UNIVERSIDADE FEDERAL DE RONDÔNIA - UNIR NÚCLEO DE SAÚDE - NUSAU DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO FÍSICA - DEF FATORES DE RISCO PARA O DESENVOLVIMENTO DE DOENÇAS CRÔNICAS NÃO TRANSMISSÍVEIS EM ESCOLARES DO ENSINO PÚBLICO: UM ESTUDO DE CASO GERCIANE FERNANDES DA SILVA MONOGRAFIA DE GRADUAÇÃO Porto Velho – Rondônia 2013 FATORES DE RISCO PARA O DESENVOLVIMENTO DE DOENÇAS CRÔNICAS NÃO TRANSMISSÍVEIS EM ESCOLARES DO ENSINO PÚBLICO: UM ESTUDO DE CASO AUTORA: Gerciane Fernandes da Silva ORIENTADOR: Prof. Me. Luis Gonzaga de Oliveira Gonçalves CO-ORIENTADORA: Profª. Esp. Juliana Nunes de Oliveira Monografia de graduação apresentada no curso de Educação Física do Núcleo de Saúde da Universidade Federal de Rondônia, para obtenção do título de Licenciatura Plena em Educação Física. Porto Velho - Rondônia 2013 3 Gerciane Fernandes da Silva Data da Defesa: 25/06/2013 BANCA EXAMINADORA Prof. Me. Luis Gonzaga de Oliveira Gonçalves - Orientador Julgamento:_____________________ Assinatura:_________________ Profª. Me. Sílvia Teixeira de Pinho Julgamento:_____________________ Assinatura:_________________ Profª. Esp. Juliana Nunes de Oliveira- Co- orientadora Julgamento:_____________________ Assinatura:_________________ 4 DEDICATÓRIA Dedico primeiramente a Deus, pois se não fosse por ele nem estaria aqui, a minha família, e a todos que contribuíram de alguma forma para esse trabalho. 5 AGRADECIMENTOS Agradeço a minha mãe Mary Souza da Silva, aos meus irmãos Jadson Fernandes da Silva e Gesce Fernandes da Silva pelo apoio e compreensão até hoje, e por acreditarem em mim em todos os momentos, contribuindo para meu crescimento pessoal e profissional. Ao professor orientador e amigo Me. Luis Gonzaga de Oliveira Gonçalves, que contribui muito para o meu aprendizado e que com muita paciência orientou-me e acreditou no meu êxito dentro da Universidade. A todos os amigos do Centro de Estudos e Laboratório de Aptidão Física (CELAFIU) da UNIR que me ajudaram a adquirir mais conhecimento sobre a importância da Educação Física. Agradeço em especial a Joara Carla de Melo Oliveira, amiga e companheira que conquistei nesse período de quatro anos, e que me ajudou estando do meu lado, auxiliando e incentivando na conclusão desta pesquisa. Aos amigos que conquistei (não vou citar nomes, para não esquecer de ninguém) nessa jornada, que sempre me apoiaram e foram companheiros de trabalho. Aos professores do Departamento de Educação Física que com suas várias metodologias me ensinaram de forma única a compreender o universo da Educação Física. Obrigado a todos! 6 SUMÁRIO RESUMOVII ABSTRACTVIII LISTA DE ILUSTRAÇÕESIX LISTA DE ABREVIATURASX 1.Introdução1 2. Justificativa7 3. Objetivos do estudo9 3.1. Objetivo Geral9 3.2 Objetivos Específicos9 4. Fundamentação Teórica10 4.1 Saúde Infantil10 4.2 Atividade Física na Infância14 4.3 Doenças Crônicas Não Transmissíveis, Fatores de Riscos16 4.4 Promoção de Saúde na Escola26 5. Procedimentos Metodológicos29 5.1 Tipo de Pesquisa29 5.2 População e Amostra29 5.3 Procedimentos para Coleta de Dados30 5.4 Critério de Inclusão e Exclusão30 5.4.1 Critério de Inclusão30 5.4.2 Critério de Exclusão30 5.5 Protocolos utilizados na Avaliação Física30 5.6 Análise Estatística32 6. Resultados e Discussão33 7. Considerações Finais43 8. Referências45 Anexos56 7 RESUMO As discussões sobre saúde na escola são muitas a respeito do incentivo a prática de atividade física e a alimentação mais saudável para os escolares, porém poucas ações são vistas. A escola deve ser reconhecida não somente como um ambiente de educação básica, mas também como local apropriado para a educação em saúde, onde os professores façam realmente parte dessa educação para uma melhora na qualidade de vida do escolar. A saúde na escola é essencial para manutenção da saúde das crianças, pois e neste ambiente que passam grande parte do seu tempo. A conscientização sobre a importância de se manter hábitos saudáveis para prevenção de doenças deve ser marcante nessa fase da vida da criança, pois se considera mais fácil educar uma criança em formação, do que um adulto habituado a práticas inadequadas ou insuficientes que dificultam a manutenção de uma vida saudável. Este trabalho tem como objetivo verificar fatores de risco para o desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis em escolares de 07 a 10 anos de uma escola municipal de Porto Velho. Esta pesquisa é do tipo documental com características descritivas e quantitativas. A amostra foi constituída de 189 alunos na faixa etária de 07 a 10 anos, matriculados em 2012. Foram verificadas variáveis como o índice de massa corporal (IMC), circunferência da cintura (CC), e percentual de gordura (%G). Para a análise dos dados foi utilizado um programa do software SPSS versão 17.0. Para verificar a normalidade das variáveis utilizou-se o teste Kolmogorov-Smirrnov e Shapiro-Wilk. Para análise dos indicadores de saúde foi utilizado o teste qui-quadrado. Os resultados demonstram que nas variáveis %G, IMC e CC, a amostra em geral encontra-se dentro dos padrões considerados normais para a faixa etária e sexo, porém verificou-se um significativo número de escolares com excesso de peso e obesidade. Dessa forma, após análise dos resultados, pode-se verificar uma necessidade de observação continuada, principalmente com relação ao IMC e %G, onde os resultados do estado nutricional do individuo na classificação excesso de peso e obesidade foram mais significativos. As constantes mudanças corporais dos escolares devem ser monitoradas adequadamente, medidas como peso e altura são ótimos indicadores de saúde, e consequentemente medidas com estas fora do padrão podem trazer consequências adversas à saúde e qualidade de vida das crianças. PALAVRAS CHAVES: Escolares, Saúde, Doenças, Excesso de Peso e Obesidade. 8 ABSTRACT Discussions about health in school are often about encouraging physical activity and healthier nutrition for school, but few actions are seen. The school should be recognized not only as an environment for basic education, but also as a place suitable for health education, where teachers do actually part of education for an improved quality of life of the school. The school health is essential to maintaining the health of children, and in this environment because they spend much of their time. The awareness of the importance of maintaining healthy habits to prevent diseases should be striking at this stage of a child's life, because it is considered easier to educate a child in training, than an adult accustomed to inadequate or insufficient practices that hinder the maintenance of a healthy life. This work aims to determine risk factors for the development of chronic diseases in school children 07-10 years of a municipal school in Porto Velho. This research is the type of documents with descriptive and quantitative characteristics. The sample consisted of 189 students aged 07-10 year-old males, enrolled in 2012. Variables were observed as the body mass index (BMI), waist circumference (WC), fat percentage (BF%). For data analysis we used a software program SPSS version 17.0. To verify the normality of the variables we used the Kolmogorov-Smirrnov and Shapiro-Wilk. For analysis of health indicators was performed using the chi-square test. The results show that the variables% L, BMI and WC, the sample generally lies within the normal standards for age and gender, but there was a significant number of children with overweight and obesity. Thus, after analyzing the results, one can see a need for continued observation, especially in relation to BMI and% BF, where the results of the nutritional status of the individual in classifying overweight and obesity were more significant. The constant bodily changes of school should be properly monitored, measured as height and weight are good indicators of health, and consequently measures with these nonstandard can bring adverse consequences to health and quality of life of children. KEYWORDS: School, Health, Disease, Overweight and Obesity. 9 LISTA DE ILUSTRAÇÕES TABELA A - Classificação de Índice de Massa Corporal (IMC) gênero masculino......................................................................................................................30 TABELA B- Classificação de Índice de Massa Corporal (IMC) gênero feminino.........................................................................................................................31 TABELA C - Classificação do (%G) na faixa etária de 07 a 10 anos para meninas de acordo com a espessura da somatória da dobra cutânea............................................31 TABELA D - Classificação do (%G) na faixa etária de 07 a 10 anos para meninos de acordo com a espessura da somatória da dobra cutânea............................................31 TABELA E - Classificação do percentual de gordura por gênero em crianças e adolescentes de 07 a 17 anos.......................................................................................32 TABELA F - Classificação adaptada do percentual de gordura por gênero em crianças e adolescentes de 07 a 17 anos....................................................................................32 TABELA G- Circunferência da Cintura das crianças da faixa etária de 7 a 11 anos de idade..............................................................................................................................32 TABELA 1- Distribuição de frequência da classificação do estado nutricional pelo IMC dos escolares do gênero masculino por idade..............................................................33 TABELA 2- Distribuição de frequência da classificação do estado nutricional pelo IMC dos escolares do gênero feminino por idade.................................................................34 TABELA 3- Distribuição de frequência da classificação da circunferência da cintura dos escolares do gênero masculino por idade.....................................................................38 TABELA 4- Distribuição de frequência da classificação da circunferência da cintura dos escolares de ambos os gêneros por idade....................................................................39 TABELA 5- Distribuição de frequência da classificação do percentual de gordura dos escolares do gênero feminino por idade.......................................................................40 TABELA 6- Distribuição de frequência da classificação do percentual de gordura dos escolares do gênero masculino por idade.....................................................................41 10 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS AVC-Acidente Vascular Cerebral CC -Circunferência da Cintura DANT –Doenças e Agravos Não Transmissíveis DCNT- Doenças Crônicas Não Transmissíveis DDCNT/CVE/CCD/SES-SP - Divisão de Doenças Crônicas Não Transmissíveis do Centro de Vigilância Epidemiológica Órgão da Coordenadoria de Controle de Doenças da Secretária de Estado da Saúde de São Paulo DC-Doença Coronariana DCV- Doença Cardiovascular DM- Diabetes Melito EPS- Escola Promotora de Saúde HA- Hipertensão Arterial IBGE-Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IC- Insuficiência Cardíaca IMC- Índice de Massa Corporal OMS- Organização Mundial de Saúde OPAS- Organização Pan-Americana de Saúde PA- Pressão Arterial PSE-Programa Saúde na Escola SM- Síndrome Metabólica %G- Percentual de Gordura 1. INTRODUÇÃO Inegavelmente a sociedade Brasileira esta cada vez mais sedentária. Aproximadamente 3,2 milhões de mortes por ano são atribuídas à atividade física insuficiente (VIGITEL, 2011). O sedentarismo atinge a população desde a primeira fase da vida: a infância. “Sabe-se que crianças e jovens entre sete e dezoito anos de idade gastam em média quatro horas por dia em frente a televisões, computadores e videogames” (Barbosa, 2004, p.14). É nesta fase em que as crianças estão mais suscetíveis as influências, que se deve propiciar a conscientização ao cuidado com a saúde para evitar possível desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis (diabetes, obesidade, doença cardíaca, entre outras) e seus fatores de risco como o sedentarismo. Essa conscientização de educação para a saúde vem fazendo parte de grandes discussões no ambiente escolar. O conceito da Escola promotora de saúde proposto pela Organização Mundial de Saúde é uma grande iniciativa em relação a essas discussões na escola visando à educação para a saúde e ensino de habilidades para a vida (VILARTA, 2008). A escola é o lugar mais do que propicio para a formação de crianças conscientes da importância de se manter bons níveis de saúde. Alguns fatores tornam a escola um local importante para a formação de hábitos. Primeiro por ser a segunda instituição que a criança irá manter contato fora do grupo familiar e suas influências; e segundo, é nesse ambiente que a criança inicia seu processo de formação de identidade e aprende a conviver com as diferenças e desigualdades considerando o que é positivo ou negativo para sua formação. O trabalho contínuo e sistematizado da escola colabora e muito para ações relacionadas à saúde e prevenção das doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) e seus fatores de risco. Dentre as estratégias para promoção de saúde e consequentemente prevenção das DCNT, a Escola Promotora de saúde tem por finalidade a aplicação no âmbito escolar, dos princípios e métodos estabelecidos nas Conferências Internacionais de Promoção da Saúde levando em consideração o atendimento das necessidades especificas da comunidade local (BOCALETTO et al, 2008). De acordo com Rodrigues et al (2007,p. 69) “ A promoção de saúde constitui uma estratégia fundamental no contexto escolar, partindo-se da necessidade de buscar o desenvolvimento global do individuo, estimulando suas competências e favorecendo sua integração junto a comunidade”. O vínculo entre e escola, a comunidade e o poder público é muito importante. Um dos mais significativos fatores de risco para o desenvolvimento de doenças crônicas atualmente é o sedentarismo. Guedes et al (2001, p.195) “Entre portadores de fatores de risco predisponentes às disfunções crônico-degenerativas, a proporção de sujeitos classificados habitualmente como sedentários é significativamente maior que a de sujeitos ativos fisicamente”. Esse ocasionado pelo baixo nível de prática de atividades físicas, e aliado a desordem alimentar. A desordem alimentar ocasionada pela ingestão de alimentos mais calóricos do que nutritivos juntamente com o baixo nível de prática de atividade física da população, vem contribuindo para o aumento da prevalência de obesidade e de outras DCNT. Na população brasileira, em curto espaço de tempo, observou-se o aumento da prevalência de obesidade, que embora tenha sido acompanhado de mudanças no perfil de alimentação, não teve uma elevação significativa de consumo de energia. (SICHIERI et al, 1997). A população infantil possivelmente é a que mais sofre com estas desordens de alimentação e déficit na prática de atividades físicas. Segundo Guedes (2006) em vários estudos de prevalência de sobrepeso e obesidade (ABRANTES et al 2002; MONTEIRO et al, 2000), esses fatores foram sempre maiores na infância. Sendo que a maioria dos pais passa o dia todo no trabalho e as crianças se não forem orientadas comem o que querem geralmente alimentos gordurosos e/ou industrializados e ricos em açúcar, além das influências tecnológicas que limitam o movimento humano, como a televisão e jogos eletrônicos. A promoção de saúde vem sendo discutida nas esferas da educação e saúde. Nas escolas, com o programa “Escolas Promotoras de Saúde” como base inicial a prevenção e combate a comportamentos negativos como o sedentarismo infantil; na área da saúde coletiva com o programa de Saúde da Família e nas Conferências de promoção de saúde (CONFERÊNCIA INTERNACIONAL DE PROMOÇÃO DE SAÚDE SUNDSVALL, 1991; SANTAFÉ DE BOGOTÁ, 1992; JACARTA, 1997). As políticas públicas estão cada vez mais voltadas para a prevenção e tratamento das DCNT. Sendo que estas estão associadas às causas de morte mais comuns atualmente. O sedentarismo infantil provém de inúmeros fatores como: a falta de incentivo a prática de atividades físicas e esportivas, a escassez de locais apropriados para a prática adequada de atividades físicas, a falta de acompanhamento, orientação e até mesmo de conhecimento dos pais em relação a importância da realização das mais simples atividades físicas e o que elas proporcionam a saúde. Além disso, a falta de interesse da criança em participar de jogos que visam a interação em grupo, a influência da mídia em relação as novas tecnologias que de certa forma minimizam o esforço nas atividades diárias, e até mesmo a falta de orientação no ambiente escolar, onde o conceito de saúde devia ser expressivo e constantemente abordado nas relações do dia a dia. Todos esses fatores aliados a hábitos alimentares inadequados são conseqüentemente responsáveis pelo surgimento de diversas DCNT como a obesidade, diabetes e hipertensão. A obesidade, diabetes e a hipertensão podem surgir na infância e persistir até a idade adulta se não houver cuidado e controle. O comportamento alimentar adequado durante a infância é muito importante para o crescimento e desenvolvimento, bem como possibilita a prevenção e o tratamento de doenças. “A obesidade pode ser dividida em obesidade de origem exógena e endógena. Para a endógena, deve-se identificar a doença básica e tratá-la. A obesidade exógena origina-se do desequilíbrio entre ingestão e gasto calórico, devendo ser manejada com orientação alimentar, especialmente mudanças de hábitos e otimização da atividade física” (Mello et al, 2004). Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), uma em cada dez crianças está obesa (LEMOS, 2012). Segundo Nunes et al (2007, p.130), “a criança portadora de excesso de peso ou obesidade apresenta com maior freqüência afecções respiratórias, cardiovasculares, endócrinas, ortopédicas, psicossociais, entre outras, além de maiores chances de se tornar um adulto obeso”. Níveis elevados de gordura na infância podem trazer muitos problemas à saúde, principalmente surgimento de doenças cardiovasculares, diabetes melito, os distúrbios metabólicos (hipercolesterolemia) e endócrinos, a apnéia do sono, as osteoartrites, certos tipos de câncer e vários problemas psicológicos (NUNES et al, 2007). Ligado a obesidade infantil, o diabetes é uma doença crônica e causa desordens metabólicas devido ao elevado nível de glicose no sangue. A não produção de insulina ou insuficiência da mesma prejudica o transporte de glicose do sangue para dentro das células. Sendo assim o organismo sofre disfunções, pois a glicose que proporcionaria energia para as atividades celulares não esta sendo utilizada adequadamente. Existem dois tipos de diabetes: diabetes melito tipo 1 e diabetes tipo 2. “O tipo 1 é a forma mais comum de diabetes em crianças, 90-95 por cento dos menores de 16 anos têm esse tipo” ( Furtado, 2010). Tal como acontece com os adultos a causa da diabetes na infância não e compreendida. Apesar do diabetes tipo 1 ser o mais comum em crianças, o tipo 2 também afeta essa população. Segundo Sampaio (2006, p. 5) “as explicações para este fato são claras: a obesidade ou préobesidade derivada de uma dieta alimentar desequilibrada, consumismo compulsivo de produtos açucarados, sedentarismo e falta de uma educação para uma alimentação em meio familiar e escolar”. “Mais de setenta mil crianças desenvolvem o diabetes tipo 1 a cada ano. No mundo esse valor passa para 440 mil, ou seja, o número vem crescendo significativamente com o passar dos anos. Há um aumento da patologia nas crianças de 3% ao ano, e , mais de 200 tem desenvolvido tal doença nos últimos tempos” (Sociedade Brasileira de Diabetes, apud Lasmar, 2011, p. 8). O diabetes deve ser tratado corretamente, pois pode causar a criança já em sua fase adulta, infarto, derrame, perda de visão, doenças pulmonares, amputações de membros e insuficiência renal (FURTADO, 2010). A maioria dos tratamentos é feito a base de insulina, porém uma dieta adequada com controle de peso, exercícios físicos, comportamentos positivos, e exames é importantíssimo para combater a doença e prevenir contra futuras complicações. A hipertensão arterial é um importante fator de risco para doença coronariana, que deve ser identificada e prevenida em indivíduos de todas as idades. “A pressão arterial elevada na infância é ponto de preocupação para a sociedade em geral. Um estudo realizado por pesquisadores chineses apresentou que o índice de massa corporal esteve associado com o aumento das pressões sistólico e diastólico em crianças obesas e não obesas” (Qing, apud Rech et al, 2007, p.115). Segundo Garcia apud Rech et al, ( 2007, p.115,) “estudo realizado em Belo Horizonte reforça que a obesidade e o sobrepeso estão associados a níveis pressóricos elevados em crianças”. Sendo assim faz se necessárias medidas de redução da prevalência do sobrepeso e obesidade através do controle de fatores de risco, como sedentarismo. A circunferência da cintura elevada também é um fator a se considerar, pois a concentração de gordura nessa região pode trazer implicações sérias para a saúde. A circunferência da cintura é um método antropométrico que tem como foco a distribuição da gordura corporal, ela pode ser usada como uma medida de identificação de risco doenças cardiovasculares ateroscleróticas, e em crianças pode ser usado como um preditor da síndrome metabólica (SOUZA et al, 2007). . Síndrome metabólica é uma crise no metabolismo causada pelo desequilíbrio entre a ingestão calórica e o gasto através de atividades físicas. Quando se tem uma alimentação inadequada com excessiva ingestão de alimentos gordurosos e de alto teor glicêmico e um estilo de vida inativo, acumulamos o excedente do que não gastamos como “combustível” em forma de gordura. “Pessoas com síndrome metabólica têm risco duas vezes maior para doença cardiovascular quando comparadas com pessoas sem síndrome metabólica” (Frossard, 2012, p. 5). Para evitar ou reverter a síndrome metabólica o essencial é ter e manter um estilo de vida saudável e ativo, como praticar exercícios e ingerir alimentos mais saudáveis (verduras, legumes e frutas). A circunferência da cintura aumenta com o passar da idade, conseqüentemente também aumenta a predisposição a diversas doenças como as crônicas não transmissíveis. Níveis de gordura elevada no sangue também prejudicam o funcionamento do organismo em relação ao transporte de glicose para os diversos órgãos do corpo. A glicose é a fonte inicial de energia para o funcionamento adequado do organismo, logo as disfunções em relação ao seu armazenamento e distribuição de gordura podem causar resistência insulínica, obesidade, aterosclerose, e diabetes descompensado (FROSSARD, 2012). Os hábitos alimentares e de atividade física adquiridos na infância e na adolescência tendem a permanecer na vida adulta, tornando de fundamental relevância a conscientização da importância do educar para a saúde. Para isso, faz-se o uso de comportamentos positivos para um estilo de vida mais saudável. Com base no que foi exposto anteriormente, elaborou-se o seguinte problema da pesquisa: Existem fatores de risco para o desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis em escolares do ensino público de Porto Velho? 2. JUSTIFICATIVA “As DCNT são as principais causas de óbitos no mundo e têm gerado elevado número de mortes prematuras, perda de qualidade de vida com alto grau de limitação nas atividades de trabalho e de lazer, além de impactos econômicos para as famílias, comunidades e a sociedade em geral, agravando as iniquidades e aumentando a pobreza” (World Health Organization, 2005 apud Malta et al, 2011, p. 426). Cientes das doenças que podem advir do comportamento sedentário, alimentação inadequada, e prática insuficiente de atividade física, a escola como ambiente favorável a educação para a saúde, através do professor deve subsidiar conhecimentos e práticas saudáveis que atenda as necessidades dos escolares. A prevenção das DCNT é de extrema importância na infância para que quando adulto o individuo apresente melhor qualidade de vida. Essa prevenção pode e deve ser feita dentro da escola, pois apesar de pouca idade os escolares na faixa etária de 07 a 10 anos assimilam conhecimentos de uma forma muito eficaz, o que contribui para a disseminação das informações obtidas no ambiente escolar para o ambiente familiar. O professor de Educação Física é tido como o principal responsável pela disseminação dos conhecimentos referente a saúde e a importância da prática de atividade física. No ambiente escolar a educação física possibilita o desenvolvimento motor, cognitivos e sociais, sendo capaz de favorecer o desenvolvimento completo da criança e adolescente (BORGES, 1987). A promoção de saúde na escola não é papel somente do professor de educação física, os administradores, funcionários, professores de outras disciplinas e até mesmo a comunidade é responsável pela formação de escolares mais saudáveis. A Escola Promotora de Saúde é uma das políticas que visa esse trabalho em conjunto e favorece a manutenção de habilidades para uma vida mais saudável (VILARTA, 2008). Os parâmetros curriculares também auxiliam para formação e conscientização da importância da saúde no ambiente escolar quando propõe que toda escola deve incorporar os princípios de promoção de saúde indicados pela Organização Mundial de Saúde, para fomentar a saúde e o aprendizado integrando os profissionais da educação, saúde, população civil transformando a escola em um ambiente saudável (GONÇALVES et al, 2008). Os impactos das DCNT na infância são registrados em várias pesquisas: Fonseca et al, 1998; Guedes et al, 2006; Silva et al, 2009; Souza et al, 2010. A pesquisa justifica-se por seus resultados poderem ser utilizados para novos estudos de promoção de saúde na escola, propiciar a informação sobre os impactos da DCNT na infância e fomentar a importância da educação física para a saúde no ambiente escolar. Além disso, salienta-se a escassez de trabalhos na região sobre os fatores de risco de doenças crônicas não transmissíveis em escolares de 07 a 10 anos. 3. OBJETIVOS DO ESTUDO 3.1 Objetivo Geral Verificar os fatores de risco para o desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis em escolares de 07 a 10 anos de uma escola municipal de Porto Velho. 3.2 Objetivos Específicos - Identificar o Índice de Massa Corporal; - Analisar o percentual de gordura em relação ao peso corporal total; - Identificar a distribuição da gordura corporal; 4. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 4.1Saúde Infantil Saúde é o estado de completo bem estar físico, mental e não simplesmente a ausência de doença ou enfermidade. É um direito humano fundamental, saúde é a mais importante meta social mundial, cuja realização requer a ação de alguns outros setores sociais e econômicos, além do setor saúde. (CONFERÊNCIA INTERNACIONAL SOBRE CUIDADOS PRIMÁRIOS DE SAÚDE, ALMA- ATA, 1978). Rouquayrol & Almeida Filho apud Oliveira (2009) destacam as condições demográficas, alimentares, nutricionais, educacionais, condições de trabalho, consumo e economia geral, segurança social, recreação, entre outros como relevantes para a sobrevivência com graus adequados de saúde. A saúde sofre influência de fatores biológicos, psicológicos e socioeconômicos. “Ao contrário do que muitos pensam a preocupação com a saúde infantil não começa quando a criança está na fase pré-escolar. Os cuidados com as crianças devem ser estimulados desde a fase intrauterina. As mães começam a cuidar das crianças a partir do momento em que realizam o pré-natal do início ao fim, obedecendo às orientações médicas” (Oliveira, 2009). Antes mesmo de nascer a criança esta sujeita a vários fatores de risco como, o tabagismo, uso de drogas ilícitas e maus hábitos alimentares da mãe. Os cuidados ou o déficit do mesmo, antes do nascimento podem interferir na saúde da criança, pois fatores de risco como o tabagismo, alcoolismo e a prematuridade são associados ao baixo peso no nascimento (GOUVEIA e CALDEIRA, 2009). A partir do momento que a criança nasce inicia-se mais um ciclo de cuidados para a saúde infantil. Manter os níveis de saúde da criança agora no meio ambiente desconhecido por ela, torna-se mais difícil. A mesma passará a sofrer diretamente com as influências de fatores sociais, educacionais, familiares, econômicos e políticos. Entretanto segundo Oliveira (2009) “no Brasil as taxas de mortalidade infantil vem diminuindo desde a década de 40”. Essa diminuição das taxas de mortalidade deve-se ao fato de que foram realizadas ações como, a implantação de políticas sanitárias em 1930; intervenções na área de políticas públicas, no âmbito da saúde preventiva, curativa, do saneamento básico, campanhas de vacinação, ampliação de programas de saúde materno-infantil (1970) e a conjunção das ações acima citadas relacionados ás ações básicas de saúde nas áreas carentes em 1980 (IBGE, 1999). As políticas públicas são essenciais para o crescimento e desenvolvimento infantil. A saúde infantil é um assunto muito delicado, pois esta poderá ter efeitos positivos ou negativos na vida adulta dependendo dos hábitos adquiridos na infância. Estes Hábitos inicialmente serão criados e influenciados pelo comportamento familiar, primeira instituição que a criança tem contato. Logo depois a escola, segunda instituição de interação da criança será a grande responsável por apresentar, disseminar conhecimentos e educar a respeito de comportamentos adequadamente saudáveis. A fase escolar, nesse momento será referente às idades de 05 a 14 anos onde geralmente é nesta fase escolar que começam as preocupações em relação ao crescimento e desenvolvimento da criança para a formação completa da mesma (BORGES, 1987). Muitas pesquisas estão sendo realizadas com escolares. Sobre este tema, Gonçalves et al. (1997) verificando o comportamento das variáveis peso e estatura em estudantes de 12-16 anos de Rondônia, verificou algumas alterações significativas nesta população, que