XVI ENDIPE - Encontro Nacional de Didática e Práticas de Ensino - UNICAMP - Campinas - 2012 A FORMAÇÃO PEDAGÓGICA DO PROFESSOR DA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL E TECNOLÓGICA Luciana Dalla Nora dos Santos/IFF Adriana Claudia Martins Fighera/UFSM Luiza de Salles Juchem/UFSM Resumo A temática envolvendo as políticas de formação de professores que atuam na Educação Básica na modalidade da Educação Profissional e Tecnológica vem se configurando como um campo rico de debates e estudos acerca da formação e desenvolvimento profissional dos docentes. Nessa direção, a urgência do aprofundamento de estudos por parte dos sujeitos envolvidos nessa modalidade de ensino é necessária para a construção de políticas de formação continuada específicas para a Educação Profissional e Tecnológica e que venham ao encontro das necessidades destes professores. Assim, este artigo tem como objetivo discutir os processos de formação pedagógica dos professores que atuam na especificidade da Educação Profissional e Tecnológica no contexto da Educação Básica. Desse modo, problematizamos a formação continuada desses profissionais que atuam nos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia e de que maneira eles compreendem a necessidade de formação pedagógica para sua atuação como docentes. Para tanto, utilizando-nos dos princípios da pesquisa qualitativa e da abordagem sociocultural fundamentada nas narrativas dos professores a respeito da formação pedagógica, trouxemos reflexões sobre os embates, desafios e possibilidades inerentes a estas práticas. Os referenciais teóricos que nos auxiliaram na construção deste artigo foram os estudos de Moura (2008), Imbernom (2010), Kuenzer (2008), Ferry (2004), Nóvoa (1999), Isaia e Bolzan (2008) dentre outros. Assim, as reflexões decorrentes deste trabalho nos possibilitam afirmar que é essencial pensar em programas que favoreçam o desenvolvimento profissional dos docentes que atuam na Educação Profissional e Tecnológica. Neste contexto, mudanças significativas aconteceriam se ações relativas às questões éticas, afetivas e político-sociais fossem contempladas nos programas de formação docente. Palavras chaves: Formação continuada. Formação pedagógica de professores. Educação profissional e tecnológica. Introdução A temática referente à formação e ao desenvolvimento de docentes da Educação Profissional e Tecnológica é ainda um campo de investigação carente de estudos e acompanhamento contínuo, principalmente em relação à formação pedagógica desses profissionais. Moura (2008a) destaca que essa discussão não é novidade, no entanto, menciona que tentativas empreendidas em momentos anteriores não obtiveram resultados satisfatórios. Nesse sentido, a discussão a respeito da formação desses docentes, no atual contexto da Educação Profissional e Tecnológica, é praticamente inexistente, pois Junqueira&Marin Editores Livro 2 - p.004562 XVI ENDIPE - Encontro Nacional de Didática e Práticas de Ensino - UNICAMP - Campinas - 2012 2 poucos estudos teóricos e empíricos relatam o que vem sendo realizado neste campo. A implantação dos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia (IFS) é uma iniciativa das políticas de Estado que propõem uma reestruturação dos antigos Centros Federais de Educação Tecnológica (CEFETs), bem como das Escolas Agrícolas. Estes institutos devem atender as demandas crescentes de formação profissional existentes em cada região onde estiverem inseridos. Assim, a Lei. 11892 de 29 de dezembro de 2008 (BRASIL, 2008), a qual cria a Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica coloca como um dos objetivos dos Institutos Federais a destinação de no mínimo 50% de suas vagas para a Educação Básica. Estes cursos devem ser destinados, principalmente, ao Ensino Médio integrado à educação profissional técnica de nível médio, para os concluintes do Ensino Fundamental e para o público da Educação de Jovens e Adultos. Além disso, uma das premissas dos novos Institutos Federais é a de superar as barreiras entre o ensino técnico e o científico de modo que seja possível articular trabalho, ciência e cultura em uma perspectiva de emancipação