Universidade do Sul de Santa Catarina
Cálculo Integral nas
Ciências Sociais
Disciplina na modalidade a distância
Palhoça
UnisulVirtual
2011
Créditos
Universidade do Sul de Santa Catarina | Campus UnisulVirtual | Educação Superior a Distância
Avenida dos Lagos, 41 – Cidade Universitária Pedra Branca | Palhoça – SC | 88137-900 | Fone/fax: (48) 3279-1242 e 3279-1271 | E-mail: [email protected] | Site: www.unisul.br/unisulvirtual
Reitor
Ailton Nazareno Soares
Vice-Reitor
Sebastião Salésio Heerdt
Chefe de Gabinete da Reitoria
Willian Corrêa Máximo
Pró-Reitor de Ensino e
Pró-Reitor de Pesquisa,
Pós-Graduação e Inovação
Mauri Luiz Heerdt
Pró-Reitora de Administração
Acadêmica
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Pró-Reitor de Desenvolvimento
e Inovação Institucional
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Diretora do Campus
Universitário de Tubarão
Milene Pacheco Kindermann
Diretor do Campus Universitário
da Grande Florianópolis
Hércules Nunes de Araújo
Secretária-Geral de Ensino
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Diretora do Campus
Universitário UnisulVirtual
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Equipe UnisulVirtual
Diretor Adjunto
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Secretaria Executiva e Cerimonial
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Marcelo Fraiberg Machado
Tenille Catarina
Assessoria de Assuntos
Internacionais
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Assessoria de Relação com Poder
Público e Forças Armadas
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Assessoria DAD - Disciplinas a
Distância
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Assessoria de Inovação e
Qualidade de EAD
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Andrea Ouriques Balbinot
Carmen Maria Cipriani Pandini
Assessoria de Tecnologia
Osmar de Oliveira Braz Júnior (Coord.)
Felipe Fernandes
Felipe Jacson de Freitas
Jefferson Amorin Oliveira
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Priscila da Silva
Rodrigo Battistotti Pimpão
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Coordenação Cursos
Coordenadores de UNA
Diva Marília Flemming
Marciel Evangelista Catâneo
Roberto Iunskovski
Auxiliares de Coordenação
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Camile Martinelli Silveira
Fabiana Lange Patricio
Tânia Regina Goularte Waltemann
Coordenadores Graduação
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Bernardino José da Silva
Charles Odair Cesconetto da Silva
Dilsa Mondardo
Diva Marília Flemming
Horácio Dutra Mello
Itamar Pedro Bevilaqua
Jairo Afonso Henkes
Janaína Baeta Neves
Jorge Alexandre Nogared Cardoso
José Carlos da Silva Junior
José Gabriel da Silva
José Humberto Dias de Toledo
Joseane Borges de Miranda
Luiz G. Buchmann Figueiredo
Marciel Evangelista Catâneo
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Maria da Graça Poyer
Mauro Faccioni Filho
Moacir Fogaça
Nélio Herzmann
Onei Tadeu Dutra
Patrícia Fontanella
Roberto Iunskovski
Rose Clér Estivalete Beche
Vice-Coordenadores Graduação
Adriana Santos Rammê
Bernardino José da Silva
Catia Melissa Silveira Rodrigues
Horácio Dutra Mello
Jardel Mendes Vieira
Joel Irineu Lohn
José Carlos Noronha de Oliveira
José Gabriel da Silva
José Humberto Dias de Toledo
Luciana Manfroi
Rogério Santos da Costa
Rosa Beatriz Madruga Pinheiro
Sergio Sell
Tatiana Lee Marques
Valnei Carlos Denardin
Sâmia Mônica Fortunato (Adjunta)
Coordenadores Pós-Graduação
Aloísio José Rodrigues
Anelise Leal Vieira Cubas
Bernardino José da Silva
Carmen Maria Cipriani Pandini
Daniela Ernani Monteiro Will
Giovani de Paula
Karla Leonora Dayse Nunes
Letícia Cristina Bizarro Barbosa
Luiz Otávio Botelho Lento
Roberto Iunskovski
Rodrigo Nunes Lunardelli
Rogério Santos da Costa
Thiago Coelho Soares
Vera Rejane Niedersberg Schuhmacher
Gerência Administração
Acadêmica
Angelita Marçal Flores (Gerente)
Fernanda Farias
Secretaria de Ensino a Distância
Samara Josten Flores (Secretária de Ensino)
Giane dos Passos (Secretária Acadêmica)
Adenir Soares Júnior
Alessandro Alves da Silva
Andréa Luci Mandira
Cristina Mara Schauffert
Djeime Sammer Bortolotti
Douglas Silveira
Evilym Melo Livramento
Fabiano Silva Michels
Fabricio Botelho Espíndola
Felipe Wronski Henrique
Gisele Terezinha Cardoso Ferreira
Indyanara Ramos
Janaina Conceição
Jorge Luiz Vilhar Malaquias
Juliana Broering Martins
Luana Borges da Silva
Luana Tarsila Hellmann
Luíza Koing Zumblick
Maria José Rossetti
Marilene de Fátima Capeleto
Patricia A. Pereira de Carvalho
Paulo Lisboa Cordeiro
Paulo Mauricio Silveira Bubalo
Rosângela Mara Siegel
Simone Torres de Oliveira
Vanessa Pereira Santos Metzker
Vanilda Liordina Heerdt
Gestão Documental
Patrícia de Souza Amorim
Poliana Simao
Schenon Souza Preto
Karine Augusta Zanoni
Marcia Luz de Oliveira
Mayara Pereira Rosa
Luciana Tomadão Borguetti
Gerência de Desenho e
Desenvolvimento de Materiais
Didáticos
Assuntos Jurídicos
Márcia Loch (Gerente)
Bruno Lucion Roso
Sheila Cristina Martins
Desenho Educacional
Marketing Estratégico
Rafael Bavaresco Bongiolo
Carolina Hoeller da Silva Boing
Vanderlei Brasil
Francielle Arruda Rampelotte
Cristina Klipp de Oliveira (Coord. Grad./DAD)
Roseli A. Rocha Moterle (Coord. Pós/Ext.)
Aline Cassol Daga
Aline Pimentel
Carmelita Schulze
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Delma Cristiane Morari
Eliete de Oliveira Costa
Eloísa Machado Seemann
Flavia Lumi Matuzawa
Geovania Japiassu Martins
Isabel Zoldan da Veiga Rambo
João Marcos de Souza Alves
Leandro Romanó Bamberg
Lygia Pereira
Lis Airê Fogolari
Luiz Henrique Milani Queriquelli
Marcelo Tavares de Souza Campos
Mariana Aparecida dos Santos
Marina Melhado Gomes da Silva
Marina Cabeda Egger Moellwald
Mirian Elizabet Hahmeyer Collares Elpo
Pâmella Rocha Flores da Silva
Rafael da Cunha Lara
Roberta de Fátima Martins
Roseli Aparecida Rocha Moterle
Sabrina Bleicher
Verônica Ribas Cúrcio
Reconhecimento de Curso
Acessibilidade
Multimídia
Lamuniê Souza (Coord.)
Clair Maria Cardoso
Daniel Lucas de Medeiros
Jaliza Thizon de Bona
Guilherme Henrique Koerich
Josiane Leal
Marília Locks Fernandes
Gerência Administrativa e
Financeira
Renato André Luz (Gerente)
Ana Luise Wehrle
Anderson Zandré Prudêncio
Daniel Contessa Lisboa
Naiara Jeremias da Rocha
Rafael Bourdot Back
Thais Helena Bonetti
Valmir Venício Inácio
Gerência de Ensino, Pesquisa e
Extensão
Janaína Baeta Neves (Gerente)
Aracelli Araldi
Elaboração de Projeto
Maria de Fátima Martins
Extensão
Maria Cristina Veit (Coord.)
Pesquisa
Daniela E. M. Will (Coord. PUIP, PUIC, PIBIC)
Mauro Faccioni Filho (Coord. Nuvem)
Pós-Graduação
Anelise Leal Vieira Cubas (Coord.)
Biblioteca
Salete Cecília e Souza (Coord.)
Paula Sanhudo da Silva
Marília Ignacio de Espíndola
Renan Felipe Cascaes
Gestão Docente e Discente
Enzo de Oliveira Moreira (Coord.)
Capacitação e Assessoria ao
Docente
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Elizete De Marco
Fabiana Pereira
Iris de Souza Barros
Juliana Cardoso Esmeraldino
Maria Lina Moratelli Prado
Simone Zigunovas
Tutoria e Suporte
Anderson da Silveira (Núcleo Comunicação)
Claudia N. Nascimento (Núcleo Norte-
Nordeste)
Maria Eugênia F. Celeghin (Núcleo Pólos)
Andreza Talles Cascais
Daniela Cassol Peres
Débora Cristina Silveira
Ednéia Araujo Alberto (Núcleo Sudeste)
Francine Cardoso da Silva
Janaina Conceição (Núcleo Sul)
Joice de Castro Peres
Karla F. Wisniewski Desengrini
Kelin Buss
Liana Ferreira
Luiz Antônio Pires
Maria Aparecida Teixeira
Mayara de Oliveira Bastos
Michael Mattar
Vanessa de Andrade Manoel (Coord.)
Letícia Regiane Da Silva Tobal
Mariella Gloria Rodrigues
Vanesa Montagna
Avaliação da aprendizagem
Portal e Comunicação
Catia Melissa Silveira Rodrigues
Andreia Drewes
Luiz Felipe Buchmann Figueiredo
Rafael Pessi
Gerência de Produção
Arthur Emmanuel F. Silveira (Gerente)
Francini Ferreira Dias
Design Visual
Pedro Paulo Alves Teixeira (Coord.)
Alberto Regis Elias
Alex Sandro Xavier
Anne Cristyne Pereira
Cristiano Neri Gonçalves Ribeiro
Daiana Ferreira Cassanego
Davi Pieper
Diogo Rafael da Silva
Edison Rodrigo Valim
Fernanda Fernandes
Frederico Trilha
Jordana Paula Schulka
Marcelo Neri da Silva
Nelson Rosa
Noemia Souza Mesquita
Oberdan Porto Leal Piantino
Sérgio Giron (Coord.)
Dandara Lemos Reynaldo
Cleber Magri
Fernando Gustav Soares Lima
Josué Lange
Claudia Gabriela Dreher
Jaqueline Cardozo Polla
Nágila Cristina Hinckel
Sabrina Paula Soares Scaranto
Thayanny Aparecida B. da Conceição
Conferência (e-OLA)
Gerência de Logística
Marcelo Bittencourt (Coord.)
Jeferson Cassiano A. da Costa (Gerente)
Logísitca de Materiais
Carlos Eduardo D. da Silva (Coord.)
Abraao do Nascimento Germano
Bruna Maciel
Fernando Sardão da Silva
Fylippy Margino dos Santos
Guilherme Lentz
Marlon Eliseu Pereira
Pablo Varela da Silveira
Rubens Amorim
Yslann David Melo Cordeiro
Avaliações Presenciais
Graciele M. Lindenmayr (Coord.)
Ana Paula de Andrade
Angelica Cristina Gollo
Cristilaine Medeiros
Daiana Cristina Bortolotti
Delano Pinheiro Gomes
Edson Martins Rosa Junior
Fernando Steimbach
Fernando Oliveira Santos
Lisdeise Nunes Felipe
Marcelo Ramos
Marcio Ventura
Osni Jose Seidler Junior
Thais Bortolotti
Gerência de Marketing
Eliza B. Dallanhol Locks (Gerente)
Relacionamento com o Mercado
Alvaro José Souto
Relacionamento com Polos
Presenciais
Alex Fabiano Wehrle (Coord.)
Jeferson Pandolfo
Carla Fabiana Feltrin Raimundo (Coord.)
Bruno Augusto Zunino
Gabriel Barbosa
Produção Industrial
Gerência Serviço de Atenção
Integral ao Acadêmico
Maria Isabel Aragon (Gerente)
Ana Paula Batista Detóni
André Luiz Portes
Carolina Dias Damasceno
Cleide Inácio Goulart Seeman
Denise Fernandes
Francielle Fernandes
Holdrin Milet Brandão
Jenniffer Camargo
Jessica da Silva Bruchado
Jonatas Collaço de Souza
Juliana Cardoso da Silva
Juliana Elen Tizian
Kamilla Rosa
Mariana Souza
Marilene Fátima Capeleto
Maurício dos Santos Augusto
Maycon de Sousa Candido
Monique Napoli Ribeiro
Priscilla Geovana Pagani
Sabrina Mari Kawano Gonçalves
Scheila Cristina Martins
Taize Muller
Tatiane Crestani Trentin
Clarice Borges de Miranda
Joseane Borges de Miranda
Cálculo Integral nas
Ciências Sociais
Livro didático
Design instrucional
Marina Melhado Gomes da Silva
Palhoça
UnisulVirtual
2011
Copyright © UnisulVirtual 2011
Nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida por qualquer meio sem a prévia autorização desta instituição.
Edição – Livro Didático
Professor Conteudista
Clarice Borges de Miranda
Joseane Borges de Miranda
Designer Instrucional
Marina Melhado Gomes da Silva
ISBN
978-85-7817-373-9
Projeto Gráfico e Capa
Equipe UnisulVirtual
Diagramação
Fernanda Fernandes
Revisão
Smirna Cavalheiro
515.33
M64 Miranda, Clarice Borges de
Cálculo integral nas ciências sociais : livro didático / Clarice Borges de
Miranda, Joseane Borges de Miranda ; design instrucional Marina Melhado
Gomes da Silva. – Palhoça : UnisulVirtual, 2011.
214 p. : il. ; 28 cm.
Inclui bibliografia.
ISBN 978-85-7817-373-9
1. Cálculo integral. 2. Cálculo diferencial. I. Miranda, Joseane Borges de.
II. Silva, Marina Melhado Gomes da. III. Título.
Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca Universitária da Unisul
Sumário
Apresentação. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7
Palavras da(s) professora(s). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9
Plano de estudo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11
UNIDADE 1 - Integral indefinida. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17
UNIDADE 2 - Métodos de integração. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 39
UNIDADE 3 - Integral definida. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 63
UNIDADE 4 - Aplicação da integral definida . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 99
UNIDADE 5 - Álgebra matricial aplicada a um problema
de Econometria . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 127
Para concluir o estudo. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 169
Referências. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 171
Sobre as professoras conteudistas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 173
Respostas e comentários das atividades de autoavaliação. . . . . . . . . . . . . . 175
Biblioteca Virtual. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 213
Apresentação
Este livro didático corresponde à disciplina Cálculo Integral nas
Ciências Sociais.
O material foi elaborado visando a uma aprendizagem autônoma
e aborda conteúdos especialmente selecionados e relacionados
à sua área de formação. Ao adotar uma linguagem didática
e dialógica, objetivamos facilitar seu estudo a distância,
proporcionando condições favoráveis às múltiplas interações e a
um aprendizado contextualizado e eficaz.
Lembre que sua caminhada, nesta disciplina, será acompanhada
e monitorada constantemente pelo Sistema Tutorial da
UnisulVirtual, por isso a “distância” fica caracterizada somente
na modalidade de ensino que você optou para sua formação, pois
na relação de aprendizagem professores e instituição estarão
sempre conectados com você.
Então, sempre que sentir necessidade entre em contato; você tem
à disposição diversas ferramentas e canais de acesso tais como:
telefone, e-mail e o Espaço Unisul Virtual de Aprendizagem,
que é o canal mais recomendado, pois tudo o que for enviado e
recebido fica registrado para seu maior controle e comodidade.
Nossa equipe técnica e pedagógica terá o maior prazer em lhe
atender, pois sua aprendizagem é o nosso principal objetivo.
Bom estudo e sucesso!
Equipe UnisulVirtual.
7
Palavras da(s) professora(s)
Prezado(a) acadêmico(a),
A organização deste material didático se esmerou para chegar
ao máximo de seu aproveitamento e, desta forma, incentivar
sua aprendizagem autônoma. Não é novidade que qualquer
disciplina que comece com a palavra cálculo cause certo temor
a quem está aprendendo, principalmente aos que estavam
afastados das salas de aula há muito tempo. Mas não se
preocupe! Se você chegou até os estudos de Cálculo Integral nas
Ciências Sociais, certamente já superou muitas dificuldades e
está pronto para iniciar o estudo dos conteúdos desta disciplina.
O mundo globalizado requer decisões rápidas e precisas,
pois evitarão prejuízos ou custos desnecessários para uma
organização produtiva ou para os cofres públicos. Minimizando
os custos, no entanto, o benefício geral será sempre maior.
É muito importante o aprendizado de técnicas matemáticas
para a resolução de problemas e minimização de custo e de
tempo nas Ciências Sociais, envolvendo variáveis macro e
microeconômicas que farão parte das decisões estratégicas e
desafios da sua profissão. Para tanto, são necessárias algumas
técnicas e métodos matemáticos que facilitarão essas análises
de impactos internos e externos.
Dentre elas, você estudará integrais definidas e indefinidas, que
permitem avaliações de áreas que são aplicadas nas resoluções
de problemas tais como investimento de capitais, renda e
consumo e desafios do consumidor e do produtor. Além disso,
uma introdução à álgebra matricial facilitará a compreensão de
problemas econométricos. Esses ferramentais de cálculo são
suporte para a aplicação de teorias nas Ciências Sociais.
Embarque neste desafio conosco. Bons estudos!
Profa. Clarice Borges de Miranda
Profa. Joseane Borges de Miranda
Plano de estudo
O plano de estudos visa a orientá-lo no desenvolvimento da
disciplina. Ele possui elementos que o ajudarão a conhecer o
contexto da disciplina e a organizar o seu tempo de estudos.
O processo de ensino e aprendizagem na UnisulVirtual leva
em conta instrumentos que se articulam e se complementam,
portanto, a construção de competências se dá sobre a
articulação de metodologias e por meio das diversas formas de
ação/mediação.
São elementos desse processo:
„„
o livro didático;
„„
o Espaço UnisulVirtual de Aprendizagem (EVA);
„„
„„
as atividades de avaliação (a distância, presenciais e de
autoavaliação);
o Sistema Tutorial.
Ementa
Métodos de integração. Integral definida. Aplicações da
integral definida nas Ciências Sociais.
Universidade do Sul de Santa Catarina
Objetivos
Geral
Possibilitar ao aluno o desenvolvimento de competências e
habilidades para compreender e desenvolver ferramentas do
cálculo diferencial para resolver problemas inerentes à tomada de
decisão nas Ciências Sociais.
Específicos
„„
Compreender a relação entre integral e derivada.
„„
Calcular a integral de funções reais.
„„
Reconhecer e aplicar os métodos de integração.
„„
„„
„„
Compreender a relação entre o cálculo da área sob uma
curva e o cálculo da integral definida de funções reais.
Aplicar as regras de integração a conceitos das Ciências
Sociais.
Compreender as definições e operações.
Carga Horária
A carga horária total da disciplina é 60 horas-aula.
12
Cálculo Integral nas Ciências Sociais
Conteúdo programático/objetivos
Veja, a seguir, as unidades que compõem o livro didático desta
disciplina e os seus respectivos objetivos. Estes se referem aos
resultados que você deverá alcançar ao final de uma etapa de
estudo. Os objetivos de cada unidade definem o conjunto de
conhecimentos que você deverá possuir para o desenvolvimento
de habilidades e competências necessárias à sua formação.
Unidades de estudo: 5
Unidade 1– Integral indefinida
Esta unidade apresentará a definição de integral, a relação
entre cálculo diferencial e cálculo integral, as regras básicas,
as propriedades e algumas aplicações utilizando as regras de
integração indefinida.
Unidade 2 – Métodos de integração
Nesta unidade, estudaremos dois métodos de integração: o método
integração por substituição e o método integração por partes, além
de algumas aplicações utilizando os métodos de integração.
Unidade 3 – Integral definida
A integral definida será abordada através de sua interpretação
geométrica e através do teorema fundamental do cálculo. Será
estabelecida a sua relação com o cálculo diferencial. Todas as
regras e métodos estudados na unidade 1 serão retomados para
calcular as integrais definidas.
13
Universidade do Sul de Santa Catarina
Unidade 4 – Aplicação da integral definida
Todas as ferramentas trabalhadas nas unidades anteriores serão
aplicadas aos seguintes conceitos: renda nacional, consumo e
poupança, excedente do consumidor, excedente do produtor,
investimento e formação de capital.
Unidade 5 – Álgebra matricial aplicada a um problema de Econometria
A álgebra matricial é uma ferramenta de resolução de problemas
tão importante quanto o cálculo integral. Por este motivo,
decidimos abordar este assunto aqui nesta disciplina para que
você tenha um suporte para as disciplinas posteriores. Os
conceitos e propriedades de matrizes serão abordados conforme
a necessidade de resolução de um problema de econometria que
será apresentado.
14
Cálculo Integral nas Ciências Sociais
Agenda de atividades/Cronograma
„„
„„
„„
Verifique com atenção o EVA, organize-se para acessar
periodicamente a sala da disciplina. O sucesso nos seus
estudos depende da priorização do tempo para a leitura,
da realização de análises e sínteses do conteúdo e da
interação com os seus colegas e professor.
Não perca os prazos das atividades. Registre no espaço
a seguir as datas com base no cronograma da disciplina
disponibilizado no EVA.
Use o quadro para agendar e programar as atividades
relativas ao desenvolvimento da disciplina.
Atividades obrigatórias
Demais atividades (registro pessoal)
15
unidade 1
Integral indefinida
Objetivos de aprendizagem
„„
Compreender a relação entre integral e derivada.
„„
Introduzir a definição de integral indefinida.
„„
Calcular integral de funções reais.
„„
Aplicar a integral indefinida a problemas que envolvem
conceitos de Ciências Sociais.
Seções de estudo
Seção 1
Primitiva
Seção 2
Definição de integral indefinida
Seção 3
Regras básicas de integração
Seção 4
Aplicações da integral indefinida
1
Universidade do Sul de Santa Catarina
Para início de estudo
Ao estudar cálculo diferencial, você foi apresentado ao conceito e
às técnicas de derivação e aplicou essas técnicas a problemas que
envolviam as taxas de variação de uma quantidade em relação à
outra. Agora o nosso objetivo é o inverso, ou seja, o estudo do
cálculo integral vai nos possibilitar descobrir a relação entre duas
quantidades conhecendo sua taxa de variação.
Podemos afirmar que há uma relação muito forte entre cálculo
diferencial e cálculo integral, bem como podemos dizer que esta
relação tem a mesma ideia das operações inversas. Duas operações
são inversas quando uma “desfaz” o que a outra “faz”, como, por
exemplo: multiplicação e divisão 5 × 3 = 15 15 ÷ 3 = 5.
A partir do cálculo diferencial, explicaremos as definições e
provaremos as regras e propriedades do cálculo integral.
Seção 1 – Primitiva
Para entendermos a definição de integral indefinida, é preciso
conhecer outra definição: a de funções primitivas.
Uma função F é chamada uma primitiva de sobre um
intervalo I se F’(x) = (x) para todo x em I.
Temos, então, que uma primitiva F é a função cuja derivada é a .
Exemplo 1: F (x) = x3 é uma primitiva de (x) = 3x, pois
F ’(x) = (x3)’ = 3x = (x).
Exemplo 2: F(x) = 2x2 é uma primitiva de (x) = 4x, pois
F ’(x) = (2x2)’ = 4x = (x).
Exemplo 3: F(x) = 2x + ex é uma primitiva de (x) = 2 + ex, pois
F ’(x) = (2x + ex)’ = 2 + ex = (x).
18
Cálculo Integral nas Ciências Sociais
Mas uma função (x) não tem uma única primitiva. Para mostrar
este fato, vamos considerar (x) = 3x, sua primitiva F(x) = x3 e
analisar duas funções:
H(x) = x3 + 2 e G(x) = x3 + 5
Observe a derivada de H(x) e G(x):
H'(x) = (x3 + 2)' = 3x + 0 = 3x = (x)
G'(x) = (x3 + 5)' = 3x + 0 = 3x = (x).
Pela definição, H'(x) e G'(x) também são primitivas da função
(x) = 3x. Portanto, podemos concluir que: a partir de F, uma
primitiva já conhecida de para encontrar outras primitivas basta
adicionar uma constante. Note que H(x) = F(x) + 2 e G(x) = F(x) + 5
O teorema a seguir afirma que, dada uma primitiva, para
encontrar outra basta adicionar uma constante qualquer (a
demonstração será omitida).
Teorema: Seja F uma primitiva de uma função . Então,
qualquer primitiva de G de deve ser da forma
G(x) = F(x) + C, onde C é uma constante.
Uma consequência imediata do teorema é que, dada uma função,
se existe uma primitiva, existem infinitas, pois basta adicionar
uma constante qualquer à primitiva.
Exemplo 4: Seja a função
. Mostre que F é
4
uma primitiva de (x) = x + 4x e escreva uma expressão para
todas as primitivas de :
Solução: Para mostrar basta derivar F e verificar se é igual a :
= x4 + 4x + 0 = x4 + 4x = (x)
Portanto, F é uma primitiva de . Como o teorema afirma que
basta somar uma constante qualquer, então
+ C, onde C é uma constante.