podem ter sido influenciado pelo processo de miscigenação que iniciou na região. Oliveira (2009) demostrando a importância da antropometria como indicador de saúde em escolares de 7 a 11 anos, verificou a associação entre as variáveis como peso e altura para o crescimento e desenvolvimento, sendo que essas foram bons indicadores de saúde e os alunos apresentaram bons níveis, ou seja, dentro dos padrões considerados normais. Souza (2010) através de algumas variáveis antropométricas propôs a verificação de fatores que influenciem no crescimento e desenvolvimento saudável de escolares de 7 a 11 anos em Porto Velho. Foram encontrados comportamentos satisfatórios e insatisfatórios. Em relação ao Índice da Massa Corporal (IMC), circunferência da cintura e ao percentual de gordura os resultados foram satisfatórios, e somente a variável flexibilidade apresentou resultados insatisfatórios em relação ao aumento da idade dos escolares. Leão et al (2010) com o intuito de avaliar o crescimento físico de escolares de 7 a 10 anos da rede publica de Aracaju, utilizou as medidas de peso e estatura. Os resultados demonstraram uma significativa diferença entre os gêneros na variável estatura. Aos 8 anos as meninas apresentam um significativa diferença de estatura em relação aos meninos, aos 10 anos as meninas apresentam maior massa corporal em relação ao gênero masculino, bem como apresentam IMC significativamente superior. A preocupação com a saúde infantil é evidente em várias pesquisas. As Escolas Promotoras de Saúde tem contribuído muito com a questão de orientação para comportamentos mais saudáveis, seja na prevenção das doenças, nas práticas de atividades físicas ou na alimentação. Segundo Gallahue & Ozmun (2005) “a má nutrição pode também servir como condição propiciadora para certas doenças que afetam o crescimento físico”. Algumas delas são: raquitismo, pelagra, e escorbuto. A má nutrição crônica em crianças principalmente na fase neonatal e na primeira infância (3 a 8 anos) pode ocasionar retardo no crescimento de acordo com o que é considerado normal para cada faixa etária. O crescimento e o desenvolvimento andam lado a lado em relação a bons níveis da saúde infantil. Porém ainda se tem a errônea idéia de que crescimento tem a mesma conotação que desenvolvimento. O crescimento é o resultado da multiplicação e da diferenciação celular que determinam alterações progressivas nas dimensões do corpo inteiro ou partes, referindo-se essencialmente as transformações quantitativas. Enquanto desenvolvimento é caracterizado por modificações evolutivas em órgãos e sistemas do organismo que induzem o aperfeiçoamento de suas complexas funções, referindo-se a transformações quantitativamente e qualitativamente (SOUZA, 2010). “O crescimento é um processo biológico, de multiplicação e aumento do tamanho celular, expresso pelo aumento do tamanho corporal” (Brasil, 2002, p. 11). E o desenvolvimento “diz respeito à diferenciação das células junto com a especialização das funções e, por isso, reflete as alterações funcionais que ocorrem com o crescimento” (Wilmore & Costill apud Oliveira, 2009). Para entender melhor o desenvolvimento humano esta pesquisa irá basear-se na teoria de que o desenvolvimento humano acontece em fases e tem um ponto final. Os pensadores dessa teoria são: Sigmond Freud, Erick Erickson (teorias psicanalíticas); Jean Piaget, Lev Vygotsky e Werner. De acordo com Bee apud Oliveira (2009), Erickson separou as idades em grupos, com capacidades peculiares ao seu desenvolvimento. O que caracteriza que as características biopsicossociais das crianças e adolescentes são características próprias e integradas em relação a um meio ambiente seja interno ou externo. Jean Piaget distingue quatro períodos gerais de desenvolvimento cognitivo: o sensório motor que vai do nascimento até cerca de dois anos de idade sendo que ela apresenta comportamentos de reflexo como sucção, preensão e atividade corporal indiferenciada, o outro período seguinte é o pré-operacional, que vai dos dois anos aos seis suas principais características são o egocentrismo da criança, pensa sempre no algo mágico, simbólico, no faz de conta; depois o período que vai dos 7 ao 10 anos que o operacional concreto sendo característico os pensamentos de precisão ao contraste de objetos reais e por fim o período operacional – formal entre 11 a 12 anos sendo o pensamento da criança real e com deduções lógicas (MOREIRA, apud SOUZA, 2010). Quanto ao físico e motor da criança, GALLHUE e DONNELLY (2008) afirmam que os meninos e as meninas até a puberdade têm poucas diferenças no físico em relação ao peso, à massa muscular ou a força muscular. Com a chegada da puberdade acontecem algumas alterações hormonais e o desenvolvimento passa a ser específico do sexo e das suas características corporais. A avaliação do crescimento e desenvolvimento de crianças e adolescentes pode ser feito por diversos métodos, porém o antropométrico usando as medidas de peso e estatura corporal e o mais utilizado por serem de fácil obtenção e baixo custo. De acordo com Weineck apud Souza (2010) crianças e adolescentes para terem um desenvolvimento psicológico e físico harmonioso são necessários uma dose suficiente de movimento, sendo geralmente conduzida pela própria criança por meio acentuado ímpeto de movimento. O exercício físico regular, práticas alimentares saudáveis, educação quanto a importância de um estilo de vida saudável e ativo podem ser fatores essenciais para o crescimento e desenvolvimento infantil. 4.2 Atividade Física na Infância A diferença entre atividade física e exercício físico é evidente, porém uma parte da população ainda não sabe distingui-las. A atividade física é qualquer movimento produzido pela musculatura que gere gasto energético acima dos níveis de repouso (PRADO, 2009). E o exercício físico é “toda atividade planejada que tem por objetivo a melhoria e a manutenção de um ou mais componentes da aptidão física” (Brito et al, 2009). Sendo a diferença, o planejamento das atividades apresentando duração, freqüência e intensidade. A aptidão física é “uma condição positiva de bem estar influenciada por atividade física regular, características genéticas, e adequação nutricional” (Gallahue & Ozmun, 2005). O desenvolvimento dos componentes de aptidão física na infância é importantíssimo para níveis adequados de saúde. Sabe-se que na infância as crianças dispõem de muita energia que precisa ser gasta, e as atividades físicas é o meio mais viável para isto. Para elas todo movimento é uma brincadeira pessoal. Porém faz-se necessário deixar claros a importância da atividade física na infância e seus benefícios, bem como expor os tipos de atividades adequadas à faixa etária e as contribuições da Educação física infantil para a manutenção da saúde. A atividade física é muito importante para prevenção de comportamentos sedentários, e a ocorrência de doenças associadas ao sedentarismo. “Se por um lado a prática regular de atividade física é um comportamento desejável e que traz benefícios à saúde dos jovens, o comportamento sedentário representa o oposto, e tem sido avaliado tanto pelo seu papel na diminuição do gasto energético de crianças e adolescentes, quanto por sua relação com outros comportamentos indesejáveis” (Costa e Assis, 2011). Na infância a estrutura e a massa óssea esta em pleno desenvolvimento, o que restringe à prática de atividades físicas de forma irregular, observando-se assim a necessidade de atividades adequadas a faixa etária. A atividade contribui efetivamente para o desempenho motor e o desenvolvimento das variáveis psicossociais. Ao contrário do que se pensa sobre o desenvolvimento automático das habilidades motoras, Gallahue & Donnelly (2008) afirma que “fatores ambientais incluindo oportunidades para prática, encorajamento, instrução, e ajuste ao ambiente influenciam significativamente o desenvolvimento das habilidades de movimento”. As oportunidades para a prática de atividades físicas devem ser priorizadas na infância para que nesta fase da formação de personalidade os bons hábitos venham fazer parte futuramente da vida adulta. As atividades físicas orientadas nessa fase auxiliam muito na formação de jovens confiantes, com bons níveis de autoestima, e conscientes de si mesmo e suas capacidades (GALLAHUE & DONNELLY, 2008). As atividades adequadas nessa fase são as que proporcionem alegria, prazer, diversão e aprendizagem. Essas atividades podem ser divididas em categorias (RODRIGUES, 1993). Sendo elas: atividades de formas básicas primárias (andar, correr saltar e saltitar); formas básicas secundárias (girar, balançar, trepar, escorregar, rolar, etc); atividades de destreza; atividades com ou sem elementos ( bolas, arcos, cordas etc); atividades rítmicas; recreativas; esporte reduzido; atividades na natureza (caminhadas, marchas, excursões, etc). Neste contexto, a Educação Física como disciplina curricular propõe o desenvolvimento motor, cognitivo e afetivo da criança, bem como desenvolvimento de hábitos e estilo de vida saudável. Para Mattos & Neira, 2005 “A Educação Física é considerada hoje como um meio educativo privilegiado, na medida em que abrange a pessoa na sua totalidade. O caráter de unidade da educação por meio de atividades físicas é reconhecido universalmente através dos tempos”. Ademais, utiliza-se das bases científicas: biológicas, pedagógicas, e psicológicas (RODRIGUES, 1993). A Educação Física Infantil possui um currículo em potencial para a promoção de um estilo de vida ativo e saudável, que pode contribuir positivamente para o desenvolvimento geral e futuro da criança. De acordo com RODRIGUES (1993), a educação física infantil é produtiva na medida em que se valoriza o corpo, entende-se o papel do jogo para a educação, e o conceito da irrecuperabilidade. O corpo é essencialmente movido a movimento por tanto a manutenção do mesmo deve ser objetivo primário. E o jogo como atividade prazerosa utilizado de maneira adequada, e para faixa etária correta possui inúmeras possibilidades para o desenvolvimento das crianças. Na educação física infantil a meta da educação é desenvolver o potencial da criança, sendo o professor de educação física responsável pelo desenvolvimento das habilidades cognitivas, afetivas, sociais e motoras (PICCOLO, 1995). 4.3. Doenças Crônicas Não Transmissíveis, Fatores de Risco De acordo com a Divisão de Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DDCNT) do Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE) – órgão da Coordenadoria de Controle de Doenças da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (DDCNT/CVE/CCD/SES-SP, 2009, p. 9) DCNT “são um grupo de enfermidades incluídas em um agrupamento mais amplo, denominado doenças e agravos não transmissíveis (DANT), cujo processo de instalação no organismo geralmente se inicia de forma imperceptível ao individuo,demorando anos para se manifestar”. Segundo o Ministério da Saúde Brasil (Brasil, 2011) as DCNT “constituem o problema de saúde de maior magnitude e correspondem a 72% das causas de mortes”. O desafio provocado pelas DCNT foi mundialmente discutido em 2011, no Brasil a resposta do governo foi a apresentação do Plano de Ações estratégicas para o enfrentamento das DCNT no Brasil 20112022. O Plano define e prioriza as ações e os investimentos necessários ao país para enfrentar e deter as DCNT nos próximos dez anos e fundamenta-se em três diretrizes principais: a) vigilância, informação, avaliação emonitoramento; b) promoção da saúde; e c) cuidado integral. A participação da sociedade civil é essencial para a priorização das politicas e investimentos nacionais em DCNT. Uma definição bem sucinta e que demostra a importância dos cuidados em prevenção e controle de DCNT é que esta vem sendo um problema de saúde global e uma ameaça à saúde e ao desenvolvimento humano (SCHMIDT et al, 2011). Estudos específicos sobre as DCNT e seus impactos na infância são bem escassos, porém devido a imperceptibilidade e o longo período de tempo para sua manifestação, a verificação na fase escolar de alguns fatores de risco a ocorrência das mesmas é essencial para a prevenção e controle desse grupo de patologia. “Entre as principais DCNT destacam-se as do aparelho circulatório (hipertensão arterial, infarto do miocárdio e outras doenças do coração, derrame ou acidente cerebrovascular), os diversos tipos de câncer, o diabetes, as doenças pulmonares obstrutivas crônicas (como o enfisema e a bronquite crônica), as doenças osteoarticulares (como a osteoporose e as artroses), a obesidade e as dislipidemias (excesso de gordura no sangue), entre outras” (DDCNT/CVE/CCD/SES-SP, 2009, p.9). Existem fatores que aumentam o risco de se contrair uma doença, estes são chamados de fatores de risco. Os principais fatores de risco são: • Constitucionais - idade, sexo, raça, e hereditariedade; • Comportamentais - hábito alimentar inadequado, inatividade física, e consumo de álcool e hábito de fumar; • Socioeconômicos, culturais e psicossociais - renda, escolaridade, ocupação, condições ambientais e classe social; • Doenças ou distúrbios metabólicos - combinação dos fatores constitucionais e comportamentais, entre esses fatores estão: pressão arterial aumentada, quantidades anormais de colesterol, sobrepeso/obesidade, diabetes melito, entre outras. Diante da diversidade desse agrupamento de enfermidades, este estudo se limitará as DCNT e aos fatores de risco mais expressivos encontradas em alguns estudos no estado de Rondônia, como os de Oliveira, 2009 e Souza, 2010. Os fatores de risco mais expressivos com a população de escolares nessa faixa etária são: hábitos alimentar inadequado, nível insuficiente de atividade física, sedentarismo, e obesidade. As DCNT que serão descritas neste estudo são: diabetes, hipertensão, doenças cardiovasculares (DCV) e síndrome metabólica. Hábitos alimentares saudáveis são importantes tanto para o crescimento e desenvolvimento quanto para a promoção da saúde e prevenção de doenças. A população brasileira recentemente tem passado por uma transição alimentar. O aumento do consumo de alimentos gordurosos, com teor de sal superior ao consumo recomendado pela OMS para a prevenção de doenças, e com poucos nutrientes (doces, refrigerantes, salgados, massas, bolachas) e em contrapartida a diminuição do consumo de alimentos mais saudáveis (arroz, feijão, frutas, legumes e verduras). Os prejuízos desse tipo de alimentação são extremamente expressivos em relação ao aparecimento de doenças como: cânceres e doenças cardiocirculatórias (DDCNT/CVE/CCD/SES-SP, 2009). Sedentarismo é um fator de risco que favorece a outros sérios problemas de saúde. A prática insuficiente de atividade física e a alimentação pouco saudável predispõem a criança a inúmeras doenças na vida adulta (BERGAMASCO et al, 2008). A ocorrência de muitas DCNT no adulto pode ter início na infância, sendo assim, é fundamental o estímulo precocemente para a atividade física nessa faixa etária, visando a promoção da saúde e prevenção dessas doenças. A população mundial sabe e reconhece a