BRS ALBATROZ, NOVA CULTIVAR DE TRIGO PARA O ESTADO DO PARANÁ Manoel Carlos Bassoi1, Pedro Luiz Scheeren2, Martha Zavariz de Miranda2, Luis César Vieira Tavares1, Luiz Carlos Miranda3 e Luiz Alberto Cogrossi Campos4 1 Embrapa Soja, Rodovia Carlos João Strass, C.P. 231, CEP 86001-970, Londrina-PR; Embrapa Trigo, BR 285, km 294, C.P. 451, CEP 99001-970, Passo Fundo, RS; 3 Embrapa Transferência de Tecnologia, Rodovia Carlos João Strass, C.P. 231, CEP 86001-970, Londrina-PR; 4Fundação Meridional, Av. Higienópolis, 1.100 – 4º andar, CEP 86020-911, Londrina, PR. [email protected] 2 A Embrapa Soja, em parceria com a Embrapa Trigo, vem conduzindo, em Londrina-PR, um programa de desenvolvimento de novas cultivares de trigo, visando indicação para o Paraná e estados limítrofes. O objetivo principal do programa de melhoramento de trigo da Embrapa é a obtenção de novas cultivares que apresentem elevada produtividade, resistência às principais doenças foliares e de espiga, tolerância ao alumínio, estabilidade de rendimento de grãos, ampla adaptação e sejam dotadas de aptidão tecnológica que atenda à demanda da indústria moageira. Para o ano de 2011, a Embrapa está indicando, para cultivo, em todas as regiões tritícolas do Paraná, a cultivar BRS Albatroz. A cultivar BRS Albatroz é proveniente do cruzamento entre a linhagem PF 940301 (BR 35/KLEIN H 2860 U 12100) e a linhagem PF 940395 (Sonora 64/BR 23), realizada pela Embrapa Trigo, em 1996. Em 1997, a geração F1 foi conduzida em vaso, sob telado, em Passo Fundo. Em 1998, sementes F2 foram enviadas à Embrapa Soja, em Londrina, PR. Nesse local, foi selecionada uma planta, cuja sementes F3 foram semeadas no inverno de 1999, em Londrina. No período de 1999 a 2002, em condições de campo, em Londrina, foram realizadas seleções nas populações segregantes, utilizando-se o método genealógico (Allard, 1960). Em todas as gerações, após a trilha das plantas, foi realizada seleção visual de sementes. Em 2003, numa parcela uniforme da geração F7, foi efetuada colheita massal e dada a denominação de WT 05106. A genealogia completa da linhagem é F 58489-5W-1W2W-4W-1W-0W. Em 2004, a linhagem WT 05106 foi avaliada em coleções de observação, conduzidas em Londrina, Cascavel e Ponta Grossa (PR), onde apresentou características agronômicas superiores às cultivares padrões. Em 2005 e 2006, nos mesmos locais, foi avaliada em ensaios preliminares, onde apresentou rendimento de grãos superior às cultivares padrões. No período de 2007 a 2009, a linhagem foi avaliada nos ensaios de cultivares de trigo, para determinação do Valor de Cultivo e Uso (VCU), conduzidos pela Embrapa Soja, pelo IAPAR e pela Fundação Meridional, em diferentes locais das regiões de adaptação do Paraná, de Santa Catarina, de São Paulo, do Mato Grosso do Sul e do Rio Grande do Sul. Em todos os experimentos, houve controle fitossanitário contra pragas (doenças e insetos). O delineamento experimental foi blocos ao acaso (Gomes, 1982), com três repetições e parcelas constituídas de cinco ou seis linhas, espaçadas por 0,17 a 0,20 metros, com 5 metros de comprimento. As descrições morfológica e fenológica da linhagem foram elaboradas com dados obtidos da coleção de caracterização, conduzida pela Embrapa Soja, em Londrina,PR, nos anos de 2008 e 2009. As principais leituras foram tomadas com base em metodologia padronizada, adotando os critérios relatados por Scheeren (1984), sendo a linhagem descrita conforme as Normas para Registro de Cultivares, estabelecidas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. As informações sobre a reação às doenças, no campo, foram obtidas nos ensaios de avaliação de rendimento de grãos e/ou em experimentos específicos, conduzidos no Paraná, em Santa Catarina, em São Paulo, no Mato Grosso do Sul e, em condições controladas, na Embrapa Trigo, em Passo Fundo, RS. A aptidão tecnológica foi determinada no Laboratório de Qualidade de Grãos da Embrapa Trigo, em Passo Fundo, RS, pela análise de amostras coletadas nos experimentos conduzidos nas diferentes regiões tritícolas dos estados citados. Em 2010, a linhagem foi rebatizada com o nome de BRS Albatroz. A qualidade tecnológica de trigo foi avaliada por: peso de mil sementes – PMS (por pesagem em balança semi-analítica), de acordo com Brasil (1992); peso do hectolitro – PH; moagem experimental – EXT; dureza do grão (em sistema de caracterização individual da semente – SKCS); e alveografia, segundo métodos da AACC (2000), números 55-10, 26-10A, 55-31 e 54-30A, respectivamente. Nos ensaios de VCU, conduzidos no Paraná, a cultivar BRS Albatroz apresentou boa resistência às principais doenças fúngicas e bom desempenho produtivo, em todas as regiões tritícolas, caracterizando uma cultivar de ampla adaptação. A cultivar BRS Albatroz é de ciclo médio, apresentando 72 dias, em média, da emergência ao espigamento e 130 dias, em média, da emergência à maturação. A cultivar BRS Albatroz apresenta estatura baixa (90 cm, em média), boa resistência ao acamamento, moderada resistência à debulha natural e moderada tolerância ao crestamento. As espigas são aristadas, fusiformes e com tonalidade clara. Os grãos são de coloração vermelha e com textura dura. Nos anos de 2008 e 2009, foram conduzidas, em Londrina, Cascavel e Ponta Grossa, coleções de observação constítuidas de linhagens em ensaios de VCU e de cultivares da Embrapa recomendadas para cultivo. Espigas coletadas dessas coleções foram testadas em papel germiteste, no germinador, e com simulação de chuva, em casa de vegetação. Também, sementes isoladas foram testadas em papel germiteste, no germinador. A cultivar BRS Albatroz apresentou nível médio de dormência do grão e moderada suscetibilidade à germinação pré-colheita. Em relação às principais doenças que infectam as plantas de trigo, com base nas informações obtidas até 2009, as reações da cultivar BRS Albatroz podem ser resumidas da seguinte maneira: apresentou moderada suscetibilidade à ferrugem da folha (Puccinia tritici), na média dos ensaios de VCU, e moderada suscetibilidade, no campo, com inoculação da mistura de todas as raças que, atualmente, representam a virulência da população patogênica, no Brasil; em relação à ferrugem do colmo (Puccinia graminis), não foi possível avaliar porque não houve ocorrência durante o período de experimentação; moderadamente resistente às manchas foliares (Bipolaris sorokiniana, Drechslera tritici-repentis e Septoria spp.), manchas das glumas (Bipolaris sorokiniana e Stagonospora nodorum) e ao vírus do nanismo amarela da cevada (VNAC); moderadamente suscetível à brusone (Magnaporthe grisea) e à giberela (Fusarium graminearum); resistente ao oídio (Blumeria graminis f.sp. tritici) nos ensaios de VCU e, em condições controladas, resistente com inoculação da mistura de raças. O rendimento de grãos da cultivar BRS Albatroz, obtido na média dos experimentos conduzidos no Paraná, nos anos de 2008 e 2009, em todas as regiões tritícolas (I, II e III), é apresentado na Tabela 1. Na média dos dois anos, o rendimento de grãos foi de 5.103 kgha-1, 4.733 kgha-1 e 3.841 kgha-1, nas Regiões I, II e III, respectivamente. O rendimento foi similar à média das três melhores testemunhas (99%), na Região I, e maior nas Regiões II (106%) e Região III (102%), proporcionando certeza de produção e segurança para os agricultores. Na Tabela 2, estão informações sobre a aptidão tecnológica da cultivar BRS Albatroz, obtidas de 64 amostras coletadas em experimentos de avaliação do VCU, conduzidos nas diversas regiões tritícolas do Paraná, de São Paulo, de Santa Catarina e do Mato Grosso do Sul, comparadas com outras três cultivares já recomendadas e semeadas pelos agricultores. Na Região I, onde foram analisadas 10 amostras, o valor médio da força de glúten (W) foi de 264 x 10-4 joules, que caracteriza um trigo da classe comercial Pão. Na Região II, onde foram analisadas 20 amostras, o valor médio de W foi de 275 x 10-4 joules, que caracteriza, também, um trigo da classe Pão. Na Região III, onde foram analisadas 34 amostras, o valor médio de W foi de 316 x 10-4 joules, caracterizando um trigo da classe Melhorador. O valor médio do índice de expansão da massa (G) foi de 23, 21 e 22 milímetros, nas Regiões I, II e III, respectivamente, caracterizando um trigo com boa capacidade de expansão. A relação P/L foi de 0,76, 0,96, e 0,88, nas Regiões I, II e III, respectivamente, caracterizando um glúten balanceado. Com esses valores de W, G e de P/L, nas Regiões I e II, a farinha possibilita a fabricação do tradicional “pão francês”. Na Região III, os valores possibilitam a fabricação do pão industrial, além da utilização em mistura para o fortalecimento de farinhas com força média ou fraca . Os valores de Índice de Elasticidade (Ie), que está intimamente relacionado aos fenômenos de recuperação da forma inicial após a deformação, permitindo uma melhor predição do comportamento reológico da massa usada em panificação industrial e produção de biscoitos, são apresentados na Tabela 2, e, para as três regiões, caracterizam o trigo com resistência elástica ótima para panificação, isto é, Ie entre 50 e 55%, evoluindo até 62%, destinado a massas cruas congeladas (Kitissou, 1995). Referências bibliográficas AACC. AMERICAN ASSOCIATION OF CEREAL CHEMISTS. Approved methods. 10 ed. Saint Paul: AACC, 2000. ALLARD, R. W. Principles of plant breeding. 2.ed. New York: J. Wiley, 1960. 381 p. GOMES, F. P. Curso de estatística experimental. 10. ed. Piracicaba: ESALQ, 1982. 430 p. BRASIL. Ministério da Agricultura e Reforma Agrária. Secretaria Nacional de Defesa Agropecuária. Regras de análises para sementes. Brasília, p.194-195, 1992. KITISSOU, P. Un noveau paramètre alvéographique: l´indice d´elasticité (Ie). Industries des Céréales, n. 92, p. 9-17, avr./juin. 1995. SCHEEREN, P. L. Instruções para utilização de descritores de trigo (Triticum spp.) e triticale (Triticosecale sp.). Passo Fundo: Embrapa–CNPT, 1984. 32 p. (Embrapa-CNPT. Documentos, 9). Tabela 1. Rendimento médio de grãos (kgha-1) da cultivar BRS Albatroz, obtidos em ensaios conduzidos nas regiões tritícolas do Paraná, em 2008 e 2009, comparado ao das testemunhas. Cultivar BRS Albatroz Testemunhas 2 CV % 3 1 Região I kgha-1 % test.1 5.103 99 5.136 3,11 – 11,64 Região II kgha-1 % test. 4.733 106 4.463 2,41 – 11,31 Região III kgha-1 % test. 3.841 102 3.781 3,87 – 13,79 Porcentagem em relação à média das três testemunhas mais produtivas, por ensaio. Média das três testemunhas mais produtivas, por ensaio (BRS 208, BRS 229, CD 104, F. Nova Era, IAPAR 78, IPR 128 e Safira). 3Menores e maiores valores de coeficiente de variação dos ensaios. 2 Tabela 2. Informações sobre a aptidão tecnológica da cultivar BRS Albatroz, comparadas com as cultivares BRS 208, BRS 220 e BRS Pardela, de 64 amostras obtidas nas regiões tritícolas I, II e III. Cultivar Região I: BRS Albatroz BRS 208 BRS 220 BRS Pardela Região II: BRS Albatroz BRS 208 BRS 220 BRS Pardela Região III: BRS Albatroz BRS 208 BRS 220 BRS Pardela 1 PH1 PMG2 EXT3 W4 G5 P6 L7 P/L8 Ie9 ID10 78,62 78,67 79,81 79,33 34,00 37,81 37,78 35,77 57,85 57,90 58,50 59,69 264 285 249 339 23 23 22 21 81 84 81 93 106 110 97 97 0,76 0,76 0,83 0,95 57,35 53,11 53,91 65,08 85 80 80 80 78,21 78,07 79,76 79,63 33,31 36,98 36,42 35,10 58,96 59,02 58,32 57,45 275 303 255 347 21 23 21 20 89 92 92 106 86 90 109 83 0,96 0,86 0,95 1,31 57,17 51,12 51,48 60,94 85 81 86 88 80,02 80,77 81,22 80,42 32,53 38,11 36,68 34,16 56,16 58,08 58,02 55,82 316 293 283 358 22 23 22 21 90 102 95 106 87 96 107 94 0,88 0,89 0,90 1,13 59,67 51,59 57,01 62,64 87 83 87 90 Peso do hectolitro, expresso em kg/hl. 2Peso de mil grãos, expresso em gramas. Extração experimental de farinha, expressa em porcentagem (base 14% de umidade). 4 Força de glúten, expressa em 10-4 Joules. 5Índice de intumescimento, expresso em milímetros. 6Tenacidade ou pressão máxima de ruptura, expressa em milímetros. 7 Extensibilidade ou média da abcissa na ruptura, expressa em milímetros. 8Relação entre tenacidade e extensibilidade. 9Índice de elasticidade, expresso em porcentagem. 10 Índice de dureza-SKCS. ID > 90 = extra duro (ED); 81-90= muito duro (MD); 65-80= duro (D); 45-64= semi-duro (SD); 35-44= semi-mole (SM); 25-34= mole (M); 10-24= muito mole (MM); ID < 10= extra mole (EM). 3 CULTIVAR DE TRIGO FUNDACEP BRAVO Vanderlei Doneda Tonon1 e Luiz Hermes Svoboda1 1 Cooperativa Central Gaucha Ltda (CCCGL-TEC FUNDACEP), RS 342, Km 149, C.P. 10, CEP 98005-970, Cruz Alta, RS, Brasil. [email protected] A CCGL TEC FUNDACEP, através do seu programa de melhoramento genético de trigo está lançando no mercado mais uma cultivar de trigo denominada FUNDACEP BRAVO. FUNDACEP BRAVO é originária de um cruzamento simples entre as cultivares Rubi e FUNDACEP 37 realizado no ano de 1998 em Cruz Alta, RS. O processo de seleção foi desenvolvido a campo utilizando os métodos massal e genealógico de 1999 a 2004 (tabela 1). A linhagem homozigota obtida na geração F8 foi nomeada como linhagem CEP 04-138. Esta linhagem foi avaliada em ensaios preliminares nos anos de 2005 e 2006, demonstrando destaque nas características de resistência a doenças causadas por fungos e vírus, desempenho em produtividade de grãos e qualidade tecnológica. Desta forma, no ano de 2006 ingressou nos ensaios de Valor de Cultivo e Uso – VCU. Os ensaios de VCU foram conduzidos em várias localidades do Brasil nos anos de 2007 a 2009 obedecendo as regras do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento-MAPA e de acordo com as Regiões Tritícolas descrito por Cunha et al.(2006). Na Região Tritícola de VCU I os ensaios foram conduzidos no Rio Grande do Sul (RS) nos municípios de Cruz Alta, Condor, Júlio de Castilhos, Coxilha, Ciríaco, Erechim e Vacaria. No Estado de Santa Catarina (SC) em Campos Novos e Canoinhas e no Paraná (PR) em Guarapuava. Na Região Tritícola VCU II os experimentos foram conduzidos no RS em São Borja, Santo Augusto, Santa Rosa, São Luiz Gonzaga e Cachoeira do Sul. Em SC em Abelardo Luz e Chapecó e no PR em Cascavel. Na Região Tritícola VCU III os experimentos foram conduzidos no PR nos municípios de Rolandia e Umuarama e no Mato Grosso do Sul em Dourados, Antônio João e Maracajú. O delinamento experimental utilizado em todos os experimentos foi de blocos ao acaso com quatro e cinco repetições. O tamanho da parcela foi variável conforme o local, sendo constituídas de 6 linhas de 6m de comprimento com espaçamento de 0,17cm ou parcelas contendo 5 linhas de 5m espaçados em 0,20m. O cálculo do número de sementes foi realizado para a obtenção de no mínimo 330 plantas aptas por m2. A adubação foi variável conforme a fertilidade do solo de cada local, assim como o controle de pragas e doenças que foram executados de acordo com as indicações técnicas para a cultura do trigo, 2005. Todas as sementes foram tratadas com inseticida Gaucho (imidaclopride) na dose para controle de coró do trigo (Phyllophaga triticophaga). As varáveis avaliadas foi rendimento de grãos, dias da emergência ao espigamento, dias da emergência a maturação, reação as doenças, altura de planta, acamamento, peso do hectolitro, peso de mil grãos e aspectos relativos a qualidade tecnológica dos grãos e da farinha. As médias de rendimento de grãos obtidas com a cultivar FUNDACEP BRAVO nas Regiões Tritícolas I, II e III nos estados do RS, SC, PR e MS estão nas tabela 2, 3 e 4. O desempenho satisfatório de rendimento de grãos de FUNDACEP BRAVO permitiu o seu registro no Serviço Nacional de Proteção de Cultivares do MAPA. Com relação as demais características, FUNDACEP BRAVO se caracteriza por apresentar estatura de planta de média a baixa e moderada resistência ao acamamento com ciclo médio, sendo que para o espigamento pleno são necessários em média 90 dias variando entre 82 a 94 e, 144 dias para a maturação plena variando entre 132 e 148 conforme a região do País. Está classificado como trigo da Classe Pão em função das médias de força de glúten obtidas pela alveografia que foram de 225 x 10-4 J. Os grãos apresentam coloração vermelha com endosperma duro. Para germinação pré-colheita ou germinação na espiga apresenta comportamento entre moderada resistência a moderada suscetibilidade. Nos anos em que esteve sendo avaliada para reações a doenças a campo, FUNDACEP BRAVO apresentou moderada resistência ao oídio (Blumeria graminis f.sp. tritici) e a ferrugem da folha (Puccinia triticina). Para Giberela (Fusarium graminearum), manchas foliares (Septoria tritici e Stagonospora nodorum) e vírus do nanismo amarelo da cevada-VNAC a cultivar mostrou comportamento de moderada suscetibilidade e foi resistente ao vírus do mosaico comum do solo – VMCT. Referências bibliográficas: CUNHA G.R.; SCHEEREN P.L.; PIRES J.L.F.; MALUF J.R.T.; PASINATO A.; CAIERÃO E.; SILVA M.S.; DOTTO S.R.; CAMPOS L.A.C.; FELÍCIO J.C.; CASTRO R.L.; MARCHIORO V.; RIEDE C.R.; ROSA FILHO O.; TONON V.D.; SVOBODA L.H. Regiões de adaptação para trigo no Brasil. Passo Fundo: Trigo Embrapa, (Circular Técnica Online, 20), 2006. 35p. INDICAÇÕES TÉCNICAS DA COMISSÃO SUL-BRASILEIRA DE PESQUISA DE TRIGO: TRIGO E TRITICALE-2005. Reunião da Comissão Sul-Brasileira de Pesquisa de Trigo. Cruz Alta, RS: FUNDACEP, 2005. 159p. Tabela 1.Resumo da metodologia de obtenção da cultivar FUNDACEP BRAVO LOCAL ANO GERAÇÃO TIPO DE SELEÇÃO Cruz Alta 1999 População F1 Massal Cruz Alta 2000 População F2 Massal Genealógico Cruz Alta 2001 População F3 Vacaria 2001/2002 População F4 Genealógico Cruz Alta 2002 População F5 Genealógico Vacaria 2002/2003 População F6 Genealógico Genealógico Cruz Alta 2003 População F7 Cruz Alta 2004 População F8 Massal (CEP 04-138) Tabela 2. Rendimento (kg ha-1) de FUNDACEP BRAVO e porcentagem sob testemunhas na Região Tritícola VCU I no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. ANO CULTIVAR T1 Testemunhas T2 TM % 2007 3537 3599 3182 3390 104 2008 3950 4198 3686 3942 100 2009 4241 4407 3970 4189 101 Media 3909 4068 3613 3840 102 Tabela 3. Rendimento (kg ha-1) de FUNDACEP BRAVO e porcentagem sob testemunhas na Região Tritícola VCU II no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Ano CULTIVAR T1 T2 TM % 2007 2886 2929 2625 2777 104 2008 3276 3527 3224 3376 97 3414 3631 3204 3418 100 2009 Media 3192 3362 3017 3190 100 Tabela 4. Rendimento (kg ha-1) de FUNDACEP BRAVO e porcentagem sob testemunhas na Região Tritícola VCU III no Paraná e no Mato Grosso do Sul. Ano Cultivar T1 T2 TM % 2007 2544 2695 2008 2351 108 2008 3892 3754 3690 3689 106 2009 2443 2600 2320 2460 99 Media 2959 3016 2672 2833 104 EXTENSÃO DA IPR 130 E IPR 136 PARA OS ESTADOS DE SÃO PAULO E SUL DO PARANÁ Carlos Roberto Riede1, Luiz Alberto Cogrossi Campos1 e Juarez Campolina Machado1 1 Instituto Agronômico do Paraná – IAPAR, Rodovia Celso Garcia Cid, km 375, Caixa Postal 481, CEP 86001-970, Londrina – PR, [email protected] Cultivares de trigo desenvolvidas para regiões climaticamente diversificadas como as quentes ou subtropicais de São Paulo ou frias, consideradas temperadas do sul do Paraná são de importância para estimular o cultivo do cereal, visando suprir demandas regionais de cultivo e de consumo. Trigos das classes pão e melhorador têm sido cultivados nas Regiões de VCU II e III de São Paulo, com bastante sucesso. Já na Região de VCU I do Paraná, a qualidade almejada nem sempre é conseguida devido a grande interação com o ambiente mais dificultoso ao cultivo. Para tanto, ensaios de VCU da Rede IAPAR/EMBRAPA SOJA/FUNDAÇÃO MERIDIONAL, foram conduzidos visando a extensão de cultivo destas cultivares. IPR 130 foi obtida a partir do cruzamento RAYON//VEE#6/TRAP#1, realizado em 1992 no CIMMYT – México. A linha avançada foi re-selecionada e conduzida em Coleções Avançadas e Ensaios Preliminares de 1998 a 2002 (RIEDE et al. 2001). De 2003 a 2009 a linhagem IA 0305 foi avaliada de Ensaios Regionais de VCU, nos Estados do Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul e São Paulo (CAMPOS et al, 2008). Em 2005 e 2006 a linhagem foi avaliada em Ensaios de DHE em Londrina. IPR 130, recebeu Número de Registro 22505, em 29/11/07, junto ao RNC – Registro Nacional de Cultivares do MAPA e Número Provisório de Proteção 20100015, em 12/02/10, junto ao SNPC – Serviço Nacional de Proteção de Cultivares também do MAPA. O lançamento para cultivo ocorreu na safra de 2008. IPR 136 foi desenvolvida a partir do cruzamento TAW/SARA//BAU/3/ND 674*2/IAPAR 29 realizado em 1995 no IAPAR, em Londrina. Em F7 a linha avançada foi reunida, sendo que a linhagem LD 042116 foi nominada após avaliação em ensaios preliminares internos. Em 2005 e 2006 a linhagem LD 042116 foi avaliada de Ensaios Regionais de VCU, nos Estados do Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul e São Paulo (CAMPOS et al, 2008). Neste mesmo período a linhagem foi avaliada em Ensaios de DHE em Londrina. IPR 136, recebeu Número de Registro 22506, em 29/11/07, junto ao RNC – Registro Nacional de Cultivares do MAPA e Número de Proteção 20090137, em 04/08/09, junto ao SNPC – Serviço Nacional de Proteção de Cultivares também do MAPA. Seu lançamento para cultivo ocorreu na safra de 2008. IPR 130 apresentou na média dos experimentos, ciclo médio (67 dias da emergência ao espigamento e 119 dias à maturação), estatura baixa (80 cm), moderada resistência ao acamamento e à debulha natural. As espigas são aristadas, de coloração clara e fusiformes. Os grãos são ovalados, de coloração vermelha e textura semi-dura. Apresentou moderada suscetibilidade ao crestamento de alumínio e suscetibilidade à germinação pré-colheita. Em relação as principais doenças ocorrentes nas regiões de avaliação, apresentou moderada resistência à brusone, moderada suscetibilidade à ferrugem da folha e as manchas foliares e suscetibilidade à giberela e ao oídio. Em relação à qualidade tecnológica, a cultivar foi classificada como Trigo Pão/Melhorador, apresentando valor alveográfico (W) médio de 303 x 10-4 J e valor da relação P/L de 1,53, caracterizando força de glúten balanceada (AACC, 1995). As bandas de gluteninas foram identificadas como sendo 2*; 7+9; 5+10, indicando qualidade superior. O valor médio de PH foi de 77 kg/hl, e Peso de Mil Sementes de 35 g. Nas tabelas 1, 4 e 6, pode-se observar os dados médio de rendimento de grãos em kg.ha-1 , e qualidade tecnológica avaliados regionalmente, bem como informações agronômicas. IPR 136 apresentou na média dos experimentos, ciclo médio (67 dias da emergência ao espigamento e 119 dias à maturação), estatura baixa (80 cm), moderada resistência ao acamamento e à debulha natural. As espigas são aristadas, de coloração clara e fusiformes. Os grãos são ovalados, de coloração vermelha e textura dura. Apresentou moderada suscetibilidade a moderada tolerância ao crestamento de alumínio e moderada suscetibilidade a moderada resistência à germinação pré-colheita. Em relação as principais doenças ocorrentes nas regiões de avaliação, apresentou moderada resistência à brusone, moderada suscetibilidade à ferrugem da folha e as manchas foliares e suscetibilidade à giberela e ao oídio. Em relação à qualidade tecnológica, a cultivar foi classificada como Trigo Melhorador, apresentando valor alveográfico (W) médio de 360 x 10-4 J e valor da relação P/L de 0,97 caracterizando força de glúten balanceada a ligeiramente extensível (AACC, 1995). As bandas de gluteninas foram identificadas como sendo 2*; 13+16; 5+10, indicando qualidade superior. O valor médio de PH foi de 78 kg/hl, e Peso de Mil Sementes de 37 g. Nas tabelas 2, 3, 5 e 6, pode-se observar os dados médio de rendimento de grãos em kg.ha-1 , e qualidade tecnológica avaliados regionalmente, bem como informações agronômicas. REFERÊNCIAS AACC. American Association of Cereal Chemists. Approved methods, 9 ed. Saint Paul – MN – United States.; AACC, 1995. CAMPOS, L. A. C., BASSOI, M. C., FRONZA, V., RIEDE, C. R., Ensaios de Valor de Cultivo e Uso (VCU) de cultivares de trigo da parceria Embrapa, IAPAR e Fundação Meridional em 2007. In: ATAS E RESUMOS DA II REUNIÃO DA COMISSÃO BRASILEIRA DE PESQUISA DE TRIGO E TRITICALE, 2008 Passo Fundo, RS, Embrapa Trigo, 2008. Seção resumos melhoramento 117-119. CD ROM. RIEDE, C.R., CAMPOS, L. A. C., BRUNETTA, D., ALCOVER, M. Twenty six years of wheat breeding activities at IAPAR. Crop Breeding & Applied Biotechnology 01 (1) 60-71, 2001. Tabela 1. Médias de rendimento de grãos (kg.ha-1) da cultivar de trigo IPR 130 e testemunhas, na Região de VCU III de São Paulo. (Local: Ibirarema) Cultivar IPR 130 CD 104 BRS 229 MD T 2007 4431 3649 3455 3552 2008 3746 3166 3944 3555 2009 2371 2317 1968 2143 Média 3516 3044 3122 3083 % Md 2 T 114 99 101 100 Tabela 2. Médias de rendimento de grãos (kg.ha-1) da cultivar de trigo IPR 136 e testemunhas, na Região de VCU II de São Paulo. (Local: Itaberá) Cultivar IPR 136 CD 104 BRS 229 MD T 2007 5180 4950 5080 5015 2008 4809 4978 4635 4807 2009 4052 4787 4213 4500 Média 4680 4905 4643 4774 % Md 2 T 98 103 97 100 Tabela 3. Médias de rendimento de grãos (kg.ha-1) da cultivar de trigo IPR 136 e testemunhas, na Região de VCU III de São Paulo. (Local: Ibirarema). Cultivar IPR 136 CD 104 BRS 229 MD T 2007 4222 4122 4554 4338 2008 3804 3166 3944 3555 2009 2407 2317 1968 2143 Média 3478 3202 3489 3345 % Md 2 T 104 96 104 100 Tabela 4. Médias de rendimento de grãos (kg.ha-1) da cultivar de trigo IPR 130 e testemunhas, na Região de VCU I do Paraná. (Locais: Ponta Grossa e Guarapuava) Cultivar IPR 130 CD 104 BRS 229 MD T 2007 4267 4395 4018 4207 2008 5186 5539 4313 4926 2009 3900 4112 3365 3739 Média 4451 4682 3899 4290 % Md 2 T 104 109 91 100 Tabela 5. Médias de rendimento de grãos (kg.ha-1) da cultivar de trigo IPR 136 e testemunhas, na Região de VCU I do Paraná. (Locais: Ponta Grossa e Guarapuava) Cultivar IPR 136 CD 104 BRS 229 MD T 2007 4164 4395 4018 4207 2008 4693 5539 4313 4926 2009 3996 4112 3365 3739 Média 4284 4682 3899 4290 % Md 2 T 100 109 91 100 Tabela 6. Médias de espigamento (ESP), maturação (MAT), altura de plantas (AP), alveografia (W), peso do hectolitro (PH) e notas de acamamento (AC), ferrugem da folha (FF), manchas foliares (MF) e brusone (BS), Londrina 2009. Cultivar IPR 130 IPR 136 BRS 229 ESP (dias) 67 67 75 MAT (dias) 119 119 126 AP (cm) 80 80 85 W (10-4 J) 303 360 247 PH (kg.hl-1) 77 78 78 AC FF MF BS MR MR MR MS MS MS MS MS MR MR MR R BRS 327: NOVA CULTIVAR DE TRIGO DA CLASSE PÃO E DE FARINHA “BRANQUEADORA” Márcio Só e Silva1, Eduardo Caierão1, Pedro Luiz Scheeren1, Luiz Eichelberger1, Alfredo do Nascimento Junior1, Martha Zavariz de Miranda1 e Vanderley Caetano2 1 Embrapa Trigo, Rod BR 285, km 194, Cx Postal 451, CEP 99001-970, Passo Fundo, RS. [email protected]. 2 Embrapa Clima Temperado, Rod BR 392, km 78, Cx Postal 403, CEP 96001-970, Monte Bonito, Pelotas, RS. O progresso genético em trigo no Brasil tem mostrado ganhos significativos através de mais de cem anos de melhoramento genético, resultando em ganhos na produtividade e na qualidade industrial (Nedel, 1994 e Rodrigues el al., 2007). O programa de melhoramento genético da Embrapa tem no seu portfolio quase uma centena de cultivares (Sousa, 2001), sempre posicionadas na garantia da manutenção da competitividade da cultura de trigo e no fornecimento de matéria prima adequada para a industria moageira nacional. O objetivo do presente trabalho foi determinar o valor genético da cultivar BRS 327, através da produtividade média em ensaios de VCU exigidos pela legislação brasileira para obtenção de registro no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). A indicação dessa cultivar para diferentes regiões triticolas brasileiras nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul foi baseada no seu desempenho produtivo em diversos locais nesses estados no período de 2004 a 2009, com destaque para as médias de produtividade geral nos anos de 2004, 2005 e 2007, respectivamente (Tabela 1). Entre as características de destaque da cultivar, estão a moderada resistência a germinação na espiga, a excelente sanidade geral, apresentando moderada resistência a oídio e as manchas foliares. Quanto a ferrugem da folha deve-se observar a ocorrência dessa doença em BRS 327, pois embora seja resistente as novas raças prevalecentes nos últimos anos, apresenta reação de suscetibilidade a antiga raça B34. É uma cultivar de ciclo médio a precoce, e apresenta altura de plantas média a alta. O peso médio de mil sementes foi de 38 gramas. O trigo BRS 327 foi classificado preliminarmente como trigo pão, com média de força de glúten obtido pela analise de alveografia de 248 x 10-4J, considerando 35 amostras dos locais de teste de ensaios de VCU. No Paraná, ela apresentou média de 299 x 10-4J considerando 8 amostras. No Rio Grande do Sul, em 18 amostras, apresentou média de 219 x 10-4J. A cultivar apresenta farinha muito branca mostrando dados médios de cor de “L”=94,3; “a”= -0,2 e “b”=7,5, analisados pelo Minolta e média de 35 amostras. Segundo especificações de alguns moinhos a farinha “branqueadora” , é aquela que apresenta valores de luminosidade “L” maiores do que 93 ou 94, de “a” negativo e de “b” menores que 8 expressados pelo aparelho Minolta segundo a Comissão Internacional de Iluminação. Concluindo, a cultivar de trigo BRS 327 se constitui em um avanço para a triticultura nacional, pois associa características positivas na lavoura e esta alinhada com as demandas atuais da industria moageira, destacando sua liquidez no mercado como trigo “branqueador”. Referencias bibliográficas NEDEL, J. Progresso genético no rendimento de grãos de cultivares de trigo lançadas para cultivo entre 1940 e 1992. Pesquisa Agropecuaria Brasileira, v.29, n.10, p.15651570, out, 1994. RODRIGUES, O; LHAMBY, J.C.B.; DIDONET, A.D.; MARCHESE, J.A. Fifty years of wheat breeding in Southern Brazil: yield improvement and associated changes. Pesquisa Agropecuaria Brasileira, v.42, n.6, p.817-825, jun, 2007. SOUSA, C. N. A. de. Cultivares de trigo da Embrapa indicadas para cultivo no Brasil de 1975 a 2001. Passo Fundo: Embrapa Trigo, 2001. 44 p. (Embrapa Trigo. Boletim de Pesquisa e Desenvolvimento, 2). Tabela 1. Média anual de rendimento de grãos da cultivar BRS 327 comparado com a média das duas melhores testemunhas pôr ensaios e as respectivas porcentagem relativa. ANO ENSAIOS RENDIMENTO DE GRÃOS (kg/ha) % REL M2>T** BRS 327 MÉDIA 2 > TEST* 2004 EPR 3479 3313 105 2005 VCU 3455 3379 102 2006 VCU 4214 4350 97 2007 VCU 3956 3755 105 2008 VCU 4981 5196 96 2009 VCU 4306 4330 99 *MÉDIA 2 > TEST – média geral das duas melhores testemunhas, obtidas das duas melhores testemunhas de cada local-ensaio. As testemunhas que apresentaram os maiores rendimentos de grãos eram variáveis dependendo do ano e do local de avaliação. ** %REL M2 >T – Porcentagem relativa do rendimento de grãos de BRS 327 comparada a média das duas melhores testemunhas. VALOR DE CULTIVO E USO - VCU - TRIGO - FUNDAÇÃO MERIDIONAL - 20072009 Luiz Alberto Cogrossi Campos1, Manoel Carlos Bassoi2, Ademir Simionatto3, Carlos Pitol4, Enoir Cristiano Pellizzaro5, Fabrício Jardim Henningen6, José Rafael Schloegel de Azambuja7, Juliano Luiz de Almeida8, Luiz Carlos Chiapinotto5 e Rudimar Molin9 1 Fundação Meridional/IAPAR, CP 481, CEP 86001-970, Londrina, PR, [email protected]; 2Embrapa Soja; 3Coamo Agroindustrial Cooperativa; 4Fundação MS; 5C. Vale Cooperativa Agroindustrial; 6Cooperativa Regional Agropecuária Campos Novos-Copercampos; 7I. Riedi & Cia. Ltda.; 8 Cooperativa Agrária Mista Entre Rios-Agrária/FAPA; 9Cooperativa Batavo Ltda./Fundação ABC. O referencial para a inscrição de uma cultivar no RNC é a legislação de Sementes e Mudas vigente - Lei n°6.507/77 e Decreto n° 81.771/78; portarias números 527/97 e 294/98; que tem como um dos requisitos, o Ensaio de Valor de Cultivo e Uso - VCU, que nada mais é que o valor intrínseco de combinação das características agronômicas da cultivar com as suas propriedades de uso em atividades agropecuárias, industriais, comerciais e/ou de consumo. O VCU de linhagens e cultivares de trigo do IAPAR foi conduzido de conformidade com a nova regionalização do VCU, ou seja, na Região I, fria, úmida e alta (Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná); Região II, moderadamente quente, úmida e baixa (Santa Catarina, Paraná e São Paulo); e Região III, quente, moderadamente seca e baixa (Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo). São apresentados neste trabalho somente cultivares e linhagens que participaram nas três regiões nos anos de 2007 a 2009. Os ensaios de VCU de trigo foram divididos em duas categorias, genótipos de ciclo médio e precoce. O número de épocas variou de um a três, dependendo do local. O número de linhagens do IAPAR e Embrapa Soja é variável em cada ensaio e para cada ano, tendo como testemunhas fixas ou controle: BRS 208, BRS 229, BRS Tangará e IPR 128 no ensaio de ciclo médio e BRS 220, BRS Pardela, IPR 118 e IPR 129 nos de ciclo precoce. Delineamento de Blocos ao Acaso, com três repetições com controle fitossanitário. Tratamento de sementes com mistura de Imidacloprido (80g) /100 kg de sementes, associado com resina Blue Solid (100g/100 kg de sementes). Tratamento da parte aérea variou segundo o local, época e doença. A parcela experimental com dimensões conforme a semeadora de cada colaborador, constituída de cinco a seis linhas de cinco a seis metros, espaçadas a 0,15m a 0,20 metros. A produtividade foi baseada na colheita total da parcela em gramas com correção de umidade a 13% e transformadas em quilogramas por hectare. A comparação de médias foi em relação à média das três melhores testemunhas de cada ensaio. A adubação e fórmula na semeadura e em cobertura foram conforme com a necessidade da análise de solo de cada local. Os valores representados pela média de cada região, são provenientes de cada local em uma ou mais épocas, considerando quando for o caso, como média ponderada. Os dados de rendimento de grãos foram analisados estatisticamente, pela Embrapa Soja, primeiro em uma análise exploratória com auxílio do Programa SAS para verificar o atendimento das pressuposições da análise de variância e a ocorrência de dados discrepantes (“outliers”), e depois foram realizadas as análises de variâncias e testes de médias com auxílio dos Programa SAS e Genes. Foram considerados apenas os experimentos que apresentaram coeficientes de variação inferiores a 18%. Na Tabela 1 são apresentados os resultados dos genótipos de ciclo médio, com destaque para todas as regiões o triticale IPR 111 e a linhagem PF 014384 com rendimento médio relativo de 107, 2 e 103,0 % respectivamente em relação à media das três melhores testemunhas. A inclusão do triticale foi devida a inexistência de ensaios de VCU para a referida espécie no período. Na Tabela 2 são apresentados os resultados dos genótipos de ciclo precoce, com destaque para todas as regiões BRS 220 e BRS Pardela com rendimento médio relativo de 103,6 e 100,6 % respectivamente em relação à media das três melhores testemunhas. Para melhor visualização da distribuição dos locais e regiões de instalação dos ensaios, na Tabela 3 estão as informações das novas regiões conforme instrução Normativa Nº. 3 de 14/10/2008, do DOU, em comparação com as regiões anteriores. Tabela 1. Produtividade média de grãos de trigo de cultivares e linhagens de ciclo médio, em quilos por hectare nas Regiões de VCU I, II e II do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo, nos triênio de 2007 a 2009, dos ensaios de VCU conduzido pela Fundação Meridional/Embrapa Soja e IAPAR. Cultivar MD RI (15) MD RII (23) MD RIII (40) MG %3MT Classe Industrial BRS 208 4653 4584 3519 4252 98,7 P BRS 210 3741 4130 3453 3775 87,6 M BRS 229 4376 4557 3483 4139 96,1 P BRS 248 4300 4287 3357 3981 92,4 P/B 4789 BRS 249 4424 3184 4132 95,9 P BRS Tangará 4694 4752 3184 4210 97,7 M CD 104 3553 4274 3282 3703 85,9 M 4621 5173 4064 4619 107,2 IPR 111 Tcl B IPR 128 3550 4441 3437 3809 88,4 P IPR 130 4140 4459 3436 4012 93,1 P/M IPR 136 3980 4266 3428 3891 90,3 M 3706 LD 072210 4434 4544 4228 98,1 B 3660 LD 072212 4270 4710 4213 97,8 B 4810 4849 3658 4439 103,0 PF 014384 B BRS Albatroz 4904 4462 3382 4250 98,6 M Media 3MT 4511 4803 3613 4309 100,0 MD: Média na respectiva região; * Números entre parêntesis indica o número de experimentos no triênio na respectiva região; MG: Média Geral; % 3MT: percentagem em relação à média das três melhores testemunhas; P: Pão; M; Melhorador; B: Brando. Tabela 2. Produtividade média de grãos de trigo de cultivares e linhagens de ciclo precoce, em quilos por hectare nas Regiões de VCU I, II e II do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo, nos triênio de 2007 a 2009, dos ensaios de VCU conduzido pela Fundação Meridional/Embrapa Soja e IAPAR. Cultivar MD RI (15) MD RII (22) MD RIII (40) MG %3MT Classe Industrial BR 18 3806 3946 3430 3728 90,6 P BRS 220 4544 4686 3562 4264 103,6 P BRS Pardela 4377 4628 4140 100,6 3415 M IPR 85 3424 3662 3299 3462 84,1 M IPR 110 4086 4366 3536 3996 97,1 B IPR 118 4009 4207 3405 3873 94,1 P IPR 129 3629 3919 3442 3663 89,0 P 3553 IPR 144 3575 4329 3819 92,8 P WT 05110 4000 4318 3395 3905 94,9 M Media 3MT 4333 4469 3542 4115 100,0 MD: Média na respectiva região; * Números entre parêntesis indica o número de experimentos no triênio na respectiva região; MG: Média Geral; % 3MT: percentagem em relação à média das três melhores testemunhas; P: Pão; M; Melhorador; B: Brando. Tabela 3. Município, estado, nova região conforme Instrução Normativa Nº3 de 14/10/2008, publicado no Diário Oficial da União, região antiga de adaptação de cultivares de Trigo e altitude (m) aproximada. Município UF Região Nova Região Antiga Altitude metros Guarapuava PR I 8 1139 Ponta Grossa PR I 8 805 Barracão RS I 2 835 Campos Novos SC I 5 871 Campo Mourão PR II 7 616 Cascavel PR II 7 720 Pato Branco PR II 8 773 Mauá da Serra PR II 7 910 Abelardo Luz SC II 4 850 Itaberá SP II 11 740 Dourados MS III 9 398 Maracaju MS III 9 384 Ponta Porã MS III 9 565 Cambará PR III 6 474 Cruzmaltina PR III 7 751 Londrina PR III 6 538 Palotina PR III 7 352 Warta PR III 6 591 Ibirarema SP III 12 488 A parceria Embrapa Soja, IAPAR e Fundação Meridional agradece a todos os instituidores da Fundação Meridional, pelo apoio e incentivo à continuidade das pesquisas de desenvolvimento de cultivares de trigo. Esse apoio vem fortalecer a triticultura nos Estados do Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, de forma contínua e sustentável. EXCLUSOES DE INDICAÇÃO DE CULTIVARES OR/BIOTRIGO Igor tonin1, Igor Pirez Valério2, André Cunha Rosa1, Ottoni de Sousa Rosa2, Ottoni Rosa Filho e Amarilis Labes Barcellos2. 1 Biotrigo Genética Ltda (BIOTRIGO), Rua João Battisti,71, CEP 99050-380, Passo Fundo, RS, Brasil . [email protected]. 2 OR Sementes, Passo Fundo, RS, Brasil. A revisão das cultivares indicadas para cultivo visam minimizar os problemas de frustrações de safra e melhorar a rentabilidade da triticultura. Observando estes critérios as empresas BIOTRIGO e OR SEMENTES estão retirando das indicações de cultivo as cultivares Asteca e Taurum. A cultivar Asteca demonstrou na ultima safra um nível de resistência a brusone menor do que o esperado. Seu lançamento foi justificado pelo melhor nível de resistência a brusone, quando comparado a cultivar Taurum, que mesmo sendo suscetível ainda mantinha demanda de sementes. Este nível de resistência não se confirmou na safra 2009, e melhores estudos serão realizados para indicação segura desta cultivar, sendo retirada sua indicação de cultivo em todas as regiões antes indicadas. A cultivar Taurum apesar de seu alto potencial de rendimento, apresenta alta suscetibilidade ao brusone, fato que gera insegurança na tomada de decisão do seu cultivo, considerando sua suscetibilidade a brusone e o lançamento de novas cultivares com melhores características, a cultivar Taurum não será mais indicada para cultivo em todas a regiões antes indicadas, deste modo preservando os agricultores de frustrações de safras que estavam sendo constantes devido a brusone, que é de difícil controle. EXTENSÃO DE CULTIVO DA CULTIVAR MIRANTE PARA OS ESTADOS DO RS E SC. Igor tonin1, Igor Pirez Valério2, André Cunha Rosa1, Ottoni de Sousa Rosa2, Ottoni Rosa Filho e Amarilis Labes Barcellos2. 1 Biotrigo Genética Ltda (BIOTRIGO), Rua João Battisti,71, CEP 99050-380, Passo Fundo, RS, Brasil . [email protected]. 2 OR Sementes, Passo Fundo, RS, Brasil. A cultivar Mirante foi lançada na safra 2008, tendo como ponto forte o alto potencial produtivo, o mais alto do portfólio OR/Biotrigo. Na safra 2009 obteve ótimos resultados de rendimento em lavouras comercias de produção de sementes, confirmando os resultados antes obtidos nos experimentos. É um trigo para alto investimento, com qualidade industrial tipo Pão e ampla adaptação. Apesar de ser uma cultivar com estatura médio-alta, tem boa resistência ao acamamento o que permite adubar bem a lavoura, tirando o máximo do seu potencial genético. Primeiramente indicada para cultivo no estado do Paraná, devido aos ótimos resultados de rendimento obtidos, estamos estendendo sua indicação de cultivo para as regiões I e II dos estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Nos ensaios foi utilizado o delineamento experimental randomizado com blocos ao acaso, com quatro repetições, onde a adubação e controle de pragas e moléstias foram efetuadas conforme as recomendações técnicas para a cultura do trigo (exceto em alguns locais onde se optou por não utilizar fungicidas). Os resultados de rendimento são apresentados nas Tabelas 1 e 2, nas Tabelas 3 e 4 são apresentados os valores de peso hectolitro e nas Tabelas 5 e 6 são apresentados os valores de peso de mil grãos. Tabela 1 - Dados de rendimento (kg.ha-1) da cultivar Mirante em relação às testemunhas Pampeano e Fundacep 30, nas regiões de adaptação I e II do estado do Rio Grande do Sul, nas safras 2007 e 2008 N°Locais Ano Mirante Testemunhas -1 (kg.ha ) Pampeano Fcep-30 TM Região 6 2007 3034 3214 2857 3036 I - RS 5 2008 4699 4455 3499 3977 Média 3867 3835 3178 3506 % 110 109 91 100 Região 3 2007 2719 2530 2281 2406 II - RS 3 2008 3767 3487 2941 3214 Média 3243 3009 2611 2810 % 115 107 93 100 Tabela 2 - Dados de rendimento (kg.ha-1) da cultivar Mirante em relação às testemunhas Safira e Pampeano, nas regiões de adaptação I e II do estado de Santa Catarina, nas safras 2007 e 2008 N°Locais Ano Mirante Testemunhas -1 (kg.ha ) Safira Pampeano TM Região 2 2007 2861 2848 3291 3069 I - SC 2 2008 4383 3537 4384 3960 Média 3622 3192 3837 3515 % 103 91 109 100 Região 2 2007 4094 3804 3988 3896 II - SC 2 2008 5799 4482 4949 4715 Média 4946 4143 4469 4306 % 115 96 104 100 Tabela 3 - Dados de peso hectolitro da cultivar Mirante em relação as testemunhas Pampeano e Fundacep 30, nas regiões de adaptação I e II, do estado do Rio Grande do Sul, nas safras 2007 e 2008 N°Locais Ano Mirante Testemunhas -1 (kg.hl ) Pampeano Fcep-30 Região 6 2007 74,3 75,0 72,8 I - RS 5 2008 77,6 75,5 72,9 Média 76,0 75,3 72,9 Região 3 2007 78,4 77,9 75,9 II - RS 3 2008 80,9 78,5 72,0 Média 79,7 78,2 74,0 Tabela 4 - Dados de peso hectolitro da cultivar Mirante em relação as testemunhas Safira e Pampeano, nas regiões de adaptação I e II, do estado de Santa Catarina, nas safras 2007 e 2008 N°Locais Ano Mirante Testemunhas -1 (kg.hl ) Safira Pampeano Região 2 2007 74,7 78,3 79,0 I - SC 2 2008 73,5 75,1 75,7 Média 74,1 76,7 77,3 Região 2 2007 76,7 77,0 77,0 II - SC 2 2008 74,6 75,2 76,0 Média 75,6 76,1 76,5 Tabela 5 - Dados de peso de mil grãos da cultivar Mirante em relação as testemunhas Pampeano e Fundacep 30, nas regiões de adaptação I e II, do estado do Rio Grande do Sul nas safras 2007 e 2008 N°Locais Ano Mirante Testemunhas (g) Pampeano Fcep-30 Região 6 2007 33,5 37,9 32,5 I - RS 5 2008 38,3 39,9 30,5 Média 35,9 38,9 31,5 Região 2 2007 32,7 36,8 29,3 II - RS 3 2008 34,6 39,2 30,2 Média 33,6 38,0 29,7 Tabela 6 – Dados de peso de mil grãos da cultivar Mirante em relação as testemunhas Safira e Pampeano, nas regiões de adaptação I e II, do estado de Santa Catarina nas safras 2007 e 2008 N°Locais Ano Mirante Testemunhas (g) Safira Pampeano Região 2 2007 28,6 24,0 34,5 I - SC 2 2008 31,4 33,5 39,3 Média 30,0 28,7 36,9 Região 2 2007 37,5 30,0 36,2 II - SC 2 2008 37,6 35,5 45,0 Média 37,5 32,8 40,6 TBIO IVAÍ – RUSTICIDADE COM ÓTIMO RENDIMENTO Igor tonin1, André Cunha Rosa1,Ottoni Rosa Filho1. (1) Biotrigo Genética Ltda (BIOTRIGO), Rua João Battisti,71, CEP 99050-380, Passo Fundo, RS, Brasil. [email protected]. O continuo processo de desenvolvimento de cultivares aliado as novas tecnologias disponíveis tem tornado a triticultura brasileira a cada safra mais competitiva. A busca de cultivares com melhores características agronômicas e industriais é o foco da Biotrigo Genética, que para tanto, mantém campos experimentais para seleção de cultivares com características desejáveis nas diferentes regiões tritícolas do Brasil. Resultado deste trabalho é a nova cultivar TBIO Ivaí, que alia ótima rusticidade com bom potencial de rendimento. A nova cultivar foi originada pelo cruzamento ORL 97061/CD 104, realizado no inverno de 2002. A linhagem ORL 97061 é proveniente do programa de melhoramento da OR/Biotrigo e é uma retrocruza de OR-1. A cultivar CD 104 é cultivar comercial da COODETEC. As populações segregantes foram conduzidas em telado (Passo Fundo, RS) e a campo (Apucarana, PR) de 2003 a 2005. Na geração F6 foi colhida em massa, originado o F7 que foi plantado a campo e posteriormente selecionado, originando a linhagem experimental para participar dos ensaios de rendimento no inverno de 2007. A cultivar TBIO Ivaí foi avaliada nos ensaios de VCU (Valor de Cultivo e Uso) com a designação experimental BIO 06014 nos anos de 2008 e 2009. O delineamento experimental utilizado foi o randomizado com blocos ao acaso e quatro repetições, a adubação e controle de pragas e moléstias foram efetuados conforme as recomendações técnicas para a cultura do trigo. A cultivar TBIO Ivaí apresenta hábito vegetativo intermediário a semi-ereto, perfilhamento médio, porte médio e ciclo médio. Quanto ao crestamento é classificado como moderadamente resistente, para acamamento é classificado como moderadamente resistente a moderadamente suscetível, para debulha natural e germinação natural na espiga de moderadamente resistente a moderadamente suscetível. A reação as principais doenças da cultivar é assim composta: ferrugem da folha e oídio, moderadamente resistente; manchas foliares, moderadamente resistente; brusone, moderadamente resistente; giberela, moderadamente suscetível; vírus do mosaico do trigo, suscetível. TBIO Ivaí é trigo Pão (W =240 x10-4Joules) e estabilidade média de 11 minutos. TBIO Ivaí é cultivar protegida de titularidade da Biotrigo e registrada para cultivo na região tritícola III do Estado do Paraná. Os resultados de rendimento obtidos nos experimentos são apresentados na Tabela 1. O peso médio de mil sementes e peso médio do hectolitro obtido nos experimentos são apresentados nas Tabelas 2 e 3 respectivamente. Tabela 1 – Dados de rendimento (kg.ha-1) do cultivar TBIO Ivaí em relação as testemunhas BRS 208 e CD 104, na Região de Adaptação 3, em 2008 e 2009 Testemunhas Região N° Locais Ano TBIO Ivaí BRS 208 CD 104 TM -1 VCUIII- PR kg.ha 3 2008 3470 3314 2991 3153 5 2009 3347 2716 2460 2588 Média 3409 3015 2726 2870 % 119 105 95 100 Tabela 2 – Dados de Peso de Mil Grãos (g) do cultivar TBIO Ivaí em relação às testemunhas BRS 208 e CD 104, na Região de Adaptação 3, em 2008 e 2009 Testemunhas Região N°Locais Ano TBIO Ivaí BRS 208 CD 104 VCUIII-PR g 3 2008 35,4 31,6 29,3 5 2009 34,0 31,2 27,4 Média 34,7 31,4 28,4 Tabela 3 - Dados de Peso Hectolítrico (kg.hl-1) do cultivar TBIO Ivaí em relação às testemunhas BRS 208 e CD 104, na Região de Adaptação 3, em 2008 e 2009 Testemunhas Região N°Locais Ano TBIO Ivaí BRS 208 CD 104 -1 VCUIII - PR kg.hl 3 2008 78,5 73,5 73,9 5 2009 77,2 72,7 70,4 Média 77,9 73,2 72,1 TBIO TIBAGI – PRECOCE, BOA RESITÊNCIA A BRUSONE E FARINHA BRANQUEADORA. Igor tonin1, André Cunha Rosa1 e Ottoni Rosa Filho1. (1) Biotrigo Genética Ltda (BIOTRIGO), Rua João Battisti,71, CEP 99050-380, Passo Fundo, RS, Brasil . [email protected]. O continuo processo de desenvolvimento de cultivares aliado as novas tecnologias disponíveis tem tornado a triticultura brasileira a cada safra mais competitiva. A busca de cultivares com melhores características agronômicas e industriais é o foco da Biotrigo Genética, que para tanto, mantém campos experimentais para seleção de cultivares com características desejáveis nas diferentes regiões tritícolas do Brasil. Resultado deste trabalho é a nova cultivar TBIO Tibagi, que alia precocidade, resistência a brusone e farinha branqueadora. A nova cultivar foi originada pelo cruzamento das cultivares SUPERA/ÔNIX, realizado no verão de 2001. Ambas as cultivares utilizadas no cruzamento provém do programa de melhoramento da OR/Biotrigo. As populações segregantes foram conduzias em telado (Passo Fundo, RS) e a campo (Coxilha, RS) de 2001 a 2004. A geração F6 foi conduzida no campo em Apucarana, PR. A geração F7 foi plantada em telado (Passo Fundo, RS) sendo colhida em massa, originado a geração F8 que foi plantado a campo (Apucarana, PR) sendo selecionada para participar do primeiro ensaio de rendimento em 2007. A cultivar TBIO Tibagi foi avaliada nos ensaios de VCU (Valor de Cultivo e Uso) com a designação experimental BIO 06016 nos anos de 2008 e 2009. O delineamento experimental utilizado foi o randomizado com blocos ao acaso e quatro repetições, onde a adubação e controle de pragas e moléstias foram efetuados conforme as recomendações técnicas para a cultura do trigo. A cultivar TBIO Tibagi apresenta hábito vegetativo intermediário a semi-ereto, perfilhamento médio-fraco, porte médio e ciclo precoce-médio. Quanto ao crestamento é classificado como moderadamente resistente, para acamamento é classificado como moderadamente resistente a moderadamente suscetível, para debulha natural e germinação natural na espiga de moderadamente resistente a moderadamente suscetível. A reação as principais doenças da cultivar é assim composta: ferrugem da folha, suscetível; oídio, moderadamente suscetível a suscetível; manchas foliares, moderadamente resistente; brusone, moderadamente resistente; giberela, moderadamente resistente a moderadamente suscetível; vírus do mosaico do trigo, moderadamente resistente a moderadamente suscetível. Quanto a qualidade