PROFT em Revista ISBN 978-85-65097-00-0 Anais do Simpósio Profissão Tradutor 2011 Vol. 2, Nº 1 Junho de 2012 A POLÍTICA DE DARCY RIBEIRO E FERNANDO HENRIQUE CARDOSO: ESTUDO DA TRADUÇÃO PARA O INGLÊS DE TERMOS E EXPRESSÕES RECORRENTES NAS OBRAS DESSES DOIS TEÓRICOS BRASILEIROS RESUMO Talita Serpa Bacharel em Ciências Sociais pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e Bacharel em Letras-Tradução pela Universidade Estadual Paulista (IBILCE/UNESP) Mestranda pelo Programa de Estudos Linguísticos da Universidade Estadual Paulista (IBILCE/UNESP) Docente dos Cursos de Letras, Pedagogia, Secretariado Executivo e Turismo da União das Faculdades dos Grandes Lagos (UNILAGO) Este artigo analisa as traduções de termos simples, expressões fixas e semifixas presentes em três obras originalmente em português escritas respectivamente pelo cientista político Fernando Henrique Cardoso (e Enzo Faletto) e pelo antropólogo Darcy Ribeiro, e vertidas para a língua inglesa por Marjorie Urquidi, Betty Meggers e Gregory Rabassa. Para tanto, fundamentamo-nos nos Estudos da Tradução Baseados em Corpus (Baker, 1995, 1996, 2000; Camargo, 2007), na Linguística de Corpus (Berber Sardinha, 2004) e, em parte, na Terminologia (Barros, 2004). Notamos que termos e expressões empregados nos textos fonte não apresentam univocidade dentro da língua de especialidade referente às Ciências Sociais brasileiras. Os termos traduzidos para o inglês também refletem variação devido às opções adotadas pelos tradutores ao procurarem adequar os conceitos dos dois teóricos para as possibilidades da Língua Meta Palavras-Chave: Estudos da Tradução Baseados em Corpus; Linguística de Corpus, Terminologia; Antropologia; Ciência Política ABSTRACT This paper analyses the translation of simple terms, fixed and semifixed expressions in three works originally in Portuguese, written respectively by the political scientist Fernando Henrique Cardoso (and Enzo Faletto) and by the anthropologist Darcy Ribeiro, and translated into English by Marjorie Urquidi, Betty Meggers and Gregory Rabassa Our research project draws on Corpus-Based Translation Studies (Baker, 1995, 1996, 2000; Camargo, 2007), Corpus Linguistics (Berber Sardinha, 2004) and on some concepts of Terminology (Barros, 2004). Results show that terms and expressions used in the source texts have no univocity within the specialized language related to the Brazilian Social Sciences. The terms translated into English also reflect variation due to the options chosen by the translators as they seek to adapt the concepts of two theoretical possibilities for the Target language Talita Serpa Contato: [email protected] Keywords: Corpus-Based Translation Studies, Corpus Linguistic; Terminology; Anthropology; Political Science Proft em Revista Anais do Simpósio Profissão Tradutor 2011 A Política de Darcy Ribeiro e Fernando Henrique Cardoso: Estudo da Tradução para o Inglês de Termos e Expressões Recorrentes nas Obras desses Dois Teóricos Brasileiros INTRODUÇÃO É inegável a contribuição de cientistas brasileiros nas mais diversas áreas da pesquisa acadêmica. Esse fato pode ser constatado pelo crescente número de publicações e pelo aumento de obras de autores nacionais especializados em diferentes campos, como no das Ciências Sociais. As distintas formas de organização dos seres humanos em sociedade são um fator de relevante interesse para os cientistas sociais. Esta vertente científica teve suas origens na Filosofia Greco-Latina, principalmente em escritos de Aristóteles acerca das relações entre o social e o natural. Contudo, somente no século XIX, a preocupação com organizar de modo coerente todos os questionamentos e ideias sobre os temas sociais possibilitou o reconhecimento de uma proposta teórico-metodológica autônoma, principalmente após a publicação de trabalhos como os de Auguste Comte, Émile Durkeim, Karl Marx e Max Weber. As Ciências Sociais, então, expandiram-se e ramificaram-se em várias áreas como a Antropologia, a Ciência Política, a Economia e a Sociologia, entre outras. No âmbito dos estudos voltados às questões de ordem governamental, a Ciência Política apresentou-se como um núcleo investigativo relacionado à formação dos Estados e dos governos, assim como da conduta política e das relações de autoridade e poder entre os membros de distintas hierarquias. Quanto às pesquisas voltadas aos fatores culturais, a Antropologia destacou-se como importante vertente, a qual se dedicou a explorar teorias sobre a origem e a diferenciação entre homens e sociedades. No Brasil, pesquisas direcionadas a esses objetos de análise tiveram início com a criação dos cursos de graduação e pós-graduação em Ciências Sociais na Universidade de São Paulo (USP) e na Escola de Sociologia e Política (ESP), na década de 30. Com a formação das primeiras turmas, antropólogos e sociólogos brasileiros passaram a atuar no campo acadêmico e político do país, como é o caso de Fernando Henrique Cardoso e Darcy Ribeiro. PROFT em Revista Anais do Simpósio Profissão Tradutor 2011 Talita Serpa Dessa forma, sabemos que, por meio de diferentes abordagens teóricas, estes dois autores buscaram, em suas carreiras como educadores e políticos, consolidar a análise dos fatores de desenvolvimento sociocultural da sociedade brasileira, sendo necessário salientar também que ocuparam posições de liderança na organização do governo nacional em períodos concomitantes, considerando que Ribeiro foi Ministro da Educação (1962), Chefe da Casa Civil (1964) e Senador da República (1991/1997); e Cardoso atuou como Ministro das Relações Exteriores (1992), Ministro da Fazenda (1993/1994) e presidente do país por duas vezes (1995 a 2002). Neste sentido, partilharam de um contexto investigativo semelhante, o que permitiu que recorressem a um mesmo conjunto léxico para descrever os elementos da cultura e, principalmente, da política do país. Sendo assim, tornou-se inevitável o reuso da terminologia socioeconômica e cultural, a qual, por sua vez, apresentou elevado grau de variação durante o processo tradutório para a língua inglesa. No entanto, ainda são inexistentes investigações sobre o processo tradutório de textos antropológicos e políticos na direção português inglês, evidenciando a necessidade de observar a natureza deste tipo de língua de especialidade, assim como da tradução da terminologia presente em obras das Ciências Sociais Brasileiras. Por tal razão, em nossa pesquisa, valemo-nos dos preceitos dos Estudos da Tradução Baseados em Corpus (BAKER, 1995, 1996, 2000; CAMARGO, 2005) e da Linguística de Corpus (BERBER SARDINHA, 2004), a fim de verificar as escolhas lexicais realizadas por Urquidi, Meggers e Rabassa na tradução de termos e expressões contidos nas obras: Dependência e desenvolvimento na América Latina: ensaio de interpretação sociológica (1970), O processo civilizatório: etapas da evolução social (1968) e O povo brasileiro: a formação e o sentido do Brasil (1995), e de investigar as tendências linguísticas apresentadas por estes tradutores no que concerne aos fatores que descrevem a sociedade brasileira, enfatizando as relações de significado que se estabelecem entre as teorias das obras, por meio do léxico, e as dissociações de conceitos ocorrentes no ato tradutório. Com isso, pretendemos fornecer subsídios para o desenvolvimento de glossários bilíngues de Antropologia e Ciência Política, assim como para a conscientização dos tradutores acerca da possível variação lexical dentro da linguagem de uma área de especialidade e do papel do tradutor como agente produtor de sentidos em diferentes culturas. PROFT em Revista Anais do Simpósio Profissão Tradutor 2011 A Política de Darcy Ribeiro e Fernando Henrique Cardoso: Estudo da Tradução para o Inglês de Termos e Expressões Recorrentes nas Obras desses Dois Teóricos Brasileiros FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Estudos da Tradução Baseados em Corpus e a Linguística de Corpus As teorias de Baker (1993, 1995, 1996) para os Estudos da Tradução Baseados em Corpus surgem como uma nova abordagem para as pesquisas em tradução, assumindo posição de liderança na área. Para essa pesquisadora: textos traduzidos registram eventos comunicativos genuínos e como tais não são nem inferiores nem superiores aos outros eventos comunicativos em qualquer língua. Entretanto, eles são diferentes, e a natureza dessa diferença precisa ser explorada e registrada.1 (BAKER, 1993, p. 234). Baker (1995) apresenta sua concepção de corpus na qual explicita a preferência pela análise por meio de computador: Corpus é um conjunto de textos naturais (em oposição a exemplos/sentenças), organizados em formato eletrônico, passíveis de serem analisados, preferencialmente, em forma automática ou semiautomática (em vez de manualmente).2 (BAKER, 1995, p.226). De acordo com Berber-Sardinha (2003), a autora pode ser considerada: [...] a maior divulgadora do uso de corpora no entendimento do produto e dos processos envolvidos em tradução [e] vê o corpus eletrônico como um instrumento revolucionário, que permite enxergar aspectos da linguagem do texto traduzido, em particular, de modo muito mais rico e abrangente do que por outros meios [...] e seu trabalho teve papel decisivo na implantação de um programa de pesquisa fundado na exploração de corpora que deu vazão a um novo paradigma no âmbito dos estudos da tradução. (BERBER SARDINHA, 2003, p.1). Sendo assim, o consenso no uso de corpora para a análise da tradução contribui para o desenvolvimento da disciplina como uma área autônoma. Autores como Tymoczko (1998) corroboram o emprego de corpora para a prática e estudo da tradução. A autora destaca como principais vantagens: a) a integração de abordagens linguísticas e de estudos culturais à tradução; b) a obtenção de resultados teóricos e práticos; c) o potencial de se investigar as particularidades de fenômenos específicos da linguagem; d) a flexibilidade e adaptabilidade dos corpora. 1 Translated texts record genuine communicative events and as such are neither inferior nor superior toother communicative events in any language. They are however different, and the nature of this differenceneeds to be explored and recorded. PROFT em Revista Anais do Simpósio Profissão Tradutor 2011 Talita Serpa A Linguística de Corpus caracteriza-se por seu caráter transdisciplinar e pela possibilidade de análise de grandes quantidades de informações. Fundamenta-se em bases empiristas, considerando a linguagem como um sistema probabilístico. Para Berber-Sardinha (2004): [...] a visão da linguagem como sistema probabilístico pressupõe que, embora muitos traços lingüísticos sejam possíveis teoricamente, não ocorrem com a mesma frequência. (BERBER-SARDINHA, 2004, p. 30). A frequência de ocorrência dados vocábulos e expressões apresenta certa regularidade, o que permite que seja mapeada de acordo com o contexto de uso. Dessa forma, no âmbito da tradução, é possível delinear, por meio da análise de corpora, quais os traços mais recorrentes no processo tradutório de uma língua à outra. Berber-Sardinha (2004, p. 31) também destaca que a linguagem é padronizada e não um conjunto de escolhas aleatórias de indivíduos isolados. Os Estudos da Tradução Baseados em Corpus e a Terminologia O tradutor que procura trabalhar com uma área de especialidade inevitavelmente utilizará em seu trabalho termos específicos e a linguagem adequada ao campo escolhido. Adota dicionários e glossários especializados com o objetivo de produzir um texto final adequado aos padrões e à tipologia da área de especialidade. Nesse momento, Tradução e Terminologia se entrecruzam favorecendo a prática tradutória. Embora se dediquem a objetivos distintos, a Tradução e a Terminologia complementamse em se tratando da tradução técnica e especializada. Tal fato é destacado por Aubert (1996) ao observar que: [...] se, na sua epistemologia e no seu objetivo de estudos, a Terminologia e a Tradução abarcam e se conduzem por caminhos distintos, no fazer tradutório e no fazer terminológico esses mesmos caminhos se cruzam e se entrecruzam. Com efeito, como afirma Galinski (1985), translators are probably the largest identifiable individual user group for terminologies...Ou seja, os tradutores profissionais apresentam-se como um dos principais grupus de usuários finais da pesquisa terminológica (glossários, dicionários técnicos, bases de dados terminológicos, etc). (AUBERT, 1996, p.13-14). 