UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL INSTITUTO DE INFORMÁTICA PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM COMPUTAÇÃO Associando Estrutura Organizacional e Modelagem de Workflow por LUCINÉIA HELOISA THOM TI II - PPGC-UFRGS Trabalho Individual II Prof. Dr. Cirano Iochpe Orientador Porto Alegre, março de 2001. 2 CIP - CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO Thom, Lucinéia Heloisa Associando Estrutura Organizacional e Modelagem de Workflow / por Lucinéia Heloisa Thom – Porto Alegre: PPGC da UFRGS, 2001. 46f.:il Trabalho Individual II - Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Programa de Pós-Graduação em Computação, Porto Alegre, BR-RS, 2001. Orientador: Iochpe, Cirano. 1. Estrutura Organizacional. 2. Modelagem de Workflow. I. Iochpe, Cirano. II. Título. UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL Reitora: Profa. Wrana Panizzi Pró-Reitor de Pós-Graduação: Prof. Philippe Olivier Alexandre Navaux Diretor do Instituto de Informática: Prof. Philippe Olivier Alexandre Navaux Coordenadora do PPGC: Profa. Carlos Alberto Heuser Bibliotecária-Chefe do Instituto de Informática: Beatriz Regina Bastos Haro Sumário Lista de Abreviaturas..................................................................................5 Lista de Figuras ...........................................................................................6 Lista de Tabelas ...........................................................................................7 Resumo .........................................................................................................8 Abstract ........................................................................................................9 1 Introdução ...............................................................................................10 1.1 Organização do Texto ............................................................................................ 11 2 Características Internas e Externas da Organização que Influenciam sua Estrutura .............................................................................................12 2.1 Dimensões das Atividades...................................................................................... 12 2.2 Categorias Tecnológicas......................................................................................... 13 2.3 Formalização........................................................................................................... 14 2.4 Esquema de Autoridade......................................................................................... 15 2.5 Comunicação........................................................................................................... 15 2.6 Comportamento Orgânico e Mecanicista............................................................. 16 2.7 Ligações ou Especializações Horizontais e Verticais........................................... 17 2.8 Ambiente.................................................................................................................. 18 2.9 Interdependência .................................................................................................... 18 2.10 Combinações Mais Freqüentes das Características Organizacionais ............. 20 3 Tipos de Estruturas Organizacionais ...................................................22 3.1 Estrutura Organizacional do Tipo Funcional...................................................... 22 3.2 Estrutura Organizacional do Tipo Divisional...................................................... 23 3.2.1 Estrutura Organizacional Divisional por Produto ou Linha de Produtos ...... 23 3.2.2 Estrutura Organizacional Divisional por Área Geográfica............................ 25 3.3 Estrutura Organizacional do Tipo Híbrida ......................................................... 25 3.4 Estrutura Organizacional do Tipo Matricial....................................................... 27 3.5 Estrutura Organizacional do Tipo Orientada a Processos................................. 29 3.6 Características que Influenciam no Tipo de Estrutura Organizacional ........... 30 4 Uma Introdução a Tecnologia de Workflow.........................................32 4.1 Conceitos Inerentes a Workflow ............................................................................ 32 4.1.1 Processo de Negócio...................................................................................... 33 4.1.2 Sistema de Gerência de Workflow ................................................................. 34 4.1.3 Atividade ....................................................................................................... 34 4.1.4 Instância de Processo..................................................................................... 34 4.1.5 Instância de Atividade ................................................................................... 34 4.1.6 Participante .................................................................................................... 35 4.1.7 Papel .............................................................................................................. 35 4 4.1.9 Item de Trabalho............................................................................................ 35 4.10 Modelo Organizacional .................................................................................. 35 4.2 Meta-Modelo de Workflow Proposto pela WfMC ............................................... 36 5 Estruturas Organizacionais e Modelagem de Workflow ....................38 5.1 Modelo de Workflow WIDE ................................................................................... 38 5.1.1 Modelo Organizacional ................................................................................. 39 5.2 Considerações sobre Estruturas Organizacionais e Modelagem de Workflow . 41 Conclusões ..................................................................................................43 Bibliografia.................................................................................................44 5 Lista de Abreviaturas O&M Organização e Métodos EER Enhanced Entity Relationship WfMC Workflow Management Coalition WFMS Workflow Management System WIDE Workflow on Intelligent Distributed database Environment 6 Lista de Figuras FIGURA 1 – Elementos que formam a dinâmica organizacional [HEH 99] ................. 11 FIGURA 2 – Caracterização das comunicações vertical, horizontal e diagonal............ 15 FIGURA 3 – Exemplo de estrutura organizacional do tipo funcional [DAF 99]........... 22 FIGURA 4 – Exemplo de estrutura organizacional do tipo divisional por produto ou linha de produtos [DAF 99]............................................................................................ 24 FIGURA 5 – Exemplo de estrutura organizacional do tipo divisional por área geográfica [VAS 89] ........................................................................................................................ 25 FIGURA 6 – Exemplo de estrutura organizacional híbrida [DAF 99]........................... 26 FIGURA 7 – Exemplo de estrutura organizacional do tipo matricial [DAF 99] ........... 29 FIGURA 8 – Exemplo de estrutura organizacional orientada a processo [CRU 98]..... 29 FIGURA 9 - Meta-Modelo de Workflow [WMC 95].................................................... 36 7 Lista de Tabelas TABELA 1 – Relação entre a freqüência de exceções e a variedade [DAF 99]............ 13 TABELA 2 – Relação entre a previsão de exceções e a analisabilidade [DAF 99]....... 13 TABELA 3 – Variedade e analisabilidade das categorias tecnológica [DAF 99].......... 14 TABELA 4 – Relação entre variedade de atividades e formalização de atividades ...... 14 TABELA 4 – Relação entre variedade de atividades e freqüência de comunicação ..... 16 TABELA 5 – Relação entre variedade de atividades e freqüência de comunicação ..... 16 TABELA 6 – Intensidade da comunicação conforme a interdependência [DAF 99]. ... 19 TABELA 7 – Combinações mais freqüentes das características organizacionais ......... 20 TABELA 8 – Características da estrutura organizacional do tipo funcional [DAF 99]. 23 TABELA 9 – Características da estrutura organizacional divisional por produto ou linha de produtos [DAF 99]..................................................................................................... 24 TABELA 10 – Principais características da estrutura organizacional híbrida [DAF 99]27 TABELA 11 – Características da estrutura organizacional matricial [DAF 99]............ 28 TABELA 12 – Características estruturais e os tipos de estruturas organizacionais....... 31 TABELA 13 – Funções das Entidades do Meta-Modelo de Workflow [WMC 95] ...... 37 8 Resumo Uma organização pode ser classificada de acordo com seu conjunto de características estruturais. Dependendo dos valores assumidos por cada uma destas características é possível determinar um tipo específico de organização funcional, divisional, híbrido, matricial ou orientado a processos. Além disso, a estrutura organizacional influencia na forma como os processos de negócio são executados. Por outro lado, a necessidade de melhoria na execução dos processos de negócio, tem aumentado, cada vez mais, o interesse das organizações pela tecnologia de workflow. Todavia, apesar da grande eficiência que tal tecnologia tem demonstrado para a automatização dos processos de negócio, a maioria dos modelos e das técnicas de modelagem existentes, não considera as características estruturais. Dessa forma, o presente trabalho pretende discutir a possibilidade do conhecimento da estrutura organizacional ser utilizado no processo de modelagem do workflow. É importante observar que a discussão considera os trabalhos já consolidados, neste contexto de análise, mas procura enfatizar os aspectos, ainda não contemplados ou percebidos por estes. Palavras-Chaves: Estrutura Organizacional e Modelagem de Workflow 9 TITLE: Associating Organizational Structures and Workflow Modeling Abstract An organization can be classified according with its set of structural features. Depending on the values taken by each of these features, its possible to determine whether the type of a specific organization is functional, divisional, hybrid, matrix, or process-oriented. Besides, the organizational structure has influences upon the way business processes are executed. In the other hand, the need of improvement in the business process execution has increasing, more and more, the organization’s interest by the workflow technology. However, although