Capítulo II - Desafios Enfrentados por Cooperativas que Trabalham com o Processamento do Leite em Busca de Desenvolvimento para seus Associados na Região Noroeste Colonial - Rio Grande do Sul: o caso da COOPEQ Desafios Enfrentados por Cooperativas que Trabalham com o Processamento do Leite em Busca de Desenvolvimento para seus Associados na Região Noroeste Colonial - Rio Grande do Sul: o caso da COOPEQ BURATTI, João Vítor3 COTRIM, Décio4 RESUMO As organizações cooperativas da agricultura familiar, formadas através de agricultores que sofreram o processo de exclusão das cooperativas do modelo tradicional, representam uma alternativa de organização da produção, agroindustrialização e comercialização para os agricultores familiares da Região Noroeste Colonial do estado do Rio Grande do Sul. A pecuária leiteira é uma das importantes fontes alternativas de renda em pequenas propriedades da agricultura familiar. O objetivo deste trabalho é analisar e discutir sobre a Cooperativa dos Pequenos Produtores de Leite da Linha Gramado (COPEQ), analisando as causas que levaram a cooperativa, em certos momentos, a obter sucesso no processamento do leite e como, na atualidade, esta prática não tem mais êxito. Os dados e informações foram obtidos através de entrevistas semiestruturadas, e o método de pesquisa aplicado foi o qualitativo, através de um estudo de caso. As entrevistas foram realizadas de 26 de junho a 29 de julho de 2013, através de um membro da equipe de técnicos extensionistas da Unidade de Cooperativismo de Ijuí da ASCAR/EMATER-RS, sendo abordadas as seguintes áreas: histórico da cooperativa, agroindústria, resfriamento de leite e comercialização do leite. A formação da associação, logo após a constituição da cooperativa, ocorreu através de um plano de governo do poder público municipal. Na visão da administração municipal e das entidades, o campo, comparado com o meio urbano, poderia melhorar e atingir um desenvolvimento com as agroindústrias. A cooperativa exerce um papel social importante para os seus associados da agricultura familiar, apesar de enfrentar dificuldades no âmbito financeiro, organizacional e no processo de agroindustrialização. As cooperativas que são administradas com o objetivo de somente criar condições de melhorias de preço e entrar na lógica de competição correm riscos econômicos e sociais. Palavras-chave: Organização. Agroindústria. Renda. ABSTRACT The family agriculture cooperative organizations that were created by farmers who suffered from the exclusion process by the traditional model cooperative associations, serve as an alternative organization of production, agro-industry and sales made by family farmers of the rural Northwest Region of Rio Grande 3 4 Engenheiro Agrônomo/Extensionista Rural/EMATER/RS-ASCAR. Engenheiro Agrônomo, Doutor em Desenvolvimento Rural PGDR-UFRGS, Gerente de Recursos Humanos da EMATER/RS-ASCAR 44 Capítulo II - Desafios Enfrentados por Cooperativas que Trabalham com o Processamento do Leite em Busca de Desenvolvimento para seus Associados na Região Noroeste Colonial - Rio Grande do Sul: o caso da COOPEQ do Sul State, Brazil. Dairy production is one of the most important alternative ways of income for small farm of family agriculture. The objective of this work is to analyze and discuss about the cooperative of small milk producers called Cooperativa dos Pequenos Produtores de Leite da Linha Gramado (COPEQ), evaluating the causes for this cooperative success in certain moments regarding processing milk knowing that this practice is no longer successful nowadays. Data and information were collected using semi-structured interviews and the research method applied was qualitative in a case study. The interviews took place from June 26th to July 29th of 2013, applied by a member of the extension technicians’ team of the Unity of Cooperatives of Ijuí part of the ASCAR/EMATER-RS, and the following areas were approached: cooperative history, agro-industry, milk cooling process and commercialization. The association was created right after the constitution of the cooperative, through a governmental plan from the Panambi/RS city. From the point of view of the municipal administration and of the entities, when compared to the urban environment, the field could be improved and achieve development via agroindustries. The cooperative has an important social role to its members, despite facing financial, organizational and agro-industry process difficulties. Cooperatives that are managed with the objective of only create better conditions on price and then enter the competition logic are at economic and social risks. Keywords: Organization. Agro-industry. Income. 