Unidade 1
19
Universidade do Sul de Santa Catarina
Para a compreensão dos exemplos,
relembre as regras de derivação.
Exemplo 5: Sejam F(x) = 3x + 2, G(x)= 3x + 8 e H(x) = 3x + C,
onde C é uma constante, prove que F, G e H são primitivas da
função ƒ, definida por ƒ(x) = 3.
Solução: Para provar que F, G e H são primitivas de ƒ, basta
derivar cada uma das funções, então:
F ’(x) = (3x + 2)’ = 3 + 0 = 2 = ƒ(x)
G’(x) = (3x + 8)’ = 3 + 0 = 2 = ƒ(x)
H’(x) = (3x + C)’ = 3 + 0 = 2 = ƒ(x)
Portanto, F, G e H são primitivas de ƒ.
Exemplo 6: Prove que a função G(x) = 2x é uma primitiva
da função ƒ(x) = 2. Escreva uma expressão geral para as
primitivas de ƒ:
Solução: Derivando G(x), temos:
G’(x) = (2x)’ = 2 = ƒ(x).
Então, G(x) = 2x é uma primitiva de ƒ(x) = 2. Para encontrar
uma expressão geral, basta adicionar uma constante, ou seja,
G(x) = 2x + C, onde C é uma constante qualquer.
Seção 2 – Definição de integral indefinida
Na seção anterior, apresentamos a definição de primitivas de
uma função, mas não foi formalizado o processo para determinar
todas as primitivas de uma função, denominado integração. Para
indicar que a operação de integração deve ser executada sobre
uma função, é usado o símbolo ∫, chamado de sinal de integração,
da seguinte forma:
20
Cálculo Integral nas Ciências Sociais
Leia-se: [“a integral indefinida ƒ(x) em relação à x é igual a F(x)
mais C”], onde ƒ é o integrando, C é a constante de integração,
dx indica que a operação é sobre a variável independente x.
Atenção: Se a variável independente for y, temos
, ou seja, a integral indefinida é calculada
sobre a variável y.
A integral indefinida de uma função é a família de
primitivas desta função, representada acima por
F(x) = C , onde F(x) é uma primitiva particular de ƒ e C é
uma constante arbitrária.
No exemplo 6 da seção 1, o enunciado pede uma expressão
geral para as primitivas de ƒ. Este problema pode ser rescrito da
seguinte forma:
Exemplo 1: Encontre a integral indefinida
:
Solução: Como já conhecemos uma primitiva de ƒ(x) = 2,
temos:
Utilizando a definição de integrais indefinidas e as
informações dos exemplos da seção 1, mesmo sem conhecer
as regras, propriedades e os métodos de integração, podemos
compreender os seguintes exemplos:
Exemplo 2:
Exemplo 3:
Exemplo 4:
Unidade 1
21
Universidade do Sul de Santa Catarina
Seção 3 – Regras básicas de integração
Para calcular a integral indefinida não é preciso ficar adivinhando
as primitivas do integrando, pois existem regras, propriedades
e métodos para facilitar o cálculo integral. Nesta seção,
estudaremos algumas regras básicas e propriedades de integração.
Todas as regras serão provadas através do cálculo diferencial e,
para melhor compreensão, seguidas de exemplos.
Em todas as regras e propriedades, vamos considerar o
integrando ƒ e a primitiva F(x).
Regra 1: Integral indefinida de uma constante
(k uma constante)
A integral indefinida de uma função constante é igual à constante
multiplicada pela variável independente mais uma constante
arbitrária.
Prova: Vamos derivar a primitiva F'(x) = (k + C)' = k + 0 = k.
Como temos dx, a variável independente é x.
Note que
, dy indica que a integral indefinida
é
é sobre a variável independente y. Portanto,
uma integral indefinida de uma constante, então:
= ty + C.
Exemplo 1: Calcule as seguintes integrais indefinidas:
a)
e é um número irracional cujo valor
é 2,7182818....
22
b)
c)
Cálculo Integral nas Ciências Sociais
Solução: Nas três integrais indefinidas o integrando é uma
constante, então basta aplicar a regra 1:
a)
b)
c)
Regra 2: Integral indefinida de uma potência
(n ≠ - 1)
A integral indefinida de uma potência é igual a outra função
potência com expoente aumentado em uma unidade, dividida
pelo novo expoente mais uma constante.
Prova: Para provar esta regra, vamos relembrar como se deriva
uma potência.
Basta diminuir o expoente em uma unidade e multiplicar a
expressão pelo expoente.
Agora, é só aplicar a regra de derivação:
Exemplo 2: Calcule as seguintes integrais indefinidas:
a)
b)
c)
Solução: Todos os integrandos são funções potências com
expoente. Para aplicar a regra 2, aumentaremos em uma
unidade o expoente do integrando e dividiremos a expressão
pelo novo expoente; ou seja, exatamente o contrário da
derivação:
a)
b)
Unidade 1
23
Universidade do Sul de Santa Catarina
c)
Se você encontrou dificuldade para compreender
a resolução dos itens b e c, pesquise sobre soma de
frações e propriedade de potência. Retome o material
visto na disciplina de Tópicos de Matemática Elementar I
ou pesquise na bibliografia listada no saiba mais.
Regra 3: A integral indefinida de uma função exponencial
(a > 0)
logea = ln a, logaritmo de base e é
igual a ln.
A integral indefinida de uma função exponencial é igual à mesma
função exponencial, dividida por logaritmo de a (base da função
exponencial), na base e mais uma constante.
Prova: Vamos aplicar a regra de derivação de funções
exponenciais:
Um caso particular da integral indefinida de uma função
exponencial é quando temos como base da potência o número e.
Note:
A integral definida da função exponencial com base e é igual à
própria função, isto ocorre porque ln e = 1.
24
Cálculo Integral nas Ciências Sociais
Exemplo 3: Calcule as integrais indefinidas:
a)
b)
Solução: Os integrandos das integrais indefinidas são funções
exponenciais. Portanto, vamos aplicar diretamente a regra 3:
a)
b)
Regra 4: A integral indefinida de uma potência quando n = –1
A integral indefinida de uma potência, quando n = –1, é igual
ao logaritmo do módulo da base da potência na base e mais uma
constante.
Prova: Para provar a regra 4, temos que lembrar como se deriva
ln x:
Exemplo 4: Calcule a integral indefinida
Solução: Como
, então basta aplicar a regra 4:
Unidade 1
25
Universidade do Sul de Santa Catarina
Propriedades
Além dessas quatro regras sobre as integrais indefinidas
imediatas, temos duas propriedades que facilitam o cálculo das
integrais indefinidas. São elas:
Propriedade 1 – A integral indefinida de uma função
multiplicada por uma constante:
(c é uma constante)
Quando um fator constante multiplica o integrando, este fator
pode ser passado para fora da integral indefinida.
Exemplo 5: Calcule as integrais indefinidas:
a)
b)
c)
Soluções:
a) O integrando é uma função potência multiplicada
por uma constante, sendo que primeiro aplicamos a
propriedade 1, depois a regra 2.
onde C = 3K. Se K é uma constante arbitrária,
multiplicada por outra constante não nula, o resultado
é uma constante arbitrária.
b)O integrando é uma função exponencial multiplicada
por uma constante, sendo que primeiro aplicamos a
propriedade 1, depois a regra 3:
Note que omitimos a multiplicação das constantes,
pois não é necessário indicar.
26
Cálculo Integral nas Ciências Sociais
c) O integrando é uma função potência com
expoente n = –1, sendo que primeiro aplicamos a
propriedade 1, depois a regra 4:
Propriedade 2 – A integral indefinida da soma e subtração de
funções.
Quando a integral indefinida envolve uma soma ou uma
subtração de duas ou mais funções, podemos calcular a soma ou
subtração de suas integrais indefinidas.
Exemplo 6: Calcule as integrais indefinidas:
a)
b)
Soluções:
a) Primeiro vamos aplicar a propriedade 2:
Temos que a primeira integral indefinida é uma função
potência, então se aplica a regra 2. Já a segunda é uma
função exponencial com base e, por isso aplica-se a regra
3. A terceira é uma função constante, assim aplica-se a
regra 1.
Unidade 1
27
Universidade do Sul de Santa Catarina
Como C1, C2 e C3 são constantes arbitrárias, o
resultado após somá-las e subtraí-las é uma constante
arbitrária. Portanto,
b)Primeiro vamos aplicar a propriedade 2:
Note que nas duas primeiras integrais indefinidas o
integrando está multiplicado por uma constante, então
aplicaremos a propriedade 1:
Para cada integral indefinida aplica-se a regra de acordo com
o integrando, sendo que a primeira o integrando é uma função
potência, a segunda, uma exponencial de base e e, a terceira,
uma função constante.
Como C1, C2 e C3 são constantes arbitrárias, o resultado, após
multiplicá-las por constantes não nulas, somá-las e subtraí-las,
é uma constante arbitrária. Portanto,
Para facilitar seu estudo, segue o quadro que contém todas as
regras e propriedades apresentadas nesta seção:
28
Cálculo Integral nas Ciências Sociais
REGRA/PROPRIEDADE
FUNÇÃO
Integral indefinida de uma
constante
ƒ(x) = k
k uma constante
Integral indefinida de uma
potência
ƒ(x) = xn
INTEGRAL INDEFINIDA
n ≠ –1
A integral indefinida de
uma função exponencial
ƒ(x) = a x
a>0
A integral indefinida de
uma função exponencial
(base e)
ƒ(x) = ex
A integral indefinida de
uma potência quando
n = –1
ƒ(x) = x–1
A integral indefinida de
uma função multiplicada
por uma constante
Qualquer função
A integral indefinida da
soma de funções
Quaisquer funções
A integral indefinida da
subtração de funções
Quaisquer funções
Quadro 1.1 – Resumo das fórmulas da seção
Fonte: Elaboração das autoras (2011).
Seção 4 – Aplicações da integral indefinida
Nosso objetivo em estudar o cálculo integral é saber a relação
entre duas quantidades, conhecendo sua taxa de variação.
Agora que já conhecemos as regras e propriedades de integral
indefinida, podemos aplicá-las a alguns problemas, conforme
seguem os exemplos de aplicação de integral indefinida:
Exemplo 1: A circulação de certa revista é de 2000 exemplares
por semana. O editor-chefe da revista projeta uma taxa de
crescimento de
exemplares por semana, daqui a t
semanas, pelos próximos dois anos. Com base nesta projeção,
qual será a circulação da revista daqui a 64 semanas?
Unidade 1
29
Universidade do Sul de Santa Catarina
Solução: As duas quantidades, cuja relação queremos
determinar, são: a circulação da revista e o tempo em semanas.
A relação é dada pela função S(t), que é a circulação da revista
daqui a t semanas. Temos a taxa de crescimento, ou seja,
. Então, para saber a função S(t), basta integrar
:
Como a solução de uma integral indefinida é uma família
de primitivas, temos infinitas soluções para a integral, mas o
problema determina que, no tempo zero, a circulação da revista
é de 2000 exemplares. Por isso, usaremos este dado para achar
uma solução particular do problema. Assim:
Para t = 0, S(0) = 2000 . Então:
Portanto, C = 2000 e a solução é:
30
.
Cálculo Integral nas Ciências Sociais
Assim, a circulação da revista daqui a 64 semanas será de:
exemplares por semana.
Exemplo 2: Suponha que, entre 1999 e 2008, das motos novas
vendidas no mercado do Brasil, a porcentagem vendida pela
empresa A estava variando à razão de:
ƒ(t) = –0,0213t 3 + 0,12t 2 – 1,6 ( 0 ≤ t ≥ 8) por cento ao ano t
(t = 0 corresponde ao início de 1999).
A fatia de mercado da empresa no início de 1999 era de 40,2%.
Qual era a fatia de mercado da empresa A no início de 2008?
Solução: Como a informação dada é sobre a variação da
porcentagem em relação ao ano, integrando a função que
representa a variação, iremos obter a função da fatia do
mercado em relação ao ano t.
Seja F(t) a função da fatia do mercado da empresa A em
relação ao ano t, temos:
F(t) = 0,005325t4 + 0,04t 3 – 1,6t + C
Para determinar o valor da constante C, utilizamos o valor da
função no ano zero, ou seja, do ano 1999.
F(0) = – 0,0053259(0)4 + 0,04(0)3 – 1,6(0) + C = 40,2
Portanto, C = 40,2 e a função é:
F(t) = –0,005325t4 + 0,04t 3 – 1,6t + 40,2
Unidade 1
31
Universidade do Sul de Santa Catarina
Encontramos a função da fatia do mercado da empresa A em
relação ao ano t. Para o ano 2008 t = 8, então:
F(8) = –0,005325(8)4 + 0,04(8)3 – 1,6(8) + 40,2
F(8) = –0,005325(4096) + 0,04(512) – 1,6(8) + 40,2
F(8) = –21,8112 + 20,48 – 12,8 + 40,2
F(8) = 26,06
Assim, a fatia do mercado da empresa A em 2008 era de 26,06%.
Exemplo 3: As projeções são que a taxa de variação do Produto
Interno Bruto (PIB) de certo país é
G(t) = 2t + 2 0 ≤ t ≤ 0 bilhões de reais ao ano t
(t = 0 corresponde a 2011).
O PIB deste país é de 50 bilhões de reais em 2011. Qual será o
produto PIB deste país no ano de 2014?
Solução: O problema nos pede o PIB em 2014, ou seja, t = 3,
mas não temos a função que determina o PIB em relação ao
tempo, e sim a taxa de variação do PIB em relação ao tempo.
Para encontrar a função, integraremos a taxa de variação
e denominar a função que determina o PIB em relação ao
tempo de N(t):
N(t) = t 2 + 2t + C
32
Cálculo Integral nas Ciências Sociais
Para determinar a constante C, vamos calcular o valor da
função para t = 0, ou seja, N(0) = 50
N(0) = (0)2 + 2(0) + C = 50
Portanto, C = 50 e a função que determina o PIB em relação
ao tempo é:
N(t) = t 2 + 2t + 50 em bilhões de reais ao ano.
Para determinar o PIB em 2014, basta substituir, na função t = 3:
N(3) = (3)2 + 2(3) + 50
N(3) = 9 + 6 + 50 = 65
Então, no ano de 2014, o PIB será de 65 bilhões.
Dada uma função total na Economia, como, por
exemplo, o custo total, para encontrar a função custo
marginal é preciso derivar a função custo total, sendo
esta uma aplicação de derivada. Nosso problema aqui
é o inverso: dada uma função marginal (por exemplo,
o custo marginal), para encontrar o custo total é
preciso integrar a função marginal, sendo esta uma das
aplicações de integral.
Exemplo 4: Em uma fábrica de móveis, o custo marginal
diário associado à produção de camas é dado por:
C'(x) = 0,008x3 – 8x + 20
onde C'(x) é medido em reais/unidade e x denota o número de
unidades produzidas.
O custo fixo diário incorrido na produção das camas é de
R$ 600,00. Determine o custo total incorrido pela fabrica ao
produzir 80 camas/dia.
Unidade 1
33
Universidade do Sul de Santa Catarina
Solução: Para determinar a função custo vamos integrar a
função custo marginal:
Como a função custo é C, determinamos K como constante de
integração para não confundir as notações. Assim:
C(x) = 0,002x4 – 4x2 + 20x + K
Encontramos a função custo, falta determinar K, a constante
de integração. Como o problema informa, o custo fixo diário
é de R$ 600,00, ou seja, independentemente da quantidade
produzida a fábrica terá este custo. Calcularemos o custo
através da função para x = 0:
C(x) = 0,002(0)4 – 4(0)2 + 20(0) + K = K
Para nenhuma cama produzida teremos o custo igual a K.
Portanto, K é o custo fixo e a função custo que queremos é:
C(x) = 0,002x4 – 4x2 + 20x + 600
Assim, na produção de 80 camas/dia o custo incorrido é:
C(80) = 0,002(80)4 – 4(80)2 + 20(80) + 600
C(80) = 0,002(40960000) – 4(6400) + 1600 + 600
C(80) = 81920 – 25600 + 1600 + 600
C(80) = 58520
O custo total incorrido pela fábrica ao produzir 80 camas/dia é
de R$ 58.520,00.
34
Cálculo Integral nas Ciências Sociais
Ficou com dificuldade para compreender os
problemas? Pesquise sobre funções marginais em
economia nos livros de Matemática aplicada à
Economia, listados no Saiba Mais.
Síntese
Nesta unidade, você estudou os principais conceitos de integral
indefinida e suas primitivas. Com esses conceitos baseados em
fórmulas, você pode calcular uma integral indefinida, ou seja,
encontrar uma expressão ou infinitas funções que são primitivas
da função que você deseja integrar.
Como em cálculo sempre se faz necessário o uso dessas funções,
vimos algumas regras de integração que são importantes para
aplicações no seu curso.
E, por fim, aplicamos os conceitos desenvolvidos em exemplos
práticos envolvendo decisões nas Ciências Sociais.
Unidade 1
35
Universidade do Sul de Santa Catarina
Atividades de autoavaliação
Ao final de cada unidade, você realizará atividades de autoavaliação. O
gabarito está disponível no final do livro didático. Mas esforce-se para
resolver as atividades sem ajuda do gabarito, pois, assim, você estará
promovendo (estimulando) a sua aprendizagem.
1) Em cada alternativa, prove que F é primitiva de ƒ:
; ƒ(x) = 2x5 + 3x2 + 8
a)
b) F(x) = ln x + e 2x ;
c)
;
2) Sejam F(x) = e5x+1 e G(x) = e5x+1 + 8, prove que F e G são primitivas da
função ƒ definida por ƒ(x) = 5 e5x+1, e encontre todas as primitivas de ƒ.
3)Calcule as integrais indefinidas:
a)
b)
c)
d)
e)
f)
g)
h)
i)
j)
k)
l)
36
Cálculo Integral nas Ciências Sociais
m)
n)
o)
4) A implantação de uma empresa multinacional nos arredores de
uma cidade aumentará a população da mesma a uma taxa de
pessoas/ano, sendo t o número de anos
após a implantação. A população, antes da implantação, é de 25.000
habitantes. Determine a população projetada quatro anos após o início
da implantação da empresa.
Saiba mais
Se você desejar, aprofunde os conteúdos estudados nesta unidade
ao consultar as seguintes referências:
TAN, S. T. Matemática aplicada à Administração e
Economia. São Paulo: Thomson, 2003.
WEBER, J. E. Matemática para Economia e Administração.
2. ed. São Paulo: Harper & Row do Brasil, 1986.
Unidade 1
37
unidade 2
Métodos de integração
Objetivos de aprendizagem
„„
Compreender o método de integração por
substituição.
„„
Relacionar o método de integração por substituição à
regra da cadeia do cálculo diferencial.
„„
Compreender o método de integração por partes.
„„
Relacionar o método de integração por partes à regra
do produto do cálculo diferencial.
„„
Aplicar a integral indefinida a problemas que envolvem
conceitos de ciências sociais usando os métodos de
integração.
Seções de estudo
Seção 1
Método de integração por substituição
Seção 2
Método de integração por partes
Seção 3
Aplicações de integrais indefinidas usando os dois
métodos de integração
2
Universidade do Sul de Santa Catarina
Para início de estudo
Na unidade anterior, as integrais indefinidas calculadas eram
imediatas e relacionadas diretamente a uma regra do cálculo
diferencial. Essa relação entre o cálculo diferencial e o cálculo
integral é que permitirá compreender os dois métodos abordados
nesta unidade.
Os dois métodos, método de integração por substituição e
método de integração por partes, aplicam funções cuja primitiva
não é encontrada de imediato, assim como na integral indefinida.
Não basta saber a regra de diferenciação; é preciso um olhar mais
detalhado para a função e, ainda, saber qual dos dois métodos
utilizar para integrá-la. Como fazer a escolha é o que iremos
explicar nesta unidade.
Seção 1 – Método de integração por substituição
O método de integração por substituição está relacionado à regra
da cadeia do cálculo diferencial. Vamos explicar o método e a que
funções é aplicado através do seguinte exemplo:
Considere a integral indefinida
. Observando
o integrando, notamos que não é possível aplicar as regras
vistas, pois não conhecemos a função primitiva do integrado.
Assim, vamos fazer uma troca de variável, ou seja: u = 5x2 + 8 o
diferencial de u é du = 10xdx.
Para você entender melhor a substituição, relembre
a definição de diferencial de uma função: Definição
diferencial de y : y = ƒ(x) é y = ƒ'(x)dx.
40
Cálculo Integral nas Ciências Sociais
Vamos substituir na integral ,
du = 10xdx
u = 5x2 + 8 e
Após a substituição, a integral indefinida
tem, como
integrando, uma função potência, que é facilmente integrável ao
utilizar a regra de integral indefinida de uma potência. Então,
Como a nossa integral indefinida, antes da mudança de variável,
era sobre a variável x, para a solução ficar completa basta
substituir u = 5x2 + 8 na solução. Portanto,
Desta forma, o método de integração por substituição tem como
objetivo transformar um integrando complicado, cuja primitiva
não conhecemos, em um integrando mais simples, cuja primitiva
já é conhecida. Para entender como funciona o processo e a
relação com a regra da cadeia do cálculo diferencial, vejamos
como funciona o método de integração por substituição.
Unidade 2
41
Universidade do Sul de Santa Catarina
Seja, ƒ(x) = x3 e g(x) = 5x2 + 8 , então nosso integrando, antes da
substituição, era da seguinte forma: ƒ(g(x)).g'(x) = (5x2 + 8)310x e
.
nossa integral indefinida
em que
A substituição feita foi
u = g(x) e du = g'(x). Suponha que F é uma primitiva de ƒ, e então,
.
Para provar que F(u) + C é a solução da integral indefinida,
vamos derivar F(u) + C utilizando a regra da cadeia do cálculo
diferencial:
Portanto,
.
Comparando com o nosso exemplo,
.
É assim que o método de integração por substituição funciona e
é aplicado a integrando do tipo ƒ(g(x)).g'(x).
Para compreender melhor o método, seguem alguns exemplos:
Exemplo 1: Calcular
:
Solução: O integrando envolve uma função composta em que
ƒ(x) = x3 e g(x) = x3 + 10. Portanto, podemos resolver usando
o método da substituição. Para facilitar, definimos a seguir
alguns passos para a resolução:
„„
42
Passo 1: Fazer a escolha de u, u é sempre a g(x);
portanto, u = x3 + 10.
„„
Passo 2: Calcular o diferencial de u, du=3x2dx.
„„
Passo 3: Fazer a substituição:
Cálculo Integral nas Ciências Sociais
„„
Passo 4: Calcular a integral indefinida:
„„
Passo 5: Retornar à variável x:
.
:
Exemplo 2: Calcular
Solução: O integrando envolve uma função composta em que
ƒ(x) = x6 e g(x) = ex + 5. Portanto, podemos resolver usando o
método da substituição:
„„
Passo 1: Fazer a escolha de u, onde u é sempre a g(x) .
Portanto, u = ex + 5.
„„
Passo 2: Calcular o diferencial de u, du = exdx.
„„
Passo 3: Fazer a substituição:
.
„„
Passo 4: Calcular a integral indefinida , sendo o
integrando uma função potência:
.
„„
Passo 5: Retornar à variável x:
.
Unidade 2
43
Universidade do Sul de Santa Catarina
Exemplo 3: Calcular
:
Solução: O integrando envolve uma função composta em que
ƒ(x) = x–2 e g(x) = x4 – 15:
„„
Passo 1: Fazer a escolha de u, onde u é sempre a g(x);
portanto, u = x4 – 15.
„„
Passo 2: Calcular o diferencial de u , du = 4x3dx.
„„
Passo 3: Fazer a substituição:
.
Neste caso, a substituição não é imediata. Falta uma constante
4 multiplicando x3dx para resolver este problema. Note que
.
e 1 é o elemento neutro da multiplicação.
Usando a propriedade
,
agora podemos fazer a substituição:
.
„„
Passo 4: Calcular a integral indefinida, sendo o
integrando uma função potência:
.
44
Cálculo Integral nas Ciências Sociais
„„
Passo 5: Retornar à variável x:
.
Exemplo 4: Calcular
:
Solução: O integrando envolve uma função composta em que
ƒ(y) = ey e g(y) = –2y. Portanto, podemos resolver usando o
método da substituição:
„„
Passo 1: Fazer a escolha de u, onde u é sempre a g(y);
portanto, u = –2y.
„„
Passo 2: Calcular o diferencial de u, du = –2y
„„
Passo 3: Fazer a substituição:
„„
„„
Passo 4: Calcular a integral indefinida, sendo o
integrando uma função exponencial de base e:
Passo 5: Retornar à variável y:
.
Exemplo 5: Calcular
:
Solução: O integrando envolve uma função composta em que
ƒ(x) = ex e g(x) = 3x2. Portanto, podemos resolver usando o
método da substituição:
„„
„„
Passo 1: Fazer a escolha de u, onde u é sempre a g(x);
portanto, u = 3x2
Passo 2: Calcular o diferencial de u, du = 6xdx
Unidade 2
45
Universidade do Sul de Santa Catarina
„„
Passo 3: Fazer a substituição:
.
