SUZANO ANO 5 ISSN: 2176-5227 Nº 4 ABR. 2013 REVISTA INTERFACES 33 Adequação linguística da terminologia contábil em uma oficina de custos para agricultores rurais: construindo uma cartilha para atividade de extensão Pedro Mariano Oliveira Mariano da Silva Ciências Contábeis pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Sheilane Pereira de Sousa Curso de Ciências Contábeis da Universidade Federal do Maranhão/ UFMA. Regysane Botelho C Alves Curso de Ciências Contábeis da Universidade Federal do Maranhão/ UFMA. Resumo Este artigo é resultado de um projeto de extensão no qual alunos de Ciências Contábeis da Universidade Federal do Maranhão ensinaram práticas de custeio a agricultores rurais de duas cooperativas de produtores de hortaliças agroecológicas da cidade de Imperatriz. O objetivo deste trabalho foi mostrar como as atividades do projeto possibilitaram aos alunos um aprimoramento de sua capacidade comunicativa por meio da adaptação dos termos contábeis ensinados. A metodologia se baseou na observação participativa do processo de organização de um pequeno manual e das oficinas. Também foram aplicados questionários a fim de coletar dados socioeconômicos dos participantes das oficinas. Verificou-se que as atividades desenvolvidas potencializaram o processo de letramento acadêmico desses alunos, uma vez que precisaram melhorar suas práticas comunicativas com vistas a garantir que a informação contábil fosse adequadamente entendida por receptores que apresentavam um repertório linguístico distinto do que é normalmente utilizado nos meios acadêmico e profissional. Palavras Chave: Ciências Contábeis. Linguagem. Custos. Introdução Levando-se em consideração que a capacidade de comunicar informações e conceitos contábeis de forma clara e eficiente é parte integrante do perfil desejado do profissional da Contabilidade. Essa capacidade linguística que poderia ser, em um primeiro momento, considerada algo fora do escopo das práticas contábeis se mostra fundamental uma vez que a Contabilidade tem por função primordial fornecer informações econômicas para diferentes tipos de usuários, de forma que propiciem decisões racionais (IUDÍCIBUS, 2009), ao garantir uma adequada comunicação das informações financeiras de um negócio e/ou entidade. Se o profissional contábil não conseguir, a partir de seu conhecimento específico e de sua capacidade comunicativa, informar de forma clara os seus receptores, a Contabilidade estará desvinculada das necessidades de seus usuários, tonando-se consequentemente estéril e sem qualquer serventia para as organizações (DIAS FILHO, 2000, p.40). É preciso, portanto, que a capacidade comunicativa do contador lhe permita cumprir a função de comunicar adequada- mente as informações financeiras necessárias à boa administração da empresa (DIAS FILHO, 2000, p.41). Para tal é importante dar atenção ao letramento dos futuros contadores lembrando que Letramento deve ser entendido aqui “como o desenvolvimento das habilidades de leitura e escrita no contexto social, visando à inserção do sujeito nas práticas sociais que exigem tais habilidades” (GUEDES; BARBOSA, 2011, p.1) para que sejam profissionais capazes de ler e escrever os mais diversos tipos de textos acadêmicos e profissionais que lhes serão exigidos, bem como ser capazes de escrever quaisquer gêneros que envolvam informações contábeis. No presente artigo buscar-se-á mostrar o desenvolvimento de um projeto de extensão intitulado “Orçamento e controle de custos para micro empreendedores rurais de hortaliças agroecológicas: uma proposta metodológica de extensão rural”, no qual os alunos buscaram ensinar conceitos básicos de Custos a agricultores rurais com vistas a que esses produtores possam controlar e organizar melhor os custos de sua produção, garantindo melhores resultados em sua atividade. 