A UTILIZAÇÃO DO COACHING COMO PROCESSO DE ENSINO-APRENDIZAGEM NA EDUCAÇÃO DE NÍVEL SUPERIOR Ivo Giordano Portela Correia1 Resumo Diante das dificuldades diárias dos pedagogos e os desafios que mudam a cada instante nos ambientes acadêmicos e no o papel do docente em sala de aula, este artigo têm por finalidade apresentar como o processo de coaching e suas ferramentas apoiam o docente na atuação como coach de seus alunos em também como aplicar o processo em sala de aula nas instituições de ensino superior. Abordando o conceito de aprendizagem e seus teóricos, o processo de coaching, suas ferramentas e a postura do docente enquanto coach de seus alunos. Palavras-chave: aprendizagem, coaching, professor, ferramentas, ensino Abstract Beyond daily difficulties of teacher and academic challenges that changes all the moment at academic environment and within teacher role at classroom, this article intend to show an overview of coaching process and its tools that should help teachers to act as a coach of his students and also how to apply coaching process at classroom and university institutions. Approaching a learning concept and its mentors, coaching process, its tools and teachers role as a coach of its students. Keyword: learning, coaching, teacher, tools, teaching INTRODUÇÃO Os docentes de entidades de ensino superior enfrentam diariamente o desafio de proporcionar ao aprendizado ao alunos só que com a evolução das tecnologias de comunicação, os elementos de distração no ambiente de aprendizado e o acesso a informações tem tornado cada vez mais desafiador o alcance dos objetivos de aprendizado desejados. Assim o professor encontra desafios cada vez maiores no exercício de apoio no processo de ensino e aprendizado. Paralelo a isto o aprendizado tem sido tema explorado nas organizações chegando a ser utilizado o termo de “organizações que apreendem”. Isso vem proporcionando novos enfoques ao processo de aprendizado e a preocupação em como alcançar resultados de aprendizado dentro das organizações. 1 Pós-graduado Latu Sensu em Magistério Superior pelo Centro de Ensino Universitário do Maranhão, bacharel em Ciências da Computação pela Universidade Federal do Maranhão, bacharel em Administração pela Faculdade Atenas Maranhense e cursa MBA em Gestão de Projetos na Fundação Getúlio Vargas. Têm formação como Master Coach pelo Instituto Brasileiro de Coaching com certificações Internacionais pelo Metaforum International, European Coaching Association e Global Coaching Comunity. 2 Em busca de soluções e métodos para auxilio das organizações e desenvolvimento de seus lideres surge no contexto um processo denominado de Coaching, tal processo constitui em técnicas e ferramentas que auxiliam as empresas a alcançarem seus objetivos sempre com foco no estado desejado ou estado futuro, fazendo com que os reveses ou falhas durante o processo se transformem em aprendizado sem que isso seja entrave para alcance do objetivo estipulado. Este estudo entende os desafios dos docentes no processo de ensino e aprendizado e diante da nova temática do processo coaching estabelece um entendimento de como as ferramentas utilizada no processo citado podem fornecer apoio aos docentes diante dos desafios diários da sala de aula em instituições de ensino superior e de como tais ferramentas ao serem aplicadas podem surtir grande efeito, desde o entendimento dos comportamentos dos alunos, as necessidades básicas a serem atendidas e seus perfis de aprendizados como perfis visuais, auditivos, sinestésicos e digitais. Considera-se que a temática sobre aprendizado e os desafio do pedagogo sejam uma temática atual e a proposta de buscar ferramentas dentro de um processo de coaching para acelerar os resultados do processo de aprendizado e fornecer apoio ao docente sendo considerado fator de relevante importância cientifica. 