A VISÃO DOS ALUNOS DO ENSINO MÉDIO SOBRE O ENSINO DE GEOGRAFIA: UM ESTUDO DE CASO DO INSTITUTO FEDERAL GOIANO – CAMPUS MORRINHOS Danyla Martins Rezende/ UEG - UnU Morrinhos [email protected] Lucineide Mendes Pires/ UEG - UnU Morrinhos [email protected] A GEOGRAFIA ESCOLAR: REFLEXÕES SOBRE O PROCESSO DE ENSINO-APRENDIZAGEM A Geografia, enquanto ciência, apresenta uma história particular, pois se constituiu, primeiramente, como saber escolar. Esteve voltada para organizar as informações sobre o mundo para, posteriormente, se tornar alvo de uma investigação científica (OLIVEIRA, 2003). A difusão das diversas correntes de pensamento geográfico influenciou intensamente a Geografia Escolar, imprimindo características até hoje notáveis nas práticas pedagógicas escolares. A Geografia escolar teve início no século XIX, porém seus primeiros professores não tinham formação específica. Em geral, eram viajantes, naturalistas e historiadores. As reflexões sobre a importância do conteúdo no processo ensino-aprendizagem tem sido motivo de discussões nos últimos anos. No final da década de 1980 e início de 1990, essas discussões ganham corpo com o construtivismo. Essa teoria pedagógica se propunha a trabalhar o conteúdo de maneira concreta e dinâmica. Nessa linha de pensamento, o aluno seria o centro do processo educativo, o sujeito de sua própria aprendizagem. O professor seria o facilitador. A partir da nova LDB/96, os conteúdos voltam a fazer parte das discussões através dos PCNs (Parâmetros Curriculares Nacionais), propondo uma mudança de enfoque aos conteúdos curriculares. Dessa forma, ao invés de um ensino em que o conteúdo é visto como fim em si mesmo, os PCNs propõem um ensino em que o conteúdo seja visto como meio para que os alunos desenvolvam capacidades que lhes permitam produzir e usufruir dos bens culturais, sociais e econômicos. Mesmo com a implantação de leis e teorias diversas, o que se observa é que essas propostas ainda não atingiram seus objetivos na totalidade. As aulas continuam despertando pouco interesse aos alunos, os quais, na maioria das vezes buscam apenas a aprovação. A falta de interesse do aluno em sala de aula tem sido motivo de reflexões de muitos professores. Algumas críticas têm sido feitas por educadores e pesquisadores de um modo geral, responsabilizando a forma como são trabalhados os conteúdos em sala de aula e, fundamentalmente, centram-se no distanciamento desses conteúdos da vida dos estudantes. Esses conteúdos, muitas vezes, estão dissociados da realidade dos alunos, por não contemplarem suas experiências pessoais e nem fazer sentido algum em suas vidas. No caso específico da disciplina de Geografia, objeto de estudo desta pesquisa, é ponto consensual entre os pesquisadores que seu ensino tem sido desenvolvido de forma enfadonha, marcado por um enciclopedismo e por uma enumeração mecânica de fatores de ordem natural e social presentes num dado território. Alguns professores adotam uma postura estanque do processo educativo, levando a Geografia ser vista pelos alunos como uma disciplina sem nenhuma aplicação prática fora da sala de aula. Isso tem despertado nos alunos uma noção de inutilidade, gerando o desinteresse pelos estudos geográficos. Para alguns autores, o ensino e a aprendizagem da Geografia escolar se caracterizam pela utilização excessiva do livro didático, caracterizada na maioria dos casos pelo enciclopedismo, pelo excesso e reprodução de conteúdos e pela negligência dos conhecimentos anteriores dos alunos, adquiridos no seu espaço de vida (CAVALCANTI, 1998; CARLOS, 1999). Segundo Bomfim (2004), a relação entre a Geografia e a construção dos conhecimentos escolares, os espaços vivido pelos alunos tem um papel fundamental, pois através das práticas sociais no espaço os alunos desenvolvem estratégias que podem contribuir para o seu aprendizado na Geografia escolar. Oliveira (1994, p.04), afirma que “o saber que vem sendo ensinado nas escolas sobretudo de primeiro e segundo graus ainda está muito longe de permitir aos jovens a compreensão do mundo em que vivem e muito menos ainda tem permitido abrir-lhes horizontes para sua transformação”. Nesse sentido, o autor denuncia o rompimento da ligação do conteúdo ensinado com a vida dos alunos. Na concepção de Lima (2007, p. 55), a Geografia escolar promove a falsa idéia de que está abrindo o mundo para o aluno entender e conhecer outras realidades quando fala de