UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS UNIDADE UNIVERSITÁRIA DE JUSSARA LICENCIATURA EM MATEMÁTICA LUIZ CARLOS DOS SANTOS OLIVEIRA O PROCESSO DE INCLUSÃO DO DEFICIENTE AUDITIVO EM TURMAS REGULARES DO ENSINO FUNDAMENTAL JUSSARA-GO 2010 1 Luiz Carlos dos Santos Oliveira O PROCESSO DE INCLUSÃO DO DEFICIENTE AUDITIVO EM TURMAS REGULARES DO ENSINO FUNDAMENTAL Trabalho monográfico apresentado para fins de conclusão do Curso de Licenciatura em Matemática, da Universidade Estadual de Goiás, Unidade Universitária de Jussara, sob a orientação da Professor Deusaguimar Divino da Silva. JUSSARA-GO 2010 2 3 Dedico este trabalho aos meus pais, irmã e ao meu amigo Danilo que foram de extrema importância para vencer mais essa etapa da minha vida. Um abraço a todos!!! 4 AGRADECIMENTOS Agradeço a Deus pela paciência e força no desenvolvimento deste trabalho. Aos meus familiares pela compreensão das inúmeras vezes que estive ausente em alguns momentos de suas vidas. 5 RESUMO Esta pesquisa refere-se ao Processo de Inclusão do Deficiente Auditivo em Turmas Regulares do Ensino Fundamental, uma pesquisa que mostra as grandes dificuldades que os alunos deficientes auditivos e surdos enfrentam em sala de aula e fora do ambiente escolar, pela falta de conhecimento por parte dos alunos e professores da Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS. Além disso, há ainda o descomprometimento dos pais de alunos deficientes auditivos em acompanhar de perto o desenvolvimento escolar de seus filhos e como é importante a participação da família na vida escolar do portador de deficiência auditiva. Temos também algumas contribuições da sociedade à inclusão dos surdos, a forma de como eles aprendem a língua portuguesa e também a inclusão de LIBRAS como componente curricular nos cursos de formação de professores. A presente pesquisa é bibliográfica e está dividida em dois capítulos. Como fonte de pesquisa, foram pesquisados livros e artigos que falam do assunto abordado. No que se refere à inclusão, significamente ela não se limita somente a incluir o aluno deficiente auditivo nas classes de ensino regular, a inclusão se faz através de um ensino de qualidade, utilizando metodologia adequada, com professores capacitados, uma estruturação apropriada que deve ser feito pela escola para a aprendizagem e o desenvolvimento da criança ou adolescente portador da deficiência auditiva. PALAVRAS – CHAVE: Inclusão. Ensino-Aprendizagem. LIBRAS. 6 SUMÁRIO INTRODUÇÃO 07 CAPÍTULO 01 A INCLUSÃO NO ENSINO REGULAR 1.1 O Conceito de Educação Inclusiva: 09 1.2 A Problemática Encontrada na Inclusão do Surdo na Escola 10 1.3 Características do Portador de Deficiência Auditiva 14 1.4 Projetos e os Princípios Fundamentais de uma Escola Inclusiva 19 1.5 O Papel da Família e as Contribuições da Sociedade à Inclusão dos Surdos 24 CAPÍTULO 02 – A IMPORTÂNCIA DE LIBRAS (LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS) NA VIDA DO SURDO 2.1 Falhas na Comunicação Desencadeia a Exclusão 2.2 A Situação da Aprendizagem dos Surdos em Relação à Língua Portuguesa 32 33 2.3 A Inclusão da Língua Brasileira de Sinais como Disciplina Curricular na Formação dos professores. 36 CONSIDERAÇÕES FINAIS 38 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 40 ANEXOS 42 7 INTRODUÇÃO A presente pesquisa possui como tema: O Processo de Inclusão do Deficiente Auditivo em Turmas Regulares do Ensino Fundamental, um assunto que vem se tornando cada vez mais importante e estudado, por se tratar de um processo que exige maior estruturação das escolas de ensino regular para poder proporcionar aos alunos deficientes auditivos um ensino mais adequado. O objetivo deste trabalho é levar ao leitor o conhecimento do que o processo de inclusão do surdo exige da escola, sociedade e família para realmente acontecer, mostrando que há maneiras do portador de deficiência auditiva ser incluso em salas regulares, desde que as escolas se estruturem para isto. O deficiente auditivo ao longo dos anos vem sofrendo por se sentir rejeitado e excluído da sociedade, pouco se vê o que é feito para seu processo de inclusão, pouco sabem se comunicar em LIBRAS e a maioria dos ouvintes não têm o interesse em aprender esta língua, negando assim o direito de comunicação daqueles que usam a LIBRAS para se comunicar. A pesquisa foi dividida em 02 (dois) capítulos sendo o primeiro referente a Inclusão no Ensino Regular; neste primeiro capítulo foi procurado lhes trazer o conhecimento sobre os Conceitos de Educação Inclusiva, seus principais ideais perante o processo de inclusão. Temos também A Problemática Encontrada na Inclusão do Surdo na Escola, onde estão alguns fatores negativos que o deficiente auditivo vivencia em sala de aula e fora dela e alguns desafios para que a escola se torne inclusiva. Neste mesmo capítulo, procurei mostrar as Características do Portador de Deficiência Auditiva, que são essências as pessoas terem conhecimento para que entendam melhor como surdo ou o deficiente auditivo se sente perante as suas limitações impostas pela deficiência e suas identidades que podem ser formadas. Com a idéia de escola inclusiva, surgiram alguns projetos e princípios retratando a inclusão, procurei através dos Projetos e os Princípios Fundamentais de uma Escola Inclusiva trazer as características dos projetos selecionados, do que cada um propõem e há também alguns princípios que são fundamentais para que a escola seja realmente inclusiva trazendo a você leitor, o que algumas leis exigem das escolas e profissionais que trabalham neste processo. Temos também O Papel da Família e as Contribuições da Sociedade à Inclusão dos Surdos, Neste procurei trazer o conhecimento do quanto à família se torna importante no desenvolvimento da criança ou adolescente surdo 8 quando há uma participação ativa em sua vida tanto em casa como na escola e algumas contribuições que a sociedade vem fazendo para cada vez mais incluir o surdo na cultura ouvinte e matérias que trazem aos ouvintes maior conhecimento da cultura surda. No segundo capítulo A Importância de LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais) na Vida do Surdo, foi procurado ser exposto que quando a comunicação em sala de aula entre surdo e professores ouvintes e surdo com colegas ouvintes não é feito em LIBRAS, o aluno que apresenta a surdez está propicio à sua exclusão neste ambiente, pelo motivo de outras técnicas de comunicação serem falhas. Em, A Situação da Aprendizagem dos Surdos em Relação a Língua Portuguesa, foi procurado mostrar de como os surdos e deficientes auditivos aprendem a língua portuguesa, os materiais mais adequados para esta aprendizagem e a utilização da tecnologia como auxílio. E por último temos A Inclusão da Língua Brasileira de Sinais como Disciplina Curricular na Formação dos Professores, que tem como intuito, trazer ao conhecimento do leitor desta pesquisa, que a Língua Brasileira de Sinais é algo fundamental para que ocorra o processo de inclusão dos surdos e deficientes auditivos nas escolas regulares, cabendo aos professores possuírem o curso específico nesta língua, que agora de fato, será obrigatório nos cursos de Licenciatura como disciplina curricular como você verá neste trabalho. 9 CAPÍTULO 01 A INCLUSÃO NO ENSINO REGULAR. 1.1 O Conceito de Educação Inclusiva. É um aperfeiçoamento pedagógico que visa a proporcionar aos alunos que possuem necessidades especiais uma educação de qualidade de acordo com suas limitações geradas pela deficiência. A educação inclusiva busca oferecer aos alunos com necessidades especiais, iguais condições de aprendizado, de oportunidades, tanto fora como dentro da instituição escolar, de acordo com (Revista Da Educação Especial / Secretaria De Educação Especial, Brasília, 2008, p.11) “[...] A Educação Inclusiva tem por objetivo alterar as práticas tradicionais, removendo as barreiras à aprendizagem e valorizando as diferenças dos alunos [...]”. A educação inclusiva visa proporcionar aos alunos uma aprendizagem através de uma estrutura voltada para as necessidades do aluno, que consiga alcançar um ensino de qualidade que às diferenças entre os alunos sejam valorizadas. “[...] A Educação Inclusiva organiza e promove um conjunto de valores e práticas que procuram responder a uma situação existente e problemática de insucesso seleção precoce ou abandono escolar [...]”, (INCLUSÃO: REVISTA DA EDUCAÇÃO ESPECIAL / SECRETARIA DE EDUCAÇÃO ESPECIAL, BRASÍLIA, 2008, p.11). O papel da educação inclusiva é a de proporcionar aos alunos um ensino de qualidade independente das barreiras encontradas devido às necessidades especiais de cada aluno, ela tenta se adequar as limitações de aprendizado de cada um. A escola que busca a educação inclusiva precisa ter materiais pedagógicos adequados às necessidades do aluno, um quadro de funcionários capacitados que a educação inclusiva exige, como é o caso abordado neste estudo LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais), e ter conhecimento de metodologias importantes que possam contribuir para o desenvolvimento da criança que possui alguma deficiência. 