RODAS DE CONVERSA E OFICINAS TEMÁTICAS: EXPERIÊNCIAS METODOLÓGICAS DE ENSINO-APRENDIZAGEM EM GEOGRAFIA Maria Anezilany Gomes do Nascimento/UERN [email protected] Cícero Nilton Moreira da Silva/UERN [email protected] INTRODUÇÃO Pretende-se, através deste trabalho, socializar experiências metodológicas do Ensino Superior de Geografia, como mecanismo de reflexão acerca do papel do professor e de sua postura ético-política na sociedade de conflitos que se nos revela e que demanda, permanentemente, a busca por inovações pedagógicas na leitura e sistematização dos processos sociais. A introdução das metodologias “rodas de conversa” e “oficinas temáticas” nos procedimentos de ensino provêm do reconhecimento de como tais estratégias podem revelar-se facilitadoras à práxis na formação de educadores. Vêm sendo desenvolvidas entre alunos do 2º ao 8° período do curso de Geografia do CAMEAM/UERN, pelos autores desse trabalho. As rodas de conversa, metodologia bastante utilizada nos processos de leitura e intervenção comunitária, consistem em um método de participação coletiva de debates acerca de uma temática, através da criação de espaços de diálogo, nos quais os sujeitos podem se expressar e, sobretudo, escutar os outros e a si mesmos. Tem como principal objetivo motivar a construção da autonomia dos sujeitos por meio da problematização, da socialização de saberes e da reflexão voltada para a ação. Envolve, portanto, um conjunto de trocas de experiências, conversas, discussão e divulgação de conhecimentos entre os envolvidos nesta metodologia. Os docentes proponentes desta metodologia revelam a base de fundamentação a partir da proposta da Intervenção Participativa dos Atores (INPA) dos atores sociais. A mesma afirma-se como princípio orientador das atividades e do ideário de construção coletiva necessária ao processo, conforme Furtado & Furtado (2000). A proposta pedagógica da INPA implica um processo educativo no qual cada um, individualmente, e todos, no coletivo, tenham clara a sua posição de sujeitos da história. Apresenta-se basicamente como uma concepção dialética, uma forma de ver a realidade de modo crítico, buscando articular num processo integral a participação dos envolvidos. [...] A abordagem e os métodos pedagógicos proporcionam a conscientização e a compreensão da própria realidade [...] e ajudam a desenvolver o sentido da busca de transformação dessa realidade. As interações oferecidas aos membros do grupo ao desenvolver a Intervenção Participativa, na forma de investigação sobre a realidade, ajudam a transformar as pessoas envolvidas ou mesmo as organizações em um grupo com perspectivas e objetivos comuns, com tarefas e responsabilidades definida no coletivo (FURATDO & FURTADO, 2000, p. 67). A proposta metodológica ora descrita, vale salientar, se apresenta neste trabalho como ferramenta bastante significativa para o desenvolvimento das atividades coletivas da comissão, configurando-se de tal forma como fruto da troca de experiências de alguns membros do grupo de docentes do Curso de Geografia do CAMEAM, fora do meio acadêmico, junto a grupos sociais e organizações da sociedade civil. A INPA, nesse sentido, surge como uma adaptação da proposta metodológica experienciada em trabalhos com comunidades urbanas e rurais, voltadoa, agora, à realidade da comunidade a universitária, ou seja, à comunidade acadêmica do Curso de Geografia. Destaca-se a experiência com a Comissão Pastoral da Terra (CPT-CE), o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST-CE), à entidade Centro de Estudos, Pesquisa e Assessoria Comunitária (CEPAC), bem como na participação em equipes para a elaboração de Planos de Diretores Participativos. As 03 (três) primeiras experiências são ligadas à construção participativa de Planos de Desenvolvimento de Assentamentos Rurais. Incorporadas aos procedimentos didático-pedagógicos de ensino de Geografia, visam ampliar o arcabouço metodológico de socialização dos conteúdos e de construção do conhecimento, congregando um conjunto de etapas, atividades e papéis distribuídos entre os educandos e articulando argumentos teóricos e idéias produzidas e oportunizadas por intermédio dos debates. As oficinas temáticas também tratadas neste trabalho objetivam possibilitar a produção de instrumentos didático-pedagógicos, como subsídios a uma fase considerada essencial para o educando: o Estágio Supervisionado. No âmbito da reformulação curricular e da inserção de um novo