CENTRO ESTADUAL DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA PAULA SOUZA Faculdade de Tecnologia de São Sebastião Cursos Superior de Tecnologia em Gestão Empresarial ALINE DE MATOS NAKA GESTÃO DA QUALIDADE NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS: um estudo de caso na empresa Náutica Service Center São Sebastião 2014 ALINE DE MATOS NAKA GESTÃO DA QUALIDADE NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS: um estudo de caso na empresa Náutica Service Center Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Faculdade de Tecnologia de São Sebastião, como exigência parcial para obtenção do título de Tecnólogo em Gestão Empresarial. Orientador: Prof. Me. Daniel Roberto Jung. São Sebastião 2014 ALINE DE MATOS NAKA GESTÃO DA QUALIDADE NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS: um estudo de caso na empresa Náutica Service Center Apresentação de Trabalho de Graduação à Faculdade de Tecnologia de São Sebastião, como condição parcial para a conclusão do curso de Tecnologia em Gestão Empresarial. São Sebastião, 12 de dezembro de 2014. BANCA EXAMINADORA _________________________________________________________ Prof. Me. Daniel Roberto Jung _________________________________________________________ Prof. Dr. José Renato Kitahara _________________________________________________________ Prof. Me. Ricardo de Lima Ribeiro MÉDIA FINAL: ___________________ Dedico este trabalho a minha mãe Nilda, por sempre apoiar as minhas decisões, ser o meu porto seguro e acreditar na minha capacidade. AGRADECIMENTOS Agradeço a minha mãe Nilda que sempre esteve ao meu lado me apoiando, incentivando e me dando as direções para que eu me tornasse uma pessoa digna. A minha segunda mãe e madrinha Helenice, por estar do meu lado passando pelos mesmos obstáculos de conseguir o primeiro diploma, me ajudando a vencer meus medos. Aos meus irmãos William e Maria Eduarda por aturarem meu stress durante a realização deste trabalho. Obrigada por estarem ao meu lado em mais esta conquista. Agradeço o meu orientador Daniel Roberto Jung, por seu apoio, inspiração e paciência que me levou ao amadurecimento dos meus conhecimentos que resultaram na execução e conclusão deste trabalho. A todos os professores da Fatec São Sebastião, que me transmitiram seus valiosos ensinamentos que serão levados por toda a minha vida. Agradeço meus amigos e familiares que contribuíram direta ou indiretamente para a realização deste trabalho e que estão sempre do meu lado me dando suporte. E por fim agradeço o diretor da empresa Náutica Service Center, Walter Claro Cunha Junior, que além de um excelente chefe, me concedeu a oportunidade de aprofundar minha pesquisa em seu estabelecimento. Serei eternamente grata. “Que os vossos esforços desafiem as impossibilidades, lembrai-vos de que as grandes coisas do homem foram conquistadas do que parecia impossível”. Charles Chaplin RESUMO O presente estudo sobre a utilização de ferramentas de gestão da qualidade resultou do trabalho caracterizado por um estudo de caso realizado na empresa Náutica Service Center, situada na cidade de São Sebastião, estado de São Paulo, com o objetivo de demonstrar a influência das ferramentas de gestão da qualidade na prestação de serviços. A Náutica Service Center, com sua visão voltada para o futuro, está investindo na qualidade de seus serviços, visto que o setor de prestação de serviços cresce cada vez mais, e a concorrência está cada vez mais acirrada, a empresa deve ter uma administração eficiente e focada na realização de melhorias. Com a implantação de ferramentas da qualidade o administrador está mais preparado para enfrentar os desafios e tomar decisões mais sábias para sua empresa. Como resultado da pesquisa observou-se quais as ferramentas puderam ajudar na melhoria da produtividade e na organização da empresa Náutica Service Center. Palavras-chave: Gestão da Qualidade. Ferramentas de Gestão da Qualidade. Prestação de Serviço. ABSTRACT The present study on the use of quality management tools, resulted from work characterized by a case study in the company Náutica Service Center, located in the city of São Sebastião, São Paulo, with the goal of demonstrating the influence of tools quality management in service delivery. The Náutica Service Center, with their vision for the future, is investing in the quality of their services, as the service sector grows increasingly, and the competition is increasingly fierce, the company must have an efficient administration and focused on making improvements. With the implementation of quality tools, the administrator is better prepared to meet the challenges and make wiser decisions for your company. As a result of the survey it was observed that the tools could help in improving the productivity and organization of company Náutica Service Center. Keywords: Quality Management. Quality Management Tools. Service Delivery. LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS TQC Total Quality Control (Controle da Qualidade Total) CCQ Círculos de Controle da Qualidade LSC Limite Superior de Controle LIC Limite Inferior de Controle LISTA DE FIGURAS Figura 1 – Carta de controle ................................................................................. 16 Figura 2 – Diagrama de causa e efeito ................................................................ 17 Figura 3 – Diagrama de dispersão ....................................................................... 18 Figura 4 – Estratificação ....................................................................................... 18 Figura 5 – Fluxograma .......................................................................................... 19 Figura 6 – Folha de verificação ............................................................................ 20 Figura 7 – Gráfico de Pareto ................................................................................ 20 Figura 8 – Histograma........................................................................................... 21 Figura 9 – 5W2H .................................................................................................... 22 Figura 10 – 5S ........................................................................................................ 23 Figura 11 – Fachada da loja ................................................................................. 25 Figura 12 – Salão principal ................................................................................... 26 Figura 13 – Salão principal ................................................................................... 27 Figura 14 - Organograma da Náutica Service Center......................................... 29 Figura 15 - Diagrama de cauda e efeito da Náutica Service Center .................. 34 Figura 16 - Caixa de ferramentas utilizada.......................................................... 35 Figura 17 - Quadro de ferramentas ...................................................................... 