importância da prática de atividade física e seus benefícios para a saúde, porém pesquisas relatam os altos níveis de sedentarismo (GUEDES et al, 2001; MATSUDO et al, 2002; LAMOUNIER e ABRANTES, 2003; BARUKI et al, 2006). A associação entre o tempo de inatividade física e o elevado consumo de alimentos e baixo gasto energético é positiva e configura a prevalência da obesidade. Segundo Bergamasco et al ( 2008,p. 1) “Crianças obesas, comparadas com crianças não obesas, são menos ativas e participam menos de atividades moderadas e/ou intensas, com predomínio das atividades de baixa intensidade. Vale também ressaltar a importância da prática de atividade física, já que crianças que são ativas desde cedo têm maior probabilidade de permanecer ativas quando adultas”. A obesidade é “conceituada como o acúmulo excessivo de gordura corporal que aumenta o risco de doenças e problemas para a saúde” (Florindo, 2011, p. 175). Em concordância VERTELO (2011) caracteriza a obesidade como excesso de gordura corporal que ocasiona prejuízos a saúde da pessoa, sendo também um fator de risco para outras doenças. A obesidade além de ser uma DCNT é também fator de risco para outras doenças deste grupo, como a hipertensão e o diabetes (BRASIL, 2006a). A obesidade vem atingindo tanto países desenvolvidos como os em desenvolvimento, englobando todas as classes sociais sem distinção (ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DE SAÚDE, 2005). Estudos com crianças na faixa etária de 7 a 10 anos de idade são bem escassos em relação a distribuição das DCNT, porém existem dados que comprovam a necessidade da prevenção tanto na fase infantil quanto adulta, pois a obesidade já é um problema de saúde publica no Brasil. Crianças e adolescentes brasileiros apresentam um ritmo acelerado do aumento de peso. “Em 1974 observa-se uma prevalência de excesso de peso de 4,9 % entre as crianças entre 6 e 9 anos de idade e de 3,7% entre os adolescentes de 10 e 18 anos” (Brasil, 2006a, p. 18). De acordo com VERTELO (2011) no cenário brasileiro a pesquisa sobre orçamento familiar mais recente (2008-2009) mostra que na faixa etária entre 5 e 9 anos de idade 34,8% dos meninos e 32% das meninas estavam com sobrepeso, sendo 16,6% e 11,8% obesos, respectivamente. “A obesidade pode ser compreendida como um agravo de caráter multifatorial envolvendo desde questões biológicas às históricas, ecológicas, econômicas, sociais, culturais e políticas” (BRASIL, 2006a, p. 19). As consequências deste agravo à saúde infantil são inúmeras, já que a obesidade está associada com alterações metabólicas, como a hipertensão, dislipidemia, e a intolerância à glicose, consideradas fatores de risco para o diabetes melito tipo 2 e as doenças cardiovasculares desencadeando assim um ciclo de fatores negativos a saúde e grandes gastos aos cofres públicos. Além disso, existem os fatores psicológicos que podem influenciar no aparecimento de outras doenças como depressão e baixa autoestima afetando o relacionamento interpessoal da criança. “Ingestão calórica elevada e diminuição da atividade física têm sido apontadas como os principais fatores responsáveis pelo aumento dos índices de obesidade. Um nível socioeconômico elevado propicia maior acesso aos alimentos e à informação, podendo também interferir no nível de atividade física” (Nunes et al, 2007,p. 130). De acordo com MACEDO & CANÇADO (2009) o tratamento convencional baseia-se na reeducação da ingestão calórica, aumento do gasto energético, modificações comportamentais e envolvimento no processo de mudança. A escola pode ser fonte primária nesse processo de educação e modificação de comportamento, pois é neste ambiente onde o professor de Educação Física como profissional da área da saúde, pode atuar de forma mais enérgica promovendo o crescimento e desenvolvimento saudável dos escolares. “A escola é um ambiente crucial para a promoção da alimentação saudável, pois se caracteriza por um espaço de troca de informações e idéias. Neste espaço a criança adquire conhecimentos e habilidades, tem contato com diferentes culturas, alimenta-se e educa-se de uma forma abrangente” (Brasil, 2006a, p. 65). A criança precisa saber da importância de se alimentar bem com a ingesta de alimentos mais saudáveis, e de praticar atividade física regularmente para proporcionar balanço energético positivo, evitando assim a perda de bem-estar e até mesmo de qualidade de vida com o surgimento de agravos. “Como os hábitos alimentares e de atividade física adquiridos na infância e na adolescência tendem a permanecer na vida adulta, é de fundamental importância o melhor conhecimento dos grupos populacionais de risco, a identificação dos hábitos não saudáveis e as suas causas para que políticas e programas de saúde sejam implementados visando um melhor controle das doenças crônicas da vida adulta” (Nunes et al, 2007,p. 130). O diabetes melito (DM) “é uma doença de fundo metabólico na qual existe, por parte do organismo, incapacidade total ou parcial de retirar a glicose (além de outras substâncias) do sangue e levá-las para dentro das células, provocando e mantendo níveis sanguíneos altos dessas substâncias” (Goulart, 2011, p. 11). Os tipos mais comuns de diabetes são: DM tipo 1 e DM tipo 2. Com maior incidência principalmente na infância e adolescência e correspondendo a 10 % dos casos o DM tipo 1 “é o resultado da destruição das células beta com consequente deficiência de insulina, provavelmente resultante de uma resposta autoimune do organismo” (Lasmar, 2011, p. 14). O tratamento do DM 1 se vale da administração de insulina para prevenir cetoacidose, coma e morte. O termo DM tipo 2 “é usado para designar uma deficiência relativa de insulina. A administração de insulina nesses casos, quando efetuada, não visa evitar cetoacidose, mas alcançar controle do quadro hiperglicêmico” (Brasil, 2006b, p. 12). O tipo 2 do diabetes, que acomete pessoas mais velhas, é o mais freqüente, responsabilizando-se por mais de 90% dos casos. O diabetes, em si, não tem mortalidade elevada, quando comparado a outras DCNT, mas constitui um importante fator de risco (comorbidade) para outras condições mais graves, tais como, as doenças cardiovasculares, insuficiência renal e a cegueira (GOULART, 2011). A maioria dos casos de DM tipo 2 apresenta excesso de peso e deposição central de gordura, o que demonstra a relevância da educação alimentar e da prática de atividade física na infância. Os hábitos devem ser construídos desde cedo o que reforça a importância da educação para a promoção de saúde infantil, pois estudos revelam que crianças possuem maiores possibilidades de manter hábitos saudáveis do que desenvolve-los na vida adulta. O aparecimento do DM tipo 2 pode ser prevenido e retardado, de acordo com Brasil (2006b) mudanças de estilo de vida pode reduzir 58% da incidência de diabetes em 3 anos. Os sintomas clássicos de diabetes são: poliúria, polidipsia, polifagia e perda involuntária de peso. Outros sintomas que levantam a suspeita clínica são:fadiga, fraqueza, letargia, prurido cutâneo e vulvar, balanopostite e infecções de repetição. Como o DM é assintomático em proporção significativa dos casos, a suspeita clinica ocorre a partir de fatores de risco para o diabetes. Indivíduos com DM tipo I apresentam risco elevado de descompensação metabólica. As causas modificáveis do DM tipo 2 são alimentação inadequada e inatividade física. A alimentação saudável e a prática de atividade física são fatores importantíssimos para a prevenção e controle da doença, já que 80% dos pacientes recém-diagnosticados são obesos (BRASIL, 2006b). A prática regular de atividade física é indicada para todos os indivíduos com diabetes, pois melhora o controle metabólico, reduz a necessidade de hipoglicemiantes, ajuda a promover o emagrecimento nos indivíduos obesos, diminui os riscos de doença cardiovascular e melhora a qualidade de vida. Entretanto toda a prática de atividade física deve ser orientada pelo profissional capacitado, respeitando a individualidade biológica e as condições físicas do indivíduo com DM. “As complicações crônicas do DM tipo 2 geralmente classificadas como microvasculares – retinopatia, nefropatia e neuropatia – e macrovasculares – doença arterial coronariana, doença cerebrovascular e vascular periférica são responsáveis por expressiva morbimortalidade, com taxas de mortalidade cardiovascular e renal, cegueira, amputação de membros e perda de função e qualidade de vida muito superior a indivíduos sem diabetes” (Brasil, 2006b, p. 34). As doenças isquêmicas cardiovasculares são mais frequentes e mais precoces em indivíduos com diabetes. Como já foi dito o DM não apresenta índices altos de mortalidade quando comparado a outras DCNT, porém é um importante fator de risco para outras doenças mais graves. A hipertensão arterial (HA) é uma doença cardiovascular caracterizada pela elevada pressão do sangue nas artérias (FLORINDO, 2011). De acordo com Brasil (2006c, p. 14) HA “é definida como pressão arterial sistólica maior ou igual a 140 mmHg e uma pressão arterial diastólica maior ou igual a 90 mmHg, em indivíduos que não estão fazendo uso de medicação anti-hipertensiva”. Além de ser uma DCNT que afeta 17 milhões de pessoas no Brasil, a HA garante o título de a mais frequente das doenças cardiovasculares. “É também o principal fator de risco para as complicações mais comuns como acidente vascular cerebral e infarto agudo do miocárdio, além da doença renal crônica terminal” (Brasil, 2006c, p. 7). A HA é um problema grave de saúde pública no Brasil e no mundo, sendo responsável por pelo menos 40% das mortes por acidente vascular cerebral, por 25% das mortes por doença arterial coronariana e, em combinação com o diabete, 50% dos casos de insuficiência renal terminal (BRASIL, 2006c). As principais estratégias para o tratamento não farmacológico da HA sistólica incluem o controle do excesso de peso, (20% a 30% da hipertensão pode ser explicada pelo excesso de peso) adoção de hábitos alimentares saudáveis (dieta com frutas, legumes, leite, cereais, verduras, diminuição de altos teores de sódio e gorduras saturadas) e prática de atividade física regular (diminui a pressão arterial, os riscos de doença coronária e acidentes vasculares cerebrais além de favorecer o controle de peso). “A recomendação da atividade física baseia-se em parâmetros de freqüência, duração, intensidade e modo de realização. Portanto, a atividade física deve ser realizada por pelo menos 30 minutos, de intensidade moderada, na maior parte dos dias da semana (5) de forma contínua ou acumulada” (Brasil, 2006c, p. 27). Lembrando que toda a prática de atividade física deve ser orientada por profissional capacitado, o professor de Educação Física. “A HA na infância está associada com uma incidência maior de causas secundárias do que nos adultos; entretanto, na última década, os estudos têm mostrado um aumento da incidência de hipertensão essencial na população pediátrica, principalmente na adolescência” (Lima, 2004, p.3). A prevalência de HA em crianças e adolescentes pode variar de 2% a 13%, sendo obrigatóriaa medida anual da pressão arterial a partir de três anos de idade, e recomenda-se a medição da Pressão arterial (PA) no ambiente escolar (BRASIL, 2006c). A principal importância da identificação e controle da HA sistólica é reduzir suas complicações. O fator mais importante implicado na hipertensão essencial na infância é a obesidade. “HA e obesidade, em especial a obesidade central, com acúmulo de gordura visceral, frequentemente associadas à dislipidemia e à intolerância à glicose, compõe a chamada síndrome metabólica (SM), que também é acompanhada de resistência à insulina e hiperinsulinemia” (Brasil, 2006c, p. 34). Para o controle da PA recomenda-se a redução do excesso de peso em pelo menos 5% a 10%, restrição dietética de sódio e prática de atividade física regular, além de esses fatores atuarem favoravelmente sobre a tolerância á glicose e o perfil lipídico. Nos Estados Unidos 50 milhões de indivíduos com 6 anos ou mais tem PA elevada. “A relação entre PA e risco de doença cardiovascular (DCV) é contínua consistente e independente (embora possa estar associada) de outros fatores de risco. Quanto maior a PA, maior a chance de infarto do miocárdio, insuficiência cardíaca (IC), acidente vascular encefálico e doença renal” (Lisboa, 2010, p. 23). O controle da HA é de suma importância para a promoção e a manutenção da saúde, pois apesar desta não apresentar elevados índices na infância, pode colaborar para uma série de agravos na vida adulta. As DCV “são doenças do coração e vasos sanguíneos, incluindo variadas condições derivadas de suprimento sanguíneo diminuído a diversos órgãos do corpo” (Goulart, 2011, p.10). Cerca de 80% damortalidade diz respeito a três condições: doença coronariana isquêmica (infarto do miocárdio), acidente vascular cerebral, doença hipertensiva e insuficiência cardíaca congestiva. As DCV se tornaram as principais causas de mortalidade em todo o mundo, representando cerca de 30% de todas as mortes e até 50% da mortalidade pelo conjunto das DCNT (GOULART, 2011). Neste estudo além da HA será especificado a doença coronariana (DC) e o acidente vascular cerebral (AVC) levando em consideração que ambas são respectivamente a primeira e a segunda causa de mortes no mundo. DC é causada por aterosclerose da artéria coronária, por processos inflamatórios e por depósitos de gordura, estes causam ateromas que provocam restrição e até obstrução da passagem do sangue. Os ateromas podem provocar ausência de sangue nas áreas alimentadas pelas artérias (isquemia) ou obstrução total do vaso o que provoca um ataque cardíaco, danificando o tecido com o infarto do miocárdio. Os fatores de risco modificáveis para doença da artéria coronária são colesterol e triglicerídeos elevados, PA elevada, diabetes tipo 2, obesidade e inatividade física (FLORINDO, 2011). O estudo de Florindo (2011) “Atividade Física e Doenças Crônicas” apresenta inúmeras pesquisas que comprovam a importância da atividade física como fator de prevenção da DC. Os efeitos da atividade física são inúmeros como o retardo do processo de aterosclerose, contribui para a oxigenação do miocárdio, controla o colesterol total, o excesso de peso, os níveis de PA entre outros. O AVC “é conceituado como uma perda de função neurológica resultante de uma lesão ou morte de células cerebrais depois de um insuficiente suplemento de sangue, que pode gerar impedimento das funções corporais” (Florindo, 2011, p. 161). O sangramento dentro do vaso sanguíneo que irriga o cérebro pode ser isquêmico ou hemorrágico. Os principais fatores de risco para o AVC são a idade, sexo feminino, hipertensão, doenças das coronárias e arritmias cardíacas. Assim como para as outras DCNT e fatores de risco já descritos a atividade física é fator de proteção contra AVC, sendo a prática da mesma de grande relevância para a diminuição da PA, aumento da vasodilatação, redução da viscosidade do sangue entre outras. A alimentação também é um fator de prevenção de DCV. Hábitos de vida