1. APRENDIZADO O processo de aprendizado é caracterizado como a forma ou modo que os seres adquirem novos conhecimento, modificam seus comportamentos, desenvolvem e aprimoram seus conhecimentos. A aprendizagem vem sendo sistematizada e aprimorada ao longo do tempo desde as mais remotas épocas. Algumas correntes definem a aprendizagem como um processo integrado que provoca mudança de forma qualitativa na estrutura mental de quem aprende. Isso pode ocasionar mudança na postura e conduta do individuo de forma que pode-se abordar a aprendizagem a partir de três perspectivas sendo elas: a Cognitiva, a Comportamental e a Humanística. O termo aprendizagem é uma expressão cientifica baseada em observações de comportamento em situações repetidas. Se observarmos atletas no inicio de sua carreira e, novamente, anos depois, notaremos uma diferença no desempenho e inferiremos que a diferença é devida à aprendizagem. (PETERSON, 1981, p. 6) 3 Entre essas perspectivas, certos teóricos e pesquisadores são destaques em cada uma delas. Assim nas perspectivas cognitivas destacam-se: Piaget, Vygosky, Bruner. Na perspectiva comportamental tem-se Pavlov e Skinner e na humanista Rogers. A aprendizagem Cognitiva tem Piaget como destaque considerando o uso de estruturas cognitivas. Considerando que a aprendizagem se conduz através de troca levando sua teoria a ser conhecida como construtivista. Piaget considera que o comportamento humano não é inato, nem resultado de condicionamento. Mas sim que a interação do sujeito como objeto proporciona o desenvolver e até remodelagem das estruturas cognitivas. Piaget delineou uma teoria do desenvolvimento cognitivo na qual os indivíduos progridem ao longo de uma sequência de estágios invariáveis, cada qual refletindo formas mais sofisticadas de pensamento, e salientou a interação entre o nível de amadurecimento de um individuo e o meio no qual este individuo constrói ativamente o conhecimento. BENTHAM (2006, p 35) Vygotsky considera que a construção do conhecimento tem haver com as relações entre o pensamento e a linguagem. A aprendizagem se desenvolve a partir de uma troca entre suas informações genéticas e o contato com atividade que o sujeito realiza. Isso proporciona a criação de estrutura formais da mente. Com Vygotsky o conhecimento tem a inclusão de um adulto no papel de especialista ou mesmo um mentor. Ele considera que além do uso da linguagem para o desenvolvimento os adultos mais experientes tem papel relevante no processo cognitivo de aprendizagem. Da forma como vejo, nenhuma teoria de aprendizagem é completa sem uma teoria de mecanismo – uma elaboração detalhada do processo pelo qual a aprendizagem ocorre. Qualquer que seja o mecanismo proposto ele deve [...] se aplicar a uma ampla série de formas nas quais a aprendizagem ocorre[...]. Mizukami(2002 p. 159) apud Schoenfeld Outra perspectiva da aprendizagem é a behaviorista, nesta abordagem considerada uma das mais antigas abordagem cientifica relacionada a aprendizagem considera que o aprendizado pode ser observado por meio do comportamento. Esta teoria de aprendizagem considera a relação entre os estímulos e repostas oferecidas a eles. Entre teóricos dessa vertente está: Watson, Pavlov e Skinner. Pavlov através de pesquisa com animais identificou que de acordo com o estimulo oferecido havia uma reposta e que com o tempo era perceptível repostas idênticas aos mesmos estímulos. Skinner aprimorando ainda mais as pesquisas de Pavlov tratou o 4 aprendizado como um condicionamento e defendeu que de acordo com o reforço dado para cada resposta a uma reação a condiciona para que esta ocorra com maior frequência. Skinner acreditava que o comportamento é controlado por contingências ambientais – ou seja, a probabilidade de que uma pessoa repita uma certa unidade de comportamento no futuro dependeria das consequências da manifestação desse comportamento no passo. O reforço aumentaria a probabilidade de repetição do comportamento, enquanto a punição diminuiria a probabilidade de repetição do comportamento. BENTHAM (2006, p 42) Outra abordagem para a aprendizagem é a humanista que tem Rogers como um de seus principais fundadores. Esta abordagem se diz totalmente contraria ao behaviorismo, pois enquanto este trata dos comportamentos humanos observáveis, aquele considera o individuo um ser único e leva em consideração as características internas que não podem ser observadas. Assim, Rogers recomenda mudar o foco do “ensino” para a “facilitação da aprendizagem”. Em outras palavras, não