componente nos cursos de licenciatura, qual seja a Atividade Prática, percebe-se a oportunidade de potencializar as habilidades voltadas à criação e difusão de instrumentos de suporte didático-pedagógico ao processo ensinoaprendizagem, trabalhando-se, portanto, uma modalidade de oficina voltada à produção de cadernos temáticos auxiliares dos conteúdos didáticos. O papel do agente mobilizador no processo ensino-aprendizagem Considerando que o processo ensino-aprendizagem constitui-se, como afirma Libâneo (1990), em uma relação bilateral, amparada no diálogo de saberes, significados, confrontos e interações de idéias, constata-se a importância do professor como agente mobilizador do conhecimento, aquele através do qual se constroem e reconstroem os conceitos, se sistematizam as leituras de mundo e se desenvolvem as diversas habilidades de interpretação, registro e análise crítica acerca dos fenômenos e processos espaciais. Desta forma, enfatizando o papel daquele que faz a intermediação entre o aluno, sujeito do processo de construção do conhecimento e o objeto de conhecimento, atribuímos ao professor a capacidade e a responsabilidade pela condução metodológica norteadora do processo ensino-aprendizagem. E neste sentido, cabe destacar o contexto contemporâneo do advento da revolução científico-técnica, a qual nos põe no cerne do debate acerca de conceitos e métodos fundantes para a construção e difusão do saber, marcando um período que, de um lado, reafirma o crescimento da informação, do conhecimento e da técnica, do outro produz o recrudescimento das desigualdades sociais. Quando Bloch afirma em sua obra A filosofia do futuro (1979) que “o tempo é porque algo acontece e onde algo acontece o tempo está”, este autor nos apresenta a correlação entre as coordenadas espaço e tempo, através das quais se concretizam os diversos eventos que se realizam / se sucedem, nos diferentes momentos históricos. Essas transformações, que se processam espaço-temporalmente em diferentes escalas e esferas sociais, nos demandam uma reflexão permanente sobre a importância da reconstrução do conhecimento, das teorias e métodos que auxiliam a compreensão acerca do momento de mudanças aceleradas em que vivemos. O surgimento de novas tecnologias, dentro de uma nova relação espaço-tempo, trazendo consigo novos conteúdos e metodologias, impõe ao ser intelectual e ao profissional da educação uma reflexão sobre como responder a esse conjunto de transformações que envolvem o período atual. Ao mesmo tempo, se discursa sobre a universalização do conhecimento e, paradoxalmente, a uma especialização parcelar do saber, dada a necessidade de funcionalidade dos diversos saberes para responder a demandas, sobretudo, direcionadas a uma reprodução ampliada do capital. Esse contexto evidencia questões sobre qual o papel do intelectual e qual sua postura ético-política nessa sociedade de conflitos que se nos revela. A resposta perpassa diversas questões que vão desde a pretensa neutralidade científica até a conduta profissional que envolve a causa abraçada pelo educador frente à realidade posta em análise. Qual reflexão e que conhecimento se pretende construir a partir dos dados, dos instrumentos de análise e das informações que circulam permeadas por concepções político-ideológicas? O educador, nesse contexto, tem o papel de possibilitar ao aluno construir mecanismos de formação numa perspectiva mais ampla, devendo oportunizar o direito ao questionamento, e ao pensar sobre a realidade, nos espaços em que ela é produzida. Nesse sentido, a atual conjuntura demanda do educador o exercício permanente da crítica sobre quais as estratégias de ensino e de aprendizagem podem nortear o desenvolvimento de competências e habilidades postas no cenário dos desafios contemporâneos. Como nos alerta Vlach (2002) “não se trata de aplicar modelos préestabelecidos, mas possibilitar formas para que os profissionais experimentem novas metodologias de ensino, que venham ao encontro das necessidades concretas dos alunos, produzindo assim, saberes reais”. Esses desafios suscitam a inquietação e a busca por possibilidades de construção de práticas didático-pedagógicas, as quais, na vivência cotidiana da docência, traduzemse no que se vem denominando de inovações pedagógicas para o ensino superior voltado à formação de professores. O trabalho que ora se apresenta é resultado de tais inquietações. Não se pretende, no propósito deste texto, dar conta de uma