UNIVERSIDADE ANHEMBI MORUMBI PATRICIA POLICASTRO NASCIMENTO PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO EM COOPERATIVAS HABITACIONAIS SÃO PAULO 2006 2 PATRICIA POLICASTRO NASCIMENTO PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO EM COOPERATIVAS HABITACIONAIS Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como exigência parcial para obtenção do título de Graduação do Curso de Engenharia Civil da Universidade Anhembi Morumbi Orientadora: Prof. MSc. Jane Luchtenberg Vieira SÃO PAULO 2006 3 PATRICIA POLICASTRO NASCIMENTO PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO EM COOPERATIVAS HABITACIONAIS Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como exigência parcial para obtenção do título de Graduação do Curso de Engenharia Civil da Universidade Anhembi Morumbi. Trabalho___________________em:____de______________________de 2006 _____________________________ Prof. MSc. Jane Luchtenberg Vieira _____________________________ Prof. Dr. José Carlos Bernardino Comentários:_____________________________________________________ _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ 4 Dedico essa pesquisa aos Engenheiros que, assim como eu, acreditam em um futuro de qualidade para a Construção Civil Brasileira. 5 AGRADECIMENTOS Agradeço à todos meus professores por me mostrarem a arte de compreender e amar a Engenharia, em especial a professora MSc. Jane Luchtenberg Vieira, orientadora desta pesquisa, pela atenção e dedicação. Aos meus amigos pelo incentivo e aos meus pais pela pessoa digna e obstinada que me ensinaram ser. 6 RESUMO As Cooperativas Habitacionais são entidades que existem com o propósito de oferecer imóveis a preço de custo, opção favorável à baixa condição financeira da maioria da população brasileira. Fazem parte do setor de empreendimentos imobiliários, que assim como o restante do mercado de Construção Civil do Brasil, têm se deparado com a necessidade da implantação de ações de melhorias tanto nas etapas iniciais (como elaborações de projetos e planejamentos diversos), quanto na execução das obras. Necessidade que ocorre devido à grande concorrência e como tentativa de minimizar o custo, que flutua constantemente neste ramo de atividades. Na construção de habitações, além da importância dos custos, há também a preocupação com a satisfação dos usuários. O Planejamento Estratégico faz-se instrumento de trabalho fundamental nas Cooperativas Habitacionais, proporcionando meios seguros para a tomada de decisões relacionadas aos recursos e prazos, garantindo qualidade e fazendo-as alcançar seus objetivos. Palavras Chave: Planejamento Estratégico. Cooperativas Habitacionais. Qualidade. 7 ABSTRACT Habitationals Cooperatives Societes have the aim of offering real estates on cost price, this option is convenient to most brazilian people who has low revenue. They belong to the property enterprises departament, like the remainder housing market in Brazil, they need to implant some improvement actions not only in the early phases (working-out of projects and diverse plannings) as well as execution of the works. That need occurs due to the big competition and attempt to minimize the cost, wich constantly wobbles in this kind of business. In building construction, busides the relevance of costs there is a deep concern to the users satisfaction. The Strategical Planning grades into a fundamental working fool in the Habitationals Cooperatives societes, giving safe means to take decisions related to resources and deadlines, assuring quality and achieving its goals. Key Worlds: Strategical Planning. Habitationals Cooperatives Societes. Quality. 8 LISTA DE FIGURAS Figura 5-1 População Total, milhões x ano (IBGE, 2006). ........................................21 Figura 5-2 Proporção da população / situação de domicílio no Brasil (IBGE, 2006). 22 Figura 5-3 Viaduto do Chá, São Paulo, 1930 (SÃO PAULO A, 2006).......................23 Figura 5-4 Habitação Perififérica no Estado de São Paulo (BRASIL D, 2004) ..........23 Figura 5-5 Número de Cooperativas Habitacionais por Estado (POZZI, 2004).........28 Figura 5-6 Esquema de ações de Planejamentos (COVELO A, 2005) .....................33 Figura 5-7 Qualidade na concepção do produto (COVELO B, 2005)........................34 Figura 5-8 Estratégia de gestão financeira com caixa único (ASSUMPÇÃO, 2005). 41 Figura 5-9 Estratégia de gestão financeira, caixa isolado (ASSUMPÇÃO, 2005). ...42 Figura 5-10 Fluxo geral do desenvolvimento de projeto (COVELO B, 2005). ...........46 Figura 5-11 Os módulos ou sub sistemas do edifício (ASSUMPÇÃO, 2005)............48 Figura 5-12 Processos para viabilização de empreendimento (COVELO B, 2005). .51 Figura 6-1 Organograma Bancoop (MARQUES, 2006) ............................................54 Figura 6-2 Residencial Casa Verde (FLORES, 2006) ...............................................55 Figura 6-3 Condomínio Parque do Mandaqui (FLORES, 2006) ................................56 Figura 6-4 Residencial Ilhas D’itália (FLORES, 2006)...............................................57 Figura 6-5 Planta do apartamento - Residencial Ilhas D' Itália (BANCOOP, 2006)...58 Figura 6-6 Condomínio Village Palmas (FLORES, 2006). ........................................59 Figura 6-7 Condomínio Villas da Penha (FLORES, 2006). .......................................59 Figura 6-8 Plano de ação da Bancoop (COVELO B, 2005 e ASSUMPÇÃO, 2005)..60 9 LISTA DE TABELAS Tabela 5-1 Déficit quantitativo, evolução por faixas de rendas em 2000 ..................21 Tabela 5-2 Evolução da População Residente..........................................................24 Tabela 5-3 Diferenças entre cooperativas e incorporadoras .....................................25 Tabela 5-4 Lançamentos de empreendimentos em Cooperativas deSão Paulo.......27 Tabela 5-5 Mercados da Construção Civil no Brasil..................................................40 Tabela 5-6 Norma ISO 6241 Exigência dos usuários................................................44 Tabela 6-1 Números da Bancoop..............................................................................56 Tabela 7-1 Estratégia Competitiva na Bancoop ........................................................61 Tabela 7-2 Produtos na Bancoop..............................................................................62 Tabela 7-3 Viabilidade técnica e financeira na Bancoop...........................................62 Tabela 7-4 Terrenos e projetos na Bancoop .............................................................63 Tabela 7-5 Orçamentos e Planejamentos na Bancoop .............................................64 Tabela 7-6 Compras e contratações na Bancoop .....................................................65 Tabela 7-7 Processos na Bancoop ...........................................................................65 10 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS BNH Banco Nacional da Habitação CEF