se preocupar tanto com que coisas o aluno precisa aprender, com o que vamos ensinar, com aquilo que deve cobrir um curso dado, etc. Mas, sim, com como, porque e quando aprendem os alunos, como se vive e se sente a aprendizagem, e quais as suas consequências sobre a vida do aluno. (BORDENAVE e PEREIRA, 1989, p 48) 1.1 O papel do docente na aprendizagem As tecnologias e a disseminação cada vez mais rápida de informações e conteúdos provoca o docente a aprimorar cada vez mais suas competências básicas para o exercício de seu papel no processo de ensino-aprendizagem. Aprender a ensinar é um processo que continua ao logo da carreira docente e que, não obstante a qualidade do que fizemos nos nossos programas de formação de professores, na melhor das hipóteses só poderemos preparar os professores a começar a ensinar. (Mizukami apud Zeichner, 2002, p22) Esses desafios ocorrem por vezes no ambiente acadêmico entre seus pares e do docente a expectativa é de que todas as habilidades que se adquire com o tempo nunca são satisfatórias. Assim MIZUKAMI (2002) apud TORRES afirma que dentre as características desejadas em ‘novos docentes’ ou ‘docente eficaz’ é que o mesmo seja polivalente, profissional competente, agente de mudança, prático reflexivo, professor investigador, intelectual critico ou intelectual transformador e que: 5 Provoque e facilite a aprendizagem, assumindo sua missão em fazer com que os alunos aprendam. Desenvolva uma pedagogia ativa baseada no dialogo e vinculação entre teoria e prática Detecte oportunamente problema de variadas dimensões em seus alunos e os auxilie a enfrenta-los buscando soluções para cada caso. Aceite-se como eternos aprendiz e seja o líder da aprendizagem estando sempre atualizado dentro da sua área de conhecimento. Seja percebido pelos alunos ao mesmo tempo como amigo e modelo de quem os escuta e os ajuda a desenvolverem. Estas entre outras características foram relacionadas por TORRES com base em autores e obras de debates educacionais. 2. O PROCESSO DE COACHING Os termos coach, coaching e coachee são neologismos, ou seja, suas traduções não correspondem ao que realmente significam. Assim a termo coach está relacionado a um profissional que acompanha, apoia e presta suporte as outras pessoas conduzindo este a uma percepção própria de si e de seus próprios resultados. Esta outra pessoa que tem o suporte do coach é chamada de coachee. E o termo coaching corresponde ao processo de atuação de um coach junto a um coachee. O coach é um processo de aceleração de metas e objetivos e ocorre por meio de uma parceria entre o coachee e o coach em busca de uma meta pré-estabelecida pelo coachee. Para TING e SCISCO ( 2006 p 43) O processo de Coaching, no final das contas, diz respeito à facilitação da aprendizagem, da mudança e do crescimento. Segundo THORNE (2004), o coach tem papeis de: Construir um ambiente positivo de interação; Fazer perguntas que conduza à análise das necessidades do coachee; Utilizar perguntas abertas para investigação Dar enfoque às necessidade do coachee; Oferecer sugestões que ampliem as visões expressas pelo coachee; Escutar ativamente; Procurar, estimular o surgimento de ideias e potencializá-las; Dar feedback; Acordar planos de ação para desenvolvimento do coachee; Monitorar o desempenho das ações planejadas 6 Dar apoio e suporte contínuo; Enfatizar a melhoria de desempenho na função atualmente exercida pelo coachee; Auxiliar o coachee a aumentar seu desempenho para alcance dos padrões requeridos; Enfatizar o presente. Di Steéfano (2005 p.156) apresenta o conceito de professor coach dentro do conceito de teaching organization ( organização que ensina) aplicado a o ponto de vista ensinável com objetivo de gerar alinhamento com novo lideres 2.1 Pilares do Coaching Para o Instituto Brasileiro de Coaching – IBC são pilares do coaching: O ser humano, metodologias, técnicas e ferramentas e competências do profissional de coaching. 