PREFEITURA MUNICIPAL DE SÃO JOSÉ FUNDAÇÃO EDUCACIONAL DE SÃO JOSÉ CENTRO UNIVERSITÁRIO MUNICIPAL DE SÃO JOSÉ – USJ CURSO DE ADMINISTRAÇÃO BIANCA REGINA ZIMERMANN PROGRAMA DE TREINAMENTO E DESENVOLVIMENTO DE PESSOAS PARA UMA EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS São José 2011 PREFEITURA MUNICIPAL DE SÃO JOSÉ FUNDAÇÃO MUNICIPAL DE SÃO JOSÉ CENTRO UNIVERSITÁRIO MUNICIPAL DE SÃO JOSÉ – USJ CURSO DE ADMINISTRAÇÃO BIANCA REGINA ZIMERMANN PROGRAMA DE TREINAMENTO E DESENVOLVIMENTO DE PESSOAS PARA UMA EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como requisito para obtenção do título de bacharel em Administração. Orientador: Prof. MSc. Débora Raquel Neuenfeld São José 2011 BIANCA REGINA ZIMERMANN PROGRAMA DE TREINAMENTO E DESENVOLVIMENTO DE PESSOAS PARA UMA EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS Trabalho de conclusão de Curso elaborado como requisito parcial para a obtenção do grau de bacharel Administração do Centro Universitário Municipal de São José – USJ avaliado pela seguinte banca examinadora: ______________________________________ Prof. MSc. Débora Raquel Neuenfeld Orientador ______________________________________ Prof. Dr. Gilson Karkotli Membro Examinador ______________________________________ Prof. MSc. Fernanda Sanchez Membro Examinador São José, 07 de Julho de 2011 Dedico meu trabalho a minha mãe e ao meu namorado pela paciência e confiança depositada em meus estudos e em minha fase acadêmica. AGRADECIMENTOS Esse é o momento de lembrar e agradecer a todas as pessoas que me apoiaram, direta ou indiretamente, no meu caminho acadêmico. Sendo assim, gostaria de agradecer primeiramente a Deus e em segundo meus pais, Laudir e Sônia, e meu namorado, Bruno, pela conclusão deste trabalho que demonstra o esforço dispêndio para minha obtenção do grau de bacharel em administração, pois é graças a eles que obtive a paciência, a confiança e a sabedoria necessárias para a conclusão do curso. Também gostaria de registrar meus agradecimentos a minha orientadora, Débora Raquel Neuenfeld, que me ajudou com toda paciência e dedicação de seu tempo no desenvolvimento e conclusão do presente trabalho, assim como alguns de meus amigos, que contribuíram com o desenvolvimento do mesmo. E finalizando os agradecimentos, gostaria de registrar meu muito obrigado a todos os professores do curso de administração da Universidade Municipal de São José, assim como a empresa que proporcionou a oportunidade de demonstrar tudo àquilo que aprendi no meio acadêmico. As organizações dependem de pessoas para dirigi-las e controlá-las e para fazê-la operar e funcionar. Não há organização sem pessoas. Toda organização é constituída de pessoas e delas depende para seu sucesso e continuidade. Chiavenato, 2008 RESUMO As pessoas são o principal diferencial competitivo das empresas na atual era do conhecimento. Por isso, muito tem sido feito para aprimorar a gestão de pessoas dentro das empresas. Uma das ferramentas utilizadas para é elaboração de um programa de treinamento e desenvolvimento. Este tipo de programa, além de trazer benefícios para a empresa, como manutenção e fortalecimento do seu capital intelectual, proporcionando assim maior vantagem competitiva, também proporciona aos colaboradores motivação, crescimento e reconhecimento profissional. O treinamento é um processo educacional de curto prazo especialmente projetado para auxiliar as pessoas que trabalham nas empresas a desenvolver certas funções de objetivo imediato. Já o desenvolvimento de pessoas dentro das organizações é um processo de aprendizagem para longo prazo desenvolvido em conjunto empresaindivíduo com intuito de aprimorar os conhecimentos, habilidades e atitudes da força de trabalho que compõem uma organização. Nesse contexto, o objetivo do presente trabalho foi o de propor um programa de treinamento e desenvolvimento de pessoas para os colaboradores administrativos da matriz de uma empresa prestadora de serviços. De cunho quantitativo, descritivo e exploratório, esta pesquisa utilizou-se da aplicação de questionário e de estatística descritiva para a análise dos dados. Para isso, primeiramente, foi realizada uma análise das etapas de um programa de treinamento e desenvolvimento de pessoas, com o intuito de contribuir para construção do questionário de levantamento de necessidades aplicado posteriormente com uma amostra dos colaboradores da empresa objeto de estudo, e também para a elaboração da proposta de um programa de treinamento e desenvolvimento de pessoas mais adequado com a atual situação da empresa prestadora de serviços. Após, foi identificada a situação atual da empresa no que se refere a treinamento e desenvolvimento de pessoas. Nesta etapa foi realizada a aplicação de três questionários com uma amostra de colaboradores. Os questionários seguiram três formas de analise das necessidades de treinamento e desenvolvimento, sendo: análise da organização, análise de recursos humanos e análise das tarefas e operações. A partir da análise dos dados foi elaborada uma proposta de programa de treinamento e desenvolvimento de pessoas para os colaboradores, sendo divididos em treinamentos técnicos, treinamentos gerenciais, treinamentos específicos e desenvolvimento de pessoas. Concluiu-se assim, que o treinamento e desenvolvimento são processos elaborados e implementados pela empresa em favor de seus funcionários que possibilita resultados mutuamente positivos. Sugeriu-se que a empresa prestadora de serviços, objeto desse estudo, utilize essa ferramenta estratégica para desenvolver seu quadro de colaboradores. Palavras chave: Treinamento. Desenvolvimento. Gestão de Pessoas. LISTA DE QUADROS Quadro 1: Principais serviços oferecidos aos clientes .............................................................. 19 Quadro 2: Processos de apoio................................................................................................... 20 Quadro 3: Composição da força de trabalho ............................................................................ 22 Quadro 4: Níveis educacionais existentes ................................................................................ 22 Quadro 5: Principais clientes .................................................................................................... 23 Quadro 6: Órgão regulador ....................................................................................................... 24 Quadro 7: Propostas de treinamento e desenvolvimento........................................................ 110 Quadro 8: Descrição treinamentos técnicos ........................................................................... 111 Quadro 9: Descrição treinamentos gerenciais ........................................................................ 112 Quadro 10: Descrição treinamentos específicos ..................................................................... 113 Quadro 11: Descrição desenvolvimento de pessoas ............................................................... 114 Quadro 12: Programa de formação continuada com maior prioridade .................................. 116 LISTA DE FIGURAS Figura 1: Organograma da empresa ......................................................................................... 18 Figura 2: O processo administrativo......................................................................................... 26 Figura 3: Modelo básico de motivação..................................................................................... 34 Figura 4: Modelo de gestão de pessoas .................................................................................... 40 Figura 5: Administração de recursos humanos e seus subsistemas .......................................... 41 Figura 6: Estratos de treinamento, desenvolvimento: de pessoal e organizacional.................. 42 Figura 7: Os tipos de mudanças comportamentais através do treinamento .............................. 47 Figura 8: O treinamento como um sistema............................................................................... 48 Figura 9: Classificação da tecnologia educacional de treinamento .......................................... 52 Figura 10: Definição dos objetivos e das competências ........................................................... 58 Figura 11: Objetivos organizacionais e objetivos individuais. ................................................. 69 LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 1: Sexo dos colaboradores da empresa ........................................................................ 77 Gráfico 2: Faixa etária dos colaboradores da empresa ............................................................. 78 Gráfico 3: Tempo de serviço dos colaboradores da empresa ................................................... 78 Gráfico 4: Grau de instrução dos colaboradores da empresa ................................................... 79 Gráfico 5: Opinião dos colaboradores em relação à empresa .................................................. 81 Gráfico 6: Intensidade da tarefa realizada pelo colaborador .................................................... 83 Gráfico 7: Tempo disponível para planejar as tarefas .............................................................. 83 Gráfico 8: Participação dos colaboradores nas decisões que afeta a tarefa dos mesmos ......... 84 Gráfico 9: Formação profissional do colaborador versus tarefa atual ...................................... 85 Gráfico 10: Intensidade da tarefa versus resultados visíveis ao colaborador ........................... 86 Gráfico 11: Tarefa versus Autonomia do colaborador na tomada de decisão da tarefa ........... 87 Gráfico 12: Satisfação do colaborador em relação ao conteúdo da tarefa................................ 88 Gráfico 13: Dificuldade do colaborador em exercer tarefas ..................................................... 89 Gráfico 14: Relação com a dificuldade do colaborador em exercer tarefas ............................. 89 Gráfico 15: Informações necessárias dos colaboradores para execução de suas tarefas .......... 90 Gráfico 16: Conhecimento adequado do colaborador para desempenhar tarefas .................... 91 Gráfico 17: Satisfação nos treinamentos e cursos oferecidos pela empresa............................. 93 Gráfico 18: Desempenho individual esperado pela empresa ao colaborador ........................... 94 Gráfico 19: Satisfação do colaborador com o trabalho que executa ........................................ 94 Gráfico 20: Oportunidade e crescimento pessoal proporcionado pelo trabalho ....................... 95 Gráfico 21: Integração do colaborador na empresa .................................................................. 96 Gráfico 22: Itens que proporcionam melhor desempenho das atividades dos colaboradores .. 97 Gráfico 23: Auxílio da empresa no desenvolvimento da carreira do indivíduo ..................... 100 Gráfico 24: Promoção dos colaboradores ............................................................................... 101 Gráfico 25: Processo de desenvolvimento de carreira............................................................ 102 Gráfico 26: Disponibilidade e interesse na participação de treinamentos .............................. 103 Gráfico 27: Condições de treinamento da equipe ................................................................... 104 Gráfico 28: Relacionamento do colaborador com colegas de trabalho .................................. 104 Gráfico 29: Relacionamento do colaborador com a chefia .................................................... 105 LISTA DE TABELAS Tabela 1: Opiniões dos colaboradores em relação à empresa .................................................. 81 Tabela 2: Outras alternativas relação com dificuldade em exercer tarefas .............................. 90 Tabela 3: Informações necessárias para execução de tarefas, ligada alternativa “Não” .......... 91 Tabela 4: Opções para adquirir conhecimento adequado para executar tarefas ....................... 92 Tabela 5: Outros itens que melhorariam o desempenho nas atividades ................................... 98 Tabela 6: Sugestão dos colaboradores para melhorar o treinamento de desenvolvimento ...... 99 Tabela 7: Formas de auxilio de desenvolvimento da carreira por parte da empresa .............. 101 Tabela 8: Cruzamentos variáveis: Grau de instrução versus Motivação com tarefa atual ..... 106 Tabela 9: Cruzamento de variáveis: Intensidade tarefa versus Tempo planejar tarefas ......... 107 Tabela 10: Cruzamento de variáveis: Tempo de serviço versus Desenv. de carreira ............ 107 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 12 1.1 ESPECIFICAÇÃO DO PROBLEMA ............................................................................... 13 1.2 JUSTIFICATIVA .............................................................................................................. 14 1.3 OBJETIVOS ...................................................................................................................... 15 1.3.1 Objetivo geral ................................................................................................................ 15 1.3.2 Objetivos específicos ..................................................................................................... 15 1.4 ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO................................................................................. 15 2 CARACTERIZAÇÃO DA EMPRESA ............................................................................ 17 2.1 ESTRUTURA ORGANIZACIONAL ................................................................................ 17 2.1.1 Departamento de Gestão de Recursos Humanos ........................................................ 18 2.2 PRODUTOS E PROCESSOS ............................................................................................. 19 2.3 FORÇA DE TRABALHO .................................................................................................. 21 2.4 CLIENTES, MERCADO E CONCORRÊNCIA ................................................................ 23 2.5 FORNECEDORES E INSUMOS ....................................................................................... 24 2.6 SOCIEDADE ...................................................................................................................... 24 3 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA .................................................................................... 25 3.1 INTRODUÇÃO À ADMINISTRAÇÃO .......................................................................... 25 3.1.1 Histórico da administração .......................................................................................... 27 3.1.2 Tipos de organizações ................................................................................................... 30 3.2 COMPORTAMENTO HUMANO NAS ORGANIZAÇÕES ........................................... 32 3.2.1 Fatores que interferem no comportamento humano nas organizações ................... 33 3.3 GESTÃO DE PESSOAS NAS ORGANIZAÇÕES .......................................................... 37 3.3.1 O corpo funcional e o gestor de pessoas ...................................................................... 44 3.4 TREINAMENTO .............................................................................................................. 45 3.4.1. Diagnóstico das necessidades de treinamento ............................................................ 49 3.4.2 Programa de treinamento ............................................................................................. 50 3.4.3 Execução do treinamento .............................................................................................. 52 3.4.4 Avaliação do treinamento ............................................................................................. 54 3.5 DESENVOLVIMENTO DE PESSOAS ........................................................................... 55 3.5.1 Métodos de desenvolvimento de pessoas ..................................................................... 60 3.5.2 Avaliação de desempenho ............................................................................................. 63 3.5.3 Desenvolvimento de carreiras ...................................................................................... 65 3.6 DESENVOLVIMENTO ORGANIZACIONAL............................................................... 68 4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS .................................................................... 71 4.1 NÍVEIS DE PESQUISA .................................................................................................... 71 4.2 DELINEAMENTO DA PESQUISA ................................................................................. 72 4.3 DEFINIÇÃO DA ÁREA E DA POPULAÇÃO ALVO ..................................................... 73 4.4 UNIVERSO E AMOSTRA ............................................................................................... 73 4.5 INSTRUMENTOS DE COLETA DE DADOS ................................................................. 75 4.6 FORMA E ANÁLISE DE DADOS ................................................................................... 76 5 DESCRIÇÃO E ANÁLISE DE DADOS ......................................................................... 77 5.1 ANÁLISE ORGANIZACIONAL ...................................................................................... 80 5.2 ANÁLISE DAS TAREFAS E OPERAÇÕES .................................................................... 82 5.3 ANÁLISE DOS RECURSOS HUMANOS ........................................................................ 92 6 PROGRAMA DE FORMAÇÃO CONTINUADA ....................................................... 109 7 CONSIDERAÇÕES FINAIS .......................................................................................... 117 REFERÊNCIAS ................................................................................................................... 120 APÊNDICE A – QUESTIONÁRIO APLICADO NA PESQUISA .................................. 127 12 1 INTRODUÇÃO No atual contexto de globalização, as organizações estão sendo instigadas a atenderem as demandas do mercado e a se adaptarem as rápidas mudanças decorrentes do progresso científico e tecnológico. Para isso elas têm buscado implantar melhorias em seus processos e desenvolver inovações que tragam vantagens competitivas. Tais medidas passam, necessariamente, pelo desenvolvimento do seu capital humano. O capital humano é a principal riqueza de uma organização, isto porque é por meio das pessoas que os objetivos organizacionais são alcançados. Além disso, o bom atendimento aos clientes, a busca contínua pela melhoria e o desenvolvimento do aprendizado organizacional só é possível se as pessoas que ali trabalham forem capazes de desempenharem seus papéis eficientemente. Nesse sentido, a formação e o aprimoramento dos indivíduos estão diretamente relacionados a forma como as organizações desenvolvem o conhecimento e organizam suas atividades, sendo então importante a existência de uma administração voltada a promoção do desenvolvimento das competências humanas. Nesse contexto, é importante salientar que as pessoas, no ambiente de trabalho, são influenciadas por diversos fatores e circunstâncias preestabelecidos e relacionados ao contexto da organização, como a motivação, a cultura organizacional, a liderança, da qual reflete no comportamento e percepção de cada individuo em relação ao ambiente de trabalho e seu desempenho profissional. Sendo assim, a gestão de pessoas na organização deve observar esses e outros fatores a fim de maximizar a contribuição de cada indivíduo para a organização. O desenvolvimento das pessoas em uma organização e o desenvolvimento da própria organização estão intimamente relacionados, isto é, há uma relação de reciprocidade entre empresa e indivíduo, onde organização transfere conhecimento ao empregado e em troca recebe o aprendizado compreendido. Sendo assim, além do investimento organizacional nas pessoas, o mercado atual também exige que as pessoas busquem cada vez mais o autoconhecimento e o desenvolvimento de suas habilidades para que possam aplicar no cotidiano das organizações contribuindo para o crescimento da mesma. Para as pessoas da organização um programa de treinamento e desenvolvimento bem estruturado passa a ser um instrumento de muita importância, pois será por meio desse programa que os indivíduos poderão buscar aprimoramento e crescimento dentro da 13 organização, proporcionando os mesmos alcançar os objetivos individuais almejados e melhores reconhecimentos. Devido a importância do assunto, torna-se necessário expandir os estudos na área de treinamento e desenvolvimento de pessoas como forma de contribuir para o avanço do tema na administração. Além disso, verifica-se a necessidade das organizações implementarem práticas de desenvolvimento de pessoas em seus ambientes de trabalho como forma de aumentarem o seus níveis de competitividade. Neste sentido, o presente trabalho tem o propósito de apresentar um programa de treinamento e desenvolvimento de pessoas para os colaboradores administrativos da matriz de uma empresa prestadora de serviços terceirizados, como forma de contribuir para o crescimento e na lucratividade da empresa, fazendo com que seu quadro de pessoal tenha indivíduos que possam contribuir com seu talento em prol da empresa. 1.1 ESPECIFICAÇÃO DO PROBLEMA O treinamento tem como finalidade melhorar o desenvolvimento profissional do ser humano na sua organização, e no desempenho das suas funções além de ser o processo que visa à preparação e ao aperfeiçoamento das habilidades e dos conhecimentos dos funcionários de uma organização. Dayal (1974, p. 26) determina que “o treinamento tem, essencialmente, que complementar a necessidade de cada funcionário para o desempenho da função para o qual foi designado”. De acordo com Chiavenato (1999, p. 294) “O treinamento é uma maneira eficaz de delegar valor às pessoas, à organização e aos clientes. Ele enriquece o patrimônio humano das organizações”. O treinamento tem como objetivo aprimorar o desenvolvimento profissional de um individuo por meio do aperfeiçoamento de sua capacidade de realização de trabalho. O desenvolvimento de pessoas pode ser definido como um amplo e contínuo esforço educacional planejado pela empresa, para diagnosticar, motivar e facilitar os desempenhos presente e futuro de um indivíduo por meio do aprimoramento de seus conhecimentos, habilidades e atitudes (LOBOS, 1979). Para França (2009, p. 88) desenvolvimento é “o processo de longo prazo para aperfeiçoar as capacidades e motivações dos empregados a fim de torná-los futuros membros valiosos da organização.” 14 Portanto, o desenvolvimento do indivíduo é a descoberta ou ascensão de seu talento, buscando descobrir ou fazer crescer suas potencialidades para conseguir chegar ao resultado desejado, com o apoio e suporte da empresa. Muitos autores afirmam que o treinamento e o desenvolvimento de pessoas no ambiente organizacional emergem como auxílio para o crescimento e posicionamento de uma empresa perante o mercado, pois profissionais que se destacam e utilizam seu conhecimento em prol da empresa contribuem em benefício da mesma. Nesse sentido, surge o problema em questão: Como pode ser desenvolvido o treinamento e o desenvolvimento de pessoas na matriz de uma empresa prestadora de serviços de São José/SC? 1.2 JUSTIFICATIVA O presente estudo visa contribuir para o aprimoramento das práticas de gestão da empresa por meio da apresentação de uma proposta de programa de treinamento e desenvolvimento de pessoas. Entende-se também que o referido programa seja importante para a manutenção e o fortalecimento do capital intelectual da empresa. O capital intelectual é o conhecimento adquirido e acumulado por uma organização, da qual as pessoas que nela trabalham são os produtores e portadores do conhecimento. Portanto, os funcionários, com seus conhecimentos, habilidades e atitudes formam o capital intelectual das organizações. O conhecimento dos funcionários pode ser considerado o ativo mais importante, pois ele é à base da organização, e quando bem aproveitado pode tornar-se um diferencial competitivo perante o mercado incessantemente mutável. Para o empregado torna-se de suma importância seu treinamento e posterior desenvolvimento para que os mesmos possam adquirir e desenvolver novos conhecimentos, habilidades e atitudes que poderão contribuir para seu crescimento e posterior conquista de um status almejado na empresa e também em sua motivação em todos os aspectos pertinente a sua carreira. No que tange a importância para o Centro Universitário de São José o estudo visa contribuir para a realização de novas produções acadêmicas na instituição, além de permitir um aprimoramento do ensino em administração uma vez que se espera estimular, por meio da aplicação das teorias administrativas na realidade organizacional, a realização de novas pesquisas acadêmicas sobre o treinamento e desenvolvimento de pessoas nas organizações. 15 Por fim, o estudo do presente tema visa colaborar com o desenvolvimento profissional e pessoal dos colaboradores da organização e assim, paralelamente, cooperar com o fortalecimento do crescimento e desenvolvimento da sociedade em que esse indivíduo está inserido. Entende-se que ao agregar conhecimento aos atores que compõem a sociedade contribui-se para o fortalecimento da mesma. 1.3 OBJETIVOS A seguir expõem-se o objetivo geral e posteriormente os objetivos específicos desta pesquisa. 1.3.1 Objetivo geral Propor um programa de treinamento e desenvolvimento de pessoas para os colaboradores administrativos da matriz de uma empresa prestadora de serviços. 1.3.2 Objetivos específicos a) Realizar uma pesquisa exploratória sobre tópicos relativos ao treinamento e desenvolvimento de pessoas nas organizações; b) Analisar as etapas de um programa de treinamento e desenvolvimento de pessoas; c) Identificar a situação atual da empresa no que se refere a treinamento e desenvolvimento de pessoas; d) Elaborar proposta de um programa de treinamento e desenvolvimento de pessoas para os colaboradores administrativos da matriz de uma empresa prestadora de serviços. 1.4 ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO Para melhor compreensão da presente pesquisa, o trabalho se organiza da seguinte forma: O capítulo 2 aborda a caracterização da empresa objeto de estudo, destacando-se o histórico, estrutura organizacional com ênfase no departamento de gestão de recursos humanos, produtos e processos, força de trabalho, mercado e concorrência, fornecedores e clientes. O capítulo 3 trata da fundamentação teórica, que proporciona melhor entendimento sobre as práticas de treinamento e desenvolvimento dentro das empresas. Nesse capítulo os 16 conceitos em destaque são: administração, comportamento humano nas organizações, gestão de pessoas, treinamento, desenvolvimento de pessoas, desenvolvimento organizacional, avaliação de desempenho e desenvolvimento de carreiras. Continuando a apresentação dos capítulos, o quarto capítulo refere-se aos procedimentos metodológicos, sendo abordados os níveis de pesquisa, delineamento da pesquisa, definição da área e da população alvo, universo e amostra, instrumentos de coleta de dados e análise dos dados levantados na presente pesquisa. O capítulo 5 constitui a análise e descrição dos dados levantados através da aplicação do questionário de levantamento de necessidades aplicados com uma amostra de colaboradores administrativos da matriz da empresa objeto de estudo. Já o capítulo 6 apresenta uma proposta de programa de formação continuada, propondo treinamentos técnicos, gerenciais e específicos, e métodos de desenvolvimento de pessoas para os colaboradores administrativos da matriz da empresa prestadora de serviços. E por fim, o capítulo 7 refere-se as considerações finais, apresentando as conclusões e sugestões após a presente pesquisa. Sendo assim, na próxima seção segue uma abordagem sobre a empresa em estudo, constituindo o capítulo 2 do presente trabalho, para entendimento da situação problema e posterior elaboração de proposta de um programa de treinamento e desenvolvimento de pessoas. 17 2 CARACTERIZAÇÃO DA EMPRESA 1 A empresa prestadora de serviços, fundada em janeiro de 1995 pelo seu atual Diretor Presidente, é uma empresa privada com fins lucrativos de médio porte. Prestadora de serviços terceirizado na área de limpeza e conservação, limpeza hospitalar, jardinagem, copa e café, telefonia, digitação, portaria, recepção, ascensorista (operador de elevador), garçom, cozinheira, motorista, zeladoria, office boy e outros de apoio administrativo, que atende vários estados brasileiros em empresas privadas, condomínios, administração pública e hospitais. Tendo como filosofia a qualidade na prestação dos seus serviços, e como missão a busca constante da satisfação dos seus clientes, a Empresa busca constantemente uma melhor qualidade e maior produtividade com redução de custos, investimentos em aprimoramento do seu capital humano, investimentos em infra-estrutura e equipamentos, se mantendo no mercado cada vez mais competitivo. Para oferecer seus serviços, a Empresa prestadora de serviços conta com uma Matriz, localizada no Estado de Santa Catarina na Cidade de São José. Em atendimento a necessidade dos clientes e para facilitar sua atuação, a empresa prestadora de serviços, com o passar dos anos, aumentou suas instalações. Desta forma, a Empresa possui, além de sua matriz, mais dois escritórios em municípios de Santa Catarina, além de possuir filiais em mais 10 Estados do Brasil, facilitando o atendimento a clientes e fornecedores das regiões, com soluções mais rápidas e adequadas. 2.1 ESTRUTURA ORGANIZACIONAL O organograma da matriz da empresa é segregado em três processos: processo estratégico, composto pela direção e suas assessorias; processo negócio, que conta com a área comercial e a área de operações; e, pelo processo de apoio, formado pela gerência administrativa, pela gerência de suprimentos e pela gerência de administração das filiais. Sendo que esta última não será abordada no trabalho, porém foi mencionada por fazer parte da área de supervisão da gestão administrativa. 