industrial, TBIO Tibagi é trigo Pão (W =250 x10-4Joules), estabilidade média de 11 minutos e apresenta farinha de cor branqueadora. TBIO Tibagi é cultivar protegida de titularidade da Biotrigo, e registrada, até o momento, para cultivo na região tritícola III do estado do Paraná. Os resultados de rendimento obtidos nos experimentos são apresentados na Tabela 1. O peso médio do hectolitro e peso de mil sementes obtido nos experimentos são apresentados nas Tabelas 2 e 3 respectivamente. Tabela 1 – Dados de rendimento (kg.ha-1) do cultivar TBIO Tibagi em relação às testemunhas BRS 208 e CD 104, na Região de Adaptação 3, em 2008 e 2009 Testemunhas TBIO Tibagi BRS 208 Região N° Locais Ano CD 104 TM -1 VCUIII- PR kg.ha 3 2008 3315 3314 2991 3153 5 2009 3105 2716 2460 2588 Média 3210 3015 2726 2870 111 % 105 95 100 Tabela 2- Dados de Peso Hectolítrico (kg.hl-1) do cultivar TBIO Tibagi em relação às testemunhas BRS 208 e CD 104, na Região de Adaptação 3, em 2008 e 2009 Testemunhas Região N° Locais Ano TBIO Tibagi BRS 208 CD 104 kg.hl-1 VCUIII – PR 3 5 Média 2008 2009 76,5 76,2 76,4 73,5 72,7 73,2 73,9 70,4 72,1 Tabela 3 – Dados de Peso de Mil Grãos (g) do cultivar TBIO Tibagi em relação às testemunhas BRS 208 e CD 104, na Região de Adaptação 3, em 2008 e 2009 Testemunhas Região N° Locais Ano TBIO Tibagi BRS 208 CD 104 VCUIII-PR g 3 5 Média 2008 2009 33,7 33,0 31,6 31,2 29,3 27,4 33,3 31,4 28,4 TBIO PIONEIRO – PRIMEIRA CULTIVAR BIOTRIGO GENÉTICA Igor tonin1, André Cunha Rosa1 e Ottoni de Rosa Filho1. (1) Biotrigo Genética Ltda (BIOTRIGO), Rua João Battisti,71, CEP 99050-380, Passo Fundo, RS, Brasil . [email protected]. O aumento na produtividade, resistência a doenças e ótima qualidade industrial são os objetivos da grande parte dos programas de melhoramento genético do trigo no Brasil. Ao reunir em uma cultivar todas ou parte destas características desejáveis nasce uma nova cultivar. A empresa Biotrigo se dedica exclusivamente a criação de novas cultivares de trigo e neste ano esta lançando sua primeira cultivar de titularidade exclusiva, denominada TBIO Pioneiro. TBIO Pioneiro se destaca pelo potencial de rendimento e boa resistência as principais doenças aliado a ótima qualidade industrial para panificação. A nova cultivar foi originada pelo cruzamento CRONOX/VAQUEANO, realizado em 2002, as populações segregantes foram conduzias em telado (Passo Fundo, RS) e a campo (Coxilha, RS) de 2003 a 2005. TBIO Pioneiro teve seleção final na geração F8 no inverno de 2006 para participar dos ensaios de rendimento. A cultivar TBIO Pioneiro foi avaliada nos ensaios de VCU (Valor de Cultivo e Uso) com a designação experimental BIO 06060 nos anos de 2008 e 2009. O delineamento experimental utilizado foi o randomizado com blocos ao acaso e quatro repetições, onde a adubação e controle de pragas e moléstias foram efetuados conforme as recomendações técnicas para a cultura do trigo. A cultivar TBIO Pioneiro apresenta hábito vegetativo semi-prostrado a intermediário, forte perfilhamento, porte médio/alto e ciclo médio. Quanto ao crestamento é classificado como moderadamente resistente;para acamamento é classificado como moderadamente suscetível; para debulha natural é classificado de moderadamente resistente a moderadamente suscetível e para germinação natural na espiga é classificado como moderadamente resistente. A reação as principais doenças da cultivar é assim composta: ferrugem da folha e oídio, moderadamente resistente; manchas foliares e mosaico comum, moderadamente suscetível; VNAC e giberela, moderadamente suscetível. TBIO Pioneiro é trigo Pão (W =265 x10-4Joules), estabilidade média de 8 minutos. TBIO Pioneiro é cultivar protegida de titularidade da Biotrigo e registrada, até o momento, para cultivo na região tritícola I do RS. Os resultados de rendimento obtidos nos experimentos são apresentados na Tabela 1. O peso médio do hectolitro e de mil sementes e obtido nos experimentos são apresentados na Tabela 2 e 3, respectivamente. Tabela 1 – Dados de rendimento (kg.ha-1) do cultivar TBIO Pioneiro em relação às testemunhas Safira e Pampeano, na Região de Adaptação 1- RS, em 2008 e 2009 Testemunhas Região N°Locais Ano TBIO Pioneiro Safira Pampeano TM VCUI - RS kg.ha-1 3 2008 4075 3052 3642 3347 4 2009 4319 3667 3845 3756 Média 4211 3393 3755 3574 % 118 95 105 100 Tabela 2- Dados de Peso Hectolítrico (kg.hl-1) do cultivar TBIO Pioneiro em relação às testemunhas Safira e Pampeano, na Região de Adaptação 1- RS, em 2008 e 2009 Testemunhas Região N°Locais Ano TBIO Pioneiro Safira Pampeano VCUI- RS kg.hl-1 3 2008 75,9 71,5 74,5 4 2009 76,5 73,0 76,0 Média 76,3 73,0 75,6 Tabela 3 – Dados de Peso de Mil Grãos (g) do cultivar TBIO Pioneiro em relação às testemunhas Safira e Pampeano, na Região de Adaptação 1- RS, em 2008 e 2009 Testemunhas Região N°Locais Ano TBIO Pioneiro Safira Pampeano -1 VCUI-RS kg.hl 3 2008 33,1 26,7 37,0 4 2009 29,9 26,2 35,1 Média 31,1 26,3 36,0 CD 123 - CULTIVAR DE TRIGO PRECOCE DE BAIXA ESTATURA E ALTO POTENCIAL DE RENDIMENTO DE GRÃOS Francisco de Assis Franco1, Volmir Sergio Marchioro1, Tatiane Dalla Nora1, Edson Feliciano de Oliveira1, Ivan Schuster1 e Adriel Evangelista1 1 Cooperativa Central de Pesquisa Agrícola (COODETEC), BR 467, km 98, C.P. 301, CEP 85813-450, Cascavel, PR, Brasil. [email protected]. O trigo é uma das culturas mais importantes para alimentação humana, aparecendo entre as três culturas maiores produtoras de grãos no mundo. O melhoramento genético de plantas tem buscado o incremento na produtividade do trigo, resultado da utilização de cultivares adaptadas e adoção de tecnologias adequadas à região de cultivo. Os incrementos no rendimento de grãos associado a mudanças morfológicas nas plantas, principalmente, do número de grãos e índice de colheita contribuíram para o aumento da produtividade (Sayre et al., 1997). Trabalhando com intuito de reunir características relevantes foi desenvolvida a cultivar de trigo CD 123. A cultivar CD 123 foi obtida do cruzamento entre as cultivares BRS 177 e CD 108, pela COODETEC, em 2000, na localidade de Palotina. As sementes F1 foram semeadas em novembro no mesmo ano, em casa de vegetação em Cascavel, e na maturação foram colhidas em massa todas as espigas, que posteriormente foram trilhadas originando as sementes F2. A condução da população F2 se deu em casa de vegetação em março de 2001 na localidade de Cascavel, através do método massal. As gerações F3, F4 e F5 foram conduzidas em Palotina, através do método genealógico. No ano de 2004 as parcelas que estavam uniformes na geração F6 foram colhidas em massa, dando origem a várias linhas irmãs. A melhor destas linhas deu origem a cultivar CD 123. A anotação do pedigree desta linhagem é CC15210 CC15451-0T-5G-5G-1G-0G. A cultivar CD 123, participou dos Ensaios Preliminares de rendimento de grãos no ano de 2005, conduzidos em Cascavel e Palotina, tendo revelado desempenho melhor do que as testemunhas. Em 2006, foi colocada nos ensaios de VCU (Valor de Cultivo e Uso) em vários locais e épocas de semeadura, em diferentes estados no Brasil, com o nome experimental de CD 0665, permanecendo nestes ensaios até o ano de 2009. Os ensaios de VCU foram conduzidos obedecendo às Regiões Tritícolas (Cunha et al., 2006), na Região Tritícola VCU I foi conduzido em Guarapuava, Castro, Campos Novos, Não-Me-Toque, Cruz Alta, Lagoa Vermelha e Vacaria. Na Região Tritícola VCU II conduzido em Cascavel, Abelardo Luz, Santo Augusto, Santa Rosa, São Luiz Gonzaga e Cachoeira do Sul. Os locais em alguns casos não são comuns em todos os anos, o número de locais em cada Região durante os anos de experimentação estão apresentados na tabela 01. O delineamento experimental utilizado foi o de blocos ao acaso, com 3 repetições em parcelas constituídas de 6 linhas de 5 m de comprimento, espaçadas em 0,20 m entre linhas, sendo a semeadura efetuada mecanicamente. A adubação e o controle de doenças e pragas foram efetuados conforme recomendações técnicas (Embrapa Soja, 2008). Antes da semeadura as sementes foram tratadas com Triadimenol + Imidacloprid. As variáveis obtidas foram rendimento de grãos, dias da emergência ao espigamento, dias da emergência a maturação, altura de planta, acamamento, peso do hectolitro, peso de mil grãos e força geral de glúten. Em locais estratégicos foram conduzidas coleções dos genótipos que constituíam os ensaios de VCU, nestas coleções não foi efetuado o controle de doenças da parte aérea, onde foram observadas, entre outras, doenças como doenças ferrugem da folha, manchas foliares, oídio, giberela e vírus do mosaico comum do trigo. Na tabela 2 estão incluídas às médias de rendimento de grãos nas Regiões Tritícolas VCU I e II sendo verificado que a cultivar CD 123 apresentou um rendimento de grãos 6% e 4% superior a média das duas melhores testemunhas, respectivamente. Devido ao bom desempenho da cultivar CD 123, esta foi indicada para cultivo nas regiões citadas acima, englobando os Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e parte do Paraná e São Paulo (Brasil, 2008). A estatura de planta da cultivar CD 123 é baixa, variando de 55 a 94 cm, e o ciclo é precoce, variando de 48 a 83 dias da emergência ao espigamento e de 101 a 144 dias da emergência a maturação. As médias destas características foram de 73 cm, 67 dias e 122 dias, respectivamente, as quais variaram com condições climáticas, épocas de semeadura e tipo de solo. A CD 123, possui espigas fusiformes, posição ereta, moderadamente resistente ao acamamento e moderadamente resistente a germinação na espiga. Os resultados de análise de qualidade industrial, de 9 amostras da experimentação nos diferentes estados, geraram uma média 237 de força geral de glúten(W), o que permite incluir no grupo de cultivares de trigo pão (Tabela 03). Os experimentos conduzidos a campo, no período de 2004 a 2009, possibilitaram a obtenção de notas de doenças. Nas avaliações de oídio (Blumeria graminis f.sp. tritici) foi obtida baixa severidade, que correspondeu a classificação de moderadamente resistente. Para giberela (Fusarium graminearun), foi observada de média a alta severidade, sendo a cultivar classificada como moderadamente suscetível. Para helmintosporiose (Bipolares sorokiniana) e septorioses (Septoria tritici e Stagonospora nodorum), foram encontrados índices de média severidade de mancha de folha e mancha de gluma, que permitiram classificar a cultivar como moderadamente suscetível. A severidade nas avaliações de ferrugem da folha (Puccinia triticina) foi baixa em condições de campo, indicando que a cultivar é moderadamente resistente. Quanto ao Vírus do Mosaico Comum do Trigo a cultivar foi classificada como moderadamente resistente (Tabela 03). A cultivar CD 123 é trigo precoce, com baixa estatura, alto potencial de rendimento de grãos e boa resistência a ferrugem da folha, sendo uma opção importante aos triticultores da Região Sul do Brasil, que buscam trigo de qualidade para panificação. Referências bibliográficas BRASIL. Serviço nacional de proteção de cultivares. Brasília: Ministério da Agricultura. Disponível em http://www.agricultura.gov.br/sarc/dfpv/lst1200.htm. Acesso em 07 mai. 2010. CUNHA G.R.; SCHEEREN P.L.; PIRES J.L.F.; MALUF J.R.T.; PASINATO A.; CAIERÃO E.; SILVA M.S.; DOTTO S.R.; CAMPOS L.A.C.; FELÍCIO J.C.; CASTRO R.L.; MARCHIORO V.; RIEDE C.R.; ROSA FILHO O.; TONON V.D.; SVOBODA L.H. Regiões de adaptação para trigo no Brasil. Passo Fundo: Trigo Embrapa, (Circular Técnica Online, 20), 2006. 35p. EMBRAPA SOJA. Informações técnicas para a safra 2008: Trigo e Triticale. Londrina: Embrapa Soja, (Documento, 301), 2008. 147p. SAYRE, K.D.; RAJARAN, S.; FISCHER, R.A. Yield potential progress in short Bread wheats in northwest México. Crop Science. v.37, p.36-42, 1997. Tabela 1. Número de ensaios de Valor de Cultivo e Uso (VCU) conduzidos por estado com a cultivar CD 123, nas regiões tritícolas VCU I e II, no período de 2006 a 2009 Cascavel/2010 Região VCU I 2006 2007 2008 2009 3 4 4 4 1 1 1 3 4 3 ESTADO Paraná Santa Catarina Rio Grande do Sul Região VCU II 2006 2007 2008 3 3 3 1 2 1 3 3 2009 3 2 3 Tabela 2. Médias de rendimento de grãos (kg ha-1) da cultivar CD 123 e das duas melhores testemunhas, nas Regiões Tritícolas VCU I e II, no período de 2006 a 2009 Cascavel/2010 REGIÃO CULTIVAR 2006 2007 2008 2009 MÉDIA % CD 123 4065 3444 4033 3896 3860 106 VCU I Testemunhas 3734 3372 3889 3585 3645 100 CD 123 3371 3315 3246 3118 3263 104 VCU II Testemunhas 3215 3132 3160 3030 3134 100 * As duas melhores testemunhas utilizadas na comparação foram ONIX e SAFIRA, nas duas regiões. Tabela 3. Médias de dias da emergência ao espigamento (ES), dias da emergência a maturação (MT), altura de planta (AP), acamamento (AC), peso do hectolitro (PH), massa de mil grãos (MG), força geral de glúten (W), ferrugem da folha (FF), mancha de folha (MF) e oídio na folha (OF) da cultivar CD 123 e da testemunha ONIX, no período de 2006 a 2009 - Cascavel/2010 ES MA AP AC PH MG W FF MF OF Cultivar CD 123 ONIX -1 (dias) (dias) (cm) % (Kg hl ) (g) 67 74 122 127 73 82 4 8 77 77 34 33 -4 (10 Joule) (%) 237 240 6 48 (nota 0-9) (nota 0-9) 3,5 3,5 2,0 1,9 CD 122 - CULTIVAR DE TRIGO PÃO E POTENCIAL DE RENDIMENTO DE GRÃOS Volmir Sergio Marchioro1, Francisco de Assis Franco1, Tatiane Dalla Nora1, Edson Feliciano de Oliveira1, Ivan Schuster1 e Elisa Serra Negra Vieira1 1 Cooperativa Central de Pesquisa Agrícola (COODETEC), BR 467, km 98, C.P. 301, CEP 85813-450, Cascavel, PR, Brasil. [email protected]. O incremento no potencial produtivo do trigo é permanentemente perseguido pelos programas de melhoramento, mas além do potencial produtivo, o trigo também deve possuir a qualidade industrial desejada pela indústria moageira, que atenda a fabricação de pães, massas e biscoitos, devido a necessidades específicas da indústria alimentícia (Smanhotto et al. 2006). Com o objetivo de disponibilizar cultivares de qualidade, potencial de rendimento de grãos e tipo de planta está sendo disponibilizada a CD 122. A cultivar CD 122 foi obtida do cruzamento entre as cultivares IPR 85 e BRS 229, pela COODETEC, em 1999, na localidade de Palotina. As sementes F1 foram semeadas em novembro no mesmo ano, em casa de vegetação em Cascavel, e na maturação foram colhidas em massa todas as espigas, que posteriormente foram trilhadas originando as sementes F2. A condução da população F2 se deu em casa de vegetação em março de 2000 na localidade de Cascavel, através do método massal. As gerações F3, F4 e F5, foram conduzidas em Palotina, através do método genealógico. No ano de 2003 as parcelas que estavam uniformes na geração F6 foram colhidas em massa, dando origem a várias linhas irmãs. A melhor destas linhas deu origem a cultivar CD 122. A anotação do pedigree desta linhagem é CC15210-0T-2P1P-4P-0P. A cultivar CD 122, participou dos Ensaios Preliminares de rendimento de grãos em 2004 e 2005, conduzidos em Cascavel e Palotina, tendo revelado desempenho melhor do que as testemunhas. Em 2006, foi colocada nos ensaios de VCU (Valor de Cultivo e Uso) em vários locais e épocas de semeadura, em diferentes estados no Brasil, com o nome experimental de CD 0625, permanecendo nestes ensaios até o ano de 2009. Os ensaios de VCU foram conduzidos obedecendo às Regiões Tritícolas (Cunha et al., 2006), na Região Tritícola VCU I foi conduzido em Guarapuava, Castro, Campos Novos, Não-Me-Toque, Cruz Alta, Lagoa Vermelha e Vacaria. Na Região Tritícola VCU II conduzido em Cascavel, Abelardo Luz, Santo Augusto, Santa Rosa, São Luiz Gonzaga e Cachoeira do Sul. Os locais em alguns casos não são comuns em todos os anos, o número de locais em cada Região durante os anos de experimentação estão apresentados na tabela 01. O delineamento experimental utilizado foi o de blocos ao acaso, com 3 repetições, em parcelas constituídas de 6 linhas de 5 m de comprimento, espaçadas em 0,20 m entre linhas, sendo a semeadura efetuada mecanicamente. A adubação e o controle de doenças e pragas foram efetuados conforme recomendações técnicas (Embrapa Soja, 2008). Antes da semeadura as sementes foram tratadas com Triadimenol + Imidacloprid. As variáveis obtidas foram rendimento de grãos, dias da emergência ao espigamento, dias da emergência a maturação, altura de planta, acamamento, peso do hectolitro, peso de mil grãos e força geral de glúten. Em locais estratégicos foram conduzidas coleções dos genótipos que constituíam os ensaios de VCU, nestas coleções não foi efetuado o controle de doenças da parte aérea, onde foram observadas, entre outras, doenças como doenças ferrugem da folha, manchas foliares, oídio, giberela e vírus do mosaico comum do trigo. Na tabela 2 estão incluídas às médias de rendimento de grãos nas Regiões Tritícolas VCU I e II sendo verificado que a cultivar CD 122 apresentou um rendimento de grãos 3% e 7% superior a média das duas melhores testemunhas, respectivamente. Devido ao bom desempenho da cultivar CD 122, esta foi indicada para cultivo nas regiões citadas acima, englobando os Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e parte do Paraná e São Paulo (Brasil, 2008). A estatura de planta da cultivar CD 123 é baixa, variando de 60 a 95 cm, e o ciclo é médio, variando de 61 a 87 dias da emergência ao espigamento e de 104 a 146 dias da emergência a maturação. As médias destas características foram de 75 cm, 74 dias e 122 dias, respectivamente, as quais variaram com condições climáticas, épocas de semeadura e tipo de solo. A CD 122, possui espigas fusiformes, posição pendente, moderadamente resistente ao acamamento e moderadamente resistente a moderadamente suscetível a germinação na espiga. Os resultados de análise de qualidade industrial, de 9 amostras da experimentação nos diferentes estados, geraram uma média 260 de força geral de glúten(W), o que permite incluir no grupo de cultivares de trigo pão (Tabela 03). Os experimentos conduzidos a campo, no período de 2004 a 2009, possibilitaram a obtenção de notas de doenças. Nas avaliações de oídio (Blumeria graminis f.sp. tritici) foi obtida baixa severidade, que correspondeu a classificação de moderadamente resistente. Para giberela (Fusarium graminearun), foi observado de média a alta severidade, sendo a cultivar classificada como moderadamente suscetível. Para helmintosporiose (Bipolares sorokiniana) e septorioses (Septoria tritici e Stagonospora nodorum), foram encontrados índices de média severidade de mancha de folha e mancha de gluma, que permitiram classificar a cultivar como moderadamente suscetível. A severidade nas avaliações de ferrugem da folha (Puccinia triticina) foi baixa em condições de campo, indicando que a cultivar é moderadamente resistente. Quanto ao Vírus do Mosaico Comum do Trigo a cultivar foi classificada como moderadamente suscetível (Tabela 03). A cultivar CD 122 tem alto potencial de rendimento de grãos e boa resistência a ferrugem da folha, sendo uma opção importante aos triticultores da Região Sul do Brasil que buscam trigo de qualidade para panificação. Referências bibliográficas BRASIL. Serviço nacional de proteção de cultivares. Brasília: Ministério da Agricultura. Disponível em http://www.agricultura.gov.br/sarc/dfpv/lst1200.htm. Acesso em 07 mai. 2010. CUNHA G.R.; SCHEEREN P.L.; PIRES J.L.F.; MALUF J.R.T.; PASINATO A.; CAIERÃO E.; SILVA M.S.; DOTTO S.R.; CAMPOS L.A.C.; FELÍCIO J.C.; CASTRO R.L.; MARCHIORO V.; RIEDE C.R.; ROSA FILHO O.; TONON V.D.; SVOBODA L.H. Regiões de adaptação para trigo no Brasil. Passo Fundo: Trigo Embrapa, (Circular Técnica Online, 20), 2006. 35p. EMBRAPA SOJA. Informações técnicas para a safra 2008: Trigo e Triticale. Londrina: Embrapa Soja, (Documento, 301), 2008. 147p. SMANHOTTO, A.; NÓBREGA, L. H. P.; OPAZO, M. A. U.; PRIOR, M. Características físicas e fisiológicas na qualidade industrial de cultivares e linhagens de trigo e triticale. Revista brasileira engenharia agrícola ambiental, Campina Grande, PB, v.10, n.4, p.867-872, 2006. Tabela 1. Número de ensaios de Valor de Cultivo e Uso (VCU) conduzidos por estado com a cultivar CD 122, nas regiões tritícolas VCU I e II, no período de 2006 a 2009 Cascavel/2010 Região VCU I 2006 2007 2008 2009 3 4 4 4 1 1 1 3 4 3 ESTADO Paraná Santa Catarina Rio Grande do Sul Região VCU II 2006 2007 2008 3 3 3 1 2 1 3 3 2009 3 2 3 Tabela 2. Médias de rendimento de grãos (kg ha-1) da cultivar CD 122 e das duas melhores testemunhas, nas Regiões Tritícolas VCU I e II, no período de 2006 a 2009 Cascavel/2010 REGIÃO CULTIVAR 2006 2007 2008 2009 MÉDIA % CD 122 3824 3608 3956 3674 3766 103 VCU I Testemunhas 3734 3372 3889 3585 3645 100 CD 122 3379 3488 3238 3151 3314 106 VCU II Testemunhas 3215 3132 3160 3030 3134 100 * As duas melhores testemunhas utilizadas na comparação foram ONIX e SAFIRA, nas duas regiões. Tabela 3. Médias de dias da emergência ao espigamento (ES), dias da emergência a maturação (MT), altura de planta (AP), acamamento (AC), peso do hectolitro (PH), massa de mil grãos (MG), força geral de glúten (W), ferrugem da folha (FF), mancha de folha (MF) e oídio na folha (OF) da cultivar CD 122 e da testemunha ONIX, no período de 2006 a 2009 - Cascavel/2010 ES MA AP AC PH MG W FF MF OF Cultivar CD 122 ONIX -1 (dias) (dias) (cm) % (Kg hl ) (g) 74 74 122 127 75 82 12 8 77 77 35 33 -4 (10 Joule) (%) 260 240 9 48 (nota 0-9) (nota 0-9) 2,6 3,5 1,6 1,9 CD 121 - CULTIVAR DE TRIGO DE ALTO POTENCIAL PRODUTIVO E BOM TIPO AGRONÔMICO Francisco de Assis Franco1, Volmir Sergio Marchioro1, Tatiane Dalla Nora1, Edson Feliciano de Oliveira1, Ivan Schuster1 Ademar Alves Sobrinho1 e Fábio Junior Alcantara de Lima1 1 Cooperativa Central de Pesquisa Agrícola (COODETEC), BR 467, km 98, C.P. 301, CEP 85813-450, Cascavel, PR, Brasil. [email protected]. A pesquisa para a cultura do trigo no Brasil tem buscado oferecer cultivares de trigo que apresentem características agronômicas para atender as diferentes demandas, como o potencial de produtividade, qualidade industrial, resistência às doenças dentre outras. O desenvolvimento de novas cultivares que satisfaçam as exigências de maior potencial genético para produtividade é a principal meta de todo programa de melhoramento (Carvalho et al., 2008). Por outro lado, o cultivo do trigo vem ganhando a cada dia maior importância frente aos países produtores e exportadores, importância essa, fundamentada em ganhos de produtividade e rentabilidade, mas também na melhoria da qualidade tecnológica dos grãos. Neste sentido foi desenvolvida a cultivar de trigo CD 121. A cultivar CD 121 foi obtida do cruzamento entre a linhagem ORL 95688 e a cultivar CD 116, pela COODETEC, em 2000, na localidade de Palotina. As sementes F1 foram semeadas em novembro no mesmo ano de 2000, em casa de vegetação em Cascavel, e na maturação foram colhidas em massa todas as espigas, que posteriormente foram trilhadas originando as sementes F2. A condução da população F2 foi em casa de vegetação em março de 2001, na localidade de Cascavel, através do método massal. As gerações F3, F4 e F5, foram conduzidas em Guarapuava, através do método genealógico. No ano de 2004 as parcelas que estavam uniformes na geração F6 foram colhidas em massa, dando origem a várias linhas irmãs. A melhor destas linhas deu origem a cultivar CD 121. A anotação do pedigree desta linhagem é CC15710-0T-8G-3G-2G-0G. A cultivar CD 121, participou dos Ensaios Preliminares de rendimento de grãos em 2005, conduzidos em Cascavel e Palotina, tendo revelado desempenho melhor do que as testemunhas. Em 2006, foi colocada nos ensaios de VCU (Valor de Cultivo e Uso) em vários locais e épocas de semeadura, em diferentes estados no Brasil, com o nome experimental de CD 0684, permanecendo nestes ensaios até o ano de 2009. Os ensaios de VCU foram conduzidos obedecendo às Regiões Tritícolas (Cunha et al., 2006), na Região Tritícola VCU I foi conduzido em Guarapuava, Castro, Campos Novos, Não-Me-Toque, Cruz Alta, Lagoa Vermelha e Vacaria. Na Região Tritícola VCU II conduzido em Cascavel, Abelardo Luz, Santo Augusto, Santa Rosa, São Luiz Gonzaga e Cachoeira do Sul. Os locais em alguns casos não são comuns em todos os anos, o número de locais em cada Região durante os anos de experimentação estão apresentados na tabela 01. O delineamento experimental utilizado foi o de blocos ao acaso, com 3 repetições em parcelas constituídas de 6 linhas de 5 m de comprimento, espaçadas em 0,20 m entre linhas, sendo a semeadura efetuada mecanicamente. A adubação e o controle de doenças e pragas foram efetuados conforme recomendações técnicas (Embrapa Soja, 2008). Antes da semeadura as sementes foram tratadas com Triadimenol + Imidacloprid. As variáveis obtidas foram rendimento de grãos, dias da emergência ao espigamento, dias da emergência a maturação, altura de planta, acamamento, peso do hectolitro, peso de mil grãos e força geral de glúten. Em locais estratégicos foram conduzidas coleções dos genótipos que constituíam os ensaios de VCU, nestas coleções não foi efetuado o controle de doenças da parte aérea, onde foram observadas, entre outras, doenças como ferrugem da folha, manchas foliares, oídio, giberela e vírus do mosaico comum do trigo. Na tabela 2 estão incluídas às médias de rendimento de grãos nas Regiões Tritícolas VCU I e II sendo verificado que a cultivar CD 121 apresentou um rendimento de grãos 7% superior a média das duas melhores testemunhas, em ambas as regiões. Devido ao bom desempenho da cultivar CD 121, esta foi indicada para cultivo nas regiões citadas acima, englobando os Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e parte do Paraná e São Paulo (Brasil, 2008). A estatura de planta da cultivar CD 121 é baixa, variando de 54 a 88 cm, e o ciclo é médio, variando de 61 a 85 dias da emergência ao espigamento e de 106 a 147 dias da emergência a maturação. As médias destas características foram de 75 cm, 75 dias e 126 dias, respectivamente, as quais variaram com condições climáticas, épocas de semeadura e tipo de solo. A CD 121, possui espigas fusiformes, posição intermediária, moderadamente resistente ao acamamento e moderadamente suscetível a germinação na espiga. Os resultados de análise de qualidade industrial de 9 amostras da experimentação, nos diferentes estados, geraram uma média de 162 de força geral de glúten (W), o que permite incluir no grupo de cultivares de trigo brando (Tabela 03). Os experimentos conduzidos a campo, no período de 2005 a 2009, possibilitaram a obtenção de notas de doenças. Nas avaliações de oídio (Blumeria graminis f.sp. tritici) foi obtida baixa severidade, que correspondeu a classificação de moderadamente resistente. Para giberela (Fusarium graminearun), foi observado de média a alta severidade, sendo a cultivar classificada como moderadamente suscetível. Para helmintosporiose (Bipolares sorokiniana) e septorioses (Septoria tritici e Stagonospora nodorum), foram encontrados índices de média severidade de mancha de folha e mancha de gluma, que permitiram classificar a cultivar como moderadamente suscetível. A severidade nas avaliações de ferrugem da folha (Puccinia triticina) foi baixa em condições de campo, indicando que a cultivar é moderadamente resistente. Quanto ao Vírus do Mosaico Comum do Trigo a cultivar foi classificada como moderadamente resistente (Tabela 03). A cultivar CD 121 tem qualidade de trigo brando, alto potencial de rendimento de grãos, boa resistência a ferrugem da folha e ao acamamento, com bom tipo agronômico, sendo mais uma opção importante aos triticultores da Região Sul do Brasil. Referências bibliográficas BRASIL. Serviço nacional de proteção de cultivares. Brasília: Ministério da Agricultura. Disponível em http://www.agricultura.gov.br/sarc/dfpv/lst1200.htm. Acesso em 07 mai. 2010. CARVALHO, F.I.F.; LORENCETTI, C.; MARCHIORO, V.S.; SILVA, S.A. Condução de populações no melhoramento genético de plantas. Pelotas: Editora Universitária, 2008. 288p. CUNHA G.R.; SCHEEREN P.L.; PIRES J.L.F.; MALUF J.R.T.; PASINATO A.; CAIERÃO E.; SILVA M.S.; DOTTO S.R.; CAMPOS L.A.C.; FELÍCIO J.C.; CASTRO R.L.; MARCHIORO V.; RIEDE C.R.; ROSA FILHO O.; TONON V.D.; SVOBODA L.H. Regiões de adaptação para trigo no Brasil. Passo Fundo: Trigo Embrapa, (Circular Técnica Online, 20), 2006. 35p. EMBRAPA SOJA. Informações técnicas para a safra 2008: Trigo e Triticale. Londrina: Embrapa Soja, (Documento, 301), 2008. 147p. Tabela 1. Número de ensaios de Valor de Cultivo e Uso (VCU) conduzidos por estado com a cultivar CD 121, nas regiões tritícolas VCU I e II, no período de 2006 a 2009 Cascavel/2010 ESTADO Paraná Santa Catarina Rio Grande do Sul 2006 3 - Região VCU I 2007 2008 2009 4 4 4 1 1 1 3 4 3 2006 3 1 Região VCU II 2007 2008 3 3 1 2 3 3 2009 3 2 3 Tabela 2. Médias de rendimento de grãos (kg ha-1) da cultivar CD 121 e das duas melhores testemunhas, nas Regiões Tritícolas VCU I e II, no período de 2006 a 2009 Cascavel/2010 REGIÃO CULTIVAR 2006 2007 2008 2009 MÉDIA % CD 121 4228 3493 4151 3738 3903 107 VCU I Testemunhas 3734 3372 3889 3585 3645 100 CD 121 3334 3312 3451 3266 3341 107 VCU II Testemunhas 3215 3132 3160 3030 3134 100 * As duas melhores testemunhas utilizadas na comparação foram ONIX e SAFIRA, nas duas regiões. Tabela 3. Médias de dias da emergência ao espigamento (ES), dias da emergência a maturação (MT), altura de planta (AP), acamamento (AC), peso do hectolitro (PH), massa de mil grãos (MG), força geral de glúten (W), ferrugem da folha (FF), mancha de folha (MF) e oídio na folha (OF) da cultivar CD 121 e da testemunha ONIX, no período de 2006 a 2009 - Cascavel/2010 ES MA AP AC PH MG W FF MF OF Cultivar CD 121 ONIX (dias) (dias) (cm) % (Kg hl ) -1 (g) (10 Joule) -4 (%) 75 74 126 127 75 82 6 8 77 77 35 33 162 240 5 48 (nota 0-9) (nota 0-9) 2,8 3,5 1,1 1,9 ENSAIO DE ÉPOCAS DE SEMEADURA EM TRIGO 2009, FAPA, GUARAPUAVA, PR 2010 Juliano Luiz de Almeida1 e Marcos Luiz Fostim1. (1) Fundação Agrária de Pesquisa Agropecuária – FAPA, Entre Rios, Guarapuava, PR. 85.139-400 E-mail: [email protected]. O emprego de diferentes épocas de semeadura, dentro do período recomendado, tem sido uma estratégia indicada aos agricultores da região centro sul do Estado do Paraná com a finalidade de se obter maior estabilidade no rendimento de grãos, principalmente devido à grande variabilidade climática que ocorre entre anos. O objetivo deste ensaio foi estudar o comportamento de diferentes genótipos promissores de trigo, semeados em diferentes datas, antecipadamente e no período de semeadura preferencial para o município de Guarapuava, PR. O ensaio foi conduzido em área experimental da Fundação Agrária de Pesquisa Agropecuária - FAPA, em solo classificado como latossolo bruno alumínico típico. O delineamento experimental utilizado foi o de blocos ao acaso, com quatro repetições em esquema de parcela subdividida, onde nas parcelas principais instalouse época de semeadura e as cultivares nas subparcelas. As datas de semeadura foram as seguintes: 1ª época 03/06/2009; 2ª época 17/06/2009; 3ª época 30/06/2009; 4ª época 14/07/2009, em sistema de plantio direto. As cultivares/linhagens utilizadas neste experimento foram BRS UMBÚ, PF 010066, BRS GUABIJÚ, BRS GUAMIRIM, BRS TANGARÁ, BRS PARDELA, PF 040310, CD 105, CD 115, CD 119, CD 120, CD 0684, SAFIRA, QUARTZO, CAMPEIRO e FUNDACEP 52. Utilizou-se semeadeira de parcelas SEMEATO com seis linhas de 5 m, espaçadas 0,17 m entre si. A adubação de base utilizada foi 250 kg/ha da fórmula 8 30 20 e em cobertura utilizou-se 45 kg ha-1 de N. Foi realizado o controle de doenças durante o desenvolvimento do experimento, em um total de cinco pulverizações em todas as épocas. O rendimento médio de grãos dos genótipos participantes deste ensaio está na tabela 1. Considerando-se a média das quatro épocas de semeadura as cultivares QUARTZO (6046 kg ha-1), FUNDACEP 52 (6018 kg ha-1), CAMPEIRO (6005 kg ha-1), CD 0684 (5963 kg ha-1), PF 040310 (5877 kg ha-1), SAFIRA (5808 kg ha-1) e BRS TANGARÁ (5791 kg ha-1) estavam no grupo estatístico superior. Na média de todos os genótipos ocorreram diferenças entre as diferentes épocas para rendimento de grãos. A terceira época apresentou o maior rendimento médio com 6052 kg ha-1 na média do todos os genótipos. As médias de peso do hectolitro são apresentadas na tabela 2. Na média das quatro épocas, a linhagem CD 0684 apresentou o maior peso do hectolitro (81,7 kg hl-1) em números absolutos. Na média de todos os genótipos ocorreram diferenças entre as diferentes épocas para peso do hectolitro. Na tabela 3 encontramse os resultados referentes ao número de dias para espigamento e maturação. Na média das diferentes épocas, linhagem PF 010066 foi a mais tardia para o espigamento (95 dias) e a cultivar BRS GUAMIRIM foi o mais precoce (73 dias). Podese observar que ocorreu diminuição no ciclo, da emergência ao espigamento, na média dos genótipos, à medida que a época de semeadura foi atrasada. Também para o número de dias maturação, foi constatado que ocorreu diminuição no ciclo na média dos genótipos, à medida que a época de semeadura foi atrasada. Os resultados deste experimento validam o período de semeadura preferencial de trigo para o município de Guarapuava, que abrange o período de 11 de junho a 20 de julho. Ficou evidenciada que a estratégia de escalonamento da época de semeadura, em uma mesma propriedade ou mesma região, dentro do período indicado, é importante para diluir os riscos de perdas e consequentemente obter maior estabilidade de rendimento de grãos e de outras variáveis qualitativas. Tabela 1. Rendimento médio de grãos do Ensaio de Épocas de Semeadura em trigo 2009. FAPA, Guarapuava, PR, 2010. -1 Rendimento (kg ha ) Genótipo QUARTZO FUND. 52 CAMPEIRO CD 0684 PF 040310 SAFIRA BRS TANGARÁ BRS PARDELA PF 010066 CD 120 BRS GUAMIRIM CD 105 CD 115 BRS UMBÚ CD 119 BRS GUABIJÚ Média C.V. (%) 1ªÉpoca 2ªÉpoca 3ªÉpoca 4ªÉpoca 5886 5420 5472 5331 5194 5311 5379 4871 5718 4952 4515 4644 4735 4726 4379 4552 C 5068 4,6 6001 5923 6099 6212 6191 5915 5876 5532 6013 5471 5576 5503 5575 5391 5198 4850 B 5708 4,0 6459 6435 6105 6406 6179 6352 6550 6051 5410 5981 6025 5885 6106 5467 5987 5435 A 6052 5,1 5840 6295 6346 5905 5942 5656 5361 5947 5009 5482 5585 5261 4873 5482 5341 4801 B 5570 4,6 Média 6046 a † 6018 a 6005 a 5963 a 5877 ab 5808 abc 5791 abc 5600 bcd 5537 cde 5472 de 5426 de 5323 de 5322 de 5266 e 5226 ef 4909 f 5599 4,6 † Médias seguidas da mesma letra minúscula (coluna) e maiúscula (linha) não diferem entre si pelo teste de Tukey ao nível de 5 % de probabilidade. Tabela 2. Peso do hectolitro médio de grãos do Ensaio de Épocas de Semeadura em trigo, 2009. FAPA, Guarapuava, PR, 2010. -1 Peso do Hectolitro (kg hl ) Genótipo CD 0684 FUND. 52 CD 119 BRS GUABIJÚ CAMPEIRO BRS PARDELA CD 120 SAFIRA BRS GUAMIRIM QUARTZO BRS TANGARÁ CD 115 BRS UMBÚ PF 040310 CD 105 PF 010066 Média C.V. (%) 1ªÉpoca 2ªÉpoca 3ªÉpoca 4ªÉpoca 82,1 82,3 82,1 81,4 81,9 80,6 80,7 82,8 78,6 80,3 80,1 79,9 80,5 77,3 75,4 76,8 A 80,2 1,1 83,4 82,3 82,2 82,0 82,0 81,3 81,3 79,0 81,8 76,8 78,7 77,7 78,2 78,9 76,1 74,3 AB 79,7 1,2 81,2 81,5 79,4 80,3 80,1 80,8 78,8 80,5 79,8 80,7 78,2 78,0 77,8 75,6 77,3 72,5 B 78,9 0,8 80,2 79,0 81,0 80,4 79,9 78,7 80,5 77,1 78,2 76,5 76,1 76,4 75,0 77,0 76,1 69,3 C 77,7 1,9 Média 81,7 a 81,2 ab 81,2 abc 81,0 abcd 81,0 abcd 80,3 bcde 80,3 cde 79,8 de 79,6 ef 78,6 fg 78,3 gh 78,0 gh 77,9 gh 77,2 hi 76,2 i 73,2 j 79,1 1,3 † Médias seguidas da mesma letra minúscula (coluna) e maiúscula (linha) não diferem entre si pelo teste de Tukey ao nível de 5 % de probabilidade. Tabela 3. Dias para espigamento do Ensaio de Épocas de Semeadura em trigo, 2009, FAPA. Guarapuava, PR, 2010. Genótipo PF 010066 BRS UMBÚ SAFIRA QUARTZO CD 115 CD 119 BRS TANGARÁ CD 120 PF 040310 CAMPEIRO FUND. 52 BRS GUABIJÚ CD 105 CD 0684 BRS PARDELA BRS GUAMIRIM Média C.V. (%) 1ªÉpoca 99 95 92 89 85 86 85 84 84 82 82 83 81 80 79 80 A 85,3 1,0 Dias para Espigamento 2ªÉpoca 3ªÉpoca 4ªÉpoca 94 95 91 91 88 85 88 85 76 85 84 77 83 79 75 83 79 73 83 78 73 83 78 73 81 78 73 83 79 71 81 76 72 79 75 71 79 74 73 80 75 70 77 72 68 77 71 65 B 82,8 C 79,0 D 74,0 1,2 1,2 2,1 Média 95 a 90 b 85 c 84 d 80 e 80 e 80 ef 79 ef 79 ef 79 fg 78 gh 77 hi 77 hi 76 i 74 j 73 j 80,3 1,4 † Médias seguidas da mesma letra minúscula (coluna) e maiúscula (linha) não diferem entre si pelo teste de Tukey ao nível de 5 % de probabilidade. Tabela 4. Dias para maturação do Ensaio de Épocas de Semeadura em trigo, 2009, FAPA. Guarapuava, PR, 2010. Genótipo PF 010066 BRS UMBÚ SAFIRA QUARTZO CD 115 CD 119 BRS TANGARÁ CD 120 PF 040310 CAMPEIRO FUND. 52 BRS GUABIJÚ CD 105 CD 0684 BRS PARDELA BRS GUAMIRIM Média C.V. (%) 1ªÉpoca 148 143 143 143 141 141 141 139 139 139 139 139 138 136 138 138 A 140,2 1,1 Dias para Maturação 2ªÉpoca 3ªÉpoca 4ªÉpoca 147 141 133 145 138 131 139 132 120 139 134 127 138 132 124 136 132 120 137 132 121 135 131 119 134 131 119 135 131 118 135 130 118 136 132 120 136 131 119 133 127 117 134 129 117 132 128 117 B 136,7 C 131,9 D 121,2 0,7 0,5 0,7 Média 142 a 139 e 134 d 135 c 134 d 132 ef 133 de 131 fgh 131 gh 131 gh 130 gh 131 efg 131 fg 128 i 130 hi 129 i 132,5 0,8 † Médias seguidas da mesma letra minúscula (coluna) e maiúscula (linha) não diferem entre si pelo teste de Tukey ao nível de 5 % de probabilidade. Tabela 5. Peso de mil sementes do Ensaio de Épocas de Semeadura em Trigo, 2009. FAPA, Guarapuava, PR, 2010. Genótipo BRS TANGARÁ CD 105 BRS GUAMIRIM CD 0684 PF 040310 BRS PARDELA QUARTZO CD 119 BRS GUABIJÚ FUND. 52 CD 115 SAFIRA CAMPEIRO CD 120 BRS UMBÚ PF 010066 Média C.V. (%) 1ªÉpoca 41,1 37,0 38,6 37,5 36,5 35,7 35,9 37,1 34,2 35,0 34,6 34,3 32,9 32,1 33,4 32,8 B 35,5 3,5 2ªÉpoca 47,0 43,1 40,6 40,5 41,1 38,8 38,1 37,7 37,5 36,4 35,8 34,8 35,1 35,9 33,5 33,0 A 38,1 3,4 PMS (g) 3ªÉpoca 43,3 38,8 38,7 37,5 38,0 36,8 36,0 34,7 35,0 34,6 33,6 33,5 32,9 32,8 31,6 29,9 B 35,5 2,0 4ªÉpoca 42,4 36,0 35,7 36,2 35,2 35,2 35,6 32,9 32,7 33,0 32,4 33,3 33,6 32,3 29,4 25,9 C 33,9 3,7 Média 43,4 a 38,7 b 38,4 b 37,9 bc 37,7 bcd 36,6 cde 36,4 de 35,6 ef 34,9 fg 34,7 fg 34,1 gh 34,0 gh 33,6 gh 33,3 hi 32,0 i 30,4 j 35,7 3,2 † Médias seguidas da mesma letra minúscula (coluna), não diferem entre si pelo teste de Tukey ao nível de 5 % de probabilidade. Tabela 6. Altura de plantas do Ensaio de Épocas de Semeadura em Trigo, 2009. FAPA, Guarapuava, PR, 2010. Genótipo BRS TANGARÁ CD 105 BRS GUAMIRIM CD 0684 PF 040310 BRS PARDELA QUARTZO CD 119 BRS GUABIJÚ FUND. 52 CD 115 SAFIRA CAMPEIRO CD 120 BRS UMBÚ PF 010066 Média C.V. (%) 1ªÉpoca 93 90 87 84 85 89 97 95 91 87 92 92 92 93 95 96 AB 91,1 3,4 2ªÉpoca 96 91 84 82 87 89 101 99 95 87 98 96 92 95 97 98 A 93,0 3,1 Altura (cm) 3ªÉpoca 89 89 81 74 84 86 96 96 92 83 87 93 87 91 96 95 B 88,6 2,5 4ªÉpoca 93 91 80 79 89 87 98 96 95 85 93 92 90 94 93 96 AB 90,6 3,5 Média 93 bcd 90 de 83 gh 80 h 86 fg 88 ef 98 a 96 ab 93 bcd 86 fg 93 cd 93 bcd 90 de 93 bcd 95 abc 96 ab 90,8 3,2 † Médias seguidas da mesma letra minúscula (coluna) e maiúscula (linha) não diferem entre si pelo teste de Tukey ao nível de 5 % de probabilidade. Tabela 7. Notas de acamamento do Ensaio de Épocas de Semeadura em trigo, 2009. FAPA. Guarapuava, PR, 2010. Genótipo PF 010066 SAFIRA BRS UMBÚ CD 115 CD 120 BRS TANGARÁ CD 119 CD 105 FUND. 52 CAMPEIRO BRS GUABIJÚ QUARTZO BRS PARDELA BRS GUAMIRIM PF 040310 CD 0684 Média C.V. (%) 1ªÉpoca 4 6 3 4 5 2 4 3 3 4 2 1 2 1 1 1 AB 2,7 44,4 Acamamento 2ªÉpoca 3ªÉpoca 5 7 6 6 3 5 2 3 1 4 1 4 1 3 1 2 2 2 1 4 1 2 1 1 1 2 1 1 0 1 0 0 B 1,7 A 2,8 56,5 31,5 4ªÉpoca 6 3 7 5 2 4 2 4 3 1 1 2 1 2 0 0 AB 2,7 52,2 Média 6a 5a 4 ab 3 bc 3 bcd 3 cd 3 cde 3 cde 2 cde 2 cde 2 def 1 efg 1 efg 1 efg 0 fg 0g 2,5 45,7 † Médias seguidas da mesma letra minúscula (coluna) não diferem entre si pelo teste de Tukey ao nível de 5 % de probabilidade. Tabela 8. Notas de quebramento do Ensaio de Épocas de Semeadura em trigo, 2009. FAPA. Guarapuava, PR, 2010. Genótipo PF 010066 SAFIRA BRS UMBÚ CD 115 CD 120 BRS TANGARÁ CD 119 CD 105 FUND. 52 CAMPEIRO BRS GUABIJÚ QUARTZO BRS PARDELA BRS GUAMIRIM PF 040310 CD 0684 Média C.V. (%) 1ªÉpoca 1 1 0 1 1 1 1 0 1 1 1 1 0 0 0 0 A 0,5 93,7 Quebramento 2ªÉpoca 3ªÉpoca 4ªÉpoca 0 0 0 1 1 1 0 0 0 1 1 0 0 0 0 1 1 0 0 0 0 1 0 1 1 2 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 A 0,4 B 0,2 B 0,2 144,0 192,7 260,2 Média 0d 1 ab 0d 1 abc 0 cd 0 bcd 0d 0 bcd 1a 0d 0d 0d 0d 0d 0d 0d 0,3 147,4 † Médias seguidas da mesma letra minúscula (coluna) e maiúscula (linha) não diferem entre si pelo teste de Tukey ao nível de 5 % de probabilidade. ENSAIO DE CULTIVARES DE TRIGO PARA REGIÃO CENTRO SUL DO PARANÁ 2009 Juliano Luiz de Almeida1 e Marcos Luiz Fostim1. (1) Fundação Agrária de Pesquisa Agropecuária – FAPA, Entre Rios, Guarapuava, PR. 85.139-400 E-mail: [email protected]. O objetivo principal deste ensaio foi avaliar o rendimento de grãos e outras características agronômicas de cultivares de trigo indicadas para a região centro sul do Estado do Paraná. Os locais de condução, as pré-culturas, as datas de semeaduras, as adubações de base e de cobertura do Ensaio Cultivares de Trigo para Região Centro Sul do Paraná estão na tabela 1. O delineamento experimental utilizado foi de blocos ao acaso com quatro repetições. Nos três locais utilizou-se semeadura de parcelas SEMEATO, com seis linhas de cinco m, espaçadas 0,17 m entre si. Foram realizadas quatro aplicações de fungicida nos locais Pinhão e Candói e cinco aplicações no local Guarapuava, em três repetições, utilizando uma vazão de 200 l ha-1. Para a obtenção de rendimento foram colhidas as seis linhas, das três repetições com fungicida. O rendimento médio de grãos está na tabela 2. Um grande número de cultivares está no grupo estatístico superior para rendimento de grãos nas repetições com fungicida. Entretanto, em números absolutos, os destaques são para FUNDACEP 52 (6135 kg ha-1), PF 040310 (6015 kg ha-1), CAMPEIRO (5990 kg ha-1), MIRANTE (5939 kg ha-1), VAQUEANO (5921 kg ha-1), QUARTZO (5865 kg ha-1) e CD 0684 (5684 kg ha-1). Ainda na tabela 2 é interessante observar a coluna com o rendimento médio de grãos sem fungicida. Quanto menor a diferença de rendimento entre as médias com e sem fungicida, menor a resposta da aplicação do produto, provavelmente devido a uma maior resistência das cultivares ás doenças. Na tabela 3 estão as médias de número de dias da emergência ao espigamento e na tabela 4 estão as médias de número de dias da emergência á maturação das repetições com fungicida. Na média de todos os locais, a diferença entre a cultivar mais tardia com a mais precoce foi de 27 dias para espigamento e 17 dias para a maturação, reforçando a importância da adequação de épocas de semeadura por cultivar e dos estudos de época de semeadura. Na tabela 5 são apresentadas as reações à ferrugem da folha dos genótipos participantes neste ensaio. As principais cultivares utilizadas atualmente na região centro sul do Estado do Paraná mostraram potencial semelhante, em relação às novas cultivares indicadas para cultivo. Tabela 1. Locais de condução, pré-cultura, data de semeadura, adubação de base e adubação de cobertura do Ensaio Cultivares de Trigo para Região Centro Sul do Paraná 2009. FAPA, Guarapuava, PR 2010. Local Pré-cultura Data de Adubação base semeadura Adubação cobertura Guarapuava FAPA Soja 13/07/09 250 kg ha 08-30-20 -1 45 kg de N ha Pinhão Faz. Fundo Grande 08/07/09 -1 Soja 300 kg ha 08-30-20 45 kg de N ha Milho 08/07/09 300 kg ha 08-30-20 -1 45 kg de N ha Murakami Faz. Santa Rita -1 -1 -1 Tabela 2. Rendimento médio de grãos do Ensaio Cultivares de Trigo para Região Centro Sul do Paraná 2009. FAPA, Guarapuava, PR 2010. Cultivar FUND 52 PF 040310 CAMPEIRO MIRANTE VAQUEANO QUARTZO CD 0684 MARFIM BRS GUAMIRIM ÔNIX BRS 179 SAFIRA BRS PARDELA FUND 51 BRS LOURO FUND 47 CD 114 CD 105 CD 120 FUND CRISTALINO FUND 40 CD 115 BRS 220 FUND 50 BRS TANGARÁ VALENTE CD 119 IPR 144 BRS 276 BRS 208 BRS GUABIJÚ CD 104 IPR 118 BRS 296 BRS UMBÚ PF 010066 Média C.V. (%) Guarapuava Colônias Guarapuava Murakami Pinhão Média SF † Média CF ‡ 3921 3837 4142 3427 4634 4207 3900 3903 3854 2547 4235 4421 3517 3952 3651 3465 3256 2598 3240 4221 4172 3412 2566 3692 3847 3204 3498 2656 3253 3219 3539 1548 3139 3131 3480 3116 3498 6135 a § 6015 ab 5990 ab 5939 abc 5921 abcd 5865 abcde 5684 abcdef 5624 bcdefg 5606 bcdefg 5567 bcdefgh 5557 bcdefgh 5539 bcdefghi 5536 bcdefghi 5501 cdefghi 5493 cdefghij 5489 cdefghij 5452 defghij 5441 defghij 5434 efghij 5423 efghij 5386 efghij 5329 fghijk 5321 fghijk 5294 fghijk 5285 fghijk 5282 fghijk 5271 fghijk 5151 ghijk 5093 hijk 5074 ijkl 5021 jkl 5019 jkl 4881 kl 4609 lm 4395 m 3734 n 4641 6,8 -1 6405 6366 6546 6294 6293 6186 6354 6092 5979 6295 5333 5821 5881 5424 5815 5529 5552 5932 6236 5583 5471 5400 5665 5453 5578 6266 5243 6109 5037 5223 5248 5896 4598 5014 5258 5068 A 5734 4,9 6545 6291 5962 6156 6011 5850 6047 5659 5794 5737 6054 5624 5442 5836 5445 5559 5918 5384 5606 5563 5848 5639 5337 5612 5343 5216 5461 5225 5307 5137 5305 4944 5077 4790 4414 3666 A 5522 3,9 Kg ha 5454 5387 5463 5367 5458 5560 4649 5121 5045 4668 5282 5172 5283 5242 5220 5377 4886 5008 4459 5122 4838 4947 4960 4816 4933 4364 5109 4120 4934 4863 4508 4216 4969 4022 3513 2469 B 4856 5,9 † Rendimento médio das repetições sem fungicida nos três locais. ‡ Médias de três repetições com fungicida dos três locais. § Médias seguidas pelas mesmas letras não diferem entre si pelo teste de Tukey ao nível de 5 % de probabilidade. Tabela 3. Dias de emergência ao espigamento do Ensaio Cultivares de Trigo para Região Centro Sul do Paraná 2009. FAPA, Guarapuava, PR 2010. Cultivar PF 010066 BRS UMBÚ BRS 296 SAFIRA FUND 50 FUND 51 BRS 276 FUND 47 QUARTZO ÔNIX BRS 179 PF 040310 CAMPEIRO CD 115 FUND CRISTALINO FUND 40 VAQUEANO BRS TANGARÁ BRS LOURO MIRANTE CD 119 BRS GUABIJÚ MARFIM BRS 220 FUND 52 CD 120 BRS 208 IPR 118 CD 104 CD 0684 CD 105 CD 114 IPR 144 VALENTE BRS PARDELA BRS GUAMIRIM Média C.V. (%) Guarapuava Colônias 91 87 77 77 78 77 76 75 76 75 74 71 70 73 73 72 72 72 73 74 72 70 72 70 70 72 71 71 69 69 70 67 68 67 66 65 B 72,8 1,4 Guarapuava Pinhão Murakami Dias para Espigamento 93 88 88 71 81 77 81 77 80 76 78 76 78 75 78 73 78 73 75 74 76 75 78 75 79 74 77 74 76 74 77 73 75 75 75 74 74 74 75 71 76 72 75 75 76 69 75 71 73 73 76 67 72 72 75 68 73 71 72 70 72 68 76 66 72 67 72 65 70 64 67 62 A 76,3 B 72,2 2,0 4,5 Média 91 a 82 b 78 bc 78 cd 78 cde 77 cdef 76 cdefg 76 cdefgh 75 cdefgh 75 cdefghi 75 cdefghi 74 defghi 74 defghi 74 defghi 74 defghij 74 efghij 74 efghij 74 efghijk 74 efghijk 73 fghijkl 73 fghijkl 73 fghijkl 72 ghijklm 72 hijklm 72 hijklmn 72 hijklmn 72 hijklmn 71 ijklmn 71 ijklmn 70 jklmno 70 klmno 70 lmno 69 mno 68 nop 67 po 64 p 73,8 2,9 † Médias seguidas pelas mesmas letras não diferem entre si pelo teste de Tukey ao nível de 5 % de probabilidade. Tabela 4. Dias de emergência a maturação do Ensaio Cultivares de Trigo para Região Centro Sul do Paraná 2009. FAPA, Guarapuava, PR 2010. Cultivar PF 010066 BRS UMBÚ FUND 51 FUND 50 QUARTZO BRS 296 CD 115 FUND 47 FUND 40 BRS TANGARÁ CD 119 SAFIRA MIRANTE BRS 276 BRS 179 BRS LOURO IPR 118 BRS GUABIJÚ PF 040310 FUND CRISTALINO CAMPEIRO BRS 208 VAQUEANO CD 105 ÔNIX FUND 52 BRS 220 BRS PARDELA IPR 144 CD 120 CD 104 VALENTE CD 0684 MARFIM BRS GUAMIRIM CD 114 Média C.V. (%) Guarapuava Colônias 132 128 125 125 126 123 123 121 121 123 121 122 121 123 122 121 120 121 119 120 117 118 119 118 116 117 117 116 115 119 114 116 115 116 115 114 B 119,9 2,5 Guarapuava Pinhão Murakami Dias para Maturação 136 128 133 131 128 120 128 120 127 119 127 120 126 119 127 119 126 118 125 118 125 119 126 116 126 117 124 116 123 118 124 118 125 117 125 115 125 117 124 116 125 118 124 118 123 118 124 116 125 118 122 118 123 117 124 116 124 116 122 113 123 116 122 113 119 115 120 113 120 113 117 113 A 124,6 C 117,6 1,3 2,0 Média 132 a 131 a 124 b 124 b 124 b 123 bcd 123 bcd 122 bcde 122 bcde 122 bcde 122 bcde 121 bcdef 121 bcdef 121 bcdef 121 bcdefg 121 bcdefg 121 bcdefg 121 bcdefg 120 bcdefgh 120 bcdefghi 120 bcdefghi 120 bcdefghi 120 bcdefghi 120 cdefghi 120 cdefghi 119 defghi 119 defghi 118 efghij 118 efghij 118 efghij 117 fghij 117 fghij 117 ghij 116 ghij 116 ij 115 j 120,7 2,0 † Médias seguidas pelas mesmas letras não diferem entre si pelo teste de Tukey ao nível de 5 % de probabilidade. Tabela 5. Reação ferrugem da folha (FF) do Ensaio Cultivares de Trigo para Região Centro Sul do Paraná 2009. FAPA, Guarapuava, PR 2010. Cultivar BRS 179 BRS 208 BRS 220 BRS 276 BRS 296 BRS PARDELA BRS TANGARÁ BRS UMBU BRS GUAMIRIM BRS GUABIJU BRS LOURO PF 010066 PF 040310 IPR 118 IPR 144 ÔNIX SAFIRA QUARTZO MARFIM MIRANTE VAQUEANO VALENTE CAMPEIRO CD 104 CD 105 CD 114 CD 115 CD 119 CD 120 CD 0684 FUND 40 FUND 47 FUND 50 FUND 51 FUND 52 FUND CRISTALINO Guarapuava Colônias 50 90 15 10 2 50 1 1 2 40 100 10 60 40 1 100 60 60 1 49 2 10 55 100 100 10 60 70 60 0 15 30 100 90 65 15 Guarapuava Pinhão Murakami Severidade (%) e Reação mr-ms 15 mr 15 s s 3 mr 10 mr mr 3 mr 90 s mr 2 r 0 0 r 2 r 5 mr mr-ms 20 mr-ms 25 mr r 2 r 3 r r 5 r 2 mr r 3 r 2 mr ms-s 80 s 15 mr-ms s 40 mr-ms 90 s mr 5 mr 4 mr ms-s 20 r-mr 90 s mr-ms 60 ms-s 30 mr mr 3 mr 5 r s 60 s 100 s mr-ms 90 s 85 s ms-s 35 mr-ms 90 s r 1 r 2 r ms-s 50 s 90 s r 2 r 3 mr ms 10 mr 25 mr-ms ms-s 15 mr-ms 70 s s 100 s 100 s s 90 s 100 s mr-ms 20 mr 50 ms-s ms-s 15 mr 5 ms ms-s 10 ms 70 s ms 15 mr-ms 90 s 1 r 30 mr mr 5 mr-ms 5 mr-ms mr-ms 0 0 70 ms s 10 ms-s 60 ms-s s 10 ms 10 ms ms-s 5 s 75 s mr 1 r 20 mr POR QUE NÃO O TRIGO TRANSGÊNICO? UM BREVE RELATO DAS NOVAS BIOTECNOLOGIAS APRESENTADAS NA 8th WHEAT CONFERENCE Juliano Luiz de Almeida1 (1) Fundação Agrária de Pesquisa Agropecuária – FAPA, Entre Rios, Guarapuava, PR. 85.139-400 E-mail: [email protected]. O trigo continua sendo o principal cultivo alimentício do mundo e o segundo mais importante nos países em desenvolvimento depois do arroz. Entretanto o trigo vem perdendo importância devido ao menor incremento de produtividade, menor rentabilidade para o agricultor e ao baixo investimento da iniciativa privada, ocasionada pela alta utilização de semente própria. Não obstante, outros desafios estão surgindo e ressurgindo para o trigo. A produtividade média mundial do trigo em 2008 foi próxima a três toneladas por hectare. A FAO estima que para atingirmos uma produção mundial de 760 milhões de toneladas em 2020 será necessário elevar a produtividade média mundial para quatro toneladas por hectare. E para atingirmos a produção necessária para alimentarmos nove bilhões de pessoas em 2050 será necessário atingirmos uma produtividade média