1 INTRODUÇÃO As organizações cooperativas da agricultura familiar, formadas através de agricultores que sofreram o processo de exclusão das cooperativas do modelo tradicional, representam uma alternativa de organização da produção, industrialização e comercialização para os agricultores familiares da Região Noroeste Colonial do estado do Rio Grande do Sul (RS). Estas organizações, na sua maioria, são formadas por um baixo número de sócios, as propriedades são compostas por pequenas áreas de terra, sendo necessárias fontes alternativas de renda oriundas da agricultura e a organização da produção para a comercialização. A pecuária leiteira é uma das importantes fontes alternativas de renda nas pequenas propriedades. A globalização provocou uma reestruturação no setor alimentar, modificando as formas de comercialização do leite in natura e seus derivados. As indústrias compradoras na região estão selecionando agricultores, ampliando a produção individual e reduzindo o número de produtores, sem diminuir o volume de leite fluido comprado. As grandes indústrias compradoras de leite seguem a lógica das indústrias integradoras de aves e suínos, impondo uma nova dinâmica ao processo 45 Capítulo II - Desafios Enfrentados por Cooperativas que Trabalham com o Processamento do Leite em Busca de Desenvolvimento para seus Associados na Região Noroeste Colonial - Rio Grande do Sul: o caso da COOPEQ produtivo, que, pelos novos padrões tecnológicos, exige um aumento na produção e nos índices de produtividade. Este processo, apesar de consistir em uma estratégia de crescimento de algumas propriedades familiares, fez aumentar as diferenças socioeconômicas excluindo agricultores que não atingem os padrões impostos pela indústria, muito próximo a conclusão de Ploeg (2008). Nos últimos anos, as políticas públicas voltadas para a agricultura familiar foram ampliadas, melhorando a renda e as formas de trabalho. Estas políticas públicas vão ao encontro das mais diversas atividades que correspondem à agricultura. São exemplos de políticas públicas direcionadas ao crédito agrícola: Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (PRONAF) – Pronaf Custeio, Pronaf Mais Alimentos-Investimentos, Pronaf Agroindústria, Pronaf Agroecologia, Pronaf Eco, Pronaf Floresta, Pronaf Semiárido, Pronaf Mulher, Pronaf Jovem, Pronaf Custeio e Comercialização de Agroindústrias Familiares, Pronaf CotaParte e Microcrédito Rural. (BRASIL, 2013). Também podem ser destacados como políticas públicas os programas governamentais de cada estado e munícipio. As agroindústrias familiares e agroindústrias formadas através de associações e cooperativas são beneficiadas por estas políticas públicas, e têm o objetivo de agregação de valor aos produtos da agricultura familiar tornando, assim, os agricultores independentes das grandes indústrias. A grande maioria das políticas públicas agrícolas, a fundo perdido, são canalizadas para associações e cooperativas de agricultores familiares. As associações e cooperativas, em certos casos, são formadas somente para absorver uma política pública existente, sem o consentimento de seus associados, ou seja, a estrutura física existe, mas a estrutura social, em certos casos, é deficitária. Desta maneira, na região Noroeste do RS, pequenos produtores de leite estão envolvidos em experiência cooperativa, imbuídos em melhorar a participação no mercado, buscando formas de agroindustrialização coletiva do leite, negociação e venda coletiva de leite in natura das unidades de produção para aumentar o poder de troca com as indústrias de laticínios. (PERONI, 2009). O presente estudo ocorreu na Cooperativa dos Pequenos Produtores de Leite da Linha Gramado (COPEQ), situada na Linha Gramado, interior do município de Panambi, localizada na região Noroeste Colonial do RS. A cooperativa conta com 63 sócios atuantes, e o número de sócios é variável conforme o preço do litro de leite 46 Capítulo II - Desafios Enfrentados por Cooperativas que Trabalham com o Processamento do Leite em Busca de Desenvolvimento para seus Associados na Região Noroeste Colonial - Rio Grande do Sul: o caso da COOPEQ praticado através da cooperativa. A sede física da cooperativa está situada às margens da BR 285, e sua área de ação compreende os municípios de Ajuricaba, Condor e Panambi. Agricultores do interior de Panambi, insatisfeitos com a situação à qual estavam submetidos no setor do leite, em que eram obrigados a vender sua produção para empresas do ramo lácteo a preços baixos e preestabelecidos, foram incentivados a organizar-se coletivamente, buscando formas de ingressar no mercado de uma maneira alternativa, que não fosse diretamente através das empresas estabelecidas. A COPEQ tem sua origem através da formação de uma associação de produtores, sendo que a idealização partiu da prefeitura municipal do município de Panambi, no ano de 1996. Esta associação contou com o apoio da Fundação do Banco do Brasil (Fundec). A Fundec conseguiu recursos para dar início às obras, e, desta forma, foi construída parte das estruturas existentes atualmente. Em contrapartida, a associação e a prefeitura deveriam participar com a mão de obra e o trabalho de infraestrutura, sendo que o terreno foi doação de um dos sócios. Com o apoio da Fundec, adquiriram estruturas e equipamentos para formar uma pequena agroindústria de leite. A agroindústria foi complementada em 2003 com recursos do Programa Estadual da Agricultura Familiar, sendo, então, constituída a COPEQ. A forma jurídica de organização cooperativa facilita o ato do comércio, o que, por lei, não é permitido à associação. A cooperativa, através da agroindústria, fabricava queijo colonial, bebida láctea e leite pasteurizado, e comercializava para o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e para supermercados através de equipe de vendas terceirizada. A