intra Director de Recursos Humanos #03 A Formação como investimento no capital intelectual das organizações Nº17 EDIÇÃO 3 JANEIRO 2011 7.5 EUROS intra Qualificações em mudança intra Índice Dossier A Formação como investimento no capital intelectual das organizações P. 07 Formação: velhos problemas, novos desafios José Luís Nascimento, Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas P. 10 “A formação profissional contribui directamente para o desenvolvimento do conhecimento das organizações e potencia o seu capital intelectual” Nuno Nogueira, PwC ACADEMY P. 16 “É também uma preocupação da bene farmacêutica a implementação de ‘Job Rotations’” José Frias, bene farmacêutica P. 24 “O sucesso individual é o sucesso de todos” Paula Garrido, Liberty Seguros P. 28 Da formação profissional à aprendizagem ao longo da vida: plantando sementes de desenvolvimento nas autarquias locais Marta Azevedo, Câmara Municipal do Seixal P. 34 “Nos próximos anos, a gestão de recursos humanos na saúde será bastante aliciante e motivadora para quem gosta de desenvolver projectos” Pedro Coelho, Instituto Português de Oncologia do Porto P. 38 A Formação como investimento no capital intelectual das organizações: a participação do Ensino Superior Ferreira Cascão, Talent Universities - Corporate Education (IPAM e IADE) Grande Entrevista P. 43 “Aquilo que pesa mais na avaliação de um candidato é a atitude, mais do que a sua nota de curso ou currículo profissional” Paulo Malo, Malo Clinic Health & Wellness Editorial O investimento intelectual Enquanto espaço de discussão e reflexão sobre os principais temas afectos à gestão de capital humano, a Intra Director de Recursos Humanos apresenta, mais uma vez, nesta edição, a visão dos decisores e dos especialistas na sempre complexa tarefa de gerir aquele que pode ser um interveniente decisivo no sucesso de uma organização. A Formação como investimento no capital intelectual das organizações norteou a última conferência Intra Director de Recursos Humanos. Os poucos meses que nos separam desse encontro permitem-nos agora analisar a fundo, num dossier único, aquele tema, sob a perspectiva daqueles e de outros intervenientes do universo de Recursos Humanos, quer na forma de opinião, quer de entrevista. Chegam-nos as ideias dos estrategas, cuja tarefa é já de si desafiante, afinal lidam com pessoas e com a sua diversidade. Mantê-las motivadas nem sempre é fácil e há que encontrar a chave dessa mesma motivação, que pode passar por ver premiado o seu mérito e a sua performance. Este incentivo está muitas vezes para além da vertente pecuniária e pode traduzir-se, precisamente, na qualificação, instrumento diferenciador na tarefa de esgrimir novos desafios. Ganham os colaboradores, ganham as organizações, mas essa mesma forma- ção tem custos e algumas empresas já optaram por contornar esta questão mediante recurso à formação interna. Certezas parece haver em torno da importância da qualificação em qualquer contexto de actuação, vingando a ideia de que as consequências que resultam do não investimento em formação, no seio das organizações, podem ser irreversíveis. Muito para além do cumprimento das obrigações que decorrem da legislação, o investimento no capital humano é essencial e pode mesmo ser um trunfo em tempos de crise, numa altura em que a criatividade pode fazer a diferença. Além deste dossier, convidamo-lo à leitura da Grande Entrevista desta edição, que entra no universo MALO CLINIC Health & Wellness. Mais um passo dado por esta sua revista para aprofundar, junto dos decisores do sector dos recursos humanos, as virtudes e os problemas que afectam a sua actividade diária, reflectindo sobre as tendências que moldam a gestão de recursos humanos das organizações. Milene Aguilar intra Dossier A Formação como investimento no capital intelectual das organizações 7 Opinião José Luís Nascimento Formação: velhos problemas, novos desafios 1 José Luís Nascimento É licenciado em “Gestão de Recursos Humanos e Psicologia do Trabalho” pelo Instituto Superior de Línguas e Administração (ISLA) e Doutorado no Programa Doutoral em Gestão, vertente Organização e Desenvolvimento de Recursos A formação é das mais antigas actividades ligadas ao trabalho. Sem querer historiar a sua evolução2, pode-se perspectivar, antes da Revolução Industrial, uma formação orientada para a aprendizagem de uma profissão e da responsabilidade das associações profissionais, durante a Revolução Industrial, uma formação orientada para a execução de tarefas e da responsabilidade da empresa e, na actual Sociedade Pós-Capitalista3, orientada para o desempenho e responsabilidade do próprio indivíduo. Humanos, do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE). Detém o “Curso Geral de Gestão” – Universidade Nova de Lisboa. No entanto, apesar desta evolução, não inferiorizando-o em relação aos restan- É professor no ISCSP e na Universidade parece que a formação tenha evoluí- tes colegas. Já na formação como re- Lusófona de Humanidades e Tecnologias e do no sentido da diminuição dos seus compensa, esta é perspectivada como Consultor externo em Outplacement na DBM. factores de bloqueios, continuando a um “prémio”, sendo uma forma de dis- Possui experiência profissional diversificada ser perspectivada por muitos dos seus tinguir positivamente o trabalhador em na Gestão de Recursos Humanos. Tendo intervenientes como sendo “bom de relação aos seus colegas. A estas duas ter”, mas que às primeiras dificuldades vicissitudes, pode-se considerar actu- é adiada, se não mesmo eliminada. Com almente a existência de uma terceira: a (Área-Chave, Epal, CTT/DGC) e multinacionais o presente artigo, pretende-se sistema- formação como obrigação legal. Neste (Digital Equipment Portugal; Matutano/Grupo tizar um conjunto de reflexões referen- caso a organização promove a forma- PePsico e Novartis Farma). tes à prática da formação e propor um ção por haver a obrigatoriedade legal de Certificado como “Crisis Management Co- modelo integrativo dessas reflexões. proporcionar um determinado número ordinator” (PepsiCo Europe), “Team Building & Comecemos pelas vicissitudes que de horas de formação a todos os seus Outdoor Administrator” (J M Perry Corporation), têm desvirtuado ao longo do tempo o empregados. Estas três vicissitudes têm “Assessment & Development Centres sentido do acto de formar: a formação uma mesma origem, que consiste na como castigo e a formação como re- ausência da resposta à pergunta: Vai-se compensa. No primeiro, a formação é formar para quê? utilizada para retirar o trabalhador do seu A resposta a esta pergunta endereça- membro da APG – Associação Portuguesa de local de trabalho originando a perda de -nos directamente para a primeira con- Gestão compensações materiais e, por outro dição de sucesso da formação que con- lado, exercer uma pressão psicológica, siste na definição dos seus objectivos. começado como formador, passou por especialista, gestor e director de Gestão de Recursos Humanos, em empresas nacionais Administrator” (Digital Equipment Corporation), “Career Management Administrator” (Life Skills Associates), “Targeted Selection Administrator” (Development Dimensions International) é ainda intra Pode-se categorizar a formação em dois a aprendizagem um acto de vontade de retenção desse colaborador. Essas grandes tipos de objectivos, um visando individual, a eficácia da formação passa condições não passam por condições o presente e o outro o futuro. No primei- também pelo formando e pelo seu que- materiais, mas sim por condições de ro, a formação visa a aquisição de com- rer em aprender e mudar. Assim, não desenvolvimento e progressão pessoal. petências que permitam uma melhoria basta que a formação esteja inserida Há pois que gerir a tensão entre o in- imediata do desempenho do sujeito. É, no sistema de gestão de desempenho. divíduo, as suas expectativas, desejos, assim, um resultado da avaliação do É também necessário que esteja alicer- aspirações e as necessidades da orga- trabalho, sendo esta o culminar de um çado num sistema de participação, que nização. Esta gestão, para ser eficaz, ciclo de gestão de desempenho que permita e incentive o sujeito a exercer a tem de passar por um diálogo dinâmico inicia-se com a definição de objectivos sua voz. entre a organização e o sujeito, de forma e passa por um sistema de relação per- Outra questão que se põe refere-se à a poder-se encontrar uma coincidência manente de feedback entre a chefia e identificação da entidade responsável de ambos em interesses e objectivos os seus colaboradores. O segundo gru- pela formação. Tradicionalmente a res- comuns. po de objectivos consiste na aquisição ponsabilidade pela formação tem sido Em síntese, a rentabilização da forma- de competências que visem preparar o atribuída à organização. Este facto le- ção, isto é, a mudança da formação sujeito para vir a desempenhar no futu- vantou (e ainda levanta) a questão da como passivo para a formação como ro uma diferente função. Neste caso, a sua obrigatoriedade, isto é, o sujeito é activo depende da definição dos seus formação vai-se basear na identificação obrigado a frequentar a organização. objectivos, tendo estes de estar alinha- do potencial do sujeito. Há, assim, uma Esta situação só faz sentido quando o dos com os objectivos de negócio da confluência com a gestão do desem- sujeito não sentir o valor acrescentado organização e, em última análise, objec- penho, quer na sua vertente avaliativa, que a formação tem para si. Esta ques- tivando o valor acrescentado quer para quer em termos da expectativa de futu- tão é de crucial importância nos dias de o negócio, quer para o sujeito. ras realizações, tal como foi posto em hoje, em que cada vez mais cada um destaque por Odiorne4. Nesta óptica, a tem de gerir a si mesmo o que implica formação deve ser considerada um pro- responder a questões tais como “Qual jecto de empresa, implicando o envolvi- a opção para mim e porquê? O que 1 [email protected] ou jlnascimento@ mail.telepac.pt 2 Para a história da evolução da formação mento do topo da estrutura hierárquica é que me convém? Onde é que per- profissional em Portugal veja-se Cardim, J. (2005). da organização, de forma a incrementar tenço?”5. Mais ainda, numa sociedade Do ensino industrial à formação profissional: As um clima propício à transferência para o onde a instabilidade e a ambiguidade de políticas públicas de qualificação em Portugal (1º trabalho. emprego é crescente, existe a necessi- e 2º Volumes). Lisboa: ISCSP. Caso a formação não esteja inserida dade de aumentar a empregabilidade 3 Drucker, P. F. (1993). Sociedade Pós-Capitalista. num sistema de gestão de desempe- através de uma permanente e constante Lisboa: Difusão Cultural nho, que permita uma participação acti- aquisição, desenvolvimento e consolida- va do sujeito, levando-o a reconhecer as ção de novas competências 6. of Human Resources. San Francisco: Jossey-Bass mais-valias da formação para si próprio, Esta realidade levanta novos desafios à Publisher então há a possibilidade do sujeito de- formação. Na realidade, esta deverá não 5 Ed. Rick Wartzman (2010). As Lições de Peter F. senvolver resistências à mesma. Neste só contribuir para o sucesso do negócio Drucker: O essencial sobre a gestão, a sociedade caso, levanta-se a questão de saber se mas também para o desenvolvimento e a economia. Lisboa: Verbo, p. 227 a formação deve ser (ou não) obrigató- do sujeito. Logo, há o risco de se estar a 6 Veja-se, por exemplo, Friedman, T. L. (2006). O ria. Se, por um lado, enquanto projecto formar para a concorrência. Mas tal risco Mundo é plano: Uma história breve do Século XXI de empresa, deverá ter um carácter de é na realidade só um risco, se a orga- (3ª Ed.). Lisboa: Actual Editora obrigatoriedade, por outro lado, sendo nização não conseguir criar condições 4 Odiorne, G. S. (1984). Strategic Management 9 ENTREVISTA EMPRESARIAL Nuno Nogueira Manager da PwC ACADEMY e Responsável pela Formação e Desenvolvimento da PwC “A formação profissional contribui directamente para o desenvolvimento do conhecimento das organizações e potencia o seu capital intelectual” Para a PwC, a formação profissional e o investimento no capital intelectual e humano das organizações deve ser vista enquanto premissa essencial para o seu sucesso. A ideia é deixada pelo responsável pela Formação e Desenvolvimento da PwC, Nuno Nogueira, que, nesta entrevista, aborda o retorno que cada empresa poderá obter ao solicitar formação profissional à PwC ACADEMY. Um dos vossos lemas é a formação de profissionais conhecimentos generalizados, mas sim em experiências para profissionais. De que forma esta premissa é uma formativas que façam a diferença. mais-valia para as empresas que vos solicitam serviAcreditamos que a formação profissional constituirá uma acções combinadas, ou seja, em vários tipos de abor- mais-valia para as empresas e para os seus colaborado- dagem e à medida? res, que será tanto maior quanto mais significativa for, para Procuramos ir de encontro às expectativas dos nossos além do conhecimento, a experiência profissional dos for- clientes, evitando formações que se caracterizem por uma relação unidireccional formador – formando e que se limite nização e execução do programa formativo. à mera exposição de conhecimentos. Efectivamente, na formação de quadros médios e supe- Uma das mais-valias do plano formativo para clientes que riores, os participantes procuram não apenas actualizar temos vindo a concretizar reside na natureza eminente- ou adquirir conhecimentos mas também, e sobretudo, mente prática das acções de formação, com o forte en- encontrar respostas concretas para os seus desafios volvimento dos formandos na resolução de exercícios e quotidianos, no exercício das suas responsabilidades. casos práticos, próximos daquilo que é o seu quotidiano Connosco, encontram esse apoio. profissional. Este conteúdo é da responsabilidade da empresa interveniente Nas vossas formações de sala apostam também em madores e especialistas envolvidos na preparação, orga- Para a PwC, a aposta em formações mais especiali- preocupação de saber, antecipadamente, qual o tipo de zadas, com vista à