2 Corpus mean[s]any collection of running texts (as opposed to examples/sentences), held in electronic form and analysable auto matically or semi-automatically (rather than manually). PROFT em Revista Anais do Simpósio Profissão Tradutor 2011 A Política de Darcy Ribeiro e Fernando Henrique Cardoso: Estudo da Tradução para o Inglês de Termos e Expressões Recorrentes nas Obras desses Dois Teóricos Brasileiros Cabré, teórica iniciadora da Teoria Comunicativa da Terminologia (TCT), acrescenta que: Nenhum especialista minimamente informado em Linguística Aplicada põe em questão, hoje em dia, que entre a Tradução especializada e a terminologia existe uma relação evidente e inevitável, mas, sem dúvida, se estudou muito pouco sobre as características e motivações dessa relação e menos ainda se estabeleceram seus limites.3 (CABRÉ, 1999, p.177). A autora (1999) assegura, ainda, que a Tradução necessita da Terminologia para expressar o conhecimento especializado com adequação. O estudo terminológico é uma atividade que procura compilar e apresentar os termos de um dado campo a fim de que seu uso torne-se parte do comportamento comum aos seus especialistas. Com a tecnologia e com o desenvolvimento das relações de comércio entre os países do mundo todo, a tradução técnica e especializada vem sendo cada vez mais requisitada e o tradutor necessita estar apto a desempenhar sua tarefa com rapidez, eficiência e perfeição. Sobre a colaboração entre a Tradução e os estudos terminológicos na elaboração de glossários e dicionários, Barros comenta que: A cooperação entre tradutores e terminólogos, ou mais particularmente o trabalho dos tradutores como terminólogos, pode ser testemunhado por inúmeras obras terminográficas bilíngues ou multilingues, elaboradas em épocas diferentes, tanto no Ocidente quanto no Oriente. Atualmente, a importância da participação dos tradutores na elaboração desse tipo de obra é incontestável. Com efeito, diversos bancos de dados especializados de alcance mundial têm no tradutor um grande colaborador. (BARROS, 2004, p.72). Notamos que a Terminologia tende a fornecer o material necessário à atividade tradutória, de modo que os profissionais da área passam a contar com o acesso rápido aos termos apropriados dos mais diversos campos de produção técnico-científica. Com o advento da informática e da globalização, as novas teorias desenvolvidas no mundo são reconhecidas e divulgadas de modo quase concomitante via língua inglesa. Isso ocorre, principalmente porque “a língua inglesa configura-se como o latim (para alguns o sabir) das relações internacionais contemporâneas” (AUBERT, 1996, p.17). 3 Ningún especialista mínimamente informado em linguística aplicada pone hoy dia em cuestión que entre la traducción especializ ada y la terminología existe una relación evidente e inevitable, pero sin embargo se ha estudiado muy poco las características y motivaciones de está relación y menos aún se han establecido sus límites. PROFT em Revista Anais do Simpósio Profissão Tradutor 2011 Talita Serpa De modo geral, a produção cultural e as atividades sociais e comerciais de outras nações são conhecidas pelo povo brasileiro por meio da língua inglesa. A direção tradutória de textos e sistemas comunicativos foi por muito tempo do inglês para o português. No entanto, com o aumento das interações humanas em virtude da internet e das trocas comerciais internacionais, houve um crescimento da divulgação de pesquisas brasileiras, assim como de valores e costumes nacionais, promovendo uma grande demanda de materiais a serem traduzidos na direção português inglês. Em decorrência o tradutor muitas vezes atua como terminólogo “ao criar neologismos ou mesmo paráfrases do termo para dar conta das equivalências semânticas” (KRIEGER e FINATTO, 2004, p.72). Contudo, vimos que a interação entre Estudos da Tradução e Terminologia apresenta algumas especificidades. Para Aubert (1996): Os estudos terminológicos e os estudos da Tradução constituem disciplinas autônomas entre si. A terminologia, enquanto campo de investigação, entretém relações estreitas com a lexicologia, a lexicografia e a semântica, embora não se confunda com estas nem constitua simplesmente uma subárea das mesmas, e seu estatuto de área de aplicação da linguística e/ou da sociolinguística parece inquestionável. A tradutologia, por sua vez, tem por objetivo a análise de um fenômeno complexo, ao mesmo tempo linguístico, sociocultural, histórico, estético, político e individual. (AUBERT, 1996, p.13). As pesquisas voltadas à Tradução, como apontado por Munday (2001), dedicam-se à observação e descrição do fenômeno da tradução, além da análise da tipologia textual e dos padrões adequados à Cultura Alvo para que o Texto Meta (TM) seja aceito dentro de uma determinada comunidade ou sociedade. No âmbito da Terminologia, Andrade (2001) destaca que os estudos terminológicos ocupam-se “do termo, ou seja, da palavra especializada, dos conceitos inerentes às diversas matérias especializadas” (ANDRADE, 2001, p.192). Nesta pesquisa, a Terminologia assume importante papel para os Estudos da Tradução, pois fornece a base teórica para a identificação dos termos das Ciências Sociais que nos propusemos a analisar. Serão observados termos especializados entendidos como a “designação, por meio de uma unidade linguística, de um conceito definido em uma língua de especialidade” (ISO 1087, 1990, p.5, apud BARROS, 2004, p.40). PROFT em Revista Anais do Simpósio Profissão Tradutor 2011 A Política de Darcy Ribeiro e Fernando Henrique Cardoso: Estudo da Tradução para o Inglês de Termos e Expressões Recorrentes nas Obras desses Dois Teóricos Brasileiros No que concerne à lista de termos e expressões levantados, a definição de léxico na obra de Boutin-Quesnel (1985) é a mais adequada para designar o tipo de estudo apresentado. Em seu trabalho o autor considera o léxico como um “repertório que registra termos acompanhados de seus equivalentes em uma ou mais língua, e que não apresenta definições” (BOUTINQUESNEL et. al., 1985, p.30). Quanto às expressões fixas, adotaremos a definição de Baker (1992), para quem se tratam de expressões consagradas, referentes a determinado tipo de texto, e que permitem pouca ou nenhuma variação. No caso das expressões semifixas, Camargo (2005) aponta que estas apresentam maior variações e carregam consigo todo um contexto, podendo ser consideradas especificas de uma determinada língua de especialidade. Desta forma, tendo por base a abordagem teórico-metodológica dos Estudos da Tradução Baseados em Corpus (BAKER, 1996, 2004) e em procedimentos da Linguística de Corpus (BERBER SARDINHA, 2004) e da Terminologia (BARROS, 2004), passamos a procurar por possíveis padrões recorrentes e por preferências adotadas pelos tradutores das subáreas e Ciência Política e Antropologia, evidenciando a existência de características semelhantes e divergentes na modalidade da Tradução de obras de caráter social. No entanto, é importante ressaltar que, embora os pressupostos da Terminologia que norteiam a busca de traduções adequadas às distintas áreas de especialidade sejam os da padronização, a ideia de variação terminológica precisa ser levada em consideração quando tratamos especialmente de texto como os das Ciências Sociais. Faulstich (2002) insere-se em um grupo de pesquisadores os quais seguem os princípios da Socioterminologia. Esta área de análise possibilita avaliar a variação do uso dos termos em diferentes contextos, considerando a não estabilidade da língua. Na perspectiva da autora, é importante que a investigação terminológica considere que “os termos, no meio linguístico e social, são entidades passíveis de variação e mudança e que as comunicações entre membros da sociedade são capazes de gerar conceitos interacionais para um mesmo termo ou de gerar termos diferentes para um mesmo conceito” (2002, p.70). PROFT em Revista Anais do Simpósio Profissão Tradutor 2011 Talita Serpa De acordo com Esteves, em seu trabalho Um estudo sobre a equivalência conceitual entre termos do português do Brasil e do inglês: aspectos lexicais e semânticos (2010), a fundamentação teórica proposta por Faulstich para o reconhecimento da variação terminológica delimita a definição de termo e o entendimento de sua movimentação dentro do sistema. Nesse contexto, os termos são descritos como: (i) Signos que encontram sua funcionalidade nas linguagens de especialidade de acordo com a dinâmica das línguas; (ii) Entidades variantes por que fazem parte de situações comunicativas distintas; (iii) Itens do léxico especializado que passam por evoluções, por isso devem ser analisados no plano sincrônico e no plano diacrônico das línguas. (FAULSTICH, 2002, p.75). Verificamos que, sob a ótica da pesquisadora, a funcionalidade de um termo está inserida na conjuntura das distintas áreas de especialidade. Notamos, também, que essa proposta adequa-se aos objetivos de nossa investigação, ou seja, avaliar as possíveis diferenças entre a composição dos termos e conceitos de Ciência Política e Antropologia na Língua Fonte (LF) e na Língua Meta (LM). As análises de Faulstich (2002; 2004) e de Esteves (2010) corroboram as ideias de que os termos assumem funções específicas “de acordo com o contexto de uso”; e de que, em condições similares de uso, “serão considerados variantes um do outro” (FAULSTICH, 2002, p.75). No âmbito da Tradução, esses fatores nos permitem correlacionar possíveis mudanças de perspectiva analítica de um idioma para outro, por meio da identificação das alternâncias de funções que as variantes sofrem dentro das sociedades. Para Faulstich (2002, p.76), os termos estão intimamente relacionados à colocação que exercem dentro de um sistema social, sendo seu desempenho parte de uma entidade de natureza pragmática, a qual condiciona os possíveis “mecanismos de variação”. Consideramos, por conseguinte, que uma visão fundamentada na possibilidade de interação entre os termos e expressões servir-nos-á para contextualizarmos os problemas que enfocamos na análise dos dados, assim como para verificarmos a relação que há entre Terminologia e Tradução e as influências que dada relação estabelece para possíveis alterações de conceitos e de ambientações de uma linguagem de especialidade focada na Cultura Brasileira. PROFT em Revista Anais do Simpósio Profissão Tradutor 2011 A Política de Darcy Ribeiro e Fernando Henrique Cardoso: Estudo da Tradução para