36 Figura 18 - Quadro 5S ........................................................................................... 38 Figura 19 - Análise final de média de tempo de execução de revisão.............. 40 Figura 20 - Análise final de número total de serviços executados ................... 41 LISTA DE TABELAS Tabela 1 – Revisões executadas no período de 01/01/2013 a 31/07/2013 ........ 33 Tabela 2 – Total de serviços executados no período de 01/01/2013 a 31/07/2013 ................ ............................................................................................. 34 Tabela 3 – Revisões executadas no período de 01/08/2013 a 28/02/2014 ........ 39 Tabela 4 - Total de serviços executados no período de 01/08/2013 a 28/02/2014 .............................................................................................................. 40 Tabela 5 – Teste T Student ................................................................................... 42 SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO ................................................................................................. 09 1.1. JUSTIFICATIVA DO TEMA .............................................................................. 09 1.2. PROBLEMA ..................................................................................................... 10 1.2.1. Hipótese ......................................................................................................... 10 1.3. OBJETIVOS ..................................................................................................... 11 1.3.1. Objetivo geral ................................................................................................ 11 1.3.2. Objetivos específicos.................................................................................... 11 1.4. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS ......................................................... 11 1.5. ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO .................................................................... 11 2. REFERENCIAL TEÓRICO ............................................................................... 13 2.1. A GESTÃO DA QUALIDADE .....................................................................................13 2.2. AS FERRAMENTAS DE GESTÃO DA QUALIDADE .............................................15 2.2.1. Carta de controle ........................................................................................... 16 2.2.2. Diagrama de causa e efeito .......................................................................... 16 2.2.3. Diagrama de dispersão ................................................................................. 17 2.2.4. Estratificação ................................................................................................. 18 2.2.5. Fluxograma .................................................................................................... 19 2.2.6. Folha de verificação ...................................................................................... 19 2.2.7. Gráfico de Pareto.......................................................................................... 20 2.2.8. Histograma ..................................................................................................... 21 2.2.9. 5W2H .............................................................................................................. 21 2.2.10. 5S .................................................................................................................. 22 2.3. INDICADORES DE GESTÃO DA QUALIDADE .....................................................23 3. NÁUTICA SERVICE CENTER ..................................................................................25 3.1. MISSÃO ........................................................................................................... 27 3.2. VISÃO .............................................................................................................. 27 3.3. VALORES ........................................................................................................ 28 3.4. PRODUTOS E SERVIÇOS OFERECIDOS....................................................... 28 3.5. FUNCIONÁRIOS ............................................................................................... 28 3.6. ORGANOGRAMA ............................................................................................. 28 4. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS ......................................................... 30 5. RESULTADOS E DISCUSSÃO ....................................................................... 32 6. CONSIDERAÇÕES FINAIS.............................................................................. 44 REFERÊNCIAS ...................................................................................................... 46 ANEXO A – Ficha de campo ................................................................................. 48 ANEXO B – Itens de revisão ................................................................................. 49 9 1. INTRODUÇÃO O mercado de prestação de serviços tem crescido consideravelmente nos últimos anos, necessitando assim de um aumento na qualidade destes serviços. A qualidade de cada tarefa executada é um diferencial, pois os clientes buscam por um profissional que ofereça qualidade e eficiência. Sendo assim uma empresa que aplica uma gestão da qualidade consegue se manter competitiva no mercado, atendendo as necessidades e exigências de seus clientes. A gestão da qualidade procura vencer a concorrência, sedimentar a imagem da empresa no mercado, aumentar a confiança de seus clientes e promover a auto realização dos que produzem. A falta de uma gestão da qualidade, hoje em dia, deixa a empresa em desvantagem com relação as que a possuem. A qualidade é hoje uma das principais estratégias competitivas nas diversas empresas e diversos setores. Está diretamente ligada à melhoria da produtividade, aumento dos resultados e lucros, redução de erros desperdícios, solidificar a imagem da empresa, torna-la competitiva, fidelizar o cliente e manter a credibilidade no mercado. A implantação de uma gestão da qualidade, em qualquer segmento, só é possível através do desenvolvimento de métodos e técnicas que mostrem a grande contribuição que a qualidade traz a organização. As técnicas e/ou ferramentas tiveram grande evolução nos últimos anos. Partiram de modelos estatísticos elementares, para matrizes que, parecem complexas pela grande abrangência e diversidade de informações requeridas para funcionarem, são de simples compreensão, fácil manuseio e produzem resultados gratificantes. (COSTA, 2003). 