Ano I - Nº 46 13 a 19 de Julho de 2013 "Um cristão vive sempre cheio de esperança; não pode jamais deixar-se cair no desânimo". Papa Francisco 1ª Leitura: Dt 30, 10-14 - Salmo: Sl 68 (69) 2ª Leitura: Cl 1, 15-20 Evangelho: Lc 10, 25–37 Está Acontecendo Semana de Oração Festa de Nossa Senhora do Carmo Itaquera 10 a 16 de Julho A programação completa está na página 06 Começa Segunda-Feira 12ª Semana de Teologia Setor Pastoral Ermelino Matarazzo 15 a 19 de Julho Veja programação completa na página 06 Para o mês de Agosto Onde estão nossos próximos? Quem são eles? Somos capazes de responder a estas duas questões sem antes termos que parar para pensar sobre como respondê-las? Que bom seria se assim o fosse, pois estaríamos vivendo em nosso cotidiano a ordem de Jesus dada ao especialista em leis a partir do exemplo do Samaritano: “Vá e faça a mesma coisa”!, e por certo estaríamos vivendo num mundo bem melhor. Sobre isto, José Antonio Pagola chama nossa atenção dizendo-nos que não podemos, simplesmente, passar ao lado das situações cotidianas que impingem sofrimentos a tantos irmãos (próximos) nossos. Leia na página 2. Tratando largamente do mesmo tema, Frei Carlos Mesters, mostrando-nos o Ecumenismo presente nesta passagem do Evangelho, apresenta-nos a ação concreta e eficiente presente nela. Trata-se de uma ação progressiva: chegar, ver, mover-se de compaixão, aproximar-se e partir para a ação. Numa leitura mais aprofundada, Mesters nos ensina que nossas comunidades devem ser o Samaritano nos dias de hoje. Veja a meditação completa na página 02. Chegando a pagina 03, você encontrará o brilhante artigo escrito por José M. Castillo apresentando-nos o Papa Francisco como um “Papa Universal”, um Pastor que livremente transita entre ovelhas dos mais diferentes rebanhos, pois as enxerga, apesar de suas diferenças, como sendo de um mesmo rebanho. Ainda na página 03, trazemos para você a reportagem feita por Marco Politi para o Jornal italiano – Il Fatto Quotidiano, sob o título “Quem quer a cabeça do Papa Francisco”. Trata-se de uma reportagem que nos fará pensar sobre as ações do nosso querido Papa, que tem se mostrado como Pastor de um rebanho sedento, quando muitos esperavam um papa teólogo, monárquico e ostentador, portando objetos, trajes e tantas outras coisas luxuosas, mas, sobretudo, que adotasse uma linguagem que fossem capazes de mantê-lo distante de seu povo. Contrariando a todos esses, Papa Francisco aproxima-se cada vez mais dos feridos, desprezados, rejeitados, sofridos, e porque não dizer, esquecidos por políticos, religiosos e intelectuais. Vale a pena uma boa leitura. 1º Encontro de Leigos e Leigas na Igreja Itaquera – 10 de Agosto Maiores detalhes na página 07 4º Encontro das Escolas de Fé, Política, Cidadania e Justiça CIEJA de Campo Limpo 03 de Agosto Maiores informações na Página 07 Encontro sobre Animação Bíblica Paróquia São Francisco de Assis Ermelino Matarazzo - 08 de Agosto Veja detalhes na página 07 As “Palavras de Francisco” estão na página 04. Trata-se da Homilia proferida pelo Papa durante a Missa que celebrou em Lampedusa, em meio aos emigrantes que ali aportam. O Santo Padre lembrou de todos aqueles que morreram durante a tentativa de chegar em território europeu em busca de liberdade e uma nova vida. Não foram somente as palavras do Papa que incomodaram a muitos e fizeram tantos outros refletirem sobre seus atos diante do sofrimento dos mais pobres, peregrinos rejeitados e abandonados em terra estranha a espera de um Samaritano. Leonardo Boff, na página 5, aborda em sua reflexão a movimentação das correntes política de direita visando desestabilizar o governo da Presidenta Dilma Rousseff, na tentativa de iniciar uma trajetória sorrateira objetivando resgatar seu antigo poder político sobremaneira, aquele ligado ao poder de Estado a partir do qual garantiam seu enriquecimento fácil. Boff nos aponta também a ação das mídias privadas e familiares empenhadas fervorosamente nesta empreitada. Leia com atenção. Ainda na página 05 você encontrará o artigo escrito por Frei Betto, abordando a questão dos protestos sem propostas que se espalharam por todo o Brasil. Nas páginas 06 e 07, apresentamos nosso calendário de eventos para o mês atual e os próximos. Serão eventos que trarão renovadas esperanças para nossa caminhada. Por fim, na página 08, você encontra os endereços eletrônicos que recomendamos para pesquisas e estudos. O IPDM está de portas abertas para acolher todos e todas que desejarem cerrar fileiras conosco em nossa jornada. Participe você também. “De esperança em esperança, na Esperança sempre”, Equipe de Produção L I T U R G I A I T U José Antonio Pagola R G “Sede compassivos como o vosso Pai é compassivo”. Esta é a herança que Jesus deixou à humanidade. Para I compreender a revolução que quer introduzir na história, temos de ler com atenção o Seu relato do “bom samaritano”. Nele descreve-se a atitude que temos de promover, mais para lá das nossas crenças e posições A ideológicas ou religiosas, para construir um mundo mais humano. Na vala de um caminho solitário jaz um ser humano, roubado, agredido, despojado de tudo, meio morto, abandonado à sua sorte. Neste ferido sem nome e sem pátria resume Jesus a situação de tantas vítimas inocentes maltratadas injustamente e abandonadas nas valas de tantos caminhos da história. No horizonte aparecem dois viajantes: primeiro um sacerdote, logo um levita. Os dois pertencem ao mundo respeitado da religião oficial de Jerusalém. Os dois atuam de forma idêntica: “veem o ferido, dão uma volta y passam ao largo”. Os dois fecham os seus olhos e o seu coração, aquele homem não existe para eles, passam sem deter-se. Esta é a crítica radical de Jesus a toda a religião incapaz de gerar nos seus membros um coração compassivo. Que sentido tem uma religião tão pouco humana? Pelo caminho vem um terceiro personagem. Não é sacerdote nem levita. Nem sequer pertence à religião do Templo. No entanto, ao chegar, “vê o ferido, comove-se e aproxima-se”. Logo, faz por aquele desconhecido tudo o que pode para resgatá-lo