XLV CONGRESSO DA SOBER "Conhecimentos para Agricultura do Futuro" CONHECIMENTO E COMPORTAMENTO DE COMPRA EM RELAÇÃO A ALIMENTOS TRANSGÊNICOS: UM ESTUDO EXPLORATÓRIO E COMPARATIVO COM CONSUMIDORES BRASILEIROS ROBERTO FAVA SCARE; RODRIGO ORATI; KARINA HARTUNG. FEA-RP / USP - PENSA, RIBEIRÃO PRETO, SP, BRASIL. [email protected] APRESENTAÇÃO ORAL ADMINISTRAÇÃO RURAL E GESTÃO DO AGRONEGÓCIO Conhecimento e Comportamento de Compra em Relação a Alimentos Transgênicos: Um Estudo Exploratório e Comparativo com Consumidores Brasileiros Grupo de Pesquisa: Administração Rural e Gestão do Agronegócio Resumo Este estudo exploratório objetivou contribuir com o entendimento sobre o impacto que a nova rotulagem e identificação de alimentos transgênicos proposta pela legislação brasileira terá no comportamento do consumidor. Visando medir o conhecimento e envolvimento com o tema e as intenções de compra dos consumidores, através de coleta de dados por questionário eletrônico via website, imagens diferentes de produtos passíveis de transgenia foram apresentadas aleatoriamente a cada um dos aproximadamente 1600 respondentes (transgênica e não transgênica). O conhecimento do brasileiro sobre biotecnologia foi medido e comparado com os resultados de um teste também aplicado nos EUA e na União Européia. Na comparação percebeu-se que o conhecimento dos brasileiros da amostra é superior ao dos cidadãos dos EUA e União Européia. Os resultados indicaram que as intenções de compra de consumidores expostos aos 1 Londrina, 22 a 25 de julho de 2007, Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural XLV CONGRESSO DA SOBER "Conhecimentos para Agricultura do Futuro" alimentos transgênicos são inferiores às intenções dos consumidores expostos aos alimentos não transgênicos. Palavras-chaves: Transgênicos, Envolvimento, Conhecimento, Intenções de Compra. Abstract This exploratory study aims to contribute with the knowledge about the impact of the new GMO´s labeling and special symbol identification proposed by the new Brazilian legislation will affect the behavior of the consumer. The study measure the knowledge and involvement of consumer with the GMOs topic and the buying intentions of consumers. This objective is reached through data collection by an electronic questionnaire at website. Different images of the same processed product (margarine) that could be make with transgenic inputs were randomly showed to each one of the almost 1600 respondents (transgenic and not transgenic). The Brazilians knowledge on biotechnology was measured and compared with the results of a test also applied in USA. and the European Union. The comparison results clearly shows that the knowledge of the Brazilians sample is superior to the citizens of U.S.A. and European Union. The results indicated that the intentions of buying of consumers exposed to GMOs are inferior to the intentions of the consumers exposed to not GMOs. Key-words: GMOs, Involvement, Knowledge, Buying Intentions. 1. INTRODUÇÃO Tão polêmico quanto às demais áreas da biotecnologia, a engenharia genética com foco nos organismos geneticamente modificados têm estado em grande evidência atualmente no Brasil. Debates acalorados são realizados em diferentes fóruns analisando potenciais benefícios e possíveis riscos associados ao cultivo e consumo desses produtos; discussões essas que muitas vezes também são balizadas por questões éticas e religiosas. Nos últimos anos, os avanços do agronegócio no Brasil permitiram ao país a consolidação como um grande fornecedor global de alimentos. A região do cerrado passou a ser explorada principalmente em decorrência dos avanços genéticos proporcionados pelas pesquisas da Embrapa. O país é hoje o maior exportador de produtos como soja, açúcar, carnes, frango, café e suco de laranja (ORDONEZ et al. 2004). Em março de 2005, após a aprovação da nova lei de biossegurança nacional, o cultivo e a comercialização de algumas variedades de soja foram autorizados. Dessa forma, com a liberação da produção de soja transgênica no país, estão chegando ao mercado consumidor os primeiros produtos que foram processados a partir desses grãos. A questão da legislação sobre a rotulagem foi iniciada em março de 2003, através de um decreto que definiu as normas de identificação e rotulagem dos alimentos transgênicos e foi finalizada em março de 2004, quando através de consulta pública, definiu-se pela identificação mostrada na figura abaixo. Figura 1: Símbolo obrigatório de identificação de alimentos transgênicos 2 Londrina, 22 a 25 de julho de 2007, Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural XLV CONGRESSO DA SOBER "Conhecimentos para Agricultura do Futuro" Fonte: Ministério da Justiça (2003) A responsabilidade pela fiscalização e cumprimento da legislação existente sobre o assunto é de responsabilidade de diversos órgãos governamentais. Contudo, esta tarefa ainda não tem sido efetiva e com isso, a rotulagem ainda é inexistente nos alimentos brasileiros. Espera-se que, frente à pressão da sociedade, de grupos de defesa de consumidores e do meio ambiente, em breve o governo cumpra o seu papel, fiscalize e faça valer as leis sobre a rotulagem. É diante deste iminente cenário que se pretende avaliar o comportamento dos consumidores frente aos alimentos transgênicos rotulados, através de uma abordagem conceitual de seu grau de conhecimento, interesse (envolvimento) e intenções de compra. Baseado na literatura sobre atitudes, estes três fatores citados são um dos componentes da formação das atitudes e consequentemente do comportamento. 