UNIVERSIDADE DE TRÁS-OS-MONTES E ALTO DOURO
PERCEPÇÃO DA IMAGEM CORPORAL DE IDOSAS
PRATICANTES DE HIDROGINÁSTICA
Um estudo com idosas de uma academia da zona norte da
cidade do Rio de Janeiro
DISSERTAÇÃO DE MESTRADO EM CIÊNCIAS DO DESPORTO
ESPECIALIZAÇÃO EM ATIVIDADES DE ACADEMIA
FERNANDA AUGUSTA DE ALMEIDA MENDES
Orientadores:
Prof. Doutor Francisco José Félix Saavedra
Prof. Doutor Jefferson da Silva Novaes
VILA REAL, 2013
PERCEPÇÃO DA IMAGEM CORPORAL DE IDOSAS
PRATICANTES DE HIDROGINÁSTICA
Um estudo com idosas de uma academia da zona norte da
cidade do Rio de Janeiro
FERNANDA AUGUSTA DE ALMEIDA MENDES
Orientadores:
Prof. Doutor Francisco José Félix Saavedra
Prof. Doutor Jefferson da Silva Novaes
UTAD
Vila Real – 2013
II
Dissertação apresentada com vista à
obtenção do grau de Mestre em Ciências
do Desporto na área de especialização
em
Atividades
de
Academia
da
Universidade De Trás-os-Montes e Alto
Douro, em conformidade com o Decreto
– Lei nº.216/92, de 31 de Outubro.
III
Dedico este trabalho à Deus, em primeiro lugar, meu escudo, meu
amigo, e que de uma forma tão maravilhosa orientou-me, fortaleceu-me,
sustentou-me e ajudou-me a chegar até o final deste trabalho.
(In memorium):
A meus exemplos de vida: meus pais, Octávio e Dagmar amados e
inesquecíveis. Sei que estão sempre comigo e estão felizes por verem sua
caçula seguindo seus ensinamentos: “meus filhos, deixo para vocês a riqueza
que ninguém vai lhes tirar: o estudo”.
Enquanto eu viver vou lembrar - me de vocês... Papai, mamãe, amo
vocês!
À minha querida irmã Tereza Izabel, que é atualmente o meu referencial
de família pelo seu apoio e estimulo, por estar sempre presente, mesmo
quando ausente e as minhas amigas Celinha e Cléo que sempre me ajudaram,
me apoiaram e me acompanharam neste grande passo da minha vida. Elas
que, com muita sabedoria, discernimento, bom senso e dedicação estiveram ao
meu lado me encorajando nas horas difíceis e me aplaudindo nos momentos
de glória. Obrigada por serem: minha irmã e minhas amigas corretas e
competentes, fonte de apoio e ensinamento diário.
IV
AGRADECIMENTOS
Aos meus pais Octávio Mendes de Oliveira e Dagmar de Almeida
Mendes de Oliveira (in memorium), meus verdadeiros mestres e inspiração de
vida, que apesar das enormes dificuldades impostas pela vida, lutaram e
venceram, concluindo suas jornadas nesta dimensão com brilhantismo
invejável.
À minha tia Dica diminuitivo de Raimunda, que com 91 anos é cinco
vezes tataravó e com estas quatro letras traduz uma imensidão de Dedicação,
Inspiração Carinho e Amor.
Aos meus irmãos, Emanuel Antunes de Almeida Mendes, minha
enciclopédia ambulante e João Mendes de Oliveira Neto com os quais
compartilhei a infância e adolescência.
Minha irmã... o que dizer da e para a minha única irmã, Tereza Izabel de
Almeida Mendes! Para ela, um carinho especial pelo companheirismo, carinho,
força e apoio que me deu em todos os sentidos e momentos para que eu
pudesse alcançar meus objetivos e que pacientemente compreendeu minhas
ausências, nas férias de julho.
À minha cunhada Maria do Socorro Timbó Mendes, que nos primeiros
passos da minha dissertação estendeu – me sua mão disponibilizando – se no
que fosse preciso.
Aos meus sobrinhos, sobrinha e em especial ao meu afilhado Adriano
Mendes Volney Valente, que sempre esteve participativo nos momentos de
dificuldades linguísticas.Por isso e muito mais, digo-lhe: “Sempre quis ter um
filho assim”.
À minha grande amiga, de um metro e setenta de amizade, sinceridade
e dedicação, colega de trabalho e do dia a dia, professora doutoranda Celia
Maria Couto Correia, que na sua “gigantude” me apoiou em momentos difíceis,
sorriu, vibrou em tempos de alegria, sempre esteve comigo, me incentivou,
convenceu e ajudou a trilhar este caminho.
V
À minha amiga, professora pós graduada Cleonice Gonçalves da Silva,
que me assistiu neste percurso, por vezes difícil, mostrando-se sempre
presente disponível para ajudar, participativa, mas acima de tudo pelas suas
palavras reconfortantes e de estimulo, apoiando – me diretamente nos
encontros com as minhas idosas e me incentivando para seguir em frente.
À minha cunhada, amiga e colega de turma professora mestra Valéria
Barros Moreyra, pela sua total presteza ao colocar - me a disposição sua
academia a todo e qualquer momento para uso da minha pesquisa.
Ao Professor Doutor Jefferson da Silva Novaes, primeiro incentivador
para o meu novo desafio: Ser Mestre. Pelos saberes que partilhou, orientou,
ajudando-me sempre que solicitado, pela sua disponibilidade e pela sua
paciência e boa vontade em atender – me às seis e meia da manhã, e por ter
acreditado que eu seria capaz de vencer este desafio.
Professor Doutor Francisco José Félix Saavedra. Ser-lhe-ei eternamente
grata pela “vossa” acolhida e atenção em uma etapa difícil vivenciada por mim
durante a produção da dissertação e principalmente por ter aceitado,
prontamente, o convite para orientar – me e dar contribuições deveras
importantes e significativas para a conclusão do meu trabalho.
Ao Professor Doutor Victor Manuel Machado de Ribeiro Reis pela
credibilidade e confiança na minha capacidade, real desejo e empenho
enquanto aluna ao permitir a minha continuidade nos estudos de pós
graduação na UTAD.
Ao Professor Doutor Nuno Garrido pela presteza, gentileza e
competência na preparação final desta dissertação.
Ao Professor Doutor José Manuel Vilaça Maio Alves pelo incentivo e
preciosas recomendações para a continuidade desta dissertação.
Ao Professor Doutor Giovanni da Silva Novaes por todo encorajamento,
apoio e torcida por esta empreitada.
À minha amiga e colega de faculdade, de estudo, e porque não de
nossas viagens, professora doutoranda Eliete Sousa Aguiar Motta Cardoso que
me ajudou e apoiou na minha qualificação e nos trabalhos do mestrado.
VI
À professora doutoranda Tânia Lúcia Werner da Silva, que nos nossos
encontros de pesquisas e viagens de estudo, trazia sempre palavras de alegria
e descontração a todos.
Ao meu colega de departamento na Universidade Professor Doutor
Alexandre Palma, pelo seu empenho e dedicação ao me orientar e ajudar
quando do processo de aprovação da minha dissertação junto ao Comitê de
Ética em Pesquisa.
Ao meu colega professor Ricardo José Ramos, chefe do departamento
de Jogos da EEFD, pela compreensão e apoio nesta difícil etapa da minha
vida.
À minha amiga e colega de faculdade Professora Doutora Silvia Maria
Agatti Lüdorf, sempre pronta a me auxiliar, respondendo de imediato os meus
e-mails.
À Maria de Lurdes, pérola colocada no meu caminho que auxiliou nos
meus contatos com minhas entrevistadas.
Aos amigos, Luís Aluízio e Jandyra Maria, pela torcida positiva no
desenvolvimento das minhas atividades.
À Izabel Tauss, que me fortaleceu em momentos difíceis, transmitindo
em suas palavras, tranquilidade, apoio, incentivo e confiança.
As minhas idosas que confiaram a mim suas vidas e histórias:
verdadeiras heroínas anônimas.
À academia KDM que me acolheu para a realização da coleta de dados,
por meio do seu coordenador professor Geraldo Menezes Leal e da professora
de hidroginástica Roseneli Rodrigues Formoso (Rose) pela confiança e
abertura para o meu estudo.
Ao meu amigo professor Mário Duarte, do departamento de Jogos da
E.E.F.D. da UFRJ, pela sua dedicação como amigo e presteza.
Ao funcionário do CEP/HUCFF/FM/UFRJ, Leonardo Fagundes, que me
prestou apoio na tramitação de documentos e sempre me atendeu com muita
dedicação e presteza.
VII
Aos funcionários da biblioteca da FADEUP, Pedro Novais e Patrícia
Martins sempre prestativos e pacientes no atendimento às minhas solicitações.
Ao Nuno, Marina, “seu” Manoel e dona Maria das Dores, amigos
portugueses, pessoas que jamais esquecerei e que, mesmo sem saber,
participaram na elaboração desta dissertação.
À Universidade Federal do Rio de Janeiro, o meu local de trabalho, pela
sua credibilidade, e aos meus colegas professores desta casa que são
referência nos estudos e na pesquisa científica.
A todos que me ajudaram para que este estudo fosse concretizado, meu
agradecimento sincero.
VIII
ÍNDICE GERAL
AGRADECIMENTOS.......................................................................................... V
ÍNDICE GERAL ................................................................................................. IX
ÍNDICE DE TABELAS ...................................................................................... XII
INDÍCE DE QUADROS .................................................................................... XII
LISTA DE ABREVIATURAS ............................................................................ XIII
RESUMO ......................................................................................................... XIV
ABSTRACT....................................................................................................... XV
1.INTRODUÇÃO.................................................................................................. 1
1.1.APRESENTAÇÃO DO PROBLEMA .............................................................. 4
1.2.OBJETIVOS DO TRABALHO ........................................................................ 6
2.REVISÃO DA LITERATURA ............................................................................ 7
2.1.HIDROGINÁSTICA ........................................................................................ 8
2.2.PROPRIEDADES FÍSICAS DA ÁGUA .......................................................... 9
2.3.BENEFÍCIOS DA HIDROGINÁSTICA PARA O IDOSO .............................. 11
2.4.ENVELHECIMENTO ................................................................................... 12
2.4.1.ENVELHECIMENTO FÍSICO E FISIOLÓGICO ................................. 16
2.4.2.ENVELHECIMENTO PSICOLÓGICO E SOCIAL .............................. 18
2.4.3.ENVELHECIMENTO E EXERCÍCIO FÍSICO ..................................... 19
2.4.4.ENVELHECIMENTO FEMININO ....................................................... 22
2.5.IMAGEM CORPORAL ................................................................................. 24
2.5.1.IMAGEM CORPORAL DO IDOSO..................................................... 25
2.6.AUTOESTIMA ............................................................................................. 28
2.6.1.AUTOESTIMA DO IDOSO ................................................................. 29
3.METODOLOGIA ............................................................................................. 31
IX
3.1.CARACTERIZAÇÃO DO ESTUDO ............................................................. 32
3.2.CARACTERIZAÇÃO DA AMOSTRA ........................................................... 32
3.3.DELINEAMENTO DA PESQUISA ............................................................... 33
3.4.INSTRUMENTO E MATERIAIS DE RECOLHA DE DADOS ...................... 34
3.5.FASES DE PESQUISA................................................................................ 34
3.5.1.CONTATO INICIAL ............................................................................ 34
3.5.2.ESTUDO PRELIMINAR ..................................................................... 34
3.5.3.PARECER DO ESTUDO PRELIMINAR............................................. 35
3.5.4.ESTUDO PRINCIPAL ........................................................................ 36
3.6.TAREFAS, PROCEDIMENTOS E PROTOCOLOS..................................... 36
3.6.1.ÉTICA NA PESQUISA ....................................................................... 37
3.6.2.LIMITAÇÕES DO ESTUDO ............................................................... 38
3.7.DESCRIÇÃO DA TÉCNICA DE ANÁLISE DE DADOS............................... 38
3.7.1.A PRÉ-ANÁLISE ................................................................................ 40
3.7.2.EXPLORAÇÃO DO MATERIAL ......................................................... 40
3.7.3.TRATAMENTO DOS RESULTADOS, A INFERÊNCIA E
INTERPRETAÇÃO ...................................................................................... 41
3.8.A CODIFICAÇÃO ........................................................................................ 42
3.8.1.UNIDADE DE REGISTRO ................................................................. 42
3.8.2.UNIDADE DE CONTEXTO ................................................................ 43
3.8.3.DEFININDO AS CATEGORIAS ......................................................... 43
4.APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS .............................. 46
4.1.CATEGORIA A – CORPO FUNCIONAL ..................................................... 50
4.1.1.AUMENTANDO A INDEPENDÊNCIA E AUTONOMIA...................... 51
4.1.2.AUMENTO DA AUTOCONFIANÇA ................................................... 54
4.2.CATEGORIA B – CORPO PESSOAL ......................................................... 56
X
4.2.1.SENTIR-SE BEM ............................................................................... 56
4.2.2.SATISFAÇÃO/ GOSTO...................................................................... 58
4.2.3.MELHORIA DA APARÊNCIA FÍSICA ................................................ 60
4.3.CATEGORIA C – CORPO SAÚDE ............................................................. 61
4.3.1.MELHORIA DO CONDICIONAMENTO FÍSICA................................. 61
4.3.2.REDUÇÃO DAS LIMITAÇÕES .......................................................... 63
4.3.3.QUALIDADE DE VIDA ....................................................................... 65
4.4.CATEGORIA D – CORPO SOCIAL............................................................. 68
4.4.1.RELAÇÃO SOCIAL ............................................................................ 69
4.4.2.ADERÊNCIA/ INFERÊNCIA FAMILIAR ............................................. 70
4.5.CATEGORIA E – CORPO ESTÉTICO ........................................................ 73
4.5.1.IDEAL ESTÉTICO .............................................................................. 74
4.5.2.PREOCUPAÇÃO COM A IMAGEM CORPORAL .............................. 77
4.5.3.SATISFAÇÃO COM A IMAGEM CORPORAL ................................... 78
5.CONCLUSÃO ................................................................................................. 81
5.1.CONSIDERAÇÕES FINAIS E RECOMENDAÇÕES DE NOVOS ESTUDOS
........................................................................................................................... 84
6.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................................... 86
7.ANEXOS ....................................................................................................... 101
ANEXO 1 – TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE ESCLARECIDO
ANEXO 2 – APROVAÇÃO DO CONSELHO DE ÉTICA DA UFRJ
ANEXO 3 –ROTEIRO DAS ENTREVISTAS
ANEXO 4 – POST SCRIPTUM XI
ÍNDICE DE TABELAS
Tabela 1 – Atividades Físicas e Tempo de Prática ........................................... 49
INDÍCE DE QUADROS
Quadro 1 – Principais implicações biopsicossociais do envelhecimento ......... 15
Quadro 2 – Sistema categorial ......................................................................... 45
Quadro 3 – Clientes inscritas na Academia Alvo .............................................. 48
XII
LISTA DE ABREVIATURAS
ACSM - American College Of Sports Medicine
AF – Atividade Física
AIVD - Atividade Instrumental de Vida Diária
AVD - Atividade de Vida Diária
EA - Exercício Aquático
EF - Exercício Físico
IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
MS - Ministério da Saúde
OMS - Organização Mundial de Saúde
OPAS - Organização Pan-Americana de Saúde
QV - Qualidade de Vida
XIII
RESUMO
A necessidade e o encorajamento de conhecer novas pessoas e
ambientes, fugir da solidão, procurar atividades culturais e praticar atividades
físicas, refletem a preocupação dos idosos em preencher o tempo livre, sair da
rotina e procurar o bem estar geral. No decurso do envelhecimento, o papel da
atividade física é muito significante, não só nos aspectos fisiológicos, mas
também nos psicológicos e sociais. A presente pesquisa teve, como objetivo,
analisar a forma como as mulheres idosas percebem seus corpos e as
consequências da hidroginástica para suas qualidades de vida. Este estudo foi
realizado em uma academia da zona Norte da cidade do Rio de Janeiro. A
técnica de coleta de dados utilizada foi a entrevista semi estruturada, aplicada
a 23 mulheres idosas, com idades compreendidas entre os 60 e 91 anos de
idade, praticantes de hidroginástica na referida academia, com 3 sessões por
semana a pelo menos 6 meses. Para o tratamento da informação utilizamos a
técnica da análise de conteúdo. Após a análise do material recolhido, delineou se um conjunto de categorias associadas à percepção do corpo das idosas:
Corpo Funcional, Corpo Pessoal, Corpo Saúde, Corpo Social e Corpo Estético.
Deduzimos qua a atividade física, hidroginástica, surgiu como um fator
determinante de alteração da identidade corporal destas idosas entrevistadas,
na medida que constatamos através dos discursos, sentimentos de domínio e
controle sobre o próprio corpo, auto confiança e auto estima elevada. Enfim,
podemos concluir que, os discursos estão em concordância com os aspectos
valorizados pela literatura, no que se refere aos motivos que levam as idosas à
prática da hidroginástica visando os benefícios físicos, psicológicos e sociais.
Palavras-chave: Atividade Física, Autoestima, Hidroginástica, Idosas,
Qualidade de Vida
XIV
ABSTRACT
The need and the encouragement to know other people and
environments, avoid loneliness and perform cultural and physical activities
reveal the concearn of elderly people in filling the spare time, running away from
routine and searching for wellness. During the aging process, the role of
physical activities is very significant not only in physiological aspects but also in
psychological and social ones. This research took place in one gymnastic
academy in the North zone of the city of Rio de Janeiro/ Brazil and aims to
analyze the way how elder women conceive their bodies and the consequences
of hidrogymnastics to their quality of life. Semi-structured interviews were
applied to 23 elder women aging between 60 and 91 years old who practice
hidrogymnastics 3 times a week for at least 6 months. Using the method of
analysis of content, there emerged a group of categories associated to the body
perception of those women: functional body, personal body, health body and
aesthetic body. It was deduced that hidrogymnastics appears as a determinant
factor of the modification of the body identity of the interviewed women. In their
discourse it could be found feelings of dominium and control over their own
bodies and augment of self-confidence and self-esteem. The conclusion is that
their discourses agree with the weighty aspects considered by literature about
the reasons which induce elder women to practice hidrogymnastics aiming
physical, psychological and social results.
Keywords: Physical Activity, Self-esteem, Hidrogymnastic, Elderly,
Quality of Life
XV
1
INTRODUÇÃO
1.INTRODUÇÃO
PERCEPÇÃO DA IMAGEM CORPORAL DE IDOSAS PRATICANTES
DE HIDROGINÁSTICA
Um estudo com idosas de uma academia da zona norte da cidade do Rio de Janeiro
1
1.INTRODUÇÃO
1.INTRODUÇÃO
“É um paradoxo que a idéia de ter vida longa agrade a todos, e a idéia de
envelhecer não agrade a ninguém”. (Andy Rooney)
Existe uma verdadeira recusa em reconhecer a fragilidade e aceitar a
finitude. O envelhecimento é um processo inerente à condição humana,
inevitável, natural e irreversível, que ocorre do nascimento à morte, sendo
caracterizado pelo declínio das funções biofisiológicas (Cozin, 2009).
É sabido que, no período neolítico, por volta de 8.000 anos a. C., a
expectativa de vida dos homens das cavernas, devido às constantes lutas pela
sobrevivência, entre outros fatores, impostos pelo meio ambiente, era
aproximadamente de apenas 20 anos. No século XIX, na era da Revolução
Industrial, a média de idade do homem era de 47 anos, devido em parte ao
aumento dos cuidados de alimentação, saúde e higiene. A partir de 1940, após
a acessibilidade à penicilina, considerada como a grande aliada na detenção
de doenças infecciosas como a tuberculose, é aumentada a esperança de vida
do ser humano para 60 anos, havendo os primeiros registros de indivíduos que
atingiram o centenário. A partir do ano 2000, nos paises desenvolvidos, o
homem
já
vive
além
dos
76
anos,
considerando
em
definitivo
o
estabelecimento da terceira idade, velhice entre outras designações (Antonelli,
2007).
Mas o que significa o termo Idoso? Segundo a Organização Mundial de
Saúde [OMS] (2011), uma forma correta de classificar este termo, seria dividir o
envelhecimento em quatro estágios: meia idade, de 45 a 59 anos; idoso, de 60
a 74 anos; ancião de 75 a 90 anos e velhice extrema, de 90 anos em diante.
Sabe-se que a dimensão cronológica não é a única a ser considerada na
pessoa com idade avançada, outros fatores estão envolvidos, entre eles o
biológico, econômico, cultural, ideológico e sobre tudo social.
Segundo a projeção do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
[IBGE] (2011) em 2050, para cada 100 crianças de 0 a 14 anos existirão 172,7
idosos, com o patamar de 81,29 anos. Os avanços da medicina e as melhorias
nas condições gerais de vida da população repercutem no sentido de elevar a
2
1.INTRODUÇÃO
média de vida do brasileiro. Os idosos do século XXI serão em maior número e
mais velhos (porque viverão mais tempo), mas terão maior rendimento, mais
saúde, mais instrução, possibilitando melhores condições habitacionais. Eles
serão mais ativos profissional e civicamente, mais conscientes dos direitos e
mais disponíveis para usufruir da cultura e do lazer (IBGE, 2011).
O envelhecimento é um processo dinâmico e progressivo, levando a
alterações morfológicas, funcionais e bioquímicas pela alteração do mecanismo
proteico e progressivamente altera o organismo. É acompanhado por
alterações como o decréscimo da função muscular, que afeta diretamente as
tarefas diárias e reflete negativamente na qualidade de vida [QV] (Rossi Junior,
Schuster & Polese, 2009).
Para a nossa sociedade atual ser um velho tem um grande significado
subjacente, muito negativo e salienta fundamentado numa idéia errônea de que
obrigatoriamente o envelhecimento causa “incompetência comportamental”. A
sociedade julga o idoso um sujeito pouco importante, demonstrando que ser
velho corresponde ser incapaz e ser problema, associando o envelhecimento
natural à senilidade, a dependência, a perda de status social e à impotência.
Enfim, o idoso torna-se uma pessoa que incomoda e atrapalha as outras.
Diante desta imagem tão negativa ditada pela sociedade, destaca que o idoso
opõe-se a pensar e nega o seu próprio envelhecimento. Através dessa
desvalorização, o idoso diminui a sua participação no meio social, gerando um
sentimento de inutilidade, levando-o a apresentar problemas orgânicos e
psicológicos ocasionando o isolamento social deste sujeito (Mazini, Lima,
Venturini, Zanella, Savóia & Matos 2009).
Silva, Mesquita, Souza e Salles (2011) dizem que qualquer forma de
exercício físico (EF) proporciona benefícios psicológicos, de autoestima e de
melhoria
do
relacionamento
social,
ou
seja,
melhora
os
aspectos
biopsicossociais muito importantes para adultos de idade avançada, devido às
inúmeras mudanças advindas dessa fase da vida. Em geral as pessoas que
praticam atividades físicas (AFs) tendem a ser menos deprimidas do que as
que não praticam.
3
1.INTRODUÇÃO
A ideia de que a AF regular é um importante elemento para a
manutenção da saúde e da qualidade de vida das pessoas idosas é aceita por
unanimidade nos meios científicos. Há dados abundantes sobre sua eficácia na
melhoria da funcionalidade física e na diminuição no risco de desenvolvimento
ou agravamento de diversas patologias mais frequentes na velhice. Além dos
benefícios nos domínios da saúde física e da funcionalidade, existem indícios
na saúde mental, além de benefícios no domínio psicológico, entre eles
melhoria do humor e da autoestima e redução da ansiedade e da depressão
(Costa, 2010).