Como no exemplo 3, a substituição não é imediata. Vamos
usar a mesma propriedade:
Agora podemos fazer a substituição:
„„
„„
Passo 4: Calcular a integral indefinida, sendo o
integrando uma função exponencial de base e:
Passo 5: Retornar à variável x:
.
:
Exemplo 6: Calcular
Solução: O integrando envolve uma função composta em que
ƒ(x) = x2 e g(x) = ln x. Portanto, podemos resolver usando o
método da substituição:
„„
Passo 1: Fazer a escolha de u, onde u é sempre a g(x);
portanto, u = ln x
„„
Passo 2: Calcular o diferencial de u,
„„
Passo 3: Fazer a substituição:
„„
Passo 4: Calcular a integral indefinida, sendo o
integrando uma função potência:
.
46
Cálculo Integral nas Ciências Sociais
„„
Passo 5: Retornar à variável x:
.
Para facilitar seu estudo, leia no quadro 2.1 um resumo para
aplicação do método de integração por substituição.
Método de integração por substituição
Integrando ƒogxg'
Passo 1
Fazer a escolha de u, u é sempre a g
Passo 2
Calcular o diferencial de u
Passo 3
Fazer a substituição
Passo 4
Calcular a integral indefinida
Passo 5
Retornar à variável inicial
Quadro 2.1 – Método de integração por substituição
Fonte: Elaboração das autoras (2011).
Seção 2 – Método de integração por partes
O método de integração por partes, assim como o método de
integração por substituição, está relacionado a uma regra do
cálculo diferencial. A regra que correspondente ao método de
integração por partes é a regra do produto, e é a partir dela que
iremos deduzir a fórmula usada neste método.
A regra do produto afirma que se ƒ e g são diferenciáveis, então
(ƒ(x)g(x)) = ƒ(x)g'(x) + g(x)ƒ'(x).
Vamos integrar os dois lados da equação em relação à x:
.
Unidade 2
47
Universidade do Sul de Santa Catarina
Como ƒ(x)g(x) é uma primitiva de (ƒ(x)g(x)), então
,
e a equação pode ser escrita desta forma:
.
Esta é a fórmula de integração por partes, que ainda pode ser
simplificada da seguinte forma:
u = ƒ(x)
du = ƒ'(x)dx
dv = g'(x)dx
v = g(x)
A fórmula de integração por partes é
.
Note que o método não calcula diretamente a integral indefinida,
mas a transforma em uma integral indefinida mais simples, que
pode ser resolvida usando uma das regras já vistas ou o método
de integração por substituição. O que é muito importante para a
sua eficiência são as escolhas de u, dv.
Para compreender melhor o método, vejamos alguns exemplos:
Exemplo 1: Calcular
:
Solução: Nenhuma regra de integração já vista pode ser
aplicada, pois o integrando não é uma função cuja primitiva já
conhecemos. O método da substituição não pode ser aplicado
porque o integrando não é uma composição de funções. Para
integrar esta função, usaremos o método de integração por
partes. Vamos definir dois critérios para a escolha de u e dv
para facilitar.
48
Cálculo Integral nas Ciências Sociais
Critérios:
1. u tem que ser a função em que du é mais simples;
2. dv tem que ser fácil de integrar.
„„
Passo 1: Obedecendo aos critérios, vamos escolher u e dv:
u = x dv = exdx
Observe que, se escolhermos u = ex, então du = exdx
e não obedece ao critério 1, pois u e du são a mesma
função.
„„
Passo 2: Determinar du e v:
u = x ⇒ ldx = dx
(desconsideramos a constante
de integração)
„„
Passo 3: Aplicar a fórmula
:
„„
Passo 4: Resolver
„„
Passo 5: Escrever a solução completa:
:
.
Unidade 2
49
Universidade do Sul de Santa Catarina
Exemplo 2: Calcular
Solução:
„„
Passo 1: Obedecendo aos critérios de escolha definidos
para u e dv, vamos escolher u e dv:
u = ln x
dv = xdx
Observe que, se escolhermos dv = ln xdx, a integral é
complicada e ainda não sabemos como resolvê-la.
„„
Passo 2: Determinar du e v:
constante de integração)
(desconsideramos a
„„
Passo 3: Aplicar a fórmula
:
„„
Passo 4: Resolver
„„
Passo 5: Escrever a solução completa:
:
.
50
Cálculo Integral nas Ciências Sociais
Exemplo 3: Calcular
:
Solução: Como foi comentado no exemplo 2, ainda não
conhecemos a integral indefinida de ln x, mas com o método
de integração por partes é possível calcular, como veremos
agora:
„„
Passo 1: Escolher u e dv:
u = ln x
„„
dv = dx.
Passo 2: Determinar du e v:
integração)
(desconsideramos a constante de
„„
Passo 3: Aplicar a fórmula
:
„„
Passo 4: Resolver
„„
Passo 5: Escrever a solução completa:
:
.
Exemplo 4: Calcular
:
Solução: Para calcular esta integral indefinida teremos de
aplicar o método de integração por partes duas vezes.
Para algumas integrais, a repetição da aplicação do
método de integração por partes é necessária.
Unidade 2
51
Universidade do Sul de Santa Catarina
„„
Passo 1: Escolher u e dv:
u = (ln x)2
„„
dv = xdx
Passo 2: Determinar du e v:
constante de integração)
(desconsideramos a
„„
Passo 3: Aplicar a fórmula
„„
Passo 4: Resolver
:
:
Esta integral foi resolvida no exemplo 2, pelo método de integração
por partes. Se não fosse conhecido o resultado, teríamos que aplicar
o método de integração por partes novamente:
„„
Passo 5: Escrever a solução completa:
.
Exemplo 5: Calcular
:
Solução: Podemos reescrever a integral
:
„„
Passo 1: Escolher u e dv:
u = x
52
Cálculo Integral nas Ciências Sociais
„„
Passo 2: Determinar du e v:
u = x ⇒ du = dx
Para que algumas integrais sejam resolvidas, é
preciso aplicar os dois métodos de integração.
Para não confundir com as variáveis do método por partes
que estamos resolvendo, neste exemplo usaremos o método
integração por substituição para determinar v, em que s é a
variável de substituição. Assim,
:
→ Escolher s, s = x – 3.
→ Determinar ds, ds = dx.
.
→ Fazer a substituição,
→ Calcular a integral indefinida :
→ Retornar à variável x:
Portanto,
(desconsideramos a constante de integração).
„„
Passo 3: Aplicar a fórmula
Unidade 2
:
53
Universidade do Sul de Santa Catarina
„„
Passo 4: Resolver
Para calcular esta integral, teremos de aplicar
novamente o método substituição, em que t é a variável
de substituição:
→ Escolher t, t = x – 3.
→ Determinar dt, dt = dx.
.
→ Fazer a substituição
→ Calcular a integral indefinida:
.
→ Retornar à variável x:
.
„„
Passo 5: Escrever a solução completa:
Para facilitar seu estudo, segue resumo para aplicação do método
de integração por partes, no quadro 2.2:
54
Cálculo Integral nas Ciências Sociais
Método de integração por partes
Passo 1
Escolher u e dv
Passo 2
Determinar du e v
Passo 3
Aplicar a fórmula
Passo 4
Resolver
Passo 5
Escrever a solução completa
Quadro 2.2 – Método de integração por partes
Fonte: Elaboração das autoras (2011).
Seção 3 – Aplicações da integral indefinida usando os
dois métodos de integração
Nesta unidade, os dois métodos de integração serão aplicados
a situações práticas. Serão apresentados três problemas cujas
soluções requerem a utilização dos métodos de integração.
Exemplo 1: Um estudo feito pelo departamento de marketing
de uma fábrica de sapatos estima que o novo lançamento outono
inverno 2011 no mercado fará com que as vendas cresçam à taxa
de 20000 – 4000e-2t 0 ≤ t ≤ 5 pares por mês.
Encontre uma expressão que forneça o número total de
sapatos vendidos t meses após se tornarem disponíveis no
mercado. Quantos pares de sapatos a fábrica venderá nos três
primeiros meses?
Solução: Como é fornecida a taxa de crescimento, para
encontrar a expressão que relaciona tempo em meses com a
quantidade de sapatos vendidos, basta integrar a função que
representa a taxa de variação:
Unidade 2
55
Universidade do Sul de Santa Catarina
Na primeira integral, o integrando é uma função constante,
simples de integrar. A segunda será calculada usando o método
de integração por substituição:
„„
Passo 1: Fazer a escolha de u, u é sempre a g(t);
portanto, u = –2t.
„„
Passo 2: Calcular o diferencial de u, du = –2t.
„„
Passo 3: Fazer a substituição:
.
„„
Passo 4: Calcular a integral indefinida, sendo o
integrando uma função exponencial de base e:
.
„„
Passo 5: Retornar à variável t:
.
Voltando à resolução do problema,
S(t) representa a expressão que relaciona tempo em meses à
quantidade de sapatos vendidos; assim:
S(t) = 20000t + 2000e–2t + C.
Para definir a constante C, assumimos que, no instante t = 0,
nenhum sapato foi vendido, então S(0) = 0. Usando esta
informação:
S(0) = 20000.(0) + 2000e–2.0 + C = 0
0 + 2000e 0 + C = 0
Lembre que e0 = 1.
56
C = –2000
Cálculo Integral nas Ciências Sociais
Portanto, a expressão desejada é:
S(t) = 20000t + 2000e–2t –2000
Vamos calcular a venda nos três primeiros meses:
S(3) = 20000.3 + 2000e–2×3 – 2000 = 60000 + 2000e–6 – 2000 =
6000 + 5 – 2000 = 58005
Desta forma, a fábrica espera vender 58.005 pares de sapatos
nos três primeiros meses.
Exemplo 2: Em abril de 2011, certo instituto de pesquisa
afirmou que a taxa de variação da audiência do programa
diário de TV “A”, de uma emissora aberta “B” era de
0 ≤ t ≤ 45
por cento ao dia pelos próximos t dias (t = 0 corresponde ao
primeiro dia de abril de 2011). Em primeiro de abril de 2011,
a audiência era de 40%. Qual seria a audiência do programa de
TV no trigésimo dia de abril de 2011?
Solução: Seja N(t) a função que relaciona o tempo em dias, e a
audiência do programa de TV “A”, então:
Para calcular esta integral, usaremos o método de integração
por substituição:
„„
Passo 1: Fazer a escolha de u, onde u é sempre a g(t);
portanto, u = 15t – 0,1.
„„
Passo 2: Calcular o diferencial de u, du = 15dt.
„„
Passo 3: Fazer a substituição:
.
Unidade 2
57
Universidade do Sul de Santa Catarina
„„
Passo 4: Calcular a integral indefinida:
.
„„
Passo 5: Retornar à variável t:
Portanto, a função N(t) é:
.
Para definir a constante C,usamos a informação dada no
problema que, no instante t = 0, N(0) = 40. Usando esta
informação:
10 + C = 40
C = 40 – 10 = 30.
A função que satisfaz o problema é:
.
No trigésimo dia de abril t = 29; então:
N(29) = 29,99.
A audiência do programa de TV “A” no trigésimo dia de abril
de 2011 foi de 29,99%.
58
Cálculo Integral nas Ciências Sociais
Exemplo 3: Uma fábrica de bolsas femininas investiu em novos
maquinários. Com esta reforma, os proprietários estimam
que a taxa de produção será de P(t) = 20tet mil bolsas por mês.
Encontre uma função que descreva a produção de bolsas nesta
fábrica em t meses.
Solução: Como é fornecida a taxa de produção, para encontrar
a função p(t) que relaciona a produção com o tempo t basta
integrar a função que representa a taxa de produção:
Para calcular esta integral indefinida
método de integração por partes:
„„
Passo 1: Fazer a escolha de u e dv:
u = t
„„
, vamos usar o
dv = etdt
Passo 2: Determinar du e v:
u = t ⇒ du = 1dt = dt
„„
Passo 3: Aplicar a fórmula
„„
Passo 4: Resolver
„„
Passo 5: Escrever a solução completa:
:
:
Unidade 2
59
Universidade do Sul de Santa Catarina
Então, nossa função é:
.
Para definir a constante C, assumimos que quando t = 0 não
temos produção, ou seja:
20 (0 – 1) + C = 0
–20 + C = 0
C = 20.
A função que satisfaz o problema é:
.
Síntese
As funções abordadas nesta unidade são um pouco mais complexas
que as vistas anteriormente, e a utilização dos dois métodos
que você aprendeu são as únicas alternativas que você dispõe
para entregar funções desta forma. Além dos dois métodos de
integração que foram abordados nesta unidade, você também pode
verificar, mais uma vez, como o cálculo integral está relacionado
com o cálculo diferencial e aplicar os dois métodos de integração a
situações práticas importantes para o seu curso.
60
Cálculo Integral nas Ciências Sociais
Atividades de autoavaliação
Ao final de cada unidade, você realizará atividades de autoavaliação. O
gabarito está disponível no final do livro didático. Mas, esforce-se para
resolver as atividades sem ajuda do gabarito, pois, assim, você estará
promovendo (estimulando) a sua aprendizagem.
1) Calcule as integrais indefinidas usando o método de integração por
substituição:
a)
b)
c)
d)
e)
f)
2) Calcule as integrais indefinidas usando o método de integração por
partes:
a)
b)
c)
d)
Unidade 2
61
Universidade do Sul de Santa Catarina
3) Uma empresa estima que a partir de março de 2011 sua produção
cresça a uma taxa de 20e2t 0 ≤ t ≤ 5 por mês. Em março de 2011, sua
produção era de 80 unidades. Encontre uma expressão que forneça o
número total de produção, t meses após estimativa. Qual a produção
total após dois meses da estimativa?
Saiba mais
CHIANG, A. C. Matemática para economista. São Paulo:
McGraw-Hill/Edusp, 1982.
WEBER, J. E. Matemática para economia e administração. 2.
ed. São Paulo: Harper & Row do Brasil, 1986.
62
unidade 3
Integral definida
Objetivos de aprendizagem
„„
Compreender a relação entre a área limitada por uma
curva e a integral definida.
Entender a definição de integral definida.
„„
Calcular as integrais definidas.
„„
Calcular a área sob uma curva.
„„
Calcular a área entre duas curvas.
„„
Seções de estudo
Seção 1
Área sob uma curva
Seção 2
Integral definida
Seção 3
Cálculo da integral definida
Seção 4
Cálculo de área usando integral definida
3
Universidade do Sul de Santa Catarina
Para início de estudo
Nesta unidade você compreenderá a necessidade, através de
problemas, de estudar a área sob uma curva, e a relação entre
o cálculo da área e a integral definida. A partir desses cálculos
da área sob uma curva, vamos apresentar a definição da integral
definida. Neste processo, você compreenderá como calcular a
integral definida a partir de definições e fórmulas, relacionando
o cálculo a todas as regras, propriedades e métodos estudados
até este momento.
Seção 1 – Área sob uma curva
Para compreender a definição da integral definida é importante
conhecer como se calcula a área sob uma curva e a relação que ela
tem com a integral definida. Para começar, vamos explorar dois
exemplos práticos para que você compreenda a necessidade de
calcular a área sob uma curva e a integral definida.
Nesta seção, todas as funções são contínuas e não
negativas no intervalo determinado em cada caso.
Vamos supor que a taxa mensal de consumo de água de um
bairro durante cinco meses seja de 12 mil metros cúbicos, então a
função que representa esta taxa de consumo é:
ƒ(t) = 12
0≤t≤5
em que é medido em meses e ƒ(t) mil metros cúbicos por mês.
O gráfico desta função é
64
Cálculo Integral nas Ciências Sociais
Gráfico 3.1 – Gráfico da função ƒ(t) = 12
Fonte: Elaboração das autoras (2011).
O consumo de água no bairro no primeiro mês é de 12 mil
metros cúbicos, e até o quinto mês este consumo se mantém o
mesmo a cada mês. Assim, o consumo total, no período, é 60
mil metros cúbicos. A área abaixo do gráfico da função é um
retângulo, uma forma geométrica muito simples de calcular:
basta multiplicar comprimento por altura. Calculando esta área,
temos A = 5 × 12 = 60 que é exatamente o consumo total de água
no bairro durante os cinco meses.
Logo, para saber o consumo total de água do bairro basta
calcular a área sob o gráfico da função limitada pelas retas
t = 0 e t = 5 O problema de cálculo de área sob uma curva seria
muito simples se, nas situações práticas, todas as funções fossem
constantes, pois todas as curvas seriam retas paralelas ao eixo x
Mas, em geral, nessas situações, as funções não são constantes e,
consequentemente, as áreas não serão retângulos, o que torna o
cálculo da área sobre a curva mais complicado.
Para compreender como se calcula área não retangular, vamos
modificar o exemplo dado sobre o consumo de água:
Unidade 3
65
Universidade do Sul de Santa Catarina
Exemplo 1: Suponha que a taxa mensal de consumo de água
de um bairro durante 5 meses é dado pela seguinte função:
ƒ(t) = t 2
0≤t≤5
em que t é medido em meses e ƒ(t) mil metros cúbicos por mês.
O gráfico desta função é
Gráfico 3.2 – Gráfico da função ƒ(t) = t2
Fonte: Elaboração das autoras (2011).
A área A representa o consumo total de água consumida nos
cinco meses no bairro. Mas como a função não é uma função
constante, a área A não é mais um retângulo e sim uma forma
geométrica para a qual não existe uma fórmula para calcular.
Como não é possível calcular a área através de uma
fórmula, usaremos uma aproximação, dividindo a área
A em pequenos retângulos de mesmo comprimento,
como mostra a figura abaixo. A ideia é simplificar o
cálculo da área.
66
Cálculo Integral nas Ciências Sociais
Gráfico 3.3 – Gráfico da divisão da área A em 5 retângulos iguais
Fonte: Elaboração das autoras (2011).
Dividimos em retângulos porque, como já vimos, o retângulo
é uma forma geométrica cuja área é fácil de calcular. Uma vez
calculada a área de cada retângulo e depois somadas, obteremos
um valor aproximado da área total. Chamamos esse tipo
de aproximação de aproximação por excesso, pois estamos
calculando uma área um pouco maior que a área A que representa
o consumo de água do bairro nos cinco meses.
Vamos calcular a área de cada retângulo e depois somar para
obter uma aproximação de A
„„
1º retângulo, intervalo [0;1]
Comprimento: 1 unidade
Altura: Para encontrar a altura, calculamos o valor de t =
1 na função, ou seja, ƒ(1) = 12 = 1
Área: 1 × 1 = 1
„„
2º retângulo, intervalo [1;2]
Comprimento: 1 unidade
Altura: Para encontrar a altura, calculamos o valor de
t = 2 na função, ou seja, ƒ(2) = 22 = 4
Área: 1 × 4 = 4
Unidade 3
67
Universidade do Sul de Santa Catarina
„„
3º retângulo, intervalo [2;3]
Comprimento: 1 unidade
Altura: Para encontrar a altura, calculamos o valor de t =
3 na função, ou seja, ƒ(3) = 32 = 9
Área: 1 × 9 = 9
„„
4º retângulo, intervalo [3;4]
Comprimento: 1 unidade
Altura: Para encontrar a altura, calculamos o valor de
na função, ou seja, ƒ(4) = 42 = 16
Área: 1 × 16 = 16
„„
5º retângulo, intervalo [4;5]
Comprimento: 1 unidade
Altura: Para encontrar a altura, calculamos o valor de
t = 5 na função, ou seja, ƒ(5) = 52 = 25
Área: 1 × 25 = 25
Seja A1 a soma das áreas de todos os retângulos, então A1 = 1 + 4
+ 9 + 16 + 25 = 55 , temos que A1 > A.
Mas esta não é a única aproximação possível: podemos subdividir
os intervalos de forma que ainda fiquem com comprimentos
iguais para encontrar outra aproximação mais precisa, conforme
mostra o gráfico da figura 3.4 a seguir:
68
Cálculo Integral nas Ciências Sociais
Gráfico 3.4 – Gráfico da subdivisão A1
Fonte: Elaboração das autoras (2011).
Quanto menores os retângulos, menor é o excesso no
cálculo da área.
Dividimos os retângulos de A1 em dois, mantendo sempre,
na divisão, retângulos de mesmo comprimento. Quando o
comprimento de cada retângulo passa a ser
já podemos notar que a
aproximação é um pouco melhor, conforme demonstra o gráfico 3.4.
Novamente vamos calcular a área de cada retângulo para depois
somarmos as áreas e obtermos uma aproximação de A Observe
foi desconsiderado.
que de t = 0 até
„„
1º retângulo, intervalo
Comprimento:
unidade
Altura: Para encontrar a altura, calculamos o valor de t =
1 na função, ou seja, ƒ(1) = 12 = 1
Área:
Unidade 3
69
Universidade do Sul de Santa Catarina
„„
2º retângulo, intervalo
Comprimento:
unidade
Altura: Para encontrar a altura, calculamos o valor de
na função, ou seja,
Área:
„„
3º retângulo, intervalo
Comprimento:
unidade
Altura: Para encontrar a altura, calculamos o valor de t =
2 na função, ou seja, ƒ(2) = 22 = 4
Área:
„„
4º retângulo, intervalo
Comprimento:
unidade
Altura: Para encontrar a altura, calculamos o valor de
na função, ou seja,
Área:
„„
5º retângulo, intervalo
Comprimento:
unidade
Altura: Para encontrar a altura, calculamos o valor de t =
3 na função, ou seja, ƒ(3) = 32 = 9
Área:
70
Cálculo Integral nas Ciências Sociais
„„
6º retângulo, intervalo
Comprimento:
unidade
Altura: Para encontrar a altura, calculamos o valor de
na função, ou seja,
Área:
„„
7º retângulo, intervalo
Comprimento:
unidade
Altura: Para encontrar a altura, calculamos o valor de
t = 4 na função, ou seja, ƒ(4) = (4)2 = 16
Área:
„„
8º retângulo, intervalo
Comprimento:
unidade
Altura: Para encontrar a altura, calculamos o valor de
na função, ou seja,
Área:
„„
9º retângulo, intervalo
Comprimento:
unidade
Altura: Para encontrar a altura, calculamos o valor de
t = 5 na função, ou seja, ƒ(5) = (5)2 = 25
Área:
Unidade 3
71
Universidade do Sul de Santa Catarina
Seja
a soma das áreas de todos os retângulos, então
temos que
A1 > A 2 > A que é uma boa aproximação para nosso problema.
Assim, o consumo total de água no bairro nos cinco meses é
aproximadamente 49.125 mil metros cúbicos.
Para o nosso problema, esta aproximação é uma boa solução,
mas é possível subdividir A2 em retângulos do mesmo tamanho
dividindo sempre na metade do intervalo. Essas divisões podem
ser feitas infinitamente até que a soma das áreas dos retângulos
seja praticamente a área sob a curva.
Agora que você entendeu a ideia do cálculo da área sob uma curva,
vamos aplicá-la a um caso geral, como mostra o gráfico 3.5:
Gráfico 3.5 – Gráfico de caso geral
Fonte: Elaboração das autoras (2011).
A é a área sob o gráfico de ƒ(x), ƒ(x) é contínua em todo o intervalo
. A está limitada à esquerda pela reta x = a à direita por
x = b e subdividida em n retângulos com o mesmo comprimento,
chamado de Δx Para calcular Δx usamos a seguinte fórmula:
.
No exemplo 1, para obter a área de cada retângulo, calculamos
o valor da função no extremo direito do intervalo e depois
multiplicamos pelo o comprimento do intervalo. No entanto, não
é necessário calcularmos o valor da função no extremo direito do
intervalo para saber a altura, podemos escolher qualquer ponto
no intervalo.
72
Cálculo Integral nas Ciências Sociais
Por exemplo, no intervalo
define-se que representa
qualquer número entre a e x1 no intervalo
define-se que
representa qualquer número entre x1 e x2 Fazendo sempre as
escolhas desta forma, calculamos o valor da função nos números ,
, , , ...
, .
Logo, a área A é aproximadamente a soma das áreas dos n
,
,
retângulos com comprimento Δx e alturas
...
Portanto:
,
A soma das áreas dos n retângulos é chamada de soma de
Riemann, para qualquer escolha de quando n for um número
arbitrariamente grande; ou seja, quando o intervalo
for
dividido em um número muito grande de retângulos, a soma de
Riemann deve convergir para um único número que definimos
como área A.
Se você entendeu a ideia do cálculo da área sob uma curva
no exemplo 1 e conseguiu assimilar a aplicação ao caso geral
para qualquer função não negativa em um intervalo qualquer,
podemos, enfim, enunciar a definição de área sob uma curva.
Definição de área sob uma curva:
Seja ƒ função contínua não negativa em
área sob a curva do gráfico de ƒ é
Então, a
que são pontos arbitrários pertencentes aos
subintervalos de
de igual comprimento
.
Unidade 3
73
Universidade do Sul de Santa Catarina
Seção 2 – Integral definida
Nesta seção você irá conhecer a definição de integral definida
e o teorema fundamental do cálculo. Porém, não faremos
demonstração porque nosso objetivo neste livro é aplicar os
conceitos e técnicas do cálculo integral a problemas relativos às
Ciências Sociais.