mundial de cinco toneladas por hectare. Para complicar o atendimento desta meta, devemos considerar que as mudanças climáticas têm um potencial de redução de 10 % da produtividade do trigo a cada 1º C de aumento de temperatura anual média além do aumento da taxa de transmissão de doenças e do aumento de severidade do ataque de insetos, bem como aumento da freqüência de eventos extremos como seca e chuvas na colheita, aumentando a ocorrência de germinação na espiga. Devemos também considerar que no futuro a produção agrícola será limitada pela redução de recursos naturais como água, solos, combustíveis fósseis e fósforo. O objetivo deste relato é mostrar alguns trabalhos que foram apresentados durante a “8th Wheat Conference”, realizado em São Petersburgo, Federação Russa, de 1º a 4 de junho de 2010, os quais visam enfrentar os desafios da produção de trigo por meio da utilização de intervenções biotecnológicas. Quais foram os fatos que renovaram os interesses pelo uso das novas biotecnologias em trigo? Com a crise de abastecimento de alimentos de 2008-2009 quando os estoques mundiais de grãos estavam reduzidos e os preços voláteis, ocorreram sinais de renovação do interesse da utilização de novas biotecnologias em trigo. Em 2009 o número de pessoas com fome ultrapassou um bilhão de pessoas pela 1º vez na história da humanidade. Por outro lado existe uma oportunidade limitada de expansão de novas áreas de cultivo a nível global. Trata-se de contexto único na história, pois a demanda crescente de trigo necessita de um aumento anual de 2 % de trigo até 2050. Estas notícias estão aparecendo na grande mídia onde a questão dos transgênicos tem sido discutida. Tem aumentado o número de cultivos e a área de transgênicos no mundo, bem como o desenvolvimento de outros alimentos transgênicos, como trutas e salmão, o que de certa forma contribuí para a aceitação desta biotecnologia pelos consumidores. Outra preocupação é a confirmação das evidências que as mudanças climáticas irão restringir a produtividade de trigo. A biotecnologia da transgenia em trigo terá um importante papel para reduzir os efeitos das mudanças climáticas. Alguns programas de pesquisa, como o da “International Maize and Wheat Improvement Center - Chinese Academy of Agricultural Science”, já estão focando seus objetivos de melhoramento nas mudanças climáticas, onde estratégias de melhoramento convencionais são combinadas com as estratégias biotecnológicas. Novas raças virulentas da ferrugem do colmo e da ferrugem linear, novas pragas, aumento da ocorrência da giberela e da brusone e a redução dos limites de toxinas nos alimentos serão assuntos recorrentes na produção de trigo no futuro próximo. Não menos importante, é o fato que o trigo precisa recuperar sua competitividade com os outros cultivos, em relação à rentabilidade. Está ocorrendo em nível de mundo o aumento da competitividade entre os cultivos alimentícios com os não alimentícios, além de o trigo ter estagnado sua produtividade nos últimos 10 anos. O milho e a soja estão “empurrando” o trigo para áreas marginais nos EUA. Já no Brasil o milho safrinha substituiu as lavouras de trigo em parte do Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo, em áreas onde a baixa freqüência de geadas fortes permite o cultivo deste cereal de inverno. Desta forma, para o trigo se tornar mais atraente para a iniciativa privada, os programas de melhoramento provavelmente combinarão o desenvolvimento de cultivares híbridas com as novas biotecnologias, dentre elas a transgenia, com a finalidade de aproveitar o alto potencial de tecnificação do trigo. Desta forma os agricultores terão que comprar sementes a cada safra e os investidores nas novas biotecnologias terão o retorno do capital investido. Quais são as iniciativas na área da biotecnologia que estão sendo tomadas? São várias, dentre elas o ”The International Wheat Genome Sequencing Consortium”. Trata-se de um esforço internacional (com 56 membros em 16 países) coordenado, público-privado, para seqüenciar o genoma do trigo e para criar uma plataforma para acelerar o melhoramento do trigo. O desafio deste consórcio é a produção sustentável e consistente de suprimentos de alimento, ração e produtos não alimentícios oriundos do trigo e tem como objetivo fornecer aos melhoristas, agrônomos e indústrias as ferramentas e tecnologias que já existem para os outros cultivos. Para 2010, este consórcio já terá mapa para localização de QTL (locus de caracteres quantitativos), em 2015 terá uma quantidade limitada de MAS (seleção assistida com marcadores) e em 2020 será viável a seleção genotípica para a maioria dos caracteres desejados. Outro importante consórcio é entre o CIMMYT e a Syngenta. Trata-se de uma aliança pública privada, estabelecida em abril de 2010, com o objetivo de avançar na pesquisa do trigo, por meio de intervenções biotecnológicas, dentre elas a transgenia. Mais recentemente outro consórcio, denominado por “Hybrid Wheat Consortium” está sendo formado com a liderança da empresa BASF. O grupo está aceitando parceiros para trabalhar ou investir. Os líderes deste consórcio têm destacado que sem os acréscimos de inovações e adições de valores, o cultivo do trigo se tornará cada vez menos interessante para o agricultor. Eles advertem que atualmente não estão ocorrendo muitos investimentos em trigo, pois a utilização de sementes próprias é alta e o trigo não dá retorno para as empresas que investem nesta cultura. Foi mencionado a máxima “The money flows to where it doubles”. Atualmente a melhoria da produtividade, a partir do esforço do melhoramento, é restringida pela baixa rentabilidade da operação de um programa de melhoramento convencional. Desta forma, este grupo acredita que com a utilização da biotecnologia da transgenia em trigo, a produção de trigos híbridos será mais efetiva, viabilizando desta forma o retorno econômico dos investimentos em programas de melhoramento. Não menos importante é o “Wheat Yield Potential Consortium”, cuja proposta é a de utilizar a biotecnologia para interferir na fotossíntese do trigo. Este consórcio atua em caracteres que aumentam o suprimento de CO2, para melhor competir com o processo de respiração, bem como atuam no RUBISCO, resultando em plantas de trigo fotossinteticamente mais eficientes. É interessante observar que a maioria destes consórcios é caracterizada pela volta do interesse pelo desenvolvimento de cultivares de trigo híbrido, pois híbridos tem maior potencial de aumento de produtividade e estabilidade, maior tolerância aos estresses, bem como tem a possibilidade de atrair investimentos de empresas privadas e fundos de investimento. Quais são os caracteres potenciais para transformação do trigo? Os caracteres alvo para transformação em trigo são: resistência/tolerância à seca; resistência/tolerância à germinação na espiga; resistência aos herbicidas; resistência às doenças como ferrugens, manchas, fusarium e viroses, com possível uso de genes de seqüência de vírus, quitinase e proteínas antifúngicas; resistência aos insetos com possível uso de lectinas (proteínas tóxicas) que se ligam a quitina dos insetos e inibidores de proteinase; qualidade nutricional, principalmente Zn, Fe e proteínas, digestão do ácido fítico, alta amilose, glucanas e tolerância às alergias com possível uso de genes promotores (phy A) e supressores (SBEIIa e b); qualidade panificação via subunidades de gluteninas; produtividade - nº grãos, peso de grãos, afilhos, resistência ao acamamento, vigor híbrido, apomixia, controle da vernalização, com possível uso de genes ADP-glucose pyrophophorylase para amido, gene homeotic APETALA2 para fonte dreno, gene do arroz MOC1 para afilhos, genes para hormônios de nanismo, modificar de C3 para C4, atuação no RUBISCO ou respiração noturna (melhorar a eficiência fotossintética), macho esterilidade e interferência do RNA. Menciono alguns exemplos de trigos transgênicos que serão ilustrados na apresentação, dentre eles: pesquisadores chineses (Na Dong et al., 2010) estão inserindo o gene TaPIEP1 em plantas de trigo para conferir resistência aos fungos Bipolaris sorokiniana e Rhizoctonia cerealis. Ming Chena et al., 2007 e Zhong-hu He, 2010, estão inserindo o gene da soja GmDREB2, que confere tolerância à seca e à alta concentração de sais em cultivos, inclusive em trigo. Outro exemplo é o desenvolvimento de Faccio P. e outros, 2010, do INTA, Argentina. Este grupo inseriu gene antimicrobiano snakin-1 oriundo de Solanum chacoense e batata. O gene snakin1 produz proteínas anti-fúngicas presentes nos tubérculos da batata. Os trigos com este gene apresentam menor número de colônias de oídio, quando comparado ao mesmo trigo sem este gene. Quais são os possíveis entraves da utilização do trigo transgênico? A aceitação do trigo transgênico é um dos principais entraves, pois os mercados para este tipo de grãos ainda estão fechados. Quem iniciar o cultivo de trigo transgênico por primeiro vai perder mercado? Será que os consumidores farão oposição a esta nova tecnologia? Como os grãos do trigo transgênico serão consumidos diretamente, os produtos oriundos podem não ser aceitos, pois o trigo é uma fonte de alimento culturalmente e religiosamente sensível. Provavelmente será necessário viabilizar um sistema de segregação de grãos de trigo transgênico. Será necessária a rotulagem em todos os países produtores e exportadores de trigo? No Brasil a rotulagem é obrigatória. Outro entrave é o tamanho do genoma do trigo (10 a 20 vezes maior que o genoma do algodão ou arroz), sendo a transformação neste cereal mais complexa e lenta. Além da transformação, as linhagens de trigo transgênicas devem ser retrocruzadas com as cultivares adaptadas localmente. O tempo de descoberta de um caractere, ou evento, até sua comercialização no milho é de quatro a seis anos e no trigo será de 10 a 20 anos. Como a lavoura de trigo tem um baixo valor comercial quando comparado com algodão, arroz e soja, será que a transformação da planta de trigo será economicamente viável? A oposição ao trigo transgênico já esta atuando. Organizações como a CBAN (WWW.cban.ca/globalstopGMwheat) e o Greenpeace estão coordenando uma nova ação global contra o trigo transgênico. Os sites destas organizações divulgam as seguintes notícias, entre outras: “Janeiro 27 2010: União Européia e Japão se opõem ao trigo transgênico.”; “O preço do trigo nos EUA poderá cair 40 % ou mais se os esforços da indústria para desenvolver o trigo transgênico forem sucedidos.” Embora o trigo continue sendo o principal cultivo alimentício do mundo vem perdendo importância devido ao menor incremento de produtividade, menor rentabilidade para o agricultor e baixo investimento da iniciativa privada devido à alta utilização de semente própria. Embora bem mais atrasado do que o milho e a soja, a biotecnologia está sendo implementada em trigo por meio do seqüenciamento do genona, seleção assistida com marcadores (MAS), seleção genotípica, duplos haplóides e transgenia. Com o implemento da biotecnologia em trigo, diversas novas oportunidades vão aparecer e embora o público tenha receio de novas tecnologias, o trigo transgênico será lançado em alguns países daqui três a cinco anos. Enfim, a biotecnologia em trigo está se tornando em uma realidade e será fundamental para viabilizar a demanda crescente de trigo, em condições de produção ainda incertas! Finalmente destaca-se que ser contra o trigo transgênico faz parte da natureza humana! Nós do setor produtivo e da pesquisa temos que nos posicionar, resolver e esclarecer estes questionamentos. Referências bibliográficas Almeida, J.L de; Silva, G. S. P. Predicting cookie wheat germplasm performance. 8th INTERNATIONAL WHEAT CONFERENCE ABSTRACTS of oral and poster presentations. 1–4 June 2010 St. Petersburg, Rússia. P.511. Cornes, D. Advancing wheat through integrated technology in partnerships. Concluding Plenary Session 8: Global wheat research initiatives and international cooperation. 1–4 June 2010 St. Petersburg, Rússia. Eversole, K. The international wheat genome sequencing consortium (IWGSC): a genome sequence based platform to accelerate wheat improvement. 8th INTERNATIONAL WHEAT CONFERENCE ABSTRACTS of oral and poster presentations. 1–4 June 2010 St. Petersburg, Rússia. P.419. Faccio P.; Vázquez-Rovere C.; Hopp E., González G.; Décima C.; Favret E.; Díaz Paleo A.; Franzone P. Increased tolerance to wheat powdery mildew by heterologous constitutive expression of Solanum chacoense snakin-1 gene. 8th INTERNATIONAL WHEAT CONFERENCE ABSTRACTS of oral and poster presentations. 1–4 June 2010 St. Petersburg, Rússia. P.210. Ming Chena, Qiao-Yan Wanga, Xian-Guo Chengb, Zhao-Shi Xua, Lian-Cheng Lia, Xing-Guo Yea, Lan-Qin Xiaa and You-Zhi Ma. GmDREB2, a soybean DRE-binding transcription factor, conferred drought and high-salt tolerance in transgenic plants. Biochemical and Biophysical Research Communications Vol. 353, Issue 2, 9 Feb 2007, P. 299-305. FAO Statistics, 2010 – Project wheat demand by 2050. www.fao.com. Na Dong; Xin Liu; Yan Lu; LiPu Du; Huijun Xu; Hongxia Liu; Zhiyong Xin and Zengyan Zhang. Overexpression of TaPIEP1, a pathogen-induced ERF gene of wheat, confers host-enhanced resistance to fungal pathogen Bipolaris sorokiniana. Functional & Integrative Genomics. Springer Berlin / Heidelberg. Vol. 10. Number 2, May 2010. Peidu Chen; Xiue Wang; Shengwei Chen; Chunfang You; Linsheng Wang; Qingping Zhang; Suling Wang; Yigao Feng; Shouzhong Zhang; Dajun Liu. Transfer and utilization of alien disease resistance genes in wheat improvement through the development of alien chromosome translocation lines. 8th INTERNATIONAL WHEAT CONFERENCE ABSTRACTS of oral and poster presentations. 1–4 June 2010 St. Petersburg, Rússia. P.76. Zhong-hu He. Breeding wheat varieties under climate changing conditions in China. International Maize and Wheat Improvement Center Chinese Academy of Agricultural Science. Climate Change Panel Discussion – Impact on farmers today and implications for strategic wheat research for the future. 1–4 June 2010 St. Petersburg, Rússia. Van Gastel, A. Hybrid Wheat Consortium. Concluding Plenary Session 8: Global wheat research initiatives and international co-operation. 1–4 June 2010 St. Petersburg, Rússia. QUALIDADE TECNOLÓGICA DAS CULTIVARES DE TRIGO DA EMBRAPA INDICADAS PARA SEMEADURA NO RIO GRANDE DO SUL E EM SANTA CATARINA EM 2010 Eliana Maria Guarienti1, Martha Zavariz de Miranda1, Márcio Só e Silva1, Pedro Luiz Scheeren1, Eduardo Caierão1, Luiz Eichelberger1 e Alfredo Nascimento Junior1 1 Embrapa Trigo – Rodovia BR 285, km 294, Caixa Postal 451, Passo Fundo, RS. [email protected]. No ano de 2009 estiveram em indicação para cultivo no RS e SC, 21 cultivares de trigo da Embrapa. Em alguns casos, a mesma cultivar de trigo semeada no RS e SC apresenta qualidade panificativa inferior, quando comparada com o desempenho obtido no Paraná, isto se deve ao efeito do ambiente sobre a cultivar. As amostras foram avaliadas no período de 1991 a 2009, no Laboratório de Qualidade de Grãos da Embrapa Trigo. Foram realizadas análises dos seguintes parâmetros indicativos de qualidade tecnológica de trigo: peso do hectolitro, índice de dureza do grão, número de queda e alveografia (força de glúten – W; extensibilidade – L, tenacidade – P; relação entre a tenacidade e a extensibilidade – P/L; índice de intumescimento – G e índice de elasticidade – Ie). As cultivares de trigo são classificadas em classes comerciais de acordo com a Instrução Normativa (IN) no 7, de 15 de agosto de 2001, do Ministério da Agricultura e do Abastecimento (MAA), denominada “Regulamento Técnico de Identidade e de Qualidade do Trigo”, em Trigo Brando, Trigo Pão, Trigo Melhorador, Trigo para Outros Usos e Trigo Durum (Tabela 1). Na Tabela 2 são apresentados os resultados médios dos testes de qualidade tecnológica de amostras das 22 cultivares de trigo da Embrapa indicadas para semeadura no RS e em SC em 2010. Também são apresentados o número de amostras analisadas e o percentual de amostras enquadradas em cada classe comercial. Foram encontrados valores de peso do hectolitro, iguais ou superiores a 78 kg/hl para: BRS 194, BRS 220, BRS 229, BRS 248, BRS 276, BRS 296, BRS 327, BRS Buriti, BRS Guabiju e BRS Louro. Quanto à classificação preliminar do índice de dureza, uma cultivar (BRS 249) foi classificada como possuindo grão extra-duro; duas cultivares com grão muito duro (BRS 220, BRS 277); dez cultivares, grão duro (BRS 208, BRS 229, BRS 248, BRS 276, BRS 296, BRS Buriti, BRS Guabijú, BRS Guamirim, BRS Timbaúva e Trigo BR 18); quatro cultivares, semiduro (BRS 179, BRS Camboatá, BRS Tarumã e BRS Umbu) e cinco cultivares, semimole (BRS 177, BRS 194, BRS 327, BRS Louro e Trigo BR 23). Várias amostras individuais apresentaram número de queda inferior a 200 segundos, valor este que classifica o trigo como “Trigo para Outros Usos”, de acordo com a IN no 7, de 2001. Isto se deve a problemas de germinação em pré-colheita, que aumentam a atividade da enzima alfa-amilase, diminuindo consequentemente, os valores de número de queda. Somente as cultivares BRS 177, BRS 277, BRS Tarumã e BRS Umbu (sendo as três últimas, cultivares de ciclo tardio e/ou de duplo propósito, respectivamente), não apresentaram nenhuma amostra com germinação na espiga. Das 22 cultivares de trigo da Embrapa, o parâmetro alveográfico "W" (força de glúten) médio, para a cultivar BRS Guabiju foi superior a 290 x 10-4 J, indicada para uso na fabricação de massas e panificação industrial; para sete cultivares, BRS 208, BRS 220, BRS 229, BRS 249, BRS 327, BRS Guamirim e Trigo BR 18-Terena) esteve na faixa de 220 a 289 x 10-4 J, para uso em panificação em geral; para nove cultivares (BRS 194, BRS 248, BRS 276, BRS 277, BRS 296, BRS Camboatá, BRS Tarumã, BRS Timbaúva e BRS Umbu) situou-se entre 160 e 219 x 10-4 J, podendo ser usada para panificação doméstica; para três cultivares (BRS 177, BRS 179 e BRS Buriti) situou-se entre 130 e 159 x 10-4 J e para duas cultivares (BRS Louro e Trigo BR 23) foi inferior a 129 x 10-4 J, sendo indicada para produção de bolos e biscoitos doces. Os valores de tenacidade (P) da alveografia, recomendados para fabricação de bolachas e biscoitos, iguais ou inferiores a 55 mm, foram obtidos nas cultivares BRS 177, BRS 277, BRS Buriti, BRS Louro e Trigo BR 23, enquanto que valores de extensibilidade (L) recomendados para fabricação de bolachas e biscoitos, mínimo de 70 mm, foram obtidos na maioria das cultivares, excetuando-se BRS 179 e BRS Louro. A relação P/L foi balanceada (0,5 a 1,2) em quase todos os genótipos, excetuando-se BRS 249, considerado tenaz. Pelos valores de índice de elasticidade (Ie), estão indicados para panificação (Ie entre 50 e 58%), BRS 194, BRS 220, BRS 229, BRS 327, BRS Guabiju, BRS Tarumã, BRS Umbu e Trigo BR 18-Terena. Na Tabela 3, as 22 cultivares de trigo foram classificadas comercialmente, sendo dez classificadas como Trigo Pão, indicada para uso em panificação, massas alimentícias, biscoitos cracker, uso doméstico e em mesclas, e 12 cultivares como Trigo Brando, indicada para bolos, biscoitos doces, produtos de confeitaria, pizzas, massas frescas, uso doméstico e em mescla com trigo mais forte para panificação e/ ou uso doméstico. A cultivar BRS Louro foi classificada como Trigo Brando, mas apresentou também elevada porcentagem de amostras na classe Trigo para Outros Usos. Isto ocorreu devido a baixa força de glúten de 12 amostras (20% do total de amostras). Tendo em vista que a classe estima a aptidão tecnológica da cultivar de trigo, quando cultivada em condições adequadas, esta não garante absolutamente o mesmo enquadramento para um lote comercial, cujo desempenho dependerá de condições de clima, de solo, de tratos culturais, de secagem, de armazenagem, específicos. Algumas cultivares de trigo da Embrapa apresentaram características tecnológicas desejadas para determinado uso final. Isto aponta para a necessidade de constante atuação das equipes de melhoramento genético na identificação de materiais que possuam as características tecnológicas mais próximas às requeridas pelas indústrias alimentícias, de acordo com a especificação para os produtos finais. Tabela 1 - Classificação do Trigo segundo a Instrução Normativa no 7, de 15 de agosto de 2001, do MAA. CLASSE COMERCIAL Trigo Brando Trigo Pão Trigo Melhorador Trigo para Outros Usos Trigo Durum ALVEOGRAFIA -4 (10 J) mínimo 50 180 300 Qualquer --- NÚMERO DE QUEDA (segundos) mínimo 200 200 250 <200 250 Tabela 2 - Qualidade tecnológica de cultivares de trigo da Embrapa, indicadas para semeadura no RS e/ou SC em 2010. Embrapa Trigo, Passo Fundo - RS, 2010. CULTIVAR N°A 1 PH2 ID3 CL4 NQ5 ALVEOGRAFIA6 W P L P/L G CLASSE COMERCIAL7 Ie %M %P %B %OU 95 76 37 SM 371 154 53 84 0,72 19,9 48,8 1 20 79 0 BRS 177 128 77 49 SD 344 136 63 65 1,03 17,7 40,7 0 16 83 1 BRS 179 126 78 39 SM 362 187 71 75 1,08 19,0 51,2 4 44 50 2 BRS 194 87 76 78 D 339 229 81 96 0,88 21,7 47,0 10 60 16 14 BRS 208 20 78 84 MD 313 234 72 104 0,72 22,6 51,9 10 55 25 10 BRS 220 34 75 D 378 267 75 109 0,72 23,1 57,1 29 62 6 3 BRS 229* 81 23 80 76 D 311 215 74 100 0,83 22,0 49,4 9 61 13 17 BRS 248* 17 77 93 ED 321 249 106 71 1,63 18,6 47,5 18 59 6 18 BRS 249* 63 102 0,67 22,3 42,7 0 43 51 6 51 78 70 D 364 174 BRS 276 19 76 85 MD 385 169 53 116 0,48 23,9 46,6 5 37 58 0 BRS 277** 48 78 78 D 399 185 73 83 0,94 20,1 45,7 2 46 50 2 BRS 296 57 79 42 SM 348 224 81 82 1,07 20,0 53,5 14 54 25 7 BRS 327*** 42 79 69 D 365 149 50 98 0,57 21,8 46,8 0 21 74 5 BRS Buriti 64 89 0,74 20,9 43,4 0 32 60 8 62 77 55 SD 321 168 BRS Camboatá 49 71 D 330 296 79 118 0,73 23,9 56,9 43 43 6,1 8 BRS Guabiju 78 87 74 D 354 233 80 111 0,74 23,3 44,6 20 48 16 16 BRS Guamirim 77 69 78 41 SM 275 77 41 65 0,70 17,6 30,9 0 3 57 41 BRS Louro 15 76 62 SD 354 212 66 98 0,68 22,0 53,7 7 73 20 0 BRS Tarumã 59 77 72 D 329 209 79 91 0,97 21,0 45,8 2 24 54 20 BRS Timbaúva 29 77 47 SD 330 182 57 107 0,55 22,9 51,2 0 52 48 0 BRS Umbu 68 D 275 233 60 110 0,57 22,9 51,2 14 42 19 26 Trigo BR 18-Terena 118 73 Trigo BR 23 350 75 43 SM 322 117 50 73 0,74 18,7 35,4 0 9 79 12 1 N° de amostras analisadas; 2Peso do hectolitro (kg/hl); 3Índice de dureza do grão (SKCS); 4Classificação preliminar do ID: > 90 = extraduro (ED); 81-90= muito duro (MD); 65-80= duro (D); 45-64= semiduro (SD); 35-44= semimole (SM); 25-34= mole (M); 10-24= muito mole (MM); ID < 10= extramole (EM); 4Classificação da dureza; 5Número de queda (s); 6 W: Força de glúten, (x 10-4 J); P: Tenacidade, (mm); P/L: Relação entre a tenacidade e a extensibilidade; L: Extensibilidade (mm). 7B: Trigo Brando; P: Trigo Pão, M: Trigo Melhorador e OU: Trigo para Outros usos (de acordo com a IN n° 7 de 15/08/2001, do MAPA). *Somente dad os do PR. **Inclui três dados do PR. ***Lançamento em 2010. O enquadramento (%) representa a aptidão tecnológica, não significando que a cultivar será enquadrada sempre na mesma classe comercial, devido ao efeito do ambiente sobre esta característica. Tabela 3. Classificação comercial de cultivares de trigo da Embrapa, indicadas para semeadura em 2010, nas regiões 1, 2 e 3 do RS e 4 e 5, em SC. CULTIVAR CLASSE COMERCIAL BRS 177 Trigo Brando BRS 179 Trigo Brando BRS 194 Trigo Brando BRS 208 Trigo Pão BRS 220 Trigo Pão BRS 229 Trigo Pão BRS 248* Trigo Pão BRS 249* Trigo Pão BRS 276 Trigo Brando BRS 277 Trigo Brando BRS 296 Trigo Brando BRS 327** Trigo Pão BRS Buriti Trigo Brando BRS Camboatá Trigo Brando BRS Guabiju Trigo Pão BRS Guamirim Trigo Pão BRS Louro Trigo Brando BRS Tarumã Trigo Pão BRS Timbaúva Trigo Brando BRS Umbu Trigo Brando Trigo BR 18-Terena Trigo Pão Trigo BR 23 Trigo Brando * Classificação preliminar (dados somente do Paraná). **Lançamento em 2010. QUALIDADE TECNOLÓGICA DE CULTIVARES DE TRIGO DA EMBRAPA INDICADAS PARA SEMEADURA NO PARANÁ NA SAFRA 2010 Martha Zavariz de Miranda1, Eliana Maria Guarienti1, Manoel Carlos Bassoi2, Pedro Luiz Scheeren1, Márcio Só e Silva1 e Eduardo Caierão1 1 Embrapa Trigo – Rodovia BR 285, km 294, Caixa Postal 451, Passo Fundo, RS. [email protected]; 2 Embrapa Soja - Rodovia Carlos João Strass, Acesso Orlando Amaral, Caixa Postal 231, CEP 86001-970 Londrina, PR. Os dados de qualidade tecnológica e a indicação de uso final (pães, massas alimentícias, biscoitos etc.) podem orientar a produção, a armazenagem e a comercialização de trigo. Neste resumo é apresentada a aptidão tecnológica das cultivares de trigo da Embrapa, indicadas para cultivo no Paraná em 2010, tendo sido acrescentados dados de qualidade de amostras da safra 2009, que destacaram-se pelo elevado número de amostras de trigo germinado devido a ocorrência de chuvas em pré-colheita. Amostras representativas de cultivares de trigo da Embrapa oriundas de diferentes ensaios conduzidos nas regiões tritícolas 1, 2 e 3 do Paraná, foram avaliadas quanto à qualidade tecnológica, no Laboratório de Qualidade de Grãos da Embrapa Trigo, no período de 1992 a 2010. Não se considerou os ensaios de 1998, devido a estes terem sido perdidos por excesso de chuva na maturação. Das demais safras foram informados todos os dados, incluindo as amostras que sofreram germinação em pré-colheita. Foram realizadas análises de avaliação da qualidade tecnológica, segundo métodos da American (2000): alveografia, pelo método 54-30A (onde: W= força de glúten; P= tenacidade; L= extensibilidade; P/L= relação tenacidade/extensibilidade; G= índice de intumescimento, Ie= índice de elasticidade); número de queda (NQ), pelo método 56-81B; moagem experimental (EXT), pelo método 26-10A; peso do hectolitro (PH), pelo método 55-10; índice de dureza do grão(ID), pelo método 55-31 (sistema de caracterização individual da semente, SKCS). Também foram determinados: peso de mil sementes (PMS), por pesagem em balança semi-analítica; cor da farinha, em colorímetro Minolta (onde: L*= luminosidade, a* e b*= coordenadas de cromaticidade). A classificação comercial de acordo com a Instrução Normativa no 7, de 15 de agosto de 2001, do Ministério da Agricultura e do Abastecimento (Brasil, 2001), que permanecerá em vigor até 30 de junho de 2011, baseia-se nos valores de força de glúten (W), da alveografia, expressa em x 10-4 J e do número de queda (NQ), expresso em segundos. Os valores de W e NQ para a classificação comercial em Trigo Brando, Trigo Pão, Trigo Melhorador e Trigo para Outros Usos, conforme a legislação, é mostrada na Tabela 1, que inclui também sugestões de uso. A distribuição em classes comerciais (%) representa a aptidão tecnológica, não significando que a cultivar será enquadrada sempre na mesma classe, devido ao efeito do ambiente sobre esta característica. O desempenho da cultivar depende, também, de condições de manejo, de clima, de solo, de tratos culturais, de secagem, de armazenagem, entre outros, que afetam a qualidade tecnológica do trigo, o que pode afetar o enquadramento da cultivar. Quando o trigo não se encaixar como Trigo Brando, Trigo Pão ou Trigo Melhorador, em virtude de, por exemplo, problemas climáticos, como chuva na maturação ou na época de colheita, ocasionando germinação na espiga, é denominado Trigo para Outros Usos, podendo ser usado para alimentação animal, uso industrial, mescla com trigo não germinado e com glúten mais forte. Dependendo do grau de germinação, pode ainda ser usado na produção de biscoitos doces e bolos. Na Tabela 2, são apresentadas as 23 cultivares de trigo da Embrapa indicadas para cultivo no Paraná em 2010, distribuídas em classes comerciais, o ano de lançamento e as regiões indicadas para cultivo. Essas apresentaram resultados de parâmetros de qualidade tecnológica variando numa ampla faixa de valores, o que possibilita a indicação para diferentes usos finais. Podem ser observados na Tabela 2, valores médios de PH iguais ou superiores a 78 kg/hL e valores de PMS superiores a 33 g para 12 cultivares de trigo. Quanto ao ID, foi encontrado valor superior a 90 (grão extra-duro) para a cultivar BRS 249; valores entre 81 e 90 (grão muito duro) para 10 cultivares; de 65 a 80 (grão duro) para quatro; de 45 a 64 (grão semi-duro) para quatro e de 35 a 44 (grão semi-mole) para quatro. Os melhores rendimentos médios de farinha (> 60%) foram encontrados para as cultivares Trigo BR 18-Terena e BRS 229. Farinha de cor mais branca (L* ≥ 93, a* ≤ 0,1 e b* < 8,0) foi obtida para as cultivares BRS 177, BRS 179, BRS Umbu, BRS Louro, BRS Tarumã e BRS 327, enquanto que farinha com coloração amarelada (b* > 12) foi encontrada na farinha de trigo da cultivar BRS 220. Como pode ser observado na Tabela 3, o valor médio de força de glúten (W), foi igual ou superior a 300 x 10-4 J para cinco cultivares, BRS 210, BRS Guabijú, BRS Guamirim, BRS Pardela e BRS Tangará, que também apresentaram índice de elasticidade (Ie) superior a 50%; para 10 cultivares, o valor de W ficou entre 220 e 299 x 10-4 J, BRS 194, BRS 208, BRS 220, BRS 229, BRS 249, BRS 276, BRS 296, BRS Tarumã, BRS Timbaúva e Trigo BR-18 Terena e para cinco, W inferior a 220 x 10-4 J, BRS 177, BRS 179, BRS 248, BRS 277, BRS Camboatá, BRS Louro e BRS Umbu. A maior parte das cultivares apresentou relação P/L balanceada (0,5-1,2), com exceção do BRS 249 (tenaz). Várias amostras individuais apresentaram NQ inferior a 200 segundos. Isto se deve ao aumento da atividade da enzima alfa-amilase devido à germinação em pré-colheita. Das 23 cultivares de trigo indicadas para cultivo no Paraná, quatro são da classe Trigo Melhorador (17%), 14 da classe Trigo Pão (61%) e cinco da classe Trigo Brando (22%), abrangendo, portanto, faixas de uso para diferentes produtos finais. Contudo, somente com maior proximidade da indústria, sinalizando especificações de qualidade tecnológica que está buscando para seus produtos finais, é que o programa de melhoramento genético poderá direcionar melhor suas pesquisas, a fim de atender adequadamente as demandas de mercado. Referências Bibliográficas AMERICAN ASSOCIATION OF CEREAL CHEMISTS. Approved methods. 10 ed. Saint Paul, 2000. BRASIL. Ministério da Agricultura e do Abastecimento. Instrução Normativa no 7, de 15 de agosto de 2001. Norma de identidade e qualidade do trigo. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 21 ago. 2001. Seção 1, n. 160-E, p. 3335. Tabela 1. Classificação de trigo segundo legislação do MAA1, e sugestões de uso. 1 Classe comercial 2 (alveografia, W e número de queda) Trigo Melhorador -4 (mín. 300 x 10 J e 250 s) Trigo Pão -4 (mín. 180 x 10 J e 200 s) Trigo Brando -4 (mín. 50 x 10 J e 200 s) Trigo para Outros Usos (qualquer W e < 200 s) Uso sugerido Massas alimentícias secas, biscoitos cracker, panificação industrial, mescla com trigo brando ou mais fraco para panificação Panificação em geral, massas alimentícias, biscoitos cracker, uso doméstico e em mesclas Bolos, biscoitos doces, produtos de confeitaria, pizzas, massa caseira fresca, em mescla com trigo mais forte para panificação e/ ou uso doméstico Alimentação animal, uso industrial (revestimento de papel, adesivo, madeiras decorativas, detergentes, madeira compensada, produção de etanol), mescla com trigo mais forte para elaboração de biscoitos Fonte: 1Adaptado de Brasil, 2001; 2W= força de glúten. Tabela 2. Resultados médios de peso do hectolitro, peso de mil sementes, dureza do grão, extração experimental e cor de farinha, para cultivares de trigo da Embrapa indicadas para cultivo no Paraná em 2010. Embrapa Trigo, Passo Fundo - RS, 2010. CULTIVAR AA1 PH2 (kg/hl) PMS3 (g) ID4 EXT5 (%) L*6 a*7 b*7 BRS 177 55 77 31,0 39 57 96 0,07 5,44 BRS 179 21 78 35,4 49 50 95 -0,15 6,55 BRS 194 32 79 37,1 35 52 95 0,09 6,55 BRS 208 328 80 37,7 82 58 93 0,16 9,68 BRS 210 93 76 35,6 87 56 92 0,34 9,61 BRS 220 196 80 36,2 87 57 92 -0,62 12,99 BRS 229 34 81 31,6 75 60 93 -0,20 9,87 BRS 248 23 80 33,5 76 53 94 -0,47 10,37 BRS 249 17 77 34,0 93 50 92 0,21 10,02 BRS 276 11 76 31,5 82 57 93 -0,01 9,30 BRS 2778 17 76 27,8 85 59 93 -0,35 11,41 BRS 296 11 75 31,5 83 56 92 0,17 10,30 8 77 40,6 50 46 94 -0,04 6,96 BRS 3279 BRS Camboatá 26 77 29,0 56 46 94 -0,35 8,75 BRS Guabijú 24 79 31,8 84 57 93 0,32 8,91 BRS Guamirim 16 79 34,5 80 55 93 0,09 8,88 BRS Louro 24 78 32,1 37 52 95 -0,01 6,41 BRS Pardela 76 80 34,5 87 57 93 0,29 9,05 BRS Tangará 77 80 39,2 82 58 92 -0,17 11,84 BRS Tarumã 6 75 28,0 63 55 94 0,07 6,99 BRS Timbaúva 22 79 30,9 90 55 93 0,21 9,37 BRS Umbu 6 78 32,4 37 51 96 -0,12 5,64 Trigo BR 18-Terena 219 79 41,7 75 64 93 0,42 8,46 Dados de análises do Laboratório de Qualidade da Embrapa Trigo, de 1992 a 2010 - ensaios nas regiões tritícolas do PR. 1Número de amostras analisadas; 2Peso do hectolitro; 3Peso de mil sementes; 4Índice de dureza-SKCS: ID > 90= extra duro (ED); 81-90= muito duro (MD); 65-80= duro (D); 45-64= semi-duro (SD); 35-44= semi-mole (SM); 25-34= mole (M); 10-24= muito mole (MM); ID < 10= extra mole (EM); 5Taxa de extração de farinha ou rendimento de moagem; Cor-Minolta: 6L*= luminosidade. L*= 100 (branco total); L*= 0 (preto total); 7a* e 7b*= coordenadas de cromaticidade. 8 Inclui dados do RS (12) e de SC (2). 9Lançamento em 2010. Tabela 3. Distribuição e classificação comercial de cultivares de trigo da Embrapa para cultivo no Paraná em 2010, conforme parâmetros da legislação vigente, ano de lançamento e regiões de cultivo. Embrapa Trigo, Passo Fundo, RS, 2010. ALVEOGRAFIA Distribuição (%) CLASSE NQ8 ANO REGIÃO W 2 P3 L4 P/L5 G6 Ie7 M9 P10 B11 OU12 COMERCIAL BRS 177 55 193 54 104 0,54 22,5 51,1 344 4 45 49 2 T. Brando 1999 1 e 215 BRS 179 21 168 70 78 0,95 19,5 47,4 349 0 38 62 0 T. Brando 1999 1 BRS 194 32 230 78 81 1,01 20,2 56,0 331 22 47 25 6 T. Pão 2005 1 e 2 BRS 208 328 278 86 111 0,85 23,3 49,6 333 33 45 2 21 T. Pão 2001 1, 2 e 3 BRS 210 93 315 95 106 0,95 22,8 50,7 373 59 31 1 9 T.Melhorador 2002 2 e 3 8 12 T. Pão 2003 1, 2 e 3 BRS 220 196 264 83 96 0,95 21,6 52,5 356 33 47 BRS 229 34 267 75 109 0,72 23,1 57,1 378 29 62 6 3 T. Pão 2004 1, 2 e 3 BRS 248 23 215 74 100 0,83 22,0 49,4 311 9 61 13 17 T. Pão 2005 1, 2 e 3 6 18 T. Pão 2005 1, 2 e 3 BRS 249 17 249 106 71 1,63 18,6 47,5 321 18 59 BRS 276 11 268 78 111 0,71 23,3 52,6 336 27 55 0 18 T. Pão 2008 1 e 2 BRS 27713 17 176 55 112 0,50 23,5 47,5 378 6 41 53 0 T. Brando 2008 2 e 2 BRS 296 11 259 88 93 1,02 21,3 52,8 392 18 73 9 0 T. Pão 2009 1, 2 e 3 14 8 299 90 97 0,96 21,8 59,2 298 50 50 0 0 T. Pão 2010 1 e 2 BRS 327 BRS Camboatá 26 215 75 92 0,88 21,2 50,9 326 0 65 19 15 T. Pão 2005 1 e 2 BRS Guabijú 24 394 95 117 0,85 24,0 64,0 366 83 8 0 8 T.Melhorador 2003 2 e 2 0 19 T. Pão 2006 3 e 2 BRS Guamirim 16 300 85 129 0,71 25,2 51,4 306 50 31 BRS Louro 24 110 48 83 0,63 20,1 39,8 220 0 8 42 50 T. Brando 2005 1 e 2 BRS Pardela 76 333 101 90 1,20 21,0 61,2 319 54 28 1 17 T.Melhorador 2007 1, 2 e 3 BRS Tangará 77 300 96 97 1,06 21,8 55,6 398 34 51 1 14 T.Melhorador 2007 1, 2 e 3 BRS Tarumã 6 211 67 102 0,67 22,4 53,5 371 0 67 33 0 T. Pão 2004 1 BRS Timbaúva 22 241 83 101 0,90 22,2 47,2 314 18 45 9 27 T. Pão 2005 1 e 2 BRS Umbu 6 182 56 112 0,52 23,5 51,4 286 17 50 17 17 T. Brando 2004 1 Trigo BR 18-Terena 219 271 65 113 0,61 24,1 55,4 309 29 48 6 17 T. Pão 1986 1, 2 e 3 Dados de análises do Laboratório de Qualidade da Embrapa Trigo, de 1992 a 2010 - ensaios nas regiões tritícolas do PR. 1Número de amostras analisadas. 2W: Força de glúten, (x 10-4 J); 3P: Tenacidade, (mm); 4L: Extensibilidade (mm). 5 P/L: Relação PL; 6G: Índice de intumescimento; 7Ie: Índice de elasticidade (%); 8Número de queda (s); 9M: Trigo Melhorador, 10P: Trigo Pão, 11B: Trigo Brando e 12OU: Trigo para Outros usos. 13Inclui dados do RS (12) e de SC (2). 14 Lançamento em 2010. 15Acima de 500 m de altitude. CULTIVAR AA1 IAC 380 CULTIVAR DE TRIGO MELHORADOR Felicio, J.C.1-;Camargo,C.E.O.1-; Ferreira Filho, A.W.P.1-; Reco, P.C.2-; Ramos Junior, E.U.2-; (1) Instituto Agronômico (IAC), Caixa Postal 28, 13012-970 Campinas [email protected]., (2)DDD/APTA/SAA. Com apoio financeiro da FAPESP. (SP) A maioria dos fatores que condicionam a qualidade do trigo é hereditária. O melhorista, ao selecionar um cultivar espera que a qualidade seja a expressão das características genéticas, embora saibam que as condições climáticas, a fertilidade do solo e as técnicas de cultivo também a influenciam. Assim sendo, num mesmo cultivar, o grau de qualidade pode variar entre amostras colhidas em diferentes ambientes. A qualidade do trigo depende, sobretudo, das proteínas que estão ligadas ao patrimônio genético, as quais podem sofrer variações causadas pelos fatores citados (Mandarino, 1993). Os maiores desafios ao melhoramento genético para resistência à ferrugem da folha do trigo são a reprodução contínua e a variabilidade do patógeno de acordo com BRAMMER ET AL. (2000). Para avaliar o comportamento da cultivar IAC 380 quanto ao rendimento de grãos, reações ás doenças, adaptabilidade e estabilidade e a qualidade industrial para a panificação, foram conduzidos experimentos no Estado de São Paulo de 2004/2006 nas condições de sequeiro (Capão Bonito e Itapeva) e com irrigação por aspersão (Paranapanema e Taquarituba) de acordo com as informações técnicas da Comissão Centro-Sul Brasileira de Pesquisa de Trigo e Triticale para a Safra 2005 (Londrina,2005). Os experimentos foram semeados no delineamento estatístico de blocos ao acaso, com quatro repetições por local e 15 genótipos (tratamentos). Cada parcela constou de oito linhas de 3,0 m de comprimento, com espaçamento de 0,15 m, entre si, com separação lateral de 0,60 m entre as parcelas. Procedeu-se à semeadura com 80 sementes viáveis por metro de sulco e a colheita foi em área total das parcelas, ou seja, 3,6 m2. A adubação mineral foi feita a lanço antes da semeadura e, posteriormente, incorporadas ao solo. As quantidades de fertilizantes aplicadas nos diferentes locais basearam-se nas tabelas de adubação e calagem do Instituto Agronômico (RAIJ et al.,1996). Nos experimentos irrigados, adotou-se o método proposto por SILVA et al. (1984), que consiste em uma irrigação de 40-60 mm após a semeadura, com a finalidade de umedecer o solo, bem como na instalação de tensiômetros em pontos diferentes, à profundidade de 12 cm. As irrigações complementares foram realizadas quando a média das leituras dos tensiômetros indicava 0,6 atm e a lâmina líquida aplicada determinada por meio da evaporação no tanque classe A, nos intervalos das irrigações. A Ferrugem-da-folha (Puccinia triticina) foi avaliada após o florescimento das plantas (estádio de crescimento 11.2 na escala de Large, 1954), por meio da escala modificada de COBB empregada no "International Spring Wheat Rust Nursery", utilizada por SCHRAMM et al.(1974). As manchas foliares infectadas por Bipolaris sorokiniana, Drechslera tritici repentis e nas espigas Pyricularia grisea e Giberella zeae foram avaliadas em cada parcela em dois períodos: no final do florescimento (grãos estádio aquoso) e grãos no estádio de massa, em condições naturais de infecção, empregando-se a metodologia proposta por MEHTA (1978), que consiste na seguinte escala: de 0 a 99% de área infectada; zero é considerado imune; 1 a 5% resistentes; 6 a 25% moderadamente resistentes; 26 a 50 moderadamente suscetíveis, e 51 a 99% suscetíveis. A cultivar IAC 380 Saira foi desenvolvida a partir do cruzamento RL6010/5*INIA66//IAC24/IAC287 realizado em Campinas (1994) pelo programa de melhoramento genético de trigo, recebendo o no.H.18237. O método de melhoramento genético utilizado foi o Genealógico, onde se selecionaram espigas individuais por planta nas gerações F a F . Em F a linha avançada foi avaliada em experimentos preliminares de linhagens e posteriormente em ensaios avançados, sendo avaliada em ensaios avançados de VCU, no Estado de São Paulo na Região 11, doravante denominada Região 2 – Moderadamente quente, Úmida e Baixa. Na tabela 1 encontram-se os rendimentos médios de grãos em kg.ha-1 da cultivar IAC 380 Saira e das testemunhas IAC 24 (T.1) e IAC 370 (T.2) de 2004 a 2006. Nas localidades de Capão Bonito e Itapeva nas condições de sequeiro, a média de superioridade no rendimento da nova cultivar considerando o triênio foi de 2.903 kg.ha-1 e as testemunhas apresentaram rendimento médio de 2.677 kg.ha-1. Na tabela 2 em condições de irrigação por aspersão nas localidades de Paranapanema e Taquarituba, a média de superioridade foi de 3.713. kg.ha-1 para a cultivar Saira em relação aos 2.973 kg.ha-1 das testemunhas. Existiu variabilidade entre as localidades. A nova cultivar alem de apresentar bom potencial de rendimento de grãos nas condições de cultivo de sequeiro e irrigado por aspersão, possuindo as seguintes características agronômicas: porte baixo (80 a 85 cm), moderadamente resistente ao acamamento, suscetível ao crestamento, resistente a ferrugem da folha e com moderada resistência as manchas foliares causadas por helmintosporiose e a brusone, resistente a debulha natural e a germinação na espiga, de ciclo médio de125 a 130 dias da germinação a colheita. A qualidade tecnológica da farinha e classificada como trigo pão de acordo com a Instrução Normativa no 7 do MARA de 2001 apresentando as seguintes características: Alveógrafo W de 290 a 320 x 10-4 J, estabilidade 12,8 relação P/L 0,58 e resistência Max. a 135’ 342 e extensibilidade 135’ 203. Ano de Lançamento 2008 referencia RNC 23299 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AACC. American Association of Cereal Chemists. Approved methods, 9 ed. Saint Paul – United States.; AA, 1995. BAMMER, S. P; BARCELLOS, A; MORAES-FERNANDES, M.I.B.; MILACH, S.C. K. Bases Genéticas da Resistência Durável a Ferrugem da folha do trigo e Estratégias Biotecnológicas para o Melhoramento no Brasil. Fitopatol. Brás. V.25 n.1: 5-20, 2000 LARGE, E.C. Growth stages in cereals. Illustration of the Feekes Scale. Plant Pathol., London, 3:128-129. 1954. LONDRINA, Reunião da Comissão Centro-Sul Brasileira de Pesquisa de Trigo e Triticale: (20.: 2005: Londrina,PR) Sistema de Produção/EMBRAPA Soja,n.7. Mandarino, J.M.G. Aspectos importantes para a qualidade do trigo. Londrina: EMBRAPA-CNPSOJA, 1993. 32p. (EMBRAP-CNPASOJA. Documentos, 60). METHA, Y.R. Doenças de trigo e seu controle. São Paulo, Agronômica Ceres, 190p., 1978. (ceres, 20) PIMENTEL-COMES, F. Curso de estatística experimental 4.ed.ver.ampl. Piracicaba, Nobel, 1970. 430p. RAIJ, B. van; CANTARELLA, H; QUAGGIO, J.A. & FURLANI, A.M.C. Recomendações de adubaçãoe calagem para o Estado de São Paulo. Campinas,Instituto Agronômico/Fundação IAC, 1996. 285p. ( Boletim técnico, 100). SCHRAMM, W.; FULCO, W.S.; SOARES, M.H.C. & ALMEIDA, A.M.P. Resistência de cultivares de trigo em experimentação ou cultivo no Rio Grande do Sul: às principais doenças fúngicas. Agronomia Sul-riograndense. Porto Alegre, 10 (1): 31-39, 1974. SILVA, E.M.; LUCHIARI JUNIOR, A.; GUERRA, A.F. & GOMIDE, R.L. Recomendações sobre o manejo de irrigação em trigo para a região dos cerrados. In: REUNIÃO DA COMISSÃO NORTE BRASILEIRA DE PESQUISA DE TRIGO, 10.,Campinas, 1984. Ata. Brasília,EMBRAPA-CPAC,1984.60p. Tabela 1 - Rendimento de grãos do cultivar de trigo IAC 380 Saíra em relação às testemunhas IAC 24 (T1) e IAC 370 (T2) para a Região Homogênea de Adaptação II nas condições de sequeiro nas localidades de Capão Bonito e Itapeva, no Estado de São Paulo 2004 C.B. Itap. Cultivar kg/ha kg/ha IAC 380 1869 T1 IAC 24 2006 2005 Média Média C.B. Itap. Média Média C.B. Itap. kg/ha kg/ha kg/ha kg/ha kg/ha kg/ha kg/ha (kg/ha) 3559 2714 2680 2371 2525 3375 3687 3531 2923 109 2764 2760 2762 2652 2323 2487 3232 2916 3074 T2 IAC 370 2090 2826 2458 3323 2149 2736 3239 1857 2548 TM 2427 2793 2610 2987 2236 2611 3235 2386 2811 2677 100 CV % 10,22 10,87 9,44 15,25 10,61 10,07 % TM - Média das testemunhas, por local. C.B. = Capão Bonito; Itap. = Itapeva. Tabela 2 - Rendimento de grãos do cultivar de trigo IAC 380 Saíra em relação às testemunhas IAC 24 (T1) e IAC 370 (T2) para a Região Homogênea de Adaptação II nas condições de irrigação nas localidades de Paranapanema e Taquarituba, no Estado de São Paulo 2004 2006 2005 PP Taq. Média PP Taq. Média PP Taq. Média Média Cultivar kg/ha kg/ha kg/ha kg/ha kg/ha kg/ha kg/ha kg/ha kg/ha kg/ha % IAC 380 3510 4507 4008 2555 2517 2536 4146 5045 4595 3713 125 T1 IAC 24 3729 4351 4040 2066 1309 1687 3010 3319 3164 T2 IAC 370 3166 4132 3649 2069 1288 1678 3559 3691 3625 TM 3447 4241 3844 2067 1298 1682 3284 3505 3394 2973 100 CV % 8,41 9,64 17,17 14,16 17,37 8,89 TM - Média das testemunhas, por local. PP = Paranapanema; Taq. = Taquarituba. IAC 381 NOVO CULTIVAR DE TRIGO Felicio, J.C.1-;Camargo,C.E.O.1-; Ferreira Filho, A.W.P.1-; Reco, P.C.2-; Ramos Junior, E.U.2-; (1) Instituto Agronômico (IAC), Caixa Postal 28, 13012-970 Campinas [email protected]., (2)DDD/APTA/SAA. Com apoio financeiro da FAPESP. (SP) De acordo com SILVA (1966), os métodos de criação de variedades resistentes às ferrugens estão bem estudados e desenvolvidos.É reconhecido que a resistência é uma interação entre fatores genéticos do hospedeiro e os patógenos. É necessário pois, para realizar o melhoramento conhecer a patogenicidade da população do organismo causador da doença e procurar posteriormente incorporar ao hospedeiro resistência a doença. O problema fica complexo porque a patogenicidade da população do organismo não é estática, sofrendo modificações de dois tipos: na freqüência dos vários tipos de patogenicidade e a ocorrência de novos tipos. A patogenicidade de um organismo é controlada por genes que condicionam a virulência ou avirulência, e a hereditariedade desses genes tem sido provada ser mendeliana, encontrando-se em muitos casos relações simples e fáceis de serem interpretada ao se cruzarem "strains" de diferentes patogenicidades. Portanto, a patogenicidade da população depende da freqüência dos genes nela contidos ou do aparecimento de novos genes por mutação. Os maiores desafios ao melhoramento genético para resistência à ferrugem da folha do trigo são a reprodução contínua e a variabilidade do patógeno de acordo com BRAMMER ET AL. (2000). Para avaliar o comportamento da cultivar IAC 381 quanto ao rendimento de grãos, reações ás doenças, adaptabilidade e estabilidade e a qualidade industrial para a panificação, foram conduzidos experimentos no Estado de São Paulo de 2004/2006 nas condições de sequeiro (Capão Bonito e Itapeva) e com irrigação por aspersão (Paranapanema e Taquarituba) de acordo com as informações técnicas da Comissão Centro-Sul Brasileira de Pesquisa de Trigo e Triticale para a Safra 2005 (Londrina,2005). Os experimentos foram semeados no delineamento estatístico de blocos ao acaso, com quatro repetições por local e 15 genótipos (tratamentos). Cada parcela constou de oito linhas de 3,0 m de comprimento, com espaçamento de 0,15 m, entre si, com separação lateral de 0,60 m entre as parcelas. Procedeu-se à semeadura com 80 sementes viáveis por metro de sulco e a colheita foi em área total das parcelas, ou seja, 3,6 m2. A adubação mineral foi feita a lanço antes da semeadura e, posteriormente, incorporadas ao solo. As quantidades de fertilizantes aplicadas nos diferentes locais basearam-se nas tabelas de adubação e calagem do Instituto Agronômico (RAIJ et al.,1996). Nos experimentos irrigados, adotou-se o método proposto por SILVA et al. (1984), que consiste em uma irrigação de 40-60 mm após a semeadura, com a finalidade de umedecer o solo, bem como na instalação de tensiômetros em pontos diferentes, à profundidade de 12 cm. As irrigações complementares foram realizadas quando a média das leituras dos tensiômetros indicava 0,6 atm e a lâmina líquida aplicada determinada por meio da evaporação no tanque classe A, nos intervalos das irrigações. A Ferrugem-da-folha (Puccinia triticina) foi avaliada após o florescimento das plantas (estádio de crescimento 11.2 na escala de Large, 1954), por meio da escala modificada de COBB empregada no "International Spring Wheat Rust Nursery", utilizada por SCHRAMM et al.(1974). As manchas foliares infectadas por Bipolaris sorokiniana, Drechslera tritici repentis e nas espigas Pyricularia grisea e Giberella zeae foram avaliadas em cada parcela em dois períodos: no final do florescimento (grãos estádio aquoso) e grãos no estádio de massa, em condições naturais de infecção, empregando-se a metodologia proposta por MEHTA (1978), que consiste na seguinte escala: de 0 a 99% de área infectada; zero é considerado imune; 1 a 5% resistentes; 6 a 25% moderadamente resistentes; 26 a 50 moderadamente suscetíveis, e 51 a 99% suscetíveis. A cultivar IAC 381 Kuara foi desenvolvida a partir do cruzamento CMH 75.A66/SERI/3/BH1146//AA"S"/WIN"S" realizado em Campinas (1994) pelo programa de melhoramento genético de trigo, recebendo o n.H.18301. O método de melhoramento genético utilizado foi o Genealógico, onde se selecionaram espigas individuais por planta nas gerações F a F . Em F a linha avançada foi avaliada em experimentos preliminares de linhagens e posteriormente em ensaios avançados, sendo avaliada em ensaios avançados de VCU, no Estado de São Paulo na Região 11, doravante denominada Região 2 – Moderadamente quente, Úmida e Baixa. Na tabela 1 encontram-se os rendimentos médios de grãos em kg.ha-1 da cultivar IAC 381 Kuara e das testemunhas IAC 24 (T.1) e IAC 370 (T.2) de 2004 a 2006. Nas localidades de Capão Bonito e Itapeva nas condições de sequeiro, a média de superioridade no rendimento da nova cultivar considerando os três anos avaliados foi de grãos 3.388 kg.ha-1 contra o rendimento médio de 2.677 kg.ha-1, das testemunhas. Nas condições de irrigação por aspersão nas localidades de Paranapanema e Taquarituba, a média de superioridade foi de 3.768. kg.ha-1 para a cultivar Kuara em relação aos 2.973 kg.ha-1 das testemunhas. Existiu variabilidade entre as localidades. A nova cultivar alem de apresentar bom potencial de rendimento de grãos nas condições de cultivo de sequeiro e irrigado por aspersão, possuindo as seguintes características agronômicas: porte baixo (85 a 95 cm), moderadamente resistente ao acamamento, moderada resistência ao crestamento, resistente a ferrugem da folha e com moderada resistência as manchas foliares causadas por helmintosporiose e a brusone, resistente a debulha natural e a germinação na espiga, de ciclo médio de125 a 130 dias da germinação a colheita. A qualidade tecnológica da farinha e classificada como trigo pão de acordo com a Instrução Normativa no 7 do MARA de 2001 apresentando as seguintes características: Alveógrafo W de 290 a 320 x 10-4 J, estabilidade 9,7 relação P/L 0,86. Ano de Lançamento 2008 referencia 23300 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AACC. American Association of Cereal Chemists. Approved methods, 9 ed. Saint Paul – United States.; AA, 1995. BAMMER, S. P; BARCELLOS, A; MORAES-FERNANDES, M.I.B.; MILACH, S.C. K. Bases Genéticas da Resistência Durável a Ferrugem da folha do trigo e Estratégias Biotecnológicas para o Melhoramento no Brasil. Fitopatol. Brás. V.25 n.1: 5-20, 2000 LARGE, E.C. Growth stages in cereals. Illustration of the Feekes Scale. Plant Pathol., London, 3:128-129. 