IMPACTO DO PREÇO INTERNACIONAL DO AÇÚCAR NO MERCADO
BRASILEIRO DE COMBUSTÍVEIS LEVES
[email protected]
APRESENTACAO ORAL-Comercialização, Mercados e Preços
LUIZA CARNEIRO MARETI VALENTE1; LUIZ FERNANDO SATOLO2.
1.UFF, NITERÓI - RJ - BRASIL; 2.ESALQ/USP, PIRACICABA - SP - BRASIL.
Impacto do preço internacional do açúcar no mercado brasileiro de
combustíveis leves
Grupo de Pesquisa: Comercialização, mercados e preços
Resumo
Com excesso de demanda e restrição de oferta, o mercado internacional do açúcar
em 2009 apresentou preços extremamente atrativos. Logo, as usinas que contam com a
possibilidade de arbitrar entre a produção de açúcar e etanol tendem a priorizar a produção
do primeiro em detrimento à do segundo. Entretanto, o etanol é um importante item da
matriz energética nacional. Com isso em vista este artigo analisou o potencial impacto de
um choque de 160% no preço internacional do açúcar sobre a economia brasileira e seus
desdobramentos sobre os setores sucroenergético, de gasolina e gasoalcool, por meio de
um modelo de equilíbrio geral (ORANIG), calibrado com dados de 2004. A simulação foi
realizada para efeitos de choques de curto prazo. O resultado final desse choque causaria
um aumento de 0,48% no PIB real, um aumento de 0,44% no emprego agregado e um
aumento de 2,49% no salário nominal. A paridade de preços etanol/gasolina permaneceria
favorável ao biocombustível (0,6312), não justificando a análise de uma alteração nos
impostos dos combustíveis. Concluiu-se que, apesar do deslocamento da produção, o preço
dos combustíveis não seria muito alterado, não trazendo tantos prejuízos ao consumidor
doméstico.
Palavras-chaves: Mercado de Açúcar, Etanol, Choque de preços, Modelo de Equilíbrio
Geral.
Impact of sugar international price over the Brazilian market of light fuels
Abstract
International sugar market in 2009 suffered with excessive demand and constrained supply,
leading to extremely attractive prices. Therefore, industries that have the flexibility to
produce either sugar or ethanol tended to prioritize the first one. However, ethanol is
already an important product in the Brazilian energy matrix. This paper analyzed the
potential impact of a 160% shock in sugar international price over the Brazilian economy
and its consequences over sugar and ethanol, gasoline and gasoalcool sectors through a
general equilibrium model (ORANIG), calibrated with 2004 data. The simulation was
carried out to get the short-term effects. The analyzed shock would result in an increase of
0.48% in real GDP, an increase of 0.44% in aggregate employment and an increase of
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Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural
2.49% in nominal wage. Ethanol/gasoline relative price would remain favorable to the
biofuel (0.6312), not justifying the analysis of a change in fuel taxes. It was concluded that,
despite the shift in production, fuel prices would remain at similar levels, causing little
harm to Brazilian consumers.
Key Words: Sugar market, ethanol, price shock, general equilibrium model.
1. INTRODUÇÃO
Apesar da crise financeira que assolou a economia mundial em outubro de 2008,
os preços internacionais do açúcar atingiram, menos de um ano depois, seu mais alto nível
registrado nos últimos 28 anos. A quebra de safra na Índia (maior consumidor mundial da
commodity) e o atraso na moagem de cana-de-açúcar no Brasil (maior produtor e
exportador mundial do açúcar) contribuíram de forma decisiva para esse paradoxo.
Com uma temporada de monções atipicamente seca, a Índia deixou de ser um
exportador líquido para se tornar um importador líquido de açúcar. Estima-se que a queda
na produção de 2009 seja superior a 40%, o que resultou em um aumento de preços da
ordem de 55% no mercado indiano.
No Brasil, ao contrário, o excesso de chuvas atrasou significativamente o ritmo da
moagem da cana-de-açúcar na região Centro-Sul. De acordo com um levantamento
realizado por Brasil (2009a), a área a ser colhida e a produção de cana-de-açúcar poderiam
crescer cerca 10% na safra 2009/10 em relação à anterior. Entretanto, conforme aponta a
União da Indústria da Cana-de-açúcar – UNICA (2009), até 1 de dezembro de 2009 a
moagem de cana-de-açúcar nesse ano-safra havia crescido menos de 6% em relação ao
mesmo período do ano anterior. Ainda, soma-se às adversidades climáticas o atraso do
início das operações em escala comercial de alguns projetos de investimento realizados no
setor: 5 das 23 unidades industriais com a primeira moagem prevista para a safra 2009/10
ainda não estavam em operação em outubro de 2009.