1. OBJETIVOS Este trabalho tem o objetivo principal contribuir com o entendimento sobre o impacto que a nova rotulagem de alimentos transgênicos proposta pela legislação brasileira terá no comportamento do consumidor. Assim, pode-se destacar como objetivos específicos: a) Identificar elementos que possam contribuir para a formação das intenções de compra (atitudes) dos consumidores em relação aos alimentos transgênicos; b) Verificar o grau de conhecimento e envolvimento (interesse) dos brasileiros participantes da amostra frente ao tema; c) Verificar a influência da rotulagem de transgênicos nas intenções de compra dos consumidores; 2. Revisão Bibliográfica 2.1. Alimentos transgênicos As técnicas da engenharia genética, utilizadas para a produção dos alimentos transgênicos, são oriundas da moderna biotecnologia. A Convenção para Diversidade Biológica1 (CONVENTION ON BIOLOGICAL DIVERSITY, 2005) define biotecnologia como “qualquer aplicação tecnológica que faz uso de sistemas biológicos, organismos vivos, ou derivados deles, para criar ou modificar produtos para uso específico”. 1 Convention on Biological Diversity (CBD). Para mais informações, consulte o website www.biodiv.org. 3 Londrina, 22 a 25 de julho de 2007, Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural XLV CONGRESSO DA SOBER "Conhecimentos para Agricultura do Futuro" O Protocolo de Biossegurança de Cartagena2 (CARTAGENA PROTOCOL ON BIOSAFETY, 2000, p.4) define a biotecnologia moderna mais precisamente como a aplicação de: (a) técnicas in vitro de ácidos nucléicos, incluindo DNA recombinante e injeção direta de ácido nucléico em células ou organelas, ou (b) fusão de células de família taxonômica diferente, que resulta em reprodução psicologicamente natural ou recombinação de barreiras e que não são técnicas usadas em geração e seleção tradicionais. Sobre os organismos geneticamente modificados, a Organização Mundial da Saúde (2005) declara: Os organismos geneticamente modificados podem ser definidos como organismos cujo material genético (DNA) foi alterado de modo artificial. A tecnologia geralmente é denominada “biotecnologia moderna” ou tecnologia genética, ou também, tecnologia de DNA recombinante, ou ainda, engenharia genética. Nesta técnica transferem-se genes selecionados individualmente de um organismo a outro, também entre espécies não relacionadas. Tais métodos são utilizados para se criar plantas geneticamente modificadas, que são então usadas para cultivar alimentos geneticamente modificados. 3 2.2. Atitudes e intenções O estudo de atitudes é de extrema relevância para se compreender melhor os aspectos pertinentes ao comportamento do consumidor. A análise de atitudes constitui um objetivo importantíssimo para entender muitos dos aspectos relacionados ao comportamento de compra do consumidor (KARSAKLIAN, 2000). Constata-se a importância de se estudar atitudes sob uma abordagem mercadológica para se compreender melhor as ações ou intenções dos consumidores em relação aos objetos que eles se relacionam. Diante da possibilidade de identificação e avaliação das atitudes, o comportamento dos indivíduos pode ser influenciado ou até modificado. 2.3. Conceitos e definições Fishbein e Azjen (1975) definem atitude apresentando os conceitos de afeto, cognição e conação e relacionando-os com atitude. O afeto refere-se aos sentimentos de um indivíduo a respeito de um objeto; a cognição refere-se ao conhecimento, crença, opinião ou pensamento a respeito do objeto e a conação refere-se às intenções de comportamento e suas ações a respeito do objeto. Os autores (p. 216, tradução) conceituam4 atitude como: Um sentimento geral favorável ou não favorável para com um objeto de estímulo. Quando uma pessoa forma uma crença sobre o objeto, ela automaticamente e simultaneamente adquire uma atitude para 2 Cartagena Protocol on Biosafety (CPB). O texto completo do protocolo e outras informações podem ser encontrados no website www.biodiv.org/biosafety. 3 Organização Mundial da Saúde (World Health Organization). Website: www.who.int/en. 4 Os autores fazem referência ao trabalho de Thrurstone, 1931. 4 Londrina, 22 a 25 de julho de 2007, Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural XLV CONGRESSO DA SOBER "Conhecimentos para Agricultura do Futuro" com o objeto. Toda crença liga o objeto a algum atributo, e a atitude para com o objeto é uma função de suas avaliações desses atributos. Complementando este conceito e em concordância com o conceito apresentado por Fishnein e Azjen (1975), Sheth, Mittal e Newman (2001, p. 367) afirmam que as “atitudes formam-se com base em alguma experiência com um objeto ou uma informação sobre ele, [...] residem na mente e precedem e produzem o comportamento”, e ainda discorrem que as atitudes são “simplesmente uma avaliação geral” realizada pelo consumidor. 