3 UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PRÓ-REITORIA DE PLANEJAMENTO E DESENVOLVIMENTO COMO MOTIVAR O ALUNO A TER INTERESSE NA DISCIPLINA OBJETIVOS: Esta publicação atende a complementação didático-pedagógica de metodologia da pesquisa e a produção e desenvolvimento de monografia, para o curso de pós-graduação. Pela autora. SHEYLA MONTEIRO FERNANDES 4 UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PRÓ-REITORIA DE PLANEJAMENTO E DESENVOLVIMENTO SHEYLA MONTEIRO FERNANDES Trabalho apresentado para obtenção de grau de especialista em Docência de Ensino Superior ORIENTADOR PROFº MARCO ANTONIO LAROSA CO-ORIENTADOR NELSOM JOSÉ VEIGA DE MAGALHÃES RIO DE JANEIRO FEVEREIRO/2005 5 AGRADECIMENTOS Agradeço aos meus familiares pelo carinho e incentivo que sempre recebi 6 DEDICATÓRIA Dedico esse livro aos meus pais e aos meus filhos pelo amor, carinho e apoio nesse trabalho. 7 RESUMO Este trabalho foi elaborado com o objetivo de compreender qual o papel do professor e sua atuação na prática docente da motivação pelo interesse na disciplina. Para tal, é necessário desenvolver a motivação como essencial para à aprendizagem de ensino, estimulando a criatividade e cooperação entre professores e alunos de forma a contribuir na elaboração de metadologias e didáticas de ensino. A cooperação incentiva o Ser humano a ser confiante e persistente em obter uma conclusão promissora. 8 METODOLOGIA Ao desenvolver este estudo foi usado uma forma de pesquisa bibliográfica, tais como: livros, jornais e informativos. Utilizando uma coleta de dados seletiva com o objetivo de apurar as perspectivas do aluno em relação as dificuldades encontradas no decorrer da atividade docente, motivando o aluno a ter interesse na disciplina. 9 SUMÁRIO Introdução 09 Capítulo I 11 MOTIVAÇÃO NA APRENDIZAGEM 11 1.1 – Motivação 11 1.1.1 - Motivação e atribuições 11 1.1.2 - Motivação dos estudantes: Podemos vencer este desafio? 12 1.1.3 - Envolver os alunos em suas aprendizagens e em seu trabalho 15 1.2. – Aprendizagem 16 1.2.1 - Conceitos e atividades 16 1.2.2 - Ciclos de aprendizagem 17 1.3 - Administrar a heterogeneidade no âmbito de uma turma 20 1.4 - Os direitos do aprendiz 22 Capítulo II 23 ENSINO PARA A PRENDIZAGEM 23 2.1 - Análise do conteúdo 23 2.1.1 - Análise das tarefas 24 2.2 - A teoria da elaboração 25 2.3 - Desenvolver a cooperação entre alunos e certas formas simples de ensino mútuo 26 10 Capítulo III 28 PROFESSOR E O ALUNO 28 3.1 - Papel do professor 28 3.2 - Professor como agente da motivação 32 3.3 - Desafios atuais no estudo da interação professor-aluno 33 Conclusão 35 Referências bibliográficas 36 Índice 39 11 INTRODUÇÃO Para aprender é necessário que se queira aprender. Por isso, é muito importante que o professor saiba motivar os seus alunos, utilizando-se de uma variedade de recursos, métodos e atribuições. Entre a motivação e à aprendizagem existe uma mútua relação e ambas se complementam. O equilíbrio entre a motivação interna e externa deve ser a base na aprendizagem do aluno. Oferecer algo interessante como resposta a um comportamento adequado é capaz de auxiliar na motivação pela disciplina. Cabe ao professor ser criativo em sua prática pedagógica, estimulando a vontade e a curiosidade de aprender do aluno. A aprendizagem pode ser definida como uma modificação do comportamento, no modo de pensar, sentir e agir. A atividade de aprendizagem é essencial competência do profissional com o domínio nas disciplinas didáticas. Por meio de muitas experiências, a visão de ciclos de aprendizagem não admite a possibilidade de aceitação de desempenhos diferenciados dos alunos. Uma pedagogia diferenciada é criar métodos múltiplos atribuindo tarefas autocorretivas e trabalhos periódicos aos alunos. O sistema eficaz de aprendizagem tem características importantes tais como: o conteúdo, a execução de tarefas e os níveis de elaboração. Os alunos não desempenham o papel do professor, mas envolvem uma tarefa de cooperação.O professor é um formador de opiniões e esse é o lado político da Educação. Entre professores e alunos tem que haver uma busca por novas informações, tornando dinâmica a aprendizagem. O professor tem que incentivar o aluno a se sentir capaz, confiante e persistente no seu interesse pela disciplina. 12 O professor precisa incessantemente desenvolver a criatividade quando se trata da idéia de ensinar e aprender, com ousadia de inovar, criando propostas alternativas para solucionar os problemas atuais. 13 CAPÍTULO I MOTIVAÇÃO NA APRENDIZAGEM “Liberdade é uma palavra que o sonho humano alimenta que não há ninguém que explique e ninguém que entenda” Cecília Meirelles, 1965, p. 70 1.1 – Motivações e atribuições Weiner 1 formulou e apurou uma teoria geral da motivação, na qual as atribuições que o sujeito se dá a si mesmo de seus êxitos e fracassos. De acordo com esta teoria, que é considerada como um contínuo de episódios dependentes uns dos outros, quando as pessoas obtêm resultados inesperados, negativos e de grande importância para elas, tendem a se perguntar pelas causa que as motivam à buscar respostas à tais perguntas. O aluno que esperava passar acaba reprovado; pergunta a que se deveu tal resultado. O mesmo acontece com o professor que esperava que um aluno obtivesse uma nota maior do que obteve. Em ambos os casos, as respostas para cada um são múltiplas, dependendo do tipo de informação que se espera e das idéias que cada um tem sobre as causas prováveis para explicar tais fatos. Habilidade, esforço, sorte, dificuldade na tarefa, fadiga, ajuda ou não do professor, etc., costumam ser as causas mais freqüentes às quais se atribuem êxitos e fracassos escolares. 