1 Dados atualizados até Março de 2011 18 Assim, para melhor compreensão segue a figura do organograma da empresa prestadora de serviços: Figura 1: Organograma da empresa Fonte: Dados coletados pela autora, 2010 Cabe, nesse tópico, enfatizar o departamento de Gestão de Recursos Humanos da empresa para melhor compreensão da proposta do presente trabalho. Sendo assim, segue subitem sobre a área responsável pelo treinamento e desenvolvimento dos colaboradores da empresa objeto de estudo. 2.1.1 Departamento de Gestão de Recursos Humanos A área de Gestão de Recursos Humanos está ligada a Gerência Administrativa, sendo responsável pelo recrutamento e seleção dos colaboradores administrativos da matriz de suas filiais. Este setor também é responsável em realizar e criar todos os treinamentos da empresa, tanto na área administrativa quanto operacional. 19 Para realização dos trabalhos pertinentes a área a mesma conta com oito colaboradores com tempo de empresa entre seis meses a nove anos aproximadamente. Assim, após a observação da estrutura da empresa no organograma e do detalhamento da área de Gestão de Recursos Humanos da empresa, faz-se necessário uma abordagem mais ampla de cada área descrita na figura 1 apresentada acima, sendo vistas no próximo item sobre produtos e processos. 2.2 PRODUTOS E PROCESSOS A empresa possui mais de 30 serviços a disposição dos clientes, porém ressaltamos os sete principais, que foram selecionados com base na preferência dos principais clientes. O quadro 1 apresenta os principais serviços oferecidos aos clientes: Serviço Copa e Café Garçom Limpeza e Conservação Portaria Recepção Telefonia Zeladoria Descrição Preparar e servir café e lanches. Servir bebidas e alimentos, cuidar da organização das mesas e retirada de alimentos, talheres, pratos, etc. Limpar áreas internas e externas, limpar vidros. Controlar a entrada e saída de pessoas, carros, objetos, etc. Executar ações programadas pelos trabalhos do dia ou conforme a solicitação do cliente, atendendo telefones, arquivando documentos, recepcionando o público e convidados. Fazer, receber e controlar ligações. Inspeção e organização de atividades em um determinado local. Quadro 1: Principais serviços oferecidos aos clientes Fonte: Dados fornecidos pela empresa e elaborado pela autora, 2010 Para dar suporte a prestação de serviço existem os chamados processos de apoio, que são essenciais para o êxito dos mais de 30 serviços oferecidos pela Empresa, dando o suporte e facilitando os serviços destinados diretamente aos clientes. No quadro 02, são apresentados os principais processos de apoio. 20 Processo Direção Geral Assessoria da Direção Gestão de R.H Descrição - responsável pelos objetivos e metas traçadas. - ligada a Direção Geral assessorando-a. - responsável pelo recrutamento, seleção dos colaboradores e de criar todos treinamento da empresa. Gerência de Tecnologia da - aquisição equipamento de informática; Informação - atualização e suporte aos sistemas da empresa. Gerência de Relacionamento - mantém contato com o cliente; - realiza o pós-venda. Direção Financeira - responsável por toda a movimentação financeira da empresa. Gestão Financeira - ligada a Direção financeira auxiliando-a. Contabilidade - responsável por todos os registros financeiros da empresa; - documentação da parte de registro contábeis necessário para as licitações. Gerência Administrativa - apoio para as atividades da empresa; - acompanha os trabalhos do Departamento Pessoal, Segurança e Higiene do Trabalho, Jurídico, além da administração das filiais; - também promove os programas de qualidade e planejamento estratégico da empresa. Departamento Pessoal - registro de todos os colaboradores, - pagamentos dos salários e benefícios da empresa. Segurança e Higiene do - programas de saúde e higiene do trabalho conforme as Trabalho Normas Regulamentadoras do Ministério do Trabalho. Jurídico - responsável pela ações contra a empresa ou em licitações. Gestão da Qualidade - ligada a gerência administrativa; - responsável pelo controle e manutenção dos procedimentos da empresa; - manutenção da certificação ISO 9001/2000; - gerenciamento da qualidade na empresa. Gerência de Suprimentos - aquisição de materiais para a realização dos serviços. Gerência Operacional - averiguar execução dos serviços nos postos de trabalho Gerência Comercial - busca novos clientes para a empresa e tenta manter os atuais; - administra todos os contratos vigentes com os clientes. Quadro 2: Processos de apoio Fonte: Dados fornecidos pela empresa e elaborado pela autora, 2010 Cabe ressaltar que os processos de apoio, representados no quadro 02, são executados na matriz da empresa. 21 2.3 FORÇA DE TRABALHO Atualmente os recursos humanos da empresa somam mais de 13.000 colaboradores distribuídos por diversas regiões de atuação da Empresa. Na matriz, a empresa conta com 185 colaboradores administrativos. Para o desenvolvimento e a capacitação da força de trabalho, a Empresa realiza um treinamento assim que o colaborador entra na empresa, chamado de treinamento de admissão, sendo utilizado, se for o caso, o treinamento operacional, aquele que é realizado no posto de trabalho. Também realizam treinamentos específicos, fazendo parte desde palestras, cursos fora da empresa e reciclagens internas. Cabe destacar que o treinamento existente para os colaboradores administrativos da matriz da empresa prestadora de serviços é algo pontual, sendo utilizado somente em algumas situações e não sendo continuado. Nesse sentido, o presente trabalho busca propor um programa de treinamento e desenvolvimento que possa ser implementado e continuado pela empresa, contribuindo também para o aprimoramento dos conhecimentos, das habilidades e das atitudes dos colaboradores. No quadro 3 é apresentada a composição da força de trabalho com as respectivas faixas etárias e tempo de empresa dos colaboradores. Ressalta-se que é apresentada apenas a composição das gerências, sendo os demais departamentos serão contatos dentro das mesmas. Cabe destacar também, que os valores são aproximados e que o levantamento é em relação à matriz da Empresa em estudo. 22 Área/Função Direção Geral Assessoria da Direção Direção Financeira Direção Adjunta de Finanças e Controle Direção Operacional e de Relacionamento Gerência Administrativa Gerência TI & Acomp. Pessoal e Faturamento Gerência Operacional Gerência Operacional SC Gerência Comercial Gerência Comercial Privados Gerência Contábil Gerência Benefícios Gerência Suprimentos Gerência Controladoria Gerência Financeira Assessoria Jurídica Quantidade 01 03 01 01 Faixa etária 61 anos 35 a 45 anos 43 anos 40 anos Tempo de empresa 16 anos 6 a 9 anos 13 anos 9 anos 01 36 anos 9 anos 29 24 18 a 50 anos 18 a 45 anos 6 meses a 12 anos 6 meses a 10 anos 26 18 23 10 08 07 12 05 08 08 21 a 35 anos 21 a 30 anos 20 a 35 anos 20 a 40 anos 21 a 40 anos 20 a 35 anos 25 a 35 anos 25 a 30 anos 25 a 50 anos 21 a 50 anos 1 a 7 anos 6 meses a 6 anos 1 a 9 anos 1 a 9 anos 1 a 10 anos 1 a 8 anos 2 a 10 anos 1 a 5 anos 3 a 10 anos 2 a 8 anos Quadro 3: Composição da força de trabalho Fonte: Dados fornecidos pela empresa e elaborado pela autora, 2010 Verifica-se, com base na análise do quadro 3 que a maioria das pessoas que compõem o quadro de pessoal da empresa ainda são bastante jovens e tem pouco tempo de empresa. Os que possuem mais tempo de empresa são aqueles que estão em quadros de diretorias e chefias. Nesse contexto torna-se importante apresentar os níveis educacionais dos colaboradores da matriz da empresa. Isso é feito no quadro 4. Grau de Escolaridade Graduado Em Graduação 2º Grau Completo Quantidade 47 52 86 Quadro 4: Níveis educacionais existentes Fonte: Dados fornecidos pela empresa e elaborado pela autora, 2010 23 No quadro 4 percebe-se que há relativamente poucas pessoas graduadas em relação ao seu número total de colaboradores que é de 185 pessoas. Os colaboradores com graduação estão lotados nos quadros de diretorias e chefias. Por fim, cabe destacar que os colaboradores da Empresa são filiados ao Sindicato SEAC/SC e o regime jurídico de trabalho estão estabelecidos pela CLT. 2.4 CLIENTES, MERCADO E CONCORRÊNCIA Clientes são os usuários dos serviços oferecidos pela empresa. Os mesmos foram segmentados em: empresas privadas, condomínios, administração pública e hospitais. Por se tratar de uma empresa que atua em vários estados ela concorre com muitas empresas de grande e pequeno porte. Ao longo dos anos em que a Empresa prestadora de serviços vem buscando melhor qualidade nos seus serviços, a fidelização dos clientes vem sendo um dos principais aspectos estudados. A empresa já possui uma Gerência de Relacionamento que realiza contatos com os clientes e utiliza dos seus feedback para melhorar os serviços prestados. No quadro 5 são apresentados os principais clientes para a empresa. Clientes Empresas Privadas Descrição São empresas como lojas, bancos, que geralmente utilizam serviços de limpeza e conservação e copa e café. Condomínios Os condomínios utilizam serviços de limpeza e conservação, zeladoria, jardinagem, portaria e recepção. Administração Pública É o principal cliente, sendo que na soma dos serviços prestados para cada órgão utiliza-se de praticamente todos. Hospitais Podendo ser considerado o segundo melhor cliente, sendo mais utilizado os serviços de limpeza e conservação e recepção. Quadro 5: Principais clientes Fonte: Dados fornecidos pela empresa e elaborado pela autora, 2010 Os principais clientes apresentados no quadro acima são aqueles de maior foco de atenção da empresa. Para atender as suas necessidades e expectativas a empresa busca aprimora-se os seus processos continuamente. Por fim, é pertinente apresentar outra parte interessada, além dos principais clientes, que é o órgão regulador da empresa, descrito no quadro 6. 24 Órgão SEAC/SC – Sindicato das Empresas de Asseio, Conservação e Serviços Terceirizados do Estado de SC Descrição Defende os direitos e interesses de sua categoria econômica. Quadro 6: Órgão regulador Fonte: Dados fornecidos pela empresa e elaborado pela autora, 2010 O órgão regulador, destacado no quadro 06, é um elemento importante nos dias atuais, pois é por meio dele que a empresa obtém e defende seus direitos e interesses. Assim, após dar ênfase aos principais clientes e concorrentes que compõem o mercado de atuação da empresa, segue uma abordagem sobre os fornecedores e insumos que são essenciais para a prestação dos serviços oferecidos pela mesma. 2.5 FORNECEDORES E INSUMOS Fornecedores são as pessoas físicas ou jurídicas que oferecem insumos necessários às atividades da empresa. A Empresa em estudo entende que seus fornecedores afetam a qualidade dos seus produtos, portanto, possui práticas formalizadas de seleção, avaliação e qualificação dos fornecedores. Por fim, cabe ressaltar que, quando solicitado pelo cliente, os fornecedores selecionados pela Empresa, devem apresentar algum certificado que comprove que o produto possui todos os requisitos exigidos pelos órgãos reguladores, tais como ANVISA e INMETRO. 2.6 SOCIEDADE Os impactos positivos e negativos causados a sociedade e ao meio ambiente influenciam muito o modo como a sociedade vê a empresa. A Empresa prestadora de serviços possui uma cultura promissora e evolutiva para que os serviços prestados sejam tratados com responsabilidade social e que os produtos utilizados para realização dos serviços ofereçam o menor de impacto possível ao meio ambiente. 25 3 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Neste capítulo serão abordados conceitos fundamentais para melhor entendimento da prática de treinamento e desenvolvimento de pessoas dentro de uma empresa. Os conceitos em destaque são: administração, comportamento humano nas organizações, gestão de pessoas, treinamento, desenvolvimento de pessoas, desenvolvimento organizacional, avaliação de desempenho e desenvolvimento de carreiras. 3.1 INTRODUÇÃO À ADMINISTRAÇÃO Administração (do latim administratione) é uma palavra de origem antiga e que com a evolução de seu conceito se tornou um dos mais importantes instrumentos na área de ação humana participando diretamente da rotina de uma organização. A administração é ação, em primeiro lugar, sendo um processo ativo muito empreendedor de tomada de decisão e realização de ações. (MAXIMIANO, 2004) Segundo Stoner e Freeman (1994, p. 5), “a administração é o processo de planejar, organizar, liderar e controlar os esforços realizados pelos membros da organização e o uso de todos os outros recursos organizacionais para alcançar os objetivos estabelecidos.” Chiavenato (2004, p.2), destaca que: A administração nada mais é do que a condução racional das atividades de uma organização seja ela lucrativa ou não-lucrativa. A administração trata do planejamento, da organização (estruturação), da direção e do controle de todas as atividades diferenciadas pela divisão de trabalho que ocorrem dentro da organização. A administração é imprescindível para a existência, sobrevivência e sucesso das organizações. Se a administração, as organizações jamais teriam condições de existir e crescer. A ilustração a seguir demonstra as principais funções do processo administrativo representado por Chiavenato (1999). 26 Figura 2: O processo administrativo Fonte: Chiavenato (1999, p. 14) Para Chiavenato (1999) a primeira função administrativa é o planejamento. Nela são definidos os objetivos organizacionais bem como os recursos e as atividades necessárias para o alcance desses objetivos. A função de organização está relacionada com o processo de engajar as pessoas em um trabalho conjunto de uma maneira estruturada para alcançar objetivos comuns estabelecidos no planejamento. A direção é a função que envolve a influência, a comunicação e a motivação das pessoas para realizarem as tarefas essenciais para o funcionamento da organização e para melhorarem os processos realizados. A função de controle refere-se ao acompanhamento, a monitoração e a avaliação do que foi ou do está sendo realizado pela organização, verificando se o que foi planejado está efetivamente ocorrendo da forma como foi concebido. Assim, segundo Megginson e Mosley (1998), a administração nas organizações tornase necessária por três razões: para alcançar objetivos organizacionais; para equilibrar objetivos e interesses conflitantes; e, para conseguir eficiência e eficácia nos processos. Portanto, a administração é o processo de gerenciar as pessoas e os recursos organizacionais para atingir os objetivos definidos. Contudo, segue um breve histórico sobre a administração, servindo assim como base para os próximos contextos abordados. 27 3.1.1 Histórico da administração Antes de iniciar a história evolutiva da administração cabe destacar que a mesma servirá para caracterizar a evolução da gestão de pessoas no ambiente organizacional, enfatizando as pessoas e os processos de treinamento e desenvolvimento. As civilizações antigas da Suméria, da Babilônia, do Egito, da Assíria e da Pérsia já desenvolviam a arte de administrar. Prova disso são as suas realizações, como as pirâmides, as muralhas das cidades, os canais, os sistemas de irrigação, etc. (MEGGINSON; MOSLEY, 1998) Na Idade Média, conforme destaca Kwasnicka (2004), não houve grandes alterações nas aplicações práticas das ciências, inclusive na administração, pois nessa época a cresça religiosa e o misticismo permaneciam como forças no meio social, acreditando-se que tudo era controlado por Deus, e só cabia a ele mudar, inclusive a condição social do indivíduo. Nessa época também predominava o preconceito em relação ao trabalho, em que os nobres se orgulhavam em não trabalhar, acreditando que isso era coisa da classe menos favorecida (KWASNICKA, 2004). Depois da Idade Média Megginson e Mosley (1998, p. 38) abordam o período da Renascença, na qual “se deu muita ênfase à ciência, à razão, à exploração e às descobertas.” Com isso, os princípios e práticas de administração aumentaram vagarosamente até a Revolução Industrial. Com a chegada da Revolução Industrial houve a substituição da produção manual para a mecânica e fabril, saindo das produções realizadas nas casas para as fábricas. Verificou-se a necessidade de especialização e divisão do trabalho, utilizando-se o sistema “tentativa e erro”. (KWASNICKA, 2004). Foi nessa época que surgiram as primeiras obras que buscavam a aplicação do método científico relacionado ao trabalho. Segundo Megginson e Mosley (1998), “os conceitos da abordagem científica foram introduzidos nos Estados Unidos por Frederick W. Taylor, onde suas idéias se tornaram conhecidas como o movimento da administração científica.” Taylor defendia o aumento da produção que, paralelamente, melhorava as condições de trabalho e proporcionava maiores salários. Porém, enquanto nos Estado Unidos Taylor estava revolucionando as práticas de administrar com o seu movimento da administração científica, na França, Henri Fayol revolucionava o pensamento administrativo com seus estudos e obras. Assim, Megginson e Mosley (1998, p. 48), destacam a perspectiva da abordagem científica: 28 A responsabilidade principal dos administradores era planejar, dirigir e controlar os atos de seus subordinados, para obter a maior produtividade – dentro da programação. Os subordinados, por sua vez, deveriam observar o planejamento, a direção e o controle impostos pelos administradores, sem discutir, pois este tipo de supervisão era resultado do uso plenamente aceito da autoridade do administrador e da obediência por parte dos subordinados. Cabe ressaltar dentro da teoria de Taylor o estudo de “tempos e movimentos”, que permitiu criar métodos de trabalho racionalizados com padrões de tempo para a execução de cada tarefa dos operários (KWASNICKA, 2004). Já a teoria clássica da administração, que surgiu em 1916 idealizada por Fayol, caracterizava pela visão do homem econômico, ênfase na estrutura organizacional e a busca da máxima eficiência (MEGGINSON; MOSLEY, 1998). Enfim, na industrialização clássica surgiram os departamentos de pessoal, responsáveis em fazer cumprir as exigências legais referente ao emprego como admissão, contagem de horas, anotações na carteira de trabalho, contagem de férias, aplicação de advertências etc. Posteriormente surgiram os departamentos de relações industriais, que possuíam o mesmo papel acrescentando outras tarefas como o relacionamento da empresa com os sindicatos e a coordenação interna com os demais departamentos, sendo, portanto, um departamento que era responsável pelas atividades operacionais e burocráticas. (CHIAVENATO, 2010) Em relação às pessoas, Chiavenato (2010) destaca que nessa época “as pessoas são consideradas apêndices das máquinas e meras fornecedoras de esforço físico e muscular, predominando o conceito de mão-de-obra. Assim, pode-se dizer que até essa época as pessoas eram tratadas como máquinas, não existindo estruturas concretas de treinamento e desenvolvimento ou qualquer outra preocupação com a humanização do trabalho. Após o surgimento e aplicação da abordagem científica e da teoria clássica da administração, surgiu a chamada Teoria das Relações Humanas, desenvolvida a partir de 1940 nos Estados Unidos. Essa teoria, segundo Maximiano (2004), criou novas perspectivas para a administração, pois buscava conhecer as atividades e sentimentos das pessoas no ambiente de trabalho estudando também a formação dos grupos. Cabe destacar aqui o estudo de Hawthorne que foi realizado pelo Conselho Nacional de Pesquisas dos Estados Unidos, no período de 1927 e 1932, em uma fábrica do Western Eletric Company no bairro de Hawthorne em Chicago, que tinha como objetivo verificar o 29 nível de produção resultante da integração social, o comportamento social dos empregados, as recompensas e sanções sociais, os grupos informais, as relações humanas, a importância do conteúdo do cargo, e a ênfase nos aspectos emocionais. (OLIVEIRA, 2009) Com esse estudo, segundo Chiavenato (2004), constatou-se que: a) O nível de produção é resultante da integração social e não da capacidade física ou fisiológica do empregado; b) O comportamento social dos empregados se apóiam totalmente no grupo; c) Surgiu o conceito de organização informal da qual a empresa passou a ser observada como uma organização social composta de diversos grupos sociais informais, as relações; d) As relações humanas são as ações e atitudes desenvolvidas pelos contatos entre pessoas e grupos, onde a compreensão da natureza dessas relações permite ao administrador melhores resultados de seus subordinados; e) A maior especialização e, portanto, a maior fragmentação do trabalho não é a forma mais eficiente do trabalho; f) Importância da ênfase nos aspectos emocionais. Assim, com o surgimento da teoria das relações humanas, o foco no trabalhador mudou do homo economicus, abordado pela teoria clássica, para o homo social. Com o aperfeiçoamento da teoria das relações humanas surgiu à teoria comportamental, abordando um enfoque mais holístico. A teoria comportamental, também conhecida de orgânica ou humanística, é destacada por Maximiano (2009 p. 37), como sendo um enfoque que “considera as pessoas em sua totalidade e como parte mais importante das organizações e de seu desempenho.” Assim, ao contrário da abordagem científica, que focalizava o desempenho e a produtividade dos empregados, a abordagem comportamental focalizava o tratamento favorável aos empregados. Com o intuito de integar todas as teorias descritas acima, foi desenvolvida, a partir de 1950, a Teoria Estruturalista, que teve inicio com a Teoria da Buracracia de Max Weber, da qual se baseava na racionalidade, na adequação dos meios aos objetivos, obtendo, com isso, o máximo de eficiência (MEGGINSON; MOSLEY, 1998). A abordagem sistêmica, desenvolvida a partir de 1970, surgiu em contrapartida à abordagem científica, clássica e comportamental. Essa abordagem, contudo, era uma abordagem integrativa, que procurava a formulação de um esquema teórico e sistemático, que possibilitava a descrição de todas as relações que se apresentavam no mundo real, utilizandose de elementos da abordagem comportamental e científica. (KWASNICKA, 2004) 30 Por fim, combinando os aspectos mais positivos das outras abordagens, surge, no final da década de 1970, a abordagem da contingência, que segundo Megginson e Mosley (1998, p. 58), “teoricamente afirma que condições e situações diferentes exigem a aplicação de técnicas diferentes de administração.” Cabe destacar, conforme destaca Chiavenato (2010), que após os departamentos de relações industriais, isto é, com a evolução discriminada acima, surgiram os departamentos de recursos humanos, os chamados DRH, que eram responsáveis por desenvolver, além das tarefas operacionais e burocráticas, as funções operacionais e táticas como órgãos prestadores de serviços especializados, cuidando do recrutamento, seleção, e segurança do trabalho e de relações trabalhistas e sindicais, existindo centralização e monopólios dessas atividades. Atualmente, visando substituir os departamentos de recursos humanos, surgem as equipes de gestão com pessoas, onde as práticas de RH são delegadas aos gerentes de linha em toda a organização, sendo considerados gestores de pessoas. Já as tarefas operacionais e burocráticas não-essenciais são transferidas para terceiros por meio da terceirização. As pessoas passam de agentes passivos para ativos e inteligentes que ajudam a administrar os demais recursos da organização, sendo consideradas parceiros da mesma. Enfim, a área de Administração de Recursos Humanos (ARH) está deixando de ser uma área fechada, monopolizadora e centralizadora passando a ser uma área aberta, amigável, compartilhadora, transparente e descentralizadora, isto é, deixando de ser ARH e se transformando em Gestão de Pessoas. (CHIAVENATO, 2010) Sendo assim, pode-se considerar que a ciência da administração foi influenciada por diversos estudos ao longo dos anos que alteraram suas concepções e perceptivas. Tal evolução conferiu a administração um caráter dinâmico e flexível capaz de acompanhar as mudanças na sociedade e, paralelamente, contribuir para o seu desenvolvimento. Assim, após destacarmos a origem da administração, faz-se necessário abordar no próximo item os tipos de organizações existentes, para um melhor detalhamento do processo em estudo. 3.1.2 Tipos de organizações Organização, segundo o dicionário Michaelis Uol (2010), é o ato ou efeito de se organizar um sistema visando facilitar o alcance de um objetivo. Organizar é o processo de reunir recursos, físicos e humanos, necessários para se conseguir alcançar os objetivos de uma empresa. (MONTANA, 2003) 31 De acordo com Maximiano (2009, p. 6), “existem organizações para fornecer todos os tipos de produtos e serviços. Elas podem ser classificadas de muitas maneiras: por tamanho, por natureza jurídica, por área de atuação e por outros critérios.” Para Pereira (apud BLAU; SCOTT, 2007) as organizações devem ser classificadas conforme o beneficiário principal da organização, que podem ser divididos em: os próprios membros da organização, da qual se abre uma organização a fim de criar algum tipo de serviço para seus próprios membros como cooperativas e sindicatos; os proprietários ou dirigentes, que são as organizações que possuem interesses comerciais e finalidade lucrativa; os clientes da organização, da qual beneficia tipos específicos de clientes, como hospitais e escolas; e por fim o público em geral, que são organizações criadas por iniciativa do estado para oferecer algum tipo de benefício para a sociedade. No presente trabalho, serão abordados os três tipos principais de organizações de acordo com Maximiano (2009), sendo: governo, empresas e organizações do terceiro setor. Porém cabe destacar que no conceito de Pereira (apud BLAU; SCOTT, 2007) a empresa em estudo se enquadra no beneficiário de proprietários ou dirigentes. Assim, para Maximiano (2009) o governo compreende as organizações do serviço público que prestam serviços à sociedade e administram o Estado. As empresas são organizações de negócios que, por meio da venda de produtos ou serviços, objetivam a obtenção de lucro. Já as organizações do terceiro setor são organizações sem fins lucrativos que buscam prestar um serviço a sociedade. São as chamadas organizações nãogovernamentais ou também conhecida como ONGs. Cabe destacar que a organização estudada no presente trabalho foi uma empresa privada. Para Maximiano (2009, p. 6): As empresas, em geral, são organizações criadas por pessoas por meio do investimento de um montante de dinheiro chamado capital. O capital de algumas grandes empresas é dividido em ações, que pertencem a muitas pessoas, chamadas acionistas. As pessoas que detêm o capital e uma empresa são seus proprietários – são empresários ou pessoas de negócios. O lucro produzido por uma empresa pertence a seus proprietários. É interessante destacar aqui também sobre a terceirização, já que a empresa em estudo é uma empresa prestadora de serviços terceirizados. Sendo assim, segundo Marcelino (2007, p. 57) “terceirização é todo processo de contratação de trabalhadores por empresa interposta. Ou seja, é a relação onde o trabalho é realizado para uma empresa, mas contratado de maneira imediata por outra.”. 32 Ressalta-se que o tipo de organização exerce influencia no treinamento e desenvolvimento de pessoal, sendo este planejado, organizado e projetado conforme o objetivo organizacional existente. Após uma abordagem dos tipos de organizações e do enfoque em empresas privadas e serviços terceirizados, que é onde se enquadra a empresa em estudo, segue uma pesquisa sobre o comportamento humano nas organizações, para que possa dar ênfase no estudo em questão. 3.2 COMPORTAMENTO HUMANO NAS ORGANIZAÇÕES As pessoas no ambiente de trabalho devem ser vistas como pessoas e não apenas como recursos. Para tanto, antes de abordar o comportamento humano nas organizações, cabe destacar o comportamento das pessoas, que, segundo Chiavenato (2008, p. 81-82), apresentam algumas características: O homem é proativo, isto é, o comportamento das pessoas é orientado para a satisfação de suas necessidades pessoais e para o alcance de seus objetivos e aspirações. [...] O homem é social, da qual a participação em organizações é importante na vida das pessoas porque conduz ao envolvimento com outras pessoas ou grupos. [...] O homem tem diferentes necessidades, ou seja, as pessoas são motivadas por uma diversidade de necessidades. [...] O homem percebe e avalia, isto quer dizer que, a experiência da pessoa com o seu ambiente é um processo ativo porque seleciona e avalia os dados dos diferentes aspectos do ambiente. [...] O homem pensa e escolhe, isto é, o comportamento humano é proposital, proativo e cognitivamente ativo. [...] O homem tem limitada capacidade de resposta. Assim, o comportamento das pessoas nas organizações, de acordo com Chiavenato (2008) “é complexo e depende de fatores internos e fatores externos.” Comportamento são reações e respostas que cada indivíduo apresenta a um dado estímulo, sendo determinados pelo conjunto de características hereditárias e adquiridas, sofrendo influência contínua de aspectos do meio ambiente. (KANAANE, 1999) Para Kanaane (1999, p. 84), “as pessoas tendem a conceber as situações de trabalho segundo valores preestabelecidos relacionados a esse contexto e à visão que possuem do próprio trabalho”. Isso reflete nas atitudes e na percepção do indivíduo perante o ambiente de trabalho e o desempenho profissional. Os fatores internos, segundo Chiavenato (2008), são decorrentes das características de personalidade de cada indivíduo, como a capacidade de aprendizagem, a motivação, a 33 percepção do ambiente, as atitudes, emoções, valores, etc. Já os fatores externos são decorrentes do ambiente que envolve cada indivíduo, isto é, das características organizacionais, como liderança, cultura organizacional, sistema de recompensas e punições, fatores sociais, políticas, etc. Assim, conclui-se que o comportamento dos indivíduos no ambiente de trabalho é influenciado por uma série de valores e de circunstâncias presentes no contexto. Para tanto, após abordar o comportamento dos indivíduos nas organizações, faz-se necessário descrever alguns fatores influenciadores do comportamento humano nas mesmas. 