Saídas
Profissionais
em
Matemática
NEMATEG/AAC e Alunos do Conselho de Departamento
Departamento de Matemática da Universidade de Coimbra
2006
Ficha Técnica
Título:
Saídas Profissionais em Matemática
Produção:
Domingos Lopes
Filipa Ventura
João Nuno Mestre
João Torgal
Marta Marinho
Raquel Lopes
Rui Ferreira
Susana Duarte
Coordenação Geral:
Doutora Carlota Simões
Grafismo:
Domingos Lopes
João Torgal
Susana Duarte
Impressão:
Nocamil
Tiragem:
1000 Exemplares
Capa:
Imagem da fachada do Departamento de Matemática da Universidade de Coimbra
Índice
Prefácio
(Presidente do Conselho do Departamento, Doutor Joaquim Júdice)
5
Introdução
(NEMATEG/AAC)
7
Capítulo I: O Departamento de Matemática
1. Plano de estudos de Matemática
(licenciaturas, pós-graduações e mestrados)
9
2. Saídas Profissionais para os licenciados em Matemática
13
(Presidente da Comissão Científica do DMUC, Doutor Paulo Eduardo Oliveira)
3. Estágios Profissionalizantes no Departamento de Matemática
(Doutora Carlota Simões)
14
4. Centro de Matemática da Universidade de Coimbra
(Presidente do CMUC, Doutora Maria Manuel Clementino)
17
Capítulo II: Saídas Profissionais
1. Banca
2. Ensino Básico e Secundário
3. Ensino Superior e Investigação
4. Explicações
5. Indústria
6. Indústria Farmacêutica
7. Saúde
8. Seguros
9. Software
10. Telecomunicações
19
19
20
21
22
23
23
24
26
27
Capítulo III: Testemunhos
1. Testemunhos de recém-licenciados
29
2. Testemunhos de empregadores de licenciados em Matemática
35
Prefácio
É com a maior alegria que me associo à edição do volume sobre saídas profissionais em
Matemática, que em boa hora o Núcleo de Estudantes de Matemática e Engenharia
Geográfica (NEMATEG) resolveu compilar, sob a coordenação da Professora Doutora
Carlota Simões.
O Departamento de Matemática da Universidade de Coimbra sempre considerou da
máxima importância a inserção dos nossos licenciados na sociedade civil. Este volume vem,
na minha opinião, contribuir para fortalecer essa ligação, ao apresentar de um modo
organizado as várias áreas do saber nas quais os nossos licenciados poderão intervir. O
volume contém ainda testemunhos interessantes de ex-alunos do Departamento, mostrando
que a formação sólida adquirida como estudantes se revelou fundamental no seu percurso
profissional.
Este volume é ainda destinado a todos os jovens que gostam de Matemática e que têm algum
receio de seguir a sua vocação, por possuirem, erradamente, a ideia de que a futura
licenciatura não lhes proporcionará saídas profissionais suficientemente estimulantes.
Espero sinceramente que as várias áreas de intervenção dos licenciados em Matemática
apresentadas neste livro os ajudem a aderir ao nosso curso.
Gostaria de felicitar e agradecer aos alunos do NEMATEG que, com o seu entusiasmo
contagiante, tornaram possível a publicação deste volume. Os meus agradecimentos são
extensíveis à Professora Doutora Carlota Simões, pelo seu trabalho incansável de
coordenação, e a todos os outros professores do Departamento, que contribuiram com os
seus artigos de opinião para a elaboração do mesmo. Estou certo que o seu trabalho irá
reforçar o prestígio desta escola secular de Matemática e proporcionar uma maior aceitação
dos nossos licenciados por parte das entidades empregadoras em Portugal.
O Presidente do Conselho do Departamento de Matemática
Professor Doutor Joaquim João Júdice
Introdução
Esta direcção do NEMATEG/AAC (Núcleo de Estudantes de Matemática e Engenharia
Geográfica da Associação Académica de Coimbra), que tomou posse em Junho de 2005,
elegeu as saídas profissionais como uma das suas prioridades para este mandato.
Sendo assim, foi com muito entusiasmo que aceitámos o desafio do departamento de
Matemática da Universidade de Coimbra, em particular do Doutor Joaquim Júdice,
Presidente do Conselho do Departamento, para dinamizarmos, juntamente com os alunos
do Conselho, um conjunto considerável de actividades relacionadas com esta área. Assim,
neste âmbito, já organizámos três seminários informativos, com as presenças ilustres da
Doutora Teresa Rocha (BPI), do Doutor Paulo Gomes (Instituto Nacional de Estatística e
Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional da Zona Norte) e do Doutor Rui
Guimarães (C.O.T.E.C. Portugal). Outra das actividades que estamos a organizar é o dia do
aluno, que pretende ser um encontro entre alunos e ex-alunos do departamento, com uma
parte mais informativa, com testemunhos e palestras de licenciados de sucesso a nível
profissional, e uma parte mais de confraternização. Com esta actividade, pretendemos que
aumente o contacto entre o nosso departamento e o mundo do trabalho, nomeadamente
empresas e outros locais com actividades profissionais que podem ser desempenhadas pelos
licenciados do nosso departamento, de forma a haver um incremento das saídas
profissionais da licenciatura em Matemática em Coimbra.
Finalmente, surge este volume de saídas profissionais, que pretende ser um veículo
informativo muito útil para os empregadores conhecerem melhor o potencial da nossa
licenciatura, para as escolas, com o objectivo de inverter o decréscimo acentuado do número
de alunos da licenciatura, e também para todos nós, alunos de Matemática, para
conhecermos aprofundadamente as várias ramificações profissionais do nosso curso,
contribuindo para aumentar a nossa auto-estima.
Para finalizar, queremos dar uma palavra de apreço e de agradecimento por todos
aqueles que colaboraram neste livro, quer através de testemunhos, quer através de
informações preciosas para os nossos textos, quer através de outros contributos sem os quais
este livro não seria possível, nomeadamente do Doutor Paulo Eduardo Oliveira, da Doutora
Carlota Simões, da Doutora Maria Manuel Clementino, do Doutor Luís Nunes Vicente, do
Doutor Jaime Carvalho e Silva e do Doutor Eduardo Marques de Sá, professores do nosso
departamento. Em particular, queremos dar um agradecimento especial a um professor pela
enorme dedicação demonstrada ao longo deste nosso ano de trabalho, pela ajuda nas mais
diversas vertentes (financeira, logística, informativa, etc.) e pela evolução verificada no
departamento nos últimos tempos. Assim, por tudo isso e porque só com a sua intensa
colaboração foi possível desempenhar esta tarefa gratificante de elaborar um manual de
saídas profissionais, queremos dedicar este livro ao nosso Presidente do Conselho do
Departamento, Professor Doutor Joaquim Júdice.
NEMATEG/AAC
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Capítulo I: O Departamento de Matemática
1. O Plano de Estudos
1.1. Licenciatura
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(*) A escolher entre:
Elementos de Astronomia e Astrofísica (Lic. Eng. Geográfica - Dep. Matemática)
Biologia do Comportamento (Lic. Antropologia - Dep. Antropologia)
Ecologia Geral I (Lic. Biologia - Dep. Zoologia)
Economia e Gestão (Lic. Eng. Geológica e Eng. Minas - Dep. Ciências da Terra)
Electromagnetismo (Lic. Eng. Física e Eng. Biomédica - Dep. Física)
Evolução Humana (Lic. Biologia - Dep. Antropologia)
Introdução às Redes e Comunicações (Lic. Eng. Informática e Comunicações e
Multimédia - Dep. Eng. Informática)
(**) As disciplinas devem ser escolhidas entre as seguintes quatro:
Estruturas de Dados
Lógica
Mecânica
Topologia e Análise Linear
4º Ano - Ramo Científico
Cada estudante deverá escolher um conjunto de oito disciplinas semestrais, cada uma
valendo 4 unidades de crédito ou 7,5 ECTS, a partir de uma lista a indicar pelo conselho
científico da FCTUC, sob proposta da comissão científica do Departamento de Matemática.
1º semestre
Variedades Diferenciáveis
Álgebra Comutativa
Análise Real
Métodos Matemáticos da Física
Processos Estocásticos
Amostragem e Sondagens
Métodos Matemáticos da Biologia
Programação Linear
Bases de Dados
Programação Orientada para Objectos
Computação Paralela
2º semestre
P Topologia Algébrica
P Geometria Algébrica
P Teoria das Categorias
P,A Análise Funcional Aplicada
A Modelos Estocásticos
A Métodos Numéricos para EDPs
A Matemática Financeira
A Optimização Combinatória
C Optimização Não-Linear
C Visualização Computacional
C Programação Avançada
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P – Matemática Pura A – Matemática Aplicada
4º Ano - Educacional
Disciplina
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C – Computação
Semestre Área científica U.C. ECTS
Ensino da Matemática I
1.º S
CE
5
10
Introdução à Realidade Escolar I
1.º S
CE
3
6
Psicologia da Adolescência
1.º S
CE
4
8
História da Matemática
1.º S
M
3
6
Ensino da Matemática II
2.º S
CE
5
10
Introdução à Realidade Escolar II
2.º S
CE
3
6
Meios Computacionais no Ensino
2.º S
CE
3
6
Actividades Matemáticas
2.º S
M
4
8
1.2. Mestrados e Pós-Graduações
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1º Ano
Curso de especialização, no qual o aluno deverá obter um mínimo de 16 unidades de crédito
(u.c.), correspondentes à aprovação em disciplinas de entre as sete oferecidas.
1º Semestre
Análise - 3 u.c.
Geometria - 3 u.c.
Temas e Problemas do Ensino da Matemática
- 3 u.c.
2º Semestre
Álgebra e Combinatória - 3 u.c.
Aplicações da Matemática - 2 u.c.
Estatística Matemática - 2 u.c.
Métodos Computacionais no Ensino da
Matemática - 3 u.c.
2º Ano (só para o Mestrado)
Elaboração de uma dissertação.
Mestrado em Matemática: Matemática Pura e Matemática Aplicada
Curso de especialização: quatro disciplinas escolhidas de entre as 27 oferecidas.
A escolha do percurso curricular é determinada de acordo com as opções de cada aluno, com
aconselhamento da Comissão de Estudos Pós-Graduados do Departamento de Matemática,
à qual compete aprovar cada trajecto individual.
