BRS ALBATROZ, NOVA CULTIVAR DE TRIGO PARA O ESTADO DO PARANÁ
Manoel Carlos Bassoi1, Pedro Luiz Scheeren2, Martha Zavariz de Miranda2, Luis César
Vieira Tavares1, Luiz Carlos Miranda3 e Luiz Alberto Cogrossi Campos4
1
Embrapa Soja, Rodovia Carlos João Strass, C.P. 231, CEP 86001-970, Londrina-PR;
Embrapa Trigo, BR 285, km 294, C.P. 451, CEP 99001-970, Passo Fundo, RS;
3
Embrapa Transferência de Tecnologia, Rodovia Carlos João Strass, C.P. 231, CEP
86001-970, Londrina-PR; 4Fundação Meridional, Av. Higienópolis, 1.100 – 4º andar,
CEP 86020-911, Londrina, PR. [email protected]
2
A Embrapa Soja, em parceria com a Embrapa Trigo, vem conduzindo, em
Londrina-PR, um programa de desenvolvimento de novas cultivares de trigo, visando
indicação para o Paraná e estados limítrofes. O objetivo principal do programa de
melhoramento de trigo da Embrapa é a obtenção de novas cultivares que apresentem
elevada produtividade, resistência às principais doenças foliares e de espiga,
tolerância ao alumínio, estabilidade de rendimento de grãos, ampla adaptação e sejam
dotadas de aptidão tecnológica que atenda à demanda da indústria moageira. Para o
ano de 2011, a Embrapa está indicando, para cultivo, em todas as regiões tritícolas do
Paraná, a cultivar BRS Albatroz.
A cultivar BRS Albatroz é proveniente do cruzamento entre a linhagem PF
940301 (BR 35/KLEIN H 2860 U 12100) e a linhagem PF 940395 (Sonora 64/BR 23),
realizada pela Embrapa Trigo, em 1996. Em 1997, a geração F1 foi conduzida em
vaso, sob telado, em Passo Fundo. Em 1998, sementes F2 foram enviadas à Embrapa
Soja, em Londrina, PR. Nesse local, foi selecionada uma planta, cuja sementes F3
foram semeadas no inverno de 1999, em Londrina. No período de 1999 a 2002, em
condições de campo, em Londrina, foram realizadas seleções nas populações
segregantes, utilizando-se o método genealógico (Allard, 1960). Em todas as
gerações, após a trilha das plantas, foi realizada seleção visual de sementes. Em
2003, numa parcela uniforme da geração F7, foi efetuada colheita massal e dada a
denominação de WT 05106. A genealogia completa da linhagem é F 58489-5W-1W2W-4W-1W-0W.
Em 2004, a linhagem WT 05106 foi avaliada em coleções de observação,
conduzidas em Londrina, Cascavel e Ponta Grossa (PR), onde apresentou
características agronômicas superiores às cultivares padrões. Em 2005 e 2006, nos
mesmos locais, foi avaliada em ensaios preliminares, onde apresentou rendimento de
grãos superior às cultivares padrões. No período de 2007 a 2009, a linhagem foi
avaliada nos ensaios de cultivares de trigo, para determinação do Valor de Cultivo e
Uso (VCU), conduzidos pela Embrapa Soja, pelo IAPAR e pela Fundação Meridional,
em diferentes locais das regiões de adaptação do Paraná, de Santa Catarina, de São
Paulo, do Mato Grosso do Sul e do Rio Grande do Sul. Em todos os experimentos,
houve controle fitossanitário contra pragas (doenças e insetos). O delineamento
experimental foi blocos ao acaso (Gomes, 1982), com três repetições e parcelas
constituídas de cinco ou seis linhas, espaçadas por 0,17 a 0,20 metros, com 5 metros
de comprimento. As descrições morfológica e fenológica da linhagem foram
elaboradas com dados obtidos da coleção de caracterização, conduzida pela Embrapa
Soja, em Londrina,PR, nos anos de 2008 e 2009. As principais leituras foram tomadas
com base em metodologia padronizada, adotando os critérios relatados por Scheeren
(1984), sendo a linhagem descrita conforme as Normas para Registro de Cultivares,
estabelecidas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. As
informações sobre a reação às doenças, no campo, foram obtidas nos ensaios de
avaliação de rendimento de grãos e/ou em experimentos específicos, conduzidos no
Paraná, em Santa Catarina, em São Paulo, no Mato Grosso do Sul e, em condições
controladas, na Embrapa Trigo, em Passo Fundo, RS. A aptidão tecnológica foi
determinada no Laboratório de Qualidade de Grãos da Embrapa Trigo, em Passo
Fundo, RS, pela análise de amostras coletadas nos experimentos conduzidos nas
diferentes regiões tritícolas dos estados citados. Em 2010, a linhagem foi rebatizada
com o nome de BRS Albatroz.
A qualidade tecnológica de trigo foi avaliada por: peso de mil sementes – PMS
(por pesagem em balança semi-analítica), de acordo com Brasil (1992); peso do
hectolitro – PH; moagem experimental – EXT; dureza do grão (em sistema de
caracterização individual da semente – SKCS); e alveografia, segundo métodos da
AACC (2000), números 55-10, 26-10A, 55-31 e 54-30A, respectivamente.
Nos ensaios de VCU, conduzidos no Paraná, a cultivar BRS Albatroz
apresentou boa resistência às principais doenças fúngicas e bom desempenho
produtivo, em todas as regiões tritícolas, caracterizando uma cultivar de ampla
adaptação. A cultivar BRS Albatroz é de ciclo médio, apresentando 72 dias, em média,
da emergência ao espigamento e 130 dias, em média, da emergência à maturação. A
cultivar BRS Albatroz apresenta estatura baixa (90 cm, em média), boa resistência ao
acamamento, moderada resistência à debulha natural e moderada tolerância ao
crestamento. As espigas são aristadas, fusiformes e com tonalidade clara. Os grãos
são de coloração vermelha e com textura dura.
Nos anos de 2008 e 2009, foram conduzidas, em Londrina, Cascavel e Ponta
Grossa, coleções de observação constítuidas de linhagens em ensaios de VCU e de
cultivares da Embrapa recomendadas para cultivo. Espigas coletadas dessas coleções
foram testadas em papel germiteste, no germinador, e com simulação de chuva, em
casa de vegetação. Também, sementes isoladas foram testadas em papel
germiteste, no germinador. A cultivar BRS Albatroz apresentou nível médio de
dormência do grão e moderada suscetibilidade à germinação pré-colheita.
Em relação às principais doenças que infectam as plantas de trigo, com base
nas informações obtidas até 2009, as reações da cultivar BRS Albatroz podem ser
resumidas da seguinte maneira: apresentou moderada suscetibilidade à ferrugem da
folha (Puccinia tritici), na média dos ensaios de VCU, e moderada suscetibilidade, no
campo, com inoculação da mistura de todas as raças que, atualmente, representam a
virulência da população patogênica, no Brasil; em relação à ferrugem do colmo
(Puccinia graminis), não foi possível avaliar porque não houve ocorrência durante o
período de experimentação; moderadamente resistente às manchas foliares (Bipolaris
sorokiniana, Drechslera tritici-repentis e Septoria spp.), manchas das glumas (Bipolaris
sorokiniana e Stagonospora nodorum) e ao vírus do nanismo amarela da cevada
(VNAC); moderadamente suscetível à brusone (Magnaporthe grisea) e à giberela
(Fusarium graminearum); resistente ao oídio (Blumeria graminis f.sp. tritici) nos
ensaios de VCU e, em condições controladas, resistente com inoculação da mistura
de raças.
O rendimento de grãos da cultivar BRS Albatroz, obtido na média dos
experimentos conduzidos no Paraná, nos anos de 2008 e 2009, em todas as regiões
tritícolas (I, II e III), é apresentado na Tabela 1. Na média dos dois anos, o rendimento
de grãos foi de 5.103 kgha-1, 4.733 kgha-1 e 3.841 kgha-1, nas Regiões I, II e III,
respectivamente. O rendimento foi similar à média das três melhores testemunhas
(99%), na Região I, e maior nas Regiões II (106%) e Região III (102%),
proporcionando certeza de produção e segurança para os agricultores.
Na Tabela 2, estão informações sobre a aptidão tecnológica da cultivar BRS
Albatroz, obtidas de 64 amostras coletadas em experimentos de avaliação do VCU,
conduzidos nas diversas regiões tritícolas do Paraná, de São Paulo, de Santa Catarina
e do Mato Grosso do Sul, comparadas com outras três cultivares já recomendadas e
semeadas pelos agricultores. Na Região I, onde foram analisadas 10 amostras, o valor
médio da força de glúten (W) foi de 264 x 10-4 joules, que caracteriza um trigo da
classe comercial Pão. Na Região II, onde foram analisadas 20 amostras, o valor
médio de W foi de 275 x 10-4 joules, que caracteriza, também, um trigo da classe Pão.
Na Região III, onde foram analisadas 34 amostras, o valor médio de W foi de 316 x
10-4 joules, caracterizando um trigo da classe Melhorador. O valor médio do índice de
expansão da massa (G) foi de 23, 21 e 22 milímetros, nas Regiões I, II e III,
respectivamente, caracterizando um trigo com boa capacidade de expansão. A
relação P/L foi de 0,76, 0,96, e 0,88, nas Regiões I, II e III, respectivamente,
caracterizando um glúten balanceado. Com esses valores de W, G e de P/L, nas
Regiões I e II, a farinha possibilita a fabricação do tradicional “pão francês”. Na Região
III, os valores possibilitam a fabricação do pão industrial, além da utilização em mistura
para o fortalecimento de farinhas com força média ou fraca . Os valores de Índice de
Elasticidade (Ie), que está intimamente relacionado aos fenômenos de recuperação da
forma inicial após a deformação, permitindo uma melhor predição do comportamento
reológico da massa usada em panificação industrial e produção de biscoitos, são
apresentados na Tabela 2, e, para as três regiões, caracterizam o trigo com
resistência elástica ótima para panificação, isto é, Ie entre 50 e 55%, evoluindo até
62%, destinado a massas cruas congeladas (Kitissou, 1995).
Referências bibliográficas
AACC. AMERICAN ASSOCIATION OF CEREAL CHEMISTS. Approved methods.
10 ed. Saint Paul: AACC, 2000.
ALLARD, R. W. Principles of plant breeding. 2.ed. New York: J. Wiley, 1960. 381 p.
GOMES, F. P. Curso de estatística experimental. 10. ed. Piracicaba: ESALQ, 1982.
430 p.
BRASIL. Ministério da Agricultura e Reforma Agrária. Secretaria Nacional de Defesa
Agropecuária. Regras de análises para sementes. Brasília, p.194-195, 1992.
KITISSOU, P. Un noveau paramètre alvéographique: l´indice d´elasticité (Ie).
Industries des Céréales, n. 92, p. 9-17, avr./juin. 1995.
SCHEEREN, P. L. Instruções para utilização de descritores de trigo (Triticum
spp.) e triticale (Triticosecale sp.). Passo Fundo: Embrapa–CNPT, 1984. 32 p.
(Embrapa-CNPT. Documentos, 9).
Tabela 1. Rendimento médio de grãos (kgha-1) da cultivar BRS Albatroz, obtidos em
ensaios conduzidos nas regiões tritícolas do Paraná, em 2008 e 2009, comparado ao
das testemunhas.
Cultivar
BRS Albatroz
Testemunhas 2
CV % 3
1
Região I
kgha-1
% test.1
5.103
99
5.136
3,11 – 11,64
Região II
kgha-1
% test.
4.733
106
4.463
2,41 – 11,31
Região III
kgha-1
% test.
3.841
102
3.781
3,87 – 13,79
Porcentagem em relação à média das três testemunhas mais produtivas, por ensaio.
Média das três testemunhas mais produtivas, por ensaio (BRS 208, BRS 229, CD
104, F. Nova Era, IAPAR 78, IPR 128 e Safira). 3Menores e maiores valores de
coeficiente de variação dos ensaios.
2
Tabela 2. Informações sobre a aptidão tecnológica da cultivar BRS Albatroz,
comparadas com as cultivares BRS 208, BRS 220 e BRS Pardela, de 64 amostras
obtidas nas regiões tritícolas I, II e III.
Cultivar
Região I:
BRS Albatroz
BRS 208
BRS 220
BRS Pardela
Região II:
BRS Albatroz
BRS 208
BRS 220
BRS Pardela
Região III:
BRS Albatroz
BRS 208
BRS 220
BRS Pardela
1
PH1
PMG2
EXT3
W4
G5
P6
L7
P/L8
Ie9
ID10
78,62
78,67
79,81
79,33
34,00
37,81
37,78
35,77
57,85
57,90
58,50
59,69
264
285
249
339
23
23
22
21
81
84
81
93
106
110
97
97
0,76
0,76
0,83
0,95
57,35
53,11
53,91
65,08
85
80
80
80
78,21
78,07
79,76
79,63
33,31
36,98
36,42
35,10
58,96
59,02
58,32
57,45
275
303
255
347
21
23
21
20
89 92
92 106
86 90
109 83
0,96
0,86
0,95
1,31
57,17
51,12
51,48
60,94
85
81
86
88
80,02
80,77
81,22
80,42
32,53
38,11
36,68
34,16
56,16
58,08
58,02
55,82
316
293
283
358
22
23
22
21
90 102
95 106
87 96
107 94
0,88
0,89
0,90
1,13
59,67
51,59
57,01
62,64
87
83
87
90
Peso do hectolitro, expresso em kg/hl. 2Peso de mil grãos, expresso em gramas.
Extração experimental de farinha, expressa em porcentagem (base 14% de umidade).
4
Força de glúten, expressa em 10-4 Joules. 5Índice de intumescimento, expresso em
milímetros. 6Tenacidade ou pressão máxima de ruptura, expressa em milímetros.
7
Extensibilidade ou média da abcissa na ruptura, expressa em milímetros. 8Relação
entre tenacidade e extensibilidade. 9Índice de elasticidade, expresso em porcentagem.
10
Índice de dureza-SKCS. ID > 90 = extra duro (ED); 81-90= muito duro (MD); 65-80=
duro (D); 45-64= semi-duro (SD); 35-44= semi-mole (SM); 25-34= mole (M); 10-24=
muito mole (MM); ID < 10= extra mole (EM).
3
CULTIVAR DE TRIGO FUNDACEP BRAVO
Vanderlei Doneda Tonon1 e Luiz Hermes Svoboda1
1
Cooperativa Central Gaucha Ltda (CCCGL-TEC FUNDACEP), RS 342, Km 149, C.P.
10, CEP 98005-970, Cruz Alta, RS, Brasil. [email protected]
A CCGL TEC FUNDACEP, através do seu programa de melhoramento
genético de trigo está lançando no mercado mais uma cultivar de trigo denominada
FUNDACEP BRAVO.
FUNDACEP BRAVO é originária de um cruzamento simples entre as cultivares
Rubi e FUNDACEP 37 realizado no ano de 1998 em Cruz Alta, RS. O processo de
seleção foi desenvolvido a campo utilizando os métodos massal e genealógico de
1999 a 2004 (tabela 1). A linhagem homozigota obtida na geração F8 foi nomeada
como linhagem CEP 04-138. Esta linhagem foi avaliada em ensaios preliminares nos
anos de 2005 e 2006, demonstrando destaque nas características de resistência a
doenças causadas por fungos e vírus, desempenho em produtividade de grãos e
qualidade tecnológica. Desta forma, no ano de 2006 ingressou nos ensaios de Valor
de Cultivo e Uso – VCU. Os ensaios de VCU foram conduzidos em várias localidades
do Brasil nos anos de 2007 a 2009 obedecendo as regras do Ministério da Agricultura
Pecuária e Abastecimento-MAPA e de acordo com as Regiões Tritícolas descrito por
Cunha et al.(2006). Na Região Tritícola de VCU I os ensaios foram conduzidos no Rio
Grande do Sul (RS) nos municípios de Cruz Alta, Condor, Júlio de Castilhos, Coxilha,
Ciríaco, Erechim e Vacaria. No Estado de Santa Catarina (SC) em Campos Novos e
Canoinhas e no Paraná (PR) em Guarapuava. Na Região Tritícola VCU II os
experimentos foram conduzidos no RS em São Borja, Santo Augusto, Santa Rosa,
São Luiz Gonzaga e Cachoeira do Sul. Em SC em Abelardo Luz e Chapecó e no PR
em Cascavel. Na Região Tritícola VCU III os experimentos foram conduzidos no PR
nos municípios de Rolandia e Umuarama e no Mato Grosso do Sul em Dourados,
Antônio João e Maracajú. O delinamento experimental utilizado em todos os
experimentos foi de blocos ao acaso com quatro e cinco repetições. O tamanho da
parcela foi variável conforme o local, sendo constituídas de 6 linhas de 6m de
comprimento com espaçamento de 0,17cm ou parcelas contendo 5 linhas de 5m
espaçados em 0,20m. O cálculo do número de sementes foi realizado para a obtenção
de no mínimo 330 plantas aptas por m2. A adubação foi variável conforme a fertilidade
do solo de cada local, assim como o controle de pragas e doenças que foram
executados de acordo com as indicações técnicas para a cultura do trigo, 2005. Todas
as sementes foram tratadas com inseticida Gaucho (imidaclopride) na dose para
controle de coró do trigo (Phyllophaga triticophaga). As varáveis avaliadas foi
rendimento de grãos, dias da emergência ao espigamento, dias da emergência a
maturação, reação as doenças, altura de planta, acamamento, peso do hectolitro,
peso de mil grãos e aspectos relativos a qualidade tecnológica dos grãos e da farinha.
As médias de rendimento de grãos obtidas com a cultivar FUNDACEP BRAVO
nas Regiões Tritícolas I, II e III nos estados do RS, SC, PR e MS estão nas tabela 2, 3
e 4. O desempenho satisfatório de rendimento de grãos de FUNDACEP BRAVO
permitiu o seu registro no Serviço Nacional de Proteção de Cultivares do MAPA.
Com relação as demais características, FUNDACEP BRAVO se caracteriza por
apresentar estatura de planta de média a baixa e moderada resistência ao
acamamento com ciclo médio, sendo que para o espigamento pleno são necessários
em média 90 dias variando entre 82 a 94 e, 144 dias para a maturação plena variando
entre 132 e 148 conforme a região do País. Está classificado como trigo da Classe
Pão em função das médias de força de glúten obtidas pela alveografia que foram de
225 x 10-4 J. Os grãos apresentam coloração vermelha com endosperma duro. Para
germinação pré-colheita ou germinação na espiga apresenta comportamento entre
moderada resistência a moderada suscetibilidade. Nos anos em que esteve sendo
avaliada para reações a doenças a campo, FUNDACEP BRAVO apresentou
moderada resistência ao oídio (Blumeria graminis f.sp. tritici) e a ferrugem da folha
(Puccinia triticina). Para Giberela (Fusarium graminearum), manchas foliares (Septoria
tritici e Stagonospora nodorum) e vírus do nanismo amarelo da cevada-VNAC a
cultivar mostrou comportamento de moderada suscetibilidade e foi resistente ao vírus
do mosaico comum do solo – VMCT.
Referências bibliográficas:
CUNHA G.R.; SCHEEREN P.L.; PIRES J.L.F.; MALUF J.R.T.; PASINATO A.;
CAIERÃO E.; SILVA M.S.; DOTTO S.R.; CAMPOS L.A.C.; FELÍCIO J.C.; CASTRO
R.L.; MARCHIORO V.; RIEDE C.R.; ROSA FILHO O.; TONON V.D.; SVOBODA L.H.
Regiões de adaptação para trigo no Brasil. Passo Fundo: Trigo Embrapa, (Circular
Técnica Online, 20), 2006. 35p.
INDICAÇÕES TÉCNICAS DA COMISSÃO SUL-BRASILEIRA DE PESQUISA DE
TRIGO: TRIGO E TRITICALE-2005. Reunião da Comissão Sul-Brasileira de
Pesquisa de Trigo. Cruz Alta, RS: FUNDACEP, 2005. 159p.
Tabela 1.Resumo da metodologia de obtenção da cultivar FUNDACEP BRAVO
LOCAL
ANO
GERAÇÃO
TIPO DE SELEÇÃO
Cruz Alta
1999
População F1
Massal
Cruz Alta
2000
População F2
Massal
Genealógico
Cruz Alta
2001
População F3
Vacaria
2001/2002
População F4
Genealógico
Cruz Alta
2002
População F5
Genealógico
Vacaria
2002/2003
População F6
Genealógico
Genealógico
Cruz Alta
2003
População F7
Cruz Alta
2004
População F8
Massal (CEP 04-138)
Tabela 2. Rendimento (kg ha-1) de FUNDACEP BRAVO e porcentagem sob
testemunhas na Região Tritícola VCU I no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e
Paraná.
ANO
CULTIVAR
T1
Testemunhas
T2
TM
%
2007
3537
3599
3182
3390
104
2008
3950
4198
3686
3942
100
2009
4241
4407
3970
4189
101
Media
3909
4068
3613
3840
102
Tabela 3. Rendimento (kg ha-1) de FUNDACEP BRAVO e porcentagem sob
testemunhas na Região Tritícola VCU II no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e
Paraná.
Ano
CULTIVAR
T1
T2
TM
%
2007
2886
2929
2625
2777
104
2008
3276
3527
3224
3376
97
3414
3631
3204
3418
100
2009
Media
3192
3362
3017
3190
100
Tabela 4. Rendimento (kg ha-1) de FUNDACEP BRAVO e porcentagem sob
testemunhas na Região Tritícola VCU III no Paraná e no Mato Grosso do Sul.
Ano
Cultivar
T1
T2
TM
%
2007
2544
2695
2008
2351
108
2008
3892
3754
3690
3689
106
2009
2443
2600
2320
2460
99
Media
2959
3016
2672
2833
104
EXTENSÃO DA IPR 130 E IPR 136 PARA OS ESTADOS DE SÃO PAULO E
SUL DO PARANÁ
Carlos Roberto Riede1, Luiz Alberto Cogrossi Campos1 e Juarez Campolina Machado1
1
Instituto Agronômico do Paraná – IAPAR, Rodovia Celso Garcia Cid, km 375, Caixa
Postal 481, CEP 86001-970, Londrina – PR, [email protected]
Cultivares de trigo desenvolvidas para regiões climaticamente diversificadas
como as quentes ou subtropicais de São Paulo ou frias, consideradas temperadas do
sul do Paraná são de importância para estimular o cultivo do cereal, visando suprir
demandas regionais de cultivo e de consumo. Trigos das classes pão e melhorador
têm sido cultivados nas Regiões de VCU II e III de São Paulo, com bastante sucesso.
Já na Região de VCU I do Paraná, a qualidade almejada nem sempre é conseguida
devido a grande interação com o ambiente mais dificultoso ao cultivo. Para tanto,
ensaios de VCU da Rede IAPAR/EMBRAPA SOJA/FUNDAÇÃO MERIDIONAL, foram
conduzidos visando a extensão de cultivo destas cultivares.
IPR 130 foi obtida a partir do cruzamento RAYON//VEE#6/TRAP#1, realizado
em 1992 no CIMMYT – México. A linha avançada foi re-selecionada e conduzida em
Coleções Avançadas e Ensaios Preliminares de 1998 a 2002 (RIEDE et al. 2001). De
2003 a 2009 a linhagem IA 0305 foi avaliada de Ensaios Regionais de VCU, nos
Estados do Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul e São Paulo (CAMPOS et al,
2008). Em 2005 e 2006 a linhagem foi avaliada em Ensaios de DHE em Londrina. IPR
130, recebeu Número de Registro 22505, em 29/11/07, junto ao RNC – Registro
Nacional de Cultivares do MAPA e Número Provisório de Proteção 20100015, em
12/02/10, junto ao SNPC – Serviço Nacional de Proteção de Cultivares também do
MAPA. O lançamento para cultivo ocorreu na safra de 2008.
IPR 136 foi desenvolvida a partir do cruzamento TAW/SARA//BAU/3/ND
674*2/IAPAR 29 realizado em 1995 no IAPAR, em Londrina. Em F7 a linha avançada
foi reunida, sendo que a linhagem LD 042116 foi nominada após avaliação em ensaios
preliminares internos. Em 2005 e 2006 a linhagem LD 042116 foi avaliada de Ensaios
Regionais de VCU, nos Estados do Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul e
São Paulo (CAMPOS et al, 2008). Neste mesmo período a linhagem foi avaliada em
Ensaios de DHE em Londrina. IPR 136, recebeu Número de Registro 22506, em
29/11/07, junto ao RNC – Registro Nacional de Cultivares do MAPA e Número de
Proteção 20090137, em 04/08/09, junto ao SNPC – Serviço Nacional de Proteção de
Cultivares também do MAPA. Seu lançamento para cultivo ocorreu na safra de 2008.
IPR 130 apresentou na média dos experimentos, ciclo médio (67 dias da
emergência ao espigamento e 119 dias à maturação), estatura baixa (80 cm),
moderada resistência ao acamamento e à debulha natural. As espigas são aristadas,
de coloração clara e fusiformes. Os grãos são ovalados, de coloração vermelha e
textura semi-dura. Apresentou moderada suscetibilidade ao crestamento de alumínio e
suscetibilidade à germinação pré-colheita. Em relação as principais doenças
ocorrentes nas regiões de avaliação, apresentou moderada resistência à brusone,
moderada suscetibilidade à ferrugem da folha e as manchas foliares e suscetibilidade
à giberela e ao oídio.
Em relação à qualidade tecnológica, a cultivar foi classificada como Trigo
Pão/Melhorador, apresentando valor alveográfico (W) médio de 303 x 10-4 J e valor da
relação P/L de 1,53, caracterizando força de glúten balanceada (AACC, 1995). As
bandas de gluteninas foram identificadas como sendo 2*; 7+9; 5+10, indicando
qualidade superior. O valor médio de PH foi de 77 kg/hl, e Peso de Mil Sementes de
35 g. Nas tabelas 1, 4 e 6, pode-se observar os dados médio de rendimento de grãos
em kg.ha-1 , e qualidade tecnológica avaliados regionalmente, bem como informações
agronômicas.
IPR 136 apresentou na média dos experimentos, ciclo médio (67 dias da
emergência ao espigamento e 119 dias à maturação), estatura baixa (80 cm),
moderada resistência ao acamamento e à debulha natural. As espigas são aristadas,
de coloração clara e fusiformes. Os grãos são ovalados, de coloração vermelha e
textura dura. Apresentou moderada suscetibilidade a moderada tolerância ao
crestamento de alumínio e moderada suscetibilidade a moderada resistência à
germinação pré-colheita. Em relação as principais doenças ocorrentes nas regiões de
avaliação, apresentou moderada resistência à brusone, moderada suscetibilidade à
ferrugem da folha e as manchas foliares e suscetibilidade à giberela e ao oídio.
Em relação à qualidade tecnológica, a cultivar foi classificada como Trigo
Melhorador, apresentando valor alveográfico (W) médio de 360 x 10-4 J e valor da
relação P/L de 0,97 caracterizando força de glúten balanceada a ligeiramente
extensível (AACC, 1995). As bandas de gluteninas foram identificadas como sendo 2*;
13+16; 5+10, indicando qualidade superior. O valor médio de PH foi de 78 kg/hl, e
Peso de Mil Sementes de 37 g. Nas tabelas 2, 3, 5 e 6, pode-se observar os dados
médio de rendimento de grãos em kg.ha-1 , e qualidade tecnológica avaliados
regionalmente, bem como informações agronômicas.
REFERÊNCIAS
AACC. American Association of Cereal Chemists. Approved methods, 9 ed. Saint Paul
– MN – United States.; AACC, 1995.
CAMPOS, L. A. C., BASSOI, M. C., FRONZA, V., RIEDE, C. R., Ensaios de Valor de
Cultivo e Uso (VCU) de cultivares de trigo da parceria Embrapa, IAPAR e
Fundação Meridional em 2007. In: ATAS E RESUMOS DA II REUNIÃO DA
COMISSÃO BRASILEIRA DE PESQUISA DE TRIGO E TRITICALE, 2008 Passo
Fundo, RS, Embrapa Trigo, 2008. Seção resumos melhoramento 117-119. CD ROM.
RIEDE, C.R., CAMPOS, L. A. C., BRUNETTA, D., ALCOVER, M. Twenty six years of
wheat breeding activities at IAPAR. Crop Breeding & Applied Biotechnology 01 (1)
60-71, 2001.
Tabela 1. Médias de rendimento de grãos (kg.ha-1) da cultivar de trigo IPR 130 e
testemunhas, na Região de VCU III de São Paulo. (Local: Ibirarema)
Cultivar
IPR 130
CD 104
BRS 229
MD T
2007
4431
3649
3455
3552
2008
3746
3166
3944
3555
2009
2371
2317
1968
2143
Média
3516
3044
3122
3083
% Md 2 T
114
99
101
100
Tabela 2. Médias de rendimento de grãos (kg.ha-1) da cultivar de trigo IPR 136 e
testemunhas, na Região de VCU II de São Paulo. (Local: Itaberá)
Cultivar
IPR 136
CD 104
BRS 229
MD T
2007
5180
4950
5080
5015
2008
4809
4978
4635
4807
2009
4052
4787
4213
4500
Média
4680
4905
4643
4774
% Md 2 T
98
103
97
100
Tabela 3. Médias de rendimento de grãos (kg.ha-1) da cultivar de trigo IPR 136 e
testemunhas, na Região de VCU III de São Paulo. (Local: Ibirarema).
Cultivar
IPR 136
CD 104
BRS 229
MD T
2007
4222
4122
4554
4338
2008
3804
3166
3944
3555
2009
2407
2317
1968
2143
Média
3478
3202
3489
3345
% Md 2 T
104
96
104
100
Tabela 4. Médias de rendimento de grãos (kg.ha-1) da cultivar de trigo IPR 130 e
testemunhas, na Região de VCU I do Paraná. (Locais: Ponta Grossa e Guarapuava)
Cultivar
IPR 130
CD 104
BRS 229
MD T
2007
4267
4395
4018
4207
2008
5186
5539
4313
4926
2009
3900
4112
3365
3739
Média
4451
4682
3899
4290
% Md 2 T
104
109
91
100
Tabela 5. Médias de rendimento de grãos (kg.ha-1) da cultivar de trigo IPR 136 e
testemunhas, na Região de VCU I do Paraná. (Locais: Ponta Grossa e Guarapuava)
Cultivar
IPR 136
CD 104
BRS 229
MD T
2007
4164
4395
4018
4207
2008
4693
5539
4313
4926
2009
3996
4112
3365
3739
Média
4284
4682
3899
4290
% Md 2 T
100
109
91
100
Tabela 6. Médias de espigamento (ESP), maturação (MAT), altura de plantas (AP),
alveografia (W), peso do hectolitro (PH) e notas de acamamento (AC), ferrugem da
folha (FF), manchas foliares (MF) e brusone (BS), Londrina 2009.
Cultivar
IPR 130
IPR 136
BRS 229
ESP
(dias)
67
67
75
MAT
(dias)
119
119
126
AP
(cm)
80
80
85
W
(10-4 J)
303
360
247
PH
(kg.hl-1)
77
78
78
AC
FF
MF
BS
MR
MR
MR
MS
MS
MS
MS
MS
MR
MR
MR
R
BRS 327: NOVA CULTIVAR DE TRIGO DA CLASSE PÃO E DE FARINHA
“BRANQUEADORA”
Márcio Só e Silva1, Eduardo Caierão1, Pedro Luiz Scheeren1, Luiz Eichelberger1,
Alfredo do Nascimento Junior1, Martha Zavariz de Miranda1 e Vanderley Caetano2
1
Embrapa Trigo, Rod BR 285, km 194, Cx Postal 451, CEP 99001-970, Passo Fundo,
RS. [email protected].
2
Embrapa Clima Temperado, Rod BR 392, km 78, Cx Postal 403, CEP 96001-970,
Monte Bonito, Pelotas, RS.
O progresso genético em trigo no Brasil tem mostrado ganhos significativos
através de mais de cem anos de melhoramento genético, resultando em ganhos na
produtividade e na qualidade industrial (Nedel, 1994 e Rodrigues el al., 2007). O
programa de melhoramento genético da Embrapa tem no seu portfolio quase uma
centena de cultivares (Sousa, 2001), sempre posicionadas na garantia da manutenção
da competitividade da cultura de trigo e no fornecimento de matéria prima adequada
para a industria moageira nacional.
O objetivo do presente trabalho foi determinar o valor genético da cultivar BRS
327, através da produtividade média em ensaios de VCU exigidos pela legislação
brasileira para obtenção de registro no Ministério da Agricultura, Pecuária e
Abastecimento (MAPA). A indicação dessa cultivar para diferentes regiões triticolas
brasileiras nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo e
Mato Grosso do Sul foi baseada no seu desempenho produtivo em diversos locais
nesses estados no período de 2004 a 2009, com destaque para as médias de
produtividade geral nos anos de 2004, 2005 e 2007, respectivamente (Tabela 1).
Entre as características de destaque da cultivar, estão a moderada resistência
a germinação na espiga, a excelente sanidade geral, apresentando moderada
resistência a oídio e as manchas foliares. Quanto a ferrugem da folha deve-se
observar a ocorrência dessa doença em BRS 327, pois embora seja resistente as
novas raças prevalecentes nos últimos anos, apresenta reação de suscetibilidade a
antiga raça B34. É uma cultivar de ciclo médio a precoce, e apresenta altura de
plantas média a alta. O peso médio de mil sementes foi de 38 gramas.
O trigo BRS 327 foi classificado preliminarmente como trigo pão, com média de
força de glúten obtido pela analise de alveografia de 248 x 10-4J, considerando 35
amostras dos locais de teste de ensaios de VCU. No Paraná, ela apresentou média
de 299 x 10-4J considerando 8 amostras. No Rio Grande do Sul, em 18 amostras,
apresentou média de 219 x 10-4J. A cultivar apresenta farinha muito branca mostrando
dados médios de cor de “L”=94,3; “a”= -0,2 e “b”=7,5, analisados pelo Minolta e média
de 35 amostras. Segundo especificações de alguns moinhos a farinha “branqueadora”
, é aquela que apresenta valores de luminosidade “L” maiores do que 93 ou 94, de “a”
negativo e de “b” menores que 8 expressados pelo aparelho Minolta segundo a
Comissão Internacional de Iluminação.
Concluindo, a cultivar de trigo BRS 327 se constitui em um avanço para a
triticultura nacional, pois associa características positivas na lavoura e esta alinhada
com as demandas atuais da industria moageira, destacando sua liquidez no mercado
como trigo “branqueador”.
Referencias bibliográficas
NEDEL, J. Progresso genético no rendimento de grãos de cultivares de trigo lançadas
para cultivo entre 1940 e 1992. Pesquisa Agropecuaria Brasileira, v.29, n.10, p.15651570, out, 1994.
RODRIGUES, O; LHAMBY, J.C.B.; DIDONET, A.D.; MARCHESE, J.A. Fifty years of
wheat breeding in Southern Brazil: yield improvement and associated changes.
Pesquisa Agropecuaria Brasileira, v.42, n.6, p.817-825, jun, 2007.
SOUSA, C. N. A. de. Cultivares de trigo da Embrapa indicadas para cultivo no
Brasil de 1975 a 2001. Passo Fundo: Embrapa Trigo, 2001. 44 p. (Embrapa Trigo.
Boletim de Pesquisa e Desenvolvimento, 2).
Tabela 1. Média anual de rendimento de grãos da cultivar BRS 327 comparado com a
média das duas melhores testemunhas pôr ensaios e as respectivas porcentagem
relativa.
ANO
ENSAIOS
RENDIMENTO DE GRÃOS (kg/ha)
% REL M2>T**
BRS 327
MÉDIA 2 > TEST*
2004
EPR
3479
3313
105
2005
VCU
3455
3379
102
2006
VCU
4214
4350
97
2007
VCU
3956
3755
105
2008
VCU
4981
5196
96
2009
VCU
4306
4330
99
*MÉDIA 2 > TEST – média geral das duas melhores testemunhas, obtidas das duas
melhores testemunhas de cada local-ensaio. As testemunhas que apresentaram os
maiores rendimentos de grãos eram variáveis dependendo do ano e do local de
avaliação.
** %REL M2 >T – Porcentagem relativa do rendimento de grãos de BRS 327
comparada a média das duas melhores testemunhas.
VALOR DE CULTIVO E USO - VCU - TRIGO - FUNDAÇÃO MERIDIONAL - 20072009
Luiz Alberto Cogrossi Campos1, Manoel Carlos Bassoi2, Ademir Simionatto3, Carlos
Pitol4, Enoir Cristiano Pellizzaro5, Fabrício Jardim Henningen6, José Rafael Schloegel
de Azambuja7, Juliano Luiz de Almeida8, Luiz Carlos Chiapinotto5 e Rudimar Molin9
1
Fundação Meridional/IAPAR, CP 481, CEP 86001-970, Londrina, PR,
[email protected]; 2Embrapa Soja; 3Coamo Agroindustrial
Cooperativa; 4Fundação MS; 5C. Vale Cooperativa Agroindustrial; 6Cooperativa
Regional Agropecuária Campos Novos-Copercampos; 7I. Riedi & Cia. Ltda.;
8
Cooperativa Agrária Mista Entre Rios-Agrária/FAPA; 9Cooperativa Batavo
Ltda./Fundação ABC.
O referencial para a inscrição de uma cultivar no RNC é a legislação de
Sementes e Mudas vigente - Lei n°6.507/77 e Decreto n° 81.771/78; portarias números
527/97 e 294/98; que tem como um dos requisitos, o Ensaio de Valor de Cultivo e Uso
- VCU, que nada mais é que o valor intrínseco de combinação das características
agronômicas da cultivar com as suas propriedades de uso em atividades
agropecuárias, industriais, comerciais e/ou de consumo.
O VCU de linhagens e cultivares de trigo do IAPAR foi conduzido de
conformidade com a nova regionalização do VCU, ou seja, na Região I, fria, úmida e
alta (Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná); Região II, moderadamente quente,
úmida e baixa (Santa Catarina, Paraná e São Paulo); e Região III, quente,
moderadamente seca e baixa (Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo).
São apresentados neste trabalho somente cultivares e linhagens que
participaram nas três regiões nos anos de 2007 a 2009.
Os ensaios de VCU de trigo foram divididos em duas categorias, genótipos de
ciclo médio e precoce. O número de épocas variou de um a três, dependendo do local.
O número de linhagens do IAPAR e Embrapa Soja é variável em cada ensaio e para
cada ano, tendo como testemunhas fixas ou controle: BRS 208, BRS 229, BRS
Tangará e IPR 128 no ensaio de ciclo médio e BRS 220, BRS Pardela, IPR 118 e IPR
129 nos de ciclo precoce.
Delineamento de Blocos ao Acaso, com três repetições com controle
fitossanitário. Tratamento de sementes com mistura de Imidacloprido (80g) /100 kg de
sementes, associado com resina Blue Solid (100g/100 kg de sementes). Tratamento
da parte aérea variou segundo o local, época e doença. A parcela experimental com
dimensões conforme a semeadora de cada colaborador, constituída de cinco a seis
linhas de cinco a seis metros, espaçadas a 0,15m a 0,20 metros. A produtividade foi
baseada na colheita total da parcela em gramas com correção de umidade a 13% e
transformadas em quilogramas por hectare. A comparação de médias foi em relação à
média das três melhores testemunhas de cada ensaio. A adubação e fórmula na
semeadura e em cobertura foram conforme com a necessidade da análise de solo de
cada local.
Os valores representados pela média de cada região, são provenientes de
cada local em uma ou mais épocas, considerando quando for o caso, como média
ponderada. Os dados de rendimento de grãos foram analisados estatisticamente, pela
Embrapa Soja, primeiro em uma análise exploratória com auxílio do Programa SAS
para verificar o atendimento das pressuposições da análise de variância e a ocorrência
de dados discrepantes (“outliers”), e depois foram realizadas as análises de variâncias
e testes de médias com auxílio dos Programa SAS e Genes. Foram considerados
apenas os experimentos que apresentaram coeficientes de variação inferiores a 18%.
Na Tabela 1 são apresentados os resultados dos genótipos de ciclo médio,
com destaque para todas as regiões o triticale IPR 111 e a linhagem PF 014384 com
rendimento médio relativo de 107, 2 e 103,0 % respectivamente em relação à media
das três melhores testemunhas. A inclusão do triticale foi devida a inexistência de
ensaios de VCU para a referida espécie no período.
Na Tabela 2 são apresentados os resultados dos genótipos de ciclo precoce,
com destaque para todas as regiões BRS 220 e BRS Pardela com rendimento médio
relativo de 103,6 e 100,6 % respectivamente em relação à media das três melhores
testemunhas.
Para melhor visualização da distribuição dos locais e regiões de instalação dos
ensaios, na Tabela 3 estão as informações das novas regiões conforme instrução
Normativa Nº. 3 de 14/10/2008, do DOU, em comparação com as regiões anteriores.
Tabela 1. Produtividade média de grãos de trigo de cultivares e linhagens de ciclo
médio, em quilos por hectare nas Regiões de VCU I, II e II do Rio Grande do Sul,
Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo, nos triênio de 2007 a 2009,
dos ensaios de VCU conduzido pela Fundação Meridional/Embrapa Soja e IAPAR.
Cultivar
MD RI (15)
MD RII (23)
MD RIII (40)
MG
%3MT
Classe Industrial
BRS 208
4653
4584
3519
4252
98,7
P
BRS 210
3741
4130
3453
3775
87,6
M
BRS 229
4376
4557
3483
4139
96,1
P
BRS 248
4300
4287
3357
3981
92,4
P/B
4789
BRS 249
4424
3184
4132
95,9
P
BRS Tangará
4694
4752
3184
4210
97,7
M
CD 104
3553
4274
3282
3703
85,9
M
4621
5173
4064
4619
107,2
IPR 111 Tcl
B
IPR 128
3550
4441
3437
3809
88,4
P
IPR 130
4140
4459
3436
4012
93,1
P/M
IPR 136
3980
4266
3428
3891
90,3
M
3706
LD 072210
4434
4544
4228
98,1
B
3660
LD 072212
4270
4710
4213
97,8
B
4810
4849
3658
4439
103,0
PF 014384
B
BRS Albatroz
4904
4462
3382
4250
98,6
M
Media 3MT
4511
4803
3613
4309
100,0
MD: Média na respectiva região; * Números entre parêntesis indica o número de experimentos no triênio na respectiva
região; MG: Média Geral; % 3MT: percentagem em relação à média das três melhores testemunhas; P: Pão; M;
Melhorador; B: Brando.
Tabela 2. Produtividade média de grãos de trigo de cultivares e linhagens de ciclo
precoce, em quilos por hectare nas Regiões de VCU I, II e II do Rio Grande do Sul,
Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo, nos triênio de 2007 a 2009,
dos ensaios de VCU conduzido pela Fundação Meridional/Embrapa Soja e IAPAR.
Cultivar
MD RI (15)
MD RII (22)
MD RIII (40)
MG
%3MT
Classe Industrial
BR 18
3806
3946
3430
3728
90,6
P
BRS 220
4544
4686
3562
4264
103,6
P
BRS Pardela
4377
4628
4140
100,6
3415
M
IPR 85
3424
3662
3299
3462
84,1
M
IPR 110
4086
4366
3536
3996
97,1
B
IPR 118
4009
4207
3405
3873
94,1
P
IPR 129
3629
3919
3442
3663
89,0
P
3553
IPR 144
3575
4329
3819
92,8
P
WT 05110
4000
4318
3395
3905
94,9
M
Media 3MT
4333
4469
3542
4115
100,0
MD: Média na respectiva região; * Números entre parêntesis indica o número de experimentos no triênio na respectiva
região; MG: Média Geral; % 3MT: percentagem em relação à média das três melhores testemunhas; P: Pão; M;
Melhorador; B: Brando.
Tabela 3. Município, estado, nova região conforme Instrução Normativa Nº3 de
14/10/2008, publicado no Diário Oficial da União, região antiga de adaptação de
cultivares de Trigo e altitude (m) aproximada.
Município
UF
Região Nova
Região Antiga
Altitude metros
Guarapuava
PR
I
8
1139
Ponta Grossa
PR
I
8
805
Barracão
RS
I
2
835
Campos Novos
SC
I
5
871
Campo Mourão
PR
II
7
616
Cascavel
PR
II
7
720
Pato Branco
PR
II
8
773
Mauá da Serra
PR
II
7
910
Abelardo Luz
SC
II
4
850
Itaberá
SP
II
11
740
Dourados
MS
III
9
398
Maracaju
MS
III
9
384
Ponta Porã
MS
III
9
565
Cambará
PR
III
6
474
Cruzmaltina
PR
III
7
751
Londrina
PR
III
6
538
Palotina
PR
III
7
352
Warta
PR
III
6
591
Ibirarema
SP
III
12
488
A parceria Embrapa Soja, IAPAR e Fundação Meridional agradece a todos os
instituidores da Fundação Meridional, pelo apoio e incentivo à continuidade das
pesquisas de desenvolvimento de cultivares de trigo. Esse apoio vem fortalecer a
triticultura nos Estados do Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina e
Rio Grande do Sul, de forma contínua e sustentável.
EXCLUSOES DE INDICAÇÃO DE CULTIVARES OR/BIOTRIGO
Igor tonin1, Igor Pirez Valério2, André Cunha Rosa1, Ottoni de Sousa Rosa2, Ottoni
Rosa Filho e Amarilis Labes Barcellos2.
1
Biotrigo Genética Ltda (BIOTRIGO), Rua João Battisti,71, CEP 99050-380, Passo
Fundo, RS, Brasil . [email protected].
2
OR Sementes, Passo Fundo, RS, Brasil.
A revisão das cultivares indicadas para cultivo visam minimizar os problemas de
frustrações de safra e melhorar a rentabilidade da triticultura. Observando estes
critérios as empresas BIOTRIGO e OR SEMENTES estão retirando das indicações de
cultivo as cultivares Asteca e Taurum. A cultivar Asteca demonstrou na ultima safra um
nível de resistência a brusone menor do que o esperado. Seu lançamento foi
justificado pelo melhor nível de resistência a brusone, quando comparado a cultivar
Taurum, que mesmo sendo suscetível ainda mantinha demanda de sementes. Este
nível de resistência não se confirmou na safra 2009, e melhores estudos serão
realizados para indicação segura desta cultivar, sendo retirada sua indicação de
cultivo em todas as regiões antes indicadas. A cultivar Taurum apesar de seu alto
potencial de rendimento, apresenta alta suscetibilidade ao brusone, fato que gera
insegurança na tomada de decisão do seu cultivo, considerando sua suscetibilidade a
brusone e o lançamento de novas cultivares com melhores características, a cultivar
Taurum não será mais indicada para cultivo em todas a regiões antes indicadas, deste
modo preservando os agricultores de frustrações de safras que estavam sendo
constantes devido a brusone, que é de difícil controle.
EXTENSÃO DE CULTIVO DA CULTIVAR MIRANTE PARA OS ESTADOS DO RS E
SC.
Igor tonin1, Igor Pirez Valério2, André Cunha Rosa1, Ottoni de Sousa Rosa2, Ottoni
Rosa Filho e Amarilis Labes Barcellos2.
1
Biotrigo Genética Ltda (BIOTRIGO), Rua João Battisti,71, CEP 99050-380, Passo
Fundo, RS, Brasil . [email protected].
2
OR Sementes, Passo Fundo, RS, Brasil.
A cultivar Mirante foi lançada na safra 2008, tendo como ponto forte o alto potencial
produtivo, o mais alto do portfólio OR/Biotrigo. Na safra 2009 obteve ótimos resultados
de rendimento em lavouras comercias de produção de sementes, confirmando os
resultados antes obtidos nos experimentos. É um trigo para alto investimento, com
qualidade industrial tipo Pão e ampla adaptação. Apesar de ser uma cultivar com
estatura médio-alta, tem boa resistência ao acamamento o que permite adubar bem a
lavoura, tirando o máximo do seu potencial genético. Primeiramente indicada para
cultivo no estado do Paraná, devido aos ótimos resultados de rendimento obtidos,
estamos estendendo sua indicação de cultivo para as regiões I e II dos estados do Rio
Grande do Sul e Santa Catarina. Nos ensaios foi utilizado o delineamento
experimental randomizado com blocos ao acaso, com quatro repetições, onde a
adubação e controle de pragas e moléstias foram efetuadas conforme as
recomendações técnicas para a cultura do trigo (exceto em alguns locais onde se
optou por não utilizar fungicidas). Os resultados de rendimento são apresentados nas
Tabelas 1 e 2, nas Tabelas 3 e 4 são apresentados os valores de peso hectolitro e nas
Tabelas 5 e 6 são apresentados os valores de peso de mil grãos.
Tabela 1 - Dados de rendimento (kg.ha-1) da cultivar Mirante em relação às
testemunhas Pampeano e Fundacep 30, nas regiões de adaptação I e II do
estado do Rio Grande do Sul, nas safras 2007 e 2008
N°Locais
Ano
Mirante
Testemunhas
-1
(kg.ha )
Pampeano
Fcep-30 TM
Região
6
2007
3034
3214
2857
3036
I - RS
5
2008
4699
4455
3499
3977
Média
3867
3835
3178
3506
%
110
109
91
100
Região
3
2007
2719
2530
2281
2406
II - RS
3
2008
3767
3487
2941
3214
Média
3243
3009
2611
2810
%
115
107
93
100
Tabela 2 - Dados de rendimento (kg.ha-1) da cultivar Mirante em relação às
testemunhas Safira e Pampeano, nas regiões de adaptação I e II do estado de
Santa Catarina, nas safras 2007 e 2008
N°Locais
Ano
Mirante
Testemunhas
-1
(kg.ha )
Safira
Pampeano
TM
Região
2
2007
2861
2848
3291
3069
I - SC
2
2008
4383
3537
4384
3960
Média
3622
3192
3837
3515
%
103
91
109
100
Região
2
2007
4094
3804
3988
3896
II - SC
2
2008
5799
4482
4949
4715
Média
4946
4143
4469
4306
%
115
96
104
100
Tabela 3 - Dados de peso hectolitro da cultivar Mirante em relação as testemunhas
Pampeano e Fundacep 30, nas regiões de adaptação I e II, do estado do Rio
Grande do Sul, nas safras 2007 e 2008
N°Locais
Ano
Mirante
Testemunhas
-1
(kg.hl )
Pampeano
Fcep-30
Região
6
2007
74,3
75,0
72,8
I - RS
5
2008
77,6
75,5
72,9
Média
76,0
75,3
72,9
Região
3
2007
78,4
77,9
75,9
II - RS
3
2008
80,9
78,5
72,0
Média
79,7
78,2
74,0
Tabela 4 - Dados de peso hectolitro da cultivar Mirante em relação as testemunhas
Safira e Pampeano, nas regiões de adaptação I e II, do estado de Santa
Catarina, nas safras 2007 e 2008
N°Locais
Ano
Mirante
Testemunhas
-1
(kg.hl )
Safira
Pampeano
Região
2
2007
74,7
78,3
79,0
I - SC
2
2008
73,5
75,1
75,7
Média
74,1
76,7
77,3
Região
2
2007
76,7
77,0
77,0
II - SC
2
2008
74,6
75,2
76,0
Média
75,6
76,1
76,5
Tabela 5 - Dados de peso de mil grãos da cultivar Mirante em relação as testemunhas
Pampeano e Fundacep 30, nas regiões de adaptação I e II, do estado do Rio
Grande do Sul nas safras 2007 e 2008
N°Locais
Ano
Mirante
Testemunhas
(g)
Pampeano
Fcep-30
Região
6
2007
33,5
37,9
32,5
I - RS
5
2008
38,3
39,9
30,5
Média
35,9
38,9
31,5
Região
2
2007
32,7
36,8
29,3
II - RS
3
2008
34,6
39,2
30,2
Média
33,6
38,0
29,7
Tabela 6 – Dados de peso de mil grãos da cultivar Mirante em relação as
testemunhas Safira e Pampeano, nas regiões de adaptação I e II, do estado de
Santa Catarina nas safras 2007 e 2008
N°Locais
Ano
Mirante
Testemunhas
(g)
Safira
Pampeano
Região
2
2007
28,6
24,0
34,5
I - SC
2
2008
31,4
33,5
39,3
Média
30,0
28,7
36,9
Região
2
2007
37,5
30,0
36,2
II - SC
2
2008
37,6
35,5
45,0
Média
37,5
32,8
40,6
TBIO IVAÍ – RUSTICIDADE COM ÓTIMO RENDIMENTO
Igor tonin1, André Cunha Rosa1,Ottoni Rosa Filho1.
(1)
Biotrigo Genética Ltda (BIOTRIGO), Rua João Battisti,71, CEP 99050-380, Passo
Fundo, RS, Brasil. [email protected].
O continuo processo de desenvolvimento de cultivares aliado as novas
tecnologias disponíveis tem tornado a triticultura brasileira a cada safra mais
competitiva. A busca de cultivares com melhores características agronômicas e
industriais é o foco da Biotrigo Genética, que para tanto, mantém campos
experimentais para seleção de cultivares com características desejáveis nas diferentes
regiões tritícolas do Brasil. Resultado deste trabalho é a nova cultivar TBIO Ivaí, que
alia ótima rusticidade com bom potencial de rendimento.
A nova cultivar foi originada pelo cruzamento ORL 97061/CD 104, realizado no
inverno de 2002. A linhagem ORL 97061 é proveniente do programa de melhoramento
da OR/Biotrigo e é uma retrocruza de OR-1. A cultivar CD 104 é cultivar comercial da
COODETEC. As populações segregantes foram conduzidas em telado (Passo Fundo,
RS) e a campo (Apucarana, PR) de 2003 a 2005. Na geração F6 foi colhida em
massa, originado o F7 que foi plantado a campo e posteriormente selecionado,
originando a linhagem experimental para participar dos ensaios de rendimento no
inverno de 2007. A cultivar TBIO Ivaí foi avaliada nos ensaios de VCU (Valor de
Cultivo e Uso) com a designação experimental BIO 06014 nos anos de 2008 e 2009.
O delineamento experimental utilizado foi o randomizado com blocos ao acaso e
quatro repetições, a adubação e controle de pragas e moléstias foram efetuados
conforme as recomendações técnicas para a cultura do trigo. A cultivar TBIO Ivaí
apresenta hábito vegetativo intermediário a semi-ereto, perfilhamento médio, porte
médio e ciclo médio. Quanto ao crestamento é classificado como moderadamente
resistente, para acamamento é classificado como moderadamente resistente a
moderadamente suscetível, para debulha natural e germinação natural na espiga de
moderadamente resistente a moderadamente suscetível. A reação as principais
doenças da cultivar é assim composta: ferrugem da folha e oídio, moderadamente
resistente; manchas foliares, moderadamente resistente; brusone, moderadamente
resistente; giberela, moderadamente suscetível; vírus do mosaico do trigo, suscetível.
TBIO Ivaí é trigo Pão (W =240 x10-4Joules) e estabilidade média de 11 minutos. TBIO
Ivaí é cultivar protegida de titularidade da Biotrigo e registrada para cultivo na região
tritícola III do Estado do Paraná. Os resultados de rendimento obtidos nos
experimentos são apresentados na Tabela 1. O peso médio de mil sementes e peso
médio do hectolitro obtido nos experimentos são apresentados nas Tabelas 2 e 3
respectivamente.
Tabela 1 – Dados de rendimento (kg.ha-1) do cultivar TBIO Ivaí em relação as
testemunhas BRS 208 e CD 104, na Região de Adaptação 3, em 2008 e 2009
Testemunhas
Região
N° Locais
Ano
TBIO Ivaí
BRS 208
CD 104
TM
-1
VCUIII- PR
kg.ha
3
2008
3470
3314
2991
3153
5
2009
3347
2716
2460
2588
Média
3409
3015
2726
2870
%
119
105
95
100
Tabela 2 – Dados de Peso de Mil Grãos (g) do cultivar TBIO Ivaí em relação às
testemunhas BRS 208 e CD 104, na Região de Adaptação 3, em 2008 e
2009
Testemunhas
Região
N°Locais
Ano
TBIO Ivaí
BRS 208
CD 104
VCUIII-PR
g
3
2008
35,4
31,6
29,3
5
2009
34,0
31,2
27,4
Média
34,7
31,4
28,4
Tabela 3 - Dados de Peso Hectolítrico (kg.hl-1) do cultivar TBIO Ivaí em relação às
testemunhas BRS 208 e CD 104, na Região de Adaptação 3, em 2008 e 2009
Testemunhas
Região
N°Locais Ano
TBIO Ivaí
BRS 208
CD 104
-1
VCUIII - PR
kg.hl
3
2008
78,5
73,5
73,9
5
2009
77,2
72,7
70,4
Média
77,9
73,2
72,1
TBIO TIBAGI – PRECOCE, BOA RESITÊNCIA A BRUSONE E FARINHA
BRANQUEADORA.
Igor tonin1, André Cunha Rosa1 e Ottoni Rosa Filho1.
(1)
Biotrigo Genética Ltda (BIOTRIGO), Rua João Battisti,71, CEP 99050-380, Passo
Fundo, RS, Brasil . [email protected].
O continuo processo de desenvolvimento de cultivares aliado as novas
tecnologias disponíveis tem tornado a triticultura brasileira a cada safra mais
competitiva. A busca de cultivares com melhores características agronômicas e
industriais é o foco da Biotrigo Genética, que para tanto, mantém campos
experimentais para seleção de cultivares com características desejáveis nas diferentes
regiões tritícolas do Brasil. Resultado deste trabalho é a nova cultivar TBIO Tibagi, que
alia precocidade, resistência a brusone e farinha branqueadora.
A nova cultivar foi originada pelo cruzamento das cultivares SUPERA/ÔNIX,
realizado no verão de 2001. Ambas as cultivares utilizadas no cruzamento provém do
programa de melhoramento da OR/Biotrigo. As populações segregantes foram
conduzias em telado (Passo Fundo, RS) e a campo (Coxilha, RS) de 2001 a 2004. A
geração F6 foi conduzida no campo em Apucarana, PR. A geração F7 foi plantada em
telado (Passo Fundo, RS) sendo colhida em massa, originado a geração F8 que foi
plantado a campo (Apucarana, PR) sendo selecionada para participar do primeiro
ensaio de rendimento em 2007. A cultivar TBIO Tibagi foi avaliada nos ensaios de
VCU (Valor de Cultivo e Uso) com a designação experimental BIO 06016 nos anos de
2008 e 2009.
O delineamento experimental utilizado foi o randomizado com blocos ao acaso e
quatro repetições, onde a adubação e controle de pragas e moléstias foram efetuados
conforme as recomendações técnicas para a cultura do trigo. A cultivar TBIO Tibagi
apresenta hábito vegetativo intermediário a semi-ereto, perfilhamento médio-fraco,
porte médio e ciclo precoce-médio. Quanto ao crestamento é classificado como
moderadamente resistente, para acamamento é classificado como moderadamente
resistente a moderadamente suscetível, para debulha natural e germinação natural na
espiga de moderadamente resistente a moderadamente suscetível. A reação as
principais doenças da cultivar é assim composta: ferrugem da folha, suscetível; oídio,
moderadamente suscetível a suscetível; manchas foliares, moderadamente resistente;
brusone, moderadamente resistente; giberela, moderadamente resistente a
moderadamente suscetível; vírus do mosaico do trigo, moderadamente resistente a
moderadamente suscetível. Quanto a qualidade industrial, TBIO Tibagi é trigo Pão (W
=250 x10-4Joules), estabilidade média de 11 minutos e apresenta farinha de cor
branqueadora. TBIO Tibagi é cultivar protegida de titularidade da Biotrigo, e registrada,
até o momento, para cultivo na região tritícola III do estado do Paraná. Os resultados
de rendimento obtidos nos experimentos são apresentados na Tabela 1. O peso médio
do hectolitro e peso de mil sementes obtido nos experimentos são apresentados nas
Tabelas 2 e 3 respectivamente.
