APLICABILIDADE DAS NORMAS BRASILEIRAS DE CONTABILIDADE VOLTADAS PARA AS FUNDAÇÕES PRIVADAS NA ÁREA DE EDUCAÇÃO: Um estudo realizado com associadas do Grupo de Institutos Fundações e Empresas Viviane Cristina Lins Corrêa (Faculdade Boa Viagem) – [email protected] Ana Paula Ferreira da Silva (Faculdade Boa Viagem/Faculdade Santa Catarina) – [email protected] Erica Xavier de Souza (Universidade Federal de Alagoas) - [email protected] RESUMO O objetivo principal deste trabalho foi verificar se as fundações privadas de educação associadas ao Grupo de Institutos Fundações e Empresas (GIFE) estão elaborando as demonstrações contábeis para organizações do terceiro setor, segundo as orientações previstas nas Normas Brasileiras de Contabilidade. Foram obtidas as demonstrações contábeis de doze (12) das trinta (30) fundações privadas, ou seja, de 40%. Para facilitar a padronização dos dados coletados foi elaborado um formulário de coleta documental, o qual foi elaborado seguindo as orientações dadas pelas normas de contabilidade voltadas para as organizações do terceiro setor, neste caso para as fundações. Os achados da pesquisa evidenciaram que: a) 75% as fundações estudadas elaboraram os Balanço Patrimonial e as Demonstração de Superávit ou Déficit; b) Apenas uma (1) fundação evidenciou a demonstração de valor adicionado, demonstrativo esse não obrigatório; e c) Nenhuma apresentou a demonstração de origem e aplicação de recurso, bem como o demonstrativo de fonte de recurso, sendo este último é cobrado no processo de prestação de contas das Fundações ao Ministério Público. Além disso, os resultados da pesquisa demonstraram a necessidade de melhoria da evidenciação das notas explicativas, a fim de obter maior entendimento das informações demonstradas por parte da sociedade, das empresas privadas e públicas, as quais financiam as atividades das fundações. Palavras-chaves: Fundação Privada. Terceiro Setor. Demonstrações Contábeis. Normas Brasileiras de Contabilidade. ABSTRACT The purpose of this study was to investigate whether private foundations of education associated with the Group of Institutes Foundations and Enterprises (GIFE) are preparing the financial statements for nonprofit organizations, according to the guidelines laid down by Brazilian Accounting Standards. We obtained the financial statements of twelve (12) of thirty (30) private foundations, or 40%. To facilitate the standardization of data collected was prepared a documentary collection form, which was prepared following the guidelines given by the accounting standards aimed at the nonprofit organizations, in this case to the foundations. The research findings revealed that: a) 75% developed the foundations studied the Balance Sheet and the Statement of Surplus or deficit; b) Only one (1) foundation showed a demonstration of added value, this statement is not required; and c) None presented the statement of source and application of appeal, and the statement of funding source, the latter is charged in the process of accountability of foundations to prosecutors. In addition, the survey results demonstrated the need for improved disclosure of the notes in order to gain greater understanding of information demonstrated by society, the private and public companies, which finance the activities of foundations. Keywords: Private Foundation. Third Sector. Financial Statements. Brazilian Accounting Standards. 1 VIII Convibra Administração – Congresso Virtual Brasileiro de Administração – www.convibra.com.br 1. INTRODUÇÃO O Terceiro Setor no Brasil vem acompanhando as modificações ocorridas na história política, econômica e social brasileira. A princípio esse acompanhamento é lento, com prestações de serviços assistencialistas religiosos, e até os dias de hoje com o despertar de uma sociedade que aos poucos esta descobrindo o verdadeiro significado da cidadania. Apesar das organizações do terceiro setor, em sua maioria não ter fins lucrativos, ou seja, não visar lucros, isso não quer dizer que essas organizações não precisem controlar os seus recursos e registrar suas operações. Para tanto, surge à contabilidade para registrar, gerenciar, bem como evidenciar de forma clara os resultados obtidos pelas organizações para a sociedade. Sendo assim, a contabilidade através das suas diversas ferramentas ajudará as organizações do terceiro setor a prestar contas à sociedade e a seus parceiros de empresas públicas e privadas de recursos recebidos para a realização de suas ações. A contabilidade através das suas diversas ferramentas irá auxiliar as entidades do terceiro setor na elaboração e na divulgação dos resultados obtidos através da aplicação dos recursos recebidos, por meio das parcerias com empresas privadas com fins lucrativos e empresas públicas. Durante, o processo de divulgação dos resultados obtidos pelas instituições, a contabilidade utiliza-se das demonstrações contábeis, as quais deverão ser elaboradas segundo os princípios contábeis e as Normas Brasileiras Técnica de Contabilidade. Diante do exposto acima surge o seguinte problema de pesquisa: Estarão as fundações privadas associadas à GIFE elaborando suas demonstrações contábeis conforme orientações previstas nas Normas Brasileiras de Contabilidade voltadas para o Terceiro Setor?. O objetivo principal do trabalho é verificar se as fundações privadas associadas ao Grupo de Institutos Fundações e Empresas (GIFE) estão elaborando as seguintes demonstrações contábeis que são obrigatórias para organizações do terceiro setor, segundo as Normas Brasileiras de Contabilidade: Balanço Patrimonial, Demonstração das Aplicações do Patrimônio Social, Demonstração das Origens e Aplicação de Recursos, Demonstração do Superávit ou Déficit, Notas Explicativas e o Demonstrativo de Fonte de Recursos. A fim de detalhar o objetivo geral foram estabelecidos os seguintes objetivos específicos: a) Verificar se as Fundações Privadas Associadas à GIFE estão elaborando o Balanço Patrimonial seguindo as orientações das Normas Brasileiras de Contabilidade Técnica 10.19, bem como as Normas Brasileiras de Contabilidade Técnica 3; b)Verificar se através da Demonstração Aplicações do Patrimônio Social, se as Fundações Privadas estão evidenciando as informações previstas na NBCT 3; c) Verificar se nas Fundações Associadas ao GIFE está sendo evidenciada a Demonstração das Origens e Aplicação de Recursos e se esta sendo feita com base nas orientações da NBCT 3; d)Analisar se quando as Fundações Privadas Associadas à GIFE apresentam suas Demonstrações do Superávit ou Déficit, se as mesmas estão obedecendo às orientações previstas NBCT 10.19 e NBCT 3; d) Analisar se no momento que as Fundações Privadas Associadas à GIFE utilizam suas Notas Explicativas, se as utilizam conforme orientação da NBCT 10.19. Os trabalhos publicados em relação ao tema Evidenciação Contábil no Terceiro Setor giram em torno de discussões teóricas sobre modelos de demonstrações e critérios contábeis, sem a