com vida e restaurar a sua dignidade. Esta é a dinâmica que Jesus quer introduzir no mundo. Em primeiro lugar é não fechar os olhos. Saber “olhar” de forma atenta e responsável para o que sofre. Este olhar pode-nos libertar do egoísmo e da indiferença que nos permitem viver com a consciência tranquila e a ilusão de inocência no meio de tantas vítimas inocentes. Ao mesmo tempo, “comover-nos” e deixar que o seu sofrimento nos doa também a nós. O decisivo é reagir e “aproximar-nos” do que sofre, não para nos perguntarmos se tenho ou não alguma obrigação de ajudá-lo, mas para descobrir de perto que é um ser necessitado que nos está a chamar. A nossa atuação concreta revelará a nossa qualidade humana. Tudo isto não é teoria. O samaritano do relato não se sente obrigado a cumprir um determinado código religioso ou moral. Simplesmente, responde à situação do ferido inventando toda uma classe de gestos práticos orientados para aliviar o seu sofrimento e restaurar a sua vida e a sua dignidade. Jesus conclui com estas palavras. “Vai e faz tu o mesmo”. Em: www.eclesalia.wordpress.com/2013/07/10 Frei Carlos Mesters O texto que Lucas nos convida a refletir nesse próximo domingo, fala do Bom Samaritano. Naquele tempo, havia muito preconceito contra os samaritanos. Eles eram mal vistos. Dizia-se deles que tinham uma doutrina errada e que não faziam parte do povo de Deus. Alguns diziam que ser samaritano era coisa do diabo. Mesmo assim , Jesus coloca os os samaritanos como exemplo e modelo para os outros. Acompanhe! 1. Situando Ao descrever a longa viagem de Jesus a Jerusalém, Lucas ajuda as comunidades a entender melhor em que consiste a Boa Nova do Reino. Ele faz isto apresentando pessoas que vêm falar com Jesus e lhe fazem perguntas. São perguntas reais do povo do tempo de Jesus e são também perguntas reais das comunidades do tempo de Lucas. Por exemplo, no texto de hoje, um doutor da Lei pergunta: "O que devo fazer para obter a vida eterna?" A resposta, tanto do doutor como de Jesus, ajuda a entender melhor o objetivo da Lei de Deus. Lendo o Evangelho de Lucas, as comunidades devem ter dito muitas vezes o mesmo que nós dizemos quando lemos o evangelho: "É que nem hoje!" O texto traz a tão conhecida parábola do Bom Samaritano. Toda vez que Jesus tem uma coisa importante para comunicar, ele conta uma história, faz uma parábola, uma comparação, para ajudar as pessoas a pensar e a descobrir a mensagem. Meditar uma parábola é o mesmo que aprofundar a vida, a fim de descobrir dentro dela os apelos de Deus. 2. Comentando Lucas 10,25-26: "O que devo fazer para herdar a vida eterna?" - Um doutor, conhecedor da lei, quer provocar Jesus e pergunta: "O que devo fazer para herdar a vida eterna?" O doutor acha que deve fazer algo para poder herdar. Ele quer garantir a herança pelo seu próprio esforço. Mas uma herança não se merece. Herança a gente recebe, pelo fato de ser filho ou filha. Como filhos e filhas não podemos fazer nada para merecer a herança. Podemos é perdê-la! Lucas 10,27-28: A resposta do doutor - Jesus responde com uma nova pergunta: "O que diz a lei?" O doutor responde corretamente. Juntando duas frases da Lei, ele diz: "Amar a Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, com toda a tua força e com todo o teu entendimento e ao próximo como a ti mesmo!" A frase vem do Deuteronômio e do Levítico. Jesus aprova a resposta e diz: "Faz isto e viverás!" O importante, o principal, é amar a Deus! Mas Deus vem até mim no próximo. O próximo é a revelação de Deus para mim. Por isso, devo amar também o próximo de todo o coração, de toda a alma, com toda a força e com todo o entendimento! Lucas 10,29: "E quem é o meu próximo?" - Querendo justificar-se, o doutor pergunta: "E quem é o meu próximo?" Ele quer saber: "Em que próximo Deus vem até mim?" Ou seja, qual é a pessoa humana próxima de mim que é revelação de Deus para mim? Para os judeus, a expressão próxima estava ligada ao clã. Quem não era do clã, não era próximo. A proximidade era baseada nos laços de raça e de sangue. Jesus tem outra maneira de ver. Ele conta a parábola do Bom Samaritano para nos comunicar este seu novo modo de ver o próximo. Vejamos: Lucas 10,30-36: A parábola - a) Lucas 10,30: O assalto na estrada de Jerusalém para Jericó - Entre Jerusalém e Jericó encontra-se o deserto de Judá, refúgio de marginais e assaltantes. Jesus conta um caso real que deve ter acontecido muitas vezes. "Um homem ia descendo de Jerusalém a Jericó e caiu na mão de assaltantes, que lhe arrancaram tudo e o espancaram. Depois foram embora, e o deixaram quase morto". b) Lucas 10,31-32: Passagem de um sacerdote e de um levita - Casualmente, passa um sacerdote e, em seguida, um levita. São funcionários do Templo, da religião oficial. Os dois viram o assaltado, mas passaram adiante. Não fizeram nada. Por que não fizeram nada? Jesus não o diz. Ele deixa você supor ou se identificar. Deve ter acontecido muitas vezes, tanto no tempo de Jesus como no tempo de Lucas e hoje, uma pessoa de igreja passar perto de um pobre sem dar-lhe ajuda. Pode até ser que os dois tenham tido a justificativa: "Ele não é meu próximo!" ou "Ele está impuro e, se eu tocar nele, ficarei impuro também!" Ou: "Se eu ajudar, perco a missa do domingo e faço pecado mortal!" c) Lucas 10,33-35: Passagem de um samaritano - Em seguida, chega um samaritano em viagem. Ele vê, move-se de compaixão, aproxima-se, cuida das chagas, coloca o homem no seu próprio animal, leva-o até a hospedaria, cuida dele durante a noite e, no dia seguinte, dá ao dono da hospedaria o salário de dois dias dizendo: "Cuida dele e o que gastares a mais no meu regresso te pago!" É ação concreta e eficiente. É ação progressiva: chegar, ver, mover-se de compaixão, aproximar-se e partir para a ação. Não é sem motivo que a parábola diz "um samaritano em viagem". Jesus também estava em viagem. Jesus é o bom samaritano. As comunidades devem ser o bom samaritano. Lucas 10,36-37: Quem dos três foi o próximo do homem assaltado? - No início, o doutor tinha perguntado: "Quem é o meu próximo?" Por trás da pergunta estava a preocupação consigo mesmo. Ele queria saber: "A quem Deus me manda amar, para que eu possa ter a consciência em paz e dizer: Fiz tudo que Deus pede de mim?" No fim, Jesus traz outra pergunta: "Quem dos três foi o próximo do homem assaltado?" A condição de próximo não depende da raça, do parentesco, da simpatia, da vizinhança ou da religião. A humanidade não está dividida em próximos e não próximos. Para você saber quem é o seu próximo, isto depende de você chegar, ver, mover-se de compaixão e se aproximar. Se você se aproximar, o outro será o seu próximo! Depende de você e não do outro! Jesus inverteu tudo e tirou a segurança que a observância da lei poderia dar ao doutor. 