the big efficiency that the workflow technology has been demonstrating for the business process automation, most of today’s models and techniques do not take the structural features into consideration. From that, the present paper intends to discuss the possibility of the organizational structure knowledge be used in the workflow process modeling. Its important to observe that the discuss take into consideration the works that had already been consolidated in this context of analysis, but attempt for the aspects still not contemplated or realized by these. Keywords: Organizational Structure and Workflow Modeling 10 1 Introdução Uma organização é um arranjo sistemático formado por duas ou mais pessoas, as quais compartilham um propósito comum [ROB 00]. A dinâmica organizacional é o modelo de comportamento da organização. A mesma procura explicar a interação entre os principais elementos presentes na organização. Tais elementos são denominados, respectivamente, modelos mentais, resultados, estrutura organizacional e processos produtivos [HEH 99]. Modelos mentais são imagens e histórias que as pessoas carregam sobre si mesmas, outras pessoas, instituições e cada aspecto do mundo. Uma organização possui vários modelos mentais que moldam as ações e comportamentos de seus membros. Alguns exemplos são: a forma utilizada para motivar os membros da organização; o modo de organizar e distribuir as atividades pela organização; e o meio pelo qual a informação deve ser distribuída. A estrutura organizacional determina a distribuição das atividades e responsabilidades pela organização. Dependendo dos valores assumidos por um conjunto de características organizacionais é possível determinar um tipo específico de estrutura funcional, divisional, híbrido, matricial ou orientado a processo. Além disso, a estrutura é refletida em um organograma composto por unidades organizacionais e seus relacionamentos. Segundo [ARA 94], uma unidade organizacional pode ser, por exemplo, uma divisão, uma gerência, uma acessória, um departamento, uma agência, uma filial ou um setor. Os resultados obtidos por uma organização podem ser relativos: às pessoas, incluindo fatores como motivação e participação; à organização, considerando a colaboração entre áreas, flexibilidade e capacidade de tratar determinada exceção na execução de uma atividade; e ao negócio, compreendendo aspectos como o lucro obtido e os custos. De acordo com [WfMC 99], um processo é definido um conjunto coordenado (seqüencialmente ou em paralelo) de atividades interligadas visando alcançar um objetivo comum. A fim de evitar qualquer ambigüidade na leitura do texto deste trabalho entende-se como sinônimos de processo, respectivamente, os termos processo produtivo e processo de negócio. O primeiro é utilizado, principalmente por autores e profissionais das áreas de Administração de Empresas e Organização e Métodos. Já o segundo, é mais comum entre os teóricos, cientistas e desenvolvedores de software da área de Informática. Na Figura 1 tem-se um esquema, o qual permite a visualização dos elementos que integram a dinâmica organizacional. Do esquema infere-se que associados à dinâmica organizacional estão os modelos mentais, um tipo de estrutura organizacional, os resultados e os processo produtivos executados na organização. Considerando esta abordagem, este trabalho está centrado, principalmente, nos elementos estrutura organizacional e processo produtivo. 11 Modelos Mentais Dinâmica Organizacional Estrutura Organizacional Processos Produtivos Resultados FIGURA 1 – Elementos que formam a dinâmica organizacional [HEH 99] Um processo produtivo se baseia na estrutura organizacional, ou seja, a estrutura influencia na forma como o processo é executado. Todavia, a realidade mostra a necessidade de maior documentação, padronização e coordenação dos processos produtivos. Por este motivo, as organizações estão, cada vez mais, considerando a tecnologia de workflow. Esta tecnologia tem se mostrado bastante eficiente para a automatização dos processos de negócio. Com base na literatura consultada para a elaboração do presente trabalho, percebe-se a necessidade de maior sistematização das características organizacionais, as quais determinam um tipo específico de estrutura. Além disso, a maioria dos modelos e técnicas para modelagem de workflow não aplica o conhecimento da estrutura organizacional no processo de modelagem. Por exemplo, o Meta-Modelo da WfMC Workflow Management Coalition [WMC 99] - possui uma representação para as unidades organizacionais. No entanto, a mesma é apenas utilizada no fornecimento de informações sobre os participantes do workflow. Já, o Modelo de Workflow WIDE – Workflow on Intelligent Distributed database Environment [WID 99] – está estruturado em função de três sub-modelos onde, um destes, é um modelo organizacional. No entanto, este modelo organizacional é utilizado, principalmente, para o mapeamento dos agentes que devem executar as tarefas do workflow. Este trabalho tem como um de seus objetivos revisar a bibliografia existente sobre as características organizacionais e propor uma forma de sistematizar a identificação de um tipo de estrutura organizacional de acordo com os valores assumidos por tais características. Além disso, o trabalho pretende discutir a possibilidade do conhecimento da estrutura organizacional ser utilizado na modelagem do workflow. 1.1 Organização do Texto Este Capítulo apresentou, entre outros aspectos, o principal contexto e objetivo do trabalho. No Capítulo 2, são analisadas as características internas e externas da organização. Os tipos de estruturas organizacionais são descritos no Capítulo 3. No Capítulo 4 têm-se aspectos introdutórios referentes à tecnologia de workflow. No Capítulo 5 é discutida a aplicabilidade do conhecimento da estrutura organizacional na modelagem do workflow. Finalmente, as conclusões e indicações de possíveis trabalhos futuros, dentro do contexto de análise deste trabalho são apresentadas no Capítulo 6. 12 2 Características Internas e Externas da Organização que Influenciam sua Estrutura Uma estrutura organizacional consiste em uma cadeia relativamente estável de interligações entre as pessoas e o trabalho que compõe a organização. A mesma integra os indivíduos e grupos que constituem a organização e, ao mesmo tempo, diferencia as organizações [WAG 99]. Os três principais elementos da definição da estrutura de uma organização são [DAF 99]: 1. Indicação das subordinações, número de níveis da hierarquia e a abrangência de controle de gerentes e supervisores. 2. Identificação do agrupamento dos membros da organização em unidades organizacionais; 3. Definição de projetos que garantam comunicações eficazes, coordenação e integração entre as unidades organizacionais. Estes três elementos da estrutura referem-se aos aspectos verticais e horizontais da organização. Os dois primeiros são a montagem da estrutura representada pela hierarquia vertical desenhada no organograma. O terceiro refere-se ao padrão de interações entre os membros da organização [DAF 99]. Além, destes três elementos, tem-se diversas características internas e externas da organização que influenciam na sua estrutura organizacional. Nas seções de 2.1 a 2.9 estas características são analisadas. 2.1 Dimensões das Atividades Em [DAF 99] tem-se duas dimensões, das atividades realizadas em uma organização, relevantes à estrutura organizacional. Estas dimensões são, respectivamente, a variedade e a analisabilidade. De acordo com [FER 86] uma exceção é algo que se exclui da regra. Para exemplificar, pode-se considerar a venda de determinada mercadoria a um cliente, a qual não consta no estoque do estabelecimento comercial, mas que tem data prevista de reposição. Caso o fornecedor não entregue a mercadoria na data agendada, ocorre um atraso na entrega desta, ao consumidor. Este atraso caracteriza uma exceção. A variedade diz respeito à freqüência de exceções no contexto de execução de determinada atividade. Quanto maior a freqüência de exceções maior é a variedade. Por outro lado, quanto menor a freqüência de exceções, menor é a variedade. A outra dimensão refere-se a analisabilidade. A mesma é dita alta, se existir um tratamento previsto para determinada exceção. Todavia, se não for possível tratar a exceção, isto é, não existir um estoque de técnicas ou procedimentos que digam exatamente o que fazer, quando a mesma ocorrer, a analisabilidade é baixa. Para demonstrar, pode-se considerar, o exemplo acima mencionado. Caso não tenha sido 13 previsto pelo estabelecimento comercial um procedimento a seguir, quando ocorrer um atraso na entrega da mercadoria pelo fornecedor, a analisabilidade é considerada baixa. A Tabela 1 e 2 apresenta as relações estabelecidas entre a freqüência de exceções e a variedade e entre a previsão das exceções e a analisabilidade. TABELA 1 – Relação entre a freqüência de exceções e a variedade [DAF 99] Freqüência de Exceções + Legenda: Variedade + + alta - baixa TABELA 2 – Relação entre a previsão de exceções e a analisabilidade [DAF 99] Previsão das Exceções + Legenda: Analisabilidade + + alta - baixa 2.2 Categorias Tecnológicas Por tecnologia entende-se o conjunto de conhecimentos e princípios científicos, que se aplicam a um determinado ramo de atividades [FER 86]. Uma categoria tecnológica como, característica da estrutura organizacional, refere-se ao grau de variedade e analisabilidade das atividades executadas na organização. Em [DAF 99] são destacadas quatro categorias de tecnologias: rotineira, de ofício, de engenharia e nãorotineira. A tecnologia rotineira é caracterizada por poucas exceções na execução das atividades, portanto há pouca variedade. Além disso, as atividades são formalizadas e padronizadas sendo, portanto, bem analisáveis. Uma linha de montagem ou um setor de caixas de banco são típicos exemplos de tecnologia rotineira. A tecnologia de ofício é caracterizada por um fluxo bastante estável de atividades, ou seja, com pouca variedade. No entanto, as exceções que ocorrem são pouco analisáveis. O tratamento da exceção exige grande conhecimento dos empregados, ou seja, a solução depende da intuição e experiências do mesmo Por exemplo, os engenheiros de fornos preparam a mistura no aço com base na intuição e na experiência. A tecnologia de engenharia tende a ser complexa porque existe uma substancial variedade na execução das atividades. Entretanto, as exceções que ocorrem são bem analisáveis, sendo geralmente solucionadas com base em fórmulas, procedimentos e 14 técnicas estabelecidas. As atividades de engenharia e de