formação de “expertises”, tem um experiência e enquadramento profissional dos formandos, retorno de sucesso mais garantido? de modo a ajustarmos o programa às características es- A nossa aposta em formações mais especializadas justi- pecíficas do grupo em sala. intra ços e para a própria PwC? fica-se por pretendermos que o nosso contributo possa Na formação à medida – que tem tido um peso muito sig- traduzir-se em ganhos relevantes de conhecimento para nificativo na nossa intervenção pedagógica no mercado os nossos clientes. A aposta não assenta na partilha de (representou mais de 70% dos programas que desenvol- Inclusive, mesmo nas formações inter-empresas, temos a vemos em 2009/10) – desenvolvemos sempre um trabalho muito profundo de concepção e design pedagógico com os responsáveis do cliente (incluindo o top management), aferindo com exactidão, quais os propósitos do programa a aplicar e quais os objectivos a alcançar por cada participante de modo a que seja atingida, in the end of the day, simultaneamente, uma elevada satisfação dos formandos e um incremento significativo dos seus conhecimentos. A formação On-the-job traz mais sucesso ou o e-learning está cada vez mais adequado ao mercado vigente? A este respeito temos uma posição muito clara sobre a importância da formação no posto de trabalho - acreditamos que grande parte da transferência de conhecimento ocor- finanças à fiscalidade, passando pela contabilidade, ges- re neste contexto. Tal perspectiva constitui um desafio, na tão, marketing e recursos humanos e que, com a sua ex- medida em que devemos recordar que concorrem para periência profissional, enriquecem a experiência formativa o sucesso da formação no posto de trabalho diversos do(s) formando(s). factores como o contexto socioprofissional do forman- As soluções de consultoria e outsourcing na gestão da do, a sua categoria profissional, a(s) sua(s) hierarquia(s), formação traduzem as competências especializadas em a cultura organizacional de desempenho e de coaching, formação e desenvolvimento decorrentes dos nossos re- o comprometimento dos próprios colaboradores no seu cursos técnicos e humanos e que, com a aplicação das auto-desenvolvimento ou ainda a qualidade da transferên- melhores práticas nesta área, têm garantido que a PwC cia do conhecimento inicial que suporte a aplicação efec- constitua uma das melhores referências na formação e de- tiva do mesmo. senvolvimento profissional, a nível nacional e internacional. Por isso é tão importante que a formação de base inicial Desde sempre nos foi solicitado a concepção e execução e/ou contínua – em sala ou em e-learning - ocorra em de programas de formação para os nossos clientes, mas paralelo com a formação on-the-job, seja prática e di- com a génese do brand PwC ACADEMY em Portugal, em reccionada às preocupações e desafios profissionais dos 2006/07, iniciámos um caminho que reforçou e consoli- formandos, isto é, efectivamente útil. O e-learning não dou o nosso posicionamento comercial e especializado e constitui, portanto, um substituto à formação em posto que, em pouco tempo, nos tornou numa das principais de trabalho – mas sim um complemento eficaz e relevante referências da formação profissional para executivos em que fará a diferença, a par da formação em sala, se for Portugal. eminentemente prático e útil. Numa empresa que solicite à PwC, a elaboração das A PwC ACADEMY nasce em que contexto? Quais os suas formações qual, em média, é o Return on Invest- seus objectivos e que funções tem, concretamente? ment Trainning (ROTI) que pode esperar? Têm um de- A PwC ACADEMY evidencia a oferta de formação profis- sempenho imediato? sional da PricewaterhouseCoopers e os seus serviços de É uma questão fundamental e bem colocada. A percep- consultoria e outsourcing na gestão da formação. ção do efectivo retorno do investimento realizado em for- A oferta de formação profissional deriva das competên- mação profissional pelas empresas é crítica e não deve cias técnicas e pedagógicas dos nossos profissionais e ser confundida com a satisfação que os formandos tive- especialistas em vários domínios do conhecimento – das ram com o desempenho dos formadores ou com a forma Como pensa ser mais sensato as empresas encararem estes tempos de crise no que respeita à formação? Vemos a formação profissional e o investimento no capital intelectual e humano das organizações como uma premissa essencial para o seu sucesso no actual mercado global e competitivo. Consequentemente, não encaramos como viável, especialmente a médio e longo prazo, a sustentabilidade comEspecialistas e Formadores da PwC petitiva das empresas sem um contínuo (e, por ventura - em momentos de crise, reforço) investimento no desen- como foi organizado o curso ou desenhado o programa volvimento pessoal e profissional dos seus colaboradores. de formação. Teremos, todavia, que reconhecer que as dificuldades É evidente que não existem fórmulas mágicas de cálculo económicas e financeiras que muitas empresas enfrentam desse retorno, nem poderia, em função das particularida- actualmente colocam-nas numa encruzilhada de decisões des de cada programa formativo e dos seus objectivos difíceis que passa muitas vezes pela sua própria sobre- pedagógicos, dos participantes e do seu enquadramento vivência, sendo certo, todavia, que mesmo aquelas que profissional, ou ainda das diferentes organizações e mo- conseguirão, por regra, enquadrar melhor esses desafios delos organizacionais destas, só para citar algumas das actuais, serão as que, no passado, investiram significativa- especificidades mais complexas. mente no seu capital humano. Todavia, é possível definir algumas metodologias que nos Por outro lado, deveremos encarar como oportunidades permitam aferir do impacto efectivo – positivo ou não, da os maiores desafios que nos são colocados pelo mercado. formação profissional. Posso citar três exemplos que con- Oportunidade para revermos os conteúdos que são ob- sideramos relevantes e que evidenciam esse retorno. jecto das nossas formações profissionais – provavelmente Determinamos qual é, na perspectiva do formando, o in- fará sentido reajustá-los; repensar o design e as metodo- cremento dos seus conhecimentos depois da realização logias aplicadas; rever investimentos, acentuando-os nas das acções, constatando um acréscimo superior a 33%. formações que criem de facto valor para as organizações Segundo, determinamos qual é o grau de fidelidade dos e os seus profissionais. Por fim, uma oportunidade para clientes da empresa e dos seus colaboradores aos nos- as empresas assegurarem um controlo mais rigoroso do sos programas – tendo concluído que, para além de se seu investimento em formação e, por ventura, alocá-lo a registar que mais de 90% dos participantes consideram a outsourcers especializados. formação obtida boa ou muito boa, os mesmos tendem a regressar, inscrevendo-se em novos cursos – sinal inequívoco que os próprios e as suas hierarquias consideraram muito útil a formação realizada e, consequentemente, elevado o retorno obtido. Por fim e, em particular na formação à medida, mantemos uma relação próxima com os responsáveis dos clientes que contratam os nossos serviços e com os quais desenhamos os programas de formação concretizados aferindo, por contacto directo, quais as vantagens competitivas obtidas pela sua empresa com o curso realizado e, neste âmbito, o feedback que temos recebido tem sido muito positivo. Sente que o networking, bem como as redes sociais, a escolher os que têm elevada experiência formativa, mas poderão ser uma saída para uma aprendizagem mais pouca experiência profissional nos seus domínios de com- económica para as empresas? petência pedagógica? Colocaria a questão de outra forma. As novas tecnologias O investimento em formação profissional per capita, em e os ambientes de aprendizagem colaborativos poderão cada empresa, não tem que ser diferente ou dependente constituir oportunidades reais de desenvolvimento, por da sua dimensão. Os orçamentos de formação podem ser um lado, e de gestão eficiente e criteriosa de recursos hu- diferentes quanto ao seu valor global, mas não têm de ser manos e financeiros, por outro. Paralelamente, poderão significativamente diferentes quanto ao seu valor/ forman- igualmente representar oportunidades de negócio e de do. É preciso (saber) escolher. valorização de competências profissionais internas, desconhecidas pelo mercado mas, necessárias para este. Como pode a formação potenciar o capital intelectual Diria que a única regra aplicável actualmente à utilização existente na organização? e presença nestes novos ambientes colaborativos é não Acreditamos que a formação profissional contribui direc- deixar de estar presente. Já sucedeu partilharmos experi- tamente para o desenvolvimento do conhecimento das ências com clientes, por essa via, obtermos participantes organizações e potencia o seu capital intelectual, isto é, adicionais ou mesmos encontrar novos especialistas que potencia o crescimento e desempenho das empresas e nos apoiem no desenvolvimento de novos projectos. dos seus colaboradores no exigente mercado que actual- Os desafios actuais são imensos e difíceis de concretizar, mente enfrentamos. Constitui bases sólidas que suportam se estivermos sozinhos. O trabalho de equipa é actual- o sucesso dos profissionais e das empresas, bem como o mente um conceito mais vasto e não se limita à nossa desenvolvimento da sociedade como um todo. área de negócio, à nossa empresa ou ao nosso sector de actividade – é substancialmente concretizável num plano alargado que, em última análise, pode consubstanciar-se em todo o mercado. Na sua opinião, como se pode colmatar o fosso significativo no que respeita a formação entre as grandes e pequenas empresas? Pela aposta na qualidade em detrimento da quantidade (pelo factor preço). A formação profissional exige escolhas, tal como as decisões determinantes na sociedade, na economia e na vida das empresas. Essas escolhas determinam o nosso caminho e os resultados que alcançamos. Eis algumas questões que nos devemos colocar no momento de tomar decisões e efectuar essas escolhas: Estou a prioritizar a formação para todos os colaboradores ou para aqueles que farão a diferença? Estou a escolher os conteúdos prioritários e adaptados às necessidades da minha equipa e/ou da minha organização ou estão a aplicar os conteúdos (standard) que são pouco ou apenas parcialmente aplicáveis? Estou a escolher especialistas de referência como monitores e coordenadores das acções de formação que me garantem efectivo retorno ou estou Perfil Nuno Nogueira é Manager da PwC ACADEMY, assegurando desde 2006 a coordenação das políticas de formação e desenvolvimento da PricewaterhouseCoopers e a sua área de negócio de formação para clientes. Licenciado em Economia (UPT), Pós-Graduado em Finanças e Fiscalidade (FEP) e Pós-Graduado em Políticas de Desenvolvimento de RH (ISCTE). Assumiu, ainda, cumulativamente responsabilidades de liderança na área de recrutamento e selecção e assessment & development entre 2008 e 2010, tendo o seu trabalho na área de recursos humanos sido reconhecido com o Prémio RH Revelação 2009 atribuído por RH Magazine / Select. É ainda autor de artigos nas áreas de recursos humanos e desenvolvimento profissional. OPINIÃO EMPRESARIAL Sérgio Caldeirinha Head of Training Department intra Este conteúdo é da responsabilidade da empresa interveniente Novo Conceito de Formação A formação de carácter comportamental dos colaborado- endereço http://formacao. res tem assumido uma importância crescente para o bom olisipo.pt e que a Olisipo desempenho das empresas e organizações. Sempre se chamou de Conceito C3 . disse que as pessoas é que são importantes, que as pes- Numa breve apresentação, soas é que fazem a diferença, mas a verdade é que quan- este conceito integrador, o do se trata de elaborar os planos de formação, as acções C3 , permite mostrar como mais importantes acabam por se limitar ao âmbito técnico. é visualizado o crescimento A Olisipo é uma empresa que tem mais de 320 especia- e maturação dos colabo- listas em tecnologias de informação. A formação técnica radores e dos clientes da é naturalmente muito importante para uma empresa com Olisipo. O Conceito C3 essas características. mostra a forma natural de 3 3 3 No entanto, a Olisipo tem também feito uma aposta muito interligar o Desejo de Per- forte na formação comportamental dos seus colaborado- formance [C1 ], ao conjun- res. A forma como estes comunicam entre si e com os to de Competências dos clientes, o trabalho em equipa, a capacidade de negocia- colaboradores [C2 ], nas ção, de organização do tempo e liderança são alguns dos vertentes possíveis da Mudança Organizacional [C3 ]: aspectos que acabam por fazer a diferença e contribuir É nestas três vertentes que a Olisipo apresenta uma para o sucesso da empresa. oferta integrada de conteúdos formativos, que podem A Olisipo está agora a exportar essa sua experiência ser executados individualmente ou inseridos em Progra- para os seus clientes. Possuimos um Programa Integra- mas Integrados de acordo com a maturidade das compe- do de Formação num total de 19 cursos na área compor- tências da organização, ou, dito de outro modo – os cola- tamental, que visa desenvolver competências específicas boradores são inseridos nos diferentes níveis do Programa e observáveis nos colaboradores de uma empresa. Em consoante o seu ‘gap’ de performance face ao objectivo paralelo, a empresa desenhou um conjunto de percur- definido conjuntamente. sos formativos alinhados com o seu modelo de desen- A Olisipo está assim a partilhar com os seus clientes a sua volvimento de competências que poderá conhecer pelo experiência acumulada. 