3. Alargando 1. A raiz da solidariedade. Jesus disse que os dois mandamentos do amor a Deus e do amor ao próximo são o resumo de toda a lei e dos profetas (Mt 22,40). De fato, se Deus é Pai, todos nós temos que ser irmão e irmã uns dos outros. Aí, já não é possível amar a Deus sem amar o próximo. Deus vem a nós no próximo. Jesus não só ensinava que Deus é Pai de todos, mas ele se colocava do lado daqueles que, em nome da lei de Deus, eram excluídos da participação na comunidade. Ele os acolhia na sua comunidade. Jesus era a encarnação daquilo que ensinava, e os pobres o percebiam e se alegravam. 2. A palavra "samaritano" vem de Samaria, capital do reino de Israel no Norte. Depois da morte de Salomão, em 931 antes de Cristo, as dez tribos do Norte se separaram do reino de Judá no Sul e formaram um reino independente (1Rs 12,1-33). O Reino do Norte sobreviveu durante uns 200 anos. Em 722, o seu território foi invadido pela Assíria. Grande parte da sua população foi deportada (2Rs 17,5-6) e gente de outros povos foi trazida para Samaria (2Rs 17,24). Houve mistura de raça e de religião (2Rs 17,25-33). Desta mistura nasceram os samaritanos. Os judeus do Sul desprezavam os samaritanos como infiéis e adoradores de falsos deuses (2Rs 17,34-41). Chegaram ao ponto de dizer que ser samaritano era coisa do diabo (Jo 8,48). Muito provavelmente, a causa deste ódio não era só a raça e a religião. Era também um problema político-econômico, ligado à posse da terra. Esta rivalidade perdurava até o tempo de Jesus. Em: www.cebi.org.br/2013/07/10 L I T U R G I A José M. Castillo Acabamos de nos inteirar que o papa Francisco pensa em canonizar João Paulo II e João XXIII. Antes, já havia sido dito que também pensa em beatificar dom Romero. E, agora, sabemos que o Papa está pensando em beatificar Álvaro del Portillo, o sucessor de São Josemaría Escrivá de Balaguer na prelazia do Opus Dei. Caso reflitamos, por um momento, que os defuntos que são elevados à honra dos altares representam – entre outras coisas – o modelo da Igreja que se quer apresentar como exemplo para todos os cristãos, torna-se inevitável questionar-se sobre qual a ideia que o papa Francisco possui a respeito do tipo de Igreja que, neste momento, convém ao mundo. Porque é evidente que a Igreja da Polônia (a de João Paulo II) não é a mesma Igreja do Vaticano II (a de João XXIII). Como também a Igreja que era promovida por dom Romero não se parece muito com a Igreja que o Opus Dei sustenta. Há alguns dias, aqui mesmo, eu escrevia que “o papa Francisco não tem marcha ré”. É verdade que não? Não estamos vendo que o papa Bergoglio dá um passo para uma direção com a mesma facilidade pela qual parece que o dá na direção contrária? Portanto, com o que ficamos? A primeira coisa que parece ser razoável para responder estas perguntas é que, segundo a definição do Concílio Vaticano I (DH 3064) e o ensinamento do Vaticano II (LG 22), o Papa tem potestade suprema sobre a Igreja universal. Logicamente, isto quer dizer que o bispo de Roma, como sucessor de Pedro, é o papa de todos os cristãos por igual. O mesmo daqueles que se sentem identificados com as ideias de João Paulo II ou Álvaro del Portillo, com daqueles que se identificam com João XXIII ou dom Romero. É claro, desde que não se prejudique a fé, é permitido sentir-se mais próximo da maneira de pensar, de viver e de aparecer em público deste Papa ou do outro. No entanto, a chave de tudo o que estamos tratando aqui não são questões dogmáticas de fé. Estamos falando de presumíveis intenções papais. Intenções que dariam margem para suspeitar que o papa Francisco deseja certo modelo de Igreja ou que prefere outro. Colocado isto, não há dúvida que o papa Francisco deu provas de sobra que prefere um modelo de exercer o papado que busca se inspirar na simplicidade e humildade do Evangelho de Jesus de Nazaré, o que supõe ir se despojando de manifestações de pompa e luxo que pouco ou nada tem a ver com a imagem de Jesus que os Evangelhos nos oferecem. Pois bem, se Francisco é papa para todos os cristãos, é igualmente tanto para os cristãos de uma mentalidade como para os de outra. Ao ser eleito papa, Francisco se encontrou com uma Igreja dividida e, em não poucos assuntos, com uma Igreja dividida em grupos opostos. Com as coisas desta forma, é obrigação do Papa não fomentar, nem manter a divisão e o enfrentamento, mas, muito pelo contrário, ajudar na tolerância, respeito e união. Se é que o papa Francisco pensa que o melhor para a união da Igreja é beatificar ou canonizar as pessoas mencionadas ou outras semelhantes, nós, os crentes em Jesus de Nazaré, o que temos que fazer é respeitar o papa Bergoglio em suas decisões. Não apenas respeitá-lo, mas, especialmente, unir-nos a ele. E, unidos ao Papa, ajudar a todos a recompor a unidade da Igreja. Por isso – se é que a Igreja nos importa de verdade –, a única coisa razoável que podemos fazer é deixar de puxar cada um o tapete do outro, com a intenção de (seja pelo que for) ficar por cima daqueles que consideramos nossos adversários. Apenas a Apenas a união de todos com todos, em torno da bondade que aprendemos no Evangelho de Jesus, poderá ser decisiva para a renovação da Igreja. Para terminar, quero apenas acrescentar que tomar seriamente esta postura na vida pode nos custar muito. No Sermão da Montanha, Jesus nos ensinou, inclusive, a