos são treinados, desde a infância, a anularem sua capacidade criativa e contestadora, o que torna a todos muito parecidos. Não são raros os exemplos de crianças que são condenadas por tudo o que dizem e naturalmente passam a ter medo de dizer qualquer coisa ou de fazer qualquer coisa por conta própria, pois passam a acreditar que jamais estarão certas. Em outras palavras, não foi dada ao Homem a permissão para florescer de acordo com a sua própria natureza intrínseca e esta pode ser a principal razão para tanta insegurança, conformismo e consequentemente tanta dificuldade que alguns profissionais ainda têm em relação a tudo o que é novo. As pessoas têm sido excessivamente influenciadas e manipuladas por seus pais, vizinhos, professores, orientadores religiosos, escolas e empresas, todos cometendo um engano ao tentar fazer delas outras pessoas que, na verdade, nunca chegarão a ser por completo. Esta situação se tornou tão enraizada, que durante muito tempo não foi questionada, mas nos dias de hoje em que se tenta resgatar o valor do indivíduo, já é visível a necessidade de mudanças no sistema educacional, na família e nas empresas. A idéia é respeitar o indivíduo, dando a ele a liberdade absoluta de ser ele mesmo e de desenvolver a sua capacidade criativa e inteligência, erradicando os condicionamentos e as verdades absolutas. Este será um indivíduo alerta e consciente, que poderá mudar os padrões criados para ele. Diante disso, o Líder deverá reconhecer que não há nenhuma necessidade intrínseca de que os funcionários devam concordar com ele. Na verdade, num certo sentido parece ser muito melhor que não concordem. É assim que, sem medos, entre as antiquadas tradições do passado e as ansiedades da vida moderna a evolução acontece e os obstáculos são removidos. No mundo dos negócios de hoje, o Líder precisará não só rever seus conceitos na mesma velocidade com que acontecem as mudanças, mas estar preparado para mudar sempre e assimilar rapidamente novas idéias. Para isso, precisará desenvolver algumas qualidades básicas como disposição, coragem e humildade, sempre admitindo que não tem todas as respostas. É o que coloca o professor de Harvard, Ronald Heifetz, uma das principais autoridades do mundo em liderança, no seu livro Liderança Sem Respostas Fáceis. Nele, fica clara a idéia de que o Líder precisará mudar para poder continuar a exercer a sua liderança. Sua nova tarefa consiste em ajudar as pessoas a encarar a realidade e mobilizá-las para que façam mudanças. Porém, fazer mudanças pode ser muito penoso, pois muitas pessoas têm uma visão cor de rosa sobre o significado de ser Líder e, quando se deparam com uma oportunidade de liderança, acordam bruscamente para uma outra realidade. Este exercício de liderança pode produzir resistência. Em entrevista à Revista Exame em junho de 1999, Ronald Heifetz apresenta idéias, conselhos e técnicas, com destaque para sete lições de liderança que deverão ser bem executadas pelos grandes Líderes. São elas: Lição nº 1: Inspire as pessoas. Descubra o que é importante para elas e como isso pode se relacionar com as metas da empresa. Lição nº 2: Tenha uma visão abrangente: tome distância, observe os problemas e interprete o que está acontecendo. Lição nº 3: Ouça não apenas o que as pessoas dizem, mas também como dizem quando defendem uma idéia. Lição nº 4: Mantenha confidentes e aliados por perto. Eles servirão para dar apoio moral, trocar idéias e ser seus defensores. Lição nº 5: Defenda as boas idéias com entusiasmo. E tenha coragem para rejeitar as más assim que surgirem. Lição nº 6: Não esqueça que renovar-se espiritualmente é uma necessidade. Dê um tempo para si mesmo de vez em quando. Lição nº 7: Demonstre empatia. Respeite as dificuldades dos subordinados em lidar com as mudanças. Uma função central do Líder é reunir coragem para encarar e questionar a realidade e ajudar as pessoas a sua volta para que façam o mesmo. Quando isso acontece enfrenta-se três realidades de uma só vez. Primeiro, que valores devem ser defendidos e se realmente agimos de acordo com eles. Segundo, quais são as habilidades e os talentos da empresa para a qual se trabalha e se esses recursos atendem às exigências do mercado. Terceiro, que oportunidades o futuro reserva para todos e se todos dispõem da habilidade necessária para aproveitá-las. Outra coisa importante é a mudança na própria definição de liderança. A velha definição é aquela que diz que o Líder tem todas as respostas e basta convencer as pessoas a endossar as suas idéias. Os Líderes certamente oferecem uma direção, mas isso não significa fornecer respostas definitivas. Numa nova definição, os Líderes trabalham