FACULDADE MARECHAL RONDON. COORDENAÇÃO DO CURSO DE ADMINISTRAÇÃO. O CONTROLE DE ESTOQUE NA INDÚSTRIA DE AVIAÇÃO. RODRIGO MOURA DE CARA Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Faculdade Marechal Rondon – São Manuel, para obtenção do título de Bacharel em Administração Geral. São Manuel – SP Novembro – 2004 FACULDADE MARECHAL RONDON. COORDENAÇÃO DO CURSO DE ADMINISTRAÇÃO. O CONTROLE DE ESTOQUE NA INDÚSTRIA DE AVIAÇÃO. RODRIGO MOURA DE CARA Orientador: Professor Dr. Francisco B. de T. Piza. Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Faculdade Marechal Rondon – São Manuel, para obtenção do título de Bacharel em Administração Geral. São Manuel – SP Dezembro – 2004 II Agradeço, primeiramente a Deus, por ter me dado a “Paciência” e “Força” que muitas vezes achava não ter. Por ter me mostrado que apesar de muitas dificuldades e sofrimentos passado, a recompensa é e será muito maior. Obrigado Senhor, por me mostrar caminhos maravilhosos, por estar do meu lado em todos os momentos e por me fazer nesta hora à pessoa mais feliz. Realizado por ter conseguido, juntamente com suas graças atingir mais um objetivo desta vida. Objetivo esse que se torna honroso para mim e para as pessoas que me cercam. Obrigado pela vida e a chance de vivê-la e por fazer de mim um vencedor. V Aos meus amigos. Por tantos momentos difíceis que passei durante essa etapa, dos quais vocês estavam sempre presentes, venho agora compartilhar com vocês a alegria e a vitória de uma conquista. É bom neste momento de reflexão saber que pude contar com pessoas tão especiais, que me ajudaram de tantas formas. Num momento como esse só posso desejar muitas felicidades e o fortalecimento da nossa amizade. Expresso aqui a minha maior gratidão a duas pessoas que durante essa minha trajetória estiveram sempre me apoiando e incentivando-me em todos os momentos. A vocês que fazem parte desta conquista, não se esqueçam, que amigos não são aqueles que estão ao nosso lado apenas em momentos felizes, mas sim aqueles que superam juntos os momentos difícies também. Por isso, divido a alegria e a realização deste sonho. Everton Tamanha e Elza Lovato, que Deus os abençoem e lhes proporcionem alegrias e muitas felicidades, hoje e sempre. III Dedico este trabalho a todos que me apoiaram e me ajudaram a conquistar esse objetivo e realização deste sonho. Ao orientador do T.C.C Prof. Dr. Francisco B. de T. Piza, que com todo seu conhecimento pôde me orientar e me mostrar caminhos que facilitaram e colaboraram para que o objetivo do trabalho fosse atingido. A todos meus amigos do Oitavo Semestre de Administração da Faculdade Marechal Rondon, em especial ao grupo do qual fiz parte durante os quatro anos: Danilo Rafael Inácio, Fernando José Dorico, Renan Marcolin Nicolau, que souberam respeitar e apoiar cada decisão do grupo como um todo durante o curso. Aos amigos da Empresa em que trabalho – Indústria Aeronáutica Neiva, que estavam sempre preocupados com esta conquista, e em todos os momentos nunca deixaram de estar ao meu lado, dedico também as pessoas que me proporcionaram chances de crescimentos e realizações profissionais, a estas pessoas: Engenheiro Cid Guisard Querido, Geraldo Magela Machado, Silvia Maria Capelleti, Luiz Francisco de Barros, que muito significarão, pois, confiaram e depositaram a confiança de realizar um trabalho cada vez melhor. IV Aos Meus Pais: Antonio Carlos de Cara & Roseli Moura de Cara. Agradecer é o mínimo que posso fazer, e compartilhar a alegria que sinto neste momento é demonstrar a importância que vocês fazem na minha vida. Obrigado por confiarem em mim e me apoiarem. Peço desculpas se algumas vezes, em momentos de desespero, disse algo que pudesse magoá-los. Essa vitória na qual atinjo hoje não é só minha, mas sim de todos nós. Obrigado pela educação e os ensinamentos passados a mim e as minhas irmãs. Muitas vezes vocês deixaram de viver um sonho, para tornar realidade os meus. Obrigado. 3 THE CONTROL OF SUPPLY IN THE INDUSTRY OF AVIATION. São Manuel, 2004. 43p. TCC (Bacharelado em Administração Geral) – Faculdade Marechal Rondon. Author: CARA, RODRIGO MOURA DE ABSTRAT Profitability, with reduction of costs is what all the companies search. With this the supply control if becomes inside essential of a company, either it of great transport or small transport. With the easiness with that the world has with the information, the call globalization makes with that all competition if becomes more competitive, if comparative with other times. Times where little was said in supply, storage, had made with that its administrators of supply started to think and to create correct strategies, as the politics and the proper mission of the company. For the attainment of a profitability each bigger time, companies of all the segments must attempt against the considered details of great importance for the administration of an organization, one of them is analyzes it and the supply control. To know what it must remain in the supply; to decide when to replenish the supply and how much of supply they will be necessary, as to control this supply 4 and to identify the obsolete supply, is one of the papers of the new administrator of materials inside of an organization. Point of Order, System ABC or Paretto’s of Curve, System MRP, are some of the tools used for analyze and the control of a supply. In an industry of situated aviation in been Botucatu of São Paulo, it is not different, the concern with obsolete supplies, swelled and not used, it makes with that each time more if search’s alternatives or develops programs capable to assist the effectiveness of the administrator of responsible material. With these methods as order point, they had been analyzed and concluded, its importance inside of this analyzes, however it could not be left stops backwards concepts as kardex, much used in the beginning of the activity of the company in prominence. Another program very cited and analyzed is the ABC system also known as Arched of Pareto, where if it inside shows to its classification with relation to itens of the supply of this company, giving the basement with concepts and its applications. The new systems developed, that it belongs to the studied company is the MRP, that backwards the easiness with that its users obtain to analyze and to program certain manufactures of components, sets and subgroups of airplanes with daily pay-definitive stated periods, with more precision with relation to itens that they will count in supply. With this program the creation of a new area appears that will have the function of controller all itens pertaining to the company, creating supplying apt that will take care of to the manufacture of some parts, diminishing the supply cost, without leaving of if compromising to the delivery stated period and to the attendance of its customer. _________________________________ Keywords: Profitability, reduction of costs, supply control, Point of Order, System ABC or Paretto’s of Curve, System MRP. 1 RESUMO O Controle De Estoque Na Indústria De Aviação. Lucratividade, com redução de custos é o que todas as empresas buscam. Com isso o controle de estoque se torna essencial dentro de uma empresa, seja ela de grande porte ou pequeno porte. Com a facilidade com que o mundo tem com a informação, a chamada globalização faz com que toda concorrência se torne mais competitiva, se comparado com outras épocas. Épocas em que pouco se falava em estoque, armazenagens, fizeram com que seus administradores de estoque começassem a pensar e desenvolver estratégias corretas, conforme a política e a própria missão da empresa. Para a obtenção de uma lucratividade cada vez maior, empresas de todos os segmentos devem se atentar a detalhes considerados de grande importância para a administração de uma organização, uma delas é a analise e o controle de estoque. Saber o que deve permanecer no estoque; decidir quando reabastecer o estoque e quanto de estoque serão necessários, como controlar este estoque e identificar o estoque obsoleto, é um dos papeis do novo administrador de materiais dentro de uma organização. 2 Ponto de Pedido, Sistema ABC ou Curva de Paretto, Sistema MRP, são alguma das ferramentas utilizadas para a análise e o controle de um estoque. Em uma indústria de aviação situada em Botucatu estado de São Paulo, não é diferente, a preocupação com estoques obsoletos, inchados e não utilizados, faz com que cada vez mais se busquem alternativas ou desenvolvam programas capazes de auxiliar a eficácia do administrador de material responsável. Com isso, métodos como ponto de pedido, foram analisadas e concluídas, sua importância dentro desta análise, todavia não poderia se deixar para trás conceitos como kardex, muito utilizado no inicio da atividade da empresa em destaque. Outro programa muito citado e analisado é o sistema ABC também conhecido como Curva de Pareto, onde se mostra a sua classificação com relação aos itens dentro do estoque desta empresa, dando o embasamento com conceitos e suas aplicações. O mais novo sistema desenvolvido, que pertence à empresa estudada é o MRP, que trás a facilidade para os usuários em analisar e programar certas fabricações de componentes, conjuntos e subconjuntos de aviões com prazos pré-determinados, com mais precisão com relação aos itens contidos em estoque. Com esse programa surge a criação de uma nova área que terá a função de controlador todos os itens pertencentes à empresa, criando fornecedores aptos que atenderão a fabricação de algumas peças, diminuindo o custo de estoque, sem deixar de se comprometer com o prazo de entrega e ao atendimento de seu cliente. VI SUMÁRIO Página LISTA DE FIGURAS.......................................................................................... VII LISTA DE QUADROS........................................................................................ VIII RESUMO.............................................................................................................. 01 ABSTRAT............................................................................................................ 03 1 INTRODUÇÃO................................................................................................ 05 2 OBJETIVOS..................................................................................................... 07 3 JUSTIFICATIVA............................................................................................. 08 4 REVISÃO DE LITERATURA........................................................................ 09 4.1 Aspectos de Planejamento e Controle de Estoque...................................... 09 4.2 Ponto de Pedido............................................................................................. 11 4.3 Classificação ABC ou Curva de Pareto e Material Requiriments Planning (MRP)................................................................................................... 13 5 METODOLOGIA............................................................................................. 19 5.1 Análise de documentos.................................................................................. 19 5.2 Pesquisa de bibliografia................................................................................ 19 5.3 Entrevistas...................................................................................................... 19 5.4 Redação.......................................................................................................... 19 6 RESULTADOS................................................................................................. 20 6.1 Histórico......................................................................................................... 20 6.2 Estudo do Controle de Estoque.................................................................... 21 6.2.1 Como Tudo Começou................................................................................. 24 6.2.2 A ajuda da Tecnologia................................................................................ 30 6.2.3 Critérios de Utilização do Sistema ABC (Curva de Pareto)................... 32 6.2.4 Análise do Desempenho do Sistema ABC no Planejamento e Controle de Estoque............................................................................................................ 32 6.2.5 Aplicação dos Métodos Material Requiriments Planning (MRP) e Ponto de Pedido (PP) na Indústria Aeronáutica.............................................. 33 7 CONCLUSÃO................................................................................................... 40 8 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS........................................................... 42 VII LISTA DE FIGURAS Figura Página 1 Curva ABC e seu percentual.............................................................................. 17 2 Fluxograma da execução de relatório entre Neiva e Embraer............................ 22 3 Fluxograma de localização de um item ou seu alternativo no estoque.............. 23 4 Fluxograma das fases periódicas de um programa MRP................................... 35 VIII LISTA DE QUADROS Quadro Página 1 Ficha de Controle de estoque, também conhecido como Kardex....................... 25 2 Requisição de um material Paralisado, cujo material não tem saldo no almoxarifado.......................................................................................................... 29 3 Registro básico período a período do MRP........................................................ 34 5 1 INTRODUÇÃO O termo “Estocagem” surge com a história bíblica de José antes de Cristo, onde a interpretação de um sonho deu início à construção de um galpão e a estocagem de comida para a sobrevivência aos sete anos de fome. A acumulação armazenada de recursos materiais em um sistema de transformação deu início aos almoxarifados que nada mais é que o local onde se armazena estes materiais, existindo tanto no serviço público, como nas empresas privadas. Não se pode admitir um sistema de material sem este local próprio. Suas finalidades múltiplas estão incluídas nos conceitos emitidos por Fayol. Segundo ele administração é: prever, planejar, organizar, comandar, coordenar e controlar. Para um almoxarifado industrial as finalidades são concentrar e abastecer uma produção, como centro gerador de todos os setores do processo da produção, recebendo, guardando e entregando o material. O grande desafio para os administradores de materiais nos dias de hoje é o planejamento e o controle de estoque, devido às variações de fatores que influenciam nos custos relativos, busca contínua por soluções que reduzam os custos e a eficiência dos controles, criando adaptações de métodos que satisfaçam as políticas atuais da empresa. Assim, nenhuma organização pode planejar detalhadamente todos os aspectos de suas ações atuais ou futuras, mas podem e devem ter noções para onde a 6 organização está se dirigindo, e determinar a melhor forma de chegar lá, ou seja, precisam de uma visão estratégica de todo o complexo produtivo. Neste posicionamento todas as empresas devem constituir políticas para a administração de materiais, que atribui grande ênfase às compras buscando a cada dia criar parcerias com fornecedores qualificados, mantendo a qualidade de seus produtos e o bom atendimento a seus clientes. Nas organizações atuais, um dos grandes problemas que a gerência de materiais enfrenta é a obtenção de soluções para as seguintes questões: a) Decidir “o quê” deve permanecer em estoque. b) Decidir “quando” se deve reabastecer o estoque. c) Como decidir “quanto” de estoque será necessário para um período pré-determinado. d) Como controlar os estoques em termos de quantidade, valor e fornecer informações que serão importantes para a administração destes itens em estoque. e) Identificar e retirar do estoque os ítens obsoletos. A meta de uma empresa é, sem dúvida, o lucro sobre capital investido. Hoje todas as empresas se preocupam e procuram, de uma forma ou de outra, a obtenção de uma vantagem competitiva em relação a seus concorrentes, e a oportunidade de atendê-los prontamente, no momento e na quantidade desejada, tornando essa uma questão que poderá ser facilitada com a administração eficaz dos estoques. Desta forma, para a lucratividade de uma empresa a diminuição dos estoques obsoletos é um dos principais meios para se chegar a esse objetivo, além é claro de empréstimos, vendas de equipamentos não utilizados entre outros. Com a era do fácil acesso à informação, muitas empresas estão voltando-se à atividade principal, terceirizando os setores que não agregam valores ao produto final, tornando essencial o controle de estoque dentro de uma organização. Os estoques devem funcionar como elementos reguladores do fluxo de materiais nas empresas, isto é, sabendo a variação que diferencia a entrada e a saída dos produtos, aumentando ou diminuindo sua demanda. 7 2 OBJETIVOS Este estudo visa analisar as ferramentas essenciais ao planejamento e controle de estoque, e citar conceitos que estabelecem as políticas e estratégias dos mesmos, definindo métodos para a obtenção destes e a lucratividade da empresa, analisar os resultados obtidos por uma empresa em relação ao estudo desenvolvido, e: 2.1 Estudar as Ferramentas de controles de estoque como o Sistema ABC ou Curva de Paretto, no planejamento e no controle de estoques; 2.2 Estudar a aplicação dos métodos Material Requiriments Planning (MRP) e Ponto de Pedido (PP) em uma Indústria Aeronáutica. 8 3 JUSTIFICATIVA Este trabalho tem como foco: 3.1 Atender a uma demanda do Curso de Administração Geral da Faculdade Marechal Rondon, para a conclusão do mesmo. 3.2 Dar suporte ao autor para o início de uma carreira acadêmica voltada para esta área. 3.3 Aprofundar os conhecimentos do autor sobre controle de estoque e suas variáveis. 3.4 Servir como base e também auxiliar o estudo de profissionais que trabalham ou pesquisam nesta área. 9 4 REVISÃO DE LITERATURA 4.1 Aspectos de Planejamento e Controle de Estoque. Para Ching (2001), “existem certas características que são comuns a todos os problemas de controle de estoque, não importando se são matérias-primas, material em processo ou produtos acabados. É preciso entender traços básicos como custos associados aos estoques; objetivos de estoque e previsão de incertezas”. Ainda para Ching (2001), a visão tradicional é de que os produtos devem ser mantidos em estoque por diversas razões. Seja para acomodar variação nas demandas, seja para produzir lotes econômicos em volumes substancialmente superiores ao necessário, seja para não perder vendas. O controle de estoque exerce influência muito grande na rentabilidade da empresa. Os estoques absorvem capital que poderia estar sendo investido de outras maneiras, desviam fundos de outros usos potencias e tem o mesmo custo de capital que qualquer outro projeto de investimento da empresa. Aumentar a rotatividade do estoque libera ativo e economiza o custo de manutenção do inventário. Segundo Slack et al. (2002), o planejamento dentro de um almoxarifado é o fornecimento de produtos e serviços através da demanda destes produtos. 