o Inglês de Termos e Expressões Recorrentes nas Obras desses Dois Teóricos Brasileiros Terminologia e Tradução em Ciências Sociais No que concerne à linguagem dos estudos político-culturais projetados por Fernando Henrique Cardoso e Darcy Ribeiro, é importante conhecer os padrões próprios da natureza da produção teórica dos autores a fim de elaborar novos textos antropológicos e políticos, assim como de traduzir suas proposições e questionamentos, levando ao conhecimento do mundo o papel que estes autores atribuem às nações latino-americanas. A terminologia das Ciências Sociais segue algumas características da linguagem dos textos científicos, definidas por Pavel & Nolet (2002, p.124) como sendo um “sistema de comunicação oral ou escrita usado por uma comunidade de especialistas de uma área particular do conhecimento”. Ao abordar a questão dos textos científicos e técnicos, Barros (2004), sugere que: O conjunto não finito dos discursos orais e escritos produzidos por uma área do saber ou do fazer humano constitui um universo de discurso, marcado por uma norma discursiva própria, ou seja, por características comuns e constantes em diversos níveis: léxico-semântico, narrativo e discursivo. [...] A principal característica desse tipo de texto encontra-se, no entanto, em nível lexical, uma vez que veicula unidades lexicais com conteúdos específicos do domínio em questão. (BARROS, 2004, p.44). É importante notar que, de maneira geral, a linguagem científica apresenta certa adequação a determinadas características de uso, como por exemplo, a universalidade e a internacionalidade, aplicadas às normas terminológicas; a precisão, em virtude da necessidade de transmissão de informações claras; a coerência, por um lado, na tendência por uma formação regular de seus elementos lexicais e, por outro, na elaboração de uma sintaxe concisa, formulada para veicular dados específicos; e, por fim, a formalidade e a funcionalidade, que representam a frequente recorrência a elementos estruturais como tabelas, gráficos, e cujo estilo costuma ser complexo quanto à terminologia e sóbrio quanto à forma (GARRIDO, 2001). Notamos, no entanto, que no âmbito das Ciências Sociais, a composição do campo de especialidade não segue todas estas especificações, visto que os próprios objetos de análise apresentam-se em constante evolução. De acordo com Winick, em seu Dictionary of Anthropology (1961), antropólogos, sociólogos e cientistas sociais são chamados, ao longo de suas pesquiPROFT em Revista Anais do Simpósio Profissão Tradutor 2011 Talita Serpa sas, a criar termos especiais. Muitos desses termos não podem ser definidos com absoluta precisão e são usados com base em um tácito consenso sobre seus significados. Este acordo depende mais de uma noção compartilhada das conotações de um termo em particular do que do claro veredicto sobre a denotação da palavra em si. Ainda de acordo com o autor, muitos termos levam as características de sua formulação histórica para o discurso presente. Para os teóricos, o significado de um conceito é influenciado pelas circunstâncias em que este foi colocado em uso por um pesquisador em particular, ou é revestido com os vestígios das teorias precedentes. Os distintos significados atribuídos aos conceitos de Ciências Sociais por diferentes pesquisadores geralmente refletem diferenças fundamentais no método de abordagem nos estudos da sociedade, da relação homem/comunidade e das mudanças culturais. Entretanto, é importante observar que, embora existam tais diferenças de perspectiva analítica, antropólogos, sociólogos e demais cientistas sociais tendem a manter a unidade consensual dentro da área de especialidade. Pathak afirma, em sua obra Sociological Concepts and Terminology (1998) que a formulação terminológica no campo das Ciências Sociais possui determinados aspectos condicionantes que o diferem das demais áreas de especialidade. São eles: (1) o fato de que nesta área diversos termos podem designar um mesmo conceito; (2) um mesmo termo pode designar diferentes conceitos; (3) diferentes estudiosos associam conceitos distintos a um único termo; (4) os conceitos são geralmente expressos por palavras de uso cotidiano; e (5) em Ciências Sociais os termos não são formulados em linguagem simbólica. A estes fatores podemos ainda acrescentar que a Terminologia neste campo de investigação apresenta variação na sua forma de abordagem, sofrendo alterações de significado e uso de acordo com a leitura realizada pelos teóricos envolvidos. Barros (2004) acrescenta que cada povo recorta a realidade objetiva de maneira distinta e que as debilitações conceituais das representações sociais são designadas por unidades lexicais que, consideradas como signos de domínios específicos da atividade da comunidade sociocultural, podem ser afirmadas como unidades terminológicas. A teórica debruça-se sobre a questão antropológica da descrição do sistema cultural de um povo e afirma haver a necessidade da construção de um conjunto terminológico específico para essa área. Verifica-se, portanto, que cada cientista social delimita seu campo de estudo e procura conhecer as nomeações dos seus PROFT em Revista Anais do Simpósio Profissão Tradutor 2011 A Política de Darcy Ribeiro e Fernando Henrique Cardoso: Estudo da Tradução para o Inglês de Termos e Expressões Recorrentes nas Obras desses Dois Teóricos Brasileiros objetos de análise. Dessa forma, podemos dizer que nas Ciências Sociais, além de uma terminologia científica própria à constituição de conceitos acadêmicos, existe também a necessidade de se considerar a nomenclatura dos elementos sociais investigados. Temos, por conseguinte, que as subáreas das Ciências Sociais apresentam um vocabulário especializado com a criação de conceitos teóricos que assumem características próprias dentro da obra de cada cientista social. Contudo, a maioria dos estudiosos dedica-se a fenômenos socioculturais específicos e, com isso, os fatos e elementos da sociedade sob pesquisa tornam-se parte da Terminologia daquele autor. No caso das pesquisas realizadas no Brasil podemos considerar esses fatores como brasileirismos, os quais, de acordo com Coelho (2003), podem ser compreendidos como índices linguísticos da identidade do povo brasileiro. Para Faulstich (2004) algumas destas entidades linguístico-culturais assumem um quadro conceitual que é mais de natureza terminológica do que de linguagem comum, compondo os chamados brasileirismos terminológicos. Admite-se, com isso, que estas unidades lexicais constituem um caráter funcional em contextos científicos específicos. A teórica define os brasileirismos terminológicos como “palavras, locuções e outra estrutura sintagmática criada e formada no Brasil, que tenha significado autônomo e esteja encerrado num conceito de especialidade, que possibilite reconhecer a área a que pertence” (FAULSTICH, 2004). Devemos ainda nos ater à mencionada produção dos chamados neologismos terminológicos nas Ciências Sociais, principalmente quando tratamos de características intrínsecas a um povo específico, como no caso de nossa pesquisa, a cultura e o povo brasileiro. Segundo Boulanger (1989), os neologismos terminológicos são desenvolvidos sob condições sociais e culturais determinadas institucionalmente dentro das áreas de especialidade de que fazem parte. O autor apresenta determinadas condutas a serem seguidas para a criação neológica, dessa forma, os termos podem: 1) denominar um conceito estável, previamente delimitado de forma clara; 2) ser concisos e breves; 3) ser construídos de acordo com as regras do próprio sistema linguístico; 4) constituir base de séries de palavras derivadas; e 5) adaptar-se ao sistema fonológico e ortográfico da língua. Por sua vez, Cabré (1993) propõe, ainda, as seguintes condições para os neologismos terminológicos: 1) ser fruto de uma efetiva necessidade denominativa; 2) não apresentar conotações negativas nem provocar associações inconvenientes; e 3) pertencer a um registro formal de especialidade. PROFT em Revista Anais do Simpósio Profissão Tradutor 2011 Talita Serpa De acordo com Alves (1999, p.75), as criações neológicas nos campos de especialidade são motivadas, pois correspondem a uma necessidade ditada pelo desenvolvimento das ciências e das técnicas. A elaboração desses elementos deve, portanto, obedecer a algumas normas, como a conformidade com as regras de formação morfológica e a possibilidade de derivação de novos elementos. Assim sendo, os neologismos terminológicos apontam um caráter relativamente estável da língua. Assim, é importante que o processo tradutório de tal repertório terminológico, segundo o Guia para Tradução de textos de Ciências Sociais (2006), elaborado por Michael Henry Heim & Andrzej W. Tymowski, pesquisadores do American Council of Learned Societies, siga alguns direcionamentos, visto que os textos das áreas antropológica, sociológica, etc. são distintos dos demais textos científicos por não poderem ser generalizados e estarem submetidos a contextos sociais, políticos e culturais distintos, de acordo com o país e as tradições e costumes que o constituem. Embora afirmem que essa submissão a fatores sociais específicos de determinadas culturas gere inconsistência terminológica, não deixam de observar que: Um termo-chave que ocorre mais de uma vez pode ser traduzido pela mesma palavra sempre, mas o tradutor precisa primeiramente determinar se o significado é de fato o mesmo. Se não for, o tradutor pode escolher outra palavra, mas a decisão deve ser consciente. Para estabelecer consistência à tradução, o editor pode sugerir que os tradutores elaborem um glossário de termos-chave quando trabalham com um texto específico.4 (HEIM & TYMOWSKI, 2006, p.10). Os cientistas sociais, ao introduzirem novos conceitos, geralmente atuam para que as palavras ou expressões empregadas sejam aceitas pela comunidade científica e se universalizem dentro desse público, passando a constituir termos. Bons exemplos disso são a ninguendade (1995) de Darcy Ribeiro e a carnavalização (1997) de Roberto DaMatta. Os conceitos que transmitem são, em geral, culturalmente determinados, mas a opção por termos técnicos é um aspecto dessas ciências e, por isso, os tradutores precisam estar atentos no momento de vertê-los para as LMs. 4 […] a key term that occurs more than once should be translated by the same word each time, but the translator must first dete rmine whether the meaning is in fact the same. If it is not, the translator may choose another word, but the decision must be a conscious o ne. To foster consistency, the editor can suggest that translators create a personal glossary of key terms as they work through a text. PROFT em Revista Anais do Simpósio Profissão Tradutor 2011 A Política de Darcy Ribeiro e Fernando Henrique Cardoso: Estudo da Tradução para o Inglês de Termos e Expressões Recorrentes nas Obras desses Dois Teóricos Brasileiros Embora não seja possível generalizar, os dois principais procedimentos utilizados pela maioria dos tradutores, de acordo com Heim & Tymowski, são: (1) empréstimo da língua original; e (2) tradução literal para o termo. Ambos causam um estranhamento inicial no leitor alvo, pois ou estão em língua estrangeira ou forçam a forma original da LM a uma forma que não lhe é natural. No entanto, frequentemente, as línguas se adaptam e absorvem os “estrangeirismos” e “literalidades”. É importante para o tradutor que se