saudáveis como alimentação, controle de peso, e prática de atividade física foram vistos neste estudo como fatores básicos de baixo custo, tanto em casos de prevenção quanto em tratamento das DCNT. A SM segundo BRANDÃO et al (2005) é um conjunto de fatores de risco, representado pela HA, sobrepeso/obesidade, aumento dos triglicérides, diminuição do HDL colesterol e intolerância à glicose/diabetes tipo 2, e é com frequência encontrado em indivíduos com DCV. Entretanto DAMIANI et al (2011) deixa claro em seu estudo que não há uma padronização para definição da SM, por essa ser possivelmente definida a partir de três alterações metabólicas. O que fica bem evidente neste mesmo estudo é o desenvolvimento da doença ainda na infância e com riscos elevados para crianças com sobrepeso e obesidade, sendo que os riscos cardiovasculares são bem estabelecidos nessa condição. “Acreditamos que um aspecto importante é não se ater a uma nomenclatura específica, no caso, SM, mas aos fatores de risco que podem estar presentes desde a tenra idade. Os fatores individuais que compõem a SM agregam risco de doença cardiovascular, e a síndrome nada mais é do que a soma desses riscos” (Damiani et al, 2011, p. 577). A obesidade nesse contexto vem a ser um importante fator de risco para a SM, sendo que Souza et al (2007) verificou em seu estudo com 84 adolescentes com idade entre 10 e 19 anos uma prevalência significativa de SM em 40% de um grupo de 58 adolescentes obesos. “Da mesma forma que a obesidade, a síndrome metabólica tem patogênese multifatorial, que inclui: dieta, sedentarismo, mutações e polimorfismos genéticos associados à resistência à insulina, à hipertensão e às alterações lipídicas” (Souza et al, 2007, p .215). Medidas de prevenção de baixo custo como, boa alimentação, prática de atividade física regularmente, diminuição do excesso de sódio, também são essenciais como fatores não medicamentosos para SM e devem ser as primeiras atitudes a serem tomadas. Além dos impactos físicos, psicológicos e sociais que as DCNT causam para população, no Brasil estas são responsáveis por significativos gastos com a saúde pública. Em 2002 as estimativas de custos diretos com gastos ambulatoriais e internações por DCNT foram de 7.562.690.848,32 (BRASIL, 2005). No Brasil em 2004, estima-se que foram gastos com custos diretos e indiretos só com DCV R$ 30,8 bilhões de reais. Bielemann (2010) em seu estudo “Atividade Física e redução de custo por DCNT ao Sistema Único de Saúde” da cidade de Pelotas no ano de 2007 verificou que no caso das internações por DCV são gastos anualmente R$ 4.250.000,00, e considera que caso a população sedentária viesse a se tornar fisicamente ativa a economia com a atividade física seria cerca de R$ 2.100.000,00. O impacto causado pelas DCNT não atinge somente os cofres públicos, mas alcança também a população em termos de gastos familiares com DCNT, reduzindo assim a disponibilidade de recursos das famílias para outros fins como a educação, alimentação, moradia entre outros. De acordo com Goulart (2011, p. 74) com a “perda de produtividade no trabalho e a diminuição da renda familiar resultantes de apenas três DCNT (diabetes, doença do coração e acidente vascular cerebral), estima-se, perdas na economia brasileira da ordem de mais de quatro 4,18 bilhões de dólares nos próximos anos”. As condições de saúde pública refletem significativamente no crescimento econômico do país. Já se estimou que, para cada incremento de 10% na mortalidade por DCNT, o crescimento econômico fica reduzido em até 0.5%. As DCNT já representam uma ameaça global em varias dimensões, por isso as ações de prevenção destas doenças e promoção de saúde devem ser primárias no sistema de saúde pública. Ações de vigilância, prevenção e tratamento das DCNT é um investimento extremamente custo efetivo. 4.4. Promoção de Saúde na Escola Para melhor entendimento serão descritas a seguir as definições de saúde e promoção de saúde. Segundo Aerts et al (2004) a saúde é “compreendida enquanto qualidade de vida e não apenas como ausência de doença, determinando que os problemas de saúde sejam enfrentados valendo-se de ações Inter setoriais, visto que extrapolam a responsabilidade exclusiva do setor saúde”. De acordo com a Conferência Internacional de Promoção de Saúde, Declaração de Jacarta (1997) “a promoção da saúde é um processo para permitir que as pessoas tenham maior controle sobre sua saúde, e para melhorá-la”. Corroborando Pedrosa (2007, p. 43) diz, “... promoção da saúde significa uma intervenção que depende da articulação Inter setorial e da participação social, voltada para a consecução do direito à saúde, mediante açõesvoltadas para a melhoria das condições de vida, que podem ocorrer nos espaços dos serviços desaúde, do parlamento e das comunidades, sendo fundamentadas por aportes multidisciplinares quenecessitam de estratégias para serem realizadas. Uma delas encontra-se na educação em saúde ”. A promoção de saúde é elemento essencial para o desenvolvimento da saúde e a escola pode contribuir efetivamente para este desenvolvimento. “A escola é o lugar ideal para se desenvolverem programas da Promoção e Educação em Saúde de amplo alcance e repercussão, já que exerce uma grande influência sobre seus alunos nas etapas formativas e mais importantes de suas vidas” (Gonçalves et al, 2008, p. 183). O ambiente escolar há muito tempo vem sendo foco para ações de hábitos saudáveis. Nos Parâmetros Curriculares Nacionais, dentro do capítulo relacionado ao tema transversal saúde, sugere-se que toda escola deve incorporar os princípios de promoção da saúde indicados pela OMS, com os objetivos de fomentar a saúde e o aprendizado; integrar profissionais de saúde, educação, pais, alunos e membros da comunidade; implementar práticas que respeitem o bem-estar e a dignidade individuais e implementar políticas que garantam o bemestar individual e coletivo, oferecendo oportunidades decrescimento e desenvolvimento em um ambiente saudável, com a participação dos setores da saúde e educação, família e comunidade (GONÇALVES et al, 2008). A educação e promoção em saúde são fundamentais para a formação integral dos escolares, e ambas devem andar lado a lado, não somente alcançando os alunos, mas toda a comunidade escolar (professores, diretores, supervisores, e funcionários em geral). “A educação em saúde (não confundir com informação em saúde) procura desencadear mudanças de comportamento individual, enquanto que a promoção em saúde, muito embora inclua sempre a educação em saúde, visa a provocar mudanças de comportamento organizacional, capazes de beneficiar a saúde de camadas mais amplas da população, particularmente, porém não exclusivamente, por meio da legislação” (Candeias, 1997, p. 211). Na escola o professor de Educação Física é considerado o mediador mais importante para a educação e promoção da saúde. Este sendo o único profissional da área da saúde no ambiente escolar tem por função proporcionar o desenvolvimento físico, cognitivo, social, afetivo e funcional dos escolares. “Em uma sociedade, onde significativa proporção de pessoas adultas contribui substancialmente para o aumento das estatísticas associadas às doenças crônico-degenerativas em consequência de hábitos de vida não saudáveis, principalmente no que se relaciona com a prática de atividade física, parece existir fundamento lógico para a modificação da orientação oferecida às aulas de Educação Física para um enfoque de educação para a saúde” (Guedes, 1999, p. 10). Pelo fato de as DCNT demoram muito tempo para se manifestarem e seus sintomas serem quase que imperceptíveis em idade escolar, pouco se têm visto dentro do ambiente escolar em relação à formação de hábitos de vida que favoreçam o bem estar e o não aparecimento de doenças no futuro. O programa Escola Promotora de Saúde que visa formação integral do escolar é um dos mais significativos programas que atende não só os alunos, mas também toda a comunidade escolar. O modelo Escola Promotora de Saúde foi uma iniciativa da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) em 1995, como uma estratégia integral e integradora para o fornecimento de serviços de saúde escolar que transcendam a atenção médica tradicional e se fundamentem em ações de promoção da saúde no âmbito escolar (OPAS, 2009). A Escola Promotora de Saúde (EPS) tem por finalidade a aplicação no âmbito escolar, dos princípios e métodos estabelecidos nas Conferências Internacionais de Promoção da Saúde levando em consideração o atendimento das necessidades específicas da comunidade local (BOCALETTO et al, 2008). Os objetivos das EPS são: educação para a saúde e o ensino de habilidades para a vida, visando à aquisiçãode conhecimento sobre a adoção e manutenção de comportamentos e estilos de vida saudáveis; estruturação de ambientes saudáveis para criar e melhorar a qualidade de vida na escola e nos locais onde ela está situada; fortalecimento da colaboração entre os serviços de saúde e de educação visando à promoção integrada da saúde, alimentação, nutrição, lazer, atividade física e formação profissional. Outra iniciativa de atenção à saúde no ambiente escolar é o Programa Saúde na Escola (PSE), instituído em 2007 no âmbito dos Ministérios da Educação e da Saúde. O PSE visa a integração permanente do setor educacional e saúde para proporcionar a melhoria da qualidade de vida da população brasileira. “O PSE tem como objetivo contribuir para a formação integral dos estudantes por meio de ações de promoção, prevenção e atenção à saúde, com vistas ao enfrentamento das vulnerabilidades que comprometem o pleno desenvolvimento de crianças e jovens da rede pública de ensino” (Ministério da Educação, 2013). Para alcançar estes propósitos o PSE foi constituído por cinco componentes: avaliação das condições de saúde das crianças, adolescentes e jovens que estão na escola pública; promoção da saúde e de atividades de prevenção; educação permanente e capacitação dos profissionais da educação e da saúde e de jovens; monitoramento e avaliação da saúde dos estudantes; monitoramento e avaliação do programa. Segundo o Ministério da Educação (2013) mais do que uma estratégia de integração das políticas setoriais, o PSE se propõe a ser um novo desenho da política de educação e saúde uma vez que: considera a saúde e educação integrais como parte de uma formação ampla para a cidadania e o ato pleno dos direitos humanos; permite a progressiva ampliação das ações executadas por ambos os setores com vistas à atenção integral à saúde de crianças e adolescentes; e promove a articulação de saberes, a participação de estudantes, pais, comunidade escolar e sociedade em geralna construção de uma política pública mais justa. A escola deve favorecer o desenvolvimento desses objetivos oferecendo estrutura adequada, materiais e profissionais compromissados em desenvolver ações que permitam a melhoria da qualidade de vida da comunidade escolar. A participação dos pais também é de extrema importância para melhoria da saúde e qualidade de vida dos escolares, pois a ação em conjunto de pais e professores facilita no reconhecimento das dificuldades enfrentadas pela comunidade ao redor. Guedes (1999, p. 10) sugere que “a escola de maneira geral, e a disciplina de Educação Física em particular, devem assumir a incumbência de desenvolver programas que levem os educandos a perceberem a importância de se adotar um estilo de vida saudável, fazendo com que a atividade física direcionada à promoção da saúde torne-se componente habitual no cotidiano das pessoas”. Hábitos saudáveis relacionados à alimentação, higiene, prática de atividade física, entre outros devem ser foco principal para a manutenção de estilo de vida saudável e ativo. A escola nesse contexto tende a ser a principal instituição que pode influenciar na formação de indivíduos conscientes da relevância de uma vida mais saudável. Um exemplo disso seria uma boa alimentação oferecida nos refeitórios das escolas (sucos, frutas e verduras) aliada com a prática regular de Educação Física. A disseminação de hábitos e estilos de vida mais saudáveis são importantíssimos para o crescimento e desenvolvimento, e essa preocupação não deve se limitar somente ao ambiente escolar, os pais devem ser os primeiros mediadores para uma adoção de estilo de vida ativo e melhoria da qualidade de vida. 5. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS 5.1 Tipo de pesquisa Esta pesquisa é do tipo documental por apresentar características de que a fonte de coleta de dados está restrita a documentos que se denominam fontes primárias, que serão selecionadas, codificadas e tabuladas (MARCONI e LAKATOS, 2003). Foi utilizado o método descritivo quantitativo para descrever as características e propriedades do grupo em estudo, de forma a utilizar dados numéricos para verificar os fatores de risco de doenças crônicas nos escolares. 5.2 População e amostra A população deste estudo foi de 194 alunos do período vespertino, pertencentes a uma escola de ensino do município de Porto Velho. A amostra foi constituída de 189 alunos, do sexo masculino (n=103) e feminino (n=86) da faixa etária de 07 a 10 anos, matriculados em 2012. 5.3 Procedimentos para coleta de dados Para a utilização de dados foi apresentado à diretora da escola uma carta (ANEXO1), solicitando autorização para acesso aos dados antropométricos (estatura, peso, dobras- tricpital e subescapular, e circunferência da cintura) que a escola dispõe em seus arquivos, e copia destes através de uma ficha individual (ANEXO 2). 5.4. Critérios de inclusão e exclusão 5.4.1 Critérios de inclusão Estar devidamente matriculado na escola no período vespertino, ter entre 07 a 10 anos de idade, e ter todas as medidas antropométricas (estatura, peso, dobras, e circunferência da cintura) coletadas. 5.4.2 Critérios de exclusão Não estar matriculado no período vespertino, ter idade inferior a 07 anos e superior a 10 anos de idade e não ter feito alguma das medidas solicitadas. 