3.2.1 Fatores que interferem no comportamento humano nas organizações Como foi mencionado anteriormente, há uma série de fatores, internos e externos, que influenciam os indivíduos dentro das organizações. Assim, serão abordados alguns desses fatores presentes no contexto organizacional. A atitude, conforme destacada por Chiavenato (2008), é um fator interno influenciador de um indivíduo. Segundo Kanaane (1999, p. 77), “a compreensão da atitude humana possibilita conceber atitude como resultante de valores, crença, sentimentos, pensamentos, cognições e tendências à reação, referentes a determinado objeto, pessoa ou situação.” A crença de um indivíduo é formada como resultado de sua atuação na natureza e na sociedade, funcionando como um filtro, pois selecionam as novas informações que são incorporadas na consciência individual, associadas às motivações e expectativas despertadas no decorrer de sua existência. Já os motivos são vinculados às normas e valores estabelecidos no contexto social de um dado momento. (KANAANE, 1999) Assim, cada indivíduo possui uma forma de agir em determinadas situações, porém suas ações também são influenciadas pelas circunstâncias presentes. Segundo Kanaane (1999), as crenças deparadas por um indivíduo são filtradas pelo mesmo e comparadas com a que possui, existindo uma tendência de se identificar e associar com crenças semelhantes. A motivação é outro fator interno influenciador, segundo por Chiavenato (2008), que varia de pessoa para pessoa, produzindo diferentes padrões de comportamento. Para Chiavenato (2008, p. 64) “a motivação funciona em termos de forças ativas e impulsionadoras, traduzidas por palavras como desejo e receio.” Nesse sentido, Chiavenatto (2008), propõem três premissas que explicam o comportamento humano: a) o comportamento é causado (a hereditariedade, isto é, os valores e crenças existentes em cada pessoa, e o meio ambiente influenciam no comportamento); b) o 34 comportamento é motivado (orientado e dirigido para algum objetivo); c) o comportamento é orientado para objetivos (os impulsos, desejos, necessidades, etc., ajudam a designar os motivos do comportamento). Assim, para melhor compreensão da explicação acima de Chiavenato (2008), segue um modelo básico de motivação na figura a seguir: Figura 3: Modelo básico de motivação Fonte: Chiavenato (2008, p. 65) Cabe ressaltar que apesar da motivação das pessoas depender dessas três variáveis, o resultado pode variar, pois depende do estímulo, da necessidade e da cognição de cada pessoa (CHIAVENATO, 2008). Um fator influenciador externo ao indivíduo é a liderança, definido por Gil (2008, p. 220) como sendo “uma forma de direção baseada no prestígio pessoal e na aceitação dos subordinados”. Assim, os gestores devem desempenhar o papel de líder, conseguindo fazer com que as pessoas se vejam mais como colaboradores do que como subordinados, pois se requer das mesmas a adesão aos objetivos, políticas e missão da organização (GIL, 2008). Nesse contexto Gil (2008) destaca três diferentes abordagens, sendo: a) abordagem dos traços, da qual vê a liderança como uma combinação de traços pessoais, isto é, implica em dizer que os líderes já nascem feitos, que a pessoa já nasce com o perfil de um líder; b) abordagem do comportamento, que enfatiza o comportamento do líder, ou seja, os comportamentos podem ser aprendidos, isto significa dizer que se a pessoa era treinada para ser um líder, conseguiria assumir o papel; c) abordagem situacional, da qual pressupõe que as condições que determinam a eficácia da liderança variam de acordo com a atuação. 35 A cultura organizacional também é considerada um fator externo de influência, representando, de acordo com Chiavenato (2008, p. 100), “as normas informais e não escritas que orientam o comportamento dos membros de uma organização no dia-a-dia e que direcionam suas ações para a realização dos objetivos organizacionais.” Cabe ressaltar que a cultura de uma organização está vinculada com as políticas da mesma, que orientam as ações e decisões e que estão entrelaçadas nos mesmos princípios que dão origem à cultura organizacional. (LACOMBE; HEIBORN, 2003) Há três níveis em que atuam as culturas segundo Lacombe e Heiborn (2003), sendo: a) primeiro nível: artefatos visíveis – comportamentos e criações (cultura se manifesta através do trajar das pessoas, maneira de falar, na formalidade ou informalidade das pessoas, no processo de trabalhos os empregados, entre outros); b) segundo nível: valores visíveis e conscientes (cultura vista no desempenho da função, na hierarquia, na maneira de resolver os problemas, nas normas, na capacidade de inovação, entre outros); c) terceiro nível: premissas básicas (são suposições e princípios realizados inconscientemente, como o que as pessoas pensam sobre a natureza humana, da realidade, da ética, etc.). Sendo assim, a cultura da organização engloba o modo como as pessoas interagem uma com as outras, as atitudes predominantes, as pressuposições, entre outros assuntos relevantes nas interações entre todos os membros do ambiente organizacional. Outro fator externo que interfere no comportamento humano dentro das organizações e que é interessante destacar é o sistema de recompensas. O sistema de recompensas representa quanto o indivíduo “vale” para a organização, ou seja, de acordo com Hipólito (2002, p. 87), “reforça a importância de uma relação próxima entre aquilo que a organização valoriza ou quer estimular em seus profissionais e a prática de recompensas, de modo a incentivar comportamentos e ações que agregam valor.” A maior parte das organizações utiliza o cargo como principal referência para denominar o valor agregado de seus empregados, isto é, o cargo decodifica os sistemas de recompensas (HIPÓLITO, 2002). Em relação ao sistema de recompensas Chiavenato (2010, p. 312) define da seguinte maneira: O sistema de recompensas inclui o pacote total de benefícios que a organização coloca à disposição de seus membros, bem como os mecanismos e procedimentos pelos quais estes benefícios são distribuídos. Não apenas salário, férias, prêmios, promoções para posições mais elevadas (como maiores salários e benefícios) são considerados, mas também outras recompensas menos visíveis como garantia de 36 segurança no emprego, transferências laterais para posições mais desafiantes ou para posições que levem a um crescimento, a um desenvolvimento adicional e a várias formas de reconhecimento por desempenho excelente. Cabe ressaltar que o sistema de recompensa influencia enormemente no sistema de contribuição dos indivíduos, pois as contribuições de cada pessoa na organização variam em função, não somente das diferenças individuais existentes, mas também do sistema de recompensa proposto pela organização. (CHIAVENATO, 2008) A Qualidade de Vida no Trabalho (QVT) também é um fator influenciador no ambiente em que o indivíduo esta inserido, interferindo no treinamento e no desenvolvimento no ambiente organizacional. A QVT nada mais é que o conjunto de ações de uma empresa que envolve a implantação de melhorias e inovações gerenciais e tecnológicas no ambiente de trabalho, ocorrendo a partir do momento em que se olha a empresa e as pessoas como um todo (FRANÇA, 1997). Para Lacanna (2008) a qualidade de vida no trabalho é uma conseqüência da abrangência e do comprometimento das condições de vida no trabalho, como o bem-estar social, a saúde, a segurança, e a capacitação, proporcionando a melhora no desempenho e na produtividade do indivíduo no ambiente de trabalho, e que pode se tornar uma poderosa arma no mercado competitivo. Em relação à explicação descrita acima se conclui que, nos dias atuais, se faz necessário, as organizações, dar atenção e suporte a Qualidade de Vida no Trabalho. Outro fator de atenção e que influencia o comportamento humano no ambiente organizacional é a segurança no trabalho. A segurança do trabalho é abordada na parte do subsistema de recursos humanos manutenção, da qual exige que as empresas disponham de condições de trabalho que proporcionam minimizar as condições de insalubridade e periculosidade. (CHIAVENATO, 2002) Para Benzoni e Vanalle (apud MARRAS; LUCENA, 2001) as atividade de higiene, medicina e segurança no trabalho, que engloba o subsistema de recursos humanos manutenção, focam em evitar problemas, dentro de uma relação entre o trabalhador e o patrão. A partir do conceito de segurança do trabalho apresentado acima se observa o quanto é imprescindível a implantação dessas medidas e como elas afetam o trabalhador e, conseqüentemente, toda a organização, pois esse estudo e implantação de medidas para 37 proteger o indivíduo no ambiente de trabalho minimiza os riscos inerentes a sua atividade ocupacional e, paralelamente, o sofrimento pessoal, problemas sociais e perdas econômicas. Assim, seguindo o foco apresentado e concluindo esse subitem cabe frisar que a interferência, seja ela de qualquer forma, no comportamento humano influencia, conseqüentemente, no treinamento e desenvolvimento de um indivíduo. Por fim cabe destacar que a personalidade de cada pessoa apresenta aspectos diversificados. Esses aspectos do comportamento humano influenciam diretamente o treinamento que é imposto por uma organização, assim como o desenvolvimento de um indivíduo dentro da mesma. Após uma abordagem do comportamento das pessoas nas organizações e dos fatores que interferem no comportamento das mesmas, segue uma abordagem da gestão de pessoas dentro das organizações, sendo esta abordagem necessária para introduzir o tema do presente estudo. 3.3 GESTÃO DE PESSOAS NAS ORGANIZAÇÕES A gestão de pessoas vem se tornando muito importante com os avanços que vem ocorrendo na área de Recursos Humanos nos dias atuais, pois empresas são feitas de pessoas para pessoas, onde a gestão de pessoas emerge, fundamentalmente, na contribuição conceitual e prática para uma vida humana mais saudável e com resultados legítimos de produtividade, qualidade, desenvolvimento e competitividade sustentável. (FRANÇA, 2009) Antes dos anos 30, a administração de pessoal, como ficou conhecida a partir de então, tinha como função apenas recrutar e selecionar, não se importando com controles e registros. Os colaboradores assinavam o Livro de Escrito do Pessoal, que era uma espécie de contrato de trabalho, porém, sem nenhuma garantia como as Leis atuais. (ARAUJO; GARCIA, 2009) Segundo Araujo e Garcia (2009) após 1930 passou a existir uma verdadeira legislação trabalhista, sendo criado o Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio, que hoje é chamado de Ministério do Trabalho e do Emprego. Em maio de 1943 ocorreu a assinatura de um Decreto-lei que culminou na consolidação das leis trabalhistas, da qual continha normas que regulavam as relações individuais e coletivas de trabalho. Em 1945 o Brasil iniciou um período de redemocratização e nesse contexto a gestão de pessoas passou a ser mais profissionalizante e extremamente influenciada pelo referencial taylorista. Isso por que muitas empresas multinacionais foram estimuladas a instalar-se no 38 Brasil, trazendo com elas práticas estruturadas de gestão de pessoas baseadas no paradigma taylorista, e disseminaram para as demais empresas brasileiras. (DUTRA, 2009) De 1968 a 1973 ocorreu o chamado “milagre brasileiro”, que era um surto de crescimento econômico, da qual Gil (2009, p. 55) destaca que: As empresas cresceram e se modernizaram. O novo modelo econômico passou a se caracterizar por um processo de concentração que resultou na constituição de grandes empresas. Como conseqüência, um valor cada vez maior passou a ser atribuído à planificação, à tecnologia e aos profissionais especializados. Nesse contexto começou a ser valorizado como profissional de Recursos Humanos o administrador de empresas (então conhecido como técnico de administração). A década de 80 é marcada pela recessão, pelo desemprego e pela luta contra a inflação. Em virtude da diminuição de pessoas na organização, causada pelo desemprego, as atividades de recursos humanos da maioria da empresas da época foi bastante afetada, desativando setores inteiros, como o de treinamento e desenvolvimento. Nessa década a área de recursos humanos também foi bastante influenciada por novas técnicas gerenciais voltadas para a redução de custos de pessoal, processos, entre outras despesas gerenciais. (GIL, 2009). Gil (2009) também destaca que na década de 80 surgiram os conceitos que se ganharam grande popularidade como a descentralização, excelência, Just in time, reengenharia, reestruturação, remuneração variável, etc. Na década de 90 ocorreu uma elevação do campo econômico permanecendo assim por toda a década, a inflação foi controlada e o desemprego começou a cair chegando a um dos níveis mais baixo do mundo. Ocorreu também o arrefecimento da atividade sindical, sendo que o evento mais significativo da década de 90 foi o surgimento da globalização. (GIL, 2009) Globalização para Chiavenato (1999, p. 32) é “um fenômeno de internacionalização do sistema produtivo, do capital e dos investimentos.” No final da década de 90 há uma recuperação das energias dos sindicatos, sendo destacado, também, por Gil (2009, p. 58): A recessão econômica afetou sensivelmente a área de recursos humanos das empresas. Em virtude da dispensa e da diminuição do fluxo de contratação, bem como a terceirização de muitas atividades, as empresas passaram a requerer departamentos de pessoal mais enxutos. Por outro lado, com o desenvolvimento da informática, algumas atividades desse setor, sobretudo no que se refere ao recrutamento e seleção de pessoal, tornaram-se mais simplificadas. 39 Por meio dessa abordagem da história da gestão de pessoas no Brasil é possível verificar que as mudanças que ocorreram na sociedade brasileira afetaram significativamente as organizações e, conseqüentemente, a área de recursos humanos. A gestão de pessoas, como é conhecida atualmente, é “um conjunto de políticas que permitem a conciliação de expectativas entre a organização e as pessoas para que ambas possam realizá-las ao longo do tempo.” (DUTRA, 2009, p. 17) Cabe ressaltar que as políticas, mencionadas por Dutra (2009), compreendem os princípios e diretrizes que formam as decisões e comportamento da organização e das pessoas. Para Gil (2009, p. 17), a gestão de pessoas pode ser definida como: [...] função gerencial que visa à cooperação das pessoas que atuam nas organizações para o alcance dos objetivos tanto organizacionais quanto individuais. Constitui, a rigor, uma evolução das áreas designadas no passado como Administração de Pessoal, Relações Industriais e Administração de Recursos Humanos. Essa expressão aparece no final do século XX e guarda similaridade com outras que também vêm popularizando-se, tais como Gestão de Talentos, Gestão de Parceiros e Gestão de Capital Humano. É interessante destacar que a expressão gestão de pessoas visa substituir a expressão administração de recursos humanos para designar os modos de lidar com as pessoas nas organizações. (GIL, 2009) O modelo de gestão de pessoas é a maneira com que uma empresa se organiza para comandar o comportamento das pessoas no ambiente de trabalho, sendo que para que isso ocorra, as empresas devem estruturar princípios, políticas, estratégias e processos de gestão. (FISCHER, 2002) Dutra (2009) define a balança como representação do modelo de gestão de pessoas, da qual será apresentada a figura a seguir: 40 Figura 4: Modelo de gestão de pessoas Fonte: Dutra (2009, p. 47) Para que se possa compreender a figura proposta por Dutra (2009) faz-se necessário analisar cada parte, isto é, analisar o papel das pessoas, o papel das empresas, os processos de gestão de pessoas, as bases estruturais, e, por fim, os processos de apoio. Nesse sentido, Dutra (2009) descreve cada parte mencionada na figura da seguinte forma: a) O papel das pessoas é gerenciar o seu próprio desenvolvimento, a sua competitividade profissional e a sua carreira. Cada vez mais as pessoas estão adquirindo consciência da responsabilidade da autogestão de suas carreiras e, além disso, passaram também a cobrar das empresas as condições necessárias para o seu desenvolvimento profissional; b) O papel das empresas é estimular o desenvolvimento e dar toda condição e suporte para atender as expectativas e necessidades de seu pessoal. Com isso, a empresa conseguirá alavancar sua competitividade, pois é por meio das pessoas que ela realiza suas atividades; c) Os processos de gestão de pessoas têm como papel promover as interações entre as partes (pessoas e empresas), dentro de parâmetros previamente definidos, com o intuito de atingirem um objetivo comum. Esses objetivos e parâmetros são classificados em: movimentação (compreendendo as práticas de capacitação, internalização, transferência, promoções, expatriação e recolocação); desenvolvimento (compreende as práticas de capacitação, carreira e desempenho); valorização (compreende a remuneração, a premiação e os serviços e facilidades); 41 d) As bases estruturais são os compromissos mútuos estabelecidos entre a empresa e pessoas. Esses compromissos são traduzidos no conjunto de políticas e práticas existentes na organização que orientam o comportamento; e) Os processos de apoio compreendem as interações não ligadas somente a gestão de pessoas, mas que são essenciais para seu total desempenho, como as informações, a comunicação, as relações sindicais e as relações com a comunidade. A gestão de pessoas é um sistema constituído de processos, sendo inserida em outro sistema ainda maior, com qual interage constantemente, isto é, a gestão de pessoas esta inserida na organização e com ela interage constantemente. (DUTRA, 2009) A gestão de pessoas exerce atividades como recrutamento de pessoal, descrição de cargos, treinamento e desenvolvimento, avaliação de desempenho etc. Chiavenato (2009) divide em cinco os subsistemas de gestão de pessoas, são eles: provisão, aplicação, manutenção, desenvolvimento e controle de pessoas. Na figura a seguir são apresentados esses subsistemas: Administração de Recursos Humanos Subsistema de provisão de recursos humanos Subsistema de aplicação de recursos humanos Subsistema de manutenção de recursos humanos Subsistema de desenvolvimento de recursos humanos Subsistema de provisão de recursos humanos Treinamento e desenvolvimento de pessoal Desenvolvimento organizacional Figura 5: Administração de recursos humanos e seus subsistemas Fonte: Chiavenato (2009, p. 5) 42 O subsistema de provisão abrange atividades relacionadas ao planejamento de recursos humanos, ao recrutamento de pessoal e a seleção de pessoal. No subsistema de aplicação são desenvolvidas atividades relativas a descrição e análise de cargos e avaliação do desempenho humano. O subsistema de manutenção abrange atividades relacionadas a compensação, a higiene e saúde, aos benefícios sociais e as relações sindicais. No subsistema de monitoração são desenvolvidas atividades relativas ao banco de dados e sistemas de informação e a auditoria de recursos humanos (CHIAVENATO, 2009). No subsistema de desenvolvimento estão inseridas as atividades de gestão de pessoas que serão objetos do presente estudo, ou seja, o treinamento e de desenvolvimento de pessoal, além do desenvolvimento organizacional. Na figura a seguir pode-se observar como é tratado por Chiavenato o treinamento, desenvolvimento de pessoal e desenvolvimento organizacional: Figura 6: Estratos de treinamento, desenvolvimento: de pessoal e organizacional Fonte: Chiavenato (2009, p. 18) A figura 6 representa o treinamento e desenvolvimento de pessoal como processo de aprendizagem em nível individual, enquanto que o desenvolvimento organizacional, que é mais amplo e abrangente, trata de como as organizações aprendem e desenvolvem-se. (CHIAVENATO, 2009) 43 Nesse contexto cabe destacar o conceito de aprendizagem organizacional. Para Ruas et al (2005) a aprendizagem organizacional é um processo contínuo de apropriação e geração de novos conhecimentos nos níveis individual, grupal e organizacional, envolvendo todas as formas de aprendizagem - formais e informais - no contexto organizacional, baseado em uma dinâmica de reflexão e ação sobre as situações-problema e voltado para o desenvolvimento de competências gerenciais. A aprendizagem de nível individual, como destacado acima por Chiavenato, abrange o treinamento e desenvolvimento de pessoas. Municucci (1995) destaca que o treinamento é um processo educacional, planejado, organizado e especialmente projetado. Para Flippo (1970) o treinamento é o ato de aumentar o conhecimento e perícia de um empregado para o desempenho de um determinado cargo ou trabalho. Nenhuma empresa pode escolher se deve dar treinamento ou não; a única escolha é a do método. Já o desenvolvimento de pessoas constituiu processo de aprendizagem, sendo voltado ao crescimento da pessoa em uma organização, proporcionando o aprimoramento dos conhecimentos, habilidades e atitudes (CHA) já existente em um indivíduo, ou a incorporação de novos CHA (ARAÚJO; GARCIA, 2009). O desenvolvimento organizacional, conforme define Chiavenato (2010, p. 419), “é uma abordagem de mudança organizacional na qual os próprios colaboradores formulam a mudança necessária e a implementam através da assistência de um consultor interno ou externo.” Sendo assim, segue nos próximos tópicos uma abordagem mais ampla sobre as etapas do desenvolvimento de recursos humanos, sendo: treinamento, desenvolvimento de pessoas, e desenvolvimento organizacional. Cabe destacar, porém, que as etapas do subsistema de Desenvolvimento, isto é, treinamento, desenvolvimento de pessoas e desenvolvimento organizacional, serão abordadas em tópicos separadamente, devido a importância para o presente trabalho. É importante destacar que os cincos processos formam um conjunto global e dinâmico através do qual as pessoas são captadas e atraídas, aplicadas em suas tarefas, mantidas na organização, desenvolvidas e monitorizadas pela organização (CHIAVENATO, 2002). Após a apresentação da evolução e dos conceitos do processo de gestão de pessoas, serão apresentados alguns aspectos importantes sobre corpo funcional e o gestor de pessoas. 44 3.3.1 O corpo funcional e o gestor de pessoas O corpo funcional de uma organização compreende as pessoas que nela trabalham e que contribuem para formação do clima organizacional favorável que conduz a resultados. (ARAUJO, GARCIA, 2009) Araujo e Garcia (2009, p. 4) destacam que esse corpo funcional, isto é, as pessoas, “é o chamado capital humano que serve de combustível e faz a máquina (organização) andar e chegar ao destino.” O capital humano de uma organização é formado pelas pessoas que nela trabalham. Chiavenato (2008) define capital humano como sendo os talentos que precisam ser mantidos e desenvolvidos, podendo ser considerado o principal ativo de uma organização, destacando-o como capital intelectual, isto é, capital invisível composto de ativos intangíveis. O clima organizacional é o conjunto de fatores que pode ser percebido pelos indivíduos de modo direto ou indireto, interferindo na satisfação ou descontentamento no trabalho, pois influencia na motivação e no comportamento das pessoas. (CHIAVENATO, 2008) Há três fatores destacado por Araujo e Garcia (apud SIROTA; MISCHKIND; MELTZERI, 2009) que as pessoas desejam na organização e que contribuem para um clima organizacional positivo, sendo: equidade, realização e companheirismo. A equidade compreende que os superiores de qualquer nível são justos com relação a estrutura social. A realização não só abrange a carreira e o salários, mas também o bem-estar da pessoa na organização que remete a questões como ser considerado, ser respeitado naquilo que faz, estar em um ambiente com responsabilidade social e que respeita as leis. Já o companheirismo refere-se a busca por relações mais amistosas, mesmo que exista competição, pois competição entre pessoas nas organizações é muito comum, porém deve-se levar em conta o ditado popular que “uma mão lava a outra”, isto é, o indivíduo deve estar em constante harmonia e buscar ajudar o outro, evitando atritos, pois ele poderá precisar da ajuda de outra pessoa em alguma ocasião. “O gestor de pessoas deve ser hábil no sentido de identificar eventuais ruídos no relacionamento entre as pessoas, visando ao melhor clima possível, assegurando um desenvolvimento regular dos trabalhos na organização.” (ARAUJO, GARCIA, 2009, p. 5) Outro fator destacado por Araujo e Garcia (2009) e que dá suporte a um clima organizacional proativo é a comunicação. A comunicação, de acordo com Lacombe e Heilborn (2003, p. 210), é: 45 Uma mensagem em que envolve a transmissão de conteúdos emocionais ou intelectuais, na maioria dos casos ambos estão presentes. A comunicação envolve um fluxo de mão dupla, com um emissor e um receptor, em que o que recebe a informação responde a ela de alguma forma, de imediato ou após certo tempo. A mensagem pode ser transmitida na forma de um documento ou de uma comunicação visual ou audível. Cabe destacar que alguns problemas encontrados na organização resultam de comunicação inadequada, importuna ou falha, os chamados ruídos. (LACOMBE, HEILBORN, 2003) Segundo Araujo e Garcia (2009) o gestor de pessoas deve ficar sempre atendo aos muitos processos de comunicação existente na organização, tentando eliminar os ruídos que aparecem no caminho, tornando possível que as pessoas da organização atuem de forma a conduzir adequadamente seu trabalho, e, conseqüentemente, possibilitando um clima organizacional proativo. Assim, após observarmos o corpo funcional e o que o processo de gestão de pessoas influencia, será abordado o tema do presente estudo, isto é, treinamento e, posteriormente, desenvolvimento de pessoas. 3.4 TREINAMENTO Segundo Chiavenato (2004) treinamento é o processo educacional, aplicado de maneira sistêmica, por meio do qual as pessoas aprendem conhecimentos, atitudes e habilidades em função de objetivos definidos. Para Minicucci (1995, p. 182) “O treinamento pode ser considerado um esforço planejado, organizado, especialmente projetado para auxiliar os indivíduos a desenvolverem suas capacidades”. Para Andrade e Castro (1996) treinamento de pessoal é caracterizado pelo esforço despendido pelas organizações para propiciar oportunidades de aprendizagem aos seus integrantes. Tem como os propósitos à identificação e à superação de deficiências no desempenho de empregados, à preparação de empregados para novas funções e à introdução de novas tecnologias. De acordo com Ferreira (1979) treinamento dentro de uma empresa poderá objetivar tanto a preparação do elemento humano para o desenvolvimento de atividades que virá a 46 executar, como desenvolvimento de suas potencialidades para o melhor desempenho das que já executa. Chiavenato (1999, p. 294) afirma que “o treinamento é uma maneira eficaz de agregar valor às pessoas, à organização e aos clientes. Ele enriquece o patrimônio humano nas organizações”. De acordo com o autor, o treinamento era geralmente entendido como um processo pelo qual o indivíduo é preparado para desempenhar melhor as tarefas específicas do cargo que ocupa, e mais recentemente, é entendido como um meio de desenvolver competências para que as pessoas se tornem mais produtivas, criativas e inovadoras, contribuindo melhor para os objetivos da organização, tornando-se mais valiosas. Segundo Nadler (1984) treinamento é um esforço desprendido pelas organizações para propiciar oportunidades de aprendizagem de seus integrantes. Está tradicionalmente relacionado à identificação e superação de deficiências no desempenho de empregados, preparação de empregados para novas funções e adaptação da mão de obra à introdução de novas tecnologias no trabalho. Para Gobe et al (2000), treinar a equipe de funcionários no uso de ferramentas é fundamental para a empresa conseguir maior uniformidade de pensamento e de propósito, e também para poder avaliar quais são os colaboradores que de fato estão empenhados em executar um bom trabalho. Para o autor treinar e capacitar as pessoas não é despesa, e sim um investimento. Segundo Carvalho (2001) o treinamento, por ser um processo que visa ajudar o empregado a adquirir eficiência no seu trabalho, faz parte de um processo educativo do individuo. A ênfase do processo de formação profissional é transmitir conhecimento e habilidade tanto em sala de aula como no ambiente de trabalho. Nesse sentido o treinamento é uma função intrínseca do processo de trabalho e do desenvolvimento da empresa (CARVALHO, 2001, p. 12) De acordo com Roux (1983) treinamento significa basicamente alterar o comportamento das pessoas de uma situação de menor rendimento profissional para uma situação de maior eficácia e pode-se dizer que uma pessoa está treinada quando ela adquiriu conhecimentos e os transformou em atos motores e hábitos mentais, isto é, em aprendizado. O autor ainda acrescenta que o que se procura com o treinamento é reduzir a percentuais desprezíveis a ocorrência de „perturbações‟ no ritmo de trabalho. 