análise aprofundada sobre os desafios da prática pedagógica na formação para o magistério. Almeja-se, no entanto, socializar a experiência da introdução de metodologias de ensino, pautadas: 1) em princípios norteadores que afirmem o papel da ciência no processo de reflexão e interlocução com a realidade social; 2) na indissociabilidade da relação entre teoria e prática no processo de produção do conhecimento; 3) na valorização da articulação entre os saberes científico e popular. Concepções de ensino: contextualizando o ambiente “O binômio ensino / aprendizagem apresenta duas faces de uma mesma moeda. É inseparável. Uma é a causa e a outra, a conseqüência. E vice-versa. Isso porque o ensino / aprendizagem é um processo, implica movimento, atividade, dinamismo; é um ir e vir continuadamente. Ensina-se aprendendo e aprende-se ensinando”. (Oliveira, 2006, p. 217). A introdução das metodologias “rodas de conversa” e “oficinas temáticas” nos procedimentos de ensino provêm do reconhecimento de como tais estratégias podem revelar-se facilitadoras à práxis que envolve o processo de ensino-aprendizagem na formação de educadores. Tais metodologias de ensino superior vêm sendo desenvolvidas no curso de Geografia do Campus Avançado Maria Elisa de Albuquerque Maia – CAMEAM da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte – UERN, pelos professores autores desse texto. São fruto: • da experiência profissional e da vivência dos respectivos professores em processos participativos de sensibilização e mobilização social, planejamento e intervenção socioespacial, no âmbito: a) dos movimentos sociais no campo; b) da assessoria à construção de planos de desenvolvimento de assentamentos de reforma agrária; c) da elaboração de instrumentos de reforma urbana e territorial e d) da construção coletiva de projetos político-pedagógicos. • da inquietação acerca dos resultados obtidos por intermédio da aplicação de métodos e técnicas utilizados no cotidiano das atividades de ensino. Vale contextualizar que são os princípios norteadores1 do Projeto Políticopedagógico do Curso de Geografia do CAMEAM/UERN2 aqueles que fundamentam a proposição metodológica ora apresentada. São eles: QUALIDADE: desenvolvimento de estratégias metodológicas de ensino que aliem o conhecimento técnico-científico específico ao conhecimento 1 Adaptado a partir de VEIGA (1995) O Projeto Político-pedagógico constitui-se instrumento norteador das concepções que mediam as ações do Curso e da própria Geografia que se produz e que se consome no Alto Oeste Potiguar, região onde se insere o referido Curso. Neste sentido, o currículo deve pôr em debate a trama / tecitura das problemáticas socioespaciais, tentando resgatar o papel social do geógrafo enquanto aquele que busca refletir e intervir sobre a realidade. 2 pedagógico, no intuito de facilitar o entendimento, a compreensão e o interesse pela investigação da realidade em estudo; LIBERDADE: para aprender, ensinar, pesquisar, expressar pensamentos, questionar, duvidar e divulgar a arte e o saber direcionados para uma intencionalidade definida coletivamente. Devemos assumir a liberdade da crítica e da criação; VALORIZAÇÃO DO MAGISTÉRIO: formação continuada, melhores condições de trabalho, remuneração digna, organização do trabalho pedagógico etc; COMPROMISSO SOCIOPOLÍTICO: “Geografia é a Ciência da Sociedade”, conforme Andrade (1986), portanto, deve primar pela formação de cidadãos mais críticos e conscientes, para a transformação de conteúdos e técnicas em recursos possíveis para o professor / pesquisador e demais profissionais da Geografia. A experiência do Curso de Geografia: rodas de conversa e oficinas temáticas “A singularidade é apontada como uma característica da própria atividade docente, uma vez que ao longo de sua carreira, por meio de suas experiências profissionais e pessoais, o professor cria um estilo próprio e pessoal de trabalhar (...) o ensino pode ser entendido como um ofício que se apóia em saberes construídos pela experiência acumulada na prática social e coletiva dos professores (...) Dessa forma, os saberes da experiência não se apresentam como um corpo sistematizado de conhecimento, mas são partes constituintes da prática, formando ‘um conjunto de representações a partir das quais o(a)s professor(as) interpreta(m), compreende(m), orienta(m) sua profissão e sua prática cotidiana em todas as suas dimensões’”. (Santos, 2002, p. 96-99) A valorização da articulação entre os