34 REVISTA INTERFACES A metodologia da pesquisa se baseou na observação participativa do processo de organização de um pequeno manual ¬ no qual foram apresentados os conceitos contábeis relacionados a custeio e das oficinas nas quais os alunos instruíram os agricultores sobre a prática do controle de custos de sua produção¬ do projeto de extensão rural, que foi aprovado e está sendo financiado pela Universidade Federal do Maranhão, por meio de bolsas de extensão a alunos de Ciências Contábeis do Centro de Ciências Sociais, da Saúde e da Tecnologia – CCSST, em Imperatriz. A questão que norteou a pesquisa de campo realizada juntamente com os bolsistas do projeto buscava descobrir quais adequações da linguagem contábil seriam necessárias a fim de que tanto o manual quanto as oficinas de custos pudessem ser entendidos por agricultores rurais de cooperativas produtoras de hortaliças agroecológicas em Imperatriz – MA. Os produtores familiares pesquisados fazem parte de duas associações, que iniciaram seu funcionamento no ano de 2008, a Cooperativa “Ouro Verde” e a Cooperativa AMA (Associação Mão Amiga), ambas fornecedoras de hortaliças para o projeto de merenda escolar do CONAB, do governo federal. 1- A compreensibilidade da linguagem contábil A Contabilidade, considerada a “linguagem dos negócios” por vários autores (FONTANA, 2010, p. 5), exige de seus profissionais um bom domínio de sua linguagem e conceitos, de modo que possam gerar informações que sejam claramente compreendidas pelos usuários (receptores). Portanto, é importante levar em consideração os agentes envolvidos no processo: o emissor e o receptor; o contexto no qual ocorre a comunicação; e também o código de comunicação que é utilizado, pois, segundo Vanoye (2003), a comunicação somente ocorre se o emissor e o receptor compartilharem o mesmo repertório linguístico. Para Dias et.al. (2004, p. 45) se “o usuário da mensagem não conseguir interpretá-la, não se pode dizer que tenha ocorrido uma comunicação, pois o ato comunicativo depende do conhecimento de um código capaz de unir o transmissor ao receptor, e sem ele a informação torna-se um ruído sem qualquer valor semântico”. Pelo fato de a Contabilidade apresentar uma linguagem própria, recheada de jargões, que muitas vezes impedem a compreensão de seus conceitos, mesmo os básicos, por pessoas leigas em suas questões podem ocorrer ruídos na comunicação das informações contábeis se não forem tomados os devidos cuidados com o repertório linguísticos dos envolvidos na emissão e recepção das mensagens. SUZANO ANO 5 Nº 4 ABR. 2013 ISSN: 2176-5227 Ainda para essa autora, a linguagem contábil gera ruídos porque usa terminologia contábil inadequada além de expressões e termos em outros idiomas que dificultam a comunicação; mas o autor também defende que a quantidade de informação fornecida, às vezes insuficiente, às vezes em excesso, associada à insuficiente capacidade do receptor em entender as informações contábeis são também ruídos que atingem a comunicação entre os contadores e os usuários de suas informações (DIAS et. al., 2004). Entretanto, não se espera que a Contabilidade abra mão de sua linguagem, uma vez que ela é instrumento necessário para atender as particularidades da ciência contábil (FONTANA, 2010, p. 5), o que precisa acontecer é a preocupação com a elaboração da mensagem que utiliza o código da linguagem contábil para que ela seja compreendida por seu receptor. Nesse processo de elaboração há de se considerar que o Contador deverá, muitas vezes, adaptar a linguagem que utiliza ao receptor e ao contexto da comunicação. E essa adaptação somente ocorrerá sem ocasionar perdas se o profissional da área contábil compreender de forma satisfatória “os signos/termos empregados na área contábil como um dos requisitos necessários para o exercício profissional da função econômica/financeira” (PANHOCA, 2003, p. 1). Moreira e Vasconcelos (2007, p. 7) chamam a atenção para o fato de que a dificuldade de entendimento das informações contábeis pelos usuários normalmente “é confundida com a impraticabilidade das informações contábeis, razão pela qual elas acabam por ser menosprezadas por sujeitos leigos em conhecimento contábil”, cabendo “ao profissional contador se esmerar no sentido de poder obter uma evidenciação contábil adequada a cada usuário, e ainda capacitá-lo para poder interpretá-la” (MOREIRA; VASCONCELOS, 2007, p. 7). Assim, a linguagem técnico-profissional utilizada não deve ser apenas um modo de impressionar o público leigo. Esse uso da linguagem profissional não deve ser feito, uma vez que seu único propósito seria o de demarcar um campo de isolamento entre os profissionais da área e os demais seres humanos. Assim, se desconsiderar a dupla