rios, climas, vegetação, população etc. No entanto, o que se vê é que esse discurso não consegue elaborar um entendimento da lógica da territorialidade dos lugares construídos pelos homens. Nessa perspectiva, para que a Geografia escolar seja eficaz na formação da consciência do aluno acerca de sua realidade espacial é preciso que o professor conduza o aluno a compreender tanto a lógica espacial local como a lógica espacial global e, concomitante a isso, a articulação desta última com a sua realidade. A Geografia escolar deve estar comprometida com a transmissão de conteúdos teóricos que possibilitem ao aluno a compreensão da organização espacial como um processo histórico que ocorre a partir do momento que os homens transformam a natureza para satisfazer as suas necessidades. Dessa forma, o espaço geográfico deve ser analisado em suas especificidades e dinâmicas próprias, bem como nas suas interações. Os assuntos abordados pela Geografia em sala permitem que os alunos conheçam fatos ocorridos em outros espaços. Tais fatos podem influenciar em sua relação com o meio em que vivem, assim como as ações do local podem influenciar outros espaços distantes. Segundo Callai (1999, p. 58): A Geografia que o aluno estuda deve permitir que ele se perceba como participante do espaço que estuda, onde os fenômenos que ali ocorreram são resultados da vida e do trabalho dos homens e estão inseridos num processo de desenvolvimento. [...] O aluno deve estar dentro daquilo que está estudando e não fora, deslocado e ausente daquele espaço, como é a Geografia que ainda é muito ensinada na escola: uma Geografia que trata o homem como um fato a mais na paisagem, e não como um ser social e histórico. Há, pois necessidade de construir uma Geografia escolar que permita aos alunos estabelecer conexões entre os conteúdos ensinados em sala de aula para além do espaço da escola. É possível pensar num ensino de Geografia não esteja desvinculado da realidade dos alunos, em que o ensino dos conteúdos geográficos não esteja apenas centrado na fala do professor, no quadro, no livro didático, nos questionários e nas correções. Acredita-se que essas formas de ensinar negam outras possibilidades de aprendizagem, capazes de relacionar as experiências vividas no cotidiano dos alunos ao conhecimento da Geografia escolar, o que poderá despertar, sem sombras de dúvida, maior interesse e maior compreensão, e o mais importante ação-reflexão. 2. ASPECTOS TEÓRICO-METODOLÓGICOS DA PESQUISA A ampla dimensão inicial do campo da investigação pretendida, impôs ao trabalho, um recorte teórico e metodológico, capaz de proporcionar um olhar de dentro do "contexto", no qual as questões norteadoras da pesquisa pudessem se tornar visíveis: a escola e a sala de aula. A perspectiva proposta, baseada na análise exploratória do cotidiano escolar e focada nas concepções construídas pelos alunos sobre o ensino de Geografia, indicou a escolha da investigação qualitativa através da metodologia do estudo de caso. Na pesquisa qualitativa, segundo Bogdan e Biklen (1994), a fonte direta dos dados se apresenta como um ambiente "natural", no qual podem ocorrer as situações investigadas, exigindo que o investigador mantenha um contato direto e intenso com o campo de investigação. A abordagem do estudo de caso tornou-se pertinente por possibilitar o recorte necessário e a imersão possível no contexto, no qual se desenvolve um determinado tipo de currículo e de ensino. Os estudos de caso, segundo Lüdke e André (1986, p.18 ) "enfatizam a 'interpretação em contexto', [ou seja], um princípio básico desse tipo de estudo é que, para uma apreensão mais completa do objeto, é preciso levar em conta o contexto em que ele se situa". Dessa forma, as questões colocadas no estudo deverão estar sempre em confrontamento com o contexto, do qual possam emergir. Da mesma forma, os elementos e situações que se tornarem visíveis ao pesquisador, no âmbito do tema da pesquisa, deverão ser analisados mediante a dialética do contexto e do cotidiano em que se localizam. A partir destas orientações, a investigação foi realizada com os alunos do Ensino Médio do Instituto Federal Goiano – Campus Morrinhos. A escolha dessa instituição de ensino apresenta-se como uma opção que tem suas raízes no meu interesse como estagiária e, no momento, como pesquisadora. O ambiente escolhido constitui-se como similar a muitos outros, mas, ao mesmo tempo, torna-se distinto