realização de estudos práticos sobre a adequação das demonstrações publicadas pelo Terceiro Setor em relação ao que é preconizado pelas normas e princípios contábeis. O Conselho Federal de Contabilidade (2004, p.25) corrobora com essa idéia: O termo ONG se prolifera no Brasil aplicando-se às organizações da sociedade civil, que atua paralelamente ao Governo em busca do bem estar da coletividade, constituída sob a forma de: associações, centros, grupos, Fundações, instituições, etc. Nesse contexto, começam a aparecer fortemente os fundos governamentais para apoio aos projetos sociais da ONGs. Daí surge exigências de planejamento e 2 VIII Convibra Administração – Congresso Virtual Brasileiro de Administração – www.convibra.com.br controle de recursos, temas não familiares ao perfil dos dirigentes dessas organizações, que se caracterizam por possuírem formação concentrada na área social [grifo nosso]. As ONGs internacionais passam a exigir, mais sistematicamente, a auditoria como instrumento de certificação da aplicação dos recursos doados. Por tanto, esta pesquisa se faz relevante pelo fato de existirem poucos estudos que apresentem as demonstrações contábeis publicadas pelas fundações privadas. Este trabalho está estruturado em sete seções, iniciando com esta introdução. Nas três seções seguintes aborda a fundamentação teórica, com destaque às temáticas: terceiro setor – conceito, origem e composição-, Fundações privadas, contabilidade no terceiro setor e demonstrações contabeis voltada para instituições do terceiro setor. Em seguida é apresentada a quinta seção, que procura descrever a metodologia adotada. Na sequência apresenta os resultados e as conclusões obtidas com a realização deste estudo junto às fundações privadas associadas ao GIFE. Por fim, a seção sete apresenta as conclusões obtidas através do estudo secundário e empírico. 2. TERCEIRO SETOR: CONCEITO, ORIGEM E COMPOSIÇÃO Para o sociólogo alemão Claus Offe (apud MELO NETO, FROES, 1999, p.2-3): O terceiro setor representa uma nova ordem mundial, em que se observa a predominância das ações comunitárias em face da decadência do Estado. Assim, o crescimento do trabalho e da ação voluntária certamente são a tentativa de preencher lacunas sociais as quais o Estado não é capaz de suprir com eficiência nem mesmo em suas funções mais básicas, tais como moradia, saúde, educação e segurança. Melo Neto e Froes (1999, p. 5) fazem o seguinte comentário sobre a origem do termo terceiro setor: O termo terceiro setor teve origem na primeira metade do século XX nos Estados Unidos da América. Contudo, os estudos aprofundados sobre esse termo só vieram a partir dos anos 70 nas primeiras universidades americanas, como a Johns Hopkins e Harvard Business School. Coelho (2000, p. 9) argumenta que “as multiplicidades das denominações apenas demonstram uma falta de precisão conceitual, o que, por sua vez, revela a dificuldade de enquadrar toda a diversidade de organizações em parâmetros comuns”. Falconer (1999, p. 21) acrescenta que “contribuem para esta dificuldade a multidisciplinaridade do campo, a dificuldade de adaptar conceitos desenvolvidos em países com realidades históricas, legais e institucionais distintas e, também, a dificuldade de informações e dados empíricos sobre o setor”. Na literatura corrente sobre a classificação das organizações, podem-se constatar os termos primeiro, segundo e terceiro setor. Classifica-se por primeiro setor o Estado, cuja finalidade é promover o atendimento às demandas públicas como saúde, educação e segurança. Tais atividades são mantidas através da arrecadação tributária e, em tese, visam como resultado o bem-estar de toda sociedade. (EBSEN; LAFFIN, 2004) Como segundo setor tem-se as entidades privadas, ou de mercado, cuja constituição e finalidades são marcadas pela obtenção de lucro sobre o capital investido. O resultado esperado (lucro) decorre das atividades operacionais, por meio da venda de bens, serviços e produtos múltiplos. O terceiro setor pode ser caracterizado como aquele organizado a partir de iniciativas da própria sociedade civil, assumindo-se que é aquele em que as atividades não seriam nem 3 VIII Convibra Administração – Congresso Virtual Brasileiro de Administração – www.convibra.com.br coercitivas nem voltadas para o lucro, suas atividades visam o atendimento das necessidades coletivas e muitas vezes públicas (COELHO, 2000, p. 40). As organizações classificadas no Terceiro Setor, por sua finalidade, possuem aspectos particulares que as diferenciam das entidades dos demais setores. Lisboa (2003, p. 254) apresenta como características do Terceiro Setor os seguintes aspectos: a) são formais e institucionalizadas; b) privadas e independentes do governo; c) não distribuem lucros; d)se auto gerenciam; e) possuem um grau significativo de participação voluntária. Assim podemse agrupar os setores sociopolíticos da seguinte forma: 1° SETOR Estado / Governamental Entidades Públicas Sem fins lucrativos Órgãos Públicos Organizações de Economia mista da administração pública indireta 2° SETOR Mercado / Empresas Entidades Privadas Com fins lucrativos Empresário / Sociedade Empresário; Sociedades personificadas ou nãopersonificadas; Sociedade simples ou empresárias 3° SETOR ONGs Entidades Privadas Sem fins lucrativos Associação / Fundação Fins privados com interesse coletivo de grupo sociais restritos; Fins públicos com interesse geral de toda população. Quadro 1- Ordenamento Sócio Político dos Setores Fonte: Peyon (2004, p. 12) 3. AS FUNDAÇÕES PRIVADAS Segundo o artigo 44 do Código Civil, as associações e fundações são pessoas jurídicas de direito privado. Elas estão aptas a contrair direitos e obrigações legais, além de ter autonomia protegida constitucionalmente. Segundo Pereira (2008, p. 295), a pessoa jurídica é definida como: A unidade composta por um conjunto de pessoas ou por uma destinação patrimonial, com aptidão para adquirir e exercer direitos e contrair obrigações. Esta unidade não se confunde com os indivíduos que a compõem, sendo representada ativa e passivamente, nos atos judiciais, por aqueles designados expressamente nos estatutos, ou na falta dessa indicação, pelos seus diretores. As fundações privadas são autônomas e sem fins lucrativos As fundações privadas diferem das públicas, em razão das privadas terem autonomia administrativa, patrimonial e financeira, sendo assim administrada por seus fundadores com finalidade de gerar patrimônio os quais serão utilizados para ações de benefícios a sociedade. 3.1 As fundações e o Código Civil O Novo Código Civil (NCC) reduziu o número de organizações que compõem as pessoas jurídicas e de direito privado conforme quadro abaixo. Além disso, o NCC restringiu as atividades das fundações, pois as mesmas somente poderão se constituir para fins religiosos, morais, culturais ou de assistência (BRASIL, 2002, art. 62). Os outros casos previstos pelo antigo Código Civil Brasileiro (CCB), que poderia constituir fundação como base no novo poderá constituir associação (BRASIL, 2002, art. 53). 