Caixa Econômica Federal CDHU Companhia do Desenvolvimento Habitacional e Urbano COHAB Companhia Metropolitana da Habitação EMBRAESP Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio FGTS Fundo de Garantia de Tempo de Serviço FIDC Fundo de Investimento em Direitos Creditórios IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística INOCOOP Instituto de Orientação às Cooperativas Habitacionais IPESP Instituto de Previdência Social do Estado de São Paulo IPREM Instituto de Previdência Municipal ISO International Organization for Standardization NBR Norma Brasileira OHSAS Occupational Health and Safety 18001 ou BS 8800 PBQP Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habitat SEHAB Secretaria da Habitação SECOVI Sindicato da Habitação SFH Sistema Financeiro da Habitação SM Salário Mínimo 11 LISTA DE SÍMBOLOS I Investimentos financeiros R Retornos financeiros 12 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO...................................................................................................14 2 OBJETIVOS.......................................................................................................16 2.1 Objetivo Geral........................................................................................................... 16 2.2 Objetivo Específico ................................................................................................. 16 3 METODOLOGIA DO TRABALHO.....................................................................17 4 JUSTIFICATIVA ................................................................................................18 5 PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO DE OBRAS EM COOPERATIVAS HABITACIONAIS......................................................................................................19 5.1 A população e a moradia...................................................................................... 19 5.1.1 Dados populacionais e habitacionais do Brasil............................................. 19 5.1.2 Estado e município de São Paulo ................................................................... 22 5.2 Cooperativas Habitacionais.................................................................................. 25 5.2.1 Números nas cooperativas............................................................................... 27 5.2.2 Estrutura das Cooperativas Habitacionais..................................................... 28 5.3 Planejamento e Estratégia .................................................................................... 31 5.3.1 Planejamento Estratégico na construção de habitações ............................ 32 5.3.2 Qualidade no Planejamento Estratégico........................................................ 34 5.4 Planejamento Estratégico em Cooperativas Habitacionais......................... 36 5.4.1 Estratégia competitiva....................................................................................... 37 5.4.2 Escolha do produto a ser desenvolvido ......................................................... 39 5.4.3 Análise da viabilidade técnico e econômica do empreendimento ............. 40 5.4.4 Escolhas de Terrenos e concepção de projetos........................................... 43 5.4.5 Planejamento orçamentário e operacional do empreendimento .............. 47 5.4.6 Estratégias para gestão de suprimentos ....................................................... 48 13 5.4.7 6 Fluxo de processos para viabilização dos empreendimentos.................... 49 ESTUDO DE CASO ...........................................................................................52 6.1 Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo – Bancoop.......... 52 6.1.1 Histórico da Bancoop ........................................................................................ 52 6.1.2 Dados da Bancoop ............................................................................................ 54 6.1.3 Planejamento Estratégico na Bancoop ......................................................... 60 7 ANÁLISE CRÍTICA ............................................................................................61 8 CONCLUSÕES..................................................................................................66 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.........................................................................68 14 1 INTRODUÇÃO A população do Brasil está crescendo com taxas cada vez menores, porém as necessidades de habitação continuam aumentando em índices superiores aos da população. Isto ocorre principalmente nas regiões metropolitanas, onde está concentrada a maior parcela da população. No final do século XX, quando a taxa de urbanização atingiu seu ápice, constatou-se uma mudança na imagem das metrópoles: favelas, desemprego, queda da renda familiar, elevados preços de habitação e aumento do déficit habitacional (saldo negativo entre a quantidade existente e a real necessidade de habitação). Num cenário onde a população, principalmente de média e baixa renda, encontra dificuldades para adquirir seu imóvel devido aos juros muito elevados, as Cooperativas Habitacionais aparecem como solução, sendo seu principal objetivo a construção de imóveis com venda a preço de custo. Com recursos de agentes financeiros ou com financiamento direto dos cooperados, as Cooperativas Habitacionais surgiram na década de 60, porém, a partir dos anos 90 que realmente entraram com competitividade no mercado, com um maior número de lançamentos. As Cooperativas Habitacionais tem bom propósito, mas assim como as demais empresas, necessitam de uma estrutura administrativa, técnica e financeira sólida. É com o Planejamento Estratégico que se forma esta estrutura, permitindo que a empresa direcione seus esforços para os fatores que efetivamente definem seu desenvolvimento no mercado em que atua. Num ambiente onde os clientes do segmento imobiliário têm muitas opções de mercado, a primeira ação do planejamento estratégico é a avaliação do que é necessário para que a empresa tenha clientes, contínua e crescentemente ao longo do tempo. Depois de estipulado o tipo de produto adequado para o público que se quer atingir, deve-se criar um processo padronizado implantando a qualidade em todas as etapas de sua elaboração e efetiva produção: viabilidade técnica e econômica do empreendimento, escolhas do terreno e concepção dos projetos, 15 orçamento e planejamento operacional, compra de materiais e contratação dos serviços. A Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo (Bancoop), está em um processo de melhoria. Com a elaboração de um plano de ação que introduzirá qualidade e padronização nestas etapas da construção de seus empreendimentos, seu estudo servirá como exemplo prático de implantação do Planejamento Estratégico em Cooperativas Habitacionais. 