humana (BRASIL, 2010). Os IFS estão também se comprometendo com a oferta de cursos superiores de tecnologia, licenciatura, bacharelado, programas de Pós-graduação lato e stricto sensu e cursos para a formação inicial e continuada de trabalhadores nas áreas em que a ciência e a tecnologia são determinantes. Ao considerarmos as especificidades e a estreita articulação entre os diferentes níveis e modalidades de ensino, pontuamos a necessária formação continuada dos profissionais. Assim, essa realidade exige que atentemos para os modos como vêm sendo constituídos os processos formativos dos docentes que atuam nos Institutos Federais. Neste sentido, Nóvoa (1999) pontua que a formação continuada é um processo individual de apropriação que depende da capacidade do sujeito de integrar um conjunto de possibilidades e informações, de assim transformar isso em material de formação, de conhecimento, de tornar-se professor. O autor aponta ainda que as práticas de formação precisam levar em conta dimensões coletivas, que possam contribuir para a emancipação profissional e para a autonomia dos docentes. Ao considerarmos esses aspectos, buscamos discutir a formação pedagógica do docente na especificidade da Educação Profissional e Tecnológica no contexto da Educação Básica. Assim, problematizamos a questão de como os docentes que atuam nos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia compreendem a relevância Junqueira&Marin Editores Livro 2 - p.004563 XVI ENDIPE - Encontro Nacional de Didática e Práticas de Ensino - UNICAMP - Campinas - 2012 3 da formação pedagógica para ser professor. Observamos que, embora a discussão em torno da formação pedagógica do professor da Educação Básica e Profissional tenha se ampliado, ainda existe a ideia de que a formação pedagógica para o exercício da docência é algo supérfluo e desnecessário. Com o intuito de aprofundar os estudos no campo da Educação Profissional e Tecnológica, especialmente sobre a temática da formação de professores que atuam nesse contexto, elegemos um Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do interior do Estado do Rio Grande do Sul como espaço de investigação. Essa escolha deve-se ao fato de uma das pesquisadoras ser professora em um Instituto Federal e estar vivenciando cotidianamente o desafio da qualificação. O estudo foi realizado em dois momentos complementares: no primeiro, realizamos a revisão bibliográfica e documental; e no segundo, a pesquisa empírica, por meio de uma abordagem narrativa sociocultural (CONNELLY E CLANDININ, 1995) fundamentada nas falas de seis professores sobre suas concepções acerca da formação pedagógica. Assim, a partir dessas narrativas, procuramos refletir sobre os embates, desafios e possibilidades inerentes às práticas de formação pedagógica para esses docentes. A formação pedagógica de professores para a Educação Profissional e Tecnológica no contexto da Educação Básica A formação de professores é um processo que vai se constituindo por meio das relações teórico-práticas experienciadas pelos docentes ao longo da atividade profissional. Assim, pensar a formação do profissional dessa realidade de ensino pressupõe compreender que este processo é contínuo, sistemático e organizado e deve levar em conta as exigências sociais, psicológicas, pessoais, contextuais e profissionais como parte do desenvolvimento profissional dos sujeitos (BOLZAN, 2008). Observamos que a educação e a formação docente, especialmente a partir dos anos 90, estiveram presentes no centro das reformas educacionais promovidas pelo governo federal no Brasil. A própria Lei de Diretrizes da Educação Nacional de 1996 (BRASIL, 1996) sinaliza as bases para as novas políticas de formação de professores, sendo que em seus artigos 61 a 67 define três campos de formação para os profissionais da educação: a inicial, destinada à formação de professores para a Educação Básica; a Junqueira&Marin Editores Livro 2 - p.004564 XVI ENDIPE - Encontro Nacional de Didática e Práticas de Ensino - UNICAMP - Campinas - 2012 4 pedagógica, aos portadores de diploma de ensino superior que queiram atuar na Educação Básica; e a formação