Com excesso de demanda e restrição de oferta, o mercado internacional do açúcar
exibe preços extremamente atrativos: dados do Centro de Estudos Avançados em
Economia Aplicada – CEPEA (2009) mostram que, entre abril e novembro de 2009, o
açúcar remunerou em média 62% mais que o etanol anidro e 77% mais que o etanol
hidratado. Logo, as usinas que contam com a possibilidade de arbitrar entre a produção de
açúcar e etanol tendem a priorizar a produção do primeiro em detrimento à do segundo.
Não se pode esquecer, contudo, que o etanol é um importante item da matriz energética
nacional – superando, inclusive, o volume de vendas da gasolina em alguns estados
brasileiros.
Com isso em vista, este artigo pretende analisar o potencial impacto de um choque
no preço internacional do açúcar sobre a economia brasileira e seus desdobramentos sobre
os setores sucroenergético, de gasolina e gasoalcool, por meio de um modelo de equilíbrio
geral (ORANIG), calibrado com dados de 2004. Para tal, este trabalho está divido em
outras 5 partes além desta introdução. A seção seguinte analisa as relações existentes entre
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os mercados de açúcar e de combustíveis. A terceira seção traz uma ligeira revisão
bibliográfica dos trabalhos que aplicaram modelos de equilíbrio geral ao mercado de
combustíveis brasileiro. A quarta seção trás a metodologia, a quinta, os resultados e a
sexta, as conclusões.
1.1 O mercado internacional do açúcar, o setor sucroenergético brasileiro e o
mercado nacional de combustíveis leves
Dias et al.(2002) evidenciam que a relação estrutural existente entre o mercado
internacional do açúcar, o setor sucroenergético brasileiro e o mercado nacional de
combustíveis leves. Conforme pode ser observado na Figura 1, enquanto a oferta de etanol
combustível depende da relação entre os preços do açúcar e do etanol, a demanda depende
da relação entre os preços da gasolina e do etanol.
Figura 1 – Fluxograma do mercado de álcool
Fonte: Dias et al. (2002)
A produção de cana-de-açúcar apresentou um crescimento significativo a partir da
década de 60, com destaque para a região Centro-Sul. Conforme ilustra o Figura 2, a
produção brasileira saltou de quase 18 milhões de toneladas em 1940 para mais de 457
milhões de toneladas em 2006. Apesar do aumento de mais de 600% na produção da região
Norte-Nordeste durante o período, sua participação na produção nacional caiu de quase
51% em 1940 para cerca de 14% em 2006.
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Figura 2 – Evolução da produção de cana-de-açúcar no Brasil, por região produtora (anos
selecionados)
Fonte: Satolo (2008).
De 1976 a 2006, o mix de produção açúcar-álcool (designação comum para a
proporção na qual a cana é direcionada à produção de açúcar ou de etanol) variou
significativamente (ver Figura 3). No início do período, mais de 85% de todo Açúcar Total
Recuperável – ATR produzido no Brasil foi destinado à produção de açúcar. Com os
sucessivos choques do petróleo e a implantação do Proálcool, esse percentual foi
rapidamente reduzido – atingindo valores inferiores a 30% no final dos anos 80 e início
dos anos 90. Com a liberalização comercial e a diminuição gradativa da intervenção estatal
sobre o setor a partir de meados dos anos 90, o mix de produção manteve-se ao redor de
50% até 2006.
Apesar de apresentar uma forte correlação com a evolução do preço relativo do
açúcar e do etanol no mercado doméstico brasileiro, o mix de produção parece não
responder a variações bruscas do primeiro. De 1999 para 2000, por exemplo, houve uma
redução superior a 13% no preço relativo açúcar/etanol, mas o mix continuou sua trajetória
ascendente até 2002. De 2005 para 2006, o preço relativo aumentou mais de 20%, e o mix
de produção continuou estável em 50%.