5.5. Protocolos utilizados na avaliação física Os protocolos utilizados no processo de avaliação física na escola foram: O IMC foi determinado a partir da fórmula: IMC = peso (kg)/estatura (m) 2 e classificado de acordo com a tabela abaixo: TABELA A - Classificação de Índice de Massa Corporal (IMC) gênero masculino. BP = Baixo Peso; EP = Excesso de Peso; OB = Obesidade. Fonte: CONDE & MONTEIRO apud GAYA & SILVA (2007). TABELA B- Classificação de Índice de Massa Corporal (IMC) gênero feminino. BP = Baixo Peso; EP = Excesso de Peso; OB = Obesidade. Fonte: CONDE & MONTEIRO apud GAYA & SILVA (2007). O percentual de gordura (%G) foi determinado a partir das fórmulas a seguir: TABELA C - Classificação do (%G) na faixa etária de 07 a 10 anos para meninas de acordo com a espessura da somatória da dobra cutânea. MOÇAS (TR+SE)<35 7 A 17 ANOS (TR+SE)>35 7 A 17 ANOS Fonte: PITANGA (2005). %G=1,33 (TR+SE) - 0,013 (TR+SE)² - 2,5 %G=0,546 (TR+SE) + 9,7 TABELA D - Classificação do (%G) na faixa etária de 07 a 10 anos para meninos de acordo com a espessura da somatória da dobra cutânea. RAPAZES (TR+SE) <35mm 7-8 ANOS %G=1,21 (TR+SE) - 0,008 (TR+SE)² - 1,7 9-10 ANOS %G=1,21 (TR+SE) - 0,008 (TR+SE)² - 2,5 11-12 ANOS %G=1,21 (TR+SE) - 0,008 (TR+SE)² - 3,4 RAPAZES (TR+SE) >35mm 7 A 17 ANOS %G=0,783(TR + SE) + 1,6 Fonte: PITANGA (2005). TABELA E - Classificação do percentual de gordura por gênero em crianças e adolescentes de 07 a 17 anos. Classificação Excessivamente Baixo Baixo Normal/Adequado Moderadamente alto Alto Excessivamente alto Fonte: LOHMAN (1987). Masculino (%G) 0,00 a 6,00 6,01 a 10,00 10,01 a 20,00 20,01 a 25,00 25,01 a 31,00 31,01 a 99,99 Feminino (%G) 0,00 a 12,00 12,01 a 15,00 15,01 a 25,00 25,01 a 30,00 30,01 a 36,00 36,01 a 99,99 TABELA F –Classificação adaptada do percentual de gordura por gênero em crianças e adolescentes de 07 a 17 anos. Classificação Masculino (%G) Baixo 0,00 a 10,00 Normal 10,01 a 20,00 Alto 20,01 a 99,99 Fonte:adaptada de LOHMAN (1987). Feminino (%G) 0,00 a 15,00 15,01 a 25,00 25,01 a 99,99 TABELA G- Circunferência da Cintura das crianças da faixa etária de 7 a 11 anos de idade será classificada de acordo com a tabela a seguir: Idade 07 anos 08 anos 09 anos 10 anos 11 anos Fonte: NHANHES III (2005). Masculino (cm) 69 70,6 78,0 80,0 84,2 Feminino (cm) 68,4 69,0 80,8 79,0 80,9 5.5.6. Análise Estatística Para a análise dos dados foi utilizada um programa do software SPSS versão 17.0. Para verificar a normalidade das variáveis utilizou-se o teste Kolmogorov-Smirrnov e Shapiro-Wilk. Para análise dos indicadores de saúde foi utilizado o teste qui-quadrado. O nível de significância adotado foi de 5%. 6. RESULTADOS E DISCUSSÃO Neste capítulo foi apresentado, e discutido os resultados encontrados na pesquisa com estudos semelhantes realizados em âmbito local ou em outras localidades, este procedimento faz-se necessário para se ter uma visão geral quando da utilização de medidas antropométricas na prevenção de DCNTe promoção da saúde. Tabela 1- Distribuição de frequência da classificação do estado nutricional pelo IMC dos escolares do gênero masculino por idade. Idade Baixo peso % eutrófico 7 1 25 22 8 2 50 35 9 1 25 15 10 0 0 14 Total 4 100 86 qui-quadrado X2 = 10,11 p>0,05 Frequências de casos % Excesso % de peso 25,6 1 8,3 40,7 3 25,0 17,4 3 25,0 16,3 5 41,7 100 12 100 obesidade % 1 0 0 0 1 100 0 0 0 100 Na tabela 1 é demonstrado o resultado da distribuição de frequência do Índice de Massa Corporal (IMC) dos escolares do gênero masculino participantes da pesquisa na faixa etária de 7 a 10 anos de idade. Na classificação baixo peso- 7 anos: 25% - 8 anos: 50% - 9 anos: 25%; classificação eutrófico – 7 anos: 25,6% - 8 anos: 40,7%- 9 anos: 17,4% e 10 anos- 16,3%; classificação excesso de peso- 7 anos: 8,3%- 8 anos: 25%- 9 anos: 25% - 10 anos: 41,7%; classificação obesidade- 7 anos: 100%. Nota-se a prevalência de meninos na classificação baixo peso na faixa etária de 8 anos, na classificação eutrófico a prevalência consta nas idades de 7 e 8 anos; na classificação excesso de peso ocorre prevalência aos 8, 9, e 10 anos de idade. Quando analisados os resultados entre as faixas etárias, através de teste de significância qui-quadrado, observou-se que não houve diferenças significativas entre os valores. Tabela 2- Distribuição de frequência da classificação do estado nutricional pelo IMC dos escolares do gênero feminino por idade. idade 7 8 9 10 Total Baixo peso 0 0 2 2 4 % 0 0 50 50 100 Frequências de casos Eutrófi% Excesso co de peso 20 33,3 7 13 21,7 2 17 28,3 2 10 16,7 2 60 100 13 % obesidade % 53,8 15,4 15,4 15,4 100 2 2 3 2 9 22,2 22,2 33,4 22,2 100 qui-quadrado X2 = 8,22 p>0,05 Na tabela 2 é demonstrado o resultado da distribuição de frequência do Índice de Massa Corporal (IMC) dos escolares do gênero feminino participantes da pesquisa na faixa etária de 7 a 10 anos de idade. Na classificação baixo peso- 9 anos: 50% - 10 anos: 50%; classificação eutrófico- 7 anos: 33,3%- 8 anos: 21,7% - 9 anos: 28,3% - 10 anos: 16,7%; classificação excesso de peso -7 anos: 53,8% - 8 anos: 15,4% - 9 anos: 15,4% - 10 anos: 15,4%; e na classificação excesso de peso- 7 anos: 22,2% - 8 anos: 22,2% - 9 anos: 33,4%-10 anos: 22,2%. Nota-se a prevalência de meninas na classificação normal principalmente aos 7 e 9 anos, com baixo peso aos 9 e 10 anos, com excesso de peso principalmente aos 7 anos, e na classificação obesidade a prevalência ocorre aos 9 anos de idade. O IMC é uma medida de grande importância para a avaliação do crescimento dos escolares, pois sendo um método de baixo custo pode auxiliar na identificação de alguns aspectos prejudiciais a nutrição dentro do ambiente escolar. O IMC elevado ou reduzido pode afetar o crescimento devido ao aparecimento de algumas patologias. Em relação à deficiência nutricional podem surgir doenças como o raquitismo e o escorbuto, já o excesso da ingesta de alimentos ricos em calorias e pobres em nutrientes essenciais proporciona o aumento do peso corporal e facilita o surgimento de doenças como, HA, distúrbios psicossociais, hiperlipidemia, SM e outros distúrbios. Por falta ou excesso de calorias os problemas causados pela má alimentação são muitos, por isso ressalta-se a importância do monitoramento do IMC para a prevenção de possíveis doenças. Em pesquisa realizada por Moura et al (2004) na avaliação do estado nutricional por IMC em escolares de 7 a 17 anos de Maceió, o risco de sobrepeso e sobrepeso foi respectivamente de 9,3% e 4,4%. Verificou-se também que no grupo de crianças com sobrepeso a PA elevada foi de 28,6%, valor significativamente mais elevado em relação ao grupo com peso adequado (8,1%), e ao grupo com risco de sobrepeso (12,1%). No mesmo estudo com os escolares de 7 a 10 anos de idade, a prevalência de PA elevada foi de 4,2% para o gênero masculino e 8,4% gênero feminino, com prevalência global de 6,5%. Em estudo no mesmo ano, Garcia et al (2004) com 672 crianças de 2 a 10 anos de idade de duas escolas de Belo Horizonte, detectou através do IMC a influência do mesmo em relação a níveis elevados de PA. O IMC apresentou a seguinte distribuição: 553 crianças apresentaram valores adequados para idade e sexo, 94 apresentaram sobrepeso, e 25 apresentaram valores compatíveis coma a obesidade. Já na infância os fatores sobrepeso e obesidade foram identificados como aspectos negativos para o sistema cardiovascular. Quinte (2011) também verificou associação do excesso de peso com a PA elevada. Segundo Queiroz et al (2010) o IMC é o melhor índice preditor para risco de PA elevada em crianças. Em seu estudo em João Pessoa 22,8% e 26,3% dos 750 escolares de 6 a 9 anos, apresentaram respectivamente sobrepeso e obesidade e PA elevada. Enquanto que apenas 10,9% dos eutróficos e 4,3% dos escolares com baixo peso apresentaram PA acima do recomendado para idade e altura. Queiroz et al (2010) verificou que a chance de uma criança ter PA elevada aumentou em 1,17 para cada unidade de IMC. Esse resultado reforça a necessidade da mensuração de IMC para detectar hipertensão e futuros riscos cardiovasculares. Oliveira et al (2004) ao analisar as variáveis sobrepeso e obesidade de 701 crianças na faixa de 5 a 9 anos de Feira de Santana- BA, encontrou prevalência de 9,1% para sobrepeso e 4,3% para obesidade, estando essas variáveis significativamente associadas a hipertensão. “A razão de chance calculada mostrou associação 13 vezes maior entre crianças portadoras de obesidade e desenvolvimento de HA” (Oliveira et al, 2004, p. 850). Em pesquisa realizada por Silva et al (2005) na avaliação de 1253 escolares na faixa etária de 7 a 17 anos, foi verificado em 116 estudantes sendo 54 masculino e 62 feminino excesso de peso, e 56 escolares sendo 26 masculino e 30 feminino foram identificados com obesidade. A PA elevada foi identificada em 97 escolares com prevalência de 9,4%, sendo significativamente maior em indivíduos com sobrepeso e obesidade. Mendonça et al (2010) com o objetivo de verificar a prevalência de sobrepeso e obesidade em 1253 crianças e adolescentes de 7 a 17 anos da cidade de Maceió, identificou prevalência total de sobrepeso e obesidade de respectivamente 9,3% e 4,5%, não havendo diferença significativa entre gênero e sobrepeso e gênero e obesidade. A prevalência de sobrepeso foi de 6,6% na população de 7 a 11 anos de idade. Mendonça et al (2010) verificou que a prevalência de sobrepeso e obesidade ainda é baixa em comparação com outras regiões do país. Corroborando, o resultado do presente estudo também verificou uma baixa prevalência de sobrepeso e obesidade, porém, a obesidade foi significativamente frequente na faixa etária de 7 a 10 anos de idade no gênero feminino, considerando-se então a necessidade de acompanhamento dos indivíduos com excesso de peso, já que o mesmo pode ser modificado ao longo do processo de crescimento. Em um estudo com escolares da faixa etária de 7 a 10 anos de idade no Paraná, na cidade de Apucarana, foi encontrado uma prevalência de sobrepeso de 22,4% e 17,9% em meninas e meninos respectivamente, e de obesidade de 5,7% e 2,9% respectivamente (GUEDES, 2006). Ainda no estado do Paraná em Marinalva, foi encontrado 27,6% de excesso de peso em meninos e 26,9% em meninas na faixa etária de 6 a 10 anos (MELLO, 2010). No presente estudo a prevalência de sobrepeso nos meninos foi de 41,7% na faixa etária de 10 anos. Nas meninas a prevalência de sobrepeso foi de 53,8% aos 7 anos de idade, e obesidade de 33,4¨% aos 9 anos de idade. Campos (2011) com o objetivo de avaliar a prevalência de excesso de peso e a PA alterada em crianças de 6 a 10 anos, de uma escola pública de Porto Alegre, verificou que de uma amostra de 86 escolares 36,3% do gênero feminino e 41,9% do gênero masculino apresentaram sobrepeso e/ou obesidade. No gênero masculino de 6 a 8 anos 11,1% apresentaram sobrepeso e 22,2% obesidade; na faixa etária de 9 a 10 anos 15,8% apresentaram sobrepeso e 26,3% obesidade. No gênero feminino de 6 a 8 anos 25% apresentaram sobrepeso e 20% obesidade; na faixa etária de 9 a 10 anos não foram encontradas meninas com diagnóstico de obesidade, somente 36,3% com sobrepeso. No presente estudo, as meninas em todas as faixas etárias de 7 a 10 anos apresentaram diagnóstico de obesidade, e excesso de peso significativo de 53,8% na faixa etária de 7 anos. Na pesquisa realizada em Campinas- SP por Coroneli & Moura (2003), foi verificado em escolares de 7 a 10 anos de idade, a obesidade infantil como único fator de risco para a hipercolesterolemia. A obesidade atingiu 31,4% do grupo caso, e 17,4% do grupo controle. A prevalência de obesidade foi de 33,8% para meninos e 18,3 para meninas. Segundo Coroneli & Moura (2003, p. 27) “a obesidade mostrou-se associada com hipercolesterolemia, isto é, as crianças obesas apresentaram risco de 2,17 vezes maior de adquirir a doença do que as não obesas. Os principais riscos associados ao excesso de peso na infância e adolescência são o desenvolvimento de DCV (CORONELI & MOURA, 2003). “Sabe-se que a hipertensão arterial na infância, assim como a hipercolesterolemia, também é preditor de hipertensão na vida adulta, isto é crianças e adolescentes com níveis pressóricos acima do percentil 90 frequentemente se tornam adultos com HA” (Coroneli & Moura, 2003, p. 28). Na pesquisa realizada por Gilglioni et al (2011), com escolares de Maringá de 6 a 16 anos valores de IMC que indicam peso acima do adequado foram encontrados em 29,80% dos estu- dantes, correspondendo a 15,5% de excesso de peso e 14,29% de obesidade. Os percentuais mais elevados de escolares com excesso de peso (16,76%) e obesidade (16,50%) foram encontrados no grupo etário de 6 a 8 anos de idade. No gênero feminino o percentual de obesidade (19,37%) foi mais elevado no grupo etário de 6 a 8 anos, e os escolares masculinos apresentaram maior percentual de obesos (14,74%) no grupo etário de 9 a 11 anos. Na presente pesquisa os escolares do gênero feminino apresentaram percentual de obesidade mais elevado (33,4%) na faixa etária de 9 anos, e o gênero masculino apresentou percentual de obeso somente na faixa etária de 7 anos de idade. No gênero feminino na faixa etária citada principalmente, compreende-se uma fase muito importante que antecede o estirão do crescimento, uma fase de desenvolvimento físico caracterizado principalmente pelo crescimento em relação a estatura. Por isso a verificação do IMC é importante, já que o peso e a estatura sofrem constan tes modificações durante toda a infância. Quadros (2012) em estudo exploratório com 46 crianças de 6 a 10 anos de idade de uma escola pública de Porto Alegre- RS verificou que 30,4% da amostra foram classificadas com excesso peso, sendo que destas 13% eram obesas. No gênero masculino 14,8% foram classificados com sobrepeso, e 11,1% com obesidade, enquanto que no grupo feminino 21% apresentaram sobrepeso e 15,8% obesidade. De uma forma geral, ambos os gêneros apresentaram presença de fatores de risco para DCV. Levando em consideração os resultados dos estudos epidemiológicos referentes ao IMC, evidencia-se a tendência de que aumente ainda mais os índices de excesso de peso e todas as suas complicações correlacionadas na população infantil. As prevalências de obesidade encontradas foram semelhantes às de vários estudos com a população brasileira na faixa etária de 7 a 10 anos de idade. Tabela 3- Distribuição de frequência da classificação da circunferência da cintura dos escolares do gênero masculino por idade. Frequências de casos Idade Baixo f% Alto f% 7 24 24 1 33,3 8 39 39 1 33,3 9 19 19 0 0 10 18 18 1 33,4 100 100 3 100 total 2 qui-quadrado X = 1,07 p>0,05 A tabela 3 apresenta o resultado da distribuição de frequência da Circunferência da Cintura (CC) dos escolares do gênero masculino participantes da pesquisa na faixa etária de 7 a 10 anos de idade. Ao analisar a classificação de acordo com os pontos de corte de NHANHES III (2005) os escolares do gênero feminino não apresentaram nenhuma classificação alta. Na classificação do gênero masculino abaixo do ponto de corte obtiveram-se as seguintes frequências: 7 anos: 24%, 8 anos: 39%, 9 anos: 19%, e 10 anos: 18%; e na classificação acima do ponto de corte aos 7 anos: 33,3%- 8 anos: 33,3% e aos 10 anos 33,44%. A prevalência da CC abaixo do ponto de corte foi observada principalmente aos 7 e 8 anos de idade, e em relação a CC acima do ponto de NHANHES III a prevalência foi nas faixas etárias de 7, 8 e 10 anos. Tabela 4- Distribuição de frequência da classificação da circunferência da cintura dos escolares de ambos os gêneros por idade. Frequências de casos Idade Baixo f% Alto f% 7 8 9 10 53 56 43 34 28,5 30,1 23,1 18,3 1 1 0 1 33,3 33,3 0 33,3 Total 186 100 3 100 qui-quadrado X2 = 1,08 p>0,05 A tabela 4 mostra o resultado da distribuição de frequência da CC de ambos os gêneros por idade. Abaixo do ponto de corte- 7 anos: 28,5%- 8 anos: 30,1%- 9 anos: 23,1%- 10 anos: 18,3%; e acima do ponto de corte- 7 anos: 33,3% - 8 anos: 33,3% e 10 anos: 33,3%. Na classificação abaixo do ponto de corte observou-se a prevalência nas faixas etárias de 7,8 e 10 anos; acima do ponto de corte as faixas etárias foram 7, 8 e 10 anos. A circunferência abdominal é