continuada, destinada aos profissionais da educação dos diversos níveis de ensino. É nesse contexto que abordamos a formação de professores para a EPT, debatida com muito afinco na última década devido, não somente às mudanças na legislação, mas também à expansão do ensino técnico no Brasil. Observamos que a história da educação profissional é marcada pela forte ação de professores leigos enquanto a exigência da formação pedagógica é mais presente no início deste século. Estudos recentes sobre a temática da formação de professores para a Educação Profissional e Tecnológica apontam à necessidade de uma formação reflexiva a fim de que o professor não seja um subordinado à lógica do mercado, mas que tenha a compreensão do mundo do trabalho e das redes de relações que dizem respeito aos diferentes campos de atuação (MOLL, 2010, KUENZER, 2008, MACHADO, 2008, MOURA, 2008b). Segundo Kuenzer (2008) este profissional precisa formar-se para enfrentar e lidar com os diferentes entraves postos pela organização vigente de modo a ampliar as possibilidades de democratização do acesso a um ensino de qualidade. Para tanto, a referida autora, pontua três dimensões necessárias aos processos formativos de professores que atuam na Educação Profissional e Tecnológica. Portanto, na perspectiva de Kuenzer (2008), primeiramente, é necessário conhecer o contexto de atuação profissional e como ele se apresenta; na segunda dimensão a autora sublinha a importância de se ter clareza das especificidades da educação profissional em questão; e, como um terceiro ponto, Kuenzer ainda salienta que é preciso levar em conta as pesquisas já realizadas sobre a pedagogia do trabalho para então serem consideradas nos programas de formação de professores da EPT. Assim, ao se pensar em construir um programa de formação para os professores da EPT é imprescindível que os formadores tenham a compreensão das questões relativas ao mundo do trabalho, o conhecimento das especificidades de cada nível i (básico, técnico e tecnológico) de ensino deste contexto, como também, o conhecimento dos estudos e pesquisas que envolvem este campo. Machado (2008) alerta para a importância de reconhecer que a docência é muito mais que mera transmissão de conhecimentos empíricos ou processo de ensino de conteúdos esvaziados teoricamente. Segundo a autora, tal compreensão torna-se necessária a fim de que seja superado o histórico de fragmentação, improviso e Junqueira&Marin Editores Livro 2 - p.004565 XVI ENDIPE - Encontro Nacional de Didática e Práticas de Ensino - UNICAMP - Campinas - 2012 5 insuficiência de formação pedagógica que caracteriza a prática de muitos docentes da EPT. Buscando ainda os fundamentos legais para a formação de professores para a EPT destacamos o Parecer CNE/CS-5 (BRASIL, 2006) que aprecia Indicação CNE/CP2 (BRASIL, 2002) sobre Diretrizes Curriculares Nacionais para Cursos de Formação de Professores para a Educação Básica. O referido documento estabelece que a formação de professores no nível superior para a docência na educação profissional de nível técnico poderá se realizar por meio do aproveitamento de estudos ou de Programas Especiais de Formação Pedagógica de Docentes. Retomando o foco de discussão, os professores do Instituto em questão, sujeitos desta pesquisa, participaram de um Programa Especial de Graduação de Formação de Professores para a Educação Profissional, oferecido por uma universidade pública. O curso tinha como objetivo geral a formação de professores em nível superior para a docência na modalidade de Educação Profissional e Tecnológica. Além disso, os profissionais formados por este Programa Especial de Graduação receberam o grau equivalente à licenciatura plena na área específica de bacharelado, para a qual o mesmo já havia sido diplomado anteriormente. Tomando por base este programa de formação, salientamos que o mesmo atende ao Parecer CNE/CP 5 (BRASIL, 2006), especialmente, ao cumprir as Diretrizes Curriculares da Formação de Professores (BRASIL, 2002) no que concerne aos seus princípios, à carga horária total de 800 horas dedicadas à formação teórico-prática e ao estágio. Nessa direção, o programa mencionado