10 “Este é o dilema do gerenciamento de estoque: apesar dos custos e de outras desvantagens associadas a sua manutenção, eles facilitam a conciliação entre fornecimento e demanda”. O dilema do gerenciamento de estoques está fundamentado em dois fatores. O primeiro consiste em manter estoques a níveis aceitáveis de acordo com o mercado, evitando a sua falta e o risco de obsolescência. O segundo trata dos custos que esses proporcionam em relação aos níveis e ao dimensionamento do espaço físico. Para Marcolin (2000), “O controle de estoque consiste de todas as atividades e procedimentos que permitem garantir que a quantidade correta de cada item, seja mantida em estoque...”. Na realidade, fica nítida a diferença entre planejamento e controle. Podemos definir o planejamento como o conjunto de intenções que devem viabilizar o processo, e o controle como sendo o conjunto das ações que direcionam um plano para executá-las. Ainda no conceito de Marcolin (2000), o controle inclui o monitoramento do que aconteceu na realidade em comparação com o que fora planejado e as ações para providenciar as mudanças necessárias para o realinhamento do plano. Segundo Dias (1993), o gerenciamento das atividades na operação produtiva de modo a satisfazer a demanda dos consumidores requer planejamento e controle das operações. Algumas destas atividades têm um certo grau de imprevisibilidade, o que pode dificultar as ações do planejamento. Essas atividades determinam a forma e a natureza do sistema e os recursos que o alimentam, quanto a esses, devemos considerar os seguintes itens, para que sejam disponíveis: 1. Quantidade adequada; 2. Momento adequado; 3. Nível de qualidade adequado. O planejamento e controle podem ser de longo, médio ou curto prazo. O planejamento de longo prazo é aquele no qual os gerentes de produção estabelecem planos relativos ao que pretendem fazer e quais os recursos para atingir os seus objetivos. A ênfase então, está direcionada mais para o planejamento do quê para o controle, pois existe pouco a ser controlado, conforme Dias (1993). 11 Ainda na explicação de Dias (1993), as previsões de demanda prováveis serão consideradas, de modo geral, sem definir atributos específicos, assim ao levar em frente essas atividades os gerentes estarão preocupados somente em atingir metas financeiras, e serão desenvolvidos orçamentos que definam custos e receitas a serem atingidas. O planejamento de médio prazo estará preocupado em mais detalhes, e se necessários redirecioná-los. Para Moura (1989), a preocupação será quanto aos planos de contingências que terão de ser dimensionados de modo que permitam desvios nos planos originais. Essas contingências atuarão como recursos de reservas, tornando o planejamento e o controle, mais práticos de serem executados. O planejamento de curto prazo será a fase em que os recursos já estarão definidos e, portanto muito difícil de serem feitas alterações de grande porte, porém as pequenas são possíveis, já que a demanda será avaliada de forma mais detalhada. Estas alterações no plano original tentarão equilibrar: a qualidade, a rapidez, a confiabilidade, a flexibilidade e os custos das operações, mas não será possível fazer cálculos detalhados dos efeitos destas decisões sobre os objetivos globais. Para Pozo (2002), a razão de manter estoques está relacionada com a previsão de seu uso em um futuro imediato. E sabemos que é praticamente impossível conhecer a demanda futura; torna-se necessário manter determinado nível de estoque, para assegurar disponibilidades de produtos às demandas, bem como minimizar os custos de produção, movimentação e estoque. 4.2 Ponto de Pedido. Entre todos os meios de prevenção e segurança se encontra também o Ponto de Pedido (PP) que nada mais é que uma reserva de estoque que garante a continuidade da produção antes da chegada de um novo lote, considerado estoque de segurança. Para Dias (1993), estoque mínimo ou de segurança é a quantidade de itens em estoque que são necessários para não interromper a cadeia produtiva da empresa, fornecendo assim uma das mais importantes informações para a administração de estoque, pois está diretamente ligado ao grau de imobilização da empresa. 12 Para níveis de estoques serão direcionados recursos que deverão ser analisados quanto à sua necessidade imediata, os quais condicionam a garantia do funcionamento ininterrupto do processo produtivo sem o risco da falta de estoque. Alguns fatores que causam a interrupção na produção pela falta de estoque são: oscilação no consumo; oscilação nas épocas de aquisição (atraso no tempo de reposição); variação na qualidade, quando o controle de qualidade rejeita um lote; remessas por parte do fornecedor, divergentes do solicitado; diferença do inventário. O dimensionamento do estoque mínimo poderia ser demasiadamente alto, a ponto de nunca haver problemas com faltas, porém os custos de estocagem e imobilização de capital seriam muito alto. Em contrapartida poderíamos estabelecer uma margem de segurança muito baixa, correndo o risco da falta de material, paralisação da produção, perdas das vendas e despesas extras com entregas urgentes. Assim a empresa estará disposta a assumir o risco com relação à ocorrência de faltas em estoque, definindo cálculos para uma margem de segurança através de: projeção estimada do consumo; cálculo com bases estatísticas. O Ponto de Pedido é considerada uma análise que surge para facilitar e ajudar o controle de estoque. O Ponto de Pedido (PP), na visão de Pozo (2002), “é a quantidade de peças que temos em estoque e que garante o processo para que não sofra problemas de continuidade, enquanto aguardamos a chegada do lote de compra durante o tempo de reposição. Isto quer dizer que quando um determinado item de estoque atingir seu ponto de pedido deverá fazer o ressuprimento de seu estoque, colocando-se um pedido de compra”. Já a análise de Martins et al. (2003), O ponto de pedido ou estoque de segurança, diminui os riscos de não-atendimento das solicitações dos clientes sejam eles interno ou externo. Para Ching (2001), o método do estoque mínimo, objetiva otimizar os investimentos em estoque. A finalidade do ponto de pedido é dar início ao processo de ressuprimento com tempo suficiente para não ocorrer falta de material. Na análise de Viana (2002), ponto de pedido ou estoque de segurança denominado também estoque mínimo é a quantidade mínima possível capaz de suportar um tempo de ressuprimento superior ao programado ou com, um consumo desproporcional. 13 Rocha (1996), analisa o ponto de pedido como sendo um planejamento onde o lucro da empresa pode ser expresso através do percentual sobre o investimento e o seu retorno acontece com a venda de determinada quantidade de produtos que precisam ser fabricados num montante que possibilite o lucro desejado. As empresas buscam sempre maximizar o lucro e para tanto procuram reduzir seus custos, melhorando assim seu desempenho econômico. Um modo de reduzir custos é através do dimensionamento do lote econômico de produção, fabricado com menor despesa. Isso só é possível por meio da queda nos custos, ocasionada pelo acréscimo da quantidade produzida, e pelo aumento de receita proveniente da venda dessa produção adicional. Para Dias (1993), uma das informações básicas de que se necessita para calcular o estoque mínimo é o tempo de reposição, isto é, o tempo gasto desde a verificação de que o estoque precisa ser reposto até a chegada efetiva do material no almoxarifado da empresa. Em virtude de sua grande importância, este tempo deve ser determinado de modo mais realista possível, pois as variações ocorridas durante esse tempo podem alterar toda a estrutura do sistema de estoque. Na visão de Chambers (1999), o ponto de pedido, chamado por ele de lote econômico de compra, é uma das abordagens mais comuns para decidir quanto de um determinado item pedir, quando o estoque precisa de reabastecimento. Essa abordagem encontra o melhor equilíbrio entre as vantagens e desvantagens de se manter materiais no estoque. 