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1º Semestre
Análise Real
Códigos e Criptografia
Computação Paralela
Equações com Derivadas Parciais
Grupos e Representações
Lógica Avançada
Matemática Financeira
Métodos Matemáticos da Biologia
Modelos Não Paramétricos
Optimização Numérica
Processos Estocásticos
Séries Temporais
Variedades Diferenciáveis
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2º Semestre
Álgebras e Grupos de Lie
Amostragem e Sondagens
Computabilidade e Complexidade
Geometria Algébrica
Geometria Simpléctica
Modelos Matemáticos da Engenharia
Optimização Financeira
Programação Funcional
Simulação Numérica de Modelos
Teoria das Categorias
Teoria de Galois sobre Anéis
Teoria Geométrica do Controlo
Teoria do Risco
Visualização Computacional
2º Ano
Elaboração de uma dissertação.
Temas de investigação
Álgebra, Análise, Análise Numérica, Ciências da Computação, Geometria, Optimização e
Probabilidades e Estatística.
Pós-graduações
Cursos de Especialização (duração de um ano): quatro disciplinas escolhidas entre as
oferecidas.
- Análise Aplicada e Optimização
Análise Real
Equações com Derivadas Parciais
Métodos Matemáticos da Biologia
Optimização Numérica
Modelos Matemáticos da Engenharia
Optimização Financeira
Simulação Numérica de Modelos
- Estatística Avançada e Matemática Financeira
Matemática Financeira
Modelos Não Paramétricos
Processos Estocásticos
Séries Temporais
Amostragem e Sondagens
Optimização Financeira
Teoria do Risco
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- Lógica e Computação
Códigos e Criptografia
Computação Paralela
Lógica Avançada
Computabilidade e Complexidade
Programação Funcional
Teoria das Categorias
Visualização Computacional
- Matemática Pura
Análise Real
Códigos e Criptografia
Equações com Derivadas Parciais
Lógica Avançada
Grupos e Representações
Variedades Diferenciáveis
Álgebras e Grupos de Lie
Geometria Algébrica
Geometria Simpléctica
Teoria de Galois sobre Anéis
Teoria Geométrica do Controlo
2. Saídas Profissionais para os Licenciados em Matemática
A enorme expansão do sistema de ensino português nas últimas décadas teve algumas
consequências sobre o destino profissional dos diplomados em Matemática. A grande
necessidade de diplomados em Matemática que esta expansão criou serviu para atrair quem
procurava a segurança de um emprego certo. A opção pelo ensino superior, embora mais
selectiva na entrada, foi também uma aposta razoavelmente segura. Estas duas opções, ao
garantirem empregos com um significativo grau de segurança na manutenção dos
respectivos postos de trabalho, acabaram por fazer com que o número de diplomados em
Matemática que procurava emprego fora do meio académico fosse relativamente escasso. A
ideia de que um Matemático é alguém que ensina, investiga ou mantém estas duas
actividades foi-se instalando. As alterações recentes no recrutamento de docentes para todos
os níveis de ensino obrigam a que se procurem outras saídas profissionais. É natural alguma
resistência do mercado de trabalho, num primeiro momento, à chegada de diplomados com
um perfil de formação que não era habitual e que procuram exercer actividades que eram
desempenhadas por profissionais com outros perfis de formação. Afinal que vantagens estes
diplomados podem trazer? Este tipo de problemas foram já encarados pela maioria dos
países ditos desenvolvidos, aqueles com quem Portugal se quer comparar e dos quais se
pretende aproximar. Nestes países a percentagem de diplomados em Matemática, incluindo
doutorados, que fica a trabalhar no meio académico é reduzida. A maioria encontra
emprego, ou cria actividade própria, na banca, nos seguros, nas telecomunicações, no sector
da saúde ou, geralmente, na área dos serviços. Esta situação está próxima daquela que
encontramos agora em Portugal. A resistência inicial do mercado de trabalho aos
diplomados em Matemática acaba por se esbater à medida que se reconhecem as vantagens
de um profissional com esta formação. A capacidade de análise que o habilita para, mais
eficientemente, extrair o essencial de um problema e o treino obtido durante os seus estudos
universitários no enquadramento de problemas particulares em grandes classes mais gerais
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constituem enormes vantagens. Estas têm vindo a ser reconhecidas por muitos dos
empregadores e reflectem-se na grande capacidade de adaptação a novas situações, maior
rapidez para encontrar boas respostas, melhor resistência a situações de decisão sob pressão.
Estas qualidades permitem, em particular, ultrapassar facilmente alguma menor formação
em áreas específicas em que um diplomado em Matemática se possa inserir. Mais, tornam
um diplomado em Matemática especialmente útil no desenvolvimento e optimização de
tecnologias próprias, um aspecto essencial para a sobrevivência e afirmação no mercado em
que vivemos. A este respeito diga-se que a falta de tecnologia própria é talvez um dos
factores fundamentais de dependência perante terceiros. Em todos estes aspectos pode um
diplomado em Matemática dar bons contributos.
O Departamento de Matemática mantém desde há alguns anos um programa de
estágios pós-licenciatura facilitando o estabelecimento de contactos com empresas de todo o
País e a inserção no mercado de trabalho. A receptividade que este programa tem tido
dá-nos uma ideia clara das possibilidades que se oferecem a um diplomado em Matemática.
Ao longo deste volume encontram-se descrições de vários casos concretos de inserção, fora
do meio académico, de diplomados em Matemática que ilustram o que aqui se escreve. Este
programa de estágios pós-licenciatura oferece às empresas e serviços que nele têm
colaborado a possibilidade de apreciar o desempenho de um recém-diplomado, com a
vantagem de o Departamento de Matemática fazer o acompanhamento científico dos
trabalhos. O nível de sucesso em cada caso particular é naturalmente variável mas, do ponto
de vista global, é claramente positivo. A quantidade, a diversidade dos estágios realizados
ou em carteira e a impressão positiva que estagiários e empresas manifestam permitem
encarar com optimismo o futuro profissional dos Matemáticos.
O Presidente da Comissão Científica do Departamento de Matemática
Professor Doutor Paulo Eduardo Oliveira
3. Estágios Profissionalizantes do Departamento de Matemática
O Departamento de Matemática mantém, desde 2004, um programa de estágios
profissionalizantes com o objectivo de promover a inserção no mercado de trabalho dos seus
Licenciados em Matemática.
O programa de estágios profissionalizantes do Departamento de Matemática
proporciona aos recém-licenciados uma experiência de trabalho em ambiente laboral,
potenciadora dos conhecimentos adquiridos, preparando a sua integração no mercado de
trabalho, a partir da cooperação entre o Departamento de Matemática e Instituições e
Empresas de todo o país. O Departamento de Matemática apoia a realização de cada estágio
indicando um orientador que acompanha e dá apoio à evolução dos trabalhos.
A boa aceitação e a opinião favorável das diversas empresas e instituições acerca dos
licenciados em Matemática pela Universidade de Coimbra tem vindo a facilitar e
proporcionar as saídas profissionais.
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Desde 2004, as seguintes empresas e instituições têm vindo a proporcionar a realização
de estágios curriculares aos recém-licenciados em Matemática (Aplicada e Computação) pela
Universidade de Coimbra:
- Critical Software
- Federação Portuguesa de Aeromodelismo
- Laboratório de Estudos do Sono do Centro Hospitalar de Coimbra
- Media Primer
- Montepio Geral
- Serviço de Cirurgia/Queimados do Hospital Pediátrico do Centro Hospitalar de
Coimbra
- Serviços Municipalizados de Transportes Urbanos de Coimbra
- Sociedade Portuguesa de Cardiologia
- Unidade de Controlo de Qualidade de Produtos Farmacêuticos da Faculdade de
Farmácia da Universidade de Coimbra.
Alguns percursos profissionais
O Jonatan Pedrosa licenciou-se em 2004 em Matemática, Ciências da Computação. Quanto
terminou a sua licenciatura, estagiou na Media Primer, na área da multimédia: modelação e
construção de ambientes virtuais. Através da Media Primer, entrou num projecto de grande
envergadura da Universidade de Coimbra, que é a sua candidatura a património mundial da
UNESCO. O Jonatan continua a fazer modelos tridimensionais, mas também dá todo o apoio
informático ao gabinete onde trabalha.
A Marta Umbelino licenciou-se em 2004 em Matemática Aplicada. Enquanto frequentava o
Mestrado do Departamento de Matemática, estagiou no Departamento de Risco de Crédito
da Caixa Económica Montepio Geral. O estágio incidiu sobre o tema Modelos de Credit
Scoring, tendo como objectivo a construção de dois modelos de scoring reactivo de cartões de
crédito e respectivas classes de risco. Após a conclusão do estágio, a Marta Umbelino foi
contratada pelo Montepio Geral, continuando a trabalhar na mesma área.
A Sónia Martins licenciou-se em 2004 em Matemática, Ramo de Matemática Aplicada.
Enquanto frequentava o Mestrado do Departamento de Matemática, estagiou na Unidade de
Controlo de Qualidade de Produtos Farmacêuticos, da Faculdade de Farmácia (UCQFarma)
da Universidade de Coimbra. O problema que ela resolveu tem a ver com o facto de num
ensaio serem feitas várias medições que podem conter erros que conduzem a incertezas. O
objectivo do seu trabalho era elaborar métodos em Excel para calcular a incerteza associada
ao resultado final dos ensaios, obtendo o resultado do ensaio (por exemplo uma
concentração) mais ou menos um valor nas mesmas unidades (incerteza). Tais incertezas
são, de certo modo, desvios padrões. Neste momento a Sónia já terminou o seu estágio, e
prepara a sua Tese de Mestrado.
A Isabel Cardoso licenciou-se em 2005 em Matemática Aplicada. Após terminar a sua
licenciatura, estagiou no Hospital Pediátrico do Centro Hospitalar de Coimbra. Durante este
período, a sua actividade consistiu em encontrar um modelo matemático que permitisse
fazer o escalonamento da equipa de enfermagem da Unidade de Cirurgia/Queimados do
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referido Hospital. Este modelo insere-se na área de Optimização Combinatória e consiste,
muito resumidamente, em atribuir a cada enfermeiro, em cada dia do mês, um determinado
turno de trabalho ou uma determinada folga. Esta atribuição está sujeita a um grande
número de restrições. Ainda durante o período de estágio, começou também a frequentar o
Mestrado em Matemática no Departamento de Matemática. Neste momento, para além do
Mestrado, a Isabel está a realizar um outro estágio numa empresa de Call Center.
