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AVALIAÇÃO DO GRAU DE POLUIÇÃO DO RIACHO CRUZ DAS
ALMAS E SUAS IMPLICAÇÕES NA BALNEABILIDADE DA PRAIA
Carlos Roberto Santos (1)
Engenharia Civil - UFAL - 1981 especialização em engenharia sanitária 1997 chefe da seção eletromecânica da Companhia de Abastecimento
d’Água e Saneamento do Estado de Alagoas - CASAL.
Rosângela Sampaio Reis
Mestre em Engenharia Sanitária e Ambiental - UFPB professora assistente
da Universidade Federal de Alagoas - UFAL.
Endereço(1): Conjunto Sta. Madalena, 87 - Feitosa - Maceió - AL - CEP:
57045-000 - Brasil - Tel: (082) 320-1302.
RESUMO
O Trabalho resulta de uma análise das condições ambientais existentes na praia de Cruz das
Almas, localizada em Maceió, decorrentes da poluição do riacho de mesmo nome tendo como
principal fonte, o lançamento indevido de esgotos sanitários às galerias de águas pluviais, que
por sua vez são conduzidos ao mesmo. Os locais para análise do grau de poluição ao longo do
riacho foram demarcados em função da maior ou menor concentração de poluentes, por
percepção visual, na tentativa de se obter conclusões a cerca da autodepuração ao longo do
mesmo, até o local do lançamento na praia. Parâmetros como medição de vazão, pH,
Temperatura, OD, DBO e análise bacteriológica, foram utilizados em duas fases distintas, no
inverno e verão para se avaliar a influência das chuvas sobre a concentração da matéria
orgânica, já que a montante do mesmo rio há o depósito do lixo urbano de toda cidade.
Foram também coletados dados técnicos em órgãos como a CASAL, IMA e análises feitas “in
loco”.
A escolha da praia deveu-se exclusivamente a situação favorável do local ao crescimento
turístico já que é uma área privilegiada com a existência de hotéis de porte.
PALAVRAS -CHAVE: Riacho Cruz das Almas, Contaminação, Balneabilidade.
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INTRODUÇÃO
Ao longo dos tempos o êxodo rural aliado ao crescimento populacional nas grandes cidades
levou o homem a ocupar espaços no solo das mais diversas formas, sem haver um
planejamento urbano por parte dos órgãos públicos. A falta de um critério ou mesmo de uma
fiscalização dessas ocupações foi um dos motivos que levou a população a não seguir normas
de construção nos padrões estabelecidos, repercutindo em grandes erros. Os desmatamentos
das áreas verdes, inclusive com mais freqüência nas encostas de morros, tornou-se prática
comum da população pobre e desabrigada oriunda do campo, que sem ter um meio de
sustento, procurou os grandes centros e cidades litorâneas. Em consonância com esta ocupação
desenfreada e sem um mínimo de planejamento, as cidades foram crescendo, e junto ao
crescimento a devastação dos recursos naturais, essenciais a sobrevivência do homem. Também
a falta de educação ambiental em todos os níveis da sociedade tornou-se fato relevante, pois
percebe-se claramente pouca preocupação na manutenção das condições mínimas do ambiente
nos trabalhos da especulação imobiliária.
A cidade de Maceió retrata bem este fato, pela própria paisagem desconfortável hoje existente
nas suas praias e lagoas com a presença de inúmeros lançamentos indevidos de dejetos.
A inexistência do saneamento em 80% da cidade contribui para o panorama grave que se vê e
que não está muito distante dos grandes centros urbanos a exemplo de São Paulo e Rio de
Janeiro, cuja orla marítima tornou-se imprópria para banho em quase sua totalidade e até
mesmo pelo acelerado processo de ocupação urbana sem o correspondente incremento do
esgotamento sanitário .
