1880 ESTUDO 57: MINERAÇÃO Pesquisador Paulo von Krüger Coordenador Emílio Lébre La Rovere 1881 SUMÁRIO INTRODUÇÃO 1 PARTE 1 – DIAGNÓSTICO SOCIOECONÔMICO E AMBIENTAL 3 Descrição do Setor 3 Principais Etapas do Processo Produtivo 10 Informações Gerais 14 Principais Impactos ambientais 15 Impactos Potenciais Ciclo de Vida Diagnóstico ambiental 18 Principais Impactos sociais 24 Indicadores socioeconômicos e ambientais 29 Diagnóstico do Quadro Institucional e Legal 31 Estrutura de Financiamento 31 Qualidade de vida 39 Legislação aplicada 50 Perspectivas 55 PARTE 2 – POLÍTICAS E MELHORES PRÁTICAS 55 Melhores Práticas Nacionais 55 Ações desejáveis/aspectos favoráveis 56 Lições Aprendidas 56 PARTE 3 – TENDÊNCIAS E DESAFIOS PARA O SETOR Inovações Tecnológicas 57 57 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES 58 BIBLIOGRAFIA 59 1882 INTRODUÇÃO A atividade mineração tem peculiaridades que a diferenciam das demais atividades, industriais ou não, o que faz com que a sua abordagem seja diferenciada das demais. No seguimento, são relacionados e caracterizados aqueles fatores, que são o balizamento para a análise do setor. A mineração é uma atividade básica, que trabalha com recursos naturais não renováveis. Como tal, é o ponto de partida de cadeias industriais de vários segmentos. Assim sendo, os produtos, minérios e concentrados precisam ter custos compatíveis com o valor do produto final. Com isto, freqüentemente só é possível trabalhar de maneira econômica (com materiais de baixo valor agregado), se forem manuseados grandes volumes. Como exemplos típicos desta condição, pode-se citar as lavras de minério de ferro e de bauxita. Em sendo uma atividade extrativa, ela trabalha com bens existentes na natureza, o que implica em buscá-los onde eles estiverem. Decorre daí o fato que à medida que os depósitos em locais mais povoados e dotados de melhor infra-estrutura são mais conhecidos e consumidos, a probabilidade de encontrar novos depósitos minerais se desloca cada vez mais para as regiões remotas e pouco habitadas. De um modo geral, estas regiões se caracterizam pela presença de pequenas comunidades com atividade agro-pastoril de subsistência e infra-estrutura precária. Dessa forma, faz-se necessário compreender a influência de projetos de extração mineral de grande e médio portes nos processo de formação das cidades em seu entorno, bem como o potencial de atratividade que estes empreendimentos representam para a região para esse momento. Como atividade econômica, o valor agregado ao produto deve pagar todos os custos de lavra e processamento e ainda trazer lucro e, como em qualquer empreendimento, a gestão técnica e econômica deve ser criteriosa, particularmente no caso da extração e beneficiamento de materiais de valor agregado muito baixo, como é o caso de material para construção civil. 1883 Como já mencionado, a mineração trabalha com recursos naturais não renováveis. Assim, a explotação dos recursos minerais envolve um conteúdo ético numa intensidade comparativamente maior que nas demais atividades econômicas. Isto requer a avaliação correta do depósito, objetivando a minimização das perdas e o máximo rendimento de extração do minério nele contido com a recuperação ótima dos valores contidos no minério lavrado. Assim, o conceito de desenvolvimento sustentável deve ser um paradigma de uma atividade mineira. Pelas suas características, a mineração e o tratamento de minérios competem com as outras atividades econômicas e sociais pelo solo, pelas águas e pelo ar, do que resulta em uma responsabilidade ambiental/social muito grande. Em outras palavras, a preocupação de minimizar o impacto ecológico de um projeto de mineração é intrínseca a qualquer trabalho de engenharia de minas, que se baseará numa correta caracterização geológica da jazida. Quando praticada em locais remotos ou inserido em sistemas ambientalmente frágeis, cuidados adicionais devem ser tomados para preservar o meio ambiente. Inevitavelmente a mineração é uma atividade transitória, cuja duração depende do volume do depósito, da taxa de extração e do planejamento da lavra. Esgotadas as reservas, ou se muda de local de trabalho ou se encerram as atividades. Ao fim da vida do empreendimento, todas as providências devem ser tomadas visando a reparação do dano ambiental incorrido, caso tal prática não tenha sido possível ao longo da vida da mina. Tanto a preocupação com a descoberta de novos recursos, quanto a minimização do teor de corte (máximo aproveitamento do recurso mineral) e ainda os cuidados indispensáveis com o correto fechamento da mina, são conceitos que foram apropriados pelo Desenvolvimento Sustentável. Do ponto de vista social é importante conhecer a relação de dependência econômica da comunidade, tanto no período de operação, quanto por ocasião do encerramento das atividades de extração mineral, partindo-se da hipótese de que a comunidade não está previamente preparada para o último. Finalmente, a mineração é singular para cada depósito mineral. Com efeito, o que moldou e desenvolveu as jazidas foram processos geológicos naturais que, portanto definem as características com que se apresentam. Cada jazida tem as suas características próprias, diferentes de lugar para lugar. Muitas vezes, características como teor, distribuição granulométrica e teores de contaminantes variam de local para 1884 local dentro do mesmo jazimento. Igualmente relevantes são as condições sócioeconômicas pré-existentes nas micro e macro-regiões dentro da área de influência das jazidas. Por isto, cada mina exige um projeto próprio e cada minério, o seu circuito de beneficiamento. Nenhuma instalação pode ser meramente transferida de um lugar para outro, por mais bem sucedida que tenha sido. A tecnologia mineral tem que ser desenvolvida em cada local e por pessoas que conheçam a cultura e os recursos da indústria/sociedade local. A mera importação de projetos ou de tecnologias, por mais bem sucedidos que tenham sido alhures, via de regra redunda em fracassos consideráveis ou na criação de sérios problemas ambientais e sociais. O presente trabalho pretende fazer um diagnóstico da indústria de mineração no Brasil, mediante diferentes abordagens de modo a se montar uma imagem do setor dentro de uma ótica sócio-ambiental, que sirva como base para o encaminhamento de opções estratégicas para o setor, pautadas na filosofia do desenvolvimento sustentável. Em linhas gerais, visando uma visão mais abrangente, foram considerados quatro abordagens, como se segue A primeira abordagem se propõe a desenvolver o perfil da indústria mineira no Brasil, sob a perspectiva da natureza das empresas intervenientes. Neste desenvolvimento são caracterizadas a contribuição e as implicações da mineração sobre os referenciais sociais (a população e as comunidades), ambientais (os ecossistemas) e econômicos (micro e macroeconomia), sob a ótica dos vários segmentos envolvidos e do modo em que elas foram modificadas ao longo do tempo. Sob outra conotação são identificados/desenvolvidos conjuntos de princípios, critérios e indicadores, que tenham representatividade, para serem usados para balizar/testar as operações de explotação mineral no que se refere ao monitoramento dos projetos, operação e desempenho das diversas atividades minerarias, existentes ou propostas, em termos da sua compatibilização com os princípios/conceitos da sustentabilidade. Sugerir abordagens e/ou estratégias, que efetivamente implementem aquelas avaliações e balizamentos 1885 A partir dos dados e indicadores, são propostas linhas mestras, compreendendo ações específicas e cronogramas para a indústria mineraria e as comunidades correlacionadas, objetivando o direcionamento no sentido de se estabelecer as condições do desenvolvimento sustentável. Com base em situações reais, são desenvolvidos cenários que traduzam o futuro previsível/objetivado pelo setor mineiro do país e as comunidades/segmentos relacionados. Através daqueles cenários, são identificados, e comentados, os riscos e oportunidades, questões, desafios e áreas de convergência e divergência, e possíveis soluções e, ainda, identificação de medidas para ajustar as políticas do setor mineromineral, relacionadas a atitudes, práticas e infraestrutura. PARTE 1 DIAGNÓSTICO SOCIOECONÔMICO E AMBIENTAL Descrição do Setor Em termos de dimensão do setor, o Brasil ocupa uma posição de destaque, no concerto mundial, sendo um importante produtor de recursos minerais, tanto para uso doméstico como para exportação. Esta condição é mostrada no quadro 1.1(direita) Tudo isto advém de um potencial geológico privilegiado, conforme mostrado no quadro 1.1 (esquerda) 1886 Das 70 substâncias produzidas no Brasil, 21 são do grupo de minerais metálicos, 45 dos não-metálicos e quatro dos energéticos. O perfil do setor mineral brasileiro é composto por 95% de pequenas e médias minerações Estima-se que existam em torno de 17000 pequenas empresas, com produção mineral de US$ 2,0 bilhões. A maior parte destas atua em regiões metropolitanas na extração de material para construção civil. Segundo dados obtidos nas concessões de lavra emitidas pelo DNPM, as minas no Brasil estão distribuídas regionalmente com 4% no norte, 8% no centrooeste, 13% no nordeste, 21% no sul e 54% no sudeste. Há que se ressaltar que o cálculo exato do número de empreendimentos de pequeno porte é uma empreitada complexa, decorrente da existência de um grande número de empresas que produzem na informalidade, além da freqüente ocorrência de paralisações das atividades, que distorcem as estatísticas. A divisão quanto ao porte não é bem definida, principalmente quando se considera a natureza o valor e o tipo de depósito da substância. 1887 Uma referência geralmente aceita, para efeito de divisão, é referida à capacidade diária de produção. Segundo ela, as operações mineiras se dividem conforme mostrado no quadro que se segue Quadro 1.1 – Classificação das operações mineiras Tipo Grande Porte Médio Porte Pequeno Porte Produção diária > 30000 t/dia >3000 t/dia <30000 t/dia < 3000 t/dia A distribuição dos empreendimentos mineiros no Brasil, quanto ao porte, adotou este critério para efeito de classificação. Como já mencionado o segmento mineral brasileiro é bastante robusto, com atividades em todos os estados da Federação. Isto pode ser observado nas figuras em seqüência (1.1, 1.2 e 1.3), onde são mostrados os principais depósitos minerais do país, assim como a época em que foram descobertos. Na figura, são indicados, ainda, quais depósitos são explotados, quais estão com a atividade de lavra paralisada e quais ainda não estão operando. Por elas pode-se visualizar a evolução da pesquisa mineral nos últimos 40 anos. Como se observa, as décadas de 70 e 80 foram particularmente profícuas. Outra observação é que há vários depósitos conhecidos nos quais não há, ainda, explotação mineral. É interessante notar, também, que a maior parte das atuais operações de lavra são em depósitos descobertos há mais de trinta anos. Isto reflete a condição de baixo crescimento, em termos globais, que se verificou até pouco depois da virada do século. 1888 PRINCIPAIS DEPÓSITOS MINERAIS NO BRASIL, CONHECIDOS EM 1967 Oriximiná - Al Atividade de lavra Lavra desativada Figura 1.1 – Recursos minerais conhecidos em 1967 PRINCIPAIS DEPÓSITOS MINERAIS NO BRASIL, DESCOBERTOS ENTRE 1968 E 1988 Buritirama - Mn Rosário do Catete - K Atividade de lavra Lavra desativada Figura 1.2 – Recursos minerais conhecidos – adições de 1968 e 1988 1889 PRINCIPAIS DEPÓSITOS MINERAIS NO BRASIL, DESCOBERTOS ENTRE 1989 E 2008 Inhamuns - Fe S.J. do Piauí Ni Jucurutu - Fe Jurutí - Al Maracás - V Fortaleza de Minas Ni Atividade de lavra Lavra desativada Figura 1.3 – Recursos minerais conhecidos – adições de 1969 e 2008 Considerando, agora, as novas configurações de cenário mundial, observa-se o conseqüente aumento da produção mineral e pode-se prever a intensificação da pesquisa mineral, o que possibilitará a revelação, em um ritmo mais acelerado, de novos depósitos minerais. Assim, pode-se prever, dentro do horizonte visível, que as atividades mineiras tendem a continuar crescendo, no ritmo verificado no período recente. A figura 1.4 reforça e complementa as observações anteriores. Nela pode-se ver que a produção mineral brasileira até o início deste século era levemente ascendente, com as oscilações usuais, decorrente do caráter cíclico do mercado. A partir de então, porém, a curva tomou um sentido fortemente ascendente, resultante das alterações radicais da ordem até então estabelecida. Apesar de a evolução ter ocorrido em várias regiões, é de conhecimento geral que a grande responsável por esta mudança foi a China. Na figura, identifica-se claramente o ponto de inflexão na virada do século. 