16 2 OBJETIVOS Visando minimizar o déficit de moradias próprias à população de baixa renda, quando a renda mensal familiar está entre 1 a 5 salários mínimos, o presente trabalho estuda a aplicação do planejamento estratégico nas obras de Cooperativas Habitacionais, e tem como objetivos: 2.1 Objetivo Geral Demonstrar a importância de um Planejamento Estratégico voltado para as habitações populares em consonância às propostas de Cooperativas Habitacionais. 2.2 Objetivo Específico Analisar o funcionamento do Planejamento Estratégico demonstrando a necessidade da implantação de procedimentos adequados para os processos de engenharia, elaborando um plano de ação para a construção de habitações na Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo, visando o atendimento pleno das necessidades dos clientes da Cooperativa e a estruturação adequada da empresa para o crescimento. 17 3 METODOLOGIA DO TRABALHO O presente estudo se baseia em referências bibliográficas, em análises de leis e normas relacionadas ao tema, leituras de artigos técnicos de periódicos, pesquisas em sites, notas pessoais de treinamento realizado na Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo (Bancoop), entrevistas com funcionários da Bancoop, com consultora e Engenheira de Planejamento, visitas técnicas, e ao estudo de caso apresentado. 18 4 JUSTIFICATIVA Nas Cooperativas Habitacionais, assim como em outras empresas do ramo de construção civil, o Planejamento Estratégico adequado é a base fundamental de um empreendimento. Em empreendimentos de habitação popular, destinados a população de baixa renda, as condições técnicas e os recursos financeiros nem sempre são ideais. O Planejamento Estratégico permite antecipar decisões, otimizando e adequando estas condições. Prevê os recursos e as ações, a começar pelas análises de indicadores econômicos, demandas e ofertas além de outras variáveis. Visa o atendimento pleno das necessidades dos cooperados, tais como entrega do imóvel na data pré-estabelecida, preços acessíveis a população de baixa renda e qualidade total do desempenho e da segurança do imóvel. Em função da demanda de habitações populares, esta forma de empreendimento está aumentando, devendo ser estudada para que demais interessados tenham na pesquisa efetuada, um referencial para a montagem de novas Cooperativas Habitacionais e para o desenvolvimento e melhoria das já existentes. 19 5 PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO DE OBRAS EM COOPERATIVAS HABITACIONAIS O Planejamento Estratégico contribui para o alcance das metas de uma Cooperativa Habitacional: possibilitar a moradia à população de baixa renda, com qualidade e preços acessíveis. Para tal torna-se necessário um estudo da população e seu poder aquisitivo, da estrutura das Cooperativas Habitacionais, do Planejamento Estratégico e suas variáveis técnicas, econômicas e financeiras. 5.1 A população e a moradia Ao analisar as necessidades de habitação do país, torna-se necessário um embasamento sobre os números com relação à demografia, moradia e renda familiar. 5.1.1 Dados populacionais e habitacionais do Brasil A população brasileira registrada no início do século XX, era de aproximadamente 10 milhões de habitantes, segundo o primeiro censo realizado no Brasil, de 1872 a 1920. Comparando-se com a estimativa do início de 2006, de aproximadamente 185 milhões, fica evidente a preocupação com a necessidade de habitações (IBGE, 2006). Segundo Maricato (1997), em 1920, o crescimento domiciliar era menor que o crescimento demográfico. As empresas de construção não conseguiram vencer a concorrência da produção informal, acrescentada pelo problema do baixo poder aquisitivo da população. 20 Em 1930, começa efetivamente o processo de urbanização no Brasil. Criam-se algumas políticas sociais de habitação, mas com poucas realizações efetivas. Devido aos baixos salários, a maioria dos trabalhadores recorre ao aluguel dos imóveis (MARICATO, 1997). Nos anos 50, houve um desenvolvimento urbanístico e em contrapartida uma ocupação da periferia, nas cidades mais desenvolvidas, como São Paulo e Rio de Janeiro. Os investidores privados deixaram de construir casas de aluguel para a população de baixa renda, e as soluções habitacionais passaram a ser a casa autoconstruída em loteamento periférico, ou a favela. Em 1964, foram criados o Sistema Financeiro da Habitação (SFH), e seu agente central, o Banco Nacional da Habitação (BNH) para difusão da casa própria, que ocorreu de 1964 a 1986, quando o BNH foi extinto (MARICATO, 1997). A partir desta data, a Caixa Econômica Federal (CEF), criada em 1961, foi incumbida de gerir o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), que proporciona ao trabalhador um fundo de aplicações voltado para o financiamento de habitações (BRASIL C, 2006). Nos anos 80 e 90 várias Prefeituras Municipais investem em programas sociais para a habitação, mas a desigualdade social também causa a desigualdade de produção do espaço urbano. Iniciam-se os loteamentos clandestinos, que são apropriações e construções sem a aprovação da prefeitura. Realizadas por pessoas que não são donas da área loteada, geralmente em áreas de mananciais e de preservação, podem provocar desmatamento, poluição e redução da capacidade produtora do sistema hídrico da região (MARICATO, 1997). No ano de 2000, com o Censo Demográfico, foi confirmado o crescimento da população geral do Brasil desde 1980, conforme figura 5-1. Neste mesmo ano de 2000, cerca de 17% de todos os domicílios do país moravam em imóveis alugados e o número de favelas cresceu, havendo um aumento de 22,5% em relação à 1991 (BRASIL B, 2006). 21 Figura 5-1 População Total, milhões x ano (IBGE, 2006). O deficit habitacional ocorreu por diversos fatores além do crescimento da população. O desemprego, a queda da renda média familiar, o elevado preço da habitação, a proliferação de assentamentos informais e favelas, a escassez de serviços de infra-estrutura urbana, causaram este déficit principalmente para a população de baixa renda (Tabela 5-1) e principalmente nas regiões metropolitanas, onde se concentra a maior parte da população, como demonstra figura 5-2 (BRASIL C, 2006). Tabela 5-1 Déficit quantitativo, evolução por faixas de rendas em 2000 Déficit % Até 3 % De 3 à 5 salários salários urbano mínimos mínimos mínimos mínimos 411,6 mil un. 84,0 7,2 6,9 1,6 NE 1.729,1 mil un. 91,3 5,1 2,1 0,7 SE 2.257,5 mil un. 77,6 11 7,1 3,0 S 589,1 mil un. 80,9 9,4 6,7 2,5 CO 427,6 mil un. 82,9 7,8 6,5 2,0 5.414,9 mil un. 83,2 8,4 5,4 2,0 Regiões habitacional N Brasil Fonte: BRASIL D, 2006. % De 5 à % Acima de 10 salários 10 salários 22 Figura 5-2 Proporção da população / situação de domicílio no Brasil (IBGE, 2006). 