Essa rigidez de curto-prazo pode ser explicada pelo estabelecimento de contratos
entre as unidades industriais e as empresas responsáveis pela comercialização de açúcar e
etanol – no caso do primeiro produto, frequentemente com a fixação antecipada de preços
no mercado futuro internacional. Isso implica no comprometimento de entregar pelo menos
parte da produção, em determinada data e a um valor acertado – diminuindo riscos, mas
reduzindo as chances (que algumas usinas com maior flexibilidade para migrar de um
produto para outro teriam) de aproveitar essas variações de rentabilidade. Outros fatores
que contribuem para a rigidez da produção no curto-prazo são de ordem técnica e política:
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as destilarias são dedicadas exclusivamente à produção de etanol, e a flexibilidade das
usinas é limitada; diferentes acordos estabelecidos entre o governo brasileiro e os
produtores de açúcar e etanol visam garantir o abastecimento do mercado doméstico.
Figura 3 – Açúcar e álcool: evolução do mix de produção e do preço relativo no Brasil, de
1976 a 2006.
Fonte: Satolo (2008).
O mercado brasileiro de açúcar é claramente superavitário, com a produção sendo
pelo menos o dobro do consumo doméstico desde a safra 1998/99 – exceção feita à safra
2000/01, quando ocorreu uma quebra de safra. Dos quatro maiores mercados mundiais
dessa commodity (a saber: Índia, China, Brasil e EUA), o indiano é certamente o mais
instável e provavelmente o mais incerto.
Mundialmente conhecida por seus altos índices de pobreza, analfabetismo,
desnutrição e problemas ambientais, a Índia enfrenta oscilações extremas de escassez e
excesso de produção – atribuídas ao clima monçônico e à descontinuidade de políticas
governamentais para o setor. Números do USDA (2008) para as safras 2003/04 e 2004/05,
por exemplo, indicam que o consumo de açúcar superou a produção indiana em mais de 4
e 5,5 milhões de toneladas, respectivamente (ver Figura 4). Já para as safras 2006/07 e
2007/08, as projeções apontam para excedentes domésticos da ordem de 9 milhões de
toneladas (em cada uma) – os quais, em conjunto com os sucessivos recordes de produção
brasileira, pressionaram para baixo os preços internacionais.
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Figura 4 – Variação dos estoques mundiais de açúcar, de 1991/92 a 2007/08.
Fonte: Satolo (2008).
É importante ressaltar que os excessos de oferta no mercado brasileiro, maiores e
mais constantes que os indianos, normalmente são escoados através da exportação. A
manutenção de estoques tão elevados na Índia pode ser explicada tanto pela falta de uma
infra-estrutura logística adequada quanto pela própria instabilidade da oferta. Como o
açúcar é um produto fortemente ligado à segurança alimentar do país, o governo indiano
controla a variação de preços no mercado interno intervindo sobre as exportações.
Assim, é de se esperar a ocorrência de choques no preço internacional dessa
commodity. Na verdade, conforme ilustra o Figura 5, o precedente histórico remonta à
década de 80, quando preços extremamente favoráveis no mercado internacional levaram a
um aumento repentino das exportações brasileiras (fato que se repete em 1990 e 1995). Já
em 2000, as exportações do ano anterior (que apresentaram um aumento de quase 43%)
levaram à formação de uma expectativa de preços pessimista: temia-se que, caso as
condições favoráveis à recuperação do mercado interno não se mantivessem, o Brasil
inundasse o mercado internacional com açúcar.
Os resultados do estudo de Alves (2002), analisando a intensidade e a duração da
transmissão de oscilações de preços no setor sucroalcooleiro, apontaram para a existência
de inter-relações contemporâneas entre os preços de açúcar cristal destinados ao uso
industrial doméstico e à exportação. Ainda segundo o autor, o preço de exportação do
açúcar mostrou-se relativamente independente (exógeno) às variáveis do mercado interno.
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Figura 5 – Evolução dos índices de preço real do açúcar: mercado interno e exportações,
de 1976 a 2006
Fonte: Satolo (2008)
Já os resultados de Costa (2000) indicaram uma baixa influência entre o preço ao
produtor de açúcar cristal e o preço do etanol anidro. Por outro lado, variações no preço do
açúcar e do etanol anidro mostraram forte influência sobre o preço do etanol hidratado.
A evolução dos índices de preço real do açúcar cristal, do etanol anidro e do etanol
hidratado praticados no Estado de São Paulo entre 1976 e 2006 pode ser observada no
Figura 6. De 1980 a 1995, as três séries de preço apresentam comportamento semelhante,
com o açúcar apresentando quedas de preço relativamente maiores do que o etanol anidro
ou hidratado. A partir de 1996 essa relação se inverte, exceção feita aos anos de 2000 e
2001 quando as quedas no preço do etanol hidratado foram comparativamente menores.