10 1.2 A Problemática Encontrada na Inclusão do Surdo na Escola. Os alunos que possuem a deficiência auditiva vivenciam em turmas regulares um ensino que não vêm conseguindo proporcionar a eles um aprendizado de qualidade, muitos que possuem esta deficiência não conseguem alcançar no Ensino Fundamental alguns objetivos importantes como a capacidade de leitura e escrita de maneira satisfatória, a maioria concluem o Ensino Fundamental sem saberem ler e escrever corretamente e sem ter um domínio adequado dos conteúdos. A inclusão nas escolas regulares visa proporcionar aos alunos que possuem necessidades especiais iguais condições de aprendizado com materiais pedagógicos adequados e docentes qualificados a estarem trabalhando estes materiais com estes alunos, mas as discussões à respeito da inclusão dos surdos é rodeado por indefinições e ambigüidades, o Plano Nacional de Educação Especial (MEC/SEEP) defendem o uso da Língua Brasileira de Sinais nas escolas comuns (regulares) por seus professores, mas muito pouco é feito para estas escolas se adequarem a ter o domínio desta língua e até de ter condições de oferecer um ensino desenvolvido em LIBRAS. Segundo o Senador Eduardo Azeredo/Senado Federal (LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS “UMA CONQUISTA HISTÓRICA”, Brasília, 2006) diz que: “A comunidade de surdos é procurada por educadores e interessados para terem mais detalhes sobre a LIBRAS”. Ou seja, a maioria dos professores não possui o apoio necessário dentro das escolas para estarem adquirindo o conhecimento da Língua de Sinais, estão buscando conhecimento por conta própria procurando comunidades surdas que lhes possam ensinar esta língua que é essencial para haver a comunicação entre alunos surdos e professores e com os colegas ouvintes. Existem discursos dizendo que o aluno portador de necessidades especiais deve com urgência ser incluído na escola regular, um deles é a Declaração de Salamanca junto com outros 87 governos, que foi uma conferência mundial realizada na cidade de Salamanca na Espanha no ano de 1994 que assegurou como lei que toda criança que possui necessidades especiais tem o direito de estudar no ensino regular com direito a toda adequação estrutural que precisar para obter um ensino de qualidade. Em seu artigo 19 diz o seguinte: 11 “Políticas educacionais deveriam levar em total consideração as diferenças e situações individuais. A importância da linguagem de signos como meio de comunicação entre os surdos, por exemplo, deveria ser reconhecida e provisão deveria ser feita no sentido de garantir que todas as pessoas surdas tenham acesso a educação em sua língua nacional de signos [...]”. (DECLARAÇÃO DE SALAMANCA, 1994, Art.19). Mas a realidade enfrentada pelos deficientes auditivos nas escolas é bem diferente do que diz o art. 19 da Declaração de Salamanca, pois a maioria dos alunos surdos e com deficiência auditiva não possuem um ensino apropriado feito na sua linguagem (LIBRAS) é como se as palavras deste artigo estivesse no esquecimento, o uso da língua de sinais é dadolhes de direito, mas o que se vê são apenas recomendações para que os professores e pais aprendam essa língua. Em relação à administração das escolas, o artigo 33 da Declaração de Salamanca diz o seguinte: “Administradores locais e diretores de escolas podem ter um papel significativo quanto a fazer com que as escolas respondam mais às crianças com necessidades educacionais especiais desde de que a eles sejam fornecidos a devida autonomia e adequado treinamento para que o possam fazê-lo. Eles (administradores e diretores) deveriam ser convidados a desenvolver uma administração com procedimentos mais flexíveis, à reaplicar recursos instrucionais a diversificar opções de aprendizagem, a mobilizar auxílio individual, a oferecer apoio aos alunos experimentando dificuldades e a desenvolver relações com pais e comunidades. Uma administração escolar bem sucedida depende de um envolvimento ativo e reativo de professores e do pessoal e do desenvolvimento de cooperação efetiva e de trabalho em grupo no sentido de atender as necessidades dos estudantes.” (DECLARAÇÃO DE SALAMANCA, 1994, Art.33). A citação acima nos revela como deveria ser na atualidade a administração das escolas de ensino regular, professores, administradores locais e diretores de escolas deveriam receber treinamentos para estarem plenamente capacitados para participarem no processo educacional destas crianças que possuem necessidades especiais, além disso, eles deveriam promover a participação dos pais destas crianças juntamente com a comunidade local na escola para participarem no processo de inclusão, mas com a falta de treinamento daqueles que fazem parte da administração da escola e dos professores, os alunos com necessidades especiais que neste trabalho em questão trata-se dos deficientes auditivos, ficam prejudicados, pois o processo de inclusão não acontece satisfatoriamente, deixando no processo de aprendizagem 12 das crianças uma falha que só poderia ser corrigida através de funcionários bem preparados que realmente sabem lhe dar com as necessidades especiais de cada um, em questão a surdez. A inclusão do aluno surdo não deve ser baseada na questão de igualdade com os ouvintes, com o deficiente auditivo em sala, será preciso ser incluída uma nova língua (LIBRAS), isso pode causar uma série de tensões principalmente por haver um grupo maior de ouvintes e um menor daqueles que não ouvem. O surdo não pode ser tratado de forma igual ao ouvinte dentro de sala de aula, pois o deficiente auditivo possui suas necessidades especiais, limitações que devem ser bem conhecidas pelo professor para que não venha excluí-lo da aula. Quando o professor prepara uma aula que só os alunos ouvintes vão entender, ele está causando a exclusão, está negando o direito do aluno deficiente auditivo de ter um aprendizado mais digno, adequado daquilo que lhe foi dado de direito na Declaração de Salamanca e na Lei de LIBRAS, um Decreto que visa à implantação do curso de LIBRAS nos cursos de licenciatura, para que os futuros professores já saem da faculdade dominando a língua de sinais. O surdo ou o deficiente auditivo deve ser submetido à aulas bem preparadas que consigam fazer com que ele entenda o conteúdo através de simples ações feitas pelo professor dentro de sala de aula, como por exemplo; falar pausadamente para que o aluno faça leitura labial, pode ser usado também a comunicação através da escrita, ou da maneira mais adequada que é a aula sendo lecionada através da língua de sinais. A inclusão do aluno surdo no ensino regular deveria ser um fator preponderante para o seu desenvolvimento sócio-cultural, pois traria ao aluno deficiente auditivo um convívio social maior do que a ele era submetido fora da escola de ensino regular; o que era para ser um ensino de qualidade através de uma comunicação adequada com estrutura pedagógica direcionado às necessidades de cada um e com administradores e professores capacitados acabam se transformando totalmente ao inverso, com professores que dizem não estar preparados para estarem trabalhando com alunos que possuem deficiência, logo abaixo temos um trecho da fala de uma professora que atua no ensino regular. “Eu entendo e concordo que todas as crianças tem os mesmos direitos à educação, mas como eu vou dar conta de todos os meus alunos (as) e ainda dar atenção e cuidar de uma criança com deficiência?” “Eu não estou preparada para receber uma criança especial na minha sala de aula.” (REVISTA DA EDUCAÇÃO ESPECIAL / SECRETARIA DE EDUCAÇÃO ESPECIAL. V.1, N.1, BRASÍLIA, 2005, p.41). 13 Os professores precisam se capacitar profissionalmente para estarem recebendo alunos com necessidades especiais em suas salas de aula, que a maioria estão com uma quantidade de alunos fora do comum, superlotadas, com tudo isto acontecendo, o deficiente auditivo está participando de um sistema voltado mais para exclusão do que para inclusão. “A escolarização necessária é aquela capaz de proporcionar a todos os alunos, em igualdade de condições, o domínio dos conhecimentos sistematizados e o desenvolvimento de suas capacidades intelectuais requeridos para a continuidade dos estudos, série a série, e para as tarefas sociais e profissionais, entre as quais se destacam as lutas pela democratização da sociedade.” (LIBÂNEO, 1994, p.34). Além do despreparo de alguns professores, os alunos deficientes auditivos ainda se deparam com classes com quantidade de alunos acima do ideal, sendo que estes alunos deveriam ser inclusos em salas com menos quantidade de alunos com uma estrutura adequada para o seu desenvolvimento de acordo com sua capacidade, caso contrário, os professores não conseguem aplicar suas aulas de modo a propiciar o desenvolvimento de seus alunos para a continuidade de seus estudos e convívio social. Para acontecer a inclusão é preciso que nas escolas haja diferenças, onde os alunos possam vivenciar novas experiências, aprender com o outro, onde cada um aprenda respeitando os limites do próximo. Será que o processo de inclusão implantado nas escolas regulares vai algum dia conseguir incluir e dar um ensino de qualidade a todas as crianças que possuem necessidades especiais, em especial o deficiente auditivo? “Se não houver uma modificação estrutural no sistema educacional brasileiro, a inclusão de alunos portadores de necessidades especiais, principalmente os mais prejudicados, nunca será concretizado, logo a noção de inclusão total não é uma proposta, e sim uma utopia.” (GLAT, 1988, p.11). Logo podemos ver que o aluno deficiente auditivo (surdo) só é submetido à desvantagens quando freqüenta salas de aula onde todo material preparado pelo professor está voltado para os ouvintes, ali ele não consegue compreender a aula, não vai conseguir fazer os mesmos trabalhos feitos por seus colegas. Nota-se que houve e ainda há um grande esforço por parte de determinados políticos e alguns segmentos sociais em garantir os direitos dos portadores de necessidades especiais em relação a inclusão com um ensino de qualidade nas leis voltadas para o ensino regular, mas 14 mesmo com essas leis elaboradas e aprovadas, pouco se vê o cumprimento destas nas escolas, pois elas não se referem apenas aos deficientes auditivos, mas sim, a todo tipo de deficiência que o aluno venha a ter e grande parte das escolas de ensino regular não estão aptas a cumprir estas leis como devia ser. O aluno surdo como foi visto, encontra inúmeras barreiras na rede regular de ensino, é uma verdadeira problemática encontrada nestas escolas que tentam ser inclusivas mas não conseguem dar a estrutura adequada a estas pessoas que precisam de um ensino qualificado administrado em sua linguagem por professores capacitados dando apoio ao aluno de acordo com a sua necessidade e fazer com que haja uma interação mais digna com os colegas ouvintes de classe, pois se isto for feito, o deficiente auditivo perceberá que realmente está sendo incluso, fortalecendo seu desenvolvimento intelectual através de um ensino adequado e modulado para ele. 1.3 Características do Portador de Deficiência Auditiva. Segundo o Art.2 do capítulo 1 do Decreto Lei de LIBRAS que regulamenta a Lei n° 10.436, de 24 de Abril de 2002, que dispõem sobre a Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS, e o Art.18 da Lei n° 10.098, de 19 de Dezembro de 2000 diz o seguinte: “Para os fins deste Decreto, considera-se pessoa surda aquela que, por ter perda