1890 Figura 1.4 – Evolução da produção mineral brasileira no período recente (30 anos) A razão de se adotar como unidade de produção, a monetária, decorre da enorme diversidade dos produtos. Substâncias minerais e métodos de lavra Como mencionado anteriormente, o setor mineral é bastante diversificado, tanto na forma com que os recursos se apresentam na natureza, quanto pelos 1891 volumes e características dos produtos. Sendo assim, a descrição do processo produtivo deve ser específica para cada substância, ou grupo de substâncias. Pela amplitude de alternativas e condições, o número de variantes é enorme, não sendo praticável mencioná-los neste documento. Assim, serão feitas algumas simplificações, considerando apenas as tipologias básicas. A mineração é uma atividade que é praticada em todo mundo e técnicas de extração são permanentemente aperfeiçoadas ou introduzidas. Considerando uma visão mais genérica pode-se identificar cerca de dez métodos de lavra principais, ressalvando que existem mais de trezentas variações. Os métodos são limitados pela disponibilidade e desenvolvimento dos equipamentos e, como todos os fatores que influenciam em sua seleção, devem ser avaliados levando-se em conta os aspectos tecnológico, social, econômico e político; a escolha do método de lavra pode ser considerada tanto uma arte como uma ciência. Dentro desse enfoque, a caracterização dos processos será composta de diversos parâmetros. Um primeiro seria a natureza do bem mineral. Na indústria mineral, os minérios ou minerais são geralmente classificados em três grandes classes: metálicos, não-metálicos e energéticos. A segunda classe pode ser subdividida em rochas e minerais industriais, gemas, e águas minerais. Os minerais industriais se aplicam diretamente, tais como se encontram ou após algum tratamento, ou se prestam como matéria-prima para a fabricação de uma grande variedade de produtos. De acordo com a natureza e/ou aplicação, eles são grupados em categorias. Assim, os minerais metálicos e subdividem em: • minerais de metais ferrosos: ferro, manganês, cromo e níquel. • minerais de metais não-ferrosos: cobre, alumínio, zinco, chumbo e estanho. • minerais de metais preciosos: ouro, prata, platina, ósmio, irídio e paládio. • minerais de metais raros: nióbio, escândio, índio, germânio, gálio etc. E os não-metálicos: 1892 • minerais estruturais ou para construção - materiais de alvenaria, agregados (brita e areia) e minerais para cimento (calcário, areia etc.) e rochas e pedras ornamentais (granito, gnaisse, quartzito, mármore, ardósia etc.). • minerais cerâmicos e refratários: argila, feldspato, caulim, quartzo, magnesita, cromita, grafita, cianita, dolomita, talco etc. • minerais isolantes: amianto, vermiculita, mica etc. • minerais fundentes referidos a processos metalúrgicos): fluorita, calcário, criolita etc. • materiais abrasivos: diamante, granada, sílica, coríndon etc. • minerais de carga: talco, gipsita, barita, caulim, calcita etc. • minerais e rochas para a agricultura: fosfato, calcário, sais de potássio, feldspato, flogopita, zeólita etc. • minerais de uso ambiental: assim denominados por serem utilizados no tratamento de efluentes, na adsorção de metais pesados e espécies orgânicas, ou são exemplos desta categoria, a bentonita, atapulgita, zeólitas, vermiculita • gemas ou pedras preciosas: diamante, esmeralda, safira, turmalina, topázio, águas marinhas etc. • águas minerais e subterrâneas. Os energéticos, incluem: • radioativos: urânio e tório. • combustíveis fósseis: petróleo, turfa, linhito, carvão, antracito, que não sendo minerais no sentido técnico (não são cristalinos e nem de composição inorgânica) são estudados pela geologia e extraídos por mineração. Naturalmente, além da substância, o método de lavra também é condicionado pelo teor do minério e sua distribuição espacial. Como os limites da mineralização geralmente não são identificáveis, é possível se obterem várias reservas em função de diferentes teores de corte. Sua redução gradual causa o aumento das reservas. Por exemplo, um depósito do tipo veio com alto teor e baixa tonelagem pode passar ao tipo massivo com baixo teor. O valor do produto e o custo de extração determinam a 1893 quantidade e o teor a ser lavrado. Depósitos com alto teor, estreito e de baixa tonelagem, indicam métodos de baixo investimento e mão-de-obra intensiva. O tamanho do depósito é diretamente proporcional à sua mecanização. Com respeito a isto, há que se considerar, também, que mineração pode, e deve, produzir um maior bem-estar social em regiões pouco desenvolvidas, empregando trabalhadores menos qualificados. Nesse caso, os métodos de lavra são do tipo trabalho-intensivo utilizando-se equipamentos de fácil operação. Em situações especiais, os parâmetros sociais podem ser os fatores decisivos na forma de lavrar um depósito por métodos de lavra a céu aberto ao invés de subterrâneo. Evidentemente, a escolha do método de lavra deve adequar-se às normas ambientais. Em particular, os regulamentos referentes à poluição das águas podem limitar o processo de beneficiamento do material. Em determinados casos, os efluentes podem apresentar um padrão de qualidade melhor que aquele da alimentação da usina. Isto implicará um custo adicional, resultando no aumento do teor de corte com a conseqüente redução das reservas. Finalizando, tendo como referência estas e muitas outras considerações, o método de lavra é escolhido dentro de uma das cinco grandes situações possíveis na lavra de depósitos: • A céu aberto: a cava é determinada levando em consideração o talude, o valor do minério e a quantidade de material a ser removida. • A céu aberto seguindo-se um estágio de transição à lavra subterrânea: a profundidade final da cava é definida pelos custos previstos da lavra subterrânea. • Subterrânea. • Subterrânea, podendo passar a céu aberto: raramente acontece quando se seleciona um método de lavra durante a análise de viabilidade. Não obstante, se tais mudanças forem previsíveis, o projeto original deve ser tal que a transição seja realizada de forma mais simples possível. • Simultaneamente por combinações de métodos de lavra a céu aberto e subterrânea. A definição entre um método a céu aberto ou subterrâneo se baseia no critério econômico. A metodologia adotada em determinado setor da jazida é aquela que 1894 apresenta o menor custo unitário, considerando-se todos os condicionantes operacionais, sociais e ambientais, já mencionados. Principais Etapas do Processo Produtivo Como pode ser verificado pelo desenvolvimento anterior, não existe um processo produtivo que caracteriza a atividade de mineração. Para cada tipo de minério, corpo mineralizado, escala de produção etc., há uma solução tecnológica que melhor se ajusta aos diversos fatores intervenientes. A título de ilustração, são descritos, no seguimento, alguns processos produtivos, referidos a atividades mineiras diversas. Como se verá, a atividade mineira inclui a etapa de beneficiamento que, de resto, é parte inerente do processo total. Com efeito, o produto de uma jazida, não é o minério ROM, isto é, tal como gerado na etapa de lavra. Com efeito, raramente o material extraído apresenta-se na forma em que serão consumidos pela indústria, quer seja por suas faixas granulométricas (tamanhos), quer por estarem associados a outros minerais que não têm interesse ou são indesejáveis para o processo industrial a que se destinam. É exatamente para a adequação dos minerais aos processos industriais que se utiliza o beneficiamento dos minérios. Estes processos de adequação variam desde métodos manuais, rudimentares, até esquemas mecanizados complexos, com a intervenção ou não de agentes químicos. No seguimento são ilustrados os principais procedimentos. Obviamente, não são considerados todos os casos – pretende-se apenas tipificar as grandes alternativas de beneficiamento, em função da natureza e do porte do empreendimento. Garimpo É a forma mais simples de mineração. A descrição que se segue se refere a um garimpo de ouro. O processo de extração de ouro adotado é, via de regra, rudimentar e predatório, com perdas consideráveis na recuperação do ouro, decorrentes da ausência de uma pesquisa mineral sistemática, e da falta de planejamento de extração e do uso de equipamentos precários e mal dimensionados. Levantamentos de dados de desempenho demonstraram que a recuperação de ouro no garimpo varia entre 30 a 35%. Razões para a baixa recuperação incluem a utilização de equipamentos rudimentares (sluices), o baixo nível educacional dos garimpeiros, o amadorismo administrativo com implicações na disponibilidade de peças para reparo, manutenção 1895 e reposição de motores e bombas e a falta de suporte técnico. Esses aspectos implicam uma utilização predatória e não sustentável, do ponto de vista técnico e econômico, da reserva mineral. Pedreira de brita A produção de brita para a construção civil é uma atividade mineira tipicamente de pequeno/médio porte, localizada em regiões com maior concentração urbana. Estas condicionantes não são de natureza técnica, mas decorrente das características do mercado e do valor do produto. A lavra de brita é feita a céu aberto, em meia encosta, e as operações se iniciam com a execução do plano de fogo para desmonte primário (perfuração+detonação por explosivos), que fragmenta cada trecho das bancadas da frente de lavra . Caso o material não esteja com dimensões adequadas para a entrada na planta de beneficiamento (fragmentos maiores que 1 metro), efetua-se o desmonte secundário, por fogacho, rompedores hidráulicos ou drop ball. Em seguida, efetua-se o carregamento dos fragmentos rochosos com pás-carregadeiras em caminhões, que depositam o material em locais junto às instalações de britagem, conhecidos como praças de alimentação, para armazenagem temporária e alimentação dos britadores em horários específicos, ou transportam o material diretamente até o britador. As operações de beneficiamento são puramente mecânicas e consistem em britagem primária. O britador primário, de mandíbulas, faz a fragmentação dos matacões, e neste ponto pode ou não ocorrer lavagem da pedra, para a diminuição de material pulverulento durante a cominuição e classificação da rocha. Após a britagem e a separação, os produtos são conduzidos para a área de estocagem nos pátios da empresa. Pedreira de Calcário Em linhas gerais, os métodos de lavra e beneficiamento são semelhantes aos da pedreira de brita, se bem que neste caso, há exigências adicionais, no que se refere às características químicas. A sua abordagem mais detalhada pode ser encontrada no RT referente à indústria cimenteira. II - Mineração de médio porte – Minério de ferro A descrição que se segue é referida a uma operação de médio porte, que, por extensão, pode ser usada como referência para explotação de outros minérios. O 1896 ROM é transportado da mina em caminhões e descarregado diretamente em duas moegas ou em pilhas (pilhas pulmão), de onde é transferido para o sistema de beneficiamento e classificação, constituído de vários estágios de britagem e peneiramento Os produtos, classificados em função das suas faixas granulométricas vão para os pátios de expedição, enquanto a fração inservível é enviada para as bacias de decantação (barragens de rejeito). A água clarificada retorna ao circuito. A figura 1.5 mostra uma configuração típica de um destes sistemas. + 5" Lavra 1,5 km - 5"+ 1" - 3/4"+ 1/4" - 3/4"+ 1/4" Produto e Expedição - 1/4" + 1mm + 3/4" - 1mm - 1/4" Planta de Beneficiamento 6,0 km Pátio Maria Coelho Pátio de Embarque Figura 1.5 – Mina de médio porte – exemplo do minério de ferro (os números são meramente ilustrativos) I. Mineração de médio/grande porte – Minério de alumínio (bauxita) As reservas de bauxita no Brasil são tipicamente de origem supergênica onde a Gibbsita, rica em alumina aproveitável, aparece na forma de nódulos envoltos por uma matriz argilosa. As instalações de beneficiamento usualmente produzem um só 1897 produto, onde a fração mais grossa do minério é aproveitada e a fração fina é descartada como rejeito. As principais operações de beneficiamento de bauxita no Brasil seguem basicamente a mesma rota, onde o minério é cominuido em britadores de rolos dentados, desagregado em lavadores rotativos, classificado em peneiras e ciclones, sendo a fração mais fina filtrada. A Figura 1.6 apresenta a rota de processo típica das operações de beneficiamento de bauxita no país. Figura 1.6 – Mina de médio porte – exemplo do minério de alumínio (bauxita) II. Mineração de grande porte – Minério de ferro O conjunto das operações de uma mina de grande porte pode ser algo complexo, principalmente quando ocorre a geração de vários produtos, como é o caso típico de uma lavra de minério de ferro. Neste caso, as destinações para o processo metalúrgico a jusante, depende, dentre outras características, das faixas granulométricas dos produtos. As frações mais grossas se destinam aos processos de redução em altos fornos, fornos elétricos e reatores de redução direta em leito granulado. As frações intermediárias são aglomeradas em máquinas de sinterização. As frações finas são aglomeradas em instalações de pelotização ou empregadas em reatores de redução direta de leito fluidizado. 1898 Daí, pode-se depreender a necessidade de circuitos de beneficiamento, que separem eficientemente, estes produtos. O método de lavra, típico, empregado é a céu aberto com bancadas altas, com, por exemplo, 15 m de altura.. Na etapa de desmonte, tanto do minério, quanto do estéril são empregados explosivos. Caminhões fora-de-estrada transportam o minério ROM até a britagem primária. O minério britado segue por transportadora de correia até a usina de beneficiamento. Os diversos circuitos e interações de um sistema de beneficiamento típico são mostrados na figura 1.7. 1899 Figura 1.7 - Mina de grande porte – exemplo do minério de ferro Informações gerais Para efeito de análise, foram selecionadas algumas das principais minas brasileiras, que são relacionadas no quadro 1.2. 