4 VIII Convibra Administração – Congresso Virtual Brasileiro de Administração – www.convibra.com.br CCB até 10.01.2003 Artigo 16 Prescrevia que são pessoas jurídicas de direito privado: I – as sociedades civis, religiosas, pias, morais, cientificas ou literárias, as associações de utilidade pública e as fundações; II – as associações mercantis; e III – os partidos políticos. CCB após 10.01.2003 Artigo 44 Prescreve que as pessoas jurídicas de direito privado são: I – as associações; II – as sociedades; e III – as fundações. Quadro 2 – Pessoas jurídicas de direito privado segundo o Código Civil, Lei n. 10.406/02. Fonte: Frasão e Rios (2007, p. 10). É importante ressaltar que não ocorreu com a Lei 10.406/2002 qualquer alteração no que tange à maneira de criação de uma fundação, ou seja, o instituidor, por meio de escritura pública ou testamento, fará dotação especial de bens livres com especificação do fim a que se destinam, e caso queira poderá também declarar a forma de administração (BRASIL, 2002, art. 62). Vale ressaltar a diferença entre as fundações privadas e públicas, em razão das privadas terem autonomia administrativa, patrimonial e financeira. Segundo Frasão e Rios (2007, p.2) comenta que: No que diz respeito à elaboração do estatuto da fundação projetada, deverão aqueles escolhidos pelo instituidor formulá-lo, com observância do artigo 62, e submetê-lo à aprovação do Promotor de Justiça, com recurso ao juiz. Se o estatuto, dentro do prazo estipulado, ou se este for omisso, em 180 dias, não for elaborado por aqueles a que o instituidor cometer a aplicação do patrimônio, o Ministério Público incumbirse-á de providenciá-lo (art. 65). O CCB (2002) em seu artigo 68 deixa claro que o funcionamento de uma fundação deverá ser gerido por um estatuto. Este instrumento jurídico deverá conter direitos e deveres das instituições, bem como o mesmo só poderá ser alterado através de votação da maioria absoluta dos representantes legais da instituição. Além disso, para ocorrer alteração no estatuto de uma fundação é necessário ter a aprovação do Ministério Público, através de um órgão específico denominado: Promotoria ou Ouvidoria de Fundações. Este órgão tem como função: a aprovação de estatutos, diferimento de contas relativo ao exercício financeiro (Prestação de Contas); análise da gestão administrativa, auditorias, entre outras. Quanto à implementação das modificações do estatuto de uma fundação o NCC trouxe alterações importantes, como as previstas no artigo 67: I. Deliberadas por 2/3 dos competentes para gerir e representar as fundações; II. Não contraírem ou desvirtuarem o fim desta; III. Sejam aprovadas pelo órgão do Ministério Público, e, caso este as denegue, poderá juiz supri-las, a requerimento do interessado. Enquanto órgão fiscalizador cabe ao Ministério Público opinar sobre todas as alterações estatutárias, bem como aprová-las. Por tanto, o NCC determina, de forma clara e precisa. “Quando a alteração não houver sido aprovada por votação unânime, os administradores da fundação, ao se submeterem o estatuto ao órgão do Ministério Público, requererão que se dê ciência à minoria vencida para impugná-la, se quiser, em 10 (dez) dias”. (BRASIL, 2002, art. 68). 5 VIII Convibra Administração – Congresso Virtual Brasileiro de Administração – www.convibra.com.br 3.2 As fundações e o Ministério Público: fiscalização e prestação de contas Diante das necessidades não atendidas pelo Estado, surgiu a iniciativa do conjunto de entidades sem fins lucrativos, buscando criar oportunidade de desenvolvimento social dentre eles as fundações. As fundações privadas possuem finalidade pública e de interesse social e é por meio da prestação de contas feitas ao Ministério Público, agente do estado encarregado de fiscalizar e acompanhar anualmente os processos econômicos e patrimoniais (financeiro) dessas entidades através de aplicações técnicas de auditorias. O Ministério Público é o órgão que apura a autenticidade das demonstrações contábeis; avaliam se corresponde à realidade patrimonial, e se existe algum fato que possa prejudicar a viabilidade econômica, financeira ou jurídica da entidade; verificam a preservação da execução de seus fins, se os seus recursos realmente estão sendo utilizados para os fins que foram criados, se foram cumpridas as normas legais, regulamentares e estatutárias, e se suas obrigações estão em dia. (FRASÃO, RIOS, 2007). O Ministério Público participa de todas as etapas de constituição das fundações privadas e tem a responsabilidade de cuidar das fundações (a tutela), no sentido de preservação do patrimônio e execução de seus fins, desde a sua constituição até sua extinção. Porém, procura que a autonomia e a vontade do instituidor sejam respeitadas. (BRASIL, 2002, art. 66). A fim de cumprir com a fiscalização das fundações, o Ministério Público utiliza atividades operacionais, administrativas, funcionais, contábeis, financeiros, econômicos e patrimoniais das entidades. A promotoria da justiça encaminha os procedimentos administrativos de prestação de contas para a Procuradoria Geral de Justiça, órgão administrador superior do Ministério Público Estadual que é responsável pela análise contábil das fundações. (VENOSA, 2002). O procedimento contábil é feito através de: Demonstrações contábeis, documentos auxiliares, realização de inspeções técnicas, e parecer da auditoria. O processo de prestação de contas utiliza a auditoria como ferramenta de fiscalização, e de acordo com o Código Civil atribuído ao Ministério Público para o velamento das fundações de direito privado explicado no item anterior o aperfeiçoamento do velamento também conta com a ajuda do Centro de Apoio Operacional dos Registros Públicos das Fundações e das Entidades de Interesse Social (CAOFURP), de grande habilidade que surgiu em 2008, em parceria com a Fundação do Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE), para se fazer uso do Sistema de Cadastro e Prestação de Contas (SICAP). (FRASÃO; RIOS, 2007). O SICAP é um sistema eletrônico de prestação de contas das fundações de direito privado, tornando possível que as distintas informações contábeis, financeiras, administrativas e sociais das fundações sejam geradas em CD-R e cheguem a Promotoria das Fundações. Além disso, devem ser apresentadas as seguintes documentações: Diário, Razão, Caixa, Registro de Empregados, e demais livros; cópia de extratos bancários emitidos pelas instituições financeiras, comprovando a movimentação e saldo, acompanhado de conciliação com o saldo contábil; Certidão Negativa (FGTS, INSS e Tributárias); Havendo prestação de contas a outras entidades (Ministério da Justiça, INSS, CNAS, e outros), ou cópias de convênios, contratos e termos de parceria, acompanhados do parecer do órgão repassador de recursos. Ainda é possível a requisição de outras informações pertinentes ou documentações que a Promotoria de Justiça julgar necessária. Cabe