NOTAS DE REFLEXÃO PARA A MELHORIA DA FORMAÇÃO DE PROFESSORES DE
GEOGRAFIA – A OPINIÃO DOS PROFESSORES
NOTES OF REFLECTION FOR IMPROVING THE GEOGRAPHY TEACHER TRAINNING - THE
TEACHERS’S OPINIONS
Cristiana MARTINHA1
1
Faculdade de Letras da Universidade do Porto - CEGOT,
Email: [email protected]
PALAVRAS CHAVE
Ensino da Geografia, Formação Inicial de Professores, Universidades, Inquéritos, Professores de
Geografia.
RESUMO
Com esta apresentação, tem-se por objectivo apresentar e debater um conjunto de sugestões
dadas por professores de Geografia (num inquérito aplicado em 2010) com vista melhoria da
formação inicial de professores de Geografia. Este aspecto reveste-se de particular importância no
quadro actual de junção da formação de professores de História e de Geografia e adquire
pertinência porque problematiza opiniões de professores que estão no activo no terreno educativo.
Deste modo, inicia-se a apresentação como uma breve apresentação dos professores inquiridos.
Seguem-se algumas considerações relativas às suas opiniões sobre a formação inicial de
professores que receberam e, finalmente, apresentam-se as suas sugestões para melhoria desta
formação. O conhecimento destes dados e a reflexão em torno deles poderá ser pertinente para
que a melhoria desta formação se faça com bases mais sólidas.
KEYWORDS
Geography Teaching, Initial Teacher Training, Universities, Surveys, Geography Teachers.
ABSTRACT
With this presentation, we want to present and discuss a set of suggestions given by teachers of
Geography (in a survey applied in 2010) with the aim to improve the training of teachers of
Geography. This aspect is of particular importance in the current context of joint teacher training of
History and Geography and acquires relevance because it discusses the opinions of teachers who
are active in the educative ground.
Thus, the presentation begins with a brief presentation of the teachers surveyed. Next, it is
presented some considerations about their views about the initial teacher training that they
received and finally presents their suggestions for improving this training. Knowledge of these data
and reflection on them may be relevant to the improvement of this training be made with a firmer
footing.
1. INTRODUÇÃO
No sentido de iniciar-se esta reflexão, importa sublinhar que a mesma socorre-se de dados obtidos
com a aplicação de um inquérito a professores de Geografia que foi aplicado em 2010 e que visou
conhecer as noções/ideias dos professores de Geografia relativamente à introdução da Pedagogia
por Competências no âmbito do Ensino da Geografia, seus manuais escolares e também
relativamente à formação inicial dos seus professores, tendo sido distribuído pela APROFGEO e
pelas Direcções Regionais de Educação. De referir que se conseguiu obter a resposta ao inquérito
de 249 professores de Geografia.
2. PERFIL DOS INQUIRIDOS
Dos 249 professores inquiridos, 65,5 % eram do sexo feminino, 34,1% do sexo masculino e 0,4%
não indicam o seu sexo. No que se refere à sua idade, a idade média dos professores inquiridos é
39 anos e os grupos etários mais significativos são o de 31 a 40 anos (35,7% dos inquiridos) e o
de 41 a 50 anos (com 30,1% dos inquiridos).
Quanto à formação académica que possuem, 79,9% dos inquiridos refere ter licenciatura e 13,3%
pós-graduação/especialização e 6% mestrado. Quanto às instituições de ensino superior que
conferiram o grau de licenciado aos inquiridos, embora havendo uma predominância ligeira de
inquiridos da FLUC (34,5%), há uma distribuição com tendência a equitativa entre a FLUC
(34,5%), a FLUP (28,9) e a FLUL (24,9). Os inquiridos da FCSH-UNL foram em número mais
reduzido (10,4%) e os valores de “Outra Instituição de Ensino Superior” (1,2%) referem-se
sobretudo a casos de licenciaturas obtidas no estrangeiro. Já relativamente à instituição pela qual
os inquiridos realizaram estágio pedagógico de Geografia, os valores mais altos pertencem à FLUC
com 27,7% dos professores inquiridos e à FLUP com 22,9%. De sublinhar o valor considerável de
“Outra Situação (ex.: profissionalização em serviço; não fez estágio pedagógico, etc.)”, com 24,1%
que se deve sobretudo a professores que fizeram a “profissionalização em serviço”, nomeadamente
através das Escolas Superiores de Educação dos Institutos Politécnicos e também, nalguns casos,
pela Universidade Aberta.
No que se refere ao tempo de serviço docente (em anos), a média de tempo de serviço dos
professores inquiridos é de 14,1 anos, predominando os professores que têm entre 6 e 10 anos de
serviço (com 24,9% dos professores inquiridos) e os de professores entre 0 a 5 anos de serviço
(com 18,1% dos professores inquiridos).