1 Weiner; A teoria da motivação somente nas aulas especiais, 1979, p. 71. 14 As atribuições não parecem influir pelo que têm de peculiar na motivação, mas certas propriedades ou dimensões causais. Assim, as causas podem ser: - internas – colocadas no aluno: como a habilidade, o esforço, a fatiga, - externas – colocadas fora do aluno: como a sorte e o professor. O caráter interno e externo influi nas respostas emocionais do aluno, diante do êxito ou do fracasso (orgulho, auto-estima); a maior ou menor estabilidade influi nas expectativas no sentimento de esperança ou desesperança; e a possibilidade de controle influi nas emoções (vergonha, culpabilidade, gratidão). Por sua vez, emoções e expectativas influem no maior ou menor esforço que põe o aluno para atingir seus objetivos ou, se trata da conduta de outros no grau de ajuda que lhes prestamos. Os êxitos são atribuídos a causas externas, variáveis e não controláveis, e os fracassos, a causas internas, estáveis e não controláveis. Em conseqüência, o que haveria que fazer para melhorar a motivação dos alunos seria ensinar a atribuir tanto os êxitos como os fracassos ao esforço, causa interna, variável e controlável. São muitos os estudos feitos para colocar à prova esta teoria, mas os resultados que supuseram uma tentativa de melhorar a motivação dos alunos, alterando suas atribuições, conforme o ensino de padrões de atribuições mais adaptativos. 1.1.2 – Motivação dos estudantes: Podemos vencer este desafio? ...... As impressões dos professores acerca do envolvimento dos universitários em muitas disciplinas de seus cursos também indicam 15 desmotivação2. Para exemplificar, em nosso cotidiano de trabalho em diversos cursos de licenciatura encontramos nas salas de aula alunos apáticos, com a atenção aparentemente voltada para aspectos não relacionados com os conteúdos ali abordados, esforçando-se ou comparecendo o mínimo necessário para garantir sua aprovação na disciplina. Perguntas como: "quantas faltas eu tenho?", "posso checar minhas notas nos últimos bimestres?", seguidas por um evidente alívio em pensar que poderão faltar ainda mais ou que não será necessário muito esforço para aprovação, caracterizam esse tipo de envolvimento. Também estão presentes nas classes alunos extremamente preocupados com notas, aprovação ou em serem reconhecidos como capazes pelos professores e colegas. Esforçam-se muito nos dias que antecedem as avaliações, muitas vezes não confessando o empenho despendido. Consideram um resultado como sendo sucesso somente depois de se certificarem que superaram o desempenho dos colegas. Relutam em assumir atividades que acenem com riscos de fracasso ou que possam denunciar uma possível falta de capacidade. Compartilhando o espaço com os primeiros, temos alunos realmente preocupados em aprender, em aprofundar o nível de conhecimentos e em adquirir novas habilidades. Estes estudantes parecem naturalmente motivados, envolvem-se ativamente nas tarefas propostas, esforçam-se e usam estratégias de aprendizagem adequadas, sem demonstrarem preocupações excessivas com os resultados. Talvez você conheça alguns estudantes com essas características e já tenha se questionado sobre o que efetivamente poderia ser feito para que eles desejassem aprender. 2 Profª. Dra. Sueli Edi R. Guimarães (Universidade de Londrina) e Profª Dra. Evely Boruchovitch (UNICAMP); Artigo publicado no site pedágio Brasil/psicologia , 2004, p. 2. 16 O tema motivação e aprendizagem tem sido objeto de investigação dos psicólogos educacionais nos últimos anos e o problema da falta de motivação dos estudantes representa um dos maiores desafios à eficácia do ensino. Alguns determinantes da motivação escolar já são conhecidos e podem auxiliar o trabalho do professor que pretenda ver seus alunos genuinamente envolvidos. Nesta área de conhecimentos, a linha de estudos sobre metas de realização compreende a motivação como sendo resultado da fixação de metas, ou seja, cada meta representa um núcleo de pensamento que reúne modos particulares de perceber a situação, processar as informações, podendo explicar os comportamentos, a direção e a intensidade do esforço. No ambiente escolar, os estudantes podem buscar ou adotar uma variedade de metas, algumas compatíveis com a aprendizagem e desempenho e outras contrárias3. Mais importante do que reconhecermos nos nossos alunos tais padrões motivacionais, os estudos sobre as metas podem auxiliar na compreensão dos fatores que incentivam a adoção de uma determinada orientação. Um importante aspecto a ser considerado relaciona-se com a estrutura de meta ou clima de sala de aula criado, sobretudo, em decorrência das diferentes ações do professor. As estruturas de meta referem-se aos objetivos assinalados e aos padrões comportamentais valorizados em sala de aula, transmitidas aos alunos de modo implícito ou explícito por meio das diversas ações do professor como, por exemplo, as características das atividades solicitadas, as formas de avaliação, de reconhecimento dos interesses e necessidades dos estudantes, os critérios para formação de grupos, o uso do tempo e o modo como o professor compartilha a autoridade. 3 Profª. Dra. Sueli Edi R. Guimarães (Universidade de Londrina) e Profª Dra. Evely Boruchovitch (UNICAMP); Artigo publicado no site pedágio Brasil/psicologia, 2004, p.2. 