então, a auditoria fornecer as informações, corrigir e prever erros ou fraudes, diante de extensa quantidade de documentação. A auditoria compõe procedimentos técnicos com função de emitir parecer da posição patrimonial, e financeira, resultado das operações, mutações patrimoniais, origens e 6 VIII Convibra Administração – Congresso Virtual Brasileiro de Administração – www.convibra.com.br aplicações de recursos, de acordo com as Normas Brasileiras de Contabilidade (NBCS) e legislação especificam independentes das demonstrações contábeis. A auditoria permite ao auditor alcançar provas e evidenciar as demonstrações contábeis, assegurando através dos testes de observância os controles internos estabelecidos pela administração e seu funcionamento, bem como os testes substantivos que apontam aquisição de evidencias quanto à exatidão, validade dos dados produzidos pelo sistema contábil, e a suficiência através de testes de transações e saldos e revisão analítica. (FRASÃO; RIOS, 2007). Na aplicação de testes de observância e substantivos os seguintes procedimentos técnicos são utilizados: 1. Inspeção: investigar cuidadosamente registros, documentos e ativos tangíveis; 2. Observação: acompanhar os procedimentos durante sua execução; 3. Investigação e confirmação: aquisição de informações de acordo com as entidades de transações dentro e fora da entidade; 4. Cálculo: Conferir a exatidão aritmética de documentos comprobatórios, registros e demonstrações contábeis; 5. Revisão analítica: verificar o andamento de valores significativos, através de índices ou outros meios em vista de identificar ou prever tendências atípicas. A necessidade de transparência das fundações e responsabilidade de seus atos possui grande impacto perante o Ministério Público, que de acordo com o Código Civil Brasileiro no artigo 66, sobre os velamentos das fundações de direito privado, prestam contas a sociedade, independente de receber recursos públicos as fundações devem prestar contas ao Ministério Público, concluindo sua obrigação legal. 4. A CONTABILIDADE NO TERCEIRO SETOR: LEGISLAÇÃO E NORMAS CONTÁBEIS. No que se refere à regulamentação contábil do terceiro setor, o Conselho Federal de Contabilidade, editou três regulamentações, desmembradas da Norma Brasileira de Contabilidade nº 10 – NBCT 10 – Dos Aspectos Contábeis Específicos em Entidades Diversas, a saber: NBCT 10.4 – Fundações; NBCT 10.8 – Entidades Sindicais e Associações de Classe; NBCT 10.19 – Entidades sem Finalidade de Lucros. As normatizações contábeis definem que as demonstrações contábeis para empresas do Terceiro Setor devam seguir a padronização das demonstrações de entidades com fins lucrativos, exceto quando a alguns aspectos de capital social e lucro ou prejuízo, existem vários exemplos de publicações fora de tal estrutura.O Conselho Federal de Contabilidade elaborou Normas Brasileiras de Contabilidade (NBCT 10.19 – Entidades sem finalidades de lucros e NBCT 10.4 – Fundações) para que as entidades constituídas no âmbito do Terceiro Setor contabilizem e demonstrem de forma transparente as transações ocorridas e seus resultados. Estas normas contribuem para estabelecer a elaboração das demonstrações contábeis de maneira padronizada para todas as entidades. As Normas Brasileiras de Contabilidade (NBC’s) que regem a evidenciação contábil referente às Fundações são a NBCT 10.19 – Entidades sem finalidades de lucros e a NBCT 10.4 – Fundações (Resolução nº 837, de 22 de fevereiro de 1999, aprovando da NBCT 10, o item 4, que trata Dos Aspectos Contábeis Específicos em Entidades Diversas, Fundações). A primeira trata de entidades em geral (sem fins lucrativos) normatizando registro contábil e as demonstrações contábeis. A segunda trata de aspectos específicos das Fundações, normatizando também o registro contábil praticado por essas entidades e tratando de cada 7 VIII Convibra Administração – Congresso Virtual Brasileiro de Administração – www.convibra.com.br uma das demonstrações contábeis, desde o Balanço Patrimonial até as Notas Explicativas. A seguir é apresentado no quadro 3 a cronologia da legislação contábil regulamentada pelo Conselho Federal de Contabilidade para as entidades sem fins lucrativos, que é a base para seu processo de funcionamento e de prestação de contas socioeconômicas para a sociedade em geral. Resolução CFC Nº 686/90 Data 14/12/1990 CFC Nº 837/99 22/02/1999 CFC Nº 877/00 18/04/2000 CFC Nº 922/01 13/12/2001 CFC Nº 926/01 19/12/2001 CFC Nº 966/03 16/05/2003 Resumo NBCT 3 – Conceito, Conteúdo, Estrutura e Nomenclatura das Demonstrações Contábeis. NBCT 10 – Dos aspectos Contábeis Específicos em Entidades Diversas. Item NBCT 10.4 – Fundações. NBCT 10 – Dos Aspectos Contábeis Específicos em Entidades Diversas. Item NBCT 10.19 – Entidades Sem Finalidades de Lucros. NBCT 10 – Dos Aspectos Contábeis Específicos em Entidades Diversas. Item NBCT 10.16 – Entidades que Recebem Subvenções, Contribuições, Auxílios e Doações. NBCT 10 – Dos Aspectos Contábeis Específicos em Entidades Diversas. Altera a Resolução CFC Nº 877/00, quanto ao item NBCT 10.19 – Entidades Sem Finalidade de Lucros. NBCT 10.19 – Entidades Sem Finalidade de Lucros. Quadro 3 – Legislações contábeis voltadas para Instituições sem fins lucrativos Fonte: Elaborado com base no sitio do Conselho Federal de Contabilidade (2011). 4.1 Demonstrações contábeis para o terceiro setor As entidades sem fins lucrativos devem escriturar os livros contábeis obedecendo às regras e as determinações emanadas das Normas Brasileiras de Contabilidade. Caso essas entidades não sigam adequadamente tais regras, as mesmas podem sofrer punições como, por exemplo, perder o benefício fiscal. Olak e Nascimento (2000, p. 3): Ressaltam que os provedores querem saber se os recursos colocados à disposição dos gestores dessas entidades foram realmente aplicados nos projetos institucionais e se obtiveram êxito, pois o sucesso de suas ações depende do atendimento a milhões de pessoas. Portanto, a publicação das informações contábeis de tais entidades não deve ser vista somente através da perspectiva de uma exigência legal, mas sim a partir do princípio de transparência, que será vital à sua sobrevivência. As demonstrações contábeis das entidades que pleiteiam a concessão ou a renovação do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social devem observar estritamente as resoluções expedidas pelo Conselho Federal de Contabilidade, especialmente os Princípios de Contabilidade (PC) e as Normas Brasileiras de Contabilidade (NBC), sendo vedada a aplicação de qualquer outro entendimento que não estejam em conformidade com as citadas normas sob pena de indeferimento do pedido. Estas entidades devem, obrigatoriamente, levantar ao final do exercício, o Balanço Patrimonial, as Demonstrações do Superávit ou Déficit do exercício, do Patrimônio Social e das Origens e Aplicações de Recursos acompanhadas das respectivas Notas Explicativas. Verifica-se, então, que as terminologias usadas em alguns demonstrativos destas entidades diferem daquelas entidades que operam no segundo setor, ou seja, as empresas que normalmente são tributadas, tanto na esfera Federal, Estadual e Municipal. Em algumas entidades sem fins lucrativos, em que as suas receitas brutas atinjam um determinado valor no ano, elas devem submeter seus demonstrativos contábeis ao exame de Auditores Independentes, devidamente registrados na Comissão de Valores Mobiliários, sob pena de perder, também, a isenção dos benefícios fiscais concedidos pelo Governo Federal. 