A dinâmica do mercado de combustíveis leves no Brasil foi significativamente
alterada com a popularização da tecnologia de veículos híbridos (com motores movidos
tanto a etanol quanto a gasolina, também conhecidos como bi-combustíveis ou flex fuels.
Dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores – ANFAVEA
(2009) apontam que foram vendidos, entre 2003 e 2008, quase 7 milhões de veículos com
essa tecnologia, período em que a produção e o consumo de etanol hidratado no Brasil
cresceram, respectivamente, 208% e 289%.
Na Tabela 1, estão dispostos o consumo relativo e a paridade de preços observados
no Brasil e em cada Unidade da Federação em 2003 e 2008. Nesse período, a proporção
das vendas de hidratado no total de combustíveis leves cresceu em todas as UFs, elevando
o consumo relativo nacional do biocombustível em mais de 20 pontos percentuais.
Paralelamente a esse aumento do consumo, houve uma redução na paridade de preços
hidratado/gasolina-C, exceto no Espírito Santo e na Paraíba (onde o preço relativo
aumentou ligeiramente).
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Figura 6 – Evolução dos índices de preço real de açúcar, etanol anidro e etanol hidratado
no Estado de São Paulo, de 1976 a 2006.
Fonte: Satolo (2008)
Deve-se ter em vista que a expansão do mercado de etanol hidratado não ocorreu de
forma homogênea ao longo de todo o território nacional. Dados da União da Indústria de
Cana-de-açúcar – UNICA (2009) e de Brasil (2009b) evidenciam algumas das mudanças
ocorridas no perfil desse mercado: o Estado de São Paulo, que em 2003 representava quase
49% da produção e 48% do consumo, foi responsável por cerca de 59% da produção e
54% do consumo em 2008.
Tabela 1 – Consumo relativo de hidratado no total de combustíveis leves e paridade de
preços em relação à gasolina-C
AC
AL
AP
AM
BA
CE
DF
ES
GO
CONSUMO RELATIVO
2003
2008
7,7%
12,0%
11,1%
32,5%
1,7%
3,2%
4,4%
12,3%
5,3%
26,0%
6,7%
19,9%
12,2%
18,4%
7,5%
22,0%
15,8%
39,8%
PARIDADE DE PREÇOS
2003
2008
74,6%
70,8%
65,3%
64,8%
84,9%
82,4%
80,2%
73,2%
74,9%
64,7%
75,1%
69,9%
72,4%
71,6%
65,0%
67,3%
66,4%
60,8%
8
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MA
3,5%
22,4%
82,0%
MT
11,1%
43,8%
65,8%
MS
16,8%
31,8%
68,6%
MG
14,2%
24,7%
70,8%
PA
2,5%
5,3%
86,2%
PB
11,4%
20,8%
70,7%
PR
20,3%
34,7%
60,1%
PE
7,1%
29,3%
68,9%
PI
9,6%
10,3%
80,0%
RJ
5,3%
29,5%
66,2%
RN
7,6%
23,8%
76,0%
RS
7,7%
13,3%
70,2%
RO
8,0%
16,1%
73,1%
RR
1,2%
4,4%
86,9%
SC
11,6%
21,5%
67,7%
SP
17,6%
50,8%
56,9%
SE
8,7%
13,0%
74,7%
TO
10,2%
24,3%
70,1%
BR
13,0%
34,6%
64,8%
Fonte: elaborado pelos autores, dados de Brasil (2009b)
65,4%
50,5%
63,9%
66,9%
77,9%
72,3%
58,7%
64,0%
72,9%
65,5%
70,1%
69,4%
69,0%
79,8%
66,6%
53,6%
73,1%
63,6%
59,3%
3. Modelos de Equilíbrio Geral e o mercado de combustíveis
Alguns trabalhos têm sido feitos para analisar as alterações nos mercados de
combustíveis brasileiros utilizando modelos de equilíbrio geral. Sousa (1987) realizou uma
avaliação dos efeitos econômicos do Proálcool, utilizando-se um modelo calibrado para
1985. Nas simulações, o autor conclui que a restrição das importações devido ao choque de
petróleo em 1979, melhorou a competitividade da produção doméstica de álcool. A
expansão deste setor também foi favorecida pela redução dos custos industriais resultante
da baixa dos preços urbanos; pela diminuição da rentabilidade dos investimentos no
restante da economia, tornando assim as inversões no Proálcool mais atrativas em termos
relativos; e pelos os subsídios concedidos pelo governo ao setor alcooleiro.