Tendo lido a seção anterior, você já tem o suporte para que possa
compreender a definição de integral definida, conforme segue:
Definição de integral definida
Seja ƒ função contínua e definida em
dividirmos o intervalo
em n subintervalos de
comprimentos iguais
escolha de pontos arbitrários ,
Em algumas literaturas também
encontramos a como extremo
inferior de integração e b superior
de integração.
. Se
e para qualquer
,
,
...
,
subintervalos, então a integral definida de
é
nos n
O símbolo de integração é o mesmo para integral definida e
integral indefinida. A diferença é que, na integral definida,
existem dois números – a e b – que são os limites de integração,
a sendo o limite de integração inferior e b sendo o limite de
integração superior.
Outra diferença é que a integral indefinida de ƒ representa
infinitas primitivas, como vimos na unidade anterior, e a integral
definida representa um número.
Quando a função do integrando é uma função contínua e não
negativa no intervalo
então a integral definida é a área sob a
curva do gráfico do integrando.
O gráfico 3.6 mostra a representação geométrica da integral
definida quando a função do integrando assumir valores positivos
e negativos no intervalo
74
Cálculo Integral nas Ciências Sociais
Gráfico 3.6 – Gráfico de interpretação geométrica da integral definida
Fonte: Elaboração das autoras (2011).
Portanto, quando o integrando assumir valores positivos e
negativos no intervalo
a integral definida será a soma das
áreas que estão sobre o eixo x no intervalo
e sob a função
do integrando, menos as áreas que estão sob o eixo x no intervalo
e sobre a função do integrando.
Exemplo: Vamos aplicar as definições de soma de Reimann e
integral definida a um exemplo:
Considerando a função ƒ(x) = x2 + 3 e o intervalo
a) Calcular a soma de Riemann, tomando como pontos
arbitrários os extremos direitos de cada intervalo, para
n = 6;
b)Calcular
tomando como pontos arbitrários
os extremos direitos de cada intervalo.
Solução:
a) Primeiro vamos calcular Δx que é o comprimento dos
subintervalos:
Os seis subintervalos são
,
,
,
,
e
então os pontos arbitrários são x1 = 0,5, x 2 = 1,
x3 = 1,5, x4 = 2, x5 = 2,5 e x6 = 3.
Unidade 3
75
Universidade do Sul de Santa Catarina
Portanto, a soma de Riemann é calculada por:
R = (0,52 + 3) × 0,5 + (12 + 3) × 0,5 + (1,52 + 3) × 0,5 +
(22 + 3) × 0,5 + (2,52 + 3) × 0,5 + (32 + 3) × 0,5
R = (0,25 + 3) × 0,5 + (1 + 3) × 0,5 + (2,25 + 3) × 0,5 + (4 + 3)
× 0,5 + (6,25 + 3) × 0,5 + (9 + 3) × 0,5
R = 3,25 × 0,5 + 4 × 0,5 + 5,25 × 0,5 + 7 × 0,5 + 9,25 × 0,5 +
12 × 0,5
R = 1,625 + 2 + 2,625 + 3 + 3,5 + 4,625 + 5,5 = 19,875
Resposta: a soma de Riemann é 19,875.
a) Primeiro vamos calcular Δx que é o comprimento dos
subintervalos. Lembre-se de que a integral definida n
um número muito grande, ou seja, n → ∞
Temos n subintervalos que podemos escrever da
seguinte forma:
,
em que
,
,
...,
, ...,
,
é o i-ésimo intervalo.
Então, os pontos arbitrários são
, ... xn = 3
,
,
, ...,
.
76
Cálculo Integral nas Ciências Sociais
Para calcular este limite, teremos de organizar a expressão
dentro dos colchetes. Como está multiplicando todas as
parcelas, podemos colocar este fator em evidência:
Note que
.
Então,
Como temos n parcelas da soma, então o 3 está somando n
vezes. Portanto,
Nas n da soma, vamos colocar
em evidência:
.
Usaremos a fórmula da soma dos quadrados dos n primeiros
termos positivos:
Unidade 3
77
Universidade do Sul de Santa Catarina
Substituindo esta fórmula em nossa expressão, obtemos:
.
Enfim, podemos calcular o limite. Lembre-se de que
e
Portanto,
.
Note que a soma de Riemann apresentou um valor bem próximo
da integral definida, e como a função do integrando é não
negativa no intervalo
a integral definida representa a área
sob a curva da função no intervalo.
Achou complicado calcular a integral usando a
definição?
Uma boa notícia é que o teorema que veremos agora nos poupa
deste trabalho árduo e pouco prático de calcular a integral
definida. O teorema, que se chama teorema fundamental do
cálculo, mostra como calcular a integral definida conhecendo
uma primitiva do integrando, fazendo novamente uma relação
com o cálculo diferencial.
78
Cálculo Integral nas Ciências Sociais
Teorema fundamental do cálculo:
Seja função contínua e definida em
, então
, em que F é uma primitiva
de ƒ.
Para calcular a integral definida de uma função contínua e
definida em
basta saber a primitiva e aplicar o limite
superior na primitiva. Em seguida, é preciso aplicar o limite
inferior na primitiva e subtrair o segundo resultado do primeiro.
Usamos a seguinte notação:
.
Para verificar como ficou fácil, vamos resolver alguns
exemplos usando o teorema:
Exemplo 1: Calcular
Solução: Primeiro, vamos encontrar uma primitiva para
ƒ(x) = x2, que é o mesmo que encontrar a integral indefinida
de ƒ(x) = x2, ou seja,
, em que C é uma constante
arbitrária, usando o teorema fundamental do cálculo:
Portanto,
.
Exemplo 2: Calcular
Solução: Primeiro, vamos encontrar uma primitiva para
ƒ(x) = x, que é o mesmo que encontrar a integral indefinida
, em que C é uma constante
de ƒ(x) = x, ou seja,
arbitrária, usando o teorema fundamental do cálculo:
Portanto,
.
Unidade 3
79
Universidade do Sul de Santa Catarina
Note que, na integral definida, a constante arbitrária
sempre será cancelada, pois vamos somar e subtrair a
mesma constante. Portanto, para a integral definida vamos
desconsiderar a constante arbitrária.
Exemplo 3: Calcular a área sob o gráfico da função ƒ(x) = 2x
no intervalo
Solução: Como a função ƒ(x) = 2x é positiva no intervalo
então a área sob o gráfico de ƒ(x) = 2x é igual à integral
definida. Portanto,
Logo, a área sob o gráfico de ƒ(x) = 2x é igual a 39 unidades de
área.
Seção 3 – Cálculo da integral definida
Estudamos que, para calcular a integral definida, fica muito simples
aplicar o teorema fundamental do cálculo. Mas, para aplicá-lo, é
preciso conhecer uma primitiva da função do integrando.
Nesta seção, iremos aprender como se encontra a primitiva da
função do integrando, as propriedades das integrais definidas
e como se aplicam os dois métodos de integração nas integrais
definidas: o método de integração por substituição e o método de
integração por partes. Acompanhe!
Primitivas
Para encontrar as primitivas da função do integrando podemos
utilizar as mesmas regras aplicadas para encontrar as primitivas
na integral indefinida. Conhecendo a primitiva para calcular a
integral definida, usamos o teorema fundamental do cálculo,
como mostra o exemplo a seguir:
80
Cálculo Integral nas Ciências Sociais
Exemplo: Calcular as integrais definidas abaixo:
a)
b)
c)
Solução:
a) O integrando é uma função constante, então a primitiva
de ƒ(x) = 5 é F(x) = 5x Lembramos que a constante
de integração será desconsiderada porque ela se anula
no cálculo da integral definida. Portanto, a integral
definida é:
.
b)O integrando é uma função potência, então a primitiva
. Portanto, a integral definida é:
de ƒ(x) = x5 é
.
c) O integrando é uma função exponencial de base ,
então a primitiva de ƒ(x) = ex é F(x) = ex Portanto, a
integral definida é:
.
Note que não há nenhuma diferença entre encontrar as
primitivas na integral indefinida e na integral definida, a
não ser que a solução da integral definida é um número
e a solução da integral indefinida são infinitas funções.
Unidade 3
81
Universidade do Sul de Santa Catarina
Propriedades da integral definida
Para facilitar o cálculo das integrais definidas, vamos conhecer
suas propriedades:
Propriedade 1:
Esta propriedade garante que a integral definida em um ponto
seja igual a zero. Se analisarmos a definição, notamos que
mas a = b então
Como Δx multiplica
todas as parcelas da soma, portanto:
.
Exemplo 1: Calcular
Solução: Como o limite superior é igual ao limite inferior,
não é preciso encontrar a primitiva do integrando, pois a
propriedade 1 garante que
.
Propriedade 2:
Esta propriedade garante que, se trocarmos os limites de
integração, inverteremos o sinal da integral definida. Como
assumimos que a < b se invertermos os limites de integração
, que é um número negativo, teremos:
.
Exemplo 2: Calcular
Solução: Vamos usar a propriedade 2 e o resultado da integral
definida já conhecida em exemplo anterior. Neste exemplo,
calculamos
. Assim, usando a propriedade 2,
obtemos:
.
82
Cálculo Integral nas Ciências Sociais
Propriedade 3:
(c uma constante)
Esta propriedade é semelhante à propriedade 1 da integral
indefinida, pois garante que, quando um fator constante
multiplica o integrando da integral definida, ele corresponderá à
integral definida vezes este fator constante.
Exemplo 3: Calcular
Solução: Vamos usar a propriedade 3, ou seja, vamos encontrar
a primitiva do integrando e aplicar o teorema fundamental do
cálculo:
Logo,
.
Outra forma de resolver de maneira mais direta seria:
.
Propriedade 4:
Esta propriedade é semelhante à propriedade vista na integral
indefinida, ou seja, garante que a integral definida da soma ou
subtração seja igual à soma ou à subtração das integrais definidas.
Unidade 3
83
Universidade do Sul de Santa Catarina
Exemplo 4: Calcular as integrais definidas abaixo:
a)
b)
Solução:
a) Vamos aplicar a propriedade 4, encontrar a primitiva
de cada função e aplicar o teorema fundamental do
cálculo:
Portanto,
.
b)Vamos aplicar as propriedades 4 e 3 para encontrar
a primitiva de cada função e aplicar o teorema
fundamental do cálculo:
0
84
Cálculo Integral nas Ciências Sociais
Portanto,
.
(a < c < b)
Propriedade 5:
Esta propriedade garante que, se é um número entre e então
a integral definida no intervalo
é igual à soma da integral
definida no intervalo
e da integral definida no intervalo
.
Exemplo 5: Se
?
e
qual é o valor de
Solução: Mesmo não sabendo qual é o integrando, podemos
aplicar a propriedade 5:
Como a integral definida é um número, podemos manipular a
equação acima da seguinte forma:
Agora, basta substituir os valores dados no enunciado:
Portanto,
.
Os métodos de integração por substituição para integral
definida
Os métodos de integração por substituição e por partes foram
aplicados à integral indefinida para encontrar a primitiva do
integrando. Vimos que para calcular a integral definida temos
primeiro que encontrar uma primitiva. As propriedades vistas são
muito úteis para encontrar as primitivas, mas não são suficientes, pois
alguns integrandos são complexos. Nesses casos, antes na integral
indefinida, podemos usar os dois métodos de integração, encontrando
as primitivas, e aplicar o teorema fundamental do cálculo.
Unidade 3
85
Universidade do Sul de Santa Catarina
Vamos ver como funcionam os métodos de integração
para integral definida através de dois exemplos:
Exemplo 6: Calcular
Solução: O integrando envolve uma função composta em que
ƒ(x) = x2 e g(x) = 8x + 5. Portanto, podemos resolver usando
o método da substituição. Para a integral definida, há duas
formas de resolver usando o método da substituição:
Primeira forma: Resolver a integral indefinida para encontrar
a primitiva, depois calcular a integral definida:
„„
Passo 1: Fazer a escolha de u sendo que u é sempre a
g(x) portanto, u = 8x + 5
„„
Passo 2: Calcular o diferencial de u, du = 8dx
„„
Passo 3: Fazer a substituição:
„„
„„
Passo 4: Calcular a integral indefinida, sendo que o
interando é uma função potência:
Passo 5: Retornar à variável x:
Conhecendo a primitiva do integrado, podemos calcular a
integral definida:
.
86
Cálculo Integral nas Ciências Sociais
Segunda forma: Junto com a mudança de variável também se
faz a mudança dos limites de integração:
„„
Passo 1: Fazer a escolha de u, sendo que u é sempre a
g(x), portanto, u = 8x + 5
„„
Passo 2: Calcular o diferencial de u, du = 8dx
„„
Passo 3: Fazer a mudança dos limites de integração:
Limite superior x = 4 então u = 8 × 4 + 5 = 37
Limite inferior x = 1 então u = 8 × 1 + 5 = 13
„„
„„
Passo 4: Fazer a substituição:
Passo 5: Calcular a integral definida, sendo que o
interando é uma função potência:
.
Note que na segunda forma de resolver não é
necessário retornar à variável e o resultado não se
altera, então você pode escolher uma das duas formas
para resolver.
Exemplo 7: Calcular
Solução: Já conhecemos este integrando quando estudamos
método de integração por partes aplicado à integral indefinida.
Para a integral definida, calcularemos a integral indefinida
usando o método de integração por partes, e a seguir iremos
aplicar o teorema fundamental do cálculo:
Unidade 3
87
Universidade do Sul de Santa Catarina
„„
Passo 1: Escolher u e dv:
u = ln x
„„
dv = xdx
Passo 2: Determinar du e v:
constante de integração)
(desconsideramos a
„„
Passo 3: Aplicar a fórmula
„„
Passo 4: Resolver
„„
Passo 5: Escrever a solução completa:
:
Conhecendo a primitiva do integrado, podemos
calcular a integral definida:
.
88
Cálculo Integral nas Ciências Sociais
Seção 4 – Cálculo de área usando integral definida
No início desta unidade, introduzimos a definição de integral
definida usando o cálculo de áreas e concluímos que a área sob
uma curva é igual à integral definida para funções contínuas,
não negativas e definidas no intervalo
. Nesta seção,
calcularemos a área sob uma curva e entre duas curvas para
integrais contínuas e definidas em
. A hipótese de a função
ser não negativa não será mais necessária.
Cálculo de área
Se a função for contínua, não negativa e definida no intervalo
, para calcular a área sob a curva no intervalo
calcula-se a
integral definida no intervalo
. Veja nos exemplos a seguir:
Exemplo 1: Calcular a área limitada pela curva de ƒ(x) =
2x2pelo eixo x e as retas x = 0 e x = 8:
Solução: Vamos desenhar um esboço do gráfico da área que
queremos calcular:
Gráfico 3.7 – Gráfico da área do exemplo 1
Fonte: Elaboração das autoras (2011).
Como toda a área desejada está sobre o eixo portanto, toda
a área é positiva. Para calcular a área, calcularemos a integral
definida no intervalo
Unidade 3
89
Universidade do Sul de Santa Catarina
Logo, a área é igual
unidades de área.
Se a função for negativa em uma parte ou em todo intervalo
a integral definida da função na parte negativa será
negativa. Neste caso, a área será o valor absoluto da integral,
ou seja, o valor da integral sem considerar o sinal.
Exemplo 2: Calcular a área limitada pela a curva de ƒ(x) = x3
pelo eixo x e as retas x = –2 e x = 2.
Solução: Vamos desenhar um esboço do gráfico da área que
queremos calcular:
y
–2
2
x
Gráfico 3.8 – Gráfico da área do exemplo 2
Fonte: Elaboração das autoras (2011).
Note que a área no intervalo
está sob o eixo x
portanto é negativa. Usando a propriedade 5 da seção
anterior, conseguimos separar a áreas em duas para calcular
separadamente, como segue:
.
O valor absoluto da primeira integral definida é o valor da área
. Então,
no intervalo
.
90
Cálculo Integral nas Ciências Sociais
Como o valor da área é o valor absoluto da integral no
intervalo, então a área é –(–4) de área.
Vamos calcular a área no outro intervalo, ou seja, a integral
definida em
:
A área total é:
.
Logo, o valor da área delimitada é de 8 unidades de área.
Área entre duas curvas
Suponha que as projeções do consumo de água de certo bairro
em 5 meses cresça a uma taxa de ƒ(t) mil metros cúbicos e este
crescimento seja insustentável. Por este motivo, será necessário
implementar medidas de conscientização para não haver
racionamento de água. Após essas medidas, a taxa de crescimento
passou a ser de g(t) mil metros cúbicos. O consumo de água, no
primeiro momento, é dado pela área sob o gráfico de ƒ(t) como
mostra o gráfico 3.9. Após a implementação de medidas de
conscientização, o consumo de água será dado pela área sob o
gráfico de g(t) como mostra o gráfico 3.10.
y
f(t)
t
5
Gráfico 3.9 – Gráfico do consumo de água previsto para 5 meses
Fonte: Elaboração das autoras (2011).
Unidade 3
91
Universidade do Sul de Santa Catarina
y
g(t)
t
5
Gráfico 3.10 – Gráfico do consumo de água após a implementação de medidas de conscientização
Fonte: Elaboração das autoras (2011).
O importante nesta situação é saber quanto foi economizado
de água após a implementação de medidas de conscientização
do consumo de água e, para isto, é preciso saber a diferença do
consumo. Uma vez que a área abaixo do gráfico de ƒ(t) representa
o consumo na primeira projeção e o gráfico de g(t) representa o
consumo após a implementação de medidas de conscientização, o
gráfico a seguir mostra a quantidade de água economizada.
Gráfico 3.11 – Gráfico da quantidade de água economizada após a implementação de medidas de
conscientização
Fonte: Elaboração das autoras (2011).
A área entre as duas curvas representa a quantidade de água
economizada. O cálculo desta área é simples: subtraia a área que
está sob a curva de g(t) da área que está abaixo da curva de ƒ(t).
Depois, vamos definir a área entre as duas curvas por A Assim,
usando integrais definidas, temos:
.
92
Cálculo Integral nas Ciências Sociais
Definição de área entre duas curvas: Sejam ƒ e g
funções contínuas tais que ƒ(x) ≥ g(x) no intervalo
, então a área da região limitada superiormente
por y = ƒ(x) e inferiormente por y = g(x) em
dada por:
é
.
Note que na nossa situação inicial as funções eram não negativas,
mas esta condição não é necessária para o cálculo de área entre
duas curvas. Veja no exemplo 3:
Exemplo 3: Calcular a área que é limitada pelos gráficos das
funções ƒ(x) = 3x – 3 e g(x) = x2 – 3
Solução: Dividiremos a solução em três passos:
„„
Passo 1: Determinar os pontos de intersecção das duas
funções. Para encontrar estes pontos, devemos igualar
as duas funções:
3x – 3 = x2 – 3
3x – x2 = –3 + 3
3x – x2 = 0
x (3 – x) = 0
x = 0 e x = 3.
Para x = 0 ⇒ y = –3 e x = 3 ⇒ y = 6. Portanto, os
pontos de intersecção são (0. –3) e (3, 6).
Unidade 3
93
Universidade do Sul de Santa Catarina
„„
Passo 2: Esboçar o gráfico das funções:
Gráfico 3.12 – Gráfico da área limitada pelas funções ƒ(x) = 3x – 3 e g(x) = x2 – 3
Fonte: Elaboração das autoras (2011).
„„
Passo 3: Calcular a área entre os gráficos:
A função ƒ(x) = 3x – 3 é a limitante superior da área, e
a função g(x) = x2 – 3 é a limitante inferior da área no
intervalo
. Usando a definição:
.
Logo, a área limitada por ƒ(x) = 3x – 3 e g(x) = x2 – 3 é
4,5 unidades de área.
94
Cálculo Integral nas Ciências Sociais
Síntese
Nesta unidade, você teve a oportunidade de compreender a
necessidade de aprender o cálculo da integral definida no seu
curso, através de exemplos aplicados e de fácil compreensão. Ao
finalizar esta unidade, você deve estar apto a aplicar a definição,
as regras e propriedades da integral definida e do cálculo de área
sob uma curva, bem como a aplicação desses conceitos a outras
definições do seu curso, que veremos na unidade seguinte.
Atividades de autoavaliação
Ao final de cada unidade, você realizará atividades de autoavaliação. O
gabarito está disponível no final do livro didático. Mas esforce-se para
resolver as atividades sem ajuda do gabarito, pois, assim, você estará
promovendo (estimulando) a sua aprendizagem.
1) Para as funções abaixo, use a soma de Riemann para encontrar
uma aproximação para a área sob o gráfico usando as informações
indicadas:
a) ƒ(x) = x2 + 2;
b) ƒ(x) = 3x3;
c)
;
; n = 4; pontos arbitrários: os extremos direitos.
; n = 5; pontos arbitrários: os extremos esquerdos.
; n = 3; pontos arbitrários: os extremos direitos.
Unidade 3
95
Universidade do Sul de Santa Catarina
2) A gerência de uma fabrica de lápis determinou que o custo marginal
diário associado à produção é dada por:
C'(x) = 0,000023x2 – 0,01x + 2
em que C'(x) é medido em reais por unidade e x é o número de
unidades produzidas. A gerência também determinou que o custo fixo
diário envolvido na produção destes lápis é de R$ 90,00. Determine o
custo total diário para produzir:
a) As primeiras 300 unidades.
b) Da unidade 250 à unidade 354.
3) Dado que
e
a)
b)
c)
4) Calcule as integrais definidas:
a)
b)
c)
d)
e)
f)
g)
h)
96
, calcule:
Cálculo Integral nas Ciências Sociais
5) Calcule a área limitada pela curva de ƒ(x) = x2 – 3x –4 pelo eixo x e as
retas x = 0 e x = 4.
6) Calcule a área limitada pela curva de ƒ(x) = 3x + 3 pelo eixo x e as retas
x = –1 e x = 1.
7) Calcule a área limitada pela curva de ƒ(x) = x3 + 1 pelo eixo x e as retas
x = –1 e x = 2.
8) Nos itens abaixo, esboce o gráfico da função ƒ e g e determinar a área
da região delimitada pelos mesmos:
e
a)
b)
e
c)
e
Saiba mais
Se você desejar, aprofunde os conteúdos estudados nesta unidade
ao consultar as seguintes referências:
TAN, S. T. Matemática aplicada à Administração e
Economia. São Paulo: Thomson, 2003.
WEBER, J. E. Matemática para Economia e Administração.
São Paulo: Habra, 1986.
Unidade 3
97
unidade 4
Aplicação da integral definida
Objetivos de aprendizagem
„„
Aplicar a definição e as regras de integração a variáveis
macroeconômicas, tais como os conceitos de renda
nacional, consumo e poupança.
„„
Aplicar a definição e as regras de integração a variáveis
microeconômicas, tais como os conceitos de excedente
do consumidor e excedente do produtor.
„„
Aplicar a definição e as regras de integração a variáveis
financeiras, tais como os conceitos de investimento e
formação do capital.
Seções de estudo
Seção 1
Renda nacional, consumo e poupança
Seção 2
Excedente do consumidor e do produtor
Seção 3
Investimento e formação do capital
4
Universidade do Sul de Santa Catarina
Para início de estudo
Para fazer sentido estudar o cálculo integral nos cursos de
Ciências Sociais é de fundamental importância conhecer as
aplicações do cálculo integral a conceitos de Ciências Sociais.
Em todas as unidades, você teve contato com as aplicações do
cálculo integral a problemas que envolvem conceitos de seu curso,
mas nesta unidade daremos ênfase a alguns conceitos muito
importantes nas áreas de Economia, Administração e Contábeis:
renda nacional, consumo e poupança, excedente do consumidor,
excedente do produtor, investimento e formação do capital.
A renda nacional relaciona tudo o que foi produzido no país e
afeta o planejamento tanto do setor público quanto do privado; o
consumo, ou seja, o montante que as pessoas ou famílias gastam
ou compram afeta o crescimento do país e outras variáveis, como
renda e emprego. Para aqueles consumidores que não gastam toda
sua renda, uma das opções é poupar para consumir no futuro. A
poupança de cada indivíduo da sociedade aumenta o montante
de renda nacional, o que, por consequência, permite ao sistema
financeiro ofertar mais recursos (dinheiro) para projetos de
investimentos produtivos, ou seja, na formação de capital da nação.
Esses conceitos envolvem as variáveis macroeconômicas e
variáveis exógenas, que dificilmente você ou a organização em
que você trabalha ou gerencia podem influenciar (e por isso
dizemos que essas variáveis são dados na economia).
Os conceitos e os problemas abordados nesta unidade são de
fácil entendimento e resolução utilizando a integral definida
e indefinida que você aprendeu nas unidades anteriores.
É muito importante que, neste momento, todas as regras,
propriedades e conceitos abordados nas unidades anteriores
estejam compreendidas. Note que o desenvolvimento das funções
e métodos foi feito através de vários exemplos e exercícios
justamente porque acreditamos que é com a prática que
aprendemos a desenvolver e aplicar cálculos.