renunciar o exercício de nossos próprios direitos humanos. Na medida em que nos unamos ao Papa nesta postura fundamental, nessa mesma medida estaremos fazendo o mais eficaz que podemos fazer, neste momento, para o futuro dessa Igreja pela qual todos nós sonhamos. E que será – caso se realize este projeto – uma força de reconstrução e humanização deste mundo, no qual se tornará possível viver com paz e esperança. Em: www.ihu.com.br/09/07/2013 Reportagem de Marco Politi – Il Fatto Quotidiano Após o abalo provocado pela viagem a Lampedusa, o tiro ao alvo recomeçou. "Uma coisa é a pregação religiosa, outra é a gestão por parte do Estado" do fenômeno da imigração em que se movem grupos criminosos, criticou o expoente do PDL Fabrizio Cicchitto. No tripúdio das flechas envenenadas, encontraram-se Il Giornale, Giuliano Ferrara, Rádio Padania. Ferrara, em uma melosa carta ao "caro Francisco", praticamente chama o papa de deficiente, porque não teria entendido que a globalização e a liberdade dos mercados garantem "emancipação e libertação" para as massas do Terceiro Mundo. Na realidade, Bergoglio e toda a doutrina social da Igreja de Wojtyla em diante nunca condenaram a globalização, mas sim o liberalismo selvagem que abusa dela. Pouco importa, Ferrara adverte Bergoglio contra os "demagogos". Na mesma linha, Giordano Bruno Guerri, no Il Giornale, evoca melancolicamente o risco de que Francisco seja transformado em "fã dos clandestinos". Guerri protesta contra aqueles defensores do papa, que seriam "pecadores públicos, infratores de meia dúzia de mandamentos, indivíduos sem arrependimento". Mais forte é a fera da Rádio Padania. A "católica" Laura se diz indignado porque "eu nunca ouvi o papa se preocupar com os massacres que estes combinam". "Estes" são naturalmente os imigrantes... "Por que ele não os leva ao Vaticano?", grita um tal Luigi. Uma certa Giovanna vai direto ao ponto: "Eu esperava algumas palavras para aqueles que são mortos e estuprados por eles". Não é apenas folclore. Nos bastidores, o núcleo granítico do conservadorismo eclesiástico, especialmente nas suas camadas mais reacionárias, sorri satisfeito com as polêmicas. Chega desse "papa bonzinho", deu a entender há tempos atrás o site Messa in Latino. A hierarquia eclesiástica antirreforma, por enquanto, se cala. É típico nos sistemas em que vigora o poder absoluto de um só homem e em que todas as estruturas formalmente lhe devem obediência – e há ao menos mil anos, desde Gregório VII, a Igreja Católica é isso – que os dignitários da oposição se mantenham discretamente nas sombras, deixando que estourem conflitos sobre questões aparentemente marginais, utilizando alfinetes até torná-los uma arma letal. Durante a perestroika de Gorbachev, um ataque dos mais violentos contra a política de renovação partiu de uma obscura professora de Leningrado, Nina Andreeva, que enviou uma carta ao jornal Soviestkaya Rossia. Os grossos calibres antiperestroika se aproveitaram e reforçaram a sua campanha contra os reformadores. O Papa Francisco irrita os conservadores obtusos, os prelados briguentos, os cínicos amantes do poder: por causa da limpeza que ele quer introduzir nos assuntos vaticanos, por causa da coerência que ele espera do clero, por causa das críticas aos bispos-príncipes, por causa da intenção de abolir a monarquia absoluta católica, fazendo com que os bispos participem no governo da Igreja. Uma reforma nada pequena da Cúria! E assim há meses – sob o olhar complacente de velhos grupos de poder de vestes violetas ou de cor púrpura – teve início o turbilhão de golpes baixos em sites e jornais. Ferrara denunciou-o por "ternura demais", Marcello Veneziani o comparou a uma possível "caricatura", Marco Bertoncini, no jornal Italia Oggi, o acusou hoje de distorcer o Evangelho, que condenaria apenas a "riqueza injusta", o sociólogo Gianfranco Morra o fustigou porque ele não foi ao famoso concerto, definindo toda a sua comunicação com os fiéis como marcada por "arquétipos populistas". É a acusação à qual aderem tantos sites, que o imputam de "populismo, pauperismo, demagogia"... Sem falar das críticas por ter transgredido os textos litúrgicos, lavando os pés na Quinta-feira Santa na prisão de Casal di Marmo de mulheres e até de muçulmanos! O jornal Avvenire, dos bispos italianos, no entanto, parece muito preocupado com os ataques antipapais do ex-muçulmano, excatólico, ex-ocidentalista apaixonado Magdi Allam (bem conectado com o catolicismo mais nostálgico), que, nas Lettere dessa terçafeira, lhe dedica um espaço desproporcional. O diretor Marco Tarquinio se diz entristecido. "Alarmado" seria a palavra certa. Porque quanto mais o Papa Bergoglio continuar no caminho que ele estabeleceu para si mesmo, mais fortemente se elevará a onda da oposição prelatícia subterrânea. O momento mais perigoso será quando ele conseguir dar ao episcopado mundial algum poder qualquer de codecisão, como antecipou o cardeal hondurenho Maradiaga, coordenador do "conselho da coroa" de oito cardeais. Não é por acaso que, entre o povo romano, desde março, circula a pergunta: "Até quando deixarão Francisco agir?". L I T U R G I A Em: www.ihu.com.br/11/07/2013 Homilia proferida pelo Papa Francisco em Lampedusa Emigrantes mortos no mar; barcos que em vez de ser uma rota de esperança, foram uma rota de morte. Assim recitava o título dos jornais. Desde há algumas semanas, quando tive conhecimento desta notícia (que infelizmente se vai repetindo tantas vezes), o caso volta-me continuamente ao pensamento como um espinho no coração que faz doer. E então senti o dever de vir aqui hoje para rezar, para cumprir um gesto de solidariedade, mas também para despertar as nossas consciências a fim de que não se repita o que aconteceu. Que não se repita, por favor. Antes, porém, quero dizer uma palavra de sincera gratidão e encorajamento a vós, habitantes de Lampedusa e Linosa, às associações, aos voluntários e às forças de segurança, que tendes demonstrado – e continuais a demonstrar – atenção por pessoas em viagem rumo a qualquer coisa de melhor. Sois uma