Tabela 1 – Dados de rendimento (kg.ha-1) do cultivar TBIO Tibagi em relação às
testemunhas BRS 208 e CD 104, na Região de Adaptação 3, em 2008 e 2009
Testemunhas
TBIO Tibagi BRS 208
Região
N° Locais
Ano
CD 104 TM
-1
VCUIII- PR
kg.ha
3
2008
3315
3314
2991
3153
5
2009
3105
2716
2460
2588
Média
3210
3015
2726
2870
111
%
105
95
100
Tabela 2- Dados de Peso Hectolítrico (kg.hl-1) do cultivar TBIO Tibagi em relação às
testemunhas BRS 208 e CD 104, na Região de Adaptação 3, em 2008 e 2009
Testemunhas
Região
N° Locais
Ano
TBIO Tibagi
BRS 208
CD 104
kg.hl-1
VCUIII – PR
3
5
Média
2008
2009
76,5
76,2
76,4
73,5
72,7
73,2
73,9
70,4
72,1
Tabela 3 – Dados de Peso de Mil Grãos (g) do cultivar TBIO Tibagi em relação às
testemunhas BRS 208 e CD 104, na Região de Adaptação 3, em 2008 e
2009
Testemunhas
Região
N° Locais
Ano
TBIO Tibagi
BRS 208
CD 104
VCUIII-PR
g
3
5
Média
2008
2009
33,7
33,0
31,6
31,2
29,3
27,4
33,3
31,4
28,4
TBIO PIONEIRO – PRIMEIRA CULTIVAR BIOTRIGO GENÉTICA
Igor tonin1, André Cunha Rosa1 e Ottoni de Rosa Filho1.
(1)
Biotrigo Genética Ltda (BIOTRIGO), Rua João Battisti,71, CEP 99050-380, Passo
Fundo, RS, Brasil . [email protected].
O aumento na produtividade, resistência a doenças e ótima qualidade industrial
são os objetivos da grande parte dos programas de melhoramento genético do trigo no
Brasil. Ao reunir em uma cultivar todas ou parte destas características desejáveis
nasce uma nova cultivar. A empresa Biotrigo se dedica exclusivamente a criação de
novas cultivares de trigo e neste ano esta lançando sua primeira cultivar de titularidade
exclusiva, denominada TBIO Pioneiro. TBIO Pioneiro se destaca pelo potencial de
rendimento e boa resistência as principais doenças aliado a ótima qualidade industrial
para panificação.
A nova cultivar foi originada pelo cruzamento CRONOX/VAQUEANO, realizado
em 2002, as populações segregantes foram conduzias em telado (Passo Fundo, RS) e
a campo (Coxilha, RS) de 2003 a 2005. TBIO Pioneiro teve seleção final na geração
F8 no inverno de 2006 para participar dos ensaios de rendimento. A cultivar TBIO
Pioneiro foi avaliada nos ensaios de VCU (Valor de Cultivo e Uso) com a designação
experimental BIO 06060 nos anos de 2008 e 2009. O delineamento experimental
utilizado foi o randomizado com blocos ao acaso e quatro repetições, onde a
adubação e controle de pragas e moléstias foram efetuados conforme as
recomendações técnicas para a cultura do trigo. A cultivar TBIO Pioneiro apresenta
hábito vegetativo semi-prostrado a intermediário, forte perfilhamento, porte médio/alto
e ciclo médio. Quanto ao crestamento é classificado como moderadamente
resistente;para acamamento é classificado como moderadamente suscetível; para
debulha natural é classificado de moderadamente resistente a moderadamente
suscetível e para germinação natural na espiga é classificado como moderadamente
resistente. A reação as principais doenças da cultivar é assim composta: ferrugem da
folha e oídio, moderadamente resistente; manchas foliares e mosaico comum,
moderadamente suscetível; VNAC e giberela, moderadamente suscetível. TBIO
Pioneiro é trigo Pão (W =265 x10-4Joules), estabilidade média de 8 minutos. TBIO
Pioneiro é cultivar protegida de titularidade da Biotrigo e registrada, até o momento,
para cultivo na região tritícola I do RS. Os resultados de rendimento obtidos nos
experimentos são apresentados na Tabela 1. O peso médio do hectolitro e de mil
sementes e obtido nos experimentos são apresentados na Tabela 2 e 3,
respectivamente.
Tabela 1 – Dados de rendimento (kg.ha-1) do cultivar TBIO Pioneiro em relação às
testemunhas Safira e Pampeano, na Região de Adaptação 1- RS, em 2008 e
2009
Testemunhas
Região
N°Locais Ano
TBIO Pioneiro
Safira
Pampeano
TM
VCUI - RS
kg.ha-1
3
2008
4075
3052
3642
3347
4
2009
4319
3667
3845
3756
Média
4211
3393
3755
3574
%
118
95
105
100
Tabela 2- Dados de Peso Hectolítrico (kg.hl-1) do cultivar TBIO Pioneiro em relação às
testemunhas Safira e Pampeano, na Região de Adaptação 1- RS, em 2008 e
2009
Testemunhas
Região
N°Locais
Ano
TBIO Pioneiro
Safira
Pampeano
VCUI- RS
kg.hl-1
3
2008
75,9
71,5
74,5
4
2009
76,5
73,0
76,0
Média
76,3
73,0
75,6
Tabela 3 – Dados de Peso de Mil Grãos (g) do cultivar TBIO Pioneiro em relação às
testemunhas Safira e Pampeano, na Região de Adaptação 1- RS, em 2008
e 2009
Testemunhas
Região
N°Locais
Ano
TBIO Pioneiro
Safira
Pampeano
-1
VCUI-RS
kg.hl
3
2008
33,1
26,7
37,0
4
2009
29,9
26,2
35,1
Média
31,1
26,3
36,0
CD 123 - CULTIVAR DE TRIGO PRECOCE DE BAIXA ESTATURA E ALTO
POTENCIAL DE RENDIMENTO DE GRÃOS
Francisco de Assis Franco1, Volmir Sergio Marchioro1, Tatiane Dalla Nora1, Edson
Feliciano de Oliveira1, Ivan Schuster1 e Adriel Evangelista1
1
Cooperativa Central de Pesquisa Agrícola (COODETEC), BR 467, km 98, C.P. 301,
CEP 85813-450, Cascavel, PR, Brasil. [email protected].
O trigo é uma das culturas mais importantes para alimentação humana,
aparecendo entre as três culturas maiores produtoras de grãos no mundo. O
melhoramento genético de plantas tem buscado o incremento na produtividade do
trigo, resultado da utilização de cultivares adaptadas e adoção de tecnologias
adequadas à região de cultivo. Os incrementos no rendimento de grãos associado a
mudanças morfológicas nas plantas, principalmente, do número de grãos e índice de
colheita contribuíram para o aumento da produtividade (Sayre et al., 1997).
Trabalhando com intuito de reunir características relevantes foi desenvolvida a cultivar
de trigo CD 123.
A cultivar CD 123 foi obtida do cruzamento entre as cultivares BRS 177 e CD
108, pela COODETEC, em 2000, na localidade de Palotina. As sementes F1 foram
semeadas em novembro no mesmo ano, em casa de vegetação em Cascavel, e na
maturação foram colhidas em massa todas as espigas, que posteriormente foram
trilhadas originando as sementes F2. A condução da população F2 se deu em casa de
vegetação em março de 2001 na localidade de Cascavel, através do método massal.
As gerações F3, F4 e F5 foram conduzidas em Palotina, através do método
genealógico. No ano de 2004 as parcelas que estavam uniformes na geração F6 foram
colhidas em massa, dando origem a várias linhas irmãs. A melhor destas linhas deu
origem a cultivar CD 123. A anotação do pedigree desta linhagem é CC15210
CC15451-0T-5G-5G-1G-0G.
A cultivar CD 123, participou dos Ensaios Preliminares de rendimento de grãos
no ano de 2005, conduzidos em Cascavel e Palotina, tendo revelado desempenho
melhor do que as testemunhas. Em 2006, foi colocada nos ensaios de VCU (Valor de
Cultivo e Uso) em vários locais e épocas de semeadura, em diferentes estados no
Brasil, com o nome experimental de CD 0665, permanecendo nestes ensaios até o
ano de 2009. Os ensaios de VCU foram conduzidos obedecendo às Regiões Tritícolas
(Cunha et al., 2006), na Região Tritícola VCU I foi conduzido em Guarapuava, Castro,
Campos Novos, Não-Me-Toque, Cruz Alta, Lagoa Vermelha e Vacaria. Na Região
Tritícola VCU II conduzido em Cascavel, Abelardo Luz, Santo Augusto, Santa Rosa,
São Luiz Gonzaga e Cachoeira do Sul. Os locais em alguns casos não são comuns
em todos os anos, o número de locais em cada Região durante os anos de
experimentação estão apresentados na tabela 01.
O delineamento experimental utilizado foi o de blocos ao acaso, com 3
repetições em parcelas constituídas de 6 linhas de 5 m de comprimento, espaçadas
em 0,20 m entre linhas, sendo a semeadura efetuada mecanicamente. A adubação e o
controle de doenças e pragas foram efetuados conforme recomendações técnicas
(Embrapa Soja, 2008). Antes da semeadura as sementes foram tratadas com
Triadimenol + Imidacloprid. As variáveis obtidas foram rendimento de grãos, dias da
emergência ao espigamento, dias da emergência a maturação, altura de planta,
acamamento, peso do hectolitro, peso de mil grãos e força geral de glúten. Em locais
estratégicos foram conduzidas coleções dos genótipos que constituíam os ensaios de
VCU, nestas coleções não foi efetuado o controle de doenças da parte aérea, onde
foram observadas, entre outras, doenças como doenças ferrugem da folha, manchas
foliares, oídio, giberela e vírus do mosaico comum do trigo.
Na tabela 2 estão incluídas às médias de rendimento de grãos nas Regiões
Tritícolas VCU I e II sendo verificado que a cultivar CD 123 apresentou um rendimento
de grãos 6% e 4% superior a média das duas melhores testemunhas,
respectivamente. Devido ao bom desempenho da cultivar CD 123, esta foi indicada
para cultivo nas regiões citadas acima, englobando os Estados do Rio Grande do Sul,
Santa Catarina e parte do Paraná e São Paulo (Brasil, 2008).
A estatura de planta da cultivar CD 123 é baixa, variando de 55 a 94 cm, e o
ciclo é precoce, variando de 48 a 83 dias da emergência ao espigamento e de 101 a
144 dias da emergência a maturação. As médias destas características foram de 73
cm, 67 dias e 122 dias, respectivamente, as quais variaram com condições climáticas,
épocas de semeadura e tipo de solo. A CD 123, possui espigas fusiformes, posição
ereta, moderadamente resistente ao acamamento e moderadamente resistente a
germinação na espiga. Os resultados de análise de qualidade industrial, de 9 amostras
da experimentação nos diferentes estados, geraram uma média 237 de força geral de
glúten(W), o que permite incluir no grupo de cultivares de trigo pão (Tabela 03).
Os experimentos conduzidos a campo, no período de 2004 a 2009,
possibilitaram a obtenção de notas de doenças. Nas avaliações de oídio (Blumeria
graminis f.sp. tritici) foi obtida baixa severidade, que correspondeu a classificação de
moderadamente resistente. Para giberela (Fusarium graminearun), foi observada de
média a alta severidade, sendo a cultivar classificada como moderadamente
suscetível. Para helmintosporiose (Bipolares sorokiniana) e septorioses (Septoria tritici
e Stagonospora nodorum), foram encontrados índices de média severidade de
mancha de folha e mancha de gluma, que permitiram classificar a cultivar como
moderadamente suscetível. A severidade nas avaliações de ferrugem da folha
(Puccinia triticina) foi baixa em condições de campo, indicando que a cultivar é
moderadamente resistente. Quanto ao Vírus do Mosaico Comum do Trigo a cultivar foi
classificada como moderadamente resistente (Tabela 03).
A cultivar CD 123 é trigo precoce, com baixa estatura, alto potencial de
rendimento de grãos e boa resistência a ferrugem da folha, sendo uma opção
importante aos triticultores da Região Sul do Brasil, que buscam trigo de qualidade
para panificação.
Referências bibliográficas
BRASIL. Serviço nacional de proteção de cultivares. Brasília: Ministério da
Agricultura. Disponível em http://www.agricultura.gov.br/sarc/dfpv/lst1200.htm. Acesso
em 07 mai. 2010.
CUNHA G.R.; SCHEEREN P.L.; PIRES J.L.F.; MALUF J.R.T.; PASINATO A.;
CAIERÃO E.; SILVA M.S.; DOTTO S.R.; CAMPOS L.A.C.; FELÍCIO J.C.; CASTRO
R.L.; MARCHIORO V.; RIEDE C.R.; ROSA FILHO O.; TONON V.D.; SVOBODA L.H.
Regiões de adaptação para trigo no Brasil. Passo Fundo: Trigo Embrapa, (Circular
Técnica Online, 20), 2006. 35p.
EMBRAPA SOJA. Informações técnicas para a safra 2008: Trigo e Triticale.
Londrina: Embrapa Soja, (Documento, 301), 2008. 147p.
SAYRE, K.D.; RAJARAN, S.; FISCHER, R.A. Yield potential progress in short Bread
wheats in northwest México. Crop Science. v.37, p.36-42, 1997.
Tabela 1. Número de ensaios de Valor de Cultivo e Uso (VCU) conduzidos por estado
com a cultivar CD 123, nas regiões tritícolas VCU I e II, no período de 2006 a 2009 Cascavel/2010
Região VCU I
2006 2007 2008 2009
3
4
4
4
1
1
1
3
4
3
ESTADO
Paraná
Santa Catarina
Rio Grande do Sul
Região VCU II
2006 2007 2008
3
3
3
1
2
1
3
3
2009
3
2
3
Tabela 2. Médias de rendimento de grãos (kg ha-1) da cultivar CD 123 e das duas
melhores testemunhas, nas Regiões Tritícolas VCU I e II, no período de 2006 a 2009 Cascavel/2010
REGIÃO
CULTIVAR
2006
2007
2008
2009
MÉDIA
%
CD 123
4065
3444
4033
3896
3860
106
VCU I
Testemunhas
3734
3372
3889
3585
3645
100
CD 123
3371
3315
3246
3118
3263
104
VCU II
Testemunhas
3215
3132
3160
3030
3134
100
* As duas melhores testemunhas utilizadas na comparação foram ONIX e SAFIRA, nas duas regiões.
Tabela 3. Médias de dias da emergência ao espigamento (ES), dias da emergência a
maturação (MT), altura de planta (AP), acamamento (AC), peso do hectolitro (PH),
massa de mil grãos (MG), força geral de glúten (W), ferrugem da folha (FF), mancha
de folha (MF) e oídio na folha (OF) da cultivar CD 123 e da testemunha ONIX, no
período de 2006 a 2009 - Cascavel/2010
ES
MA
AP
AC
PH
MG
W
FF
MF
OF
Cultivar
CD 123
ONIX
-1
(dias)
(dias)
(cm)
%
(Kg hl )
(g)
67
74
122
127
73
82
4
8
77
77
34
33
-4
(10 Joule) (%)
237
240
6
48
(nota 0-9) (nota 0-9)
3,5
3,5
2,0
1,9
CD 122 - CULTIVAR DE TRIGO PÃO E POTENCIAL DE RENDIMENTO DE GRÃOS
Volmir Sergio Marchioro1, Francisco de Assis Franco1, Tatiane Dalla Nora1, Edson
Feliciano de Oliveira1, Ivan Schuster1 e Elisa Serra Negra Vieira1
1
Cooperativa Central de Pesquisa Agrícola (COODETEC), BR 467, km 98, C.P. 301,
CEP 85813-450, Cascavel, PR, Brasil. [email protected].
O incremento no potencial produtivo do trigo é permanentemente perseguido
pelos programas de melhoramento, mas além do potencial produtivo, o trigo também
deve possuir a qualidade industrial desejada pela indústria moageira, que atenda a
fabricação de pães, massas e biscoitos, devido a necessidades específicas da
indústria alimentícia (Smanhotto et al. 2006). Com o objetivo de disponibilizar
cultivares de qualidade, potencial de rendimento de grãos e tipo de planta está sendo
disponibilizada a CD 122.
A cultivar CD 122 foi obtida do cruzamento entre as cultivares IPR 85 e BRS
229, pela COODETEC, em 1999, na localidade de Palotina. As sementes F1 foram
semeadas em novembro no mesmo ano, em casa de vegetação em Cascavel, e na
maturação foram colhidas em massa todas as espigas, que posteriormente foram
trilhadas originando as sementes F2. A condução da população F2 se deu em casa de
vegetação em março de 2000 na localidade de Cascavel, através do método massal.
As gerações F3, F4 e F5, foram conduzidas em Palotina, através do método
genealógico. No ano de 2003 as parcelas que estavam uniformes na geração F6 foram
colhidas em massa, dando origem a várias linhas irmãs. A melhor destas linhas deu
origem a cultivar CD 122. A anotação do pedigree desta linhagem é CC15210-0T-2P1P-4P-0P.
A cultivar CD 122, participou dos Ensaios Preliminares de rendimento de grãos
em 2004 e 2005, conduzidos em Cascavel e Palotina, tendo revelado desempenho
melhor do que as testemunhas. Em 2006, foi colocada nos ensaios de VCU (Valor de
Cultivo e Uso) em vários locais e épocas de semeadura, em diferentes estados no
Brasil, com o nome experimental de CD 0625, permanecendo nestes ensaios até o
ano de 2009. Os ensaios de VCU foram conduzidos obedecendo às Regiões Tritícolas
(Cunha et al., 2006), na Região Tritícola VCU I foi conduzido em Guarapuava, Castro,
Campos Novos, Não-Me-Toque, Cruz Alta, Lagoa Vermelha e Vacaria. Na Região
Tritícola VCU II conduzido em Cascavel, Abelardo Luz, Santo Augusto, Santa Rosa,
São Luiz Gonzaga e Cachoeira do Sul. Os locais em alguns casos não são comuns
em todos os anos, o número de locais em cada Região durante os anos de
experimentação estão apresentados na tabela 01.
O delineamento experimental utilizado foi o de blocos ao acaso, com 3
repetições, em parcelas constituídas de 6 linhas de 5 m de comprimento, espaçadas
em 0,20 m entre linhas, sendo a semeadura efetuada mecanicamente. A adubação e o
controle de doenças e pragas foram efetuados conforme recomendações técnicas
(Embrapa Soja, 2008). Antes da semeadura as sementes foram tratadas com
Triadimenol + Imidacloprid. As variáveis obtidas foram rendimento de grãos, dias da
emergência ao espigamento, dias da emergência a maturação, altura de planta,
acamamento, peso do hectolitro, peso de mil grãos e força geral de glúten. Em locais
estratégicos foram conduzidas coleções dos genótipos que constituíam os ensaios de
VCU, nestas coleções não foi efetuado o controle de doenças da parte aérea, onde
foram observadas, entre outras, doenças como doenças ferrugem da folha, manchas
foliares, oídio, giberela e vírus do mosaico comum do trigo.
Na tabela 2 estão incluídas às médias de rendimento de grãos nas Regiões
Tritícolas VCU I e II sendo verificado que a cultivar CD 122 apresentou um rendimento
de grãos 3% e 7% superior a média das duas melhores testemunhas,
respectivamente. Devido ao bom desempenho da cultivar CD 122, esta foi indicada
para cultivo nas regiões citadas acima, englobando os Estados do Rio Grande do Sul,
Santa Catarina e parte do Paraná e São Paulo (Brasil, 2008).
A estatura de planta da cultivar CD 123 é baixa, variando de 60 a 95 cm, e o
ciclo é médio, variando de 61 a 87 dias da emergência ao espigamento e de 104 a 146
dias da emergência a maturação. As médias destas características foram de 75 cm, 74
dias e 122 dias, respectivamente, as quais variaram com condições climáticas, épocas
de semeadura e tipo de solo. A CD 122, possui espigas fusiformes, posição pendente,
moderadamente resistente ao acamamento e moderadamente resistente a
moderadamente suscetível a germinação na espiga. Os resultados de análise de
qualidade industrial, de 9 amostras da experimentação nos diferentes estados,
geraram uma média 260 de força geral de glúten(W), o que permite incluir no grupo de
cultivares de trigo pão (Tabela 03).
Os experimentos conduzidos a campo, no período de 2004 a 2009,
possibilitaram a obtenção de notas de doenças. Nas avaliações de oídio (Blumeria
graminis f.sp. tritici) foi obtida baixa severidade, que correspondeu a classificação de
moderadamente resistente. Para giberela (Fusarium graminearun), foi observado de
média a alta severidade, sendo a cultivar classificada como moderadamente
suscetível. Para helmintosporiose (Bipolares sorokiniana) e septorioses (Septoria tritici
e Stagonospora nodorum), foram encontrados índices de média severidade de
mancha de folha e mancha de gluma, que permitiram classificar a cultivar como
moderadamente suscetível. A severidade nas avaliações de ferrugem da folha
(Puccinia triticina) foi baixa em condições de campo, indicando que a cultivar é
moderadamente resistente. Quanto ao Vírus do Mosaico Comum do Trigo a cultivar foi
classificada como moderadamente suscetível (Tabela 03).
A cultivar CD 122 tem alto potencial de rendimento de grãos e boa resistência a
ferrugem da folha, sendo uma opção importante aos triticultores da Região Sul do
Brasil que buscam trigo de qualidade para panificação.
Referências bibliográficas
BRASIL. Serviço nacional de proteção de cultivares. Brasília: Ministério da
Agricultura. Disponível em http://www.agricultura.gov.br/sarc/dfpv/lst1200.htm. Acesso
em 07 mai. 2010.
CUNHA G.R.; SCHEEREN P.L.; PIRES J.L.F.; MALUF J.R.T.; PASINATO A.;
CAIERÃO E.; SILVA M.S.; DOTTO S.R.; CAMPOS L.A.C.; FELÍCIO J.C.; CASTRO
R.L.; MARCHIORO V.; RIEDE C.R.; ROSA FILHO O.; TONON V.D.; SVOBODA L.H.
Regiões de adaptação para trigo no Brasil. Passo Fundo: Trigo Embrapa, (Circular
Técnica Online, 20), 2006. 35p.
EMBRAPA SOJA. Informações técnicas para a safra 2008: Trigo e Triticale.
Londrina: Embrapa Soja, (Documento, 301), 2008. 147p.
SMANHOTTO, A.; NÓBREGA, L. H. P.; OPAZO, M. A. U.; PRIOR, M. Características
físicas e fisiológicas na qualidade industrial de cultivares e linhagens de trigo e triticale.
Revista brasileira engenharia agrícola ambiental, Campina Grande, PB, v.10, n.4,
p.867-872, 2006.
Tabela 1. Número de ensaios de Valor de Cultivo e Uso (VCU) conduzidos por estado
com a cultivar CD 122, nas regiões tritícolas VCU I e II, no período de 2006 a 2009 Cascavel/2010
Região VCU I
2006 2007 2008 2009
3
4
4
4
1
1
1
3
4
3
ESTADO
Paraná
Santa Catarina
Rio Grande do Sul
Região VCU II
2006 2007 2008
3
3
3
1
2
1
3
3
2009
3
2
3
Tabela 2. Médias de rendimento de grãos (kg ha-1) da cultivar CD 122 e das duas
melhores testemunhas, nas Regiões Tritícolas VCU I e II, no período de 2006 a 2009 Cascavel/2010
REGIÃO
CULTIVAR
2006
2007
2008
2009
MÉDIA
%
CD 122
3824
3608
3956
3674
3766
103
VCU I
Testemunhas
3734
3372
3889
3585
3645
100
CD 122
3379
3488
3238
3151
3314
106
VCU II
Testemunhas
3215
3132
3160
3030
3134
100
* As duas melhores testemunhas utilizadas na comparação foram ONIX e SAFIRA, nas duas regiões.
Tabela 3. Médias de dias da emergência ao espigamento (ES), dias da emergência a
maturação (MT), altura de planta (AP), acamamento (AC), peso do hectolitro (PH),
massa de mil grãos (MG), força geral de glúten (W), ferrugem da folha (FF), mancha
de folha (MF) e oídio na folha (OF) da cultivar CD 122 e da testemunha ONIX, no
período de 2006 a 2009 - Cascavel/2010
ES
MA
AP
AC
PH
MG
W
FF
MF
OF
Cultivar
CD 122
ONIX
-1
(dias)
(dias)
(cm)
%
(Kg hl )
(g)
74
74
122
127
75
82
12
8
77
77
35
33
-4
(10 Joule) (%)
260
240
9
48
(nota 0-9) (nota 0-9)
2,6
3,5
1,6
1,9
CD 121 - CULTIVAR DE TRIGO DE ALTO POTENCIAL PRODUTIVO E BOM TIPO
AGRONÔMICO
Francisco de Assis Franco1, Volmir Sergio Marchioro1, Tatiane Dalla Nora1, Edson
Feliciano de Oliveira1, Ivan Schuster1 Ademar Alves Sobrinho1 e Fábio Junior
Alcantara de Lima1
1
Cooperativa Central de Pesquisa Agrícola (COODETEC), BR 467, km 98, C.P. 301,
CEP 85813-450, Cascavel, PR, Brasil. [email protected].
A pesquisa para a cultura do trigo no Brasil tem buscado oferecer cultivares de
trigo que apresentem características agronômicas para atender as diferentes
demandas, como o potencial de produtividade, qualidade industrial, resistência às
doenças dentre outras. O desenvolvimento de novas cultivares que satisfaçam as
exigências de maior potencial genético para produtividade é a principal meta de todo
programa de melhoramento (Carvalho et al., 2008). Por outro lado, o cultivo do trigo
vem ganhando a cada dia maior importância frente aos países produtores e
exportadores, importância essa, fundamentada em ganhos de produtividade e
rentabilidade, mas também na melhoria da qualidade tecnológica dos grãos. Neste
sentido foi desenvolvida a cultivar de trigo CD 121.
A cultivar CD 121 foi obtida do cruzamento entre a linhagem ORL 95688 e a
cultivar CD 116, pela COODETEC, em 2000, na localidade de Palotina. As sementes
F1 foram semeadas em novembro no mesmo ano de 2000, em casa de vegetação em
Cascavel, e na maturação foram colhidas em massa todas as espigas, que
posteriormente foram trilhadas originando as sementes F2. A condução da população
F2 foi em casa de vegetação em março de 2001, na localidade de Cascavel, através
do método massal. As gerações F3, F4 e F5, foram conduzidas em Guarapuava,
através do método genealógico. No ano de 2004 as parcelas que estavam uniformes
na geração F6 foram colhidas em massa, dando origem a várias linhas irmãs. A melhor
destas linhas deu origem a cultivar CD 121. A anotação do pedigree desta linhagem é
CC15710-0T-8G-3G-2G-0G.
A cultivar CD 121, participou dos Ensaios Preliminares de rendimento de grãos
em 2005, conduzidos em Cascavel e Palotina, tendo revelado desempenho melhor do
que as testemunhas. Em 2006, foi colocada nos ensaios de VCU (Valor de Cultivo e
Uso) em vários locais e épocas de semeadura, em diferentes estados no Brasil, com o
nome experimental de CD 0684, permanecendo nestes ensaios até o ano de 2009. Os
ensaios de VCU foram conduzidos obedecendo às Regiões Tritícolas (Cunha et al.,
2006), na Região Tritícola VCU I foi conduzido em Guarapuava, Castro, Campos
Novos, Não-Me-Toque, Cruz Alta, Lagoa Vermelha e Vacaria. Na Região Tritícola
VCU II conduzido em Cascavel, Abelardo Luz, Santo Augusto, Santa Rosa, São Luiz
Gonzaga e Cachoeira do Sul. Os locais em alguns casos não são comuns em todos os
anos, o número de locais em cada Região durante os anos de experimentação estão
apresentados na tabela 01.
O delineamento experimental utilizado foi o de blocos ao acaso, com 3
repetições em parcelas constituídas de 6 linhas de 5 m de comprimento, espaçadas
em 0,20 m entre linhas, sendo a semeadura efetuada mecanicamente. A adubação e o
controle de doenças e pragas foram efetuados conforme recomendações técnicas
(Embrapa Soja, 2008). Antes da semeadura as sementes foram tratadas com
Triadimenol + Imidacloprid. As variáveis obtidas foram rendimento de grãos, dias da
emergência ao espigamento, dias da emergência a maturação, altura de planta,
acamamento, peso do hectolitro, peso de mil grãos e força geral de glúten. Em locais
estratégicos foram conduzidas coleções dos genótipos que constituíam os ensaios de
VCU, nestas coleções não foi efetuado o controle de doenças da parte aérea, onde
foram observadas, entre outras, doenças como ferrugem da folha, manchas foliares,
oídio, giberela e vírus do mosaico comum do trigo.
Na tabela 2 estão incluídas às médias de rendimento de grãos nas Regiões
Tritícolas VCU I e II sendo verificado que a cultivar CD 121 apresentou um rendimento
de grãos 7% superior a média das duas melhores testemunhas, em ambas as regiões.
Devido ao bom desempenho da cultivar CD 121, esta foi indicada para cultivo nas
regiões citadas acima, englobando os Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e
parte do Paraná e São Paulo (Brasil, 2008).
A estatura de planta da cultivar CD 121 é baixa, variando de 54 a 88 cm, e o
ciclo é médio, variando de 61 a 85 dias da emergência ao espigamento e de 106 a 147
dias da emergência a maturação. As médias destas características foram de 75 cm, 75
dias e 126 dias, respectivamente, as quais variaram com condições climáticas, épocas
de semeadura e tipo de solo. A CD 121, possui espigas fusiformes, posição
intermediária, moderadamente resistente ao acamamento e moderadamente
suscetível a germinação na espiga. Os resultados de análise de qualidade industrial de
9 amostras da experimentação, nos diferentes estados, geraram uma média de 162 de
força geral de glúten (W), o que permite incluir no grupo de cultivares de trigo brando
(Tabela 03).
Os experimentos conduzidos a campo, no período de 2005 a 2009,
possibilitaram a obtenção de notas de doenças. Nas avaliações de oídio (Blumeria
graminis f.sp. tritici) foi obtida baixa severidade, que correspondeu a classificação de
moderadamente resistente. Para giberela (Fusarium graminearun), foi observado de
média a alta severidade, sendo a cultivar classificada como moderadamente
suscetível. Para helmintosporiose (Bipolares sorokiniana) e septorioses (Septoria tritici
e Stagonospora nodorum), foram encontrados índices de média severidade de
mancha de folha e mancha de gluma, que permitiram classificar a cultivar como
moderadamente suscetível. A severidade nas avaliações de ferrugem da folha
(Puccinia triticina) foi baixa em condições de campo, indicando que a cultivar é
moderadamente resistente. Quanto ao Vírus do Mosaico Comum do Trigo a cultivar foi
classificada como moderadamente resistente (Tabela 03).
A cultivar CD 121 tem qualidade de trigo brando, alto potencial de rendimento
de grãos, boa resistência a ferrugem da folha e ao acamamento, com bom tipo
agronômico, sendo mais uma opção importante aos triticultores da Região Sul do
Brasil.
Referências bibliográficas
BRASIL. Serviço nacional de proteção de cultivares. Brasília: Ministério da
Agricultura. Disponível em http://www.agricultura.gov.br/sarc/dfpv/lst1200.htm. Acesso
em 07 mai. 2010.
CARVALHO, F.I.F.; LORENCETTI, C.; MARCHIORO, V.S.; SILVA, S.A. Condução de
populações no melhoramento genético de plantas. Pelotas: Editora Universitária,
2008. 288p.
CUNHA G.R.; SCHEEREN P.L.; PIRES J.L.F.; MALUF J.R.T.; PASINATO A.;
CAIERÃO E.; SILVA M.S.; DOTTO S.R.; CAMPOS L.A.C.; FELÍCIO J.C.; CASTRO
R.L.; MARCHIORO V.; RIEDE C.R.; ROSA FILHO O.; TONON V.D.; SVOBODA L.H.
Regiões de adaptação para trigo no Brasil. Passo Fundo: Trigo Embrapa, (Circular
Técnica Online, 20), 2006. 35p.
EMBRAPA SOJA. Informações técnicas para a safra 2008: Trigo e Triticale.
Londrina: Embrapa Soja, (Documento, 301), 2008. 147p.
Tabela 1. Número de ensaios de Valor de Cultivo e Uso (VCU) conduzidos por estado
com a cultivar CD 121, nas regiões tritícolas VCU I e II, no período de 2006 a 2009 Cascavel/2010
ESTADO
Paraná
Santa Catarina
Rio Grande do Sul
2006
3
-
Região VCU I
2007 2008 2009
4
4
4
1
1
1
3
4
3
2006
3
1
Região VCU II
2007 2008
3
3
1
2
3
3
2009
3
2
3
Tabela 2. Médias de rendimento de grãos (kg ha-1) da cultivar CD 121 e das duas
melhores testemunhas, nas Regiões Tritícolas VCU I e II, no período de 2006 a 2009 Cascavel/2010
REGIÃO
CULTIVAR
2006
2007
2008
2009
MÉDIA
%
CD 121
4228
3493
4151
3738
3903
107
VCU I
Testemunhas
3734
3372
3889
3585
3645
100
CD 121
3334
3312
3451
3266
3341
107
VCU II
Testemunhas
3215
3132
3160
3030
3134
100
* As duas melhores testemunhas utilizadas na comparação foram ONIX e SAFIRA, nas duas regiões.
Tabela 3. Médias de dias da emergência ao espigamento (ES), dias da emergência a
maturação (MT), altura de planta (AP), acamamento (AC), peso do hectolitro (PH),
massa de mil grãos (MG), força geral de glúten (W), ferrugem da folha (FF), mancha
de folha (MF) e oídio na folha (OF) da cultivar CD 121 e da testemunha ONIX, no
período de 2006 a 2009 - Cascavel/2010
ES
MA
AP
AC
PH
MG
W
FF
MF
OF
Cultivar
CD 121
ONIX
(dias)
(dias)
(cm)
%
(Kg hl )
-1
(g)
(10 Joule)
-4
(%)
75
74
126
127
75
82
6
8
77
77
35
33
162
240
5
48
(nota 0-9) (nota 0-9)
2,8
3,5
1,1
1,9
ENSAIO DE ÉPOCAS DE SEMEADURA EM TRIGO 2009, FAPA, GUARAPUAVA,
PR 2010
Juliano Luiz de Almeida1 e Marcos Luiz Fostim1.
(1) Fundação Agrária de Pesquisa Agropecuária – FAPA, Entre Rios, Guarapuava,
PR. 85.139-400 E-mail: [email protected].
O emprego de diferentes épocas de semeadura, dentro do período
recomendado, tem sido uma estratégia indicada aos agricultores da região centro sul
do Estado do Paraná com a finalidade de se obter maior estabilidade no rendimento
de grãos, principalmente devido à grande variabilidade climática que ocorre entre
anos. O objetivo deste ensaio foi estudar o comportamento de diferentes genótipos
promissores de trigo, semeados em diferentes datas, antecipadamente e no período
de semeadura preferencial para o município de Guarapuava, PR.
O ensaio foi conduzido em área experimental da Fundação Agrária de
Pesquisa Agropecuária - FAPA, em solo classificado como latossolo bruno alumínico
típico. O delineamento experimental utilizado foi o de blocos ao acaso, com quatro
repetições em esquema de parcela subdividida, onde nas parcelas principais instalouse época de semeadura e as cultivares nas subparcelas. As datas de semeadura
foram as seguintes: 1ª época 03/06/2009; 2ª época 17/06/2009; 3ª época 30/06/2009;
4ª época 14/07/2009, em sistema de plantio direto. As cultivares/linhagens utilizadas
neste experimento foram BRS UMBÚ, PF 010066, BRS GUABIJÚ, BRS GUAMIRIM,
BRS TANGARÁ, BRS PARDELA, PF 040310, CD 105, CD 115, CD 119, CD 120, CD
0684, SAFIRA, QUARTZO, CAMPEIRO e FUNDACEP 52. Utilizou-se semeadeira de
parcelas SEMEATO com seis linhas de 5 m, espaçadas 0,17 m entre si. A adubação
de base utilizada foi 250 kg/ha da fórmula 8 30 20 e em cobertura utilizou-se 45 kg ha-1
de N. Foi realizado o controle de doenças durante o desenvolvimento do experimento,
em um total de cinco pulverizações em todas as épocas.
O rendimento médio de grãos dos genótipos participantes deste ensaio está na
tabela 1. Considerando-se a média das quatro épocas de semeadura as cultivares
QUARTZO (6046 kg ha-1), FUNDACEP 52 (6018 kg ha-1), CAMPEIRO (6005 kg ha-1),
CD 0684 (5963 kg ha-1), PF 040310 (5877 kg ha-1), SAFIRA (5808 kg ha-1) e BRS
TANGARÁ (5791 kg ha-1) estavam no grupo estatístico superior. Na média de todos os
genótipos ocorreram diferenças entre as diferentes épocas para rendimento de grãos.
A terceira época apresentou o maior rendimento médio com 6052 kg ha-1 na média do
todos os genótipos. As médias de peso do hectolitro são apresentadas na tabela 2. Na
média das quatro épocas, a linhagem CD 0684 apresentou o maior peso do hectolitro
(81,7 kg hl-1) em números absolutos. Na média de todos os genótipos ocorreram
diferenças entre as diferentes épocas para peso do hectolitro. Na tabela 3 encontramse os resultados referentes ao número de dias para espigamento e maturação. Na
média das diferentes épocas, linhagem PF 010066 foi a mais tardia para o
espigamento (95 dias) e a cultivar BRS GUAMIRIM foi o mais precoce (73 dias). Podese observar que ocorreu diminuição no ciclo, da emergência ao espigamento, na
média dos genótipos, à medida que a época de semeadura foi atrasada. Também para
o número de dias maturação, foi constatado que ocorreu diminuição no ciclo na média
dos genótipos, à medida que a época de semeadura foi atrasada.
Os resultados deste experimento validam o período de semeadura preferencial
de trigo para o município de Guarapuava, que abrange o período de 11 de junho a 20
de julho. Ficou evidenciada que a estratégia de escalonamento da época de
semeadura, em uma mesma propriedade ou mesma região, dentro do período
indicado, é importante para diluir os riscos de perdas e consequentemente obter maior
estabilidade de rendimento de grãos e de outras variáveis qualitativas.
Tabela 1. Rendimento médio de grãos do Ensaio de Épocas de Semeadura em trigo
2009. FAPA, Guarapuava, PR, 2010.
-1
Rendimento (kg ha )
Genótipo
QUARTZO
FUND. 52
CAMPEIRO
CD 0684
PF 040310
SAFIRA
BRS TANGARÁ
BRS PARDELA
PF 010066
CD 120
BRS GUAMIRIM
CD 105
CD 115
BRS UMBÚ
CD 119
BRS GUABIJÚ
Média
C.V. (%)
1ªÉpoca
2ªÉpoca
3ªÉpoca
4ªÉpoca
5886
5420
5472
5331
5194
5311
5379
4871
5718
4952
4515
4644
4735
4726
4379
4552
C 5068
4,6
6001
5923
6099
6212
6191
5915
5876
5532
6013
5471
5576
5503
5575
5391
5198
4850
B 5708
4,0
6459
6435
6105
6406
6179
6352
6550
6051
5410
5981
6025
5885
6106
5467
5987
5435
A 6052
5,1
5840
6295
6346
5905
5942
5656
5361
5947
5009
5482
5585
5261
4873
5482
5341
4801
B 5570
4,6
Média
6046 a †
6018 a
6005 a
5963 a
5877 ab
5808 abc
5791 abc
5600 bcd
5537 cde
5472 de
5426 de
5323 de
5322 de
5266 e
5226 ef
4909 f
5599
4,6
† Médias seguidas da mesma letra minúscula (coluna) e maiúscula (linha) não diferem entre si pelo teste
de Tukey ao nível de 5 % de probabilidade.
Tabela 2. Peso do hectolitro médio de grãos do Ensaio de Épocas de Semeadura em
trigo, 2009. FAPA, Guarapuava, PR, 2010.
-1
Peso do Hectolitro (kg hl )
Genótipo
CD 0684
FUND. 52
CD 119
BRS GUABIJÚ
CAMPEIRO
BRS PARDELA
CD 120
SAFIRA
BRS GUAMIRIM
QUARTZO
BRS TANGARÁ
CD 115
BRS UMBÚ
PF 040310
CD 105
PF 010066
Média
C.V. (%)
1ªÉpoca
2ªÉpoca
3ªÉpoca
4ªÉpoca
82,1
82,3
82,1
81,4
81,9
80,6
80,7
82,8
78,6
80,3
80,1
79,9
80,5
77,3
75,4
76,8
A 80,2
1,1
83,4
82,3
82,2
82,0
82,0
81,3
81,3
79,0
81,8
76,8
78,7
77,7
78,2
78,9
76,1
74,3
AB 79,7
1,2
81,2
81,5
79,4
80,3
80,1
80,8
78,8
80,5
79,8
80,7
78,2
78,0
77,8
75,6
77,3
72,5
B 78,9
0,8
80,2
79,0
81,0
80,4
79,9
78,7
80,5
77,1
78,2
76,5
76,1
76,4
75,0
77,0
76,1
69,3
C 77,7
1,9
Média
81,7 a
81,2 ab
81,2 abc
81,0 abcd
81,0 abcd
80,3 bcde
80,3 cde
79,8 de
79,6 ef
78,6 fg
78,3 gh
78,0 gh
77,9 gh
77,2 hi
76,2 i
73,2 j
79,1
1,3
† Médias seguidas da mesma letra minúscula (coluna) e maiúscula (linha) não diferem entre si pelo teste
de Tukey ao nível de 5 % de probabilidade.
Tabela 3. Dias para espigamento do Ensaio de Épocas de Semeadura em trigo, 2009,
FAPA. Guarapuava, PR, 2010.
Genótipo
PF 010066
BRS UMBÚ
SAFIRA
QUARTZO
CD 115
CD 119
BRS TANGARÁ
CD 120
PF 040310
CAMPEIRO
FUND. 52
BRS GUABIJÚ
CD 105
CD 0684
BRS PARDELA
BRS GUAMIRIM
Média
C.V. (%)
1ªÉpoca
99
95
92
89
85
86
85
84
84
82
82
83
81
80
79
80
A 85,3
1,0
Dias para Espigamento
2ªÉpoca
3ªÉpoca
4ªÉpoca
94
95
91
91
88
85
88
85
76
85
84
77
83
79
75
83
79
73
83
78
73
83
78
73
81
78
73
83
79
71
81
76
72
79
75
71
79
74
73
80
75
70
77
72
68
77
71
65
B 82,8
C 79,0
D 74,0
1,2
1,2
2,1
Média
95 a
90 b
85 c
84 d
80 e
80 e
80 ef
79 ef
79 ef
79 fg
78 gh
77 hi
77 hi
76 i
74 j
73 j
80,3
1,4
† Médias seguidas da mesma letra minúscula (coluna) e maiúscula (linha) não diferem entre si pelo teste
de Tukey ao nível de 5 % de probabilidade.
Tabela 4. Dias para maturação do Ensaio de Épocas de Semeadura em trigo, 2009,
FAPA. Guarapuava, PR, 2010.
Genótipo
PF 010066
BRS UMBÚ
SAFIRA
QUARTZO
CD 115
CD 119
BRS TANGARÁ
CD 120
PF 040310
CAMPEIRO
FUND. 52
BRS GUABIJÚ
CD 105
CD 0684
BRS PARDELA
BRS GUAMIRIM
Média
C.V. (%)
1ªÉpoca
148
143
143
143
141
141
141
139
139
139
139
139
138
136
138
138
A 140,2
1,1
Dias para Maturação
2ªÉpoca
3ªÉpoca
4ªÉpoca
147
141
133
145
138
131
139
132
120
139
134
127
138
132
124
136
132
120
137
132
121
135
131
119
134
131
119
135
131
118
135
130
118
136
132
120
136
131
119
133
127
117
134
129
117
132
128
117
B 136,7
C 131,9
D 121,2
0,7
0,5
0,7
Média
142 a
139 e
134 d
135 c
134 d
132 ef
133 de
131 fgh
131 gh
131 gh
130 gh
131 efg
131 fg
128 i
130 hi
129 i
132,5
0,8
† Médias seguidas da mesma letra minúscula (coluna) e maiúscula (linha) não diferem entre si pelo teste
de Tukey ao nível de 5 % de probabilidade.
Tabela 5. Peso de mil sementes do Ensaio de Épocas de Semeadura em Trigo, 2009.
FAPA, Guarapuava, PR, 2010.
Genótipo
BRS TANGARÁ
CD 105
BRS GUAMIRIM
CD 0684
PF 040310
BRS PARDELA
QUARTZO
CD 119
BRS GUABIJÚ
FUND. 52
CD 115
SAFIRA
CAMPEIRO
CD 120
BRS UMBÚ
PF 010066
Média
C.V. (%)
1ªÉpoca
41,1
37,0
38,6
37,5
36,5
35,7
35,9
37,1
34,2
35,0
34,6
34,3
32,9
32,1
33,4
32,8
B 35,5
3,5
2ªÉpoca
47,0
43,1
40,6
40,5
41,1
38,8
38,1
37,7
37,5
36,4
35,8
34,8
35,1
35,9
33,5
33,0
A 38,1
3,4
PMS (g)
3ªÉpoca
43,3
38,8
38,7
37,5
38,0
36,8
36,0
34,7
35,0
34,6
33,6
33,5
32,9
32,8
31,6
29,9
B 35,5
2,0
4ªÉpoca
42,4
36,0
35,7
36,2
35,2
35,2
35,6
32,9
32,7
33,0
32,4
33,3
33,6
32,3
29,4
25,9
C 33,9
3,7
Média
43,4 a
38,7 b
38,4 b
37,9 bc
37,7 bcd
36,6 cde
36,4 de
35,6 ef
34,9 fg
34,7 fg
34,1 gh
34,0 gh
33,6 gh
33,3 hi
32,0 i
30,4 j
35,7
3,2
† Médias seguidas da mesma letra minúscula (coluna), não diferem entre si pelo teste de Tukey ao nível
de 5 % de probabilidade.
Tabela 6. Altura de plantas do Ensaio de Épocas de Semeadura em Trigo, 2009.
FAPA, Guarapuava, PR, 2010.
Genótipo
BRS TANGARÁ
CD 105
BRS GUAMIRIM
CD 0684
PF 040310
BRS PARDELA
QUARTZO
CD 119
BRS GUABIJÚ
FUND. 52
CD 115
SAFIRA
CAMPEIRO
CD 120
BRS UMBÚ
PF 010066
Média
C.V. (%)
1ªÉpoca
93
90
87
84
85
89
97
95
91
87
92
92
92
93
95
96
AB 91,1
3,4
2ªÉpoca
96
91
84
82
87
89
101
99
95
87
98
96
92
95
97
98
A 93,0
3,1
Altura (cm)
3ªÉpoca
89
89
81
74
84
86
96
96
92
83
87
93
87
91
96
95
B 88,6
2,5
4ªÉpoca
93
91
80
79
89
87
98
96
95
85
93
92
90
94
93
96
AB 90,6
3,5
Média
93 bcd
90 de
83 gh
80 h
86 fg
88 ef
98 a
96 ab
93 bcd
86 fg
93 cd
93 bcd
90 de
93 bcd
95 abc
96 ab
90,8
3,2
† Médias seguidas da mesma letra minúscula (coluna) e maiúscula (linha) não diferem entre si pelo teste
de Tukey ao nível de 5 % de probabilidade.
Tabela 7. Notas de acamamento do Ensaio de Épocas de Semeadura em trigo, 2009.
FAPA. Guarapuava, PR, 2010.
Genótipo
PF 010066
SAFIRA
BRS UMBÚ
CD 115
CD 120
BRS TANGARÁ
CD 119
CD 105
FUND. 52
CAMPEIRO
BRS GUABIJÚ
QUARTZO
BRS PARDELA
BRS GUAMIRIM
PF 040310
CD 0684
Média
C.V. (%)
1ªÉpoca
4
6
3
4
5
2
4
3
3
4
2
1
2
1
1
1
AB 2,7
44,4
Acamamento
2ªÉpoca
3ªÉpoca
5
7
6
6
3
5
2
3
1
4
1
4
1
3
1
2
2
2
1
4
1
2
1
1
1
2
1
1
0
1
0
0
B 1,7
A 2,8
56,5
31,5
4ªÉpoca
6
3
7
5
2
4
2
4
3
1
1
2
1
2
0
0
AB 2,7
52,2
Média
6a
5a
4 ab
3 bc
3 bcd
3 cd
3 cde
3 cde
2 cde
2 cde
2 def
1 efg
1 efg
1 efg
0 fg
0g
2,5
45,7
† Médias seguidas da mesma letra minúscula (coluna) não diferem entre si pelo teste de Tukey ao nível
de 5 % de probabilidade.
Tabela 8. Notas de quebramento do Ensaio de Épocas de Semeadura em trigo, 2009.
FAPA. Guarapuava, PR, 2010.
Genótipo
PF 010066
SAFIRA
BRS UMBÚ
CD 115
CD 120
BRS TANGARÁ
CD 119
CD 105
FUND. 52
CAMPEIRO
BRS GUABIJÚ
QUARTZO
BRS PARDELA
BRS GUAMIRIM
PF 040310
CD 0684
Média
C.V. (%)
1ªÉpoca
1
1
0
1
1
1
1
0
1
1
1
1
0
0
0
0
A 0,5
93,7
Quebramento
2ªÉpoca
3ªÉpoca 4ªÉpoca
0
0
0
1
1
1
0
0
0
1
1
0
0
0
0
1
1
0
0
0
0
1
0
1
1
2
1
0
0
0
0
0
0
0
0
0
1
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
A 0,4
B 0,2
B 0,2
144,0
192,7
260,2
Média
0d
1 ab
0d
1 abc
0 cd
0 bcd
0d
0 bcd
1a
0d
0d
0d
0d
0d
0d
0d
0,3
147,4
† Médias seguidas da mesma letra minúscula (coluna) e maiúscula (linha) não diferem entre si pelo teste
de Tukey ao nível de 5 % de probabilidade.
ENSAIO DE CULTIVARES DE TRIGO PARA REGIÃO CENTRO SUL DO PARANÁ
2009
Juliano Luiz de Almeida1 e Marcos Luiz Fostim1.
(1)
Fundação Agrária de Pesquisa Agropecuária – FAPA, Entre Rios, Guarapuava, PR.
85.139-400 E-mail: [email protected].
O objetivo principal deste ensaio foi avaliar o rendimento de grãos e outras
características agronômicas de cultivares de trigo indicadas para a região centro sul do
Estado do Paraná.
Os locais de condução, as pré-culturas, as datas de semeaduras, as
adubações de base e de cobertura do Ensaio Cultivares de Trigo para Região Centro
Sul do Paraná estão na tabela 1. O delineamento experimental utilizado foi de blocos
ao acaso com quatro repetições. Nos três locais utilizou-se semeadura de parcelas
SEMEATO, com seis linhas de cinco m, espaçadas 0,17 m entre si. Foram realizadas
quatro aplicações de fungicida nos locais Pinhão e Candói e cinco aplicações no local
Guarapuava, em três repetições, utilizando uma vazão de 200 l ha-1. Para a obtenção
de rendimento foram colhidas as seis linhas, das três repetições com fungicida.
O rendimento médio de grãos está na tabela 2. Um grande número de
cultivares está no grupo estatístico superior para rendimento de grãos nas repetições
com fungicida. Entretanto, em números absolutos, os destaques são para FUNDACEP
52 (6135 kg ha-1), PF 040310 (6015 kg ha-1), CAMPEIRO (5990 kg ha-1), MIRANTE
(5939 kg ha-1), VAQUEANO (5921 kg ha-1), QUARTZO (5865 kg ha-1) e CD 0684
(5684 kg ha-1). Ainda na tabela 2 é interessante observar a coluna com o rendimento
médio de grãos sem fungicida. Quanto menor a diferença de rendimento entre as
médias com e sem fungicida, menor a resposta da aplicação do produto,
provavelmente devido a uma maior resistência das cultivares ás doenças. Na tabela 3
estão as médias de número de dias da emergência ao espigamento e na tabela 4
estão as médias de número de dias da emergência á maturação das repetições com
fungicida. Na média de todos os locais, a diferença entre a cultivar mais tardia com a
mais precoce foi de 27 dias para espigamento e 17 dias para a maturação, reforçando
a importância da adequação de épocas de semeadura por cultivar e dos estudos de
época de semeadura. Na tabela 5 são apresentadas as reações à ferrugem da folha
dos genótipos participantes neste ensaio.
As principais cultivares utilizadas atualmente na região centro sul do Estado do
Paraná mostraram potencial semelhante, em relação às novas cultivares indicadas
para cultivo.
Tabela 1. Locais de condução, pré-cultura, data de semeadura, adubação de base e
adubação de cobertura do Ensaio Cultivares de Trigo para Região Centro Sul do
Paraná 2009. FAPA, Guarapuava, PR 2010.
Local
Pré-cultura
Data
de
Adubação base
semeadura
Adubação cobertura
Guarapuava FAPA
Soja
13/07/09
250 kg ha 08-30-20
-1
45 kg de N ha
Pinhão
Faz. Fundo Grande
08/07/09
-1
Soja
300 kg ha 08-30-20
45 kg de N ha
Milho
08/07/09
300 kg ha 08-30-20
-1
45 kg de N ha
Murakami
Faz. Santa Rita
-1
-1
-1
Tabela 2. Rendimento médio de grãos do Ensaio Cultivares de Trigo para Região
Centro Sul do Paraná 2009. FAPA, Guarapuava, PR 2010.
Cultivar
FUND 52
PF 040310
CAMPEIRO
MIRANTE
VAQUEANO
QUARTZO
CD 0684
MARFIM
BRS GUAMIRIM
ÔNIX
BRS 179
SAFIRA
BRS PARDELA
FUND 51
BRS LOURO
FUND 47
CD 114
CD 105
CD 120
FUND CRISTALINO
FUND 40
CD 115
BRS 220
FUND 50
BRS TANGARÁ
VALENTE
CD 119
IPR 144
BRS 276
BRS 208
BRS GUABIJÚ
CD 104
IPR 118
BRS 296
BRS UMBÚ
PF 010066
Média
C.V. (%)
Guarapuava
Colônias
Guarapuava
Murakami
Pinhão
Média SF †
Média CF ‡
3921
3837
4142
3427
4634
4207
3900
3903
3854
2547
4235
4421
3517
3952
3651
3465
3256
2598
3240
4221
4172
3412
2566
3692
3847
3204
3498
2656
3253
3219
3539
1548
3139
3131
3480
3116
3498
6135 a §
6015 ab
5990 ab
5939 abc
5921 abcd
5865 abcde
5684 abcdef
5624 bcdefg
5606 bcdefg
5567 bcdefgh
5557 bcdefgh
5539 bcdefghi
5536 bcdefghi
5501 cdefghi
5493 cdefghij
5489 cdefghij
5452 defghij
5441 defghij
5434 efghij
5423 efghij
5386 efghij
5329 fghijk
5321 fghijk
5294 fghijk
5285 fghijk
5282 fghijk
5271 fghijk
5151 ghijk
5093 hijk
5074 ijkl
5021 jkl
5019 jkl
4881 kl
4609 lm
4395 m
3734 n
4641
6,8
-1
6405
6366
6546
6294
6293
6186
6354
6092
5979
6295
5333
5821
5881
5424
5815
5529
5552
5932
6236
5583
5471
5400
5665
5453
5578
6266
5243
6109
5037
5223
5248
5896
4598
5014
5258
5068
A 5734
4,9
6545
6291
5962
6156
6011
5850
6047
5659
5794
5737
6054
5624
5442
5836
5445
5559
5918
5384
5606
5563
5848
5639
5337
5612
5343
5216
5461
5225
5307
5137
5305
4944
5077
4790
4414
3666
A 5522
3,9
Kg ha
5454
5387
5463
5367
5458
5560
4649
5121
5045
4668
5282
5172
5283
5242
5220
5377
4886
5008
4459
5122
4838
4947
4960
4816
4933
4364
5109
4120
4934
4863
4508
4216
4969
4022
3513
2469
B 4856
5,9
† Rendimento médio das repetições sem fungicida nos três locais. ‡ Médias de três repetições com
fungicida dos três locais. § Médias seguidas pelas mesmas letras não diferem entre si pelo teste de Tukey
ao nível de 5 % de probabilidade.
Tabela 3. Dias de emergência ao espigamento do Ensaio Cultivares de Trigo para
Região Centro Sul do Paraná 2009. FAPA, Guarapuava, PR 2010.
Cultivar
PF 010066
BRS UMBÚ
BRS 296
SAFIRA
FUND 50
FUND 51
BRS 276
FUND 47
QUARTZO
ÔNIX
BRS 179
PF 040310
CAMPEIRO
CD 115
FUND CRISTALINO
FUND 40
VAQUEANO
BRS TANGARÁ
BRS LOURO
MIRANTE
CD 119
BRS GUABIJÚ
MARFIM
BRS 220
FUND 52
CD 120
BRS 208
IPR 118
CD 104
CD 0684
CD 105
CD 114
IPR 144
VALENTE
BRS PARDELA
BRS GUAMIRIM
Média
C.V. (%)
Guarapuava
Colônias
91
87
77
77
78
77
76
75
76
75
74
71
70
73
73
72
72
72
73
74
72
70
72
70
70
72
71
71
69
69
70
67
68
67
66
65
B 72,8
1,4
Guarapuava
Pinhão
Murakami
Dias para Espigamento
93
88
88
71
81
77
81
77
80
76
78
76
78
75
78
73
78
73
75
74
76
75
78
75
79
74
77
74
76
74
77
73
75
75
75
74
74
74
75
71
76
72
75
75
76
69
75
71
73
73
76
67
72
72
75
68
73
71
72
70
72
68
76
66
72
67
72
65
70
64
67
62
A 76,3
B 72,2
2,0
4,5
Média
91 a
82 b
78 bc
78 cd
78 cde
77 cdef
76 cdefg
76 cdefgh
75 cdefgh
75 cdefghi
75 cdefghi
74 defghi
74 defghi
74 defghi
74 defghij
74 efghij
74 efghij
74 efghijk
74 efghijk
73 fghijkl
73 fghijkl
73 fghijkl
72 ghijklm
72 hijklm
72 hijklmn
72 hijklmn
72 hijklmn
71 ijklmn
71 ijklmn
70 jklmno
70 klmno
70 lmno
69 mno
68 nop
67 po
64 p
73,8
2,9
† Médias seguidas pelas mesmas letras não diferem entre si pelo teste de Tukey ao nível de 5 % de
probabilidade.
Tabela 4. Dias de emergência a maturação do Ensaio Cultivares de Trigo para Região
Centro Sul do Paraná 2009. FAPA, Guarapuava, PR 2010.
Cultivar
PF 010066
BRS UMBÚ
FUND 51
FUND 50
QUARTZO
BRS 296
CD 115
FUND 47
FUND 40
BRS TANGARÁ
CD 119
SAFIRA
MIRANTE
BRS 276
BRS 179
BRS LOURO
IPR 118
BRS GUABIJÚ
PF 040310
FUND CRISTALINO
CAMPEIRO
BRS 208
VAQUEANO
CD 105
ÔNIX
FUND 52
BRS 220
BRS PARDELA
IPR 144
CD 120
CD 104
VALENTE
CD 0684
MARFIM
BRS GUAMIRIM
CD 114
Média
C.V. (%)
Guarapuava
Colônias
132
128
125
125
126
123
123
121
121
123
121
122
121
123
122
121
120
121
119
120
117
118
119
118
116
117
117
116
115
119
114
116
115
116
115
114
B 119,9
2,5
Guarapuava
Pinhão
Murakami
Dias para Maturação
136
128
133
131
128
120
128
120
127
119
127
120
126
119
127
119
126
118
125
118
125
119
126
116
126
117
124
116
123
118
124
118
125
117
125
115
125
117
124
116
125
118
124
118
123
118
124
116
125
118
122
118
123
117
124
116
124
116
122
113
123
116
122
113
119
115
120
113
120
113
117
113
A 124,6
C 117,6
1,3
2,0
Média
132 a
131 a
124 b
124 b
124 b
123 bcd
123 bcd
122 bcde
122 bcde
122 bcde
122 bcde
121 bcdef
121 bcdef
121 bcdef
121 bcdefg
121 bcdefg
121 bcdefg
121 bcdefg
120 bcdefgh
120 bcdefghi
120 bcdefghi
120 bcdefghi
120 bcdefghi
120 cdefghi
120 cdefghi
119 defghi
119 defghi
118 efghij
118 efghij
118 efghij
117 fghij
117 fghij
117 ghij
116 ghij
116 ij
115 j
120,7
2,0
† Médias seguidas pelas mesmas letras não diferem entre si pelo teste de Tukey ao nível de 5 % de
probabilidade.
Tabela 5. Reação ferrugem da folha (FF) do Ensaio Cultivares de Trigo para Região
Centro Sul do Paraná 2009. FAPA, Guarapuava, PR 2010.
Cultivar
BRS 179
BRS 208
BRS 220
BRS 276
BRS 296
BRS PARDELA
BRS TANGARÁ
BRS UMBU
BRS GUAMIRIM
BRS GUABIJU
BRS LOURO
PF 010066
PF 040310
IPR 118
IPR 144
ÔNIX
SAFIRA
QUARTZO
MARFIM
MIRANTE
VAQUEANO
VALENTE
CAMPEIRO
CD 104
CD 105
CD 114
CD 115
CD 119
CD 120
CD 0684
FUND 40
FUND 47
FUND 50
FUND 51
FUND 52
FUND CRISTALINO
Guarapuava
Colônias
50
90
15
10
2
50
1
1
2
40
100
10
60
40
1
100
60
60
1
49
2
10
55
100
100
10
60
70
60
0
15
30
100
90
65
15
Guarapuava
Pinhão
Murakami
Severidade (%) e Reação
mr-ms
15
mr
15
s
s
3
mr
10
mr
mr
3
mr
90
s
mr
2
r
0
0
r
2
r
5
mr
mr-ms
20
mr-ms
25
mr
r
2
r
3
r
r
5
r
2
mr
r
3
r
2
mr
ms-s
80
s
15
mr-ms
s
40
mr-ms
90
s
mr
5
mr
4
mr
ms-s
20
r-mr
90
s
mr-ms
60
ms-s
30
mr
mr
3
mr
5
r
s
60
s
100
s
mr-ms
90
s
85
s
ms-s
35
mr-ms
90
s
r
1
r
2
r
ms-s
50
s
90
s
r
2
r
3
mr
ms
10
mr
25
mr-ms
ms-s
15
mr-ms
70
s
s
100
s
100
s
s
90
s
100
s
mr-ms
20
mr
50
ms-s
ms-s
15
mr
5
ms
ms-s
10
ms
70
s
ms
15
mr-ms
90
s
1
r
30
mr
mr
5
mr-ms
5
mr-ms
mr-ms
0
0
70
ms
s
10
ms-s
60
ms-s
s
10
ms
10
ms
ms-s
5
s
75
s
mr
1
r
20
mr
POR QUE NÃO O TRIGO TRANSGÊNICO? UM BREVE RELATO DAS NOVAS
BIOTECNOLOGIAS APRESENTADAS NA 8th WHEAT CONFERENCE
Juliano Luiz de Almeida1
(1)
Fundação Agrária de Pesquisa Agropecuária – FAPA, Entre Rios, Guarapuava, PR.
85.139-400 E-mail: [email protected].
O trigo continua sendo o principal cultivo alimentício do mundo e o segundo
mais importante nos países em desenvolvimento depois do arroz. Entretanto o trigo
vem perdendo importância devido ao menor incremento de produtividade, menor
rentabilidade para o agricultor e ao baixo investimento da iniciativa privada,
ocasionada pela alta utilização de semente própria. Não obstante, outros desafios
estão surgindo e ressurgindo para o trigo. A produtividade média mundial do trigo em
2008 foi próxima a três toneladas por hectare. A FAO estima que para atingirmos uma
produção mundial de 760 milhões de toneladas em 2020 será necessário elevar a
produtividade média mundial para quatro toneladas por hectare. E para atingirmos a
produção necessária para alimentarmos nove bilhões de pessoas em 2050 será
necessário atingirmos uma produtividade média mundial de cinco toneladas por
hectare. Para complicar o atendimento desta meta, devemos considerar que as
mudanças climáticas têm um potencial de redução de 10 % da produtividade do trigo a
cada 1º C de aumento de temperatura anual média além do aumento da taxa de
transmissão de doenças e do aumento de severidade do ataque de insetos, bem como
aumento da freqüência de eventos extremos como seca e chuvas na colheita,
aumentando a ocorrência de germinação na espiga. Devemos também considerar que
no futuro a produção agrícola será limitada pela redução de recursos naturais como
água, solos, combustíveis fósseis e fósforo. O objetivo deste relato é mostrar alguns
trabalhos que foram apresentados durante a “8th Wheat Conference”, realizado em
São Petersburgo, Federação Russa, de 1º a 4 de junho de 2010, os quais visam
enfrentar os desafios da produção de trigo por meio da utilização de intervenções
biotecnológicas.
Quais foram os fatos que renovaram os interesses pelo uso das novas
biotecnologias em trigo? Com a crise de abastecimento de alimentos de 2008-2009
quando os estoques mundiais de grãos estavam reduzidos e os preços voláteis,
ocorreram sinais de renovação do interesse da utilização de novas biotecnologias em
trigo. Em 2009 o número de pessoas com fome ultrapassou um bilhão de pessoas
pela 1º vez na história da humanidade. Por outro lado existe uma oportunidade
limitada de expansão de novas áreas de cultivo a nível global. Trata-se de contexto
único na história, pois a demanda crescente de trigo necessita de um aumento anual
de 2 % de trigo até 2050. Estas notícias estão aparecendo na grande mídia onde a
questão dos transgênicos tem sido discutida. Tem aumentado o número de cultivos e
a área de transgênicos no mundo, bem como o desenvolvimento de outros alimentos
transgênicos, como trutas e salmão, o que de certa forma contribuí para a aceitação
desta biotecnologia pelos consumidores. Outra preocupação é a confirmação das
evidências que as mudanças climáticas irão restringir a produtividade de trigo. A
biotecnologia da transgenia em trigo terá um importante papel para reduzir os efeitos
das mudanças climáticas. Alguns programas de pesquisa, como o da “International
Maize and Wheat Improvement Center - Chinese Academy of Agricultural Science”, já
estão focando seus objetivos de melhoramento nas mudanças climáticas, onde
estratégias de melhoramento convencionais são combinadas com as estratégias
biotecnológicas. Novas raças virulentas da ferrugem do colmo e da ferrugem linear,
novas pragas, aumento da ocorrência da giberela e da brusone e a redução dos
limites de toxinas nos alimentos serão assuntos recorrentes na produção de trigo no
futuro próximo. Não menos importante, é o fato que o trigo precisa recuperar sua
competitividade com os outros cultivos, em relação à rentabilidade. Está ocorrendo em
nível de mundo o aumento da competitividade entre os cultivos alimentícios com os
não alimentícios, além de o trigo ter estagnado sua produtividade nos últimos 10 anos.
O milho e a soja estão “empurrando” o trigo para áreas marginais nos EUA. Já no
Brasil o milho safrinha substituiu as lavouras de trigo em parte do Paraná, Mato
Grosso do Sul e São Paulo, em áreas onde a baixa freqüência de geadas fortes
permite o cultivo deste cereal de inverno. Desta forma, para o trigo se tornar mais
atraente para a iniciativa privada, os programas de melhoramento provavelmente
combinarão o desenvolvimento de cultivares híbridas com as novas biotecnologias,
dentre elas a transgenia, com a finalidade de aproveitar o alto potencial de tecnificação
do trigo. Desta forma os agricultores terão que comprar sementes a cada safra e os
investidores nas novas biotecnologias terão o retorno do capital investido.
Quais são as iniciativas na área da biotecnologia que estão sendo tomadas?
São várias, dentre elas o ”The International Wheat Genome Sequencing Consortium”.
Trata-se de um esforço internacional (com 56 membros em 16 países) coordenado,
público-privado, para seqüenciar o genoma do trigo e para criar uma plataforma para
acelerar o melhoramento do trigo. O desafio deste consórcio é a produção sustentável
e consistente de suprimentos de alimento, ração e produtos não alimentícios oriundos
do trigo e tem como objetivo fornecer aos melhoristas, agrônomos e indústrias as
ferramentas e tecnologias que já existem para os outros cultivos. Para 2010, este
consórcio já terá mapa para localização de QTL (locus de caracteres quantitativos),
em 2015 terá uma quantidade limitada de MAS (seleção assistida com marcadores) e
em 2020 será viável a seleção genotípica para a maioria dos caracteres desejados.
Outro importante consórcio é entre o CIMMYT e a Syngenta. Trata-se de uma aliança
pública privada, estabelecida em abril de 2010, com o objetivo de avançar na pesquisa
do trigo, por meio de intervenções biotecnológicas, dentre elas a transgenia. Mais
recentemente outro consórcio, denominado por “Hybrid Wheat Consortium” está sendo
formado com a liderança da empresa BASF. O grupo está aceitando parceiros para
trabalhar ou investir. Os líderes deste consórcio têm destacado que sem os
acréscimos de inovações e adições de valores, o cultivo do trigo se tornará cada vez
menos interessante para o agricultor. Eles advertem que atualmente não estão
ocorrendo muitos investimentos em trigo, pois a utilização de sementes próprias é alta
e o trigo não dá retorno para as empresas que investem nesta cultura. Foi mencionado
a máxima “The money flows to where it doubles”. Atualmente a melhoria da
produtividade, a partir do esforço do melhoramento, é restringida pela baixa
rentabilidade da operação de um programa de melhoramento convencional. Desta
forma, este grupo acredita que com a utilização da biotecnologia da transgenia em
trigo, a produção de trigos híbridos será mais efetiva, viabilizando desta forma o
retorno econômico dos investimentos em programas de melhoramento. Não menos
importante é o “Wheat Yield Potential Consortium”, cuja proposta é a de utilizar a
biotecnologia para interferir na fotossíntese do trigo. Este consórcio atua em
caracteres que aumentam o suprimento de CO2, para melhor competir com o processo
de respiração, bem como atuam no RUBISCO, resultando em plantas de trigo
fotossinteticamente mais eficientes. É interessante observar que a maioria destes
consórcios é caracterizada pela volta do interesse pelo desenvolvimento de cultivares
de trigo híbrido, pois híbridos tem maior potencial de aumento de produtividade e
estabilidade, maior tolerância aos estresses, bem como tem a possibilidade de atrair
investimentos de empresas privadas e fundos de investimento.
Quais são os caracteres potenciais para transformação do trigo? Os caracteres
alvo para transformação em trigo são: resistência/tolerância à seca;
resistência/tolerância à germinação na espiga; resistência aos herbicidas; resistência
às doenças como ferrugens, manchas, fusarium e viroses, com possível uso de genes
de seqüência de vírus, quitinase e proteínas antifúngicas; resistência aos insetos com
possível uso de lectinas (proteínas tóxicas) que se ligam a quitina dos insetos e
inibidores de proteinase; qualidade nutricional, principalmente Zn, Fe e proteínas,
digestão do ácido fítico, alta amilose, glucanas e tolerância às alergias com possível
uso de genes promotores (phy A) e supressores (SBEIIa e b); qualidade panificação
via subunidades de gluteninas; produtividade - nº grãos, peso de grãos, afilhos,
resistência ao acamamento, vigor híbrido, apomixia, controle da vernalização, com
possível uso de genes ADP-glucose pyrophophorylase para amido, gene homeotic
APETALA2 para fonte dreno, gene do arroz MOC1 para afilhos, genes para hormônios
de nanismo, modificar de C3 para C4, atuação no RUBISCO ou respiração noturna
(melhorar a eficiência fotossintética), macho esterilidade e interferência do RNA.
Menciono alguns exemplos de trigos transgênicos que serão ilustrados na
apresentação, dentre eles: pesquisadores chineses (Na Dong et al., 2010) estão
inserindo o gene TaPIEP1 em plantas de trigo para conferir resistência aos fungos
Bipolaris sorokiniana e Rhizoctonia cerealis. Ming Chena et al., 2007 e Zhong-hu He,
2010, estão inserindo o gene da soja GmDREB2, que confere tolerância à seca e à
alta concentração de sais em cultivos, inclusive em trigo. Outro exemplo é o
desenvolvimento de Faccio P. e outros, 2010, do INTA, Argentina. Este grupo inseriu
gene antimicrobiano snakin-1 oriundo de Solanum chacoense e batata. O gene snakin1 produz proteínas anti-fúngicas presentes nos tubérculos da batata. Os trigos com
este gene apresentam menor número de colônias de oídio, quando comparado ao
mesmo trigo sem este gene.
Quais são os possíveis entraves da utilização do trigo transgênico? A aceitação
do trigo transgênico é um dos principais entraves, pois os mercados para este tipo de
grãos ainda estão fechados. Quem iniciar o cultivo de trigo transgênico por primeiro vai
perder mercado? Será que os consumidores farão oposição a esta nova tecnologia?
Como os grãos do trigo transgênico serão consumidos diretamente, os produtos
oriundos podem não ser aceitos, pois o trigo é uma fonte de alimento culturalmente e
religiosamente sensível. Provavelmente será necessário viabilizar um sistema de
segregação de grãos de trigo transgênico. Será necessária a rotulagem em todos os
países produtores e exportadores de trigo? No Brasil a rotulagem é obrigatória. Outro
entrave é o tamanho do genoma do trigo (10 a 20 vezes maior que o genoma do
algodão ou arroz), sendo a transformação neste cereal mais complexa e lenta. Além
da transformação, as linhagens de trigo transgênicas devem ser retrocruzadas com as
cultivares adaptadas localmente. O tempo de descoberta de um caractere, ou evento,
até sua comercialização no milho é de quatro a seis anos e no trigo será de 10 a 20
anos. Como a lavoura de trigo tem um baixo valor comercial quando comparado com
algodão, arroz e soja, será que a transformação da planta de trigo será
economicamente viável? A oposição ao trigo transgênico já esta atuando.
Organizações como a CBAN (WWW.cban.ca/globalstopGMwheat) e o Greenpeace
estão coordenando uma nova ação global contra o trigo transgênico. Os sites destas
organizações divulgam as seguintes notícias, entre outras: “Janeiro 27 2010: União
Européia e Japão se opõem ao trigo transgênico.”; “O preço do trigo nos EUA poderá
cair 40 % ou mais se os esforços da indústria para desenvolver o trigo transgênico
forem sucedidos.”
Embora o trigo continue sendo o principal cultivo alimentício do mundo vem
perdendo importância devido ao menor incremento de produtividade, menor
rentabilidade para o agricultor e baixo investimento da iniciativa privada devido à alta
utilização de semente própria. Embora bem mais atrasado do que o milho e a soja, a
biotecnologia está sendo implementada em trigo por meio do seqüenciamento do
genona, seleção assistida com marcadores (MAS), seleção genotípica, duplos
haplóides e transgenia. Com o implemento da biotecnologia em trigo, diversas novas
oportunidades vão aparecer e embora o público tenha receio de novas tecnologias, o
trigo transgênico será lançado em alguns países daqui três a cinco anos. Enfim, a
biotecnologia em trigo está se tornando em uma realidade e será fundamental para
viabilizar a demanda crescente de trigo, em condições de produção ainda incertas!
Finalmente destaca-se que ser contra o trigo transgênico faz parte da natureza
humana! Nós do setor produtivo e da pesquisa temos que nos posicionar, resolver e
esclarecer estes questionamentos.
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Peidu Chen; Xiue Wang; Shengwei Chen; Chunfang You; Linsheng Wang; Qingping
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development of alien chromosome translocation lines. 8th INTERNATIONAL
WHEAT CONFERENCE ABSTRACTS of oral and poster presentations. 1–4 June
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China. International Maize and Wheat Improvement Center Chinese Academy of
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implications for strategic wheat research for the future. 1–4 June 2010 St. Petersburg,
Rússia.
Van Gastel, A. Hybrid Wheat Consortium. Concluding Plenary Session 8: Global
wheat research initiatives and international co-operation. 1–4 June 2010 St.
Petersburg, Rússia.
QUALIDADE TECNOLÓGICA DAS CULTIVARES DE TRIGO DA EMBRAPA
INDICADAS PARA SEMEADURA NO RIO GRANDE DO SUL E EM SANTA
CATARINA EM 2010
Eliana Maria Guarienti1, Martha Zavariz de Miranda1, Márcio Só e Silva1, Pedro Luiz
Scheeren1, Eduardo Caierão1, Luiz Eichelberger1 e Alfredo Nascimento Junior1
1
Embrapa Trigo – Rodovia BR 285, km 294, Caixa Postal 451, Passo Fundo, RS.
[email protected].
No ano de 2009 estiveram em indicação para cultivo no RS e SC, 21 cultivares
de trigo da Embrapa. Em alguns casos, a mesma cultivar de trigo semeada no RS e
SC apresenta qualidade panificativa inferior, quando comparada com o desempenho
obtido no Paraná, isto se deve ao efeito do ambiente sobre a cultivar.
As amostras foram avaliadas no período de 1991 a 2009, no Laboratório de
Qualidade de Grãos da Embrapa Trigo. Foram realizadas análises dos seguintes
parâmetros indicativos de qualidade tecnológica de trigo: peso do hectolitro, índice de
dureza do grão, número de queda e alveografia (força de glúten – W; extensibilidade –
L, tenacidade – P; relação entre a tenacidade e a extensibilidade – P/L; índice de
intumescimento – G e índice de elasticidade – Ie).
As cultivares de trigo são classificadas em classes comerciais de acordo com a
Instrução Normativa (IN) no 7, de 15 de agosto de 2001, do Ministério da Agricultura e
do Abastecimento (MAA), denominada “Regulamento Técnico de Identidade e de
Qualidade do Trigo”, em Trigo Brando, Trigo Pão, Trigo Melhorador, Trigo para Outros
Usos e Trigo Durum (Tabela 1).
Na Tabela 2 são apresentados os resultados médios dos testes de qualidade
tecnológica de amostras das 22 cultivares de trigo da Embrapa indicadas para
semeadura no RS e em SC em 2010. Também são apresentados o número de
amostras analisadas e o percentual de amostras enquadradas em cada classe
comercial.
Foram encontrados valores de peso do hectolitro, iguais ou superiores a 78
kg/hl para: BRS 194, BRS 220, BRS 229, BRS 248, BRS 276, BRS 296, BRS 327,
BRS Buriti, BRS Guabiju e BRS Louro.
Quanto à classificação preliminar do índice de dureza, uma cultivar (BRS 249)
foi classificada como possuindo grão extra-duro; duas cultivares com grão muito duro
(BRS 220, BRS 277); dez cultivares, grão duro (BRS 208, BRS 229, BRS 248, BRS
276, BRS 296, BRS Buriti, BRS Guabijú, BRS Guamirim, BRS Timbaúva e Trigo BR
18); quatro cultivares, semiduro (BRS 179, BRS Camboatá, BRS Tarumã e BRS
Umbu) e cinco cultivares, semimole (BRS 177, BRS 194, BRS 327, BRS Louro e Trigo
BR 23).
Várias amostras individuais apresentaram número de queda inferior a 200
segundos, valor este que classifica o trigo como “Trigo para Outros Usos”, de acordo
com a IN no 7, de 2001. Isto se deve a problemas de germinação em pré-colheita, que
aumentam a atividade da enzima alfa-amilase, diminuindo consequentemente, os
valores de número de queda. Somente as cultivares BRS 177, BRS 277, BRS Tarumã
e BRS Umbu (sendo as três últimas, cultivares de ciclo tardio e/ou de duplo propósito,
respectivamente), não apresentaram nenhuma amostra com germinação na espiga.
Das 22 cultivares de trigo da Embrapa, o parâmetro alveográfico "W" (força de
glúten) médio, para a cultivar BRS Guabiju foi superior a 290 x 10-4 J, indicada para
uso na fabricação de massas e panificação industrial; para sete cultivares, BRS 208,
BRS 220, BRS 229, BRS 249, BRS 327, BRS Guamirim e Trigo BR 18-Terena)
esteve na faixa de 220 a 289 x 10-4 J, para uso em panificação em geral; para nove
cultivares (BRS 194, BRS 248, BRS 276, BRS 277, BRS 296, BRS Camboatá, BRS
Tarumã, BRS Timbaúva e BRS Umbu) situou-se entre 160 e 219 x 10-4 J, podendo ser
usada para panificação doméstica; para três cultivares (BRS 177, BRS 179 e BRS
Buriti) situou-se entre 130 e 159 x 10-4 J e para duas cultivares (BRS Louro e Trigo BR
23) foi inferior a 129 x 10-4 J, sendo indicada para produção de bolos e biscoitos
doces.
Os valores de tenacidade (P) da alveografia, recomendados para fabricação de
bolachas e biscoitos, iguais ou inferiores a 55 mm, foram obtidos nas cultivares BRS
177, BRS 277, BRS Buriti, BRS Louro e Trigo BR 23, enquanto que valores de
extensibilidade (L) recomendados para fabricação de bolachas e biscoitos, mínimo de
70 mm, foram obtidos na maioria das cultivares, excetuando-se BRS 179 e BRS
Louro. A relação P/L foi balanceada (0,5 a 1,2) em quase todos os genótipos,
excetuando-se BRS 249, considerado tenaz. Pelos valores de índice de elasticidade
(Ie), estão indicados para panificação (Ie entre 50 e 58%), BRS 194, BRS 220, BRS
229, BRS 327, BRS Guabiju, BRS Tarumã, BRS Umbu e Trigo BR 18-Terena.
Na Tabela 3, as 22 cultivares de trigo foram classificadas comercialmente,
sendo dez classificadas como Trigo Pão, indicada para uso em panificação, massas
alimentícias, biscoitos cracker, uso doméstico e em mesclas, e 12 cultivares como
Trigo Brando, indicada para bolos, biscoitos doces, produtos de confeitaria, pizzas,
massas frescas, uso doméstico e em mescla com trigo mais forte para panificação e/
ou uso doméstico.
A cultivar BRS Louro foi classificada como Trigo Brando, mas apresentou
também elevada porcentagem de amostras na classe Trigo para Outros Usos. Isto
ocorreu devido a baixa força de glúten de 12 amostras (20% do total de amostras).
Tendo em vista que a classe estima a aptidão tecnológica da cultivar de trigo,
quando cultivada em condições adequadas, esta não garante absolutamente o mesmo
enquadramento para um lote comercial, cujo desempenho dependerá de condições de
clima, de solo, de tratos culturais, de secagem, de armazenagem, específicos.
Algumas cultivares de trigo da Embrapa apresentaram características
tecnológicas desejadas para determinado uso final. Isto aponta para a necessidade de
constante atuação das equipes de melhoramento genético na identificação de
materiais que possuam as características tecnológicas mais próximas às requeridas
pelas indústrias alimentícias, de acordo com a especificação para os produtos finais.
Tabela 1 - Classificação do Trigo segundo a Instrução Normativa no 7, de 15 de agosto
de 2001, do MAA.
CLASSE COMERCIAL
Trigo Brando
Trigo Pão
Trigo Melhorador
Trigo para Outros Usos
Trigo Durum
ALVEOGRAFIA
-4
(10 J)
mínimo
50
180
300
Qualquer
---
NÚMERO DE QUEDA
(segundos)
mínimo
200
200
250
<200
250
Tabela 2 - Qualidade tecnológica de cultivares de trigo da Embrapa, indicadas para
semeadura no RS e/ou SC em 2010. Embrapa Trigo, Passo Fundo - RS, 2010.
CULTIVAR
N°A 1 PH2
ID3
CL4
NQ5
ALVEOGRAFIA6
W
P
L
P/L
G
CLASSE COMERCIAL7
Ie
%M
%P
%B %OU
95 76
37 SM
371 154
53 84 0,72 19,9 48,8
1
20
79
0
BRS 177
128 77
49 SD
344 136
63 65 1,03 17,7 40,7
0
16
83
1
BRS 179
126 78
39 SM
362 187
71 75 1,08 19,0 51,2
4
44
50
2
BRS 194
87 76
78
D
339 229
81 96 0,88 21,7 47,0
10
60
16
14
BRS 208
20 78
84 MD
313 234
72 104 0,72 22,6 51,9
10
55
25
10
BRS 220
34
75
D
378
267
75
109
0,72
23,1
57,1
29
62
6
3
BRS 229*
81
23 80
76
D
311 215
74 100 0,83 22,0 49,4
9
61
13
17
BRS 248*
17 77
93 ED
321 249 106 71 1,63 18,6 47,5
18
59
6
18
BRS 249*
63 102 0,67 22,3 42,7
0
43
51
6
51 78
70
D
364 174
BRS 276
19 76
85 MD
385 169
53 116 0,48 23,9 46,6
5
37
58
0
BRS 277**
48 78
78
D
399 185
73 83 0,94 20,1 45,7
2
46
50
2
BRS 296
57 79
42 SM
348 224
81 82 1,07 20,0 53,5
14
54
25
7
BRS 327***
42 79
69
D
365 149
50 98 0,57 21,8 46,8
0
21
74
5
BRS Buriti
64 89 0,74 20,9 43,4
0
32
60
8
62 77
55 SD
321 168
BRS Camboatá
49
71
D
330
296
79
118
0,73
23,9
56,9
43
43
6,1
8
BRS Guabiju
78
87
74
D
354
233
80
111
0,74
23,3
44,6
20
48
16
16
BRS Guamirim
77
69 78
41 SM
275
77
41 65 0,70 17,6 30,9
0
3
57
41
BRS Louro
15 76
62 SD
354 212
66 98 0,68 22,0 53,7
7
73
20
0
BRS Tarumã
59 77
72
D
329 209
79 91 0,97 21,0 45,8
2
24
54
20
BRS Timbaúva
29 77
47 SD
330 182
57 107 0,55 22,9 51,2
0
52
48
0
BRS Umbu
68
D
275 233
60 110 0,57 22,9 51,2
14
42
19
26
Trigo BR 18-Terena 118 73
Trigo BR 23
350 75
43 SM
322 117
50 73 0,74 18,7 35,4
0
9
79
12
1
N° de amostras analisadas; 2Peso do hectolitro (kg/hl); 3Índice de dureza do grão (SKCS); 4Classificação preliminar do
ID: > 90 = extraduro (ED); 81-90= muito duro (MD); 65-80= duro (D); 45-64= semiduro (SD); 35-44= semimole (SM);
25-34= mole (M); 10-24= muito mole (MM); ID < 10= extramole (EM); 4Classificação da dureza; 5Número de queda (s);
6
W: Força de glúten, (x 10-4 J); P: Tenacidade, (mm); P/L: Relação entre a tenacidade e a extensibilidade; L:
Extensibilidade (mm). 7B: Trigo Brando; P: Trigo Pão, M: Trigo Melhorador e OU: Trigo para Outros usos (de acordo
com a IN n° 7 de 15/08/2001, do MAPA). *Somente dad os do PR. **Inclui três dados do PR. ***Lançamento em 2010.
O enquadramento (%) representa a aptidão tecnológica, não significando que a cultivar será enquadrada
sempre na mesma classe comercial, devido ao efeito do ambiente sobre esta característica.
Tabela 3. Classificação comercial de cultivares de trigo da Embrapa, indicadas para
semeadura em 2010, nas regiões 1, 2 e 3 do RS e 4 e 5, em SC.
CULTIVAR
CLASSE COMERCIAL
BRS 177
Trigo Brando
BRS 179
Trigo Brando
BRS 194
Trigo Brando
BRS 208
Trigo Pão
BRS 220
Trigo Pão
BRS 229
Trigo Pão
BRS 248*
Trigo Pão
BRS 249*
Trigo Pão
BRS 276
Trigo Brando
BRS 277
Trigo Brando
BRS 296
Trigo Brando
BRS 327**
Trigo Pão
BRS Buriti
Trigo Brando
BRS Camboatá
Trigo Brando
BRS Guabiju
Trigo Pão
BRS Guamirim
Trigo Pão
BRS Louro
Trigo Brando
BRS Tarumã
Trigo Pão
BRS Timbaúva
Trigo Brando
BRS Umbu
Trigo Brando
Trigo BR 18-Terena
Trigo Pão
Trigo BR 23
Trigo Brando
* Classificação preliminar (dados somente do Paraná). **Lançamento em 2010.
QUALIDADE TECNOLÓGICA DE CULTIVARES DE TRIGO DA EMBRAPA
INDICADAS PARA SEMEADURA NO PARANÁ NA SAFRA 2010
Martha Zavariz de Miranda1, Eliana Maria Guarienti1, Manoel Carlos Bassoi2, Pedro
Luiz Scheeren1, Márcio Só e Silva1 e Eduardo Caierão1
1
Embrapa Trigo – Rodovia BR 285, km 294, Caixa Postal 451, Passo Fundo, RS.
[email protected];
2
Embrapa Soja - Rodovia Carlos João Strass, Acesso Orlando Amaral, Caixa Postal
231, CEP 86001-970 Londrina, PR.
Os dados de qualidade tecnológica e a indicação de uso final (pães, massas
alimentícias, biscoitos etc.) podem orientar a produção, a armazenagem e a
comercialização de trigo. Neste resumo é apresentada a aptidão tecnológica das
cultivares de trigo da Embrapa, indicadas para cultivo no Paraná em 2010, tendo sido
acrescentados dados de qualidade de amostras da safra 2009, que destacaram-se
pelo elevado número de amostras de trigo germinado devido a ocorrência de chuvas
em pré-colheita.
Amostras representativas de cultivares de trigo da Embrapa oriundas de
diferentes ensaios conduzidos nas regiões tritícolas 1, 2 e 3 do Paraná, foram
avaliadas quanto à qualidade tecnológica, no Laboratório de Qualidade de Grãos da
Embrapa Trigo, no período de 1992 a 2010. Não se considerou os ensaios de 1998,
devido a estes terem sido perdidos por excesso de chuva na maturação. Das demais
safras foram informados todos os dados, incluindo as amostras que sofreram
germinação em pré-colheita.
Foram realizadas análises de avaliação da qualidade tecnológica, segundo
métodos da American (2000): alveografia, pelo método 54-30A (onde: W= força de
glúten; P= tenacidade; L= extensibilidade; P/L= relação tenacidade/extensibilidade; G=
índice de intumescimento, Ie= índice de elasticidade); número de queda (NQ), pelo
método 56-81B; moagem experimental (EXT), pelo método 26-10A; peso do hectolitro
(PH), pelo método 55-10; índice de dureza do grão(ID), pelo método 55-31 (sistema de
caracterização individual da semente, SKCS). Também foram determinados: peso de
mil sementes (PMS), por pesagem em balança semi-analítica; cor da farinha, em
colorímetro Minolta (onde: L*= luminosidade, a* e b*= coordenadas de cromaticidade).
A classificação comercial de acordo com a Instrução Normativa no 7, de 15 de
agosto de 2001, do Ministério da Agricultura e do Abastecimento (Brasil, 2001), que
permanecerá em vigor até 30 de junho de 2011, baseia-se nos valores de força de
glúten (W), da alveografia, expressa em x 10-4 J e do número de queda (NQ), expresso
em segundos. Os valores de W e NQ para a classificação comercial em Trigo Brando,
Trigo Pão, Trigo Melhorador e Trigo para Outros Usos, conforme a legislação, é
mostrada na Tabela 1, que inclui também sugestões de uso. A distribuição em classes
comerciais (%) representa a aptidão tecnológica, não significando que a cultivar será
enquadrada sempre na mesma classe, devido ao efeito do ambiente sobre esta
característica.
O desempenho da cultivar depende, também, de condições de manejo, de
clima, de solo, de tratos culturais, de secagem, de armazenagem, entre outros, que
afetam a qualidade tecnológica do trigo, o que pode afetar o enquadramento da
cultivar. Quando o trigo não se encaixar como Trigo Brando, Trigo Pão ou Trigo
Melhorador, em virtude de, por exemplo, problemas climáticos, como chuva na
maturação ou na época de colheita, ocasionando germinação na espiga, é
denominado Trigo para Outros Usos, podendo ser usado para alimentação animal, uso
industrial, mescla com trigo não germinado e com glúten mais forte. Dependendo do
grau de germinação, pode ainda ser usado na produção de biscoitos doces e bolos.
Na Tabela 2, são apresentadas as 23 cultivares de trigo da Embrapa indicadas
para cultivo no Paraná em 2010, distribuídas em classes comerciais, o ano de
lançamento e as regiões indicadas para cultivo. Essas apresentaram resultados de
parâmetros de qualidade tecnológica variando numa ampla faixa de valores, o que
possibilita a indicação para diferentes usos finais.
Podem ser observados na Tabela 2, valores médios de PH iguais ou superiores
a 78 kg/hL e valores de PMS superiores a 33 g para 12 cultivares de trigo. Quanto ao
ID, foi encontrado valor superior a 90 (grão extra-duro) para a cultivar BRS 249;
valores entre 81 e 90 (grão muito duro) para 10 cultivares; de 65 a 80 (grão duro) para
quatro; de 45 a 64 (grão semi-duro) para quatro e de 35 a 44 (grão semi-mole) para
quatro. Os melhores rendimentos médios de farinha (> 60%) foram encontrados para
as cultivares Trigo BR 18-Terena e BRS 229. Farinha de cor mais branca (L* ≥ 93, a*
≤ 0,1 e b* < 8,0) foi obtida para as cultivares BRS 177, BRS 179, BRS Umbu, BRS
Louro, BRS Tarumã e BRS 327, enquanto que farinha com coloração amarelada (b* >
12) foi encontrada na farinha de trigo da cultivar BRS 220.
Como pode ser observado na Tabela 3, o valor médio de força de glúten (W),
foi igual ou superior a 300 x 10-4 J para cinco cultivares, BRS 210, BRS Guabijú, BRS
Guamirim, BRS Pardela e BRS Tangará, que também apresentaram índice de
elasticidade (Ie) superior a 50%; para 10 cultivares, o valor de W ficou entre 220 e 299
x 10-4 J, BRS 194, BRS 208, BRS 220, BRS 229, BRS 249, BRS 276, BRS 296, BRS
Tarumã, BRS Timbaúva e Trigo BR-18 Terena e para cinco, W inferior a 220 x 10-4 J,
BRS 177, BRS 179, BRS 248, BRS 277, BRS Camboatá, BRS Louro e BRS Umbu. A
maior parte das cultivares apresentou relação P/L balanceada (0,5-1,2), com exceção
do BRS 249 (tenaz). Várias amostras individuais apresentaram NQ inferior a 200
segundos. Isto se deve ao aumento da atividade da enzima alfa-amilase devido à
germinação em pré-colheita. Das 23 cultivares de trigo indicadas para cultivo no
Paraná, quatro são da classe Trigo Melhorador (17%), 14 da classe Trigo Pão (61%) e
cinco da classe Trigo Brando (22%), abrangendo, portanto, faixas de uso para
diferentes produtos finais. Contudo, somente com maior proximidade da indústria,
sinalizando especificações de qualidade tecnológica que está buscando para seus
produtos finais, é que o programa de melhoramento genético poderá direcionar melhor
suas pesquisas, a fim de atender adequadamente as demandas de mercado.
Referências Bibliográficas
AMERICAN ASSOCIATION OF CEREAL CHEMISTS. Approved methods. 10 ed.
Saint Paul, 2000.
BRASIL. Ministério da Agricultura e do Abastecimento. Instrução Normativa no 7, de 15
de agosto de 2001. Norma de identidade e qualidade do trigo. Diário Oficial [da]
República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 21 ago. 2001. Seção 1, n. 160-E, p. 3335.
Tabela 1. Classificação de trigo segundo legislação do MAA1, e sugestões de uso.
1
Classe comercial
2
(alveografia, W e
número de queda)
Trigo Melhorador
-4
(mín. 300 x 10 J e 250 s)
Trigo Pão
-4
(mín. 180 x 10 J e 200 s)
Trigo Brando
-4
(mín. 50 x 10 J e 200 s)
Trigo para Outros Usos
(qualquer W e < 200 s)
Uso sugerido
Massas alimentícias secas, biscoitos cracker, panificação industrial, mescla
com trigo brando ou mais fraco para panificação
Panificação em geral, massas alimentícias, biscoitos cracker, uso doméstico
e em mesclas
Bolos, biscoitos doces, produtos de confeitaria, pizzas, massa caseira fresca,
em mescla com trigo mais forte para panificação e/ ou uso doméstico
Alimentação animal, uso industrial (revestimento de papel, adesivo, madeiras
decorativas, detergentes, madeira compensada, produção de etanol), mescla
com trigo mais forte para elaboração de biscoitos
Fonte: 1Adaptado de Brasil, 2001; 2W= força de glúten.
Tabela 2. Resultados médios de peso do hectolitro, peso de mil sementes, dureza do
grão, extração experimental e cor de farinha, para cultivares de trigo da Embrapa
indicadas para cultivo no Paraná em 2010. Embrapa Trigo, Passo Fundo - RS, 2010.
CULTIVAR
AA1
PH2 (kg/hl)
PMS3 (g)
ID4
EXT5 (%)
L*6
a*7
b*7
BRS 177
55
77
31,0
39
57
96
0,07
5,44
BRS 179
21
78
35,4
49
50
95
-0,15
6,55
BRS 194
32
79
37,1
35
52
95
0,09
6,55
BRS 208
328
80
37,7
82
58
93
0,16
9,68
BRS 210
93
76
35,6
87
56
92
0,34
9,61
BRS 220
196
80
36,2
87
57
92
-0,62
12,99
BRS 229
34
81
31,6
75
60
93
-0,20
9,87
BRS 248
23
80
33,5
76
53
94
-0,47
10,37
BRS 249
17
77
34,0
93
50
92
0,21
10,02
BRS 276
11
76
31,5
82
57
93
-0,01
9,30
BRS 2778
17
76
27,8
85
59
93
-0,35
11,41
BRS 296
11
75
31,5
83
56
92
0,17
10,30
8
77
40,6
50
46
94
-0,04
6,96
BRS 3279
BRS Camboatá
26
77
29,0
56
46
94
-0,35
8,75
BRS Guabijú
24
79
31,8
84
57
93
0,32
8,91
BRS Guamirim
16
79
34,5
80
55
93
0,09
8,88
BRS Louro
24
78
32,1
37
52
95
-0,01
6,41
BRS Pardela
76
80
34,5
87
57
93
0,29
9,05
BRS Tangará
77
80
39,2
82
58
92
-0,17
11,84
BRS Tarumã
6
75
28,0
63
55
94
0,07
6,99
BRS Timbaúva
22
79
30,9
90
55
93
0,21
9,37
BRS Umbu
6
78
32,4
37
51
96
-0,12
5,64
Trigo BR 18-Terena
219
79
41,7
75
64
93
0,42
8,46
Dados de análises do Laboratório de Qualidade da Embrapa Trigo, de 1992 a 2010 - ensaios nas regiões tritícolas do
PR. 1Número de amostras analisadas; 2Peso do hectolitro; 3Peso de mil sementes; 4Índice de dureza-SKCS: ID > 90=
extra duro (ED); 81-90= muito duro (MD); 65-80= duro (D); 45-64= semi-duro (SD); 35-44= semi-mole (SM); 25-34=
mole (M); 10-24= muito mole (MM); ID < 10= extra mole (EM); 5Taxa de extração de farinha ou rendimento de moagem;
Cor-Minolta: 6L*= luminosidade. L*= 100 (branco total); L*= 0 (preto total); 7a* e 7b*= coordenadas de cromaticidade.
8
Inclui dados do RS (12) e de SC (2). 9Lançamento em 2010.
Tabela 3. Distribuição e classificação comercial de cultivares de trigo da Embrapa para
cultivo no Paraná em 2010, conforme parâmetros da legislação vigente, ano de
lançamento e regiões de cultivo. Embrapa Trigo, Passo Fundo, RS, 2010.
ALVEOGRAFIA
Distribuição (%)
CLASSE
NQ8
ANO REGIÃO
W 2 P3
L4 P/L5
G6
Ie7
M9 P10 B11 OU12 COMERCIAL
BRS 177
55 193 54 104 0,54 22,5 51,1 344 4 45 49
2
T. Brando
1999 1 e 215
BRS 179
21 168 70 78 0,95 19,5 47,4 349 0 38 62
0
T. Brando
1999 1
BRS 194
32 230 78 81 1,01 20,2 56,0 331 22 47 25
6
T. Pão
2005 1 e 2
BRS 208
328 278 86 111 0,85 23,3 49,6 333 33 45
2
21
T. Pão
2001 1, 2 e 3
BRS 210
93 315 95 106 0,95 22,8 50,7 373 59 31
1
9 T.Melhorador 2002 2 e 3
8
12
T. Pão
2003 1, 2 e 3
BRS 220
196 264 83 96 0,95 21,6 52,5 356 33 47
BRS 229
34 267 75 109 0,72 23,1 57,1 378 29 62
6
3
T. Pão
2004 1, 2 e 3
BRS 248
23 215 74 100 0,83 22,0 49,4 311 9 61 13
17
T. Pão
2005 1, 2 e 3
6
18
T. Pão
2005 1, 2 e 3
BRS 249
17 249 106 71 1,63 18,6 47,5 321 18 59
BRS 276
11 268 78 111 0,71 23,3 52,6 336 27 55
0
18
T. Pão
2008 1 e 2
BRS 27713
17 176 55 112 0,50 23,5 47,5 378 6 41 53
0
T. Brando
2008 2 e 2
BRS 296
11 259 88 93 1,02 21,3 52,8 392 18 73
9
0
T. Pão
2009 1, 2 e 3
14
8 299 90 97 0,96 21,8 59,2 298 50 50
0
0
T. Pão
2010 1 e 2
BRS 327
BRS Camboatá
26 215 75 92 0,88 21,2 50,9 326 0 65 19
15
T. Pão
2005 1 e 2
BRS Guabijú
24 394 95 117 0,85 24,0 64,0 366 83 8
0
8 T.Melhorador 2003 2 e 2
0
19
T. Pão
2006 3 e 2
BRS Guamirim
16 300 85 129 0,71 25,2 51,4 306 50 31
BRS Louro
24 110 48 83 0,63 20,1 39,8 220 0 8 42
50
T. Brando
2005 1 e 2
BRS Pardela
76 333 101 90 1,20 21,0 61,2 319 54 28
1
17 T.Melhorador 2007 1, 2 e 3
BRS Tangará
77 300 96 97 1,06 21,8 55,6 398 34 51
1
14 T.Melhorador 2007 1, 2 e 3
BRS Tarumã
6 211 67 102 0,67 22,4 53,5 371 0 67 33
0
T. Pão
2004 1
BRS Timbaúva
22 241 83 101 0,90 22,2 47,2 314 18 45
9
27
T. Pão
2005 1 e 2
BRS Umbu
6 182 56 112 0,52 23,5 51,4 286 17 50 17
17
T. Brando
2004 1
Trigo BR 18-Terena 219 271 65 113 0,61 24,1 55,4 309 29 48
6
17
T. Pão
1986 1, 2 e 3
Dados de análises do Laboratório de Qualidade da Embrapa Trigo, de 1992 a 2010 - ensaios nas regiões tritícolas do
PR. 1Número de amostras analisadas. 2W: Força de glúten, (x 10-4 J); 3P: Tenacidade, (mm); 4L: Extensibilidade (mm).
5
P/L: Relação PL; 6G: Índice de intumescimento; 7Ie: Índice de elasticidade (%); 8Número de queda (s); 9M: Trigo
Melhorador, 10P: Trigo Pão, 11B: Trigo Brando e 12OU: Trigo para Outros usos. 13Inclui dados do RS (12) e de SC (2).
14
Lançamento em 2010. 15Acima de 500 m de altitude.
CULTIVAR
AA1
IAC 380 CULTIVAR DE TRIGO MELHORADOR
Felicio, J.C.1-;Camargo,C.E.O.1-; Ferreira Filho, A.W.P.1-; Reco, P.C.2-; Ramos Junior,
E.U.2-;
(1)
Instituto Agronômico (IAC), Caixa Postal 28, 13012-970 Campinas
[email protected]., (2)DDD/APTA/SAA. Com apoio financeiro da FAPESP.
(SP)
A maioria dos fatores que condicionam a qualidade do trigo é hereditária. O
melhorista, ao selecionar um cultivar espera que a qualidade seja a expressão das
características genéticas, embora saibam que as condições climáticas, a fertilidade do
solo e as técnicas de cultivo também a influenciam. Assim sendo, num mesmo cultivar,
o grau de qualidade pode variar entre amostras colhidas em diferentes ambientes. A
qualidade do trigo depende, sobretudo, das proteínas que estão ligadas ao patrimônio
genético, as quais podem sofrer variações causadas pelos fatores citados (Mandarino,
1993).
Os maiores desafios ao melhoramento genético para resistência à ferrugem da
folha do trigo são a reprodução contínua e a variabilidade do patógeno de acordo com
BRAMMER ET AL. (2000).
Para avaliar o comportamento da cultivar IAC 380 quanto ao rendimento de
grãos, reações ás doenças, adaptabilidade e estabilidade e a qualidade industrial para
a panificação, foram conduzidos experimentos no Estado de São Paulo de 2004/2006
nas condições de sequeiro (Capão Bonito e Itapeva) e com irrigação por aspersão
(Paranapanema e Taquarituba) de acordo com as informações técnicas da Comissão
Centro-Sul Brasileira de Pesquisa de Trigo e Triticale para a Safra 2005
(Londrina,2005).
Os experimentos foram semeados no delineamento estatístico de blocos ao
acaso, com quatro repetições por local e 15 genótipos (tratamentos). Cada parcela
constou de oito linhas de 3,0 m de comprimento, com espaçamento de 0,15 m, entre
si, com separação lateral de 0,60 m entre as parcelas. Procedeu-se à semeadura com
80 sementes viáveis por metro de sulco e a colheita foi em área total das parcelas, ou
seja, 3,6 m2.
A adubação mineral foi feita a lanço antes da semeadura e, posteriormente,
incorporadas ao solo. As quantidades de fertilizantes aplicadas nos diferentes locais
basearam-se nas tabelas de adubação e calagem do Instituto Agronômico (RAIJ et
al.,1996).
Nos experimentos irrigados, adotou-se o método proposto por SILVA et al.
(1984), que consiste em uma irrigação de 40-60 mm após a semeadura, com a
finalidade de umedecer o solo, bem como na instalação de tensiômetros em pontos
diferentes, à profundidade de 12 cm. As irrigações complementares foram realizadas
quando a média das leituras dos tensiômetros indicava 0,6 atm e a lâmina líquida
aplicada determinada por meio da evaporação no tanque classe A, nos intervalos das
irrigações.
A Ferrugem-da-folha (Puccinia triticina) foi avaliada após o florescimento das
plantas (estádio de crescimento 11.2 na escala de Large, 1954), por meio da escala
modificada de COBB empregada no "International Spring Wheat Rust Nursery",
utilizada por SCHRAMM et al.(1974).
As manchas foliares infectadas por Bipolaris sorokiniana, Drechslera tritici
repentis e nas espigas Pyricularia grisea e Giberella zeae foram avaliadas em cada
parcela em dois períodos: no final do florescimento (grãos estádio aquoso) e grãos no
estádio de massa, em condições naturais de infecção, empregando-se a metodologia
proposta por MEHTA (1978), que consiste na seguinte escala: de 0 a 99% de área
infectada; zero é considerado imune; 1 a 5% resistentes; 6 a 25% moderadamente
resistentes; 26 a 50 moderadamente suscetíveis, e 51 a 99% suscetíveis.
A cultivar IAC 380 Saira foi desenvolvida a partir do cruzamento
RL6010/5*INIA66//IAC24/IAC287 realizado em Campinas (1994) pelo programa de
melhoramento genético de trigo, recebendo o no.H.18237. O método de melhoramento
genético utilizado foi o Genealógico, onde se selecionaram espigas individuais por
planta nas gerações F a F . Em F a linha avançada foi avaliada em experimentos
preliminares de linhagens e posteriormente em ensaios avançados, sendo avaliada em
ensaios avançados de VCU, no Estado de São Paulo na Região 11, doravante
denominada Região 2 – Moderadamente quente, Úmida e Baixa.
Na tabela 1 encontram-se os rendimentos médios de grãos em kg.ha-1 da
cultivar IAC 380 Saira e das testemunhas IAC 24 (T.1) e IAC 370 (T.2) de 2004 a
2006. Nas localidades de Capão Bonito e Itapeva nas condições de sequeiro, a média
de superioridade no rendimento da nova cultivar considerando o triênio foi de 2.903
kg.ha-1 e as testemunhas apresentaram rendimento médio de 2.677 kg.ha-1. Na tabela
2 em condições de irrigação por aspersão nas localidades de Paranapanema e
Taquarituba, a média de superioridade foi de 3.713. kg.ha-1 para a cultivar Saira em
relação aos 2.973 kg.ha-1 das testemunhas. Existiu variabilidade entre as localidades.
A nova cultivar alem de apresentar bom potencial de rendimento de grãos nas
condições de cultivo de sequeiro e irrigado por aspersão, possuindo as seguintes
características agronômicas: porte baixo (80 a 85 cm), moderadamente resistente ao
acamamento, suscetível ao crestamento, resistente a ferrugem da folha e com
moderada resistência as manchas foliares causadas por helmintosporiose e a
brusone, resistente a debulha natural e a germinação na espiga, de ciclo médio de125
a 130 dias da germinação a colheita.
A qualidade tecnológica da farinha e classificada como trigo pão de acordo
com a Instrução Normativa no 7 do MARA de 2001 apresentando as seguintes
características: Alveógrafo W de 290 a 320 x 10-4 J, estabilidade 12,8 relação P/L 0,58
e resistência Max. a 135’ 342 e extensibilidade 135’ 203.
Ano de Lançamento 2008 referencia RNC 23299
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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– United States.; AA, 1995.
BAMMER, S. P; BARCELLOS, A; MORAES-FERNANDES, M.I.B.; MILACH, S.C. K.
Bases Genéticas da Resistência Durável a Ferrugem da folha do trigo e Estratégias
Biotecnológicas para o Melhoramento no Brasil. Fitopatol. Brás. V.25 n.1: 5-20, 2000
LARGE, E.C. Growth stages in cereals. Illustration of the Feekes Scale. Plant Pathol.,
London, 3:128-129. 1954.
LONDRINA, Reunião da Comissão Centro-Sul Brasileira de Pesquisa de Trigo e
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Mandarino, J.M.G. Aspectos importantes para a qualidade do trigo. Londrina:
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METHA, Y.R. Doenças de trigo e seu controle. São Paulo, Agronômica Ceres,
190p., 1978. (ceres, 20)
PIMENTEL-COMES, F. Curso de estatística experimental 4.ed.ver.ampl. Piracicaba,
Nobel, 1970. 430p.
RAIJ, B. van; CANTARELLA, H; QUAGGIO, J.A. & FURLANI, A.M.C. Recomendações
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Agronômico/Fundação IAC, 1996. 285p. ( Boletim técnico, 100).
SCHRAMM, W.; FULCO, W.S.; SOARES, M.H.C. & ALMEIDA, A.M.P. Resistência de
cultivares de trigo em experimentação ou cultivo no Rio Grande do Sul: às principais
doenças fúngicas. Agronomia Sul-riograndense. Porto Alegre, 10 (1): 31-39, 1974.
SILVA, E.M.; LUCHIARI JUNIOR, A.; GUERRA, A.F. & GOMIDE, R.L.
Recomendações sobre o manejo de irrigação em trigo para a região dos cerrados. In:
REUNIÃO DA COMISSÃO NORTE BRASILEIRA DE PESQUISA DE TRIGO,
10.,Campinas, 1984. Ata. Brasília,EMBRAPA-CPAC,1984.60p.
Tabela 1 - Rendimento de grãos do cultivar de trigo IAC 380 Saíra em relação às
testemunhas IAC 24 (T1) e IAC 370 (T2) para a Região Homogênea de Adaptação
II nas condições de sequeiro nas localidades de Capão Bonito e Itapeva, no Estado
de São Paulo
2004
C.B.
Itap.
Cultivar
kg/ha
kg/ha
IAC 380
1869
T1 IAC 24
2006
2005
Média
Média
C.B.
Itap.
Média
Média
C.B.
Itap.
kg/ha
kg/ha
kg/ha
kg/ha
kg/ha
kg/ha
kg/ha
(kg/ha)
3559
2714
2680
2371
2525
3375
3687
3531
2923
109
2764
2760
2762
2652
2323
2487
3232
2916
3074
T2 IAC 370
2090
2826
2458
3323
2149
2736
3239
1857
2548
TM
2427
2793
2610
2987
2236
2611
3235
2386
2811
2677
100
CV %
10,22
10,87
9,44
15,25
10,61
10,07
%
TM - Média das testemunhas, por local.
C.B. = Capão Bonito; Itap. = Itapeva.
Tabela 2 - Rendimento de grãos do cultivar de trigo IAC 380 Saíra em relação às
testemunhas IAC 24 (T1) e IAC 370 (T2) para a Região Homogênea de
Adaptação II nas condições de irrigação nas localidades de Paranapanema e
Taquarituba, no Estado de São Paulo
2004
2006
2005
PP
Taq.
Média
PP
Taq.
Média
PP
Taq.
Média
Média
Cultivar
kg/ha
kg/ha
kg/ha
kg/ha
kg/ha
kg/ha
kg/ha
kg/ha
kg/ha
kg/ha
%
IAC 380
3510
4507
4008
2555
2517
2536
4146
5045
4595
3713
125
T1 IAC 24
3729
4351
4040
2066
1309
1687
3010
3319
3164
T2 IAC 370
3166
4132
3649
2069
1288
1678
3559
3691
3625
TM
3447
4241
3844
2067
1298
1682
3284
3505
3394
2973
100
CV %
8,41
9,64
17,17
14,16
17,37
8,89
TM - Média das testemunhas, por local.
PP = Paranapanema; Taq. = Taquarituba.
IAC 381 NOVO CULTIVAR DE TRIGO
Felicio, J.C.1-;Camargo,C.E.O.1-; Ferreira Filho, A.W.P.1-; Reco, P.C.2-; Ramos Junior,
E.U.2-;
(1)
Instituto Agronômico (IAC), Caixa Postal 28, 13012-970 Campinas
[email protected]., (2)DDD/APTA/SAA. Com apoio financeiro da FAPESP.
(SP)
De acordo com SILVA (1966), os métodos de criação de variedades resistentes
às ferrugens estão bem estudados e desenvolvidos.É reconhecido que a resistência é
uma interação entre fatores genéticos do hospedeiro e os patógenos. É necessário
pois, para realizar o melhoramento conhecer a patogenicidade da população do
organismo causador da doença e procurar posteriormente incorporar ao hospedeiro
resistência a doença. O problema fica complexo porque a patogenicidade da
população do organismo não é estática, sofrendo modificações de dois tipos: na
freqüência dos vários tipos de patogenicidade e a ocorrência de novos tipos. A
patogenicidade de um organismo é controlada por genes que condicionam a virulência
ou avirulência, e a hereditariedade desses genes tem sido provada ser mendeliana,
encontrando-se em muitos casos relações simples e fáceis de serem interpretada ao
se cruzarem "strains" de diferentes patogenicidades. Portanto, a patogenicidade da
população depende da freqüência dos genes nela contidos ou do aparecimento de
novos genes por mutação.
Os maiores desafios ao melhoramento genético para resistência à ferrugem da
folha do trigo são a reprodução contínua e a variabilidade do patógeno de acordo com
BRAMMER ET AL. (2000).
Para avaliar o comportamento da cultivar IAC 381 quanto ao rendimento de
grãos, reações ás doenças, adaptabilidade e estabilidade e a qualidade industrial para
a panificação, foram conduzidos experimentos no Estado de São Paulo de 2004/2006
nas condições de sequeiro (Capão Bonito e Itapeva) e com irrigação por aspersão
(Paranapanema e Taquarituba) de acordo com as informações técnicas da Comissão
Centro-Sul Brasileira de Pesquisa de Trigo e Triticale para a Safra 2005
(Londrina,2005).
Os experimentos foram semeados no delineamento estatístico de blocos ao
acaso, com quatro repetições por local e 15 genótipos (tratamentos). Cada parcela
constou de oito linhas de 3,0 m de comprimento, com espaçamento de 0,15 m, entre
si, com separação lateral de 0,60 m entre as parcelas. Procedeu-se à semeadura com
80 sementes viáveis por metro de sulco e a colheita foi em área total das parcelas, ou
seja, 3,6 m2.
A adubação mineral foi feita a lanço antes da semeadura e, posteriormente,
incorporadas ao solo. As quantidades de fertilizantes aplicadas nos diferentes locais
basearam-se nas tabelas de adubação e calagem do Instituto Agronômico (RAIJ et
al.,1996).
Nos experimentos irrigados, adotou-se o método proposto por SILVA et al.
(1984), que consiste em uma irrigação de 40-60 mm após a semeadura, com a
finalidade de umedecer o solo, bem como na instalação de tensiômetros em pontos
diferentes, à profundidade de 12 cm. As irrigações complementares foram realizadas
quando a média das leituras dos tensiômetros indicava 0,6 atm e a lâmina líquida
aplicada determinada por meio da evaporação no tanque classe A, nos intervalos das
irrigações.
A Ferrugem-da-folha (Puccinia triticina) foi avaliada após o florescimento das
plantas (estádio de crescimento 11.2 na escala de Large, 1954), por meio da escala
modificada de COBB empregada no "International Spring Wheat Rust Nursery",
utilizada por SCHRAMM et al.(1974).
As manchas foliares infectadas por Bipolaris sorokiniana, Drechslera tritici
repentis e nas espigas Pyricularia grisea e Giberella zeae foram avaliadas em cada
parcela em dois períodos: no final do florescimento (grãos estádio aquoso) e grãos no
estádio de massa, em condições naturais de infecção, empregando-se a metodologia
proposta por MEHTA (1978), que consiste na seguinte escala: de 0 a 99% de área
infectada; zero é considerado imune; 1 a 5% resistentes; 6 a 25% moderadamente
resistentes; 26 a 50 moderadamente suscetíveis, e 51 a 99% suscetíveis.
A cultivar IAC 381 Kuara foi desenvolvida a partir do cruzamento CMH
75.A66/SERI/3/BH1146//AA"S"/WIN"S" realizado em Campinas (1994) pelo programa
de melhoramento genético de trigo, recebendo o n.H.18301. O método de
melhoramento genético utilizado foi o Genealógico, onde se selecionaram espigas
individuais por planta nas gerações F a F . Em F a linha avançada foi avaliada em
experimentos preliminares de linhagens e posteriormente em ensaios avançados,
sendo avaliada em ensaios avançados de VCU, no Estado de São Paulo na Região
11, doravante denominada Região 2 – Moderadamente quente, Úmida e Baixa.
Na tabela 1 encontram-se os rendimentos médios de grãos em kg.ha-1 da
cultivar IAC 381 Kuara e das testemunhas IAC 24 (T.1) e IAC 370 (T.2) de 2004 a
2006. Nas localidades de Capão Bonito e Itapeva nas condições de sequeiro, a média
de superioridade no rendimento da nova cultivar considerando os três anos avaliados
foi de grãos 3.388 kg.ha-1 contra o rendimento médio de 2.677 kg.ha-1, das
testemunhas. Nas condições de irrigação por aspersão nas localidades de
Paranapanema e Taquarituba, a média de superioridade foi de 3.768. kg.ha-1 para a
cultivar Kuara em relação aos 2.973 kg.ha-1 das testemunhas. Existiu variabilidade
entre as localidades.
A nova cultivar alem de apresentar bom potencial de rendimento de grãos nas
condições de cultivo de sequeiro e irrigado por aspersão, possuindo as seguintes
características agronômicas: porte baixo (85 a 95 cm), moderadamente resistente ao
acamamento, moderada resistência ao crestamento, resistente a ferrugem da folha e
com moderada resistência as manchas foliares causadas por helmintosporiose e a
brusone, resistente a debulha natural e a germinação na espiga, de ciclo médio de125
a 130 dias da germinação a colheita.
A qualidade tecnológica da farinha e classificada como trigo pão de acordo
com a Instrução Normativa no 7 do MARA de 2001 apresentando as seguintes
características: Alveógrafo W de 290 a 320 x 10-4 J, estabilidade 9,7 relação P/L 0,86.
Ano de Lançamento 2008 referencia 23300
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
AACC. American Association of Cereal Chemists. Approved methods, 9 ed. Saint Paul
– United States.; AA, 1995.
BAMMER, S. P; BARCELLOS, A; MORAES-FERNANDES, M.I.B.; MILACH, S.C. K.
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Biotecnológicas para o Melhoramento no Brasil. Fitopatol. Brás. V.25 n.1: 5-20, 2000
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London, 3:128-129. 1954.
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Triticale: (20.: 2005: Londrina,PR) Sistema de Produção/EMBRAPA Soja,n.7.
METHA, Y.R. Doenças de trigo e seu controle. São Paulo, Agronômica Ceres, 190p.,
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PIMENTEL-COMES, F. Curso de estatística experimental 4.ed.ver.ampl. Piracicaba,
Nobel, 1970. 430p.
RAIJ, B. van; CANTARELLA, H; QUAGGIO, J.A. & FURLANI, A.M.C. Recomendações
de adubação e calagem para o Estado de São
Paulo. Campinas,Instituto
Agronômico/Fundação IAC, 1996. 285p. ( Boletim técnico, 100).
SCHRAMM, W.; FULCO, W.S.; SOARES, M.H.C. & ALMEIDA, A.M.P. Resistência de
cultivares de trigo em experimentação ou cultivo no Rio Grande do Sul: às principais
doenças fúngicas. Agronomia Sul-riograndense. Porto Alegre, 10 (1): 31-39, 1974.
SILVA, A. R. Melhoramento das variedades de trigo destinadas às diferentes regiões
do Brasil. Rio de Janeiro, Ministério da Agricultura, 82p. 1966. (Estudos Técnicos, 33)
SILVA, E.M.; LUCHIARI JUNIOR, A.; GUERRA, A.F. & GOMIDE, R.L.
Recomendações sobre o manejo de irrigação em trigo para a região dos cerrados. In:
REUNIÃO DA COMISSÃO NORTE BRASILEIRA DE PESQUISA DE TRIGO,
10.,Campinas, 1984. Ata. Brasília,EMBRAPA-CPAC,1984.60p.
Tabela 1 - Rendimento de grãos do cultivar de trigo IAC 381 Kuara em
relação às testemunhas IAC 24 (T1) e IAC 370 (T2) para a Região
Homogênea de Adaptação II nas condições de sequeiro nas localidades de
Capão Bonito (C.B.) e Itapeva (Itap.), no Estado de São Paulo
2004
C. B.
Itap.
2006
2005
Média
C. B..
Itap.
Média
C.B.
Itap.
Média Média
Cultivar
kg/ha
kg/ha
kg/ha
kg/ha
kg/ha
kg/ha
kg/ha
kg/ha kg/ha
kg/ha
%
IAC 381
2753
4062
3407
3153
2493
2823
3844
4024
3934
3388
127
T1 IAC 24
2674
2760
2762
2652
2323
2487
3232
2916
3074
T2 IAC 370
2090
2826
2458
3323
2419
2736
3239
1857
2548
TM
2427
2793
2610
2987
2236
2611
3235
2386
2811
2677
100
CV %
10,22
10,87
9,44
15,25
10,61 10,07
TM - Média das testemunhas, por local.
Tabela 2 - Rendimentos de grãos do cultivar de trigo IAC 381 Kuara em
relação às testemunhas IAC 24 (T1) e IAC 370 (T2) para a Região
Homogênea de Adaptação de VCU II nas condições de irrigação nas
localidades de Paranapanema (PP) e Taquarituba (Taq.), no Estado de São
Paulo
2004
PP
Taq.
2006
2005
Média
PP
Taq.
PP
Taq.
Media
Média
Cultivar
kg/ha kg/ha kg/ha
kg/ha
kg/ha
kg/ha kg/ha
kg/ha kg/ha
kg/ha
%
IAC 381
4246
4351
4298
2968
2350
2659
4052
4644
4348
3768
127
T1 IAC 24
3729
4351
4040
2066
1309
1687
3010
3319
3164
T2 IAC 370
3166
4132
3649
2069
1288
1678
3559
3691
3265
TM
3447
4241
3844
2067
1298
1682
3284
3505
3394
2973
100
CV %
8,41
9,64
17,17
14,16
17,37
9,59
TM - Média das testemunhas, por local.
AVALIAÇÃO DE GENÓTIPOS DE TRIGO NO ESTADO
DE SÃO PAULO EM 2009
Felicio, J.C.1-;Camargo,C.E.O.1-; Ferreira Filho, A.W.P.1-; Reco, P.C.2-; Ramos Junior,
E.U.2-; Salvo, S.3-; Grando,V.3-; Heezen,A.M.4(1)
Instituto Agronômico (IAC), Caixa Postal 28, 13012-970 Campinas
[email protected]., (2)DDD/APTA/SAA, (3)Bayer CropScience, (4)DSMM/CATI.
(SP)
E remotíssima a origem do trigo. O homem cultiva o Triticum vulgar, pelo
menos, há seis mil anos, no início triturando-o entre pedras rústicas, para aproveitar a
farinha. Foram encontrados grãos de trigo nos jazigos de múmias do Egito, nas ruínas
das habitações lacustres da Suíça e nos tijolos da pirâmide de Dashur, cuja
construção data de mais de três mil anos antes de Cristo (ABITRIGO, 2003).
A brusone do trigo é uma doença que ocorre em vários países do mundo, mas
é no Brasil que mais tem sido associada com perdas econômicas importantes. A sua
ocorrência foi registrada em nosso país em 1986, em alguns locais, como o sudoeste
da Ásia, já havia sido observada há muitos anos. A doença provoca queda de
rendimento e qualidade de grãos, deixando-os enrugados, pequenos, deformados e
com baixo peso específico. A ausência de cultivares resistente a essa doença e a
maior preocupação da triticultura nacional, outro fator e a baixa eficiência que os
fungicidas vêm demonstrando para o controle da doença, que muitas vezes tem a sua
ação prejudicada por condições ambientais.
Atualmente, os fungicidas se constituem importante ferramenta para estabilizar
a produtividade de trigo em regiões com alto impacto de doenças fúngicas (PICININI &
FERNANDES, 2000)
Para avaliar o comportamento das cultivares e dos genótipos de trigo quanto
ao rendimento de grãos, reações ás doenças, adaptabilidade e estabilidade e a
qualidade industrial para a panificação, foram conduzidos experimentos no Estado de
São Paulo em 2009 com irrigação por aspersão, nas seguintes localidades: Manduri
(Zona A) e Paranapanema (Zona C) e nas condições de sequeiro em Capão Bonito e
Itapeva (Zona B) de acordo com as informações técnicas da Comissão Centro-Sul
Brasileira de Pesquisa de Trigo e Triticale para a Safra 2005 (Londrina,2005).
Os experimentos foram semeados no delineamento estatístico de blocos ao
acaso, com quatro repetições por local e 20 genótipos (tratamentos). Cada parcela
constou de oito linhas de 3,0 m de comprimento, com espaçamento de 0,15 m, entre
si, com separação lateral de 0,60 m entre as parcelas. Procedeu-se à semeadura com
80 sementes viáveis por metro de sulco e a colheita foi em área total das parcelas, ou
seja, 3,6 m2. Sendo a 1a e 2a repetições sem tratamento com o fungicida na 3a e 4a
repetições.
A adubação mineral foi feita a lanço antes da semeadura e, posteriormente,
incorporadas ao solo. As quantidades de fertilizantes aplicadas nos diferentes locais
basearam-se nas tabelas de adubação e calagem do Instituto Agronômico (RAIJ et
al.,1996).
Nos experimentos irrigados, adotou-se o método proposto por SILVA et al.
(1984), que consiste em uma irrigação de 40-60 mm após a semeadura, com a
finalidade de umedecer o solo, bem como na instalação de tensiômetros em pontos
diferentes, à profundidade de 12 cm. As irrigações complementares foram realizadas
quando a média das leituras dos tensiômetros indicava 0,6 atm e a lâmina líquida
aplicada determinada por meio da evaporação no tanque classe A, nos intervalos das
irrigações.
Foram realizadas duas aplicações do fungicida Nativo na base de 750 ml/ha: a
1a aplicação foi realizada de acordo com a escala de FEEKES (1940), modificada por
LARGE (1954) no estádio 10.1 (primeiras espigas apenas visíveis) e à 2a aplicação foi
realizada no estádio 10.3 (metade do processo de espigamento)
Realizou-se a avaliação de rendimentos de grãos pesando, em gramas, a
produção total de cada parcela, a qual foi transformada para quilograma/hectare, para
a comparação das médias utilizou-se o teste de Duncan, de acordo com PIMENTELGOMES (1970).
A Ferrugem-da-folha (Puccinia triticina) foi avaliada após o florescimento das
plantas (estádio de crescimento 11.2 na escala de Large, 1954), por meio da escala
modificada de COBB empregada no "International Spring Wheat Rust Nursery",
utilizada por SCHRAMM et al.(1974).
As manchas foliares infectadas por Bipolaris sorokiniana, Drechslera tritici
repentis e nas espigas Pyricularia grisea e Giberella zeae foram avaliadas em cada
parcela em dois períodos: no final do florescimento (grãos estádio aquoso) e grãos no
estádio de massa, em condições naturais de infecção, empregando-se a metodologia
proposta por MEHTA (1978), que consiste na seguinte escala: de 0 a 99% de área
infectada; zero é considerado imune; 1 a 5% resistentes; 6 a 25% moderadamente
resistentes; 26 a 50 moderadamente suscetíveis, e 51 a 99% suscetíveis.
Nas Tabelas 1, 2 e 3 encontram-se os rendimentos médios de grãos em kg.ha-1
e o resumo das análises da variância conjunta dos experimentos (cultivares de trigo
em cultivo e novos genótipos) avaliados nas diferentes regiões tritícolas de VCU II e III
no Estado de S.Paulo em 2009.
A analise da variância Tabela 1 apresentou efeito significativo (P>0,01) para
genótipo, tratamento com fungicida (Fox 500 ml/ha) e CV 15,89%, portanto, revela o
comportamento diferencial das cultivares no ambientes de Capão Bonito quanto ao
tratamento com fungicida e do fungicida Fox em relação as doenças ocorrente.
Destacaram para rendimento de grãos sem a presença do fungicida os
genótipos: IAC 350, IAC 375, IAC 378, IAC 381, IAC 384 e IAC 289 e para as parcelas
protegidas oiac 375,IAC 381 e IAC 387. O melhor ganho em rendimento com a
aplicação do fungicida foi do IAC 387 1612 kg.ha-1.
A analise da variância Tabela 2 apresentou efeito significativo (P>0,05) para
genótipo, tratamento com fungicida (Nativo 1000 ml/ha) foi significativo (P>o,01) e CV
17,77%, portanto, revela o comportamento diferencial das cultivares no ambientes
avaliado quanto ao tratamento com fungicida e do fungicida Nativo em relação as
doenças ocorrente.
Em Itapeva (Tabela 2) os melhores rendimentos médios de grãos sem
proteção do fungicida foram obitidos nos cultivares IAC 381 e IAC 386 e com a
aplicação de fungicida o IAC 289 nas condições de sequeiro desta localidade.
Destacaram para ganho em rendimento de grãos com a proteção do fungida Nativo
em comparação a parcela não protegida foram o IAC 370, IAC 373 e IAC 384.
A analise da variância Tabela 3 apresentou efeito significativo (P>0,01) para
genótipo e tratamento com fungicida (Fox 500 ml/ha e Nativo 750 ml/ha) e CV 21,31%,
o comportamento diferencial das cultivares no ambientes de Manduri foi altamente
influenciado pelas condições climáticas locais apresentando alta incidência de
doenças principalmente a brusone. A cultivar IAC 375 apresentou melhor rendimento
de grãos nos tratamentos com e sem fungicida e resposta ao uso da proteção contra
doenças.
A diferença na incidência das doenças de um local para outro foi altamente
considerada, provavelmente tenha influenciado para esta incidência, a época de
semeadura, a altitude de cada local e a suscetibilidade da cultivar a doenças
influenciadas pelas condições climáticas anormal do período invernal.
A incidência da ferrugem da folha (%), ocorreu em todas as regiões tritícolas
paulista mas em baixa intensidade. A ocorrência das manchas foliares causadas por
Bipolaris sorokiniana e Drechslera tritici repentis foram generalizadas, principalmente
após as precipitações pluviais que ocorreram no final do mês de julho favorecendo
estas doenças. O controle das Manchas foliares não foi eficiente, mesmo sendo o
fungicida aplicado preventivamente (três aplicações) no intervalo de 12 dias, a brusone
e a giberela seguiram o mesmo padrão de ocorrência das manchas foliares. Verificouse quando do aumento da dosagem do fungicida um melhor controle das doenças.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CAMARGO, C.E.O; FELICIO, J.C.; FERREIRA FILHO, A.W.P. Variedades de trigo
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London, 3:128-129. 1954.
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2005: Londrina,PR) Sistema de Produção/EMBRAPA Soja,n.7.
METHA, Y.R. Doenças de trigo e seu controle. São Paulo, Agronômica Ceres, 190p.,
1978. (ceres, 20)
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Nobel, 1970. 430p.
PICININI,E.C.& FERNANDES, J.M.C. Controle das Doenças de Trigo. In CUNHA,
G.R. & BACALTCHUK, B., Org. Tecnologia para produzir trigo no Rio Grande do Sul,
Porto Alegre: Assembléia Legislativa. Comissão de Agricultura, Pecuária e
Cooperativismo/ Passo Fundo: Embrapa Trigo 2000, p.225/253.
RAIJ, B. van; CANTARELLA, H; QUAGGIO, J.A. & FURLANI, A.M.C. Recomendações
de adubação e calagem para o Estado de São Paulo. Campinas,Instituto
Agronômico/Fundação IAC, 1996. 285p. ( Boletim técnico, 100).
ROSSI, R.M.; NEVES, M.F Estratégia para o trigo no Brasil. Editora Altas, p224,São
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SCHRAMM, W.; FULCO, W.S.; SOARES, M.H.C. & ALMEIDA, A.M.P. Resistência de
cultivares de trigo em experimentação ou cultivo no Rio Grande do Sul: às principais
doenças fúngicas. Agronomia Sul-riograndense. Porto Alegre, 10 (1): 31-39, 1974.
SILVA, A. R. Melhoramento das variedades de trigo destinadas às diferentes regiões
do Brasil. Rio de Janeiro, Ministério da Agricultura, 82p. 1966. (Estudos Técnicos, 33)
SILVA, E.M.; LUCHIARI JUNIOR, A.; GUERRA, A.F. & GOMIDE, R.L.
Recomendações sobre o manejo de irrigação em trigo para a região dos cerrados. In:
REUNIÃO DA COMISSÃO NORTE BRASILEIRA DE PESQUISA DE TRIGO,
10.,Campinas, 1984. Ata. Brasília,EMBRAPA-CPAC,1984.60p.
Tabela 1 – Analise da variância, produtividade média (kg.ha-1) de grãos sem e com
proteção de plantas, ganho em rendimento (G.R.) e a incidência da brusone,
manchas foliares (MF) e giberela nos genótipos de trigo avaliados em condição de
sequeiro na localidade de Capão Bonito Região de VCU, no Estado de São Paulo, em
2009
Capão
Bonito
S/trat
C/trat
G.R.
Brusone
----------
s/Trat.
-1
17- IAC 1004
18- IAC 1005
19- IAC 289 (MG)
20- VEE”S”/BOW”S”//IAC 24
Média
Genótipo
Tratamento c/ FOX (3 apl. CB
500ml/ha)
Fung x Genótipo
c/trat s/trat c/trat. s/ e c/Trat.
%
5
%
5
%
60
%
30
40
%
10
612
708
1124
648
1274
5
20
5
5
10
5
5
10
1
1
50
50
50
50
40
30
30
30
20
40
30
40
60
25
30
10
15
10
15
631
10
5
50
30
40
15
919
981
20
20
1
10
30
50
20
30
50
50
20
10
1460
10
10
60
30
40
5
1193
5
5
50
30
60
30
565
20
10
60
40
40
20
198
5
5
40
40
25
20
748
664
10
10
5
40
60
40
50
40
40
5
40
1612
252
568
273
1485
1371
8.30**
282.8**
30
5
10
5
10
10
t
40
40
40
40
60
50
40
40
40
40
60
20
10
15
20
15
5
5
10
943 be 1591 df
6- IAC 375
1239 ac 2513 ab
MARNG/BUC"S"//BLO"S"/PSN"S"/3/
PVN
7- IAC 376 BUS"S"/PAVON"S"// IAC 876 ce 1507 ef
24
8- IAC 378 ALONDRA/IAC 24
1082 ad 2001 ce
9- IAC 380 RL6010/5*INIA66//IAC
866 ce 1847 df
24/IAC 287
10- IAC 381
1293 ac 2753 a
CMH.75.A.66/SERI/3/BH1146//AA
“S"/WIN"S"
11- IAC 382 RL6010/5*INIA66//IAC
843 ce 2036 bd
24/IAC 120
12- IAC 383
851 ce 1416 fg
BH1146//AA"S"/WIN"S"/3/BUC/FKL//
MYNA/VUL
13- IAC 384
1432 ab 1630 df
KAUZ/3/TOB/CTFN//BB/4/BLO"S"/5/
….
14- IAC 385 TRAPI#1/YACO//BAV.92 893 ce 1641 df
15- IAC 386
BH1146//AA"S"/WIN"S"/3/SERI 82
16- IAC 387 BABAX/LR39//BABAX
Giberela
---------- (kg.ha ) ---------870 ce 1759 df
889
1- IAC 24
IAS51/4/SON64/Y50E//GTO/3*CIAN
O
2- IAC 350 2109.36/SERI 82
1166 ac 1778 df
3- IAC 364 *
776 ce 1484 ef
4- IAC 370 BOW//NAC/3/BJY/COC 814 ce 1938 ce
5- IAC 373 FCT//YR/PAM
MF
991 ad 1655 df
770 ce
610 de
437 e
1470 a
999 ad
2382 ac
862 h
1005 gh
1743 df
2484 bd
3.17*
15,89
Médias para comparação da produtividade de grãos entre cultivares dentro de local e na média geral em
letras minúsculas e médias para comparação entre locais em letras maiúsculas. Médias seguidas por letras
distintas diferem entre si pelo teste de Duncan a 5%.
*IAS58/IAS55//ALD"S"/3/IAC5/4/ALD"S"//IAS58/8.1034_A//ALD/5/CNR/6/BUC/7/IAC24
t = traço; – baixa incidência da doença
CV%
Tabela 2 – Analise da variância, produtividade média (kg.ha-1) de grãos sem e
com proteção de plantas, ganho em rendimento (G.R.) e a incidência da
brusone, manchas foliares (MF) e giberela nos genótipos de trigo avaliados em
condição de sequeiro na localidade de Itapeva Região de VCU II, no Estado
de São Paulo, em 2009
Itapeva
S/trat
---------
G.R.
C/trat
------1
5- IAC 373 FCT//YR/PAM
17- IAC 1004
18- IAC 1005
19- IAC 289 (MG)
20- VEE”S”//BOW”S”/IAC 24
Média
Genótipo
Tratamento c/ Nativo (3 apl.
1000ml/ha)
CV%
Giberela
s/Trat. c/trat s/trat c/trat. s/ c/Trat.
%
t
%
t
%
40
%
30
5
970 c 2257 ae
1715 ac 2750 ab
1959 ab 2086 af
350
281
1287
1035
127
5
10
10
5
-
t
5
5
t
40
60
60
40
60
30
40
40
40
40
10
10
5
10
10
-
af
506
5
5
50
40
5
t
ae
ae
779
687
20
20
5
10
40
50
30
40
20
30
20
10
df
-360
5
2
50
40
5
1
ae
904
t
t
70
40
5
t
bf
648
t
-
60
40
10
t
ac
1146
-
-
30
30
5
-
2119 a
ab
2401 ad
906
282
10
5
50
50
40
40
10
5
1552 bc
1515 bc
1629 ac
2067 ab
1439 ac
2536 ad
2153 ae
1568 ef
2873 a
2192 ae
984
638
-61
806
753
1879
2,92*
82,13**
t
t
t
t
t
-
70
30
30
30
40
40
30
30
30
30
10
5
5
5
t
6- IAC 375
MARNG/BUC"S"//BLO"S"/PSN"S"/3/PV
N
7- IAC 376 BUS"S"/PAVON"S"// IAC 1607 ac 2113
24
8- IAC 378 ALONDRA/IAC 24
1549 ac 2328
9- IAC 380 RL6010/5*INIA66//IAC
1568 ac 2255
24/IAC 287
10- IAC 381
2153 a 1793
CMH.75.A.66/SERI/3/BH1146//AA
“S"/WIN"S"
11- IAC 382 RL6010/5*INIA66//IAC
1407 ac 2311
24/IAC 120
12- IAC 383
1399 ac 2047
BH1146//AA"S"/WIN"S"/3/BUC/FKL//M
YNA/VUL
13- IAC 384
1507 ac 2653
KAUZ/3/TOB/CTFN//BB/4/BLO"S"/5/….
14- IAC 385 TRAPI#1/YACO//BAV.92 1819 ac 2725
15- IAC 386
BH1146//AA"S"/WIN"S"/3/SERI 82
16- IAC 387 BABAX/LR39//BABAX
M F.
(kg.ha ) ----756
1- IAC 24
1272 bc 2028 bf
IAS51/4/SON64/Y50E//GTO/3*CIANO
2- IAC 350 2109.36/SERI 82
1559 ac 1909 cf
3- IAC 364 *
1089 c 1370 f
4- IAC 370 BOW//NAC/3/BJY/COC
Brusone
%
-
17,77
Médias para comparação da produtividade de grãos entre cultivares dentro de local e na média geral em
letras minúsculas e médias para comparação entre locais em letras maiúsculas. Médias seguidas por
letras distintas diferem entre si pelo teste de Duncan a 5%.
*IAS58/IAS55//ALD"S"/3/IAC5/4/ALD"S"//IAS58/8.1034_A//ALD/5/CNR/6/BUC/7/IAC24
t = traço; – baixa incidência da doença
Tabela 3 – Analise da variância, produtividade média (kg.ha-1) de grãos sem e
com proteção de plantas, ganho em rendimento (G.R.) e a incidência da
brusone, manchas foliares (MF) e giberela nos genótipos de trigo avaliados em
condição de sequeiro na localidade de Manduri – Região de VCU III, no Estado
de São Paulo, em 2009
Manduri
S/trat
1- IAC 24
IAS51/4/SON64/Y50E//GTO/3*CIANO
2- IAC 350 2109.36/SERI 82
3- IAC 364 *
4- IAC 370 BOW//NAC/3/BJY/COC
5- IAC 373 FCT//YR/PAM
15- IAC 386
BH1146//AA"S"/WIN"S"/3/SERI 82
16- IAC 387 BABAX/LR39//BABAX
17- IAC 1004
18- IAC 1005
19- IAC 289 (MG)
20- VEE”S”//BOW”S”/IAC 24
Média
Genótipo
Tratamento c/ FOX (3apl. = 1- 500 e 2 750ml/ha)
C/trat
Brusone
----------- s/Trat.
-1
M F.
Giberela
c/trat s/trat c/trat. s/ c/Trat.
--------97 c
(kg.ha ) ----------501 fg
404
%
10
%
5
%
60
%
40
5
%
-
351 bc
43 c
18 c
320 bc
805 a
1187 cd
639 fg
543 fg
941 de
2359 a
836
596
525
621
1554
20
10
50
5
5
5
10
10
10
1
40
40
40
40
40
30
40
40
30
30
5
10
10
5
5
-
177 bc
1128 cd
1193 cd
695 ef
787
904
515
5
30
30
5
20
20
40
50
50
40
20
40
5
20
10
5
5
335 bc
1118 cd
783
30
20
40
40
5
5
85 c
960 de
875
10
10
40
30
5
-
56 c
354 g
298
10
10
70
40
5
-
197 bc
1041 cd
844
5
5
40
40
5
-
193 bc
187 bc
1339 c
1041 cd
1146
854
t
30
t
20
50
60
40
40
t
5
-
114 c
145 c
120 c
560 b
270 bc
233 B
1099 cd
1268 cd
1376 c
1699 b
1355 c
1092 A
985
1123
1256
1139
1085
662
18,76**
739,93**
t
5
5
5
5
t
t
t
5
50
40
30
40
50
40
30
30
30
30
20
5
5
5
-
6- IAC 375
MARNG/BUC"S"//BLO"S"/PSN"S"/3/PVN
7- IAC 376 BUS"S"/PAVON"S"// IAC 24 341 bc
8- IAC 378 ALONDRA/IAC 24
289 bc
9- IAC 380 RL6010/5*INIA66//IAC
24/IAC 287
10- IAC 381
CMH.75.A.66/SERI/3/BH1146//AA
“S"/WIN"S"
11- IAC 382 RL6010/5*INIA66//IAC
24/IAC 120
12- IAC 383
BH1146//AA"S"/WIN"S"/3/BUC/FKL//MY
NA/VUL
13- IAC 384
KAUZ/3/TOB/CTFN//BB/4/BLO"S"/5/….
14- IAC 385 TRAPI#1/YACO//BAV.92
G.R.
21,31
Médias para comparação da produtividade de grãos entre cultivares dentro de local e na média geral em
letras minúsculas e médias para comparação entre locais em letras maiúsculas. Médias seguidas por
letras distintas diferem entre si pelo teste de Duncan a 5%.
*IAS58/IAS55//ALD"S"/3/IAC5/4/ALD"S"//IAS58/8.1034_A//ALD/5/CNR/6/BUC/7/IAC24
t = traço; – baixa incidência da doença
ADAPTABILIDADE E ESTABILIDADE DAS CULTIVARES DE TRIGO AVALIADAS
NO ENSAIO ESTADUAL DO RIO GRANDE DO SUL, NO ANO 2009
CASTRO, R.L. de1; CAIERÃO, E.2; PIRES, J.L.F.2; PASINATO, A.2; ALMEIDA, J.L.
de3; BARNI, N.A.4; CAETANO, V. da R.5; COLLARES, A.L.4; FRANCO, F. de A.6;
GABE, N.L.4; GARRAFA, M.7; GONÇALVES, J.A.4; LOSSO, A.C.4; MARCHIORO,
V.S.6; OZELAME, J.G.4; ROSA, A.8; ROSA, O. de S.9; ROSA FILHO, O. de S.8;
RUBIN, S. de A.L.4; SANTOS, F.M. dos10; SCHEEREN, P.L.2; SILVA, M. SÓ e2;
SVOBODA, L.H.11; TOIGO, M. de C.4; TONON, V.D.11; WORDELL FILHO, J.A.12.
(1)
Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária do Estado do Rio Grande do Sul –
FEPAGRO, Centro de Pesquisa da Região Nordeste, Caixa Postal 20, CEP 95200000, Vacaria-RS, [email protected]; (2)Empresa Brasileira de Pesquisa
Agropecuária, Centro Nacional de Pesquisa de Trigo - Embrapa Trigo; (3) Fundação
Agrária de Pesquisa Agropecuária – FAPA; (4)Fundação Estadual de Pesquisa
Agropecuária – FEPAGRO; (5)Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, Centro
de Pesquisa Agropecuária de Clima Temperado – Embrapa Clima Temperado;
(6)
Cooperativa Central de Pesquisa Agrícola – COODETEC; (7)Sociedade Educacional
Três de Maio – SETREM; (8)Biotrigo Genética; (9)OR Melhoramento de Sementes;
(10)
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul – IFRS,
Campus Sertão; (11)Fundação Centro de Experimentação e Pesquisa FECOTRIGO –
FUNDACEP/FECOTRIGO. (12)Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural
de Santa Catarina – EPAGRI, Centro de Pesquisa de Agricultura Familiar.
As análises de adaptabilidade e estabilidade proporcionam informações
pormenorizadas sobre o comportamento de cada genótipo frente às variações de
ambiente, possibilitando a identificação de cultivares com comportamento previsível e
responsivas a condições ambientais específicas ou amplas. Conceitualmente,
adaptabilidade refere-se à capacidade dos genótipos responderem vantajosamente à
melhoria do ambiente. Já estabilidade refere-se à capacidade dos genótipos terem
comportamento altamente previsível em função das variações de ambiente. Dentre os
conceitos mais recentes, considera-se ideal a cultivar com alta capacidade produtiva,
alta estabilidade, pouco sensível às condições adversas dos ambientes desfavoráveis,
mas capaz de responder satisfatoriamente à melhoria do ambiente. O objetivo deste
trabalho foi analisar a adaptabilidade e estabilidade das cultivares de trigo avaliadas
no Ensaio Estadual do Rio Grande do Sul, no ano 2009.
Foram utilizados os dados do Ensaio Estadual de Cultivares de Trigo realizado
em 2009, excluindo-se os locais com coeficiente de variação acima de 20%. Foram
estudados os desempenhos (em kg.ha-1) de trinta e cinco cultivares em quatorze
ambientes, correspondentes aos experimentos válidos da rede. A análise conjunta dos
ensaios foi efetuada, após verificação da homogeneidade das variâncias residuais,
adotando-se o modelo misto (efeito de cultivar fixo e de ambiente aleatório). A análise
de adaptabilidade e estabilidade foi realizada pelo método da distância em relação à
cultivar ideal, ponderada pelo coeficiente de variação residual, proposto por Carneiro
(1988) (Tabela 1). A atribuição de maior peso aos ambientes com maior precisão
experimental foi realizada multiplicando-se o estimador da medida de adaptabilidade e
estabilidade de comportamento (parâmetro MAEC) pelo fator de ponderação f, dado a
seguir:
f=
CVj
CVT
em que:
CVj = coeficiente de variação residual no ambiente j;
CVT = soma dos coeficientes de variação residual nos a ambientes.
Tabela 1. Estimativas do parâmetro MAEC (medida de adaptabilidade e estabilidade
de comportamento) em termos gerais (MAEC - Pi) e específicos aos
ambientes favoráveis (MAEC - Pif) e desfavoráveis (MAEC - Pid), pelo
método da diferença em relação à cultivar ideal (Carneiro, 1998). Xij é a
produtividade da i-ésima cultivar no j-ésimo ambiente; Ymj é a resposta da
cultivar ideal no ambiente j; a é o número total de ambientes; f é o número
de ambientes favoráveis; e d é o número de ambientes desfavoráveis.
MAEC - Pi
Total de ambientes
∑ (X
a
Pi =
j=1
MAEC - Pif
Ambientes favoráveis
− Ymj )
∑ (X
f
2
ij
2a
Pif =
j=1
MAEC - Pid
Ambientes desfavoráveis
− Ymj )
∑ (X
d
2
ij
2f
Pid =
j=1
− Ymj )
2
ij
2d
A cultivar ideal (hipotética ou referencial) foi definida com base no modelo
estatístico de Cruz et al. (1989), conforme proposto por Carneiro (1998), qual seja:
Ymj = b 0 m + b1m I j + b 2 m T (I j )
em que:
Ymj = resposta da cultivar ideal no ambiente j;
b0m = produtividade máxima, em kg/ha, constatada no experimento
(considerando todos os ambientes);
Ij = índice ambiental;
T(Ij) = 0 se Ij < 0;
T(Ij) = Ij - Ι + se Ij > 0, sendo Ι + igual a média dos índices (Ij) positivos;
b1m = 0,5 (pouco sensível às condições adversas dos ambientes
desfavoráveis);
b2m = 1 (responsivo às condições favoráveis; b1m + b2m = 1,5).
As estimativas (Pi) do parâmetro MAEC, em termos gerais ou específicos a
ambientes favoráveis ou desfavoráveis, foram submetidas ao teste de normalidade de
Lilliefors. No caso em que a hipótese de nulidade do teste foi aceita (ou seja, quando
foi considerado razoável estudar os dados através da distribuição normal), foram
destacadas as cultivares com estimativas Pi superiores ao valor correspondente ao z =
1,04 (15% superiores, considerando a curva normal padronizada). No caso em que a
hipótese de nulidade foi rejeitada (não sendo razoável o estudo dos dados através da
distribuição normal), foram identificadas 15% das cultivares com os menores valores
de Pi (menor distância em relação à cultivar ideal = maior adaptabilidade e estabilidade
de comportamento).
As análises estatísticas foram realizadas com o auxílio do programa
computacional GENES (Cruz, 2006).
As estimativas do parâmetro MAEC, empregando o método da distância em
relação à cultivar ideal, ponderada pelo coeficiente de variação residual, permitiu
destacar as seguintes cultivares:
a) Adaptabilidade e estabilidade geral (melhor desempenho em todos os
ambientes):
- Quartzo
- Mirante
- BRS Louro
- Campeiro
- Vaqueano
b) Melhor desempenho em ambientes favoráveis:
- Quartzo
- Mirante
- Fundacep 47
c) Melhor desempenho em ambientes desfavoráveis:
- Quartzo
- BRS Louro
- BRS Timbaúva
- Vaqueano
- Mirante
- BRS 276
As cultivares de trigo avaliadas diferem quanto à adaptabilidade e estabilidade
de produção, sendo possível identificar, pelo método da distância em relação à cultivar
ideal, ponderada pelo coeficiente de variação residual (Carneiro, 1988), cultivares de
trigo com maior adaptação às condições gerais de cultivo no Rio Grande do Sul ou
com adaptação específica a ambientes favoráveis ou desfavoráveis.
REFERÊNCIAS
CARNEIRO, P.C.S. Novas metodologias de análise da adaptabilidade e
estabilidade de comportamento. Viçosa: UFV, 1998. 168p. Tese (Doutorado em
Genética e Melhoramento) - Programa de Pós-Graduação em Genética e
Melhoramento. Universidade Federal de Viçosa, 1998.
CRUZ, C.D. Programa Genes: biometria. Viçosa: UFV, 2006. 382p.
RESULTADOS DO ENSAIO ESTADUAL DE CULTIVARES DE TRIGO NO RIO
GRANDE DO SUL, EM 2009
CASTRO, R.L. de1; CAIERÃO, E.2; PIRES, J.L.F.2; PASINATO, A.2; ALMEIDA, J.L.
de3; BARNI, N.A.4; CAETANO, V. da R.5; COLLARES, A.L.4; FRANCO, F. de A.6;
GABE, N.L.4; GARRAFA, M.7; GONÇALVES, J.A.4; LOSSO, A.C.4; MARCHIORO,
V.S.6; OZELAME, J.G.4; ROSA, A.8; ROSA, O. de S.9; ROSA FILHO, O. de S.8;
RUBIN, S. de A.L.4; SANTOS, F.M. dos10; SCHEEREN, P.L.2; SILVA, M. SÓ e2;
SVOBODA, L.H.11; TOIGO, M. de C.4; TONON, V.D.11; WORDELL FILHO, J.A.12.
(1)
Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária do Estado do Rio Grande do Sul –
FEPAGRO, Centro de Pesquisa da Região Nordeste, Caixa Postal 20, CEP 95200000, Vacaria-RS, [email protected]; (2)Empresa Brasileira de Pesquisa
Agropecuária, Centro Nacional de Pesquisa de Trigo - Embrapa Trigo; (3) Fundação
Agrária de Pesquisa Agropecuária – FAPA; (4)Fundação Estadual de Pesquisa
Agropecuária – FEPAGRO; (5)Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, Centro
de Pesquisa Agropecuária de Clima Temperado – Embrapa Clima Temperado;
(6)
Cooperativa Central de Pesquisa Agrícola – COODETEC; (7)Sociedade Educacional
Três de Maio – SETREM; (8)Biotrigo Genética; (9)OR Melhoramento de Sementes;
(10)
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul – IFRS,
Campus Sertão; (11)Fundação Centro de Experimentação e Pesquisa FECOTRIGO –
FUNDACEP/FECOTRIGO. (12)Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural
de Santa Catarina – EPAGRI, Centro de Pesquisa de Agricultura Familiar.
A Comissão Brasileira de Pesquisa de Trigo e Triticale (CBPTT) realiza,
anualmente, o Ensaio Estadual de Cultivares de Trigo no Estado do Rio Grande do Sul
(EECT-RS), visando subsídios às indicações de cultivares. O EECT-RS é realizado em
vários locais, representativos da Regiões Homogêneas de Adaptação de Cultivares de
Trigo do Estado, sendo organizado pela Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária
(FEPAGRO). A FEPAGRO tem o compromisso de distribuir as sementes às
Instituições/Empresas responsáveis pela condução dos experimentos, bem como de
reunir e analisar os dados obtidos. O objetivo deste trabalho foi relatar os resultados
do EECT-RS, realizado no ano 2009.
O Ensaio Estadual de Cultivares de Trigo, em 2009, obedeceu a programação
estabelecida durante a II Reunião da Comissão Brasileira de Pesquisa de Trigo e
Triticale, realizada em 2008, no município de Passo Fundo/RS. O Ensaio foi composto
por quinze experimentos, abrangendo treze locais de avaliação e as duas regiões de
adaptação para trigo no Rio Grande do Sul, além de três experimentos em Santa
Catarina e um no Paraná (Tabela 1).
As cultivares avaliadas nos ensaios do Rio Grande do Sul e Paraná foram:
Abalone, BRS 179, BRS 194, BRS 208, BRS 276, BRS Buriti, BRS Guamirim, BRS
Louro, BRS Timbaúva, BRS Umbu, Campeiro, CD 113, CD 114, CD 115, CD 117, CD
119, CD 120, Fundacep 47, Fundacep 50, Fundacep 51, Fundacep 52, Fundacep 300,
Fundacep Campo Real, Fundacep Cristalino, Fundacep Nova Era, Fundacep
Horizonte, Fundacep Raízes, Marfim, Mirante, Ônix, Pampeano, Quartzo, Safira,
Supera e Vaqueano. Foram consideradas como testemunha as cultivares Fundacep
Raízes, Pampeano e Safira.
Em Santa Catarina, foram avaliadas as cultivares: Abalone, BRS 179, BRS
194, BRS 208, BRS 276, BRS Buriti, BRS Guamirim, BRS Louro, BRS Timbaúva, BRS
Umbu, Campeiro, CD 113, CD 114, CD 115, CD 117, CD 119, CD 120, Fundacep 47,
Fundacep 50, Fundacep 51, Fundacep 52, Fundacep 300, Fundacep Campo Real,
Fundacep Cristalino, Fundacep Nova Era, Fundacep Horizonte, Fundacep Raízes,
Mirante, Ônix, Pampeano, Safira, Supera e Vaqueano. Foram consideradas como
testemunha as cultivares Fundacep Raízes, Pampeano e Safira.
Os experimentos foram delineados em blocos casualizados com 3 ou 4
repetições, sendo a unidade experimental constituída por cinco fileiras de 5 m de
comprimento, espaçadas 0,2 m entre si (área útil = 3 m2 no caso de colheita manual e
5 m2 no caso de colheita mecanizada), com aproximadamente 330 plantas/m2.
Somente foram considerados para análise os experimentos com Coeficiente de
Variação inferior a 20%. Os dados de rendimento de grãos, em kg/ha, foram
submetidos à análise de variância complementada pelo método de agrupamento de
médias proposto por Scott & Knott (1974). O desempenho das cultivares foi
comparado, em percentagem relativa, com a média de rendimento de grãos das duas
melhores testemunhas em cada local de avaliação e na média das Regiões
Homogêneas de Adaptação e do Estado. As análises estatísticas foram realizadas
com o auxílio do programa computacional GENES (Cruz, 2006).
Os dados dos municípios de Santa Catarina e Paraná foram considerados nos
respectivos Estados e Regiões Homogêneas de Adaptação, não sendo considerados
na média do Estado do Rio Grande do Sul.
Tabela 1. Região de adaptação, local, data da semeadura, tratamento fitossanitário na
parte aérea, número de repetições e entidade responsável pela condução
dos experimentos. Ensaio Estadual de Cultivares de Trigo, 2009.
Grupo
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
2
2
2
2
1
2
2
1
1
Local
Coxilha
Cruz Alta
Hulha Negra
Júlio de Castilhos
Não-Me-Toque
1
Passo Fundo
2
Passo Fundo
Pelotas
Pelotas
Vacaria
Vacaria
Sertão
Santo Augusto
São Borja
São Luis Gonzaga
Três de Maio
Campos Novos
Chapecó
Abelardo Luz
Guarapuava
Semeadura
Fungicida
29/06/2009
12/06/2009
28/07/2009
25/06/2009
06/06/2009
22/06/2009
21/07/2009
01/08/2009
01/08/2009
24/07/2009
24/07/2009
13/07/2009
12/06/2009
08/06/2009
04/06/2009
25/06/2009
29/06/2009
19/06/2009
22/06/2009
13/07/2009
Com
Com
Com
Com
Com
Com
Com
Sem
Com
Sem
Com
Sem
Com
Com
Com
Com
Com
Com
Com
Com
Repetições Entidade Responsável
CF
SF
3
4
4
4
4
3
3
4
4
4
4
3
4
3
3
3
4
1
1
1
1
4
4
4
1
1
1
1
-
OR Sementes
FUNDACEP-FECOTRIGO
FEPAGRO Campanha
FEPAGRO Sementes
COODETEC
Embrapa Trigo
Embrapa Trigo
Embrapa Clima Temperado
Embrapa Clima Temperado
FEPAGRO Nordeste
FEPAGRO Nordeste
IFRS - Sertão
FEPAGRO Noroeste
FEPAGRO Cereais
FUNDACEP-FECOTRIGO
SETREM
EPAGRI
EPAGRI
EPAGRI
FAPA
2
= Época 1; = Época 2.
CF = COM fungicida; SF = SEM fungicida.
A média geral de rendimento de grãos do EECT-RS em 2009 foi 3.754 kg/ha
(Figura 1 e Tabela 2), superior a média obtida nos ensaios de outros anos no período
considerado. Por apresentarem coeficiente de variação acima de 20%, foram
desconsiderados para efeito de médias por Região de Adaptação e média estadual os
ensaios conduzidos em Pelotas. Também não foram considerados os dados do
município de Sertão.
kg/ha
4000
3500
3000
2500
2000
1500
1000
500
0
99
'00 '01 '02 '03 '04 '05 '06 '07 '08 '09
Ano
Figura 1. Médias de rendimento de grãos do Ensaio Estadual de Cultivares de Trigo,
conduzidos de 1999 a 2009.
No Rio grande do Sul, o rendimento de grãos, em valores absolutos, foi
bastante similar nas duas regiões de adaptação do Estado, com valores médios de
3.743 kg/ha na Região 1 e 3.778 kg/ha na Região 2 (Tabela 2).
Em Santa Catarina, o rendimento de grãos, em valores absolutos, foi maior na
Região 2 com média de 3.870 kg/ha.
No Paraná, somente foi realizado experimento na Região 1 com média de
rendimento de 4.621 kg/há (Tabela 2).
Os experimentos conduzidos em Três de Maio, Vacaria e Passo Fundo (1ª
época), com aplicação de fungicida em parte aérea, tiveram as maiores médias de
rendimento de grãos em valores absolutos: 4.839 kg/ha, 4.627 kg/ha e 4.541 kg/ha,
respectivamente. O rendimento de grãos máximo foi obtido pela cultivar Quartzo
(5.981 kg/ha) em Três de Maio, com fungicida.
As cultivares mais produtivas (que superaram ou igualaram a média das duas
melhores testemunhas) por Estado e em cada Região Homogênea foram:
Estado do Rio Grande do Sul: Quartzo (109%), Mirante (103%), Campeiro
(101%), Safira (100%) e Vaqueano (100%).
Região 1 RS: Quartzo (107%), Fundacep Cristalino (104%), BRS Timbaúva
(104%), Mirante (103%), Marfim (102%), Campeiro (101%), BRS 276 (101%), BRS
Louro (101%), BRS 179 (100%), Fundacep 47 (100%) e Vaqueano (100%).
Região 2 RS: Quartzo (114%), Safira (107%), Mirante (103%), Campeiro
(100%) e Vaqueano (100%).
Estado de Santa Catarina: Mirante (110%), Abalone (109%), BRS Louro
(108%), Campeiro (108%), Fundacep 52 (107%), Fundacep Raízes (105%), Fundacep
Horizonte (103%), Fundacep 51 (101%), Ônix (100%) e Fundacep Nova Era (100%).
Região 1 SC: Fundacep Nova Era (123%), BRS Buriti (123%), Fundacep 51
(116%), BRS Timbaúva (116%), Fundacep Horizonte (114%), Fundacep 300 (113%),
BRS Guamirim (111%), Fundacep 52 (110%), BRS 208 (109%), BRS Louro (107%),
Fundacep Campo Real (107%), BRS Umbu (105%), Campeiro (104%), Fundacep 50
(101%), Fundacep Raízes (100%) e Pampeano (100%).
Região 2 SC: Mirante (114%), Abalone (114%), Campeiro (110%), BRS Louro
(109%), Fundacep Raízes (107%), Fundacep 52 (105%) e Ônix (104%).
Estado do Paraná (Guarapuava): Vaqueano (117%), Supera (115%),
Pampeano (114%), Ônix (113%), Mirante (109%), BRS Guamirim (109%), Quartzo
(108%), Marfim (106%), Fundacep 52 (106%), Abalone (103%), BRS Umbu (103%),
BRS Louro (102%), Fundacep Nova Era (102%) e CD 114 (100%).
Referências
Cruz, C.D. Programa Genes: estatística experimental e matrizes. Viçosa: UFV, 2006.
285p.
Tabela 2. Rendimento de grãos médio das cultivares de trigo avaliadas em 2009 e
percentual relativo ao desempenho médio das duas melhores testemunhas
(%), nas Regiões de Adaptação 1 e 2 RS, bem como nos Estados do Rio
Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Ensaio Estadual de Cultivares de
Trigo, 2009.
Cultivar
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31
32
33
34
35
Abalone
BRS 179
BRS 194
BRS 208
BRS 276
BRS Buriti
BRS Guamirim
BRS Louro
BRS Timbaúva
BRS Umbu
Campeiro
CD 113
CD 114
CD 115
CD 117
CD 119
CD 120
Fundacep 47
Fundacep 50
Fundacep 51
Fundacep 52
Fundacep 300
Fundacep Campo Real
Fundacep Cristalino
Fundacep Nova Era
Fundacep Horizonte
Fundacep Raízes*
Marfim
Mirante
Ônix
Pampeano*
Quartzo
Safira*
Supera
Vaqueano
χ Geral
χ Melhores Test.
* = testemunhas.
Região 1 RS Região 2 RS Estado RS
Kg/ha
% Kg/ha
% Kg/ha
%
3405
87
3929
94 3566
89
3907 100
3792
90 3872
97
3526
90
3585
86 3544
89
3406
81 3680
92
3802
98
3951 101
3606
86 3845
96
3692
88 3657
92
3642
93
3814
98
3279
78 3650
92
3923 101
4009
96 3949
99
4035 104
3600
86 3901
98
3789
97
3518
84 3706
93
3953 101
4196 100 4028 101
3546
91
3302
79 3471
87
3681
94
3648
87 3671
92
3711
95
3684
88 3703
93
3676
94
3595
86 3651
92
3615
93
3750
89 3657
92
3623
93
3753
90 3663
92
3898 100
4039
96 3941
99
3568
92
3618
86 3583
90
3663
94
3952
94 3752
94
3527
90
3391
81 3485
87
3417
88
3711
89 3507
88
3805
98
3916
93 3839
96
4039 104
3491
83 3871
97
3705
95
3952
94 3781
95
3745
96
4030
96 3833
96
3594
92
3637
87 3607
90
3988 102
3378
81 3801
95
4022 103
4297 103 4107 103
3484
89
3779
90 3575
90
3835
98
3821
91 3831
96
4152 107
4763 114 4340 109
3769
97
4489 107 3990 100
3309
85
3427
82 3346
84
3880 100
4177 100 3972 100
3778
90 3754
94
3743
96
3898 100
4192 100 3989 100
Estado SC
Kg/ha
%
4152
109
3547
93
3376
88
3620
95
3438
90
3693
97
3761
98
4151
108
3713
97
3211
84
4137
108
3025
79
3440
90
3575
93
3021
79
3126
82
3333
87
3315
87
3635
95
3871
101
4079
107
3541
93
3779
99
3479
91
3816
100
3932
103
4014
105
4197
110
3823
100
3638
95
3471
91
3506
92
3650
95
3638
95
3826
100
Estado PR
Kg/ha
%
4902
103
4706
99
4346
92
4456
94
3839
81
3694
78
5167
109
4853
102
4701
99
4876
103
4393
93
3834
81
4738
100
4528
95
3991
84
4673
99
4408
93
4244
89
4527
95
4648
98
5022
106
4096
86
4554
96
4414
93
4852
102
4427
93
3698
78
5034
106
5169
109
5346
113
5425
114
5131
108
4063
86
5439
115
5535
117
4621
97
4744
100
ESTABILIDADE FENOTÍPICA DE PARÂMETROS RELACIONADOS À QUALIDADE
TECNOLÓGICA EM TRIGO
Luiz Alberto Cogrossi Campos1; Manoel Carlos Bassoi2; Carlos Roberto Riede1 e
Juarez Campolina Machado1.
1
Instituto Agronômico do Paraná – IAPAR, Rodovia Celso Garcia Cid, km 375, Caixa
Postal 481, CEP 86001-970, Londrina – PR, [email protected];
2
Embrapa Soja. Rod. Carlos João Strass - Distrito de Warta, Caixa Postal 231, CEP
86001-970, Londrina – PR.
A qualidade tecnológica do trigo é uma exigência das indústrias moageiras e
panificadoras, para oferecer produto de boa qualidade que atenda aos consumidores.
O melhoramento da qualidade representa uma oportunidade de se agregar valor de
mercado aos produtos agrícolas, principalmente no caso do trigo, em que existe
relação entre a qualidade e o preço (WRIGLEY, 1994).
As cultivares a serem desenvolvidas devem possuir alto rendimento, associado
à capacidade de produzir farinha de qualidade nas diferentes condições ambientais,
visando satisfazer todos os elos da cadeia produtiva do trigo (agricultores, moinhos,
panificadores e consumidores) e, consequentemente, melhorar as perspectivas de
venda dos grãos.
Dentre os fatores ambientais que influenciam a qualidade tecnológica, podemse citar: fatores climáticos, nutricionais, incidência de doenças e de pragas, estresses
abióticos, manejo da cultura, etc. (FRANCESCHI et al., 2009). Para que uma nova
cultivar tenha sucesso é desejável que os parâmetros relacionados à qualidade
tecnológica sejam estáveis nos diferentes ambientes no qual o trigo será cultivado.
Nesse contexto, o presente trabalho, objetivou avaliar a estabilidade fenotípica
de parâmetros relacionadas à qualidade tecnológica de cultivares de trigo oriundas
dos programas de melhoramento da EMBRAPA e do IAPAR, utilizando estatística nãoparamétrica por meio da soma de postos.
Os dados foram obtidos do Ensaio de Qualidade de Trigo (EQIT) avaliado no
ano de 2008 pelas seguintes instituições: IAPAR, Embrapa Soja, Embrapa Trigo,
FAPA, COODETEC e Biotrigo. Os ambientes de condução dos experimentos foram
Cambará, Londrina e Palotina (Região III); Cascavel e Arapoti (Região II) e
Guarapuava e Ponta Grossa (Região I); conforme nova regionalização de adaptação
do trigo (Reunião da CBPTT, 2009)
Os experimentos foram compostos de 34 cultivares, porém realizou-se as
análises de estabilidade apenas das cultivares da EMBRAPA e do IAPAR. A parcela
foi constituída de cinco metros de comprimento, variando de cinco a seis linhas,
conforme a semeadeira de cada instituição. A adubação também variou em função da
necessidade de cada local.
As características avaliadas foram: peso hectolítrico (Kg/hL), força de glúten
(10-4 J) e relação P/L. Realizou-se a análise de estabilidade para os caracteres citados
utilizando estatística não-paramétrica por meio da soma de postos conforme
metodologia proposta por Huenh (1990).
Todas as análises estatísticas foram realizadas com o auxílio do Programa
Genes (Cruz, 2006).
As médias dos parâmetros relacionados à qualidade tecnológica estão
apresentadas na Tabela 1. Constatou-se que para a força de glúten (W) a cultivar IPR
85 obteve a maior média com valor de W igual a 373. Outras cultivares que se
destacaram para esse parâmetro foram BRS Guabijú, BRS Pardela e IPR 136. A força
de glúten é utilizada para indicar a capacidade de uma farinha sofrer um tratamento
mecânico ao ser misturada com água. Também é associada à capacidade de
absorção de água pelas proteínas formadoras de glúten, que combinadas à
capacidade de retenção do gás carbônico resultam em um pão de volume aceitável,
textura interna sedosa e de granulometria adequada (GUTKOSKI et al., 2007).
Para a relação P/L o maior valor foi obtido pela cultivar BRS Pardela (P/L =
1,2), seguida pelas cultivares IPR 85 e IPR 128. Essas cultivares obtiveram valores de
P/L entre 1,0 e 1,2; adequado para a fabricação de pães. O balanço das propriedades
viscoelásticas da massa é fator essencial para a determinação do uso final da farinha
(DOBRASZCZYK & MORGENSTERN, 2003).
Considerando o peso hectolítrico (PH), se destacaram as cultivares IPR 136,
com o maior valor de PH, seguida das cultivares BRS 208, BRS 248 e BRS Pardela. O
peso hectolítrico é utilizado como medida tradicional de comercialização de trigo, e
expressa indiretamente atributos de qualidade tecnológica relacionados à moagem
(GUARIENTI, 1996).
As estimativas de estabilidade fenotípica (S1 S2 e S3), para os parâmetros
relacionados à qualidade tecnológica, obtidas conforme metodologia proposta por
Huenh, 1990; estão apresentadas na Tabela 1. Algumas cultivares são estáveis para
um parâmetro e instáveis para outro, sugerindo que os fatores genéticos envolvidos na
interação genótipos por ambientes diferiram entre os parâmetros de qualidade.
Para a força de glúten, as cultivares IPR 85, BRS Pardela e IPR 130 foram as
que associaram estabilidade fenotípica e alto valor de W. A cultivar BRS 229 apesar
de ter apresentado alta estabilidade fenotípica para esse parâmetro obteve um baixo
valor de força de glúten (W = 219). Considerando a relação P/L, as cultivares IPR 128,
IPR 136 e BRS Pardela foram consideradas estáveis, obtendo valores adequados
para esse parâmetro. Em relação ao peso hectolítrico, as cultivares que apresentaram
estabilidade fenotípica foram BRS 248, IPR 85 e IPR 118, contudo a cultivar IPR 118
apresentou um valor de PH baixo, provavelmente devido ao tamanho e ao baixo
enchimento dos grãos dessa cultivar.
Conclui-se que há variabilidade entre as estimativas de estabilidade fenotípica
para qualidade tecnológica, contudo as cultivares IPR 85, BRS Pardela e IPR 136
associam valores adequados para os caracteres relacionados à qualidade e
estabilidade para esses parâmetros.
Referências bibliográficas
CRUZ, C.D. Programa Genes: Estatística experimental e matrizes. Editora UFV.
Viçosa (MG). 285p. 2006
DOBRASZCZYK, B.J.; MORGENSTERN, M.P. Rheology and the breadmaking
process. Journal of Cereal Science, London, v. 38, p. 229-245, 2003.
FRANCESCHI, L.; BENIN, G.; GUARIENTI, E.; MARCHIORO, V.S.; MARTIN, T.N.
Fatores pré-colheita que afetam a qualidade tecnológica de trigo. Ciência Rural, Santa
Maria, v. 39, n. 5, p. 1624-1631, 2009.
GUARIENTI, E.M. Qualidade industrial de trigo. Passo Fundo: Embrapa-CNPT,
1996. 36 p.
GUTKOSKI, L.C.; KLEIN, B.; PAGNUSSAAT, F.A.; PEDÓ, I. Características
tecnológicas de genótipos de trigo (Triticum aestivum L.) cultivados no cerrado,
Ciência e Agrotecnologia, vol. 31, no.3,, 2007.
HUEHN, M. Nonparametric measures of phenotypic stability. Part I: Theory.
Euphytica, Dordrecht, v. 47, n. 3, p. 189-194, June 1990.
REUNIÃO DA COMISSÃO BRASILEIRA DE PESQUISA DE TRIGO E TRITICALE, 2.,
2008, Passo Fundo, RS. Informações técnicas para a safra 2009: trigo e triticale:
organizado por José Roberto Salvadori...[et al.]. Passo Fundo, RS. Embrapa Trigo:
Embrapa Transferência de Tecnologia, 2008. 172p.
WRIGLEY, C.W. Developing better strategies to improve grain quality for wheat.
Australian Journal of Agricultural Research, Melbourne, v.45, p.1-17, 1994.
Tabela 1. Médias e estimativas de estabilidade fenotípica para força de glúten (W),
relação P/L (PL) e peso hectolítrico (PH), de cultivares de trigo, avaliadas no Ensaio de
Qualidade Industrial – EQIT – 2008.
W
CRUZAMENTO
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
Cultivar
BRS 208
BRS 210
BRS 220
BRS 229
BRS 248
BRS Guabiju
BRS Tangará
IPR 128
IPR 130
IPR 136
BRS Guamirim
BRS Pardela
IPR 85
IPR 118
IPR 129
CRUZAMENTO
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
Cultivar
BRS 208
BRS 210
BRS 220
BRS 229
BRS 248
BRS Guabiju
BRS Tangará
IPR 128
IPR 130
IPR 136
BRS Guamirim
BRS Pardela
IPR 85
IPR 118
IPR 129
CRUZAMENTO
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
Cultivar
BRS 208
BRS 210
BRS 220
BRS 229
BRS 248
BRS Guabiju
BRS Tangará
IPR 128
IPR 130
IPR 136
BRS Guamirim
BRS Pardela
IPR 85
IPR 118
IPR 129
CPAC89118/3/BR23//CEP19/PF85490
CPAC89118/3/BR23//CEP19/PF85490
EMBRAPA16/TB108
EMB 27*3//BR 35/BUCK PONCHO
PAT 7392/PF 89232
PF867432/BR23
BR 23*2/PF 940382
VEE/LIRA//BOW/3/BCN/4/KAUZ
RAYON//VEE#6/TRAP#1
TAW/SARA//BAU/3/ND 674*2/IAPAR 29
EMB27/BUCK NANDU//PF93159
BR 18/PF 9099
IAPAR 30/BR18
OC852/PG8852
IA 976/LD 972
W
282.43
255.14
221.29
218.71
195.29
342.29
244.29
281.57
292.00
322.29
246.43
335.14
372.57
238.00
256.00
S1
4.19
3.33
7.05
3.62
5.62
4.95
4.86
6.19
3.62
6.10
4.48
4.48
5.62
5.71
4.76
S2
13.48
7.62
35.24
9.14
22.57
16.57
16.29
25.95
9.81
24.90
14.62
20.24
23.90
22.95
16.00
S3
2.75
2.08
4.16
3.33
4.85
2.89
2.73
3.63
2.98
3.18
2.54
1.78
2.36
3.39
3.00
PL
0.83
0.89
0.88
0.54
0.62
0.75
0.76
1.12
0.96
0.89
0.68
1.26
1.23
0.72
0.90
S1
3.05
5.71
4.48
4.57
4.86
2.86
4.67
2.00
4.86
2.95
4.57
4.95
6.29
4.57
4.38
S2
6.48
23.81
13.67
14.00
17.33
6.29
16.00
3.57
17.24
6.14
14.67
17.24
26.29
18.48
14.57
S3
2.47
4.59
2.44
2.50
3.00
3.84
3.14
0.79
2.29
2.42
2.44
2.11
3.49
1.97
2.94
PH
80.04
74.33
78.61
79.00
79.32
78.66
77.54
79.13
78.00
80.30
78.49
79.21
79.12
77.00
78.94
S1
4.86
5.62
5.62
6.00
2.38
4.95
4.57
4.76
4.29
4.19
4.57
5.24
3.43
2.48
5.62
S2
17.57
21.90
25.48
24.67
3.95
22.57
14.14
15.14
14.14
12.29
14.24
19.48
7.90
4.48
24.67
S3
2.56
2.85
2.56
4.29
1.90
2.12
2.69
2.14
2.06
2.83
3.32
3.00
1.75
4.18
4.67
PL
CPAC89118/3/BR23//CEP19/PF85490
CPAC89118/3/BR23//CEP19/PF85490
EMBRAPA16/TB108
EMB 27*3//BR 35/BUCK PONCHO
PAT 7392/PF 89232
PF867432/BR23
BR 23*2/PF 940382
VEE/LIRA//BOW/3/BCN/4/KAUZ
RAYON//VEE#6/TRAP#1
TAW/SARA//BAU/3/ND 674*2/IAPAR 29
EMB27/BUCK NANDU//PF93159
BR 18/PF 9099
IAPAR 30/BR18
OC852/PG8852
IA 976/LD 972
PH
CPAC89118/3/BR23//CEP19/PF85490
CPAC89118/3/BR23//CEP19/PF85490
EMBRAPA16/TB108
EMB 27*3//BR 35/BUCK PONCHO
PAT 7392/PF 89232
PF867432/BR23
BR 23*2/PF 940382
VEE/LIRA//BOW/3/BCN/4/KAUZ
RAYON//VEE#6/TRAP#1
TAW/SARA//BAU/3/ND 674*2/IAPAR 29
EMB27/BUCK NANDU//PF93159
BR 18/PF 9099
IAPAR 30/BR18
OC852/PG8852
IA 976/LD 972
FAIXAS REGIONAIS DE TRIGO E TRITICALE CONDUZIDAS NA REGIÃO
CENTRO-SUL DO ESTADO DO PARANÁ EM 2009
Marcos Antônio Novatzki1; Juliano Luiz de Almeida2; Noemir Antoniazzi2; Marcos Luiz
Fostim2; Otavino Rovani1; Paulo Ricardo Domit1; Silvino Caus1; Andréas Milla II3;
Edegar Leh3.
1
Cooperativa Agraria Agroindustrial, Entre Rios, Guarapuava, PR, 85.139-400, Brasil
E-mail: [email protected]; 2 Fundação Agrária de Pesquisa Agropecuária –
FAPA, Entre Rios, Guarapuava, PR. 85.139-400 e 3 Cooperados da Cooperativa
Agraria Agroindustrial.
O objetivo principal deste trabalho é difundir as melhores cultivares avaliadas a
partir de ensaios próprios e em parcerias com os diferentes programas de pesquisa
para agrônomos do Departamento Técnico, para os cooperados, bem como para os
fomentados da Cooperativa Agrária.
Foram instaladas oito unidades demonstrativas na área de abrangência da
Cooperativa Agrária, junto aos cooperados, na Fundação Agrária de Pesquisa
Agropecuária – FAPA e na área de abrangência do fomento Agrária com
acompanhamento dos respectivos agrônomos. A FAPA forneceu a semente tratada
com Vitavax Thiram 200 SC(300 ml/100kg), Spectro (80ml/100kg) e Gaucho(50ml/100
kg), das seguintes cultivares de trigo tipo brando: BRS UMBÚ (cultivar de ciclo tardio
precoce), CD105 (cultivar de ciclo precoce), CD 115, CD 120 e CAMPEIRO (cultivares
de ciclo médio). Também foram fornecidas sementes das cultivares de trigo tipo pão:
BRS GUAMIRIM, SAFIRA, QUARTZO e BRS TANGARÁ, sendo esta última cultivar
classificada como melhorador pelo obtentor. Entretanto na região de atuação da
Cooperativa Agraria esta cultivar é considerada trigo tipo pão. Também foram
fornecidas sementes das cultivares de trigo tipo melhorador: BRS GUABIJÚ e BRS
PARDELA (cultivares de ciclo médio). Foram demonstradas também duas cultivares
de triticale sendo IPR 111 e BRS MINOTAURO. As unidades demonstrativas foram
compostas de 15 faixas entre 30 a 50 m de comprimento, por uma ou duas passadas
de semeadeira comercial, conforme equipamento do produtor, apresentando variações
de área entre os locais. A densidade de semente utilizada foi indicada pelos diferentes
programas de pesquisa e conforme cada cultivar. Já a instalação foi realizada pelo
cooperado e pelo agrônomo responsável e com ou sem o acompanhamento da FAPA.
A adubação de base e cobertura e a utilização de insumos seguiram as
recomendações do respectivo agrônomo, sendo que todas as unidades foram
conduzidas como lavouras comerciais. Os locais de condução, adubação de base e de
cobertura em cada local podem ser visualizados na tabela 1.
Os resultados de rendimento de grãos dos trigos e triticales estão
apresentados na tabela 2. Na média de todos os locais, em números absolutos, a
maior produtividade de trigo, foi obtida pelo cultivar CAMPEIRO-2 com 3.911 kg ha-1.
Já entre as médias por local, Guarapuava Colônias apresentou o maior rendimento em
números absolutos com 4.746 kg ha-1, sendo o melhor desempenho neste local do
cultivar TANGARÁ-2 produzindo 5.240 kg ha-1. Quanto as cultivares de triticale, na
média de todos os locais a maior produtividade, foi obtida pelo IPR111 com 3.372 kg
ha-1. Já entre as médias por local, Guarapuava Colônias apresentou o maior
rendimento em números absolutos com 5.490 kg ha-1, com a cultivar IPR111.
O peso hectolitro de trigo e triticale está representado na tabela 3. Na média de
todos os locais, em números absolutos, o maior peso hectolitro do trigo, foi obtido pelo
cultivar CAMPEIRO (T2) com PH de 79,1 kg hl-1. Já entre as médias por local,
Guarapuava Colônias apresentou o maior peso hectolitro em números absolutos com
PH médio de 78,9 kg hl-1 dando destaque para o cultivar CAMPEIRO (T1), com PH de
82,7 kg hl-1. Quanto ao triticale, na média de todos os locais, em números absolutos, o
maior peso hectolitro, foi obtido pelo cultivar BRS MINOTAURO, com o PH de 70,9 kg
hl-1.
O peso de mil sementes de trigo e triticale está na tabela 4. Na média de todos
os locais, em números absolutos, o maior peso de mil sementes do trigo, foi obtido
pelo cultivar BRS TANGARÁ (T2) com 34 g. Já entre as médias por local, Guarapuava
Colônias apresentou o maior peso de mil sementes em números absolutos com 34,7
g, sendo o melhor desempenho neste local do cultivar TANGARÁ (T2) com 41,1 g.
Quanto as cultivares de triticale, na média de todos os locais o maior peso de mil
sementes, foi obtida pelo IPR111 com 36 g.
O rendimento de grãos das cultivares que participaram nas faixas regionais no
período de 2003 a 2009, dados relativos a 52 faixas regionais, pode ser visualizado na
tabela 5. Na média das cultivares que participaram de pelo menos três anos de
avaliação, a maior produtividade de trigo foi obtido pela cultivar QUARTZO com 3.881
kg ha-1 e pela cultivar CD 105 com 3.766 kg ha-1. Quanto as cultivares de triticale, a
maior produtividade, na média de todos os anos, foi obtida pela cultivar IPR111 com
3.886 kg ha-1.
O objetivo deste trabalho foi atingido, pois as melhores cultivares avaliadas a
partir dos experimentos foram difundidas pelos pesquisadores da FAPA e agrônomos
do Departamento Técnico para seus colegas e cooperados das diferentes regiões da
Cooperativa Agrária, bem como para os fomentados da Cooperativa Agrária.
Tabela 1. Local de condução, data de semeadura, adubação de base e adubação de
cobertura das Faixas Regionais de Cereais de Inverno 2009. FAPA, Guarapuava, PR,
2010.
Local
Précultura
Data de
semeadura
Adubação de base
Adubação de cobertura
Candói
Milho
21/07/09
300 kg ha-1 09-25-24 + FTE
100 kg de uréia ha-1
Cantagalo
Fazenda Juquiá
Soja
20/07/09
200 kg ha-1 08-30-20 + FTE
80 kg de uréia ha-1
Pato Branco
Copertradição
Soja
22/06/09
320 kg ha-1 08-30-10
100 kg de uréia ha-1
Guarapuava - Colônias
FAPA
Soja
†TP– 22/06/09
‡ P – 02/07/09
250 kg ha-1 08-30-20
100 kg de uréia ha-1
Pitanga
Produtécnica
Soja
TP– 15/06/09
320 kg ha-1 08-30-10
80 kg de uréia ha-1
05/08/09
350 kg/ha-1 10-30-15
80 kg de uréia ha-1
Fazenda São Pedro
Guarapuava - Três Capões
Fazenda Santana
Soja
Pinhão
Fazenda Fundo Grande
Soja
†TP– 6/07/09
‡ P – 14/07/09
300 kg ha-1 08-30-20 +FTE
120 kg de uréia ha-1
Mangueirinha
Codepa
Soja
1/07/09
320 kg ha-1 08-30-20+FTE
100 kg de uréia ha-1
† TP = Cultivares de ciclo tardio-precoce. ‡ P = Cultivares de ciclo normal / precoce.
Tabela 2. Rendimento de grãos de trigo e triticale das Faixas Regionais de Cereais de
Inverno 2009. FAPA, Guarapuava, PR, 2010.
Cultivar
Gu
arapuava
Colônias
Cantagalo
Guarapuava
Três Capões
Pinhão
Candói
Mangueirinha
Pato
Branco
Pitang
a
Média
2.687
3.911
kg ha-1
CAMPEIRO-2
5.118
3.819
4.308
3.841
3.692
QUARTZO
4.687
3.795
4.677
4.255
3.472
3.447
2.366
2.424
3.640
CAMPEIRO-1
4.849
4.150
4.147
3.879
3.797
3.064
2.560
2.189
3.579
BRS GUAMIRIM
4.790
3.873
3.328
3.405
3.823
3.511
3.045
1.941
3.465
BRS TANGARA-2
5.240
3.644
3.061
3.542
2.826
2.057
3.395
CD 120
4.743
3.498
3.842
3.385
3.465
2.636
2.610
3.375
2.820
CD 105
4.904
3.883
3.291
3.921
3.534
2.836
3.038
1.473
3.360
BRS TANGARA-1
5.100
3.680
3.224
3.651
3.250
2.713
2.644
1.947
3.276
BRS UMBU
4.542
3.525
3.449
2.906
3.531
2.534
2.388
3.227
3.263
SAFIRA
4.170
3.594
4.362
3.213
2.959
2.757
2.030
2.349
3.179
BRS PARDELA
4.370
3.711
3.031
3.414
3.237
2.997
2.763
1.844
3.171
BRS GUABIJU
4.598
3.340
3.349
3.689
3.208
2.831
2.394
1.424
3.104
CD 115
4.587
3.202
3.292
3.714
3.457
2.943
1.945
1.615
3.094
Média
4.746
3.670
3.643
3.601
3.404
2.950
2.528
2.137
IPR 111
5.490
3.629
2.964
3.480
3.173
2.989
1.880
3.372
BRS MINOTAURO
4.569
3.238
2.487
2.990
3.012
2.582
2.426
3.043
Tabela 3. Peso do hectolitro de trigo e triticale das Faixas Regionais de Cereais de
Inverno 2009. FAPA, Guarapuava, PR, 2010.
Cultivar
Gu
arapuava
Colônias
Cantagalo
Candói
Pato Branco
Pinhão
Mangueirinha
P
itanga
Média
kg hl-1
CAMPEIRO - 2
82,0
80,2
80,4
79,0
73,7
79,1
CAMPEIRO - 1
82,7
79,7
80,6
81,1
77,9
77,6
73,4
79,0
CD 120
80,8
79,3
80,6
80,4
75,7
77,0
72,8
78,1
BRS GUAMIRIM
80,4
79,3
79,5
80,4
76,8
77,5
70,5
77,8
BRS GUABIJU
82,4
80,4
73,7
79,7
75,0
79,0
69,2
77,1
BRS PARDELA
79,5
78,2
76,8
78,6
76,6
77,0
70,1
76,7
SAFIRA
79,3
79,7
79,5
72,8
78,8
75,2
69,6
76,4
QUARTZO
79,5
81,1
77,7
71,2
78,2
72,5
70,1
75,8
BRS TANGARA-1
77,9
78,6
75,0
77,0
75,9
75,2
70,3
75,7
CD 105
78,6
77,9
77,7
76,8
75,9
72,3
67,2
75,2
BRS TANGARA- 2
78,2
78,2
75,0
69,2
75,1
BRS UMBU
76,4
73,4
76,8
75,5
73,2
73,0
71,9
74,3
CD 115
67,6
77,7
77,9
77,3
76,6
74,8
66,0
74,0
Média
78,9
78,7
77,8
77,3
76,5
75,6
70,3
IPR 111
68,3
71,2
71,9
70,5
66,0
68,1
66,0
68,9
BRS MINOTAURO
71,0
74,3
72,3
72,5
69,2
70,8
66,0
70,9
74,8
Tabela 4. Peso de mil sementes de trigo e triticale das Faixas Regionais de Cereais de
Inverno 2009. FAPA, Guarapuava, PR, 2010.
Guarapuava
Colônias
Candói
Cantagalo
Cultivar
Pinhão
Pato
Branco
Pita
Mangueirinha
nga
Média
PMS (g)
BRS TANGARA -2
41,1
36,3
35,5
34,1
BRS TANGARA -1
40,5
35,6
35,3
34,0
36,4
30,3
22,9
34,0
24,8
33,9
BRS GUAMIRIM
34,7
32,3
33,7
33,4
35,5
31,3
26,7
32,5
CD 105
33,8
33,4
35,1
28,7
37,1
28,6
25,5
31,7
QUARTZO
40,1
31,8
30,9
33,6
27,3
25,0
23,1
30,3
CAMPEIRO -1
40,2
32,3
27,4
32,5
30,7
25,6
23,1
30,3
BRS PARDELA
33,2
34,4
33,1
31,3
31,5
24,4
CAMPEIRO-2
31,3
31,6
30,1
29,1
CD 120
32,6
30,0
30,2
28,6
31,3
BRS GUABIJU
32,0
28,9
29,5
28,9
30,6
22,7
30,1
24,5
29,3
25,6
23,5
28,8
28,4
22,9
28,7
BRS UMBU
27,0
28,6
30,3
34,8
24,0
25,4
21,1
27,3
CD 115
30,5
29,2
26,9
27,3
28,4
26,3
22,5
27,3
SAFIRA
34,2
30,4
28,8
29,9
22,5
24,0
19,7
27,1
Média
34,7
31,9
31,3
31,2
30,5
26,8
23,3
IPR 111
43,6
33,7
34,5
35,2
32,5
40,0
32,2
36,0
BRS MINOTAURO
33,3
30,7
28,9
31,7
26,0
27,2
23,9
28,8
Tabela 5. Rendimento de grãos de trigo e triticale das Faixas Regionais de Cereais de
Inverno 2003 a 2009. FAPA, Guarapuava, PR, 2008.
20
2
2
2
Ano
03
2004
2005
2006
007
008
009
Nº Locais
10
6
6
6
8
8
8
édia
3559
4378
3360
3766
M
kg ha-1
Cultivares
CD 105
3888
4381
2630
4164
SAFIRA
4505
3200
4372
3243
3829
3179
3721
BRS UMBÚ
3984
3129
3997
2959
4427
3263
3627
BRS GUAMIRIM
3965
3072
4380
3465
3721
CD 115
4174
3098
4213
3094
3645
BRS GUABIJÚ
2857
3688
3104
3216
QUARTZO
3353
4650
3640
3881
CAMPEIRO
3745
BRS TANGARÁ
3336
CD 120
3375
BRS PARDELA
3171
IPR 111
BRS MINOTAURO
4544
3088
4538
3372
3886
3099
3970
3043
3371
OR MELHORAMENTO DE SEMENTES: - INVESTIMENTO EM LABORATÓRIO DE
QUALIDADE INDUSTRIAL; - PRÉ-LANÇAMENTOS RS, SC E PR
Ottoni de Sousa Rosa e Igor Pirez Valério
Av. Rui Barbosa 1300, Petrópolis, Passo Fundo, RS 99050-120 [email protected]
No início do ano de 2008, houve uma cisão na OR Melhoramento de Sementes
Ltda. fazendo com que todas as variedades lançadas comercialmente fossem
divididas com dupla titularidade: OR Melhoramento de Sementes Ltda. e Biotrigo
Genética Ltda. Portanto, as variedades promovidas até o ano de 2008 pertencem 50%
a OR Sementes e 50% a Biotrigo. Posterior a esta data, qualquer material que seja
lançado por estas empresas, pertencerá exclusivamente a uma única empresa, a qual
for detentora do material genético promovido.
A OR Sementes tem sua sede na cidade de Passo Fundo-RS, com o contínuo
trabalho dos seus pesquisadores no programa de melhoramento genético de trigo e no
programa de resistência para Ferrugem da folha e do colmo. Além disto, tem
intensificado o trabalho de pesquisa nos campos experimentais nas cidades de
Coxilha-RS (Sementes e Cabanha Butiá), Arapongas-PR (Fazenda Balú) e VentaniaPR (Fazenda Mutuca).
Parte da preferência dos triticultores nas variedades OR/Biotrigo,
principalmente Quartzo, Mirante e Marfim, tem revelado uma forte aceitação da
empresa por parte dos triticultores nos três principais estados do Sul do Brasil. Isto
tem nos impulsionado a investir e aprimorar em determinados setores da empresa a
fim de competir com trigos altamente produtivos, com boa aptidão industrial e
resistência as principais doenças da cultura.
Com a idéia de inovar e desenvolver novas ferramentas que possibilitem o
avanço destes objetivos, a OR Sementes investiu no ano de 2009 no treinamento de
seus pesquisadores em um dos principais programas de melhoramento de trigo do
mundo, localizado no Canadá (Agriculture and Agri-Food Canada). Como parte deste
investimento, apresentaremos neste informativo uma pequena informação sobre o
novo laboratório de Qualidade Industrial da empresa e os primeiros Pré-lançamentos
da OR Sementes para as safras 2012 e 2013.
- Laboratório de Qualidade Industrial: A idéia inicial do novo laboratório é poder
ajudar na seleção e identificação de constituições genéticas com elevada qualidade
industrial, condizente com as exigências do mercado. Para tanto, houve forte
investimento em equipamentos precisos como um Mixógrafo Computadorizado,
possibilitando determinar e inferir sob parâmetros mixogáficos com maior precisão.
Além deste aparelho, investimos em um colorímetro e outros equipamentos
computadorizados.
- Novos Pré-Lançamentos: Destacamos neste item os primeiros Prélançamentos da OR Sementes aos triticultores, com o objetivo de atender a exigência
do mercado, tanto em produtividade como em qualidade industrial e resistência as
principais doenças. Neste sentido, enfatizamos três linhagens (ORL 060742, ORL
060764 e ORL 060922) para lançamento a partir de 2012, todas de qualidade
industrial pão, sendo uma destas, classificada como Trigo melhorador no Norte do
Paraná. Além disto, evidenciam atributos semelhantes e destacados para resistência
as principais doenças como ferrugem da folha e giberela.
Estas linhagens estão sendo multiplicadas pelas sementes e Cabanha ButiáRS e pela Fazenda Mutuca-PR, disponibilizando semente básica destas linhagens no
próximo ano. Assim, recomendamos a participação dos produtores de semente em
dias de campo destes multiplicadores e ou observação deste material genético em
ensaios de avaliação nos três estados do Sul do Brasil.
PERFIL TECNOLÓGICO DE CULTIVARES DE TRIGO DA EMBRAPA INDICADAS
PARA A REGIÃO CENTRO-BRASILEIRA NA SAFRA 2010
Martha Zavariz de Miranda1, Eliana Maria Guarienti1, Márcio Só e Silva1, Júlio
Albrecht2, Pedro Luiz Scheeren1, Joaquim Soares Sobrinho1 e Eduardo Caierão1
1
Embrapa Trigo – Rodovia BR 285, km 294, Caixa Postal 451, Passo Fundo, RS,
[email protected].
2
Embrapa Cerrados – Rodovia BR 20, km 18, Planaltina, DF.
A Região Centro-brasileira ou de Cerrados do Brasil, compreendida pelos
estados de Minas Gerais, Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso e Bahia, caracteriza-se,
originalmente, por solos pobres e ácidos, inverno de pouco frio e seco, elevada
insolação e clima seco durante a colheita. Nesta região, o trigo cultivado apresenta
predominância de grãos com textura vítrea, com bom rendimento em farinha e elevada
força de glúten. As cultivares de trigo indicadas para a Região Centro-brasileira,
avaliadas no Laboratório de Qualidade de Grãos da Embrapa Trigo, no período de
1993 a 2010, foram enquadradas nas classes comerciais: Trigo Brando, Trigo Pão,
Trigo Melhorador e Trigo para Outros Usos (Tabela 1), de acordo com a Instrução
Normativa no 7, de 15 de agosto de 2001, do Ministério da Agricultura e do
Abastecimento – MAA (Brasil, 2001). Tendo em vista que a classe comercial estima a
aptidão tecnológica da cultivar de trigo, quando cultivada em condições adequadas,
esta não garante, absolutamente o mesmo enquadramento para um lote comercial,
cujo desempenho dependerá de condições de clima, de solo, de tratos culturais, de
secagem e de armazenagem, específicos. Objetivou-se caracterizar, quanto a
qualidade tecnológica, as cultivares de trigo da Embrapa indicadas para regiões de
cultivo de sequeiro e irrigado do Brasil Central na safra 2010,.
Para a avaliar o perfil das sete cultivares de trigo da Embrapa, indicadas para o
Brasil Central, foram realizadas análises no Laboratório de Qualidade de Grãos da
Embrapa Trigo. O peso de mil sementes – PMS, determinado por pesagem em
balança semi-analítica (Brasil, 1992); a cor da farinha analisada em colorímetro
Minolta (L*= luminosidade, onde 0= preto e 100=branco, a* e b*= coordenadas de
cromaticidade, onde -a*= verde, +a*= vermelho e -b*= azul, +b*= amarelo). As demais
análises, peso do hectolitro - PH, número de queda - NQ; moagem experimental –
EXT, dureza do grão (em sistema de caracterização individual da semente – SKCS) e
alveografia (W= força de glúten; P= tenacidade; L= extensibilidade; P/L= relação
tenacidade/extensibilidade; G= índice de intumescimento e Ie= índice de elasticidade),
foram executadas segundo os métodos da AACC 55-10, 56-81B, 26-10A, 55-31 e 5430A, respectivamente (American, 2000).
A classificação comercial das cultivares de trigo da Embrapa, segundo Brasil,
(2001), indicadas para cultivo no Brasil Central em 2010, pode ser observada na
Tabela 2, que inclui também o enquadramento em classes comerciais segundo a IN nº
7, ainda em vigor. Para cultivo de sequeiro existe indicação da cultivar Trigo BR 18Terena da classe Trigo Pão e para cultivo irrigado, de três cultivares, BRS 254,
Embrapa 22 e Embrapa 42 da classe Trigo Melhorador e três, BRS 207, BRS 210 e
BRS 264, da classe Trigo Pão.
Na Tabela 3 são apresentados resultados de PH, PMS, dureza do grão, EXT e
cor de farinha. Da safra 2008 para a 2009, somente tiveram novas amostras
analisadas para qualidade tecnológica, das cultivares Trigo BR 18-Terena, BRS 254 e
BRS 264. Assim, da mesma forma que na safra 2008, foi observado que a maior parte
das cultivares de trigo da Embrapa indicadas para semeadura no Brasil Central
apresenta valores elevados de PH (>78) e de PMS (>38); os grãos são classificados
como muito duros e duros; o rendimento de farinha é expressivo (>60%); e tendência
da farinha em apresentar cor branca (L* > 93 e a* próximos a zero). Farinhas claras é
o quase sempre desejado pelas indústrias moageira e de produtos finais.
Na Tabela 4 encontram-se informações de alveografia e de NQ do grão.
Quanto ao número de queda, não foram encontradas amostras germinadas; todas
apresentaram baixa atividade enzimática (NQ > 300 s). Os valores de ‘Ie’ acima de
50%, de ‘G’ acima de 20% e de relação P/L balanceada (P/L próximo a 1,00), indicam
que estas cultivares de trigo da Embrapa, apresentam qualidade adequada para
diferentes usos, como panificação, massas alimentícias secas, biscoitos tipo cracker e
em mesclas com trigo mais fraco.
Referências Bibliográficas
AMERICAN ASSOCIATION OF CEREAL CHEMISTS. Approved methods. 10 ed.
Saint Paul, 2000.
BRASIL. Ministério da Agricultura e Reforma Agrária. Secretaria Nacional de Defesa
Agropecuária. Regras de análises para sementes. Brasília, DF, 1992. p. 194-195.
BRASIL. Ministério da Agricultura e do Abastecimento. Instrução Normativa no 7, de 15
de agosto de 2001. Norma de identidade e qualidade do trigo. Diário Oficial [da]
República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 21 ago. 2001. Seção 1, n. 160-E, p. 3335.
Tabela 1. Classificação de trigo segundo legislação do MAA e sugestões de uso.
Alveografia2
(W x 10-4 J)
mínimo
Número de
queda (s)
mínimo
USO SUGERIDO
Trigo Melhorador
300
250
Massas alimentícias secas, biscoitos cracker, panificação
industrial, mescla com trigo brando ou mais fraco para
panificação
Trigo Pão
180
200
Panificação em geral, massas alimentícias,
cracker, uso doméstico e em mesclas
Trigo Brando
50
200
Bolos, biscoitos doces, produtos de confeitaria, pizzas,
massas frescas, em mescla com trigo mais forte para
panificação e/ ou uso doméstico
< 200
Alimentação animal, uso industrial (revestimento de papel,
adesivo, madeiras decorativas, detergentes, madeira
compensada, produção de etanol), mescla com trigo mais
forte para fazer biscoitos doces
CLASSE COMERCIAL1
Trigo para Outros Usos
Qualquer
biscoitos
Fonte: 1Brasil, 2001; 2W= força de glúten.
Tabela 2. Classificação comercial das cultivares de trigo da Embrapa, indicadas para o
Brasil Central e enquadramento em classes comerciais, segundo a Instrução
Normativa nº 7, de 15/08/2001, do MAA.
CULTIVAR
Classe
comercial*
Estado
% de amostras nas classes comerciais**
1
2
3
4
M
P
B
OU
o
o
o
o
N A (%)
N A (%) N A (%) N A (%)
5
AA
SEQUEIRO
Trigo BR 18-Terena
P
MG, GO, DF, MT
14
36
24
62
1
3
0
0
39
IRRIGADO
BRS 207
P
MG, GO, DF
1
3
31 82
6 16
0 0
38
6
24 77
5 16
0 0
31
BRS 210
P
MG, GO, DF
2
BRS 254
M
MG, GO, DF, MT
20 80
5 20
0 0
0 0
25
16 62
2 8
2 8
26
BRS 264
P
MG, GO, DF, MT, BA
6 23
Embrapa 22
M
MG, GO, DF, MT, BA
26 63
15 37
0 0
0 0
41
Embrapa 42
M
GO, DF
24 73
8 24
1 3
0 0
33
*M= Trigo Melhorador; P= Trigo Pão e B= Trigo Brando. **Cálculos baseados em análises de amostras de ensaios do
Brasil Central, realizadas no Laboratório de Qualidade de Grãos da Embrapa Trigo, no período de 1993 a 2009. 1Trigo
Melhorador. 2Trigo Pão. 3Trigo Brando. 4Trigo para Outros Usos. 5Número de amostras analisadas (AA).
O enquadramento (%) representa a aptidão tecnológica, não significando que a cultivar será enquadrada sempre na
mesma classe, devido ao efeito do ambiente sobre esta característica.
Tabela 3. Resultados médios de peso do hectolitro, peso de mil sementes, dureza do
grão, extração experimental e cor de farinha, para cultivares de trigo da Embrapa
indicadas para cultivo no Brasil Central, em 2010, analisados no Laboratório de
Qualidade de Grãos. Embrapa Trigo, Passo Fundo - RS, 2010.
CULTIVAR
1
2
PH (kg/hl) PMS (g) Dureza
3
4
5
EXT (%)
6
7
L*
a*
b*
8
AA
SEQUEIRO
Trigo BR 18-Terena
78,89
37,8
78
64,72
92,84
0,37
9,08
39
BRS 207
76,49
39,7
85
60,20
93,37
-0,11
10,80
38
BRS 210
78,78
41,7
84
56,29
92,93
0,22
10,04
31
BRS 254
80,00
39,7
82
62,26
93,07
0,00
9,76
25
BRS 264
81,85
41,2
70
65,78
93,54
-0,15
9,86
26
Embrapa 22
80,29
41,1
77
62,26
93,30
0,05
9,73
41
Embrapa 42
81,80
44,3
77
62,31
93,26
0,06
9,80
33
IRRIGADO
Cálculos baseados em dados de análises de amostras de ensaios do Brasil Central, realizadas no Laboratório de
Qualidade de Grãos, da Embrapa Trigo, período de 1993 a 2010. 1Peso do hectolitro; 2Peso de mil sementes; 3Índice
de dureza-ID/SKCS: ID > 90= extra duro (ED); 81-90= muito duro (MD); 65-80= duro (D); 45-64= semi-duro (SD); 3544= semi-mole (SM); 25-34= mole (M); 10-24= muito mole (MM); ID < 10= extra mole (EM). 4Taxa de extração de
farinha ou rendimento de moagem; 5Cor-Minolta: L*= luminosidade. L*= 100 (branco total); L*= 0 (preto total); a* e b*=
coordenadas de cromaticidade. 8AA= Número de amostras analisadas.
Tabela 4. Resultados médios de parâmetros de alveografia e de número de queda,
para cultivares de trigo recomendadas para cultivo no Brasil Central, em 2010,
realizadas no Laboratório de Qualidade de Grãos. Embrapa Trigo, Passo Fundo - RS,
2010.
CULTIVAR
1
-4
W (x 10 J)
Parâmetros de alveografia
2
3
4
P
P/ L
G
6
Ie
5
NQ
(s)
AA
7
SEQUEIRO
Trigo BR 18-Terena
286
75
0,70
23,7
53
427
39
229
79
1,02
20,0
52
322
38
IRRIGADO
BRS 207
BRS 210
233
91
1,16
20,7
43
430
31
BRS 254
335
98
0,99
22,7
56
428
25
BRS 264
256
70
0,74
21,8
63
424
26
Embrapa 22
319
80
0,75
23,4
59
445
41
Embrapa 42
338
91
0,92
22,8
58
479
33
Cálculos baseados em análises de amostras de ensaios do Brasil Central, realizadas no Laboratório de Qualidade de
Grãos da Embrapa Trigo, período de 1993 a 20010 Parâmetros de alveografia: 1força de glúten (W), 2tenacidade (P),
3
relação tenacidade/extensibilidade (P/L), 4índice de intumescimento (G) e 5índice de elasticidade (Ie). 6Número de
queda (NQ), em segundos. 7Número de amostras analisadas (AA).
CORRELAÇÃO ENTRE PARÂMETROS DE ALVEOGRAFIA E FARINOGRAFIA,
USADOS NA AVALIAÇÃO DA QUALIDADE TECNOLÓGICA DE TRIGO
Magali Kemmerich1, Martha Zavariz de Miranda2, Ellen Traudi Wayerbacher Rogoski2,
Manoel Carlos Bassói3 e Francisco de Assis Franco4.
1
Universidade de Passo Fundo, Campus I, BR 285, km 171, Bairro São José, C.P.
611, CEP 99001-970, Passo Fundo, RS, Brasil.
2
Embrapa Trigo, Rodovia BR 285, km 294, C.P. 451, CEP 99001-970, Passo Fundo,
RS, Brasil. [email protected].
3
Embrapa Soja - Rodovia Carlos João Strass, Acesso Orlando Amaral, C. P. 231, CEP
86001-970 Londrina, PR, Brasil.
4
Cooperativa Central de Pesquisa Agrícola (COODETEC), Rodovia BR 467, km 98,
C.P. 301, CEP 85813-450, Cascavel, PR, Brasil.
A partir de julho de 2011, entrará em vigor a legislação que estabelece o novo
Padrão Oficial de Classificação de trigo. A classe melhorador exigirá valores de
estabilidade obtidos na farinografia de no mínimo 14 min e força de glúten da
alveografia de mínimo 300 x 10-4J. Para as demais classes, pão, doméstico e básico,
será necessário ou uma ou outra análise (Reunião, 2010).
A farinografia determina as propriedades de mistura da massa de farinha de
trigo, ou seja, avalia o comportamento da massa durante o processo mecânico de
amassamento, sendo medidos parâmetros como tempo de desenvolvimento da massa
(TDM), estabilidade (EST), índice de tolerância da massa à mistura (ITM), valor
valorimétrico (V V), entre outros. A alveografia descreve as propriedades
viscoelásticas da massa, pois simula o comportamento da massa durante a etapa de
fermentação no processo de panificação, sendo considerados os parâmetros
extensibilidade (L), tenacidade (P), relação P/L, índice de intumescimento (G), força de
glúten (W) e índice de elasticidade (Ie).
Uma vez que a maior parte dos moinhos e laboratórios de análise de trigo
possuem o alveógrafo e como a farinografia é uma análise demorada e onerosa, a
existência de algumas correlações poderia justificar a realização de somente a análise
de alveografia. Desta forma, o objetivo deste trabalho foi verificar a correlação da
estabilidade, da farinografia com a força de glúten (W) e o índice de elasticidade (IE)
da alveografia, correlacionando entre si também os demais parâmetros destas duas
análises.
Para tal, foram analisadas, no Laboratório de Qualidade de Grãos da Embrapa
Trigo (Passo Fundo, RS), 134 amostras de genótipos de trigo da safra 2009, quanto a
alveografia, em alveógrafo Chopin (American, 2000, método 54-30A) e farinografia, em
farinógrafo Brabender (American, 2000, método 54-21). Oito genótipos, BRS 208,
BRS 220, BRS Pardela, BRS Tangará, WT 05106, WT 06107, WT 07105 e WT 07106,
provenientes de ensaios de VCU, em Ibirarema (São Paulo), Cascavel, Ponta Grossa,
Pato Branco e Cruzmaltina (Paraná) e Abelardo Luz (Santa Catarina), foram
analisados com repetição, totalizando 64 amostras (32 resultados médios). E 35
genótipos, Abalone, BRS 179, BRS 194, BRS 208, BRS 278, BRS Buriti, BRS
Guamirim, BRS Louro, BRS Timbaúva, BRS Umbu, Campeiro, CD 113, CD 114, CD
115, CD 117, CD 119, CD 120, Fundacep 47, Fundacep 50, Fundacep 51, Fundacep
52, Fundacep 300, Fundação Campo Real, Fundação Cristalino, Fundação Nova Era,
Fundacep Horizonte, Fundacep Raízes, Marfim, Mirante, Onix, Pampeano, Quartzo,
Safira, Supera e Vaqueano, originários do ensaio estadual de cultivares (EEC-RS) em
São Augusto e Não-Me-Toque (Rio Grande do Sul), totalizando 70 resultados.
A correlação entre os parâmetros de alveografia e farinografia, ao nível 5% de
probabilidade, foi realizada através do programa Statistica For Windows (1995).
Os resultados da análise de correlação são apresentados na Tabela 1. As
correlações significativas superiores a 0,60, foram entre: W e P (r= 0,79), P/G (r=
0,63), Ie (r= 0,86), TDM (r= 0.62), EST (r= 0,71), ITM (r= -0,86), TQ (r= 0,72) e V V (r=
0,72); entre Ie e TDM (r= 0,62), EST (r= 0,78), ITM (r= -0,93), TQ (r= 0,75), e V V (r=
0,75); entre EST e P (r= 0,72), P/L (r= 0,75), P/G (r= 0,75), TDM (r= 0,91), ITM (r= 0,77), TQ (r= 0,98), V V (r= 0,98). As demais correlações superiores a 0,60 foram: P/L
x P (r= 0,89), P/L x L (r=
-0,74), G x L (r= 1,00), G x P/L (r= -0,77), P/G x P (r=
0,96), P/G x L (r= -0,69), P/G x P/L (r= 0,98), P/G x G (r= -0,71), TDM x P (r= 0,72),
TDM x P/L (r= 0,76), TDM x P/G (r= 0,76), ITM x P (r= -0,68), ITM x TDM (r= -0,61),
TQ x P (r= 0,77), TQ x P/L (r= 0,78), TQ x P/G (r= 0,79), TQ x TDM (r= 0,96), TQ x ITM
(r= -0,75), V V x P (r= 0,77), V V x P/L (r= 0,78), VV x P/G (r= 0,79), x V V x TDM (r=
0,96), V V x ITM (r= -0,75) e V V x TQ (r = 1,00), ou seja, algumas entre os parâmetros
da própria análise.
Constatou-se que a força de glúten (W) e o Ie da alveografia apresentaram
correlação significativa com a estabilidade (EST) da farinografia (r= 0,71 e 0,78,
respectivamente), podendo-se estabelecer relação entre os resultados dessas
análises, porém o ideal é que a alveografia não seja avaliada independentemente, pois
a farinografia vem complementar a caracterização de amostras de trigo quanto à sua
qualidade tecnológica, a fim dos resultados serem conclusivos.
Referências bibliográficas
AMERICAN ASSOCIATION OF CEREAL CHEMISTS. Approved methods. 10 ed.
Saint Paul, 2000.
REUNIÃO NACIONAL PARA CONSOLIDAÇÃO DO PROJETO DE REGULAMENTO
TÉCNICO DO TRIGO, 2010, Brasília, DF. Memória... Brasília, DF: CONAB/MAPA,
2010.
STATSOFT INCORPORATION. Statistica for windows: release 5.0. Tulsa, USA,
1995.
Tabela 1. Correlação (p≤0,05) entre parâmetros de alveografia e farinografia.
W
W
1,00
P
0,79*
L
-0,06
P/L
0,50
P
L
-0,53
-0,06
-0,54
0,63*
0,96* -0,69*
Ie
0,86*
0,57
0,07
AA
0,00
0,24
-0,18
TDM
0,62*
0,72*
EST
0,71*
0,72*
-0,86* -0,68*
0,72*
P/G
Ie
AA
TDM
EST
ITM
TQ
VV
1,00
0,89* -0,74*
P/G
TQ
G
1,00
G
ITM
P/L
0,77*
1,00
1,00* -0,77*
0,98*
1,00
-0,71*
1,00
0,40
0,06
0,47
1,00
0,11
-0,15
0,17
-0,35
-0,38
0,76*
-0,42
0,76*
0,62*
0,05
1,00
-0,35
0,75*
-0,38
0,75*
0,78*
-0,26
0,91*
1,00
0,00
-0,49
0,01
-0,58
-0,93*
0,24
-0,61*
-0,77*
1,00
-0,37
0,78*
-0,41
0,79*
0,75*
-0,10
0,96*
0,98*
-0,75*
1,00
1,00
VV
0,72* 0,77* -0,37 0,78*
-0,41
0,79*
0,75*
-0,10
0,96*
0,98* -0,75*
1,00*
1,00
Valores em vermelho (negativos) ou azul (positivos)= coeficientes de correlação significativos a 5% (*r > 0,60).
Onde: parâmetros de alveografia – W= força de glúten, P= tenacidade, L= extensibilidade ou média da abcissa na
ruptura, P/L= relação entre tenacidade e extensibilidade, G= índice de intumescimento, P/G= relação entre tenacidade
e índice de intumescimento, Ie= Índice de elasticidade, AA= absorção de água, TDM= tempo de desenvolvimento da
massa, EST= estabilidade, ITM= índice de tolerância a mistura, TQ= tempo de quebra, V V= valor do valorímetro.
PARÂMETROS DE MOAGEM, ALVEOGRAFIA E RETENÇÃO DE SOLVENTES
PARA CLASSIFICAR O USO TECNOLÓGICO DO TRIGO
Maria Brígida dos Santos Scholz1, Brigite Makita Futigami2, José Renato Bordignon3,
Carlos Roberto Riede1
1
Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR), Rod.Celso Garcia Cid, km 375, C.P.481,
CEP 86001-970, Londrina, PR, e-mail:[email protected]
2
UTFPR- Curso Tecnologia de Alimentos Campus Londrina-PR
3
Kraft Foods Brasil - Av. Juscelino K. de Oliveira, 13.300, 81450-000-CIC- Curitiba,
PR, e-mail: [email protected]
A qualidade da farinha de trigo é determinada por uma variedade de
características que assumem diferentes significados, dependendo da designação de
uso ou tipo de produto a ser produzido (COSTA et al., 2008). A tecnologia do trigo
está fundamentada na sua capacidade de formar a rede de glúten. As proteínas de
reserva, representando 85% do conteúdo do glúten, são as principais determinantes
das propriedades funcionais da farinha de trigo.
A farinha de trigo destinada à panificação deve ter, em primeiro lugar, um
conteúdo relativamente alto de proteína e, secundariamente, conter proteínas de
qualidade para permitir expansão suficiente e uma boa distribuição das células
gasosas dentro da massa. (CAMARGO; FRANCISCHI; CAMPAGNOLLI, 1997).
Embora não sejam os principais produtos elaborados com farinha de trigo, os
(cookies e crackers) são produtos de grande importância nesta indústria e são
consumidos por pessoas de todas as idades. A farinha de trigo constitui o principal
ingrediente das formulações de biscoitos, pois fornece a matriz em torno da qual os
demais ingredientes são misturados para formar a massa. Tal farinha deve apresentar
uma taxa de extração entre 70-75%, teor de proteínas entre 8 e 11% e glúten
extensível. Biscoitos de boa qualidade são obtidos a partir de farinhas de trigo
brandos, de baixo teor de proteínas, alta extração de farinha de quebra, sendo a
dureza do grão a características mais importante.
A avaliação da qualidade dos genótipos de trigo nas fases iniciais do
melhoramento reduz custos e tempo, pois são continuados nos processo de seleção
somente aqueles genótipos que terão o uso tecnológico corretamente definido.
O objetivo do presente estudo foi identificar nos genótipos de trigo as
características de qualidade adequadas para a fabricação de pães e biscoitos (cookies
e crackers), através dos parâmetros de moagem, características físico-químicas dos
grãos e das características reológicas e capacidade de retenção de solventes da
farinha.
Foram coletadas amostras de genótipos de trigo em experimentos do IAPAR,
na estação experimental de Londrina-Pr na safra de 2008. Estas foram beneficiadas e
mantidas em câmara fria até a realização das análises. Na Tabela 1 estão
relacionados os genótipos de trigos avaliados.
A umidade e proteínas foram determinadas (em percentual) como escrito
no Método 925.10 da AOAC (1990). O número de queda que avalia o grau de
germinação do trigo foi avaliado segundo o método AACC 56-81 B. (AACC, 1995). Os
grãos de trigo moídos com granulometria de 0,5 mm foram utilizados na determinação
do volume de sedimentação na presença de SDS - dodecil sulfato de sódio, de acordo
com o método descrito por Dick e Quick, (1983). O teste de capacidade de retenção
de solvente foi conduzido segundo metodologia da AACC Método 56-11, publicado em
Roccia et al., (2006). Neste método cinco gramas de farinha de trigo são suspensas
em 25g do solvente (água, de solução de sacarose, de ácido lático 5% e em carbonato
de sódio 5%). As amostras são agitadas em durante 20 minutos e centrifugadas a
1000xg durante 15 minutos. O precipitado obtido de cada solvente foi pesado e a
capacidade de retenção de solvente foi calculada. A cor das farinhas foi avaliada em
colorímetro Minolta Chroma Meter 410 C, descrito em Kim e Flores, (1999). A moagem
experimental foi realizada no moinho Chopin, modelo CD1, após acondicionamento de
500g de trigo durante 16h para atingir a umidade de 15,5%, método 26-10 descrito em
AACC, (1995). Os produtos de moagem obtidos durante a moagem são: farelo de
quebra (FarQ), farinha de redução (FarR) e taxa de extração. As características
viscoelásticas da farinha de trigo foram determinadas no alveógrafo marca Chopin,
utilizando o método n° 54-30 da AACC (1995).
Em estudo prévio, estas amostras foram selecionadas pelos valores de
alveografia, (força de glúten e extensibilidade) que são critérios para indicar trigos para
a panificação. Porém, é sabido que para a elaboração de biscoitos estes parâmetros
são insuficientes para identificar o potencial tecnológico de um genótipo. Desta
maneira aplicou-se o teste de capacidade de retenção de solvente e acrescentaram-se
os valores obtidos na moagem experimental para demonstrar as características
tecnológicas dos genótipos.
A Tabela 2 apresenta parâmetros de qualidade das amostras de genótipos de
trigos analisados. Pode-se observar que o número de queda de todas as amostras
foram superiores a 200s, indicando que não ocorreu processo de germinação. Com
relação à média do teor de proteína foi de 18,18%, sendo que o valor mínimo e
máximo foram respectivamente 14,89 e 21,23%.
Tanto o rendimento de farinha de redução como a taxa de extração
determinam o potencial de moagem de trigo e podem ser influenciados pelo tipo de
equipamento utilizado para a extração. No moinho experimental utilizado obteve-se
uma porcentagem média de FarQ das amostras analisadas de 15,92%. Em relação ao
rendimento da FarR observou-se uma média de 46,57%, sendo que o valor mínimo foi
de 32,53 e o máximo de 51,86%. A taxa de extração da farinha foi em média 69,51%,
com valores mínimos e máximos de 62,44 e 77,02%, respectivamente.
Na avaliação da qualidade reológica da massa determinada através da
alveografia verificou-se que para todas as amostras o valor médio de tenacidade (P)
foi de 58,44mm e a média para a extensibilidade (L) foi de 116,20mm. Em relação à
força de glúten, a média foi de 190,17 Jx10-4, observando uma maior amplitude de
valores (72,00 a 417,00 Jx10-4).
Constatou-se entre as amostras avaliadas que a média da luminosidade (L*) foi
de 90,87. A média dos valores de a*, que varia do verde ao vermelho, foi de -0,80,
sendo seu valor mínimo de -2,00 e o máximo de -0,11. A média em relação aos
valores de b*, que varia do azul ao amarelo, foi de 9,93.
Para a avaliação multivariada das características tecnológicas dos genótipos
de trigo a matriz formada variáveis de moagem, alveografia, capacidade de retenção
de solventes e coloração da farinha de trigo e pelos genótipos de trigo foi submetida à
Análise de Componentes Principais.
Nesta análise verificou-se que os dois primeiros componentes explicam 54,48
% da variabilidade das amostras (Tabela 3). O primeiro componente (CP1),
responsável por 33,96% da variabilidade das amostras, é o resultado das correlações
entre as variáveis elasticidade (P), força de glúten (W), farinha de quebra (FarQ),
capacidade de retenção de água, de carbonato e de sacarose, luminosidade e
componentes cromáticos (a* e b*), sugerindo que a determinação das propriedades
funcionais da proteína e do carboidratos são os fatores importantes para a separação
das amostras. O segundo componente (CP2), que justifica 20,52% da variabilidade
das amostras, resultou da correlação de porcentagem proteína, sedimentação, número
de queda, capacidade de retenção de ácido lático e extração da farinha (Ext)
parâmetros relacionados com a quantidade de proteínas presentes. Na projeção das
variáveis no plano formado pelos componentes CP1 e CP2 comprava-se que
genótipos com altos rendimentos de farinha de quebra apresentam coloração mais
clara. Trigos de maior força de glúten (W alto) absorveram mais água em
conseqüência da maior quantidade de amido danificado ao ser retirado de uma matriz
do glúten de estruturas fortes. Observou-se ainda, que trigos com maior quantidade de
proteína apresentaram maior a força de glúten e maior quantidade de água absorvida.
Farinhas com alta absorção de água e de carbonato também são farinhas resultantes
de genótipos com alta produção de farinha de redução. A maior absorção de ácido
lático é encontrada em trigo de alta força de glúten porque as proteínas do glúten são
extraídas neste solvente.
Quando os genótipos de trigo são projetados no espaço formado pelos CP1 e
CP2 é possível obter uma descrição das características dessas amostras
considerando o rendimento de moagem, o comportamento na alveografia, sua
capacidade de retenção de solventes e a coloração da farinha, simultaneamente.
As localizações das farinhas 790 e 793 (identificação em Material e Métodos)
permitem dizer que as mesmas apresentam alto rendimento de farinha de quebra,
baixa retenção de água e de carbonato e baixa força de glúten e, portanto são
apropriadas para a elaboração de biscoitos tipo cookies.
As farinhas 959, 952 e 976, com força de glúten (W) e capacidade de retenção
de água medianas, com alto rendimento de farinha de quebra e de coloração clara são
apropriadas para a fabricação de biscoitos tipo crackers, produzidos através de um
processo fermentativo, que exige certa estrutura de rede de glúten. Já as farinhas 962,
963, 957 e 958 contêm uma forte rede de glúten indicados pelos valores de W e de
CRS de ácido lático, alta capacidade de absorção de água, alta produção de farinha
de redução e, seriam adequadas para a elaboração de pães. As amostras situadas na
parte central da Figura1 não possuem características completamente definidas para a
elaboração de um produto específico. São farinhas que devem ser devidamente
corrigidas através de aditivos e então serem empregadas na elaboração de pães e
biscoitos.
A identificação das propriedades de farinhas nas etapas iniciais de
melhoramento através de testes específicos possibilita a seleção de cultivares com
características adequadas para uso industrial, garantindo a aceitabilidade da nova
variedade, além de beneficiar o produtor na comercialização de um produto com o uso
final identificado.
Referências bibliográficas
AACC. American Association of Cereal Chemists. Approved Methods. St. Paul Minn.
1995.
A.O.A.C. Official Methods of analysis of the Association of Official Analytical
Chemists. 15 ed. Washington: A.O.A.C. 1990. 1298p.
CAMARGO, C. R. O.; FRANCISCHI, M. L. P.; CAMPAGNOLLI, D. M. F. Composição
da proteína e a qualidade de panificação da farinha de trigo. Boletim da Sociedade
Brasileira de Ciência e Tecnologia de Alimentos, v.31, n.1, p.25-32, 1997.
COSTA, M.G., SOUZA, E.L; STAMFORD, T.L.M.; ANDRADE, S.A.C. Qualidade
tecnológica de grãos e farinhas de trigo nacionais e importados Ciênc. Tecnol.
Aliment., v. 28, n. 1, p. 220-225, 2008.
DICK, J.; QUICK, J. Modified screening test for rapid estimation of gluten in early
generation durum wheat breeding lines. Cereal Chemistry, v. 60, n. 2, p. 315-318,
1983.
KIM, Y.S.; FLORES, R.A. Determination of bran contamination in wheat flours using
ash content, color and bran speck counts. Cereal Chemistry, v. 76, n. 6, p. 957-961,
1999.
ROCCIA, P. et al . Use of solvent retention capacity profile to predict the quality of
triticales. Cereal Chemistry, v. 86, n.3, p. 243-248, 2006.
Tabela 1. Relação das amostras empregadas no presente estudo
ID
776
778
779
780
781
782
783
784
785
786
Linhagen
s
LD 052223
LD 091202
LD 091203
LD 092107
LD 092211
LD 092108
LD 092109
T 041168
T 071024
T 071050
ID
787
788
789
790
791
792
793
948
949
952
Linhagens
T 071082
T 071091
T 071098
T 071099
T 071109
T 071125
T 082006
PF 980537
PF990283
PFW015291-A
ID
953
956
957
958
959
962
963
964
966
968
Linhage
ns
T041295
T071003
T071006
T071025
T071050
WT0603
9
WT0608
0
WT0608
3
WT0610
7
LD2004
ID
969
970
971
972
973
974
976
977
979
980
981
Linhagens
LD2010
LD0221
LD0320
IA072118
IA072120
LD999
CRBD/KAUZ
NG8675/CBRD
SHANGAI
SHA3/CBRD
PF990283B
Tabela 2. Média geral, valores máximos e mínimos e desvio padrão dos componentes
dos grãos, alveografia, moagem, capacidade de retenção de solventes e cor das
cultivares de trigo
Variáveis
Pro (%)
Sed (ml)
NQ (s)
P (mm)
L (mm)
-4
W (Jx10 )
P/L
FarQ (%)
FarR (%)
Ext (%)
HO2
Carb
Sac
Alac
L*
a*
b*
Mínimo
14,89
6,64
212
31
48
72
0,21
9,84
32,53
62,44
46,91
54,61
79,00
79,70
89,32
-2,00
6,54
Máximo
21,23
17,91
632
105
215
417
1,55
30,44
51,86
77,02
66,89
79,58
112,87
145,42
93,59
-0,11
14,55
Média
18,18
12,08
437,73
58,44
116,20
190,17
0,57
15,92
46,57
69,51
59,70
70,69
94,86
110,16
90,87
-0,80
9,93
DP
1,71
2,70
107,27
15,79
34,39
70,00
0,29
5,16
4,02
3,59
4,72
5,44
8,09
17,01
1,13
0,41
1,80
Tabela 3. Correlações entre as variáveis e componentes e a variabilidade retida em
cada componente.
CP1
-0,164
0,336
0,091
0,771
-0,160
0,591
0,483
-0,776
0,600
-0,589
0,922
0,796
0,258
0,127
-0,824
-0,489
0,793
PRO
Sed
NQ
P
L
W
P/L
FarQ
FarR
Ext
HO2
Carb
Sac
Alac
L*
a*
b*
CP2
-0,521
0,388
-0,734
0,311
-0,117
0,486
0,211
0,472
-0,611
-0,133
-0,038
0,190
0,712
0,874
0,384
0,084
-0,248
Biplot (eixos F1 e F2: 54,48 %)
10
959
976
957
Alac
968
952
F2 (20,52 %)
FarQ
L*
783
786
958
Sac
5
966
W
953 964
Sed 971
P
P/L
Carb
970
974
979
972
969
a*784
962
963
0
Ext
793
-5
L
980
776
948
b*
981779
949
782780
956
787 FarR
781
778
NQ
PRO
789
785
791
790
973
977 HO2
788
792
-10
-20
-15
-10
-5
0
5
10
15
F1 (33,96 %)
Figura 1. Dispersão das amostras do plano formado pelos componentes CP1 e CP2.
AVALIAÇÃO DE TRITICALE: SAFRAS BRASILEIRAS E MUNDIAIS
Alfredo do Nascimento Junior1
1
Embrapa Trigo. Caixa Postal 451, CEP 99001-970, Passo Fundo, RS. E-mail:
[email protected].
Os grãos de triticale são utilizados principalmente para a alimentação animal e,
em menor quantidade, na alimentação humana. Como cultura de cobertura, contribui
efetivamente para manutenção do sistema agrícola, principalmente em sistema de
semeadura direta na palha, proporcionando boa cobertura vegetal para a cultura
sucessora, mesmo em áreas com baixa fertilidade e/ou solos arenosos.
De bom potencial produtivo, é altamente tolerante à acidez nociva dos solos
tolerando também déficit hídrico. Áreas para semeadura e metodologias destinadas ao
triticale normalmente não são adequadas ou não permitem desenvolvimento
satisfatório do trigo e/ou da cevada, por limitarem a produção dessas espécies,
reduzindo a lucratividade.
Nos países produtores, incremento em área de cultivo vem ocorrendo desde
2000 (média de +9,2% a.a.), com pequeno declínio em 2006 e novos acréscimos para
as safras de 2007 e 2008. O principal produtor é a Polônia, com 1,33 milhão de
hectares colhidos, sendo que os seis maiores países produtores, com área colhida
superior a 240 mil hectares, contabilizam mais de três milhões de hectares (Tabela 1).
O Brasil foi o país que mais apresentou redução na área semeada entre 2006 e 2008
(-25,2%), seguido da Suécia (-10%), enquanto que Áustria (+96%), Lituânia (+50%),
República Tcheca (+41%), Bielorússia (+22%), Romênia (+16%), Turquia (+14%),
Polônia (+12%) e Austrália (+11%) tiveram incrementos superiores a 10%. Alemanha,
China, Dinamarca, Espanha, França e Hungria apresentaram variações, positivas ou
negativas, porém não expressivas no período (Tabela 1). A produtividade de grãos
mundial média em 2008 foi de 3.927 kg ha-1 (Tabela 1).
No Brasil, entre os anos de 2000 e 2004 houve estabilização de área de
triticale entre 109 e 126 mil hectares, com valor máximo de 134.868 hectares colhidos,
registrado em 2005. A partir de 2007, a área vem decrescendo, sendo os 69.350
hectares contabilizados em 2009 (Tabela 2), a menor safra dos últimos nove anos. Em
2009 a produtividade média nacional de grãos de triticale foi de 2.157 kg ha-1, inferior
ao ano anterior (2.441 kg ha-1), e expressivamente inferior a média mundial de 2009
(Tabela 1). Deve-se, no entanto, ao realizar a comparação de rendimento médio de
grãos, considerar o tipo de planta cultivada. No país, são semeadas cultivares de
triticale de hábito primaveril, a exemplo da Austrália, com rendimentos semelhantes ao
brasileiro. Entretanto, países como Alemanha, França, Polônia, Suécia e outros, que
cultivam triticale de hábito invernal, de ciclo mais longo e exigentes em vernalização,
possuem rendimento potencial médio de grãos de 5.000 kg ha-1 (Tabela 1).
Existem cultivos de triticale nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina,
Paraná, Mato Grosso do Sul, São Paulo e em Minas Gerais. Entretanto, nas
informações disponibilizadas pelo IBGE, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais não são
citados. Paraná e São Paulo colheram as maiores áreas, tendo São Paulo também
apresentado o maior rendimento médio de grãos em 2009. Juntos, Paraná e são Paulo
respondem por 86% da produção nacional de grãos de triticale (Tabela 3).
Em 2010 é esperada redução da ordem de 2,8% na área nacional de triticale
relativa a 2009 (Tabela 3), com diminuição no Paraná e em Santa Catarina.
Incrementos próximos de 40% são esperados no Rio Grande do Sul, embora com área
pouco expressiva na produção brasileira, média 2009/2010 inferior a 10%, apesar
desse estado ter contribuído significativamente na produção do cereal no passado.
A variação de preços médios nominais recebidos pelos produtores no estado
do Paraná, entre 2006 e junho de 2010, contabilizada pela SEAB/DERAL é mostrada
na tabela 4. Existe estreita relação de preços com as séries históricas de preços
médios do milho recebidos pelos produtores, de aproximadamente 8,7% superior para
o triticale, variando entre 2,2 e 13,9%, em 2009. Essa relação foi de 27,3% em 2008,
1,1% negativa em 2007 e de 0,8% em 2006. Entre março e maio de 2008 os valores
recebidos pelos produtores foram significativos, sendo que em setembro de 2008 um
saco de triticale de 60 kg era cotado em 29,8% superior, comparado ao mesmo
volume de milho em grãos. Entretanto, a partir de novembro de 2009 é notado um
decréscimo no valor nominal do triticale e da relação do valor nominal com o preço do
milho (Tabela 4).
No Paraná e em Santa Catarina o destino principal dos grãos colhidos foi à
indústria de ração animal, com o objetivo de baratear o custo de produção de suínos e
aves, seja pela substituição parcial ou total do milho e parcial de farelo de soja, cotado
em julho de 2009 a R$ 850,00/t.
A condição meteorológica nos locais de cultivo de triticale durante a estação de
crescimento e desenvolvimento das plantas durante a safra de 2009 foi considerado
insatisfatório em todos os Estados produtores. O regime pluviométrico foi excessivo a
partir do espigamento até a colheita das plantas, favorecendo a incidência de brusone
mais ao norte da região produtora e de giberela, no sul, reduzindo a produtividade e a
qualidade dos grãos produzidos.
Referências Bibliográficas
FAO. FAOSTAT – Forestry. Disponível em http://faostat.fao.org/site/567/default.aspx
#ancor. Acesso em 13 jul. 2010.
IBGE. Levantamento Sistemático da Produção Agrícola. Disponível em
http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/agropecuaria/lspa/default.shtm.
Acesso em 13 jul. 2010.
PARANÁ. Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento. Departamento de
Economia Rural. Preços/produtor/mensal. Disponível em http://www.seab.pr.gov.br/.
Acesso em 13 jul. 2010.
Tabela 1. Área colhida e rendimento de grãos de triticale nos principais países
produtores entre 2006 e 2008. Embrapa Trigo, 2010.
Área colhida
Rendimento médio de grãos
(ha)
(Kg ha-1)
País
2006
2007
2008
2006
2007
2008
Polônia
1.194.282 1.263.700 1.333.460
2.677
3.325
3.344
Bielorússia
376.016
411.300
458.291
2.602
3.020
3.968
Alemanha
404.600
380.600
398.800
5.529
5.695
5.972
Austrália
340.000
360.000
376.000
539
1.250
1.338
França
331.354
330.000
343.106
5.123
4.664
5.307
China
250.000
300.000
245.500
1.600
2.000
876
Hungria
132.838
129.000
132.100
3.314
2.891
3.849
Lituânia
65.300
80.500
98.200
1.691
2.827
3.167
Brasil
101.088
80.107
75.640
2.090
2.355
2.440
Suécia
54.800
53.600
49.500
4.670
5.155
4.425
Rep. Tcheca
41.020
50.050
57.758
3.202
4.288
5.313
Espanha
44.691
47.832
44.600
2.558
2.939
5.413
Áustria
23.648
38.852
46.309
4.654
5.380
3.043
Dinamarca
36.000
32.200
35.900
4.342
4.655
5.162
Romênia
27.356
30.842
31.785
2.606
3.512
3.172
Turquia
24.111
24.000
27.391
3.220
3.109
3.422
Outros (16)
138.449
4.091
Mundo
3.598.257 3.739.578 3.892.789
3.149
3.642
3.927
Fonte: FAO, 2010.
Tabela 2. Área e rendimento de grãos de triticale no Brasil entre 2007 e 2009.
Embrapa Trigo, 2010.
Área colhida
Rendimento médio de grãos
(ha)
(Kg ha-1)
Estado
2007
2008
2009
2007
2008
2009
900
Mato Grosso do Sul 1.000
São Paulo
24.900
25.540
25.540
2.630
2.722
2.737
2.295
2.409
1.795
Paraná
40.675
40.746
36.563
5.660
2.475
2.395
2.094
2.084
2.002
Santa Catarina
1.561
1.710
1.903
7.872
6.879
4.852
Rio Grande do Sul
Total (Brasil)
80.107
75.640
69.350
2.295
2.441
2.157
Fonte: IBGE, 2010.
Tabela 3. Área de participação dos estados produtores de triticale no Brasil
em 2009 e estimativas para 2010, e respectivas participações
em área de cultivo nacional (% Nac). Embrapa Trigo, 2010.
Participação
Área (ha)
Variação
Nacional
colhida prevista
%
%
%
Estado
2009
2010
2009/10
2009
2010
25.540
25.540
0,0
36,8
37,9
São Paulo
Paraná
36.563
32.660
-10,7
52,7
48,4
Santa Catarina
2.395
2.345
- 2,1
3,5
3,5
41,8
7,0
10,2
Rio Grande do Sul
4.852
6.879
69.350
67.424
-2,8
100,0
100,0
Total (Brasil)
Fonte: IBGE, 2010.
Tabela 4. Triticale em grãos: preços médios nominais mensais recebidos pelos
produtores em R$/sc, no Paraná no período de 2006 a junho de 2010 e relação com o
preço pago ao milho entre set/08 a jun/10 em %. Embrapa Trigo, 2010.
Mês
Ano
Jan.
2006
12,80
12,27 11,30 10,44 10,58 11,20 10,96 11,28 12,46 15,87 17,31 15,80
2007
15,82
15,56 15,32 14,87 14,19 13,93 14,62 16,25 20,17 22,76 22,47 21,97
2008
22,95
22,75 27,04 30,48 33,55
2009
19,15
18,50 18,37 18,60 18,65 17,61 17,06 16,64 15,73 15,17 13,78 12,90
2010
13,56
12,71 11,42 10,88 10,80 11,87
% em
relação
ao
milho
Fev.
-
-
-
-
-
Jul.
-
Ago. Set.
-
-
-
-
-
Out. Nov. Dez.
23,00 21,00 19,38 18,03
-
-
-
-
2008
-
2009
+9,1
+7,1 +13,9 +12,8 +7,2 +2,2 +10,5 +13,2 +8,5 -0,2 -11,2 -13,0
2010
-7,0
-9,8
Fonte: Paraná, 2010.
-
Mar. Abr. Mai. Jun.
-17,5 -20,5 -21,4 -14,8
-
-
+29,8 +23,7 +23,3 +18,5
-
-
-
-
Tabela 1. Área colhida e rendimento de grãos de triticale nos principais países
produtores entre 2006 e 2008. Embrapa Trigo, 2010.
Área colhida
Rendimento médio de grãos
(ha)
(kg/ha)
País
2006
2007
2008
2006
2007
2008
Polônia
1.194.282 1.263.700 1.333.460
2.677
3.325
3.344
Bielorússia
376.016
411.300
458.291
2.602
3.020
3.968
Alemanha
404.600
380.600
398.800
5.529
5.695
5.972
Austrália
340.000
360.000
376.000
539
1.250
1.338
França
331.354
330.000
343.106
5.123
4.664
5.307
China
250.000
300.000
245.500
1.600
2.000
876
Hungria
132.838
129.000
132.100
3.314
2.891
3.849
Lituânia
65.300
80.500
98.200
1.691
2.827
3.167
Brasil
101.088
80.107
75.640
2.090
2.355
2.440
Suécia
54.800
53.600
49.500
4.670
5.155
4.425
Rep. Tcheca
41.020
50.050
57.758
3.202
4.288
5.313
Espanha
44.691
47.832
44.600
2.558
2.939
5.413
Áustria
23.648
38.852
46.309
4.654
5.380
3.043
Dinamarca
36.000
32.200
35.900
4.342
4.655
5.162
Romênia
27.356
30.842
31.785
2.606
3.512
3.172
Turquia
24.111
24.000
27.391
3.220
3.109
3.422
Outros (16)
138.449
4.091
Mundo
3.598.257 3.739.578 3.892.789
3.149
3.642
3.927
Fonte: FAO (2010).
Tabela 2. Área (hectares) e rendimento de grãos (kg/hectares) de triticale no Brasil
entre 2007 e 2009. Embrapa Trigo, 2010.
Área colhida
Rendimento médio de grãos
(ha)
(Kg ha-1)
2007
2008
2009
2007
2008
2009
Estado
Mato Grosso do Sul 1.000
900
São Paulo
24.900
25.540
25.540
2.630
2.722
2.737
40.675
40.746
36.563
2.295
2.409
1.795
Paraná
Santa Catarina
5.660
2.475
2.395
2.094
2.084
2.002
1.561
1.710
1.903
Rio Grande do Sul
7.872
6.879
4.852
80.107
75.640
69.350
2.295
2.441
2.157
Total (Brasil)
Fonte: IBGE (2010).
Tabela 3. Área (hectares) de participação dos estados produtores de triticale no Brasil
em 2009 e estimativas para 2010, e respectivas participações em área de cultivo
nacional (% Nac). Embrapa Trigo, 2010.
Participação
Área (ha)
Variação
Nacional
colhida prevista
%
%
%
2009
2010
2009/10
2009
2010
Estado
São Paulo
25.540
25.540
0,0
36,8
37,9
Paraná
36.563
32.660
-10,7
52,7
48,4
2.395
2.345
- 2,1
3,5
3,5
Santa Catarina
41,8
7,0
10,2
Rio Grande do Sul
4.852
6.879
Total (Brasil)
69.350
67.424
-2,8
100,0
100,0
Fonte: IBGE (2010).
Tabela 4. Triticale em grãos: preços médios nominais mensais recebidos pelos
produtores em R$/sc, no Paraná no período de 2006 a junho de 2010 e relação com o
preço pago ao milho entre set/08 a jun/10 em %.
Mês
Ano
Jan. Fev. Mar. Abr. Mai. Jun. Jul. Ago. Set. Out. Nov. Dez.
12,80
12,27 11,30 10,44 10,58 11,20 10,96 11,28 12,46 15,87 17,31 15,80
2006
15,82 15,56 15,32 14,87 14,19 13,93 14,62 16,25 20,17 22,76 22,47 21,97
2007
22,95 22,75 27,04 30,48 33,55
23,00 21,00 19,38 18,03
2008
19,15 18,50 18,37 18,60 18,65 17,61 17,06 16,64 15,73 15,17 13,78 12,90
2009
13,56 12,71 11,42 10,88 10,80 11,87
2010
% em 2008
+29,8 +23,7 +23,3 +18,5
relação
2009 +9,1 +7,1 +13,9 +12,8 +7,2 +2,2 +10,5 +13,2 +8,5 -0,2 -11,2 -13,0
ao
milho 2010 -7,0 -9,8 -17,5 -20,5 -21,4 -14,8
Fonte: Paraná (2010).
CONSIDERAÇÕES AO ENSAIO DE TRIGO DO MAPA CONDUZIDO NA Embrapa
Trigo EM 2009
Alfredo do Nascimento Junior1, Mariane Cezarotto de Moraes2, Sílvia Ortiz Chini3,
Máico Serafíni Betto4, Henrique Pacheco3
1
Embrapa Trigo. Caixa Postal 451, CEP 99001-970, Passo Fundo, RS. 2 Universidade
de Passo Fundo, bolsista de iniciação científica (FAPERGS). 3 Universidade de Passo
Fundo, bolsista de iniciação científica (PIBIC-CNPq). 4 Universidade de Passo Fundo,
bolsista de iniciação científica (Embrapa). E-mail: [email protected].
Com o objetivo principal de revisar os descritores mínimos oficiais utilizados
para os ensaios de Distingüibilidade, Homogeneidade e Estabilidade (DHE) de trigo no
Brasil, em 2009, teve início um trabalho cooperativo realizado entre o MAPA,
obtentores e os respectivos melhoristas de trigo. Foram preparados ensaios em nível
nacional constituídos de cultivares de trigo padrões servindo de teste para a
determinação de DHE, com pequenas distinções regionais. Secundariamente,
procurou-se obter informações quanto à homogeneidade de características
morfológicas das diversas cultivares testadas.
A semeadura, condução e avaliação dos ensaios foram realizadas em parceria
com as empresas BIOTRIGO GENETICA, COODETEC, EMBRAPA, FUNDACEP e
IAPAR, que, isoladamente, conduziram um ensaio na Região Centro-Oeste, três
ensaios no Rio Grande do Sul e três ensaios no Paraná. Vinte e uma cultivares de
trigo foram testadas nos ensaios. Dezesseis cultivares estiveram presentes em todos
os ensaios. Três cultivares foram acrescentadas no ensaio da Região Centro-Oeste,
uma acrescentada em cada um dos seis ensaios da região Sul e mais uma
acrescentada em cada um dos três ensaios do Paraná, somando 19, 17 e 18
cultivares, respectivamente, por ensaio em cada região/estado. A densidade de
semeadura foi pré-definida pelo MAPA e as amostras devidamente identificadas por
“letras”, sem conhecimento prévio ou identificação das cultivares.
No ensaio conduzido pela Embrapa Trigo em Passo Fundo, 17 cultivares
conhecidas previamente foram testadas, (ASTECA, BRS 229, BRS 249, BRS
Camboatá, BRS Guamirim, BRS Pardela, BRS Tangará, Fundacep 51, Fundacep
Campo Real, Fundacep Horizonte, IPR 129, IPR 130, IPR 136, QUARTZO, VALENTE,
VAQUEANO e Fundacep Raízes), porém, não identificadas nominalmente, tendo sido
apenas denominadas de “A” a “Z”, excetuando-se “K”, “L” e “Z”.
A semeadura foi realizada em 14/07/2010 e a emergência das plantas ocorreu
em 25/07/2010. Aplicações fungicidas e inseticidas foram sempre realizadas
preventivamente de acordo com as indicações para a cultura.
Dos 25 descritores mínimos oficiais de Distingüibilidade, Homogeneidade e
Estabilidade (DHE) de trigo no Brasil, excetuando-se a reação ao crestamento e da
textura de grãos, devido à quantidade limitada de sementes e excesso de chuvas na
colheita, respectivamente, foram avaliados. Quanto às observações, utilizou-se UPOV
como padrão, adaptando as devidas caracterizações no momento do preenchimento
do formulário de descritores mínimos brasileiros.
Todos os 17 genótipos apresentaram variações em pelo menos dois
descritores. Desses, dois genótipos apresentaram variações em duas características,
dois genótipos apresentaram variações em três características, nove genótipos
apresentaram variações em quatro características, dois genótipos apresentaram
variações em cinco características e dois genótipos apresentaram variações em seis
características.
As características que mais apresentavam variações em ordem decrescente
foram: Folha. Posição da lâmina da folha bandeira em relação ao colmo, no início do
espigamento: dezessete genótipos; Folha. Coloração das aurículas: quatorze
genótipos; Gluma. Forma do ombro: treze genótipos; Colmo. Forma do nó superior:
nove genótipos; Colmo. Diâmetro do colmo: seis genótipos; Colmo. Espessura das
paredes: cinco genótipos; Gluma. Pilosidade: quatro genótipos. Esse comportamento
pode ser evidência de elevada interação genótipo x ambiente ou de variabilidade
intrínseca das cultivares fixada na seleção/purificação dos genótipos.
A variabilidade geral dos genótipos, em cada característica, e a variância entre
os genótipos foi assim expressa (numeração de acordo com formulário de descritores
mínimos oficiais de DHE Brasil):
01. Planta. Hábito vegetativo - média de 5,5; moda de 5; mínimo de 3 e máximo
de 8; em que, "1 Prostrado, 3 Semi-prostrado, 5 Intermediário, 7 Semi-ereto e 9 Ereto";
02. Planta. Altura média da planta - média de 88,5 cm; moda de 84 cm; mínimo
de 74,7 cm e máximo de 102,7 cm;
04. Folha. Cerosidade da bainha da folha bandeira - média de 4,4; moda de 4;
mínimo de 3 e máximo de 5; em que, "1 Ausente, 3 Fraca e 5 Forte";
05. Folha. Coloração das aurículas - média de 2,9; moda de 4; mínimo de 1 e
máximo de 4; em que, "1 Incolor, 2 Pouco colorida, 3 Colorida, 4 Heterogênea";
07. Colmo. Cerosidade do pedúnculo - média de 4,9; moda de 5; mínimo de 4 e
máximo de 5; em que, "1 Ausente, 3 Fraca e 5 Forte";
10. Espiga. Forma - 100% fusiforme (3);
11. Espiga. Comprimento (mm) - média de 73,1 mm; mínimo de 53,9 mm e
máximo de 101,3 mm; variância mínima de 14,3 e máxima de 70,6;
12. Espiga. Densidade (mm) - média de 40,7 mm; mínimo de 31,3 mm e
máximo de 84,3 mm; variância mínima de 2,3 e máxima de 92,5;
13. Espiga. Arista - 100% aristada (5);
14. Espiga. Coloração - 100% clara (1);
15. Gluma. Pilosidade - média de 1,96; moda de 2; mínimo de 1 e máximo de
2; em que, "1 Glabra (Ausente) e 2 Pilosa (Presente)";
16. Gluma. Comprimento (mm) - média de 8,4 mm; mínimo de 6,6 mm e
máximo de 10,2 mm; variância mínima de 0,1 e máxima de 0,6;
17. Gluma. Largura (mm) - média de 3,4 mm; mínimo de 2,0 mm e máximo de
13,2 mm; variância mínima de 0,02 e máxima de 4,7;
18. Gluma. Forma do ombro - média de 4,2; moda de 5; mínimo de 1 e máximo
de 5; em que, "1 Inclinado, 3 Reto e 5 Elevado"; variância mínima 0,0 e máxima de
3,1;
19. Gluma. Comprimento do dente (mm) - média de 9,4 mm; mínimo de 2,4 mm
e máximo de 28,4 mm; variância mínima de 0,8 e máxima de 22,5;
20. Grão. Forma - média de 1,4; moda de 1; mínimo de 1 e máximo de 3; em
que, "1 Ovalado, 3 Alongado e 5 Truncado";
21. Grão. Comprimento (mm) - média de 6,4; mínimo de 4,8 e máximo de 8,2;
variância mínima de 0,04 e máxima de 0,2;
22. Grão. Coloração - 100% vermelho (3);
25. Subperíodo emergência / espigamento - média de 76,1 dias; moda de 79
dias; mínimo de 64 dias e máximo de 84 dias;
26. Ciclo emergência / maturação - média de 119 dias; moda de 117 dias;
mínimo de 110 dias e máximo de 127 dias.
A variabilidade das características qualitativas e quantitativas ocorreu
distintamente. Não foi possível discriminar as características quantitativas como mais
variáveis ou dependentes do ambiente. Especificamente, as características, Gluma.
Comprimento (mm), Gluma. Largura (mm) e Gluma. Forma do ombro, em quase todos
os casos, dentro de cada genótipo apresentam pequena variância podendo ser
consideradas altamente discriminantes.
A característica Folha. Coloração das aurículas com os níveis de expressão: "1
Incolor, 2 Pouco colorida, 3 Colorida, 4 Heterogênea" utilizada no Brasil poderia ser
semelhante a da UPOV: “1 Ausente ou muito fraco, 3 fraco, 5 Médio, 7 Forte e 9 Muito
forte”, discriminando melhor os genótipos, inclusive com a freqüência observada em
cada nota, eliminando assim a opção “4 heterogênea” pouco discriminativa. Deve ser
salientado, entretanto, que a avaliação da coloração das aurículas é altamente
dependente da radiação solar (direta e difusa), com elevada interação genótipo
ambiente, podendo, um mesmo genótipo apresentar dentro da comunidade ou planta,
expressões diferenciadas entre colmo/afilhos, em função da data de diferenciação das
estruturas reprodutivas e variação do tempo/espaço, por exemplo, exposição em
campo, telado ou casa de vegetação, incidência de radiação direta e/ou difusa (céu
limpo ou com nebulosidade).
De maneira semelhante, as características Folha. Cerosidade da bainha da
folha bandeira e Colmo. Cerosidade do pedúnculo, poderiam ser alteradas de "1
Ausente, 3 Fraca e 5 Forte" para o padrão UPOV: “1 Ausente ou muito fraco, 3 fraco, 5
Médio, 7 Forte e 9 Muito forte”, melhor discriminantes, acrescentando a característica
Espiga. Cerosidade também utilizada na UPOV e ausente nos descritores de trigo no
Brasil. A cerosidade é altamente dependente do ambiente e sujeita a grandes
modificações sob o efeito de precipitações pluviométricas, normalmente diminuindo o
nível de expressão, devendo-se aguardar alguns dias para a retomada da avaliação,
para essa característica, caso as precipitações pluviométricas cessem.
De modo geral, sugere-se discussões desses dados no grupo de obtentores de
trigo, com o objetivo de se eleger descritores que atendam as necessidades atuais e
futuras dos ensaios de DHE.
Variações genotípicas existem e diversos fatores ambientais e genéticos
podem estar atuando isoladamente e/ou interagindo com as expressões das
características fenotípicas encontradas em trigo. É importante que sejam discutidas as
causas dessas variações e os níveis de variação de cada característica, e elaboradas
estratégias ou normas reguladoras que permitam que genótipos superiores sejam
registrados e protegidos.
Para distinguibilidade genotípica, através da caracterização comunicada no
momento do registro e/ou proteção, considerar uma característica como suficiente,
principalmente quando essa for homogênea para o genótipo e pouco influenciada pelo
ambiente.
BRS SATURNO – CULTIVAR DE TRITICALE
Alfredo do Nascimento Junior1, Márcio Só e Silva1, Eduardo Caierão1, Pedro Luiz
Scheeren1
1
Embrapa Trigo. Caixa Postal 451, CEP 99001-970, Passo Fundo, RS. E-mail:
[email protected].
No Brasil, entre os anos de 2000 e 2004 houve uma estabilização na área total
cultivada com triticale em torno de 109 a 126 mil hectares, com um máximo registrado
no ano de 2005, com 134.868 hectares efetivamente colhidos. A partir de 2007, a área
decresceu para menos de 100 mil hectares, tendo em 2008, a menor safra dos últimos
oito anos, contabilizando 75.640 hectares. O destino do grão colhido sofreu alterações
nesse mesmo período. Inicialmente, exclusivamente utilizado para a alimentação
animal, foi aos poucos sendo também empregado na alimentação humana.
Apesar de competitivas, as cultivares de triticale hoje em indicação possuem
deficiências em algumas características agronômicas, que podem ser corrigidas
através de novos ciclos de melhoramento (seleção de novos genótipos). A
disponibilização de cultivares mais competitivas é fundamental para as sustentações
tecnológicas, econômicas e ambientais das propriedades rurais do sul do Brasil e para
o país, mantendo e alavancando a produção nos sistemas agropecuários atuais e
também para os sistemas integrados a serem desenvolvidos. Esforços devem ser
continuados no melhoramento de novas cultivares e no desenvolvimento de produtos
que empregam triticale como matéria-prima. De mesma forma o mercado deve
reconhecer o grão como um produto de fim específico e não para usos diversos.
Diversos cruzamentos foram realizados nos últimos anos na Embrapa Trigo.
Deste processo, foi originada a cultivar BRS Saturno, segunda cultivar de triticale
desenvolvida no país com parentais adaptados às condições edafoclimáticas de
cultivo do sul do Brasil.
A cultivar BRS Saturno é proveniente do cruzamento “PFT 512 / CEP 28 Guará”, realizado pelo Embrapa Trigo, em 1995. A linhagem PFT 512, é oriunda do
cruzamento ANOAS/CEP 23 - Tatu” realizado no Centro Internacional de
Melhoramento de Milho e Trigo (CIMMYT) em El Batan – México em 1986, e foi
introduzida pela Embrapa em 1993, através do ensaio internacional de rendimento que
foi avaliado em Passo Fundo – RS, o 26ºITYN (International Triticale Yield Nursery),
composto de linhagens endogâmicas de triticale, enviadas para avaliação e seleção
em diversos países. A entrada de número 11 (no 26ºITYN) com o seguinte histórico de
seleção: CTM86.123-17MI-2MI-13BI-2Y-0PAP-1Y-0B, foi selecionada, e sofreu
seleção massal modificada, descartando-se plantas atípicas e agronomicamente
inadequadas e selecionando-se plantas superiores e homogêneas em Passo FundoRS, ficando com o seguinte histórico de seleção: CTM86.123-17MI-2MI-13BI-2Y0PAP-1Y-0B-0F (0F = seleção em Passo Fundo-RS) dando origem a linhagem “PFT
512”. O desenvolvimento e a seleção das populações segregantes da linhagem PFT
112 (BRS Saturno) foram realizados em Passo Fundo/RS, através do método
genealógico a partir de 1997, com a seleção de 100 espigas da parcela 710108. Em
1998, foram semeadas todas as 100 espigas por fileira de espigas e selecionadas
doze plantas da linha sete da parcela 820485, as quais foram semeadas
separadamente por fileira de espigas em 1999. Em 1999 foi realizada colheita de
espigas de duas linhas irmãs das parcelas 920356 e 920357, em que, doze espigas
por linha passaram por seleção fenotípica de espigas e de plantas homogêneas. Em
2000, o genótipo fez parte de coleção interna da Embrapa Trigo para avaliação
agronômica e biológica, ao mesmo tempo em que, era multiplicado em parcela de
multiplicação de espigas para produção de semente genética. Em 2001, o genótipo foi
denominado PFT 112, participou de avaliação preliminar de rendimento de triticale
(EPRTCL) em Passo Fundo/RS. Entre 2002 e 2004 foi enfatizada a produção e
purificação de sementes desta linhagem, passando novamente por seleção por fileira
de espigas e posterior multiplicação massal. Entre 2002 e 2008 participou dos ensaios
de Valor de Cultivo e Uso de Triticale (VCUTCL) em vários locais do Sul do Brasil
destacando-se por suas características de rendimento de grãos, peso do hectolitro e
menor suscetibilidade à giberela. A linhagem PFT 112 foi avaliada em ensaios de
Distingüibilidade, Homogeneidade e Estabilidade (DHE) em 2003, 2004 e 2005 na
Embrapa Trigo em Passo Fundo-RS.
A cultivar de triticale BRS Saturno é resistente ao oídio, tolerante ao
crestamento, resistente à ferrugem das folhas, moderadamente resistente às manchas
foliares e ao vírus do mosaico do solo (SBWMV), moderadamente suscetível à
germinação na espiga, ao vírus do nanismo amarelo (BYDV) e a bacteriose das folhas,
e suscetível à giberela ou fusariose da espiga e à Brusone.
A cultivar de triticale BRS Saturno apresenta ciclo médio (semelhante ao BRS
Minotauro) e estatura de planta alta (bom tipo agronômico). É a segunda cultivar
brasileira de triticale desenvolvida por cruzamentos realizados no Brasil. Sua
moderada resistência à giberela, excelente qualidade de grãos com peso do hectolitro
superior às variedades em indicação e ampla adaptabilidade de produtividade,
permitirá o aumento de área de cultivo desta espécie por agricultores que utilizam
triticale em seus sistemas de produção.
Em função do desempenho do material e da similaridade climática e de cultivo
existentes em Santa Catarina e Rio Grande do Sul (Região Sul) e Paraná, Mato
Grosso do Sul e São Paulo (Região Centro-Sul) e das tecnologias de cultivo
atualmente a disposição dos agricultores, esta cultivar foi registrada no Registro
Nacional de Cultivares – RNC, sob número de registro 26744 em 21/05/2010, para
comercialização visando à produção de grãos em todas nas regiões tritícolas sul e
centro-sul do Brasil (RS, SC, PR, MS e SP), em cultivo de sequeiro na estação fria.
TOLERÂNCIA À TOXIDEZ DE ALUMÍNIO EM TRITICALE
(X Triticosecale Wittmack)
Mariane Cezarotto de Moraes1, Alfredo do Nascimento Junior2
1
Universidade de Passo Fundo, Acadêmica do curso de Agronomia, bolsista de
Iniciação Científica (FAPERGS). 2 Embrapa Trigo. Caixa Postal 451, CEP 99001-970,
Passo Fundo, RS. E-mail: [email protected].
Os solos ácidos, geralmente, devido à toxidez de alumínio limitam o
crescimento das plantas em mais de 1,5 bilhão de hectares no mundo. No Brasil,
apesar da calagem ser uma prática usual e relativamente de baixo custo quando
comparada a outras práticas agrícolas, nem sempre é realizada corretamente e não é
eficiente na correção da acidez sub-superficial de solos manejados sob sistema de
semeadura direta na palha. Plantas tolerantes ao crestamento (efeito negativo da
acidez do solo associada ao alumínio tóxico) são mais eficientes em condições
marginais de cultivo, como déficit hídrico prolongado.
A caracterização específica da tolerância à toxidez de alumínio pode ser obtida
através de métodos hidropônicos, enquanto que métodos que envolvam solo incluem
potencialmente outros fatores ligados à acidez. O presente estudo visou avaliar a
tolerância de genótipos de triticale, em solução hidropônica, à toxidez de alumínio.
O experimento foi realizado em 2008 no Laboratório de Biotecnologia do
Núcleo de Biotecnologia Aplicada a Cereais de Inverno (NBAC) da Embrapa Trigo,
localizada na BR 285 em Passo Fundo, RS. Foi seguido o protocolo usado na
Embrapa Trigo para avaliação da tolerância de cereais de inverno ao alumínio,
baseado no método em que se compara o crescimento das plântulas na ausência e na
presença de alumínio (6 mg Al/L), conforme descrito por Baier et al. (1995).
Foram avaliados 15 genótipos, sendo 13 genótipos de triticale (X Triticosecale
Wittmack) e dois genótipos referência de trigo (Triticum aestivum L.). Inicialmente, foi
realizado o preparo de sementes através de desinfestação externa, mediante imersão
em solução comercial de hipoclorito de sódio (2%), por 3 a 5 minutos, enxaguando-as
em seguida com cinco lavagens com de água destilada e uma com água deionizada.
As sementes foram então dispostas em placa de Petri, sobre dois círculos de papel
Germiteste®, umedecidas e recobertas com um disco de papel Germiteste®. Em
seguida, as placas foram tampadas e mantidas em temperatura ambiente de
6°C ± 1°C até a emissão das radículas, quando, fora m transferidas para ambiente com
temperatura controlada de 23°C ± 1°C durante 36 a 4 0 horas.
As soluções estoque foram preparadas, individualmente, usando os seguintes
reagentes (p.a.) e respectivas quantidades: CaCl2.2H2O, 58,80 g/L; KNO3, 65,70 g/L;
MgCl2.6H2O, 50,80 g/L; (NH4)2SO4, 1,30 g/L; NH4NO3, 3,20 g/L.
Para preparar a solução nutritiva foi usado 1 mL da solução estoque de cada
sal por litro de água destilada e deionizada. A solução nutritiva contava com a seguinte
composição e concentração finais: CaCl2 (400 mmol/L), KNO3 (650 mmol/L), MgCl2
(250 mmol/L), (NH4)2SO4 (10 mmol/L); NH4NO3 (40 mmol/L). O pH foi corrigido para 4,
usando ácido clorídrico (0,8 mL de HCL 0,1 N/L de solução), monitorado com
pHmetro. Também foi preparada uma solução estoque de alumínio com 0,894 g de
cloreto de alumínio (AlCl3), dissolvido em balão volumétrico de 100 mL usando água
destilada.
Em seguida realizou-se o transplante das sementes pré-germinadas para as
bandejas de plástico (dimensões: 43 x 28 x 8 cm). As sementes foram dispostas em
estrutura formada por tela plástica com 2 mm de malha firmada em grade de plástico
rígido, com alvéolos de 6 x 3 x 1,8 cm, dentro das bandejas, utilizando-se tiras de
poliestireno nas margens externas da estrutura da tela, para promover a flutuação da
mesma ao nível da solução. Após, colocou-se dois litros da solução nutritiva por
bandeja.
Foram transplantadas sementes pré-germinadas com raízes menores do que
0,5 cm de comprimento, inserindo as raízes, primárias e secundárias, cuidadosamente
nos orifícios da tela. Foram colocadas até oito sementes de um mesmo genótipo por
alvéolo, repetindo a operação nas bandejas (com e sem alumínio), inclusive para os
genótipos referência. Após o transplante, realizou-se o ajuste de temperatura na
câmara de crescimento para 23°C ± 1°C. Colocaram-se as bandejas, ao acaso, em
prateleiras sob lâmpadas fluorescentes. Para proporcionar aeração na solução
nutritiva, inseriram-se nas laterais internas de cada bandeja dois tubos de vidro com
20 cm de comprimento e diâmetro interno de 3 mm, conectados a um compressor de
ar pequeno de 2,5 W com pressão de 0,012 MPa e capacidade de 1,8 L/min,
conectados através de tubos de silicone.
O delineamento utilizado foi o inteiramente casualizado, com duas a seis
repetições, conforme a disponibilidade de sementes com radículas emitidas
uniformemente, sendo cada repetição composta por até oito plântulas. Após aplicação
da solução de alumínio, as plântulas cresceram sob luz contínua, durante 96 horas,
substituindo a solução após 24, 48, e 72 horas. A cada substituição foi reposto o
alumínio no tratamento correspondente. Após 96 horas de crescimento, retirou-se a
solução nutritiva das bandejas e essas foram colocadas no congelador até o momento
da quantificação do crescimento das raízes, através de medida de comprimento da
raiz principal.
A análise de variância foi realizada, com o auxilio do programa ESTAT da
Universidade Estadual Paulista (UNESP) de Jaboticabal-SP. Para isolar o efeito de
vigor entre sementes ou plântulas, foram usadas as diferenças do crescimento das
raízes de cada genótipo, em porcentagem, entre a dose zero mg Al/L e a dose de
6 mg Al/L, transformando os dados originais para porcentagem através da fórmula:
Gen/rep=((comp. Sem Al – comp. com Al) ÷ comp. sem Al) X 100= %.
Por meio das medidas de comprimento das raízes dos genótipos utilizados no
experimento e dos dados médios das diferenças entre as repetições com 0 e 6 mg
Al/L, expressos em porcentagem em relação a dose zero, os quais foram tabulados e
analisados pelo teste de Tukey a 5%, foi observado que todos os genótipos
apresentaram comprimento de raiz primária inferior no tratamento com alumínio.
Os genótipos de trigo tolerante e suscetível utilizados como referência, não se
distinguiram com a dose de 6 mg Al/L, superior a 2 mg Al/L utilizada normalmente em
trigo para este tipo de avaliação. Entretanto, segundo Camargo et al. (1998), doses de
2mg Al/L não são efetivas para discriminar genótipos de triticale devido apresentarem
elevada tolerância a alumínio, superior a encontrada em genótipos de trigo.
Os genótipos de triticale IAC-5 Canindé, PFT 0608, PFT 307, BRS Netuno e
BRS Saturno não diferiram o trigo Anahuac 75. Os genótipos de triticale IAC-2 Tarasca
e BRS 203 não diferiram do trigo tolerante IAC-5 Maringá e foram superiores em
tolerância ao Anahuac 75. Os Genótipos Altamente tolerantes foram: PFT 0609,
Embrapa 53, PFT 0505, BRS 148, BRS Ulisses e BRS Minotauro, que diferiram do
genótipo tolerante IAC-5 Maringá.
Comparando estes resultados com informações anteriormente obtidas em
avaliações de genótipos ao complexo da acidez do solo (informações não
apresentadas), foi observado que não houve alterações significativas na ordem de
tolerância desses materiais ao alumínio tóxico, maior responsável pelo complexo da
acidez do solo. Todavia, dois genótipos diferiram quanto a esse conhecimento
anterior, o PFT 307, considerado preliminarmente como altamente tolerante ao
crestamento e agora classificado como moderadamente suscetível ao alumínio e o
genótipo IAC-2 Tarasca, com comportamento moderadamente suscetível ao complexo
da acidez do solo, porém, tolerante ao alumínio.
Desta forma, nos genótipos avaliados, 85% desses apresentaram resposta
semelhante ao crestamento e ao alumínio tóxico.
Essas informações colaboram para evidenciar que outros fatores podem estar
associados ao complexo da acidez do solo além do alumínio tóxico, e da interação
desse metal com os genótipos (Camargo; Freitas, 1981).
De posse dos resultados e da discussão, conclui-se que: os genótipos de
triticale variam quanto à tolerância ao alumínio tóxico e; há elevada concordância da
avaliação de alumínio em solução hidropônica ao comportamento dos genótipos em
solos naturalmente ácidos.
Referências Bibliográficas
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CAMARGO, C.E.O.; FREITAS, J.G. Tolerância de cultivares de trigo em diferentes
níveis de alumínio em solução nutritiva. Bragantia. v.40, p.21-31, 1981.
ESTUDO DE REGIÕES GENÔMICAS EXPRESSAS E MARCADORES
MICROSSATÉLITES PARA USO NO MAPEAMENTO GENÔMICO DE TRIGO
Sydney Antonio Frehner Kavalco¹, Filipe de Carvalho Victoria¹, Luis Felipe C.
Girardon¹, Rodrigo P. Paiva¹, Solange Fereira da S. Silveira¹, Luciano Carlos da Maia¹
e Antonio Costa de Oliveira¹.
¹ Centro de Genômica e Fitomelhoramento, Departamento de Fitotecnia, Faculdade de
Agronomia Eliseu Maciel, Universidade Federal de Pelotas, Campus Universitário, s/nº
· 96001-970 Pelotas, RS, [email protected].
A bioinformática e a biologia molecular são ferramentas que podem ser
associadas ao melhoramento convencional de forma a maximizar os resultados e
diminuir o tempo gasto na seleção dos genótipos mais promissores, através da
seleção assistida.
Segundo Maia et al (2008) microssatélites ou SSRs (Simple Sequence Repeat)
são sequências nas quais uma ou poucas bases são repetidas em tandem com
variação para o número de repetições. Variações em regiões SSR originam-se
principalmente de erros durante o processo de replicação, freqüentemente pela
derrapagem da DNA polimerase, gerando a inserção ou deleção de pares de bases,
resultando, respectivamente, em regiões maiores ou menores (Iyer et al., 2000;
Ellegren., 2004 ).
Esta classe de marcadores é amplamente aplicada em genética e
melhoramento de plantas, devido à sua fácil reprodutibilidade, sua natureza
codominante, por sua característica multialélica e por ter uma grande abundância em
todo o genoma (Maia et al., 2008). Seu uso para a integração de mapas genéticos,
mapeamento físico e ancoragem oferece aos geneticistas e melhoristas de plantas
uma maneira de vincular as mudanças no genótipo e no fenótipo (Varshney et al.,
2005).
Os projetos de seqüenciamento de genomas e de regiões funcionais de várias
espécies, incluindo espécies de grande importância agronômica, têm proporcionado
um grande número de sequências depositadas em bancos de dados, tais como NCBI
(National Center for Biotechnology Information), EMBL (European Molecular Biology
Laboratory) GRAMNE (A Comparative Mapping Resource for Grains) e TIGR (The
Institute for Genomic Research), entre outros. Nesse sentido, a localização e / ou
prospecção de genes é possível através da utilização de técnicas de biologia
molecular e ferramentas de bioinformática.
Trabalhos em Triticum monococum L. definem o afilhamento como um caráter
qualitativo associado a um único gene (Kuraparthy et al., 2007; 2008), assim como em
Oryza sativa L. (Lu et al., 2009). Em Triticum aestivum L. o afilhamento é considerado
um caráter quantitativo, associado a um grande número de genes e influenciado pelo
efeito da interação desse genótipo com o ambiente. O entendimento, de como as
plantas detectam, respondem e se adaptam aos estímulos do ambiente é muito
importante para a melhor adaptação agrícola dos genótipos hoje disponíveis (Almeida
et al., 2001).
O afilhamento está intimamente ligado a capacidade que a planta possui de
produzir e encher as espiguetas. Portanto, um genótipo que em uma planta consegue
produzir e encher 5 espiguetas produzirá maior massa de grãos por área, que uma
planta com 2 espiguetas cheias ou com 7 espiguetas parcialmente cheias (Silva et al.,
2006). O afilhamento é considerado um dos três principais fatores de rendimento de
grãos em cereais, e delimita o potencial produtivo das plantas.
O objetivo geral do trabalho foi encontrar marcadores microssatélites em todo o
banco de regiões genômicas expressas (EST – Expressed Sequence Tags)
disponíveis para o trigo, relacionando tais regiões a suas possíveis funções, processos
e rotas metabólicas capazes de interferir no número de afilhos produzidos pelas
plantas.
Inicialmente foi realizado o download de todo o banco de ESTs disponíveis no
NCBI (www.ncbi.nlm.nih.gov) para o T. aestivum, e realizada a retirada de
redundância com auxílio do programa CAP3 (Huang & Madan., 1999). Após eliminar a
redundância os contigs produzidos foram utilizados para a criação de um banco de
microssatélites, e para o desenho de primers específicos com o auxilio do programa
SSRLocator (Maia et al., 2008). Cada cluster produzido foi utilizado para um BLASTx
(Basic Local Alignment Search Tools) online na plataforma do NCBI, identificando
assim suas possíveis funções. As localizações cromossômicas, relacionadas a cada
região gênica, foram determinadas utilizando ESTs mapeados nos cromossomos de
trigo (La Rota & Sorrels., 2004) também por meio de BLAST. De todo o banco de
ESTs disponível, cento e vinte e cinco regiões microssatélites produziram primers
específicos, destas 19 foram selecionadas por apresentaram conservação dentro da
família Poacea e outros 6 por serem homólogos ao gene tin3 que controla o
afilhamento em T. monococcum. Todos os selecionados apresentaram alta homologia
com as regiões expressas do trigo e com um e-value aceitável, inferior a e-10 (Tabela
01). Todos os vinte e cinco primers serão usados para o mapeamento de populações
segregantes em F3, que estão sendo fenotipadas a campo. Para o entendimento das
funções associadas ao conjunto de genes foi feito o estudo de regiões gênicas
funcionais na plataforma online do Blast2GO (Conesa et al., 2005). Dessa análise
resultaram alguns mapas dos processos envolvidos para cada região gênica expressa
obtida com os vinte e cinco primers resultantes deste trabalho.
Entre os processos metabólicos encontrados para os genes contendo regiões
microssatélites, o metabolismo celular, o metabolismo do nitrogênio, os processos
biossintéticos, o metabolismo primário, a resposta a estresses e o metabolismo de
macromoléculas, destacam-se por suas maiores freqüências, com 13%, 9%, 9%, 10%,
8% e 6% respectivamente (Figura 01). As funções moleculares com maior freqüência
entre os genes contendo regiões microssatélites são, a ligação de cátions, ligação de
DNA, transferases, hidrolases, oxidoreductases e ferroquelatases, respectivamente
com 28%, 14%, 14%, 10%, 9% e 5% de ocorrência. O entendimento da função deste
conjunto de marcadores possibilita a correlação entre os resultados que serão obtidos
com o mapeamento, com seus processos e rotas metabólicas, auxiliando no estudo
das regiões mais significantes para o afilhamento em T. aestivum.
A alta ocorrência de transcritos contendo SSRs associados à função de ligação
de cátions sugere que esta classe de proteínas possa estar mais sujeita a este tipo de
mutação, entretanto mais estudos necessitam ser realizados para confirmar esta
constatação.
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Tabela 01: Localização, função, identidade e valor do E-value para os vinte e cinco
primers descritos em Triticum aestivum L. CGF/UFPel, 2010.
Identificação
Contig 01
Contig 02
Contig 03
Contig 04
Contig 05
Contig 06
Contig 07
Contig 08
Contig 09
Contig 10
Contig 11
Contig 12
Contig 13
Contig 14
Contig 15
Contig 16
Contig 17
Contig 18
Contig 19
Contig 20
Contig 21
Contig 22
Contig 23
Contig 24
Contig 25
Localização
Cromossomo
4B
2A
2B
6A
5A
6A
6B
5A
2B
2A
3A
3A
3A
3A
3A
3A
3A
3A
3A
3A
3A
3A
3A
3A
3A
Função associada
Organismo
Oxygen envolving enhancer protein
Thioredoxin H type
Photosystem I subunit C gene
RNAm
Low temperature and salt responsive
RNAm
Senescence associated protein (SAP)
RNAm
RNAm
RNAm
RNAm
Rho-GTPase activating protein like
Hipothetical protein
Hipothetical protein
Putative NAC transcription factor (NAC3)
RNAm
RNAm
Putative glucan endo-1,3-beta-D-glucosidase
Pyrroline 5 carboxylate reductase mRNA
Full insert mRNA sequence
RNAm
RNAm
Ribossomal protein L13a mRNA, complete cds.
RNAm
RNAm
Triticum aestivum
Triticum aestivum
Triticum aestivum
Triticum aestivum
Triticum aestivum
Triticum aestivum
Triticum aestivum
Triticum aestivum
Triticum aestivum
Triticum aestivum
Triticum aestivum
Triticum aestivum
Triticum aestivum
Triticum aestivum
Triticum aestivum
Triticum aestivum
Triticum aestivum
Triticum aestivum
Triticum aestivum
Triticum aestivum
Triticum aestivum
Triticum aestivum
Triticum aestivum
Triticum aestivum
Triticum aestivum
e-Value
8,00E-150
9,00E-106
1,00E-75
7,00E-103
2,00E-18
1,00E-123
7,00E-26
0,00E+00
1,00E-57
3,00E-38
0,00E+00
4,00E-126
2,00E-71
8,00E-34
2,00E-175
8,00E-10
8,00E-131
1,00E-119
7,00E-147
5,00E-48
6,00E-33
4,00E-99
3,00E-104
7,00E-43
0,00E+00
Identidade
98%
100%
94%
94%
72%
54%
63%
92%
72%
54%
66%
78%
78%
70%
79%
80%
58%
79%
85%
64%
68%
74%
70%
74%
82%
Figura 01: Processos biológicos para as regiões expressas e as respectivas
porcentagens de ocorrência dos microssatélites, utilizando o nível 3 de ramificação
gerado pelo software Blast2go.
Figura 02: Função molecular para as regiões expressas e as respectivas
porcentagens de ocorrência dos microssatélites, utilizando o nível 4 de ramificação
gerado pelo software Blast2go.
PROSPECÇÃO IN SILICO DE MARCADORES MICROSSATÉLITES PARA O
CARÁTER GERMINAÇÃO PRÉ-COLHEITA BASEADO NO METABOLISMO
DOS CAROTENÓIDES
Elisane Weber Tessmann1, Taciane Finatto1, Thais Raquel Hagemann1 Solange F.
Silveira da Silveira1, Bruno Meneghussi1, Diego Barreta1, Luciano Carlos da Maia1 e
Antonio Costa de Oliveira1
1
Centro de Genômica e Fitomelhoramento, Departamento de Fitotecnia, Faculdade de
Agronomia Eliseu Maciel, Universidade Federal de Pelotas. Campus Universitário s/n,
Pelotas-RS, CEP 96001-970. [email protected]
A tolerância à germinação pré-colheita em trigo (Triticum aestivum L.) é uma
característica buscada pelo melhoramento genético deste cereal no intuito de
aumentar a qualidade e a produtividade de grãos. A germinação pré-colheita é
observada especialmente em cultivares que possuem período de dormência curto, ou
inexistente, e é agravada em regiões onde há ocorrência de elevada umidade no
período de colheita (Reis, 1986). Os grãos germinados, ou em vias de germinação,
apresentam atividade da enzima α-amilase extremamente elevada, o que reduz a
qualidade da farinha produzida, dificultando ou até impedindo o processo de
panificação (Mandarino, 1993). O ácido abscísico (ABA) é um hormônio sintetizado
preferencialmente pela via indireta ou via dos carotenóides (Taiz & Zeigher, 2004) e
está envolvido no controle de diversos processos fisiológicos essenciais nas
sementes, incluindo o desenvolvimento, síntese de proteínas de armazenamento
tolerância à dessecação, o surgimento e manutenção da dormência, e respostas a
estresses (Gonzalez-Guzman et al., 2002). A germinação pré-colheita é um caráter
controlado quantitativamente, e é regulada pela concentração relativa de ABA e
giberelinas na semente. A presença de ABA inibe a síntese de enzimas hidrolíticas
que são fundamentais para a quebra das reservas armazenadas, atuando de forma a
inibir a transcrição da α-amilase, que é induzida por giberelinas promovendo o estado
de dormência nas sementes. A superação desta dormência ocorre quando há redução
na concentração de ABA em relação a de giberelinas (Taiz & Zeigher, 2004). A
obtenção de cultivares tolerantes à germinação na pré-colheita depende do
desenvolvimento de constituições genéticas capazes de tolerar os efeitos de
precipitações no período entre a maturidade e a colheita. Entretanto, a seleção para
tolerância a este caráter com base no fenótipo, é um processo difícil de ser avaliado, e
geralmente é realizado com base no índice de velocidade de germinação (Li et al.,
2004). Os microssatélites (SSRs) são marcadores moleculares altamente polimórficos,
de herança codominante, são multialélicos e ocorrem abundantemente em genomas
eucariotos, são baseados em PCR, reproduzíveis e de custo reduzido (SALLES &
BUSO, 2003). A prospecção de marcadores SSRs localizados em genes associados
às vias metabólicas do ácido abscísico podem fornecer avanços para a seleção de
constituições genéticas para a tolerância a germinação pré-colheita.
O objetivo do trabalho foi buscar marcadores microssatélites para o caráter
germinação pré-colheita em trigo (Triticum aestivum L.) por meio da pesquisa in silico
em regiões expressas de genes da via metabólica dos carotenóides.
Inicialmente foi realizada a busca de genes relacionados à via metabólica dos
carotenóides em arroz (Oryza sativa L.) com base no banco de dados do KEGG
(Kyoto Encyclopedia of Genes and Genomes), as seqüencias de animoácidos dos 17
genes foram anotadas. Posteriormente foi realizado alinhamento de cada sequência
dos 17 genes de O. sativa no banco de dados do NCBI (National Center for
Biotechnology Information) utilizando a ferramenta tBLASTn, foi realizado alinhamento
local no intuito de encontrar sequências homólogas nas seqüencias expressas (ESTs -
expressed sequence tag) depositadas para o genoma do trigo (Triticum aestivum L.).
Foram anotadas as seqüências com cobertura maior que 55% e E-values menores
que e-10. Após a obtenção das seqüencias homólogas em trigo, com auxílio do
programa Blast2GO (Conesa et al., 2005) foi realizada a anotação da ontologia gênica
das sequências de ESTs e identificada a posição do produto gênico na via metabólica
dos carotenóides. Uma vez detectadas as ESTs envolvidas nesta via, foi realizada a
busca por locos de microssatélites em regiões UTR (untranslated regions) destas
ESTs, utilizando o programa computacional SSRLocator (Maia, 2008). Foi realizada a
busca por motivos dímeros, trímeros, tetrâmeros e hexâmeros com repetições em
série formando fragmentos maiores que 12 pares de bases, este procedimento realiza
a busca de microssatélites tanto de classe I onde as regiões repetidas em série
formam fragmentos acima de 20 pares de bases, quanto os microssatélites de classe
II que são aqueles com regiões repetidas em série constituindo fragmentos variando
de 12 a 20 pares de bases. Foram considerados como parâmetros de busca o
intervalo de 100 pares de bases entre os locos microssatélites e até cinco pares de
bases entre regiões imperfeitas. Após a identificação dos locos de microssatélites
foram construídos iniciadores utilizando como parâmetros o tamanho de 18 a 22 pares
de bases, o tamanho do amplicon variando de 100 a 300 pares de bases, temperatura
de melting de 58 a 64 ºC e conteúdo GC variando de 40 a 50%.
A partir do alinhamento local dos 17 genes de O. sativa envolvidos na via
metabólica dos carotenóides com o banco de ESTs de Triticum aestivum L., foram
encontradas seis ESTs que codificam para enzimas da via metabólica dos
carotenóides em trigo (Figura 1). Foram encontradas ESTs para as enzimas: ABA - 8'
– hidroxilase, fitoeno sintase,
caroteno 7,8-desaturase, zeaxantina epoxidase,
violaxantina de-epoxidase e xantoxina desidrogenase. ABA - 8' - hidroxilase catalisa o
primeiro passo da degradação oxidativa do ácido abscísico e é considerada a enzima
fundamental no controle da taxa de degradação deste hormônio (Cutler et al., 1997);
fitoeno sintase catalisa a conversão de duas moléculas de geranilgeranil difosfato a
fitoeno, participa do segundo passo na biossíntese de carotenóides a partir de
isopentenil - difosfato. A enzima zeaxantina epoxidase converte zeaxantina em
anteraxantina e, posteriormente, em violaxantina e também atua sobre a betacriptoxantina. Esta enzima desempenha um papel importante na resistência a
estresses, formação e desenvolvimento das sementes e dormência (Park et al., 2008).
A enzima violaxantina de-epoxidase juntamente com a zeaxantina epoxidase
catalisam a reação de síntese da xantofila C40 (ou violaxantina), violaxantina converte
em 9’-cis neoxantina, cliva-se para xantoxina (15C). Foram encontrados 15 locos
microssatélites distribuídos nas seis ESTs da via dos carotenóides, a maior quantidade
(9 locos microssatélites) foi verificada para ABA - 8' – hidroxilase (Tabela 1) sendo 4
locos do tipo simples e 5 locos do tipo composto. Com exceção de violaxantina
epoxidase onde foi verificado o motivo trímero (GCG) repetido cinco vezes todos os
demais 14 motivos estavam repetidos duas vezes. Foram encontrados microssatélites
hexâmeros para xantoxina desidrogenase, fitoeno sintase e zeaxantina epoxidase. Foi
possível obter quatro pares de iniciadores (Tabela 2) para as ESTs que codificam as
enzimas ABA - 8' – hidroxilase e violaxanina epoxidase.
A busca in silico de microssatélites em genes da via metabólica do
carotenóides possibilitou a obtenção de quatro pares de iniciadores para dois genes
que codificam as enzimas ABA - 8' – hidroxilase e violaxanina epoxidase. Estes
marcadores podem ser testados em populações segregantes para mapeamento do
caráter germinação pré-colheita em trigo, assim como para verificar polimorfismos
entre genótipos de trigo cultivados no Brasil.
Referências Bibliográficas
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TAIZ, L.; ZEIGER, E. Fisiologia vegetal. Porto Alegre: Artmed, 3.ed. 2004.
Figura 1. Via metabólica dos carotenóides, os códigos das enzimas (ec) marcados em
escala de cinza representam as sequências de ESTs (Expressed sequence tag)
encontradas para trigo na via metabólica dos carotenóides: (ec:2.5.1.32) fitoeno
sintase; (ec:1.14.99.30) caroteno 7,8-desaturase; (ec:1.14.13.90) zeaxantina
epoxidase; (ec:1.10.99.3) violaxantina de-epoxidase; (ec:1.1.1.288) xantoxina
desidrogenase e (ec:1.14.13.93) (+)- ácido abscisíco 8'- hidroxilase. Via metabólica
gerada pelo banco de dados KEEG (Kyoto Encyclopedia of Genes and Genomes).
CGF/UFPel, 2010.
Tabela 1. Motivos de microssatélites encontrados em seqüências expressas (ESTs)
de trigo envolvidas na via metabólica dos carotenóides. CGF/UFPel, 2010.
Identificação
Motivos de Microssatélites
AK333121.1
ec:1.14.13.93 ABA - 8' - hidroxilase
(CCA)5-(TCTCC)3
AK333121.1
ec:1.14.13.93 ABA - 8' - hidroxilase
(GGC)5-(CTGCCG)2
AK333121.1
ec:1.14.13.93 ABA - 8' - hidroxilase
(GCGCGA)2
AK333121.1
ec:1.14.13.93 ABA - 8' - hidroxilase
(CCTTCA)2
AK333121.1
ec:1.14.13.93 ABA - 8' - hidroxilase
(CGTCCG)2
EU430344.1
ec:1.14.13.93 ABA - 8' - hidroxilase
(TCCTCT)2-(CTGCCG)2
EU430344.1
ec:1.14.13.93 ABA - 8' - hidroxilase
(TCTTCC)2
EU430344.1
ec:1.14.13.93 ABA - 8' - hidroxilase
EU430344.1
ec:1.14.13.93 ABA - 8' - hidroxilase
AK334048.1
AK332872.1
AK332872.1
AF265294.1
(GCGGAT)2-(CCTTCA)2-(CG)7-(CTGC)4-(AACTCG)2
(CCAT)3-(GTCCGT)2
ec:1.1.1.288 – Xantoxina
desidrogenase
ec:1.14.13.90 - Zeaxantina
epoxidase
ec:1.14.13.90 - Zeaxantina
epoxidase
ec:1.10.99.3 - Violaxanina
Epoxidase
(CTCTGC)2
(GCTGGC)2-(ATCCAG)2
(AAAGAA)2
(GCG)5
BT009537.1
ec:2.5.1.32 – Fitoeno sintase
(CTCTAC)2
BT009537.1
ec:2.5.1.32 - Fitoeno sintase
(TTCTTT)2
Tabela 2. Iniciadores para quatro locos microssatélites encontrados para as regiões
expressas na via metabólica dos carotenóides em trigo. Amp – tamanho do amplicon,
Tm – temperatura de melting. CGF/UFPel, 2010.
Identificação
ABA - 8' hidroxilase
ABA - 8' hidroxilase
ABA - 8' hidroxilase
Violaxanina
Epoxidase
Forward
Tm
Reverse
Tm
Amp
ATGGCTGCTTTCGTTCTCTT
59.08
TGGGGTTCTTGGAGGAGTAG
59.133
211
CGTGGAGTACCAAGGTGAGA
58.722
TATTCCCGTTCGGTTAGGAG
59.04
172
AGATGGTCCACCTCCAAGTC
58.95
GTTGCCACTATCGTGCTGTT
58.804
170
CAATCTCCGTCTCCTACGCT
59.454
AGGTGATCGGTCCTCCATAG
58.966
226
AVALIAÇÃO E CARACTERIZAÇÃO DE GENÓTIPOS DE TRIGO (Triticum
aestivum L.) NA REGIÃO DE PELOTAS-RS
Cristiano Mathias Zimmer1, Henrique de Souza Luche1, Maraisa Crestani1, Rafael
Nornberg1, Thaís Raquel Hagemann1, Luciano Carlos da Maia1, Fernando Irajá Félix
de Carvalho1 e Antonio Costa de Oliveira1.
1
Centro de Genômica e Fitomelhoramento, Departamento de Fitotecnia, Faculdade de
Agronomia Eliseu Maciel, Universidade Federal de Pelotas. Campus Universitário s/n,
Pelotas-RS, CEP 96001-970. [email protected]
O trigo é um cereal de inverno muito utilizado na região sul do Brasil.
Considerando a posição de destaque na dieta dos brasileiros e as necessidades de
importação da cultura, é necessário elevar a produtividade nacional. O
desenvolvimento de cultivares de trigo, juntamente com o estudo de adaptabilidade de
variedades já conhecidas, tem sido um dos objetivos dos programas de melhoramento
genético de plantas. A seleção é, geralmente, realizada pelo desempenho dos
genótipos em diferentes ambientes. Porém, a decisão de lançamento de novas
cultivares normalmente é dificultada pela ocorrência da interação genótipo x ambiente
(Carvalho et al., 2002). Este trabalho teve por objetivo avaliar e caracterizar genótipos
de trigo e, com base na dissimilaridade genética, indicar possíveis combinações entre
genótipos que venham a dar origem à populações segregantes superiores.
O experimento foi conduzido no Centro Agropecuário da Palma, pertencente à
Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Foram testadas 12 cultivares (BR 23; BR 35;
BRS 119; BRS 120; BRS 177; BRS 49; CD 111; CEP 24; CEP 29; ONIX; RUBI e
SAFIRA) e 5 linhagens do Centro de Genômica e Fitomelhoramento (OPELT06 006;
OPELT06 008; OPELT06 010; OPELT06 012 e OPELT06 013) de trigo. A semeadura
foi procedida em sistema convencional, sendo os tratos culturais realizados de acordo
com o recomendado para a cultura do trigo (CSBPT, 2005). A densidade de
semeadura foi de 300 sementes aptas por metro quadrado, e o delineamento
experimental adotado foi em blocos casualizados, com três repetições. Cada unidade
experimental foi constituída por cinco linhas de três metros de comprimento com
espaçamento de 0,20 m entre si, sendo a área útil determinada pelas três linhas
centrais, reduzindo o efeito de bordadura. Os caracteres mensurados foram: dias da
emergência ao florescimento (DEF) e dias da emergência a maturação (DEM), em
dias; estatura de planta (EST), em cm; rendimento de grãos (RG), em kg ha-1; peso de
hectolitro (PH), em kg 100L-1 e peso de mil sementes (PMS), em g. Os dados foram
submetidos à análise de variância e comparação de médias pelo teste de Scott e Knott
(1974) a 5% de probabilidade de erro. Para estimar a dissimilaridade genética foi
utilizada a distância generalizada de Mahalanobis (D2) entre os pares de genótipos a
partir das médias padronizadas utilizando o programa computacional Genes (CRUZ,
2001). Com base na matriz de dissimilaridade genética, foi construído um
dendrograma pelo método de agrupamento UPGMA (Unweighted Pair Group Method
with Arithmetic Mean), utilizando o programa computacional NTSYS pc 2.1 (ROHLF,
2000). Após a construção do dendrograma, foi calculado o coeficiente de correlação
cofenética através do Teste de Mantel e a separação dos grupos foi realizada
utilizando a dissimilaridade média (SOKAL e ROHLF, 1962).
A análise de variância indicou a existência de variabilidade genética entre os
genótipos testados em relação a todos os caracteres avaliados (Tabela 1). Os
elevados valores de herdabilidade indicaram que grande parte da variação fenotípica
foi decorrente da contribuição genética. De acordo com a comparação de médias, para
o caráter dias da emergência ao florescimento (DEF) as cultivares BRS 177, CEP 29,
RUBI e SAFIRA, juntamente com as linhagens OPELT06 006, OPELT06 008,
OPELT06 010 e OPELT06 012 foram superiores aos demais genótipos. Considerando
o caráter dias da emergência a maturação (DEM), as cultivares BRS 120, BRS 177 e
ONIX, juntamente com todas as linhagens testadas expressaram os melhores
resultados. Em relação ao caráter estatura de planta (EST), a linhagem OPELT06 010
apresentou as maiores médias. Vale a pena ressaltar que os programas de
melhoramento genético de plantas buscam, preferencialmente, genótipos com baixa
estatura para evitar perdas com os índices de acamamento. As cultivares ONIX e
SAFIRA apresentaram o melhor desempenho no caráter rendimento de grãos (RG), o
que pode estar relacionado com os longos ciclos vegetativos e reprodutivos das duas
cultivares, respectivamente. Analisando o caráter peso de hectolitro (PH), os genótipos
BRS 177, CEP 29, ONIX, RUBI, SAFIRA, OPELT06 006, OPELT06 008, OPELT06
010 e OPELT06 012 foram superiores aos demais. Ao verificar o caráter peso de mil
sementes (PMS), podemos concluir que os genótipos BR 23, BR 35, BRS 120, CEP
24, RUBI, OPELT06 006, OPELT06 012 e OPELT06 013 são diferenciados
positivamente dos demais (Tabela 2). Em relação à análise multivariada, considerando
todos os caracteres avaliados, foi possível observar as distâncias genéticas entre as
cultivares e linhagens de trigo (Figura 1). Nesta avaliação, usando como ponto de
corte a dissimilaridade média (dm=30,02), verificou-se a formação de dois grupos. O
primeiro grupo foi formado pelos genótipos BR 23, BR 35, BRS 119, OPELT06 013,
BRS 120, CD 111, CEP 24 e BRS 49. Caracterizando o segundo grupos estão os
genótipos BRS 177, OPELT06 008, OPELT06 006, OPELT06 012, OPELT06 010,
CEP 29, SAFIRA, ONIX e RUBI. Possivelmente genótipos que pertencem ao mesmo
grupo são mais similares geneticamente entre si, considerando os caracteres
avaliados, nestas condições de cultivo. Sabe-se que para obter bons resultados nos
programas de melhoramento de plantas a escolha de genitores é de fundamental
importância.
Neste sentido, cruzamentos entre genótipos de grupos diferentes seriam mais
promissores. Além disso, e enfatizando maior produtividade, a utilização das cultivares
ONIX e SAFIRA cruzadas com a cultivar BRS 120, indica ser uma boa combinação
para a região de Pelotas-RS.
Referências bibliográficas
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Tabela 1. Resumo da análise de variância para os caracteres mensurados em
genótipos de trigo, cultivados no município de Capão do Leão-RS na estação de
cultivo de 2009. CGF/FAEM/UFPel, 2010
Caráter
Q.M. Genótipo
Média Geral
CV (%)
h2(%)
DEF
37,38*
97,33
1,43
94,84
DEM
62,46*
142,16
2,56
78,73
EST
76,17*
92,49
3,38
87,20
RG
191691,71*
1404,51
17,56
68,27
PH
13,01*
68,28
3,24
62,41
PMS
30,19*
39,57
8,62
61,46
* Significativo pelo teste t a 5% de probabilidade de erro.
Tabela 2. Análise de comparação de médias para os caracteres dias da emergência
ao florescimento (DEF), dias da emergência a maturação (DEM), estatura de planta
(EST), rendimento de grãos (RG), peso de hectolitro (PH) e peso de mil sementes
(PMS) em genótipos de trigo, cultivados no município de Capão do Leão-RS na
estação de cultivo de 2009. CGF/FAEM/UFPel, 2010
DEF
DEM
EST
RG
PH
PMS
Genótipo
dias
dias
cm
kg ha-1
kg 100L-1 g
BR 23
93 c
140 b
94 b
1309 c
65 b
43 a
BR 35
92 c
137 b
96 b
1096 c
64 b
44 a
BRS 119
91 c
137 b
89 c
1151 c
68 b
37 b
BRS 120
96 b
143 a
92 c
1502 b
67 b
44 a
BRS 177
100 a
148 a
92 c
1507 b
70 a
37 b
BRS 49
94 c
137 b
97 b
1336 c
66 b
37 b
CD 111
97 b
135 b
93 c
1160 c
67 b
39 b
CEP 24
97 b
138 b
98 b
1127 c
68 b
42 a
CEP 29
98 a
141 b
90 c
1449 b
70 a
37 b
ONIX
97 b
144 a
83 d
2028 a
72 a
37 b
RUBI
100 a
139 b
86 d
1529 b
70 a
45 a
SAFIRA
100 a
141 b
87 d
1813 a
68 a
36 b
OPELT06 006 101 a
146 a
96 b
1507 b
69 a
41 a
OPELT06 008 101 a
148 a
95 b
1262 c
69 a
37 b
OPELT06 010 101 a
149 a
104 a 1205 c
70 a
36 b
OPELT06 012 101 a
148 a
91 c
1598 b
70 a
43 a
OPELT06 013 94 c
144 a
89 c
1300 c
67 b
41 a
Médias seguidas da mesma letra não diferem significativamente entre si pelo teste
Scott e Knott a 5% de significância; DEF=dias da emergência ao florescimento;
DEM=dias da emergência a maturação; EST=estatura de planta; RG=rendimento de
grãos; PH=peso de hectolitro e PMS=peso de mil sementes.
Figura 1. Dendrograma representativo da dissimilaridade genética, baseado na
distância generalizada de Mahalanobis (D2) entre 12 cultivares e 5 linhagens de trigo
baseado na análise conjunta dos caracteres mensurados utilizando o método de
agrupamento UPGMA, com r=0,65. CGF/FAEM/UFPel, 2010
EMPREGO DE CARACTERES MORFOLÓGICOS NA ESTIMATIVA DA DISTÂNCIA
GENÉTICA DE GENÓTIPOS DE TRIGO (triticum sp.).
Michel Wachholz1, Diego Baretta1, Murilo Cerioli1, Luiz Felipe Girardon1, Itamara
Mezzalira1, Rafael Nörberg1, Maraisa Crestani1, Thaís Hagemann1, Fernando I. F.
Carvallho1, Luciano C. Maia1 e Antonio Costa de Oliveira1.
1
Centro de Genomica e fitomelhoramento, Departamento de fitotecnia, Faculdade
Eliseu Maciel, Universidade Federal de Pelotas. Campos Universitario s/n. PelotasRS. CEP 96001-970 [email protected]
O trigo é uma das culturas mais importantes para cultivo na estação fria,
sendo que o Brasil produz atualmente cerca de 50% da demanda interna deste
produto. Os estados do Paraná e Rio Grande do Sul são responsáveis por mais de
85% da produção nacional (BRASIL, 2008). Portanto, o desenvolvimento constante de
novas cultivares, que evidenciem maior produtividade, qualidade de grãos e
adaptabilidade aos ambientes de cultivo, tem sido a principal meta dos programas de
melhoramento (CARVALHO et al, 2008). Segundo dados da CONAB (2009), a
produção de grãos de trigo na safra 2008/2009 foi de 5,67 milhões de toneladas, no
entanto No consumo nacional é de mais de 12 milhões de toneladas. Com este déficit,
torna-se cada vez mais importante a eficiência dos programas de melhoramento no
desenvolvimento de constituições genéticas elite, que tornem o trigo mais atrativo a
ser adotado pelo agricultor como uma opção de cultivo promissora economicamente,
e assim contribuir para a diminuição da dependência da importação desse grão, que é
indispensável na alimentação dos brasileiros. Dentre as ferramentas utilizadas pelos
melhoristas na busca de combinações superiores está à estimativa das distâncias
genéticas. Estas análises podem contribuir na avaliação do germoplasma disponível,
auxiliando na definição de cruzamentos artificiais, na incorporação de genes exóticos
(fase de pré-melhoramento) e recomendação de cultivares para determinadas
regiões, quando o objetivo é aumentar a base genética dos cultivares sob cultivo.
Assim, se constitui numa ferramenta auxiliar de grande importância em programas de
melhoramento e um importante elo entre a conservação e a utilização dos recursos
genéticos disponíveis (MOHAMMADI e PRASANA, 2003). Dentre os caracteres
utilizados na estimativa da distancia genética em um conjunto de genótipos, podem
ser adotados caracteres fenotípicos (morfológicos e agronômicos) e também de dados
genealógicos, alem de dados moleculares (BERTAN, 2005). Caráter fenotípico em
associação com as técnicas multivariadas vem sendo empregado com sucesso na
quantificação da distância genética do trigo (ZEVEM e SCHIACHL, 1989; BERTAN,
2005).
Neste trabalho foram avaliados 48 genótipos de trigo: CGFT 10-001, CGFT 10002, CGFT 10-003, CGFT 10-004, CGFT 10-005, CGFT 10-006, CGFT 10-007, CGFT
10-008, CGFT 10-009, CGFT 10-010, CGFT 10-011, CGFT 10-012, CGFT 10-013,
CGFT 10-014, CGFT 10-015, CGFT 10-016, CGFT 10-017, CGFT 10-018, CGFT 10019, CGFT 10-020, CGFT 10-021, CGFT 10-022, CGFT 10-023, CGFT 10-024, CGFT
10-025, CGFT 10-026, CGFT 10-027, CGFT 10-028, CGFT 10-029, CGFT 10-030,
CGFT 10-031, CGFT 10-032, CGFT 10-033, CGFT 10-034, CGFT 10-035, CGFT 10036, CGFT 10-037, CGFT 10-038, CGFT 10-039, CGFT 10-040, CGFT 10-041, CGFT
10-042, CGFT 10-043, CGFT 10-044, CGFT 10-045, IPR 85, CEP 29 e SAFIRA. Estes
genótipos foram conduzidos na safra agrícola de 2009, na área experimental do
Centro de Genômica e Fitomelhoramento, Universidade Federal de Pelotas
(CGF/UFPEL), localizada no município de Capão do Leão, Estado do Rio Grande do
Sul. “O município se encontra “localizado a 31°52’0 0” de latitude sul e 52°21’24” de
longitude Oeste, a uma altitude de 13 m. O delineamento experimental empregado foi
o de blocos completos casualizados, com três repetições, sendo as parcelas
compostas por três linhas com 3 metros de comprimento, espaçadas em 0,20 metros.
A adubação de base foi de 300 kg ha-1de NPK (5-20-20) e aplicação de 60 kg de
nitrogênio no inicio do afilhamento e controle de ervas daninha foi realizado com
capina manual, e o controle de formigas cortadeiras feito com aplicação de iscas
granuladas. O controle de pragas e moléstias foi realizado sempre que necessário,
seguindo as recomendações da Comissão Sul Brasileira de Pesquisa de Trigo (2002).
No presente trabalho foram avaliados oito caracteres fenotípicos: i) dias da
emergência ao florescimento (DEF, em dias); ii) dias do florescimento à maturação
(DFM, em dias); iii) dias da emergência à maturação (DEM, em dias); iv) estatura
media das planta (EST, em cm); v) rendimentos de grãos (RG, em kg ha-1); vi) massa
de hectolitro (PH, kg 100 L-1); vii) massa de mil grãos (MMG, em g); viii) nível de
acamamento (ACAM, em %). Para estimar a dissimilaridade genética foi utilizada a
distância generalizada de Mahalanobis (D²) entre os pares de genótipos a partir das
médias padronizadas utilizando o programa computacional Genes (CRUZ, 2001). Com
base na matriz de dissimilaridade genética gerada, foi construído um dendrograma
pelo método UPGMA (Unweighted Pair Group Method with Arithmetic Mean), fazendo
uso do programa computacional NTSYS pc 2.1 (ROHLF, 2001). Após a construção do
dendrograma, foi calculado o coeficiente de correlação cofenética através do Teste de
Mantel, e a separação dos grupos foi realizada utilizando a dissimilaridade média
(SOKAL e ROHLF, 1962). Os dados foram submetidos à análise de variância e
determinada às estimativas de medias utilizando o programa estatístico GENES,
(CRUZ, 2001).
Os resultados da análise da variância evidenciaram a existência de
diferenças genéticas entre os genótipos para os caracteres aferidos. O caráter que
proporcionou o maior número de classes fenotípicas foi o rendimento de grãos (RG),
sendo constatadas 6 classes. As médias para o rendimento de grãos variam de 3181
kg ha-1, para a linhagem CGF 10-041, a 303,33 kg ha-1, para a linhagem CGF 10-006.
Em relação ao ciclo completo de desenvolvimento (DEM), houve uma grande
similaridade entre os valores encontrados, destacando a linhagem CGFT 10-021
sendo a mais precoce com 132 dias, juntamente com IPR 85 que foi a cultivar que
apresentou maior precocidade, com 131 dias. A média geral para a duração de ciclo
dos 48 genótipos avaliados foi de 138 dias. Um caráter relevante a ressaltar é o de
dias de florescimento a maturação (DFM), em que o genótipo CGFT 10-025
apresentou o valor médio de 48 dias, sendo maior valor encontrado, que contrasta
com o valor de dias de emergência ao florescimento (DEF) do mesmo genótipo, que
apresentou juntamente com a cultivar IPR 85, o menor número de dias para esse
caráter. Para o caráter massa do hectolitro (PH), não houve uma grande disparidade
nos resultados, sendo que a média de 36 genótipos não deferiu entre si para as
maiores medias, os resultados das medias do caráter PH foram relativamente baixas,
devido fortes e constantes chuvas no período de colheita dos genótipos do
experimento. Para este caráter a melhor media encontrada foi do genótipo CGFT 10020 com 74,67 kg.100L-1. O caráter massa de mil grãos (MMG), destaca se dois
genótipos CGFT 10-035 e CGFT 10-0025, com medias de 43,70g e 42,23g,
respectivamente. Com base na análise multivariada, englobando todos os caracteres
avaliados, foi possível observar a relação existente entre as linhagens e cultivares de
trigo com base na distância genética (Figura1). Nesta avaliação, com base na
dissimilaridade média (Dm=500000000), verificou-se a formação de três grandes
grupos: um grupo formado pela linhagem CGFT 10-008, e pelas cultivares CEP 29 e
SAFIRA; um segundo grupo formado pelas linhagens CGFT 10-16,CGFT 10-032,
CGFT 10-040, CGFT 10-39, CGFT 10-023, CGFT 10-024 e CGFT 10-031; e um
terceiro grupo composto pelos demais genótipos avaliados. O coeficiente de
correlação cofenético do dendrograma (r=0,70) evidenciou um bom ajuste entre a
representação gráfica das distâncias e a sua matriz original, o que dá suporte às
inferências realizadas com a análise visual da Figura1. A formação dos grupos indica
que os genótipos presentes em cada grupo individualizado apresentam bases
genéticas estreitas entre si, e distanciam-se geneticamente dos demais genótipos
presentes em grupos distintos, com base nos caracteres considerados nesta análise.
O desempenho médio dos 48 genótipos para os caracteres considerados nesta
avaliação, analisado conjuntamente com as distâncias genéticas observadas poderá
caracterizar uma ferramenta importante para a predição de cruzamentos futuros. Uma
combinação que parece ser promissora é o cruzamento entre as linhagens CGFT 10007 e CGFT 10-024, ambos apresentam boas medias para os caracteres
acamamento (ACAM) e rendimento de grãos (RG) e grande distância genética, sendo
dispostos em grupos distintos de acordo com o dendrograma. Conseqüentemente, a
progênie resultante de cruzamentos artificiais poderá apresentar elevada variabilidade
genética, e em virtude do elevado potencial para os caracteres de interesse, existem
maiores chances de se obter genótipos superiores na progênie.
A análise de dissimilaridade genética proposta neste trabalho permitiu
identificar variabilidade existente entre os genótipos de trigo através de caracteres
morfológicos. Com análise visual do dendrograma (Figura 1) é possível direcionar
cruzamentos artificiais envolvendo os genótipos de diferentes agrupamentos, que
apresentam diferentes distancia genética, auxiliando diretamente o melhorista no
desenvolvimento de constituições genéticas promissoras no seu programa de
melhoramento. Dentre eles, as combinaçoes CGFT 10-014 x CGFT 10-042 e
CGFT10-013 X CGFT 10-041 serial promissores uma vez que reuniriam os caracteres
desejaveis de maior DFM (CGFT 10-014 e (CGFT 10-013) com altas médias de RG
(CGFT 10-042 e CGFT 10-041).
Referencias bibliográficas
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Abastecimento. Intenção de plantio e primeiro levantamento de grãos; safra
2008/2009. Brasília: Conab, 2008. 39 p. Disponível em: < http: // www.conab.gov.br/.
CARVALHO, F.I.F. DE; LORENCETTI, C; MARCHIORO, V. S.; SILVA, S, A.
Condução de populações no melhoramento genético de plantas. 2 ed. Pelotas:
Universidade Federal de Pelotas, 2008. 288p.ROHLF, F. J. NTSYS- pc: numerical
taxonomy and multivariate analysys system, verssion 2.1. New York: Exete Software,
2000. 38p.
CRUZ, C.D. Programa Genes: Aplicativo computacional em genética e estatística.
Viçosa: UFV, 2001. 648p..
MOHAMMADI, S, A; PRASANNA, B, A. Analyses of genetic diversity in crop plants
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SOKAL, R. R.; ROHLF, F. J. The comparison of dendrogramas by objective methods.
Taxonomy 11:33-40. 1962.
ZEVEN, AC; SCHACHL, R. Groups of bread Wheet landeaces in the autraliam Alps.
Eupytica, Dodrecht, v. 41, p. 235-246, 1989
Tabela 1. Comparação de medias para os caracteres dias da emergência ao
florescimento (DEF, em dias), dias de florescimento á maturação (DFM, em dias), dias
da emergência a maturação (DEM, em dias), estatura media de plantas (EST, em cm),
rendimentos de grãos (RG,em kg ha-1 ), massa de hectolitro (PH, em kg 100L -1
),massa de mil grãos (MMG, em g) e nível de acamamento (ACAM, em %)
mensurados em 48 genótipos de trigo avaliados no ano de 2009. CGFTFAEM/UFPEL, Pelotas-RS, 2010
GENOTIPOS
CGFT 10-001
CGFT 10-002
CGFT 10-003
CGFT 10-004
CGFT 10-005
CGFT 10-006
CGFT 10-007
CGFT 10-008
CGFT 10-009
CGFT 10-010
CGFT 10-011
CGFT 10-012
CGFT 10-013
CGFT 10-014
CGFT 10-015
CGFT 10-016
CGFT 10-017
CGFT 10-018
CGFT 10-019
CGFT 10-020
CGFT 10-021
CGFT 10-022
CGFT 10-023
CGFT 10-024
CGFT 10-025
CGFT 10-026
CGFT 10-027
CGFT 10-028
CGFT 10-029
CGFT 10-030
CGFT 10-031
CGFT 10-032
CGFT 10-033
CGFT 10-034
CGFT 10-035
CGFT 10-036
CGFT 10-037
CGFT 10-038
CGFT 10-039
CGFT 10-040
CGFT 10-041
CGFT 10-042
CGFT 10-043
CGFT 10-044
CGFT 10-045
IPR 85
CEP 29
SAFIRA
DEF
100,00
94,00
97,67
94,00
94,00
95,33
109,67
109,67
109,00
95,33
100,67
101,33
91,67
93,00
100,33
96,67
99,67
93,67
95,00
105,00
93,33
100,33
105,00
101,33
91,00
96,67
99,33
96,00
96,67
99,00
108,00
100,00
101,67
101,33
95,00
94,33
97,33
93,67
99,33
101,33
103,67
103,67
103,00
102,67
103,33
91,00
98,67
103,33
QM - Genótipo 71,50**
CV (%)
1,94
d
f
e
f
f
e
a
a
a
e
d
d
f
f
d
e
d
f
e
b
f
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e
d
a
d
d
d
e
f
e
f
d
d
c
c
c
c
c
f
d
c
DFM
38,00
40,67
39,67
41,67
44,00
42,33
39,67
32,33
34,67
42,00
40,00
35,67
42,33
42,00
38,00
39,00
38,33
41,00
39,67
38,00
38,33
39,00
44,00
38,00
48,33
39,00
40,00
41,67
41,33
37,67
32,67
39,33
40,00
37,00
40,33
44,00
39,67
40,67
40,67
40,00
39,67
39,00
38,33
39,00
37,67
40,00
38,67
28,67
29,00**
7,01
b
b
b
a
a
a
b
c
c
a
b
c
a
a
b
b
b
b
b
b
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b
b
a
a
b
c
b
b
b
b
a
b
b
b
b
b
b
b
b
b
b
b
d
DEM
138,00
134,67
137,33
135,67
138,00
137,67
149,33
142,00
143,67
137,33
140,67
137,00
134,00
135,00
138,33
135,67
138,00
134,67
134,67
143,00
131,67
139,33
149,00
139,33
139,33
135,67
139,33
137,67
138,00
136,67
140,67
139,33
141,67
138,33
135,33
138,33
137,00
134,33
140,00
141,33
143,33
142,67
141,33
141,67
141,00
131,00
137,33
132,00
42,90**
1,85
c
d
c
d
c
c
a
b
b
c
b
c
d
d
c
d
c
d
d
b
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b
b
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c
d
c
c
d
b
b
b
b
b
b
b
d
c
d
EST
87,67
84,33
86,00
88,33
88,33
83,67
100,67
96,33
99,67
78,67
93,00
99,67
79,33
82,00
105,33
102,33
97,00
85,00
100,00
105,00
94,00
84,00
95,67
91,33
86,33
87,00
88,00
75,33
88,33
92,00
101,67
90,00
101,00
94,00
80,33
94,67
93,00
87,67
96,67
100,33
97,67
96,67
79,00
98,67
98,67
80,33
93,67
95,00
c
c
c
c
c
c
a
b
a
d
b
a
d
d
a
a
b
c
a
a
b
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d
c
b
a
c
a
b
d
b
b
c
b
a
b
b
d
a
a
d
b
b
178,10**
4,29
RG
940,67
311,00
723,33
838,33
526,00
303,33
2066,67
1966,67
1696,33
370,33
1207,33
1948,00
481,00
644,33
1966,67
2046,00
1226,00
986,33
1134,00
2153,33
1370,67
1892,67
1669,33
2363,00
1311,33
1437,00
2533,33
1052,00
1348,00
1629,67
1215,00
996,33
1314,33
1704,00
976,67
1448,67
986,33
918,33
1185,33
1740,67
3181,33
2585,00
1377,67
1829,67
1489,00
870,67
1778,67
2204,00
f
g
g
f
g
g
c
c
d
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e
c
g
g
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e
f
f
e
d
a
b
e
d
e
f
d
c
PH
69,67
59,67
63,00
64,67
61,67
63,67
67,67
66,67
68,33
66,33
65,00
71,00
62,67
68,67
73,00
69,67
69,33
70,33
71,00
74,67
69,67
68,67
65,67
68,67
61,67
69,00
73,00
68,00
70,67
70,67
71,00
71,00
72,00
72,33
67,33
69,67
69,00
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65,67
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67,33
69,33
72,33
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c
c
b
c
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a
b
a
a
a
a
a
1210713,60** 35,40**
14,58
3,97
MMG
39,40
36,07
34,50
41,27
36,60
41,87
28,37
31,03
33,97
39,53
30,63
38,40
37,87
41,90
35,17
32,67
36,47
35,90
32,23
34,30
37,63
30,40
31,83
32,60
43,70
36,47
34,87
36,67
34,57
34,70
30,13
40,80
34,20
39,17
42,23
39,30
31,90
34,63
30,93
31,17
35,63
36,43
27,70
27,07
32,47
32,63
34,57
33,57
a
b
c
a
b
a
d
d
c
a
d
b
b
a
c
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b
b
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c
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b
c
c
d
a
c
a
a
a
c
c
d
d
b
b
d
d
c
c
c
c
47,10**
6,30
ACAM
15,00 c
36,67 c
23,33 c
71,67 a
40,00 b
73,33 a
0,0
d
1,67 d
0,0
d
43,33 b
31,67 c
18,33 c
86,67 a
81,67 a
20,00 c
3,33 d
60,00 b
35,00 c
41,67 b
15,00 c
40,00 b
23,33 c
1,67 d
1,67 d
50,00 b
1,67 d
3,33 d
1,67 d
3,33 d
0,0
d
13,33 d
28,33 c
13,33 d
11,67 d
76,67 a
25,00 c
23,33 c
18,33 c
25,00 c
10,00 d
6,67 d
0,0
d
3,33 d
10,00 d
23,33 c
78,33 a
15,00 c
5,00 d
1876,90**
61,90
Numeros seguidos pelas mesmas letras,na coluna, não diferem estatisticamente pelo teste Scott & Knott a 5% de
significância.QM = Quadrado médio para o fator de tratamento genótipo; CV = Coeficiente de variação
Figura 1. Dendrograma da analise de agrupamento de 48 genótipos de trigo
utilizando a distancia de Mahalanobis com base em oito caracteres fenotípicos no ano
de 2009. Coeficiente de correlação cofenético (r=0,70). CGF/FAEM/UFPel- PelotasRS,2009
CORRELAÇÃO ENTRE CARACTERES DE INTERESSE AGRONÔMICO EM
LINHAGENS DE TRIGO (Triticum aestivum L.)
Diego Baretta1, Michel Wachholz1, Cristiano M. Zimmer1, Rodrigo P. Paiva1, Elisane
Tessmann1, Maraisa Crestani1, Thaís R. Hegemann1, Rafael Nornberg1, Luciano C.
Maia1, Fernando I. F. Carvalho1 e Antonio Costa de Oliveira1
1
Departamento de Fitotecnia – Centro de Genômica e Fitomelhoramento FAEM/UFPel
Campus Universitário – Caixa Postal 354 – CEP 96010-900. [email protected]
Em virtude das excelentes características nutricionais dos grãos, e por ser uma
alternativa para a diversificação do sistema produtivo da propriedade agrícola, o trigo
(Triticum aestivum L.) ocupa uma posição de destaque em relação a outros cereais.
Essa espécie é utilizada na alimentação humana, sendo o grão de trigo um alimento
básico usado para a confecção de farinhas, utilizadas para a confecção de pães,
massas, biscoitos, entre outros alimentos. Na alimentação animal pode ser utilizada
como forragem verde e na composição de rações. Na região sul, assim como em
algumas localidades nas regiões sudeste e centro-oeste, o trigo é cultivado como uma
cultura produtora de grãos principalmente. Também é usado para a produção de palha
para a cobertura do solo, favorecendo assim, a implantação das culturas de verão,
especialmente em plantio direto, e dessa forma proporcionando a quebra de ciclo de
várias moléstias e pragas. De acordo com o levantamento da CONAB, (2009), na safra
08/09 a região sul apresentou uma área cultivada de 2228,1 mil hectares, com uma
produção de 5451,9 mil toneladas, e o estado do Rio Grande do Sul foi o segundo
maior estado produtor com 980,3 mil hectares e com uma produção de 2058,6 mil
toneladas. Estudos sobre as correlações entre caracteres mensuráveis em uma
população permitem inferências sobre sua interdependência, isto é, se tendem ou não
a permanecer associados nas progênies durante os sucessivos ciclos de seleção
(FONSECA e PATTERSON, 1968). Quando efetuado sobre genótipos com elevado
nível de homozigose, permite avaliar a relação de desempenho entre caracteres de
interesse agronômico. Esse conhecimento é de grande importância para a definição
de estratégias para obtenção de ganhos genéticos quando o objetivo é a seleção
simultânea (mais de um caráter), ou quando o caráter de interesse expressa baixa
herdabilidade e/ou é de difícil mensuração (SANTOS e VENCOVSKY, 1986). Na
cultura do trigo, o principal alvo dos programas de melhoramento genético é o
desenvolvimento de genótipos superiores para o caráter rendimento de grãos. Uma
alternativa para a busca de genótipos superiores é o emprego de seleção indireta
através de caracteres correlacionados, que pode permitir a obtenção de progresso
genético em caracteres desejados. Além disso, o estudo da natureza e a magnitude
das relações existentes entre caracteres são importantes para o melhoramento
genético de uma espécie, sendo necessário o aprimoramento do genótipo não apenas
para caracteres isolados, mas para um conjunto simultâneo de características
(VENCOVSKY e BARRIGA, 1992). Diante disso, o presente trabalho teve por objetivo
estimar a magnitude da associação fenotípica, genética e de ambiente entre diferentes
caracteres de importância agronômica mensurados em genótipos de trigo.
O experimento foi conduzido na safra agrícola de 2009, na área experimental
do Centro de Genômica e Fitomelhoramento, no Centro Agropecuário da Palma, em
Capão do Leão – RS. Foram utilizados 48 genótipos de trigo, empregando o
delineamento de blocos ao acaso, com três repetições. A unidade experimental era
composta de três fileiras de 3 metros de comprimento, utilizando uma densidade de
semeadura corrigida para 300 sementes viáveis por m2. Foi adotado o espaçamento
de 0,2 m entre linhas. Foi realizada adubação de base com 200 Kg ha-1 da fórmula 5-
20-20 (N-P2O5-K2O). Foi realizada adubação nitrogenada em cobertura com base na
análise química do solo da área experimental, e seguindo a recomendação de
adubação para a cultura do trigo (RECOMENDAÇÃO DA COMISSÃO
SULBRASILEIRA DE PESQUISA DE TRIGO, 2003). O controle de invasoras foi
efetuado através de capinas manuais e da aplicação do herbicida de pós-emergência
Basagran (princípio ativo Bentazon). Para controle de moléstias da parte aérea foi
aplicado o fungicida Folicur 200 CE (princípio ativo Tebuconazole). Para controle de
insetos durante a fase de alongamento do colmo e no início e fim da floração das
plantas de trigo, foi utilizado o inseticida Symition (princípio ativo Fenitrothion). Foram
utilizados 48 genótipos de trigo (CGFT 10-001, CGFT 10-002, CGFT 10-003, CGFT
10-004, CGFT 10-005, CGFT 10-006, CGFT 10-007, CGFT 10-008, CGFT 10-009,
CGFT 10-010, CGFT 10-011, CGFT 10-012, CGFT 10-013, CGFT 10-014, CGFT 10015, CGFT 10-016, CGFT 10-017, CGFT 10-018, CGFT 10-019, CGFT 10-020, CGFT
10-021, CGFT 10-022, CGFT 10-023, CGFT 10-024, CGFT 10-025, CGFT 10-026,
CGFT 10-027, CGFT 10-028, CGFT 10-029, CGFT 10-030, CGFT 10-031, CGFT 10032, CGFT 10-033, CGFT 10-034, CGFT 10-035, CGFT 10-036, CGFT 10-037, CGFT
10-038, CGFT 10-039, CGFT 10-040, CGFT 10-041, CGFT 10-042, CGT 10-043,
CGFT 10-044, CGFT 10-045, IPR 85, CEP 29 e SAFIRA. Durante o cultivo e após a
colheita, foram avaliados os caracteres dias da emergência ao florescimento (DEF, em
dias), dias do florescimento à maturação (DFM, em dias), dias de emergência à
maturação (DEM, em dias), estatura média de planta (EST, em cm), rendimento de
grãos (RG, em kg ha-1), massa de hectolitro (PH, em kg 100 L-1), massa de mil grãos
(MMG) e porcentagem de acamamento de plantas (ACAM, em %). Os dados foram
submetidos à análise de variância e determinadas às estimativas de correlação
fenotípica, genética e de ambiente entre os diferentes caracteres avaliados, utilizando
o programa estatístico GENES, (CRUZ, 2001).
De acordo com a análise de variância foi possível constatar a existência de
variabilidade genética entre os genótipos testados em relação a todos os caracteres
avaliados (Tabela 1). De forma geral, os coeficientes de variação (CV) revelaram
valores de reduzida magnitude, refletindo o adequado controle das técnicas
experimentais na condução dos experimentos, conferindo precisão e confiabilidade
aos resultados obtidos neste estudo. No entanto, a variável acamamento de planta
(ACAM) demonstrou valor elevado, caracterizando uma provável indução ao erro pelo
pequeno número de repetições e tamanho da parcela. O método de avaliação do
acamamento, mensurado apenas de forma visual pode implicar na subjetividade da
observação, dificultando a adequada caracterização dos genótipos de forma eficiente
CRUZ, (2002). Analisando os coeficientes de correlação genéticas (rG), fenotípicas (rP)
e de ambiente (rF) de forma geral, foi possível verificar que a magnitude das
correlações genéticas foram superiores às fenotípicas e de ambiente (Tabela 2). De
acordo com GONÇALVES et al., (1996), isto pode ser justificado pelo resultado dos
efeitos modificadores do ambiente na associação entre os caracteres, sendo a
expressão fenotípica destes caracteres reduzida diante das influências do ambiente,
apesar das correlações de ambiente de forma geral não terem sido significativas nesta
avaliação. Os caracteres com elevada magnitude de correlação, fenotípica e
genotípica podem ser considerados nas estratégias de seleção, contudo, somente as
correlações genéticas que envolvem uma associação de natureza herdável podem
efetivamente contribuir com a orientação dos programas de melhoramento (CRUZ et
al., 2004). Avaliando as associações genéticas entre os caracteres, foi possível
verificar correlações positivas entre DEF (0,64), DEM (0,51) e EST (0,63) com o RG.
Embora o coeficiente de correlação genética entre os caracteres DEM e RG seja
positivo, sugerindo que genótipos que apresentem maior ciclo total de
desenvolvimento apresentem maior rendimento de grãos, os programas de
melhoramento buscam, de preferência, genótipos precoces, possibilitando a
implantação das culturas de verão na época de semeadura mais adequada para cada
espécie. É importante também ser destacado a correlação positiva observada entre
EST e RG (0,63), indicando que genótipos com estaturas maiores possam apresentar
rendimentos de grãos superiores, no entanto de maneira geral o que se busca são
genótipos com estaturas reduzidas, os quais geralmente apresentam menor problema
com acamamento de planta e respondem melhor à adoção de adubação nitrogenada.
Podemos observar a correlação genética positiva entre o caráter MMG com o RG
(0,41) e com o PH (0,26), sugerindo que genótipos que apresentem elevada de massa
de grãos tendem a expressar produtividades de grãos superiores, sugerindo que em
populações segregantes, a seleção indireta para rendimento de grãos pode ser
efetuada com a seleção de plantas que evidenciem elevada massa de mil grãos e
peso de hectolitro. Foi constada a correlação genotípica do caráter EST com os
caracteres DEF (0,67) e DEM (0,51), ambas positivas, indicando que maiores ciclos de
desenvolvimento da planta estão relacionados com estaturas de planta mais elevadas.
Considerando a associação entre RG e DFM (-0,47) a mesma revelou sentido
negativo, podendo essa resposta estar relacionada ao fato de que longos períodos
reprodutivos, que vão do florescimento e respectiva fecundação até a maturação
fisiológica, proporcionam a maior exposição da planta às intempéries climáticas,
levando à redução no rendimento de grãos. Não foram constatadas correlações
genotípicas significativas entre DEM e o caráter PH (0,12). Esta resposta pode estar
relacionada à ausência de relação linear entre estes caracteres avaliados (CRUZ et
al., 2004), ou mesmo sugere a independência na expressão entre estes caracteres,
uma vez que a detecção de correlações genotípicas significativas está relacionada aos
fenômenos de pleiotropia, que se caracteriza pela propriedade de um gene governar
dois ou mais caracteres, ou de genes ligados, que são aqueles situados muito
próximos em um mesmo cromossomo e que apresentam segregação dependente
(RAMALHO et al., 2004).
Os caracteres dias da emergência ao florescimento, dias da emergência à
maturação e estatura média de planta apresentam relação positiva com o rendimento
de grãos, assim como os caracteres massa de mil grãos e peso de hectolitro.
Referências bibliográficas
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Biologia Molecular) - Programa de Pós-graduação em Genética e Biologia Molecular,
Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
Tabela 1. Resumo da análise de variância para os caracteres Dias de Emergência ao
Florescimento (DEM), Dias do Florescimento à Maturação (DFM), Dias da Emergência
à Maturação (DEM), Estatura (EST), Rendimento de grãos (RG), Massa do Hectolítro
(PH), Massa de Mil Grãos (MMG) e Acamamento (ACAM) em genótipos de trigo
cultivados no município de Capão do Leão/RS, na estação de cultivo de
2009.CGF/FAEM/UFPel, 2010.
Fontes de
Variação
Quadrado Médio
G.L.
DEF
Genótipo
DFM
**
DEM
42,90
**
EST
178,10
RG
**
1210713,60
PH
**
35,40
MMG
**
47,10
**
ACAM
1876,90
**
47
71,50
Bloco
2
89,00
1,70
96,80
234,00
44816,50
29,10
54,70
2075,60
Erro
94
3,60
7,60
6,50
15,40
42577,80
7,40
4,80
244,10
99,07
39,41
138,49
91,74
1415,51
68,56
35,13
25,24
CV (%)
1,94
7,01
1,85
4,29
14,58
3,97
6,30
*Significativo a 5% de probabilidade; **Significativo a 1% de probalilidade; ns= não significativo.
61,90
Média
29,00
**
Tabela 2. Coeficiente de correlação fenotípica (rP), genética (rG) e de ambiente (rF)
para os caracteres dias de emergência ao florescimento (DEM), dias do florescimento
à Maturação (DFM), Dias da Emergência à Maturação (DEM), Estatura (EST),
Rendimento de grãos (RG), Massa do Hectolitro (PH), Massa de Mil Grãos (MMG) e
Acamamento (ACAM) em genótipos de trigo cultivados no município de Capão do
Leão/RS, na estação de cultivo de 2009.CGF/FAEM/UFPel, 2010.
Correlação Fenotípica (rP)
Caráter
DEF
DEF
-
DFM
DFM
**
-0,63
-
DEM
DEM
EST
RG
PH
PMS
ACAM
0,76**
0,61**
0,62**
0,39**
-0,56**
-0,67**
ns
-0,42**
-0,41**
-0,49**
0,39**
0,41**
0,44**
0,46**
0,09
ns
-0,40**
-0,52**
-
0,58**
0,53**
-0,39**
-0,46**
-
0,56**
-0,37**
-0,66**
-
-0,18*
-0,43**
-
0,54**
0,02
-
EST
RG
PH
PMS
ACAM
Correlação Genética (rG)
Caráter
DEF
DEF
DFM
DEM
-
-0,69**
0,82**
0,67**
-
-0,16*
-0,52**
0,51**
-
DFM
DEM
-
EST
EST
RG
RG
PH
PMS
ACAM
0,64**
0,45**
-0,60**
-0,74**
-0,47**
-0,64**
0,47**
0,50**
0,51**
0,12
ns
-0,45**
-0,62**
0,63**
0,64**
-0,44**
-0,52**
-
0,62**
-0,41**
-0,72**
-
-0,26**
-0,50**
-
0,62**
PH
PMS
ACAM
Correlação de Ambiente (rE)
Caráter
DEF
DFM
DEM
EST
RG
PH
PMS
DEF
-
DFM
DEM
EST
-0,45**
0,26**
-0,09
ns
-
0,74**
0,07
ns
0,00
ns
-
-
RG
PH
PMS
ACAM
-0,17
0,00
ns
ns
0,08
ns
-0,08
ns
0,09
ns
0,11
ns
0,05
ns
0,17*
0,25**
-0,06
ns
-
0,23**
-0,07
ns
-
-0,09
ns
0,11
ns
-0,02
ns
-0,08
ns
-0,01
ns
0,04
-0,01
ns
-0,03
ns
-0,09
ns
-0,18*
-
ACAM
*Significativo a 5% de probabilidade; **Significativo a 1% de probabilidade; ns= não significativo
-
ANÁLISES GGE BIPLOT E AMMI NA AVALIAÇÃO DE ADAPTABILIDADE E
ESTABILIDADE EM TRIGO
Raphael Rossi Silva¹, Giovani Benin¹, Juliano Luis de Almeida², Gilvani Mattei³, Lucas
Berger Munaro¹
¹UTFPR – Programa de Pós Graduação em Agronomia, Via do conhecimento Km 01,
85501-970, Pato Branco, PR. [email protected]
²FAPA - Praça Nova Pátria, S/N, Colônia Vitória Entre Rios - 85139-400 -Guarapuava,
PR.
³Nidera Sementes Ltda - Rua Saul Moreira Macedo, 31, Cará-Cará - 84045-980 Ponta Grossa, PR.
A diversidade de locais em que o trigo é cultivado, tanto no Brasil quanto no Estado do
Paraná é fator responsável por alterar o desenvolvimento das plantas, pois altera o
valor fenotípico da planta de trigo (Murakami, 2004). O desenvolvimento das plantas é
resultado do efeito do ambiente (A), genótipo (G) e da interação entre ambos (GxE)
(Yan e Kang, 2003; Mohammadi et al., 2007), sendo que a GxE resulta em
significativas diferenças na performance dos genótipos quando são cultivadas em
diferentes condições ambientais, sendo necessária avaliação de adaptabilidade e
estabilidade dos genótipos em diferentes condições ambientais. Nesse sentido, a
época de semeadura constitui-se em prática de extrema importância visando à
maximização do aproveitamento dos recursos ambientais pela cultura do trigo. Várias
são as metodologias existentes para avaliação de adaptabilidade estabilidade, mas as
mais recentes e que tem explicado adequadamente os efeitos principais (genótipo e
ambiente) e a sua interação, são a análise AMMI, que combina a análise de variância
dos efeitos aditivos de genótipos e ambientes com a análise de componentes
principais do efeito multiplicativo da GxE (Zobel et al., 1988), em que genótipos e
ambientes são considerados de efeito fixo (Piepho, 1994) e a análise GGE Biplot (Yan
et al., 2000) que considera o efeito do genótipo e da interação entre genótipo e
ambiente (G+GE). O objetivo desse estudo foi avaliar a presença da GxE e realizar a
comparação entre as metodologias AMMI e GGE Biplot, para a avaliação da
adaptabilidade e estabilidade e considerá-las na indicação das melhores épocas de
semeadura na região de Guarapuava.
O experimento foi conduzido durante o ano de 2008, na área experimental da
Fundação Agrária de Pesquisa Agropecuária, em solo classificado como latossolo
bruno alumínico típico. O delineamento experimental utilizado foi o de blocos ao
acaso, com quatro repetições em esquema fatorial. As parcelas experimentais foram
compostas por 6 linhas de 5 metros de comprimento e 0,17 metro de espaçamento
entre linhas com a utilização de semeadeira SEMEATO®. A adubação de base
utilizada foi de 300 kg ha-1 da fórmula 8-30-20 e em cobertura utilizou-se 40 kg ha-1 de
N na forma de uréia. A avaliação de aspecto agronômico realizada consta do
rendimento de grãos, dos genótipos BRS Umbú, BRS 277, BRS 179, BRS Guamirim,
BRS Guabiju, BRS Tangará, CD 105, CD 115, Safira, Quartzo, Funducep Nova Era,
Fundacep 40, PF 040310, CD 0568 e ORL 013184 cultivadas em quatro épocas de
semeadura, quais são: 01 e 15 de junho, 01 e 15 de julho. A análise de variância e
comparação de médias pelo Teste de Scott Knott foram realizadas através do
aplicativo computacional R e as análises AMMI e GGE Biplot foram realizadas através
do aplicativo GGE Biplot.
A análise de variância em relação ao rendimento de grãos revelou que os efeitos de
genótipos (C) e épocas de semeadura (E) apresentaram variações significativas a 1%
pelo teste F, sendo que o maior valor do quadrado médio para genótipos indica que
houve grande importância na variação entre os genótipos em relação às épocas de
semeadura (Tab. 01), ou seja, o mais adequado, para essas condições, é o manejo de
genótipos para obtenção de alto rendimento. A interação significativa indica que os
genótipos apresentaram respostas diferenciadas quando submetidas a diferentes
épocas de semeadura, indicando que ocorreu alteração no posicionamento dos
genótipos ou mudanças na magnitude das diferenças entre genótipos e as épocas de
semeadura. As relações de adaptabilidade e estabilidade dos genótipos em cada
época de semeadura em um gráfico biplot podem ser facilmente interpretadas,
bastando observar os sinais dos escores para genótipos e ambientes, sendo que
genótipos e épocas de semeadura com escores de mesmo sinal interagem
positivamente, indicando em qual época a cultivar deve ser semeada. O resultado da
análise GGE Biplot indica que para a primeira e segunda épocas de semeadura foi
possível obter rendimentos significativos com os genótipos BRS Tangará, Quartzo, CD
105, ORL 03184 e Fundacep Nova Era, já para terceira e quarta épocas de
semeadura há interação positiva para os genótipos CD 115, Safira, PF 040310, BRS
Guamirim e BRS 179 (Fig. 1a). Os demais genótipos não apresentaram associação
positiva com nenhuma época de semeadura. Na figura 1b é possível observar que a
cultivar Quartzo apresentou o maior rendimento de grãos e alta estabilidade, enquanto
a BRS 277 foi a de menor rendimento de grãos e maior instabilidade na produção de
grãos. Ainda, na mesma figura, fica evidente que todas as épocas de semeadura
apresentaram médias de rendimento semelhantes, mas a primeira e última época de
semeadura merecem destaque por possuírem alta estabilidade produtiva em relação
às demais épocas. Já os resultados para a metodologia AMMI revelaram que na
primeira época de semeadura houve interação positiva com os genótipos BRS 277,
ORL 03184 e Fund Nova Era, a segunda época é ambiente propicio para o cultivo da
CD 0568, BRS Tangará, CD 105, CD 115 e Quartzo, para a terceira época de
semeadura deve-se dar preferência apenas aos genótipos Fundacep 40, BRS 179,
Safira BRS Figueira e PF 040310 e, por fim, os genótipos BRS Guabiju, BRS
Guamirim e BRS Umbu tem associação positiva com a última época de semeadura. É
importante observar que a análise AMMI diferenciou-se da GGE Biplot nas
recomendações para todas as épocas, em que, por exemplo, a cultivar BRS 277, com
baixo rendimento de grãos, não obteve recomendação para nenhuma das épocas
através da análise GGE, enquanto que para a análise AMMI essa cultivar tem
recomendação para a primeira época de semeadura. A análise GGE biplot, nesse
caso, ainda se mostrou mais eficiente ao apresentar maior coerência com o que é
observado em campo, pois é visível que a última época de semeadura proporcionou
maiores rendimentos (Tab. 02), mas a metodologia AMMI classificou tal época como
sendo de baixo rendimento de grãos (Fig 1a e 1b), o que não ocorreu com a
metodologia GGE. As diferenças podem ser explicadas embasado no modelo
matemático, em que na análise AMMI é levado em consideração o efeito da interação
entre genótipo e ambiente (GXE), enquanto que na GGE Biplot há efeitos de genótipo
(G), interação entre genótipo e ambiente (GxE) que pode ser abreviado por (GGE)
(Yan et al., 2000; Zobel et al., 1988), ou seja, essa última considera o desempenho da
cultivar em isolado e na interação. Apesar das diferenças entre ambas metodologias é
certo que são inovadoras quanto à apresentação dos resultados, sendo que essa
vantagem também foi relatada por Yan et al. (2000), quando os resultados obtidos
são expostos através de gráfico biplot, como é o caso das análises AMMI e GGE
Biplot. A metodologia GGE Biplot por não apresentar os ambientes dispersos em todos
os quadrantes facilita a visualização e, consequentemente, a interpretação, pois em
casos de grande número de ambientes há a formação de menor número de grupos de
ambientes, sendo possível identificar quais são os genótipos com maiores
rendimentos e quais as épocas adequadas para as mesmas de forma rápida e fácil
(Yan et al., 2007). Pode-se concluir que a análise GGE foi mais eficiente em
representar graficamente o efeito da interação genótipo ambiente em relação à análise
AMMI.
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YAN, W.; KANG, M.S.; MA, B.; WOODS, S.; CORNELIUS, P.L. GGE Biplots vs. AMMI
analysis of genotype-by-environment data. Crop science 47:643-655, 2007.
ZOBEL, R. W.; WRIGHT, M. J.; GAUCH, H. G. Statistical analysis of a yield trial.
Agronomy Journal 80:388-393, 1988.
Tabela 01: Resumo da análise de variância para o rendimento de grãos de genótipos
de trigo em diferentes épocas de semeadura cultivadas no ano de 2008. Guarapuava,
2010.
F.V.
GL
Q.M.
Bloco
3
1604997 **
Épocas (E)
3
1796811 **
Genótipos (G)
14
3702069 **
ExG
42
368914 **
Erro
177
168922
-1
Média Geral (kg ha )
6713.15
CV(%)
4.19
** significativo a 1% pelo Teste F
Tabela 02: Comparação de médias pelo Teste de Scott Knott para genótipos de trigo
em diferentes épocas de semeadura cultivadas no ano de 2008. Guarapuava, 2010.
01/jun
15/jun
01/jul
15/jul
Rendimento de grãos – kg ha-1
BRS UMBU
6049.30 Ca
6582.52 Ca
6781.07 Ba 6631.08 Ba
BRS 277
5724.61 Ca
6269.40 Ca
5327.00 Cb 4783.16 Cb
BRS 179
6441.56 Bb
6721.08 Bb
7402.84 Aa 6940.24 Bb
BRS GUAMIRIM
6190.06 Ca
6330.77 Ca
6739.84 Ba 6864.70 Ba
BRS GUABIJU
5715.11 Cb
5968.26 Cb
6590.40 Ba 6501.55 Ba
BRS TANGARA
7311.81 Aa
7480.24 Aa
6879.94 Ba 7552.04 Aa
CD 105
6581.69 Ba
6720.03 Ba
6552.84 Ba 6934.68 Ba
CD 115
6237.44 Ca
6828.57 Ba
6995.40 Ba 6772.87 Ba
SAFIRA
6650.73 Ba
6567.72 Ca
6988.44 Ba 6843.17 Ba
QUARTZO
7283.63 Aa
7504.90 Aa
7740.88 Aa 7874.32 Aa
FUNDACEP NOVA ERA 6668.57 Bb
6822.98 Bb
7318.88 Aa 6459.74 Bb
FUNDACEP 40
6540.33 Ba
6133.65 Ca
6755.41 Ba 6750.72 Ba
PF 040310
6702.55 Ba
6986.16 Ba
7423.38 Aa 7279.04 Aa
CD 0568
6038.47 Cb
6753.22 Ba
6416.78 Bb 6834.58 Ba
ORL 013184
6978.43 Aa
6932.37 Ba
7172.19 Aa 6965.59 Ba
Letras maiúsculas comparam entre as linhas; Letras minúsculas comparam nas linhas.
Médias seguidas de mesma letra não diferem entre si pelo Teste de Scott Knott a 5%.
Figura 01: Plotagem dos escores dos componentes principais, quanto à indicação de épocas
de semeadura (3a), média e estabilidade produtivo (3b) segundo o modelo GGE Biplot e
indicação de épocas de semeadura (3c), média e estabilidade produtivo (3d) segundo o modelo
-1
AMMI, para o caráter rendimento de grãos (Kg ha ), de genótipos de trigo cultivadas em
quatro épocas de semeadura no ano de 2008em Guarapuava.
ESTIMATIVAS DE CORRELAÇÕES ENTRE HETEROBELTIOSE, CAPACIDADE
ESPECIFICA DE COMBINAÇÃO E DESEMPENHO MÉDIO DE GENÓTIPOS DE
TRIGO EM DUAS GERAÇÕES
Marcio Andrei Capelin1, Giovani Benin1, Eduardo S. Pagliosa1, Cristiano Lemes1,
Elesandro Bornhofen1, Cilas Pinnow1 e Jeisson Franke1
1
Universidade Tecnológica Federal do Paraná - Campus Pato Branco. Via do
Conhecimento
km
01,
CEP
85501-970,
Pato
Branco,
PR.
Email:
[email protected]
O estudo do melhoramento genético de trigo no Brasil é de suma importância
para o incremento na produtividade visto somos insuficientes na produção deste
cereal, ou seja, a única alternativa aumentar gastos com a importação.
Na escolha de genitores de trigo, os melhores cruzamentos são os que
apresentam maior probabilidade de fornecer progênies com desempenho superior,
com elevado rendimento de grãos e demais caracteres agronômicos e adaptativos
importantes para a cultura (BENIN, 2009). A partir disso os melhoristas dispõem de
ferramentas importantes de seleção indireta em gerações iniciais de populações
segregantes de trigo, entre essas estão às correlações entre a heterobeltiose,
capacidade especifica de combinação e o desempenho médio de genótipos de trigo.
Com base nesses critérios é possível identificar na maioria das vezes os melhores
genitores que poderão ser utilizados em blocos de cruzamentos futuros e as melhores
populações segregantes que poderão dar origem a uma nova cultivar.
A heterobeltiose é o incremento do rendimento de grãos ou outros caracteres
em relação ao melhor genitor para aquele caráter (MORGAN, 1998 apud em
LORENCETTI, 2006). A heterobeltiose ocorre quando a média do híbrido em geração
F1 supera o valor do maior parental ou fica abaixo do menor parental para determinado
caráter, (GUERCIO, 2009). Desta maneira é possível identificar quais caracteres
devem ser priorizados na seleção.
As correlações genéticas, fenotípicas e ambientais são usadas para estimar o
grau de associação entre os caracteres agronômicos de uma população híbrida
(GUERCIO, 2009). Correlações genéticas fornecem a medida do grau de associação
entre os caracteres, ou seja, expressam a extensão pela qual dois ou mais caracteres
são controlados pelos mesmos genes ou por genes fortemente ligados (FOOLAD et
al., 2003 apud em GUERCIO, 2009). Os princípios de genética quantitativa são
utilizados para avaliar e comparar a eficiência da seleção direta e indireta. A seleção
indireta seria a mais efetiva quando a correlação genética entre os dois caracteres
fosse alta e positiva, e a herdabilidade do caráter secundário fosse maior que a do
caráter de interesse (DePAUW et al., 2007 apud em GUERCIO 2009).
Nesse sentido este trabalho teve por objetivo estimar as correlações entre a
heterobeltiose, capacidade especifica de combinação e o desempenho médio de
genótipos de trigo em duas gerações.
O experimento foi conduzido na Estação Experimental do Curso de Agronomia
da UTFPR, em Pato Branco-PR (26010’ S; 52041’W e 743 m). Dez genótipos de trigo
(UTF 0605, BRS Figueira, BRS Louro, BRS Guamirim, BRS Timbaúva, BRS 208,
Pampeano, CD 115, FUNDACEP 50 e Abalone), escolhidos com base no rendimento
de grãos e caracteres agronômicos de interesse, bem como pela dissimilaridade
morfológica apresentada pelos mesmos, foram cruzados em forma de dialelo
completo, sem os recíprocos, totalizando 45 combinações híbridas.
As sementes F1 foram obtidas em casa de vegetação, no ano de 2006. No
mesmo ano, uma amostra das sementes F1 de cada cruzamento foi semeada em casa
de vegetação visando o avanço para a geração F2.
Em julho de 2007 os híbridos F1, as populações F2 e os genitores foram
conduzidos em delineamento completamente casualizado com três repetições. As
parcelas experimentais foram compostas por 20 plantas para os híbridos F1, 40
plantas para os pais e 40 para as populações F2, espaçadas em 30 cm entre plantas e
entre linhas. Os tratos culturais foram de acordo com as recomendações técnicas para
a cultura do trigo (COMISSÃO SUL BRASILEIRA DE PESQUISA DE TRIGO, 2006).
Foram avaliados os seguintes caracteres: estatura de planta (EP); numero de
espigas por planta (NE P-1); número de grãos por espiga (NG E-1); massa de 100 grãos
(MCG); rendimento de grãos por planta (RG P-1).
Os dados obtidos foram submetidos à análise de variância conjunta das duas
gerações avaliadas. A heterobeltiose foi obtida pela média dos genitores em relação
F1 - G S
* 100 ), onde: H PS é a estimativa da heterobeltiose;
GS
F1 é a média do híbrido; e, G S é a média do genitor superior (GARDNER e
genitor superior, ( H PS =
EBERHART, 1966). A significância estatística dos valores da heterose e heterobeltiose
foram verificadas por meio do teste “t”.
Os dados foram submetidos a análise de variância individual e geral
considerando as gerações avaliadas, onde posteriormente, as somas de quadrados
dos tratamentos foram decompostas em capacidade geral (CGC) e específica de
combinação (CEC), e interações, por meio da análise de variância dialélica. Na
decomposição, foi empregado o Método 2, Modelo B de Griffing (1956). As análises
de capacidade de combinação e correlação de Pearson entre a heterobeltiose e
médias de desempenho entre os caracteres estudados foram realizadas com auxílio
do programa computacional Genes (CRUZ, 2001).
De acordo com a tabela 01 identifica-se que houve correlação significativa
entre a heterobeltiose de EP na F1 com a heretobeltiose de EP da F2, isso significa
que os cruzamentos que apresentaram melhor desempenho em relação ao melhor pai
para esse caracter, mantiveram isso no F2. Também houve significância entre a
heterobeltiose do NEP da F1 com MCG e PGP em F1 e para NEP em F1 com NEP e
PGP em F2. O NGE em F1 apresentou associação positiva com NGE em F2. A MCG
se correlacionou significativamente com PGP tanto em F1 como em F2, e com NEP e
MCG em F2. A média do desempenho do PGP das gerações F1 e F2 apresentaram
associação significativa com a heterobeltiose deste caráter em ambas as gerações.
Ou seja, em ambas as gerações houveram cruzamentos superiores ao melhor genitor,
demonstrando presença de variabilidade para o caráter.
Para a CEC verificou-se que a EP da CEC da F1 correlacionou-se
positivamente com a heterobeltiose em F1. O NEP da CEC em F1 teve associação
positiva com a heterobeltiose do NEP e PGP em F1 e em F2. Nota-se que a CEC do F1
para os caracteres NGE e MCG não foi associada com a heterobeltiose dos
caracteres avaliados, em ambas as gerações ao passo que a CEC do F1 para PGP foi
associada com a heterobeltiose do PGP do F1.
Já a CEC da geração F2 para EP foi positivamente associada positivamente
com a heterobeltiose da EP em F2. O NEP da CEC da F2 se correlacionou com a
heterobeltiose do NEP em F1 e da F2. O NGE se correlacionou com a heterobeltiose
do PGE em F1 e com a MCG e PGP em F2. A MCG também se correlacionou
positivamente com a heterobeltiose da MCG em F2. O PGP da CEC em F2 se
correlacionou positivamente com a heterobeltiose do PGP tanto em F1 quanto em F2.
Isso quer dizer que os cruzamentos que apresentaram os maiores valores de
heterobeltiose foram os que tiveram a melhor combinação especifica fato este de
fundamental importância em programas de melhoramento.
As médias de desempenho da EP em ambas as gerações foram associadas
com a heterobeltiose da EP em ambas as gerações. Também o NEP da média de
desempenho da F1 se correlacionou com a heterobeltiose em F1 do NEP, NGE e PGP
sendo que para este último caracter também em F2. O NGE foi correlacionado com a
heterobeltiose da EP e NEP em F1 e com NEP em F2. A MCG se correlacionou com
NEP, MCG e PGP em F1 e com MCG em F2. A média de desempenho da F2 para NEP
se correlacionou com a heterobeltiose da EP em F1 e F2 e para NEP em F2. NGE se
correlacionou apenas com a heterobeltiose NEP, NGE e PGP da F2. A MCG não se
correlacionou apenas com a heterobeltiose do NGE em F1 e com EP e NGE da F2. A
média de desempenho do PGP em F2 se correlacionou com a heterobeltiose do NEP
tanto em F1 como na F2.
A heterobeltiose, capacidade especifica de combinação e os desempenhos
médios de genótipos de trigo são importantes ferramentas de seleção indireta em
gerações iniciais de populações segregantes de trigo.
A seleção indireta seria a mais efetiva quando a correlação genética entre os
dois caracteres fosse alta e positiva, e a herdabilidade do caráter secundário fosse
maior que a do caráter de interesse (DePAUW et al., 2007 apud em GUERCIO 2009).
As associações observadas entre a heterobeltiose, CEC e médias de
desempenho para os caracteres avaliados nas gerações F1 e na F2 possibilitam
suporte à decisão de quais caracteres devem ser priorizados na seleção.
Referências bibiográficas
GIOVANI BENIN; GIOVANI OLEGÁRIO DA SILVA; EDUARDO STEFANI PAGLIOSA;
CRISTIANO LEMES; ANDERSON SIGNORINI; EDUARDO BECHE; MARCIO
ANDREI CAPELIN. Capacidade de Combinação em Genótipos de Trigo Estimada
por Meio de Análise Multivariada. Brasília, Pesq. agropec. bras., v.44, n.9, p.11451151, set. 2009. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/pab/v44n9/v44n9a12.pdf.
Acesso em 01 jul. 2010.
CLAUDIR LORENCETTI; FERNANDO IRAJÁ FÉLIX DE CARVALHO; ANTÔNIO
COSTA DE OLIVEIRA; IGOR PIREZ VALÉRIO; EDUARDO ALANO VIEIRA; JOSÉ
ANTÔNO GONZALEZ DA SILVA; GUILHERME RIBEIRO. Estimativa do
Desempenho de Progênies F2 e F3 com base no Comportamento dos Genitores
e dos Híbridos F1 em Aveia. Campinas, Bragantia, v.65, n.2, p.207-214, 2006.
Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/brag/v65n2/30482.pdf. Acesso em 01 jul. 2010.
ANITA MARTINS FONTES DEL GUERCIO. Estimativas de Parâmetros Genéticos
para Caracteres Agronômicos em Populações de Trigo Duro e Estudo Genético
da Tolerância à Toxicidade de Alumínio. Curso de Pós-Graduação em Agricultura
Tropical e Subtropical. Campinas, SP Janeiro 2009. Disponível em:
http://www.iac.sp.gov.br/PosIAC/pdf/pb1214707.pdf. Acesso em 01 jul. 2010.
CRUZ, C. D. Programa GENES: versão Windows, aplicativo computacional em
genética e estatística. Viçosa, MG: UFV, 2001.
Tabela 01. Correlações entre a heterose de cinco caracteres nas gerações F1 e F2
com as médias de F1 e médias de F2, Heterobeltiose F1, Heterobeltiose F2, CEC em
F1, CEC em F2, Média de Desempenho em F1 e Média de Desempenho em F2.
UTFPR, Campus Pato Branco, 2010.
Heterobeltiose F1
Correlações
EP
-1
NE P
Heterobeltiose
1
NG Eem F1
MCG
-1
PG P
EP
-1
NE P
Heterobeltiose
1
NG Eem F2
MCG
-1
PG P
EP
NE P
CEC em F1
-1
NG E-
1
MCG
-1
PG P
EP
NE P
-1
CEC em F2 NG E-1
MCG
-1
PG P
EP
-1
Médias de NE P
desempenho NG E-1
F1
MCG
PG P
EP
-1
-1
Médias de NE P
desempenho NG E-1
F2
MCG
-1
-1
EP
NE P
1.00
0.02
-0.06
-0.05
0.27
0.78*
-0.01
-0.08
0.20
0.23
0.39*
0.01
0.15
0.22
0.16
0.01
0.04
0.23
0.18
-0.04
0.69*
0.47*
0.34*
0.19
0.26
0.53*
0.48*
0.22
0.34*
0.21
0.02
1.00
-0.04
0.48*
0.46*
-0.10
0.81*
-0.10
0.25
0.41*
0.00
0.74*
-0.47
0.47
0.37*
-0.19
0.37*
-0.11
-0.05
0.19
0.27
0.51*
0.45*
0.58*
0.60*
0.16
0.01
0.31
0.44*
0.57*
NG E
-1
-0.06
-0.04
1.00
0.03
0.22
-0.06
-0.02
0.96*
0.12
0.27
0.05
0.04
0.17
-0.02
0.28
0.08
0.04
0.31
0.18
0.38*
-0.03
0.07
0.13
-0.07
0.17
-0.03
0.13
0.24
0.01
0.22
Heterobeltiose F2
-1
MCG
PG P
-0.05
0.48*
0.03
1.00
0.35*
0.01
0.50*
0.07
0.69*
0.32*
0.11
0.17
-0.14
0.64
0.09
0.15
0.22
0.11
0.25
0.09
0.02
0.08
0.11
0.60*
0.28
0.07
0.03
0.21
0.49*
0.28
0.27
0.46*
0.22
0.35*
1.00
0.08
0.31
0.22
0.46*
0.93*
0.24
0.37*
0.27
0.29
0.69*
-0.08
0.17
0.27
0.26
0.68*
0.16
0.49*
0.27
0.36*
0.59*
-0.01
0.19
0.28
0.46*
0.58*
PG P
* são significativos a 5% de probabilidade pelo teste T para GL – 2
-1
EP
NE P
0.78*
-0.10
-0.06
0.01
0.08
1.00
-0.04
-0.08
0.29
0.08
0.12
-0.19
0.12
0.11
-0.05
0.54*
0.02
0.15
0.23
-0.16
0.50*
0.22
0.20
0.11
0.06
0.72*
0.38*
0.10
0.31
0.06
-0.01
0.81*
-0.02
0.50*
0.31
-0.04
1.00
-0.06
0.30
0.33
0.05
0.42*
-0.56
0.44
0.25
0.00
0.73*
-0.09
0.01
0.16
0.30
0.19
0.50*
0.54
0.55*
0.26
0.33*
0.37*
0.42*
0.58*
NG E
-1
-0.08
-0.10
0.96*
0.07
0.22
-0.08
-0.06
1.00
0.16
0.28
0.07
-0.05
0.24
-0.04
0.18
0.10
-0.03
0.45
0.21
0.35*
-0.12
-0.03
0.03
-0.13
0.05
-0.12
0.05
0.33*
-0.05
0.12
MCG PG P
0.20
0.25
0.12
0.69*
0.46*
0.29
0.30
0.16
1.00
0.45*
0.09
0.06
0.10
0.44
0.16
0.26
0.21
0.32*
0.82*
0.21
0.10
0.16
0.20
0.39*
0.25
0.19
0.23
0.31
0.71*
0.28
-1
0.23
0.41*
0.27
0.32*
0.93*
0.08
0.33*
0.28
0.45*
1.00
0.15
0.21
0.23
0.25
0.57*
-0.03
0.17
0.32*
0.24
0.76*
0.15
0.35*
0.30
0.31
0.52*
0.03
0.16
0.36*
0.43*
0.66*
CORRELAÇÕES DA CAPACIDADE ESPECÍFICA DE COMBINAÇÃO SOBRE OS
COMPONENTES DE RENDIMENTO EM POPULAÇÕES SEGREGANTES DE
TRIGO.
Jeisson Franke1, Giovani Benin1,Eduardo Beche1, Cristiano Lemes 1, Eduardo S.
Pagliosa1,Cilas Pinnow-1, Marcio A. Capelin1, Lucas Munaro1, e Elesandro Bornhofen1
1
Universidade Tecnológica Federal do Paraná - Campus Pato Branco. Via do
Conhecimento
km
01,
CEP
85501-970,
Pato
Branco,
PR.
Email:
[email protected]
Com o crescente aumento na população mundial cada vez mais se tem
buscado um aumento na produtividade que seja capaz de sanar a maior necessidade
de alimentos. Dentro desse âmbito o Brasil exerce papel fundamental, por se tratar de
um país que tem o forte de sua economia voltado para a agricultura, sendo
considerado um dos maiores produtores de grãos no mundo.
Das grandes culturas cultivadas no mundo para alimentação humana o trigo
(Triticum aestivum L.), é considerado uma das mais importantes devido ao fato de ser
matéria-prima de diversas formas de alimento, ser uma das únicas culturas de grande
área que pode ser implantada após a cultura de verão, reduzir o custo de produção da
cultura de verão subseqüente, pelo fato de melhorar a fertilidade do solo e reduzir a
incidência de plantas daninhas.
No Brasil, a produção de trigo atingiu 4,6 milhões de toneladas no ano agrícola
de 2005, o que representa menos de 45% da demanda nacional por produtos
derivados de trigo (ABITRIGO, 2006). Entretanto, de acordo com estudos efetuados
pela Embrapa Trigo, o Brasil apresenta condições edafoclimáticas para ser autosuficiente e suprir o mercado nacional tanto com quantidade e qualidade de produto.
Neste sentido, o aperfeiçoamento nas práticas no manejo da cultura em
conjunto com trabalhos de melhoramento genético de cultivares, com vistas à
obtenção de genótipos mais produtivos, tolerantes a moléstias e adaptados a
ambientes contrastantes, ganham destaque no contexto produtivo.
Quando se trata de obtenção de novas cultivares com potencial, deve-se ter
conhecimento que existem muitos caracteres que podem ser melhorados, mas em
geral, existem alguns que se destacam, e para esses que deverá ser atribuída maior
atenção, afinal, quanto mais caracteres o melhorista considerar em seu programa,
menor serão suas possibilidades de alcançar o máximo de progresso para cada um
dos caracteres desejados.(Carvalho et al. 2008)
Dessa forma, segundo Benin, (2009) na escolha de genitores de trigo, os
melhores cruzamentos são os que apresentam maior probabilidade de fornecer
progênies com desempenho superior, com elevado rendimento de grãos e demais
caracteres agronômicos e adaptativos importantes para a cultura. No entanto nem
sempre a escolha de genitores baseada em caracteres desejáveis não apresenta
suficiência para demonstrar a eficiência em um programa de melhoramento genético,
pois quando a seleção de plantas em populações segregantes é baseada em plantas
individuais, em gerações com elevada freqüência de disponibilidade de sementes
(Benin et al., 2005), assim como a heterogeneidade do solo (Hartwig et al., 2007)
podem prejudicar os ganhos genéticos.
Nesse sentido várias metodologias vem sendo utilizadas para estimar a
capacidade combinatória, mas o método de Griffing (1956) é um dos mais aplicados,
pois gera informações a respeito dos genes predominantemente aditivos em seus
efeitos (CGC) e da capacidade específica de combinação (CEC) que gera informações
dos genes de efeito praticamente não aditivo (dormência e epistasia) o que concede
grandes avanços à seleção, uma vez que a pressão de seleção aplicada pelos
melhoristas, vem acarretando numa menor variabilidade genética e assim diminuindo
as chances de obtenção de recombinações favoráveis em elevada freqüência para o
caráter rendimento de grãos e seus componentes.
Assim percebe-se que a capacidade específica de combinação tem importância
e pode ser utilizada, assim como a capacidade geral de combinação (mais utilizada),
para indicação de genitores em cruzamento, pois demonstra grande parte da
variabilidade genética para rendimento de grãos e seus componentes (Krystkowiak et
al.; 2009) e para caracteres adaptativos de ciclo vegetativo e estatura de plantas
(Dhonde et al; 2000).
Dessa forma o objetivo desse trabalho foi de correlacionar a capacidade
específica de combinação com as medias de desempenho de genótipos de trigo em
duas gerações segregantes.
O experimento foi implantado na Estação Experimental do Curso de Agronomia
da UTFPR, em Pato Branco-PR (26010’ S; 52041’W )e 743 m. metros acima do nível
do mar com clima cfa subtropical, segundo Koppen e encontrando-se na zona tritícola
F (IAPAR, 2010) e com solo classificado como Latossolo Vermelho distrófico, com
textura argilosa. Os genitores escolhidos na análise dialélica foram os cultivares BRS
Guamirim, BRS Timbaúva, BRS 208, Abalone, CD 111, CD 113, FUNDACEP
Cristalino e FUNDACEP Raízes, pois são cultivares lançados recentemente pela
pesquisa e apresentam algumas características fenotípicas contrastantes para ciclo
vegetativo, estatura de planta, hábito de crescimento, capacidade de afilhamento,
formato da espiga, produtividade, entre outros. Os genótipos foram cruzados entre si
sem recíprocos, em forma de dialelo, totalizando 28 combinações. As sementes F1
foram obtidas no ano de 2006. A geração F2 foi obtida pela autofecundação de plantas
F1, na estação fria da safra agrícola de 2007.
Com as populações F2 foi instalado um experiemento na safra agrícola de 2008
utilizando um delineamento experimental de blocos ao acaso, com três repetições e as
parcelas compostas por cinco linhas de 4 m de comprimento e espaçamento de 0,20
m entre linhas, com densidade de semeadura de 350 sementes m2. A adubação de
base foi de 300 kg ha-1 de NPK (5–20–20) e mais 60 kg ha-1 de nitrogênio aplicado no
início do afilhamento. O controle de plantas invasoras foi realizado mediante capina
manual e avaliados os seguintes caracteres: rendimento de grãos, (RG), massa de mil
sementes (MMS), estatura de planta (EP), dias da emergência a floração (DEF) e dias
da floração maturação (DFM). Neste mesmo ano foram selecionadas visualmente
cerca de 30 plantas por cruzamento para implantação do experimento em 2009.
Na estação fria de 2009, com as 28 populações F3, mais os oito genitores,
instalou-se o experimento em delineamento experimental de blocos completamente
casualizados com três repetições, sendo as parcelas compostas por 8 linhas de 1 m
de comprimento e espaçamento de 0,20 m entre linhas.
Na safra agrícola de 2009 foram avaliados os seguintes caracteres: rendimento
de grãos, em gramas, determinado pela colheita e trilha de todas as plantas da
parcela, transformado em kg ha-1 (RG), peso de mil sementes (PMS), estatura de
planta (EP), dias da emergência a floração (DEF) e dias da floração maturação (DFM)
Os dados obtidos no ano de 2008 foram submetidos a analise dialélica,
conforme a metodologia proposta por Griffing (1956). Nos dados obtidos no ano de
2009 executou-se teste de comparação de médias de Tukey a 5% de probabilidade de
erro. Ambas as analises usaram como apoio o aplicativo computacional, Genes
(CRUZ, 2001).
De acordo com a tabela 1, percebe-se que o cruzamento que apresentou o
maior valor de média para RG foi CD 113 x Fundacep Raízes, destacando-se também
nos caracteres MMG, DEF e DFM, dessa forma aparentando ser um genótipo
promissor. Ainda para RG pode-se destacar o cruzamento BRS 208 x Fundacep
Raízes e para MMG o cruzamento BRS Guamirim x BRS 208.
Verifica-se na Tabela 2 que houve correlação positiva e significativa entre a
capacidade especifica de combinação de DEF na F2 com os o RG e a MMG na
geração F3, isso indica que os genótipos que apresentaram maior capacidade de
combinação específica para alongar o ciclo entre a emergência e a floração foram os
mesmos que apresentaram maior rendimento e massa de mil grãos em F3, sendo
assim podendo ser considerado como um novo parâmetro de seleção. Dessa forma
pode-se utilizar a capacidade de combinação específica como um parâmetro para a
identificação de genótipos superiores quando selecionados para rendimento de grãos
e seus componentes (Krystkowiak et al.; 2009) e para caracteres adaptativos de ciclo
vegetativo e estatura de plantas (Dhonde et al; 2000).
A partir do experimento conclui-se que a capacidade de combinação
específica é um método interessante para se aplicar em seleções indiretas em
gerações inicias de populações de trigo, sendo mais efetiva quando a correlação entre
os caracteres fosse alta e positiva.
Referências bibliográficas
BENIN, G.; CARVALHO, F.I.F.; OLIVEIRA, A.C.; HARTWIG, I.; SCHMIDT, D.;
VIEIRA, E.A.; VALÉRIO, I.P.; SILVA, J.G. Estimativas de correlações genotípicas e
de ambiente em gerações com elevada freqüência de heterozigotos. Ciência Rural,
Santa Maria, v.35, n.3, p.523-529, 2005
CRUZ, C.D. Programa Genes: aplicativo computacional em genética e estatística.
Viçosa: UFV, 648p.2001.
DHONDE, S.R.; KUTE, N.S.; KANAWADE, D.G. and SARODE, N.D. Variability and
characters association in the wheat (Triticum aestivum). Agriculture Science Digest, 20:
99-101. 2000.
GIOVANI BENIN; GIOVANI OLEGÁRIO DA SILVA; EDUARDO STEFANI PAGLIOSA;
CRISTIANO LEMES; ANDERSON SIGNORINI; EDUARDO BECHE; MARCIO
ANDREI CAPELIN. Capacidade de Combinação em Genótipos de Trigo Estimada
por Meio de Análise Multivariada. Brasília, Pesq. agropec. bras., v.44, n.9, p.11451151, set. 2009. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/pab/v44n9/v44n9a12.pdf.
Acesso em 01 jul. 2010.
HARTWIG, I.; CARVALHO, F. I. F.; OLIVEIRA, A. C. et. al. Estimativa de coeficientes
de correlação e trilha em gerações segregantes de trigo hexaplóide. Bragantia,
Campinas, v.66, n.2, p.203-218, 2007.
KRYSTKOWIAK K. Æ T. ADAMSKI Æ M. SURMA Æ Z. KACZMAREK. Relationship
between phenotypic and genetic diversity of parental genotypes and the specific
combining ability and heterosis effects in wheat (Triticum aestivum L.) Euphytica,
Dordrech, 165:419–434DOI 10.1007/s10681-008-9761-y. 2009.
Tabela 1. Comparação de médias para os caracteres, rendimento de grãos (RG),
massa de mil grãos (MMG), Dias da floração à maturação (DFM), Dias da emergência
à floração (DEF) e estatura de plantas (EP), de oito genitores e seus respectivos
cruzamentos, sem recíprocos na geração F3. UTFPR, Campus Pato Branco, 2010.
Genótipos
1*
2
3
4
5
6
7
8
1x2
1x4
1x7
2x7
2x4
3x1
3x2
3x8
3x7
3x4
8x1
8x2
8x7
8x4
7x4
6x1
6x2
6x3
6x8
6x7
6x4
6x5
5x1
5x2
5x3
5x8
5x7
5x4
CV %
RG
602,77
487,75
664,03
642,47
679,25
604,22
646,65
737,3
590,97
507,67
470,3
537,87
766,12
667,57
558,97
544,2
358,72
716,45
485,43
471,83
572,37
623,52
606,93
492,53
504,57
662,12
646,73
558,18
474,1
504,43
630,07
551,23
593,03
623,57
581,07
523,03
12,9
defghij
p
bcde
cdefg
abcd
defghij
cdef
ab
efghim
p
p
ip
a
bcde
ghio
hip
abc
p
p
fghin
defghi
defghij
p
p
bcde
cdef
ghip
p
p
cdefgh
hip
defghil
defghi
efghim
p
MMG
25,04
25,96
30,08
22,38
25,63
27,75
24,31
26,46
27,83
25,92
23,17
26,13
29,54
27,71
26,63
25,58
25,5
25,56
23,42
24,83
26,21
28,94
25,23
26,88
25,5
31,19
27,33
25,38
24,33
28,21
26,29
25,13
26,83
23,44
25,63
24,42
16,4
cdefg
bcdefg
ab
g
bcdefg
abcdef
defg
abcdefg
abcdef
bcdefg
fg
bcdefg
abc
abcdef
abcdefg
bcdefg
bcdefg
bcdefg
efg
cdefg
abcdefg
abcd
bcdefg
abcdefg
bcdefg
a
abcdefg
bcdefg
defg
abcde
abcdefg
bcdefg
abcdefg
efg
bcdefg
defg
DFM
38,12
37,93
38,37
35,87
40
37,66
37,21
37,29
40,33
38,08
35,5
38,37
37,25
39,08
36,87
36,58
35,16
37
38,5
38,45
37
40,16
39,29
37,04
40,24
38,54
36,83
39,08
37,58
34,45
36,24
40,25
38,20
38,83
39,41
37,21
14
a
a
a
a
a
a
a
a
a
a
a
a
a
a
a
a
a
a
a
a
a
a
a
a
a
a
a
a
a
a
a
a
a
a
a
a
DEF
75,71
74,5
75,42
76
75,71
74,25
75,21
75,46
77,42
77,13
76,33
75,63
76,96
75,29
75,92
76,46
75,63
75,63
76
75,42
75,46
74,5
75,75
76,08
75,33
74,29
76,04
76,13
76,38
76,88
75,79
77,25
75,67
77,08
76,42
76,75
3,6
a
a
a
a
a
a
a
a
a
a
a
a
a
a
a
a
a
a
a
a
a
a
a
a
a
a
a
a
a
a
a
a
a
a
a
a
EP
86,42
82,44
89,67
78,5
84,13
80,19
84,85
82,31
87,71
85,04
86,5
83,17
80,29
85,08
86,42
80,88
83,81
86,54
86,67
80,54
86,13
85,65
85,19
82,96
81
83,81
79,83
84,29
83,13
82,79
86,33
82,25
85,83
83,92
83,5
84,54
6,1
abcd
bcdefg
a
g
abcdefg
efg
abcdef
bcdefg
ab
abcdef
abcd
bcdefg
efg
abcdef
abcd
cdefg
abcdefg
abcd
abc
defg
abcde
abcdef
abcdef
bcdefg
cdefg
abcdefg
fg
abcdefg
bcdefg
bcdefg
abcd
bcdefg
abcdef
abcdefg
bcdefg
abcdef
1=CD 111; 2= CD 113; 3= BRS 208; 4= Fundacep Raízes, 5= BRS Timbaúva, 6= BRS
Guamirim; 7= Fundacep Cristalino e 8= Abalone.
Tabela 2. Correlações entre Capacidade específica de combinação e desempenho de
oito genitores e seus respectivos cruzamentos, sem recíprocos, nas gerações F2 e F3.
UTFPR, Campus Pato Branco, 2010.
Medias de desempenho em F3
DEF*
DFM
EP
DEF*
-0,1
0,249
0,034
DFM
0,21
0,063
0,043
EP
-0,1
-0,204
-0,015
RG
0,22
-0,069
-0,105
MMG
-0,1
-0,276
0,194
* valores significativos a 5% de probabilidade pelo teste T para GL – 2
CEC em F2
Correlações
RG
0.97*
-0,03
0,126
-0,11
-0,11
MMG
0.528*
-0,18
0,22
-0,03
0,17
ASSOCIAÇÃO ENTRE CAPACIDADE ESPECÍFICA DE COMBINAÇÃO, MÉDIAS
DE DESEMPENHO E DEPRESSÃO ENDOGÂMICA EM DUAS GERAÇÕES DE
TRIGO
Cilas Pinnow1, Giovani Benin1, Eduardo Stefani Pagliosa1, Cristiano Lemes1, Marcio
Andrei Capelin1, Elesandro Bornhofen1 e Jeisson Franke1
1
Universidade Tecnológica Federal do Paraná - Campus Pato Branco. Via do
Conhecimento
km
01,
CEP
85501-970,
Pato
Branco,
PR.
Email:
[email protected]
O trigo panificável é uma espécie autógama de ampla base genética, contendo
três genomas distintos (BERED, 1999), possível de ser usada para fins de
melhoramento. Entretanto, para que esta base genética possa ser utilizada com maior
eficiência no desenvolvimento de constituições genéticas mais produtivas, estáveis e
adaptadas às diferentes regiões e condições de cultivo, é necessário o conhecimento
das relações genéticas entre genótipos (JUNG et al., 2007), o que serve de base para
a tomada de decisões na escolha das melhores combinações genéticas a serem
usados em cruzamentos. Contudo, a escolha dos genitores apenas com base em
caracteres desejáveis é insuficiente para assegurar a eficiência e um programa de
melhoramento genético, pois quando a seleção em populações segregantes é
realizada com base em plantas individuais, em gerações com elevada freqüência de
heterozigotos, fatores relacionados à ação gênica podem restringir os ganhos
genéticos.
Desta forma, é de fundamental importância o conhecimento de como os
caracteres agronômicos permanecem associados nas progênies durante os
sucessivos ciclos de seleção, em diferentes gerações. Assim, a seleção indireta em
caracteres menos complexos com maior herdabilidade e de fácil mensuração,
correlacionado a caracteres de interesse de menor herdabilidade pode resultar em
maior progresso genético em relação ao uso apenas da seleção direta (HARTWIG et
al., 2007), principalmente quando os genótipos utilizados nos cruzamentos evidenciem
capacidade combinatória em nível expressivo para produzirem, em alta freqüência,
recombinações heterozigotas favoráveis com grande possibilidade de resgate de
indivíduos superiores.
Dentre os vários métodos que possibilitam estimar a capacidade combinatória,
o método de Griffing (1956) é um dos mais empregados, que gera informações a
respeito da concentração de genes predominantemente aditivos em seus efeitos
(CGC) e da capacidade específica de combinação (CEC). Neste sentido, a variância
genética não aditiva, devido à capacidade específica de combinação tem demonstrado
grande parte da variabilidade genética para o rendimento de grãos e seus
componentes (KRYSTKOWIAK et al.; 2009) e para caracteres adaptativos de ciclo
vegetativo e estatura de plantas (DHONDE et al., 2000).
Outro fator determinante para o sucesso das hibridações em autógamas está
baseado na predominância da ação gênica aditiva de um caráter em questão (MOLL &
STUBER, 1974), ou seja, após o processo de endogamia os genes benéficos para o
caráter permaneçam manifestados na população. Quanto menor for à depressão
endogâmica maior será a amplitude de classes genotípicas superiores que serão
obtidas na população básica de seleção, bem como, quanto maior for média de
desempenho dos pais maior a será a probabilidade de obtenção de uma população
segregante superior.
Nesse sentido este trabalho teve por objetivo estimar as correlações entre a
capacidade específica de combinação, médias de desempenho e depressão
endogâmica de caracteres de importância agronômica em trigo em duas gerações
segregantes.
O experimento foi conduzido na Estação Experimental do Curso de Agronomia
da UTFPR, em Pato Branco-PR (26010’ S; 52041’W e 743 m). Dez genótipos de trigo
(UTF 0605, BRS Figueira, BRS Louro, BRS Guamirim, BRS Timbaúva, BRS 208,
Pampeano, CD 115, FUNDACEP 50 e Abalone), escolhidos com base no rendimento
de grãos e caracteres agronômicos de interesse, bem como pela dissimilaridade
morfológica apresentada pelos mesmos, foram cruzados em forma de dialelo
completo, sem os recíprocos, totalizando 45 combinações híbridas. As sementes F1
foram obtidas em casa de vegetação, no ano de 2006. No mesmo ano, uma amostra
das sementes F1 de cada cruzamento foi semeada em casa de vegetação visando o
avanço para a geração F2. Em julho de 2007 os híbridos F1, as populações F2 e os
genitores foram conduzidos em delineamento completamente casualizado com três
repetições. As parcelas experimentais foram compostas por 20 plantas para os
híbridos F1, 40 plantas para os pais e 40 para as populações F2, espaçadas em 30 cm
entre plantas e entre linhas. Os tratos culturais foram de acordo com as
recomendações técnicas para a cultura do trigo (Comissão SUL BRASILEIRA DE
PESQUISA DE TRIGO, 2006).
Foram avaliados os seguintes caracteres: estatura de planta (EP); numero de
espigas por planta (NE P-1); número de grãos por espiga (NG E-1); massa de 100 grãos
(MCG); rendimento de grãos por planta (RG P-1).
Os dados foram submetidos a análise de variância individual e geral
considerando as gerações avaliadas, onde posteriormente, as somas de quadrados
dos tratamentos foram decompostas em capacidade geral (CGC) e específica de
combinação (CEC), e interações, por meio da análise de variância dialélica. Na
decomposição, foi empregado o Método 2, Modelo B de Griffing (1956). As análises de
capacidade de combinação, médias de desempenho, depressão endogâmica, assim
como a correlação de Pearson entre estes, com os caracteres estudados foram
realizadas com auxílio do programa computacional Genes (CRUZ, 2001).
De acordo com a Tabela 1, houve correlação positiva entre a capacidade
especifica de combinação (CEC) da geração F1 para os caracteres EP e NG E-1 que
se associaram significativamente com NG E-1 da CEC da geração F2, ou seja, para o
parâmetro NG E-1 a seleção pode ser feita diretamente, justamente por permanecer
associado nas progênies durante os ciclos de seleção e/ou indiretamente auxiliado
pela seleção de plantas com estatura elevada. Também, a seleção direta de plantas
com elevado PG P-1 é efetiva para manutenção deste caráter em F2, quando baseada
na CEC. Ainda, pode ser observada associação negativa (-0.35) entre a CEC em F1
para o caractere EP com NE P-1 da CEC em geração F2, neste âmbito, os ganhos
gerados pela seleção indireta de progênies com elevada estatura, e
conseqüentemente elevada NG E-1 podem ser anulados pela diminuição de espigas
por planta.
O desempenho médio dos híbridos na geração F1 para o parâmetro NG E-1
correlacionou-se de forma positiva com EP, MCG e PG P-1 com a CEC em F1. Ainda,
houve associação negativa entre EP, NG E-1 e PG P-1 para com o NG E-1,
evidenciando que plantas com elevada estatura podem conduzir a redução do
rendimento de grãos, bem como, a complexidade de caracteres a serem observados
para seleção indireta quando a obtenção de gerações com média elevada para o NG
E-1 é buscada. Já a obtenção de gerações F1 cuja elevada média para PG P-1 é
requerido, é muito menos complexa, pelo grande número de correlações positivas
entre a CEC em F1 e o desempenho médio em F1 para os caracteres EP, NE P-1, NG
E-1 e PG P-1, que auxiliam na seleção.
Para o desempenho médio dos híbridos na geração F1, o caractere NG P-1,
correlacionou-se de forma negativa (-0.31) com EP da CEC em F2, o mesmo não
ocorreu com PG P-1 e NE P-1 que se associaram de forma positiva (0.32). O NG E-1
esteve positivamente associado com PG P-1 (0.37), podendo ser utilizado em seleção
indireta e direta (0.33).
O desenho médio na geração F2 correlacionou-se a CEC em F1 e F2 de forma
similar ao desempenho médio em F1. Ainda, o desempenho médio da geração F2 se
correlacionou de forma positiva com a CEC em F2 com uma associação direta para os
caracteres EP, NE P-1, NG E-1, MCG e PG P-1, demonstrando que, com o avanço de
gerações e endogamia ocorre um aumento da homozigoze da população segrante e
fixação dos caracteres.
A depressão endogâmica do NE P-1 foi positivamente associada (0.68) com a
CEC do NE P-1, indicando que maiores capacidades específicas para este caráter
resultarão maior depressão endogâmica, ou seja, menor NE P-1 nas populações. Ao
contrário, quanto maior a CEC na geração F2, menor será a depressão endogâmica (0.86), indicando que, para o incremento da MCG, o melhorista deverá priorizar a
escolha de cruzamentos com elevada CEC para este caráter. Assim, conclui-se, que
de forma geral a seleção de plantas para obtenção de caracteres direta e
indiretamente na geração F1 são restringidos pela depressão endogâmica, que reduz a
amplitude de classes genotípicas superiores que serão obtidas na população de
seleção. Enquanto que, utilizando como base a CEC, é mais indicada à seleção de
plantas em geração F2, tanto para obtenção dos caracteres desejados diretamente EP,
NE P-1, NG E-1, MCC e PG P-1 como indiretamente entre NE P-1 e EP, justamente por
haver a transmissão dos genes que determinam estes caracteres durante o processo
de endogamia desta geração.
Tendo como base as estimativas de correlação entre capacidade específica de
combinação, médias de desempenho e depressão endogâmica, com o avanço de
gerações e endogamia a seleção direta dos caracteres EP, NE P-1, NG E-1, MCG e PG
P-1 se torna uma ferramenta mais eficaz, principalmente em geração F2, mas para
maximização dos ganhos do programa de melhoramento as correções indiretas entre
caracteres são de interesse, pois permitem o conhecimento de associações não
benéficas, ampliam e facilitam a seleção de caracteres precocemente em gerações F1
e F2.
Referências bibiográficas
BENIN, G.; CARVALHO, F.I.F.; OLIVEIRA, A.C.; HARTWIG, I.; SCHMIDT, D.;
VIEIRA, E.A.; VALÉRIO, I.P.; SILVA, J.G. Estimativas de correlações genotípicas e
de ambiente em gerações com elevada freqüência de heterozigotos. Ciência Rural,
Santa Maria, v.35, n.3, p.523-529, 2005
BERED, F. Variabilidade genética: ponto de partida para o melhoramento de plantas.
In: SACCHET, A. M. O. F. Genética, para que te quero? Porto Alegre: Ed. UFRGS,
1999. p. 99-104.
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Viçosa: UFV, 2001. 648p.
DHONDE, S.R.; KUTE, N.S.; KANAWADE, D.G. and SARODE, N.D. Variability and
characters association in the wheat (Triticum aestivum). Agriculture Science Digest, 20:
99-101. 2000.
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de correlação e trilha em gerações segregantes de trigo hexaplóide. Bragantia,
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JUNG, M.S.; VIEIRA, A.; BRANCKER, A.; NODARI, R.O. Capacidade geral e
específica de combinação de caracteres do fruto do maracujazeiro doce (Passiflora
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KRYSTKOWIAK K. Æ T. ADAMSKI Æ M. SURMA Æ Z. KACZMAREK. Relationship
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combining ability and heterosis effects in wheat (Triticum aestivum L.) Euphytica,
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breeding. Advances in Agronomy, San Diego, v. 26, p. 277-313, 1974.
Tabela 01. Correlação entre a entre capacidade específica de combinação, médias de
desempenho e depressão endogâmica de cinco caracteres nas gerações F1 e F2 de
trigo panificável. UTFPR, Campus Pato Branco, 2010.
CEC F1
Correlações
CEC em F1
Desempenho
médio em F1
Depressão
endogâmica
CEC F2
NG E-1
MCG
PG P-1
EP
NE P-1
NG E-1
MCG
PG P-1
0.16
EP
1.00
-0.01
0.24
0.25
0.22
0.16
0.13
0.46*
0.20
-0.01
1.00
-0.21
0.23
0.47*
-0.35
0.28
-0.15
-0.02
0.18
NG E-1
0.24
-0.21
1.00
-0.21
-0.06
0.11
-0.23
0.39*
0.24
0.16
MCG
0.25
0.23
-0.21
1.00
0.22
0.03
0.22
0.14
0.33*
0.10
-1
0.22
0.47*
-0.06
0.22
1.00
-0.17
0.22
0.21
0.17
0.78*
EP
0.16
-0.35*
0.11
0.03
-0.17
1.00
0.08
0.23
0.24
-0.07
NE P-1
0.13
0.28
-0.23
0.22
0.22
0.08
1.00
-0.06
0.13
0.17
NG E-1
0.46*
-0.15
0.39*
0.14
0.21
0.23
-0.06
1.00
0.40
0.38*
MCG
0.20
-0.02
0.24
0.33
0.17
0.24
0.13
0.40*
1.00
0.20
PG P-1
0.16
0.18
0.16
0.10
0.78*
-0.07
0.17
0.38*
0.20
1.00
EP
0.24
0.12
-0.39*
0.38*
0.32*
-0.04
0.17
0.07
0.03
0.04
NE P-1
0.02
0.77*
0.09
0.30
0.47*
-0.31*
0.15
-0.04
0.06
0.17
0.37*
NG E
-1
0.31*
0.27
-0.43*
0.39*
0.53*
0.05
0.35*
0.33*
0.20
MCG
0.12
0.28
-0.29
0.91*
0.28
0.01
0.25
0.01
0.20
0.12
PG P-1
0.13
0.47*
-0.42*
0.50*
0.84*
-0.14
0.32*
0.09
0.11
0.56*
EP
0.01
-0.06
-0.40*
0.30*
0.14
0.42*
0.15
0.02
0.09
-0.06
-1
Desempenho
médio em F2
NE P-1
NE P-1
PG P
CEC em F2
EP
NE P
0.15
0.09
0.09
0.18
0.21
0.05
0.69*
0.02
0.18
0.11
NG E-1
0.33*
0.07
-0.22
0.29
0.33*
0.13
0.16
0.77*
0.28
0.36*
MCG
0.12
0.21
-0.10
0.77*
0.32*
0.12
0.24
0.19
0.64*
0.20
PG P-1
0.05
0.32*
-0.41*
0.46*
0.73*
-0.09
0.32
0.15
0.11
0.70*
EP
0.37*
0.28
0.03
0.14
0.31*
-0.81*
0.03
0.11
-0.10
0.20
NE P-1
-0.10
0.68*
-0.01
0.14
0.28
-0.35*
-0.44*
-0.08
-0.11
0.08
NG E-1
-0.01
0.28
-0.27
0.16
0.26
-0.08
0.26
-0.56*
-0.15
0.00
MCG
-0.02
0.08
-0.31*
0.06
-0.13
-0.20
-0.04
-0.34
-0.86*
-0.17
PG P-1
0.19
0.30
0.04
0.00
0.14
-0.09
-0.06
-0.19
-0.03
-0.42*
* são significativos a 5% de probabilidade pelo teste T para GL – 2.
QUALIDADE FISIOLÓGICA, SANITÁRIA E ANÁLISE DE ISOENZIMAS DE
SEMENTES DE TRIGO TRATADAS COM MICRONUTRIENTE ZINCO
Antunes, L.M.1; Badinelli, P.G.2; Barros, A.C.A.2; Pedroso, D.C.3, Muniz, M.F.B.3,
Castro, M.A.S.1, Barbieri, A.P.P.1
(1,3)
Universidade Federal de Santa Maria – UFSM, Departamento de Fitotecnia e
Defesa Fitossanitária- Centro de Ciências Rurais, CEP 97105-900, Santa Maria – RS,
[email protected]; (2) Universidade Federal de Pelotas – UFPel.
O monitoramento da qualidade de sementes pode ser feito com a ajuda de
marcadores bioquímicos, pois, além de fornecerem dados úteis sobre a estrutura e
diversidade genética das populações de plantas, possibilitam a visualização da
atividade das isoenzimas nos diferentes estádios da planta (Alfenas et al., 1998). As
isoenzimas podem ser consideradas variações de uma dada enzima dentro de um
organismo, que apresentam uma mesma especificidade de substrato. De acordo com
Malone et al. (2006), a intensidade das bandas e o perfil isoenzimático são específicos
para uma determinada parte da planta, tecido e estádio de desenvolvimento.
As enzimas relacionadas à qualidade fisiológica das sementes mais
pesquisadas são esterase, transaminases e peroxidases (Carvalho et al., 2000). A
esterase (EST) é uma enzima envolvida em reações de hidrólises de ésteres, estando
diretamente ligada ao metabolismo dos lipídios, como os fosfolipídios totais de
membrana (Santos et al., 2005). A glutamato oxalacetato transaminase (GOT) tem
uma importante participação em reações de transaminação, durante a eliminação do
nitrogênio dos aminoácidos e na formação de grupos Ceto para o ciclo de Krebs e
gluconeogenese (Tanksley, 1983). As enzimas peroxidase (PO) incluem um grupo de
enzimas capazes de catalisar a transferência do hidrogênio de um doador para H2O2,
em plantas, a ação constitui numa proteção antioxidativa. São caracterizadas durante
a germinação das sementes, assim como, nos estágios de crescimento (Menezes et
al., 2004).
Além dos efeitos observados no desempenho fisiológico das sementes, a
infecção por microrganismos pode promover também, alterações nos padrões de
certas enzimas, o que pode ser atribuído ao próprio processo de deterioração da
semente (Henning et al., 2009). Segundo Delouche e Baskin (1973), a atividade
enzimática pode indicar transformações degenerativas nas sementes. Em trabalho
conduzido por Silva et al. (2000) a infecção das sementes com Aspergillus flavus
promoveu alterações tanto na intensidade como no número de bandas dos padrões
isoenzimáticos da esterase e glutamato oxalacetato transaminase.
O tratamento de sementes é uma alternativa simples e econômica, que garante
maiores percentuais de germinação e emergência das plântulas, isto é resultante do
retardamento da infecção primária das sementes e, redução e inóculo de patógenos
radiculares e do solo (Barlardin e Loch, 1987). Atualmente além dos fungicidas,
encontra-se o tratamento de sementes com produtos à base de zinco, vindo ao
encontro das necessidades atuais dos produtores, de fornecer este micronutriente com
maior eficiência agronômica, para o início do desenvolvimento e enraizamento de
plântulas de trigo, permitindo uma melhoria no processo de nutrição e de produção
das plantas, e contribuindo para uma maior produtividade da cultura.
A pesquisa na área de biologia molecular, associada ao controle de qualidade
e tratamento de sementes tem evoluído rapidamente. Novas técnicas têm-se mostrado
úteis na obtenção de classes distintas de marcadores moleculares que auxiliam na
elucidação dos fatores que afetam a qualidade, na manipulação e identificação do
material genético, assim como na preservação desses materiais. Tais técnicas
permitem o monitoramento durante todo o processo produtivo, eliminando custos e
garantindo a qualidade.
Diante do exposto, o objetivo do trabalho foi avaliar a qualidade fisiológica,
sanitária e a atividade enzimática de sementes de trigo tratadas com micronutriente
zinco.
O trabalho foi conduzido no Laboratório Didático e de Pesquisa em Sementes
do Departamento de Fitotecnia, na Universidade Federal de Santa Maria e no
Laboratório de Análises de Bio-Sementes da Universidade Federal de Pelotas. Foi
utilizado a cultivar Guamirim (Triticum aestivum L.), safra 2009/10.
O tratamento de sementes consistiu do recobrimento das sementes com uma
mistura do produto Quimifol Seed (sulfato de zinco) 78 onde a cada 100 mL fornece 78
g de zinco (757,50 g/L). Foram testados níveis de 0, 1, 2, 3 e 4 mL.kg-1 de semente,
adicionou-se também 3 mL de fungicida (carboxim + thiram); 0,8 mL de polímero Poly
Seed CF® e 8,27 mL de água.kg-1 de semente. A adesão da mistura foi feita
manualmente, colocando a calda sobre as sementes em sacos plásticos, contendo
300 g de sementes por repetição, agitando vigorosamente durante cerca de três
minutos. Em seguida, foram colocadas para secar em temperatura ambiente, durante
24 h.
O teste de sanidade foi realizado através do método do papel filtro ou “Blotter
Test”. Utilizou-se uma amostra de 200 sementes de cada tratamento, dividida em
quatro repetições de 50 sementes, colocadas em caixas plásticas do tipo "gerbox",
previamente desinfestadas com álcool e hipoclorito (1%), sob duas folhas de papel
filtro umedecidas com água destilada e esterilizada. As sementes foram incubadas a
25 ºC, com 12 h de regime de luz, durante 24 h. Em seguida, para a inibição da
germinação, foram submetidas ao método do congelamento por 24 h. Após esse
procedimento, foram então incubadas a 25 ºC por cinco dias, com 12 horas de regime
de luz conforme metodologia proposta por Brasil (2009). As análises foram realizadas
com o auxílio de lupa e microscópio óptico para observação das estruturas
morfológicas dos fungos, os quais foram identificados ao nível de gênero, com o
auxílio da bibliografia especializada de Barnett; Hunter (1998), determinando-se a
porcentagem de sementes infestadas por fungos.
Os testes realizados para determinar a qualidade fisiológica das cultivares
foram: Germinação (G): realizado com quatro repetições de 100 sementes por
tratamento, semeadas em rolos de papel toalha, umedecidos com água destilada na
proporção de 2,5 vezes a massa do papel seco. Os rolos foram colocados no interior
de sacos plásticos e mantidos em germinador regulado a 20 °C. A avaliação foi
realizada aos oito dias após a semeadura e os resultados expressos em percentagem
de plântulas normais (Brasil, 2009). Emergência de plântulas em areia (EP): realizada
com quatro repetições de 50 sementes por tratamento, foram utilizadas bandejas
plásticas contendo três centímetros de leito de areia, onde foram distribuídas as
sementes e, logo após, foram cobertas por um centímetro de areia. O substrato foi
umedecido com água obedecendo a capacidade de campo. As bandejas foram
mantidas a 25 ºC, em ambiente controlado. A avaliação foi realizada 15 dias após a
semeadura.
Para análise de isoenzimas, o material vegetal (sementes e plântulas) para
extração de proteínas, foi coletado aos 4 dias após as sementes terem sido
submetidas ao teste de germinação. Dez sementes ou plântulas, coletadas
aleatoriamente, foram maceradas em gral de porcelana sobre cubos de gelo, para
cada um dos tratamentos estudados. De cada uma das amostras, 200 mg do extrato
vegetal foram colocados em tubo eppendorf acrescidos de solução extratora (tampão
do gel + 0,15% de 2-mercaptoetanol) na proporção 1:2 (p/v). A eletroforese foi
realizada em géis de poliacrilamida 7%, colocando 20 µL de cada amostra, em orifícios
feitos com o auxílio de um pente de acrílico. Três aplicações (repetições) para cada
uma das amostras foram realizadas. Os padrões enzimáticos foram analisados pelo
sistema de tampões, descrito por Scandalios (1969). Os géis foram colocados em
cubas eletroforéticas verticais mantidas em câmara fria com temperatura entre 4 e 6
ºC. As migrações eletroforéticas foram realizadas com uma diferença de potencial de
10 V cm-1, até que a linha de frente formada pelo azul de bromofenol atingisse 9 cm do
ponto de aplicação. Os géis foram revelados, para os sistemas enzimáticos esterase,
glutamato oxalacetato transaminase e peroxidase, conforme Scandalios (1969) e
Alfenas (1998). Os géis de eletroforese foram fixados em solução 5:5:1, de água
destilada: metanol: ácido acético. O delineamento experimental utilizado foi
inteiramente casualizado com cinco tratamentos e quatro repetições. As médias foram
submetidas à análise de regressão polinomial, utilizando o programa de análise
estatístico SAS-Agri (Canteri et al., 2001). A interpretação dos resultados das
isoenzimas foi baseada na análise visual dos géis de eletroforese, levando em
consideração a presença/ausência, bem como a intensidade de cada uma das bandas
eletroforéticas.
Os tratamentos não apresentaram diferenças significativas do potencial
germinativo (Figura 1), comparados à testemunha. Tais resultados estão de acordo
com os verificados por Ohse et al. (2000), quando concluíram que o tratamento de
sementes de arroz com zinco não promoveu diferença sobre a germinação. Em
sementes de sorgo, tratadas com zinco, Yagi et al. (2006) constataram diminuição da
germinação.
No teste emergência de plântulas em areia (Figura 1) o tratamento com 2 mL
de zinco promoveu mais rápido desenvolvimento das sementes, ou seja, melhora do
vigor. O mesmo ocorreu com a pesquisa de Funguetto et al., (2005), onde concluíram
ter havido melhora do vigor de sementes de arroz tratadas com polímero e
micronutriente zinco, em comparação à testemunha.
As sementes não tratadas com fungicida e as tratadas acrescido da dose de 1
mL de zinco apresentaram maior nível de infecção das sementes por Fusarium sp.
(Figura 2). O fungo Alternaria sp. foi expressivo apenas na testemunha (Figura 2).
Além disso, ocorreu redução na qualidade fisiológica, o que sugere interferência dos
referidos fungos no metabolismo das sementes, propiciando maior alteração nos
padrões enzimáticos (Figura 3).
Os géis apresentados na Figura 3 revelam que, entre as enzimas avaliadas nas
plântulas a GOT e EST apresentaram diminuição da intensidade ou do número de
bandas, em virtude da presença de fungos. Contrariamente, no que concerne à PO, foi
observado um aumento na intensidade das bandas nas plântulas e, nas sementes não
foi observado sua expressão.
O micronutriente zinco não altera o potencial germinativo das sementes, no
entanto, a dose de 2 mL de zinco contribuiu para melhorar o vigor das sementes. A
presença de fungos diminuiu a expressão isoenzimática das enzimas GOT e EST
principalmente nas plântulas.
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93
92
91
90
89
88
87
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G = 0,7x + 88,8
R2 = 0,7206
0
1
2
3
Tratamentos (dose de Zinco)
4
86
84
82
80
78
76
74
72
EP = -1,2143x 2 + 6,1571x + 74,371
R2 = 0,6563
0
1
2
3
4
Tratamentos (dose de Zinco)
Figura 1. Germinação (G%) e Emergência de Plântulas (EP%) de sementes de trigo
Guamirim tratadas com diferentes doses de zinco (0, 1, 2, 3 e 4 mL). Santa Maria,
2010
Sanidade (%)
20
Fusarium = 1,5x2 - 9,1x + 17,4
R2 = 0,7136
15
Fusarium sp.
Aspergillus sp.
Alternaria sp.
Alternaria = 1,5x2 - 7,5x + 9
R2 = 0,8437
Aspergillus = -0,2143x2 + 0,7571x + 0,1714
R2 = 0,619
10
5
0
0
1
2
3
4
Tratamentos (doses de zinco)
Figura 2. Análise da presença dos fungos Fusarium sp, Aspergillus sp. e Alternaria sp.
nas sementes de trigo Guamirim tratadas com diferentes doses de zinco (0, 1, 2, 3 e 4
mL). Santa Maria, 2010
A)
B)
C)
Figura 3. Análise das isoenzimas glutamato oxalacetato transaminase (GOT),
esterase (EST) e peroxidase (PO) em sementes e plântulas de trigo Guamirim tratadas
com diferentes doses de zinco (0, 1, 2, 3 e 4 mL). Santa Maria, 2010
* 1 – testemunha; 2 – sementes 1 mL de Zn; 3 – sementes 2 mL de Zn; 4 – sementes
3 mL de Zn; 5 – sementes 4 mL de Zn; 6 – plântulas testemunha; 7 – plântulas 1 mL
de Zn; 8 – plântulas 2 mL de Zn; 9 – plântulas 3 mL de Zn; 10 – plântulas 4 mL de Zn.
A) GOT; B) EST; C) PO.
DISSIMILARIDADE GENÉTICA ENTRE CULTIVARES ANTIGAS E MODERNAS DE
TRIGO EM DOIS MÉTODOS DE SEMEADURA
Elesandro Bornhofen 1, Giovani Benin 1, Cristiano Lemes1, Eduardo Stefani Pagliosa1,
Marcio Andrei Capelin1, Eduardo Beche1, Cilas Pinnow1 e Jeissom Franke1.
1
Universidade Tecnológica Federal do Paraná - Campus Pato Branco. Via do
Conhecimento km 01,
CEP
85501-970,
Pato Branco,
PR.
E-mail:
[email protected].
A maioria dos fatores que condicionam a produtividade do trigo é hereditária,
entretanto, sendo influenciadas por caracteres relacionadas às condições climáticas, a
fertilidade do solo e as técnicas de cultivo (FELÍCIO et al, 1998). Dentre as técnicas de
cultivo se encontram os métodos de semeadura e a densidade de semeadura. A
densidade de semeadura afeta a arquitetura da planta, altera o crescimento, tipo de
desenvolvimento, e influência na partição e produção de carboidratos (CASAL, et al.
1985). Tendo em vista essas informações, testando-se cultivares em densidade
normal (linha cheia) e densidade reduzida (planta espaçada) torna-se possível
identificar as diferentes respostas de cada genótipo para características como
afilhamento e eficiência fotossintética uma vez que em densidade reduzida é possível
averiguar a capacidade máxima de cada material e quantificar a influencia do meio na
expressão fenotípica dos genótipos.
A distância genética pode ser estimada a partir da utilização de caracteres
fenotípicos, dados moleculares, coeficiente de parentesco e a combinação destes
(AUTRIQUE et al., BARBOSA-NETO et al., 1996). A análise da distância é uma
ferramenta auxiliar de grande importância em programas de melhoramento e um
importante elo entre a conservação e a utilização dos recursos genéticos disponíveis.
Esta estimativa possibilita a obtenção de informações a respeito da organização do
germoplasma, um aumento na eficiência da amostragem de genótipos, auxílio na
definição de cruzamentos artificiais, na incorporação de genes de germoplasma
exótico e até na indicação de cultivares para determinada região, quando o objetivo é
aumentar a base genética dos cultivares sob cultivo (MOHAMMADI; PRASANNA,
2003).
O experimento foi conduzido na área experimental do curso de Agronomia,
pertencente à UTFPR, Campus Pato Branco, que está situada a 26° de latitude Sul e
52° de longitude Oeste, apresentando a altitude méd ia de 700 metros acima do nível
do mar e encontrando-se na zona tritícola F (IAPAR) e com solo classificado como
Latossolo Vermelho distrófico, com textura argilosa. Foi utilizado delineamento fatorial
simples com três repetições, onde o genótipo correspondeu ao fator 01 e a densidade
de semeadura (linha cheia ou planta espaçada), foi o fator 02. As parcelas foram
compostas por 6 linhas de 4 m de comprimento, com espaçamento de 0,20 m entre
linhas e 0,5 m entre parcelas. Em linha cheia, foram semeadas 70 sementes por metro
linear (350 sementes m2) e em plantas espaçadas 5 sementes por metro linear (25
sementes m2). Foram escolhidos doze genótipos trigo para comporem tal
experimento, sendo três cultivares pioneiros, disponibilizados para cultivo nas décadas
de 40 (Frontana), 60 (Toropi) e 80 (BR 23) e amplamente utilizados como fonte de
resistência a estresses (Tabela 2). As demais cultivares foram atualmente
recomendados para cultivo, sendo quatro responsivos a ambientes favoráveis e outros
cinco responsivos a ambientes desfavoráveis (CASTRO & CAIERÃO, 2008). As
análises estatísticas foram realizadas utilizando o programa computacional Genes
(CRUZ, 2001) e o pacote NTSYS. pc versão 2.1 (Rohlf, 2000) para a construção dos
dendrogramas.
A contribuição relativa de cada caráter para a dissimilaridade genética (Tabela
1), permitiu identificar que o caráter estatura de plantas foi realmente eficiente em
explicar a dissimilaridade nos dois métodos de semeadura, contribuindo com 28,29% e
29,76 % na densidade normal e reduzida, respectivamente, para a dissimilaridade
total, indicando grande presença de variabilidade para este caráter no conjunto de
genótipos estudados. Isto ocorreu pelo fato dos cultivares modernos apresentar baixa
estatura de planta, ao contrário das cultivares antigas. Neste sentido, os resultados
observados na figura 1, evidenciam que as cultivares Toropi e Frontana foram os mais
dissimilares.
Mesmo havendo algumas diferenças na dissimiliradade genética entre as
cultivares conduzidas em cada método de semeadura, as cultivares mais antigas
mantiveram um comportamento similar nas duas condições (Toropi e Frontana).
Os genótipos com menor dissimilaridade foram: CD 116 e BRS 208 na
densidade normal, já na densidade reduzida foram BR 23 e CD 117 (Figura 1). A
maior distância em relação aos demais foi notada nos genótipos Frontana e Toropi,
sugerindo dessa forma a existência de grande diferença nas características de
genótipos mais antigos para os atuais.
Na análise de dissimilaridade genética, os dendrogramas gerados, para todas
as densidades de semeadura, apresentaram a formação de três grupos bem distintos
para a densidade normal e quatro grupos para a densidade reduzida (Figura 1).
Assim, conclui-se que os genótipos modernos diferem em relação àqueles
desenvolvidos recentemente e que, apesar do efeito do método de semeadura sobre
os desempenhos das cultivares avaliadas, àqueles mais contrastantes mantiveram o
mesmo padrão de agrupamento.
Referências bibliográficas
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Tabela 1. Contribuição relativa dos caracteres para divergência - SINGH (1981). Pato
Branco, PR, 2010.
Caracteres
DEF
DFM
DEM
LFB
CFB
EST
ACA
NAF
CE
NET/ESP
NG/ESPT
PG/PLT
MMG
Biomassa
IC
Photo
WUE
Cond
Ci
Trmmol
Trans
1
Densidade normal (%)
8.34
6.17
20.80
0.05
0.88
28.69
0.38
4.92
0.11
0.35
4.79
1.12
1.42
6.70
0.01
0.23
0.01
0.01
14.11
0.02
0.02
Densidade reduzida (%)
10.66
4.33
16.24
0.03
1.36
29.76
0.13
5.10
0.13
0.24
6.95
1.19
2.93
7.36
0.02
0.48
0.03
0.02
12.98
0.04
0.03
Dias da emergência a floração (DEF), dias da emergência a maturação (DEM), dias da floração a
maturação (DFM), comprimento de folha bandeira (CFB), largura de folha bandeira, (LFB), estatura de
planta (EP), número de afilhos férteis (NAF), comprimento de espiga (CE), numero de espiguetas por
espiga (NE), numero de grãos por espiga (NG E-1), peso de grãos por planta (PG P), massa de mil grãos
(MMG), biomassa total (BIO), índice de colheita (IC), taxa fotossintética (Photo), eficiência do uso da água
(WUE), condutância estomática de água (Cond), concentração intracelular de CO2 (Ci) e taxa de
transpiração (Trmmol).
Figura 1. Dendrograma representativo da dissimilaridade genética entre os dois
métodos de semeadura estudados, obtido pela análise das variáveis quantitativas,
utilizando a distância Euclidiana como medida de dissimilaridade. Pato Branco, PR,
2010.
Tabela 2. Descrição dos cultivares escolhidos, entidade detentora, ano de lançamento
e genealogia. Pato Branco, PR, 2010.
Ambientes
Favoráveis
Desfavoráveis
Genótipos
Instituição Geradora
Ano de
Lançamento
Genealogia
BRS
Guamirim
Embrapa
2005
Embrapa 27/ Buck Nandu/ PF 93159
2009
Ônix/Avante
CD 117
OR
Sementes/Biotrigo
Coodetec
2008
PF 87373/ OC 938
CD 116
BRS 220
Coodetec
Embrapa Soja
2007
2003
Milan/Munia
Embrapa 16/TB 108
Quartzo
CD 114
Coodetec
2006
PF 89232/OC 938
BRS 208
Embrapa Soja
2001
BRS 179
Embrapa Trigo
1999
2009
CPAC 89118/3/BR 23//CEP 19/PF 85490
BR 35/PF 8596/3/ PF 772003*2/PF 813//PF
83899
BR-18/Alcover
Valente
OR Sementes
Frontana*
Iwar Beckman
1940
Fronteira / Mentana
Toropi*
Embrapa Trigo
1965
Frontana/Quaderna A//Petiblanco 8
BR 23*
Embrapa Trigo
1987
CC/ALD SIB/3/IAS 54-20/COP//CNT 8
* Cultivares antigos largamente usados como fonte de resistência a estresses bióticos
e abióticos.
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