47 O conteúdo do treinamento envolve quatro tipos de mudança de comportamento, são elas: transmissão de informações, onde são transmitidas informações e repartidos conhecimentos; desenvolvimento de habilidades, que é uma orientação para as tarefas e operações a serem executadas; desenvolvimento ou modificação de atitudes, que são as aquisições de novas atitudes e hábitos; e por último desenvolvimento de conceitos, no sentido de elevar o nível de abstração e possibilitando pensamentos mais globais e amplos (CHIAVENATO, 2002). Para melhor entendimento dessas mudanças comportamentais que o conteúdo do treinamento envolve, segue figura representada por Chiavenato (2008): Transmissão de informações Aumentar o conhecimento das pessoas: informações sobre a organização, seus clientes, seus produtos/serviços, políticas e diretrizes, regras e regulamentos. Desenvolvimento de habilidades Melhorar as habilidades e destrezas: habilitar as pessoas para a execução e a operação de tarefas, manejo de equipamentos, máquinas e ferramentas. Desenvolvimento de atitudes Desenvolver ou modificar comportamentos: mudar de atitudes negativas para atitudes favoráveis, conscientização das relações e melhoria da sensibilidade com as pessoas, com os clientes internos e externos. Desenvolvimento de conceitos Elevar o nível de abstração: desenvolver idéias e conceitos para ajudar as pessoas a pensar em termos globais e estratégicos. Conteúdo do treinamento Figura 7: Os tipos de mudanças comportamentais através do treinamento Fonte: Chiavenato (2008, p. 295) Referente aos objetivos do treinamento, Marras (2000) classifica-os em dois tipos: Específicos e Genéricos. São objetivos específicos: a formação profissional, da qual permite alcançar um grau ideal de capacidade laboral para determinada profissão, repassando os conhecimentos e práticas necessárias ao bom desempenho da função; a especialização, que oferecer um campo de conhecimento ou prática específica dentro de uma área de trabalho para otimizar 48 resultados; e a reciclagem, que proporciona rever conceitos, conhecimentos ou práticas de trabalho, renovando-os ou atualizando-os, de acordo com as necessidades existentes. Já os objetivos genéricos podem assim ser elencados: aumento direto da produtividade e da qualidade; incentivo motivacional; otimização pessoal e organizacional; e, atendimento de exigências das mudanças. Os teóricos Tachizwa, Ferreira e Fortuna (2001, p.220) afirmam que os principais objetivos do treinamento são: Preparar o pessoal para a execução imediata das tarefas peculiares à organização; Proporcionar oportunidades para o contínuo desenvolvimento pessoal; não apenas nas atividades atuais, como também para funções mais complexas e elevadas; Mudar a atitude das pessoas, a fim de criar um clima satisfatório, aumentando-lhes a motivação, tornando-as mais receptivas às técnicas de supervisão e gestão. Gil (2001) aponta quatro possíveis motivos para falhar o treinamento, as mais usuais são: falta de comprometimento da alta direção com o investimento, ou seja, a cúpula da empresa não acredita na eficiência do processo; falta de foco nas necessidades reais do problema; falta de vínculo e desarticulação com o planejamento estratégico da empresa; e dificuldades de mensuração do custo/benefício dos investimentos. Segundo Chiavenato (2009) o processo de treinamento assemelha-se a um modelo de sistema aberto, cujos componentes são: entradas, processamento ou operação, saídas (outputs), e retroação (feedback). As etapas do processo de treinamento e seus componentes são apresentados na figura a seguir: Entradas Treinandos e recursos instrucionais Processo Programa de treinamento Processos de aprendizagem individual Saídas Conhecimentos Atitudes Habilidades Eficácia organizacional Retroação Avaliação dos resultados Figura 8: O treinamento como um sistema Fonte Chiavenato (2009, p. 49) 49 Na atualidade o treinamento é visualizado como um sistema abrangendo diversos subsistemas. Segundo Marras (2000), o processo praticado pelas organizações nos programas de treinamento se divide em quatro: diagnóstico, prescrição ou programação, execução, e avaliação. Tais etapas serão apresentadas nos tópicos seguintes. 3.4.1. Diagnóstico das necessidades de treinamento Para Chiavenato (2004) o diagnóstico das necessidades de treinamento é o levantamento das necessidades de treinamento a serem satisfeitas. Tais necessidades podem ser passadas, presentes ou futuras. Devem ser observadas as informações relacionadas com os objetivos e estratégias da organização, os problemas de produção, os problemas de pessoal e os resultados da avaliação de desempenho, entre outros aspectos. Enfatiza Gil (2001) que o diagnóstico das necessidades de treinamento pode ser definido como o processo que tem como objetivo identificar as carências de indivíduos e grupos para a execução das tarefas necessárias para o alcance dos objetivos organizacionais. Para Marras (2000, p.152) “O levantamento de necessidades engloba pesquisa e análise pela qual se detecta o conjunto de carências cognitivas e inexperiências cognitivas relativas ao trabalho”. Ainda, segundo Boog (2001) a necessidade de treinamento está entre o nível de eficiência atual e o nível de eficiência desejada. Ou seja, essa primeira etapa é diagnosticar quais são as reais necessidades de se fazer um treinamento, e ainda, saber se o treinamento a ser realizado irá suprir de fato as necessidades que o originou. Conforme Dias (apud MARRAS, 2000, p. 24) “o levantamento das necessidades de treinamento é um programa de pesquisa e coleta de dados. Os dados colhidos nessa etapa são a base para o programa de treinamento e também para direcionar todo o treinamento.” Os principais meios utilizados para o levantamento das necessidades de treinamento são: avaliação do desempenho, observação, questionários, solicitação de supervisores e gerentes, entrevistas com supervisores e gerentes reuniões interdepartamentais, exames de empregados modificação do trabalho, entrevista de saída, análise de cargos e relatórios periódicos. (DIAS apud CHIAVENATO, 2004, p. 24) Tachizwa, Ferreira e Fortuna (2001, p. 222) afirmam que são três os níveis para diagnosticar as necessidades de treinamento: o primeiro é a análise organizacional onde a determinação é em locus interno que será realizado o treinamento; o segundo é á análise das 50 operações e tarefas, que determina os requisitos necessários (habilidades, conhecimentos, atitudes e comportamentos) dos funcionários para o bom desempenho de cada cargo; e o terceiro nível é a análise individual e por equipes, que tem por finalidade o exame de potencial de crescimento de cada funcionário e de cada equipe, a fim de identificar eventuais problemas para que possa ser corrigido por meio do treinamento. Concordando com os autores, Chiavenato (2004) expõe mais informações a respeito dos três níveis: a) Análise da organização total: envolve a análise da empresa no que tange aos seus objetivos, estratégias, necessidades globais de competências e habilidades, além da análise do ambiente sócio-econômico e tecnológico no qual a organização está inserida. b) Análise dos recursos humanos: procura verificar se as pessoas na organização são possuem comportamentos, habilidades e atitudes necessários para as atividades atuais e futuras da mesma. c) Análise das tarefas e operações: envolve a análise das diferenças entre os requisitos exigidos pelo cargo e as habilidades atuais dos ocupantes do mesmo. Para Carvalho e Nascimento (2002), o levantamento de necessidades não é uma tarefa fácil, e se tratando de treinamento deve-se saber quem deve ser treinado, onde há maior urgência e qual espécie de treinamento deve ser executado. Marras (2000) afirma que o levantamento dessas necessidades é um programa de pesquisa, onde podem ser utilizados alguns métodos, tais como: aplicação de questionários aos funcionários, entrevistas com os funcionários, aplicação de testes ou exames, observação in loco de trabalhos sendo realizados, folha de avaliação de desempenho, e solicitação direta do funcionário ou supervisor. O autor esclarece ainda que a escolha dos métodos deve-se considerar as características da organização, incluindo a cultura, a visão, a missão, os valores organizacionais, bem como o perfil da área de treinamento e desenvolvimento, entre outros. 3.4.2 Programa de treinamento Segundo Chianevato (2004) o programa de treinamento refere-se ao planejamento das ações de treinamento, de modo integrado e coeso, para atender as necessidades levantadas. Também, envolve responder a questões do tipo: quem deve ser treinado? Quem vai treinar? Como treinar? Em que treinar? Onde treinar? Quando treinar? Para que treinar? Quais os recursos necessários? 51 Marras (2000, p.155) conceitua planejamento de treinamento como sendo: “O elo de ligação entre as políticas, diretrizes e ações formais e informais que regem as relações organizacionais enquanto indicadores da cultura empresarial e seus agentes multiplicadores e os indivíduos que compõem essa sociedade.” Boog (2001) enfatiza que o planejamento do treinamento consiste em quantificar, escolher quando e como suprir as necessidades e quais os recursos humanos, materiais e financeiros serão necessários mobilizar para o programa de treinamento. Portanto, para melhor eficácia no programa de treinamento é necessário seguir o seguinte roteiro: primeiramente quantificar o treinamento necessário, após definir a época ideal para a realização do treinamento, classificar as necessidades quanto ao conteúdo, eleger a metodologia para cada necessidade de treinamento e desenvolvimento, documentar os eventos de treinamento, programar os eventos de treinamento, identificar os recursos internos e externos a serem mobilizados, orçar os investimentos, e, por último, apresentar o plano de treinamento, para obter aprovação. Nesse momento é oportuno salientar que os métodos podem ser de treinamentos formais ou informais e treinamentos no trabalho ou fora dele. Robbins (2002) defini que treinamento formal é aquele planejado com antecedência e com formato estruturado. Já treinamento informal é o mais utilizado nas organizações, tem formato não estruturado, não planejado e facilmente adaptável às situações e aos indivíduos, pois faz com que os funcionários compartilham informações e solucionam problemas de trabalho em conjunto. No treinamento no trabalho e fora dele está inserido o rodízio de tarefas, os programas de aprendizagem, a preparação de substitutos eventuais e os programas formais com os instrutores. A principal desvantagem do treinamento no trabalho é que gera uma ruptura no ambiente de trabalho, por isso que as empresas investem em treinamento fora do trabalho, dando a oportunidade aos funcionários de encontrarem pessoas de outras áreas e setores, a fim de trocarem idéias e experiências novas que podem ser úteis. (ROBBINS, 2002) Dentro desse sub tópico fica interessante abordar algumas técnicas de treinamento, da qual será vista na figura a seguir representada por Chiavenato (2010): 52 Quanto ao uso Orientadas para o conteúdo Leitura, instrução programada, instrução assistida por computador Orientadas para o processo Dramatização, treinamento da sensitividade, desenvolvimento de grupos Mistas (conteúdo e processo) Estudo de casos, jogos e simulações, conferências e várias técnicas on-the-job Antes do ingresso na empresa Programa de indução ou de integração à empresa Após o ingresso na empresa Treinamento no local (em serviço) ou fora do local de trabalho (fora do serviço) No local de trabalho Treinamento em tarefas, rodízios de cargos, enriquecimento de cargos Fora do local de trabalho Aulas, filmes, painéis, casos, dramatização, debates, simulação, jogos Técnicas de treinamento Quanto ao tempo (Época) Quanto ao local Figura 9: Classificação da tecnologia educacional de treinamento Fonte: Chiavenato (2010, p. 380) Essas técnicas de treinamento apresentadas na figura 8 destaca exatamente as principais técnicas utilizadas por diversas empresas no cotidiano. Assim, após abordagem do programa de treinamento, que é uma das etapas para implementação do treinamento em uma empresa, segue a explicação da etapa execução do treinamento, e, posteriormente, a etapa avaliação do treinamento. 3.4.3 Execução do treinamento De acordo com Marras (2000, p. 15), “a execução é a aplicação prática daquilo que foi planejado e programado suprir as necessidades de aprendizagem detectadas na organização”. Segundo Gil (2001) a execução do treinamento está na relação entre instrutor X treinando, a transmissão de informações necessárias para o desenvolvimento das habilidades 53 requeridas no programa de treinamento, o instrutor utiliza-se de várias técnicas e estratégias de ensino. Boog (2001) ressalta que após ser aprovado o programa de treinamento, necessário se faz dar andamento às ações programadas, bem como controlar seus resultados. Para isso acontecer, eis alguns procedimentos a serem seguidos, são eles: organizar e delegar responsabilidades; expor os planos aos executores; divulgar o programa de treinamento; produzir os materiais e os programas especiais de computador; programar os equipamentos necessários; controlar e avaliar os programas de auto-estudo e treinamento prático; controlar a execução dos cursos presenciais; e fazer avaliação pós-treinamento. A execução do treinamento refere-se à aplicação prática do que foi planejado e programado para suprir as necessidades de aprendizagem detectadas na organização. Para Marras (2000), a área de treinamento e desenvolvimento deve ter as seguintes preocupações com relação à execução dos módulos de treinamento: a qualidade da aplicação dos módulos e a eficiência dos resultados. Com relação à aplicação dos módulos, os fatores influentes, são: a) Didática dos instrutores – é de suma importância o nível de comunicação, bem como a didática dos instrutores na transmissão das informações aos treinandos para que esses possam assimilar facilmente o que foi-lhes passado; b) Preparo técnico – é extremamente importante que o instrutor tenha convivência constante e prática com a função e com as responsabilidades de que trata o tema do aprendizado; c) Lógica no módulo – os treinandos devem apreender de forma transparente as sessões do treinamento a praticidade da proposta, bem como perceber soluções viáveis aos problemas do dia-a-dia e entender a lógica da abordagem. Conseqüentemente, garantirá o comprometimento e a motivação do treinando em continuar aprendendo; d) Qualidade dos recursos – todo módulo de treinamento está sustentado por um planejamento prévio dos recursos a serem aplicados para o aprendizado. Podem ser: transparências; slides; filmes de vídeo; computador; sistemas de áudio; televisão, entre outros. Chiavenato (1999) afirma que a execução do treinamento envolve um binômio instrutor versus aprendiz e uma relação instrutor versus aprendizagem. Onde aprendizes são os funcionários que necessitam aprender ou melhorar seus conhecimentos e os instrutores são os funcionários especializados em determinada atividade e que transmitem os seus conhecimentos aos aprendizes. Já a instrução refere-se ao ensino organizado de certa atividade ou tarefa e a aprendizagem é a incorporação daquilo que foi instruído ao comportamento do indivíduo. 54 3.4.4 Avaliação do treinamento Segundo Chiavenato (2004) a avaliação do treinamento é a monitoração do processo (avaliação e medição dos resultados). Basicamente, deve-se avaliar se o programa de treinamento atende às necessidades para as quais foi desenhado. Fazer comparação da situação atual com a anterior e analisar o custo x benefício, também fazem parte desse monitoramento. De acordo com Boog (2001), avaliação de resultados de treinamento correspondem a quatro níveis de aplicação, sendo: nível de reação, da qual oferece uma panorâmica da opinião dos treinandos; nível aprendizagem, que permite avaliar se as informações foram compreendidas; nível mudança de comportamento, que são dados e informações que envolvem outros profissionais em todo o processo de gestão do treinamento através de checklist que contenham o conteúdo programático e destacar os comportamentos que esperam dos treinandos após o treinamento; e nível de resultados, sendo que nesta fase o treinador realiza pesquisa junto aos treinandos e seus superiores do que aconteceu nas áreas de trabalho em reflexo ao treinamento. Milkovic e Boudreau (2008, p.369) dizem que “o treinamento só se mostrará eficaz se os resultados obtidos em sala de aula forem transferidos para o comportamento no trabalho”. De acordo com Chiavenato (1999), a avaliação do treinamento consiste em verificar a eficácia, isto é, ver se o treinamento realmente atendeu as necessidades da organização. O mesmo autor ainda explica: “A avaliação de resultados visa a obtenção de retroação do sistema e pode ser feita ao nível organizacional dos recursos humanos ou a nível de tarefas e operações”. Hamblin (apud MARRAS, 2000, p. 161) propõe cinco níveis de avaliação no treinamento, a saber: a) Primeiro nível: Avaliação de reação – busca-se a reação dos treinandos com relação ao módulo aplicado e seu conteúdo, ao instrutor e às condições em que o módulo foi apresentado; b) Segundo nível: Avaliação do aprendizado – refere-se à verificação prática do que foi assimilado, comparado ao resultado antes do treinamento; c) Terceiro nível: Avaliação de comportamento – diz respeito ao processo avaliativo mais complexo devido à dificuldade imediata de comprovar a mudança e pela própria subjetividade em estimar os resultados alcançados; 55 d) Quarto nível: Avaliação de valores – tem por finalidade analisar os efeitos do treinamento referindo-se aos valores dos funcionários, podendo causar mudanças no seu perfil cultural e na cultura da organização; e) Quinto nível: Avaliação de resultados finais – é a checagem que se faz levando-se em conta as metas da organização, com o intuito de trazer melhorias após o período póstreinamento, como por exemplo: redução de absenteísmo e de rotatividade, otimização de qualidade, etc. Ainda sobre esse aspecto, Chiavenato (1999) relata que a avaliação dos resultados do treinamento visa à obtenção de retroação do sistema e pode ser elaborada ao nível organizacional dos recursos humanos ao nível das tarefas e operações. Por fim cabe destacar que os processos de treinamento e desenvolvimento complementam-se uma vez que ambos visam suprir a empresa com as competências de que ela necessita para o seu funcionamento. O treinamento é voltado ao condicionamento da pessoa e à execução das tarefas, já o desenvolvimento visa o crescimento dos conhecimentos, das habilidades e das atitudes das pessoas. Neste sentido, o desenvolvimento é um processo mais amplo e complexo que o treinamento, porém ambos constituem métodos de aprendizagem da mesma natureza, contudo, a perspectiva de tempo é diferente. “Aprendizagem é a mudança no comportamento da pessoa pela incorporação de novos hábitos, atitudes, conhecimentos e habilidades.” (FRANÇA, 2009, p. 97) Assim, o treinamento é orientado para o presente, em que o foco é o cargo atual e a busca de melhoria nas habilidades deve estar voltada ao desempenho imediato. O desenvolvimento é orientado principalmente para o futuro dos cargos a serem ocupados nas organizações e as novas habilidades a serem exigidas. Entretanto, ambos, Treinamento e Desenvolvimento (T&D), constituem processos de aprendizagem (MARRAS, 2002). Seguindo o foco, segue uma abordagem sobre o desenvolvimento de pessoas no próximo tópico. 3.5 DESENVOLVIMENTO DE PESSOAS Para Gil (2009) o desenvolvimento é um processo ativo de melhoria contínua, que implica em mudanças e crescimento. 56 Segundo Dutra (2009, p. 101), “a questão do desenvolvimento das pessoas na organização moderna é fundamental para a manutenção e/ou ampliação de seu diferencial competitivo”. O desenvolvimento humano, segundo com Gil (2001, p.122) “refere-se ao conjunto de experiências de aprendizagem não necessariamente relacionadas aos cargos que as pessoas ocupam atualmente, mas que proporcionam oportunidades para o crescimento e desenvolvimento profissional”. O desenvolvimento de pessoas, conforme esclarece Araujo e Garcia (2009), permitirá que sejam aperfeiçoadas as capacidades e motivações das pessoas no sentido de agregar valor para a organização, isto é, tornando-se membros valiosos para a mesma, utilizando as potencialidades adquiridas e aperfeiçoadas em prol da empresa. Nas organizações, de acordo com Chiavenato (2008), as pessoas destacam-se por ser o único elemento vivo e inteligente, por seu caráter eminentemente dinâmico e por seu incrível potencial de desenvolvimento. As pessoas têm enorme capacidade para aprender novas habilidades, captar informações, adquirir novos conhecimentos, modificar atitudes e comportamentos, bem como desenvolver conceitos e abstrações. As organizações lançam mão de uma variedade de meios para desenvolver as pessoas, agregar-lhe valor e torná-las cada vez mais capacitadas e habilitadas para o trabalho. Percebe-se, portanto, que no desenvolvimento de um indivíduo objetiva-se o crescimento de suas potencialidades a fim de que o mesmo alcance o nível desejado de resultados. Porém, para que isso ocorra, as organizações devem estimular a participação, de forma planejada e sistemática, dos colaboradores em eventos que possibilitem e levem à reflexão crítica sobre temas diversos e atualizados, como economia, marketing, política internacional, recursos humanos, inovações tecnológicas, comunicações etc. (CHIAVENATO, 2008) Dessa forma, reforça-se a visão de querer transformar o atual ou futuro executivo em um verdadeiro profissional atualizado, pronto a atender às necessidades do mercado, sendo tanto interessante para o indivíduo, quanto para a organização que investe nesse sentido. Já referente a estruturação das ações de desenvolvimento em uma organização, segundo Dutra (2009), podem ser divididas em duas categorias: as ações de desenvolvimento formais e as ações de desenvolvimento não formais. As ações de desenvolvimento formais são desenvolvidas por meio de conteúdos programáticos específicos, como seminários e cursos. 57 Já as ações de desenvolvimento não formais são realizadas em situações no trabalho ou em situação referente à atuação do profissional, como visitas e estágios. Assim, “quanto maior a complexidade das atribuições e responsabilidades, maior deve ser o percentual das ações de desenvolvimento não formais.” (DUTRA, 2009, p. 153) Deve-se definir as ações de desenvolvimento levando em conta as necessidades de cada pessoa em particular com o objetivo de ajudar o indivíduo a explorar os seus pontos fortes e a trabalhar as suas oportunidades de melhoria. Cabe destacar, também, sobre a responsabilidade pelo desenvolvimento das pessoas, que, segundo Marras (2002), antigamente o desenvolvimento das pessoas era de responsabilidade somente da empresa. Quando a pessoa entrava em uma empresa ela já sabia que iria fazer toda a sua vida profissional naquela empresa, e que seu desenvolvimento era feito somente pela organização, não havia muita mudança de uma empresa para outra, o individuo entrava e ficava ali até a aposentadoria. Hoje as organizações continuam investindo no desenvolvimento das pessoas, mas a idéia do desenvolvimento somente ser do posicionamento da empresa e a atitude passiva do funcionário aguardando a iniciativa da empresa está desaparecendo. Os indivíduos estão adotando uma postura proativa, planejando e investindo em seus próprios desenvolvimentos, independente das organizações. (MARRAS, 2002) Nesse contexto, o papel atual das organizações é o de estimular e oferecer todo apoio necessário para que o indivíduo possa empreender seu aprimoramento profissional. Contudo, é de responsabilidade do funcionário a mudança de comportamento, assim como seu autodesenvolvimento. Lacombe e Heilborn (2003, p. 274) enfatizam que: A responsabilidade pelo desenvolvimento de cada pessoa é dela própria. Cada um é o principal responsável pelo seu próprio desenvolvimento. [...] as empresas devem agir como facilitadoras e apoiadoras do desenvolvimento de cada um, bem como tomar a iniciativa em casos que sejam do seu interesse, mas isso não significa que as empresas possam ser responsabilizadas por não desenvolverem seu pessoal. O desenvolvimento de pessoas é o processo de aprendizagem voltado ao crescimento dos indivíduos em uma organização no que se refere aos conhecimentos, habilidades e atitudes, o chamado CHA. (ARAUJO; GARCIA, 2009) A aprendizagem, segundo os autores, significa uma mudança no comportamento das pessoas por meio da incorporação de novos CHA, ou seja, as pessoas passam a adaptar e aprimorar seus conhecimentos, habilidades e atitudes dentro de uma nova realidade. 58 Na figura ilustrada a seguir por Boog (2001) enfatiza-se o CHA e as competências: Onde queremos ser reconhecidos? (CHA)** CHA** que devemos ter para sermos reconhecidos Conhecimentos Habilidades Atitudes Onde estamos? (CHA)* CHA* atual Conhecimentos Habilidades Atitudes Figura 10: Definição dos objetivos e das competências Fonte: Boog (2001, p. 8) Neste sentido, a gestão por competências trabalha com os conhecimentos, as habilidades e as atitudes ou com os comportamentos que a empresa precisa ter em sua força de trabalho, para que todos, de forma harmônica, organizada e comprometida, possam seguir os caminhos traçados e atingir os objetivos almejados pela organização. “Competência é o conjunto de características percebidas nas pessoas que envolve conhecimentos, habilidades e atitudes que levam a um desempenho superior.” (PICARELLI, 2002). Dutra, Hipólito e Silva (1998) conceituam a competência como sendo a aptidão da pessoa em provocar resultados dentro do escopo organizacional. Segundo Boog et al (2002) a gestão de competências é uma forma avançada de administrar pessoas, sendo que sua sustentação está nos conhecimentos requeridos pela empresa para que seus objetivos sejam alcançados e na maneira como esses conhecimentos são disseminados entre os profissionais. Segundo Dutra (2009), a gestão de pessoas tem como função o estímulo e o envolvimento dos funcionários. Para tanto, a gestão de competência pode ser considerada um instrumento poderoso na efetividade deste processo. Para Picarelli (2002, p. 219) os conhecimentos, as habilidades e as atitudes são componentes de competência podendo ser explicado da seguinte forma: 59 Conhecimentos é o “saber” adquirido, o conhecimento técnico, os conceitos e as teorias. Atitudes são os comportamentos do colaborador, a forma como ele age com pares, superiores e subordinado. As atitudes estão ligadas à sua personalidade. Habilidades é o “saber fazer”, ou seja, é o saber colocado em prática. Referente aos Conhecimentos, Habilidades e Atitudes de um indivíduo em uma organização França (2009) destaca que os conhecimentos da força de trabalho são divididos em dois grupos, sendo o conhecimento de ferramenta de interatividade entre as pessoas da equipe de trabalho (atividades em grupo, motivação e liderança), e os conhecimentos técnicos e científicos adquiridos ao longo da vida do funcionário. As habilidades são classificadas em três grupos, sendo habilidades voltadas à interação pessoal, habilidades voltadas ao processo e à qualidade, e as habilidades voltadas à obtenção de resultados. Por fim as atitudes são os comportamentos e posturas de cada indivíduo. Segundo Oderich (2001, p. 69) “o levantamento das necessidades de competências é realizado a partir da avaliação de desempenho, este, por sua vez, é desenvolvido a partir do desdobramento das metas do planejamento estratégico.” A avaliação de desempenho será comentada no item 3.5.2 desde estudo, porém cabe destacar o conceito de planejamento estratégico para melhor compreensão da citação acima. Assim, planejamento estratégico é uma ferramenta estratégica utilizadas pelas organizações para crescer, sobreviver e adequar-se as mudanças constantes no mundo dos negócios, se preparando também para mudanças e ocorrências que poderão acontecer futuramente (CHIAVENATO, 1999). A identificação da necessidade de desenvolvimento segue a mesma linha do treinamento, passando, portanto, pela primeira etapa para implantação de um programa de treinamento e desenvolvimento, que é a etapa do diagnóstico, verificando, primeiramente, quem necessita e quais as necessidades. Após segue a segunda etapa que é a de prescrição ou programação, isto é, essa é a parte da elaboração do que será feito para suprir as necessidades identificadas na primeira etapa (diagnóstico). Na terceira etapa está a execução ou implementação daquilo que foi planejado na segunda etapa (programação), da qual deve ser realizado tudo conforme foi o plano. E por último, isto é, na quarta etapa, está a avaliação do programa de treinamento e desenvolvimento, da qual busca verificar se os objetivos do treinamento e desenvolvimento foram alcançados. Tais etapas foram relatadas no item 3.4. (ARAUJO, 2008) 60 Com o exposto até o momento, fica pertinente apresentar os métodos disponíveis para o desenvolvimento das pessoas em uma organização, da qual segue a seguir. 