1954. LONDRINA, Reunião da Comissão Centro-Sul Brasileira de Pesquisa de Trigo e Triticale: (20.: 2005: Londrina,PR) Sistema de Produção/EMBRAPA Soja,n.7. METHA, Y.R. Doenças de trigo e seu controle. São Paulo, Agronômica Ceres, 190p., 1978. (ceres, 20) PIMENTEL-COMES, F. Curso de estatística experimental 4.ed.ver.ampl. Piracicaba, Nobel, 1970. 430p. RAIJ, B. van; CANTARELLA, H; QUAGGIO, J.A. & FURLANI, A.M.C. Recomendações de adubação e calagem para o Estado de São Paulo. Campinas,Instituto Agronômico/Fundação IAC, 1996. 285p. ( Boletim técnico, 100). SCHRAMM, W.; FULCO, W.S.; SOARES, M.H.C. & ALMEIDA, A.M.P. Resistência de cultivares de trigo em experimentação ou cultivo no Rio Grande do Sul: às principais doenças fúngicas. Agronomia Sul-riograndense. Porto Alegre, 10 (1): 31-39, 1974. SILVA, A. R. Melhoramento das variedades de trigo destinadas às diferentes regiões do Brasil. Rio de Janeiro, Ministério da Agricultura, 82p. 1966. (Estudos Técnicos, 33) SILVA, E.M.; LUCHIARI JUNIOR, A.; GUERRA, A.F. & GOMIDE, R.L. Recomendações sobre o manejo de irrigação em trigo para a região dos cerrados. In: REUNIÃO DA COMISSÃO NORTE BRASILEIRA DE PESQUISA DE TRIGO, 10.,Campinas, 1984. Ata. Brasília,EMBRAPA-CPAC,1984.60p. Tabela 1 - Rendimento de grãos do cultivar de trigo IAC 381 Kuara em relação às testemunhas IAC 24 (T1) e IAC 370 (T2) para a Região Homogênea de Adaptação II nas condições de sequeiro nas localidades de Capão Bonito (C.B.) e Itapeva (Itap.), no Estado de São Paulo 2004 C. B. Itap. 2006 2005 Média C. B.. Itap. Média C.B. Itap. Média Média Cultivar kg/ha kg/ha kg/ha kg/ha kg/ha kg/ha kg/ha kg/ha kg/ha kg/ha % IAC 381 2753 4062 3407 3153 2493 2823 3844 4024 3934 3388 127 T1 IAC 24 2674 2760 2762 2652 2323 2487 3232 2916 3074 T2 IAC 370 2090 2826 2458 3323 2419 2736 3239 1857 2548 TM 2427 2793 2610 2987 2236 2611 3235 2386 2811 2677 100 CV % 10,22 10,87 9,44 15,25 10,61 10,07 TM - Média das testemunhas, por local. Tabela 2 - Rendimentos de grãos do cultivar de trigo IAC 381 Kuara em relação às testemunhas IAC 24 (T1) e IAC 370 (T2) para a Região Homogênea de Adaptação de VCU II nas condições de irrigação nas localidades de Paranapanema (PP) e Taquarituba (Taq.), no Estado de São Paulo 2004 PP Taq. 2006 2005 Média PP Taq. PP Taq. Media Média Cultivar kg/ha kg/ha kg/ha kg/ha kg/ha kg/ha kg/ha kg/ha kg/ha kg/ha % IAC 381 4246 4351 4298 2968 2350 2659 4052 4644 4348 3768 127 T1 IAC 24 3729 4351 4040 2066 1309 1687 3010 3319 3164 T2 IAC 370 3166 4132 3649 2069 1288 1678 3559 3691 3265 TM 3447 4241 3844 2067 1298 1682 3284 3505 3394 2973 100 CV % 8,41 9,64 17,17 14,16 17,37 9,59 TM - Média das testemunhas, por local. AVALIAÇÃO DE GENÓTIPOS DE TRIGO NO ESTADO DE SÃO PAULO EM 2009 Felicio, J.C.1-;Camargo,C.E.O.1-; Ferreira Filho, A.W.P.1-; Reco, P.C.2-; Ramos Junior, E.U.2-; Salvo, S.3-; Grando,V.3-; Heezen,A.M.4(1) Instituto Agronômico (IAC), Caixa Postal 28, 13012-970 Campinas [email protected]., (2)DDD/APTA/SAA, (3)Bayer CropScience, (4)DSMM/CATI. (SP) E remotíssima a origem do trigo. O homem cultiva o Triticum vulgar, pelo menos, há seis mil anos, no início triturando-o entre pedras rústicas, para aproveitar a farinha. Foram encontrados grãos de trigo nos jazigos de múmias do Egito, nas ruínas das habitações lacustres da Suíça e nos tijolos da pirâmide de Dashur, cuja construção data de mais de três mil anos antes de Cristo (ABITRIGO, 2003). A brusone do trigo é uma doença que ocorre em vários países do mundo, mas é no Brasil que mais tem sido associada com perdas econômicas importantes. A sua ocorrência foi registrada em nosso país em 1986, em alguns locais, como o sudoeste da Ásia, já havia sido observada há muitos anos. A doença provoca queda de rendimento e qualidade de grãos, deixando-os enrugados, pequenos, deformados e com baixo peso específico. A ausência de cultivares resistente a essa doença e a maior preocupação da triticultura nacional, outro fator e a baixa eficiência que os fungicidas vêm demonstrando para o controle da doença, que muitas vezes tem a sua ação prejudicada por condições ambientais. Atualmente, os fungicidas se constituem importante ferramenta para estabilizar a produtividade de trigo em regiões com alto impacto de doenças fúngicas (PICININI & FERNANDES, 2000) Para avaliar o comportamento das cultivares e dos genótipos de trigo quanto ao rendimento de grãos, reações ás doenças, adaptabilidade e estabilidade e a qualidade industrial para a panificação, foram conduzidos experimentos no Estado de São Paulo em 2009 com irrigação por aspersão, nas seguintes localidades: Manduri (Zona A) e Paranapanema (Zona C) e nas condições de sequeiro em Capão Bonito e Itapeva (Zona B) de acordo com as informações técnicas da Comissão Centro-Sul Brasileira de Pesquisa de Trigo e Triticale para a Safra 2005 (Londrina,2005). Os experimentos foram semeados no delineamento estatístico de blocos ao acaso, com quatro repetições por local e 20 genótipos (tratamentos). Cada parcela constou de oito linhas de 3,0 m de comprimento, com espaçamento de 0,15 m, entre si, com separação lateral de 0,60 m entre as parcelas. Procedeu-se à semeadura com 80 sementes viáveis por metro de sulco e a colheita foi em área total das parcelas, ou seja, 3,6 m2. Sendo a 1a e 2a repetições sem tratamento com o fungicida na 3a e 4a repetições. A adubação mineral foi feita a lanço antes da semeadura e, posteriormente, incorporadas ao solo. As quantidades de fertilizantes aplicadas nos diferentes locais basearam-se nas tabelas de adubação e calagem do Instituto Agronômico (RAIJ et al.,1996). Nos experimentos irrigados, adotou-se o método proposto por SILVA et al. (1984), que consiste em uma irrigação de 40-60 mm após a semeadura, com a finalidade de umedecer o solo, bem como na instalação de tensiômetros em pontos diferentes, à profundidade de 12 cm. As irrigações complementares foram realizadas quando a média das leituras dos tensiômetros indicava 0,6 atm e a lâmina líquida aplicada determinada por meio da evaporação no tanque classe A, nos intervalos das irrigações. Foram realizadas duas aplicações do fungicida Nativo na base de 750 ml/ha: a 1a aplicação foi realizada de acordo com a escala de FEEKES (1940), modificada por LARGE (1954) no estádio 10.1 (primeiras espigas apenas visíveis) e à 2a aplicação foi realizada no estádio 10.3 (metade do processo de espigamento) Realizou-se a avaliação de rendimentos de grãos pesando, em gramas, a produção total de cada parcela, a qual foi transformada para quilograma/hectare, para a comparação das médias utilizou-se o teste de Duncan, de acordo com PIMENTELGOMES (1970). A Ferrugem-da-folha (Puccinia triticina) foi avaliada após o florescimento das plantas (estádio de crescimento 11.2 na escala de Large, 1954), por meio da escala modificada de COBB empregada no "International Spring Wheat Rust Nursery", utilizada por SCHRAMM et al.(1974). As manchas foliares infectadas por Bipolaris sorokiniana, Drechslera tritici repentis e nas espigas Pyricularia grisea e Giberella zeae foram avaliadas em cada parcela em dois períodos: no final do florescimento (grãos estádio aquoso) e grãos no estádio de massa, em condições naturais de infecção, empregando-se a metodologia proposta por MEHTA (1978), que consiste na seguinte escala: de 0 a 99% de área infectada; zero é considerado imune; 1 a 5% resistentes; 6 a 25% moderadamente resistentes; 26 a 50 moderadamente suscetíveis, e 51 a 99% suscetíveis. Nas Tabelas 1, 2 e 3 encontram-se os rendimentos médios de grãos em kg.ha-1 e o resumo das análises da variância conjunta dos experimentos (cultivares de trigo em cultivo e novos genótipos) avaliados nas diferentes regiões tritícolas de VCU II e III no Estado de S.Paulo em 2009. A analise da variância Tabela 1 apresentou efeito significativo (P>0,01) para genótipo, tratamento com fungicida (Fox 500 ml/ha) e CV 15,89%, portanto, revela o comportamento diferencial das cultivares no ambientes de Capão Bonito quanto ao tratamento com fungicida e do fungicida Fox em relação as doenças ocorrente. Destacaram para rendimento de grãos sem a presença do fungicida os genótipos: IAC 350, IAC 375, IAC 378, IAC 381, IAC 384 e IAC 289 e para as parcelas protegidas oiac 375,IAC 381 e IAC 387. O melhor ganho em rendimento com a aplicação do fungicida foi do IAC 387 1612 kg.ha-1. A analise da variância Tabela 2 apresentou efeito significativo (P>0,05) para genótipo, tratamento com fungicida (Nativo 1000 ml/ha) foi significativo (P>o,01) e CV 17,77%, portanto, revela o comportamento diferencial das cultivares no ambientes avaliado quanto ao tratamento com fungicida e do fungicida Nativo em relação as doenças ocorrente. Em Itapeva (Tabela 2) os melhores rendimentos médios de grãos sem proteção do fungicida foram obitidos nos cultivares IAC 381 e IAC 386 e com a aplicação de fungicida o IAC 289 nas condições de sequeiro desta localidade. Destacaram para ganho em rendimento de grãos com a proteção do fungida Nativo em comparação a parcela não protegida foram o IAC 370, IAC 373 e IAC 384. A analise da variância Tabela 3 apresentou efeito significativo (P>0,01) para genótipo e tratamento com fungicida (Fox 500 ml/ha e Nativo 750 ml/ha) e CV 21,31%, o comportamento diferencial das cultivares no ambientes de Manduri foi altamente influenciado pelas condições climáticas locais apresentando alta incidência de doenças principalmente a brusone. A cultivar IAC 375 apresentou melhor rendimento de grãos nos tratamentos com e sem fungicida e resposta ao uso da proteção contra doenças. A diferença na incidência das doenças de um local para outro foi altamente considerada, provavelmente tenha influenciado para esta incidência, a época de semeadura, a altitude de cada local e a suscetibilidade da cultivar a doenças influenciadas pelas condições climáticas anormal do período invernal. A incidência da ferrugem da folha (%), ocorreu em todas as regiões tritícolas paulista mas em baixa intensidade. A ocorrência das manchas foliares causadas por Bipolaris sorokiniana e Drechslera tritici repentis foram generalizadas, principalmente após as precipitações pluviais que ocorreram no final do mês de julho favorecendo estas doenças. O controle das Manchas foliares não foi eficiente, mesmo sendo o fungicida aplicado preventivamente (três aplicações) no intervalo de 12 dias, a brusone e a giberela seguiram o mesmo padrão de ocorrência das manchas foliares. Verificouse quando do aumento da dosagem do fungicida um melhor controle das doenças. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS CAMARGO, C.E.O; FELICIO, J.C.; FERREIRA FILHO, A.W.P. Variedades de trigo para o Estado de São Paulo. Campinas, Instituto Agronômico, 20p. 1996. (Boletim técnico, 163) LARGE, E.C. Growth stages in cereals. Illustration of the Feekes Scale. Plant Pathol., London, 3:128-129. 1954. Reunião da Comissão Centro-Sul Brasileira de Pesquisa de Trigo e Triticale: (20.: 2005: Londrina,PR) Sistema de Produção/EMBRAPA Soja,n.7. METHA, Y.R. Doenças de trigo e seu controle. São Paulo, Agronômica Ceres, 190p., 1978. (ceres, 20) PIMENTEL-COMES, F. Curso de estatística experimental 4.ed.ver.ampl. Piracicaba, Nobel, 1970. 430p. PICININI,E.C.& FERNANDES, J.M.C. Controle das Doenças de Trigo. In CUNHA, G.R. & BACALTCHUK, B., Org. Tecnologia para produzir trigo no Rio Grande do Sul, Porto Alegre: Assembléia Legislativa. Comissão de Agricultura, Pecuária e Cooperativismo/ Passo Fundo: Embrapa Trigo 2000, p.225/253. RAIJ, B. van; CANTARELLA, H; QUAGGIO, J.A. & FURLANI, A.M.C. Recomendações de adubação e calagem para o Estado de São Paulo. Campinas,Instituto Agronômico/Fundação IAC, 1996. 285p. ( Boletim técnico, 100). ROSSI, R.M.; NEVES, M.F Estratégia para o trigo no Brasil. Editora Altas, p224,São Paulo, 2004. SCHRAMM, W.; FULCO, W.S.; SOARES, M.H.C. & ALMEIDA, A.M.P. Resistência de cultivares de trigo em experimentação ou cultivo no Rio Grande do Sul: às principais doenças fúngicas. Agronomia Sul-riograndense. Porto Alegre, 10 (1): 31-39, 1974. SILVA, A. R. Melhoramento das variedades de trigo destinadas às diferentes regiões do Brasil. Rio de Janeiro, Ministério da Agricultura, 82p. 1966. (Estudos Técnicos, 33) SILVA, E.M.; LUCHIARI JUNIOR, A.; GUERRA, A.F. & GOMIDE, R.L. Recomendações sobre o manejo de irrigação em trigo para a região dos cerrados. In: REUNIÃO DA COMISSÃO NORTE BRASILEIRA DE PESQUISA DE TRIGO, 10.,Campinas, 1984. Ata. Brasília,EMBRAPA-CPAC,1984.60p. Tabela 1 – Analise da variância, produtividade média (kg.ha-1) de grãos sem e com proteção de plantas, ganho em rendimento (G.R.) e a incidência da brusone, manchas foliares (MF) e giberela nos genótipos de trigo avaliados em condição de sequeiro na localidade de Capão Bonito Região de VCU, no Estado de São Paulo, em 2009 Capão Bonito S/trat C/trat G.R. Brusone ---------- s/Trat. -1 17- IAC 1004 18- IAC 1005 19- IAC 289 (MG) 20- VEE”S”/BOW”S”//IAC 24 Média Genótipo Tratamento c/ FOX (3 apl. CB 500ml/ha) Fung x Genótipo c/trat s/trat c/trat. s/ e c/Trat. % 5 % 5 % 60 % 30 40 % 10 612 708 1124 648 1274 5 20 5 5 10 5 5 10 1 1 50 50 50 50 40 30 30 30 20 40 30 40 60 25 30 10 15 10 15 631 10 5 50 30 40 15 919 981 20 20 1 10 30 50 20 30 50 50 20 10 1460 10 10 60 30 40 5 1193 5 5 50 30 60 30 565 20 10 60 40 40 20 198 5 5 40 40 25 20 748 664 10 10 5 40 60 40 50 40 40 5 40 1612 252 568 273 1485 1371 8.30** 282.8** 30 5 10 5 10 10 t 40 40 40 40 60 50 40 40 40 40 60 20 10 15 20 15 5 5 10 943 be 1591 df 6- IAC 375 1239 ac 2513 ab MARNG/BUC"S"//BLO"S"/PSN"S"/3/ PVN 7- IAC 376 BUS"S"/PAVON"S"// IAC 876 ce 1507 ef 24 8- IAC 378 ALONDRA/IAC 24 1082 ad 2001 ce 9- IAC 380 RL6010/5*INIA66//IAC 866 ce 1847 df 24/IAC 287 10- IAC 381 1293 ac 2753 a CMH.75.A.66/SERI/3/BH1146//AA “S"/WIN"S" 11- IAC 382 RL6010/5*INIA66//IAC 843 ce 2036 bd 24/IAC 120 12- IAC 383 851 ce 1416 fg BH1146//AA"S"/WIN"S"/3/BUC/FKL// MYNA/VUL 13- IAC 384 1432 ab 1630 df KAUZ/3/TOB/CTFN//BB/4/BLO"S"/5/ …. 14- IAC 385 TRAPI#1/YACO//BAV.92 893 ce 1641 df 15- IAC 386 BH1146//AA"S"/WIN"S"/3/SERI 82 16- IAC 387 BABAX/LR39//BABAX Giberela ---------- (kg.ha ) ---------870 ce 1759 df 889 1- IAC 24 IAS51/4/SON64/Y50E//GTO/3*CIAN O 2- IAC 350 2109.36/SERI 82 1166 ac 1778 df 3- IAC 364 * 776 ce 1484 ef 4- IAC 370 BOW//NAC/3/BJY/COC 814 ce 1938 ce 5- IAC 373 FCT//YR/PAM MF 991 ad 1655 df 770 ce 610 de 437 e 1470 a 999 ad 2382 ac 862 h 1005 gh 1743 df 2484 bd 3.17* 15,89 Médias para comparação da produtividade de grãos entre cultivares dentro de local e na média geral em letras minúsculas e médias para comparação entre locais em letras maiúsculas. Médias seguidas por letras distintas diferem entre si pelo teste de Duncan a 5%. *IAS58/IAS55//ALD"S"/3/IAC5/4/ALD"S"//IAS58/8.1034_A//ALD/5/CNR/6/BUC/7/IAC24 t = traço; – baixa incidência da doença CV% Tabela 2 – Analise da variância, produtividade média (kg.ha-1) de grãos sem e com proteção de plantas, ganho em rendimento (G.R.) e a incidência da brusone, manchas foliares (MF) e giberela nos genótipos de trigo avaliados em condição de sequeiro na localidade de Itapeva Região de VCU II, no Estado de São Paulo, em 2009 Itapeva S/trat --------- G.R. C/trat ------1 5- IAC 373 FCT//YR/PAM 17- IAC 1004 18- IAC 1005 19- IAC 289 (MG) 20- VEE”S”//BOW”S”/IAC 24 Média Genótipo Tratamento c/ Nativo (3 apl. 1000ml/ha) CV% Giberela s/Trat. c/trat s/trat c/trat. s/ c/Trat. % t % t % 40 % 30 5 970 c 2257 ae 1715 ac 2750 ab 1959 ab 2086 af 350 281 1287 1035 127 5 10 10 5 - t 5 5 t 40 60 60 40 60 30 40 40 40 40 10 10 5 10 10 - af 506 5 5 50 40 5 t ae ae 779 687 20 20 5 10 40 50 30 40 20 30 20 10 df -360 5 2 50 40 5 1 ae 904 t t 70 40 5 t bf 648 t - 60 40 10 t ac 1146 - - 30 30 5 - 2119 a ab 2401 ad 906 282 10 5 50 50 40 40 10 5 1552 bc 1515 bc 1629 ac 2067 ab 1439 ac 2536 ad 2153 ae 1568 ef 2873 a 2192 ae 984 638 -61 806 753 1879 2,92* 82,13** t t t t t - 70 30 30 30 40 40 30 30 30 30 10 5 5 5 t 6- IAC 375 MARNG/BUC"S"//BLO"S"/PSN"S"/3/PV N 7- IAC 376 BUS"S"/PAVON"S"// IAC 1607 ac 2113 24 8- IAC 378 ALONDRA/IAC 24 1549 ac 2328 9- IAC 380 RL6010/5*INIA66//IAC 1568 ac 2255 24/IAC 287 10- IAC 381 2153 a 1793 CMH.75.A.66/SERI/3/BH1146//AA “S"/WIN"S" 11- IAC 382 RL6010/5*INIA66//IAC 1407 ac 2311 24/IAC 120 12- IAC 383 1399 ac 2047 BH1146//AA"S"/WIN"S"/3/BUC/FKL//M YNA/VUL 13- IAC 384 1507 ac 2653 KAUZ/3/TOB/CTFN//BB/4/BLO"S"/5/…. 14- IAC 385 TRAPI#1/YACO//BAV.92 1819 ac 2725 15- IAC 386 BH1146//AA"S"/WIN"S"/3/SERI 82 16- IAC 387 BABAX/LR39//BABAX M F. (kg.ha ) ----756 1- IAC 24 1272 bc 2028 bf IAS51/4/SON64/Y50E//GTO/3*CIANO 2- IAC 350 2109.36/SERI 82 1559 ac 1909 cf 3- IAC 364 * 1089 c 1370 f 4- IAC 370 BOW//NAC/3/BJY/COC Brusone % - 17,77 Médias para comparação da produtividade de grãos entre cultivares dentro de local e na média geral em letras minúsculas e médias para comparação entre locais em letras maiúsculas. Médias seguidas por letras distintas diferem entre si pelo teste de Duncan a 5%. *IAS58/IAS55//ALD"S"/3/IAC5/4/ALD"S"//IAS58/8.1034_A//ALD/5/CNR/6/BUC/7/IAC24 t = traço; – baixa incidência da doença Tabela 3 – Analise da variância, produtividade média (kg.ha-1) de grãos sem e com proteção de plantas, ganho em rendimento (G.R.) e a incidência da brusone, manchas foliares (MF) e giberela nos genótipos de trigo avaliados em condição de sequeiro na localidade de Manduri – Região de VCU III, no Estado de São Paulo, em 2009 Manduri S/trat 1- IAC 24 IAS51/4/SON64/Y50E//GTO/3*CIANO 2- IAC 350 2109.36/SERI 82 3- IAC 364 * 4- IAC 370 BOW//NAC/3/BJY/COC 5- IAC 373 FCT//YR/PAM 15- IAC 386 BH1146//AA"S"/WIN"S"/3/SERI 82 16- IAC 387 BABAX/LR39//BABAX 17- IAC 1004 18- IAC 1005 19- IAC 289 (MG) 20- VEE”S”//BOW”S”/IAC 24 Média Genótipo Tratamento c/ FOX (3apl. = 1- 500 e 2 750ml/ha) C/trat Brusone ----------- s/Trat. -1 M F. Giberela c/trat s/trat c/trat. s/ c/Trat. --------97 c (kg.ha ) ----------501 fg 404 % 10 % 5 % 60 % 40 5 % - 351 bc 43 c 18 c 320 bc 805 a 1187 cd 639 fg 543 fg 941 de 2359 a 836 596 525 621 1554 20 10 50 5 5 5 10 10 10 1 40 40 40 40 40 30 40 40 30 30 5 10 10 5 5 - 177 bc 1128 cd 1193 cd 695 ef 787 904 515 5 30 30 5 20 20 40 50 50 40 20 40 5 20 10 5 5 335 bc 1118 cd 783 30 20 40 40 5 5 85 c 960 de 875 10 10 40 30 5 - 56 c 354 g 298 10 10 70 40 5 - 197 bc 1041 cd 844 5 5 40 40 5 - 193 bc 187 bc 1339 c 1041 cd 1146 854 t 30 t 20 50 60 40 40 t 5 - 114 c 145 c 120 c 560 b 270 bc 233 B 1099 cd 1268 cd 1376 c 1699 b 1355 c 1092 A 985 1123 1256 1139 1085 662 18,76** 739,93** t 5 5 5 5 t t t 5 50 40 30 40 50 40 30 30 30 30 20 5 5 5 - 6- IAC 375 MARNG/BUC"S"//BLO"S"/PSN"S"/3/PVN 7- IAC 376 BUS"S"/PAVON"S"// IAC 24 341 bc 8- IAC 378 ALONDRA/IAC 24 289 bc 9- IAC 380 RL6010/5*INIA66//IAC 24/IAC 287 10- IAC 381 CMH.75.A.66/SERI/3/BH1146//AA “S"/WIN"S" 11- IAC 382 RL6010/5*INIA66//IAC 24/IAC 120 12- IAC 383 BH1146//AA"S"/WIN"S"/3/BUC/FKL//MY NA/VUL 13- IAC 384 KAUZ/3/TOB/CTFN//BB/4/BLO"S"/5/…. 14- IAC 385 TRAPI#1/YACO//BAV.92 G.R. 21,31 Médias para comparação da produtividade de grãos entre cultivares dentro de local e na média geral em letras minúsculas e médias para comparação entre locais em letras maiúsculas. Médias seguidas por letras distintas diferem entre si pelo teste de Duncan a 5%. *IAS58/IAS55//ALD"S"/3/IAC5/4/ALD"S"//IAS58/8.1034_A//ALD/5/CNR/6/BUC/7/IAC24 t = traço; – baixa incidência da doença ADAPTABILIDADE E ESTABILIDADE DAS CULTIVARES DE TRIGO AVALIADAS NO ENSAIO ESTADUAL DO RIO GRANDE DO SUL, NO ANO 2009 CASTRO, R.L. de1; CAIERÃO, E.2; PIRES, J.L.F.2; PASINATO, A.2; ALMEIDA, J.L. de3; BARNI, N.A.4; CAETANO, V. da R.5; COLLARES, A.L.4; FRANCO, F. de A.6; GABE, N.L.4; GARRAFA, M.7; GONÇALVES, J.A.4; LOSSO, A.C.4; MARCHIORO, V.S.6; OZELAME, J.G.4; ROSA, A.8; ROSA, O. de S.9; ROSA FILHO, O. de S.8; RUBIN, S. de A.L.4; SANTOS, F.M. dos10; SCHEEREN, P.L.2; SILVA, M. SÓ e2; SVOBODA, L.H.11; TOIGO, M. de C.4; TONON, V.D.11; WORDELL FILHO, J.A.12. (1) Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária do Estado do Rio Grande do Sul – FEPAGRO, Centro de Pesquisa da Região Nordeste, Caixa Postal 20, CEP 95200000, Vacaria-RS, [email protected]; (2)Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, Centro Nacional de Pesquisa de Trigo - Embrapa Trigo; (3) Fundação Agrária de Pesquisa Agropecuária – FAPA; (4)Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária – FEPAGRO; (5)Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, Centro de Pesquisa Agropecuária de Clima Temperado – Embrapa Clima Temperado; (6) Cooperativa Central de Pesquisa Agrícola – COODETEC; (7)Sociedade Educacional Três de Maio – SETREM; (8)Biotrigo Genética; (9)OR Melhoramento de Sementes; (10) Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul – IFRS, Campus Sertão; (11)Fundação Centro de Experimentação e Pesquisa FECOTRIGO – FUNDACEP/FECOTRIGO. (12)Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina – EPAGRI, Centro de Pesquisa de Agricultura Familiar. As análises de adaptabilidade e estabilidade proporcionam informações pormenorizadas sobre o comportamento de cada genótipo frente às variações de ambiente, possibilitando a identificação de cultivares com comportamento previsível e responsivas a condições ambientais específicas ou amplas. Conceitualmente, adaptabilidade refere-se à capacidade dos genótipos responderem vantajosamente à melhoria do ambiente. Já estabilidade refere-se à capacidade dos genótipos terem comportamento altamente previsível em função das variações de ambiente. Dentre os conceitos mais recentes, considera-se ideal a cultivar com alta capacidade produtiva, alta estabilidade, pouco sensível às condições adversas dos ambientes desfavoráveis, mas capaz de responder satisfatoriamente à melhoria do ambiente. O objetivo deste trabalho foi analisar a adaptabilidade e estabilidade das cultivares de trigo avaliadas no Ensaio Estadual do Rio Grande do Sul, no ano 2009. Foram utilizados os dados do Ensaio Estadual de Cultivares de Trigo realizado em 2009, excluindo-se os locais com coeficiente de variação acima de 20%. Foram estudados os desempenhos (em kg.ha-1) de trinta e cinco cultivares em quatorze ambientes, correspondentes aos experimentos válidos da rede. A análise conjunta dos ensaios foi efetuada, após verificação da homogeneidade das variâncias residuais, adotando-se o modelo misto (efeito de cultivar fixo e de ambiente aleatório). A análise de adaptabilidade e estabilidade foi realizada pelo método da distância em relação à cultivar ideal, ponderada pelo coeficiente de variação residual, proposto por Carneiro (1988) (Tabela 1). A atribuição de maior peso aos ambientes com maior precisão experimental foi realizada multiplicando-se o estimador da medida de adaptabilidade e estabilidade de comportamento (parâmetro MAEC) pelo fator de ponderação f, dado a seguir: f= CVj CVT em que: CVj = coeficiente de variação residual no ambiente j; CVT = soma dos coeficientes de variação residual nos a ambientes. Tabela 1. Estimativas do parâmetro MAEC (medida de adaptabilidade e estabilidade de comportamento) em termos gerais (MAEC - Pi) e específicos aos ambientes favoráveis (MAEC - Pif) e desfavoráveis (MAEC - Pid), pelo método da diferença em relação à cultivar ideal (Carneiro, 1998). Xij é a produtividade da i-ésima cultivar no j-ésimo ambiente; Ymj é a resposta da cultivar ideal no ambiente j; a é o número total de ambientes; f é o número de ambientes favoráveis; e d é o número de ambientes desfavoráveis. MAEC - Pi Total de ambientes ∑ (X a Pi = j=1 MAEC - Pif Ambientes favoráveis − Ymj ) ∑ (X f 2 ij 2a Pif = j=1 MAEC - Pid Ambientes desfavoráveis − Ymj ) ∑ (X d 2 ij 2f Pid = j=1 − Ymj ) 2 ij 2d A cultivar ideal (hipotética ou referencial) foi definida com base no modelo estatístico de Cruz et al. (1989), conforme proposto por Carneiro (1998), qual seja: Ymj = b 0 m + b1m I j + b 2 m T (I j ) em que: Ymj = resposta da cultivar ideal no ambiente j; b0m = produtividade máxima, em kg/ha, constatada no experimento (considerando todos os ambientes); Ij = índice ambiental; T(Ij) = 0 se Ij < 0; T(Ij) = Ij - Ι + se Ij > 0, sendo Ι + igual a média dos índices (Ij) positivos; b1m = 0,5 (pouco sensível às condições adversas dos ambientes desfavoráveis); b2m = 1 (responsivo às condições favoráveis; b1m + b2m = 1,5). As estimativas (Pi) do parâmetro MAEC, em termos gerais ou específicos a ambientes favoráveis ou desfavoráveis, foram submetidas ao teste de normalidade de Lilliefors. No caso em que a hipótese de nulidade do teste foi aceita (ou seja, quando foi considerado razoável estudar os dados através da distribuição normal), foram destacadas as cultivares com estimativas Pi superiores ao valor correspondente ao z = 1,04 (15% superiores, considerando a curva normal padronizada). No caso em que a hipótese de nulidade foi rejeitada (não sendo razoável o estudo dos dados através da distribuição normal), foram identificadas 15% das cultivares com os menores valores de Pi (menor distância em relação à cultivar ideal = maior adaptabilidade e estabilidade de comportamento). As análises estatísticas foram realizadas com o auxílio do programa computacional GENES (Cruz, 2006). As estimativas do parâmetro MAEC, empregando o método da distância em relação à cultivar ideal, ponderada pelo coeficiente de variação residual, permitiu destacar as seguintes cultivares: a) Adaptabilidade e estabilidade geral (melhor desempenho em todos os ambientes): - Quartzo - Mirante - BRS Louro - Campeiro - Vaqueano b) Melhor desempenho em ambientes favoráveis: - Quartzo - Mirante - Fundacep 47 c) Melhor desempenho em ambientes desfavoráveis: - Quartzo - BRS Louro - BRS Timbaúva - Vaqueano - Mirante - BRS 276 As cultivares de trigo avaliadas diferem quanto à adaptabilidade e estabilidade de produção, sendo possível identificar, pelo método da distância em relação à cultivar ideal, ponderada pelo coeficiente de variação residual (Carneiro, 1988), cultivares de trigo com maior adaptação às condições gerais de cultivo no Rio Grande do Sul ou com adaptação específica a ambientes favoráveis ou desfavoráveis. REFERÊNCIAS CARNEIRO, P.C.S. Novas metodologias de análise da adaptabilidade e estabilidade de comportamento. Viçosa: UFV, 1998. 168p. Tese (Doutorado em Genética e Melhoramento) - Programa de Pós-Graduação em Genética e Melhoramento. Universidade Federal de Viçosa, 1998. CRUZ, C.D. Programa Genes: biometria. Viçosa: UFV, 2006. 382p. RESULTADOS DO ENSAIO ESTADUAL DE CULTIVARES DE TRIGO NO RIO GRANDE DO SUL, EM 2009 CASTRO, R.L. de1; CAIERÃO, E.2; PIRES, J.L.F.2; PASINATO, A.2; ALMEIDA, J.L. de3; BARNI, N.A.4; CAETANO, V. da R.5; COLLARES, A.L.4; FRANCO, F. de A.6; GABE, N.L.4; GARRAFA, M.7; GONÇALVES, J.A.4; LOSSO, A.C.4; MARCHIORO, V.S.6; OZELAME, J.G.4; ROSA, A.8; ROSA, O. de S.9; ROSA FILHO, O. de S.8; RUBIN, S. de A.L.4; SANTOS, F.M. dos10; SCHEEREN, P.L.2; SILVA, M. SÓ e2; SVOBODA, L.H.11; TOIGO, M. de C.4; TONON, V.D.11; WORDELL FILHO, J.A.12. (1) Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária do Estado do Rio Grande do Sul – FEPAGRO, Centro de Pesquisa da Região Nordeste, Caixa Postal 20, CEP 95200000, Vacaria-RS, [email protected]; (2)Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, Centro Nacional de Pesquisa de Trigo - Embrapa Trigo; (3) Fundação Agrária de Pesquisa Agropecuária – FAPA; (4)Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária – FEPAGRO; (5)Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, Centro de Pesquisa Agropecuária de Clima Temperado – Embrapa Clima Temperado; (6) Cooperativa Central de Pesquisa Agrícola – COODETEC; (7)Sociedade Educacional Três de Maio – SETREM; (8)Biotrigo Genética; (9)OR Melhoramento de Sementes; (10) Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul – IFRS, Campus Sertão; (11)Fundação Centro de Experimentação e Pesquisa FECOTRIGO – FUNDACEP/FECOTRIGO. (12)Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina – EPAGRI, Centro de Pesquisa de Agricultura Familiar. A Comissão Brasileira de Pesquisa de Trigo e Triticale (CBPTT) realiza, anualmente, o Ensaio Estadual de Cultivares de Trigo no Estado do Rio Grande do Sul (EECT-RS), visando subsídios às indicações de cultivares. O EECT-RS é realizado em vários locais, representativos da Regiões Homogêneas de Adaptação de Cultivares de Trigo do Estado, sendo organizado pela Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (FEPAGRO). A FEPAGRO tem o compromisso de distribuir as sementes às Instituições/Empresas responsáveis pela condução dos experimentos, bem como de reunir e analisar os dados obtidos. O objetivo deste trabalho foi relatar os resultados do EECT-RS, realizado no ano 2009. O Ensaio Estadual de Cultivares de Trigo, em 2009, obedeceu a programação estabelecida durante a II Reunião da Comissão Brasileira de Pesquisa de Trigo e Triticale, realizada em 2008, no município de Passo Fundo/RS. O Ensaio foi composto por quinze experimentos, abrangendo treze locais de avaliação e as duas regiões de adaptação para trigo no Rio Grande do Sul, além de três experimentos em Santa Catarina e um no Paraná (Tabela 1). As cultivares avaliadas nos ensaios do Rio Grande do Sul e Paraná foram: Abalone, BRS 179, BRS 194, BRS 208, BRS 276, BRS Buriti, BRS Guamirim, BRS Louro, BRS Timbaúva, BRS Umbu, Campeiro, CD 113, CD 114, CD 115, CD 117, CD 119, CD 120, Fundacep 47, Fundacep 50, Fundacep 51, Fundacep 52, Fundacep 300, Fundacep Campo Real, Fundacep Cristalino, Fundacep Nova Era, Fundacep Horizonte, Fundacep Raízes, Marfim, Mirante, Ônix, Pampeano, Quartzo, Safira, Supera e Vaqueano. Foram consideradas como testemunha as cultivares Fundacep Raízes, Pampeano e Safira. Em Santa Catarina, foram avaliadas as cultivares: Abalone, BRS 179, BRS 194, BRS 208, BRS 276, BRS Buriti, BRS Guamirim, BRS Louro, BRS Timbaúva, BRS Umbu, Campeiro, CD 113, CD 114, CD 115, CD 117, CD 119, CD 120, Fundacep 47, Fundacep 50, Fundacep 51, Fundacep 52, Fundacep 300, Fundacep Campo Real, Fundacep Cristalino, Fundacep Nova Era, Fundacep Horizonte, Fundacep Raízes, Mirante, Ônix, Pampeano, Safira, Supera e Vaqueano. Foram consideradas como testemunha as cultivares Fundacep Raízes, Pampeano e Safira. Os experimentos foram delineados em blocos casualizados com 3 ou 4 repetições, sendo a unidade experimental constituída por cinco fileiras de 5 m de comprimento, espaçadas 0,2 m entre si (área útil = 3 m2 no caso de colheita manual e 5 m2 no caso de colheita mecanizada), com aproximadamente 330 plantas/m2. Somente foram considerados para análise os experimentos com Coeficiente de Variação inferior a 20%. Os dados de rendimento de grãos, em kg/ha, foram submetidos à análise de variância complementada pelo método de agrupamento de médias proposto por Scott & Knott (1974). O desempenho das cultivares foi comparado, em percentagem relativa, com a média de rendimento de grãos das duas melhores testemunhas em cada local de avaliação e na média das Regiões Homogêneas de Adaptação e do Estado. As análises estatísticas foram realizadas com o auxílio do programa computacional GENES (Cruz, 2006). Os dados dos municípios de Santa Catarina e Paraná foram considerados nos respectivos Estados e Regiões Homogêneas de Adaptação, não sendo considerados na média do Estado do Rio Grande do Sul. Tabela 1. Região de adaptação, local, data da semeadura, tratamento fitossanitário na parte aérea, número de repetições e entidade responsável pela condução dos experimentos. Ensaio Estadual de Cultivares de Trigo, 2009. Grupo 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 2 2 2 2 1 2 2 1 1 Local Coxilha Cruz Alta Hulha Negra Júlio de Castilhos Não-Me-Toque 1 Passo Fundo 2 Passo Fundo Pelotas Pelotas Vacaria Vacaria Sertão Santo Augusto São Borja São Luis Gonzaga Três de Maio Campos Novos Chapecó Abelardo Luz Guarapuava Semeadura Fungicida 29/06/2009 12/06/2009 28/07/2009 25/06/2009 06/06/2009 22/06/2009 21/07/2009 01/08/2009 01/08/2009 24/07/2009 24/07/2009 13/07/2009 12/06/2009 08/06/2009 04/06/2009 25/06/2009 29/06/2009 19/06/2009 22/06/2009 13/07/2009 Com Com Com Com Com Com Com Sem Com Sem Com Sem Com Com Com Com Com Com Com Com Repetições Entidade Responsável CF SF 3 4 4 4 4 3 3 4 4 4 4 3 4 3 3 3 4 1 1 1 1 4 4 4 1 1 1 1 - OR Sementes FUNDACEP-FECOTRIGO FEPAGRO Campanha FEPAGRO Sementes COODETEC Embrapa Trigo Embrapa Trigo Embrapa Clima Temperado Embrapa Clima Temperado FEPAGRO Nordeste FEPAGRO Nordeste IFRS - Sertão FEPAGRO Noroeste FEPAGRO Cereais FUNDACEP-FECOTRIGO SETREM EPAGRI EPAGRI EPAGRI FAPA 2 = Época 1; = Época 2. CF = COM fungicida; SF = SEM fungicida. A média geral de rendimento de grãos do EECT-RS em 2009 foi 3.754 kg/ha (Figura 1 e Tabela 2), superior a média obtida nos ensaios de outros anos no período considerado. Por apresentarem coeficiente de variação acima de 20%, foram desconsiderados para efeito de médias por Região de Adaptação e média estadual os ensaios conduzidos em Pelotas. Também não foram considerados os dados do município de Sertão. kg/ha 4000 3500 3000 2500 2000 1500 1000 500 0 99 '00 '01 '02 '03 '04 '05 '06 '07 '08 '09 Ano Figura 1. Médias de rendimento de grãos do Ensaio Estadual de Cultivares de Trigo, conduzidos de 1999 a 2009. No Rio grande do Sul, o rendimento de grãos, em valores absolutos, foi bastante similar nas duas regiões de adaptação do Estado, com valores médios de 3.743 kg/ha na Região 1 e 3.778 kg/ha na Região 2 (Tabela 2). Em Santa Catarina, o rendimento de grãos, em valores absolutos, foi maior na Região 2 com média de 3.870 kg/ha. No Paraná, somente foi realizado experimento na Região 1 com média de rendimento de 4.621 kg/há (Tabela 2). Os experimentos conduzidos em Três de Maio, Vacaria e Passo Fundo (1ª época), com aplicação de fungicida em parte aérea, tiveram as maiores médias de rendimento de grãos em valores absolutos: 4.839 kg/ha, 4.627 kg/ha e 4.541 kg/ha, respectivamente. O rendimento de grãos máximo foi obtido pela cultivar Quartzo (5.981 kg/ha) em Três de Maio, com fungicida. As cultivares mais produtivas (que superaram ou igualaram a média das duas melhores testemunhas) por Estado e em cada Região Homogênea foram: Estado do Rio Grande do Sul: Quartzo (109%), Mirante (103%), Campeiro (101%), Safira (100%) e Vaqueano (100%). Região 1 RS: Quartzo (107%), Fundacep Cristalino (104%), BRS Timbaúva (104%), Mirante (103%), Marfim (102%), Campeiro (101%), BRS 276 (101%), BRS Louro (101%), BRS 179 (100%), Fundacep 47 (100%) e Vaqueano (100%). Região 2 RS: Quartzo (114%), Safira (107%), Mirante (103%), Campeiro (100%) e Vaqueano (100%). Estado de Santa Catarina: Mirante (110%), Abalone (109%), BRS Louro (108%), Campeiro (108%), Fundacep 52 (107%), Fundacep Raízes (105%), Fundacep Horizonte (103%), Fundacep 51 (101%), Ônix (100%) e Fundacep Nova Era (100%). Região 1 SC: Fundacep Nova Era (123%), BRS Buriti (123%), Fundacep 51 (116%), BRS Timbaúva (116%), Fundacep Horizonte (114%), Fundacep 300 (113%), BRS Guamirim (111%), Fundacep 52 (110%), BRS 208 (109%), BRS Louro (107%), Fundacep Campo Real (107%), BRS Umbu (105%), Campeiro (104%), Fundacep 50 (101%), Fundacep Raízes (100%) e Pampeano (100%). Região 2 SC: Mirante (114%), Abalone (114%), Campeiro (110%), BRS Louro (109%), Fundacep Raízes (107%), Fundacep 52 (105%) e Ônix (104%). Estado do Paraná (Guarapuava): Vaqueano (117%), Supera (115%), Pampeano (114%), Ônix (113%), Mirante (109%), BRS Guamirim (109%), Quartzo (108%), Marfim (106%), Fundacep 52 (106%), Abalone (103%), BRS Umbu (103%), BRS Louro (102%), Fundacep Nova Era (102%) e CD 114 (100%). Referências Cruz, C.D. Programa Genes: estatística experimental e matrizes. Viçosa: UFV, 2006. 285p. Tabela 2. Rendimento de grãos médio das cultivares de trigo avaliadas em 2009 e percentual relativo ao desempenho médio das duas melhores testemunhas (%), nas Regiões de Adaptação 1 e 2 RS, bem como nos Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Ensaio Estadual de Cultivares de Trigo, 2009. Cultivar 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 Abalone BRS 179 BRS 194 BRS 208 BRS 276 BRS Buriti BRS Guamirim BRS Louro BRS Timbaúva BRS Umbu Campeiro CD 113 CD 114 CD 115 CD 117 CD 119 CD 120 Fundacep 47 Fundacep 50 Fundacep 51 Fundacep 52 Fundacep 300 Fundacep Campo Real Fundacep Cristalino Fundacep Nova Era Fundacep Horizonte Fundacep Raízes* Marfim Mirante Ônix Pampeano* Quartzo Safira* Supera Vaqueano χ Geral χ Melhores Test. * = testemunhas. Região 1 RS Região 2 RS Estado RS Kg/ha % Kg/ha % Kg/ha % 3405 87 3929 94 3566 89 3907 100 3792 90 3872 97 3526 90 3585 86 3544 89 3406 81 3680 92 3802 98 3951 101 3606 86 3845 96 3692 88 3657 92 3642 93 3814 98 3279 78 3650 92 3923 101 4009 96 3949 99 4035 104 3600 86 3901 98 3789 97 3518 84 3706 93 3953 101 4196 100 4028 101 3546 91 3302 79 3471 87 3681 94 3648 87 3671 92 3711 95 3684 88 3703 93 3676 94 3595 86 3651 92 3615 93 3750 89 3657 92 3623 93 3753 90 3663 92 3898 100 4039 96 3941 99 3568 92 3618 86 3583 90 3663 94 3952 94 3752 94 3527 90 3391 81 3485 87 3417 88 3711 89 3507 88 3805 98 3916 93 3839 96 4039 104 3491 83 3871 97 3705 95 3952 94 3781 95 3745 96 4030 96 3833 96 3594 92 3637 87 3607 90 3988 102 3378 81 3801 95 4022 103 4297 103 4107 103 3484 89 3779 90 3575 90 3835 98 3821 91 3831 96 4152 107 4763 114 4340 109 3769 97 4489 107 3990 100 3309 85 3427 82 3346 84 3880 100 4177 100 3972 100 3778 90 3754 94 3743 96 3898 100 4192 100 3989 100 Estado SC Kg/ha % 4152 109 3547 93 3376 88 3620 95 3438 90 3693 97 3761 98 4151 108 3713 97 3211 84 4137 108 3025 79 3440 90 3575 93 3021 79 3126 82 3333 87 3315 87 3635 95 3871 101 4079 107 3541 93 3779 99 3479 91 3816 100 3932 103 4014 105 4197 110 3823 100 3638 95 3471 91 3506 92 3650 95 3638 95 3826 100 Estado PR Kg/ha % 4902 103 4706 99 4346 92 4456 94 3839 81 3694 78 5167 109 4853 102 4701 99 4876 103 4393 93 3834 81 4738 100 4528 95 3991 84 4673 99 4408 93 4244 89 4527 95 4648 98 5022 106 4096 86 4554 96 4414 93 4852 102 4427 93 3698 78 5034 106 5169 109 5346 113 5425 114 5131 108 4063 86 5439 115 5535 117 4621 97 4744 100 ESTABILIDADE FENOTÍPICA DE PARÂMETROS RELACIONADOS À QUALIDADE TECNOLÓGICA EM TRIGO Luiz Alberto Cogrossi Campos1; Manoel Carlos Bassoi2; Carlos Roberto Riede1 e Juarez Campolina Machado1. 1 Instituto Agronômico do Paraná – IAPAR, Rodovia Celso Garcia Cid, km 375, Caixa Postal 481, CEP 86001-970, Londrina – PR, [email protected]; 2 Embrapa Soja. Rod. Carlos João Strass - Distrito de Warta, Caixa Postal 231, CEP 86001-970, Londrina – PR. A qualidade tecnológica do trigo é uma exigência das indústrias moageiras e panificadoras, para oferecer produto de boa qualidade que atenda aos consumidores. O melhoramento da qualidade representa uma oportunidade de se agregar valor de mercado aos produtos agrícolas, principalmente no caso do trigo, em que existe relação entre a qualidade e o preço (WRIGLEY, 1994). As cultivares a serem desenvolvidas devem possuir alto rendimento, associado à capacidade de produzir farinha de qualidade nas diferentes condições ambientais, visando satisfazer todos os elos da cadeia produtiva do trigo (agricultores, moinhos, panificadores e consumidores) e, consequentemente, melhorar as perspectivas de venda dos grãos. Dentre os fatores ambientais que influenciam a qualidade tecnológica, podemse citar: fatores climáticos, nutricionais, incidência de doenças e de pragas, estresses abióticos, manejo da cultura, etc. (FRANCESCHI et al., 2009). Para que uma nova cultivar tenha sucesso é desejável que os parâmetros relacionados à qualidade tecnológica sejam estáveis nos diferentes ambientes no qual o trigo será cultivado. Nesse contexto, o presente trabalho, objetivou avaliar a estabilidade fenotípica de parâmetros relacionadas à qualidade tecnológica de cultivares de trigo oriundas dos programas de melhoramento da EMBRAPA e do IAPAR, utilizando estatística nãoparamétrica por meio da soma de postos. Os dados foram obtidos do Ensaio de Qualidade de Trigo (EQIT) avaliado no ano de 2008 pelas seguintes instituições: IAPAR, Embrapa Soja, Embrapa Trigo, FAPA, COODETEC e Biotrigo. Os ambientes de condução dos experimentos foram Cambará, Londrina e Palotina (Região III); Cascavel e Arapoti (Região II) e Guarapuava e Ponta Grossa (Região I); conforme nova regionalização de adaptação do trigo (Reunião da CBPTT, 2009) Os experimentos foram compostos de 34 cultivares, porém realizou-se as análises de estabilidade apenas das cultivares da EMBRAPA e do IAPAR. A parcela foi constituída de cinco metros de comprimento, variando de cinco a seis linhas, conforme a semeadeira de cada instituição. A adubação também variou em função da necessidade de cada local. As características avaliadas foram: peso hectolítrico (Kg/hL), força de glúten (10-4 J) e relação P/L. Realizou-se a análise de estabilidade para os caracteres citados utilizando estatística não-paramétrica por meio da soma de postos conforme metodologia proposta por Huenh (1990). Todas as análises estatísticas foram realizadas com o auxílio do Programa Genes (Cruz, 2006). As médias dos parâmetros relacionados à qualidade tecnológica estão apresentadas na Tabela 1. Constatou-se que para a força de glúten (W) a cultivar IPR 85 obteve a maior média com valor de W igual a 373. Outras cultivares que se destacaram para esse parâmetro foram BRS Guabijú, BRS Pardela e IPR 136. A força de glúten é utilizada para indicar a capacidade de uma farinha sofrer um tratamento mecânico ao ser misturada com água. Também é associada à capacidade de absorção de água pelas proteínas formadoras de glúten, que combinadas à capacidade de retenção do gás carbônico resultam em um pão de volume aceitável, textura interna sedosa e de granulometria adequada (GUTKOSKI et al., 2007). Para a relação P/L o maior valor foi obtido pela cultivar BRS Pardela (P/L = 1,2), seguida pelas cultivares IPR 85 e IPR 128. Essas cultivares obtiveram valores de P/L entre 1,0 e 1,2; adequado para a fabricação de pães. O balanço das propriedades viscoelásticas da massa é fator essencial para a determinação do uso final da farinha (DOBRASZCZYK & MORGENSTERN, 2003). Considerando o peso hectolítrico (PH), se destacaram as cultivares IPR 136, com o maior valor de PH, seguida das cultivares BRS 208, BRS 248 e BRS Pardela. O peso hectolítrico é utilizado como medida tradicional de comercialização de trigo, e expressa indiretamente atributos de qualidade tecnológica relacionados à moagem (GUARIENTI, 1996). As estimativas de estabilidade fenotípica (S1 S2 e S3), para os parâmetros relacionados à qualidade tecnológica, obtidas conforme metodologia proposta por Huenh, 1990; estão apresentadas na Tabela 1. Algumas cultivares são estáveis para um parâmetro e instáveis para outro, sugerindo que os fatores genéticos envolvidos na interação genótipos por ambientes diferiram entre os parâmetros de qualidade. Para a força de glúten, as cultivares IPR 85, BRS Pardela e IPR 130 foram as que associaram estabilidade fenotípica e alto valor de W. A cultivar BRS 229 apesar de ter apresentado alta estabilidade fenotípica para esse parâmetro obteve um baixo valor de força de glúten (W = 219). Considerando a relação P/L, as cultivares IPR 128, IPR 136 e BRS Pardela foram consideradas estáveis, obtendo valores adequados para esse parâmetro. Em relação ao peso hectolítrico, as cultivares que apresentaram estabilidade fenotípica foram BRS 248, IPR 85 e IPR 118, contudo a cultivar IPR 118 apresentou um valor de PH baixo, provavelmente devido ao tamanho e ao baixo enchimento dos grãos dessa cultivar. Conclui-se que há variabilidade entre as estimativas de estabilidade fenotípica para qualidade tecnológica, contudo as cultivares IPR 85, BRS Pardela e IPR 136 associam valores adequados para os caracteres relacionados à qualidade e estabilidade para esses parâmetros. Referências bibliográficas CRUZ, C.D. Programa Genes: Estatística experimental e matrizes. Editora UFV. Viçosa (MG). 285p. 2006 DOBRASZCZYK, B.J.; MORGENSTERN, M.P. Rheology and the breadmaking process. Journal of Cereal Science, London, v. 38, p. 229-245, 2003. FRANCESCHI, L.; BENIN, G.; GUARIENTI, E.; MARCHIORO, V.S.; MARTIN, T.N. Fatores pré-colheita que afetam a qualidade tecnológica de trigo. Ciência Rural, Santa Maria, v. 39, n. 5, p. 1624-1631, 2009. GUARIENTI, E.M. Qualidade industrial de trigo. Passo Fundo: Embrapa-CNPT, 1996. 36 p. GUTKOSKI, L.C.; KLEIN, B.; PAGNUSSAAT, F.A.; PEDÓ, I. Características tecnológicas de genótipos de trigo (Triticum aestivum L.) cultivados no cerrado, Ciência e Agrotecnologia, vol. 31, no.3,, 2007. HUEHN, M. Nonparametric measures of phenotypic stability. Part I: Theory. Euphytica, Dordrecht, v. 47, n. 3, p. 189-194, June 1990. REUNIÃO DA COMISSÃO BRASILEIRA DE PESQUISA DE TRIGO E TRITICALE, 2., 2008, Passo Fundo, RS. Informações técnicas para a safra 2009: trigo e triticale: organizado por José Roberto Salvadori...[et al.]. Passo Fundo, RS. Embrapa Trigo: Embrapa Transferência de Tecnologia, 2008. 172p. WRIGLEY, C.W. Developing better strategies to improve grain quality for wheat. Australian Journal of Agricultural Research, Melbourne, v.45, p.1-17, 1994. Tabela 1. Médias e estimativas de estabilidade fenotípica para força de glúten (W), relação P/L (PL) e peso hectolítrico (PH), de cultivares de trigo, avaliadas no Ensaio de Qualidade Industrial – EQIT – 2008. W CRUZAMENTO 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 Cultivar BRS 208 BRS 210 BRS 220 BRS 229 BRS 248 BRS Guabiju BRS Tangará IPR 128 IPR 130 IPR 136 BRS Guamirim BRS Pardela IPR 85 IPR 118 IPR 129 CRUZAMENTO 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 Cultivar BRS 208 BRS 210 BRS 220 BRS 229 BRS 248 BRS Guabiju BRS Tangará IPR 128 IPR 130 IPR 136 BRS Guamirim BRS Pardela IPR 85 IPR 118 IPR 129 CRUZAMENTO 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 Cultivar BRS 208 BRS 210 BRS 220 BRS 229 BRS 248 BRS Guabiju BRS Tangará IPR 128 IPR 130 IPR 136 BRS Guamirim BRS Pardela IPR 85 IPR 118 IPR 129 CPAC89118/3/BR23//CEP19/PF85490 CPAC89118/3/BR23//CEP19/PF85490 EMBRAPA16/TB108 EMB 27*3//BR 35/BUCK PONCHO PAT 7392/PF 89232 PF867432/BR23 BR 23*2/PF 940382 VEE/LIRA//BOW/3/BCN/4/KAUZ RAYON//VEE#6/TRAP#1 TAW/SARA//BAU/3/ND 674*2/IAPAR 29 EMB27/BUCK NANDU//PF93159 BR 18/PF 9099 IAPAR 30/BR18 OC852/PG8852 IA 976/LD 972 W 282.43 255.14 221.29 218.71 195.29 342.29 244.29 281.57 292.00 322.29 246.43 335.14 372.57 238.00 256.00 S1 4.19 3.33 7.05 3.62 5.62 4.95 4.86 6.19 3.62 6.10 4.48 4.48 5.62 5.71 4.76 S2 13.48 7.62 35.24 9.14 22.57 16.57 16.29 25.95 9.81 24.90 14.62 20.24 23.90 22.95 16.00 S3 2.75 2.08 4.16 3.33 4.85 2.89 2.73 3.63 2.98 3.18 2.54 1.78 2.36 3.39 3.00 PL 0.83 0.89 0.88 0.54 0.62 0.75 0.76 1.12 0.96 0.89 0.68 1.26 1.23 0.72 0.90 S1 3.05 5.71 4.48 4.57 4.86 2.86 4.67 2.00 4.86 2.95 4.57 4.95 6.29 4.57 4.38 S2 6.48 23.81 13.67 14.00 17.33 6.29 16.00 3.57 17.24 6.14 14.67 17.24 26.29 18.48 14.57 S3 2.47 4.59 2.44 2.50 3.00 3.84 3.14 0.79 2.29 2.42 2.44 2.11 3.49 1.97 2.94 PH 80.04 74.33 78.61 79.00 79.32 78.66 77.54 79.13 78.00 80.30 78.49 79.21 79.12 77.00 78.94 S1 4.86 5.62 5.62 6.00 2.38 4.95 4.57 4.76 4.29 4.19 4.57 5.24 3.43 2.48 5.62 S2 17.57 21.90 25.48 24.67 3.95 22.57 14.14 15.14 14.14 12.29 14.24 19.48 7.90 4.48 24.67 S3 2.56 2.85 2.56 4.29 1.90 2.12 2.69 2.14 2.06 2.83 3.32 3.00 1.75 4.18 4.67 PL CPAC89118/3/BR23//CEP19/PF85490 CPAC89118/3/BR23//CEP19/PF85490 EMBRAPA16/TB108 EMB 27*3//BR 35/BUCK PONCHO PAT 7392/PF 89232 PF867432/BR23 BR 23*2/PF 940382 VEE/LIRA//BOW/3/BCN/4/KAUZ RAYON//VEE#6/TRAP#1 TAW/SARA//BAU/3/ND 674*2/IAPAR 29 EMB27/BUCK NANDU//PF93159 BR 18/PF 9099 IAPAR 30/BR18 OC852/PG8852 IA 976/LD 972 PH CPAC89118/3/BR23//CEP19/PF85490 CPAC89118/3/BR23//CEP19/PF85490 EMBRAPA16/TB108 EMB 27*3//BR 35/BUCK PONCHO PAT 7392/PF 89232 PF867432/BR23 BR 23*2/PF 940382 VEE/LIRA//BOW/3/BCN/4/KAUZ RAYON//VEE#6/TRAP#1 TAW/SARA//BAU/3/ND 674*2/IAPAR 29 EMB27/BUCK NANDU//PF93159 BR 18/PF 9099 IAPAR 30/BR18 OC852/PG8852 IA 976/LD 972 FAIXAS REGIONAIS DE TRIGO E TRITICALE CONDUZIDAS NA REGIÃO CENTRO-SUL DO ESTADO DO PARANÁ EM 2009 Marcos Antônio Novatzki1; Juliano Luiz de Almeida2; Noemir Antoniazzi2; Marcos Luiz Fostim2; Otavino Rovani1; Paulo Ricardo Domit1; Silvino Caus1; Andréas Milla II3; Edegar Leh3. 