SUZANO ANO 5
ISSN: 2176-5227
Nº 4
ABR. 2013
REVISTA INTERFACES
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Adequação linguística da terminologia
contábil em uma oficina de custos para
agricultores rurais: construindo uma cartilha
para atividade de extensão
Pedro Mariano Oliveira Mariano da Silva
Ciências Contábeis pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA).
Sheilane Pereira de Sousa
Curso de Ciências Contábeis da Universidade Federal do Maranhão/ UFMA.
Regysane Botelho C Alves
Curso de Ciências Contábeis da Universidade Federal do Maranhão/ UFMA.
Resumo
Este artigo é resultado de um projeto de extensão no qual alunos de Ciências Contábeis da Universidade Federal
do Maranhão ensinaram práticas de custeio a agricultores rurais de duas cooperativas de produtores de hortaliças agroecológicas da cidade de Imperatriz. O objetivo deste trabalho foi mostrar como as atividades do projeto
possibilitaram aos alunos um aprimoramento de sua capacidade comunicativa por meio da adaptação dos termos contábeis ensinados. A metodologia se baseou na observação participativa do processo de organização de
um pequeno manual e das oficinas. Também foram aplicados questionários a fim de coletar dados socioeconômicos dos participantes das oficinas. Verificou-se que as atividades desenvolvidas potencializaram o processo
de letramento acadêmico desses alunos, uma vez que precisaram melhorar suas práticas comunicativas com
vistas a garantir que a informação contábil fosse adequadamente entendida por receptores que apresentavam
um repertório linguístico distinto do que é normalmente utilizado nos meios acadêmico e profissional.
Palavras Chave: Ciências Contábeis. Linguagem. Custos.
Introdução
Levando-se em consideração que a capacidade de
comunicar informações e conceitos contábeis de forma clara e eficiente é parte integrante do perfil desejado do profissional da Contabilidade. Essa capacidade
linguística que poderia ser, em um primeiro momento,
considerada algo fora do escopo das práticas contábeis
se mostra fundamental uma vez que a Contabilidade
tem por função primordial fornecer informações econômicas para diferentes tipos de usuários, de forma
que propiciem decisões racionais (IUDÍCIBUS, 2009),
ao garantir uma adequada comunicação das informações financeiras de um negócio e/ou entidade.
Se o profissional contábil não conseguir, a partir de seu conhecimento específico e de sua capacidade comunicativa, informar de forma clara os seus
receptores, a Contabilidade estará desvinculada das
necessidades de seus usuários, tonando-se consequentemente estéril e sem qualquer serventia para as
organizações (DIAS FILHO, 2000, p.40). É preciso, portanto, que a capacidade comunicativa do contador lhe
permita cumprir a função de comunicar adequada-
mente as informações financeiras necessárias à boa
administração da empresa (DIAS FILHO, 2000, p.41).
Para tal é importante dar atenção ao letramento
dos futuros contadores lembrando que Letramento
deve ser entendido aqui “como o desenvolvimento
das habilidades de leitura e escrita no contexto social,
visando à inserção do sujeito nas práticas sociais que
exigem tais habilidades” (GUEDES; BARBOSA, 2011, p.1)
para que sejam profissionais capazes de ler e escrever
os mais diversos tipos de textos acadêmicos e profissionais que lhes serão exigidos, bem como ser capazes
de escrever quaisquer gêneros que envolvam informações contábeis.
No presente artigo buscar-se-á mostrar o desenvolvimento de um projeto de extensão intitulado
“Orçamento e controle de custos para micro empreendedores rurais de hortaliças agroecológicas: uma
proposta metodológica de extensão rural”, no qual os
alunos buscaram ensinar conceitos básicos de Custos
a agricultores rurais com vistas a que esses produtores possam controlar e organizar melhor os custos de
sua produção, garantindo melhores resultados em sua
atividade.
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A metodologia da pesquisa se baseou na observação participativa do processo de organização de um
pequeno manual ¬ no qual foram apresentados os
conceitos contábeis relacionados a custeio e das oficinas nas quais os alunos instruíram os agricultores
sobre a prática do controle de custos de sua produção¬
do projeto de extensão rural, que foi aprovado e está
sendo financiado pela Universidade Federal do Maranhão, por meio de bolsas de extensão a alunos de
Ciências Contábeis do Centro de Ciências Sociais, da
Saúde e da Tecnologia – CCSST, em Imperatriz.
