GIULLIANO HUMBERTO CAPANA ESTUDO DO IMPACTO DO ENXOFRE PRESENTE NO DIESEL NA EMISSÃO DE POLUENTES E EM TECNOLOGIA DE PÓS TRATAMENTO DE GASES DE ESCAPE São Paulo 2008 II GIULLIANO HUMBERTO CAPANA ESTUDO DO IMPACTO DO ENXOFRE PRESENTE NO DIESEL NA EMISSÃO DE POLUENTES E EM TECNOLOGIA DE PÓS TRATAMENTO DE GASES DE ESCAPE Trabalho de conclusão de curso apresentado à Escola Politécnica da Universidade de São Paulo para obtenção do título de Mestre Profissional em Engenharia Automotiva Área de Concentração: Engenharia Automotiva Orientador: Prof. Dr. Mauricio Assumpção Trielli São Paulo 2008 III Dedico este trabalho aos meus pais, Henrique e Neusa, por tudo que fizeram nesta vida por mim e por todo o incentivo para a conclusão deste curso, serei eternamente grato a vocês. À minha esposa, Andréa Sabino, pela paciência, compreensão e incentivo nos momentos em que eu mais precisei. Às minhas sobrinhas, Giovana e Luisa, por serem sempre uma luz no meu caminho. Às minhas irmãs, Kelly e Michelle, por estarem sempre ao meu lado. A todos os meus familiares e amigos que tenho certeza, torcem muito por mim. IV AGRADECIMENTOS Ao meu orientador Prof. Dr. Mauricio Assumpção Trielli, por ter acreditado na realização deste trabalho, em sua contribuição para a área automotiva e por ter disponibilizado o seu tempo para orientar-me. Ao meu co-orientador Prof. Dr. Guenther Krieger Filho, pelo apoio e orientação e, principalmente, por ter concordado em me co-orientar, mesmo sabendo de todas as barreiras existentes para a conclusão do trabalho. Ao engenheiro Antonio Galdino Leite Neto, companheiro de trabalho e uma referência na minha vida pessoal e profissional. Aos engenheiros Leonardo Bergantim, Leandro Glovaski, Cláudio Furlam e Bernardo Limp, por compartilharem comigo os seus conhecimentos em pós-tratamento e motores. À amiga e companheira de trabalho Stella Sales, pelo incentivo e pelo apoio para a conclusão deste trabalho. Às empresas MWM International, Bosch, Umicore e Corning, por disponibilizarem os recursos necessários para a execução deste trabalho. À Domingos Carapinha, por permitir a divulgação deste trabalho. Aos meus superiores na empresa, Alberto Abdu e Arsênio Flexa, pelo apoio para a realização deste trabalho. Aos meus amigos do mestrado, que me ajudaram em todos os momentos nesta etapa da minha vida e compartilharam suas experiências profissionais, enriquecendo o meu conhecimento prático. Aos professores da Escola Politécnica da USP, pela troca de experiências práticas e teóricas. À secretaria do curso, que sempre me ajudou com um atendimento preciso e atencioso. Por último e não menos importante, agradeço a Deus, por permitir que eu realizasse este curso e por me dar a luz e inspiração necessária para a conclusão desta dissertação e das matérias ao longo do mesmo. V RESUMO Os altos níveis de poluição ambiental nas grandes metrópoles vem sendo um fator de crescente preocupação ao redor do mundo. A maior causa da poluição do ar é a combustão, que é essencial para as nossas vidas. Uma das principais fontes poluidoras, além das indústrias, é o veículo equipado com motor de combustão interna, movidos à gasolina, álcool e óleo diesel, por exemplo. O uso e a necessidade de meios de transporte têm aumentado em conjunto com o produto doméstico bruto ao redor do mundo, com isso aumenta-se também o nível de emissões de componentes nocivos à saúde humana como o óxido de nitrogênio, material particulado, hidrocarbonetos, monóxidos de carbono, entre outros. Os EUA, a União Européia e o Japão, vêm liderando os planos para controle e redução de emissões por meio de aplicação de legislações cada vez mais rigorosas. Tais legislações, para serem atendidas, necessitam de melhorias na qualidade dos combustíveis e em utilização de tecnologias de pós-tratamento dos gases de escape. Para veículos movidos a óleo diesel, foco deste trabalho, o Brasil tem seguido os passos da Europa na aplicação das legislações de emissões, porém de maneira defasada. Para o cumprimento do próximo nível de emissões (equivalente à legislação EURO IV), o Brasil precisará adotar um combustível de melhor qualidade em termos de teor de enxofre, além de tecnologias de pós-tratamento dos gases. O enxofre tem um papel fundamental nas emissões de poluentes e na tecnologia de pós-tratamento a ser adotada, podendo o mesmo causar resultados adversos em determinadas tecnologias. O intuito deste trabalho, que tem enfoque em veículos movidos a óleo diesel, é fornecer uma base sobre conceitos relacionados ao motor de ignição por compressão, ao combustível, ao resultado da combustão em termos de emissão de poluentes, a legislação de emissões e testes de homologação em regimes permanentes e transientes de operação e as tecnologias de pós-tratamento. Além disto, é demonstrado por meio de um teste padronizado, o impacto de diferentes níveis de enxofre presentes no óleo diesel nas emissões de poluentes. Demonstra-se também, o impacto do uso do óleo diesel com 2000ppm de teor de enxofre em um sistema de pós-tratamento com catalisador de redução seletiva (SCR) e catalisador de oxidação (DOC-slip), após teste de campo com 30000 km. Os resultados dos testes mostraram a influência negativa do enxofre nas emissões de material particulado, hidrocarbonetos e monóxido de carbono e também na degradação da eficiência de conversão de hidrocarboneto e monóxido de carbono, provocados pelo envenenamento do catalisador de oxidação. Nenhum efeito sob o SCR foi observado. VI ABSTRACT The high air pollution levels are becoming an important issue around the world. One of the main causes of air pollution is the combustion, which is essential to our lives. An important pollutant source, besides the industry, is the internal combustion engine. Transportation needs and usage have increased with gross domestic product (GDP) around the world, causing an increase in the emissions level of components that may cause losses to human health, such as nitrogen oxides, particulate matter, hydrocarbons and carbon monoxide. USA, European Union and Japan are leading the plans to control and reduce the emissions through rigorous standards and laws. These standards, in order to be fulfilled, require improvements in the fuel quality and the usage of gas exhaust after-treatment technologies. For diesel vehicle, which is the focus of this project, Brazil is following Europe emissions standards, but with some delay. For achieving next emissions level (equivalent to EURO IV) Brazil has to develop a higher fuel quality (in terms of sulfur content) and uses after-treatment technologies. Sulfur content plays an important role in the particulate matter emissions and in the after-treatment technology chosen, due to its influence in poisoning some catalytic converters. This project covers basic concepts about compression ignition engines, diesel fuel, the products from diesel combustion, emissions legislation, steady state and transient homologation tests and after-treatment technologies. It shows the influence of sulfur content in diesel emissions and durability results of an after-treatment system after running 30000 km in a vehicle fueled with 2000ppm of sulfur content in diesel fuel. The after-treatment system consists in one selective catalytic reduction (SCR) and an oxidation catalyst for reducing non reacted ammonia (DOC-Slip). Test results has shown a negative sulfur influence in the emissions of particulate matter, hydrocarbons and carbon monoxide and, in the end of field durability test, degradation in the conversion efficiency of the oxidation catalyst due to sulfur poisoning effect, which have increased hydrocarbon and carbon monoxide emissions. No effect in the selective catalytic reduction conversion efficiency was noticed showing that this kind of technology is not influenced by high sulfur levels in the fuel. VII ÍNDICE LISTA DE FIGURAS ..........................................................................................................IX LISTA DE GRÁFICOS......................................................................................................... X LISTA DE GRÁFICOS......................................................................................................... X LISTA DE TABELAS .........................................................................................................XI LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ......................................................................... XII LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ......................................................................... XII LISTA DE SÍMBOLOS .................................................................................................... XIV CAPÍTULO 1 – Introdução ....................................................................................................1 1.1. Objetivo..................................................................................................................5 1.2. Delimitação do assunto tratado ...............................................................................5 1.3. Estrutura do trabalho...............................................................................................5 1.4. Método de pesquisa ................................................................................................6 CAPÍTULO 2 – O motor de ignição por compressão movido a óleo diesel.............................8 2.1. O óleo diesel e suas principais características...............................................................8 2.2. O produto da combustão nos motores movidos a óleo diesel ...................................... 11 2.2.1. Óxido de Nitrogênio – NOx....................................................................................15 2.2.2. Hidrocarbonetos - HC .............................................................................................16 2.2.3. Monóxido de Carbono - CO....................................................................................18 2.2.4. Dióxido de enxofre – SO2 .......................................................................................19 2.2.5. O Material Particulado – MP ..................................................................................21 2.2.6. Óxido Nitroso – N2O ..............................................................................................26 2.2.7. Hidrogênio – H2 ...................................................................................................... 27 2.3. A legislação de emissões para veículos pesados movidos a óleo diesel.......................28 2.4. Os ciclos de testes de emissões ..................................................................................31 2.4.1. O ciclo ESC............................................................................................................ 32 2.4.2. O ciclo ETC............................................................................................................ 34 2.4.3. O ciclo ELR............................................................................................................ 36 CAPÍTULO 3 – Tecnologias de pós-tratamento de gases de escape...................................... 38 3.1. Introdução .................................................................................................................38 3.2. Redução seletiva catalítica (SCR) ..............................................................................41 3.2.1 Tipos de SCR – Substrato e Washcoat .....................................................................45 3.3. Catalisador de Oxidação - DOC.................................................................................49 3.4. DOC Slip...................................................................................................................51 3.5. Outras tecnologias de pós-tratamento do gás de escape para o controle do NOx......... 52 3.5.1. Recirculação dos gases de escape - EGR.................................................................53 3.5.2. Adsorvedores de NOx.............................................................................................54 3.5.3. Catalisadores Lean NOx - LNC ..............................................................................57 CAPÍTULO 4 – O enxofre, sua presença no óleo diesel e o seu impacto nas tecnologias de pós-tratamento e na emissão de poluentes............................................................................. 59 4.1 Introdução ..................................................................................................................59 4.2 Enxofre.......................................................................................................................60 4.3 A relação do enxofre no óleo diesel com a emissão de material particulado ................62 4.4 A relação do enxofre no óleo diesel com os sistemas catalíticos de pós-tratamento .....64 4.5 As tendências mundiais e a situação do Brasil em relação ao teor de enxofre no óleo diesel................................................................................................................................ 65 4.6 Principais preocupações em relação ao óleo diesel de baixo teor de enxofre ...............68 VIII 4.7 Processos de dessulfurização do óleo diesel ................................................................ 69 4.8 Principais conclusões sobre o enxofre no óleo diesel...................................................70 CAPÍTULO 5 – Ensaios realizados ......................................................................................72 5.1 Introdução ..................................................................................................................72 5.2 Configuração do sistema.............................................................................................72 5.3 Testes em dinamômetro e veículo ...............................................................................75 5.4 Equipamentos utilizados .............................................................................................80 CAPÍTULO 6 – Resultados ..................................................................................................84 6.1 Impacto do enxofre contido no óleo diesel na emissão de poluentes............................84 6.2 Eficiências de conversão de NOx, HC e CO (SCR e DOC-Slip)..................................86 6.3 Impacto do enxofre contido no óleo diesel na eficiência de conversão do SCR e do DOC-slip..........................................................................................................................87 CAPÍTULO 7 – Conclusões e Considerações Finais.............................................................90 7.1 Trabalhos Futuros....................................................................................................... 91 REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA ......................................................................................92 ANEXOS .............................................................................................................................94 IX LISTA DE FIGURAS FIGURA 1 - Comparação de emissão de poluentes entre um motor diesel e um motor gasolina ............................................................................................................................................. 12 FIGURA 2 - Efeito da relação ar-combustível nos níveis de emissões (motor sem póstratamento fabricado nos anos 90) ........................................................................................14 FIGURA 3 - SO2 presente no gás de escape em função do nível de teor de enxofre do óleo diesel....................................................................................................................................20 FIGURA 4 - Representação esquemática do material particulado em motores diesel ............ 22 FIGURA 5 – Composição do MP em diferentes condições de operação do motor ................24 FIGURA 6 - Ciclo de teste ESC ...........................................................................................34 FIGURA 7 - Ciclo de teste ETC – Velocidade do veículo em diferentes trechos...................35 FIGURA 8 - Ciclo de teste ETC – Rotação do motor em função do tempo ...........................35 FIGURA 9 - Ciclo de teste ETC – Torque do motor em função do tempo.............................36 FIGURA 10 - Ciclo de teste ELR .........................................................................................37 FIGURA 11 - Pontos de congelamento para diferentes soluções de uréia .............................42 FIGURA 12 - Esquema básico de funcionamento do SCR com injeção de uréia...................43 FIGURA 13 - Conversão de NOx e escorregamento de amônia para diferentes relações NH3/NOx .............................................................................................................................44 FIGURA 14 - Catalisador em corte ......................................................................................45 FIGURA 15 - Exemplo de banho de Al2O3 e Pt no substrato ...............................................46 FIGURA 16 - Faixas de temperatura de operação.................................................................48 FIGURA 17 - Conversão de NOx por temperatura para diferentes catalisadores SCR........... 48 FIGURA 18 - Benefícios proporcionados pelo DOC-slip em termos de conversão de NOx e slip de amônia ......................................................................................................................51 FIGURA 19 - Esquema representativo do envenenamento do DOC-Slip por enxofre, carbono e hidrocarbonetos .................................................................................................................52 FIGURA 20 - Esquema representativo de um motor com válvula EGR ................................ 54 FIGURA 21 - Perfil de armazenamento e liberação do NOx em um adsorvedor de NOx .....55 FIGURA 22 - Mecanismo de adsorção e redução de NOx ....................................................56 FIGURA 23 - Redução do teor do enxofre em função da legislação de emissões (Europa e EUA) ...................................................................................................................................66 FIGURA 24 - Configuração do sistema de pós-tratamento ...................................................73 FIGURA 25 - Mapeamento de temperaturas em dinamômetro..............................................76 FIGURA 26 - Possíveis layouts (injetor e catalisador) ..........................................................76 FIGURA 27 - Posicionamento final do injetor e catalisador..................................................77 FIGURA 28 a, b - Instalação do sistema de pós-tratamento no veículo de teste (tanque de uréia, módulo eletrônico, bomba, injetor e catalisadores)......................................................78 X LISTA DE GRÁFICOS GRÁFICO I - Limites de NOx e MP para diferentes legislações de emissões .........................3 GRÁFICO II - Mapeamento de temperaturas (injetor e catalisador)...................................... 77 GRÁFICO III - Eficiência de conversão NOx por posição....................................................77 GRÁFICO IV - Temperaturas após o catalisador em rota de durabilidade veicular ...............79 GRÁFICO V a - g- Emissões de poluentes em função do nível de enxofre contido no óleo diesel....................................................................................................................................85 GRÁFICO VI - Eficiência de conversão do sistema de pós-tratamento em função da quilometragem do veículo (avaliação em dinamômetro com S2000).....................................88 GRÁFICO VII - Eficiência de conversão do sistema de pós-tratamento em função da quilometragem do veículo (avaliação em dinamômetro com S350)....................................... 88 GRÁFICO VIII - Eficiência de conversão do sistema de pós-tratamento em função da quilometragem do veículo (avaliação em dinamômetro com S50) ........................................ 88 XI LISTA DE TABELAS TABELA I - Parâmetros avaliados em dinamômetro e meios de medição...............................7 TABELA II - Propriedades físicas dos gases formadores do NOx ........................................ 15 TABELA III - Composição de hidrocarbonetos no gás de escape de um motor de ignição por faísca....................................................................................................................................17 TABELA IV - Propriedades físicas do monóxido de carbono ...............................................19 TABELA V - Propriedades físicas do dióxido de enxofre.....................................................21 TABELA VI - Propriedades físicas do óxido nitroso ............................................................26 TABELA VII - Propriedades físicas do hidrogênio............................................................... 27 TABELA VIII - Legislação de emissões no Brasil para ônibus e caminhões movidos a óleo diesel....................................................................................................................................29 TABELA IX - Legislação de emissões no Brasil para ônibus e caminhões pesados movidos a óleo diesel ............................................................................................................................30 TABELA X - Legislação de emissões na Europa para ônibus e caminhões pesados movidos a óleo diesel ............................................................................................................................30 TABELA XI - Legislação de emissões na Europa para ônibus e caminhões pesados – ciclo ETC .....................................................................................................................................31 TABELA XII - Ciclo ESC de teste de emissões ...................................................................33 TABELA XIII - Conversão de NOx em um motor diesel pesado com vários sistemas SCR (motor 10 litros) – Ciclo de emissões ESC ........................................................................... 43 TABELA XIV - Redução do teor de enxofre - Highway Diesel Fuel ....................................67 TABELA XV - Características do motor e veículo ............................................................... 73 TABELA XVI - Características do analisador de CO AIA-721 ............................................ 80 TABELA XVII - Características do analisador MPA-720.....................................................81 TABELA XVIII - Características do analisador de NO/NOX CLA-720A.............................82 TABELA XIX - Características do analisador de HC FIA-720 ............................................. 83 TABELA XX - Parâmetros avaliados em dinamômetro e meios de medição ........................83 TABELA XXI - Resultado de emissões com diferentes níveis de enxofre no óleo diesel ...... 84 TABELA XXII - Eficiência de conversão dos catalisadores em conjunto e separados .......... 86 TABELA XXIII - Eficiência de conversão dos catalisadores em conjunto e separados após teste de durabilidade............................................................................................................. 89 XII LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS GDP Gross Domestic Product SCR Selective Catalytic Reduction DOC Diesel Oxidation Catalyst VOC Volatile Organic Components MP Material Particulado ANP Agência Nacional de Petróleo e Bio-Combustíveis P6 PROCONVE 6 PROCONVE Programa de Controle de Poluição do Ar por Veículos CNTP Condições Normais de Temperatura e Pressão MPD Material Particulado do diesel MPT Material Particulado Total THC Hidrocarbonetos totais NMHC Hidrocarbonetos não metanos PAH Hidrocarboneto aromático policíclico SOF Fração orgânica solúvel PPM Partes Por Milhão SOL Fração Sólida SO4 Particulados de Sulfato EPA Enviromental Protection Agency EGR Exhaust Gas Recirculation IBAMA Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis ESC European Stationary Cycle ETC European Transient Cycle ELR European Load Response FTP Federal Test Procedure XIII CAA Clean Air Act SI Spark Ignition VE Velocidade Espacial NAC NOx Adorber Catalyst DPF Diesel Particulate Filter LNT Lean NOx Trap CONAMA Conselho Nacional do Meio Ambiente ECU Electronic Control Unit ASC Ammonia Slip Catalyst GDI Gasoline Direct Injection NSR NOx Storage Reduction CRT Continuous Regeneration Trap ASTM American Society for the Testing of Materials WWFC World Wide Fuel Charter MECA Manufaturers of Emissions Controls Association ULSD Ultra Low Sulfur Diesel LSD Low Sulfur Diesel PWM Pulse Width Modulation AIA Analisador de Infra-vermelho Não Dispersivo MPA Analisador Magneto-Pneumático CLA Analisador com Foto-diodo FIA Analisador com Chama de Ionização XIV LISTA DE SÍMBOLOS Símbolo Variável NOx Óxidos de Nitrogênio HC Hidrocarbonetos SO Óxido de Enxofre SO2 Dióxido de Enxofre SO3 Trióxido de Enxofre CO2 Dióxido de Carbono H2 O Água O Oxigênio NO2 Dióxido de Nitrogênio ג Relação ar-combustível K Temperatura em Kelvin S Enxofre Ca Cálcio Zn Zinco Mg Magnésio Fe Ferro Cu Cobre Cr Cromo Al Alumínio CaSO4 Sulfato de Cálcio H2SO4 Ácido Sulfúrico N2 O H2 AL2O3 Óxido Nitroso Hidrogênio Alumina XV Pt Platina Pd Paládio Rh Ródio NH3 Amônia V2O5/TiO2 Banho de base vanádio/titânio WO3 Trióxido de Tungstênio BaO Óxido de Bário Cu/ZSM5 Banho de base cobre e zeólitos Pt/Al2O3 Banho de base platina e alumina α Fator alfa (relação NH3/NOx) 1 CAPÍTULO 1 – Introdução A poluição do ar é um produto da maneira como são estruturadas nossas cidades, produzidos e transportados nossos bens, como nos transportamos e como geramos a energia para aquecer e iluminar os lugares onde vivemos, trabalhamos ou nos divertimos. A maior causa de poluição do ar é a combustão, que é essencial para as nossas vidas. Considerando a ocorrência de uma combustão completa, o hidrogênio e o carbono contidos no combustível combinam com o oxigênio presente no ar para produzir calor, luz, dióxido de carbono e água. Entretanto, impurezas no combustível, relações combustível-ar distantes da estequiométrica, ou temperaturas de combustão muito altas ou muito baixas podem causar a formação de produtos como monóxido de carbono, óxidos de enxofre e de nitrogênio, materiais particulados e hidrocarbonetos (não queimados ou produzidos por decomposição de hidrocarbonetos maiores), todos estes poluidores do ar. Como existem quantidades finitas de recursos como o ar, a terra e a água e a população está aumentando cada vez mais, a disponibilidade per capita desses recursos diminui cada vez mais. Do início dos tempos até 1900, a população mundial alcançou 3,9 bilhões, cresceu para 5,6 bilhões em 1993 e atingiu a marca de 6,6 bilhões em 2007. Adicionalmente, o avanço tecnológico no campo da agricultura reduziu significativamente o número de empregos nas áreas rurais. Nos países desenvolvidos, dois terços da população vivem em áreas urbanas. O crescimento de áreas suburbanas e a construção de rodovias tornaram possíveis que mais pessoas viajassem maiores distâncias e chegasse mais rápido nas cidades. O crescimento da população combinado com um aumento no padrão de vida levou a uma intensificação da concentração de poluentes no ar em áreas bem definidas. Para países desenvolvidos ou em desenvolvimento, existe uma correlação bem estabelecida entre o produto doméstico bruto per capita (GDP) e a quantidade de energia consumida (direta ou indiretamente) por aquele cidadão. Historicamente, este aumento no consumo de energia também provocou um aumento na emissão de poluentes no ar. O aumento dos níveis de ozônio troposférico (O3) nas regiões metropolitanas tem sido objeto de preocupação por parte das instituições ambientais em todo o mundo há vários anos, tanto pelas concentrações encontradas, quanto pela dificuldade no controle de seus precursores. Segundo relatório publicado pela CETESB (2000, p.8): 2 “[...] Na região metropolitana de São Paulo (RMSP), o ozônio ultrapassa frequentemente o padrão de qualidade do ar de 160µg/m3 (82 ppb), estabelecido pela lei 8468, de 1976, e por diversas vezes supera o valor de 200µg/m3 (102 ppb), o que determina a má qualidade do ar. O ozônio na RMSP destaca-se, atualmente, como o poluente com maior número de ultrapassagens do padrão [...]”