auditiva, compreende e interage com o mundo por meio de experiências visuais, manifestando sua cultura principalmente pelo uso da Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS. Parágrafo Único – Considera-se deficiência auditiva a perda bilateral, parcial ou total, de quarenta e um (dB) ou mais, aferida por audiograma nas freqüências de 500Hz, 1000Hz, 2000Hz e 3000Hz.” “Os livros da psicologia da surdez definem os surdos como linguisticamente pobres, intelectualmente primitivos e concretos, socialmente isolados e psicologicamente imaturos e agressivos.” (SKLIAR, 1997, p.115). Talvez por estes conceitos retratados na maioria dos livros de psicologia sobre a surdez, venha a ser um dos motivos que caracterizou na sociedade ao longo dos anos o preconceito visto na atualidade pela grande população de ouvintes que tratam as pessoas 15 surdas como seres inferiores, como se fossem incapazes de aprender algo, de terem uma vida social “normal” assim como os outros. A maioria das crianças ouvintes cresceram ouvindo relatos de que pessoas deficientes são incapazes de fazer quase tudo, ou seja; o processo de exclusão vai crescendo por causa do preconceito, pouco se vê casos de grande interação entre um aluno ouvinte e um que seja surdo, como agora existem leis visando a inclusão de alunos deficientes auditivos nas escolas regulares, os ouvintes verão que nem tudo o que diziam as pessoas e livros preconceituosos é verdade; de que a incapacidade de ouvir não impede o aluno de aprender, de ter uma vida social confortável, o que falta à ele são materiais adequados de ensino e professores bilíngües, que sabem se comunicar adequadamente na linguagem do surdo. A maioria dos deficientes auditivos possui barreiras que os impedem de se comunicar, principalmente problemas na fala, alguns tentam se comunicar através da escrita, mas mesmo utilizando este método, a comunicação não é realizada satisfatoriamente. Alguns alunos se sentem constrangidos pelo motivo de precisarem se comunicar de uma maneira diferente, isso vai fazendo com que o aluno se sinta inferior ao seu colega ouvinte de sala de aula, muitos acabam se isolando, praticamente minimizando a pouca interação já existente com seus colegas e professores. Gil descreve: “A adaptabilidade do surdo fica prejudicada em sala de aula por dificuldades óbvia de comunicação, que os leva a buscar o isolamento e a proteção do grupo”. (GIL, 2010, p.03). A criança que possui a deficiência auditiva sofre um grande atraso de linguagem, isso pode acarretar uma série de problemas na vida desta criança que vai impedindo o seu desenvolvimento. Lacerda diz: “[...] No caso de crianças surdas, o atraso de linguagem pode trazer conseqüências emocionais, sociais e cognitivas, mesmo que realizem o aprendizado tardio de uma língua.” (LACERDA, 2006, p. 165). Existem crianças que possuem a deficiência auditiva, mas que não tiveram a total perda de audição, a deficiência auditiva pode ser classificada como: - Surdez Leve / Moderada: Consiste em uma perda auditiva de 70 decibéis, dificulta mas não impede a pessoa de estar se expressando oralmente, consegue perceber a voz humana utilizando aparelho auditivo ou não. - Surdez Severa / Profunda: Consiste em uma perda auditiva acima dos 70 decibéis, a pessoa fica impossibilitada de entender a voz humana mesmo utilizando aparelho auditivo ou não. Uma pessoa é considerada deficiente auditivo quando possui perda total ou parcial de resíduos auditivos causadas por doenças congênitas ou adquiridas que dificultam a compreensão da fala através do órgão (ouvido). 16 Essas crianças que possuem algum tipo de deficiência em questão a surdez, sofrem vários tipos de preconceitos, que prejudicam seu desenvolvimento cognitivo, moral, emocional e social, pois é na fase da formação de sua auto-imagem que as crianças acabam sofrendo vários tipos de preconceitos tanto fora como dentro do âmbito escolar. “[...] Os preconceitos sociais são especialmente nocivos porque atingem a criança na formação da sua auto-imagem, o que pode significar um prejuízo ainda maior para a superação das dificuldades no âmbito escolar.” (SKLIAR, 1997, p.72) Em muitos casos a deficiência auditiva existe na criança, mas ela ainda não notou que a possui. Às vezes só é percebida quando o rendimento escolar vai ficando abaixo do esperado, quando deixa de entender algo que o professor pronunciou, ou seja, uma palavra, uma frase; em primeira instância a criança pode até perceber alguma alteração em sua audição, mas deixa de contar para seus responsáveis e colegas de sala por pensar que possa ser algo não tão importante, a inocência acaba prevalecendo em muitas situações, e é o professor que acaba notando a deficiência auditiva dentro de sua sala de aula, através de observações feitas por ele, quando percebe que o aluno possui dificuldades de entender os diálogos, as explicações, quando precisa repetir mais de duas vezes uma frase para que o aluno entenda, isso tudo podem ser evidências da deficiência auditiva. Crianças que nasceram surdas, que possuem um histórico familiar marcado pela surdez às vezes demoram mais a perceber a deficiência do que uma criança que adquiriu a certa idade, isso se deve ao seu convívio familiar, com pais surdos. Nesse ambiente a criança vai crescendo utilizando a Língua de Sinais, ou gestos, mímica criada pelos próprios pais para estarem se comunicando entre eles, a criança vai vivendo em um “mundo” que para ela é normal, principalmente quando ainda não houve contato com pessoas ouvintes. Quando esta criança visa ultrapassar as fronteiras de sua casa (ambiente familiar) para o convívio com ouvintes, ela percebe que há algo de errado com a pessoa que ela tentou um contato (comunicação), seu modo de se comunicar não é entendido pelo ouvinte; ali ela percebe que há algo de anormal não com ela, mas com o próximo (ouvinte). Através desse momento, o “mundo do preconceito” abre para ela como se fosse um leque; ali através das explicações realizada por seus pais, ela percebe de modo embaraçosa que o anormal não são os ouvintes, mas sim aqueles que apresentam a surdez por serem minorias. No livro da Salles, temos um depoimento citado por Perlmutter (1986, apud Padden e Humphies, op. cit.), descrito por Sam 17 Supalla, surdo, em seu contato com uma amiga de infância ouvinte, que morava num apartamento ao lado do seu. “Sam nasceu numa “Família Surda”, com muitos irmãos surdos mais velhos que ele e, por isso, demorou a sentir a falta de amigos. Quando seu interesse saiu do mundo familiar, notou, no apartamento ao lado do seu, uma garotinha, cuja idade era mais ou menos a sua. Após algumas tentativas, se tornaram amigos. Ela era legal, mas era esquisita: ele não conseguia conversar com ela como conversava com seus pais e irmãos mais velhos. Ela tinha dificuldade de entender gestos elementares! Depois de tentativas frustradas de se comunicar, ele começou apontar para o que queria ou, simplesmente, arrastava a amiga para onde ele queria ir. Ele imaginava como deveria ser ruim para a amiga não conseguir se comunicar, mas, uma vez que eles desenvolveram uma forma de interagir, ele estava contente em se acomodar às necessidades peculiares da amiga. Um dia a mãe da menina aproximou-se e moveu seus lábios e, como mágica, a menina pegou sua casa de boneca e moveu-a para outro lugar. Sam ficou estupefato e foi para sua casa perguntar a sua mãe sobre, exatamente, qual era o tipo de problema da vizinha. Sua mãe lhe explicou que a amiga dele, bem como a mãe dela, eram ouvintes e, por isso, não sabiam sinais. Elas “falavam”, moviam seus lábios para se comunicar com os outros. Sam perguntou se somente a amiga e sua mãe era assim, e sua mãe lhe explicou que era sua família que era incomum e não a da amiga. As outras pessoas eram como sua amiga e a mãe. Sam não possuía a sensação de perda. Imerso no mundo de sua família, eram os vizinhos que tinham uma perda, uma desabilidade de comunicação.” (SALLES... [et. al.], 2004, p.37-38). Perder um sentido pode significar ganhar outro, nem sempre a falta de audição caracteriza o deficiente auditivo como um ser inferior ao ouvinte. “Quebrar o paradigma da deficiência é enxergar as restrições de ambos: surdos e ouvintes. Por exemplo, enquanto um surdo não conversa no escuro, o ouvinte não conversa debaixo d’água; em local barulhento, o ouvinte não consegue se comunicar, a menos que grite e, nesse caso, o surdo se comunica sem problemas. Além disso, o ouvinte não consegue comer e falar ao mesmo tempo, educadamente, e sem engasgar, enquanto o surdo não sofre essa restrição.” (SALLES...[et. al.], 2004, p.38). O deficiente auditivo ou a pessoa que apresenta a surdez constrói dentro de uma cultura surda uma identidade e é essa identidade que ele assume dentro da sociedade onde vive, ela pode ser definida como: 18 “● Identidade Flutuante, na qual o surdo se espelha na representação hegemônica do ouvinte, vivendo e se manifestando de acordo com o mundo ouvinte; ● Identidade Inconformada, na qual o surdo não consegue captar a representação da identidade ouvinte, hegemônica, e se sente numa identidade subalterna; ● Identidade de Transição, na qual o contato dos surdos com a comunidade surda é tardio, o que os faz passar da comunicação visual-oral (na maioria das vezes truncada) para a comunicação visual sinalizada – o surdo passa por um conflito cultural; ● Identidade híbrida, reconhecida nos surdos que nasceram ouvintes e se ensurdeceram e terão presentes as duas línguas numa dependência dos sinais e do pensamento na língua oral; ● Identidade Surda, na qual ser surdo é estar no mundo visual e desenvolver sua experiência na Língua de Sinais. Os surdos que assumem a identidade surda são representados por discursos que os vêem capazes como sujeitos culturais, uma formação de identidade que só ocorre entre os espaços culturais surdos.” (SALLES, [et. al.], 2004, p.41). Como foi visto na Identidade Flutuante o surdo tenta viver como se fosse um ouvinte, possui hábitos de uma pessoa que ouve, freqüenta lugares onde talvez não há nenhum tipo de estruturação adequada, para ele não é problema estar em ambientes onde há na maioria ouvintes. Na Identidade Inconformada, percebe-se que o deficiente auditivo não consegue captar a representação da Identidade Ouvinte, ou