100
Cálculo Integral nas Ciências Sociais
Seção 1 – Renda nacional, consumo e poupança
Para compreender a aplicação do cálculo integral aos conceitos
de renda nacional, consumo e poupança, vamos relembrar,
primeiramente, que esses são variáveis macroeconômicas, para
então buscarmos compreender como estão relacionados. De
forma geral, apresentamos os conceitos:
Renda nacional – Corresponde à soma da
remuneração de todos os fatores que participam da
produção. Em termos gerais, é o Produto Interno Bruto
(PIB) de uma nação. No Brasil, assim como nos demais
países, é uma medida de crescimento da nação. Quanto
maior for esta variável, que é medida anualmente,
maior será o bem-estar da sociedade.
Consumo – Corresponde à despesa em bens e serviços
com vista à satisfação de necessidades e desejos dos
consumidores. O consumo é uma variável que tem
impacto positivo na renda da nação; ou seja, quanto
maior o consumo, maior o PIB. O consumo é a soma
da demanda dos três agentes econômicos: governo,
empresas e famílias.
Poupança – Corresponde à diferença entre a renda
nacional disponível (renda disponível é a renda menos
os impostos) e os gastos com bens e serviços. Reflete
na riqueza das famílias e da nação. Por exemplo:
um país que tem um nível elevado de poupança
interna tem maiores possibilidades de financiar seus
investimentos produtivos, como fábricas e prestadoras
de serviços. Quanto mais unidades produtivas
(empresas), mais empregos e mais renda.
Esses conceitos são mais detalhados nos livros
didáticos indicados no Saiba Mais. Procure o livro de
seu curso que aborda este conteúdo e aprofunde seus
conhecimentos!
Unidade 4
101
Universidade do Sul de Santa Catarina
Com base nos conceitos acima e fazendo uma análise
simplificada da renda nacional, podemos dizer que esta tem dois
destinos: o consumo e a poupança, que podem ser representados
através da seguinte equação: Y = C + S, em que y é a renda
nacional, c é o consumo e s é a poupança.
Existe uma relação entre o consumo e a renda nacional: quando
a renda nacional aumenta ou diminui, o consumo aumenta ou
diminui, mas não na mesma intensidade. Chamamos a relação
entre consumo e renda nacional de função consumo, que é dada
por: C = ƒ(Y), em que y é a renda nacional e c é o consumo.
À variação do consumo, que ocorre à medida que a renda
nacional varia, chamamos de propensão marginal a consumir
(PMg). A PMg nada mais é que a taxa de variação do consumo
em relação à renda nacional, ou seja, a derivada do consumo em
relação à renda nacional. Portanto, temos:
Propensão Marginal a Consumir: Cmg = ƒ′(x)
Da mesma forma, existe também uma relação da poupança com
a renda nacional, que é dada por s = g(y), em que Y é a renda
nacional e s é a poupança.
Considerando que Y = c + s e fazendo uma manipulação simples
na equação, obtemos s = y – c.
Derivando a poupança em relação à renda, temos: g′(y) = 1 – ƒ′(y),
que representa a variação da poupança à medida que a renda
nacional varia (propensão marginal a poupar).
Substituindo Cmg = ƒ′(x) na equação acima, deduzimos a seguinte
fórmula para propensão marginal a poupar:
Propensão Marginal a Poupar: Smg = 1 – Cmg
102
Cálculo Integral nas Ciências Sociais
Portanto, o consumo total é igual à integral em
relação a x da propensão marginal a consumir, pois
.
A constante de integração é definida com uma condição inicial,
como veremos nos exemplos a seguir.
Exemplo 1: A propensão marginal a consumir é
em bilhões de reais. Sabendo que quando a renda é igual a
zero o consumo é de 8 bilhões de reais, determinar a função
consumo e a função poupança.
Solução: Para determinar a função consumo, temos que integrar
a propensão marginal a consumir em relação à y.
Portanto,
.
Para determinar C, vamos usar a condição inicial. Quando a
renda é zero, o consumo é de 8 bilhões, ou seja, temos que para
y = 0 ⇒ c(0) = 8, então:
8=0+C
C=8
Logo,
.
Para determinar a função poupança, temos que y = c + s.
Manipulando a equação, ficamos com s = y – c ou s(y) = y – c(y).
Unidade 4
103
Universidade do Sul de Santa Catarina
Substituindo a função consumo, temos:
Logo,
.
Exemplo 2: A propensão marginal a consumir é
em bilhões de reais. Sabendo que quando
a renda é igual a zero o consumo é de 6 bilhões de reais,
determinar a função consumo e a função poupança.
Solução: Para determinar a função consumo, temos que
integrar a propensão marginal a consumir em relação à y.
Assim:
Portanto,
.
Para determinar C, usaremos a condição inicial. Quando a
renda é igual a zero, temos o consumo igual a 6 bilhões, ou
seja, temos que para y = 0 ⇒ c(0) = 6, então:
6=0+C
C=6
Logo,
104
.
Cálculo Integral nas Ciências Sociais
Para determinar a função poupança, temos que y = c + s.
Manipulando a equação, ficamos com s = y – c ou s(y) = y – c(y).
Substituindo a função consumo, temos:
.
Logo,
.
Exemplo 3: A propensão marginal a poupar é smg = 0,25.
Sabendo que quando a renda é igual a zero o consumo é igual
a 15 bilhões de reais, determinar a função consumo e a função
poupança.
Solução: Para determinar a função consumo, primeiro vamos
determinar a propensão marginal a consumir:
smg = 1 – cmg
cmg = 1 – smg
cmg = 1 – 0,25
cmg = 0,75.
Integrando a propensão marginal a consumir em
relação à y , temos a função consumo dada por:
Portanto, c(y) = 0,75y + C.
Para determinar C, vamos usar a condição inicial. Quando a
renda é igual a zero o consumo é de 15 bilhões, ou seja, temos
que para y = 0 ⇒ c(0) = 15, então:
c(0) = 0,75 × 0 + C
15 = 0 + C
C = 15
Logo, c(y) = 0,75y + 15.
Unidade 4
105
Universidade do Sul de Santa Catarina
Para determinar a função poupança, temos s(y) = y – c(y).
Vamos substituir a função consumo:
s(y) = y – (0,75y + 15) = y – 0,75y – 15 = 0,25y –15.
Logo, s(y) = 0,25y – 15.
Exemplo 4: A propensão marginal a poupar é
. Sabendo
que quando a renda é igual a zero o consumo igual a 5 bilhões
de reais, determinar a função consumo e a função poupança.
Solução: Para determinar a função consumo, primeiro vamos
determinar a propensão marginal a consumir:
smg = 1 – cmg
cmg = 1 – smg
.
Integrando a propensão marginal a consumir em
relação à y, temos a função consumo dada por:
.
Portanto,
Para determinar C, vamos usar a condição inicial. Quando a
renda é igual a zero o consumo é de 5 bilhões, ou seja, temos
que para y = (0) ⇒ c(0) = 5, então:
c(0) = 0,75 × 0 + C
5=0+C
C=5
Logo,
106
.
Cálculo Integral nas Ciências Sociais
Para determinar a função poupança, temos s(y) = y – c(y).
Vamos, então, substituir a função consumo:
Logo,
.
Quando determinamos a propensão marginal a consumir de um
país, podemos ter uma previsão de quando as empresas daquele
país poderão vender no ano em questão. O outro indicativo
derivado, que é a poupança, pode ajudar o governo a planejar
seus investimentos, principalmente de infraestrutura. Como em
economia todas as variáveis estão interligadas, o lado “real” da
economia, ou seja, o que envolve produção, consumo, etc., afeta o
lado monetário.
No que se refere à decisão do governo sobre o valor da taxa de
juros, esta tanto pode ser usada para atrair poupança externa
como para frear o consumo, caso o aumento de demanda
reflita em aumento de inflação. Taxas de juros elevadas, por
exemplo, também inibem os investimentos produtivos e, como
consequência, os empresários poderão deixar de fazer um projeto
de implementação de uma nova unidade ou até de expansão da
unidade produtiva atual. Por outro lado, taxas de juros elevadas
refletem em maiores retornos em investimentos financeiros.
Seção 2 – Excedente do consumidor e do produtor
Os conceitos de excedente do consumidor e do produtor estão
relacionados à Microeconomia, mais particularmente à “teoria
da firma”. Desta teoria tiramos que, em termos gerais, as firmas
procuram maximizar seus lucros, dado sua tecnologia, preço do
trabalho, preço do capital, preço dos recursos naturais, e preço da
terra. Em resumo, entendemos que o objetivo maior da empresa é
maximizar seus lucros.
Unidade 4
107
Universidade do Sul de Santa Catarina
Excedente do consumidor
A teoria da demanda é derivada de
hipóteses da teoria do consumidor.
Parte-se do pressuposto de que
o consumidor tenha orçamento
limitado e acesso a uma
determinada cesta de produtos,
assim a teoria da demanda visa a
explicar as possibilidades de escolha
do consumidor. O consumidor
fará escolhas com seu orçamento
limitado e tentará alcançar a melhor
combinação de bens e serviços
consumidos, ou seja, aquela que lhe
trará maior nível de satisfação.
Diferentemente da empresa, o objetivo maior do consumidor é
maximizar seu bem-estar. Por isso, a Microeconomia parte do
pressuposto de que o consumidor tenha orçamento limitado e
acesso a uma determinada cesta de produtos. Assim, a “teoria
da demanda” visa a explicar as possibilidades de escolha do
consumidor. O consumidor fará escolhas com seu orçamento
limitado e tentará encontrar os bens e serviços que lhe trarão
maior grau de satisfação e, em última instância, maior bem-estar.
Para obter a satisfação desejada, o consumidor está disposto
a pagar um preço. Mas o preço que ele se dispõe a pagar não
corresponde necessariamente ao que efetivamente pagará, e a essa
diferença damos o nome de excedente do consumidor. Nesta
seção, veremos uma aplicação da integral definida a esse conceito.
Primeiro, leia a definição de excedente do consumidor. Em
seguida, vamos entender como a integral definida é utilizada para
calcular o excedente do consumidor.
Excedente do consumidor – mede o benefício obtido
pelo consumidor numa determinada transação. É a
diferença entre o que ele está disposto a pagar por um
determinado produto e o que efetivamente pagará.
A integral definida é utilizada na fórmula que se calcula o
excedente do consumidor. Vamos desenvolver a fórmula e
compreender a necessidade de utilizar a integral definida.
Para isso, suponha que p = D(x) é uma função de demanda
que relaciona o preço unitário p de um determinado bem à
quantidade demandada x.
Função de demanda – representa as quantidades de
um bem que pode ser comprado a vários preços.
108
Cálculo Integral nas Ciências Sociais
Se o preço de mercado é p 0 e a quantidade demandada
correspondente é x 0, então o consumidor que estiver disposto a
pagar um preço superior a p 0 tem um ganho pelo fato de o preço
ser inferior ao que ele está disposto a pagar. Por exemplo, se o
consumidor está disposto a pagar R$ 60,00 por uma camisa
e a camisa custa R$ 55,00, isto significa que o consumidor
economizará R$ 5,00, que representa o excedente do consumidor.
O gráfico 4.1 mostra a função de demanda correspondente
ao preço de mercado p 0 em relação à quantidade demandada
correspondente x 0:
Preço
p
p0
p = D ( x)
A
x0
x
Quantidade
Gráfico 4.1 – Gráfico da função de demanda
Fonte: Elaboração das autoras (2011).
Analisando o gráfico, podemos notar que, se o consumidor
estiver disposto a pagar qualquer valor acima de p 0, ele estará
economizando. Portanto, a área sob a curva do gráfico de
p = D(x) e sobre a reta p = p 0 no intervalo
representa o
excedente do consumidor.
Para calcular o excedente do consumidor, basta calcular a área
A destacada no gráfico no intervalo
. Na unidade anterior,
calculamos esta área usando integral definida. É o que vamos fazer
para encontrar a fórmula que calcula o excedente do consumidor.
Unidade 4
109
Universidade do Sul de Santa Catarina
A área que desejamos calcular está limitada inferiormente por
p = p 0 e superiormente por p = D(x). Usando a definição de
cálculo de área já apresentada, encontramos:
Definição de área entre duas curvas:
Sejam f e g funções contínuas tais
que f(x) ≥ g(x) no intervalo
, então a área da região limitada
superiormente por y = f(x) e
inferiormente por y = g(x) em
é dada por
.
.
Logo, para calcular o excedente do consumidor,
.
usamos a fórmula
Vamos, a seguir, aplicar essa fórmula nos exemplos apresentados:
Exemplo 1: Se a função demanda de uma marca de secador
de cabelo é p = –x2 –4x + 32, determine o excedente do
consumidor:
a) Se a demanda de mercado for de 3 unidades.
b)Se o preço de mercado for de R$ 27,00.
Soluções:
a) Se a demanda de mercado for 3, temos que é x 0 = 3.
Com o valor de x 0 e a função demanda, vamos calcular
o valor de p 0:
110
Cálculo Integral nas Ciências Sociais
Antes de aplicar a fórmula, apresentamos um esboço do gráfico
da função da demanda:
p
32
11
3
x
Gráfico 4.2 – Gráfico da função de demanda p = –x2 –4x + 32 com x 0 = 3
Fonte: Elaboração das autoras (2011).
Para encontrar o excedente do consumidor, vamos aplicar a
fórmula:
Portanto, o excedente do consumidor é R$ 36,00.
b)Se o preço de mercado é de R$ 27,00, temos que é
p 0 = 27. Com o valor de p 0, vamos calcular o valor de
x 0:
Resolvendo a equação do segundo grau, chegamos ao valor de
x 0 = –5 e x 0 = 1. Como x 0 é quantidade, x 0 tem que ser um valor
positivo. Assim, a solução da equação do segundo grau, que é
também solução do problema, é x 0 = 1.
Unidade 4
111
Universidade do Sul de Santa Catarina
Antes de aplicar a fórmula, apresentamos um esboço do gráfico
da função da demanda:
p
32
27
1
x
Gráfico 4.3 – Gráfico da função demanda p = –x2 –4x + 32 com p 0 = 27
Fonte: Elaboração das autoras (2011).
Para encontrar o excedente do consumidor, vamos aplicar a
fórmula:
Portanto, o excedente do consumidor é de aproximadamente
R$ 2,70.
Exemplo 2: Se a função de demanda de um produto é
e a demanda de mercado é 9 unidades, determine o
excedente do consumidor.
Solução: Se a demanda de mercado é 9, temos que é x 0 = 9.
Com o valor de x 0 e com a função de demanda dados, vamos
calcular o valor de p 0:
112
Cálculo Integral nas Ciências Sociais
Antes de aplicar a fórmula, apresentamos um esboço do gráfico
da função da demanda:
p
5
4
9
Gráfico 4.4 – Gráfico da função de demanda
Fonte: Elaboração das autoras (2011).
x
com x 0 = 9
Para encontrar o excedente do consumidor, vamos aplicar a
fórmula:
Vamos usar o método de integração por substituição para
resolver a integral definida
.
.
„„
Passo 1: Fazer a escolha de u, onde u é sempre a g (x)
Portanto, u = 25 – x
„„
Passo 2: Calcular o diferencial de u, sendo du = –dx
„„
Passo 3: Fazer a mudança dos limites de integração:
Limite superior x = 9, então u = 25 – 9 = 16
Limite inferior x = 0 , então u = 25 – 0 = 25
Unidade 4
113
Universidade do Sul de Santa Catarina
„„
Passo 4: Fazer a substituição:
Como o limite superior é menor que o limite inferior, podemos
modificar usando a propriedade que garante que, se trocarmos
os limites de integração, inverteremos o sinal da integral
definida, estudada anteriormente. Assim:
„„
Passo 5: Calcular a integral definida:
Voltando à fórmula do excedente do consumidor, temos:
Logo, o excedente do consumidor é de aproximadamente R$ 4,70.
Excedente do produtor
A integral definida também é usada na fórmula que calcula
o excedente do produtor. Para compreender como e por que,
vamos conhecer o conceito de excedente do produtor e depois
desenvolver a fórmula.
114
Cálculo Integral nas Ciências Sociais
Excedente do produtor: corresponde ao montante (em
unidades monetárias) de que o produtor se beneficia
por produzir as quantidades que lhe proporcionam a
maximização do seu lucro. É, ainda, a diferença entre o
preço da mercadoria negociada e o custo marginal do
produtor. O excedente do produtor surge por que os
custos marginais estão abaixo do atual preço que as
firmas recebem por seus bens no mercado.
Suponha que y = S(x) é uma função de oferta que relaciona o
preço unitário y de um bem com a quantidade x que o produtor
tornará disponível no mercado.
Função oferta: representa as respectivas quantidades
de um bem que pode ser ofertado a vários preços.
Se o preço de mercado é p 0 e a quantidade ofertada de mercado
correspondente é x 0, então os produtores que podem ofertar
produtos com preço inferior a p 0 têm lucro. Por exemplo: Se
um produtor de camisas consegue produzir camisas para serem
comercializadas a R$ 45,00, mas o preço de mercado é de
R$ 50,00 reais, então o produtor vai ganhar, a cada camisa,
R$ 5,00 a mais, e este ganho representa o excedente do produtor.
Custo marginal (CMg):
representa quanto os
custos totais aumentam
pela produção de uma
unidade adicional do
produto. Consideramse como custos totais:
gastos com máquinas,
equipamentos e outros
capitais produtivos,
custos com mão de obra
e insumos necessários
para produzir bens.
Matematicamente, o custo
marginal corresponde
à derivada primeira da
função de custo.
O gráfico 4.5, a seguir, mostra a função oferta o preço de mercadop 0
e a quantidade x 0 ofertada:
Preço
p
p = S ( x)
p0
A
x0
x
Quantidade
Gráfico 4.5 – Gráfico da função oferta
Fonte: Elaboração das autoras (2011).
Unidade 4
115
Universidade do Sul de Santa Catarina
O gráfico mostra que os produtores que estiverem em condições de
ofertar o produto a qualquer valor abaixo de p0 estarão ganhando.
Portanto, a área sobre a curva do gráfico de p = S(x) e sob a reta
p = p0 no intervalo
representa o excedente do produtor.
Para calcular o excedente do produtor, basta calcular a A destacada
. Como fizemos no caso do cálculo
no gráfico no intervalo
do excedente do consumidor, vamos também usar a definição de
cálculo vista na unidade anterior e relembrada nesta seção.
A área que desejamos calcular está limitada superiormente
por p = p 0 e inferiormente por p = S(x), novamente aplicando a
definição de cálculo de área, temos:
.
Logo, para calcular o excedente do produtor usamos a
.
fórmula
Vamos, a seguir, aplicar a fórmula acima nos exemplos
apresentados:
Exemplo 1: Se a função de oferta de um produto é
p = x 2 + 20, e o preço de mercado é R$ 36,00, determine o
excedente do produtor.
Solução: Se o preço de mercado de um produto é R$ 36,00,
então y 0 = 36. Com o valor de p 0 e com a função oferta, vamos
calcular x 0:
.
116
Cálculo Integral nas Ciências Sociais
A equação tem como solução x 0 = –4 e x 0 = 4. Mas como x 0
representa quantidade, e quantidade é positiva, a solução da
equação e também solução do problema só pode ser x 0 = 4.
Antes de aplicar a fórmula, apresentamos um esboço do gráfico
da função da oferta:
p
36
20
4
x
Gráfico 4.6 – Gráfico da função oferta p = x 2 + 20 com x 0 = 4
Fonte: Elaboração das autoras (2011).
Para encontrar o excedente do produtor, vamos aplicar a
fórmula:
Logo, o excedente do produtor é de aproximadamente R$ 42,70.
Exemplo 2: Se a função de oferta de um produto é p = 2x2 + 8, e o
preço de mercado é R$ 58,00, determine o excedente do produtor.
Solução: Se o preço de mercado de um produto é R$ 58,00,
então y 0 = 58. Com o valor de p 0 e com a função oferta, vamos
calcular x 0:
Unidade 4
117
Universidade do Sul de Santa Catarina
A equação tem como solução x 0 = –5 e x 0 = 5. Mas como x 0
representa quantidade, e quantidade é positiva, a solução da
equação e também solução do problema só pode ser x 0 = 5.
Antes de aplicar a fórmula, apresentamos um esboço do gráfico
da função da oferta:
Preço
p
p = S ( x)
p0
A
x0
x
Quantidade
Gráfico 4.7 – Gráfico da função oferta p = 2x2 + 8 com x 0 = 5
Fonte: Elaboração das autoras (2011).
Para encontrar ao excedente do produtor, aplicamos a fórmula:
Logo, o excedente do produtor é de aproximadamente R$ 166,70.
118
Cálculo Integral nas Ciências Sociais
Exemplo 3: Se a função de oferta de uma marca de aparelho
de DVD é p = (x + 1)2 e o preço de mercado é de R$ 225,00,
determine o excedente do produtor.
Solução: Se o preço de mercado de um produto é R$ 225,00,
então y 0 = 225. Com o valor de p 0 e com a função oferta,
vamos calcular x 0:
Consideramos a
quantidade.
o valor positivo porque x 0 é
Antes de aplicar a fórmula, apresentamos um esboço do gráfico
da função da oferta:
p
225
1
16
x
Gráfico 4.8 – Gráfico da função oferta p = (x + 1)2 com x 0 = 16
Fonte: Elaboração das autoras (2011).
Unidade 4
119
Universidade do Sul de Santa Catarina
Para encontrar ao excedente do produtor, aplicamos a fórmula:
.
Vamos usar o método de integração por substituição para
resolver a integral definida:
.
Passo 1: Fazer a escolha de u, onde u é sempre a g(x). Portanto,
u = x + 1
Passo 2: Calcular o diferencial de u, sendo du = dx
Passo 3: Fazer a mudança dos limites de integração:
Limite superior x = 16, então u = 16 + 1 = 17
Limite inferior x = 0, então u = 0 + 1 = 1
Passo 4: Fazer a substituição:
Passo 5: Calcular a integral definida:
Voltando à fórmula de excedente do consumidor, temos:
Logo, o excedente do produtor é de aproximadamente
R$ 1.962,70.
120
Cálculo Integral nas Ciências Sociais
Seção 3 – Investimento e formação do capital
A formação do capital está diretamente ligada ao investimento e
esta ligação é fácil de ser notada através da integral indefinida e da
integral definida. Para compreender esta ligação, primeiro vamos
entender os conceitos de formação de capital e investimento.
Formação de capital – É o processo de adição a um
determinado estoque de capital.
Investimento – Investimento é toda e qualquer
ação que visa à obtenção de uma determinada
rentabilidade. Em economia, ele está relacionado ao
investimento produtivo, ou seja, a bens de capital que
geram outros bens. No caso aqui apresentado estamos
falando do mundo financeiro, que envolve matemática
financeira, análise de investimento e engenharia
econômica. Ou seja, estamos falando de investimento
no mercado financeiro.
Vamos considerar que o processo de formação de capital, definido
acima, é contínuo no tempo, então o estoque de capital varia a
cada instante. Podemos expressar o estoque de capital através de
uma função do tempo definida por k(t). Assim, a cada instante t
temos um novo estoque de capital.
Já a taxa de variação com que este estoque de capital varia é
determinada pela derivada da função k(t). Então, a taxa de
formação de capital é k'(t).
A taxa de formação de capital no instante t é idêntica
ao fluxo de investimento líquido no instante t, definido
por I(t).
Portanto, a ligação existente entre a formação de capital e o
investimento é que a derivada da formação de capital é igual ao
investimento; ou seja, a função que representa a formação de
capital no instante t é primitiva da função que representa o fluxo
de investimento no instante t.
Unidade 4
121
Universidade do Sul de Santa Catarina
Conhecendo a função que representa o fluxo de investimento no
instante t e o valor do capital inicial no instante t = 0, podemos
determinar a função que representa a formação do capital no
instante t, que é a trajetória temporal do capital k.
Exemplo 1: Suponhamos que o fluxo de investimento seja
descrito pela função I(t) = 4t 3 e que o capital inicial no tempo
t = 0 seja R$ 5.000,00, determine a trajetória temporal do
capital k.
Solução: Para encontrar a trajetória temporal do capital k, basta
integrar a função que descreve o fluxo de investimento. Assim:
Portanto,
.
O valor de C é determinado com a informação do valor do
capital no instante t = 0, então:
Logo, a trajetória temporal do capital k é
.
Exemplo 2: Suponhamos que o fluxo de investimento seja
descrito pela função
e que o capital inicial no tempo
t = 0 seja R$ 2.000,00, determine a trajetória temporal do
capital k.
Solução: Para encontrar a trajetória temporal do capital k, basta
integrar a função que descreve o fluxo de investimento. Assim:
Portanto,
122
.
Cálculo Integral nas Ciências Sociais
O valor de C é determinado com a informação do valor do
capital no instante t = 0, então:
Logo, a trajetória temporal do capital k é
.
Quando se quer saber o valor do montante da formação do
capital durante um intervalo de tempo, usamos o conceito
da integral definida, da seguinte forma: dado um intervalo
de tempo
, o valor do montante da formação do capital
durante
é dado por:
.
em milhões de reais por ano, calcule
Exemplo 3: Se
qual será o montante da formação de capital durante o
intervalo
.
Solução: Para saber o montante da formação de capital durante
, vamos calcular a seguinte integral definida:
o intervalo
Logo, o montante da formação de capital durante o intervalo
é R$ 45.000.000,00.