8 VIII Convibra Administração – Congresso Virtual Brasileiro de Administração – www.convibra.com.br As entidades do terceiro setor devem seguir as orientações das Normas Brasileiras de Contabilidade Técnicas - NBCT’s 3 e 6, que tratam das demonstrações contábeis e suas divulgações . As demonstrações contábeis previstas e exigidas pelas referidas Normas Brasileiras de Contabilidade Técnicas - NBCT’s são as que seguem nas subseções seguintes: a) Balanço Patrimonial O Balanço Patrimonial é um relatório destinado à evidenciação da situação patrimonial da entidade. De acordo com o item 3.2 da NBCT 10.19, os itens do patrimônio líquido deverão receber nomenclaturas que melhor identifiquem as atividades das entidades sem fins lucrativos. b) A demonstração de Resultado do Exercício A Demonstração de Resultado do Exercício tem a finalidade de apurar e evidenciar o resultado do exercício, ou seja, a situação econômica da entidade. Por meio do conceito de que não há lucros ou prejuízos, pode-se estabelecer que a demonstração trate dos superávits a déficits apurados no exercício. Assim, a tradicional demonstração do resultado do exercício é denominada demonstração de superávit ou déficit. A demonstração do superávit ou déficit é flexível quanto a sua estrutura de apresentação em razão da atividade operacional principal da entidade sem fins lucrativos. c) A demonstração das Mutações do Patrimônio Social e a Demonstração de Origem e Aplicação de Recursos A demonstração das Mutações do Patrimônio Social objetiva demonstrar as alterações ocorridas no patrimônio social da entidade de um período para o outro. Trata-se da demonstração das mutações do patrimônio líquido, utilizada pelas empresas com a finalidade de lucro. Demonstração das Origens e Aplicações de Recurso é um relatório tem por objetivo principal apresentar as fontes e aplicações de recursos da entidade no processo da manutenção de suas atividades operacionais. A divulgação das variações ocorridas no capital circulante líquido (ativo circulante – passivo circulante), de um período para outro, também como uma finalidade dessa demonstração. d) Notas Explicativas e quadros suplementares As notas que procuram explicar alguns elementos das demonstrações contábeis que precisam de um nível maior de detalhamento. As demonstrações contábeis devem ser complementadas pelas seguintes notas explicativas, de acordo com os itens ‘a’ ao ‘k’, da NBCT 10.19.3. Na análise das demonstrações contábeis, as Notas Explicativas são estudadas minuciosamente com o intuito de complementar o entendimento das demonstrações. As Notas Explicativas caracterizam-se como um suplemento essencial aos dados apresentados e são normatizadas pelo Conselho Federal de Contabilidade. Elas possibilitam a visualização dos critérios contábeis utilizados na elaboração das demonstrações financeiras, visando a tornar mais clara a informação trazida pelos números apresentados, viabilizando a transparência da entidade no sentido de evidenciar suas operações. As Notas Explicativas formam um complemento as Demonstrações Contábeis, tornando-se parte integrante destas, acrescentando informações que por algum motivo não foram evidenciadas nas Demonstrações Contábeis. 9 VIII Convibra Administração – Congresso Virtual Brasileiro de Administração – www.convibra.com.br No entendimento das demonstrações contábeis, as Notas Explicativas exercem papel fundamental no sentido de esclarecer as principais práticas contábeis realizadas e as peculiaridades dos registros. Iudícibus, Martins e Gelbcke (1995, p. 610) esclarecem que as Notas Explicativas “podem estar expressas tanto na forma descritiva como na forma de quadros analíticos, ou mesmo englobando outras demonstrações contábeis que forem necessárias para o melhor e mais completo esclarecimento das demonstrações financeiras”. Os quadros servem para evidenciar detalhes que deveriam conter nos demonstrativos tradicionais e que não são cabíveis no corpo destes. Já nos suplementares são apresentados demonstrativos contábeis de um anglo diferente, sob outra perspectiva de avaliação e comparação. Por não ser uma forma utilizada no Brasil, estes quadros suplementares já são encontrados nas notas explicativas. e) Demonstração do Superávit ou Déficit Para as entidades do Terceiro Setor torna-se fundamental a Demonstração do Superávit ou Déficit, pois através da mesma será identificada a alocação dos recursos obtidos bem como o custo e as despesas incorridas com as atividades, consequentemente tornando-se um grande avaliador do cumprimento da missão da Entidade, além de avaliar as ações dos gestores que estão à frente destas. Quanto às despesas e receitas, é de suma importância a orientação dada pela NBCT 10.16, para a adequada elaboração de Demonstração do Superávit ou Déficit. 4.2 Evidenciação e transparência na divulgação das demonstrações contábeis das organizações do terceiro setor. A importância da Evidenciação Contábil é inerente a própria contabilidade no sentido de demonstrar a situação patrimonial das entidades. Essa demonstração só é válida se refletir de forma transparente os dados reais das entidades, pressuposto ainda mais relevante no caso das entidades sem fins lucrativos. (SILVEIRA; BORBA, 2007). A evidenciação das informações contábeis deve atender as necessidades humanas, conforme explicam Hendriksen e Breda (1999, p.524): “devido às limitações de atenção e da capacidade de compreensão dos seres humanos, os dados contábeis precisam ser resumidos para terem significados e serem úteis”. Sendo assim, a contabilidade utilizar relatórios, demonstrações e outras formas de evidenciação para atender de forma compreensiva as necessidades informativas do homem em sociedade. Bushman et al. (2004) enfatiza a necessidade das informações sobre os aspectos principais das entidades estarem acessíveis aos interessados, para assim ser caracterizada a transparência. Dessa maneira, a transparência seria proporcional ao nível de disponibilidade e oferecimento de informações, considerando-se a capacidade da organização em identificar, mensurar e comunicar as informações às partes interessadas. Entretanto, divulgar qualquer tipo de informação não elimina o problema da falta de transparência, já que a informação disseminada deve possuir qualidade e utilidade aos seus usuários. A palavra divulgação, em seu sentido lato, significa veiculação da informação. A divulgação de informações, sob a perspectiva contábil, está, geralmente, relacionada aos aspectos financeiros da organização e oferece elementos para o processo de análise e tomada de decisão dos stakeholders relacionados (HENDRIKSEN; BREDA, 1999). Portanto, apesar dos fins dessas entidades não serem lucrativos, há uma movimentação de recursos cada vez mais relevante, que deve ser acompanhada pelas autoridades 10 VIII Convibra Administração – Congresso Virtual Brasileiro de Administração – www.convibra.com.br competentes através da análise de seus patrimônios. Neste sentido, a evidenciação contábil dessas entidades, com efetiva demonstração da evolução patrimonial, constitui-se em retrato dos reflexos financeiros dos trabalhos desenvolvidos pelos gestores no sentido de alcançar o objetivo social, que é a finalidade dessas entidades, bem como pode auxiliar no processo de prestação de contas dessas entidades para com os seus financiadores. 