ANÁLISE DO CONTROLE POSTURAL DE INDIVÍDUOS COM SÍNDROME
DE DOWN
Bruna Félix Apoloni (PIBIC/Fundação Araucária - UEM), Prof. Dr. José Luiz
Lopes Vieira (Orientador), e-mail: [email protected]
Universidade Estadual de Maringá/Departamento de Educação
Física/Maringá, PR
Ciências da Saúde – Educação Física
Palavras-chave: Síndrome de Down, Controle Postural, Desenvolvimento
Motor
Resumo:
Esta pesquisa objetivou analisar o controle postural em crianças com
Síndrome de Down. A amostra foi composta por crianças com faixa de idade
entre 36 e 110 meses, divididos em dois grupos: G1 - com faixa etária de 36
a 71 meses e G2 - de 72 a 110 meses. Para a aquisição dos dados, os
sujeitos realizaram três tentativas de permanecer em posição ereta por um
período de vinte segundos sobre uma plataforma de força (Biomec 400,
EMG System do Brasil). Foram analisadas as variáveis do centro de pressão
(COP): posição ântero-posterior (AP) e médio-lateral (ML); amplitude média
de deslocamento AP e ML, velocidade AP e ML, freqüência média AP e ML,
área de deslocamento e deslocamento total do COP. Para testar a
normalidade dos dados utilizou-se o teste de Shapiro-Wilk e para
comparação entre os grupos o Teste t de student para amostras
independentes. Verificou-se diferença estatisticamente significativa entre os
grupos na variável velocidade ântero-posterior. Os resultados corroboram
com a literatura existente ao demonstrar que com o aumento da idade as
crianças apresentam diminuição dos valores médios de oscilação corporal.
Introdução
O desenvolvimento motor na infância caracteriza-se pela aquisição de
um amplo espectro de habilidades motoras, que possibilitam às crianças
dominarem o seu corpo em diferentes posturas, locomoverem-se pelo meio
ambiente de variadas formas e manipular objetos e instrumentos diversos.
Essas habilidades motoras são requeridas para a condução de rotinas
diárias em casa, na escola, e também, como propósito lúdico, tão
característicos da infância que são vistas como alicerce para a aquisição de
habilidades motoras especializadas. Nas crianças com Síndrome de Down, o
desenvolvimento motor e cognitivo apresenta atrasos ou defasagens
comparadas a indivíduos que não possuam nenhum tipo de necessidade
especial (SANCHES E SOUZA, 2002).
As diferenças motoras entre indivíduos com Síndrome de Down e
Anais do XIX EAIC – 28 a 30 de outubro de 2010, UNICENTRO, Guarapuava –PR.
indivíduos neurologicamente normais são evidentes, sendo que nos
indivíduos com Síndrome de Down, as habilidades motoras são adquiridas
mais tarde e apresentam diversas características de controle motor,
diferentes em relação às crianças com desenvolvimento típico.
Em relação ao controle postural, diversos estudos apontam estas
diferenças existentes. Entre estes, Shumway–Cook e Woollacott (1985)
mostraram que indivíduos com Down possuem dificuldades para responder
a perturbações posturais e demoram a produzir respostas motoras. Aruin e
Almeida (1997), afirmam que pessoas com esta síndrome apresentaram
diferenças quanto aos mecanismos de ajustes posturais antecipatórios, além
disso, Kokubun et al. (1997) sugeriram que a hipotonia muscular pode
influenciar no controle postural em indivíduos com Síndrome de Down.
Assim, faz-se necessário que o controle postural em indivíduos com
Síndrome de Down seja investigado, de forma que os estudos realizados
possam contribuir para a elaboração de estratégias que contribuam no
desenvolvimento do controle postural nesta população.
Materiais e métodos
Este estudo descritivo teve como sujeitos de pesquisa crianças com
síndrome de Down regularmente matriculadas na APAE de Maringá- Pr. A
população inicial incluiu todos os indivíduos com Síndrome de Down na faixa
de idade entre 36 a 110 meses. A partir do preenchimento pelos pais do
termo de consentimento livre e esclarecido, a amostra foi formada por 13
crianças que foram divididas em dois grupos: (G1) com faixa etária de 36 a
71 meses e (G2) de 72 a 110 meses.Este estudo foi aprovado pelo Comitê
de Ética em Pesquisa envolvendo Seres Humanos da Universidade Estadual
de Maringá (Parecer de Aprovação n° 414/2010).