2.1.1 Ser Humano O ser humano é o principal envolvido em um processo de coaching, assim um Coach deve entender e se especializar continuamente em tudo que se refere a seres humanos e processos comportamentais de mudança. É função do coach também entender as interações corpo e mente posicionamentos psicológicos e perfis humanos com o intuito de obter o máximo de efetividade no exercer de sua função. E principalmente faz parte do grupo de seres humanos que busca constantemente por melhoria, evolução, aprendizagem, automotivação e auto transformação, se tornando um exemplo e modelo de excelência. 2.1.2 Metodologias Um processo de desenvolvimento e busca por resultados se baseia em metodologias conhecidas. A palavra Metodologia tem origem do grego e representa “conhecimento do caminho” isso quer dizer que o processo de coaching se baseia em experiências de sucesso já consagradas e isso permite efetivo no alcance dos objetivos propostos e surgimento também de novos métodos para solução de problemas. O coaching está baseado em metodologias, processos e pensamento sistêmico. O coaching é muito mais que efetivo se embasado em modelagem de pessoas de sucesso, modelos de excelência. (Instituto Brasileiro de Coaching, 2011) 7 2.1.3 Técnicas e Ferramentas O Coaching é suportado por técnicas e ferramentas que potencializem os resultados dos clientes de forma efetiva e profissional Um bom Coach procura está sempre atualizado através de treinamentos, leituras, trocas de experiências para alcance de resultados com as tecnologias disponíveis. 2.1.4 Competências Para que o sucesso de Coaching funcione, o profissional Coach deve desenvolver perfis, habilidades e competências como planejamento, comunicação, motivação, transformação, visão sistêmica, transformação ética e de caráter. As competências permite a diferenciação entre os diversos tipos de profissionais, muitos podem ter as mesmas técnicas e ferramentas, no entanto as competências e experiências de vida proporcionam a diversificação e diferenciação profissional entre os coaches. 2.2 Ferramentas coaching Para o Instituto Brasileiro de Coaching – IBC o coaching tem como princípios: Ausência de Julgamento, Foco no futuro, Ação/Tarefas, Confidencialidade e Ética. Dentro do principio do não julgamento associado a relação docente-discente devemos verificar que o docente deve praticar o não julgamento quanto aos alunos sobre seus conhecimentos, bloqueios e vontade. Todos os seres humanos fazem parte de sistemas e acabam por adotar lentes que a partir do momento em estas são aplicadas sobre fatos e eventos realizado por pessoas podem gerar uma distração e falsa compreensão dos indivíduos por fazerem ser vistos através de associações a uma perspectiva própria do observador. Assim a proposição da utilização da ferramenta chamada rapport que representar pôr-se no lugar da pessoa observada e estabelecer empatia. O rapport é a criação de um relacionamento com os treinandos e entre eles. Sem isso, os treinandos poderiam ler sozinhos as apostilas. Simplificando, o rapport é a habilidade para influenciar, e a receptividade para ser influenciado, em muitos níveis diferentes. O’CONNOR ( 1996, p 132) Este estabelecimento de empatia pode-se caracterizar ao espelhamento das atitudes da pessoa para conquista da sua confiança. Uma sala de aula agitada não pode 8 conseguir ter uma conexão com um discente apático nem uma turma apática e analista pode ter boa relação com um discente enérgico e positivo. Na verdade esta relação pode ocorrer de forma perfeitamente sinérgica, cabe ao docente exercer a maestria de conduzir os alunos após o estabelecimento deste rapport. O alinhamento do docente com a sensação do discente o permite ter mobilidade e confiança junto ao grupo, assim após estabelecimento de relação com sala de aula agitada é possível conduzir a sala a quietude para obter estado desejado propicio a assimilação de conteúdos. “Nos experimentos nós observamos a lembrança de coisas que geralmente não são retidas na mente de uma pessoa normal, coisas das quais ela não é consciente, mas que existem e exercem um efeito” (Lozanov, 1978, p. 12). A teoria de aprendizagem acelerada de Lozanov trata com clareza a condução e introdução de conhecimento em nível neurológico a partir da variação e ritmo de ensino. Em seu método o auxilio de estímulos auditivos permitia melhor assimilação do conteúdo. De acordo com Lozanov, a sugestão está presente em todas as áreas da vida, sendo um fator constante, consciente ou inconsciente, na comunicação. A aplicação da sugestopedia no ensino deu origem ao termo Aprendizagem Acelerada, pelo fato de permitir a absorção de grande quantidade de material de ensino em pequenos períodos de tempo.