contabilidade são exemplos de tecnologia de engenharia. A tecnologia não-rotineira apresenta alta variedade na execução das atividades e as exceções não são bem analisáveis. Nesse tipo de tecnologia, um grande esforço é dedicado à análise de procedimentos e atividades. A experiência e o conhecimento técnico são utilizados para solucionar exceções Como exemplo de tecnologia nãorotineira tem-se o planejamento estratégico que envolva novos projetos. A variedade e a analisabilidade podem ser combinadas em uma única dimensão de tecnologia denominada tecnologia rotineira/não-rotineira. As dimensões de analisabilidade e de variedade muitas vezes se correlacionam com unidades organizacionais, significando que tecnologias de alta variedade tendem a ter baixa analisabilidade e as tecnologias de pequena variedade tendem a ser analisáveis. As unidades organizacionais podem ser avaliadas segundo uma única dimensão (rotineira/não rotineira) que combina analisabilidade e variedade. A Tabela 3 apresenta a classificação da variedade e analisabilidade conforme as categorias tecnológicas analisadas. TABELA 3 – Variedade e analisabilidade das categorias tecnológica [DAF 99] Baixa variedade Rotineiras Ofício Bem analisáveis Pouco analisáveis Alta variedade Engenharia Não-rotineira 2.3 Formalização Formalizar significa realizar segundo as fórmulas ou formalidades; executar conforme as regras ou cláusulas [FER 86]. Como característica da estrutura organizacional, a formalização refere-se à intensidade de padronização das atividades. Tal intensidade determina a freqüência de normas e procedimentos formais associados à determinada atividade. A formalização também pode ser determinada pela variedade das atividades. Isto é, quanto maior a variedade das atividades, menor é a formalização destas e, quanto menor a variedade das atividades, maior é a formalização destas. A Tabela 3 ilustra esta relação. TABELA 4 – Relação entre variedade de atividades e formalização de atividades Variedade + +/Legenda: + alta Formalização + +/+/- média - baixa 15 2.4 Esquema de Autoridade O Esquema de Autoridade de uma organização mede o grau em que a tomada de decisões na organização está centrada em um único ponto desta. Sendo assim, quanto maior o poder de decisão do pessoal de nível mais baixo, mais descentralizada é a organização. As organizações estão se tornando cada vez mais descentralizadas a fim de solucionar exceções mais depressa e obter maior contribuição e envolvimento dos funcionários em relação às metas organizacionais [ROB 00]. 2.5 Comunicação Comunicação é o processo através do qual uma mensagem é transmitida de um elemento chamado emissor para outro denominado receptor, através de um determinado canal. Quando a comunicação é entre chefe e subordinado, isto é, segue a cadeia de autoridade, ela é denominada vertical [VAS 98]. Uma Unidade Organizacional é, por exemplo, uma divisão, uma gerência, uma assessoria, um conselho ou um departamento. A comunicação horizontal acontece quando dois elementos (emissor e receptor) de unidades organizacionais diferentes se comunicam diretamente. Em contrapartida, a comunicação diagonal ocorre quando os elementos, emissor e receptor, estão em unidades organizacionais e níveis hierárquicos diferentes. Os grafos, presentes na Figura 2, caracterizam, respectivamente, as comunicações vertical, horizontal e diagonal. Comunicação Vertical Os elementos, emissor e receptor, estão em níveis hierárquicos diferentes e um nodo da hierarquia é ancestral ao outro. Comunicação Horizontal Os elementos, emissor e receptor, estão no mesmo nível hierárquico, mas em nodos diferentes da hierarquia. Comunicação Diagonal Os elementos, emissor e receptor, estão em níveis hierárquicos diferentes e, um nodo não é ancestral ao outro. FIGURA 2 – Caracterização das comunicações vertical, horizontal e diagonal. A freqüência de comunicação cresce à medida que a variedade aumenta. Ou seja, quanto maior a freqüência de exceções na execução das atividades maior é a 16 necessidade de compartilhamento de informações para sua solução e para garantir a conclusão correta da atividade. A Tabela 4 apresenta esta relação. TABELA 4 – Relação entre variedade de atividades e freqüência de comunicação Variedade + +/Legenda: Freqüência de Comunicação + +/+ alta +/- média - baixa A forma de comunicação varia de acordo com a analisabilidade das atividades. Quando as atividades são altamente analisáveis, as formas escritas de comunicação como, por exemplo, memorandos, relatórios, normas e procedimentos são freqüentes. Quando as atividades são menos analisáveis, as informações normalmente são transmitidas pessoalmente, por telefone ou reuniões, ou seja, significa que não há uma solução prevista para determinada exceção sendo necessária a forma de comunicação, principalmente, verbal [DAF 99]. A Tabela 5 demonstra esta relação. TABELA 5 – Relação entre variedade de atividades e freqüência de comunicação Analisabilidade + +/Legenda: Forma de Comunicação Escrita Verbal Verbal + alta +/- média - baixa 2.6 Comportamento Orgânico e Mecanicista O comportamento mecanicista é caracterizado por alta intensidade de formalização nas atividades realizadas na organização. O esquema de autoridade é altamente centralizado e a direção da comunicação é, principalmente, vertical. Conforme [WAG 99], o comportamento mecanicista é economicamente eficiente, mas carece de flexibilidade. O comportamento orgânico é característico de estruturas organizacionais que se adaptam a condições externas mais mutáveis. No entanto, o mesmo carece da estabilidade que permite, ao comportamento mecanicista, o desempenho eficiente do trabalho rotineiro [WAG 99]. 17 2.7 Ligações ou Especializações Horizontais e Verticais A estrutura de uma organização deve facilitar a comunicação entre unidades organizacionais de forma adequada à execução da atividade básica da organização. À extensão da comunicação e da coordenação entre os elementos organizacionais dá-se o nome de Ligação [DAF 99]. Uma ligação vertical é usada para coordenar atividades entre os níveis mais elevados e mais baixos da estrutura organizacional. Os funcionários dos níveis inferiores devem realizar suas atividades em conformidade com as metas de alto nível, e os dirigentes devem ser informados sobre as atividades realizadas pelos níveis inferiores. A comunicação horizontal supera as barreiras entre unidades organizacionais e proporciona oportunidades de coordenação entre os empregados para que se alcance os objetivos organizacionais. Ligação horizontal relaciona-se a quantidade de comunicação e coordenação horizontal através das unidades organizacionais. As organizações devem utilizar alguns mecanismos para implementar a ligação vertical, tais como: • Referência Hierárquica: Representa as linhas verticais de um organograma. Surgindo uma exceção na execução de determinada atividade, a qual uma unidade organizacional não consiga resolver é possível encaminhar tal exceção ao nível ascendente da hierarquia. Assim que o nível ascendente encontrar a solução para a exceção, o mesmo repassa esta, a unidade organizacional inferior. As linhas do organograma funcionam como canais de comunicação. • Normas e Planos: Quando procedimentos e decisões tornam-se rotineiros, normas e procedimentos podem ser estabelecidos para que determinada unidade organizacional saiba como agir sem precisar de ordens explícitas, de uma unidade de nível mais alto, na hierarquia. As normas fornecem uma fonte padronizada de informação que possibilita a unidade organizacional desenvolver seu trabalho de forma mais independente. • Acrescentar Posições à Hierarquia: quando ocorrem muitas exceções não previstas, o planejamento e a referência hierárquica podem sobrecarregar os gerentes. Em organizações que crescem ou que se modificam rapidamente, podem ser necessárias novas ligações verticais. Uma solução possível é o acréscimo de posições à hierarquia vertical. Em alguns casos, por exemplo, pode ser indicado um assistente para auxiliar um gerente sobrecarregado. Para melhorar a coordenação horizontal pode-se utilizar: • Contato direto: O contato direto é implantado através do posicionamento de uma pessoa numa unidade organizacional. Esta pessoa, além de coordenar a unidade organizacional em que está posicionada tem a responsabilidade de se comunicar e efetuar a coordenação com outras unidades organizacionais. 18 • Força-tarefa: o contato direto e as ligações verticais e horizontais, usualmente, interligam apenas duas unidades organizacionais. Quando a ligação envolve diversas unidades organizacionais, torna-se necessário uma forma mais complexa como, uma força-tarefa. Força-tarefa é um grupo temporário composto de representantes de cada unidade organizacional afetado por uma exceção não prevista. Cada membro representa os interesses de uma unidade organizacional e pode levar informações das reuniões para esta. • Integrador de tempo integral: o integrador geralmente tem um título como, gerente de produto, gerente de projeto, gerente de programa ou gerente de marca. Ao contrário da pessoa de ligação já descrita, o integrador não se subordina a uma unidade organizacional. Ele fica posicionado fora das unidades organizacionais e tem a responsabilidade de coordenar diversas unidades organizacionais. O integrador necessita de excelente habilidade no tratamento com pessoas. Na maioria das organizações, tem muita responsabilidade e pouca autoridade. O mesmo controla a fronteira entre as unidades organizacionais e deve ser capaz de manter as pessoas juntas, conservar sua confiança, enfrentar exceções na execução das atividades e resolver conflitos e disputas no interesse da organização. 2.8 Ambiente O ambiente consiste em elementos internos e externos à organização, mas que com ela podem, eventualmente, interagir. Assim, o governo que estabelece regras; os trabalhadores que reivindicam melhores condições ou os clientes que alteram suas expectativas e exigências, bem como, as próprias organizações, que buscam inovar, provocam alterações no ambiente, tornando-o cada vez mais dinâmico, exigente e competitivo [DET 96]. De acordo com [WAG 99] a mudança ambiental está relacionada à estabilidade ou instabilidade do ambiente organizacional. Dessa forma o ambiente é estável se absolutamente não se altera ou apenas se modifica de maneira previsível. Todavia, o ambiente é considerado instável, ou seja, dinâmico, quando muda de modo imprevisível no curso do tempo. 