Como efeito da falta de saneamento as populações adotaram soluções das mais diversas para
escoamento dos esgotos, desde a construção de fossas negras, sépticas e sumidouros, no caso
dos edifícios até o lançamento “in natura” diretamente às valas, galerias pluviais e canais de
drenagem, sendo este o fator preponderante para o atual caos e motivo de nosso estudo.
O local a que nos reportamos no presente trabalho retrata apenas uma situação isolada, mas
que espelha diversas ocorrências ao longo da orla.
A praia de Cruz das Almas tem localização privilegiada pelos grandes investimentos turísticos já
existentes e outros previstos para o futuro. A beleza do mar atrai turistas de todos os estados do
país, porém, observa -se uma situação constrangedora que afugenta os visitantes e moradores
locais.
O riacho Cruz das Almas, conhecido na mapoteca do IBGE por riacho Água de Ferro, tem um
curso d’água intermitente, pois apenas nas épocas chuvosas o fluxo d’água se estabelece quase
que contínuo, diferentemente do verão quando o leito seca e recebe unicamente efluentes
constituídos puramente de esgotos domésticos, alterando a paisagem ao longo de sua extensão
e lançamento na praia. Devido a pouca extensão a autodepuração não acontece, uma vez que
ao longo do mesmo trecho observam-se lançamentos em pequenas proporções, retratando aí o
descaso existente.
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A galeria de maior contribuição, construída exclusivamente para drenar águas das chuvas
recebe o fluxo de esgotos de conjuntos habitacionais existentes nas adjacências, bem como das
áreas doravante denominadas áreas verdes, mas que foram ocupadas pela população pobre,
que não tem outra alternativa senão a de livrar-se dos esgotos lançando-o “in natura”. A
precariedade de vida destes habitantes denotam a falta de condições para adequação dos
esgotos, até mesmo pela falta de estrutura no local com a ocupação imprópria da área. Nas
épocas chuvosas o problema se agrava pelo carreamento de mais impurezas para os cursos
d’água.
Além dos esgotos há um outro agravante que é o lançamento do lixo diretamente sobre o canal,
que nem sempre deve-se a inexistência de coleta, mas por conta da falta de um programa de
educação ambiental e hábitos de higiene.
METODOLOGIA
As coletas tiveram uma programação com base nos períodos de estiagem, no caso verão e de
chuvas intensas a partir de pontos determinados ao longo do riacho Cruz das Almas, conforme
indicação na Figura1.
Os ensaios consistiram na determinação da concentração de oxigênio dissolvido , demanda
bioquímica de oxigênio, temperatura, pH, vazão do canal e coliformes totais.
Amostragem
Para a coleta de amostras no período de verão, os pontos iniciais tiveram a seguinte
distribuição, conforme se vê na Figura 1 (pontos 3, 4 e 5). O ponto 3 localizou-se um pouco
antes da galeria pluvial.
O ponto 4, localizou-se nas laterais da ponte na pista da Av. Gustavo Paiva, logo após a galeria
de águas pluviais, sendo também observado as condições ideais de acesso, bem como
favoráveis à medição de vazão. Foi observado ainda que mesmo neste período há fluxo na
galeria pluvial que deve ser de esgotos, provenientes de conjuntos habitacionais de média e
baixa renda existente nas proximidades.
O ponto 5, um dos mais importantes, ficou localizado na foz do riacho às margens da praia,
onde todo efluente é lançado, para se ter uma idéia da carga poluidora naquele local, onde há
também influência dos ventos e marés determinando uma pluma e área de influência sempre
variável.
Já os pontos 1 e 2, só foram demarcados no período de inverno e a montante dos demais
pontos citados uma vez que não havia fluxo d’água no verão naquele local.
A distância entre tais pontos foi bastante variável face as situações já enfocadas. A distancia
média entre os pontos 1 e 5 foi de 1000 metros. Entre os pontos 3 e 4 foram medidos apenas
20 metros por estes se localizarem exatamente antes e após, respectivamente, a galeria pluvial.