com a idéia de que liderança significa influenciar a organização a enfrentar seus problemas e aproveitar as oportunidades, mobilizando as pessoas para que possam resolver desafios. Neste espaço mais democrático, as pessoas identificarão os seus Líderes pela capacidade que estes terão de saber ouvir e passarão a ser admirados por isso. Certamente os antigos chefes morrerão falando, mas o novo Líder desenvolverá a arte de ouvir e de maneira sutil perceber o que pensa a maioria. No entanto, os Líderes precisam verdadeiramente querer ouvir. Precisam realmente estar interessados nas outras pessoas, fazendo com que o ato de ouvir bem seja impulsionado pela curiosidade e pela empatia. De um chefe as pessoas vão esperar que ele fale e criarão um vácuo, um silêncio, e provavelmente ele sentirá uma forte necessidade de preenchê-lo. O Líder precisará ter muita disciplina para não preencher este vácuo, incentivando que as pessoas tenham manifestações espontâneas. Com certeza, a maior dificuldade para que o Líder desenvolva bem a habilidade de ouvir será a própria necessidade humana de se sentir importante. Pode-se dizer que as pessoas têm uma necessidade muito forte de sentir que os outros precisam delas. Essa tendência cria um determinado tipo de problema, pois quanto mais as pessoas demonstram a sua capacidade de resolver os problemas dos outros, mais autoridade lhes é atribuída. O perigo está em se acostumar tanto com essa atitude que se torna difícil ouvir os outros e aprender com eles e a necessidade normal de se sentir importante pode se transformar em onipotência. Por isso, os Líderes precisam verificar seu senso de auto-importância a cada momento e se fazerem respeitados e admirados justamente por não terem todas as respostas. Outra habilidade importante para o novo Líder é aprender a distinguir a sua posição dele mesmo, ou seja, o Líder não pode levar os fatos para o lado pessoal, pois pode acabar diagnosticando equivocadamente como pessoal aquilo que realmente não é. Tudo pode parecer um ataque pessoal, mas as pessoas não estão contra a pessoa do Líder e sim contra as questões que ele representa. É por isso que o Líder precisa de parceiros que o ajudem a manter uma posição analítica. Com estes parceiros o Líder poderá compartilhar as suas posições e estes serão seus aliados e confidentes dentro da organização. Portanto, o Líder não deverá fazer com que o exercício da liderança pareça difícil e exigente. Afinal, os desafios da liderança e o desconforto das mudanças não devem diminuir o entusiasmo de alguém em colher as recompensas de criar valor e significado na vida de outras pessoas. É claro que existem também dinheiro e status, mas a liderança recompensa pela emoção que acompanha a criação de novos valores. Depois que o Líder compreende a necessidade de realizar a sua mudança interior, passa a compreender e a enxergar a necessidade de agir logo que percebe a mudança no ambiente de trabalho. Sempre haverá quem rejeite a mudança, resistindo pelo temor que ela leve a algo pior. Mas quem aprende a se adaptar a tempo, percebe que a mudança poderá levar a algo melhor, afinal todos dividem algo em comum, que é a necessidade de encontrar o melhor caminho e serem bem-sucedidos em períodos de mudança. Isto independe da idade, sexo, raça, religião ou nacionalidade e aplica-se na empresa onde se trabalha, na família ou na comunidade na qual se vive. Mesmo aqueles que têm dificuldade em acompanhar a velocidade das mudanças devem mudar. Mesmo que seja em um ritmo mais lento, pois a direção é mais importante que a velocidade. Ao ver o mundo com outras perspectivas, certamente conhecerão coisas melhores e coisas piores do que as já conhecidas, mas não é isso que importa e sim o sentido da mudança, o movimento, o dinamismo e a energia. Desta forma, o Líder e os seus funcionários estarão mais próximos do perfil ideal para o profissional moderno, que queira manter-se competitivo no mercado de trabalho. No âmbito comportamental, desenvolverão as competências do trabalho em equipe, iniciativa e comunicação. No âmbito técnico, desenvolverão a versatilidade e a multicapacidade, características necessárias para acompanhar os rápidos avanços tecnológicos. No mercado atual, onde as tecnologias proliferam, os concorrentes se multiplicam e os produtos se tornam obsoletos quase que da noite para o dia, as empresas de sucesso serão aquelas que conseguirem criar sistematicamente novos conhecimentos e os disseminar pela organização inteira, transformando-se num centro de ensino e aprendizagem, cujo único negócio é a inovação contínua. Como o conhecimento cresce cada vez mais em menos tempo, as organizações