A Vera Cardoso licenciou-se em 2005 em Ciências da Computação. Depois de terminar a sua
licenciatura, estagiou no Hospital dos Covões do Centro Hospitalar de Coimbra. O seu
estágio consistiu na elaboração de um modelo matemático de previsão de gravidade da síndroma de
apneia obstrutiva do sono, com vista à prioridade de resposta à lista de espera. A Vera construiu
uma base de dados que permite armazenar informação relativa a algumas características dos
pacientes que apresentam o sintoma de apneia do sono. Depois de construída a base de
dados, procedeu à inserção de dados relativos a uma amostra significativa de pacientes para
o estudo estatístico poder ser feito. Neste momento, a Vera está a trabalhar como voluntária
numa empresa de software, e o seu colega Pedro Campelos está a fazer o tratamento
estatístico dos dados.
O Pedro Campelos estagiou na Sociedade Portuguesa de Cardiologia durante o último
semestre da sua licenciatura (1º Semestre de 2005/2006). Durante o estágio, aprendeu a
trabalhar com as bases de dados do CNCDC, para a seguir se dedicar à sua análise
estatística. Aprendeu a realizar correlações entre variáveis contínuas e discretas utilizando o
programa estatístico SPSS, bem como a utilizar curvas de sobrevivência, curvas ROC, tabelas
ANOVA, regressão logística e de Cox. Neste momento já terminou a sua licenciatura em
Matemática Aplicada e encontra-se no Centro Hospitalar de Coimbra, a fazer o tratamento
estatístico da informação que consta na base de dados criada pela Vera Cardoso.
O Sidnei Cruz estagiou na Federação Portuguesa de Aeromodelismo (FPAm) durante o
último ano da sua licenciatura. O seu estágio consistiu em organizar o Quadro Competitivo
Nacional da FPAm numa base de dados. Neste momento está a terminar a sua licenciatura em
Matemática - Ciências da Computação.
A Dilza Soulé está a estagiar nos Serviços Municipalizados de Transportes Urbanos de
Coimbra (SMTUC). O seu estágio baseia-se em Escalonar as férias dos agentes-únicos. É aluna
finalista de Matemática, Ramo de Ciências da Computação.
A responsável pelos Estágios Profissionalizantes do Departamento de Matemática
Doutora Carlota Simões
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4. Centro de Matemática da Universidade de Coimbra (CMUC)
O Centro de Matemática da Universidade de Coimbra (CMUC) é um Centro de Investigação
da Universidade de Coimbra que integra grupos de investigação com objectivos científicos
na área da Matemática.
O CMUC localiza-se no Departamento de Matemática da Faculdade de Ciências e
Tecnologia da Universidade de Coimbra, integrando também investigadores de outras
instituições.
O CMUC tem neste momento cerca de cinquenta membros doutorados, distribuídos pelos
seguintes grupos de investigação:
1. Álgebra
2. Análise
3. Análise Numérica, Optimização e Aplicações
4. Probabilidades e Estatística
5. Geometria e Aplicações
6. História e Metodologia da Matemática.
O CMUC é uma unidade de investigação financiada pela Fundação para a Ciência e
Tecnologia, sendo avaliada periodicamente por um painel de avaliação internacional. Na
última avaliação promovida pela Fundação para a Ciência e Tecnologia foi atribuída ao
CMUC a classificação de Excelente.
As várias actividades apoiadas pelo CMUC - Colóquio de Matemática, Seminários das
diversas áreas de investigação e Congressos - estão anunciadas na página do CMUC
www.mat.uc.pt/~cmuc. Recentemente foi criado o Laboratório de Matemática Computacional, que promove investigação na área da Matemática Computacional e que integra
diversos projectos.
Além de acolher bolseiros da Fundação para a Ciência e Tecnologia, o CMUC promove
também regularmente concursos para bolseiros. Tem atribuído bolsas de pós-doutoramento,
para recém doutorados, e bolsas para licenciados, nomeadamente para os melhores alunos
do Mestrado em Matemática do Departamento de Matemática da Universidade de Coimbra.
Por vezes são oferecidas também bolsas para licenciados ou mestres no âmbito de projectos
de investigação coordenados por membros do CMUC. Os concursos para estas bolsas são
anunciados na página do CMUC.
A Presidente do Centro de Matemática da Universidade de Coimbra (CMUC)
Professora Doutora Maria Manuel Clementino
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Capítulo II: Saídas Profissionais
1. Banca
As empresas financeiras nacionais (e também algumas internacionais) têm uma enorme
carência de matemáticos nos seus quadros, pelo que a banca é um sector com muitas saídas
para os licenciados em matemática.
Os mercados financeiros modernos caracterizam-se pela sua crescente complexidade
tecnológica e matemática, pelo que a actividade financeira mais sofisticada exige padrões de
elevado rigor e correcção. A banca necessita, nos tempos que correm, de modelos complexos
capazes de definir estratégias óptimas de negociação subordinadas a critérios (“MáxMin”
/“MinMáx”) de exposição ao risco. O domínio de “ferramentas” matemáticas, tais como:
modelos quantitativos (na valorimetria de instrumentos financeiros) e métodos estatísticos
(na estimação da exposição ao risco) assumem, neste contexto, uma importância estratégica e
competitiva crescentes. É raro encontrar profissionais com formação em processos
estocásticos, métodos estatísticos, matemática financeira, e, linguagens de programação e
tratamento de dados (VisualBasic, C++, Excel, SPSS,...), pelo que por essa razão também
possuem grande potencial de empregabilidade. Nesse sentido, as licenciaturas em
Matemática constituem importantes “pontos de partida” técnico-científicos. Mas isso não
basta. A esta formação base devem juntar-se outras competências profissionais que podem
(devem!) ser exercitados na base do “fazer para aprender”. Cursos de Pós-graduação,
Mestrados, e Doutoramentos constituem, nesta variante específica da actividade financeira,
complementos incontornáveis à formação base para quem quer fazer desta actividade uma
profissão.
A actividade actuarial também é uma saída nesta área pois os actuários, embora
tradicionalmente ligados à actividade seguradora, encontram-se também em bancos,
sociedades de investimento, empresas de consultoria, etc.
A estas saídas profissionais mais vocacionadas para os licenciados em matemática
aplicada/pura, juntam-se também outras saídas, estas últimas mais vocacionadas para
licenciados em matemática - computação na área da construção e manutenção de bases de
dados e implementação de algoritmos.
2. Ensino Básico e Secundário
O panorama na área de licenciados no Ramo Educacional já não é o mesmo de há uma
década ou mais atrás: a procura de professores do Ensino Básico e Secundário não só cessou
como a oferta de professores atingiu a saturação, estando no desemprego recém-licenciados
e licenciados.
Contudo, esta realidade actual calcula-se que terá o seu termo num futuro próximo,
como tem acontecido por quase toda a Europa. E por isso mesmo vale a pena continuar a
apostar na formação de professores e a encorajar os estudantes que se sentem atraídos pelo
ensino e divulgação da Matemática.
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Os licenciados em Matemática que não conseguem lugar no ensino público vão
conseguindo orientar-se para outro tipo de actividades, pois mesmo hoje aparecem muitas
solicitações para os licenciados em Matemática, qualquer que seja o ramo, como se prova no
site com uma lista de ofertas de emprego, criada pelo Doutor Jaime Carvalho e Silva,
docente do DMUC: http://br.groups.yahoo.com/group/pi-empregos/.
Em relação ao processo de concurso dos estágios pedagógicos, não se trata tanto de
um concurso mas mais de uma candidatura para a distribuição dos estudantes por grupos
chamados núcleos de estágio. Apesar de muita coisa ter mudado desde que os Ramos
Educacionais foram criados em 1972, na FCTUC sempre se conseguiram arranjar núcleos de
estágio para todos os estudantes pelo que nunca ninguém ficou de fora. Os núcleos de
estágio têm tido ao longo dos anos entre 2 e 6 estudantes e a distribuição dos estudantes
pelos núcleos de estágio tem sido sempre negociada amigavelmente entre os responsáveis
do Departamento de Matemática e os próprios estagiários, de modo a que o trabalho de
estágio decorra da melhor maneira possível.
O estágio pedagógico consiste numa espécie de iniciação à prática profissional dos
futuros professores, em que os estagiários trabalham numa escola, acompanhando os
trabalhos de pelo menos uma turma ao longo de um ano lectivo, tais como planificações de
aulas, elaboração de materiais, acompanhamento de alunos com dificuldades, desenvolvimento de actividades de divulgação como exposições, Dia do PI, Semana da Matemática,
Problema da Semana, actividades de formação contínua nomeadamente relativas a
alterações de programas, reuniões com professores, contactos com pais, entre outros, e
dando um certo número de aulas. Fazem ainda um trabalho científico relevante para os
programas escolares dos ensinos básico e secundário.
3. Ensino Superior e Investigação
A investigação como actividade profissional surge sobretudo associada à carreira de docente
no ensino superior, embora no estrangeiro seja possível realizar trabalho de investigação
para empresas privadas. Assim sendo a carreira académica tem duas vertentes distintas,
relativamente ao trabalho científico e ao trabalho pedagógico.
Em termos de actividade científica, o trabalho desenvolvido consiste maioritariamente
na modelação e resolução matemática de problemas, quer tenham estes aplicação concreta
ou sejam de um cariz mais ‘puro’. Os resultados são depois apresentados à comunidade
científica através das mais diversas formas, sendo a principal a publicação de artigos. Os
artigos publicados podem ser de vários tipos, sendo geralmente os mais valorizados aqueles
que são publicados em revistas internacionais com um sistema de arbitragem. Este sistema
garante a qualidade dos artigos, pois após a sua proposta de publicação, estes têm de ser
submetidos à apreciação crítica de especialistas da área em causa. Aliás, este é também um
importante papel de alguém que se dedique à carreira académica: o de ser recensor crítico de
artigos matemáticos, ou mesmo eventualmente editor de revistas científicas. É ainda
importante como meio de divulgação de resultados e troca de conhecimentos a participação
em conferências e seminários para conhecer e dar a conhecer o trabalho que tem sido
realizado na área da especialidade do investigador, bem como para criar contactos com
outras pessoas com interesses académicos semelhantes, que muitas vezes só se conhecem
nestes encontros internacionais.