seja, tenta mais não consegue fazer algo que um ouvinte faria, com isto, ele se sente numa Identidade Subalterna. Na Identidade de Transição, estão as pessoas surdas que possuem como única forma de comunicação a fala, que na maioria dos casos se encontra truncada, quando o contato com a comunidade surda é feito de forma tardio, estas pessoas precisam mudar sua forma de se comunicar, mudando da linguagem oral para a visual sinalizada, nesta situação é desencadeada um conflito cultural por causa da transição desta linguagem. Na Identidade Híbrida estão aquelas pessoas que nasceram ouvintes e por algum motivo se tornaram deficientes auditivos, neste caso, estas pessoas vão ter duas formas de comunicação, a do pensamento na língua oral e da língua de sinais. E por último, temos a Identidade Surda, que estão aquelas pessoas que se aceitam como realmente são. Freqüentam comunidades surdas, buscam aprimorar a comunicação através da língua de sinais, sempre estão organizando programas de lazer, como festas e viagens com amigos que possuem a mesma deficiência; em ambientes onde só estão pessoas que apresentam a surdez não há preconceito, ninguém se sente inferior ao próximo, pelo contrário, se sentem capazes como sujeitos culturais. A maioria das pessoas que são surdas preferem ter mais contato com aquelas que possuem a mesma deficiência, em ambientes onde só há ouvintes o deficiente auditivo se sente inseguro “A preferência dos surdos em se relacionar com seus semelhantes fortalece sua identidade e lhes traz segurança [...].” (SALLES, ...[et al], 2004, p.41), ou seja, o contato surdo-surdo fortalece a identidade e traz segurança para o deficiente auditivo. 19 1.4 Projetos e os Princípios Fundamentais de uma Escola Inclusiva. No Estado de Goiás segundo o artigo, existem dez projetos, os quais são: “● Escola Inclusiva: Uma proposta de escola para todos / garantia de respeito à diferença. Dentro dos aspectos organizacionais tem como eixo a aprendizagem, utilizando iniciativas institucionais e práticas, tais como o Plano Individualizado de Educação – PIE, adaptação curricular, avaliação referencial, estilos e ritmos de aprendizagem, instrução multinível, múltiplas inteligências, avaliação e promoção. ● Prevenir: prevenção e detecção de deficiências em uma perspectiva de inclusão escolar e social. Articulação e parcerias com outros órgãos, sobretudo com os relacionados à área de saúde. ● Projeto Depende de Nós: norteia e acompanha a participação da família e da comunidade no processo de implementação da educação inclusiva em Goiás. ● Hoje: uma proposta de atendimento educacional hospitalar, em classes hospitalares, para alunos com necessidades educacionais especiais internados com prognóstico de média e / ou longa duração. ● Espaço Criativo: inclusão pela arte, visando à utilização dos vários tipos de artes para promover a construção da aprendizagem no ensino regular e especial. ● Comunicação: uma proposta educacional para pessoas surdas, visando a promoção de comunicação com o mundo ouvinte. ● Despertar: uma proposta de atendimento educacional inclusiva para alunos com indícios de altas habilidades. ● Refazer: Atendimento educacional para artistas em escolas especiais e de ensino regular. É necessário enfatizar que apesar desse projeto ser expresso no documento que visa à inclusão, ele é voltado para as escolas de Educação Especial fundamentadas no paradigma de integração. ● Unidades de Referência: unidades de atendimento que favorecem a inclusão dos alunos com necessidades especiais na escola, na família e na sociedade.” (SANTOS; LIMA; SILVA, “ANÁLISE DAS POLÍTICAS PÚBLICAS DO ESTADO DE GOIÁS PARA A INCLUSÃO DOS ALUNOS COM NECESSIDADES EDUCATIVAS ESPECIAIS NA REDE REGULAR DE ENSINO, p.10). No Programa Estadual de Educação para a Diversidade numa Perspectiva Inclusiva destaca-se o projeto Escola Inclusiva que tem como ênfase a inclusão escolar na rede regular de ensino de pessoas que possuem necessidades educacionais especiais pelo motivo de alguma deficiência. Trata-se de um projeto que tem como princípio democrático a educação para todos, ou seja, também para os não deficientes. Este projeto tem como objetivo consolidar uma política de educação inclusiva no Estado, o PEEDI (Programa Estadual para a Diversidade numa Perspectiva Inclusiva) nos afirma que as escolas terão assessoria e acompanhamento técnico pedagógico por uma equipe formada por profissionais de várias áreas do conhecimento e esta equipe será composta por psicólogos, pedagogos, fonoaudiólogos, assistentes social, intérprete, instrutor, professor de apoio e professor de recursos, denominados como “Setor de apoio à inclusão”. O documento Programa Estadual para a Diversidade numa Perspectiva Inclusiva (1999), nesse contexto diz que a escola se 20 apresenta como “um local que oferece oportunidades de desenvolvimento de comportamentos e atitudes, baseados na valorização da diversidade humana e na aceitação das diferenças individuais.” Em relação aos princípios de uma escola inclusiva, esta engloba uma série de ações que devem ser executadas pelos responsáveis de fazer acontecer a inclusão dentro do ambiente escolar, fazer uma atualização dos materiais pedagógicos que sejam voltados para as necessidades de aprendizagem de cada aluno, capacitação profissional dos professores também é um fator preponderante para se atingir os alicerces da inclusão, pois uma escola inclusiva é aquela que sabe lhe dar com as diferenças, proporcionando aos seus alunos independente da condição física, social, emocional e lingüística de cada um, uma educação de qualidade. “O princípio fundamental da escola inclusiva é de que os alunos sempre que possível devem aprender juntos independentemente de suas dificuldades ou diferenças. A idéia subjacente nesse princípio é a de que as escolas devem adequarse a todos os alunos, qualquer que seja sua condição física, social, emocional, lingüística e de outro tipo.” (SOUZA, ...[et. al.], 2002, p.16). Nota-se que não é o aluno que deve se adequar as condições da escola, mas sim a escola que deve se adequar às condições de seus alunos, a suas necessidades de aprendizado e interação com aqueles que fazem parte do ambiente escolar. Um aluno surdo quando participa de uma escola que tem como princípio a inclusão, precisa do apoio pedagógico adequado por parte de seus professores e também da comunicação adequada que deve ser feita em LIBRAS, por isso há necessidade de toda escola inclusiva ter o intérprete da Língua Brasileira de Sinais dentro da sala de aula onde há aluno que possui a deficiência auditiva, pois na maioria dos casos os professores que não são interpretes não possuem o curso de LIBRAS, muitos sentem dificuldades de se comunicar com estes alunos e de entendê-los corretamente, por esse motivo, muitas escolas inclusivas possuem o intérprete dentro da sala de aula para auxiliar tanto o professor como o aluno. “Os intérpretes tem um papel fundamental e apontam que as crianças surdas ao entrarem na escola conhecem pouco a língua de sinais e que os intérpretes precisam estar atentos para usar uma língua que seja acessível a elas. Essa realidade vai se modificando a medida que as crianças vão ampliando seus conhecimentos em língua de sinais, e o intérprete deve ir modificando sua produção. Outro ponto importante é a atuação do intérprete frente as relações da criança surda com seus pares ouvintes, suas atitudes podem favorecer ou dificultar os contatos e a integração efetiva do aluno surdo.” (A ESCOLA INCLUSIVA PARA SURDOS: A SITUAÇÃO SINGULAR DO INTÉRPRETE DE LÍNGUA DE SINAIS. P.05). 21 Muitas vezes a criança ou o adolescente surdo não sabe se comunicar através da língua de sinais, o intérprete tem o papel de facilitar a comunicação do aluno com o professor, para isto, ensina LIBRAS para estes alunos, além desta tarefa, ele fica encarregado de dar toda assistência que o aluno precisar, como cuidados com o aparelho auditivo se o aluno tiver, também agir perante o comportamento do aluno, estabelecer um ambiente agradável na sala de aula e por muitas vezes agir como um educador. “O intérprete da Língua Brasileira de Sinais é aquele que tomando a posição do sinalizador ou do falante, transmite os pensamentos, palavras e emoções do sinalizador / comunicador / falante, servindo de elo entre duas modalidades de comunicação.” (AZEREDO, Senador Eduardo, 2006, p.13). O intérprete vai traduzir em LIBRAS para o aluno que apresenta a surdez o que o professor está dizendo em sala e desta forma conseqüentemente o professor saberá através do intérprete a opinião do aluno através da língua oralmente expressada, por isso é muito importante o papel deste profissional dentro da escola, pois ele servirá como uma “ponte” que facilitará a comunicação do professor com o aluno e vice-versa. “A habilidade requerida num profissional intérprete é a competência da Língua Portuguesa e na Língua Brasileira de Sinais. Esta competência deve ser constantemente “regada” por meio do contato com a comunidade surda.” (AZEREDO, Senador Eduardo, 2006, p.13). Os profissionais que trabalham como intérprete de LIBRAS precisam sempre estar em contato com comunidades surdas, buscarem participar de eventos realizados por estas comunidades, para que estejam vivenciando e aprendendo como essas pessoas vivem, conhecer suas culturas, suas opiniões, seus desafios enfrentados no dia-a-dia, enfim; conhecer como é a realidade deles, pois isso enriquecerá ainda mais de forma positiva a relação do intérprete com o surdo, pois ele não será apenas um tradutor, mas sim um conhecedor de como funciona a mente, dessas pessoas, agindo de forma com que eles tenham maior participação nas aulas, extraindo mais opiniões e porque não, críticas, pois o deficiente auditivo não vive em sala de aula só pontos positivos, há também situações constrangedoras que só o processo de inclusão pode amenizar. Existem intérpretes que são surdos e intérpretes que são ouvintes, para estar na sala de aula, é mais recomendável que sejam um intérprete ouvinte pois este é bilíngüe, já o intérprete surdo é mais apropriado para o ensino de LIBRAS à criança surdas que ainda não sabem se expressar através dela. As pessoas que trabalham 22 como intérpretes estão submetida a avaliações de proficiência em