precisarão aprender cada vez mais em cada vez menos tempo. Porém, será preciso não só aprender, mas aprender melhor e continuamente. Isso significa assumir uma nova postura, que é participar ativamente do que está acontecendo e, a partir daí, seguir fazendo mais e melhor, no menor tempo. Convém salientar que o conhecimento novo sempre começa no indivíduo e é transformado em conhecimento de toda a organização. O conhecimento tem se tornado obsoleto em um período muito curto de tempo, exigindo uma aprendizagem contínua e permanente e, como é impossível prever o conhecimento que será necessário no futuro, torna-se indispensável o desenvolvimento de habilidades que ajudem o indivíduo a se adaptar com facilidade ao novo e às circunstâncias marcadas pelas mudança, pela incerteza e pela complexidade. Para o Líder, torna-se necessário competência na capacidade de pensar, de resolver novos problemas e de implementar novas ações. Não há dúvida de que o mundo de amanhã será significativamente diferente do de hoje. Muitas profissões atuais desaparecerão e outras que sequer imaginamos exigirão habilidades, atitudes e informações que atualmente não somos capazes de antecipar. Diante da perspectiva de novos problemas e desafios que surgem de forma cada vez mais rápida, a demanda crescente por soluções originais exigirá também maior rapidez. Quando o Líder e seus liderados formam uma equipe verdadeiramente integrada, passam a inventar novos conhecimentos e a reinventar a eles próprios e a organização. A criação de conhecimento novo é produto da interação entre o indivíduo e a sua organização. O resultado é que quando o conhecimento novo é difundido numa organização, seu significado vai sendo continuamente modificado. Por isso, faz-se necessário o permanente intercâmbio de conhecimento e energia entre as pessoas, que gerará o comprometimento dos indivíduos com a sua organização, o que significa compartilhar dos mesmos objetivos e valores. As organizações dependem cada vez menos de sua influência política e das aplicações financeiras e, cada vez mais, de servir melhor a seus clientes, de maior produtividade e do envolvimento das pessoas. Hoje uma estratégia competitiva de sucesso pode não ser mais válida para o futuro. É preciso então aumentar continuamente nas organizações sua capacidade de aprender e inovar. Caberá ao Líder manter os indivíduos como cérebros que movem a estrutura da equipe. Estes deverão atuar como professores, consultores e solucionadores de problemas. Todos deverão ser capazes ou a competitividade da organizações estará seriamente ameaçada. Portanto, a importância do aprendizado nas organizações é fundamental para a sobrevivência num mundo de mudanças, pois só se sustentarão as pessoas e empresas que tenham aprendido a aprender de forma eficaz. E o homem é o seu único diferencial competitivo. Essas mudanças impõem desafios com os quais as organizações não se sentem totalmente à vontade. Após constatar que a capacitação de seus profissionais é um caminho consistente para enfrentar os desafios, as empresas brasileiras têm esbarrado nas deficiências de um sistema de ensino básico que contribui para manter o Brasil nas últimas posições das estatísticas relacionadas à educação. Neste contexto a atuação do Líder será fundamental, questionando com determinação os modelos mentais que emperram o crescimento das empresas e promovendo mudanças drásticas, que visem a obtenção de um grande corpo de indivíduos alinhados, de todos os níveis, que aprendem espontaneamente e inovam meios que promovam o bem estar e a missão da empresa. A busca pelo conhecimento estimula a competitividade e para se extrair vantagem dessa competição a organização e seus Líderes se vêem obrigados a ensinar os empregados. Todo esforço para a aquisição de informação e conhecimento só é válido se levar à competitividade, possível na organização moderna pelo comprometimento com os objetivos e planos. A importância de se manterem competitivas impõe às empresas uma nova forma de se estruturar e de uso de tecnologias, produtos e serviços novos e novas formas de negociação com os empregados e com a sociedade como um todo. É preciso então saber que nos negócios as empresas familiares acabaram. Estas empresas queriam lealdade. As de hoje precisam da ajuda de todos e principalmente de pessoas flexíveis. A adaptabilidade às mudanças é uma condição indispensável para a sobrevivência das pessoas e das empresas, e mais ainda para seu sucesso na economia global de hoje. Um bom número de Líderes bem-sucedidos sabe que quem consegue se adaptar é recompensado e tentam criar ambientes que ajudem as pessoas a mudar e a apreciar as mudanças. Mas