Como observado, durante a velhice há um declínio das capacidades
fisiológicas, motoras e mentais. Assim, os indivíduos que estão passando por
essa fase não possuem tantas habilidades e acabam adquirindo certas
limitações, impedindo-os de realizar alguns EF (Gondim, Cunha, Souza,
Schmith & Barros, 2011).
Levando isso em consideração, Paula e Maffia (2010) e Mota (2009),
dizem que a procura pela hidroginástica tem crescido entre os indivíduos
idosos, pois essa prática tem grandes vantagens para essa classe social. Entre
as vantagens pode-se citar a segurança aos praticantes, pois dentro da água o
peso corporal diminui fazendo com que algumas regiões do corpo fiquem
menos vulneráveis, como ossos, músculos e as articulações que ficam livres de
impactos, podendo se movimentar com mais amplitude. Assim, pode-se notar
que a busca por esta atividade tem sido crescente na última década e também
tem sido muito produtiva para a melhoria da QV desta classe populacional.
1.1.APRESENTAÇÃO DO PROBLEMA
Muitos estudos sobre envelhecimento enfatizam a expectativa de vida e
os fatores de risco para morte, assim como seu desgastado no organismo e na
saúde do idoso. Entretanto, pouco se tem pesquisado a respeito da opinião do
idoso nesse período da vida em que se encontra. O interesse pelo relato dos
idosos quanto a sua auto percepção no processo de envelhecimento,
considerando ganhos e perdas nesse trajeto, tende a quantificar de maneira
íntegra e real as mudanças percebidas no ambiente social e no próprio corpo a
partir da prática da hidroginástica (Guerra & Caldas, 2010).
4
1.INTRODUÇÃO
Para a população idosa, ter uma percepção melhor da autoimagem é um
desafio, pois na sociedade atual, há vários conceitos equivocados e
estereotipados ligando velhice a declínios físicos (Matsudo, Velardi & Brandão
2007). Além disso, o impacto do envelhecimento é muito forte para alguns
idosos e nem sempre aceito, pois eles não se adaptam a essas mudanças
tornando-se assim, um fator limitante em todos os aspectos da vida humana.
Isto pode resultar em uma imagem corporal equivocada, modificando a forma
de se ver e sentir o corpo (Paula & Maffia, 2010).
Essas alterações na imagem corporal das pessoas idosas ocorrem por
vários aspectos. Nesse sentido, Fugulin, Rosche e Resende (2009), afirmam
que essas alterações têm atingido mais as mulheres do que os homens. Há
estudos que apresentam resultados, mostrando que as mulheres idosas
focalizam mais sua preocupação na aparência física do que os homens idosos,
que estão mais preocupados com a perda da funcionalidade fisiológica
(Matsudo, et al., 2007).
O Centro Nacional para Estatística e Saúde (CNES) estima que 84% das
pessoas com idade de 65 anos ou mais são dependentes de outras pessoas
para executar suas tarefas cotidianas. No entanto, podemos verificar que com
a prática da hidroginástica essa porcentagem de idosos dependentes pode
diminuir consideravelmente. Já que, sua prática possibilita melhorar as
capacidades físicas proporcionando uma vida mais independente, como
também conduz a uma grande melhora mental, pois, além de ser um exercício
de fácil execução, proporciona uma grande integração entre os participantes
elevando assim a autoestima (Marangoni, 2009).
Mazo, Lopes e Benedetti (2009), realizaram uma pesquisa sobre QV e
AF com 198 idosas participantes dos grupos de convivência no município de
Florianópolis. A autora verificou que as idosas mais ativas possuíam melhor
autoimagem e autoestima. Mcauley, Elaysky, Motl, Konopack e Márquez
(2005), estudaram 174 idosas participantes de um programa de exercícios
físicos durante seis meses e verificaram que a AF influência positivamente nos
níveis de auto-estima. A AF além de prevenir a dependência é um estímulo
para o bem estar das idosas, consequentemente, melhora a autonomia e a
5
1.INTRODUÇÃO
independência, o que irá se refletir em melhor autoimagem e autoestima
(Benedetti, Petroski & Gonçalves, 2003).
Até que ponto os benefícios da hidroginástica são percebidos pelos
idosos, para melhoria e satisfação de sua imagem corporal?
1.2.OBJETIVOS DO TRABALHO
O presente estudo tem como objetivo analisar a forma como as
mulheres idosas percebem os seus corpos e as consequências da
hidroginástica para a QV das praticantes de hidroginástica em uma academia
da zona Norte da cidade do Rio de Janeiro.
No que se refere aos objetivos específicos, estabelecemos os seguintes:
cIdentificar a percepção corporal das idosas antes de serem práticantes
da hidroginástica.
c Verificar de que forma a percepção corporal das idosas se alterou
após tornarem – se praticantes da hidroginástica.
A partir da definição deste objetivo, apresentamos as seguintes questões
norteadoras:
c O que leva as idosas a procurar a prática da hidroginástica?
c O que desejam/esperam da prática da hidroginástica?
c Qual a percepção dos seus corpos antes da prática da hidroginástica?
c O que leva as idosas a frequentar uma academia?
c Qual a importância da hidroginástica para o convívio social?
c De que forma percebem as possíveis mudanças corporais
consequentes da prática da hidroginástica?
6
2
REVISÃO DA LITERATURA
2.REVISÃO DA LITERATURA
PERCEPÇÃO DA IMAGEM CORPORAL DE IDOSAS PRATICANTES
DE HIDROGINÁSTICA
Um estudo com idosas de uma academia da zona norte da cidade do Rio de Janeiro
7
2.REVISÃO DA LITERATURA
2.REVISÃO DA LITERATURA
2.1.HIDROGINÁSTICA
Há poucos registros históricos do início da prática de hidroginástica. A
água sempre existiu na vida do homem e se aguçarmos um pouco à
imaginação teremos um quadro onde aparece o Home Sapiens se banhando
em cachoeiras e rios, imitando os animais e ensaiando os primeiros
movimentos aquáticos (Primo, 2000).
A hidroginástica é uma tradição milenar dos romanos, que a exemplo da
cultura
helénica,
transformaram
os
banhos
teraupêuticos
em
prática
corriqueira. Na Grécia, qualquer cidade possuía balneário público, chegando a
ter onze termas públicas, além de quase mil privadas. Foram os Gregos os
precursores da hidroginástica (hidroterapia), usada para reanimar, relaxar e
exercitar (Delgado & Delgado, 2004).
Na Alemanha, por volta de 1772, os banhos mornos, já eram utilizados
para aliviar espasmos e nos pacientes necessitados de relaxamento.
Aproximadamente sete anos depois (1779), em Edimburgo, foi empregado o
banho frio em várias condições febris. De acordo com alguns documentos por
volta do ano de 1830, Vincent Pressnitz, iniciou o uso da água fria e exercícios
vigorosos. Este acreditava que essa atividade trazia inúmeros benefícios para o
corpo, embora sua tese fosse considerada empírica nos meios clínicos da
época (Vitti, 2006).
Na primeira e segunda Guerra Mundial, os alemães e os ingleses
usavam a hidroginástica para socorrer os lesionados. Logo após, passou–se a
usar a técnica em pessoas idosas que obtinham alívio em dores generalizadas
pelo corpo. Foi um sucesso. A Alemanha, Inglaterra e os Estados Unidos da
América do Norte empregaram a hidroginástica como terapia para proporcionar
o bem-estar físico e mental às pessoas que precisavam praticar uma atividade
e só podiam fazê-la na água. Os americanos começaram a aplicar em outros
tratamentos e também em pessoas saudáveis. Foram, portanto os americanos
8
2.REVISÃO DA LITERATURA
que fizeram uso pela primeira vez da hidroginástica como AF (Delgado &
Delgado, 2004).
Acredita-se que a hidroginástica teve a sua ascensão no Brasil e no
mundo, no início da década de 80, devido ao elevado número de lesões
provocadas pela prática da ginástica aeróbica. Isto posto, vários especialistas
dos Estados Unidos, começaram a estudar os exercícios aquáticos (EA) a fim
de minimizar o impacto encontrado nas atividades feitas em sala de aula.
Sendo assim, foi possível com o resultado das pesquisas, reduzir o impacto
através da correção da execução dos movimentos de alto impacto e estimular
o uso de tênis como efeito amortecedor (Vitti, 2006).
2.2.PROPRIEDADES FÍSICAS DA ÁGUA
A hidroginástica hoje é procurada por vários grupos: idosos, gestantes e
adultos e em diferentes contextos, tais como: clubes, academias ou
associações com objetivos e expectativas muito diversificadas (Fernandes,
2011).
O EA em sua abordagem grupal pode ser considerado como uma
inovadora e eficaz intervenção promotora de um envelhecimento saudável, ao
possibilitar aos idosos as melhoras funcionais associadas às mellhoras da
autoestima e da autoconfiança, permitindo-os desempenhar suas funções
cotidianas de forma independente dentro do seu círculo sócio-econômico e,
acrescentando à velhice qualidade e significado (Camurça, Silva, Freire, Veloso
& Silva, 2010).
É fundamental que nas atividades aquáticas, o profissional possa
compreender as propriedades físicas da água e sua aplicabilidade, tendo
melhores condições de utilizar seus benefícios, protegendo principalmente as
articulações dos joelhos, tornozelos, quadris e até mesmo a coluna vertebral, a
fim de implantar e desenvolver um programa adequado aos seus alunos
(Fernandes, 2011)
Broach e Dattilo (2006), afirmam que a combinação das propriedades
físicas da água com a atividade dentro de água cria um ambiente único e
Freire, Martins, Araujo e Borragine (2011) dizem que a água possui
9
2.REVISÃO DA LITERATURA
propriedades físicas que incluem densidade, flutuação, pressão hidrostática e
viscosidade.
A densidade de uma substância, segundo Barros (2007), é a relação
entre sua massa e seu volume. Assim, se a densidade relativa da água pura é
igual a 1, um corpo com densidade menor que 1 flutuará, maior que 1 afundará.
A flutuação é considerada a primeira força física que percebemos ao
entrar na piscina. É a força que atua em sentido contrário à ação da gravidade
(empuxo para cima), regida pelo princípio de Arquimedes, ou seja, “quando um
corpo está completo ou parcialmente imerso em um líquido, ele sofre um
empuxo para cima, igual ao peso do líquido deslocado”, pois sua utilização
básica facilita a execução dos movimentos, diminui o stress biomecânico
(atrito), assim como os riscos de lesões, atuando no processo de fortalecimento
muscular. Temos também outro tipo de força atuando que é a pressão
hidrostática exercida igualmente, em todas as direções. Os efeitos da pressão
hidrostática dependem da profundidade a que o corpo é submerso e quanto
maior a profundidade, maior será a pressão exercida. (Aboarrage, 2008).
A pressão hidrostática do liquido é exercida igualmente sobre todas as
áreas da superfície de um corpo imerso, em repouso, a uma dada profundidade
(Lei de Pascal). Esta aumenta proporcionalmente à profundidade e densidade
do fluido. É a primeira contribuição para o exercício (há uma estimulação
imediata da circulação periférica e, com a água na altura dos ombros uma
resistência sobre a caixa torácica. Por isso, pessoas com comprometimento
respiratório grave ou com capacidade vital reduzida, devem iniciar o programa
em piscinas mais rasas e de acordo com suas possibilidades. A utilização
básica desta propriedade é a resistência ao movimento de sobrecarga natural,
estímulo a circulação periférica, facilitação do retorno venoso e fortalecimento
da musculatura envolvida na respiração (Aboarrage, 2008).
A viscosidade é definida pelo atrito que ocorre entre as moléculas de um
determinado elemento. O líquido é considerado de alta viscosidade quando flui
lentamente e de baixa viscosidade, quando flui mais rapidamente, variando
também com a temperatura deste líquido. A viscosidade da água quente é
maior que a água fria. A turbulência pode ser usada como forma de resistência
10
2.REVISÃO DA LITERATURA
e também de massagem nos exercícios na piscina, quanto mais rápido o
movimento, maior a turbulência, e, portanto, um exercício pode ser progredido
aumentando-se a velocidade à qual é efetuado. O corpo pode estar alinhado
(vertical) ou desalinhado (horizontal), em relação à piscina. Conforme o
alinhamento, alteramos a resistência oferecida (Aboarrage, 2008).
A temperatura da água é um fator deveras importante no
desenvolvimento de exercícios, principalmente para pessoas com fibromialgia,
pois temperaturas extremamente altas ou baixas pioram os sintomas. Os
exercícios realizados a uma temperatura de aproximadamente 26 a 29,5ºC
propiciam melhor resposta fisiológica. Em temperaturas muito frias, a
circulação periférica é diminuída devido à vasoconstricção, o que reduz a
oxigenação muscular, aumentando a rigidez, o risco de lesões e a ocorrência
de cãibras. As temperaturas muito elevadas podem, por outro lado, dificultar a
dissipação do calor produzido metabolicamente durante o exercício (Baun,
2010).
2.3.BENEFÍCIOS DA HIDROGINÁSTICA PARA O IDOSO
A hidroginástica difere da natação por ser realizada em posição vertical.
Esta posição acarreta em uma diminuição do peso hidrostático, diminuindo as
forças compressivas nas articulações, reduzindo assim o estresse e,
provavelmente, as lesões articulares (Souza & Dias, 2012).
Segundo Barros (2007), a principal vantagem da hidroginástica é
justamente a segurança que proporciona ao praticante. Dentro da água os
movimentos ficam mais seguros, tornando os traumas menos vulneráveis,
inclusive durante saltitos, e essa segurança permite ao praticante superar seus
limites naturais, sem riscos.
Nakagava e Rabelo (2007) afirmam que a hidroginática é procurada e
recomendada para a população idosa, por além de ser um excelente exercício
respiratório, facilita o fortalecimento da musculatura e das articulações, sem
sobrecarregar os membros inferiores com os impactos comuns nas atividades
terrestres, já que na água, se reduz em aproximadamente 90%, o peso
corporal de uma pessoa que se mantém submersa, até a altura dos ombros.
11
2.REVISÃO DA LITERATURA
A hidroginástica também tem efeito relaxante; proporciona um bem estar
físico e mental, aquece simultaneamente as diversas articulações e músculos,
logo após a imersão e durante a execução dos exercícios, tanto pela
movimentação dentro da água, quanto pela temperatura da mesma; melhora as
trocas gasosas; melhora a irrigação, ativando vasos capilares, veias e artérias,
garantindo elasticidade aos mesmos; diminui os problemas de hipertensão e
hipotensão; atua no aspecto estético do corpo, desenvolvendo os músculos, a
resistência muscular e diminuindo a gordura corporal; aumento dos níveis de
força; incremento do consumo máximo de oxigênio (VO2máx); excreção
aumentada de urina (diurese), sódio (natriurese) e potássio (potassiurese);
aumento da amplitude e mobilidade articular, permitindo determinados
movimentos, que eram difíceis de serem realizados fora da água (Texeira,
Pereira & Rossi, 2007).
De maneira geral, a prática de EF melhora o humor devido à liberação
do hormônio endorfina, que causa sensação de bem-estar e relaxamento (Silva
et al., 2011) e, segundo McArdle, Katch e Katch (2008), o aprimoramento na
autoestima é um dos benefícios psicológicos potenciais do exercício. Para,
além disso, a hidroginástica por ser uma atividade de grupo, promove a
sociabilização, tão importante para os idosos, pois a solidão é uma constante
quiexa dos mesmos. A água é no fundo um elemento lúdico e de
relacionamento social, que permite sempre o diálogo e o divertimento.
(Spirduso, Francis & MacRae, 2005).
No entanto, apesar dos idosos procurarem a hidroginástica, também por
estes motivos, existe ainda a grande dificuldade de mantê-los motivados para
uma prática contínua. O programa de AF deve, então, englobar exercícios que
não levem a exaustão e não tenham um elevado grau de dificuldade. Podem,
no entanto, aumentar gradualmente a sua exigência, desde que sejam
cativantes. Neste sentido as aulas podem ser realizadas com música e com
diversos materiais (Nakagava & Rabelo, 2007).
2.4.ENVELHECIMENTO
À medida que as condições gerais de vida e o avanço da ciência têm
contribuído para controlar e tratar doenças responsáveis pela mortalidade, a
12
2.REVISÃO DA LITERATURA
expectativa de vida da população cresce significativamente. Segundo dados da
Organização Pan-Americana da Saúde [OPAS] (2005) e OMS (2011), a taxa de
crescimento anual da população idosa, estimada em cerca de 3% para as duas
primeiras décadas deste século, o total de pessoas com 60 anos ou mais,
atingirá os 149 milhões. Crescendo esse número para 292 milhões até metade
do século XXI.
A OMS define a população idosa como aquela a partir dos 60 anos de
idade. Esse limite é válido para os países em desenvolvimento, mas admite –
se um ponto de corte de 65 anos de idade para os países desenvolvidos, pela
tradição destes em utilizarem esse índice há várias décadas (Silva, Carvalho,
Lima & Rodrigues, 2011).
Dentro desta visão, o Brasil se encontra nessas duas situações de 60 e
65 anos, pois é um país que geograficamente possui regiões totalmente
adversas umas das outras, no que se refere tanto a: clima, cultura e
miscigenação permitindo que este trinômio atue diretamente na QV do idoso.
Sendo o envelhecimento um processo biológico natural, não existe meio de
evitá-lo (American College of Sports Medicine [ACSM], 2007).
A OPAS, com a concordância do Ministério da Saúde, define o
envelhecimento como um processo constante, individual, irreversível, comum a
todos os seres vivos, esperado, de deterioração progressiva (Morais,
Rodrigues, & Gerhardt, 2008). Considerando os fatores genéticos individuais e
específicos, traduz o processo universal das mudanças humanas do
envelhecer, registrando diminuição de plasticidade do comportamento,
vulnerabilidade aumentada, perdas cumulativas e evolutivas e, claro, maior
probabilidade
de
morte.
Biologicamente,
o
envelhecer
compreende
transformações orgânicas de pós-maturação sexual, que geram essa
diminuição gradativa das probabilidades de tempo e de vida (Neri, 2008).
Segundo o Ministério da Saúde [MS] e a Secretaria de Atenção à Saúde
[SAS] (2007), o envelhecimento compreendido como um processo natural, de
diminuição progressiva da reserva funcional dos indivíduos em condições
normais é definido como senescência. Por outro lado, condições de sobrecarga
13
2.REVISÃO DA LITERATURA
como, por exemplo, doenças, acidentes e estresse emocional, podem
ocasionar uma condição patológica definida como senilidade.
De acordo com o que defende Branco (2010) o processo de
envelhecimento biológico ocorre em diversas fases:
O Idoso – é uma fase em que ainda não existem grandes alterações
orgânicas, estando o indivíduo apto para satisfazer as suas necessidades.
Nessa fase podemos distinguir, entre “os idosos mais jovens”, que se mostram
mais saudáveis, e os “idosos verdadeiramente mais velhos”, com mais de
oitenta anos, sendo este grupo o que maior crescimento apresenta.
A Senescência – nesta fase o indivíduo já passa a sofrer alterações de
diversas naturezas, como (e.g., na sua condição física). Surge nesta altura à
necessidade de começar a confiar em terceiros. Inicia-se um processo de
dependência.
A Senilidade – o indivíduo já não exerce a sua função como órgão de
adaptação, tornando-se dependente a vários níveis de cuidados.
Contudo,
apesar
dos
inúmeros
conceitos
de
envelhecimento
encontrados na literatura, definí-lo em sua essência é extremamente
complicado. As mudanças estruturais e funcionais relacionadas às doenças
que são comuns em pessoas idosas são, frequentemente, difíceis de serem
diferenciadas do processo de envelhecimento em si. Além disso, os fatores
ambientais influenciam profundamente a taxa de envelhecimento, trata-se de
um processo não homogêneo entre os diferentes tecidos e as manifestações
funcionais também variam em relação ao seu início e sua progressão (Nair,
2005; Fedarko, 2011).
O envelhecimento é um processo biológico, universal, estocástico,
dinâmico e progressivo, no qual ocorrem modificações morfológicas,
funcionais, bioquímicas e psicológicas que reduzem a capacidade de
adaptação do indivíduo ao meio ambiente, afetando sua integridade e
permitindo o surgimento das doenças crônicas, com impacto sobre a saúde e a
QV do idoso (Hayflick, 2007).
O quadro seguinte, ilustra os principais tipos de alterações que o
envelhecimento causa no indivíduo, contribuindo para uma natural alteração da
14
2.REVISÃO DA LITERATURA
sua personalidade. Sendo este um quadro síntese e que apenas faz uma
representação geral, não significa que todos os idosos passem por estas
alterações obrigatoriamente.
Quadro 1 – Principais implicações biopsicossociais do envelhecimento
Personalidade
Alterações Biológicas
Alterações Psicológicas
Alterações Sociais
- Pertubações Metabólicas;
- Órgãos Ineficientes;
- Doenças Físicas;
- Incapacidades Motoras.
- Deterioração Mental;
- Pertubações Afetivas;
- Reação de Compensação;
- Pertubações Comportamentais.
- Reforma;
- Isolamento;
- Inatividade;
- Dificuldades Econômicas;
- Dificuldades Habitacionais.
Fonte: Branco (2010)
Embora existam alterações que podem ser classificadas como ganhos,
de acordo com Neri (2008) e Papalia, Olds e Feldman (2006), as mudanças
evolutivas, que são reconhecidas como perdas, tendem a aumentar com o
passar da idade. O exemplo disso pode ser constatado ao serem observadas
as capacidades cognitivas ligadas ao processamento da informação, à
memória e à aprendizagem, que declinam por causa das alterações sensoriais
e neurológicas que acompanham o envelhecimento.
De acordo com (Aykawa & Neri, 2008; Duarte, Andrade & Lebrão, 2007),
a capacidade funcional, está relacionada com a medida do grau de
preservação da capacidade do indivíduo, para realizar atividades de vida diária
(AVDs) e do grau de capacidade, para desempenhar as atividades
instrumentais de vida diária (AIVDs). As AVDs são as que se referem ao
autocuidado, ou seja, permitem ao idoso cuidar-se e responder por si só no
15
2.REVISÃO DA LITERATURA
espaço limitado de seu lar, envolvendo, (e.g., alimentar-se, ter continência
urinária, movimentar-se, tomar banho, vestir-se, usar o banheiro, andar pela
casa, subir e descer escadas e cortar as unhas). Já as AIVDs estão
relacionadas a funções mais complexas que permitem a vida independente na
comunidade, incluindo, (e.g., fazer compras, cozinhar, arrumar a casa,
telefonar, utilizar o transporte, lavar roupa, tomar remédios e ter habilidade para
lidar com as próprias finanças).
2.4.1.ENVELHECIMENTO FÍSICO E FISIOLÓGICO
São inúmeras as alterações que advêm do processo de envelhecimento,
o qual evidencia: antropométricas, músculo esquelético, neuromuscular,
cardiovasculares, cardiorespiratórias, neurológicas, capacidade motoras, força
muscular,
além
da
diminuição
da
agilidade,
coordenação,
equilíbrio,
flexibilidade, mobilidade articular com aumento da rigidez de cartilagens,
tendões e ligamentos. Ainda se menciona que essas mudanças, associadas
ao baixo nível de AF, propiciam a diminuição da capacidade funcional do idoso
(Souza, 2010).
Como o envelhecimento cronológico, nem sempre corresponde ao
envelhecimento fisiológico, este pode classificar-se em primário, secundário e
terciário (Spirduso et al., 2005). Por envelhecimento primário, entende-se o
conjunto das mudanças intrínsicas do processo de envelhecimento –
irreversíveis, progressivas e universais (e.g. aparecimento de rugas, o
embranquecimento dos cabelos, perdas de massa óssea e muscular, o declínio
do equilíbrio, da força e da velocidade bem como das perdas cognitivas).