depare com um texto científico a ser traduzido estar familiarizado com esse tipo de redação e também com os termos mais adequados a cada subárea das Ciências Sociais. Essa é uma das condições apontadas pelos autores do Guia, por facilitar que os textos sejam publicados de acordo com padrões internacionais. Tanto os tradutores e pesquisadores da área quanto os estudantes de Tradução estariam diretamente beneficiados com os resultados de trabalhos voltados para esses propósitos. MATERIAL E MÉTODO Para esta investigação, foram compilados os seguintes corpora: 1) um subcorpus principal paralelo de Ciência Política, constituído pela obra: Dependência e desenvolvimento na América Latina: ensaio de interpretação sociológica, de Fernando Henrique Cardoso e Enzo Falleto, cuja primeira edição data de 1970, originalmente escrita em português (total de itens: 47.040) e da respectiva tradução para o inglês, realizada por Marjory Mattingly Urquidi, sob o título Dependency and Development in Latin America publicado em 1978 (total de itens: 58.737); 2) um subcorpus principal paralelo de Antropologia, contituido pelas obras: O processo civilizatório, de autoria de Darcy Ribeiro, publicada originalmente em português no ano de 1968 (total de itens: 63.159), e a respectiva tradução para o inglês, realizada por Betty J. Meggers sob o título The Civilizational Process, publicada em 1968 (total de itens: 53.464); e O povo brasileiro: a formação e o sentido do Brasil, de autoria de Darcy Ribeiro, publicada originalmente em português, no ano de 1995 (total de itens: 115.474), e a respectiva tradução para o inglês, realizada por Gregory Rabassa, sob o título The Brazilian People: formation and meaning of Brazil, publicada em 2000 (total de itens: 139.858). PROFT em Revista Anais do Simpósio Profissão Tradutor 2011 Talita Serpa Também utilizamos dois corpora de referência para a extração de palavras-chave. Em português, utilizamos o corpus Lácio-Ref, composto de textos em português brasileiro, escritos respeitando a norma culta. Para a extração de palavras-chave em inglês, empregamos como corpus de referência o British National Corpus (BNC Sampler), composto por textos originalmente escritos em inglês. Quanto aos procedimentos adotados para o tratamento do corpus de estudo, as obras escolhidas foram escaneadas, limpas e salvas em Word. Em seguida, os livros foram salvos como texto sem formatação (txt), a fim de serem processados pelo programa WordSmith Tools, criado por Scott (1999). No tocante às ferramentas disponibilizadas pelo programa, utilizamos nesta pesquisa a WordList, a KeyWords e a Concord, assim como os respectivos aplicativos (colocados e clusters). ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS O levantamento dos termos e expressões de Ciência Política e Antropologia nas obras dos subcorpora de estudo em LF e em LM foi realizado por meio da seleção dos vocábulos mais representativos de base substantival e adjetival com fundamento no critério de maior chavicidade.5 Análise da frequência e das palavras-chave nas três obras do corpus de estudo Para a análise do subcorpus principal de Ciência Política foram utilizadas as listas de frequência de palavras extraídas com o auxílio da ferramenta WordList. Apresentamos as Tabelas 1 e 2 com as dez palavras mais frequentes nos textos fonte (TFs) e nos TMs. 1. Setores (304) 2. Grupos (281) 3. Desenvolvimento (272) 4. Sistema (271) 7. Países (153) 5. Mercado (193) 8. Estado (141) 6. Economia 9. Poder (136) (179) 10. Social (129) 5 Compreendemos por chavicidade a relação estatística entre a ocorrência de dada palavra em um corpus de estudo e a importância que assume para o léxico de uma área de especialidade. PROFT em Revista Anais do Simpósio Profissão Tradutor 2011 A Política de Darcy Ribeiro e Fernando Henrique Cardoso: Estudo da Tradução para o Inglês de Termos e Expressões Recorrentes nas Obras desses Dois Teóricos Brasileiros TABELA 1: Lista das dez palavras mais frequentes no subcorpus de Ciência Política em português 1. Groups (295) 2. Development (261) 3. Sectors (254) 4. Social (254) 7. State (197) 5. System (226) 8. Market (194) 6. Economy 9. Countries (164) (207) 10. Power (158) TABELA 2: Lista das dez palavras mais frequentes no subcorpus de Ciência Política em inglês As dez palavras mais frequentes apresentadas na Tabela 1 encontraram equivalentes na Tabela 2: “setores” sectors; “grupos” groups; “desenvolvimento” development; “sistema” system; “mercado” market; “economia” economy; “países” countries; “estado” state; “poder” power; e “social” social. Dessa forma, foi possível notar que vocábulos de maior ocorrência, como por exemplo, “grupos” (281), “sistema” (271), e “social” (129) fazem parte da linguagem geral das Ciências Sociais. Com o auxílio da ferramenta KeyWords, foram geradas as listas de palavras-chave do subcorpus do TF, tomando para contraste o corpus de referência Lácio-Ref. Após este levantamento, foram também observadas as palavras-chave a partir do TM, tendo como corpus de referência o BNC Sampler. Abaixo, apresentamos as Tabelas 3 e 4 com as respectivas dez palavras-chave de maior índice: 1. Setores 2. Grupos 3. Desenvolvimento 4. Sistemas 5. Economia 6. Enclave 7. Exportador 8. Industrialização 9. Dominação 10. Política TABELA 3: Lista das dez palavras-chave a partir do subcorpus de Ciência Política em português 1. Sectors 2. Economic 3. Groups 4. Political 5. Economy 6. Export 7. Industrialization 8. Enclave 9. Development 10. Domination TABELA 4: Lista das dez palavras-chave a partir do subcorpus de Ciência Política em inglês Entre as dez palavras-chave dos corpora do TF e do TM, nove coincidem como possíveis correspondentes. Podemos citar, por exemplo: “desenvolvimento” development; “economia” economy; “enclave” enclave; “industrialização” industrialization; e “dominação” domination. PROFT em Revista Anais do Simpósio Profissão Tradutor 2011 Talita Serpa Para dar suporte à seleção de tais dados, realizou-se uma consulta a um corpus de apoio formado por dicionários das subáreas das Ciências Sociais, a saber: Antropologia, Ciência Política, Economia e Sociologia para abonar a inclusão ou exclusão de termos e expressões em nossas análises. A observação da frequência dos itens lexicais da obra de Cardoso (Tabela 1) e de sua tradução (Tabela 2) permite reconhecer quais os principais assuntos abordados pelo autor, que trata dos processos de dependência político-econômica dos países latino-americanos, considerando que a pesquisa foi desenvolvida com objetivo de traçar um panorama geral para promoção de políticas públicas pela antiga CEPAL (Comissão Econômica para América Latina e Caribe). Por conseguinte, uma vez presentes na lista de palavras mais frequentes e mais representativas do subcorpus, os termos foram mantidos na análise da subárea de Ciência Política. As alterações no número de vezes que os termos são utilizados entre o TF e o TM revelam as mudanças de cunho linguístico e lexical nas escolhas da tradutora, muito embora não possamos restringir nossas análises a esse único elemento. As questões de âmbito sociocultural e governamental que permeiam a constituição do comportamento de Urquidi também podem ser avaliadas por meio do número de ocorrências de palavras. Podemos fazer tal análise se avaliarmos, por exemplo, as alterações das utilizações do termo “economia” e de sua tradução economy. A diferença é de 28 ocorrências a mais na LM, o que pode demonstrar uma reordenação da linguagem teórica por parte da tradutora. No caso do adjetivo “social”, este ocorre 125 vezes a mais no TM, revelando que a tradutora pode ter explicitado de maneira mais enfática as relações humanas que se estabelecem entre os atores político-culturais das comunidades em análise. Da mesma forma, realizamos investigações semelhantes para o subcorpus de Antropologia. Abaixo apresentamos as Tabelas de 5 a 8 com as dez palavras mais frequentes e as dez palavras-chave dos TFs e dos TMs. 1. Índios (452) 2. Social (352) 3. Trabalho (315) PROFT em Revista 4. População (286) 5. Sistema (282) 6. Terra (247) 7. Processo (245) 8. Sociedade (243) 9. Produção (226) 10. Revolução (207) Anais do Simpósio Profissão Tradutor 2011 A Política de Darcy Ribeiro e Fernando Henrique Cardoso: Estudo da Tradução para o Inglês de Termos e Expressões Recorrentes nas Obras desses Dois Teóricos Brasileiros TABELA 5: Lista das dez palavras mais frequentes no subcorpus de Antropologia em português 1. People (497) 2. Indians (473) 3. Social (445) 4. Population (316) 5. Land (313) 6. Cultural (289) 7. System (288) 8. Society (249) 9. Order (247) 10. Process (228) TABELA 6: Lista das dez palavras mais frequentes no subcorpus de Antropologia em inglês 1. Índios 2. Povos 3. Sociedades 4. Terras 5. Escravos 6. Civilização 7. População 8. Negros 9. Missões 10. Mercantis TABELA 7: Lista das dez palavras-chave a partir do subcorpus de Antropologia em português 1. Labor 2. Mercantile 3. Slaves 4. Peoples 5. Civilization 6. Plantation 7. Blacks 8. Revolution 9. Society 10. Indigenous TABELA 8: Lista das dez palavras-chave a partir do subcorpus de Antropologia em inglês Das palavras presentes na Tabela 5, sete encontraram equivalentes na Tabela 6: “índios” indians; “social” social; “população” population; “sistema” system; “terra” land; “processo” process; e “sociedade” society. As outras três palavras que não constaram entre as dez primeiras (“trabalho” work/labor; “produção” production; apareceram entre as cem palavras mais frequentes na lista de palavras do subcorpus do TM. Notamos que as listas de palavras-chave destacaram a representatividade dos três pares de obras (Dependência e Desenvolvimento na América Latina/ O processo civilizatório/ O povo brasileiro) uma vez que apresentam as palavras de maior chavicidade em contraste com um corpus de referência de mais de um milhão de palavras. Esses índices de chavicidade apontam um uso frequente de palavras que poderiam ser consideradas fortes candidatos a termos nas subáreas de Ciência Política e de Antropologia. Ao cruzarmos as listas dos respectivos TFs, observamos que os termos gerais das Ciências Sociais, como por exemplo, “sociedade” society, são comum nas três obras que compõem os corpora paralelos de nossa pesquisa. Outras palavras de âmbito sociológico coocorrentes são: “estado” state; “burguesia” bourgeoisie; e “oligarquia” oligarchy. Dessa maneira, o processo de análise dos termos mais frequentes das obras revela algumas recorrências no uso de termos simples, o que evidencia que tanto Cardoso quanto Ribeiro desenvolveram estudos cujas teorias fundamentam-se em objetos semelhantes, como a produção industrial interna, a acumulação de capital e a geração de mão-de-obra no Brasil. PROFT em Revista Anais do Simpósio Profissão Tradutor 2011 Talita Serpa Análise da tradução de termos simples, expressões fixas e semifixas mais frequentes nos pares de obras do corpus de estudo As palavras-chave selecionadas a partir dos subcorpora principais dos TFs foram comparadas às palavras-chave extraídas a partir dos respectivos TMs. A investigação dos termos mais frequentes permitiu constatar que, em grande parte, as palavras-chave dos subcorpora principais em LM coincidiam com as palavras-chave de LF em ambas as obras. Com base nesses dados, apresentamos, abaixo, as Tabelas 9 e 10 com os dez primeiros candidatos a termos simples mais frequentes nos TFs e as respectivas traduções, extraídos dos subcorpora paralelos de cada par de obras das subáreas de Ciência Política e de Antropologia. TF 1. Seto- 6. Gru- 7. res 2. 