1.1. JUSTIFICATIVA DO TEMA A realização desse trabalho foi de suma importância para o melhoramento no processo de produção da empresa Náutica Service Center. Com a aplicação das ferramentas de gestão da qualidade, além do melhoramento no ambiente de 10 trabalho, será possível observar e acompanhar o crescimento da produtividade que a empresa conseguirá atingir. As ferramentas que serão implantadas permitem análises apropriadas identificando o caminho correto para a resolução efetiva dos problemas, com o intuito de auxiliar na tomada de decisão e na melhoria dos processos e dos resultados. 1.2. PROBLEMA Uma mudança pressupõe uma alteração de uma situação anterior para uma situação futura que podem ser planejadas e premeditadas, necessitando de compreensão e adoção de praticas que concretizem o desejo de transformação. Dito isso, essa pesquisa deseja responder as seguintes perguntas: Quais mudanças no processo de produção permite um aumento na produtividade? E quais as ferramentas capazes de oferecer tais modificações? 1.2.1. Hipótese Partiu-se da hipótese que a aplicação das ferramentas da qualidade é vital para a sobrevivência da empresa, pois sua utilização está diretamente ligada à produtividade. O resultado positivo da pesquisa teve sua importância na continuidade e sustentabilidade da melhoria obtida. O papel do empreendedor foi o de manter o ciclo de mudanças e aperfeiçoamentos para atingir o sucesso da empresa. De acordo com Fonseca (2004), com um plano de qualidade bem executado a empresa terá uma vantagem competitiva muito importante em relação aos seus concorrentes, adquirindo uma excelência em serviços. 11 1.3. OBJETIVOS 1.3.1. Objetivo geral O objetivo geral deste estudo de caso foi demonstrar a influência das ferramentas de gestão da qualidade na prestação de serviços, por meio de uma análise comparativa da produtividade na manutenção de motores de popa na empresa Náutica Service Center. 1.3.2. Objetivos específicos Tendo como objetivos específicos: implantar as ferramentas 5S e diagrama de causa e efeito, acompanhar a produtividade antes e depois da implantação das ferramentas da qualidade e apresentar as melhorias obtidas. 1.4. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS O tipo de pesquisa escolhido para a realização deste trabalho foi o estudo de caso de caráter exploratório, através de pesquisas bibliográficas. 1.5. ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO O presente trabalho foi estruturado da seguinte forma: Capítulo 1 – Introdução – apresenta-se ao leitor uma noção geral de gestão da qualidade em empresas de serviço. 12 Capítulo 2 – Referencial teórico – apresenta os conceitos de qualidade na prestação de serviços, assim como também apresenta algumas ferramentas de gestão da qualidade. Capítulo 3 – Náutica Service Center – neste capítulo apresenta-se a empresa Náutica Service Center, seus objetivos e sua estrutura organizacional. Capítulo 4 – Procedimentos metodológicos – descrição detalhada da metodologia usada para a realização do trabalho. Capítulo 5 – Resultados e discussão – análise e aplicação das ferramentas que foram aplicadas no processo. Capítulo 6 – Considerações finais – apresenta-se a conclusão do trabalho. 13 2. REFERENCIAL TEORICO 2.1. A GESTÃO DA QUALIDADE A preocupação com a qualidade de bens e serviços não é recente. De acordo com Longo (1996) os consumidores sempre tiveram a preocupação em fiscalizar os bens e serviços que recebiam em uma relação de troca. Tal preocupação deu origem à era da inspeção, que apenas encontrava produtos defeituosos na razão direta da intensidade da inspeção. Longo (1996) ainda cita a era do controle estatístico, que surgiu com o aparecimento do setor de controle da qualidade. Os sistemas de qualidade foram melhorados e implantados desde a década de 30 nos Estados Unidos, na década de 40 no Japão e em vários países do mundo. Na década de 50, Longo (1996) descreve o surgimento da filosofia gerencial da Gestão da Qualidade Total. Houve um deslocamento da análise do produto ou serviço para a criação de um sistema da qualidade. A qualidade deixou de ser um aspecto do produto e responsabilidade apenas de departamento específico e passou a ser um problema da empresa envolvendo todos os aspectos de sua operação. De acordo com Marshall Junior (2010), o conceito de qualidade teve as principais linhas de pensamento com os estudiosos William Edwards Deming, Joseph Moses Juran, Armand Vallin Feigenbaum, Philip B. Crosby, Kaoru Ishikawa, entre outros. As ideias de Deming conduziram o conhecimento a respeito da qualidade. As particularidades de liderança, conquista do conhecimento, aplicação de metodologias estatísticas, entendimento e utilização das fontes de variação e perpetuação do ciclo de melhoria contínua da qualidade estão na essência de sua filosofia. Marshall Junior (2010) considerava qualidade tudo aquilo que melhora o produto do ponto de vista do cliente. Deming criou os 14 pontos, que representam o caminho para a qualidade total: Ponto 1 – Aperfeiçoamento constante do produto e serviço, com o objetivo de torna-los competitivos. Ponto 2 – Adotar uma filosofia de trabalho moderno. 14 Ponto 3 – Eliminar a necessidade de inspeção. Ponto 4 – Cessar a prática de negócio baseando-se em preço. Ponto 5 – Melhorar constantemente o sistema de produção e serviço. Ponto 6 – Propiciar treinamentos nos local de trabalho. Ponto 7 – Aderir e estabelecer liderança. Ponto 8 - Eliminar o medo. Ponto 9 – Romper barreiras interdepartamentais. Ponto 10 – Extinguir slogans, exortações e metas. Ponto 11 – Eliminar quotas ou trabalhos padronizados. Ponto 12 – Fazer com que as pessoas sintam orgulho do trabalho. Ponto 13 – Introduzir programas de educação e automelhoria. Ponto 14 – Todos devem trabalhar para alcançar as metas. Juran foi o pioneiro em empregar os princípios da qualidade à estratégia empresarial. Segundo ele, a gestão da qualidade divide-se em três partes essenciais, tituladas trilogia Juran: planejamento, controle e melhoria. De acordo com Juran citado Marshall Junior. et al. (2010), o qual considera: A melhoria da qualidade é a principal prioridade do gestor, e o planejamento a segunda, esforço que deve contar com a participação das pessoas que irão implementá-lo. Na sua opinião, separar planejamento e execução é uma noção obsoleta, que remonta aos tempos de Taylor. A terceira prioridade consiste em promover o controle da qualidade. Juran aconselha a sua delegação aos níveis operacionais da empresa. Devido à crescente qualificação dos trabalhadores, ele acredita em equipes autogerenciadas. Feigenbaum foi um dos criadores do conceito de controle da qualidade total (total quality control – TQC). “De acordo com sua abordagem diz que a qualidade é um instrumento estratégico pelo qual todos os trabalhadores devem ser responsáveis” (MARSHALL JUNIOR et al, 2010). O princípio básico do TQC é que a qualidade está agregada a todas as funcionalidades e atividades da organização e não só apenas à produção e à engenharia. Marshall Junior (2010) cita que Crosby está associado aos conceitos de „zero defeito‟ e de „fazer certo na primeira vez‟. Para ele, qualidade se refere à compatibilidade com especificações, que variam de acordo com as necessidades dos clientes. Então o objetivo é produzir atendendo as às