Scaramucci et alli (2006) estudou a geração de eletricidade no Brasil modelo
utilizado era referente ao ano de 1996. O setor tradicional de eletricidade e o restante da
economia foram caracterizados por um modelo top-down (GTAP) em árvores de múltiplos
níveis com tecnologia de elasticidade de substituição constante (CES). A produção de
eletricidade pela queima do bagaço de cana-de-açúcar foi descrita através de uma análise
de atividades ascendente (bottom-up), com a representação detalhada dos insumos
empregados. Nesta abordagem híbrida, o modelo obtido foi utilizado para avaliar os efeitos
da redução da produção de eletricidade pelo setor preexistente sobre os preços, a produção
e a renda. Os efeitos dos impactos econômicos da restrição de oferta de energia elétrica em
2001 e a energia elétrica gerada a partir da cana-de-açúcar foram analisados através de
mudanças nos preços, na produção e na renda. O autor conclui que a geração de excedentes
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de eletricidade pela agroindústria de açúcar e álcool poderia atenuar os impactos
econômicos sobre o produto interno bruto (PIB) de uma crise de oferta de energia elétrica.
Bartholomeu e Silveira (2007) avaliaram o impacto potencial da adoção do
Programa do Biodiesel na economia brasileiro utilizando-se o modelo Minimal com dados
da Matriz Insumo Produto de 1996. Foram realizadas duas simulações variando-se o
percentual de biodiesel adicionado ao óleo diesel (2% e 5%). Os resultados mostraram que
o aumento da demanda por álcool tem maior impacto sobre os resultados setoriais e
macroeconômicos. As autoras concluem que o programa do biodiesel traria benefícios
apenas nas atividades diretamente ligadas ao programa. Para a economia brasileira, os
benefícios não seriam tão expressivos quanto os divulgados.
Costa (2009) utilizando o modelo EFES-ENERGY estudou os efeitos das variações
das quantidades e preços dos principais produtos da pauta de exportações brasileiras sobre
o setor de energia. A autora conclui que o impacto de curto prazo decorrente da variação
nas exportações sobre a demanda por investimento doméstico do setor de energia
comportou-se negativamente frente às simulações nos preços e nas quantidades. No longo
prazo, a variação positiva da balança comercial impactou positivamente os investimentos
do setor de energia, com destaque para o setor de biomassa.
2. METODOLOGIA
Alterações na dinâmica do mercado de açúcar e álcool são capazes de trazer
repercussões para toda a economia brasileira. Dessa forma, de modo a conseguir analisar
os possíveis impactos de uma alteração no mercado internacional de açúcar foi utilizada a
metodologia de equilíbrio geral computável (EGC). Um modelo de EGC é a representação
estilizada de uma economia envolvendo, entre outras coisas, produtores, consumidores e
mercados e são usados para simular políticas ou eventos exógenos à uma economia. É
composto por um conjunto de equações que simula as relações existentes em toda a
economia. Os dados para esses modelos são vindo de várias fontes. As mais gerais são as
matrizes de insumo-produto, disponibilizadas pelo IBGE e o Sistema de Contas Nacionais.
Dependendo do tipo de análise outras fontes de dados precisam ser adicionadas ao modelo.
Os resultados obtidos são referentes ao momento em que a economia simulada
retorna ao equilíbrio após o choque. Embora não haja período de tempo relacionado aos
resultados, os fechamentos utilizados indicam se a simulação é de curto ou longo prazo
dependo das pressuposições feitas para o modelo.
2.1 O modelo
O modelo utilizado neste estudo foi ORANI-G. O modelo Orani foi primeiramente
desenvolvido em 1970 como parte de um projeto de avaliação de impactos financiado pelo
governo Australiano. Desde então, o modelo tem sido adaptado e utilizado para simulações
de economias de diversos países entre eles África do Sul, Vietnã, Indonésia, China e Brasil
(HORRIGDE, 2006). Como a maioria dos modelos de equilíbrio geral, o ORANI-G é
desenhado para simulações de estática comparativa.
Com relação à estrutura de produção das indústrias, o ORANI-G permite que cada
indústria produza várias commodities usando tanto insumos domésticos e importados,
trabalho de vários tipos, terra e capital. Entretanto, para cada indústria que produza mais de
um produto, é necessário que esteja disponível a elasticidade de substituição entre os bens
10
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produzidos pela indústria. Como essas elasticidades não estão disponíveis para todas as
indústrias e produtos da economia brasileira, utiliza-se um artifício para simplificação do
modelo. Assim, a matriz de produção é geralmente simplificada, agregando-se seus
componentes de modo que cada indústria produza apenas um produto, ou, de forma
análoga, que cada produto seja produzido por apenas uma indústria. Para esse trabalho,
optou-se por utilizar a matriz diagonalizada por produto. Desta forma, o modelo original
tinha 76 produtos e consequentemente, 76 indústrias, cada uma responsável pela produção
de um produto.