O envelhecimento secundário engloba as mudanças causadas por
doenças inerentes à idade, com o aumento da exposição a fatores de risco. Os
efeitos deletérios dessas mudanças são cumulativos, o que faz com que os
organismos apresentem uma crescente vulnerabilidade com o passar da idade
(e.g., doenças cérebro-vasculares, neuro-degenerativas cardiovasculares,
esclerose múltipla, Alzheimer, Parkinson).
Por último o envelhecimento terciário, refere-se ao declínio terminal,
caracterizado por uma grande taxa temporal de diminuição de funções
resultando na morte.
16
2.REVISÃO DA LITERATURA
Demongeot (2009) enfatizou que a idade cronológica não dá informação
útil, sobre o estágio em que acontece o processo de envelhecimento do
organismo. O processo do envelhecimento não ocorre da mesma forma com
todos os indivíduos, assim como as teorias, e sozinhas, não conseguem
explicar, todos os passos do processo de envelhecimento.
Desse modo, as transformações, com o passar dos anos de vida,
também sofrem influências do ambiente físico e social, e algumas mudanças
fisiológicas do envelhecimento, podem ser destacadas quanto a modificações
externas evidentes: a pele começa a enrugar, os cabelos ficam grisalhos e
mais finos, a pele perde o tônus, tornando-se flácida, há um alargamento do
nariz, os olhos ficam mais úmidos, há um aumento na quantidade de pêlos nas
orelhas e no nariz, há um encurvamento postural devido a modificações na
coluna vertebral, havendo também diminuição da estatura pelo desgaste das
vértebras. As modificações internas são: endurecimento dos ossos; o cérebro
perde neurônios e atrofia-se, tornando-se menos eficiente; o metabolismo fica
mais lento; a digestão é mais difícil; a visão de perto piora devido à falta de
flexibilidade
do
cristalino;
há
perda
da
transparência
(catarata);
há
endurecimento das artérias; o olfato e o paladar diminuem (Paula, 2010;
Papalia et al., 2006).
As alterações orgânicas que se destacam são: diminuição da água
corporal total, do peso corporal e da massa muscular; o ritmo do coração tende
a tornar-se mais lento e irregular; a pressão arterial costuma aumentar; alguns
idosos tendem a dormir menos; há uma limitação nas atividades que exigem
resistência e força. Além disso, com o envelhecimento, as pessoas ficam mais
susceptíveis a quedas, em razão não só da diminuição da sensibilidade das
células receptoras e das informações sobre a posição do corpo no espaço,
como também da diminuição dos reflexos (Paula, 2010; Papalia et al., 2006).
Além das alterações físicas e fisiológicas, o processo de envelhecimento
caracteriza-se por alterações psicológicas e sociais, bem como, pelo
surgimento de doenças crônicas degenerativas, acrescidas de hábitos de vida
inadequados (dieta desadequada, tabagismo, ausência de atividade laboral e
inatividade), com significativa redução da capacidade para a realização das
atividades básicas diárias. Estabelece-se um ciclo vicioso pernicioso entre a
17
2.REVISÃO DA LITERATURA
inatividade física, a incapacidade e a disfuncionalidade do idoso (Machado,
2008).
2.4.2.ENVELHECIMENTO PSICOLÓGICO E SOCIAL
Segundo Schneider e Irigaray (2008), o ser humano pode ser
considerado mais velho, dependendo de como ele se comporta, diante de uma
posição que a sociedade espera para sua idade. O envelhecimento social
promove mudanças de papéis sociais, que a sociedade espera de um idoso em
seu comportamento.
Para além da idade cronológica e da idade biológica (saúde ou doença
dos diversos órgãos, capacidades de adaptação e de funcionalidade) definidas
por Spirduso, et al. (2005), é importante considerar a idade psicológica
(entusiasmo e expectativas positivas vs. depressão e desilusão).
Se na análise do envelhecimento, o estudo biológico tem prevalecido,
relativamente aos estudos psicológicos e sociais, o funcionamento humano não
pode ser entendido pela sua redução à dimensão biológica (Ferreira, 2009). As
três vertentes do envelhecimento humano, fisiológica, psicológica e social,
interpenetram-se e devem ser sempre consideradas as suas interações.
Conforme Mariz (2010), o processo de envelhecimento psíquico, é
caracterizado por sintomas de diminuição das capacidades intelectuais e está
em estreita relação, com as alterações biológicas e sociais.
Ao nível psicossocial, os idosos enfrentam problemas como solidão,
ausência de objetivos de vida e de atividades ocupacionais. A diminuição das
suas capacidades físicas, e consequente lentidão de execução, remete a
pessoa idosa para um segundo plano quanto à vida social (Oliveira, 2008).
Sob o ponto de vista social, a velhice significa uma desorganização, uma
perda de relação social significativa, com a inerente perda da importância e do
reconhecimento social. A velhice aparece como redutora da sociabilidade, do
esvaziamento do reconhecimento familiar e extra familiar, da solidão
minimizadora do eu, enquanto ser social (Mota, 1989; Santiago, 2006).
Esta etapa da vida está muitas vezes associada a uma enorme
quantidade de perdas sucessivas (saúde, aptidão física, morte de familiares,
18
2.REVISÃO DA LITERATURA
profissão), que afetam o amor próprio e a dignidade pessoal, propiciando a
deterioração da saúde mental (Rocha, 2009).
Vivemos numa sociedade, que pressiona o sujeito para ser cada vez
mais produtivo, mas por outro lado, a mesma sociedade não prepara o
indivíduo para quando essa etapa da produtividade termina, tendo o mesmo, a
necessidade de se adaptar a uma nova situação social, que deveria ser de
gozo e de descanso. Daí, a importância de encontrar atividades, que levam os
idosos a sair do seu isolamento e os obriguem a contactar o mundo exterior,
relacionando-se com outras pessoas e encontrando novos papéis na
sociedade. Entre outras, a AF e em particular os programas de EF, parecem
aqui desempenhar um papel de relevo (Souza, 2010).
2.4.3.ENVELHECIMENTO E EXERCÍCIO FÍSICO
Refletindo sobre o acima exposto, importa saber como homens e
mulheres, envelhecem. Com efeito, ao aumento da esperança média de vida,
coloca-se uma questão decisiva, que é a de se saber como se pode adicionar
mais qualidade aos anos de vida. É muito importante que a qualidade do
tempo de vida que se perspectiva a mais, seja a melhor possível (Melo, 2010).
As mudanças psíquicas e sociais que acompanham o processo de
envelhecimento têm como uma de suas bases as alterações que se operam no
nível biofísico. Qualquer iniciativa que melhore a expectativa de vida, o bem
estar e a capacidade funcional na vida adulta depende muito da melhora das
bases físicas adquiridas, evidenciando as implicações dos aspectos biológicos
sobre a saúde mental das pessoas idosas (Balbinot, 2012).
É importante percebermos que as transformações induzidas pelo
envelhecimento são inevitáveis, mas podem ser retardadas pelo modus ativo.
Torna-se assim necessário relacionar a AF com a saúde, dadas as
repercussões que o estilo de vida sedentário, próprio das sociedades
modernas, e em particular dos escalões etários mais velhos, tem na saúde das
populações (Spirduso et al., 2005).
Deste modo, realça-se novamente a importância dos planos e medidas
de promoção da QV dos mais velhos. Mantê-los independentes e autônomos,
19
2.REVISÃO DA LITERATURA
numa fase da vida em que o tempo dedicado ao trabalho já passou, é
fundamental para que permaneçam em boas condições físicas e psicológicas,
condições estas, para as quais a sociedade nem sempre os prepara. Prevenir a
dependência e promover uma velhice ativa e saudável, parece ser o tema
central do debate e da discussão em torno da problemática da longevidade
conquistada. Com efeito, os idosos de hoje vivem mais tempo, mas é premente
que vivam em qualidade e integrados na sociedade e na família (Melo, 2010).
É descrito por Balbinot (2012), que o EF bem dosado e cuidadosamente
escolhido, de acordo com as especificidades e condições individuais, é a
melhor ferramenta contra o envelhecimento precose. Esta afirmativa, só vem
corroborar às várias pesquisas que têm demonstrado os efeitos positivos do EF
regular sobre a saúde física e mental (Bauer & Egeler, 1989; Acosta, 2002;
Benedetti, Borges, Petroski & Gonçalves, 2008).
Balbinot (2012), menciona, ainda, que a questão fundamental na QV do
idoso refere-se ao isolamento social, e que pesquisas realizadas com essa
população, apresentam o contato interpessoal e grupal como grande fonte de
satisfação. Dessa forma, o exercício físico torna-se grande aliado nesse
processo de criação de vínculos sociais, em razão da forma de trabalho
utilizada, tendo atualmente como proposta para esta população, atividades em
grandes grupos.
Benedetti, et al. (2008), afirmam que há uma diminuição do nível de
prática de EF regular relacionado ao aumento da idade, sendo encontrado na
literatura, um porcentual de sedentarismo de 93,5% entre idosos no âmbito do
trabalho.
Essa diminuição é decorrente de uma tendência natural da humanidade,
além de ser um fenômeno, que está intimamente ligado à motivação do sujeito
e acontece por inúmeros motivos (Balbinot, 2012).
Ao analisar o processo de direção de um motivo, Tresca e De Rose
Júnior (2000) ressaltam que a motivação é um termo com significado amplo,
que inclui necessidades, impulsos, desejos, interesses, propósitos, atitudes e
aspirações de um indivíduo. Portanto, o motivo é um fator interno, que aciona o
comportamento da pessoa em determinada situação ou circunstância.
20
2.REVISÃO DA LITERATURA
O EF nos idosos confina vários benefícios a nível físico, fisiológico,
social e psicológico e vizam fundamentalmente, dotar o idoso de um estilo de
vida mais ativo como uma QV superior. O objetivo do EF é desenvolver
estratégias que promovam a independência do idoso, na realização das suas
tarefas diárias. Não são relevantes a técnica e o perfeccionismo, mas sim, o
desenvolvimento e aperfeiçoamento do gesto utilitário, indispensável para a
realização das tarefas diárias. O EF para este escalão focaliza-se na
prevenção, manutenção e reabilitação com envolvimento lúdico (Mariz, 2010).
A prática de EF para aumento da QV, só deverá ser realizada num
enquadramento integrante do sujeito (Carvalho, 2006). Assim, um programa de
EF para o idoso deve estar perspectivado para quebrar o ciclo vicioso do
envelhecimento, incrementando a sua condição física e funcional e diminuir os
efeitos do sedentarismo (Mariz, 2010).
Nesta pespectiva, podemos descrever os seguintes benefícios do EF
(Mariz, 2010).
a)
Benefícios físicos e fisiológicos:
Aperfeiçoamento do gesto “utilitário” indispensável para a realização das
tarefas da vida diária; aumento da aptidão física através do desenvolvimento
das capacidades físicas de força, resistência, flexibilidade, coordenação e
equilíbrio; diminuição do risco de patologias mais frequentes, como as do
aparelho locomotor e cardiovascular; controle do peso, aumentando o
metabolismo e alterando o estilo de vida com a prática de hábitos saudáveis.
Ainda numa pespectiva psico-sicial, são descritos os seguintes (Geis,
2003; Spirduso et al., 2005).
a)
Benefícios psicológicos e sociais:
Ocupação dos tempos livres de forma alegre e saudável; aumento da
integração social, com convívio e inter-relação superando ou diminuindo a
solidão e o isolamento; recuperação da consciência do seu corpo e da sua
utilização com eficácia; aumento da autoimagem, autoestima e autoconceito;
diminuição dos estados de ansiedade e depressão; Aumento do bem estar
mental e emocional.
21
2.REVISÃO DA LITERATURA
Esta prática diminui significativamente os custos médicos a curto e longo
prazo, de tal modo que, a promoção do EF e AF se converteu num dos
objetivos prioritários em matéria de saúde pública (Ribeiro, 2009).
Nunca é demais salientar, que o EF deve ser realizado com cuidado e
precauções específicas à capacidade física do praticante, do mesmo modo que
as prescrições da intensidade e duração das atividades, devem ser totalmente
adequadas às limitações em termos de e saúde apresentadas pelo indivíduo,
pois somente assim, o processo de adaptação biológica poderá ser otimizado e
os benefícios proporcionados pelo EF serão adquiridos satisfatoriamente
(Texeira, 2005).
2.4.4.ENVELHECIMENTO FEMININO
Conforme Bocalini, Santos e Miranda (2007), o envelhecimento conduz a
uma perda progressiva das aptidões funcionais do organismo, situação que é
acentuada com o sedentarismo. Tais alterações acabam por limitar a
capacidade funcional da mulher idosa, em realizar suas atividades habituais do
dia a dia como limpar, cuidar da casa e de si mesma. Sendo o sedentarismo
uma das principais causas para as doenças crônicas degenerativas, como
problemas cardiovasculares, diabetes, hipertesão, osteoporose, acidente
vascular cerebral, dentros outros, a prática de EF além de combatê-los,
contribui de maneira significativa para a manutenção da aptidão física funcional
da idosa, fazendo com que ela tenha uma melhora no funcionamento geral do
seu corpo.
O ACSM registra que, para indivíduos idosos, um bom programa de
exercícios de flexibilidade, de resistência aeróbia e exercícios de força devem
ser enfatizados para a manutenção da massa muscular, isso resulta em
avanços na saúde física da mulher idosa, deixando-a mais disposta, com um
corpo mais saudável melhorando sua QV e sua autoestima (Bocalini et al.,
2007).
De acordo com Lima e Bueno (2009), o envelhecer da mulher é também
influenciado por fatores sociais. Anteriormente, envelhecer para a mulher
significava desempenhar intensamente o papel de avó, mas, atualmente para
algumas traz o desejo de realizar os sonhos e vontades postergadas. Estes
22
2.REVISÃO DA LITERATURA
autores, também afirmam que as idosas mais jovens, com idade entre 60 e 64
anos, morrem geralmente de problemas isquêmicos do coração, seguidos de
doenças cerebrovasculares, o que pode ser evitado com a prática de exercícios
físicos.
No processo de envelhecimento, a mulher passa por um período
transicional, polêmico e crítico, o climatério (do grego Klimaktér). É o período
compreendido entre a fase reprodutiva e a não-reprodutiva da vida da mulher,
que ocorre geralmente entre 37 e 65 anos, quando os ovários têm sua
produção estrogênica reduzida e insuficiente, para garantir a reprodução e a
manutenção, das características funcionais dos órgãos sexuais femininos.
Com o declínio dos níveis de estrógenos, podem ocorrer alterações físicas
hormonais, metabólicas, somáticas, psíquicas e sociais, que se manifestam ou
não, por sinais e sintomas que caracterizam a síndrome climatérica (Gonçalves
& Merighi, 2007).
A síndrome climatérica relaciona-se aos sintomas que a mulher sofre
mediante a falência do ovário, sendo caracterizada por calores intermitentes e
em ondas, chamados fogachos; irritabilidade; aumento da sensibilidade
emocional;
alterações
no
sono.
Paralelamente,
a
pele
se
torna
progressivamente ressequida e quebradiça; a vagina fica menos lubrificada e a
mulher pode vir a ficar com humor deprimido. Quando tais sintomas são
manifestados em idade inferior a 40 anos, a falência ovariana é considerada
pré madura. Quando sua manifestação se dá abaixo dos 35 anos de idade,
torna-se necessário fazer uma investigação criteriosa (Freitas & Miranda,
2006).
Na idade avançada, a mulher se sente desvalorizada, pois a juventude é
muito focada pela sociedade atual, a menopausa influencia muito nas
condições físico-psíquicas, tornando as idosas muito mais fragilizadas quanto
ao envelhecimento do seu próprio corpo. Neste caso a AF, bem como a dança,
ajuda as mulheres na superação dessas dificuldades, trazendo-as para o
envolvimento com outras pessoas da mesma idade, com as mesmas
dificuldades e experiências (Lima & Bueno, 2009).
23
2.REVISÃO DA LITERATURA
2.5.IMAGEM CORPORAL
De acordo com Paim & Kruel (2012), o corpo é compreendido de
diferentes maneiras, dependendo do campo epistemológico de investigação.
Na história, por exemplo, a época e o lugar onde os entendimentos sobre o
corpo se produzem vão delinear diferentes compreensões. Nesse caso, a
cultura demarca e distingue as diferentes concepções de corpo. O corpo em si,
como uma essência natural, não se sustenta. É a cultura e a linguagem que lhe
atribuem diferentes sentidos, pois são investigadas de um poder regulador que
localiza o corpo dentro de limitações, autorizações, obrigações e modelos. Isso
vai além da sua condição fisiológica.
Após estas abordagens, Balestra (2002), tendo como referencia Paul
Schilder que em 1935, ao publicar a Imagem do Corpo – Energias Construtivas
da Psique, demonstra uma visão avançada para aquele momento histórico.
Seu estudo sobre a imagem que cada um tem de si próprio, procura
compreender a articulação da realidade biológica, libidinal e sociológica.
Relaciona o modelo postural sem a rigidez definida pelos neurologistas, dando
à vida efetiva uma importância até então nunca vista. É possível incorporar à
nossa imagem corporal parte do corpo de outras pessoas, podendo alterar
completamente a sua percepção, copiando a “imagem dos outros”,
identificando com eles, induzindo-nos a uma atitude particular a respeito de
certas partes deste corpo.
Para Balestra (2002), imagem corporal é o retrato de nosso corpo
formado em nossa mente. Esse retrato seria elaborado através das sensações
que são dadas para nós, ou seja, da maneira que vemos o nosso corpo,
através das sensações táteis, das impressões olfativas e de dor, das
sensações térmicas, das inervações, dos músculos e das vísceras. O esquema
corporal é uma imagem tridimensional que temos de nós mesmos e incluem,
na elaboração da imagem corporal, elementos conscientes e incoscientes,
sofrendo influências dos desejos, das atitudes emocionais e das interações
com os outros e com o meio.
A imagem corporal segundo (Balestra, 2002), tendo como referencia
Paul Schilder no seu livro, Imagem do Corpo – Energias Construtivas da
24
2.REVISÃO DA LITERATURA
Psique é constituída por três estruturas que se inter-relacionam continuamente:
a fisiológica, a libidinal e a sociológica.
A
estrutura
fisiológica
seria
a
responsável
pelas
organizações
anatomofisiológicas, que dispõem o arcabouço ósseo, muscular, nervoso e
hormonal em suas inter-relações particulares a cada indivíduo. Incluem-se
nesta estrutura, as contribuições geneticamente herdadas e as modificações
sofridas pelas funções somáticas, durante fases anteriores da vida do sujeito.
A estrutura libidinal é considerada como o conjunto das experiências
emocionais, vivenciadas nos relacionamentos, desde a gestação. Aqui, o
conceito de libido refere-se à quantidade de energia investida em determinado
órgão, ou função e liga-se indiretamente com o grau de satisfação que o
indivíduo tem consigo mesmo.
E a estrutura sociológica, derivando-se parcialmente dos intercâmbios
pessoais, a imagem corporal está formada também à base da aprendizagem
dos valores culturais e sociais. Esta estrutura aborda especialmente, os
motivos pelos quais as pessoas de um grupo tendem a valorizar certas áreas
ou funções, o papel das vestes e dos adornos na comunicação social, assim
como do olhar e dos gestos.
Segundo Balestra (2002), não é só a questão patológica que tem
pertinência à imagem corporal, mas também todos os eventos da vida. A
postura corporal está diretamente relacionada à imagem corporal e, está em
constante transformação. Uma observação final é que sempre temos uma forte
tendência em observar nosso próprio corpo, tanto quanto o corpo dos outros, e
que, além de observar, existe o desejo de conhecê-lo através do tato, da
tendência dos gostarmos de sermos vistos pelas outras pessoas, confirmando
mais uma vez a imagem corporal um fenômeno social.
2.5.1.IMAGEM CORPORAL DO IDOSO
Envelhecer implica alterações físicas e psiciológicas. O aumento da
idade cronológica traz alteradções nas dimensões corporais. As variáveis
propioceptivas sofrem modificações: idosos apresentam diminuição de
sensibilidade, alteranção na coordenação motora, têm um maior tempo de
25
2.REVISÃO DA LITERATURA
resposta dos músuculos efetores, perda de equilíbrio e menor destreza nos
movimentos, (Fonseca, Gama, Thurm, Pereira, Limongelli & Miranda, 2012).
A percepção das dimensões corporais nessa idade está relacionada com
a integridade do sistema nervoso e do esquema corporal. Este é um aspecto
neurológico, que representa as relações espaciais desse indivíduo, entre as
partes do corpo percebidas cinestésica e proprioceptivamente. Caracteriza-se
por uma interação neuromotora, que permite perceber o próprio corpo no
espaço e desenvolver as ações de forma adequada (Barros, 2005; Medina &
Coslett, 2010).
O desgate natural do organismo, característico do idoso, provoca perda
na multiplicidade do sistema sensorial e altera o processo de fornecimento de
informações sobre a percepção corporal (Benvenuto, 2010). O envelhecimento
traz também impactos emocionais e uma interpretação distorcida dos
parâmetros corporais (Guerra & Caldas, 2010).
O insucesso na tentativa de reverter as mudanças característica do
envelhecimento, a não aceitação do processo de declínio e a exigência social
por um ideal físico difícil de ser alcançado, geram insatisfação com a
aparência. Assim, estudar formas de minimizar a intensidade das alterações
fisiológicas e o desenvolvimento de mecanismos, que melhorem a satisfação e
adaptação do idoso a sua condição e a criação de estratégias que promovam
qualidade no envelhecimento é imprescindível (Varejão, Dantas & Matsudo,
2007; Matsudo & Matsudo, 2000).
Alguns estudos que relacionam, a satisfação corporal com a idade feitos
por Halliwell e Dittmar (2003) entrevistando 42 mulheres e homens (22 – 62
anos), com o objetivo de compreender a relação que tinham com seus corpos,
principalmente quanto às atitudes frente às mudanças com o envelhecimento.
Os resultados revelaram que os homens tendem a focalizar a funcionalidade e
as mulheres a aparência. Estes achados podem auxiliar na compreensão da
insatisfação com o corpo, nas mulheres durante a velhice, visto que, estas
encaram o envelhecimento negativamente devido o seu impacto na aparência.
Além disso, a imagem corporal possui uma característica dinâmica e
mutável, pois retrata o corpo, uma entidade em constantes transformações,
26
2.REVISÃO DA LITERATURA
podendo ser reconstruída a partir de novas sensações que se somam às
antigas. O que pode acontecer é que no decorrer dessas fases de mudanças,
se o indivíduo idoso sofrer influência, seja de doenças e declínios físicos
comuns da velhice, seja pelos estereótipos sociais, a sua imagem corporal
altera-se durante a reconstrução (Balestra, 2002; Monteiro, 2003; Tavares,
2003).
Um outro fator que pode exercer nessa reconstrução é a mídia. Estudos,
como o de Bedford e Johnson (2006) e Forman e Davis (2005), demonstraram
forte relação entre a mídia e a insatisfação com a imagem que se tem do corpo.
A imagem corporal é a maneira pela qual o corpo se apresenta para
cada um, sendo, portanto, a representação mental que possuímos do nosso
corpo. A percepção que temos do nosso corpo é influenciada pelos conceitos e
valores da sociedade, e estrutura-se também através do contato social. Apesar
de construirmos essa imagem, a partir de sensações, somos influenciados pelo
que a sociedade pensa e idealiza sobre o nosso corpo (Matsudo et al., 2007).
Com o envelhecimento, diversas modificações ocorrem no organismo,
tanto no aspecto fisiológico, quanto no psicológico e social, que variam de
indivíduo para indivíduo, podendo afetar, entre outros, a autoimagem dos
idosos. Nesse sentido, Balestra (2002), mostra que as pessoas, por motivos
diversos, não conseguem conviver com essas mudanças, não se adaptando a
elas, acabam limitando suas possibilidades de comunicação e expressão na
tentativa de uma melhor convivência social e/ou familiar, o que pode levar a
algum tipo de alteração na forma como veem e sentem o seu corpo, ou seja, na
sua imagem corporal.