A questão que norteou a pesquisa de campo realizada juntamente com os bolsistas do projeto buscava
descobrir quais adequações da linguagem contábil
seriam necessárias a fim de que tanto o manual quanto as oficinas de custos pudessem ser entendidos por
agricultores rurais de cooperativas produtoras de hortaliças agroecológicas em Imperatriz – MA.
Os produtores familiares pesquisados fazem parte de duas associações, que iniciaram seu funcionamento no ano de 2008, a Cooperativa “Ouro Verde” e
a Cooperativa AMA (Associação Mão Amiga), ambas
fornecedoras de hortaliças para o projeto de merenda
escolar do CONAB, do governo federal.
1- A compreensibilidade da linguagem
contábil
A Contabilidade, considerada a “linguagem dos
negócios” por vários autores (FONTANA, 2010, p. 5),
exige de seus profissionais um bom domínio de sua
linguagem e conceitos, de modo que possam gerar
informações que sejam claramente compreendidas
pelos usuários (receptores).
Portanto, é importante levar em consideração os
agentes envolvidos no processo: o emissor e o receptor; o contexto no qual ocorre a comunicação; e também o código de comunicação que é utilizado, pois, segundo Vanoye (2003), a comunicação somente ocorre
se o emissor e o receptor compartilharem o mesmo
repertório linguístico.
Para Dias et.al. (2004, p. 45) se “o usuário da mensagem não conseguir interpretá-la, não se pode dizer
que tenha ocorrido uma comunicação, pois o ato comunicativo depende do conhecimento de um código
capaz de unir o transmissor ao receptor, e sem ele a
informação torna-se um ruído sem qualquer valor
semântico”. Pelo fato de a Contabilidade apresentar
uma linguagem própria, recheada de jargões, que
muitas vezes impedem a compreensão de seus conceitos, mesmo os básicos, por pessoas leigas em suas
questões podem ocorrer ruídos na comunicação das
informações contábeis se não forem tomados os devidos cuidados com o repertório linguísticos dos envolvidos na emissão e recepção das mensagens.
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Ainda para essa autora, a linguagem contábil gera
ruídos porque usa terminologia contábil inadequada
além de expressões e termos em outros idiomas que
dificultam a comunicação; mas o autor também defende que a quantidade de informação fornecida, às
vezes insuficiente, às vezes em excesso, associada à
insuficiente capacidade do receptor em entender as
informações contábeis são também ruídos que atingem a comunicação entre os contadores e os usuários
de suas informações (DIAS et. al., 2004).
Entretanto, não se espera que a Contabilidade
abra mão de sua linguagem, uma vez que ela é instrumento necessário para atender as particularidades
da ciência contábil (FONTANA, 2010, p. 5), o que precisa acontecer é a preocupação com a elaboração da
mensagem que utiliza o código da linguagem contábil para que ela seja compreendida por seu receptor.
Nesse processo de elaboração há de se considerar que
o Contador deverá, muitas vezes, adaptar a linguagem
que utiliza ao receptor e ao contexto da comunicação.
E essa adaptação somente ocorrerá sem ocasionar
perdas se o profissional da área contábil compreender
de forma satisfatória “os signos/termos empregados
na área contábil como um dos requisitos necessários
para o exercício profissional da função econômica/financeira” (PANHOCA, 2003, p. 1).
Moreira e Vasconcelos (2007, p. 7) chamam a atenção para o fato de que a dificuldade de entendimento
das informações contábeis pelos usuários normalmente “é confundida com a impraticabilidade das informações contábeis, razão pela qual elas acabam por
ser menosprezadas por sujeitos leigos em conhecimento contábil”, cabendo “ao profissional contador se
esmerar no sentido de poder obter uma evidenciação
contábil adequada a cada usuário, e ainda capacitá-lo
para poder interpretá-la” (MOREIRA; VASCONCELOS,
2007, p. 7). Assim, a linguagem técnico-profissional
utilizada não deve ser apenas um modo de impressionar o público leigo. Esse uso da linguagem profissional
não deve ser feito, uma vez que seu único propósito
seria o de demarcar um campo de isolamento entre os
profissionais da área e os demais seres humanos.
Assim, se desconsiderar a dupla responsabilidade
de receptores e emissores das informações contábeis,
é indiscutível a grande responsabilidade que o Contabilista tem ao elaborar a mensagem que veiculará
a informação contábil pretendida, especialmente no
que diz respeito ao correto uso da linguagem (incluindo a necessária adaptação terminológica) e a adequada organização das informações apresentadas; assim,
como a responsabilidade de instrumentalizar o seu
receptor a compreender as informações contábeis
quando isso for imperioso para a correta utilização
dos dados contábeis pelos seus usuários.