17 Tais estruturas influenciam as metas adotadas pelos alunos em relação à escola, aos trabalhos escolares e, de modo geral, em relação a sua educação. São muitos os aspectos abordados pelos estudos sobre a motivação no contexto escolar que podem auxiliar o professor a compreender os problemas e a agir de modo efetivo para superá-los. No entanto, podemos ter como meta para esta reduzida apresentação uma análise sobre o nosso papel na determinação daquelas características dos estudantes, em relação à aprendizagem, que tanto nos incomodam. 1.1.3 – Envolver os alunos em suas aprendizagens e em seu trabalho O desejo de saber e a decisão de aprender4 parecem fatores fora do alcance da ação pedagógica: - se estivessem presentes, pareceria possível ensinar, - se faltarem, nenhuma aprendizagem pareceria conveniente. A motivação ainda é tida como demasiada freqüência como uma preliminar, que depende do professor. A responsabilidade pelo desejo de aprender e pela vontade se registrou no ofício de professor, muitas vezes por não ter alternativas do que por vontade de despertar vocações. A nostalgia da classe homogenia e prontas para trabalhar não desapareceu, mas é preciso trabalhar com a nossa realidade da escolarização em massa. 4 Philippe Perenoud; Dez competências para ensinar, 2000, p.68. 18 Alguns professores não perdem tempo para desenvolver a motivação dos alunos e acham que “não são pagos para isso”; limitam a exigi-la e a lembrar as conseqüências da indolência e da reprovação. Outros professores aproveitam uma parcela do tempo a encorajar e a reforçar uma certa curiosidade. A escola pode criar e manter o desejo de saber e a decisão de aprender. Deveriam diminuir seus programas de maneira a integrar em um capítulo tudo o que permita aos alunos dar-lhe sentido e ter vontade de se apropriar desse conhecimento. Não se pode pedir aos professores que façam milagres, pois as suas atribuições são baseadas em ficção coletiva. A responsabilidade do sentido a ser construído não pode pousar sobre os ombros dos professores. O professor pode - criar, intensificar e diversificar o desejo de aprender e favorecer ou reforçar a decisão de aprender. 1.2 – Aprendizagem A atividade da aprendizagem é em princípio apenas meio a serviço da finalidade que autorizam outras trajetórias. Nessa perspectiva são supostamente escolhidas em função de uma “teoria” - científica ou ingênua, pessoal ou partilhada – daquilo que faz com que aprendam melhor e portanto, protegida na formação5. 1.2.1 – Conceitos e atividades Escolher e modular as atividades de aprendizagem é uma competência profissional essencial que supõe não apenas um bom conhecimento dos mecanismos gerais de desenvolvimento de aprendizagem, mas também um 5 Philippe Perenoud; Dez competências para ensinar, 2000, p. 52. 19 domínio das didáticas das disciplinas. Para gerir a progressão da aprendizagem não se pode deixar de fazer balanços periódicos das aquisições dos alunos, porque nada substitui a observação dos alunos nos trabalhos, quando sequer conhecer suas aquisições e modos de aprendizagem. Evidentemente, a observação contínua não tem apenas a função de coletar dados com vistas a um balanço. Sua primeira intenção é formativa, o que, em uma perspectiva programática significa que considera tudo o que pode auxiliar o aluno a aprender melhor: - suas aquisições, as quais condicionam as tarefas que lhe podem ser propostas, assim como sua maneira de aprender e de racionar, - sua relação com o saber, suas angústias e bloqueios eventuais diante de certos tipos de tarefas, o que faz sentido para ele e, mobiliza seus interesses, seus projetos, sua autoimagem. 1.2.2 – Ciclos de aprendizagem A denominação ciclo já teve outros significados na educação brasileira, assim como a idéia básica dos ciclos já esteve contida em iniciativas que receberam outras denominações. Com vistas a evidência, usos e sentidos do termo, é aqui feita uma breve retrospectiva de perspectivas presentes na legislação brasileira6 (embora sem referência a denominação ciclos, dá possibilidade de avanços progressivos na trajetória escolar) que trata da educação institucionalizada, bem como de iniciativas de reorganização curricular, implementadas em redes escolares no 6 Lei nrº 5692/71; publicado no D.O.U.,11-08-1971, p. 13. 20 território nacional, que expressam, em seu delineamento, elementos do conceito de ciclos. A introdução de um sistema escolar universal, que substituiu as formas de socialização informal feitas pela família e outras agências em períodos anteriores, veio acompanhada da introdução da obrigatoriedade escolar que implicou o ordenamento compulsório de uma etapa da vida. Progressivamente outros períodos da vida passaram também a ser regulado pelo Estado mediante a massificação de educação básica e a expansão do ensino superior. As experiências brasileiras que contribuem para a construção dessa idéia de ciclos começam a aparecer, sobretudo, a partir da década de 60 do século XX, registram-se muitas iniciativas, em diferentes redes escolares e em períodos, circunstâncias e lugares diversos. O regime de progressão por idade, tão radicalmente daquele da cultura escolar brasileira, em que as séries são formadas mediante critérios de rendimento e a progressão escolar é definida tendo em vista o agrupamento de alunos com nível de adiantamento semelhante, tem sido recontextualizado pelas propostas de governo que se propuserem a adotá-lo desde então. Cada uma concebeu-o em razão do seu contexto sóciopolítico e das idéias pedagógicas prevalescentes no período. Nesse processo, foram omitidos os constrangimentos presentes nos sistemas escolares estrangeiros que costumam levar a formas mais sutis, mas não perversa, de associação do rendimento escolar à extração social dos alunos. No caso brasileiro7, os ciclos tendem a ter medida intermediária entre o regime seriado e aquele de promoção automática, em que os alunos não sofrem solução de continuidade no decorrer de todo o ensino obrigatório. Tal como vem sendo construída, por meio de muitas experiências, a concepção de ciclos não tem, na maioria de suas formulações, admitido, claramente, a possibilidade de aceitação de desempenhos diferenciados dos alunos ao término do curso. O que as escolas, os familiares e a própria comunidade costumam 7 Maria das Graças Vilhena; Estudos em Avaliação Educacional, S.Paulo nº 6, 1992, p. 137-159. 