Complementando, Chaim, Izzo e Serra (2009), apontam que muitos
idosos rejeitam o próprio envelhecimento em virtude da imagem que fazem de
si mesmos, desenvolvendo sentimentos de autodesvalorização e de baixa
autoestima.
Balestra (2002), relaciona a AF às melhoras na percepção da imagem
corporal em idosos, identificando-a como uma importante aliada para melhor
compreensão por parte dos idosos sobre suas individualidades fisiológicas,
psicológicas e sociais. Federici (2004), em um estudo similar verificou além de
27
2.REVISÃO DA LITERATURA
uma melhor percepção do envelhecimento, modificações positivas na imagem
corporal de idosos após frequentarem um programa de AF.
2.6.AUTOESTIMA
Nos últimos anos, o domínio da autoestima tem sido objeto de variados
estudos, devido à sua influência determinante no desenvolvimento psicológico
do indivíduo.
Rosenberg (1979), refere-se à autoestima como sendo a avaliação que o
indivíduo faz a respeito do seu próprio valor. Para ele, a autoestima divide-se
em três componentes: o “Eu existente”, que é a forma como cada pessoa se
visualiza a si própria; o “Eu desejado”, que é a maneira como a pessoa gostaria
de ser; e o “Eu revelado”, que corresponde à maneira como o indivíduo se
tenta mostrar ou dar a conhecer aos outros. Em 1986, o autor refere duas
formas de interpretação da autoestima: a maneira como as pessoas se vêem
quando olham para si próprias e a maneira como se descrevem nas suas
várias dimensões.
Carvalho e Forti (2008), referem-se à autoestima como o respeito e a
apreciação que os indivíduos fazem deles mesmos, ou com a dimensão dos
sentimentos positivos acerca deles próprios. A autoestima é claramente um
constructo multidimensional, dado que inclui a visão que os indivíduos fazem
deles mesmos em todas as dimensões da sua vida, sejam elas psicológica,
social, fisiológica ou física.
Vieira (2010), entende que a autoestima é um processo de decisão em
que o indivíduo avalia as suas realizações, capacidades e atributos, de acordo
com os valores e padrões pessoais, expressando-se em atitudes de aprovação
ou desaprovação em relação a si próprio. Nesta perspectiva, os indivíduos não
valorizam as suas ações ou atributos todos da mesma maneira, focando a sua
atenção nos dominios onde têm aspirações de ser bem sucedidos. Assim,
parece-nos que a autoestima depende da valorização que cada um faz das
suas competências. Um indivíduo terá uma autoestima elevada se for bem
sucedido nos domínios onde tem aspirações. Se o sujeito não for bem
sucedido onde queria ser competente, surgirão consequências negativas,
levando-o a uma autoestima baixa.
28
2.REVISÃO DA LITERATURA
A autoestima sofre também influencia das informações que se obtêm de
experiências atuais, comparações com um modelo, persuasão verbal dos
outros e pelo seu próprio estado psicológico. Portanto, o indivíduo que se sente
com capacidades e encare com naturalidade as mudanças que vão ocorrendo
na vida, poderá manter os seus níveis de autoestima, independentemente da
idade e das alterações fisiológicas (Freitas, 2008).
Freitas (2008), cita que Abrantes, em pesquisa realizada no ano de
1998, investigou a variabilidade da satisfação com a imagem corporal e
expressão da autoestima em adultos entre os 45 e os 65 anos de idade e
observou, entre outros resultados, que apenas no sexo feminino a prática de
AF surgiu associada à satisfação com a imagem corporal. De resto, não foi
observada qualquer associação entre a prática de AF e a autoestima global.
Estudos, do mesmo pesquisador, em 1998 documentaram a manutenção, ou
aumento dos níveis de autoestima na entrada da idade adulta. No entanto,
outras pesquisas revelaram uma associação negativa entre autoestima e idade,
com perda de noção do valor de si próprio, pelo surgimento de mudanças
importantes na vida (e.g., Shieman & Campbell, 2001).
2.6.1.AUTOESTIMA DO IDOSO
A Gerontologia entende que o envelhecimento não significa uma
decadência, e sim uma seqüência da vida, com suas peculiaridades e
características. Ora, sabemos que a fonte da juventude é uma utopia e,
certamente, as pessoas que perseguem tal ideal sofrem de muitas angústias,
pois se recusam a encarar a realidade – afinal, ninguém é tão velho que não
acredite poder viver ao menos mais algum tempo. Deve-se pensar, portanto,
em envelhecer com qualidade, evitando, assim, as contínuas mortes de direitos
e deveres do cotidiano. E, principalmente, o olhar do outro que aponta nosso
envelhecimento. É comum reconhecermos o envelhecimento, pois ele se
anuncia em termos de estética (Almeida & Lourenço, 2007)
Nesse contexto, permeado pela ênfase contemporânea na beleza,
juventude e produtividade, na qual o significado social de “ser velho” assume
estereótipos negativos, há uma tendência de negar essa fase da vida, como se
ela não correspondesse a uma fase do desenvolvimento humano. Com isto,
29
2.REVISÃO DA LITERATURA
muitas vezes, os próprios idosos não se reconhecem como tal e falam da
categoria “velho” como se não fizessem parte da mesma (Almeida & Cunha,
2003; Jones, 2006; Schneider et al., 2008).
Com o avançar da idade, o processo de envelhecimento passa a ser
mais acelerado, provocando alterações nas funções fisiológicas, psicológicas e
sociais, modificando assim o comportamento em ritmo de vida, que pode
comprometer a saúde, o bem estar emocional e social, e ainda possíveis
alterações na autoestima do idoso (Cheik et al., 2003; Brandão & Brandão
2006; Papaléo & Netto, 2006).
Para Mazo, Cardoso & Aguiar (2006) e Luz & Amatyzzu (2008), a
autoestima em idosos, está relacionada a alguns aspectos do seu cotidiano
(como o convívio social e familiar, morbidade, problemas de saúde física ou
mental), e que segundo Rabelo e Neri (2005), estes eventos da vida podem ser
estressantes por causarem no indivíduo fortes ajustamentos, impactando sobre
a sua saúde e bem estar.
A autoestima, considerada como um aspecto central da saúde e do bem
estar psicológico, interfere no comportamento dos idosos em relação à saúde
(Krug, Marchesan, Conceição, Mazo, Antunes, & Romitti, 2011). A idéia de uma
saúde positiva está associada a um grau de percepção que o idoso tem da sua
condição física, sendo que a ausência de doença não é garantia de uma boa
saúde (Mazo, 2008).
Alguns autores (Hasse, 2000; Safons, 2000; Matsudo, 2002; Benedetti et
al., 2003; Mazo et al., 2006), relacionam os benefícios sociais, psicológicos e
físicos da AF para os indivíduos idosos, que resultam numa melhor autoestima.
Mosquera e Stobäus (2006), descrevem que o ser humano é
dependente do seu corpo, de suas habilidades e capacidades, as quais devem
estar em harmonia com relação ao eu. Assim, a AF constitui-se como uma
forma de envelhecer saudável e ativa para os idosos, afim de que possam ter
autonomia, independência, condições de saúde positivas, com gradativa
melhora da autoestima e autoimagem.
30
3.METODOLOGIA
3
METODOLOGIA
PERCEPÇÃO DA IMAGEM CORPORAL DE IDOSAS PRATICANTES
DE HIDROGINÁSTICA
Um estudo com idosas de uma academia da zona norte da cidade do Rio de Janeiro
31
3.METODOLOGIA
3.METODOLOGIA
3.1.CARACTERIZAÇÃO DO ESTUDO
Este estudo se caracterizou como uma pesquisa tipo descritivo de dados
qualitativos, geralmente denominada análise de conteúdo, que segundo Minayo
(2001, p.14), a pesquisa qualitativa, “trabalha com o universo de significados,
motivos, aspirações, crenças, valores e atitudes, o que corresponde a um
espaço mais profundo das relações, dos processos e nos fenômenos que não
podem ser reduzidos à operacionalização de variáveis”.
Este método procura se afastar da ilusão da transparência dos fatos
sociais, pretende compreender para além dos significados imediatos. De forma
geral, esta técnica permite a ultrapassagem da incerteza (rigor) e o
enriquecimento da leitura, mediante uma leitura atenta, que possibilite o
esclarecimento de elementos de significações susceptíveis de conduzir a uma
descrição de mecanismos de que, a priori, não detínhamos a compreensão
(Bardin, 2010).
3.2.CARACTERIZAÇÃO DA AMOSTRA
Cabe, em primeiro lugar, resgatar de Gaskell (2002), a noção de que:
[...] não existe um método para selecinar os entrevistados das investigações
qualitativas. Aqui, devido ao fato de o número de entrevistados ser
necessariamente pequeno, o pesquisador deve usar sua imaginação social
científica para montar a seleção dos respondentes. [...] sejam quais forem os
critérios para seleção dos entrevistados, os procedimentos e as escolhas
devem ser detalhados e justificados [...] (Gaskell, 2002, p.70).
Neste estudo, a amostra foi composta de 23 idosas selecionadas
aleatoriamente, com idades entre 60 anos a 91 anos, sendo um grupo,
praticantes de hidroginástica, tendo como média de idade 68,6 anos.
Para fazer parte da amostra deste estudo, as idosas tiveram que atender
a alguns critérios de inclusão: a) ser voluntária; b) ter idade igual ou superior a
60 anos; c) ter uma frequência assídua nas aulas de hidroginástica; d) praticar
hidroginástica a pelo menos seis meses e como critério de exclusão foram
32
3.METODOLOGIA
adotados: a) retirar o seu consentimento em qualquer fase da pesquisa; b) não
assinatura do termo de consentimento livre esclarecido; c) pessoas com
deficiências visual e auditiva. Além disso, todas foram instruídas sobre o
procedimento e objetivos do estudo, e em seguida assinaram um Termo de
Consentimento Livre Esclarecido (Anexo - 1) para sua participação, conforme
modelo aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal
do Rio de Janeiro (UFRJ) [ Anexo - 2].
3.3.DELINEAMENTO DA PESQUISA
No delineamento metodológico, participaram idosas praticantes de
hidroginástica, matriculadas em uma academia de ginática da zona Norte da
cidade do Rio de Janeiro, há mais de seis meses, com três sessões de aulas
semanais, com duração de 50 minutos.
As aulas eram ministradas sempre pela manhã, em uma piscina térmica
medindo 16,0m x 8,0m, com barras de apoio ao redor das paredes das bordas
e tendo como acesso escadas postadas na parede, água bem tratada, com
variação da temperatura entre 27°C e 29°C e profundidade crescente entre
1,10m e 1,20m (sem declínios bruscos).
As aulas eram musicalizadas e envolviam basicamente atividades
aeróbicas, localizadas, alongamentos, relaxamentos, atividades lúdicas entre
outras sem e com uso de aparelhos como bolas e pesos de plásticos,
pranchas, espaguetes, halter, caneleiras, flutuadores.
A escolha do número de entrevistadas não obedeceu a nenhum critério
específico. A nossa única preocupação foi a de realizar um número de
entrevistas que fosse minimamente representativo para a nossa pesquisa.
Resta-nos ainda referir que a escolha da academia foi, também, aleatória. A
única obrigatoriedade que impusemos prendeu-se ao fato dela oferecer a
atividade física alvo do nosso estudo, dentro da faixa etária por nós préestabelecida e estar situada na zona Norte da cidade do Rio de Janeiro.
33
3.METODOLOGIA
3.4.INSTRUMENTO E MATERIAIS DE RECOLHA DE DADOS
Embasando-se no tipo de informações que pretendíamos obter no
âmbito deste estudo, tivemos como instrumento mais adequado a entrevista
individual, cujo principal objetivo é a obtenção de informações do entrevistado,
acerca de determinado problema ou assunto. “O processo de condução da
investigação qualitativa reflete uma espécie de diálogo entre os investigadores
e os respectivos sujeitos, dados estes não serem abordados de forma neutra”
(Bogdan & Biklen, 2010, p.51). Para a recolha das informações foram
utilizados: um gravador da marca Olympus modelo Digital Voice Recorder VN120 PC no que permite maior qualidade das falas das entrevistadas, bloco de
papel, prancheta, caneta e Laptop com o programa Windows 7 ano 2010.
Neste sentido, foi aplicada a entrevista semi-estruturada, através de um roteiro
de questões pré-elaboradas (anexo - 2), permitindo adaptações, que
possibilitam riqueza de informações referentes ao estudo.
3.5.FASES DE PESQUISA
3.5.1.CONTATO INICIAL
O contato inicial é muito importante, exigindo da pesquisadora muita
segurança para poder obter os objetivos alcançados. Desde modo, inicialmente
foi estabelecido contato com o coordenador da academia, mediante carta de
apresentação, com a finalidade de explicar o objetivo do estudo e solicitar
autorização para aplicação da entrevista. Em um segundo momento, foi
realizado novo contato e apresentação a professora e estagiárias envolvidas.
Feito isto, dando continuidade ao processo, fizemos contatos com as idosas
que praticavam hidroginástica, explicando os objetivos do estudo e convidandoas a participarem voluntariamente como colaboradoras.
3.5.2.ESTUDO PRELIMINAR
A etapa inicial com o campo de pesquisa é sempre muito importante,
necessitando a pesquisadora ter muita habilidade, para que esta tenha sucesso
na investigação, atingindo o seu objetivo.
34
3.METODOLOGIA
Para Marconi e Lakatos (2007), depois de redigido o roteiro de
entrevista, este precisa ser ensaiado antes da sua utilização definitiva,
aplicando-se alguns exemplares numa pequena população escolhida, não
participantes do estudo.
Desta maneira, o estudo preliminar teve como objetivo, fazer com que a
pesquisadora se familiarizasse, com os procedimentos e instrumentos de
coleta de dados previstos para o estudo. Como afirma Bogdan e Biklen (2010),
a realização do estudo preliminar é indispensável, antes de se iniciar em
definitivo a coleta das informações, por ser fundamental o treinamento do
entrevistador, garantindo que, por meio da estratégia adotada, possa coletar as
informações que permitirão esclarecer o problema.
Pode-se reformular ou ampliar algumas questões e procedimentos dos
instrumentos de coleta de dados, e para isso, é importante que se realize o
estudo com pessoas e locais, que tenham as mesmas características
semelhantes daquelas do público alvo. Os resultados deste estudo permitem
ao investigador fazer os ajustes necessários, para garantir um melhor
aproveitamento e o sucesso da pesquisa. O local da entrevista é de suma
importância, pois poderá alterar a qualidade das informações recebidas
(Bogdan & Biklen, 2010).
Conhecendo-se a necessidade do estudo preliminar, foi realizado com
três idosas que participam de aula de hidroginástica na academia no horário da
tarde. As entrevistas foram previamente agendadas e aplicadas em uma sala
localizada na academia, na medida do possível silenciosa, agradável e
manteve a privacidade da entrevistada evitando interferências externas. Após a
leitura do Termo de Consentimento e Esclarecidos, os objetivos do estudo, foi
solicitada a assinatura das colaboradoras, dando início às entrevistas com a
utilização de um gravador.
3.5.3.PARECER DO ESTUDO PRELIMINAR
A partir do estudo preliminar, foi possível analisar as questões referentes
à aplicação da entrevista, não sendo necessárias modificações e adequações,
visto que se teve um bom aproveitamento e familiarização com os
procedimentos de coleta de dados.
35
3.METODOLOGIA
3.5.4.ESTUDO PRINCIPAL
O estudo principal foi desenvolvido conforme o previsto no estudo
preliminar, com mais 23 idosas que praticam aula de hidroginástica a mais de
seis meses.
3.6.TAREFAS, PROCEDIMENTOS E PROTOCOLOS
As entrevistas foram realizadas, pela autora deste projeto, através de
abordagem direta com as voluntárias na própria academia, após obtenção do
consentimento das mesmas, antes e após as aulas de hidroginástica no
período compreendido entre 03 a 12 de dezembro de 2012, no período de
06:30 às 11:30 horas, de segunda a sábado. Foi garantido o anonimato de
todas as participantes, a confidencialidade dos dados e, previamente foi pedida
autorização as colaboradoras para que as entrevistas pudessem ser gravadas
em áudio.
A entrevista foi semi–estruturada, a partir de um roteiro, por ser a mais
utilizada em pesquisa social (Quivy & Campenhoudt, 2005). Neste tipo de
entrevista o discurso do entrevistador não é linear e nem todas as intervenções
do entrevistador serão previstas com antecedência. Foram colocadas
perguntas guia e não se fazendo necessário, seguir a ordem das mesmas no
desenvolvimento do processo. (Quivy & Campenhoudt, 2005; Léssard-Hébert
et. al., 2005).
As entrevistas foram gravadas, pois como sugerem Quivy e
Campenhoudt (2005), a gravação para posterior transcrição parece ser uma
ajuda eficaz. Após a transcrição integral, as entrevistas foram analisadas. Vale
ressaltar que, relativamente aos relatos recolhidos houve a preocupação de
efetuarmos uma transcrição o mais fiel possível.
Entretanto, em se tratando de entrevistas individuais, a presença de um
gravador constituiu, por vezes, um fator de inibição para algumas das
entrevistadas. Neste caso, vimo-nos de certa forma, a ser um pouco mais
incitadoras da resposta que acabava por surgir mais entrecortada.
Tentamos, na medida do possível, incutir um ambiente informal,
iniciando o diálogo com assuntos que em nada se relacionavam com o estudo
36
3.METODOLOGIA
objetivando ganhar a confiança da entrevistada, pois de acordo com Bogdam e
Briklen (2010), é importante a relação existente entre entrevistado e o
“entrevistador”, no sentido de que tudo possa correr com fluência e sem
qualquer tipo de retrações.
Numa primeira abordagem, tivemos a preocupação e o cuidado de
colocar em prática alguns procedimentos para que tudo fluisse com a maior
clareza possível. Então, num primeiro momento, pusemos a entrevistada a par
do nosso estudo e dos objetivos da sua realização. Num segundo momento,
como era a nossa intenção gravar as entrevistas, pedimos autorização para tal
fato, salvaguardando desde logo que seríamos as únicas a ter acesso às
gravações, bem como a transcrição das entrevistas seriam documentos
anônimos.
Portanto,
a
confidencialidade
dos
dados
recolhidos
foi
salvaguardada.
O tempo de duração foi muito variável de acordo com o tempo que cada
idosa levava para se expressar e para expor suas idéias, pensamentos e
opiniões a respeito das questões levantadas.
No nosso estudo, as entrevistas foram aplicadas após marcação prévia
com as idosas, algumas com a presença de suas acompanhantes e foram,
como já referido, gravadas com o consentimento das entrevistadas, transcritas
e digitadas. A sua transcrição tentou obedecer o máximo possível ao discurso
oral e à gramática própria, constituindo-se dessa forma o corpus do nosso
trabalho.
3.6.1.ÉTICA NA PESQUISA
O presente trabalho atendeu às normas para a realização de pesquisa
em seres humanos, resolução 196/96, do Conselho Nacional de Saúde de
10/10/1996 (Brasil, 1996), foi submetido e aprovado pelo Comitê de Ética de
Pesquisa do Hospital Universitário da Universidade Federal do Rio de Janeiro
com o número 07142312.2.0000.5257, parecer número 151.483 ( Anexo - 2).
Foi solicitada uma autorização à academia de hidroginástica, através de
um termo de consentimento da ação envolvida na pesquisa, assim como a
todas as voluntárias participantes da mesma.
37
3.METODOLOGIA
Todos os objetivos e procedimentos do trabalho foram explicados às
alunas individualmente que participariam de forma anônima e voluntária da
pesquisa. No presente trabalho consta o Termo de Consentimento Livre e
Esclarecido, conforme Resolução nº 196 de 10 de outubro de 1996, do
Conselho Nacional de Saúde – CNS. Todas as participantes do estudo
assinaram o Termo de Participação Consentida contendo: objetivo do estudo,
procedimentos de avaliação, possíveis consequências, procedimentos de
emergência, caráter de voluntariedade da participação do sujeito e isenção de
responsabilidade por parte do avaliador, e por parte da Instituição que abrigará
o tratamento experimental (Anexo - 3). Além disso, foi também elaborado um
Termo de Informação à Instituição na qual se realizou a pesquisa, com os
mesmos ítens do termo de participação consentida (Anexo – 4).
3.6.2.LIMITAÇÕES DO ESTUDO
As entrevistas, tal como todas as técnicas de recolha de dados, também
possuem suas desvantagens. Das limitações destacamos: tempo despendido
nas entrevistas; por receio de a identidade ser revelada a entrevistada retem
dados importantes; dificuldade de expressão e comunicação de ambas as
partes.
3.7.DESCRIÇÃO DA TÉCNICA DE ANÁLISE DE DADOS
As informações recolhidas através de documentos (são disso exemplo
as entrevistas) constituem-se como “fatos sociais” e não como simples textos,
uma vez que se trata de representações, pelo que são complexas (Denzin &
Lincoln, 2000). Porém, apesar da sua complexidade, através do discurso das
entrevistadas, é possível inferir fatos, sendo necessário para tal, utilizar uma
técnica de análise apropriada. Neste caso, a análise de conteúdo servirá para
esse propósito.
As razões que levaram à escolha desta técnica, para a concretização do
nosso estudo prendem-se ao fato de facilitar as pesquisas em matéria do forum
empírico, tendo como grande vantagem a de trabalhar em entrevistas abertas,
em mensagens dos vários órgãos de comunicação escrita e verbal e ainda
efetuar inferências, sobre as fontes e o material objeto de análise (Correia,
38
3.METODOLOGIA
2006). Ainda de acordo com o mesmo autor, a finalidade da análise de
conteúdo será efetuar elos de ligação, numa lógica explicitada, entre as
mensagens cujas características foram inventariadas e sistematizadas. É,
portanto, uma técnica de tratamento de informação e não um método.
Como define Bardin (2010, p. 38), é um conjunto de técnicas de
investigação que, através de uma descrição objetiva, sistemática e quantitativa
do conteúdo manifesto das comunicações, tem por finalidade a interpretação
destas mesmas comunicações.
Para atingir mais precisamente os significados manifestos e latentes
trazidos pelos sujeitos será utilizada a análise de conteúdo temática, pois
segundo Minayo (2007), esta é a forma que melhor atende à investigação
qualitativa do material referente à saúde, uma vez que a noção de tema referese a uma afirmação a respeito de determinado assunto.
Segundo Bardin (2010), tema é a unidade de significação que
naturalmente emerge de um texto analisado, respeitando os critérios relativos à
teoria que serve de guia para esta leitura.
Sendo assim a análise de conteúdo temática consiste em descobrir os
núcleos de sentido que compõem uma comunicação cuja presença ou
frequência signifiquem alguma coisa para o objetivo analítico visado (Bardin
2010; Minayo, 2007).
Este método procura se afastar da ilusão da transparência dos fatos
sociais, pretende compreender para além dos significados imediatos. De forma
geral, esta técnica permite a ultrapassagem da incerteza (rigor) e o
enriquecimento da leitura, mediante uma leitura atenta, que possibilite o
esclarecimento de elementos de significações susceptíveis de conduzir a uma
descrição de mecanismos de que, a priori, não detínhamos a compreensão
(Bardin, 2010).
Esta pesquisa tomou por base três pólos cronológicos indicados no
estudo de Bardin (2010): (1) pré-análise; (2) exploração do material; (3)
tratamento dos resultados, a inferência e a interpretação.