as mudanças inesperadas no trabalho ou na vida em geral podem ser estressantes, a menos que tenham um modo de encará-las que ajude a compreendê-las . Nas palavras de A.J.Cronin: “A vida não é um corredor reto e tranquilo que nós percorremos livres e sem empecilhos, mas um labirinto de passagens, pelas quais nós devemos procurar nosso caminho, perdidos e confusos, de vez em quando presos em um beco sem saída. Porém, se tivermos fé, uma porta sempre será aberta para nós, não talvez aquela sobre a qual nós mesmos nunca pensamos, mas aquela que definitivamente se revelará boa para nós.” Em suma, o Líder terá na mudança a sua garantia de sobrevivência e saberá reconhecer o momento certo para movimentar-se em uma nova direção. A cada vitória sobre o medo se sentirá mais livre e mais seguro para abandonar as velhas crenças. Com consciência saberá que a mudança ocorre inevitavelmente e que precisará se antecipar a ela, monitorá-la permanentemente, aceitando-a e adaptando-se a ela rapidamente. Apreciar a mudança é ter total domínio sobre ela e este domínio só é conseguido quando se está preparado para mudar rapidamente e muitas vezes. CONCLUSÃO A definição de liderança foi por muito tempo conhecida como a arte, a habilidade ou o processo de influenciar pessoas de modo que procurem espontânea e entusiasticamente agir no sentido do cumprimento de metas de um determinado grupo. Porém, estamos em um momento da História em que se faz necessária uma visão estratégica global de liderança, não apenas da parte de uns poucos Líderes em altos postos, mas de um grande número de Líderes em cada cargo, em cada equipe, da linha de montagem da fábrica até o escritório do presidente da organização. Neste sentido, utilizando-se de uma combinação entre consistentes padrões de desempenho e uma noção renovadora de como inspirar e motivar a força de trabalho, o novo Líder é aquele que lança as pessoas a ação, que estimula a conversão dos seguidores em Líderes, e estes em agentes de mudanças. Surge então uma nova forma de pensar, que deve fluir desde a cúpula da empresa até o mais simples colaborador, pois todos formam a empresa, fazem-na crescer e dela dependem. Dessa forma, resgata-se a mais valiosa propriedade do Homem, que é a sua capacidade de pensar. Pensando e fazendo as melhores escolhas as pessoas criam e praticam um processo contínuo de melhoria da qualidade de tudo o que produzem. Para tanto, o Líder precisará reconhecer a necessidade de mudar para melhorar, mesmo sabendo que qualquer mudança, mesmo que para melhor, gera ansiedade, medo e resistências; um desafio que não será facilmente superável apenas com lógica. Será preciso fortalecer a emoção para que as resistências sejam vencidas, as mudanças implementadas e as metas alcançadas. E será ajudando as pessoas a descobrir a extraordinária força que existe nelas, fazendo-as perceber-se mais fortes e capazes, que o Líder conseguirá transformações antes inacreditáveis, movidas por pessoas aptas a transpor todos os obstáculos. Assim, estará criado um ambiente adequado para a existência de uma verdadeira gestão participativa, quando as lideranças autênticas exercerem o poder com equilíbrio e humildade, transformando as empresas em centros permanentes de aprendizagem, onde todos aprendam e ensinem, falem e ouçam, criem, inspirem e promovam as mudanças necessárias para o crescimento. Neste ambiente, o principal fator de competitividade será a inovação; ingrediente indispensável para as empresas que pretendam continuar sobrevivendo numa economia baseada no conhecimento. Nestas novas empresas, os Líderes tomarão o lugar dos gerentes, dissolvendo grupos e formando equipes, não mais de empregados, mas de empreendedores, de quem não será requerido apenas a “mão-de-obra”, mas a inteligência, a criatividade e a capacidade de influenciar o futuro das organizações. Em suma, sempre será exigido dos Líderes conhecimentos atualizados e relevantes, porém o mais elementar e fundamental é o conhecimento de que as pessoas são o coração e o espírito de tudo que conta e que sem elas não há necessidade de Líderes. BIBLIOGRAFIA Osho. A Nova Criança. São Paulo. Editora Gente. 1998. Matos, Francisco Gomes de. Empresa com alma. Rio de Janeiro: Makron, 2001. Moscovis, Fela. Equipes dão certo. Rio de Janeiro Goleman, Daniel. Inteligência Emocional. Rio de Janeiro. Objetiva. 1995. Heifetz, Ronald. Leadership Without Easy Answers. Harvard University Press. 1994. Spencer Johnson, M. D. Quem mexeu no meu queijo? Rio de Janeiro. Record. 2001. Ludwig, Waldez Luiz. Novo milênio, nova economia, novo consumidor – Estratégias para o crescimento profissional e pessoal. Rio de Janeiro, 2001.