DESINTERESSE DOS ALUNOS DO ENSINO FUNDAMENTAL II NAS ESCOLAS ESTADUAIS ELOY PEREIRA E FELÍCIO PEREIRA ARAÚJO EM MONTES CLAROS – MG. CAROLINE GABRIELE TRINDADE QUEIROZ [email protected] Acadêmica do Curso de Licenciatura Plena em Geografia da UNIMONTES BRUNO ALVES NOBRE [email protected] Acadêmico do Curso de Licenciatura Plena em Geografia da UNIMONTES LUDMILLA OLIVA MALVEIRA LOPES [email protected] Acadêmica do Curso de Licenciatura Plena em Geografia da UNIMONTES. INTRODUÇÃO A Geografia escolar aborda fenômenos que correspondem ao cotidiano dos estudantes, portanto pode se tornar uma disciplina que permite uma leitura contextualizada das transformações no espaço geográfico. O ensino de Geografia deve permitir aos alunos uma compreensão crítica da realidade, de modo a colocá-los de forma prepositiva diante dos problemas enfrentados no seu contexto socioeconômico (NETO & BARBOSA, 2010). Destarte, faz presente na relação estabelecida entre professor-aluno, no qual o processo de ensino-aprendizagem visa à articulação da teoria/prática em sala de aula. Freire (1987) nos afirma que o professor deve saber que ensinar não é transferir conhecimento, mas criar possibilidades para a sua própria produção ou construção. Segundo Silva (2010, p. 22) “[...] o ensino de Geografia deve levar os alunos a pensarem o conhecimento enquanto possibilidade de explicação do mundo vivido, não como conceitos fechados e únicos, mas na sua diversidade e nas possibilidades de interpretação da realidade”. Nesta perspectiva, este estudo tem por objetivo analisar as razões da desmotivação e desinteresse dos alunos em aprender Geografia, nas Escolas Estaduais: Eloy Pereira e Felício Pereira Araújo, ambas na cidade de Montes ClarosMG. O caminho metodológico consistiu em levantamento bibliográfico e pesquisa empírica in loco, realizada no Estágio Curricular Supervisionado do 5º período do curso de Licenciatura Plena em Geografia. RESULTADOS OBTIDOS E DISCUSSÃO Na educação escolar a razão do trabalho desenvolvido pelo professor é sem dúvida o aluno, assim sendo é essencial a interação entre eles. Pimenta (2004, p. 232) observa que, [...] esses alunos são sujeitos históricos e contextualizados, com características e especificidades próprias, a serem conhecidas no processo de efetivação do ensino e da aprendizagem. Na maioria das vezes, estão muito distantes dos alunos idealizados que gostaríamos de encontrar em sala de aula. Nem sempre o docente vai encontrar uma boa demanda, pois para muitos estudantes a escola não tem importância. Fato observado na Escola Estadual Felício Pereira de Araújo, onde existe desinteresse em aprender os conteúdos ministrados na disciplina de Geografia. Os estudantes apresentavam um comportamento inaceitável, estavam sempre dispersos, circulavam pela sala livremente, desrespeitavam as ordens do professor. Os alunos preferiam ouvir música em aparelhos eletrônicos, brincar com os celulares ou atirar bolas de papéis nos colegas a se atentar à aula. A professora tentava incessantemente obter a atenção dos alunos, não sendo bem sucedida. Nos raros momentos de silêncio da turma a professora explicava o conteúdo e passava uma atividade. Ao abordar o tema recursos naturais, o monitoramento de bacias hidrográficas através de imagens de satélite, os alunos ficaram curiosos com o novo assunto, se mostraram interessados e até participaram. Não obstante, ainda houve interrupções desnecessárias na aula com piadas e brincadeiras inconvenientes. Apesar disso, ficou claro que inovar a forma de ensinar pode ser uma alternativa para melhorar o ensino aprendizagem. Nas palavras de Aquino (2003, p.62), [...] para os alunos, a sala de aula não é tão atrativa quanto os outros meios de comunicação, e particularmente o apelo da