39
3.METODOLOGIA
3.7.1.A PRÉ-ANÁLISE
É a fase de organização que tem por objetivo operacionalizar e
sistematizar as idéias iniciais de maneira a conduzir a um esquema preciso de
desenvolvimento da pesquisa (Bardin, 2010, p.121). Retomam-se as hipóteses
e os objetivos iniciais da pesquisa, reformulando-os frente ao material coletado,
e na elaboração de indicadores que orientem a interpretação final (Minayo,
2007). Esta fase se é composta de três etapas (Bardin, 2010; Minayo, 2007):
leitura flutuante, constituição do corpus e reformulação de hipóteses e
objetivos.
c Leitura flutuante: consiste em tomar contato exaustivo como o
material para conhecer seu conteúdo (Minayo, 2007). O termo flutuante é uma
analogia a atitude do psicanalista, pois pouco a pouco a leitura se torna mais
precisa, em função de hipóteses, e das teorias que sustentam o material.
(Bardin, 2010).
c Constituição do corpus: organização do material de forma que se
possa responder a algumas normas de validade: exaustividade (todos os
aspectos do roteiro devem ser contemplados, deve se esgotar a totalidade do
texto); representatividade (que represente de forma fidedigna o universo
estudado); homogeneidade (deve obedecer com precisão aos temas) e
pertinência (os conteúdos devem ser adequados aos objetivos do trabalho
(Bardin, 2010; Minayo, 2007).
c Reformulação de hipóteses e objetivos: determinam-se a unidade de
registro (palavra ou frase), a unidade de contexto (a delimitação do contexto de
compreensão da unidade de registro), os recortes, a forma de categorização, a
modalidade de codificação e os conceitos teóricos mais gerais que orientarão a
análise (Minayo, 2007).
3.7.2.EXPLORAÇÃO DO MATERIAL
Esta é a etapa mais longa e cansativa. É a realização das decisões
tomadas na pré-análise. É o momento da codificação – em que os dados
brutos são transformados de forma organizada e agregadas em unidades, as
40
3.METODOLOGIA
quais permitem uma descrição das características pertinentes do conteúdo
(Bardin, 2010, pp. 121-122).
Esta fase consistiu essencialmente de operações de codificação e
categorizarão, em função das regras previamente formuladas, na pré-análise.
Correspondeu a uma transformação efetuada segundo regras precisas dos
dados brutos do texto, transformação esta que, por recorte, agregação e
enumeração, permitiu atingir uma representação do conteúdo, ou da sua
expressão, susceptível de esclarecer o analista acerca das características do
texto, que podem servir de índices (Bardin, 2010).
Esse processo visa transformar os dados brutos do texto e deverá
identificar as “unidades de registro” que são as unidades de base necessárias à
categorização. As categorias a serem estabelecidas são como “pequenas
gavetas”, permitindo melhor classificação, com base, obviamente, em critérios
para a obtenção daquilo que se procura. Portanto, a análise categorial vai
considerar o texto como um todo, apontando a freqüência ou ausência dos
termos de sentido. O critério de categorização utilizado neste trabalho é o
baseado na regra de recorte. No processo de codificação, quando houver
qualquer ambigüidade ou dúvidas em relação às “unidades de registro”,
recorre-se às “unidades de contexto” para fornecer maior clareza em relação
ao significado ou contexto dessas unidades, podendo acarretar modificações
expressivas nos resultados obtidos (Bardin, 2010).
3.7.3.TRATAMENTO
DOS
RESULTADOS,
A
INFERÊNCIA
E
INTERPRETAÇÃO
Os resultados brutos, ou seja, as categorias que serão utilizadas como
unidades de análise são submetidas a operações estatísticas simples ou
complexas dependendo do caso, de maneira que permitam ressaltar as
informações obtidas. Após isto são feitas inferências e as interpretações
previstas no quadro teórico e/ou sugerindo outras possibilidades teóricas
(Bardin, 2010; Minayo, 2007).
Se a descrição (a enumeração das características do texto, resumida
após tratamento) é a primeira etapa necessária e se a interpretação (a
significação concedida a estas características) é a última fase, a inferência é o
41
3.METODOLOGIA
procedimento intermediário, que vem permitir a passagem, explícita e
controlada, de uma à outra (Bardin, 2010).
Servindo-se da análise de conteúdo, o estudo posiciona-se numa
abordagem exploratória, isto é, sem ter como guia um corpo de hipóteses,
segue um percurso de descoberta ao longo do corpus, deixando que os
documentos falem por si. Na função de comprovação parte-se de um corpo de
hipóteses que servem de diretrizes e faz apelo aos procedimentos de análise
para verificar, no sentido de uma confirmação ou não (Bardin, 2010).
Na próxima parte, descreveremos como foram escolhidos e estruturados
os indicadores, as unidades de registro e, por fim, as categorias de análise
deste estudo.
3.8.A CODIFICAÇÃO
A codificação é o processo através do qual os dados brutos são
sistematicamente transformados em categorias e que permitem posteriormente
a discussão precisa das características pertinentes do conteúdo.
3.8.1.UNIDADE DE REGISTRO
A Unidade de Registro, é a unidade de significação a codificar e
corresponde ao segmento de conteúdo a considerar como unidade de base,
visando a categorização e a contagem frequencial. A unidade de registro pode
ser de natureza e dimensões variáveis. Por exemplo: a nível lingüístico,
podemos considerar como unidade de registro a “palavra” ou a “frase”; a nível
semântico, o tema é a unidade de registro mais largamente utilizada.
A unidade de registro que selecionamos para a análise é o tema, uma
vez que este, é geralmente utilizado para estudar dentre outras coisas,
atitudes, valores e tendências. Através da análise temática, podemos descobrir
fragmentos de texto portadores de significação, podendo estes ser uma frase,
um resumo, uma afirmação.
42
3.METODOLOGIA
3.8.2.UNIDADE DE CONTEXTO
A Unidade de Contexto é a unidade de compreensão para codificar a
unidade de registro e corresponde ao segmento da mensagem, cujas
dimensões - superiores às da unidade de registro, são as melhores para que se
possa compreender a significação exata da unidade de registro. Por exemplo:
pode ser a frase para a palavra e o parágrafo para o tema. Desta forma,
optamos por utilizar como unidade de contexto os documentos completos que
queríamos analisar.
3.8.3.DEFININDO AS CATEGORIAS
As categorias geram classes que reúnem um grupo de elementos da
unidade de registro. As classes são batizadas a partir da correspondência entre
a significação, a lógica do senso comum e a orientação teórica do pesquisador.
A categorização compreende duas etapas. O inventário, onde se
procede o isolamento dos elementos que têm significação e a classificação,
que consiste em repartir os elementos e, portanto, impor uma certa
organização à mensagem. Faz-se necessário assinalar, que o procedimento de
repartição se pode ser feito através de dois processos inversos:
a) o sistema de categorias é determinado a priori e em seguida,
repartem-se da melhor forma possível os elementos de significação à medida
que vão sendo encontrados no corpus;
b) o sistema de categorias não é fornecido, resultando antes, da
classificação progressiva e analógica dos elementos de significação. O título
conceptual de cada categoria só é definido no final deste procedimento. Neste
caso, o sistema é definido a posteriori.
No nosso estudo, a categorização é feita a priori, sugeridas pelo
referencial teórico e de acordo com os objetivos que sustentam este estudo,
criamos um conjunto de categorias correspondentes a concepções particulares
e tentamos detectar a sua presença nos documentos a analisar. Ao longo deste
processo, respeitamos com o maior rigor possível os princípios que presidem à
construção de um conjunto de categorias, a saber:
43
3.METODOLOGIA
a) Exclusão mútua: cada elemento não pode existir em mais de uma
categoria.
b) Homogeneidade: o princípio anterior depende deste; numa mesma
categoria só se pode funcionar com um registro e com uma dimensão de
análise.
c) Pertinência: uma categoria é pertinente quando está adaptada ao
material de análise escolhido, e quando pertence ao quadro teórico definido.
d) Objetividade e fidelidade: as variáveis tratadas devem estar
claramente definidas, assim como devem ser definidos os índices que
determinam a entrada de um elemento numa categoria.
e) Produtividade: um conjunto de categorias é produtivo se fornece
resultados férteis e índices de inferências e em dados exatos (Bardin, 2010).
O sistema de categorias que definimos e nos serviram de base para a
análise é o que se segue:
Categoria A - Corpo Funcional: é um corpo autônomo e independente
(Gomes, Rocha, & Carvalho 2010).
Categoria B - Corpo Pessoal: corpo pensado e vivido em proveito de
interesses pessoais, onde a AF privilegia a relação do indivíduo com ele
próprio.
Categoria C - Corpo Saúde: o corpo num contexto de bem estar e QV.
Categoria D - Corpo Social: o corpo associado aos valores da sociedade
atual. Relação com os outros e com o seu próprio corpo.
Categoria E – Corpo Estético: o corpo associado à questão da estética
que na sociedade contemporânea é por demais valorizado, independentemente
da faixa etária.
Dentro de cada categoria definimos subcategorias, que no conjunto
definem o quadro de valores, atitudes e comportamentos que caracterizam
cada concepção de corpo (Quadro n° 1).
44
3.METODOLOGIA
Quadro 2 – Sistema categorial
CATEGORIAS
A
SUB-CATEGORIAS
R Aumento de independência e
autonomia
Corpo Funcional
R Aumento da autoconfiança
B
Corpo Pessoal
R Sentir-se bem
R Satisfação / Gosto
R Melhoria da aparência física
C
Corpo Saúde
R Melhoria do condicionamento físico
R Redução das limitações
R Qualidade de vida
D
R Relação social
Corpo Social
R Aderência / Inferência familiar
E
Corpo Estético
R Ideal estético
R Preocupação com a imagem corporal
R Satisfação com a imagem corporal
45
4.APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
4
APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
PERCEPÇÃO DA IMAGEM CORPORAL DE IDOSAS PRATICANTES
DE HIDROGINÁSTICA
Um estudo com idosas de uma academia da zona norte da cidade do Rio de Janeiro
46
4.APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
4.APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
Como
sugere
a
própria
denominação
deste
capítulo,
iremos
fazer
simultaneamente a apresentação e a discussão das falas das entrevistadas,
organizando-as pelas categorias anteriormente apresentadas. Salientamos aqui o
fato de ao longo da análise dos textos termos encontrado alguns aspectos que nos
pareceram relevantes e pertinentes para o estudo dado serem altamente valorizados
pelas entrevistadas.
É ainda, o nosso pressuposto, a par da apresentação dos resultados, sua
discussão e interpretação, fundamentar sempre que nos for possível, os textos com
leitura relativa a cada ponto abordado. Com isto, pretendemos promover uma ponte
entre o que as idosas dizem, a nossa análise e o que a literatura refere relativamente
a cada um dos assuntos a tratar.
Desta maneira, não nos esquecendo que estaremos analisando discursos,
iremos apresentar e refletir sobre o que o material recolhido e estudado nos
apresentou.
Ao aproximarmo-nos das praticantes de hidroginástica para compreender o
que fazem, como fazem e como justificam aquilo que fazem, a tentativa foi a de
identificar o significado das práticas que realizam na academia. Para isso, foram
necessárias, durante as entrevistas, não somente observações e anotações, mas um
esforço intelectual para interpretar o que fazem e dizem. Essa interpretação foi feita
procurando identificar o não dito.
Partindo da elucidação dos grupos categoriais que serviram como norte para
guiar nossas discussões, entendemos que no discurso das participantes tais
categorias estão extremamente relacionadas como elementos diferenciáveis de uma
mesma experiência. Em alguns momentos, esse tipo de classificação facilitou a
discussão; já em outros, dificultou nossa busca por uma compreensão global dos
significados da hidroginástica para as praticantes que respeitasse a interdependência
entre os grupos categoriais e o contexto das falas.
Foi possível perceber que havia uma posição ou valor diferenciado que era
atribuído a cada categoria, relacionado talvez às experiências anteriores dos sujeitos
da pesquisa, tempo de prática e idade.
Antes de passarmos para a discussão dos resultados da pesquisa, pensamos
que seja importante problematizar mesmo que de forma sintética alguns dados ou
47
4.APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
características importantes que nos chamaram atenção e que talvez possam nos
fornecer indicadores sobre o grupo pesquisado.
No Quadro - 3, podemos observar o número de mulheres inscritas na
Academia que serviu de fonte de pesquisa, bem como o número total de idosas, de
idosas praticantes de hidroginástica e o número total de idosas entrevistadas.
Quadro 3 – Clientes inscritas na Academia Alvo
Academia Alvo
Número Total
Mulheres
672
Idosas
76 (100%)
Idosas na Hidroginástica
41 (54%)
Idosas Entrevistadas
23 (30%)
Ao analisarmos estes dados, aos quais tivemos livre acesso,
observamos que do número total de mulheres frequentadoras da academia, 76
são idosas. Deste total de idosas, verificamos que 54% pratica hidroginástica e
pudemos entrevistar 30% deste percentual, ou seja, de 41 praticantes de
hidroginástica, 23 foram entrevistadas pela pesquisadora.
48
4.APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
Tabela 1 – Atividades Físicas e Tempo de Prática
Cliente Idade Tempo de Hidro (anos) Atividade 1 68 Caminhada 2 75 Nenhuma 3 70 Nenhuma 4 68 Nenhuma Musculação/Ginástica 6 73 Musculação/Ginástica 7 60 Nenhuma 8 64 Caminhada Nenhuma 3 65 11 61 12 71 Nenhuma 9 Natação 20 Caminhada 4 64 Caminhada 14 70 15 68 16 79 Caminhada 1 3 Yoga / Caminhada 10 Hidroginástica 15 17 84 Nenhuma 18 68 Raramente / Caminhada 19 62 Caminhada 20 60 62 4 13 65 4 mais de 20 10 23 5 91 22 7 9 65 1 60 15 10 13 4 Caminhada / Pilates Não sabe Caminhada 3 Nenhuma Natação/Hidroginástica 10 5 21 2,5 22 Um outro dado muito curioso que pudemos observar (Tabela 1), foi o
fato de ao iniciarmos as entrevistas, algumas praticantes de hidroginástica
afirmaram não praticar nenhuma AF antes de iniciarem a hidroginástica. Ao
longo da entrevista, diziam que somente faziam caminhada e os trabalhos
domésticos, o que nos remete ao fato de as mesmas não considerarem a
“caminhada” e as AF domésticas, tais como: subir e descer escadas, varrer e
limpar a casa, como uma AF.
“Não. Só caminhava”. [Ent. 19]
“Atividade física não … eu sou dona de casa, aquele serviço sobe
escada,
desce
escada,
limpa
pia,
limpa
ali,
né?…hummmmm, lava roupa, passa roupa”. [Ent. 2]
49
passa
pano,
4.APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
“Não… só caminhava, assim uma vez ou outra”. [Ent. 18]
A AF é definida como qualquer movimento corporal produzido pela
contração do músculo esquelético, aumentando consideravelmente o gasto
energético. A AF dos tempos livres abrange as atividades correspondentes,
baseadas nos interesses e necessidades pessoais. Podem incluir programas
formais de exercício e também o caminhar, jardinar, fazer desportos, dança,
etc.. O EF é uma subcategoria da AF que é planejada, estruturada e na qual
são efetuados movimentos corporais com o intuito de melhorar ou manter uma
ou mais componentes da aptidão física (Howley, 2001).
No discurso das entrevistadas supracitado, podemos percerber a falta de
esclarecimento quanto ao que é considerado AF e EF.
“Sim, a rata ioga que não deixa de ser uma atividade física, né?
Corpo e mente, né? E … e o resto é só caminhadas, caminhadas …
livres, né?” [Ent. 14]
Isto nos remete a pensar no desconhecimento das idosas no que é
preconizado por Silva et al. (2011), quando ponderam que qualquer forma de
EF proporciona benefícios psicológicos, de autoestima e de melhoria do
relacionamento social, pois em geral, as pessoas que praticam AF tendem a
ser menos deprimidas do que as que não praticam.
Passaremos a seguir a apresentar o que o material estudado nos
revelou, e com ele tentar refletir, não perdendo jamais de vista que nós
estamos centrando-nos apenas ao nível do discurso, com todas as implicações
que anteriormente apontamos para o significado dos discursos.
4.1.CATEGORIA A – CORPO FUNCIONAL
Para Paula (2010), a capacidade funcional está relacionada com a
medida do grau de preservação da capacidade do indivíduo para realizar as
AVDs e do grau de capacidade para desempenhar as AIVDs.
As alterações que advêm do processo de envelhecimento são em
grande número, o qual evidencia: antropométricas, músculo esquelético,
neuromuscular, cardiovasculares, cardiorespiratórias, neurológicas, capacidade
motoras, força muscular, além da diminuição da agilidade, coordenação,
50
4.APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
equilíbrio, flexibilidade, mobilidade articular com aumento da rigidez de
cartilagens, tendões e ligamentos.
Enfatizando que essas mudanças,
associadas ao baixo nível de AF, propiciam a diminuição da capacidade
funcional do idoso (Souza, 2010). Essas premissas são observadas nos relatos
a seguir.
“Cada dia mais... lentozinho, né?... as perninhas já tão querendo... eu
tô querendo ir prá frente, elas tão querendo ir prá trás, mas eu vou
andando.” [Ent. 17]
“Eu
pretendo
melhorar
essas...
esses
problemas
de
joelho
(apontando para os joelhos), a minha.... performance prá caminhar,
melhorar que gostaria muito tá caminhando, num tô por causa do
joelho, aí eu tô procurando vê se com a ginástica... a hidroginástica
se isso... vai... me levar mais adiante. É... me levar um pouco mais
adiante, eu adoro caminhar também... só num tô caminhando
porque... porque.... eu tô sentindo um pouco quando posso caminhar,
entendeu?” [Ent. 05]
“Isto que tô te dizendo: “melhorar sempre o corpo no caso me abaixar
e levantar” que eu tava tendo dificuldade, né? E a própria idade vai
mostrando. Eu me abaixava com facilidade, eu dobrava as pernas
ultimamente eu não tava praticando... vou ter que fazer... e os
próprios médicos aconselha, né?” [Ent. 16]
4.1.1.AUMENTANDO A INDEPENDÊNCIA E AUTONOMIA
É sabido que por definição, independência é estado ou condição de
quem ou do que é independente, de quem ou do que tem liberdade ou
autonomia, e autonomia, é definido como sendo liberdade ou independência
moral ou intelectual; independência administrativa (Ferreira, 2004).
Partindo-se destes conceitos, podemos basearnos no que é defendido
pelo
Professor
Doutor
médico
Alexandre
Kalache,
um
dos
maiores
especialistas do mundo em envelhecimento, quando afirmou recentemente
(abril de 2012), em uma entrevista à rádio CBN - SP, deixando claro que o
maior investimento que se pode fazer para viver bem, após os 50 anos é no
binômio “independência e autonomia”. Para ele, a independência está ligada à
liberdade de movimentos, enquanto a autonomia nos permite viver de acordo
51
4.APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
com as próprias regras. Isto posto, entendemos que as subcategorias
independência e autonomia teriam que estar diretamante ligadas uma à outra.
Manter os idosos independentes e autônomos, numa fase da vida em
que o tempo dedicado ao trabalho já passou, é fundamental para que
permaneçam
em
boas
condições
físicas
e
psicológicas.
Prevenir
a
dependência e promover uma velhice ativa e saudável é “o preço” da
longevidade conquistada. Com efeito, os idosos de hoje vivem mais tempo,
mas é premente que vivam em qualidade e integrados na sociedade e na
família (Melo, 2010).
Dentro deste contexto, podemos verificar inúmeros relatos das
entrevistadas:
“Claro... me deixa mais flexível para poder andar, fazer as minhas
coisas em casa, eu faço tudo, né?” [Ent. 02]
“Principalmente... eu já comentei na... nas articulações do joelho,
porque eu tinha muita dificuldade para subir escada me cansava
muito... com hidroginástica eu não tenho mais este problemas de
escadas... realmente foi benéfico pra ele (massageando o joelho)...”
[Ent.03]
Uma pesquisa feita pelo Centro Nacional para Estatística e Saúde
(CNES) estimou que aproximadamente 84% das pessoas com idade acima de
65 anos, de uma maneira ou de outra, dependem de outras pessoas para
executar suas tarefas básicas do dia a dia. No entanto Marangoni (2009)
verificou que com a prática da hidroginástica, essa percentagem de idosos
dependentes é consideravelmente reduzida, por possibiltar melhorias das
capacidades físicas o que proporciona uma vida mais independente assim
como propicia uma melhora mental, pois, além de ser uma atividade a princípio
de fácil execução, implica em uma grande integração entre os participantes.
Isto pode ser percebido nos discursos das entrevistadas.
“você ficar uma pessoa… um idoso mais saudável... ah... com menos
dores muscularesmais flexível, mais comunicativa (movimentando as
mãos), não a parte da forma física como também a forma...
psicológica, também eu acho hidroginástica favorece também esse...
entrosamento entre as pessoas... então favorece também o lado
comunicativo, lado psicológico do ser humano.” [Ent. 23]
52
4.APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
“é... ter condições física, né? prá fazer... pra mim... tá... independente
dos outros, né?” [Ent. 5]
A participação nas aulas de hidroginástica trouxe mudanças na
percepção do corpo destas mulheres e consequentemente melhoria das
condições de saúde. Elas percebem agora, um corpo menos cansado, mais
ativo, confiante e saudável.
“Maior flexibilidade... é... fortalecimento muscular, né... para evitar de
dá mais trabalho no futuro (risos) e... dá... bom exercício né... prá não
perder... o... pique”. [Ent.14]
“Necessidade de movimento... de... melhoria de condições de saúde,
depois de uma determinada idade começa-se a ficar mais... cansada
precisar mesmo de exercícios… [Ent. 3]
“Eu achei que eu melhorei das... das minhas dores... fico assim mais
ativa... eu quando eu falto eu fi... fico aguniada”. … [Ent. 19]
É de senso comum em qualquer sociedade que a partir do momento em
que um indivíduo, e aqui também inclui-se o idoso, venha depender de
parentes e/ou outrem, essa dependência sempre gera desconforto tanto para
quem provê como para quem necessita de auxílio. Este fato fica claro nas
declarações de algumas entrevistadas.
“... dependendo de outras pessoas prá andar, dependendo de uma
bengala, dependendo de cadeira de roda, né? Então... a gente tem
que, né? Prevenir isto antes, né? Se for do destino tudo bem, né? Se
não for a gente vai contribuindo prá ocupar menos o outro.” [Ent. 14]
“Aí, depois saí por causa que meu marido teve AVC (semblante triste)
aí fiquei tomando conta do meu marido...” [Ent. 02]
O ser humano é dependente do seu corpo, de suas habilidades e
capacidades, as quais devem estar em harmonia com relação ao eu. Assim, a
AF constitui-se como uma forma de envelhecer saudável e ativa para os
idosos, objetivando o alcance de autonomia, independência e condições de
saúde positivas. Embasando – se na visão de Mosqueira e Stobäus (2011), no
acima exposto, o relato das entrevistadas só vem ratificar o que preconiza os
autores.
“Essa semana eu só porque já fiz melhora aqui assim... mais assídua
eu já senti que minhas pernas (mostrando as pernas) tão mexendo
53
4.APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
mais, tão melhor, não tão tão duras... eu até prá cai... a calcinha cai
no chuveiro eu tinha que.... ter dificuldade de apanhar, agora não, eu
tô outra vez com minha desenvoltura”. [Ent. 16]
“É isso que eu acho, manter o corpo para se poder... prá mim me
abaixar, levantar sem dificuldade”. [Ent. 16]
O discurso das entrevistadas remete-nos Benedetti et al. (2003), que
afirmam que AF, para além de precaver a dependência é também um ótimo
estímulo para o bem estar das idosas, o que consequentemente, vai implicar
numa melhora da autonomia e da independência.