3 3 3 pub intra Entrevista José Frias “É também uma preocupação da bene farmacêutica a implementação de ‘Job Rotations’” Entrevista de Rita Pablo A bene farmacêutica é ainda uma “startup” no mercado português, apesar dos portugueses já estarem habituados aos seus produtos, caso do Ben-u-ron. Como uma nova empresa traz consigo novas metodologias na área de Recursos Humanos, a Intra DRH ouviu José Frias, responsável por esta área. A bene farmacêutica é uma empresa que está há pou- do assim para o desenvolvimento de uma forte cultura co tempo em Portugal, ainda que os seus produtos da organização. É importante referir que a necessidade sejam distribuídos no nosso país há 50 anos. Falo por sentida pelos empresários levou ao desenvolvimento de exemplo do caso do Ben-u-ron. Que linhas mestras uma norma (NP 4427 – Sistemas de Gestão de Recursos uma nova empresa, nomeadamente na área de RH, Humanos), que tem como objectivo principal o estabe- deve considerar? lecimento de um sistema de gestão de recursos huma- Os primeiros passos de uma “startup” passam pela de- nos para toda a organização e pode ser usada como finição de um conjunto de políticas que estabeleçam as ferramenta para a avaliação da eficácia das decisões da linhas mestras conducentes a uma actuação suportada gestão. Esta ”ferramenta” não deve ser encarada como na visão, missão e valores. A política de gestão dos re- uma metodologia de gestão, mas como um conjunto de cursos humanos deve, na mesma medida, considerar princípios para as empresas que, por razões de dimen- um conjunto de premissas como o planeamento, a ca- são, estratégia ou outras, decidiram não se apetrechar racterização da estrutura organizacional, os objectivos de um profissional com competências na gestão de re- definidos e o desenvolvimento pessoal e profissional. cursos humanos. A gestão de recursos humanos é efectivamente algo mais complexo que exige dos gestores uma variedade Que investimento está a ser feito para o seu departa- de acções e decisões. As políticas de gestão nesta área mento em concreto? tão sensível devem definir muito mais do que regras de Desde a criação até ao seu lançamento institucional, de- funcionamento, devem criar e promover um estilo com- correu cerca de um ano e meio. Durante este período, portamental e de gestão das quais resultem uma maior na fase de desenvolvimento da estrutura da organização participação e responsabilidade voluntária na gestão da definimos os perfis profissionais dos elementos que con- organização, maior satisfação, mais produtividade e me- siderámos reunirem as melhores condições para serem lhor desempenho por parte dos envolvidos, contribuin- um excelente investimento. Por isso, apostámos na cria- 17 ção de um departamento que respondesse às necessidades actuais e futuras da organização, nas vertentes de recursos humanos e todos os aspectos relacionados com a área organizacional. Para além das pessoas, investimos somente numa aplicação informática, facilitadora dos processos relacionados com a gestão administrativa de RH. Que directrizes, no sector de RH, a bene farmacêutica recebeu da sua casa-mãe, a Bene-Arzneimittel GmbH? As especificidades dos mercados farmacêuticos alemão e português “obrigam” a políticas de gestão de recursos humanos com características inerentes às diferentes necessidades e exigências. As políticas de gestão de recursos humanos da bene farmacêutica são definidas pelo seu “local management”, composto por um conjunto de elementos com longa experiência no mercado farmacêutico. Mas como a Bene Alemã é uma empresa familiar, obviamente, partilhamos estes valores também em Portugal. “A gestão de recursos humanos é efectivamente algo mais complexo que exige dos gestores uma variedade de acções e decisões. As políticas de gestão nesta área tão sensível devem definir muito mais do que regras de funcionamento, devem criar e promover um estilo comportamental e de gestão das quais resultem uma maior participação e responsabilidade voluntária na gestão da organização, maior satisfação, mais produtividade e melhor desempenho por parte dos envolvidos, contribuindo assim para o desenvolvimento de uma forte cultura da organização” Sendo uma empresa nova em Portugal, a formação será uma aposta necessária? Pela experiência podemos afirmar que a formação constitui-se cada vez mais como um processo contínuo de criação de valor nas competências dos activos de uma empresa e, consequentemente, na melhoria da sua produtividade, competitividade e adaptação à mudança. A formação deve ser entendida como um instrumento que as organizações utilizam para adquirir as competências necessárias ao seu progresso e desenvolvimento. Será, portanto, pertinente uma abordagem à eficácia da formação, analisando os processos através dos quais as competências são adquiridas e aplicadas. Sendo a formação profissional um conjunto de actividades que criam a aquisição de conhecimentos, capacidades, ati- intra tudes e comportamentos exigidos para o exercício de uma função em qualquer ramo de actividade, no nosso caso, iniciámos com a formação específica para os Bene Business Representatives (BBR’s), que contemplou as vertentes técnica, comercial e comportamental e teve a duração de um mês. Com esta acção, preparámos a nossa força comercial com as ferramentas necessárias para enfrentar um mercado cada vez mais difícil, resultado da competitividade dos produtos e das constantes alterações legislativas. Actualmente estamos na fase de preparação do nosso plano anual de formação para 2011, que irá ser constituído por um conjunto de acções que permitam o desenvolvimento dos colaboradores, no sentido de atingir os objectivos propostos para a organização, pelo que estamos convictos de que o investimento na formação será uma aposta ganha. Em que moldes será feita essa formação? Para além do plano de formação, que contemplará as necessidades formativas de todos os colaboradores, a bene farmacêutica aposta numa filosofia formativa suportada na criação, aquisição, interpretação, transferência e retenção do conhecimento e, ao mesmo tempo, na modificação de comportamentos que, por razões de negó- Perfil José Frias é, desde Janeiro do corrente ano, Director de Recursos Humanos e Organização da bene farmacêutica, lda., reportando ao Director Geral da bene farmacêutica e integrando o Top Management da Companhia. Licenciou-se em Gestão de Recursos Humanos pela Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias. Foi responsável pelas áreas Administrativa e Recursos Humanos da multinacional Neo-Farmacêutica, de 1981 a 2008. Detém experiência consolidada na Gestão de Recursos Humanos, nomeadamente, na definição de políticas motivacionais, salariais e de desenvolvimento. Participou em projectos interdisciplinares relacionados com a Gestão Administrativa e de Recursos Humanos, Diagnóstico de Clima Organizacional, Missão, Visão e Valores, Comunicação, Recrutamento e Selecção, Descrição, Qualificação e Avaliação de Funções, Formação e Desenvolvimento. cio e competitividade, reflicta o seu novo conhecimento, no seu próprio contexto de “Organização Aprendente”. Através desta filosofia, prevendo os desafios, as amea- De facto, o efeito da globalização ao nível dos negócios ças e as oportunidades, não reagindo simplesmente às e da competitividade preocupa as organizações à escala crises, a aprendizagem cria flexibilidade e agilidade para global, dada a facilidade de copiar produtos, serviços e que a organização possa lidar com a incerteza e, mais processos. Neste contexto, a velocidade a que os indi- importante ainda, os colaboradores consideram que são víduos e, sobretudo, as organizações aprendem, pode capazes de gerar continuamente novas formas de alcan- muito bem ser a única vantagem competitiva sustentável. çar os resultados que mais desejam. Se uma organização aprende mais rapidamente do que Para além das situações atrás referidas, é também uma as suas concorrentes, então, é expectável que esta não preocupação da bene farmacêutica a implementação de só as ultrapassará como se manterá numa posição de “Job Rotations” onde os colaboradores, dentro de cada liderança enquanto o fizer. Aprender deixou de ser algo departamento rodarão nas várias funções. que se faz individualmente porque dá um certo “gozo” in- Com esta medida pretendemos por um lado, a continui- telectual, ou porque é necessário desenvolver determina- dade do funcionamento regular do departamento e, por das competências, para passar a ser uma aprendizagem outro, termos colaboradores preparados para assumir em grupo com impacto e consequências directas nos novas responsabilidades no âmbito do departamento resultados da organização. onde está inserido. 19 laboradores. A gestão de Recursos Humanos deve, pois, basear-se numa estratégia que valorize a qualificação e “A formação deve ser entendida como um instrumento que as organizações utilizam para adquirir as competências necessárias ao seu progresso e desenvolvimento. Será, portanto, pertinente uma abordagem à eficácia da formação, analisando os processos através dos quais as competências são adquiridas e aplicadas” o desenvolvimento das competências das pessoas, prioritariamente no que tem a ver com o cumprimento dos objectivos definidos, com a prossecução de resultados e com a eficácia e eficiência dos serviços, criando, assim, condições para desempenhos de elevada qualidade, sem nunca perder de vista o desenvolvimento pessoal. Que factores considera serem essenciais para uma boa formação e posterior sucesso do trabalhador e empresa? A bene farmacêutica aposta nesses elementos chave? Qual a metodologia escolhida? “On-the-job” ou atra- Considero como factores essenciais a forma como os vés de cursos exteriores e Outsorcing? programas são concebidos. Essa concepção refere-se a As metodologias de formação estão claramente defini- uma abordagem sistemática no desenvolvimento de pro- das no nosso “Plano de Formação”, que contempla di- gramas, os quais devem obedecer a uma metodologia versos formatos. No entanto, e para além de todos os que vai muito para além da escolha do método de for- princípios e métodos aplicados com a metodologia da mação mais comummente usada (diagnóstico de neces- “Organização aprendente”, privilegiamos também um sidades de formação; preparação dos formandos para sistema de formação integrada que contempla uma me- a formação; criação de um ambiente de aprendizagem; todologia orientada para conjugar a transmissão de no- criação de um ambiente de transferência da formação; vos conhecimentos ou competências, com a aplicação selecção do método de formação e avaliação do progra- em contexto de trabalho, a formação “On-the-job” (que ma de formação, etc.). consideramos uma excelente metodologia formativa Não quero deixar de salientar a importância da “avaliação onde, em contexto de trabalho, os profissionais conse- da formação”. De um modo geral, a avaliação da forma- guem realizar novas tarefas técnicas, com maior autono- ção permite determinar em que medida os objectivos de mia, num menor espaço de tempo). aprendizagem foram alcançados, assim como identificar Para além das actividades de desenvolvimento dos cola- em que medida essa aprendizagem está a ser transferi- boradores atrás referidos, cultivamos a troca informal de da para o local de trabalho e determinar os seus custos experiências profissionais entre aqueles que conseguem e benefícios financeiros, compará-los a investimentos melhores resultados no seu desempenho e aqueles que não relacionados com a formação, nomeadamente ao não atingem a mesma fasquia. redesenho dos conteúdos das funções, ou a uma melhor selecção de colaboradores e a outros programas de Têm formações direccionadas para cada sector de ac- formação. tividade? O mercado onde nos inserimos é cada vez mais compe- Numa altura em que a crise global é uma realidade titivo e exigente, daí, a necessidade constante de mais inibidora da actividade empresarial, quais os riscos e e melhor formação técnica, científica e comportamental. vantagens da bene ter aberto uma sucursal em Portu- Para responder a estas exigências, procuramos, para gal neste contexto económico? além das acções de formação geral, acções de forma- Enquanto projecto, a bene farmacêutica foi objecto de ção dirigidas para as necessidades específicas dos Co- estudo aprofundado com os cuidados inerentes ao lan- intra çamento de uma nova empresa, mas com uma respon- Um estudo efectuado pela consultora Right Manag- sabilidade acrescida que é a de manter e melhorar a pro- ment refere que 50% dos trabalhadores das empresas jecção dos produtos da Bene Arzneimittel, que até 2009 age de uma forma totalmente descomprometida em foram representados em Portugal pela Neo-farmacêutica. relação aos objectivos da organização. De que forma A bene sofre isoladamente todas as consequências de a bene farmacêutica poderá reverter esta situação, no um difícil contexto social, económico e de finanças públi- seio da sua organização, já que está a fazer uma estru- cas que tem deprimido o mercado dos produtos farma- tura quase de raiz? cêuticos. Como vantagens mais significativas, podemos Como já referi, a bene farmacêutica teve um tempo de referir o nosso posicionamento estratégico como uma maturação de cerca de ano e meio. Durante este hiato empresa de combate à dor (Pain Management Com- de tempo, o “Management” levou a cabo vários estudos pany), a grande confiança e notoriedade que os nossos e reflexões no sentido de diagnosticar necessidades em produtos têm merecido ao longo destes anos todos, o termos de recursos humanos, quais as características potencial para diversificar a oferta de produtos e oferecer profissionais e pessoais dos colaboradores que, enten- soluções terapêuticas cada vez mais adaptadas às ne- demos, devem possuir para podermos adequar o perfil cessidades dos doentes e à expansão para os Palop’s. dos Colaboradores ao desenho das funções. Ao passarmos à fase seguinte (processo de recrutamento e selec- No sector de DRH, que disciplina é necessária para ção), a nossa preocupação foi recrutar elementos que contornar esse obstáculo? correspondiam às características que definimos, consi- Nos dias de hoje, com todas as dificuldades bem conhe- derando como importante a experiência na função e na cidas criadas às empresas farmacêuticas, seria no mí- indústria farmacêutica, sem deixar de apostar naqueles nimo, irresponsável da nossa parte não “desenharmos” que, mesmo sem experiência, se revelaram talentosos uma política de recursos humanos conservadora, quer e com potencial para crescer. Obviamente que ainda é nas