1900 Quadro 1.2 –Seleção de minas brasileiras – Dados gerais MINAS A CÉU ABERTO Mina CARAJÁS CAUÊ CONCEIÇÃO GONGO SOCO ALEGRIA 9 TIMBOPEBA MORRO AGUDO CAPANEMA ALEGRIA FÁBRICA CÓRREGO DO FEIJÃO PICO TAMANDUÁ CAPITÃO DO MATO JANGADA CASA DE PEDRA PAU BRANCO ENGENHO SECO TROMBETAS TAPIRA CATALÃO OUVIDOR APATITA BARREIRO CANABRAVA MORRO DO OURO CANDIOTA RECREIO BOCAINA SAIVÁ/ITARETAMA GUAJÚ PITINGA Município Carajás Itabira Itabira Barão de Cocais Mariana Mariana Piracicaba Itabirito Mariana Congonhas Brumadinho Itabirito Nova Lima Nova Lima Nova Lima Congonhas Brumadinho Sarzedo Oriximiná Tapira Catalão Ouvidor Cajati Araxá Minaçú Paracatu Candiota Butiá Arcos Rio branco do Sul Mataraca Pres. Figueiredo Produção (1000 t/a) Estéril Total UF Substância M.Obra(calc ROM PA Ferro MG Ferro MG Ferro MG Ferro MG Ferro MG Ferro MG Ferro MG Ferro MG Ferro MG Ferro MG Ferro MG Ferro MG Ferro MG Ferro MG Ferro MG Ferro MG Ferro MG Ferro PA Bauxita GO Fosfato GO Fosfato GO Fosfato SP Fosfato MG Fosfato GO Amianto MG Ouro RS Carvão RS Carvão MG Calcário PR Calcário RN Ilmenita AM Cassiterita 938 862 670 744 302 200 231 120 262 192 ND 3 299 195 166 ND 3 201 ND 3 ND 3 300 325 ND 3 ND 3 ND 3 ND 3 76 143 171 ND 3 ND 3 142 29 250 61300 28800 25700 7500 9400 6600 4600 500 18000 15300 6400 15400 9100 5800 4400 13800 3300 11200 14900 12800 5800 4200 5200 4200 2400 19700 1600 2200 2000 7100 4500 11000 37200 36700 25200 5900 7500 19000 1400 7600 10800 12200 4300 14500 10800 12300 2900 7900 4800 3200 26800 14500 5400 5300 7000 5300 1100 5400 38000 1700 1300 98500 65500 50900 13400 16900 25600 6000 12600 28800 17500 10700 29900 19900 18100 7300 21700 8100 14400 41700 27300 11200 9500 12200 9500 3500 19700 7000 40200 3700 8400 4500 11000 MINAS A CÉU ABERTO Mina CARAÍBA CUIABÁ FAZENDA BRASILEIRO TAQUARÍ-VASSOURAS CRIXÁS IPUEIRA E MEDRADO FORTALEZA DE MINAS MORRO AGUDO SÃO BENTO VAZANTE TREVO ESPERANÇA/FONTENELLE VERDINHO Município Jaguarari Sabará Teofilândia Rosário do Catete Crixás Andorinhas Fortaleza de Minas Paracatú Sta Bárbara Vazante Siderópolis Treviso Forquilhas Produção (1000 t/a) Estéril Total UF Substância M.Obra(calc ROM BA Cobre MG Ouro BA Ouro SE Potássio GO Ouro BA Cromo MG Níquel MGZinco/Chumbo MG Ouro MG Zinco SC Carvão SC Carvão SC Carvão 446 425 677 386 216 140 148 ND 3 373 270 380 500 350 1186 685 1000 2295 471 540 615 604 417 531 1140 1600 1275 500 113 240 115 250 154 231 1186 685 1000 2295 564 780 725 854 571 762 1140 1600 1275 1901 Como se observa, no quadro são mostrados, além da produção e a participação do estéril na produção total, a localização, a substância-produto e a mão de obra, calculada a partir da produção e da produtividade. Naturalmente, este quadro não pretende ser completo, mas uma amostra que represente o universo dos empreendimentos minerários do país. A partir destas informações, há uma série de caracterizações, que podem ser identificadas. Do lado da produção, são quantificados e qualificados, tanto o produto, quanto o estéril. A dimensão da taxa anual da ocupação do solo também pode ser avaliada, a partir das quantidades extraídas e do tipo de lavra. A geração de empregos diretos é calculada a partir das produtividades informadas, o que permite, acessoriamente, avaliar a geração de empregos/atividades de apoio ao empreendimento. Principais Impactos ambientais I. Impactos potenciais A seguir, são relacionados os possíveis impactos que um empreendimento mineiro pode causar. A extensão da ocorrência de cada um, assim como a sua intensidade, depende da natureza da substância, método de lavra, processo de beneficiamento etc. Principais aspectos e impactos negativos gerados são: • possível mudança no micro clima (temperatura ambiente) local devido à diminuição da absorção dos raios solares pela vegetação e conseqüente aumento da refletância. • provável aumento dos níveis de gás carbônico no ar devido à diminuição do seqüestro de carbono através da fotossíntese. • provável afugentamento da fauna devido à diminuição e/ou fragmentação de seu hábitat. • possível redução do número de cepas de microrganismos presentes no solo devido à escassez de alimento e perda de habitat. 1902 • provável desequilíbrio na cadeia biológica pelo aumento de indivíduos nas áreas circunvizinhas, ou seja, área de refugio, ocasionando uma maior competição por espaço e alimento. • provável perda da capacidade do solo de reter água devido à sua compactação. • provável redução da camada fértil do solo devido ao escoamento superficial das águas. • possível redução do número de indivíduos de espécies nativas em conseqüência da sua retirada para a instalação dos equipamentos. • possível redução na qualidade paisagística da área em decorrência do impacto visual negativo dos processos de retirada da cobertura vegetal. • provável aumento da concentração de material particulado em suspensão no ar em conseqüência da poluição do ar por poeira. • possível alteração da dispersão das ondas sonoras decorrente do aumento dos níveis de ruídos (poluição sonora). • possível aumento da concentração de gases poluentes no ar devido à combustão de petróleo utilizado nas máquinas. • perda da capacidade do solo de funcionar como substrato para o desenvolvimento dos vegetais em conseqüência da compactação do mesmo. • provável alteração na composição química do solo decorrente da deposição de materiais químicos no mesmo (poluição do solo). • possível comprometimento das propriedades físico-químicas do solo pela redução dos processos de ciclagem de nutrientes, decorrentes da remoção da cobertura vegetal. • provável redução da capacidade produtiva do sítio, pelo surgimento de fenômenos erosivos, decorrentes do processo de exposição e compactação do solo, decorrente da retirada da vegetal local. • possível aumento da compactação do solo devido ao fluxo intenso de veículos na estrada de acesso ao empreendimento. • perda da capacidade física do solo em servir como substrato ao desenvolvimento da flora devido à compactação, ou seja, um rearranjo e uma aproximação maior das partículas sólidas, em conseqüência do aumento na 1903 sua densidade decorrente da retirada da cobertura vegetal e fluxo de veículos na área do empreendimento. • provável redução na disponibilização dos macronutrientes e micronutrientes necessários ao crescimento dos vegetais, causado pela poluição do solo decorrente do mau acondicionamento dos resíduos gerados. • provável mudança da composição química da água subterrânea decorrente da percolação de produtos químicos lançados no solo. • possível alteração na vazão dos cursos d’água devido à alteração entre as relações infiltração percolação com o escorrimento superficial/subsuperficial devido a retirada da cobertura vegetal para a implantação da infra-estrutura e estrutura. • provável aumento na capacidade da água de veicular organismos patogênicos durante a fase de implantação em decorrência dos fenômenos de poluição gerados. • provável risco de atropelamento de animais silvestres e domésticos, devido à movimentação de veículos na via de acesso ao empreendimento. • alteração nas características tróficas da água devido ao assoreamento e aumento da turbidez, decorrente da concentração de material particulado carreados para os corpos hídricos, por erosão. • provável geração de fumos e gases, provocando o desconforto da população e aumentando os riscos de incidentes e intoxicação. • provável diminuição da sensibilidade auditiva devido à geração de ruídos pelas maquinas. • provável aumento do transporte de material das pilhas de armazenamento para as áreas adjacentes, provocando mudanças nas características físicoquímicos do solo. • possível geração de resíduos e embalagens descartáveis o que pode ocasionar na proliferação de vetores e doenças. • provável alteração das características físico-químicas da água decorrente do lançamento de efluentes que são produzidos durante a limpeza do local • possível redução na qualidade paisagística da área em decorrência do impacto visual negativo dos processos de demolição e resíduos gerados durante a fase de desativação do empreendimento. 1904 • provável aumento do desemprego local em decorrência do término das atividades industriais decorrente da fase de desativação. Além destes, que seriam impactos em curso, existe uma parcela significativa de problemas, que foram herdados do passado, em forma de passivo ambiental. Os rejeitos das minas contêm substâncias nocivas ao ambiente e ao homem, que continuam a causar problemas mesmo depois do fim do ciclo minerário. O ciclo do ouro do século XVIII, por exemplo, deixou seqüelas em Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e São Paulo e, na década de 1970, também na Amazônia. A extração de carvão em Santa Catarina até hoje causa danos aos recursos hídricos da região. Como se pode observar, aqueles impactos são, dentre outros fatores, relacionados com a fase em que se encontra o empreendimento. Assim sendo, para a sua tipificação, há que se conhecer as etapas do seu ciclo de vida. II. Ciclo de Vida O ciclo de vida de um empreendimento mineiro, passa por várias etapas, desde a sua concepção até o encerramento da atividade, com a jazida exaurida. Como se verá a seguir, as duas primeiras etapas são de curta duração, enquanto as duas últimas são de caráter duradouro. Dentro deste enfoque, pretende-se abarcar todas as fases do ciclo de vida do projeto ou operação. Naturalmente, a abordagem é específica de cada fase e projeto. III. Exploração (Pesquisa) A exploração é o ponto de partida do ciclo de vida total do empreendimento mineiro. Dentro de uma visão global, pode-se dizer que a maioria dos projetos de exploração se restringe a esta etapa, isto é, não reúne as condições necessárias à viabilização do empreendimento. Em condições normais, a atividade de exploração é rápida, só se prolongando quando os resultados se mostrarem promissores. Sob esta ótica, a discussão pública pode ter efeitos negativos, pela criação não intencional e 1905 injustificada de expectativas que pode gerar problemas no futuro, quando aquelas não se concretizam. IV. Projeto e construção Comparado com as demais fases do empreendimento, o tempo de duração das atividades de projeto e construção é curto. Por outro lado, o conjunto destas é intenso e concentrado num curto espaço de tempo, podendo levar a conseqüências devastadoras, se não for criteriosamente controlado. Não é incomum, por exemplo, o contingente envolvido na construção e montagem ser superior à população das comunidades próximas. V. Operação A fase de operação é a que, naturalmente, recebe a maior atenção. Com efeito, quando se pensa em um empreendimento mineiro, é para a operação que o pensamento é direcionado. Os impactos social, cultural e ambiental são relativamente bem conhecidos, mas, de um modo geral, as medidas para mitigá-los são desbalanceadas. Sendo a fase, tanto pela duração quanto pelos efeitos a mais relevante do ciclo de vida, os aspectos referentes a ela serão mais detalhados mais adiante. VI. Fechamento – temporário, final e pós-fechamento O fechamento temporário raramente recebe o planejamento e a consideração que lhe seria devida. Um fechamento temporário pode levar desde alguns dias até meses e, mesmo, anos. O fechamento de mina é um tema recente no Brasil, o qual vem se materializando gradativamente . A reabilitação ambiental, pouco considerada até há pouco tempo, é uma das ferramentas da desativação de um empreendimento. 1906 Na mineração, a desativação é parte das operações de lavra e beneficiamento e representa a minimização de resíduos sólidos e efluentes nocivos ao meio ambiente. Essa fase é identificada como o cessar das operações de lavra e a conseqüente paralisação das demais atividades, seguida da transformação do sítio mineiro em área útil à comunidade que a cerca. Tais atividades de desativação programada têm a função de colocar as obras e instalações resultantes em condições tais que possam ser removidas, vendidas ou, caso permaneçam na localidade, não ponham em risco a saúde e a segurança do público e do meio ambiente. A área recomposta não será como a de antes das atividades mineiras; mas pode, em certos casos, ser melhorada, conforme o referencial adotado e os interesses das comunidades da região. Diagnóstico Ambiental I. Lavra e Beneficiamento São vários os tipos de impactos gerados decorrente das atividades de lavra e beneficiamento, das quais as mais relevantes são relacionados a seguir. II. Poluição visual O principal e mais característico impacto causado pela atividade minerária é o que se refere à degradação visual da paisagem em virtude da extração do minério e disposição de estéril. Há um certo conflito no que se refere a este aspecto – enquanto tais mudanças e prejuízos sejam indesejáveis para a sociedade, da mesma forma a atuação da mineração é exigida por essa mesma sociedade. A providência a ser tomada, que melhor compatibiliza os dois anseios, é a suavização do impacto empregando soluções, como a cortina arbórea, que se plantada adequadamente confina a região minerada e protege o meio ambiente dos fatores poluentes relativos a poeiras e ruídos; construção de bancas artificiais, nos quais são utilizados materiais provenientes da mina, como o próprio estéril que, disposto adequadamente, atenua a 1907 agressividade da paisagem da área em mineração; adequação da linha do horizonte da cumeada da serra de onde foi extraído o minério a fim de harmonizá-la com a parte não minerada. III. Poluição sonora O desmonte de material consolidado (maciços rochosos e terrosos muito compactados) é feito através de explosivos, resultando, em conseqüência, ruídos (detonações, compressores, britadores, moinhos, bombas, locomotivas, tratores, caminhões, ventiladores, exaustores etc.) quase sempre prejudiciais à tranqüilidade pública. A onda de choque gerada por explosivos apresenta comportamentos distintos, de acordo com a distância e o tipo de material. Um método para suavizar os impactos causados pela detonação consiste em provocar uma descontinuidade física no maciço rochoso. Para evitar ruídos decorrentes dos equipamentos de beneficiamento, deve-se aproveitar ao máximo os obstáculos naturais ou então criar barreiras artificiais, colocando o estoque de material beneficiado ou a ser tratado entre as instalações e as zonas a proteger. O tráfego intenso de veículos pesados, carregados de minério, causa uma série de transtornos à comunidade, especialmente naquela situação mais próxima às áreas de mineração, como: poeira, emissão de ruídos, freqüente deterioração do sistema viário da região. Além disto, a abertura de vias de acesso às áreas de lavra e beneficiamento, podem provocar fragmentação de habitats e provocar atropelamentos de espécies silvestres. IV. Poluição das águas No que se refere à poluição das águas provocada pela mineração, a maior parte das minerações no Brasil provoca poluição por lama. A poluição por compostos químicos solúveis, também existe e pode ser localmente grave, mas é mais restrita. O 1908 controle no caso de lama é tecnicamente simples, mas pode requerer investimentos consideráveis. A atividade mineral também leva a sérios impactos sobre as águas na região em que ela se desenvolve, tanto pela usual presença de lençóis de água no subsolo a ser perfurado ou removido quanto pela necessidade de água no processamento e transporte do minério. Com a retirada do subsolo, o lençol deixa de existir ou é pelo menos modificado; com a utilização da água no processamento e transporte do minério essa é devolvida para a natureza em condições piores do que no momento da sua retirada. Dessa forma, em relação à água, são usuais modificações relativas à disponibilidade e também à qualidade. Há ainda o problema das barragens erguidas para a contenção de rejeitos. Essas barragens têm apresentado, nos últimos anos, problemas de rompimento, causando acidentes com graves conseqüências.Os quadros 1.2 e 1.4 dão a medida dos volumes de rejeitos gerados, passíveis de acumulação em barragens. As minerações de ferro, de calcário, de granito de areia e argila, da bauxita, de manganês, de cassiterita, de diamante e várias outras, provocam