“Questão Social” Estudo de Definição e Avaliação de Políticas Públicas, Goiás – Governo Irapuan Costa Júnior, 1975-1979. LACERDA, Simei Silva Pereira de1 Palavras-chave: Políticas Públicas – Questão Social – Governo Irapuan 1 INTRODUÇÃO O objetivo desta pesquisa é estabelecer a relação entre as Políticas Públicas e a “Questão Social” em Goiás com especial atenção ao Governo de Irapuan Costa Júnior, (1975-1979). Neste período específico, a “Questão Social” enquanto “movimento”, é algo quase imperceptível, dado ao governo autoritário exercido pelo Regime Militar (1964-1985) que o país vivenciara e a edição o Ato Institucional nº 5 que desmobilizou e proibiu todo tipo de associação. Portanto as questões sociais – input - não eram colocadas pelos atores envolvidos elas eram antes, percebidas pelo governo e julgadas conforme seus interesses – output - (RUA,1998, p. 232), esclarece que “as políticas públicas por sua vez são outputs resultantes da atividade política” , enquanto que input são os mecanismos de entrada de tais demandas. A linha de analise do trabalho foi o processo de desenvolvimento desencadeado pela “frente de expansão capitalista”, as demandas (input) provenientes deste processo e como este governo formulou respostas (output) a estas demandas. 2 METODOLOGIA Utilizou-se do tipo de estudo descritivo e de pesquisa qualitativa de tipo histórico-estrutural por se configurar como uma opção ideal para uma análise processual, uma vez que a pesquisa qualitativa se preocupa não apenas com os resultados mas também com os processos, visto que nosso objeto não se limita apenas aos resultados obtidos com as políticas públicas, mas também com os 1 Acadêmica do curso de Ciências Sociais, bolsista do PBIC, sob orientação do Prof. Dr. Francisco Itami Campos e Prof. Ms. Augusto César de Almeida mecanismos utilizados, as formas de decisões e implementações das mesmas. A este respeito Trivinos (1987, p. 129) esclarece que: A pesquisa qualitativa de tipo histórico-estrutural, parte também da descrição que intenta captar não só a aparência do fenômeno, como também sua essência. Busca, porém as causas da existência dele, procurando explicar sua origem, suas relações. 3 RESULTADOS E DISCUSSÃO Naquele período o país experimentava o sistema bipartidário, instituído pelo Ato Institucional nº 2, com a Arena representando o governo e o MDB (Movimento Democrático Brasileiro) representando a oposição, oposição esta realizada sob o controle do regime. Segundo Borges (2004) esta é mais uma particularidade do Regime Militar brasileiro, pois em todo o período as eleições continuaram a existir e o Congresso ficou aberto, contudo os partidos políticos não eram partidos no sentido democrático, pois eles não representavam os interesses da população e as eleições não eram eleições no sentido da competição e da busca pelo poder, eles apenas “representavam” a normalidade e garantiam a legitimidade do regime. Em 1974, vislumbra-se o declínio do regime militar e o enfraquecimento do bipartidarismo, naquele ano o “MDB vence a disputa majoritária ao Senado em dezesseis estados, perdendo em apenas cinco” (Borges, 2004, p.138), e a representação da oposição cresce na Câmara dos Deputados e nas Assembléias estaduais. O Governo Federal indicava àquela época o governador, o prefeito e os candidatos ao Senado. É neste contexto que Irapuan Costa Júnior. é conduzido ao cargo máximo do executivo goiano. O plano de governo de Irapuan é orientado pelo II PND – Plano Nacional de Desenvolvimento – e conseqüentemente privilegia os aspectos relacionados com o desenvolvimento do país. Neste período as políticas públicas não eram formuladas no sentido de legitimar o governo, pois este já o era, mas no sentido de legitimar o regime autoritário e conferir normalidade ao país em função das medidas econômicas adotadas em virtude do processo de desenvolvimento, impulsionado pela “frente capitalista” em que o país se inserira e do incentivo às novas tecnologias no campo e nas industrias, o que segundo Estevam (2005, p. 151) alterou o modelo produtivo e as relações de trabalho, [...] com a maior proletarização da força de trabalho no campo a mão de obra rural passou a ser absorvida sazonalmente na agricultura inaugurando perversa forma de “trabalho temporário” [...]. Percebemos então que a industrialização e a tecnificação da agricultura são tomadas a partir da década de 1970 como uma política de governo e como pressuposto ao desenvolvimento, Estevam (2005, p. 149) esclarece: [...] A industrialização da agricultura com apoio do Estado decorreu de um processo de acumulação capitalista – a nível mundial – propulsionado a partir da segunda metade do século [...]. Os processos produtivos da agricultura tiveram que se adequar às inovações impressas pelo capitalismo. O Estado por sua vez, tratou de promover o financiamento das “novas forças” produtivas, e acabou por privilegiar os maiores produtores tecnificados em detrimento dos produtores tradicionais, causando o empobrecimento destes. E sobretudo causando a migração dos agricultores para os aglomerados urbanos. Estão colocados então as duas grandes demandas sociais que o governo Irapuan Costa Júnior tem como desafio, o problema do desemprego e o déficit habitacional. 4 CONCLUSÃO A repressão ao potencial reinvidicatório da população, impresso pelo regime autoritário, resultou em políticas públicas que foram criadas com o claro objetivo de legitimar as ações do governo e do Estado, percebemos nitidamente este fato na leitura do Plano de Governo de Irapuan intitulado, Diretrizes Gerais e Setoriais da Ação do Governo Irapuan Costa Júnior 1975-1979, no item - Princípios básicos que norteiam as diretrizes da ação governamental, [...] serão consideramos os interesses políticos, econômicos e sociais da comunidade, ... na devida conta, desde que legítimos”, verificamos aqui que o governo atribuía a si somente a capacidade de julgar as necessidades da sociedade. 5 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: ESTEVAM, Luiz. O tempo da transformação : Estrutura e dinâmica da formação econômica de Goiás. Goiânia: 2 ed. Editora da UCG, 2004. SOUZA, Dalva Borges (Org.). Goiás: Sociedade e Estado. Goiânia. Editora Cânone, 2004. TRIVINOS, Augusto Nivaldo Silva. Introdução à Pesquisa em Ciências Sociais : A Pesquisa Qualitativa em Educação. São Paulo. Editora Atlas S.A., 1987. RUA, Maria das Graças. O estudo da política: Tópicos selecionados. São Paulo: Editora Paralelo 15, 1998.