condições a oferecer aos nossos colaboradores, cedo para afirmarmos que temos os colaboradores cer- quer em termos de admissão de novos colaboradores. tos nos lugares certos. No entanto, pelo feedback que Queremos cumprir a nossa função social através da cria- temos vindo a obter junto dos colaboradores e clientes, ção de postos de trabalho mas, acima de tudo, quere- podemos dizer que temos uma equipa “apaixonada” mos garantir a empregabilidade dos que connosco tra- pela forma como a bene farmacêutica conduz os seus balham nas melhores condições possíveis sem colocar destinos profissionais, demonstrando já uma grande fi- em causa a vida da empresa. delização à organização. A título de remate, deixamos a nossa missão: Atrair, motivar, fidelizar e desenvolver colaboradores talentosos e “Aprender deixou de ser algo que se faz individualmente porque dá um certo ‘gozo’ intelectual, ou porque é necessário desenvolver determinadas competências, para passar a ser uma aprendizagem em grupo com impacto e consequências directas nos resultados da organização” com potencial, que contribuam para a excelência das actividades, num ambiente de inspiração, criatividade e paixão. OPINIÃO EMPRESARIAL Catarina Pereira Consultora Sénior de Recursos Humanos, na Power RH “Formar para mudar” Na presente panorâmica económica e laboral, as organizações estão a ser diariamente colocadas à prova, sendo-lhes pedida uma elevada adaptabilidade à mudança e uma alta velocidade de resposta às solicitações do mercado de trabalho. Para conseguir ultrapassar estas questões é fundamental pessoa. Este processo permitirá ter pessoas e equipas que as empresas fomentem o desenvolvimento das equi- mais motivadas, optimizadas, criativas, crentes nas suas pas, de forma a preparar as pessoas com as ferramentas capacidades para ultrapassar as ondas da mudança, pro- e as competências necessárias para darem resposta aos movendo organizações inovadoras. A formação é assim a reptos colocados. chave da retenção e desenvolvimento do Capital Intelec- A Formação Profissional é uma alavanca fundamental para tual das Organizações. introduzir conhecimentos e comportamentos essenciais ao impulsionamento de uma cultura de aprendizagem organizacional, flexibilidade e inovação. As eras de crise são épocas de mudanças de paradigmas Este conteúdo é da responsabilidade da empresa interveniente e retraimento nos comportamentos. Para transmutar estes intra e de questionamentos, o que provoca inseguranças, medo Saber-Fazer / Saber-Ser), está-se a reforçar o conheci- desafios, as organizações necessitam de ter pessoas de mente aberta, que estejam fortalecidas intelectual e emocionalmente, pois estas características permitir-lhes-ão arriscar e vivenciar as situações, com uma postura resiliente, capacitadas para a adequação dos conhecimentos às necessidades individuais e orientadas para o sucesso. Desta forma, a Formação Profissional revela-se como uma ferramenta fulcral na mudança de comportamento de uma pessoa, na gestão e retenção de talentos, na identificação e progressão de altos potenciais, impactando no crescimento e desenvolvimento organizacional. Ao treinar a pessoa nas suas três áreas (Saber-Saber / mento e competências técnicas, o auto-conhecimento, a auto-estima e, naturalmente, o seu crescimento como Perfil Licenciada em Psicologia Social e das Organizações (ISCTE), Catarina Pereira detém uma Pós-graduação em Novas Tecnologias na Gestão de Recursos Humanos (INDEG/ISCTE) e uma Pós-graduação em Coaching (Universidad Camilo José Cela / Escuela de Inteligência). Desempenhou funções como técnica de Recursos Humanos e responsável pela Formação Profissional numa empresa multinacional. Actualmente, é Consultora Sénior de Recursos Humanos na Power RH. BOAS PRÁTICAS Global Management Challenge O Global Management Challenge é um evento de elevada visi- tas em www.sdg.pt. As organizações têm até 21 de Abril para bilidade e notoriedade nos media nacionais e internacionais, proceder à sua inscrição. Maio é a data prevista para o arranque prestigiando as Organizações que nele participam. Com efeito, da 32.ª edição desta competição de estratégia e gestão. Apesar anualmente mais de 25.000 Quadros e Estudantes participam do cenário de crise que ainda se vive em Portugal e no mundo, a nesta competição com o objectivo de conquistar o título de Me- organização está optimista e espera vir a ultrapassar mais de 756 lhor Equipa Nacional e assim poder disputar o título Mundial. equipas inscritas, sendo este, o número de equipas registado na Consiste numa simulação empresarial em que cada equipa gere edição anterior. uma empresa com o objectivo de obter a mais alta cotação das Aceite o nosso desafio e participe na maior competição de estra- suas acções na bolsa de valores. Ao tomarem decisões de ges- tégia e gestão do mundo! tão de topo, os participantes passam pela análise de indicadores económico-financeiros, ganhando uma visão mais alargada e estratégica de uma empresa, compreendem a interacção entre as diferentes áreas funcionais e o impacto que as suas decisões têm numa organização, tendo em conta as condicionantes do mercado em que competem e a máxima satisfação do cliente. Pedro Alves Costa, CEO da SDG, explica que o Global Management Challenge alcançou já grande popularidade, tanto na comunidade universitária, como na empresarial. A título de exemplo, refere que existem empresas em que a participação dos seus quadros no evento é encarada como uma acção de formação. «Na Portugal Telecom, as equipas são formadas por jovens quadros de elevado potencial com o intuito de lhes proporcionar uma Este conteúdo é da responsabilidade da empresa interveniente só esta organização apoia a inscrição de mais de 50 formações. intra acção de formação e a criação de networking», frisa. Por ano, Os interessados em participar podem garantir desde já a presen- A responsabilidade social está implícita, pois ao participar no Global Management Challenge os estudantes universitários desenvolvem competências de gestão e trabalho em equipa, garantindo um melhor desempenho e integração na sociedade. A aposta nas equipas de quadros como formação dos colaboradores irá contribuir para o desenvolvimento dos seus conhecimentos na área da gestão, na tomada de decisão em ambiente de rápida mudança e no trabalho em equipa. Formar equipas mistas é uma metodologia mais rica em termos Sobre a SDG: Somos especialistas na utilização de metodologias de desenvolvimento de competências altamente inovadoras, baseadas na dinâmica das simulações empresariais. Em 1980, associados ao jornal EXPRESSO, demos início ao Gestão Global, uma competição de estratégia e gestão envolvendo diversos sectores da vida empresarial e universitária. No ano seguinte, iniciámos, no Brasil, a internacionalização do Gestão Global, lançando os alicerces do Global Management Challenge, marca internacional desta competição e que está actualmente presente em 33 países, envolvendo mais de 450.000 quadros de empresas e estudantes universitários por todo o mundo. A utilização de uma metodologia tão bem sucedida tem incentivado a SDG a uma procura constante de melhorias e actualização permanente dos seus simuladores. A SDG está profundamente empenhada em contribuir para a melhoria da performance dos gestores portugueses, ao mesmo tempo, que acrescenta uma vertente de índole internacional. de experiências, na medida em que une os dois mundos: empresarial e universitário. Possibilita ao mesmo tempo treinar os seus colaboradores estando atentos a novos talentos. ça das suas equipas na edição de 2011. As inscrições para a edição deste ano do Global Management Challenge estão aber- Av. João Crisóstomo, 41 – 3º 1050 – 125 Lisboa, Portugal Tel. (+351) 213157618 Fax. (+351) 213525878 [email protected] www.sdg.pt pub QueM DeCIDe CONheCe www.algebrica.pt intra Entrevista Paula Garrido “O sucesso individual é o sucesso de todos” Entrevista de Rita Pablo A directora de recursos humanos da Liberty Seguros, Paula Garrido, abriu-nos a porta da Academy para explicar a sua organização e as apostas que faz em termos de formação, não esquecendo a importância das acções de “Team Building” que têm como consequência a formação da família Liberty. A Liberty Seguros está em 3º lugar no ranking das de oportunidades concretizáveis em negócio rentável para a melhores empresas para se trabalhar em Portugal e a Companhia e, consequentemente, para todos. melhor para as mulheres. Para assegurar esta posição quais são os projectos que a Liberty tem, no que respei- Considera que a aposta na formação dos seus traba- ta a formação, para manter este lugar? lhadores ocupa um lugar cimeiro na ordem do dia da Esta distinção é para nós motivo de grande orgulho, não só empresa? pelo facto de nos sentirmos reconhecidos como uma boa A área da Formação foi e será sempre, uma área na qual empresa para trabalhar, mas essencialmente, significa que temos especial enfoque, sem, no entanto, descurar outras há efectivamente um reconhecimento interno dos nossos áreas que também são de extrema importância, seja no de- colaboradores das condições de trabalho, ferramentas de senvolvimento e desempenho dos nossos colaboradores e desenvolvimento e benefícios que lhes proporcionamos. O seu reconhecimento, seja no desenvolvimento de políticas facto de termos sido consideradas uma das melhores em- de recursos humanos adequadas. presas para as mulheres trabalharem, não significa que fazemos algo específico e direccionado somente às mulheres, A Academia Liberty, existente desde 2007, surge em que mas sim que a Liberty promove igualdade de oportunidades, contexto económico e interno da empresa? premiando pelo mérito e performance do colaborador, seja A Academia Liberty surge em 2007, para dar resposta às homem ou mulher. necessidades de formação interna no desenvolvimento de A Formação é uma ferramenta que disponibilizamos a to- competências técnicas. Num mercado amplamente compe- dos os colaboradores, não como forma ou preocupação titivo e dinâmico em que nos encontramos e devido à neces- de manter um primeiro lugar no ranking das melhores em- sidade e aposta contínua em formação, procurámos alterna- presas, mas porque acreditamos que esta constitui um in- tivas às promovidas por fornecedores externos, permitindo vestimento no nosso Capital Humano. Por isso, considero assim manter o investimento em volume de formação, sem ser uma ferramenta poderosa que dá suporte ao desenvol- que os custos aumentassem significativamente, chegando vimento de conhecimento e competências adequadas e ne- mesmo a verificar-se uma redução dos mesmos. cessárias para manter a Liberty na vanguarda face aos nos- Este conceito de aprendizagem permite oferecer uma di- sos competidores, com uma “atitude” de procura contínua versidade de cursos, realizados por colaboradores internos, 25 com o know-how e experiência na sua área de expertise e O feedback das acções promovidas por estes formadores transferindo os seus conhecimentos aos colegas. Interna- tem sido muito bom, para além das vantagens que propor- mente, existe um sentimento de reconhecimento por parte ciona a todos os intervenientes. Presentemente, estamos dos seus pares, promovendo a coesão de grupo e espírito a dar os primeiros passos, utilizando a metodologia de de equipa entre os colegas e as diferentes áreas. e-learning, seleccionando os cursos mais adequados, cuja necessidade e prioridade justifique esta metodologia, que é Em que consiste? extensível aos nossos Parceiros Estratégicos. No entanto, A ideia subjacente ao nome Academia é um “estabelecimen- também aqui os cursos são construídos internamente, no to de ensino” interno que visa proporcionar a formação atra- seu conteúdo, por uma equipa de projecto definida para o vés de vários Módulos em diferentes áreas, que conjugadas efeito, em colaboração com um fornecedor externo. permitem o contínuo desenvolvimento dos nossos colaboradores. Academia, porque temos a oportunidade de ofere- O coaching é já uma prática preponderante no seio das cer um conjunto de acções que se complementam, no que empresas, principalmente em cargos de Direcção. É diz respeito ao desenvolvimento de competências técnicas uma aposta a que recorre? nas diversas áreas do sector segurador e, particularmente, O coaching é uma prática que tem vindo a obter uma cres- dentro do nosso negócio. Temos também outras formações cente aceitação no meio empresarial, porque constitui um de cariz comportamental (Liderança, Técnicas de Vendas) e investimento de desenvolvimento organizacional, focado no de Gestão (Finanças para não Financeiros, Marketing para a resultado, seja para o indivíduo, seja para a Organização. actividade seguradora), entre outras. Por exemplo, um co- Acreditamos que o coaching é uma ferramenta complemen- laborador que inicie a sua actividade profissional na Liberty tar à formação, no desenvolvimento de competências e com e que não venha do sector segurador, tem um percurso de especial enfoque em metas individuais. Recorremos a esta formação a efectuar, com maior incidência durante o pri- quando a necessidade o justifica, não apenas para cargos meiro ano. A sua participação nas diversas acções que a de Direcção, mas também a outros níveis funcionais, como Academia disponibiliza permite-lhe adquirir e consolidar os por exemplo a área Comercial. conhecimentos e, mais rapidamente, dar resposta ao que a sua função lhe exige. Esta formação é contínua, porque A Liberty tem a formação visando o desempenho ime- este trabalhador, durante os anos subsequentes, pode/deve diato ou desenvolvimento futuro? assistir a outros módulos não só porque estão directamen- A Formação, quando delineada e identificada, procura res- te relacionados com a sua função, como podem ser temas ponder a diferentes necessidades de negócio, individuais do seu interesse. O colaborador fica com uma visão clara (função e desempenho) ou outras, e é com base na prio- e concreta do negócio da empresa e das várias áreas da ridade estabelecida que implementamos as acções corres- Companhia e de como estas interagem e impactam com pondentes, com vista ao respectivo desenvolvimento. Ob- outras. viamente, há