em geral poluição das águas apenas por lama. O controle tem que ser feito através de barragens para contenção e sedimentação destas lamas. As barragens são muitas vezes os investimentos mais pesados em controle ambiental realizado pelas empresas de mineração. Por outro lado, estas barragens servem também para recirculação de água e podem não ser considerados investimentos exclusivos de controle ambiental. Além da poluição por lama, muitas minerações provocam poluição de natureza química, por efluentes que se dissolvem na água usada no tratamento do minério ou na água que passa pela área de mineração. As minerações de ouro podem apresentar problemas mais complexos de contaminação das águas, por usarem cianetos altamente tóxicos no tratamento do minério. Além disso, muitos minérios de ouro são ricos em arsenopirita e provocam contaminação por arsênico. Pode-se dizer com segurança que o problema ambiental mais sério provocado pela mineração no Brasil, é a contaminação por lama e por mercúrio de rios da Amazônia, causada pelos garimpos de ouro. Como os "garimpeiros" usam uma tecnologia rudimentar, o controle ambiental é difícil e a 1909 contaminação só não é muito mais grave porque os rios da Amazônia são muito volumosos e a área é ainda pouco povoada. Este último aspecto, específico do garimpo será abordado à parte, na forma de estudo de caso. V. Poluição atmosférica Um dos maiores transtornos sofridos pelos habitantes próximos e/ou os que trabalham diretamente em mineração, relaciona-se com a poeira. Esta pode ter origem tanto nos trabalhos de perfuração da rocha como nas etapas de beneficiamento e de transporte da produção. Estes resíduos podem ser solúveis, ou particulados que ficam em suspensão como lama e poeira. A contribuição da mineração para a poluição do ar é principalmente uma poluição por poeira. A poluição por gases a partir da mineração é pouco significativa, e em geral de restringe à emissão dos motores das máquinas e veículos usados na lavra e beneficiamento do minério. A título de ilustração, para uma seqüência típica de lavra/beneficiamento, itemizada no quadro 1.3, são mostradas as emissões nas diversas etapas do processo (quadro 1.4) Os exemplos consideram operações de médio e grande porte, sem desmonte por explosivos. Quadro 1.3 Etapas de uma operação de lavra e beneficiamento 1910 LAVRA Decapagem e remoção de solo Escarificação com trator de esteiras Escavação com retroescavadeiras Carga com carregadeiras de rodas Transporte do ROM até a planta de beneficiamento Britagem móvel (parte do ROM) BENEFICIAMENTO Britagem primária com britador de mandíbulas (britagem e classificação) Rebritagem com britador cônico (britagem e classificação) Lavagem com tromel Classificação dos produtos lavados Classificação dos finos com espiral Deposição dos rejeitos úmidos na barragem Deposição dos rejeitos secos para constituir a barragem e recuperação de áreas degradadas Transporte e estocagem dos produtos A disposição final de rejeitos não constitui problema mais sério, quando destinados aos trabalhos de recuperação das áreas. Entretanto, durante a fase da lavra devem ser observados cuidados especiais para que estes não sejam lançados no sistema de drenagem. Quando esses depósitos ficam muito volumosos, tornam-se, por si mesmos, instáveis e sujeitos a escorregamentos localizados. No período de chuvas, devem ser removidos e transportados continuamente até as regiões mais baixas e, em muitos casos, para cursos de água. A repetição contínua do processo provoca o transporte considerável desse material, ocasionando gradativamente o assoreamento dos cursos de água. Além do volume provindo do material estéril, devem ser consideradas as quantidades advindas da área das próprias jazidas e o material produzido pela decomposição das rochas e erosão do solo. O problema pode ser minimizado através do adequado armazenamento do material estéril e sua posterior utilização para reaterro de áreas já mineradas e de tanques de decantação que retenham os sedimentos finos na própria área, preservando a hidrografia. 1911 Quadro 1.4 Rejeitos de mina. Exemplo referido a minério de ferro MINERAÇÃO DE FERRO (sem detonação) Classificação Produção total Produto 1 Produto 2 Rejeito Lavra escarificação carga em caminhões transporte mina-planta Médio Porte ROM Granulado Sinter feed Estéril 3000000 2000000 411940 1346305 Grande Porte t/ano t/ano t/ano t/ano 22400000 15000000 3089552 10097287 t/ano t/ano t/ano t/ano 660 t/ano 5000 t/ano 1200 t/ano 9000 t/ano 486567 t/ano 3649254 t/ano 86567 t/ano 649254 t/ano 764 t/ano 5730 t/ano Formação pilha sinter feed 1232 t/ano 9238 t/ano Transporte e expedição de produtos transp produtos (rodoviário) carregamento em vagões ferroviários 2550 t/ano 20000 t/ano Planta beneficiamento britagem primária rebritagem transferências baixa umidade transferências alta umidade classificação em espiral Deposição em barragem (rejeito úmido) Deposição de rejeitos secos (formação barragem, recuperação de áreas) Formação pilha lump VI. Fase de desativação A peculiaridade da questão do fechamento de uma mina decorre do processo de mudança de uso de área que, até então, era essencialmente de extração mineral, sendo fundamental a avaliação das possibilidades de um novo aproveitamento mineral da jazida desativada. De qualquer maneira, é responsabilidade do minerador a implementação de um plano de recuperação de área degradada. Um plano de fechamento de mina deve contemplar a minimização dos impactos físicos, biológicos, econômicos e sociais decorrentes deste fechamento, além de alternativas de uso futuro para a área minerada. Ele deve garantir a segurança e 1912 saúde da população e a sustentabilidade dos fatores ambientais na área a ser reabilitada. Dentre as tarefas consideradas no plano de desativação da mina estão a desmontagem/demolição das instalações industriais; reabilitação e revegetação de áreas; programas de desativação; formação de um lago artificial na cava (se for o caso) e o zoneamento dos usos futuros. Análise de casos Neste item são mostrados alguns exemplos ilustrativos de atividades mineiras, à luz dos impactos ambientais e sociais I. Atividade de Garimpo Embora historicamente minimizador de pressão social, o garimpo, dado ao conjunto de práticas administrativas e ambientais inadequadas, está distante de atender aos princípios de desenvolvimento sustentável. Exemplificando, nas atividades de garimpagem de ouro o processo de extração, separação, concentração, amalgamação e queima do amálgama, há inúmeros impactos ambientais e consideráveis riscos à segurança e à saúde dos garimpeiros. Os impactos ambientais incluem a supressão da mata ciliar, assoreamento de rios e aumento da turbidez decorrente do lançamento do rejeito das calhas diretamente no leito do rio, vazamento de óleo e graxas, perda de mercúrio na amalgamação e queima do amálgama ao ar livre sem utilização de retortas. A amalgamação e a queima do amálgama, em adição à ausência de condições higiênicas adequadas (instalações sanitárias, bebedouros etc.), além da presença de alojamentos insalubres constituem os itens de riscos à saúde e segurança dos garimpeiros. 1913 II. Rompimento de barragem de rejeitos – o incidente de MIRAI. Um dos maiores desastres ambientais ocorridos no Estado de Minas Gerais foi o rompimento de uma das barragens de rejeito do lavador de bauxita, instalada no município de Mirai, ocorrido em 10 de janeiro de 2006. Parte do maciço da barragem de rejeitos rompeu provocando o vazamento de lama para o córrego Bom Jardim, que deságua no ribeirão Fubá, e este, por sua vez, no rio Muriaé. De acordo com a vistoria efetuada no local por uma equipe do Departamento Nacional de Produção Mineral -DNPM, a barragem de rejeito tinha aproximadamente 35m de altura e cerca de 70% do material havia vazado. Nas fotos 1 e 2 (figura 1.8), são apresentadas fotografias do local do rompimento do barramento e da área de contenção, respectivamente (DNPM, 2008). Foto 2- Vista de parte do rejeito que ainda Foto 1 - Vista do local onde o córrego restou na área de contenção do Fubá corta o centro do barramento. barramento. Fonte: DNPM. Fonte: DNPM. Figura 1.8 – Rompimento barragem de rejeitos III. Dolinas Apesar de a lavra subterrânea agredir menos, em relação à lavra a céu aberto, um ela pode causar outros problemas sérios, como é o caso da necessidade de bombear água do subsolo, que, dependendo dos volumes causa o rebaixamento do lençol freático e das reservas de águas subterrâneas. A região, que apresenta subsolo calcáreo, abriga enormes aqüíferos. O resultado desse bombeamento tem sido a drenagem de águas subterrâneas, de córregos, lagoas e açudes. Ocorre também o 1914 problema da contaminação dos solos, rios e água pelos rejeitos da mineração. A contaminação do rio por metais pesados causa a morte de milhares de peixes e destruição da fauna. Comprometendo, ainda, a atividade agro-pastoril. Esta drenagem da água subterrânea pode levar a fenômenos conhecidos como dolinas - crateras que se formam de maneira abrupta. Quando essas águas são bombeadas, no processo de sucção na frente de mineração subterrânea, reduz-se a resistência ao peso da superfície, que é tragada para os bolsões secos, formando as dolinas. Existem casos de impacto desta natureza na região de Vazantes, Minas Gerais. Figura 1.9 - Dolina Principais Impactos Sociais As atividades minerarias, particularmente as de grande porte, levam freqüentemente a mudanças dramáticas no cenário social na região onde se implantam. As relações econômicas entre a empresa e a população circundante podem ser a origem de uma série de impactos: os fluxos substanciais de rendas para as comunidades implicam, potencialmente, na proliferação de alguns efeitos negativos 1915 derivados da súbita mudança decorrente do aporte de riquezas. Dentre estas relacionam-se o fluxo migratório para a região, a exacerbação das desigualdades econômicas, alterando as referências e os horizontes culturais e, ainda, o crescimento das patologias sociais (alcoolismo, jogo, prostituição e violência). É comum, também, a ocorrência de inversões de valores, decorrente de a força de trabalho, mais jovem, auferir rendimentos muito superiores que os mais velhos, envolvidos nas atividades de subsistência que existiam antes do empreendimento. Alguns destes efeitos, particularmente aqueles relacionados com a “cultura”, nas suas diversas manifestações, estão referidos às alterações da topografia e à degradação ambiental que resultam da mineração em larga escala. A posse de terras e o seu valor estão tão intimamente ligada às relações sociais e identidades, que a sua perda causa rupturas tanto das ligações sociais, quanto ambientais, e não há dinheiro que compense satisfatoriamente esta perdas. Sob este enfoque, a atividade mineraria impacta a sociedade com a mesma intensidade que o faz com o meio ambiente. Assim como no caso dos impactos ambientais, os sociais são também abordados para cada fase do empreendimento. Exploração (pesquisa) Apesar de a extensão dos impactos sociais e ambientais ser menor que nas etapas subseqüentes, eles podem ser intensos. Em alguns casos é a primeira vez que a exploração mineral ocorre na região. Mas o que é, talvez, o aspecto mais importante, quando se considera que a exploração é o marco inicial de qualquer empreendimento mineiro, é o tipo de relacionamento que é estabelecido entre a equipe de exploração e as comunidades locais, que vai dar o tom desta relação a partir daí. Este enfoque é relativamente recente e só ultimamente têm surgido trabalhos buscando estabelecer as condições apropriadas de engajamento durante a fase de exploração. Em resumo, a fase de exploração é marcada por desafios específicos. Projeto e Implantação 1916 A força de trabalho na fase de construção e montagem é tipicamente muito maior do que a da fase operacional. Com a presença intensa e concentrada, as conseqüências sociais para as comunidades preexistentes pode ser catastrófica. O controle rigoroso do comportamento é essencial para minimizar as tensões sociais e ambientais. Isto é dificultado pelo fato de muitas atividades serem executadas por empresas subcontratadas, que podem não seguir os mesmos critérios que os do empreendedor. Sistemas efetivos de supervisão e controle são essenciais. Esta etapa da atividade inclui, ainda, as demandas e recebimentos de licenciamentos. A época destes processos de licenciamento é oportuna para o engajamento com as comunidades envolvidas. Exemplo Ilustrativo O texto a seguir procura descrever a filosofia adotada pela Alcoa, em Juruti, que pretende balizar as diretrizes para o desenvolvimento sustentável local para Juruti e entorno. A Mina de Juruti, com uma reserva de bauxita de 700 milhões de toneladas, está localizada no Oeste do Estado do Pará, no coração da Amazônia. Juruti é um antigo município, com 125 anos e cerca de 30 mil habitantes, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatístico-IBGE, 2007, dos quais 60% residem nas 150 comunidades rurais que predominam na região. Tradicionalmente, sua economia está baseada no cultivo da mandioca, pesca, pecuária, e demais tipos de extrativismo. A ALCOA é a detentora dos direitos minerários sobre a jazida Quando do início das atividades do empreendimento, várias reuniões preliminares e audiências públicas foram realizadas com lideranças comunitárias, instituições públicas e privadas e outras partes interessadas, em Juruti, Santarém e Belém, das quais participaram até seis mil pessoas. Essas ações deram origem aos Planos de Controle Ambiental - PCA e à Agenda Positiva. O modelo selecionado foi pensado e desenhado a partir do desafio central que se apresenta em Juruti: a inserção de um empreendimento de grande porte em uma 1917 região de alta biodiversidade, organização social e poder público despreparado para enfrentar um horizonte de grandes e rápidas mudanças, e a falta de recursos financeiros para atender as demandas da população. Nesse cenário, tal inserção traz repercussões potencialmente expressivas e de longo prazo sobre uma ampla gama de atores, com enormes diferenças sociais, econômicas, políticas e históricas, bem como sobre o meio ambiente. Em suma qualquer dos impactos sociais advindo da implantação de um grande empreendimento minerário, em uma localidade extremamente