e particular, por representar um espaço do qual possam emergir elementos que contribuam para a se chegar ao objetivo desta pesquisa - analisar a visão dos alunos do Ensino Médio sobre o ensino de Geografia no Instituto Federal Goiano – Campus Morrinhos. O estudo de caso permitiu, então, uma maior aproximação com o contexto escolar e, principalmente, com o interior da sala de aula, tornando possível documentar o não documentado e desvelar os processos implícitos no cotidiano do ensino. Para a apreensão da dinâmica escolar, entrecortada pelo conhecimento escolar e, mais especificamente, pela forma como esse conhecimento é selecionado e organizado, foi realizado um processo sistemático de coleta de dados no interior da escola. O processo se iniciou com a observação do cotidiano da escola, sua forma de organização e aspectos particulares do ambiente. Esse contato inicial com o cotidiano da escola se deu, de forma intensa, nos meses de abril e maio de 2009 e se prolongará, paralelamente ao desenvolvimento dos outros procedimentos da pesquisa, até o mês de setembro, do mesmo ano. Para compreender a visão dos alunos sobre o ensino de Geografia, foi utilizado como instrumento metodológico um questionário, o qual foi aplicado a todos os alunos do Ensino Médio do Instituto Federal Goiano – Campus Morrinhos. A aplicação dos questionários aconteceu de forma totalmente tranquila, sendo acompanhado pela professora da disciplina de Geografia. Com relação à escolha do formato das perguntas contidas no questionário, consideramos mais adequadas para a pesquisa a utilização, em sua maioria, de questões semi-abertas, de forma que os alunos ficassem livres para responder os questionamentos propostos. Para a organização e análise do material de investigação optamos pelo método de análise de conteúdo que, segundo Lüdke e André (1986, p. 41) é “[...] um método de investigação do conteúdo simbólico das mensagens”. Inserido em uma perspectiva de pesquisa qualitativa, o método criado por Bardin (1995) é composto por um conjunto de técnicas de análises, também, em textos escritos que tem por objetivo a obtenção de indicadores quantitativos ou não que permitam inferir conhecimentos relativos às condições de produção/recepção das mensagens. Segundo Barros e Lehfeld (1996, p.70), a análise de conteúdo é um conjunto de técnicas de análise das diferentes formas de comunicação, portanto, pode ser utilizada quando se quer ir além dos significados aparentes, da leitura simples do real, “é atualmente utilizada para estudar e analisar material qualitativo, buscando-se melhor compreensão de uma comunicação ou discurso, de aprofundar suas características gramaticais às ideológicas e outras, além de extrair os aspectos mais relevantes”. Assim, buscamos a partir da análise de conteúdo, identificar os sentidos e os significados atribuídos por esses alunos acerca da Geografia escolar, bem como apresentar alguns elementos que podem servir como balizadores da reflexão, discussão e melhorias no ensino da Geografia escolar. 3. A VOZ E A VEZ DOS ALUNOS: O QUE ELES TÊM A DIZER ACERCA DO ENSINO DE GEOGRAFIA 3.1 A instituição escolar selecionada para a pesquisa O antigo CEFET Morrinhos passou a se chamar Instituto Federal Goiano – Campus Morrinhos, desde dezembro de 2008. A nova denominação está disposta na Lei 11.892, que criou os Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia. Essas instituições fazem parte do reordenamento e expansão da rede de educação profissional e tecnológica em curso pelo Governo Federal. Em atividade desde 1997, o Instituto Federal Goiano – Campus Morrinhos é hoje a única instituição pública federal que oferece Educação Profissional gratuita na região Sul de Goiás nas áreas de Agropecuária, Química e Informática. Suas instalações, situadas às margens da BR-153, têm área total de 200 ha e cerca de 20 m2 de área construída. O Campus Morrinhos do Instituto Federal Goiano é composto por pavilhão administrativo, salas de aula, refeitório, biblioteca, cooperativa, almoxarifado, centro de vivência, auditório, vila de residentes, ginásio de esportes e laboratórios para ensino e pesquisa (informática, carnes, laticínio, legumes, panificação, avicultura, suinocultura, bovinocultura, horta, culturas anuais, fruticultura, mecanização agrícola, plantas medicinais, solos e controle biológico de pragas). Entre o quadro de aproximadamente 100 servidores há profissionais altamente