responsabilidade de receptores e emissores das informações contábeis, é indiscutível a grande responsabilidade que o Contabilista tem ao elaborar a mensagem que veiculará a informação contábil pretendida, especialmente no que diz respeito ao correto uso da linguagem (incluindo a necessária adaptação terminológica) e a adequada organização das informações apresentadas; assim, como a responsabilidade de instrumentalizar o seu receptor a compreender as informações contábeis quando isso for imperioso para a correta utilização dos dados contábeis pelos seus usuários. Essa preocupação com a compreensibilidade das informações contábeis não é uma preocupação isola- SUZANO ANO 5 ISSN: 2176-5227 Nº 4 ABR. 2013 da, e ocorre também como um reflexo dos processos de globalização e de desenvolvimento das tecnologias de informação; além de uma maior valoração de práticas que envolvam as responsabilidades social e ambiental, que ampliam significativamente o leque dos usuários tradicionais da contabilidade, causando uma consequente necessidade de adaptação, especialmente comunicativa, tanto do profissional da contabilidade quanto das informações por ele apresentadas. 2. A capacidade de comunicação por meio da linguagem contábil Apoiado na crença de que contadores não precisam apresentar capacidade linguística desenvolvida e apurada, os acadêmicos de Contabilidade, em sua maioria, não se preocupam com a qualidade dos textos orais ou escritos que produzem durante sua formação. Muitos sofrem quando solicitados a elaborarem um resumo, uma resenha ou um relatório. Assim, podemos dizer que esses alunos, como a maioria daqueles que chegam ao nível superior sem a correta preparação para se comunicarem nos moldes dos discursos academicamente produzidos, seriam “analfabetos funcionais”, uma vez que não conseguem utilizar adequadamente do seu código linguístico – no caso o português brasileiro – para se comunicarem dentro da esfera acadêmica e, consequentemente, da sua esfera profissional. Considerando que “o letramento está relacionado ao conjunto de linguagens sociais que identificam práticas sociais, com expressões orais e escritas, e relacionadas a instituições e aos gêneros do discurso que aí se produzem” (GUEDES; BARBOSA, 2009, p. 5), como no caso da Universidade e seus padrões de linguagem para textos científicos e profissionais, há a necessidade de observar o comportamento dos alunos e auxiliálos para que se preparem para que possam comunicar suas ideias de forma adequada ao seu cotidiano acadêmico e profissional. Segundo Guedes e Barbosa (2009, p. 6), Durante sua formação de ensino superior, espera-se que os estudantes universitários adquiram a capacidade de discutir e aplicar conhecimentos teóricos adquiridos ao longo do curso e expor suas ideias sobre determinado tema, de forma convincente. Para tal, o aluno universitário deve utilizar-se do discurso acadêmico e dos gêneros aceitos para uso dentro deste discurso (artigo acadêmico, a resenha, o relatório). Entretanto, muitos alunos demonstram dificuldade na produção de trabalhos escritos, tanto no que se refere à forma do texto quanto à construção de uma linha argumentativa e/ou expositiva REVISTA INTERFACES 35 que possibilite a exposição e discussão clara de teorias, fatos, idéias e posições pessoais. No caso específico da Contabilidade, não há dúvidas de que “a educação para os futuros contadores deveria produzir profissionais que tivessem amplo conjunto de habilidades e conhecimentos” que seriam “divididas em três categorias: habilidade em comunicação, habilidade intelectual e habilidade no relacionamento com as pessoas” (MARION, 2001, p. 14). Esse leque de habilidades é necessário, porque, uma vez que o “contador deve saber comunicar-se com outras áreas da empresa” e com os usuários de todo tipo de organização, ele “não pode ficar com os conhecimentos restritos aos temas contábeis e fiscais” (NASI, 1994, p.05). Nesse sentido, é fundamental ao contador apresenta-se como “um ‘tradutor’ das informações contábeis da organização e não simplesmente como um ‘apurador’ de dados”, pois tão “importante quanto elaborar as informações contábeis é fazer com que os gestores entendam essas informações, ou seja, é preciso adequá-las ao processo de tomada de decisão da organização” (Fahl; Manhani, 