realidade pequena, mas ofereceis um exemplo de solidariedade! Obrigado! Obrigado também ao Arcebispo Dom Francesco Montenegro pela sua ajuda, o seu trabalho e a sua solidariedade pastoral. Saúdo cordialmente a Presidente da Câmara Senhora Giusi Nicolini, muito obrigado por aquilo que fez e faz. Desejo saudar os queridos emigrantes muçulmanos que hoje, à noite, começam o jejum do Ramadã, desejando-lhes abundantes frutos espirituais. A Igreja está ao vosso lado na busca de uma vida mais digna para vós e vossas famílias. A vós digo: oshià! Nesta manhã quero, à luz da Palavra de Deus que escutamos, propor algumas palavras que sejam sobretudo uma provocação à consciência de todos, que a todos incitem a refletir e mudar concretamente certas atitudes. "Adão, onde estás?": é a primeira pergunta que Deus faz ao homem depois do pecado. "Onde estás, Adão?". E Adão é um homem desorientado, que perdeu o seu lugar na criação, porque presume que vai tornar-se poderoso, poder dominar tudo, ser Deus. E quebra-se a harmonia, o homem erra; e o mesmo se passa na relação com o outro, que já não é o irmão a amar, mas simplesmente o outro que perturba a minha vida, o meu bem-estar. E Deus coloca a segunda pergunta: "Caim, onde está o teu irmão?" O sonho de ser poderoso, ser grande como Deus ou, melhor, ser Deus, leva a uma cadeia de erros que é cadeia de morte: leva a derramar o sangue do irmão! Estas duas perguntas de Deus ressoam, também hoje, com toda a sua força! Muitos de nós – e neste número me incluo também eu – estamos desorientados, já não estamos atentos ao mundo em que vivemos, não cuidamos nem guardamos aquilo que Deus criou para todos, e já não somos capazes sequer de nos guardar uns com os outros. E, quando esta desorientação atinge as dimensões do mundo, chega-se a tragédias como aquela a que assistimos. "Onde está o teu irmão? A voz do seu sangue clama até Mim", diz o Senhor Deus. Esta não é uma pergunta posta a outrem; é uma pergunta posta a mim, a ti, a cada um de nós. Estes nossos irmãos e irmãs procuravam sair de situações difíceis, para encontrarem um pouco de serenidade e de paz; procuravam um lugar melhor para si e suas famílias, mas encontraram a morte. Quantas vezes outros que procuram o mesmo não encontram compreensão, não encontram acolhimento, não encontram solidariedade! E as suas vozes sobem até Deus! Uma vez mais vos agradeço, habitantes de Lampedusa, pela solidariedade. Recentemente falei com um destes irmãos. Antes de chegar aqui, passaram pelas mãos dos traficantes, daqueles que exploram a pobreza dos outros, daquelas pessoas para quem a pobreza dos outros é uma fonte de lucro. Quanto sofrem! E alguns não conseguiram chegar. "Onde está o teu irmão?" Quem é o responsável por este sangue? Na literatura espanhola, há uma comédia de Félix Lope de Vega, que conta como os habitantes da cidade de Fuente Ovejuna matam o Governador, porque é um tirano, mas fazem-no de modo que não se saiba quem realizou a execução. E, quando o juiz do rei pergunta "quem matou o Governador", todos respondem: “Fuente Ovejuna, senhor". Todos e ninguém! Também hoje assoma intensamente esta pergunta: Quem é o responsável pelo sangue destes irmãos e irmãs? Ninguém! Todos nós respondemos assim: não sou eu, não tenho nada a ver com isso; serão outros, eu não certamente. Mas Deus pergunta a cada um de nós: "Onde está o sangue do teu irmão que clama até Mim?" Hoje ninguém no mundo se sente responsável por isso; perdemos o sentido da responsabilidade fraterna; caímos na atitude hipócrita do sacerdote e do levita de que falava Jesus na parábola do Bom Samaritano: ao vermos o irmão quase morto na beira da estrada, talvez pensemos "coitado" e prosseguimos o nosso caminho, não é dever nosso; e isto basta para nos tranquilizarmos, para sentirmos a consciência em ordem. A cultura do bem-estar, que nos leva a pensar em nós mesmos, torna-nos insensíveis aos gritos dos outros, faz-nos viver como se fôssemos bolas de sabão: estas são bonitas mas não são nada, são pura ilusão do fútil, do provisório. Esta cultura do bem-estar leva a indiferença a respeito dos outros; antes, leva à globalização da indiferença. Neste mundo da globalização, caímos na globalização da indiferença. Habituamo-nos ao sofrimento do outro, não nos diz respeito, não nos interessa, não é responsabilidade nossa! Reaparece a figura do "Inominado" de Alexandre Manzoni. A globalização da indiferença torna-nos a todos "inominados", responsáveis sem nome nem rosto. "Adão, onde estás?" e "onde está o teu irmão?" são as duas perguntas que Deus coloca no início da história da humanidade e dirige também a todos os homens do nosso tempo, incluindo nós próprios. Mas eu queria que nos puséssemos uma terceira pergunta: "Quem de nós chorou por este facto e por factos como este?" Quem chorou pela morte destes irmãos e irmãs? Quem chorou por estas pessoas que vinham no barco? Pelas mães jovens que traziam os seus filhos? Por estes homens cujo desejo era conseguir qualquer coisa para sustentar as próprias famílias? Somos uma sociedade que esqueceu a experiência de chorar, de "padecer com": a globalização da indiferença tirou-nos a capacidade de chorar! No Evangelho, ouvimos o brado, o choro, o grande lamento: "Raquel chora os seus filhos (...), porque já não existem". Herodes semeou morte para defender o seu bem-estar, a sua própria bola de sabão. E isto continua a repetir-se... Peçamos ao Senhor que apague também o que resta de Herodes no nosso coração; peçamos ao Senhor a graça de chorar pela nossa indiferença, de chorar pela crueldade que há no mundo, em nós, incluindo aqueles que, no anonimato, tomam decisões socioeconômicas que abrem a estrada aos dramas como este. "Quem chorou?" Quem chorou hoje no mundo? Senhor, nesta Liturgia, que é uma liturgia de penitência, pedimos perdão pela indiferença por tantos irmãos e irmãs; pedimos perdão, Pai, por quem se acomodou e se fechou no seu próprio bem-estar que leva à anestesia do coração; pedimos perdão por aqueles que, com as suas decisões a nível mundial, criaram situações que conduzem a