ORIENTAÇÃO IMPRESSA Dr(a) Para ADOLESCÊNCIA O QUE O PEDIATRA DEVE FALAR AOS PAIS MUDANÇAS Quando a criança entra na puberdade, as coisas realmente começam a mudar a tal ponto que, para alguns pais, parece que um estranho veio morar com eles. Para complicar ainda mais, o adolescente não é sempre a mesma pessoa, isto é, muda a cada dia e até a cada hora.Desse modo, um novo relacionamento deve ser estabelecido. TESTES O adolescente sente necessidade de ser independente, mesmo estando ciente que muitas de suas ideias e reivindicações não são aceitáveis, ele sente a necessidade de testar seus pais com o objetivo de determinar quais são os limites estabelecidos. Os pais devem refletir antecipadamente sobre os desafios mais frequentes do adolescente e traçar uma linha de conduta. A decisão final é dos pais quando eles dizem que determinada atividade não é permitida, mas devem usar argumentos suficientes e pertinentes para que o adolescente compreenda a sua posição. O adolescente deve sentir a compreensão dos pais. Por sua vez, os pais devem estar cientes que o adolescente vai persistir em testar os limites. Os pais devem ter em mente que excesso de liberdade não faz bem ao adolescente e, por isso, precisam ter sensibilidade para serem firmes e consistentes (agir sempre da mesma maneira). Respeitar os limites não exclui flexibilidade. Use o conceito do elástico e permita que o adolescente estique um pouco sem chegar ao ponto de ruptura. Assim, o adolescente pode aprender e até errar por si próprio, mas dentro de limites que não podem ser ultrapassados. ORIENTAÇÃO IMPRESSA PERÍODO DE OPOSIÇÃO Frequentemente o adolescente mostra favoritismo por um dos pais, mas não se deixe envolver. Quando os cônjuges percebem este favoritismo é necessário conversar para que os pais não sejam manipulados pelo adolescente. Não leve as coisas exageradamente a sério. Tudo para o adolescente é urgente, seja paciente e mantenha seu senso de humor. Discuta as possibilidades com seu adolescente. Ria com ele, mas nunca ria dele. ESCUTE (NÃO SÓ OUÇA) O ADOLESCENTE Aproveite toda oportunidade, esteja disponível quando o adolescente se mostrar disposto a compartilhar seus problemas e preocupações. Pare o que você está fazendo e escute (escutar não é só ouvir, é compreender e introjetar). FAMILIARIZE-SE COM O MUNDO DO ADOLESCENTE Conheça sua linguagem, tipo de música, lazer que mais gosta, mas não se envolva; mantenha seus próprios valores. Permita ao adolescente viver experiências diferentes, como trabalhos comunitários, viagens de intercâmbio etc. PRIVACIDADE Permita privacidade, mas isso não exclui uma atenção que, na medida em que se detecta uma situação não condizente ou perigosa pode evoluir para vigilância. DÊ EXEMPLO DENTRO DE CASA Os pais devem dar o exemplo de uma vida adulta saudável e bem realizada (que sirva de meta para o adolescente) e não oferecer ao adolescente tudo o que a vida adulta lhes pode proporcionar, por isso lhes tira o estímulo para “crescer”. ORIENTAÇÃO IMPRESSA RESPONSABILIDADE Dê ao adolescente responsabilidade crescente (até para que ele aprenda com os próprios pequenos erros). Lembre-se que os pais não são infalíveis e podem cometer erros, mas cujas consequências não serão graves nem irreversíveis se tudo for temperado com o amor real. COMENTÁRIOS Na puberdade e adolescência, além de melhorar as capacidades de dedução e reflexão já desenvolvidas, surgem as propriedades da introspecção e da abstração. É por este motivo que o adolescente começa a “ver” o mundo com outros olhos. Ver o mundo com outros olhos significa que os pais, que até então eram seus heróis e seus ídolos, deixam de ser para ele seres infalíveis. Os pais sofrem e muito, pois é muito melhor ser admirado do que ser criticado. Para os pais inseguros esse desafio é avassalador. Adolescente e pais sofrem um luto: o adolescente por perder seus ídolos; os pais por perderem a majestade. Além disso, o grupo e seus líderes passam a ser a inspiração e parâmetros dos adolescentes. Alguns pais que não querem perder esta posição tentam se assemelhar aos seus filhos. Que desastre! Exatamente porque os adolescentes estão reformulando o seu conceito de identidade, os pais precisam recriar novas formas de relacionamento com eles. Porém, não devem abdicar da função paterna que é educar conforme os seus valores e costumes. É importante entender que nesta fase os adolescentes tentam criar uma nova identidade que se caracteriza por uma oposição, ou seja, quando os pais falam “branco” o adolescente fala “preto”. Esta é uma tentativa de diferenciação e separação de seus pais. É importante respeitar essa oposição, por mais difícil que seja, para garantir o adequado desenvolvimento psíquico do adolescente. Em geral esta fase é passageira. Ao pediatra cabe fazer uma anamnese ampliada e ouvir a todos os envolvidos. Em situações de conflito, o médico não deve tomar partido. Cabe a ele tentar administrar a crise com uma saída que favoreça a todos.