21 esperar ao término de cada ciclo, é que todos os alunos adquiram competências e habilidades e dominem conhecimentos básicos em nível semelhante. É certamente em virtude dessa concepção que quase todas as propostas de introdução dos ciclos, até meados dos anos 90, mantiveram a possibilidade de retenção do aluno ao final de cada ciclo e que muitas ainda a mantém até os dias atuais, porque partem da hipótese de que se trata de dar mais tempo a certos alunos para que logrem aprender. As iniciativas de adoção de ciclos demandam uma análise de sua concepção e do contexto educacional e político em que foram implantadas, pois estas tanto podem avançar na perspectiva da oferta de uma educação de qualidade ao conjunto dos alunos, quanto se situar num espectro conservador, em que não se alteram as bases de organização do trabalho escolar e em que a própria reprovação pode ser mantida, mesmo que de maneira camuflada, no interior dos ciclos. Nesta versão dos ciclos pode haver menção explícita às séries como uma referência básica para a programação curricular, ainda que se descarte o intervalo restrito do ano letivo como prazo para que todos os alunos adquiram os conhecimentos esperados. No espectro mais inovador, a concepção de ciclos de aprendizagem vai além de preocupação com a regularização do fluxo de aluno. Ela implica profundas alterações na organização do trabalho na escola e nas práticas educativas, que têm a ver com a construção de uma nova lógica: a da escola inclusiva. As formulações que contemplam essa perspectiva são as usualmente chamadas ciclos de formação; elas surgiram no Brasil nos anos 90 e vêm se consolidando por meio de um conjunto de experiências congêneres. Com o propósito de oferecer uma educação de teor popular, democrático, que assegurem a todos o direito ao conhecimento, ao desenvolvimento pleno e à formação constituem peça chave de um projeto educativo que tem traços comuns. Conforme sintetizados por Barretto e Sousa8 esses traços são: a assunção de uma postura radical de reversão das estruturas 8 Barretto e Sousa; Estudo sobre ciclos e progressão escolar no Brasil, 2004, p. 31-50. 22 excludentes da escola e da cultura que a legitima; forte ênfase no trabalho coletivo, envolvendo toda a comunidade escolar na formulação e implementação do projeto político-pedagógico da escola; nova relação com o conhecimento, em que o conteúdo escolar estabeleça uma relação mais dialógica e integradora entre o saber sistematizado e as vivências dos alunos; especial empenho na superação do regime seriado e suas conseqüências em relação a retenção e ao agravamento da seletividade escolar. No entanto, a coesão e a radicalidade com que são assumidos nos ciclos de formação, em razão do contexto sócio-político em que são implementados, terminam por diferenciá-los das demais propostas. A maior parte das pesquisas sobre as iniciativas de introdução dos ciclos escolares nas redes de ensino provém de trabalhos acadêmicos de mestrado e doutorado. Nas circunstâncias em que esses trabalhos são feitos, usualmente sem financiamento, freqüentemente se constituem em estudos de caso que analisam as condições de implementação dos ciclos e os pontos de vista de professores, alunos e comunidade sobre eles, em uma ou em poucas escolas, além de procurar contextualizar as experiências e entender seus fundamentos. Um grande problema é que existe um número muito reduzido de estudos que tratam dos resultados dos ciclos e de seus impactos junto à clientela escolar. 1.3 – Administrar a heterogeneidade no âmbito de uma turma O sistema tenta homogeneizar cada turma nela agrupando alunos com a mesma idade, disso resulta uma semelhança muito relativa9, disparidades na mesma idade, dos níveis de desenvolvimento e dos tipos de socialização familiar. Quando se perde a ilusão de poder salvaguardar uma pedagogia frontal constituindo grupos homogêneos, quando se investir contra seriamente as 9 Philippe Perrenoud; Dez competências para ensinar, 2000, p. 57. 23 diferenças, a primeira tentação continua sendo a divisão dos alunos em grupos homogêneos ou a reunião dos alunos que possuem dificuldades para lhes oferecer apoio, com isso, recriem-se grupos passíveis de mesmo “tratamento”. Diante da diferença, classificar e orientar os “casos” semelhantes para tratamentos uniformes continua a ser um esquema de pensamento muito perseverante, além de muitas limitações práticas. O importante, em uma pedagogia diferenciada é criar dispositivos múltiplos10. O trabalho por plano semanal, a atribuição de tarefas autocorretivas e o emprego de softwares interativos são recursos precisos. Organizar o espaço em oficinas ou em “cantos” é uma maneira de enfrentar as diferenças. A diferenciação exige métodos complementares e formas de criatividade didática e organizacional, fundamental no pensamento arquitetônico e sistêmico. Se fosse simples, os especialistas apresentariam pedagogias diferenciadas “prontas para uso”, seguidas de formações que concedessem exatamente as competências desejadas. No ponto em que estão a pesquisa e a inovação, as competências requeridas dos professores irão contribuir mais para o esforço desenvolvimento, do que a aplicação de modelos testados e aprovados. 