(JUNQUEIRA E MARCONDES, 2012) O foco no futuro é o estado desejado pelo plano de aula e plano da disciplina. Qual o objetivo ao final da disciplina ou da aula. A definição clara e o acordo entre docente e discente quanto ao estado desejado pode auxiliar a clara intenção de cooperação entre as partes para atingir este objetivo. Muitas vezes o docente perde em distrações e assuntos atraentes não conseguindo manter o foco no objetivo e assim pode perder a conexão e confiança estabelecida em turma quanto ao estado desejado. 2.2.1 Feedback / Criticas Construtivas As críticas construtivas que tem o termo americanizado de Feedback que é utilizado no mundo empresarial e de negócios consistem no retorno ou resposta por uma comunicação que ocorreu anteriormente que será o estimulo para que ocorra o feedback. Criticar é parte integrante da comunicação efetiva, isto é, daquela que pressupõe um locutor e um interlocutor. A crítica é ligação entre as coisas que você faz e diz e a compreensão do impacto que as mesmas exercem sobre as outras pessoas”. BEE (2000 p 9) 9 O Feedback é uma técnica de prover o agente, a pessoa que toma a atitude a entender o resultado de tal atitude de outros pontos de vista que não apenas do dele. Dentro do aspecto pedagógico um docente ao preparar um plano de aula e reunir os alunos no ambiente de aprendizado que pode ser uma sala de aula, passa a ter todos os ingredientes para o sucesso de seu plano que deve ser transferir conhecimento e provocar o aprendizado no outro lado da relação. No entanto somente ter os ingredientes e as atitudes não garantem o bom desempenho do professor e nem dos alunos. Desta forma o estabelecimento de uma técnica de feedback pode ser útil para ambos participes no processo de ensino-aprendizado. O feedback pode ser do tipo positivo e negativo todo feedback deveria partir do pressuposto que toda ação deveria ter a intenção boa, positiva. No entanto um feedback negativo sobre algo que não ocorreu ou que os resultados foram contrários ao esperado de acordo com a forma com que é comunicado pode ser desastroso. Da mesma forma como a ausência de um feedback positivo para que uma atitude ou comportamento persista também se faz necessário. Muitas avaliações de estudo não atendem as funções avaliativas reais dos alunos ou do aprendizado destes uma vez que um conjunto de fatores influenciam no resultado além de limitar a perspectiva de analise do rendimento do aluno pelo docente. Por outro lado quando o docente apenas se limita a pontuar uma avaliação sem fornecer feedback habilidoso sobre aquele resultado deixa de utilizar uma grande oportunidade de agir construtivamente dentro de seu papel de educador. Assim no processo de coaching todo feedback deve ser precedido com algum elogio verdadeiro reconhecendo o comportamento do educando isso favorece a receptividade para uma critica negativa que deve ser apresentada e por fim um novo elogio reconhecendo o caráter da pessoa em ser positiva em relação aos seus resultados. Este pequeno roteiro é uma das melhores forma de criar um bom feedback e uma critica construtiva baseada em um feedback negativo. 2.2.3 Patrocínio positivo O processo coach é também um processo de empoderamento do ser humano através de técnicas de feedback positivo e incentivo a aprendizagem através da experimentação. 