4.1.2.AUMENTO DA AUTOCONFIANÇA
O sentimento de autoconfiança está associado aos comportamentos
bem sucedidos. O exercício aquático em sua abordagem grupal pode ser
considerado como uma inovadora e eficaz intervenção, promotora de um
envelhecimento saudável, ao possibilitar aos idosos as melhoras funcionais,
associadas às melhoras da autoestima e da autoconfiança, permitindo-os
desempenhar suas funções cotidianas de forma independente, dentro do seu
círculo sócio-econômico, acrescentando à velhice qualidade e significado
(Camurça et al., 2010).
Pudemos constatar o que nos dizem os autores quando vemos as
afirmações feitas pelas entrevistadas, após um período da prática da
hidroginástica quando declinam que:
“... no princípio tinha que ficar pertinho da barra porque não tinha
equilíbrio... fiquei seis meses de cama, né, mas depois eu comecei a
andar melhor, aí a hidroginástica me ajudou bastante”. [Ent. 2]
“ … é a minha condição física, quer dizer, eu poder abaixar, poder ter
flexibilidade de … te… de fazer uma atividade, poder … ter força pra
segurar uma criança no colo (movimentando as mãos) uma coisa
nesse nível …” [Ent. 23]
Outro ponto que merece relevância, e que nos chamou a atenção,
aborda a incontinência urinária. A incontinência urinária não está relacionada
somente a comprometimentos físicos; também pode gerar consequências que
atingem uma ampla esfera envolvendo aspectos psicossociais, deteriorando
significativamente a qualidade de vida, limitando sua autonomia e reduzindo
54
4.APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
sua autoestima. Fazem parte do quadro clínico alterações como vergonha,
depressão, isolamento, ansiedade, estresse emocional, insatisfação sexual,
constrangimento social, baixo desempenho profissional e perda da autoestima.
Os efeitos psicossociais podem ser mais devastadores que as consequências
sobre a saúde física, podendo afetar atividades diárias, a interação social e a
autopercepção do estado de saúde (Melo, Freitas, Oliveira e Menezes, 2012).
Embora o assunto tenha sido citado por uma única entrevistada quando afirma
que:
“… e outra coisa que melhorei muito na hidroginástica é num... tinha
um pouco assim... de sorria perdia um pouco de urina. E a hidro
depois que comecei fazendo um ano nunca mais eu tive isso.” [Ent.
01]
“É, tinha um pouco de perda de urina quando eu foorçava, mas não
era para eu fazer períneo que o médico não a senhora não é o caso
de fazer períneo.
Resolveu com a hidroginástica.” [Ent. 01]
A capacidade funcional apresenta - se associada com a medição do
grau de preservação da possibilidade do indivíduo, poder realizar AVDs e do
grau de capacidade, para executar as atividades instrumentais da vida diária
(AIVDs). As AVDs são as que se referem ao autocuidado, ou seja, permitem ao
idoso cuidar-se e responder por si só no espaço limitado de seu lar,
envolvendo, (e.g., alimentar-se, ter continência urinária, movimentar-se, tomar
banho, vestir-se, usar o banheiro, andar pela casa, subir e descer escadas e
cortar as unhas). Já as AIVDs estão relacionadas a funções mais complexas
que permitem a vida independente na comunidade, incluindo, (e.g., fazer
compras, cozinhar, arrumar a casa, telefonar, utilizar o transporte, lavar roupa,
tomar remédios e ter habilidade para lidar com as próprias finanças). O
discurso das entrevistadas só vem corroborar as afirmações de (Aykawa & Neri
2008; Duarte et. al., 2007).
“Eu acho que dá muita disposidade, muita disposição, trás mais
alegria, mais ... é assim, eu acho que se ficar parada começa a ficar
entendiada não sei se porque eu eu tenho um temperamento
55
4.APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
muito... porque eu estou com sessenta e oito anos, né? Então... às
vezes as pessoas como com essa idade, pô, mas eu adoro a fazer as
coisas eu tenho muita energia, eu acho (enfatizou).” [Ent. 01]
“poder andar com mais desenvoltura, por fazer as coisas melhor, isto
preocupa” [Ent. 03]
De um modo geral, os discursos em relação ao Corpo Funcional (mais
agilidade, melhor mobilidade e flexibilidade, menos fadiga e dores) e o
consequente aumento para as realizações das AVDs, evidenciam o quanto a
melhoria na habilidade motora faz a idosa sentir-se independente e capaz.
Portanto, verificamos agora, percepções de um corpo que consegue manter a
capacidade de “ser e fazer”, um corpo que ainda garante seu lugar social, um
corpo, sobretudo “Funcional”.
4.2.CATEGORIA B – CORPO PESSOAL
Na sociedade ocidental contemporânea o sentido da visão é previlegiado
relativamente a todos os outros (Lacerda & Queirós, 2004), portanto cada vez
mais as pessoas sentem – se “obrigadas” a cuidar do corpo, já que a aparência
física depende da representação do corpo, ou seja, por meio do corpo
acontece a exposição visual.
4.2.1.SENTIR-SE BEM
O corpo aparece como objeto, mero produto, distanciando o indivíduo do
seu eu corporal, e o que notamos é que a percepção que se tem do corpo
atualmente está ligada a um extenso acervo de imagens visuais (Ferreira,
2006). Sentir-se bem não é um estado a que se chegue naturalmente ou em
um passo de mágica. As pessoas que conseguem isso com freqüência
costumam dedicar parte da sua energia para construir esse estado positivo. A
autoestima, considerada como um aspecto central da saúde e do bem estar
psicológico, interfere no comportamento dos idosos em relação à saúde (Krug
et al., 2011). É o que destacam as entrevistadas nos seus discursos.
“… a gente sente... falta da aula, do... do... movimento, e do
companheirismo também, o corpo pede e... e... é muito, muito alegre
a aula, né? bem divertido, então nos temos dois... dois... dois...
56
4.APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
benefícios, além do benefício físico, o benefício emocional também ”
[Ent. 11]
“Eu percebo que meu corpo responde bem ao exercício... que ele
gosta que eu faço exercício, porque a minha mente sente quando eu
não faço exercício, então ele responde bem.” [Ent. 11]
“Enquanto puder... eu vou vir. Porque eu me sinto bem”. [Ent.03]
“Como... Com muito bem estar”. [Ent. 06]
“… porque a hidroginástica a gente já fica não... não... não é prá
emagrecer, não é prá engorda é prá movimentar mesmo, então, eu
me sinto bem...” [Ent. 03]
Cunha, Ribeiro e Oliveira (2008), relatam que alguns efeitos da beta
endorfina, um hormônio peptídeo opióide endógeno secretado pela glândula
hipófise anterior, são muito importantes para o treinamento, como analgesia,
maior tolerância ao lactato ou ao excesso de bases, promovem a diminuição da
percepção do esforço, diminuição do desconforto muscular e respiratório e, o
mais importante deles, euforia do exercício. Interessantemente, diversos
estudos têm demonstrado que os níveis de beta endorfina aumentam durante o
exercício, aeróbio. Segundo (Silva et al., 2011), de maneira geral, a prática de
EF melhora o humor devido à liberação do hormônio endorfina, que causa
sensação de bem-estar e relaxamento. É o que podemos confirmar conforme
os relatos das entrevistadas.
“Porque... o... a fase pior quando a gente tá parando de fumar é de
manhã e a gente precisa do exercício físico, principalmente aeróbico,
porque ele libera... endofina? Endofina? Pois é, a gente precisa
liberar endofina prá suprir a falta do cigarro...” e a hidro é legal,...”
[Ent. 20].
“… é essa aqui faz bem prá saúde... e que põe com autoestima,
porque você... fazendo academia você já se sente bem... quando a
pessoa se sente bem dá vontade de conversar, de falar, de fazer as
coisas, não tá prá baixo” [Ent. 2]
“Ah, mudou porque eu sinto mais assim... mais disposta... é... eu me
sinto melhor... é... na parte assim... mais feliz até... que adrenalina é
muito grande quando a gente faz uma atividade física, então você...
faz com que você retorne... a fazer sempre...tá sempre ali, entendeu?
57
4.APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
Nessa atividade... e... e... é muito bom, eu sinto assim muito bem
estar fazendo”. [Ent. 21]
Marconcin (2009) acredita que as melhorias nas condições físicas dos
indivíduos idosos acarreta um impacto na percepção subjetiva da saúde e
influência positivamente no bem estar e na QV. Na esfera psicológica, os
indícios indicam aumento da autoestima e do bem estar em indivíduos que se
exercitam regularmente (Piraí, 2007). Outrossim, a prática de exercícios pode
melhorar o humor, a ansiedade, a depressão e a resistência a doenças, além
de evitar e/ou diminuir o estresse (Krug et al., 2011). Neto e Castro (2012)
realizaram um estudo comparativo com idosos ativos e sedentários, para
investigar a prática de atividade física com a independência funcional e QV.
Em relação à QV os dados obtidos, apresentaram melhor QV e independência
funcional entre os que participavam de atividades regularmente.
4.2.2.SATISFAÇÃO/ GOSTO
Ao considerar as experiências corporais vividas pelas idosas na
hidroginástica, é necessário destacar também os efeitos sobre o bem estar
psicológico. Acreditamos que a AF proporcionou significações de bem estar
com o corpo que gerou a percepção de um bem estar com a “mente”, como foi
assim mencionado por elas:
“Corpo e mente, né?”
“É... esse exercício, né? Prá mim é... ele envolve corpo e mente, né?
Porque tem outro grupo que... que a gente trabalha muito com a
mente, entendeu? Então, é o exercício e essa disciplina.” [Ent. 14]
“Mas eu troquei com Deus o joelho pela cabeça, então minha cabeça
tá boa e meu joelho tá ruim, num foi uma boa troca?” [Ent. 17]
“Ai, a gente vem o mundo que tá aí, seja jovem, seja velho, seja
adulto, tem muita gente aporrinhada, né? É, psicologicamente, né?
Então, eu acho que tem... que aproveitar academia que a maior parte
de gente jovem que quer vir prá cultuar o físico, e tal, né?” [Ent. 14]
Como vimos anteriormente, para Lima e Bueno (2009), na idade
avançada, a mulher se sente desvalorizada, isto porque vivemos em uma
sociedade onde a juventude é o centro das atenções e valorizações enquanto
beleza. Assim sendo, o fato da menopausa influenciar muito nas condições
58
4.APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
físico-psíquicas,
torna
as
idosas
muito
mais
fragilizadas
quanto
ao
envelhecimento do seu próprio corpo. Neste caso a AF, ajuda as mulheres na
superação dessas dificuldades, trazendo-as para o envolvimento com pessoas
da mesma faixa etária e possuidoras das mesmas dificuldades e experiências.
A hidroginástica por ser considerada uma atividade de baixo impacto, e que
sustenta o peso corporal podendo ser feita em diferentes intensidades é com
certeza uma AF ideal para este grupo dessa faixa etária, tornando-se dessa
forma, em significativos efeitos benéficos para a saúde, pois abrange grandes
grupos musculares. Esta atividade contribui ainda de forma efetiva para
aumentar o contato social, principalmente com grupos em risco de isolamento,
depressão e demência. Com esta visão, e de acordo com recente metanálise
realizada por Arent, Landers e Etnier (2000), o EF está associado diretamente
com uma melhora significante do humor em pessoas idosas, sendo que os
efeitos têm sido encontrados com qualquer tipo de AF, mas em específico no
que tange ao treinamento de força muscular, realizado em intensidades de leve
à moderada. Da mesma forma, a melhora do condicionamento aeróbico parece
estar associada em indivíduos que envelhecem com melhor função
neurocognitiva (Matsudo, Matsudo & Neto, 2001). Podemos verificar nas falas
das entrevistadas o que é preconizado por estes autores.
“Obviamente está aí colocado à faixa etária, né? Eu sinto que estou
bem... entendeu? Me sinto com força, me sinto disposta…
“Gosto e me sinto muito bem... me arrumar... para ir a academia... já
começa aí todo o processo de satisfação, me sinto bem.” [Ent. 13]
“Não... não... simplesmente pró meu prazer...” [Ent. 03]
“… e a hidroginástica é muito prazeroso aí então eu fico muito
motivada a fazer. Entendeu. (Suspirou profundamente)” [Ent. 01]
“Religiosamente eu chego aqui seis e meia da manhã mas acordo, ah
vou pra hidro toda satisfeita. Eu gosto. (ar de satisfeita)” [Ent. 01]
“... e quando eu levanto, às vezes eu fico com preguiça de levantar...
aí tenho assim... preguiça... é preguiça porque depois que eu venho
eu adoro, adoro!” [Ent. 09 – 91 anos]
59
4.APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
4.2.3.MELHORIA DA APARÊNCIA FÍSICA
Esteves (2005) diz que na sociedade contemporânea o corpo tem um
enfoque por demais valorizado e tem tido, por conseguinte, um investimento
exarcebado no que se refere ao seu aspecto, sua forma e a capacidade de
renovação constante, influenciada de forma constante pela mídia. O objetivo da
sociedade atual é o ideal de um corpo completamente firme, musculoso com
percentual próximo de zero de gordura corporal, jovem, belo, protegido dos
sinais do tempo e totalmente subjulgados aos regimes alimentares, pelo EF e
pela cirurgia estética (Novaes, 2001).
O corpo tem como seu maior inimigo o próprio corpo, quando o seu
estado defronta – se com a flacidez, a gordura o enrugamento da pele e o
envelhecimento. Isto é constatado pelas falas das entrevistadas quando
afirmam:
“Envelhecendo mesmo, envelhecido (risos). Já tô sentindo... a... a
mudança da idade, né? Desde os cinquenta e poucos anos já notei
muita diferença.” [Ent. 19]
“Sinto o peso da idade já, né? Partindo de uma condição que você
era mais jovem e... que você conseguia fazer as coisas com mais
facilidade atualmente algumas coisas você já não tem aquela
facilidade prá fazer...” [Ent. 23]
“Bom, por exemplo, agora que eu estou saindo da hidroginástica mais
bonitinho, mais leve, aí depois ele vai os músculos vai acomodar, né?
E aí a pessoa se sente mais cansada, mais pesada, mas na hora que
sai da hidro... parece que você tá leve, leve (sorriso)” [Ent. 02]
“(Pensativa) Mais assim... melhorou no aspecto assim... físico um
pouco.
No momento estou numa fase boa. Tô sentindo bem.” [Ent. 21]
“ Tenho bem estar físico, acho que é... no final é o estético. É me ver
bem... caminhando mais firme... acho que tem a ver com a estética
também, minhas pernas ficam mais firmes, meus braços... mais
firmes, isso tem a ver também no final.” [Ent. 11]
É notório que nessa faixa étária, o pensar feminino em relação ao corpo,
demonstra certa insatisfação visto que as limitações começam a manisfestar-se
de maneira clara e evidente. Como nos diz Le Breton (2011, p. 11), faz-se
60
4.APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
necessário “dar atenção redrobrada ao corpo lá onde ele se separa dos outros
e do mundo”. É deveras importante para as pessoas idosas cuidar do corpo em
todas as suas dimensões para torná-lo não um lugar de exclusão, mas o da
inclusão na sociedade. O fato de manterem a prática da AF – hidroginástica, de
certo modo proporciona um sentimento de sentir-se com as suas melhorias na
aparência física. Isto posto, é de vital importância a relevância de achar
atividades, que arrebatam os idosos do seu isolamento e os estimulem a
contactar o mundo exterior, convivendo com outras pessoas e descobrindo
novos papéis na sociedade. Entre outras, a AF e especialmente os programas
de EF, representam aqui um papel de destaque (Souza, 2010).
4.3.CATEGORIA C – CORPO SAÚDE
Em 1946, a OMS define saúde como “o completo bem-estar físico,
mental e social e não somente a ausência de doenças ou agravos”.
Entendemos que o EF contribui positivamente na condição de saúde e para as
percepções de bem estar dos idosos.
4.3.1.MELHORIA DO CONDICIONAMENTO FÍSICA
O EF para os idosos implica em vários benefícios a nível físico,
fisiológico, social e psicológico, objetivando criar métodos que tem como meta
principal promover a independência dessa população, na realização das suas
tarefas diárias e cotidianas. Evidentemente, não são relevantes a técnica e o
perfeccionismo, mas sim, o desenvolvimento e aperfeiçoamento do gesto
utilitário, impressindíveis para a realização das necessidades básicas do dia a
dia. O EF para os idosos focaliza-se ainda, na prevenção, manutenção e
reabilitação com envolvimento lúdico. Assim, um programa de EF para esta
faixa etária deve estar direcionado para a quebra do ciclo vicioso do
envelhecimento, ampliando a sua condição física e funcional e diminuir os
efeitos do sedentarismo muito típico nessa fase da vida (Mariz, 2010).
“Como tô dizendo agora, um pouquinho melhor porque comecei a
fazer exercícios eu estava me sentindo muito dura”. [Ent. 16].
“ eu acho que é melhorar sua autoestima, melhorar... o teu
condicionamento... você como está... no caso terceira idade, não é?
61
4.APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
Ver a parte de muscu... do músculo, trabalhar o músculo, fazer
musculação, tudo que ajude para você não ter quedas...né? [Ent. 13]
“… eu sempre pratiquei academia só que não era dentro d´água.
Ginástica (gesticulando com os braços e fazendo sinal de positivo
com a cabeça) musculação, andar de bicicleta... Sempre. Quando
chegar na minha idade... (sorrindo) e como (sorrindo) e com essa
força... né?” [Ent. 06]
“Olha, o que muda na gente é o condicionamento físico... é...
disposição, pro idoso ele tem que fazer alguma atividade.
A hidroginástica é o ideal.” [Ent. 08]
“Condicionamento físico e melhoria da minha qualidade de... corpore
em função da lesão que eu tenho de coluna.” [Ent. 10]
Baseando-nos em Bento (1995), o corpo, formado como instrumento e
ferramenta do cotidiano, com treino e disciplina, à luz dos mais variados e
distintos objetivos, culturalmente estabelecidos, configura a função seletiva que
é chamado a assumir e que lhe é atestado pelos seus “construtores”. Assim
sendo, o corpo vive uma dialética de constância e mutabilidade imposta pela
mutabilidade e diversidade dos seus construtores e dos respectivos interesses,
culturas e necessidades, manifestando-se numa variedade de corpos:
funcionais, estéticos, operados, controlados, desfeitos e porque não torturados.
O corpo idoso é sujeito a sacrifícios e sofrimentos para atingir centésimo e/ou
centímetro que possa vir fazer a grande diferença.
Reportando-nos, mais uma vez à Mosquera e Stobäus (2006) quando
descrevem que o ser humano é dependente do seu corpo, de suas habilidades
e capacidades, as quais devem estar em harmonia com relação ao eu. Desta
forma, a AF torna-se imprescindível para um envelhecimento saudável.
No entanto, algumas pesquisas revelam uma associação negativa entre
a autoestima e a idade, onde surge uma perda de noção do valor de si próprio
em função do surgimento de mudanças importantes na vida (Shieman &
Campbell, 2001).
“... então já fica mais difícil, mas você tenta vencer aquele… aquele
obstáculo, então você já se sente assim uma pessoa mais fraca no
sentido de não conseguir fazer principalmente na parte de força, né?
a força e da flexibilidade eu acho que são as duas... áreas que eu
62
4.APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
sinto mais assim... eu sinto assim uma... uma deficiência maior.” [Ent.
23]
“Eu acho que toda pessoa... que acima dos quarenta, cinquenta anos
tem que procurar uma atividade física é isso que eu di... gostaria de
dizer porque... a pessoa com a idade... ela vai tendo limitações e
quanto mais ela tiver preparada fisicamente melhor... entendeu?”
[Ent. 20]
Ué! Isso... que eu te falei eu preciso de... de... eu tô nesse processo
que eu te falei e outra porque com a idade a gente precisa...
movimentar o corpo senão vai ficar arrastando chinelo (risos), né?
Sempre ter... (risos) quanto mais saudável a gente ficar mais velho...
melhor, mas a gente fica... ativo... entendeu? [Ent. 20]
“A importância da hidroginástica no condicionamento físico não só
estético como melhoria da... da flexibilidade (mexeu os dedos da
mão), das articulações é... alguns movimentos que ela dá prá cintura.
Hoje eu cheguei: [“Rose, eu não quero nem mexer na água”.] Os dois
joelhos doendo, então você sai mais disposta prá encarar o dia,
entendeu?” [Ent. 08]
Está aqui implícito a questão de ter um corpo idoso, ou seja, as
transformações que acontecem ao mesmo induzidas pelo envelhecimento, as
quais são inevitáveis e que podem ser retardadas e/ou controladas pela AF
(Spirduso et al., 2005). Ter um corpo que precisa de cuidados específicos, no
caso prática de EF constante, regular, bem dosado e cuidadosamente
escolhido, torna-se a melhor ferramenta contra as limitações advindas da
velhice.
4.3.2.REDUÇÃO DAS LIMITAÇÕES
Sabemos que é de aceitação unanime nos meios científicos a ideia de
que a AF regular é de suma importancia para a manutenção da saúde e da QV
das pessoas idosas, e para isto, há dados abundantes sobre sua eficácia tanto
na melhoria da funcionalidade física quanto na redução no risco de
desenvolvimento e/ou agravamento de diversas patologias frequentes na
velhice (Costa, 2010).
Outro fato observado durante a velhice e já citado anteriormente é o que
tange ao declínio das capacidades fisiológicas e motoras. Os indivíduos que se
63
4.APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
encontram nessa fase já não possuem as mesmas habilidades da vida adulta e
acabam por adquirir certas ou muitas limitações, o que vem a tornar-se um
impedimento na realização de alguns EF (Gondim et al., 2011).
A prática da AF hidroginástica vem proporcionar um aumento da
amplitude e da mobilidade articular, permitindo dessa forma a execução de
determinados movimentos, que a princípio eram difíceis de serem realizados
fora da água (Texeira et al., 2007).
“Eu fiz uma cirurgia no joelho (pondo a mão no joelho) a cinco anos
atrás, atroplastia total... e não pude mais caminhar, aí a única coisa
que
eu
posso
fazer
é
a
hidroginástica... e... pouquíssimos
movimentos mais. A hidroginástica é o ideal”. [Ent. 8]
“... nas articulações do joelho, porque eu tinha muita dificuldade para
subir escada me cansava muito... com hidroginástica eu não tenho
mais este problemas de escadas... realmente foi benéfico pra ele
(massageando o joelho)...” [Ent. 3]
“ Então, né?... isso incomoda, mas, fora isso, depois que eu faço aula
eu saio andando melhor, viu?” [Ent. 03]
“Ah! Eu acho que a hidroginástica é tudo de bom para o idoso, foi a
melhor coisa que se inventou... foi a hidroginástica... fiquei boa dos
tendões... a hidroginástica”. [Ent. 18]
“Com certeza, é... por exemplo, quando eu comecei a estar com dor
no ombro (coloca a mão no ombro), aí ao longo... das... dos dias que
venho fazendo está dor sumiu... eu tava com dor no joelho esquerdo
(segurando o joelho) agora tá no direito (sorri), mas do esquerdo
sumiu, mas não é nada que não dê para eu fazer que eu sofra na
hora do exercício, não, e... meu condicionamento físico dá prá
perceber que... melhor bem... minha disposição...” [Ent. 05]
“(risos) eu achei que ... eu andava... eu andava de ônibus eu fazia
tudo, hoje já não faço mais nada disso, porque agora eu tô quero
tratar um táxi prá mim trazer pelo menos até aqui, a vinda... porque a
ida, eu já fiz ginástica tô com... o corpo tá mais... desenvolvido prá
mim andar...” [Ent. 09 – 91 anos]
“É... a dificuldade de andar, de fazer as coisas com os braços
(movimentos com os braços e abrir e fechar das mãos) tudo isso...
tudo isso né, eu entrei na hidroginástica...” [Ent. 2]
64
4.APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
“É... é você num conseguir andar fazer as suas coisas sem... sem
muitas dores...” [Ent. 19]
Pudemos mais uma vez, baseados nos relatos das entrevistadas,
ratificar o que nos dizem Paula e Maffia (2010) e Mota (2009), quando afirmam
que a procura pela AF hidroginástica tem crescido muito na última década
entre a população idosa. Isto se deve ao fato dessa prática trazer grandes
vantagens para essa classe social, entre elas podemos citar a segurança aos
praticantes pois dentro da água, o peso corporal diminue fazendo com que
algumas regiões do corpo fiquem ou tornem-se menos vulneráveis, como
ossos, músculos e as articulações que ficam livres de impactos, podendo
movimentar-se com mais amplitude.