Essa preocupação com a compreensibilidade das
informações contábeis não é uma preocupação isola-
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da, e ocorre também como um reflexo dos processos
de globalização e de desenvolvimento das tecnologias
de informação; além de uma maior valoração de práticas que envolvam as responsabilidades social e ambiental, que ampliam significativamente o leque dos
usuários tradicionais da contabilidade, causando uma
consequente necessidade de adaptação, especialmente comunicativa, tanto do profissional da contabilidade quanto das informações por ele apresentadas.
2. A capacidade de comunicação por meio
da linguagem contábil
Apoiado na crença de que contadores não precisam
apresentar capacidade linguística desenvolvida e apurada, os acadêmicos de Contabilidade, em sua maioria,
não se preocupam com a qualidade dos textos orais ou
escritos que produzem durante sua formação. Muitos
sofrem quando solicitados a elaborarem um resumo,
uma resenha ou um relatório. Assim, podemos dizer
que esses alunos, como a maioria daqueles que chegam ao nível superior sem a correta preparação para
se comunicarem nos moldes dos discursos academicamente produzidos, seriam “analfabetos funcionais”,
uma vez que não conseguem utilizar adequadamente
do seu código linguístico – no caso o português brasileiro – para se comunicarem dentro da esfera acadêmica e, consequentemente, da sua esfera profissional.
Considerando que “o letramento está relacionado
ao conjunto de linguagens sociais que identificam
práticas sociais, com expressões orais e escritas, e relacionadas a instituições e aos gêneros do discurso que
aí se produzem” (GUEDES; BARBOSA, 2009, p. 5), como
no caso da Universidade e seus padrões de linguagem
para textos científicos e profissionais, há a necessidade de observar o comportamento dos alunos e auxiliálos para que se preparem para que possam comunicar
suas ideias de forma adequada ao seu cotidiano acadêmico e profissional.
Segundo Guedes e Barbosa (2009, p. 6),
Durante sua formação de ensino superior,
espera-se que os estudantes universitários
adquiram a capacidade de discutir e aplicar
conhecimentos teóricos adquiridos ao longo
do curso e expor suas ideias sobre determinado tema, de forma convincente. Para tal,
o aluno universitário deve utilizar-se do discurso acadêmico e dos gêneros aceitos para
uso dentro deste discurso (artigo acadêmico,
a resenha, o relatório). Entretanto, muitos
alunos demonstram dificuldade na produção de trabalhos escritos, tanto no que se
refere à forma do texto quanto à construção
de uma linha argumentativa e/ou expositiva
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que possibilite a exposição e discussão clara
de teorias, fatos, idéias e posições pessoais.
No caso específico da Contabilidade, não há dúvidas de que “a educação para os futuros contadores deveria produzir profissionais que tivessem amplo conjunto de habilidades e conhecimentos” que seriam
“divididas em três categorias: habilidade em comunicação, habilidade intelectual e habilidade no relacionamento com as pessoas” (MARION, 2001, p. 14). Esse
leque de habilidades é necessário, porque, uma vez
que o “contador deve saber comunicar-se com outras
áreas da empresa” e com os usuários de todo tipo de
organização, ele “não pode ficar com os conhecimentos
restritos aos temas contábeis e fiscais” (NASI, 1994, p.05).
Nesse sentido, é fundamental ao contador apresenta-se como “um ‘tradutor’ das informações contábeis da organização e não simplesmente como um
‘apurador’ de dados”, pois tão “importante quanto
elaborar as informações contábeis é fazer com que os
gestores entendam essas informações, ou seja, é preciso adequá-las ao processo de tomada de decisão da
organização” (Fahl; Manhani, 2006, p.30).
Desse modo, o aluno de graduação não precisa apenas apropriar-se do discurso acadêmico, que lhe permitam uma produção efetiva de gêneros textuais da
academia. Ele precisa, sobretudo, utilizar a linguagem
como ferramenta de interação social fundamental
para seu exercício profissional. Incluindo a capacidade de adequar-se aos mais variados públicos, abrindo
mão de sua linguagem profissional e mesma acadêmica a fim de garantir seu sucesso comunicativo.
