XVIII Curso de Prova de Vinhos 15/05/2013 Estação Vitivinícola da Bairrada & DRAP Centro XVIII Curso de Prova de Vinhos Off-flavours ou defeitos 13 a 17 de maio de 2013 Quando não se espera num determinado produto “Os aromas dos vinhos – dos fundamentos químicos ao nariz do provador/consumidor” PARTE 3 – defeitos sensoriais Goreti Botelho [email protected] Escola Superior Agrária de Coimbra Metoxipirazinas Etilfenóis Vinhos oxidados Vinhos com sulfídrico Quando é muito forte Quando é que um Aroma se transforma num Defeito??? Quando as características positivas do produto aumentam após a sua remoção Quando o odor nos lembra algo muito desagradável Anadia, 14 de maio de 2013 Defeitos sensoriais de vinhos Defeitos associados às uvas • Defeitos associados à uva Dois grandes grupos de possíveis defeitos: • Defeitos associados às fermentações • Defeitos associados à maturação • Defeitos associados ao estágio •Defeitos associados às doenças criptogâmicas • Defeitos associados ao envelhecimento em garrafa Elaborado por Goreti Botelho, ESAC 1 XVIII Curso de Prova de Vinhos Defeitos associados às uvas 15/05/2013 Defeitos associados às uvas Defeitos associados à maturação Defeitos associados à maturação IBMP 3-isobutil-2-metoxipirazina Como gerir a concentração de pirazinas nos vinhos? • Análise sensorial dos bagos de uva • Aroma a pimento verde e gosto herbáceo • Conhecer as parcelas • Limiar de detecção: 2 a 8 ng/L vinhos brancos 2 a 16 ng/L vinhos tintos •Controlar a maceração Defeitos associados às uvas Defeitos associados à maturação 1-Hexanol Álcool com 6 carbonos Defeitos associados às uvas Defeitos associados à maturação Como prevenir a formação de compostos em C6? • Vindimar com a maturação adequada • Evitar ao máximo a dilaceração (etapa-chave: prensagem) • Aroma a erva cortada, folhas verdes ou secas • Conseguir rapidamente um mosto límpido Elaborado por Goreti Botelho, ESAC 2 XVIII Curso de Prova de Vinhos Defeitos associados às uvas Defeitos associados à maturação Como diminuir os gostos/aromas herbáceos? • A clarificação é o método mais eficaz para eliminar os gostos/aromas herbáceos • caseína 15/05/2013 Defeitos associados às uvas Odores com origem nas uvas alteradas Geosmina 2MIB 2-Metil-isoborneol • PVPP (polivinilpolipilorridona) • Associação de colas proteicas (gelatina/cola de peixe) Defeitos associados às uvas IPMP 2-isopropil-3-metoxi-pirazina Defeitos associados às uvas Odores com origem nas uvas alteradas Odores com origem nas uvas alteradas Geosmina 2MIB 2-Metil-isoborneol • Gosto/aroma a terra húmida, a beterraba cozida, a húmus • Odor a terra • Limiar de detecção: • Na água 29 ng/L • No vinho 30 ng/L Elaborado por Goreti Botelho, ESAC 3 XVIII Curso de Prova de Vinhos Defeitos associados às uvas Odores com origem nas uvas alteradas 15/05/2013 Defeitos associados às uvas Defeitos associados à maturação IPMP 2-Isopropil-3-metoxipirazina Quais são os factores que favorecem o aparecimento destas moléculas? • Odor a terra ou a vegetal • Chuvas intensas •Limiar de detecção: • Fragilidade da película das uvas Na água 2 ng/L • Ataque pelos fungos Botrytis cinerea Defeitos associados às uvas Defeitos associados à maturação Factores responsáveis pelo desenvolvimento de Penicillium: Defeitos associados às uvas Defeitos associados à maturação Como previnir e eliminar a geosmina? • Favorecer os tratamentos preventivos nas parcelas • Metereologia favorável: chuva durante a maturação e colheita • Temperaturas: 15 a 25 ºC • Clarificação nos mostos brancos e rosés • Bagos bem maduros • Clarificação específica • Cachos densos •Fissura das películas (parasitas, fisiológica, climática, mecânica) Elaborado por Goreti Botelho, ESAC 4 XVIII Curso de Prova de Vinhos Defeitos associados às uvas Odores com origem nas uvas alteradas O odor a fungos • 1-octeno-3-ona •1-octeno-3-ol 15/05/2013 Defeitos associados às uvas Defeitos associados à maturação Odores a fungos? • Compostos produzidos por Botrytis cinerea e outros fungos • Muito difíceis de eliminar (carvão) •2-octeno-1-ol Desvios de origem préfermentativa ou fermentativa Desvios de origem préfermentativa ou fermentativa Três grandes grupos de possíveis defeitos: Ácido acético • Os “clássicos”: os principais produtos do metabolismo das leveduras e das bactérias • Odor a vinagre, sabor acre •As alterações devidas a compostos de enxofre •Limiar de detecção: 750 mg/L •Os defeitos associados ao metabolismo bacteriano Elaborado por Goreti Botelho, ESAC 5 XVIII Curso de Prova de Vinhos Desvios de origem préfermentativa ou fermentativa Múltiplas origens do ácido acético: • Presença inevitável associada ao metabolismo das leveduras •Presença acidental por leveduras, bactérias lácticas e acéticas •Técnicas de produção de vinho são fundamentais na prevenção Desvios de origem préfermentativa ou fermentativa Acetato de etilo 15/05/2013 Desvios de origem préfermentativa ou fermentativa Ácido acético Como prevenir e tratar? • Evitar o stress das leveduras durante a fermentação • Controlar as populações de microrganismos contaminantes • Níveis suficientes de sulfuroso (SO2) nos vinhos •Tratamento curativo: osmose inversa, resinas de adsorção. Desvios de origem préfermentativa ou fermentativa Acetato de etilo Produção por leveduras e bactérias acéticas • Produção durante a FA • Aroma a vinagre, cola, verniz das unhas •Limiar de detecção: 160 mg/L Elaborado por Goreti Botelho, ESAC • Flora de leveduras autóctones da uva, ex. Schizosaccharomyces spp. e Kloeckera spp. • Bactérias acéticas durante o envelhecimento e conservação 6 XVIII Curso de Prova de Vinhos Desvios de origem préfermentativa ou fermentativa 15/05/2013 Desvios de origem préfermentativa ou fermentativa Acetato de etilo Regras práticas para enfrentar este defeito: Ácido acético / Acetato de etilo Prevenção – Conselhos úteis: • Atenção à podridão ácida das uvas • Transporte das uvas da vinha para a adega -Controlo do tempo e da temperatura • Evitar o desenvolvimento de leveduras indígenas e inocular antes do início da FA • Controlar o desenvolvimento das bactérias acéticas durante o estágio dos vinhos Desvios de origem préfermentativa ou fermentativa Ácido acético / Acetato de etilo Prevenção – Conselhos úteis: • Análises sistemáticas da vindima ou do mosto - pH, acidez total, compostos azotados - Correcção da vindima se necessário • Rigor na higiene das cubas e do equipamento todo de vinificação - Limpezas frequentes durante e a vindima e as vinificações; - Limpeza e desinfecção ao longo do ano. Desvios de origem préfermentativa ou fermentativa Compostos de enxofre Sulfureto de hidrogénio Etanotiol • Inoculação com leveduras seleccionadas • Nível de sulfitação adequado ao estado das uvas •Controlo das temperaturas de vinificação • Análise e prova durante a fermentação