2.9 Interdependência A característica estrutural denominada interdependência indica a intensidade da dependência estabelecida entre as unidades organizacionais. Uma interdependência baixa significa que as unidades organizacionais podem executar seu trabalho independentemente umas das outras e têm pouca necessidade de integração. Já a alta interdependência indica que as unidades organizacionais precisam constantemente intercambiar recursos e informações. Em [DAF 99] tem-se que a interdependência pode ser classificada em: • Associativa: é a forma mais fraca de interdependência entre unidades organizacionais. Nela cada unidade organizacional faz parte da organização e 19 contribui para o seu bem comum, mas trabalha de modo independente. É necessária pouca comunicação entre as unidades organizacionais. As agências de banco são exemplos de interdependência associativa. Uma agência em São Paulo não precisa se comunicar com uma agência em Porto Alegre. A conexão entre as agências consiste no compartilhamento de recursos de um fundo comum, e o sucesso de cada uma contribui para o sucesso da organização. • Seqüencial: quando a interdependência ocorre em série, com a produção de uma unidade organizacional servindo de entrada para outra, a mesma é denominada seqüencial. A primeira unidade organizacional deve realizar sua atividade corretamente para que a segunda também possa fazer o mesmo. Além disso, é necessária alguma comunicação entre as unidades organizacionais devido a exceções que possam ocorrer. Este é um nível de interdependência superior ao associativo, porque as unidades organizacionais trocam recursos e dependem umas das outras. • Recíproca: a interdependência recíproca tende a ocorrer em organizações que fornecem uma variedade de produtos ou serviços para um cliente. Por exemplo, os hospitais fornecem serviços coordenados aos pacientes. A estrutura de uma organização que possui suas unidades organizacionais com interdependência recíproca deve garantir alta comunicação e entendimentos. Um paciente pode ser movimentado do setor de radiografias para a cirurgia; da cirurgia para a terapia física e da terapia física para onde for necessário a fim de ser tratado. Na Tabela 6 pode-se visualizar um resumo referente a intensidade de comunicação necessária a cada tipo de interdependência. TABELA 6 – Intensidade da comunicação conforme a interdependência [DAF 99]. Forma de Interdependência Necessidade de comunicação entre as unidades organizacionais Associativa Exemplo: agências de banco Pouca comunicação Clientes Seqüencial Exemplo: linha de montagem Comunicação moderada Cliente Recíproca Exemplo: hospital Muita comunicação Cliente 20 2.10 Combinações Mais Organizacionais Freqüentes das Características Algumas características da estrutura organizacional influenciam, principalmente, na característica categoria tecnológica. Em contrapartida, outras características, estão apenas associadas à categoria tecnológica. Na Tabela 5 pode-se visualizar as combinações mais freqüentes de tais características da estrutura organizacional. TABELA 7 – Combinações mais freqüentes das características organizacionais Tecnologia Tecnologia Rotineira de Ofício Variedade Analisabilidade Formalização Esquema de Autoridade (Centralização) Forma Predominante Comunicação Freqüência Sentido Tipo de Ligação Comportamento Interdependência Legenda: Tecnologia Tecnologia Nãode Engenharia Rotineira +/+ + +/- + + +/+/- + +/- Escrita Verbal Verbal Verbal Vertical Vertical Mecanicista Associativa Vertical Vertical Orgânico Associativa +/Vertical Vertical Mecanicista Seqüencial + Horizontal Horizontal Orgânico Recíproca + alta +/- média +/- - - baixa Considerando a Tabela acima, tem-se que a categoria tecnológica é determinada pela variedade e analisabilidade. Dessa forma, a tecnologia rotineira esta relacionada com a baixa freqüência de exceções e, estas são bem analisáveis. Por outro lado, quando a variedade é moderada e a analisabilidade é baixa, a tecnologia é considerada de ofício. Todavia, a tecnologia de engenharia caracteriza-se por variação moderada das atividades e as exceções são previstas, ou seja, a analisabilidade destas é alta. Por fim, diz-se que a tecnologia é não-rotineira quando ocorrem muitas exceções. Além disso, não há um tratamento previsto para tais exceções, ou seja, a analisabilidade é baixa. A categoria tecnológica tende a ser associada diretamente a cinco características estruturais denominadas, respectivamente, formalização, esquema de autoridade, comunicação, tipo de ligação e comportamento. De forma indireta, tem-se associada à categoria tecnológica, a característica interdependência. A formalização está relacionada à variedade das atividades. Conforme [DAF 99], a tecnologia rotineira, por exemplo, é caracterizada por atividades padronizadas e regidas por normas e procedimentos formais, enquanto a tecnologia não-rotineira caracteriza-se por atividades menos formais e menos padronizadas. 21 O esquema de autoridade, nas tecnologias rotineiras, caracteriza-se pela centralização da maioria das decisões na gerência. Nas tecnologias de engenharia, os funcionários com treinamento técnico tendem a adquirir uma autoridade de decisão moderada porque o conhecimento técnico é importante para a execução das atividades. Os funcionários de produção, os quais têm maior experiência obtêm autoridade de decisão em tecnologias de ofícios porque sabem como tratar as exceções. A descentralização em favor dos funcionários é maior nas estruturas não-rotineiras, onde muitas decisões são tomadas pelos empregados. A comunicação compreende três aspectos: forma predominante, freqüência e sentido. A forma predominante pode ser verbal ou escrita. A tecnologia não-rotineira, por exemplo, devido à alta necessidade de reuniões entre as unidades organizacionais requer comunicação escrita. A freqüência diz respeito à quantidade de comunicação entre as unidades organizacionais. A direção da comunicação é, principalmente, horizontal nas unidades organizacionais não-rotineiras e, vertical nas rotineiras. Quanto ao comportamento, o padrão mais constante é que as tecnologias rotineiras são associadas a atividades mecanicistas, enquanto as tecnologias nãorotineiras são associadas a processos orgânicos. Normas e gerenciamento centralizado aplicam-se a unidades organizacionais caracterizadas pela tecnologia rotineira. No entanto, quando a tecnologia é não-rotineira o comportamento é orgânico. A interdependência está associada indiretamente a categoria tecnológica por ser determinada pela freqüência de comunicação. Sendo assim, pode-se concluir que as tecnologias rotineiras e de ofício apresentam interdependência, predominantemente, associativa. Já a tecnologia de engenharia caracteriza-se por freqüência moderada de comunicação vertical, ocasionando a interdependência seqüencial. Na tecnologia nãorotineira a freqüência de comunicação é intensa, dessa forma, a interdependência é, principalmente, recíproca. Cabe salientar que, determinada organização, caracterizada por uma categoria tecnológica específica pode, mesmo assim, apresentar mais de um tipo de interdependência, dependendo das características do processo executado. Partindo destas considerações, tem-se que um tipo específico de estrutura organizacional é determinado, principalmente, pela categoria tecnológica e, respectivas características associadas de forma direta ou indireta, pelo tipo de ambiente estável ou instável e pela interdependência associativa, seqüencial ou recíproca. 22 3 Tipos de Estruturas Organizacionais O fato de existirem vários tipos de estruturas organizacionais sugere que não há um tipo único satisfatório para todas as organizações. Ao contrário, cada tipo de estrutura organizacional possui vantagens e desvantagens únicas que as tornam adequadas em determinados contextos e não em outros [WAG 99]. Segundo [WAG 99], estruturar uma organização implica escolher entre várias alternativas. Desenho organizacional é o processo de fazer tais escolhas. Os gerentes diagnosticam a situação enfrentada pela organização, selecionam e instalam a estrutura que parece mais apropriada. A bibliografia consultada para a elaboração deste trabalho diverge quanto à sintaxe do verbo “estruturar”. Autores como [ARA 94], [WAG 99] e [DAF 99] utilizam o verbo “departamentalizar” como sinônimo de estruturar. Conforme [ARA 94], departamentalizar não significa criar departamentos, e sim criar unidades organizacionais. De acordo com [VAS 89] é o processo de agrupar indivíduos em unidades organizacionais para que os mesmos possam ser administrados. Neste trabalho é utilizado o verbo estruturar como forma de referenciar as opções de desenho estrutural. Tal desenho pode refletir os tipos de estrutura organizacional funcional, divisional, híbrida, matricial ou orientada a processos. 3.1 Estrutura Organizacional do Tipo Funcional Na estrutura organizacional do tipo funcional as atividades são distribuídas e as pessoas são agrupadas por atividades similares. Conforme [HEH 99] e [VAS 89], as pessoas trabalham em um grupo restrito de atividades, repetindo continuamente uma variedade limitada de atividades, tornando-se especialistas nas mesmas. Um exemplo de estrutura funcional é mostrado na Figura 3. Presidente Assessória de Relações Públicas Acessória Financeira Superintendência Jurídica Superintendência de Materiais Superintendência de Recursos Humanos FIGURA 3 – Exemplo de estrutura organizacional do tipo funcional [DAF 99] A estrutura funcional é mais eficaz quando o ambiente é estável e a tecnologia é relativamente rotineira, com baixa interdependência entre as unidades organizacionais. O tamanho da organização vai de pequeno a médio. Por outro lado, o ambiente estável, a tecnologia rotineira, o tamanho pequeno da organização significa que a mesma pode ser controlada e coordenada, principalmente, por meio de hierarquia vertical [DAF 99]. 