Uma característica importante do modelo ORANI-G são as suas extensões
regionais, que permite que os resultados nacionais sejam divididos de acordo com os
estados ou regiões. O modelo é do tipo “top-down”, no qual, a princípio são computados
todos os resultados nacionais e, então, computados os resultados regionais. Para essa
abordagem são necessários menos dados e menos recursos computacionais que os modelos
alternativos do tipo “bottom-up” (HORRIGDE, 2006).
A abordagem “top-down” requer, ainda, que seja assumido que cada indústria
utilize a mesma tecnologia em todas as regiões, assim, os principais dados necessários são
relativos à como os produtos das indústrias são divididos entre as regiões produtoras.
Dessa forma, uma matriz completa de produção regional de cada commodity não é
necessária. Ainda, o sistema de equações regionais divide os resultados nacionais em
estimativas regionais de renda e emprego (HORRIGDE, 2006).
2.2 Simulação
Para atingir os objetivos deste trabalho, os 76 produtos e setores da economia foram
agregados em 11 indústrias e 12 produtos. As indústrias foram: indústrias que produzem
petróleo e gás, açúcar e álcool (AcucarAlcool), gasolina, óleo combustível (OleoCombust),
outros produtos do refino (OutProdRefin), produtos petroquímicos básicos (ProdPetroBas),
gasoálcool, indústrias agropecuárias (IndAgr), indústrias de mineração (IndMin), serviços
e outras indústrias(OutInd), que é o agregado de todas as outras indústrias da economia. Os
produtos eram um relativo à cada indústria, exceto a de Açúcar e Alcool que foram
mantidos separados. Assim, foi calculada a elasticidade de substituição desses dois
produtos. A metodologia utilizada para esse calculo é descrita na seção seguinte.
A base de dados utilizados tinha como ano base 2004. Dessa forma, foi calculada a
variação no preço internacional do açúcar desde 2004 até 2009 e concluiu-se que esta foi
de 160%. Dessa forma, este foi o choque realizado.
A simulação realizada foi adaptada para efeitos de choques de curto prazo. Para
isso, os estoques de terra e capital são mantidos fixos nos seus níveis pré-choque. A
demanda agregada das famílias, que em geral é mantida exógena, foi colocada endógena
de modo à possibilitar a análise das mudanças no consumo em conseqüência de alterações
nos preços advindos do choque.
2.3 Cálculo das elasticidades de substituição entre açúcar, etanol anidro e etanol
hidratado
Dadas as significativas transformações pelas quais os mercados de açúcar e etanol
passaram nos últimos anos, optou-se neste estudo por estimar as elasticidades de
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substituição entre os produtos do setor sucroenergético a partir de 2003, período após a
introdução dos carros flex no mercado. Para o cálculo foram utilizados dados mensais
utilizando-se dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP).
A elasticidade de substituição entre dois produtos, e , pode ser calculada da
seguinte forma:
sendo
a quantidade do produto,
o preço e a elasticidade de substituição.
3. RESULTADOS
3.1 Elasticidade de Substituição
As elasticidades de substituição calculadas estão apresentadas na tabela abaixo.
Levando-se em consideração que a maior parte da produção de álcool está concentrada no
álcool hidratado, no modelo de equilíbrio geral, a elasticidade utilizada foi 0,96577. Além
disso, há pouca variação nas elasticidades, que foram significativas, calculadas.
Tabela 2- Elasticidades de substituição utilizadas na análise
Final safra 2008/09
Até outubro 2009
açúcar/anidro
0,58227*
0,93165
açúcar/hidratado
0,96577
0,05816*
anidro/hidratado
6,7892
8,4762
*coeficientes não significativo
Fonte: Cálculo dos autores
3.2 Variáveis Macroeconômicas
O choque positivo na demanda do setor de açúcar eleva a demanda por trabalho.
Dado que o estoque de capital é fixo no curto prazo, a produtividade marginal do trabalho
cai, uma vez que são contratados trabalhadores menos eficientes, resultando em aumento
nos custos de produção. Como o setor produz insumo para outros, todos demandantes de
seus produtos também sofrerão com o aumento dos custos.