. Resolver o problema do ozônio requer reduções significativas nos componentes orgânicos voláteis (VOC’s) e nos óxidos de nitrogênio (NOx) (WALSH et al, 2005, p.1). Além do ozônio, outro componente que preocupa as instituições e ameaça a saúde pública nas grandes metrópoles e em especial em São Paulo é o material particulado (MP). Para se obter ar mais limpo é necessário um controle direto das emissões de material particulado e os precursores do ozônio e do material particulado secundário. Segundo WALSH et al (2005, p.1): “[...] Objetivando-se o atendimento do padrão da qualidade do ar em São Paulo, a quantidade de enxofre no combustível precisa ser reduzida, para que novos padrões de veículos mais limpos possam ser lançados e programas de retrofit possam ser estabelecidos para os veículos em uso[...]Alto índice de enxofre no combustível faz com que seja virtualmente impossível a utilização de tecnologias avançadas para controlar o material particulado e os precursores do ozônio[...] ”. A habilidade para manter um ambiente sustentável no futuro depende, claramente, do sucesso dos esforços mundiais para reduzir o consumo de energia, para encontrar novos métodos para reduzir, tratar ou transformar os poluentes antes que eles se acumulem na atmosfera e da utilização de fontes alternativas de energia. Atualmente o Brasil encontra-se em uma fase de definições quanto às especificações, tanto do combustível, quanto da tecnologia a ser empregada nos veículos movidos a óleo diesel para atendimento da legislação de emissões Proconve6 (P6), equivalente à norma européia EURO IV. De acordo com a legislação ambiental brasileira, todos os veículos movidos a óleo diesel, produzidos a partir de Janeiro de 2009, deveriam atender ao Proconve6. Porém, devido a um atraso na definição da especificação do combustível por parte da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Bio-combustíveis (ANP), que ocorreu oficialmente somente em Dezembro de 2007, houve problemas de disponibilização do 3 combustível por parte da Petrobras dentro do prazo estipulado e, sendo assim, as montadoras ainda não possuem a tecnologia totalmente definida, uma vez que tal definição dependia da especificação do combustível, principalmente em relação ao máximo teor de enxofre permitido e de sua disponibilização no território nacional. A especificação do teor de enxofre é fundamental para a definição do sistema de póstratamento a ser utilizado, uma vez que muitos destes sistemas são extremamente sensíveis, em termos de contaminação e impacto negativo na emissão dos poluentes, à presença de tal componente no óleo diesel (ex. catalisadores de oxidação, filtros de material particulado e sistema de recirculação dos gases de escape). A ANP definiu que o teor máximo de enxofre permitido para o P6 é de 50ppm. Vale salientar que, mesmo com a especificação da ANP, além do óleo diesel com 50 ppm de teor de enxofre para atendimento ao P6, ainda estará disponível nas bombas de combustível ao redor do país óleo diesel com 500ppm e com 1800ppm (em algumas regiões), ficando a cargo dos motoristas a escolha do combustível a ser utilizado no abastecimento. Isto principalmente porque a Petrobras, em um primeiro momento, não terá capacidade de produzir toda a demanda nacional de óleo diesel atendendo a especificação de 50ppm. Com relação à legislação de emissões de poluentes para motores diesel, para atendimento do P6, uma maior atenção deverá ser dada à emissão de Óxido de Nitrogênio (NOx) e Material Particulado (MP). O gráfico abaixo mostra como estes 2 parâmetros vêm sendo cada vez mais reduzidos a cada nova legislação de emissões ao redor do mundo. GRÁFICO I - Limites de NOx e MP para diferentes legislações de emissões Fonte: Apresentação Rishi – Seminário propulsão veicular e a nova matriz energética-10/2007 Vale salientar que o motor de ignição por compressão também emite monóxido de carbono (CO), hidrocarbonetos (HC), entre outros, porém em menor proporção quando 4 comparados ao NOx e ao MP. A legislação também prevê valores máximos para os primeiros poluentes. Para a redução do NOx e atendimento do P6, a maioria das montadoras no Brasil está adotando o uso do catalisador de redução seletiva (Selective Catalytic Reduction) ou SCR. Resumidamente, o SCR opera utilizando a injeção modulada de uma solução de água com uréia no escapamento que, ao reagir com os gases de escape em temperaturas superiores a 200oC, transforma-se em amônia. Essa amônia, ao passar por um catalisador, converte o NOx presente nos gases de escape em nitrogênio e água. Este sistema, conforme os fabricantes e estudos já divulgados, é pouco sensível aos efeitos do enxofre no óleo diesel (em termos de durabilidade, contaminação e emissões). Porém, dependendo da quantidade de solução injetada e da eficiência do mesmo na conversão de NOx (entrada do catalisador) em nitrogênio e água (saída do escapamento), poderá haver emissão de amônia à atmosfera, o que é prejudicial à saúde da população e também não permitida por lei. Para evitar a emissão de amônia na atmosfera, existe a possibilidade do uso de um catalisador de oxidação conhecido como DOC-slip. O fator negativo em relação ao uso deste componente é que, conforme os fabricantes, o mesmo tem seu desempenho reduzido quando o motor consome óleo diesel com teor de enxofre acima de 350ppm. Com base neste cenário, a proposta deste trabalho foi avaliar a durabilidade destes dois componentes (SCR + DOC-slip) quando expostos ao ambiente de 2000ppm de enxofre, bem como verificar a eventual degradação de emissões do veículo por meio de medições em dinamômetro de bancada com 0km, 10000km, 20000km e 30000km. Este trabalho, fundamentado na literatura existente e lastreado por um estudo de caso, buscou apresentar os conceitos das possíveis tecnologias de pós-tratamento dos gases de escape, com foco na aplicação de um sistema SCR e DOC-slip, além de conceitos relacionados ao motor de ignição por compressão, ao combustível, ao resultado da combustão em termos de emissão de poluentes, a legislação de emissões e testes de homologação de emissões em regimes permanente e transiente de operação. Acredita-se que este projeto possa oferecer uma contribuição no que tange ao efeito do alto teor de enxofre presente no óleo diesel nos sistemas de pós-tratamento e na emissão de poluentes. 5 1.1. Objetivo Avaliar, por meio de teste de durabilidade de 30000 km em veículo, o impacto do uso do óleo diesel com 2000ppm de teor de enxofre na emissão de poluentes e nos sistemas de pós-tratamento dos gases. O veículo utilizado é um caminhão equipado com um motor MWM International da família ACTEON de 6 cilindros com 290cv de potência à 2200 rpm. O sistema de póstratamento é formado por um catalisador de redução seletiva (SCR) e um catalisador de oxidação (DOC-slip). A avaliação quanto à eventual degradação de emissões e da eficiência de conversão do SCR foi feita em dinamômetro respeitando as seguintes quilometragens do veículo: 0km, 10000km, 20000km e 30000km. 1.2. Delimitação do assunto tratado Este projeto abordará o impacto do enxofre na emissão de poluentes e nas tecnologias de pós-tratamento dos gases de escape de motores de ignição por compressão, não havendo nenhuma referência aos motores de ignição por faísca. Em função da vasta gama de tecnologias de pós-tratamento e pelo fato do teste de durabilidade estar sendo feito com um catalisador de redução seletiva e um catalisador de oxidação, maior ênfase será dada a estas duas tecnologias. 1.3. Estrutura do trabalho Após uma breve introdução sobre o impacto do enxofre no óleo diesel nas emissões de poluentes e nas tecnologias de pós-tratamento, a apresentação do objetivo do estudo e a delimitação do assunto tratado, o desenvolvimento do assunto está organizado em capítulos, conforme segue. No capítulo 2 são apresentados conceitos sobre o óleo diesel, sobre o produto da combustão em termos de poluentes, legislações de emissões e testes de homologação. No capítulo 3 são descritas as principais tecnologias de pós-tratamento dos gases de escape, com enfoque no controle das emissões de óxidos de nitrogênio em motores diesel. 6 O capítulo 4 traz um detalhamento sobre o enxofre contido no óleo diesel, seu impacto na emissão de poluentes e em tecnologias de pós-tratamento. O capítulo 5 aborda os ensaios realizados em dinamômetro e em veículo, referente às avaliações quanto ao impacto do enxofre nas emissões e em tecnologias de pós-tratamento. O capítulo 6 traz os resultados dos ensaios realizados e o capítulo 7 as conclusões, considerações finais e sugestões para trabalhos futuros, com base nos resultados obtidos. Faz parte ainda deste trabalho, um anexo com planilhas contendo os resultados dos testes realizados em dinamômetro de bancada para o óleo diesel com 2000ppm de teor de enxofre. 1.4. Método de pesquisa O método de pesquisa utilizado neste projeto foi o experimento, realizados por meio de testes de emissões em dinamômetro e durabilidade em veículo. As variáveis consideradas nas avaliações, assim como os meios de medição, encontram-se listados na tabela I. 7 TABELA I - Parâmetros avaliados em dinamômetro e meios de medição 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 Variável Pressão atmosférica Massa específica do combustível Massa do combustível Rotação do motor Carga do motor Vazão de ar na entrada do compressor do turbo Pressão de entrada de ar antes do compressor Pressão de saída de ar do compressor Pressão de entrada de ar no coletor de admissão (após aftercooler ) Pressão de entrada dos gases na carcaça da turbina (após coletor de escape) Pressão de saída dos gases de escape (após carcaça da turbina) Pressão de óleo Temperatura de entrada de ar antes do compressor Temperatura de saída de ar do compressor Temperatura de entrada de ar no coletor de admissão (após aftercooler ) Temperatura de entrada dos gases na carcaça da turbina (após coletor de escape) Temperatura de saída dos gases de escape (após carcaça da turbina) Temperatura do combustível Temperatura do óleo Temperatura da água Temperatura de bulbo seco Temperatura de bulbo úmido Torque do motor Potência do motor Consumo específico de combustível Grau de enegrecimento Temperatura antes do catalisador Temperatura depois do catalisador Temperatura da uréia Vazão de uréia injetada Fator alpha (relação NH3/NOx) Emissão específica de NOx Emissão específica de HC Emissão específica de CO Emissão específica de material particulado (PM) Unidade mbar kg/l kg rpm kgf 3 m /h mmH2O mmHg mmHg mmHg mmHg bar o C o C o C o C o C o C o C o C o C o C N.m kW g/kW.h bosch o C o C o C g/h [-] g/kW.h g/kW.h g/kW.h g/kW.h Meio de medição Transdutor de pressão Densímetro Balança Sensor de velocidade Célula de carga PLU Transdutor de pressão Transdutor de pressão Transdutor de pressão Transdutor de pressão Transdutor de pressão Transdutor de pressão Termopar tipo k Termopar tipo k Termopar tipo k Termopar tipo k Termopar tipo k Termopar tipo k Termopar tipo k Termopar tipo k Termômetro Termômetro Célula de carga x braço Cálculo Balança + Fórmula Medidor de fumaça Termopar tipo k Termopar tipo k Termopar tipo k Software INCA Cálculo Bancada de emissões Bancada de emissões Bancada de emissões Smart sample Onde Dinamômetro MWM International 8 CAPÍTULO 2 – O motor de ignição por compressão movido a óleo diesel 2.1. O óleo diesel e suas principais características O óleo diesel é uma mistura de hidrocarbonetos que possui ponto de ebulição entre o querosene e os óleos lubrificantes, ou seja, entre 180 e 360 °C. Assim como a gasolina, uma boa parte do óleo diesel produzido nas refinarias provém da quebra de moléculas maiores do petróleo (craqueamento). Os requisitos principais do óleo diesel para os motores de ignição por compressão, são: • Qualidade da Ignição – Indicado pelo número de cetano, exprime a capacidade do combustível de iniciar sua combustão rapidamente dentro de um ambiente com ar aquecido a alta temperatura. Quanto maior o número de cetano do combustível, maior é o período de atraso de ignição (ignition delay) para mesmas condições estabelecidas para a combustão (vazão volumétrica, avanço de injeção, temperaturas do ar de admissão e de água de arrefecimento, etc.). • Ponto de entupimento – Devido à parafina contida no óleo diesel, em ambientes mais frios, a solidificação desta pode causar entupimentos de filtros e linhas de alimentação dos motores. Normalmente, para ambientes com temperaturas abaixo de 10°C a temperatura de solidificação de parafina não deve ser superior a 2°C, já para alguns países da Europa este requisito passa para valores entre -9°C e -15°C. • Ponto de fulgor (Flash Point) - É a menor temperatura em que o óleo diesel desprende vapores suficientes para formar com o ar uma mistura que se inflama espontaneamente com a aproximação de uma chama. Valores típicos de ponto de fulgor para o óleo diesel estão acima de 55°C, por questões de segurança de manipulação. No Brasil, o limite inferior é de 38°C. • Viscosidade – Esta propriedade é de suma importância para a vida do sistema de injeção, pois, ele é lubrificado pelo próprio óleo diesel. Porém, uma viscosidade excessiva, além de demandar maior potência de bombeamento, pode dificultar a formação de spray e consequentemente 9 reduzir a potência do motor e aumentar suas emissões específicas. De uma forma geral, a viscosidade do óleo diesel varia entre 2 e 5,0 (cSt). • Massa específica - Esta característica é importante, pois está relacionada com o poder calorífico de derivados de petróleo, que são, basicamente, formados por hidrocarbonetos. Massas específicas mais altas possuem maior poder calorífico, o que reduz o consumo de combustível e aumenta a formação de NOx. Esta também relacionada com os esforços aos quais os sistemas de injeção ficam submetidos. Os valores típicos de massa específica estão entre 0,82 e 0,88 kg/l (CNTP). • Curva de destilação – Normalmente expressa em quantidade percentual de volume evaporado a certa temperatura. A curva de destilação tem influência significativa na determinação das características de operação do óleo diesel, ou seja, se uma boa parte do óleo diesel evaporar em baixas temperaturas, a partida e a dirigibilidade a frio fica facilitada. Porém, em geral, o número de cetano e também o poder de lubrificação deste óleo são reduzidos, podendo assim causar desgaste prematuro no sistema de injeção. Se, ao contrário, a curva de destilação for deslocada para valores muito altos, facilita-se a formação de fuligem e depósitos de carvão nos pistões e bicos injetores. Valores comuns para a curva de destilação estão em: máximo de 65% de evaporados até a temperatura de 250°C e mínimo de 85% de evaporados até a temperatura de 350°C. • Teor de enxofre – A presença/quantidade de enxofre no óleo diesel é função do petróleo utilizado e do tratamento utilizado pela refinaria para a retirada do enxofre. Uma vez presente, durante a combustão, boa parte do enxofre se oxida formando SO2 que por sua vez irá combinar com água para formar ácidos, entre eles o ácido sulfúrico que traz efeitos danosos para a saúde e também equipamentos. Um outro ponto negativo é que os compostos de enxofre formados aumentam a massa de material particulado produzido em uma proporção direta com a quantidade de enxofre no combustível. Devido a estes efeitos negativos da presença de enxofre no óleo diesel, os teores máximos de enxofre permitidos pelas leis governamentais são cada vez menores a cada ano que passa, principalmente nos grandes centros populacionais. Somente para efeito de ilustração, na década de 80 era permitido no Brasil até 1,3% (13000 ppm) de enxofre no óleo diesel, hoje 10 este valor está limitado a 0,05 % (500 ppm) nos grandes centros urbanos e 0,2% (2000 ppm) no restante do país. Já em alguns países da Europa e EUA a quantidade de enxofre não pode exceder 0,0015% (15 ppm). Para a próxima legislação brasileira, o teor de enxofre no óleo diesel será de 0,005% (50 ppm), caso a legislação adotada seja equivalente à EURO IV, ou 0,0015%, caso passe diretamente para EURO V em 2012. • Aditivos - Assim como a gasolina, o óleo diesel também recebe alguns aditivos que somados, normalmente não excedem a 0,1% em massa. Algumas propriedades físicas tais como massa específica, viscosidade e curva de evaporação não são afetadas pelos aditivos. Esses em geral atuam em características como: diminuição da temperatura de precipitação de parafina, aumento do número de cetano, inibição da formação de depósitos em bicos injetores, inibição da corrosão, criação de agentes que dificultam a formação de espuma, etc. Principais vantagens do uso do óleo diesel: - Tecnologia e infra-estrutura amplamente desenvolvida para obtenção, manuseio e distribuição. - Gama enorme de fabricantes e modelos de motores disponíveis em todo o mundo. - Motores com elevado rendimento térmico. - Alta densidade de energia, que permite aos veículos grandes autonomias sem aumentar demasiadamente o peso nos veículos. - Disponibilidade a nível mundial de veículos desenvolvidos dos mais variados tipos. - Facilidade de manutenção dos motores, com mão de obra treinada em todo o mundo. - Os veículos movidos a óleo diesel operaram satisfatoriamente em qualquer posição do globo terrestre. - A economia mundial emprega milhões de pessoas que estão direta ou indiretamente ligadas à obtenção, acondicionamento, distribuição, uso do óleo diesel, etc. Principais desvantagens do uso do óleo diesel: - Fonte não renovável de energia, uma vez que ela é quase totalmente obtida do petróleo. - Emissões gasosas provenientes da combustão poluidoras e nocivas à saúde. - Facilidade de deterioração quando estocados em períodos superiores a 6 meses. - Custo e peso dos motores são substancialmente maiores quando comparados aos similares movidos a gasolina. 11 2.2. O produto da combustão nos motores movidos a óleo diesel Podemos dizer que os veículos automotores agridem o meio ambiente de várias formas diferentes, tais como: * Ruídos provenientes do motor, da transmissão, dos pneus, etc; * Materiais sólidos que saem dos pneus, das correias, lonas e pastilhas de freio; * Emissões evaporativas; * E, principalmente com os gases que são expelidos pelos escapamentos. O motor movido a óleo diesel, como qualquer outro motor de combustão interna, converte a energia química contida no combustível em energia mecânica. O óleo diesel é uma mistura de hidrocarbonetos que teoricamente produz somente dióxido de carbono (CO2) e água (H2O) durante a combustão (completa). Na verdade, os gases de escape são primariamente compostos de CO2, H2O e a porção não utilizada do ar. As concentrações desses gases variam dependendo do motor e as condições de carga e rotação do mesmo, tipicamente nas seguintes faixas: * CO2 – 2 a 12% * H2O – 2 a 12% * O2 – 3 a 17% * N2 – dependente da relação combustível-ar As emissões incluem, também, poluentes que podem ser tóxicos para os seres humanos ou causar efeitos negativos ao meio ambiente. Os poluentes emitidos pelo motor movido a óleo diesel são resultados de combustões originadas em processos não ideais de queima durante a combustão real. Estes processos incluem queima incompleta do combustível, reações da mistura combustível-ar em condições de alta pressão e temperatura, combustão de óleo lubrificante e aditivo misturado ao combustível, como também a combustão de componentes “não-hidrocarbonetos” do óleo diesel, como o enxofre e vários aditivos. De uma forma genérica poderíamos então descrever a reação de combustão dentro de um motor da seguinte forma: Combustível + Ar → CO2 + H2O + N2 + O2 + CO + NOx + HC + MP + SOx + Fuligem + Aldeídos + Outros + Energia. Alguns dos componentes emitidos pelo motor diesel são regulados nos Estados Unidos, Europa e Japão e em vários outros países. As legislações de emissões incluem principalmente os seguintes componentes: 12 • Material Particulado (MP), também conhecido como MPD (material particulado do diesel) ou MPT (material particulado total), legislado pela massa de partículas emitidas. MP é uma mistura de fuligens de carbono com outros materiais sólidos e líquidos adsorvidos. • Óxidos de nitrogênio (NOx), uma mistura de óxido nítrico (NO) e dióxido de nitrogênio (NO2). • Hidrocarbonetos (HC) incluem os hidrocarbonetos totais (THC) ou somente os hidrocarbonetos “não metanos” (NMHC). • Monóxido de carbono (CO). Na União Européia, o número de partículas emitidas tornou-se regulamentado na legislação EURO V. O limite de número de partículas emitidas deve ser atendido em conjunto com o limite de massa de MP. Devido ao fato do motor diesel operar por meio da formação de uma mistura de ar e combustível que entra em da ignição por compressão, com a combustão acontecendo durante e após a injeção de combustível, a emissão de poluentes é diferente daquela observada em motores de ignição por faísca. Tal afirmação pode ser comprovada na figura abaixo que mostra uma comparação entre emissões de veículos leves movidos a óleo diesel e a gasolina. Ambos os motores foram avaliados com base no ciclo de teste europeu. FIGURA 1 - Comparação de emissão de poluentes entre um motor diesel e um motor gasolina (4 cilindros, MY1992, 1.7 litros) FONTE: dieselnet.com.br – acessado em 11/08/08. Emissões de monóxido de carbono e hidrocarbonetos nos motores diesel são significativamente menores que nos motores a gasolina. O NOx emitido pelo motor diesel é usualmente menor que nos motores a gasolina e maior quando comparados a motores que 13 utilizam catalisadores de três vias (three way catalyst). Uma outra característica nos motores diesel é o fato deste emitir uma alta massa de material particulado, que é bastante reduzida nos motores a gasolina. Redução nas emissões de material particulado e NOx em motores diesel são os maiores objetivos nas tecnologias de controles de emissões de hoje em dia. Existem ainda alguns poluentes que não são regulamentados e que podem ser encontrados junto aos gases de escape, usualmente em níveis de concentração muito mais baixos do que os regulados pela lei. Alguns deles são partes da complexa emissão do material particulado, outros são espécies totalmente separadas na fase gasosa. Uma lista de componentes não regulados emitidos pelo motor diesel pode ser encontrada abaixo: • PAH – hidrocarboneto aromático policíclico, componente orgânico pesado encontrado em sua maioria no MP, mas alguns PAH’s podem ser também encontrados na fase gasosa. • SOF (soluble organic fraction) ou fração orgânica solúvel, componente semi-volátil que constitui parte do MP. • Aldeídos (R-CHO) derivados de hidrocarbonetos (o formaldeído, HCHO, é regulamentado em algumas aplicações). • Dióxido de nitrogênio, NO2, constitui uma parte das emissões de NOx (ainda mais tóxico que o NO, tipicamente não é regulamentado separadamente). • Óxido nitroso, N2O, não está incluso no NOx. • Dióxido de enxofre, SO2, proveniente da oxidação do enxofre presente no óleo diesel durante a combustão. • Óxidos metálicos, resultantes dos muitos aditivos presentes nos óleos lubrificantes do motor, incluindo componentes organo-metálicos, resultam em emissões de óxidos metálicos incluindo metais como o fósforo, zinco e cálcio. Aditivos utilizados em combustíveis utilizados como meios de controlar as emissões de poluentes podem resultar nas emissões de ferro, cobre e cério ou outros metais. • Dioxinas – a combustão em motores diesel é uma fonte potencial de emissões de dioxina. Os níveis de emissões de um motor diesel dependem de uma série de fatores. Nos motores mais recentes, significativas reduções nas emissões de poluentes foram obtidas com a finalidade de se atender as legislações cada vez mais rigorosas. Para um dado motor, as emissões dependem de suas condições de operação. A figura 2 ilustra exemplos de níveis de 14 emissões em função da relação ar-combustível. Emissões de NOx e MP são maiores em relações mais baixas de ar-combustível, já concentrações de HC, mostram tendências opostas ao incrementar-se essa relação, enquanto o CO, inicialmente reduz sua concentração e então passa a crescer à medida que a relação ar-combustível aumenta. FIGURA 2 - Efeito da relação ar-combustível nos níveis de emissões (motor sem pós-tratamento fabricado nos anos 90) FONTE: dieselnet.com.br – acessado em 11/08/08. Os níveis de emissões mostrados na figura 2 (com exceção à fuligem) estão expressos como uma concentração volumétrica nos gases de escape, em partes por milhão. Devido à variabilidade de níveis de emissões em função das condições do motor, esta não é uma maneira conveniente de representar e comparar motores ou de estabelecer padrões de emissões. Uma abordagem comum nos testes de emissões é de operar o motor em uma seqüência de rotações e cargas escolhidas para representar um ciclo de trabalho real. As emissões medidas ao longo do teste são expressas relativamente à distância percorrida (g/km) para veículos leves, ou levando-se em conta o trabalho mecânico realizado pelo motor (g/kWh) para veículos pesados. Uma redução expressiva nas emissões de poluentes foi atingida desde os anos 70. Esta redução tornou-se possível, principalmente, devido ao avanço tecnológico do motor, das tecnologias de pós-tratamento e da melhoria na qualidade do combustível. A seguir, encontram-se os detalhes dos principais produtos da combustão no motor movido a óleo diesel. 15 2.2.1. Óxido de Nitrogênio – NOx Óxidos de nitrogênio, conforme definido pela legislação de emissões incluem óxido nítrico (NO) e dióxido de nitrogênio (NO2) em sua formação. As propriedades físicas de ambos os gases são listados na tabela abaixo. TABELA II - Propriedades físicas dos gases formadores do NOx Nome Óxido nítrico Dióxido de nitrogênio Fórmula molecular NO NO2 Massa molecular (u.m.a) 30.01 46,01 Aparência Gás sem cor Densidade 1,0367 (relativa ao ar) ... Temperatura de fusão -161º C -9,3º C -151º C 21,3º C Temperatura de vaporização Gás vermelho amarronzado FONTE: dieselnet.com.br – acessado em 11/08/08 A formação do NOx é facilitada em regimes de misturas pobres (excesso de ar) nas situações de alta pressão e temperatura na câmara de combustão. De uma forma geral, quase que a totalidade de NOx se forma quando a temperatura na câmara se encontra acima de 2000 K (1727°C). Hoje em dia o NOx é o maior limitante para se obter melhor rendimento térmico do motor. Faz-se necessário, incrementos de temperatura e pressão na câmara de combustão, que, em contra partida, aumentam a formação de óxidos de nitrogênio. Concentrações de NOx no gás de escape são tipicamente entre 50 e 1000ppm. Se as concentrações são dadas em unidades de massa, o NOx é usualmente expresso como NO2. O óxido nítrico (NO) é um gás sem cor e sem cheiro. No laboratório, ele pode ser sintetizado diretamente do nitrogênio e oxigênio sob altas pressões e temperaturas, conforme equação abaixo: N2 + O2 2NO – 182,4 kJ/mole. O sinal negativo representa uma reação endotérmica. A equação acima pode também representar a reação geral da formação do NO por meio dos elementos presentes no cilindro 16 do motor, onde as temperaturas e pressões são altas. Em baixas temperaturas e pressões, o equilíbrio químico move-se para o lado esquerdo da equação. Em motores mais antigos, aproximadamente 95% do óxido de nitrogênio era composto de NO e somente 5% de NO2. A proporção de NO2 no total do NOx aumentou de maneira significante com o advento dos motores diesel turbo alimentados, passando a representar 15% ou mais da parcela de NOx. O NO pode ser facilmente oxidado pelo oxigênio transformandose em dióxido de nitrogênio em condições ambiente: 2NO + O2 2NO2 + 113,8 kJ/mole A reação acima ocorre espontaneamente (porém não instantaneamente) na mistura NO-ar depois que o gás de escape atinge a atmosfera. Pode ser também acelerada por catalisadores, como catalisadores de oxidação diesel e filtros de material particulado catalíticos. NO2 é um gás tóxico com um desagradável e irritante odor. O NO2 é extremamente reativo e possui fortes propriedades de oxidação. A redução do NO2, a qual ocorre em vários tipos de controles de emissões catalíticos podem incluir a oxidação de hidrocarbonetos, monóxido de carbono e também particulados. Os óxidos de nitrogênio são altamente ativadores dos precursores do ozônio, desempenhando um papel importante na formação do smog1. O NOx, em conjunto com o particulado, são os poluentes mais críticos emitidos pelo motor movido a óleo diesel. 2.2.2. Hidrocarbonetos - HC Hidrocarbonetos, ou mais apropriadamente emissões orgânicas, são uma conseqüência da combustão incompleta do combustível. O nível de hidrocarbonetos não queimados no gás de escape é geralmente especificado em termos de concentração total de hidrocarboneto (THC) em partes por milhão. Enquanto a emissão total de hidrocarboneto é bastante usual para indicar a ineficiência da combustão, ela não é necessariamente um indicador significante de emissões de poluentes, uma vez que o gás de escape possui uma vasta gama de hidrocarbonetos. A tabela III mostra um desmembramento por classe de hidrocarboneto em um motor de combustão por faísca, com e sem um conversor catalítico, abastecido com gasolina. 1 Smog (smoke + fog = smog): é um tipo de poluição do ar produzido quando a luz do sol age em conjunto com o gás de escape para formar substâncias prejudiciais como o ozônio (O3), aldeídos e peroxi-acetil-nitrato (PAN). 