televisão. Por isso, a falta de interesse e apatia em relação á escola. A saída, então, seria ela se modernizar com o uso, por exemplo, de recursos didáticos mais atraentes e assuntos mais atuais (AQUINO, 2003, p. 62). No contexto deve ser inserido recursos didáticos variados, fazer uso de escolar novas metodologias. O docente deve abordar o conteúdo de forma que ocorra a construção do conhecimento. Especialmente o ensino de Geografia que é amplo e complexo, pois envolve aspectos físicos, culturais, sociais, econômicos e políticos entre outros. O método de ensinar deve ser elaborado em parceria professores / alunos, de modo a aperfeiçoar o processo de aprendizagem. Nas salas de aula da Escola Estadual Eloy Pereira reinava a desorganização, a balbúrdia e a completa falta de interesse. O mapeamento da sala não é considerado, os alunos não tratavam a professora com o devido respeito e gentileza, salvo em alguns casos. A educadora não conseguia repassar o conteúdo planejado para as turmas, visto que grande parte do horário é gasto na tentativa de organização dos educandos em seus lugares, além de retirar alunos de outras turmas ou anos escolares da sala de aula. Em muitas vezes, os alunos sequer notavam a presença do professor em sala de aula ou o conteúdo que estava sendo ministrado. O ambiente apresentava-se desagradável, sem possibilidade de aprendizagem. Sobre essa questão, Aquino (2003, p. 59) pontua que “[...] o aluno de hoje em dia é menos respeitador do que o aluno de antes, e que, na verdade, a escola atual teria se tornado mais permissiva, em comparação ao rigor e à qualidade da educação de antigamente”. Diante de toda essa realidade aqui explicada, convém ressaltar que “[...] grande maioria dos professores da rede de ensino sabe muito bem que o ensino atual da Geografia não satisfaz nem ao aluno e nem ao mesmo professor que o ministra [...]” (OLIVEIRA et al, 1989, p. 137). No Estágio Supervisionado foi nítido que a diferença da Geografia produzida nas universidades e a Geografia ensinada nas escolas. O que contribui, também, para o desinteresse discente observado, visto que os professores têm de se contentar a ensinar uma Geografia que apenas lembra remotamente à que ele se graduou. CONSIDERAÇÕES FINAIS Foi possível perceber nos alunos das Escolas Estaduais Felício Pereira de Araújo e Eloy Pereira a falta de interesse em estudar Geografia pelo fato de a aula não ser prazerosa o suficiente para envolvê-los. As aulas de Geografia devem ser mais dinâmicas para envolver o aluno e torná-lo mais participativo, pois a disciplina pode ser trabalhada de forma mais prático e menos teórico. A escola deve, dentro de seu papel, tomar medidas mais rígidas quanto à postura dos alunos em sala de aula e promover o acesso e contato dos pais e responsáveis com o ambiente escolar para participar conjuntamente na educação que não é só disciplinar e cumulativa, mas também é social e formativa, caminhando assim para alcançar um melhor desempenho em relação ao aprendizado. REFERÊNCIAS AQUINO, Júlio Groppa. A indisciplina e o professor: desentranhando equívocos e malentendidos. In: _. A indisciplina na sala de aula. São Paulo: Summus, 2003. p. 58-65. FREIRE, Paulo. A Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra; 1987. NETO, F. O. L.; BARBOSA, M. E. S. O ensino de Geografia na Educação Básica: uma análise da relação entre a Formação do docente e sua atuação na Geografia escolar. Revista Geosaberes. Dezembro/2010. OLIVEIRA, A. U. Educação e Ensino de Geografia na Realidade Brasileira. In: OLIVEIRA, A. U. de. et al (org.). Para onde vai o ensino da Geografia? São Paulo: Contexto, 1989. p. 135-144. PIMENTA, Selma Garrido. Planejando o estágio em forma de projetos. In: _. Estágio e Docência. São Paulo: Cortez, 2004.