2.4. Modelo de três componentes da atitude O modelo de três componentes apresenta a atitude como um elemento formado por três dimensões principais: a cognitiva, a afetiva e a conativa. O componente cognitivo refere-se ao conhecimento e percepções do indivíduo originado da experiência direta com o objeto da atitude e informações correlatas de várias fontes, formando as crenças em relação aos objetos. As emoções e sentimentos formam o componente afetivo da atitude, e são tratados como avaliativos, captando a avaliação direta e global em relação ao objeto de atitude. Já o componente conativo diz respeito à probabilidade ou tendência de um indivíduo em realizar uma ação ou comportar-se de uma maneira peculiar em relação a um objeto de atitude (SHIFFMAN e KANUK, 2000). A figura abaixo ilustra o modelo dos três componentes: Figura 5: Representação do Modelo dos Três Componentes Fonte: Elaborado pelo autor, com base em Sheth, Mittal e Newman (2001). Para se explicar o efeito de cada um dos três componentes na formação da atitude, e como se relacionam entre si, utiliza-se a hierarquia das atitudes; que segundo Sheth, Mittal e Newman, (2001, p. 370) é a “seqüência em que os três componentes ocorrem”. Os três principais modelos de hierarquias são os de hierarquia de aprendizado, hierarquia emocional e hierarquia de baixo envolvimento. A hierarquia de aprendizado é também conhecida como hierarquia de alto envolvimento, pois se pressupõe o alto envolvimento do indivíduo em relação ao objeto, motivando-o a buscar maior número de informações e considerar um maior número de alternativas até agir em relação ao objeto (SOLOMON, 2002). 5 Londrina, 22 a 25 de julho de 2007, Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural XLV CONGRESSO DA SOBER "Conhecimentos para Agricultura do Futuro" Quando se tem uma atitude em relação a um objeto, esta será baseada em algum conhecimento ou crença em relação ao objeto. Esta crença despertará sentimentos e emoções a respeito do objeto, como uma emoção positiva ou negativa, e então, tem-se a intenção de se agir de determinada maneira em relação ao objeto (vide figura 6). (SHETH, MITTAL e NEWMAN, 2001) Figura 6: Hierarquia de aprendizado na atitude. Fonte: SHETH, MITAL E NEWMAN (2001). Para Sheth, Mittal e Newman (2001, p. 368): Crenças são expectativas quanto ao que alguma coisa é ou não é, ou quanto que determinado objeto fará ou não fará. As declarações de crença ligam um objeto (pessoa, marca, loja etc.) a um atributo ou benefício. Logo, uma crença sobre determinado objeto implicará em um pensamento sobre as características, propriedades ou qualidades do objeto. Existem três tipos de crenças, que podem ser definidas como descritivas, avaliativas e normativas. Crenças descritivas são as que ligam um objeto a uma qualidade ou estado. Crenças avaliativas ligam um objeto a percepções e preferências pessoais. Crenças normativas estão relacionadas aos julgamentos éticos e morais para com o objeto (SHETH, MITTAL e NEWMAN, 2001). O modelo da hierarquia de aprendizado é o mais discutido e utilizado, sendo que se supõe que a maior parte das atitudes seja construída nessa seqüência (SHETH, MITAL E NEWMAN, 2001; SOLOMON, 2002). A hierarquia emocional, também conhecida como hierarquia experimental ou por impulso (SOLOMON, 2002), aborda que o indivíduo irá expressar sua atitude com base em uma forte resposta afetiva e suas reações emocionais. Neste tipo de situação a pessoa primeiramente expressará sentimentos em relação ao objeto, e após isso agirá e finalmente pensará sobre seus atos (vide figura 7). Figura 7: Hierarquia emocional na atitude. Fonte: SHETH, MITAL E NEWMAN (2001) O modelo da hierarquia de baixo envolvimento é definido como “a seqüência em que os três componentes ocorrem na tomada de atitude da pessoa em relação a objetos de pouco interesse em sua vida” (SHETH, MITAL e NEWMAN, 2001, p. 371). Os autores ainda 6 Londrina, 22 a 25 de julho de 2007, Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural XLV CONGRESSO DA SOBER "Conhecimentos para Agricultura do Futuro" discorrem que o envolvimento não está necessariamente ligado ao objeto em si, mas à sua visão e importância relativa para o indivíduo. A figura 8 apresenta o modelo de hierarquia de baixo envolvimento. Figura 8: Hierarquia de baixo envolvimento na atitude. Fonte: SHETH, MITAL E NEWMAN, (2001). Os três componentes que formam a atitude, apesar de se desenvolverem segundo uma hierarquia, apresentam uma consistência entre si. Essa consistência entre os três componentes os tornam mutuamente interdependentes e influenciados. Uma atitude poderá ser formada ou até mudada, segundo o modelo, alterando-se um dos três componentes. 