17 TABELA III - Composição de hidrocarbonetos no gás de escape de um motor de ignição por faísca Carbono, percentual nos hidrocarbonetos totais Parafinas Olefinas Naftênicos Aromáticos Sem catalisador 33 27 8 32 Com catalisador 57 15 2 26 FONTE: HEYWOOD, 1988, pg.597 Alguns destes hidrocarbonetos são praticamente fisiologicamente inertes e são virtualmente não reativos do ponto de vista de smog. Outros são altamente reativos na produção do smog. Alguns hidrocarbonetos, como o benzeno, por exemplo, são tóxicos e cancerígenos. A composição do combustível pode influenciar significativamente na composição e na magnitude das emissões orgânicas. Combustíveis contendo altas proporções de aromáticos e olefinas produzem relativamente maiores concentrações de hidrocarbonetos reativos. Entretanto, muitos dos componentes orgânicos encontrados nos gases não estão presentes no combustível, indicando a ocorrência de combustões incompletas durante o processo de combustão. Compostos oxigenados estão presentes nos gases de escape, e são conhecidos por participarem na formação do smog. Alguns destes compostos são também irritantes e exalam mau cheiro. São geralmente categorizados como carbonilas, fenóis e outros. As carbonilas representam aproximadamente 10% das emissões de HC em carros de passeio equipados com motores diesel, mas somente um pequeno percentual em veículos de combustão por faísca movidos a gasolina. Os hidrocarbonetos encontrados na fase gasosa constituem uma mistura de várias espécies de derivados do óleo diesel e do óleo lubrificante. O combustível é caracterizado por ser hidrocarbonetos de cadeias curtas de carbono enquanto o óleo lubrificante contém hidrocarbonetos de cadeias mais longas. CnHm, a fórmula química genérica para hidrocarbonetos, representa uma molécula com “n” átomos de carbono e “m” átomos de hidrogênio. Nas normas de emissões, os hidrocarbonetos são regulamentados como hidrocarbonetos totais (THC) e também como hidrocarbonetos não metano (NMHC), a última categoria exclui o hidrocarboneto metano (CH4) devido sua baixa reatividade atmosférica. A concentração de metano dos gases de escape em motores diesel também é considerada muito baixa. Algumas normas de emissões são expressas em NMHC para garantir compatibilidade 18 com outras e também pelo fato do metano não ser considerado um precursor do ozônio, apesar de ser um importante gás de efeito estufa. Os hidrocarbonetos presentes no gás de escape são divididos entre as fases gasosas e a particulada (líquida ou adsorvida). Não existe uma distinção clara entre hidrocarbonetos voláteis e não voláteis. Como uma referência, componentes com pressão de vapor acima de 0,1mmHg em condições padrões (20º C, 760mmHg) podem ser considerados voláteis. Com relação a aplicações diesel, os hidrocarbonetos voláteis contêm espécies alifáticas e aromáticas com aproximadamente 24 átomos de carbono em sua molécula. As legislações de emissões referem-se aos gases voláteis ao determinar os limites de HC. A fase relacionada ao particulado é descrita como SOF (soluble organic fraction) e será tratada posteriormente no tópico referente ao material particulado. Os hidrocarbonetos devem ser oxidados pelo oxigênio para produzir dióxido de carbono e água, conforme equação abaixo. Esta é uma das reações fundamentais que ocorrem em catalisadores para controle de emissões. CnHm+ (n + m/4)O2 = nCO2 + (m/2)H2O 2.2.3. Monóxido de Carbono - CO O monóxido de carbono é um gás inodoro, sem cor, bastante tóxico e possui quase a mesma massa específica do ar. Em altas concentrações o CO é bastante inflamável. Quando respirado assume o lugar do oxigênio na hemoglobina; uma concentração de 0,3% em volume pode matar uma pessoa adulta em menos de trinta minutos. O CO é formado em reações incompletas de combustão e a sua concentração é mais alta nos regimes de marcha lenta e durante a fase fria de funcionamento do motor. Hoje em dia, a emissão de CO em motores a óleo diesel é relativamente baixa. As concentrações de carbono variam entre 10 a 500ppm. Em temperaturas elevadas ou por meio de um catalisador de oxidação, o monóxido de carbono pode ser oxidado pelo oxigênio, formando o dióxido de carbono, conforme descrito na equação abaixo: 2CO + O2 = 2CO2 +565,6 kJ/mole A reação produz um efeito significante de liberação de calor e no caso dos gases estiverem enriquecidos em termos de CO, poderá causar um significante aumento da 19 temperatura do gás nos catalisadores desenvolvidos para oxidar o CO. A oxidação adiabática de 1% de CO no escapamento aumenta a temperatura do gás em aproximadamente 100º C. TABELA IV - Propriedades físicas do monóxido de carbono Nome Monóxido de Carbono Fórmula molecular CO Massa molecular (u.m.a) 28,01 Aparência Gás sem cor, inodoro, sem sabor e não corrosivo 1,250 kg/m3 Massa específica (0 ºC, 1 atm) 0,968 (relativa ao ar) Temperatura de fusão -205º C Temperatura de -191,5º C vaporização Limites de inflamabilidade 12,5 – 74,2 vol.% FONTE: dieselnet.com.br – acessado em 11/08/08 2.2.4. Dióxido de enxofre – SO2 O dióxido de enxofre origina-se do enxofre contido no óleo diesel e no óleo lubrificante e é um componente cujo limites não são estabelecidos pelas legislações de emissões. O SO2 é um gás sem cor com um odor irritante. Ele pode ser oxidado e formar o trióxido de enxofre (SO3) que é o precursor do ácido sulfúrico responsável por chuva ácida. A maioria do enxofre contido no gás de escape existe na forma de SO2, apenas 2 a 5% é emitido como SO3. A concentração de dióxido de enxofre no gás de escape é diretamente proporcional ao teor de enxofre presente no óleo diesel. A concentração de SO2 pode ser calculada pelo consumo de combustível e seu teor de enxofre com uma ótima acuracidade. Este cálculo, baseado em uma relação ar-combustível de 20, valor típico para motores diesel operando em condições de plena carga, pode ser observado na figura a seguir. Como evidenciado na figura, óleo diesel contendo 500ppm de teor de enxofre, acarretará na emissão de aproximadamente 20ppm de SO2 no escapamento. 20 FIGURA 3 - SO2 presente no gás de escape em função do nível de teor de enxofre do óleo diesel FONTE: dieselnet.com.br – acessado em 11/08/08. À medida que o teor de enxofre no combustível vem sendo cada vez mais reduzido, o óleo lubrificante deve tornar-se uma importante fonte de SO2 no gás de escape. Óleos lubrificantes tipicamente possuem 4000 a 10000ppm de enxofre, basicamente como parte do pacote de aditivos. Aditivos anti-desgaste tipicamente contém zinco, enxofre e fósforo. Dois casos relacionados à contribuição do enxofre presente no óleo lubrificante na emissão de SO2 são mostrados na figura 3. A reta paralela e mais próxima do eixo das abscissas corresponde ao óleo lubrificante consumido em uma taxa de 0,1% em relação ao consumo de combustível e contendo 4000ppm de enxofre. O SO2 produzido pode ser comparado ao de 5ppm de enxofre no combustível. A reta paralela acima da anterior representa o pior cenário com um óleo lubrificante de 10000ppm, consumido a uma taxa de 0,2% em relação ao consumo de combustível. Neste caso, o enxofre derivado do óleo lubrificante é maior que o produzido pelo óleo diesel de aproximadamente 15ppm de teor de enxofre. A concentração de sulfatos no particulado também depende do teor de enxofre no combustível. Quando um óleo diesel de alto teor de enxofre é utilizado (0,25% S), aproximadamente 0,050 g/HPh de sulfatos no particulado é gerado. A emissão de sulfato no particulado reduz para aproximadamente 0,01 g/HPh quando um óleo diesel de 500ppm é utilizado. Catalisadores, como os utilizados para oxidação ou como filtros de material particulado, podem converter uma porção significante de SO2 em SO3 e aumentar substancialmente as emissões de sulfato. A tabela V abaixo traz um resumo das propriedades do dióxido de enxofre. 21 TABELA V - Propriedades físicas do dióxido de enxofre Nome Dióxido de enxofre Fórmula molecular SO2 Massa molecular (u.m.a) 64,06 Aparência Gás sem cor e odor irritante Densidade 2,264 (relativa ao ar) Temperatura de fusão -75,5º C Temperatura de vaporização -10º C FONTE: dieselnet.com.br – acessado em 11/08/08 2.2.5. O Material Particulado – MP O material particulado está associado à fumaça preta tradicionalmente emitida pelos veículos equipados com motores diesel. Os particulados do óleo diesel formam um sistema complexo de aerossóis. Apesar de uma grande quantidade de estudos, a formação do material particulado no cilindro, suas propriedades físicas e químicas e seus efeitos na saúde humana ainda não são completamente entendidos. No entanto, com base no que já é conhecido, o MP é considerado um dos poluentes mais prejudiciais produzidos pelo motor diesel. O particulado no motor diesel está sujeito às legislações de emissões ao redor do mundo e, em conjunto com o NOx, tornou-se o foco nas tecnologias de controle de emissões. Ao contrário das emissões gasosas, o MP não é uma espécie química bem definida. A definição do MP é determinada por um método de amostragem, que envolve a coleta de uma amostra de gases do escapamento, diluição com o ar, e retenção em filtros específicos. A concentração de particulados emitidos é determinada pela massa de MP retida neste filtro. Tal coleta é feita seguindo procedimentos estabelecidos que garantem a padronização do método. O MP é composto de partículas elementares de carbono que se aglomeram e adsorvem outras espécies para formarem estruturas com propriedades físicas e químicas complexas. Possui distribuição bi-modal, sendo uma mistura entre modos nucléicos e de acumulação (nuclei mode e accumulation mode, respectivamente), esquematicamente mostrados na figura 4. 22 FIGURA 4 - Representação esquemática do material particulado em motores diesel FONTE: dieselnet.com.br – acessado em 11/08/08. O modo nucléico é formado por partículas bem pequenas, entre 0,007 e 0,04 µm (microns) de acordo com a maioria dos pesquisadores ou até menores, ou até menores (0,003 a 0,03 µm) conforme estudos mais recentes. Acredita-se que estas pequenas partículas consistam basicamente de hidrocarbonetos e ácido sulfúrico condensado. Estas partículas constituem a maioria do número de particulas (90%), no entanto com porcentagem baixa na massa do particulado total. As partículas do modo de acumulação são formadas a partir da aglomeração de partículas primárias de carbono e outros materiais sólidos, acompanhados pela adsorção de gases e condensação de vapores. São compostos principalmente de carbono sólido misturados com hidrocarbonetos pesados, mas podem também incluir componentes do enxofre, cinzas metálicas, metais provenientes do desgaste dos cilindros, etc. Seu diâmetro varia entre 0,04 e 1 µm. A maioria da massa de material particulado emitido é composta de partículas aglomeradas. Baseado em análises desempenhadas por meio de uma combinação de métodos físicos e químicos, o MP é tradicionalmente dividido em três frações principais e sub-categorizado conforme abaixo: - Fração sólida (SOL - solid fraction) * carbono elementar * cinzas - Fração orgânica solúvel (SOF – soluble organic fraction) * material orgânico derivado do óleo lubrificante * material orgânico derivado do combustível - Particulados de sulfato (SO4 – sulfate particulates) 23 * sulfatos * ácido sulfúrico * água De acordo com esta classificação, o material particulado total (MPT) pode ser definido como: MPT = SOL + SOF + SO4 A fração sólida do particulado é composta primariamente de elementos do carbono. Este carbono, não ligado quimicamente com outros elementos é a fuligem responsável pelas emissões de fumaça preta pelo escapamento. A porção carbonácea do MP é gerada na fase de combustão residual em motores diesel, sendo que os precursores das partículas sólidas são formados nas fases de difusão e pré-mistura da chama. Outro importante componente da fração sólida do MP é a cinza metálica (metallic ash). Nos novos motores que produzem menos particulados de carbono, a importância relativa da emissão de sólidos não-carbonáceos aumenta. Os fabricantes de filtros de material particulado levam em conta a emissão deste componente na definição do material a ser utilizado, o qual deve ser formulado para resistir à corrosão pelo mesmo. Em geral, as cinzas presentes no escapamento de um motor diesel consistem em uma mistura dos seguintes componentes: * sulfetos, fosfatos, ou óxidos de cálcio (Ca), zinco (Zn), magnésio (Mg), e outros metais que são formados na câmara de combustão por meio da queima de aditivos do óleo lubrificante. Estes componentes estão presentes no óleo lubrificante como detergentes, dispersantes, ácidos neutralizadores, anti-oxidantes, inibidores de corrosão, etc. A emissão de cinzas do óleo lubrificante pode ser modelada baseada no teor de cinza contida no mesmo (tipicamente 1,5% em óleos mais antigos e abaixo de 1% nos óleos mais novos) e na taxa de consumo de óleo (tipicamente 0,1-0,2% do consumo de óleo diesel); * impurezas de óxidos metálicos provenientes de desgastes no motor, que são carregados para dentro da câmara de combustão pelo óleo lubrificante. Aqui inclui-se óxidos de ferro (Fe), cobre (Cu), cromo (Cr) e alumínio (Al); * Óxidos de ferro provenientes da corrosão do coletor de escape e outros componentes do sistema de exaustão. Dependendo da composição dos materiais do sistema de escape, estas partículas podem incluir cromo, níquel e alumínio. A fração orgânica solúvel é formada por hidrocarbonetos adsorvidos nas partículas de carbono e/ou presentes na forma de pequenas gotas. O adjetivo “solúvel” originou-se na técnica de extração com solventes utilizada para isolar a fração orgânica do particulado. 24 Algumas vezes esta fração é também chamada de fração orgânica volátil (VOF - volatile organic fraction). A proporção de SOF no MP total pode variar de maneira significativa entre os motores. O particulado com baixo teor de SOF é chamado particulado “seco”. Já o MP com alto teor de SOF é denominado particulado “úmido”. No particulado úmido a fração orgânica corresponde a mais de 50% do particulado total. No particulado seco, o teor de SOF deve ser menor que 10%. Para um dado motor, o SOF é fortemente dependente das condições de operação do mesmo. Tipicamente, o teor de SOF é mais alto nas baixas cargas do motor, em situações onde a temperatura de escape é baixa. Esta afirmação pode ser observada na figura 5, que apresenta o total de emissões de particulados e a parcela de SOF, medidos em várias condições estabilizadas de rotação e carga em um motor 2.8l movido a óleo diesel. Todas as medições realizadas em condições de temperatura de escape abaixo de 200º C mostraram teor de SOF maior que 50% no total do particulado. Já em cargas maiores que 70% e temperaturas de escape superiores a 400º C, o teor de SOF caiu para menos de 5%. FIGURA 5 – Composição do MP em diferentes condições de operação do motor FONTE: dieselnet.com.br – acessado em 11/08/08. Esta tendência na temperatura foi também confirmada durante testes de emissões em partida a frio, que mostraram valores 25% mais altos de SOF quando comparados aos obtidos durante testes de partida a quente. A variação do SOF em função da tecnologia do motor e condições de operação pode ser extremamente importante no desenvolvimento de estratégias de controle do MP, uma vez que os sólidos comportam-se diferentemente do SOF nos catalisadores de oxidação e nos filtros de particulado. 25 Carbonilas, incluindo aldeídos e cetonas, podem também estar presentes no SOF. No entanto, de acordo com estudos experimentais, o seu teor em aplicações pesadas foi de apenas 3,3 a 3,9% do total de partículas orgânicas do material particulado. O SOF contém também a maioria dos hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (PAH polyciclic aromatic hydrocarbons”) e nitro-PAH. Estes componentes passaram a chamar a atenção devido a sua ação genética e, em alguns casos, papel cancerígeno (baseado em vários estudos divulgados nos anos 80). O PAH inclui dezenas de componentes, muitos deles possuem estruturas bastante complexas. O mesmo encontra-se presente no óleo diesel em concentrações que variam entre 1,5 e 2,5%. Parte dele (0,2 ou 1% do total de PAH presente no óleo diesel) sobrevive à combustão e pode então ser encontrado no gás de escape. Apesar de acreditar-se que a parte mais pesada dos componentes do PAH possa ser gerada por meio de pirosínteses no cilindro do motor, o combustível parece ser a fonte dominante de PAH no gás de escape. Outro fenômeno que ocorre no motor é a formação de nitro derivados de PAH devido a alta concentração de NOx. As emissões de PAH representam uma baixa fração no material particulado total (aproximadamente 0,5%). Os particulados de sulfato são compostos primariamente de acido sulfúrico hidratado. A sua formação requer uma interação entre moléculas de H2SO4 e H2O. O processo é teoricamente modelado como nucleação hetero-molecular. De acordo com esta teoria o ácido sulfúrico e o vapor de água podem ser sub-saturados e ainda produzir partículas. As partículas de sulfato são compostas de 8000 moléculas de H2O e 3000 moléculas de H2SO4. A formação das partículas depende do teor de enxofre do combustível, da conversão deste enxofre em SO3 (trióxido de enxofre), da relação ar-combustível, da temperatura e da umidade relativa dos gases. Além do ácido sulfúrico, os particulados de sulfatos podem conter também sulfatos de sais. O mais comum é o sulfato de cálcio (CaSO4), que pode ser formado em reações entre o ácido sulfúrico e componentes de cálcio provenientes de aditivos no óleo lubrificante. A contribuição do sulfato de particulado no MP total deve ser cuidadosamente analisada, pois algumas correções e procedimentos padronizados devem ser aplicados para tal estimativa (por exemplo, na conversão do SO4 para H2SO4 por meio da relação de massa molecular, é importante estabelecer umidade e temperatura padrão para pré-condicionamento do filtro para que seja possível estabelecer a relação entre ácido sulfúrico e água). Atualmente, nota-se um interesse crescente em relação ao tamanho das partículas emitidas pelos motores diesel, uma vez que pesquisas médicas têm indicado efeitos cada vez mais adversos à saúde humana na medida em que se diminui o tamanho das partículas. Nos 26 EUA, em 1997, tal preocupação resultou na introdução de uma nova legislação que controlava o número de partículas menores que 2,5 µm em adição à norma já existente que controlava partículas abaixo de 10 µm (MP10). Esta preocupação vem sendo demonstrada por outros países ao redor do mundo, que vêm também aumentando o controle sob as menores partículas do MP. Este controle requer uma maior preocupação dos fabricantes de motores e tecnologias de controle de emissões quanto ao modo nucléico apresentado no início deste tópico, o qual representa cerca de 90% do MP em termos de contagem de partículas, uma vez que uma maior atenção sempre foi destinada ao modo de acumulação que tem um peso grande em relação à massa do particulado. 2.2.6. Óxido Nitroso – N2O O óxido nitroso é bastante conhecido como o “gás da risada”. É um gás incolor com um cheiro doce e produz uma ação narcótica nos seres humanos. O óxido nitroso não é regulamentado pelas legislações de emissões. Apesar de quimicamente o mesmo ser um óxido de nitrogênio, o N2O foi excluído do NOx. As emissões de N2O em motores diesel pesado geralmente são muito baixas, em torno de 3ppm. Como comparativo, as emissões de N2O em motores de combustão por faísca abastecidos com gasolina e equipados com catalisadores de 3 vias são em torno de 12 a 35ppm. Alguns dispositivos utilizados para o controle de emissões, com base de platina podem aumentar a emissão de N2O, sendo este um fator considerado pelos fabricantes no desenvolvimento de catalisadores. A tabela VI traz um resumo das propriedades físicas do óxido nitroso. TABELA VI - Propriedades físicas do óxido nitroso Nome Óxido nitroso Fórmula molecular N2O Massa molecular (u.m.a) 44,02 Aparência Gás incolor e cheiro doce Densidade 1,530 (relativa ao ar) Temperatura de fusão -102,3º C Temperatura de vaporização -90,7º C FONTE: dieselnet.com.br – acessado em 11/08/08 27 2.2.7. Hidrogênio – H2 O hidrogênio é um gás incolor que não têm impacto direto na saúde ou no ambiente, mas pode desempenhar um papel importante em um número de reações em catalisadores, incluindo nos utilizados em veículos com motor diesel. Normalmente, em condições de excesso de ar, o hidrogênio não está presente nos gases de escape de uma aplicação movida a óleo diesel. Já aplicações de gasolina, tipicamente contêm aproximadamente 0,3 moles de H2 por mole de CO. Em temperaturas ambientes, o hidrogênio apresenta uma baixa atividade química. Em altas temperaturas e/ou na presença de catalisadores ele reage facilmente com o oxigênio para formar água, conforme equação a seguir. Esta reação, extremamente lenta em temperaturas ambientes, atinge uma taxa notável de ocorrência depois que o gás é aquecido a temperaturas maiores que 180º C. Um aquecimento adicional da mistura para 450º C causa uma explosão. (5) 2H2 + O2 = 2H2O + 571,9 kJ/mole O hidrogênio pode ser gerado em catalisadores por meio do vapor de água e outros componentes presentes no gás. As literaturas em relação à química do H2 em aplicações movidas a óleo diesel são bastante limitadas. Este gás parece desempenhar um papel importante em alguns controles de emissões que operam periodicamente sob condições de mistura com excesso de combustível, como os adsorvedores de NOx. A tabela abaixo traz um resumo das propriedades físicas do hidrogênio. TABELA VII - Propriedades físicas do hidrogênio Nome Hidrogênio Fórmula molecular H2 Peso molecular (u.m.a) 2,016 Aparência Gás incolor e inodoro Densidade 0,06948 (relativa ao ar, 20º Temperatura de fusão Temperatura de vaporização FONTE: dieselnet.com.br – acessado em 11/08/08 C) -259,1º C -252,7º C 28 2.3. A legislação de emissões para veículos pesados movidos a óleo diesel A poluição do ar pelos automóveis tem sido motivo de estudos desde a década de 50 quando um pesquisador da Califórnia demonstrou que o smog sob o céu de Los Angeles era proveniente dos automóveis. A primeira lei restringindo emissões, ainda que por requisitos mínimos, entrou em vigor na Califórnia em 1964 e atingia os veículos de passageiros produzidos a partir do início de 1966. Em 1970 o congresso americano criou a Agência de Proteção Ambiental (E.P.A. – Environmental Protection Agency) que estabeleceu limites de emissões evaporativas e de escapamento difíceis de serem obtidas naquela época. Com o desafio, importantes sistemas redutores de poluição foram instalados nos veículos, tais como o canister em 1971 (que nada mais é do que um depósito de carvão ativado instalado nos tubos de ventilação do tanque de combustível e do carburador, ou seja, os vapores de gasolina ficam retidos por adsorsão nas moléculas do carvão ativado), a válvula de recirculação dos gases de escape (E.G.R. – exhaust gas recirculation) em 1972 (que ao desviar uma parte do gás de escapamento junto com a mistura ar/combustível, diminui a temperatura máxima na câmara de combustão, com conseqüente diminuição na formação dos óxidos de nitrogênio) e o conversor catalítico em 1975 (que na época tinha a função de minimizar a quantidade emitida de HC e CO). Um outro benefício decorrente da introdução dos catalisadores foi a necessidade do uso de gasolinas isentas de chumbo (usado para aumentar a octanagem), pois a presença deste metal na gasolina provoca a “dopagem” dos elementos catalisadores, tornando o conversor catalítico uma peça inútil em um curto período de uso. No Brasil, os primeiros veículos fabricados com conversor catalítico surgiram em 1990. Para os veículos com motor diesel, no Brasil, os padrões de emissões são definidos pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (IBAMA). Os valores numéricos de limite de emissões e os ciclos de testes para certificação são baseados nas legislações européias. Tais conjuntos de normas estabelecidas pelo IBAMA, com base nos padrões europeus, integraram o programa de controle de emissões veiculares (PROCONVE). O primeiro conjunto de legislações foi adotado no Brasil em 1993 e foi baseado nos padrões EURO 0 a EURO II. O segundo conjunto de legislação foi adotado em 2002, com 29 datas de implementação entre 2006 a 2009, sendo baseadas nos padrões EURO III e EURO IV (denominadas no Brasil como PROCONVE P-5 e PROCONVE P-6, respectivamente). O primeiro conjunto de legislações encontra-se resumido na tabela VIII, sendo os limites válidos para veículos leves e pesados movidos a óleo diesel. Todos os caminhões e ônibus, incluindo os veículos leves, eram certificados em um ciclo de teste em dinamômetro (ECE R-49). TABELA VIII - Legislação de emissões no Brasil para ônibus e caminhões movidos a óleo diesel FONTE: dieselnet.com.br – acessado em 09/11/08 Somados aos limites da tabela VIII acima, os veículos tinham que cumprir com os seguintes limites de opacidade em aceleração livre (efetivamente à partir de março de 94): * 0,83 m-1 para motores naturalmente aspirados * 1,19 m-1 para motores turbo-alimentados Limites de emissões mais rigorosos foram estabelecidos aos veículos pesados com motor diesel a partir de 2006 e aos veículos de passeio e comerciais leves a partir de 2007, por meio do segundo conjunto de legislações que se encontram resumidos na tabela IX a seguir, sendo os mesmos válidos para veículos pesados movidos a óleo diesel. De acordo com esta tabela, todos os caminhões e ônibus, dependendo do nível de emissões, devem ser certificados em ciclos de testes em dinamômetro passivo (ESC/ELR) e dinamômetro ativo (ETC) o qual simula condições de operação do veículo. Estes ciclos serão posteriormente detalhados neste mesmo capítulo. 30 TABELA IX - Legislação de emissões no Brasil para ônibus e caminhões pesados movidos a óleo diesel FONTE: dieselnet.com.br – acessado em 09/11/08 Vale salientar que, devido aos problemas relatados neste trabalho quanto à definição do teor de enxofre por parte da ANP e das tecnologias de controle de emissões a serem empregadas para o atendimento do PROCONVE P-6 por parte das montadoras, cogita-se fortemente que o Brasil passará diretamente do PROCONVE P-5 (equivalente ao EURO III) para o PROCONVE P-7 (equivalente ao EURO V) em 2012. Neste caso, os limites de emissões passam a ser ainda mais rígidos e o teor de enxofre no óleo diesel não poderá exceder 15 ppm. A tabela X mostra os limites de emissões para o atendimento da legislação EURO V, bem como um resumo das demais legislações na Europa. TABELA X - Legislação de emissões na Europa para ônibus e caminhões pesados movidos a óleo diesel FONTE: dieselnet.com.br – acessado em 09/11/08 31 Já a tabela XI mostra os limites de emissões na Europa para homologação conforme ciclo de teste em dinamômetro transiente, que simula condições de operação do veículo. TABELA XI - Legislação de emissões na Europa para ônibus e caminhões pesados – ciclo ETC (valores de emissões em g/kWh) FONTE: dieselnet.com.br – acessado em 09/11/08 2.4. Os ciclos de testes de emissões Basicamente, existem hoje no mundo três procedimentos (o americano, o europeu e o japonês) para medições de poluentes nos automóveis de passageiros e outros três também nas mesmas origens para veículos pesados. No Brasil, para os automóveis, o procedimento é baseado no método Americano e para os veículos comerciais e caminhões o procedimento é derivado do método europeu. Os testes de emissões são realizados em laboratórios de emissões que resumidamente são compostos de: * Um ambiente climatizado para controle de temperatura e umidade relativa do ar. * Um dinamômetro de chassis que é um equipamento que possui um absorvedor de potência que é transmitida do veículo para o dinamômetro através das rodas tracionadoras do veículo. * Um dinamômetro ativo para simular as condições transientes de operação do veículo. * Um dinamômetro passivo para testes do motor em situações estabilizadas. * Um sistema para coleta e preparação dos gases de escape a serem analisados. * Um sistema interligado ao dinamômetro que faz a simulação de um trânsito urbano. * Analisadores de gases. 32 De uma forma geral a principal diferença entre os três métodos Americano / Europeu / Japonês está no procedimento de simulação do uso do veículo. Se tomarmos como exemplo o teste FTP 75 (Federal Test Procedure) requerido pela Agência de Proteção Ambiental Americana, temos a simulação de trânsito urbano dividida em três fases: 1ª Fase – Motor / veículo “frios” Após um período compreendido entre 12 e 36 horas para a estabilização de todas as temperaturas, inicia-se o funcionamento do motor e no decorrer de 505 segundos desta fase simula-se um trânsito de cidade em ruas e avenidas, com acelerações, trocas de marchas, freadas, paradas em sinaleiros, etc. 2ª Fase – Intermediária É contada dos 505 aos 1372 segundos posteriores à primeira fase, onde é simulado com mais conotação o trânsito no centro da cidade, ou seja, velocidades médias mais baixas com maior número de paradas em marcha lenta. Ao final desta fase, o veículo é desligado por 10 minutos. 3ª Fase – Motor e veículo aquecidos Iniciando após os dez minutos de motor parado, esta fase dura 505 segundos e a simulação de trânsito é idêntica à da fase fria (1ª fase). Indicativamente, em média, mais de 80% das emissões de combustível não queimado (HC) de todo o teste (contando as 3 fases) é formado durante os primeiros 120 segundos da fase fria, já as emissões de NOx tem peso maior na fase quente. Durante todo o teste o veículo percorre uma distância de 18 km, a velocidade média é de 34 km/h e a velocidade máxima de 91 km/h. Com relação à legislação Européia, que é a referência para aplicações ônibus e caminhões pesados movidos a óleo diesel no Brasil, existem os seguintes ciclos: ESC (European Stationary Cycle), ETC (European Transient Cycle) e ELR (European Load Response). Será dada a seguir, maior ênfase a estes três ciclos, por fazerem parte dos critérios de homologação de emissões para as aplicações ônibus e caminhões pesados no Brasil. 2.4.1. O ciclo ESC O ciclo de teste ESC (também conhecido como ciclo OICA/ACEA) foi introduzido no início do ano 2000, juntamente com os ciclos de testes ETC e ELR, para a certificação de 33 emissões de veículos pesados equipados com motor diesel na Europa. O ESC é um teste em regime permanente que possui 13 pontos de operação e substitui o teste R-49. O motor é testado em dinamômetro em condições de carga, rotação e tempo pré-estabelecidas, conforme ilustrado na tabela abaixo. A rotação especificada deve manter-se entre +/- 50 rpm e o torque entre +/- 2% para cada situação avaliada. As emissões são medidas durante cada modo e ao final uma média é extraída, levando-se em conta a contribuição (fator peso) de cada ponto, conforme também ilustrado na tabela XII. A emissão de material particulado é obtida por meio de um filtro que coleta a amostra ao longo dos 13 pontos de operação. Os resultados das emissões finais são expressos em g/kWh. TABELA XII - Ciclo ESC de teste de emissões FONTE: dieselnet.com.br – acessado em 09/11/08 Durante o teste de certificação, o representante da agência certificadora pode solicitar testes adicionais aleatórios dentro da área de controle, conforme ilustrado na figura 6. As emissões máximas nestes modos extras são determinadas por interpolação dos resultados das regiões vizinhas especificadas dentro dos 13 pontos. As rotações de teste (A, B e C) são definidas da seguinte maneira: 1 – A rotação máxima (nhi) a ser utilizada para os cálculos é aquela onde se atinge 70% da potência líquida máxima do motor. Trata-se da rotação mais alta em que este percentual é atingido (acima da rotação de potência). 