5.1.2 Estado e município de São Paulo Das regiões metropolitanas mais desenvolvidas, a cidade de São Paulo está entre as primeiras, porém, grande parte de sua população não tem seu próprio imóvel. “São Paulo reproduz o modelo de crescimento pela desigualdade, embora seja a capital econômica do Brasil e o centro industrial mais importante da América Latina.” (SACHS, 1999). Com a Revolução de 1930 na cidade de São Paulo presenciava-se uma realização urbanística notável, devido a construção de edifícios mais altos, com mais de 20 andares. Nos anos seguintes, a preocupação com o espaço urbano visava basicamente abrir caminho para os automóveis, fase relatada com a figura 5.3 do Viaduto do Chá (SACHS, 1999). 23 Figura 5-3 Viaduto do Chá, São Paulo, 1930 (SÃO PAULO A, 2006). A partir da década de 50, a cidade de São Paulo cresceu de forma desordenada em direção à periferia gerando uma grave crise de habitação, conforme ilustra a figura 5.4, devido aos loteamentos clandestinos e as favelas (SACHS, 1999). Figura 5-4 Habitação Perififérica no Estado de São Paulo (BRASIL D, 2004) A seguir, a tabela 5.2 mostra a evolução da população no Estado de São Paulo, em relação à Região Metropolitana e do município de São Paulo. 24 Tabela 5-2 Evolução da População Residente. População residente Região (Em mil habitantes) 1960 Brasil Estado de São Paulo 1970 1980 1991 1996 2000 70.191 93.139 119.003 146.825 157.080 169.799 12.824 17.772 25.041 31.589 34.121 37.032 4.791 8.140 12.589 15.445 16.583 17.879 3.783 5.825 7.493 9.646 9.839 10.434 Região Metropolitana de São Paulo Município de São Paulo Fonte: SÃO PAULO A, 2006. Nas décadas de 1960 e 1970 o governo estadual promove diversas obras que incentivam a economia do interior do Estado. Outros Estados passam a ter uma taxa de crescimento econômico maior que São Paulo, principalmente as regiões Sul e Centro-Oeste. Atualmente o Plano Diretor Estratégico do Município de São Paulo 2002 – 2012 diz que ainda que o crescimento da população não seja mais tão alto e exista concorrência de outros estados, São Paulo é o principal pólo econômico, político e industrial da América do Sul, sendo considerado o maior mercado consumidor do Brasil (São Paulo B, 2004). Em 2003, São Paulo tinha 207.224 domicílios novos. Os lançamentos do mercado imobiliário foram de 17,8%, a autoconstrução foi responsável por 54,6%, a Companhia do desenvolvimento Habitacional e Urbano, CDHU, 3,15%, e a Companhia Metropolitana da Habitação, COHAB, 24,45% do total (SECOVI SP, 2006). A Secretaria da Habitação, SEHAB, estima que o total de habitantes que vivem em moradias precárias em São Paulo, pode chegar a cerca de 2,8 milhões até 2112. Moradias precárias são considerados os domicílios em favelas, em cortiços, em moradias auto-construídas e em loteamentos irregulares (SÃO PAULO B, 2004). 25 Há necessidade portanto, além dos órgãos públicos como a SEHAB, a COHAB e o CDHU, de outras organizações, sejam elas governamentais ou não, contribuírem para a diminuição desse déficit habitacional. 5.2 Cooperativas Habitacionais De acordo com Flores (2006), o cooperativismo é a união de pessoas em torno de um objetivo comum. Este sistema surgiu em 1844, na Inglaterra, com a iniciativa de um grupo de tecelões que compraram um armazém para baratear os custos dos alimentos. A Cooperativa é uma organização democrática, onde dirigentes são eleitos em assembléia e cada membro tem direito a um voto. As Cooperativas Habitacionais funcionam como empresas, porém sem fins lucrativos e se diferenciam das incorporadoras, que investem num capital em busca de lucro (BRASIL A, 2006). Tabela 5-3 Diferenças entre cooperativas e incorporadoras Cooperativa Incorporadora É uma sociedade de pessoas É uma sociedade de capital Objetivo principal é prestação de serviços Objetivo principal é o lucro Número ilimitado de cooperados Número limitado de acionistas Controle democrático: cada cooperado tem direito a um voto Ação dos dirigentes Assembléias baseadas nos cooperados Assembléias baseadas no capital Não é permitida a transferência das cotas É possível a transferência das ações a - partes a terceiros terceiros Retorno proporcional ao valor das operações Preço de custo Dividendo proporcional ao valor das ações Preço fechado Não é necessária incorporação imobiliária É necessária incorporação imobiliária Fonte:FLORES, 2006. 26 As cooperativas constroem a preço de custo, devido seu caráter desprovido de lucro, com recursos de agentes financeiros ou com financiamento direto dos próprios cooperados. O programa de Cooperativas Habitacionais iniciou-se com o surgimento do SFH, em 1964, coordenado pelo Governo Federal, através do Ministério da Fazenda, pelo Banco Central do Brasil e pela CEF (PINASSI,1998). Entende-se por Cooperativa Habitacional, uma sociedade civil e destinada à construção da casa própria para seus associados, com isenção de lucro, sendo considerado cooperado o membro desta cooperativa. (PINASSI, 1998). A Lei federal 5.764 de 1971, conceitua as cooperativas, em seus arts. 3º e 4º Celebram contrato de sociedade cooperativa, as pessoas que, reciprocamente, se obrigam a contribuir com bens ou serviços, para o exercício de uma atividade econômica, de proveito comum, sem o objetivo de lucro. As cooperativas são sociedades de pessoas, com forma e natureza jurídica próprias, de natureza civil, não sujeitas à falência, constituídas para prestar serviços aos associados... Lei federal 5.764 (1971). Antes da Constituição Federal de 1988, as Cooperativas Habitacionais estavam sujeitas à prévia obtenção do BNH para funcionarem. Depois disso, não precisaram mais de autorização. Segundo a arquiteta Carolina Pozzi (2004), diretora do Habicentro da Superintendência de Habitação Popular da Prefeitura Municipal de São Paulo, com o fim do BNH, no o início da década de 90 não se verificou um crescimento destas cooperativas. Ao mesmo tempo, tendo em vista que o sistema coorporativo era uma possibilidade de desenvolver produtos para a classe menos favorecida da população, diversos empresários do ramo da construção civil passam a oferecer oportunidades para estas cooperativas, assim, de 1996 a 1998 surgiram vários empreendimentos em fase de implantação. Este aumento foi favorecido pela estabilidade econômica criada pelo Plano real, e pela possibilidade de executar empreendimentos auto-financiados, sob a forma de Cooperativas de Habitação. Ainda segundo Pozzi (2004), um dos principais motivos da explosão de construções auto-financiadas em São Paulo foi o impulso provocado pela regulamentação da 27 produção de empreendimentos de habitação de interesse social no Decreto Federal 13601/92 que permitiu a adoção de novos critérios e índices urbanísticos para a ocupação dos terrenos, áreas construídas ou pavimentadas. A adoção dos novos padrões ou requisitos técnicos visou adequá-los às necessidades dos processos para a redução de custos das obras e se tornou característico dos empreendimentos auto-financiados para renda média / baixa. (POZZI, 2004). Nos últimos anos, o movimento cooperativo não é maior pela falta de uma política nacional de habitação que crie incentivos às Cooperativas Habitacionais. Porém, pode-se citar o incentivo da CEF, que desde o final da década de 90, passou a financiar as atividades de produção deste segmento. (INOCOOP, 2006). 