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Na vertente mais pedagógica, faz parte desta carreira o reger/leccionar disciplinas
dos vários cursos que englobam uma formação matemática. Faz parte desta tarefa o gerir o
programa, a avaliação e outros aspectos da disciplina, bem como atender os alunos para lhes
esclarecer dúvidas, sugerir problemas e material de estudo e motivá-los. É ainda muito
importante a orientação de alunos de mestrado e de doutoramento, aconselhando-os,
guiando o seu trabalho e, numa fase mais avançada, trabalhando conjuntamente com eles, o
que pode levar à realização de futuros trabalhos conjuntos.
Para enveredar por uma carreira académica, o essencial é obter uma boa prestação ao
longo do curso, de forma a criar uma formação sólida, sendo também aconselhável estar
sempre atento a mini-cursos, seminários ou conferências que possam surgir, bem como à
oferta de bolsas de iniciação à investigação. É ainda fundamental o domínio da língua
inglesa.
4. Explicações
A actividade de dar explicações não é, na maior parte dos casos, uma primeira escolha
profissional, funcionando como uma actividade paralela à actividade profissional ou como
uma alternativa ao desemprego, embora também haja quem se dedique a dar explicações em
exclusividade por opção própria.
Esta actividade profissional pode ser desempenhada através de negócios pessoais, em
casa ou ao domicílio, ou ao serviço de empresas de explicações.
Nos negócios pessoais, as habilitações podem ser as mais variadas, dado que, para
além dos licenciados em Matemática, existem explicadores que ainda não terminaram a
licenciatura ou que são estudantes ou licenciados em outras áreas, como nas engenharias ou
em gestão. No fundo, tudo depende das habilitações exigidas pelos explicandos e
encarregados de educação. A maior parte destas explicações destinam-se a alunos do ensino
básico e secundário.
Quanto às empresas de explicações, obviamente que o processo tem características
muito diferentes. Desde logo, porque, salvo raríssimas excepções, as explicações de
matemáticas são dadas exclusivamente por licenciados em Matemática e nas instalações da
empresa. Por outro lado, como trabalham por conta de outrem, estão sujeitos a um processo
de recrutamento. Este processo desenrola-se por candidatura espontânea, em que todos os
interessados entregam os seus currículos sem que haja abertura de concurso. Depois, quando
as empresas necessitam de efectuar uma contratação - por excesso de explicandos ou, dado
que se destinam também a alunos do ensino superior, por alguém revelar interesse em ter
explicações de uma disciplina do curso de Matemática da qual nenhum dos explicadores já
existentes tem formação – comparam os currículos disponíveis e efectuam uma entrevista
e/ou uma explicação modelo, contratando depois o candidato que lhes fornece mais
garantias, com base em critérios de experiência no ramo e capacidade de comunicação e de
ensino (à partida não há, por si só, vantagens de um licenciado do ramo educacional
relativamente ao ramo científico). Finalmente, relativamente ao pagamento, a empresa paga
ao explicador uma comissão por explicação que efectua, comissão essa cuja percentagem
pode variar entre as explicações do ensino básico ou secundário e as do ensino superior.
Paralelamente às explicações convencionais, começa a entrar em expansão o
fenómeno dos ginásios matemáticos. Estes ginásios matemáticos não se destinam
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propriamente a dar explicações, nem tão pouco a funcionarem como actividades de tempos
livres, mas sim a estimularem a capacidade de raciocínio matemático de crianças e
adolescentes, através da resolução de um conjunto de exercícios e elaboração de um
conjunto de actividades que, embora levando em linha de conta os currículos escolares, são
pensados de forma paralela. Nestes locais, o número de licenciados em Matemática que
desempenha uma actividade profissional é ainda relativamente reduzido. No entanto, dado
o aumento exponencial de crianças e adolescentes interessados nos últimos meses, a
tendência é que haja necessidade de, dentro em breve, se efectuar a contratação de mais
colaboradores. Neste caso, o processo de recrutamento é desenrolado, tal como nas empresas
de explicações, por candidatura expontânea e por contratação também efectuada com base
em critérios de experiência e capacidades de comunicação e de ensino.
5. Indústria
A indústria é talvez das áreas deste volume de saídas profissionais em que parece haver
menos licenciados em Matemática no activo em Portugal. Ao contrário do que acontece
noutros países, é raro encontrar-se matemáticos a trabalhar no ramo industrial, embora a
opinião dos empregadores a propósito dos profissionais com formação matemática de base
seja positiva, nos poucos casos em que isso acontece, e que haja possibilidades de no futuro
haver um maior recrutamento de licenciados em Matemática neste área.
Dada a enorme diversidade de empresas existentes no ramo da indústria, é óbvio que
um matemático poderá desempenhar actividades muito distintas, pelo que não é possível
sequer elaborar um padrão profissional que seja comum a todos os matemáticos no sector.
Assim, é possível que um licenciado em Matemática exerça funções em áreas tão distintas
como os sistemas de informação, tendo tendencialmente uma formação matemática na área
da computação, ou em contabilidade, em que a aplicação da formação matemática de base é
eventualmente bastante reduzida, mas que poderá ser um ponto intermédio para um
desempenho profissional na empresa em que os seus conhecimentos matemáticos sejam
mais rentabilizados.
Para se trabalhar neste sector, não é suficiente, na maior parte dos casos, ter uma
formação matemática base. Assim, dado que o reduzido número de matemáticos no sector se
prende com a preferência dos empregadores por licenciados com uma formação mais técnica
e com componentes nas áreas de gestão e de economia, dado terem maior facilidade na
adaptação à realidade profissional das empresas, é fundamental que um licenciado em
Matemática tenha uma formação complementar nestas áreas, com destaque para as
componentes de Gestão Industrial e de Informática de Gestão. Desta forma, atendendo
também ao facto de genericamente o sector empresarial valorizar um matemático pelas suas
capacidades de raciocínio aplicadas à resolução de problemas, as possibilidades de ser
contratado nesta área são consideravelmente maiores.
Finalmente, é importante referir que, tal como em outras áreas, existem certos factores
menos curriculares e mais pessoais que não deixam de ser valorizados. Assim, factores como
o interesse e a motivação por aprender novos conteúdos e a capacidade para trabalhar em
equipa são algumas das características necessárias para se trabalhar no meio empresarial,
pelo que a indústria obviamente não é uma excepção.
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6. Indústria Farmacêutica
A Área de Ciências Farmacêuticas é uma área que necessita de matemáticos para a
realização de vários problemas nos ramos de probabilidade e estatística, assim como para o
tratamento de dados, tabelando-os (normalmente em Excel) e depois analisando-os
pormenorizadamente.
Nos ramos de probabilidade e estatística, os matemáticos necessitam do
conhecimento de algumas noções, nomeadamente, médias, variâncias, estimadores,
intervalos de confiança e desvios padrão e da aplicação de software estatístico como o SPSS.
Mas de um modo geral o que é importante nesta área, é ter uma mente aberta para aprender
novos conceitos e boa capacidade de raciocínio para elaborar modelos/programar, com o
objectivo de elaborar métodos em Excel para calcular a incerteza associada ao resultado final
dos ensaios. Estas incertezas são, de certo modo, desvios padrão.
7. Saúde
A Saúde é, curiosamente, uma das áreas em que a Matemática se aplica e uma possibilidade
de emprego dos licenciados neste curso. A peça que os licenciados em Matemática
desempenham prende-se ao nível da análise estatística de dados médicos, apresentando as
devidas conclusões, bem como do desenvolvimento de soluções de gestão de listas de espera
ou mesmo de turnos de trabalho dos profissionais da área, entre outras coisas.
Nesta área, assume maior importância o ramo de Matemática Aplicada, visto que
prepara os alunos para situações muito diversas, como interpretação e adaptação constantes
da linguagem médica à linguagem matemática, essencial para a resolução dos problemas,
bem como as aplicações exigidas segundo a linguagem matemática para a obtenção das
soluções, sendo essas aplicações relacionadas com a Estatística ou outras disciplinas
englobadas. O ramo de Matemática Computacional também é importante na medida em que
proporciona capacidades para lidar com bases de dados e desenvolvimento de aplicações na
forma de software, essenciais também na análise e tratamento de dados em grande escala.
Concretamente, as funções de um licenciado em Matemática Aplicada na área da
saúde passam pela manipulação de grandes bases de dados, desenvolvimento de pequenas
bases de dados com fim a auxiliar toda uma logística de trabalho, análise de dados e
tratamento estatístico útil para o conhecimento de um determinado sector da saúde e para a
apresentação de relatórios para o exterior e desenvolvimento de soluções com vista à
optimização de processos (exemplo disso é a elaboração de horários de trabalho). De
ressalvar que, à partida, nunca se supõe que seja atribuída uma quantidade tão vasta de
competências a uma mesma pessoa.
Para o ramo de Matemática Computacional, surge mais o desenvolvimento de bases
de dados e aplicações que façam a sua gestão (sendo considerável a importância dessas
mesmas bases de dados para o funcionamento das instituições de saúde), sendo mesmo
assim mais importante quando em articulação com uma formação em Matemática Aplicada,
permitindo então uma abertura aos problemas de índole médico substancialmente maior,
permitindo a compreensão da dita linguagem médica, o devido tratamento dos dados
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estatisticamente ou de outra forma qualquer e aplicação através de competências ao nível da
Computação. Surge como exemplo a criação de um sistema que faça a gestão de uma lista de
espera mediante critérios ao nível da saúde de cada paciente, podendo ser de diversos níveis
e pesos, combinados de forma a optimizar o tempo de espera dependendo do caso.
Certamente, após uma análise atenta ao plano de estudos, facilmente se vê que a
escolha de disciplinas no ramo científico é livre e não estrita mediante a área que se pretenda
seguir, sendo então possível conciliar numa formação de Matemática Aplicada disciplinas
computacionais e vice-versa (o mesmo se passando incluindo a área de Matemática Pura),
pelo que facilmente se conciliam capacidades de áreas separadas, permitindo mais valias
para um futuro de trabalho.