Assim, devido ao deslocamento positivo da demanda no setor de açúcar, os custos
das matérias-primas se elevam – inclusive os salários nominais – resultando em aumento
dos custos de produção. Entretanto, apesar desse aumento nos custos, o crescimento do
PIB real assegura um efeito positivo sobre o nível de emprego da economia. Assim,
conforme apresentado na tabela 3 o resultado final de um choque de 160% no preço
internacional do açúcar seria um aumento de 0,48% no PIB real, um aumento de 0,44% no
emprego agregado e um aumento de 2,49% no salário nominal. Como o salário real é fixo
no fechamento de curto prazo utilizado, a variação do salário nominal acompanha a
variação do índice de preços ao consumidor.
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Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural
O aumento no consumo real das famílias, decorrente da combinação favorável de
aumento no emprego e no salário nominal, é da ordem de 1,65%. Com o aquecimento da
demanda interna, observa-se um aumento nas importações totais e uma redução nas
exportações totais (respectivamente, +1,13% e -2,13%).
Tabela 3 – Efeitos totais e parciais do choque de 160% no preço internacional do açúcar
sobre variáveis econômicas
Variável
Variação ordinária (balança
comercial/PIB)
delB
Emprego agregado
employ_i
Índice de preço do PIB, lado das despesas p0gdpexp
Taxa de salário da economia
p1lab_io
Índice de preço do investimento
p2tot_i
Índice de preços ao consumidor
p3tot
Índice de preço das exportações
p4tot
Taxa de câmbio ($local/$estrangeira)
phi
Taxa de salário deflacionada pelo IPC
realwage
PIB nominal pelo lado da renda
w0gdpinc
PIB nominal pelo lado das despesas
w0gdpexp
Consumo total nominal das famílias
w3tot
Índice do volume das importações, preço
CIF
x0cif_c
PIB real pelo lado das despesas
x0gdpexp
Consumo total real das famílias
x3tot
Índice do volume das exportações
x4tot
Fonte: Elaboração dos autores a partir de resultados da pesquisa.
Efeito total
0,00
0,44
2,96
2,49
1,81
2,49
3,79
0,00
0,00
3,44
3,44
4,15
1,13
0,48
1,65
-2,13
3.3 Impactos setoriais regionalizados
Como já era de se esperar, o choque no preço internacional do açúcar teve um
efeito positivo sobre o emprego e a produção no setor de açúcar e álcool, mas de diferentes
intensidades nas regiões. Os maiores aumentos observados ocorreram nos estados onde o
setor sucroenergético é tradicional (aqui representados por São Paulo e Alagoas) e
ultrapassaram 200%. Nas novas fronteiras de expansão do setor (representadas por Goiás)
e nos estados com vocação natural para a utilização de derivados de petróleo
(representados pelo Rio de Janeiro), também houve aumento no emprego do setor
sucroalcooleiro, mas da ordem de 120%.
O aumento no custo de produção, decorrente do aumento no salário nominal,
provoca uma redução no emprego dos demais setores da economia, haja visto os mesmos
não serem diretamente beneficiados pelo aumento no preço internacional do açúcar. Os
resultados para estados selecionados e para o Brasil referentes ao emprego são
apresentados na tabela 4.
Tabela 4 – Resultados após o choque sobre o emprego, Brasil e Estados selecionados
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SP
RJ
GO
AL
OutInd
-3,92
-5,41
-2,68
-3,15
PetroleoGas
-1,54
-1,68
-1,15
-1,8
AcucarAlcool 200,61
123,9 128,76 221,57
Gasolina
-3,42
-3,72
-2,49
-2,49
OleoCombust
-1,41
-2,2
-1,08
-1,08
OutProdRefin
-1,44
-1,63
-1,02
-1,02
ProdPetroBas
-5,38
-5,48
-3,55
-3,55
GasoAlcool
6,96
6,96
6,96
6,96
IndAgr
213,44 108,04
94,48 4663,54
IndMin
-3,55
-4,14
-3,41
-3,68
Servicos
-5,48
1,38 -24,65 -620,31
Fonte: Elaboração dos autores a partir de resultados da pesquisa.