tradução e interpretação de LIBRAS, isso mostrará se estão atualizados nesta linguagem e se realmente o profissional está capacitado para continuar exercendo a profissão de intérprete. O parágrafo único Art. 20 do Decreto n° 5.626, de 22 de dezembro de 2005 que regulamenta a Lei n° 10.436, de 24 de abril de 2002, que dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS, e o Art. 18 da Lei n° 10.098, de 19 de dezembro de 2000 nos diz: “O exame de proficiência em tradução e interpretação de LIBRAS – Língua Portuguesa deve ser realizado por banca examinadora de amplo conhecimento dessa função, constituída por docentes surdos, lingüistas e tradutores e intérpretes de LIBRAS de instituições de educação superior.” (MEC, SEESP, Decreto n° 5.626). A escola inclusiva precisa ter profissionais bem preparados para participarem de um processo cada vez mais árduo contido por diferenças humanas, não é fácil para a escola buscar a inclusão de tantos alunos que necessitam de um acompanhamento mais individualizado, os professores, diretores, secretárias, e todos aqueles que fazem parte da administração das escolas precisam ter força de vontade, buscar compreendê-los, ter atitudes, respeitar as diferenças. “A metáfora da inclusão sugere a imagem de uma escola em movimento, em constante transformação e construção, de enriquecimento pelas diferenças. Esse movimento implica: mudança de atitudes, constante reflexão sobre a prática pedagógica, modificação e adaptação do meio e, em nova organização da estrutura escolar.” (MEC – SEESP, 2004, p.04). A escola inclusiva só alcança a inclusão quando seus responsáveis pelo ensino buscam novas atitudes, quando passam a enxergar que há uma grande necessidade deles estarem enfrentando estes desafios que a inclusão os impõe, tais como: buscar metodologias de ensino, aprimorar sua capacitação profissional buscando aprender novas linguagens, como por exemplo: LIBRAS, estruturar uma pedagogia que consiga abranger maior quantidade de diferenças humanas a fim de proporcionar à seus alunos uma educação de qualidade, salas de apoio individualizado para necessidade específica de aprendizagem de cada aluno. As escolas inclusivas buscam conhecer as necessidades específicas de seus alunos, assegurando a eles uma educação mais adequada onde o currículo implantado pela escola seja o mais apropriado para que se tenha um ensino de qualidade. Precisará de estratégias de ensino, também de uma boa organização, recursos pedagógicos apropriados e de parcerias com comunidades, além de 23 profissionais como fonoaudiólogos e profissionais de outras áreas da saúde, pois a estruturação da escola inclusiva precisa ser por completa, dando todo o atendimento que o aluno portador de alguma deficiência física precisar para que ele possa estudar normalmente de acordo com o seu limite de aprendizado. “Como modalidade escolar para educandos portadores de necessidades especiais preferencialmente na rede regular de ensino deverão assegurar, entre outras coisas, professores especializado ou devidamente capacitados para atuar com qualquer pessoa especial em sala de aula. Admite também que nos casos em que necessidades especiais do aluno impeçam que se desenvolva satisfatoriamente nas classes existentes, este teria o direito de ser educado em classe ou serviço especializado.” (LDB – Lei n° 9.394, art. 58, cap.V, 1996). Como percebe-se, a escola inclusiva tem um papel fundamental na vida dos alunos, que por causa de alguma incapacidade física acabam sendo excluídos assustadoramente do ambiente escolar e da sociedade. O surdo precisa ser visto como uma pessoa capaz de estudar, trabalhar, de ter um convívio social normal, cabe aos ouvintes se adequarem ao meio de comunicação que os surdos utilizam, que no caso é LIBRAS. Por que é obrigatório o ensino de inglês nas escolas regulares e o de LIBRAS não? Sabe-se que a Língua de Sinais foi oficializada como a língua dos surdos. “A Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS, graças a luta sistemática e persistente das pessoas com deficiência auditiva, foi reconhecida pela Nação Brasileira como a Língua Oficial da pessoa surda, com a publicação da Lei n° 10.436, de 24-04-2002 e a Lei n° 10.098, de 19-12-2002.” (LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS “UMA CONQUISTA HISTÓRICA”, Brasília, 2006, p.05). Assim, necessita-se que a escola inclusiva também se estruture para o ensino da Língua de Sinais a todas as crianças envolvidas em seu ambiente, pois trata-se de uma língua oficializada assim como as outras. 24 1.5 O Papel da Família e as Contribuições da Sociedade à Inclusão dos Surdos. A família tem um papel fundamental para o desenvolvimento emocional, social, moral e cognitivo da criança deficiente auditiva. Quando a criança ainda não teve contato com pessoas ouvintes, é dever da família buscar orientá-lo, preparar a criança para esse primeiro contato que as vezes é constrangedor pela ausência de conhecimento de LIBRAS do deficiente auditivo ou por parte do ouvinte. As escolas que buscam a inclusão precisam fazer parcerias com os pais de crianças que possuem necessidades educacionais especiais, para juntos proporcionarem a estas crianças um ensino mais digno. “Uma parceria cooperativa e de apoio entre administradores escolares, professores e pais deveriam ser considerados enquanto parceiros ativos nos processos de tomada de decisão. Pais deveriam ser encorajados a participar em atividades educacionais em casa e na escola (aonde eles poderiam observar técnicas efetivas e aprender como organizar atividades extracurriculares), bem como na supervisão e apoio à aprendizagem de suas crianças.” (DECLARAÇÃO DE SALAMANCA, PARCERIA COM OS PAIS, Art. 59, 1994). Como se observa, os pais são na verdade os primeiros professores da vida de seus filhos, ninguém conhece melhor as características, temperamento, as necessidades de aprendizagem da criança mais do que eles. E muitos casos em que os pais são surdos e também todos que ali vivem no ambiente familiar, a criança que é surda cresce em um mundo onde a linguagem através de gestos predomina, ou seja, pela Língua Brasileira de Sinais ou como em muitos casos, uma linguagem própria inventada pela família de surdos. É com a ajuda dos pais que a criança vai se desenvolvendo, aprendendo conceitos, comportamentos da sociedade. Na escola quando esta criança é incluída, não cabe somente aos professores e administradores o dever de prepará-la para o convívio social, é preciso a parceria entre pais e a escola para estarem tornando a instituição escolar realmente numa escola inclusiva, pois o ensino não deve ser desenvolvido somente na escola, mas sim ter continuidade no ambiente familiar, e com a parceria entre pais e professores, tanto os professores como os pais ficarão mais atualizados, um aprendendo com o outro. Na escola o deficiente auditivo recebe um aprendizado através de materiais pedagógicos adequados próprios para o seu desenvolvimento e em casa, os pais podem dar continuidade ao trabalho dos professores fazendo atividades 25 com seus filhos indicadas pelos docentes da escola, (Declaração de Salamanca, Parceria com os Pais. Art. 57, 1994) “A educação de crianças com necessidades educacionais especiais é uma tarefa a ser dividida entre pais e profissionais. [...]” Quando os pais não sabem se expressar através da Língua de Sinais, conseqüentemente seu filho deficiente auditivo também não saberá, por isso pais procuram as comunidades surdas ou cursos de LIBRAS ministrados nas escolas que visam a inclusão, assim, tanto os pais como a criança vão aprendendo e em pouco tempo já estarão usufruindo desta linguagem; no ambiente familiar é recomendado que os deficientes auditivos estejam sempre fazendo algo, de preferência algum trabalho produtivo para o seu desenvolvimento, muitos pais usam a técnica da legenda em filmes, pois filmes legendados e programas de televisão como jornais onde existem a legenda são como uma porta de algo novo se abrindo a estas pessoas, isto é válido para os surdos e deficientes auditivos que já tenham um certo grau de conhecimento da língua portuguesa, pois é evidente que para entender a legenda é preciso saber ler. E existem muitos programas na TV onde há na tela o intérprete de LIBRAS, toda a fala do apresentador vai sendo repassado para o telespectador na Língua Brasileira de Sinais, cabe aos pais ficarem atentos e buscarem programas com estas características para seus filhos. “A construção da escola para todos implica em considerar (dentre outros fatores), que perspectivas permeiam as famílias dos alunos surdos e refletir a respeito, são esses agentes, além dos próprios surdos, os melhores indicadores das necessidades e possibilidades que possuem pois lidam direta e cotidianamente com eles.” (INCLUSÃO SOCIAL DO SURDO: UM DESAFIO À SOCIEDADE, AOS PROFISSIONAIS E A EDUCAÇÃO, p.16). A família do aluno surdo tem também o direito de reivindicar serviços qualificados, pois nos dias atuais com a proposta de escolas inclusivas é a família que possui voz ativa nas reivindicações de melhorias na infra-estrutura da escola, de uma estruturação apoiada nas necessidades do aluno surdo para propiciar seu desenvolvimento através de materiais pedagógicos apropriados e profissionais capacitados para o ensino através destes materiais. “As famílias vêm percebendo as mudanças ocorridas no panorama educacional e começam a ter voz ativa na reivindicação de serviços qualificados para seus filhos surdos. [...]” (INCLUSÃO SOCIAL DO SURDO: UM DESAFIO A SOCIEDADE, AOS PROFISSIONAIS E A EDUCAÇÃO, p.17). 