industrialização do leite, com a produção de queijo prato, bebida láctea e leite pasteurizado, está, atualmente, com suas atividades suspensas. Os agricultores apontam as seguintes razões: dificuldades na comercialização, baixa escala de produção, multas por problemas sanitários, alto custo de produção, deficiência de controles administrativos e alto grau de descapitalização, que levaram a mesma a paralisar suas atividades por um determinado período. Com a paralização da agroindústria, no ano de 2012, a cooperativa ampliou o número de equipamentos para resfriar o leite, aumentando a capacidade diária atual para 120.000 litros. Desta forma, passa a ser prestadora de serviços de refrigeração 47 Capítulo II - Desafios Enfrentados por Cooperativas que Trabalham com o Processamento do Leite em Busca de Desenvolvimento para seus Associados na Região Noroeste Colonial - Rio Grande do Sul: o caso da COOPEQ de leite para grandes empresas do ramo lácteo, sendo esta a principal atividade geradora de renda desenvolvida através da cooperativa. Como a refrigeração do leite é fortemente influenciada por fatores climáticos e também por questões logísticas e mercadológicas das empresas que terceirizam este serviço, a cooperativa passa a ser extremamente dependente de fatores difíceis de serem controlados. Os fatores logísticos e mercadológicos, por exemplo, são determinados pelas empresas para as quais a cooperativa presta serviço. Além disso, os integrantes da administração da cooperativa e os funcionários devem ser extremamente capacitados, com expertise para negociação e controle de qualidade, para que prejuízos não aconteçam. Por todas estas dificuldades enfrentadas, os membros da direção da cooperativa decidem alugar o posto de resfriamento de leite para uma empresa do ramo de laticínios. Ao longo de sua história, a cooperativa sempre realizou a compra do leite dos associados para a agroindustrialização, e, em outros períodos, comercializou para empresas de laticínios com o objetivo de buscar melhores preços para os associados. Neste sentido, este artigo tem como objetivo mostrar, através de um estudo de caso, os principais desafios encontrados por uma cooperativa da agricultura familiar que atualmente organiza a comercialização de leite in natura e também possui estrutura para o resfriamento e agroindustrialização, e que está alugada para uma empresa do ramo lácteo. O principal objetivo deste trabalho foi analisar e discutir, com base em um estudo de caso, as causas que levaram a cooperativa COPEQ a conseguir, em certos momentos, realizar o processamento do leite (queijo, bebida láctea, etc.), e como, na atualidade, esta prática não tem mais êxito. Este estudo se justifica pela importância que as organizações cooperativas da agricultura familiar têm ao serem promotoras do desenvolvimento local dos atores rurais, desde que as mesmas exerçam a sua função perante o seu quadro social e, ao mesmo tempo, os seus sócios reconheçam que a mesma é importante. 2 METODOLOGIA Os dados e informações foram obtidos através de entrevista semiestruturada com pessoas que possuem ou que já tiveram ligações com a cooperativa (COPEQ), 48 Capítulo II - Desafios Enfrentados por Cooperativas que Trabalham com o Processamento do Leite em Busca de Desenvolvimento para seus Associados na Região Noroeste Colonial - Rio Grande do Sul: o caso da COOPEQ sendo as seguintes as amostras de público: 3 (três) dirigentes da cooperativa, 3 (três) ex-dirigentes, 3 (três) associados ativos, 3 (três) associados inativos, 1 assistente técnico regional (ATR) da ASCAR/EMATER-RS de Ijuí/RS e 1 extensionista rural de cada escritório municipal da EMATER de Condor, Panambi e Pejuçara. As entrevistas ocorreram no período de 26 de junho a 29 de julho de 2013. O método de pesquisa aplicado na entrevista semiestruturada foi o qualitativo, através de um estudo de caso, segundo Gerhardt e Silveira (2009), em que não existe uma preocupação com representatividade numérica, mas, sim, com o aprofundamento da compreensão de um grupo social, de uma organização. Os dados coletados foram descritos através de exposições de determinadas situações, levando em consideração a diversidade de opiniões do público entrevistado relacionado à cooperativa. A partir das entrevistas, realizou-se uma coleta de dados através das amostras de público escolhidas pelo pesquisador, com o objetivo de esclarecer os principais problemas e as condições que os geram, a fim de elaborar os meios e as estratégias para resolvê-los. As entrevistas aprofundaram o contato com o pesquisador e o entrevistado, e com o assunto que estava sendo pesquisado, através dos trabalhos de campo. As entrevistas abordaram as seguintes áreas: histórico da cooperativa, agroindústria, resfriamento de leite e comercialização do leite dos associados. As perguntas foram formuladas de acordo com o contexto da agricultura familiar. Em contato com os entrevistados, foi marcado o local e a data para a entrevista, sendo explicada a forma da realização da mesma. As entrevistas foram gravadas e transcritas, e após foi realizada a análise dos resultados. 