2 – A rotação mínima (nlo) é aquela onde se atinge 50% da potência líquida máxima declarada. Trata-se da mínima rotação onde o percentual é atingido (abaixo da rotação de potência). 34 3 – As rotações A, B e C a serem utilizadas durante o teste são então calculadas conforme as seguintes fórmulas: A = nlo + 0,25 (nhi - nlo) B = nlo + 0,50 (nhi - nlo) C = nlo + 0,75 (nhi - nlo) O ciclo de teste ESC é caracterizado, na média, por altos fatores de carga e altas temperaturas dos gases de escape. FIGURA 6 - Ciclo de teste ESC FONTE: dieselnet.com.br – acessado em 09/11/08. 2.4.2. O ciclo ETC O ciclo de teste ETC (também conhecido como ciclo transiente FIGE) foi introduzido no início do ano 2000, juntamente com os ciclos de testes ESC e ELR, para a certificação de emissões de veículos pesados na Europa, movidos a óleo diesel. O ciclo ETC baseia-se em medições reais de rotas veiculares. Diferentes condições de dirigibilidade são representadas por três partes do ciclo ETC, incluindo rota urbana, rural e rodoviária. A duração de todo o ciclo é de 1800s. A duração de cada parte é de 600s. A primeira parte representa um tráfego urbano com uma velocidade máxima de 50 km/h, partidas e paradas freqüentes bem como permanência na marcha lenta. A segunda parte representa uma rota rural, com velocidade média de 72 km/h. A terceira parte representa uma situação de condução em estrada (ciclo rodoviário), com velocidade média de 88 km/h. 35 O instituto FIGE desenvolveu o ciclo em duas variantes: testes em dinamômetro de chassis e em dinamômetro do motor. A velocidade do veículo em função do tempo de duração de cada ciclo encontra-se representado na figura 7. No caso de certificação do motor, o ciclo ETC é executado em um dinamômetro ativo. As curvas de torque e de rotações do motor a serem utilizadas durante o ciclo são mostradas nas figuras 8 e 9. FIGURA 7 - Ciclo de teste ETC – Velocidade do veículo em diferentes trechos FONTE: dieselnet.com.br – acessado em 09/11/08. FIGURA 8 - Ciclo de teste ETC – Rotação do motor em função do tempo FONTE: dieselnet.com.br – acessado em 09/11/08. 36 FIGURA 9 - Ciclo de teste ETC – Torque do motor em função do tempo FONTE: dieselnet.com.br – acessado em 09/11/08. 2.4.3. O ciclo ELR O ciclo de teste ELR foi introduzido no início do ano 2000 por meio da legislação de emissões EURO III, com o objetivo de medir a opacidade nos veículos pesados movidos a óleo diesel. O teste consiste em uma seqüência de três passos de carga em cada uma das três rotações: A (ciclo 1), B (ciclo 2), C (ciclo 3), seguido por um quarto ciclo em uma rotação entre A e C e carga entre 10% e 100%, a ser escolhido pelo agente certificador. As rotações A, B e C são definidas conforme já demonstrado no ciclo ESC. A seqüência na operação do dinamômetro é mostrada na figura 10. Os valores de medição de opacidade são continuamente coletados durante o teste ELR, em uma freqüência de no mínimo 20 Hz. A amostra é então analisada para determinar o valor final por meio de cálculos. Primeiro, os valores médios de opacidade são registrados em intervalos de um segundo, utilizando-se de algoritmos especiais. Em seguida, os valores são determinados para cada passo de carga, considerando-se a maior média para cada um dos três passos de carga. Logo após, os valores médios para cada ciclo (rotação) são calculados por meio de média aritmética, utilizando-se os valores dos três ciclos de carga. A opacidade é determinada por uma média ponderada dos valores médios das rotações A (fator peso de 0,43), B (fator peso de 0,56) e C (fator peso de 0,01). 37 FIGURA 10 - Ciclo de teste ELR FONTE: dieselnet.com.br – acessado em 09/11/08. 38 CAPÍTULO 3 – Tecnologias de pós-tratamento de gases de escape 3.1. Introdução O controle de emissões por meio de catalisadores, introduzido nos anos 70, é agora utilizado em vários tipos de motores de combustão interna, assim como em um grande número de aplicações estacionárias. As tecnologias catalíticas têm suas raízes nos problemas de poluição gerados pelos veículos de passeio movidos a gasolina. As emissões nestes veículos começaram a ser controladas nos anos 70. Nos EUA, as legislações de emissões estão baseadas em quatro atos: Clean air act (CAA) de 1967, a CAA de 1970 e duas emendas adotadas em 1977 e 1990. Seguindo a adoção da CAA e as normas de emissões resultantes, catalisadores de oxidação foram comercializados nos EUA em 1975 para controlar as emissões de CO e HC dos veículos equipados com motores de ignição por faísca (SI). Catalisadores de três vias, introduzidos nos anos 80, tornaram possível controlar as emissões de NOx em motores SI, em níveis significativamente menores que os motores movidos a óleo diesel. Finalmente, nos anos 90, catalisadores de oxidação foram introduzidos na Europa em carros de passeio movidos a óleo diesel, assim como em ônibus e caminhões pesados nos EUA. A maioria dos catalisadores citados acima utiliza metais nobres (metais do grupo de platina) como componentes ativos para as reações catalíticas. Catalisadores são substâncias que têm a habilidade de acelerar as reações químicas. No controle de emissões, catalisadores sólidos são utilizados para catalisar as reações dos gases de escape. O efeito catalítico e as taxas de reação são maximizados por meio de um bom contato entre o gás e o catalisador sólido. Os catalisadores mais comuns utilizam substratos de cerâmica com vários canais paralelos muito pequenos na direção axial. Existem também substratos metálicos, porém utilizados em menores proporções. Ambos os substratos não têm por si só uma atividade catalítica. O substrato necessita de uma camada ativa nas paredes de seus canais, obtida por meio de um banho (também conhecido como coating). A função do substrato é então prover uma grande superfície geométrica para o contato do gás com a camada ativa, para que então a reação catalítica ocorra. Na maioria dos casos, o banho inclui metais nobres, sendo os mais comuns a platina o paládio e suas misturas. As substâncias mais utilizadas no coating são: oxido de alumínio 39 (Alumina, AL2O3) e óxido de silicone (sílica). Maiores detalhes sobre os substratos, banhos e metais nobres serão fornecidos ao longo deste capítulo. Algumas terminologias básicas são amplamente utilizadas por aqueles que trabalham neste ramo. Segue abaixo uma breve explicação sobre as mais utilizadas: * Eficiência de conversão: é uma medida de capacidade do catalisador em reduzir uma dada emissão. Se um determinado componente (A) presente no gás de escape reage por meio de um catalisador com outro componente (B) de acordo com a equação abaixo, A + B => produto, Então a eficiência de conversão de A, expressa em porcentagem, pode ser definida como: Eficiência de conversão = (Ci – Co) / Ci . 100%. Onde: Ci = concentração de A na entrada do catalisador, Co = concentração de A na saída do catalisador. * Temperatura de light-off: A taxa de reações químicas, incluindo as reações catalíticas, sempre aumenta com a temperatura. Uma forte dependência de eficiência de conversão com a temperatura é uma característica em todos os controles de emissões catalíticos. A conversão, próxima de zero em baixas temperaturas, começa a aumentar devagar na medida em que a temperatura começa a subir, depois aumenta mais rapidamente, até atingir um platô em altas temperaturas do gás de escape. Ao discutir as reações de combustão, o termo light-off temperature é comumente utilizado para caracterizar este comportamento. O light-off do catalisador é a temperatura mínima necessária para iniciar uma reação catalítica. Devido ao aumento gradual da taxa de reação, esta definição não é muito precisa. Uma definição mais precisa, estabelece que a temperatura de light-off é aquela onde se atinge uma conversão de 50%. Esta temperatura é frequentemente denotada como T50. Quando se compara atividades em diferentes catalisadores, o mais ativo será aquele caracterizado pela menor temperatura de light-off para uma dada reação. * Janela catalítica (catalyst window): Em alguns sistemas catalíticos, o aumento da temperatura produzirá um aumento na eficiência até certo ponto. O aumento da temperatura, apesar de aumentar as taxas de reação, causa uma queda na eficiência de conversão. A faixa de temperatura correspondente às eficiências de conversões mais altas é frequentemente chamada de janela de temperatura catalítica. * Velocidade espacial: Outra importante variável que causa influencia na eficiência de conversão é o tamanho do catalisador. A taxa de vazão de gás que passa pelo reator catalítico 40 é comumente expressa, relativamente ao tamanho do reator, como velocidade espacial (VE). A velocidade especial é definida como o volume de gás, medida em condições padronizadas, por unidade de tempo por unidade de volume do reator, como segue: VE = V / Vr. Onde: V = Taxa volumétrica de vazão de gás (m3/h), Vr = volume do catalisador (m3). A velocidade espacial é comumente expressa em h-1. Em várias aplicações com controle de emissões catalíticos a velocidade espacial varia de 10000 h-1 a 300000 h-1. A velocidade espacial é calculada baseada nas dimensões externas dos catalisadores, exemplo, diâmetro e comprimento de um substrato cerâmico. Uma vez que este método não leva em consideração a geometria do substrato, as células, a densidade e a espessura das paredes, algumas vezes, a velocidade espacial torna-se inapropriada para comparação com outros catalisadores. Entretanto, este método e muito utilizado e aceito nas indústrias. * Carga de metais nobres: Metais nobres utilizados em catalisadores automotivos incluem metais do grupo da platina como a platina (Pt), o paládio (Pd) e ródio (Rh). A quantia de metais nobres presentes no substrato do catalisador é um parâmetro muito importante, tanto para o desempenho do catalisador quanto para o seu custo. É comum expressar a carga de metais por meio da carga total da mistura em gramas de metal por centímetro cúbico do substrato do catalisador (baseado novamente em suas dimensões externas) e a relação de metais na ordem Pt:Pd:Rh. Isto é ilustrado no exemplo a seguir: 50g, 5:0:1 – denota um catalisador composto de platina e ródio na relação de massa de 5:1 em uma carga total de 50g/ft3 (1 g/ft3 é igual a 0,03531 g/litro). Algumas vezes a carga de metais nobres é especificada relativamente à cilindrada do motor ao invés do volume do substrato. Neste caso, utiliza-se a seguinte equação: md = mcat x Vr / Vd. Onde: md = carga de metal nobre relativa à cilindrada do motor (g/ft3 ou g/l), mcat = carga de metal nobre por unidade de volume do substrato (g/ft3 ou g/l), Vr = volume total do catalisador (m3), Vd = cilindrada do motor (m3). Conforme os requisitos da legislação americana, este parâmetro é utilizado para avaliar a faixa de carga de metal nobre e tamanho relativo do catalisador comparado ao tamanho do motor, com o propósito de determinar a durabilidade do catalisador (enquadrar o 41 veículo em um grupo de durabilidade). Se o veículo possuir múltiplos catalisadores, a carga de metal nobre é calculada como a massa total de todos metais nobres de todos os catalisadores dividido pelo volume total dos substratos. 3.2. Redução seletiva catalítica (SCR) Os fabricantes de motores diesel vêm reduzindo cada vez mais o nível de emissões de NOx, melhorando a eficiência da combustão e reduzindo a emissão de material particulado. Isto é obtido com a introdução de melhorias no próprio motor, como por exemplo, aumento da pressão de injeção, múltiplas injeções e uso de diferentes estratégias de controle de combustível para diferentes condições de operação do motor. Apesar destes esforços, para o atendimento das novas legislações de emissões, faz-se necessário o emprego de tecnologias de pós-tratamento dos gases de escape, que são utilizadas para tratar os poluentes emitidos pelo motor. Existem várias técnicas para reduzir o nível de NOx emitido para a atmosfera e a tecnologia a ser escolhida dependerá de questões econômicas e fatores técnicos. Em especial, existem dois meios catalíticos para reduzir o NOx, redução seletiva catalítica (SCR) e adsorção catalítica (NAC). O NAC opera por meio da adsorção e armazenamento do NOx no escapamento. Periodicamente o NOx armazenado é convertido em nitrogênio por meio da geração de um ambiente rico em combustível no meio catalítico onde o mesmo encontra-se armazenado. Esta tecnologia requer misturas ricas de combustível nos gases de escape periodicamente para regenerar a superfície. A criação destas misturas ricas periodicamente no escapamento é um grande desafio para os fabricantes de motor e esta tecnologia também é bastante sensível ao envenenamento pelo enxofre no combustível (RELDEN et al, 2002, p.4), devido à presença de metais nobres na composição do catalisador. A regeneração necessária normalmente leva a um inaceitável consumo de combustível e requer um complexo controle do motor (SCHMIEG & LEE, 2005, pg.1). Por estas razões, esta tecnologia requer cuidados especiais para a sua aplicação em caminhões pesados. Em relação à redução seletiva catalítica, a mesma requer a adição de um agente redutor aos gases de escape. Idealmente o combustível diesel seria o agente redutor preferido, porém testes intensivos não identificaram uma capacidade maior que 30% na redução do NOx, ao se utilizar este combustível como agente. Alternativamente, a amônia pode ser 42 utilizada como agente redutor. A remoção de NOx por meio da redução seletiva catalítica usando amônia é bastante conhecida e é principalmente utilizada em aplicações comerciais para fontes estacionárias de energia. O SCR é também uma proposta viável para controlar o NOx em aplicações veiculares movidas a óleo diesel, principalmente em caminhões pesados. O uso da amônia traz a necessidade de se manusear líquidos e gases tóxicos. No entanto, estes problemas podem ser evitados pelo uso de componentes que se decompõem no escapamento para a formação da amônia. Para isto, a uréia é um exemplo ideal. Em temperaturas e pressões normais, a uréia é sólida e possui uma pressão de vaporização baixa. Nestas condições não é tóxica e dissolve facilmente em água. A uréia utilizada no sistema SCR em aplicações veiculares, trata-se de uma solução com 32% de uréia e 68% de água e é comercialmente conhecida como Adblue. Nesta concentração a uréia forma uma solução eutética caracterizada pelo mais baixo ponto de cristalização (-11º C), conforme figura 11 abaixo. O uso de soluções eutéticas promove uma vantagem adicional de concentrações iguais nas fases líquidas e sólidas durante a cristalização. Mesmo se um congelamento parcial ocorrer no tanque de uréia, a cristalização não muda a concentração da solução injetada no sistema SCR. FIGURA 11 - Pontos de congelamento para diferentes soluções de uréia FONTE: dieselnet.com.br – acessado em 08/08/08 Estudos sobre o uso da tecnologia SCR em veículos movidos a óleo diesel encontramse disponíveis em literaturas técnicas e mostram conversões de NOx maiores que 80%, conforme evidenciado na tabela XIII. Conversões nesta ordem, possibilitam aos fabricantes de motores a geração de mais NOx para então melhorar a eficiência de combustão, o consumo de 43 combustível e a emissão de material particulados. Com as técnicas avançadas de controle de combustão, baixos níveis de enxofre no combustível e alguma remoção de material particulado pelo sistema SCR, é possível atingir os níveis de emissões de material particulado exigidos pela legislação EURO IV sem o uso de filtros de material particulado dedicados (DPF). A conversão de NOx é definida pela expressão abaixo: Conversão NOx [%] = [(entradaNOx – saídaNOx) / entradaNOx] x 100 TABELA XIII - Conversão de NOx em um motor diesel pesado com vários sistemas SCR (motor 10 litros) – Ciclo de emissões ESC FONTE: BLAKEMAN et al, 2003, pg.10 Quando injetada no escapamento, a uréia inicialmente se decompõe em amônia e HNCO. O HNCO reage com a água (presente nos gases de escape como um produto da combustão) para formar amônia (NH3) e CO2. A hidrólise do HNCO pode ocorrer de maneira homogênea no gás ou catalisada por uma superfície. Em alguns casos, um catalisador é adicionado ao sistema para promover a hidrólise (conversão de HNCO para NH3 e CO2). A figura a seguir mostra um esquema básico do funcionamento do SCR com injeção de uréia. FIGURA 12 - Esquema básico de funcionamento do SCR com injeção de uréia FONTE: dieselnet.com.br – acessado em 10/08/08 44 As reações químicas pertinentes à formação da amônia por meio da injeção de uréia e à reação da amônia com o NOx, são resumidas abaixo. A hidrólise da uréia é dada por: H2N-CO-NH2 + H2O => CO2 + 2 NH3. A amônia reage com o NO e o NO2 no catalisador por meio da seguinte reação química (global): 4 NO + 4 NH3 + O2 => 4 N2 + 6 H2O, 6 NO2 + 8 NH3 => 7 N2 + 12 H2O. Para que as reações químicas ocorram de maneira eficiente no SCR é necessário um controle preciso da taxa de injeção de uréia no escapamento. Uma quantidade insuficiente pode resultar em uma baixa conversão de NOx. Já uma quantidade muito alta pode resultar em emissão indesejada de amônia na atmosfera. Esta emissão de amônia do SCR é conhecida como ammonia slip, que será traduzido neste trabalho como escorregamento de amônia. O escorregamento aumenta na medida em que se aumenta a relação NH3/NOx. De acordo com as reações que ocorrem no SCR, a relação estequiométrica NH3/NOx é aproximadamente “1”. Relações maiores que “1” aumentam significativamente o escorregamento da amônia. Na prática, relações entre “0.9” e “1” são as mais utilizadas, as quais minimizam o escorregamento e ainda promovem uma conversão de NOx satisfatória. A figura 13 apresenta um exemplo das relações existentes entre NH3/NOx, conversão de NOx, temperatura e escorregamento de amônia. FIGURA 13 - Conversão de NOx e escorregamento de amônia para diferentes relações NH3/NOx SCR – V2O5/TiO2, 200 cpsi FONTE: dieselnet.com.br – acessado em 08/08/08 45 O escorregamento de amônia (NH3 não convertido) é reduzido na medida em que se aumenta a temperatura, enquanto a conversão de NOx no SCR pode aumentar ou diminuir em função da temperatura, dependendo do sistema SCR utilizado. 3.2.1 Tipos de SCR – Substrato e Washcoat Basicamente, o SCR é formado por uma carcaça metálica, uma manta expansiva, uma colméia cerâmica ou substrato e o banho no substrato (mais conhecido como washcoat), conforme mostra a figura 14. FIGURA 14 - Catalisador em corte FONTE: Mineto e Gonçalves, 2008, pg.10 O substrato cerâmico pode ser o cordierite (35% de óxido de alumínio, 50% óxido de sílica e 14% de óxido de magnésio) ou o mullite (70% de óxido de alumínio e 30% de sílica). Nas aplicações automotivas geralmente utiliza-se o substrato de cordierite. As cerâmicas apresentam como principais propriedades a alta temperatura de trabalho, baixo coeficiente de expansão térmica, área de superfície geométrica elevada, boa capacidade para receber revestimentos, resistência à oxidação e compatibilidade com óxidos inorgânicos (washcoat). Os substratos podem possuir mais ou menos células, com diferentes espessuras e a quantidade dependerá de fatores técnicos e econômicos. O banho aplicado nos substratos serve para promover a reação catalítica, determinar a faixa de temperatura de operação e a sua durabilidade térmica. A figura a seguir mostra esquematicamente, um exemplo de aplicação de banho de óxidos de alumínio e platina em um substrato. 46 FIGURA 15 - Exemplo de banho de Al2O3 e Pt no substrato FONTE: Mineto e Gonçalves, 2008, pg.12 A seguir encontram-se informações sobre as principais tecnologias de banhos (washcoat) aplicada em SCR’s. A redução seletiva catalítica de NOx com amônia foi primeiramente utilizada com catalisadores de platina em aplicações estacionárias (plantas com combustão contínua). A tecnologia Pt pode ser utilizada em baixas temperaturas (< 250º C), devido à sua baixa seletividade para redução de NOx em temperaturas mais altas. Em temperaturas entre 225-250º C, a oxidação de NH3 para NOx e H2O torna-se dominante. Como resultado, a conversão em função da temperatura atinge a máxima eficiência e a partir daí, começa a cair. Para utilizar este tipo de catalisador de maneira otimizada é necessário controlar a temperatura dos gases de forma a mantê-la acima de 225º C e abaixo de 250º C. Manter esta faixa estreita para controle de temperatura adiciona custos e complexidade para o desenvolvimento do produto. Conseqüentemente, esta tecnologia não é comumente utilizada hoje em dia. Outro tipo de banho, já mais utilizado, é o de base vanádio/titânio (V2O5/TiO2). Catalisadores com esses banhos, operam em faixas de temperaturas entre 260 e 450º C (principal vantagem em relação ao Pt). Entretanto, a conversão de NOx do catalisador base vanádio também possui um ponto de máxima eficiência seguido por um declínio onde o catalisador perde sua atividade. A conversão de NOx inicia-se com aproximadamente 225º C, atinge o pico de sua eficiência com aproximadamente 400º C e então, começa a cair, à medida em que a oxidação da amônia torna-se dominante. Novas formulações estão estendendo a faixa operação para 500º C. Se a temperatura de exposição do V2O5/TiO2 exceder certo valor, a área de superfície ativa do TiO2 irreversivelmente converte-se para óxido de titânio com uma área menor que 47 10m2/g. Normalmente, esta conversão ocorre em temperaturas entre 500-550º C, mas os catalisadores podem incluir estabilizadores para aumentar a sua durabilidade térmica. Trióxido de tungstênio (WO3) é o estabilizador mais freqüentemente utilizado nos SCR’s vanádio/titânio, aumentando a estabilidade térmica para até 700º C. Um terceiro tipo de banho é o de base zeólitos. O primeiro zeólito identificado como um SCR ativo foi o mordenite. Mordenites comuns têm uma estrutura cristalina bem definida com uma relação SiO2:Al2O3 de aproximadamente “10”. Os fabricantes desse tipo de catalisador normalmente não divulgam com exatidão a sua composição química, tornando-se difícil descrevê-la em detalhe. Catalisadores com base zeólitos, podem operar em temperaturas superiores a 600º C. Diferente dos catalisadores Pt e V2O5, sua seletividade na conversão do NOx aumenta continuamente com a temperatura. Este tipo de catalisador pode apresentar problemas de instabilidade quando expostos à altas temperaturas com a presença de água no estado de vapor. Quando exposto à temperatura superior a 600º C, somado ao alto teor de água, o zeólito tende a perder sua atividade pelo de-alumination (onde os íons de Al+3 no SiO2- Al2O3 migram para fora da estrutura). Isto leva a uma desativação permanente e, em casos extremos, colapso da estrutura cristalina. Um tipo diferente de catalisadores zeólitos de “baixa temperatura” foi desenvolvido para aplicações automotivas. Um ponto de partida para esta formulação foi o Cu-ZSM5 zeólitos, muito conhecido pelas extensivas pesquisas conduzidas nos anos 90 para o desenvolvimento do catalisador lean-NOx trap (LNT). Quando utilizado como um catalisador SCR, o Cu/ZSM5 mostrou ser ativo na redução de NOx em faixas de temperatura entre 200 a 400º C, mas sua durabilidade térmica foi insuficiente. Novas formulações foram desenvolvidas até atingir estabilidades térmicas de até 650º C. Esta formulação foi especificamente projetada para operações que continham grandes quantidades de dióxido de nitrogênio nos gases, o qual melhora significativamente a conversão de NOx e aumenta a faixa de temperatura. Na presença de NO2, este catalisador proporciona reduções de NOx superiores a 90% em faixas de temperatura entre 150-500º C. Uma comparação das faixas de temperatura de operação para cada tecnologia catalítica explicada acima é mostrada na seguir. 48 FIGURA 16 - Faixas de temperatura de operação para diferentes catalisadores SCR FONTE: dieselnet.com.br – acessado em 08/08/08 Portanto, os principais fatores para o desenvolvimento dos materiais do catalisador estão relacionados à sua faixa de temperatura e principalmente quanto à atividade do mesmo em baixas temperaturas. Uma vez que as temperaturas de escape em motores diesel variam entre aproximadamente 100–650º C (dependendo da aplicação), normalmente na faixa entre 100 e 250º C, não é possível injetar a uréia para a redução do NOx, pois neste caso, dependendo do tipo de catalisador, poderá haver a cristalização da uréia no próprio catalisador e na tubulação de escape. Vários estudos com relação ao banho aplicado nos substratos estão sendo efetuados pelos seus fabricantes, visando melhorar principalmente a eficiência de conversão do NOx em baixas temperaturas e também a durabilidade térmica da cerâmica. A figura abaixo mostra o resultado de um destes estudos. FIGURA 17 - Conversão de NOx por temperatura para diferentes banhos (WC = Washcoat = banho) FONTE: apresentação BLUMRICH – III fórum Diesel – Set 2006 49 Para a aplicação veicular do SCR deve ser levado em conta fatores como, eficiência de conversão de NOx, mínimo escorregamento de amônia para a atmosfera, peso, layout e segurança do usuário e da população. O sistema não pode emitir novos componentes prejudiciais à saúde da população, como a amônia não reagida, por exemplo. As principais preocupações com relação à aplicação desta tecnologia estão relacionadas à disponibilidade da uréia nas redes de abastecimento e a necessidade de se assegurar que os motoristas realmente abastecerão o tanque com tal agente redutor, de forma a garantir a emissão de poluentes conforme exigências da legislação. No Brasil existe um comitê, formado por representantes da indústria automobilística, fabricantes da uréia, Petrobrás e CONAMA, que possui o objetivo de determinar os meios de distribuição da uréia e as formas de garantir o abastecimento por parte do motorista (utilização de dispositivos eletrônicos e o módulo eletrônico do veículo – ECU). 3.3. Catalisador de Oxidação - DOC Catalisadores de oxidação diesel promovem a oxidação química do CO e do HC, assim como da fração orgânica solúvel (SOF) que é uma parcela do particulado. Ele também oxida o dióxido de enxofre presente no escapamento gerando sulfatos de particulado, podendo aumentar significativamente as emissões de particulado, mesmo reduzindo o SOF. Os catalisadores de oxidação mais modernos são projetados para atuarem de maneira seletiva, para então obter um bom compromisso entre a redução de HC, CO e SOF e uma baixa atividade de SO2. Quando os gases de escape passam por um catalisador de oxidação, determinados componentes são oxidados pelo oxigênio presente em ampla quantidade no gás de escape. Outros benefícios do DOC incluem a oxidação de derivados de HC não legislados, como os aldeídos e os PAH’s, bem como a eliminação ou redução do odor dos gases de escape de um motor diesel. A redução de emissões ocorre por meio de uma oxidação química dos poluentes na região ativa do catalisador. Os processos podem ser descritos de acordo com as seguintes equações: Hidrocarbonetos + O2 = CO2 + H2O, CO + ½ O2 = CO2. 50 Os hidrocarbonetos são oxidados para formar dióxido de carbono e vapor de água. Na realidade, a primeira reação representa dois processos: a oxidação do HC na fase gasosa e a oxidação de componentes da fração orgânica solúvel. A segunda reação descreve a oxidação do monóxido de carbono em dióxido de carbono. Uma vez que o dióxido de carbono e o vapor de água não são prejudiciais à saúde humana ou ao meio ambiente, conclui-se que as reações acima trazem benefícios óbvios nas emissões. No entanto, algumas das reações de oxidação podem produzir produtos indesejáveis nas emissões. A oxidação do dióxido de enxofre em trióxido de enxofre com a subseqüente formação de ácido sulfúrico são exemplos de reações indesejadas, conforme descritas abaixo: 2SO2 + O2 = 2SO3 SO3 + H2O = H2SO4 Quando os gases de escape são lançados para a atmosfera e se misturam com o ar, sua temperatura diminui. Nestas condições o H2SO4 combina-se com as moléculas de água e formula núcleo de partículas líquidas compostas de acido sulfúrico hidratado. Este material, denominado particulado de sulfato, contribui no material particulado total emitido pelo motor. A formação catalítica de sulfatos, especialmente quando combinada com óleo diesel de alto teor de enxofre, pode aumentar significativamente as emissões de PM, podendo tornar a aplicação do catalisador proibitiva. O mecanismo da reação em um catalisador de oxidação diesel é explicado pela presença de meios catalíticos ativos que estão depositados na superfície do catalisador e tem a habilidade de adsorver o oxigênio. A reação catalítica possui três estágios: (1) o oxigênio é ligado ao meio catalítico, (2) os reagentes, como o CO e o HC, atingem a superfície catalítica e reagem com o oxigênio, (3) os produtos da reação, como o CO2 e o vapor de água, deixam o meio catalítico e são liberados do catalisador para a tubulação de escape. A eficiência de conversão por faixa de temperatura é função das condições de transferência de massa no catalisador. Conseqüentemente pode ser reduzida ou aumentada alterando-se fatores do coeficiente de transferência de massa ou a massa de transferência da área de superfície. Por exemplo, as conversões de HC e CO aumentarão ao utilizar-se um catalisador maior ou ao aumentar-se a densidade da célula do substrato. Já a temperatura de light-off, dependerá principalmente da cinética da reação química no catalisador. É influenciada primariamente pelos metais nobres utilizados no banho. Os catalisadores de oxidação diesel para aplicações em montadoras costumam ser grandes, com velocidades espaciais que variam entre 50000 a 200000 h-1. Tipicamente, o volume do catalisador corresponde aproximadamente à cilindrada do motor com velocidades 51 espaciais abaixo de 150000 h-1. A densidade das células vem sendo cada vez mais aumentada, visando à melhora da eficiência de conversão do HC e do CO. Na maioria dos casos, são utilizados substratos de cerâmica (cordierite). A carga de metal nobre utilizada no banho é de aproximadamente 120 g/dm3 (2 g/in3) e sua espessura é tipicamente de 40-80 µm (na região mais espessa). Os metais nobres mais utilizados são a platina e o paládio. 