1. Sectors 2. Groups 3. Development 4. Systems 5. Economy cravos pos Civilização 3. 5. Es- Desenvolvimento 4. Sociedades 5. Terras 8. Po- TM 6. Enclave 7. Exporter 8. Industrialization 9. Domination 10. Policy pulação 9. Do minação 10. Política TABELA 9: Dez candidatos a termos simples mais frequentes de Ciência Política e respectivas traduções no TM 1. 2. 3. 4. 5. Índios Povos Sociedades Terras Escravos TF 6. 7. 8. 9. 10. Civilização População Negros Missões Mercantis 1. 2. 3. 4. 5. Indians Peoples Societies Lands Slaves TM 6. 7. 8. 9. 10. Civilization Population Blacks/Nigers Missions Mercantile TABELA 10: Dez candidatos a termos simples mais frequentes de Antropologia e respectivas traduções no TM A partir das palavras-chave levantadas em língua portuguesa (Tabelas 3 e 7), realizamos a observação das linhas de concordância, dos agrupamentos lexicais (clusters) e dos colocados (collocates) por meio da ferramenta Concord. Abaixo, apresentamos nas Tabelas 11 e 12, cinco dos candidatos a termos mais frequentes em ambas os TOs e as expressões por eles formadas (“sociedade/s”, “povo/s”, “trabalho/s”, “economia/s e “social/is”): PROFT em Revista Anais do Simpósio Profissão Tradutor 2011 A Política de Darcy Ribeiro e Fernando Henrique Cardoso: Estudo da Tradução para o Inglês de Termos e Expressões Recorrentes nas Obras desses Dois Teóricos Brasileiros SOCIEDADE/S Sociedade/s Industrial/is – Sociedade/s Industrializada/s de Massa – Sociedade/s Subdesenvolvida/s – Sociedade Civil – Sociedade Capitalista – Sociedade de Massa – Sociedade/s Periférica/s – Sociedade/s Desenvolvida/s POVO/S ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------TRABALHO/S Trabalho Livre – Divisão Social do Trabalho ECONOMIA Economia Agrícola – Economia de Enclave – Economia Industrial – Economia Exportadora de Enclave – Economia de Subsistência - Economia Escravocrata – Economia Exportadora – Economias Periféricas – Economia Algodoeira – Economia Liberal – Economia Industrial-periférica – Economias Agro-exportadoras – Economia Dependente – Economia Política – Economia Agropecuária – Economia Urbano-industrial SOCIAL/IS Divisão Social do Trabalho – Grupo Social – Estrutura Social – Pressão Social – Estratificação Social – Exclusão Social – Distributivismo Social – Ordem Social – Diferenciação Social – Relações Sociais de Produção – Movimentos Sociais TABELA 11: Expressões fixas e semifixas extraídas do subcorpus de Ciência Política SOCIEDADE/S Sociedade Parasitária – Sociedade Nascente – Sociedade Brasileira – Sociedades Tribais – Sociedades Tribais Autônomas – Sociedade Cabocla – Sociedade Colonial – Sociedade Agrária – Sociedade Rural – Sociedade Sertaneja – Sociedade Solidária – Sociedade Subalterna – Sociedade Democrática – Sociedade Multiétnica – Sociedade Igualitária – Sociedades Nacionais POVO/S Povo Brasileiro – Povo-massa – Povos Indenes – Povos Indígenas – Povo Novo – Povo Livre – Povos Tribais – Povos Transplantados – Povos Testemunhos – Povo Mestiço – Povo-nação – Povos Morenos – Povo Prístino – Povos Pastoris – Povos Conscritos – Povo Mameluco – Povos Agrícolas – Povos Pagãos – Povos Germinais – Povos Avassalados TRABALHO/S Força de Trabalho – Regime de Trabalho – Condições de Trabalho – Relação de Trabalho – Sistema de Trabalho – Mercado de Trabalho ECONOMIA Economia de Pesca – Economia Agrícola – Economia Granjeira – Economia Mercantil – Economia Escravista – Economia Pastoril – Economia Mista – Economia Cafeeira – Economia Familiar – Economia de Subsistência – Economia Agrária - Economia Livreempresarial – Economias Periféricas –Economias Capitalistas – Economias Rurais- artesanais – Economias Coletivistas – Economias Não-monetárias – Economias Monetárias – Economia Colonial – Economia de Subsistência – Economia Extrativista – Economia Rural PROFT em Revista Anais do Simpósio Profissão Tradutor 2011 Talita Serpa – Economia Açucareira – Economia Agroindustrial SOCIAL/IS Ordem Social – Papel Social – Responsabilidades Sociais – Convívio Social – Reformador Social – Consciência Social – Preconceito Social – Vida Social – Função Social – Estratos Sociais – Classes Sociais – Estratificação Social – Miopia Social – Antagonismos Sociais – Ascensão Social – Revolução Social – Democracia Social – Convivência Social TABELA 12: Expressões fixas e semifixas extraídas do subcorpus de Antropologia Verificamos que algumas das expressões fixas e semifixas estão presentes nos subcorpora de ambas as subáreas, revelando, novamente o desenvolvimento da teoria proposta pelos autores e a interrelação entre as hipóteses apresentadas nas teorias política e antropológica. Abaixo apresentamos a Tabela 13 com as expressões coocorrentes em ambas as obras e as respectivas traduções: Expressões Fixas e Semifixas Coocorrentes nas obras do corpus de estudo em LF Acumulação de Capitais Tradução de Urquidi Tradução de Meggers e Rabassa Capital Accumulation Accumulation of Capital Capitalismo Mercantil Commercial Capitalism Mercantile Capitalism Classe/s Social/is Social Class/es Social Class/es Crescimento Econômico Economic Growth Economic Growth Crescimento Econômico Economic Growth Economic Growth Divisão Social do Trabalho Social Division of Labor Division of Labor Economia Agrária Agrarian Economy Agricultural Economy Agrarian Economy Economia Capitalista Capitalist Economy Capitalist Economy Economia de Subsistência Subsistence Economy Subsistence Economy Economia Cafeeira Coffee Economy Coffee Economy Força de Trabalho Grupo/s Social/is Labor Force Social Group/s Work Force Social Group/s Grupo/s Dominante/s Dominant Group/s Grupo/s Privado/s Grupo/s Empresarial/is Industrialização Substitutiva de Importação Private Group/s Entrepreneurial Group/s Import-Substitution Industrialization Massa/s Assalariada/s Massa/s Rural/is Wage-Earning Mass/es Rural Mass/es Dominant Group/s Dominating Group/s Former/s Private Group/s Entrepreneurial Group/s Industrialization which later would expand and replace imports Substitutive Industrialization in the Place of Imports Salaried Mass/es Worker/s from the Villages Rural Mass/es PROFT em Revista Anais do Simpósio Profissão Tradutor 2011 A Política de Darcy Ribeiro e Fernando Henrique Cardoso: Estudo da Tradução para o Inglês de Termos e Expressões Recorrentes nas Obras desses Dois Teóricos Brasileiros External Market Mode of Production Form of Production Peripheral Country/ies External Market Method/s of Production Productive Process Public Power Produção Industrial Productive Process Public Power Political Power Industrial Production Relação/ões Social/is Social Relation/s Senhor/es da Terra Rural Patriciate Social Relation/s Social Relationship/s Landowner/s Setor Terciário Tertiary Sector Third Sector Sistema/s Produtivo/s Production System/s Productive System/s Financial System/s Expressão Não Traduzida Productive System/s Mercado Externo Modo/s de Produção País/es Periférico/s Processo Produtivo Poder Público Sistema/s Financeiro/s Sistema Colonial Peripheral Country/ies Industrial Production Financial System/s Colonial System TABELA 13: Expressões Fixas e Semifixas Coocorrentes em Ciência Política e Antropologia que apresentam algumas variações nas opções de tradução nos corpora dos TMs Os dados mostram que trinta expressões ocorrem com maior frequência nos dois subcorpus de Ciências Sociais. Com base na Tabela acima, podemos observar que a maior parte das expressões coocorrentes nos TFs apresenta as mesmas opções de tradução nos respectivos TMs. Por outro lado, na tradução das expressões como “setor terciário”, “grupos dominantes”, “sistema produtivo”, “economia agrária” e “industrialização substitutiva de importações”, Urquidi optou pelas seguintes traduções: tertiary sector, dominant groups, production system/productive system, agrarian economy e import-substitution industrialization, ao passo que Meggers e Rabassa optaram por: third sector, dominant groups/dominating groups/formers, productive system, agrarian economy/agricultural economy e industrialization which later would expand and replace imports/ substitutive industrialization in the place of imports. É interessante notar que as variações representam mais que simples alternâncias lexicais. Os comportamentos tradutórios de Urquidi, Meggers e Rabassa refletem as relações teóricas contidas nas obras de Cardoso e de Ribeiro, respectivamente, visto que os tradutores depreendem os significados contidos nas expressões e reconstroem a proposta analítica de interpretação do “povo brasileiro”. Podemos apontar, por exemplo, que na expressão “relações de trabalhos”, os tradutores variam entre os termos work e labor no contexto de uso do termo “trabalho”, o qual tem grande amplitude dentro das Ciências Sociais e apresenta cinco sentidos principais, em LM, os quais evidenciam as diferentes fases de sua evolução. PROFT em Revista Anais do Simpósio Profissão Tradutor 2011 Talita Serpa Inicialmente, correspondia apenas às ideias de labor, ou seja, esforço físico. Contudo, durante a segunda metade do século XIX, o termo passou a ser usado como figura de linguagem, personificando um ato, em expressões como direito do trabalho, produto do trabalho, valor do trabalho, sempre mantendo a correspondência com os padrões da sociedade capitalista e mercantil. Esta personificação subjacente deu, então, lugar à noção de entidade coletiva, como um organismo que congrega trabalhadores e operários, em matéria de defesa de interesses e reivindicações políticas. Neste sentido, labor indica a classe trabalhadora atuando conscientemente na política. A conceituação de labor ganhou ainda uma quarta acepção quando a Câmara dos Comuns da Grã-Bretanha decidiu intitular-se Partido Trabalhista (Labor Party) noção esta consolidada quando o partido adotou um programa socialista. Por fim, quando o termo foi exportado, adquiriu um quinto significado, relacionado a doutrina ou programas partidários, assim como às organizações sindicais e trabalhistas, que se difundiram e se alteraram de acordo com a formação sócio-política de cada país. No que se refere à definição de work no The Dictionary of Anthropology (1997), verificamos uma pequena alteração de sentido, de modo que este termo representa a condição prévia para a vida humana, a criação de cultura material que separa a natureza do homem e do animal. Neste contexto, work é um termo que remete à formação da cultura, visto que não existem valores e crenças sem o desenvolvimento material e não há desenvolvimento material sem trabalho. A dimensão do conceito de work para a Antropologia, por conseguinte, mostra que as sociedades vêm reconstruindo seu ambiente em virtude de seu poder criativo com base no “trabalho” e que este tipo de atividade pode ser realizada mesmo em sociedades não-capitalistas, ao contrário do termo labor, conforme exposto. Assim sendo, ao variarem as escolhas lexicais para a tradução da terminologia sociocultural, os tradutores precisam considerar as mudanças de leitura interpretativa dos termos e expressões dentro da Antropologia, para que não incorram em inadequações teórico-terminológicas. Do mesmo modo, encontramos termos simples de maior chavicidade na obra Dependência e desenvolvimento na América Latina, de Cardoso (e Falleto), que também aparecem nas obras O processo civilizatório e O povo