2.5. ATITUDES E INTENÇÕES EM RELAÇÃO A ALIMENTOS TRANSGÊNICOS Após a realização de ampla pesquisa bibliográfica, o autor do presente trabalho encontrou uma quantidade relativamente baixa de trabalhos e artigos publicados que tratam especificamente sobre atitudes relacionadas a alimentos transgênicos. Este fato pode ser explicado pelo alto grau de atualidade do assunto no Brasil e no mundo. Contudo, encontraram-se vários trabalhos sobre o assunto na forma de pesquisas de opinião pública, com resultados interessantes, embora com pouca fundamentação teórica e de conceitos. Um dos pontos-chave de muitos estudos sobre atitudes de consumidores frente a alimentos transgênicos é a relação dos riscos e benefícios percebidos. Sob esta abordagem, Moon e Balasubramanian (2001) realizaram pesquisa survey sobre a opinião dos cidadãos dos EUA e do Reino Unido. O estudo examina as percepções públicas e a disposição a pagar um preço prêmio. Os autores concluíram que os consumidores do Reino Unido são significativamente mais dispostos a pagar um prêmio para evitar alimentos transgênicos do que os norte-americanos. Também estabelece que a percepção de risco exerce um impacto maior na disposição de pagar do que a percepção de benefícios. Apesar dos argumentos em defesa dos transgênicos, a resistência dos consumidores em geral ainda é alta. Por isso, na tentativa de descobrir meios que contrabalançassem estas atitudes negativas, Renton e Fortin (2002) realizaram um estudo onde testam os efeitos em consumidores de benefício adicional (maior prazo de validade) em pão e leite geneticamente modificados. Contrariamente às expectativas iniciais dos autores, o benefício não foi suficiente para neutralizar as atitudes negativas. Partindo do pressuposto de que as atitudes dos consumidores brasileiros em relação aos alimentos transgênicos são em geral negativas, Matos (2004) realizou dois experimentos visando descobrir se essas atitudes poderiam ser atenuadas diante de benefícios adicionais. Para isso manipulou os fatores modificação (presente x ausente) e benefícios adicionais do produto (nenhum, saúde, preço inferior e maior validade) no produto leite. Como resultado verificou-se que: 7 Londrina, 22 a 25 de julho de 2007, Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural XLV CONGRESSO DA SOBER "Conhecimentos para Agricultura do Futuro" - a presença de modificação genética no produto gerou avaliações desfavoráveis da imagem e das intenções em relação ao mesmo; - os benefícios adicionais testados não alteraram a percepção negativa, atuando, no caso do benefício de preço inferior, no sentido contrário; - consumidores mais envolvidos com OGMs apresentam imagem e intenções comportamentais mais favoráveis; - as variáveis demográficas como sexo, idade e escolaridade influenciam nas atitudes dos consumidores. Algumas pesquisas de representatividade analisaram as atitudes, a confiança e o grau de conhecimento dos consumidores frente aos transgênicos. Neste sentido, Gaskel et al. (2003) e Hallman et al. (2004) realizaram estudos para avaliar o conhecimento, opinião e interesse respectivamente, dos europeus e norte-americanos frente a alimentos transgênicos. Gaskell et al. (2003) conduziram diversas pesquisas sobre a opinião dos europeus sobre biotecnologia (1991, 1993, 1996, 1999 e 2002). Os resultados da edição de 2002 mostram que a maioria dos europeus considera os alimentos transgênicos sem utilidade e arriscados para a sociedade. No período 1996-1999 houve diminuição do apoio e aumento da rejeição aos alimentos e cultivos transgênicos. Contudo, no período 1999-2002 houve pouca modificação nas atitudes como um todo dos europeus sobre alimentos e cultivos transgênicos e há uma aparente estabilidade. Sobre a intenção de compra, quando aos respondentes eram apresentados benefícios (como menos resíduos de pesticidas, menos danos ao meio-ambiente, sabor melhorado, menos gordura, mais barato), a maioria dos respondentes se mostrou contra a compra ou consumo destes alimentos. De forma interessante, “preço mais baixo” se mostrou o benefício com o menor incentivo à compra de alimentos transgênicos. Das 14 dimensões avaliadas na pesquisa, “valores materiais”, “otimismo sobre biotecnologia”, “confiança em agentes envolvidos em biotecnologia” e “envolvimento com o assunto biotecnologia” se revelaram consistentemente associadas com o apoio às aplicações da biotecnologia, consideradas simultaneamente no modelo. Hallman et al. (2004) sugerem que a população norte-americana em geral tem pouco conhecimento sobre os alimentos transgênicos e as leis de segurança alimentar e rotulagem, embora conheça bem as agências responsáveis por fiscalizar e controlar os alimentos. Entre os norte-americanos que conhecem um pouco sobre o assunto, percebeu-se grande incerteza e dificuldade em ter uma opinião concreta e definida sobre o assunto. Em uma parte do estudo, os autores fizeram um “quiz" (teste) sobre conhecimento básico de biotecnologia similar ao aplicado por Gaskell et al. (2003). Como esperado pelos autores, os participantes que não obtiveram um número adequado de respostas corretas neste teste foram os que tiveram mais dificuldade em expressar uma opinião favorável/desfavorável aos alimentos transgênicos. Com o objetivo de avaliar a disposição dos consumidores em comprar alimentos transgênicos que não contenha qualquer benefício adicional, Hossain et al. (2002) realizaram um estudo com uso de modelo logístico envolvendo as dimensões de características sócioeconômicas e valores pessoais de cidadãos norte-americanos. Os resultados indicam que consumidores mais jovens, com conhecimento sobre biotecnologia, com grau de educação alto são geralmente mais dispostos a comprar alimentos transgênicos. Da mesma forma, indivíduos com confiança nos cientistas e no governo são mais dispostos a comprar alimentos GM. Por outro lado consumidores céticos sobre empresas de biotecnologia e com fortes crenças religiosas são menos prováveis a aceitar esses tipos de alimentos. 