10 Philippe Perrenoud; Dez competências para ensinar, 2000, p. 58. de 24 1.4 – Os direitos do aprendiz Assim denominou Pennac11 1 * O direito de não estar constatemente atento 2 * O direito a seu foro íntimo 3 * O direito de só aprender o que tem sentido 4 * O direito de não obedecer seis a oito horas por dia 5 * O direito de se movimentar 6 * O direito de não manter todas as promessas 7 * O direito de não gostar da escola e de dizê-lo 8 * O direito de escolher com quem quer trabalhar 9 * O direito de não cooperar para seu próprio processo 10 * O direito de existir como pessoa 11 Pennac; Problemas inculturais brasileiros,1991, p.96. 25 CAPÍTULO II ENSINO PARA A APRENDIZAGEM “As mágoas secretas são ainda mais cruéis do que as misérias públicas” Voltaire, 1990, p. 95 2.1 – Analise do conteúdo O ponto de partida da análise de conteúdo12 é a matéria, a temática ou corpus organizado de conhecimentos que o professor e o aluno tratam de ensinar e aprender, respectivamente. O primeiro passo consiste em identificar dois blocos de informação, os tópicos ou temas mais relevantes da matéria, do ponto de vista instrutivo, separando os que devem ser objeto de ensino e aprendizagem, dos que não devem sê-lo, por serem excessivamente especializados ou secundários, ou por já serem conhecidos pelos alunos. Uma vez identificados estes blocos de informações, procede-se à análise dos itens ou unidades principais que os configuram. Então são formulados os objetivos correspondentes, ou seja, concretizam-se as intenções educativas do processo de ensino e aprendizagem, propondo-se a seqüência excelente, susceptível de conduzir à obtenção dos objetivos formulados. A idéia essencial é, pois, que as decisões sobre o conteúdo do ensino devem estar apoiadas em uma análise da estrutura interna do conhecimento já elaborado que se deseja transmitir. 12 César Coll e Maria José Rocheira; Desenvolvimento Psicológico e Educação II,1996, p. 234. 26 Uma vez identificados e organizados os elementos fundamentais do conteúdo, em um esquema hierárquico e relacional, o passo seguinte consiste em seqüênciá-los, tendo em conta os princípios que reagem à organização psicológica do conhecimento. Estes princípios podem ser resumidos como: - todos os alunos podem aprender significativamente um conteúdo, com a condição de que disponham de conceitos relevantes, - o conteúdo da aprendizagem deve ser ordenado e seqüenciado, de maneira que os conceitos mais gerais e inclusivos se apresentem no princípio, - com o fim de alcançar uma diferenciação progressiva do conhecimento do aluno, ou seja, a incorporação de novos elementos à sua estrutura, - após a apresentação dos conceitos mais gerais e inclusivos, a introdução dos elementos posteriores deve ser feita mostrando tanto as relações que mantêm com os primeiros, como as relações que mantêm entre si, - a apresentação inicial dos conceitos mais importantes, gerais e inclusivos deve estar apoiada em exemplos concretos que os ilustrem empiricamente. 2.1.1 - A análise das tarefas Uma tarefa é o conjunto coerente de atividades, conduzindo ao resultado final observável e mensurável13. Esta simples caracterização permite identificar três elementos básicos, que estão sempre presentes na realização de uma tarefa: 13 César Coll e Maria José Rocheira; Desenvolvimento Psicológico e Educação II, 1996, p. 340. 27 - estímulo ou situação desencadeadora - a seqüência das atividades (componentes de execução das tarefas) - o produto que indica que a tarefa foi executada. Aprender a executar pressupõe então, logicamente, aprender uma seqüência de atividades que permitam chegar ao produto final, partindo do estímulo desencadeador. A análise das tarefas constitui um procedimento especial e útil para a concretização dos objetos educativos, já que permite identificar os componentes de execução dos mesmos. A análise de tarefas e análise de conteúdo contribui para melhorar o ensinado a aprendido, como se pode ensinar e aprender, e em que ordem isso deve ser feito. 2.2 - A teoria da elaboração Da mesma forma como fazemos com a câmera de filmar, a teoria da elaboração propõe apresentar de início os elementos mais simples, gerais e fundamentais do conteúdo, em seguida elaborar cada um deles mediante a introdução dos detalhes e da complexidade desejada.Quando se elabora elementos iniciais, volta-se ao ponto de partida para enriquecer e ampliar o plano de conjunto. A seqüência do elaborador prescreve a necessidade de introduzir um resumo e uma síntese no término de cada um dos níveis de elaboração. O resumo deve incluir uma revisão dos elementos de conteúdo no correspondente nível de elaboração, deve mostrar elementos mantendo uma relação entre si e aqueles quais constituem uma elaboração.14 14 César Coll e Maria José Rocheira; Desenvolvimento Psicológico e Educação II, 1996, p. 348. 28 Dois aspectos importantes na confecção de seqüência elaborativas são: - epítome – não é uma versão resumida, mas unicamente são considerados os mais fundamentais e representativos; - natureza do conteúdo – organização do ensino como base dos três tipos de conteúdo: conceitos, princípios ou procedimentos; dependendo da natureza da matéria. Assim, por exemplo: um curso de geografia ou economia – baseada nos conceitos como conteúdo e princípios; um curso de matemática ou de redação – baseada no conceito de procedimentos. 