Exemplo 4: Suponhamos que o fluxo de investimento seja
em milhões de reais por ano,
descrito pela função
e que o capital inicial no tempo t = 0 seja de R$ 6.000,00,
determine:
a) A trajetória temporal do capital k.
b)O montante da formação de capital durante o intervalo
.
Unidade 4
123
Universidade do Sul de Santa Catarina
Soluções:
a) Para encontrar a trajetória temporal do capital k , basta
integrar a função que descreve o fluxo de investimento.
Assim:
Portanto,
.
O valor de C é determinado com a informação do valor do
capital no instante t = 0, então:
Logo, a trajetória temporal do capital k é
.
b)Para saber o montante da formação de capital durante
o intervalo
, vamos calcular a seguinte integral
definida:
Logo, o montante da formação de capital durante o intervalo
é R$ 56.000.000,00.
Esses conjuntos de ferramentas ajudam a calcular o capital no
futuro ou o deslocamento do capital no tempo a partir do custo,
ou seja, a taxa de juros.
124
Cálculo Integral nas Ciências Sociais
Síntese
Nesta unidade, você teve contato com alguns conceitos
importantes de variáveis macro e microeconômicas e financeiras.
Compreendeu que o cálculo integral é uma grande ferramenta
para resolver esses problemas, pois mostramos o porquê de usar a
integral nas fórmulas que solucionam tais problemas.
Em Macroeconomia, você aprendeu a aplicação de problemas
envolvendo a renda nacional, consumo e poupança. Já na
Microeconomia você estudou os excedentes do produtor e do
consumidor, aplicando a integração dessas áreas. Para as análises
gráficas desses conceitos, são muito importantes as técnicas de
integração. No que tange às variáveis financeiras, destacamos nesta
unidade o investimento e a formação de capital. Esperamos que
você tenha notado a importância de estudar cálculo no seu curso.
Atividades de autoavaliação
Ao final de cada unidade, você realizará atividades de autoavaliação. O
gabarito está disponível no final do livro didático. Mas, esforce-se para
resolver as atividades sem ajuda do gabarito, pois, assim, você estará
promovendo (estimulando) a sua aprendizagem.
em bilhões de
1) A propensão marginal a consumir é
reais. Quando a renda é igual a zero, o consumo é 11 bilhões de reais.
Determine a função consumo e a função poupança.
2) A propensão marginal a poupar é
. Quando a renda é igual a zero,
o consumo é de 5 bilhões de reais. Determine a função consumo e a
função poupança.
Unidade 4
125
Universidade do Sul de Santa Catarina
3) Se a função demanda de um produto é y = 20 – x2, determine o
excedente do consumidor:
a) Se a demanda de mercado é de 2 unidades.
b) Se o preço de mercado é R$ 4,00.
e o preço de mercado é
4) Se função oferta de um produto é
igual a R$ 6,00, determine o excedente do produtor.
e a quantidade ofertada é 4
5) Se a função oferta de um produto é
unidades, determine o excedente do produtor.
6) Suponha que o fluxo de investimento seja descrito pela função
em mil reais por ano, e que o capital inicial no tempo t = 0 é
de R$ 2.000,00. Determine:
a) A trajetória temporal do capital k.
b) O montante da formação de capital durante o intervalo
.
Saiba mais
Se você desejar, aprofunde os conteúdos estudados nesta unidade
ao consultar as seguintes referências:
CHIANG, A. C. Matemática para economistas. São Paulo:
Edusp-McGraw-Hill, 1982.
WEBER, J. E. Matemática para Economia e Aministração.
São Paulo: Habra, 1986.
126
unidade 5
Álgebra matricial aplicada a um
problema de Econometria
Objetivos de aprendizagem
„„
Utilizar matrizes para modelar problemas de Economia.
„„
Resolver soma de matrizes, multiplicação de matriz por
escalar e multiplicação de matrizes.
„„
Conhecer a definição de matrizes e entender algumas
operações com matrizes.
„„
Determinar a inversa de uma matriz e a solução de um
sistema.
„„
Aplicar as operações com matrizes a problemas de
previsão com variáveis econômicas.
Seções de estudo
Seção 1
O problema e a modelagem matricial
Seção 2
Resolução de sistemas
Seção 3
Aplicação a um problema que envolve previsão de
variáveis econômicas
5
Universidade do Sul de Santa Catarina
Para início de estudo
É importante que, no seu curso, você tenha um contato com a
álgebra matricial, pois muitos problemas são resolvidos através
de matrizes. Levando isso em consideração, elaboramos esta
unidade em que trataremos deste tema.
Nesta unidade, apresentaremos um exemplo simples de
econometria sobre regressão linear múltipla, com o objetivo de
abordar alguns conceitos importantes de álgebra matricial, sem se
preocupar em citar e demonstrar as propriedades.
Seção 1 – O problema e a modelagem matricial
Nesta seção, você conhecerá o problema de econometria sobre
regressão linear múltipla. Para isso, vamos relembrar o conceito
de econometria:
Econometria é o ramo do conhecimento humano que
aplica a Matemática e a Estatística à Teoria Econômica,
objetivando dar-lhe conteúdo empírico. (CAPITÃO, 2009).
Serão apresentadas algumas definições sobre matrizes que
são úteis para modelar o problema na forma matricial. Nosso
objetivo, aqui, não é aprofundar o conceito de regressão linear
múltipla, mas simplesmente apresentar o problema através de
alguns conceitos e propriedades para que você possa usar a
álgebra matricial para modelá-lo.
Para compreender regressão linear:
Imagine duas variáveis Y e X (que poriam ser, por exemplo,
investimento e juros), ou quaisquer duas variáveis que,
supostamente, tenham relação entre si, em que X é a variável
independente e Y a variável dependente, isto é, Y que é afetado
por X, e não o contrário.
128
Cálculo Integral nas Ciências Sociais
O processo de encontrar a relação entre Y e X é chamado de
regressão. Se esse processo for uma reta, é uma regressão linear.
Se houver apenas uma variável independente (só tem um X), é
uma regressão linear simples. E quando tiver dois ou mais X
explicativos, temos uma regressão múltipla.
O problema econômico para essas várias hipotéticas
poderia ser a receita total nos últimos doze dias,
representando o Y, X 2 (gastos com propaganda) e X3
(preços).(adaptado de SARTORIS, 2003).
Com os dados do quadro 5.1, estimar a regressão Y em função X2
e X3 e fazer os testes da regressão e de cada um dos parâmetros:
I
Y
X2
X3
1
800
2
0,8
2
1.160
4
0,7
3
1.580
6
0,5
4
2.010
8
0,4
5
1.890
7
0,2
6
2.600
12
0,2
7
2.070
11
0,8
8
1.890
10
0,7
9
1.830
9
0,6
10
1.740
8
0,1
11
1.380
6
0,5
12
1.060
4
0,4
Quadro 5.1 – Valores de Y, X2 e X3
Fonte: SARTORIS (2003).
Unidade 5
129
Universidade do Sul de Santa Catarina
Modelo de regressão linear múltipla:
Em que:
Y é a variável explicativa.
são coeficientes de regressão.
são variáveis explicativas.
ε é o erro residual.
i é o índice referente à linha da tabela, podendo ser
tempo ou quantidade.
Usando o modelo de regressão linear múltipla, podemos
reescrever o quadro através de equações. Para isso, primeiro
reescrevemos as equações de acordo com os índices i apresentados
no quadro, depois, usando os valores, da seguinte forma:
Neste caso, Y é uma variável que depende dos valores de X2 e X3
e o objetivo é encontrar os valores de β1, β2 e β3 Como Y1 é o Y
que está na primeira linha, X21 é o X2 que está na primeira linha,
e X31 é o X3 que está na primeira linha.
Note que o mesmo acontece para as demais linhas. Portanto, na
segunda linha todos têm o índice 2, na terceira linha todos têm
tem o índice 3, e assim sucessivamente. Desta forma, podemos
escrever as equações acima com os valores do quadro 5.1:
130
Cálculo Integral nas Ciências Sociais
Essas equações podem ser escritas em forma de matriz, mas, para
isso, precisamos entender o que é uma matriz e conhecer algumas
operações, para depois voltarmos ao problema.
Matriz é uma tabela de elementos dispostos em linhas
e colunas. Os elementos podem ser números reais ou
complexos.
Analisemos os seguintes exemplos de matriz:
Exemplo 1:
A matriz A tem 3 linhas e 3 colunas, a matriz B tem 2 linhas e
3 colunas e a matriz C tem uma linha e 4 colunas.
Unidade 5
131
Universidade do Sul de Santa Catarina
Uma matriz é sempre denotada por letra maiúscula e seus
elementos por letras minúsculas. Então, se quisermos representar
uma matriz A de m e n colunas, ou seja, de ordem m × n a
representação é feita da seguinte forma:
Uma matriz com m e 1 coluna também é chamada de
vetor.
Para localizar um elemento da matriz, precisamos indicar a linha
e a coluna que ele se encontra. Por exemplo: o elemento a23 da
matriz A do exemplo 1 é o elemento que está na segunda linha e
terceira coluna; então, a23 = 10.
Podemos fazer algumas operações com as matrizes, como:
Soma de matriz: Para somar duas matrizes, elas têm que ter a
mesma ordem, ou seja, o mesmo número de linhas e mesmo número
de colunas. Para efetuar a operação, somamos elemento a elemento.
Exemplo 2:
132
Cálculo Integral nas Ciências Sociais
Multiplicação por escalar: Para multiplicar uma matriz por um
escalar, um número qualquer, basta multiplicar cada elemento
pelo escalar.
Exemplo 3:
Multiplicação de matrizes: Para multiplicar duas matrizes a
primeira tem que ter o número de colunas igual ao número de
linhas da segunda, e os elementos da matriz produto são obtidos
como mostra o exemplo a seguir.
Para multiplicar as matrizes, temos de multiplicar os elementos
da primeira linha pelos elementos da primeira coluna e somar os
resultados, assim temos o elemento da primeira linha e primeira
coluna da matriz produto, como no exemplo 4:
Exemplo 4:
Unidade 5
133
Universidade do Sul de Santa Catarina
Devemos proceder assim sucessivamente até determinar todos os
elementos.
Agora que você conhece algumas operações básicas, podemos
inserir o conceito de sistema que usa essas definições.
Sistema de equações: É um conjunto de m equações
com n incógnita e é representado genericamente da
seguinte forma:
Podemos escrever o sistema acima na forma matricial:
ou
A.X=B
Em que
e
A é a matriz dos coeficientes numéricos do sistema.
134
Cálculo Integral nas Ciências Sociais
Exemplo 5: Escrever o sistema abaixo, na forma matricial:
Solução:
ou A . X = B
Em que
e
.
Modelando o problema de regressão linear múltipla
Depois de ver a definição de matriz, a definição de sistema e
aprender algumas operações, podemos reescrever o problema
usando matrizes, pois este é um sistema de 12 equações e 3
variáveis, a saber:
Unidade 5
135
Universidade do Sul de Santa Catarina
Este sistema de equação é um pouco diferente do visto no
exemplo 5, pois tem a soma de uma matriz que representa o erro,
como podemos ver a seguir:
ou Y = X . β + ε
Em que
,
,
e
Agora, nosso problema já está escrito de forma matricial, e é um
sistema de equações.
Na próxima seção, veremos como resolver sistemas.
136
Cálculo Integral nas Ciências Sociais
Seção 2 – Resolução de sistemas
O problema de regressão linear múltipla é um sistema de
equações que, na seção anterior, escrevemos de duas formas
matriciais. Nesta seção, o objetivo é mostrar como resolver este
sistema usando algumas definições de matrizes.
Primeiramente, vamos definir o que é solução de um sistema e,
após, trabalharemos algumas definições importantes para resolver
o sistema. Depois desta seção já estaremos prontos para resolver o
nosso problema de Econometria.
Solução de sistema: Dado o sistema:
Uma solução desse sistema é n-upla de números
(x1, x2, x3, ..., xn) que satisfazem simultaneamente
todas as m equações.
Veja o exemplo a seguir:
Exemplo 1:
Uma solução é (2,4), pois
Para encontrar a solução de sistemas lineares existem algumas
técnicas. Vamos apresentar apenas uma, a que é mais utilizada nas
literaturas de econometria para resolver os problemas de regressão
linear múltipla. Mas antes precisamos compreender outras
propriedades que irão nos auxiliar na resolução de sistemas.
Unidade 5
137
Universidade do Sul de Santa Catarina
Se você ficou interessado em saber como resolver de
outra forma, consulte o livro de álgebra linear que está
listado no Saiba Mais desta unidade.
Outra definição fundamental a ser entendida para resolver sistemas
é a transposição de matriz, conceituada e exemplificada a seguir.
Transposição de matriz: Dada uma matriz A podemos
obter uma matriz transposta trocando as linhas
pelas colunas, a que chamamos de transposta de A
Denotamos a transposta de A por A'; então se Am×n , a
transposta de é A'n×m.
Exemplo 2: Dada a matriz
, determinar A':
Solução: Basta trocar a linha pela coluna
.
Se multiplicarmos a transposta de uma matriz pela matriz a partir
da qual foi feita a transposição, obteremos uma matriz que tem o
mesmo número de linhas e colunas, chamada de matriz quadrada.
Matriz quadrada é a matriz que tem
o mesmo número de linhas e de
colunas.
Vamos acompanhar o exemplo a seguir:
Exemplo 3: Dada a matriz
o produto de B’ por B.
, determinar B’ e
Solução: Vamos obter primeiro a transposta de B,
138
Cálculo Integral nas Ciências Sociais
Agora vamos determinar o produto de B’ por B e verificar se o
produto é uma matriz quadrada.
A matriz produto é uma matriz quadrada. Se multiplicarmos
a matriz por sua transposta também teremos uma matriz
quadrada, conforme segue:
A matriz produto também é uma matriz quadrada. Observe
que B’ . B ≠ B . B’ Portanto, nas matrizes, a ordem dos fatores
altera o produto.
Unidade 5
139
Universidade do Sul de Santa Catarina
Existem algumas matrizes quadradas especiais, denominadas
identidade, como veremos a seguir:
Matriz identidade: É uma matriz quadrada cujos
elementos da diagonal são iguais a 1 e os outros
elementos são nulos.
Observe o exemplo a seguir:
Exemplo 4:
a)
b)
c)
A matriz identidade é o elemento neutro na multiplicação de
matrizes, ou seja, In . An = An e An . In = An.
Mais um conceito importante para resolução de sistemas é o
conceito de determinante:
Determinante é um número associado a uma matriz
quadrada, o qual denotamos por det A.
Calcular o determinante de matrizes quadradas de ordem 1, 2 e 3
é simples, como mostraremos a seguir:
140
Cálculo Integral nas Ciências Sociais
Determinante de matriz de ordem 1, 2 e 3
Matriz de ordem 1:
Matriz de ordem 2:
Matriz de ordem 3:
então det A = a11
então det A = a11a22 – a12a21
, então
det A = a11a22a33 – a11a23a32 – a12a21a33 + a12a23a32 + a13a21a11 – a13a22a31.
Mas antes de calcular o determinante de matrizes de
ordem n, onde n é um número maior ou igual a 3, é preciso
conhecer outras definições, como a de cofator, utilizada no
desenvolvimento de Laplace, que é o método que iremos usar
para resolver o determinante de matrizes de ordem n.
Seja uma matriz A de ordem n com n ≥ 2, o cofator do
elemento aij é o produto (–1)i + j × det Aij, em que Aij é a
submatriz da matriz A, e onde a i-ésima linha e a j-ésima
coluna foram retiradas. Denotamos o cofator por
Δij = (–1)i + j × det Aij.
Veja um exemplo do cálculo de cofatores:
Exemplo 5: Seja
, determinar o cofator dos
elementos a11, a21 e a31.
Solução: Cofator do elemento a11, Δ11 = (–1)1 +1 × det A11. Para
determinar det A11, temos de calcular o determinante da
submatriz, que é a matriz original sem a primeira linha e sem a
primeira coluna.
Unidade 5
141
Universidade do Sul de Santa Catarina
, det A11 = 5 × 7 – 6 × 4 = 35 – 24 = 11
Δ11 = (–1)1+1 × 11 = (–1)2 × 11 = 1 × 11 = 11.
Cofator do elemento a21, Δ21 = (–1)2+1 × det A21. Para
determinar det A 21, temos que calcular o determinante da
submatriz, que é a matriz original sem a segunda linha e sem a
primeira coluna.
, det A21 = 2 × 7 – 3 × 4 = 14 – 12 = 2
Δ21 = (–1)2+1 × 2 = (–1)3 × 2 = –1 × 2 = –2.
Cofator do elemento a31, Δ31 = (–1)3+1 × det A31. Para determinar
det A31 temos que calcular o determinante da submatriz, que é
a matriz original sem a terceira linha e sem a primeira coluna.
, det A31 = 2 × 6 – 3 × 5 = 12 – 15 = –3
Δ31 = (–1)3+1 × 2 = (–1)4 × 2 = 1 × –3 = –3.
Matriz de ordem n – Desenvolvimento de Laplace
Com a definição de cofator podemos compreeender o
desenvolvimento de Laplace:
, det An = a1iΔ1i + a2iΔ2i + ... + aniΔni.
Note que o determinante foi desenvolvido pela i-ésima
coluna, mas nada mudaria se fosse pela i-ésima linha.
No próximo exemplo calcularemos o determinante de uma matriz
de ordem 3, pelo desenvolvimento de Laplace definido acima.
142
Cálculo Integral nas Ciências Sociais
Exemplo 6: Seja
matriz A.
, encontrar o determinante da
Solução: Vamos usar os dados do exemplo 5, já que a matriz é a
mesma.
det A3 = a11Δ11 + a21Δ21 + a31Δ31
det A3 = 1 × 11 + 5 × +(–2) + (–1) × (–3)
det A3 = 11 – 10 + 3
det A3 = 4
Portanto, o determinante de A é 4.
O desenvolvimento de Laplace é aplicado a qualquer matriz
quadrada com ordem superior a 3. Para resolver um sistema,
além da definição de determinantes, precisamos conhecer mais
três definições: a de matriz de cofatores, matriz adjunta e matriz
inversa, que é o que veremos agora.
Matriz dos cofatores: Se para cada elemento de uma
matriz A for calculado um cofator Δij = (–1)i + j × det Aij
temos o número de cofatores igual ao número de
elementos de A e a matriz desses cofatores é denotada
por .
Veja a aplicação desta definição no exemplo abaixo:
Exemplo 7: Seja
cofatores de A.
determinar a matriz de
Solução: Os cofatores dos elementos a11, a21 e a31 já foram
calculados no exemplo 5.
Δ11 = 11, Δ21 = –2 e Δ31 = –3.
Unidade 5
143
Universidade do Sul de Santa Catarina
Vamos calcular os cofatores para os outros elementos:
Cofator do elemento a12:
, det A12 = 5 × 7 – (–1) × 6 = 35 + 6 = 41
Δ12 = (–1)1+2 × 41 = (–1)3 × 41 = –1 × 41 = –41.
Cofator do elemento a22:
, det A22 = 1 × 7 – (–1) × 3 = 7 + 3 = 10
Δ22 = (–1)2+2 × 10 = (–1)4 × 10 = 1 × 10 = 10.
Cofator do elemento a32:
, det A32 = 1 × 6 – 5 × 3 = 6 – 15 = –9
Δ32 = (–1)3+2 × –9 = (–1)5 × –9 = –1 × –9 = 9.
Cofator do elemento a13:
, det A13 = 5 × 4 – (–1) × 5 = 20 + 5 = 25
Δ13 = (–1)1+3 × 25 = (–1)4 × 25 = 1 × 25 = 25.
Cofator do elemento a23:
, det A23 = 1 × 4 – (–1) × 2 = 4 + 2 = 6
Δ23 = (–1)2+3 × 6 = (–1)5 × 6 = –1 × 6 = –6.
Cofator do elemento a33:
, det A33 = 1 × 5 –5 × 2 = 5 – 10 = –5
Δ33 = (–1)3+3 × –5 = (–1)6 × –5 = 1 × –5 = –5.
Portanto, a matriz de cofatores de A é
144
.
Cálculo Integral nas Ciências Sociais
Vamos, a seguir, entender o conceito de matriz adjunta.
Matriz adjunta: Dada uma matriz quadrada A, a matriz
adjunta de A é a transposta da matriz dos cofatores de
.
A. Denotaremos a matriz adjunta por
Veja no exemplo:
Exemplo 8: Seja
de A.
, determinar a matriz adjunta
Solução: Como no exemplo 7 já calculamos a matriz dos
cofatores, para ter a matriz adjunta temos de transpor a matriz .
Portanto,
.
Em seguida, entenda mais um conceito importante no cálculo de
matrizes: o de matriz inversa, que tem uma importante função na
resolução de sistemas.
Matriz inversa: Dada uma matriz A quadrada de
ordem n, a matriz inversa de A é uma matriz B, tal que
A . B = B . A = In, em que In é a matriz identidade de
ordem n. Denotamos A–1 para a inversa de A.
Para determinar a inversa de A usamos a seguinte fórmula:
Note que a inversa de A existe se o determinante de A for
diferente de zero.
Unidade 5
145
Universidade do Sul de Santa Catarina
Esta não é única forma de calcular a inversa de uma
matriz. Se você ficou interessado, procure no livro de
álgebra linear do saiba mais desta unidade ou no livro
Matemática para Economia e Administração, de J. E.
Weber, que está na bibliografia.
Vamos calcular a matriz inversa do exemplo seguinte, usando
as definições acima e os resultados encontrados nos exemplos
anteriores.
Exemplo 9: Seja
inversa de A.
, determinar a matriz
Solução: No exemplo 6, calculamos o determinante de A:
det A3 = 4. No exemplo 8, determinamos a matriz adjunta de
A:
. Para calcular a inversa de A, basta
aplicar a fórmula:
Portanto,
146
.
Cálculo Integral nas Ciências Sociais
Resolução de sistemas
Vamos analisar o sistema do exemplo 5 da seção 1:
O sistema na forma matricial é da seguinte forma, como já vimos:
ou A. X = B
em que
,
e
.
Resolver o sistema A. X = B é encontrar os valores de x1, x2 e x3
que tornam a igualdade verdadeira. Para isso, vamos trabalhar com
o sistema na forma matricial, como se fosse uma equação, e na
resolução usaremos algumas das definições que vimos nesta unidade.
Primeiramente, vamos multiplicar a inversa de A em ambos os
lados da equação:
A–1 A . X = A–1B
Como pela definição de inversa A–1 A = I, então
A–1 A . X = A–1B
IX = A–1B
A identidade é o elemento neutro da multiplicação, portanto
X = A–1B.
Logo, para encontrar os valores de x1, x2 e x3, basta multiplicar a
inversa de A pela matriz B.
Unidade 5
147
Universidade do Sul de Santa Catarina
Esta resolução é válida quando estamos trabalhando
com a matriz A quadrada. Lembre-se de que definimos
inversa de matriz para matrizes quadradas, ou seja, de
ordem n.
Vamos a um novo exemplo:
Exemplo 10: Resolver o sistema
Solução: O sistema na forma matricial é:
ou A . X = B
em que
,
e
.
Para resolver o sistema, temos de encontrar a inversa de A, e
para encontrar a inversa primeiro temos de encontrar a matriz
de cofatores de A.
Cofator do elemento a11:
, det A11 = (–2) × (–0,5) –6 × 5 = 1 – 30 = –29
Δ11 = (–1)1+1 × –29 = (–1)2 × –29 = 1 × –29 = –29.
Cofator do elemento a21:
, det A21 = 6 × (–0,5) –6 × 7 = –3 – 42 = –45
Δ21 = (–1)2+1 × –45 = (–1)3 × –45 = –1 × –29 = 45.
Cofator do elemento a31:
, det A31 = 6 × 5 – (–2) × 7 = 30 + 14 = 44
148
Δ31 = (–1)3+1 × –44 = (–1)4 × 44 = 1 × 44 = 44.
Cálculo Integral nas Ciências Sociais
Vamos calcular o determinante para verificar se a matriz tem
inversa, mas lembre-se de que o determinante tem que ser
diferente de zero para que a inversa exista.
Como o determinante é diferente de zero, a matriz A tem
inversa.
Vamos continuar calculando os cofatores:
Cofator do elemento a12:
, det A12 = 7 × (–0,5) – 0,3 × 5 = –3,5 – 1,5 = –5
Δ12 = (–1)1+2 × –5 = (–1)3 × –5 = –1 × –5 = 5.
Cofator do elemento a22:
–4,6
, det A22 = 5 × (–0,5) – 0,3 × 7 = –2,5 – 2,1 =
Δ22 = (–1)2+2 × (–4.6) = (–1)4 × (–4,6) = 1 × (–4,6) = –4,6.
Cofator do elemento a32:
, det A32 = 5 × 5 – 7 × 7 = 25 – 49 = –24
Δ32 = (–1)3+2 × (–24) = (–1)5 × (–24) = –1 × –24 = 24.
Cofator do elemento a13:
, det A13 = 7 × 6 – 0,3 × (–2) = 42 + 0,6 = 42,6
Δ13 = (–1)1+3 × 42,6 = (–1)5 × 42,6 = 1 × 42,6 = 42,6.