3.5.1 Métodos de desenvolvimento de pessoas Existem muitos métodos para o desenvolvimento de pessoas em uma organização. Chiavenato (2010) destaca as principais técnicas de desenvolvimento de habilidades pessoais no cargo e fora do cargo. Para o autor, as técnicas de desenvolvimento no cargo são: rotação de cargos, exercícios de simulação, posições de assessoria, aprendizagem prática, jogos de empresa, centros de desenvolvimento interno, atribuição de comissões, participação em cursos e seminários externos, treinamento fora da empresa, centros de desenvolvimento interno, e coaching. A rotação de cargos é uma técnica utilizada por muitas organizações no sentido de desenvolver seu quadro de pessoal. Nessa técnica é promovido um rodízio dos empregados por vários cargos. Cabe ressaltar que os cargos em si não mudam apenas os empregados é que fazem o rodízio, isto é, são transferidos. Essa técnica proporciona para os empregados o crescimento pessoal e, em contrapartida, a organização passa a possuir em seus recursos humanos empregados competentes em diversos cargos e não apenas em um. (MENNA; SAUER apud WESTHER; DAVIS, 1998) Os exercícios de simulação podem ser explicados por Sampaio e Tavares (apud Motomura, 2001) como sendo uma experiência. Nessa técnica há a criação de um cenário que procura representar com similaridade uma determinada situação empresarial que acontece ou poderá acontecer em situações reais. Esse método engloba vários outros, como desenho de papéis, estudo de caso, jogos de empresa, etc. A vantagem é de se estar em uma situação similar a que ocorre na empresa, porém sem os altos custos envolvidos na vida real. A posição de Assessoria, segundo Chiavenato (1999), é um método de desenvolvimento de pessoas que possibilita a um indivíduo, que apresenta elevado potencial, a oportunidade em trabalhar, de maneira provisória, em diferentes áreas da organização, sob supervisão de um gerente bem sucedido. A vantagem na utilização desse meio de desenvolvimento é a absorção de conhecimentos, habilidades e experiências conquistadas em diferentes situações reais. A aprendizagem prática, também de acordo com Chiavenato (1999), é uma técnica de treinamento na qual a pessoa passa a ter dedicação a um trabalho em tempo integral, onde analisa e resolve problemas. Cabe ressaltar que essa técnica geralmente é aplicada em 61 conjunto com outras técnicas, onde se permite trabalhar em conjunto. Essa técnica possibilita a interação real com o problema. Os jogos de empresa são destacados por Dos Santos e Lovato (2007, p. 2) como sendo “modalidade de simulação que consiste, em termos amplos, de um modelo operacional, dinâmico, de algum aspecto da realidade.” As vantagens na utilização desse método são que ele facilita o processo de aprendizado, contribui para o melhor entendimento de assuntos abstratos por meio do indivíduo, promovem múltiplas representações da realidade, foca na construção do conhecimento, apresenta tarefas similares dentro do contexto da organização, promove um ambiente de aprendizado com ênfase na realidade empresarial, enfim, possibilita a oportunidade ao indivíduo de desenvolver habilidades de ordem prática a partir de uma simulação teórica. (DOS SANTOS; LOVATO, apud FREITAS; SANTOS, 2007). Os centros de desenvolvimento interno, ou também conhecido como centros de aprendizagem empresarial (corporate learning centre), de acordo com Sampaio e Tavares (2001), são centros de aprendizagem, localizados na empresa, que possibilitam a realização de programas de ensino com a utilização de novas tecnologias, com o intuito de desenvolver e melhorar habilidades pessoais transformando-as em benefícios para organização. Um bom exemplo desse método de desenvolvimento são as Universidades Corporativas. A atribuição de comissões é uma atribuição temporária que possibilita a participação do indivíduo em comissões de trabalho, compartilhando da tomada de decisões, aprendendo pela observação e pesquisando sobre problemas da organização. As comissões, geralmente, são temporárias, criadas para problemas específicos da organização. A vantagem que essa técnica possibilita para pessoas é que há uma exposição maior das pessoas aos outros membros da empresa, amplia a compreensão da pessoa, além de possibilitar oportunidade de crescimento. (CHIAVENATO, 2010) A participação em cursos e seminários externos para Chiavenato (1999) é a participação dos funcionários de uma empresa em cursos formais de leitura e seminário, permitindo adquirir novos conhecimentos e desenvolver novas habilidades. Cabe destacar que essa técnica pode ter ajuda de consultores, fornecedores etc., e pode ser realizada a distância, utilizando a tecnologia da informação. O treinamento (outdoor) fora da empresa segundo Vidigal (apud Zvingila, 2007, p. 8) pode ser compreendido como: [...] todo aquele processo de treinamento que ocorre fora do ambiente de trabalho. Pode ser entendido como uma modalidade de treinamento onde os membros de uma empresa são submetidos a técnicas de treinamento com base em esportes de aventura 62 e modalidades do Ecoturismo. Nesse sentido, as empresas buscam alcançar o desenvolvimento das pessoas, com vistas a alcançar resultados expressivos de melhoria do clima organizacional, aprendizagem dos conceitos ligados à ocupação dos cargos, motivação para o trabalho e conseqüentemente maiores ganhos em produtividade. O Estudo de casos é abordado por Chiavenato (2010) como sendo uma técnica que permite apresentar um problema real onde a pessoa irá diagnosticar e apresentar alternativas de solução. Nessa técnica a pessoa desenvolve suas habilidades de análise, a comunicação e persuasão. O processo de Coaching é um bastante utilizado nos dias atuais pelas empresas. A utilização desse processo aumentando devido a procura dele por indivíduos que não tem uma meta ou objetivo ainda concretizado. O Coaching tem início, meio e fim, e seus objetivos são definidos entre o coach e o cliente, com duração de pequeno, médio e longo prazo. O coach ajuda o cliente no seu processo de desenvolvimento, tanto pessoal quanto profissional, com a identificação e uso das competências do cliente, reconhecendo e superando medos e desafios. (GIL, 2009) O coach, comentado anteriormente, é como um treinador, isto é, uma pessoa que instrui outra para alcançar um determinado resultado. Já o cliente é a pessoa que irá ser “treinada”. As vantagens na utilização do coaching nas organizações são: facilita o gerenciamento do desempenho pessoal, tanto para as pessoas como para a organização; promove a formação e o aperfeiçoamento de competências; promove a busca por melhores resultados; promove o desenvolvimento integrado (pessoal e profissional) das pessoas da organização e na organização; promove o fortalecimento da confiança, via parceria; e auxilia nos aspectos que geram motivações nos treinandos. (ARAUJO E GARCIA, 2009) Já os métodos de desenvolvimento fora do cargo destacado por Chiavenato (2010) são dois: tutoria e aconselhamento de funcionários. Para o autor, a tutoria, ou também conhecida como mentoring, é a assistência que o pessoal superior, oferece, no sentido de orientar e guiar a carreira de pessoas (funcionários) que desejam subir a níveis mais elevados dentro da organização, auxiliando, assim, o crescimento do indivíduo. Nessa técnica se tem a oportunidade de intensa interação e rápida mudança no desempenho de tarefas. Já o aconselhamento de funcionários é um método de desenvolvimento onde o gerente assessora as pessoas no desempenho de suas atividades. A tutoria e o aconselhamento são parecidos, porém o aconselhamento de funcionário ocorre quando surge algum problema com 63 o funcionário no cargo em que exerce como desempenho insatisfatório no cargo. (CHIAVENATO, 1999) Assim, diante do que foi abordado sobre o desenvolvimento de pessoas observa-se a importância do investimento no capital humano das organizações como forma de aumentar a vantagem competitiva das mesmas por meio da participação ativa de seus colaboradores na geração de conhecimento organizacional. A seguir apresenta-se uma breve abordagem sobre avaliação de desempenho que, segundo Chiavenato (1999), tem como um de seus objetivos identificar as necessidades de treinamento e desenvolvimento, além de servir de critério para validar a eficácia de programas de seleção, treinamento e desenvolvimento. 3.5.2 Avaliação de desempenho Para Carvalho e Nascimento (1997), a avaliação de desempenho constitui-se numa série de técnicas com a finalidade de obter informações sobre o comportamento profissional do avaliado durante o seu desempenho no trabalho. E, por isso, cada organização necessita criar um modelo que seja adequado a função e ao cargo e aos objetivos institucionais. Ainda, segundo os autores, é através desse processo que se torna possível mesurar a performance, identificar problemas tanto no desenvolvimento das tarefas quanto no relacionamento interpessoal e perceber a necessidade de treinamento e atualização profissional e também medir a eficácia do treinamento, adequação salarial, e a criação de padrões de desempenho obedecendo às exigências do cargo, do mercado e da própria organização. A avaliação de desempenho é uma análise de forma sistemática do desempenho desenvolvido por cada pessoa em relação ao cargo ocupado pela mesma e de seu potencial para o desenvolvimento futuro (CHIAVENATO, 2008). Para Marras (2002, p.173), “a avaliação de desempenho é um instrumento gerencial que permite ao administrador mensurar os resultados obtidos por um empregado ou por um grupo, em período e área específicos”. A avaliação de desempenho é um instrumento muito importante e imprescindível na atividade administrativa de qualquer organização. Segundo Chiavenato (2008) por meio da avaliação de desempenho pode-se localizar problemas de supervisão de pessoal, de motivação, de integração empresa versus organização versus cargo que ocupa, de desaproveitamento do empregado com alto potencial, etc. 64 Para Lacombe e Heilborn (2003, p. 286) “essas avaliações destinam-se a melhorar o desempenho dos avaliados nas atividades que executam.” O objetivo da avaliação de desempenho é, basicamente, acompanhar o desenvolvimento dos empregados e medir o nível de chamado CHA (Conhecimentos, Habilidades e Atitudes) dos avaliados. (MARRAS, 2002) Lacombe e Heilborn (2003) destacam que em qualquer avaliação realizada é importante e indispensável o feedback completo ao avaliado. Esse feedback deve ser oportuno, descritivo, avaliativo, específico, dirigido ao fato ou comportamento, proposto e testado. É importante destacar o que afirma Chiavenato (2009, p. 263), para o autor “a avaliação do desempenho não é um fim em si mesma, mas um instrumento, um meio, uma ferramenta para melhorar os resultados dos recursos humanos da organização.” Marras (2002, p. 174) enfatiza alguns benefícios da utilização da avaliação de desempenho pela organização: Identificar aqueles empregados que necessitam de aperfeiçoamento; definir o grau de contribuição (individual ou grupal) nos resultados da empresa; descobrir o surgimento de novos talentos na organização; facilitar o auto desenvolvimento dos empregados; fornecer feedback aos empregados; subsidiar programas de mérito, promoções e transferências. Segundo Chiavenato (2008), a responsabilidade pela avaliação do desempenho em uma organização é definida de acordo com as políticas de Recursos Humanos estabelecidas pela mesma. Assim, a avaliação do desempenho das pessoas pode ser de atribuição do gerente, do indivíduo, do gerente e individuo em conjunto, a equipe de trabalho do avaliado, ao departamento de gestão de pessoal da empresa ou a uma comissão. Já os métodos utilizados para a realização da avaliação de desempenho são diversos. Dentre eles Marras (2002) destaca cinco: a) escala gráfica: O método de avaliação de desempenho por escala gráfica utiliza fatores determinantes de desempenho, como pontualidade, conhecimento, cooperação/envolvimento etc. b) incidentes críticos: O método de incidentes críticos concentra a avaliação em pontos fortes e fracos de quem está sendo avaliado. c) comparativo: O método comparativo utiliza a comparação entre um e outro empregado. d) escolha forçada: O método de escolha forçada avalia o desempenho do indivíduo através de frases descritivas referente ao desempenho do avaliado em relação as tarefas atribuídas. 65 e) 360 graus: Já o método de 360 graus engloba todos os elementos que o avaliado tem contato para a realização da avaliação, como subordinados, superiores, clientes, fornecedores etc. Além dos benefícios que a avaliação de desempenho proporciona para a organização, é importante destacar que um sistema de avaliação pode apresentar problemas devido a subjetividade de quem avalia. Marras (2002) afirma que há duas maneiras de essa subjetividade estar presente no momento da avaliação, sendo conscientemente ou inconscientemente. A maneira consciente acontece quando o avaliador leva em conta algum interesse ou busca ajudar o avaliado alterando o resultado da avaliação em conformidade de algum pretexto. Já a maneira inconsciente ocorre quando o avaliador altera também o resultado da avaliação, isto é, toma as mesmas atitudes comentadas na maneira consciente, porém sem intenção premeditada de provocar a alteração. (MARRAS, 2002) Os métodos de avaliação de desempenho podem ter alto custo, porém isso vai depender do tempo despendido em: Preparação dos modelos de avaliação; Desenho e impressão dos manuais e questionários de avaliação; Definição de objetivos e metas; Comunicação aos executivos e funcionários da metodologia; Distribuição do material de avaliação aos avaliadores e avaliados; Treinamento dos avaliadores para conduzirem as avaliações e entrevistas; Condução das avaliações; Acompanhamento das avaliações; Avaliação do resultado das avaliações; tomada de providências com relação aos resultados e programas ali apontados.” (CHIAVENATO, 2008, p. 278) Por fim, cabe ressaltar que “um programa de avaliação do desempenho, quando bem planejado, coordenado e desenvolvido, traz benefícios a curto, médio e longo prazos. Os principais beneficiários são: o indivíduo, o gerente, a organização e a comunidade.” (CHIAVENATO, 2008, p. 264) 3.5.3 Desenvolvimento de carreiras Não se pode falar de desenvolvimento de pessoas sem falar no desenvolvimento de suas carreiras, uma vez que ambos intimamente relacionados. (CHIAVENATO, 2010) O conceito do desenvolvimento atrelado à complexidade não é suficiente para construir instrumentos de gestão. Falta um componente para dar direção e foco ao desenvolvimento. Os conceitos de competência e carreira vêm sendo utilizados para esse fim (DUTRA, 2009). 66 Segundo Dutra (2009) a competência do indivíduo é a sua capacidade de entrega dos resultados. Para Milkovich e Boudreau (2008, p. 291), “uma carreira é a seqüência evolutiva das experiências profissionais de uma pessoa no decorrer do tempo.” De acordo com Araujo e Garcia (apud HALL, 2009, p. 129) a definição de carreira é “uma seqüência de atitudes e comportamentos, associada com experiência e atividades relacionadas ao trabalho, durante o período de vida de uma pessoa.” Entretanto, Dutra (apud LONDON; STUMPH, 1996, p. 17) define a carreira como sendo: Seqüência de posições ocupadas e de trabalhos realizados durante a vida de uma pessoa. A carreira envolve uma série de estágios e a ocorrência de transições que refletem necessidades, motivos e aspirações individuais e expectativas e imposições da organização e da sociedade. Da perspectiva do indivíduo, engloba o entendimento e a avaliação de sua experiência profissional, enquanto, da perspectiva da organização, engloba políticas, procedimentos e decisões ligadas a espaços ocupacionais, níveis organizacionais, compensação e movimento de pessoas. Estas perspectivas são conciliadas pela carreira dentro de um contexto de constante ajuste, desenvolvimento e mudança. Assim, a gestão de carreira aborda planos e expectativas individuais atrelados aos planos e demandas da empresa. Como destaca Dutra (2002, p. 102) “a mudança de comportamento é de responsabilidade do indivíduo, assim como seu desenvolvimento. Cabe à empresa estimular e oferecer todo o apoio necessário para que o indivíduo possa empreender seu desenvolvimento e sua carreira.” Assim, complementando a frase acima, Dutra (2009) destaca algumas responsabilidades dos indivíduos e da empresa, sendo do indivíduo o papel de definir metas e objetivos de carreira, buscando o preparo necessário para o alcance dessas metas estabelecidas. Já a empresa tem a responsabilidade de procurar identificar as características de profissionais necessários para alcance dos resultados esperados, avaliar os colaboradores que atendam de forma adequada a estes perfis traçados, acompanhar e avaliar os resultados alcançados por seus colaboradores, dando feedback e suporte para o desenvolvimento e capacitação profissional, e dar prioridade ao recrutamento interno e implementar ações de planejamento e direcionamento de acordo com os planos empresariais de médio e longo prazo. No desenvolvimento de uma carreira é seguido etapas para seu êxodo. Sendo assim, Araujo e Garcia (2009) destacam seis etapas a ser seguidas, sendo: a) Exploração: ocorre a definição dos objetivos e coleta de dados; 67 b) Preparação: momento onde cabe assegurar que o objetivo definido na etapa anterior será alcançado, isto é, se preparar, para passar pelos caminhos, mesmo que difíceis, para alcançar o objetivo almejado; c) Entrada: conhecer o mercado de atuação, com pesquisas e estudo; d) Estabelecimento: lidar com os desafios da profissão, estudando a empresa e as pessoas que nela trabalham, é uma espécie de socialização; e) Avanço: com a carreira já estabelecida, há novos desafios a ser superados para seguir enfrente, deve-se atualiza-ser constantemente; f) Estabilização: momento em que as oportunidades de avanço se esgotam, assim, a pessoa deve definir qual será a próxima etapa da sua vida profissional, podendo aposenta-se, mudar de cargo ou empresa ou renovar-se. Cabe ressaltar que, ao se planejar a carreira, são assumidos riscos. Sendo assim, Araujo e Garcia (2009) destacam alguns cuidados que devem ser adotados no planejamento, que são: conhecer as limitações (externas, sendo o que nos cerca, e internas, que são as limitações pessoais); definir uma meta; não desviar o foco; planejar as ações. Complementando, vale salientar que essas etapas estão ligadas uma com as outras. Garcia e Araujo (2009) destacam algumas vantagens do desenvolvimento de carreira, tanto para o indivíduo como para a organização, como a retenção de talentos, pois ao apresentar perspectivas de desenvolvimento as pessoas se sentem motivadas a prosseguir, diminuindo, assim, a rotatividade de pessoal, e, conseqüentemente, retendo talentos; a movimentação de pessoal eficaz e eficiente, onde a administração da carreira auxilia o gestor da empresa com informações para ocupação de determinada pessoa em determinada posição; e a identificação do perfil necessário, que serão adequados para as necessidades atuais e futuras. Sendo assim, o desenvolvimento de carreira pode se tornar um instrumento estratégico, em que a empresa possa conseguir obter a contribuição e resultado esperado de seus colaboradores, otimizando sua capacitação e competição frente ao mercado, e o indivíduo conseguir obter crescimento e amadurecimento profissional. (DUTRA, 2009) Após uma abordagem do desenvolvimento de carreira, da qual está intimamente ligado ao desenvolvimento de pessoas, segue, no próximo item, uma abordagem sobre desenvolvimento organizacional, que é parte do processo de desenvolvimento de recursos humanos. 68 3.6 DESENVOLVIMENTO ORGANIZACIONAL O desenvolvimento das pessoas em uma organização e o desenvolvimento da própria organização estão intimamente relacionados. Chiavenato (2008, p. 59) destaca que “as organizações dependem de pessoas para dirigi-las e controlá-las e para fazê-la operar e funcionar. Não há organização sem pessoas. Toda organização é constituída de pessoas e delas depende para seu sucesso e continuidade.” As pessoas podem ser consideradas como um ser social e interativo, vivendo em constante convívio e relacionamento com seus semelhantes, dependendo um dos outros para alcançar certos objetivos que não conseguiriam sozinhos. Já as organizações podem ser compreendidas como um sistema de atividades conscientemente coordenadas de duas ou mais pessoas (CHIAVENATO, 2008). Dutra (2009, p. 23) destaca que: Ao colocar organização e pessoas lado a lado, verifica-se um processo contínuo de troca de competências, a organização transfere seu patrimônio de conhecimentos para as pessoas, enriquecendo-as para enfrentar novas situações profissionais e pessoais, quer na organização, quer fora dela. As pessoas, ao desenvolverem sua capacidade individual, transferem para a organização seu aprendizado, capacitando a organização para enfrentar novos desafios. Esse processo, que é natural em qualquer comunidade, pode ser gerenciado e potencializado com efeitos benéficos para a organização e para as pessoas. Portanto, a interação entre as pessoas e a organização é de reciprocidade, isto é, a organização transfere conhecimento ao empregado e em troca recebe o aprendizado compreendido. O desenvolvimento das pessoas no ambiente de trabalho está intimamente ligado ao desenvolvimento organizacional. Para Chiavenato (2008, p. 95), “a interação psicológica entre empregado e organização é basicamente um processo de reciprocidade.” Interação, segundo o dicionário Michaelis Uol (2010) , é a ação recíproca de dois ou mais corpos, uns nos outros. Já reciprocidade, segundo o mesmo dicionário, é a qualidade de ser recíproco, isto é, ato ou influência que se realiza ou troca entre dois grupos. Cabe destacar também que a convivência e a interação das pessoas uma com as outras dentro do ambiente de trabalho e com a empresa possibilita o desenvolvimento do indivíduo. Assim, Casado (2002, p. 235) observa que: É diante das demais pessoas que a individualidade se complementa. Desta forma, o convívio nos grupos sociais (nos quais se incluem os grupos de trabalho) possibilita 69 a expansão e o desenvolvimento dos indivíduos. Portanto, o ambiente organizacional oferece a oportunidade do desenvolvimento integral do ser humano. Essa interação entre as pessoas e a organização é um tema dinâmico e complexo, pois podem ocorrer conflitos entre os objetivos dos indivíduos e os objetivos das organizações, isto é, para que a organização alcance seus objetivos, ela tende a criar nos indivíduos pressão, frustração, medo de perda do emprego, colocando tarefas repetitivas e sem interação grupal. Além disso, quase sempre, os objetivos organizacionais se contrapõem aos objetivos individuais, no sentido de que a redução de custos por parte das organizações se esbarra com as expectativas de melhores salários dos empregados, ou, o aumento da lucratividade entra em conflito com melhores benefícios sociais, etc. (CHIAVENATO, 2008) Na figura a seguir, portanto, mostra os objetivos organizacionais e os objetivos individuais estabelecidos por Chiavenato (2008): Organizacionais Objetivos Individuais O que a organização pretende alcançar: Lucro, produtividade, qualidade, redução de custos, participação no mercado, satisfação do cliente etc. O que as pessoas pretendem alcançar: Salário, benefícios sociais, segurança e estabilidade no emprego. Condições adequadas de trabalho. Crescimento profissional. Figura 11: Objetivos organizacionais e objetivos individuais. Fonte: Chiavenato (2008, p. 94) Para complementar a ilustração dos objetivos organizacional e objetivos individuais, Chiavenato (2008, p. 94) aborda que “toda pessoa precisa ser eficiente para satisfazer a suas necessidades individuais mediante sua participação na organização, mas também precisa ser eficaz para atingir os objetivos organizacionais por meio de sua participação.” A eficiência mencionada acima é o alcance de objetivos individuais, isto é, engloba a promoção pessoal, prestígio, carreira, maior salário, segurança pessoal etc. Já a eficácia, que auxilia o alcance de objetivos organizacionais, engloba a maior produtividade, redução de custos, lucro, crescimento da organização, etc. 70 A definição de trabalho eficiente e eficaz pode ser resumida pela idéia de Megginson e Mosley (1998), da qual é fazer a coisa certa de forma certa. O referencial teórico abordado até então colabora para um melhor entendimento da prática de treinamento e desenvolvimento de pessoas nas organizações, possibilitando a construção de um programa de treinamento e desenvolvimento mais centrado e com bases mais concretas. 71 4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS Os procedimentos metodológicos consistem em uma etapa do trabalho científico de adequação metodológica conforme as características da pesquisa a ser realizada. (FACHIN, 2005) Para Andrade (2003) a metodologia trata do conjunto de métodos utilizados para a busca e desenvolvimento do conhecimento. Nesse sentido, seguem nos próximos tópicos as etapas metodológicas utilizadas na presente pesquisa. 4.1 NÍVEIS DE PESQUISA Quanto à natureza da pesquisa, a mesma classifica em pesquisa aplicada, pois consiste em contribuir para fins práticos e imediatos, pretendendo solucionar o problema de como promover o treinamento e o desenvolvimento de pessoas na matriz de uma empresa prestadora de serviços A pesquisa aplicada, segundo Cervo e Bervian (2002), consiste na busca de soluções para problemas concretos, sendo o investigador movido pela necessidade de contribuir para fins práticos com finalidade imediata. A presente pesquisa também caracteriza-se por ser exploratória e descritiva, pois proporcionou maior familiaridade com o problema, que aqui é a necessidade de um programa de treinamento e desenvolvimento, tornando mais claro o assunto em questão, sendo descrito as características do problema, do tema e da população do presente estudo, realizando relações entre as variáveis encontradas com a pesquisa. “As pesquisas exploratórias têm como principal finalidade desenvolver, esclarecer e modificar conceitos e idéias, tendo em vista, a formulação de problemas mais precisos ou hipóteses pesquisáveis para estudos posteriores”. (GIL, 2007, p. 43) A pesquisa descritiva, segundo Martins (2002), consiste na descrição das características de determinada população ou fenômeno, e relações entre variáveis e fatos. De acordo com os objetivos estabelecidos para este estudo, a presente pesquisa classifica-se em pesquisa quantitativa. 72 A pesquisa quantitativa para Fachin (2005, p. 79-80) é caracterizada da seguinte forma: A variável quantitativa é determinada em relação aos dados ou à proporção numérica, mas a atribuição numérica não deve ser feita ao acaso, porque a variação de uma propriedade não é quantificada cientificamente. [...] Os procedimentos mais usados para quantificar a variável são a contagem e mensuração. [...] Contagem é o tipo considerado mais simples e pouco usado para quantificação, pois nem todas as variáveis são quantitativas. [...] Na contagem, deve-se aproximar as unidades a serem contadas dos elementos do sistema de números reais. [...] Mensuração é qualquer procedimento que nos leve a uma classificação por meio de objetos ou de relações. Sendo assim, pode-se dizer que a pesquisa quantitativa é aquela que há mensuração, sendo que no presente trabalho busca-se quantificar o universo pesquisado com a utilização de questionários. 4.2 DELINEAMENTO DA PESQUISA No presente trabalho as pesquisas foram delineadas a partir de pesquisas bibliográficas, estudo de caso, pesquisa documental e pesquisa ação. Na parte dos procedimentos técnicos utilizou-se o estudo de caso, caracterizado por Gil (2007, p. 72) como sendo um “estudo profundo e exaustivo de um ou de poucos objetos, de maneira a permitir o seu conhecimento amplo e detalhado.” Pode-se dizer, portanto, que foi realizado um estudo de caso em uma empresa prestadora de serviços. Gil (2007) também ressalta que o procedimento de estudo de caso visa servir as pesquisas com diferentes propósitos, e devido a isso vem sendo utilizado com mais freqüência pelos pesquisadores sociais, pois explora situações da vida real não definida claramente, descreve situações do contexto em que ocorre a investigação, e explica variáveis causais em situações complexas. Também se utilizou a pesquisa bibliográfica e documental, isto é, a realização de pesquisa em bibliotecas, acervos virtuais e artigos, sendo que a empresa forneceu documentos e informações para caracterização da mesma. A pesquisa documental assemelha-se muito à pesquisa bibliográfica. A única diferença entre ambas está na natureza das fontes. A pesquisa bibliográfica diz respeito ao conjunto de conhecimentos humanos reunidos nas obras. Ela conduz o leitor a determinado assunto e proporciona a utilização e comunicação das informações coletadas para o desempenho da pesquisa (FACHIN, 2005). 73 A pesquisa documental vale-se de materiais que não receberam ainda um tratamento analítico, ou que ainda podem ser reelaborados de acordo com os objetivos da pesquisa, como: documentos oficiais, reportagens de jornal, diários, fotografias etc. (GIL, 2007). Segundo Gil (2007) a pesquisa ação consiste no contato direto entre o investigador e o campo objeto de estudo, envolvendo delimitação e observação do local, consulta de documentos e levantamento de informações através das categorias sociais envolvidas na pesquisa. Assim, foi realizado um estudo da empresa, no sentido de verificar o local, que na presente pesquisa se delimitou a matriz da empresa prestadora de serviços, diversos documentos e aplicar questionário com uma amostra da população de colaboradores, obtendose informações necessárias para atingir o objetivo da pesquisa. 4.3 DEFINIÇÃO DA ÁREA E DA POPULAÇÃO ALVO A pesquisa foi desenvolvida em uma empresa prestadora de serviços terceirizado na área de limpeza e conservação, limpeza hospitalar, jardinagem, copa e café, telefonia, digitação, portaria, recepção, ascensorista (operador de elevador), garçom, cozinheira, motorista, zeladoria, Office boy e outros de apoio administrativo, que atende vários estados brasileiros em empresas privadas, condomínios, administração pública e hospitais. Para oferecer seus serviços, a Empresa prestadora de serviços conta com uma Matriz, localizada no Estado de Santa Catarina na Cidade de São José, onde foi realizada a pesquisa. Atualmente os recursos humanos da empresa somam mais de 13.000 colaboradores distribuídos por diversas regiões de atuação da Empresa prestadora de serviços. Porém, na matriz a empresa possui 185 colaboradores administrativos. 4.4 UNIVERSO E AMOSTRA Para Marconi e Lakatos (2008, p. 112) “universo ou população é o conjunto de seres animados ou inanimados que apresentam pelo menos uma característica em comum.” Conforme já apresentado, esta pesquisa foi realizada considerando o universo de 185 colaboradores administrativos da matriz de uma empresa prestadora de serviços. Para a presente pesquisa utilizou amostra probabilística, definida por Marconi e Lakatos (2008) como sendo uma escolha aleatória dos pesquisados, onde cada membro da população ou universo tinha a mesma probabilidade de ser escolhido. 74 Gil (2007) destaca os tipos de amostras probabilísticas mais usadas, sendo: aleatória simples, sistemática, estratificada, por conglomerado e por etapas. Na presente pesquisa a amostra utilizada foi a aleatória simples, que “consiste em atribuir a cada elemento da população um número único para depois selecionar alguns desses elementos de forma casual.” (GIL, 2007, p. 101) Cabe ressaltar que amostra é uma parte dos elementos que compõem o universo ou população objeto de um estudo. (BARBETTA, 2005) Desse modo, a fórmula utilizada para o cálculo do tamanho mínimo da amostra de uma população de 185 colaboradores administrativos foi proposta por Barbetta (2005, p. 60), sendo: N tamanho (número de elementos) da população, que na presente pesquisa é de 185 colaboradores administrativos; n tamanho (número de elementos) da amostra, que será o número de questionários que será aplicado com os colaboradores administrativos; n0 uma primeira aproximação para o tamanho da amostra e E0 erro amostral tolerável, que nessa pesquisa será de 10%; Primeira fórmula e primeiro cálculo do tamanho da amostra: n0 = 1__ (E0)2 Resolução: n0 = 1/0,1² n0 = 1/0,01 n0 = 100 Segunda fórmula e encontro do tamanho da amostra utilizada na presente pesquisa: n = N . n0 _ N + n0 Resolução: n = 185 . 