1 Cooperativa Agraria Agroindustrial, Entre Rios, Guarapuava, PR, 85.139-400, Brasil E-mail: [email protected]; 2 Fundação Agrária de Pesquisa Agropecuária – FAPA, Entre Rios, Guarapuava, PR. 85.139-400 e 3 Cooperados da Cooperativa Agraria Agroindustrial. O objetivo principal deste trabalho é difundir as melhores cultivares avaliadas a partir de ensaios próprios e em parcerias com os diferentes programas de pesquisa para agrônomos do Departamento Técnico, para os cooperados, bem como para os fomentados da Cooperativa Agrária. Foram instaladas oito unidades demonstrativas na área de abrangência da Cooperativa Agrária, junto aos cooperados, na Fundação Agrária de Pesquisa Agropecuária – FAPA e na área de abrangência do fomento Agrária com acompanhamento dos respectivos agrônomos. A FAPA forneceu a semente tratada com Vitavax Thiram 200 SC(300 ml/100kg), Spectro (80ml/100kg) e Gaucho(50ml/100 kg), das seguintes cultivares de trigo tipo brando: BRS UMBÚ (cultivar de ciclo tardio precoce), CD105 (cultivar de ciclo precoce), CD 115, CD 120 e CAMPEIRO (cultivares de ciclo médio). Também foram fornecidas sementes das cultivares de trigo tipo pão: BRS GUAMIRIM, SAFIRA, QUARTZO e BRS TANGARÁ, sendo esta última cultivar classificada como melhorador pelo obtentor. Entretanto na região de atuação da Cooperativa Agraria esta cultivar é considerada trigo tipo pão. Também foram fornecidas sementes das cultivares de trigo tipo melhorador: BRS GUABIJÚ e BRS PARDELA (cultivares de ciclo médio). Foram demonstradas também duas cultivares de triticale sendo IPR 111 e BRS MINOTAURO. As unidades demonstrativas foram compostas de 15 faixas entre 30 a 50 m de comprimento, por uma ou duas passadas de semeadeira comercial, conforme equipamento do produtor, apresentando variações de área entre os locais. A densidade de semente utilizada foi indicada pelos diferentes programas de pesquisa e conforme cada cultivar. Já a instalação foi realizada pelo cooperado e pelo agrônomo responsável e com ou sem o acompanhamento da FAPA. A adubação de base e cobertura e a utilização de insumos seguiram as recomendações do respectivo agrônomo, sendo que todas as unidades foram conduzidas como lavouras comerciais. Os locais de condução, adubação de base e de cobertura em cada local podem ser visualizados na tabela 1. Os resultados de rendimento de grãos dos trigos e triticales estão apresentados na tabela 2. Na média de todos os locais, em números absolutos, a maior produtividade de trigo, foi obtida pelo cultivar CAMPEIRO-2 com 3.911 kg ha-1. Já entre as médias por local, Guarapuava Colônias apresentou o maior rendimento em números absolutos com 4.746 kg ha-1, sendo o melhor desempenho neste local do cultivar TANGARÁ-2 produzindo 5.240 kg ha-1. Quanto as cultivares de triticale, na média de todos os locais a maior produtividade, foi obtida pelo IPR111 com 3.372 kg ha-1. Já entre as médias por local, Guarapuava Colônias apresentou o maior rendimento em números absolutos com 5.490 kg ha-1, com a cultivar IPR111. O peso hectolitro de trigo e triticale está representado na tabela 3. Na média de todos os locais, em números absolutos, o maior peso hectolitro do trigo, foi obtido pelo cultivar CAMPEIRO (T2) com PH de 79,1 kg hl-1. Já entre as médias por local, Guarapuava Colônias apresentou o maior peso hectolitro em números absolutos com PH médio de 78,9 kg hl-1 dando destaque para o cultivar CAMPEIRO (T1), com PH de 82,7 kg hl-1. Quanto ao triticale, na média de todos os locais, em números absolutos, o maior peso hectolitro, foi obtido pelo cultivar BRS MINOTAURO, com o PH de 70,9 kg hl-1. O peso de mil sementes de trigo e triticale está na tabela 4. Na média de todos os locais, em números absolutos, o maior peso de mil sementes do trigo, foi obtido pelo cultivar BRS TANGARÁ (T2) com 34 g. Já entre as médias por local, Guarapuava Colônias apresentou o maior peso de mil sementes em números absolutos com 34,7 g, sendo o melhor desempenho neste local do cultivar TANGARÁ (T2) com 41,1 g. Quanto as cultivares de triticale, na média de todos os locais o maior peso de mil sementes, foi obtida pelo IPR111 com 36 g. O rendimento de grãos das cultivares que participaram nas faixas regionais no período de 2003 a 2009, dados relativos a 52 faixas regionais, pode ser visualizado na tabela 5. Na média das cultivares que participaram de pelo menos três anos de avaliação, a maior produtividade de trigo foi obtido pela cultivar QUARTZO com 3.881 kg ha-1 e pela cultivar CD 105 com 3.766 kg ha-1. Quanto as cultivares de triticale, a maior produtividade, na média de todos os anos, foi obtida pela cultivar IPR111 com 3.886 kg ha-1. O objetivo deste trabalho foi atingido, pois as melhores cultivares avaliadas a partir dos experimentos foram difundidas pelos pesquisadores da FAPA e agrônomos do Departamento Técnico para seus colegas e cooperados das diferentes regiões da Cooperativa Agrária, bem como para os fomentados da Cooperativa Agrária. Tabela 1. Local de condução, data de semeadura, adubação de base e adubação de cobertura das Faixas Regionais de Cereais de Inverno 2009. FAPA, Guarapuava, PR, 2010. Local Précultura Data de semeadura Adubação de base Adubação de cobertura Candói Milho 21/07/09 300 kg ha-1 09-25-24 + FTE 100 kg de uréia ha-1 Cantagalo Fazenda Juquiá Soja 20/07/09 200 kg ha-1 08-30-20 + FTE 80 kg de uréia ha-1 Pato Branco Copertradição Soja 22/06/09 320 kg ha-1 08-30-10 100 kg de uréia ha-1 Guarapuava - Colônias FAPA Soja †TP– 22/06/09 ‡ P – 02/07/09 250 kg ha-1 08-30-20 100 kg de uréia ha-1 Pitanga Produtécnica Soja TP– 15/06/09 320 kg ha-1 08-30-10 80 kg de uréia ha-1 05/08/09 350 kg/ha-1 10-30-15 80 kg de uréia ha-1 Fazenda São Pedro Guarapuava - Três Capões Fazenda Santana Soja Pinhão Fazenda Fundo Grande Soja †TP– 6/07/09 ‡ P – 14/07/09 300 kg ha-1 08-30-20 +FTE 120 kg de uréia ha-1 Mangueirinha Codepa Soja 1/07/09 320 kg ha-1 08-30-20+FTE 100 kg de uréia ha-1 † TP = Cultivares de ciclo tardio-precoce. ‡ P = Cultivares de ciclo normal / precoce. Tabela 2. Rendimento de grãos de trigo e triticale das Faixas Regionais de Cereais de Inverno 2009. FAPA, Guarapuava, PR, 2010. Cultivar Gu arapuava Colônias Cantagalo Guarapuava Três Capões Pinhão Candói Mangueirinha Pato Branco Pitang a Média 2.687 3.911 kg ha-1 CAMPEIRO-2 5.118 3.819 4.308 3.841 3.692 QUARTZO 4.687 3.795 4.677 4.255 3.472 3.447 2.366 2.424 3.640 CAMPEIRO-1 4.849 4.150 4.147 3.879 3.797 3.064 2.560 2.189 3.579 BRS GUAMIRIM 4.790 3.873 3.328 3.405 3.823 3.511 3.045 1.941 3.465 BRS TANGARA-2 5.240 3.644 3.061 3.542 2.826 2.057 3.395 CD 120 4.743 3.498 3.842 3.385 3.465 2.636 2.610 3.375 2.820 CD 105 4.904 3.883 3.291 3.921 3.534 2.836 3.038 1.473 3.360 BRS TANGARA-1 5.100 3.680 3.224 3.651 3.250 2.713 2.644 1.947 3.276 BRS UMBU 4.542 3.525 3.449 2.906 3.531 2.534 2.388 3.227 3.263 SAFIRA 4.170 3.594 4.362 3.213 2.959 2.757 2.030 2.349 3.179 BRS PARDELA 4.370 3.711 3.031 3.414 3.237 2.997 2.763 1.844 3.171 BRS GUABIJU 4.598 3.340 3.349 3.689 3.208 2.831 2.394 1.424 3.104 CD 115 4.587 3.202 3.292 3.714 3.457 2.943 1.945 1.615 3.094 Média 4.746 3.670 3.643 3.601 3.404 2.950 2.528 2.137 IPR 111 5.490 3.629 2.964 3.480 3.173 2.989 1.880 3.372 BRS MINOTAURO 4.569 3.238 2.487 2.990 3.012 2.582 2.426 3.043 Tabela 3. Peso do hectolitro de trigo e triticale das Faixas Regionais de Cereais de Inverno 2009. FAPA, Guarapuava, PR, 2010. Cultivar Gu arapuava Colônias Cantagalo Candói Pato Branco Pinhão Mangueirinha P itanga Média kg hl-1 CAMPEIRO - 2 82,0 80,2 80,4 79,0 73,7 79,1 CAMPEIRO - 1 82,7 79,7 80,6 81,1 77,9 77,6 73,4 79,0 CD 120 80,8 79,3 80,6 80,4 75,7 77,0 72,8 78,1 BRS GUAMIRIM 80,4 79,3 79,5 80,4 76,8 77,5 70,5 77,8 BRS GUABIJU 82,4 80,4 73,7 79,7 75,0 79,0 69,2 77,1 BRS PARDELA 79,5 78,2 76,8 78,6 76,6 77,0 70,1 76,7 SAFIRA 79,3 79,7 79,5 72,8 78,8 75,2 69,6 76,4 QUARTZO 79,5 81,1 77,7 71,2 78,2 72,5 70,1 75,8 BRS TANGARA-1 77,9 78,6 75,0 77,0 75,9 75,2 70,3 75,7 CD 105 78,6 77,9 77,7 76,8 75,9 72,3 67,2 75,2 BRS TANGARA- 2 78,2 78,2 75,0 69,2 75,1 BRS UMBU 76,4 73,4 76,8 75,5 73,2 73,0 71,9 74,3 CD 115 67,6 77,7 77,9 77,3 76,6 74,8 66,0 74,0 Média 78,9 78,7 77,8 77,3 76,5 75,6 70,3 IPR 111 68,3 71,2 71,9 70,5 66,0 68,1 66,0 68,9 BRS MINOTAURO 71,0 74,3 72,3 72,5 69,2 70,8 66,0 70,9 74,8 Tabela 4. Peso de mil sementes de trigo e triticale das Faixas Regionais de Cereais de Inverno 2009. FAPA, Guarapuava, PR, 2010. Guarapuava Colônias Candói Cantagalo Cultivar Pinhão Pato Branco Pita Mangueirinha nga Média PMS (g) BRS TANGARA -2 41,1 36,3 35,5 34,1 BRS TANGARA -1 40,5 35,6 35,3 34,0 36,4 30,3 22,9 34,0 24,8 33,9 BRS GUAMIRIM 34,7 32,3 33,7 33,4 35,5 31,3 26,7 32,5 CD 105 33,8 33,4 35,1 28,7 37,1 28,6 25,5 31,7 QUARTZO 40,1 31,8 30,9 33,6 27,3 25,0 23,1 30,3 CAMPEIRO -1 40,2 32,3 27,4 32,5 30,7 25,6 23,1 30,3 BRS PARDELA 33,2 34,4 33,1 31,3 31,5 24,4 CAMPEIRO-2 31,3 31,6 30,1 29,1 CD 120 32,6 30,0 30,2 28,6 31,3 BRS GUABIJU 32,0 28,9 29,5 28,9 30,6 22,7 30,1 24,5 29,3 25,6 23,5 28,8 28,4 22,9 28,7 BRS UMBU 27,0 28,6 30,3 34,8 24,0 25,4 21,1 27,3 CD 115 30,5 29,2 26,9 27,3 28,4 26,3 22,5 27,3 SAFIRA 34,2 30,4 28,8 29,9 22,5 24,0 19,7 27,1 Média 34,7 31,9 31,3 31,2 30,5 26,8 23,3 IPR 111 43,6 33,7 34,5 35,2 32,5 40,0 32,2 36,0 BRS MINOTAURO 33,3 30,7 28,9 31,7 26,0 27,2 23,9 28,8 Tabela 5. Rendimento de grãos de trigo e triticale das Faixas Regionais de Cereais de Inverno 2003 a 2009. FAPA, Guarapuava, PR, 2008. 20 2 2 2 Ano 03 2004 2005 2006 007 008 009 Nº Locais 10 6 6 6 8 8 8 édia 3559 4378 3360 3766 M kg ha-1 Cultivares CD 105 3888 4381 2630 4164 SAFIRA 4505 3200 4372 3243 3829 3179 3721 BRS UMBÚ 3984 3129 3997 2959 4427 3263 3627 BRS GUAMIRIM 3965 3072 4380 3465 3721 CD 115 4174 3098 4213 3094 3645 BRS GUABIJÚ 2857 3688 3104 3216 QUARTZO 3353 4650 3640 3881 CAMPEIRO 3745 BRS TANGARÁ 3336 CD 120 3375 BRS PARDELA 3171 IPR 111 BRS MINOTAURO 4544 3088 4538 3372 3886 3099 3970 3043 3371 OR MELHORAMENTO DE SEMENTES: - INVESTIMENTO EM LABORATÓRIO DE QUALIDADE INDUSTRIAL; - PRÉ-LANÇAMENTOS RS, SC E PR Ottoni de Sousa Rosa e Igor Pirez Valério Av. Rui Barbosa 1300, Petrópolis, Passo Fundo, RS 99050-120 [email protected] No início do ano de 2008, houve uma cisão na OR Melhoramento de Sementes Ltda. fazendo com que todas as variedades lançadas comercialmente fossem divididas com dupla titularidade: OR Melhoramento de Sementes Ltda. e Biotrigo Genética Ltda. Portanto, as variedades promovidas até o ano de 2008 pertencem 50% a OR Sementes e 50% a Biotrigo. Posterior a esta data, qualquer material que seja lançado por estas empresas, pertencerá exclusivamente a uma única empresa, a qual for detentora do material genético promovido. A OR Sementes tem sua sede na cidade de Passo Fundo-RS, com o contínuo trabalho dos seus pesquisadores no programa de melhoramento genético de trigo e no programa de resistência para Ferrugem da folha e do colmo. Além disto, tem intensificado o trabalho de pesquisa nos campos experimentais nas cidades de Coxilha-RS (Sementes e Cabanha Butiá), Arapongas-PR (Fazenda Balú) e VentaniaPR (Fazenda Mutuca). Parte da preferência dos triticultores nas variedades OR/Biotrigo, principalmente Quartzo, Mirante e Marfim, tem revelado uma forte aceitação da empresa por parte dos triticultores nos três principais estados do Sul do Brasil. Isto tem nos impulsionado a investir e aprimorar em determinados setores da empresa a fim de competir com trigos altamente produtivos, com boa aptidão industrial e resistência as principais doenças da cultura. Com a idéia de inovar e desenvolver novas ferramentas que possibilitem o avanço destes objetivos, a OR Sementes investiu no ano de 2009 no treinamento de seus pesquisadores em um dos principais programas de melhoramento de trigo do mundo, localizado no Canadá (Agriculture and Agri-Food Canada). Como parte deste investimento, apresentaremos neste informativo uma pequena informação sobre o novo laboratório de Qualidade Industrial da empresa e os primeiros Pré-lançamentos da OR Sementes para as safras 2012 e 2013. - Laboratório de Qualidade Industrial: A idéia inicial do novo laboratório é poder ajudar na seleção e identificação de constituições genéticas com elevada qualidade industrial, condizente com as exigências do mercado. Para tanto, houve forte investimento em equipamentos precisos como um Mixógrafo Computadorizado, possibilitando determinar e inferir sob parâmetros mixogáficos com maior precisão. Além deste aparelho, investimos em um colorímetro e outros equipamentos computadorizados. - Novos Pré-Lançamentos: Destacamos neste item os primeiros Prélançamentos da OR Sementes aos triticultores, com o objetivo de atender a exigência do mercado, tanto em produtividade como em qualidade industrial e resistência as principais doenças. Neste sentido, enfatizamos três linhagens (ORL 060742, ORL 060764 e ORL 060922) para lançamento a partir de 2012, todas de qualidade industrial pão, sendo uma destas, classificada como Trigo melhorador no Norte do Paraná. Além disto, evidenciam atributos semelhantes e destacados para resistência as principais doenças como ferrugem da folha e giberela. Estas linhagens estão sendo multiplicadas pelas sementes e Cabanha ButiáRS e pela Fazenda Mutuca-PR, disponibilizando semente básica destas linhagens no próximo ano. Assim, recomendamos a participação dos produtores de semente em dias de campo destes multiplicadores e ou observação deste material genético em ensaios de avaliação nos três estados do Sul do Brasil. PERFIL TECNOLÓGICO DE CULTIVARES DE TRIGO DA EMBRAPA INDICADAS PARA A REGIÃO CENTRO-BRASILEIRA NA SAFRA 2010 Martha Zavariz de Miranda1, Eliana Maria Guarienti1, Márcio Só e Silva1, Júlio Albrecht2, Pedro Luiz Scheeren1, Joaquim Soares Sobrinho1 e Eduardo Caierão1 1 Embrapa Trigo – Rodovia BR 285, km 294, Caixa Postal 451, Passo Fundo, RS, [email protected]. 2 Embrapa Cerrados – Rodovia BR 20, km 18, Planaltina, DF. A Região Centro-brasileira ou de Cerrados do Brasil, compreendida pelos estados de Minas Gerais, Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso e Bahia, caracteriza-se, originalmente, por solos pobres e ácidos, inverno de pouco frio e seco, elevada insolação e clima seco durante a colheita. Nesta região, o trigo cultivado apresenta predominância de grãos com textura vítrea, com bom rendimento em farinha e elevada força de glúten. As cultivares de trigo indicadas para a Região Centro-brasileira, avaliadas no Laboratório de Qualidade de Grãos da Embrapa Trigo, no período de 1993 a 2010, foram enquadradas nas classes comerciais: Trigo Brando, Trigo Pão, Trigo Melhorador e Trigo para Outros Usos (Tabela 1), de acordo com a Instrução Normativa no 7, de 15 de agosto de 2001, do Ministério da Agricultura e do Abastecimento – MAA (Brasil, 2001). Tendo em vista que a classe comercial estima a aptidão tecnológica da cultivar de trigo, quando cultivada em condições adequadas, esta não garante, absolutamente o mesmo enquadramento para um lote comercial, cujo desempenho dependerá de condições de clima, de solo, de tratos culturais, de secagem e de armazenagem, específicos. Objetivou-se caracterizar, quanto a qualidade tecnológica, as cultivares de trigo da Embrapa indicadas para regiões de cultivo de sequeiro e irrigado do Brasil Central na safra 2010,. Para a avaliar o perfil das sete cultivares de trigo da Embrapa, indicadas para o Brasil Central, foram realizadas análises no Laboratório de Qualidade de Grãos da Embrapa Trigo. O peso de mil sementes – PMS, determinado por pesagem em balança semi-analítica (Brasil, 1992); a cor da farinha analisada em colorímetro Minolta (L*= luminosidade, onde 0= preto e 100=branco, a* e b*= coordenadas de cromaticidade, onde -a*= verde, +a*= vermelho e -b*= azul, +b*= amarelo). As demais análises, peso do hectolitro - PH, número de queda - NQ; moagem experimental – EXT, dureza do grão (em sistema de caracterização individual da semente – SKCS) e alveografia (W= força de glúten; P= tenacidade; L= extensibilidade; P/L= relação tenacidade/extensibilidade; G= índice de intumescimento e Ie= índice de elasticidade), foram executadas segundo os métodos da AACC 55-10, 56-81B, 26-10A, 55-31 e 5430A, respectivamente (American, 2000). A classificação comercial das cultivares de trigo da Embrapa, segundo Brasil, (2001), indicadas para cultivo no Brasil Central em 2010, pode ser observada na Tabela 2, que inclui também o enquadramento em classes comerciais segundo a IN nº 7, ainda em vigor. Para cultivo de sequeiro existe indicação da cultivar Trigo BR 18Terena da classe Trigo Pão e para cultivo irrigado, de três cultivares, BRS 254, Embrapa 22 e Embrapa 42 da classe Trigo Melhorador e três, BRS 207, BRS 210 e BRS 264, da classe Trigo Pão. Na Tabela 3 são apresentados resultados de PH, PMS, dureza do grão, EXT e cor de farinha. Da safra 2008 para a 2009, somente tiveram novas amostras analisadas para qualidade tecnológica, das cultivares Trigo BR 18-Terena, BRS 254 e BRS 264. Assim, da mesma forma que na safra 2008, foi observado que a maior parte das cultivares de trigo da Embrapa indicadas para semeadura no Brasil Central apresenta valores elevados de PH (>78) e de PMS (>38); os grãos são classificados como muito duros e duros; o rendimento de farinha é expressivo (>60%); e tendência da farinha em apresentar cor branca (L* > 93 e a* próximos a zero). Farinhas claras é o quase sempre desejado pelas indústrias moageira e de produtos finais. Na Tabela 4 encontram-se informações de alveografia e de NQ do grão. Quanto ao número de queda, não foram encontradas amostras germinadas; todas apresentaram baixa atividade enzimática (NQ > 300 s). Os valores de ‘Ie’ acima de 50%, de ‘G’ acima de 20% e de relação P/L balanceada (P/L próximo a 1,00), indicam que estas cultivares de trigo da Embrapa, apresentam qualidade adequada para diferentes usos, como panificação, massas alimentícias secas, biscoitos tipo cracker e em mesclas com trigo mais fraco. Referências Bibliográficas AMERICAN ASSOCIATION OF CEREAL CHEMISTS. Approved methods. 10 ed. Saint Paul, 2000. BRASIL. Ministério da Agricultura e Reforma Agrária. Secretaria Nacional de Defesa Agropecuária. Regras de análises para sementes. Brasília, DF, 1992. p. 194-195. BRASIL. Ministério da Agricultura e do Abastecimento. Instrução Normativa no 7, de 15 de agosto de 2001. Norma de identidade e qualidade do trigo. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 21 ago. 2001. Seção 1, n. 160-E, p. 3335. Tabela 1. Classificação de trigo segundo legislação do MAA e sugestões de uso. Alveografia2 (W x 10-4 J) mínimo Número de queda (s) mínimo USO SUGERIDO Trigo Melhorador 300 250 Massas alimentícias secas, biscoitos cracker, panificação industrial, mescla com trigo brando ou mais fraco para panificação Trigo Pão 180 200 Panificação em geral, massas alimentícias, cracker, uso doméstico e em mesclas Trigo Brando 50 200 Bolos, biscoitos doces, produtos de confeitaria, pizzas, massas frescas, em mescla com trigo mais forte para panificação e/ ou uso doméstico < 200 Alimentação animal, uso industrial (revestimento de papel, adesivo, madeiras decorativas, detergentes, madeira compensada, produção de etanol), mescla com trigo mais forte para fazer biscoitos doces CLASSE COMERCIAL1 Trigo para Outros Usos Qualquer biscoitos Fonte: 1Brasil, 2001; 2W= força de glúten. Tabela 2. Classificação comercial das cultivares de trigo da Embrapa, indicadas para o Brasil Central e enquadramento em classes comerciais, segundo a Instrução Normativa nº 7, de 15/08/2001, do MAA. CULTIVAR Classe comercial* Estado % de amostras nas classes comerciais** 1 2 3 4 M P B OU o o o o N A (%) N A (%) N A (%) N A (%) 5 AA SEQUEIRO Trigo BR 18-Terena P MG, GO, DF, MT 14 36 24 62 1 3 0 0 39 IRRIGADO BRS 207 P MG, GO, DF 1 3 31 82 6 16 0 0 38 6 24 77 5 16 0 0 31 BRS 210 P MG, GO, DF 2 BRS 254 M MG, GO, DF, MT 20 80 5 20 0 0 0 0 25 16 62 2 8 2 8 26 BRS 264 P MG, GO, DF, MT, BA 6 23 Embrapa 22 M MG, GO, DF, MT, BA 26 63 15 37 0 0 0 0 41 Embrapa 42 M GO, DF 24 73 8 24 1 3 0 0 33 *M= Trigo Melhorador; P= Trigo Pão e B= Trigo Brando. **Cálculos baseados em análises de amostras de ensaios do Brasil Central, realizadas no Laboratório de Qualidade de Grãos da Embrapa Trigo, no período de 1993 a 2009. 1Trigo Melhorador. 2Trigo Pão. 3Trigo Brando. 4Trigo para Outros Usos. 5Número de amostras analisadas (AA). O enquadramento (%) representa a aptidão tecnológica, não significando que a cultivar será enquadrada sempre na mesma classe, devido ao efeito do ambiente sobre esta característica. Tabela 3. Resultados médios de peso do hectolitro, peso de mil sementes, dureza do grão, extração experimental e cor de farinha, para cultivares de trigo da Embrapa indicadas para cultivo no Brasil Central, em 2010, analisados no Laboratório de Qualidade de Grãos. Embrapa Trigo, Passo Fundo - RS, 2010. CULTIVAR 1 2 PH (kg/hl) PMS (g) Dureza 3 4 5 EXT (%) 6 7 L* a* b* 8 AA SEQUEIRO Trigo BR 18-Terena 78,89 37,8 78 64,72 92,84 0,37 9,08 39 BRS 207 76,49 39,7 85 60,20 93,37 -0,11 10,80 38 BRS 210 78,78 41,7 84 56,29 92,93 0,22 10,04 31 BRS 254 80,00 39,7 82 62,26 93,07 0,00 9,76 25 BRS 264 81,85 41,2 70 65,78 93,54 -0,15 9,86 26 Embrapa 22 80,29 41,1 77 62,26 93,30 0,05 9,73 41 Embrapa 42 81,80 44,3 77 62,31 93,26 0,06 9,80 33 IRRIGADO Cálculos baseados em dados de análises de amostras de ensaios do Brasil Central, realizadas no Laboratório de Qualidade de Grãos, da Embrapa Trigo, período de 1993 a 2010. 1Peso do hectolitro; 2Peso de mil sementes; 3Índice de dureza-ID/SKCS: ID > 90= extra duro (ED); 81-90= muito duro (MD); 65-80= duro (D); 45-64= semi-duro (SD); 3544= semi-mole (SM); 25-34= mole (M); 10-24= muito mole (MM); ID < 10= extra mole (EM). 4Taxa de extração de farinha ou rendimento de moagem; 5Cor-Minolta: L*= luminosidade. L*= 100 (branco total); L*= 0 (preto total); a* e b*= coordenadas de cromaticidade. 8AA= Número de amostras analisadas. Tabela 4. Resultados médios de parâmetros de alveografia e de número de queda, para cultivares de trigo recomendadas para cultivo no Brasil Central, em 2010, realizadas no Laboratório de Qualidade de Grãos. Embrapa Trigo, Passo Fundo - RS, 2010. CULTIVAR 1 -4 W (x 10 J) Parâmetros de alveografia 2 3 4 P P/ L G 6 Ie 5 NQ (s) AA 7 SEQUEIRO Trigo BR 18-Terena 286 75 0,70 23,7 53 427 39 229 79 1,02 20,0 52 322 38 IRRIGADO BRS 207 BRS 210 233 91 1,16 20,7 43 430 31 BRS 254 335 98 0,99 22,7 56 428 25 BRS 264 256 70 0,74 21,8 63 424 26 Embrapa 22 319 80 0,75 23,4 59 445 41 Embrapa 42 338 91 0,92 22,8 58 479 33 Cálculos baseados em análises de amostras de ensaios do Brasil Central, realizadas no Laboratório de Qualidade de Grãos da Embrapa Trigo, período de 1993 a 20010 Parâmetros de alveografia: 1força de glúten (W), 2tenacidade (P), 3 relação tenacidade/extensibilidade (P/L), 4índice de intumescimento (G) e 5índice de elasticidade (Ie). 6Número de queda (NQ), em segundos. 7Número de amostras analisadas (AA). CORRELAÇÃO ENTRE PARÂMETROS DE ALVEOGRAFIA E FARINOGRAFIA, USADOS NA AVALIAÇÃO DA QUALIDADE TECNOLÓGICA DE TRIGO Magali Kemmerich1, Martha Zavariz de Miranda2, Ellen Traudi Wayerbacher Rogoski2, Manoel Carlos Bassói3 e Francisco de Assis Franco4. 1 Universidade de Passo Fundo, Campus I, BR 285, km 171, Bairro São José, C.P. 611, CEP 99001-970, Passo Fundo, RS, Brasil. 2 Embrapa Trigo, Rodovia BR 285, km 294, C.P. 451, CEP 99001-970, Passo Fundo, RS, Brasil. [email protected]. 3 Embrapa Soja - Rodovia Carlos João Strass, Acesso Orlando Amaral, C. P. 231, CEP 86001-970 Londrina, PR, Brasil. 4 Cooperativa Central de Pesquisa Agrícola (COODETEC), Rodovia BR 467, km 98, C.P. 301, CEP 85813-450, Cascavel, PR, Brasil. A partir de julho de 2011, entrará em vigor a legislação que estabelece o novo Padrão Oficial de Classificação de trigo. A classe melhorador exigirá valores de estabilidade obtidos na farinografia de no mínimo 14 min e força de glúten da alveografia de mínimo 300 x 10-4J. Para as demais classes, pão, doméstico e básico, será necessário ou uma ou outra análise (Reunião, 2010). A farinografia determina as propriedades de mistura da massa de farinha de trigo, ou seja, avalia o comportamento da massa durante o processo mecânico de amassamento, sendo medidos parâmetros como tempo de desenvolvimento da massa (TDM), estabilidade (EST), índice de tolerância da massa à mistura (ITM), valor valorimétrico (V V), entre outros. A alveografia descreve as propriedades viscoelásticas da massa, pois simula o comportamento da massa durante a etapa de fermentação no processo de panificação, sendo considerados os parâmetros extensibilidade (L), tenacidade (P), relação P/L, índice de intumescimento (G), força de glúten (W) e índice de elasticidade (Ie). Uma vez que a maior parte dos moinhos e laboratórios de análise de trigo possuem o alveógrafo e como a farinografia é uma análise demorada e onerosa, a existência de algumas correlações poderia justificar a realização de somente a análise de alveografia. Desta forma, o objetivo deste trabalho foi verificar a correlação da estabilidade, da farinografia com a força de glúten (W) e o índice de elasticidade (IE) da alveografia, correlacionando entre si também os demais parâmetros destas duas análises. Para tal, foram analisadas, no Laboratório de Qualidade de Grãos da Embrapa Trigo (Passo Fundo, RS), 134 amostras de genótipos de trigo da safra 2009, quanto a alveografia, em alveógrafo Chopin (American, 2000, método 54-30A) e farinografia, em farinógrafo Brabender (American, 2000, método 54-21). Oito genótipos, BRS 208, BRS 220, BRS Pardela, BRS Tangará, WT 05106, WT 06107, WT 07105 e WT 07106, provenientes de ensaios de VCU, em Ibirarema (São Paulo), Cascavel, Ponta Grossa, Pato Branco e Cruzmaltina (Paraná) e Abelardo Luz (Santa Catarina), foram analisados com repetição, totalizando 64 amostras (32 resultados médios). E 35 genótipos, Abalone, BRS 179, BRS 194, BRS 208, BRS 278, BRS Buriti, BRS Guamirim, BRS Louro, BRS Timbaúva, BRS Umbu, Campeiro, CD 113, CD 114, CD 115, CD 117, CD 119, CD 120, Fundacep 47, Fundacep 50, Fundacep 51, Fundacep 52, Fundacep 300, Fundação Campo Real, Fundação Cristalino, Fundação Nova Era, Fundacep Horizonte, Fundacep Raízes, Marfim, Mirante, Onix, Pampeano, Quartzo, Safira, Supera e Vaqueano, originários do ensaio estadual de cultivares (EEC-RS) em São Augusto e Não-Me-Toque (Rio Grande do Sul), totalizando 70 resultados. A correlação entre os parâmetros de alveografia e farinografia, ao nível 5% de probabilidade, foi realizada através do programa Statistica For Windows (1995). Os resultados da análise de correlação são apresentados na Tabela 1. As correlações significativas superiores a 0,60, foram entre: W e P (r= 0,79), P/G (r= 0,63), Ie (r= 0,86), TDM (r= 0.62), EST (r= 0,71), ITM (r= -0,86), TQ (r= 0,72) e V V (r= 0,72); entre Ie e TDM (r= 0,62), EST (r= 0,78), ITM (r= -0,93), TQ (r= 0,75), e V V (r= 0,75); entre EST e P (r= 0,72), P/L (r= 0,75), P/G (r= 0,75), TDM (r= 0,91), ITM (r= 0,77), TQ (r= 0,98), V V (r= 0,98). As demais correlações superiores a 0,60 foram: P/L x P (r= 0,89), P/L x L (r= -0,74), G x L (r= 1,00), G x P/L (r= -0,77), P/G x P (r= 0,96), P/G x L (r= -0,69), P/G x P/L (r= 0,98), P/G x G (r= -0,71), TDM x P (r= 0,72), TDM x P/L (r= 0,76), TDM x P/G (r= 0,76), ITM x P (r= -0,68), ITM x TDM (r= -0,61), TQ x P (r= 0,77), TQ x P/L (r= 0,78), TQ x P/G (r= 0,79), TQ x TDM (r= 0,96), TQ x ITM (r= -0,75), V V x P (r= 0,77), V V x P/L (r= 0,78), VV x P/G (r= 0,79), x V V x TDM (r= 0,96), V V x ITM (r= -0,75) e V V x TQ (r = 1,00), ou seja, algumas entre os parâmetros da própria análise. Constatou-se que a força de glúten (W) e o Ie da alveografia apresentaram correlação significativa com a estabilidade (EST) da farinografia (r= 0,71 e 0,78, respectivamente), podendo-se estabelecer relação entre os resultados dessas análises, porém o ideal é que a alveografia não seja avaliada independentemente, pois a farinografia vem complementar a caracterização de amostras de trigo quanto à sua qualidade tecnológica, a fim dos resultados serem conclusivos. Referências bibliográficas AMERICAN ASSOCIATION OF CEREAL CHEMISTS. Approved methods. 10 ed. Saint Paul, 2000. REUNIÃO NACIONAL PARA CONSOLIDAÇÃO DO PROJETO DE REGULAMENTO TÉCNICO DO TRIGO, 2010, Brasília, DF. Memória... Brasília, DF: CONAB/MAPA, 2010. STATSOFT INCORPORATION. Statistica for windows: release 5.0. Tulsa, USA, 1995. Tabela 1. Correlação (p≤0,05) entre parâmetros de alveografia e farinografia. W W 1,00 P 0,79* L -0,06 P/L 0,50 P L -0,53 -0,06 -0,54 0,63* 0,96* -0,69* Ie 0,86* 0,57 0,07 AA 0,00 0,24 -0,18 TDM 0,62* 0,72* EST 0,71* 0,72* -0,86* -0,68* 0,72* P/G Ie AA TDM EST ITM TQ VV 1,00 0,89* -0,74* P/G TQ G 1,00 G ITM P/L 0,77* 1,00 1,00* -0,77* 0,98* 1,00 -0,71* 1,00 0,40 0,06 0,47 1,00 0,11 -0,15 0,17 -0,35 -0,38 0,76* -0,42 0,76* 0,62* 0,05 1,00 -0,35 0,75* -0,38 0,75* 0,78* -0,26 0,91* 1,00 0,00 -0,49 0,01 -0,58 -0,93* 0,24 -0,61* -0,77* 1,00 -0,37 0,78* -0,41 0,79* 0,75* -0,10 0,96* 0,98* -0,75* 1,00 1,00 VV 0,72* 0,77* -0,37 0,78* -0,41 0,79* 0,75* -0,10 0,96* 0,98* -0,75* 1,00* 1,00 Valores em vermelho (negativos) ou azul (positivos)= coeficientes de correlação significativos a 5% (*r > 0,60). Onde: parâmetros de alveografia – W= força de glúten, P= tenacidade, L= extensibilidade ou média da abcissa na ruptura, P/L= relação entre tenacidade e extensibilidade, G= índice de intumescimento, P/G= relação entre tenacidade e índice de intumescimento, Ie= Índice de elasticidade, AA= absorção de água, TDM= tempo de desenvolvimento da massa, EST= estabilidade, ITM= índice de tolerância a mistura, TQ= tempo de quebra, V V= valor do valorímetro. PARÂMETROS DE MOAGEM, ALVEOGRAFIA E RETENÇÃO DE SOLVENTES PARA CLASSIFICAR O USO TECNOLÓGICO DO TRIGO Maria Brígida dos Santos Scholz1, Brigite Makita Futigami2, José Renato Bordignon3, Carlos Roberto Riede1 1 Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR), Rod.Celso Garcia Cid, km 375, C.P.481, CEP 86001-970, Londrina, PR, e-mail:[email protected] 2 UTFPR- Curso Tecnologia de Alimentos Campus Londrina-PR 3 Kraft Foods Brasil - Av. Juscelino K. de Oliveira, 13.300, 81450-000-CIC- Curitiba, PR, e-mail: [email protected] A qualidade da farinha de trigo é determinada por uma variedade de características que assumem diferentes significados, dependendo da designação de uso ou tipo de produto a ser produzido (COSTA et al., 2008). A tecnologia do trigo está fundamentada na sua capacidade de formar a rede de glúten. As proteínas de reserva, representando 85% do conteúdo do glúten, são as principais determinantes das propriedades funcionais da farinha de trigo. A farinha de trigo destinada à panificação deve ter, em primeiro lugar, um conteúdo relativamente alto de proteína e, secundariamente, conter proteínas de qualidade para permitir expansão suficiente e uma boa distribuição das células gasosas dentro da massa. (CAMARGO; FRANCISCHI; CAMPAGNOLLI, 1997). Embora não sejam os principais produtos elaborados com farinha de trigo, os (cookies e crackers) são produtos de grande importância nesta indústria e são consumidos por pessoas de todas as idades. A farinha de trigo constitui o principal ingrediente das formulações de biscoitos, pois fornece a matriz em torno da qual os demais ingredientes são misturados para formar a massa. Tal farinha deve apresentar uma taxa de extração entre 70-75%, teor de proteínas entre 8 e 11% e glúten extensível. Biscoitos de boa qualidade são obtidos a partir de farinhas de trigo brandos, de baixo teor de proteínas, alta extração de farinha de quebra, sendo a dureza do grão a características mais importante. A avaliação da qualidade dos genótipos de trigo nas fases iniciais do melhoramento reduz custos e tempo, pois são continuados nos processo de seleção somente aqueles genótipos que terão o uso tecnológico corretamente definido. O objetivo do presente estudo foi identificar nos genótipos de trigo as características de qualidade adequadas para a fabricação de pães e biscoitos (cookies e crackers), através dos parâmetros de moagem, características físico-químicas dos grãos e das características reológicas e capacidade de retenção de solventes da farinha. Foram coletadas amostras de genótipos de trigo em experimentos do IAPAR, na estação experimental de Londrina-Pr na safra de 2008. Estas foram beneficiadas e mantidas em câmara fria até a realização das análises. Na Tabela 1 estão relacionados os genótipos de trigos avaliados. A umidade e proteínas foram determinadas (em percentual) como escrito no Método 925.10 da AOAC (1990). O número de queda que avalia o grau de germinação do trigo foi avaliado segundo o método AACC 56-81 B. (AACC, 1995). Os grãos de trigo moídos com granulometria de 0,5 mm foram utilizados na determinação do volume de sedimentação na presença de SDS - dodecil sulfato de sódio, de acordo com o método descrito por Dick e Quick, (1983). O teste de capacidade de retenção de solvente foi conduzido segundo metodologia da AACC Método 56-11, publicado em Roccia et al., (2006). Neste método cinco gramas de farinha de trigo são suspensas em 25g do solvente (água, de solução de sacarose, de ácido lático 5% e em carbonato de sódio 5%). As amostras são agitadas em durante 20 minutos e centrifugadas a 1000xg durante 15 minutos. O precipitado obtido de cada solvente foi pesado e a capacidade de retenção de solvente foi calculada. A cor das farinhas foi avaliada em colorímetro Minolta Chroma Meter 410 C, descrito em Kim e Flores, (1999). A moagem experimental foi realizada no moinho Chopin, modelo CD1, após acondicionamento de 500g de trigo durante 16h para atingir a umidade de 15,5%, método 26-10 descrito em AACC, (1995). Os produtos de moagem obtidos durante a moagem são: farelo de quebra (FarQ), farinha de redução (FarR) e taxa de extração. As características viscoelásticas da farinha de trigo foram determinadas no alveógrafo marca Chopin, utilizando o método n° 54-30 da AACC (1995). Em estudo prévio, estas amostras foram selecionadas pelos valores de alveografia, (força de glúten e extensibilidade) que são critérios para indicar trigos para a panificação. Porém, é sabido que para a elaboração de biscoitos estes parâmetros são insuficientes para identificar o potencial tecnológico de um genótipo. Desta maneira aplicou-se o teste de capacidade de retenção de solvente e acrescentaram-se os valores obtidos na moagem experimental para demonstrar as características tecnológicas dos genótipos. A Tabela 2 apresenta parâmetros de qualidade das amostras de genótipos de trigos analisados. Pode-se observar que o número de queda de todas as amostras foram superiores a 200s, indicando que não ocorreu processo de germinação. Com relação à média do teor de proteína foi de 18,18%, sendo que o valor mínimo e máximo foram respectivamente 14,89 e 21,23%. Tanto o rendimento de farinha de redução como a taxa de extração determinam o potencial de moagem de trigo e podem ser influenciados pelo tipo de equipamento utilizado para a extração. No moinho experimental utilizado obteve-se uma porcentagem média de FarQ das amostras analisadas de 15,92%. Em relação ao rendimento da FarR observou-se uma média de 46,57%, sendo que o valor mínimo foi de 32,53 e o máximo de 51,86%. A taxa de extração da farinha foi em média 69,51%, com valores mínimos e máximos de 62,44 e 77,02%, respectivamente. Na avaliação da qualidade reológica da massa determinada através da alveografia verificou-se que para todas as amostras o valor médio de tenacidade (P) foi de 58,44mm e a média para a extensibilidade (L) foi de 116,20mm. Em relação à força de glúten, a média foi de 190,17 Jx10-4, observando uma maior amplitude de valores (72,00 a 417,00 Jx10-4). Constatou-se entre as amostras avaliadas que a média da luminosidade (L*) foi de 90,87. A média dos valores de a*, que varia do verde ao vermelho, foi de -0,80, sendo seu valor mínimo de -2,00 e o máximo de -0,11. A média em relação aos valores de b*, que varia do azul ao amarelo, foi de 9,93. Para a avaliação multivariada das características tecnológicas dos genótipos de trigo a matriz formada variáveis de moagem, alveografia, capacidade de retenção de solventes e coloração da farinha de trigo e pelos genótipos de trigo foi submetida à Análise de Componentes Principais. Nesta análise verificou-se que os dois primeiros componentes explicam 54,48 % da variabilidade das amostras (Tabela 3). O primeiro componente (CP1), responsável por 33,96% da variabilidade das amostras, é o resultado das correlações entre as variáveis elasticidade (P), força de glúten (W), farinha de quebra (FarQ), capacidade de retenção de água, de carbonato e de sacarose, luminosidade e componentes cromáticos (a* e b*), sugerindo que a determinação das propriedades funcionais da proteína e do carboidratos são os fatores importantes para a separação das amostras. O segundo componente (CP2), que justifica 20,52% da variabilidade das amostras, resultou da correlação de porcentagem proteína, sedimentação, número de queda, capacidade de retenção de ácido lático e extração da farinha (Ext) parâmetros relacionados com a quantidade de proteínas presentes. Na projeção das variáveis no plano formado pelos componentes CP1 e CP2 comprava-se que genótipos com altos rendimentos de farinha de quebra apresentam coloração mais clara. Trigos de maior força de glúten (W alto) absorveram mais água em conseqüência da maior quantidade de amido danificado ao ser retirado de uma matriz do glúten de estruturas fortes. Observou-se ainda, que trigos com maior quantidade de proteína apresentaram maior a força de glúten e maior quantidade de água absorvida. Farinhas com alta absorção de água e de carbonato também são farinhas resultantes de genótipos com alta produção de farinha de redução. A maior absorção de ácido lático é encontrada em trigo de alta força de glúten porque as proteínas do glúten são extraídas neste solvente. Quando os genótipos de trigo são projetados no espaço formado pelos CP1 e CP2 é possível obter uma descrição das características dessas amostras considerando o rendimento de moagem, o comportamento na alveografia, sua capacidade de retenção de solventes e a coloração da farinha, simultaneamente. As localizações das farinhas 790 e 793 (identificação em Material e Métodos) permitem dizer que as mesmas apresentam alto rendimento de farinha de quebra, baixa retenção de água e de carbonato e baixa força de glúten e, portanto são apropriadas para a elaboração de biscoitos tipo cookies. As farinhas 959, 952 e 976, com força de glúten (W) e capacidade de retenção de água medianas, com alto rendimento de farinha de quebra e de coloração clara são apropriadas para a fabricação de biscoitos tipo crackers, produzidos através de um processo fermentativo, que exige certa estrutura de rede de glúten. Já as farinhas 962, 963, 957 e 958 contêm uma forte rede de glúten indicados pelos valores de W e de CRS de ácido lático, alta capacidade de absorção de água, alta produção de farinha de redução e, seriam adequadas para a elaboração de pães. As amostras situadas na parte central da Figura1 não possuem características completamente definidas para a elaboração de um produto específico. São farinhas que devem ser devidamente corrigidas através de aditivos e então serem empregadas na elaboração de pães e biscoitos. A identificação das propriedades de farinhas nas etapas iniciais de melhoramento através de testes específicos possibilita a seleção de cultivares com características adequadas para uso industrial, garantindo a aceitabilidade da nova variedade, além de beneficiar o produtor na comercialização de um produto com o uso final identificado. Referências bibliográficas AACC. American Association of Cereal Chemists. Approved Methods. St. Paul Minn. 1995. A.O.A.C. Official Methods of analysis of the Association of Official Analytical Chemists. 15 ed. Washington: A.O.A.C. 1990. 1298p. CAMARGO, C. R. O.; FRANCISCHI, M. L. P.; CAMPAGNOLLI, D. M. F. Composição da proteína e a qualidade de panificação da farinha de trigo. Boletim da Sociedade Brasileira de Ciência e Tecnologia de Alimentos, v.31, n.1, p.25-32, 1997. COSTA, M.G., SOUZA, E.L; STAMFORD, T.L.M.; ANDRADE, S.A.C. Qualidade tecnológica de grãos e farinhas de trigo nacionais e importados Ciênc. Tecnol. Aliment., v. 28, n. 1, p. 220-225, 2008. DICK, J.; QUICK, J. Modified screening test for rapid estimation of gluten in early generation durum wheat breeding lines. Cereal Chemistry, v. 60, n. 2, p. 315-318, 1983. KIM, Y.S.; FLORES, R.A. Determination of bran contamination in wheat flours using ash content, color and bran speck counts. Cereal Chemistry, v. 76, n. 6, p. 957-961, 1999. ROCCIA, P. et al . Use of solvent retention capacity profile to predict the quality of triticales. Cereal Chemistry, v. 86, n.3, p. 243-248, 2006. Tabela 1. Relação das amostras empregadas no presente estudo ID 776 778 779 780 781 782 783 784 785 786 Linhagen s LD 052223 LD 091202 LD 091203 LD 092107 LD 092211 LD 092108 LD 092109 T 041168 T 071024 T 071050 ID 787 788 789 790 791 792 793 948 949 952 Linhagens T 071082 T 071091 T 071098 T 071099 T 071109 T 071125 T 082006 PF 980537 PF990283 PFW015291-A ID 953 956 957 958 959 962 963 964 966 968 Linhage ns T041295 T071003 T071006 T071025 T071050 WT0603 9 WT0608 0 WT0608 3 WT0610 7 LD2004 ID 969 970 971 972 973 974 976 977 979 980 981 Linhagens LD2010 LD0221 LD0320 IA072118 IA072120 LD999 CRBD/KAUZ NG8675/CBRD SHANGAI SHA3/CBRD PF990283B Tabela 2. Média geral, valores máximos e mínimos e desvio padrão dos componentes dos grãos, alveografia, moagem, capacidade de retenção de solventes e cor das cultivares de trigo Variáveis Pro (%) Sed (ml) NQ (s) P (mm) L (mm) -4 W (Jx10 ) P/L FarQ (%) FarR (%) Ext (%) HO2 Carb Sac Alac L* a* b* Mínimo 14,89 6,64 212 31 48 72 0,21 9,84 32,53 62,44 46,91 54,61 79,00 79,70 89,32 -2,00 6,54 Máximo 21,23 17,91 632 105 215 417 1,55 30,44 51,86 77,02 66,89 79,58 112,87 145,42 93,59 -0,11 14,55 Média 18,18 12,08 437,73 58,44 116,20 190,17 0,57 15,92 46,57 69,51 59,70 70,69 94,86 110,16 90,87 -0,80 9,93 DP 1,71 2,70 107,27 15,79 34,39 70,00 0,29 5,16 4,02 3,59 4,72 5,44 8,09 17,01 1,13 0,41 1,80 Tabela 3. Correlações entre as variáveis e componentes e a variabilidade retida em cada componente. CP1 -0,164 0,336 0,091 0,771 -0,160 0,591 0,483 -0,776 0,600 -0,589 0,922 0,796 0,258 0,127 -0,824 -0,489 0,793 PRO Sed NQ P L W P/L FarQ FarR Ext HO2 Carb Sac Alac L* a* b* CP2 -0,521 0,388 -0,734 0,311 -0,117 0,486 0,211 0,472 -0,611 -0,133 -0,038 0,190 0,712 0,874 0,384 0,084 -0,248 Biplot (eixos F1 e F2: 54,48 %) 10 959 976 957 Alac 968 952 F2 (20,52 %) FarQ L* 783 786 958 Sac 5 966 W 953 964 Sed 971 P P/L Carb 970 974 979 972 969 a*784 962 963 0 Ext 793 -5 L 980 776 948 b* 981779 949 782780 956 787 FarR 781 778 NQ PRO 789 785 791 790 973 977 HO2 788 792 -10 -20 -15 -10 -5 0 5 10 15 F1 (33,96 %) Figura 1. Dispersão das amostras do plano formado pelos componentes CP1 e CP2. AVALIAÇÃO DE TRITICALE: SAFRAS BRASILEIRAS E MUNDIAIS Alfredo do Nascimento Junior1 1 Embrapa Trigo. Caixa Postal 451, CEP 99001-970, Passo Fundo, RS. E-mail: [email protected]. Os grãos de triticale são utilizados principalmente para a alimentação animal e, em menor quantidade, na alimentação humana. Como cultura de cobertura, contribui efetivamente para manutenção do sistema agrícola, principalmente em sistema de semeadura direta na palha, proporcionando boa cobertura vegetal para a cultura sucessora, mesmo em áreas com baixa fertilidade e/ou solos arenosos. De bom potencial produtivo, é altamente tolerante à acidez nociva dos solos tolerando também déficit hídrico. Áreas para semeadura e metodologias destinadas ao triticale normalmente não são adequadas ou não permitem desenvolvimento satisfatório do trigo e/ou da cevada, por limitarem a produção dessas espécies, reduzindo a lucratividade. Nos países produtores, incremento em área de cultivo vem ocorrendo desde 2000 (média de +9,2% a.a.), com pequeno declínio em 2006 e novos acréscimos para as safras de 2007 e 2008. O principal produtor é a Polônia, com 1,33 milhão de hectares colhidos, sendo que os seis maiores países produtores, com área colhida superior a 240 mil hectares, contabilizam mais de três milhões de hectares (Tabela 1). O Brasil foi o país que mais apresentou redução na área semeada entre 2006 e 2008 (-25,2%), seguido da Suécia (-10%), enquanto que Áustria (+96%), Lituânia (+50%), República Tcheca (+41%), Bielorússia (+22%), Romênia (+16%), Turquia (+14%), Polônia (+12%) e Austrália (+11%) tiveram incrementos superiores a 10%. Alemanha, China, Dinamarca, Espanha, França e Hungria apresentaram variações, positivas ou negativas, porém não expressivas no período (Tabela 1). A produtividade de grãos mundial média em 2008 foi de 3.927 kg ha-1 (Tabela 1). No Brasil, entre os anos de 2000 e 2004 houve estabilização de área de triticale entre 109 e 126 mil hectares, com valor máximo de 134.868 hectares colhidos, registrado em 2005. A partir de 2007, a área vem decrescendo, sendo os 69.350 hectares contabilizados em 2009 (Tabela 2), a menor safra dos últimos nove anos. Em 2009 a produtividade média nacional de grãos de triticale foi de 2.157 kg ha-1, inferior ao ano anterior (2.441 kg ha-1), e expressivamente inferior a média mundial de 2009 (Tabela 1). Deve-se, no entanto, ao realizar a comparação de rendimento médio de grãos, considerar o tipo de planta cultivada. No país, são semeadas cultivares de triticale de hábito primaveril, a exemplo da Austrália, com rendimentos semelhantes ao brasileiro. Entretanto, países como Alemanha, França, Polônia, Suécia e outros, que cultivam triticale de hábito invernal, de ciclo mais longo e exigentes em vernalização, possuem rendimento potencial médio de grãos de 5.000 kg ha-1 (Tabela 1). Existem cultivos de triticale nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul, São Paulo e em Minas Gerais. Entretanto, nas informações disponibilizadas pelo IBGE, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais não são citados. Paraná e São Paulo colheram as maiores áreas, tendo São Paulo também apresentado o maior rendimento médio de grãos em 2009. Juntos, Paraná e são Paulo respondem por 86% da produção nacional de grãos de triticale (Tabela 3). Em 2010 é esperada redução da ordem de 2,8% na área nacional de triticale relativa a 2009 (Tabela 3), com diminuição no Paraná e em Santa Catarina. Incrementos próximos de 40% são esperados no Rio Grande do Sul, embora com área pouco expressiva na produção brasileira, média 2009/2010 inferior a 10%, apesar desse estado ter contribuído significativamente na produção do cereal no passado. A variação de preços médios nominais recebidos pelos produtores no estado do Paraná, entre 2006 e junho de 2010, contabilizada pela SEAB/DERAL é mostrada na tabela 4. Existe estreita relação de preços com as séries históricas de preços médios do milho recebidos pelos produtores, de aproximadamente 8,7% superior para o triticale, variando entre 2,2 e 13,9%, em 2009. Essa relação foi de 27,3% em 2008, 1,1% negativa em 2007 e de 0,8% em 2006. Entre março e maio de 2008 os valores recebidos pelos produtores foram significativos, sendo que em setembro de 2008 um saco de triticale de 60 kg era cotado em 29,8% superior, comparado ao mesmo volume de milho em grãos. Entretanto, a partir de novembro de 2009 é notado um decréscimo no valor nominal do triticale e da relação do valor nominal com o preço do milho (Tabela 4). No Paraná e em Santa Catarina o destino principal dos grãos colhidos foi à indústria de ração animal, com o objetivo de baratear o custo de produção de suínos e aves, seja pela substituição parcial ou total do milho e parcial de farelo de soja, cotado em julho de 2009 a R$ 850,00/t. A condição meteorológica nos locais de cultivo de triticale durante a estação de crescimento e desenvolvimento das plantas durante a safra de 2009 foi considerado insatisfatório em todos os Estados produtores. O regime pluviométrico foi excessivo a partir do espigamento até a colheita das plantas, favorecendo a incidência de brusone mais ao norte da região produtora e de giberela, no sul, reduzindo a produtividade e a qualidade dos grãos produzidos. Referências Bibliográficas FAO. FAOSTAT – Forestry. Disponível em http://faostat.fao.org/site/567/default.aspx #ancor. Acesso em 13 jul. 2010. IBGE. Levantamento Sistemático da Produção Agrícola. Disponível em http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/agropecuaria/lspa/default.shtm. Acesso em 13 jul. 2010. PARANÁ. Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento. Departamento de Economia Rural. Preços/produtor/mensal. Disponível em http://www.seab.pr.gov.br/. Acesso em 13 jul. 2010. Tabela 1. Área colhida e rendimento de grãos de triticale nos principais países produtores entre 2006 e 2008. Embrapa Trigo, 2010. Área colhida Rendimento médio de grãos (ha) (Kg ha-1) País 2006 2007 2008 2006 2007 2008 Polônia 1.194.282 1.263.700 1.333.460 2.677 3.325 3.344 Bielorússia 376.016 411.300 458.291 2.602 3.020 3.968 Alemanha 404.600 380.600 398.800 5.529 5.695 5.972 Austrália 340.000 360.000 376.000 539 1.250 1.338 França 331.354 330.000 343.106 5.123 4.664 5.307 China 250.000 300.000 245.500 1.600 2.000 876 Hungria 132.838 129.000 132.100 3.314 2.891 3.849 Lituânia 65.300 80.500 98.200 1.691 2.827 3.167 Brasil 101.088 80.107 75.640 2.090 2.355 2.440 Suécia 54.800 53.600 49.500 4.670 5.155 4.425 Rep. Tcheca 41.020 50.050 57.758 3.202 4.288 5.313 Espanha 44.691 47.832 44.600 2.558 2.939 5.413 Áustria 23.648 38.852 46.309 4.654 5.380 3.043 Dinamarca 36.000 32.200 35.900 4.342 4.655 5.162 Romênia 27.356 30.842 31.785 2.606 3.512 3.172 Turquia 24.111 24.000 27.391 3.220 3.109 3.422 Outros (16) 138.449 4.091 Mundo 3.598.257 3.739.578 3.892.789 3.149 3.642 3.927 Fonte: FAO, 2010. Tabela 2. Área e rendimento de grãos de triticale no Brasil entre 2007 e 2009. Embrapa Trigo, 2010. Área colhida Rendimento médio de grãos (ha) (Kg ha-1) Estado 2007 2008 2009 2007 2008 2009 900 Mato Grosso do Sul 1.000 São Paulo 24.900 25.540 25.540 2.630 2.722 2.737 2.295 2.409 1.795 Paraná 40.675 40.746 36.563 5.660 2.475 2.395 2.094 2.084 2.002 Santa Catarina 1.561 1.710 1.903 7.872 6.879 4.852 Rio Grande do Sul Total (Brasil) 80.107 75.640 69.350 2.295 2.441 2.157 Fonte: IBGE, 2010. Tabela 3. Área de participação dos estados produtores de triticale no Brasil em 2009 e estimativas para 2010, e respectivas participações em área de cultivo nacional (% Nac). Embrapa Trigo, 2010. Participação Área (ha) Variação Nacional colhida prevista % % % Estado 2009 2010 2009/10 2009 2010 25.540 25.540 0,0 36,8 37,9 São Paulo Paraná 36.563 32.660 -10,7 52,7 48,4 Santa Catarina 2.395 2.345 - 2,1 3,5 3,5 41,8 7,0 10,2 Rio Grande do Sul 4.852 6.879 69.350 67.424 -2,8 100,0 100,0 Total (Brasil) Fonte: IBGE, 2010. Tabela 4. Triticale em grãos: preços médios nominais mensais recebidos pelos produtores em R$/sc, no Paraná no período de 2006 a junho de 2010 e relação com o preço pago ao milho entre set/08 a jun/10 em %. Embrapa Trigo, 2010. Mês Ano Jan. 2006 12,80 12,27 11,30 10,44 10,58 11,20 10,96 11,28 12,46 15,87 17,31 15,80 2007 15,82 15,56 15,32 14,87 14,19 13,93 14,62 16,25 20,17 22,76 22,47 21,97 2008 22,95 22,75 27,04 30,48 33,55 2009 19,15 18,50 18,37 18,60 18,65 17,61 17,06 16,64 15,73 15,17 13,78 12,90 2010 13,56 12,71 11,42 10,88 10,80 11,87 % em relação ao milho Fev. - - - - - Jul. - Ago. Set. - - - - - Out. Nov. Dez. 23,00 21,00 19,38 18,03 - - - - 2008 - 2009 +9,1 +7,1 +13,9 +12,8 +7,2 +2,2 +10,5 +13,2 +8,5 -0,2 -11,2 -13,0 2010 -7,0 -9,8 Fonte: Paraná, 2010. - Mar. Abr. Mai. Jun. -17,5 -20,5 -21,4 -14,8 - - +29,8 +23,7 +23,3 +18,5 - - - - Tabela 1. Área colhida e rendimento de grãos de triticale nos principais países produtores entre 2006 e 2008. Embrapa Trigo, 2010. Área colhida Rendimento médio de grãos (ha) (kg/ha) País 2006 2007 2008 2006 2007 2008 Polônia 1.194.282 1.263.700 1.333.460 2.677 3.325 3.344 Bielorússia 376.016 411.300 458.291 2.602 3.020 3.968 Alemanha 404.600 380.600 398.800 5.529 5.695 5.972 Austrália 340.000 360.000 376.000 539 1.250 1.338 França 331.354 330.000 343.106 5.123 4.664 5.307 China 250.000 300.000 245.500 1.600 2.000 876 Hungria 132.838 129.000 132.100 3.314 2.891 3.849 Lituânia 65.300 80.500 98.200 1.691 2.827 3.167 Brasil 101.088 80.107 75.640 2.090 2.355 2.440 Suécia 54.800 53.600 49.500 4.670 5.155 4.425 Rep. Tcheca 41.020 50.050 57.758 3.202 4.288 5.313 Espanha 44.691 47.832 44.600 2.558 2.939 5.413 Áustria 23.648 38.852 46.309 4.654 5.380 3.043 Dinamarca 36.000 32.200 35.900 4.342 4.655 5.162 Romênia 27.356 30.842 31.785 2.606 3.512 3.172 Turquia 24.111 24.000 27.391 3.220 3.109 3.422 Outros (16) 138.449 4.091 Mundo 3.598.257 3.739.578 3.892.789 3.149 3.642 3.927 Fonte: FAO (2010). Tabela 2. Área (hectares) e rendimento de grãos (kg/hectares) de triticale no Brasil entre 2007 e 2009. Embrapa Trigo, 2010. Área colhida Rendimento médio de grãos (ha) (Kg ha-1) 2007 2008 2009 2007 2008 2009 Estado Mato Grosso do Sul 1.000 900 São Paulo 24.900 25.540 25.540 2.630 2.722 2.737 40.675 40.746 36.563 2.295 2.409 1.795 Paraná Santa Catarina 5.660 2.475 2.395 2.094 2.084 2.002 1.561 1.710 1.903 Rio Grande do Sul 7.872 6.879 4.852 80.107 75.640 69.350 2.295 2.441 2.157 Total (Brasil) Fonte: IBGE (2010). Tabela 3. Área (hectares) de participação dos estados produtores de triticale no Brasil em 2009 e estimativas para 2010, e respectivas participações em área de cultivo nacional (% Nac). Embrapa Trigo, 2010. Participação Área (ha) Variação Nacional colhida prevista % % % 2009 2010 2009/10 2009 2010 Estado São Paulo 25.540 25.540 0,0 36,8 37,9 Paraná 36.563 32.660 -10,7 52,7 48,4 2.395 2.345 - 2,1 3,5 3,5 Santa Catarina 41,8 7,0 10,2 Rio Grande do Sul 4.852 6.879 Total (Brasil) 69.350 67.424 -2,8 100,0 100,0 Fonte: IBGE (2010). Tabela 4. Triticale em grãos: preços médios nominais mensais recebidos pelos produtores em R$/sc, no Paraná no período de 2006 a junho de 2010 e relação com o preço pago ao milho entre set/08 a jun/10 em %. Mês Ano Jan. Fev. Mar. Abr. Mai. Jun. Jul. Ago. Set. Out. Nov. Dez. 12,80 12,27 11,30 10,44 10,58 11,20 10,96 11,28 12,46 15,87 17,31 15,80 2006 15,82 15,56 15,32 14,87 14,19 13,93 14,62 16,25 20,17 22,76 22,47 21,97 2007 22,95 22,75 27,04 30,48 33,55 23,00 21,00 19,38 18,03 2008 19,15 18,50 18,37 18,60 18,65 17,61 17,06 16,64 15,73 15,17 13,78 12,90 2009 13,56 12,71 11,42 10,88 10,80 11,87 2010 % em 2008 +29,8 +23,7 +23,3 +18,5 relação 2009 +9,1 +7,1 +13,9 +12,8 +7,2 +2,2 +10,5 +13,2 +8,5 -0,2 -11,2 -13,0 ao milho 2010 -7,0 -9,8 -17,5 -20,5 -21,4 -14,8 Fonte: Paraná (2010). CONSIDERAÇÕES AO ENSAIO DE TRIGO DO MAPA CONDUZIDO NA Embrapa Trigo EM 2009 Alfredo do Nascimento Junior1, Mariane Cezarotto de Moraes2, Sílvia Ortiz Chini3, Máico Serafíni Betto4, Henrique Pacheco3 1 Embrapa Trigo. Caixa Postal 451, CEP 99001-970, Passo Fundo, RS. 2 Universidade de Passo Fundo, bolsista de iniciação científica (FAPERGS). 