3 REFERENCIAL TEÓRICO Segundo Favareto (2006), a interrogação fundamental a ser enfrentada por qualquer trabalho que se pretenda ilustrar e que envolva a ideia de desenvolvimento é saber se é possível decantar o que há de científico e o que há de normativo, de ideológico, de meramente discursivo por detrás dela. Mas embora a questão pareça simples, é preciso reconhecer de partida que poucas ideias têm sido objeto de tamanhas controvérsias como a ideia de desenvolvimento. Atualmente, várias visões 49 Capítulo II - Desafios Enfrentados por Cooperativas que Trabalham com o Processamento do Leite em Busca de Desenvolvimento para seus Associados na Região Noroeste Colonial - Rio Grande do Sul: o caso da COOPEQ distintas coexistem e disputam os significados da ideia de desenvolvimento. A primeira é a mais usual, e pode ser encontrada em qualquer bom manual de economia: nela desenvolvimento é tomado como sinônimo de crescimento ou, numa pequena variação, o desenvolvimento é resultado do crescimento. (ROSTOW, 1960; JONES, 2000 apud FAVARETO, 2006, p. 33). A segunda, mais sofisticada, toma o desenvolvimento como mito. Mas não necessariamente em sua acepção enganosa, e sim em algo mais próximo do que se poderia chamar por poder mobilizador e organizador do mito. (FURTADO, 1974 apud FAVARETTO, 2006, p. 33). Uma terceira vertente, por sua vez, não vê qualquer validade teórica ou prática na ideia de desenvolvimento, apenas ilusão ou argumento ideológico falseador das reais intenções das políticas cunhadas a este título. (RIST, 2001; RIVERO, 2002 apud FAVARETTO, 2006 p. 33). Isto sem falar nas inúmeras adjetivações que surgiram à luz da crítica aos rumos do desenvolvimento no capitalismo contemporâneo e que deram origem a teorias inovadoras, como a do desenvolvimento como liberdade (SEN, 2000 apud FAVARETTO, 2006, p. 33), ou a utopias de grande valor ético e social, como a retórica do desenvolvimento sustentável. (COMISSÃO BRUNDTLAND, 1985 apud FAVARETTO, 2006, p. 33). Para Kayser (apud FAVARETTO, 2006, p. 33), a chave do desenvolvimento das áreas rurais está no fator populacional e nos efeitos de enriquecimento da sociedade em geral. Para Basile e Cecchi (1997 apud FAVARETTO, 2006, p. 115), a questão está na diferenciação produtiva, na mudança da composição setorial da economia das áreas rurais até a emergência das atividades não agrícolas: diferenciação traz novos atores, novas formas de uso dos recursos naturais, novas relações entre atores e entre setores, além de novos modos de integração do rural ao sistema econômico. De acordo com Favaretto (2006), estes estudos, e tantos outros que poderiam aqui ser citados, não respondem o que é justamente porque estes efeitos não são generalizáveis para o conjunto de áreas rurais. E isto, pelo simples fato de que não era esta a pergunta que está na base de seus esforços. Mas há, desde os anos 70, diferentes programas de pesquisa tentando encontrar estas respostas: os estudos dedicados à compreensão dos fenômenos de desenvolvimento rural, propriamente ditos, aqueles consagrados à análise dos 50 Capítulo II - Desafios Enfrentados por Cooperativas que Trabalham com o Processamento do Leite em Busca de Desenvolvimento para seus Associados na Região Noroeste Colonial - Rio Grande do Sul: o caso da COOPEQ fenômenos de industrialização difusa, e aqueles destinados a compreender os fatores de êxito e fracasso das tentativas de indução ao desenvolvimento. Segundo Ploeg (2008), no mundo criado e estruturado pelos impérios alimentares, tudo perde sua identidade. Os produtos alimentícios já não são produzidos num determinado lugar, por determinadas pessoas, num determinado momento e depois levados através de circuitos mais ou menos conhecidos, ou pelo menos que se pode conhecer, até os consumidores. O mesmo autor destaca que o efeito da artificialização do processo agrícola de produção, o modo empresarial de fazer agricultura é caracterizado por um grau elevado de modernização. Ou seja, as várias subtarefas de um processo de produção e de trabalho anteriormente integral são transferidas para instituições externas e agentes mercantis e controladas por eles. A partir desse momento, são criadas novas relações de dependência entre essas instituições e agentes e as unidades agrícolas envolvidas. Essas relações de dependência são de natureza dupla: elas incluem novas relações mercantis, bem como relações técnicoadministrativas através das quais o processo de trabalho na unidade é prescrito, condicionado e controlado. Ploeg (2008) faz uma relação do modo camponês e empresarial de agir no mercado. No modo camponês (que se fundamenta num distanciamento e autonomia relativa), o mercado é, essencialmente, uma saída – o lugar onde os produtos são vendidos quer isso seja vantajoso ou não. No modo empresarial, o mercado é, acima de tudo, um princípio orientador. Devido ao grau elevado de integração e dependência dos mercados, a unidade de produção empresarial tem de seguir a “lógica de mercado”. Segundo Samborski e Peroni (2008), para os agricultores familiares/ camponeses da região, o leite foi durante o final dos anos 90 e o início desse século a principal alternativa produtiva para a geração de renda. A importância do leite não está apenas na garantia de um ingresso financeiro mensal que permite o pagamento das despesas e movimenta a economia, mas sim na sua presença em milhares de pequenas propriedades que formam a estrutura agrária