frágil, do ponto de vista social encontra condições altamente favoráveis, para gerar conflitos de escala catastrófica. A dimensão do desafio para encontrar soluções em tal cenário, credencia os trabalhos desenvolvidos naquela região, como exemplo a ser considerado. No seguimento são mostradas as ações básicas e é desenhada a filosofia que as norteou. Na fase preparatória do projeto, foi feita uma pesquisa bibliográfica e um extenso levantamento de informações. O exame das políticas públicas caracterizou a região como fragilizada, tanto pelas carências sociais e econômicas de sua população como pelas pressões prementes sobre sua biodiversidade. E a sondagem acusou uma grande expectativa por parte da população local em relação ao empreendimento, muitas vezes transferindo para a ALCOA anseios relacionados às responsabilidades do Estado, outras vezes expressando preocupação em relação aos impactos sociais e ambientais decorrentes da mineração e sua minimização e compensação efetiva. Com base nesses resultados e na experiência acumulada das instituições envolvidas, bem como nas reflexões e discussões realizadas e no conhecimento adquirido ao longo do processo, foi proposto um modelo de agenda de desenvolvimento sustentável local para Juruti e entorno. O modelo parte de quatro eixos fundamentais, considerados como premissas para sua implementação, e inclui um tripé de ações práticas de intervenção. Um dos grandes desafios consiste em criar condições para que os rumos do desenvolvimento da região sejam direcionados a um futuro comum de interesse público. Nesse sentido, é mandatória que a agenda de desenvolvimento local seja construída de modo a garantir a adequada manifestação dos diversos interesses, 1918 idéias e propostas, a participação ampla e bem informada de todos os atores, e processos decisórios, guiados por critérios coletivamente acordados. É fora de dúvida que a chegada de grandes empreendimentos traz mudanças sensíveis às regiões onde se instalam: aumento de receitas, aumento da população – e a conseqüente pressão adicional sobre a infra-estrutura, os serviços aos cidadãos e os recursos naturais, bem como intensificação e diversificação das dinâmicas sociais, políticas, econômicas e institucionais. As conseqüências dessas mudanças são relevantes não só na definição e implementação de políticas públicas e iniciativas da sociedade civil e do setor privado no âmbito municipal, como também estabelecem novas relações de trocas e fluxos, possivelmente para além das fronteiras municipais, redefinindo também o espaço regional. A intenção das instituições proponentes foi a de desenhar um modelo que pudesse ser aplicado – e replicado –, mas com a clareza de que a formulação e implementação de uma agenda de desenvolvimento local sustentável, por sua intrínseca complexidade, não se sustentam com base em modelos pré-fabricados. Assim, ela precisa estar apoiada na realidade, para poder responder aos desafios e aproveitar as oportunidades que a realidade oferece. Também é vital que esse processo caminhe profundamente interligado às decisões econômicas e de produção, para evitar dois riscos: o de se criar um mundo de “faz-de-conta” dentro da empresa, que gera discurso, mas não resultados práticos, ou o da inadequada absorção de novas práticas que, desacreditadas e mal assimiladas, possam comprometer seus resultados. Com base naquelas premissas, o modelo apresenta um tripé de intervenção. A perna fundamental do tripé é a construção coletiva de um espaço público amplo e democrático. Isso se dá com a criação de um fórum – ou conselho – local, com efetiva participação das partes interessadas, que discuta um futuro comum de interesse público, priorize ações e formule uma agenda de longo prazo. O formato recomendado é que a construção desse espaço tenha inspiração nas diretrizes apresentadas pela Agenda 21 Local, com respaldo do Ministério do Meio Ambiente e de várias organizações da sociedade civil e com potencial de financiamento. O segundo pilar do tripé de intervenção contempla, no âmbito da discussão de uma agenda de desenvolvimento comum, um processo de construção participativa – 1919 com atores locais e regionais – de indicadores de desenvolvimento, para monitorar as transformações sociais, ambientais e econômicas da região. Uma agenda de desenvolvimento depende de ferramentas que acompanhem o ritmo e a qualidade desse desenvolvimento ao longo do tempo, orientando as políticas públicas, os espaços de articulação, os investimentos públicos e privados e a própria empresa quanto às transformações – indesejadas ou esperadas – na região. Esperase também que o processo de construção essencialmente participativo colabore com o fortalecimento da sociedade civil e a capacitação de todos os atores envolvidos. Em paralelo e em resposta à carência de recursos financeiros que possam ser destinados a demandas sociais e atividades econômicas e de conservação mais sustentáveis para a região, o modelo prevê como terceiro pé do tripé a criação de um fundo de desenvolvimento sustentável,. Este tem como objetivo captar recursos financeiros e investir em ações baseadas nas necessidades apontadas no monitoramento de Juruti e entorno e nas metas prioritárias indicadas no espaço – fórum – de articulação social local. Os PCA se constituem em 35 planos, abrangendo ações de monitoramentos do clima, ar, ruídos, águas, conservação da flora e fauna, produção de mudas, educação ambiental, atendimento médico-sanitário e educacional, segurança pública, valorização e resgate da cultura local e apoio à elaboração do Plano Diretor do Município de Juruti, entre outras. Fase Operação Em geral, a mineração provoca um conjunto de efeitos não desejados que podem ser denominados de externalidades. Algumas dessas externalidades são: alterações ambientais, conflitos de uso do solo, depreciação de imóveis circunvizinhos, geração de áreas degradadas e transtornos ao tráfego urbano. Estas externalidades geram conflitos com a comunidade, que normalmente têm origem quando da implantação do empreendimento, pois o empreendedor não se informa sobre as expectativas, anseios e preocupações da comunidade que vive nas proximidades da empresa de mineração. 1920 Outra causa de geração de conflitos de natureza social, advém da tendência de “isolacionismo” da empresa/funcionários da dinâmica social local, criando seus próprios nichos de relações humanas e sociais. Isto tende a ser tão mais acentuado, quanto menor for o grau de desenvolvimento da região de implantação. Desativação O tema fechamento de mina ganhou notoriedade nas empresas, nos órgãos competentes e nas comunidades direta ou indiretamente afetadas pela mineração logo que minas centenárias atingiram a exaustão de seus recursos minerais. Essas minas, operadas por pequenas ou grandes empresas, apresentaram ou apresentam impactos sócio-ambientais significativos nas comunidades vizinhas, muitas das vezes ainda não resolvidos, o que tornou a abertura de novas minas cada vez mais restritiva e difícil. No Brasil, há casos de fechamento de mina que foram bem sucedidos, a exemplo da mina de Águas Claras em Belo Horizonte/MG e o Parque das Pedreiras e a Ópera de Arame, ambas localizadas na região metropolitana de Curitiba/PR. . O sucesso na desativação desses empreendimentos se deve muito à localização geográfica privilegiada das minas, pela economia independente, bem desenvolvida e diversificada das comunidades ou pela estratégia empresarial de empreender técnicas e estudos preliminares e planejar e agir com um pouco de antecedência. Em oposição, verificam-se alguns casos sem sucesso que vêm ocorrendo no país, como o da mina de manganês da Serra do Navio no Amapá, cuja empresa responsável ainda enfrenta problemas de ordem sócio-ambiental. Isto sugere a incapacidade de algumas empresas de se anteciparem aos problemas e com isso não conseguirem prever os possíveis impactos nas comunidades afetadas pela mineração, tornando-as alvo de processos judiciais e midiáticos, sem contar com o ambiente deletério e de abandono ao qual a população local é exposta. Um exemplo ilustrativo são as minas de ferro de Carajás, implantadas na década de 80, onde pode ser verificada a grande influência regional do empreendimento, uma vez que vários municípios do entorno nasceram ou se expandiram em função do aporte de pessoas que se destinaram a trabalhar no 1921 empreendimento. Essa influência faz com que tanto a condição vigente, quanto o futuro fechamento dessas minas seja um tema bastante delicado. Com efeito, apesar de já haverem passado vários anos da abertura das minas e desenvolvimento econômico dos municípios do entorno, a dependência da mineração por eles continua significativa e não se identifica mobilização dos interessados em reduzi-la com ações de desenvolvimento local independentes dos empreendimentos de extração mineral. Indicadores Socioeconômicos e Ambientais Complementando aquelas informações e enfatizando os aspectos referentes ao impacto social, um segundo conjunto de dados, constituído dos Índices de Desenvolvimento Humano (IDH), nas suas diversas formas, é apresentado, mostrando a evolução de cada um ao longo do tempo. Com isto, pode-se avaliar a evolução ou deterioração dos padrões de qualidade de vida, assim como identificar ações bem sucedidas, bem como pontos que requeiram ações corretivas. O cálculo dos Indicadores de Desenvolvimento Humano - IDH em nível municipal tem como base a metodologia criada pela ONU, no início da década de 90, que tem sido aplicada por diversos países. O IDH – M sintético, como é chamado, foi idealizado para servir como base empírica a relatórios que monitoram o processo de desenvolvimento social mundial. Segundo a classificação do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento - PNUD, são consideradas regiões de baixo desenvolvimento humano os municípios com o índice abaixo de 0,4. Os valores entre 0,5 e 0,8 são os municípios com médio desenvolvimento humano e acima de 0,8 são aqueles com alto desenvolvimento humano. Os dados analisados a seguir são indicadores municipais, que fazem parte do Atlas de Desenvolvimento Humano no Brasil (FJP e IPEA, 1998) . Os índices para os municípios selecionados serão mostrados no próximo capítulo. As definições e finalidades destes índices são mostrados no quadro 1.5. Quadro 1.5 Indicadores de desenvolvimento humano 1922 Indicador Definição Esperança de vida ao nascer (em anos) Número médio de anos que as pessoas viveriam a partir do nascimento. Taxa de alfabetização de adultos (%) Percentual de pessoas acima de 15 anos de idade que sabem ler e escrever. Taxa bruta de frequência escolar (%) Proporção entre o número total de pessoas em todas as faixas etárias que freqüentam os cursos fundamental, segundo grau ou superior em relação ao total de pessoas na faixa etária de 7 a 22 anos. Renda per capita (em R$ de 2000) Razão entre o somatório da renda de todos os indivíduos (incluindo aqueles com renda nula) e a população total. Índice do IDHM relativo à dimensão Longevidade. É obtido a partir do indicador esperança de vida ao nascer, através da Índice de longevidade (IDHM-L) fórmula: (valor observado do indicador - limite inferior) / (limite superior - limite inferior), onde os limites inferior e superior são Índice do IDHM relativo à Educação. Obtido a partir da taxa Índice de educação (IDHM-E) de alfabetização e da taxa bruta de frequência à Índice de renda (IDHM-R) escola, convertidas em índices por: (valor observado limite inferior) / (limite superior - limite inferior), com limites inferior e superior de 0% e 100%. O IDHM-Educação é a média desses 2 índices, com peso 2 para o da taxa de alfabetização e Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) É obtido pela média aritmética simples de três índices, referentes às dimensões Longevidade (IDHM-Longevidade), Educação (IDHM-Educação) e Renda (IDHM-Renda). Classificação na UF Posição do município dentro do estado a que pertence em relação ao IDHM Classificação Nacional Posição do município no Brasil em relação ao IDHM Este elenco de indicadores dá realmente uma boa imagem da situação do município/região, no que se refere às condições socioeconômicas da população e a medida de evolução, ou deterioração, das diversas condições que compõem o arcabouço da qualidade de vida. Os indicadores considerados abrangem a década de 90. Infelizmente, os dados referentes à presente década ainda não são disponíveis, a menos de alguns casos específicos. Outra consideração é que os indicadores abrangendo toda a população, mascaram eventuais disparidade de renda, dando uma falsa idéia de prosperidade com igualdade. Com vistas corrigir esta distorção, foi acrescentado um indicador adicional, que dá a medida da distribuição da riqueza. O mais conhecido indicador de distribuição de renda é o Índice Gini, calculado por organismos internacionais, como a ONU e o Banco Mundial, e divulgado, anualmente, em seus relatórios. 1923 Mais apropriadamente falando, o Índice Gini mede a concentração de renda na população de um país, expressa num índice que varia de “zero” a “um”. Se todas as pessoas recebessem renda igual, o índice seria “zero”. Por outro lado, se toda a renda fosse recebida por uma única pessoa, em detrimento de todas as demais, o índice seria “um”. Obviamente, as duas situações acima citadas são teóricas, servindo apenas para citar os dois extremos do indicador. Quanto mais próximo de “zero” estiver um índice, menos concentrada estará a renda, enquanto que quanto mais próximo de “um”, mais concentrada estará a renda. Para maior clareza, estes índices serão avaliados no próximo capítulo, após a análise dos recursos financeiros. 