Para avaliação do controle postural foi utilizada uma plataforma de
força BIOMEC-400 (EMG System do Brasil Ltda.) de medida 50x50 cm,
posicionada em uma cabine com três divisórias feitas de papelão (2,0 x 1,2 x
1.2 metros, sendo altura, largura e comprimento), sendo que o centro da
plataforma estava posicionado a um metro da parede anterior.
A tarefa consistiu em permanecer em posição ereta e mais estática
possível, sobre a plataforma com os braços posicionados confortavelmente
ao longo do corpo e sem um estabelecimento prévio do posicionamento dos
pés. Porém o avaliador informou para que a distância escolhida para os pés
não ultrapassasse a largura dos ombros, que é considerada a base de
apoio. Para a coleta de dados cada sujeito permaneceu descalço e realizou
três tentativas (Corriveau, Hébert, Prince & Raîche, 2001) de vinte segundos
cada. A tentativa foi considerada válida quando a criança permaneceu por
pelo menos 10 segundos durante a coleta sem movimentos bruscos ou
mudanças na posição dos pés (Barela et al, 2000).
A análise e o registro do centro de pressão e de suas variáveis foram
realizados por meio da técnica da estabilometria sendo que as variáveis
descritas neste estudo são: posição ântero-posterior (AP) e médio-lateral
(ML); deslocamento total; amplitude (AP e ML); área de oscilação;
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velocidade (AP e ML) e freqüência média (AP e ML). Para análise estatística
foi verificada a normalidade dos dados por meio do teste de Shapiro Wilk e
devido à normalidade dos dados utilizou- se o teste t de student para
comparação das médias dos grupos amostrais.
Resultados e Discussão
Estudos indicam que a quantificação da oscilação do centro de pressão
através da estabilometria é uma importante ferramenta para a avaliação do
equilíbrio e conseqüentemente do funcionamento do sistema de controle
postural de indivíduos. Variáveis como freqüência, velocidade e amplitude
de oscilação são amplamente utilizadas para esta avaliação postural
(BARELA, 2000). Desta forma, apresenta-se a seguir a Tabela 1 com os
valores médios das variáveis do controle postural dos grupos.
Tabela 1 – Valores médios das variáveis do controle postural em crianças
com Síndrome de Down com idades entre 36 a 110 meses
Variáveis
Posição AP
Posição ML
Amplitude média AP
Amplitude média ML
Velocidade média AP
Velocidade média ML
Freqüência Média AP
Freqüência Média ML
Área do COP
Deslocamento total
G1
G2
36-71 meses
72-110 meses
4.79 ± 5.71 cm
6.29 ± 4.80 cm
- 0.20 ± 4.81 cm
- 3.24 ± 4.32 cm
7.72 ± 2.61 cm
5.84 ± 3.32 cm
10.26 ± 4.28 cm
8.78 ± 8.61 cm
2.18 ± 0.62 cm/s
1.47 ± 0.49 cm/s
2.34 ± 0.69 cm/s
1.68 ± 0.79 cm/s
0.16 ± 0.04 Hz
0.16 ± 0.0.32 Hz
0.16 ± 0.05 Hz
0.18 ± 0.07 Hz
1.43 ± 57.61 cm2
0.21 ± 88.15 cm2
169.87 ± 24.40 cm 137.69 ± 43.87 cm
P
0.63
0.27
0.27
0.68
0.05*
0.14
0.83
0.69
0.78
0.11
p≤0,05*
A variável velocidade AP e ML determinam o quão rápidos foram os
deslocamentos em cada direção e nota-se que as crianças com síndrome de
Down na idade de 36 a 71 meses (G1) apresentaram valores médios de
velocidade ântero-posterior estatisticamente maior que o apresentado pelo
grupo com idade entre 72 a 110 meses (G2). Isto pode ser explicado pelo
fato de um dos grupos (G1) ser composto por crianças mais novas e que de
acordo com Figura et al (1991) estas oscilam mais que crianças mais velhas.