acções que são planeadas anualmente e que visam o desenvolvimento imediato e outras que têm como Qual o tipo de formação que a Liberty Seguros privile- objectivo um desenvolvimento progressivo e futuro, planea- gia? Apostam mais numa orientação interna dada por do a médio/longo termo. profissionais da casa, ou externa, através de outsourcing, cursos, e-learning, etc? Opinion Makers da área de RH identificam as acções A Liberty Seguros, sempre que tem os recursos adequados de “Team Building” como uma forma de consolidação para dar resposta, prefere fazê-lo internamente, com profis- das relações internas e consequente melhoria e lucro sionais/colaboradores que já demonstraram ter as compe- da empresa. Como analisa estas opiniões e o que, em tências e profissionalismo expectável ao papel de formador. concreto, elabora neste sentido? intra Concordo em absoluto e tem sido uma área que temos tra- conhecimentos adequados para desenvolver o seu trabalho balhado continuamente e desde 2007 com maior ênfase. e assegurar que estamos preparados para enfrentar qual- Acreditamos que a Companhia conseguirá bons resultados quer contexto económico que se afigure. A consolidação se todos estivermos alinhados para um objectivo comum e das nossas competências e conhecimentos torna-nos mais todas as áreas funcionarem como uma “máquina bem olea- fortes e “musculados” para dar resposta à dinâmica do mer- da” com colaboração e espírito de equipa entre elas. cado. A Liberty tem investido em acções de Team Building preenchidas com diversas actividades de âmbito lúdico, físico Considera que a formação dos quadros é uma área sus- e intelectual, conjugadas de forma aliciante e dinâmica num ceptível de cortes no momento da aprovação do orça- ambiente de descontracção e lazer. São sempre acompa- mento da empresa? nhadas com uma mensagem importante a transmitir, pro- Claro que não! Consideramos que o não investimento em movendo e reforçando espírito de equipa, inter-ajuda e co- formação, seja dos quadros ou outros, é que pode gerar operação entre todos os colaboradores. Estas acções têm consequências irreversíveis a curto/médio prazo. revelado ser um excelente incentivo, com resultados visíveis Somos, com certeza, mais rigorosos e selectivos no tipo de no nosso dia a dia e, por isso, denominamo-nos como uma oferta de formação e analisamos criteriosamente o impacto família – a família Liberty. da mesma, sem deixar, no entanto, de investir nesta área que consideramos de extrema importância. Afinal, quando Qual é o vosso Return On Investment Trainning (ROTI)? desenvolvemos os nossos colaboradores, estamos a desen- Estamos, este ano, a trabalhar alguns indicadores de forma- volver e a impulsionar a Companhia para o objectivo comum ção que vão para além do volume de formação, número de a que nos propomos e para o seu sucesso. O sucesso indi- horas, etc. Consideramos que é importante saber se, onde vidual é o sucesso de todos. fazemos o investimento, existe retorno, não só em termos de custo, mas especialmente em termos de eficácia. Temos Que novas responsabilidades tem um DRH no contexto como fim responder à questão: de que forma as acções de económico actual? Tem uma participação mais ao nível formação realizadas respondem às necessidades identifica- da gestão? das e como estas impactam no negócio? A área de Recursos Humanos de qualquer empresa, na actualidade, é cada vez mais encarada como uma área que Quanto investem em formação? dá suporte ao negócio das organizações. O DRH tem como O orçamento de formação é definido anualmente e em fun- responsabilidade focar a sua atenção nas metas e resulta- ção das necessidades identificadas e validadas pelas res- dos a serem alcançados, com vista à obtenção de geração pectivas Direcções e, posteriormente, pelo nosso CEO. de valor para a empresa, seus produtos e serviços. Nesta mesma linha, procuramos alinhar a função de RH, de forma Esse investimento é representativo do contexto econó- coordenada, no desenho e implementação de práticas de mico precário, ou seja, a Liberty viu-se obrigada a fazer Gestão de Recursos Humanos ligando a estratégia ao plano um reajustamento? de negócios da Companhia. Isto implica que nós, enquanto O facto de estarmos a investir mais em acções internas não profissionais de RH, temos de desenvolver e adquirir compe- se deve apenas aos custos inerentes, mas sim aos resul- tências de negócio, capazes de dar resposta ao nosso clien- tados adjacentes que nos têm proporcionado. Apesar do te interno para acrescentar valor ao nosso cliente externo. A contexto económico que vivemos actualmente, podemos probabilidade de concretização dos objectivos estratégicos afirmar que, ao contrário da grande maioria das empresas, a aumenta, se as soluções propostas ao nível da Organização formação é sempre uma área em que investimos, só assim e das Pessoas for a mais adequada, tendo obviamente em podemos garantir que os nossos colaboradores tenham os conta factores extrínsecos como o contexto económico. 27 De que forma é possível manter o trabalhador motivado no contexto actual? A forma como o trabalhador se sente motivado não tem directamente a ver com o contexto actual, mas sim com os desafios que lhe são propostos. Podemos estar a vivenciar o melhor dos cenários económicos e ter pessoas desmotivadas com a sua função. Tentamos, essencialmente, que as pessoas sejam reconhecidas pelo seu desempenho, não só através de recompensa financeira (bónus atribuído em função da concretização dos objectivos), mas também através de condições e benefícios que lhes proporcionamos e desafios/projectos que permitem o seu desenvolvimento pessoal e profissional, sendo que, é importante que o pacote salarial seja percepcionado pelos próprios como justo e equitativo. A interiorização e consciência individual de que o desempenho e esforço que cada um imprime na concretização dos seus objectivos e como estes impactam nos objectivos da sua área e, consequentemente, nos resultados da Compa- Perfil nhia, bem como o reflexo do seu reconhecimento social e financeiro, são factores que “alimentam” a motivação dos nossos colaboradores. Quais serão os desafios de amanhã para um DRH? Os desafios para um DRH são constantes, lidamos com pessoas, todas elas diferentes e são estas que formam as empresas. Tendo em consideração que as mudanças em termos económicos neste sector se têm verificado a uma velocidade estonteante, o nosso papel é preparar e trabalhar o nosso capital humano, para que este desenvolva as competências necessárias para dar resposta aos desafios e fazer face às dificuldades que possam, eventualmente, surgir. Proporcionar as ferramentas necessárias ao seu desenvolvimento, trabalhar o espírito de equipa e suporte ao negócio, e ser um parceiro estratégico ao nível da tomada de decisão, constituem os desafios contínuos da área de Recursos Humanos. Paula Cristina Vieira Garrido, nascida em Lisboa a 27 de Novembro de 1963, é licenciada em Gestão de Recursos Humanos pela Universidade Lusófona e possui uma Pós-Graduação em Gestão de Recursos Humanos pela mesma Universidade. Com uma vasta experiência no sector segurador, onde iniciou a sua carreira profissional, entrou na Companhia Europeia (actual Liberty Seguros) em 1984 para a área Técnica, onde permaneceu durante 10 anos. Após a conclusão do seu curso, foi convidada a integrar o departamento de Recursos Humanos, assumindo a responsabilidade do desenvolvimento e implementação de vários projectos nas áreas de Desenvolvimento, Gestão de Talentos, Planos de Carreira, Formação, Assessement e Recrutamento, bem como a Gestão da Área Administrativa de Pessoal. O seu profissionalismo, optimismo e capacidade empreendedora, bem como o conhecimento aprofundado do negócio, estrutura e Companhia, permitiu-lhe ascender profissionalmente de forma consolidada, assumindo mais tarde, em 2006, a convite do CEO, a função que actualmente desempenha - Directora de Recursos Humanos da Liberty Seguros. intra Opinião Marta Azevedo Da formação profissional à aprendizagem ao longo da vida: plantando sementes de desenvolvimento nas autarquias locais Marta Azevedo Técnica Superior com funções de coordenação da área de Formação e Desenvolvimento Organizacional da Câmara Municipal do Seixal, desde 2008, Marta Azevedo é licenciada em Sociologia do Trabalho (ISCSP – 1998) e pós-graduada em Gestão de Recursos Humanos (Universidade Lusíada – 2000). Detém ainda frequência do Mestrado em Sociologia Económica e das Organizações (ISEG – 2003). É formadora com CAP, facilitadora de Yoga do Riso e membro de Grupo de Teatro Amador. Reflectir acerca da formação profissional em plena consolidação da sociedade do conhecimento e de competências de banda larga deverá, em primeiro lugar, passar por assumir que o conceito deverá evoluir para o de aprendizagem ao longo da vida (ALV), entendido como vector estratégico para a competitividade dos países, das organizações e para o desenvolvimento da cidadania activa, na medida em que diz respeito às oportunidades de educação e formação profissional oferecidas a um indivíduo ao longo da sua vida, no sentido de lhe permitir uma aquisição, adaptação e actualização contínua dos conhecimentos, aptidões e competências. Num país em que as qualificações, nho a nível profissional e a qualidade do quando comparadas com as médias serviço que presta aos munícipes, mas europeias, nos atiram para o fim dos também como cidadão, tornando-o rankings, e em que as Câmaras Muni- mais exigente, participativo e inovador cipais (CM) se assumem como os prin- e, como pessoa, tornando-o mais auto- cipais pólos de desenvolvimento social -consciente das suas forças e áreas de em muitas regiões, a educação e a for- desenvolvimento. mação deverão andar de mãos dadas ao longo de toda a vida dos indivíduos Sendo que a realidade demonstra que e não apenas durante o ciclo escolar nas CM de menores dimensões não obrigatório. existe sequer condições para assegurar internamente a oferta de formação Promovida nas autarquias locais, a ALV contínua a 25% do universo de trabalha- encaixa perfeitamente na premissa de dores, irei a partir daqui concentrar esta que, quanto mais qualificado o trabalha- análise nas CM que, desde a década dor for, melhor irá ser o seu desempe- de 80 e 90 do século XX, elaboram os 29 seus planos de formação interna, com Sendo estes os pressupostos assu- outros colegas e fomentar a sua aplica- acções de teor essencialmente técnico, midos na Câmara Municipal do Seixal ção no ambiente de trabalho; maioritariamente em sala e conformes (CMS), o modelo de formação e desen- − Competências para a Vida – formação com os requisitos de co-financiamento volvimento, que subjaz ao projecto for- que visa a certificação escolar/formativa, de programas comunitários e com os re- mativo em curso, apresenta quatro eixos através da promoção da Iniciativa No- quisitos de acreditação enquanto entida- de actuação: vas Oportunidades (em parceria com o trabalho e das competências requeridas; Concebido de modo a permitir a contí- IEFP/Centro de Formação do Seixal), da − Alargar as formas de conceber e re- nua resposta ou antecipação às mudan- formação de formadores, bem como a alizar a formação, o que significa: i) ças sócio-económicas, as temáticas e aquisição de competências não formais abandonar o conceito de transmissão projectos associados aos quatro eixos e informais, através da realização de formal, em sala, de saberes do formador variam em função da análise efectuada, workshops sobre temáticas que promo- para os formandos como meio quase garantindo-se, contudo, que a filoso- vam a cidadania e o desenvolvimento exclusivo de promoção da formação; fia inerente a cada eixo de actuação é pessoal (como é o caso da educação ii) fornecer mais ofertas de educação e mantida: parental, da educação financeira, da des formadoras definidos pelo Centro de Estudos e Formação Autárquica (CEFA). É aqui que há um trabalho interessantíssimo a desenvolver e que passa, sobretudo, por duas vertentes: − Afinar e renovar as metodologias de diagnóstico de necessidades e avaliação da formação, tornando-as mais alinhadas com o Sistema de Avaliação de Desempenho da Administração Pública (SIADAP), com as Normas da Qualidade, com a definição do perfil dos postos de oficina do ser, e ministrados em horário formação para além das essencialmente centradas em competências técnicas; iii) − Programas – formação em domínios pós-laboral e acções de voluntariado; sensibilizar os formandos para a impor- estratégicos para a modernização da − Soluções avançadas – visa a pro- tância capital da ALV, que os torna agen- administração local e para a qualida- moção de formação alicerçada nas tes da sua própria evolução ao longo da de do serviço público, possibilitando o funcionalidades das TIC (e-learning e vida activa. acesso de todos os trabalhadores ao b-learning) e na aquisição de compe- aperfeiçoamento nessas matérias, cicli- tências de responsabilização e auto- No fundo, e encarando os trabalhadores camente; nomia dos formandos no processo de numa óptica de seres totais, devemos − Just-in-time - formação à medida, vi- gestão das aprendizagens, de formação continuar a desenvolver acções de for- sando responder, em tempo útil, às ne- de follow-up, continuando a envolver mação no âmbito dos planos anuais de cessidades específicas e que caracteri- os intervenientes-chave na formação formação, mas também acções visando zam um sector ou um pequeno conjunto (dirigentes, formandos, formadores) e a certificação escolar/formativa e o con- de sectores da actividade municipal e de demonstrando que a formação não se tacto com experiências não-formais e formar expertises, cuja função seja a de encerra no último dia de realização do informais de aquisição de competências. disseminar os conhecimentos junto de curso; é antes um processo contínuo intra que tem como meta a melhoria contínua humanos e a “obrigatoriedade” de fun- formandos, sem que nunca se possa e a identificação de novas necessidades cionar na lógica da produção de planos chegar a entender se houve uma efec- de formação; formação em contexto de de formação inerente ao POPH. tiva modificação de comportamentos ou