23 A principal vantagem da estrutura funcional é o fato de ela promover o desenvolvimento de maiores habilidades para os membros da organização. A principal desvantagem é a resposta lenta às modificações ambientais que exigem coordenação entre as unidades organizacionais. Se o ambiente estiver se modificando ou se a tecnologia é não-rotineira e interdependente, a hierarquia vertical fica sobrecarregada. As decisões se acumulam, e os gerentes de alto nível não respondem com a rapidez necessária. Outras desvantagens são a inovação lenta em virtude da má coordenação e o fato de cada funcionário ter uma visão reduzida das metas básicas da organização. A Tabela 8 apresenta as principais características da estrutura do tipo funcional. TABELA 8 – Características da estrutura organizacional do tipo funcional [DAF 99] Contexto Pontos Fortes Pontos Fracos Estrutura: Funcional Ambiente mais adequado: Estável Tecnologia mais adequada: Rotineira, baixa interdependência entre unidades organizacionais Tamanho da organização: pequeno a médio 1. Possibilita a economia de recursos humanos nas unidades organizacionais 2. Capacita o desenvolvimento de habilidades mais abrangentes 3. Possibilita que a organização alcance as metas funcionais 1. Resposta lenta as modificações ambientais 2. Pode fazer com que as decisões se acumulem nos níveis mais elevados, sobrecarregando a direção ou gerência da organização 3. Resulta em menos inovação 4. Limita a visão dos funcionários quanto às das metas da organização 3.2 Estrutura Organizacional do Tipo Divisional Em uma estrutura divisional as unidades organizacionais são agrupadas por produtos ou linhas de produtos ou, então, por área geográfica. Cada tipo de agrupamento possui particularidades próprias. As seções 3.2.1 e 3.2.2 analisam tais particularidades. 3.2.1 Estrutura Organizacional Divisional por Produto ou Linha de Produtos Neste tipo de estrutura divisional, as pessoas que lidam com o mesmo produto ou linha de produtos são agrupadas na mesma unidade organizacional. Cada unidade é quase como uma pequena organização auto-suficiente, onde tudo gera em torno de um produto ou linha de produtos. Conforme [VAS 89] há um alto grau de integração dos recursos humanos em cada unidade organizacional. Para demonstrar, a Figura 4 apresenta um exemplo deste tipo de estrutura organizacional. 24 Gerência de Informática Computadores Impressoras Acessórios Softwares Móveis FIGURA 4 – Exemplo de estrutura organizacional do tipo divisional por produto ou linha de produtos [DAF 99] A estrutura organizacional divisional por produto ou linha de produtos favorece a flexibilidade e as modificações porque cada unidade organizacional é auto-suficiente em relação às outras. Além disso, possibilita um maior conhecimento do produto ou linha de produtos. Uma desvantagem deste tipo de estrutura é que a organização pode necessitar de uma quantidade maior de recurso humano. Por exemplo, em vez de cinqüenta engenheiros de pesquisa compartilhando um recurso comum de uma estrutura organizacional funcional, dez engenheiros podem ser designados para cada uma das cinco divisões de produto da Figura 3. Os recursos físicos devem ser replicados para cada divisão. Outra dificuldade é que as divisões ficam separadas, complicando a coordenação entre elas. A Tabela 9 apresenta as principais características da estrutura organizacional divisional por produto ou linha de produtos. TABELA 9 – Características da estrutura organizacional divisional por produto ou linha de produtos [DAF 99] Estrutura: Divisional Ambiente mais adequado: Incerteza moderada a alta, mutável Tecnologia mais adequada: Não-rotineira, alta interdependência entre Contexto unidades organizacionais Tamanho da organização: Grande 1. Adequada para rápidas mudanças em ambiente instável 2. Permite que as unidades se adaptem às diferenças em produtos, Pontos Fortes regiões e clientes 3. Tomada de decisão descentralizada 1. Pode ocasionar o aumento da quantidade de recuso humano 2. Leva à má coordenação entre divisões Pontos Fracos 3. Elimina a competência e a especialização técnica mais abrangentes 4. Dificulta a integração e a padronização entre as divisões 25 3.2.2 Estrutura Organizacional Divisional por Área Geográfica Quando a organização opera em áreas geográficas diferentes e existe necessidade de tratá-las de forma diferenciada, a estrutura divisional por área geográfica pode ser adotada. Por exemplo, todas as pessoas e unidades organizacionais que lidam com uma área A ficariam juntas [VAS 89]. Em [DAF 99] tem-se que cada unidade geográfica inclui todas as funções necessárias para produzir e comercializar produtos naquela região. Um exemplo deste tipo de estrutura organizacional é mostrado na Figura 5. Diretoria Técnica Filial Santa Cruz do Sul Filial Porto Alegre Filial Santa Maria FIGURA 5 – Exemplo de estrutura organizacional do tipo divisional por área geográfica [VAS 89] Os pontos fortes e fracos de uma estrutura do tipo divisional por área geográfica são semelhantes às características de uma estrutura divisional por produto ou linha de produtos, indicadas na Tabela 5. Conforme [DAF 99], a organização pode adaptar-se às necessidades específicas de sua própria região, e os empregados podem se identificar com metas regionais em vez de o fazerem em relação às metas nacionais. Além disso, a coordenação horizontal dentro de uma região é enfatizada. 3.3 Estrutura Organizacional do Tipo Híbrida Muitas estruturas organizacionais não existem nas formas pura funcional ou divisional. A estrutura de uma organização pode ser multifocalizada no sentido de que os produtos e as funções, ou os produtos e a geografia são priorizados simultaneamente. Um tipo de estrutura organizacional que combina ambas as características é denominado estrutura organizacional híbrida. Um exemplo deste tipo de estrutura é mostrado na Figura 6. A estrutura organizacional híbrida apresenta-se num contexto semelhante ao da estrutura organizacional divisional por produto. Além disso, tendem a ser empregadas num ambiente incerto porque as divisões por produto ou linha de produtos são projetadas para a inovação e eficácia externa. A tecnologia pode ser rotineira ou não, e a interdependência existe através das funções exercidas pelas unidades organizacionais nos grupos de produtos. A organização geralmente é grande, possibilitando replicação de recursos nas divisões. 26 Presidente Chefe do Conselho Diretor de RH Vice-presidente de Tecnologia Vice-presidente de Serviços Financeiros Vice-presidente Sênior de Recursos e Estratégia Diretor de Assuntos Públicos Vice-Presidente de Combustível Vice-Presidente Vice-Presidente de Lubrificantes de Instalações e Ceras Vice-Presidente de Produtos Químicos Marketing Marketing Marketing Marketing Planejamento e Economia Planejamento e Economia Planejamento e Economia Planejamento e Economia Suprimento e distribuição Suprimento e distribuição Suprimento e distribuição Suprimento e distribuição Fabricação Fabricação Fabricação Fabricação Vice-Presidente de Matérias-Primas Diretor de Avaliação de Planejamento e do Ambiente FIGURA 6 – Exemplo de estrutura organizacional híbrida [DAF 99] A principal contribuição da estrutura híbrida é permitir, à organização, adaptabilidade e eficácia, dentro das divisões de produto ou linha de produtos e eficiência nas unidades organizacionais que seguem as características de uma estrutura organizacional funcional. Uma desvantagem da estrutura híbrida é a sobrecarga administrativa. Algumas funções corporativas duplicam as atividades nas divisões de produto. De acordo com [DAF 99], se não controlada, a sobrecarga administrativa pode crescer, centralizando as decisões nos níveis mais elevados da hierarquia A Tabela 10 apresenta as principais características da estrutura híbrida. 27 TABELA 10 – Principais características da estrutura organizacional híbrida [DAF 99] Estrutura: Híbrida Ambiente mais adequado: Incerteza moderada a alta Tecnologia mais adequada: Rotineira ou não, com alguma Contexto interdependência entre as unidades organizacionais Tamanho da organização: grande 1. Permite que a organização obtenha adaptação e coordenação nas divisões de produto e eficiência nas unidades organizacionais Pontos Fortes 2. Resulta em melhor alinhamento entre as metas corporativas e as metas de cada divisão 1. Tem potencial para excessiva sobrecarga administrativa Pontos Fracos 2. Conduz a conflitos entre divisões e departamentos corporativos 3.4 Estrutura Organizacional do Tipo Matricial A matriz é uma poderosa forma de ligação horizontal. A característica especial da estrutura matricial é a implementação simultânea da estrutura divisional por produto ou linha de produtos e da estrutura funcional, objetivando, assim, maior flexibilidade. Dessa forma, em vez de dividir a organização em partes separadas como na estrutura híbrida, os gerentes de produto e os gerentes funcionais têm igual autoridade dentro da organização, e os funcionários são subordinados a ambos. Na estrutura matricial, os gerentes de produto (nível horizontal da hierarquia) têm autoridade igual à dos gerentes funcionais (nível vertical da hierarquia). Em [DAF 99] tem-se que a matriz é a estrutura correta nas seguintes condições: • Há necessidade de compartilhamento de recursos entre as linhas de produtos. A organização geralmente é de porte médio e tem um número médio de linhas de produto. Ela é pressionada pelo uso compartilhado e flexível de pessoal e equipamentos através desses produtos. Por exemplo, a organização não é suficientemente grande para designar engenheiros, em tempo integral, para cada linha de produto, de modo que os engenheiros são indicados em tempo parcial para diversos produtos ou projetos. • Existe forte pressão ambiental para resultados como, a qualidade técnica (estrutura funcional) e o lançamento freqüente de produtos novos (estrutura divisional). Essa dupla pressão indica que é necessário o equilíbrio de autoridade na organização entre os lados funcional e de produto. Além disso, uma dupla estrutura de autoridade é necessária para que o equilíbrio seja mantido. • O domínio ambiental da organização é complexo e incerto. A freqüente mudança no ambiente e a alta interdependência entre as unidades organizacionais requer um alto grau de coordenação e de processamento de informações nas direções vertical e horizontal da hierarquia. 