vai além desta carga horária sugerida, totalizando 990 horas. Entretanto, salientamos que o curso de formação pedagógica não garante a formação para atuar com a especificidade da área, pois vários aspectos estão envolvidos neste processo, um deles diz respeito ao modo como os professores concebem essa formação. Nesse sentido, os estudos de Ferry (2004, p. 54) trazem contribuições importantes sobre este processo ao indicar que: […] una formación no se recibe. Nadie puede formar a otro. No se puede hablar de un formador y de un formado. Hablar de un formador, y de un formado es afirmar que hay un polo activo, el formador, y un polo pasivo, aquél que es formado. […] o sujeto se forma solo y por sus propios medios.ii Assim sendo, o sujeito em formação poderá ou não se desenvolver profissionalmente, dependendo de como ele se posiciona nesse processo e lugar. Ferry Junqueira&Marin Editores Livro 2 - p.004566 XVI ENDIPE - Encontro Nacional de Didática e Práticas de Ensino - UNICAMP - Campinas - 2012 6 (2004) afirma, ainda que “a experiencia de un trabajo profesional no puede ser formadora para aquel que la lleva a cabo, salvo si encuentra los medios de volver, de rever lo que ha hecho, de hacer un balance reflexivo”iii (ibid, p.56). As narrativas dos professores participantes deste estudo indicam o desejo de que suas trajetórias docentes sejam valorizadas no momento da formação, pois, o aprender a ser professor está relacionado com toda a experiência pessoal e profissional de cada docente, como se pode evidenciar na fala a seguir: Percebi um grande distanciamento da realidade, principalmente por parte das disciplinas pedagógicas. A nossa vivência, que já somos professores, não era valorizada. Tenho necessidade desses estudos, mas precisam estar mais próximos do meu contexto de trabalho. (Professor J.) Eu esperava mais da formação pedagógica. O curso está muito voltado para a educação infantil, que não é o publico de educação profissional, é outro. [...] Eu gosto mais das disciplinas da área da filosofia e da sociologia do que das pedagógicas. Eu tenho a percepção que qualquer aprendizado nos torna melhores, mas o curso que realizei não impactou de forma significativa a minha forma de ser professor (Professor A). No entanto, as falas de dois dos seis docentes participantes, vão ao encontro das necessidades formativas desses professores, conforme as narrativas dos professores C e L. Contribuiu no sentido de ampliar meus conhecimentos na área de educação, principalmente nos aspectos da atuação como docente. Como preparar aulas, entender ao aluno, construir conhecimentos juntos, métodos de avaliação. (Professor C.). A principal contribuição foram as discussões acerca do ensino-aprendizagem que, não fosse o curso, elas não aconteceriam. Estas discussões contribuíram principalmente na maneira de abordar as metodologias em turmas de níveis de ensino diferentes, como por exemplo, integrado x subsequente. (Professor L.) Entendemos assim que, para o professor da Educação Profissional e Tecnológica, mais relevante do que aprender conteúdos no curso de formação de professores, é a ação pedagógica que subjaz o ensino dos conteúdos. Portanto, um curso de formação pedagógica que venha ao encontro das necessidades formativas dos professores da EPT, durante as disciplinas do curso, deveria envolvê-los no processo de ensino e de aprendizagem, possibilitando-lhes identificar conhecimentos necessários à profissão. Ao considerarmos a formação continuada, essa não implica em tornar as situações de aprendizagem nesses cursos didaticamente semelhantes às situações de aprendizagem próprias da EPT. Contudo, faz-se necessário compreender o processo de aprendizagem do professor em formação continuada e problematizar as competências consideradas necessárias para a atuação desse docente. Junqueira&Marin Editores Livro 2 - p.004567 XVI ENDIPE - Encontro Nacional de Didática e Práticas de Ensino - UNICAMP - Campinas - 2012 7 Parece-nos importante que aqueles docentes que atuam na formação continuada dos professores da Educação Profissional e Tecnológica, busquem identificar quais necessidades formativas são inerentes à