3.4. DOC Slip Como já mencionado neste capitulo, a fim de evitar a emissão de amônia não reagida no SCR na atmosfera, existe a possibilidade do uso de um catalisador de oxidação de NH3 com pequenas quantidades de metais nobres em seu banho. A amônia é prontamente detectada na atmosfera em concentrações superiores a 20ppm. Em 2006, a comissão européia especificou que a passagem de amônia média em veículos que utilizam a tecnologia SCR não poderia ser superior a 25ppm nos ciclos de teste de homologação (HÜNNEKES et al, 2006, p.1). O DOC slip permite a dosagem de uma quantidade maior de uréia, sem que ocorra a passagem de amônia para o meio ambiente, permitindo níveis maiores de conversão de NOx, principalmente em temperaturas mais baixas. A figura 18 mostra o benefício em termos de conversão de NOx proporcionado a partir do uso do DOC slip (ASC = ammonia slip catalyst). FIGURA 18 - Benefícios proporcionados pelo DOC-slip em termos de conversão de NOx e slip de amônia (ASC = ammonia slip catalyst e α= relação NH3/NOx) FONTE: apresentação BLUMRICH – III fórum Diesel – Set 2006 A reação química que ocorre no catalisador de oxidação é: 4NH3 + 3O2 => 2N2 + 6H2O 52 Por se tratar de um catalisador de oxidação, o DOC slip têm também um efeito secundário de redução de emissões de monóxido de carbono e de hidrocarbonetos. Por conter metais nobres este tipo de tecnologia fica sensível ao envenenamento por enxofre, carbono e hidrocarbonetos, que se depositam no metal nobre e nos poros, reduzem o acesso à área superficial e comprometem a reação catalítica. Em alguns casos esse envenenamento é totalmente ou parcialmente reversível, ou seja, em altas temperaturas dos gases ocorre a “limpeza” dos poros e dos metais nobres. Porém, existe a possibilidade do envenenamento tornar-se irreversível e acumulativo, comprometendo a emissão de poluentes. FIGURA 19 - Esquema representativo do envenenamento do DOC-Slip por enxofre, carbono e hidrocarbonetos FONTE: apresentação BLUMRICH – III fórum Diesel – Set 2006 Os benefícios de desempenho obtidos por este sistema devem ser avaliados e pesados contra o aspecto de custo adicional (principalmente pelo fato deste catalisador possuir metais nobres) e a susceptibilidade ao envenenamento por enxofre, carbono e hidrocarbonetos. Vale salientar que já existe no mercado uma tecnologia que resiste ao envenenamento pelo enxofre, fuligem e hidrocarbonetos, por meio da aplicação de um novo óxido de suporte com efeito anti-aderente, que evita o fechamento dos poros e mantém os metais nobres acessíveis para as reações catalíticas. Desta maneira, o metal nobre é utilizado com maior eficiência, criando um potencial para a redução deste componente na formulação. 3.5. Outras tecnologias de pós-tratamento do gás de escape para o controle do NOx Neste tópico serão abordadas, resumidamente, algumas tecnologias para o controle de emissões de NOx (válvula de recirculação dos gases de escape, adsorvedores de NOx, leanNOx). 53 3.5.1. Recirculação dos gases de escape - EGR A recirculação dos gases de escape (EGR) é uma tecnologia de controle de emissões que permite significantes reduções no NOx emitido por veículos leves e pesados, movidos a óleo diesel. A EGR não é uma tecnologia nova, ela está em uso desde 1970, quando foi aplicada primeiramente em veículos à gasolina. Em seguida, foi aplicada em veículos de passeio movidos a óleo diesel e, no inicio do ano 2000, em motores pesados. O benefício de redução do NOx proporcionado pela EGR traz como efeito negativo, o aumento nas emissões de MP, HC e CO, aumento do consumo de combustível e potencial de desgaste em componentes do motor. A recirculação dos gases é um método ao qual uma porção do gás de escape é retornada para a câmara de combustão por meio de uma válvula entre o sistema de escape e o sistema de admissão. Em geral, o fator mais importante que contribui para a redução do NOx em uma aplicação com EGR é a redução do pico da temperatura máxima de combustão. Tal redução pode ser explicada por quatro efeitos, o de diluição, o térmico, o químico e o de adição de massa. O efeito de diluição proporciona a redução da temperatura da chama e das emissões de NOx, somente por meio da redução da massa de oxigênio no ar que entra na câmara de combustão. Este efeito é o mais significativo na redução das emissões de NOx. O efeito térmico se dá pelo aumento do calor específico médio dos gases disponíveis na zona de combustão. O efeito de adição de massa se dá pela massa resultante de diluente na entrada de ar. Estes dois efeitos podem ser descritos por seu efeito em aumentar a absorção de calor dos gases não-reativos na câmara de combustão. Este aumento (delta Q) é proporcional ao produto da massa adicionada no cilindro (delta m0), o calor específico médio em pressão constante (Cp), e a diferença entre a temperatura de combustão e a da EGR (delta T). Pode ser expressa pela seguinte equação: Delta Q = Delta m0 . Cp . (T combustão – T EGR) O efeito químico produz uma redução na temperatura de combustão devido às reações químicas com participação dos gases introduzidos pela EGR. Por exemplo, calor é consumido durante reações endotérmicas como as dissociações do CO2 e do H2O. A figura 20 mostra um esquema representativo de um motor com EGR. 54 FIGURA 20 - Esquema representativo de um motor com válvula EGR FONTE: dieselnet.com.br – acessado em 17/11/08 3.5.2. Adsorvedores de NOx Sistemas adsorvedores de NOx foram desenvolvidos para controlar as emissões de NOx por meio da queima pobre (lean burn) em motores gasolina e diesel. Os adsorvedores, que são incorporados no banho do catalisador, armazenam os óxidos de nitrogênio durante a operação em relações combustível-ar distantes da estequiométrica. Quando a capacidade de adsorção estiver saturada, o sistema é regenerado durante um período de operação em relações combustível-ar próximas da estequiométrica, e o NOx liberado é cataliticamente reduzido para nitrogênio. Adsorvedores de NOx requerem também a remoção periódica do enxofre, armazenado nos poros do banho, em maior ou menor intensidade, dependendo do teor de enxofre presente no combustível. O conceito dos adsorvedores de NOx foi desenvolvido baseado em um banho com base ácida. O NOx armazenado, quando liberado, é convertido cataliticamente para nitrogênio, em um processo similar ao que ocorre em catalisadores de três vias em motores a gasolina. Normalmente, este tipo de catalisador é inativo na conversão de NOx sob condições de operação em relações combustível-ar distantes da estequiométrica, quando o oxigênio está presente nos gases de escape. Alternando-se as fases de operação do motor em termos de relação ar-combustível, a aplicação deste tipo de catalisador pode ser estendida para motores que operam com relações mais distantes da estequiométrica. A tecnologia foi primeiramente utilizada em motores a gasolina com injeção direta (GDI), seguida por motores leves movidos a óleo diesel. Sistemas de adsorção de NOx também são encontrados em aplicações 55 estacionárias de turbinas movidas a gás natural. Esforços contínuos ainda são observados no desenvolvimento desta tecnologia para a aplicação em veículos pesados movidos a óleo diesel. É importante salientar que diferentes termos são utilizados na literatura para adsorvedores de NOx, como por exemplo: NOx adsorber catalyst (NAC), Lean NOx trap (LNT), DeNOx trap (DNT), NOx storage catalyst (NSC) ou NOx storage/reduction (NSR). Todos estes nomes são sinônimos e descrevem a mesma tecnologia de controle de emissões. O termo lean NOx catalyst, no entanto, refere-se a um catalisador de redução seletiva de NOx por meio de hidrocarbonetos, sendo então uma tecnologia diferente que não pode ser confundida com adsorvedores de NOx. O processo de adsorção e regeneração pode ser observado na figura abaixo. FIGURA 21 - Perfil de armazenamento e liberação do NOx em um adsorvedor de NOx FONTE: dieselnet.com.br – acessado em 17/11/08 O mecanismo de adsorção/redução do NOx encontra-se ilustrado na figura 22. O banho do catalisador combina três componentes ativos: (1) um catalisador de oxidação, como por exemplo, a Pt, (2) um adsorvente, como por exemplo, o óxido de bário (BaO) e (3) um catalisador de redução, como por exemplo, o Rh. 56 FIGURA 22 - Mecanismo de adsorção e redução de NOx FONTE: dieselnet.com.br – acessado em 17/11/08 Este tipo de tecnologia pode atingir eficiências de conversão da ordem de 80 a 90%. A sua atividade cobre uma larga faixa de temperatura, de aproximadamente 200º C até 450 a 500º C. Em sistemas diesel, o desempenho máximo ocorre tipicamente entre 350 a 380º C. Este tipo de tecnologia também é sensível à contaminação por enxofre, e tem seu desempenho gradativamente reduzido em caso de envenenamento. O mecanismo de contaminação é similar ao já apresentado no tópico referente ao DOC slip, onde o mesmo armazena-se na superfície do catalisador, na região dos poros do banho, deixando menos espaço disponível para a adsorção do NOx. Uma “armadilha” para o enxofre (sulfur trap), também conhecida como SOx trap, é um outro adsorvedor catalítico, especialmente projetado para capturar e armazenar o enxofre. Ele é posicionado no sistema de escape antes do adsorvedor de NOx, para então reduzir a sua exposição ao enxofre. Duas abordagens foram propostas: * Armadilhas com estratégia de dessulfatização (regeneração) – O enxofre armazenado é periodicamente removido por meio de regeneração. Devido a necessidade de altas temperaturas para dessulfatização, a posição mais indicada é a mais próxima do coletor de escape ou carcaça da turbina. Esta abordagem requer sistemas de escape complexos, com válvulas e by-pass para evitar que o enxofre liberado passe pelo adsorvedor de NOx e cause seu envenenamento. * Armadilha com tamanho suficiente para armazenar enxofre durante toda a vida do veículo, evitando que o enxofre atinja o adsorvedor de NOx ou gere a necessidade de sistemas de escape complexos. O maior desafio é projetar um sistema com capacidade de armazenamento suficiente e tamanho razoável. A Toyota, por exemplo, atingiu uma durabilidade de 40000km em uma aplicação de carro de passeio movida a óleo diesel. O mecanismo de armazenamento de enxofre é similar ao dos adsorvedores de NOx. Uma vez que o enxofre é armazenado na forma de sulfato de metal, o dióxido de enxofre tem 57 que ser primeiramente oxidado para SO3. Portanto, o sulfur trap deve incluir um catalisador de oxidação para facilitar esta reação. O sistema de armazenamento é otimizado para os seguintes aspectos: capacidade de adsorção de enxofre, temperaturas para dessulfatização, liberação rápida e completa do enxofre após atingir a temperatura de dessulfatização, não gerar emissões secundária e durabilidade térmica. Os banhos aplicados em armazenadores de enxofre são geralmente baseados em óxidos de alcalinos e suas misturas no alumina (titânia e zircônia). Materiais como o zinco, níquel, cromo, cobre e prata, também já foram testados e são utilizados para modificar o desempenho do armazenador de enxofre em caso de necessidade. 3.5.3. Catalisadores Lean NOx - LNC Nesta tecnologia, a redução de NOx se dá por meio da injeção de hidrocarbonetos nos gases de escape para posterior reação no catalisador. Na redução seletiva catalítica, os hidrocarbonetos reagem com o NOx, mais do que com o O2, para formar nitrogênio, CO2 e água, conforme demonstrado na equação abaixo: HC + NOx = N2 + CO2 + H2O Assumindo que uma espécie singular de hidrocarboneto de fórmula CmHn reage com o óxido nítrico, a equação acima pode ser escrita como uma reação química balanceada, conforme descrito abaixo: CmHn + (2m + n/2) NO = (m + n/4) N2 + mCO2 + n/2 H2O A reação não seletiva com o oxigênio é dada pela equação geral abaixo HC + O2 = CO2 + H2O Ou no caso de hidrocarbonetos CmHn, pela reação: CmHn + (m + ¼ n) O2 => mCO2 + n/2 H2O O catalisador deve ser otimizado para promover seletivamente a reação desejada com o hidrocarboneto ao invés da indesejada com o oxigênio. A seletividade do catalisador é determinada pela sua formulação, mas também depende de outros fatores como a espécie de hidrocarboneto utilizado para a reação, temperatura, teor de oxigênio presente no gás de escape e a relação HC/NOx. A fonte mais atrativa de hidrocarboneto para a redução do NOx é o presente no próprio escape. Sistemas que utilizam o HC presente no gás de escape para reagir com o NOx no catalisador são denominados “passivos”. Quando se faz necessário o enriquecimento de 58 HC (preferencialmente com óleo diesel), seja no escapamento (com o uso de um injetor) ou por meio de uma injeção atrasada no próprio cilindro, denomina-se que o sistema é “ativo”. Normalmente, sistemas ativos propiciam uma maior eficiência de conversão, porém acarretam em maior consumo de combustível, maior custo e maior dificuldade de controle. Quando se utiliza a tecnologia ativa, é também necessária a aplicação de um catalisador de oxidação para oxidar os hidrocarbonetos que passam pelo catalisador de NOx. Os catalisadores mais comuns neste tipo de tecnologia são a base de cobre e zeólitos (Cu/ZSM-5) e também a base de platina e alumina (Pt/Al2O3). 59 CAPÍTULO 4 – O enxofre, sua presença no óleo diesel e o seu impacto nas tecnologias de pós-tratamento e na emissão de poluentes. 4.1 Introdução As propriedades do óleo diesel podem afetar características importantes de desempenho do motor, tais como, torque, consumo de combustível, emissão de poluentes, etc. As propriedades mais importantes são: número de cetano, massa específica, poder calorífico, volatilidade, viscosidade, propriedades de comportamento a frio, flash point, lubricidade, acidez, estabilidade à oxidação e teor de enxofre. As propriedades devem atender padrões regulamentados e geralmente são divididas entre físicas (massa específica, viscosidade, volatilidade, poder calorífico e teor enxofre) e não físicas (número de cetano e lubricidade). Enquanto as físicas podem ser determinadas usando técnicas de medição, as não físicas são determinadas por meio de interações do combustível com padrões de medição. As propriedades podem ser divididas entre aquelas que causam efeito imediato no desempenho do motor e aquelas que causam impacto no longo prazo. Dentre os parâmetros mais importantes que causam impactos nas emissões de poluentes, encontra-se o enxofre. O óleo diesel possui enxofre quimicamente ligado a sua estrutura. A quantidade de enxofre depende da qualidade do óleo cru e dos componentes utilizados no processo de mistura. As refinarias podem reduzir o teor de enxofre do óleo diesel por meio de tratamento com hidrogênio. O hidro-tratamento utilizado para remover o enxofre, remove também componentes que melhoram a lubricidade do combustível, por exemplo, os poliaromáticos. Portanto, combustíveis de baixo teor de enxofre tipicamente requerem aditivos para recuperação da lubricidade para assim evitar danos aos componentes do sistema de injeção de combustível. Os efeitos negativos produzidos pelo enxofre podem ser assim caracterizados: - Emissões: * Emissão de dióxido de enxofre – A maioria do enxofre é convertido no motor para dióxido de enxofre, uma substância de impacto negativo ao meio ambiente. * Emissão de sulfato de particulado – uma fração do enxofre é oxidado e forma o trióxido de enxofre. O SO3 em conjunto com a água, forma ácido sulfúrico e contribui para a emissão de material particulado. - Corrosão e desgaste: 60 * Corrosão dos componentes do sistema de exaustão dos gases pela condensação do enxofre, especialmente em sistemas de recirculação de gases. * Aumento do desgaste de peças do motor através da corrosão pelo ácido formado internamente. - Tecnologias de pós-tratamento: * A transformação do SO2 em SO3 é aumentada de forma significante se houver a utilização de catalisadores de oxidação no sistema de controle de emissões, resultando em aumento de emissões de material particulado. * O sulfato de particulado é também gerado em filtros de particulado catalíticos, ambos CRT2 (continuous regeneration trap) e catalisadores. Em algumas condições, o benefício de reduzir a fração de carbono do material particulado pode ser maior que o aumento gerado pelos sulfatos. * Desativação de adsorvedores de NOx pelo enxofre é um dos maiores obstáculos na implementação desta tecnologia. * Muitos catalisadores são, de maneira reversível ou não, envenenados pelo enxofre. A redução no teor de enxofre produz uma redução no particulado e também tem um papel fundamental devido ao efeito adverso em muitas tecnologias catalíticas para o controle de emissões. A necessidade do emprego de tecnologias de pós-tratamento para o atendimento de legislações cada vez mais severas de emissões, vem sendo globalmente o principal responsável pela reformulação do combustível para padrões extremamente baixos de teor de enxofre. Este capítulo tem o intuito de abordar o impacto do enxofre no óleo diesel do ponto de vista de emissões de poluentes e no emprego de tecnologias de pós-tratamento, demonstrar as tendências em termos de níveis de teor de enxofre ao redor do mundo e a sua relação com a redução dos níveis de emissões de poluentes, bem como explicar sobre as possíveis técnicas de dessulfurização nas refinarias. 4.2 Enxofre O enxofre é o 16º elemento mais abundante na crosta da terra. A vasta maioria do enxofre existe na forma de sulfatos, grande parte como sulfato de cálcio hidratado, CaSO4.2H2O (o principal ingrediente do gesso utilizados nas paredes e tetos), ou anidrita, 2 CRT – Filtro de particulado catalisado por regeneração contínua 61 CaSO4. O sulfato de cálcio hidratado é um componente não tóxico, quimicamente inerte e um mineral pouco solúvel em água, presente vastamente ao redor do mundo. Todos os combustíveis orgânicos utilizados pelos seres humanos contêm uma parcela de enxofre (óleo, carvão, gás natural, madeira, etc). Combustíveis como a madeira contém pouco enxofre (0,1% ou até menos), enquanto a maioria dos carvões tem entre 0,5 a 3% de teor. Óleos geralmente possuem mais enxofre que a madeira e menos que o carvão. A queima do enxofre contido num combustível formará dióxido de enxofre: S + O2 => SO2 Ao colocá-lo na atmosfera, ele eventualmente precipitará, em sua maioria no oceano, com o tempo tornara-se parte da massa da terra como resultado de um processo geológico e novamente entrará em combustíveis fósseis e minerais. No petróleo, o enxofre é quimicamente combinado com os hidrocarbonetos. Normalmente ele não pode ser removido sem a quebra de suas ligações químicas. Dióxido e trióxido de enxofre são os principais óxidos gasosos do enxofre presente na atmosfera. Dióxido de enxofre é um gás não inflamável, não explosivo, sem cor e começa a ser sensível ao ser humano em concentrações de 0,3 a 1,0 ppm no ar. Em concentrações acima de 3,0 ppm o gás tem um odor irritante e penetrante. O dióxido de enxofre é parcialmente convertido em trióxido ou em ácido sulfúrico por meio de processos catalíticos foto-químicos que ocorrem na atmosfera. Os óxidos de enxofre em combinação com o material particulado produzem os efeitos mais danosos à atmosfera. Os componentes do enxofre emitidos na atmosfera trazem efeitos negativos para a visibilidade, saúde humana, vegetação e materiais, e também contribuem para a formação da chuva ácida. Partículas finas na atmosfera reduzem a visibilidade por meio da dispersão e da absorção da luz. Uma vez que o acido sulfúrico e outros sulfatos representam, em geral, 5 a 20% do total de material particulado suspenso no ar urbano, eles contribuem significativamente para a redução da visibilidade. Investigações indicam que muitos ambientes poluídos visivelmente são causados pela formação de vários aerossóis resultantes de reações foto-químicas entre SO2, material particulado, óxidos de nitrogênio e hidrocarbonetos na atmosfera. Em medições realizadas em laboratório, misturas de NOx e hidrocarbonetos mais comuns formaram pouco ou quase nenhum aerossol quando irradiados. Entretanto, uma considerável formação foi evidenciada quando misturas de cadeias aromáticas, NO2 e SO2 foram irradiados pela luz solar. Medições indicam que as maiores frações de sulfato no ar urbano tem um tamanho efetivo de menos de 2 µm, com picos na 62 distribuição entre 0,2 a 0,9 µm. Uma vez que o comprimento de onda visível de um espectro eletromagnético varia aproximadamente entre 0,4 a 0,8 µm, a presença de aerossóis deste tipo pode causar redução na visibilidade. Com relação aos materiais, os óxidos de enxofre geralmente aceleram a corrosão do metal, primeiramente formando o ácido sulfúrico tanto na atmosfera quanto na superfície metálica exposta diretamente aos óxidos. O principal componente que contribui para a corrosão do metal geralmente é o dióxido de enxofre. Temperatura e umidade relativa também influenciam na taxa de corrosão de maneira significativa. O alumínio é normalmente resistente ao ataque do SO2. Entretanto, em umidades relativas maiores que 70% a taxa de corrosão é severamente aumentada. A sociedade americana de testes de materiais (ASTM, em inglês, American Society for the Testing of Materials) divulgou alguns estudos de longo prazo dos efeitos atmosféricos no limite de escoamento do alumínio. Exposições em áreas rurais levaram a perda de 1% ou menos no limite de escoamento após 20 anos, enquanto em uma atmosfera industrial foram observados 14 a 17% de redução no mesmo período de tempo. Os ácidos sulfúricos ou sulfurosos são capazes de atacar uma vasta gama de materiais de construção de prédios, incluindo o calcário, o mármore e a ardósia. Materiais têxteis feitos do nylon, especialmente mangueiras, também são sensíveis aos poluentes na atmosfera. O enfraquecimento é aparentemente causado pelo SO2 ou pelos aerossóis de acido sulfúrico. Com relação à saúde humana, apesar do dióxido e outros óxidos do enxofre terem sido estudados intensivamente, muitas questões a respeito dos efeitos na saúde humana permanecem sem resposta. Isto porque as emissões dos óxidos de enxofre tendem a ser encontradas na mesma atmosfera onde também existem o material particulado e altas umidades. Com isso, poucos estudos conseguiram diferenciar adequadamente os efeitos individuais destes poluidores. Estes estudos mostram efeitos no sistema respiratório do ser humano (asma e alergias respiratórias) além de irritação nos olhos, não trazendo resultados claros em termos de relação do teor de enxofre emitido na atmosfera com a taxa de mortalidade por doenças respiratórias. 4.3 A relação do enxofre no óleo diesel com a emissão de material particulado A tecnologia dos motores diesel vem evoluindo rapidamente na medida em que os limites de emissões de poluentes vão sendo cada vez mais reduzidos. Aumentos na pressão de injeção de combustível em conjunto com geometrias de câmaras de combustão otimizadas 63 estão produzindo melhoras significativas na qualidade da combustão e na emissão de poluentes. Os motores diesel do passado possuíam 300bar de pressão de injeção (década de 70), mas atualmente pressões de 1500 a 2000 bar são comumente utilizadas. Novos motores vêm sendo projetados com pressões de até 2400bar. Pressões de injeção mais altas levam a melhor nebulização do jato de combustível, melhorando a mistura com o ar e reduzindo a formação de áreas mais ricas onde a fuligem é formada. Bombas de combustível controladas eletronicamente e sistemas de injeção eletrônicos possibilitaram o uso de múltiplas injeções e diferentes intervalos de tempo de injeção para diferentes condições do motor. Modernas unidades injetoras podem atingir controle e flexibilidade similar. Até um determinado momento, baseado na legislação de emissões, motores sem pós-tratamento dos gases de escape tradicionalmente operavam com níveis de enxofre até 5000ppm (HOCHHAUSER et al, 2006, p.10). O enxofre no óleo diesel resulta diretamente nas emissões de dois poluentes primários: dióxido de enxofre (SO2) e material particulado (MP). Durante a combustão, todo o enxofre contido no óleo diesel é oxidado. Quase tudo é emitido como SO2, mas uma pequena fração (2 a 3%) é convertida em trióxido de enxofre (SO3) no escapamento, o qual reage facilmente com a água para formar o ácido sulfúrico (H2SO4) e o material particulado. No escapamento, o sulfato é um importante iniciante de formação de partículas, propiciando um núcleo onde os gases podem condensar, permitindo a formação e a emissão de pequenas partículas - aquelas mais perigosas para a saúde humana (SHI & HARISSON in WALSH et al, 2005, p.7). Segundo HOCHHAUSER et al (2006, p.10): “[...] Apesar da emissão de poluentes ter sido reduzida com as melhorias no projeto dos componentes do motor, a quantidade de sulfato emitida tende a permanecer constante, então o sulfato tornase uma grande fração no total de material particulado[...] ”. Este comentário pode ser ilustrado com a comparação de dois estudos. No primeiro deles foi observada uma redução de 7% nas emissões de material particulado por meio da redução de 3000ppm para 500ppm de teor de enxofre em 13 veículos europeus leves e pesados produzidos nos anos 80 (BARTLETT et al in HOCHHAUSER et al, 2006, p.10). Já no segundo teste, efetuado em um motor Cummins 5.9L produzido no ano 2000, foi observado uma redução de 20% no material particulado com uma redução de teor de enxofre de 325ppm para 15ppm. A emissão de material particulado total era muito menor no motor produzido no ano 2000 (ALAM et al in HOCHHAUSER et al, 2006, p.10). 64 Reduzir o enxofre no combustível reduz SO2 proporcionalmente, além de também reduzir a parcela de sulfato na emissão do material particulado. O grau de redução no material particulado irá variar de acordo com a tecnologia empregada no motor. Reduções significativas de material particulado foram também observadas em outros testes ao redor do mundo. Na Dinamarca, uma redução no nível de enxofre de 440 para 0,7ppm levou a uma redução de 56% no número de particulados emitidos na frota total de motores diesel (WAHLIN et al in WALSH et al, 2005, p.7). Testes em caminhões movidos a óleo diesel no Japão que não utilizavam tecnologias de catalisadores demonstraram, por meio da redução do enxofre de 400 para 2ppm, reduções de 50% na emissão de material particulado (WWFC3 in WALSH et al, 2005, p.7). Em caminhões pesados nos EUA, uma redução no teor de enxofre de 368 para 54ppm propiciou uma redução de 14% na massa de material particulado emitido (MECA4 in Walsh et al, 2006, p.7). O impacto do enxofre no material particulado é ainda maior em veículos que utilizam catalisadores de oxidação, pelo fato deste componente formar sulfato adicional em seu catalisador (HOCHHAUSER et al, 2006, p.3). 4.4 A relação do enxofre no óleo diesel com os sistemas catalíticos de pós-tratamento O enxofre no combustível tem um impacto negativo nos catalisadores usados para controlar as emissões de veículos. Para veículos equipados com motor a diesel, o enxofre impede o uso de equipamentos convencionais e também das avançadas e emergentes tecnologias de controle do material particulado e do NOx. Catalisadores de Oxidação poderiam ser melhor utilizados nos veículos em uso, mas a sua eficiência é severamente reduzida pelo alto nível de enxofre. Na verdade, quando contaminado pelo enxofre, a emissão de material particulado pode ser aumentada neste tipo de equipamento (WALSH et al, 2005, p.1). Por exemplo, filtros catalíticos podem reduzir a emissão de particulados nos veículos movidos a óleo diesel em até 95%. Utilizando-se combustível de baixo nível de enxofre, estes filtros podem também ser instalados em vários veículos já existentes no mercado, através de programas de retrofit. 3 4 WWFC – World Wide Fuel Charter MECA – Manufacturers of Emissions Controls Association 65 O fator principal que impede o uso de filtros de particulado e catalisadores de oxidação com óleo diesel de alto teor de enxofre é o fato dos mesmos conterem metais nobres em seus banhos para a realização da reação catalítica desejada. O metal nobre age como um adesivo, facilitando o depósito de enxofre em sua base e nos poros da cerâmica, reduzindo o acesso à área superficial e comprometendo a reação catalítica. Esse envenenamento pode ser totalmente ou parcialmente reversível, ou seja, nas altas temperaturas dos gases pode ocorrer a “limpeza” dos poros e dos metais nobres. No entanto, em alguns casos, existe a possibilidade do envenenamento tornar-se irreversível e acumulativo, comprometendo a emissão de poluentes. Já com relação à tecnologia de redução seletiva catalítica (SCR), por não conter metais nobres, espera-se que a mesma não seja sensível ao envenenamento pelo enxofre e mantenha o mesmo nível de conversão de NOx ao longo do tempo. Alguns testes voltados a avaliar a durabilidade dos sistemas de pós-tratamento e a susceptibilidade ao envenenamento pelo enxofre foram efetuados ao redor do mundo. Um dos resultados encontra-se sumarizado abaixo. HINZ et al, avaliou entre 2004 e 2006, uma frota de 23 caminhões Volvo equipados com catalisadores de oxidação, filtro de particulado, redução seletiva catalítica e DOC slip, comparando o nível de emissões de poluentes antes e após a rodagem por 2 anos em rotas no norte da Pensilvânia, realizadas pelos próprios proprietários dos caminhões. O combustível utilizado neste estudo foi o ULSD (Ultra Low Sulfur Diesel) com teores de enxofre entre 4 e 10ppm. Os resultados nas emissões de poluentes foram considerados satisfatórios por ainda atenderem a legislação de emissões americana mesmo após os dois anos de uso do veículo. 