trabalho, sobretudo nas áreas operacio- qual o impacto da mesma nos resulta- nais, ajustando os conteúdos e as meto- Actualmente, o que acontece é a apre- dologias de trabalho ao perfil dos postos sentação da proposta de plano de de trabalho; acções de sensibilização e formação até 30 de Setembro, para Sendo certo que, sem a implementa- conciliação da vida profissional e familiar, apreciação em sede de definição das ção de um sistema integrado de gestão através, por exemplo, da promoção de Grandes Opções do Plano e Orçamen- de recursos humanos, não poderemos visitas dos filhos dos trabalhadores ao to do ano seguinte, podendo ainda não alcançar uma avaliação do impacto da local de trabalho dos pais e de acções dispor dos dados obtidos via SIADAP e formação nos resultados organizacio- promotoras da saúde e do bem-estar. só tendo a avaliação do plano de forma- nais, podemos ir testando e afinando dos da organização. ção vigente até ao primeiro semestre do metodologias e instrumentos de avalia- Por outro lado, e dada a relevante função ano. Por outro lado, as candidaturas ao ção das aprendizagens e da transferên- social e de desenvolvimento económico co-financiamento do POPH têm aberto cia dos conhecimentos para o ambiente assumida pelas CM, o apoio formativo a em Março do ano seguinte, já os planos de trabalho, contribuindo, assim, para comunidades específicas, como a edu- de formação estão em curso desde Ja- sensibilizar os trabalhadores e os diri- cativa ou a do movimento associativo, neiro, na medida em que, face ao eleva- gentes para uma cultura sistematizada são de considerar como cada vez mais do volume de formação requerida, não de avaliação de resultados e de acom- fundamentais para a potenciação dos é possível ficar sem ministrar formação panhamento/tutoria após a formação. recursos existentes e intervenções efica- para além dos tradicionais meses de zes na mudança e evolução das regiões Verão. e do País. Fomentar e criar condições para a participação na ALV dos trabalhadores das Aqui, e uma vez mais, a realidade no autarquias locais torna-se, assim, um O modelo é alimentado por fontes de terreno aponta-nos para a necessidade processo em que se dá e em que se informação diversa (SIADAP, propostas de encarar o desenvolvimento de com- recebe; em que crescem as pessoas, dos serviços, resultados da avaliação petências numa perspectiva mais flexí- a organização e a comunidade; em que follow up, sugestões dos trabalhadores, vel e ajustada aos diferentes timmings uma iniciativa formativa, não raras vezes, auditorias no âmbito do Sistema de Ges- de produção das fontes de informação desvenda novos horizontes de aprendi- tão da Qualidade, requisitos do contexto organizacionais, não concentrando, as- zagem não antes percepcionados, o externo e interno, entre outros) que, por sim, o planeamento da formação anual que estimula a procura de parcerias in- essa natureza, tornam o processo de nos planos de formação. ternas e externas, capaz de estreitar a inventariação das necessidades de for- A inexistência de um sistema integrado ligação entre as CM, de natureza mais mação mais rico e abrangente, mas que de recursos humanos na Administração rígida e pesada, com instituições mais colocam constrangimentos à conclusão Pública, bem como a implementação leves e dinâmicas, daqui resultando si- do diagnóstico das necessidades de recente do modelo de gestão por objec- nergias ágeis e eficazes. formação, que consubstancia os planos tivos são também entraves para o de- anuais de formação interna. senvolvimento em matéria de avaliação da formação. Esta encontra-se ainda Dois aspectos contribuem fortemente muito pouco explorada e implementada, para esta situação: a inexistência de um e a existente assenta, quase que exclu- sistema integrado de gestão de recursos sivamente, na avaliação da reacção dos *Quem decide Conhece www.algebrica.pt* OPINIÃO EMPRESARIAL Paula Lampreia Gestora de Unidade de Negócio Psicoforma/Solisform A Formação como investimento no capital intelectual da organização A Formação como investimento no capital intelectual da organização marca, sem dúvida, um debate que é cada vez mais abrangente no actual contexto empresarial. Formação, porque temos que investir ou Formação, porque se acredita na efectiva aposta no desenvolvimento de competências, reforçando a importância da sensibilização de cada indivíduo para o papel que ocupa e representa para a organização. Trazer para debate esta temática, convidando oradores da aproximação, por exemplo, da empresa ao ensino aca- que partilham as suas boas práticas, reforça o mérito da démico, com formação superior feita à medida. Algébrica no interesse pela partilha de experiências e pro- Por muito que não se possa fugir, em determinadas reali- move o que se revela cada vez mais essencial, reflectir dades organizacionais, da formação para o efeito imedia- sobre o que fazemos dentro da nossa casa. to, pelas exigências do próprio mercado, a realidade de O debate permitiu focar a experiência de empresas como controlo de investimento que atravessamos e que nos irá a Amorim Revestimentos, a Liberty Seguros, a Santa Casa acompanhar nos próximos tempos, leva-nos a encarar a da Misericórdia, a Safira ou a Eurest, na voz dos seus Di- necessidade de apostar na formação para o desenvolvi- rectores de Recursos Humanos, mas abriu portas para a mento contínuo, não como remédio para todos os males, partilha de outros representantes de empresas que inves- mas como solução para o que é essencial, o investimento tiram o seu tempo para estarem presentes neste debate. no capital humano. Chegamos a conclusões interessantes, que passam pela Este conteúdo é da responsabilidade da empresa interveniente obrigações legais, mas também para reter talentos, gerir intra importância de apostar na formação não só para cumprir através de novas metodologias que permitam, cada vez motivações, treinar competências, passando a mensagem de que, mesmo em tempos da tão falada crise, há soluções que marcam pela diferença e crise não é sinónimo de abrandar o investimento, equipara-se sim à importância de se ser mais inovador, por um lado, e mais exigente por outro. Inovador, quando pensamos em novas formas de formar, apostando no desenvolvimento de formadores internos, que preparados pedagogicamente para tal, formem os seus colegas em diversas áreas, principalmente técnicas. Exigente, porque a formação a trazer do exterior deve focar níveis de qualidade cada vez mais diferenciadores, ou mais, trabalhar o indivíduo, o auto-conhecimento, a auto-avaliação (como ponto de partida), ou através do reforço Perfil Há 13 anos ligada à área da formação, é licenciada em Gestão de Recursos Humanos pela Escola Superior de Ciências Empresariais de Setúbal, com Pós-graduação em Gestão Estratégica Empresarial pelo ISLA. Tem desenvolvido o seu percurso profissional maioritariamente ligado à Consultoria de Recursos Humanos, assumindo hoje a responsabilidade pela Gestão da Unidade de Formação do Grupo Randstad/Tempo Team. Serviços Empresariais Algébrica 33 Do seu lado certo Eventos Revistas Newsletters Conteúdos Bases de dados Contactos [email protected] Grupo Algébrica Av. da Liberdade, 227 - 3º 1250-142 Lisboa Portugal Com a experiência do tempo, a qualidade do núcleo editorial, a fiabilidade das Bases de Dados e a competência da equipa técnica, pode confiar-nos a materialização da sua comunicação, objectivamente para o target pretendido. intra Entrevista Pedro Coelho “Nos próximos anos, a gestão de recursos humanos na saúde será bastante aliciante e motivadora para quem gosta de desenvolver projectos” Entrevista de Rita Pablo A área de Recursos Humanos atinge uma direcção particular quando falamos de organizações públicas. Naturalmente que a Formação tem assim uma gestão própria no que respeita ao manuseamento de capitais que, por vezes, é mais inflexível. Apesar das medidas de contenção aprovadas para 2011, o Director de Recursos Humanos do IPOPorto, Pedro Coelho, não perde o optimismo. Que formações são elaboradas no seio do IPOPorto? De uma forma geral a formação é organizada internamente No IPO Porto, são elaboradas formações destinadas à for- dado que, conforme já foi referido, parte da formação visa mação pós-graduada das várias carreiras profissionais. Par- a formação pós-graduada de profissionais de saúde por ticipamos também na formação académica pré-graduada e outros profissionais da mesma classe. Para as restantes ao nível de mestrados e doutoramentos. Ao longo do ano formações, a contratação externa faz-se de acordo com a são programadas formações de forma transversal, obriga- especificidade do tópico e disponibilidade de recursos. tórias para todos os colaboradores, como sejam aquelas relacionadas com o risco profissional ou o suporte básico Que factores considera serem essenciais para uma boa de vida. formação e posterior sucesso do trabalhador e do Hospital? Tendencialmente, recorrem a formações exteriores ou A qualidade do formador é fundamental. Para além de ter preferem realizá-las ao nível interno? que ser bom tecnicamente, as capacidades de comunica- O IPO do Porto possui um Centro de Formação autónomo ção e interacção com os formandos são essenciais. denominado Escola Portuguesa de Oncologia do Porto. 35 com necessidade de contratação externa e financiamento global poderão ser de difícil implementação. Vamos, no entanto, ser optimistas e certamente conseguiremos rentabilizar os recursos que possuímos. De que forma é possível manter o trabalhador motivado? É fundamental que os colaboradores se sintam felizes no seu ambiente de trabalho. Se isso acontecer, então acredito que teremos colaboradores motivados. Eu não tenho tudo o que gostaria de ter, mas sou feliz! O trabalho do departamento de recursos humanos é tentar mudar a tendência que temos em nos focalizar naquilo que não podemos fazer em detrimento daquilo que podemos efectivamente realizar e que, muitas vezes, está mesmo diante de nós. Com este objectivo, desenvolvemos no IPO um projecto que considero pioneiro neste tipo de organizações e que pretende actuar em diversas dimensões da gestão de recursos humanos. A esse projecto demos o nome de “Recursos Humanos Positivos” (www.projectorhpositivo. com). É um projecto transversal quer na organização, quer na área da saúde, uma vez que criámos uma Rede de Conhecimento entre os órgãos de Direcção de Recursos Humanos dos diferentes hospitais. Estas unidades de saúde No sector da saúde em concreto, quais as formações podem agora partilhar o seu conhecimento através de uma que destacaria para os diferentes quadros? plataforma Web. A saúde necessita não só que os seus quadros obtenham formações diferenciadas pelas áreas profissionais, mas tam- A crise é desculpa para a redução das formações? bém que desenvolvam competências de literacia científica Na minha opinião, mesmo num contexto de crise, qualquer e tecnológica, bem como aptidões na área de gestão de instituição tem de investir na formação dos seus colaborado- pessoas e serviços. Destacaria as que abordam a compo- res. Acontece que as acções de formação que são realiza- nente comportamental. Estas podem ser implementadas das sem uma avaliação prévia do seu impacto, da sua quali- transversalmente e, a médio prazo, trazem resultados muito dade ou, até mesmo, da sua utilidade para as necessidades positivos, não só à organização mas também ao colabora- ou prioridades da organização, levarão quase sempre a des- dor. Neste tipo de formações temos contado, no último ano, perdício de recursos. Em tempos de maiores dificuldades com a ajuda da Operação Nariz Vermelho que nos ensina a financeiras, é natural que se tenha de fazer uma avaliação encontrar e conhecer o “Nosso Palhaço Interior”. O resultado mais cuidada e apostar nas formações que são efectivamen- tem sido surpreendente. te necessárias e que garantam um valor acrescentado para a instituição. Pegando na sua pergunta, eu diria que a crise Quais são os projectos do IPOPorto na área da forma- é uma oportunidade para sermos criativos, para aumentar- ção para 2011, que se advinha complicado? mos a formação de qualidade e reduzirmos o desperdício de Em 2011, as acções que dependam de novas formações horas de formação desnecessárias. intra Cerca de 50 funcionários do IPOPorto viram, recentemente, os seus prémios congelados. Como estão, dentro do seu departamento, a contornar a situação e qual será a previsão para 2011? A realidade de 2011 está espelhada no orçamento de estado já aprovado. É do conhecimento geral as medidas de contenção que o governo aprovou e que afectam não só os nossos trabalhadores com vínculo à função pública, mas também os que se regem pelo código do trabalho. Quanto a isso não podemos intervir, no entanto, podemos actuar em todas as outras componentes RH que, aí sim, dependem da vontade e visão de cada equipa de gestão. Que novas responsabilidades tem um Director de Recursos Humanos no contexto económico global? Terá de ter uma participação mais ao nível da gestão? A realidade de um Director de Recursos Humanos neste tipo de organizações é bastante diferente da de uma empresa privada. Não só porque se trabalha com colaboradores com vínculos e regalias completamente diferentes, logo com necessidades também diferentes, mas também porque as características ao nível da gestão são muito particulares. Numa instituição pública, a função de gestor de recursos humanos encontra-se, por vezes, muito limitada às tarefas correntes dos processos RH. No entanto, com as alterações organi- Perfil Licenciado em Gestão de Recursos Humanos e Psicologia do Trabalho pelo ISLA Gaia, realizou o V PADIS - Programa de Alta Direcção de Instituições de Saúde pela AESE. Ainda na Faculdade, fundou a Port’Júnior - Empresa Júnior do ISLA Gaia, projecto integrado no conceito de Júnior Empresas. Em 2000, iniciou funções como Técnico de Recursos Humanos na Holding do Grupo Amorim, sendo, em 2002, promovido a Responsável da Área Administrativa de Recursos Humanos do Grupo Accor/Amorim. No final de 2004, assumiu a direcção do Serviço de Gestão de Recursos Humanos do Instituto Português de Oncologia do Porto. Foi-lhe atribuído, em 