Agricultores na pesquisa
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Informações sobre a Organização
AS-PTA Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa
Rua da Candelária, nº 09, 6º andar, CEP: 20091-020, Rio de Janeiro - RJ
http://www.aspta.org.br/
Breve Histórico
A AS-PTA - Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa - foi
fundada no ano de 1984 e tem por objetivo a promoção do desenvolvimento da
agricultura brasileira com base nos princípios da agroecologia e no fortalecimento da
agricultura familiar. Trabalha com dois projetos de desenvolvimento local no nível
micro, no qual se articulam vários objetivos através da constituição de redes sociais
locais de experimentação e de disseminação de inovações.
No nível macro, a AS-PTA integra ativamente redes regionais e nacionais de promoção
da agroecologia, como a Articulação do Semi-árido Brasileiro, as Jornadas Paranaenses
de Agroecologia e a Articulação Nacional de Agroecologia" (Página da Organização).
Principal Financiador da Experiência/ da Organização
Financiada por uma diversidade de instituições, que vão desde o poder público às
agências de cooperação internacional.
Informações sobre a Experiência
Características Gerais da Experiência
A experiência trabalha com o tema transversal da capacidade e da formação em
pesquisa dos agricultores, os chamados "agricultores-experimentadores".
Por meio de conhecimentos empíricos e cotidianos destes agricultoresexperimentadores, são elaboradas soluções satisfatórias a partir de uma investigação
conjunta e dos resultados obtidos por uma pesquisa de campo. Posteriormente, tal
conhecimento é trabalhado junto a outros agricultores que, conseqüentemente, trocam
também suas próprias experiências.
A experiência de formação de agricultores experimentadores se caracteriza pela
inclusão de estratégias, nos projetos da AS-PTA, que englobem o conhecimento
produzido pelos agricultores, além de estratégias que favoreçam a sistematização pelo próprio agricultor - do processo de aperfeiçoamento do conhecimento adquirido
através de um diagnóstico participativo, que busca na cultura e no imaginário do povo
as opções técnicas e econômicas a serem discutidas, sendo que essa metodologia é
desenvolvida pela AS-PTA desde sua fundação.
A abrangência da atuação da organização é nacional, assim como a abrangência
de aplicação da metodologia.
Princípios:
- Diagnóstico participativo;
- Experimentação participativa;
- As soluções agroecológicas são específicas para cada produtor (conforme suas
economias);
- O produtor é um pesquisador e difusor de seus conhecimentos, o chamado
agricultor-experimentador;
- Analisar as variadas formas que os agricultores lidam com os problemas
identificados, avaliando estas alternativas com vistas às futuras experimentações para
outros agricultores
Introdução
A formação de agricultores experimentadores tem o intuito de demonstrar que o
produtor pode ser um pesquisador e difusor de seus conhecimentos. Além disso, que a
construção de soluções técnicas é um processo coletivo que envolve todos os
agricultores interessados num determinado tema, juntamente com os técnicos de
apoio.
A formação de agricultores-experimentadores é conduzida através de seis
grandes eixos centrais:
- Experimentação dos agricultores e organização gremial no âmbito nacional;
- Experimentação dos agricultores e entidades sócio-econômicas;
- Experimentação dos agricultores e comunidades;
- Experimentação dos agricultores e mercado/comercialização;
- Experimentação dos agricultores e gestão de recursos naturais;
- Experimentação dos agricultores e pesquisa do setor público.
O problema-objeto está na criação de alternativas às pesquisas geradas
convencionalmente, para promover a solução dos muitos problemas enfrentados e
identificados pelos agricultores em suas propriedades de produção.
É preciso conhecer a realidade local que circunda cada grupo de agricultores e
uma aproximação entre os atores envolvidos, a fim de que se possam estabelecer as
necessidades e as dificuldades específicas enfrentadas pelos agricultores, com
possíveis soluções ou minimizações de seus problemas.
Objetivos
Construir propostas individuais de forma coletiva e compartilhada, a fim de que o
agricultor possa desenvolver suas próprias técnicas sem a intervenção de instituições
públicas ou privadas.
Atores envolvidos
Os atores da experiência são os agricultores-experimentadores, juntamente com
os agentes comunitários, técnicos e pesquisadores da AS-PTA.
Os agricultores experimentadores aparecem como identificadores de problemas e
fatores limitantes e como detectores de soluções. Eles se mobilizam para a mudança, a
fim de se adaptarem melhor ao entorno - que se encontra em constante mutação.
Funcionamento da Experiência
A preocupação dos agricultores experimentadores é resolver seus problemas e os
da comunidade, tentando encontrar tecnologias que possam difundir para o maior
número de agricultores possíveis, integrando seus trabalhos.
O problema local é a base para definição de conteúdos dos experimentos.
Portanto, são os próprios agricultores experimentadores que definem os temas a serem
investigados, assim como as prioridades de execução, avaliação e divulgação dos
resultados.
A necessidade de circular informação, comunicar seus resultados, experiências,
dificuldades e metodologias são de interesse dos agricultores-experimentadores, de
modo que há preocupação em realizar intercâmbios entre membros de diferentes
regiões com o intuito de compartilhar conhecimentos e reflexões.