da região. As cooperativas tritícolas que detinham grande parte do mercado do leite optaram por concentrar suas atividades na cadeia de grãos e acabaram vendendo sua participação do leite no setor. De acordo com Samborski e Peroni (2008), na 51 Capítulo II - Desafios Enfrentados por Cooperativas que Trabalham com o Processamento do Leite em Busca de Desenvolvimento para seus Associados na Região Noroeste Colonial - Rio Grande do Sul: o caso da COOPEQ região Noroeste Colonial, a saída das cooperativas do ramo leiteiro foi variada, mas invariavelmente significou perda de espaço e atenção dedicada aos pequenos produtores. Descobrir novas formas de resistir e permanecer enquanto produtores de leite nessa situação, levou-os à constituição de grupos e cooperativas para a comercialização e/ou agroindustrialização conjunta. 4 RESULTADOS O município de Panambi é conhecido por ser um município industrial. A formação da associação, logo após a constituição da COPEQ, foi formalizada através de um plano de governo do poder público municipal da época, uma vez que o meio urbano de Panambi é formado por indústrias que são o carro chefe gerador de renda e desenvolvimento para o município, o campo também deveria ser industrializado, através do associativismo. Na visão da administração municipal e das entidades, o campo, comparado com o meio urbano, poderia melhorar e atingir um desenvolvimento com as agroindústrias. Ploeg (2008) destaca que, desta forma, os agricultores estariam buscando uma autonomia em um contexto caracterizado por condições de dependência, marginalização e privações, permitindo ao homem interagir com o mercado. O plano de governo foi concretizado, foram criadas associações que trabalhavam com máquinas e equipamentos para prestação de serviços, abatedouro de frangos, agroindústria de geleias e conservas, criação de suínos e agroindústrias de laticínios. Atualmente a COPEQ é o único empreendimento que trabalha de forma associativa ou cooperada, os demais paralisaram as atividades ou se tornaram empresas. Pode ser afirmado que a COPEQ foi criada por políticas públicas direcionadas, de cima para baixo, ou seja, baixa participação efetiva e interesse dos associados. Os recursos para a implantação da associação foram financiados através do Banco do Brasil, com baixos juros. A cooperativa obteve apoio do poder público municipal e entidades ligadas à agricultura, para a implantação, e os grupos interessados cederam terrenos para a construção. Surge, então, a dúvida se, talvez, o associado não deveria ter participado mais, ter conhecimento de que a associação e, por conseguinte, a cooperativa que ele estava construindo era de sua propriedade 52 Capítulo II - Desafios Enfrentados por Cooperativas que Trabalham com o Processamento do Leite em Busca de Desenvolvimento para seus Associados na Região Noroeste Colonial - Rio Grande do Sul: o caso da COOPEQ e, também, dos associados que viriam a se associar, uma vez que esta foi criada sob a forma jurídica de cooperativa para possibilitar a realização do ato do comércio, o que não é permitido à associação. O crescimento do quadro social voltou-se exclusivamente para o preço e a forma de recolhimento do leite, que era realmente uma necessidade da época. O preço praticado através da cooperativa na época era atrativo em relação ao mercado comprador de leite, ocasionando desconforto para a concorrência, atraindo associados exclusivamente por preços e não por uma consciência de que o cooperativismo é a forma ideal de enfrentar determinadas adversidades daquele momento e talvez de momentos futuros. No que se refere à questão do que mudou após a formação da cooperativa para o associado até os dias atuais, foi possível perceber que a grande maioria dos associados não tem clareza dos benefícios e pensa na forma de comercialização do leite que está voltada exclusivamente para a ideia de receber o melhor preço, e no fato de que as empresas concorrentes, muitas vezes, pagam mais. Os associados não tem clareza da diferença de uma cooperativa para uma empresa e levam esta falta de clareza para a cooperativa. Os entrevistados não percebem os incentivos diretos por parte da cooperativa, como as mudanças referentes à atividade leiteira, ou seja, o incremento da produção que se destina ao manejo de animais, pastagens, qualidade do leite, máquinas e equipamentos. Através da implantação de grandes plantas industriais na região Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul, pode-se perceber que as mudanças estão mais voltadas para um sistema de produção que auxilia e promove o crescimento da atividade leiteira, sendo esta ainda a principal atividade que gera recursos para a pequena propriedade, mas que também promove a exclusão. A forma como são criadas as associações e cooperativas se dá através de interesses econômicos e sociais por parte de seus associados. Estes, através de um objetivo e dificuldades enfrentadas em suas atividades, formam uma associação ou cooperativa de acordo com seus interesses. Em certos casos, constituem-se por entidades, como a Secretaria da Agricultura, Emater, Sindicatos, ou seja, sem a participação dos agricultores, que são a sua base. Através das entrevistas, a concepção por parte dos associados é de que a cooperativa