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Freqüência e Horário de Coleta
Obedeceu-se o horário de coleta compreendido entre 10:00 e 12:00 horas do dia exatamente
correspondente ao período de maior vazão de efluentes, até porque se verifica que neste
horário ocorre maior carga poluidora, Metcalf e Eddy (1979).
A freqüência de coleta ficou estabelecida em períodos de 15 dias num total de quatro coletas
em cada ponto delimitado no período de verão e três no período de inverno, excluindo-se dias
feriados e finais de semana face a dificuldades de realização dos ensaios principalmente o
bacteriológico.
Parâmetros e Métodos Analíticos Utilizados
Foram realizadas análises físico-químicas e bacteriológicas.
As análises físico-químicas consistiram na determinação da temperatura, pH, OD e DBO.
A temperatura foi determinada em cada local delimitado sendo medidas no ar e efluente. A
determinação da OD foi feita pelo método de Winkler, utilizando-se na coleta um frasco de
DBO de 300ml. No momento da coleta a amostra foi devidamente estabilizada com sulfato
manganoso e azida sódica e encaminhada ao laboratório.
O método para determinação da DBO foi o da incubação com diluição. A coleta foi realizada
com vidros especiais para DBO, com rosca esmerilhada e devidamente numerados. Logo após
a coleta os frascos foram condicionados em recipiente térmico e encaminhados ao laboratório.
Após determinada a OD inicial e a amostra ter sido incubada por 5 dias determinou-se o
oxigênio dissolvido na mesma.
O método empregado para medição do pH foi o eletromérico. Utilizando-se um potenciômetro
devidamente calibrado com solução de pH conhecido, mediu -se o pH das amostras.
Para a bacteriologia foi utilizado o método dos tubos múltiplos. Nos mesmos dias das coletas
de amostras para determinação da OD e DBO foram coletadas amostras para o ensaio
bacteriológico, com frascos de roscas esmerilhadas e numerados de acordo com o ponto de
coleta. As amostras a exemplo da DBO foram condicionadas em recipiente térmico e
imediatamente levadas ao laboratório onde iniciou-se uma sucessão de diluições e consequente
inoculação em meios de cultura. Todo procedimento desta e demais análises seguiram o
STANDARD METHODS.
Para medição de vazão foram utilizados dois métodos distintos. No verão utilizou-se o vertedor
triangular de 90° cuja vazão é estimada pela fórmula de Francis. No inverno este método se
tornou impraticável visto a elevação de vazão devido a contribuição das chuvas. Neste caso
utilizou-se flutuadores, determinando-se previamente a área da seção do riacho através da
batimetria.
Local das Análises
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As amostras após coletadas foram imediatamente levadas ao laboratório obedecendo-se
criteriosamente todos os procedimentos adotados no STANDARD METHODS. Para
determinação do pH, OD e bacteriologia foi utilizado o laboratório da CASAL. A DBO foi
determinada no laboratório do IMA.
APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS E DISCUSSÃO
Pelas características físico-químicas e bacteriológicas apresentadas, podemos dirimir algumas
dúvidas com respeito à origem do efluente analisado.
O quadro 1 mostra os resultados dos ensaios de oxigênio dissolvido e temperatura encontrados
nos pontos 3, 4 e 5 no período de verão.
Quadro 1: Valores de OD em mg/l e temperatura em °C obtidos no verão.
PONTOS
3
4
5
25/10/95
8
24
4
28
0
27
DATAS
08/11/95
6,6
30
0
29
0
31
22/11/95
1,8
26,5
0
28
0,8
27,5
07/12/95
1
28,5
0
29
1
31
Podemos observar que o ponto 3 localizado antes da galeria pluvial, tendeu a resultados um
pouco superiores aos demais, sendo registrada em uma das coletas 8mg/l de OD, significando
com isso haver ainda alguma aeração natural no curso d’água, ao contrário do ponto 4 onde já
ocorreu um decréscimo na primeira coleta reduzindo ao estado séptico nos dias seguintes, pois
a poucos metros a montante deste ponto são lançados esgotos domésticos , oriundos de uma
galeria de águas pluviais.