“A hérnia de disco a gente deve evitar o impacto no peso do corpo
com o solo dentro d´água então favorece... a... que não haja esse
impacto, né? E não sobrecarregando a coluna”. [Ent. 23]
“Bem, eu tenho problema de obesidade mórbida, já pesei até cento e
sessenta e sete quilos e procurei ajuda de um endocrinologista que
me encaminhou fazer... hidroginástica...” [Ent. 22]
“É devido a minha obesidade eu não poder fazer exercícios... com
muito impactos, aí, eu escolhi a hidroginástica”. [Ent. 5]
“Eu já faço hidroginástica, fiz aqui mesmo há quinze anos atrás...
porque o médico por causa de ossos, essas né?” [Ent. 16]
“É... a hidroginástica faz parte do... programa de minha reabilitação
que eu já operei coluna.” [Ent. 10]
4.3.3.QUALIDADE DE VIDA
Baseando-nos em Rikli e Jones (2008) que afirmam que “a maioria das
pessoas concorda que a QV na idade avançada depende em grande parte de
uma condição de saúde que lhes permita fazer as coisas que desejam, sem dor
e durante o máximo de tempo possível”, e em Neto e Castro ( 2012) quando da
realização de um estudo, entre idosos ativos e sedentários, com o objetivo de
comparar a independência funcional e a QV entre os mesmos, verificaram a
importância da realização de AFs, para manutenção de uma boa QV e
independência funcional entre os idosos. Assim sendo, a práticar regular da AF
mostrou ser um fator de suma importância para a população da terceira idade,
65
4.APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
podendo trazer benefícios significativos na independência funcional e uma
percepção destes sobre sua QV, permintindo-nos constatar nos discursos das
entrevistadas algo que vem exatamente endosar estes autores.
“Ah, não sei! Mudou... eu não sei se é a minha vontade agora de ter
uma qualidade de vida melhor... é... eu já não estava podendo... eu
acordava com dor nas costas... dói aqui, dói... E hoje em dia não”.
[Ent. 07]
“Ah... é... ter maiiis... jovê... comê... ser mais jovem, melhorou...
melhorei todos... todas minha circulações tudo... minha
pressão
baixou... no normal, colesterol baixou... tudo isso, aí eu estou me
sentindo bem por isso”. [Ent. 4]
“Ah, mudou, eu acho que... muda a autoestima, melhora, você fica
mais... quer dizer você convive mais, a parte de... de exercícios, eles
ficam mais leve( gesto com as mãos) na medida que não há impacto,
não é? Então, eu acho que prá mim melhorou muito, inclusive baixou
meu colesterol... eu não tenho alto, mas... tenho um pouquinho
acima... baixou”. [Ent. 13]
“Uma qualidade de vida melhor, né? Vai ficando com idade... é dor
ali, é dor aqui (apalpando o ombro, lateral da coxa) e a médica
mandou... conselhou a fazer uma hidroginástica, caminhar...” [Ent. 19]
As melhoras nas condições físicas dos indivíduos idosos acarretam um
impacto na percepção subjetiva da saúde e influencia positivamente no bem
estar e na QV. É sabido que a medida que um indivíduo envelhece, sua QV é
determinada por sua habilidade de manter autonomia e independência.
Expectativa de vida saudável é uma expressão geralmente usada como
sinônimo de “expectativa de vida sem incapacidades físicas” (Marconcin,
2009). Estes depoimentos comprovam a importância que estas entrevistadas
dão a QV.
“Fazer meu exerc... minha hidroginástica, né? prá chegar minha
forma melhor, como eu falei, a minha vida saudável... mais se eu...
mais durar uns anos...” [Ent. 4]
“… prá minha... prá minha saúde mais nada”. [Ent. 3]
“Eu... eu pretendo me sentir como estou hoje e continuar assim ao
longo da minha vida”. [Ent. 21]
“Objetivo é só ficar... com mais saúde, né”? [Ent. 17]
66
4.APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
O EF é um importante fator de promoção da saúde, imprescindível para
um envelhecimento saudável. Nessa população, se faz necessário dar ênfase
aos grandes grupos musculares de natureza rítmica e aeróbica, tais como
nadar, andar de bicicleta, caminhadas, hidroginástica, entre outros, que
melhore a aptidão física de idosos (Britto et. al, 2005) e (Ferreira, Gobbi &
Arantes, 2008).
“...fazer... hidroginástica devida a parte circulatória... e eu sou
diabética... problema circulatório e cardíacos também, isso me veio
fazer emagrecer também com os exercícios, né? Me sinto bem
relaxada... e tenho me achado... bastante melhora”. [Ent. 22]
“Hoje em dia eu sinto menos dores... eu sentia muito mais dores a
noite devido ao peso, né? e num fazer tanto exercício, hoje em dia eu
já... tomo menos medicação e... me sinto mais leve, mais disposta...
devido a hidroginástica, e caminhar para vir a academia isso me faz
também muito bem”. [Ent. 22]
“Eu melhorei... quando entrei a primeira vez no... no dois mil eu
roncava, depois que entrei na hidroginástica parei de roncar.” [Ent.
02]
Observando os discursos das entrevistadas, podemos perceber a
importância e/ou necessidade que as mesmas sentem em praticar uma AF pois
qualquer iniciativa que venha melhorar a expectativa de vida, o bem estar e a
condição física na vida adulta, depende muito da melhora das bases físicas
adquiridas, evidenciando as implicações dos aspectos biológicos sobre a saúde
mental das pessoas idosas (Balbinot, 2012).
É fundamental ainda que nas atividades aquáticas, o profissional possa
e deva compreender as propriedades físicas da água e sua aplicabilidade, para
dessa forma obter melhores condições na utilização de seus benefícios,
protegendo principalmente as articulações dos joelhos, tornozelos, quadris e
até mesmo a coluna vertebral, a fim de implantar e desenvolver um programa
adequado aos seus alunos (Fernandes, 2011).
“É uma atividade que eu gosto... que é... pu que.... é gostosa,
prazerosa, porque é dentro d´água e dentro d´água você... sente todo
o fluir da água e...também ao mesmo tempo porque... como eu tenho
hérnia de disco, né?” [Ent. 23]
67
4.APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
“Eu busquei a hidroginástica porque eu tenho problema de ... cervical
... artrose, entendeu? Então nada de impacto, né? ... eu posso fazer.
E já na na hidro eu faço os exercícios, né? você levanta a perna, abre
e fecha tudo é leve (fez movimento sentada na cadeira de afastar e
unir as pernas) faço qualquer nunca faria fora da água. Entendeu?”
[Ent. 01]
Cabe aqui ressaltar que a temperatura da água é um fator deveras
importante no desenvolvimento de exercícios, principalmente para pessoas
com fibromialgia, pois temperaturas extremamente altas ou baixas pioram os
sintomas. É recomendável que os exercícios devam ser realizados a uma
temperatura que varie entre 26 a 29,5ºC, pois dessa forma propiciam melhor
resposta fisiológica (Baun, 2010).
“…a fibromialgia…e…dentro d´água em me sinto mais… leve eu
consigo fazer exercícios que eu não consigo fazer…de solo, que eu
faço também exercício no programa da UERJ… alguns exercícios
que eu não consigo fazer …den… fora d´água, eu consigo fazer na
fi…na hidro.” [Ent. 11]
Podemos perceber claramente que a participação na hidroginástica
trouxe mudança na percepção destas mulheres, elas projetam agora um corpo
menos cansado, mais ativo e confiante, o qual estimula a manutenção da
prática do EF.
4.4.CATEGORIA D – CORPO SOCIAL
O corpo numa visão das Ciências Sociais deve ser considerado nas
situações que lhe emprestam significado social. Existe sempre uma disputa
acerca dos valores e sentidos envolvendo o corpo e o seu uso, onde
encontram-se em jogo classificações sociais e posições de prestígio.
Neste contexto o corpo envelhecido é atravessado por esse jogo de
classificações e posições de status (Alves, 2011).
É indiscutível a importância da vida na sociedade, o ser humano é
eminentemente social. O corpo social, que está ligado ao corpo construído pela
sociedade, refere-se à dimensão do corpo na qual é possível ler as inscrições e
marcas sociais. É a sociedade que vai legitimar determinados tipos de corpos,
favorecendo alguns modelos em detrimento de outros.
68
4.APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
“Olha só... ééééé... eu gostaria de perder peso, então, isso não me
incomoda tanto a ponto de eu me deprimir ou deixar de curtir a vida,
de sair, dançar (suspiro)... ir por pagode (sorrindo), sambar, embora
joelho dói samba assim mesmo”. [Ent. 5]
4.4.1.RELAÇÃO SOCIAL
Nos reportamos aqui, mais uma vez à Spirduso et al., ( 2005), quando
afirmam que a hidroginástica por ser uma atividade de grupo, promove
indubitavelmente à sociabilização, que é de uma importância imensurável para
os idosos, pois a solidão é uma constante quiexa dos mesmos. A água não
deixa de ser no fundo, um elemento lúdico e de relacionamento social, que
acaba por permitir sempre o diálogo e porque não o divertimento.
“Sim... fazemos amizade, o meio social é ótimo são pessoas... que
vem em busca de uma melhor ... é ... é proposta de vida e são
amizades novas amizades boas e ... devido a nossa idade a gente
tem problema de solidão e a gente acaba aqui ... né? uma ... acaba
fazendo amizade com a outra e é muito bom... muito bom”.
“... pelas amigas ... né? parte social muito bom sente muita falta das
meninas ... quando eu não venho, final de semana ... e ... é uma
família, nós somos uma grande família”. [Ent. 22]
“Eu acho que mudou, até fiquei mais comunicativa porque quando
fazia natação, natação você fica muito isolada dentro d´água sem
conversar com ninguém. Na hidroginástica como a gente fica com o
rosto fora d´água a gente tem a possibilidade de se comunicar mais
apesar de a gente ter... ciência de que é importante o controle da
respiração durante a atividade mas mesmo assim uma vez ou outra a
gente dá uma conversa... conversa (movimentos de mãos) com uma
pessoa que tá ao lado... ajuda a pessoa que tá ao lado... ou pede
uma ajuda também.” [Ent. 23]
“Converso, demais. Eu faço hidroginástica (risos) mais eu converso a
boca não para, principalmente com as minhas amigas que estão tudo
ali do lado. Aí a professora reclama, mas, olha não vou fazer diferente
(gesticulando com os braços), entendeu? Porque eu venho prá cá é
uma terapia prá mim... é uma tremenda terapia, entendeu?
A hidroginástica prá mim é uma... terapia mesmo, entendeu? Eu vim
prá cá prá me divertir... aí o professor: [ “ah, eu... não consigo dá
69
4.APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
aula” ] digo: “problema é seu se você não consegue dá aula eu vou...
fazer a minha parte, você faz a sua (risos)” [Ent. 15]
“ Então a gente fala muita bobagem (bateu costas da mão na mão), a
gente... sabe, é uma hora assim que vale tudo, sabe! De rir, de
conversar, de chorar, de contar a gente tem uma integração de às
vezes contar algum problema ... faz assim...uma psicoterapia também
... (risos).” [Ent. 01]
“Às vezes quando a professora não chama atenção: “olha a
respiração, vamos falar menos” ai eu converso sim é isso que eu
digo... facilita a comunicação, acho que você fica um ser mais social
na hidroginástica”. [Ent. 23]
“(pensativa) ter bom convivo também com as pessoas.
Mudou o convivo com as pessoas...” [Ent. 17]
Fica aqui mais uma vez comprovado através dos discursos das
praticantes da hidroginástica, a importancia do EF na vida das idosas,
importância esta que é difundida e defendida por Silva et al., (2011), quando
afirmam que qualquer tipo de EF, proporciona benefícios de várias formas e
dimensões quais sejam, psicológicos, de autoestima e de imensa melhoria do
relacionamento social, e mais, melhora os aspectos biopsicossociais muito
importantes para pessoas da terceira idade, devido às inúmeras mudanças
advindas dessa fase da vida.
De um modo geral as pessoas que praticam atividades físicas (AFs)
tendem a ser menos deprimidas do que as que não praticam.
É de senso comum no meio científico que para formas mais moderadas
de depressão, o EF pode ser tão útil quanto à psicoterapia.
4.4.2.ADERÊNCIA/ INFERÊNCIA FAMILIAR
Ao iniciarmos esta subcategoria, cabe ressaltar que a mesma encaixa-se
naquilo que dissemos ao iniciar a apresentação e discussão dos resultados, ou
seja, que em alguns momentos, esse tipo de classificação facilitou a discussão
e já em outros, dificultou nossa busca por uma compreensão global dos
significados da hidroginástica para as praticantes.
70
4.APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
Foi possível perceber que havia uma posição ou valor diferenciado que
era atribuído à permanência e/ou frequência nas aulas, relacionado talvez às
experiências anteriores dos sujeitos da pesquisa, tempo de prática, idade e a
inferência familiar.
“Eu... eu faço ginástica a minha vida inteira... desde de garota... eu...
quando começou aparecer a... a hidroginástica eu fui experimentar
porque eu adoro água. (sorriu).” [Ent. 06]
“Eu não falto nem um dia, às vezes quando eu falto, tem uma... tem...
tem aula.... que eles chamam... aulão... dia de sábado e eu venho dia
de sábado, ninguém vem, mas eu... às vezes eu venho. E agora...
venho sempre no dia de sábado. Frequência eu nunca falto, não falto
mesmo”.[Ent.15
“Estou aqui no grupo há dez anos fazendo ginástica, hidroginástica
junto...” [Ent. 06]
“Deixo, deixo, deixo. Se eu tiver que ir agora de manhã na rua, hoje
mesmo eu tenho que ir... vou de tarde porque eu tenho minha
hidroginástica na parte da manhã”. [Ent. 18]
“Meu trabalho, (risos) eu vou trabalhar mais tarde, mudei totalmente
meu horário”. [Ent. 11]
“… mas aqui foi que me deu melhor... porque aqui já estou aqui há
quatorze
anos,
né?
Fazendo
a
mesma,
ou
seja,
eu
faço
hidroginástica.” [Ent. 15]
“Agora eu comecei (risos) não pretendo parar. Ah! Porque eu gostei,
né? É (risos). Depois que tomou o gostinho (risos).” [Ent. 15]
“... se eu tiver que ir prá praia, por exemplo, eu não vou à praia antes
de vir prá ginástica, entendeu? Se eu tiver qualquer um compromisso
que seja prá resolver negócio de documento, qualquer coisa, primeiro
vou prá hidroginástica...” [Ent. 05]
“Porque me dá satisfação, tem resultados... é uma relação com a
água muito boa, melhor do que você fazer musculação.” [Ent. 10]
“... primeiro de tudo tem que ser a hidroginástica, antes de... antes
de... de... de ir ao mercado, ir prá banco tem que primeiro fazer minha
hidroginástica, depois... é o resto.” [Ent. 04]
Apresenta-se aqui a questão falada anteriormente, ou melhor, ao iniciar
a discussão desta subcategoria. Podemos analisar tendo uma visão
71
4.APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
direcionada aos benefícios físicos e fisiológicos e também com uma visão dos
benefícios psicológicos e sociais. Ficou caracterizado, no nosso entendimento
que a permanência das idosas na hidroginástica deve-se ao fato dos benefícios
físicos advindos da prática da atividade, mas também e principalmente pelo
fato de ser o local e momento em que podem estar em contato com pessoas da
mesma faixa etária, onde podem ter o seu momento de prazer, lazer e
socialização antes e acima de qualquer outra coisa.
No entanto, apesar dos idosos procurarem a hidroginástica, também por
estes motivos, existe ainda a grande dificuldade de mantê-los motivados para
uma prática contínua, conforme podemos observar nos discursos das três
entrevistadas a seguir:
“ Olha, eu não gosto muito não, mas as minhas filhas começaram a
falar que eu tinha que me movimentar…nem, nem, nem… aí eu fui.”
[Ent. 12].
“ porque estou com noventa e dois … mas aí meus filhos tudo, a
família toda, desde eu mais nova ainda... queriam que eu fizesse ... e
aí... eu fui... me entusiasmei... que eu tava com um problema... eu
andava muito de vagar e... era muito assim... medrosa... de água
dessas coisas, então, eu achei que eu devia fazer... a hidroginástica.”
[Ent. 09].
“mas gosto de fazer, por isso que eu me esforço, aí meu marido...
então, volta prá KDM veio aqui e me matriculou, eu faço segunda,
quarta e sexta.” [Ent. 16]
Estes relatos levou-nos a criar um elo na subcategoria, visto que
imaginávamos encontrar um número considerávelmente grande de idosas a
praticar a hidroginástica por inferência familiar. No entanto, dentre as 23
entrevistadas, podemos perceber somente três que ali estavam por
recomendação e “pressão” de familiares e que, no entanto, ao longo da
entrevista declararam já estar a gostar da atividade pelo fato de perceberem
melhoras físicas e sociais.
“Agora eu comecei (risos) não pretendo parar.
c Por que? Ah !!! Porque eu gostei, né?” [Ent. 12]
“Na academia? Prá mim é o meio social, é um meio muito importante,
né? E...
72
4.APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
Não minha filha, não penso porque... eu me sinto bem.” [Ent. 09]
Fica mais uma vez constatado o que nos diz a literatura, ou seja que um
programa de AF para a idade avançada deve englobar exercícios que não
levem a exaustão e não tenham um elevado grau de dificuldade, ou seja,
ajustado à faixa etária pois isto torna-se para além de eficaz, cativante e
agregador, o que podemos verificar nos discursos das entrevistadas quando
demosntravam durante as suas falas da satisfação em irem para as aulas de
hidroginásticas e ainda ao referirem-se com certa “alegria” da competência da
professora (Nakagava & Rabelo, 2007).
“… tô frequentando e se Deus me deixar mais... vida quero
continuar... primeiro que a professora é uma ... uma excelente
professora, né? E eu to cansada de dizer a ela: “Rose se ainda estou
aqui é por sua causa”, ela é jeitosa, ela é carinhosa, ela é... tem todos
os seus dons prá... prá a atividade, então a gente tem que valorizar,
né? [Ent. 09]
“… mas tô gostando, as companheiras são boas, né? Então a
professora é alegre … é boa, né? Isso também influencia, né? Se ela
não fosse assim muito simpática ... [Ent. 12]
“...eu tenho... eu tenho um grupo de amizade aqui muito bom... muito
bom mesmo. Então, eu venho... hoje eu venho aqui prá tomar café
com elas... [Ent.15]
Foi referido pelas entrevistadas que através da participação nas aulas de
hidroginástica elas criaram novas amizades e ampliaram os seus contatos
sociais. A comunicação com outras idosas as possibilitou compreender que
todas possuem problemas, limitações perdas e a troca dessas experiências as
enriqueceram e revelaram que a vida ainda tem significado sendo preciso
aceitar e viver a realidade.
4.5.CATEGORIA E – CORPO ESTÉTICO
A atual sociedade considera que o corpo está dentro do esquema de
dimensão vertical, ou seja, o corpo jovem, esguio e belo, “é o corpo”, e o que
se curva e vira para o chão, está inexoravelmente gasto pelo tempo, é
renunciado.
73
4.APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
O
valor
estético
e
a
liberdade
do
corpo
envelhecido
são
redimensionados através do EF. A sociedade contemporânea impõe o
desequilíbrio entre a idade biológica e a aparência física, de modo que
envelhecer deixou de ser natural, tornou-se quase perverso. Há que envelhecer
mantendo um aspecto belo, jovem e saudável (Lacerda, 2007).
Não obstante, nos reportamos ao seguinte questionamento: qual seria
papel da estética no domínio do EF para os mais velhos? Ao nível do senso
comum, o papel do EF segue religiosamente o contexto de manutenção de
uma forma física adversa da flacidez e da obesidade. Para as mulheres, a
utilização do EF como um meio de esculpir o corpo pode tornar-se quase uma
obsessão, cobradas pela pressão social relativamente ao estereótipo corporal,
exercido de forma bem mais acentuada do que em relação aos homens.
Em uma sociedade na qual se descobre e inventam, a um ritmo
alucinante, meios para manter a juventude, mas em que não se ensinam a lidar
e a aceitar o declínio do corpo com a idade, as categorias morais culpa e
censura podem alterar significativamente o dia a dia do genero feminino e cada
vez mais também o do masculino. A estética no domínio ideológico há muito já
transcendeu o padrão, o cânon e a norma. A visão estética busca
persistentemente descobrir e patentear novos tipos nas formas estereotipadas,
combinar a luz, com as sombras, com o belo, com o feio, com o espaço, com o
tempo.
A única estética que eu me preocupe é ruga no rosto. Só isso (risos).
[Ent. 19]
4.5.1.IDEAL ESTÉTICO
Numa sociedade que adota a utopia do corpo perfeito, de viver intensas
e mutáveis sensações, do fim da dor e da velhice e que proclama, como índice
de felicidade, atingir o sucesso e o poder a qualquer custo, é natural o temor
dos que vivem excluídos deste “nirvana”, pela idade avançada e/ou saúde
debilitada. Se a sociedade de consumo fomenta idealizações - tudo pode e
deve ser adquirido - gera conseqüentes frustrações e temores (Negreiros,
2011). As questões do corpo voltadas ao aspecto da estética encontram-se
diretamente relacionadas com a cobrança de uma sociedade “eternamente
74
4.APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
jovem”. Percebemos um conceito de beleza associado ao seu sentido de senso
comum, onde a aparência e a forma do corpo remete a corpos onde músculos
devem aparecer bem definidos.
“Ah! Não. Se eu for ligar prá isso... não dá! É... ô... a mídia ela mostra
hã... é... a cultura da magreza, cultura da... da... eu tenho celulites, eu
tenho flacidez, mas... aneroxia... exatamente, então, eu não posso
seguir de jeito nenhum. (suspiro fundo). É até maldade (risos) a gente
ver aquelas reportagens maravilhosas e... não vamos atingir aquilo, a
não ser algumas poucas privilegiadas, né? Ou, não. Eu não sei se
isso é bom.” [Ent. 03]
“... Nada específico não, eu queria ter uma perninha mais gordinha,
pronto (risos), uma perninha mais... menos fininha (risos) que eu sou
muito magra.
Ah! A gente tendo uma vida mais saudável a gente fica um aspecto
melhor, com certeza, mas eu sei que com a idade e... isso aí é... eu
vou querer ter... cara de... de trinta, né? Que eu não vou ter nunca,
né? (Risos)” [Ent. 20]
“ É... Não é estar assim no modelo padrão de beleza, né? (risos) a
forma física eu acho é estar com tudo... bem... funcionando,
músculos, gi... é... pés até a cabeça tudo é harmonia, né?
Não... agora um pouquinho só, mas eu entendo isso muito bem...
trato isso muito bem (risos) não me atinge psicologicamente. [Ent. 14]
“Não. Se eu quero fazer prá... prá meu bem estar nada com a mídia,
nada a ver, é comigo mesmo. Se um dia eu quiser melhorar, fazer
uma cirurgia de face (passando a mão no rosto) ou uma “hidro”
(passando a mão na barriga e nos seios) seria prá mim mesmo, nada
pela mídia.