especificações, encorajando assim as pessoas a melhorarem continuamente. Considera que as técnicas não preventivas, como por exemplo, inspeção, teste e controle da 15 qualidade, pouco eficazes. Recomenda-se a prevenção. Igual a Deming, Crosby também retrata 14 passos para a melhoria da qualidade: Passo 1 – Comprometimento com a qualidade. Passo 2 – Grupo de melhoria da qualidade. Passo 3 – Estabelecer padrões (mensuração). Passo 4 – Custos da qualidade. Passo 5 – Consciência. Passo 6 – Ação corretiva. Passo 7 – Planejamento “zero defeito”. Passo 8 – Educação do colaborador. Passo 9 – Dia do zero defeito. Passo 10 – Estabelecimento de objetivo. Passo 11 – Remoção da causa do erro. Passo 12 – Identificação. Passo 13 – Conselhos da qualidade. Passo 14 – Fazer tudo de novo. Ishikawa é conhecido como o pai do TQC japonês, ressaltou os aspectos humanos e a prática dos círculos de controle da qualidade (CCQ). Para ele, cada um da empresa tem que estudar, praticar e participar do controle da qualidade. O TQC justifica que, com a colaboração de todos, incluindo o presidente, qualquer empresa ofereça produtos e serviços melhores a um baixo custo, amplie as vendas, melhore os lucros e se torne uma organização melhor. (MARSHALL JUNIOR et al, 2010). 2.2. AS FERRAMENTAS DE GESTÃO DA QUALIDADE Ferramentas da qualidade são técnicas que utilizamos com a finalidade de mensurar, definir, analisar e propor soluções para os problemas que interferem no bom desempenho dos processos de trabalho. Elas permitem o maior controle dos procedimentos ou melhorias na tomada de decisões. (PALADINI et al, 2006). A seguir, as ferramentas mais comuns, com suas respectivas descrições. 16 2.2.1. Carta de controle: Conforme a figura 1 é um tipo específico de gráfico de controle que é usado para acompanhar a variabilidade de um procedimento, identificando suas causas usuais (intrínsecas ao processo) e especiais (aleatórias). As causas usuais estão ligadas ao funcionamento do próprio sistema, enquanto as causas especiais demonstram ocorrências fora dos limites do controle. Para a construção da carta de controle deve-se calcular estatisticamente o limite superior de controle (LSC), o limite inferior de controle (LIC) e a média (M) de um processo. As informações do processo, dentro desses limites, caracterizarão, na maioria das vezes, que o mesmo está sob controle, e as informações fora desses limites caracterizam ocorrências indesejáveis. (MARSHALL JUNIOR et al, 2010) Figura 1 - Carta de controle Fonte: Michel e Fogliatto (2002, p. 22) 2.2.2. Diagrama de causa e efeito: De acordo com a figura 2, o diagrama de Ishikawa, também conhecido como diagrama de causa e efeito ou diagrama espinha de peixe, é uma ferramenta de representação das possíveis causas que levam a um determinado efeito. As causas são agrupadas por categorias e conformidade previamente estabelecidas ou percebidas durante o procedimento de classificação. As etapas para elaboração do diagrama são (MARSHALL JUNIOR et al, 2010): Decidir o assunto a ser analisado, idealizando seu processo, como ocorre, onde ocorre, áreas envolvidas e escopo; 17 Descrição do efeito (problema ou condição específica) no lado direito do diagrama; Levantamento das possíveis causas e seu agrupamento por categorias no diagrama; Análise do diagrama elaborado e coleta de dados para determinar a frequência de ocorrência das diferentes causas. Figura 2 - Diagrama de causa e efeito Fonte: Alves e Santos (2010, p. 50) 2.2.3. Diagrama de dispersão: A figura 3 ilustra que o diagrame de dispersão ajuda a visualizar a alteração sofrida por uma variável quando outra se modifica. Um bom exemplo é a motivação dos funcionários sobre a produtividade (quantidade de serviços executados), conforme a figura 3. À medida que se aumenta a motivação, aumenta-se a produtividade. Repare que esse diagrama serve apenas para constatar a intensidade da relação entre as variáveis selecionadas, o que não confirma, necessariamente, que uma variável seja causa de outra, ou não garante a relação causa-efeito. (MARSHALL JUNIOR et al, 2010) 18 Figura 3 - Diagrama de dispersão Fonte: Marshall Junior. et al. (2010) 2.2.4. Estratificação: De acordo com a figura 4, estratificação consiste na análise de dados, a partir de um levantamento ocorrido, em categorias, grupos ou, estratos para determinar sua composição. O objetivo de seu uso é auxiliar na investigação e na pesquisa para o desenvolvimento de oportunidade de melhoria, na medida em que facilite a visualização da composição real dos dados por seus estratos. (MARSHALL JUNIOR et al, 2010) Figura 4 - Estratificação 120 Nº de acidentes: 120 100 80 A 60 B C 40 20 0 Turnos Departamentos Fonte: Elaborado pela autora (2014). 19 2.2.5. Fluxograma: Consiste em uma representação gráfica que facilita a visualização das etapas de um processo. Apresenta a sequência de atividades e decisões, podendo assim obter uma visão geral do processo, permitindo a análise critica para localizar falhas e oportunidade de melhoria. A utilização de símbolos padronizados facilita o entendimento dos processos, conforme figura 5. (MARSHALL JUNIOR et al, 2010) Figura 5 - Fluxograma Fonte: Alves e Santos (2010, p. 44). 2.2.6. Folha de verificação: A figura 6 exemplifica que: “A folha de verificação é uma ferramenta usada para quantificar a frequência com que certos eventos ocorrem num certo período de tempo.” (MARSHALL JUNIOR et al, 2010) 20 Figura 6 - Folha de verificação Fonte: Marshall Junior. et al. (2010) 2.2.7. Gráfico de Pareto: A figura 7 mostra um gráfico de barras, desenvolvido a partir de um procedimento de coleta de dados (geralmente, uma folha de verificação), e pode ser usado quando se deseja priorizar problemas ou causas relativas a um determinado assunto. (MARSHALL JUNIOR et al, 2010) Figura 7 - Gráfico de Pareto Fonte: Alves e Santos (2010, p. 49) 21 2.2.8. Histograma: O histograma é um gráfico de barras que representa a distribuição de dados por grupos, como mostra a figura 8. Ao mesmo tempo em que os gráficos de controle mostram o desempenho de uma variável ao longo do tempo, o histograma reproduz uma fotografia da variável em um determinado momento. (MARSHALL JUNIOR et al, 2010) Figura 8 - Histograma Fonte: Marshall Junior. et al. (2010) 2.2.9. 5W2H: O 5W2H representa as iniciais das palavras, em inglês, why (por que), what (o que), where (onde), when (quando), who (quem), how (como) e how much (quanto custa), como mostra a figura 9. Esta ferramenta é usada especialmente no mapeamento e padronização de processos, na criação de planos de ação e na implantação de procedimentos ligados a indicadores. É de caráter basicamente gerencial e busca a fácil compreensão através do estabelecimento de responsabilidades, métodos, prazos, objetivos e recursos associados. (MARSHALL JUNIOR et al, 2010) 22 Figura 9 - 5W2H Fonte: Alves e Santos (2010, p. 52) 2.2.10. 