2.3 - Desenvolver a cooperação entre alunos e certas formas simples de ensino mútuo Os professores apostam na cooperação entre alunos. O ensino mútuo não é uma idéia nova, no passado, Lancaster. O método lancateriano15 só funcionava com pedagogias elementares, baseadas no treinamento e na memorização, como podemos ver a seguir: o professor tinha 100 alunos de todas as idades na sua responsabilidade e não podia ocupar-se de todos, nem propor uma única lição a um público vasto e heterogêneo. O grupo era organizado em subconjuntos, que ficavam a cargo de “subprofessores”, geralmente alunos mais velhos ou monitores sem formação pedagógica. O papel era fazer com que o conjunto funcionasse, mais do que ensinar a todos. Hoje em dia, estamos condenamos a inventar novas formas de ensino mútuo que apelem para a autonomia e para responsabilidade, o que não é 15 Philippe Perrenoud; Dez competências para ensinar, 2000, p. 62 e 63. 29 simples. Com alunos de idade muito próximas, pode-se favorecer certas formas de “contrato didático” para determinadas tarefas. Os alunos podem formar-se reciprocamente sem que um deles desempenhe o papel do professor. Basta que se envolvam em uma tarefa cooperativa que provoque conflitos sociocognitivos e favoreça a evolução das representações, dos conhecimentos, dos métodos de cada um por meio de confronto com outras maneiras de ver e de agir. O confronto dos pontos de vista estimula uma atividade metacognitiva da qual todos obtenham um benefício, mesmo que isso não leve a uma ação coletiva. Isso é uma pedagogia interativa, os alunos trabalham em equipe, todavia, muitas vezes trocamos o sentido desta fórmula: trabalhar em equipe não consiste em fazer junto o que se poderia fazer separadamente, menos ainda em olhar o líder ou o aluno mais hábil do grupo fazer. A organização do trabalho em equipe tem problemas de gestão entre as orientações e o trabalho coletivo e os momentos de trabalho em subgrupos. O desafio didático é inventar tarefas que imponham uma verdadeira cooperação16. Não é fácil harmonizar a lógica da ação bem-sucedida e aquela da aprendizagem ótima: uma ação coletiva funciona ainda melhor quando leva os indivíduos autônomos e competentes a cooperarem e aceitarem com eficácia uma liderança funcional. A aprendizagem cooperativa deve saber privilegiar a eficácia didática, sem isso não podemos “aprender, fazendo, a fazer o que não sabe fazer” 16 Daniel e Scheifer; Grupo francês da Educação, 1996, p. 110. 30 CAPÍTULO III PROFESSOR E O ALUNO “Tudo quanto dispense qualquer trabalho mental aturado e fatigante, as idéias claras, lúcidas, definitivas, que favorecem uma espécie de atonia da inteligência, parecem-nos constituir a verdadeira essência da sabedoria”. Sérgio Buarque de Holanda, 1969, p. 116-117 3.1 – Papel do professor “ As escolas se dedicam a ensinar os saberes científicos, visto que sua ideologia científica lhes proíbe lidar com os sonhos, coisa romântica! Assombra-me a incapacidade das escolas de criar sonhos! Enquanto isso os meios de comunicação, principalmente a televisão, que conhecem melhor os caminhos dos seres humanos, vão seduzindo as pessoas com seus sonhos pequenos, freqüentemente grotesco. Assombra-me a capacidade dos meios de comunicação para criar sonhos! Mas de sonhos pequenos e grotescos só pode surgir um povo de idéias pequenas e grotescas, ignorando que o essencial, na vida de um país, é a EDUCAÇÃO.”17 “É perceptível que há nas universidades professores capazes de realizar um trabalho docente sério e comprometido politicamente com seus alunos e com a sociedade. Se assim o fazem, é por determinação e por convicção da importância de seu papel também como profissional do magistério”.18 17 Rubem Azevedo Alves. Entre a ciência e a sapiência : o dilema da educação. São Paulo, 2001, p.148. 18 Ilma Passos; Pedagogia Universitária, aula em foco, 2000, p.05. 31 Um professor, consciente de seu papel, sabe que sua tarefa é orientar o aluno em seu aprendizado, tornando-o mais crítico, buscando sempre seu êxito e não seu fracasso. Sua relação com os alunos é uma relação profissional, que deve potencializar o aprendizado amplo, isto é, de conteúdo moral, ético, estético e outros, que inevitavelmente permeiam as aulas, ou como temas transversais, ou como assuntos que transcendam os currículos. O professor é um profissional como outro qualquer, mas tem uma função, uma “missão” que é o seu diferencial: ele exerce grande influência sobre a formação da personalidade e do caráter de seus alunos. Seu modo de lidar com eles, de interagir com a turma durante as aulas, vai transmitir-lhes muito mais do que o simples conteúdo das disciplinas e pode deixar marcas para o resto de suas vidas. Essas marcas podem ter um cunho positivo ou negativo “o professor autoritário, o professor licencioso, o professor competente, sério, o professor incompetente, irresponsável, o professor amoroso da vida e das gentes, o professor malamado, sempre com raiva do mundo e das pessoas, frio, burocrático, racionalista, nenhum desses passa pelos alunos sem deixar sua marca”19 O professor transmite valores, princípios e direciona a atenção do aluno para seus pontos de vista, suas preferências e opiniões. Na verdade, ele é um formador de opinião e esse é o lado político da educação. Como já mencionamos, o aluno sente dificuldade em lidar com essas disciplinas que exigem um alto grau de abstração, que requerem um esforço mental e grande concentração, além do “trabalho braçal” de calcular e calcular. 19 Paulo Freire; Um olhar sobre a Educação, 2002, p. 73. 