8 Londrina, 22 a 25 de julho de 2007, Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural XLV CONGRESSO DA SOBER "Conhecimentos para Agricultura do Futuro" Através de um levantamento teórico de alguns estudos, Curtis et al. (2004) afirma que aceitação de consumidores aos alimentos transgênicos em países em desenvolvimento, com exceção aos EUA, é maior que nos países em desenvolvimento e se origina da urgente necessidade em termos de disponibilidade e conteúdo nutricional dos alimentos. Também argumenta que os níveis mais baixos de riscos percebidos pelos consumidores de países em desenvolvimento podem ser devido à confiança nos governos, às percepções positivas da ciência e a influência positiva da mídia. Sob o enfoque do consumo de alimentos orgânicos e de consumidores que lêem os rótulos dos alimentos Onyango et al. (2004) obteve conclusões interessantes. Em seu estudo foi analisada a disposição de norte-americanos a consumir três tipos de carnes: carne de animais alimentados com ração transgênica, carne de animais geneticamente modificados para produzirem menos gordura e colesterol, carne de animais geneticamente modificados para prevenir intoxicação alimentar. Os resultados do trabalho indicaram que consumidores que compram alimentos orgânicos regularmente e também lêem os rótulos dos alimentos com freqüência possuem menos probabilidade de consumir alimentos transgênicos. 3. METODOLOGIA A primeira fase compõe-se de uma pesquisa exploratória visando o entendimento do problema a partir de fontes secundárias, principalmente bases bibliográficas, pesquisas e estudos efetuados sobre o assunto além de fontes estatísticas. Já a segunda fase do estudo foi elaborada a partir de um amplo levantamento de campo utilizando a abordagem descritiva quantitativa. A segunda fase do trabalho fez uso de métodos quantitativos, com algumas características do tipo de pesquisa descritiva, por meio do método de Survey. Este estudo tem como população-alvo os consumidores brasileiros de alimentos acessam a internet (meio utilizado para a coleta dos dados do questionário). Deve-se ressaltar que a forma de coleta dos dados via internet, considerada não-aleatória, é um importante limitante do estudo. Para convidar os respondentes à pesquisa, os autores enviaram convites para seus contatos pessoais, grupos de e-mails de alunos e professores de cursos de graduação, pósgraduação strictu sensu, pós-graduação lato sensu, e profissionais cadastrados no banco de contatos de Grupos de Estudos em Agronegócios. 4. ANÁLISE DOS RESULTADOS 4.1. ANÁLISE DA AMOSTRA Apesar de suas limitações, principalmente por ser uma forma de amostragem não aleatória, o instrumento de coleta eletrônica de dados via website se mostrou muito eficiente, pois permitiu o alcance de uma quantidade bem alta de respondentes – amostra de 1928 respondentes –, além da agilidade de não requer a necessidade de tabulação manual. Analisando o perfil sócio-demográfico dos respondentes, a maior categoria foi “21 a 30 anos” representando 47,5%. Também pode se concluir que 83,7% dos participantes tinham pelo menos 21 anos. A participação do sexo masculino foi ligeiramente superior com 56,6%, enquanto o sexo feminino foi representado por 43,4%. 9 Londrina, 22 a 25 de julho de 2007, Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural XLV CONGRESSO DA SOBER "Conhecimentos para Agricultura do Futuro" Em relação ao grau de educação, percebeu um elevado grau de instrução dos participantes, sendo que a categoria “universitário (3º grau) completo” foi a mais representativa com 41,6%. Se considerarmos os participantes que ao menos iniciaram ou já obtiveram o grau universitário (3º grau), obtém-se o valor de 94,2% do total. A renda familiar dos participantes da amostra também se mostrou relativamente elevada, com 30% dos participantes na categoria “R$ 2501 a R$ 5000”. Se considerarmos todos os participantes com pelo menos R$ 2501, atingisse o valor de 76,5% com renda familiar acima deste valor. Sobre a situação civil, 57,6% dos participantes são solteiros e 36,8% são casados. 