Assumem então na saúde maior importância as disciplinas de Probabilidades,
Estatística, Processos Estocásticos, Teoria da Decisão e Estatística, Filas de Espera e Decisão,
Amostragem e Sondagens e Programação Linear, no que diz respeito ao ramo de
Matemática Aplicada. Quanto ao ramo de Matemática Computacional, é importante ter
algumas noções de Estatística, Optimização Combinatória e Bases de Dados.
Quanto aos requisitos adicionais, costuma-se valorizar o gosto pela área que o
licenciado irá abraçar ao ser empregado, bem como a capacidade de pesquisa, interesse por
aprender constantemente coisas novas e uma fácil adaptação aos mais diversos problemas.
De realçar que os licenciados em Matemática são valorizados, acima de tudo, não tanto por
capacidades técnicas mas mais pela sua elevada capacidade de raciocínio lógico e fácil
adaptação aos mais diversos problemas de áreas muito distintas, bem como a facilidade com
que aprendem novos mecanismos de trabalho ou ambientes, sejam eles a área em que uma
qualquer empresa se situa no mercado ou uma qualquer linguagem de programação, pelo
que facilmente correspondem aos requisitos exigidos pelas empresas, mais ainda nesta área
da saúde. Poder-se-á até falar da existência de uma disciplina obrigatória em Matemática
chamada “Grande capacidade de pesquisa e investigação”, visto que qualquer licenciado
neste curso obtém estas capacidades cada vez mais valorizadas pelas empresas.
8. Seguros
Perguntas como: O que é um actuário?, características importantes que um actuário deve
ter?, que funções desempenha?, onde trabalha?, quais as suas condições de emprego?, como
pode evoluir na sua carreira?, o porquê de um licenciado em matemática ver no actuariado
uma saída profissional? são pertinentes e muitos importantes e as quais esperamos que
encontrem resposta neste pequeno texto.
O actuário é um profissional altamente especializado na avaliação de implicações
financeiras de acontecimentos contingentes. Para esse efeito o actuário efectua cálculos com
vista a identificar os riscos financeiros que determinadas actividades implicam. Para isso,
analisam e consideram as variáveis que podem interferir nessas actividades, fazendo
projecções com base em modelos matemáticos e estatísticos. Um actuário necessita, portanto,
de ter uma compreensão da natureza estocástica dos riscos inerentes aos serviços
financeiros.
A actividade de um actuário desenvolve-se com especial relevo em:
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Seguradoras vida (área individual, em que se encarregam de produtos destinados por
exemplo, a capitalização financeira e a rendas vitalícias, e área vida-grupo, que se ocupam
de seguros de vida e planos de reforma) e seguradoras não vida (que tratam em geral de
seguros de bens patrimoniais tais como imóveis e automóvel); bancos e sociedades de
investimento, segurança social, sociedade gestoras de fundos de pensões e consultores
actuariais. As funções que podem realizar são bastante diversificadas, por exemplo: elaborar
tabelas de mortalidade, doenças, acidentes, invalidez e reformas, com base em análises de
dados estatísticos, económicos ou outros; elaborar sistemas de bonificações e agravamentos
face à participação de sinistros; redigir as cláusulas gerais dos contratos no âmbito dos
planos de pensões e seguros, bem como avaliar as responsabilidades inerentes a esses
planos; organizar e avaliar regimes de pensões e rendas, montantes fixos para os quais é
necessário determinar as reservas e despesas necessárias para assegurar o pagamento de
prestações futuras; antecipar o impacto financeiro potencial de catástrofes naturais, como
terramotos e inundações, a fim de estabelecer o montante a reservar para indemnizações;
analisar programas de investimento e risco associados aos produtos do mercado financeiro;
proceder a consultadorias, nomeadamente em fusões e aquisições de empresas e em
investimentos a longo prazo.
Como vemos o papel do actuário é cada vez mais fundamental para manutenção e
gestão de empresas. E o facto de este papel estar bastante relacionado com a realização de
cálculos implica gosto e formação matemática, nomeadamente cálculo estatístico e
probabilístico, bem como grande capacidade de concentração, disciplina, rigor e
responsabilidade. Um bom domínio informático, imaginação e criatividade são dos atributos
cada vez mais necessários ao desempenho da actividade de um actuário, sobretudo no
desenvolvimento de novos produtos e soluções.
Em regra, os actuários trabalham por conta de outrem, em organizações de média e
grande dimensão. Como já foi referido, estão ligados a seguradoras, bancos, etc. , entidades
maioritariamente do sector privado. O sector público não empresarial emprega actuários
sobretudo no Instituto de Seguros de Portugal, no Ministério responsável pela Segurança
Social, no Banco de Portugal e no Instituto Nacional de Estatística.
Importa referir ainda a formação e evolução na carreira de um actuário. Notemos que
não existem cursos superiores em actuariado, embora seja frequente encontrar esta vertente
como disciplina ou ramo de especialização nos cursos de Matemática. Os cursos de
Matemática com ramo de actuariado incluem uma forte componente matemática, pura e
aplicada, e disciplinas de probabilidades, estatística, economia e contabilidade, informática e
direito.
A evolução na carreira inicia-se, geralmente, com um estágio profissional na área de
especialização escolhida no percurso académico. Numa primeira fase, após o estágio, os
actuários são auxiliares de cálculo. Já como actuários juniores, adquirem uma visão mais
alargada e uma maior capacidade de análise, o que lhe permite chegar a actuários seniores
após cerca de seis anos. Esta evolução depende, contudo, da experiência e conhecimentos de
cada profissional, bem como da gestão de recursos humanos adoptada pela entidade
empregadora. Pela sua capacidade de resolução de problemas e o seu papel estratégico na
planeamento de gestão, não é muito raro que um actuário chegue a director técnico ou a
cargos de administração.
Durante a sua vida profissional, é importante que estes profissionais procedam a
acções de formação (cursos, conferências e seminários), para aprofundarem e actualizarem
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conhecimentos e, dessa forma, responderem ao acréscimo de responsabilidade que a
progressão na carreira implica. O cruzamento de áreas a que a profissão obriga faz com que
o actuário deva ter uma formação o mais geral possível. Por exemplo, pode ser importante
ter conhecimentos de micro-informática e de áreas como contabilidade, finanças, economia,
sociologia, direito e marketing.
Globalmente, esta é uma profissão com futuro promissor, atravessando uma fase de
claro desenvolvimento, por força da diversificação de produtos quer do aumento de
entidades que empregam estes profissionais.
9. Software
No ramo de computação, a área do software é uma das áreas mais importantes, ou mesmo a
mais importante, relativamente às saídas profissionais de um licenciado em Matemática,
ramo de computação. Empresas como a IBM, a Microsoft, a C.A., a Deloitte, a Cap Gemini, a
EDS, a Primavera, a EMC, a Media Primer ou a Critical Software (estas duas últimas em
Coimbra) têm nas suas fileiras licenciados em Matemática. Espera-se, contudo, dado a área
do software ser uma das áreas de futuro mais promissor, que sejam cada vez mais empresas
a contratar profissionais com formação matemática para os seus quadros e cada vez em
maior número.
Nas empresas do ramo, um profissional licenciado em matemática pode desempenhar
um conjunto alargado de tarefas como a participação efectiva nos serviços de consultadoria
técnica ou o trabalho directo nas áreas de software ou hardware, sendo o desenvolvimento
de aplicações informáticas e de aplicações multimédia, incluindo sistemas de informação,
sistemas de gestão de conteúdos e ambientes virtuais um exemplo prático de um tipo de
actividade nesta área.
Neste sector, as disciplinas da licenciatura em Matemática que têm uma maior
aplicação directa na actividade profissional são evidentemente as disciplinas mais
relacionadas com a área computacional, nomeadamente as cadeiras de Programação
(Métodos de Programação, Estruturas de Dados, Programação Orientada para Objectos,
Computação Gráfica, etc.), mas também outras disciplinas de âmbito mais geral, como
Álgebra Linear e Geometria Analítica ou Lógica. Por outro lado, de forma indirecta, todo o
curso tem uma aplicação na actividade profissional, através das capacidades de raciocínio e
ginástica mental obtidas, dos mecanismos de formalização adequada de problemas
adquiridos e da capacidade de pesquisa de informação científica e técnica de qualidade.
Para além dos conhecimentos científicos obtidos ao longo do curso, as empresas do
sector valorizam muito que os licenciados em Matemática tenham também alguns
conhecimentos extra-curriculares, nomeadamente mais e melhores conhecimentos sobre o
processo de desenvolvimento de software, conceitos de qualidade e, para além do Matlab,
conhecimentos básicos em outras tecnologias de programação mais utilizadas.
Finalmente, do ponto de vista mais pessoal, existem características fundamentais para
se ser um bom profissional nesta área, características estas que, de alguma forma, são
transversais a outros sectores empresariais. Assim, é fundamental que se tenha uma boa
capacidade de trabalho, a noção de responsabilidade na execução dentro dos prazos
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estabelecidos e com elevada qualidade das tarefas que são impostas, um bom sentido de
autocrítica e a disponibilidade para aprender coisas novas diariamente, facilidade de
compreensão e de expressão, boa capacidade de trabalhar adequadamente em grupo,
interesse pelo progresso e disponibilidade para enfrentar desafios, revelando boa capacidade
para pôr em prática os conhecimentos adquiridos no desenvolvimento de soluções
inovadoras, e uma atitude empenhada e empreendedora.
10. Telecomunicações
As Telecomunicações constituem uma saída profissional interessante para Licenciados em
Matemática. Os conceitos aprendidos no curso em união com as capacidades adquiridas
fazem com que a tarefa de um matemático numa empresa desta área seja facilmente
executada.
Assim, as funções que os matemáticos geralmente desempenham passam por
Tratamento de modelos em diversos tópicos, tais como Tratamento de Sinal, Transmissão de
Dados, Planeamento, Desenho e Localização de Redes de Telecomunicações,
Encaminhamento de tráfego, Protecção e Segurança de Redes de Comunicações,
Comunicações sem Fios e Protocolos de Comunicação. Também constitui valência dos
matemáticos nesta área a Criação de formulações matemáticas que conduzem normalmente
a problemas de optimização contínua ou discreta, análise numérica e processos estocásticos
(que são áreas matemáticas trabalhadas durante o curso), bem como o estudo de
propriedades associadas a essas formulações, nomeadamente o estabelecimento de
condições de existência e unicidade dos problemas matemáticos. Possível desempenhar
nesta área é também o desenvolvimento, implementação e estudo da complexidade de
algoritmos para a resolução dos problemas matemáticos construídos.