brasileiro, de Ribeiro. Com isso, verificamos se as escolhas lexicais de Urquidi poderiam fornecer diferentes opções de tradução para os termos e expressões de Antropologia em relação às estratégias utilizadas por Meggers e Rabassa no processo tradutório das Ciências Sociais. Apresentamos abaixo a Tabela 14 com os termos simples coocorrentes de maior chavicidade nas três obras e suas respectivas traduções. PROFT em Revista Anais do Simpósio Profissão Tradutor 2011 A Política de Darcy Ribeiro e Fernando Henrique Cardoso: Estudo da Tradução para o Inglês de Termos e Expressões Recorrentes nas Obras desses Dois Teóricos Brasileiros Termos Simples Coocorrentes no par de obras em LF Banqueiro/s Tradução de Urquidi Tradução de Meggers e Rabassa Banker/s Campesinato Capitalismo Caudilho/s Peasants Peasant Farmer Capitalism Caudillo/s Stoker/s Banker/s Peasantry Comércio Commerce Estamento/s State/s Fazenda/s Feitoria/s Ranch/es Hacienda/s Termo não Traduzido Metrópole/s Metropolis/es Periferia Periphery/ies Salário/s Wage/s Salary/ies Seigniory Senhorio/s Senhor/es Sindicalização Sindicato/s PROFT em Revista Patriciate Slaveholder/s Seigniorial Planter/s Labor Unions Trade Union/s Labor Union/s Capitalism Leader/s Military Chieftain/s Political Leader/s Commerce Trade Business Order/s Group/s of Agents Plantation/s Establishment/s Trade Post/s Metropolis/es Motherland/s Mother Country/ies Homeland/s Periphery/ies Outlaw/s Wage/s Salary/ies Ruler/s Master/s Landlord/s Feudal Lord/s Chief/s Landowner/s Owner/s Lord/s Mastery Domain/s Master/s Syndicate Movement/s Syndicate/s Anais do Simpósio Profissão Tradutor 2011 Talita Serpa TABELA 14: Termos Simples de maior chavicidade coocorrentes nas obras do corpus de TFs e variações nas traduções no corpus de TMs Neste âmbito, podemos observar, por exemplo, o termo “feitorias”, mencionado tanto na obra do cientista político quanto na do antropólogo. Tratavam-se de entrepostos europeus estabelecidos em territórios estrangeiros com o objetivo de realizar trocas comerciais, geralmente escravistas. Podiam ser compreendidos como simples casas ou como um conjunto de equipamentos e estruturas militares ou de acolhimento e manutenção de embarcações. Também representavam grandes armazéns e edifícios que abrigavam instituições administrativas, judiciais e diplomáticas. Funcionavam, ainda, como armazéns, mercados, alfândegas, áreas de defesa e pontos de apoio à exploração ultramarina. Dentro da história nacional, as “feitorias escravistas”, assim como as “feitorias exportadoras”, apresentavam estruturas corporativas, visando a proteção dos interesses de comerciantes e o desenvolvimento da economia e da política colonial para o lucro da metrópole. Eram governadas por um “feitor”, encarregado de reger o comércio, arbitrar as contendas entre os mercadores e servir aos interesses da nação que representava. As “feitorias” pertencentes ao governo português, além de superintender as relações entre marinheiros, mercadores e portugueses, centralizavam a cobrança de impostos e taxas de navegação. Cabem, ainda, na conceituação das expressões formadas com o termo “feitoria”, o sentido de um ponto de contato com mercados tradicionais e estabelecimentos, em rotas e circuitos comerciais consolidados, e de centralização e monopólio do comércio colonial. Os núcleos mercadológicos permitiam, também, o comércio de manufaturados de luxo, armas e tecidos em troca de matérias-primas, como sal, produtos agrícolas e especiarias. As vendas coloniais favoreciam o trânsito de ouro, escravos, madeira, etc. para os países europeus e o envio de azeite e cobre para a América Latina. Em LM, a opção dos tradutores, establishment, contém apenas o significado de instituição ou estabelecimento voltado ao comércio durante o processo colonial. Observamos que este sentido contém somente uma das concepções apresentadas para as expressões formadas com base na ideia de “feitoria”. Outra possível escolha tradutória a ser observada é a concepção de trading post, a qual, de acordo com o Oxford English Dictionary (1961), tem a acepção de pequena área longínqua, usada como centro de compras e vendas de mercadorias, principalmente na colônia americana. PROFT em Revista Anais do Simpósio Profissão Tradutor 2011 A Política de Darcy Ribeiro e Fernando Henrique Cardoso: Estudo da Tradução para o Inglês de Termos e Expressões Recorrentes nas Obras desses Dois Teóricos Brasileiros Tal leitura vem sendo utilizada em contextos semelhantes aos de “feitoria” para as sociedades dominadas pelas nações europeias mesmo antes de o Brasil ter sido descoberto. Sendo assim, a atividade de desenvolver e construir entrepostos é anterior à própria ideia de áreas de trocas de escravos para os antropólogos brasileiros, o que nos faz pensar que, talvez, a tradução por slave trading post seja a mais aproximada dos conceitos e das práticas que envolviam as “feitorias escravistas” no Brasil. Assim, na tradução das obras em análise, notamos que as escolhas de Urquidi, Meggers e Rabassa representam um comportamento inovador que se daria não apenas no ambiente da tradução, mas também em situações de adequação e análise de fatores sociais que são desconhecidos às comunidades de chegada. Análise da tradução de termos simples, expressões fixas e semifixas empregados em cada TF em relação a seu uso na subárea de Ciência Política e Antropologia Por sua vez, termos simples, expressões fixas e semifixas aparecem na obra de Cardoso, os quais são comuns à subárea de Antropologia, mas que não foram encontrados nas obras de Ribeiro. Dessa forma, a Tabela 15, abaixo, mostra conceitos empregados em Ciência Política e as respectivas traduções, os quais não foram utilizados por Ribeiro nas teorias do corpus de estudo. Termos Simples relevantes às Ciências Sociais ocorrentes na obra de Cardoso em LF Agnosticismo Traduções de Urquidi Aprismo Aprismo Bipartidarismo Continual Struggle Cardenismo Cardenismo Coloradismo Colorado[figures] Gaetanismo Head of the left wing of the Liberal party Goulartismo Case of Goulart Populismo Populism Porfiriato Porfiriato System Porfiriato State Drive Pujança PROFT em Revista Agnosticism Anais do Simpósio Profissão Tradutor 2011 Talita Serpa TABELA 15: Opções de Tradução de Termos Simples importantes às Ciências Sociais ocorrentes na obra de Ciência Política No caso dos termos encontrados na obra de Cardoso, observamos que, por exemplo, no âmbito do conceito de “populismo”, este se aplica, de acordo como Dicionário de Ciências Sociais (1996), aos movimentos políticos de diversas épocas e em várias regiões. Esses movimentos tiveram características sumamente diferentes das registradas pelos movimentos e regimes políticos latino-americanos aos quais o termo foi também aplicado. Existem muitas discussões acerca dos atributos que distinguem o “populismo” de outras formas de regimes ou movimentos políticos. Embora exista um acordo generalizado para considerar como tal alguns casos, como o período de “getulismo” no Brasil e o de “peronismo” na Argentina, há dúvidas a respeito de outros casos menos nítidos como os governos da Democracia Cristã no Chile e os da Ação Democrática na Venezuela, nos quais, apesar de existirem algumas características de “populismo”, não ocorreram rupturas notórias com o quadro jurídico-constitucional preexistente, ou o caso do regime militar peruano, em que o componente pessoal de liderança ficava diluído no contexto de um papel altamente institucionalizado das Forças Armadas no exercício do governo. Em LM, o The Blackwell Dictionary of Twentieth Century Social Thought (1993) apresenta o populism como conjunto de movimentos sociais com alta capacidade de obter apoio popular, mas sem os traços típicos do “socialismo” europeu. O que têm em comum é: A presença de uma massa socialmente mobilizada com pouca ou nenhuma organização autônoma de classe; Uma liderança predominantemente oriunda de setores da classe alta ou média; Um tipo carismático de ligação entre líderes e adeptos. No contexto da Cultura Meta, por conseguinte, observamos que as alterações demográficas resultantes da rápida expansão urbana são colocadas em evidência, associando-se à mentalidade das elites e fazendo com que esse tipo de expressão política se tornasse altamente provável em países no estágio de desenvolvimento usualmente encontrado na América Latina. PROFT em Revista Anais do Simpósio Profissão Tradutor 2011 A Política de Darcy Ribeiro e Fernando Henrique Cardoso: Estudo da Tradução para o Inglês de Termos e Expressões Recorrentes nas Obras desses Dois Teóricos Brasileiros Nas obras de Ribeiro também ocorrem termos e expressões importantes às Ciências Sociais e que não ocorrem na teoria de Cardoso, abordada no corpus paralelo de Ciência Política. Abaixo, apresentamos a Tabela 16 com os principais exemplos desses termos: Termos Simples relevantes às Ciências Sociais ocorrentes na obra de Ribeiro em LF Bóia-Fria Tirania Tribalidade Tropicalidade Unipartidarismo Urbanidade Usineiro Usura Vassalagem Xenofobia Traduções de Meggers e Rabassa Migrant Worker Boia-Fria Cold Leftover Migrant Field-Worker Tiranny Tribalism Tribal State Tropicality Single Party System Urbanity Sugar-Factory Owner Usury Servitude Xenophobia TABELA 16: Opções de Tradução de Termos Simples importantes às Ciências Sociais ocorrentes na obra de Antropologia No tocante aos brasileirismos trabalhados pela Antropologia de Darcy Ribeiro, podemos citar o contexto de uso do termo “boia-fria”. Nesse exemplo, verificamos que o termo originouse segundo o Dicionário de Ciências Sociais (1986), das condições em que as refeições são feitas por grupos de trabalhadores assim denominados. Como nos locais de trabalho não existem instalações para aquecer a comida, os operários almoçam-na de cócoras, à sombra de um arbusto, ou mesmo sob o sol. A dieta básica é o arroz, comido puro ou acompanhado por algum legume ou feijão. É interessante notar que, além deste nome, tem-se também “clandestino”, “volante”, “safrista”, “eventuais”, “diaristas” e “temporários”. Por conseguinte, “boia-fria” é apenas uma das denominações usadas para designar o trabalhador rural braçal, residente na cidade ou na sua periferia, que se desloca para o campo na época da colheita, e recebe por dia ou por tarefa. Geralmente não possui nenhum vínculo de natureza trabalhista com o empregador, consequentemente não se beneficia da legislação trabalhista, nem de assistência da medicina pública. PROFT em Revista Anais do Simpósio Profissão Tradutor 2011 Talita Serpa Esses trabalhadores têm jornadas diárias de 10 a 12 horas, com uma hora para almoço e cinco minutos para o lanche, e com direito a descanso remunerado aos domingos. Some-se a esse número de horas diárias de trabalho o período de espera de condução mais o tempo gasto em transporte, chegando a alcançar 18 horas por dia fora de casa. Ainda é preciso lembrar que o transporte oferecido a esse grupo é feito em caminhões apinhados, e a separação entre os sexos é estabelecida por uma corda. Além dos “boias-frias”, viajam também nos caminhões, o motorista e um fiscal, pessoa de confiança do empregador e responsável pelo bom andamento do trabalho, segurança e regimentação. Quando as distâncias a serem percorridas diariamente são muito grandes, os “boias-frias” são alojados no próprio local de trabalho, que pode oferecer pouco ou nenhum tipo de abrigo. No caso de não haver acomodações, os próprios