26 Nota-se que antigamente a família dos alunos surdos não tinham participação ativa na escolha de materiais a serem trabalhados com seus filhos na escola, muitos pais não acompanhavam a vida escolar dos seus filhos dentro do ambiente escolar, para muitos, as suas opiniões não tinham tanta importância dentro da escola, pois foi criado uma imagem de que a escola era a “dona da verdade”, o que os professores programavam eram vistos pelos pais como o melhor para seus filhos, e hoje não é bem assim, pois os pais aprendem com os professores e vice-versa o que é melhor para o desenvolvimento da criança que apresenta a surdez. “[...] Por muito tempo essas famílias se viram sem voz esperando que outros decidissem sobre o futuro educacional de seus filhos sempre confiando na melhoria da próxima proposta e amargando derrotas e estigmas daí advindos.” (INCLUSÃO SOCIAL DO SURDO: UM DESAFIO A SOCIEDADE, AOS PROFISSIONAIS E A EDUCAÇÃO, p.17). A ausência dos pais em relação a opiniões frente a escola para a melhoria do ensino de seus filhos foi formulando ao longo dos anos um ensino não capaz de proporcionar aos surdos uma aprendizagem de qualidade de acordo com suas capacidades de aprender e de cidadão capaz de formular opiniões próprias sobre o que acontece ao seu redor. “Embora esse panorama venha se modificando, com a conscientização geral sobre os direitos do exercício da cidadania, é preciso que se auxiliem as famílias das pessoas surdas a se perceberem como partícipes na implementação de procedimentos que proporcionem a inclusão escolar de seus filhos no ensino regular e sua participação ativa na sociedade.” (INCLUSÃO SOCIAL DO SURDO: UM DESAFIO A SOCIEDADE, AOS PROFISSIONAIS E A EDUCAÇÃO, p.17). É a família do aluno surdo que o conhece por completo, sabe suas características, suas limitações, nada melhor do que a família ser mais ativa e realmente participar no processo de inclusão formulando junto com os professores o que deve ser incluído e excluído no processo de ensino a que seus filhos são submetidos dentro e fora da escola, não que a família venha a ter voz mais ativa que os professores, mas sim, como uma fonte de informações e características que os professores vão precisar para a preparação de materiais mais adequados para que o aluno venha a ter um melhor aprendizado. O deficiente auditivo quando tem o apoio de sua família em sua vida escolar, vai ganhando motivação de continuar freqüentando a escola, pois há preconceito por parte de 27 alguns ouvintes e por esse motivo, muitas crianças ou adolescentes que possuem a perda auditiva acabam se sentido inferiores aos seus colegas que ouvem, por esse motivo passam a ficar isolados dos colegas da escola e até mesmo da sociedade em geral, nesta situação a família aparece como uma base segura, que passa segurança para o aluno e motivação não deixando ele se sentir inferior aos outros. Infelizmente muitos pais acabam ignorando a vida escolar dos seus filhos e preferem contratar pessoas para essa tarefa de acompanhamento e na maioria dos casos essas pessoas nem possuem capacitação profissional para trabalharem com crianças que possuem a deficiência auditiva, além disso, muitos deixam somente para a escola o dever de educar seus filhos, os pais alegam que por causa da carga horária de trabalho não sobra tempo para averiguar a aprendizagem de seus filhos, isso é assustador, pois a criança precisa ter a presença da família em seu desenvolvimento escolar. “[...] A família, com exigência de ambos os cônjuges terem de trabalhar fora de casa e com os compromissos mundanos aumentando assustadoramente, está aos poucos transferindo para outras instituições, notadamente a escola, a responsabilidade de educar seus filhos.[...]” (NÉRICI, 1992. p.259). Se a criança / adolescente não tiver o apoio da família em seu desenvolvimento, conseqüentemente ela acarretará traumas que podem se tornar irreversíveis prejudicando-o. Muitas famílias só participam da vida escolar dos seus filhos quando são chamados em reuniões escolares, e é através destas reuniões que os pais ficam sabendo na maioria dos casos o mau rendimento escolar de seus filhos, nestas condições, muitos acabam culpando a escola pela baixa produtividade de seus filhos, sendo que a escola não é a única culpada, mas principalmente os pais pela falta de compromisso de acompanhar o desenvolvimento escolar do filho deficiente auditivo. Segundo (A Importância da Família no Desenvolvimento da Criança Surda, p.43) diz que: “[...] a família delega à escola responsabilidade que também são suas, esperando a escola chamar ou ir à escola quando tem reunião ou quando o aluno não vai bem. [...]”. Toda criança precisa de atenção, de carinho vindo da família, quando a criança / adolescente surdo percebe que tem o apoio da família ele se sente mais seguro para fazer algo, ele de tal forma mostra para as pessoas que estão ao seu redor sua verdadeira capacidade e possibilidades de aprender. Segundo (A Importância da Família no Desenvolvimento da 28 Criança Surda, p.47) diz que, “Quanto maior o envolvimento dos pais, melhor o desempenho do aluno, que ganha segurança e auto-estima.” Muitas famílias são pegas desprevenidas com o nascimento de uma criança que seja portadora da deficiência auditiva, às vezes os pais não têm preparo algum para conviver com esta deficiência, quando eles descobrem que o filho nasceu surdo, muitos se desesperam, não sabem como agir perante a situação. “Em geral a chegada de uma criança que apresenta algum tipo de deficiência tornase um evento traumático e desestruturador que interrompe o equilíbrio familiar. O impacto inicial e suas proporções e profundidades estão ligados diretamente a dinâmica interna de cada família e de seus membros.” (A IMPORTÂNCIA DA FAMÍLIA NO DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA SURDA, p.22). Cada família terá uma reação diferente, isso acontece devido a vários fatores, um deles pode ser a situação financeira ou por incrível que pareça, a deficiência se torna um motivo de vergonha de muitos pais e familiares. Quando os pais são ouvintes e o filho nasce surdo, é de responsabilidade dos pais proporcionar à criança um desenvolvimento digno, um ensino estruturado nas necessidades de aprendizagem de seus filhos, os pais devem procurar matricular o filho em escolas que ofereçam materiais adequados e profissionais bem preparados, mas enquanto a criança ainda não tem a idade de ser matriculada em uma escola, os pais precisam procurar obter informações, participar de comunidades surdas, aprender a Língua de Sinais, melhor ainda se a criança estiver junta, pois assim estará se desenvolvendo e formando aos poucos sua identidade surda. Quando os pais não procuram aprender LIBRAS e não buscam dar a oportunidade para a criança aprender também, a comunicação entre os pais e o filho é realizada através de gestos, e nem sempre a comunicação por gestos é eficiente, pois é uma linguagem desenvolvida ali no ambiente familiar, e quando esta criança tiver contato com a sociedade ouvinte, será que através de gestos ela vai ser entendida de uma maneira eficaz? Desta forma, os pais e a família da criança devem desde cedo buscar maximizar o universo de comunicação, aprendendo LIBRAS. A comunidade surda deve ser sempre freqüentada pelos pais juntamente com a criança deficiente auditiva, participando dos serviços especiais oferecidos pelos membros da comunidade, pois quanto mais a criança ter convívios sociais com pessoas surdas, maior será sua interação e desenvolvimento. 29 “Para evitar o isolamento psicológico das crianças surdas, a família ouvinte deve estabelecer contato com membros da comunidade surda e dos serviços especiais. Somente o acesso a LIBRAS por meio de interações sociais com pessoas surdas, pode garantir práticas comunicativas apropriadas ao desenvolvimento pleno, cognitivo e lingüístico das crianças surdas, ou seja, em um atendimento com perspectiva bilíngüe.” (SKLIAR, 1998). Deste modo, percebe-se então que a família tem um papel muito importante na vida da criança / adolescente deficiente auditivo que não é essencial somente na vida escolar, mas também na formação da vida social, além disso, ela tem grande contribuição para o desenvolvimento da identidade que a criança venha assumir perante a sociedade, têm-se ainda que é diante de sua família que o deficiente auditivo se sente mais à vontade de demonstrar o que está pensando, como se sabe, é na família que a criança / adolescente encontra seu alicerce, sua motivação, sua força para ultrapassar os limites que a deficiência auditiva o impõe. Em relação a sociedade ouvinte, quais são as suas contribuições para que o surdo tenha o acesso à sua cultura e também à cultura ouvinte de modo a proporcionar a inclusão dos surdos na sociedade? Trata-se de uma pergunta que poucos sabem a resposta. No que se refere a educação, há várias iniciativas que estão tendo resultados satisfatórios devido as pesquisas na área, que vem ocorrendo dentro de uma série de Instituições interessadas no assunto de inclusão, pesquisas que vem sendo desenvolvidas principalmente nas universidades brasileiras. Existem diversos materiais didáticos selecionados entre muitos, que são desenvolvidos na linguagem dos surdos para que eles tenham acesso à cultura dos ouvintes e materiais em que os ouvintes vão conhecer melhor a cultura dos surdos; alguns destes materiais são comercializados e outros são distribuídos gratuitamente, materiais como: 30 “● Vídeos de poesias, histórias infantis, fábulas de Esopo (sinalizadas) e números em LSB, produzidos pela LSB vídeo produções; ● Vídeos produzidos pelo INES: Histórias Infantis em Língua de Sinais: Introdução às Operações Matemáticas; O verbo em Português e em LIBRAS; Hino Nacional; ● CD-ROM Coleção Clássicos da Literatura em LIBRAS/Português, Volume I (Alice no País das Maravilhas de Lewis Carol), editado por Clélia Regina Ramos, Editora Arara Azul; ● Material distribuído pelo MEC – Comunicar – Proposta de adequação curricular para alunos com necessidades especiais: vídeo I: dicionário visual LIBRAS; vídeo II – Parte 1: Formulação de frases em LIBRAS; Parte 2: pidgin; vídeo III: instalação dos fonemas e aquisição de fala; ● Vídeo: Independência e vida: prevenção ao abuso de drogas. MEC/INES; ● Vídeo: Prevenção de HIV – AIDS/DST para pessoas surdas – produção AJA, com recursos do Projeto Unesco. www.aja.org.br/aids; ● Vídeo: A ilha dos sonhos (Filme Legendado – conteúdos de geografia e matemática), disponível nas edições paulinas; ● 17 programas infantis da série Vejo Vozes, veiculados e produzidos na TV Cultura; ● Livros diversos de LIBRAS, entre os quais: LIBRAS em Contexto, distribuído pelo MEC e comercializado pela FENEIS. ● Dicionários de LIBRAS: a. Capovilla. F. C, Raphael, W.D.