5.2.1 Números nas cooperativas Em 1997, a Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp), registrou o lançamento de 29.692 unidades habitacionais no Brasil na região metropolitana, contra 34.051 de não-cooperativas. (QUINÁLIA, 2006). Só em 2002, foram disponibilizadas no Município de São Paulo, 29.766 unidades de moradia, segundo dados da Embraesp. Desse total, 21% eram de cooperativas. Considerando toda a produção da região metropolitana, 44,3% eram unidades de cooperativas. Em 2004, conforme tabela 5.3, vemos que as cooperativas fizeram lançamentos quase na mesma proporção que os outros segmentos. (QUINÁLIA, 2006). Tabela 5-4 Lançamentos de empreendimentos em Cooperativas deSão Paulo Número total de lançamentos Unidades-tipo coberturas Áreas Fonte: POZZI, 2004. + Cooperativas Não - cooperativas Total 47% 53% 100% 37% 63% 100% 28 No Brasil, existem Cooperativas Habitacionais em vários estados, conforme indicado na figura 5-5. Figura 5-5 Número de Cooperativas Habitacionais por Estado (POZZI, 2004) 5.2.2 Estrutura das Cooperativas Habitacionais Segundo Pozzi (2004), a administração das Cooperativas Habitacionais é exercida por um grupo de pessoas escolhidas que gerencia o recebimento e define o valor e o pagamento das mensalidades, além de contratar e fiscalizar o trabalho das construtoras que irão executar as obras. Deve existir um estatuto da cooperativa, e este deve ser transparente, assim como as ações dos administradores, sendo que o que se deseja é tornar mais econômica a compra de um imóvel. 29 Segundo Pinassi (1998), existem normas e sugestões para o funcionamento das Cooperativas Habitacionais: • As cooperativas devem se sujeitar à um regimento interno, e à legislação vigente, tendo como recursos o capital social, a poupança dos associados, doações e legados, um fundo de reserva, assim como qualquer outro recurso legal que possa existir. Tendo em vista que deve existir a cooperação, o espírito de solidariedade e o controle democrático, todos os seus atos devem ser definidos em assembléia geral, órgão soberano da entidade; • A Cooperativa Habitacional deve ser dirigida por uma diretoria composta de um Diretor Presidente, um Diretor Financeiro, um Diretor Administrativo e de um Conselho Fiscal composto de no mínimo três cooperados; • Deve ter um suporte financeiro, para a realização de seus empreendimentos originário de agentes financeiros ou de recursos dos próprios cooperados, devido aos seus altos custos com compra de terrenos, projetos e construções; • A Cooperativa Habitacional, tendo vários empreendimentos, pode criar secção para cada um deles, com vida própria e autônoma, com sua vida contábil e financeira independente uma da outra; • Todo cooperado, ao ingressar na Cooperativa, matricula-se assumindo todos os direitos e obrigações da mesma, podendo desistir antes do final do empreendimento, recebendo seu dinheiro de volta, na forma dos mesmos estatutos, devendo pagar uma taxa de administração, fixada no Estado. Da mesma forma que poderá ser excluído se infringir as normas ou se se tornar inadimplente; • Caso o cooperado utilize a poupança da CEF, esta pode complementar o pagamento, financiando parcela do imóvel. Se for auto financiamento, o pagamento será integral; • A entrega do imóvel se dá por sorteio, ou com percentual em sorteio e percentual por adiantamento das mensalidades; • Concluído o empreendimento deverá ser feito o fechamento do custo do empreendimento, onde constará todas as despesas e receitas do mesmo. Em caso de superávit, o mesmo reverterá aos cooperativados, em caso de déficit, será suportado por eles; 30 • Após entregue todas as chaves e assinados os contratos, a cooperativa deve providenciar a instituição e convenção do condomínio, que terá vida própria a partir deste momento. Algumas cooperativas costumam ter aos seus serviços um órgão assessor, como o Instituto de Orientação às Cooperativas Habitacionais (Inoccop). Outras possuem um assessor próprio, pessoas física ou jurídica. Porém essa assessoria é dispensável. Em geral os órgãos assessores auxiliam na análise de viabilidade do empreendimento, na procura do terreno, realização de trâmites burocráticos, providência de projetos e procura de construtoras. (POZZI, 2004). Quanto aos recursos utilizados pelas Cooperativas Habitacionais para construção, são provenientes dos pagamentos dos próprios cooperados. Portanto, as obras são auto-financiadas à preço de custo. No lançamento do empreendimento, o valor é estimado, e se houver necessidade, pode ser alterado. Quanto aos prazos de entrega das obras, são determinados a partir dos recursos disponíveis para aplicação em cada empreendimento, ou seja, a velocidade de contribuição dos membros determina os recursos disponíveis e conseqüentemente, os prazos de entrega (FLORES, 2006). As regras de aprovação de um novo membro cooperado muitas vezes são padronizadas e não tem uma verificação correta da existência de eventuais complicações. Devido a estas dificuldades, muitas Cooperativas Habitacionais possuem assessoria jurídica e técnica para se estabelecerem os direitos e deveres dos cooperados. (POZZI, 2004). Os maiores problemas encontrados pelas Cooperativas Habitacionais estão relacionados à inadimplência e aos atrasos das mensalidades, sendo que estas que irão determinar o andamento de cada obra. Torna-se muito difícil num país que apresenta em média uma baixa renda, como já analisado, juntamente com riscos de desempregos e outras dificuldades, administrar cobranças de muitas pessoas, e determinar um planejamento ideal para cada empreendimento, com a finalidade de equilibrar custos e qualidade esperadas. 31 5.3 Planejamento e Estratégia Para Porter (1999), o planejamento é um processo que envolve a formulação de objetivos e metas, e o equacionamento dos meios com o propósito de atingi-los. É algo que se elabora antes de agir, isto é, uma tomada antecipada de decisões. “O planejamento não diz respeito a decisões futuras, mas às implicações futuras de decisões presentes” (OLIVEIRA, 1991). Segundo Terense (2002), a palavra estratégia tem origem grega, provém de stratego, que significa a arte da liderança. Na Grécia, a elaboração de planos de guerra era denominada estratégia. No Brasil, nos anos 60 e 70 se formaram várias empresas de consultoria de estratégia. No plano administrativo, a estratégia diz respeito à utilização dos diversos recursos empresariais, humanos, técnicos e financeiros, que estão à disposição do empresário. Portanto, ao adotar uma estratégia, o empresário deve analisar a sua organização e o ambiente no qual está inserida, com o intuito de estabelecer quais são os caminhos, os cursos e os programas de ação que devem ser seguidos para alcançar os objetivos previamente definidos pela empresa. Para Oliveira (1991), estratégia é uma forma articulada de unir a ação, os objetivos e os desafios de maneira que, juntos, possam chegar ao resultado almejado. O planejamento estratégico corresponde ao conjunto de providências a serem tomadas pelo executivo para a situação em que o futuro tende a ser diferente do passado; entretanto a empresa tem condições e meios de agir sobre as variáveis e fatores de modo que possa exercer alguma influência; o planejamento é ainda um processo contínuo, um exercício mental que é executado pela empresa independentemente da vontade específica dos seus executivos (OLIVEIRA, 1991). 