foi formada porque 53 Capítulo II - Desafios Enfrentados por Cooperativas que Trabalham com o Processamento do Leite em Busca de Desenvolvimento para seus Associados na Região Noroeste Colonial - Rio Grande do Sul: o caso da COOPEQ estavam sendo explorados pelo mercado comprador de leite. A seguinte resposta é dada quando é realizada a pergunta: “Como foi formada a cooperativa?” (AA 04). Uma turma de produtores se ‘reuniram’ para ganhar mais pelo preço do leite. O transportador de leite terceirizado também influenciou os agricultores para que estes se associassem e comercializassem o leite na cooperativa, isto quer dizer que, embora muitos agricultores tenham se associado por necessidade e de forma consciente, em certos casos, isso aconteceu por influência do próprio freteiro. Dirigentes atuais e ex-dirigentes, principalmente associados que foram presidente ou vice-presidente da cooperativa, apresentam clareza sobre como e por que a cooperativa foi formada e do que é participar e ser cooperativista. Os mesmos afirmam que a cooperativa iniciou através de incentivos e do auxílio de políticas públicas, e que entidades, como a Prefeitura do Município de Panambi, Escritório Municipal da Emater-RS/Ascar de Panambi e UNIJUÍ-Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul, auxiliaram em diversos momentos na organização do quadro social, na administração e na agroindustrialização junto à COPEC. Após a formação da COPEQ eram as cooperativas tritícolas que organizavam a coleta e a comercialização do leite para a Cooperativa Central Gaúcha Ltda. (CCGL). Com a paralização das atividades da CCGL, os produtores, principalmente os pequenos produtores, foram obrigados a comercializar o leite para um oligopólio, sendo explorados por preços, foi então que a COPEQ auxiliou na organização e comercialização do leite dos seus associados. Após a formação da cooperativa, percebe-se que a mesma tem um crescimento expressivo tanto em infraestrutura como em associados. A infraestrutura composta por escritório, agroindústria, rampa de lavagem de caminhões, caldeira, sistema de coleta de dejetos, veículo, equipamentos em geral e sistema de inspeção é construída, em parte, através de políticas públicas. A estrutura física para o processamento do leite da cooperativa atende às suas necessidades e é bem localizada. A cooperativa tem o Sistema de Inspeção Federal (SIF), que possibilita à mesma comercializar os seus produtos para todo o território nacional, o que demonstra que uma pequena agroindústria deve seguir as mesmas regras de uma grande agroindústria. 54 Capítulo II - Desafios Enfrentados por Cooperativas que Trabalham com o Processamento do Leite em Busca de Desenvolvimento para seus Associados na Região Noroeste Colonial - Rio Grande do Sul: o caso da COOPEQ A concepção defendida atualmente de que a agricultura familiar pode industrializar a sua produção é de grande relevância, sendo esta, também, uma das formas de manter o jovem no campo. Os princípios que levaram à criação da associação e, por conseguinte, da COPEQ, de acordo com o entrevistado ER 11 foram: Trabalhar com associados de comunidades próximas, com uma produção de leite mais limpa, formar uma identidade ao produto, ter satisfação do consumidor no momento da compra. O associado estar integrado com a cooperativa, ou seja, a cooperativa diferenciar o produto das grandes empresas, sendo criada uma identidade ao produto. O entendimento no momento da criação da cooperativa vai contra as formas de produção e mercado das grandes indústrias de laticínios. De acordo com Ploeg (2008), no mundo criado e estruturado pelos impérios alimentares, tudo perde sua identidade. Os produtos alimentícios já não são produzidos num determinado lugar, por determinadas pessoas, num determinado momento e depois levados através de circuitos mais ou menos conhecidos, ou pelo menos que se pode conhecer, até os consumidores. Perguntou-se aos entrevistados se surgiram problemas após a formação da cooperativa. A grande maioria respondeu que não tem informação suficiente, mas, ao realizar as entrevistas com extensionistas da Emater e ex-dirigentes da cooperativa ou dirigentes atuais, os mesmos apresentam clareza sobre o assunto e respondem que a cooperativa, desde a sua formação, sofreu com problemas administrativos, fiscais, tributários, agroindustrialização e com o quadro social, ou seja, a cooperativa não contou com profissionais (colaboradores) que realmente dominassem o assunto, para que não ocorressem dificuldades que comprometessem o bom andamento da cooperativa. Isso é destacado através do entrevistado ED 15: O grande problema é a consciência de ser cooperativista, a concorrência é muito forte, deve haver diferença no produto, ou seja, por quantidade ou qualidade. Gastavam muito dinheiro para adequar e sempre faltava alguma coisa. Colocar um administrador, faltou isso no passado, gente de conhecimento, não contrataram profissionais na gestão e na produção. Foi relatado através do ER 11 que, após a agroindústria estar pronta para o funcionamento, os associados não tinham poder para tomar decisões e colocar em 55 Capítulo II - Desafios Enfrentados por Cooperativas que Trabalham com o Processamento do Leite em Busca de Desenvolvimento para seus Associados na