saberes científico e popular pelos autores desse texto resulta da prática docente voltada ao desenvolvimento de propostas pedagógicas de caráter inovador no âmbito do espaço onde atuam profissionalmente. Resulta ainda do desejo de desenvolver estratégias de ensino que impulsionem o papel do educando como ser reflexivo, crítico e ativo diante das possibilidades e dos desafios insurgidos no exercício do magistério na contemporaneidade. Isso posto, cabe enfocar como se propõe o desenvolvimento das rodas de conversa e das oficinas temáticas no curso de Geografia do CAMEAM/UERN, a partir do semestre letivo 2007.1. Rodas de conversa “Logo, há muito a fazer para que sejamos não apenas ouvidos, mas ouvidos com interesse! Ter menos medo do novo!” (Kaercher). Surgem como ferramentas de ensino a partir da avaliação de métodos e técnicas considerados insatisfatórios, no que diz respeito: ao exercício da leitura, aqui defendido enquanto condição essencial à produção permanente da reflexão; às limitações relativas à capacidade de abstração teórica, bem como ao aprofundamento dos conteúdos; à reduzida produtividade das discussões; à carência analítico-interpretativa que mediatiza a socialização dos saberes. Desse modo, objetivou-se adaptar e incorporar ao ensino instrumentos metodológicos voltados a espaços (escalas) e instâncias (esferas) participativas em processos de planejamento e gestão comunitária. Essa metodologia a que costumamos denominar rodas de conversa congrega na proposta de ensino ora apresenta um conjunto de etapas, atividades e papéis distribuídos entre os educandos envolvidos no processo ensino-aprendizagem. Configura-se através da articulação entre as etapas: de leitura, coordenação e sistematização de idéias centrais e secundárias; exposição dos conteúdos para o estímulo ao debate; facilitação do debate e relatoria analítico-reflexiva numa perspectiva dialógica entre os argumentos teóricos e as idéias produzidas e oportunizadas por intermédio da discussão gerada. A experiência de aplicação dessa metodologia propicia apontar as seguintes percepções preliminares: 1. observa-se uma motivação mais ampliada entre os educandos na perspectiva de compreender que a leitura dos textos-base selecionados constitui-se etapa fundamental para a sua formação acadêmico-profissional; 2. a conscientização acerca da necessidade de leitura permite ampliar as possibilidades de abstração teórica dos conteúdos; 3. a ampliação da capacidade de abstração analítico-interpretativa propicia, por sua vez, uma articulação mais profunda entre a leitura de mundo do educando e os fundamentos teóricos que norteiam o debate sobre a realidade; 4. todavia, a realização da atividade metodológica, a qual demanda maior capacidade de abstração analítico-interpretativa, tem se tornado mais produtiva quando desenvolvida em turmas a partir do 3º período, obtendo um resultado mais qualitativo em turmas mais avançadas do Curso, caso do 6º ao 8º período. 5. Considerando-se o caráter coletivo das atividades desenvolvidas na proposta, bem como avaliando o desempenho qualitativo das funções (coordenação, exposição e relatoria) dos membros de cada grupo facilitador de roda de conversa, orienta-se que este seja constituído de no mínimo 03 e no máximo 05 educandos. Oficinas temáticas O objetivo desta atividade é possibilitar a produção de instrumentos didáticopedagógicos, como subsídios a uma fase considerada essencial para o educando: o Estágio Supervisionado voltado à formação para o magistério na Educação Básica. As primeiras oficinas foram trabalhadas durante o semestre letivo 2007.1, junto à turma do 6º período do Curso de Geografia do CAMEAM/UERN. Oportunizaram efetivar a experiência transdisciplinar de abordagem dos conteúdos entre Geografia Econômica e Geografia dos Países e Continentes. Na ocasião, foram tratados os seguintes temas, comuns às duas disciplinas: 1) Estados Unidos, NAFTA e ALCA; 2) América Latina e o Mercosul; 3) União Européia e o Leste Europeu; 4) O caso da África; 5) O caso da China; 6) Japão e os Tigres Asiáticos; 7) Agências Multilaterais e organismos internacionais. A atividade realizou-se inicialmente mediante a discussão sobre habilidades necessárias à produção material, quais sejam: a) exercício da leitura e da escrita; b) capacidade de síntese de idéias; c) sistematização dos conteúdos; d) adequação da linguagem; e) síntese e capacidade de argumentação voltada à produção textual, de acordo com o