Institucionalização da prática
A AS-PTA se constituiu como uma Associação sem fins lucrativos com
personalidade jurídica própria, desde 1990. A metodologia de formação de
agricultores-experimentadores é um dos eixos da organização.
Principais Dificuldades
A priorização dos critérios é umas das dificuldades enfrentadas por estes
agricultores experimentadores, pois há diferenças de interesses, como por exemplo: os
aspectos econômicos, a gestão da força de trabalho, a diversificação de cultivos e o
mercado.
A diminuição dos custos de produção dos agricultores é o mais importante
incremento da produtividade física das lavouras. Aqui está a dificuldade na modificação
da utilização de produtos agrotóxicos por naturais, para o combate às pragas e o
controle da fertilidade do solo. Essa é uma questão que mobiliza os agricultoresexperimentadores.
Parcerias estratégicas
Na manutenção de diversificadas formas para o fortalecimento da
experimentação dos agricultores, é imprescindível a adaptação do processo a outros
grupos de outras localidades; para tanto se faz parcerias com as seguintes instituições:
- Organização de produtores;
- Universidades;
- Setores público e privado;
- Institutos de pesquisas, entre outras.
Resultados
Há uma diversidade de publicações sobre experiências e reflexões sobre a
metodologia, inclusive uma série chamada "agricultores na pesquisa".
Segundo Edwards (1993) a realização de projetos de implementação de
tecnologias em conjunto com os agricultores gera mais segurança na introdução de
novas tecnologias.
Hocdé (1999) sintetiza:"Os A/E [agricultores-experimentadores] são melhores
conhecedores do local. Nenhuma pesquisa, por melhor que seja, poderá conhecer tão
profundamente o local. A pesquisa sobre sistemas de produção pode facilitar o resgate
dos conhecimentos. Por outro lado, ninguém pode representar e defender melhor os
interesses dos agricultores do que eles próprios. Da mesma maneira, nenhum A/E pode
substituir a função dos pesquisadores. As vantagens comparativas dos diferentes
atores são cada vez mais claras. O encontro entre esses dois mundos é imprescindível.
O diálogo é mais factível quando os dois conseguem se comunicar mais facilmente.
Para isso, se faz necessário dotar agricultores de conhecimentos de tal forma que um
entenda o idioma do outro, para sua própria capacidade de experimentar" (pp.33).
Perspectivas
O reforço das capacidades dos agricultores experimentadores é apresentado por
quatro linhas complementares à experiência:
I. "Apoio ao Processo" no qual está embutida a necessidade básica do aumento
da capacidade e da dinâmica de trabalho dos agricultores experimentadores, a fim de
que compartilhem conhecimentos entre si;
II. "Aumentar a Capacidade dos agricultores experimentadores com rigor" a partir
das falhas metodológicas encontradas, tentar corrigi-las para melhorar a qualidade dos
resultados obtidos, a fim de oferecer respostas válidas para um âmbito desejável do
espaço geográfico;
III."Estimular as interações entre pesquisadores e agricultores experimentadore":
envolvimento dos agricultores no processo de criação e difusão de alternativas
tecnológicas para melhorar os papéis e as funções de cada um;
IV. "Sustentabilidade": assegurar a continuidade de um processo promissor para
que o desenvolvimento agrícola seja fortalecido e reconhecido para o desenvolvimento
sustentável.
Elementos de Tecnologia Social
Semelhante à Pedagogia da Alternância, esta experiência revela metodologias
para que os próprios agricultores desenvolvam instrumentos para encaminhamento da
investigação de suas questões identificadas na interação com sua própria realidade.
Esse se revela como um processo de "empoderamento" em relação à produção de
conhecimento.
Esse aspecto também revela uma questão relacionada com a criação de uma
nova relação entre técnicos tradicionais da extensão rural e os agricultores. Aí, o
componente de Tecnologia Social é a própria construção desse outro espaço de
interlocução, no qual não há "transmissão de conhecimento", mas sim, "construção
conjunta", troca.
Finalmente, o envolvimento dos agricultores na produção de conhecimento acerca
da sua realidade, faz com que o resultado desse processo - ou seja, o conhecimento
produzido - já esteja mais próximo do que podemos chamar de Tecnologia Social, na
medida em que responde, necessariamente, à uma demanda da realidade concreta, já
nasce como um conhecimento enraizado.
Fontes de Informação:
Página eletrônica da organização: http://www.aspta.org.br
Buckles, D. (1995). Caminhos para a colaboração entre técnicos e camponeses.
Rio de Janeiro: AS-PTA.
Edwards, R. J. A. (1993). Monitoramento de sistemas agrícolas como forma de
experimentação com agricultores. Tradução de John Cunha Comeford. Rio de
janeiro: AS-PTA.
Friedrich, K., Gohl, B., Singogo, L. e Norman, D. (1995). Desenvolvimento de
Sistemas Agrícolas - uma abordagem participativa na assistência a
pequenos agricultores. Rio de Janeiro: AS-PTA.
HOCDÉ, Henri (1999). A Lógica dos agricultores experimentadores: o caso da
América Central. Metodologias Participativas. Rio de Janeiro: AS-PTA.
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