O grupo de crianças com síndrome de Down com idade entre 36 a 71
meses (G1) apresentou valores médios superiores nas variáveis: amplitude
média de deslocamento AP e ML, velocidade ML, área e deslocamento do
centro de pressão quando comparadas com as crianças com síndrome de
Down com idade entre 72 a 110 meses (G2). Por outro lado, apresentou
valores médios inferiores nas variáveis posição AP e ML e ambos os grupos
apresentaram o mesmo valor para freqüência média AP e diferença
estatisticamente significativa foi encontrada na velocidade ântero-posterior
entre os grupos de crianças com Síndrome de Down. As crianças com
síndrome de Down mais novas apresentaram valores que representam uma
maior oscilação corporal quando comparados ao grupo de crianças com
Anais do XIX EAIC – 28 a 30 de outubro de 2010, UNICENTRO, Guarapuava –PR.
idade mais avançada, apesar desta diferença não ser estatisticamente
significativa, representa uma melhoria no desenvolvimento do controle
postural (FIGURA et al, 1991). Os dados demonstraram que a amplitude
médio-lateral apresentou valor médio superior em relação à amplitude
ântero-posterior em ambos os grupos, sendo que autores como Mochizucki
e Amadio (2003) afirmam que de forma geral os valores maiores são da
amplitude ântero-posterior.
Em relação às freqüências médias nota-se que a diferença entre os
grupos não foi significativa, mas que os valores obtidos para ambos os
grupos correspondem a valores obtidos por crianças mais velhas onde a
média de freqüência está entre 0.1 e 0.8Hz (RIACH & HAYES, 1987).
Portanto, as crianças com síndrome de Down de idade 36 a 71 meses
obtiveram um ótimo resultado nesta variável, assim o menor deslocamento
total parece não ser influenciado negativamente por esta variável.
Conclusões
Com o presente estudo observamos que as crianças com Síndrome
de Down com idade entre 72 a 110 meses apresentaram diminuição em
variáveis como amplitude de deslocamento ântero-posterior e médio-lateral,
velocidade médio-lateral, área e deslocamento do centro de pressão que
são representativas do controle postural, quando comparadas as crianças
com idade entre 36 a 71 meses.
Referências
1- Aruin, A. S.; Almeida, G. L. A Coativation Strategy in Anticipatory Postural
Adjustments in Persons with Down Syndrome. Motor Control.
2- Barela, J. A. et al.Controle postural em crianças:oscilação corporal e
freqüência de oscilação. Rev. Pau. de Educação Física, São Paulo, 2000.
3- Corriveau, H. et al. Postural control in the elderly: an analysis of test-retest
and interrater reability of the COP-COM variable. Arch.Phys. Med.Reh. 2001.
4- Figura, F. et al Assessment of static balance in children. The Journal of
Sport Medicine and Phisical Fitness. 1991.
5- Kokubun, M. et al. Comparison of postural control of children with Down
syndrome and those with other forms of mental retardation. Perceptual and
Motor Skills. 1997.
6- Riach C. L; Hayes, K. C. Maturation of Postural Sway in Young Children.
Developmental Medicine and Child Neurology. 1987.
7-Sanches, J.G.; Filó, A.S. de; Souza, P.L.Psicomotricidade e
Desenvolvimento da criança portadora de Síndrome de Down: A
Contribuição do professor de Educação Física neste processo. Rev. Cie. da
FAMINAS. 2006.
8- Shumway-Cook, A.; Woollacott, M. H. Dynamics of postural control in child
with Down syndrome. Physical Therapy. 1985.
9- Mochizuki, L.; Amadio, A.C. Aspectos biomecânicos da postura ereta: a
relação entre o centro de massa e o centro de pressão. Rev.Port. de Ciên.
do Desporto.2003.
Anais do XIX EAIC – 28 a 30 de outubro de 2010, UNICENTRO, Guarapuava –PR.
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