Foi observado também que os esgotos clandestinos conectados a esta galeria são provenientes
do lançamento em sua maior parte de um conjunto de edifícios residenciais.
Neste local foram efetuadas medições de vazão obtend o-se uma média de 28m3/h. A
temperatura do efluente ficou no intervalo de 24ºC a 33,5ºC, favorável ao crescimento
bacteriano.
No ponto 5 próximo a praia foram obtidos resultados baixos, com valores nulos nos dois dias
iniciais. No trecho compreendido entre os pontos 4 e 5 foram localizados lançamentos de
esgotos subsequentes, provenientes dos quintais de residências ao longo das margens do riacho,
caracterizando uma poluição difusa, devido a distribuição da descarga de dejetos quase
uniforme, justificando assim a redução nos valores de OD encontrados. Vale salientar que neste
mesmo trecho do riacho o leito é recoberto de concreto não havendo infiltração considerável,
favorecendo inclusive a formação do lodo devido a camada sedimentada dos esgotos, o que
não ocorre nos demais locais. Há ainda a influência não em períodos contínuos, das águas do
mar.
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Os resultados encontrados no inverno como se vê no quadro 2 não representaram alteração
considerável em relação aos dados iniciais, observando-se inclusive uma redução da OD no
ponto 4. Para águas da classe 8, destinadas à recreação de contato secundário e fins de
navegação a resolução do CONAMA fixa o valor do OD em 3mg/l O2 , não podendo ocorrer
valores inferiores. O valor máximo encontrado no local foi de 1mg/l O 2.
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Quadro 2: Valores de OD em mg/l e temperatura em °C obtidos no inverno.
PONTOS
1
2
3
4
5
12/06/95
1,4
29,5
29,5
4,4
30
0
30
0
28,5
DATAS
27/06/95
1,6
31
1,2
33,5
1,6
32
1
30,5
0,6
30
31/07/95
1,3
27
0,9
27
0
26,5
0,6
26
0,7
26
Nos pontos localizados a montante da galeria os resultados do OD foram baixos se
comparados a situação favorável da não incidência de lançamentos de dejetos diretamente
sobre o riacho, pois na condição de um regime intermitente era de se esperar maior aeração
natural no curso d’água, porém a ocupação de casebres nas encostas dos morros e a existência
do lixão urbano com certeza influíram nos resultados. Neste caso a hipótese de haver maior
diluição e conseqüente redução da carga orgânica com a interferência das chuvas ficou
descartada até porque houve um grande incremento no teor de impurezas, provenientes do lixo
daquelas áreas que são carreados pelo escoamento. Os valores de pH medidos neste período
ficaram entre 6,27 e 6,65, (ver quadro 3 abaixo), caracterizando uma solução ácida indicada
para a ocorrência do processo inicial da oxidação biológica.
Normalmente o processo de oxidação realizado pelas bactérias tende a reduzir o pH. Com a
ausência de oxigênio os microorganismos facultativos produzem compostos malcheirosos a
exemplo do gás sulfídrico. Devido a pouca extensão do riacho estudado, a autodepuração do
efluente torna-se impossível, havendo em consequência o lançamento no mar de grande carga
orgânica.
Quadro 3: valores do pH obtidos no inverno.
PONTOS
1
2
3
4
5
pH
6,40
6,36
6,65
6,20
6,27
Com relação a demanda bioquímica de oxigênio DBO (ver quadro 4),os resultados foram
surpreendentes se comparados os períodos de coleta, verão e inverno. A DBO registrada no
verão alcançou valores entre 43,9 mg/l e 98,6 mg/l (valor máximo).
Quadro 4: Valores da DBO em mg/l.