BR
-4,54
-1,68
190,52
-3,46
-1,5
-1,46
-5,39
6,96
0,33
-3,93
0,66
No tocante à produção, o efeito de um choque de 160% no preço internacional do
açúcar sobre o setor sucroenergético seria um aumento líquido de 47,29%. Entretanto, esse
resultado pode ser decomposto em duas partes: um aumento de 78,51% na produção de
açúcar e uma redução de 5,07% na produção de etanol carburante. Embora essa redução na
produção de etanol seja observada nos quatro Estados selecionados, o aumento na
produção de açúcar ocorreu apenas em São Paulo e Alagoas, ou seja, nas regiões onde a
produção de açúcar já é tradicional. Os resultados relativos à produção das indústrias nos
estados selecionados e no Brasil são apresentados na tabela 5.
Tabela 5 – Resultados após o choque sobre a produção, Brasil e Estados selecionados
AL
-1,10
-0,64
78,35
102,14
BR
-2,49
-0,52
47,29
78,51
AlcoolCaCer
-3,90 -39,10
-2,03
-2,27
Gasolina
-0,93
-1,23
0,00
0,00
OleoCombust
-0,33
-1,12
0,00
0,00
OutProdRefin
-0,42
-0,61
0,00
0,00
ProdPetroBas
-1,82
-1,92
0,00
0,00
GasoAlcool
1,95
1,95
1,95
1,95
IndAgr
213,38 107,98
94,42 4663,47
IndMin
-1,01
-1,60
-0,87
-1,14
Servicos
-5,75
1,11 -24,92 -620,59
Fonte: Elaboração dos autores a partir de resultados da pesquisa.
-5,07
-0,97
-0,42
-0,44
-1,83
1,95
0,27
-1,39
0,39
OutInd
PetroleoGas
AcucarAlcool
Acucar
SP
-1,87
-0,39
57,38
92,16
RJ
-3,36
-0,52
-19,33
-9,72
GO
-0,63
0,00
-14,47
-27,23
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Pretendia-se ainda, neste trabalho, fazer um choque no percentual dos impostos
caso as alterações nos preços do álcool hidratado e da gasolina alterasse a paridade dos
preços para valores superiores à 0,7. Os preços médios desses combustíveis em 2004,
segundo dados da ANP, foram de R$ 1,212 para o álcool hidratado e R$ 2,082 para a
gasolina, o que levava à uma paridade de 0,5818. Entretanto, os resultados do modelo
indicaram que o aumento do álcool (a preços ao consumidor) seria de 8,44% e o gasoalcool
não teria alteração no preço. Dessa forma, o preço do álcool atingiria R$ 1,31 e a paridade
seria de 0,6312 o que não justifica uma análise de alteração nos impostos dos
combustíveis.
4. CONCLUSÕES
Conforme esperado, um choque no preço internacional do açúcar elevou a produção
nacional dessa commodity, diminuindo a produção do produto que compete pela mesma
matéria-prima, o etanol. Seu efeito, entretanto, pode ser bastante distinto ao longo do
território nacional – uma vez que o setor sucroenergético concentra-se em determinadas
Unidades da Federação.
É importante salientar que os resultados do choque positivo no preço internacional
do açúcar são benéficos à economia brasileira, uma vez que aumentou o PIB real em
0,48%, o emprego agregado em 0,44% e o consumo real das famílias em 1,65%. Ainda,
concluiu-se que apesar do deslocamento da produção o preço dos combustíveis não foi
muito alterado, o que não trouxe tantos prejuízos ao consumidor doméstico.
5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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na economia brasileira: uma aplicação do modelo Minmal de Equilíbrio Geral.
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BRASIL. Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis. Dados
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BRASIL. Companhia Nacional de Abastecimento. Acompanhamento de Safra: Segundo
Levantamento.
Disponível
em:
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Campo Grande, 25 a 28 de julho de 2009,
Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural
CENTRO DE ESTUDOS AVANÇADOS EM ECONOMIA APLICADA – CEPEA.
Indicadores de preços. Disponível em : http://www.cepea.esalq.usp.br/. Acesso em:
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COSTA, C.C. da. Formação de preços de açúcar e álcool combustível anidro e
hidratado no Estado de São Paulo. 2000. 104p. Dissertação (Mestrado em Economia
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COSTA, L.R. Impactos das exportações brasileiras sobre o setor de energia: uma análise
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DIAS, G.L. da S.; BARROS, J.M.R. de; BARROS, A.L.M. de. Modelo de intervenção
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Agroindústria canavieira no Brasil: evolução, desenvolvimento e desafios. São Paulo:
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SATOLO, L.F.. Dinâmica econômica das flutuações na produção de cana-de-açúcar.
2008. 131p. Dissertação (Mestrado em Economia Aplicada) – Escola Superior de
Agricultura “Luiz de Queiroz”, Universidade de São Paulo, Piracicaba, 2008.
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