4.3 Classificação ABC ou Curva de Pareto e Material Requiriments Planning (MRP). Há várias ferramentas que auxiliam o administrador na hora de avaliar e controlar um estoque dentro de uma empresa seja ela de porte grande, médio ou pequeno, são os conhecidos programas: Classificação ABC ou Curva de Pareto e Material Requiriments Planning (MRP). O princípio da classificação ABC ou curva 80 – 20 é atribuído a Vilfredo Paretto, um renascentista italiano do século XIX, que em 1897 executou um estudo sobre a distribuição de renda. Através deste estudo, percebeu-se que a distribuição de riqueza 14 não se dava de maneira uniforme, havendo grande concentração de riqueza (80%) nas mãos de uma pequena parcela da população (20%). A partir de então, tal princípio de análise tem sido estendido a outras áreas e atividades tais como a industrial e a comercial, sendo mais amplamente aplicado a partir da segunda metade do século XX. O desenvolvimento e a utilização de computadores cada vez mais baratos e potentes tem possibilitado o surgimento de "softwares mais amigáveis" que conduzem ao rápido e fácil processamento do grande volume de dados, muitas vezes requerido por este tipo de análise, principalmente em ambientes industriais. A curva ABC tem sido bastante utilizada para a administração de estoques, para a definição de políticas de vendas, para o planejamento da distribuição, para a programação da produção e uma série de problemas usuais de empresas, quer sejam estas, de características industriais, comerciais ou de prestação de serviços. Trata-se de uma ferramenta gerencial que permite identificar quais itens justificam atenção e tratamento adequados quanto à sua importância relativa. Moura (1989), constatou que a análise da Curva ABC (ferramenta utilizada para a análise de um estoque), pode ser aplicada em diferentes situações... “Baseado nos fatores de níveis de estoque e grau de obsolescência podemos extrair das fases de planejamento subsídios que aliados ao sistema de controle, estabelece dados consistentes sobre o fornecimento e a demanda dos estoques”. “De posse destes dados, utilizamos o Sistema ABC como ferramenta para a classificação de itens e previsão de estoque, também usamos os métodos científicos MRP, Ponto de Pedido e Lote Econômico, pois os mesmos nos auxiliam nas tomadas de decisões para obtenção de soluções dos problemas em questão, ou seja, quanto e quando comprar, e o quê devem permanecer em estoque”. (MOURA, 1989). Segundo Rocha (1996), a classificação ABC é um método de controle de estoque no qual os materiais são separados por classe – A, B e C. Assim sendo os materiais da classe A são aqueles que mesmo em pequena quantidade física imobilizam grande volume de dinheiro (capital), já os da classe C é aquela formada por um grande número de itens com despesa de aquisição pequena, 65% dos itens são responsáveis por 5% do capital empatado. 15 Para Viana (2002), a Curva ABC é o método pelo qual se determina a importância dos materiais em função do valor expresso pelo próprio consumo num período estabelecido. Na visão de Ching (2001), tanto o capital empatado nos estoques como os custos operacionais podem ser diminuídos, se entendermos que nem todos os itens estocados merecem a mesma atenção pela administração ou precisam manter a mesma disponibilidade para satisfazer aos clientes. O método da Curva ABC atende a este propósito, baseando-se no raciocínio do diagrama de Pareto, em que nem todos os itens tem a mesma importância e a atenção deve ser dada para os mais significativos. “Grosso modo, 20% em quantidade (de qualquer item) é responsável por 80% do valor (deste item). Assim 20% dos clientes da empresa representam 80% das vendas realizadas; 20% dos produtos são responsáveis por 80% das vendas de todos os produtos”. Já para Martins et al. (2003), a análise ABC é umas das formas mais usuais de se examinar estoques. Essa análise consiste na verificação, em certo espaço de tempo, do consumo em valor monetário ou quantidade dos itens em estoque, para que eles possam ser classificados em ordem decrescentes de importância. “Verifica-se, portanto, que, uma vez obtida a seqüência dos itens e sua classificação ABC, disso resulta imediatamente a aplicação preferencial das técnicas de gestão administrativas, conforme a importância dos itens”. O conceito de curva ABC, segundo Ballou (1993), deriva da observação dos perfis de produtos em muitas empresas, a maior parte das vendas é gerada por relativamente poucos produtos da linha comercializada. Para Pozo (2002), a utilização da Curva ABC é extremamente vantajosa, porque se pode reduzir as imobilizações em estoques sem prejudicar a segurança, pois ela controla mais rigidamente os itens classe A, (superficialmente) os de classe C. Para Dias (1993), a Curva ABC é um importante instrumento para o administrador; ela permite identificar aqueles itens que justificam atenção e tratamento adequado, quanto a sua administração. Obtém-se a Curva ABC através da ordenação dos itens conforme a sua importância. “Em qualquer estoque que contenha mais de um item, alguns itens serão mais importantes para a organização do que outros. Alguns, por exemplo, podem ter 16 uma taxa de uso muito alta, de modo que, se faltassem, muitos consumidores ou clientes ficariam desapontados com a empresa. Outros itens, porém, podem apresentar valores particularmente altos, de modo que os níveis de estoque excessivos seriam caros. Uma forma comum de discriminar diferentes itens do estoque é fazer uma lista deles, de acordo com sua movimentação de valor (sua taxa de uso multiplicada por seu valor individual)”, esse seria na visão de Chambers (1999), a definição da classificação ABC. Para Moacir Pereira (2003), classicamente uma análise ABC consiste da separação dos itens de estoque em três grupos de acordo com o valor de demanda anual, em se tratando de produtos acabados, ou valor de consumo anual quando se tratarem de produtos em processo ou matérias-primas e insumos. O valor de consumo anual ou valor de demanda anual é determinado multiplicando-se o preço ou custo unitário de cada item pelo seu consumo ou sua demanda anual. Assim sendo, como resultado de uma típica classificação ABC, surgirão grupos divididos em três classes. Uma classificação ABC de itens de estoque tida como típica apresenta uma configuração na qual 20% dos itens são considerados A e que estes respondem por 65% do valor de demanda ou consumo anual. Os itens B representam 30% do total de número de itens e 25% do valor de demanda ou consumo anual. Tem-se ainda que os restantes 50% dos itens e 10% do valor de consumo anual serão considerados de classe C. O Sistema ABC, conhecido também como Curva de Pareto, surgiu para identificar e indicar soluções e ações para um controle adequado, sua metodologia é extremamente vantajosa, pois, reduz as imobilizações em estoque sem prejudicar a segurança do mesmo. Por estar dividido em 3 classes, ele controla rigidamente os itens de Classe A, onde se trata dos mais altos custos e controla de forma superficialmente os de Classe C onde se encontra a maior parte do estoque, porem a de menor custo total, conforme mostra a Figura 1. 17 Figura1.- Curva ABC e seu percentual. Através de todos estes controles surge para ajudar e facilitar as decisões, um programa de produção que irá determinar o que, quando e quanto comprar ou produzir de materiais e conjuntos acabados. É o Material Requiriments Planning (MRP), com ferramentas que visam ajudar o administrador a comprar e produzir apenas o necessário e no momento exato para eliminar estoque e evitar falta de peças, baseando-se nos tempos de operações e nos lead time, calculando os prazos para a utilização de cada um deles. Material Requiriments Planning (MRP) ou planejamento das necessidades de materiais “é uma técnica que permite determinar as necessidades de compras dos materiais que serão utilizados na fabricação de um certo produto”, conforme Martins et al. (2003). Já na análise de Pozo (2002), “MRP é um programa que permite, com base na decisão de elaborar um programa de produção de itens e/ou conjuntos, determinarmos o que, quando, quanto comprar e produzir de materiais e conjuntos acabados”. O MRP visa ajudar o administrador comprar e produzir apenas o necessário e no momento exato para eliminar o estoque. A função de planejar estoque é fator primordial em uma boa administração. O envolvimento dos almoxarifados de matéria-prima e almoxarifados auxiliares e produtos acabados são de extrema necessidade para um controle financeiro do estoque. 18 A visão de uma política de estoque é assegurar o suprimento adequado, manter o estoque o mais baixo possível para atender as necessidades de vendas, identificar e eliminar o estoque obsoleto, prevenir perdas, danos, extravios ou o mau uso. Na visão de Dias (1993), MRP é um sistema que integra as funções de planejamento empresarial, previsão de venda, planejamento de recursos produtivos, programamestre de produção, planejamento das necessidades de materiais, planejamento das necessidades de produção, controle e acompanhamento da fabricação, compras e contabilização dos custos. Para Dias (1993), o MRP ainda tem a função de criar e manter a infra-estrutura da informação industrial, que inclui o cadastro de material, a estrutura de informações industriais, a estrutura de produto (como lista de material), saldo de estoque, ordem em aberto, rotinas de processos, capacidades do centro de trabalho. MRP para Chambers (1999), é que permite as empresas o calculo de quantos materiais de determinados tipos serão necessários e em qual momento. Para isso, ele utiliza os pedidos em carteira, assim como uma previsão para os pedidos que a empresa acha que irá receber. O MRP verifica, então, todos os “ingredientes” ou componentes que são necessários para completar esses pedidos, garantindo que sejam providenciados a tempo. Com base na lista de material obtida da folha de operação de produtos ou conjuntos e com dados de quantidade vendida, calculam-se as necessidades para a produção de acordo com o pedido, verificando a disponibilidade de itens em estoque. Quando há falta de material, parcial ou total, ele emite a requisição de compra dos itens em falta ou se caso o item seja fabricado, o sistema permite a emissão de uma ordem de fabricação para o item. 19 5 METODOLOGIA Para desenvolvimento da presente pesquisa foram utilizados os seguintes métodos: 5.1 Análise de documentos: Analisaram-se dados da evolução do controle de estoque dos apontamentos de uma empresa de aviação, portanto, utilizando-se de dados primários. 