10 No processo ocorre a definição de atividades e missões combinadas entre os participantes do processo com a intensão de atingir um objetivo ou parte dele. Nas sessões que seguem ocorre o acompanhamento da atividade definida anteriormente e é objetivo o resultado do que pode ter sido relacionado ao sucesso ou fracasso da iniciativa. Neste papel de incentivo o docente pode assumir a postura de não punir já característica da avaliação da forma como é vista do ponto de vista do discente. Ao contrário o docente deve partir como motivador e se mostrar como alguém que acredita no potencial dos alunos evitando a todo custo a censura do aluno de forma que consiga conquistar a turma através de um convite a criação colaborativa uma vez que a universidade é o ambiente do desenvolvimento científico este convite é ideal ao desenvolver de novas teorias e produção de ciência. O empoderamento do aluno pode ocorrer em vários momentos durante a aula podendo ocorrer quando o docente sugere aos alunos o tanto que eles são sobredotados de qualidades e o quão importante é o papel deles no ambiente acadêmico e no desempenho da aula. Isso lhes eleva a autoestima e favorece um ambiente mais calmo e propicio ao desenvolvimento e continuidade da aprendizagem. O tema tem ligação profunda com a psicologia positiva que tem interesse na apreciação do potencial, motivação e capacidades humanas e que por fim tem como alvo o alcance da felicidade humana. Essa postura do docente em geral tem por objetivo o controle da audiência em sala de aula e a atração da atenção de aluno neste. 2.2.4 Sistemas representativos O docente com alto conhecimento da turma pode ter melhor aceitação e trabalhar de forma mais adequada a cada situação. Dentro dos sistemas podemos encontrar quatro perfis, são eles: Digital, Auditivo, Visual e Sinestésico. Lembrando que a pessoa apresenta os 4 (quatro) perfis, no entanto o mais predominante se destaca obedecendo uma sequencia de participação que varia de pessoa para pessoa. Para O’CONNOR (1996, p 152) as pessoas preferem receber informações por meio de diferentes canais sensoriais. Algumas gostam de ver a matéria e podem ser satisfeitas com demonstrações folhetos, vídeos, filmes, etc. Outras são mais auditivas e 11 gostam de ouvir o conteúdo, sendo adequadas a estas o discurso com perguntas e respostas. O sistema do tipo digital preserva e valoriza o dialogo interno, uma conversa consigo mesmo. Ele interioriza o conhecimento através da mentalização de um dialogo com ele mesmo. O sistema do tipo Visual é focado em imagens representações e gráficos que são facilmente capturados e fotografados facilitando a percepção. O auditivo preserva a comunicação oral tem facilidade em escutar e a recepção de informações é maior através da audição. O sinestésico trabalha bem com emoções tem forte intenção tátil de toque e apego, facilmente tem interesse em tocar objetos e assimilação pelo concreto, as emoções e demonstrações destas auxiliam no seu processo de percepção. No aspecto de trabalho com pessoas de percepção sinestésica pode ser considerada a técnica de oratória de inflexão da voz que permite a transmissão de emoções ao falar. “As pessoas sinestésicas precisam fazer exercícios e desempenhar papeis. Elas aprendem fazendo e, talvez, se movimentem bastante.” (O’CONNOR 1996, p 152) 2.2.5 Recapitulação A comunicação em sala de aula e a postura do docente quanto a relação dele com os alunos permite que haja uma reciproca troca de perguntas e informações. A técnica de recapitulação permite o avançar em profundidade no conteúdo e na real necessidade de aprendizado do aluno ao realizar a pergunta. Neste aspecto ela tem o papel de estabelecer uma comunicação eficiente, gerar receptividade e dar feedback, a certeza de estar sendo ouvido e de ter importância na participação do aprendizado coletivo. A recapitulação é fundamental também para encerrar o ciclo de aprendizado proposta pelo plano de aula trabalhando com ciclo duplo de aprendizado. “Um bom encerramento recapitulará a matéria, ajudando os treinandos a separar as informações mais importantes” (O’CONNOR, 1996 p 190) Quando tratamos da recapitulação em termos de encerrar ciclo não impede que a mesma seja aplicada repetidamente na abertura de uma nova aula trazendo a clareza do 12 conteúdo abordado anteriormente e proporcionando ligação/continuidade no processo e avançar dos conteúdos propostos para a disciplina. 