uma medida da obesidade central e é associada especificamente com os fatores de risco das DCV, tanto em adultos como em crianças (Queiroz et al, 2010). A CC é uma medida relevante para a avaliação do risco de DCNT, como a hipertensão, obesidade e etc. Na pesquisa realizada por Queiroz et al (2010) encontrou-se baixa prevalência de obesidade abdominal, e a CC esteve associada positiva e significativamente com os valores de PA. A elevação dos níveis pressóricos ocorreu com o aumento da CC (p<0,0001). De acordo com Campos (2011), crianças com CC superior a 71 centímetros, são mais predispostas a riscos cardiovasculares. Quadros (2012) ao avaliar 46 escolares de 6 a 10 anos de idade de Porto Alegre- RS verificou que a maioria apresentou adiposidade abdominal adequada. Porém 11,1% dos meninos apresentaram excesso de adiposidade abdominal, sendo que as meninas foram superiores com 21% de excesso de adiposidade. O excesso de adiposidade abdominal constatado pela CC está associado ao aumento de chances de crianças apresentarem fatores de risco para DCV, como colesterol total, e PA elevados (BERGMANN et al, 2011). Segundo Ferreira et al apud Quadros (2012), a CC é um dos me lhores indicadores antropométricos como valores de sensibilidade e especificidade para a predição de SM em crianças. No presente estudo, observou-se que os indivíduos do sexo feminino encontram-se abaixo do ponto de corte estabelecido em tabela referencial da literatura. Nota-se também que a CC dos meninos vai aumentando com a elevação da idade de 7 para 8 anos e de 9 para 10 anos, sendo maior a circunferência da cintura dos meninos em relação à das meninas. De modo geral, como indicador de saúde isso pode significar que estas crianças podem apresentar baixos níveis de adiposidade abdominal e chances diminuídas de desenvolverem DCNT. . Verificou-se que com o passar da idade a CC aumenta, e esse fator é preocupante, pois com o passar da idade também aumenta a predisposição as DCNT. Por isso a utilização de medidas simples e com baixos custos como CC devem ser frequentemente utilizadas para a verificação dos níveis de saúde. Tabela 5- Distribuição de frequência da classificação do percentual de gordura dos escolares do gênero feminino por idade. Frequências de casos idade Baixo f% Normal f% Alto f% 7 8 14 9 43,8 28,1 12 7 27,9 16,3 3 1 27,3 9,1 9 5 15,6 15 34,9 4 36,4 10 4 12,5 9 20,9 3 27,3 total 32 100 43 100 11 100 2 qui-quadrado X = 7,52 p>0,05 A tabela 5 apresenta os resultados da distribuição de frequência do percentual de gordura corporal (%G) dos escolares do gênero feminino na faixa etária de 7 a 10 anos de idade. Na classificação baixa- 7 anos: 43,8%- 8 anos: 28,1%- 9 anos: 15,6%- 10 anos: 12,5%; classificação normal- 7 anos: 27,9%- 8 anos: 16,3%- 9 anos: 34,9%- 10 anos: 20,9%; e na classificação alto- 7 anos: 27,3%- 8 anos: 9,1%- 9 anos: 36,4%- e 10 anos: 27,3%. Observa-se a prevalência de meninas na classificação baixo aos 7 e 8 anos, classificação normal aos 7, 9 e 10 anos, e classificação alto aos 7, 9 e 10 anos de idade. Tabela 6- Distribuição de frequência da classificação do percentual de gordura dos escolares do gênero masculino por idade. Frequências de casos idade Baixo f% Normal f% Alto f% 7 8 1 5 10 50 22 30 27,5 37,5 2 5 15,4 38,5 9 3 30 13 16,3 3 23,1 10 1 10 15 18,8 3 23,1 10 100 80 100 13 100 total 2 qui-quadrado X = 3,54 p>0,05 A tabela 6 apresenta os resultados da distribuição de frequência do percentual de gordura corporal (%G) dos escolares do gênero masculino na faixa etária de 7 a 10 anos de idade. Na classificação baixa- 7 anos: 10%- 8 anos: 50%- 9 anos: 30%- 10 anos: 10%; classificação normal7 anos: 27,5%- 8 anos: 37,5%-9 anos: 16,3%- 10 anos: 18,8%; classificação alto- 7 anos: 15,4%8 anos: 38,5%- 9 anos: 23,1%- e 10 anos: 23,1%.Observa-se a prevalência de meninos na classificação baixo aos 8 e 9 anos, classificação normal aos 7, 8 e 10 anos, e na classificação alto aos 8, 9 e 10 anos. O %G de acordo com Campos (2011) é um bom indicador para riscos cardiovasculares. “A atenção com relação ao %G como indicador de saúde nessa faixa etária está relacionada à fase hiperplásica das células adipócitas” (Oliveira, 2009, p. 39). Pesquisa realizada por Leão et al (2010), sobre a composição corporal de 487 escolares de 7 a 10 anos de idade na cidade de Aracajú- SE, mostrou que o gênero feminino foi o único a apresentar a classificação baixo (7,6%). No entanto as meninas tendem a apresentar maior índice de gordura corporal, logo esse resultado é mais que surpreendente, já que nessa faixa etária o gênero feminino apresenta-se na fase hiperplásica das células adipócitas. Na classificação normal do % G 64,1% dos avaliados foram meninos e 59,2% meninas, e na classificação alto 35,8% eram meninos e 33,2% meninas. Venâncio (2006) verificou em uma amostra de 1982 escolares de 7 a 9 anos de idade da cidade de Anápolis- GO, resultados mais negativo em relação ao % G para os escolares de instituições privadas. Os resultados do gênero feminino da rede de ensino privada foram 20,2% com sobrepeso e 27,4% obesidade; na rede pública as porcentagens foram de 10,9% de sobrepeso e 11% de obesidade. No gênero masculino foram 17,5% de sobrepeso e 30,7% de obesos em esco- lares da rede de ensino privada; e 14,9% de sobrepeso e 17,5% de obesidade em escolares da rede pública de ensino. Campos (2011), com o objetivo de avaliar a prevalência de excesso de peso e PA alterada em crianças de 6 a 10 anos de idade de Porto Alegre, verificou que 7,7% apresentaram % G na classificação baixo, e dos indivíduos classificados como eutróficos pelo IMC 57,7% apresentaramse com o % G ideal, e 32,7% com % G moderadamente alto. A maioria daqueles com sobrepeso, 70,6% estavam com percentual de massa gorda considerado moderadamente alto. Dos indivíduos classificados obesos pelo IMC, 47% apresentaram %G alto e 29,4% muito alto. Nesse mesmo estudo a obesidade foi fator de risco para PA elevada, sendo que 29,4% dos obesos apresentaram maior alteração de PA com valores acima dos normais. De modo geral, as pesquisa citadas apontam para necessidade de medidas de intervenção nutricional, para melhorar os hábitos alimentares e o estado nutricional dos escolares em questão. Como prevê o programa Saúde na Escola do governo Federal, e escola pode e deve ser o ambi ente favorável de incentivo a ações que visem melhorias da qualidade de vida. 7. CONSIDERAÇÕES FINAIS Os resultados encontrados no presente estudo e nos vários estudos epidemiológicos utilizados na discussão evidenciaram a importância das medidas antropométricas para a avaliação do estado nutricional, bem como para possível prevenção de DCNT e promoção de saúde. O presente estudo mostrou que a avaliação do estado nutricional na infância é uma medida simples e muito eficaz para programas de atenção a saúde e pode contribuir grandemente para diminuição da incidência de DCNT na vida adulta, bem como diminuir os gastos com a saúde pública se os programas e politicas públicas fossem mais específicos para a população de maior risco e com menos acesso a informação. Os resultados da pesquisa apontam para necessidade de medidas de intervenção nutricional, para melhoria dos hábitos alimentares e do estado nutricional dos escolares em questão. Estes resultados são característicos do processo de transição nutricional e podem representar difíceis barreiras para o pleno desenvolvimento escolar, físico, psicológico, e social dos escolares, além de estarem relacionados com maior incidência de DCNT. Em relação a obesidade, a ausência de unanimidade na definição de pontos de corte a serem utilizados em tenras idades se apresenta como grande obstáculo para a realização de análises entre os dados observados neste estudo e dados reunidos em outros estudos brasileiros. A diversidade dos dados decorre muito provavelmente das pesquisas sobre o sobrepeso e a obesidade serem multifatoriais, além do emprego de metodologias diversificadas na caracterização das doenças em crianças, o que torna a análise entre os dados da literatura sujeita a erros de interpretação. A escola deve desenvolver ações que incentivem um estilo de vida mais saudável com práticas adequadas de alimentação, de atividade física e de higiene. As ações devem envolver toda a comunidade escolar assim como preveem as Escolas Promotoras de Saúde. A Educação Física na rede escolar é uma das chaves para contribuir no combate ao sobrepeso e obesidade. O incentivo do profissional de Educação Física à prática de atividades físicas e exercícios, e a conscientização de uma alimentação mais saudável são de extrema importância para propiciar o crescimento e desenvolvimento adequado dos escolares. Nesta perspectiva fica evidente o papel da Educação Física como uma aliada para a melhoria da saúde e qualidade de vida dos escolares. Como sugestão recomenda-se mais estudos que realmente venham contribuir para a manutenção de informações sobre a importância do ambiente escolar e a necessidade de investimentos em ações preventivas contra a prevalência de DCNT. 8. REFERÊNCIAS ABRANTES, M. M; LAMONIER, J. A; COLOSIMO, E. A. Prevalência de sobrepeso e obesidade em crianças e adolescentes das regiões Sudeste e Nordeste. Jornal de Pediatria, Rio de Janeiro, Vol. 78, n. 4, p. 335-40, 2002. AERTS, D. et al. Promoção de saúde: a convergência entre as propostas da vigilância da saúde e da escola cidadã. Caderno Saúde Pública, Rio de Janeiro, v.20, n.4. p. 1020-1028, 2004. ANDRADE, R. G; PEREIRA, R. A; SCHIERI, R. Consumo Alimentar de Adolescentes com e sem Sobrepeso do Município do Rio de Janeiro. Caderno de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v.19, n.5, p.1485-1495, set/out, 2003. BARBOSA, V.L.P. Prevenção da Obesidade na Infância e na Adolescência: exercício, nutrição e psicologia. São Paulo: Manole, 2004. BARUKI, S. B. S et al. Associação entre estado nutricional e atividade física em escolares da Rede Municipal de Ensino em Corumbá – MS. Revista Brasileira de Medicina e Esporte, V. 12, Nº 2. Mar/Abr, 2006. BERGAMASCO, J. S. et al. Promoção de Atividade Física na Infância como Forma de Prevenção de Futuras Doenças Crônicas. Revista Digital Buenos Aires, n.121, Junho de 2008. BERGMANN, G. G. et al. Sobrepeso e obesidade na infância e adolescência: possibilidades de medidas e reflexões sobre as propostas de avaliação. Revista Brasileira de Atividade Física e Saúde, v. 16, n. 1, 2011. BIELEMANN, R. M; KNUTH, A. G; HALLAL, P. C. Atividade Física e redução de custos por doenças crônicas ao sistema Único de Saúde. Revista Brasileira de Atividade Física e Saúde, v.15, n. 1, 2010. BOCCALETTO, E.M.A. et al. Promoção da Saúde e Qualidade de Vida na Escola: Estratégias para o Desenvolvimento deHabilidades para uma Vida Saudável. In: VILARTA, R; BOCCALETTO, E.M.A; Atividade Física e Qualidade de Vida na Escola:Conceitos e Aplicações Dirigidos à Graduação em Educação Física. Campinas: IPES, 2008. BÖHME, M. T. S. Aptidão Física e crescimento físico de escolares de 07 a 17 anos de Viçosa – MG – parte V. Revista Mineira de Educação Física, v. 4, n. 1, p. 45-60, 1996. BORGES, C. J. Educação Física para o Pré Escolar. Rio de Janeiro: Sprint, 1987. BRANDÃO, A.P. Síndrome Metabólica em Crianças e Adolescentes. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, v. 85, n. 2, Agosto 2005. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Políticas de Saúde. Departamento de Atenção Básica. Saúde da criança: acompanhamento do crescimento e desenvolvimento infantil. Brasília: Ministério da Saúde, 2002. _______. Ministério da Saúde. A vigilância, o controle e a prevenção das doenças crônicas não transmissíveis: DCNT no contexto do Sistema Único de Saúde brasileiro / Brasil. Ministério da Saúde – Brasília: Organização Pan-Americana da Saúde, 2005. _______. Ministério da Saúde Brasil. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Análise de Situação de Saúde. Plano de ações estratégicas para o enfrentamento das doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) no Brasil 2011-2022. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Análise de Situação de Saúde. – Brasília: Ministério da Saúde, 2011. _______. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Obesidade / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica. - Brasília: Ministério da Saúde, 2006a. _______. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Diabetes Mellitus / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica. – Brasília: Ministério da Saúde, 2006b. _______. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Hipertensão arterial sistêmica para o Sistema Único de Saúde / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica. – Brasília: Ministério da Saúde, 2006c. CAMPOS, F. A. Excesso de peso, Gordura Corporal e Pressão arterial alterada em crianças de seis a dez anos em uma Escola de Porto Alegre, RS. 2011.46f. Monografia (Graduação em Bacharel em Nutrição)- Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Porto Alegre, 2011. CANDEIAS, N. M. F. Conceitos de Educação e de Promoção em Saúde: mudanças individuais e mudanças organizacionais. Revista de Saúde Pública, v. 31, n. 2, p. 209-13. Abril, 1997. CONFERÊNCIA INTERNACIONAL SOBRE CUIDADOS PRIMÁRIOS COM A SAÚDE, 1978, Alma- Ata. CONFERÊNCIA INTERNACIONAL DE PROMOÇÃO DA SAÚDE, 3, 1991, Sundsvall. CONFERÊNCIA INTERNACIONAL DE PROMOÇÃO DA SAÚDE, 4, 1997, Jacarta. CONFERÊNCIA INTERNACIONAL DE PROMOÇÃO DA SAÚDE, 1992, Santafé de Bogotá. CORONELLI, C. L. S; MOURA, E. C. Hipercolesterolemia em escolares e seus fatores de risco. Revista de Saúde Pública. São Paulo, v. 37, n. 1, p. 24-31, 2003. COSTA, F. F; ASSIS, M. A. A. Nível de Atividade Física e comportamentos Sedentários de Escolares de sete a dez anos Florianópolis-SC. Revista Brasileira de Atividade Física e Saúde, v. 16, n. 1, 2008. COSTA, R. F. da.CD-ROM Avaliação da Composição Corporal. São Paulo: Phorte, 1999. DAMIANI, D. et al. Síndrome metabólica em crianças e adolescentes: dúvidas na terminologia, mas não nos riscos cardiometabólicos. Arquivo Brasileiro de Endocrinologia Metabólica. 2011. Divisão de Doenças Crônicas Não Transmissíveis.Prevenção de doenças crônicas não transmissíveis e se seus fatores de risco: guia básico para agentes de saúde.Governo do Estado de São Paulo. Secretaria de Estado da Saúde. Coordenadoria de Controle de Doenças. Centro de Vigilância Epidemiológica, 2009. FLORINDO, A. A; HALLAL, P. C. Epidemiologia da Atividade Física. São Paulo: Atheneu, 2011. FLORINDO, A.A. Atividade Física e Doenças Crônicas. In: FLORINDO, A. A; HALLAL, P. C. Epidemiologia da Atividade Física. São Paulo: Atheneu, 2011. FROSSARD, R. A nova Cartilha do Diabetes . Vida e Saúde. São Paulo. v. 3, p.16. FROSSARD, R. A síndrome do metabolismo. Vida e Saúde. São Paulo. v. 3, p.5. FONSECA, V. M; SCHIERI, R; VEIGA, G. V. Fatores Associados à Obesidade em Adolescentes. Revista Brasileira de Saúde Pública, v. 32, n.6, p.541, dez. 1998. FURTADO, J. Diabetes na Infância. 2010. Disponível em: www.juarezfurtado.com/med. Acessado em: 18 de janeiro de 2013. GALLAHUE, D. L; OZMUN, J. C. Compreendendo o desenvolvimento motor: Bebês, crianças, adolescentes e adultos. 