qualificados: pós-doutor, doutores, mestres e especialistas. O Instituto Federal Goiano – Campus Morrinhos oferece, além do Ensino Médio, seis cursos técnicos, um tecnológico e uma pós-graduação. Com a autonomia administrativa, financeira e pedagógica adquirida por meio da Lei 11.892/09, a expectativa é de breve ampliação da oferta de cursos. O ingresso dos alunos na instituição é feito por meio de vestibular e exames de seleção. A instituição procura ser um espaço público e democrático de formação humana, científica e tecnológica, onde todos os servidores e alunos sejam responsáveis por esse espaço de promoção mútua. Tem como princípio a defesa da educação pública, gratuita e de qualidade, a autonomia e preservação da identidade institucional, uma gestão democrática e transparente, com descentralização gerencial e compromisso social, a adesão à tecnologia a serviço da promoção humana. Os principais valores são a probidade administrativa, a valorização do ser humano e na estreita observância de valores éticos, o respeito à pluralidade e divergências de idéias, sem discriminação de qualquer natureza e a devida valorização do trabalho e responsabilidade funcional. 3.2 O aluno e sua visão sobre a disciplina de Geografia A primeira questão do questionário aplicado aos alunos procurou identificar quais as maiores dificuldades que os alunos tinham para aprender os conteúdos geográficos. As justificativas dadas pelos sujeitos a essa questão, revelam algumas representações que costumam ser construídas para caracterizar a disciplina de Geografia. Vejamos o que alguns alunos disseram: porque é a disciplina mais teórica que temos, juntamente com a história; é uma matéria bastante difícil e decorativa; eu encontro dificuldade porque ela é abrangente demais. Trata dos assuntos relacionados ao homem e ao meio ambiente ao mesmo tempo. É coisa demais para aprender em uma só disciplina; não vejo a aplicabilidade dessa disciplina na minha vida, assim não gosto e, com isso, acho ela difícil. Como se observa, para a maioria dos sujeitos, Geografia é uma disciplina difícil, muito teórica e que, de certa forma, parece ser inútil para eles. Essas manifestações são motivadas pelas representações sociais construídas sobre a Geografia que, de certa forma, afetam a relação do aluno com essa disciplina. Analisando os resultados, verifica-se que essas representações sociais, que consideram a Geografia uma disciplina difícil, não afetam diretamente a construção e a supervalorização do medo dos alunos serem reprovados, pois, segundo eles, essa disciplina não reprova. No entanto, é preciso que seja feito um trabalho de desmistificação da imagem criada em torno da Geografia, para que não se atribua a essa disciplina nada além do que ela realmente significa. Uma das questões pedia para os alunos escreverem três palavras ou frases que vinham em sua cabeça quando ele pensava em Geografia. O objetivo dessa questão foi obter os estereótipos mais freqüentes em relação à disciplina. Esse tipo de questão é conhecido como teste de associação de palavras, o mais antigo dos testes projetivos. Geralmente é utilizado para fazer surgir espontaneamente associações relativas às palavras exploradas ao nível dos estereótipos que produzem. Para Bardin (1995), estereótipo é a idéia que temos de alguma coisa. A imagem que surge espontaneamente. É a representação de um objeto (coisas, pessoas, idéias) mais ou menos desligada da sua realidade objetiva, partilhada pelos membros de um grupo social com certa estabilidade. Corresponde a uma medida de economia na percepção da realidade, visto que uma composição semântica pré-existente, geralmente muito concreta e imagética, organizada em redor de alguns elementos simbólicos simples, substitui ou orienta imediatamente a informação objetiva ou a percepção real. Para o autor, o estereótipo é uma estrutura cognitiva e não inata (submetida à influência do meio cultural, da experiência pessoal, de instâncias e de influências privilegiadas como as comunicações de massa), o estereótipo, no entanto, mergulha as suas raízes no afetivo e no emocional, porque está ligado ao preconceito por ele racionalizado, justificado ou engendrado (BARDIN, 1995, p.51-52). Analisando as repostas dos alunos, observa-se que as palavras ou frases mais associadas a Geografia são: difícil; decorativa; é muito difícil; é muito complicada; cansativa; teórica etc. Como se observa, a imagem da