100 / 185 + 100 n = 18.500 / 285 n = 65 Assim, o tamanho da amostra utilizada no presente trabalho foi a de 65 colaboradores, isto é, foram aplicados 65 questionários na matriz da empresa prestadora de serviços objeto de estudo, no período de 11/04/2011 à 06/05/2011, totalizando 18 dias úteis. 75 4.5 INSTRUMENTOS DE COLETA DE DADOS “Para conhecermos certas características dos elementos de uma população (ou de uma amostra), precisamos coletar dados destes elementos”. Essa é uma frase dita por Barbetta (2005, p. 13) que introduz esse tópico. Assim, quanto às técnicas de coleta de dados, foi utilizado o questionário, sendo este “a forma mais usada para coletar dados, pois possibilita medir com melhor exatidão o que se deseja.” (CERVO; BERVIAN, 2002, p. 48) Para Fachin (2005) o questionário é uma séria de perguntas estruturadas que visa o levantamento de dados para uma pesquisa, onde o investigado responde as perguntas sem o auxílio direto do investigador. Nesse sentido, foram aplicados 65 questionários com os colaboradores administrativos da matriz da empresa objeto de estudo, organizado com perguntas fechadas e abertas. As perguntas fechadas consistem em categorias ou alternativas de respostas fixas. Já as perguntas abertas são aquelas que conduzem o investigado a respostas livres com frases ou orações. (MARTINS, 2002) Porém, antes da aplicação do instrumento para coleta de dados, isto é, o questionário, fez-se necessário a aplicação de um pré-teste com uma amostra piloto. “As alterações, inclusões, exclusões de perguntas serão feitas a partir dos resultados do pré-teste.” (MARTINS, 2002, p. 53) Assim, foi aplicado o pré-teste com cinco indivíduos, onde se verificou a necessidade de uma alteração em uma questão do questionário para melhor compreensão por parte do informante, que no presente trabalho foi os colaboradores administrativos da matriz de uma empresa prestadora de serviços. Na pesquisa realizada o questionário foi composto por 40 perguntas divididas em três níveis, conforme define Chiavenato (2004): a) Análise da organização total: envolve a análise da empresa no que tange aos seus objetivos, estratégias, necessidades globais de competências e habilidades, além da análise do ambiente sócio-econômico e tecnológico no qual a organização está inserida. b) Análise dos recursos humanos: procura verificar se as pessoas na organização são possuem comportamentos, habilidades e atitudes necessários para as atividades atuais e futuras da mesma. c) Análise das tarefas e operações: envolve a análise das diferenças entre os requisitos exigidos pelo cargo e as habilidades atuais dos ocupantes do mesmo. 76 Cabe destacar que o questionário aplicado, presente neste trabalho em apêndice, foi elaborado com base em alguns autores, isto é, foram realizadas adaptações referentes nos questionários de diagnóstico de treinamento dos seguintes autores: Siqueira (2007), Moraes (2002) e Chaves (2007). 4.6 FORMA E ANÁLISE DE DADOS Quanto à análise dos dados, nesta pesquisa foi utilizada a estatística descritiva, que segundo Barbetta (2005) consiste na organização dos dados, isto é, são técnicas que permitem organizar, resumir e apresentar os dados coletados na pesquisa permitindo interpretá-los conforme o objetivo da mesma. Após a organização e interpretação dos dados, isto é, após os dados serem resumidos e apresentados em forma de tabelas e gráficos, Barbetta (2005, p. 69) propõem a análise exploratória dos dados, que consiste em “observar determinados aspectos relevantes e começarmos a delinear hipóteses a respeito da estrutura do fenômeno em estudo.” Cabe destacar que na presente análise dos dados será utilizada a classificação simples, que é analisar isoladamente cada variável, e a dupla classificação, que consiste em analisar duas variáveis em conjunto. (BARBETTA, 2005) Seguindo o foco, no próximo item será realizada a descrição e análise dos dados coletados na aplicação dos questionários com os colaboradores administrativos da matriz da empresa prestadora de serviços. 77 5 DESCRIÇÃO E ANÁLISE DE DADOS Essa é a etapa que se descrevem e analisam os dados levantados através da aplicação dos questionários com uma amostra de 65 colaboradores da matriz de uma empresa prestadora de serviços, objetivando verificar quais são as necessidades de treinamento e desenvolvimento pertinentes para o momento, colaborando para uma proposta de um programa de treinamento e desenvolvimento de pessoas. Lembrando que a coleta dos dados foi dividida em etapas no questionário aplicado, sendo, respectivamente, perfil do colaborador, análise organizacional, análise das tarefas e operações, e análise dos recursos humanos. Sendo assim, as quatro primeiras perguntas referem-se à identificação dos respondentes, abrangendo questões referentes ao sexo, idade, tempo de serviço e grau de instrução. Na pergunta de número um foi questionado o sexo dos colaborados, constituída das alternativas masculino ou feminino, conforme demonstra o gráfico a seguir. Gráfico 1: Sexo dos colaboradores da empresa Fonte: Elaborados pela autora, 2011 Verificando o gráfico, verifica-se um índice maior de respostas do sexo feminino (55,4%) em relação ao sexo masculino (44,6%), isto se deve ao fato que a empresa possui em seu quadro de pessoal um número maior de colaboradores do referido sexo. Considerando a pergunta número dois do questionário que levantou a idade dos colaboradores questionados, composta pelas alternativas de resposta de faixa etária: 18 a 25 78 anos, 26 a 35 anos, 36 a 45 anos, 46 a 55 anos, e acima de 56 anos, obteve-se os seguintes dados, conforme gráfico na seqüência. Gráfico 2: Faixa etária dos colaboradores da empresa Fonte: Elaborados pela autora, 2011 Verificou-se assim, que a faixa etária de 26 à 35 anos foi a mais assinalada, tendo um percentual de 46,2%, seguida da faixa etária de 18 à 25 anos, tendo um percentual de 26,2%. Conclui-se assim, que a maioria das pessoas que compõem o quadro de pessoal da empresa ainda são bastante jovens levando em conta a idade para aposentadoria e as demais alternativas de faixa etária descritas no questionário. Com relação à pergunta número três referente ao tempo de serviço, as alternativas de respostas para os colaboradores era de: até 1 ano, de 1 a 3 anos, de 4 a 6 anos, de 7 a 9 anos, e acima de 10 anos, no qual observa-se os seguintes dados que podem ser visualizados no gráfico a seguir. Gráfico 3: Tempo de serviço dos colaboradores da empresa Fonte: Elaborados pela autora, 2011 79 Constata-se que parte da equipe (46,2%) possui o tempo de empresa entre 1 a 3 anos, sendo, que somando o percentual de tempo de serviço de até 1 ano de empresa com o percentual de 1 à 3 anos de empresa, tem se o resultado de 69,3%, ou seja, mais da metade dos trabalhadores pesquisados possuem pouco tempo de serviço comparado as outras alternativas de tempo de serviço descrita no questionário. Terminando a análise dos dados do nível perfil dos colaboradores, a quarta pergunta descrita no questionário aplicado teve o intuito de identificar o grau de instrução dos colaboradores, composta pelas alternativas: 2º grau completo, superior incompleto, superior completo, e pós, mestrado, doutorado. Gráfico 4: Grau de instrução dos colaboradores da empresa Fonte: Elaborados pela autora, 2011 Nesse sentido, observa-se que a maior parte dos funcionários pesquisados está cursando a formação superior, contemplando a alternativa “Superior incompleto” com 35,4 %, seguido dos já formados no ensino superior, contemplando a alternativa “Superior Completo” com 26,2% dos dados. Desse modo, pode-se dizer que a maioria dos colaboradores que compõem o quadro de pessoal da matriz da empresa prestadora de serviços possui ou está em busca de grau de instrução mais elevado e, conseqüentemente, de desenvolvimento profissional e pessoal. Seguindo descrição e análise dos dados levantados através da aplicação dos questionários, segue a análise organizacional. 80 5.1 ANÁLISE ORGANIZACIONAL O primeiro nível a ser analisado será o nível definido por Chiavenato (2004) como análise organizacional, que envolve a análise da empresa no que tange aos seus objetivos, estratégias, necessidades globais de competências e habilidades, além da análise do ambiente sócio-econômico e tecnológico no qual a organização está inserida. As perguntas desse nível, foram descritas 12 afirmativas a serem assinaladas pelos questionados em: Discordo Fortemente, Discordo, Não Sabe, Concordo, e Concordo Fortemente. O gráfico nº 5 e a tabela nº 1 mostram as afirmativas simplificadas e numeradas de 1 a 12, correspondendo às seguintes: 1 - Existe na empresa uma visão clara e objetiva da direção a ser perseguida pela mesma. 2 - A empresa é capaz de alinhar os objetivos de suas áreas e de seus membros com os objetivos maiores da organização. 3 - Existem valores, crenças e normas que norteiam positivamente as decisões e ações da empresa. 4 - Ocorre distribuição eficiente de informações relevantes à empresa em seus processos operacionais e de melhoria da mesma. 5 - A empresa é capaz de estimular seus empregados a realizar tarefas necessárias à condução de processos operacionais e de melhoria da mesma. 6 - As lideranças têm capacidade para envolver as pessoas na atividade e as pessoas, por sua vez, são capazes de participar de grupos e equipes de trabalho. 7 - Existe infra-estrutura organizacional, física, material e humana para a condução dos processos operacionais e para a condução de melhorias na empresa. 8 - A empresa proporciona treinamento e desenvolvimento às pessoas para atuarem adequadamente em seus processos operacionais e de melhoria. 9 - A empresa planeja seus recursos tanto para o desenvolvimento de atividades operacional, quanto para atividades de melhoria. 10 - A empresa é capaz de adotar estratégias para gerir conhecimento de seu pessoal. 11 - Existem mecanismos de avaliação de desempenho que possibilitem a orientação das tomadas de decisão, avaliação de desempenho dos processos e dos indivíduos. 12 - A empresa é capaz de prover produtos e serviços adequados ao mercado em que atua. 81 Cabe destacar que esse método de pergunta é baseado na escala intervalar em relação à forma de pergunta realizada no questionário, correspondendo a escala de Likert, no qual o informante (colaborador) indica grau de concordância ou discordância. Os percentuais levantados e as médias descritas podem ser observados na tabela a seguir, juntamente com o Gráfico nº 5 na seqüência. Tabela 1: Opiniões dos colaboradores em relação à empresa Discordo Fortemente 1- Visão 2- Objetivos 3- Valores 4- Distribuição de informação 5- Estímulo 6- Liderança 7- Infra-estrutura 8- Treinamento e Desenv. 9- Planejamento de recursos 10- Adoção de estratégias 11- Mecanismos de avaliação 12- Produtos e serviços MÉDIA Discordo Não Sabe Concordo 0,0% 7,7% 4,6% 64,6% 1,5% 9,2% 6,2% 75,4% 0,0% 7,7% 4,6% 67,7% 1,5% 36,9% 10,8% 44,6% 1,5% 18,5% 7,7% 63,1% 0,0% 21,5% 10,8% 64,6% 1,5% 6,2% 4,6% 70,8% 3,1% 21,5% 13,8% 52,4% 0,0% 18,5% 15,4% 61,5% 0,0% 13,8% 18,5% 60% 0,0% 3,1% 15,4% 72,3% 0,0% 3,1% 9,2% 70,8% 0,76% 13,98% 10,13% 63,98% Fonte: Elaborados pela autora, 2011 Concordo Fortemente Total 23,1% 7,7% 20% 6,2% 9,2% 3,1% 16,9% 9,2% 4,6% 7,7% 9,2% 16,9% 11,15% 100% 100% 100% 100% 100% 100% 100% 100% 100% 100% 100% 100% 100% Gráfico 5: Opinião dos colaboradores em relação à empresa Fonte: Elaborados pela autora, 2011 82 Desse modo, analisando o gráfico e a tabela sobre a opinião dos colaboradores em relação à empresa, se obtém as seguintes observações: De um modo geral, em relação às 12 afirmativas realizadas obteve-se uma média de 75,13% dos colaboradores que concordam com as mesmas. Obteve-se ainda uma média de 14,74% que discordam das afirmativas. Cabe destacar também que em relação à afirmativa de número 8 referente à empresa proporcionar treinamento e desenvolvimento às pessoas do seu quadro de pessoal, verificouse que 52,4% dos colaboradores questionados concordam com a afirmativa, porém esse número foi o segundo menor em relação às outras afirmativas respondidas na lacuna “Concordo”, sendo superior apenas em relação à afirmativa de número 4 sobre Distribuições de informações dentro da empresa, tendo 44,6% do total de 100% dos colaboradores que concordam. Seguindo o foco, na seqüência a análise das tarefas constituída através de perguntas realizadas no questionário. 5.2 ANÁLISE DAS TAREFAS E OPERAÇÕES O segundo nível a ser analisado refere-se a análise das tarefas, que segundo Chiavenato (2004) é caracterizada por envolver a análise das diferenças entre os requisitos exigidos pelo cargo e as habilidades atuais dos ocupantes do mesmo. Nesse sentido foram realizadas 11 perguntas no questionário aplicado à amostra de 65 colaboradores englobando o terceiro nível, sendo a análise de cada pergunta descrita a seguir. A pergunta de número um do segundo nível questionava os colaboradores na seguinte forma: Com que intensidade sua tarefa exige que você faça diversas atividades diferentes permitindo que você utilize várias de suas habilidades e competências pessoais para executálas e, também, permitindo que você realize atividades criativas e inovadoras? Sendo as alternativas: baixa, média ou alta. Isto é, se a tarefa realizada pelo colaborador exige que o mesmo faça diversas atividades diferentes permitindo que utilize de várias de suas habilidades e competências pessoais para executá-las, permitindo também que realizem atividades criativas e inovadoras. No gráfico de nº 6 são apresentados os resultados obtidos. 83 Gráfico 6: Intensidade da tarefa realizada pelo colaborador Fonte: Elaborados pela autora, 2011 Assim, observando os dados do gráfico de intensidade da tarefa, verificou-se que a maioria dos colaboradores questionados possuem uma intensidade de tarefa alta, exigindo muito dos conhecimentos, habilidades e atitudes dos mesmos para realização das tarefas impostas, obtendo um percentual de 53,8% das respostas. Contudo, 38,5% e 7,7% dos colaboradores questionados responderam que suas tarefas possuem intensidade média e baixa, respectivamente. Esses dados devem ser considerados como uma observação por parte da empresa, que poderia estimular esses colaboradores e proporcionar maior participação na tomada de decisão. Assim, possivelmente, essas pessoas conseguiriam colaborar de alguma forma com aspectos positivos para a empresa. A pergunta de número dois questionava: Você tem tempo disponível para planejar sua tarefa? Com alternativas: sim ou não. No gráfico de nº 7 são apresentados os resultados obtidos. Gráfico 7: Tempo disponível para planejar as tarefas Fonte: Dados elaborados pela autora, 2011 84 Verificou-se que a maioria (61,5%) dos colaboradores não possui tempo disponível para realização do planejamento de suas tarefas. Uma das possibilidades que explicaria esse percentual refere-se ao grau de intensidade da tarefa, como observado na pergunta anterior. A pergunta de número três questionava: Minha participação nas decisões que afetam minha tarefa pode ser considerada: boa, regular ou ruim. Essas respostas podem ser observadas no gráfico a seguir. Gráfico 8: Participação dos colaboradores nas decisões que afeta a tarefa dos mesmos Fonte: Elaborados pela autora, 2011 Chiavenato (2008, p. 94) aborda que “toda pessoa precisa ser eficiente para satisfazer a suas necessidades individuais mediante sua participação na organização, mas também precisa ser eficaz para atingir os objetivos organizacionais por meio de sua participação.” Sendo assim, o mesmo autor enfatiza que no desenvolvimento de um indivíduo objetiva-se o crescimento de suas potencialidades a fim de que o mesmo alcance o nível desejado de resultados. Porém, para que isso ocorra, as organizações devem estimular a participação, de forma planejada e sistemática, dos colaboradores em eventos que possibilitem e levem à reflexão crítica sobre temas diversos e atualizados. Verificou-se, para tanto, que grande parte dos colaboradores (61,5%) afirmaram que possuem uma boa participação nas decisões que afetam a sua tarefa. Levando em consideração as respostas obtidas nas duas questões anteriores, referentes a intensidade das tarefas e o tempo disponível para planejamento, entende-se que a boa participação dos colaboradores deve-se ao grau de responsabilidade do cargo que o colaborador ocupa na empresa. 85 Cabe destacar que a alternativa “ruim” sobre a participação do colaborador nas decisões foi a menor (4,6%), e que a alternativa “regular” obteve uma percentagem de 33,8%. Juntas elas significam 38,4% das respostas. Dessa forma, pode-se dizer que, possivelmente, essas pessoas ocupam os cargos mais baixos na parte administrativa e/ou possuem um tempo de empresa muito pequeno. Na pergunta quatro indagou-se: Considerando sua formação profissional, a tarefa que você exerce atualmente é? Sendo as alternativas: muito motivador, pouco motivador, e desmotivador, que pode ser observado no gráfico a seguir. Gráfico 9: Formação profissional do colaborador versus tarefa atual Fonte: Elaborados pela autora, 2011 Analisando o gráfico de nº 9, verifica-se que mais da metade dos colaboradores (63,1%) consideram a sua tarefa atual muito motivadora e que 33,4% a consideram pouco motivadora. Apenas 1,5% consideram suas atividades desmotivadoras. A tarefa muito motivadora tende a ser atribuída pelos cargos administrativos que apresentam maiores desafios e exigibilidade do colaborador no sentido de participação nas tomadas de decisões e na utilização de seu potencial de criatividade e inovação. E os poucos motivados pelas tarefas se devem, possivelmente, ao fato de ocuparem cargos intermediários que acreditam não exigir tudo aquilo que seu conhecimento, habilidade e atitude é capaz de realizar, isto é, não devem proporcionar muitos desafios, participações nas decisões e liberdade em desenvolver sua criatividade, deixando esses colaboradores pouco motivados. Na pergunta cinco indagou-se: Com que intensidade sua tarefa é completa, tem começo e fim com resultados visíveis e com significado para você?. Sendo as alternativas: baixa, média ou alta. 86 No gráfico de nº 10 são apresentados os resultados obtidos. Gráfico 10: Intensidade da tarefa versus resultados visíveis ao colaborador Fonte: Elaborados pela autora, 2011 Nesse sentido, foi observado que 46,2% dos colaboradores consideram a intensidade de sua tarefa alta, ou seja, seu trabalho é integral e consegue perceber facilmente os resultados no produto final. Os que consideram a intensidade de sua tarefa média, isto é, mesmo a tarefa executada pelo colaborador ser apenas uma parte, ele consegue perceber suas atribuições no produto final, apresentam uma percentagem de 44,6%. Assim, a soma das percentagens das alternativas média e alta, referente a intensidade da tarefa, representa mais de 90% das respostas, considerando portanto, que a grande maioria consegue perceber de alguma forma sua participação nos resultados do produto final. A motivação é um aspecto de grande importância no desenvolvimento do colaborador, pois um indivíduo motivado, possivelmente, trabalhará muito melhor, buscando atingir os resultados esperados pela empresa ou até ir além do que se espera. Assim, os resultados positivos tende a aparecer com mais freqüência. Referente a pergunta seis, também sobre intensidade da tarefa, questiona-se: Com que intensidade sua tarefa dá oportunidade, liberdade e autonomia para você decidir o que fazer e como fazer (programar, escolher local, método e equipamento)? Sendo as alternativas: baixa, média ou alta. Segue o gráfico de nº 11, que demonstra os resultados obtidos. 87 Gráfico 11: Tarefa versus Autonomia do colaborador na tomada de decisão da tarefa Fonte: Elaborados pela autora, 2011 Verificou-se que a intensidade da tarefa é para a maioria dos colaboradores (64,6%), considerada média, ou seja, só dá oportunidade de tomar algumas decisões, sendo que a alternativa que considera a intensidade da tarefa alta, isto é que dá quase total liberdade para tomar decisões, obteve uma percentagem de 26,2%. Cabe destacar que a administração da empresa é centralizada, ou seja, o Diretor Presidente deve ser consultado quando é tomada alguma decisão que envolve alto risco para empresa, e como a área administrativa envolve muito esse tipo de decisão, os colaboradores não têm total liberdade na tomada de decisão. A autonomia é um fator que facilita o indivíduo a desenvolver-se, pois proporciona maiores responsabilidades, e assim, o colaborador terá que buscar estar ao nível das mesmas, sendo que possibilita também resolver problemas com maior rapidez, agilizando os processos pertinentes. A pergunta de número sete refere-se ao seguinte questionamento: De uma maneira geral, como você se sente em relação ao conteúdo de sua tarefa? Com alternativas: bastante satisfeito, satisfeito, bastante insatisfeito ou insatisfeito. Segue os referentes dados levantados no gráfico a seguir. 88 Gráfico 12: Satisfação do colaborador em relação ao conteúdo da tarefa Fonte: Elaborados pela autora, 2011 Analisando o gráfico de nº 12 verificou-se que 70,8% dos colaboradores questionados estão satisfeitos com o conteúdo de sua tarefa. Somando os percentuais das alternativas “Bastante satisfeito” com “satisfeito” obtevese um índice de 80% dos colaboradores satisfeitos contra apenas 20% dos colaboradores não satisfeitos com o conteúdo de suas tarefas (soma das percentagens referente as alternativas “Insatisfeito” com “Bastante insatisfeito”). Esse resultado se deve ao fato da maioria dos colaboradores acharem muito motivadora a tarefa que exercem atualmente e de representarem boa participação na tomada de decisão que afeta sua tarefa. Na pergunta número oito questionou-se: Você tem apresentado dificuldades em exercer tarefas? Com alternativas de Sim ou Não, sendo que se a resposta for “sim”, relacionar as dificuldades e seus motivos dentre as seguintes alternativas: falta de treinamento, acúmulo de funções, inovações no ambiente de trabalho e nos métodos dificultado por ter que se atualizar constantemente, ou outros. Os dados obtidos podem ser observados no gráfico na seqüência. 89 Gráfico 13: Dificuldade do colaborador em exercer tarefas Fonte: Elaborados pela autora, 2011 Nesse sentido, a alternativa que obteve maior destaque foi a que os colaboradores não apresentam dificuldades em exercer as tarefas que lhes são conferidas, com uma percentagem de 78,5% das respostas. Como não há muitas promoções é possível que os colaboradores fiquem mais tempo realizando a mesma tarefa. Embora essas tarefas sejam para muitos motivadoras, com o tempo as dificuldades vão diminuindo. Este pode ser um dos motivos do índice dos colaboradores não apresentarem dificuldades para realizar suas tarefas, assim como também, pela falta de desafios, muitos colaboradores procuram outras empresas para saciarem essa necessidade. Contudo, os dados obtidos também apresentaram percentagem de colaboradores que possuem alguma dificuldade na realização de tarefas, com 21,5%. Essas dificuldades são ilustradas no gráfico de nº 14 na seqüência. Gráfico 14: Relação com a dificuldade do colaborador em exercer tarefas Fonte: Elaborados pela autora, 2011 90 Cabe destacar que a dificuldade mais apresentada foi o acúmulo de funções, com 9,2% de um índice total de 21,5%, isso devido ao grau de responsabilidade do cargo ocupado e a falta de tempo por parte dos colaboradores para planejar as tarefas. A segunda alternativa de dificuldade mais assinalada pelos colaboradores foi a da opção “Outros”, como pode ser observado no gráfico nº 14. Sendo assim, os 6,2% obtidos pela opção “Outros” é discriminado na tabela de nº 2, no qual se observa quatro citações diferentes de dificuldades apresentadas, correspondente cada uma a 1,55% de 6,2%. Tabela 2: Outras alternativas relação com dificuldade em exercer tarefas Valores Qt. cit. Aumento de atividade e pouco tempo disponível Depende de outros setores da empresa Falta de alinhamento entre os setores para finalização das tarefas Os colaboradores não seguem necessariamente os procedimentos da empresa, causando urgências e insatisfação por parte dos clientes TOTAL Fonte: Elaborados pela autora, 2011 1 1 1 1 4 Na pergunta número nove questionou-se: Você dispõe das informações necessárias para execução de suas tarefas? Com alternativas: Sim ou Não, sendo que se a resposta for “não” informar, se souber, quais informações necessárias. Os dados obtidos sobre as informações necessárias para execução das tarefas podem ser observados no gráfico de nº 15 e na tabela de nº 3 na seqüência. Gráfico 15: Informações necessárias dos colaboradores para execução de suas tarefas Fonte: Elaborados pela autora, 2011 91 Com isso, obteve-se uma percentagem de 90,8% dos colaboradores que afirmam possuir informações necessárias para execução de suas tarefas. Apenas 9,2% dos colaboradores assinalaram que não possuem de todas as informações necessárias, devido há ruídos de informações entre os setores e falta de treinamentos, além de não saberem exatamente o que falta para obterem todas as informações necessárias na execução de suas tarefas. Tabela 3: Informações necessárias para execução de tarefas, ligada alternativa “Não” Valores Não sabe Falta alguns treinamentos específicos Ruído nas informações entre setores TOTAL Fonte: Elaborados pela autora, 2011 Qt. cit. 4 1 1 6 A décima pergunta referia-se a seguinte questão? O conhecimento que você tem para desempenhar suas tarefas é adequado? Com alternativas: Sim ou Não, sendo que se não possui justificar. Nesse sentido, segue no gráfico de nº 16 os resultados obtidos com a referida pergunta. Gráfico 16: Conhecimento adequado do colaborador para desempenhar tarefas Fonte: Elaborados pela autora, 2011 92 Analisando os dados coletados verificou-se que os colaboradores acreditam que possuem conhecimento adequado para desempenhar suas tarefas profissionais, com 90,8% das respostas. Contudo, 9,2% dos colaboradores assinalaram que não possuem de todo conhecimento necessário para desempenhar suas tarefas, devido, a grande maioria, por falta de treinamentos, obtendo quatro citações, isto é, 6,13% de 9,2%, seguido de uma citação com dificuldades na parte de informática (1,53% de 9,2%), e uma citação ressaltando que é necessária uma formação escolar mais adequada (1,53% de 9,2%). Essas dificuldades levantadas pelos colaboradores podem ser observadas na tabela de nº 4 na seqüência. Tabela 4: Opções para adquirir conhecimento adequado para executar tarefas Valores Falta treinamento adequado Necessidade de treinamentos específicos Dificuldades na parte de informática É necessário uma formação escolar mais adequada TOTAL Fonte: Elaborados pela autora, 2011 Qt. cit. 2 2 1 1 6 Assim, após descrever e analisar as tarefas e operações, segue a análise dos recursos humanos, conforme descriminado no questionário aplicado. 5.3 ANÁLISE DOS RECURSOS HUMANOS Por fim, o terceiro nível a ser analisado que constava no questionário e é proposto por Chiavenato (2004) foi o de análise dos recursos humanos, que procura verificar se as pessoas na organização possuem comportamentos, habilidades e atitudes necessários para as atividades atuais e futuras da mesma. Nesse sentido, foram realizadas 14 perguntas abrangendo analisar o individuo e a equipe. A pergunta de número um dessa nova etapa de análise foi: Os treinamentos e cursos oferecidos pela empresa satisfazem suas necessidades de formação e aperfeiçoamento? Com alternativas de resposta: Sim ou Não. Nesse sentido, segue o gráfico com as respostas obtidas referente a pergunta em 93 questão. Gráfico 17: Satisfação nos treinamentos e cursos oferecidos pela empresa Fonte: Elaborados pela autora, 2011 O que se observou foi que praticamente há um empate entre as respostas, sendo 50,8% dos colaboradores que responderam o questionário acham que os treinamentos e cursos oferecidos pela empresa satisfazem suas necessidades de formação e aperfeiçoamento, contra 49,2% dos colaboradores que afirmam que falta algo a ser oferecido pela empresa para satisfação dessas necessidades. Cabe lembrar que, como comentado na parte da caracterização da empresa, os treinamentos existentes para os colaboradores administrativos da matriz da empresa prestadora de serviços é algo pontual. Devido a isso, praticamente a metade das pessoas questionadas responderam que acreditam faltar algo nos treinamentos, sendo que muitos dos cursos oferecidos não são passados a todos de forma homogênea. Na pergunta número dois questionou-se: Em sua opinião, a sua empresa define claramente o que espera de você em relação ao seu desempenho individual? Com alternativas: Sim ou Não. O gráfico a seguir proporciona a visualização da análise dos dados referente a pergunta descrita acima. 