Elaborado por Goreti Botelho, ESAC Metionol 3-metiltio-1-propanol •Limiar de detecção: 160 mg/L 7 XVIII Curso de Prova de Vinhos 15/05/2013 Desvios de origem préfermentativa ou fermentativa Desvios de origem préfermentativa ou fermentativa Os compostos de enxofre “leves”intervêm nos odores de redução Substâncias Sulfureto de carbonilo Sulfureto de hidrogénio Metanotiol Etanotiol Sulfureto de dimetilo (DMS) Dissulfureto de carbono Limiar de detecção µg/L 0,8 0,3 0,1 5 Descritores Etéreo Ovo Podre Água choca Cebola Marmelo, trufa, borracha Borracha Vinho limpo µg/L Vinho redução µg/L Ponto ebulição 0,4 0,3 0,7 0 1,4 0.7 16,3 5,1 10,8 2 -50 -61 6 35 35 1,7 2,4 46 Desvios de origem préfermentativa ou fermentativa Etanotiol Sulfureto de hidrogénio H2S Aroma a ovos podres Limiar de detecção: 0,8 µg/L Nos vinhos reduzidos, o seu conteúdo é muito superior ao limiar de detecção Formação durante a FA e autólise das leveduras Desvios de origem préfermentativa ou fermentativa Metionol 3-metiltio-1-propanol Aroma a cebola, alho ou a gás natural Limiar de detecção: 1,1 µg/L Aroma a couve flor e batatas cruas cortadas Oxidação em sulfureto de dietilo (limiar de detecção 4,3 µg/L) Limiar de detecção: 1200 µg/L Elaborado por Goreti Botelho, ESAC 8 XVIII Curso de Prova de Vinhos Desvios de origem préfermentativa ou fermentativa 15/05/2013 Desvios de origem préfermentativa ou fermentativa Como evitar problemas devido aos compostos com enxofre? Como eliminar os problemas devido aos compostos com enxofre? • Evitar doses de SO2 excessivas • Gerir bem a defecação • Escolher leveduras seleccionadas • Eliminar o oxigénio • Adição de taninos • Adição de aparas tostadas • Adição de sulfato de cobre • Nutrição das leveduras de fermentação (adição frequente de azoto durante a FA • Gerir bem o estágio sobre borras em barricas Defeitos de origem fermentativa associados ao metabolismo bacteriano Diacetilo Defeitos de origem fermentativa associados ao metabolismo bacteriano Formação do Diacetilo Bactérias lácticas (efeito estirpe – algumas produzem menos) Momento da realização da FML: existem menos notas lácteas se FML realizada em simultâneo com a FA) Aroma: notas a manteiga ou a avelã Limiar de detecção: na ordem dos mg/L Elaborado por Goreti Botelho, ESAC Efeito estágio sobre borras: diminuição por adsorção pelas paredes de leveduras 9 XVIII Curso de Prova de Vinhos Defeitos associados ao envelhecimento e conservação dos vinhos Defeitos de diversas origens: 15/05/2013 Defeitos associados ao envelhecimento e conservação dos vinhos Fenóis voláteis Proliferação de Brettanomyces Subprodução de bactérias lácticas Defeitos associados aos recipientes Defeitos associados ao envelhecimento e conservação dos vinhos Os fenóis voláteis e compostos associados • Elevado interesse do controlo microbiológico COMPOSTO DESCRITOR 4-etilfenol Couro, cavalariça, suor de cavalo 4-etilguaiacol Cravo-da-índia, cravos 4-etil-catecol Especiarias Red Wine Off-flavours Brettanomyces ethyl phenols biosynthesis The enzymatic conversion of vinyl phenols that are derived from cinnamic acids found in wine. • Elevado interesse preventivo do controlo microbiológico comparativamente ao controlo químico ou de prova sensorial p-coumaric acid decarboxylase Elaborado por Goreti Botelho, ESAC Vinylphenol (guaiacol) redutase Cinnamic acid derivatives - 4-vinyl derivatives 4-ethyl derivatives