atividade do professor da Educação Profissional e Tecnológica, para que uma formação reflexiva e, principalmente, significativa se concretize. No contexto dos Institutos Federais, a partir das narrativas dos professores, observamos que a aprendizagem docente é um processo que vai se contribuindo individualmente, por tentativas, erros e acertos, tendo por pano de fundo as experiências prévias adquiridas ao longo da trajetória na Educação Básica e Superior. Nessa direção, Imbernón (2010, p. 47) contribui ao referir que a formação dos professores deveria: [...] apoiar, criar e potencializar uma reflexão real dos sujeitos sobre sua prática docente nas instituições educacionais e em outras instituições de modo que lhes permitisse examinar suas teorias implícitas, seus esquemas de funcionamento, suas atitudes, etc., estabelecendo de forma firme um processo constante de autoavaliação do que se faz e por que se faz. Desse modo, pensar a formação implica em questionar a forma como os próprios IFS concebem a formação pedagógica para os professores que neles atuam, uma vez que, de acordo com as narrativas, ainda é forte a concepção de formação pedagógica relacionada à ideia de transmissão de conhecimentos referentes a estratégias didáticopedagógicas que auxiliem a organizar e por em ação o trabalho em sala de aula. Seguem depoimentos que ilustram este processo: Constitui um conjunto de ações que visam dar ao indivíduo (professor que cursa) um embasamento fundamental para a realização da prática docente (Professor D). Está relacionado aos aspectos da atuação como docente. Como preparar aula, entender o aluno, construir conhecimento juntos, métodos de avaliação, etc... (Professor E). A formação pedagógica do professor nesta modalidade envolve dimensões bem mais amplas, uma vez que a atividade de ensino é complexa e demanda a superação da mera aplicação de metodologias e técnicas. Nesta perspectiva, a formação pedagógica vai além do desenvolvimento dos aspectos didáticos e metodológicos, abrange múltiplas facetas, como a apropriação de conhecimentos relativos aos aspectos político-sociais, éticos e teóricos do campo de atuação e do ser professor. E somado a esses aspectos, Machado (2008) pondera sobre a importância de atentar para as relações teóricopráticas na formação continuada. Na formação dos docentes para a educação profissional, é fundamental Junqueira&Marin Editores Livro 2 - p.004568 XVI ENDIPE - Encontro Nacional de Didática e Práticas de Ensino - UNICAMP - Campinas - 2012 8 trabalhar diferentes formas de realização da transposição didática dos conteúdos específicos considerando a complexa diversidade apresentada por esta modalidade educacional e pelas dimensões econômicas, sociais e culturais das demandas dos contextos profissionais para os quais se formam os alunos (ibid, p.23). Acreditamos que o professor da EPT em formação continuada, ao reconhecer a incompletude da sua formação será capaz de compreender a necessidade do conhecimento pedagógico para atuar. Nesse sentido, para que esse processo se efetive, os cursos de formação pedagógica precisam estar estruturados com uma orientação sistemática, organizada, e capaz de provocar o exercício da reflexão. Esse novo entendimento poderá favorecer o processo de qualificação docente. Nesse sentido, os estudos de Isaia e Bolzan (2008) e Maciel (2009) indicam a importância de uma ambiênciaiv docente para o desenvolvimento profissional e êxito nos processos formativos empreendidos pela instituição de trabalho dos professores. Salientamos assim, que o ingresso na Educação Profissional e Tecnológica requer um sujeito comprometido e aberto às novas possibilidades, buscando de forma permanente não apenas a atualização na sua área de formação específica, mas também na área pedagógica. Além disso, a formação pedagógica de professores precisa ser pensada de maneira interligada a outras necessidades, como o investimento em um projeto de formação construído nos próprios IFS, o qual esteja alicerçado na experiência profissional dos docentes. Dimensões conclusivas A reflexão sobre a literatura da área e as aprendizagens na análise das narrativas dos