2006, pela RH Magazine, o prémio “RH Revelação” pelos objectivos atingidos na reorganização da área de recursos humanos do IPO Porto. www.pedrocoelho.eu zacionais que aconteceram nos últimos anos e com a crescente polivalência dos profissionais da equipa de recursos humanos, a função de gestor RH tem adquirido, cada vez quem gosta de desenvolver projectos. Não tenho qualquer mais, relevância ao nível da gestão e na intervenção estraté- dúvida que os profissionais que por aqui passam estarão gica da instituição. preparados para trabalhar em qualquer tipo de organização. Quais são os desafios de amanhã para um DRH? Ao longo dos últimos anos, a função do DRH na área da Saúde tem vindo a evoluir rapidamente. Lembro-me que, quando fui contratado, encontrei um serviço de recursos humanos obsoleto, desmotivado e incapaz de dar respostas objectivas e correctas em tempo útil. Limitava-se a processar salários. Actualmente, a realidade é totalmente diferente. Sabemos bem o que pretendemos ser a médio e longo prazo e, por essa razão, existe ainda muito para ser feito nesta área. Eu diria que, nos próximos anos, a gestão de recursos humanos na saúde será bastante aliciante e motivadora para pub intra Opinião Ferreira Cascão A Formação como investimento no capital intelectual das Organizações: a participação do Ensino Superior Arcindo Ferreira Cascão Doutorado em Psicologia, é Mestre em Comportamento Organizacional e licenciado em Psicologia Social e das Organizações pelo ISPA. Actualmente, é Administrador das Talent Universities – Corporate Education, entidade responsável pela Educação Corporativa do Grupo IPAM/IADE, assumindo também as Embora seja nos anos recentes que as Instituições de Ensino Superior são estimuladas a aproximarem-se mais das organizações empresariais, estas, desde o final da década de 80 que têm vindo a despertar para a nova realidade da educação e formação, numa lógica de acentuar o investimento em capital intelectual, muito apoiado pelo que se designou de Educação Corporativa (Meister, 1998). funções de Docente e Presidente do Conselho Científico do IPAM- Instituto Português de Administração de Marketing. A necessidade em se criar conhecimen- como empregadores de referência das Possui várias publicações de artigos científicos to para manter a competitividade dos organizações contemporâneas. e de opinião, nas áreas da gestão de recursos negócios, gerou nas empresas a emer- É neste contexto que surge a Educação humanos, gestão por competências e gência de estruturas que pudessem Corporativa como estratégia inovadora comportamento organizacional. É também autor prosseguir este objectivo. A ideia seria no investimento em capital intelectual, o desenvolvimento das suas próprias capaz de acrescentar valor aos projec- competências no sentido da criação de tos tradicionalmente desenvolvidos ao práticas para a moderna gestão das pessoas conhecimento para a inovação (de pro- nível do desenvolvimento de competên- e organizações”, e co-autor de “Liderança e dutos, serviços, processos…) e assim, cias pessoais e organizacionais. animação de equipas” e “Organizações em aumentarem as suas vantagens compe- Meister (1998), ao definir a Educação transição: contributo da Psicologia do trabalho e titivas. Corporativa como “uma estratégia das Organizações”. De facto, o que temos verificado é que transversal e integradora para desen- Orador em vários congressos e conferências as organizações que verdadeiramente se volver e educar colaboradores, clientes sobre temas subjacentes ao capital humano, preocupam com o desenvolvimento do e fornecedores, no sentido de os ali- seu potencial humano, procuram solu- nhar com as estratégias de negócio”, ções inovadoras, mais sistematizadas e potencia este instrumento de desenvol- consistentes, no sentido de fomentarem vimento de pessoas, como um dos prin- a actualização estratégica de competên- cipais factores de sucesso na criação de cias, promoverem um ambiente positivo uma cultura de aprendizagem organiza- de aprendizagem e a posicionarem-se cional. dos livros “Entre a gestão de competências e a gestão do conhecimento” e “Gestão por competências: novos instrumentos e marketing e educação corporativa, é orientador de teses de mestrado e doutoramento e integra regularmente júris na avaliação de provas para a obtenção dos graus de Mestre e Doutor, em Universidades públicas e privadas. 39 É nesta lógica que o Ensino Superior de profissionais que necessitam manter junto, constituem os elementos centrais pode ter um papel relevante e mesmo a sua competitividade, de recém-licen- do que poderá ser o sistema global e determinante no apoio à criação de ciados que apostam em especializações integrado da aprendizagem individual e condições organizacionais, no sentido de forte valor acrescentado no mer- organizacional. De forma mais ou menos de tornar a Educação Corporativa mais cado de trabalho, de estudantes do explícita, sistematizada e elaborada, es- eficaz no apoio ao desenvolvimento do ensino superior e outros que procurem tes processos tendem a estar presentes capital intelectual. complementar e enriquecer o seu por- em muitas organizações, sobretudo nas É neste contexto que surgem as Talent tfólio de competências. que já possuem algumas práticas que Universities - Corporate Education, es- vão reflectindo preocupações por uma trutura do Universo das Escolas Supe- Desenvolvimento e aperfeiçoamento cultura de aprendizagem. Nestes casos, riores IPAM e IADE que têm por missão do projecto provavelmente o que está a falhar é a estreitar relações e deslocar para o am- ausência ou insuficiência de uma coor- biente empresarial e outros actores, as De forma a melhorarmos, aperfeiço- denação central dos quatro processos competências já firmadas pelas Escolas armos e tornarmos este projecto mais nucleares. De facto, estes processos (IADE e IPAM), nas suas respectivas consistente, e a partir da nossa experi- possuem uma dinâmica muito forte e áreas de intervenção. ência no sector da educação, concebe- integradora entre si, o que lhes confe- A partir de toda a nossa experiência mos um modelo de Educação Corpora- re uma certa ideia de circularidade, em consolidada ao longo das últimas déca- tiva (fig. 1), inspirado quer nos projectos que a estrutura da Educação Corpora- das na Educação e Formação Superior, de intervenção organizacional por nós já tiva deverá assumir o papel central de iniciámos, nos últimos anos, projectos levados a cabo, mas também nos tra- facilitadora da aprendizagem e deixar de educação corporativa, nomeada- balhos de Prince e Stewart (2002), cujo de ser vista simplesmente como uma mente na concepção e implementação modelo irá permitir que as organizações estrutura que desenvolve um conjunto de programas formativos e de desenvol- empresariais percepcionem melhor o de programas “caseiros” de educação vimento de competências numa lógica real valor que um projecto consistente e formação. customizada e adaptada às reais neces- e integrado de educação corporativa Como se pode observar na fig.1, a exis- sidades das organizações, objecto de pode acrescentar aos seus activos hu- tência dos processos subjacentes ao intervenção. manos e, consequentemente, aos seus modelo, consensualmente identifica- Através de um conjunto diversificado de resultados organizacionais. dos como nucleares aos processos de programas formativos, este projecto Proporciona ainda aos decisores orga- aprendizagem, só acrescentam real va- educativo foca a actividade no desenvol- nizacionais uma visão global e integra- lor às pessoas e à organização se existir vimento de competências de elevado da da educação corporativa com as uma adequada gestão das respectivas e impacto individual e empresarial. Estes principais áreas que concorrem consis- inevitáveis interacções. programas são objecto de creditação tentemente para a sustentabilidade do É a caracterização genérica destes pro- (atribuição de créditos académicos- conhecimento e das competências or- cessos, bem como a circularidade e -ECTS), o que potencia a melhoria da ganizacionais interacção que os envolve, que iremos qualificação académica dos participan- caracterizar de seguida. tes nos vários programas de desenvolvi- Modelo circular de Educação Corpo- mento de competências. rativa Numa lógica de Educação Corporativa, os programas são desenhados tendo Ao procurar-se um modelo para a Edu- em conta as necessidades emergentes cação Corporativa, identificam-se qua- das empresas, dos seus colaboradores, tro processos nucleares que, em con- intra 2. Networks e Parcerias Fundamentalmente é um processo que se deverá preocupar com as plataformas tecnológicas susceptíveis de apoiar todo o processo de aprendizagem, nomeadamente: • Sistemas que permitem registar e capturar conhecimento 3. Práticas de Gestão de Recursos Humanos Este subsistema refere-se essencialmente ao estado da arte das práticas de recursos humanos, no sentido em que a sua operacionalização estratégica poderá apoiar e fomentar a aprendizagem dentro da organização. Não apenas numa lógica de disponibilizar tecnologia e competências na utilização da mesma, mas sobretudo na implementação de processos e mecanismos que estimulam uma cultura de partilha e de desenvolvimento das pessoas. 1. Processos e sistemas para a pelas respectivas unidades de investiga- Apontamos algumas das práticas que gestão do conhecimento ção, incluindo projectos ligados à reali- temos vindo a desenvolver nos projec- Fundamentalmente é um processo que dade empresarial, teses de mestrado e tos de Educação Corporativa que temos se deverá preocupar com as platafor- doutoramento realizadas pelos docen- levado a cabo: mas tecnológicas susceptíveis de apoiar tes; • Identificação, desenvolvimento e ava- todo o processo de aprendizagem, no- • Acesso à base de dados Proquest, liação de competências; meadamente: que contém artigos científicos publica- • Qualificação de colaboradores (do pon- • Sistemas que permitem registar e cap- dos nas melhores revistas internacio- to de vista profissional e académico); turar conhecimento nais; • Mobilidade e gestão de carreira; • Bases de dados • Utilização da plataforma Moodle, uma • Gestão e retenção de Talentos; • Instrumentos de apoio à decisão das mais utilizadas internacionalmente • Implementação de novos projectos em- No que toca ao contributo que as Talent em sistemas de ensino/aprendizagem. presariais Universities podem dar neste processo Aqui são colocados todos os materiais salientamos: pedagógicos e científicos necessários • Acesso on-line a todo o acervo biblio- ao desenvolvimento de uma determina- tecário existente nas nossas Escolas da competência. Este processo trata essencialmente de (IPAM e IADE); • Contacto com uma cultura de elevada escolher a tipologia de programa mais • Acesso à produção científica realizada partilha de conhecimento. adequada, tendo em conta as compe- 4. Processos de aprendizagem 41 tências e as práticas organizacionais colaborador. Isto, no sentido de o au- lógica de investimento no capital intelec- que se pretendem desenvolver. Esta di- xiliar a melhor estruturar pensamentos tual das organizações. mensão é a essência da criação de uma e raciocínios, a agilizar e desbloquear Podemos afirmar que a base do projecto verdadeira cultura de aprendizagem ideias e novas formas de agir, enquan- reside em todo o potencial de produção dentro da organização, onde o envolvi- to momentos antecedentes mas nem de conteúdos/conhecimentos e a sua mento da gestão de topo é condição es- sempre explorados, de manifestações acessível localização e identificação, sencial e prioritária no despertar de toda comportamentais, a que genericamente quer através da plataforma tecnológica a comunidade organizacional e a res- designamos de competências. É segu- utilizada (moodle), mas também atra- pectiva envolvente, para esta nova e irre- ramente esta componente que permite vés do corpo docente que encerra um versível realidade que é a aprendizagem a evolução sistemática, consistente e di- dos portfolios de competências e co- permanente. O objectivo é transformar ferenciadora da aprendizagem, em con- nhecimentos mais ricos, aprofundados um conjunto de iniciativas de formação traste com a pedagogia centrada muitas e diversificados de qualquer sociedade e educação corporativa num ambiente vezes em dimensões humanas isoladas contemporânea. único de desenvolvimento, diferencia- e inibidoras de esforços cognitivos, que Obviamente que esta capacidade em dor, positivo e seguramente gratificante exigem reflexão e alterações nos actuais produzir, divulgar e replicar conhecimen- para todos os actores organizacionais esquemas de pensamento. tos, permite planear, com rigor, a adap- envolvidos. Os factores que mais e me- tação de determinados conteúdos e lhor podem contribuir para a construção A síntese e integração destes processos competências a contextos profissionais deste ambiente culturalmente favorável pode conduzir a diferentes tipologias de específicos e concretos, com preocupa- à aprendizagem, para além do envolvi- programas, nomeadamente: ções pela gestão de consequências e mento da gestão de topo como já referi- • MBAs resultados. É também isto que permite a mos, podem ainda residir: • Pós-graduações eficácia da aprendizagem e fundamenta • Na inspiração e receptividade dos co- • Executive Masters o processo de creditação, com a res- laboradores ao seu próprio desenvolvi- • Licenciaturas pectiva atribuição de créditos ECTS. mento, o que nos permite perceber que • Mestrados Por outro lado, a formatação destes pro- as pessoas com propensão para treinar • Programas de curta e média duração gramas deve estar alinhada com algu- competências de auto-liderança serão • Conferências, seminários e workshops mas das práticas de gestão de recursos as que potenciam desde logo um am- humanos, mas também pode influenciar biente mais favorável à aprendizagem Integração circular dos processos e positivamente outras, no sentido de um organizacional; conclusão alinhamento estratégico com a visão e • A concepção e implementação de missão organizacionais. programas de educação corporativa es- Como já referimos, a eficácia do modelo A lógica