(2001a). Dicionário Enciclopédico Ilustrado Trilíngue da Língua de Sinais Brasileira. Volume I: Sinais de A a L (Vol.01, p.1~834). São Paulo, SP: Edusp, Fapesp, Fundação Vitae, Feneis, Brasil Telecom. (ISBN: 85~384~0600~5). Capovilla, F.C., Raphael, W.D. (2001b). Dicionário Enciclopédico Ilustrado Trilíngue da Língua de Sinais Brasileira. Volume II: Sinais de M a Z (Vol.2, p.835~1620). São Paulo, SP: Edusp, Fapesp, Fundação Vitae, Feneis, Brasil Telecom. (ISBN: 85~314~0603~x). b. Dicionário Digital Bilíngue ~ Português X LIBRAS e LIBRAS X Português, em CD-ROM, produzido pelo INES, organizado por especialistas surdos, filólogos, lexicógrafos e lingüistas, com oito mil sinais/vídeos animados, em ordem alfabética, gravado e distribuído gratuitamente pelas secretarias estaduais de Educação. c. Dicionário Digital da Língua Brasileira de Sinais, desenvolvido pelo Programa Acessa São Paulo, produzido em CD-ROM, com oito mil palavras, três mil vídeos, 4,5 mil sinônimos e cerca de 3,5 mil imagens.” (SALLES, ...[et. al.], 1994, p.50-51). Acima percebe-se uma vasta variedade de materiais desenvolvidos para os que não ouvem, através deles os surdos terão acesso a conteúdos educativos feitos em sua linguagem proporcionando à eles uma melhor compreensão sobre diversos temas importantes que a sociedade ouvinte tem acesso freqüentemente. São materiais que vão desde vídeos sobre Histórias, conteúdos de Matemática, Geografia, prevenção ao abuso de drogas, prevenção contra a AIDS até dicionários do Português para a Língua de Sinais e vice-versa organizado por especialistas surdos, filólogos, lexicógrafos e lingüísticas. Uma forma da sociedade ouvinte conhecer melhor a cultura surda é através de livros como diz (Salles ...[et. al.], 1994, p.51) “[...] O vôo da gaivota de Emmanuelle Laborit, publicado pela Best Seller, São Paulo, 1994; Como é ser Surdo, de Vera Strnadová, traduzido por Daniela Richter Teixeira e publicado pela Editora Babel, RJ, em 2000.” Além de livros que proporcionam aos ouvintes um pouco da cultura surda, há também a opção de filmes. 31 “É interessante também apresentar uma breve relação de alguns dos filmes que envolvem a temática da surdez e que auxiliam ouvintes a perceberem um pouco mais da realidade do surdo, e surdos a se identificarem pelas estórias, muitas vezes semelhantes à sua: Filhos do Silêncio; A música e o Silêncio; Ariel, A Estrela do Mar dos Desejos (desenho animado, Walt Disney, coleção Princesas). Não são filmes ainda dirigidos por surdos, no entanto tratam de forma interessante a questão da surdez e como ela foi e vem sendo encarada pelo surdo independente de uma comunidade, pela Comunidade Surda propriamente dita e pela sociedade ouvinte”. (SALLES, ...[et. al.], 2004, p.52). Através dos dicionários, dos vídeos educativos e dos filmes o surdo conhecerá a cultura ouvinte e o ouvinte a cultura surda, este modo, têm-se que grande parte da sociedade ouvinte não ignora a presença do surdo no cotidiano, pelo contrário, pois como foi visto, há vários projetos ajudando expandir a cultura surda pelo país, cabe aos ouvintes e também aos surdos buscarem informações, adquirirem alguns destes materiais, participar de projetos sociais que possuam como tema a inclusão, pois desta forma a contribuição de ambos será maior para o entendimento de cada cultura. 32 CAPÍTULO 02 A IMPORTÂNCIA DE LIBRAS (LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS) NA VIDA DO SURDO. 2.1 Falhas na Comunicação, Desencadeia a Exclusão. Muitas vezes o deficiente auditivo/surdo se sente excluído dentro da sala de aula e da sociedade por não haver uma comunicação eficiente com seus colegas ouvintes, professores e sociedade em geral. O deficiente auditivo/surdo além de precisar ter o conhecimento em LIBRAS, ainda precisa conviver com situações constrangedoras, pois de nada adiantará apenas o deficiente auditivo/surdo ter o conhecimento da Língua de Sinais e o ouvinte não ter; assim a comunicação entre os dois não se realiza satisfatoriamente, precisando recorrer para a escrita, leitura labial ou gestos que não é o adequado. A sociedade reconhece que o processo de inclusão é necessário, mais ainda considerase pouco o que é feito por ela para estar desenvolvendo este processo. A Língua Brasileira de Sinais seria um grande passo para a inclusão do surdo na sociedade. Pois trata-se de uma forma de comunicação oficial, conhecida como a Língua dos Surdos; muitos ouvintes preferem aprender línguas estrangeiras como o inglês, o espanhol do que LIBRAS, negando assim, o direito do surdo da comunicação ser realizada em sinais. Como a população de deficientes auditivos são minorias, grande parte da sociedade não possui o interesse de estar aprendendo a língua dos surdos. Este desinteresse se transforma em exclusão na vida daqueles que a possui, uma exclusão que os acompanha desde o ambiente escolar até nos convívios sociais do dia-a-dia. “A incapacidade do homem em valorizar as diferenças gerou uma variedade de insatisfeitos que estão numa busca constante de estereótipos, de modo a se adaptarem, em contradição, muitas vezes, com suas peculiaridades.” (DORZIAT, 1999). O deficiente auditivo/surdo vive em uma sociedade onde as leis dos ouvintes prevalecem, quase tudo estão estruturados somente para os que ouvem, nesta ocasião o surdo se vê obrigado a conviver neste meio propício à sua exclusão. O surdo quando começa freqüentar a escola de ensino regular, ele percebe que nem todos os profissionais que ali trabalham possuem condições de lhe dar um ensino de qualidade. 33 Para incluir crianças/adolescentes portadores da deficiência auditiva no ensino regular, os profissionais da educação precisam estar aptos a trabalharem com estas crianças, principalmente o professor, a pessoa que mais terá contato direto com elas dentro da sala de aula. Os professores precisam saber se comunicar em LIBRAS e adotá-la como sua segunda língua, além disso, buscarem metodologias apropriadas e participarem de programas de capacitação de recursos humanos que baseiam-se em melhorias de sua formação. “Os atuais desafios da Educação Inclusiva brasileira centram-se na necessidade de desenvolver instrumentos de monitoramento sistemáticos (indicadores dos programas implantados), realização de pesquisas qualitativas e quantitativas que possam evidenciar os resultados dos programas implantados e identificação de experiências de sucesso; implantação de programas de capacitação de recursos humanos que incluam a formação de professores dentro da realidade das escolas e na sala de aula regular do sistema de ensino.” (GLAT; FERREIRA; OLIVEIRA; SENNA, 2003, p.35). Dessa forma ter o acompanhamento e os resultados obtidos dos programas que foram implantados na escola se torna importante para se ter conhecimento do que deve ser retirado ou acrescentado para a obtenção de resultados positivos, através destes resultados os professores vão saber onde estão suas falhas conseqüentemente anulando-as em seguida, podendo assim dar um ensino de qualidade voltado para as necessidades educacionais do aluno paralelamente com sua realidade. 2.2 A Situação da Aprendizagem dos Surdos em Relação à Língua Portuguesa. O aluno surdo é um aprendiz que requer tratamento diferenciado pelos professores, pois existe uma limitação por causa da deficiência, mas que não venha ser um pretexto para ocorrer sua exclusão dentro da sala de aula, pois é de direito, seu aprendizado em turmas regulares com toda e adequada estrutura que precisar para obter um ensino mais adequado. “Ao aprender o português do Brasil como uma nova língua, o aprendiz poderá fazêlo em duas circunstâncias distintas: português como língua estrangeira ou como segunda língua.” (SALLES, ...[et.al.], 2004, p.114). 34 Na citação acima, temos que na primeira circunstância está aquele que aprende o português mas se o país onde ele estiver não ter o português como língua nacional ou oficial; é como se um japonês aprendesse português no Japão, desta forma ele estaria diante de uma língua estrangeira, já na segunda circunstância estão aqueles que não tem o português como primeira língua que neste caso se situa os surdos, que aprenderão o português como a segunda língua. O deficiente auditivo que possui a LIBRAS como sua primeira língua não pode descartar o português, pois para escrever ou ler uma carta ou redação, eles precisam ter conhecimento da língua portuguesa. Para o surdo não é tão fácil essa tarefa de estar aprendendo algo como à aquisição de uma nova língua. “No que diz respeito ao aprendiz-surdo, a situação em que se encontra possui características especiais: o português é para eles uma segunda língua, pois a língua de sinais é a sua primeira língua, só que o processo não é o de aquisição natural por meio da construção de diálogos espontâneos, mas o de aprendizagem formal na escola. O modo de ensino/aprendizagem da língua portuguesa será então, o português por escrito, ou seja, a compreensão e a produção escritas, considerando-se os efeitos das modalidades e o acesso a elas pelos surdos.” (SALLES,...[et.al.], 2004, p.115). Quando uma criança ouvinte no começo de sua vida escolar está aprendendo a língua portuguesa, ela aprende ouvindo e dialogando com sua professora ou professor, ela pode se expressar oralmente mostrando ao professor da disciplina que está aprendendo e conseqüentemente, demonstrando também através da sua escrita. Muitas coisas que os ouvintes aprendem ouvindo dentro da sala de aula como gírias, piadas, frases de letras de músicas que os colegas falam o deficiente auditivo não tem no momento a chance de aprender, isso se deve a sua forma única de aprender o português, que é através da escrita, uma aprendizagem mais formal, pois é através da escrita que eles aprendem e demonstram o aprendizado, por isso o resultado esperado pelos professores nem sempre é animador, pois depende muito do potencial de aprendizagem de cada criança deficiente auditiva. “Diante da ausência de trocas orais, fica claro que o texto escrito não pode se restringir a transmitir informações estruturais e lexicais, mas caberá a ele assumir o papel de contextualizador, trazendo aspectos pragmáticos, sociolingüísticos e culturais.” (SALLES,... [et.al.], 2004, p.115). 