PERFIL E DIFICULDADES DA AGRICULTURA FAMILIAR NA
CIDADE DE GUARANIAÇU/PR
Área: Administração
Geysler R. F. Bertolini
Mestre em Engenharia de Produção pela UFSC.
Docente e Coordenador do Curso de Administração da UNIOESTE, Campus Cascavel/PR
[email protected]
Edna de Oliveira
Graduada em Administração pela UNIOESTE, campus Cascavel/PR.
Bolsista do Projeto de Extensão da UNIOESTE “Gestão das Unidades Artesanais”
através do Programa Universidades Sem Fronteiras.
[email protected]
Marcos Rogério dos Reis
Graduado em Administração pela Faculdade Ciências Aplicadas de Cascavel.
Bolsista do Projeto de Extensão da UNIOESTE “Gestão das Unidades Artesanais”
através do Programa Universidades Sem Fronteiras.
[email protected]
Everson Diogo de Oliveira
Acadêmico do curso de Administração da UNIOESTE, Campus Cascavel/PR.
Bolsista do Projeto de Extensão da UNIOESTE “Gestão das Unidades Artesanais”
através do Programa Universidades Sem Fronteiras.
[email protected]
Ananda Morandini de Souza
Acadêmica do curso de Administração da UNIOESTE, Campus Cascavel/PR.
Bolsista do Projeto de Extensão da UNIOESTE “Gestão das Unidades Artesanais”
através do Programa Universidades Sem Fronteiras.
[email protected]
Resumo: O presente artigo tem como objetivo identificar o perfil da agricultura familiar no
município de Guaraniaçu, estado do Paraná, dando ênfase as famílias com pequenos
empreendimentos não agrícolas, buscando identificar a realidade e as dificuldades dos
mesmos. Teve como amostra 25 famílias de agricultores da cidade de Guaraniaçu, estado do
Paraná, que estão participando do curso “Gestão das Unidades Artesanais” do Programa
Universidades sem Fronteiras, desenvolvido nas salas de aula da UNIOESTE – Campus
Cascavel. Os dados foram coletados através de visitas in loco, entrevistas nas propriedades e
Cascavel – PR – 17 a 19 de junho de 2008
aplicação de questionários. Observou-se que as famílias apesar de terem interesse em manter
e ampliar os micro negócios não possuem perfil de gestores e pouco ou nenhum
conhecimento de administração, dificultando o estabelecimento e o fortalecimento dessas
unidades de produção familiar.
Palavras-chave: Agricultura Familiar, Pequenos Empreendimentos, Administração.
1. INTRODUÇÃO
A produção familiar é a principal atividade econômica de diversas regiões brasileiras e
precisa ser fortalecida, pois o potencial dos agricultores familiares na geração de empregos e
renda é muito importante. É preciso garantir a eles acesso ao crédito, condições e tecnologias
para a produção e para o manejo sustentável de seus estabelecimentos, além de garantias para
a comercialização dos seus produtos, agrícolas ou não (LIMA e WILKINSON, 2002).
Por isso, que se faz importante a identificação da realidade e das dificuldades dos
agricultores. Através deste conhecimento é possível buscar alternativas de melhorias dos
pontos fracos dos empreendimentos, para que os agricultores tenham condições de
permanecer na agricultura, com qualidade de vida, proporcionando desta forma, o
fortalecimento da agricultura familiar.
Este estudo apresenta os resultados da pesquisa que buscou identificar o perfil da
agricultura familiar no município de Guaraniaçu/PR, a realidade e as dificuldades dos
pequenos empreendimentos não-agrícolas. A pesquisa foi realizada entre fevereiro e maio de
2008.
2. OBJETIVOS
O objetivo do presente trabalho é o levantamento do perfil da Agricultura familiar de
Guaraniaçu/PR, levando em consideração os agricultores que exercem também atividades não
agrícolas para complementar a renda da família, procurando identificar a realidade dos
agricultores familiares e levantar os problemas e dificuldades dos mesmos. O conhecimento
destes ítens é importante para saber como gerenciá-los.