Saber, portanto, alinhar seus conhecimentos profissionais à linguagem que utiliza, bem como fazer
uso dos diversos gêneros do discurso que lhe forem
necessários garante ao futuro profissional um melhor
espaço de interação social e, consequentemente mais
e melhores oportunidades de sucesso profissional.
3. Do manual às oficinas de custos
Para realizar a proposta de por em prática uma série de quatro oficinas de custo com micro agricultores
rurais de associações de produção de hortaliças agroecológicas de Imperatriz, no Maranhão, foi necessário
organizar um material de apoio para essas oficinas
que pudesse ser eficaz em seu propósito de ensinar
conceitos de custos contábeis aos agricultores.
Inicialmente, foi feito um breve estudo das características linguísticas do público-alvo, o que foi auxiliado pelo questionário socioeconômico aplicado
na primeira visita que foi feita aos agricultores, bem
como a observação dos termos por eles empregados,
especialmente para se referirem a sua prática produtiva, durantes algumas entrevistas realizadas também
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nessa visita.
Essa observação levou em consideração principalmente fatores como o espaço geográfico ocupado
pelos envolvidos no projeto; o nível de escolaridade e
a média de idade do grupo; e a forma como eles se relacionam com sua atividade produtiva, bem como o
tempo que eles se dedicam a ela. Esses fatores foram
escolhidos considerando o que apresenta Bortoni-Ricardo (2004, p.47) sobre as questões das comunidades
de fala, pois segundo essa autora, independente do
tamanho de uma comunidade de fala sempre há variações linguísticas que serão decorrentes de fatores
como a faixa etária, o gênero, o status socioeconômico, o grau de escolarização, o mercado de trabalho e a
rede social a que cada falante está ligado.
Os principais dados encontrados foram que os
agricultores são todos moradores da zona rural de Imperatriz, que fica ao sudoeste do Estado do Maranhão,
apresentando, portanto, um modo de falar típico da
região, compartilhado em certa medida com os alunos também moradores da cidade, mas de sua parte
urbana. A maioria dos agricultores participantes dos
projetos é do sexo feminino (76,19%), com destaque
para o fato de que as duas coordenadoras das associações são mulheres. O grau de escolaridade do grupo
pesquisado é bastante baixo, uma vez que apenas 14%
deles cursaram o Ensino Médio. Todos os outros ou são
analfabetos ou fizeram apenas o Ensino Fundamental
I incompleto. A média de idade desses agricultores revelou que a maioria deles se encontra em idade avança, pois 60% dele possuem mais de 50 anos.
Muitos deles estão a pouco tempo trabalhando
com a produção de hortaliças agroecológicas, 57% deles trabalham a menos de três anos com esse tipo de
hortaliça, o que pode justificar o fato de os agricultores
não possuírem uma noção clara sobre o que seriam
tais hortaliças apenas os coordenadores das associações apresentaram informações mais sistematizadas
apenas sabiam que elas são produzidas sem a utilização de agrotóxicos, o que lhes garante uma hortaliça mais saudável. Durante as entrevistas, notou-se
que os agricultores não conseguiam distinguir o que
seriam as hortaliças agroecológicas daquelas que seriam orgânicas. Além disso, foi notado que a maioria
dos agricultores possui pouco conhecimento na área
gerencial; mas que uma pequena minoria declarou e
mostrou ter experiência linguística na área financeira
já adquirida por eles em outros momentos de formação, em especial no SEBRAE.
Esses dados mostraram que durante a elaboração
do material das oficinas seria preciso se preocupar
especificamente com o vocabulário contábil, sem desconsiderar uma simplificação vocabular que garantisse o entendimento da linguagem a ser utilizada.
Assim, ao elaborar o manual de apoio ao projeto,
incialmente foi apresentada uma breve explicação
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gerencial sobre a distinção entre empresa e associação. E após essa informação foi então apresentada a
definição do que seria uma cultura de produção agroecológica de hortaliças, como pode ser visto nas ilustrações a seguir:
Fonte: Elaboração dos autores.
Nos dois momentos, as informações foram escritas de modo a garantir o conhecimento desejado, sem,
no entanto, utilizar uma linguagem que fosse obscura
para os agricultores.
Quanto aos conceitos de custos, como o objetivo
era oferecer informações contábeis aos agricultores
de modo que eles pudessem compreendê-los a partir
de seu repertório linguístico para que pudessem utilizá-los como instrumentos concretos que permitam a
esses agricultores o desenvolvimento de uma prática
de produção e comercialização mais produtiva e economicamente consciente, buscou-se uma simplificação que não empobrecesse o material a ser oferecido,
mas que também não lhes fosse inútil uma vez que
não pudesse ser entendido por eles.