5.2 Pesquisa de bibliografia: Foram analisados livros, e outros artigos e fontes sobre o assunto, criando embasamento conceitual para análise de dados obtidos e redação do trabalho. 5.3 Entrevistas: Realizou-se um questionário aberto para a obtenção de confirmação de dados e informações com os responsáveis e também com colaboradores que trabalham na área. 5.4 Redação: Para redação do trabalho, foram utilizados computadores, impressoras e programas de Microsoft Word. 20 6 RESULTADOS 6.1 Histórico. Em uma empresa de Aviação – Indústria Aeronáutica Neiva, situada na cidade de Botucatu estado de São Paulo, foco deste estudo, o controle de estoque acontece, nos dias de hoje, baseados nos métodos do programa Material Requiriments Planning (MRP), e outros programas similares. A Indústria Aeronáutica Neiva é uma das mais importantes subsidiárias da Embraer, responsável pela fabricação do EMB 120 Brasília, além de aeronaves leves e componentes e subconjuntos para a família ERJ 145. Localizada em Botucatu, estado de São Paulo, está instalada em uma área de 249.600 m2, com área construída de 37.438 m2 e uma equipe de 1298 funcionários. A linha de produtos da empresa inclui componentes aeroespaciais, painéis elétricos e metálicos, equipamentos de apoio ao solo, bem como a fabricação de partes e componentes para os aviões da Embraer, peças e componentes para as famílias ERJ145 e EMBRAER 170/190; produção do EMB202 “Ipanemão” e também peças, componentes e montagem industrial do ALX/Super Tucano. Já foram fabricadas pela empresa aeronaves como EMB-120 “Brasília”, substituído pela Embraer, por novos modelos com turbinas. 21 Um dos destaques da Empresa é a fabricação dos aviões agrícolas “Ipanema”, com motor movido à gasolina especial para aviões, cujas entregas ultrapassaram a quantia de 3800 unidades, durante seus 50 anos de existência. E lançados recentemente, com muito sucesso, o “Ipanemão” com motor movido a álcool hidratado, o mesmo combustível dos carros, com mais potencia, ecologicamente correto e que gera uma economia superior a 50%. 6.2 Estudo do Controle de Estoque. A Embraer é formada por quatro unidades sendo que todas elas operam seus estoques de forma integrada, onde qualquer uma, necessitando de um determinado material que não tenha em estoque pode solicitar via sistemas a qualquer unidade. Para isso é utilizado o programa de gerenciamento de estoque (MRP), gerando um arquivo semanalmente, “aos sábados”, e emitido um Relatório de Visibilidade. Este relatório é obtido, utilizando-se as tabelas do banco de dados de um sistema chamado por CIC’S (programa próprio, uso exclusivo, conhecido como “legado”) de onde são extraídos os itens com consumo programado para o período de duas semanas a partir da data do relatório. Este relatório é executado na Embraer por um funcionário da Neiva, que trabalha naquela sede. Este relatório é executado semanalmente, as segundas-feiras, e enviado a Gerencia de Suprimentos/Setor de Programação (GSU/SPR) através de e-mail para o analista de suporte de informática do Setor de Programação (SPR), conforme demonstra o fluxograma na Figura2. 22 Executa na Embraer Todos os itens a serem Consumidos no período de duas semanas Programa CIC’s (Legado) Neiva Relatório Visibilidade Envia para Neiva SPR Figura 2: Fluxograma da execução de relatório entre Neiva e Embraer. O analista de suporte de informática distribui o relatório aos planejadores de material que executam a análise dos itens. Esta análise é feita da seguinte maneira: Com base no relatório emitido, todos os itens com estoque considerado baixo, são analisados pelo planejador, verificando o estoque em todas as unidades através do 23 sistema SAP (Sistemas, Aplicações e Produtos para Processamento de Dados). Se houver estoque em uma das unidades disponível, ele fará um pedido de transferência via sistema, (o mesmo utilizado para analise), solicitando a quantidade suficiente para dois meses de produção. Depois de efetuado o pedido de transferência, os itens são controlados em “follow-up” dentro do sistema “Access”. Caso não haja estoque suficiente em nenhum almoxarifado, o planejador verifica se há um material alternativo (material autorizado pela engenharia de produção, como substituto ou similar ao item controlado). Se não houver estoque, nem alternativo o planejador inclui o item no “módulo de acionamento”. A Figura 3 mostra a analise de verificação do estoque e seu alternativo. Item em estoque? Sim Não Tem alternativo? Transferir Sim Não Incluir o item no módulo de acionamento. Figura 3: Fluxograma de localização de um item ou seu alternativo no estoque. No módulo de acionamento, (ferramenta esta que serve para acompanhamento de itens faltantes, prazos de fabricação e prazo de entrega daqueles a serem colocados na produção para a montagem dos conjuntos e subconjuntos do avião), são alimentadas as informações dos materiais faltantes, onde são cadastrados: códigos dos 24 produtos, quantidade e prazo de entrega necessário para que as peças estejam disponíveis para uso na linha de produção. Estas informações são utilizadas pelo departamento de Compras, que após contato com os fornecedores, alimentam os campos do módulo de acionamento abastecendo informações corretas de datas para entrega do material. Após a inclusão no módulo de acionamento, o item também será controlado em “follow-up”. 6.2.1 Como Tudo Começou. Porém, no inicio das atividades desta empresa na cidade, não eram bem assim que funcionavam estes controles. Havia uma equipe responsável pelo controle de todos os materiais necessários para a produção intermediária ou final do produto, conjunto ou subconjunto fabricado. Essa equipe era formada por cinco colaboradores, que através de fichas controladoras, também conhecidas como Kardex, analisavam e alimentavam todos os dados essenciais para uma programação sem riscos futuros. Kardex se trata de um ficha, na qual o operador tem o auxilio de conhecer a disponibilidade do material em estoque, permitir a análise quando necessário, emitir um pedido de reposição, conhecer o valor monetário do estoque e o custo de cada item e indicar posteriores desvios ou perdas de material. Não se estabelecia em definitivo quais seriam as informações que deveriam estar contidas nas fichas de estoque, pois, muitos fatores influenciavam na escolha destas informações, cada empresa adequa sua ficha conforme suas necessidades ou mesmo sua política. Nesta Empresa o Kardex continha dados como, código do material, o número de série do avião que utilizaria este material, quantidade que entrava ou saia do estoque, além do fornecedor e o saldo final do estoque. Havia também um campo onde constava à quantidade equivalente ao estoque de segurança ou ponto de pedido. Conforme se pode observar no Quadro1. 25 Quadro1. Ficha de Controle de estoque, também conhecido como Kardex. FICHA DE CONTROLE DE ESTOQUES Código do Fornecedor: Nº Serie do Avião: Ponto Produto: Pedido: ENTRADAS DATA de Histórico Qtde SAÍDAS Vr. Total Qtde Vr. Unit SALDO Total Qtde C.Unit. Total Unit 01/Out S.Inicial 10 10,00 100,00 10 10,00 100,00 02/Out Compra 25 12,00 300,00 25 12,00 300,00 10,00 50,00 5 10,00 50,00 At. 5 10,00 50,00 At. 25 12,00 300,00 03/Out Requisição 04/Out Saldo 5 (1) Saldo (2) Saldo 30 350,00 Total Todas essas fichas eram arquivadas em ordem de código das peças, agrupadas por famílias e também por série de avião a ser fabricado, sempre que chegava no limite do ponto de pedido era emitida uma requisição de compra em cima da análise de quantidade a ser utilizada, para os próximos aviões ou próximas montagens que utilizavam o mesmo material. Diariamente a equipe analisava uma quantia de fichas, mantendo o maior controle possível de todos os itens contidos no almoxarifado da empresa. Por se tratar de um processo manual os responsáveis tinham uma concentração muito mais acentuada, facilitando e ajudando a gravação de certos itens. Com isso eles conseguiam detectar o período em que determinado item poderia vir a faltar, ou a quantidade que deveria ser comprado ou transferido, detectava também o tempo de analise para certos componentes, não ficando no esquecimento dentro do arquivo. 