professores participantes do estudo nos permitem afirmar que é essencial pensar em programas capazes de favorecer o desenvolvimento profissional dos docentes que atuam na Educação Profissional e Tecnológica. Assim, um maior número de ações neste contexto contribuiria para que mudanças significativas acontecessem, trazendo mais qualidade ao trabalho realizado por professores da EPT. Ressaltamos que esta formação não deve ser construída apenas para responder a um aparato legal, ou então ficar limitada aos aspectos práticos (didáticos ou metodológicos) do cotidiano da sala de aula, todavia precisaria abranger dimensões relativas às questões éticas, afetivas e político-sociais envolvidas no fazer docente. Junqueira&Marin Editores Livro 2 - p.004569 XVI ENDIPE - Encontro Nacional de Didática e Práticas de Ensino - UNICAMP - Campinas - 2012 9 Nessa direção, a formação pedagógica a ser pensada para a EPT precisa contemplar essa multiplicidade de questões colocadas pelo próprio contexto no qual os professores estão inseridos. Por meio das falas aqui apresentadas, podemos constatar ainda que os professores estão exigindo o seu lugar como sujeitos da formação. Acreditamos, assim, que os próprios institutos de educação, ciência e tecnologia constituem-se como um espaço possível para que sejam desenvolvidos os programas voltados à formação pedagógica do professor da EPT, denotando, assim, o seu caráter de singularidade e de inovação. Portanto, a busca por um processo formativo participativo, no qual os professores compartilhem seus conhecimentos com seus pares e juntos construam alternativas para a aprendizagem da docência, resulta em uma nova maneira de compreender a formação pedagógica e um novo modo de fazer na Educação Profissional e Tecnológica. Referências Bibliográficas BOLZAN, D. P. V.; ISAIA, S. M. de A. Pedagogia universitária e processos formativos: a construção do conhecimento pedagógico compartilhado. In: XIV Encontro Nacional de Didática e Práticas de Ensino. Porto Alegre, RS: 2008 (anais). BRASIL. Lei n. 11.892, de 29 de dezembro de 2008. Institui da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica, cria os Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia e dá outras providências. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 30 dezembro, 2008. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11892.htm. Acesso em 15 fev. 2012. 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Lisboa: Dom Quixote, 1999. i A Educação profissional destina-se ao aluno matriculado no ensino fundamental, médio ou superior ou egresso deles, bem como ao trabalhador em geral, jovem ou adulto. Para tanto, apresenta-se em três níveis: básico, técnico e tecnológico. No nível básico está voltado para pessoas de qualquer nível de instrução, independente de escolarização prévia; no nível técnico voltado a proporcionar habilitação profissional a alunos matriculados ou egressos do ensino médio, podendo ser realizado de forma integrada ou subsequente; e no nível tecnológico refere-se a cursos de nível superior na área tecnológica, podendo ser realizado como graduação ou pós-graduação. Junqueira&Marin Editores Livro 2 - p.004571 XVI ENDIPE - Encontro Nacional de Didática e Práticas de Ensino - UNICAMP - Campinas - 2012 ii 11 Tradução livre: [...] uma formação não se recebe. Nada pode formar o outro. Não se pode falar em um formador e de um formado. Falar de um formador e de um formado é afirmar que há um pólo ativo, o formador, o um pólo passivo, aquele que é formado [...] o sujeito se forma só e por seus próprios meios. iii Tradução Livre: a experiência de um trabalho profissional não pode ser formadora para aquele que a leva a cabo, salvo se encontra os meios de voltar, de rever o que fez, de fazer um balanço reflexivo. iv Maciel (2009b, p. 64) ajuda-nos a compreender ambiência, quando, a partir de sua Tese de Doutorado, afirma que os espaços onde o docente do Ensino Superior exerce sua docência são “contextos que podem vir a ser dinamizados como ambiência profissionalizante, mediante processos mediadores, predominantemente sócio simbólico-culturais”. Junqueira&Marin Editores Livro 2 - p.004572