Para o desenvolvimento destas funções, torna-se importante a frequência das
disciplinas da área de Matemática Aplicada (Matemática Numérica, Optimização Numérica,
Optimização Combinatória, Probabilidades e Estatística) e de Matemática Computacional
(Bases de Dados, Métodos de Programação, Introdução às Redes e Comunicações,
Computação Paralela, Programação Avançada) e de Matemática Pura (Álgebra, Análise e
Teoria dos Números).
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Capítulo III: Testemunhos
1. Testemunhos de recém-licenciados
José Carlos Reis
Ingressei em 2002 na equipa de Produtos Estruturados do Banco BPI. Assumi as funções de
trader de derivados financeiros tendo desenvolvido modelos matemáticos para o pricing e
trading diário de derivados financeiros (opções e swaps estruturados). Tinha sob gestão um
livro de opções e swaps com posições de risco. Esta função requer uma formação matemática
muito forte bem como de programação. Aplicamos, entre outros, modelos de Black-Scholes e
simulação de Monte-Carlo para o cálculo do valor de opções. Por outro lado é necessária boa
capacidade de negociação como domínio da língua inglesa. Em paralelo, efectuava análises
do mercado de produtos estruturados em Portugal. Posteriormente, assumi funções de
estruturação sendo responsável pela elaboração de propostas para novos produtos
estruturados a serem emitidos pelo Banco, pela negociação e fecho das respectivas
coberturas junto do mercado financeiro internacional. Actualmente sou responsável pelo
desenvolvimento de operações estruturadas junto de clientes institucionais offshore no
continente americano.
Um licenciado em matemática com formação financeira poderá trabalhar em qualquer
área da banca de investimento. Poderá também trabalhar nas áreas de risco desenvolvendo
bases de dados e algoritmos de programação.
Jonatan Pedrosa:
Em que instituição decorreu o seu estágio?
R: Na Mediaprimer.
Descreva sucintamente a sua actividade durante o seu estágio.
R: Trabalhei na área da multimédia nomeadamente na modelação e construção de ambientes
virtuais.
Quais acha terem sido as principais razões que levaram a ser escolhido para este estágio?
R: Ser em Coimbra e remunerado. Mas também pela área em questão pois gosto de trabalhar
na área da computação gráfica.
Que áreas da Matemática considera terem sido mais úteis durante esse período?
R: Modelação Gráfica e Computação Gráfica.
Como prosseguiu a sua actividade profissional, após o seu estágio profissional? Qual a
sua profissão neste momento?
R: Através da Mediaprimer consegui entrar num projecto da Universidade de Coimbra, a
candidatura a património mundial da UNESCO. Continua a fazer modelos 3D mas também
dou todo o apoio informático ao gabinete.
Está satisfeito com a actividade que desempenha?
R: Bastante, pois não trabalho só numa coisa que poderia tornar um pouco monótono mas
trabalho em diversos projecto sempre ligado ao património.
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De que forma aplica o que aprendeu no curso na função que desempenha neste
momento?
R: Não aplico grandes conhecimentos que adquiri na licenciatura, mas a licenciatura me
permitiu ser bastante versátil e autodidáctico o que, quando somos o único informático num
gabinete, pode dar bastante jeito. Neste momento já tenho um colega a trabalhar na mesma
área. Por isso não posso dizer que estou a aplicar as “fórmulas” que aprendi na licenciatura
mas sim a licenciatura e os métodos de trabalho e de estudo que lá adquiri.
Ana Raquel Macedo
Em que instituição decorreu o seu estágio?
R: Critical Software.
Descreva sucintamente a sua actividade durante o seu estágio.
R: A actividade desenvolvida durante o estágio profissional prendeu-se com o
desenvolvimento de software com base no Matlab, bem como melhoramentos de um CD de
demonstração desenvolvido em flash.
Quais acha terem sido as principais razões que levaram a ser escolhido para este estágio?
R: Talvez a disponibilidade de me dedicar por completo a um objectivo, em conjunto com
conceitos matemáticos necessários para o desenvolvimento da função.
Que áreas da Matemática considera terem sido mais úteis durante esse
período?
R: Análise Numérica e Análise Infinitesimal.
Como prosseguiu a sua actividade profissional, após o seu estágio profissional? Qual a
sua profissão neste momento?
R: Aquando do fim do estágio recebi uma proposta de novo estágio na empresa
MediaPrimer, que aceitei e onde ainda permaneço. Neste momento a minha actividade
prende-se com criação de sites, bem como desenvolvimento de plataformas para e-learning.
Está satisfeita com a actividade que desempenha?
R: Sim, bastante.
De que forma aplica o que aprendeu no curso na função que desempenha neste
momento?
R: Dos conhecimentos apreendidos ao longo do curso, penso que de momento
apenas aplico os conceitos de programação.
Marta Umbelino
Por intermédio do Departamento de Matemática da FCTUC, efectuei um estágio de 6 meses
no Departamento de Risco de Crédito da Caixa Económica Montepio Geral. A minha
formação em matemática aplicada, que também me incutiu bases para poder aprender
novos conceitos e temas de forma autónoma, permitiu-me desempenhar o trabalho
pretendido no estágio e, como consequência, integrar actualmente a instituição.
A dificuldade de fazer chegar "às mãos certas" o curriculum vitae e a falta de
oportunidades de emprego fazem deste tipo de iniciativas um bem precioso para os recémlicenciados. Também eu passei por essa dificuldade e o emprego que tenho hoje deve-se,
inequivocamente, à oportunidade de estágio que o departamento me concedeu.
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Resta-me deixar o meu agradecimento e desejar que esta iniciativa contribua de igual
modo para o futuro de outros.
Rodrigo Matias
Ano de conclusão da licenciatura:
R: Terminei a licenciatura em Setembro de 2005.
O que fez durante os dois primeiros anos após a licenciatura?
R: Como acabei a licenciatura em Setembro passado, ainda estou no primeiro ano do
Mestrado em Matemática cá no Departamento. Para o segundo semestre, o Departamento de
Matemática abriu concurso para uma vaga para Assistente Estagiário, à qual concorri.
Que função desempenha agora?
Neste momento sou Assistente Estagiário do Departamento de Matemática e este semestre
estou a dar aulas práticas de Álgebra Linear e Geometria Analítica ao curso de Engenharia
Civil.
Que influenciou a escolha do trabalho?
R: Dado o gosto que tenho pela Matemática, pela investigação em Matemática e pelo Ensino,
entendi que era a opção a tomar.
De que forma é que se aplica no trabalho aquilo que se aprendeu?
R: Bem... Quanto à parte lectiva, é claro que estou a ensinar coisas que aprendi.
Quanto à minha formação como matemático, os conhecimentos adquiridos na licenciatura
abrangeram bastante bem todas as áreas fundamentais da matemática (Álgebra, Geometria,
Análise) e deram-me uma boa formação base em qualquer uma delas, tanto no sentido dos
conhecimentos em si, como no sentido de servirem de ponto de partida para iniciar qualquer
estudo mais aprofundado em qualquer das áreas referidas.
Sónia Martins
Experiência a nível de estágio:
R: O estágio proporcionou-me alguma experiência na utilização do Excel e na linguagem de
laboratório e também na aplicabilidade de conceitos estatísticos, como médias, desvios
padrões, estimadores, intervalos de confiança.
Pré-requisitos solicitados pela entidade empregadora:
R: Alguma prática em Excel. Também achei necessário ter algumas noções de estatística
(médias, variâncias, estimadores, intervalos de confiança). Mas de um modo geral o que é
importante é ter uma mente aberta para aprender novos conceitos e boa capacidade de
raciocínio para elaborar modelos/programar.
Actividade que desenvolve a nível da indústria farmacêutica:
R: Num ensaio são feitas várias medições que podem conter erros, que conduzem a
incertezas. O objectivo é elaborar métodos em Excel para calcular a incerteza associada ao
resultado final dos ensaios, obtendo o resultado do ensaio (por exemplo uma concentração)
mais ou menos um valor nas mesmas unidades (incerteza). Tais incertezas são, de certo
modo, desvios padrões.
Local onde trabalha:
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R: Na UCQFarma, Unidade de Controlo de Qualidade de Produtos Farmacêuticos, da
Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra.
Isabel Cardoso
Em que instituição decorreu (ou decorre) o seu estágio?
R: O Estágio Profissionalizante que realizei durante seis meses decorreu no Hospital
Pediátrico do Centro Hospitalar de Coimbra.
Descreva sucintamente a sua actividade durante o seu estágio.
R: Durante este estágio, a minha actividade consistiu em encontrar um modelo matemático
que permitisse fazer o escalonamento da equipa de enfermagem da Unidade de
Cirurgia/Queimados do referido Hospital. Este modelo insere-se na área de Optimização
Combinatória e consiste, muito resumidademente, em atribuir a cada enfermeiro, em cada
dia do mês, um determinado turno de trabalho ou uma determinada folga. Esta atribuição
está sujeita a um grande número de restrições.
Quais acha terem sido as principais razões que levaram a ser escolhido para este estágio?
R: As principais razões que me levaram a ser escolhida para este estágio foram o facto de ter
uma Licenciatura no ramo de Matemática Aplicada e também as classificações obtidas
durante a mesma (nomeadamente a classificação obtida na cadeira de Optimização
Discreta).
Que áreas da Matemática considera terem sido mais úteis durante esse período?
R: Durante esse período, a área da Matemática que considero mais útil foi a de Optimização.
No entanto penso que, com uma licenciatura em Matemática Aplicada, conseguimos uma
capacidade de nos adaptarmos a diversos tipos de problemas, independentemente da área
em que estes possam estar inseridos. De facto, sendo eu da área da Matemática, consegui
perceber como são elaborados horários de enfermeiros, problema este que se insere numa
área muito diferente da minha área de formação.
Como prosseguiu a sua actividade profissional, após o seu estágio profissional? Qual a
sua profissão neste momento?
R: Após terminar o estágio, continuei na frequentar a parte lectiva do Mestrado em
Matemática no Departamento de Matemática da Universidade de Coimbra. Neste momento,
para além do Mestrado, estou a realizar um outro estágio numa empresa de Call Center.
Está satisfeito com a actividade que desempenha?