2.2.6 Tarefas Aprendizado esta relacionado com a informação que é assimilada e provoca transformação de comportamento. Desta forma o que pode haver de mais concreto para a realização da aprendizagem é a definição de tarefas para que possa ocorrer a fixação dos conteúdos. O termo tarefa por si, trás consigo uma ideia de trabalho e pode se utilizar a nomenclatura de atividade que permite maior aceitação por parte dos alunos. Ao professor é importante dar ao aluno certo poder de decisão dentro de um grupo de opções de atividade para que ele possa transitar entre elas e executar a que achar mais simbólica para ele. Isso mostra que o discente participa das decisões e que ele possa fazer escolhas que considerem melhor. Uma tarefa é uma atribuição que visa auxiliar uma pessoa a atingir seu objetivo e proporcionar uma nova aprendizagem. Naturalmente, qualquer pessoa pode recusar-se a realizar uma tarefa. A tarefa pode ser realizada fora da sala de treinamento. O’CONNOR ( 1996, p 84) Assim como devem ser oferecidas opções também deve haver clareza e especificidade no que deve ser o produto da atividade proposta para não haver desentendimento. Como a oferta de varias opções se o grupo for coeso dentro da escolha de uma tarefa pode ser utilizada uma escala de comprometimento do aluno junto a tarefa escolhida para selar um compromisso consigo mesmo. 3. CONCLUSÃO O presente estudo abordou o surgimento das corrente teóricas que tratam do processo de aprendizagem e junto a elas propõe a utilização de uma moderna tecnologia como o processo de coach. Em seu desenvolver é apresentado conceitos sobre o processo de coaching, assim como ferramentas que podem ser de grande utilidade para os docentes aprimorarem suas habilidades junto a condução dos discentes por um processo de aprendizado. A proposta é que os docentes possam apoiar seus alunos assumindo um papel de coach no auxilio a construção de conhecimento e aprendizado. 13 BIBLIOGRAFIA BEE, Roland; BEE, Frances. Feedback. Tradução de Maria Cristina Fioratti Florez — São Paulo: Nobel, 2000. BENTHAM , Susan. Psicologia e Educação. Tradução de Luciana Moreira Pudenzi. São Paulo: Loyola, 2006 BORDENAVE, Juan Díaz; PEREIRA, Adair Martins.Estratégias de EnsinoAprendizagem. 11 edição. São Paulo: Editora Vozes, 1989 CORREIA, Ivo G. Portela. Ferramentas de um Master Coach. In: MATTEU, Douglas; SITA, Mauricio (Org.). Master Coach – O segredo dos mestres. São Paulo: Editora Ser Mais, 2011. p 201-207. DI STÉFANO, Rhandy. O líder-Coach: Lideres criando líderes. Rio de janeiro: Ed. Qualitymark, 2005. FRANÇA, Sulivan, ROMA, Andréia (Org.). Leader Coach – Um guia prático para gestão de pessoas. São Paulo: Editora França, 2011 GRINGS, Venice T. Principais teorias da Aprendizagem. Disponível em < http://w3.ufsm.br/ciclus/images/Teorias.pdf> Acesso em 16/09/2012. INSTITUTO BRASILEIRO DE COACHING (Brasil). Formação Professional and Self Coach. Goiânia, 2011. ___________ . Formação Business and Executive Coach. Goiânia, 2011. ___________ . Formação Master Coach. Goiânia, 2011. JUNQUEIRA, Luís; MARCONDES, Michelle. Aprendizagem e inovação no contexto educacional: a abordagem da Aprendizagem Acelerada do Dr. Georgi Lozanov. Disponível em < http://www.efdeportes.com/efd170/a-aprendizagemacelerada-do-lozanov.htm> acesso em 23/10/2012 LOZANOV, G. Suggestology and Outlines of Suggestopedy. Philadelphia: Gordon and Breach Science Publishers, 1978. MIZUKAMI, Maria da Graça Nicoletti, et al. Escola e aprendizagem da docência: processos de investigação e formação. – São Carlos: Edufscar, 2002. MOREIRA, Marco Antônio. Teorias de Aprendizagem. São Paulo: EPU, 1999. O’CONNOR , Joseph. Treinando com PNL: recursos para administradores, instrutores e comunicadores. São Paulo : Summulus, 1996. PETERSON, R Lloyd. Aprendizagem. São Paulo : Editora Cultrix, 1981 SITA, Mauricio ; MARQUES, José Roberto; MATTEU, Douglas (org). Master Coaching – O segredo dos mestres. São Paulo: Editora Ser Mais, 2012. 14 SITA, Mauricio, PERSIA André (org). Manual do Coaching – Grandes especialistas apresentam estudos e métodos para a excelência na prática de suas técnicas. São Paulo: Editora Ser Mais, 2011 TING, S. Scisco, P. The center for creative leadership handbook of coaching. San Francisco: Jossey-Bass, 2006. ZEFERINO, Angélica Maria Bicudo; DOMINGUES, Rosângela Curvo Leite; AMARAL, Eliana. Feedback como estratégia de aprendizado no ensino médico. (2007) disponível em <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S010055022007000200009> acesso em 19/01/2012