Esteticamente ou fis...?
c Esteticamente (Pensativa) Eu faria uma “hidrolipo”.
Perder um pouco de barriga... um pouco de vaidade, um pouco de
necessidade... junto os dois.” [Ent. 08]
Estudos relacionados com a satisfação corporal em pessoas com idade
compreendida entre 22 e 62 anos, o que já abrange pessoas da terceira idade,
mostrou que a relação que tinham com seus corpos revelaram que os homens
tendiam a focalizar a funcionalidade enquanto que as mulheres tinham o seu
75
4.APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
foco direcionado à aparência (Halliwell e Dittmar, 2003). Estes resultados
podem auxiliar na compreeensão da insatisfação com o corpo, nas mulheres
durante a velhice, tendo em vista que estas encaram o envelhecimento de
forma negativa em função do impacto causado na aparência.
Com o envelhecimento, como já foi referenciado por Balestra (2002),
diversas modificações tanto no aspecto psicológico quanto no social, variando
obviamente de uma pessoa para outra, pode afetar entre outras coisas, a
autoimagem dos idosos. Ainda nos baseando no mesmo autor, podemos
afirmar que alguns indivíduos não conseguem aceitar e conviver com essas
mudanças e por não se adaptarem a elas, acabam por limitar suas
possibilidades de comunicação e expressão na tentativa de uma melhor
convivência social, isto porque as questões do corpo voltadas ao seu aspecto
estético são amplamente divulgadas e propagadas pelos mais diversos meios
de comunicação.
“A sociedade cobra muito a beleza física, né?
Muito, esteticamente, né?
… não posso fazer nenhum tipo de cirurgia, mas teria vontade de
fazer... uma... cirurgia abdominal e de mama.
É... eu... eu... as pessoas cobram muito em relação a aparência,
né?.” [Ent. 22]
“Eu tenho... tenho que emagrecer mais um pouquinho... prá mim ficar
satisfeita... chegar ao objetivo.
Tirava o seio (segurou os seis rindo), a barriga (risos soltos).
Só isso. Não... é que eu tenho muito seio e queria diminuir mais um
pouco (risos), mas a coragem não deixa.
Não... eu ia fazer uma plástica... mas a coragem não deixa.” [Ent. 04]
O corpo contemporâneo nos parece ser mesmo a síntese concreta da
velocidade
das
mudanças,
característica
do
cenário
sociocultural.
A
preocupação reside no fato de que, para se alcançar a imagem corporal ideal
ou a que é cobrada pela sociedade remete para opções e/ou soluções mais
radicais, não importantando portanto os meios para atingir esse ideal. É o caso
da descontrolada disseminação das cirurgias plásticas e lipos.
76
4.APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
4.5.2.PREOCUPAÇÃO COM A IMAGEM CORPORAL
A imagem corporal, segundo Matsudo et. al. (2007) é a maneira pela
qual o corpo se apresenta para cada um, ou seja, isto quer dizer que a imagem
corporal é a representação mental que possuimos do nosso próprio corpo.
Mesmo tendo essa imagem construída, somos influenciados pelos conceitos e
valores da sociedade a qual pertencemos.
“Ah! Com certeza, a mídia taí prá isso. A mídia é... (pensativa) não
tenha dúvida... torna... torna o gordo... discriminado... é por causa de
quê? Da... dessa... desse modelo... nem todos os gordos.... são
doentes.” [Ent. 18]
“Então... (pensativa) a minha imagem não... eu não olho no espelho e
vejo às vezes tenho um pneuzinho (pressionou na lateral da cintura)
É… é a única coisa é o pneuzinho (novamente o gesto de pressionar
a lateral da cintura com os dedos)
É. A barriga até que não, mas aqui (apontou para a cintura) os peitos
também tá bom (segurou nos seios) bota o sutiã levanta, mas essa
gordurinha aqui (sorrindo e segurando a lateral da cintura)
Tirar esse pneuzinho (segurando na cintura)
Operação nem pensar, lipo, nada disso.
Mas a hidro eu não acho que vai tirar esta gordura, eu acho... eu não
sei... (pensativa, olhando para o teto), eu já vi gente assim... é lógico
que é menos, magrinha (pressionou os braços no tronco, com o anti
braço flexionado) com idade com esse negocinho aqui (segurando a
lateral da cintura) só que o meu podia ser menos, né?
Não, eu não acho assim sabe por que? Se vou botar uma roupa
assim, eu não gosto de uma roupa colada (ela passou as mãos no
tronco) que mold... module o pneu, então, se eu vou botar um vestido
mais soltinho eu tenho uma cintazinha que boto..., boto a cinta...
entendeu?, eu já tenho as pernas grossas mermo... meu tornozelo é
dessa grossura (mostrando o diâmetro com as mãos) que é italiano...
herança, ai eu fico legal... eu acho (pensativa) eu me vendo eu acho
legal (sorriso) os truquizinhos, né?” [Ent. 01]
“Ah, claro que não! nenhum obeso tá satisfeito com o seu corpo
(risos).
77
4.APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
Os peitos, (sorrindo, colocou as mãos nos seios e depois abriu os
braços) é um “airbag” muito grande (sorrindo)”. [Ent. 5]
“A sociedade cobra muito a beleza física, né? E... as ...as ... par...
partes é sau... saúde também, né?
Eu me sinto mal... eu me sinto mal... às vezes não gosto de me olhar.
Eu quero... emagrecer, quero emagrecer, me sentir bem se for
possível e se eu tiver coragem farei uma plástica na minha barriga”.
[Ent. 07]
4.5.3.SATISFAÇÃO COM A IMAGEM CORPORAL
O nosso corpo deve ser no sentido real da palavra, uma morada um lar e
não um ergástulo, ouma prisão. A forma como o vemos e como com ele
convivemos, deve ser estética, mas não no sentido insensível que populariza –
se por agora.
Os “diferenciados” do mundo estético tais como: os gordos, os baixos,
os calvos, os flácidos, os pouco bronzeados, os velhos, são impercebíveis,
ficamos cegos perante a sua presença, eles tornam-se ocultos aos nossos
olhos (Lacerda, 2007).
“Me sinto com força, me sinto disposta... e o meu corpo quando me
olho no espelho... eu gosto.” [Ent. 13]
Não obstante o corpo envelhecido tem um valor estético próprio, ele
conserva a memória da vida por que passou, revela a história do ser do homem
no mundo. Na esfera estética, o EF para os idosos terá que projetar para
primeiro plano a categoria estético liberdade. O corpo idoso que pratica EF é
mais livre, não por exibir, maior amplitude de movimentos, mais agilidade, mais
equilíbrio, mais força, mas também porque é mais apto de conciliar a aparência
com a essência.
“Gosto e me sinto muito bem... me arrumar... para ir a academia... já
começa aí todo o processo de satisfação me sinto bem”. [Ent. 13]
“é claro... toda mulher se preocupa, magiiiina!!! (enfatizou sorrindo)
Só que... não é exatamente este benefício, embora poder andar com
mais desenvoltura, por fazer as coisas melhor, isto preocupa, mas,
não é... não deixa de me preocupar com a vaidade não, é....” [Ent. 03]
78
4.APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
“Se você olhar prá trás, a gente vai ficar não satisfeita, mas de olhar
prá frente (risos) … estou satisfeita (risos).” [Ent. 14]
“Tô. Tô sa... e mesmo depois ter sido operada. Eu fiz operação, tirei
um seio (mostrou o seio esquerdo)... nem isso... me deu trauma
nenhum pelo contrário aceitei numa boa...” [Ent. 16]
Aqui a questão também fundamental, a importância de não parecer ou
manter-se “gordinha” e ser colocada à margem da sociedade. O fato de ter
perdido peso ou estar perdendo peso, está inserido no contexto de estar
satisfeita com o corpo, eleva a autoestima e a confiança.
“Você tando bem... eu infelizmente eu não estou bem na minha forma
física (risos)... mas... quer dizer bem esteticamente.
Emagrecer mais… eu tô evitando muitas coisas, sabe? Emagrecendo
diminuindo... as guloseimas... que o idoso é muito guloso... nessa
parte.” [Ent. 18]
“Não pretendo ficar gordona, mas também tá bom meu peso. Prá mim
tá bom.” [Ent. 16]
Podemos perceber nos discuros acerca do Corpo Estético das idosas o
que estudos realizados (Balestra, 2002; Monteiro, 2003; Tavares, 2003)
relacionam a AF às melhoras nas percepções da imagem corporal dessa
população, identificando-a como sendo uma importante aliada para um melhor
entendimento por parte dos idosos sobre suas individualidades.
Um outro estudo (Federici, 2004) verificou que para além de uma
melhora na percepção do envelhecimento, os idosos que frequentaram um
programa de AF, manifestaram uma percepção a mais, ou seja, modificações
positivas na imagem corporal. Estes estudos são bastante relevantes uma vez
que a imagem corporal possui uma característica dinâmica e mutável, pois
retrata o corpo, como uma entidade que sofre constantes transformações,
podendo por isto, ser reconstruída a partir de novas sensações que se somam
às antigas.
Outro ponto observado nos discursos nos remete à influência da mídia
sempre presente em qualquer fase da vida. Mais uma vez comprovamos o que
(Bedford & Johnson, 2006; Forman & Davis, 2005) constataram em seus
79
4.APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
estudos afirmando sobre a forte relação entre a mídia e a insatisfação com a
imagem que se tem do corpo.
80
5.CONCLUSÃO
5
CONCLUSÃO
PERCEPÇÃO DA IMAGEM CORPORAL DE IDOSAS PRATICANTES
DE HIDROGINÁSTICA
Um estudo com idosas de uma academia da zona norte da cidade do Rio de Janeiro
81
5.CONCLUSÃO
5.CONCLUSÃO
“… mas escrever nunca é tão fácil quanto possa parecer…”
(Bogdan & Biklen, 2010)
Ao chegarmos ao fim de um percurso, como o de tantos outros ao longo
de nossas vidas, torna-se difícil fazer um balanço. Será que cumprimos os
nossos objetivos inicialmente previstos? Será que de alguma forma nos
afastamos deles irremediavelmente? Estas são questões que assolam quem
quer que se arrisque a uma tarefa desta natureza. Quando dizemos arrisque,
propositadamente, é porque sempre corremos alguns riscos, especificamente
aquele de não atingirmos a meta. Quem participa de uma maratona, poderá ou
não chegar ao fim, mas se o fizer, o percurcurso poderá ser mais ou menos
fácil ou, mais ou menos sinuoso.
De todas as formas, concluir é sempre terminar, encerrar, finalizar, mas
também provar ou comprovar algo.
Deste modo foi objetivo desta investigação fazer uma leitura axiológica
do corpo de idosas na prática da hidroginástica, tendo por base práticas e
discursos, ou seja, partindo de entrevistas efetuadas com praticantes desta
modalidade e fazendo uma análise do seu conteúdo.
Procuramos, por conseguinte, compreender o que pensam as
entrevistadas acerca dos possíveis benefícios advindos da prática da
hidroginástica.
Apresentaremos as conclusões de uma forma parcial para cada um dos
pontos estudados.
Como as idosas percebiam seus corpos antes da prática da
hidroginástica e como a hidroginástica ajudou-as a perceberem uma nova
construção social.
Pudemos notar nos discursos das entrevistadas, que durante o período
em que ainda não praticavam a hidroginástica o corpo ao ser exigido,
82
5.CONCLUSÃO
apresentava fadiga, se movimentavam com muita dificuldade, os movimentos
eram reduzidos, foram manifestados sentimentos de descontrole sobre o corpo,
algumas dificuldades no equilíbrio, falta de autoconfiança e consequentemente
uma baixa autoestima. Outra manifestação recorrente, não tinham nenhuma
confiança em se locomover e quase sempre se queixavam de dores,
principalmente articulares, mais presentes nos joelhos, possuiam ainda pouca
flexibilidade, comprometendo assim a QV. Possuiam uma vida social, que
podemos considerar limitada sentindo – se normalmente solitárias e com uma
comunicabilidade reduzida, uma vêz que suas interações com outras idosas
eram bastante
reduzidas, não havendo, assim,
muita participação em
atividades sociais.
Quando analisamos as falas sobre como a hidroginástica ajudou-as na
superação das limitações e/ou dificulades, pudemos entender e perceber que a
atividade hidroginástica possibilitou elaborar uma identidade corporal diferente
e renovada das mulheres idosas. Os discursos das entrevistadas apontaram
para a conquista de um “outro corpo”, um corpo capaz de movimentar-se mais
facilmente, todavia admitindo não desconhecer a presença de doenças e
limitações, como situações inerentes ao processo de envelhecer, porém agora
já admitindo ter um corpo mais preparado para enfrentar melhor estas
adversidades.
Portanto,
percepções
de
um
corpo
que,
sobretudo
funciona.
Constatamos também, através dos discursos que, a prática da hidroginástica
proporcionou uma elevada sensação de bem estar, uma maior integração entre
corpo e
mente, favorecendo assim uma elevada autoestima e confiança
readiquirida da autoimagem. Para, além disso, notamos ainda, uma
exacerbada preocupação com a saúde, dada a importância e reconhecimento
de que a hidroginástica proporciona - lhes, uma qualidade de vida melhor e
mais saudável. Isto posto, podemos comprovar o que vimos na literatura, no
que tange as dificuldades e limitações das pessoas idosas.
Quais as consequências da prática da hidroginástica para a
melhoria da qualidade de vida, da saúde e do convívio social.
83
5.CONCLUSÃO
Pudemos mais uma vez constatar nos discursos das entrevistadas a
valorização dispensada à prática da hidroginástica, visto que, a assiduidade em
consequência dos benefícios advindos desta prática foram percebidos e
sentidos fisicamente, implicando significativamente na QV que é sabido, um
fator subjetivo e que depende única e exclusivamente da percepção do
indivíduo de como está a sua vida em determinado momento, levando em
consideração três aspectos básicos, qual sejam: físico, social e psicológico.
Esses fatores foram determinantes para a percepção de bem-estar das idosas,
influindo diretamente em suas qualidades de vida, em seus convívios sociais e
familiares, o que uma vez mais foi possível caracterizarmos a aproximação
existente entre o que a literatura nos apresenta e o que as idosas realmente
sentem e pensam a respeito das possíveis modificações corporais que
proporcionar-lhes-á o bem estar e satisfação pessoal.
5.1.CONSIDERAÇÕES FINAIS E RECOMENDAÇÕES DE NOVOS ESTUDOS
Resaltaremos aqui a oportunidade que tivemos de constatar uma
significativa satisfação das depoentes, em relação ao tratamento dispensado
pela professora para com as alunas. Esse contributo indubitavelmente tornouse um incentivo positivo e deveras relevante para a assiduidade e
comprometimento das idosas na prática de uma AF no meio líquido, o que
verdadeiramente auxilia a melhoria tanto nos aspectos biológicos, psicológicos
quanto sociais e afetivos, assegurando a execução das atividades básicas do
cotidiano, e inferindo positivamente na autonomia, que é fundamental para
essa população, proporcionando desse modo uma notória melhoria na QV.
Ao finalizarmos, gostaríamos de deixar registrado que, um trabalho
desta natureza não nos permite estabelecer verdades absolutas e muito menos
conclusões definitivas. Trata-se, antes e acima de tudo, apenas de mais uma
abordagem exploratória com final em aberto, mesmo porque qualquer estudo
referente ao “corpo” será eternamente uma obra inacabada.
Tendo como base o estudo apresentado, sugerimos uma pesquisa
comparativa entre idosas praticantes de hidroginástica de academias situadas
na zona Norte, (bairro Tijuca), na zona Sul (bairro Copacabana) e na zona
84
5.CONCLUSÃO
Oeste (bairro Barra da Tijuca), todas da cidade do Rio de Janeiro para
comparar o que as depoentes podem apresentar principalmente no que tange a
percepção de seus corpos e a QV.
85
6.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
6
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
PERCEPÇÃO DA IMAGEM CORPORAL DE IDOSAS PRATICANTES
DE HIDROGINÁSTICA
Um estudo com idosas de uma academia da zona norte da cidade do Rio de Janeiro
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7.ANEXOS
7
ANEXOS
PERCEPÇÃO DA AUTOIMAGEM DE IDOSAS PRATICANTES
DE HIDROGINÁSTICA
Um estudo com idosas de uma academia da zona norte da cidade do Rio de Janeiro
101
ANEXO 1 – TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE ESCLARECIDO
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE
JANEIRO
Centro de Ciências da Saúde
Escola de Educação Física e Desportos
Departam ento de Jogos
(versão 1.0 de 20 de agosto de 2012)
Título do projeto de pesquisa: Hidroginástica para Idosas em academia.
Prezada Senhora,
Você está sendo convidada a participar de uma pesquisa sobre Hidroginástica para
Idosas em academia. A pesquisadora Fernanda Augusta de Ameida Mendes (da Universidade
Federal do Rio de Janeiro) pretende realizar um estudo com as seguintes características:
Objetivo do estudo: Analisar a forma como as mulheres idosas percepcionam os seus
corpos e as consequências da hidroginástica para o reposicionamento de identidades
corpóreas das praticantes em uma academia situada na zona Norte da cidade do Rio de
Janeiro.
Descrição dos procedimentos para coleta de dados: A coleta de dados será feita
apenas através de respostas a uma entrevista. Desse modo, entende-se que o risco de
ocorrência de qualquer problema físico ou psicológico em razão de sua participação na
pesquisa é mínimo. Além disto, cabe ressaltar que não haverá nenhum procedimento agressivo
(injeção, esforço físico, etc.) ou ingestão de quaisquer medicamentos ou mesmo com
aparência similar (igual).
Benefícios aos participantes e para a sociedade: O presente estudo poderá beneficiar
diretamente a informante, na medida em que poderá estimulá-la a compreender os aspectos
relacionados às atividades sociais e principalmente relacionados ao bem estar físico e mental.
Garantia de acesso aos pesquisadores: Em qualquer fase do estudo você terá pleno
acesso aos pesquisadores responsáveis pelo projeto na Escola de Educação Física e
Desportos, situado à Avenida Carlos Chagas Filho, 540, Cidade Universitária, Rio de Janeiro,
RJ, ou pelos telefones 2562-6804; 9955-8089 Fernanda Mendes. Havendo necessidade, será
possível, ainda, entrar em contato com o Comitê de Ética do Hospital Universitário Clementino
Fraga Filho da UFRJ, Rua Prof. Rodolpho Paulo Rocco, 255, 1º. Andar, Sala 01D-46, Cidade
Universitária, Rio de Janeiro, RJ, ou pelo telefone 2562-2480, de segunda a sexta-feira, das 8
às 15 horas, ou através do e-mail: [email protected]
Garantia de liberdade: Sua participação neste estudo é absolutamente voluntária.
Dentro deste raciocínio, todos os participantes estão integralmente livres para, a qualquer
momento, negar o consentimento ou desistir de participar e retirar o consentimento, sem que
isto provoque qualquer tipo de penalização. Lembramos, assim, que sua recusa não trará
nenhum prejuízo à relação com a pesquisadora ou com a instituição e sua participação não é
obrigatória. Mediante a aceitação, espera-se que você responda a entrevista.
Direito de confidencialidade e acessibilidade: os dados colhidos na presente
investigação serão utilizados para elaborar artigos científicos. Porém, todas as informações
obtidas através dessa pesquisa serão confidenciais e asseguramos o absoluto sigilo de sua
participação. Os dados não serão divulgados de forma a possibilitar a identificação do
participante e ninguém, com exceção da própria pesquisadora, poderá ter acesso aos
resultados da pesquisa. Cada participante somente poderá ter acesso aos próprios resultados.
Despesas e compensações: você não terá, em momento algum, despesas financeiras
pessoais. As despesas, assim, se porventura ocorrer, serão de responsabilidade da própria
pesquisadora. Também, não haverá compensação financeira relacionada à sua participação.
Em caso de dúvidas ou questionamentos, você pode se manifestar agora ou em
qualquer momento do estudo para explicações adicionais.
Consentimento
Eu, _________________________________________________________, acredito
ter sido suficientemente informada a respeito das informações sobre o estudo acima citado.
Declaro, assim, que discuti com a Prof.ª. Fernanda Augusta de Almeida Mendes sobre minha
decisão em participar desse estudo. Ficaram claros para mim quais são os objetivos do estudo,
os procedimentos a serem realizados, seus desconfortos e riscos, as garantias de
confidencialidade e de esclarecimentos permanentes. Ficou claro também que minha
participação é isenta de despesa. Concordo, voluntariamente, em participar desse estudo e
poderei retirar o meu consentimento a qualquer momento, antes ou durante o mesmo, sem
penalidade ou prejuízo ou perda de qualquer benefício que eu possa ter adquirido em seu
atendimento nesta instituição. Eu receberei uma cópia desse Termo de Consentimento Livre e
Esclarecido (TCLE) e a outra ficará com a pesquisadora responsável por essa pesquisa. Além
disso, estou ciente de que eu (ou meu representante legal) e a pesquisadora responsável
deveremos rubricar todas as folhas desse TCLE e assinar na ultima folha.
Rio de Janeiro,
Nome
Data: ___ / ___ / ______
Assinatura do informante
Data: ___ / ___ / ______
Assinatura do pesquisador
ANEXO 2 – APROVAÇÃO DO CONSELHO DE ÉTICA DA UFRJ
ANEXO 3 –ROTEIRO DAS ENTREVISTAS
Roteiro Para as Entrevistas
1. Praticava alguma atividade física antes da hidroginástica? Qual?
2. O que a levou a buscar a aula de hidroginástica?
3. Você pretende atingir algum tipo de objetivo com a prática da
hidroginástica? Qual?
4. Você tem algum ideal estético a atingir?
5. O que é o corpo para você?
6. O que você entende por forma física?
7. Com que frequência você frequenta a academia? Quanto tempo você
fica na academia?
8. Desde quando você faz hidroginástica?
9. A sua frequência é regular desde que começou?
10. A sua imagem corporal preocupa-lhe? Há alguma parte do seu corpo
que lhe incomoda?
11. Como você percebe (sente) o seu corpo?
12. Você está satisfeita com o seu corpo?
13. Se você pudesse, mudaria alguma coisa no seu corpo? De que forma?
14. Você sofre influência da mídia no que se refere ao corpo?
15. A sua aparência facilita a sua relação com os outros?
16. Mudou alguma coisa em você depois que começou a praticar a
hidroginástica?
17. Agrada-lhe o esforço físico ou é um sacrifício?
18. Você pensa em parar de praticar a hidroginástica? Por que?
19. Você deixa outras coisas de lado para vir à academia? O que ?
20. Você conversa com os amigos durante a aula de hidroginástica?
21. Duas grandes razões para vir à academia?
22. Gostaria de dizer mais alguma coisa sobre o que conversamos?
ANEXO 4 – POST SCRIPTUM
Em mais uma homenagem ao meu amado pai! Texto retirado dos seus
escritos:
Envelhecer
Bastos Tigre
Entra pela velhice com cuidado,
Pé ante pé, sem provocar rumores
Que despertem lembranças do passado,
Sonhos de glória, ilusões de amores.
Do que tiveres no pomar plantado,
Apanha os frutos e recolhe as flores
Mas lavra ainda e planta o teu eirado
Que outros virão colher quando te fores.
Não te seja a velhice enfermidade!
Alimenta no espírito a saúde!
Luta contra as tibiezas da vontade!
Que a neve caia! o teu ardor não mude!
Mantém-te jovem, pouco importa a idade!
Tem cada idade a sua juventude.
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UNIVERSIDADE DE TRÁS-OS-MONTES E ALTO DOURO