32 5.3.1 Planejamento Estratégico na construção de habitações Covelo A (2005), Engenheira e consultora de planejamento, diz que embora o planejamento não seja novidade, ainda passa longe de boa parte das empresas de construção, que ainda insistem em trabalhar de maneira inadequada, com base na experiência adquirida com o tempo. “As variáveis do ambiente externo são muito complexas, não se vive mais numa época adequada para a intuição, por mais que a empresa tenha pessoas competentes” (COVELO A, 2005). Segundo Covelo A (2005), qualquer construtora tem condições de realizar um Planejamento Estratégico, que deve ter uma metodologia adequada aos objetivos de cada empresa. Para tanto, é preciso esclarecer a diferença entre planejamento operacional e estratégico, já que o segundo inicia-se numa etapa anterior às obras, pela análise de itens de algumas variáveis que influenciam o segmento no qual a construtora atua, como os indicadores econômicos, a demanda e oferta, entre outros. Os diferentes tipos de planejamento por Lima B (1990), são: • Estratégico, relaciona-se com o longo prazo, que se refere à natureza das atividades da empresa e do provável tempo de aplicação dos recursos humanos e materiais, havendo assim uma possibilidade de não concretização das premissas inicialmente consideradas, e com a organização global; • Tático, relaciona-se com o médio prazo e com uma parte de organização; • Operacional, relaciona-se com o curto prazo e com partes ou aspectos específicos de cada empresa. Covelo A (2005) faz na figura 5-6, um esquema relacionando as principais características do Planejamento Estratégico e do Planejamento Estratégico Operacional. 33 Planejamento Estratégico Dados e análise sobre cada segmento de mercado possível Tamanho de mercado, tendências, mercados geográficos, mercados por características dos clientes. Análise das características dos clientes de cada segmento. Análise dos concorrentes para cada segmento. Estratégia por forma abordagem de segmento, do cliente. Objetivos, metas e mercado para cada segmento (segundo os objetivos de lucratividade / crescimento). Planejamento Estratégico Operacional Desdobramento para todos os processos e profissionais Comunicação interna Plano de ação interno para implementação de métodos e processos compatíveis Sistema de indicadores para acompanhamento do cumprimento das metas e objetivos Atualização e feedback Marketing com uma linguagem que reflita a estratégia Figura 5-6 Esquema de ações de Planejamentos (COVELO A, 2005) 34 De acordo com notas do treinamento “Capacitação para análise e melhoria de processos de engenharia”, realizado em 2005, ministrados pela Engª. Maria Angélica Covelo e pelo Prof. Dr. José Francisco Pontes Assumpção, o planejamento estratégico acontece em etapas, onde deverá ser elaborado um plano de ação, definindo quais providências tomar e quais recursos são necessários para sua implantação. Todas as etapas deste plano devem ter ênfase na qualidade. A qualidade faz parte da estratégia competitiva nos ambientes em que a empresa atua. 5.3.2 Qualidade no Planejamento Estratégico A qualidade deve fazer parte de todos os processos que envolvem a produção de um empreendimento, para garantir a satisfação total do cliente, conforme figura 5-7: Figura 5-7 Qualidade na concepção do produto (COVELO B, 2005) 35 De acordo com Goldman (2002), a abordagem do sistema de gestão da qualidade incentiva as organizações a analisar os requisitos do cliente, definir os processos que contribuem para a obtenção de um produto que é aceitável para o cliente e manter estes processos sob controle. Um sistema de gestão da qualidade pode fornecer a estrutura para melhoria contínua com o objetivo de aumentar a probabilidade de ampliar a satisfação do cliente e de outras partes interessadas. Segundo Covelo B, 2005, o conceito de qualidade é relacionado ao desempenho, ao comportamento de um produto em utilização. O produto deve apresentar características que o capacitem para cumprir os objetivos e funções para qual foi projetado. Deve-se pensar sobre o quê se requer de uma edificação ou parte de uma edificação e não somente prescrever como essa edificação deve ser construída. A metodologia de desempenho com qualidade consiste em se determinar o comportamento esperado da edificação e suas partes, ao contrário dos métodos tradicionais do processo. Para Goldman (2002), as normas da família NBR ISO 9000, foram desenvolvidas para apoiar organizações, de todos os tipos e tamanhos, na implementação e operação de sistemas de gestão da qualidade eficazes. A NBR ISO 9000 descreve os fundamentos de sistemas de gestão da qualidade e estabelece a terminologia para estes sistemas. A NBR ISO 9001 especifica requisitos para um sistema de gestão da qualidade, e objetiva aumentar a satisfação do cliente. A NBR ISO 9004 fornece diretrizes que consideram a eficiência do sistema de gestão da qualidade. O objetivo desta norma é melhorar o desempenho da organização e a satisfação dos clientes e das outras partes interessadas. Segundo Covelo B, 2005, Os princípios da gestão da qualidade são: • Foco no cliente • Liderança • Envolvimento de pessoas • Abordagem de processo • Abordagem sistêmica para a gestão • Melhoria contínua 36 • Abordagem factual para tomada de decisão • Benefícios mútuos nas relações com os fornecedores Os requisitos para sistemas de gestão da qualidade são especificados na NBR ISO 9001. Eles são genéricos e aplicáveis às organizações de qualquer setor da indústria ou econômico, independentemente da categoria do produto ofertado. A NBR ISO 9001 não estabelece requisitos para produtos, que podem ser especificados pelos clientes ou pela organização. Eles podem estar contidos em especificações técnicas, normas de produto, normas de processo, acordos contratuais e requisitos regulamentadores (GOLDMAN, 2002). Segundo Covelo B (2005), abordagem de sistemas de gestão da qualidade deve ser feita pelo estabelecimento da política da qualidade e dos objetivos da qualidade da organização, pela determinação das necessidades e expectativas dos clientes, processos e responsabilidades necessários e o fornecimento de recursos para atingir os objetivos. Depois, é necessário o estabelecimento de métodos para medir a eficácia e a eficiência de cada processo, a determinação dos meios para prevenir não-conformidades eliminando suas causas e aplicação de um processo para melhoria contínua do sistema de gestão da qualidade. As ações para a melhoria incluem a análise e avaliação da situação existente para identificar áreas de melhoria, pesquisa de possíveis soluções para atingir os objetivos de melhoria, avaliação e seleção destas soluções, implementação da solução escolhida, medição, verificação, análise e avaliação dos resultados da implementação para determinar se os objetivos foram atendidos e formalização das alterações (COVELO B, 2005). 