Nesse trabalho de elaboração da cartilha houve então mais uma questão linguística a ser considerada: o
fato de que a linguagem contábil apresenta uma terminologia que, em muitos casos, é semelhante à utilizada na linguagem comum. Assim sendo, os alunos
precisaram discutir os conceitos contábeis, já dominados por eles, e também se aprofundarem no escopo
de cada conceituação, uma vez que a troca vocabular
por termos menos técnicos poderia alterar de forma
negativa as informações que se pretendia transmitir
durante as oficinas.
Abaixo, é apresentada uma tabela com os termos
apresentados na cartilha com seus conceitos dados
por um dicionário geral da língua portuguesa, a fim
de perceber as acepções gerais que essas palavras possuem; as definições dadas por livros de contabilidade;
e, finalmente, a forma como cada conceito foi finalmente apresentado no material das oficinas:
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TITULO
Linguagem comum
Linguagem contábil
Cartilha do Projeto
TITULO
Linguagem comum
Linguagem contábil
Cartilha do Projeto
CUSTOS
sm 1 Preço por que se
compra uma coisa. 2
Valor em dinheiro. 3
Trabalho com que se
consegue alguma coisa.
4 Dificuldade, esforço.
sm pl Econ Avaliação em
unidades de dinheiro de
todos os bens materiais
e imateriais, trabalho
e serviços consumidos pela empresa
na produção de bens
industriais, bem como
aqueles consumidos na
manutenção de suas
instalações. [...](WEISZFLOG, 2009).
“Gasto relativo a bem
ou serviço utilizado na
produção de outros
bens ou serviços.”
(Martins, 2006, p. 25)
São os gastos realizados
na produção do bem ou
serviço.
Exemplo: investimento
em adubo, semente, água,
palha de arroz e outros.
PREJUÍZO
sm 1 Ato ou efeito de
prejudicar. 2 Dano que
alguém sofreu no seu
patrimônio material ou
moral. 3 Perda de lucro,
certo e positivo, que se
deixou de obter. 4 Juízo
antecipado e irrefletido;
preconceito. 5 Crendice,
superstição. 6 pop
Consumo, em refeição
de grupo: Você paga o
prejuízo (WEISZFLOG,
2009).
“ocorre quando o valor
das receitas é inferior
ao valor das despesas.”
(Neves, 2004, p. 10).
Resultado negativo de
diferença entre a receita
obtida e os gastos feitos
durante a produção.
DESPESA
sf 1 Ação ou efeito de
despender. 2 Aquilo que
se despende. 3 Gasto,
dispêndio. Despesas
gerais: conta da escrituração mercantil em que
se registram todos os
gastos não lançados em
título especial. (WEISZFLOG, 2009).
“Bem ou serviço
consumido direta ou
indiretamente para
obtenção de receitas.”
(Martins, 2006, p. 25)
Gasto com bens e serviços
não utilizados nas atividades produtivas, mas
realizado com objetivo de
obter receita.
sf 1 O total das somas
de dinheiro que uma
pessoa natural ou jurídica recebe dentro de
certo espaço de tempo,
relativamente aos seus
negócios, proventos ou
rendas. 2 Com Resultado
das vendas à vista realizadas em determinado
período financeiro (dia,
mês ou ano). 3 Quantia
recebida. 4 Med Fórmula
que prescreve um medicamento ou indica a
sua composição. 5 Papel
contendo as prescrições
do médico. 6 Fórmula
de qualquer produto industrial ou de preparado
culinário. 7 Indicação
relativa ao modo de
proceder; conselho.
(WEISZFLOG, 2009).
“são entradas de
elemento pra o ativo
da empresa, na forma
de bens ou direitos que
sempre provocam em
aumento da situação
liquida.”
(Neves, 2004, p. 10).
Entrada de dinheiro ou
promessa de recebimento
resultante da venda
de produtos. Exemplo:
dinheiro arrecadado na
venda de produtos na
feira.
sf 1 Ato ou efeito de
perder. 2 Privação de
uma coisa que se possuía. 3 Desaparecimento,
extravio. 4 Fuga de um
líquido ou fluido contido
num recipiente. 5 Dano,
prejuízo. 6 Ruína. 7 Mau
êxito. 8 Mau emprego:
Perda de tempo. 9
Desgraça. 10 Destruição.