3. AGRICULTURA FAMILIAR
Definir a agricultura familiar como conceito de análise não é tarefa fácil. De acordo
com estudo realizado pelo convênio FAO/INCRA(1996) os produtores familiares devem ter
nenhum empregado permanente e ou menos de cinco trabalhadores temporários em algum
mês do ano ( LOURENZANI, 2008).
Melo e Ribeiro (2008) afirmam que definí-la pelo tamanho de terra e número de
trabalhadores contratados na unidade rural foi uma forma utilizada pelos órgãos de
planejamento, reforma agrária e desenvolvimento rural do Brasil, principalmente para fins de
estatísticas e financiamento. Porém, a agricultura familiar está relacionada a outros aspectos
ligados à família, ao trabalho, à terra e ao ambiente, que extrapolam limites numéricos, são
associados a matrizes culturais e dificultam uma definição precisa e ampla.
Segundo Lourenzani apud Guanziroli et al. (2001) a agricultura familiar não deve ser
definida a partir do tamanho do estabelecimento, devendo a direção dos trabalhos ser exercida
pelo produtor e o trabalho da família ser superior ao trabalho de terceiros, incluindo como
agricultores familiares, os arrendatários, os parceiros e os posseiros. Segundo Lima e
Wilkinson (2002) a agricultura familiar abriga um número importante de famílias que não
Cascavel – PR – 17 a 19 de junho de 2008
teriam outra opção de sobrevivência fora do mundo rural, apoiá-la evitará o agravamento de
tensões sociais não apenas no campo, mas também na cidade.
Os agricultores familiares até a década de 70 produziam alimentos para o consumo e
comercializavam apenas os excedentes, para aquisição de ítens não produzidos na
propriedade, visando apenas a subsistência, sendo todo o trabalho na propriedade realizado
pelos integrantes da família. Para garantir a reprodução do núcleo familiar, passaram a ter
paralelamente com o trabalho da propriedade rural, algum tipo de indústria caseira para suprir
as necessidades doméstica e/ou da comunidade (NAZZARI et al., 2007)
A agricultura familiar apresenta sistemas de produção diversificados, garantindo
melhores indicadores de sustentabilidade. Essa maior diversidade de cultivos se deve a
diferentes fatores, entre eles, diversas fontes de renda, distribuídos ao longo do ano e à busca
de redução de riscos (DESER/FETRAF-SUL/CUT, 2008).
Segundo Lima e Wilkinson (2002) a economia familiar costuma ser diversificada e
pluriativa, proporcionando uma maior dinâmica ao mundo rural. A agricultura familiar
brasileira apresenta também uma grande diversidade em relação ao meio ambiente, à situação
dos produtores, à disponibilidade de infra-estrutura, etc., inclusive dentro de uma mesma
região. As unidades familiares são produtivas, economicamente viáveis e asseguram melhor a
preservação ambiental. Daí, a importância econômica e não apenas social dessa categoria de
produtores.
Dados do último Censo Agropecuário de 1995/1996 indicaram que no Brasil existem
4.859.864 propriedades rurais, as quais ocupam uma área de 353,6 milhões de hectares, sendo
que 4.139.369 são propriedades familiares e ocupam um área de 107,8 milhões de hectares.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento Agrário (2.000), a Agricultura Familiar representa
cerca de 40% da produção agrícola nacional (NAZARRI, 2007).
Dados da Secretaria de Agricultura familiar do Governo do Governo Federal mostram
que do total de propriedades rurais do País, aproximadamente 85% pertencem a grupos
familiares. Além disso mostram que cerca de 60% dos alimentos consumidos pela população
brasileira e 37,8% do Valor Bruto da produção agropecuária são produzidos por agricultores
familiares (NAZZARI e HEYSE, 2004).