disciplina está fortemente associada às palavras “teórica e decorativa”, as quais sintetizam os estereótipos mais comuns criados em torno dessa disciplina. Esses estereótipos são responsáveis, portanto, pela disseminação da imagem que costuma ser feita sobre a Geografia, a qual exerce influência no comportamento e nas atitudes dos alunos em sala de aula. Pode-se dizer que em geral, boas atitudes implicam em aprendizagem e ensino melhores. Da mesma forma, a concepção que se tem da Geografia influi na maneira em que se estude e na maneira em que se ensina a essa disciplina. Sendo o aluno produto de uma sociedade, ele agirá conforme suas representações sociais, as quais são construídas pelo seu grupo, o qual atribui significados aos diversos objetos sociais, entre eles a disciplina de Geografia. Através das representações sociais o aluno forma seus conceitos sobre as diversas disciplinas trabalhadas na escola e esses (pré)conceitos podem influenciar o seu desempenho escolar. Disciplinas tidas como fáceis podem ser fixadas com facilidades, aquelas tidas como decorativas, difíceis e teóricas são deixadas de lado. Assim, é importante que as ações dos professores voltem-se para tentar mudar a imagem construída sobre a Geografia, de modo a obter dos alunos atitudes positivas em relação ao ensino dessa disciplina. Ao tentar conhecer qual a atividade considerada mais importante para a aprendizagem, nas aulas de Geografia, obteve-se o seguinte resultado: a) 35% dos alunos preferiram as aulas com tecnologia: vídeos educativos, retroprojetor e pesquisas na Internet; b) 25% sugeriram trabalhos de campo para se conhecer na prática a teoria dada em sala de aula, em c) 10% indicou pesquisas individuais sobre tudo o que acontece no mundo atual; d) 5% escolheu ler, analisar e responder perguntas sobre o texto estudado; e) 15% preferiram trabalhos com mapas, gráficos e pinturas. Percebe-se que os conteúdos devem ser significativos para que os alunos reflitam sobre as suas vivências e as produções humanas, materializadas no seu espaço de convívio direto e nas organizações das sociedades de tempos e espaços diferentes, reconhecendo-as como sendo decorrentes das contradições. Esses conteúdos devem desenvolver no aluno competências, pensamento crítico, análise, argumentação e raciocínio lógico. Neste contexto surge o questionamento: a carga horária e a vivência em sala de aula são suficientes na abordagem dos conteúdos de Geografia? Nosso objetivo, quando feita a pergunta, era o de saber qual a visão do aluno a esse respeito e se isso o influenciava no gosto pela Geografia. As respostas obtidas foram: não porque é muito conteúdo; não deveria ser quatro períodos; não porque quando estamos no meio da aula de Geografia o sinal bate; sim o número de aulas já é o bastante para ficarmos sabendo o pouco estudado em sala de aula. A maioria dos entrevistados (78%) considerou insuficiente o número de horas aula e manifestam até a intenção de aumentá-las. Apenas 22% consideram que as aulas são suficientes e que poderiam até ser menos aulas por semana. Isso demonstra que, para alguns, as aulas de Geografia não estão sendo relevantes e não possuem grande significado em suas vidas. O que se percebe, através dos dados coletados, é que o aluno, muitas vezes, gostaria de viver uma aula diferente, participativa, voltada para a realidade, discutindo assuntos que o levem a entender o momento atual, as diferenças e as desigualdades, exercitando e construindo desta forma a cidadania. Apesar de algumas respostas positivas, verificou-se o desinteresse pelas aulas de Geografia. Isto nos leva a concluir que as mesmas não são significativas e relevantes para o aluno. Acreditamos ser este um dos grandes desafios para o professor: fazer da aula um momento de prazer e significado. Envolve fazer o aluno partícipe da construção do conhecimento, algo além da simples leitura ou preenchimento de questionários que exigem apenas memória. Percebe-se que o aluno deseja uma aula viva, criativa, contextualizada, descontraída e questionadora. Esta questão enseja, portanto, a necessidade de um redimensionamento nas aulas, buscando novas metodologias, ressignificando o ensino de Geografia. Outra questão relevante é a construção do conhecimento. Os alunos afirmaram que a pesquisa praticamente não acontece, com o uso de diferentes fontes e abordagens. Um aspecto relevante foram as afirmativas de que o ensino de Geografia