2006, p.30). Desse modo, o aluno de graduação não precisa apenas apropriar-se do discurso acadêmico, que lhe permitam uma produção efetiva de gêneros textuais da academia. Ele precisa, sobretudo, utilizar a linguagem como ferramenta de interação social fundamental para seu exercício profissional. Incluindo a capacidade de adequar-se aos mais variados públicos, abrindo mão de sua linguagem profissional e mesma acadêmica a fim de garantir seu sucesso comunicativo. Saber, portanto, alinhar seus conhecimentos profissionais à linguagem que utiliza, bem como fazer uso dos diversos gêneros do discurso que lhe forem necessários garante ao futuro profissional um melhor espaço de interação social e, consequentemente mais e melhores oportunidades de sucesso profissional. 3. Do manual às oficinas de custos Para realizar a proposta de por em prática uma série de quatro oficinas de custo com micro agricultores rurais de associações de produção de hortaliças agroecológicas de Imperatriz, no Maranhão, foi necessário organizar um material de apoio para essas oficinas que pudesse ser eficaz em seu propósito de ensinar conceitos de custos contábeis aos agricultores. Inicialmente, foi feito um breve estudo das características linguísticas do público-alvo, o que foi auxiliado pelo questionário socioeconômico aplicado na primeira visita que foi feita aos agricultores, bem como a observação dos termos por eles empregados, especialmente para se referirem a sua prática produtiva, durantes algumas entrevistas realizadas também 36 REVISTA INTERFACES nessa visita. Essa observação levou em consideração principalmente fatores como o espaço geográfico ocupado pelos envolvidos no projeto; o nível de escolaridade e a média de idade do grupo; e a forma como eles se relacionam com sua atividade produtiva, bem como o tempo que eles se dedicam a ela. Esses fatores foram escolhidos considerando o que apresenta Bortoni-Ricardo (2004, p.47) sobre as questões das comunidades de fala, pois segundo essa autora, independente do tamanho de uma comunidade de fala sempre há variações linguísticas que serão decorrentes de fatores como a faixa etária, o gênero, o status socioeconômico, o grau de escolarização, o mercado de trabalho e a rede social a que cada falante está ligado. Os principais dados encontrados foram que os agricultores são todos moradores da zona rural de Imperatriz, que fica ao sudoeste do Estado do Maranhão, apresentando, portanto, um modo de falar típico da região, compartilhado em certa medida com os alunos também moradores da cidade, mas de sua parte urbana. A maioria dos agricultores participantes dos projetos é do sexo feminino (76,19%), com destaque para o fato de que as duas coordenadoras das associações são mulheres. O grau de escolaridade do grupo pesquisado é bastante baixo, uma vez que apenas 14% deles cursaram o Ensino Médio. Todos os outros ou são analfabetos ou fizeram apenas o Ensino Fundamental I incompleto. A média de idade desses agricultores revelou que a maioria deles se encontra em idade avança, pois 60% dele possuem mais de 50 anos. Muitos deles estão a pouco tempo trabalhando com a produção de hortaliças agroecológicas, 57% deles trabalham a menos de três anos com esse tipo de hortaliça, o que pode justificar o fato de os agricultores não possuírem uma noção clara sobre o que seriam tais hortaliças apenas os coordenadores das associações apresentaram informações mais sistematizadas apenas sabiam que elas são produzidas sem a utilização de agrotóxicos, o que lhes garante uma hortaliça mais saudável. Durante as entrevistas, notou-se que os agricultores não conseguiam distinguir o que seriam as hortaliças agroecológicas daquelas que seriam orgânicas. Além disso, foi notado que a maioria dos agricultores possui pouco conhecimento na área gerencial; mas que uma pequena minoria declarou e mostrou ter experiência linguística na área financeira já adquirida por eles em outros momentos de formação, em especial no SEBRAE. Esses dados mostraram que durante a elaboração do material das oficinas seria preciso se preocupar especificamente com o vocabulário contábil, sem desconsiderar uma simplificação vocabular que garantisse o entendimento da linguagem a ser utilizada. Assim, ao elaborar o manual de apoio ao projeto, incialmente