Com relação ao perfil da agricultura familiar brasileira, no ano de 1.996, 39,8% dos
estabelecimentos tinham menos de 5 hectares, 30% tinham entre 5 e 20 hectares e 17%
estavam na faixa de 20 a 50 hectares. A área média dos estabelecimentos familiares era de 26
hectares. Com relação a renda 68,9% tinham renda no intervalo de zero a R$ 3.000,00 ao ano
e outros 15,7% possuíam renda total entre R$ 3.000,00 e 8.000,00 e apenas 0,8% tinham
renda superior a 27.500,00 ao ano. Essas informações confirmam que o universo dos
agricultores familiares é muito diferenciado, e que enquanto parte dos estabelecimentos gera
um nível de renda sustentável, outra enfrenta grandes dificuldades associadas à falta de
recursos (LIMA E WILKINSON, 2002).
A área total dos estabelecimentos é um fator determinante na obtenção da Renda
Total, apesar disso, com apenas 30,5% da área, os estabelecimentos familiares são
responsáveis por 37,9% de toda a produção nacional. A Renda Total dos estabelecimentos
familiares demonstram o potencial dos agricultores familiares, econômico e produtivo,
obtendo renda através da produção agropecuária nos seus estabelecimentos. (INCRA/FAO,
2000).
Segundo o Censo Agropecuário de 1995/1996, apenas na Região Sul do País, existem
994 mil estabelecimentos agropecuários , sendo que, 904 mil são do tipo familiar,
Cascavel – PR – 17 a 19 de junho de 2008
representando 91% do total. Com relação a área ocupada com a agricultura, 44% da área da
região sul é de propriedade de agricultores familiares, ou seja, 91% dos estabelecimentos
ocupam apenas 44% da área agrícola (DESER/FETRAF-SUL/CUT, 2008).
Ainda segundo DESER/FETRAF-SUL/CUT (2008) na safra 1995/1996, o setor
agrícola na região sul gerou um Valor Bruto de produção (VBP) equivalente a R$ 15 bilhões,
onde, desse total, R$ 8,7 bilhões , ou 57%, foram gerados nos estabelecimentos familiares. As
atividades agrícolas e rurais não agrícolas desempenham uma função determinante na
dinâmica da maioria dos municípios do Sul do País, particularmente para aqueles com
população inferior a 50 mil habitantes.
Conforme o Censo Agropecuário do IBGE (1996), o Estado do Paraná possuí cerca de
370 mil estabelecimentos agropecuários, sendo que, desse total, 42% possuíam menos de 10
hectares. Os estabelecimentos de caráter familiar concentram a maioria absoluta dos
estabelecimentos agropecuários do Paraná (87%) e ocupam 41% das terras agrícolas. Cerca
de um milhão de pessoas , ou seja, 78% do total de mão de obra ocupado nas agricultura,
trabalha em estabelecimentos familiares. Portanto a agricultura familiar é a principal
responsável pela geração e manutenção dos postos de trabalho no setor agrícola. (NAZZARI
e HEYSE, 2004).
Segundo Nazzari (2007) na região Oeste do Paraná, o número total de propriedade de
29.166 e ocupam uma área de 1.090.018 hectares, das quais 25.678, ou seja, 88% são
propriedade familiares ocupando uma área de 514.506 hectares.
Conforme o INCRA (2005) a agricultura familiar no Oeste do Paraná corresponde a
75,5% dos estabelecimentos agrícolas, estes dados demonstram o potencial que pode ser
incentivado para ampliação da produtividade agrícola e para inserção na cadeia produtiva do
agronegócio (NAZZARI, 2007).
Guaraniaçu está localizada no Oeste do Paraná, a 61 Km de Cascavel, conforme
mostra a Figura 01. Possui área territorial de 1.226 km2, com população de 15.959 pessoas
(IBGE, 2007). Em 2002 possuía 17.201 habitantes, sendo que 8.126 residiam na zona urbana
e 9.075 residiam na zona rural, com um total de 2.316 domicílios ocupados na zona urbana e
2.405 na zona rural (IPARDES, 2008).