estes dramas. Perdão, Senhor! Senhor, fazei que hoje ouçamos também as tuas perguntas: "Adão, onde estás? Onde está o sangue do teu irmão?" Em: www.ihu.unisinos.br/09/07/2013 Leonardo Boff É notório que a direita brasileira especialmente aquela articulação de forças que sempre ocupou o poder de Estado e o tratou como propriedade privada (patrimonialismo), apoiada pela mídia privada e familiar, estão se aproveitando das manifestações massivas nas ruas para manipular esta energia a seu favor. A estratégia e fazer sangrar mais e mais a Presidenta Dilma e desmoralizar o PT e assim criar uma atmosfera que lhes permite voltar ao lugar que por via democrática perderam. Se por um lado não podemos nos privar de críticas ao governo do PT (e voltaremos ao tema), mas críticas construtivas, por outro, não podemos ingenuamente permitir que as transformações político-sociais alcançadas nos últimos 10 anos sejam desmoralizadas e, se puderem, desmontadas por parte das elites conservadoras. Estas visam a ganhar o imaginário dos manifestantes para a sua causa que é inimiga de uma democracia participativa de cariz popular. Seria grande irresponsabilidade e vergonhosa traição de nossa parte, entregar à velha e apodrecida classe política aquilo que por dezenas de anos temos construído, com tantas oposições: um novo sujeito histórico, o PT e partidos populares, com a inserção na sociedade de milhões de brasileiros. Esta classe se mostra agora feliz com a possibilidade de atuar sem máscara e mostrando suas intenções antes ocultas: finalmente, pensa, temos chance de voltar e de colocar esse povo todo que reclama reformas, no lugar que sempre lhe competiu historicamente: na periferia, na ignorância e no silenciamento. Aí não incomoda nem cria caos na ordem que por séculos construímos; mas, que, se bem olharmos, é ordem na desordem ético-social. Esta pretensão se liga a algo anterior e que fez história. É sabido que com a vitória do capitalismo sobre o socialismo estatal do Leste europeu em 1989, o Presidente Reagan e a primeira ministra Thatcher inauguraram uma campanha mundial de desmoralização do Estado, tido como ineficiente e da política como empecilho aos negócios das grandes corporações globalizadas e à lógica da acumulação capitalista. Com isso visava-se a chegar ao Estado mínimo, debilitar a sociedade civil e abrir amplo espaço às privatizações e ao domínio do mercado, até conseguir a passagem de uma sociedade com mercado para uma sociedade de puro mercado no qual tudo, mas tudo mesmo, da religião ao sexo, vira mercadoria. E conseguiram. O Brasil sob a hegemonia do PSDB se alinhou ao que se achava o marco mais moderno e eficaz da política mundial. Protagonizou vasta privatização de bens públicos que foram maléficos ao interesse geral. Que isso foi uma desgraça mundial se comprova pelo fosso abissal que se estabeleceu entre os poucos que dominam os capitais e as finanças e a grandes maiorias da humanidade. Sacrifica-se um povo inteiro como a Grécia, sem qualquer consideração, no altar do mercado e da voracidade dos bancos. O mesmo poderá acontecer com Portugal, com a Espanha e com a Itália. A crise econômico-financeira de 2008, instaurada no coração dos países centrais que inventaram esta perversidade social, foi consequência deste tipo de opção política. Foram os Estados que tanto combateram que os salvaram da completa falência, produzida por suas medidas montadas sobre a mentira e a ganância (greed is good), como não se cansa de acusar o prêmio Nobel de economia Paul Krugman. Para ele, estes corifeus das finanças especulativas deveriam estar todos na cadeia como criminosos. Mas continuam aí faceiros e rindo. Então, se devemos criticar a nossa classe política por ser corrupta e o Estado por ser ainda, em grande parte, refém da macroeconomia neoliberal, devemos fazê-lo com critério e senso de medida. Caso contrário, levamos água ao moinho da direita. Esta se aproveita desta crítica, não para melhorar a sociedade em benefício do povo que grita na rua, mas para resgatar seu antigo poder político especialmente, aquele ligado ao poder de Estado a partir do qual garantia seu enriquecimento fácil. Especialmente a mídia privada e familiar, cujos nomes não precisam ser citados, está empenhada fervorosamente nesta empreitada de volta ao velho status quo. Por isso, as demonstrações devem continuar na rua contra as tramoias da direita. Precisam estar atentas a esta infiltração que visa a mudar o rumo das manifestações. Elas invocam a segurança pública e a ordem a ser estabelecida. Quem sabe, até sonham com a volta do braço armado para limpar as ruas. Dai, repetimos, cabe reforçar o governo de Dilma, cobrar-lhe, sim, reformas políticas profundas, evitar a histórica conciliação entre as forças em tensão e a oposição para juntas novamente esvaziar o clamor das ruas e manterem um status quo que prolonga benefícios compartilhados. Inteligentemente sugeriu o analista político Jeferson Miolo em Carta Maior (07/7/2013): "Há uma grave urgência política no ar. A disputa real que se trava nesse momento é pelo destino da sétima economia mundial e pelo direcionamento de suas fantásticas riquezas para a orgia financeira neoliberal. Os atores da direita estão bem posicionados institucionalmente e politicamente… A possibilidade de reversão das tendências está nas ruas, se soubermos canalizar sua enorme energia mobilizadora. Por que não instalar em todas as cidades do país aulas públicas, espaços de deliberação pública e de participação direta para construir com o povo propostas sobre a realidade nacional, o plebiscito, o sistema político, a taxação das grandes fortunas e do capital, a progressividade tributária, a pluralidade dos meios de comunicação, aborto, união homoafetiva, sustentabilidade social, ambiental e cultural, reforma urbana, reforma republicana do Estado e tantas outras demandas históricas do povo brasileiro, para assim apoiar e influir nas políticas do governo Dilma?”