26 Quando surgiu a informatização do processo de controle de estoque, foi deixado de lado o Kardex, ou mesmo as fichas de controle manual, passando a ser digitadas e controladas através de programas informatizados, adquiridos pela empresa juntamente com a matriz, e, a partir daí, começava-se a controlar também os materiais das outras unidades dentro do estoque da empresa. Os controles de materiais começaram a ser baseados na programação de compra, gerados por um sistema informatizado de Administração de Materiais - Sistema ABC (Software empresarial), procedendo à reposição do material junto aos fornecedores constantes ou não na Lista de Fornecedores Autorizados (L.F.A.). Esta lista foi desenvolvida para facilitar o relacionamento com determinados fornecedores, auxiliando o programador/comprador na hora de adquirir em emergência, certo código. Com estas listas, facilitou o comprador no momento de decidir por qual fornecedor procurar. Para itens Constantes na L.F.A., não era feita cotação dos preços, pois, o fornecedor era exclusivo do material, ou desenvolvido pela empresa. Com esses fornecedores trabalha-se com lista de preços, sendo que estes cumpriam os requisitos de qualidade definidos pela empresa. Já para os itens Não Constantes na L.F. A, (materiais comuns, fáceis de se encontrar no mercado), após cotação com no máximo três fornecedores, era adquirido aquele que tivesse o melhor preço, prazo de entrega, condições de pagamento e qualidade. Os materiais também eram controlados através da quantidade Mínima de Fornecimento, cujo fornecedor estabelecia uma quantidade ou valor mínimo a ser adquirido, com faturamento a prazo ou a vista para compras abaixo dos mínimos estabelecidos. Depois de definido se o fornecedor do produto a ser adquirido era constante ou não constante na L.F.A., emitia-se o Pedido de Compra (P.C.), documento oficial da empresa para compra de Material nacional. Este Pedido de Compra (P.C.) era emitido pelo computador através do sistema informatizado, onde constavam: 1. Dados cadastrais dos fornecedores, tais como: razão social, endereço, etc; 2. Dados da transportadora; 3. Almoxarifado de destino; 27 4. Quantidade do material a ser adquirida; 5. Unidade de compra do material; 6. Descrição do material; 7. Especificação; 8. Requisitos de qualidade; 9. Número do pedido de compra; 10. Número da conta contábil do material ou serviço; 11. Preço unitário; 12. Condições de pagamento; 13. Data de entrega; 14. Impostos; 15. Preço total; 16. Valor total do pedido de compra; 17. Observações pertinentes; 18. Assinatura do emitente Suprimento Planejamento de Materiais (S.P.M.); 19. Assinatura de aprovação do pedido de compra pelo gerente da área de Suprimento e Planejamento de Materiais (S.P.M.). O Pedido de Compra (P.C.) era enviado ao fornecedor via fax, recebendo um carimbo com a data e a hora, confirmando sua transmissão. Toda compra era realizada através de um ponto de pedido, cujo estoque de segurança era de um mês, podendo variar conforme o aumento ou diminuição da produção. Esse controle era realizado uma vez por semana avaliando o nível do estoque, o saldo dos materiais, o estoque mínimo, os últimos pedidos e os consumos médios, definindo quanto seria o pedido novo, podendo os materiais ser nacionais ou importados. Para materiais importados as compras eram feitas a cada seis meses, mantendo-se um estoque de segurança de dois meses. E o pedido só era feito quando houvesse uma grande quantidade de materiais a serem comprados. Já os materiais nacionais eram comprados a cada quinze dias, ou conforme a necessidade. Para se calcular as quantidades de materiais a serem comprados, somavam-se os três últimos meses, mais o estoque atual, achando-se a média (método de média móvel). Essa média era multiplicada por quatro meses (referente há três meses, mais o 28 estoque de segurança), menos o saldo em estoque, apurando-se assim a quantidade que se deveria comprar. Na fabricação de um conjunto ou mesmo um subconjunto, o responsável da divisão de Suprimento e Planejamento de Materiais, com base na quantidade mínima de estoque, necessária para atender às necessidades da linha de produção ou no Programa de Entrega Mensal (P.E.M.), emitia o Pedido de Compra (P.C.) para o fornecedor selecionado na Lista de Fornecedores Autorizados (L.F.A.), especificando-se o “Part-Number” (P/N) do desenho, do item a ser fornecido, encaminhava ao fornecedor o ferramental e/ou a matéria prima necessária para a fabricação do produto, acompanhados de Ordem de Serviço (O.S.), Ficha de Fabricação e Inspeção (F.F.I.) e os desenhos, quando necessário. Além da grande utilidade da curva “ABC” para confecção do inventário rotativo, a mesma servia também para que fosse direcionados o cuidado e tratamento especial para os materiais em geral. Na época era uma das técnicas mais importantes para a classificação e a administração do estoque. O controle de falta de materiais era realizado toda semana. Quando um material requisitado no estoque não tivesse saldo suficiente, o almoxarifado paralisava a requisição, colocando uma tarja vermelha, que indicava que o material estava em falta. A primeira via da requisição era devolvida ao requisitante, a segunda via lançada no Relatório de Itens Paralisados, sendo arquivada no setor de recebimento. O Quadro 2 mostra uma requisição de um material que não contem saldo em seu estoque, assim sendo paralisada. 29 Quadro 2. Requisição de um material Paralisado, cujo material não tem saldo no almoxarifado. 1ª Via REQUISIÇÃO DE MATERIAL CÓDIGO DO MATERIAL Alm. de Destino LOCAL ESTOCADO DESCRIÇÃO DO MATERIAL Quantidade de peças Unidade de medida Nº da RQ Nº de Série do Avião Matrícula do Requisitante Rastriabilidade Nº da OF Centro de Tipo de Mov. Programa do Avião Observação a ser Anexada O Relatório de Itens Paralisados circulava na divisão de Suprimentos e Planejamento de Materiais, para que os compradores agilizem as suas chegadas, ou emita o Pedido de Compra, quando ocorrer erro na programação. Se o item tivesse compra pendente, o programador de materiais anexaria a segunda via ao pedido para que o mesmo fosse entregue imediatamente na sua chegada. O material só era entregue ao requisitante mediante a apresentação da primeira via paralisada. A requisição se tratava de um documento em duas vias, sendo a primeira via: branca e a segunda via: amarela, na qual o controlador quando iria solicitar um determinado material, podendo este ser consumo (luvas, lixas, uniformes, material não utilizado diretamente na composição do avião) ou avião (material indispensável na fabricação de conjuntos ou subconjuntos das aeronaves) do qual não houvesse saldo, o atendente do almoxarifado paralisava, ou seja, identificava que o material não tinha em estoque, com um carimbo que continha duas tarjas vermelhas, ficando com a via amarela e devolvendo para o controlador apenas a via branca, para que quando chegasse o item, a mesma fosse anexada 30 pela programação e planejamento com a segunda via que já havia sido entregue a este setor para análise de estoque ou compra e transferência do material desejado, assim novamente ele se dirigia ao almoxarifado no qual retiraria seu material desejado quando este já continha saldo suficiente em estoque. 6.2.2 A ajuda da Tecnologia. Nos dia de hoje, com a aquisição de novas tecnologias, a empresa filtra toda sua falta de material, através de sistemas informatizados. Toda semana são gerados relatórios de falta de material, subdivididos em categorias: Kanbam ou Consumo (Material com custo relativamente baixo, considerado comum, utilizado geralmente em todas as montagens); PVE (Programa de Venda Embraer) - (Filtra itens que serão fornecidos ao programa de vendas ao cliente); Matéria-Prima (Todas as matérias-primas necessárias para a fabricação de conjuntos e subconjuntos pré-determinados durante um certo período); Inflamáveis (Todos os itens considerados inflamáveis na composição do conjunto ou subconjunto); Material Elétrico (Todos os itens de montagem de Cablagem). Para itens considerados Kanbam ou Consumo (parafusos, porcas, arruelas, rebites, entre outros), o relatório traz todos os itens que entraram no ponto de pedido, relativo a três meses de consumo. A análise é realizada com ajuda dos sistemas que trarão o saldo em estoque na matriz (local de onde será transferido, caso haja saldo suficiente), são verificado também se o estoque atende tanto a demanda da matriz e da filial. Caso não haja estoque ou não cubra a necessidade, o programador inclui no módulo de cobrança, no qual o comprador responsável pelo item irá cobrar a entrega do mesmo. No caso das Matérias-primas, o relatório acusa a falta dos itens necessários para a fabricação de uma peça, na qual será utilizado na montagem de um conjunto ou subconjunto. A análise é em cima da alocação do item nas Ordens de Fabricação (OF’s), através do “Legado” (CIC’s), da necessidade real do item para aquela montagem, o 31 número de série e o programa do avião, e sua disponibilidade em estoque da matriz, para eventual transferência. Caso não haja saldo seguem-se os mesmos padrões dos itens de consumo. Materiais Inflamáveis (cola, primer, tintas, solventes, entre outros) também se seguem os mesmos padrões que as demais categorias, só atentando-se ao detalhe de lote e data de validade. Verifica-se a necessidade dos itens, porém levando em conta o consumo de no máximo dois meses para cada item. Seu consumo deve ser considerado rápido não podendo ficar muito tempo o material em estoque. A data de validade também é considera um fator importante, afinal sua transferência não poderá ser concluída caso o item esteja com a validade vencida ou para vencer, citando no caso de envio o lote correspondente à data de validade mais longe. Em caso de não haver lotes com a data de validade aceitável e o estoque ser considerado baixo, o programador solicita ao responsável da unidade com estoque disponível à possibilidade de revalidar antes mesmo de uma transferência do item. Material Elétrico (cablagem, cabos, espaguetes, fios, entre outros), são controlados através de consumo dos últimos três meses. Analisa-se a alocação destes itens (em quais montagens estes serão utilizados), se são considerados consumos ou pagos em OF’s e a disponibilidade do lote a ser transferido e estocado. Leva-se em consideração a quantidade, por motivo de espaços. Todo esse controle visa um estoque seguro, ágil, no qual seu custo não seja considerado alto e os materiais que ali estão armazenados não se transformem em obsoletos. Com a facilidade da tecnologia, fica inviável manter no estoque certos itens, sendo que sua transferência ocorrerá com agilidade, segurança e precisão, sem afetar prazos colocados pela produção. Outro fator importante que ocorre neste controle é a eliminação de estoques em todas as unidades, isto é, para componentes que serão utilizados em uma única unidade, a responsabilidade é da própria unidade, que manterá seu estoque para atender sua necessidade. Já para itens considerados comuns em todos as unidades, estes serão divididos conforme consumo durante um período pré-determinado. 