foi apresentada uma breve explicação SUZANO ANO 5 Nº 4 ABR. 2013 ISSN: 2176-5227 gerencial sobre a distinção entre empresa e associação. E após essa informação foi então apresentada a definição do que seria uma cultura de produção agroecológica de hortaliças, como pode ser visto nas ilustrações a seguir: Fonte: Elaboração dos autores. Nos dois momentos, as informações foram escritas de modo a garantir o conhecimento desejado, sem, no entanto, utilizar uma linguagem que fosse obscura para os agricultores. Quanto aos conceitos de custos, como o objetivo era oferecer informações contábeis aos agricultores de modo que eles pudessem compreendê-los a partir de seu repertório linguístico para que pudessem utilizá-los como instrumentos concretos que permitam a esses agricultores o desenvolvimento de uma prática de produção e comercialização mais produtiva e economicamente consciente, buscou-se uma simplificação que não empobrecesse o material a ser oferecido, mas que também não lhes fosse inútil uma vez que não pudesse ser entendido por eles. Nesse trabalho de elaboração da cartilha houve então mais uma questão linguística a ser considerada: o fato de que a linguagem contábil apresenta uma terminologia que, em muitos casos, é semelhante à utilizada na linguagem comum. Assim sendo, os alunos precisaram discutir os conceitos contábeis, já dominados por eles, e também se aprofundarem no escopo de cada conceituação, uma vez que a troca vocabular por termos menos técnicos poderia alterar de forma negativa as informações que se pretendia transmitir durante as oficinas. Abaixo, é apresentada uma tabela com os termos apresentados na cartilha com seus conceitos dados por um dicionário geral da língua portuguesa, a fim de perceber as acepções gerais que essas palavras possuem; as definições dadas por livros de contabilidade; e, finalmente, a forma como cada conceito foi finalmente apresentado no material das oficinas: SUZANO ANO 5 ISSN: 2176-5227 Nº 4 ABR. 2013 REVISTA INTERFACES 37 TITULO Linguagem comum Linguagem contábil Cartilha do Projeto TITULO Linguagem comum Linguagem contábil Cartilha do Projeto CUSTOS sm 1 Preço por que se compra uma coisa. 2 Valor em dinheiro. 3 Trabalho com que se consegue alguma coisa. 4 Dificuldade, esforço. sm pl Econ Avaliação em unidades de dinheiro de todos os bens materiais e imateriais, trabalho e serviços consumidos pela empresa na produção de bens industriais, bem como aqueles consumidos na manutenção de suas instalações. [...](WEISZFLOG, 2009). “Gasto relativo a bem ou serviço utilizado na produção de outros bens ou serviços.” (Martins, 2006, p. 25) São os gastos realizados na produção do bem ou serviço. Exemplo: investimento em adubo, semente, água, palha de arroz e outros. PREJUÍZO sm 1 Ato ou efeito de prejudicar. 2 Dano que alguém sofreu no seu patrimônio material ou moral. 3 Perda de lucro, certo e positivo, que se deixou de obter. 4 Juízo antecipado e irrefletido; preconceito. 5 Crendice, superstição. 6 pop Consumo, em refeição de grupo: Você paga o prejuízo (WEISZFLOG, 2009). “ocorre quando o valor das receitas é inferior ao valor das despesas.” (Neves, 2004, p. 10). Resultado negativo de diferença entre a receita obtida e os gastos feitos durante a produção. DESPESA sf 1 Ação ou efeito de despender. 2 Aquilo que se despende. 3 Gasto, dispêndio. Despesas gerais: conta da escrituração mercantil em que se registram todos os gastos não lançados em título especial. (WEISZFLOG, 2009). “Bem ou serviço consumido direta ou indiretamente para obtenção de receitas.” (Martins, 2006, p. 25) Gasto com bens e serviços não utilizados nas atividades produtivas, mas realizado com objetivo de obter receita. sf 1 O total das somas de dinheiro que uma pessoa natural ou jurídica recebe dentro de certo espaço de tempo, relativamente aos seus negócios, proventos ou rendas. 2 Com Resultado das vendas à vista realizadas em determinado período financeiro (dia, mês ou ano). 3 Quantia recebida. 4 Med Fórmula que prescreve um medicamento ou indica a sua composição. 5 Papel contendo as prescrições do médico. 6 Fórmula de qualquer produto industrial ou de preparado culinário. 