Cascavel – PR – 17 a 19 de junho de 2008
Figura 01 – Mapa do Estado do Paraná, com identificação da cidade de Guaraniaçu,
objeto de estudo, e Cascavel.
Fonte: Adaptado de PARANÁ STATE MUNICIPALITY MAP, BRAZIL (2008)
Considerando estes dados, verifica-se que devido ao número de agricultores a
agricultura familiar necessita de estratégias de desenvolvimento local e regional, ligadas ao
aumento de rendas, através de competências não- agrícolas. Segundo Lima e Wilkinson
(2002) novos conhecimentos são uma precondição para a permanência da agricultura familiar
mesmo em mercados tradicionais e muito mais no caso da busca de novas formas de inserção
econômica.
Além disso, a agricultura familiar, devido a sua importância social e econômica,
possuí uma relevância estratégica quando se pensa em proposta de desenvolvimento para o
País, necessitando ter um diagnóstico regional atualizado, levando-se em conta aspectos
organizativos e produtivos (DESER/FETRAF-SUL/CUT, 2008).
4. EMPREENDIMENTOS FAMILARES NA AGRICULTURA
As atividades agroindustriais artesanais têm tradicionalmente ocupado um espaço
importante em linhas de produto básicas do sistema agroalimentar – como derivados lácteos,
doces, geléias, bebidas, etc., destacando-se recentemente como alternativa para produtores
com dificuldades para acompanhar a evolução dos mercados agrícolas. (LIMA E
WILKINSON, 2002)
Cascavel – PR – 17 a 19 de junho de 2008
A pequena agroindústria artesanal apresenta-se como importante alternativa para
geração de ocupação e renda na Agricultura familiar (IPARDES, 2008). Pettan, 2008
acrescenta que as agroindústrias familiares, de propriedade e gestão do agricultor familiar,
vêm se caracterizando como forma de desenvolvimento sustentável para os agricultores
familiares, traduzindo em possibilidades de agregação de valor aos produtos, gerando postos
de trabalho e permitindo a obtenção de maior renda as famílias agricultoras (PETTAN, 2008).
Lima e Wilkinson (2002) afirmam que as agroindústrias de pequeno porte
proporcionam meios efetivos de manutenção do homem no campo, além de aumentar a renda
e gerar postos de trabalho, tem a capacidade de abastecer os mercados locais e próximos com
produtos de qualidade e preços compatíveis.
Todos os fatores apresentados pelos autores acima contribuem para a dinamização
local e a permanência dos agricultores no meio rural e com qualidade de vida.
Entretanto, segundo Lourenzani (2008) existe uma série de variáveis que afetam o
desempenho dos empreendimentos rurais, sendo que, muitas delas fogem ao controle das
unidades de produção, mas outras, como a gestão de produção, estão diretamente vinculados
ao seu controle. Problemas relacionados à sua sustentabilidade revelam a forte deficiência na
administração de estabelecimentos rurais em geral, e em particular na produção familiar.
Segundo Pettan (2008) a baixa capacidade administrativa dos gestores dos
empreendimentos e um ambiente institucional desfavorável dificultam o estabelecimento de
condições capazes de conferir maior competitividade às agroindústrias familiares.
As dificuldades para implantação e consolidação dessas unidades são enormes,
principalmente, na obtenção de crédito, registros e legalização dos empreendimentos,
comercialização dos produtos e assistência técnica. Existe uma série de problemas que
interferem na produtividade e na qualidade da produção: qualidade da matéria-prima,
racionalização dos processos, higiene e profissionalização das pessoas, uniformidade dos
produtos e gestão dos empreendimentos, dentre outros. (LIMA E WILKINSON, 2002).
Segundo Azevedo (2000) diversos problemas interferem no êxito das agroindústrias
familiares, existindo dificuldades relacionadas à produção, comercialização e financiamentos,
bem como a pouca organização dos pequenos produtores para industrializar os produtos. E
dificuldade no fornecimento de serviços, como transporte dos produtos não agrícolas
produzidos na propriedade.