5.4 Planejamento Estratégico em Cooperativas Habitacionais Em depoimento realizado na Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo, em maio de 2006, a Engenheira Ângela Marques, Gerente Técnica das obras da 37 Cooperativa, define a importância de um Planejamento Estratégico em uma Cooperativa Habitacional, e sua diferença em relação a uma construtora: No sistema de cooperativismo habitacional o planejamento estratégico é imprescindível, pois trabalha-se com preços de custo e recurso próprios, isto é recebíveis de cada seccional (obra). É necessário fazer um planejamento que amarre o prazo de entrega com a projeção de recebíveis mensais para a entrega do empreendimento, pois se esta premissa não ocorrer, não haverá o ”casamento” entre recebível e prazo de entrega. No caso de construtora, trabalha-se com financiamentos ou recursos próprios, o que determina o prazo da obra, pois a construtora não depende dos pagamento dos compradores para executar a obra, como é caso de cooperativa. (MARQUES, 2006). A mesma questão foi levantada à Engenheira Maria Angélica Covelo, consultora da empresa Núcleo de Gestão e Inovação, especialista na implantação de processos de melhoria e qualidade nas empresas do ramo de construção civil, em maio de 2006: Toda e qualquer instituição tem clientes e um ambiente em que se insere. A falta de Planejamento Estratégico faz com que num determinado momento seja surpreendida pela incapacidade de continuar atendendo seus clientes por não identificar suas necessidades, subestimar os concorrentes, ou não perceber que aconteceria uma mudança que afetaria seu negócio. Uma Cooperativa Habitacional, deve identificar por meio do planejamento estratégico quem é seu público-alvo e como deve desenvolver seus produtos e serviços para que estes clientes prefiram e tenham confiança no sistema de Cooperativa. Isto significa desenvolver e manter vantagens competitivas e duradouras, permitindo que os cooperados reconheçam estes fatores. (COVELO C, 2006). As Cooperativas Habitacionais diferem das empresas comuns, porém, pelos fatores evidenciados, também precisam de uma estratégia de competição. 5.4.1 Estratégia competitiva Para Covelo A (2005), a estratégia competitiva de uma empresa representa a forma como ela compete em seu negócio: os segmentos de mercado em que atua e os 38 atributos de produtos e serviços que desenvolve para disputar os clientes com os concorrentes. Todos os processos da empresa devem ser desenvolvidos em total aderência com a estratégia, e contribuindo para que esta seja praticada efetivamente, assim como todos os atributos da estratégia tem que ser percebidos pelos clientes e devem ser suficientes para superar os concorrentes. Segundo Covelo A (2005), as Cooperativas Habitacionais, se destacam no mercado pela facilidade na adesão, sem muitas burocracias, e pelo preço abaixo do mercado. Para oferecer este preço baixo, é necessário ser competitivo, ter uma estratégia e gestão adequada e uma capacitação para inovação e produção, buscando melhoria da qualidade e aumentando a produtividade, diminuindo assim o custo do empreendimento. Ainda segundo Covelo A (2005), a Cooperativa deve ter uma estratégia de competição baseada nos fatores: • Diferenciação: Procurando ser única no seu mercado. A diferenciação é a percepção do cliente. Deve-se obter meios de medir se o cliente está reconhecendo o produto, partindo da sua real necessidade, por meios de pesquisa. Um diferencial também pode ser um fator de decisão, na Cooperativa Habitacional dos Bancários, por exemplo, o nome do Sindicato dos Bancários dá credibilidade ao cooperado, isto pode ser um diferencial na decisão de adesão do empreendimento; • Liderança em custo: Deve ser o produtor de mais baixo custo no seu mercado. Os objetivos são alcançados pela escala de produção e vendas, aumentando o volume de produção, os custos poderão diminuir. Para isso, deve conhecer sua produtividade, e assim conhecer seu custo real. Sem conhecer os custos reais os preços podem ser estabelecidos sem considerar a realidade da produção e levarem à não cobertura de custos ou, ao contrário, serem superiores ao que deveriam ser, com margens exageradas; • Enfoque: Deve escolher um ambiente competitivo estreito, um segmento específico e buscar ser a melhor em custo ou em diferenciação neste segmento. O produto deve ter características que o capacitem para cumprir os objetivos e funções para os quais foi projetado. Deve-se pensar sobre o 39 quê se requer de uma edificação ou parte de uma edificação e não somente prescrever como essa edificação deve ser construída. Atender as exigências dos usuários também é uma estratégia competitiva, podendo ser conquistada por pesquisas pós-ocupação, e por conformidades com normas como a NBR ISO 6241, (ver em ítem 5.4.4, tabela 5-5 ) referente as exigências dos usuários, as normas de desempenho, estipuladas pelo Ministério das Cidades e CEF, e pelo Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habitat, PBQP (COVELO A, 2005). 5.4.2 Escolha do produto a ser desenvolvido Segundo Covelo B (2005), o Planejamento Estratégico, é o pré-requisito de concepção do produto, pois é onde são estabelecidas as suas estratégias, como o segmento de mercado e o tipo de produto a ser desenvolvido. Para o segmento do mercado, é necessário considerar as condições sócio-econômicas gerais, os segmentos de renda e estágios de vida das famílias. É também aconselhável fazer um uso do próprio histórico da Cooperativa, como a avaliação pós-ocupação, para se avaliar se a qualidade do produto está atendendo. A qualidade do produto se dá por um conjunto de etapas, que envolve a concepção do projeto, a legalização, o atendimento a normas, tecnologias, qualidade dos materiais e componentes, qualidade da execução e da informação e atendimento ao cliente (COVELO B, 2005). De acordo com Lima B (1990), os atributos do produto quanto aos compradores se concentram na relação preço / qualidade. O produto terá tanto mais qualidade quanto seus atributos, relacionados com localização, vizinhança, acessibilidade, desenho, dimensões, qualidade dos materiais e acabamentos, se aproximarem daquilo que deseja o comprador. Esta comparação não será tomada de forma absoluta, mas relativa às demais ofertas que estão no mercado e que buscam atingir este mesmo comprador. Assim, o comprador irá determinar um padrão de qualidade 40 naquele patamar de preço que o atende, para depois, conferir uma "nota" de qualidade a cada um dos produtos do painel. 