contribui para a formação da cidadania. Esta questão nos leva a refletir sobre a responsabilidade, podendo dizer também privilégio, que possui o professor ao participar da construção desse jovem cidadão que é o aluno. Sendo assim, a disciplina de Geografia apresenta-se com um papel importantíssimo neste contexto, pois deve motivar a aprendizagem, proporcionando através dos conhecimentos e das reflexões sociais, os meios necessários para que os alunos possam implementar a construção da sua identidade, como cidadão consciente de seu papel, capaz de discernir os limites e as possibilidades de intervir de forma construtiva na sociedade. Para isso, faz-se necessário que a escola oportunize situações e condições para formação deste cidadão. Portanto, a nossa pesquisa teve como objetivo evidenciar os principais problemas enfrentados pelo ensino de Geografia, na ótica do aluno, apontando para a necessidade de que o mesmo deva ser mais atraente, dinâmico, comprometido com a transformação social, levando sempre em consideração e, de forma fundamental, a participação do aluno na construção de um saber geográfico escolar coerente com a realidade em que vive. CONSIDERAÇÕES FINAIS A investigação, portanto, teve como objetivo verificar, através da ótica dos alunos, o desenvolvimento do ensino de Geografia no Instituto Federal Goiano – Campus Morrinhos. Através da análise dos dados coletados junto aos alunos pode-se constatar os desafios existentes, no sentido de transformar este ensino. A perspectiva de explorar a visão do aluno tornou possível constatar idéias de como os mesmos percebem a disciplina, servindo de subsídios para a compreensão, análise e reflexão por parte dos professores que se dedicam ao ensino da Geografia escolar e que estão preocupados com os seus resultados. Este tema de investigação adquire um especial significado por apresentar questões que podem contribuir para que a aula de Geografia adquira uma nova dimensão, servindo como elemento que ajude o aluno a compreender o mundo que está vivendo e que possa nele atuar de forma crítica, exercendo sua cidadania. Portanto, procuramos investigar o ensino de Geografia a partir da visão dos alunos, aqui entendido como suas idéias, opiniões, valores e crenças sobre o exercício do ensino da dessa disciplina, na tentativa de extrair pistas que pudessem servir como orientação às práticas pedagógicas dos professores. Todavia, nossa pesquisa teve como propósito ouvir o que os alunos do ensino médio têm a dizer sobre o ensino de Geografia. Constatou-se que as representações sociais sobre a Geografia são responsáveis pelos estereótipos construídos em torno dessa disciplina, os quais estão fortemente associados as palavras dificuldade, “teórica e decorativa”. Após a análise e discussão das entrevistas podemos elaborar algumas reflexões e considerações. Os alunos reconhecem que a disciplina de Geografia é um momento relevante para que possam compreender a realidade em que vivem. Acreditam, em sua maioria, que a Geografia é uma disciplina de muita aplicabilidade prática e que está presente não só em experiências simples do dia-dia-dia mas, também, em várias áreas do conhecimento humano. Há que se dizer, no entanto, que esta pesquisa encontra-se em desenvolvimento, por isso não apresenta resultados completos. REFERÊNCIAS BARDIN, L. Análise de conteúdo. Lisboa: Edições 70, 1995. BARROS, A de J. P. e & LEHFELD, N. A. de S. Projeto de pesquisa: proposta metodológicas. Petrópolis: Vozes, 1996. BOMFIM, N.R. As representações sociais do espaço a serviço da Geografia escolar. Revista ciência geográfica, ano X, v. X, n.11, p. 252-253, 2004. CALLAI, Helena Copetti. O ensino de Geografia: recortes espaciais para análise. In CASTROGIOVANNI, Antonio Carlos. et. al. Geografia em sala de aula: práticas e reflexões. 2. ed. – Porto Alegre: Editora da Universidade/UFRGS/Associação dos Geógrafos Brasileiros – Seção Porto Alegre, 1999. P. 57-63. LIMA, Gabriela Regina Caldeira Pereira. O tesouro dos mapas – a cartografia dos livros didáticos de Geografia do ensino fundamental. 2007. 179 f. (Dissertação de Mestrado) - Instituto de Geociências da Universidade Estadual de Campinas, Campinas - SP, 2007. SOUZA, José Gilberto; KATUTA, Ângela Massumi. Geografia e conhecimentos geográficos: a cartografia no movimento de renovação da Geografia brasileira e a importância do uso de mapas. 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