5S: O método especifico de gestão da qualidade, denominado 5S, é um poderoso instrumento. Essa ferramenta visa transformar os ambientes organizacionais, através da conscientização das pessoas. O termo 5S é derivado de cinco palavras em japonês, todas iniciadas com a letra S. (VELLOSO, 2012) São elas: Seiri (senso de utilização): Separar o necessário do desnecessário. Propõe ter somente o necessário, ou seja, separar os materiais úteis dos inúteis. Seiton (senso de organização): Um lugar para cada coisa, cada coisa no seu lugar. Consiste na padronização e disposição ideal dos móveis, objetos, ferramentas, etc. Seiso (senso de limpeza): É trabalho de alguns realizarem a limpeza, mas é dever de todos conservá-la. O senso de limpeza remete o respeito ao espaço do próximo, garantindo também a limpeza dos equipamentos e ferramentas. Seiketsu (senso de higiene e saúde): Higiene é saúde. Está relacionado também a saúde física, mental e emocional. Tem o objetivo de contribuir para a qualidade de vida de todas as pessoas. Shitsuke (senso de autodisciplina): A disciplina é sinal de respeito ao próximo. Este é o mais importante dos sensos, é a confirmação dos sensos apresentados anteriormente. Significa a prática diária de toda a teoria dos quatro sensos apresentados anteriormente. A figura 10 demonstra essa ferramenta: 23 Figura 10 - 5S Fonte: VELLOSO (2012, p. 22) 2.3. INDICADORES DE GESTÃO DA QUALIDADE O processo de medição é importantíssimo para qualquer organização de sucesso. Segundo Takashina citado por Carvalho e Soares (2009), os indicadores da qualidade e desempenho tornam-se a base para a gestão dos fatos. Nessa situação, a definição de indicador se dá pela representação quantificável das características de produtos e serviços, portanto, são usados para melhoria da qualidade e desempenho de um produto ou serviço, ao longo do tempo. Os indicadores surgem como assistentes para a tomada de decisão, onde baseiam as argumentações perante o fornecimento de informações dos processos, ou seja, apresentam as evidências aos gestores. Fonseca (2004) afirma que cada gênero de serviço, oferecido por uma empresa, deve instituir um indicador para medir a qualidade do serviço. O indicador 24 aponta o nível em que a ação deve ser desempenhada para satisfazer as expectativas do cliente. Por exemplo, uma loja pode considerar a cortesia como uma dimensão de qualidade. Uma das medidas, no caso, seria atender a telefonemas antes de certo toque. E o indicador corresponde a essa medida: “atender antes do terceiro toque”. Outro exemplo que podemos citar em um fast-food, é que a dimensão de qualidade estabelecida é a rapidez. A medida é a pouca demora na fila, e o indicador é o atendimento em até três minutos. Para Fonseca (2004) os indicadores de qualidade devem delinear claramente o desempenho exibido e o que se espera dele. Para isso, deve-se sempre recorrer a uma frase de ação, do tipo “enviar a carta em até 24 horas a partir da postagem”. De acordo com Carvalho e Soares (2009), para a criação de um indicador é recomendado analisar os seguintes critérios: importância, simplicidade e clareza, abrangência, rastreabilidade e acessibilidade, comparabilidade, estabilidade e rapidez de disponibilidade e baixo custo de obtenção. Após a criação do indicador, traça-se uma meta, que consiste na decisão de um valor estipulado ao indicador em determinadas condições. Esta meta deve estar ligada diretamente as estratégias da empresa. Rechulski (2004) diz que o sistema de indicadores só terá eficiência se os colaboradores da empresa assumirem suas responsabilidades, saber que devem executar suas atividades da melhor forma possível e conhecer o papel da empresa na sociedade. 25 3. NÁUTICA SERVICE CENTER No ano de 1999, o Sr. Walter Claro Cunha Junior, movido pelo seu espírito empreendedor, com muita determinação, aliou seus conhecimentos técnicos a uma crescente expansão no setor náutico, fazendo dessas razões as condições para que fosse fundada a Náutica Service Center na cidade de São Sebastião, uma loja modelo na prestação de serviços mecânicos na cidade. Com o tempo a Náutica Service Center foi se destacando no segmento, mostrando o resultado de seu trabalho no rosto de cada cliente que retorna satisfeito para o seu lar. A figura 11 mostra a fachada da loja hoje em dia. Figura 11 - Fachada da loja Fonte: Foto tirada pela autora (2014) A Náutica Service Center atua no ramo de prestação de serviços, no setor náutico e está cadastrado com o CNPJ nº 56.802.457/0001-74 e com a inscrição 26 estadual nº 654.094.268.115. Está localizado à Rua Coronel Clodomiro Santana, 115, no bairro São Francisco, na cidade de São Sebastião, estado de São Paulo. Atualmente suas instalações compõem-se de um amplo salão que é composto pela área de administração e vendas e dois banheiros para os clientes, uma cozinha e um banheiro para os funcionários, uma oficina, onde são executados os serviços e uma área externa para manutenção em motores maiores e um tanque para teste. As figuras 12 e 13 mostram o salão principal da Náutica Service Center. Figura 12 - Salão principal Fonte: Foto tirada pela autora (2014) 27 Figura 13 - Salão principal Fonte: Foto tirada pela autora (2014) 3.1. Missão “Todos os nossos esforços devem convergir para a satisfação de nossos clientes. Oferecer soluções, bens e serviços para exceder as expectativas dos clientes e usuários com tecnologia e performance, visando o prazer extremo no contato com o mar e a natureza.” (CUNHA JUNIOR, 2012) 3.2. Visão “Ser uma empresa de referência no ramo náutico, atuando com excelência e dinamismo na manutenção e comércio de embarcações e produtos náuticos.” (CUNHA JUNIOR, 2012) 28 3.3. Valores “Somos uma empresa comprometida com o encantamento de nossos clientes. Pautamos nossas relações pela ética e honestidade, porque acreditamos e respeitamos as pessoas. A integridade é o nosso padrão de conduta. Somos empreendedores, inovadores e temos a excelência como meta. Zelamos pela preservação do meio ambiente e a valorização da equipe.” (CUNHA JUNIOR, 2012) 3.4. Produtos e serviços oferecidos A Náutica Service Center oferece serviços de manutenção mecânica, elétrica, instalações, reformas e garantias de motores náuticos das marcas Yamaha e Mercury Marine e geradores marítimos da marca Fischer Panda. Além de comercializar motor centro-rabeta gasolina e diesel, motor de popa, gerador, arcondicionado e acessórios. 3.5. Funcionários A empresa possui um quadro que conta com sete funcionários, sendo dois auxiliares administrativos, um vendedor, três mecânicos e um ajudante de mecânico, além do proprietário que também trabalha na empresa. Todos os mecânicos possuem certificações de treinamentos oferecidos pelas marcas representadas. 