trabalhadores são responsáveis pela construção de barracos ou então optam por dormir ao relento. Compreendemos que as condições de vida dos “boias-frias” são de extrema pobreza. Moram, em sua maioria, em casebres de maneira ou papelão com piso de terra batida, tiram água de poço e vivem sem sistema de esgoto. Em geral, o nível de escolaridade é muito baixo ou nenhum. Apresentam altas taxas de mortalidade infantil, elevado índice de verminose e subnutrição. Nos períodos em que não há colheita, os “boias-frias”, quando encontram emprego na cidade, trabalham como auxiliares de pedreiro, catadores de papel, guardas noturnos; e as mulheres como domésticas e lavadeiras. Devido à perda de sua identidade como homem do campo, o “boia-fria” caracteriza-se, segundo Mello (1975), pela “sua disponibilidade para qualquer tipo de trabalho”, e pela “sua permanente instabilidade de emprego”. O aparecimento desse tipo de proletariado rural é atribuído à substituição das lavouras que demandam um grande número de trabalhadores e maior volume de trabalho – de café, por exemplo – por outras de maior rentabilidade comercial, como a da soja e a da cana, que, por não necessitarem de trabalho permanente, causam o desaparecimento do colonato e da economia de subsistência. Além disso, a crescente mecanização da agricultura, a expansão da pecuária e a PROFT em Revista Anais do Simpósio Profissão Tradutor 2011 A Política de Darcy Ribeiro e Fernando Henrique Cardoso: Estudo da Tradução para o Inglês de Termos e Expressões Recorrentes nas Obras desses Dois Teóricos Brasileiros absorção da pequena propriedade familiar pela propriedade latifundiária agravaram a situação. Cada vez mais a população rural é expulsa do campo e migra para as cidades, as quais, por sua vez, não possuem capacidade para absorção dos excedentes de mão-de-obra, causando a constituição de um trabalhador rural volante, que é reabsorvido como força de trabalho barata e mais vantajosa para os empregadores. A crença geral é a de que os “volantes” sejam um fenômeno tipicamente brasileiro, surgido por volta de 1963, visto que foi nesta época que começaram a tornar-se visíveis nas grandes cidades. No entanto, suas origens encontram-se nas transformações sofridas pela estrutura econômica brasileira por volta de 1930. Por fim, o Dicionário de Ciências Sociais (1986) ainda salienta que em 1945 já se utilizava o trabalho de “safristas” nos canaviais de Piracicaba, São Paulo. E recuando ainda mais no tempo, encontram-se, em 1938, referências a esse tipo de trabalhador contratado para colher cana, algodão e cítricos no interior paulista. Contudo, há mais de cinquenta anos, nas zonas da mata pernambucanas, existiam trabalhadores assalariados avulsos, também chamados de “corumbas”. Dessa maneira, notamos que o termo “boia-fria” engloba um conjunto de concepções que perpassa a simples relação com a má alimentação e o trabalho braçal nas lavouras do país. Trata-se de um grupo social específico, com características de pobreza e submissão que lhe são próprias. Ao traduzir o termo por migrant worker, o tradutor inicia a proposta de reconstrução de sentido para o conceito em LM. Migrant worker traz consigo diferentes significados e conotações oficiais, de acordo com a região em que é aplicado. A definição, no contexto dos Estados Unidos, é ampla, incluindo qualquer pessoa que trabalha fora de seu local de origem. O termo também pode ser usado para descrever alguém que migra para outros países com o objetivo de encontrar trabalho, como por exemplo: empregos temporários. A United Nations Convention on the Protection of the Rights of All Migrant Workers and Members of Their Families define migrant worker como uma pessoa que exerce qualquer tipo de atividade remunerada em uma nação que não é a sua. O tradutor, nesse sentido, busca realizar uma alternância de sentidos, com referência em seu comportamento cultural e linguístico da LF, para compor semelhantes relações conceituais e contextuais na sociedade de chegada. PROFT em Revista Anais do Simpósio Profissão Tradutor 2011 Talita Serpa Também observamos que, no âmbito das relações econômicas, políticas, coloniais e culturais, Cardoso mostrou predominância de expressões fixas e semifixas, assim como de terminologia recorrente aos cientistas sociais, como, por exemplo, nas seguintes expressões fixas e semifixas em Dependência e desenvolvimento na América Latina: Expressões fixas e semifixas relevantes à área de Ciências Sociais ocorrentes na obra de Cardoso em LF Traduções de Urquidi Contenda Eleitoral Electoral Process Decisões de Poupança Saving Decisions Empresas Paraestatais State-controlled Enterprises Endividamento Fiscal Indebtedness Influxos do Mercado Market Influence Influxos Inflacionários Spurt of Inflation Instrumento de Crédito Instrument of Bank-credit Allocation Inversionistas Estrangeiros Foreign Investor/s Latifúndio Improdutivo Low-productive Latifundium Mecanismo Cambial Exchange Política Saneamento Monetário Orthodox Monetary Policy Retenção Cambial Exchange Control Tarifa/s Alfandegária/s Tariff/s Transferência de Rendas Transfer of Income Valor-Ouro da Moeda Gold Value of Currency TABELA 17: Opções de Tradução de Expressões Fixas e Semifixas importantes à área das Ciências Sociais e ocorrentes na obra Dependência e desenvolvimento na América Latina Notamos que, no que diz respeito à concepção dos “latifúndios improdutivos”, esta remete primeiramente ao conceitos de “latifúndio”(latifundium), o qual está relacionado à ideia de grandes propriedades rurais, cujas dimensões territoriais assumem proporções superiores à área média dos imóveis rurais existentes em uma região ou país. O termo originou-se na Antiguidade Clássica, quando grandes extensões de terra pertencentes ao Estado (ager publicus) foram entregues ao domínio das classes ricas ou expropriadas por estas dos pequenos cultivadores. Na era moderna, o conceito de “latifúndio” (latifundium) volta-se mais especificamente para a representação da ideia de grandes imóveis existentes em países menos desenvolvidos. No caso dos países desenvolvidos, o termo perde o uso com o passar dos anos e com o aumento PROFT em Revista Anais do Simpósio Profissão Tradutor 2011 A Política de Darcy Ribeiro e Fernando Henrique Cardoso: Estudo da Tradução para o Inglês de Termos e Expressões Recorrentes nas Obras desses Dois Teóricos Brasileiros da densidade demográfica, a qual, associada a fatores de ordem política e econômica, levou à fragmentação territorial e, em consequência, à predominância da pequena propriedade de exploração familiar. No Brasil, por sua vez, os imóveis rurais considerados “latifúndios” atingem proporções muito vastas, que superam as existentes em qualquer outro continente. É neste contexto que a expressão “latifúndio improdutivo” parece ser utilizada com maior frequência para designar propriedades territoriais cujo campo utilizado não passa de 5% de seu total. De acordo com o Dicionário de Ciências Sociais (1986), existe, por conseguinte, uma baixa produtividade das grandes extensões de terra para a agricultura e pecuária, o que conduziu a população, assim como os governantes, a um processo de Reforma Agrária. Dessa forma, ao traduzir a expressão por low-productive latifundium, os tradutores trazem à baila, no contexto da LM, a proposição de que os “latifúndios” do território brasileiro tendem a apresentar um papel regressivo no processo produtivo do país. No âmbito da cultura brasileira, Ribeiro utiliza com frequência o recurso dos neologismos para o desenvolvimento de conceitos novos. Apresentamos, abaixo, a Tabela 18 com exemplos de expressões fixas e semifixas usadas pelo teórico em suas obras: Expressões fixas e semifixas relevantes à subárea de Antropologia ocorrentes na obra de Ribeiro em LF Traduções de Gregory Rabassa Agregados Transitórios Temporary Workers Alacridade Folgazã Relaxed Cherfulness Azeres da Preia Hazards of the Capture Braceiros Estacionais Seasonal Workers Lavoura de Coivaras Gathering Firewoods Povos Testemunhos Peoples who have watched the intrusions without losing their former cultural integritude altogether Reduções Missioneiras Missionary Reductions Regime de Parceria System of Sharecrooping Tribalidade Indiferenciada Indifferentiated Tribal State Tribos Indígenas Indenes de Contato Indigenous Tribes Free of Contagion PROFT em Revista Anais do Simpósio Profissão Tradutor 2011 Talita Serpa TABELA 18: Opções de Tradução de Expressões Fixas e Semifixas importantes à subárea da Antropologia e ocorrentes na obra O povo brasileiro Como observamos no tocante aos termos, também entre as expressões, as traduções realizadas por Rabassa mostram-se adequadas em relação ao uso da LM. Contudo, as criações conceituais de Darcy Ribeiro revelaram-se mais frequentes entre as expressões, o que pode repercutir em sua baixa frequência de uso por outros autores, como podemos verificar no caso de “alacridade folgazã”, a qual representa a jovialidade brincalhona e divertida encontrada entre os brasileiros, principalmente no que se refere às festas e folguedos regionais. No caso da expressão ocorrente nos TMs como possível correspondente em LM: relaxed cheerfullness, averiguamos que sua utilização estende-se para outros contextos, visto ter uma dimensão de sentido mais extensa, a qual se enquadra a qualquer situação em que os indivíduos estejam divertindo-se. Autores e tradutores agem como distintos atores sociais em ambientes humanos diferenciados por questões políticas e culturais que lhes são próprias, produzindo, com isso, textos com funções socioculturais independentes. No processo tradutório, o agente humano lida com elementos que podem interferir na interpretação e na concepção de conceitos entre os núcleos de antropólogos e pode gerar novas teorias e redefinições terminológicas. Ao nomear fenômenos culturais, o tradutor constitui-se, em parte, como um cientista social capaz de depreender da sociedade em que está inserido e da sociedade a qual observa, os valores necessários à elaboração de um conjunto léxico de especialidade adequado àqueles dois contextos. Análise da tradução termos simples, expressões fixas e semifixas ocorrentes nas obras Dependência e Desenvolvimento na América Latina, O processo civilizatório e O povo brasileiro em relação a sua ocorrência na Web Com base nos resultados apresentados acima, verificamos se os termos e expressões também seriam empregados em textos disponibilizados na Web. A fim de ilustrar o uso de alguns desses termos, montamos a Tabela 19, com termos dos TFs do corpus de estudo e suas respectivas traduções e apresentamos também o número de ocorrências na rede. PROFT em Revista Anais do Simpósio Profissão Tradutor 2011 A Política de Darcy Ribeiro e Fernando Henrique Cardoso: Estudo da Tradução para o Inglês de Termos e Expressões Recorrentes nas Obras desses Dois Teóricos Brasileiros Termos Simples Coocorrentes nas obras de FHC e Ribeiro Frequência de ocorrência dos Termos Simples nos TMs Termos Simples em português, na Frequência de ocorrência dos Termos Simples em inglês, na Web Web Campesinato 97.700 Peasants Peasant Farmer Caudilho 144.000 Dirigismo Estatismo Fazenda Periferia Salário Senhor 94.600.000 325.000 458.000 56.900.000 18.600.000 31.300.000 63.000.000 2.030.000 Caudillo 4.570.000 896.000.000 Military Leader 3.800.000 Political Leader 3.250.000 Commerce 867.000.000 Trade 1.940.000.000 Business 7.710.000.000 Direction 