PONTOS
1
2
3
verão
25/10/95
43,9
inverno
27/06/96
161,7
146,6
132,7
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4
98,6
148,6
5
76,8
166,1
Já no período de inverno onde o fluxo d`água a montante do lançamento passou a existir, com
uma vazão média de 120m3/h, quatro vezes superior à medida no verão, os resultados atingiram
valores entre 132,7 a 166,10 mg/l. Mais uma vez comprovou-se que as águas da chuva não
influíram no processo de diluição da matéria orgânica como esperava-se.
Mas para melhor avaliarmos o grau de poluição do riacho e seus efeitos na praia analisamos os
dados referentes a concentração de coliformes totais, (Quadro 5 e 6) e constatamos que apesar
de algumas variações nos resultados, por ser a composição dos esgotos muito complexa a
depender do local e hora de coleta o valor mínimo encontrado foi de 40000 NPM/100ml,
muito superior ao valor máximo permissível, que segundo o CONAMA é da ordem de
1000NPM/100ml para águas da classe 5, destinadas à recreação de contato primário.
Quadro 5: Valores de COLIFORME TOTAL em NPM/100ml (x103) obtidos no verão.
PONTOS
3
4
5
25/10/95
800
2900
11000
DATAS
08/11/95
920
24000
5500
22/11/95
1600
3400
60
07/12/95
3500
22000
16000
Quadro 6: Valores de COLIFORMES TOTAIS em NPM/100ml (x10 3) obtidos no
inverno.
PONTOS
1
2
3
4
5
12/06/96
3500
340
5400
170
270
DATAS
27/06/96
2200
90
60
330
120
31/0796
170
120
40
9200
70
Nos pontos a montante da galeria de lançamentos de dejetos, pontos 1 e 2 foram obtidos
valores de 90000NPM/100ml a 3500000NPM/100ml. Conforme citado anteriormente , no
período de inverno este local sofre a influência do carreamento de impurezas, oriundas da área
onde é depositado o lixo urbano de toda cidade. A área também é ocupada por uma população
de baixa renda que lança os esgotos a céu aberto e em consequência, as chuvas transportam
estes ao curso d`água do riacho.
Nos pontos intermediários os resultados encontrados no verão alcançaram valores altíssimos,
principalmente no o ponto 4, por estar a poucos metros do lançamento de dejetos. Valores da
ordem de 2900000 a 24000000NPM/ml foram registrados.
Para avaliarmos o efeito da poluição na praia verificamos que no ponto 5 os resultados foram
mais altos no verão pois mostram que temos o lançamento de um efluente contaminado. Não
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havendo influência das marés os esgotos ficam quase que estagnados, aumentando
consideravelmente a carga orgânica. Parte se infiltra no solo e outra se escoa em direção ao mar
caracterizando visualmente a área poluída.
Exames bacteriológicos realizados pela CASAL a fim de avaliar a balneabilidade das praias,
indicaram no ponto 23 defronte a foz do riacho Cruz das Almas valores da ordem de 790 a
14000NPM/ml. No período de agosto /95 a setembro/95, os exames bacteriológicos
mostraram resultados de 92000, 5400 e 28000 NPM/100ml, (Anexo III ) em intervalos de
menos de 15 dias.
No período de julho a setembro/96 foram registrados valores de 9200 e 14000 NPM/100ml,
(Anexo III ) também em intervalos de tempo curto.
Estas análises são realizadas periodicamente com amostras da água do mar sendo inclusive
observado em alguns casos os pontos que tiveram influência dos despejos oriundos de galerias
pluviais, canais de drenagem e incidência de chuvas. Os dados são enviados posteriormente ao
IMA para monitoramento e divulgação e delimitação das praias próprias para banho.
Em comparação com os dados obtidos no ponto 5, fora da influência das águas marinhas, com
exceção dos períodos de marés altas, conclui-se que mesmo nas águas salinas a concentração
de coliformes se manteve alta, apesar do elevado grau de diluição.