94 Gráfico 18: Desempenho individual esperado pela empresa ao colaborador Fonte: Elaborados pela autora, 2011 No levantamento e análise dos dados verificou-se que 70,8% dos colaboradores afirmam que a empresa define claramente o que espera de cada um, contra 29,2% que contrariam dizendo que não está claramente definido o que a empresa espera deles. Isto nos mostra que, para a maioria, há uma definição dos papéis a serem desempenhados pelos colaboradores na empresa. Tal definição é importante para a elaboração de um programa de treinamento e desenvolvimento eficaz. A terceira pergunta foi: Você está satisfeito com o trabalho que executa? Com resposta entre: muito, pouco ou nada. Segue no gráfico de nº 19 os dados levantados referente a satisfação dos colaboradores com o trabalho que executam. Gráfico 19: Satisfação do colaborador com o trabalho que executa Fonte: Elaborados pela autora, 2011 95 Antes da análise dessa terceira pergunta realizada na parte de Análise dos Recursos Humanos, fica interessante destacar o que Chiavenato (2008) defende sobre o clima organizacional, que é o conjunto de fatores que pode ser percebido pelos indivíduos de modo direto ou indireto, interferindo na satisfação ou descontentamento no trabalho, pois influencia na motivação e no comportamento das pessoas. Sendo assim, segundo Araujo e Garcia (2009, p. 5) “o gestor de pessoas deve ser hábil no sentido de identificar eventuais ruídos no relacionamento entre as pessoas, visando ao melhor clima possível, assegurando um desenvolvimento regular dos trabalhos na organização.” Para tanto, constatou-se que 55,4% dos colaboradores estão muito satisfeitos com o trabalho que executam, e apenas 4,6% estão nada satisfeitos. Isso ocorre talvez devido ao que já foi constatado na parte em que os colaboradores consideram suas tarefas muito motivadoras, e sua boa participação nas decisões. Na quarta pergunta questionou-se: Até que ponto você considera que o seu trabalho oferece oportunidade e condições de crescimento pessoal? Sendo as alternativas de resposta: muito, pouco ou nada. No gráfico de nº 20 são apresentados os resultados obtidos. Gráfico 20: Oportunidade e crescimento pessoal proporcionado pelo trabalho Fonte: Elaborados pela autora, 2011 Analisando os dados levantados, verificou-se que 50,8% dos colaboradores acreditam que o seu trabalho oferece a oportunidade e condições de crescimento pessoal. Porém 40% 96 não acreditam muito na oportunidade e crescimento que seu trabalho proporciona, junto com 9,2% que não acreditam nisso. Sendo assim, pode-se afirmar que a satisfação e a insatisfação na questão de oportunidade de desenvolvimento pessoal proporcionada pelo trabalho executado por cada colaborador é heterogênea. Neste contexto ressalta-se a importância do treinamento e desenvolvimento que tende a gerar oportunidades e condições de crescimento aos colaboradores. A questão da pergunta cinco foi: Você sente-se integrado na sua empresa? Com três alternativas de resposta: muito, pouco ou nada. Segue gráfico com os dados levantados referente a integração do colaborador na empresa. Gráfico 21: Integração do colaborador na empresa Fonte: Elaborados pelo autora, 2011 Nessa pergunta constatou-se que grande parte dos colaboradores (70,8%) se sente muito integrado, contra 27,7% que se sente pouco integrado e 1,5% que não se sente nem um pouco integrado na empresa. A falta de integração apontada por 1,5% dos colaboradores pode ser conseqüência do pouco tempo de empresa, pois esse percentual é o mesmo levantado na questão referente ao tempo de empresa em que 1,5% dos colaboradores informaram estar a menos de 1 ano na empresa. 97 A pergunta de número seis foi: Quais dos itens abaixo relacionados você acredita que melhoraria o desempenho de suas atividades na empresa. As alternativas eram: acompanhamento da chefia, treinamentos, cursos de graduação e pós-graduação, cursos técnicos e palestras e outros itens identificados pelo informante. O gráfico na seqüência ilustra os resultados obtidos. Gráfico 22: Itens que proporcionam melhor desempenho das atividades dos colaboradores Fonte: Elaborados pela autora, 2011 Antes da análise dessa pergunta é interessante destacar a avaliação de desempenho que segundo Chiavenato (2008) com a utilização dessa ferramenta, muito importante e imprescindível na atividade administrativa de qualquer organização, proporciona localizar problemas de supervisão de pessoal, de motivação, de integração empresa versus organização versus cargo que ocupa, de desaproveitamento do empregado com alto potencial, etc. Retomando a análise dos dados, o item treinamento foi o mais assinalado, com 30,8%, sendo em segundo lugar os cursos de graduação e pós-graduação. Destaca-se que os itens acompanhamento da chefia e cursos técnicos, palestras, obtiveram um índice de percentagens iguais (18,5%). Percebe-se que, verificando as duas opções mais assinaladas, os colaboradores possuem o interesse em aprimorar-se constantemente, pois mesmo a maioria afirmando que possui o conhecimento e informações necessárias para a realização de suas tarefas, pela análise dos dados levantados constata-se que os colaboradores acreditam que podem aprender e se desenvolver sempre mais. 98 Isso é um fator muito importante para qualquer empresa, pois indivíduos preparados, com conhecimentos, habilidades e atitudes atualizados constantemente, ajudam a empresa a crescer de maneira positiva, proporcionando vantagem no mercado de sua atuação. Ressalta-se que o item “Outro” foi o que teve o menor percentual, com 10,8%. Porém, é interessante verificar quais outros itens levantados pelos colaboradores podem melhorar seu desempenho na realização de suas atividades. Destaca-se que a percentagem 10,8% correspondente a alternativa outros é equivalente ao total de sete pessoas que assinalaram essa alternativa. Esses itens podem ser verificados na tabela de nº 5 a seguir, no qual se constatou que o aumento salarial melhoraria o desempenho dos colaboradores, com seis citações, ou seja, 9,26% dos colaboradores que assinalaram a opção “Outro” acreditam que esse item ajudaria. Destaca-se que o aumento salarial não seria um tipo de desenvolvimento, porém é uma motivação por parte da empresa para auxiliar o colaborador na procura em melhorar, isto é, se desenvolver, contribuindo de forma positiva com a empresa. Tabela 5: Outros itens que melhorariam o desempenho nas atividades Valores Qt. cit. Aumento salarial Melhor divisão de tarefas no setor 6 1 TOTAL 7 Fonte: Elaborados pela autora, 2011 A pergunta de número sete foi aberta e questionou-se: O que você sugere para empresa no sentido de melhorar o treinamento e desenvolvimento do pessoal no ambiente de trabalho. Foram levantadas diversas sugestões por parte dos colaboradores, sendo interessante destacar que os treinamentos específicos foram os mais citados como forma de melhoria do treinamento e desenvolvimento do pessoal dentro da empresa. Segue essas sugestões: 99 Tabela 6: Sugestão dos colaboradores para melhorar o treinamento de desenvolvimento Valores Qt. cit. Sem resposta Treinamentos específicos Oportunidades iguais para todos Recursos Humanos mais proativo Treinamento inicial e específico Acompanhamento do gestor e RH monitorar o treinamento com entrevistas após o mesmo Capacitar melhor os gestores para que os mesmos possam treinar e cobrar melhorias de seus subordinados Coaching Confiar mais uns nos outros Critério na escolha dos participantes para os treinamentos Cursos direcionados Deixar claro como devem ser realizadas as atividades Desenvolver treinamentos e técnicas para minimizar erros Escutar as necessidades dos colaboradores e proporcionar treinamentos específicos Horários flexíveis Identificar a política de aperfeiçoamento do corpo operacional Oportunidade para desenvolver funções diferentes Palestras, cursos direcionados a área de atuação, visita em feiras Participar de atividades em outros departamentos Realizar pesquisas para saber que tipo de treinamento aplicar Todos devem conhecer e trabalhar em todos os setores da empresa Treinamento de dinâmica em grupo para melhorar a interação entre os colaboradores Treinamento inicial Treinamentos específicos e distribuição das tarefas de acordo com os conhecimentos e habilidades de cada colaborador Treinamentos específicos, cursos e palestras Treinamentos periódicos Treinamentos que demonstrem o início, meio e fim dos processos Verificar antes de comprar os cursos se os mesmos terão utilidade na empresa TOTAL Fonte: Elaborado pela autora, 2011 27 8 3 2 2 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 65 A oitava pergunta questionava: Sua empresa auxilia no seu crescimento dentro da mesma, isto é, no desenvolvimento de sua carreira? Com alternativas: Sim ou Não, sendo que se a resposta for “sim” descrever de que forma. Para tanto, segue o gráfico de nº 23 com os resultados sobre o auxílio no desenvolvimento da carreira do colaborador. 100 Gráfico 23: Auxílio da empresa no desenvolvimento da carreira do indivíduo Fonte: Elaborados pela autora, 2011 A pergunta continha alternativas de sim ou não como respostas, e que, com a análise dos dados levantados, constatou-se que 61,5% dos colaboradores questionados assinalaram a alternativa “não”, afirmando que a empresa não proporciona o auxilio do desenvolvimento da carreira do indivíduo dentro da mesma. Cabe destacar que o desenvolvimento pessoal e de carreira é de responsabilidade de cada indivíduo, porém cabe a empresa dar todo apoio e suporte necessário, isto é, auxiliar, no desenvolvimento do indivíduo. Constatou-se também, na análise dos dados, que 38,5% dos colaboradores afirmaram que a empresa auxilia no desenvolvimento de suas carreiras. Neste caso os colaboradores eram questionados sobre a forma como a empresa auxilia o seu desenvolvimento. Essas formas de auxílio por parte da empresa podem ser vistas na tabela em seqüência, cabendo destacar que as formas mais citadas foram os treinamentos e a rotação de cargos. Verificando os dados obtidos nessa pergunta, pode-se concluir que a empresa não proporciona oportunidades iguais para todos os colaboradores, e que auxilia apenas uma minoria, e que esta (minoria) tende a abranger apenas os cargos mais altos, de diretorias e chefias. 101 Tabela 7: Formas de auxilio de desenvolvimento da carreira por parte da empresa Valores Qt. cit. Freqüência Possibilitando a oportunidade de trabalhar em outras atividades/departamentos Sem resposta Auxílio convênio escola Possibilita promoções Alguns treinamentos e auxílio convênio escola Cursos Treinamentos Cursos e treinamentos Desafios apresentados pela empresa Oferece treinamento e oportunidade de mudança de setor Oferecendo oportunidades e desafios Possibilita troca de experiência entre os colaboradores TOTAL Fonte: Elaborados pela autora, 2011 5 5 3 3 2 2 2 1 1 1 1 1 27 18,5% 18,5% 11,1% 11,1% 7,4% 7,4% 7,4% 3,7% 3,7% 3,7% 3,7% 3,7% 100% Na pergunta número nove os colaboradores eram questionados sobre: Já foi promovido desde que ingressou na organização? Com resposta de sim ou não. Na seqüência o gráfico ilustra a análise dos dados evidenciados no levantamento de dados. Gráfico 24: Promoção dos colaboradores Fonte: Elaborados pela autora, 2011 Os resultados foram que a maioria dos colaboradores nunca foram promovidos (60%), sendo apenas 40% que afirmaram que já foram promovidos desde que ingressaram na organização. Esses dados estão correlacionados, provavelmente, com o tempo de empresa dos colaboradores. Na questão referente ao tempo de serviço 46,2% dos colaboradores 102 pesquisados responderam que estão a mais de 10 anos na empresa (percentual muito próximo aos 40% que afirmam terem sido promovidos). Os demais colaboradores (53,8%) afirmam estar a menos de 10 anos na empresa (percentual muito próximo aos 60% dos colaboradores que não foram promovidos). Nesse sentido, cabe a reflexão sobre a causa de tal constatação. Duas hipóteses podem ser levantadas: a empresa dá oportunidades de crescimento e desenvolvimento para poucos, e esses poucos conseguem ser promovidos, ou os colaboradores acabam se desligando da empresa antes de receberem as suas promoções. A décima pergunta faz menção a pergunta anterior. Neste caso questiona-se: Como ocorreu este processo de desenvolvimento de carreira? O gráfico a seguir demonstra os dados obtidos com a aplicação dos questionários. Gráfico 25: Processo de desenvolvimento de carreira Fonte: Elaborados pela autora, 2011 Sendo assim, verificando os dados coletados, constatou-se que, como visto na pergunta anterior, a maioria dos colaboradores (52,3%) nunca foram promovidos. Dos colaboradores que foram promovidos desde que ingressaram na empresa, 24,6% foram promovidos por mérito e 13,8% foram promovidos pelo fato de buscaram aperfeiçoamento por conta própria. Cabe destacar que 9,2% dos colaboradores buscaram aperfeiçoamento por conta própria, mas não foram promovidos. Assim surge a questão: será que a empresa só proporciona oportunidades para uma minoria, e essa é composta somente por cargos altos, como diretorias e chefias? 103 Na pergunta de número onze indagou-se: Se a empresa oferecer oportunidade de treinamento para desenvolvimento de sua carreira, qual a sua disponibilidade para participação? No gráfico de nº 26 são apresentados os resultados obtidos. Gráfico 26: Disponibilidade e interesse na participação de treinamentos Fonte: Elaborados pela autora, 2011 Constatou-se que a disponibilidade para participar de treinamentos que possam ser oferecidos pela empresa foi da maioria (52,3%) após o expediente, seguido de 29,2% durante o expediente, e 12,3% nos finais de semana. Somente 1,5% dos colaboradores afirmaram que não tem interesse em participar de treinamentos e 4,6% não ter disponibilidade de participar. Verificando as respostas, constata-se que os colaboradores estão realmente interessados em desenvolver-se profissionalmente. A análise que será realizada na seqüência foi baseada nas perguntas relacionadas as equipes, isto é, os colegas de trabalho. Sendo assim, na décima segunda pergunta indagou-se: Você acredita que os seus colegas de trabalho estão bem preparados para exercer as atividades que são solicitadas? Segue gráfico com os resultados levantados. 104 Gráfico 27: Condições de treinamento da equipe Fonte: Elaborados pela autora, 2011 Verificou-se que 80% dos colaboradores questionados acreditam que seus colegas de trabalho estão preparados, porém necessitam realizar algum tipo de treinamento, seguido pela resposta de 9,2% de colaboradores que acreditam que seus colegas não estão preparados e necessitam de treinamento, e de 7,7% que acham que seus colegas de trabalho não precisam de nenhum tipo de treinamento Sendo que dos 65 colaboradores que responderam ao questionário (100%), somente 3,1% não trabalham em equipe, portanto, não souberam opinar. Na décima terceira pergunta questionou-se: Como você considera o relacionamento com seus colegas de trabalho? Com alternativas: ótimo, bom, regular ou insatisfatório. Segue o gráfico de nº 28 com os resultados levantados referente ao relacionamento dos colaboradores com seus colegas de trabalho. Gráfico 28: Relacionamento do colaborador com colegas de trabalho Fonte: Elaborados pela autora, 2011 105 Verificou-se que para 49,2% o relacionamento com os colegas de trabalho está ótimo e que 46,2% classificam o relacionamento como bom. Ressalta-se que a alternativa “insatisfatório” para o relacionamento do colaborador com seus colegas de trabalho não foi citada em nenhum momento. Porém, verificou-se que 4,6% consideram o relacionamento com seus colegas regular. Esse último, possivelmente, deve-se ao fato de essas pessoas ainda serem novas na empresa, não tendo ainda um relacionamento bem desenvolvido com seus colegas, assim não conseguem opinar de fato como é esse relacionamento, sendo a resposta regular a mais coerente para o momento. Esses valores levantados são bastante significativos para empresa, pois o bom relacionamento entre os funcionários proporciona um ambiente agradável e harmônico no ambiente de trabalho, fazendo com que o indivíduo consiga se desenvolver de forma mais eficiente e eficaz, e, paralelamente, proporcionem resultados positivos para empresa. Finalizando a análise desse nível, na última pergunta indagou-se: Em relação ao seu relacionamento com a chefia, você considera como: ótimo, bom, regular ou insatisfatório. No gráfico de nº 29 são apresentados os resultados obtidos referente ao relacionamento do colaborador com a chefia. Gráfico 29: Relacionamento do colaborador com a chefia Fonte: Elaborados pela autora, 2011 Constatou-se, novamente que o “ótimo” e “bom” foram as alternativas mais assinaladas, com 35,4% para ótimo e 53,8% para bom relacionamento com os chefes. A alternativa menos citada foi a “insatisfatório”, com 3,1%, seguida da alternativa “regular”, com 7,7% das respostas. Esses resultados se devem talvez pelo mesmo motivo da 106 pergunta anterior, por serem colaboradores recentes na empresa não tem um relacionamento ainda desenvolvido e não conseguem opinar algo bem ao certo. Também pode ser pela falta de interesse e flexibilidade por parte da chefia de desenvolver esse relacionamento com seus subordinados. Contudo, o resultado obtido é algo bastante satisfatório para empresa, pois o bom relacionamento entre chefes e subordinados é algo que só faz florescer o trabalho em um ambiente agradável e harmônico, proporcionando condições para o crescimento e o desenvolvimento, trazendo resultados positivos para empresa. Após realizar a análise de todos os dados coletados através da aplicação do questionário faz-se necessário cruzar algumas variáveis para verificar a veracidade da análise realizada anteriormente. Nesse sentido, segue o cruzamento de duas variáveis: Grau de instrução versus Motivação com a tarefa atual. Analisando a tabela 08 constata-se que os poucos motivados, que são 23 colaboradores (35,4%) compreendem em grande parte as formações: superior incompleto, superior completo e pós, mestrado, doutorado. Tabela 8: Cruzamentos variáveis: Grau de instrução versus Motivação com tarefa atual Motivação com tarefa atual Grau de instrução 2º grau completo Superior incompleto Superior completo Pós, Mestrado, Doutorado TOTAL Muito motivador Pouco motivador 9 3 12 11 13 4 7 5 41 23 Fonte: Elaborados pela autora, 2011 Desmotivador TOTAL 0 0 0 1 1 12 23 17 13 65 Com isso pode-se confirmar o que já havia sido percebido anteriormente, que os poucos motivados pelas tarefas que exercem atualmente ocupam cargos intermediários que acreditam não proporcionar tudo aquilo que seu conhecimento, habilidade e atitude são capazes de realizar, isto é, não devem proporcionar muitos desafios, participações nas decisões e liberdade em desenvolver sua criatividade, deixando esses colaboradores insatisfeitos. Outro cruzamento de variáveis interessante é: Intensidade da tarefa versus Tempo para planejar as tarefas, conforme demonstra a tabela de nº 9 a seguir. 107 Tabela 9: Cruzamento de variáveis: Intensidade tarefa versus Tempo planejar tarefas Tempo para planejar as tarefas Intensidade da tarefa Baixa, pois é sempre a mesma rotina Média, exige de maneira moderada Alta, exige muito TOTAL Sim 4 11 10 25 Fonte: Elaborados pela autora, 2011 Não TOTAL 1 14 25 40 5 25 35 65 Assim, verificou-se na análise da tabela 09 na seqüência que os colaboradores não possuem muito tempo para planejar suas tarefas devido a intensidade da mesma, ou seja, o grau de responsabilidade que o cargo ocupado possui, que nos dados levantados obteve-se um total de 25 pessoas que não tem tempo para planejar suas tarefas e a mesma possui um grau de intensidade alto, exigindo que colaborador faça diversas atividades diferentes permitindo que utilize de várias de suas habilidades e competências pessoais para executá-las. Para finalizar a parte de cruzamento de variáveis, buscou-se, através do próximo cruzamento, responder a questão levantada anteriormente na análise simples sobre o desenvolvimento de carreira dos colaboradores. Sendo assim, cruzou-se as seguintes variáveis: Tempo de serviço versus Processo de desenvolvimento de carreira, obtendo os seguintes resultados, conforme demonstra a tabela de nº 10 a seguir. Tabela 10: Cruzamento de variáveis: Tempo de serviço versus Desenvolvimento de carreira Processo de desenvolvimento de carreira Tempo de serviço até 1 ano de 1 a 3 anos de 4 a 6 anos de 7 a 9 anos acima de 10 anos TOTAL Busquei Busquei Fui aperfeiçoamento aperfeiçoamento promovido por conta por conta por mérito própria e fui própria, mas não promovido fui promovido 1,5% 0,0% 0,0% 6,2% 3,1% 12,3% 3,1% 6,2% 9,2% 3,1% 0,0% 1,5% 0,0% 0,0% 1,5% 13,8% 9,2% 24,6% Fonte: Elaborados pela autora, 2011 Nunca fui promovido TOTAL 21,5% 24,6% 4,6% 1,5% 0,0% 52,3% 23,1% 46,2% 23,1% 6,2% 1,5% Analisando os dados do cruzamento verificou-se que 61,5% dos colaboradores nunca foram promovidos, contra apenas 38,4% que já foram promovidos, sendo desse percentual 108 13,8% só foram promovidos por buscarem por conta própria o que necessitava para conseguir a promoção. A categoria que mais teve promoções foi de 1 a 3 anos de empresa, com uma percentagem de 12,3%, sendo que a categoria de até 1 ano obteve um percentual de 1,5% que foram promovidos, contudo por buscarem por conta própria. Portanto, pode-se dizer que a promoção não está ligada ao tempo de serviço do colaborador. Seguindo o foco de atender o objetivo geral, através dos objetivos específicos, segue proposta de um programa de treinamentos e desenvolvimentos para os colaboradores administrativos da matriz da empresa prestadora de serviços objeto de estudo, sendo tratado em um tópico de programa de formação continuada. 109 6 PROGRAMA DE FORMAÇÃO CONTINUADA Após verificar os treinamentos já implantados pela empresa, na parte da caracterização da mesma, e após verificar as necessidades de treinamento e desenvolvimento levantados na análise dos dados obtidos através da aplicação do questionário de levantamento de necessidades, segue proposta de treinamentos e desenvolvimentos para a empresa prestadora de serviços objeto de estudo, visando suprir as necessidades levantadas e aprimorar os conhecimentos, habilidades e atitudes dos colaboradores administrativos da matriz da empresa. Para a elaboração da proposta, foram analisadas as sugestões dos colaboradores pesquisados e verificados na literatura os métodos de treinamento e desenvolvimento para empresas prestadoras de serviços, visando elaborar uma proposta mais adequada com a realidade da empresa pesquisada. Além disso, foi realizada pesquisa em sites de treinamento para verificar os cursos oferecidos pelo mercado, são eles: Senac (2011), Innovia (2011), Catho (2011) e Sinbrasil (2011). Ressalta-se que o site do Senac foi o mais pesquisado, sendo o programa de treinamento e desenvolvimento elaborado com maior ênfase no referido site. Na análise dos dados constatou-se falta de tempo para planejar tarefas, falta de atuação por parte das chefias, ruídos de comunicação entre os departamentos da empresa, dificuldades no uso de software utilizado pela empresa, necessidades de treinamentos específicos em alguns departamentos, necessidade de atuação proativa dos Recursos Humanos, melhoraria na interação entre os colaboradores. Também foram constatadas algumas necessidades de desenvolvimento, como participar de atividades em outros departamentos (rotação de cargos), processo de coaching, participação de cursos e seminários externos, oportunidade iguais para todos (atribuição de comissões e posição de assessoria). Na seqüência apresenta-se um quadro com treinamentos propostos para empresa, sendo dividido em: Treinamentos técnicos, Treinamentos Gerenciais, Treinamentos Específicos, e Desenvolvimento de pessoas. Cabe ressaltar que os treinamentos técnicos abrangem os cursos que passam a idéia geral do dia-a-dia de uma empresa prestadora de serviços, sendo aqui transmitido a todos os colaboradores administrativos da matriz. Os treinamentos gerenciais são aqueles voltados aos cargos mais altos hierarquicamente da empresa, englobando os cargos de diretorias e chefias. Já os treinamentos específicos são voltados a determinados departamentos, ou, no caso do 110 treinamento na parte de informática (software), é voltado aos colaboradores que utilizam o software. Por fim, o desenvolvimento de pessoas abrange alguns métodos propostos por autores na parte de revisão de literatura e que foi constatado na análise dos dados a necessidade de aplicação. I – Treinamentos Técnicos II – Treinamentos Gerenciais III Treinamentos Específicos IV Desenvolvimento de pessoas 01. Integração entre os setores; 02. Gestão de serviços; 03. Comunicação organizacional eficaz. 01. Planejamento Estratégico; 02. Ferramentas da qualidade; 03. Desenvolvimento de liderança; 04. Gestão de pessoas; 05. Desenvolvimento gerencial. 01. Informática (utilização de software); 02. Informática básica para maturidade; 03. Desenvolvimento de processos organizacionais; 04. Administração do Tempo: Produtividade e Qualidade de Vida; 05. Excelência no atendimento ao cliente; 06. Rotinas de departamento pessoal; 07. Gerenciamento de projetos em tecnologia da informação 08. Gerenciamento de compras; 09. Gerenciamento de estoques; 10. Licitações e contratos. 01. Rotação de cargos; 02. Coaching; 03. Participação em cursos e seminários externos; 04. Atribuição de comissões; 05. Posições de assessoria. Quadro 7: Propostas de treinamento e desenvolvimento Fonte: Elaborado pela autora, 2011 111 Após propor alguns treinamentos e métodos de desenvolvimento para área administrativa da empresa prestadora de serviços, segue a descrição de cada treinamento proposto. O primeiro treinamento proposto a ser descrito são os treinamentos técnicos, sendo observado no quadro na seqüência. TREINAMENTOS TÉCNICOS Curso 01. Integração entre os setores 02. Gestão de serviços 03. Comunicação organizacional eficaz Objetivo Público-alvo Promover a comunicação e integração entre os setores, onde cada setor apresentará sua área, trabalhos, técnicas e rotinas, com o intuito de facilitar a execução dos trabalhos. Capacitar para a implementação dos fundamentos de gestão de serviços, no dia-a-dia das empresas do setor de serviços, como premissa de diferencial competitivo. Habilitar a compreensão de praticar a comunicação de forma natural, produtiva e integrada, promovendo excelentes resultados tanto nas relações interpessoais como nas práticas operacionais, através de técnicas para melhorar as práticas da comunicação, orientando da importância que a boa comunicação tem nos resultados da organização. Todos os colaboradores Carga horária 4 horas Todos os colaboradores 16 horas Todos os colaboradores 16 horas Quadro 8: Descrição treinamentos técnicos Fonte: Elaborado pela autora, 2011 O segundo quadro na seqüência aborda as descrições dos treinamentos gerenciais propostos para a empresa pesquisada. 112 TREINAMENTOS GERENCIAIS Cursos 01. Planejamento estratégico 02. Ferramentas da qualidade 03. Desenvolvimento de lideranças 04. Gestão de pessoas 05. Desenvolvimento gerencial Objetivo Público-alvo Fornecer fundamentos de planejamento estratégico, apresentando técnicas e demonstrando porque a utilização da ferramenta de planejamento estratégico é o grande diferencial para as empresas. Capacitar para aplicar as principais ferramentas da qualidade na melhoria dos processos organizacionais, identificando as ferramentas mais adequadas para auxiliar as diversas situações de melhoria e aprimoramento dos processos. Maximizar a habilitação do profissional para a gestão eficaz de pessoas, individualmente ou em equipes. Gerentes, supervisores, chefes de setor Promover a discussão dos grandes temas relacionados à expansão do conhecimento no campo da Gestão com Pessoas, com o intuito de melhorar o gerenciamento de pessoas, para aumentar a produtividade das equipes. Capacitar os profissionais para o gerenciamento de equipes de trabalho, gerenciamento de processos organizacionais, gerenciamento de recursos econômicos e financeiros e gerenciamento de marketing e vendas. Carga horária 40 horas Gerentes, supervisores, chefes de setor 8 horas Gerentes, supervisores, chefes de setor 20 horas Gerentes, supervisores, chefes de setor e Gestão de RH Gerentes e chefes 16 horas 98 horas Quadro 9: Descrição treinamentos gerenciais Fonte: Elaborado pela autora, 2011 O terceiro quadro traz a descrição dos treinamentos específicos, no qual podem ser observados a seguir. 113 TREINAMENTOS ESPECÍFICOS Cursos 01. Informática (utilização de software) 02. Informática básica para maturidade 03. Desenvolvimento de processos organizacionais 04. Administração do tempo: produtividade e qualidade de vida 05. Excelência no atendimento ao cliente 06. Rotinas de departamento pessoal 07. Gerenciamento de projetos em tecnologia da informação 08. Gerenciamento de compras 09. Gerenciamento de estoques 10. Licitações e contratos Objetivo Público-alvo Transmitir aos colaboradores o que é o software e como utilizá-lo, facilitando a adaptação e contribuindo para melhor execução dos trabalhos. Contribuir para a introdução de sistema operacional e aplicativos de escritório. Capacitar os profissionais a entenderem, mapearem e atuarem nos seus processos, gerindo-os com mais eficiência. Contribuir para que se revise a percepção da nossa cultura sobre a importância do tempo e facilitar novas práticas do seu uso eficaz para a produtividade individual, organizacional e para a qualidade de vida. Contribuir para a busca constante da excelência na qualidade dos serviços de atendimento ao cliente, através da análise, avaliação e diagnóstico para melhoria da qualidade dos serviços de atendimento na Gestão de Serviços. Capacitar os profissionais referente a rotina de departamento pessoal, isto é, legislação trabalhista, folha de pagamento e seus encargos, cálculos trabalhistas, rescisão do contrato, admissão e demissão, postura profissional, Capacitar os profissionais a gerenciar projetos em tecnologia da informação a partir dos fundamentos que norteiam uma empresa Contribuir para a eficiência no gerenciamento do processo de compras, identificando a especificação das mercadorias, analisando a relação custo benefício, negociando com os fornecedores, efetivando a compra e acompanhando o recebimento de matérias e controle de estoques, com pró-atividade e organização. Capacitar os profissionais no gerenciamento de estoques com base em previsão de vendas, através de métodos de controle, otimizando os custos. Transmitir aos colaboradores fundamentos em licitações e contratos, com intuito de auxiliar na seleção definição de fornecedores, montando planilhas, definindo condições comerciais com transparência e sigilo profissional. Todos colaboradores Colaboradores com necessidade Todos os colaboradores por área de atuação Colaboradores que possuem exigibilidade de tarefas alta 48 horas Gestão comercial e de relacionamento 16 horas Departamento pessoal 40 horas Gerência de Tecnologia da Informação 48 horas Gerência de Suprimentos 30 horas Gerência de Suprimentos 21 horas Gerência Comercial 35 horas Quadro 10: Descrição treinamentos específicos Fonte: Elaborado pela autora, 2011 Carga horária 4 horas 24 horas 8 horas 114 Por fim, o quarto e último quadro descreve os métodos de desenvolvimento de pessoas propostos para empresa, no qual foram verificados o possível uso quanto a análise dos dados. DESENVOLVIMENTO DE PESSOAS Cursos 01. Rotação de cargos 02. Coaching 03. Participação em cursos e seminários externos 04. Atribuição de comissões 05. Posição de assessoria Objetivo Público-alvo Contribuir para o desenvolvimento do quadro de pessoal da empresa, no sentido de promover um rodízio dos empregados por vários cargos. Processo realizado individualmente ou em grupos, com intuito de desenvolver competência no campo empresarial, alinhando os participantes às metas corporativas, e promovendo o desenvolvimento do capital humano e a qualidade de vida, contribuindo para o aumento e desenvolvimento das competências do participante, no sentido de torná-lo um líder mais eficaz, trazendo resultados sustentáveis para a empresa. Curso a distância sobre situações de uma empresa prestadora de serviços, com intuito de aprimorar, adquirir e desenvolver novos conhecimentos e habilidades. Atribuição temporária ao colaborador, possibilitando participar de comissões de trabalho, com intuito de promover a participação em tomada de decisões e aprender através da observação com problemas reais. Possibilitar aos selecionados oportunidades em trabalhar, de maneira provisória, em diferentes áreas da organização, sob a supervisão de um gerente, com intuito de promover novos conhecimentos, habilidades e experiências conquistadas em diferentes situações reais. Todos colaboradores Carga horária Sem constatação Gerentes, supervisores, chefes de setor 16 horas Todos os colaboradores 16 horas Todos os colaboradores Sem constatação Colaboradores selecionados com potencial elevado Sem constatação Quadro 11: Descrição desenvolvimento de pessoas Fonte: Elaborado pela autora, 2011 Contudo, após apresentado os treinamentos e desenvolvimentos apropriados para minimização e solução das deficiências levantadas, segue uma proposta de um programa de formação continuada com maior prioridade, seguindo a classificação da tecnologia educacional de treinamento proposta por Chiavenato (2010) apresentada na parte de revisão de literatura. 