35 Os professores no ensino de língua portuguesa aos deficientes auditivos devem organizar textos que assumem o papel de contextualizador de acordo com a realidade dos acontecimentos atuais. Além disso, devem ter as seguintes características: “● ser autênticos, sempre que possível; ● conter temas relacionados à experiência dos aprendizes, levando a um maior envolvimento pessoal e provocando reações e manifestações; ● estar associados a imagens – a boa opção seria artigos de revistas e jornais, que costumam estar ilustrados, bem como propagandas.” (SALLES,... [et.al.], 2004, p.115). É importante destacar que as atividades de produção escrita sejam feitas sempre visando um verdadeiro leitor. Outra forma de ensino/aprendizagem de português para os deficientes auditivos é a internet. “As vantagens do uso da internet são as seguintes: em primeiro lugar, ela permite ao aprendiz-surdo uma participação mais ativa em seu processo de aprendizagem, na medida em que ele próprio pode buscar textos e imagens que lhe interessem; em segundo lugar, o aprendiz pode entrar nas salas de bate-papo e, por assim dizer, conversar por escrito.” (SALLES,... [et.al.], 2004, p.116). Os meios eletrônicos como a internet, desperta no deficiente auditivo curiosidades diversas, através da internet ele tem o mundo na sua frente, através do auxílio do professor, o surdo pesquisa artigos, notícias, propagandas ilustradas, jogos, tudo que pode ser útil em seu desenvolvimento de escrita, além disso, pode participar de redes sociais como por exemplo salas de bate-papo, onde toda a comunicação é feita por escrito, ali ele se interage com várias pessoas, faz novas amizades, desenvolve sua forma de escrever e de raciocinar. “O diálogo construído nessas salas constitui uma quebra em relação às trocas de correspondências escritas tradicionais, como as cartas, pois ele possibilita um discurso vivo por escrito, um discurso que se assemelha ao falado sob aspectos como a dinamicidade, a temporalidade e a reciprocidade imediata. Além do mais, nele podemos encontrar, por exemplo, as estratégias conversacionais típicas dos diálogos orais, que caracterizam a negociação de significado, conceito central na hipótese da interação.” (SALLES,... [et.al.], 2004, p.116.). Através das salas de bate-papo o surdo vivencia na forma de escrever uma interação mais aproximada do diálogo oral. Sabe-se que a concepção atual de ensino de uma segunda língua precisa-se de mudanças referente ao ensino formal que acontece dentro de sala de aula 36 (SALLES,... [et.al.], 1994, p.117) nos diz, “[...] Não se pode mais abraçar um material didático que apresente a língua como uma entidade estática [...]”, a língua portuguesa sofre mudanças quando se depara a diferentes situações, por isso o aluno deficiente auditivo/surdo não pode aprender somente a língua formal da escrita, pois há uma necessidade de matérias que retrate a língua inserida em diversas situações comunicativas, isso vai permitir ao aprendiz colocar em prática o que aprendeu dentro de sala de aula para se comunicar de forma adequada nas mais diversas situações que ele irá encontrar fora do ambiente escolar. Logo os textos que estão dentro de uma proposta de um tratamento interacionista são os mais recomendados no ensino/aprendizagem da língua portuguesa aos deficientes auditivos e também a implantação de um recurso adicional que precisa ser inserido no desenvolvimento de trabalhos em sala de aula, trata-se da internet, uma ferramenta poderosa no desenvolvimento e interação do surdo. 2.3 A Inclusão da Língua Brasileira de Sinais como Disciplina Curricular na Formação dos professores. Os professores que estão submetidos no processo de inclusão nas escolas, precisam conhecer profundamente a Língua Brasileira de Sinais, mas nem todos possuem o conhecimento e muitos não tiveram a oportunidade de aprender para se comunicar da maneira correta com alunos surdos ou deficientes auditivos. “A LIBRAS deve ser inserida como disciplina curricular obrigatória nos cursos de formação de professores para o exercício do magistério, em nível médio e superior, e nos cursos de Fonoaudiologia, de instituições de ensino, públicas ou privadas, do sistema federal de ensino e dos sistemas de ensino dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.” (Art. 3°. DECRETO N° 5.626, DE 22 DE DEZEMBRO DE 2005). Portanto, o que diz o Art. 3° em relação a LIBRAS, a Língua dos Surdos como é popularmente conhecida, se torna obrigatória nos cursos de formação de professores do Magistério no que concerne aos níveis médio e superior, além disso, temos ainda: 37 “Todos os cursos de licenciatura, nas diferentes áreas do conhecimento, o curso normal de nível médio, o curso normal superior, o curso de Pedagogia e o curso de Educação Especial são considerados cursos de formação de professores e profissionais da educação para o exercício do magistério.” (§ 1°, Art. 3°, DECRETO N° 5.626, DE 22 DE DEZEMBRO DE 2005). Logo temos que através deste Decreto Lei de LIBRAS, os professores que estão em plena formação profissional terão como disciplina curricular o curso de LIBRAS, podendo assim estar se preparando para contribuir à aqueles que não ouvem, dando-lhes um ensino administrado na linguagem adequada, passando a entender melhor como é a cultura surda, seus desafios que vêm através das dificuldades enfrentadas por eles no dia-a-dia. “A partir da publicação deste Decreto, as instituições de ensino médio que oferecem cursos de formação para o magistério na modalidade normal e as instituições de educação superior que oferecem cursos de Fonoaudiologia ou de formação de professores devem incluir LIBRAS como disciplina curricular, nos seguintes prazos e percentuais mínimos: I – até três anos, em vinte por cento dos cursos da instituição; II – até cinco anos, em sessenta por cento nos cursos da instituição; III – até sete anos, em oitenta por cento dos cursos da instituição; e IV – dez anos, em cem por cento dos cursos da instituição.” (Art. 9°, DECRETO N° 5.626, DE 22 DE DEZEMBRO DE 2005). Entretanto, pode-se observar que as Instituições formadoras de professores precisam incluir a LIBRAS dentro do tempo determinado pelo Decreto n° 5.626 de 22 de dezembro de 2005, válido para os cursos de Licenciatura, de Educação Especial, Fonoaudiologia, Pedagogia e Letras, futuramente se expandindo para os outros cursos. Com a inclusão de LIBRAS, como componente curricular, os cursos de Licenciatura especificamente, formará professores mais preparados, capazes de fazer útil uma língua tão necessária para a inclusão dos deficientes auditivos/surdos, uma língua que muitos ignoram, mas para aqueles que não ouvem é de extrema importância para se comunicar com o mundo. 38 CONSIDERAÇÕES FINAIS Analisando a situação do processo de inclusão do deficiente auditivo em turmas regulares do ensino fundamental, através deste trabalho, pude perceber que não trata-se de um assunto tão fácil de ser discutido e sim complexo, pelas exigências que o processo de inclusão impõem. Os surdos encontram nas escolas regulares muitas dificuldades na aprendizagem, em se comunicar através de gestos ou outros meios que não seja LIBRAS, e de interação com professores e colegas ouvintes. Quando a comunicação não acontece na linguagem do surdo, as informações são passadas com falhas no significado prejudicando a aprendizagem. A declaração de Salamanca, que foi uma Conferência Mundial acontecida no ano de 1994 nos afirmou que toda criança deficiente ou não, possui o direito de estudar em escolas de ensino regular, sendo que a escola deve se estruturar para estar recebendo o aluno e dar a ele um ensino de qualidade, mas este processo de inclusão que visa incluir o aluno deficiente auditivo em salas regulares do ensino precisa tomar bastante cuidado para não trocar o que seria o ensino de qualidade por exclusão, isso pode acontecer devido a uma estrutura não tão eficiente como deveria ser, para o aluno, além disso, vimos que o apoio da família é inquestionável para o desenvolvimento escolar da criança ou adolescente portador da deficiência auditiva, mas muitos pais acabam trocando a vida escolar dos seus filhos pelo trabalho. Dentro de sala de aula há pouca interação do surdo com os colegas ouvintes e professores, muitos acabam se isolando, desta maneira não está acontecendo a inclusão e sim a exclusão. Neste trabalho foi mencionado a fala de uma professora que disse que não estava preparada para receber uma criança especial em sua sala de aula, como percebe-se, há professores que ainda não estão prontos para trabalharem no processo de inclusão, no caso do surdo, os professores precisam conhecer LIBRAS, a escola tem que ter contato frequentemente com membros de comunidades surdas para maior esclarecimento da cultura surda dentro da escola, materiais pedagógicos adequados, ter acesso à tecnologias que auxiliam no desenvolvimento do surdo em relação a escrita, textos interacionistas, ilustrações para que a criança se desenvolva de forma mais dinâmica, se o professor ainda não tiver o conhecimento da língua de sinais é necessário da presença de um interprete de LIBRAS dentro de sala de aula para auxiliá-lo. 39 O deficiente auditivo ou o surdo não é um incapacitado de aprender, as escolas de ensino regular quando possui a estrutura adequada com professores capacitados e materiais adequados ao seu desenvolvimento consegue dar um ensino de qualidade à ele e um tratamento mais digno, não tirando o direito dele de se comunicar em LIBRAS. Falar em inclusão do deficiente auditivo em turmas regulares do ensino, é falar em estruturação das escolas desde recursos humanos até recursos pedagógicos, a inclusão só acontecerá se todas as escolas estiverem estruturadas para este processo que requer paciência, força de vontade por parte dos profissionais, interesse dos pais e participação da sociedade neste processo, se não for assim, a exclusão continuará através da discriminação, preconceitos e outras barreiras que os surdos e deficientes auditivos encontram infelizmente no dia-a-dia. 40 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AZEREDO, Senador Eduardo, Língua Brasileira de Sinais “Uma Conquista Histórica”. Disponível em: <http://www.cultura-sorda.eu/resources/reconocimiento_libras.pdf.> Acesso em: 10/08/2010. BRASIL, Decreto n° 5.626, de 22 de dezembro de 2005. Publicado no Diário Oficial da União de 23/12/2005. BRASIL, LDB, Lei n° 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Publicada no Diário Oficial da União de 23/12/1996. 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