coumaric acid 4-vinylphenol Guaiacol 4-ethylphenol Guaiacol 10 XVIII Curso de Prova de Vinhos 15/05/2013 Percepção de off-odours em vinho Off-flavours nos vinhos Área de impacto Supra-limiar de detecção 0 100 1000 Suor 1 4-Etilfenol Problema Cavalo 2 Animal 3 Couro 4 Fenólico 5 Peri-limiar de detecção 6 Sem efeito Ou quando a soma dos teores de 4-etilfenol e 4etilguaiacol é superior a 0,425 mg/L. 7 Intensidade odorante Existe uma influência negativa no aroma do vinho tinto quando o teor de 4-etilfenol é superior a 0,07 mg/L. Sub-limiar de detecção Fenóis voláteis 10000 Concentração (µg/L) Defeitos associados ao envelhecimento e conservação dos vinhos Defeitos associados ao envelhecimento e conservação dos vinhos Os fenóis voláteis e compostos associados Os fenóis voláteis e compostos associados Estratégias de prevenção: Pequenos conselhos a seguir: • Acompanhamento microbiológico • Decisão de intervenção em função do nível de Brett: geralmente risco a partir de 102 a 103/mL • Gestão do sulfuroso • Gestão da turbidez (clarificar quanto antes) • Segurança microbiológica dos vinhos utilizados para o estágio em barricas de madeira • Eliminação ou tratamento das barricas contaminadas • Evitar contaminações cruzadas • Turbidez e SO2: sulfitar depois de uma trasfega, diminui a taxa de combinação de SO2, logo adição de SO2 é mais eficaz; • Atenção ao consumo de SO2 nas barricas novas nos 3 primeiros meses; • Esperar uma semana depois da adição de SO2 para realizar a contagem de Brett. vivas, caso contrário, não crescerão. Elaborado por Goreti Botelho, ESAC 11 XVIII Curso de Prova de Vinhos Defeitos associados ao envelhecimento TCA : 2,4,6-tricloroanisol 15/05/2013 Defeitos associados ao envelhecimento TCA : 2,4,6-tricloroanisol TeCA: 2,3,4,6-Tetracloroanisol TeCA: 2,3,4,6-Tetracloroanisol Diversas origens possíveis: TCA: contaminações através das rolhas de cortiça Moléculas responsáveis pelo gosto e aroma a mofo Limiares de detecção: TCA: 5 ng/L TeCA: 20 ng/L Defeitos associados ao envelhecimento TCA : 2,4,6-tricloroanisol TeCA: 2,3,4,6-Tetracloroanisol TeCA: contaminação através do ambiente, produtos de limpeza/desinfecção (clorados) Defeitos associados ao envelhecimento 2-Amino-acetofenona (ATA) Como evitá-los? Cuidado com os produtos de tratamento das adegas; Responsável pelo envelhecimento atípico de vinhos brancos secos Controlo dos lotes de rolhas; Utilizar rolhas naturais de cortiça com garantias do fabricante. Elaborado por Goreti Botelho, ESAC Odor a pano molhado, verniz para móveis, naftalina Limiar de detecção: 0,7 a 1 µg/L 12 XVIII Curso de Prova de Vinhos 15/05/2013 Defeitos associados ao envelhecimento Amino-acetofenona (ATA) 2-Amino-acetofenona Como prevenir a ATA? •Mecanismos bioquímicos incompletamente conhecidos Stress hídrico Stress nutritivo Defeitos associados ao envelhecimento Raios UV Enrelvamento • Meios vitícolas: limitar o stress hídrico Ácido indolacético Maturação fisiológica deficitária • Meios enológicos: limitar os fenómenos de oxidação: ácido ascórbico O2 Vindima precoce Rendimento excessivo 2-aminoacetofenona Pequena influência da estirpe e nutrição das leveduras Defeitos associados ao envelhecimento TDN Trimetil-dihidroxinaftaleno Aparece durante o envelhecimento em garrafa •Aroma: odor a Querosene •Limiar de detecção: 20 µg/L •Característico em vinhos velhos de Riesling Elaborado por Goreti Botelho, ESAC 13