Região Noroeste Colonial - Rio Grande do Sul: o caso da COOPEQ funcionamento a compra do leite, a agroindústrialização e a comercialização. O entrevistado ER 11 destaca: A prefeitura que iniciou o funcionamento da agroindústria, a prefeitura fazia a licitação da compra de leite dos agricultores e agroindustrializou por um determinado tempo, todos os funcionários eram da prefeitura. A política pública que a prefeitura estava implementando pode ser destacada como uma tentativa de indução ao desenvolvimento, de acordo com Favaretto (2006), os estudos dedicados à compreensão dos fenômenos de desenvolvimento rural, propriamente ditos, aqueles consagrados à análise dos fenômenos de industrialização difusa, e aqueles destinados a compreender os fatores de êxito e fracasso das tentativas de indução ao desenvolvimento. Perguntou-se, também, se a agroindústria é viável, se é interessante para a cooperativa retomar a agroindustrialização. Os entrevistados que tiveram a oportunidade de ter uma participação junto à cooperativa respondem que sim, de acordo com ER 10: É interessante retomar agroindustrialização, possui viabilidade, possibilita agregação de valor ao produto processado, o ponto de venda é excelente, possibilidade de venda para a merenda escolar. Mas o que falta é os associados se sentirem donos da cooperativa. A cooperativa pode ser viável, pois o momento é favorável para comercialização dos produtos oriundos da agricultura familiar, mas, ao mesmo tempo, devemos levar em consideração que a mesma deve ter uma gestão que possibilite que os associados sintam-se parte da cooperativa, uma vez que o cooperativismo é uma forma de possibilitar autonomia às pessoas. Ploeg (2008) destaca que a luta social deve ser vista como um esforço substancial para melhorar os recursos disponíveis, provocando pequenas adaptações que, no seu conjunto, contribuem para a criação de um bem-estar aumentado, de uma renda mais elevada e de melhores perspectivas de futuro. Neste aspecto, a cooperação é frequentemente um mecanismo-chave. Através das dificuldades enfrentadas pela cooperativa do estudo de caso, deve-se levar em consideração que, ao fomentar a criação de uma associação ou cooperativa, deve-se discutir com as bases, que são formadas pelas pessoas que vão buscar pela realização dos seus interesses e objetivos, ou seja, deve-se dar 56 Capítulo II - Desafios Enfrentados por Cooperativas que Trabalham com o Processamento do Leite em Busca de Desenvolvimento para seus Associados na Região Noroeste Colonial - Rio Grande do Sul: o caso da COOPEQ capacidade e autonomia aos associados. A extensão rural e as entidades públicas e privadas devem estar presentes, mas a autonomia das associações e cooperativas deve existir. 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS O principal objetivo da criação desta organização através de entidades fomentadoras do processo era de promover o desenvolvimento do associado e, consequentemente, da região de atuação da cooperativa. A cooperativa exerce um papel social importante para os seus associados da agricultura familiar, apesar de enfrentar dificuldades no âmbito financeiro, organizacional e no processo de agroindustrialização. Os sócios produzem em baixa escala de produção e com dificuldades para produzir leite dentro dos padrões de qualidade, sendo necessário o apoio das organizações cooperativas para a comercialização do leite in natura e a agroindustrialização, dentre outras atividades, ou correm o risco de estar fora do processo de comercialização. A outra questão observada é de que existe consenso entre empresas do ramo lácteo de que as organizações cooperativas não são interessantes e utilizam-se de estratégias mercadológicas que favorecem a desestruturação do associativismo, tornando a cooperativa – neste caso, a do presente estudo –, extremamente frágil, em um mercado globalizado e competitivo. Através deste estudo de caso, podemos observar que ocorreram e ocorrem investimentos consideráveis em estruturas que possibilitam a agroindustrialização e a refrigeração do leite para a agricultura familiar, através de políticas públicas que, em certos casos, são pré-estruturadas de fora para dentro, sendo que, muitas vezes, é meramente o que as grandes indústrias já operacionalizam, com grande competitividade e tornando os produtores dependentes. Ploeg (2008) destaca que as relações de dependência são de natureza dupla: elas incluem novas relações mercantis, bem como relações técnico-administrativas através das quais o processo de trabalho na unidade é prescrito, condicionado e controlado através dos impérios alimentares. 