deste modelo, como já per- timulantes e desafiantes, tendo em con- reside essencialmente na efectiva coor- cebemos, é de grande influência e in- ta as necessidades estratégicas de de- denação e integração dos vários pro- terdependência mútua, sem ponto de senvolvimento pessoal e organizacional, cessos, tendo em conta a sua existência chegada nem de partida; mas logo que os quais terão que assentar em elevado e alguma maturidade organizacional. se começa, o círculo movimenta-se, os rigor técnico, científico e pedagógico; O projecto de educação corporativa sub-sistemas organizacionais adquirem • Aliado à formatação dos programas e das Escolas IPAM e IADE, a partir do outras dinâmicas e as mudanças são através das componentes atrás enun- desenvolvimento destes irreversíveis. E assim, o capital intelec- ciadas, temos vindo a notar o papel processos, tem-se vindo a afirmar e a tual da organização nunca mais será o que a educação corporativa pode ter posicionar-se como alternativa credível mesmo! ao nível das estruturas cognitivas do ao desenvolvimento das Pessoas, numa Bons investimentos intelectuais! consistente intra Grande Entrevista 43 Entrevista Paulo Malo “Aquilo que pesa mais na avaliação de um candidato é a atitude, mais do que a sua nota de curso ou currículo profissional” Entrevista de Rita Pablo Inicialmente focada apenas no core business da medicina dentária e soluções de reabilitação, a MALO CLINIC Health & Wellness deu os seus primeiros passos em Portugal. Ultrapassou fronteiras e, hoje em dia, conta com cerca de 1.500 trabalhadores em todo o mundo. Paulo Malo deu a conhecer à DRH um pouco do mundo MALO CLINIC, da sua gestão e formação de pessoal. Em que contexto nasce o conceito MALO CLINIC? Foi dade que oferecemos e que garantimos. Em Portugal as difícil implementar um projecto com esta dimensão em maiores dificuldades estão relacionadas com o excesso de Portugal? burocracia das instituições em geral e algumas leis que Quando vim para este edifício já tinha a ideia de que pre- nos impediam, por exemplo, de divulgar inovações como cisava de um espaço onde pudesse crescer. Actualmente a técnica All-on-4™, desenvolvida pela MALO CLINIC, que ocupamos praticamente a sua totalidade e temos mais representa uma solução que não existia para milhares de espaços circundantes, no total são cerca de 50.000m2. pessoas. O conceito nasce há cerca de 15 anos, mas é em 2006 Parte do nosso crescimento, ou dimensão, deve-se ao que criamos a marca MALO CLINIC no contexto da estra- considerável número de pacientes estrangeiros que vêm tégia de internacionalização da empresa. Nesse processo à clínica e ao reconhecimento da comunidade médica es- consolidámos um modelo de funcionamento que tem por trangeira sobre os nossos procedimentos, o que teve lugar base a especialização da equipa médica (cada médico antes do reconhecimento em Portugal. Este ano tivemos só pratica a sua área), definimos um modelo particular de um merecido reconhecimento ao vencermos o Prémio atendimento ao paciente e criámos protocolos clínicos na Produto Inovação COTEC-UNICER 2010, que tem como execução das técnicas inovadoras que desenvolvemos, o objectivo promover a inovação empresarial no país, entre- que nos permitiu expandir com os padrões de alta quali- gue pelo Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva. intra Certamente que havia uma falha grande em Portugal O problema dos desdentados totais afecta milhões de na questão da reabilitação dentária. De que forma in- pessoas em todo o mundo e a solução das próteses amo- verteu essa realidade e como conseguiu reunir a equi- víveis tem inúmeros inconvenientes. Não está tudo bem pa numa altura em que, como disse, todos achavam quando se corre o risco de, em público, ficar repentina- que estava tudo bem? mente sem dentes, quando se tem dores, quando não se As falhas não existiam exclusivamente em Portugal, mas mastiga convenientemente, entre outros problemas que em todo o mundo. As técnicas que desenvolvemos são afectam a saúde, quer física quer mental. O conceito All- consideradas das maiores evoluções na Medicina Dentária -on-4™ veio permitir a colocação de dentição fixa que es- nos últimos 40 anos, a nível mundial. Não invertemos uma teticamente parece e funciona como dentição natural, sem realidade, mas marcámos o futuro da reabilitação oral em necessidade de transplante de osso e em apenas 30 mi- Portugal e no mundo. Inovar é estar à frente no tempo e, nutos, dependendo da complexidade do caso. O proces- para prosseguir e reunir uma equipa, é necessária muita so de reabilitação, que anteriormente exigia várias fases e persistência. demorava meses, tornou-se mais rápido, mais confortável e mais económico, registando elevadas taxas de sucesso. As suas obras primas são o All-on-4™ e a prótese fixa Além disso, permitiu que pacientes com graves problemas MALO CLINIC Bridge. O que o moveu para a desco- de saúde, que contra-indicam a realização de cirurgias ex- berta destas singularidades no mundo da cirurgia den- tensas, como os enxertos ósseos, pudessem igualmente tária? beneficiar das vantagens de voltar a mastigar e sorrir. Identificar problemas e estar sempre à procura da melhor A MALO CLINIC Bridge, produzida no nosso laboratório solução. Nunca encaro o trabalho como finalizado ou per- (MALO CLINIC Ceramics), é reconhecida mundialmente feito. Podemos sempre fazer melhor. como a mais avançada prótese fixa para a reabilitação oral 45 directivos nas funções que são transversais às várias unidades de negócio, tais como a financeira, as operações e compras, design e comunicação (MALO Productions), recursos humanos, contabilidade, entre outras. As unidades de negócio internacionais têm uma equipa local com autonomia, mas que segue as directrizes da sede em termos de estratégia, modelo de negócio e modelo de gestão. Na constituição da equipa clínica, começamos sempre com elementos com experiência consolidada na empresa, capazes de garantir a implementação de protocolos médicos, padrões de qualidade e dinamismo e transmitir os valores e a cultura do Grupo. Em termos de áreas de negócio temos: Saúde - Dental Care e Medical Care; Bem-Estar (Spas e Medical Spas); Actividades Vinícolas, Enoturismo e Turismo Rural; Produção, Comércio e Distribuição Alimentar; Restauração e Catering; Comunicação e Imagem (decoração, design e marca). Quantos trabalhadores tem o grupo em Portugal e no de desdentados totais, tanto ao nível estético como ao ní- estrangeiro? vel tecnológico, replicando na perfeição a dentição natural. Temos cerca de 1.500 colaboradores em todo o mundo. Temos sido pioneiros de várias técnicas cirúrgicas e protéticas e a função imediata unitária e pequenas pontes, que não são menos relevantes que as mencionadas, permitindo a colocação das próteses fixas, no próprio dia da cirurgia de colocação dos implantes, reduzindo drasticamente o tempo de reabilitação e possibilitando que um paciente nunca tenha que ficar sem dentes no período de cicatrização. Hoje em dia tem um império e com ele a gestão de um grupo e, principalmente, a gestão das pessoas. De que forma está organizada essa gestão do pessoal sendo que o grupo não se baseia unicamente em clínica dentária, mas em spas, educação, investigação, MaloKids entre outros? Não temos um império se olharmos para o mundo como o nosso potencial mercado. Temos, na sede do grupo, uma equipa composta por dois administradores e direcções gerais de unidades de negócio. Temos também uma estrutura de serviços que são partilhados, com diversos cargos intra As políticas de gestão de pessoal são idênticas nas tínua (MALO CLINIC Education), assiste aos cursos, sem várias clínicas que tem espalhadas pelo mundo? Tem nunca tratar directamente um paciente. Somos muito alguma regra de ouro que deve ser impreterivelmente rigorosos neste processo de formação. Depois, como já aplicada na selecção do pessoal? foi referido, vão, durante todo o seu percurso, consolidan- Aquilo que pesa mais na avaliação de um candidato é a do conhecimentos. Em relação ao pessoal administrativo atitude, mais do que a sua nota de curso ou currículo pro- candidatámo-nos ao programa POPH e, durante 2011, os fissional. Também, por isso, a maioria dos candidatos está colaboradores terão formação em línguas, tecnologias de seis meses à experiência. Falar inglês é essencial. E por informação e atendimento ao público. último, é fundamental ter disponibilidade e capacidade de entrega. Qualquer pessoa pode ser convidada a ir traba- Os alunos da MALO CLINIC Education são futuros tra- lhar para uma das nossas clínicas no Brasil, Itália, Nova balhadores do grupo? Ou forma apenas especialistas Iorque, Polónia ou Macau e não temos um horário rígido mais aptos a trabalharem no mercado de trabalho ge- das nove às seis, muitas vezes trabalhamos aos domingos ral? e feriados. Sempre que é necessário. A MALO CLINIC Education forma essencialmente médicos dentistas e cirurgiões orais e, na sua maioria, estrangei- Dentro das várias apostas que faz, a formação é segu- ros. Estes programas são uma boa forma de avaliar os ramente uma delas, com a MALO CLINIC Education. profissionais e alguns elementos podem destacar-se neste O que o levou a apostar em cursos e formações con- contexto e poderão ser seleccionados para trabalhar no tínuas? Grupo. Nós damos formação interna e externa a nível clínico. A MALO CLINIC Education é um pólo internacional de excelência na formação avançada de profissionais da Saúde Oral. Mais de 3.500 profissionais visitam-nos por ano para apreenderem as técnicas inovadoras que desenvolvemos. Os programas de formação focalizam-se nos mais recentes desenvolvimentos de conceitos, tecnologias e produtos usados na reabilitação e os participantes acompanham casos reais do trabalho diário da clínica. A maioria dos participantes são estrangeiros, mas a nossa equipa clínica está em permanente formação. Por um lado, porque lançamos inovações com muita regularidade e, por outro, porque temos que manter a máxima homogeneidade nos padrões de qualidade que oferecemos. Os nossos colaboradores também usufruem de formação interna com vista à actualização em outras áreas como as línguas e as tecnologias de informação. De que forma são estruturadas essas formações? A nível interno, qualquer médico entra para um estágio remunerado (excepto nos primeiros dois meses de avaliação) e está durante um ano em formação. Assiste a cirurgias, consultas, dá apoio à unidade de formação con- 47 Quanto investem na formação? Não temos este valor quantificado, porque é complexo contabilizar um processo de formação que é contínuo. Um estudo efectuado pela consultora Right Manegment refere que 50% dos trabalhadores das empresas age de uma forma totalmente descomprometida em relação aos objectivos da organização. Mediante esta realidade, o que fazem para manter o trabalhador motivado? Os colaboradores devem ter objectivos e conhecer bem a empresa, desde as dificuldades às mais-valias. Na MALO CLINIC, os colaboradores conhecem a estratégia do grupo e estão vinculados ao caminho que a empresa definiu e ao modelo de funcionamento. Como em todas as empresas existem pessoas que cometem erros, mas para quem assuma os seus erros e tenha motivação para continuar, existe sempre espaço. Disse, numa recente entrevista, que o empreendedor é aquele que considera tudo à volta imperfeito. Assim sendo, e como é um empreendedor nato, o que está imperfeito na MALO CLINIC? Na MALO CLINIC temos inúmeras imperfeições. Só para enumerar algumas: primeiro, devíamos crescer mais rapidamente; segundo, facturar mais; terceiro, ter mais lucros; quarto, ver as nossas técnicas mais divulgadas; quinto, ter mais acções de solidariedade social. Perfil Paulo Malo nasceu em Angola em 1961. Já em Portugal, para onde veio ainda na década de 60, concluiu o curso de Medicina Dentária na Faculdade de Medicina Dentária de Lisboa e fundou, em 1995, a MALO CLINIC. Nos 15 anos seguintes, o crescimento exponencial verificado deu origem à criação de um amplo grupo empresarial presente em 12 países – MALO CLINIC Health & Wellness. A inovadora técnica cirúrgica All-on-4™, desenvolvida por Paulo Malo, revolucionou a prática da Medicina Dentária no âmbito da Reabilitação Oral a nível mundial. Doutorado em Biologia Oral, é professor convidado nas mais prestigiadas Universidades de Medicina Dentária do mundo. Paulo Malo é também co-autor de diversos livros e artigos científicos, e frequente orador em conferências internacionais – quer numa componente mais técnica, quer na vertente de gestão. Exerce também funções de consultor em quatro empresas internacionais líderes na área da Medicina Dentária. Ao longo da sua carreira, Paulo Malo e os seus colaboradores têm recebido diversos prémios e distinções entre os quais o Prémio Produto Inovação COTEC UNICER; Prémio CESPU-Jovem Investigador” - Miguel de Araújo Nobre; “Top Ten Medi-Spa 2010” da Asia Spa; “China’s Top Ten Spas” da Travel+Leisure; 3.º Lugar na categoria Biotecnologia dos Prémios Hospital do Futuro 2008/09, Finalista Prémio Mercúrio – O Melhor do Comércio 2008 (categoria Personalidade do Ano), Líder 2020, no âmbito do projecto “Os líderes 2020 e o caso Portugal” – AESE (Escola de Direcção e Negócios); Prémio SANTIAGO 2008 “Homenagem pelo relevante percurso e contributo para a Reabilitação Oral” pela Sociedade Española de Cirugía Bucal (SECIB) e Sociedade Argentina de Cirugía y Traumatología Bucomaxilofacial; Medalha Tiradentes atribuída pela ABOP (Associação Luso-Brasileira de Saúde Oral) – 2008; Prémio INSEAD de Entrepreneurship – 2007, entre outros. intra intra Director José Serra Editor Milene Aguilar [email protected] Redacção Rita Pablo [email protected] Design Luís Silva Composição Gráfica e Produção Susana Bernardo Direcção de Publicidade [email protected] Tel.: 21 120 43 19 Fax: 21 120 43 49 Aquisição de exemplares [email protected] Tel.: 21 120 43 00 Fax: 21 120 43 49 Assinaturas [email protected] www.algebrica.pt/intra_gf Tel.: 21 120 43 00 Fax: 21 120 43 49 Registo NROCS nº 125010 Depósito legal nº 251277/06 Periodicidade Trimestral Propriedade Março Editora Av. da Liberdade, 227 - 3º. 1250-142 Lisboa www.algebrica.pt