Apesar da sua importância, a pequena agroindústria artesanal, na maioria dos casos,
apresenta problemas em alguma das etapas da cadeia produtiva. Sendo 42,9% dos problemas
relacionados ao padrão de qualidade e comercialização e 13,1% relacionados a legislação e
gestão nos pequenos empreendimentos.
Apesar de todas as dificuldades apresentadas acima, segundo Lima e Wilkinson (2002)
a viabilidade econômica da família rural e sua sustentabilidade, dependem da diversificação
das opções econômicas no meio rural, requerendo a promoção dos conhecimentos necessários
ao desenvolvimento de atividades e serviços não agrícolas.
4. METODOLOGIA
Os dados do presente artigo foram coletadas através de informações mediante
entrevistas in loco nas propriedades e questionários aplicados aos agricultores familiares de
Guaraniaçu, que estão participando do curso “Gestão das Unidades Artesanais” do Programa
Universidades sem Fronteiras, desenvolvido nas salas de aula da UNIOESTE – Campus
Cascavel – PR – 17 a 19 de junho de 2008
Cascavel, por professores do curso de Administração. Foram visitadas 25 propriedades e
aplicados 25 questionários.
As dificuldades foram detectadas através das visitas e entrevistas nas propriedades. Já
o perfil dos agricultores foi detectado através de aplicação de um questionário com cinco
questões fechadas, onde os entrevistados só podiam escolher uma das alternativas. Os dados
foram tratados em porcentagem.
Para elaboração do desenvolvimento deste trabalho buscou-se um aprofundamento dos
temas: agricultura familiar, empreendimentos familiares na agricultura e dificuldades
relacionadas a estes empreendimentos.
5.1 DIFICULDADES DOS AGRICULTORES PESQUISADOS
Os agricultores familiares deste estudo, 100%, produzem alimentos agrícolas apenas
para o consumo da família, revendendo apenas o excedente, sendo que 96% desenvolvem
atividades não agrícolas ou produtos alimentares artesanais, para conseguir uma renda mensal
extra, para atender as demais necessidades da família.
Alguns exemplos de atividades paralelas as agrícolas, dos agricultores de Guaraniaçu,
estado do Paraná, são: fabricação de queijos, embutidos, doces e compotas em geral,
produtos de panificação, criação de bicho-da-seda, húmus de minhoca, comercialização de
produtos de hortifruticultura. A figura 02 mostra fotos destes pequenos negócios, tiradas pelos
bolsistas do Projeto “Gestão das Unidades Artesanais”.
Figura 02 – Fotos dos pequenos negócios dos agricultores de Guaraniaçu.
Fonte: Elaborado pelos autores (2008)
Cascavel – PR – 17 a 19 de junho de 2008
Os agricultores enfrentam diversas dificuldades, desde as relacionadas a distância das
propriedades até a cidade, e infra-estruturas das estradas, até as relacionadas com a gestão das
propriedades e dos pequenos empreendimentos mantidos pelas famílias de agricultores, que
são as mais complexas, pois, segundo Lima e Wilkinson (2002) uma série de estudos tem
mostrado que a viabilidade da família rural depende de rendas, portanto, de competências não
agrícolas.
Na maioria das famílias não há nenhum tipo de controle dos produtos comercializados,
não sendo efetuados cálculos de custos e lucros dos produtos, apenas 20% das propriedades
visitadas possui este tipo de controle devidamente registrado . Além disso não há separação
dos custos de produção com as despesas da casa dos produtores, no caso de fabricação de
pães e doces, por exemplo. Portanto, ao chegar ao final do mês, grande parte deles não sabe se
obteve lucro ou prejuízo.
A partir disso entende-se que apesar dos agricultores terem sonhos e vontade de
crescerem nas suas atividades de pequenos empreendedores, todos carecem de conhecimento
voltados a gestão dos negócios.