7 Indicação relativa ao modo de proceder; conselho. (WEISZFLOG, 2009). “são entradas de elemento pra o ativo da empresa, na forma de bens ou direitos que sempre provocam em aumento da situação liquida.” (Neves, 2004, p. 10). Entrada de dinheiro ou promessa de recebimento resultante da venda de produtos. Exemplo: dinheiro arrecadado na venda de produtos na feira. sf 1 Ato ou efeito de perder. 2 Privação de uma coisa que se possuía. 3 Desaparecimento, extravio. 4 Fuga de um líquido ou fluido contido num recipiente. 5 Dano, prejuízo. 6 Ruína. 7 Mau êxito. 8 Mau emprego: Perda de tempo. 9 Desgraça. 10 Destruição. 11 Diminuição de quaisquer capacidades e qualidades (energia, tensão, velocidade etc.). 12 Morte: sf pl Diminuições sofridas pelo capital originário (WEISZFLOG, 2009). “Bem ou serviço consumido de forma anormal e involuntária.” (Martins, 2006, p. 26). sm 1 Interesse, proveito que se tira de uma operação comercial, industrial etc. 2 Ganho que se obtém de qualquer especulação, depois de descontadas as despesas; ganho líquido. 3 Proveito, utilidade, vantagem. (WEISZFLOG, 2009). “ocorre quando o valor das receitas é superior ao valor das despesas.” (Neves, 2004, p. 10). RECEITA PERDA LUCRO Tabela 1: Conceitos do material escrito das oficinas Fonte: Elaboração dos autores. Na diagramação final da apostila, esses conceitos foram apresentados da seguinte forma: Figura 2: Conceitos Contábeis na Cartilha de Custos Fonte: Elaboração dos autores. Gastos não previstos decorrentes de fatores externos eventuais ou da atividade produtiva normal de empresa. Resultado positivo da diferença entre a receita obtida e os gastos feitos durante a produção. Durante as apresentações das oficinas, foi percebido que o material foi bem aceito pelos agricultores garantindo uma boa referência das informações que se pretendia transmitir. 4. CONCLUSÃO Como resultado final, foi produzido um pequeno manual no qual constaram apenas os conceitos mais gerais relacionados ao tema proposto – Controle de Custos – mantendo uma terminologia simples nas explicações, sem abandonar as especificidades conceituais de cada, além de fazer uma contextualização a partir da realidade do tipo de produção desses agricultores. A tarefa de elaborar uma cartilha que visava ensinar conceitos básicos de custos proporcionou aos acadêmicos a oportunidade de utilizarem seus conhecimentos acadêmicos em um contexto real e prático; e também de vivenciarem a realidade dos agricultores que, ao contrário do que se imaginava inicialmente, não são completos desconhecedores de terminologia se não contábil, financeira. 38 REVISTA INTERFACES Pensar a elaboração do material escrito foi interessante, pois exigiu constante reflexão a cerca da terminologia contábil e mesmo dos jargões acadêmicos; exigindo dos alunos que revisitassem os conceitos por eles estudados de forma que a adequação linguística não prejudicasse a validade dos conceitos apresentados. Assim, como a possibilidade de aprender termos e conceitos relacionados à atividade de produção de hortaliças na área rural de seu município. Portanto, a realização dessa tarefa exigiu dos estudantes a observação e simplificação dos conceitos contábeis que desejam trabalhar de modo a garantir a compreensibilidade por parte dos agricultores. Nesse processo os alunos reelaboraram a estrutura inicial do manual a fim de garantir sua maior eficácia na oficina, permitindo que o material mudasse de forma, mas não de função. Ao final, apesar de certo grau de incompatibilidade linguística, a comunicação ocorreu de forma eficiente e proporcionou o sucesso do projeto de extensão inicialmente proposto e consequente ampliação da capacidade comunicativa dos alunos que passaram a fazer uso de novos mecanismos discursivos dentro da linguagem da Contabilidade de Custos. Referências bibliográficas BORTONI-RICARDO, Stella Maris. Educação em língua materna: a sociolinguística na sala de aula. São Paulo: Parábola Editorial, 2004. DIAS FILHO, José Maria. 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Regysane Botelho C Alves Professora do Curso de Ciências Contábeis da Universidade Federal do Maranhão/ UFMA. Mestre em Letras pela Pontifícia Universidade Católica d Rio de Janeiro/ PUC-Rio. Colaboradora do Projeto de Extensão “Orçamento e controle de custos para micro empreendedores rurais de hortaliças agroecológicas: uma proposta metodológica de extensão rural”. REVISTA INTERFACES 39