4.2. ANÁLISE DO CONHECIMENTO E ENVOLVIMENTO COM ALIMENTOS TRANGÊNICOS E BIOTECNOLOGIA Com base na literatura, foram propostas algumas questões, em duas seções, para se avaliar o conhecimento dos brasileiros frente aos alimentos transgênicos. Como já constatado na literatura sobre atitudes e intenções apresentada anteriormente, o conhecimento e o grau de envolvimento (interesse) são importantes influenciadores do comportamento. Na primeira seção foram construídas questões para se medir o grau de percepção, interesse e conhecimento declarado (percebido). Na segunda seção, foi apresentado aos participantes um teste (quiz) com questões básicas para se medir o conhecimento real sobre alimentos transgênicos e biotecnologia. A amostra obtida mostrou que parte expressiva dos respondentes, equivalente a 93,1%, já sabiam previamente do que se tratava transgenia (modificação genética). Ao serem perguntados sobre quanto já ouviram, leram ou assistiram sobre alimentos transgênicos (geneticamente modificados), 35,8% assinalaram a categoria “suficiente”, seguida pela categoria “nem muito, nem pouco” com 24,7%. Apenas 21,1% afirmaram ter ouvido, lido ou assistido “pouco” ou “nada” sobre transgênicos. Os resultados da questão que tratou sobre a “freqüência com que os participantes têm discutido sobre alimentos transgênicos” é muito importante, pois pode ser usada como um instrumento de medida do envolvimento e interesse dos respondentes ao tema. Como identificado anteriormente na literatura sobre atitudes e intenções, o grau de envolvimento é um importante influenciador do comportamento. Neste quesito, as categorias com maior número de respostas foram “raramente” representando 37%,6%, seguida por 33,5% da categoria “às vezes”. Participantes que demonstraram alto envolvimento (interesse) pelo tema atingiram 17,7% (13,3% representados pela categoria “frequentemente” e 4,4% pela categoria “sempre”) A crença de que já existem alimentos contendo ingredientes transgênicos à venda nos supermercados foi assinalada pela grande maioria (91,3%) dos respondentes. Os participantes que “não sabem” representaram 7,5%, enquanto que 1,2% acreditam que não existem alimentos deste tipo à venda em supermercados. A maioria dos participantes acredita que já tenham comido alimentos que contenham ingredientes transgênicos (82,6%), enquanto que 3,6% declaram que não acreditam. Os que não souberam responder representaram 13,8%. O grau de auto-conhecimento declarado (percebido) pelos participantes foi razoável, totalizando 60,7% dos participantes classificados a partir da categoria “nem muito nem 10 Londrina, 22 a 25 de julho de 2007, Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural XLV CONGRESSO DA SOBER "Conhecimentos para Agricultura do Futuro" pouco” (27,8%), “suficiente” (28,3%) e “muito” (4,6%). Respondentes na categoria “pouco” e “nada” representaram, respectivamente, 36% e 3,3%. Os resultados da segunda seção (avaliação do conhecimento real - teste quiz) indicam que o conhecimento dos brasileiros da amostra coletada pode ser considerado de regular a bom. Das 10 questões apresentadas, em 7 delas mais de 60% dos respondentes assinalaram as respostas corretas (vide tabela 6). Tabela 29: Questões do teste (quiz) em porcentagem Resposta correta Resposta incorreta Não sabe ou não tem certeza 16 - Tomates comuns não contém genes, enquanto tomates transgênicos (geneticamente modificados) contém. 78,30% 5% 16,60% 17 - Ao comer uma fruta transgênica (geneticamente modificada) os genes da pessoa também podem ser modificados. 82,90% 1,80% 15,40% 18 - Os genes da mãe determinam o sexo de um bebê. 77,70% 10,90% 11,40% 19 - Animais transgênicos (geneticamente modificados) são sempre maiores que os animais normais. 73,70% 4,20% 22,10% 20 - Não é possível transferir genes de animais para plantas. 44,80% 16% 39,30% 61,10% 3,40% 35,50% 77,40% 8,90% 13,70% 59,40% 7,40% 33,10% 37,90% 28,10% 34,10% 72,40% 3,10% 24,60% Questões do teste (quiz ) 21 - Tomates transgênicos (geneticamente modificados) com genes de peixe provavelmente teriam sabor de peixe. 22 - A clonagem de seres vivos produz cópias geneticamente idênticas. 23 - Mais da metade dos genes humanos são idênticos aos genes dos macacos. 24 - Pesquisadores frequentemente modificam plantas para que elas não possam se reproduzir. 25 - Organismos maiores têm mais genes. Fonte: Elaborado pelo autor Na comparação internacional dos resultados deste teste (quiz) sobre biotecnologia, o Brasil se mostra numa situação melhor que os EUA e a União Européia. Esta situação pode ser evidenciada na tabela 7, a seguir. Das dez questões formuladas, o Brasil apresentou níveis de acerto superiores aos EUA e UE em 9 delas. Apesar deste resultado de destaque, os dados devem ser examinados com cautela, pois, como já antes informado, a amostra desta pesquisa realizada entre os brasileiros não possui características aleatórias e de representatividade nacional. Tabela 31: Comparativo da porcentagem de respostas corretas entre os participantes do Brasil, EUA e UE 11 Londrina, 22 a 25 de julho de 2007, Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural XLV CONGRESSO DA SOBER "Conhecimentos para Agricultura do Futuro" Porcentagem de respondentes com respostas corretas Brasil (2004) EUA (2004) UE (2002) n=1635 n=600 n=16500 16 - Tomates comuns não contém genes, enquanto tomates transgênicos (geneticamente modificados) contém. 78,3% 40,0% 36,0% 17 - Ao comer uma fruta transgênica (geneticamente modificada) os genes da pessoa também podem ser modificados. 82,9% 45,0% 49,0% 18 - Os genes da mãe determinam o sexo de um bebê. 77,7% 57,0% 53,0% 19 - Animais transgênicos (geneticamente modificados) são sempre maiores que os animais normais. 73,7% 36,0% 38,0% 20 - Não é possível transferir genes de animais para plantas. 