57 Capítulo II - Desafios Enfrentados por Cooperativas que Trabalham com o Processamento do Leite em Busca de Desenvolvimento para seus Associados na Região Noroeste Colonial - Rio Grande do Sul: o caso da COOPEQ Para haver o fortalecimento e o desenvolvimento das cooperativas que trabalham ou que pretendem trabalhar com agroindustrialização e comercialização do leite, como o exemplo do presente estudo, é necessário: Em primeiro lugar, realizar trabalhos de base com associados, nas cadeias produtivas e educação cooperativa. É interessante que as cooperativas da agricultura familiar trabalhem com seus sócios através de núcleos por aproximação e, através destes núcleos, os associados podem receber informações das ações realizadas pela cooperativa periodicamente. Podem ser inseridos nestes núcleos trabalhos de fomento na produção e cursos de formação em educação cooperativa, principalmente com crianças e jovens. Em segundo lugar, a organização de serviços de máquinas, equipamentos e compra de insumos para os associados. O associado, através de suas atividades na agricultura, necessita de serviços para o bom andamento de sua propriedade. Estes serviços podem ser realizados, muitas vezes, pelo próprio associado, através de suas máquinas e equipamentos, o que pode, porém, gerar ociosidade e custos desnecessários. Então, a cooperativa, de forma coletiva, pode fornecer estes serviços aos associados. A compra coletiva de insumos auxilia na barganha de preços. A cooperativa, através da diversificação de suas atividades, pode fidelizar o associado, ou seja, quanto maior o número de atividades a oferecer, de forma transparente e rentável, mais a cooperativa se fortalece junto a seu associado. Em terceiro lugar, mostrar as funções das cooperativas para os atores sociais e a importância que as mesmas exercem para a agricultura familiar. É interessante que as cooperativas da agricultura familiar divulguem suas ações, suas funções e a sua importância, para os diversos atores sociais de sua área de ação, pois estes atores, ao conhecerem a cooperativa, poderão auxiliar e fortalecer a mesma. Em quarto lugar, organizar a comercialização para mercados institucionais. A cooperativa pode auxiliar na organização e comercialização para os mercados institucionais, ou seja, a cooperativa, conhecendo o que seus associados produzem, pode buscar mercados e fazer a comercialização destes produtos, melhorando a renda do associado e auxiliando na viabilização da cooperativa. Em quinto lugar, diferenciar os produtos, usar ferramentas para garantir a qualidade e a identidade ao consumidor. Os produtos produzidos através das agroindústrias das cooperativas e de seus associados podem ser diferenciados dos 58 Capítulo II - Desafios Enfrentados por Cooperativas que Trabalham com o Processamento do Leite em Busca de Desenvolvimento para seus Associados na Região Noroeste Colonial - Rio Grande do Sul: o caso da COOPEQ produtos tradicionais encontrados no mercado e que são produzidos por grandes indústrias. Ou seja, pode-se agregar valor, por exemplo, através do queijo produzido com leite oriundo da agricultura familiar de determinada região, produzido de forma mais limpa. Atinge-se, assim, o objetivo central, que é diferenciar e agregar valor ao produto da agricultura familiar. Em sexto lugar, a intercooperação entre as cooperativas da agricultura familiar. Através da intercooperação, as cooperativas podem suprir as necessidades umas das outras, aumentando o poder de barganha entre as mesmas, fortalecendo as relações econômicas e sociais, beneficiando o associado e fortalecendo o cooperativismo. Portanto, pode-se afirmar que estamos realizando processos de desenvolvimento rural, ou, ao contrário, estamos copiando exatamente os modelos tradicionais praticados pelas grandes empresas. Ploeg (2008) afirma que, no modo empresarial, o mercado é, acima de tudo, um princípio orientador. Devido ao grau elevado de integração e dependência dos mercados, a unidade de produção empresarial tem que seguir a “lógica de mercado”. As cooperativas que são administradas com o objetivo de somente criar condições de melhorias de preço e entrar na lógica de competição por preços do leite in natura e, até mesmo, de seus subprodutos correm riscos econômicos e sociais. REFERÊNCIAS BRASIL. Ministério de Desenvolvimento Agrário. Linhas de crédito: conheça as linhas de crédito do Pronaf: Brasília, 2013. Disponível em: <http://www.mda.gov.br/ portal/saf/programas/pronaf/2258856>. Acesso em: 17 jun. 2013. FAVARETO, A. Paradigmas do desenvolvimento rural em questão: do agrário ao territorial. 2006. 200 f. Tese (Doutorado em Ciência Ambiental) – Programa de PósGraduação em Ciência Ambiental, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2006. GERHARDT, T. E. ; SILVEIRA, D. T. (Org.). Métodos de pesquisa. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2009. 120 p. PERONI, N. D. Redes de cooperação versus custo de transação: um estudo de caso da Associação Gaúcha de Empreendimentos Lácteos (AGEL) na mesorregião noroeste do Rio Grande do Sul. 2009. Dissertação (Mestrado) Programa de Pósgraduação em Extensão Rural, UFSM, Santa Maria, RS, 2009. 59 Capítulo II - Desafios Enfrentados por Cooperativas que Trabalham com o Processamento do Leite em Busca de Desenvolvimento para seus Associados na Região Noroeste Colonial - Rio Grande do Sul: o caso da COOPEQ PLOEG, J. D. Camponeses e impérios alimentares: lutas por autonomia e sustentabilidade na era da globalização. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2008. SAMBORSKI, T.; PERONI, N. O movimento das novas cooperativas da agricultura familiar/camponesa e a diferenciação no cooperativismo agropecuário na Região Noroeste Colonial do RS. Santo Augusto: Instituto Federal Farroupilha; ASCAR/EMATER-RS, 2008. ANEXO A - LISTA DE ABREVIATURAS AA= Associados Ativos ER= Extensionista Rural ED= Ex-Dirigente ER= Extensionista Rural 60