28 Sob estas três condições, as linhas vertical e horizontal de autoridade devem receber igual reconhecimento. Desse modo, é criada uma estrutura de dupla autoridade, e o poder entre elas deve ser equilibrado. O aspecto problemático da matriz é que alguns membros da organização respondem a dois chefes, o que pode causar ansiedade e ambigüidade. Trabalhar com uma estrutura matricial é difícil para muitos gerentes, porque a mesma requre um novo conjunto de habilidades em comparação às exigidas por uma estrutura de uma única autoridade. A estrutura organizacional matricial é indicada quando o ambiente é instável. Além disso, a dupla autoridade contribui para que as comunicações e a coordenações lidem com as rápidas mudanças ambientais, possibilitando a igualdade entre os chefes de produto e chefes funcionais. Este tipo de estrutura organizacional costuma funcionar melhor nas organizações de porte médio com poucas linhas de produtos. A Tabela 11 resume as principais características da estrutura matricial [ROB 00]. TABELA 11 – Características da estrutura organizacional matricial [DAF 99] Estrutura: Matricial Ambiente mais adequado: Ambiente instável Contexto Tecnologia mais adequada: Não-rotineira Tamanho da organização: médio e com poucas linhas de produto 1. Permite a coordenação necessária para atender às duplas demandas do ambiente 2. Promove o compartilhamento flexível de recursos humanos entre os produtos Pontos Fortes 3. Demonstra-se adequada para decisões complexas e ambientes instáveis 4. Proporciona oportunidades para o desenvolvimento de habilidades funcionais e de produto Faz com que os participantes experimentem dupla autoridade, o que pode ser frustrante e confuso. Além disso, os participantes Pontos Fracos precisam de grande habilidade para lidar com pessoas e de treinamento intensivo 29 Decano da Faculdade de Computação Chefe do Dpto. de Gerenciamento Chefe do Dpto. de Marketing Chefe do Dpto. de Finanças Chefe do Dpto. de Contabilidade Diretor do Programa de Graduação Diretor do Programa de Mestrado em Administração Professor de Finanças Diretor do Programa de Doutorado FIGURA 7 – Exemplo de estrutura organizacional do tipo matricial [DAF 99] 3.5 Estrutura Organizacional do Tipo Orientada a Processos A estrutura organizacional orientada a processos é, em grande parte, resultante de um processo de reengenharia sobre a organização que, além de recriar os métodos de produção da mesma, transforma as pessoas, dando-lhes novo papel e senso de participação na administração [CRU 98]. Esta estrutura tem muitas vantagens sobre a estrutura funcional, principalmente porque pode minimizar seus principais problemas: a rigidez estrutural; a falta de participação dos empregados; e as falhas no esquema de autoridade. A Figura 8 apresenta o esquema de uma estrutura organizacional orientada a processos. Diretorias Recebimento Compras Faturamento LÍDER DO PROCESSO Vendas Transformação Acabamento e Expedição Laboratório FIGURA 8 – Exemplo de estrutura organizacional orientada a processo [CRU 98] 30 Considerando a Figura 8 tem-se que: • A diretoria passa a atuar como elemento facilitador das operações provendo os meios necessários para o processo seguir sem interrupções. Ela tem, também, a função de planejar estrategicamente, criar objetivos e manter a unidade de pensamento e ação em toda a organização. • O líder do processo é a pessoa que mais entende do processo em sua totalidade. Ele tem que estar apto a resolver qualquer exceção que ameace a continuidade do fluxo de processo sob sua responsabilidade. É uma espécie de facilitador, treinador e educador. Deve assumir o papel de elo de ligação entre todos os elos do processo, conhecendo o que cada atividade deve produzir, o papel de cada trabalhador e como serão medidos os desempenhos de todos, individualmente, e do processo como um todo. • As atividades são os elos do processo. Associada a cada uma delas há um executor que, além de saber seu próprio papel dentro do processo, sabe quais são suas responsabilidade em relação a tal processo. Na Figura 8, todas as unidades organizacionais como, por exemplo, diretoria, vendas e laboratório, executam atividades. Além de saber seu papel, cada executor sabe qual a importância que sua atividade tem no contexto produtivo, e como cada uma das outras atividades contribui para o sucesso do processo como um todo. Em [CRU 98] são identificados três tipos diferentes de estrutura organizacional orientada a processos: • física: devido a um processo de reengenharia, a organização constrói novas instalações para implantar seus novos processos. • lógica: as organizações que não possuem condições de realizar uma reestruturação física optam por uma plataforma de tecnologia de informação que permite usufruir a reengenharia sem alterar a estrutura física existente. • física e lógica: refere-se a combinação dos dois tipos anteriores. É o tipo ideal, pois alia as vantagens da estrutura física com as da estrutura lógica. 3.6 Características que Organizacional Influenciam no Tipo de Estrutura Um tipo de estrutura organizacional compreende, basicamente, a combinação de três características estruturais. Tais características referem-se ao ambiente, categoria tecnológica e a interdependência entre as unidades organizacionais. Cabe salientar que, como já visto neste trabalho, a categoria tecnológica é determinada pela variedade, ou seja, freqüência com que ocorrem exceções na execução de uma atividade, bem como, pela analisabilidade, isto é, possibilidade de tratar determinada exceção. Além disso, outras características estão associadas diretamente a um tipo específico de categoria tecnológica. Como exemplo, pode-se citar a formalização na execução das atividades, a freqüência de comunicação requerida entre as unidades organizacionais e a intensidade 31 de centralização na tomada de decisões. A Tabela 12 mostra a relação entre as características estruturais e os tipos de estruturas organizacionais. TABELA 12 – Características estruturais e os tipos de estruturas organizacionais Tipo de Estrutura Organizacional Característica Estrutural Ambiente Tecnologia Estável Rotineira Interdependência Associativa Recíproca Funcional Divisional Instável Rotineira Orientada a Processos Instável Instável Instável Rotineira ou NãoNãoNão-Rotineira Rotineira Rotineira Seqüencial Recíproca Recíproca Híbrida Matricial Analisando a Tabela 12 tem-se que a estrutura organizacional funcional caracteriza-se por um ambiente estável, tecnologia rotineira e interdependência, principalmente, associativa. Já a estrutura organizacional divisional é ideal quando o ambiente é instável, a tecnologia é rotineira e a freqüência de comunicação entre as unidades organizacionais é alta, ou seja, a interdependência recíproca predomina com maior intensidade. Por outro lado, a estrutura organizacional híbrida tende a ser empregada quando o ambiente é instável e a tecnologia é rotineira ou não-rotineira, devido a não sistematização das dimensões de variedade e analisabilidade. Além disso, a interdependência em uma estrutura organizacional híbrida, normalmente, é seqüencial. Por fim, as estruturas matricial e orientada a processos apresentam ambiente instável, tecnologia não-rotineira e interdependência, essencialmente, recíproca. É importante salientar que a principal distinção entre a estrutura organizacional matricial e a orientada a processos é o fato de alguns funcionários responderem a dois chefes na estrutura matricial. Como já discutido, no presente trabalho, esta particularidade pode gerar conflitos e ambigüidades na execução das atividades. 32 4 Uma Introdução a Tecnologia de Workflow Os primeiros produtos de workflow surgiram no final dos anos 80, sendo utilizados, basicamente, para roteamento de imagens e documentos eletrônicos. A motivação para o uso do workflow restringia-se a redução no tempo de execução dos processos, fato que ocasionava grande impacto nos custos da organização [SET 00]. Todavia, o maior avanço da tecnologia ocorre no início da década de 90, quando a mesma passa a ser valorizada, principalmente, pela grande eficiência que apresentava na automatização e controle do fluxo de atividades que constitui os processos de negócio. Conforme [WMC 99], por workflow entende-se a automatização de um processo de negócio, durante a qual, documentos, informações e/ou atividades são passadas de um participante a outro, a fim de que sejam tomadas ações, de acordo com um conjunto de regras e procedimentos. Atualmente, a necessidade de maior documentação, padronização e coordenação dos processos de negócio está fazendo com que as organizações, considerem, cada vez mais, uma solução de workflow como forma de minimizar tais carências. Esta aceitação pela tecnologia de workflow é devida, principalmente, a algumas de suas potencialidades como, por exemplo: a redução de custos, tempo, erros e redundância na execução dos processos; o maior controle e qualidade na execução dos processos; a possibilidade de integração de tecnologias já existentes na organização; e a integração com a World Wide Web, ou seja, inicialização e controle do workflow através de um browser. A tecnologia de workflow tem sido, nos últimos anos, um campo de grande interesse de pesquisa. No entanto, a mesma ainda apresenta algumas carências, principalmente, quanto a modelos e técnicas de modelagem, bem como, metodologias de desenvolvimento. O presente trabalho não traz uma análise profunda de tais carências. Todavia, no Capítulo 5 são feitas algumas considerações sobre estas, visando introduzir a discussão referente à utilização do conhecimento da estrutura organizacional no processo de modelagem do workflow. Por outro lado, em 1993 foi criado um órgão, denominado Workflow Managment Coalition (WfMC), que tem a missão de promover a área de workflow através da divulgação da tecnologia e do desenvolvimento de padrões para a interoperabilidade de sistemas de workflow, tanto entre si quanto com outros sistemas de informação. Este órgão elaborou um glossário, o qual define um vocabulário de termos para a área de workflow [WMC 99]. Além disso, outra importante contribuição da WfMC, foi a criação do Meta-Modelo de workflow para definição do processo. 4.1 Conceitos Inerentes a Workflow Esta Seção define um conjunto de termos básicos, relativos a workflow, os quais são fundamentais para o contexto de análise deste trabalho individual. Cabe ressaltar que, tais conceitos, constam no dicionário de termos encontrado em [WMC 99]. 33 4.1.1 Processo de Negócio A base conceitual de um sistema de workflow está centrada na definição de processo de negócio. O termo processo é usado como simplificação. O conceito de processo já foi introduzido na Seção 3.5. Sendo assim, nesta seção, apenas é ratificada a definição introduzida. Segundo [WMC 99] um processo de negócio compreende o conjunto de um ou mais procedimentos ou atividades estruturadas, as quais, coletivamente, realizam um objetivo de negócio no contexto de uma estrutura organizacional. Para demonstrar o conceito, pode-se considerar um processo de licenciamento ambienta executado em um órgão governamental. Conforme [IOC 98], tal processo avalia se um determinado empreendimento pode iniciar ou prosseguir sua operação de acordo com as exigências ambientais. De acordo com [IOC 98] o processo de licenciamento inicia com a entrada de documentos, ou seja, a abertura do processo no setor de protocolo. Após, o processo é encaminhado para determinada Divisão do Departamento de Controle de Poluição, onde é efetuada uma Análise Técnica. Nesta fase, pode ser necessária uma Vistoria, a qual pode implicar em uma Análise Laboratorial, a qual é considerada na Análise Técnica. Além disso, durante a Análise Técnica ou Vistoria podem ser emitidos autos de infração, notificando irregularidades. O processo tem sua continuidade com a emissão da Licença pela Divisão de Licenciamento. Por fim, sendo a Licença concedida ou negada, uma justificativa de indeferimento é preparada. Entrada de Documentos Analise Técnica Emissão da Licença Vistoria Auto de Infração Análise Laboratorial Legenda: condicional Incondicional FIGURA 9 - Esquema do processo de Licenciamento Ambiental adaptado de [IOC 98] Segundo [WMC 99], um sub-processo é um processo coordenado por outro processo e integrado a este. Considerando o Licenciamento Ambiental, acima descrito, tem-se que a Emissão da Licença é um processo integrado ao Licenciamento Ambiental. O mesmo inclui as seguintes etapas: elaboração e registro da Licença; revisão do texto da Licença por um funcionário do setor; e assinatura do presidente da organização. 