Cofator do elemento a23:
, det A23 = 5 × 6 – 0,3 × 6 = 30 – 1,8 = 28,2
Δ23 = (–1)2+3 × 28,2 = (–1)5 × 28,2 = –1 × 28,2 = –28,2.
Unidade 5
149
Universidade do Sul de Santa Catarina
Cofator do elemento a33:
, det A33 = 5 × (–2) – 7 × 6 = –10 – 42 = –52
Δ33 = (–1)3+3 × –52 = (–1)6 × –52 = 1 × –52 = –52.
.
Portanto, a matriz de cofatores de A é
Agora, com a matriz de cofatores de A podemos determinar a
matriz adjunta de A:
Para encontrar a inversa, aplicamos a fórmula:
Logo,
.
Com a matriz inversa, podemos encontrar os valores de x1, x2 e x3.
150
Cálculo Integral nas Ciências Sociais
Portanto, x1 = 30,0776, x2 = 15,5024 e x3 = –35,916.
Unidade 5
151
Universidade do Sul de Santa Catarina
Seção 3 – Aplicação a um problema que envolve
previsão de variáveis econômicas
Até este momento, todas as definições necessárias para modelar
o problema de Econometria já foram apresentadas. Além disso,
você aprendeu a resolver sistemas de equações quando a matriz de
coeficientes do sistema é uma matriz quadrada.
O nosso problema de Economia é que a matriz dos coeficientes
numéricos não é uma matriz quadrada, portanto não podemos
resolver diretamente, como vimos na seção anterior. No entanto,
existe uma forma de transformá-la em uma matriz quadrada,
como mostraremos nesta seção.
O sistema da seção anterior é:
ou Y = X . β + ε
152
Cálculo Integral nas Ciências Sociais
em que
,
e
.
Obs.: Vamos desconsiderar por enquanto o ε pois sobre ele será
feita uma análise mais adiante no livro.
Note que a matriz X tem 12 linhas e 3 colunas.
Como você já estudou, o produto da multiplicação de uma
matriz por sua transposta é uma matriz quadrada. Assim,
vamos usar a transposta da matriz X para transformá-la em
uma matriz quadrada. Usaremos primeiro a notação matricial,
depois entraremos com os números do problema para descrever a
solução. Acompanhe.
Unidade 5
153
Universidade do Sul de Santa Catarina
Solução matricial
Y=X.β
X'Y = X'X . β
Agora que a matriz do nosso sistema é uma matriz quadrada,
podemos resolver o problema, como foi mostrado na seção anterior:
Então, para determinar os valores de β1, β2 e β3, precisamos
determinar a transposta de X, multiplicar a transposta de X por
X e por Y, determinar a inversa do produto X 'X e, finalmente,
multiplicar a inversa (X 'X)–1 por X 'Y para encontrar os valores
de β1, β2 e β3.
Acompanhe a solução do problema:
„„
154
Determinar a transposta de X:
Cálculo Integral nas Ciências Sociais
„„
Determinar o produto
Por questão de espaço e para melhor compreensão, vamos
calcular cada elemento da matriz produto.
x'x11 = 1 × 1 + 1 × 1 + 1 × 1 + 1 × 1 + 1 × 1 + 1 × 1 + 1 × 1 + 1 ×
1+1×1+1×1+1×1+1×1=1+1+1+1+1+1+1+1+
1 + 1 + 1 + 1 = 12
x'x12 = 1 × 2 + 1 × 4 + 1 × 6 + 1 × 8 + 1 × 7 + 1 × 12 + 1 × 11 + 1
× 10 + 1 × 9 + 1 × 8 + 1 × 6 + 1 × 4 = 2 + 4 + 6 + 8 + 7 + 12 + 11
+ 10 + 9 + 8 + 6 + 4 = 87
x'x13 = 1 × 0,8 + 1 × 0,7 + 1 × 0,5 + 1 × 0,4 + 1 × 0,2 + 1 × 0,2 +
1 × 0,8 + 1 × 0,7 + 1 × 0,6 + 1 × 0,1 + 1 × 0,5 + 1 × 0,4 = 0,8 +
0,7 + 0,5 + 0,4 + 0,2 + 0,2 + 0,8 + 0,7 + 0,6 + 0,1 + 0,5 + 0,4 = 5,9
x'x21 = 2 × 1 + 4 × 1 + 6 × 1 + 8 × 1 + 7 × 1 + 12 × 1 + 11 × 1 + 10
× 1 + 9 × 1 + 8 × 1 + 6 × 1 + 4 × 1 = 2 + 4 + 6 + 8 + 7 + 12 + 11 +
10 + 9 + 8 + 6 + 4 = 87
Unidade 5
155
Universidade do Sul de Santa Catarina
x'x22 = 2 × 2 + 4 × 4 + 6 × 6 + 8 × 8 + 7 × 7 + 12 × 12 + 11 × 11 +
10 × 10 + 9 × 9 + 8 × 8 + 6 × 6 + 4 × 4 = 4 + 16 + 36 + 64 + 49 +
144 + 121 + 100 + 81 + 64 + 36 + 16 = 731
x'x23 = 2 × 0,8 + 4 × 0,7 + 6 × 0,5 + 8 × 0,4 + 7 × 0,2 + 12 × 0,2 +
11 × 0,8 + 10 × 0,7 + 9 × 0,6 + 8 × 0,1 + 6 × 0,5 + 4 × 0,4 = 1,6 +
2,8 + 3 + 3,2 + 1,4 + 2,4 + 8,8 + 7 + 5,4 + 0,8 + 3 + 1,6 = 41
x'x31 = 0,8 × 1 + 0,7 × 1 + 0,5 × 1 + 0,4 × 1 + 0,2 × 1 + 0,2 × 1 +
0,8 × 1 + 0,7 × 1 + 0,6 × 1 + 0,1 × 1 + 0,5 × 1 + 0,4 × 1 = 0,8 +
0,7 + 0,5 + 0,4 + 0,2 + 0,2 + 0,8 + 0,7 + 0,6 + 0,1 + 0,5 + 0,4 = 5,9
x'x32 = 0,8 × 2 + 0,7 × 4 + 0,5 × 6 + 0,4 × 8 + 0,2 × 7 + 0,2 × 12 +
0,8 × 11 + 0,7 × 10 + 0,6 × 9 + 0,1 × 8 + 0,5 × 6 + 0,4 × 4 = 1,6 +
2,8 + 3 + 3,2 + 1,4 + 2,4 + 8,8 + 7 + 5,4 + 0,8 + 3 + 1,6 = 41
x'x33 = 0,8 × 0,8 + 0,7 × 0,7 + 0,5 × 0,5 + 0,4 × 0,4 + 0,2 × 0,2 +
0,2 × 0,2 + 0,8 × 0,8 + 0,7 × 0,7 + 0,6 × 0,6 + 0,1 × 0,1 + 0,5 ×
0,5 + 0,4 × 0,4 = 0,64 + 0,49 + 0,25 + 0,16 + 0,04 + 0,04 + 0,64 +
0,49 + 0,36 + 0,01 + 0,25 + 0,16 = 3,53
Logo,
156
.
Cálculo Integral nas Ciências Sociais
„„
Determinar o produto X'X:
Por questão de espaço e para melhor compreensão, vamos
calcular cada elemento da matriz produto:
x'y11 = 1 × 800 + 1 × 1160 + 1 × 1580 + 1 × 2010 + 1 × 1890 + 1
× 2600 + 1 × 2070 + 1 × 1890 + 1 × 1830 + 1 × 1740 + 1 × 1380
+ 1 × 1060 = 800 + 1160 + 1580 + 2010 + 1890 + 2600 + 2070 +
1890 + 1830 + 1740 + 1380 + 1060 = 20010
x'y21 = 2 × 800 + 4 × 1160 + 6 × 1580 + 8 × 2010 + 7 × 1890 +
12 × 2600 + 11 × 2070 + 10 × 1890 + 9 × 1830 + 8 × 1740 + 6 ×
1380 + 4 × 1060 = 1600 + 4640 + 9480 + 16080 + 13230 + 31200
+ 22770 + 18900 + 16470 + 13920 + 8280 + 4240 = 160810
x'y31 = 0,8 × 800 + 0,7 × 1160 + 0,5 × 1580 + 0,4 × 2010 + 0,2 ×
1890 + 0,2 × 2600 + 0,8 × 2070 + 0,7 × 1890 + 0,6 × 1830 + 0,1
× 1740 + 0,5 × 1380 + 0,4 × 1060 = 640 + 812 + 790 + 804 + 378
+ 520 + 1656 + 1323 + 1098 + 174 + 690 + 424 = 9309
Unidade 5
157
Universidade do Sul de Santa Catarina
.
„„
Determinar a inversa (X'X)–1:
Primeiro vamos determinar a matriz de cofatores:
Cofator do elemento x'x11:
, det X'X11 = 731 × 3,53 – 41 × 41 =
= 2580,43 – 1681 = 899,43
Δ11 = (–1)1+1 × 899,43 = (–1)2 × 899,43 = 1 × 899,43 = 899,43.
Cofator do elemento x'x21:
, det X'X21 = 87 × 3,53 – 41 × 5,9 =
307,11 – 241,9 = 65,21
Δ21 = (–1)2+1 × 65,21 = (–1)3 × 65,21 = –1 × 65,21 = –65,21.
Cofator do elemento x'x31:
, det X'X31 = 87 × 41 – 731 × 5,9 =
3567 – 4312,9 = –745,9
Δ31 = (–1)3+1 × –745,9 = (–1)4 × –745,9 = 1 × –745,9 = –745,9.
Vamos calcular o determinante para verificar se a matriz tem
inversa. Lembre-se de que o determinante tem que ser diferente
de zero para que a inversa exista.
158
Cálculo Integral nas Ciências Sociais
Como o determinante é diferente de zero, a matriz X'X tem
inversa. Assim, vamos continuar calculando os cofatores:
Cofator do elemento x'x12:
, det X'X12 = 87 × 3,53 – 5,9 × 41 =
307,11 – 241,9 = 65,21
Δ12 = (–1)1+2 × 65,21 = (–1)3 × 65,21 = –1 × 65,21 = –65,21.
Cofator do elemento x'x22:
, det X'X22 = 12 × (3,53) – 5,9 × 5,9 =
42,36 – 34,81 = 7,55
Δ22 = (–1)2+2 × 7,55 = (–1)4 × 7,55 = 1 × 7,55 = 7,55.
Cofator do elemento x'x32:
, det X'X32 = 12 × 41 – 87 × 5,9 =
492 – 513,3 = –21,3
Δ32 = (–1)3+2 × (–21,3) = (–1)5 × (–21,3) = –1 × (–21,3) = 21,3.
Cofator do elemento x'x13:
, det X'X13 = 87 × 41 – 5,9 × 731 =
3567 – 4312,9 = –745,9
Δ13 = (–1)1+3 × –745,9 = (–1)5 × –745,9 = 1 × –745,9 = –745,9.
Cofator do elemento x'x23:
, det X'X23 = 12 × 41 – 5,9 × 87 =
492 – 513,3 = –21,3
Δ23 = (–1)2+3 × (–21,3) = (–1)5 × (–21,3) = –1 × (–21,3) = 21,3.
Unidade 5
159
Universidade do Sul de Santa Catarina
Cofator do elemento x'x33:
, det X'X33 = 12 × 731 – 87 × 87 =
8772 – 7569 = 1203
Δ33 = (–1)3+3 × 1203 = (–1)6 × 1203 = 1 × 1203 = 1203.
Portanto, a matriz de cofatores de X'X é
.
Agora, com a matriz de cofatores de X'X, podemos determinar a
matriz adjunta de X'X:
.
Para encontrar a inversa, aplicamos a fórmula:
Logo, a inversa é
160
.
Cálculo Integral nas Ciências Sociais
„„
Determinar a solução β1, β2 e β3.
O objetivo de resolver o sistema é encontrar os valores de β1, β2 e
β3. Encontramos estes valores, mas para resolver o problema, falta
analisar ε que é o vetor erro residual da regressão linear múltipla.
Para isso, vamos voltar ao problema na forma de equações,
substituindo os β1, β2 e β3 pelos valores encontrados na resolução
do sistema, e calcular cada elemento do vetor erro residual.
Unidade 5
161
Universidade do Sul de Santa Catarina
Vamos relembrar as equações da seção 1:
Vamos, então, calcular os elementos do vetor erro residual:
Cálculo do elemento ε1:
Cálculo do elemento ε2:
162
Cálculo Integral nas Ciências Sociais
Cálculo do elemento ε3:
Cálculo do elemento ε4:
Cálculo do elemento ε5:
Cálculo do elemento ε6:
Unidade 5
163
Universidade do Sul de Santa Catarina
Cálculo do elemento ε7:
Cálculo do elemento ε8:
Cálculo do elemento ε9:
Cálculo do elemento ε10:
164
Cálculo Integral nas Ciências Sociais
Cálculo do elemento ε11:
Cálculo do elemento
Portanto, o vetor erro residual é
Logo, o modelo estimado de regressão linear múltipla é
.
Desconsiderando os devidos testes econométricos, esta equação
representaria quanto a receita total de uma determinada empresa
iria variar, dependendo do preço e do gasto com a propaganda.
Podemos perceber que, quanto maior o gasto com propagada
maior será a receita, e quanto maior o preço menor será a receita,
o que indica que a demanda deste bem é inelástica.
Unidade 5
165
Universidade do Sul de Santa Catarina
Síntese
Através de um exemplo de Econometria, você teve contato
com algumas definições importantes de álgebra matricial
e operações com matrizes, tais como: inverter uma matriz;
achar o determinante; resolver um sistema. Essas definições
são aplicadas a este exercício de Econometria, que representa
apenas um exemplo inicial dos métodos econométricos que serão
desenvolvidos ao longo do curso de Ciências Econômicas.
Atividades de autoavaliação
Ao final de cada unidade, você realizará atividades de autoavaliação. O
gabarito está disponível no final do livro didático. Mas esforce-se para
resolver as atividades sem ajuda do gabarito, pois, assim, você estará
promovendo (estimulando) a sua aprendizagem.
1) Sejam
,
e
, determinar:
a) A + B
b) 2A
c) AC
d) A – 3B
2) Dada a matriz
166
, calcular o determinante.
Cálculo Integral nas Ciências Sociais
3) Determinar a matriz de cofatores e a matriz adjunta das seguintes
matrizes:
a)
b)
4) Determinar a matriz inversa da matriz A do exercício anterior.
5) Dado o sistema
a) Escrever na forma matricial.
b) Resolver o sistema.
Unidade 5
167
Universidade do Sul de Santa Catarina
Saiba mais
Se você desejar, aprofunde os conteúdos estudados nesta unidade
ao consultar as seguintes referências:
BOLDRINI, J. S.; COSTA, S. I. R.; FIGUEIREDO, V. L.;
WETZLER, H. G. Álgebra linear. 3. ed. São Paulo: Harbra,
1986.
SARTORI, A. Estatística e introdução à Economia. São Paulo:
Saraiva, 2003.
168
Para concluir o estudo
Parabéns por mais esta etapa concluída!
Para chegar aqui, você estudou sobre os principais
conceitos de integral indefinida e suas primitivas,
que o(a) ajudaram a compreender a relação entre
integrais e derivadas. Para isso, foi necessário
introduzir algumas regras que possibilitassem
aprender e aplicar as definições em problemas
característicos das Ciências Sociais.
Você estudou, também, os métodos de integração,
entre os quais temos como principais os métodos
por substituição e de integração por partes. Outro
ponto importante que você estudou foi a definição de
integral definida e o cálculo das integrais definidas
de funções. Quando falamos em integral definida,
estamos falando de cálculo de área sob uma curva,
tema importante para várias aplicações de conceitos
de macro e microeconomia, e finanças em geral.
Além disso, você estudou a aplicação das teorias
desenvolvidas ao longo do livro, envolvendo
algumas variáveis fundamentais para a economia
de um país, tais como renda nacional, que afeta o
crescimento econômico, o consumo e a poupança;
e investimentos, que movimentam o mercado
financeiro. Outra razão importante do aprendizado
dos métodos de integração é o cálculo dos
excedentes, tanto do consumidor quanto do produtor,
ambos variáveis da microeconomia.
Você também conheceu algumas regras básicas ou
mínimas para a compreensão de álgebra linear, que
serão muito úteis na resolução de problemas que
envolvam estudos de probabilidades avançadas e
Universidade do Sul de Santa Catarina
econometria; além da aplicação de matrizes para o cálculo da
relação entre renda, preços e gastos em marketing, fenômenos
bem factíveis em Ciências Sociais.
Grande abraço!
Profa. Clarice Borges de Miranda
Profa. Joseane Borges de Miranda
170
Referências
ANTON, H. B.; DAVIS, I. S. Cálculo. 8. ed. Porto Alegre: Bookman,
2007. v. 1.
ARTORIS, A. Estatística e introdução à Economia. São Paulo:
Saraiva, 2003.
BOLDRINI, J. S.; COSTA, S. I. R.; FIGUEIREDO, V. L.; WETZLER, H. G.
Álgebra linear. 3. ed. São Paulo: Harbra, 1986.
CAPITÃO, A. C. de O. Estatística. Econometria. Regressão
potencial; exponencial; hiperbólica; regressão linear múltipla.
Disponível em: <http://www.ebah.com.br/content/ABAAAA5tkAH/
econometria‑regressao‑linear>. Acesso em: 4 ago. 2011.
CHIANG, A. C. Matemática para economistas. São Paulo:
McGraw‑Hill/Edusp, 1982.
LEITHOLD, L. O cálculo com geometria analítica. São Paulo:
Harbra, 1982. v. 1.
SARTORI, A. Estatística e introdução à Economia. São Paulo:
Saraiva, 2003.
SILVA, S. M. da et al. Matemática para os cursos de Economia,
Administração, Ciências Contábeis. 5. ed. São Paulo: Atlas, 1999.
v. 1.
SIMMONS, G. F. Cálculo com geometria analítica. São Paulo:
Makron Books, 1987. v. I.
STEWART, J. Cálculo. 6. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2009. v. 1.
TAN, S. T. Matemática aplicada à Administração e Economia.
São Paulo: Thomson, 2003.
WEBER, J. E. Matemática para Economia e Administração. 2. ed.
São Paulo: Harper & Row do Brasil, 1986.
Sobre as professoras conteudistas
Clarice Borges de Miranda é natural de Imbituba,
cidade litorânea de Santa Catarina. É licenciada em
Matemática pela Universidade Federal de Santa Catarina
(UFSC), em 2003. Seu TCC analisou as “Equações
do 2º grau e técnicas de resolução: um estudo didático
da classe 8ª”, demonstrando técnicas mais amigáveis
para cativar os alunos. É pós‑graduada em Matemática
Aplicada e Computacional pela Universidade Federal
de Santa Catarina (2006), com o trabalho “Usando
o MATLAB para Resolução de Problema de
Minimização com Restrições Lineares de Igualdade”,
que objetivou usar técnicas computacionais na resolução
de problemas; e mestre em Matemática também pela
UFSC. Ajudou na coordenação e organização de
vários cursos de aperfeiçoamento para professores de
Matemática do Ensino Médio no Estado de Santa
Catarina, ofertados pela UFSC. Foi professora substituta
desta universidade entre 2003 e 2005, ministrando
disciplinas como Cálculo I e Matemática Financeira,
principalmente nos cursos de Ciências Sociais. Desde
2008, leciona na Cooperativa Educacional de Imbituba.
Joseane Borges de Miranda também é natural
de Imbituba. É bacharel em Ciências Econômicas
pela Universidade Federal de Santa Catarina
(UFSC, 1998). Seu TCC analisou o impacto da
política cambial sobre os preços agrícolas em Santa
Catarina. É especialista e mestre em Economia
Industrial também pela Universidade Federal de
Santa Catarina (2000). Sua dissertação foi um
estudo focado nos aspectos macroeconômicos da
competitividade sistêmica no setor de revestimento de
Universidade do Sul de Santa Catarina
Santa Catarina. Atualmente, é doutoranda do programa de
pós‑graduação em Engenharia e Gestão do Conhecimento da
UFSC, com foco na área de Engenharia do Conhecimento.
Sua tese versará sobre indicadores de capital intelectual da
modalidade EaD e indicadores de desempenho. Além da
EaD, seu foco de pesquisa é o e‑gov no Brasil. É professora
há mais de nove anos da disciplina de Econometria nos
cursos de Economia. Na Unisul, é professora dos cursos de
Engenharias de Produção, Civil e Ambiental, ministrando
disciplinas como Probabilidade e Estatística, Introdução à
Economia e Macroeconomia. Na UnisulVirtual, é professora
das disciplinas de Gestão do Conhecimento, Gestão da
Informação, Finanças Internacionais, Estatística e Econometria.
É autora do livro “Engenharia Econômica” e coordenadora
do curso de bacharelado em Ciências Econômicas da UV.
174
Respostas e comentários das
atividades de autoavaliação
Unidade 1
1) Para provar é necessário derivar F e lembrar‑se das regras de
derivação.
a)
Portanto, F é primitiva de ƒ.
b)
Portanto, F é primitiva de ƒ.
c)
Portanto, F é primitiva de ƒ.
2) Para provar é necessário derivar F e G,
Então, as duas funções são primitivas de ƒ. Usando o teorema,
todas as primitivas de ƒ são da seguinte forma: H(x) = e5x+1 + C
em que C uma constante.
Universidade do Sul de Santa Catarina
3) Para cada item aplicar a regra adequada:
a)
b)
c)
d)
e)
f)
g.
h)
i)
j)
k)
l)
m)
n)
176
Cálculo Integral nas Ciências Sociais
o)
4) Para determinar a população projetada após 4 anos da implantação da
empresa, usaremos a taxa de crescimento para encontrar a função (P(t))
que relaciona a população e o tempo usando integral indefinida:
Como a solução de uma integral indefinida é infinita, para determinar
a solução única que satisfaz o problema temos que determinar C. Para
isso sabemos que no tempo t = 0 (início da implantação da empresa) a
população é de 25.000 habitantes, então:
177
Universidade do Sul de Santa Catarina
Portanto, C = 25.000 e nossa função é:
E a população, após quatro anos da implantação, é:
Logo, a população projetada para quatro anos após o início da
implantação da empresa é de 70.600 habitantes.
Unidade 2
1)
a) Passo 1: Fazer a escolha de u, onde u é sempre a g(x); portanto, u = 5x + 8.
Passo 2: Calcular o diferencial de u, du = 5dx
Passo 3: Fazer a substituição:
Passo 4: Calcular a integral indefinida:
Passo 5: Retornar à variável x:
b) Passo 1: Fazer a escolha de u, onde u é sempre a g(x); portanto, u = x 3 + 3x.
Passo 2: Calcular o diferencial de u, du = (3x2 + 3)dx
Passo 3: Fazer a substituição:
Passo 4: Calcular a integral indefinida:
Passo 5: Retornar à variável x:
178
Cálculo Integral nas Ciências Sociais
c) Passo 1: Fazer a escolha de u, onde u é sempre a g(x); portanto, u = 3x2 + 8.
Passo 2: Calcular o diferencial de u, du = 6xdx
Passo 3: Fazer a substituição:
Passo 4: Calcular a integral indefinida:
Passo 5: Retornar à variável x:
d) Passo 1: Fazer a escolha de u, onde u é sempre a g(x); portanto, u = 5x + 1.
Passo 2: Calcular o diferencial de u, du = 5dx
Passo 3: Fazer a substituição:
Passo 4: Calcular a integral indefinida:
Passo 5: Retornar à variável x:
e) Passo 1: Fazer a escolha de u, onde u é sempre a g(x); portanto, u = x + 10.
Passo 2: Calcular o diferencial de u, du = dx
Passo 3: Fazer a substituição:
Passo 4: Calcular a integral indefinida:
Passo 5: Retornar à variável x:
179
Universidade do Sul de Santa Catarina
f) Passo 1: Fazer a escolha de u, onde u é sempre a g(x); portanto, u = ln6x.
Passo 2: Calcular o diferencial de u,
Passo 3: Fazer a substituição:
Passo 4: Calcular a integral indefinida:
Passo 5: Retornar à variável x:
2)
a) Passo 1: Escolher u e dv:
u = x
dv = e2x dx
Passo 2: Determinar du e v:
Para determinar v, usaremos o método de integração por substituição
em que s é a variável de substituição, para não confundir com as
variáveis do método por partes que estamos resolvendo.
„„
Escolher s, s = 2x.
„„
Determinar ds, ds = 2dx
„„
Fazer a substituição:
„„
Calcular a integral indefinida (desconsiderando a constante
de integração):
„„
Retornar à variável x :
Portanto,
180
Cálculo Integral nas Ciências Sociais
Passo 3: Aplicar a fórmula
:
Passo 4: Resolver:
Observe que a integral
já foi resolvida no início do exercício
usando o método de integração por substituição.
Passo 5: Escrever a solução completa:
b) Passo 1: Escolher u e dv:
u=x+4
dv = (x + 5)3 dx
Passo 2: Determinar du e v:
Para determinar v, usaremos o método de integração por substituição
em que s é a variável de substituição, para não confundir com as
variáveis do método por partes que estamos resolvendo:
„„
Escolher s, s = x + 5.