3 Universidade de Passo Fundo, bolsista de iniciação científica (PIBIC-CNPq). 4 Universidade de Passo Fundo, bolsista de iniciação científica (Embrapa). E-mail: [email protected]. Com o objetivo principal de revisar os descritores mínimos oficiais utilizados para os ensaios de Distingüibilidade, Homogeneidade e Estabilidade (DHE) de trigo no Brasil, em 2009, teve início um trabalho cooperativo realizado entre o MAPA, obtentores e os respectivos melhoristas de trigo. Foram preparados ensaios em nível nacional constituídos de cultivares de trigo padrões servindo de teste para a determinação de DHE, com pequenas distinções regionais. Secundariamente, procurou-se obter informações quanto à homogeneidade de características morfológicas das diversas cultivares testadas. A semeadura, condução e avaliação dos ensaios foram realizadas em parceria com as empresas BIOTRIGO GENETICA, COODETEC, EMBRAPA, FUNDACEP e IAPAR, que, isoladamente, conduziram um ensaio na Região Centro-Oeste, três ensaios no Rio Grande do Sul e três ensaios no Paraná. Vinte e uma cultivares de trigo foram testadas nos ensaios. Dezesseis cultivares estiveram presentes em todos os ensaios. Três cultivares foram acrescentadas no ensaio da Região Centro-Oeste, uma acrescentada em cada um dos seis ensaios da região Sul e mais uma acrescentada em cada um dos três ensaios do Paraná, somando 19, 17 e 18 cultivares, respectivamente, por ensaio em cada região/estado. A densidade de semeadura foi pré-definida pelo MAPA e as amostras devidamente identificadas por “letras”, sem conhecimento prévio ou identificação das cultivares. No ensaio conduzido pela Embrapa Trigo em Passo Fundo, 17 cultivares conhecidas previamente foram testadas, (ASTECA, BRS 229, BRS 249, BRS Camboatá, BRS Guamirim, BRS Pardela, BRS Tangará, Fundacep 51, Fundacep Campo Real, Fundacep Horizonte, IPR 129, IPR 130, IPR 136, QUARTZO, VALENTE, VAQUEANO e Fundacep Raízes), porém, não identificadas nominalmente, tendo sido apenas denominadas de “A” a “Z”, excetuando-se “K”, “L” e “Z”. A semeadura foi realizada em 14/07/2010 e a emergência das plantas ocorreu em 25/07/2010. Aplicações fungicidas e inseticidas foram sempre realizadas preventivamente de acordo com as indicações para a cultura. Dos 25 descritores mínimos oficiais de Distingüibilidade, Homogeneidade e Estabilidade (DHE) de trigo no Brasil, excetuando-se a reação ao crestamento e da textura de grãos, devido à quantidade limitada de sementes e excesso de chuvas na colheita, respectivamente, foram avaliados. Quanto às observações, utilizou-se UPOV como padrão, adaptando as devidas caracterizações no momento do preenchimento do formulário de descritores mínimos brasileiros. Todos os 17 genótipos apresentaram variações em pelo menos dois descritores. Desses, dois genótipos apresentaram variações em duas características, dois genótipos apresentaram variações em três características, nove genótipos apresentaram variações em quatro características, dois genótipos apresentaram variações em cinco características e dois genótipos apresentaram variações em seis características. As características que mais apresentavam variações em ordem decrescente foram: Folha. Posição da lâmina da folha bandeira em relação ao colmo, no início do espigamento: dezessete genótipos; Folha. Coloração das aurículas: quatorze genótipos; Gluma. Forma do ombro: treze genótipos; Colmo. Forma do nó superior: nove genótipos; Colmo. Diâmetro do colmo: seis genótipos; Colmo. Espessura das paredes: cinco genótipos; Gluma. Pilosidade: quatro genótipos. Esse comportamento pode ser evidência de elevada interação genótipo x ambiente ou de variabilidade intrínseca das cultivares fixada na seleção/purificação dos genótipos. A variabilidade geral dos genótipos, em cada característica, e a variância entre os genótipos foi assim expressa (numeração de acordo com formulário de descritores mínimos oficiais de DHE Brasil): 01. Planta. Hábito vegetativo - média de 5,5; moda de 5; mínimo de 3 e máximo de 8; em que, "1 Prostrado, 3 Semi-prostrado, 5 Intermediário, 7 Semi-ereto e 9 Ereto"; 02. Planta. Altura média da planta - média de 88,5 cm; moda de 84 cm; mínimo de 74,7 cm e máximo de 102,7 cm; 04. Folha. Cerosidade da bainha da folha bandeira - média de 4,4; moda de 4; mínimo de 3 e máximo de 5; em que, "1 Ausente, 3 Fraca e 5 Forte"; 05. Folha. Coloração das aurículas - média de 2,9; moda de 4; mínimo de 1 e máximo de 4; em que, "1 Incolor, 2 Pouco colorida, 3 Colorida, 4 Heterogênea"; 07. Colmo. Cerosidade do pedúnculo - média de 4,9; moda de 5; mínimo de 4 e máximo de 5; em que, "1 Ausente, 3 Fraca e 5 Forte"; 10. Espiga. Forma - 100% fusiforme (3); 11. Espiga. Comprimento (mm) - média de 73,1 mm; mínimo de 53,9 mm e máximo de 101,3 mm; variância mínima de 14,3 e máxima de 70,6; 12. Espiga. Densidade (mm) - média de 40,7 mm; mínimo de 31,3 mm e máximo de 84,3 mm; variância mínima de 2,3 e máxima de 92,5; 13. Espiga. Arista - 100% aristada (5); 14. Espiga. Coloração - 100% clara (1); 15. Gluma. Pilosidade - média de 1,96; moda de 2; mínimo de 1 e máximo de 2; em que, "1 Glabra (Ausente) e 2 Pilosa (Presente)"; 16. Gluma. Comprimento (mm) - média de 8,4 mm; mínimo de 6,6 mm e máximo de 10,2 mm; variância mínima de 0,1 e máxima de 0,6; 17. Gluma. Largura (mm) - média de 3,4 mm; mínimo de 2,0 mm e máximo de 13,2 mm; variância mínima de 0,02 e máxima de 4,7; 18. Gluma. Forma do ombro - média de 4,2; moda de 5; mínimo de 1 e máximo de 5; em que, "1 Inclinado, 3 Reto e 5 Elevado"; variância mínima 0,0 e máxima de 3,1; 19. Gluma. Comprimento do dente (mm) - média de 9,4 mm; mínimo de 2,4 mm e máximo de 28,4 mm; variância mínima de 0,8 e máxima de 22,5; 20. Grão. Forma - média de 1,4; moda de 1; mínimo de 1 e máximo de 3; em que, "1 Ovalado, 3 Alongado e 5 Truncado"; 21. Grão. Comprimento (mm) - média de 6,4; mínimo de 4,8 e máximo de 8,2; variância mínima de 0,04 e máxima de 0,2; 22. Grão. Coloração - 100% vermelho (3); 25. Subperíodo emergência / espigamento - média de 76,1 dias; moda de 79 dias; mínimo de 64 dias e máximo de 84 dias; 26. Ciclo emergência / maturação - média de 119 dias; moda de 117 dias; mínimo de 110 dias e máximo de 127 dias. A variabilidade das características qualitativas e quantitativas ocorreu distintamente. Não foi possível discriminar as características quantitativas como mais variáveis ou dependentes do ambiente. Especificamente, as características, Gluma. Comprimento (mm), Gluma. Largura (mm) e Gluma. Forma do ombro, em quase todos os casos, dentro de cada genótipo apresentam pequena variância podendo ser consideradas altamente discriminantes. A característica Folha. Coloração das aurículas com os níveis de expressão: "1 Incolor, 2 Pouco colorida, 3 Colorida, 4 Heterogênea" utilizada no Brasil poderia ser semelhante a da UPOV: “1 Ausente ou muito fraco, 3 fraco, 5 Médio, 7 Forte e 9 Muito forte”, discriminando melhor os genótipos, inclusive com a freqüência observada em cada nota, eliminando assim a opção “4 heterogênea” pouco discriminativa. Deve ser salientado, entretanto, que a avaliação da coloração das aurículas é altamente dependente da radiação solar (direta e difusa), com elevada interação genótipo ambiente, podendo, um mesmo genótipo apresentar dentro da comunidade ou planta, expressões diferenciadas entre colmo/afilhos, em função da data de diferenciação das estruturas reprodutivas e variação do tempo/espaço, por exemplo, exposição em campo, telado ou casa de vegetação, incidência de radiação direta e/ou difusa (céu limpo ou com nebulosidade). De maneira semelhante, as características Folha. Cerosidade da bainha da folha bandeira e Colmo. Cerosidade do pedúnculo, poderiam ser alteradas de "1 Ausente, 3 Fraca e 5 Forte" para o padrão UPOV: “1 Ausente ou muito fraco, 3 fraco, 5 Médio, 7 Forte e 9 Muito forte”, melhor discriminantes, acrescentando a característica Espiga. Cerosidade também utilizada na UPOV e ausente nos descritores de trigo no Brasil. A cerosidade é altamente dependente do ambiente e sujeita a grandes modificações sob o efeito de precipitações pluviométricas, normalmente diminuindo o nível de expressão, devendo-se aguardar alguns dias para a retomada da avaliação, para essa característica, caso as precipitações pluviométricas cessem. De modo geral, sugere-se discussões desses dados no grupo de obtentores de trigo, com o objetivo de se eleger descritores que atendam as necessidades atuais e futuras dos ensaios de DHE. Variações genotípicas existem e diversos fatores ambientais e genéticos podem estar atuando isoladamente e/ou interagindo com as expressões das características fenotípicas encontradas em trigo. É importante que sejam discutidas as causas dessas variações e os níveis de variação de cada característica, e elaboradas estratégias ou normas reguladoras que permitam que genótipos superiores sejam registrados e protegidos. Para distinguibilidade genotípica, através da caracterização comunicada no momento do registro e/ou proteção, considerar uma característica como suficiente, principalmente quando essa for homogênea para o genótipo e pouco influenciada pelo ambiente. BRS SATURNO – CULTIVAR DE TRITICALE Alfredo do Nascimento Junior1, Márcio Só e Silva1, Eduardo Caierão1, Pedro Luiz Scheeren1 1 Embrapa Trigo. Caixa Postal 451, CEP 99001-970, Passo Fundo, RS. E-mail: [email protected]. No Brasil, entre os anos de 2000 e 2004 houve uma estabilização na área total cultivada com triticale em torno de 109 a 126 mil hectares, com um máximo registrado no ano de 2005, com 134.868 hectares efetivamente colhidos. A partir de 2007, a área decresceu para menos de 100 mil hectares, tendo em 2008, a menor safra dos últimos oito anos, contabilizando 75.640 hectares. O destino do grão colhido sofreu alterações nesse mesmo período. Inicialmente, exclusivamente utilizado para a alimentação animal, foi aos poucos sendo também empregado na alimentação humana. Apesar de competitivas, as cultivares de triticale hoje em indicação possuem deficiências em algumas características agronômicas, que podem ser corrigidas através de novos ciclos de melhoramento (seleção de novos genótipos). A disponibilização de cultivares mais competitivas é fundamental para as sustentações tecnológicas, econômicas e ambientais das propriedades rurais do sul do Brasil e para o país, mantendo e alavancando a produção nos sistemas agropecuários atuais e também para os sistemas integrados a serem desenvolvidos. Esforços devem ser continuados no melhoramento de novas cultivares e no desenvolvimento de produtos que empregam triticale como matéria-prima. De mesma forma o mercado deve reconhecer o grão como um produto de fim específico e não para usos diversos. Diversos cruzamentos foram realizados nos últimos anos na Embrapa Trigo. Deste processo, foi originada a cultivar BRS Saturno, segunda cultivar de triticale desenvolvida no país com parentais adaptados às condições edafoclimáticas de cultivo do sul do Brasil. A cultivar BRS Saturno é proveniente do cruzamento “PFT 512 / CEP 28 Guará”, realizado pelo Embrapa Trigo, em 1995. A linhagem PFT 512, é oriunda do cruzamento ANOAS/CEP 23 - Tatu” realizado no Centro Internacional de Melhoramento de Milho e Trigo (CIMMYT) em El Batan – México em 1986, e foi introduzida pela Embrapa em 1993, através do ensaio internacional de rendimento que foi avaliado em Passo Fundo – RS, o 26ºITYN (International Triticale Yield Nursery), composto de linhagens endogâmicas de triticale, enviadas para avaliação e seleção em diversos países. A entrada de número 11 (no 26ºITYN) com o seguinte histórico de seleção: CTM86.123-17MI-2MI-13BI-2Y-0PAP-1Y-0B, foi selecionada, e sofreu seleção massal modificada, descartando-se plantas atípicas e agronomicamente inadequadas e selecionando-se plantas superiores e homogêneas em Passo FundoRS, ficando com o seguinte histórico de seleção: CTM86.123-17MI-2MI-13BI-2Y0PAP-1Y-0B-0F (0F = seleção em Passo Fundo-RS) dando origem a linhagem “PFT 512”. O desenvolvimento e a seleção das populações segregantes da linhagem PFT 112 (BRS Saturno) foram realizados em Passo Fundo/RS, através do método genealógico a partir de 1997, com a seleção de 100 espigas da parcela 710108. Em 1998, foram semeadas todas as 100 espigas por fileira de espigas e selecionadas doze plantas da linha sete da parcela 820485, as quais foram semeadas separadamente por fileira de espigas em 1999. Em 1999 foi realizada colheita de espigas de duas linhas irmãs das parcelas 920356 e 920357, em que, doze espigas por linha passaram por seleção fenotípica de espigas e de plantas homogêneas. Em 2000, o genótipo fez parte de coleção interna da Embrapa Trigo para avaliação agronômica e biológica, ao mesmo tempo em que, era multiplicado em parcela de multiplicação de espigas para produção de semente genética. Em 2001, o genótipo foi denominado PFT 112, participou de avaliação preliminar de rendimento de triticale (EPRTCL) em Passo Fundo/RS. Entre 2002 e 2004 foi enfatizada a produção e purificação de sementes desta linhagem, passando novamente por seleção por fileira de espigas e posterior multiplicação massal. Entre 2002 e 2008 participou dos ensaios de Valor de Cultivo e Uso de Triticale (VCUTCL) em vários locais do Sul do Brasil destacando-se por suas características de rendimento de grãos, peso do hectolitro e menor suscetibilidade à giberela. A linhagem PFT 112 foi avaliada em ensaios de Distingüibilidade, Homogeneidade e Estabilidade (DHE) em 2003, 2004 e 2005 na Embrapa Trigo em Passo Fundo-RS. A cultivar de triticale BRS Saturno é resistente ao oídio, tolerante ao crestamento, resistente à ferrugem das folhas, moderadamente resistente às manchas foliares e ao vírus do mosaico do solo (SBWMV), moderadamente suscetível à germinação na espiga, ao vírus do nanismo amarelo (BYDV) e a bacteriose das folhas, e suscetível à giberela ou fusariose da espiga e à Brusone. A cultivar de triticale BRS Saturno apresenta ciclo médio (semelhante ao BRS Minotauro) e estatura de planta alta (bom tipo agronômico). É a segunda cultivar brasileira de triticale desenvolvida por cruzamentos realizados no Brasil. Sua moderada resistência à giberela, excelente qualidade de grãos com peso do hectolitro superior às variedades em indicação e ampla adaptabilidade de produtividade, permitirá o aumento de área de cultivo desta espécie por agricultores que utilizam triticale em seus sistemas de produção. Em função do desempenho do material e da similaridade climática e de cultivo existentes em Santa Catarina e Rio Grande do Sul (Região Sul) e Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo (Região Centro-Sul) e das tecnologias de cultivo atualmente a disposição dos agricultores, esta cultivar foi registrada no Registro Nacional de Cultivares – RNC, sob número de registro 26744 em 21/05/2010, para comercialização visando à produção de grãos em todas nas regiões tritícolas sul e centro-sul do Brasil (RS, SC, PR, MS e SP), em cultivo de sequeiro na estação fria. TOLERÂNCIA À TOXIDEZ DE ALUMÍNIO EM TRITICALE (X Triticosecale Wittmack) Mariane Cezarotto de Moraes1, Alfredo do Nascimento Junior2 1 Universidade de Passo Fundo, Acadêmica do curso de Agronomia, bolsista de Iniciação Científica (FAPERGS). 2 Embrapa Trigo. Caixa Postal 451, CEP 99001-970, Passo Fundo, RS. E-mail: [email protected]. Os solos ácidos, geralmente, devido à toxidez de alumínio limitam o crescimento das plantas em mais de 1,5 bilhão de hectares no mundo. No Brasil, apesar da calagem ser uma prática usual e relativamente de baixo custo quando comparada a outras práticas agrícolas, nem sempre é realizada corretamente e não é eficiente na correção da acidez sub-superficial de solos manejados sob sistema de semeadura direta na palha. Plantas tolerantes ao crestamento (efeito negativo da acidez do solo associada ao alumínio tóxico) são mais eficientes em condições marginais de cultivo, como déficit hídrico prolongado. A caracterização específica da tolerância à toxidez de alumínio pode ser obtida através de métodos hidropônicos, enquanto que métodos que envolvam solo incluem potencialmente outros fatores ligados à acidez. O presente estudo visou avaliar a tolerância de genótipos de triticale, em solução hidropônica, à toxidez de alumínio. O experimento foi realizado em 2008 no Laboratório de Biotecnologia do Núcleo de Biotecnologia Aplicada a Cereais de Inverno (NBAC) da Embrapa Trigo, localizada na BR 285 em Passo Fundo, RS. Foi seguido o protocolo usado na Embrapa Trigo para avaliação da tolerância de cereais de inverno ao alumínio, baseado no método em que se compara o crescimento das plântulas na ausência e na presença de alumínio (6 mg Al/L), conforme descrito por Baier et al. (1995). Foram avaliados 15 genótipos, sendo 13 genótipos de triticale (X Triticosecale Wittmack) e dois genótipos referência de trigo (Triticum aestivum L.). Inicialmente, foi realizado o preparo de sementes através de desinfestação externa, mediante imersão em solução comercial de hipoclorito de sódio (2%), por 3 a 5 minutos, enxaguando-as em seguida com cinco lavagens com de água destilada e uma com água deionizada. As sementes foram então dispostas em placa de Petri, sobre dois círculos de papel Germiteste®, umedecidas e recobertas com um disco de papel Germiteste®. Em seguida, as placas foram tampadas e mantidas em temperatura ambiente de 6°C ± 1°C até a emissão das radículas, quando, fora m transferidas para ambiente com temperatura controlada de 23°C ± 1°C durante 36 a 4 0 horas. As soluções estoque foram preparadas, individualmente, usando os seguintes reagentes (p.a.) e respectivas quantidades: CaCl2.2H2O, 58,80 g/L; KNO3, 65,70 g/L; MgCl2.6H2O, 50,80 g/L; (NH4)2SO4, 1,30 g/L; NH4NO3, 3,20 g/L. Para preparar a solução nutritiva foi usado 1 mL da solução estoque de cada sal por litro de água destilada e deionizada. A solução nutritiva contava com a seguinte composição e concentração finais: CaCl2 (400 mmol/L), KNO3 (650 mmol/L), MgCl2 (250 mmol/L), (NH4)2SO4 (10 mmol/L); NH4NO3 (40 mmol/L). O pH foi corrigido para 4, usando ácido clorídrico (0,8 mL de HCL 0,1 N/L de solução), monitorado com pHmetro. Também foi preparada uma solução estoque de alumínio com 0,894 g de cloreto de alumínio (AlCl3), dissolvido em balão volumétrico de 100 mL usando água destilada. Em seguida realizou-se o transplante das sementes pré-germinadas para as bandejas de plástico (dimensões: 43 x 28 x 8 cm). As sementes foram dispostas em estrutura formada por tela plástica com 2 mm de malha firmada em grade de plástico rígido, com alvéolos de 6 x 3 x 1,8 cm, dentro das bandejas, utilizando-se tiras de poliestireno nas margens externas da estrutura da tela, para promover a flutuação da mesma ao nível da solução. Após, colocou-se dois litros da solução nutritiva por bandeja. Foram transplantadas sementes pré-germinadas com raízes menores do que 0,5 cm de comprimento, inserindo as raízes, primárias e secundárias, cuidadosamente nos orifícios da tela. Foram colocadas até oito sementes de um mesmo genótipo por alvéolo, repetindo a operação nas bandejas (com e sem alumínio), inclusive para os genótipos referência. Após o transplante, realizou-se o ajuste de temperatura na câmara de crescimento para 23°C ± 1°C. Colocaram-se as bandejas, ao acaso, em prateleiras sob lâmpadas fluorescentes. Para proporcionar aeração na solução nutritiva, inseriram-se nas laterais internas de cada bandeja dois tubos de vidro com 20 cm de comprimento e diâmetro interno de 3 mm, conectados a um compressor de ar pequeno de 2,5 W com pressão de 0,012 MPa e capacidade de 1,8 L/min, conectados através de tubos de silicone. O delineamento utilizado foi o inteiramente casualizado, com duas a seis repetições, conforme a disponibilidade de sementes com radículas emitidas uniformemente, sendo cada repetição composta por até oito plântulas. Após aplicação da solução de alumínio, as plântulas cresceram sob luz contínua, durante 96 horas, substituindo a solução após 24, 48, e 72 horas. A cada substituição foi reposto o alumínio no tratamento correspondente. Após 96 horas de crescimento, retirou-se a solução nutritiva das bandejas e essas foram colocadas no congelador até o momento da quantificação do crescimento das raízes, através de medida de comprimento da raiz principal. A análise de variância foi realizada, com o auxilio do programa ESTAT da Universidade Estadual Paulista (UNESP) de Jaboticabal-SP. Para isolar o efeito de vigor entre sementes ou plântulas, foram usadas as diferenças do crescimento das raízes de cada genótipo, em porcentagem, entre a dose zero mg Al/L e a dose de 6 mg Al/L, transformando os dados originais para porcentagem através da fórmula: Gen/rep=((comp. Sem Al – comp. com Al) ÷ comp. sem Al) X 100= %. Por meio das medidas de comprimento das raízes dos genótipos utilizados no experimento e dos dados médios das diferenças entre as repetições com 0 e 6 mg Al/L, expressos em porcentagem em relação a dose zero, os quais foram tabulados e analisados pelo teste de Tukey a 5%, foi observado que todos os genótipos apresentaram comprimento de raiz primária inferior no tratamento com alumínio. Os genótipos de trigo tolerante e suscetível utilizados como referência, não se distinguiram com a dose de 6 mg Al/L, superior a 2 mg Al/L utilizada normalmente em trigo para este tipo de avaliação. Entretanto, segundo Camargo et al. (1998), doses de 2mg Al/L não são efetivas para discriminar genótipos de triticale devido apresentarem elevada tolerância a alumínio, superior a encontrada em genótipos de trigo. Os genótipos de triticale IAC-5 Canindé, PFT 0608, PFT 307, BRS Netuno e BRS Saturno não diferiram o trigo Anahuac 75. Os genótipos de triticale IAC-2 Tarasca e BRS 203 não diferiram do trigo tolerante IAC-5 Maringá e foram superiores em tolerância ao Anahuac 75. Os Genótipos Altamente tolerantes foram: PFT 0609, Embrapa 53, PFT 0505, BRS 148, BRS Ulisses e BRS Minotauro, que diferiram do genótipo tolerante IAC-5 Maringá. Comparando estes resultados com informações anteriormente obtidas em avaliações de genótipos ao complexo da acidez do solo (informações não apresentadas), foi observado que não houve alterações significativas na ordem de tolerância desses materiais ao alumínio tóxico, maior responsável pelo complexo da acidez do solo. Todavia, dois genótipos diferiram quanto a esse conhecimento anterior, o PFT 307, considerado preliminarmente como altamente tolerante ao crestamento e agora classificado como moderadamente suscetível ao alumínio e o genótipo IAC-2 Tarasca, com comportamento moderadamente suscetível ao complexo da acidez do solo, porém, tolerante ao alumínio. Desta forma, nos genótipos avaliados, 85% desses apresentaram resposta semelhante ao crestamento e ao alumínio tóxico. Essas informações colaboram para evidenciar que outros fatores podem estar associados ao complexo da acidez do solo além do alumínio tóxico, e da interação desse metal com os genótipos (Camargo; Freitas, 1981). De posse dos resultados e da discussão, conclui-se que: os genótipos de triticale variam quanto à tolerância ao alumínio tóxico e; há elevada concordância da avaliação de alumínio em solução hidropônica ao comportamento dos genótipos em solos naturalmente ácidos. Referências Bibliográficas BAIER, A.C.; SOMMERS, D.J.; GUSTAFSON, J.P. Aluminium tolerance in wheat: correlating hydroponic evaluations with field and soil performances. Plant Breeding. v.114, p.291-296, 1995. CAMARGO, C.E.O.; FERREIRA FILHO, A.W.P.; FREITAS, J.G. Avaliação de genótipos de centeio, triticale, trigo comum e trigo duro quanto à tolerância ao alumínio em solução nutritiva. Scientia Agrícola. v.55, p.227-232, 1998. CAMARGO, C.E.O.; FREITAS, J.G. Tolerância de cultivares de trigo em diferentes níveis de alumínio em solução nutritiva. Bragantia. v.40, p.21-31, 1981. ESTUDO DE REGIÕES GENÔMICAS EXPRESSAS E MARCADORES MICROSSATÉLITES PARA USO NO MAPEAMENTO GENÔMICO DE TRIGO Sydney Antonio Frehner Kavalco¹, Filipe de Carvalho Victoria¹, Luis Felipe C. Girardon¹, Rodrigo P. Paiva¹, Solange Fereira da S. Silveira¹, Luciano Carlos da Maia¹ e Antonio Costa de Oliveira¹. ¹ Centro de Genômica e Fitomelhoramento, Departamento de Fitotecnia, Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel, Universidade Federal de Pelotas, Campus Universitário, s/nº · 96001-970 Pelotas, RS, [email protected]. A bioinformática e a biologia molecular são ferramentas que podem ser associadas ao melhoramento convencional de forma a maximizar os resultados e diminuir o tempo gasto na seleção dos genótipos mais promissores, através da seleção assistida. Segundo Maia et al (2008) microssatélites ou SSRs (Simple Sequence Repeat) são sequências nas quais uma ou poucas bases são repetidas em tandem com variação para o número de repetições. Variações em regiões SSR originam-se principalmente de erros durante o processo de replicação, freqüentemente pela derrapagem da DNA polimerase, gerando a inserção ou deleção de pares de bases, resultando, respectivamente, em regiões maiores ou menores (Iyer et al., 2000; Ellegren., 2004 ). Esta classe de marcadores é amplamente aplicada em genética e melhoramento de plantas, devido à sua fácil reprodutibilidade, sua natureza codominante, por sua característica multialélica e por ter uma grande abundância em todo o genoma (Maia et al., 2008). Seu uso para a integração de mapas genéticos, mapeamento físico e ancoragem oferece aos geneticistas e melhoristas de plantas uma maneira de vincular as mudanças no genótipo e no fenótipo (Varshney et al., 2005). Os projetos de seqüenciamento de genomas e de regiões funcionais de várias espécies, incluindo espécies de grande importância agronômica, têm proporcionado um grande número de sequências depositadas em bancos de dados, tais como NCBI (National Center for Biotechnology Information), EMBL (European Molecular Biology Laboratory) GRAMNE (A Comparative Mapping Resource for Grains) e TIGR (The Institute for Genomic Research), entre outros. Nesse sentido, a localização e / ou prospecção de genes é possível através da utilização de técnicas de biologia molecular e ferramentas de bioinformática. Trabalhos em Triticum monococum L. definem o afilhamento como um caráter qualitativo associado a um único gene (Kuraparthy et al., 2007; 2008), assim como em Oryza sativa L. (Lu et al., 2009). Em Triticum aestivum L. o afilhamento é considerado um caráter quantitativo, associado a um grande número de genes e influenciado pelo efeito da interação desse genótipo com o ambiente. O entendimento, de como as plantas detectam, respondem e se adaptam aos estímulos do ambiente é muito importante para a melhor adaptação agrícola dos genótipos hoje disponíveis (Almeida et al., 2001). O afilhamento está intimamente ligado a capacidade que a planta possui de produzir e encher as espiguetas. Portanto, um genótipo que em uma planta consegue produzir e encher 5 espiguetas produzirá maior massa de grãos por área, que uma planta com 2 espiguetas cheias ou com 7 espiguetas parcialmente cheias (Silva et al., 2006). O afilhamento é considerado um dos três principais fatores de rendimento de grãos em cereais, e delimita o potencial produtivo das plantas. O objetivo geral do trabalho foi encontrar marcadores microssatélites em todo o banco de regiões genômicas expressas (EST – Expressed Sequence Tags) disponíveis para o trigo, relacionando tais regiões a suas possíveis funções, processos e rotas metabólicas capazes de interferir no número de afilhos produzidos pelas plantas. Inicialmente foi realizado o download de todo o banco de ESTs disponíveis no NCBI (www.ncbi.nlm.nih.gov) para o T. aestivum, e realizada a retirada de redundância com auxílio do programa CAP3 (Huang & Madan., 1999). Após eliminar a redundância os contigs produzidos foram utilizados para a criação de um banco de microssatélites, e para o desenho de primers específicos com o auxilio do programa SSRLocator (Maia et al., 2008). Cada cluster produzido foi utilizado para um BLASTx (Basic Local Alignment Search Tools) online na plataforma do NCBI, identificando assim suas possíveis funções. As localizações cromossômicas, relacionadas a cada região gênica, foram determinadas utilizando ESTs mapeados nos cromossomos de trigo (La Rota & Sorrels., 2004) também por meio de BLAST. De todo o banco de ESTs disponível, cento e vinte e cinco regiões microssatélites produziram primers específicos, destas 19 foram selecionadas por apresentaram conservação dentro da família Poacea e outros 6 por serem homólogos ao gene tin3 que controla o afilhamento em T. monococcum. Todos os selecionados apresentaram alta homologia com as regiões expressas do trigo e com um e-value aceitável, inferior a e-10 (Tabela 01). Todos os vinte e cinco primers serão usados para o mapeamento de populações segregantes em F3, que estão sendo fenotipadas a campo. Para o entendimento das funções associadas ao conjunto de genes foi feito o estudo de regiões gênicas funcionais na plataforma online do Blast2GO (Conesa et al., 2005). Dessa análise resultaram alguns mapas dos processos envolvidos para cada região gênica expressa obtida com os vinte e cinco primers resultantes deste trabalho. Entre os processos metabólicos encontrados para os genes contendo regiões microssatélites, o metabolismo celular, o metabolismo do nitrogênio, os processos biossintéticos, o metabolismo primário, a resposta a estresses e o metabolismo de macromoléculas, destacam-se por suas maiores freqüências, com 13%, 9%, 9%, 10%, 8% e 6% respectivamente (Figura 01). As funções moleculares com maior freqüência entre os genes contendo regiões microssatélites são, a ligação de cátions, ligação de DNA, transferases, hidrolases, oxidoreductases e ferroquelatases, respectivamente com 28%, 14%, 14%, 10%, 9% e 5% de ocorrência. O entendimento da função deste conjunto de marcadores possibilita a correlação entre os resultados que serão obtidos com o mapeamento, com seus processos e rotas metabólicas, auxiliando no estudo das regiões mais significantes para o afilhamento em T. aestivum. A alta ocorrência de transcritos contendo SSRs associados à função de ligação de cátions sugere que esta classe de proteínas possa estar mais sujeita a este tipo de mutação, entretanto mais estudos necessitam ser realizados para confirmar esta constatação. Referências bibliográficas ALMEIDA M L DE, MUNDSTOCK C M, A qualidade da luz afeta o afilhamento em plantas de trigo, quando cultivadas sob competição. Ciência Rural, Santa Maria, v.31, n.3, p.401-408, 2001. 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Ciência Rural vol.36 no.3. Santa Maria :756-764, 2006. VARSHNEY RK, GRANER A, SORRELLS ME. Genic microsatellite markers in plants: features and applications. Trends in Biotechnology. 23(1):48–55,2005. Tabela 01: Localização, função, identidade e valor do E-value para os vinte e cinco primers descritos em Triticum aestivum L. CGF/UFPel, 2010. Identificação Contig 01 Contig 02 Contig 03 Contig 04 Contig 05 Contig 06 Contig 07 Contig 08 Contig 09 Contig 10 Contig 11 Contig 12 Contig 13 Contig 14 Contig 15 Contig 16 Contig 17 Contig 18 Contig 19 Contig 20 Contig 21 Contig 22 Contig 23 Contig 24 Contig 25 Localização Cromossomo 4B 2A 2B 6A 5A 6A 6B 5A 2B 2A 3A 3A 3A 3A 3A 3A 3A 3A 3A 3A 3A 3A 3A 3A 3A Função associada Organismo Oxygen envolving enhancer protein Thioredoxin H type Photosystem I subunit C gene RNAm Low temperature and salt responsive RNAm Senescence associated protein (SAP) RNAm RNAm RNAm RNAm Rho-GTPase activating protein like Hipothetical protein Hipothetical protein Putative NAC transcription factor (NAC3) RNAm RNAm Putative glucan endo-1,3-beta-D-glucosidase Pyrroline 5 carboxylate reductase mRNA Full insert mRNA sequence RNAm RNAm Ribossomal protein L13a mRNA, complete cds. RNAm RNAm Triticum aestivum Triticum aestivum Triticum aestivum Triticum aestivum Triticum aestivum Triticum aestivum Triticum aestivum Triticum aestivum Triticum aestivum Triticum aestivum Triticum aestivum Triticum aestivum Triticum aestivum Triticum aestivum Triticum aestivum Triticum aestivum Triticum aestivum Triticum aestivum Triticum aestivum Triticum aestivum Triticum aestivum Triticum aestivum Triticum aestivum Triticum aestivum Triticum aestivum e-Value 8,00E-150 9,00E-106 1,00E-75 7,00E-103 2,00E-18 1,00E-123 7,00E-26 0,00E+00 1,00E-57 3,00E-38 0,00E+00 4,00E-126 2,00E-71 8,00E-34 2,00E-175 8,00E-10 8,00E-131 1,00E-119 7,00E-147 5,00E-48 6,00E-33 4,00E-99 3,00E-104 7,00E-43 0,00E+00 Identidade 98% 100% 94% 94% 72% 54% 63% 92% 72% 54% 66% 78% 78% 70% 79% 80% 58% 79% 85% 64% 68% 74% 70% 74% 82% Figura 01: Processos biológicos para as regiões expressas e as respectivas porcentagens de ocorrência dos microssatélites, utilizando o nível 3 de ramificação gerado pelo software Blast2go. Figura 02: Função molecular para as regiões expressas e as respectivas porcentagens de ocorrência dos microssatélites, utilizando o nível 4 de ramificação gerado pelo software Blast2go. PROSPECÇÃO IN SILICO DE MARCADORES MICROSSATÉLITES PARA O CARÁTER GERMINAÇÃO PRÉ-COLHEITA BASEADO NO METABOLISMO DOS CAROTENÓIDES Elisane Weber Tessmann1, Taciane Finatto1, Thais Raquel Hagemann1 Solange F. Silveira da Silveira1, Bruno Meneghussi1, Diego Barreta1, Luciano Carlos da Maia1 e Antonio Costa de Oliveira1 1 Centro de Genômica e Fitomelhoramento, Departamento de Fitotecnia, Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel, Universidade Federal de Pelotas. Campus Universitário s/n, Pelotas-RS, CEP 96001-970. [email protected] A tolerância à germinação pré-colheita em trigo (Triticum aestivum L.) é uma característica buscada pelo melhoramento genético deste cereal no intuito de aumentar a qualidade e a produtividade de grãos. A germinação pré-colheita é observada especialmente em cultivares que possuem período de dormência curto, ou inexistente, e é agravada em regiões onde há ocorrência de elevada umidade no período de colheita (Reis, 1986). Os grãos germinados, ou em vias de germinação, apresentam atividade da enzima α-amilase extremamente elevada, o que reduz a qualidade da farinha produzida, dificultando ou até impedindo o processo de panificação (Mandarino, 1993). O ácido abscísico (ABA) é um hormônio sintetizado preferencialmente pela via indireta ou via dos carotenóides (Taiz & Zeigher, 2004) e está envolvido no controle de diversos processos fisiológicos essenciais nas sementes, incluindo o desenvolvimento, síntese de proteínas de armazenamento tolerância à dessecação, o surgimento e manutenção da dormência, e respostas a estresses (Gonzalez-Guzman et al., 2002). A germinação pré-colheita é um caráter controlado quantitativamente, e é regulada pela concentração relativa de ABA e giberelinas na semente. A presença de ABA inibe a síntese de enzimas hidrolíticas que são fundamentais para a quebra das reservas armazenadas, atuando de forma a inibir a transcrição da α-amilase, que é induzida por giberelinas promovendo o estado de dormência nas sementes. A superação desta dormência ocorre quando há redução na concentração de ABA em relação a de giberelinas (Taiz & Zeigher, 2004). A obtenção de cultivares tolerantes à germinação na pré-colheita depende do desenvolvimento de constituições genéticas capazes de tolerar os efeitos de precipitações no período entre a maturidade e a colheita. Entretanto, a seleção para tolerância a este caráter com base no fenótipo, é um processo difícil de ser avaliado, e geralmente é realizado com base no índice de velocidade de germinação (Li et al., 2004). Os microssatélites (SSRs) são marcadores moleculares altamente polimórficos, de herança codominante, são multialélicos e ocorrem abundantemente em genomas eucariotos, são baseados em PCR, reproduzíveis e de custo reduzido (SALLES & BUSO, 2003). A prospecção de marcadores SSRs localizados em genes associados às vias metabólicas do ácido abscísico podem fornecer avanços para a seleção de constituições genéticas para a tolerância a germinação pré-colheita. O objetivo do trabalho foi buscar marcadores microssatélites para o caráter germinação pré-colheita em trigo (Triticum aestivum L.) por meio da pesquisa in silico em regiões expressas de genes da via metabólica dos carotenóides. Inicialmente foi realizada a busca de genes relacionados à via metabólica dos carotenóides em arroz (Oryza sativa L.) com base no banco de dados do KEGG (Kyoto Encyclopedia of Genes and Genomes), as seqüencias de animoácidos dos 17 genes foram anotadas. Posteriormente foi realizado alinhamento de cada sequência dos 17 genes de O. sativa no banco de dados do NCBI (National Center for Biotechnology Information) utilizando a ferramenta tBLASTn, foi realizado alinhamento local no intuito de encontrar sequências homólogas nas seqüencias expressas (ESTs - expressed sequence tag) depositadas para o genoma do trigo (Triticum aestivum L.). Foram anotadas as seqüências com cobertura maior que 55% e E-values menores que e-10. Após a obtenção das seqüencias homólogas em trigo, com auxílio do programa Blast2GO (Conesa et al., 2005) foi realizada a anotação da ontologia gênica das sequências de ESTs e identificada a posição do produto gênico na via metabólica dos carotenóides. Uma vez detectadas as ESTs envolvidas nesta via, foi realizada a busca por locos de microssatélites em regiões UTR (untranslated regions) destas ESTs, utilizando o programa computacional SSRLocator (Maia, 2008). Foi realizada a busca por motivos dímeros, trímeros, tetrâmeros e hexâmeros com repetições em série formando fragmentos maiores que 12 pares de bases, este procedimento realiza a busca de microssatélites tanto de classe I onde as regiões repetidas em série formam fragmentos acima de 20 pares de bases, quanto os microssatélites de classe II que são aqueles com regiões repetidas em série constituindo fragmentos variando de 12 a 20 pares de bases. Foram considerados como parâmetros de busca o intervalo de 100 pares de bases entre os locos microssatélites e até cinco pares de bases entre regiões imperfeitas. Após a identificação dos locos de microssatélites foram construídos iniciadores utilizando como parâmetros o tamanho de 18 a 22 pares de bases, o tamanho do amplicon variando de 100 a 300 pares de bases, temperatura de melting de 58 a 64 ºC e conteúdo GC variando de 40 a 50%. A partir do alinhamento local dos 17 genes de O. sativa envolvidos na via metabólica dos carotenóides com o banco de ESTs de Triticum aestivum L., foram encontradas seis ESTs que codificam para enzimas da via metabólica dos carotenóides em trigo (Figura 1). Foram encontradas ESTs para as enzimas: ABA - 8' – hidroxilase, fitoeno sintase, caroteno 7,8-desaturase, zeaxantina epoxidase, violaxantina de-epoxidase e xantoxina desidrogenase. ABA - 8' - hidroxilase catalisa o primeiro passo da degradação oxidativa do ácido abscísico e é considerada a enzima fundamental no controle da taxa de degradação deste hormônio (Cutler et al., 1997); fitoeno sintase catalisa a conversão de duas moléculas de geranilgeranil difosfato a fitoeno, participa do segundo passo na biossíntese de carotenóides a partir de isopentenil - difosfato. A enzima zeaxantina epoxidase converte zeaxantina em anteraxantina e, posteriormente, em violaxantina e também atua sobre a betacriptoxantina. Esta enzima desempenha um papel importante na resistência a estresses, formação e desenvolvimento das sementes e dormência (Park et al., 2008). A enzima violaxantina de-epoxidase juntamente com a zeaxantina epoxidase catalisam a reação de síntese da xantofila C40 (ou violaxantina), violaxantina converte em 9’-cis neoxantina, cliva-se para xantoxina (15C). Foram encontrados 15 locos microssatélites distribuídos nas seis ESTs da via dos carotenóides, a maior quantidade (9 locos microssatélites) foi verificada para ABA - 8' – hidroxilase (Tabela 1) sendo 4 locos do tipo simples e 5 locos do tipo composto. Com exceção de violaxantina epoxidase onde foi verificado o motivo trímero (GCG) repetido cinco vezes todos os demais 14 motivos estavam repetidos duas vezes. Foram encontrados microssatélites hexâmeros para xantoxina desidrogenase, fitoeno sintase e zeaxantina epoxidase. Foi possível obter quatro pares de iniciadores (Tabela 2) para as ESTs que codificam as enzimas ABA - 8' – hidroxilase e violaxanina epoxidase. A busca in silico de microssatélites em genes da via metabólica do carotenóides possibilitou a obtenção de quatro pares de iniciadores para dois genes que codificam as enzimas ABA - 8' – hidroxilase e violaxanina epoxidase. Estes marcadores podem ser testados em populações segregantes para mapeamento do caráter germinação pré-colheita em trigo, assim como para verificar polimorfismos entre genótipos de trigo cultivados no Brasil. Referências Bibliográficas CONESA A, GÖTZ, S.; GARCÍA-GÓMEZ J.M.; TEROL, J.; TALÓN M, ROBLES, M.; Blast2GO: A universal tool for annotation, visualization and analysis in functional genomics research. Bioinformatics v.21: 3674-3676, 2005. CUTLER, A.J., SQUIRES, T.M., LOEWEN, M.K. e BALSEVICH, J.J.; Induction of (+)abscisic acid 8' hydroxylase by (+)-abscisic acid in cultured maize cells. 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Via metabólica dos carotenóides, os códigos das enzimas (ec) marcados em escala de cinza representam as sequências de ESTs (Expressed sequence tag) encontradas para trigo na via metabólica dos carotenóides: (ec:2.5.1.32) fitoeno sintase; (ec:1.14.99.30) caroteno 7,8-desaturase; (ec:1.14.13.90) zeaxantina epoxidase; (ec:1.10.99.3) violaxantina de-epoxidase; (ec:1.1.1.288) xantoxina desidrogenase e (ec:1.14.13.93) (+)- ácido abscisíco 8'- hidroxilase. Via metabólica gerada pelo banco de dados KEEG (Kyoto Encyclopedia of Genes and Genomes). CGF/UFPel, 2010. Tabela 1. Motivos de microssatélites encontrados em seqüências expressas (ESTs) de trigo envolvidas na via metabólica dos carotenóides. CGF/UFPel, 2010. Identificação Motivos de Microssatélites AK333121.1 ec:1.14.13.93 ABA - 8' - hidroxilase (CCA)5-(TCTCC)3 AK333121.1 ec:1.14.13.93 ABA - 8' - hidroxilase (GGC)5-(CTGCCG)2 AK333121.1 ec:1.14.13.93 ABA - 8' - hidroxilase (GCGCGA)2 AK333121.1 ec:1.14.13.93 ABA - 8' - hidroxilase (CCTTCA)2 AK333121.1 ec:1.14.13.93 ABA - 8' - hidroxilase (CGTCCG)2 EU430344.1 ec:1.14.13.93 ABA - 8' - hidroxilase (TCCTCT)2-(CTGCCG)2 EU430344.1 ec:1.14.13.93 ABA - 8' - hidroxilase (TCTTCC)2 EU430344.1 ec:1.14.13.93 ABA - 8' - hidroxilase EU430344.1 ec:1.14.13.93 ABA - 8' - hidroxilase AK334048.1 AK332872.1 AK332872.1 AF265294.1 (GCGGAT)2-(CCTTCA)2-(CG)7-(CTGC)4-(AACTCG)2 (CCAT)3-(GTCCGT)2 ec:1.1.1.288 – Xantoxina desidrogenase ec:1.14.13.90 - Zeaxantina epoxidase ec:1.14.13.90 - Zeaxantina epoxidase ec:1.10.99.3 - Violaxanina Epoxidase (CTCTGC)2 (GCTGGC)2-(ATCCAG)2 (AAAGAA)2 (GCG)5 BT009537.1 ec:2.5.1.32 – Fitoeno sintase (CTCTAC)2 BT009537.1 ec:2.5.1.32 - Fitoeno sintase (TTCTTT)2 Tabela 2. Iniciadores para quatro locos microssatélites encontrados para as regiões expressas na via metabólica dos carotenóides em trigo. Amp – tamanho do amplicon, Tm – temperatura de melting. CGF/UFPel, 2010. Identificação ABA - 8' hidroxilase ABA - 8' hidroxilase ABA - 8' hidroxilase Violaxanina Epoxidase Forward Tm Reverse Tm Amp ATGGCTGCTTTCGTTCTCTT 59.08 TGGGGTTCTTGGAGGAGTAG 59.133 211 CGTGGAGTACCAAGGTGAGA 58.722 TATTCCCGTTCGGTTAGGAG 59.04 172 AGATGGTCCACCTCCAAGTC 58.95 GTTGCCACTATCGTGCTGTT 58.804 170 CAATCTCCGTCTCCTACGCT 59.454 AGGTGATCGGTCCTCCATAG 58.966 226 AVALIAÇÃO E CARACTERIZAÇÃO DE GENÓTIPOS DE TRIGO (Triticum aestivum L.) NA REGIÃO DE PELOTAS-RS Cristiano Mathias Zimmer1, Henrique de Souza Luche1, Maraisa Crestani1, Rafael Nornberg1, Thaís Raquel Hagemann1, Luciano Carlos da Maia1, Fernando Irajá Félix de Carvalho1 e Antonio Costa de Oliveira1. 1 Centro de Genômica e Fitomelhoramento, Departamento de Fitotecnia, Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel, Universidade Federal de Pelotas. Campus Universitário s/n, Pelotas-RS, CEP 96001-970. [email protected] O trigo é um cereal de inverno muito utilizado na região sul do Brasil. Considerando a posição de destaque na dieta dos brasileiros e as necessidades de importação da cultura, é necessário elevar a produtividade nacional. O desenvolvimento de cultivares de trigo, juntamente com o estudo de adaptabilidade de variedades já conhecidas, tem sido um dos objetivos dos programas de melhoramento genético de plantas. A seleção é, geralmente, realizada pelo desempenho dos genótipos em diferentes ambientes. Porém, a decisão de lançamento de novas cultivares normalmente é dificultada pela ocorrência da interação genótipo x ambiente (Carvalho et al., 2002). Este trabalho teve por objetivo avaliar e caracterizar genótipos de trigo e, com base na dissimilaridade genética, indicar possíveis combinações entre genótipos que venham a dar origem à populações segregantes superiores. O experimento foi conduzido no Centro Agropecuário da Palma, pertencente à Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Foram testadas 12 cultivares (BR 23; BR 35; BRS 119; BRS 120; BRS 177; BRS 49; CD 111; CEP 24; CEP 29; ONIX; RUBI e SAFIRA) e 5 linhagens do Centro de Genômica e Fitomelhoramento (OPELT06 006; OPELT06 008; OPELT06 010; OPELT06 012 e OPELT06 013) de trigo. A semeadura foi procedida em sistema convencional, sendo os tratos culturais realizados de acordo com o recomendado para a cultura do trigo (CSBPT, 2005). A densidade de semeadura foi de 300 sementes aptas por metro quadrado, e o delineamento experimental adotado foi em blocos casualizados, com três repetições. Cada unidade experimental foi constituída por cinco linhas de três metros de comprimento com espaçamento de 0,20 m entre si, sendo a área útil determinada pelas três linhas centrais, reduzindo o efeito de bordadura. Os caracteres mensurados foram: dias da emergência ao florescimento (DEF) e dias da emergência a maturação (DEM), em dias; estatura de planta (EST), em cm; rendimento de grãos (RG), em kg ha-1; peso de hectolitro (PH), em kg 100L-1 e peso de mil sementes (PMS), em g. Os dados foram submetidos à análise de variância e comparação de médias pelo teste de Scott e Knott (1974) a 5% de probabilidade de erro. Para estimar a dissimilaridade genética foi utilizada a distância generalizada de Mahalanobis (D2) entre os pares de genótipos a partir das médias padronizadas utilizando o programa computacional Genes (CRUZ, 2001). Com base na matriz de dissimilaridade genética, foi construído um dendrograma pelo método de agrupamento UPGMA (Unweighted Pair Group Method with Arithmetic Mean), utilizando o programa computacional NTSYS pc 2.1 (ROHLF, 2000). Após a construção do dendrograma, foi calculado o coeficiente de correlação cofenética através do Teste de Mantel e a separação dos grupos foi realizada utilizando a dissimilaridade média (SOKAL e ROHLF, 1962). A análise de variância indicou a existência de variabilidade genética entre os genótipos testados em relação a todos os caracteres avaliados (Tabela 1). Os elevados valores de herdabilidade indicaram que grande parte da variação fenotípica foi decorrente da contribuição genética. De acordo com a comparação de médias, para o caráter dias da emergência ao florescimento (DEF) as cultivares BRS 177, CEP 29, RUBI e SAFIRA, juntamente com as linhagens OPELT06 006, OPELT06 008, OPELT06 010 e OPELT06 012 foram superiores aos demais genótipos. Considerando o caráter dias da emergência a maturação (DEM), as cultivares BRS 120, BRS 177 e ONIX, juntamente com todas as linhagens testadas expressaram os melhores resultados. Em relação ao caráter estatura de planta (EST), a linhagem OPELT06 010 apresentou as maiores médias. Vale a pena ressaltar que os programas de melhoramento genético de plantas buscam, preferencialmente, genótipos com baixa estatura para evitar perdas com os índices de acamamento. As cultivares ONIX e SAFIRA apresentaram o melhor desempenho no caráter rendimento de grãos (RG), o que pode estar relacionado com os longos ciclos vegetativos e reprodutivos das duas cultivares, respectivamente. Analisando o caráter peso de hectolitro (PH), os genótipos BRS 177, CEP 29, ONIX, RUBI, SAFIRA, OPELT06 006, OPELT06 008, OPELT06 010 e OPELT06 012 foram superiores aos demais. Ao verificar o caráter peso de mil sementes (PMS), podemos concluir que os genótipos BR 23, BR 35, BRS 120, CEP 24, RUBI, OPELT06 006, OPELT06 012 e OPELT06 013 são diferenciados positivamente dos demais (Tabela 2). Em relação à análise multivariada, considerando todos os caracteres avaliados, foi possível observar as distâncias genéticas entre as cultivares e linhagens de trigo (Figura 1). Nesta avaliação, usando como ponto de corte a dissimilaridade média (dm=30,02), verificou-se a formação de dois grupos. O primeiro grupo foi formado pelos genótipos BR 23, BR 35, BRS 119, OPELT06 013, BRS 120, CD 111, CEP 24 e BRS 49. Caracterizando o segundo grupos estão os genótipos BRS 177, OPELT06 008, OPELT06 006, OPELT06 012, OPELT06 010, CEP 29, SAFIRA, ONIX e RUBI. Possivelmente genótipos que pertencem ao mesmo grupo são mais similares geneticamente entre si, considerando os caracteres avaliados, nestas condições de cultivo. Sabe-se que para obter bons resultados nos programas de melhoramento de plantas a escolha de genitores é de fundamental importância. Neste sentido, cruzamentos entre genótipos de grupos diferentes seriam mais promissores. Além disso, e enfatizando maior produtividade, a utilização das cultivares ONIX e SAFIRA cruzadas com a cultivar BRS 120, indica ser uma boa combinação para a região de Pelotas-RS. Referências bibliográficas CARVALHO, C.G.P. de; ARIAS, C.A.A.; TOLEDO, J.F.F. de; ALMEIDA, L.A. de; KIIHL, R.A. de S.; OLIVEIRA, M.F. de. Interação genótipo x ambiente no desempenho produtivo da soja no Paraná. Pesquisa Agropecuária Brasileira, v.37, p.989-1000, 2002. CSBPT – Comissão Sul-Brasileira de Pesquisa de Trigo. Indicações técnicas da comissão sul-brasileira de pesquisa de trigo. XXXVII Reunião da Comissão SulBrasileira de Pesquisa de Trigo, 2005. CRUZ, C.D. Programa Genes – versão Windows 2001.0.0. Viçosa: Editora UFV, 2001. 