CONCLUSÃO
A resolução do CONAMA n.º 20 de 18/06/86, (Anexo II), prevê padrões de qualidade dos
corpos receptores, além de padrões para o lançamento de efluentes e balneabilidade.
Os dados de OD, DBO e Coliformes Totais encontrados no efluente analisado superam os
valores mínimos exigidos.
Na classe 4 encontram-se as águas destinadas à navegação, à harmonia paisagística e aos usos
menos exigentes. O OD exigido para esta classificação é superior a 2,0mg/l de O2 em qualquer
amostra, valores estes não muito comuns nas análises efetuadas.
Em relação à análise da DBO os valores estão inferiores aos característicos do esgoto
totalmente bruto que é da ordem de 300mg/l, porém possui características de um esgoto com
tratamento primário.
Para as águas da classe 5 destinadas a recreação de contato primário e proteção às
comunidades aquáticas a resolução prevê uma DBO até 5mg/l O2 . O efluente lançado na praia
chega com uma DBO de 45mg/l O2, quase dez vezes mais o valor estipulado.
Em termos de balneabilidade o efluente em questão não se enquadra nas exigências da
resolução pois o menor valor encontrado nos ensaios bacteriológicos foi de 40000
NPM/100ml.
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O artigo 26 da mesma resolução diz que as águas doces, salobras e salinas destinadas a
balneabilidade (recreação de contato primário) serão enquadradas e terão sua condição
avaliada nas categorias Excelente, muito boa, satisfatória e imprópria.
No caso de praias, as categorias Excelente, Muito Boa e satisfatória ficam restritas a uma única
categoria denominada própria. Desta forma esta categoria é atingida quando em 80% ou mais
de um conjunto de amostras obtidas em cada uma das cinco semanas anteriores, colhidas no
mesmo local, houver no máximo 1000 coliformes fecais/100ml ou 5000 coliformes
totais/100ml. Esta condição ocorreu com pouquíssima freqüência.
Já para a categoria Imprópria a resolução prevê a exigência das seguintes circunstâncias;
-
Não enquadramento em nenhuma das categorias anteriores, por terem ultrapassado os
índices bacteriológicos nelas admitidos.
Sinais de poluição por esgotos, perceptíveis pelo olfato e visão.
Recebimento regular, intermitente ou esporádico, de esgotos por intermédio de valas,
corpos d`água ou canalizações, inclusive galerias de águas pluviais, mesmo que seja de
forma diluída.
Observa -se portanto que os itens citados da resolução correspondem exatamente a atual
condição da praia devido a influência do riacho.
De um modo geral, o aspecto do riacho e seus efeitos na praia, revelam com bastante clareza
um quadro de degradação ambiental por efeitos poluidores com indícios também da influência
do chorume proveniente do lixo urbano da cidade, observado durante o período das chuvas,
cujos resultados obtidos da DBO foram elevados, requerendo medidas enérgicas no que diz
respeito ao afastamento dos focos poluidores.
Em se tratando de se estudar uma solução para o tratamento e destino final dos esgotos
observou-se que as condições não são favoráveis ao simples bombeamento da foz do riacho
para o coletor mais próximo, pois este se situa a uma distância média de mais de 5 km, além de
não evitar o lançamento através de outras galerias existentes nas imediações. Um dos conjuntos
habitacionais que contribui com grande parcela de poluição privatizou os serviços de água e
esgotos visando menor custo, porém deixou de operar o sistema de esgotamento já existente,
que conduz os esgotos para o Emissário Submarino. As áreas circunvizinhas não possuem
saneamento básico.
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Figura 1. Localização dos Pontos de Coleta.
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Figura 2. Foto do Riacho Cruz das Almas no inverno
Figura 3. Foto do Riacho Cruz das Almas no verão.
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Avaliação do grau de poluição do Riacho Cruz das almas