3 ed. São Paulo: Phorte, 2005. GALLAHUE, D. L; DONNELLY, F. C. Educação Física Desenvolvimentista para todas as Crianças.4 ed. São Paulo: Phorte, 2008. GARCIA, F. D. et al. Avaliação de fatores de risco associados com elevação da pressão arterial em crianças. Jornal de Pediatria. Rio de Janeiro, v.80, n. 1, p. 29-34, 2004. GAYA, A & SILVA, G. PROESP-BR: manual de aplicação de medidas e testes, normas e critérios de avaliação. Jul, 2007. GILGLIONI, E. H; FERREIRA, T. V; BENNEMMAN, R. M. Estado nutricional dos alunos das escolas da rede de ensino Municipal de Maringá, Estado do Paraná, Brasil. Maringá, v. 33, n. 1, p. 83-88, 2011. GONÇALVES, F. D etal.A Promoção da Saúde na Educação Infantil. Interface Comunicação, Saúde, Educação, v.12, n. 24, p. 181-92, Jan/mar. 2008. GONÇALVES, L. G. O. et al. Estudo antropométrico de escolares de 12 a 16 anos do Estado de Rondônia em 1994. Anais do X Congresso Brasileiro de Ciências do Esporte. v. 2, p. 10951101, 1997. GOULART, F. A. A. Doenças Crônicas Não Transmissíveis: estratégias de controle e desafios para o sistema de saúde. Brasília, 2011. GOUVEIA, K. F. C; CALDEIRA, A.P. Fatores associados ao baixo peso ao nascer em Montes Claros-MG, Brasil. Pediatria São Paulo, v.31, n.1, p.41-48, 2009. GUEDES, D. P. Educação para a Saúde Mediante Programas de Educação Física Escolar. Revista Motriz, v.5, n. 1. Junho, 1999. GUEDUES, D. P. et al. Níveis de Prática de Atividade Física Habitual em Adolescentes. Revista Brasileira Medicina Esporte, v.7, n.6, p.195, 2001. GUEDUES, D. P. et al. Prevalência de Sobrepeso e obesidade em Crianças e Adolescentes: estimativas relacionadas ao sexo, à idade e à classe socioeconômica. Rev. bras. Educ. Fís. Esp., São Paulo, v.20, n.3, p.151-63, jul./set. 2006. IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Estudos e Pesquisas Informação Demográfica e Socioeconômica número 2: Evolução e Perspectivas da Mortalidade Infantil no Brasil. Departamento de População e Indicadores Sociais. Rio de Janeiro, 1999. LAMOUNIER, J. A; ABRANTES, M. M. Prevalência de Obesidade e Sobrepeso na Adolescência no Brasil. RevMed, Minas Gerais, v. 13, n.4, p. 275-84, 2003. LASMAR, A. N. Diabetes na Infância e Adolescência. 2011.30f. Monografia de especialização em Atenção Básica em Saúde da Família- Universidade Federal de Minas Gerais, Uberaba, 2011. LEÃO, A. S; LIMA, S.O; JÚNIOR, R. L.C. A.Avaliação do crescimento físico em escolares de 7 a 10 anos da rede pública de ensino do município de Aracaju, SE. Revista Digital. Buenos Aires, Año 15, Nº 150, Noviembre de 2010. Disponível em: <www.efdeports.com>. Acesso em 25 de fev de 2013. LEÃO, A. S; LIMA, S.O; JÚNIOR, R. L.C. A. Avaliação da composição corporal em estudantes de escolas públicas no município de Aracaju/SE. Revista Brasileira de Ciência e Movimento, v. 18, n. 1, p. 68-72, 2010. LEMOS, F. Hora de Mudar: como prevenir a obesidade com segurança e sem dietas.Vida e Saúde.São Paulo.v.3, p.30. LIMA, E. M. Avaliação de fatores de risco associados com elevação da pressão arterial em crianças e adolescentes. Jornal de Pediatria, Vol. 80, Nº1, 2004. LISBOA, C. R. Inter-relações entre Hipertensão Arterial, Atividade Física, Excesso Ponderal e Padrão Alimentar em Adolescentes matriculados em uma Escola Pública de Caucaia- CE. 2010. 85f. Dissertação de Mestrado- UniversidadeEstadual do Ceará, Fortaleza, 2010. LOHMAN, T. G. The use of skinfold to estimate body fatness on children and youth.JOPERD, 58, 98-103, 1987. MACEDO, G. A. L; CANÇADO, I. A. C. Prevalência de Sobrepeso e Obesidade em Escolares de 10 A 12 anos do Ensino Fundamental I de Escola Pública e Privada do Município de Pará de Minas – MG. Revista Digital FAPAM, Pará de Minas, n.1, 2009. Disponível em: www.fapam.edu.br/revista. Acessado: 20 de abril de 2013. MALTA, D.C; NETO, O. L. M; JUNIOR, J. B. S. Apresentação do plano de ações estratégicas para o enfrentamento das doenças crônicas não transmissíveis no Brasil, 2011 a 2022. Revista do Sistema Único de Saúde do Brasil. Epidemiologia Serviço Saúde, Brasília, v.20, n.4, p. 425-438, out/dez. 2011. MARCONI, M. A; LAKATOS, E. M. Fundamentos da Metodologia Científica. 5 ed. São Paulo: Atlas, 2003. MARTINS, F. S. Comportamento da Gordura Corporal em Escolares de 7 a 10 anos da Cidade de Guajará-Mirim. 2007. Monografia (Graduação em Educação Física)- Fundação Universidade Federal de Rondônia, Porto Velho, 2007. MATSUDO, V. K. R. CD-ROM Testes em ciências do esporte. Rio de Janeiro: fga multimídia, 1999. MATSUDO, S.M et al. Nível de atividade física da população do Estado de São Paulo análise de acordo com o gênero, idade, nível socioeconômico, distribuição geográfica e de conhecimento. Rev. Bras. Ciên. e Mov. Brasília, v. 10 n. 4, p. 41-50 outubro 2002. MATTOS, M. G.; ROSSETO JÚNIOR, A. J.; BLECHER, S. Teoria e Prática da Metodologia da Pesquisa em Educação física: construindo sua monografia, artigo científico e projeto de ação. São Paulo: Phorte, 2004. MATTOS, M; NEIRA, M. Educação Física Infantil. 5 ed. São Paulo, 2005. MELLO, E. D; LUFUT, V. C; MEYER, F. Obesidade Infantil: como podemos ser eficazes.Jornal de Pediatria, Rio de Janeiro, v.8, n.3, maio/jun, 2004. MELLO, A. D.M. et al. Prevalência de sobrepeso e obesidade em crianças de seis a dez anos de escolas municipais de área urbana. Revista Paulista de Pediatria, v. 28, n. 1. p. 48-54, 2010. MENDONÇA, M. R. T. et al. Prevalência de sobrepeso e obesidade em crianças e adolescentes da cidade de Maceió. Rev. Assoc. Med. Bras. V. 56, n. 2, p. 192-6, 2010. MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. Programa Saúde na Escola. 2013. Disponível em: portal. mec.gov. Acessado: 17 de maio de 2013. MOURA, A. A. et al. Prevalência de pressão arterial elevada em escolares e adolescentes de Maceió. Jornal de Pediatria. Rio de Janeiro, v. 80, n. 1, p. 35-40,2004. NHANHES III, Center for diseasecontrolandprevention. The third national health and nutrition examination survey (Nhanhes III, 1988-1994). References and manual report. Bethesda, Md: National center for health statistics, 2005 NUNES, M. M. A; FIGUEIROA, J.N; ALVES, J.G.B. Excesso de peso atividade física e hábitos alimentares entre adolescentes de diferentes classes econômicas em Campina Grande (PB). Revista Associação de Medicina Brasileira, v.53, n. 2, p.130- 4, 2007. OLIVEIRA, J. N. Antropometria e os Níveis de Flexibilidade como Indicadores de Saúde e, Escolares. 2009.65f. Monografia (Especialização)- Fundação Universidade Federal de Rondônia, Porto Velho, 2009. OLIVEIRA, A. M. A. et al. Fatores Ambientais e Antropométricos Associados à Hipertensão Arterial Infantil. ArquivoBrasileiro de Endocrinologia Metabolica, v. 48, n. 6, Dezembro, 2004. ORGANIZAÇÃO PAN- AMERICANA DE SAÚDE. Prevenção de Doenças Crônicas um Investimento Vital. Organização Mundial de Saúde, 2005. Disponível em: www.oms.br. Acessado: 12 de fevereiro de 2013. ORGANIZAÇÃO PAN- AMERICANA DE SAÚDE. Escolas Promotoras de Saúde. 2009. Disponível em: www.opas.org. Acessado: 17 de maio de 2013. PEDROSA, J. I. S. Educação Popular e Promoção da Saúde: bases para o desenvolvimento da escola que produz saúde. In: Brasil. Ministério da Saúde. Escolas promotoras de saúde: experiências do Brasil / Ministério da Saúde, Organização Pan-Americana da Saúde. – Brasília: Ministério da Saúde, 2007. PETROSKI, E. L. Antropometria: técnicas e padronizações. 3. ed. Blumenau: Nova letra, 2007. PICCOLO, V. L. N. Educação Física Escolar: ser...ou não ter?. 3 ed. Campinas, SP: Ed da UNICAMP,1995. PITANGA, F. J. G. Epidemiologia da Atividade Física, Exercício e Saúde. Revista Brasileira de Ciência e Movimento, v. 10, n. 3, 2002. PITANGA, F. J. G & LESSA, I. Indicadores Antropométricos de Obesidade como Instrumento de Triagem para Risco Coronariano Elevado em Adultos na Cidade de Salvador – Bahia. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, v. 85, n. 1, p. 26-31, 2005. PRADO, M. C. L. Atividade Física, Depressão e Ansiedade. In: BARROS, M. V. G; CATUZZO, M. T. Atualização Atividade Física e Saúde. Recife: EDUPE, 2009. QUADROS, F. S. Fatores de Risco para Doenças Cardiovasculares na Alimentação de Crianças em Idade Escolar. 2012.54f. Monografia (Bacharel em Nutrição)- Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Porto Alegre, 2012. QUEIROZ, V. M. et al. Prevalência e preditores antropométricos de pressão arterial elevada em escolares de João Pessoa – PB. Arq. Bras. Cardiol. São Paulo, V. 95, n.5, 2010. QUINTE, G. C. Prevalência de Pressão Arterial Elevada e Fatores Associados em Crianças de um Município Rural do Espírito Santo. 2011. 126f. Dissertação (Mestrado em Saúde Coletiva)- Universidade Federal do Espírito Santo. Vitória, 2011. RECH, R. R et al. Obesidade Infantil: complicações e fatores associados. Revista Brasileira de Ciência e Movimento, v.15, n.4, p. 111-120, 2007. RODRIGUES, M. Manual Teórico Prático da Educação Física Infantil. 6 ed. Ícone, 1993. RODRIGUES, M. C et al. Prevenção e Promoção de Saúde na Escola: Concepções e Práticas de Psicólogos Escolares. Juiz de Fora, MG Gerais: Revista Interinstitucional de Psicologia, v.1. n. 1, p.67-78, 2007. Disponível em: http://www.fafich.ufmg.br /gerais/index.php/gerais/article/viewFile/9/3. Acesso em: 30 de março. 2013. SAMPAIO. J. Diabetes na Infância: importância da alimentação na prevenção de tratamento. Grupo Português de Saúde, 2006. Disponível em: www.gpsaude.pt. Acessado em: 18 de janeiro de 2013. SICHIERI, R. et al. Variações temporais do estado nutricional e do consumo alimentar no Brasil.Revista de Saúde Coletiva, v.7, n.2, p.31-50, 1997. SCHMIDT, M, I et al. Doenças Crônicas não Transmissíveis no Brasil: Carga e desafios atuais, 2011. Disponível em: www.thelancet.com. Acessado em: 20 de Janeiro de 2013. SILVA, D. A. S et al. Nível de Atividade Física e Comportamento Sedentário em Escolares. Revista Brasileira de Cineantropometria e Desempenho Humano, v.11, n.3, p.299-306, 2009. SILVA, M. A. M. et al. Prevalência de Fatores de Risco Cardiovascular em Crianças e Adolescentes da Rede de Ensino da Cidade de Maceió. Arquivos Brasileiros de Cardiologia,v. 84, n. 5, Maio, 2005. SLAUGHTER M. H. et al. Skinfold equations for estimation of body fatness in children and youth. Hum Biol, v. 60, p. 709-723, 1988. SOUZA, C. O et al. Associação entre Inatividade e Excesso de peso em Adolescentes de Salvador, Bahia- Brasil. Revista Brasileira de Epidemiologia, v.13,n.3, São Paulo, set. 2010. SOUZA, F.D.P. Medidas antropométricas e neuromotoras em escolares do ensino fundamental: uma visão de promoção de saúde. 2010.62f. Monografia (Graduação em Educação Física)- Fundação Universidade Federal de Rondônia, Porto Velho, 2010. SOUZA, M. S.F. etal.Síndrome metabólica em adolescentes com sobrepeso e obesidade. Revista Paulista de Pediatria, v. 25, n.3, p. 215-220, 2007. TASSITANO, R.M et al. Atividade Física em Adolescentes Brasileiros: uma revisão sistemática. Revista Brasileira de Cineantropometria e Desempenho Humano, v. 9, n. 1, 2007. VENÂNCIO, C.C.R. Saúde Infantil: o papel da escola na sua promoção. 2009.48f. Monografia (Graduação em Educação Física)- Fundação Universidade Federal de Rondônia, Porto Velho, 2009. VENÂNCIO, P. E. M. Obesidade, Atividade Física e Hábitos Alimentares em Escolares da Cidade de Anápolis-GO. 2006.64f. Dissertação (Mestrado em Educação Física)- Universidade Católica de Brasília. Brasília, 2006. VERTELO, M.M. Estudos e Estratégias para Prevenção e Tratamento de Obesidade Infantil no Âmbito Escolar. 2011. 30f. Monografia (Licenciatura em Biologia) Universidade de Brasília, 2011. VIGITEL. Vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico. Ministério da Saúde, 2011. VILARTA, R. A . Educação Física e a Promoção da Qualidade de Vida na Escola: Desafios na Saúde de Comunidades Escolares. In: VILARTA, R; BOCCALETTO, E.M.A; Atividade Física e Qualidade de Vida na Escola:Conceitos e Aplicações Dirigidos à Graduação em Educação Física. Campinas: IPES, 2008. ANEXOS ANEXO 1-Autorização da direção da escola NÚCLEO DE SAÚDE DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO FÍSICA Projeto de Pesquisa: “FATORES DE RISCO PARA O DESENVOLVIMENTO DE DOENÇAS CRÔNICAS NÃO TRANSMISSÍVEIS EM ESCOLARES DO ENSINO PÚBLICO: UM ESTUDO DE CASO”. Pesquisadora responsável: Gerciane Fernandes da Silva Orientador: Prof.Ms. Luis Gonzaga de Oliveira Gonçalves – DEF/UNIR DECLARAÇÃO DE CIÊNCIA INSTITUCIONAL Eu, Marlúcia dos Santos RochaDiretora da Escola Municipal de Ensino Fundamental Saul Bennesby - Porto Velho, de livre e espontânea vontade, autorizo a realização do projeto de pesquisa acima intitulado, comos indivíduos integrantes desta Instituição de Ensino, sob minha responsabilidade. Para isso, fui informado que não receberei nenhum tipo de remuneração. Também, fui devidamente esclarecido sobre os procedimentos a serem utilizados na coleta dos dados e respectivos objetivos. A coleta de dados será realizada nas fichas de avaliação física dos alunos na faixa etária de 07 a 10, do ano de 2012, arquivadas no setor de Educação Física da escola. Depois da retirada dos dados necessário (peso, estatura, dobras cutâneas e circunferência da cintura), será realizado a organização e tabulação, a fim de responder o objetivo geral da pesquisa. Todos os procedimentos para este trabalho de pesquisa serão desenvolvidos pelo pesquisador responsável, sob orientação do professor Tutor; além de obedecerem às normas éticas destinadas à pesquisa envolvendo seres humanos, da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP) do Conselho Nacional de Saúde, do Ministério da Saúde (RES. 196 de 10/10/96). Os resultados obtidos poderão fornecer subsídios para auxiliar na verificação do estado de saúde dos estudantes desta escola, e servir como subsídio para implementação de intervenções preventivas e terapêuticas relacionadas com a saúde desta população. Certos de contarmos com sua colaboração para a concretização desta investigação agradecemos antecipadamente a atenção dispensada e colocamo-nos à sua disposição para quaisquer esclarecimentos pelos contatos: Gerciane Fernandes da Silva ([email protected] – cel – 9317- 5203) e Luis Gonzaga de Oliveira Gonçalves ([email protected]– cel – 9201-0474). Certifico de que tive a oportunidade de ler e entender o conteúdo das palavras contidas neste termo. E que, a qualquer momento posso interromper os trabalhos de coleta de dados, sem qualquer prejuízo de ordem pessoal ou institucional. Porto Velho,______ de março de 2013 ___________________________________ Marlúcia dos Santos Rocha ANEXO 2-Ficha individual NÚCLEO DE SAÚDE DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO FÍSICA FICHA INDIVIDUAL 1. Dados de Identificação Escola Municipal de Ensino Fundamental Saul Bennesby Nome do aluno: __________________________________________________________ Série:____________ Turno: Tarde Data de Nascimento: -___/___/___ Idade: ___________ Sexo: F ( ) M ( ) Data da Pesquisa: ___/ ___ / ___ 2. Medidas Antropométricas Variáveis Resultados Peso Estatura DC Tricpital DC Subescapular Circunferência da cintura