859.000.000 Management 2.550.000.000 Planning 1.150.000.000 Statism 1.290.000 State 3.790.000.000 Ranch 290.000.000 Hacienda 180.000.000 Plantation 91.500.000 Periphery 16.8000.000 Outlaw 52.900.000 Wage 103.000.000 Salary 345.000.000 Patriciate 93.500 Slaveholder 318.000 Seigniorial Planter PROFT em Revista 237.000 Peasantry Leader Comércio 13.700.000 Não há ocorrências Anais do Simpósio Profissão Tradutor 2011 Talita Serpa TABELA 19: Termos Simples ocorrentes nos TFs e respectivas traduções nos TMs com o número de frequência na Web Entre os exemplos, notamos que, em sua maioria, as traduções mostram-se adequadas em relação ao uso da língua geral, adaptando atores e lugares sociais tipicamente brasileiros a elementos da cultura alvo. Ao buscar a frequência destes termos simples e expressões fixas e semifixas na Web em português e em inglês, observamos que de maneira geral, os correspondentes foram escolhidos pelos respectivos tradutores representados nos nossos subcorpora, de modo a procurar construir conceitos referentes à sociedade brasileira, adequando-se ao uso de países de língua inglesa e permitindo a antropólogos e cientistas políticos estrangeiros conhecer traços e teorias de autores nacionais. Amostra de glossário bilíngue português ↔ inglês com base na palavra-chave “grupo” Dessa forma, o arcabouço teórico-metodológico possibilitou-nos a elaboração de dois glossários bilíngues português ↔ inglês de termos simples e de expressões fixas e semifixas a partir dos corpora de estudo. Apresentamos a seguir a microestrutura e amostra do glossário, as quais partem da palavra-chave “grupo/s” devido a sua importância e frequência dentro das obras dos subcorpora principais em português: Termo ou expressão em português (subcorpus principal na Língua Fonte) Termo ou expressão em inglês (subcorpus principal na Língua Meta) Contexto de uso no subcorpus principal de TF de Ciência Política Contexto de uso no subcorpus principal de TFs de Antropologia + Contexto de uso no subcorpus principal de TM de Ciência Política + Contexto de uso no subcorpus principal de TM de Antropologia GRUPO/S DOMINANTE/S DOMINANT GROUP/S Desde então, as classes médias começaram a propiciar reformas na ordem política, atitude que permitia a eclosão das divergências entre os grupos dominantes. (...) a independência para si mesma que continua regendo o Brasil por oitenta anos mais. No curso dessas décadas, enfrenta e vence todos os levantes populares, matando seus líderes ou os anistiando e incorporando sem ressentimento ao grupo dominante. DOMINATING GROUP/S FORMER/S Subsequently, the middle class began to make political reforms that reconciled the divergent interests of PROFT em Revista (…) independence so well for itself that it continued to rule Brazil for eighty more years. In the course of those decades it confronted and conquered all Anais do Simpósio Profissão Tradutor 2011 A Política de Darcy Ribeiro e Fernando Henrique Cardoso: Estudo da Tradução para o Inglês de Termos e Expressões Recorrentes nas Obras desses Dois Teóricos Brasileiros the dominant groups. popular uprisings, killing the leaders or giving them amnesty and incorporating them into the dominating group without resentment Uma vez instituídos, os Estados tendem a uma regulamentação cada vez mais restritiva das atividades sociais em termos de preservação dos interesses dos grupos dominantes. Once in existence, such states tend toward increasing regimentation of social activities in the effort to perpetuate the interests of the dominant groups. O primeiro, encarnando a figura étnica do grupo dominante, impõe sua língua, seus costumes, suas instituições e crenças a todos os povos incorporados na órbilta de dominação estatal, desatrelando-os de suas próprias tradições para integrá-los na nova sociedade (...) The former imposed the language, customs, institutions, and beliefs of the dominant ethnic group on all those peoples incorporated within the orbit of state domination, destroying their former traditions in order to integrate them into the state society (…) GRUPO/S EMPRESARIAL/IS PROFT em Revista ENTREPRENEURIA L GROUP/S Que fundamentos estruturais possibilitaram tal tipo de orientação em uma "situação de poder" na Devolvia, inclusive, o imposto de renda de grandes grupos empresariais do sul do país que prometessem aplicáAnais do Simpósio Profissão Tradutor 2011 Talita Serpa qual, como vimos, a lo na Amazônia. aliança política básica abrangia setores tão distintos — alguns deles de caráter "tradicional" — como grupos latifundiários, setores populares urbanos, classes médias e grupos empresariais da indústria, das finanças e do comércio? GRUPO/S PRIVADO /S PRIVATE GROUP/S How could this type of orientation occur in a power situation where the basic political alliance embraced such diverse sectors—some of them very traditional— as land-holding groups, urban popular sector, middle classes, and entrepreneurial groups of industry and commerce? It even returned income taxes of large entrepreneurial groups from the south who promised to apply them in the Amazon region. A oposição poderá estar baseada ainda em grupos privados nãocomprometidos com o setor monopolista estrangeiro, que, idealmente, poderiam tratar de refazer a aliança "para baixo", para, desse modo, lograr melhores condições de negociação política com os grupos agora dominantes. Só uma dedicação extrema ao espírito de livre empresa e uma preferência de caráter ideológico pela gerência privada de bens explica a doação de parcelas astronômicas de recursos públicos, nessas condições, a grupos privados. The opposition would also be based on private groups not involved with the foreign monopolistic sector, who ideally would try to remake the "downward" alliance in order to improve their position for political negotiation with the new dominant group. PROFT em Revista Only extreme dedication to the free-enterprise spirit and an overriding ideological preference for the private management of goods can explain the allocation to private groups of astronomical amounts of public resources under such ambiguous conditions. Anais do Simpósio Profissão Tradutor 2011 A Política de Darcy Ribeiro e Fernando Henrique Cardoso: Estudo da Tradução para o Inglês de Termos e Expressões Recorrentes nas Obras desses Dois Teóricos Brasileiros CONSIDERAÇÕES FINAIS Pudemos verificar que as ferramentas do sofware WordSmith Tools facilitam a investigação de grandes quantidade de dados, obtidos por processamento computacional com maior rapidez e precisão que manualmente. As linhas de concordância esclarecem dúvidas e fornecem o cotexto dos termos e expressões levantados, permitindo-nos observar a organização das palavras dentro dos sintagmas. Dessa forma, nas subáreas de Ciência Política e de Antropologia, notamos que a maioria dos termos e expressões levantados se inter-relacionam, gerando sentidos específicos de acordo com os contextos sócio-políticos e culturais da sociedade brasileira. Alguns termos e expressões levantados nos corpora principais, respectivamente utilizados pelos tradutores em questão, apresentam possibilidades de diferentes correspondências em inglês, como por exemplo: “senhorio” que apresentou onze correspondentes: seigniory, ruler, master, landlord, feudal lord, chief, landowner, owner, lord, mastery e domain. A escolha dos tradutores por variar o uso de diferentes escolhas lexicais representa a tentativa de mostrar ao público alvo a versatilidade da sociedade brasileira e latino americana. Com relação às aproximações observadas entre os subcorpora principais e os corpora comparáveis em língua portuguesa e inglesa, pudemos notar que a maioria dos termos e expressões levantados nos TFs encontra equivalência nos TMs e também está presente nos corpora comparáveis como, por exemplo em “alienação” alienation, “comunidade” comunity e em “violência” violence. No entanto, a relação que se estabelece na tradução dos brasileirismos terminológicos não apresenta uma correspondência direta na tradução para LM. O que ocorre é um processo de intensa variação nas escolhas lexicais dos tradutores, como por exemplo em: “senhores”, termo que, na América Latina, apresenta relações com a dominação humana, com relações de interesse e com as relações de patriarcalismo e apadrinhamento, o qual é traduzido por patriciate, slaveholders, seignorial planters e masters. Também verificamos que boa parte dos termos e expressões analisados não constar em dicionários especializados. Dessa forma, a busca por correspondentes traz dificuldade para o tradutor que poderá encontrar estratégias para expressar a sociedade brasileira para a cultura de chegada. Neste sentido, evidencia-se a validade de glossários de termos simples e expressões fixas e semifixas mais frequentes nas duas subáreas das Ciências Sociais, como a amostra que foi proposta no presente trabalho. PROFT em Revista Anais do Simpósio Profissão Tradutor 2011 Talita Serpa Por fim, salientamos que o tradutor, ao trabalhar obras e textos de antropólogos e cientistas políticos precisa estar consciente do impacto de suas escolhas lexicais na teoria e na formação de um comportamento científico dos leitores da cultura de chegada. A variação terminológica, nesse contexto, atua não somente dentro do plano linguístico, mas perpassa as relações conceituais e age no plano do sentido e da formação do arcabouço teminológico e teórico dos cientistas sociais. Por tal razão, não basta ao tradutor fazer uma opção lexical adequada, as relações sociais implícitas terão influência no contexto extralinguístico, causando alterações de conduta e de leitura teórica e movimentando positiva ou negativamente a produção intelectual da Antropologia. Acreditamos que este estudo comparativo, bem como os glossários formulados, possa oferecer uma contribuição para os Estudos da Tradução Baseados em Corpus e para a Linguística de Corpus. Esperamos também que esta investigação forneça subsídios a professores, pesquisadores, tradutores, alunos de tradução, bem como profissionais da área de Antropologia da Civilização, Antropologia Cultura, Antropologia Social e Ciência Política e Ciências Sociais Como citar: SERPA, T. . A POLÍTICA DE DARCY RIBEIRO E FERNANDO HENRIQUE CARDOSO: ESTUDO DA TRADUÇÃO PARA O INGLÊS DE TERMOS E EXPRESSÕES RECORRENTES NAS OBRAS DESSES DOIS TEÓRICOS BRASILEIROS. PROFT em Revista: Anais do Simpósio Profissão Tradutor 2011, v. 2, n. 2, p.40-82. jun. 2012. PROFT em Revista Anais do Simpósio Profissão Tradutor 2011 A Política de Darcy Ribeiro e Fernando Henrique Cardoso: Estudo da Tradução para o Inglês de Termos e Expressões Recorrentes nas Obras desses Dois Teóricos Brasileiros Referências REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA CORPUS PRINCIPAL PARALELO CARDOSO, F.H.; FALETTO, E. Dependência e desenvolvimento na América Latina: ensaio de interpretação sociológica. 7 ed. Rio de Janeiro: LTC, 1996. ______.Dependency and Development in Latin America. 1 ed. Traduzido por Marjory Mattingly Urquidi. Califórnia University, 1978. RIBEIRO, D. O processo Civilizatório. Rio de Janeiro: Editora Civilização Brasileira S.A., 1968. ______. The Civilizational Process. Translated by Betty M. Meggers. Washington: Smithsonian Institution Press, 1968. ______. O povo brasileiro: a formação e o sentido do Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1995. ______. 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