34 4.1.2 Sistema de Gerência de Workflow Um Sistema de Gerência de Workflow (WFMS) permite, a seus usuários, a definição, criação e gerência de execução de processos de workflow. É capaz de interpretar a definição do processo de negócio, interagir com os participantes e, quando necessário, invocar ferramentas e aplicações de sistemas de informação. Um WFMS, também pode ser referenciado como, sistema de automação de workflow ou sistema computadorizado de workflow. O WFMS é responsável por controlar o andamento do processo, seguindo rigorosamente a ordem definida pelas dependências entre as atividades, e garantindo as regras de consistência especificadas. Os principais WFMS disponíveis, atualmente, no mercado, são o Oracle Workflow e o Domino Workflow desenvolvidos, respectivamente, pelas Empresas Oracle [ORA 00] e Lótus [LOT 00]. 4.1.3 Atividade Uma atividade é um fragmento de trabalho que contribui para a execução de um processo. Conforme [WMC 99] uma atividade é automatizada ou manual. Uma atividade automatizada pode ser gerenciada por um sistema de gerência de Workflow. Em contrapartida, uma atividade manual não pode ser gerenciada por um sistema de gerência de Workflow. Em [WMC 99] são destacados alguns sinônimos do termo atividade, tais como: passo, nodo, tarefa, elemento de trabalho, elemento de processo, e operação ou instrução. No processo de Emissão de Licença, uma atividade automatizada é a assinatura eletrônica do presidente. Já a revisão do texto de uma Licença por um funcionário, caracteriza uma atividade manual. 4.1.4 Instância de Processo Quando um processo é iniciado, o WFMS cria uma instância de processo. No processo de Licenciamento Ambiental, cada abertura de processo de Licença Ambiental gera uma instância de processo. 4.1.5 Instância de Atividade Uma instância de processo compreende as respectivas instâncias de atividades manuais e automatizadas previstas no processo original. Segundo [WMC 99], uma instância de atividade também é denominada instância de tarefa ou instância de elemento. Como exemplo, pode-se considerar a atividade de cadastrar documentos referentes a uma Licença. 35 4.1.6 Participante Um participante é o responsável pela execução de uma ou mais atividades pertencentes ao workflow. O mesmo pode ser tanto um ser humano, por exemplo, um membro da organização, quanto um software. Em [WMC 99], tem-se que um participante, também pode ser chamado de ator, agente, usuário ou executor do trabalho. Como ilustração de tal conceito, tem-se que os participantes do processo de Licenciamento Ambiental são, por exemplo, o chefe de uma divisão ou setor, o presidente da organização ou um software para digitalização de documentos. 4.1.7 Papel Quando se deseja criar uma abstração em torno dos participantes, a fim de se evitar que, nomes de usuários façam parte, explicitamente, do modelo de processo, pode-se utilizar o conceito de papel. Ou seja, se há um grupo de participantes do workflow com determinados atributos, qualificações e aptidões, então, pode-se definir um papel que represente este grupo. Por exemplo, todos os funcionários que revisam o texto de uma Licença, podem assumir o papel de reviso. Em [WMC 99], o termo papel é também denominado papel organizacional. 4.1.9 Item de Trabalho Para o participante do sistema de workflow, as atividades são apresentadas como uma coleção de itens de trabalho. Cada item de trabalho é o resultado da instanciação de uma atividade, como a avaliação de uma prova de determinado candidato, em um Concurso Vestibular. Conforme [WMC 99], os termos objeto de trabalho, elemento e tarefa são sinônimos, do termo item de trabalho. O item de trabalho é composto por uma descrição textual da atividade, podendo possuir documentos e aplicações associadas. Além disso, o item de trabalho é uma notificação enviada para o participante da atividade. Uma instância de uma atividade sob a responsabilidade de um funcionário. 4.10 Modelo Organizacional Um esquema composto por entidades que representam as unidades organizacionais e seus relacionamentos é denominado, em [WMC 99], modelo organizacional. Um modelo organizacional inclui, normalmente, os níveis hierárquicos da organização, o esquema de autoridades e responsabilidades e os atributos associados a um papel organizacional. Tal modelo pode ser utilizado pelo WFMS na decisão de qual 36 participante será associado a uma determinada atividade ou conjunto de atividades. Além disso, durante a execução do processo, o WFMS pode obter detalhes dos participantes por meio dos atributos contidos no modelo organizacional. 4.2 Meta-Modelo de Workflow Proposto pela WfMC O Meta-Modelo de Workflow, presente na Figura 9, foi proposto pela WfMC em 1995. Apesar deste modelo ser considerado um padrão para definição de processo, o mesmo ainda está em desenvolvimento. Definição do Processo de Workflow refere-se a Definição do Su-Processo consiste de pode incluir Dados do Ambiente e do Sistema faz uso Dados Relevantes ao Processo de Workflow pode usar Atividade do Processo de Workflow é implementado Atividade Atômica Loop é realizado invoca Definição dos Participantes do Workflow Definição da Aplicação de Workflow de para Informação de Transição Modelo Organizacional Relacionamento n:n Relacionamento 1:n Direção FIGURA 9 - Meta-Modelo de Workflow [WMC 95] Considerando o Meta-Modelo proposto pela WfMC, tem-se que o sistema de workflow precisa ser provido com uma descrição do processo de negócio. Tal descrição compreende, basicamente, o nome, número da versão e condições de início e término do processo. A definição de um processo consiste em atividades e dados relevantes à execução destas. Relacionados a definição do processo estão o participante, responsável pela execução de determinada atividade ou conjunto de atividades, e aplicações invocadas, necessárias para a execução de tais atividades. Além disso, na definição de um processo, pode haver referência para sub-processos. Por fim, o fluxo de controle 37 dentro de um processo é determinado pelas informações de transição, normalmente, expressões booleanas baseadas em dados relevantes. Cabe ressaltar que, apesar das entidades, dados do modelo e/ou sistema e modelo organizacional, estarem incluídas no meta-modelo, estas são utilizadas, esporadicamente, pelo projetista. A entidade modelo organizacional, por exemplo, é utilizada para obtenção de informações dos participantes do workflow, tais como papel assumido na organização e nível de autoridade. Na Tabela 13 são apresentadas as principais entidades da Meta-Modelo, com a descrição da função destas e principais atributos. TABELA 13 – Funções das Entidades do Meta-Modelo de Workflow [WMC 95] Entidade Processo de Workflow Atividade de Processo de Workflow Definição de Participante de Workflow Função Identifica o processo de workflow Identifica as atividades que compõem o workflow Define os participante e papéis que executam o processo Informações de Transição Armazena os relacionamentos de dependência entre as atividades Definição de Aplicação de Workflow Descreve as ferramentas disponíveis para serem invocadas pelo WFMS Dados Relevantes ao Processo Modelo Organizacional Principais Atributos • • • • • • • nome do processo descrição papéis que a executam aplicativos invocados pré-condições/pós-condições custo estratégia de alocação de trabalho • atividades predecessoras • atividades sucessoras • condições para a transição • aplicativo • parâmetros utilizados Dados gerados por uma determinada ação e que são necessários em próximas atividades, ou • tipo de dado e valor para uma transição ou para uma ferramenta invocada O WFMS pode consultar o modelo organizacional, a fim de obter informações • papéis e unidades sobre os participantes do workflow, unidades organizacionais organizacionais, níveis de autoridade e responsabilidade 38 5 Estruturas Workflow Organizacionais e Modelagem de De acordo com [VAS 89] toda a organização executa, pelo menos, um processo produtivo. Tal processo se baseia na estrutura organizacional, isto é, a estrutura pode influenciar na forma como o processo é executado. Conforme [WMC 99], um processo consiste de um conjunto de atividades logicamente relacionadas. Estas atividades são determinadas por normas escritas, ou seja, bem documentadas, estabelecidas pela organização. Portanto, a conclusão de um processo implica na execução das atividades inerentes a este. Um exemplo de processo foi visto na Seção 4.1.1 do Capítulo 4. Um modelo de workflow consiste em um conjunto de atividades e os relacionamentos existentes entre estas. Dessa forma, um modelo de workflow é a descrição fiel de um processo [CAS 95]. O mesmo possibilita a visualização das atividades que podem ser executadas, a ordem de execução das mesmas e o responsável por cada execução. Devido ao crescimento que a área de workflow vem tendo, nos últimos anos, diversas técnicas e modelos para modelagem dos processos de workflow foram desenvolvidos. No entanto, a maioria destes utiliza apenas parte do conhecimento da estrutura organizacional no processo de modelagem. Por exemplo, o Meta-Modelo da WfMC, descrito no Capítulo 4, referencia o modelo organizacional, apenas para obter, em tempo de execução, informações sobre os participantes do workflow. Neste contexto, o presente Capítulo analisa outro modelo de workflow, o qual utiliza, certos aspectos da estrutura organizacional, principalmente, durante a execução do workflow. O modelo foi proposto pelo Projeto WIDE - Workflow on Intelligent Distributed database Environment. Além disso, em uma última análise, são feitas considerações sobre aspectos da estrutura organizacional e sua aplicabilidade na modelagem de workflow considerando, também, os modelos de workflow estudados. 