4.5 As tendências mundiais e a situação do Brasil em relação ao teor de enxofre no óleo diesel Até o início dos anos 90, o teor de enxofre no óleo diesel não era controlado por legislações ambientais. O máximo teor de enxofre nos combustíveis de boa qualidade ficava em torno de 0,5% ou 5000ppm. O que motivou os órgãos governamentais a reduzir o teor máximo de enxofre permitido no óleo diesel foi o impacto do mesmo nas emissões de material particulado (sulfato). Naquela época, considerando os 5000 ppm, o dióxido de enxofre emitido pelos motores diesel tinha uma grande parcela de contribuição na emissão global deste componente. 66 Nos anos 90, os órgãos governamentais de alguns países do mundo limitaram o teor de enxofre em 500ppm. Este tipo de diesel foi chamado de low sulfur diesel ou LSD. Posteriormente, novas reduções foram necessárias para facilitar a introdução de controle de emissões por meio de catalisadores. O óleo diesel com teor limitado entre 10 a 50 ppm foi introduzido como uma forma de permitir o uso de filtros de particulado e outras tecnologias catalíticas. O benefício em termos de emissão de dióxido de enxofre, ainda que pequeno, foi importante principalmente em regiões de tráfego intenso e de pouca movimentação do ar. Combustíveis com teores de enxofre entre 15ppm e 50ppm foram denominados como ULSD (ultra low sulfur diesel). Na Europa, óleo diesel e gasolina limitados a teores de 10ppm são denominados sulfur-free fuels. Todos os passos visando a redução do teor de enxofre estavam sincronizados com os padrões de emissões de poluentes, ambos nos EUA e na Europa. A primeira redução significativa ocorreu nos EUA em Outubro de 1993, quando foi implementado o limite de 500ppm. Este movimento foi coordenado com a redução em 1994 no limite de emissões de material particulado para 0,1 g/HPh. A redução seguinte nos EUA ocorreu efetivamente em meados de 2006, exatamente antes da legislação de emissões de particulado que entraria em vigor em 2007, reduzindo o limite de MP para 0,01 g/HPh. O enxofre foi reduzido para15ppm para possibilitar o uso de avançadas tecnologias de controle de MP, assim como de tecnologias avançadas para redução do NOx visando atender os padrões estipulados para 2010 de 0,2 g/HPh. Uma evolução similar da qualidade do combustível sincronizada com as novas legislações de emissões pode ser observada na Europa, conforme ilustrado na figura abaixo. FIGURA 23 - Redução do teor do enxofre em função da legislação de emissões (Europa e EUA) FONTE: dieselnet.com.br – acessado em 26/07/08 67 Apesar do ULSD com especificação de 50ppm ter sido regulamentado na Europa em 2005, alguns países introduziram combustíveis com teor entre 10 e 50ppm já no final dos anos 90 e início do ano 2000, por meio de programas de incentivo do governo (redução de taxas). O ULSD foi primeiramente disponibilizado em países como Suécia, Reino Unido, Irlanda, Dinamarca, Holanda, Alemanha e Bélgica. Em 1998, produtores de veículos motorizados estabeleceram o quadro mundial de combustíveis (world wide fuel charter), um documento com especificações para o óleo diesel e a gasolina automotiva, com o intuito de harmonizar a qualidade mundial do combustível com a necessidade do uso de tecnologias de controle de emissões veicular. Desde a revisão ocorrida no ano 2000, o quadro propõe a introdução de combustíveis livres de enxofre, tanto para o óleo diesel quanto para a gasolina. Alguns governos, principalmente na Europa, seguiram as recomendações e estabeleceram a disponibilidade de combustíveis livres de enxofre já em 2005. Uma completa migração para 10ppm está prevista para 2009. A tabela XIV a seguir, traz um resumo sobre os tipos de combustível em termos de teor de enxofre, a principal razão para a implantação de cada nível e o vínculo com a legislação de emissões. TABELA XIV - Redução do teor de enxofre - Highway Diesel Fuel Teor de Motivo da redução do Objetivo de Norma de emissões teor de enxofre emissões enxofre ≥0.5% EUA antes 1993 Standard diesel (5000 n/a n/a Europa antes 1996 ppm) • US1994: 0.1 g/HPh • Controle do sulfato MP Low sulfur 500-350 MP PM, SO2 diesel ppm • EURO II/III: 0.25/0.1 • Controle de SO2 g/kWh MP • US2007/10: 0.2 g/HPh • Possibilitar o uso de NOx; 0.01 g/HPh MP filtros de particulado Ultra low sulfur 50-10 ppm diesel • EURO IV/V: 0.02 • Possibilitar pósPM, NOx g/kWh MP tratamento do NOx Tipo de Combustível Sulfur-free diesel ≤10 ppm* • Controle do sulfato MP • EURO V/VI FONTE: dieselnet.com.br com adaptações – acessado em 26/07/08 No Brasil, após negociações entre as montadoras, a agência nacional de petróleo e as indústrias fabricantes de óleo diesel, foi estabelecido que a partir de 2005 as regiões 68 metropolitanas deveriam migrar dos 2000ppm de enxofre para 500ppm. O país apresenta um consumo anual de aproximadamente 40 bilhões de litros de óleo diesel (BRITO in AGUIAR et al, 2007, p.1) e produz também 22 bilhões de litros de gasolina com até 1000 ppm de enxofre (Uller et al in Aguiar et al, 2007, p.1), provocando, desta forma, uma emissão de 84 mil toneladas de enxofre na forma de gases tóxicos pela queima da gasolina e óleo diesel (AGUIAR et al, 2007, p.2) Em 2009, visando atender a nova legislação de emissões PROCONVE P-6 (baseada na legislação européia – EURO IV), foi estabelecido no final de 2007 pela ANP que o teor de enxofre não poderia exceder o limite de 50ppm. Entretanto, estima-se que, em um primeiro momento, apenas 30% do óleo diesel comercial disponível possuirá níveis de até 50ppm de enxofre. Do restante, estima-se que 60% possuirão níveis de 500ppm de enxofre e os 10% restantes ainda possuirão níveis de 1800ppm. Tudo isto pela dificuldade de se obter um óleo diesel de melhor qualidade no Brasil, o que segundo a Petrobrás, demanda um alto investimento nas refinarias de petróleo. 4.6 Principais preocupações em relação ao óleo diesel de baixo teor de enxofre É importante salientar em relação ao ULSD, que alguns fatores devem ser levados em consideração pelos usuários antes de sua utilização. A economia de combustível pode ser reduzida e o ULSD pode afetar os componentes do sistema de combustível de veículos mais antigos e também resultar em vazamento de combustível e/ou desprendimento de partículas depositadas no tanque, causando entupimento prematuro do filtro. Em relação à economia de combustível, o processo requerido para redução do enxofre para valores menores que 15ppm pode também reduzir os aromáticos. Em uma base volumétrica, a densidade de energia dos aromáticos é maior que outros componentes do óleo diesel. Ao reduzir a concentração de aromáticos, reduz-se também a quantidade de energia por unidade de volume. O ULSD também possui uma massa específica mais baixa. Devido ao efeito combinado de menos aromáticos e menor massa específica, o ULSD possui um menor poder calorífico volumétrico, tipicamente entre 1 a 2% quando comparado com o óleo diesel de 500ppm. Já em relação à compatibilidade de vedação, a dessulfurização pode remover antioxidantes naturais do combustível. Os antioxidantes podem prevenir o aparecimento de 69 peróxidos. Se os antioxidantes não forem repostos, peróxidos podem aparecer no combustível se o mesmo for armazenado por longos períodos. Os peróxidos podem causar fragilização do neoprene e de borrachas nitrílicas e possivelmente levar a falha de vedação. O hidro-tratamento utilizado para remover o enxofre, remove também componentes que melhoram a lubricidade do combustível, por exemplo, os poliaromáticos. Portanto, combustíveis de baixo teor de enxofre tipicamente requerem aditivos para recuperação da lubricidade para assim evitar danos aos componentes do sistema de injeção de combustível. Um problema mais incomum, mas que também deve ser levado em consideração ao se utilizar o ULSD, é a dissipação estática. O processo de remoção do enxofre também remove componentes polares que dão ao óleo diesel a propriedade de condutividade elétrica e previne a ocorrência de carga elétrica estática. A descarga de eletricidade estática pode ocorrer durante a produção em larga escala do combustível, se a condutividade não for suficiente. Pode haver sérios danos se uma mistura capaz de se auto-inflamar estiver presente. A produção do ULSD poderá requerer o uso de aditivos dissipadores de cargas estáticas. Outro fator importante é que em baixas temperaturas o óleo diesel reduz a sua condutividade elétrica, sendo então necessário uma preocupação ainda maior em países mais frios. 4.7 Processos de dessulfurização do óleo diesel O petróleo bruto convencional contém entre 0,04 a 5% de teor de enxofre e em termos gerais, petróleos de densidades mais elevadas possuem teores ainda mais altos (KROPP et al in ALVES et al, 1999, p.1). A crescente utilização dos combustíveis fósseis acarreta em uma diminuição de reservas com baixo teor de enxofre (KONISHI in ALVES et al, 1999, p.1). Em 1990, eram produzidos em nível mundial, 70 milhões de barris de petróleo por dia, com uma porcentagem de enxofre superior a 1,1. No entanto, prevê-se que em 2010 a produção ultrapasse os 83 milhões, aumentando também o enxofre contido no petróleo para 1,27% (MONTICELLO in ALVES et al, 1999, p.1). Atualmente são utilizados vários processos físicos e químicos (hidrodessulfurização – utilização de injeção de hidrogênio durante o processo de refino) nas refinarias como estratégia para a redução do teor de enxofre no óleo diesel. Esses tratamentos envolvem o uso de catalisadores químicos sob condições de altas temperaturas e altas pressões. Existe também 70 a possibilidade do uso de recursos biológicos (bactérias e micro-organismos) para a remoção do enxofre, conhecidos como biodessulfurização. Vários estudos vêm sendo efetuados pelas refinarias em busca da otimização dos processos de dessulfurização. Estes estudos buscam obter respostas quanto ao melhor meio catalítico, o melhor coating, a melhor temperatura e pressão, a serem utilizadas durante o processo de remoção do enxofre do óleo diesel. Na medida em que os níveis de enxofre vêm sendo cada vez mais reduzidos, torna-se extremamente importante o uso de tecnologias que proporcionem às refinarias uma melhor eficiência na remoção do enxofre (menor custo com maior qualidade). 4.8 Principais conclusões sobre o enxofre no óleo diesel Baseado nos argumentos relacionados neste capítulo, concluí-se que a redução do teor de enxofre no óleo diesel é fundamental para reduzir as emissões de material particulado e dos componentes responsáveis pela formação da chuva ácida e principalmente para permitir o uso de tecnologias de pós-tratamento dos gases de escape para a redução do NOx, MP, HC, CO e da amônia, dependendo da tecnologia empregada. A demora ocorrida para a definição da especificação do óleo diesel para o P-6 por parte da ANP e o fato de existirem diferentes qualidades de combustível em termos de teor de enxofre no Brasil, faz com que a indústria automotiva tenha dificuldade em definir a tecnologia de pós-tratamento dos gases de escape a ser empregada, de forma a garantir o nível de emissões permitido ao longo do tempo, assim como a durabilidade de componentes que podem ser afetados pelo nível de enxofre no óleo diesel (EGR, por exemplo). Segundo WALSH et al (2005, p.1) “[...] Introduzir 50ppm de teor de enxofre como limite em todo o país permitiria ao Brasil a adoção de limites mais apertados de emissões e também o uso de tecnologias mais avançadas para resolver o problema de MP e NOx (ou ozônio) presentes na atmosfera de áreas metropolitanas [...]” Com base na revisão da literatura, comprovou-se que os sistemas de pós-tratamento apresentam baixos níveis de degradação ao serem utilizados com óleo diesel de baixo teor de enxofre. 71 Por outro lado, é importante enfatizar que a redução do enxofre degrada a lubricidade do óleo diesel, o qual é extremamente importante devido às tolerâncias de injetores cada vez menores e o constante aumento da pressão de injeção (2200bar, por exemplo). O desempenho da lubricidade pode ser restaurado por meio do uso de aditivos ou a adição de pequenas quantidades de biodiesel (1-2%). 72 CAPÍTULO 5 – Ensaios realizados 5.1 Introdução O objetivo dos ensaios realizados foi avaliar o impacto do alto teor de enxofre contido no óleo diesel na emissão de poluentes e nas tecnologias de pós-tratamento dos gases de escape. Os testes foram efetuados em um caminhão pesado equipado com um sistema SCR para a redução de NOx e um catalisador de oxidação (DOC-slip) para a redução do escorregamento de amônia para a atmosfera. O veículo foi submetido a uma durabilidade de 30000 km em rota padrão no estado de São Paulo. O motor e o sistema de pós-tratamento foram avaliados em quilometragens periódicas em dinamômetro (0, 10000, 20000 e 30000 km), com base no ciclo de emissões ESC5 (European Steady State Cycle). 5.2 Configuração do sistema O veículo utilizado no teste de durabilidade foi um caminhão, originalmente com 260cv de potência atendendo a legislação PROCONVE 5 (equivalente a legislação EURO III). O veículo teve sua calibração alterada, com re-potenciamento para 290cv e aumento do NOx emitido pelo motor para a melhora da eficiência da combustão, conseqüente redução do consumo de combustível e posterior remoção pelo SCR. A re-calibração também teve como objetivo a redução da emissão de material particulado, porém ainda assim não atendendo a quantidade máxima permitida pelo Proconve6. O nível de NOx emitido pelo motor atende parcialmente aos padrões de emissões do Proconve6, uma vez que todas as avaliações foram feitas somente com base no ciclo ESC (13 pontos estabilizado), devido a indisponibilidade no Brasil de um dinamômetro capaz de efetuar as avaliações com base no ciclo ETC6 (European Transient Cycle) A tabela XV traz um resumo da configuração do motor e veículo utilizado. 5 6 ESC – Ciclo europeu de teste de emissões em regimes permanentes. ETC – Ciclo europeu de teste de emissões em regimes transientes. 73 TABELA XV - Características do motor e veículo Veículo Ano Transmissão Tração Peso Bruto Total Motor Tipo Tamanho Sistema de Injeção Calibração Potência Máxima Torque Máximo Caminhão 2004 10 velocidades 6x4 17000 kg MWM Acteon 6 cilindros em linha, Injeção Direta, Turboalimentado com Intercooler 7,2 litros Common Rail EURO III (PM) EURO IV parcial (NOx) – somente ESC 290cv @ 2200 rpm 920 N.m @ 1300 - 1800 rpm O sistema de pós-tratamento e de injeção de uréia é mostrado esquematicamente na figura a seguir. FIGURA 24 - Configuração do sistema de pós-tratamento (SCR + DOC - slip) FONTE: HELDEN et al, 2002 – com adaptações O sistema de injeção de uréia é fornecido pela Bosch e possui integrado a ele uma bomba para succionar a uréia, filtro, uma válvula PWM7 (Pulse Width Modulation) para controlar a dosagem de uréia, um injetor e uma unidade de controle eletrônica. As variáveis 7 PWM – Pulsos modulados para controle de abertura e fechamento do injetor de uréia, utilizado para dosar a quantidade uréia injetada no escapamento. 74 de entrada para o controle da dosagem de uréia é a rotação do motor, a carga/torque do motor, e a temperatura dos gases de escape antes e após o catalisador. Os primeiros dois sinais citados acima são obtidos via CAN, por meio da comunicação entre o módulo eletrônico do motor e o módulo do SCR. A temperatura dos gases é obtida por 2 termopares PT200 instalados na tubulação de escape, conforme ilustrado na figura 24. A temperatura é obtida pelo módulo de controle de injeção de uréia e então utilizada nos mapas de calibração. O módulo de controle contém 12 mapas tridimensionais. Um dos mapas contém a temperatura nominal dos gases de escape em função da carga do motor e da rotação. Os demais 11 mapas contêm os níveis de quantidade de uréia a serem injetados no sistema dependendo da rotação e da carga. Um destes mapas é preenchido com o volume de uréia a ser injetado em condições estabilizadas do motor (steady-state). Os demais são utilizados quando a temperatura dos gases de escape próxima ao catalisador não é igual à quantidade nominal estabelecida no mapa de carga versus rotação. Estes mapas são extremamente importantes para adaptar a quantidade a ser injetada em função da temperatura nos transientes do motor, garantindo a eficiência de conversão de NOx e minimizando o efeito do escorregamento de amônia. A solução utilizada neste estudo foi de 32,5% de massa de uréia na água. Esta solução possuía uma densidade de 1,09 g/cm3 @ 15º C, um ponto de congelamento de -11º C, uma viscosidade dinâmica de 1,23 mPa.s e capacidade calorífica de 3,4 KJ/kgK. Neste estudo foi utilizado um catalisador SCR para reduzir a emissão NOx e um DOCslip para reduzir o escorregamento de amônia e de maneira secundária as emissões de hidrocarbonetos e monóxido de carbono. Não foi utilizado um pré-catalisador especial para a conversão de NO em NO2 e para facilitar a hidrólise da uréia. Catalisadores efetivos na conversão de NO em NO2 seriam também efetivos em converter SO2 em SO3. Considerando o nível de teor de enxofre usado neste estudo (2000 ppm), uma alta concentração de SO3 resultante da oxidação catalítica levaria a um aumento da emissão de particulados e também em um envenenamento ainda maior dos catalisadores, reduzindo a eficiência de conversão ou até mesmo provocando a inatividade dos catalisadores. Outro fator importante, é que a utilização destes pré-catalisadores não está sendo contemplada na estratégia para atendimento do Proconve6 pela maioria das montadoras estabelecidas no Brasil. O catalisador SCR utilizado no estudo é formado por dois substratos cerâmicos de diâmetro de 10,5 polegadas e comprimento de 6 polegadas, com volume total de 17 litros e velocidade espacial máxima de 55000 (h-1). A base do banho (coating) aplicado no substrato é o vanádio, titânio e tungstênio. O elemento ativo para conversão é vanádio. A cerâmica 75 utilizada é do tipo cordierite. O substrato contém 300 células por polegada quadrada e 0,008 polegadas de espessura de parede. O SCR utilizado não contém metais nobres. O catalisador de oxidação (DOC-slip) utilizado no estudo é formado por um substrato cerâmico de diâmetro de 10,5 polegadas e comprimento de 3 polegadas, com volume total de 4,25 litros. A base do banho (coating) aplicado no substrato é a platina com massa específica de 5g/ft3. A cerâmica utilizada é do tipo cordierite. O substrato contém 300 células por polegada quadrada e 0,008 polegadas de espessura de parede. O DOC-slip possui metais nobres (base platina). Estas configurações de catalisadores foram escolhidas por terem apresentado os melhores resultados do ponto de vista técnico (faixa de temperatura, eficiência de conversão layout, disponibilidade, durabilidade) e comercial (preço), após a avaliação das propostas disponibilizadas pelo fornecedor do substrato e do coating. 5.3 Testes em dinamômetro e veículo O primeiro passo dos trabalhos em dinamômetro foi a adequação da calibração do motor para receber a tecnologia de pós-tratamento SCR. Conforme citado anteriormente, o motor foi re-potencializado e o nível de NOx emitido pelo mesmo foi aumentado, visando a redução na emissão do material particulado e a melhora do consumo de combustível, por meio da melhora da eficiência de combustão (maior temperatura e pressão de combustão). A emissão de NOx do motor foi aumentada para 10,4 g/kW.h para posterior redução por parte do SCR para níveis próximos a 3,5 g/kW.h. Após a re-calibração do motor, executou-se um teste de emissões com base no ciclo ESC para determinação da curva de referência do motor “zero km” sem o sistema de pós-tratamento. O segundo passo foi a aplicação do sistema de pós-tratamento. Para isto foram realizados estudos para a definição do melhor ponto de instalação do injetor de uréia e substratos, levando-se em conta o limite de temperatura destes componentes (injetor: 600º C e substratos: 650º C), a conversão de NOx e resultado de emissões, o fluxo dos gases visando o melhor compromisso para a formação da amônia para conversão do NOx e os fatores de layout da aplicação. A temperatura foi mapeada em diferentes pontos na tubulação de escape, conforme ilustrado na figura 25. 76 FIGURA 25 - Mapeamento de temperaturas em dinamômetro FONTE: MWM INTERNATIONAL, 2007 Após o mapeamento de temperaturas, foram determinadas quatro possíveis posições de fixação do injetor e dos catalisadores. Em seguida, efetuou-se o estudo de eficiência de conversão para cada uma destas posições de montagem. De posse ao mapeamento de temperaturas e curvas de eficiência de conversão, foi possível determinar o melhor compromisso de posicionamento do injetor e do catalisador. As figuras e gráficos a seguir ilustram as quatro possíveis configurações de montagem, o estudo de eficiência de conversão do NOx para cada configuração, o resultado do mapeamento de temperaturas e o posicionamento final escolhido para montagem dos injetores e do catalisador. FIGURA 26 - Possíveis layouts (injetor e catalisador) FONTE: MWM INTERNATIONAL, 2007 77 GRÁFICO II - Mapeamento de temperaturas (injetor e catalisador) FONTE: MWM INTERNATIONAL, 2007 GRÁFICO III - Eficiência de conversão NOx por posição FONTE: MWM INTERNATIONAL, 2007 FIGURA 27 - Posicionamento final do injetor e catalisador FONTE: MWM INTERNATIONAL, 2007 Após a definição da posição de montagem (opção “teste 1”), os valores de calibração referente a temperatura dos gases de escape e dosagem de uréia em função da carga e da rotação do motor foram estabelecidos e preenchidos no software de controle de injeção da 78 uréia. Os parâmetros levados em conta nesta fase da calibração foram a eficiência de conversão de NOx e o escorregamento teórico de amônia (α > 1). Neste trabalho não foi possível obter de forma objetiva os valores de amônia emitidos para o meio ambiente, por não haver um analisador deste componente disponível. O sistema foi calibrado para iniciar a injeção de uréia em condições acima de 200º C de temperatura após o catalisador, pois abaixo desta temperatura existe o risco da cristalização da uréia nos catalisadores e na tubulação de escape, podendo prejudicar a eficiência dos catalisadores e aumentar a restrição do escape. Em seguida, foi obtida a curva de referência do motor equipado com sistema de póstratamento “zero km” com base no ciclo ESC. Vale salientar que, antes da aplicação e das avaliações de emissões, os catalisadores passaram por um processo de estabilização térmica (10 horas @ 350º C), a fim de se evitar qualquer impacto nas emissões provocado pelo fato das peças serem novas. Este processo de estabilização térmica é conhecido na indústria como degreening e sua realização é indicada principalmente em trabalhos de pesquisa e desenvolvimento. A atividade seguinte foi a avaliação da emissão de poluentes do motor equipado com sistema de pós-tratamento variando-se somente a qualidade do combustível em termos de teor de enxofre (50, 350 e 2000ppm). O intuito desta atividade foi de verificar o impacto do enxofre presente no óleo diesel na emissão de poluentes, atendendo assim a um dos objetivos propostos neste trabalho. Em seguida, o motor e o sistema de pós-tratamento foram instalados no veículo para início da durabilidade em campo de 30000km. A montagem do sistema de pós-tratamento no veículo pode ser observada nas figuras 28a e 28b. a) b) FIGURA 28 a, b - Instalação do sistema de pós-tratamento no veículo de teste (tanque de uréia, módulo eletrônico, bomba, injetor e catalisadores) FONTE: MWM INTERNATIONAL, 2007 79 Uma empresa especializada foi contratada para a realização do ensaio de durabilidade em campo. A rota padrão de durabilidade representava um trecho de 400km (98% rodoviário) passando pela rodovia dos Imigrantes na região de São Bernardo do Campo, avenida Bandeirantes, Marginal Pinheiros e Tietê, rodovia Presidente Dutra, Fernão Dias e Dom Pedro I (sendo a rota concentrada nas duas últimas). O trecho escolhido garantia a injeção de uréia na maior parte do tempo de acordo com as faixas de temperatura de escape que o veículo operava, conforme pode ser observado no gráfico abaixo. GRÁFICO IV - Temperaturas após o catalisador em rota de durabilidade veicular FONTE: NETZ, 2007 O consumo de uréia foi de 3% em relação ao consumo de óleo diesel, um pouco abaixo do padrão europeu que fica em torno de 4%. Isto ocorreu porque o enfoque da calibração foi dado ao ciclo ESC, não tendo sido realizada a calibração visando a redução de NOx nos transientes do motor e consequentemente na quantidade de uréia injetada nestas condições de operação. Durante todo o teste o veículo foi abastecido com óleo diesel S2000 e uréia a 32,5% em peso na planta da MWM-International em São Bernardo do Campo. Desta forma, garantiu-se em todo o teste, a utilização do óleo diesel e da uréia padronizados. Os consumos de combustível e de uréia eram medidos a cada reabastecimento. O teste de campo foi dividido em três etapas (10000, 20000 e 30000 km) e no término de cada uma delas o motor e o sistema de pós-tratamento eram retirados do veículo para a avaliação da emissão de poluentes em dinamômetro, com base no ciclo ESC, visando a avaliação do impacto do teor de enxofre de 2000ppm nas tecnologias de pós-tratamento, principal objetivo deste trabalho. Os resultados de cada uma das atividades listadas acima podem ser verificados no próximo capítulo. 80 5.4 Equipamentos utilizados O dinamômetro utilizado neste estudo foi o Schenck W400. A bancada de emissões utilizada para a medição das concentrações de HC, CO, NOx, e demais gases é produzida pela Horiba e o modelo é o MEXA 7100. O analisador de material particulado é um SMARTSampler PC produzido pela AVL. O dinamômetro é refrigerado a água e funciona pelo princípio de corrente de Foucault, com capacidade de 400 kW e 2000 N.m, com precisão de +/- 1 kgf. A bancada da Horiba MEXA 7100 tem a capacidade de medir os seguintes componentes THC, CO, CO2, O2, O2, NO/NOx, HC, N2O, SO2, CH4. Para a medição dos gases são utilizados os métodos AIA (analisador de infravermelho não dispersivo), MPA (analisador magneto-pneumático), CLA (analisador com foto-diodo) e o FIA (chama de ionização). O método chamado de infravermelho não dispersivo (non-dispersive infrared detector) é utilizado para medir a concentração de CO2 e CO presentes na amostra. Neste método, a fonte de luz emite uma radiação infravermelha que passa através da célula de amostra e da célula de referência. Essa radiação (luz) infravermelha é modulada pelo “chopper” rotativo, e detectado pela célula detectora. Se a radiação infravermelha que passa pela célula de amostra for absorvida pela amostra do gás, ocorrerá a diminuição da quantidade de radiação que atinge a célula. Essa diferença na intensidade da radiação é comparada com a fonte de luz de referência. O resultado dessa diferença equivale à concentração do componente. A série 7000 dos analisadores AIA utiliza um “chopper motor” de 10 Hz para aumentar a precisão do detector. A tabela XVI traz as características do analisador AIA-721, utilizado neste trabalho. TABELA XVI - Características do analisador de CO AIA-721 Faixa Repetibilidade (zero) Repetibilidade (span) Drift (zero) Drift (span) Ruído Linearidade T90 Vazão da amostra CO 50 a 5000ppm < +/- 0,5% FS < +/- 0,5% RS (>100ppm) < 1%FS/24h (50-100 ppm) < +/- 2% FS/24h (>= 50 ppm) < +/- 1% FS/24h < +/- 1% FS < +/- 1% FS ou < +/- 2% RS (< 100 ppm) < 3segundos (> 100 ppm) < 2segundos 3 l/min 81 O analisador MPA mede a concentração de oxigênio nos gases de escape e do ar ambiente. O principio de medição é baseado na propriedade de para-magnetismo do oxigênio. Para medir o oxigênio contido na amostra, esta passa por um canal de nitrogênio que passa por um campo magnético alternado. A pressão entre os dois discos detectores varia dependendo do O2 presente na amostra. Essa variação é proporcional à quantidade de O2 presente na amostra. A tabela XVII mostra as características do analisador MPA-720, utilizado neste trabalho. TABELA XVII - Características do analisador MPA-720 Faixa Repetibilidade (zero) Repetibilidade (span) Drift (zero) Drift (span) Ruído Linearidade T90 Vazão da amostra 1 - 25 vol % < +/- 0,5% FS < +/- 0,5% RS < 1% FS/24h < 1% FS/24h (< 5 vol%) < +/- 2% FS (>= 5 vol%) < +/- 1% FS < +/- 1% FS ou < +/- 2% RS (< 5%) < 2 segundos (>= 5%) < 1,5 segundos 0,7 l/min O método CLA utiliza um foto-diodo para detectar o oxido nítrico (NO). O foto-diodo absorve a reação que ocorre entre o NO e o O3. Essa reação emite uma luz. O número de fótons emitidos é proporcional à concentração de NO presente na amostra. Para detectar o NOx, a amostra é encaminhada para o conversor, onde o NOx é convertido em NO. A tabela XVIII mostra as características do analisador CLA-720A, utilizado neste trabalho. 