„„
Determinar ds, ds = dx
„„
Fazer a substituição:
„„
Calcular a integral indefinida (desconsiderando a constante de
integração):
„„
Retornar à variável x :
Portanto,
181
Universidade do Sul de Santa Catarina
Passo 3: Aplicar a fórmula
Passo 4: Resolver:
Para determinar
, usaremos o método de integração por
substituição em que t, é a variável de substituição, para não confundir com
as variáveis do método por partes que estamos resolvendo:
„„
Escolher t, t = x + 5
„„
Determinar dt, dt = dx
„„
Fazer a substituição:
„„
Calcular a integral indefinida (desconsiderando a constante de integração):
„„
Retornar à variável x :
Passo 5: Escrever a solução completa:
c) Passo 1: Escolher u e dv:
u = ln x dv= x2 dx
Passo 2: Determinar du e v:
(desconsideramos a constante de integração).
Passo 3: Aplicar a fórmula
182
Cálculo Integral nas Ciências Sociais
Passo 4: Resolver
Passo 5: Escrever a solução completa:
d) Passo 1: Escolher u e dv:
Passo 2: Determinar du e v:
Para determinar v, usaremos o método de integração por substituição
em que s é a variável de substituição, para não confundir com as
variáveis do método por partes que estamos resolvendo:
„„
Escolher s, s = x + 3
„„
Determinar ds, ds = dx
„„
Fazer a substituição:
„„
Calcular a integral indefinida (desconsiderando a constante de
integração):
„„
Retornar à variável x :
Passo 3: Aplicar a fórmula
:
183
Universidade do Sul de Santa Catarina
Passo 4: Resolver
Para determinar
usaremos o método de integração por
substituição em que t é a variável de substituição, para não confundir
com as variáveis do método por partes que estamos resolvendo:
„„
Escolher t, t = x + 3
„„
Determinar dt, dt = dx
„„
Fazer a substituição:
„„
Calcular a integral indefinida (desconsiderando a constante de
integração):
„„
Retornar à variável x :
Passo 5: Escrever a solução completa:
3) Como é fornecida a taxa de produção, para encontrar a expressão que
relaciona tempo em meses com a produção, basta integrar a função
que representa a taxa de variação:
Vamos calcular usando o método de integração por substituição:
184
Cálculo Integral nas Ciências Sociais
Passo 1: Fazer a escolha de u, onde u é sempre a g(t); portanto, u = 2t.
Passo 2: Calcular o diferencial de u, du = 2dt.
Passo 3: Fazer a substituição:
Passo 4: Calcular a integral indefinida em que o interando é uma função
exponencial de base e :
Passo 5: Retornar à variável t :
Voltando à resolução do problema,
Denotando por S(t) a expressão que relaciona tempo em meses com
quantidade produzida, temos: S(t) = 10e2t + C
Para definir a constante C usamos que no instante t = 0, S(0) = 80;
usando esta informação, temos:
.
Portanto, a expressão desejada é: S(t) = 10e2t + 70
Vamos calcular a produção nos dois primeiros meses:
.
Assim, a empresa espera produzir aproximadamente 609 unidades até
o segundo mês após a estimativa.
185
Universidade do Sul de Santa Catarina
Unidade 3
1)
a) Vamos calcular Δx, que é o comprimento dos subintervalos:
.
,
Os quatros subintervalos são
e
,
, então os pontos arbitrários são x1 = -0,25, x2 = 0,5,
x3 = 1,25 e x4 = 2.
Portanto, a soma de Riemann é:
.
Logo, a área aproximada sob o gráfico de
10,41 unidades de área.
é de
b) Vamos calcular Δx, que é o comprimento dos subintervalos:
.
Os cinco subintervalos são
e
,
,
,
, então os pontos arbitrários são x1 = 0, x2 = 0,4, x3 = 0,8,
x4 = 1,2 e x5 = 1,6.
Portanto, a soma de Riemann é:
.
Logo, a área aproximada sob o gráfico de
de área.
186
é de 7,68 unidades
Cálculo Integral nas Ciências Sociais
c) Vamos calcular Δx, que é o comprimento dos subintervalos:
.
Os três subintervalos são
,
, e
, então os pontos
arbitrários são x1 = 3, x2 = 4 e x3 = 3.
Portanto, a soma de Riemann é:
.
Logo, a área aproximada sob o gráfico de
de área.
é de 2,4 unidades
2) Como a função C'(x) é o custo marginal sua primitiva C(x) é o custo
total. O custo fixo total na produção de lápis é R$ 90,00, ou seja,
C(0) = 90.
a) Para calcular o custo total para produzir as primeiras 300 unidades
temos que calcular variação C(300) – C(0) no intervalo, isto é, a integral
:
definida de C’(x) no intervalo
Portanto,
ou seja, o custo total diário para produzir as primeiras 300 unidades é
de R$ 537,00.
187
Universidade do Sul de Santa Catarina
b) O custo total diário que a fábrica tem na produção da unidade 250 à
unidade 354 é dado por:
Portanto, o custo total diário é de R$ 114,20 na produção da unidade
250 à unidade 354.
3)
a) Para resolver, vamos usar as propriedades de integral definida:
Agora, vamos usar os valores das integrais definidas:
Portanto,
.
b) Para resolver, vamos usar as propriedades de integral definida:
Agora, vamos usar os valores das integrais definidas:
Portanto,
.
c) Para resolver, vamos usar as propriedades de integral definida:
Agora, vamos usar os valores das integrais definidas:
Portanto,
188
.
Cálculo Integral nas Ciências Sociais
4)
a)
.
b)
.
c)
.
d)
.
e)
.
Para resolver esta integral definida, vamos usar o método integração
por substituição:
„„
Passo 1: Fazer a escolha de u, u é sempre a g(x),portanto, u = 2x + 1
„„
Passo 2: Calcular o diferencial de u, du = 2dx
„„
Passo 3: Fazer a mudança dos limites de integração:
Limite superior x = 4, então u = 2 × 4 + 1 = 9
Limite inferior x = 0, então u = 2 × 0 + 1 = 1
189
Universidade do Sul de Santa Catarina
„„
Passo 4: Fazer a substituição:
„„
Passo 5: Calcular a integral definida, sendo o interando uma função
potência:
Logo,
.
f)
Para resolver esta integral definida, vamos usar o método integração
por substituição:
„„
Passo 1: Fazer a escolha de u, onde u é sempre a g(x); portanto,
u = x2 + 1
„„
Passo 2: Calcular o diferencial de u, du = 2xdx
„„
Passo 3: Fazer a mudança dos limites de integração:
Limite superior x = 1, então u = 12 + 1 = 2
Limite inferior x = 0, então u = 02 + 1 = 1
„„
Passo 4: Fazer a substituição:
„„
Passo 5: Calcular a integral definida, sendo o interando uma função
potência, com potência igual a ‑1:
Logo,
190
.
Cálculo Integral nas Ciências Sociais
g)
Para resolver esta integral definida vamos usar o método integração
por substituição:
„„
Passo 1: Fazer a escolha de u, onde u é sempre a g(x); portanto,
u = x2 + 5
„„
Passo 2: Calcular o diferencial de u, du = 2xdx
„„
Passo 3: Fazer a mudança dos limites de integração:
Limite superior x = 2, então u = 22 + 5 = 9
Limite inferior x = –1, então u = (–1)2 + 5 = 6
„„
Passo 4: Fazer a substituição:
„„
Passo 5: Calcular a integral definida, sendo o interando uma função
potência:
Logo,
.
h)
Para resolver esta integral definida, vamos usar o método integração
por partes:
„„
Passo 1: Vamos escolher u e dv:
u = 6x
„„
dv = ex dx
Passo 2: Determinar du e v:
(desconsideramos a constante de
integração)
191
Universidade do Sul de Santa Catarina
„„
Passo 3: Aplicar a fórmula
„„
Passo 4: Resolver
„„
Passo 5: Escrever a solução completa:
Conhecendo a primitiva do integrado, podemos calcular a integral
definida:
.
5) Vamos desenhar um esboço do gráfico da área que queremos calcular:
Note que a área no intervalo
está sob o eixo x. Portanto, o valor da
:
área é o valor absoluto da integral definida da função no intervalo
Logo, a área A = 18,67 unidades de área.
192
Cálculo Integral nas Ciências Sociais
6) Vamos desenhar um esboço do gráfico da área que queremos calcular:
A área A é igual à integral definida da função no intervalo
:
Logo, a área A = 6 unidades de área.
7) Vamos desenhar um esboço do gráfico da área que queremos calcular:
A área A é igual à integral definida da função no intervalo
:
Logo, a área A = 4,75 unidades de área.
193
Universidade do Sul de Santa Catarina
8)
a) Vamos dividir a solução em três passos:
„„
Passo 1: Determinar os pontos de intersecção das duas funções.
Para encontrar estes pontos, igualamos as duas funções:
x + 2 = x2
x2 – x – 2 = 0
Resolvendo a equação do segundo grau, temos x = –1 e x = 2.
Para x = –1 ⇒ y = 1 e x = 2 ⇒ y = 4; portanto, os pontos de intersecção
são (–1,1) e (2,6).
„„
Passo 2: Esboçar o gráfico das funções:
„„
Passo 3: Calcular a área entre os gráficos:
A função ƒ(x) = x + 2 é a limitante superior da área, e a função g(x) = x2 é
a limitante inferior da área no intervalo
. Usando a definição:
Logo, a área limitada por ƒ(x) = x + 2 e g(x) = x2 é de 4,5 unidades de
área.
194
Cálculo Integral nas Ciências Sociais
b) Vamos dividir a solução em três passos:
„„
Passo 1: Determinar os pontos de intersecção das duas funções:
Para encontrar estes pontos, igualamos as duas funções:
Resolvendo a equação, temos x = 1 e x = 0.
Para x = 0 ⇒ y = 0 e x = 1 ⇒ y = 1; portanto, os pontos de intersecção
são (0,0) e (1,1).
„„
Passo 2: Esboçar o gráfico das funções:
„„
Passo 3: Calcular a área entre os gráficos:
A função
é a limitante superior da área e a função g(x) = x
é a limitante inferior da área no intervalo
Logo, a área limitada por
. Usando a definição:
e g(x) = x é de
unidades de área.
195
Universidade do Sul de Santa Catarina
c) Vamos dividir a solução em três passos:
„„
Passo 1: Determinar os pontos de intersecção das duas funções.
Para encontrar estes pontos, igualamos as duas funções:
Resolvendo a equação do segundo grau, temos x = –1 e x = 1.
Para x = –1 ⇒ y = 3 e x = 1 ⇒ y = 3; portanto, os pontos de intersecção
são (–1,3) e (1,3).
„„
Passo 2: Esboçar o gráfico das funções:
y
-1
„„
1
x
Passo 3: Calcular a área entre os gráficos:
A função g(x) = –x2 + 4 é a limitante superior da área e a função
f(x) = x2 + 2 é a limitante inferior da área no intervalo [–1,1]. Usando
a definição:
Logo, a área limitada por f(x) = x2 + 2 e g(x) = –x2 + 4 é de
de área.
196
unidades
Cálculo Integral nas Ciências Sociais
Unidade 4
1) Para determinar a função consumo, temos que integrar a propensão
marginal a consumir em relação à y.
. Para determinar C, usaremos a
Portanto,
condição inicial. Temos que para x = 0 ⇒ c(o) = 11, então:
11 = 0 + C
C = 11.
Logo,
.
2) Para determinar a função poupança temos que y = c + s. Manipulando a
equação:
s = y – c ou s(y) = y – c(y).
Substituindo a função consumo, temos:
Logo,
.
Para determinar a função consumo, primeiro vamos determinar a
propensão marginal a consumir. Assim:
smg = 1 – cmg
cmg = 1 – smg
.
Integrando a propensão marginal a consumir em relação y, temos a
função consumo dada por
.
197
Universidade do Sul de Santa Catarina
. Para determinar C, vamos usar a condição
Portanto,
inicial. Temos que, para y = 0 ⇒ c(0) = 5, então:
5=0+C
C = 5.
Logo,
.
Para determinar a função poupança, temos s(y) = y – c(y). Vamos, então,
substituir a função consumo:
Logo,
.
3)
a) Se a demanda de mercado é 2, temos que x 0 = 2. Com o valor de x 0,
vamos calcular o valor p 0:
p 0 = 20 – x2
p 0 = 20 – 22
p 0 = 20 – 4
p 0 = 16
Antes de aplicar a fórmula, apresentamos um esboço do gráfico da
função da demanda:
Gráfico da demanda com x 0 = 2
y
20
16
2
198
x
Cálculo Integral nas Ciências Sociais
Para encontrar o excedente do consumidor, aplicamos a fórmula:
Portanto, o excedente do consumidor é R$ 5,30.
b) Se o preço de mercado é de R$ 4,00, temos p 0 = 4. Com o valor de p 0,
vamos calcular o valor de x 0:
p 0 = 20 – x 02
4 = 20 – x 02
4 – 20 = x 02
–16 = –x 02
16 = x 02
x0 = ± 4
Resolvendo a equação do segundo grau, temos que x 0 = –4 e x 0 = 4.
Como x 0 é quantidade, portanto x 0 tem que ser um valor positivo,
a solução da equação do segundo grau que é também solução do
problema só pode ser x 0 = 4.
Para encontrar o excedente do consumidor, aplicamos a fórmula:
Portanto, o excedente do consumidor é de aproximadamente R$ 42,70.
4)
Se o preço de mercado de um produto é R$ 6,00, então p 0 = 6. Com o
valor de p 0 e com a função oferta, vamos calcular x 0:
199
Universidade do Sul de Santa Catarina
Para encontrar ao excedente do produtor aplicamos a fórmula:
.
Vamos usar o método de integração por substituição para resolver a
integral definida:
.
„„
Passo 1: Fazer a escolha de u, onde u é sempre a g(x); portanto,
u = 25 + x.
„„
Passo 2: Calcular o diferencial de u, du = dx.
„„
Passo 3: Fazer a mudança dos limites de integração:
Limite superior x = 11, então u = 25 + 11 = 36
Limite inferior x = 0, então u = 25 + 0 = 25.
„„
Passo 4: Fazer a substituição:
.
„„
Passo 5: Calcular a integral definida, sendo o interando uma função
potência:
Voltando à fórmula de excedente do consumidor, temos:
Logo, o excedente do consumidor é de aproximadamente R$ 5,30.
5)
Se a quantidade ofertada é 4 unidades, então x 0 = 4. Com o valor de x 0
e com a função oferta, vamos calcular p 0:
Para encontrar ao excedente do produtor, aplicamos a fórmula:
.
200
Cálculo Integral nas Ciências Sociais
Vamos usar o método de integração por substituição para resolver a
integral definida. Assim:
.
„„
Passo 1: Fazer a escolha de u, onde u é sempre a g(x); portanto,
„„
Passo 2: Calcular o diferencial de u,
„„
Passo 3: Fazer a mudança dos limites de integração:
Limite superior x = 4, então
Limite inferior x = 0, então
„„
Passo 4: Fazer a substituição:
„„
Passo 5: Calcular a integral definida:
Voltando à fórmula de excedente do consumidor, temos:
Logo, o excedente do consumidor é de aproximadamente R$ 20,00.
6)
a) Para encontrar a trajetória temporal do capital k basta integrar a função
que descreve o fluxo de investimento. Assim:
Portanto,
.
O valor de C é determinado com a informação do valor do capital no
instante t = 0, então:
Logo, a trajetória temporal do capital k é
.
201
Universidade do Sul de Santa Catarina
b) Para saber o montante da formação de capital durante o intervalo
, vamos calcular a seguinte integral definida:
Logo, o montante da formação de capital durante o intervalo
R$ 1.266.000,00.
é
Unidade 5
1)
a) Como a matriz A e B tem a mesma ordem, podemos efetuar a soma:
.
b) Para multiplicar um escalar por uma matriz, basta multiplicar todos os
elementos da matriz pelo escalar:
.
c) Para multiplicar duas matrizes, temos de verificar a ordem, o número de
colunas de A precisa ser igual ao número de linhas de C. Como A tem
três colunas e C tem três linhas, podemos multiplicar as matrizes:
202
Cálculo Integral nas Ciências Sociais
d) Primeiro vamos multiplicar
por 3, depois fazer a subtração:
.
2) Primeiro vamos calcular os cofatores dos elementos da primeira coluna:
Cofator do elemento a11:
,
Obs.: Este determinante pode ser calculado por cofator.
Cofator do elemento a21:
,
203
Universidade do Sul de Santa Catarina
Cofator do elemento a31:
,
Cofator do elemento a41:
,
Logo, o determinante é:
.
3)
a) Como a matriz adjunta é a transposta da matriz dos cofatores, vamos
primeiro determinar a matriz dos cofatores:
Cofator do elemento a11:
, det A11 = (–2) × (–0,2) – 0 × 3 = 0,4 – 0 = 0,4
∆11 = (–1)1+1 × 0,4 = (–1)2 × 0,4 = 1 × 0,4 = 0,4.
Cofator do elemento a21:
, det A21 = 3 × (–0,2) – 0 × 1 = –0,6 – 0 = –0,4
204
∆21 = (–1)2+1 × (–0,6) = (–1)3 × (–0,6) = –1 × (–0,6) = 0,6.
Cálculo Integral nas Ciências Sociais
Cofator do elemento a31:
, det A31 = 3 × 3 – (–2) × 1 = 9 + 2 = 11
∆31 = (–1)3+1 × 11 = (–1)4 × 11 = 1 × 11 = 11.
Cofator do elemento a12:
, det A12 = –1 × (–2) – 4 × 3 = 0,2 – 12 = 11,8
∆12 = (–1)1+2 × (–11,8) = (–1)3 × (–11,8) = –1 × (–11,8) = 11,8.
Cofator do elemento a22:
, det A22 = 0 × (–0,2) – 4 × 1 = 0 – 4 = –4
∆22 = (–1)2+2 × (–4) = (–1)4 × (–4) = 1 × (–4) = –4.
Cofator do elemento a32:
, det A32 = 0 × 3 – (–1) × 1 = 0 + 1 = 1
∆32 = (–1)3+2 × 1 = (–1)5 × 1 = –1 × 1 = –1.
Cofator do elemento a13:
, det A13 = –1 × 0 – 4 × (–2) = 0 + 8 = 8
∆13 = (–1)1+3 × 8 = (–1)4 × 8 = 1 × 8 = 8.
Cofator do elemento a23:
, det A23 = 0 × 0 – 4 × 3 = 0 – 12 = –12
∆23 = (–1)2+3 × (–12) = (–1)5 × (–12) = –1 × (–12) = 12.
Cofator do elemento a33:
, det A33 = 0 × (–2) – (–1) × 3 = 0 + 3 = 3
∆33 = (–1)3+3 × 3 = (–1)6 × 3 = 1 × 3 = 3.
205
Universidade do Sul de Santa Catarina
Portanto, a matriz de cofatores de A é
.
Agora, com a matriz de cofatores de A, vamos determinar a matriz
adjunta de :
.
b) Como a matriz adjunta é a transposta da matriz dos cofatores, vamos
primeiro determinar a matriz dos cofatores:
Cofator do elemento b11:
, det B11 = (–1) × (–3) – 1 × 3 = 3 – 3 = 0
∆11 = (–1)1+1 × 0 = (–1)2 × 0 = 1 × 0 = 0.
Cofator do elemento b21:
, det B21 = (–1) × (–3) – 1 × 3 = 3 – 3 = 0
∆21 = (–1)2+1 × (–6) = (–1)3 × (–6) = –1 × (–6) = 6.
Cofator do elemento b31:
, det B31 = 1 × 3 – (–1) × 3 = 3 + 3 = 6
∆31 = (–1)3+1 × 6 = (–1)4 × 6 = 1 × 6 = 6.
Cofator do elemento b12:
, det B12 = 2 × (–3) – 2 × 3 = –6 – 6 = –12
∆12 = (–1)1+2 × (–12) = (–1)3 × (–12) = –1 × (–12) = 12.
206
Cálculo Integral nas Ciências Sociais
Cofator do elemento b22:
, det B22 = 2 × (–3) – 2 × 3 = –6 – 6 = –12
∆22 = (–1)2+2 × (–12) = (–1)4 × (–12) = 1 × (–12) = –12.
Cofator do elemento b32:
, det B32 = 2 × 3 – 2 × 3 = 6 – 6 = 0
∆32 = (–1)3+2 × 0 = (–1)5 × 0 = –1 × 0 = 0.
Cofator do elemento b13:
, det B13 = 2 × 1 – 2 × (–1) = 2 + 2 = 4
∆13 = (–1)1+3 × 4 = (–1)4 × 4 = 1 × 4 = 4.
Cofator do elemento b23:
, det B23 = 2 × 1 – 2 × 1 = 2 – 2 = 0
∆23 = (–1)2+3 × 0 = (–1)5 × 0 = –1 × 0 = 0.
Cofator do elemento b33:
, det B33 = 2 × (–1) – 2 × 1 = –2 – 2 = –4
∆33 = (–1)3+3 × (–4) = (–1)6 × (–4) = 1 × (–4) = (–4).
Portanto, a matriz de cofatores de B é
.
Agora, com a matriz de cofatores de B vamos determinara matriz
adjunta de B:
.
207
Universidade do Sul de Santa Catarina
4) No exercício 3, calculamos a matriz adjunta de A. Para determinar
a matriz inversa falta calcular o determinante e aplicar a fórmula
.
Primeiro, vamos usar o cálculo do exercício anterior de cofatores da
primeira coluna para calcular o determinante:
Temos que a matriz adjunta de A é
.
Agora vamos aplicar a fórmula para encontrar a matriz inversa:
Logo, a matriz inversa de A é
.
5)
a) Vamos escrever na forma matricial:
ou
A X = B onde
208
,
e
.
Cálculo Integral nas Ciências Sociais
b) Para resolver o sistema, temos que encontrar a inversa de A.
Primeiro vamos encontrar os cofatores de A:
Cofator do elemento a11:
, det A11 = 2 × 1 – 1 × 1 = 2 – 1 = 1
∆11 = (–1)1+1 × 1 = (–1)2 × 1 = 1 × 1 = 1.
Cofator do elemento a21:
, det A21 = –2 × 1 – 1 × 1 = –2 – 1 = –3
∆21 = (–1)2+1 × (–3) = (–1)3 × (–3) = –1 × (–3) = 3.
Cofator do elemento a31:
, det A31 = (–2) × 1 – 2 × 1 = –2 – 2 = –4
∆31 = (–1)3+1 × (–4) = (–1)4 × (–4) = 1 × (–4) = –4.
Vamos calcular o determinar para verificar se a matriz tem inversa.
Lembre‑se de que o determinante tem que ser diferente de zero para
que a matriz tenha inversa.
Como o determinante é diferente de zero, a matriz A tem inversa.
Portanto, vamos continuar calculando os cofatores:
Cofator do elemento a12:
, det A12 = 2 × 1 – 1 × 1 = 2 – 1 = 1
∆12 = (–1)1+2 × 1 = (–1)3 × 1 = –1 × 1 = –1.
209
Universidade do Sul de Santa Catarina
Cofator do elemento a22:
, det A22 = 1 × 1 – 1 × 1 = 1 – 1 = 0
∆22 = (–1)2+2 × 0 = (–1)4 × 0 = 1 × 0 = 0.
Cofator do elemento a32:
, det A32 = 1 × 1 – 2 × 1 = 1 – 2 = –1
∆32 = (–1)3+2 × (–1) = (–1)5 × (–1) = –1 × (–1) = 1.
Cofator do elemento a13:
, det A13 = 2 × 1 – 1 × 2 = 2 – 2 = 0
∆13 = (–1)1+3 × 0 = (–1)4 × 0 = 1 × 0 = 0.
Cofator do elemento a23:
, det A23 = 1 × 1 – 1 × (–2) = 1 + 2 = 3
∆23 = (–1)2+3 × 3 = (–1)5 × 3 = –1 × 3 = –3.
Cofator do elemento a33:
, det A33 = 1 × 2 – 2 × (–2) = 2 + 4 = 6
∆33 = (–1)3+3 × 6 = (–1)6 × 6 = 1 × 6 = 6.
Portanto, a matriz de cofatores de A é
.
Agora, com a matriz de cofatores de A vamos determinar a matriz
adjunta de A:
210
Cálculo Integral nas Ciências Sociais
Para encontrar a inversa, aplicamos a fórmula:
Com a matriz inversa podemos encontrar os valores de x1, x2 e x3.
Portanto, x1 = –3,6665, x2 = 1,6665 e x 3 = –7,9994.
211
Biblioteca Virtual
Veja a seguir os serviços oferecidos pela Biblioteca Virtual aos
alunos a distância:
„„
Pesquisa a publicações on‑line
<www.unisul.br/textocompleto>
„„
Acesso a bases de dados assinadas
<www.unisul.br/bdassinadas>
„„
Acesso a bases de dados gratuitas selecionadas
<www.unisul.br/bdgratuitas>
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Acesso a jornais e revistas on‑line
<www.unisul.br/periodicos>
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Empréstimo de livros
<www.unisul.br/emprestimos>
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