Algumas medidas, estão sendo adotadas para a agricultura familiar em Guaraniaçu,
tais como Casa Familiar Rural e Celeiro do Agricultor.
A prefeitura Municipal de Guaraniaçu adotou o projeto “Casa Familiar Rural”.
Segundo Passador (2003) a idéia surgiu em 1988, no sudoeste do Paraná, devido a
necessidade detectada pelos mesmos, de uma escola que formasse os jovens agricultores de
acordo com a sua realidade e necessidade. Além disso, as dificuldades econômicas
enfrentadas pelas pequenas propriedades rurais levaram trabalhadores e proprietários para os
grandes centros urbanos, na busca de um padrão de vida que não encontravam no campo.
A Casa familiar Rural (CFR) tem por objetivo o ensino aliando teoria e prática,
capacitando os jovens do campo imprimir qualidade e competitividade aos seus produtos,
visando a renda necessária à qualidade de vida no campo. O projeto também visa tornar os
jovens “novos agricultores”, valorizados como responsáveis pela produção de alimentos e
pela preservação do meio ambiente. (PASSADOR, 2003).
A CFR de Guaraniaçu iniciou-se no mês de abril, do ano de 2006, com uma turma de
5ª série. Hoje possui aproximadamente 70 alunos, distribuídos em 3 turmas (5ª, 6ª e 7ª série).
Os alunos da casa são selecionados pela Secretaria Municipal de Agricultura de Guaraniaçu
entre filhos de agricultores que tenham concluído a 4ª Série do ensino fundamental. Os alunos
ficam uma semana na CFR e uma semana na propriedade da família, alternadamente,
possibilitando aos alunos a aplicação dos conhecimentos recebidos na escola e a transmissão
dos conhecimentos aos integrantes da família.
Referente ao Projeto “Celeiro do Agricultor”, desenvolvido em parceria entre o
Governo do Estado e da Prefeitura Municipal de Guaraniaçu, foi construído um espaço onde
os agricultores associados deixam seus produtos, alimentos e artesanatos, para exposição e
comercialização. Os associados pagam uma porcentagem da venda para pagar os salários dos
funcionários do Celeiro.
O projeto inciou-se em setembro de 2005, com 22 associados, hoje tem
aproximadamente 100 produtores, os quais necessitam de apoio na área de gestão,
relacionados a produção, cálculos, custos e vendas dos produtos, para que ofereçam produtos
de qualidade, saibam agregar valor aos produtos, e com isso, consigam alavancar a renda e
promover o fortalecimento da agricultura familiar de Guaraniaçu.
Cascavel – PR – 17 a 19 de junho de 2008
5.2 PERFIL DOS AGRICULTORES PESQUISADOS
A figura 03 destaca a faixa etária dos agricultores pesquisados. Dentre estes, 23,08%
estão na faixa etária de 26 a 35 anos, 42,31% tem idade entre 36 e 45 anos e 15,% entre 46 e
55. Apenas 7,69% tem menos de 25 anos e 11,54% tem mais de 56 anos.
7,69%
11,54%
23,08%
15,38%
Até 25 anos
De 26 a 35 anos
De 36 a 45 anos
De 46 a 55 anos
Acima de 56 anos
42,31%
Figura 03 – Faixa etária dos agricultores pesquisados
Fonte: Elaborado pelos autores (2008)
Na análise da figura 04 observa-se o grau de escolaridade dos agricultores
pesquisados. Sendo que, do total de participantes 52,38% não concluíram o ensino
fundamental e apenas, 15,38% concluíram o ensino médio, demonstrando o baixo grau de
escolaridade dos agricultores.