82 TABELA XVIII - Características do analisador de NO/NOX CLA-720A Faixa Repetibilidade (zero) Repetibilidade (span) Drift (zero) Drift (span) Ruído Linearidade NO/NOx 10 a 500ppm 1000 a 10000ppm < +/- 0,5% FS < +/- 0,5% RS < 1% FS/24h < 1% FS/24h < +/- 2% FS < +/- 1% FS ou < +/- 2% RS NO: entre 2,5 segundos NOx: 3,0 segundos (< 50 ppm) NO: 2,0 segundos NOx: 2,5 segundos (>= 50ppm) 0,5 l/min T90 Vazão da amostra Interferência (CO2 16%) -3,00% O FIA é um analisador de hidrocarbonetos que analisa os gases por meio da chama de ionização. É designado para realizar ininterruptamente a medição da concentração de hidrocarbonetos presentes nos gases de escape. O método tem sido utilizado, em particular, para medições em gases dos motores a óleo diesel, em que os hidrocarbonetos são condensados e absorvidos em temperaturas atmosféricas normais. Isto é possível, mantendose a linha de amostra e a unidade de detecção em temperaturas elevadas (191°C +/- 6°C). A medição do total de hidrocarbonetos é feita passando a amostra de gás na chama de hidrogênio. Os hidrocarbonetos presentes na amostra produzem uma corrente de ionização, a qual é proporcional ao total de átomos de carbono presentes na amostra. A quantidade de hidrocarbonetos na amostra é expressa em ppm-C. Baseia-se na teoria de que a molécula de propano (C3H8) produzirá uma resposta três vezes maior que uma única molécula de carbono, como por exemplo, o CH4. A tabela XIX mostra as características do analisador FIA-720, utilizado neste trabalho. 83 TABELA XIX - Características do analisador de HC FIA-720 Faixa Repetibilidade (zero) Repetibilidade (span) Drift (zero) Drift (span) Ruído Linearidade T90 Vazão da amostra 20 a 20000ppm < +/- 0,5% FS < +/- 0,5% RS < 1% FS/24h < 1% FS/24h < +/- 1% FS < +/- 1% FS ou < +/- 2% RS < 1,5 segundos 0,5 l/min O analisador de material particulado é um sistema de medição por gravidade dos particulados diluídos, que coleta a amostra em um túnel de fluxo parcial. Do fluxo total de gases, somente uma pequena parcela é coletada em um pequeno túnel e diluída com ar, condicionado internamente pelo sistema. Após a diluição no túnel, o gás passa pelo filtro que coleta a amostra. Ao final do teste o filtro é pesado e a massa de particulado é obtida. Os principais parâmetros avaliados nos testes de emissões, bem como os equipamentos utilizados, encontram-se listados na tabela XX. TABELA XX - Parâmetros avaliados em dinamômetro e meios de medição 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 Variável Pressão atmosférica Massa específica do combustível Massa do combustível Rotação do motor Carga do motor Vazão de ar na entrada do compressor do turbo Pressão de entrada de ar antes do compressor Pressão de saída de ar do compressor Pressão de entrada de ar no coletor de admissão (após aftercooler ) Pressão de entrada dos gases na carcaça da turbina (após coletor de escape) Pressão de saída dos gases de escape (após carcaça da turbina) Pressão de óleo Temperatura de entrada de ar antes do compressor Temperatura de saída de ar do compressor Temperatura de entrada de ar no coletor de admissão (após aftercooler ) Temperatura de entrada dos gases na carcaça da turbina (após coletor de escape) Temperatura de saída dos gases de escape (após carcaça da turbina) Temperatura do combustível Temperatura do óleo Temperatura da água Temperatura de bulbo seco Temperatura de bulbo úmido Torque do motor Potência do motor Consumo específico de combustível Grau de enegrecimento Temperatura antes do catalisador Temperatura depois do catalisador Temperatura da uréia Vazão de uréia injetada Fator alpha (relação NH3/NOx) Emissão específica de NOx Emissão específica de HC Emissão específica de CO Emissão específica de material particulado (PM) Unidade mbar kg/l kg rpm kgf 3 m /h mmH2O mmHg mmHg mmHg mmHg bar o C o C o C o C o C o C o C o C o C o C N.m kW g/kW.h bosch o C o C o C g/h [-] g/kW.h g/kW.h g/kW.h g/kW.h Meio de medição Transdutor de pressão Densímetro Balança Sensor de velocidade Célula de carga PLU Transdutor de pressão Transdutor de pressão Transdutor de pressão Transdutor de pressão Transdutor de pressão Transdutor de pressão Termopar tipo k Termopar tipo k Termopar tipo k Termopar tipo k Termopar tipo k Termopar tipo k Termopar tipo k Termopar tipo k Termômetro Termômetro Célula de carga x braço Cálculo Balança + Fórmula Medidor de fumaça Termopar tipo k Termopar tipo k Termopar tipo k Software INCA Cálculo Bancada de emissões Bancada de emissões Bancada de emissões Smart sample Onde Dinamômetro MWM International 84 CAPÍTULO 6 – Resultados 6.1 Impacto do enxofre contido no óleo diesel na emissão de poluentes Com relação aos testes de emissões executados no motor “zero km” com diferentes níveis de teor de enxofre no óleo diesel, foi possível comprovar uma forte influência deste componente na emissão de poluentes (principalmente na produção de material particulado) e nas tecnologias de pós-tratamento (principalmente o DOC-slip), considerando-se a degradação nas emissões de HC e CO. A tabela XXI mostra o resultado dos testes de emissões para cada teor de enxofre no óleo diesel (50, 350 e 2000ppm). TABELA XXI - Resultado de emissões com diferentes níveis de enxofre no óleo diesel Nesta aplicação, não foi percebida uma diferença sensível entre o óleo diesel S50 e o S350, porém entre estes dois e o S2000 observou-se um aumento de 170% na emissão específica de material particulado, 36% na emissão específica de CO no teste executado com o sistema de pós-tratamento instalado e 10% considerando somente a emissão do motor (antes do sistema de pós-tratamento). Constatou-se também um aumento de 100% na emissão específica de HC com o sistema de pós-tratamento instalado, não havendo diferenças entre os testes considerando-se somente a emissão do motor. Em relação ao NOx, houve um aumento de apenas 4% na emissão específica considerando o sistema de pós-tratamento instalado e 1% considerando somente o motor. Vale observar que a seqüência adotada para os testes de emissões foi sempre do menor para o maior nível de enxofre (50, 350 e 2000ppm), inclusive nas avaliações de 10000, 20000 e 30000km, pois assim era possível executar uma bateria 85 completa de testes sem a necessidade de troca dos filtros de óleo diesel do motor e do dinamômetro. Os gráficos a seguir representam a situação comentada no parágrafo anterior. CO depois SCR + DOC Slip CO antes SCR + DOC Slip 0,45 0,45 2000ppm 0,40 0,35 (g/KW.h) (g/KW.h) 0,20 0,25 0,20 0,15 0,15 0,10 0,10 0,05 0,05 0,00 0,00 Emiss.específica média de CO (g/kW.h) Emiss.específica média de CO (g/kW.h) b) HC antes SCR + DOC Slip HC depois SCR + DOC Slip 0,20 0,18 2000ppm 0,16 350ppm 0,16 350ppm 0,14 50ppm 0,14 50ppm 0,12 0,10 0,08 0,12 0,10 0,08 0,06 0,06 0,04 0,04 0,02 0,02 0,00 0,00 Emiss.específica média de HC (g/kW.h) c) Emiss.específica média de HC (g/kW.h) d) NOx antes SCR + DOC Slip NOx depois SCR + DOC Slip 11,00 11,00 2000ppm 10,00 9,00 9,00 350ppm 8,00 50ppm 50ppm 7,00 (g/KW.h) 7,00 2000ppm 10,00 350ppm 8,00 6,00 5,00 6,00 5,00 4,00 4,00 3,00 3,00 2,00 2,00 1,00 1,00 0,00 0,00 Emiss.específica média de NOX (g/kW.h) e) 2000ppm 0,18 (g/KW.h) (g/KW.h) 0,20 (g/KW.h) 50ppm 0,30 0,25 a) 350ppm 0,35 50ppm 0,30 2000ppm 0,40 350ppm f) Emiss.específica média de NOX (g/kW.h) PM 0,140 2000ppm 0,120 350ppm (g/KW.h) 0,100 50ppm 0,080 0,060 0,040 0,020 0,000 g) Material Particulado (g/Kw.h) GRÁFICO V a - g- Emissões de poluentes em função do nível de enxofre contido no óleo diesel FONTE: MWM International, 2007 86 Conforme resultado apresentado acima, comprovou-se que o enxofre contido no óleo diesel tem um impacto significativo na emissão do material particulado, sendo então um fator importante para ser levado em consideração nas novas e rigorosas legislações de emissões. Isto confirma também que as ações dos órgãos reguladores, voltadas para a redução do teor no enxofre no óleo diesel, não só viabilizarão o uso de tecnologias avançadas de pós-tratamento dos gases, como também contribuirão de maneira direta na redução da emissão de partículas ao meio ambiente, assim como a formação de dióxido, trióxido de enxofre e formação de chuva ácida. 6.2 Eficiências de conversão de NOx, HC e CO (SCR e DOC-Slip) Mesmo sendo um efeito secundário do DOC-slip, através dos gráficos Va a Vd, foi possível observar uma redução significativa nas emissões de HC e CO ao compararmos os resultados de emissões somente do motor com os resultados após o sistema de pós-tratamento. Os catalisadores foram também avaliados separadamente para a obtenção da contribuição de cada um deles e comparação com o sistema de pós-tratamento integrado. A tabela abaixo mostra a eficiência de conversão do conjunto SCR e DOC slip, somente do DOC slip e somente do SCR. TABELA XXII - Eficiência de conversão dos catalisadores em conjunto e separados CICLO ESC Teor de enxofre Material Particulado (g/kW.h) Eficiência de conversão ( % ) NOX (g/kW.h) CO (g/kW/h) HC (g/kW.h) 0,039 Somente DOC-Slip 350ppm 0,053 70 67 88 1 51 52 SCR + Slip Somente SCR 0,030 65 -29 64 A partir dos resultados desta tabela é possível constatar que o SCR têm um efeito obviamente significativo na redução de NOx, negativo na formação de CO devido a reação química dos gases com o vanádio, além de um efeito positivo na redução do HC. Já o DOC slip apresentou um resultado positivo na redução de HC e CO e praticamente nenhum efeito na conversão de NOx. Ao combinar-se o SCR ao DOC slip houve reduções ainda mais significativas do HC e do CO, além de uma pequena melhora do NOx. Este teste apresentou um resultado 87 inconsistente na redução do CO na situação de SCR + DOC slip. Nesta situação esperava-se uma eficiência menor do que 52% na conversão de CO, já que o SCR aumenta a concentração do CO. Uma possível explicação seria um erro na medição e uma segunda (menos provável) estaria associada a um aumento da eficiência do DOC-slip quando exposto às concentrações maiores de CO. A avaliação acima foi feita em um novo conjunto de catalisadores, diferentes daqueles utilizados no ensaio de durabilidade de 30000km em campo, pois foi necessário separar o SCR do DOC-slip para a execução das avaliações individuais, obrigando o corte no encapsulamento do conjunto e desconfiguração do sistema original. 6.3 Impacto do enxofre contido no óleo diesel na eficiência de conversão do SCR e do DOC-slip Após avaliação das emissões do motor com 0, 10000, 200000 e 30000 km percorridos com óleo diesel S2000, foi possível evidenciar que o SCR não foi impactado pelo alto teor de enxofre, pois o mesmo manteve a suas características de conversão de NOx ao longo de toda a durabilidade veicular. Já a eficiência de conversão do HC e do CO foi reduzida significativamente, sugerindo o envenenamento do DOC-slip pelo enxofre. Neste caso, o enxofre se deposita no metal nobre e nos poros do substrato, reduzindo a área superficial e comprometendo a reação catalítica. Os gráficos a seguir mostram os resultados de emissões de HC, CO e NOx do motor com 0, 10000, 20000 e 30000 km, tendo os mesmos sido avaliados no dinamômetro com óleo diesel 2000, 350 e 50 ppm (nessa ordem de teste). 88 Teste ESC - Eficiência de conversão do sistema de pós tratamento (S =2000ppm) 90 Eficiência de Conversão (%) 80 70 NOX 60 CO HC 50 40 30 0 10 20 30 Distância percorrida (kkm ) GRÁFICO VI - Eficiência de conversão do sistema de pós-tratamento em função da quilometragem do veículo (avaliação em dinamômetro com S2000) FONTE: MWM International, 2008 Teste ESC - Eficiência de conversão do sistema de pós tratamento (S = 350ppm) Eficiência de Conversão (%) 90 80 70 NOX CO 60 HC 50 40 30 0 10 20 30 Distância percorrida (kkm ) GRÁFICO VII - Eficiência de conversão do sistema de pós-tratamento em função da quilometragem do veículo (avaliação em dinamômetro com S350) FONTE: MWM International, 2008 Teste ESC - Eficiência de conversão do sistema de pós tratamento (S = 50ppm) 90 Eficiência de conversão(%) 80 70 NOX 60 CO HC 50 40 30 0 10 20 30 Distância percorrida (kkm ) GRÁFICO VIII - Eficiência de conversão do sistema de pós-tratamento em função da quilometragem do veículo (avaliação em dinamômetro com S50) FONTE: MWM International, 2008 89 Através dos gráficos VI, VII e VIII, observou-se uma estabilidade na conversão de NOx, redução média de 14% na eficiência de conversão do HC e de 29% na conversão de CO (média dos três testes com 50, 350 e 2000ppm e distâncias percorridas de 0 e 30000km). Como muitas vezes o envenenamento é reversível, poderia haver situações de utilização onde o sistema no veículo estaria emitindo mais ou menos poluentes (HC e CO) que os observados nas medições em dinamômetro, pois dependendo da temperatura de escape pode ocorrer uma limpeza parcial dos poros e dos metais nobres, aumentando a eficiência de conversão do DOC-slip. Este fato justifica o comportamento não linear de degradação da eficiência de conversão do HC e do CO (principalmente o CO, cuja quantidade emitida é extremamente sensível ao DOC-slip, conforme mostrado na tabela XXII). Com base ao que foi exposto acima, pode-se concluir que o SCR não foi sensível ao alto teor do enxofre utilizado no teste de durabilidade, tendo o mesmo mantido suas características até o término da durabilidade. Com relação ao DOC-slip, sugere-se que o mesmo tenha sofrido envenenamento pelo enxofre pelo fato do aumento significativo nas emissões de HC e de CO. Após o término das avaliações, o SCR foi separado do DOC-slip para verificação da contribuição de cada substrato na emissão dos poluentes. A tabela abaixo mostra o resultado desta avaliação. TABELA XXIII - Eficiência de conversão dos catalisadores em conjunto e separados após teste de durabilidade CICLO ESC Teor de enxofre Material Particulado (g/kW.h) Eficiência de conversão ( % ) NOX (g/kW.h) CO (g/kW/h) HC (g/kW.h) 0,059 Somente DOC-Slip 350ppm 0,049 66 37 74 1 43 49 SCR + Slip SCR only 0,028 66 -32 64 Comparando-se os resultados desta avaliação (tabela XXIII) com os contidos na tabela XXII, há mais um indicativo de que o SCR manteve suas propriedades de conversão e o DOC-slip foi influenciado pelo enxofre. 90 CAPÍTULO 7 – Conclusões e Considerações Finais Com base ao que foi exposto no capítulo anterior, pode-se concluir que o SCR não foi sensível ao alto teor do enxofre utilizado no teste de durabilidade, tendo o mesmo mantido suas características até o término da durabilidade. Com relação ao DOC-slip, sugere-se que o mesmo tenha sofrido envenenamento pelo enxofre pelo fato do aumento significativo nas emissões de HC e de CO. Neste caso, o enxofre se deposita nos metais nobres e nos poros do substrato, reduzindo a área superficial ativa e comprometendo a reação catalítica. Como muitas vezes o envenenamento do catalisador é reversível, poderia haver situações de utilização onde o sistema de pós-tratamento em funcionamento no veículo estaria emitindo mais ou menos poluentes (HC e CO) do que os observados nas medições em dinamômetro, pois dependendo da temperatura dos gases de escape, pode ocorrer uma limpeza parcial dos poros e dos metais nobres, aumentando a eficiência de conversão do DOC-slip. Este fato poderia justificar o comportamento não linear das curvas de eficiência de conversão de HC e CO nas avaliações periódicas ao longo dos 30000 km do teste de durabilidade. Com relação ao impacto do enxofre contido no óleo diesel na emissão de poluentes, confirmou-se que o mesmo tem um impacto significativo na emissão do material particulado, sendo então um fator importante para ser levado em consideração nas novas e rigorosas legislações de emissões. Isto confirma também que as ações dos órgãos reguladores, voltadas para a redução do teor no enxofre no óleo diesel, não só viabilizarão o uso de tecnologias avançadas de pós-tratamento dos gases, como também contribuirão de maneira direta na redução da emissão de partículas ao meio ambiente, assim como a formação de dióxido e trióxido de enxofre, do ácido sulfúrico e da chuva ácida. Resumidamente, é possível extrair três conclusões principais neste estudo: - O SCR não foi afetado pelo enxofre contido no óleo diesel, tendo mantido suas propriedades em termos de conversão de NOx; - Sugere-se que o DOC-slip foi contaminado pelo enxofre pela redução da eficiência de conversão do HC e do CO após os 30000 km de testes; - O teor de enxofre aumenta significativamente as emissões de material particulado à atmosfera. 91 7.1 Trabalhos Futuros Para investigações futuras sobre o impacto do enxofre em tecnologias de póstratamento, sugere-se que seja avaliado também um mesmo veículo e sistema de póstratamento, sob as mesmas condições de teste (rota, distância, temperaturas, calibração, etc.), porém com nível de enxofre abaixo de 50ppm. Com isso, seria possível avaliar comparativamente as eficiências de conversão de HC, CO e NOx e então concluir de maneira objetiva a influência dos diferentes teores de enxofre sob as eficiências de conversão. Sugere-se também a avaliação em mais veículos (mínimo três), para possibilitar a comparação dos resultas e avaliação de repetibilidade. Ao executar os testes de emissões, sugere-se a realização de pelo menos três testes e apresentação do resultado com base na média destes. O objetivo seria reduzir a possibilidade de se utilizar resultados imprecisos por conta de erros de leitura da bancada de emissões. 92 REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA AGUIAR et al. Remoção de enxofre via dessulfurização oxidativa de gasolina sintética com peróxido de hidrogênio e catalisadores de molibdênio, 4.2.074-1, Outubro de 2007. ALVES, L. MESQUITA, E., GIRIO, F., Dessulfurização bacteriana de combustíveis fósseis, Biotecnologia ambiental, abril de 1999. ASNAR, M. Apostila com instruções básicas de operação e manutenção da bancada Horiba MEXA 7100, MWM INTERNATIONAL, 2008. BLAKEMAN et al. Developments in diesel emission aftertreatment technology, SAE 2003-01-3753, 2003. BLUMRICH, S. Evolução constante de tecnologia: catalisadores para o pós-tratamento de gases de exaustão, 3º Fórum de tecnologia de motores Diesel, Set-2006. Dieselnet technology guides, Diesel fuel properties. Disponível em http:// www.dieselnet.com. Acesso em junho/2007. Dieselnet emission standards, Diesel emission standards and test cycles. Disponível em http:// www.dieselnet.com. Acesso em Novembro/2008. GALDINO, A. Uso do gás natural em motores de combustão interna, dissertação para especialização em gás natural, UNICAMP 2000. HELDEN et al. Engine dynamometer and vehicle performance of a urea SCR-system for heavy-duty truck engines, SAE 2002-01-0286, 2002. HEYWOOD, John B. Internal combustion engine fundamentals, 3a edição, editora Mc Graw Hill, 1988. 93 HINZ et al. On the road to 2010 emissions: field test results and analysis with DPF-SCR system and ultra low sulfur diesel fuel, SAE 2005-01-3716, Out-2005. ______. Field test trucks fulfilling EPA’07 emission levels on-road by utilizing the combined DPF and urea-SCR system, SAE 2006-01-0421, Abril-2006. ______. Field test experience of a combined DPF and Urea-SCR system achieving EPA’07 emission levels, SAE 2005-01-3575, Nov-2005. HOCHHAUSER et al. Impact of fuel sulfur on gasoline and diesel vehicle emissions, SAE 2006-013370, 2006. HORIBA. Series 7000 user’s guide, 2005 HÜNNEKES, HEIJDEN e PATCHETT. Ammonia oxidation catalysts for mobile SCR systems, SAE 2006-01-0640, 2006. MINETTO e GONÇALVES. Apresentação seminário cerâmica, UNICAMP, 2008. MICHETTI e KAIANO. Relatório de fechamento de teste de durabilidade, NETZ, Setembro de 2007 NEVERS, N. Air pollution control engineering, segunda edição, editora Mc Graw Hill, 2000. RISHI, A. Apresentação Combustíveis, Motores e Emissões: A realidade, Simpósio Propulsão veicular e a nova matriz energética, SAE, Outubro de 2007 SAYLES, S., BAILOR, J. e OHMES, R. ULSD problems and solutions, KBC advanced technologies Inc, 2004 (pags. 107-115). WALSH et al. Clean Diesels: the key to clean air in São Paulo, SAE 205-01-2215, 2005. WARK, K., WARNER, C. e Davis,W. Air pollution – Its origin and control, 3a edição, editora Addison Wesley Longman, 1998. 94 ANEXOS 95 Tabela A1 Planilha de teste de emissões ESC após 30000 km e diesel com 2000ppm de teor de enxofre CÁLCULO DE PERFORMANCE E EMISSÕES / MOTOR AFTERCOOLER Motor : Dinamômetro : Folha de Teste : Data : Mecânico : Cilindros : Cilindrada unitária : P atmosferica (mmHg) : 6.12TCE 006397 5 243 14/02/08 Cleilton 6 Densidade do combust. (kg/l) : Massa do combust. (g) : Tipo de diesel (S) : Tipo de uréia : Aplicação : Tipo de Pós-tratamento : Fornecedor do Pós-tratamento : Tecnologia do Pós-tratamento : 698,3 0,841 54,85 Slip : Diâmetro da pç (pol) : Comprimento da pç (pol) : Qtd de substratos : Posição do catalis. : Posição do injetor : Modelo do Horiba : Calibração do motor : Importada Investigação SCR Sim 2 7100 WP:p508DNOX10D_6C _950Nm_dino_1 Calibração do DNOx : WP:p497V73_DNOX_6C OBS : 1° Ciclo ESC com particulado após montar SCR do caminhão com 30000 Km e diesel 2000 ppm _26290_07_1 Ponto de Medição (-) Rotação (rpm) Carga (kgf) Num. de voltas (-) Fumaça Obs. (BOSCH) Pressão de óleo (kg/cm²) Temp. Óleo Lubr.(ºC) Temp Agua (ºC) P1 (mm H2O) P21 (mm Hg) P22 (mm Hg) P3 (mm Hg) P4 (mm H2O) T1 (ºC) T21 (ºC) T22 (ºC) T3 (ºC) T4 (ºC) T Combust. (ºC) Inicio de inj. Dinamico (ºAPMS) Débito Inj. Princ. debito de pre inj. Press. Máx. Inj. Bico (bar) ponto de pre inj. Temperatura antes PLU (ºC) Temperatura após PLU (ºC) Pressão Antes PLU (mm H2O) Pressão Após PLU (mm H2O) Vazão PLU (m³/h) "TBS" Medidor de Umidade (ºC) "TBU" Medidor de Umidade (ºC) "TBS" ar-condicionado (ºC) Umidade Rel.do ar-condic. (%) Torque Obs. (m.kgf) Potencia Obs. (cv) PME Obs. (bar) Cons. Esp. Obs. (g/cv.h) Fator Correção. NBR ISO 1585 Torque Corr. (m.kgf) Potencia Corr. (cv) PME Corr. (bar) Cons. Esp. Corr. (g/cv.h) Rel. P21/P1 Rel. P3/P4 Rel. P22/P3 Fator Peso (-) Leitura CO - depois (ppm) Leitura CO2 - depois (%) Leitura O2 - depois (%) Leitura NOX - depois (ppm) Leitura HC - depois (ppm) Leitura CO - antes (ppm) Leitura CO2 - antes (%) Leitura O2 - antes (%) Leitura NOX - antes (ppm) Leitura HC - antes (ppm) Fluxo combustível (kg/h) Fluxo ar PLU (kg/h) Fluxo escape (kg/h) Lambda V (-) 1 699 0,3 2731 0,08 2,3 87,7 75,3 35 14 12 38 75 16,4 27,2 31,7 127 153 39,1 2 1647 137,4 161 0,28 4,1 104,5 81,6 356 1010 983 918 1627 14,3 138,0 32,8 606 494 40,0 3 1775 67,8 313 0,40 4,5 98,7 78,2 215 526 504 588 901 14,8 87,4 32,0 443 371 40,3 4 1775 101,3 215 0,34 4,3 101,5 80,1 331 835 803 859 1384 14,8 120,4 33,3 523 422 40,3 5 1644 68,7 313 0,56 4,4 97,1 78,0 171 471 453 498 742 14,8 80,8 31,7 448 378 40,4 6 1646 103,0 214 0,42 4,2 100,5 80,0 270 769 746 741 1186 14,1 112,9 32,2 529 433 40,4 7 1646 34,5 563 0,28 4,5 94,6 77,5 118 223 208 310 443 14,4 50,7 31,2 318 285 40,6 8 1776 135,2 160 0,34 4,1 104,3 82,4 403 1029 996 974 1865 13,6 138,5 32,9 614 505 40,7 9 1774 33,9 553 0,23 4,6 95,9 78,0 147 262 244 370 512 14,1 55,9 31,4 316 280 40,4 10 1915 134,7 158 0,31 4,3 105,6 83,4 469 1045 1007 1044 2179 13,3 139,8 33,1 631 521 40,5 11 1913 33,6 549 0,24 4,6 96,0 78,2 172 312 291 448 598 13,4 61,5 31,0 317 272 40,5 12 1913 100,5 213 0,35 4,5 102,7 80,4 409 923 886 1010 1689 12,7 126,7 32,8 518 411 40,4 13 1914 66,8 313 0,36 4,5 99,5 78,7 269 606 578 721 1087 12,6 94,2 32,2 434 353 40,5 13,0 13,0 204 299 778,0 13,9 11,4 0,0 0,0 96,8 240,1 16,8 152,1 1,001 97,0 240,5 16,8 151,9 2,583 2,002 1,013 0,09000 35,00 9,05 8,2 268,0 19,0 65,00 9,10 8,26 1233,00 53,00 13,0 13,1 42 113 430,0 13,9 11,3 0,0 0,0 24,3 60,1 4,2 175,6 1,001 24,3 60,2 4,2 175,3 1,397 1,452 0,882 0,10000 36,00 4,48 14,4 639,0 27,0 64,00 4,54 14,39 649,00 72,00 12,8 12,7 241 332 846,0 13,6 11,2 0,0 0,0 96,5 258,0 16,7 154,6 1,001 96,6 258,2 16,7 154,5 2,626 2,029 0,979 0,08000 32,00 9,00 8,4 279,0 19,0 63,00 9,25 8,13 1180,00 54,00 12,2 12,4 58 131 485,0 13,4 10,7 0,0 0,0 24,1 64,3 4,2 178,4 1,001 24,1 64,3 4,2 178,3 1,473 1,544 0,863 0,05000 61,00 4,35 14,6 596,0 31,0 189,00 4,37 14,52 601,00 82,00 11,9 12,1 203 302 785,0 12,9 10,5 0,0 0,0 72,0 192,3 12,5 153,7 1,000 72,0 192,3 12,5 153,7 2,426 2,077 0,927 0,05000 45,00 7,09 10,9 375,0 27,0 63,00 7,08 10,98 956,00 60,00 11,5 11,6 120 211 628,0 12,7 10,0 0,0 0,0 47,8 127,9 8,3 157,4 1,000 47,8 127,9 8,3 157,4 1,922 1,824 0,899 0,05000 45,00 5,89 12,5 344,0 30,0 55,00 6,05 12,36 858,00 66,00 856,3 892,8 482,1 492,7 928,5 968,4 544,2 555,7 867,0 896,5 701,2 721,3 Confidencial 11,8 13,2 -18 20 124,0 15,2 10,6 0,0 0,0 0,2 0,2 0,0 4016,8 1,003 0,2 0,2 0,0 4004,5 1,024 1,046 0,965 0,15000 11,00 1,21 19,0 169,0 15,0 239,00 1,17 19,05 172,00 130,00 13,8 13,6 177 249 718,0 14,4 12,2 0,0 0,0 98,4 226,3 17,0 148,8 1,003 98,7 226,9 17,1 148,4 2,542 1,976 1,040 0,08000 28,00 9,06 8,3 154,0 14,0 62,00 9,13 8,35 1309,00 49,00 14,2 14,1 95 161 552,0 14,7 12,4 0,0 0,0 48,6 120,3 8,4 155,1 1,002 48,7 120,6 8,4 154,7 1,794 1,682 0,935 0,10000 33,00 6,34 11,9 302,0 20,0 54,00 6,38 11,80 878,00 57,00 14,4 14,2 161 241 691,0 14,8 12,7 0,0 0,0 72,6 179,8 12,6 151,1 1,002 72,7 180,2 12,6 150,8 2,275 1,946 0,964 0,10000 36,00 7,48 10,5 215,0 23,0 55,00 7,50 10,43 1016,00 58,00 13,8 13,9 63 131 487,0 14,7 12,3 0,0 0,0 49,2 112,9 8,5 153,0 1,002 49,3 113,2 8,5 152,7 1,705 1,589 0,962 0,05000 45,00 6,63 11,6 338,0 27,0 65,00 6,63 11,63 954,00 74,00 140,4 141,3 791,6 825,3 613,2 631,9 761,2 788,4 543,4 560,6 13,1 13,2 116 206 613,0 14,2 11,6 0,0 0,0 73,8 169,5 12,8 149,3 1,001 73,9 169,8 12,8 149,1 2,163 1,832 1,003 0,05000 36,00 7,79 10,0 226,0 22,0 52,00 7,78 10,08 1122,00 61,00 12,8 13,1 27 93 380,0 14,2 11,2 0,0 0,0 24,7 56,8 4,3 169,4 1,002 24,7 56,9 4,3 169,2 1,336 1,380 0,899 0,05000 69,00 4,58 14,3 652,0 32,0 164,00 4,61 14,27 648,00 96,00 Confidencial 680,9 427,0 706,2 436,6 Confidencial 96 Fluxo Ar CO2 (kg/h) - depois 145,5 753,3 603,0 740,8 533,3 661,2 Fluxo Ar CO2 (kg/h) - antes 150,5 747,8 599,3 738,9 533,3 662,0 Dif. CO2/PLU (%) 3,6 -4,8 -1,7 -2,7 -1,8 -2,9 Fluxo ar Spindt (kg/h) - depois 144,0 793,9 618,1 772,8 550,8 691,0 Fluxo ar Spindt (kg/h) - antes 144,7 794,4 614,0 769,8 552,1 693,3 Dif. SPI/PLU (%) 2,5 0,3 0,8 1,5 1,4 1,5 Correção NOX (-) 1,0156 0,9817 1,0116 1,0030 1,0065 0,9869 Correção Seca/Úmida 0,9888 0,9206 0,9432 0,9334 0,9406 0,9307 C.Corr.CO2 (%) 1,21 9,06 6,34 7,48 6,63 7,79 C.Corr.NOX (ppm) 171,6 151,2 305,5 215,6 340,2 223,0 c.corr.CO (ppm) 11,0 28,0 33,0 36,0 45,0 36,0 C.Corr.HC (ppm) 15,0 14,0 20,0 23,0 27,0 22,0 Concen O2 (%) 19,01 8,26 11,85 10,47 11,56 10,01 C.Corr.CO2 (%) - antes 1,17 9,13 6,38 7,50 6,63 7,78 C.Corr.NOX (ppm) - antes 174,7 1285,1 888,2 1019,0 960,2 1107,3 c.corr.CO (ppm) - antes 239,0 62,0 54,0 55,0 65,0 52,0 C.Corr.HC (ppm) - antes 130,0 49,0 57,0 58,0 74,0 61,0 19,05 8,35 11,80 10,43 11,63 10,08 Concen O2 (%) - antes Fluxo NOX (g/h) - depois 38,5 198,0 306,4 269,8 302,7 250,0 Fluxo CO (g/h) - depois 1,5 22,3 20,1 27,4 24,4 24,6 Fluxo HC (g/h) - depois 1,0 5,5 6,0 8,7 7,2 7,4 Fluxo NOX (g/h) - antes 39,2 1683,1 890,7 1275,0 854,3 1241,0 Fluxo CO (g/h) - antes 32,6 49,4 33,0 41,9 35,2 35,5 Fluxo HC (g/h) - antes 8,8 19,3 17,2 21,9 19,8 20,6 Pot.OBS (kW) 0,2 166,4 88,5 132,2 83,1 124,7 EE NOX (g/kW.h) - depois 249,47 1,19 3,46 2,04 3,64 2,00 EE CO (g/kW.h) - depois 9,73 0,13 0,23 0,21 0,29 0,20 EE HC (g/kW.h) - depois 6,57 0,03 0,07 0,07 0,09 0,06 EE NOX (g/kW.h) - antes 253,90 10,11 10,06 9,64 10,28 9,95 EE CO (g/kW.h) - antes 211,46 0,30 0,37 0,32 0,42 0,28 EE HC (g/kW.h) - antes 56,91 0,12 0,19 0,17 0,24 0,17 Cond.Atmosf. p/ NBR ISO 1585 (-) 1,015 1,009 1,011 1,011 1,011 1,007 Cond.Atmosf. p/ Emissões (-) 1,000 0,998 1,000 1,001 1,000 0,997 Fluxo fuligem estim. MIRA(mg/m³) 1,759 6,530 9,662 8,069 14,175 10,204 Fluxo de fuligem estim.MIRA (g/h) 0,206 4,475 5,070 5,283 6,600 5,985 E.esp.Fuligem estim.MIRA(g/kW.h) 1,338 0,027 0,057 0,040 0,079 0,048 Fluxo fuligem estim. FEV(mg/m³) 13,115 16,875 19,370 18,099 22,999 19,805 Fluxo de fuligem estim.FEV(g/h) 1,539 11,565 10,164 11,850 10,708 11,615 E.esp.Fuligem estim.FEV(g/kW.h) 9,975 0,069 0,115 0,090 0,129 0,093 Effic. NOX (%) 2 88 66 79 65 80 Effic. CO (%) 95 55 39 35 31 31 Effic. HC (%) 88 71 65 60 64 64 Temperatura Cat. antes (°C) 171,7 422,9 325,2 367,8 321,4 371,4 Temperatura Cat. depois (°C) 297,4 437,1 336,1 377,4 330,1 380,4 Alpha (-) 0,0 0,9 0,7 0,8 0,7 0,8 Velocidade Espacial (1/h) 8216 45982 35682 44295 31617 39525 Débito de Uréia teórico (g/h) 0,000 3130,000 1233,000 2095,000 1178,000 2015,000 67 Emiss.específica média de NOX (g/kW.h) 3,28 9,98 Emiss.específica média de CO (g/kW/h) 0,23 0,47 Emiss.específica média de HC (g/kW.h) Emiss.especifica média de fuligem estim. MIRA (g/kW.h) Emiss.especifica média de fuligem estim. FEV (g/kW.h) Erro vazão de ar estim.pela concen.CO2 (%) Erro vazão de ar estim. pela equ. Spindt (%) Potência média do ciclo (kW) Cons.Específico médio do ciclo (OBS) (g/cv.h) Material Particulado (g/Kwh) 0,07 0,20 0,042 0,096 -2,2 1,4 -2,8 0,7 97,52 155,4 0,174 Depois Antes 51 65 Effic. (%) 432,8 817,6 430,1 813,3 1,4 -4,5 439,2 860,9 434,5 859,4 2,9 0,5 1,0128 0,9738 0,9580 0,9204 4,58 9,05 660,3 261,0 69,0 35,0 32,0 19,0 14,34 8,24 4,61 9,10 656,3 1200,7 164,0 65,0 96,0 53,0 14,27 8,26 457,5 369,8 29,1 30,2 6,7 8,1 454,7 1701,3 69,2 56,1 20,0 22,6 41,8 176,6 10,95 2,09 0,70 0,17 0,16 0,05 10,89 9,63 1,66 0,32 0,48 0,13 1,008 1,005 0,996 0,995 6,530 8,069 2,368 5,983 0,057 0,034 16,875 18,099 6,119 13,420 0,146 0,076 -1 78 58 46 67 64 251,9 433,1 264,5 442,0 0,0 0,8 24811 49619 0,000 2765,000 486,0 896,9 479,7 873,7 0,8 -3,4 491,0 946,9 485,6 927,0 1,8 2,0 1,0204 0,9723 0,9592 0,9199 4,48 9,00 652,0 271,3 36,0 32,0 27,0 19,0 14,40 8,35 4,54 9,25 662,2 1147,3 64,0 63,0 72,0 54,0 14,39 8,13 509,8 416,9 17,1 29,9 6,4 8,8 517,8 1763,1 30,5 58,9 17,0 25,0 44,2 189,7 11,53 2,20 0,39 0,16 0,14 0,05 11,71 9,29 0,69 0,31 0,38 0,13 1,007 1,004 0,995 0,993 5,286 7,293 2,162 5,865 0,049 0,031 15,890 17,481 6,501 14,058 0,147 0,074 2 76 44 49 63 65 254,0 448,7 264,1 455,5 0,0 0,8 27984 53744 0,000 2803,000 544,0 850,1 699,6 541,5 851,2 681,7 0,0 -2,0 -0,2 549,5 881,9 716,7 543,5 884,5 700,7 1,0 1,7 2,2 1,0167 0,9879 0,9943 0,9607 0,9365 0,9465 4,35 7,09 5,89 606,0 370,5 342,0 61,0 45,0 45,0 31,0 27,0 30,0 14,61 10,92 12,49 4,37 7,08 6,05 611,1 944,5 853,1 189,0 63,0 55,0 82,0 60,0 66,0 14,52 10,98 12,36 534,4 527,1 391,5 32,7 39,0 31,4 8,2 11,6 10,3 538,9 1343,8 976,6 101,5 54,6 38,3 21,8 25,7 22,8 47,3 141,4 94,0 11,30 3,73 4,16 0,69 0,28 0,33 0,17 0,08 0,11 11,40 9,50 10,39 2,15 0,39 0,41 0,46 0,18 0,24 1,004 1,001 1,000 0,992 0,989 0,988 5,532 8,331 8,594 2,553 6,203 5,148 0,054 0,044 0,055 16,084 18,308 18,518 7,422 13,631 11,092 0,157 0,096 0,118 1 61 60 68 29 18 62 55 55 245,4 364,1 314,4 252,4 371,1 322,1 0,0 0,7 0,6 31513 50080 40488 0,000 1770,000 1255,000 97 Tabela A2 Planilha de teste de emissões ESC após 20000 km e diesel com 2000ppm de teor de enxofre CÁLCULO DE PERFORMANCE E EMISSÕES / MOTOR AFTERCOOLER Motor: 612 . TCE 006397 P.Atm.