. Desta forma, se enfrentarão as articulações da direita e se poderá com mais força reclamar reformas políticas de base que vão na direção de atender a infraestrutura reclamada pelo povo nas ruas: melhor educação, melhores hospitais públicos, melhor transporte coletivo e menos violência na cidade e no campo. Em. www.adital.com.br/11/07/2013 Frei Betto Que conceito de desenvolvimento é esse que implica na destruição do meio ambiente e na exclusão de bilhões de pessoas do direito a uma vida digna e feliz? No altar da concepção capitalista de desenvolvimento, 25 milhões de pessoas, a maioria jovens, são condenadas ao desemprego nos países da União Europeia. Em todo o mundo, uma insatisfação paira no coração dos jovens . Ela não se reflete apenas na irreverência do corte de de cabelo, no jeans esfarrapado, nas tatuagens e nos piercings. Emerge principalmente nas manifestações de rua que se propagam mundo afora: Seattle 1999 (contra a Organização Mundial do Comércio); Davos 2000 (contra os donos do dinheiro); Inglaterra 2010 (contra os cortes no orçamento da Educação); Tunísia 2010-2011 (derrubada do presidente); Egito 2011 (derrubada do presidente); Nova York 2011 (Occupy Wall Street); Istambul 2013 (por mais democracia); Brasil 2013. Há um denominador comum em todos esses movimentos: os jovens sabem o que não querem (ditadura, neoliberalismo, desemprego, corte de direitos sociais, alta do custo de vida etc.), mas não têm clareza do que propor. Devido ao alto índice de corrupção nos partidos políticos, e a cooptação operada pelo poder do capital, a ponto de a esquerda desaparecer na Europa, a juventude não identifica nos partidos condutos capazes de representar os anseios populares e criarem alternativas de poder. Como previu Robert Michels em 1911, os partidos progressistas facilmente se deixam domesticar pelas benesses burguesas quando se tornam governo. Trocam o projeto de país pelo projeto de poder; afastam-se dos movimentos sociais e se aproximam de seus antigos adversários; deixam de questionar o capitalismo para propor medidas cosméticas de melhorias de vida dos mais pobres. A queda do Muro de Berlim, o fracasso do socialismo no Leste europeu e o capitalismo de Estado na China fazem o socialismo se apagar no horizonte utópico dos jovens. Na esperança de abrir alternativas, o Fórum Social Mundial propõe Um Outro Mundo Possível, e a Teologia da Libertação resgata o sumak kawsay (bem viver) dos indígenas andinos e sugere Outros Mundos Possíveis, no plural, no qual a igualdade de direitos não ameace a diversidade de culturas. O capitalismo em crise tenta, de todas as maneiras, multiplicar os sete fôlegos do gato neoliberal. Ignora as recomendações da ONU para a crise financeira (como fechar os paraísos fiscais) e se recusa a regulamentar o capital especulativo. No esforço de se perpetuar, o sistema da idolatria do capital propõe remendos novos em pano velho: capitalismo verde; combate à pobreza através de programas sociais compensatórios (e não emancipatórios); troca da liberdade individual por segurança; desprestígio dos movimentos sociais; criminalização do descontentamento popular. O óbvio é que o capitalismo representa um êxito para apenas 1/3 da humanidade. Segundo a ONU, 4 bilhões de pessoas vivem abaixo da linha da pobreza. O sistema se mostra mais destrutivo que criativo. Até os partidos progressistas, outrora considerados de esquerda, já não têm proposta alternativa e, quando no poder, se restringem a ser meros gestores da crise econômica. Foi preciso o Brasil ir às ruas para a presidente Dilma propor a reforma política, a primeira medida estrutural em 10 anos de governo petista. Agora faltam as demais: agrária, tributária etc. Não basta denunciar as mazelas e os abusos do sistema, como costuma fazer a Igreja Católica. É preciso apontar causas e alternativas. Caso contrário, a insatisfação dos jovens se transformará em revolta, e esta em ninho aconchegante para o ovo da serpente: o nazifascismo. Em. www.adital.com.br/11/07/2013 Segunda -Feira Terça - Feira Quarta - Feira Quinta - Feira Sexta - Feira Exposição do dia com a Professora Marisa do CEBI – Centro de estudos Bíblicos. Tema do dia: O Evangelho de Lucas – tema central do Mês da Bíblia de 2013. Exposição do dia com o Dominicano Frei Carlos Josaphat - OP Tema do dia: “Como Evangelizar e formar Crianças, Jovens e Idosos nos dias de hoje?” Exposição do dia com o Bispo Dom Angélico Sândalo Bernardino. Tema do dia: “Comunidade de Comunidades – a nova Paróquia” Exposição do dia com Rodrigo Crivelaro, da Pastoral e do Conselho da Juventude de Sta. Bárbara D’Oeste – SP. Tema do dia: Significados das Jornadas Mundiais da Juventude. Celebração da Santa Missa – Igreja Servidora. 1ª Leitura: Ex 18, 10-27; 2ª Leitura: At 6, 1-7; Evangelho: Mc 10, 35-45. Ofício Divino "O Feminino: caminho a Deus e caminho de Deus" Leonardo Boff 10 de Julho – Quarta-Feira – 20h00 "Os processos que sustentam e promovem a vida no planeta: espanto e encanto" Marina Silva - Ex-Ministra do Meio Ambiente - Brasília 11 de Julho – Quinta-Feira – 20h00 "O Feminino: caminho a Deus e caminho de Deus" Dra. Ivone Gebara – Teóloga Feminista - Recife 12 de Julho – Sexta-Feira – 20h00 "Participação num mundo sem referências" Dra. Maristela Bernardo- Jornalista/Socióloga - Brasília 13 de Julho – Sábado – 20h00 "Cabe a nós, cada um e a cada uma de nós, religar-nos à beleza da vida" Monja Waho - Comunidade Budista – São Paulo 14 de Julho – Domingo – 10h00 "Magnificat: o cântico de Maria, o cântico dos pobres” Ana Flora Anderson – Exegeta – São Paulo 15 de Julho – Segunda-Feira – 20h00 "Educação de meninas e meninos na sociedade do espetáculo” Dra. Valéria Garrido – Pedagoga – São Paulo 16 de Julho – Terça-Feira – 20h00 "Sociedade em crise: ausência de filosofia?” Dra. Marilena Chauí - Filósofa – São Paulo PARÓQUIA NOSSA SENHORA DO CARMO ITAQUERA - 10 a 16 de JULHO 2013 PARÓQUIA NOSSA SENHORA DO CARMO - Praça da Matriz s/n – Centro - Itaquera REC – REDE DE ESCOLAS DE CIDADANIA - SÃO PAULO 4º Encontro das Escolas de Fé, Política, Cidadania e Justiça Local: CIEJA – Campo Limpo Rua Cabo Estácio Conceição nº 176 – Campo Limpo – São Paulo – SP Data e horário: 03 de