1.2 Atividade 2: Diagnóstico do Quadro Institucional e Legal • Estrutura de Financiamento Neste item pretende-se caracterizar os recursos disponibilizados para o município, assim como de que maneira uma atividade mineraria impacta esta estrutura. A idéia não é a de avaliar os recursos disponíveis do lado dos empreendedores, que têm as suas linhas de financiamento pertinentes. Assim, o que se deve conhecer é a capacidade da municipalidade de participar/fomentar a implantação de programas socioeconômicos e criar condições/balizar a implantação de empreendimentos de interesse para o município e sua área de influência. Dentro de um enfoque geral, os principais aportes de recursos federais para os municípios são o ICMS, o FPM – Fundo de Participação dos Municípios, o antigo FUNDEF e o seu sucedâneo, o FUNDEB. Estes representam a quase totalidade das transferências constitucionais. O ICMS tem seu critério de distribuição definido, considerando a geração do Estado e a parcela gerada no município. Assim, é óbvio que a implantação de um empreendimento industrial ou de prestação de serviços gera um incremento de receita ao município. Como a mineração se inclui neste contexto, ela vai gerar renda no município e estado onde está implantada. Há que se ponderar, no entanto, se este minério é destinado à exportação não há incidência de ICMS. Outro aspecto é que, na cadeia produtiva, o minério é o bem de menor valor agregado. Decorre daí a grande diferença, em termos de arrecadação quando a(s) etapa(s) seguinte(s) do processamento ocorre(m) junto à jazida. Há casos 1924 em que isto é obrigatório, como é o caso das jazidas de cobre, níquel, zinco, e todos os demais minérios em que os baixos teores inviabilizam seu transporte em distâncias maiores. O FPM é distribuído em função da população. Também neste caso, a indústria extrativa mineral é a que tem o menor efeito multiplicador, na geração de empregos e, portanto, no incremento da população. Naturalmente isto depende muito do porte do empreendimento, já que uma atividade mineira de larga escala gera demandas e expectativas que levam a fluxos migratórios importantes para a região de implantação. Carajás, como visto é um exemplo típico desta condição. Também vale aqui a observação feita anteriormente, quanto à inclusão de etapas de processamento à jusante. A figura 1.10 mostra o efeito multiplicador de cada estágio d elaboração/processamento. Figura 1.10 – Geração de emprego – efeito multiplicador (IBRAM) Tanto o ICMS, quanto o FPM são incondicionais, isto é, não estão amarrados a destinações, nem exigem contrapartidas. Já o FUNDEB (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação) e o antigo FUNDEF estão condicionados ao desenvolvimento do setor educacional no município. Neste caso, o seu valor é um indicativo de ações tomadas no sentido de melhorar os níveis de instrução da população e indiretamente favorecer a inclusão social. 1925 No caso de municípios com atividades de mineração, há outro aporte de recursos, através do CFEM (Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais), que é uma contraprestação pela utilização econômica de recursos minerais existentes em seus territórios. A alíquota da CFEM baseada no faturamento líquido da venda do produto mineral, é variável de acordo com o minério extraído, conforme estabelecido na Lei 8001/90: Bauxita, minério de manganês, sal-gema e potássio Minério de ferro, fertilizantes, carvão mineral e demais substâncias minerais Ouro (menos o de garimpo, que é isento) Pedras preciosas, coradas, lapidáveis, carbonadas e metais nobres 3% 2% 1% 0,2% Com o aumento da demanda nacional e mundial por recursos minerais, a partir do início deste século, aliado ao aperfeiçoamento da estrutura do DNPM o valor apurado da CFEM saltou de R$160milhões, em2001, para R$742milhões, em2009. •Os 10 primeiros Estados arrecadadores são: MinasGerais(43%), Pará(33%), Goiás(5%), SãoPaulo(4%), Sergipe(3%), Bahia(2%) e SantaCatarina, Matogrosso do Sul e Rio de Janeiro(1%cada); osdemais15 estados e o Distrito Federal respondem pelos 7% restantes. Para avaliar a sua importância reativa destes dois aportes (transferências constitucionais e CFEM) na arrecadação municipal, assim como o seu comportamento ao longo do tempo, os seus valores, referidos a municípios mineradores selecionados, são mostrados, nas figuras 1.11, 1.13, 1.14, 1.15 1926 a Participação dos recursos federais Itabira - Min Fe R$/ano 100% 50% 0% 2005 2007 2009 CFEM 43.142.775,19 54.020.180,04 46.907.175,63 Outros recursos 22.988.840,58 28.777.477,14 38.429.969,19 Anos b Participação dos recursos federais S. G. do Rio Abaixo - MinFe 100% R$/ano 80% 60% 40% 20% 0% 2005 2007 2009 CFEM 6.904.823,15 20.081.240,94 37.028.372,33 Outros recursos 3.145.526,27 4.048.431,70 6.184.331,05 Anos c Participação dos recursos federais Parauapebas - Min Fe 100% R$/ano 80% 60% 40% 20% 0% 2005 2007 2009 CFEM 66.050.601,70 85.004.148,73 165.744.836,88 Outros recursos 29.977.802,73 44.776.425,69 84.474.078,86 Anos Figura 1.11 – Aporte de recursos – Municípios produtores de minério de ferro Como se pode observar, os municípios considerados têm um grande aporte de recursos decorrentes da atividade mineira. No primeiro exemplo (a) é mostrada uma situação de declínio da extração, sugerindo uma perda de arrecadação, caso não sejam implantados novos empreendimentos. O aumento do valor das transferências constitucionais sugere isto (aumento de IPI). Isto é, aliás a indicação de um caminho a ser seguido, ou seja, uma ação preventiva (antes da paralisação) no sentido de criar novas atividades econômicas, para neutralizar o impacto do fechamento da mina. 1927 Figura 1.12 – Cidade de Itabira – Vista para a antiga frente de lavra. O segundo exemplo (b) é o caso de um empreendimento de grande porte ainda numa fase inicial. Pode-se observar o incremento dramático da arrecadação, em relação os níveis modestos anteriores. Observa-se, ainda, que as transferências constitucionais (FPM e FUNDEB) tiveram incrementos discretos, o que sugere pouca atividade no sentido de criação de novos empreendimentos e de investimentos na área de educação. O maciço incremento na arrecadação é um bom alavancador de ações/investimentos na melhoria das condições sócio-econômicas das comunidades vizinhas ao empreendimento. O último caso se refere ao maior empreendimento mineiro do Brasil, em plena operação. Os níveis e os incrementos dos aportes indicam crescimentos de empreendimentos, de população e de ações sociais. Constatando-se a existência de ações desta natureza, o que há que se verificar é quanto à real eficácia destas. Na figura 1.13 são contemplados empreendimentos com diferentes finalidades e características. O primeiro se refere a um conjunto de pedreiras de calcário de pequeno e médio portes, gerando produtos para a agricultura, fabricação de cimento e siderurgia. 1928 a Participação dos recursos federais Arcos - Calcário 100% 80% 60% 40% 20% 0% R$/ano CFEM Outros recursos 2005 2007 2009 400.961,90 818.265,75 885.604,36 10.459.732,74 12.654.564,51 15.175.014,90 Anos b Participação dos recursos federais Tapira - Fosfato R$/ano 100% 50% 0% 2005 2007 2009 CFEM 3.882.396,30 4.503.834,39 5.175.786,37 Outros recursos 3.336.603,51 4.288.166,19 5.259.834,91 Anos c Participação dos recursos federais Oriximiná - Bauxita (Al) R$/ano 100% 50% 0% 2005 2007 2009 CFEM 28.202.472,74 29.810.682,21 26.795.576,20 Outros recursos 19.604.466,89 28.551.639,86 36.957.293,82 Anos Figura 1.13 – Aporte de recursos – Municípios produtores de calcário, fosfato e bauxita Como se observa, a parcela de recursos originados da atividade em si, é pouco relevante o que significa que as fontes de recursos deste município são outras que não a mineração. Há que se observar, no entanto, que o grande número de unidades, empregando um contingente relativamente grande, lhe confere uma grande importância social que não é visível nos números daquelas arrecadações. No caso do fosfato, as arrecadações dos dois tipos são praticamente iguais, mas baixas. Isto indica que não há agregação de valor no município, nem parece haver grandes investimentos ou atividades de fomento. O exemplo da bauxita mostra uma configuração similar à de Tapira, mas em patamares bem mais elevados. A redução dos valores do CFEM é decorrência de retraçai de mercado. Já os outros aportes, crescentes, indicam ações no campo social. 1929 Na figura 1.14 são mostrados os aportes referentes a duas lavras de zinco a Participação dos recursos federais Vazante - Min. Zn 100% R$/ano 80% 60% 40% 20% 0% 2005 2007 2009 CFEM 1.458.596,60 2.457.315,20 2.595.639,90 Outros recursos 6.156.205,71 8.060.048,88 9.784.199,55 Anos b Participação dos recursos federais Paracatu - Au, Min Zn/Pb R$/ano 100% 50% 0% CFEM Outros recursos 2005 2007 2009 3.466.600,57 3.878.839,48 7.684.328,69 18.608.002,40 25.670.543,84 31.949.862,22 Anos Figura 1.14 – Aporte de recursos - Municípios produtores de Zinco As diferenças entre os valores das arrecadações da CFEM se devem às diferenças entre as quantidades de minério de zinco extraídas em cada jazida. A participação do minério silicatado, de Vazante é menor do que a do sulfetado (de Paracatu). Além disto, há, em Paracatú, a parcela correspondente ao ouro. Pelos valores referentes à outra parcela, há indicação que os investimentos de natureza social, são maiores em Paracatu do que em Vazante. Como já mencionado antes, esta região está vivenciando sérios problemas decorrentes do surgimento de dolinas, que impactam negativamente as atividades agropastoris circunvizinhas, além 1930 de também ocorrerem dentro do perímetro urbano, afetando o sistema viário e provocando comprometimento de construções. a Participação dos recursos federais Fortaleza de Minas - Min Ni R$/ano 100% 50% 0% 2005 2007 2009 CFEM 3.790.300,91 1.927.988,95 1.245.681,48 Outros recursos 2.910.289,22 3.734.844,61 4.472.157,61 Anos b Participação dos recursos federais Niquelândia - Min Ni/Co R$/ano 100% 50% 0% CFEM Outros recursos 2005 2007 2009 175.696,98 2.122.929,25 2.082.792,36 12.931.990,99 15.308.768,61 22.242.119,37 Anos c Participação dos Recursos federais Barro Alto - Min Ni 100% R$/ano 80% 60% 40% 20% 0% 2005 2007 2009 CFEM 1.210.347,06 2.264.832,42 2.115.597,31 Outros recursos 3.853.031,17 4.434.465,43 5.629.200,16 Anos Figura 1.15 – Aporte de recursos - Municípios produtores de Níquel Como no caso do minério de ferro, são mostradas três situações, na figura SS. 1931 Na primeira (a) a operação está em declínio, devido ao esgotamento da mina. Como é mostrado na figura, há uma queda gradual da arrecadação do CFEM, enquanto o segundo aporte cresce, sugerindo algum investimento em programas sociais, mas que, pelo valor, parecem ser modestos. Neste caso, como há também uma unidade metalúrgica, produzindo mate (mix de sulfetos de Ni, Cu e Fe) e ácido sulfúrico. Neste caso os níveis de arrecadação do município não serão muito afetados. Na segunda situação a mina opera em ritmo normal, alimentando usina própria, situada próximo à mina. A ampla predominância da parcela correspondente à transferências constitucionais decorre do fato de as unidades metalúrgicas, agregadoras de valor estão instaladas no município. O último caso é o de uma jazida ainda com baixa produção. Junto a ela está sendo construída uma unidade metalúrgica, que consumirá o minério. A pequena participação da CFEM no total pode indicar investimentos em programas sociais. Para se avaliar melhor a relação dos aportes com programas sociais, foram considerados dois casos. Transferências constitucionais Juruti 30.000 Valores anuais - R$1000 25.000 20.000 15.000 10.000 5.000 0 1999 2001 2003 2005 2007 2009 Total 3.969 5.259 7.433 11.140 16.898 25.101 FPM 2.188 3.001 4.089 5.581 7.060 8.037 FUNDEB 1.724 2.187 3.264 5.343 9.508 16.912 1932 Figura 1.16 – Evolução dos aportes das transferências constitucionais O primeiro é o de um empreendimento que esteve em fase de projeto e implantação até recentemente, só agora entrando em produção. Neste caso, os aportes até então, foram somente das transferências constitucionais. O período considerado no gráfico da figura 1.16 abrange o tempo anterior ao início do empreendimento e todo o tempo de exploração, projeto e construção. Pela figura pode-se ver que até 2005 o FPM predominava sobre o FUNDEB (na época FUNDEF) e ambos cresciam vegetativamente. Por ocasião do início da atuação do empreendedor no município (época de exploração, projeto e montagem) o FPM seguiu seu crescimento gradual, enquanto o do FUNDEB teve um ponto de inflexão, passando a crescer em um ritmo sensivelmente mais acelerado. Em 2009 o seu valor já era o dobro daquele do FPM. Como se sabe, o valor do FUNDEB exige uma contrapartida em programas educacionais, que são avaliados por uma série de índices. Assim, o crescimento do seu valor decorreu de uma melhoria acentuada no desempenho do município neste segmento. Que isto ocorreu em decorrência da implantação do empreendimento mineiro, parece claro. 1933 Transferências constutucionais e CFEM Canaan dos Carajás 30.000 Valores anuais - R$1000 25.000 20.000 15.000 10.000 5.000 0 1999 2001 2003 2005 2007 2009 Total 2.491 3.024 3.653 5.929 10.972 16.427 FPM 1.250 1.810 2.045 2.790 4.412 7.032 FUNDEB 1.194 1.129 1.509 2.867 5.084 8.172 0 0 0 14.834 23.596 25.243 CFEM Figura 1.17 – Evolução das transferências constitucionais e impacto da CFEM O segundo caso também é de um empreendimento de implantação recente, mas que está operando já há algum tempo. O período considerado foi o mesmo do caso anterior. Como se pode observar, neste caso, os investimentos em programas educacionais foram tímidos. Outra observação é sobre o impacto da entrada em operação sobre o aporte de recursos. A exemplo do que foi feito anteriormente, chama-se a atenção para a aparente falta de ações efetivas empregando os novos recursos. Qualidade de vida Conforme exposto anteriormente, há vários indicadores para medir a qualidade de vida, bem como a sua evolução. 