32 Começa então, a antipatizar-se com as mesmas e também com os professores, por conta disso. Os dias das tais aulas são dias de queixas e reclamações, que acabam canalizadas para a pessoa do professor. Quando o professor de alguma das disciplinas tem um bom trânsito com os alunos, é notório que os mesmos queixam-se menos das aulas e até se interessam mais em aprender. Dessa forma, a boa relação entre professores e alunos já é um fator de motivação. Quanto maior for a afinidade entre professor e alunos, melhor será a fluência do processo ensino-aprendizagem, pois mais facilmente os alunos compreenderão o sentido de estudar o que está sendo apresentado pelo professor e terão a curiosidade de buscar novas informações que possam complementar a aula, tornando-a um momento de aprendizagem dinâmica para ambos, aluno e professor. Para Carl Rogers, “ a aprendizagem auto-iniciada que envolve toda a pessoa do aprendiz – seus sentimentos tanto quanto sua inteligência – é a mais durável e impregnante” ... Além disso, há que se considerar que: ... “ a relação entre professor e alunos deve ser uma relação dinâmica, como toda e qualquer relação entre seres humano. Na sala de aula, os alunos não deixam de ser pessoas para transformar-se em coisas, em objetos, que o professor pode manipular, jogar de um lado para o outro. O aluno não é um depósito de conhecimentos memorizados. O aluno é capaz de pensar, de refletir, discutir, ter opiniões, participar, decidir o que quer e o que não quer. O aluno é gente, é ser humano, assim como o professor ”.20 20 Cláudio Pilleti; Didática Geral, 1987, p. 92. 33 Apresentamos vários tipos de professores comprometidos na arte do educar: - o professor de autômatos – aquele que procura desenvolver no aluno a capacidade de responder sem a necessidade de pensar. É autoridade máxima na sala e não admite diálogo, - o professor que enfatiza o conteúdo – sua maior preocupação é cumprir o programa da sua disciplina, não é criativo e desvaloriza o aluno, domina a matéria apresentada, - o professor que enfatiza o intelecto – desenvolve as habilidades intelectuais do aluno, usa a análise e a solução de problemas como método de ensino, dando mais importância ao intelecto que as atitudes e emoções do aluno, - o professor que enfatiza a instrução – impõe o modelo raciocínio, usando o processo de aprender do que o produto da aprendizagem (conteúdo), exige que os alunos saibam imitar sua maneira de agir nas discussões e decisões. - o professor que enfoca a pessoa total – trata o aluno como uma pessoa integral, acredita no seu intelecto, no seu crescimento em direção a um Ser adulto. “ os melhores professores são aqueles que, estimulados por seu entusiasmo encontravam maneiras próprias de comunicar e ensinar” 21 “ o professor acredita que a relação aluno–docente, se dialógica, pode ser uma alavanca na produção do conhecimento e aposta na convivência acadêmica entre alunos da graduação 21 Cláudio Pilleti; Didática Geral, 1989, p.89. 34 e pós-graduação como ponto facilitador no contato com a pesquisa, na troca de experiências e na abertura de perspectiva mútua. Se, por um lado, valoriza os conteúdos da área, entende como fundamentais enfatizando as as formas atitudes de respeito significativas de ao aluno, mediações interpessoais”22 Neste sentido, pressupõe que, o professor além de ter o domínio dos conhecimentos específicos na pratica do educar, deve interagir com seus alunos e conseqüentemente transformar a sociedade. “dar aula é um sacrifício muito grande para o professor; mas esse esforço é recompensado pelo reconhecimento do aluno” 23 3.2 – Professor como agente da motivação As funções do professor podem ser resumidas em cinco categorias: - função técnica, a favor dos preparados em conteúdos, conhecimentos para o exercício do magistério; - função didática, prepara o conhecimento e emprego de métodos e técnicas adequadas e coerentes com as características do grupo, alcançando o desenvolvendo competências e habilidades; 22 Ilma Passo; Pedagogia Universitária, Aula em foco, 2000, p. 06. 23 O Globo; de 24 de Março de 2002, p. 33. das inteligências, 35 - função orientadora, ajudar o educando a encontrar soluções para as suas dificuldades, respeitando a sua problemática de vida; - função não-diretiva, ajuda o aluno a caminhar, pensar e tomar iniciativas por si próprio, ser autônomo e executar tarefas com responsabilidade. - função facilitadora, o professor coordena, facilita, medita, conduz o aluno ao aprender a aprender, a investigar, a pesquisas, estimulando à educação permanente e continuada. O aluno tem que se sentir capaz, confiante e persistente, exercitando suas forças. Motivar sem estar motivado é uma tarefa difícil. Motivar é um dever e fazer o melhor na educação deve ser meta primordial.24 3.3 - Desafios atuais no estudo da interação professor-aluno O ensino pode ser descrito como um processo contínuo de negociações de significados, de estabelecimento de contextos mentais compartilhados ao mesmo tempo, cuja análise implica considerar o dificultoso núcleo de relações estabelecidas na aula e as contribuições de todos os participantes – professor e alunos. O panorama apresentado atualmente pelo estudo da interação professor/aluno é, deste modo, mais rico, mais complexo. Talvez a mudança mais importante seja o deslocamento produzido a partir do interesse pela eficácia docente em direção ao interesse pelos mecanismos de influência educativa. Uma nova proposta metodológica e conceptual com o ponto básico à reafirmação e reinterpretação das demandas construtivistas com a tomada de 24 Helen Silveira Jardim; Artigo publicado no Informativo do Projeto “A vez do mestre”, 2004, p. 2 e 3. 