universo cognitivo do público-alvo (níveis de ensino Fundamental II e Médio); f) atenção aos elementos coesão e coerência textual e g) ludicidade como requisito para a produção imagética (charges, figuras, desenhos). As etapas que envolvem a oficina são, portanto: 1. Definição dos temas específicos para cada grupo / produto; 2. Divisão dos grupos e construção do plano de trabalho; 3. Levantamento de material bibliográfico (científico, didático, paradidático e suplementar); 4. Sistematização dos conteúdos, precedida de leitura e discussão em grupo sobre os conteúdos abordados; 5. Operacionalização das oficinas: produção textual e imagética; 6. Arte-finalização; 7. Exposição dos produtos obtidos. Como resultado da utilização desse instrumento metodológico, ressalta-se que: primeiro, a realização das rodas de conversa, que no semestre letivo 2007.1 ocorreram na mesma turma onde se desenvolveu a oficina temática, consistiu na fase de fundamentação teórico-analítica enquanto a oficina se deu a partir do estudo e sistematização dos conteúdos do livro didático de Geografia, para a elaboração de produtos didático-pedagógicos a serem utilizados no semestre seguinte, correspondente à realização do Estágio Supervisionado. Considera-se que a heterogeneidade que perpassa o acúmulo dos saberes dos educandos a partir das suas experiências e vivências com o ensino se materializou na diversidade dos cadernos produzidos, marcada pelas diferentes manifestações de síntese das idéias e sistematização dos conteúdos. Percebeu-se ainda que, não obstante o esforço e a atenção à adequação da linguagem acadêmica para os níveis de ensino fundamental e médio, parte considerável dos cadernos apresenta limitações no tocante a esse aspecto. Pode-se destacar também a fragilidade nas produções textuais no que concerne à relação entre elementos de coesão e coerência. Todavia, vale salientar, como um dos aspectos notadamente positivos nos produtos gerados, o exercício da ludicidade (embora em graus distintos de criatividade), permeando de ilustrações, produzidas em sua maioria pelos próprios educandos, os conteúdos propostos. Dessa forma, pode-se considerar que as limitações mais relacionadas à adequação da linguagem escrita foram minimizadas pelo êxito na produção imagética, instrumento auxiliar no processo de compreensão dos conteúdos. Considerações finais No cerne da indissociabilidade entre as dimensões que alicerçam o fazer acadêmico, as experiências metodológicas de ensino superior supracitadas têm possibilitado ampliar os espaços de debate, a construção de conhecimento, a troca de saberes, bem como a produção de interessantes materiais de auxílio didático. A par das dificuldades enfrentadas e de outras avaliações que se farão necessárias, considera-se que a dimensão político-pedagógica destas metodologias, evidenciando seu caráter criador, dialógico e integrador torna extremamente válidas as experiências, uma vez que favorecem a articulação dos processos de reflexão, discussão, análise e socialização de idéias, sobretudo pela essência da base de onde são oriundas tais metodologias: os espaços de leituras comunitárias e de movimentos sociais. São, portanto atividades com caráter de intervenção mediante pressupostos formativos e analíticos. Para não concluir, evocamos a sensibilidade para reavaliar a postura do profissional educador, frente ao período sócio-histórico contemporâneo, que, marcado pela difusão de inovações tecnológicas e organizacionais, atinge todas as esferas e escalas da vida social. Dessa forma, vivenciamos um período que exige daqueles que se voltam à reflexão crítica sobre a valorização do ensino universitário, bem como à análise dos saberes e experiências docentes, uma busca constante por inovações também no campo da educação, que nos impulsione a desenvolver estratégias de ensino, movidos permanentemente pela inquietação. Referências CARLOS, A. F. A. (org) A geografia na sala de aula 8. ed. São Paulo: Contexto, 2006. FURTADO, R. & FURTADO, E. A Intervenção participativa dos Atores – INPA: uma metodologia de capacitação para o desenvolvimento sustentável. Brasília: IICA, 2000. LIBÂNEO, J. C. Fundamentos teóricos e práticos do trabalho doente – estudo introdutório sobre pedagogia e didática. Tese de Doutorado. São Paulo: PUC-SP, 1990. PONTUSCHKA, N. N.; OLIVEIRA, A. U. de (orgs) Geografia em Perspectiva 3.ed. São Paulo: Contexto, 2006. SANTOS, M. 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