R: Sim, estou muito satisfeita, principalmente pelo facto de poder estar a contactar com a
realidade empresarial que me era desconhecida até ao momento.
De que forma aplica o que aprendeu no curso na função que desempenha neste
momento?
R: Até este momento tenho aplicado os conhecimentos das cadeiras de Probabilidades,
Estatística, Processos Estocásticos e Filas de Espera e Previsão Estocástica que me estão
ajudar a encontrar um modelo de Filas de Espera que se ajuste aos dados fornecidos pela
empresa.
Nuno Gonçalves
Em que instituição decorreu o seu estágio?
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R: MediaPrimer - Tecnologias e Sistemas Multimédia, Lda.
Descreva sucintamente a sua actividade durante o seu estágio.
R: Programador de aplicações de Cadastro e Telegestão e de portais web.
Quais acha terem sido as principais razões que levaram a ser escolhido para este estágio?
Contacto com o Professor José Carlos Teixeira e já ter desenvolvido aplicações por conta
própria.
Que áreas da Matemática considera terem sido mais úteis durante esse período?
R: Programação e Lógica em geral. Além disso, as diversas áreas da matemática ajudam a
ganhar uma habituação a resolver problemas, o que é útil no trabalho.
Vera Cardoso
Em que instituição decorreu o seu estágio?
R: CHC - Centro Hospitalar de Coimbra (Hospital dos Covões).
Descreva sucintamente a sua actividade durante o seu estágio.
R: O meu estágio consistia na elaboração de um modelo matemático de previsão de gravidade da
síndroma de apneia obstrutiva do sono, com vista à prioridade de resposta à lista de espera. Para tal,
construí uma base de dados que permitisse armazenar informação relativa a algumas
características dos pacientes que apresentam o sintoma de apneia do sono. Depois de
construída a base de dados, procedi à inserção de dados relativos a uma amostra
significativa de pacientes (410) para poder fazer o estudo estatístico. Entretanto os 6 meses
de estágio acabaram e passei o testemunho a um colega de curso, que neste momento está a
fazer o referido estudo. De notar que para inserir os dados de cada um dos pacientes foi-me
necessário ler cada um dos processos, sendo que cada processo é composto por dois
questionários e respectivos exames.
Quais acha terem sido as principais razões que levaram a ser escolhida para este estágio?
R: O desafio e o facto de não ter encontrado ainda emprego. De certa forma foi uma maneira
de me manter activa.
Que áreas da Matemática considera terem sido mais úteis durante esse período?
R: Noções de estatística, programação linear e optimização discreta e base de dados.
Como prosseguiu a sua actividade profissional, após o seu estágio profissional? Qual a
sua profissão neste momento?
R: Estou a trabalhar como voluntária numa empresa de software. De momento estou a
acabar uma base de dados.
Está satisfeita com a actividade que desempenha?
R: Não posso dizer que esteja completamente satisfeita visto não ser um emprego definitivo.
No entanto, o facto de estar a aprender e estar em contacto com o mundo do trabalho poderá
ajudar-me no futuro.
De que forma aplica o que aprendeu no curso na função que desempenha neste
momento?
R: No meu caso, todas as noções de programação e algoritmia adquiridas ao longo do curso
têm sido aplicadas diariamente, apesar de estar a trabalhar com algo que desconhecia por
completo.
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Pedro Campelos
Em que instituição decorreu o seu estágio?
R: O estágio que realizei na Sociedade Portuguesa de Cardiologia teve a duração de 6 meses
e terminou no dia 10 de Abril.
Descreva sucintamente a sua actividade durante o seu estágio.
R: Na Sociedade encontrei um ambiente muito acolhedor e um pouco diferente do que
estava à espera. Tinha duas colegas ( Dr.ª Sandra Corker e a Dr.ª Adriana Belo) e era a Dr.ª
Adriana Belo que me ensinava e guiava. Dei-me muito bem com as minhas colegas desde o
primeiro dia ao último e ainda agora não perdemos o contacto. Tudo o que aprendi no
decorrer do estágio devo-o inteiramente à Dr.ª Adriana Belo que tudo fez para que saísse do
estágio com uma preparação sólida. Aprendi antes de tudo a mexer nas bases de dados do
CNCDC usando o Access. Depois deste período de adaptação ás variáveis existentes na
bases de dados e ao seu significado médico básico comecei a realizar análises estatísticas aos
mesmos. Foi neste capítulo que incidiu principalmente a minha formação. Aprendi a realizar
(utilizando o programa estatístico SPSS) correlações entre variáveis contínuas e discretas,
todo o tipo de análise estatística descritiva, utilizar curvas de sobrevivência, curvas ROC,
tabelas ANOVA, regressão logística e de Cox, e todos os testes associados aos grandes temas
atrás referidos. Os resultados eram depois apresentados em relatórios em Excel o que
também me deu um forte conhecimento das potencialidades deste software.
Quais acha terem sido as principais razões que levaram a ser escolhida para este estágio?
R: Fui escolhido para o estágio na SPC através de entrevista onde estavam mais 5 colegas
meus não tendo no entanto sido logo a primeira escolha. Depois de uma espécie de empate
técnico entre uma colega minha e eu, fiquei em standby até essa colega decidir se aceitava ou
não. Tendo ela recusado, fui eu no seu lugar. Não creio ter feito nada de especial, na
entrevista, para ter sido escolhido além de estar extremamente calmo e ter sido sincero.
Nessa altura ainda nem tinha acabado o curso pois tinha reprovado a uma cadeira, não
vendo por isso razão aparente para ter sido preferido em relação a colegas meus que já
tinham acabado o curso.
Que áreas da Matemática considera terem sido mais úteis durante esse período?
R: Claramente a bagagem mais útil que levava do Departamento eram todas as disciplinas
relacionadas com estatística, e que foram muitas mas das quais eu destaco Estatística, Teoria
da Decisão e Estatística, Processos Estocásticos e Filas de Espera e Previsão Estocástica. Devo
apenas referir que senti a falta de ter tido a disciplina de Amostragem e Sondagens que
pertence agora à nova reforma.
Como prosseguiu a sua actividade profissional, após o seu estágio profissional? Qual a
sua profissão neste momento?
R: Quando acabei o estágio comecei a enviar CV para anúncios que apareceram no Expresso
durante cerca de duas semanas. No entanto tendo aparecido a possibilidade de continuar o
trabalho da Dr.ª Vera Cardoso no Centro Hospitalar de Coimbra e querendo eu fazer uma
pós graduação no próximo ano parei de enviar CV.
De que forma aplica o que aprendeu no curso na função que desempenha neste
momento?
R: Aplico mais directamente os conhecimentos adquiridos durante o estágio na SPC tendo
no entanto os dois anos de especialização em Matemática Aplicada sido extremamente úteis
para me desembaraçar dos problemas que foram e vão surgindo.
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Sidnei Cruz
Em que instituição decorreu (ou decorre) o seu estágio?
R: Federação Portuguesa de Aeromodelismo (FPAm)
Descreva sucintamente a sua actividade durante o seu estágio.
R: Quadro Competitivo Nacional da FPAm – sua organização numa base de dados e o
desenvolvimento de uma interface de utilização e de gestão.
Quais acha terem sido as principais razões que levaram a ser escolhido para este estágio?
R:O responsável da Base de Dados da FPAm é um professor do Departamento e fui aluno
dele para mim acho que foi uma das razões da minha escolha para este estágio.
Que áreas da Matemática considera terem sido mais úteis durante esse período?
R:As disciplinas da área de computação.
Dilza Soulé
Em que instituição decorre o seu estágio?
R: O meu estágio decorre nos SMTUC, Serviços Municipalizados de Transportes Urbanos de
Coimbra.
Descreva sucintamente a sua actividade durante o seu estágio.
R: O meu estágio baseia-se em Escalonar as férias dos agentes-únicos . Numa primeira fase tive
que reunir todas as informações necessárias para a realização deste trabalho,
nomeadamente, conhecer e entender o funcionamento da instituição e perceber qual o
método que utilizam para a atribuição de férias aos agentes-únicos. Para em seguida
executar a formulação do problema. Na segunda fase estou a adquirir muitos conhecimentos
sobre o assunto com a consulta e estudo de inúmeros artigos relacionados com este tema.
Depois segue-se a resolução do problema em causa.
Quais acha terem sido as principais razões que levaram a ser escolhido para este estágio?
R: Sinceramente, não sei.
Que áreas da Matemática considera terem sido mais úteis durante esse período?
R: Acima de tudo, a Optimização Discreta.
2. Testemunhos de empregadores de licenciados em Matemática
Corticeira Amorim SGPS, SA
Tem actualmente diplomados em Matemática ou áreas próximas ao serviço da sua
empresa?
R: Sim, na área de sistemas de Informação e de Contabilidade.
Em caso afirmativo, como os recrutou?
R: Através da recolha da base de dados de candidaturas espontâneas do Grupo
Que opinião tem sobre o desempenho de matemáticos no seu ramo de actividade?
Nas duas situações existentes, houve uma adaptação dos Colaboradores às realidades mais
específicas das áreas: a primeira trata-se de Matemática Aplicada às Ciências da
Computação, tendo tido o Colaborador que receber formação em áreas complementares,
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nomeadamente Gestão, Economia e Finanças e Gestão Industrial. Na área da Contabilidade,
o Colaborador estava a desempenhar uma função, para a qual a sua formação em
matemática aplicada era muito pouco rentabilizada. Recentemente procurou-se
redireccionar o Colaborador, procurando "aproveitar" a sua formação base.
Encara a possibilidade de recrutar tais diplomados no futuro?
R: As licenciaturas em Matemática terão, a nosso ver, uma saída bastante restrita na nossa
realidade, uma vez que são sempre preteridas em favor outras licenciaturas que além da
formação mais técnica têm também componentes de formação mais nas áreas da gestão
(economia, gestão, ou informática de gestão) que representam uma mais valia em termos de
uma adaptação mais rápida às realidades de trabalho.
Que conhecimentos ou competências específicos em Matemática ou áreas conexas
(Estatística, Optimização, Computação, etc.) considera importantes para a operação da sua
empresa?
R: Computação.
Para além da preparação matemática específica, que competências gerais ou transversais
considera importantes num diplomado em Matemática que pretenda trabalhar na sua
empresa?