5. METODOLOGIA Essa seção apresenta o procedimento metodológico usado para a realização desde artigo, tais como: método, tipologias do estudo, procedimento de coleta de dados primários. O método de estudo utilizado foi o indutivo formal, pois, através dele se conduz a resultados prováveis. Na classificação proposta por Beuren et al (2008) este estudo é classificado quanto: a) Aos objetivos: uma pesquisa exploratória, descritiva, visando demonstrar se as fundações privadas de educação associadas ao GIPE elaboram e demonstram todas as demonstrações contábeis sugeridas pelas normas de contabilidade voltadas para o terceiro setor no Brasil. b) Aos procedimentos: uma pesquisa documental, pois, o estudo utilizou como fonte de dados primários, as demonstrações contábeis de 12(doze) associadas do grupo GIFE. c) A abordagem: um estudo quantitativo. É quantitativa por procurar identificar quais e quantas são as informações previstas pelas normas de contabilidade voltas para o terceiro setor, que são elaboradas pelas fundações privadas ligadas ao grupo GIFE. Para realização da coleta de dados primários foi acessado o sitio do GIFE. Neste endereço eletrônico foram selecionadas 30 (trinta) fundações privadas que atuam na área de educação. Através dos sítios institucionais dessas organizações foram obtidos os seguintes dados: e-mails, telefones de contato das mesmas, com o objetivo de solicitar aos representantes legais das fundações os demonstrativos contábeis de cada uma para o exercício de 2009. Após a obtenção dos dados das fundações associadas à GIFE, foram enviados e-mails aos representantes legais mediante uma carta de pedido de cooperação acadêmica, a qual solicitava as demonstrações contábeis necessárias para realização desta pesquisa. Foram realizados cinco envios do mesmo e-mail solicitando as demonstrações contábeis para o exercício de 2009. Porém, a maior parte das demonstrações foi obtida nos sítios das próprias fundações. Algumas fundações nem se quer responderam ao pedido de solicitação de cooperação acadêmica das pesquisadoras, outros deram retornos do tipo “a organização já esta participando e contribuindo com outra pesquisa’, conforme apresentado no quadro 4. FUNDAÇÃO JUSTIFICATIVA Fundação Tide Setubal Infelizmente, não poderemos atender sua solicitação. Costumamos atender um pedido de cooperação acadêmica por semestre e já estamos envolvidos no momento com um da Universidade Cruzeiro do Sul. Esperamos ajudá-la em outra oportunidade. Abraços e boa sorte. Obrigado pelo contato e interesse em desenvolver seu trabalho de conclusão de curso com a Fundação Volkswagen. Todas as nossas ações e projetos são voltados para a melhoria da educação pública e da qualidade de vida das pessoas. Entendendo que a Educação promove avanços sociais, contribuímos sempre com informações acerca da Fundação Volkswagen para trabalhos acadêmicos. Porém, sua solicitação não poderá ser atendida pelo teor de confidencialidade dos dados, mesmo que você esteja comprometida em não divulgar. Dados de confidencialidade são tratados com Termos Jurídicos específicos e levam tempo para análise a assinatura. Sendo assim, desejamos sucesso no desenvolvimento e apresentação de seu trabalho, tornando-se posteriormente uma pessoa preocupada e engajada com as questões sociais. É isso que queremos pessoas cada vez mais conscientes e atuantes. Em caso de dúvida, continuamos à disposição. Fundação Volkswagen 11 VIII Convibra Administração – Congresso Virtual Brasileiro de Administração – www.convibra.com.br Fundação Lemann Fundação Nestlé Fundação Vale Fundação Santillana Fundação Educar DPaschoal Obrigada pelo seu contato. Infelizmente não poderemos enviar os dados solicitados. Estamos à disposição para ajudar em assuntos relacionados com nossa área de atuação, que é a melhoria da educação pública brasileira. Agradecemos a compreensão. Agradecemos o interesse por nossa empresa para elaborar seu trabalho. Esclarecemos, porém, que a Nestlé Brasil Ltda., por ser uma companhia de capital fechado, não publica seu balanço. De todo modo, saiba que reconhecemos a importância do atendimento a estudantes. Assim, as informações disponíveis para ajudar em pesquisas acadêmicas podem ser obtidas em nosso site www.nestle.com.br. Sugerimos também acessar os links História e Criação de Valor Compartilhado, pois eles apresentam diversas informações que poderão ser úteis. Para obter Cifras e Números da Nestlé no Brasil e no Mundo, clique em A Nestlé. Em seguida, em A Empresa/Nestlé no Mundo/Nestlé no Brasil. Todas as imagens, publicações e informações da Vale, disponíveis ao público, podem ser obtidas no site da empresa. Os Relatórios de Sustentabilidade são excelentes fontes de consulta. Acesse a seção "Investidores" - na parte superior do site. Busque ao lado esquerdo da página o link "Relatórios Anuais e de Sustentabilidade". Por esse caminho você pode ler o último Relatório publicado na internet e outros de anos anteriores. Outro caminho, é através do link "Sustentabilidade" - na parte superior do site. Clique no link "Relatório de Sustentabilidade". Obrigado pelo seu contato. Infelizmente não posso te ajudar agora. Estamos em um momento de transição na Fundação e no momento a função de executivo principal no país está vaga.Até a nomeação da pessoa que vai ocupar o cargo, não temos autonomia para abrir dados da Fundação. A DPaschoal agradece o seu interesse em elaborar um trabalho sobre nossas atividades, porém, devido à alta demanda de solicitações de projetos de conclusão de curso para este período, a nossa estrutura não poderá atender em tempo hábil a sua solicitação. No entanto, a empresa apóia e sempre apoiará qualquer iniciativa no meio acadêmico. Quadro 3 – Justificativa dadas pelos representantes das fundações para não contribuírem com a pesquisa Fonte: Elaboração própria das autoras com base nos e-mail recebido sobre o pedido de cooperação acadêmica (2011). Com base nos objetivos do estudo e nas Normas Brasileira de Contabilidade voltada para as fundações foi elaborado um instrumento de coleta de dados documental, a fim de obter a padronização dos dados coletados. A coleta de dados documental teve como base conseguir informações da estrutura básica das demonstrações contábeis: Balanço Patrimonial, Demonstração das Mutações do Patrimônio Social, Demonstração das Origens e Aplicações de recursos, Demonstração de Superávit ou Déficit, Notas Explicativas, Demonstração do Fluxo de Caixa, Demonstração do Valor Adicionado, Demonstrativo de Fonte de Recursos e informações que as fundações precisam encaminhar para o sistema da SICAP. Após a coleta documental foram elaboradas as tabelas de gráficos, a fim de apresentar o resultado da pesquisa. 