5.1 Modelo de Workflow WIDE O modelo de Workflow WIDE é composto por três sub-modelos denominados, respectivamente: Modelo Organizacional, Modelo de Informações e Modelo de Processo. O Modelo Organizacional descreve as partes da Organização envolvidas na execução do workflow. Já, o Modelo de Informação expõe o conjunto de informações gerenciadas pelo workflow. Finalmente, o Modelo de Processo detalha os relacionamentos estabelecidos entre as atividades do workflow. Destes, o Modelo Organizacional apresenta especial importância para o escopo do presente Trabalho. Por este motivo, o mesmo é analisado na próxima Seção. 39 5.1.1 Modelo Organizacional O objetivo do Modelo Organizacional, proposto pelo Projeto WIDE, é descrever as partes da organização envolvidas na execução do workflow e não modelar a organização como um todo. O modelo, o qual tem como base o formalismo EER Enhanced Entity Relationship - pode ser visualizado na Figura 10. Modelo de Processo TAREF 1:n exec-est 1:m PAPEL 0:n Atribuir/ Obter exec-din 0:m Modelo Organizacional AGENT é um tem-func FUNÇÃ parte- de TIME parte-de tem-func GRUP parte-de parte-de supervisiona ATOR substitui FIGURA 10 – Modelo Organizacional e Modelo de Processo [SAN 97], [SAN 99]. De acordo com [SAN 97], as entidades presentes na Figura 10 podem ser descritas da seguinte forma: • Tarefa: É uma tarefa atômica do workflow, a qual deve ser executada por uma única entidade. • Papel: Descrição da entidade que deve executar uma tarefa específica. • Agente: Um agente - conceito mais genérico no Modelo Organizacional - é uma entidade que pode executar tarefas durante a execução do workflow. Um agente pode ser uma função, um ator, um grupo ou um time. 40 • Função: É a especificação de uma classe formada por grupos, atores ou times que possuem características em comum, com relação às tarefas que os mesmos podem executar. • Time: Um time é uma lista de funções baseada na estrutura organizacional. Por exemplo, o time de um projeto pode ser constituído por um coordenador geral, um coordenador técnico e dois pesquisadores. • Ator: É uma entidade que pode ser de natureza humana ou mecânica/eletrônica. • Grupo: Um grupo é a especificação de uma classe de atores, os quais possuem características organizacionais comuns. Além das entidades, acima descritas, a Figura 10 apresenta diversos relacionamentos entre estas: • Executa-estaticamente (exec-est): este relacionamento conecta uma atividade a um papel, o qual, de fato, a executa. • Executa-dinamicamente (exec-din): tal relacionamento conecta um papel que pode executar uma atividade ao agente que a executa. • Tem-função (tem-func): o relacionamento “tem-func” liga um ator ou um grupo a uma função. • Parte-de: este relacionamento conecta um ator a um grupo, um subgrupo a um grupo, um sub-time a um time ou uma função a um time. • Substitui: o relacionamento “substitui” liga um ator “a” a um ator “b”. O ator “a” assume as responsabilidades do ator “b”, quando o ator “b” estiver indisponível. • Supervisiona: este relacionamento conecta um ator a um grupo. Este ator deve supervisionar o grupo, no qual foi conectado. Conforme [SAN 97] as atividades “atribuir e obter”, (Figura 10), não representam relacionamentos, mas métodos para direcionar uma tarefa a determinado executor. Dessa forma: • quando a tarefa é atribuída, significa que o sistema direciona a mesma, à lista de tarefas de um possível executor. • quando a tarefa é obtida, significa que o sistema apenas disponibiliza a tarefa em uma lista pública de tarefas e, determinado usuário, o qual tem acesso a tal lista, responsabiliza-se por sua execução, ou seja, o usuário tem que obter a tarefa. A cardinalidade nos modelos é expressa da seguinte forma: Um modelo de processos pode ter 1 ou mais modelos de informação. Um modelo de informação pode ser usado por 0 ou mais modelos de processos. O modelo organizacional não possui cardinalidade devido ao fato de esta, não poder ser formalizada. Ou seja, o modelo organizacional é definido em tempo de execução. Finalmente, a diferença básica, entre os dois métodos, é o comportamento passivo ou ativo do usuário em relação ao sistema. No método de atribuição, o usuário simplesmente espera pelo trabalho a ser realizado. Todavia, no método de obtenção, o mesmo tem que obter os itens de trabalho em um ambiente compartilhado. 41 5.2 Considerações sobre Estruturas Organizacionais e Modelagem de Workflow Partindo da análise do Meta-Modelo, proposto pela WfMC, e do Modelo de Workflow da WIDE é possível concluir que ambos, utilizam o conhecimento da estrutura organizacional de forma limitada. O primeiro apenas referencia o Modelo Organizacional, a fim de obter informações sobre os participantes do workflow. O segundo, apesar de apresentar uma estrutura bem mais complexa que o primeiro, basicamente, utiliza o Modelo Organizacional para mapear os agentes que devem executar as tarefas. Portanto, nenhum dos modelos propõe uma analise detalhada da estrutura organizacional. Esta análise poderia possibilitar, principalmente, a identificação de atividades que não estão previstas no contexto de atividades inerentes ao processo. Tais atividades podem ser denominadas como atividades inerentes à estrutura organizacional. . Uma atividade inerente à estrutura organizacional significa, a princípio, que a mesma é decorrente de uma característica organizacional. Além disso, é muito provável que tal atividade não conste na documentação das atividades inerentes ao processo, passando desapercebida no estágio de entrevistas com as chefias e/ou gerências. À necessidade de inclusão, desta atividade, ao processo pode ser constatada durante a análise das características estruturais. Como exemplo de atividade inerente à estrutura organizacional, pode-se citar: uma assinatura eletrônica, uma notificação, a elaboração de relatório à chefia e, a emissão de determinado parecer. A Figura 11 ilustra o conceito. Ap1 Ap2 UO1 UO2 Documentos Legenda Ap – Atividade Inerente ao Processo UO – Unidade Organizacional G - Gerente Assinatura G1 FIGURA 11 – Exemplo de atividade inerente à estrutura organizacional. A Figura 11 demonstra que, além das atividades básicas do processo, ou seja, Ap1 e Ap2 executadas, respectivamente, pelas Unidades Organizacionais UO1 e UO2, deve ser adicionada ao processo de workflow uma atividade decorrente de uma característica da estrutura organizacional. É muito provável que esta característica seja a centralização na tomada de decisões. Ou seja, a assinatura do gerente G1 indica uma autorização para a continuação do processo. Além disso, alguns aspectos do workflow podem ser determinados pelas características estruturais. Por exemplo: 42 • a variedade e analisabilidade podem influenciar no esquema de tratamento de exceções em atividades inerentes ao processo. É importante ressaltar que, em muitas organizações, as exceções e respectivo tratamento para tais, não estão previstos e tampouco documentados. • o esquema de autoridade implica no esquema de assinaturas. Dependendo da centralização na tomada de decisão, podem ser identificadas e integradas ao workflow novas adicionadas atividades como, por exemplo, assinaturas eletrônicas. Conclusões Cada tipo de estrutura – funcional, divisional, híbrida, matricial ou orientada a processos – representa uma ferramenta que pode auxiliar os gerentes a tornar uma organização mais eficaz. É importante frisar que a estrutura adotada pela organização deve ser, periodicamente reavaliada, a fim de verificar sua adequação às necessidades da organização. Além disso, a mesma é refletida em um organograma, o qual representa cargos, funções e responsabilidades dos membros da organização. O presente trabalho mostrou que, independentemente do tipo de estrutura adotada pela organização, pelo menos, um processo produtivo é executado por ela. O ponto variante esta na forma como o mesmo é executado, ou seja, dependendo dos valores assumidos pelas características estruturais pode ser necessária a adição de atividades inerentes a estas. Dessa forma, é evidente que as características estruturais influenciam na forma de execução do processo. Por outro lado, a busca por melhoria na execução dos processos de negócio, fez aumentar o interesse das organizações pela tecnologia de workflow devido, principalmente, à eficiência que, tal tecnologia vem demonstrando para a automatização de processos de negócio. A revisão feita neste trabalho focou, principalmente, os modelos e as técnicas para modelagem de workflow. O que se discutiu é a melhor utilização do conhecimento da estrutura organizacional no processo de modelagem do workflow. Evidentemente, o trabalho não cobriu a análise de todos os modelos existentes. No entanto, foram analisados dois modelos que são de especial importância ao contexto de análise do presente trabalho. Da análise verificou-se que o Meta-Modelo de Workflow da WfMC utiliza, de forma bastante superficial o conhecimento da estrutura organizacional. Também, o Modelo de Workflow da WIDE, apesar de bem estruturado, inclui um Modelo Organizacional, essencialmente, para o mapeamento das tarefas e, respectivos agentes executores. Dessa forma, é possível concluir que os modelos estudados não utilizam, de forma completa, as informações sobre a estrutura organizacional. Além disso, as informações estão sendo, utilizadas, principalmente, em tempo de execução do workflow. Neste contexto, o presente trabalho defende o uso do conhecimento dos aspectos estruturais como forma de tornar a modelagem do workflow mais eficiente e correta. Portanto, a integração do conhecimento da estrutura organizacional à modelagem do workflow deve ser foco de maior atenção da comunidade pesquisadora. Sendo assim, considerando a abordagem apresentada no presente estudo, trabalhos futuros poderiam contemplar, principalmente, duas linhas de pesquisa. A primeira, referente a maior sistematização das características estruturais. A segunda deveria investigar a aplicação das informações sobre a estrutura organizacional no processo de modelagem do workflow. 44 Bibliografia [AMA 97] AMARAL, Vinícius L. Técnicas de Modelagem de Workflow. Porto Alegre: CPGCC da UFRGS, 1997. (TI - 622). [ARA 94] ARAUJO, Luis César G. de. Organização e Métodos: Integrando comportamento, estrutura, tecnologia e estratégia. São Paulo: Atlas, 4ª ed., 1994. [BAR 95] BARTHELMES, P. Sistemas de Workflow: Análise da Área e Proposta de Modelo. São Paulo: Instituto de Computação - UNICAMP, 1996. Tese. [BAR 99] BARESI, L.; CASATI, F.; CASTANO, S.; CERI, S. 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