648p. ROHLF, F.J. NTSYS-pc: numerical taxonomy and multivariate analysis system. version 2.1. Exeter Software, New York, 38p. 2000. SOKAL, R.R.; ROHLF, F.J. The comparison of dendrograms by objective methods. Taxonomy 11: 33- 40. 1962. Tabela 1. Resumo da análise de variância para os caracteres mensurados em genótipos de trigo, cultivados no município de Capão do Leão-RS na estação de cultivo de 2009. CGF/FAEM/UFPel, 2010 Caráter Q.M. Genótipo Média Geral CV (%) h2(%) DEF 37,38* 97,33 1,43 94,84 DEM 62,46* 142,16 2,56 78,73 EST 76,17* 92,49 3,38 87,20 RG 191691,71* 1404,51 17,56 68,27 PH 13,01* 68,28 3,24 62,41 PMS 30,19* 39,57 8,62 61,46 * Significativo pelo teste t a 5% de probabilidade de erro. Tabela 2. Análise de comparação de médias para os caracteres dias da emergência ao florescimento (DEF), dias da emergência a maturação (DEM), estatura de planta (EST), rendimento de grãos (RG), peso de hectolitro (PH) e peso de mil sementes (PMS) em genótipos de trigo, cultivados no município de Capão do Leão-RS na estação de cultivo de 2009. CGF/FAEM/UFPel, 2010 DEF DEM EST RG PH PMS Genótipo dias dias cm kg ha-1 kg 100L-1 g BR 23 93 c 140 b 94 b 1309 c 65 b 43 a BR 35 92 c 137 b 96 b 1096 c 64 b 44 a BRS 119 91 c 137 b 89 c 1151 c 68 b 37 b BRS 120 96 b 143 a 92 c 1502 b 67 b 44 a BRS 177 100 a 148 a 92 c 1507 b 70 a 37 b BRS 49 94 c 137 b 97 b 1336 c 66 b 37 b CD 111 97 b 135 b 93 c 1160 c 67 b 39 b CEP 24 97 b 138 b 98 b 1127 c 68 b 42 a CEP 29 98 a 141 b 90 c 1449 b 70 a 37 b ONIX 97 b 144 a 83 d 2028 a 72 a 37 b RUBI 100 a 139 b 86 d 1529 b 70 a 45 a SAFIRA 100 a 141 b 87 d 1813 a 68 a 36 b OPELT06 006 101 a 146 a 96 b 1507 b 69 a 41 a OPELT06 008 101 a 148 a 95 b 1262 c 69 a 37 b OPELT06 010 101 a 149 a 104 a 1205 c 70 a 36 b OPELT06 012 101 a 148 a 91 c 1598 b 70 a 43 a OPELT06 013 94 c 144 a 89 c 1300 c 67 b 41 a Médias seguidas da mesma letra não diferem significativamente entre si pelo teste Scott e Knott a 5% de significância; DEF=dias da emergência ao florescimento; DEM=dias da emergência a maturação; EST=estatura de planta; RG=rendimento de grãos; PH=peso de hectolitro e PMS=peso de mil sementes. Figura 1. Dendrograma representativo da dissimilaridade genética, baseado na distância generalizada de Mahalanobis (D2) entre 12 cultivares e 5 linhagens de trigo baseado na análise conjunta dos caracteres mensurados utilizando o método de agrupamento UPGMA, com r=0,65. CGF/FAEM/UFPel, 2010 EMPREGO DE CARACTERES MORFOLÓGICOS NA ESTIMATIVA DA DISTÂNCIA GENÉTICA DE GENÓTIPOS DE TRIGO (triticum sp.). Michel Wachholz1, Diego Baretta1, Murilo Cerioli1, Luiz Felipe Girardon1, Itamara Mezzalira1, Rafael Nörberg1, Maraisa Crestani1, Thaís Hagemann1, Fernando I. F. Carvallho1, Luciano C. Maia1 e Antonio Costa de Oliveira1. 1 Centro de Genomica e fitomelhoramento, Departamento de fitotecnia, Faculdade Eliseu Maciel, Universidade Federal de Pelotas. Campos Universitario s/n. PelotasRS. CEP 96001-970 [email protected] O trigo é uma das culturas mais importantes para cultivo na estação fria, sendo que o Brasil produz atualmente cerca de 50% da demanda interna deste produto. Os estados do Paraná e Rio Grande do Sul são responsáveis por mais de 85% da produção nacional (BRASIL, 2008). Portanto, o desenvolvimento constante de novas cultivares, que evidenciem maior produtividade, qualidade de grãos e adaptabilidade aos ambientes de cultivo, tem sido a principal meta dos programas de melhoramento (CARVALHO et al, 2008). Segundo dados da CONAB (2009), a produção de grãos de trigo na safra 2008/2009 foi de 5,67 milhões de toneladas, no entanto No consumo nacional é de mais de 12 milhões de toneladas. Com este déficit, torna-se cada vez mais importante a eficiência dos programas de melhoramento no desenvolvimento de constituições genéticas elite, que tornem o trigo mais atrativo a ser adotado pelo agricultor como uma opção de cultivo promissora economicamente, e assim contribuir para a diminuição da dependência da importação desse grão, que é indispensável na alimentação dos brasileiros. Dentre as ferramentas utilizadas pelos melhoristas na busca de combinações superiores está à estimativa das distâncias genéticas. Estas análises podem contribuir na avaliação do germoplasma disponível, auxiliando na definição de cruzamentos artificiais, na incorporação de genes exóticos (fase de pré-melhoramento) e recomendação de cultivares para determinadas regiões, quando o objetivo é aumentar a base genética dos cultivares sob cultivo. Assim, se constitui numa ferramenta auxiliar de grande importância em programas de melhoramento e um importante elo entre a conservação e a utilização dos recursos genéticos disponíveis (MOHAMMADI e PRASANA, 2003). Dentre os caracteres utilizados na estimativa da distancia genética em um conjunto de genótipos, podem ser adotados caracteres fenotípicos (morfológicos e agronômicos) e também de dados genealógicos, alem de dados moleculares (BERTAN, 2005). Caráter fenotípico em associação com as técnicas multivariadas vem sendo empregado com sucesso na quantificação da distância genética do trigo (ZEVEM e SCHIACHL, 1989; BERTAN, 2005). Neste trabalho foram avaliados 48 genótipos de trigo: CGFT 10-001, CGFT 10002, CGFT 10-003, CGFT 10-004, CGFT 10-005, CGFT 10-006, CGFT 10-007, CGFT 10-008, CGFT 10-009, CGFT 10-010, CGFT 10-011, CGFT 10-012, CGFT 10-013, CGFT 10-014, CGFT 10-015, CGFT 10-016, CGFT 10-017, CGFT 10-018, CGFT 10019, CGFT 10-020, CGFT 10-021, CGFT 10-022, CGFT 10-023, CGFT 10-024, CGFT 10-025, CGFT 10-026, CGFT 10-027, CGFT 10-028, CGFT 10-029, CGFT 10-030, CGFT 10-031, CGFT 10-032, CGFT 10-033, CGFT 10-034, CGFT 10-035, CGFT 10036, CGFT 10-037, CGFT 10-038, CGFT 10-039, CGFT 10-040, CGFT 10-041, CGFT 10-042, CGFT 10-043, CGFT 10-044, CGFT 10-045, IPR 85, CEP 29 e SAFIRA. Estes genótipos foram conduzidos na safra agrícola de 2009, na área experimental do Centro de Genômica e Fitomelhoramento, Universidade Federal de Pelotas (CGF/UFPEL), localizada no município de Capão do Leão, Estado do Rio Grande do Sul. “O município se encontra “localizado a 31°52’0 0” de latitude sul e 52°21’24” de longitude Oeste, a uma altitude de 13 m. O delineamento experimental empregado foi o de blocos completos casualizados, com três repetições, sendo as parcelas compostas por três linhas com 3 metros de comprimento, espaçadas em 0,20 metros. A adubação de base foi de 300 kg ha-1de NPK (5-20-20) e aplicação de 60 kg de nitrogênio no inicio do afilhamento e controle de ervas daninha foi realizado com capina manual, e o controle de formigas cortadeiras feito com aplicação de iscas granuladas. O controle de pragas e moléstias foi realizado sempre que necessário, seguindo as recomendações da Comissão Sul Brasileira de Pesquisa de Trigo (2002). No presente trabalho foram avaliados oito caracteres fenotípicos: i) dias da emergência ao florescimento (DEF, em dias); ii) dias do florescimento à maturação (DFM, em dias); iii) dias da emergência à maturação (DEM, em dias); iv) estatura media das planta (EST, em cm); v) rendimentos de grãos (RG, em kg ha-1); vi) massa de hectolitro (PH, kg 100 L-1); vii) massa de mil grãos (MMG, em g); viii) nível de acamamento (ACAM, em %). Para estimar a dissimilaridade genética foi utilizada a distância generalizada de Mahalanobis (D²) entre os pares de genótipos a partir das médias padronizadas utilizando o programa computacional Genes (CRUZ, 2001). Com base na matriz de dissimilaridade genética gerada, foi construído um dendrograma pelo método UPGMA (Unweighted Pair Group Method with Arithmetic Mean), fazendo uso do programa computacional NTSYS pc 2.1 (ROHLF, 2001). Após a construção do dendrograma, foi calculado o coeficiente de correlação cofenética através do Teste de Mantel, e a separação dos grupos foi realizada utilizando a dissimilaridade média (SOKAL e ROHLF, 1962). Os dados foram submetidos à análise de variância e determinada às estimativas de medias utilizando o programa estatístico GENES, (CRUZ, 2001). Os resultados da análise da variância evidenciaram a existência de diferenças genéticas entre os genótipos para os caracteres aferidos. O caráter que proporcionou o maior número de classes fenotípicas foi o rendimento de grãos (RG), sendo constatadas 6 classes. As médias para o rendimento de grãos variam de 3181 kg ha-1, para a linhagem CGF 10-041, a 303,33 kg ha-1, para a linhagem CGF 10-006. Em relação ao ciclo completo de desenvolvimento (DEM), houve uma grande similaridade entre os valores encontrados, destacando a linhagem CGFT 10-021 sendo a mais precoce com 132 dias, juntamente com IPR 85 que foi a cultivar que apresentou maior precocidade, com 131 dias. A média geral para a duração de ciclo dos 48 genótipos avaliados foi de 138 dias. Um caráter relevante a ressaltar é o de dias de florescimento a maturação (DFM), em que o genótipo CGFT 10-025 apresentou o valor médio de 48 dias, sendo maior valor encontrado, que contrasta com o valor de dias de emergência ao florescimento (DEF) do mesmo genótipo, que apresentou juntamente com a cultivar IPR 85, o menor número de dias para esse caráter. Para o caráter massa do hectolitro (PH), não houve uma grande disparidade nos resultados, sendo que a média de 36 genótipos não deferiu entre si para as maiores medias, os resultados das medias do caráter PH foram relativamente baixas, devido fortes e constantes chuvas no período de colheita dos genótipos do experimento. Para este caráter a melhor media encontrada foi do genótipo CGFT 10020 com 74,67 kg.100L-1. O caráter massa de mil grãos (MMG), destaca se dois genótipos CGFT 10-035 e CGFT 10-0025, com medias de 43,70g e 42,23g, respectivamente. Com base na análise multivariada, englobando todos os caracteres avaliados, foi possível observar a relação existente entre as linhagens e cultivares de trigo com base na distância genética (Figura1). Nesta avaliação, com base na dissimilaridade média (Dm=500000000), verificou-se a formação de três grandes grupos: um grupo formado pela linhagem CGFT 10-008, e pelas cultivares CEP 29 e SAFIRA; um segundo grupo formado pelas linhagens CGFT 10-16,CGFT 10-032, CGFT 10-040, CGFT 10-39, CGFT 10-023, CGFT 10-024 e CGFT 10-031; e um terceiro grupo composto pelos demais genótipos avaliados. O coeficiente de correlação cofenético do dendrograma (r=0,70) evidenciou um bom ajuste entre a representação gráfica das distâncias e a sua matriz original, o que dá suporte às inferências realizadas com a análise visual da Figura1. A formação dos grupos indica que os genótipos presentes em cada grupo individualizado apresentam bases genéticas estreitas entre si, e distanciam-se geneticamente dos demais genótipos presentes em grupos distintos, com base nos caracteres considerados nesta análise. O desempenho médio dos 48 genótipos para os caracteres considerados nesta avaliação, analisado conjuntamente com as distâncias genéticas observadas poderá caracterizar uma ferramenta importante para a predição de cruzamentos futuros. Uma combinação que parece ser promissora é o cruzamento entre as linhagens CGFT 10007 e CGFT 10-024, ambos apresentam boas medias para os caracteres acamamento (ACAM) e rendimento de grãos (RG) e grande distância genética, sendo dispostos em grupos distintos de acordo com o dendrograma. Conseqüentemente, a progênie resultante de cruzamentos artificiais poderá apresentar elevada variabilidade genética, e em virtude do elevado potencial para os caracteres de interesse, existem maiores chances de se obter genótipos superiores na progênie. A análise de dissimilaridade genética proposta neste trabalho permitiu identificar variabilidade existente entre os genótipos de trigo através de caracteres morfológicos. Com análise visual do dendrograma (Figura 1) é possível direcionar cruzamentos artificiais envolvendo os genótipos de diferentes agrupamentos, que apresentam diferentes distancia genética, auxiliando diretamente o melhorista no desenvolvimento de constituições genéticas promissoras no seu programa de melhoramento. Dentre eles, as combinaçoes CGFT 10-014 x CGFT 10-042 e CGFT10-013 X CGFT 10-041 serial promissores uma vez que reuniriam os caracteres desejaveis de maior DFM (CGFT 10-014 e (CGFT 10-013) com altas médias de RG (CGFT 10-042 e CGFT 10-041). Referencias bibliográficas BRASIL, Ministerio da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Compania nacional de Abastecimento. Intenção de plantio e primeiro levantamento de grãos; safra 2008/2009. Brasília: Conab, 2008. 39 p. Disponível em: < http: // www.conab.gov.br/. CARVALHO, F.I.F. DE; LORENCETTI, C; MARCHIORO, V. S.; SILVA, S, A. Condução de populações no melhoramento genético de plantas. 2 ed. Pelotas: Universidade Federal de Pelotas, 2008. 288p.ROHLF, F. J. NTSYS- pc: numerical taxonomy and multivariate analysys system, verssion 2.1. New York: Exete Software, 2000. 38p. CRUZ, C.D. Programa Genes: Aplicativo computacional em genética e estatística. Viçosa: UFV, 2001. 648p.. MOHAMMADI, S, A; PRASANNA, B, A. Analyses of genetic diversity in crop plants in Salient statistics tools and consirations. Crop Science, Madison, v.43, n. 4, p.12351248, 2003. SOKAL, R. R.; ROHLF, F. J. The comparison of dendrogramas by objective methods. Taxonomy 11:33-40. 1962. ZEVEN, AC; SCHACHL, R. Groups of bread Wheet landeaces in the autraliam Alps. Eupytica, Dodrecht, v. 41, p. 235-246, 1989 Tabela 1. Comparação de medias para os caracteres dias da emergência ao florescimento (DEF, em dias), dias de florescimento á maturação (DFM, em dias), dias da emergência a maturação (DEM, em dias), estatura media de plantas (EST, em cm), rendimentos de grãos (RG,em kg ha-1 ), massa de hectolitro (PH, em kg 100L -1 ),massa de mil grãos (MMG, em g) e nível de acamamento (ACAM, em %) mensurados em 48 genótipos de trigo avaliados no ano de 2009. CGFTFAEM/UFPEL, Pelotas-RS, 2010 GENOTIPOS CGFT 10-001 CGFT 10-002 CGFT 10-003 CGFT 10-004 CGFT 10-005 CGFT 10-006 CGFT 10-007 CGFT 10-008 CGFT 10-009 CGFT 10-010 CGFT 10-011 CGFT 10-012 CGFT 10-013 CGFT 10-014 CGFT 10-015 CGFT 10-016 CGFT 10-017 CGFT 10-018 CGFT 10-019 CGFT 10-020 CGFT 10-021 CGFT 10-022 CGFT 10-023 CGFT 10-024 CGFT 10-025 CGFT 10-026 CGFT 10-027 CGFT 10-028 CGFT 10-029 CGFT 10-030 CGFT 10-031 CGFT 10-032 CGFT 10-033 CGFT 10-034 CGFT 10-035 CGFT 10-036 CGFT 10-037 CGFT 10-038 CGFT 10-039 CGFT 10-040 CGFT 10-041 CGFT 10-042 CGFT 10-043 CGFT 10-044 CGFT 10-045 IPR 85 CEP 29 SAFIRA DEF 100,00 94,00 97,67 94,00 94,00 95,33 109,67 109,67 109,00 95,33 100,67 101,33 91,67 93,00 100,33 96,67 99,67 93,67 95,00 105,00 93,33 100,33 105,00 101,33 91,00 96,67 99,33 96,00 96,67 99,00 108,00 100,00 101,67 101,33 95,00 94,33 97,33 93,67 99,33 101,33 103,67 103,67 103,00 102,67 103,33 91,00 98,67 103,33 QM - Genótipo 71,50** CV (%) 1,94 d f e f f e a a a e d d f f d e d f e b f d b d f e d e e d a d d d e f e f d d c c c c c f d c DFM 38,00 40,67 39,67 41,67 44,00 42,33 39,67 32,33 34,67 42,00 40,00 35,67 42,33 42,00 38,00 39,00 38,33 41,00 39,67 38,00 38,33 39,00 44,00 38,00 48,33 39,00 40,00 41,67 41,33 37,67 32,67 39,33 40,00 37,00 40,33 44,00 39,67 40,67 40,67 40,00 39,67 39,00 38,33 39,00 37,67 40,00 38,67 28,67 29,00** 7,01 b b b a a a b c c a b c a a b b b b b b b b a b a b b a a b c b b b b a b b b b b b b b b b b d DEM 138,00 134,67 137,33 135,67 138,00 137,67 149,33 142,00 143,67 137,33 140,67 137,00 134,00 135,00 138,33 135,67 138,00 134,67 134,67 143,00 131,67 139,33 149,00 139,33 139,33 135,67 139,33 137,67 138,00 136,67 140,67 139,33 141,67 138,33 135,33 138,33 137,00 134,33 140,00 141,33 143,33 142,67 141,33 141,67 141,00 131,00 137,33 132,00 42,90** 1,85 c d c d c c a b b c b c d d c d c d d b d b a b b d b c c c b b b c d c c d b b b b b b b d c d EST 87,67 84,33 86,00 88,33 88,33 83,67 100,67 96,33 99,67 78,67 93,00 99,67 79,33 82,00 105,33 102,33 97,00 85,00 100,00 105,00 94,00 84,00 95,67 91,33 86,33 87,00 88,00 75,33 88,33 92,00 101,67 90,00 101,00 94,00 80,33 94,67 93,00 87,67 96,67 100,33 97,67 96,67 79,00 98,67 98,67 80,33 93,67 95,00 c c c c c c a b a d b a d d a a b c a a b c b b c c c d c b a c a b d b b c b a b b d a a d b b 178,10** 4,29 RG 940,67 311,00 723,33 838,33 526,00 303,33 2066,67 1966,67 1696,33 370,33 1207,33 1948,00 481,00 644,33 1966,67 2046,00 1226,00 986,33 1134,00 2153,33 1370,67 1892,67 1669,33 2363,00 1311,33 1437,00 2533,33 1052,00 1348,00 1629,67 1215,00 996,33 1314,33 1704,00 976,67 1448,67 986,33 918,33 1185,33 1740,67 3181,33 2585,00 1377,67 1829,67 1489,00 870,67 1778,67 2204,00 f g g f g g c c d g e c g g c c e f f c e c d b e e b f e d e f e d f e f f e d a b e d e f d c PH 69,67 59,67 63,00 64,67 61,67 63,67 67,67 66,67 68,33 66,33 65,00 71,00 62,67 68,67 73,00 69,67 69,33 70,33 71,00 74,67 69,67 68,67 65,67 68,67 61,67 69,00 73,00 68,00 70,67 70,67 71,00 71,00 72,00 72,33 67,33 69,67 69,00 68,67 65,67 69,67 68,67 72,33 65,67 71,00 75,33 67,33 69,33 72,33 a c c b c c a b a b b a c a a a a a a a a a b a c a a a a a a a a a a a a a b a a a b a a a a a 1210713,60** 35,40** 14,58 3,97 MMG 39,40 36,07 34,50 41,27 36,60 41,87 28,37 31,03 33,97 39,53 30,63 38,40 37,87 41,90 35,17 32,67 36,47 35,90 32,23 34,30 37,63 30,40 31,83 32,60 43,70 36,47 34,87 36,67 34,57 34,70 30,13 40,80 34,20 39,17 42,23 39,30 31,90 34,63 30,93 31,17 35,63 36,43 27,70 27,07 32,47 32,63 34,57 33,57 a b c a b a d d c a d b b a c c b b c c b d c c a b c b c c d a c a a a c c d d b b d d c c c c 47,10** 6,30 ACAM 15,00 c 36,67 c 23,33 c 71,67 a 40,00 b 73,33 a 0,0 d 1,67 d 0,0 d 43,33 b 31,67 c 18,33 c 86,67 a 81,67 a 20,00 c 3,33 d 60,00 b 35,00 c 41,67 b 15,00 c 40,00 b 23,33 c 1,67 d 1,67 d 50,00 b 1,67 d 3,33 d 1,67 d 3,33 d 0,0 d 13,33 d 28,33 c 13,33 d 11,67 d 76,67 a 25,00 c 23,33 c 18,33 c 25,00 c 10,00 d 6,67 d 0,0 d 3,33 d 10,00 d 23,33 c 78,33 a 15,00 c 5,00 d 1876,90** 61,90 Numeros seguidos pelas mesmas letras,na coluna, não diferem estatisticamente pelo teste Scott & Knott a 5% de significância.QM = Quadrado médio para o fator de tratamento genótipo; CV = Coeficiente de variação Figura 1. Dendrograma da analise de agrupamento de 48 genótipos de trigo utilizando a distancia de Mahalanobis com base em oito caracteres fenotípicos no ano de 2009. Coeficiente de correlação cofenético (r=0,70). CGF/FAEM/UFPel- PelotasRS,2009 CORRELAÇÃO ENTRE CARACTERES DE INTERESSE AGRONÔMICO EM LINHAGENS DE TRIGO (Triticum aestivum L.) Diego Baretta1, Michel Wachholz1, Cristiano M. Zimmer1, Rodrigo P. Paiva1, Elisane Tessmann1, Maraisa Crestani1, Thaís R. Hegemann1, Rafael Nornberg1, Luciano C. Maia1, Fernando I. F. Carvalho1 e Antonio Costa de Oliveira1 1 Departamento de Fitotecnia – Centro de Genômica e Fitomelhoramento FAEM/UFPel Campus Universitário – Caixa Postal 354 – CEP 96010-900. [email protected] Em virtude das excelentes características nutricionais dos grãos, e por ser uma alternativa para a diversificação do sistema produtivo da propriedade agrícola, o trigo (Triticum aestivum L.) ocupa uma posição de destaque em relação a outros cereais. Essa espécie é utilizada na alimentação humana, sendo o grão de trigo um alimento básico usado para a confecção de farinhas, utilizadas para a confecção de pães, massas, biscoitos, entre outros alimentos. Na alimentação animal pode ser utilizada como forragem verde e na composição de rações. Na região sul, assim como em algumas localidades nas regiões sudeste e centro-oeste, o trigo é cultivado como uma cultura produtora de grãos principalmente. Também é usado para a produção de palha para a cobertura do solo, favorecendo assim, a implantação das culturas de verão, especialmente em plantio direto, e dessa forma proporcionando a quebra de ciclo de várias moléstias e pragas. De acordo com o levantamento da CONAB, (2009), na safra 08/09 a região sul apresentou uma área cultivada de 2228,1 mil hectares, com uma produção de 5451,9 mil toneladas, e o estado do Rio Grande do Sul foi o segundo maior estado produtor com 980,3 mil hectares e com uma produção de 2058,6 mil toneladas. Estudos sobre as correlações entre caracteres mensuráveis em uma população permitem inferências sobre sua interdependência, isto é, se tendem ou não a permanecer associados nas progênies durante os sucessivos ciclos de seleção (FONSECA e PATTERSON, 1968). Quando efetuado sobre genótipos com elevado nível de homozigose, permite avaliar a relação de desempenho entre caracteres de interesse agronômico. Esse conhecimento é de grande importância para a definição de estratégias para obtenção de ganhos genéticos quando o objetivo é a seleção simultânea (mais de um caráter), ou quando o caráter de interesse expressa baixa herdabilidade e/ou é de difícil mensuração (SANTOS e VENCOVSKY, 1986). Na cultura do trigo, o principal alvo dos programas de melhoramento genético é o desenvolvimento de genótipos superiores para o caráter rendimento de grãos. Uma alternativa para a busca de genótipos superiores é o emprego de seleção indireta através de caracteres correlacionados, que pode permitir a obtenção de progresso genético em caracteres desejados. Além disso, o estudo da natureza e a magnitude das relações existentes entre caracteres são importantes para o melhoramento genético de uma espécie, sendo necessário o aprimoramento do genótipo não apenas para caracteres isolados, mas para um conjunto simultâneo de características (VENCOVSKY e BARRIGA, 1992). Diante disso, o presente trabalho teve por objetivo estimar a magnitude da associação fenotípica, genética e de ambiente entre diferentes caracteres de importância agronômica mensurados em genótipos de trigo. O experimento foi conduzido na safra agrícola de 2009, na área experimental do Centro de Genômica e Fitomelhoramento, no Centro Agropecuário da Palma, em Capão do Leão – RS. Foram utilizados 48 genótipos de trigo, empregando o delineamento de blocos ao acaso, com três repetições. A unidade experimental era composta de três fileiras de 3 metros de comprimento, utilizando uma densidade de semeadura corrigida para 300 sementes viáveis por m2. Foi adotado o espaçamento de 0,2 m entre linhas. Foi realizada adubação de base com 200 Kg ha-1 da fórmula 5- 20-20 (N-P2O5-K2O). Foi realizada adubação nitrogenada em cobertura com base na análise química do solo da área experimental, e seguindo a recomendação de adubação para a cultura do trigo (RECOMENDAÇÃO DA COMISSÃO SULBRASILEIRA DE PESQUISA DE TRIGO, 2003). O controle de invasoras foi efetuado através de capinas manuais e da aplicação do herbicida de pós-emergência Basagran (princípio ativo Bentazon). Para controle de moléstias da parte aérea foi aplicado o fungicida Folicur 200 CE (princípio ativo Tebuconazole). Para controle de insetos durante a fase de alongamento do colmo e no início e fim da floração das plantas de trigo, foi utilizado o inseticida Symition (princípio ativo Fenitrothion). Foram utilizados 48 genótipos de trigo (CGFT 10-001, CGFT 10-002, CGFT 10-003, CGFT 10-004, CGFT 10-005, CGFT 10-006, CGFT 10-007, CGFT 10-008, CGFT 10-009, CGFT 10-010, CGFT 10-011, CGFT 10-012, CGFT 10-013, CGFT 10-014, CGFT 10015, CGFT 10-016, CGFT 10-017, CGFT 10-018, CGFT 10-019, CGFT 10-020, CGFT 10-021, CGFT 10-022, CGFT 10-023, CGFT 10-024, CGFT 10-025, CGFT 10-026, CGFT 10-027, CGFT 10-028, CGFT 10-029, CGFT 10-030, CGFT 10-031, CGFT 10032, CGFT 10-033, CGFT 10-034, CGFT 10-035, CGFT 10-036, CGFT 10-037, CGFT 10-038, CGFT 10-039, CGFT 10-040, CGFT 10-041, CGFT 10-042, CGT 10-043, CGFT 10-044, CGFT 10-045, IPR 85, CEP 29 e SAFIRA. Durante o cultivo e após a colheita, foram avaliados os caracteres dias da emergência ao florescimento (DEF, em dias), dias do florescimento à maturação (DFM, em dias), dias de emergência à maturação (DEM, em dias), estatura média de planta (EST, em cm), rendimento de grãos (RG, em kg ha-1), massa de hectolitro (PH, em kg 100 L-1), massa de mil grãos (MMG) e porcentagem de acamamento de plantas (ACAM, em %). Os dados foram submetidos à análise de variância e determinadas às estimativas de correlação fenotípica, genética e de ambiente entre os diferentes caracteres avaliados, utilizando o programa estatístico GENES, (CRUZ, 2001). De acordo com a análise de variância foi possível constatar a existência de variabilidade genética entre os genótipos testados em relação a todos os caracteres avaliados (Tabela 1). De forma geral, os coeficientes de variação (CV) revelaram valores de reduzida magnitude, refletindo o adequado controle das técnicas experimentais na condução dos experimentos, conferindo precisão e confiabilidade aos resultados obtidos neste estudo. No entanto, a variável acamamento de planta (ACAM) demonstrou valor elevado, caracterizando uma provável indução ao erro pelo pequeno número de repetições e tamanho da parcela. O método de avaliação do acamamento, mensurado apenas de forma visual pode implicar na subjetividade da observação, dificultando a adequada caracterização dos genótipos de forma eficiente CRUZ, (2002). Analisando os coeficientes de correlação genéticas (rG), fenotípicas (rP) e de ambiente (rF) de forma geral, foi possível verificar que a magnitude das correlações genéticas foram superiores às fenotípicas e de ambiente (Tabela 2). De acordo com GONÇALVES et al., (1996), isto pode ser justificado pelo resultado dos efeitos modificadores do ambiente na associação entre os caracteres, sendo a expressão fenotípica destes caracteres reduzida diante das influências do ambiente, apesar das correlações de ambiente de forma geral não terem sido significativas nesta avaliação. Os caracteres com elevada magnitude de correlação, fenotípica e genotípica podem ser considerados nas estratégias de seleção, contudo, somente as correlações genéticas que envolvem uma associação de natureza herdável podem efetivamente contribuir com a orientação dos programas de melhoramento (CRUZ et al., 2004). Avaliando as associações genéticas entre os caracteres, foi possível verificar correlações positivas entre DEF (0,64), DEM (0,51) e EST (0,63) com o RG. Embora o coeficiente de correlação genética entre os caracteres DEM e RG seja positivo, sugerindo que genótipos que apresentem maior ciclo total de desenvolvimento apresentem maior rendimento de grãos, os programas de melhoramento buscam, de preferência, genótipos precoces, possibilitando a implantação das culturas de verão na época de semeadura mais adequada para cada espécie. É importante também ser destacado a correlação positiva observada entre EST e RG (0,63), indicando que genótipos com estaturas maiores possam apresentar rendimentos de grãos superiores, no entanto de maneira geral o que se busca são genótipos com estaturas reduzidas, os quais geralmente apresentam menor problema com acamamento de planta e respondem melhor à adoção de adubação nitrogenada. Podemos observar a correlação genética positiva entre o caráter MMG com o RG (0,41) e com o PH (0,26), sugerindo que genótipos que apresentem elevada de massa de grãos tendem a expressar produtividades de grãos superiores, sugerindo que em populações segregantes, a seleção indireta para rendimento de grãos pode ser efetuada com a seleção de plantas que evidenciem elevada massa de mil grãos e peso de hectolitro. Foi constada a correlação genotípica do caráter EST com os caracteres DEF (0,67) e DEM (0,51), ambas positivas, indicando que maiores ciclos de desenvolvimento da planta estão relacionados com estaturas de planta mais elevadas. Considerando a associação entre RG e DFM (-0,47) a mesma revelou sentido negativo, podendo essa resposta estar relacionada ao fato de que longos períodos reprodutivos, que vão do florescimento e respectiva fecundação até a maturação fisiológica, proporcionam a maior exposição da planta às intempéries climáticas, levando à redução no rendimento de grãos. Não foram constatadas correlações genotípicas significativas entre DEM e o caráter PH (0,12). Esta resposta pode estar relacionada à ausência de relação linear entre estes caracteres avaliados (CRUZ et al., 2004), ou mesmo sugere a independência na expressão entre estes caracteres, uma vez que a detecção de correlações genotípicas significativas está relacionada aos fenômenos de pleiotropia, que se caracteriza pela propriedade de um gene governar dois ou mais caracteres, ou de genes ligados, que são aqueles situados muito próximos em um mesmo cromossomo e que apresentam segregação dependente (RAMALHO et al., 2004). Os caracteres dias da emergência ao florescimento, dias da emergência à maturação e estatura média de planta apresentam relação positiva com o rendimento de grãos, assim como os caracteres massa de mil grãos e peso de hectolitro. Referências bibliográficas CRUZ, C.D. Programa Genes: Aplicativo computacional em genética e estatística. Viçosa: UFV, 2001. 648p. 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Resumo da análise de variância para os caracteres Dias de Emergência ao Florescimento (DEM), Dias do Florescimento à Maturação (DFM), Dias da Emergência à Maturação (DEM), Estatura (EST), Rendimento de grãos (RG), Massa do Hectolítro (PH), Massa de Mil Grãos (MMG) e Acamamento (ACAM) em genótipos de trigo cultivados no município de Capão do Leão/RS, na estação de cultivo de 2009.CGF/FAEM/UFPel, 2010. Fontes de Variação Quadrado Médio G.L. DEF Genótipo DFM ** DEM 42,90 ** EST 178,10 RG ** 1210713,60 PH ** 35,40 MMG ** 47,10 ** ACAM 1876,90 ** 47 71,50 Bloco 2 89,00 1,70 96,80 234,00 44816,50 29,10 54,70 2075,60 Erro 94 3,60 7,60 6,50 15,40 42577,80 7,40 4,80 244,10 99,07 39,41 138,49 91,74 1415,51 68,56 35,13 25,24 CV (%) 1,94 7,01 1,85 4,29 14,58 3,97 6,30 *Significativo a 5% de probabilidade; **Significativo a 1% de probalilidade; ns= não significativo. 61,90 Média 29,00 ** Tabela 2. Coeficiente de correlação fenotípica (rP), genética (rG) e de ambiente (rF) para os caracteres dias de emergência ao florescimento (DEM), dias do florescimento à Maturação (DFM), Dias da Emergência à Maturação (DEM), Estatura (EST), Rendimento de grãos (RG), Massa do Hectolitro (PH), Massa de Mil Grãos (MMG) e Acamamento (ACAM) em genótipos de trigo cultivados no município de Capão do Leão/RS, na estação de cultivo de 2009.CGF/FAEM/UFPel, 2010. Correlação Fenotípica (rP) Caráter DEF DEF - DFM DFM ** -0,63 - DEM DEM EST RG PH PMS ACAM 0,76** 0,61** 0,62** 0,39** -0,56** -0,67** ns -0,42** -0,41** -0,49** 0,39** 0,41** 0,44** 0,46** 0,09 ns -0,40** -0,52** - 0,58** 0,53** -0,39** -0,46** - 0,56** -0,37** -0,66** - -0,18* -0,43** - 0,54** 0,02 - EST RG PH PMS ACAM Correlação Genética (rG) Caráter DEF DEF DFM DEM - -0,69** 0,82** 0,67** - -0,16* -0,52** 0,51** - DFM DEM - EST EST RG RG PH PMS ACAM 0,64** 0,45** -0,60** -0,74** -0,47** -0,64** 0,47** 0,50** 0,51** 0,12 ns -0,45** -0,62** 0,63** 0,64** -0,44** -0,52** - 0,62** -0,41** -0,72** - -0,26** -0,50** - 0,62** PH PMS ACAM Correlação de Ambiente (rE) Caráter DEF DFM DEM EST RG PH PMS DEF - DFM DEM EST -0,45** 0,26** -0,09 ns - 0,74** 0,07 ns 0,00 ns - - RG PH PMS ACAM -0,17 0,00 ns ns 0,08 ns -0,08 ns 0,09 ns 0,11 ns 0,05 ns 0,17* 0,25** -0,06 ns - 0,23** -0,07 ns - -0,09 ns 0,11 ns -0,02 ns -0,08 ns -0,01 ns 0,04 -0,01 ns -0,03 ns -0,09 ns -0,18* - ACAM *Significativo a 5% de probabilidade; **Significativo a 1% de probabilidade; ns= não significativo - ANÁLISES GGE BIPLOT E AMMI NA AVALIAÇÃO DE ADAPTABILIDADE E ESTABILIDADE EM TRIGO Raphael Rossi Silva¹, Giovani Benin¹, Juliano Luis de Almeida², Gilvani Mattei³, Lucas Berger Munaro¹ ¹UTFPR – Programa de Pós Graduação em Agronomia, Via do conhecimento Km 01, 85501-970, Pato Branco, PR. [email protected] ²FAPA - Praça Nova Pátria, S/N, Colônia Vitória Entre Rios - 85139-400 -Guarapuava, PR. ³Nidera Sementes Ltda - Rua Saul Moreira Macedo, 31, Cará-Cará - 84045-980 Ponta Grossa, PR. A diversidade de locais em que o trigo é cultivado, tanto no Brasil quanto no Estado do Paraná é fator responsável por alterar o desenvolvimento das plantas, pois altera o valor fenotípico da planta de trigo (Murakami, 2004). O desenvolvimento das plantas é resultado do efeito do ambiente (A), genótipo (G) e da interação entre ambos (GxE) (Yan e Kang, 2003; Mohammadi et al., 2007), sendo que a GxE resulta em significativas diferenças na performance dos genótipos quando são cultivadas em diferentes condições ambientais, sendo necessária avaliação de adaptabilidade e estabilidade dos genótipos em diferentes condições ambientais. Nesse sentido, a época de semeadura constitui-se em prática de extrema importância visando à maximização do aproveitamento dos recursos ambientais pela cultura do trigo. Várias são as metodologias existentes para avaliação de adaptabilidade estabilidade, mas as mais recentes e que tem explicado adequadamente os efeitos principais (genótipo e ambiente) e a sua interação, são a análise AMMI, que combina a análise de variância dos efeitos aditivos de genótipos e ambientes com a análise de componentes principais do efeito multiplicativo da GxE (Zobel et al., 1988), em que genótipos e ambientes são considerados de efeito fixo (Piepho, 1994) e a análise GGE Biplot (Yan et al., 2000) que considera o efeito do genótipo e da interação entre genótipo e ambiente (G+GE). O objetivo desse estudo foi avaliar a presença da GxE e realizar a comparação entre as metodologias AMMI e GGE Biplot, para a avaliação da adaptabilidade e estabilidade e considerá-las na indicação das melhores épocas de semeadura na região de Guarapuava. O experimento foi conduzido durante o ano de 2008, na área experimental da Fundação Agrária de Pesquisa Agropecuária, em solo classificado como latossolo bruno alumínico típico. O delineamento experimental utilizado foi o de blocos ao acaso, com quatro repetições em esquema fatorial. As parcelas experimentais foram compostas por 6 linhas de 5 metros de comprimento e 0,17 metro de espaçamento entre linhas com a utilização de semeadeira SEMEATO®. A adubação de base utilizada foi de 300 kg ha-1 da fórmula 8-30-20 e em cobertura utilizou-se 40 kg ha-1 de N na forma de uréia. A avaliação de aspecto agronômico realizada consta do rendimento de grãos, dos genótipos BRS Umbú, BRS 277, BRS 179, BRS Guamirim, BRS Guabiju, BRS Tangará, CD 105, CD 115, Safira, Quartzo, Funducep Nova Era, Fundacep 40, PF 040310, CD 0568 e ORL 013184 cultivadas em quatro épocas de semeadura, quais são: 01 e 15 de junho, 01 e 15 de julho. A análise de variância e comparação de médias pelo Teste de Scott Knott foram realizadas através do aplicativo computacional R e as análises AMMI e GGE Biplot foram realizadas através do aplicativo GGE Biplot. A análise de variância em relação ao rendimento de grãos revelou que os efeitos de genótipos (C) e épocas de semeadura (E) apresentaram variações significativas a 1% pelo teste F, sendo que o maior valor do quadrado médio para genótipos indica que houve grande importância na variação entre os genótipos em relação às épocas de semeadura (Tab. 01), ou seja, o mais adequado, para essas condições, é o manejo de genótipos para obtenção de alto rendimento. A interação significativa indica que os genótipos apresentaram respostas diferenciadas quando submetidas a diferentes épocas de semeadura, indicando que ocorreu alteração no posicionamento dos genótipos ou mudanças na magnitude das diferenças entre genótipos e as épocas de semeadura. As relações de adaptabilidade e estabilidade dos genótipos em cada época de semeadura em um gráfico biplot podem ser facilmente interpretadas, bastando observar os sinais dos escores para genótipos e ambientes, sendo que genótipos e épocas de semeadura com escores de mesmo sinal interagem positivamente, indicando em qual época a cultivar deve ser semeada. O resultado da análise GGE Biplot indica que para a primeira e segunda épocas de semeadura foi possível obter rendimentos significativos com os genótipos BRS Tangará, Quartzo, CD 105, ORL 03184 e Fundacep Nova Era, já para terceira e quarta épocas de semeadura há interação positiva para os genótipos CD 115, Safira, PF 040310, BRS Guamirim e BRS 179 (Fig. 1a). Os demais genótipos não apresentaram associação positiva com nenhuma época de semeadura. Na figura 1b é possível observar que a cultivar Quartzo apresentou o maior rendimento de grãos e alta estabilidade, enquanto a BRS 277 foi a de menor rendimento de grãos e maior instabilidade na produção de grãos. Ainda, na mesma figura, fica evidente que todas as épocas de semeadura apresentaram médias de rendimento semelhantes, mas a primeira e última época de semeadura merecem destaque por possuírem alta estabilidade produtiva em relação às demais épocas. Já os resultados para a metodologia AMMI revelaram que na primeira época de semeadura houve interação positiva com os genótipos BRS 277, ORL 03184 e Fund Nova Era, a segunda época é ambiente propicio para o cultivo da CD 0568, BRS Tangará, CD 105, CD 115 e Quartzo, para a terceira época de semeadura deve-se dar preferência apenas aos genótipos Fundacep 40, BRS 179, Safira BRS Figueira e PF 040310 e, por fim, os genótipos BRS Guabiju, BRS Guamirim e BRS Umbu tem associação positiva com a última época de semeadura. É importante observar que a análise AMMI diferenciou-se da GGE Biplot nas recomendações para todas as épocas, em que, por exemplo, a cultivar BRS 277, com baixo rendimento de grãos, não obteve recomendação para nenhuma das épocas através da análise GGE, enquanto que para a análise AMMI essa cultivar tem recomendação para a primeira época de semeadura. A análise GGE biplot, nesse caso, ainda se mostrou mais eficiente ao apresentar maior coerência com o que é observado em campo, pois é visível que a última época de semeadura proporcionou maiores rendimentos (Tab. 02), mas a metodologia AMMI classificou tal época como sendo de baixo rendimento de grãos (Fig 1a e 1b), o que não ocorreu com a metodologia GGE. As diferenças podem ser explicadas embasado no modelo matemático, em que na análise AMMI é levado em consideração o efeito da interação entre genótipo e ambiente (GXE), enquanto que na GGE Biplot há efeitos de genótipo (G), interação entre genótipo e ambiente (GxE) que pode ser abreviado por (GGE) (Yan et al., 2000; Zobel et al., 1988), ou seja, essa última considera o desempenho da cultivar em isolado e na interação. Apesar das diferenças entre ambas metodologias é certo que são inovadoras quanto à apresentação dos resultados, sendo que essa vantagem também foi relatada por Yan et al. (2000), quando os resultados obtidos são expostos através de gráfico biplot, como é o caso das análises AMMI e GGE Biplot. A metodologia GGE Biplot por não apresentar os ambientes dispersos em todos os quadrantes facilita a visualização e, consequentemente, a interpretação, pois em casos de grande número de ambientes há a formação de menor número de grupos de ambientes, sendo possível identificar quais são os genótipos com maiores rendimentos e quais as épocas adequadas para as mesmas de forma rápida e fácil (Yan et al., 2007). Pode-se concluir que a análise GGE foi mais eficiente em representar graficamente o efeito da interação genótipo ambiente em relação à análise AMMI. Referências bibliográficas BALESTRE, M.; SOUZA, J.C.; PINHO, R.G.V.; OLIVEIRA, R.L.; PAES, M.V. (2009) Yield stability and adaptability of maize hybrids based on GGE biplot analysis characteristics. Crop breeding and applied biotechnology 9:219-228. MOHAMMADI, R.; HAGHPARAST, R.; AGHAEE, M.; ROSTAEE, M.; POURDAD, S.S. Biplot Analysis of Multi-Environment Trials for Identification of Winter Wheat Megaenvironments in Iran. World Journal of Agricultural Sciences 3:475-480, 2007. MURAKAMI, D. M.; CARDOSO, A. A.; CRUZ, C. D.; BIZÃO, N. Considerações sobre duas metodologias de análise de estabilidade e adaptabilidade. Ciência Rural, v. 34, n.1, p.71-74, 2004. PIEPHO, H. P. Best linear unbiased prediction (BLUP) for regional yield trials: a comparison to additive main effects and multiplicative interaction (AMMI) analysis. Theretical and applied genetics 89:647-654, 1994. SCHEEREN, P.L.; PEGORARO, D.; ROSINHAS, R.C.; ALMEIDA, J.; MOLIN, R. Trigo BRS Figueira: características e desempenho agronômico. Passo Fundo: Embrapa Trigo, 2003. 18 p. YAN, W.; HUNT, L.A.; SHENG, Q.L.; SZLAVNICS, Z. Cultivar evaluation and megaenvironment investigation based on the GGE Biplot. Crop Science 40:597-605, 2000. YAN, W.; KANG, M.S. GGE Biplot analysis: a graphical tool for breeders, geneticists, and agronomists. Boca Raton, 2003. YAN, W.; KANG, M.S.; MA, B.; WOODS, S.; CORNELIUS, P.L. GGE Biplots vs. AMMI analysis of genotype-by-environment data. Crop science 47:643-655, 2007. ZOBEL, R. W.; WRIGHT, M. J.; GAUCH, H. G. Statistical analysis of a yield trial. Agronomy Journal 80:388-393, 1988. Tabela 01: Resumo da análise de variância para o rendimento de grãos de genótipos de trigo em diferentes épocas de semeadura cultivadas no ano de 2008. Guarapuava, 2010. F.V. GL Q.M. Bloco 3 1604997 ** Épocas (E) 3 1796811 ** Genótipos (G) 14 3702069 ** ExG 42 368914 ** Erro 177 168922 -1 Média Geral (kg ha ) 6713.15 CV(%) 4.19 ** significativo a 1% pelo Teste F Tabela 02: Comparação de médias pelo Teste de Scott Knott para genótipos de trigo em diferentes épocas de semeadura cultivadas no ano de 2008. Guarapuava, 2010. 01/jun 15/jun 01/jul 15/jul Rendimento de grãos – kg ha-1 BRS UMBU 6049.30 Ca 6582.52 Ca 6781.07 Ba 6631.08 Ba BRS 277 5724.61 Ca 6269.40 Ca 5327.00 Cb 4783.16 Cb BRS 179 6441.56 Bb 6721.08 Bb 7402.84 Aa 6940.24 Bb BRS GUAMIRIM 6190.06 Ca 6330.77 Ca 6739.84 Ba 6864.70 Ba BRS GUABIJU 5715.11 Cb 5968.26 Cb 6590.40 Ba 6501.55 Ba BRS TANGARA 7311.81 Aa 7480.24 Aa 6879.94 Ba 7552.04 Aa CD 105 6581.69 Ba 6720.03 Ba 6552.84 Ba 6934.68 Ba CD 115 6237.44 Ca 6828.57 Ba 6995.40 Ba 6772.87 Ba SAFIRA 6650.73 Ba 6567.72 Ca 6988.44 Ba 6843.17 Ba QUARTZO 7283.63 Aa 7504.90 Aa 7740.88 Aa 7874.32 Aa FUNDACEP NOVA ERA 6668.57 Bb 6822.98 Bb 7318.88 Aa 6459.74 Bb FUNDACEP 40 6540.33 Ba 6133.65 Ca 6755.41 Ba 6750.72 Ba PF 040310 6702.55 Ba 6986.16 Ba 7423.38 Aa 7279.04 Aa CD 0568 6038.47 Cb 6753.22 Ba 6416.78 Bb 6834.58 Ba ORL 013184 6978.43 Aa 6932.37 Ba 7172.19 Aa 6965.59 Ba Letras maiúsculas comparam entre as linhas; Letras minúsculas comparam nas linhas. Médias seguidas de mesma letra não diferem entre si pelo Teste de Scott Knott a 5%. Figura 01: Plotagem dos escores dos componentes principais, quanto à indicação de épocas de semeadura (3a), média e estabilidade produtivo (3b) segundo o modelo GGE Biplot e indicação de épocas de semeadura (3c), média e estabilidade produtivo (3d) segundo o modelo -1 AMMI, para o caráter rendimento de grãos (Kg ha ), de genótipos de trigo cultivadas em quatro épocas de semeadura no ano de 2008em Guarapuava. ESTIMATIVAS DE CORRELAÇÕES ENTRE HETEROBELTIOSE, CAPACIDADE ESPECIFICA DE COMBINAÇÃO E DESEMPENHO MÉDIO DE GENÓTIPOS DE TRIGO EM DUAS GERAÇÕES Marcio Andrei Capelin1, Giovani Benin1, Eduardo S. Pagliosa1, Cristiano Lemes1, Elesandro Bornhofen1, Cilas Pinnow1 e Jeisson Franke1 1 Universidade Tecnológica Federal do Paraná - Campus Pato Branco. Via do Conhecimento km 01, CEP 85501-970, Pato Branco, PR. Email: [email protected] O estudo do melhoramento genético de trigo no Brasil é de suma importância para o incremento na produtividade visto somos insuficientes na produção deste cereal, ou seja, a única alternativa aumentar gastos com a importação. Na escolha de genitores de trigo, os melhores cruzamentos são os que apresentam maior probabilidade de fornecer progênies com desempenho superior, com elevado rendimento de grãos e demais caracteres agronômicos e adaptativos importantes para a cultura (BENIN, 2009). A partir disso os melhoristas dispõem de ferramentas importantes de seleção indireta em gerações iniciais de populações segregantes de trigo, entre essas estão às correlações entre a heterobeltiose, capacidade especifica de combinação e o desempenho médio de genótipos de trigo. Com base nesses critérios é possível identificar na maioria das vezes os melhores genitores que poderão ser utilizados em blocos de cruzamentos futuros e as melhores populações segregantes que poderão dar origem a uma nova cultivar. A heterobeltiose é o incremento do rendimento de grãos ou outros caracteres em relação ao melhor genitor para aquele caráter (MORGAN, 1998 apud em LORENCETTI, 2006). A heterobeltiose ocorre quando a média do híbrido em geração F1 supera o valor do maior parental ou fica abaixo do menor parental para determinado caráter, (GUERCIO, 2009). Desta maneira é possível identificar quais caracteres devem ser priorizados na seleção. As correlações genéticas, fenotípicas e ambientais são usadas para estimar o grau de associação entre os caracteres agronômicos de uma população híbrida (GUERCIO, 2009). Correlações genéticas fornecem a medida do grau de associação entre os caracteres, ou seja, expressam a extensão pela qual dois ou mais caracteres são controlados pelos mesmos genes ou por genes fortemente ligados (FOOLAD et al., 2003 apud em GUERCIO, 2009). Os princípios de genética quantitativa são utilizados para avaliar e comparar a eficiência da seleção direta e indireta. A seleção indireta seria a mais efetiva quando a correlação genética entre os dois caracteres fosse alta e positiva, e a herdabilidade do caráter secundário fosse maior que a do caráter de interesse (DePAUW et al., 2007 apud em GUERCIO 2009). Nesse sentido este trabalho teve por objetivo estimar as correlações entre a heterobeltiose, capacidade especifica de combinação e o desempenho médio de genótipos de trigo em duas gerações. O experimento foi conduzido na Estação Experimental do Curso de Agronomia da UTFPR, em Pato Branco-PR (26010’ S; 52041’W e 743 m). Dez genótipos de trigo (UTF 0605, BRS Figueira, BRS Louro, BRS Guamirim, BRS Timbaúva, BRS 208, Pampeano, CD 115, FUNDACEP 50 e Abalone), escolhidos com base no rendimento de grãos e caracteres agronômicos de interesse, bem como pela dissimilaridade morfológica apresentada pelos mesmos, foram cruzados em forma de dialelo completo, sem os recíprocos, totalizando 45 combinações híbridas. As sementes F1 foram obtidas em casa de vegetação, no ano de 2006. No mesmo ano, uma amostra das sementes F1 de cada cruzamento foi semeada em casa de vegetação visando o avanço para a geração F2. Em julho de 2007 os híbridos F1, as populações F2 e os genitores foram conduzidos em delineamento completamente casualizado com três repetições. As parcelas experimentais foram compostas por 20 plantas para os híbridos F1, 40 plantas para os pais e 40 para as populações F2, espaçadas em 30 cm entre plantas e entre linhas. Os tratos culturais foram de acordo com as recomendações técnicas para a cultura do trigo (COMISSÃO SUL BRASILEIRA DE PESQUISA DE TRIGO, 2006). Foram avaliados os seguintes caracteres: estatura de planta (EP); numero de espigas por planta (NE P-1); número de grãos por espiga (NG E-1); massa de 100 grãos (MCG); rendimento de grãos por planta (RG P-1). Os dados obtidos foram submetidos à análise de variância conjunta das duas gerações avaliadas. A heterobeltiose foi obtida pela média dos genitores em relação F1 - G S * 100 ), onde: H PS é a estimativa da heterobeltiose; GS F1 é a média do híbrido; e, G S é a média do genitor superior (GARDNER e genitor superior, ( H PS = EBERHART, 1966). A significância estatística dos valores da heterose e heterobeltiose foram verificadas por meio do teste “t”. Os dados foram submetidos a análise de variância individual e geral considerando as gerações avaliadas, onde posteriormente, as somas de quadrados dos tratamentos foram decompostas em capacidade geral (CGC) e específica de combinação (CEC), e interações, por meio da análise de variância dialélica. Na decomposição, foi empregado o Método 2, Modelo B de Griffing (1956). As análises de capacidade de combinação e correlação de Pearson entre a heterobeltiose e médias de desempenho entre os caracteres estudados foram realizadas com auxílio do programa computacional Genes (CRUZ, 2001). De acordo com a tabela 01 identifica-se que houve correlação significativa entre a heterobeltiose de EP na F1 com a heretobeltiose de EP da F2, isso significa que os cruzamentos que apresentaram melhor desempenho em relação ao melhor pai para esse caracter, mantiveram isso no F2. Também houve significância entre a heterobeltiose do NEP da F1 com MCG e PGP em F1 e para NEP em F1 com NEP e PGP em F2. O NGE em F1 apresentou associação positiva com NGE em F2. A MCG se correlacionou significativamente com PGP tanto em F1 como em F2, e com NEP e MCG em F2. A média do desempenho do PGP das gerações F1 e F2 apresentaram associação significativa com a heterobeltiose deste caráter em ambas as gerações. Ou seja, em ambas as gerações houveram cruzamentos superiores ao melhor genitor, demonstrando presença de variabilidade para o caráter. Para a CEC verificou-se que a EP da CEC da F1 correlacionou-se positivamente com a heterobeltiose em F1. O NEP da CEC em F1 teve associação positiva com a heterobeltiose do NEP e PGP em F1 e em F2. Nota-se que a CEC do F1 para os caracteres NGE e MCG não foi associada com a heterobeltiose dos caracteres avaliados, em ambas as gerações ao passo que a CEC do F1 para PGP foi associada com a heterobeltiose do PGP do F1. Já a CEC da geração F2 para EP foi positivamente associada positivamente com a heterobeltiose da EP em F2. O NEP da CEC da F2 se correlacionou com a heterobeltiose do NEP em F1 e da F2. O NGE se correlacionou com a heterobeltiose do PGE em F1 e com a MCG e PGP em F2. A MCG também se correlacionou positivamente com a heterobeltiose da MCG em F2. O PGP da CEC em F2 se correlacionou positivamente com a heterobeltiose do PGP tanto em F1 quanto em F2. Isso quer dizer que os cruzamentos que apresentaram os maiores valores de heterobeltiose foram os que tiveram a melhor combinação especifica fato este de fundamental importância em programas de melhoramento. As médias de desempenho da EP em ambas as gerações foram associadas com a heterobeltiose da EP em ambas as gerações. Também o NEP da média de desempenho da F1 se correlacionou com a heterobeltiose em F1 do NEP, NGE e PGP sendo que para este último caracter também em F2. O NGE foi correlacionado com a heterobeltiose da EP e NEP em F1 e com NEP em F2. A MCG se correlacionou com NEP, MCG e PGP em F1 e com MCG em F2. A média de desempenho da F2 para NEP se correlacionou com a heterobeltiose da EP em F1 e F2 e para NEP em F2. NGE se correlacionou apenas com a heterobeltiose NEP, NGE e PGP da F2. A MCG não se correlacionou apenas com a heterobeltiose do NGE em F1 e com EP e NGE da F2. A média de desempenho do PGP em F2 se correlacionou com a heterobeltiose do NEP tanto em F1 como na F2. A heterobeltiose, capacidade especifica de combinação e os desempenhos médios de genótipos de trigo são importantes ferramentas de seleção indireta em gerações iniciais de populações segregantes de trigo. A seleção indireta seria a mais efetiva quando a correlação genética entre os dois caracteres fosse alta e positiva, e a herdabilidade do caráter secundário fosse maior que a do caráter de interesse (DePAUW et al., 2007 apud em GUERCIO 2009). As associações observadas entre a heterobeltiose, CEC e médias de desempenho para os caracteres avaliados nas gerações F1 e na F2 possibilitam suporte à decisão de quais caracteres devem ser priorizados na seleção. Referências bibiográficas GIOVANI BENIN; GIOVANI OLEGÁRIO DA SILVA; EDUARDO STEFANI PAGLIOSA; CRISTIANO LEMES; ANDERSON SIGNORINI; EDUARDO BECHE; MARCIO ANDREI CAPELIN. Capacidade de Combinação em Genótipos de Trigo Estimada por Meio de Análise Multivariada. Brasília, Pesq. agropec. bras., v.44, n.9, p.11451151, set. 2009. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/pab/v44n9/v44n9a12.pdf. Acesso em 01 jul. 2010. CLAUDIR LORENCETTI; FERNANDO IRAJÁ FÉLIX DE CARVALHO; ANTÔNIO COSTA DE OLIVEIRA; IGOR PIREZ VALÉRIO; EDUARDO ALANO VIEIRA; JOSÉ ANTÔNO GONZALEZ DA SILVA; GUILHERME RIBEIRO. Estimativa do Desempenho de Progênies F2 e F3 com base no Comportamento dos Genitores e dos Híbridos F1 em Aveia. Campinas, Bragantia, v.65, n.2, p.207-214, 2006. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/brag/v65n2/30482.pdf. Acesso em 01 jul. 2010. ANITA MARTINS FONTES DEL GUERCIO. Estimativas de Parâmetros Genéticos para Caracteres Agronômicos em Populações de Trigo Duro e Estudo Genético da Tolerância à Toxicidade de Alumínio. Curso de Pós-Graduação em Agricultura Tropical e Subtropical. Campinas, SP Janeiro 2009. Disponível em: http://www.iac.sp.gov.br/PosIAC/pdf/pb1214707.pdf. Acesso em 01 jul. 2010. CRUZ, C. D. Programa GENES: versão Windows, aplicativo computacional em genética e estatística. Viçosa, MG: UFV, 2001. Tabela 01. Correlações entre a heterose de cinco caracteres nas gerações F1 e F2 com as médias de F1 e médias de F2, Heterobeltiose F1, Heterobeltiose F2, CEC em F1, CEC em F2, Média de Desempenho em F1 e Média de Desempenho em F2. UTFPR, Campus Pato Branco, 2010. Heterobeltiose F1 Correlações EP -1 NE P Heterobeltiose 1 NG Eem F1 MCG -1 PG P EP -1 NE P Heterobeltiose 1 NG Eem F2 MCG -1 PG P EP NE P CEC em F1 -1 NG E- 1 MCG -1 PG P EP NE P -1 CEC em F2 NG E-1 MCG -1 PG P EP -1 Médias de NE P desempenho NG E-1 F1 MCG PG P EP -1 -1 Médias de NE P desempenho NG E-1 F2 MCG -1 -1 EP NE P 1.00 0.02 -0.06 -0.05 0.27 0.78* -0.01 -0.08 0.20 0.23 0.39* 0.01 0.15 0.22 0.16 0.01 0.04 0.23 0.18 -0.04 0.69* 0.47* 0.34* 0.19 0.26 0.53* 0.48* 0.22 0.34* 0.21 0.02 1.00 -0.04 0.48* 0.46* -0.10 0.81* -0.10 0.25 0.41* 0.00 0.74* -0.47 0.47 0.37* -0.19 0.37* -0.11 -0.05 0.19 0.27 0.51* 0.45* 0.58* 0.60* 0.16 0.01 0.31 0.44* 0.57* NG E -1 -0.06 -0.04 1.00 0.03 0.22 -0.06 -0.02 0.96* 0.12 0.27 0.05 0.04 0.17 -0.02 0.28 0.08 0.04 0.31 0.18 0.38* -0.03 0.07 0.13 -0.07 0.17 -0.03 0.13 0.24 0.01 0.22 Heterobeltiose F2 -1 MCG PG P -0.05 0.48* 0.03 1.00 0.35* 0.01 0.50* 0.07 0.69* 0.32* 0.11 0.17 -0.14 0.64 0.09 0.15 0.22 0.11 0.25 0.09 0.02 0.08 0.11 0.60* 0.28 0.07 0.03 0.21 0.49* 0.28 0.27 0.46* 0.22 0.35* 1.00 0.08 0.31 0.22 0.46* 0.93* 0.24 0.37* 0.27 0.29 0.69* -0.08 0.17 0.27 0.26 0.68* 0.16 0.49* 0.27 0.36* 0.59* -0.01 0.19 0.28 0.46* 0.58* PG P * são significativos a 5% de probabilidade pelo teste T para GL – 2 -1 EP NE P 0.78* -0.10 -0.06 0.01 0.08 1.00 -0.04 -0.08 0.29 0.08 0.12 -0.19 0.12 0.11 -0.05 0.54* 0.02 0.15 0.23 -0.16 0.50* 0.22 0.20 0.11 0.06 0.72* 0.38* 0.10 0.31 0.06 -0.01 0.81* -0.02 0.50* 0.31 -0.04 1.00 -0.06 0.30 0.33 0.05 0.42* -0.56 0.44 0.25 0.00 0.73* -0.09 0.01 0.16 0.30 0.19 0.50* 0.54 0.55* 0.26 0.33* 0.37* 0.42* 0.58* NG E -1 -0.08 -0.10 0.96* 0.07 0.22 -0.08 -0.06 1.00 0.16 0.28 0.07 -0.05 0.24 -0.04 0.18 0.10 -0.03 0.45 0.21 0.35* -0.12 -0.03 0.03 -0.13 0.05 -0.12 0.05 0.33* -0.05 0.12 MCG PG P 0.20 0.25 0.12 0.69* 0.46* 0.29 0.30 0.16 1.00 0.45* 0.09 0.06 0.10 0.44 0.16 0.26 0.21 0.32* 0.82* 0.21 0.10 0.16 0.20 0.39* 0.25 0.19 0.23 0.31 0.71* 0.28 -1 0.23 0.41* 0.27 0.32* 0.93* 0.08 0.33* 0.28 0.45* 1.00 0.15 0.21 0.23 0.25 0.57* -0.03 0.17 0.32* 0.24 0.76* 0.15 0.35* 0.30 0.31 0.52* 0.03 0.16 0.36* 0.43* 0.66* CORRELAÇÕES DA CAPACIDADE ESPECÍFICA DE COMBINAÇÃO SOBRE OS COMPONENTES DE RENDIMENTO EM POPULAÇÕES SEGREGANTES DE TRIGO. Jeisson Franke1, Giovani Benin1,Eduardo Beche1, Cristiano Lemes 1, Eduardo S. Pagliosa1,Cilas Pinnow-1, Marcio A. Capelin1, Lucas Munaro1, e Elesandro Bornhofen1 1 Universidade Tecnológica Federal do Paraná - Campus Pato Branco. Via do Conhecimento km 01, CEP 85501-970, Pato Branco, PR. Email: [email protected] Com o crescente aumento na população mundial cada vez mais se tem buscado um aumento na produtividade que seja capaz de sanar a maior necessidade de alimentos. Dentro desse âmbito o Brasil exerce papel fundamental, por se tratar de um país que tem o forte de sua economia voltado para a agricultura, sendo considerado um dos maiores produtores de grãos no mundo. Das grandes culturas cultivadas no mundo para alimentação humana o trigo (Triticum aestivum L.), é considerado uma das mais importantes devido ao fato de ser matéria-prima de diversas formas de alimento, ser uma das únicas culturas de grande área que pode ser implantada após a cultura de verão, reduzir o custo de produção da cultura de verão subseqüente, pelo fato de melhorar a fertilidade do solo e reduzir a incidência de plantas daninhas. No Brasil, a produção de trigo atingiu 4,6 milhões de toneladas no ano agrícola de 2005, o que representa menos de 45% da demanda nacional por produtos derivados de trigo (ABITRIGO, 2006). Entretanto, de acordo com estudos efetuados pela Embrapa Trigo, o Brasil apresenta condições edafoclimáticas para ser autosuficiente e suprir o mercado nacional tanto com quantidade e qualidade de produto. Neste sentido, o aperfeiçoamento nas práticas no manejo da cultura em conjunto com trabalhos de melhoramento genético de cultivares, com vistas à obtenção de genótipos mais produtivos, tolerantes a moléstias e adaptados a ambientes contrastantes, ganham destaque no contexto produtivo. Quando se trata de obtenção de novas cultivares com potencial, deve-se ter conhecimento que existem muitos caracteres que podem ser melhorados, mas em geral, existem alguns que se destacam, e para esses que deverá ser atribuída maior atenção, afinal, quanto mais caracteres o melhorista considerar em seu programa, menor serão suas possibilidades de alcançar o máximo de progresso para cada um dos caracteres desejados.(Carvalho et al. 2008) Dessa forma, segundo Benin, (2009) na escolha de genitores de trigo, os melhores cruzamentos são os que apresentam maior probabilidade de fornecer progênies com desempenho superior, com elevado rendimento de grãos e demais caracteres agronômicos e adaptativos importantes para a cultura. No entanto nem sempre a escolha de genitores baseada em caracteres desejáveis não apresenta suficiência para demonstrar a eficiência em um programa de melhoramento genético, pois quando a seleção de plantas em populações segregantes é baseada em plantas individuais, em gerações com elevada freqüência de disponibilidade de sementes (Benin et al., 2005), assim como a heterogeneidade do solo (Hartwig et al., 2007) podem prejudicar os ganhos genéticos. Nesse sentido várias metodologias vem sendo utilizadas para estimar a capacidade combinatória, mas o método de Griffing (1956) é um dos mais aplicados, pois gera informações a respeito dos genes predominantemente aditivos em seus efeitos (CGC) e da capacidade específica de combinação (CEC) que gera informações dos genes de efeito praticamente não aditivo (dormência e epistasia) o que concede grandes avanços à seleção, uma vez que a pressão de seleção aplicada pelos melhoristas, vem acarretando numa menor variabilidade genética e assim diminuindo as chances de obtenção de recombinações favoráveis em elevada freqüência para o caráter rendimento de grãos e seus componentes. Assim percebe-se que a capacidade específica de combinação tem importância e pode ser utilizada, assim como a capacidade geral de combinação (mais utilizada), para indicação de genitores em cruzamento, pois demonstra grande parte da variabilidade genética para rendimento de grãos e seus componentes (Krystkowiak et al.; 2009) e para caracteres adaptativos de ciclo vegetativo e estatura de plantas (Dhonde et al; 2000). Dessa forma o objetivo desse trabalho foi de correlacionar a capacidade específica de combinação com as medias de desempenho de genótipos de trigo em duas gerações segregantes. O experimento foi implantado na Estação Experimental do Curso de Agronomia da UTFPR, em Pato Branco-PR (26010’ S; 52041’W )e 743 m. metros acima do nível do mar com clima cfa subtropical, segundo Koppen e encontrando-se na zona tritícola F (IAPAR, 2010) e com solo classificado como Latossolo Vermelho distrófico, com textura argilosa. Os genitores escolhidos na análise dialélica foram os cultivares BRS Guamirim, BRS Timbaúva, BRS 208, Abalone, CD 111, CD 113, FUNDACEP Cristalino e FUNDACEP Raízes, pois são cultivares lançados recentemente pela pesquisa e apresentam algumas características fenotípicas contrastantes para ciclo vegetativo, estatura de planta, hábito de crescimento, capacidade de afilhamento, formato da espiga, produtividade, entre outros. Os genótipos foram cruzados entre si sem recíprocos, em forma de dialelo, totalizando 28 combinações. As sementes F1 foram obtidas no ano de 2006. A geração F2 foi obtida pela autofecundação de plantas F1, na estação fria da safra agrícola de 2007. Com as populações F2 foi instalado um experiemento na safra agrícola de 2008 utilizando um delineamento experimental de blocos ao acaso, com três repetições e as parcelas compostas por cinco linhas de 4 m de comprimento e espaçamento de 0,20 m entre linhas, com densidade de semeadura de 350 sementes m2. A adubação de base foi de 300 kg ha-1 de NPK (5–20–20) e mais 60 kg ha-1 de nitrogênio aplicado no início do afilhamento. O controle de plantas invasoras foi realizado mediante capina manual e avaliados os seguintes caracteres: rendimento de grãos, (RG), massa de mil sementes (MMS), estatura de planta (EP), dias da emergência a floração (DEF) e dias da floração maturação (DFM). Neste mesmo ano foram selecionadas visualmente cerca de 30 plantas por cruzamento para implantação do experimento em 2009. Na estação fria de 2009, com as 28 populações F3, mais os oito genitores, instalou-se o experimento em delineamento experimental de blocos completamente casualizados com três repetições, sendo as parcelas compostas por 8 linhas de 1 m de comprimento e espaçamento de 0,20 m entre linhas. Na safra agrícola de 2009 foram avaliados os seguintes caracteres: rendimento de grãos, em gramas, determinado pela colheita e trilha de todas as plantas da parcela, transformado em kg ha-1 (RG), peso de mil sementes (PMS), estatura de planta (EP), dias da emergência a floração (DEF) e dias da floração maturação (DFM) Os dados obtidos no ano de 2008 foram submetidos a analise dialélica, conforme a metodologia proposta por Griffing (1956). Nos dados obtidos no ano de 2009 executou-se teste de comparação de médias de Tukey a 5% de probabilidade de erro. Ambas as analises usaram como apoio o aplicativo computacional, Genes (CRUZ, 2001). De acordo com a tabela 1, percebe-se que o cruzamento que apresentou o maior valor de média para RG foi CD 113 x Fundacep Raízes, destacando-se também nos caracteres MMG, DEF e DFM, dessa forma aparentando ser um genótipo promissor. Ainda para RG pode-se destacar o cruzamento BRS 208 x Fundacep Raízes e para MMG o cruzamento BRS Guamirim x BRS 208. Verifica-se na Tabela 2 que houve correlação positiva e significativa entre a capacidade especifica de combinação de DEF na F2 com os o RG e a MMG na geração F3, isso indica que os genótipos que apresentaram maior capacidade de combinação específica para alongar o ciclo entre a emergência e a floração foram os mesmos que apresentaram maior rendimento e massa de mil grãos em F3, sendo assim podendo ser considerado como um novo parâmetro de seleção. Dessa forma pode-se utilizar a capacidade de combinação específica como um parâmetro para a identificação de genótipos superiores quando selecionados para rendimento de grãos e seus componentes (Krystkowiak et al.; 2009) e para caracteres adaptativos de ciclo vegetativo e estatura de plantas (Dhonde et al; 2000). A partir do experimento conclui-se que a capacidade de combinação específica é um método interessante para se aplicar em seleções indiretas em gerações inicias de populações de trigo, sendo mais efetiva quando a correlação entre os caracteres fosse alta e positiva. Referências bibliográficas BENIN, G.; CARVALHO, F.I.F.; OLIVEIRA, A.C.; HARTWIG, I.; SCHMIDT, D.; VIEIRA, E.A.; VALÉRIO, I.P.; SILVA, J.G. Estimativas de correlações genotípicas e de ambiente em gerações com elevada freqüência de heterozigotos. Ciência Rural, Santa Maria, v.35, n.3, p.523-529, 2005 CRUZ, C.D. Programa Genes: aplicativo computacional em genética e estatística. Viçosa: UFV, 648p.2001. DHONDE, S.R.; KUTE, N.S.; KANAWADE, D.G. and SARODE, N.D. Variability and characters association in the wheat (Triticum aestivum). Agriculture Science Digest, 20: 99-101. 2000. GIOVANI BENIN; GIOVANI OLEGÁRIO DA SILVA; EDUARDO STEFANI PAGLIOSA; CRISTIANO LEMES; ANDERSON SIGNORINI; EDUARDO BECHE; MARCIO ANDREI CAPELIN. Capacidade de Combinação em Genótipos de Trigo Estimada por Meio de Análise Multivariada. Brasília, Pesq. agropec. bras., v.44, n.9, p.11451151, set. 2009. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/pab/v44n9/v44n9a12.pdf. Acesso em 01 jul. 2010. HARTWIG, I.; CARVALHO, F. I. F.; OLIVEIRA, A. C. et. al. Estimativa de coeficientes de correlação e trilha em gerações segregantes de trigo hexaplóide. Bragantia, Campinas, v.66, n.2, p.203-218, 2007. KRYSTKOWIAK K. Æ T. ADAMSKI Æ M. SURMA Æ Z. KACZMAREK. Relationship between phenotypic and genetic diversity of parental genotypes and the specific combining ability and heterosis effects in wheat (Triticum aestivum L.) Euphytica, Dordrech, 165:419–434DOI 10.1007/s10681-008-9761-y. 2009. Tabela 1. Comparação de médias para os caracteres, rendimento de grãos (RG), massa de mil grãos (MMG), Dias da floração à maturação (DFM), Dias da emergência à floração (DEF) e estatura de plantas (EP), de oito genitores e seus respectivos cruzamentos, sem recíprocos na geração F3. UTFPR, Campus Pato Branco, 2010. Genótipos 1* 2 3 4 5 6 7 8 1x2 1x4 1x7 2x7 2x4 3x1 3x2 3x8 3x7 3x4 8x1 8x2 8x7 8x4 7x4 6x1 6x2 6x3 6x8 6x7 6x4 6x5 5x1 5x2 5x3 5x8 5x7 5x4 CV % RG 602,77 487,75 664,03 642,47 679,25 604,22 646,65 737,3 590,97 507,67 470,3 537,87 766,12 667,57 558,97 544,2 358,72 716,45 485,43 471,83 572,37 623,52 606,93 492,53 504,57 662,12 646,73 558,18 474,1 504,43 630,07 551,23 593,03 623,57 581,07 523,03 12,9 defghij p bcde cdefg abcd defghij cdef ab efghim p p ip a bcde ghio hip abc p p fghin defghi defghij p p bcde cdef ghip p p cdefgh hip defghil defghi efghim p MMG 25,04 25,96 30,08 22,38 25,63 27,75 24,31 26,46 27,83 25,92 23,17 26,13 29,54 27,71 26,63 25,58 25,5 25,56 23,42 24,83 26,21 28,94 25,23 26,88 25,5 31,19 27,33 25,38 24,33 28,21 26,29 25,13 26,83 23,44 25,63 24,42 16,4 cdefg bcdefg ab g bcdefg abcdef defg abcdefg abcdef bcdefg fg bcdefg abc abcdef abcdefg bcdefg bcdefg bcdefg efg cdefg abcdefg abcd bcdefg abcdefg bcdefg a abcdefg bcdefg defg abcde abcdefg bcdefg abcdefg efg bcdefg defg DFM 38,12 37,93 38,37 35,87 40 37,66 37,21 37,29 40,33 38,08 35,5 38,37 37,25 39,08 36,87 36,58 35,16 37 38,5 38,45 37 40,16 39,29 37,04 40,24 38,54 36,83 39,08 37,58 34,45 36,24 40,25 38,20 38,83 39,41 37,21 14 a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a DEF 75,71 74,5 75,42 76 75,71 74,25 75,21 75,46 77,42 77,13 76,33 75,63 76,96 75,29 75,92 76,46 75,63 75,63 76 75,42 75,46 74,5 75,75 76,08 75,33 74,29 76,04 76,13 76,38 76,88 75,79 77,25 75,67 77,08 76,42 76,75 3,6 a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a EP 86,42 82,44 89,67 78,5 84,13 80,19 84,85 82,31 87,71 85,04 86,5 83,17 80,29 85,08 86,42 80,88 83,81 86,54 86,67 80,54 86,13 85,65 85,19 82,96 81 83,81 79,83 84,29 83,13 82,79 86,33 82,25 85,83 83,92 83,5 84,54 6,1 abcd bcdefg a g abcdefg efg abcdef bcdefg ab abcdef abcd bcdefg efg abcdef abcd cdefg abcdefg abcd abc defg abcde abcdef abcdef bcdefg cdefg abcdefg fg abcdefg bcdefg bcdefg abcd bcdefg abcdef abcdefg bcdefg abcdef 1=CD 111; 2= CD 113; 3= BRS 208; 4= Fundacep Raízes, 5= BRS Timbaúva, 6= BRS Guamirim; 7= Fundacep Cristalino e 8= Abalone. Tabela 2. Correlações entre Capacidade específica de combinação e desempenho de oito genitores e seus respectivos cruzamentos, sem recíprocos, nas gerações F2 e F3. UTFPR, Campus Pato Branco, 2010. Medias de desempenho em F3 DEF* DFM EP DEF* -0,1 0,249 0,034 DFM 0,21 0,063 0,043 EP -0,1 -0,204 -0,015 RG 0,22 -0,069 -0,105 MMG -0,1 -0,276 0,194 * valores significativos a 5% de probabilidade pelo teste T para GL – 2 CEC em F2 Correlações RG 0.97* -0,03 0,126 -0,11 -0,11 MMG 0.528* -0,18 0,22 -0,03 0,17 ASSOCIAÇÃO ENTRE CAPACIDADE ESPECÍFICA DE COMBINAÇÃO, MÉDIAS DE DESEMPENHO E DEPRESSÃO ENDOGÂMICA EM DUAS GERAÇÕES DE TRIGO Cilas Pinnow1, Giovani Benin1, Eduardo Stefani Pagliosa1, Cristiano Lemes1, Marcio Andrei Capelin1, Elesandro Bornhofen1 e Jeisson Franke1 1 Universidade Tecnológica Federal do Paraná - Campus Pato Branco. Via do Conhecimento km 01, CEP 85501-970, Pato Branco, PR. Email: [email protected] O trigo panificável é uma espécie autógama de ampla base genética, contendo três genomas distintos (BERED, 1999), possível de ser usada para fins de melhoramento. Entretanto, para que esta base genética possa ser utilizada com maior eficiência no desenvolvimento de constituições genéticas mais produtivas, estáveis e adaptadas às diferentes regiões e condições de cultivo, é necessário o conhecimento das relações genéticas entre genótipos (JUNG et al., 2007), o que serve de base para a tomada de decisões na escolha das melhores combinações genéticas a serem usados em cruzamentos. Contudo, a escolha dos genitores apenas com base em caracteres desejáveis é insuficiente para assegurar a eficiência e um programa de melhoramento genético, pois quando a seleção em populações segregantes é realizada com base em plantas individuais, em gerações com elevada freqüência de heterozigotos, fatores relacionados à ação gênica podem restringir os ganhos genéticos. Desta forma, é de fundamental importância o conhecimento de como os caracteres agronômicos permanecem associados nas progênies durante os sucessivos ciclos de seleção, em diferentes gerações. Assim, a seleção indireta em caracteres menos complexos com maior herdabilidade e de fácil mensuração, correlacionado a caracteres de interesse de menor herdabilidade pode resultar em maior progresso genético em relação ao uso apenas da seleção direta (HARTWIG et al., 2007), principalmente quando os genótipos utilizados nos cruzamentos evidenciem capacidade combinatória em nível expressivo para produzirem, em alta freqüência, recombinações heterozigotas favoráveis com grande possibilidade de resgate de indivíduos superiores. Dentre os vários métodos que possibilitam estimar a capacidade combinatória, o método de Griffing (1956) é um dos mais empregados, que gera informações a respeito da concentração de genes predominantemente aditivos em seus efeitos (CGC) e da capacidade específica de combinação (CEC). Neste sentido, a variância genética não aditiva, devido à capacidade específica de combinação tem demonstrado grande parte da variabilidade genética para o rendimento de grãos e seus componentes (KRYSTKOWIAK et al.; 2009) e para caracteres adaptativos de ciclo vegetativo e estatura de plantas (DHONDE et al., 2000). Outro fator determinante para o sucesso das hibridações em autógamas está baseado na predominância da ação gênica aditiva de um caráter em questão (MOLL & STUBER, 1974), ou seja, após o processo de endogamia os genes benéficos para o caráter permaneçam manifestados na população. Quanto menor for à depressão endogâmica maior será a amplitude de classes genotípicas superiores que serão obtidas na população básica de seleção, bem como, quanto maior for média de desempenho dos pais maior a será a probabilidade de obtenção de uma população segregante superior. Nesse sentido este trabalho teve por objetivo estimar as correlações entre a capacidade específica de combinação, médias de desempenho e depressão endogâmica de caracteres de importância agronômica em trigo em duas gerações segregantes. O experimento foi conduzido na Estação Experimental do Curso de Agronomia da UTFPR, em Pato Branco-PR (26010’ S; 52041’W e 743 m). Dez genótipos de trigo (UTF 0605, BRS Figueira, BRS Louro, BRS Guamirim, BRS Timbaúva, BRS 208, Pampeano, CD 115, FUNDACEP 50 e Abalone), escolhidos com base no rendimento de grãos e caracteres agronômicos de interesse, bem como pela dissimilaridade morfológica apresentada pelos mesmos, foram cruzados em forma de dialelo completo, sem os recíprocos, totalizando 45 combinações híbridas. As sementes F1 foram obtidas em casa de vegetação, no ano de 2006. No mesmo ano, uma amostra das sementes F1 de cada cruzamento foi semeada em casa de vegetação visando o avanço para a geração F2. Em julho de 2007 os híbridos F1, as populações F2 e os genitores foram conduzidos em delineamento completamente casualizado com três repetições. As parcelas experimentais foram compostas por 20 plantas para os híbridos F1, 40 plantas para os pais e 40 para as populações F2, espaçadas em 30 cm entre plantas e entre linhas. Os tratos culturais foram de acordo com as recomendações técnicas para a cultura do trigo (Comissão SUL BRASILEIRA DE PESQUISA DE TRIGO, 2006). Foram avaliados os seguintes caracteres: estatura de planta (EP); numero de espigas por planta (NE P-1); número de grãos por espiga (NG E-1); massa de 100 grãos (MCG); rendimento de grãos por planta (RG P-1). Os dados foram submetidos a análise de variância individual e geral considerando as gerações avaliadas, onde posteriormente, as somas de quadrados dos tratamentos foram decompostas em capacidade geral (CGC) e específica de combinação (CEC), e interações, por meio da análise de variância dialélica. Na decomposição, foi empregado o Método 2, Modelo B de Griffing (1956). As análises de capacidade de combinação, médias de desempenho, depressão endogâmica, assim como a correlação de Pearson entre estes, com os caracteres estudados foram realizadas com auxílio do programa computacional Genes (CRUZ, 2001). De acordo com a Tabela 1, houve correlação positiva entre a capacidade especifica de combinação (CEC) da geração F1 para os caracteres EP e NG E-1 que se associaram significativamente com NG E-1 da CEC da geração F2, ou seja, para o parâmetro NG E-1 a seleção pode ser feita diretamente, justamente por permanecer associado nas progênies durante os ciclos de seleção e/ou indiretamente auxiliado pela seleção de plantas com estatura elevada. Também, a seleção direta de plantas com elevado PG P-1 é efetiva para manutenção deste caráter em F2, quando baseada na CEC. Ainda, pode ser observada associação negativa (-0.35) entre a CEC em F1 para o caractere EP com NE P-1 da CEC em geração F2, neste âmbito, os ganhos gerados pela seleção indireta de progênies com elevada estatura, e conseqüentemente elevada NG E-1 podem ser anulados pela diminuição de espigas por planta. O desempenho médio dos híbridos na geração F1 para o parâmetro NG E-1 correlacionou-se de forma positiva com EP, MCG e PG P-1 com a CEC em F1. Ainda, houve associação negativa entre EP, NG E-1 e PG P-1 para com o NG E-1, evidenciando que plantas com elevada estatura podem conduzir a redução do rendimento de grãos, bem como, a complexidade de caracteres a serem observados para seleção indireta quando a obtenção de gerações com média elevada para o NG E-1 é buscada. Já a obtenção de gerações F1 cuja elevada média para PG P-1 é requerido, é muito menos complexa, pelo grande número de correlações positivas entre a CEC em F1 e o desempenho médio em F1 para os caracteres EP, NE P-1, NG E-1 e PG P-1, que auxiliam na seleção. Para o desempenho médio dos híbridos na geração F1, o caractere NG P-1, correlacionou-se de forma negativa (-0.31) com EP da CEC em F2, o mesmo não ocorreu com PG P-1 e NE P-1 que se associaram de forma positiva (0.32). O NG E-1 esteve positivamente associado com PG P-1 (0.37), podendo ser utilizado em seleção indireta e direta (0.33). O desenho médio na geração F2 correlacionou-se a CEC em F1 e F2 de forma similar ao desempenho médio em F1. Ainda, o desempenho médio da geração F2 se correlacionou de forma positiva com a CEC em F2 com uma associação direta para os caracteres EP, NE P-1, NG E-1, MCG e PG P-1, demonstrando que, com o avanço de gerações e endogamia ocorre um aumento da homozigoze da população segrante e fixação dos caracteres. A depressão endogâmica do NE P-1 foi positivamente associada (0.68) com a CEC do NE P-1, indicando que maiores capacidades específicas para este caráter resultarão maior depressão endogâmica, ou seja, menor NE P-1 nas populações. Ao contrário, quanto maior a CEC na geração F2, menor será a depressão endogâmica (0.86), indicando que, para o incremento da MCG, o melhorista deverá priorizar a escolha de cruzamentos com elevada CEC para este caráter. Assim, conclui-se, que de forma geral a seleção de plantas para obtenção de caracteres direta e indiretamente na geração F1 são restringidos pela depressão endogâmica, que reduz a amplitude de classes genotípicas superiores que serão obtidas na população de seleção. Enquanto que, utilizando como base a CEC, é mais indicada à seleção de plantas em geração F2, tanto para obtenção dos caracteres desejados diretamente EP, NE P-1, NG E-1, MCC e PG P-1 como indiretamente entre NE P-1 e EP, justamente por haver a transmissão dos genes que determinam estes caracteres durante o processo de endogamia desta geração. Tendo como base as estimativas de correlação entre capacidade específica de combinação, médias de desempenho e depressão endogâmica, com o avanço de gerações e endogamia a seleção direta dos caracteres EP, NE P-1, NG E-1, MCG e PG P-1 se torna uma ferramenta mais eficaz, principalmente em geração F2, mas para maximização dos ganhos do programa de melhoramento as correções indiretas entre caracteres são de interesse, pois permitem o conhecimento de associações não benéficas, ampliam e facilitam a seleção de caracteres precocemente em gerações F1 e F2. Referências bibiográficas BENIN, G.; CARVALHO, F.I.F.; OLIVEIRA, A.C.; HARTWIG, I.; SCHMIDT, D.; VIEIRA, E.A.; VALÉRIO, I.P.; SILVA, J.G. Estimativas de correlações genotípicas e de ambiente em gerações com elevada freqüência de heterozigotos. Ciência Rural, Santa Maria, v.35, n.3, p.523-529, 2005 BERED, F. Variabilidade genética: ponto de partida para o melhoramento de plantas. In: SACCHET, A. M. O. F. Genética, para que te quero? 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CEC F1 Correlações CEC em F1 Desempenho médio em F1 Depressão endogâmica CEC F2 NG E-1 MCG PG P-1 EP NE P-1 NG E-1 MCG PG P-1 0.16 EP 1.00 -0.01 0.24 0.25 0.22 0.16 0.13 0.46* 0.20 -0.01 1.00 -0.21 0.23 0.47* -0.35 0.28 -0.15 -0.02 0.18 NG E-1 0.24 -0.21 1.00 -0.21 -0.06 0.11 -0.23 0.39* 0.24 0.16 MCG 0.25 0.23 -0.21 1.00 0.22 0.03 0.22 0.14 0.33* 0.10 -1 0.22 0.47* -0.06 0.22 1.00 -0.17 0.22 0.21 0.17 0.78* EP 0.16 -0.35* 0.11 0.03 -0.17 1.00 0.08 0.23 0.24 -0.07 NE P-1 0.13 0.28 -0.23 0.22 0.22 0.08 1.00 -0.06 0.13 0.17 NG E-1 0.46* -0.15 0.39* 0.14 0.21 0.23 -0.06 1.00 0.40 0.38* MCG 0.20 -0.02 0.24 0.33 0.17 0.24 0.13 0.40* 1.00 0.20 PG P-1 0.16 0.18 0.16 0.10 0.78* -0.07 0.17 0.38* 0.20 1.00 EP 0.24 0.12 -0.39* 0.38* 0.32* -0.04 0.17 0.07 0.03 0.04 NE P-1 0.02 0.77* 0.09 0.30 0.47* -0.31* 0.15 -0.04 0.06 0.17 0.37* NG E -1 0.31* 0.27 -0.43* 0.39* 0.53* 0.05 0.35* 0.33* 0.20 MCG 0.12 0.28 -0.29 0.91* 0.28 0.01 0.25 0.01 0.20 0.12 PG P-1 0.13 0.47* -0.42* 0.50* 0.84* -0.14 0.32* 0.09 0.11 0.56* EP 0.01 -0.06 -0.40* 0.30* 0.14 0.42* 0.15 0.02 0.09 -0.06 -1 Desempenho médio em F2 NE P-1 NE P-1 PG P CEC em F2 EP NE P 0.15 0.09 0.09 0.18 0.21 0.05 0.69* 0.02 0.18 0.11 NG E-1 0.33* 0.07 -0.22 0.29 0.33* 0.13 0.16 0.77* 0.28 0.36* MCG 0.12 0.21 -0.10 0.77* 0.32* 0.12 0.24 0.19 0.64* 0.20 PG P-1 0.05 0.32* -0.41* 0.46* 0.73* -0.09 0.32 0.15 0.11 0.70* EP 0.37* 0.28 0.03 0.14 0.31* -0.81* 0.03 0.11 -0.10 0.20 NE P-1 -0.10 0.68* -0.01 0.14 0.28 -0.35* -0.44* -0.08 -0.11 0.08 NG E-1 -0.01 0.28 -0.27 0.16 0.26 -0.08 0.26 -0.56* -0.15 0.00 MCG -0.02 0.08 -0.31* 0.06 -0.13 -0.20 -0.04 -0.34 -0.86* -0.17 PG P-1 0.19 0.30 0.04 0.00 0.14 -0.09 -0.06 -0.19 -0.03 -0.42* * são significativos a 5% de probabilidade pelo teste T para GL – 2. QUALIDADE FISIOLÓGICA, SANITÁRIA E ANÁLISE DE ISOENZIMAS DE SEMENTES DE TRIGO TRATADAS COM MICRONUTRIENTE ZINCO Antunes, L.M.1; Badinelli, P.G.2; Barros, A.C.A.2; Pedroso, D.C.3, Muniz, M.F.B.3, Castro, M.A.S.1, Barbieri, A.P.P.1 (1,3) Universidade Federal de Santa Maria – UFSM, Departamento de Fitotecnia e Defesa Fitossanitária- Centro de Ciências Rurais, CEP 97105-900, Santa Maria – RS, [email protected]; (2) Universidade Federal de Pelotas – UFPel. O monitoramento da qualidade de sementes pode ser feito com a ajuda de marcadores bioquímicos, pois, além de fornecerem dados úteis sobre a estrutura e diversidade genética das populações de plantas, possibilitam a visualização da atividade das isoenzimas nos diferentes estádios da planta (Alfenas et al., 1998). As isoenzimas podem ser consideradas variações de uma dada enzima dentro de um organismo, que apresentam uma mesma especificidade de substrato. De acordo com Malone et al. (2006), a intensidade das bandas e o perfil isoenzimático são específicos para uma determinada parte da planta, tecido e estádio de desenvolvimento. As enzimas relacionadas à qualidade fisiológica das sementes mais pesquisadas são esterase, transaminases e peroxidases (Carvalho et al., 2000). A esterase (EST) é uma enzima envolvida em reações de hidrólises de ésteres, estando diretamente ligada ao metabolismo dos lipídios, como os fosfolipídios totais de membrana (Santos et al., 2005). A glutamato oxalacetato transaminase (GOT) tem uma importante participação em reações de transaminação, durante a eliminação do nitrogênio dos aminoácidos e na formação de grupos Ceto para o ciclo de Krebs e gluconeogenese (Tanksley, 1983). As enzimas peroxidase (PO) incluem um grupo de enzimas capazes de catalisar a transferência do hidrogênio de um doador para H2O2, em plantas, a ação constitui numa proteção antioxidativa. São caracterizadas durante a germinação das sementes, assim como, nos estágios de crescimento (Menezes et al., 2004). Além dos efeitos observados no desempenho fisiológico das sementes, a infecção por microrganismos pode promover também, alterações nos padrões de certas enzimas, o que pode ser atribuído ao próprio processo de deterioração da semente (Henning et al., 2009). Segundo Delouche e Baskin (1973), a atividade enzimática pode indicar transformações degenerativas nas sementes. Em trabalho conduzido por Silva et al. (2000) a infecção das sementes com Aspergillus flavus promoveu alterações tanto na intensidade como no número de bandas dos padrões isoenzimáticos da esterase e glutamato oxalacetato transaminase. O tratamento de sementes é uma alternativa simples e econômica, que garante maiores percentuais de germinação e emergência das plântulas, isto é resultante do retardamento da infecção primária das sementes e, redução e inóculo de patógenos radiculares e do solo (Barlardin e Loch, 1987). Atualmente além dos fungicidas, encontra-se o tratamento de sementes com produtos à base de zinco, vindo ao encontro das necessidades atuais dos produtores, de fornecer este micronutriente com maior eficiência agronômica, para o início do desenvolvimento e enraizamento de plântulas de trigo, permitindo uma melhoria no processo de nutrição e de produção das plantas, e contribuindo para uma maior produtividade da cultura. A pesquisa na área de biologia molecular, associada ao controle de qualidade e tratamento de sementes tem evoluído rapidamente. Novas técnicas têm-se mostrado úteis na obtenção de classes distintas de marcadores moleculares que auxiliam na elucidação dos fatores que afetam a qualidade, na manipulação e identificação do material genético, assim como na preservação desses materiais. Tais técnicas permitem o monitoramento durante todo o processo produtivo, eliminando custos e garantindo a qualidade. Diante do exposto, o objetivo do trabalho foi avaliar a qualidade fisiológica, sanitária e a atividade enzimática de sementes de trigo tratadas com micronutriente zinco. O trabalho foi conduzido no Laboratório Didático e de Pesquisa em Sementes do Departamento de Fitotecnia, na Universidade Federal de Santa Maria e no Laboratório de Análises de Bio-Sementes da Universidade Federal de Pelotas. Foi utilizado a cultivar Guamirim (Triticum aestivum L.), safra 2009/10. O tratamento de sementes consistiu do recobrimento das sementes com uma mistura do produto Quimifol Seed (sulfato de zinco) 78 onde a cada 100 mL fornece 78 g de zinco (757,50 g/L). Foram testados níveis de 0, 1, 2, 3 e 4 mL.kg-1 de semente, adicionou-se também 3 mL de fungicida (carboxim + thiram); 0,8 mL de polímero Poly Seed CF® e 8,27 mL de água.kg-1 de semente. A adesão da mistura foi feita manualmente, colocando a calda sobre as sementes em sacos plásticos, contendo 300 g de sementes por repetição, agitando vigorosamente durante cerca de três minutos. Em seguida, foram colocadas para secar em temperatura ambiente, durante 24 h. O teste de sanidade foi realizado através do método do papel filtro ou “Blotter Test”. Utilizou-se uma amostra de 200 sementes de cada tratamento, dividida em quatro repetições de 50 sementes, colocadas em caixas plásticas do tipo "gerbox", previamente desinfestadas com álcool e hipoclorito (1%), sob duas folhas de papel filtro umedecidas com água destilada e esterilizada. As sementes foram incubadas a 25 ºC, com 12 h de regime de luz, durante 24 h. Em seguida, para a inibição da germinação, foram submetidas ao método do congelamento por 24 h. Após esse procedimento, foram então incubadas a 25 ºC por cinco dias, com 12 horas de regime de luz conforme metodologia proposta por Brasil (2009). As análises foram realizadas com o auxílio de lupa e microscópio óptico para observação das estruturas morfológicas dos fungos, os quais foram identificados ao nível de gênero, com o auxílio da bibliografia especializada de Barnett; Hunter (1998), determinando-se a porcentagem de sementes infestadas por fungos. Os testes realizados para determinar a qualidade fisiológica das cultivares foram: Germinação (G): realizado com quatro repetições de 100 sementes por tratamento, semeadas em rolos de papel toalha, umedecidos com água destilada na proporção de 2,5 vezes a massa do papel seco. Os rolos foram colocados no interior de sacos plásticos e mantidos em germinador regulado a 20 °C. A avaliação foi realizada aos oito dias após a semeadura e os resultados expressos em percentagem de plântulas normais (Brasil, 2009). Emergência de plântulas em areia (EP): realizada com quatro repetições de 50 sementes por tratamento, foram utilizadas bandejas plásticas contendo três centímetros de leito de areia, onde foram distribuídas as sementes e, logo após, foram cobertas por um centímetro de areia. O substrato foi umedecido com água obedecendo a capacidade de campo. As bandejas foram mantidas a 25 ºC, em ambiente controlado. A avaliação foi realizada 15 dias após a semeadura. Para análise de isoenzimas, o material vegetal (sementes e plântulas) para extração de proteínas, foi coletado aos 4 dias após as sementes terem sido submetidas ao teste de germinação. Dez sementes ou plântulas, coletadas aleatoriamente, foram maceradas em gral de porcelana sobre cubos de gelo, para cada um dos tratamentos estudados. De cada uma das amostras, 200 mg do extrato vegetal foram colocados em tubo eppendorf acrescidos de solução extratora (tampão do gel + 0,15% de 2-mercaptoetanol) na proporção 1:2 (p/v). A eletroforese foi realizada em géis de poliacrilamida 7%, colocando 20 µL de cada amostra, em orifícios feitos com o auxílio de um pente de acrílico. Três aplicações (repetições) para cada uma das amostras foram realizadas. Os padrões enzimáticos foram analisados pelo sistema de tampões, descrito por Scandalios (1969). Os géis foram colocados em cubas eletroforéticas verticais mantidas em câmara fria com temperatura entre 4 e 6 ºC. As migrações eletroforéticas foram realizadas com uma diferença de potencial de 10 V cm-1, até que a linha de frente formada pelo azul de bromofenol atingisse 9 cm do ponto de aplicação. Os géis foram revelados, para os sistemas enzimáticos esterase, glutamato oxalacetato transaminase e peroxidase, conforme Scandalios (1969) e Alfenas (1998). Os géis de eletroforese foram fixados em solução 5:5:1, de água destilada: metanol: ácido acético. O delineamento experimental utilizado foi inteiramente casualizado com cinco tratamentos e quatro repetições. As médias foram submetidas à análise de regressão polinomial, utilizando o programa de análise estatístico SAS-Agri (Canteri et al., 2001). A interpretação dos resultados das isoenzimas foi baseada na análise visual dos géis de eletroforese, levando em consideração a presença/ausência, bem como a intensidade de cada uma das bandas eletroforéticas. Os tratamentos não apresentaram diferenças significativas do potencial germinativo (Figura 1), comparados à testemunha. Tais resultados estão de acordo com os verificados por Ohse et al. (2000), quando concluíram que o tratamento de sementes de arroz com zinco não promoveu diferença sobre a germinação. Em sementes de sorgo, tratadas com zinco, Yagi et al. (2006) constataram diminuição da germinação. No teste emergência de plântulas em areia (Figura 1) o tratamento com 2 mL de zinco promoveu mais rápido desenvolvimento das sementes, ou seja, melhora do vigor. O mesmo ocorreu com a pesquisa de Funguetto et al., (2005), onde concluíram ter havido melhora do vigor de sementes de arroz tratadas com polímero e micronutriente zinco, em comparação à testemunha. As sementes não tratadas com fungicida e as tratadas acrescido da dose de 1 mL de zinco apresentaram maior nível de infecção das sementes por Fusarium sp. (Figura 2). O fungo Alternaria sp. foi expressivo apenas na testemunha (Figura 2). Além disso, ocorreu redução na qualidade fisiológica, o que sugere interferência dos referidos fungos no metabolismo das sementes, propiciando maior alteração nos padrões enzimáticos (Figura 3). Os géis apresentados na Figura 3 revelam que, entre as enzimas avaliadas nas plântulas a GOT e EST apresentaram diminuição da intensidade ou do número de bandas, em virtude da presença de fungos. Contrariamente, no que concerne à PO, foi observado um aumento na intensidade das bandas nas plântulas e, nas sementes não foi observado sua expressão. O micronutriente zinco não altera o potencial germinativo das sementes, no entanto, a dose de 2 mL de zinco contribuiu para melhorar o vigor das sementes. A presença de fungos diminuiu a expressão isoenzimática das enzimas GOT e EST principalmente nas plântulas. Referências bibliográficas ALFENAS, A.C. 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Análise da presença dos fungos Fusarium sp, Aspergillus sp. e Alternaria sp. nas sementes de trigo Guamirim tratadas com diferentes doses de zinco (0, 1, 2, 3 e 4 mL). Santa Maria, 2010 A) B) C) Figura 3. Análise das isoenzimas glutamato oxalacetato transaminase (GOT), esterase (EST) e peroxidase (PO) em sementes e plântulas de trigo Guamirim tratadas com diferentes doses de zinco (0, 1, 2, 3 e 4 mL). Santa Maria, 2010 * 1 – testemunha; 2 – sementes 1 mL de Zn; 3 – sementes 2 mL de Zn; 4 – sementes 3 mL de Zn; 5 – sementes 4 mL de Zn; 6 – plântulas testemunha; 7 – plântulas 1 mL de Zn; 8 – plântulas 2 mL de Zn; 9 – plântulas 3 mL de Zn; 10 – plântulas 4 mL de Zn. A) GOT; B) EST; C) PO. DISSIMILARIDADE GENÉTICA ENTRE CULTIVARES ANTIGAS E MODERNAS DE TRIGO EM DOIS MÉTODOS DE SEMEADURA Elesandro Bornhofen 1, Giovani Benin 1, Cristiano Lemes1, Eduardo Stefani Pagliosa1, Marcio Andrei Capelin1, Eduardo Beche1, Cilas Pinnow1 e Jeissom Franke1. 1 Universidade Tecnológica Federal do Paraná - Campus Pato Branco. Via do Conhecimento km 01, CEP 85501-970, Pato Branco, PR. E-mail: [email protected]. A maioria dos fatores que condicionam a produtividade do trigo é hereditária, entretanto, sendo influenciadas por caracteres relacionadas às condições climáticas, a fertilidade do solo e as técnicas de cultivo (FELÍCIO et al, 1998). Dentre as técnicas de cultivo se encontram os métodos de semeadura e a densidade de semeadura. A densidade de semeadura afeta a arquitetura da planta, altera o crescimento, tipo de desenvolvimento, e influência na partição e produção de carboidratos (CASAL, et al. 1985). Tendo em vista essas informações, testando-se cultivares em densidade normal (linha cheia) e densidade reduzida (planta espaçada) torna-se possível identificar as diferentes respostas de cada genótipo para características como afilhamento e eficiência fotossintética uma vez que em densidade reduzida é possível averiguar a capacidade máxima de cada material e quantificar a influencia do meio na expressão fenotípica dos genótipos. A distância genética pode ser estimada a partir da utilização de caracteres fenotípicos, dados moleculares, coeficiente de parentesco e a combinação destes (AUTRIQUE et al., BARBOSA-NETO et al., 1996). A análise da distância é uma ferramenta auxiliar de grande importância em programas de melhoramento e um importante elo entre a conservação e a utilização dos recursos genéticos disponíveis. Esta estimativa possibilita a obtenção de informações a respeito da organização do germoplasma, um aumento na eficiência da amostragem de genótipos, auxílio na definição de cruzamentos artificiais, na incorporação de genes de germoplasma exótico e até na indicação de cultivares para determinada região, quando o objetivo é aumentar a base genética dos cultivares sob cultivo (MOHAMMADI; PRASANNA, 2003). O experimento foi conduzido na área experimental do curso de Agronomia, pertencente à UTFPR, Campus Pato Branco, que está situada a 26° de latitude Sul e 52° de longitude Oeste, apresentando a altitude méd ia de 700 metros acima do nível do mar e encontrando-se na zona tritícola F (IAPAR) e com solo classificado como Latossolo Vermelho distrófico, com textura argilosa. Foi utilizado delineamento fatorial simples com três repetições, onde o genótipo correspondeu ao fator 01 e a densidade de semeadura (linha cheia ou planta espaçada), foi o fator 02. As parcelas foram compostas por 6 linhas de 4 m de comprimento, com espaçamento de 0,20 m entre linhas e 0,5 m entre parcelas. Em linha cheia, foram semeadas 70 sementes por metro linear (350 sementes m2) e em plantas espaçadas 5 sementes por metro linear (25 sementes m2). Foram escolhidos doze genótipos trigo para comporem tal experimento, sendo três cultivares pioneiros, disponibilizados para cultivo nas décadas de 40 (Frontana), 60 (Toropi) e 80 (BR 23) e amplamente utilizados como fonte de resistência a estresses (Tabela 2). As demais cultivares foram atualmente recomendados para cultivo, sendo quatro responsivos a ambientes favoráveis e outros cinco responsivos a ambientes desfavoráveis (CASTRO & CAIERÃO, 2008). As análises estatísticas foram realizadas utilizando o programa computacional Genes (CRUZ, 2001) e o pacote NTSYS. pc versão 2.1 (Rohlf, 2000) para a construção dos dendrogramas. A contribuição relativa de cada caráter para a dissimilaridade genética (Tabela 1), permitiu identificar que o caráter estatura de plantas foi realmente eficiente em explicar a dissimilaridade nos dois métodos de semeadura, contribuindo com 28,29% e 29,76 % na densidade normal e reduzida, respectivamente, para a dissimilaridade total, indicando grande presença de variabilidade para este caráter no conjunto de genótipos estudados. Isto ocorreu pelo fato dos cultivares modernos apresentar baixa estatura de planta, ao contrário das cultivares antigas. Neste sentido, os resultados observados na figura 1, evidenciam que as cultivares Toropi e Frontana foram os mais dissimilares. Mesmo havendo algumas diferenças na dissimiliradade genética entre as cultivares conduzidas em cada método de semeadura, as cultivares mais antigas mantiveram um comportamento similar nas duas condições (Toropi e Frontana). Os genótipos com menor dissimilaridade foram: CD 116 e BRS 208 na densidade normal, já na densidade reduzida foram BR 23 e CD 117 (Figura 1). A maior distância em relação aos demais foi notada nos genótipos Frontana e Toropi, sugerindo dessa forma a existência de grande diferença nas características de genótipos mais antigos para os atuais. Na análise de dissimilaridade genética, os dendrogramas gerados, para todas as densidades de semeadura, apresentaram a formação de três grupos bem distintos para a densidade normal e quatro grupos para a densidade reduzida (Figura 1). Assim, conclui-se que os genótipos modernos diferem em relação àqueles desenvolvidos recentemente e que, apesar do efeito do método de semeadura sobre os desempenhos das cultivares avaliadas, àqueles mais contrastantes mantiveram o mesmo padrão de agrupamento. Referências bibliográficas AUTRIQUE, E.; NACHIT, M.M.; MONNEVEUX, P. et al. 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Caracteres DEF DFM DEM LFB CFB EST ACA NAF CE NET/ESP NG/ESPT PG/PLT MMG Biomassa IC Photo WUE Cond Ci Trmmol Trans 1 Densidade normal (%) 8.34 6.17 20.80 0.05 0.88 28.69 0.38 4.92 0.11 0.35 4.79 1.12 1.42 6.70 0.01 0.23 0.01 0.01 14.11 0.02 0.02 Densidade reduzida (%) 10.66 4.33 16.24 0.03 1.36 29.76 0.13 5.10 0.13 0.24 6.95 1.19 2.93 7.36 0.02 0.48 0.03 0.02 12.98 0.04 0.03 Dias da emergência a floração (DEF), dias da emergência a maturação (DEM), dias da floração a maturação (DFM), comprimento de folha bandeira (CFB), largura de folha bandeira, (LFB), estatura de planta (EP), número de afilhos férteis (NAF), comprimento de espiga (CE), numero de espiguetas por espiga (NE), numero de grãos por espiga (NG E-1), peso de grãos por planta (PG P), massa de mil grãos (MMG), biomassa total (BIO), índice de colheita (IC), taxa fotossintética (Photo), eficiência do uso da água (WUE), condutância estomática de água (Cond), concentração intracelular de CO2 (Ci) e taxa de transpiração (Trmmol). Figura 1. Dendrograma representativo da dissimilaridade genética entre os dois métodos de semeadura estudados, obtido pela análise das variáveis quantitativas, utilizando a distância Euclidiana como medida de dissimilaridade. Pato Branco, PR, 2010. Tabela 2. Descrição dos cultivares escolhidos, entidade detentora, ano de lançamento e genealogia. Pato Branco, PR, 2010. Ambientes Favoráveis Desfavoráveis Genótipos Instituição Geradora Ano de Lançamento Genealogia BRS Guamirim Embrapa 2005 Embrapa 27/ Buck Nandu/ PF 93159 2009 Ônix/Avante CD 117 OR Sementes/Biotrigo Coodetec 2008 PF 87373/ OC 938 CD 116 BRS 220 Coodetec Embrapa Soja 2007 2003 Milan/Munia Embrapa 16/TB 108 Quartzo CD 114 Coodetec 2006 PF 89232/OC 938 BRS 208 Embrapa Soja 2001 BRS 179 Embrapa Trigo 1999 2009 CPAC 89118/3/BR 23//CEP 19/PF 85490 BR 35/PF 8596/3/ PF 772003*2/PF 813//PF 83899 BR-18/Alcover Valente OR Sementes Frontana* Iwar Beckman 1940 Fronteira / Mentana Toropi* Embrapa Trigo 1965 Frontana/Quaderna A//Petiblanco 8 BR 23* Embrapa Trigo 1987 CC/ALD SIB/3/IAS 54-20/COP//CNT 8 * Cultivares antigos largamente usados como fonte de resistência a estresses bióticos e abióticos.