(mmHg): 702,8 Avanço centrif.: Dinamometro: 5 Dens.Comb.(kg/l): 0,841 Tubos Alta press.: Folha de teste: 220 Massa Comb.(g): 53,84 Turbo Fabr./Aerod.: 9/ago/07 Taxa Compress.: 16,9:1 Bico Injetor: Data: Mecanico(s): Cleilton Tipo Pistão: Pto Injeção est.: Cilindros: 6 Bomba Inetora: CP3.3 Prof. Bico H (mm) Cilindrada Unitária: Num. de série: Cam.Combust.: WP:P508DNOX10D_6C_950Nm_dino_1 Regulador: eletrônico Eixo Comando: Arquivo de Mapas: 1º ESC com SCR do caminhão com 20000 km usando diesel 2000ppm. Dataset: Dnox_6C_26290_07_1. Ponto de Medição (-) Rotação (rpm) Carga (kgf) Num. de voltas (-) Fumaça Obs. (BOSCH) Pressão de óleo (kg/cm²) Temp. Óleo Lubr.(ºC) Temp Agua (ºC) P1 (mm H2O) P21 (mm Hg) P22 (mm Hg) P3 (mm Hg) P4 (mm H2O) T1 (ºC) T21 (ºC) T22 (ºC) T3 (ºC) T4 (ºC) T Combust. (ºC) Inicio de inj. Dinamico (ºAPMS) Débito Inj. Princ. debito de pre inj. Press. Máx. Inj. Bico (bar) ponto de pre inj. Temperatura antes PLU (ºC) Temperatura após PLU (ºC) Pressão Antes PLU (mm H2O) Pressão Após PLU (mm H2O) Vazão PLU (m³/h) "TBS" Medidor de Umidade (ºC) "TBU" Medidor de Umidade (ºC) Torque Obs. (m.kgf) Potencia Obs. (cv) PME Obs. (bar) Cons. Esp. Obs. (g/cv.h) Fator Correção. NBR ISO 1585 Torque Corr. (m.kgf) Potencia Corr. (cv) PME Corr. (bar) Cons. Esp. Corr. (g/cv.h) Fumaça corr. NBR 5478 (BOSCH) K legislação Rel. P21/P1 Rel. P3/P4 Rel. P22/P3 Fator Peso (-) Leitura CO (ppm) Leitura CO2 (%) Leitura O2 (%) Leitura NOX (ppm) Leitura HC (ppm) Leitura CO - antes (ppm) Leitura CO2 (%) - antes Leitura O2 (%) - antes Leitura NOX - antes (ppm) Leitura HC - antes (ppm) TSCR_pre TSCR pos Tadblue vaz adblue Fluxo combustível (kg/h) 1 700 0,0 2727 0,04 2,2 90,3 74,0 13 19 11 42 106 18,1 30,2 31,0 152 180 40,5 2 1644 137,4 162 0,30 4,2 103,0 79,7 552 1018 942 967 1490 13,6 139,4 30,1 609 495 40,4 3 1777 67,6 316 0,38 4,6 98,7 77,9 320 524 461 609 862 14,5 87,5 27,9 448 374 40,4 4 1777 101,3 215 0,31 4,4 102,0 79,5 528 840 759 899 1310 15,8 123,2 29,5 530 427 40,5 5 1642 68,5 317 0,49 4,4 98,5 77,4 249 472 420 520 715 15,2 82,3 28,1 448 381 40,3 6 1641 102,9 215 0,46 4,3 101,1 79,2 412 777 707 774 1099 14,4 114,6 29,3 532 437 40,0 13,4 14,4 -38 35 124,0 16,8 11,4 0,0 0,0 0,0 0,0 1,004 0,0 0,0 0,0 0,0 0,00 0,02 1,028 1,048 0,958 0,15000 10,00 1,22 19,4 172,0 7,0 223,00 1,20 19,50 175,00 120,00 200 37 25 0 12,7 13,1 135 263 696,0 14,4 10,1 98,4 225,9 17,0 145,1 1,000 98,4 225,8 17,0 145,2 0,00 0,03 2,599 2,055 0,985 0,08000 35,00 9,41 7,9 182,0 10,0 54,00 9,34 7,91 1415,00 48,00 423 36 26 3130 13,6 13,7 51 171 531,0 14,8 10,6 48,4 120,1 8,4 151,2 1,001 48,4 120,2 8,4 151,1 0,00 0,03 1,806 1,712 0,887 0,10000 43,00 6,63 11,7 330,0 16,0 54,00 6,89 11,63 950,00 57,00 322 35 26 1228 16,4 15,8 111 261 674,0 16,3 11,5 72,6 180,0 12,6 148,3 1,002 72,7 180,3 12,6 148,1 0,00 0,03 2,324 2,004 0,913 0,10000 43,00 7,85 10,1 260,0 15,0 51,00 7,79 10,11 1092,00 54,00 370 36 26 2095 13,9 14,2 19 153 473,0 15,6 10,9 49,1 112,5 8,5 148,8 1,001 49,1 112,6 8,5 148,6 0,00 0,03 1,716 1,619 0,918 0,05000 46,00 6,90 11,1 388,0 16,0 62,00 6,86 11,30 1044,00 60,00 322 34 24 1178 13,6 13,8 68 213 595,0 15,0 11,6 73,7 168,9 12,8 146,0 1,001 73,8 169,0 12,8 145,9 0,00 0,03 2,200 1,885 0,955 0,05000 43,00 8,17 9,6 234,0 15,0 50,00 8,12 9,46 1184,00 56,00 370 34 22 2015 7 1642 34,4 564 0,25 4,6 94,1 77,1 150 224 181 316 446 14,4 50,4 28,5 324 286 39,9 Confidencial 12,6 13,2 -19 110 368,0 14,5 10,8 24,6 56,5 4,3 166,5 1,001 24,7 56,5 4,3 166,4 0,00 0,03 1,340 1,385 0,867 0,05000 86,00 4,80 13,8 704,0 24,0 160,00 4,82 13,79 707,00 88,00 246 33 20 0 Confidencial eletrônico NP Ventilador: Nível Swirl: Tipo de Diesel: Cabeçote: NP 2 NP NP 8 1776 134,8 161 0,36 4,3 104,0 80,4 633 1039 949 1021 1717 14,9 142,4 32,6 623 511 40,1 9 1775 33,7 563 0,23 4,7 95,4 77,5 183 256 205 364 515 14,6 54,8 30,0 324 286 39,9 10 1916 133,3 160 0,38 4,4 107,0 80,9 744 1060 953 1085 2009 14,8 144,1 35,1 649 537 40,1 11 1915 33,6 557 0,24 4,7 97,3 77,9 238 309 249 439 579 14,0 61,3 31,6 331 285 39,9 12 1917 100,5 214 0,35 4,6 103,1 80,0 662 928 832 1036 1561 14,6 130,7 35,0 535 426 39,8 13 1916 66,9 315 0,37 4,6 100,3 78,2 417 605 528 725 1015 14,2 96,1 33,1 449 369 39,5 15,6 15,1 148 303 759,0 15,8 13,8 96,5 239,4 16,7 148,8 1,002 96,8 240,0 16,7 148,5 0,00 0,03 2,654 2,079 0,958 0,09000 41,00 9,52 7,9 250,0 12,0 64,00 9,44 8,04 1270,00 50,00 437 34 20 2765 13,3 13,5 -10 123 410,0 14,8 11,5 24,1 59,8 4,2 170,3 1,001 24,2 59,9 4,2 170,1 0,00 0,03 1,391 1,440 0,851 0,10000 48,00 4,82 14,0 701,0 21,0 64,00 4,81 14,28 700,00 70,00 247 32 19 0 15,7 15,3 180 346 812,0 15,9 14,1 95,5 255,4 16,5 151,5 1,002 95,7 256,0 16,6 151,1 0,00 0,03 2,720 2,102 0,926 0,08000 37,00 9,68 7,4 288,0 12,0 66,00 9,60 7,55 1232,00 51,00 463 34 19 2803 12,6 13,1 11 148 462,0 14,3 11,0 24,1 64,3 4,2 172,6 1,000 24,1 64,4 4,2 172,6 0,00 0,03 1,476 1,532 0,834 0,05000 90,00 4,66 14,1 646,0 23,0 154,00 4,67 14,13 642,00 81,00 252 31 19 0 15,5 15,0 151 301 757,0 15,5 13,8 72,0 192,7 12,5 150,2 1,001 72,1 192,9 12,5 150,0 0,00 0,03 2,493 2,127 0,883 0,05000 49,00 7,69 10,1 360,0 18,0 61,00 7,62 10,12 1005,00 56,00 373 31 18 1770 14,0 14,0 76 206 600,0 14,7 12,3 47,9 128,2 8,3 153,3 1,001 47,9 128,3 8,3 153,2 0,00 0,03 1,946 1,837 0,862 0,05000 49,00 6,45 11,8 344,0 20,0 55,00 6,41 11,78 891,00 62,00 319 30 17 1255 98 Fluxo Ar CO2 (kg/h) 142,1 706,4 Fluxo Ar CO2 (kg/h) - antes 144,5 711,4 Dif. CO2/PLU (%) 1,0 -8,9 Fluxo ar Spindt (kg/h) 143,3 749,8 Fluxo ar Spindt (kg/h) - antes 142,5 751,5 Dif. SPI/PLU (%) 1,9 -3,3 Correção NOX (-) 1,0043 0,9549 Correção Seca/Úmida 0,9890 0,9213 C.Corr.CO2 (%) 1,22 9,41 C.Corr.NOX (ppm) 172,7 173,8 c.corr.CO (ppm) 10,0 35,0 C.Corr.HC (ppm) 7,0 10,0 Concen O2 (%) 19,39 7,91 C.Corr.CO2 (%) - antes 1,20 9,34 C.Corr.NOX (ppm) - antes 175,7 1351,2 c.corr.CO (ppm) - antes 223,0 54,0 C.Corr.HC (ppm) - antes 120,0 48,0 Concen O2 (%) - antes 19,50 7,91 Fluxo NOX (g/h) 38,8 223,0 Fluxo CO (g/h) 1,4 27,3 Fluxo HC (g/h) 0,5 3,9 Fluxo NOX (g/h) - antes 39,5 1733,7 Fluxo CO (g/h) - antes 30,5 42,2 Fluxo HC (g/h) - antes 8,1 18,6 Pot.OBS (kW) 0,0 166,1 EE NOX (g/kW.h) 0,00 1,34 EE CO (g/kW.h) 0,00 0,16 EE HC (g/kW.h) 0,00 0,02 EE NOX (g/kW.h) - antes 0,00 10,44 EE CO (g/kW.h) - antes 0,00 0,25 EE HC (g/kW.h) - antes 0,00 0,11 Cond.Atmosf. p/ NBR ISO 1585 (-) 1,018 0,999 Cond.Atmosf. p/ Emissões (-) 1,004 0,991 Fluxo fuligem estim. MIRA(mg/m³) 0,869 7,037 Fluxo de fuligem estim.MIRA (g/h) 0,102 4,725 E.esp.Fuligem estim.MIRA(g/kW.h) 0,000 0,028 Fluxo fuligem estim. FEV(mg/m³) 12,420 17,278 Fluxo de fuligem estim.FEV(g/h) 1,459 11,601 E.esp.Fuligem estim.FEV(g/kW.h) 0,000 0,070 Emiss.específica média de NOX (g/kW.h) Emiss.específica média de CO (g/kW/h) Emiss.específica média de HC (g/kW.h) Emiss.especifica média de fuligem estim. MIRA (g/kW.h) Emiss.especifica média de fuligem estim. FEV (g/kW.h) Erro vazão de ar estim.pela concen.CO2 (%) Erro vazão de ar estim. pela equ. Spindt (%) Potência média do ciclo (kW) Cons.Específico médio do ciclo (OBS) (g/cv.h) Material Particulado (g/Kwh) 560,9 540,4 -5,9 581,9 568,5 -2,3 0,9783 0,9432 6,63 322,8 43,0 16,0 11,67 6,89 929,4 54,0 57,0 11,63 314,6 25,5 4,7 905,6 32,0 16,7 88,4 3,56 0,29 0,05 10,25 0,36 0,19 1,003 0,994 9,125 4,653 0,053 18,941 9,659 0,109 693,4 496,1 615,1 698,5 498,9 618,8 -6,8 -6,6 -7,6 727,6 511,5 645,2 731,9 516,8 643,3 -2,2 -3,8 -3,0 0,9704 0,9738 0,9801 0,9331 0,9414 0,9309 7,85 6,90 8,17 252,3 377,8 229,3 43,0 46,0 43,0 15,0 16,0 15,0 10,05 11,13 9,57 7,79 6,86 8,12 1059,7 1016,7 1160,4 51,0 62,0 50,0 54,0 60,0 56,0 10,11 11,30 9,46 308,6 328,7 251,2 32,0 24,4 28,7 5,5 4,2 4,9 1296,1 884,4 1270,9 38,0 32,8 33,3 19,9 15,7 18,5 132,4 82,7 124,2 2,33 3,97 2,02 0,24 0,29 0,23 0,04 0,05 0,04 9,79 10,69 10,23 0,29 0,40 0,27 0,15 0,19 0,15 1,009 1,006 1,004 1,002 0,998 0,996 7,293 12,152 11,308 4,667 5,532 6,480 0,035 0,067 0,052 17,481 21,367 20,689 11,188 9,727 11,857 0,085 0,118 0,095 3,38 10,27 67 0,27 0,44 37 0,05 0,18 75 0,041 0,094 -7,0 -6,8 -3,2 -3,0 97,23 97,23 151,8 151,8 0,134 Depois Antes Effic. (%) 403,8 402,2 -3,1 405,3 403,0 -2,8 0,9997 0,9580 4,80 703,8 86,0 24,0 13,80 4,82 706,8 160,0 88,0 13,79 476,1 35,4 4,9 478,1 65,9 17,9 41,5 11,46 0,85 0,12 11,51 1,59 0,43 1,003 0,993 5,779 2,046 0,049 16,280 5,763 0,139 761,1 767,3 -9,0 811,2 818,5 -3,0 0,9949 0,9204 9,52 248,7 41,0 12,0 7,90 9,44 1263,5 64,0 50,0 8,04 344,2 34,5 5,0 1748,6 53,9 20,8 176,1 1,95 0,20 0,03 9,93 0,31 0,12 1,008 1,002 8,594 6,224 0,035 18,518 13,410 0,076 436,3 437,2 -5,8 442,3 448,2 -4,5 1,0109 0,9590 4,82 708,6 48,0 21,0 14,00 4,81 707,6 64,0 70,0 14,28 532,3 21,9 4,8 531,5 29,3 15,8 44,0 12,10 0,50 0,11 12,08 0,67 0,36 1,004 0,995 5,286 2,078 0,047 15,890 6,246 0,142 812,2 818,6 -8,8 856,6 863,4 -3,8 0,9966 0,9188 9,68 287,0 37,0 12,0 7,43 9,60 1227,8 66,0 51,0 7,55 423,4 33,2 5,3 1811,0 59,3 22,7 187,8 2,25 0,18 0,03 9,64 0,32 0,12 1,008 1,003 9,125 7,043 0,037 18,941 14,619 0,078 492,2 491,2 -5,6 496,2 494,1 -4,9 1,0089 0,9603 4,66 651,7 90,0 23,0 14,14 4,67 647,7 154,0 81,0 14,13 551,0 46,3 5,9 547,6 79,2 20,6 47,3 11,64 0,98 0,12 11,57 1,67 0,44 1,002 0,992 5,532 2,447 0,052 16,084 7,115 0,150 770,3 777,1 -7,7 797,4 801,9 -4,4 1,0175 0,9352 7,69 366,3 49,0 18,0 10,08 7,62 1022,6 61,0 56,0 10,12 501,9 40,9 7,4 1401,2 50,9 23,1 141,7 3,54 0,29 0,05 9,89 0,36 0,16 1,007 1,001 8,331 5,973 0,042 18,308 13,126 0,093 625,6 629,4 -6,7 641,4 644,1 -4,3 1,0114 0,9453 6,45 347,9 49,0 20,0 11,75 6,41 901,2 55,0 62,0 11,78 381,0 32,7 6,6 986,8 36,7 20,4 94,3 4,04 0,35 0,07 10,47 0,39 0,22 1,004 0,995 8,859 5,076 0,054 18,729 10,731 0,114 99 Tabela A3 Planilha de teste de emissões ESC após 10000 km e diesel com 2000ppm de teor de enxofre CÁLCULO DE PERFORMANCE E EMISSÕES / MOTOR AFTERCOOLER Motor: 612 . TCE 006397 P.Atm.(mmHg): 703,6 Avanço centrif.: eletrônico Dinamometro: 5 Dens.Comb.(kg/l): 0,841 Tubos Alta press.: NP Folha de teste: 160 Massa Comb.(g): 54,77 Turbo Fabr./Aerod.: 27/06/07 Taxa Compress.: 16,9:1 Bico Injetor: NP Data: Mecanico(s): Fabio / Jose Carlos Tipo Pistão: NP Pto Injeção est.: Cilindros: Bomba Inetora: CP3.3 Prof. Bico H (mm) 2 Cilindrada Unitária: Num. de série: Cam.Combust.: NP WP:P508DNOX10D_6C_950Nm_dino_1 Regulador: eletrônico Eixo Comando: NP Arquivo de Mapas: 1º ESC com SCR do caminhão com 10000 km usando diesel 2000ppm . Data set Dnox: WP: P497V73_DNox_6C_26290_06_1 Ponto de Medição (-) Rotação (rpm) Carga (kgf) Num. de voltas (-) Fumaça Obs. (BOSCH) Pressão de óleo (kg/cm²) Temp. Óleo Lubr.(ºC) Temp Agua (ºC) P1 (mm H2O) P21 (mm Hg) P22 (mm Hg) P3 (mm Hg) P4 (mm H2O) T1 (ºC) T21 (ºC) T22 (ºC) T3 (ºC) T4 (ºC) T Combust. (ºC) Inicio de inj. Dinamico (ºAPMS) Débito Inj. Princ. debito de pre inj. Press. Máx. Inj. Bico (bar) ponto de pre inj. Temperatura antes PLU (ºC) Temperatura após PLU (ºC) Pressão Antes PLU (mm H2O) Pressão Após PLU (mm H2O) Vazão PLU (m³/h) "TBS" Medidor de Umidade (ºC) "TBU" Medidor de Umidade (ºC) "TBS" ar-condicionado (ºC) Umidade Rel.do ar-condic. (%) Torque Obs. (m.kgf) Potencia Obs. (cv) PME Obs. (bar) Cons. Esp. Obs. (g/cv.h) Fator Correção. NBR ISO 1585 Torque Corr. (m.kgf) Potencia Corr. (cv) PME Corr. (bar) Cons. Esp. Corr. (g/cv.h) Fumaça corr. NBR 5478 (BOSCH) K legislação Rel. P21/P1 Rel. P3/P4 Rel. P22/P3 Fator Peso (-) Leitura CO (ppm) Leitura CO2 (%) Leitura O2 (%) Leitura NOX (ppm) Leitura HC (ppm) Leitura CO - antes (ppm) Leitura CO2 (%) - antes Leitura O2 (%) - antes Leitura NOX - antes (ppm) Leitura HC - antes (ppm) TSCR_pre TSCR pos Fluxo combustível (kg/h) 1 900 0,0 2477 0,08 3,5 87,5 76,1 40 28 15 66 103 16,0 26,5 27,7 135 147 39,3 2 1637 136,1 162 0,36 4,6 100,0 79,5 575 1005 930 969 1536 15,8 141,4 28,8 604 488 37,6 3 1774 66,8 316 0,50 4,8 98,7 78,3 336 514 453 595 889 15,4 87,7 26,7 450 378 39,1 4 1776 100,9 217 0,40 4,7 101,1 79,3 540 819 740 874 1357 15,2 120,7 27,4 530 430 38,6 5 1637 67,9 316 0,65 4,7 98,5 77,7 259 451 401 497 758 15,4 80,1 26,3 455 389 39,5 6 1636 101,1 216 0,54 4,6 100,5 78,8 401 733 669 737 1135 14,8 111,5 26,9 534 442 38,8 11,6 13,0 -10 35 164,6 15,3 10,3 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 1,002 0,0 0,0 0,0 0,0 0,00 0,02 1,044 1,082 0,934 0,15000 10,00 1,31 18,1 130,0 12,0 265,00 1,26 18,87 131,00 171,00 154 244 17,0 16,2 167 253 699,4 16,6 15,1 0,0 0,0 97,5 222,8 16,9 149,0 1,004 97,9 223,7 16,9 148,4 0,00 0,03 2,584 2,048 0,977 0,08000 39,00 9,43 7,9 154,0 11,0 57,00 9,37 7,92 1312,00 47,00 409 404 15,0 14,9 85 163 532,6 15,8 13,3 0,0 0,0 47,8 118,5 8,3 155,7 1,002 47,9 118,7 8,3 155,4 0,00 0,03 1,794 1,689 0,891 0,10000 39,00 6,67 11,5 307,0 17,0 55,00 6,64 11,63 887,00 59,00 322 334 15,6 15,4 146 241 667,8 15,8 13,8 0,0 0,0 72,3 179,2 12,5 150,1 1,002 72,4 179,5 12,5 149,8 0,00 0,03 2,293 1,964 0,915 0,10000 44,00 7,93 10,0 214,0 17,0 55,00 7,85 9,97 1035,00 55,00 368 367 14,6 14,7 54 135 469,4 15,6 12,9 0,0 0,0 48,6 111,2 8,4 153,2 1,002 48,7 111,3 8,4 152,9 0,15 0,06 1,687 1,581 0,920 0,05000 44,00 6,99 11,1 351,0 17,0 68,00 6,95 11,17 990,00 65,00 324 337 14,6 14,5 102 193 583,2 15,4 12,8 0,0 0,0 72,4 165,4 12,5 150,5 1,001 72,5 165,6 12,5 150,3 0,04 0,04 2,131 1,830 0,953 0,05000 39,00 8,24 9,3 188,0 17,0 58,00 8,18 9,55 1014,00 60,00 373 373 7 1635 34,0 555 0,25 4,8 95,7 77,6 162 218 175 309 480 15,0 51,0 26,1 328 297 39,7 Confidencial 13,5 13,9 20 93 371,8 15,1 11,9 0,0 0,0 24,4 55,6 4,2 174,1 1,001 24,4 55,7 4,2 174,0 0,00 0,03 1,332 1,370 0,868 0,05000 62,00 4,83 13,8 684,0 20,0 140,00 4,83 13,95 675,00 82,00 259 280 Confidencial Ventilador: Nível Swirl: Tipo de Diesel: Cabeçote: 8 1777 133,1 162 0,36 4,6 102,8 80,0 673 1022 933 1020 1811 14,3 140,8 28,3 612 498 38,5 9 1774 33,8 562 0,25 4,8 98,4 78,0 210 267 216 377 579 15,1 58,5 26,7 336 304 40,0 10 1917 131,9 161 0,39 4,6 104,6 80,4 771 1035 933 1071 2074 14,9 143,1 29,3 634 521 39,0 11 1913 32,7 557 0,24 4,8 99,3 78,5 258 308 249 445 646 16,0 64,5 26,8 336 296 40,1 12 1911 98,6 216 0,37 4,7 101,9 79,5 671 898 805 1013 1581 15,2 129,2 28,3 523 415 39,6 13 1913 66,1 316 0,41 4,8 100,7 78,8 428 591 515 712 1062 15,1 96,2 27,1 446 367 40,1 14,8 14,6 188 288 760,2 15,2 12,9 0,0 0,0 95,3 236,5 16,5 152,4 1,001 95,4 236,8 16,5 152,2 0,00 0,03 2,638 2,060 0,950 0,09000 42,00 9,39 7,9 259,0 14,0 89,00 9,25 8,02 1230,00 48,00 424 416 14,2 14,2 34 120 425,4 15,2 12,6 0,0 0,0 24,2 60,0 4,2 173,0 1,001 24,2 60,0 4,2 172,8 0,00 0,03 1,410 1,448 0,851 0,10000 29,00 4,67 14,2 661,0 17,0 61,00 4,65 14,12 659,00 63,00 280 314 16,1 15,6 221 334 819,2 15,9 14,1 0,0 0,0 94,5 252,9 16,3 154,7 1,003 94,7 253,5 16,4 154,4 0,00 0,03 2,688 2,073 0,922 0,08000 37,00 9,48 7,7 301,0 13,0 58,00 9,40 7,92 1195,00 47,00 447 438 15,9 15,5 49 135 474,4 16,2 13,9 0,0 0,0 23,4 62,6 4,1 180,4 1,002 23,5 62,7 4,1 180,0 0,00 0,03 1,478 1,529 0,829 0,05000 52,00 4,54 14,3 601,0 20,0 125,00 4,51 14,32 595,00 71,00 276 303 15,9 15,5 186 273 752,8 16,1 13,7 0,0 0,0 70,6 188,4 12,2 154,3 1,002 70,7 188,7 12,2 154,0 0,00 0,03 2,448 2,094 0,879 0,05000 51,00 7,49 10,3 415,0 18,0 63,00 7,48 10,37 945,00 53,00 361 354 15,0 14,9 104 201 605,5 15,7 12,9 0,0 0,0 47,3 126,4 8,2 157,3 1,001 47,4 126,6 8,2 157,1 0,00 0,03 1,926 1,811 0,861 0,05000 42,00 6,34 11,9 347,0 20,0 56,00 630,00 11,99 862,00 62,00 322 328 100 Fluxo Ar CO2 (kg/h) 190,4 715,7 Fluxo Ar CO2 (kg/h) - antes 197,9 720,1 Dif. CO2/PLU (%) 1,4 -7,0 Fluxo ar Spindt (kg/h) 182,0 758,9 Fluxo ar Spindt (kg/h) - antes 189,4 760,7 Dif. SPI/PLU (%) -3,0 -1,4 Correção NOX (-) 1,0040 1,0081 Correção Seca/Úmida 0,9882 0,9193 C.Corr.CO2 (%) 1,31 9,43 C.Corr.NOX (ppm) 130,5 155,3 c.corr.CO (ppm) 10,0 39,0 C.Corr.HC (ppm) 12,0 11,0 Concen O2 (%) 18,14 7,91 C.Corr.CO2 (%) - antes 1,26 9,37 C.Corr.NOX (ppm) - antes 131,5 1322,7 c.corr.CO (ppm) - antes 265,0 57,0 C.Corr.HC (ppm) - antes 171,0 47,0 Concen O2 (%) - antes 18,87 7,92 Fluxo NOX (g/h) 39,1 197,8 Fluxo CO (g/h) 1,8 30,2 Fluxo HC (g/h) 1,1 4,2 Fluxo NOX (g/h) - antes 39,4 1685,1 Fluxo CO (g/h) - antes 48,4 44,2 Fluxo HC (g/h) - antes 15,4 18,0 Pot.OBS (kW) 0,0 163,9 EE NOX (g/kW.h) 0,00 1,21 EE CO (g/kW.h) 0,00 0,18 EE HC (g/kW.h) 0,00 0,03 EE NOX (g/kW.h) - antes 0,00 10,28 EE CO (g/kW.h) - antes 0,00 0,27 EE HC (g/kW.h) - antes 0,00 0,11 Cond.Atmosf. p/ NBR ISO 1585 (-) 1,008 1,012 Cond.Atmosf. p/ Emissões (-) 0,995 1,007 Fluxo fuligem estim. MIRA(mg/m³) 1,759 8,594 Fluxo de fuligem estim.MIRA (g/h) 0,276 5,729 E.esp.Fuligem estim.MIRA(g/kW.h) 0,000 0,035 Fluxo fuligem estim. FEV(mg/m³) 13,115 18,518 Fluxo de fuligem estim.FEV(g/h) 2,058 12,345 E.esp.Fuligem estim.FEV(g/kW.h) 0,000 0,075 Emiss.específica média de NOX (g/kW.h) Emiss.específica média de CO (g/kW/h) Emiss.específica média de HC (g/kW.h) Emiss.especifica média de fuligem estim. MIRA (g/kW.h) Emiss.especifica média de fuligem estim. FEV (g/kW.h) Erro vazão de ar estim.pela concen.CO2 (%) Erro vazão de ar estim. pela equ. Spindt (%) Potência média do ciclo (kW) Cons.Específico médio do ciclo (OBS) (g/cv.h) Material Particulado (g/Kwh) 567,1 569,5 -4,7 584,1 588,9 -1,8 1,0144 0,9421 6,67 311,4 39,0 17,0 11,49 6,64 899,7 55,0 59,0 11,63 303,1 23,1 5,0 875,7 32,6 17,3 87,2 3,48 0,27 0,06 10,05 0,37 0,20 1,009 1,001 12,436 6,333 0,073 21,596 10,999 0,126 692,7 498,6 615,1 699,5 501,4 619,4 -6,3 -5,3 -5,5 726,1 515,6 641,0 729,8 518,9 649,9 -1,7 -2,0 -1,5 1,0102 1,0059 0,9926 0,9320 0,9396 0,9286 7,93 6,99 8,24 216,2 353,1 186,6 44,0 44,0 39,0 17,0 17,0 17,0 9,95 11,08 9,31 7,85 6,95 8,18 1045,6 995,8 1006,5 55,0 68,0 58,0 55,0 65,0 60,0 9,97 11,17 9,55 262,7 304,5 200,0 32,5 23,1 25,4 6,2 4,4 5,5 1270,7 858,8 1078,9 40,7 35,7 37,8 20,1 16,9 19,4 131,8 81,8 121,7 1,99 3,72 1,64 0,25 0,28 0,21 0,05 0,05 0,05 9,64 10,50 8,87 0,31 0,44 0,31 0,15 0,21 0,16 1,008 1,008 1,006 1,002 0,999 0,998 9,662 16,893 13,589 6,144 7,623 7,623 0,047 0,093 0,063 19,370 25,200 22,525 12,318 11,372 12,635 0,093 0,139 0,104 3,36 10,00 66 0,25 0,48 48 0,05 0,19 74 0,049 0,102 -5,2 -9,6 -1,8 -4,1 96,04 96,04 156,0 156,0 0,119 Depois Antes Effic. (%) 413,1 413,1 -1,6 415,5 417,6 -1,1 1,0127 0,9570 4,83 692,7 62,0 20,0 13,79 4,83 683,6 140,0 82,0 13,95 472,4 25,7 4,1 466,2 58,1 16,8 40,9 11,55 0,63 0,10 11,40 1,42 0,41 1,006 0,996 5,779 2,062 0,050 16,280 5,809 0,142 779,1 790,3 -7,2 825,8 833,3 -1,6 0,9847 0,9198 9,39 255,0 42,0 14,0 7,93 9,25 1211,1 89,0 48,0 8,02 354,3 35,5 5,9 1682,8 75,3 20,1 174,0 2,04 0,20 0,03 9,67 0,43 0,12 1,004 0,998 8,594 6,248 0,036 18,518 13,463 0,077 459,0 460,9 -4,1 463,6 463,5 -3,2 1,0296 0,9596 4,67 680,6 29,0 17,0 14,15 4,65 678,5 61,0 63,0 14,12 528,2 13,7 4,0 526,6 28,8 14,7 44,1 11,98 0,31 0,09 11,94 0,65 0,33 1,007 0,997 5,779 2,347 0,053 16,280 6,612 0,150 837,7 844,5 -6,6 884,7 895,2 -1,4 0,9960 0,9185 9,48 299,8 37,0 13,0 7,72 9,40 1190,2 58,0 47,0 7,92 445,5 33,5 5,8 1768,7 52,5 21,0 186,0 2,40 0,18 0,03 9,51 0,28 0,11 1,008 1,002 9,393 7,304 0,039 19,155 14,895 0,080 514,3 517,6 -3,0 517,9 519,2 -2,3 1,0467 0,9602 4,54 629,0 52,0 20,0 14,31 4,51 622,8 125,0 71,0 14,32 540,6 27,2 5,2 535,2 65,4 18,4 46,0 11,75 0,59 0,11 11,63 1,42 0,40 1,012 1,004 5,532 2,487 0,054 16,084 7,233 0,157 793,0 794,0 -4,4 820,1 822,5 -1,1 1,0092 0,9345 7,49 418,8 51,0 18,0 10,31 7,48 953,7 63,0 53,0 10,37 570,4 42,3 7,4 1299,0 52,2 21,7 138,6 4,12 0,31 0,05 9,37 0,38 0,16 1,008 1,003 8,859 6,314 0,046 18,729 13,349 0,096 643,9 25,7 -4,5 661,3 292,1 -1,9 1,0113 0,9449 6,34 350,9 42,0 20,0 11,93 630,00 871,7 56,0 62,0 11,99 386,6 28,2 6,6 960,3 37,5 20,6 93,0 4,16 0,30 0,07 10,32 0,40 0,22 1,007 1,000 9,932 5,725 0,062 19,587 11,290 0,121 101 Tabela A4 Planilha de teste de emissões ESC referência (0km) e diesel com 2000ppm de teor de enxofre CÁLCULO DE PERFORMANCE E EMISSÕES / MOTOR AFTERCOOLER Motor: 612 . TCE 006397 P.Atm.(mmHg): 696,8 Avanço centrif.: eletrônico Dinamometro: 5 Dens.Comb.(kg/l): 0,841 Tubos Alta press.: NP Folha de teste: 110 Massa Comb.(g): 54,76 Turbo Fabr./Aerod.: Taxa Compress.: 16,9:1 Bico Injetor: NP Data: 24/01/07 Mecanico(s): Roberto Tipo Pistão: Pto Injeção est.: Cilindros: 6 Bomba Inetora: CP3.3 Prof. Bico H (mm) 2 Cilindrada Unitária: Num. de série: Cam.Combust.: NP WP:P508DNOX10D_6C_950Nm_dino_1 Regulador: eletrônico Eixo Comando: NP Arquivo de Mapas: 1º ciclo ESC com particulado baseline 0kkm usando diesel de 2000ppm. Data set Dnox: WP: P497V73_DNox_6C_26290_02_1. Ponto de Medição (-) Rotação (rpm) Carga (kgf) Num. de voltas (-) Fumaça Obs. (BOSCH) Pressão de óleo (kg/cm²) Temp. Óleo Lubr.(ºC) Temp Agua (ºC) P1 (mm H2O) P21 (mm Hg) P22 (mm Hg) P3 (mm Hg) P4 (mm H2O) T1 (ºC) T21 (ºC) T22 (ºC) T3 (ºC) T4 (ºC) T Combust. (ºC) Inicio de inj. Dinamico (ºAPMS) Débito Inj. Princ. debito de pre inj. Press. Máx. Inj. Bico (bar) ponto de pre inj. Temperatura antes PLU (ºC) Temperatura após PLU (ºC) Pressão Antes PLU (mm H2O) Pressão Após PLU (mm H2O) Vazão PLU (m³/h) "TBS" Medidor de Umidade (ºC) "TBU" Medidor de Umidade (ºC) Torque Obs. (m.kgf) Potencia Obs. (cv) PME Obs. (bar) Cons. Esp. Obs. (g/cv.h) Fator Correção. NBR ISO 1585 Torque Corr. (m.kgf) Potencia Corr. (cv) PME Corr. (bar) Cons. Esp. Corr. (g/cv.h) Fumaça corr. NBR 5478 (BOSCH) Rel. P21/P1 Rel. P3/P4 Rel. P22/P3 Fator Peso (-) Leitura CO (ppm) Leitura CO2 (%) Leitura O2 (%) Leitura NOX (ppm) Leitura HC (ppm) Leitura CO - antes (ppm) Leitura CO2 (%) - antes Leitura O2 (%) - antes Leitura NOX - antes (ppm) Leitura HC - antes (ppm) TSCR_pre TSCR pos Tadblue Fluxo combustível (kg/h) Fluxo ar PLU (kg/h) Fluxo escape (kg/h) 1 700 0,0 2835 0,05 -3,0 86,4 74,3 9 20 9 43 211 18,2 31,4 34,4 193 207 40,9 2 1640 129,3 169 0,38 -3,2 91,7 78,7 533 975 890 909 954 14,3 134,9 33,7 589 464 40,2 3 1773 65,5 322 0,41 -3,1 94,2 77,6 308 519 449 572 799 13,3 85,4 33,5 453 379 41,3 4 1774 98,5 218 0,35 -3,2 97,2 78,6 490 815 727 832 1019 12,0 115,6 33,8 531 422 41,4 5 1640 64,6 329 0,56 -3,2 95,8 77,3 224 441 382 463 717 12,3 75,2 33,9 455 387 41,4 6 1639 97,5 222 0,56 -3,1 97,4 78,3 346 707 637 683 829 14,8 107,9 34,2 537 439 41,4 13,1 15,5 -11 18 124,0 17,3 11,8 0,0 0,0 0,0 0,0 1,005 0,0 0,0 0,0 0,0 0,00 1,030 1,039 0,954 0,15000 6,00 1,25 17,5 181,0 8,0 216,00 1,20 16,57 192,00 111,00 212 440 41 11,5 13,3 149 226 662,0 15,3 10,4 92,6 212,1 16,0 150,4 1,002 92,8 212,5 16,1 150,0 0,00 2,542 2,094 0,988 0,08000 31,00 9,14 7,1 76,0 9,0 63,00 9,18 7,60 1345,00 45,00 377 347 39 9,8 12,0 77 140 522,0 13,9 9,0 46,9 116,1 8,1 155,8 1,001 46,9 116,2 8,1 155,7 0,00 1,803 1,679 0,903 0,10000 17,00 6,57 10,2 408,0 9,0 51,00 6,56 10,80 988,00 50,00 327 357 39 9,4 11,3 131 213 645,0 12,9 8,7 70,5 174,7 12,2 153,0 1,000 70,5 174,7 12,2 153,1 0,00 2,288 1,981 0,931 0,10000 22,00 7,79 9,2 325,0 13,0 49,00 7,77 9,51 1205,00 51,00 358 356 39 8,9 11,0 43 115 450,0 12,8 8,3 46,3 105,9 8,0 154,6 1,000 46,3 105,9 8,0 154,6 0,06 1,672 1,547 0,930 0,05000 21,00 6,88 10,2 456,0 13,0 72,00 6,80 10,48 1103,00 61,00 329 358 38 14,2 14,7 80 163 563,0 15,8 9,6 69,8 159,8 12,1 151,8 1,002 70,0 160,1 12,1 151,5 0,06 2,091 1,821 0,967 0,05000 23,00 8,18 8,3 334,0 12,0 76,00 8,21 8,87 1264,00 55,00 369 367 37 139,2 140,0 733,6 765,5 586,5 604,6 721,1 747,9 508,9 525,2 7 1639 32,7 576 0,30 -3,1 92,5 76,8 130 217 168 294 536 15,1 50,7 34,3 332 295 40,9 Confidencial 12,7 13,8 5 83 366,0 15,5 9,2 23,4 53,6 4,1 174,4 1,002 23,5 53,7 4,1 174,1 0,00 1,330 1,346 0,873 0,05000 37,00 4,77 12,9 738,0 17,0 158,00 4,75 12,88 731,00 80,00 258 335 36 Confidencial 623,9 410,6 648,1 420,0 Ventilador: Nível Swirl: Tipo de Diesel: Cabeçote: 8 1772 131,3 163 0,29 -3,1 99,5 79,4 633 1051 948 1005 1226 12,0 139,1 35,1 610 483 41,0 9 1770 33,2 565 0,24 -3,0 94,1 77,4 169 264 205 352 581 15,1 56,5 34,5 334 295 40,9 10 1913 131,6 160 0,33 -3,2 101,1 79,8 740 1062 945 1048 1389 14,4 143,4 35,2 636 509 41,0 11 1913 32,8 554 0,24 -3,0 95,4 77,6 222 310 242 421 696 13,6 61,2 34,4 341 296 41,3 12 1915 98,3 214 0,34 -3,1 99,1 79,0 632 926 817 992 1036 11,9 126,6 34,6 528 414 40,7 13 1916 65,4 316 0,43 -3,0 98,0 78,1 385 603 516 688 1036 12,0 92,8 34,4 448 367 41,2 10,5 11,7 160 276 746,0 13,3 8,8 94,0 232,7 16,3 153,5 0,999 94,0 232,5 16,3 153,6 0,00 2,688 2,163 0,967 0,09000 24,00 9,11 7,5 298,0 12,0 53,00 9,08 7,59 1330,00 47,00 402 377 34 13,8 14,3 9 105 412,0 15,5 9,7 23,8 58,8 4,1 175,2 1,002 23,8 58,9 4,1 174,8 0,00 1,404 1,418 0,860 0,10000 24,00 4,70 13,0 718,0 16,0 74,00 4,70 13,24 710,00 63,00 260 335 33 15,1 15,0 188 316 815,0 15,7 10,6 94,3 251,8 16,3 156,0 1,003 94,5 252,4 16,4 155,6 0,00 2,738 2,184 0,941 0,08000 24,00 9,36 7,2 323,0 11,0 60,00 9,29 7,61 1274,00 46,00 427 398 32 11,1 12,5 19 128 467,0 14,0 9,1 23,5 62,7 4,1 180,8 1,001 23,5 62,8 4,1 180,7 0,00 1,480 1,494 0,840 0,05000 28,00 4,60 12,7 675,0 16,0 122,00 4,57 12,76 673,00 67,00 264 341 32 11,1 11,8 148 281 747,0 13,1 9,7 70,4 188,2 12,2 156,2 1,000 70,4 188,2 12,2 156,2 0,00 2,495 2,185 0,896 0,05000 26,00 7,40 9,6 398,0 14,0 52,00 7,39 10,00 1042,00 50,00 353 351 30 10,6 11,5 66 196 593,0 12,7 9,5 46,8 125,3 8,1 159,0 1,000 46,8 125,3 8,1 159,0 0,00 1,944 1,792 0,876 0,05000 26,00 6,30 10,9 394,0 16,0 52,00 6,24 11,13 929,00 54,00 314 343 30 827,7 863,5 460,3 470,6 888,6 927,9 525,0 536,3 828,2 857,6 664,3 684,2 102 Fluxo Ar CO2 (kg/h) 135,8 704,8 Fluxo Ar CO2 (kg/h) - antes 141,4 701,8 Dif. CO2/PLU (%) -2,5 -3,9 Fluxo ar Spindt (kg/h) 125,2 708,0 Fluxo ar Spindt (kg/h) - antes 120,4 724,8 Dif. SPI/PLU (%) -10,1 -3,5 Correção NOX (-) 1,0073 0,9525 Correção Seca/Úmida 0,9891 0,9191 C.Corr.CO2 (%) 1,25 9,14 C.Corr.NOX (ppm) 182,3 72,4 c.corr.CO (ppm) 6,0 31,0 C.Corr.HC (ppm) 8,0 9,0 Concen O2 (%) 17,53 7,07 C.Corr.CO2 (%) - antes 1,20 9,18 C.Corr.NOX (ppm) - antes 193,4 1281,2 c.corr.CO (ppm) - antes 216,0 63,0 C.Corr.HC (ppm) - antes 111,0 45,0 Concen O2 (%) - antes 16,57 7,60 Fluxo NOX (g/h) 40,5 87,9 Fluxo CO (g/h) 0,8 22,9 Fluxo HC (g/h) 0,5 3,3 Fluxo NOX (g/h) - antes 43,0 1556,4 Fluxo CO (g/h) - antes 29,2 46,6 Fluxo HC (g/h) - antes 7,4 16,5 Pot.OBS (kW) 0,0 156,0 EE NOX (g/kW.h) 0,00 0,56 EE CO (g/kW.h) 0,00 0,15 EE HC (g/kW.h) 0,00 0,02 EE NOX (g/kW.h) - antes 0,00 9,98 EE CO (g/kW.h) - antes 0,00 0,30 EE HC (g/kW.h) - antes 0,00 0,11 Cond.Atmosf. p/ NBR ISO 1585 (-) 1,025 1,008 Cond.Atmosf. p/ Emissões (-) 1,013 1,002 Fluxo fuligem estim. MIRA(mg/m³) 1,090 9,125 Fluxo de fuligem estim.MIRA (g/h) 0,127 5,801 E.esp.Fuligem estim.MIRA(g/kW.h) 0,000 0,037 Fluxo fuligem estim. FEV(mg/m³) 12,592 18,941 Fluxo de fuligem estim.FEV(g/h) 1,464 12,041 E.esp.Fuligem estim.FEV(g/kW.h) 0,000 0,077 Emiss.específica média de NOX (g/kW.h) Emiss.específica média de CO (g/kW/h) Emiss.específica média de HC (g/kW.h) Emiss.especifica média de fuligem estim. MIRA (g/kW.h) Emiss.especifica média de fuligem estim. FEV (g/kW.h) Erro vazão de ar estim.pela concen.CO2 (%) Erro vazão de ar estim. pela equ. Spindt (%) Potência média do ciclo (kW) Cons.Específico médio do ciclo (OBS) (g/cv.h) Material Particulado (g/Kwh) 562,6 563,4 -4,1 541,5 558,7 -7,7 0,9627 0,9426 6,57 392,8 17,0 9,0 10,17 6,56 951,1 51,0 50,0 10,80 376,8 9,9 2,6 912,5 29,8 14,4 85,4 4,41 0,12 0,03 10,68 0,35 0,17 1,003 0,994 9,932 4,986 0,058 19,587 9,833 0,115 697,1 485,8 601,1 698,8 491,3 599,0 -3,3 -4,5 -3,6 701,6 478,5 595,5 713,3 488,4 612,3 -2,7 -6,0 -4,6 0,9568 0,9605 0,9455 0,9310 0,9401 0,9277 7,79 6,88 8,18 311,0 438,0 315,8 22,0 21,0 23,0 13,0 13,0 12,0 9,18 10,16 8,25 7,77 6,80 8,21 1153,0 1059,5 1195,2 49,0 72,0 76,0 51,0 61,0 55,0 9,51 10,48 8,87 369,1 365,1 324,8 15,9 10,7 14,4 4,6 3,3 3,7 1368,4 883,1 1229,3 35,4 36,5 47,6 18,2 15,3 17,0 128,5 77,9 117,5 2,87 4,69 2,76 0,12 0,14 0,12 0,04 0,04 0,03 10,65 11,33 10,46 0,28 0,47 0,40 0,14 0,20 0,14 0,998 0,998 1,009 0,989 0,988 1,004 8,331 14,175 14,175 5,174 6,183 7,629 0,040 0,079 0,065 18,308 22,999 22,999 11,370 10,031 12,378 0,088 0,129 0,105 3,66 10,47 65 0,15 0,43 66 0,04 0,17 77 0,044 0,097 -3,5 -3,1 -4,4 -2,9 93,99 93,99 157,0 157,0 0,127 Depois Antes Effic. (%) 403,0 404,7 -1,9 386,6 386,8 -5,8 0,9592 0,9577 4,77 707,9 37,0 17,0 12,86 4,75 701,2 158,0 80,0 12,88 471,8 15,0 3,4 467,4 64,1 16,1 39,4 11,97 0,38 0,09 11,86 1,63 0,41 1,010 1,002 7,037 2,454 0,062 17,278 6,026 0,153 792,0 794,5 -4,3 812,0 814,9 -1,9 0,9455 0,9197 9,11 281,7 24,0 12,0 7,53 9,08 1257,5 53,0 47,0 7,59 386,1 20,0 5,0 1723,1 44,2 19,4 171,1 2,26 0,12 0,03 10,07 0,26 0,11 0,997 0,991 6,783 4,863 0,028 17,076 12,244 0,072 450,7 450,7 -2,1 431,9 437,4 -6,2 0,9684 0,9584 4,70 695,3 24,0 16,0 12,95 4,70 687,5 74,0 63,0 13,24 519,3 10,9 3,6 513,5 33,6 14,2 43,2 12,01 0,25 0,08 11,88 0,78 0,33 1,010 1,002 5,532 2,162 0,050 16,084 6,286 0,145 847,6 853,7 -4,6 871,4 889,6 -1,9 0,9518 0,9177 9,36 307,4 24,0 11,0 7,22 9,29 1212,5 60,0 46,0 7,61 452,7 21,5 4,9 1785,6 53,8 20,4 185,2 2,44 0,12 0,03 9,64 0,29 0,11 1,008 1,004 7,809 6,018 0,032 17,892 13,787 0,074 508,1 511,4 -3,2 477,1 478,8 -9,1 0,9773 0,9598 4,60 659,7 28,0 16,0 12,72 4,57 657,7 122,0 67,0 12,76 561,5 14,5 4,1 559,8 63,2 17,2 46,1 12,17 0,31 0,09 12,13 1,37 0,37 1,004 0,995 5,532 2,464 0,053 16,084 7,164 0,155 808,5 809,6 -2,4 804,8 822,2 -2,8 0,9717 0,9339 7,40 386,7 26,0 14,0 9,56 7,39 1012,5 52,0 50,0 10,00 526,3 21,5 5,7 1377,9 43,1 20,5 138,5 3,80 0,16 0,04 9,95 0,31 0,15 0,998 0,991 8,069 5,747 0,042 18,099 12,890 0,093 646,9 652,9 -2,6 632,3 642,3 -4,8 0,9836 0,9442 6,30 387,5 26,0 16,0 10,90 6,24 913,7 52,0 54,0 11,13 420,8 17,2 5,2 992,2 34,4 17,7 92,2 4,57 0,19 0,06 10,77 0,37 0,19 0,998 0,989 10,478 5,954 0,065 20,024 11,378 0,123