36 consciência da natureza social e socializadora da educação escolar. A interação professor/aluno aparece atualmente como campos privilegiados de estudo e de pesquisa, nos quais afluem contribuições e propostas ignoradas durante muito tempo e que podem oferecer saltos quantitativos na compreensão do comportamento humano. Isto é, o que nos é sugerido pelos esforços atuais25, orientados com vistas a elaborar uma explicação convincente de mecanismos de influência educativa, a partir do estudo da interação professor/aluno. 25 César Coll e Isabel Sole; Desenvolvimento Psicológico e Educação II, 1996, p. 296 e 297. 37 CONCLUSÃO Ensinar é, portanto, reforçar a decisão de aprender, sem agir como se ela estivesse tomada de uma vez por todas. Ensinar e aprender são tarefas que exigem participação, cooperação, capacidade de mudança e de adaptação, grandes doses de tolerância, de reflexão e de crítica, baixas doses de onipotência e de arrogância, grande capacidade de tolerar frustrações e de se gratificar com o crescimento e a autonomia de todos e a possibilidade de ser gratos àqueles que cooperam para à aquisição de novos conhecimentos. A decisão de saber é uma necessidade dos seres racionais e com vontade de fazer, se aprende. O professor fazer com que se construa ou se consolide. Até mesmo para as competências básicas, cujo uso parece “evidente” nada é óbvio. Assim, como todas as áreas da vida, a motivação é essencial para a concretização de ações, sejam aspirações ou deveres.Tudo que é feito com prazer dá mais sentido á vida. A escola, mais que uma obrigação social, deveria ser um lugar de extremo prazer, onde as pessoas fossem para ser feliz, feliz por interagir com outras pessoas e por aprender a se deliciar com “a beleza de ser um eterno aprendiz”. (Gonzaguinha, música - “O que é o que é?”). Estou realmente convencida de que a motivação é muito importante para o sucesso da aprendizagem escolar, pois estar motivado é ter prazer em fazer algo e o prazer é o estímulo da vida. Em resumo, sugiro que ao projeto educativo sejam incorporados objetivos motivacionais, contemplando todos os ajustes que são derivados dessa incorporação. 38 39 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AQUINO, Tânia Maura. Tese “Qualidade nas Instituições de Ensino”. Editora USP. São Paulo. 2000. BARRETO, Elba s. de Sá. Estudos sobre os ciclos e progressão escolas no Brasil: uma revisão. Editora USP. São Paulo. 2004. BORUCHOVITCH, Evely. Entrevista: A motivação dos estudantes: Podemos vencer esse desafio?. USP.São Paulo. 2004. COLL, César. 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VEIGA, Ilma Passos A.; Pedagogia Universitária. Aula em Foco. Papirus Editora. São Paulo. 2000. VILHENA, Maria das Graças, Estudos em Avaliação Educacional. Artmed. São Paulo, 1992. ZABALA, Antonio A.. Prática educativa: como ensinar. Artmed. São Paulo. 1998. WEINER, Bernard A teoria da motivação somente para aulas especiais. PUC. São Paulo. 1984. 41 Webgrafia www.aprendebrasil.com.br/entrevistas. Acessado em 25-11-2004. www.mec.gov.br/educação.htm. Acessado em 03-03-2005. www.pedagio.com.br/psicologia/amotivação.htm. Acessado em 05-03-2005 42 ÍNDICE Introdução 09 Capítulo I 11 MOTIVAÇÃO NA APRENDIZAGEM 11 1.1 – Motivação 11 1.1.1 - Motivação e atribuições 11 1.1.2 - Motivação dos estudantes: Podemos vencer este desafio? 12 1.1.3 - Envolver os alunos em suas aprendizagens e em seu trabalho 15 1.2. – Aprendizagem 16 1.2.1 - Conceitos e atividades 16 1.2.2 - Ciclos de aprendizagem 17 1.3 - Administrar a heterogeneidade no âmbito de uma turma 20 1.4 - Os direitos do aprendiz 22 Capítulo II 23 ENSINO PARA A PRENDIZAGEM 23 2.1 - Análise do conteúdo 23 2.1.1 - Análise das tarefas 24 2.2 - A teoria da elaboração 25 2.3 - Desenvolver a cooperação entre alunos e certas formas simples de ensino mútuo 26 43 Capítulo III 28 PROFESSOR E O ALUNO 28 3.1 - Papel do professor 28 3.2 - Professor como agente da motivação 32 3.3 - Desafios atuais no estudo da interação professor-aluno 33 Conclusão 35 Referências bibliográficas 36 Índice 39 UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PRÓ-REITORIA DE PLANEJAMENTO E DESENVOLVIMENTO PROJETO A VEZ DO MESTRE Pós-Graduação Projeto de Pesquisa Nome da Aluna: SHEYLA MONTEIRO FERNANDES Curso: Docência de Ensino Superior TEMA TÍTULO PROBLEMA Turma 101 Matricula nº 90183 Motivação Como motivar o aluno a ter interesse na disciplina Como conquistar o aluno a ter motivação de aprender e 44 compreender o ensino em cooperação com o professor? OBJETIVO GERAL OBJETIVO ESPECÍFICO HIPÓTESE Compreender qual o papel do professor e qual deve ser a sua atuação na prática docente da motivação Deletar as dificuldades encontradas no decorrer da atividade docente, motivando o aluno a ter interesse na disciplina Se o professor desenvolver a motivação como essencial para a aprendizagem de ensino; o aluno será motivado a ter interesse pela disciplina DELIMITAÇÃO COLL, César; Desenvolvimento Psicológico e Educação II, 2002 FREIRE, Paulo; Um olhar sobre a Educação, 2002 MEIRIEU, Philippe, Psicologia, 1986 PERRENOUD, Philippe; Dez competência para ensinar, 2000 PILLETI, Cláudio; Didática Geral, 1989 PROCEDIMENTO Será uma coleta de dados seletiva. METODOLÓGICO Bibliotecas visitadas: UCAM, Biblioteca Nacional e outras Referências Bibliográficas COLL, César, Desenvolvimento Psicológico e Educação II, 1993 PERRENOUD, Philippe, Dez competências para Ensinar, 2000 PERRENOUD, Philippe, Os ciclos de aprendizagem, 2004 PILETI, Cláudio, Didática Geral, 1989 Na Internet:www.mec.gov.br/educcação.htm www.apredebrasil.com.br/entrevistas www.pedagio.com.br/psicologia/amotivação.htm