115 Para tanto, antes de apresentar o referido programa, destaca-se que Robbins (2002) aborda que a principal desvantagem do treinamento no trabalho é que gera uma ruptura no ambiente de trabalho, por isso que as empresas investem em treinamento fora do trabalho, dando a oportunidade aos funcionários de encontrarem pessoas de outras áreas e setores, a fim de trocarem idéias e experiências novas que podem ser úteis. Nesse sentido, segue no quadro a seguir o programa de formação continuada com os treinamentos e desenvolvimentos prioritários segundo a análise dos dados. CURSOS OBJETIVO PÚBLICOALVO CARGA HORÁRIA ORIENTAÇÃO TREINAMENTOS TÉCNICOS 01. Gestão de serviços 02. Comunicação organizacional eficaz Capacitar para a implementação dos fundamentos de gestão de serviços, no dia-a-dia das empresas do setor de serviços, como premissa de diferencial competitivo. Habilitar a compreensão de praticar a comunicação de forma natural, produtiva e integrada, promovendo excelentes resultados tanto nas relações interpessoais como nas práticas operacionais, através de técnicas para melhorar as práticas da comunicação, orientando da importância que a boa comunicação tem nos resultados da organização. Todos os colaboradores 16 horas Todos os colaboradores 16 horas Após o ingresso na empresa e fora do local de trabalho Após o ingresso na empresa e fora do local de trabalho TREINAMENTOS GERENCIAIS 01. Gestão de pessoas Promover a discussão dos grandes temas relacionados à expansão do conhecimento no campo da Gestão com Pessoas, com o intuito de melhorar o gerenciamento de pessoas, para aumentar a produtividade das equipes. Gerentes, supervisores, chefes de setor e Gestão de RH 16 horas Após o ingresso na empresa e fora do local de trabalho 116 CURSOS OBJETIVO PÚBLICOALVO CARGA HORÁRIA ORIENTAÇÃO TREINAMENTOS ESPECÍFICOS 01. Informática (utilização de software) 02. Desenvolvimento de processos organizacionais 03. Administração do tempo: produtividade e qualidade de vida Transmitir aos colaboradores o que é o software e como utilizá-lo, facilitando a adaptação e contribuindo para melhor execução dos trabalhos. Todos colaboradores Capacitar os profissionais a entenderem, mapearem e atuarem nos seus processos, gerindo-os com mais eficiência. Todos os colaboradores por área de atuação Contribuir para que se revise a percepção da nossa cultura sobre a importância do tempo e facilitar novas práticas do seu uso eficaz para a produtividade individual, organizacional e para a qualidade de vida. Colaboradores que possuem exigibilidade de tarefas alta 5 horas 24 horas Após o ingresso na empresa e no local de trabalho Após o ingresso na empresa e fora do local de trabalho 8 horas Após o ingresso na empresa e fora do local de trabalho Todos colaboradores Sem constatação Após o ingresso na empresa e no local de trabalho Todos os colaboradores 16 horas DESENVOLVIMENTO DE PESSOAS 0.1 Rotação de cargos 02. Participação em cursos e seminários externos Contribuir para o desenvolvimento do quadro de pessoal da empresa, no sentido de promover um rodízio dos empregados por vários cargos. Curso a distância sobre situações de uma empresa prestadora de serviços, com intuito de aprimorar, adquirir e desenvolver novos conhecimentos e habilidades. Após o ingresso na empresa e fora do local de trabalho Quadro 12: Programa de formação continuada com maior prioridade Fonte: Elaborado pela autora, 2011 Finalizando esse tópico, fica proposto para empresa prestadora de serviços um programa de formação continuada adequado a sua realidade atual, sugerindo-se, para tanto, a implementação do referido programa com os colaboradores administrativos da matriz, e a manutenção e reaplicação do mesmo ao longo dos anos. 117 7 CONSIDERAÇÕES FINAIS Na atual era do conhecimento as empresas modernas estão sendo instigadas a buscarem alternativas que proporcionam crescimento e destaque no mercado atual, devido a constantes transformações por avanço tecnológico, concorrência acirrada, exigências dos consumidores e da sociedade. Nesse contexto emerge o processo de treinamento e desenvolvimento de pessoas, que proporciona caminhos para enriquecer o capital intelectual das empresas, e, paralelamente, contribuir na busca de resultados positivos e vantagem competitiva. Contudo, essas ferramentas estratégias, além de proporcionarem benefícios para a empresa, no sentido de enriquecimento do seu quadro de pessoal e vantagem competitiva, também proporcionam benefícios para os indivíduos, através de motivação, crescimento e reconhecimento dentro da empresa. Neste contexto, o objetivo geral desse trabalho foi propor um programa de treinamento e desenvolvimento de pessoas para os colaboradores administrativos da matriz de uma empresa prestadora de serviços. Para atingir esse objetivo foram definidos os seguintes objetivos específicos: realizar uma pesquisa exploratória sobre tópicos relativos ao treinamento e desenvolvimento de pessoas nas organizações; analisar as etapas de um programa de treinamento e desenvolvimento de pessoas; identificar a situação atual da empresa no que se refere a treinamento e desenvolvimento de pessoas; elaborar uma proposta um programa de treinamento e desenvolvimento de pessoas para os colaboradores administrativos da matriz de uma empresa prestadora de serviços. Para cumprir o primeiro objetivo, referente a realização de pesquisa exploratória sobre tópicos relativos ao treinamento e desenvolvimento de pessoas nas organizações, e que condiz ao capítulo dois desse trabalho, buscou-se, por meio do estudo de diversos autores, verificar a importância e os benefícios do processos de treinamentos e desenvolvimento de pessoas nas empresas. Essa etapa foi essencial para sustentação do presente estudo, pois trouxe maior conhecimento em relação ao tema central do trabalho, possibilitando a construção de uma proposta de treinamento e desenvolvimento de pessoas com bases conceituais. O segundo objetivo referia-se a análise das etapas de um programa de treinamento e desenvolvimento de pessoas, e foi realizada por meio da revisão bibliográfica de diversos autores como forma de contribuir para construção do questionário de levantamento de necessidades aplicado com uma amostra dos colaboradores administrativos da matriz da 118 empresa objeto de estudo, e posterior análise dos dados obtidos para elaboração de um programa de treinamento e desenvolvimento mais adequado a situação atual da empresa. Com o intuito de cumprir o terceiro objetivo que se referia a identificação da situação atual da empresa em relação ao treinamento e desenvolvimento de pessoas, foi aplicado o questionário de levantamento de necessidades com uma amostra de 65 de um universo de 185 colaboradores administrativos pertencentes à matriz da empresa prestadora de serviços. Os questionários aplicados foram elaborados na forma de três tipos de análise, sendo: análise organizacional, análise de recursos humanos e análise das tarefas e operações. Com os dados coletados foi realizada, no capítulo cinco desse trabalho, a descrição e análise dos dados, constatando-se algumas deficiências no que diz respeito ao treinamento e desenvolvimento de pessoas dentro a empresa. Após a análise dos dados da pesquisa, as principais informações obtidas foram que há: falta de tempo para planejar tarefas, falta de atuação das chefias, ruídos de comunicação entre os departamentos da empresa, dificuldades no uso de software utilizado pela empresa, necessidades de treinamentos específicos em alguns departamentos e, falta de atuação proativa dos Recursos Humanos. Por fim, o último objetivo referia-se a elaboração de uma proposta de programa de treinamento e desenvolvimento de pessoas para os colaboradores administrativos da matriz da empresa prestadora de serviços, que condiz ao capítulo seis desse trabalho. Por meio da análise dos dados obtidos pela aplicação do questionário, das sugestões dos próprios colaboradores questionados, dos métodos de desenvolvimento descritos na revisão de literatura, e de pesquisa realizada em sites de treinamento, procurou-se desenvolver e propor treinamentos e desenvolvimentos consistentes com a atual situação da empresa como forma de melhorar e desenvolver o quadro de pessoal da empresa, proporcionando manutenção e fortalecimento do capital intelectual presente. Os treinamentos e desenvolvimentos propostos foram elaborados e divididos em quatro diferentes tipos, sendo: treinamentos técnicos, treinamentos gerenciais, treinamentos específicos e desenvolvimento de pessoas. Essa divisão foi feita com base nas necessidades identificadas, onde os treinamentos técnicos abordam os cursos que passam a idéia geral do dia-a-dia de uma empresa prestadora de serviços, os treinamentos gerenciais são voltados aos cargos mais altos hierarquicamente da empresa, os treinamentos específicos abrange determinados departamentos, e, por fim, o desenvolvimento de pessoas consiste em alguns métodos abordados na parte de revisão de literatura e que foi constatado a necessidade de aplicação. 119 Cabe destacar que um programa de treinamento e desenvolvimento corretamente estruturado e implementado possibilita benefícios para os colaboradores e para a empresa: para os colaboradores, reflete-se em uma maior motivação, em aprimoramento, em crescimento e em reconhecimento dentro da organização; para a empresa, possibilita ter em seu quadro de colaboradores motivados e com maior capacidade intelectual, tornando-se um diferencial competitivo perante atual mercado em constante mudança. Portanto, após a realização da pesquisa, fica proposto para empresa prestadora de serviços a implementação do programa de treinamento e desenvolvimento com os colaboradores administrativos, acreditando-se que o mesmo irá proporcionar benefícios para a empresa e seus colaboradores. Ressalta-se, também, a importância da manutenção do presente programa ao longo do tempo. Sugere-se que o mesmo seja revisto e atualizado, de preferência anualmente, devido às constantes mudanças no mundo dos negócios e do conhecimento. 120 REFERÊNCIAS ANDRADE, Maria Margarida. Introdução à metodologia do trabalho científico. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2003. ANDRADE, Jairo E. Borges; CASTRO, Gardênia Abbad de Oliveira. Treinamento e desenvolvimento: reflexões sobre suas pesquisas científicas. Revista de Administração. São Paulo. V.31, n.2, p.112-125. Abril/junho. 1996. ARAUJO, Luis César G. de. Gestão de pessoas: estratégias e integração organizacional. 1. ed. São Paulo: Atlas, 2008. ARAUJO, Luis César G. de; GARCIA, Adriana Amadeu. Gestão de pessoas: estratégias e integração organizacional. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2009. BARBETTA, Pedro Alberto. Estatística aplicada às ciências sociais. 5. ed. Florianópolis: Editora da UFSC, 2005. BENZONI, Paulo Eduardo; VANALLE, Rosângela Maria. Novas propostas de gestão de recursos humanos e a flexibilidade na produção. 2001. ABEPRO. Disponível em: < http://www.abepro.org.br/biblioteca/ENEGEP2001_TR15_0918.pdf>. Acesso em 17 fev. 2011. BOOG, Gustavo G. (coordenador) Manual de Treinamento e Desenvolvimento – São Paulo, 1. ed, 2001. Editora Atlas. BOOG, Magdalena; Gustavo (Coord) et al. Manual de Gestão de pessoas e equipes: estratégias e tendências. Vol.1. São Paulo: Gente, 2002, 632p. CARVALHO, Antônio Vieira.Treinamento: princípios, métodos e técnicas. São Paulo: Pioneira, 2001. CARVALHO, Antônio Vieira; NASCIMENTO, Luiz Paulo. Administração de Recursos Humanos, 1. ed. São Paulo: Pioneira, 1997. ______. Administração de Recursos Humanos, 2. ed. São Paulo: Pioneira, 2002. 121 CASADO, Tânia. O indivíduo e o grupo: a chave do desenvolvimento. In: BOSCHINI, Rosely M. (Org.). As pessoas na organização. 12. ed. São Paulo: Editora Gente, 2002, parte 2, p. 235-246. CATHO. Disponível em: <http://www.catho.com.br/cursos/index.php?p=pec_pacotes _detalhes&id_pec_pacote=6>. Acesso em: 30 maio 2011. CERVO, Amado Luiz; BERVIAN, Pedro Alcino. Metodologia científica. 5. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2002. CHAVES, Adilson Laudelino Junior. Estudos das necessidades de treinamento e desenvolvimento dos funcionários da empresa Bravacon Engenharia e Construções LTDA. 2007. 82f. Monografia (Graduação em Administração) – Universidade do Vale do Itajaí, Balneário Camboriú, 2007. CHIAVENATO, Idalberto. Administração nos novos tempos. 2. ed. Rio de Janeiro: Campus, 1999. ______. Gestão de pessoas: O novo papel dos recursos humanos nas organizações. Rio de Janeiro: Campus, 1999. ______. Gestão de pessoas. 3. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010. ______. Introdução à teoria geral da administração. 3. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004. ______. Recursos humanos. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2002. ______. Recursos humanos: o capital humano das organizações. São Paulo: Atlas, 2008. ______. Treinamento e desenvolvimento de recursos humanos: como incrementar talentos na empresa. 7. ed. São Paulo: Manole, 2009. DAYAL, Ishwar. Gerencia de treinamento: texto, casos e exercícios de simulação. Rio de Janeiro: Livros Técnicas e Científicos, 1974. DIAS, Mauro. O treinamento em qualidade de vida no trabalho na pequena empresa. 2004. 73f. Monografia (Trabalho de Conclusão de Cursos em Administração) – Campus 2, Centro Universitário Adventista de São Paulo, Engenheiro Coelho, 2004. 122 DOS SANTOS, Magda Raquel Guimarães Ferreira; LOVATO, Siusiane. Os jogos de empresas como recurso didático na formação de administradores. 2007. Cinted.UFRGS. Disponível em: < http://www.cinted.ufrgs.br/ciclo10/artigos/2aMagda.pdf>. Acesso em 28 out. 2010. DUTRA, Joel Souza. Administração de carreiras: uma proposta para repensar a gestão de pessoas. São Paulo: Atlas, 1996. ______. A gestão de carreira. In: BOSCHINI, Rosely M. (Org.). As pessoas na organização. 12. ed. São Paulo: Editora Gente, 2002, parte 1, p. 99-114. ______. Gestão de pessoas: modelo, processos, tendências e perspectivas. São Paulo: Atlas, 2009. DUTRA, Joel Souza, HIPÓLITO, José Antônio Monteiro, SILVA, Cassiano Machado. Gestão de pessoas por competências: o caso de uma empresa do setor de telecomunicações. IN. Anais do 22º encontro da Associação Nacional dos Programas de Pósgraduação em Administração – ENANPAD. Foz do Iguaçu: ANOAD, 1998. FACHIN, Odília. Fundamentos de metodologia. 4. ed. São Paulo: Saraiva, 2005. FISCHER, André Luiz. Um resgate conceitual e histórico dos modelos de gestão de pessoas. In: BOSCHINI, Rosely M. (Org.). As pessoas na organização. 12. ed. São Paulo: Editora Gente, 2002, parte 1, p. 11-34. FRANÇA, Ana Cristina Limongi. Práticas de recursos humanos: conceitos, ferramentas e procedimentos. São Paulo: Atlas, 2009. _______. Qualidade de vida no trabalho: conceitos, abordagens, inovações e desafios nas empresas brasileiras. Vol. 1. Rio de Janeiro, 1997. FERREIRA, Paulo Pinto. Administração de Pessoal: relações industriais. 5. ed. São Paulo:Atlas 1979. FLIPPO, Edwin B. Princípios de administração de pessoal. São Paulo: Atlas, 1970. GIL Antônio Carlos.Gestão de pessoas. São Paulo: Atlas, 2001. 123 ______. Gestão de pessoas: enfoque nos papéis profissionais. São Paulo: Atlas, 2009. ______. Métodos e técnicas de pesquisa social. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2007. ______. Gestão de pessoas: enfoque nos papéis profissionais. 1. ed. São Paulo: Atlas, 2008. GOBE, Antonio Carlos et al. Administração de vendas. São Paulo: Saraiva, 2000. HIPÓLITO, José Antonio Monteiro. Sistema de recompensas: uma abordagem atual. In: BOSCHINI, Rosely M. (Org.). As pessoas na organização. 12. ed. São Paulo: Editora Gente, 2002, parte 2, p. 87-98. INNOVIA. Disponível em: < http://www.innovia.com.br/cursos-e-treinamentos/gestao-deservicos->. Acesso em: 27 maio 2011. KANAANE, Roberto. Comportamento humano nas organizações: o homem rumo ao século XXI. São Paulo: Atlas, 1999. KWASNICKA, Eunice Lacava. Introdução à administração. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2004. LACANNA, Maria Lúcia. Qualidade de vida no trabalho. 2008. Administradores. Disponível em: <http://www.administradores.com.br/informe-se/artigos/qualidade-de-vidano-trabalho/22136/>. Acesso em 15 fev. 2011. LACOMBE, Francisco; HEILBORN, Gilberto. Administração: princípios e tendências. São Paulo: Saraiva, 2003. LOBOS, Júlio A. Administração de recursos humanos. São Paulo: Atlas, 1979. MARCELINO, Paula. Afinal, o que é terceirização? em busca de ferramentas de análise e de ação política. 2007. UNESP. Disponível em: < http://www4.fct.unesp.br/ceget/PEGADA82/4Texto-Paula.pdf>. Acesso em 17 fev. 2011. MARRAS, Jean Pierre. Administração de recursos humanos: do operacional ao estratégico. 3. ed. São Paulo: Futura, 2000. ______. Administração de recursos humanos. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2002. 124 MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Fundamentos de metodologia científica. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2008. ______. Metodologia do trabalho científico. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2008. MARTINS, Gilberto de Andrade. Manual para elaboração de monografias e dissertações. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2002 MAXIMIANO, Antonio Cesar Amaru. Introdução à administração. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2004. ______. Introdução à administração, 7. ed. São Paulo: Atlas, 2009. MEGGINSON, Leon C.; MOSLEY, Donald C.; PIETRI, Paul H. Jr. Administração: conceitos e aplicações. 4. ed. São Paulo: Harbra, 1998. MENNA, Flávia Regina Czarneski; SAUER, Luciana. Inovações gerenciais e qualidade de vida no trabalho: a realidade da Epagri. 1998. ABEPRO. Disponível em: <http://www.abepro.org.br/biblioteca/ENEGEP1998_ART058.pdf>. Acesso em 28 out. 2010. MICHAELIS UOL. Disponível em: <http://michaelis.uol.com.br/>. Acesso em: 01 set. 2010. MILKOVICH, George T.; BOUDREAU, John W. Administração de recursos humanos. São Paulo: Atlas, 2008. MINICUCCI, A. Psicologia Aplicada à Administração. 5. ed. São Paulo: Atlas, 1995. MONTANA, Patrick J. Administração. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2003. MORAES, Gilson. Desenvolvimento de um modelo para o levantamento de necessidades de treinamento e desenvolvimento de recursos humanos. 2002. 130f. Dissertação (Mestrado em Engenharia de Produção) – Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2002. NADLER, L. The handbook of human resources development. New York: Wiley, 1984. 125 ODERICH, Cecília Leão. Gestão de competências gerenciais: noções e processos de desenvolvimento em três empresas gaúchas. 2001. 151f. Dissertação (Mestrado em Administração) – Escola de Administração, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2001. OLIVEIRA, Marcos Frederico Antonio. Experiência de Hawthorne. 2009. Administradores. Disponível em: < http://www.administradores.com.br/informe-se/artigos/experiencia-dehawthorne/35690/>. Acesso em 06 dez. 2010. PEREIRA, Mariah T. N. TGA: tipos de organizações. 2007. Portal do administrador. Disponível em: <http://www.htmlstaff.org/xkurt/projetos/portaldoadmin/modules/news /article.php?storyid=683>. Acesso em 14 fev. 2011. PICARELLI, Vicente. Gestão por competência. In: BOOG, Gustavo e Magdalena (Org.). Manual de gestão de pessoas e equipes: estratégias e tendências. 6. ed. São Paulo: Editora Gente, 2002, p. 215-237. ROBBINS, Stephen Paul. Comportamento organizacional. 9. ed. São Paulo: Prentice Hall, 2002. ROUX, J. Recursos humanos e treinamento. São Paulo: Brasiliense, 1983. RUAS, R. et al. O conceito de competências de A a Z – análise e revisão nas principais publicações nacionais entre 2000 e 2004. In: XXIX Encontro Anual da Anpad, 2005, Brasília. Anais. Anpad, 2005. SAMPAIO, Jáder dos Reis; TAVARES, Karlyson de Castro. Estruturas e programas de T&D: o caso das empresas públicas e sociedades de economia mista do Estado de Minas Gerais. 2001. SciElo. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S141565552001000100008&script=sci_arttext>. Acesso em 29 out. 2010. SENAC. Disponível em: <http://portal.sc.senac.br/senac/webforms/curso_pesquisa.aspx?tipo =1&unidade=>. Acesso em: 30 maio 2011. SINBRASIL. Disponível em: < http://www.sinbrasil.com.br/treinamento/>. Acesso em: 30 maio 2011. 126 SIQUEIRA, Luana Catarina. Programa de Treinamento e desenvolvimento para funcionários da área administrativa da empresa Globo Comércio de Veículos e Peças LTDA. 2007. 102f. Monografia (Graduação em Administração) – Universidade do Vale do Itajaí, Biguaçu, 2007. STONER, James A.F.; FREEMAN, R. Edward. Administração. 5. ed. Rio de Janeiro: LTC – Livros Técnicos e Científicos Editora S.A, 1994. TACHIZWA, Takeshy; FERREIRA, Vitor.C.P.; FORTUNA, Antonio. A. M. Gestão com pessoas: uma abordagem aplicada às estratégias de negócios. 2. ed. Rio de Janeiro: FGV, 2001. VIDIGAL, Frederico. O treinamento ao ar livre e a estratégia de outdoor training na promoção do desenvolvimento e produtividade: o caso de uma empresa no ramo varejista de alimentos. 2007. Administradores. Disponível em <http://www.administradores.com.br/ informe-se/producao-academica/o-treinamento-ao-ar-livre-e-a-estrategia-de-outdoor-trainingna-promocao-do-desenvolvimento-e-produ/329/>. Acesso em 29 out. 2010. 127 APÊNDICE A – Questionário aplicado na pesquisa QUESTIONÁRIO DE LEVANTAMENTO DE NECESSIDADES Questionário para levantar as necessidades de treinamento e desenvolvimento dos colaboradores da matriz de uma empresa prestadora de serviços Senhores (as) colaboradores: Este questionário faz parte de um trabalho de conclusão de curso da Acadêmica Bianca Regina Zimermann do curso de Administração da USJ, e tem como objetivo colher informações a respeito das necessidades de treinamento e desenvolvimento de pessoas, bem como as expectativas e as relações entre os colegas no ambiente de trabalho. Lembrando que os dados coletados serão tratados como sigiloso. Cargo:_____________________________________________Setor:_______________________________. PERFIL DO COLABORADOR 1 – Sexo ( ) Feminino ( ) Masculino 2 – Idade ( ) 18 à 25 anos ( ) 46 à 55 anos ( ) 26 à 35 anos ( ) acima de 56 anos ( ) 36 à 45 anos 3 – Qual o tempo que trabalha na empresa? ( ) até 1 ano ( ) de 1 à 3 anos ( ) de 7 à 9 anos ( ) acima de 10 anos ( ) de 4 à 6 anos 4 – Qual sua escolaridade? ( ) 2º grau completo ( ) Superior incompleto ( ) Superior completo ( ) Pós, Mestrado, Doutorado ANÁLISE ORGANIZACIONAL Em relação à empresa, marque com um “X” sua opinião referente as seguintes afirmativas: Discordo Fortemente 1 - Existe na empresa uma visão clara e objetiva da direção a ser perseguida pela mesma. 2 - A empresa é capaz de alinhar os objetivos de suas áreas e de seus membros com os objetivos maiores da organização. Discordo Não Sabe Concordo Concordo Fortemente 128 3 - Existem valores, crenças e normas que norteiam positivamente as decisões e ações da empresa. 4 - Ocorre distribuição eficiente de informações relevantes à empresa em seus processos operacionais e de melhoria da mesma. 5 - A empresa é capaz de estimular seus empregados a realizar tarefas necessárias à condução de processos operacionais e de melhoria da mesma. 6 - As lideranças têm capacidade para envolver as pessoas na atividade e as pessoas, por sua vez, são capazes de participar de grupos e equipes de trabalho. 7 - Existe infra-estrutura organizacional, física, material e humana para a condução dos processos operacionais e para a condução de melhorias na empresa. 8 - A empresa proporciona treinamento e desenvolvimento às pessoas para atuarem adequadamente em seus processos operacionais e de melhoria. 9 - A empresa planeja seus recursos tanto para o desenvolvimento de atividades operacional, quanto para atividades de melhoria. 10 - A empresa é capaz de adotar estratégias para gerir conhecimento de seu pessoal. 11 - Existem mecanismos de avaliação de desempenho que possibilitem a orientação das tomadas de decisão, avaliação de desempenho dos processos e dos indivíduos. 12 - A empresa é capaz de prover produtos e serviços adequados ao mercado em que atua. ANÁLISE DAS TAREFAS 1 – Com que intensidade sua tarefa exige que você faça diversas atividades diferentes permitindo que você utilize várias de suas habilidades e competências pessoais para executá-las e, também, permitindo que você realize atividades criativas e inovadoras? ( ) baixa, pois são sempre as mesma rotinas ( ) média, exige de maneira moderada ( ) alta, exige muito 129 2 – Você tem tempo disponível para planejar sua tarefas? ( ) Sim ( ) Não 3 – Minha participação nas decisões que afetam minha tarefa pode ser considerada. ( ) boa ( ) regular ( ) ruim 4 – Considerando sua formação profissional, a tarefa que você exerce atualmente é? ( ) muito motivador ( ) pouco motivador ( ) desmotivador 5 – Com que intensidade sua tarefa é completa, tem começo e fim com resultados visíveis e com significado para você? ( ) baixa, é apenas uma parte de um todo e os resultados não são visíveis ( ) média, mesmo sendo uma parte, consigo perceber minhas atribuições no produto final ( ) alta, meu trabalho é integral e consigo perceber facilmente os resultados no produto final 6 – Com que intensidade sua tarefa dá oportunidade, liberdade e autonomia para você decidir o que fazer e como fazer (programar, escolher local, método e equipamento)? ( ) baixa, pois é o chefe que praticamente define meu trabalho ( ) média, só dá oportunidade de tomar algumas decisões ( ) alta, dá quase total liberdade para tomar decisões 7 – De uma maneira geral, como você se sente em relação ao conteúdo de sua tarefa? ( ) bastante satisfeito ( ) satisfeito ( ) bastante insatisfeito ( ) insatisfeito 8 – Você tem apresentando dificuldades em exercer tarefas? ( ) Sim ( ) Não Se a resposta for SIM, relacione as dificuldades apresentadas e seus motivos. ( ) Falta de treinamento ( ) Acúmulo de funções ( ) Inovações no ambiente de trabalho e nos métodos dificultado por ter que se atualizar constantemente ( ) Outros: ________________________________________________________________ 9 – Você dispõe das informações necessárias para execução de suas tarefas. ( ) Sim ( ) Não Se a resposta for não informe, se souber, quais informações necessárias: ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 10 – O conhecimento que você tem para desempenhar suas tarefas é adequado? ( ) Sim ( ) Não Caso tenha assinalado “não” justifique-se _______________________________________ ___________________________________________________________________________ 130 ANÁLISE INDIVIDUAL E DE EQUIPES 1 – Os treinamentos e cursos oferecidos pela empresa satisfazem suas necessidades de formação e aperfeiçoamento? ( ) Sim ( ) Não 2 – Em sua opinião, a sua empresa define claramente o que espera de você em relação ao seu desempenho individual? ( ) Sim ( ) Não 3 – Você está satisfeito com o trabalho que executa? ( ) muito ( ) pouco ( ) nada 4 – Até que ponto você considera que o seu trabalho oferece oportunidade e condições de crescimento pessoal? ( ) muito ( ) pouco ( ) nada 5 – Você sente-se integrado na sua empresa? ( ) muito ( ) pouco ( ) nem um pouco 6 – Quais dos itens abaixo relacionados você acredita que melhoraria o desempenho de suas atividades na empresa: ( ) Acompanhamento da chefia ( ) Treinamento ( ) Cursos de graduação e pós-graduação ( ) Cursos técnicos, palestras ( ) Outro. Qual? _____________________________________________________________ 7 – O que você sugere para empresa no sentido de melhorar o treinamento e desenvolvimento do pessoal no ambiente de trabalho? ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________. 8 – Sua empresa auxilia no seu crescimento dentro da mesma, isto é, no desenvolvimento de sua carreira? ( ) Sim ( ) Não Se a resposta for SIM, de que forma? ___________________________________________________________________________ 9 – Já foi promovido desde que ingressou na organização? ( ) Sim ( ) Não 10 – Como ocorreu este processo de desenvolvimento de carreira? ( ) Busquei aperfeiçoamento por conta própria e fui promovido ( ) Busquei aperfeiçoamento por conta própria, mas não fui promovido ( ) Fui promovido por mérito ( ) Nunca fui promovido 131 11 – Se a empresa oferecer oportunidade de treinamento para desenvolvimento de sua carreira, qual a sua disponibilidade para participação? ( ) Durante o expediente ( ) Após o expediente ( ) Finais de semana ( ) Não tem disponibilidade ( ) Não tem interesse 12 – Você acredita que os seus colegas de trabalho estão bem preparados para exercer as atividades que são solicitadas? ( ) Sim. Eles não precisam de mais nenhum treinamento. ( ) Sim. Porém é necessário algum tipo de treinamento. ( ) Não. Eles necessitam de treinamento ( ) Não trabalho em equipe. 13 – Como você considera o relacionamento com seus colegas de trabalho? ( ) Ótimo ( ) Bom ( ) Regular ( ) Insatisfatório 14 – Em relação ao seu relacionamento com a chefia, você considera como: ( ) Ótimo ( ) Bom ( ) Regular ( ) Insatisfatório