1934 Os municípios selecionados para esta avaliação são do mesmo grupo que foi usado para avaliar os recursos disponibilizados. Para esta avaliação, foram descartados aqueles que têm menor dependência com a atividade minerária. Com efeito, nestes casos não há como identificar a influência da mineração no desenvolvimento social. Nas figuras, que seguem na seqüência, são mostrados os índices para os casos selecionados. Pretende-se com estes exemplos contemplar as principais configurações em que pode se encontrar os diversos empreendimentos minerários. Para maior clareza, os indicadores foram distribuídos em sub-grupos. I. Itabira O primeiro cenário contempla um empreendimento maduro, tendendo para sua desativação no médio prazo. A comunidade já está totalmente inserida no contexto e já existe um modus vivendi consolidado. Não cabe aqui discutir se as ações do passado foram ou não corretas. Os resultados já estão inseridos no cenário. Na realidade, os principais questionamentos se referem às ações relativas á futura desativação. As figuras que se seguem mostram a evolução dos indicadores na década passada. O exemplo típico deste cenário é o de Itabira. Indicadores - Itabira - 1 Indicadores Itabira 2 100,00 1,000 90,00 0,900 80,00 0,800 70,00 0,700 60,00 0,600 0,500 50,00 0,400 40,00 0,300 30,00 0,200 20,00 0,100 10,00 0,000 0,00 Esperança de vida ao nascer (em anos) Taxa de alfabetização de adultos (%) Taxa bruta de frequência escolar (%) 1991 67,72 85,90 69,97 2000 72,80 90,35 87,65 Índice de Índice de longevidade (IDHM-L) educação (IDHM-E) 1991 0,712 0,806 2000 0,797 0,894 1935 Figura 1.18 Os índices referentes à expectativa de vida e escolaridade mostram valores consolidados, mostrando uma comunidade madura. O desafio seria a manutenção destes índices quando da redução da produção, até a desativação final. É desejável que o empreendedor, junto com o poder público desenvolvam/estimulem atividades econômicas sucedâneas. Indicadores - Itabira 3 Itabira Renda per capita (em R$ de 2000) 0,900 0,800 300,00 0,700 250,00 0,600 0,500 200,00 0,400 150,00 0,300 0,200 100,00 0,100 50,00 0,000 Índice de renda (IDHM-R) Índice de Desenvolvimento Humano Municipal Índice de Gini 1991 0,662 0,727 0,570 2000 0,704 0,798 0,560 0,00 Renda per capita (em R$ de 2000) 1991 2000 205,99 264,52 Figura 1.18 O índice de desenvolvimento humano mostrou uma boa evolução na década, mais uma vez indicando uma posição consolidada. O mesmo pode ser dito com respeito aos indicadores de renda, mostrando uma estabilidade na distribuição da renda. A renda per capita está num patamar intermediário, acima da média nacional. II. São Gonçalo do Rio Abaixo Atualmente, há, neste município, um grande empreendimento minerário. Porém na década de 90 esta atividade era inexistente ou, no máximo, incipiente no final do período. Deste modo, os indicadores, mostrados nas figuras que se seguem, representam um cenário anterior ao atual. Indicadores S. G. do Rio Abaixo 1 Indicadores S. G. do Rio Abaixo 2 90,00 0,900 80,00 0,800 70,00 0,700 60,00 0,600 50,00 40,00 30,00 0,500 0,400 0,300 20,00 0,200 1936 Figura 1.19 A evolução dos índices de longevidade e escolaridade sugerem alguma ação do empreendedor, mas com resultados ainda modestos. Indicadores S. G. Do rio abaixo 3 S. G. do Rio Abaixo Renda per capita (em R$ de 2000) 0,800 135,00 0,700 0,600 130,00 0,500 125,00 0,400 120,00 0,300 115,00 0,200 110,00 0,100 105,00 0,000 Índice de renda (IDHM-R) Índice de Desenvolvimento Humano Municipal Índice de Gini 1991 0,561 0,611 0,560 2000 0,587 0,701 0,540 Figura 1.20 100,00 Renda per capita (em R$ de 2000) 1991 2000 112,66 131,17 1937 Os indicadores de renda e desenvolvimento humano, mostram uma comunidade de baixa renda, mas acima do nível de pobreza. O índice de Gini, sugere um poder aquisitivo razoavelmente homogêneo. O patamar de renda vem a corroborar estas observações. Uma comunidade com estas características, essencialmente voltada a culturas de subsistência é extremamente vulnerável aos impacto sociais de um empreendimento de grande porte. Assim, a identificação de um cenário como este indica que cuidados excepcionais devem ser tomados, para se evitar conseqüências catastróficas e irreversíveis. III. Fortaleza de Minas O cenário que caracteriza o caso deste município é o de um empreendimento minerário integrado, tendo a jusante instalações de concentração (flotação) e processamento metalúrgico (fusão a mate). Com isto, o produto final do complexo é um produto com maior valor agregado do que o minério em si. Indicadores Fortaleza de Minas 2 Indicadores Fortaleza de Minas 1 90,00 0,900 80,00 0,800 70,00 0,700 60,00 0,600 50,00 0,500 40,00 0,400 30,00 0,300 20,00 0,200 10,00 0,100 0,00 1991 2000 Esperança de vida ao nascer (em anos) Taxa de alfabetização de adultos (%) Taxa bruta de frequência escolar (%) 69,06 77,21 52,15 1991 0,734 0,689 77,50 2000 0,817 0,827 74,04 85,24 0,000 Índice de longevidade Índice de educação (IDHM-L) (IDHM-E) 1938 Figura 1.20 Indicadores Fortaleza de Minas 3 Fortaleza de Minas Renda per capita (em R$ de 2000) 0,900 250,00 0,800 0,700 200,00 0,600 0,500 150,00 0,400 0,300 100,00 0,200 0,100 50,00 0,000 Índice de renda (IDHM-R) Índice de Desenvolvimento Humano Municipal 0,00 Índice de Gini 1991 0,602 0,675 0,530 2000 0,650 0,765 0,470 Renda per capita (em R$ de 2000) 1991 2000 143,41 191,97 A jazida de Fortaleza de Minas está em processo de esgotamento, mas como existem as instalações de processamento, a planta seguirá operando, após a desativação da mina, com concentrados externos, o que já vem ocorrendo em parte. Apesar de ser um empreendimento maduro, os seus indicadores estão aquém daqueles de Itabira. Observando os indicadores de renda, pode-se ver que o poder aquisitivo não é muito alto, o que é mostrado na renda per capita. O índice de Gini indica uma distribuição de renda razoavelmente equilibrada. Aparentemente, há margem para melhorar aqueles índices. IV. Paracatu O cenário de Paracatu caracteriza uma atividade mineira já consolidada e diversificada, com diferentes produtos. A mina de zinco (sulfetado) tem a jusante uma unidade de concentração (flotação), que gera produto para a unidade metalúrgica, em Três Marias. A unidade produtora de ouro é de outra empresa. Indicadores Paracatu 1 Indicadores Paracatu 2 100,00 0,900 90,00 0,800 80,00 0,700 70,00 60,00 0,600 50,00 0,500 40,00 0,400 30,00 0,300 1939 Figura 1.22 Os índices do município poderiam ser melhorados, mas isto não seria de responsabilidade exclusiva das mineradoras, uma vez que há outras atividades na região, notadamente a agro-pastoril. O desejável seria que o poder municipal coordenasse as ações com os diversos empreendedores. Indicadores Paracatu 3 Paracatu Renda per capita (em R$ de 2000) 0,800 0,700 250,00 0,600 200,00 0,500 0,400 150,00 0,300 0,200 100,00 0,100 50,00 0,000 Índice de renda (IDHM-R) Índice de Desenvolvimento Humano Municipal Índice de Gini 1991 0,623 0,680 0,580 2000 0,675 0,760 0,610 0,00 Renda per capita (em R$ de 2000) 1991 2000 163,26 223,04 1940 Figura 1.23 Os indicadores correspondentes à renda, e sua distribuição, mostra números preocupantes, já que a renda é baixa e a disparidade de renda é crescente. Isto sugere a implementação de programas de fomento, visando uma maior diversificação da atividade econômica e um incremento da inclusão social. V. Tapira A complexo de Tapira é constituído da lavra, beneficiamento, concentração e envio por mineroduto. É uma operação consolidada, inserido em outras atividades minerarias e agropecuárias, na região. IndicadoresTapira 1 Indicadores Tapira 2 0,840 100,00 90,00 0,820 80,00 70,00 0,800 60,00 0,780 50,00 40,00 0,760 30,00 0,740 20,00 10,00 0,720 0,00 Esperança de vida ao nascer (em anos) Taxa de alfabetização de adultos (%) Taxa bruta de frequência escolar (%) 1991 70,07 84,44 55,81 1991 0,751 0,749 2000 74,61 88,19 71,37 2000 0,827 0,826 0,700 Índice de longevidade Índice de educação (IDHM-L) (IDHM-E) 1941 Figura 1.24 Os indicadores de longevidade e escolaridade estão em patamares satisfatórios. Em parte, a sua representatividade não é absoluta, uma vez que o município está na área de influência de Araxá (35 km). Mas, de qualquer maneira pode-se registrar o grande incremento dos índices de longevidade e educação, na década passada. Tapira Renda per capita (em R$ de 2000) Indicadores Tapira 3 0,900 300,00 0,800 0,700 250,00 0,600 0,500 200,00 0,400 150,00 0,300 0,200 100,00 0,100 0,000 50,00 Índice de renda (IDHM-R) Índice de Desenvolvimento Humano Municipal Índice de Gini 1991 0,653 0,718 0,510 2000 0,688 0,780 0,520 0,00 Renda per capita (em R$ de 2000) 1991 2000 195,01 240,63 Figura 1.24 Os indicadores de renda, distribuição e de desenvolvimento humano estão dentro de patamares satisfatórios, que, de resto é uma característica da região. VI. Parauapebas A atividade mineraria da região é a maior do país com seu complexo de minas de ferro e manganês e, na sua área de influência, as de cobre e níquel. Como já visto nos números referentes aos repasses de recursos, o aporte para o município é bastante elevado. Some-se àqueles valores o ICMS que equivale a quase a metade do repassado para a capital. 1942 Obviamente, a mineração é o seu principal recurso natural. Outra fonte de recurso é a pecuária, porém esta não chega a ter o mesmo peso na balança comercial do município como a mineração. Paralelamente, está em constante desenvolvimento o setor de serviços destinado principalmente a atender aos grandes projetos industriais de explotação de minério de ferro, manganês e cobre instalados na região. Esta disponibilidade de recursos e a atuação do principal empreendedor resultaram no incremento nos indicadores, como pode ser visto nas figuras que se seguem. Indicadores Parauapebas 1 Indicadores Parauapebas 2 90,00 0,900 80,00 0,800 70,00 0,700 60,00 0,600 50,00 0,500 40,00 0,400 30,00 0,300 20,00 0,200 10,00 0,100 0,00 Esperança de vida ao nascer (em anos) Taxa de alfabetização de adultos (%) Taxa bruta de frequência escolar (%) 1991 60,88 77,79 58,00 1991 0,598 0,712 2000 67,22 83,70 85,70 2000 0,704 0,844 0,000 Índice de longevidade Índice de educação (IDHM-L) (IDHM-E) Figuras 1.25 Como se observa, há incrementos interessantes, mas pode-se dizer que eles poderiam ser melhores, considerando os volumes de recursos disponíveis. Pela observação dos indicadores de renda, pode-se dizer que o crescimento relativamente pouco acentuado do índice de renda e o aumento da disparidade entre as rendas individuais, são um reflexo do enorme fluxo migratório para a região, que, iniciado nas décadas de 70 e 80, permanece até os dias de hoje. Isto é estimulado pela facilidade de se chegar à cidade por meio do trem de passageiros, que diariamente traz consigo diversos migrantes em busca de melhores oportunidades. Esse grande contingente é formado por pessoas com baixa 1943 escolaridade e sem recursos financeiros, que formam hoje o grande exército de reserva principalmente para as empreiteiras que vem se instalar na região. Parauapebas Renda per capita (em R$ de 2000) Indicadores Parauapebas 3 0,800 225,00 0,700 220,00 0,600 0,500 215,00 0,400 210,00 0,300 205,00 0,200 200,00 0,100 195,00 0,000 Índice de renda (IDHM-R) Índice de Desenvolvimento Humano Municipal 190,00 Índice de Gini 1991 0,659 0,656 0,580 2000 0,674 0,740 0,670 Renda per capita (em R$ de 2000) 1991 2000 202,44 221,48 Figuras 1.25 No que se refere a investimentos na infra-estrutura urbana o município dispõe, na maioria dos bairros, de infra-estrutura básica como água tratada, limpeza urbana, rede e tratamento de esgoto, telefonia fixa e celular, pavimentação das ruas, rede de ensino que vai desde o maternal até a universidade. A cidade conta ainda com hospital municipal e rede de hospitais e clínicas particulares, com diversas especialidades, que atendem tanto a população local como originárias da área rural e de outros municípios do entorno. Como os indicadores mostram, isto não tem sido suficiente para atender ao enorme contingente, que vive na periferia das cidades, gerando um processo de favelização. Como se observa, o caso de Parauapebas é emblemático e é um alerta para os cuidados a serem tomados em empreendimentos futuros. Naturalmente, o porte de um Carajás é raro, mas aquelas implicações podem surgir em empreendimentos menores. Este sé o caso de Canaã dos Carajás, de desenvolvimento recente, mas também com um forte impacto social. Indicadores Canaã dos Carajás 1 Indicadores Canaã dos Carajás 2 90,00 0,900 80,00 0,800 70,00 0,700 60,00 50,00 40,00 0,600 0,500 0,400 30,00 0,300 20,00 0,200 1944 Figuras 1.26 Os indicadores de 1991 dão a medida da precariedade das condições, antes da implantação da mina/concentração de cobre. A evolução verificada em 2000 mostra os efeitos positivos na economia da região. Naturalmente, a conotação social, no que se refere aos valores da comunidade devem ser observados. Canaã dos Carajás Renda per capita (em R$ de 2000) Indicadores Canaã dos Carajás 3 0,800 180,00 0,700 160,00 0,600 140,00 0,500 120,00 0,400 100,00 0,300 80,00 0,200 60,00 0,100 40,00 20,00 0,000 Índice de renda (IDHM-R) Índice de Desenvolvimento Humano Municipal Índice de Gini 1991 0,501 0,549 0,520 2000 0,627 0,699 0,620 0,00 Renda per capita (em R$ de 2000) 1991 2000 78,53 167,46 1945 Figuras 1.27 Os indicadores de renda mostram uma evolução boa para o período, considerando a implantação recente do projeto. No entanto há que se notar a deterioração da distribuição de renda. Os valores da renda per capita mostram o baixo nível de renda antes da implantação. VII. Oriximiná A lavra de bauxita no município já é uma atividade consolidada. Indicadores Oriximiná 2 Indicadores Oriximiná 1 90,00 0,900 80,00 0,800 70,00 0,700 60,00 0,600 50,00 0,500 40,00 0,400 30,00 0,300 20,00 0,200 10,00 0,100 0,00 Esperança de vida ao nascer (em anos) Taxa de alfabetização de adultos (%) Taxa bruta de frequência escolar (%) 1991 60,13 80,70 67,49 2000 69,00 85,11 78,07 0,000 Índice de longevidade Índice de educação (IDHM-L) (IDHM-E) 1991 0,586 0,763 2000 0,733 0,828 Figuras 1.28 Os indicadores estão dentro de limites razoáveis apesar de poderem ter alguma melhoria. Os indicadores de renda sugerem um poder aquisitivo relativamente baixo, provavelmente referido à população não vinculada ao empreendimento. Oriximiná Renda per capita (em R$ de 2000) Indicadores Oriximiná 3 0,800 160,00 0,700 140,00 0,600 120,00 0,500 100,00 0,400 80,00 0,300 60,00 0,200 40,00 0,100 20,00 0,000 Índice de renda (IDHM-R) 1991 0,558 Índice de Desenvolvimento Humano Municipal Índice de Gini 0,636 0,590 0,00 Renda per capita (em R$ de 2000) 1991 2000 110,67 134,23 1946 Figuras 1.29 Observa-se que os níveis de renda estão relativamente baixos e há uma ligeira tendência de concentração de renda, sugerindo a necessidade de implementação de programas sócio-econômicos. VIII. Barro Alto Os indicadores do município devem passar por um grande incremento, quando da posta em marcha da unidade produtora de ferro-níquel, quando a mina ficará cativa desta. Atualmente, a sua produção é relativamente pequena, alimentando parcialmente a sua unidade de Niquelândia. O empreendedor desenvolveu um Plano de Envolvimento com a Comunidade (PEC), a ser implementado a partir deste ano. Os seus objetivos básicos são: • identificar, compreender