3.6. Organograma Conforme Faria (apud ALVES; SANTOS, 2010) cita, o organograma é uma espécie de diagrama usado para representar as relações hierárquicas dentro de 29 uma organização, ou simplesmente a distribuição dos setores, unidades funcionais e cargos e a comunicação entre eles. A empresa adota uma estrutura funcional, como se mostra na figura 14: Figura 14 - Organograma da Náutica Service Center Fonte: Elaborado pela autora (2014) a) O proprietário é responsável pela administração da empresa e também auxilia no atendimento aos clientes. b) O funcionário dos orçamentos é responsável pela montagem e negociações dos orçamentos. c) O funcionário do financeiro é responsável pelos recebimentos, pagamentos e pela área fiscal também. d) O funcionário de vendas é responsável pelo atendimento e vendas feitas no balcão da loja e organização e manutenção do estoque. e) O setor operacional é composto pelos mecânicos e ajudante de mecânico, que executam os serviços de manutenção dos motores. 30 4. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS O presente trabalho caracteriza-se por um estudo de caso de caráter exploratório, realizado na empresa Náutica Service Center. Em relação ao delineamento da pesquisa, ela foi classificada como estudo de caso. Neste sentido, Prodanov (2013) relata que: O estudo de caso representa a estratégia preferida quando colocamos questões do tipo “como” e “por que”, quando o pesquisador tem pouco controle sobre os eventos e quando o foco se encontra em fenômenos contemporâneos inseridos em algum contexto da vida real. Outro método de delineamento de pesquisa escolhido foi a pesquisa bibliográfica. De acordo com Lakatos (1992), este modo de pesquisa é um procedimento formal que requer um tratamento científico com método de pensamento reflexivo e se constitui no caminho para se conhecer a realidade ou para descobrir verdades parciais. Segundo Gil (2002) a pesquisa de caráter exploratório têm como finalidade proporcionar uma familiaridade maior com o problema com o objetivo de torná-lo mais claro ou a construir hipóteses, além de aprimorar as ideias. O procedimento metodológico será por meio de levantamento de relatórios de resultados obtidos através da ficha de campo utilizada pelo setor de prestação de serviços. Nela os técnicos responsáveis pelo serviço preenchem as seguintes informações: dados do cliente, dados do motor a ser reparado, diagnóstico, descrição do serviço executado, data e tempo de execução do serviço. Todos os quatro técnicos participaram do processo de treinamento e implantação, e os mesmos continuam trabalhando na empresa. A finalidade da pesquisa é resolver problemas e solucionar dúvidas, mediante a utilização de procedimentos científicos, é o que afirma Barros (apud PRODANOV; FREITAS, 2013). As ferramentas de qualidade escolhidas nesta pesquisa são: 5S e diagrama de causa e efeito, pois puderam auxiliar no estudo da produtividade, tendo em vista o seu levantamento de causas e soluções. 31 Durante o período de janeiro de 2013 a julho de 2013, foi acompanhado, com o indicador de tempo para a execução de revisão de motor de popa 2 tempos de 4HP a 40HP, qual era o tempo médio para a conclusão do serviço. Essa modalidade de serviço foi escolhida por se tratar de um serviço padrão entre os motores náuticos, pois previnem contra os danos futuros. Os modelos de motores de 4HP a 40HP foram escolhidos por possuírem uma demanda de tempo parecido, tendo sua complexidade numa mesma cesta de serviços. E após a aplicação das ferramentas de gestão da qualidade foi analisado, durante o período de agosto de 2013 a fevereiro de 2014, quanto de tempo foi diminuído para a conclusão da revisão. O levantamento desses dados foi obtido através das informações que os mecânicos preencheram na ficha de campo que acompanha todos os serviços executados pela empresa. Os dados foram analisados utilizando-se o teste T Student com um nível de confiança de 80%. Paralelamente acompanhamos, através do indicador de número total de serviços executados, a quantidade total de serviços atendidos dentro dos dois períodos descritos acima. 32 5. RESULTADOS E DISCUSSÃO Tendo em mente que o segmento de prestação de serviços está atingindo um nível de competitividade e concorrência muito alto, as empresas devem buscar maneiras de estarem à frente dessa competição, a fim de se destacar a frente de seus clientes. Assim, nota-se a importância da empresa estar disposta a aceitar a inserção de novas ideias e ferramentas para a melhoria da qualidade oferecida aos clientes, que por sua vez irão escolher utilizar os serviços daqueles que lhes proporcionaram a satisfação de suas necessidades. No ramo náutico os motores são peças chaves para o uso de embarcações para lazer e serviços, sendo que os clientes da Náutica Service Center são em maioria empresários. Para que essa melhoria na qualidade dos serviços fosse implantada, foi realizada uma pesquisa de campo na empresa Náutica Service Center, durante os meses de janeiro de 2013 a fevereiro de 2014, com o objetivo de verificar como a implantação das ferramentas de gestão da qualidade poderiam melhorar sua produtividade e organização da empresa. A pesquisa foi realizada de forma simples com o proprietário e funcionários. Primeiramente foi analisado, no período de 01 de janeiro a 31 de julho de 2013, qual o tempo levado para a execução de revisões em motores de 4HP a 40HP, e a quantidade total de serviços executados no período. Para isso foi necessário consultar o arquivo de ordens de serviço encerradas e coletar os tempos de execução e datas nas fichas de campo preenchidas pelos mecânicos, conforme modelo no anexo A. Foi selecionada uma amostra de 27 serviços de revisão para fazer a análise do indicador de tempo de execução de revisão de motores de popa de 4HP a 40HP, pois foi a quantidade de serviços executados, dessa modalidade, durante o período de 01/01/2013 a 31/07/2013. E após o levantamento dos dados temos o seguinte resultado, demonstradas na tabela 1: 33 Tabela 1 – Revisões executadas no período de 01/01/2013 a 31/07/2013 OS 4700 4707 4711 4721 4769 4776 4794 4802 4806 4819 4821 4824 4847 4848 4850 4861 4875 4876 4883 4885 4910 4945 4954 4957 4959 4980 4982 EMBARCAÇÃO MOTOR BOA VIDA 25 HP FRNCISCO TAVARES 25 HP LESTÃO I 25 HP SOL 40 HP GUNA 15 HP OPEN BAR 15 HP ISAC 40 HP ZAP 15 HP MARGILL 8 HP PEDRO RICARDO BORGES 20 HP ITAJARA 15 HP MISTRAL 15 HP ZENILDO (MERCIA) 40 HP ZENILDO (ISRAEL) 40 HP PREFEITURA DE SÃO SEBÁ 25 HP AMYR KLINK 40 HP JOSÉ EVANILDO DA SILVA 25 HP RENATO MARTINEZ MELLO 25 HP ALFIO LAGNADO 25 HP EUGENIO DUARTE VIEIRA JR. 25 HP ARGOS III 15 HP LUIZ RIBEIRO DOS SANTOS 4 HP RAIMUNDO SANTOS SOARES 40 HP EUGEN 8 HP ANTENOR LUGUBONE FILHO 15 HP KON TIK (ANDRE CABRAL) 40 HP MAROPA 40 HP TOTAL: MÉDIA: TEMPO 01:15:00 01:15:00 03:20:00 02:00:00 02:30:00 03:00:00 02:00:00 01:30:00 03:40:00 02:10:00 04:30:00 03:30:00 04:30:00 06:20:00 02:00:00 07:30:00 02:50:00 01:50:00 07:30:00 01:30:00 02:40:00 01:00:00 02:38:00 02:34:00 01:30:00 03:10:00 05:40:00 83:52:00 3:06:22 Fonte: Elaborado pela autora (2014) As 27 revisões executadas totalizaram um total de 83 horas e 52 minutos de horas trabalhadas, uma média de 3 horas, 6 minutos e 22 segundos por revisão. Outro indicador analisado foi o número total de serviços executados pela Náutica Service Center nesse período de 01/01/2013 a 31/07/2013. Tivemos o seguinte resultado, demonstrado na tabela 2: 34 Tabela 2 – Total de serviços executados no período de 01/01/2013 