6. RESULTADOS DO ESTUDO Buscou-se ao longo da pesquisa verificar quais são os principais demonstrativos elaborados e evidenciados pelas fundações privadas pesquisadas. Neste sentido, os achados da pesquisa evidenciaram os seguintes demonstrativos: Balanço Patrimonial e Demonstração de Superávit ou Déficit elaborado por 75% das instituições pesquisadas. Em segundo lugar do ranking aparece a Demonstração das Mutações do Patrimônio Social evidenciada por 66,7%, em terceiro lugar aparece a Demonstração do Fluxo de Caixa demonstrada por 58,3%, e em quarto lugar aparecem as Notas Explicativas que foram apresentadas por 41,7% das fundações estudadas. (Vide Tabela 1). 12 VIII Convibra Administração – Congresso Virtual Brasileiro de Administração – www.convibra.com.br Tabela 1 – Demonstração contábeis elaboradas pelas fundações privadas de educação Itens analisados Frequência % Balanço Patrimonial 9 75,0 Demonstração do Superávit ou Déficit 9 75,0 Demonstração das Mutações do Patrimônio Social 8 66,7 Demonstração do Fluxo de Caixa 7 58,3 Apresentação das Notas Explicativas 5 41,7 Demonstração de Valor Adicionado 1 8,3 Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos 0 0,0 Demonstrativo de Fonte de Recursos 0 0,0 Fonte: Elaboração própria das autoras com base na pesquisa documental (2011). Ranking 1º 1º 2º 3º 4º 5º 6º 6º Os dados da tabela 1 evidenciam que nenhuma das fundações estudadas apresentou: a) a Demonstração de Origem e Aplicação de Recurso (DOAR); e o demonstrativo de Fonte de Recurso, o qual é solicitando das fundações para compor as informações do SICAP para o processo de prestação de contas. O fato de nenhuma fundação privada ter evidenciado a sua DOAR, talvez de deva ao fato deste demonstrativo ter deixado ser obrigatório, em razão da entrada em vigor da Lei nº 11.638/2007, e em seu lugar deve-se elaborar a Demonstração do Fluxo, para empresas que tenham patrimônio líquido igual a dois milhões. A demonstração de Fluxo de Caixa foi elaborada e divulgada de forma voluntária pelas fundações privadas. Este instrumento informativo foi divulgado por sete (7) das doze ( 12) instituições estudadas, ou seja, por 60% das empresas estudadas (Vide gráfico 1). Todas as instituições que elaboração a demonstração de fluxo de caixa fizeram pelo método indireto, dando destaque ao caixa gerado pelas atividades operacionais, financeiras e de investimentos. Método Direto 5 7 Método Indireto Não apresentou o demonstrativo 0% 20% 40% 60% 80% 100% Gráfico 1 - Elaboração da Demonstração de Fluxo de Caixa pelas fundações estudadas. Fonte: Elaboração própria das autoras com base na pesquisa documental (2011). As normas brasileiras de contabilidade estabelecem algumas informações que devem ser apresentadas no Balanço Patrimonial. No decorrer deste estudo constatou-se que através do balanço patrimonial: a) apenas 1/3 das fundações privadas evidenciavam os critérios de elaboração da Provisão para Créditos de Liquidação Duvidosa; b) 100% das fundações não apresentaram os recursos de convênios; c) as fundações evitaram apresentar contas do ativo e passivo com títulos genéricos, já que o resultado da pesquisa verificou-se que 75% das fundações pesquisadas evitaram tal prática; d) 50% das fundações privadas estudadas 13 VIII Convibra Administração – Congresso Virtual Brasileiro de Administração – www.convibra.com.br registraram o Superávit ou Déficit do exercício em conta própria, as outras 50% não continham a informação nos seus balanços patrimoniais; e) 58,3% das fundações estudadas evidenciação informações sobre o Patrimônio Social Líquido. (Vide Tabela 2). Tabela 2 – Informações Evidenciadas no Balanço Patrimonial das Fundações Itens analisados Frequência Evita apresentar contas do ativo com títulos genéricos 9 Evita apresentar contas do passivo com títulos genéricos 9 Apresenta Patrimônio Social Líquido em conta própria do Balanço Patrimonial 7 Registra Superávit ou Déficit do Exercício em conta própria do Balanço Patrimonial 6 Critérios para elaboração de Provisão para Créditos de Liquidação Duvidosa 4 Recursos de Convênios em contas próprias de ativo e passivo 0 Fonte: Elaboração própria das autoras com base na pesquisa documental (2011). % 75,0 75,0 Ranking 1º 1º 58,3 2º 50,0 3º 33,3 0,00 4º 5º Ao analisar as Demonstrações da Mutação do Patrimônio Social das fundações estudadas e comparando com as recomendações dadas pelas Normas Brasileiras de Contabilidade voltadas para as fundações privadas, nota-se que 66,7% das fundações evidenciaram resultado final do período dentro da Demonstração da Mutação do Patrimônio Social, assim como o saldo inicial. (Vide Tabela 3) Tabela 3 – Informações Evidenciadas na Demonstração de Mutação do Patrimônio Social Itens analisados O “Saldo no início do Exercício” da DMPS que confira com o “Saldo do Final do Exercício” apresentado no ano anterior Frequência 8 % Ranking 66,7% 1º DMPS o Resultado Líquido do período 8 66,7% 1º DMPS o Saldo Final do período 8 66,7% 1º Fonte: Elaboração própria das autoras com base na pesquisa documental (2011). Ao se analisar a Demonstração de Superávit ou Déficit, com base nas orientações das Normas Brasileiras de Contabilidade voltada para as fundações, nota-se que: a) Dois terços (2/3) das fundações pesquisadas apresentaram os valores de superávit ou déficit equivalente ou diferente de receitas e despesas; b) 58,3% das fundações evitaram apresentar contas de receitas e despesas com títulos genéricos; e c) Apenas 25% contabilizou depreciação dos seus ativos. Além disso, somente duas das fundações evidenciaram que utilizam o Regime de Competência, respeitando desta forma as orientações dadas pelas normas brasileiras de contabilidade, bem como o Princípio da Competência. Outro fato que chamou a atenção é que apenas uma das fundações registrou despesas com encargos sociais. (Vide Tabela 4). 14 VIII Convibra Administração – Congresso Virtual Brasileiro de Administração – www.convibra.com.br Tabela 4 – Informações demonstradas na Demonstração de Superávit ou Déficit das fundações privadas. Itens analisados Frequência % Ranking Apresentou valor como superávit ou déficit que seja equivalente á diferença entre as receitas e despesas Evita apresentar contas de receitas com títulos genéricos 8 7 66,7 58,3 1º 2º A Fundação evidenciou na Demonstração de Superávit ou Déficit todas as fontes de recursos que são receitas Contabilização da depreciação de seu ativo imobilizado Evita apresentar contas de despesas com títulos genéricos Regime de Competência em sua Contabilidade Contabiliza a amortização do seu ativo diferido Registra despesas com encargos sociais Registra despesas de INSS referentes à prestação de serviços de terceiros 4 3 3 2 2 1 0 33,3 25,0 25,0 16,7 16,7 8,3 0,0 3º 4º 4º 5º 5º 6º 7º 0 0,0 7º No Demonstrativo de Fontes de Recursos todas as fontes apresentadas na ficha do SICAP Fonte: Elaboração própria das autoras com base na pesquisa documental (2011). Ao longo do estudo documental foi possível verificar, que mesmo não sendo obrigatória a elaboração e publicação da demonstração de valor adicionado pelas fundações privadas, 01 (uma) das organizações da amostra o fizeram e seguindo o modelo FIPECAFI, dentro do que prever a norma brasileira de contabilidade técnica 3.7. Portanto, essa fundação apresentou como foi gerada a sua riqueza durante o período, bem como, a mesma fez a distribuição deste recurso aos diversos agente, que contribuíram com a sua geração. 7. CONCLUSÃO Este trabalho apresentou um estudo no Terceiro Setor abordando o seu conceito, a sua composição e aplicação das normas brasileiras de contabilidade voltadas para as fundações privadas. Esta pesquisa foi elaborada com finalidade de verificar se as Fundações Privadas, voltadas especificamente para educação, associadas ao Grupo de Institutos Fundações e Associações (GIFE) estão seguindo as orientações das Normas Brasileiras de Contabilidade, e se de fato elaboram com transparência as demonstrações contábeis obrigatórias junto ao Ministério Público, órgão fiscalizador responsável pela regulamentação das atividades exercidas nestas fundações. Os achados da pesquisa revelaram que a maioria das fundações estudadas elaboração as seguintes demonstrações: Balanço Patrimonial e Demonstração de Superávit ou Déficit. Apenas uma das doze fundações pesquisadas apresentou a Demonstração do valor Adicionado; já as Demonstrações de Origem e Capital de recursos nem aparecem nos relatórios, assim como Demonstrativo de Fonte de Recursos,o qual é solicitando das fundações privadas no processo de prestação de contas via SICAP para o Ministério Público. Este estudo mostrou que a fundações estudadas elaboram as suas demonstrações obrigatórias conforme as orientações dadas pelas normas brasileiras de contabilidade; todavia, alguns itens merecem melhor evidenciação, tais como: as notas explicativas, as quais se melhor ser utilizada, poderiam garantir a clareza das informações evidenciadas. Pois, as fundações privadas necessitam de apoio da sociedade, empresas privadas e públicas para manutenção de suas atividades. 15 VIII Convibra Administração – Congresso Virtual Brasileiro de Administração – www.convibra.com.br REFERÊNCIAS BEUREN, Ilse Maria; RAUPP, Fabiano Maury; SOUSA, Marco Aurélio Batista de; COLAUTO, Romualdo Douglas; PORTON, Rosimere Alves de Bona. Como elaborar trabalhos monográficos em Contabilidade. 3 ed. São Paulo: Atlas, 2006. . BUSHMAN, Robert M., PIOTROSKI, Joseph D.; SMITH, Abbie J. What determines corporate transparency? Journal of Acconting Research, v. 42, n. 2, may, 2004. BRASIL. Código Civil. Lei n° 3.071 de 1° de janeiro de 1916. BRASIL. Código Civil. Lei n° 10406, de 10 de janeiro de 2002. CERVO, Amado Luiz, BERVIAN, Pedro Alcino. Metodologia científica: para uso dos estudantes universitários. São Paulo: McGraw – Hill do Brasil, 1978. COELHO, Simone de Castro Tavares. Terceiro Setor: um estudo comparativo entre o Brasil e os Estados Unidos. São Paulo: SENAC, 2000. CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE. NBCT 3 – Conceito, conteúdo, estrutura e nomenclatura das demonstrações contábeis. Aprovada pela Resolução CFC nº 686, de 14 de dezembro de 1990. Disponível em: < http://www.cfc.org.br/sisweb/sre/detalhes_sre.aspx?Codigo=1999/000686>. Acesso em 12 fev, 2011. EBSEN, Kamille Simas; LAFFIN, Marcos. Terceiro setor e contabilidade: compilações de uma pesquisa. Revista Contemporânea em Contabilidade, Florianópolis Jan/jun, n. 01, pp.11-28, 2004. FALCONER, Andrés Pablo. A promessa do terceiro setor: um estudo da construção do papel das organizações sem fins lucrativos e do seu campo de gestão. São Paulo: 1999. Dissertação (Mestrado em Administração) – Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo. FRASÃO, Stanley Martins; RIOS, Isabelle Jorge. As fundações e o novo código civil. Disponível em:< http://www.homerocosta.adv.br>. Acesso em 18 mar, 2011. HENDRIKSEN, Eldon S.; VAN BREDA, Michael F. Teoria da contabilidade. São Paulo: Atlas, 1999. LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Fundamento de metodologia cientifica. São Paulo: Atlas, 1998. LISBOA, A. de M. Terceiro setor. In: CATTANI, A.D. (Org). A outra economia. 1. ed. Porto Alegre: Veraz, 2003. MARTINS, Elizeu; IUDICIBUS, Sergio de; GELBCKE, Ernesto. R. Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações: aplicável também às demais sociedades. 4. ed. Revista e Atualizada. São Paulo: Atlas, 1995. 16 VIII Convibra Administração – Congresso Virtual Brasileiro de Administração – www.convibra.com.br MELO NETO, F. P. e FROES, C. Responsabilidade Social e Cidadania Empresarial. A Administração do Terceiro Setor. Rio de Janeiro: Qualitymark, 1999. NBCT 6 – Da divulgação das demonstrações contábeis. Aprovada pala Resolução CFC nº 737, de 27 de novembro de 1992. Disponível em: < http://www.cfc.org.br/sisweb/sre/detalhes_sre.aspx?Codigo=1992/000737>. Acesso em 12 de fevereiro de 2011. NBCT 10 – Aspectos contábeis específicos em entidades diversas . NBCT – 10.19 Entidades sem finalidade de lucros. Aprovada pala Resolução CFC nº 877, de 18 de abril de 2000. Disponível em: < http://www.cfc.org.br/sisweb/sre/detalhes_sre.aspx?Codigo=2000/000877>. Acesso em 12 de fevereiro de 2011. NBCT 10 – Aspectos contábeis específicos em entidades diversas. NBCT – 10.4 Fundações. Aprovada pala Resolução CFC nº 837, de 22 de fevereiro de 1999. Disponível em: < http://www.cfc.org.br/sisweb/sre/detalhes_sre.aspx?Codigo=1999/000837>. Acesso em 12 de fevereiro de 2011. OLAK, Paulo Arnaldo; NASCIMENTO, Diogo Toledo do. As entidades sem fins lucrativos (terceiro setor) e as normas brasileiras de contabilidade aplicada. In: XVI Congresso Brasileiro de Contabilidade, 2000, Goiânia - Goiás, 2000. PEYON, Luiz Francisco. Gestão Contábil para o terceiro setor. Rio de Janeiro: Freitas Bastos, 2004. SILVEIRA, Douglas da; BORBA, José Alonso. Demonstrações financeiras das fundações de apoio à Universidade Federal de Santa Catarina: Uma análise pré-liminar. Revista FACEF Pesquisa, v. 10, n. 2. Franca, 2º quadrimestre de 2007. Disponível em: < http://www.face.br/facefpesquisa/2007/nr2/v10_nr02_artigo01.pdf>. Acesso em 20 de fevereiro de 2011. VENOSA, Sílvio de Salvo. Novo Código Civil. São Paulo: Atlas, 2002. 17 VIII Convibra Administração – Congresso Virtual Brasileiro de Administração – www.convibra.com.br