ambientais,econômicos e e reconhecer sociais os decorrentes eventuais das impactos atividades do empreendedor na comunidade. Prevenir e minimizar os impactos negativos e melhorar os efeitos dos impactos positivos; identificar, compreender e reconhecer as percepções das partes interessadas assim como suas aspirações e necessidades. Considerar essas percepções nas ações e práticas da empresa, levando em conta a relevância dos assuntos e a precisão das informações; • envolver as partes interessadas na solução e gerenciamento dos impactos sociais e ambientais e no desenvolvimento da comunidade; • comunicar às partes interessadas as decisões, ações e impactos da empresa; 1947 • identificar e apoiar oportunidades de investimento social na comunidade; • identificar e apoiar oportunidades de dinamização da economia local. A evolução dos dois últimos itens pode ser monitorada através dos indicadores mostrados. Legislação Aplicada Com relação à mineração e meio ambiente, há no Brasil um conjunto de regulamentações, emanadas dos três níveis de poder estatal , cujas atribuições são mostradas no quadro a seguir. No âmbito federal, os órgãos que têm a responsabilidade de definir as diretrizes e regulamentações, bem como atuar na concessão, fiscalização e cumprimento da legislação mineral e ambiental para o aproveitamento dos recursos minerais são: Ministério do Meio Ambiente – MMA Ministério de Minas e Energia – MME Secretaria de Minas e Metalurgia – SMM/MME Departamento Nacional de Produção Mineral – DNPM CPRM (Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais Agência Nacional de Águas – ANA Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA Conselho Nacional de Recursos Hídricos – CNRH 1948 Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis – IBAMA Centro de Estudos de Cavernas – CECAV (IBAMA) Está em curso, em fase de aprovação final, o novo Código de Mineração, que cria um novo marco regulatório, que Dispõe sobre a política nacional para o aproveitamento dos recursos minerais e institui o Conselho Nacional de Política Mineral (CNPM), cria a• Agência Nacional de Mineração (ANM), em substituição do atual DNPM. O Conselho Nacional de Política Mineral será o órgão de assessoramento da Presidência da República para a formulação e implementação da política mineral. As principais atribuições da Agência Nacional de Mineração serão a regulamentação e fiscalização das atividades de pesquisa e mineração, a arrecadação da compensação financeira pela exploração de recursos minerais (CFEM) e a mediação em conflitos de interesse. O novo marco objetiva promover a gestão estratégica das atividades de exploração, produção e comercialização de bens minerais, aumentar os investimentos na pesquisa e lavra, fomentar a agregação de valor na cadeia produtiva mineral, estimular maximização do aproveitamento das jazidas e promover o controle ambiental da mineração, até o encerramento das atividades. No quadro que se segue, são mostradas as modificações das competências dos diversos órgãos envolvidos. 1949 No novo Código foram alteradas as regras para a concessão de pesquisa e lavra, objetivando evitar o engessamento de áreas requeridas, mantidas como “reservas” pelas empresas concessionárias. Além disto, as novas regras trazem um maior engajamento da empresa com as comunidades locais e exigem definições com respeito à futura desativação do empreendimento. As novas regras são apresentadas na forma de quadros, como se segue. 1950 1951 Outra condicionante à implantação de projetos minerários é a observação das restrições em áreas com restrições a estas atividades, que são as Unidades de Conservação (UC). As UC têm, em função da sua natureza e localização, têm exigências/restrições em extensões variáveis. Os mapas que se seguem mostram estas áreas por tipo e, ainda, as áreas com concessões de pesquisa e lavra. 1952 1953 1954 Perspectivas IX. Projeções de Expansão do Setor 1955 O quadro a seguir mostra as previsões de expansão do setor mineral no curto prazo. A consolidação destes incrementos depende das condições de mercado. PARTE 2 POLÍTICAS E MELHORES PRÁTICAS Políticas e Melhores Práticas Nacionais e Internacionais I. Melhores Práticas Nacionais Há várias políticas adotadas pelos empreendedores, no Brasil. Dentro de um enfoque genérico é sempre recomendável agregar valor ao bem primário, mas isto nem sempre é factível em toda a sua extensão. Com efeito, como mencionado no início deste documento, o bem mineral é , antes de tudo um patrimônio da humanidade. Assim, o fornecimento de matéria prima para outras regiões que não a possuem é um dever de qualquer membro da comunidade internacional. Esta premissa se aplica principalmente em bens minerais produzidos/consumidos em larga escala, como é o caso do minério de ferro. Já em outros casos, como, por exemplo, o nióbio, o fornecimento da liga atende ao cliente. 1956 II. Ações desejáveis/aspectos favoráveis Contrapondo aos aspectos negativos há, também os favoráveis. Além disto, há uma série de ações possíveis, que neutralizam ou atenuam muitos daqueles inconvenientes. Estes itens são relacionados/comentados no seguimento • geração de emprego devido à demanda de mão-de-obra para a execução da ação. • dinamização da economia local em conseqüência do consumo de produtos, ocorrendo assim um maior fluxo de dinheiro na cidade. • redução do risco de contaminação com a disposição adequada dos resíduos (óleos e latas). • menor extração de matéria prima devido à recuperação manufaturada de lubrificantes e reciclagem de material. • prevenção da contaminação do solo por meio da instalação de caixa cimentada coletora de óleos e graxas e dos efluentes. • prevenção na contaminação das águas superficiais com a instalação de bacias de decantação ou caixas coletoras dos efluentes. • acondicionamento adequado das embalagens minimiza os riscos decontaminação edáfico. • possível recuperação da paisagem natural devido à transformação visual/física do ambiente decorrente da fase de desativação do empreendimento. • provável aumento do número de indivíduos de espécies do Cerrado no local • decorrente do processo de revegetação na fase de desativação. • possível retorno da fauna ao local em conseqüência do processo de revegetação da área na fase de desativação. • possível melhora da qualidade do ar devido ao aumento dos níveis de oxigênio no ar e diminuição de outros poluentes decorrentes da fase desativação. • possível melhora das propriedades do solo em conseqüência da revegetação da área que impedirá possíveis processos de erosão e lixiviação do solo decorrentes da fase de desativação. 1957 • possível melhora da qualidade da água subterrânea decorrente da revegetação da área que servirá como proteção para o solo e este para a água subterrânea decorrentes da fase de desativação. III. Lições Aprendidas Como discorrido, dentre as lições aprendidas está a necessidade de avaliação das implicações de caráter ambiental e social, com ênfase nesta última. Estas avaliações devem ser feitas antes da implantação, pela análise da realidade da região de implantação, de modo a permitir ações preventivas. Os indicadores mostrados são de grande utilidade para isto e, ainda, como ferramentas de monitoramento para aferir resultados e criar ações corretivas. Naturalmente a correção de situações consumadas, também é uma necessidade mas, obviamente é muito mais trabalhosa. PARTE 3 • TENDÊNCIAS E DESAFIOS PARA O SETOR • Tendências e Desafios I. Inovações Tecnológicas É difícil falar de inovações tecnológicas, referidas a uma ou outra tecnologia. Montadas pela natureza, cada jazida tem a sua particularidade e para ela fazse necessária uma tecnologia específica. É claro que os circuitos são montados pelo seqüenciamento de operações unitárias, embutidas em equipamentos. É o modo de combiná-las e especificá-las é que tem que ser estabelecido caso a caso. Isto implica, em quase todos os casos no desenvolvimento de engenharia conceitual e sua confirmação em instalações piloto. 1958 A história está cheia de casos de fracassos, decorrentes da não observação desta diretriz. Naturalmente, empreendimentos simples, de pequeno porte podem ser agilizados, já que as conseqüências de algum desvio do desempenho não são comprometedoras. Este seria o caso da brita para a construção civil. Um outro aspecto a ser considerado é que as concentrações dos componentes úteis nos minérios tendem a ser cada vez menores, o que implica não só no desenvolvimento de tecnologias mais eficientes e menos onerosas, quanto ter em mente que as gerações de estéril vão aumentar e, portanto os procedimentos de deposição e/ou reciclagem, devem ser revistos. Os principais avanços científicos e inovações tecnológicas na mineração, nos países de maior tradição mineira, estão relacionados com a intensa mecanização e automação das operações de lavra, tanto a céu aberto quanto em subsolo. O desmonte de rochas a céu aberto caminha para a adoção de grandes diâmetros de perfuração, diminuindo assim a quantidade de furação e o custo associado. Os explosivos do tipo blends tendem a predominar, sendo que o carregamento deverá ser efetivado a partir de caminhões com bombeamento do explosivo para os furos de detonação e com operação de um único homem. Este comandará o enchimento dos furos e a mescla de explosivos, a partir dos quais se fará o explosivo do tipo blend. A adoção de detonadores eletrônicos fará com que a iniciação dos fogos seja feita com maior precisão, melhorando, de um modo geral, a fragmentação e os problemas ambientais (ruído e vibração). Estudos estão sendo realizados para obtenção de dados sobre as características mecânicas do maciço a partir da perfuração. Informações, como dureza da rocha, poderão ser transmitidas on-line para o escritório de apoio, que poderá utilizá-las para otimização do plano de fogo. Equipamentos de grande porte têm sido adotados nas grandes operações a céu aberto, levando à redução da quantidade de caminhões, diminuição da mão-deobra, aumento da produção e produtividade, acompanhado de uma significativa redução de custos, tornando esses países mais competitivos no mercado internacional. No Brasil, devido a dificuldades pontuais, a adoção de caminhões de 1959 menor porte ou rodoviários adaptados tem sido uma prática usual, mesmo em algumas minas de maior porte. A utilização de GPS e pesagem tem agilizado imensamente as operações de carregamento e transporte. Em tempo real é possível conhecer a quantidade e qualidade do minério lavrado. Sistemas de dispatching direcionam os caminhões para as escavadeiras/carregadeiras otimizando a utilização dos equipamentos. No Brasil, esses sistemas ainda não têm ampla utilização. Custos envolvidos na aquisição de softwares importados podem ser a principal causa de uma certa contenção na sua utilização. O planejamento de lavra baseado na modelagem dos atributos geometalúrgicos de um depósito está em pleno desenvolvimento, sustentado pela introdução de inúmeros softwares desenvolvidos essencialmente no exterior. A geoestatística assume importância vital nessa área. Diversos grupos atuam no exterior enfocando este tema para a mineração tradicional e no petróleo. No Brasil, ainda são poucos os grupos que se dedicam a esta área de conhecimento. Necessidades de Financiamento/ Novas políticas Uma grande empresa tem, de um modo geral, acesso a linhas de financiamento. Talvez a maior necessidade de financiamento está nos empreendimentos pequenos e médios. Isto teria um duplo objetivo. Primeiro, pela facilitação do financiamento o empreendimento é viabilizado. Em segundo lugar, isto permite ao financiador disciplinar o empreendimento, evitando planos de lavra predatórios, agressão injustificada ao meio ambiente, criação de problemas sociais etc. Em outras palavras, desde que tenha o devido respaldo financeiro, a mineração em pequena escala poderá incrementar suas atividades, seja através do melhoramento de seus processos de pesquisa e extração, seja através da assistência técnica, transferência de tecnologia e desenvolvimento tecnológico, em atendimento às suas necessidades tais como aumento de produção e demandas sociais. 1960 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES As atividades minerarias são, pela sua própria natureza, agressivas ao meio ambiente, o que exige o desenvolvimento de procedimentos com vistas a mitigar estes efeitos negativos. As soluções destes casos são problemas de engenharia. No Brasil, existe uma série de instrumentos de gestão pública capazes de promover o desenvolvimento sustentável da mineração. No entanto, com referência à gestão pública verifica-se uma deficiência na integração entre os diversos órgãos gestores e a ausência de mecanismos para essa integração. Também, a participação social ainda é limitada, principalmente, devido à carência e a pouca disseminação das informações, durante o acompanhamento e o monitoramento das atividades. Sob a ótica social, a implantação de um empreendimento em comunidades sócia e economicamente vulneráveis, podem ter um efeito devastador sobre elas, quase sempre irreversíveis. Assim, é fundamental proceder ações preventivas, no sentido de minimizar/neutralizar impactos desta natureza. Este problema é bem mais complexo que o primeiro e a sua abordagem deve ser planejada caso a caso. Os indicadores do desenvolvimento humano, são parâmetros úteis para esta avaliação, já que permite identificar a natureza de cada ponto crítico. Finalmente, recomenda-se fazer uma revisão deste documento, quando da disponibilização do novo Atlas IDH, previsto para este ano. 1961 BIBLIOGRAFIA CENTRAL POLLUTION CONTROL BOARD . MINISTRY OF ENVIRONMENT AND FORESTS. 2008. COMPREHENSIVE INDUSTRY DOCUMENT ON IRON ORE MINING - Govt. of India –Disponível no site www.cpcb.nic.in SOUZA SILVA, João Paulo. Impactos ambientais causados por mineração. Revista Espaço da Sophia - Nº 08 – Nov/2007 da SILVEIRA, Leonardo Ramos ; Mendonça, Rose Mary Gondim .ASPECTOS E IMPACTOS AMBIENTAIS DA MINERAÇÃO NA REGIÃO CENTRAL DO ESTADO DO TOCANTINS. Engenharia Ambiental - Espírito Santo do Pinhal, v. 6, n. 2, p. 191208, mai /ago 2009 Ministério de Minas e Energia – PORMIN. Gestão na Mineração em Pequena Escala LIMA, Maria Helena M. Rocha; FERNANDES, Francisco Rego Chaves. 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