R: Interesse/apetência para áreas de Gestão. Competências/interesse para áreas de trabalho
multidisciplinar em equipa.
Adriana Belo, Sociedade Portuguesa de Cardiologia
Quais as funções dos matemáticos na Sociedade Portuguesa de Cardiologia?
R: Na Sociedade Portuguesa de Cardiologia os matemáticos têm as seguintes funções:
- Manipulação de grandes bases de dados, assim como desenvolvimento de pequenas bases
de dados que assegurem um melhor funcionamento de toda a parte logística do Centro
Nacional de Colecção de Dados em Cardiologia.
- Realização de estudos estatísticos utilizando diversas bases de dados com o objectivo de
nos darem a conhecer a realidade da cardiologia portuguesa e serem apresentadas tanto a
nível nacional como ao nível dos congressos internacionais.
- A tarefa mais importante de um estatista no Centro Nacional de Colecção de Dados em
Cardiologia é fazer a ligação entre a linguagem matemática e a linguagem matemática. É
importante que todas as questões que se coloquem do ponto de vista médico sejam
transformadas em linguagem matemática para que depois possam ser tratadas
matematicamente.
De que forma aplica o que aprendeu durante a licenciatura na sua actividade profissional?
R: Os conhecimentos que adquiri no curso não são directamente aplicados no meu trabalho,
uma vez que os testes estatísticos que aprendi no curso não podem ser aplicados nas
situações com que me deparo no dia a dia, mas deram-me um conhecimento da forma como
as coisas funcionam na estatística. Penso que o mais importante será termos desenvolvido a
capacidade de investigação que me permite procurar testes estatísticos novos sempre que
sou confrontada com situações que não conheço.
Quais entre as disciplinas que frequentou no curso de Matemática têm uma maior
importância na sua profissão?
R: Na minha actividade profissional utilizo muito os conhecimentos que adquiri nas
disciplinas “Probabilidades”, “Estatística”, “Previsão Estocástica” e irei iniciar em breve um
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trabalho onde poderei aplicar alguns conhecimentos de “Teoria de Decisão e Estatística”.
Quais os pré-requisitos e as principais características que a SPC valoriza num licenciado
em Matemática no momento do recrutamento?
R: O candidato deve mostrar-se interessado em toda a actividade desenvolvida no Centro
Nacional de Colecção de Dados em Cardiologia. Deve revelar capacidade de pesquisa e
investigação e interesse por aprender.
Como considera o desempenho que os recém-licenciados em Matemática têm tido?
R: O desempenho tem sido bom. Revelam-se bastante interessados, e com grande
capacidade de pesquisa e investigação que penso serem capacidades adquiridas durante a
frequência do curso de Matemática.
Prof. Eugénia Pina, UCQ Farma
Visão sobre os estágios de licenciados em Matemática na área farmacêutica:
R: Na qualidade de Responsável Técnica do Laboratório de Controlo de Qualidade de
Produtos Farmacêuticos - Laboratório de Galénica e Tecnologia Farmacêutica da Faculdade
de Farmácia e tendo a supervisão de uma Licenciada em Matemática pela Faculdade de
Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), em colaboração com uma
Docente do Departamento de Matemática da mesma Faculdade, permite-me afirmar que a
preparação científica para a actividade desenvolvida é muito boa tendo permitido um bom
desempenho.
Principais conhecimentos do curso aplicados no estágio:
R: Os principais conhecimentos requeridos para a área farmacêutica dizem respeito à
amostragem, análise estatística de dados e determinação da incerteza dos resultados.
Jorge Barros Luís, Montepio Geral
Tem actualmente diplomados em Matemática ou áreas próximas ao serviço da sua
empresa?
R: Sim.
Em caso afirmativo, como os recrutou?
Selecção de alunos de mestrado, através de contacto directo com responsáveis da
Universidade.
Que opinião tem sobre o desempenho de matemáticos no seu ramo de actividade?
R: Muito boa.
Encara a possibilidade de recrutar tais diplomados no futuro?
R: Sim.
Que conhecimentos ou competências específicos em Matemática ou áreas conexas
(Estatística, Optimização, Computação, etc.) considera importantes para a operação da sua
empresa?
R: Econometria, Data Mining, Finanças.
Para além da preparação matemática específica, que competências gerais ou transversais
considera importantes num diplomado em Matemática que pretenda trabalhar na sua
empresa?
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R: Capacidade analítica elevada, adequada capacidade de transmissão dos resultados do seu
trabalho, flexibilidade para proceder à integração plena dos seus trabalhos nos processos de
decisão, com elevado espírito de trabalho de equipa e sentido prático.
Rui Cordeiro, Critical Software
Tem actualmente diplomados em Matemática ou áreas próximas ao serviço da sua
empresa?
R: Sim, temos várias pessoas licenciadas em Matemática da Universidade de Coimbra e da
Universidade de Aveiro.
Em caso afirmativo, como os recrutou?
R: Através de estágios curriculares, profissionais e através de respostas a anúncios de
posições.
Que opinião tem sobre o desempenho de matemáticos no seu ramo de actividade?
R: Muito boa. Existe um período inicial que é difícil devido a existir um conjunto de
conceitos e tecnologias a aprender mas que, tipicamente, as pessoas estão disponíveis para o
percorrer. O desempenho é também muito influenciado pela atitude que a pessoa tem e pela
capacidade de empenho. Existe um cuidado em termos de recrutamento para tentar
identificar estas características nas pessoas que recrutamos, especialmente em pessoas que
sabemos que têm um de fazer um percurso de aprendizagem mais longo.
Encara a possibilidade de recrutar tais diplomados no futuro?
R: Sim, consideramos que os licenciados neste domínio podem rapidamente aprender o que
é necessário para se tornarem engenheiros de software, desde que bem acompanhados numa
fase inicial da sua aprendizagem e desde que tenham as características pessoas (soft skills)
certas.
Que conhecimentos ou competências específicos em Matemática ou áreas conexas
(Estatística, Optimização, Computação, etc.) considera importantes para a operação da sua
empresa?
R: As competências base mais determinantes são a capacidade de raciocínio e lógica que
tipicamente está associado a quem vem de um curso de Matemática. Em termos específicos
as competências ligadas à computação são mais relevantes para nós.
Para além da preparação matemática específica, que competências gerais ou transversais
considera importantes num diplomado em Matemática que pretenda trabalhar na sua
empresa?
R: Mais e melhores conhecimentos sobre o processo de desenvolvimento de software,
conceitos de qualidade e, se possível, conhecimentos básicos em tecnologias de programação
mais utilizadas (não focar apenas em Matlab).
Filipe Silvério, BPI
Tem actualmente diplomados em Matemática ou áreas próximas ao serviço da sua
empresa?
R: Sim, cerca de 40 licenciados em Matemática (pura ou aplicada) na Direcção de Sistemas
do Banco BPI.
Em caso afirmativo, como os recrutou?
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R: Os percursos são diversos: alguns começaram por efectuar estágios de fim-de-curso e
depois foram contratados, outros responderam a anúncios, outros foram contratados a
outras empresas, na sequência de contactos com outros colaboradores do Banco.
Que opinião tem sobre o desempenho de matemáticos no seu ramo de actividade?
R: Importa realçar que a maioria não desenvolve actividades directamente conexas com os
conhecimentos matemáticos adquiridos - são programadores, analistas, responsáveis por
infra-estruturas, etc. Em termos de desempenho, e atendendo à quantidade, existe um pouco
de tudo. No entanto, tendencialmente são mais organizados, com um raciocínio lógico mais
desenvolvido, factores que contribuem para um desempenho acima da média (importa
referir que alguns dos elementos da Direcção não são sequer licenciados, pelo que os
matemáticos integram um grupo já por si com um desempenho superior à média.
Encara a possibilidade de recrutar tais diplomados no futuro?
R: Sim. De entre a formação base requerida aos novos elementos, encontra-se a licenciatura,
sendo a Matemática uma das opções que tipicamente incluímos nos requisitos.
Que conhecimentos ou competências específicos em Matemática ou áreas conexas
(Estatística, Optimização, Computação, etc.) considera importantes para a operação da sua
empresa?
R: São factores preferenciais, ainda que não mandatórios, o conhecimento de técnicas de
computação e alguns conhecimentos de cálculo (particularmente, cálculo financeiro).
Para além da preparação matemática específica, que competências gerais ou transversais
considera importantes num diplomado em Matemática que pretenda trabalhar na sua
empresa?
R: Seria muito útil que a formação matemática fosse complementada por conhecimentos
empresariais - ainda que gerais - que permitissem aos licenciados ter uma perspectiva mais
aplicada dos seus conhecimentos. Cadeiras como Introdução à Gestão, Gestão de Operações
ou Cálculo Financeiro poderiam complementar, de forma relevante, os CV’s dos candidatos.
Adicionalmente, seria importante que os matemáticos recém-formados tivessem uma
perspectiva da sua licenciatura como uma preparação especial, que lhes permite uma
capacidade de cálculo, raciocínio lógico e sistemático superior e não como um conjunto de
conhecimentos adquiridos que pretendem aplicar. Em qualquer organização moderna, é
valorizada a capacidade de '
arregaçar as mangas' e abraçar novos desafios, tendo a
percepção de que pouco conhecemos sobre quase todas as matérias mas que o maior trunfo
que alguém pode ter é a capacidade de aprender rapidamente. E aqui, os matemáticos
partem com alguma vantagem.
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Empresas e Instituições que colaboraram neste volume
Agradecemos às seguintes empresas e instituições a sua contribuição na elaboração de
alguns dos textos deste volume.
- Aula Viva
- BPI
- Corticeira Amorim
- Critical Software
- Educa Plenitus
- Federação Portuguesa de Aeromodelismo
- IBM
- Instituto dos Actuários Portugueses
- Laboratório de Estudos do Sono do Centro Hospitalar de Coimbra
- Mathnasium
- Media Primer
- Montepio Geral
- Revigrés
- Serviço de Cirurgia/Queimados do Hospital Pediátrico do Centro Hospitalar de
Coimbra
- Serviços Municipalizados de Transportes Urbanos de Coimbra
- Sociedade Portuguesa de Cardiologia
- Unidade de Controlo de Qualidade de Produtos Farmacêuticos da Faculdade de
Farmácia da Universidade de Coimbra
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(livro saídas FINAL2) - Departamento de Matemática