44,8% 30,0% 26,0% 61,1% 42,0% *** 77,4% 54,0% 66,0% 59,4% 40,0% 52,0% 37,9% 44,0% *** 72,4% 38,0% *** 21 - Tomates transgênicos (geneticamente modificados) com genes de peixe provavelmente teriam sabor de peixe. 22 - A clonagem de seres vivos produz cópias geneticamente idênticas. 23 - Mais da metade dos genes humanos são idênticos aos genes dos macacos. 24 - Pesquisadores frequentemente modificam plantas para que elas não possam se reproduzir. 25 - Organismos maiores têm mais genes. * Hallman et al. (2004) ** Gaskell et al. (2003) *** Perguntas não pesquisadas Fonte: Elaborado pelo autor 4.3. RELAÇÃO ENTRE AS INTENÇÕES DE COMPRA DE ALIMENTOS TRANSGÊNICOS E ALIMENTOS NÃO TRANSGÊNICOS Para avaliar se a hipótese da modificação genética (transgenia) resultaria em uma intenção de compra desfavorável, compararam-se os grupos de produto transgênico com os grupos de produto não transgênico. Através da técnica de análise de variância univariada, percebe-se que a média da variável intenção de compra é significativamente diferente entre os grupos, considerando um nível de significância de 5%. Tabela 34: Análise univariada de variância (transgênico e não transgênico) Intenção global de compra Between Groups Within Groups Total Sum of Squares 65,592 17521,150 17586,743 df 1 1633 1634 Mean Square 65,592 10,729 F 6,113 Sig. ,014 Fonte: Elaborado pelo autor Através do gráfico a seguir, pode-se inferir que a intenção de compra dos consumidores expostos aos produtos não transgênicos é maior que dos consumidores expostos aos produtos transgênicos. Portanto, a presença da transgenia resulta em uma intenção de compra desfavorável. 12 Londrina, 22 a 25 de julho de 2007, Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural XLV CONGRESSO DA SOBER "Conhecimentos para Agricultura do Futuro" Gráfico 19: Média de intenção global de compra (transgênico e não transgênico) Fonte: Elaborado pelo autor 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS Este estudo exploratório objetivou contribuir com o entendimento sobre o impacto que a nova rotulagem e identificação de alimentos transgênicos proposta pela legislação brasileira terá no comportamento do consumidor. Vale ressaltar novamente que o cumprimento da legislação já deveria estar sendo feito. Contudo, receando suas implicações nas intenções de compra dos consumidores, as empresas de alimentos estão postergando a rotulagem dos alimentos. Portanto, os objetivos deste trabalho se enquadram no sentido de se tentar prever a reação dos consumidores diante deste cenário. Antes de apresentar as conclusões, é necessário salientar que este estudo é exploratório e indicatório (não conclusivo) e por isso seus resultados devem ser analisados com cautela, pois representam as intenções de compra apenas da amostra coletada (não probabilística), e não de toda a população brasileira. Na verificação do grau de conhecimento dos brasileiros representados pela amostra frente ao tema, pode-se dizer que em sua maioria apresentaram um grau de conhecimento médio a alto. Quando se comparam os resultados dos brasileiros com os resultados dos EUA e União Européia, usando o mesmo teste de conhecimento, o grau de conhecimento dos brasileiros sobre biotecnologia é expressivamente superior. A superioridade brasileira provavelmente é oriunda do alto grau de educação dos brasileiros que participaram da amostra. Entre os participantes brasileiros, 94,2% ao menos iniciaram ou já obtiveram o grau universitário (3º grau), enquanto que as amostras das pesquisas dos EUA e UE eram representativas de todas as faixas da população dos países. Buscando responder à hipótese de que os alimentos transgênicos possuem uma intenção de compra desfavorável em relação aos não transgênicos, compararam-se as intenções de compra de consumidores expostos a alimentos transgênicos com os 13 Londrina, 22 a 25 de julho de 2007, Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural XLV CONGRESSO DA SOBER "Conhecimentos para Agricultura do Futuro" consumidores expostos a alimentos não transgênicos. Os resultados confirmaram que a presença da transgenia causa uma intenção de compra desfavorável quando comparada aos produtos não transgênicos. Na busca de estudos sobre intenções (atitudes) frente a alimentos transgênicos no Brasil para embasamento teórico poucos estudos foram encontrados. Por isso, apesar dos resultados indicativos aqui encontrados, ainda há a necessidade de pesquisas adicionais para se avaliar realmente a influência dos produtos transgênicos nas intenções de compra dos consumidores brasileiros. Nesta tarefa, novas pesquisas sobre o tema poderiam abordar a “disposição para pagar” (willingness to pay), impacto da rotulagem em diferentes produtos transgênicos (industrializados, não industrializados, etc.), benefícios nutricionais proporcionados por novos alimentos transgênicos ainda em desenvolvimento, efeito de certificações independentes (terceiros) que atestem a segurança dos alimentos, entre outros. 6. REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS CARTAGENA PROTOCOL ON BIOSAFETY. Convention on Biological Diversity, Montreal, Canadá, 29 de janeiro, 2000. CONVENTION ON BIOLOGICAL DIVERSITY. Disponível na Internet: <www.biodiv.org>. Acesso em 05 de setembro de 2006. CURTIS, K. R., MCCLUSKEY, J. J., WAHL, T. I. Consumer Acceptance of Genetically Modified Food Products in the Developing World. AgBioForum, 7, p. 70-75. 