32 6.2.3 Critérios de Utilização do Sistema ABC (Curva de Pareto). Na empresa em foco o Sistema ABC foi desenvolvido para auxiliar na diferenciação dos materiais que ali está estocado em seu almoxarifado, determinando sua classificação, baseada em valores e utilização. Com isso os responsáveis pelo planejamento e controle de estoque poderão controlar o fluxo de material, o giro de estoque, o que entra e saí e adquirir, comprar ou transferir de outra unidade apenas o necessário para uso ou mesmo em cima de um ponto de pedido, conforme a montagem do avião com relação ao seu número de série. 6.2.4 Análise do Desempenho do Sistema ABC no Planejamento e Controle de Estoque. Para materiais do grupo “A”, materiais que necessitam de um maior controle face ao volume de circulação, pelo seu alto custo e pela sua fácil deterioração, representam 75% do valor total do estoque. Requer um controle rigoroso, esses materiais não são mantidos em estoque devido ao seu valor ser sempre maior que US$ 1.000,00 (Mil Dólares). Sua compra é feita através de programação por avião em fabricação. Exemplos desses materiais são a Hélice, o Motor, e outros. No grupo “B” os materiais cujo controle e ativação se realiza trimestralmente e seu valor chegava à ordem de 20 % do total do estoque. Esses materiais também não são mantidos em estoque e o seu valor variava entre US$ 100,00 (Cem Dólares) e US$ 1.000,00 (Mil Dólares). Sua compra é feita também por programação de avião em fabricação. Exemplo desse material são os instrumentos, entre outros. Já no grupo “C” os materiais requerem um controle apenas rotineiro, uma vez que seus custos são considerados pequenos. Representam 5% do valor total do estoque. Esses materiais são mantidos em estoque, sendo comprado por média de aviões, o seu valor é menor que US$ 100,00 (Cem Dólares). Exemplo desses materiais são os hardwares, parafusos, porcas, e outros. 33 6.2.5 Aplicação dos Métodos Material Requiriments Planning (MRP) e Ponto de Pedido (PP) na Indústria Aeronáutica. O método Material Requiriments Planning (MRP) ou cálculo das necessidades de materiais são Sistemas de Administração de Produção (SAP), de grande porte utilizado pela empresa em foco, visando auxiliar a programação de materiais com o objetivo de permitir o cumprimento dos prazos de entrega dos pedidos dos clientes, com a mínima formação de estoques, planejamento de compras e a produção de itens componentes para que ocorram apenas nos momentos e nas quantidades necessárias, nem mais, nem menos, nem antes, nem depois. Esse sistema se baseia no princípio do cálculo de necessidades, uma técnica de gestão que permite o cálculo, viabilizado pelo uso do computador, nas quantidades dos momentos em que são necessários os recursos de manufatura (materiais, pessoas, equipamentos, etc.), para que se cumpram os programas de entrega de produtos, com um mínimo de formação de estoques. O cálculo de necessidades dos componentes é realizado a partir das necessidades de produtos finais. É observado o tempo de ressuprimento de um item (lead-time), o tempo decorrido desde a colocação do pedido de compra até o recebimento do material comprado. Tratando-se de item fabricado, o lead-time, refere-se ao tempo decorrido desde a liberação de uma ordem de produção até que o item fabricado esteja pronto e disponível para o uso. De posse destes dados (estrutura do produto e lead-time dos itens), além das necessidades (quantidades e datas) de produtos finais, o responsável pela análise consegue calcular as necessidades de todos os itens componentes, baseando-se num registro básico que representa a posição e os planos com respeito à produção e estoques de cada item, seja ele um item de matéria-prima, semi-acabado ou acabado, ao longo do tempo. O Quadro 3 mostra cada etapa de um registro no programa MRP. 34 Quadro 3. Registro básico período a período do MRP. Período 1 2 3 4 5 6 Necessidades brutas. Recebimentos programados. Estoque projetado disponível. Plano de liberação de ordens. Tempo de Ressuprimento. Tamanho do lote. Período: indica os períodos que o MRP vai considerar para o planejamento. Estes períodos podem variar de um dia até um mês, conforme o caso específico. O período que parece ser o mais utilizado é a semana Necessidades brutas: as quantidades que representam a utilização futura ou demanda do item em questão durante cada período. Recebimentos programados: ordens firmes como, por exemplo, as ordens já abertas (reposição de estoque para o item com recebimento programado para o início do período). Estoque projetado disponível: a posição e os níveis projetados de estoque do item, disponíveis ao final de cada período. Plano de liberação de ordens: ordens planejadas e serem liberadas no início de cada período. Tempo de ressuprimento: é o tempo que decorre entre a liberação de uma ordem e a completa disponibilidade do material correspondente para utilização. Tamanho do lote: idealmente, as ordens colocadas seriam do tamanho exato necessário, nem mais, nem menos. Entretanto, a empresa pode optar por trabalhar com lotes de produção para fazer frente a eventuais custos fixos em relação à quantidade produzida (como, por exemplo, os custos de preparação de máquina). A figura 4 demonstra detalhadamente o fluxograma das atividades de um programa MRP. 35 Período: Inicio das atividades Necessidades brutas: Itens em estoque ou em entrega programada. Recebimento Programado: Pedido aberto com peças já em fabricação Estoque Projetado disponível: Comparação do estoque com o programado. Tempo de Ressuprimento: É o tempo necessário e fixado para que possa ser colocada uma ordem de fabricação Plano de liberação de ordens: É o ponto de pedido de um item, quando este é considerado insuficiente. Tamanho do lote: É a definição da quantidade de um certo item para que o mesmo, não gere custos alternados, mas supra as necessidades de produção. Figura 4: Fluxograma das fases periódicas de um programa MRP. O programador dentro desta empresa convenciona-se considerar que o período presente é o início do período “um”. O estoque disponível no período corrente é mostrado antes do primeiro período. O número de períodos no registro é chamado horizonte de planejamento e representa o horizonte de períodos futuros para os quais planos serão feitos. 36 Na segunda linha, necessidades brutas, são consideradas as ordens firmes de reposição de estoque para o item, nelas estão em período e não em termos agregados ou médios. Isto permite que fatores como ciclicidade possam ser considerados. Uma necessidade bruta em determinado período não será satisfeita a menos que o item esteja disponível durante aquele período. Disponibilidade se consegue tendo o item em estoque ou recebendo uma quantidade suficiente através de um recebimento programado (resultante da existência de uma ordem firme) ou um recebimento planejado (resultante da existência de uma ordem planejada), a tempo de atender à necessidade bruta. Outra convenção a respeito de tempo refere-se à disponibilidade. O item deve estar disponível no início do período no qual aparece a necessidade bruta. Dessa forma, os procedimentos de programação do MRP devem ser feitos de forma tal que qualquer ordem deve estar disponível em estoque no início do período para o qual é necessária. A linha de recebimentos programados descreve a situação das ordens já abertas (firmes) para o item. Essa linha mostra as quantidades referentes às ordens abertas e os momentos nos quais se espera que elas sejam completadas. Recebimentos programados são resultado de decisões previamente tomadas pelo programador e representam uma fonte do item para atender as necessidades brutas. Recebimentos programados representam um compromisso firme. Para uma ordem na fábrica, por exemplo, materiais já terão sido alocados e capacidade nos centros produtivos será necessária para completá-la. A convenção de tempo usada para recebimentos programados é também que os recebimentos ocorram no início dos períodos. A próxima linha da figura é a de estoque disponível projetado. A convenção de tempo para esta linha é do fim do período, isto é, a linha representa o balanço depois de os recebimentos programados e planejados terem sido recebidos e as necessidades brutas terem sido satisfeitas. Por este motivo, a linha tem um “período” extra mostrado antes do período um. Este período extra mostra o balanço de estoque no período presente. O balanço de estoque disponível projetado, mostrando em cada período, está disponível para atender necessidades brutas do próximo período. A linha de plano de liberação de ordens é determinada a partir da linha de estoque disponível projetado. Sempre que a linha de estoque disponível projetado apresentar uma quantidade que seja insuficiente para satisfazer uma necessidade bruta 37 (balanço negativo), material adicional tem de ser providenciado. Isto é feito criando-se uma liberação de ordem planejada para um período com suficiente antecedência (dada pelo tempo de reposição do item), para permitir que o balanço de estoque disponível projetado não fique negativo. Supondo que o tempo de ressuprimento do item é de uma semana, o MRP cria uma ordem planejada no início da semana quatro. Considerando o tamanho do lote de 50 unidades (que devem ficar prontas e disponíveis no início do período cinco), o estoque disponível projetado ao final da semana cinco é de 41 unidades (com isso haverá uma ordem mínima de nove unidades necessária para evitar que o balanço de estoque desse negativo; como o tamanho de lote é 50, resulta um balanço positivo de 41). O MRP produz liberações de ordens planejadas como o resultado aritmético da situação das necessidades brutas, recebimentos programados e estoque disponível projetado. Quando uma ordem projetada se encontra no período presente, isto significa que ela está no “período de ação”. Uma quantidade referente a uma ordem planejada no “período de ação” significa que alguma ação é necessária, para que se evitem problemas futuros (como faltas de material). A ação tomada pelo programador é liberar, abrir a ordem, o que a converte em recebimento programado no registro do MRP. O recebimento das ordens planejadas não é mostrado na linha de recebimentos programados porque elas ainda não foram liberadas para a produção ou compra. Nenhum material foi ainda comprometido com sua manufatura. Tratase apenas de um plano, com uma intenção de produzir ou comprar, que é, portanto, cancelável ou alterável, no caso de ocorrência futura de um evento que justifique tais ações. Já no caso de recebimentos programados, a alteração implica descontinuação de ações já iniciadas, não sendo alteradas de forma automática pelo sistema. Para que seja possível a alteração de um recebimento programado, em geral o programador tem de intervir nos registros do sistema. O entendimento do funcionamento do registro básico do MRP é fundamental para o entendimento do sistema como um todo. É o registro básico, também, que vai permitir o encadeamento lógico, entre os diversos itens componentes de um produto, neste caso item aeronáutico. A idéia de estabelecer tamanhos mínimos de lotes maiores que a unidade tem por objetivo a redução dos custos fixos envolvidos com atender a uma ordem de 38 produção ou compra. Os custos fixos referem-se àqueles custos que ocorrem a cada vez que se emite e executa uma ordem, independente do seu tamanho. No caso de uma ordem de produção, um exemplo de custo fixo é o custo de fabricação de um conjunto ou subconjunto. No caso de uma ordem de compra, um exemplo de custo fixo é o custo do pedido. A empresa optou, então, por tentar diluir estes custos, produzindo, por exemplo, sempre determinada quantidade mínima de peças, a cada vez que realiza a fabricação de um conjunto ou subconjunto, mesmo que esta quantidade mínima supere a quantidade dada estritamente pela necessidade líquida calculada. Dessa forma, a empresa pode reduzir os tempos gastos na preparação e, portanto, aumentar a taxa de utilização de seus equipamentos. Por outro lado, trabalhando com lotes de produção maiores, a empresa enfrenta um sistema de produção que carregará níveis mais altos de estoque em processo, com todas as desvantagens correspondentes (custos financeiros, administrativos e outros), de se manterem os níveis mais altos de estoques, além dos custos mais dificilmente quantificáveis, como aqueles decorrentes da capacidade que os estoques têm de esconder ineficiências no processo. Desta forma se torna cada vez mais importante que se frise que o aumento do tamanho dos lotes pode ajudar o sistema produtivo a conviver melhor com os custos fixos decorrentes do atendimento das ordens. Entretanto, na visão moderna da Empresa, os sistemas de produção não se devem conviver com a ineficiência antes de se esgotarem as possibilidades de eliminá-la. Neste caso as aplicações deste conceito são feitas pelos administradores do sistema de produção, seriamente a respeito destes custos fixos, no sentido de tentar reduzi-los ou eliminá-los. No caso de itens comprados, é questionado pelo programador e comprador há possibilidade de negociar com o fornecedor a entrega de lotes menores, com maior freqüência, de modo a reduzir a quantidade de estoques de matérias - primas mantidas no sistema. Para isso a empresa está desenvolvendo um programa no qual terceirizará a fabricação de vários itens, os quais considerados não agregadores de valores ao produto final. Com este programa está sendo criando uma nova área na qual focado toda atividade, o setor de Subcontratos, no qual itens usinados estão deixando de ser produzidos pela empresa e sendo passados para parceiros desenvolvidos pela unidade. 39 Assim a equipe fica centrada em definir fornecedores qualificados e também definir lotes econômicos dos quais não será preciso ter estoques considerados “inchados”, pois, no momento em que há parceiros que cumpram as exigências da empresa a fabricação e a entrega serão no prazo pré-determinado. 40 7 CONCLUSÃO Com base neste estudo, no qual foram verificadas as importâncias do planejamento e controle de estoques aliados à aplicação do Sistema ABC e a utilização de métodos científicos como o MRP e o Ponto de Pedido, pode-se dizer que este conjunto fornece as principais ferramentas para a administração de materiais no sentido de reduzir custos no processo produtivo. Foi observado que ajustes nos sistemas podem e devem ocorrer quando as diretrizes traçadas sofrem desvios consideráveis, as mesmas serão corrigidas segundo os níveis de planejamento. Com relação às adaptações que os sistemas sofrem para cada empresa, podemos dizer que elas devem ser analisadas e totalmente testadas antes das suas implantações. Através deste estudo pôde verificar-se a diversa forma ou mesmo, métodos de alteração e adaptação dos sistemas utilizados no controle de estoque. Suas evoluções, tecnologias e outros fatores de extrema importância para a redução de estoque mesmo com cumprimento a metas aplicadas e o atendimento ao cliente com eficácia. Porém algumas dificuldades foram encontradas no decorrer da realização do trabalho, como principal fator à falta de acesso ou mesmo autorização para 41 explorar programas específicos para agregar-se ao trabalho como as telas de software utilizados na execução de tarefas e outras. Com isso tornaram-se limitadas algumas informações das quais poderiam facilitar ou complementar a explicação de tópicos constantes no trabalho. A Manutenção regular dos níveis de estoques é um fator determinante para minimizar custos e ganhar tempo no processo de produção, contribuindo para o sucesso de qualquer empresa. Neste contexto, percebe-se a grande importância em adotar sistemas de controle de estoque eficazes, que tragam resultados positivos à organização. Dentre esses, pode-se destacar os sistemas de cálculos de necessidades, uma vez que permitem o cumprimento dos prazos de entrega dos pedidos dos clientes, com a mínima formação de estoques, planejamento de compras e a produção de itens componentes para que ocorram apenas nos momentos e nas quantidades necessárias, nem mais, nem menos, nem antes, nem depois. Uma das principais vantagens na utilização desses sistemas refere-se a sua natureza dinâmica. É um sistema que reage bem às mudanças. Esta é uma condição que se torna importante a cada dia, num ambiente competitivo e turbulento, onde as estruturas de produtos sejam complexas, com vários níveis e em que as demandas sejam instáveis. Esses sistemas de controle de estoque fornecem aos usuários uma grande quantidade de informações, que bem aproveitadas, poderão trazer inúmeros benefícios para a empresa. Com a conclusão deste trabalho, pode-se ter uma base inicial para novos trabalhos sobre este tema, podendo servir de inspiração para o desenvolvimento futuro que poderão conter novas pesquisas e aprofundá-las mais, enriquecendo o conteúdo sobre o assunto. 42 8 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BALLOU, Ronald H. Logística Empresarial: Transporte, Administração de Materiais e Distribuição Física, 1 ed. São Paulo: Atlas, 1993. 388p. DI BARTOLOMEO, Ricardo et. al. Manual de Normas para Elaboração do Trabalho de Conclusão de Curso, 1 ed. São Manuel, 2003. 23p. DIAS, Marco Aurélio P. 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