11 Diminuição de
quaisquer capacidades
e qualidades (energia,
tensão, velocidade
etc.). 12 Morte: sf pl
Diminuições sofridas
pelo capital originário
(WEISZFLOG, 2009).
“Bem ou serviço
consumido de forma
anormal e involuntária.”
(Martins, 2006, p. 26).
sm 1 Interesse, proveito
que se tira de uma operação comercial, industrial etc. 2 Ganho que
se obtém de qualquer
especulação, depois
de descontadas as
despesas; ganho líquido.
3 Proveito, utilidade,
vantagem. (WEISZFLOG,
2009).
“ocorre quando o valor
das receitas é superior
ao valor das despesas.”
(Neves, 2004, p. 10).
RECEITA
PERDA
LUCRO
Tabela 1: Conceitos do material escrito das oficinas
Fonte: Elaboração dos autores.
Na diagramação final da apostila, esses conceitos
foram apresentados da seguinte forma:
Figura 2: Conceitos Contábeis na Cartilha de Custos
Fonte: Elaboração dos autores.
Gastos não previstos
decorrentes de fatores
externos eventuais ou
da atividade produtiva
normal de empresa.
Resultado positivo da
diferença entre a receita
obtida e os gastos feitos
durante a produção.
Durante as apresentações das oficinas, foi percebido que o material foi bem aceito pelos agricultores
garantindo uma boa referência das informações que
se pretendia transmitir.
4. CONCLUSÃO
Como resultado final, foi produzido um pequeno
manual no qual constaram apenas os conceitos mais
gerais relacionados ao tema proposto – Controle de
Custos – mantendo uma terminologia simples nas
explicações, sem abandonar as especificidades conceituais de cada, além de fazer uma contextualização
a partir da realidade do tipo de produção desses agricultores.
A tarefa de elaborar uma cartilha que visava ensinar conceitos básicos de custos proporcionou aos
acadêmicos a oportunidade de utilizarem seus conhecimentos acadêmicos em um contexto real e prático; e
também de vivenciarem a realidade dos agricultores
que, ao contrário do que se imaginava inicialmente,
não são completos desconhecedores de terminologia
se não contábil, financeira.
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Pensar a elaboração do material escrito foi interessante, pois exigiu constante reflexão a cerca da terminologia contábil e mesmo dos jargões acadêmicos;
exigindo dos alunos que revisitassem os conceitos por
eles estudados de forma que a adequação linguística
não prejudicasse a validade dos conceitos apresentados. Assim, como a possibilidade de aprender termos
e conceitos relacionados à atividade de produção de
hortaliças na área rural de seu município.
Portanto, a realização dessa tarefa exigiu dos estudantes a observação e simplificação dos conceitos
contábeis que desejam trabalhar de modo a garantir a
compreensibilidade por parte dos agricultores. Nesse
processo os alunos reelaboraram a estrutura inicial do
manual a fim de garantir sua maior eficácia na oficina, permitindo que o material mudasse de forma, mas
não de função.
Ao final, apesar de certo grau de incompatibilidade
linguística, a comunicação ocorreu de forma eficiente e proporcionou o sucesso do projeto de extensão
inicialmente proposto e consequente ampliação da
capacidade comunicativa dos alunos que passaram a
fazer uso de novos mecanismos discursivos dentro da
linguagem da Contabilidade de Custos.
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Informações sobre os autores
Pedro Mariano Oliveira Mariano da Silva
Graduando em Ciências Contábeis pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA).
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Sheilane Pereira de Sousa
Acadêmicos do Curso de Ciências Contábeis da
Universidade Federal do Maranhão/ UFMA. Bolsitas
do Projeto de Extensão “Orçamento e controle de custos para micro empreendedores rurais de hortaliças
agroecológicas: uma proposta metodológica de extensão rural”.
Regysane Botelho C Alves
Professora do Curso de Ciências Contábeis da Universidade Federal do Maranhão/ UFMA. Mestre em
Letras pela Pontifícia Universidade Católica d Rio de
Janeiro/ PUC-Rio. Colaboradora do Projeto de Extensão
“Orçamento e controle de custos para micro empreendedores rurais de hortaliças agroecológicas: uma proposta metodológica de extensão rural”.
REVISTA INTERFACES
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Adequação linguística da terminologia contábil em uma