0,00%
15,38%
26,92%
Analfabeto
7,69%
1ª a 4ª série do ensino fundamen tal incompleto
1ª a 4ª série do ensino fundamen tal completo
5ª a 8ª série do ensino fundamen tal incompleto
15,38%
5ª a 8ª série do ensino fundamen tal completo
Ensino médio incompleto
Ensino médio completo
15,38%
19,23%
Figura 04 – Escolaridade dos agricultores pesquisados
Fonte: Elaborado pelos autores (2008)
Cascavel – PR – 17 a 19 de junho de 2008
A figura 05 apresenta os tamanhos das propriedades dos agricultores. Da amostra,
15,38% das propriedades tem menos de 2 alqueires de área total, 30,77% tem entre 2 e 5
alqueires. Outros 30,77% tem propriedade com área entre 5 e 10 alqueires. Apenas, 15,38%
entre 10 e 20 alqueires e 7,69% tem tamanho acima de 20 alqueires.
7,69%
15,38%
15,38%
Até 2 alqueires
Acima de 2 até 5 alqueires
Acima de 5 até 10 alqueires
Acima de 10 até 20 alqueires
Acima de 20 alqueires
30,77%
30,77%
Figura 05 – Tamanho das propriedades dos agricultores pesquisados
Fonte: Elaborado pelos autores (2008)
Na figura 06 verifica-se a renda familiar mensal média dos agricultores pesquisados.
Sendo que, 30,77% tem renda de até 1 salário mínimo. 34,62% ganham em média por mês
entre 1 e 3 salários mínimos e 30,77% entre 3 e 5 salários mínimos. Apenas 3,85% ganham
acima de cinco salários mínimos,ou seja, apenas 1 família, demonstrando grande variabilidade
no nível de renda da amostra.
3,85%
30,77%
30,77%
Até um salário mínimo
De 1 a 3 salários mínimos
De 3 a 5 salários mínimos
Acima de 5 salários mínimos
34,62%
Figura 06 – Renda mensal dos agricultores pesquisados
Fonte: Elaborado pelos autores (2008)
Cascavel – PR – 17 a 19 de junho de 2008
Os perfis analisados nos gráficos anteriores, mostra grande diversidade em todos os
aspectos: idade, escolaridade, tamanho da propriedade e renda. Essa diversidade se reflete nas
condições de vida e estruturas da propriedades. Na figura 07 são apresentadas algumas fotos
da realidade dos agricultores pesquisados.
Figura 07 – Fotos da realidade das propriedades dos agricultores pesquisados.
Fonte: Elaborado pelos Autores (2008)
6. CONSIDERAÇÕES FINAIS
De acordo com a pesquisa, os agricultores enfrentam uma série de dificuldades. Desde
questões relacionadas a infraestrutura das estradas e distância das propriedades até a cidade,
onde são comercializados os seus produtos, até questões relacionadas a créditos e
financiamentos com bancos e Pronaf, os quais têm certas exigências que dificultam a
liberação. Além disso eles necessitam de mais assistência técnica e outras relacionadas a
questões de gestão dos pequenos negócios.
Neste estudo também foi identificado o perfil dos 25 agricultores familiares da cidade
de Guaraniaçu, relacionados a: escolaridade, renda mensal, tamanho de área da propriedade e
idade do agricultor.
É importante em uma pesquisa científica identificar o perfil dos agricultores para
elaboração de ações de melhoria que visem ajudar nas dificuldades detectadas. Os cientistas,
Cascavel – PR – 17 a 19 de junho de 2008
os pesquisadores ou aqueles que vão atuar com os agricultores, precisam conhecer quem são
esses agricultores e o perfil ajuda muito para identificar possível melhoria em relação a que
tipo de curso pode ser aplicado e que tipo de capacitação esses agricultores necessitam.
Os agricultores familiares apesar de terem interesse em manter e ampliar os micro
negócios não possuem perfil de gestores e pouco conhecimento de administração, dificultando
o estabelecimento e o fortalecimento dessas unidades de produção familiar.
Este estudo foi muito interessante para os pesquisadores, porque mostra a realidade de
uma região que pode também ser refletida em outros lugares do estado, porque o Paraná é um
estado que trabalha com a questão agrícola e o numero de agricultores é bastante expressivo.
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Cascavel – PR – 17 a 19 de junho de 2008
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