a 31/07/2013 Período Total de serviços executados 01/01/2013 a 31/07/2013 267 serviços Fonte: Elaborado pela autora (2014) Com o contínuo aumento da concorrência e exigência dos clientes pela qualidade e rapidez dos serviços, o diretor da empresa resolveu tomar uma atitude e melhorar esses números, ou seja, diminuir o tempo de execução da revisão para consequentemente aumentar o número de serviços executados. Com isso foi aplicado a ferramenta de gestão da qualidade chamada Diagrama de Causa e Efeito, conforme a figura 15: Figura 15 - Diagrama de Causa e Efeito da Náutica Service Center Fonte: Elaborado pela autora (2014) Como os clientes sempre exigem a rapidez, a demora na execução dos serviços estava ligada as categorias de ferramentas, ambiente e método. Essas informações foram coletadas através da ficha de campo, quem contém o tempo de execução de cada serviço. Abaixo foi descrita as causas de cada categoria: Ferramentas: As ferramentas eram mal organizadas, localizadas em caixas de ferramentas, dificultado para que os mecânicos as encontrassem. Muitas vezes as ferramentas estavam sujas dentro da 35 caixa, atrasando mais o serviço. E sua manutenção não era das melhores. A figura 16 mostra as caixas de ferramentas utilizadas. Figura 16 - Caixa de ferramentas utilizada Fonte: Fotos tiradas pela autora (2014) Ambiente: A organização e limpeza do ambiente também dificultavam na rotina dos mecânicos, que tinham que parar o serviço para organizar ou limpar a área que iriam utilizar. Método: Foi observado que o método de execução de revisão não seguia uma sequência ou padrão de verificações, assim cada mecânico desenvolvia o serviço de forma e tempo diferentes. Primeiramente foi solucionada a causa da categoria Método. A falta de padronização na execução do serviço levasse mais tempo para ser concluído, e às vezes, por esquecimento, algum teste não era realizado, conforme verificações na ficha de campo. Com isso foi implantado o Itens de Revisão, conforme modelo no anexo B. O Itens de Revisão nada mais é que um roteiro de ações a serem seguidas durante a revisão, para que nenhum teste seja esquecido e para padronizar o estilo e tempo de serviço. Para a solução das causas das categorias de Ferramentas e Ambiente, foi aplicada mais uma ferramenta da qualidade, denominada 5S. O 5S tem o objetivo de reduzir custos, aumentar o desempenho, melhorar a qualidade, reduzir os riscos de acidente, garantir a segurança e aumentar a motivação. (VELLOSO, 2012) 36 Veremos como cada senso teve seu papel a seguir: Seiri – senso de utilização: Este senso prioriza a eliminação de tudo que for inútil e não utilizado, sobrando somente o necessário e de uso frequente. Numa oficina isso é fundamental, não só para o aumento de espaço físico, mas também pela disposição de ferramentas e materiais de acordo com a frequência de utilização. Ação: Foram selecionados os materiais e ferramentas indispensáveis para uso dentro da oficina e os dispensáveis foram encaminhados para seus devidos lugares. Assim o espaço ficou mais amplo, para o desenvolvimento dos serviços de forma mais ágil. Seiton – senso de organização: Estabelece um lugar correto para cada material, facilitando assim o acesso aos materiais de trabalho evitando perdas e a mobilidade dos funcionários. Ação: Foi feito um mutirão da organização. Cada coisa foi para o seu devido lugar. Além da colocação de um quadro de ferramentas ao lado da bancada de serviços, facilitando a visualização e manuseio e descartando as caixas de ferramentas anteriormente utilizadas, conforme a figura 17: Figura 17 - Quadro de ferramentas Fonte: Foto tirada pela autora (2014) 37 Seiso – senso de limpeza: Mostra o quanto é importante manter a limpeza no ambiente de trabalho e de tudo que está em volta, garantindo o bem estar de todos num lugar saudável. Ação: Foi realizado um trabalho de conscientização com os funcionários. Resaltando os benefícios que um ambiente limpo e saudável pode trazer para o ambiente de trabalho. Além da limpeza das ferramentas e equipamentos a cada término de serviço. Seiketsu – senso de higiene e saúde: Este senso provê a manutenção do estado de arrumação e limpeza. Agindo de maneira limpa, estamos garantindo a saúde e o bem estar do próximo. Ação: Também foi realizado um trabalho de conscientização com os funcionários. Toda a equipe colaborou para o beneficio de toda a empresa. Shitsuke – senso de autodisciplina: Este senso é o mais difícil, por ser mais amplo que os outros. É a prática de todos os sensos, é o respeito aos padrões e procedimentos estabelecidos. Ação: Toda a equipe colaborou para o beneficio de todos, mantendo a organização, limpeza e higiene da empresa. Abaixo é mostrado, na figura 18, o quadro com os significados e objetivos do 5S, fixado na empresa Náutica Service Center: 38 Figura 18 - Quadro do 5S Fonte: Foto tirada pela autora (2014) Após a implantação das ferramentas da qualidade foi analisado, durante o período de 01/08/2013 a 28/02/2014, qual a melhoria que foi obtida. Novamente foi selecionada uma amostra de 27 serviços para o indicador tempo de execução de revisão em motores de popa de 4HP a 40HP. E após o levantamento dos dados temos o seguinte resultado na tabela 3: 39 Tabela 3 – Revisões executadas no período de 01/08/2013 a 28/02/2014. OS 4989 5039 5044 5048 5060 5063 5067 5098 5102 5116 5126 5136 5142 5156 5162 5174 5186 5193 5194 5226 5227 5234 5235 5275 5277 5278 5314 EMBARCAÇÃO MOTOR ADOLFO SUGINO 40 HP PEDRO SERGIO FERNANDES 15 HP CA5 15 HP ZAGAIA 5 HP LUIS RIBEIRO DOS SANTOS 4 HP NORA 15 HP DELISETE PEREIRA 40 HP GUSTAVO - COSTA E COSTA 40 HP MARINA PORTO ILHABELA 15 HP ALMIR - BASE MIRELA 4 HP ANTONIO ALVES DA SILVA 15 HP RAIATEA 4 HP ANTONIO CARLOS BERTONI 25 HP YESHUA 25 HP LUCIO DONIZETE FLAIBAN 25 HP EUGEN 8 HP SANDRA II 15 HP LESTÃO I 25 HP VICTOR SELIO 15 HP STARNORT 40 HP STARNORT 25 HP PREFEITURA ILHABELA 15 HP PREFEITURA ILHABELA 15 HP JOSÉ PEDRO DE O. COSTA 25 HP STARNORT 15 HP RAFAEL SILVA LISBOA 25 HP ACQUA BELLA 15 HP TOTAL: MÉDIA: TEMPO 03:20:00 03:00:00 01:40:00 05:20:00 01:20:00 03:20:00 00:48:00 01:15:00 02:30:00 01:30:00 00:40:00 02:25:00 02:00:00 01:00:00 02:30:00 00:30:00 03:00:00 01:30:00 02:00:00 02:30:00 04:00:00 05:35:00 03:50:00 05:53:00 06:10:00 02:00:00 03:00:00 72:36:00 2:41:20 Fonte: Elaborado pela autora (2014) As 27 revisões executadas totalizaram um total de 72 horas e 36 minutos de horas trabalhadas, uma média de 2 horas, 41 minutos e vinte segundos por revisão. Outro indicador analisado foi o número total de serviços executados pela Náutica Service Center nesse período de 01/08/2013 a 28/02/2014. Tivemos o seguinte resultado na tabela 4: 40 Tabela 4 – Total de serviços executados no período de 01/08/2013 a 28/02/2014. Período Total de serviços executados 01/08/2013 a 28/02/2014 318 serviços Fonte: Elaborado pela autora (2014) Após a análise dos períodos temos os seguintes números nas tabelas 19 e 20: Figura 19 - Análise final de média de tempo de execução de revisão Média de tempo de execução de revisão 