Agosto de 2013 das 9h00 às 13h00 (Encerraremos nosso encontro com almoço de confraternização) O estudo de questões que envolvem Fé, Política, Justiça e Cidadania são uma valiosa fonte de aprendizado e formação. Participe você também. Maiores informações podem ser obtidas com: Embu: Valdeci: [email protected] - Escola Novo Encontro: Êda: [email protected] Mogi das Cruzes: Pedro: [email protected] - Zona Leste 1 (Belém): Mônica: [email protected] Zona Leste: Deise: [email protected] - Zona Sul: Joyce: [email protected] Paróquia São Francisco de Assis Rua Miguel Rachid, 997-Ermelino Matarazzo Fone 2546-4254 Neste encontro, teremos a oportunidade de estudar e aprofundar nossos conhecimentos sobre a Palavra de Deus a partir da Constituição Dogmática “Dei Verbum” e da Exortação Apostólica “Verbum Domini”. Não perca esta oportunidade. Organize grupos em sua paróquia, comunidade ou grupo de rua e venham caminhar conosco nesta jornada. Conhecer a Palavra de Deus é conhecer a verdade que liberta. Para maiores informações, envie e-mail para: Caíque: [email protected] - Murinho: [email protected]; Dia– Horário - Local Centro Social Marista de Itaquera Av. do Contorno nº 198 – Itaquera – São Paulo – SP (Junto à Estação Itaquera do Metrô) A CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil definiu “Leigos na Igreja” como tema de trabalho para 2014. De nossa parte, sempre nos preocupamos com a condição dos Leigos na Igreja e defendemos maior participação destes nas diversas áreas pastorais intra e extra-eclesial. Este primeiro encontro, será o início de uma trajetória que contará com o Pré-Congresso de Leigos e Leigas, a ser realizado no mês de Maio de 2014, em preparação para o Grande Congresso de Leigos e Leigas que faremos realizar no mês de Outubro de 2014. Um grupo de Leigos e Leigas do IPDM, produziram um conjunto de 7 textos propostos como elementos norteadores para debates e estudos nas paróquias e comunidades, em preparação para o encontro de agosto que está a disposição de todos os interessados. Para maiores informações sobre o encontro ou para obter os textos produzidos, escreva para: André: [email protected] ou Deise: [email protected] Para maiores informações e Com a Teóloga, Socióloga e Escritora Tema do encontro Santuário Nossa Senhora da Paz Av. Maria Luiza Americano, 1550 - Cidade Líder – São Paulo – SP Maiores informações podem ser obtidas com: Eduardo: [email protected] - Lucas: [email protected] - Vinicius: [email protected] R E U N I Õ E S COORDENAÇÃO Os membros da Coordenação do IPDM realizarão suas reuniões bimestrais sempre nas 3as Terças-Feiras dos meses impares. 16 de Julho / 17 de Setembro / 19 de Novembro As reuniões serão realizadas sempre às 20h00 na Paróquia São Francisco de Assis da Vila Guilhermina Praça Porto Ferreira, 48 - Próximo ao Metro Guilhermina - Esperança PADRES – RELIGIOSOS – RELIGIOSAS As reuniões entre os padres, religiosos e religiosas e Agentes de Pastorais serão realizadas sempre na última Sexta-Feira dos meses pares. 30 de Agosto / 25 de Outubro / 29 de Novembro As reuniões serão realizadas sempre às 9h30 no CIFA – Paróquia Nossa Senhora do Carmo de Itaquera Rua Flores do Piauí, 182 - Centro de Itaquera Os endereços eletrônicos abaixo indicados contêm riquíssimo material para estudos e pesquisas. Por certo, poderão contribuir muito para o aprendizado de todos nos mais diversos seguimentos. www.adital.org.br - Esta página oferece artigos/opiniões sobre movimentos sociais, política, igrejas e religiões, mulheres, direitos humanos dentre outros. O site oferece ainda uma edição diária especial voltada aos jovens.Ao se cadastrar você passa a receber as duas versões diárias. www.amaivos.com.br - Um dos maiores portais com temas relacionados à cultura, religião e sociedade da internet na América Latina, em conteúdos, audiência e serviços on-line. www.cebi.org.br - Centro de estudos bíblicos, ecumênico voltado para a área de formação abrangendo diversos seguimentos tais como: estudo bíblico, gênero, espiritualidade, cidadania, ecologia, intercâmbio e educação popular. www.cnbb.org.br - Página oficial da CNBB disponibiliza notícias da Igreja no Brasil, além de documentos da Igreja e da própria Conferência. www.ihu.unisinos.br - Mantido pelo Instituto Humanitas Unisinos o site aborda cinco grandes eixos orientadores de sua reflexão e ação, os quais constituem-se em referenciais inter e retrorrelacionados, capazes de facilitar a elaboração de atividades transdisciplinares: Ética, Trabalho, Sociedade Sustentável, Mulheres: sujeito sociocultural, e Teologia Pública. www.jblibanio.com.br - Página oficial do Padre João Batista Libânio com todo material produzido por ele. www.mundomissao.com.br - Mantida pelo PIME aborda, sobretudo, questões relacionadas às missões em todo o mundo. www.religiondigital.com - Site espanhol abordando questões da Igreja em todo o mundo, além de tratar de questões sobre educação, religiosidade e formação humana. www.cartamaior.com.br - Site com conteúdo amplo sobre arte e cultura, economia, política, internacional, movimentos sociais, educação e direitos humanos dentre outros. www.nossasaopaulo.org.br - Página oficial da Rede Nossa São Paulo. Aborda questões de grande importância nas esferas políticoadministrativas dos municípios com destaque à cidade de São Paulo. www.pastoralfp.com - Página oficial da Pastoral Fé e Política da Arquidiocese de São Paulo. Pagina atualíssima, mantém informações diárias sobre as movimentações políticas-sociais em São Paulo e no Brasil. www.vidapastoralfp.com - Disponibilizado ao público pela Paulus editora o site da revista Vida Pastoral torna acessível um vasto acervo de artigos da revista classificados por áreas temáticas. Excelente fonte de pesquisa. www.paulus.com.br – A Paulus disponibiliza a Bíblia Sagrada edição Pastoral online/pdf. www.consciencia.net/acervo-digital-disponibiliza-toda-a-obra-de-paulo-freire/ - acervo Paulo Freire completo disponível neste endereço. http://www.news.va/pt - Pronunciamentos do Papa Francisco diretamente do Vaticano. Papa Francisco