3. OPINIÕES DOS PROFESSORES DE GEOGRAFIA SOBRE A FORMAÇÃO INICIAL
Quando questionados sobre se consideram que existe um “desfasamento” entre a forma de
trabalhar didacticamente na formação inicial de professores de Geografia e na realidade em “geral”
das escolas, as suas respostas mostram que cerca de 41,8% dos professores inquiridos refere que
“sim” e apenas 6,8% deles refere que “não” e os restantes não respondem. Estes dados podem,
deste modo, ser analisados por dois prismas: por um lado serem interpretados como sendo a
formação inicial um reduto de inovação educacional e boas práticas pedagógicas, nomeadamente
de “práticas modelo”; por outro, podem ser vistos como um desfasamento com a realidade que
torna essa formação descontextualizada.
Pediu-se ainda aos professores inquiridos que apresentassem sugestões de melhoramento da
formação inicial de professores de Geografia em Portugal. Como se colocou um item de resposta
aberta, teve que se analisar essas respostas através de 8 categorias de análise. Elas são:
1 – a Faculdade deve analisar conteúdos e manuais do Ensino Básico e Secundário;
2 – a Faculdade deve propor formas de planificação e de trabalho mais adequadas à realidade
escolar;
3 - Defesa da separação de História e Geografia, ao nível da formação inicial e/ou valorização da
Geografia como ciência autónoma;
4 - Dar maior enfoque à “Pedagogia por Competências”, resolução de problemas, abordagem
interdisciplinar do ensino, trabalho de campo, TIC e Psicologia;
5 - Valorizar a formação científica do professor;
6 - Formação em contexto profissional deveria começar mais cedo e/ou ser mais extensa e terem
turmas atribuídas;
7 - Contemplar novas "modalidades" de formação;
8 - Localização mais próxima das escolas à residência dos estagiários.
Deste modo, no que se refere à primeira categoria que defende que a “Faculdade deve analisar
conteúdos e manuais do Ensino Básico e Secundário”, ela tem pouca expressão mas sobretudo visa
traduzir a preocupação por parte de alguns professores inquiridos de que deveria de haver mais
articulação de conteúdos entre o ensino básico/secundário e o universitário.
Outra das sugestões de melhoramento é que a “Faculdade deve propor formas de planificação e de
trabalho mais adequadas à realidade escolar” e também encontra-se referências à “Defesa da
separação de História e Geografia, ao nível da formação inicial e/ou valorização da Geografia como
ciência autónoma”.
Encontra-se também a manifestação da opinião de que a formação inicial deveria “Dar maior
enfoque à “Pedagogia por Competências”, resolução de problemas, abordagem interdisciplinar do
ensino, trabalho de campo, TIC e Psicologia” e a sugestão de se “Valorizar a formação científica do
professor”, bem como a referência à necessidade de que a “Formação em contexto profissional
deveria começar mais cedo e/ou ser mais extensa e terem turmas atribuídas”.
Há ainda referência à necessidade de “Contemplar novas "modalidades" de formação” e encontrase ainda quem defendesse que a melhoria desta formação passa por ter uma “Localização mais
próxima das escolas à residência dos estagiários”.
Numa tentativa de se perceber quais destas sugestões são mais ou menos vincadas, pode-se
analisá-las de acordo com o número de referências que se obteve de cada uma delas. Os
resultados são os expressos no quadro 1.
Quadro 1 - Exemplos de sugestões para melhoria da formação inicial de professores de Geografia, segundo os professores de Geografia inquiridos
4. CONCLUSÃO
Partindo da análise deste quadro, pode-se concluir que o maior número de referências vai para a
defesa da separação desta formação com História, valorizando-se a Geografia como disciplina
autónoma. Segue-se a importância de adequar melhor a formação inicial à realidade das escolas.
Com valores mais reduzidos, surge a necessidade de valorização da formação científica do
professor e da formação inicial ser mais extensa e com turmas atribuídas. Com menor expressão,
surgem ainda as sugestões de se abordarem na faculdade conteúdos que os professores terão de
leccionar no Ensino Básico e Secundário; a sugestão de incrementar-se o ensino da Pedagogia por
Competências, resolução de problemas, abordagem interdisciplinar do ensino, trabalho de campo e
Psicologia; abordar novas modalidades de ensino e decorrer na área de residência dos estagiários.
Neste contexto, considera-se pertinente que responsáveis políticos, decisores curriculares e
agentes das instituições de formação de professores repensem e reflictam em torno de alguns
pontos:
- legitimidade da junção da formação de professores de História e de Geografia;
- o facto dos estágios pedagógico em ensino não atribuírem turmas aos professores estagiários;
- relação/articulação da formação inicial de professores e as realidades escolares;
- a organização curricular dos cursos de formação de professores de Geografia;
- a pertinência de formação “científica” dos professores na sua área de conhecimento.
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