03:14:24 03:07:12 03:00:00 02:52:48 Média de tempo de execução de revisão 02:45:36 02:38:24 02:31:12 02:24:00 Antes Depois Fonte: Elaborado pela autora (2014) 41 Figura 20 - Análise final de número total de serviços executados Nº total de serviços executados 330 320 310 300 290 Nº total de serviços executados 280 270 260 250 240 Antes Depois Fonte: Elaborado pela autora (2014) Os resultados finais foram uma diminuição de 25 minutos e 2 segundos no tempo de execução de revisão de motores de popa de 4HP a 40HP, e um aumento de 19,10% na quantidade total de serviços executados. A fim de verificar estatisticamente os dados levantados neste trabalho, aplicou-se um teste estatístico conhecido como teste T Student com nível de confiança de 80%. OS resultados são observados a seguir na tabela 5: 42 Tabela 5 – Test t Student Antes HP Minutos 4 60 8 220 8 154 15 150 15 180 15 90 15 270 15 210 15 160 15 90 20 130 25 75 25 75 25 200 25 120 25 170 25 110 25 450 25 90 40 120 40 120 40 270 40 380 40 450 40 158 40 190 40 340 Média 186,3704 Desvio-Padrão 109,3713 HP 4 4 4 5 8 15 15 15 15 15 15 15 15 15 15 15 25 25 25 25 25 25 25 40 40 40 40 Depois Minutos 80 90 145 320 30 180 100 200 150 40 180 120 335 230 370 180 120 60 150 90 240 353 120 200 48 75 150 161,3333 95,96073 Fonte: Elaborado pela autora (2014) Considerando que no período de coleta dos dados após os técnicos já tinham incorporado os princípios da qualidade no seu processo de trabalho. Esses resultados satisfatórios tiveram uma importância muito grande para a empresa Náutica Service Center, pois despertou nos funcionários a vontade de crescer mais e se destacar no mercado de trabalho. Com os resultados em mãos o proprietário, Walter Claro Cunha Junior, se propôs a trabalhar a melhoria contínua da empresa, manter os 5 sensos, treinar e 43 incentivar seus funcionários para deixá-los capazes consequentemente ajudar no crescimento da empresa. e realizados e 44 6. CONSIDERAÇÕES FINAIS A gestão da qualidade na prestação de serviços, como meio de atuação do gestor organizacional, busca desenvolver no setor operacional condições que possam possibilitar responder às demandas atuais, criando vantagens competitivas duradouras. Nos dias de hoje investir em qualidade, treinamentos e modelos de gestão adequados à prestação de serviços, não é mais uma decisão puramente financeira. O ponto de vista da gestão da qualidade voltada aos serviços se tornou uma das contas mais importantes para uma organização e, com certeza, hoje a menos praticada. A busca pela qualidade passa pela busca da excelência. A melhoria constante, para que a empresa esteja sempre se antecipando a seus concorrentes, é alcançada através da conscientização de que todos na empresa fazem parte do desenvolvimento do processo de aplicação da qualidade. Conclui-se que o objetivo geral e específicos do trabalho foram atingidos, visto que a produtividade da empresa Náutica Service Center demonstrou um aumento e o tempo de execução das revisões sofreu uma considerável diminuição, conforme demonstrado na figura 18 e 19, após a aplicação das duas ferramentas da qualidade descritas no desenvolvimento do trabalho. A empresa possui uma enorme capacidade de se adaptar às mudanças do mercado e às necessidades dos clientes, evidenciando um grande potencial ao desenvolvimento da qualidade, conquistando um diferencial competitivo. Sendo assim, com a pesquisa foi confirmada a hipótese de que as ferramentas da qualidade trazem benefícios para as empresas de prestação de serviços, aumentando a sua produtividade, de acordo com a diminuição de 25 minutos e 2 segundos no tempo de execução de revisão e no aumento de 19,10% na quantidade total de serviços executados. Com Nível de Confiança de 80%, considera-se que houve redução significativa dos tempos de manutenção de motores de 25 e 40 HP em função do programa de melhoria de qualidade. 45 Foi sugerido ao diretor da empresa que fizesse uma pesquisa de satisfação com seus clientes, para registrar a quantidade de reclamações para apoiar a medição do nível da qualidade. Como o uso de materiais usados na execução dos serviços não são contabilizados foi sugerido também que a empresa futuramente realizasse um registro de consumo para o controle de custos e ganhos da oficina. Para que a empresa mantenha a qualidade atingida, é de suma importância que os padrões das ferramentas continuem a serem aplicados, e que a empresa sempre se preocupe com a sua inovação e destaque no mercado. 46 REFERÊNCIAS ALVES, Fernando Ferreira; SANTOS, Pedro Henrique da Costa. Qualidade total na prestação de serviços. Lins, 2010. 81 p. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Administração). Centro Universitário Católico Salesiano UNISALESIANO CARVALHO, Hilda Alberton; SOARES, Sebastião Ribeiro. Implementação de indicadores de qualidade e desempenho através do gerenciamento por projeto. Curitiba, 2009. 19 p. Artigo. Centro Universitário das Faculdades Associadas de Ensino. Disponível em: <http://www.unifae.br/publicacoes>. Acesso em 3 set. 2014. COSTA, Anderson Araújo. Ferramentas de controle da qualidade aplicáveis na cultura do mamão, no município de Pinheiros-ES. Nova Venécia, 2003. 72 p. Monografia de Conclusão de Curso (Graduação em Administração). Faculdade Capixaba Nova Venécia - UNIVEN. FONSECA, Alex Carneiro Fraga. Qualidade em serviços. Rio de Janeiro, 2004. 64 p. Monografia (Pós-Graduação Lato Sensu em Marketing). Universidade Cândido Mendes. GIL, Antônio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2002. MARSHALL JUNIOR, Isnard et al. Gestão da qualidade. 10. ed. Rio de Janeiro: FGV, 2010. MICHEL, Renato; FOGLIATTO, Flávio. Projeto econômico de cartas adaptativas para monitoramento de processos. Porto Alegre, v. 9, n. 1, p. 17-31, abr. 2002. LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Metodologia do trabalho científico. 4. ed. São Paulo: Atlas, 1992. LONGO, Rose Mary Juliano. Gestão da Qualidade: Evolução histórica, conceitos básicos e aplicação na educação. Brasília, 1996. 15p. Trabalho (seminário). Centro de Tecnologia de Gestão Educacional, SENAC – SP. Disponível em <http://www.repositorio.ipea.gov.br>. Acesso em 19 fev. 2014. PALADINI, Edson Pacheco. et al. Gestão da Qualidade teoria e casos. 10. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2006. PRODANOV, Cleber Cristiano; FREITAS, Ernani Cesar. Metodologia do trabalho científico: métodos e técnicas da pesquisa e do trabalho acadêmico. 2. ed. Novo Hamburgo: Feevale, 2013. RECHULSKI, Denise Kaufman. Sistema de indicadores de produtividade e qualidade para uma empresa de distribuição de GLP. São Paulo, 2004. 101 p. 47 Trabalho de conclusão de curso (Graduação de Engenharia de Produção). Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. VELLOSO, Renata Carneiro. A importância do 5S e da gestão de documentos no arquivo. Rio de Janeiro, 2012. 44 p. Monografia de Pós Graduação (Especialista em Administração da Qualidade). Universidade Candido Mendes. 48 ANEXOS ANEXO A – FICHA DE CAMPO 49 ANEXO B – ITENS DE REVISÃO