2004 DONEGÁ, R. A. Atitudes em relação a sites de leilão on-line: um estudo exploratório com internautas brasileiros. Dissertação de Mestrado, São Paulo, 2004. 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Acesso em 05 de setembro de 2006. 15 Londrina, 22 a 25 de julho de 2007, Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural XLV CONGRESSO DA SOBER "Conhecimentos para Agricultura do Futuro" APÊNDICE I - QUESTIONÁRIO Parte 1 - Intenções de compra Olhe atentamente a este produto: Exibição aleatória da imagem da margarina para cada respondente (Doriana comum, Doriana transgênica, Vigor comum, Vigor transgênica) 5 - De acordo com o que foi apresentado, o produto é: 1 - transgênico (geneticamente modificado) 2 - não transgênico (não geneticamente modificado) 6 - De acordo com o que foi apresentado, a marca do produto é: 1 - marca Doriana 2 - marca Vigor 7 - Considero o produto acima uma das opções de minha compra. 1 - discordo totalmente 2 - discordo 3 - não discordo nem concordo 4 - concordo 5 - concordo totalmente 8 - Compraria o produto acima. 1 - discordo totalmente 2 - discordo 3 - não discordo nem concordo 4 - concordo 5 - concordo totalmente 9 - Recomendaria o produto acima a minha família e amigos. 1 - discordo totalmente 2 - discordo 3 - não discordo nem concordo 4 - concordo 5 - concordo totalmente Parte 2 – Conhecimento e interesse sobre transgênicos e biotecnologia O restante da pesquisa tratará sobre modificação genética ou transgenia, que pode ser usada para a produção de alimentos. Modificação genética ou transgenia envolve métodos que possibilitam aos cientistas criar novas variedades de plantas e animais. Eles fazem isso retirando genes de uma planta ou animal e inserindo-os em células de outra planta ou animal. Esse processo também costuma ser chamado de engenharia genética ou biotecnologia. 10 - Antes desta pesquisa, você já sabia do que se tratava transgenia (modificação genética)? 1 - sim 2 - não 11 - Quanto você ouviu, leu ou assistiu sobre alimentos transgênicos (geneticamente modificados)? 1 - nada 2 - pouco 3 - nem muito nem pouco 4 - suficiente 5 - muito 12 - Com que freqüência você tem discutido sobre alimentos transgênicos (geneticamente modificados) com alguém? 1 - nunca 2 - raramente 3 - às vezes 4 - frequentemente 5 - sempre 13 - Você acredita que já existam alimentos contendo ingredientes transgênicos (geneticamente modificados) à venda nos supermercados? 1 - Verdadeiro 2 - Falso 3 - Não sei 14 - Você acredita que já tenha comido alimentos contendo ingredientes transgênicos (geneticamente modificados)? 1 - Verdadeiro 2 - Falso 3 - Não sei 15 - Quanto você acredita saber sobre alimentos transgênicos (geneticamente modificados)? 1 - nada 2 - pouco 3 - nem muito nem pouco 4 - suficiente 5 - muito 16 - Tomates comuns não contêm genes, enquanto tomates transgênicos (geneticamente modificados) contém. 1 - Verdadeiro 2 - Falso 3 - Não sei 17 - Ao comer uma fruta transgênica (geneticamente modificada) os genes da pessoa também podem ser modificados. 1 - Verdadeiro 2 - Falso 3 - Não sei 18 - Os genes da mãe determinam o sexo de um bebê. 16 Londrina, 22 a 25 de julho de 2007, Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural XLV CONGRESSO DA SOBER "Conhecimentos para Agricultura do Futuro" 1 - Verdadeiro 2 - Falso 3 - Não sei 19 - Animais transgênicos (geneticamente modificados) são sempre maiores que os animais normais. 1 - Verdadeiro 2 - Falso 3 - Não sei 20 - Não é possível transferir genes de animais para plantas. 1 - Verdadeiro 2 - Falso 3 - Não sei 21 - Tomates transgênicos (geneticamente modificados) com genes de peixe provavelmente teriam sabor de peixe. 1 - Verdadeiro 2 - Falso 3 - Não sei 22 - A clonagem de seres vivos produz cópias geneticamente idênticas. 1 - Verdadeiro 2 - Falso 3 - Não sei 23 - Mais da metade dos genes humanos são idênticos aos genes dos macacos. 1 - Verdadeiro 2 - Falso 3 - Não sei 24 - Pesquisadores frequentemente modificam plantas para que elas não possam se reproduzir. 1 - Verdadeiro 2 - Falso 3 - Não sei 25 - Organismos maiores têm mais genes. 1 - Verdadeiro 2 - Falso 3 - Não sei Parte 3 - Informação socioeconômica 32 - Idade menos de 16 16 a 20 21 a 30 31 a 40 41 a 50 mais de 50 33 - Sexo masculino feminino 34 - Educação ensino fundamental (1º grau) incompleto ensino fundamental (1º grau) completo ensino médio (2º grau) incompleto ensino médio (2º grau) completo universitário (3º grau) incompleto universitário (3º grau) completo mestrado ou doutorado) 35 - Renda familiar até R$ 350 R$ 350 a R$ 1.000 R$ 1.000 a R$ 2.500 R$ 2.500 a R$ 5.000 R$ 5.000 a R$ 7.500 mais de R$ 7.500 36 - Quantas pessoas contribuem para essa renda familiar? 1 2 3 4 5 6 ou mais 37 - Quantas pessoas são sustentadas com essa renda familiar? 1 2 3 4 5 6 ou mais 38 - Estado civil solteiro(a) casado(a) divorciado(a) outro 39 - Religião católica protestante budista islâmicaoutra 40 - Cidade de residência 41 - Estado de residência 17 Londrina, 22 a 25 de julho de 2007, Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural