Programa de Pós Graduação
Disciplina: Alterações metabólicas da obesidade mórbida
Aluna: Brunna Pinto e Fróes
Prof.: Maria Isabel Correia
Perceived weight, not obesity, increases the risk for major depression
among adolescents
Robert E. Roberts, Hao T. Duong
INTRODUÇÃO
A obesidade é um problema de saúde pública em todo mundo devido à elevada
prevalência (com aumento da incidência em crianças e adolescentes nos últimos
anos), alta morbidade, mortalidade associada às complicações e aos custos elevados
do tratamento para a sociedade.
Há consenso sobre a importância dos determinantes comportamentais como
atividade física, sedentarismo e dieta com alto teor calórico como fatores etiológicos
da obesidade na adolescência. Já no que se refere aos fatores psicossociais, pouco
se sabe apesar de vários estudos e publicações sobre o assunto. Muitos trabalhos têm
mostrado a associação entre obesidade e depressão, porém essa relação ainda não é
clara.
Os estudos com adolescentes produziram resultados variados para a
associação entre a obesidade e depressão (Wardle et al, 2006;. Zametkin, 2004).
Embora existam dados epidemiológicos limitados ligando obesidade e depressão entre
adolescentes, há evidências que sugerem que essa associação possa ser mediada
pela imagem corporal, em particular o peso percebido e a satisfação corporal.
Estudos indicam que a má imagem corporal está associada com maior
sofrimento psicológico, alimentação mais desordenada, ansiedade alimentar e menos
práticas saudáveis (Holsen et al, 2001; Stice, 2001; Stice e Bearman, 2001; NeumarkSztainer et ai, 2006).
O objetivo deste trabalho é avaliar a associação entre obesidade e depressão
maior, tendo em conta os efeitos da imagem corporal. A hipótese para a elaboração
desse trabalho é que há associação entre a obesidade e depressão e esta relação é
mediada pela imagem corporal negativa e não apenas pelo peso corporal por si só.
MÉTODOS
Amostra: A amostra foi selecionada entre domicílios na área metropolitana de
Houston. Um jovem com idade entre 11 e 17 anos foi amostrado de cada família
elegível. O recrutamento inicial foi realizado por contato telefônico com os pais. Toda
família com um adolescente entre 11 e 17 anos foi escolhida para o estudo. A amostra
foi representativa de uma área metropolitana referente a 4,7 milhões de pessoas. Os
dados foram coletados por entrevistas entre 2000 e 2001.Foram realizadas entrevistas
psiquiátricas e demográficas e medições por pessoas devidamente treinadas. As
entrevistas foram realizadas com 4.175 jovens que assinaram junto com seus pais
termo de consentimento livre esclarecido. O estudo foi aprovado pela Universidade do
Texas – Centro de Ciências da Saúde Comitê para a Proteção dos Seres Humanos. A
amostra foi representativa e diversificada em termos de idade, etnia e renda familiar.
Medidas
1.Depressão maior: Os dados sobre distúrbios psiquiátricos foram coletados
utilizando-se a versão do Diagnostic Interview Schedule for Children, versão 4 (DISCIV), instrumento altamente estruturado com confiabilidade demonstrada e validade
(Shaffer et al., 2000). As entrevistas foram realizadas por entrevistador treinado
usando protocolos fornecidos pela Universidade de Columbia. Foi examinada a
associação entre obesidade e depressão maior com base em critérios de diagnóstico
do DSM-IV. Definiu-se como a depressão maior, pelo menos, um episódio depressivo
maior nos 12 meses anteriores.
2.IMC e peso:Foi utilizada balança digital Tanita. O Status de peso foi classificado
como: peso adequado (IMC <85 percentil),sobrepeso (IMC percentil 85 - 95) ou obeso
(IMC> percentil 95).
3.Imagem corporal: A imagem corporal foi medida com dois itens. Um item avaliou
peso percebido e perguntou se os jovens se percebiam como: (a) magro, (b) pouco
magro, (c) peso médio, (d) pouco acima do peso, ou (e) acima do peso. O outro item
avaliou a satisfação e perguntou quão satisfeitos os adolescentes estavam com o seu
corpo: (a) muito insatisfeito, (b) pouco insatisfeito, (c) nenhum destes, (d) pouco
satisfeito, ou (e) muito satisfeito.
4.Análises: A relação entre peso (peso saudável X sobrepeso / obesidade) e
depressão foi examinada usando oddsratio para controlar as variáveis. Foi examinada
a associação entre peso e depressão separadamente para homens e mulheres, uma
vez que alguns estudos mostraram que o sexo modifica esta associação. As razões de
chances estimadas e os limites de confiança de 95% foram calculados por meio de
levantamento de regressão logística (programa SAS V9.1). Foram examinados
também modelos multivariados, incluindo peso, peso percebido, satisfação do corpo e
depressão.
RESULTADOS
Os indivíduos do sexo masculino foram mais propensos à obesidade e sobrepeso.
As mulheres e os latinos foram mais propensos a perceberem-se com excesso de
peso e insatisfação com o corpo. Os brancos foram menos propensos a obesidade e
sobrepeso. Os jovens de baixa renda foram mais propensos à obesidade. Não foi
encontrada associação entre a renda familiar e imagem corporal. Jovens mais novos
tenderam a ser mais obesos e sobrepesos. Aqueles que se perceberam com excesso
de peso, independentemente do status de peso, tiveram maior risco de depressão
maior. O mesmo padrão foi observado para homens e mulheres, sendo mais
significativo para os adolescentes do sexo masculino. Os resultados confirmaram a
hipótese do estudo: o peso percebido está associado com maior risco de depressão.
DISCUSSÃO
Este é o primeiro estudo que examinou a relação entre o peso, a imagem corporal e a
depressão entre adolescentes. Os resultados sugeriram que há a associação entre o
peso corporal, a imagem corporal e a depressão maior entre adolescentes. Além
disso, quando o peso percebido e satisfação corporal foram inseridos no mesmo
modelo, apenas o peso percebido esteve associado com depressão maior. Os
resultados mostraram que o peso percebido, independentemente de status de peso,
foi associado com maior risco de depressão maior.
Os dados indicam que a percepção de sobrepeso ou obesidade estão associados
com o risco de depressão maior e que a auto-imagem negativa foi fator estressante,
gerando resultados adversos na saúde mental dos adolescentes. A marginalização e
estigma associados ao excesso de peso e à obesidade parecem ser o processo mais
provável.
LIMITAÇÕES
São fatores limitantes para o estudo: a amostra não foi, a rigor, representativa
de toda a comunidade, tendo representado 66% da população estudada. Os dados
relatados pelos pais ou cuidadores não foram incluídos (com a exceção de renda
familiar que foi informada pelos pais). O estudo não foi desenhado para avaliar os
papéis de história familiar ou genética dos transtornos psiquiátricos ou da obesidade
entre os jovens, assim não pode ser examinada a contribuição desses fatores.
CONCLUSÃO
A literatura sugere duas possibilidades para o elo entre depressão e obesidade.
Uma delas é que uma pessoa deprimida, por meio de sistemas de estresse
desregulados ou por estilos de vida pouco saudáveis, desenvolve obesidade ao longo
do tempo. A outra possibilidade é que a obesidade, por meio de efeitos negativos de
auto-imagem ou somáticos resulte em desenvolvimento de depressão ao longo do
tempo.
Esse estudo sugere uma terceira hipótese: que a ligação etiológica, se houver,
entre peso corporal e depressão opera por meio de outro fator, a imagem corporal.
Mais estudos prospectivos são necessários para examinar a associação entre
depressão, obesidade e imagem corporal entre a população adolescente.
É prematuro fazer recomendações sobre práticas de saúde pública. No entanto, os
dados até agora podem apoiar a recomendação que a depressão na adolescência
requer intervenções nutricionais e de exercício físico, que podem ser componentes
importantes na prevenção da obesidade. A partir deste trabalho, sugere -se também
que sejam realizadas intervenções que incidam sobre a auto-imagem e satisfação
corporal dos adolescentes, na tentativa de prevenir transtornos depressivos.
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Perceived weight, not obesity, increases the risk for