5.4.3 Análise da viabilidade técnico e econômica do empreendimento As Cooperativas Habitacionais estão no sub setor de empreendimentos imobiliários, segundo Rocha Lima Júnior (1993), que define os mercados de construção civil, em tabela 5-5. Tabela 5-5 Mercados da Construção Civil no Brasil a) Para venda em mercado aberto com preço fechado, inclui os edifícios residenciais, comerciais e loteamentos; Sub setor de empreendimentos imobiliários - produtos b) Para incorporação, através de condomínios com preço de custo, envolve os edifícios residenciais e comerciais; c) Empreendimentos através de cooperativas com preço de custo, envolve apenas os edifícios residenciais. Sub setor de empreendimentos de base imobiliária Sub setor de serviços ou obras empreitadas Baseados na exploração comercial do imóvel, inclui os hotéis, shopping centers, plantas industriais, hospitais Edificações, construções pesadas, montagem industrial. Sub setor de empreendimentos baseados na exploração Concessões públicas. de bens e serviços da construção civil Fonte: LIMA A, 1993 De acordo com Lima A (1993), os negócios em cada setor exigem posturas diferentes e oferecem condições diferentes de rentabilidade e riscos. Segundo Assumpção (2005), os riscos de um empreendimento imobiliário são os longos ciclos de produção e de recebimento do preço, as dificuldades em se 41 reconhecer as demandas e controlar as ofertas e o deslocamento da inflação. Para as cooperativas, os próprios preços são um risco, compromissados antes de se iniciar o ciclo de produção e tendo as receitas desvinculadas com o mesmo. Além dos empreendimentos apresentarem alguns riscos específicos, como a inadimplência dos cooperados, impossibilidade momentânea ou permanente de pagamento e a possibilidade de desistência da adesão. Ainda segundo Assumpção (2005), as cooperativas correm riscos no ambiente da instituição, pelo desgaste da imagem, por eventuais descumprimentos dos prazos estipulados para entrega, pela existência de cooperativas ilegais, que utilizam o sistema para tirar proveito das vantagens que ele oferece, e pela gestão financeira inadequada, com a transferência de recursos entre empreendimentos. Para evitar tais riscos, duas estratégias de gestão financeira podem ser utilizadas: • 1ª alternativa: Gestão financeira com caixa único, conforme figura 5-8, onde pode ocorrer um giro mais rápido dos recursos, porém com um risco mais elevado, além de poder ocorrer sobras em um empreendimento e faltas no outro. 1ª alternativa – Administração com CAIXA ÚNICO ENTRADAS (+) : Faturamentos (produtos e serviços) Empreendimentos A, B e C. SAÍDAS (-) : SISTEMA Custeios das obras A, B e C. EMPRESA A C Financiamentos Custeio Administração Novos investimentos B Receitas financeiras Pagamentos, financiamentos Figura 5-8 Estratégia de gestão financeira com caixa único (ASSUMPÇÃO, 2005). 42 • 2ª alternativa: Gestão financeira com caixa isolado, conforme figura 5-9, onde os recursos que se movimentam no sistema, mesmo que ociosos, ficam retidos no caixa do empreendimento. Só giram os recursos financeiros livres integralmente (retornos, representados pela letra R na figura), ou em falta (investimentos, representados pela letra I). Os excessos de caixa quando não representados por recursos livres não podem ser usados em outras operações. (ASSUMPÇÃO, 2005). 2ª alternativa – Administração com CAIXA ISOLADO R PREÇO (+) SISTEMA COOPERATIVA C CUSTEIO (-) FUNDO DE I RESERVA R PREÇO (+) A CUSTEIO (-) R I I PREÇO (+) B CUSTEIO (-) Figura 5-9 Estratégia de gestão financeira, caixa isolado (ASSUMPÇÃO, 2005). Para Assumpção (2005), para analisar a viabilidade de um novo empreendimento, a análise deve ser feita a partir de indicadores econômicos, financeiros e de riscos envolvidos no negócio. Os indicadores econômicos são: • Taxa de retorno - TR • Margens (no caso de cooperativas, calculada a valor presente); • Pay back: Prazo de recuperação dos investimentos. Segundo Assumpção (2005), para planejar estratégica e financeiramente o empreendimento, é preciso agir sobre as variáveis que geram receitas, como o preço de vendas e a velocidade das adesões, e sobre as variáveis que geram despesas, os custos de produção. 43 5.4.4 Escolhas de Terrenos e concepção de projetos Quinalia (2006), diz que o ideal para escolha do terreno de um empreendimento, é que sua localização seja favorável às vendas, priorizando as áreas onde a demanda apresente compradores com o perfil que se deseja atingir. Existem alguns requisitos sobre o terreno que deverão ser considerados: • Verificação nos órgãos responsáveis para saber se a área é tombada pelo Patrimônio Histórico municipal, estadual ou nacional; • Constatação de que a área não é de preservação ambiental ou está sujeita a inundações; • Evitar áreas onde ocorram eventuais realizações de feiras e eventos; • Para analisar o terreno, e sua documentação dar preferência para contratos vinculados com o proprietário; • Solicitar um estudo de contaminação do solo; • Realizar sondagens para verificar a viabilidade sob o ponto de vista geotécnico. Segundo Covelo A (2005), poderão ser realizadas pesquisas específicas, para saber a localização de terrenos com maior demanda imobiliária, fazendo um levantamento das taxas de absorção imobiliária por perfil de produto e perfil dos moradores daquela região. Pode-se obter uma projeção do estoque imobiliário com um levantamento de projetos aprovados e não lançados, identificando a demanda de produto imobiliário por região e a localização de terrenos com potencial para desenvolvimento destes produtos (COVELO A, 2005). Quanto aos projetos, em relação à qualidade, devem seguir a norma de exigência dos usuários ISO 6241, em tabela 5-5. 44 Tabela 5-6 Norma ISO 6241 Exigência dos usuários. EXIGÊNCIAS DOS USUÁRIOS – NORMA ISO 6241 Estabilidade estrutural Resistência mecânica a ações estáticas e dinâmicas; efeitos cíclicos (fadiga). Segurança ao fogo Risco de propagação das chamas, efeitos fisiológicos (controle de fumaça e ventilação); tempo de alarme, tempo de evacuação e tempo de sobrevivência. Segurança ao uso Proteção contra explosões e queimaduras, proteção contra movimentos mecânicos; proteção contra choques elétrico; proteção contra radioatividade; segurança durante movimentos e circulação, segurança contra intrusão humana ou animal. Estanqueidade Estanqueidade à água; estanqueidade ao ar; controle de intrusão de poeira. Conforto higrotérmico Controle de temperatura do ar e radiação térmica; controle da velocidade e umidade do ar; controle de condensação. Pureza do ar Ventilação, controle de odores, controle de gases tóxicos. Conforto acústico Controle de ruídos (contínuos e intermitentes); intelegibilidade do som; tempo de reverberação. Conforto visual Controle de iluminação natural e artificial; insolação; nível de iluminância e contrastes de luminância; possibilidade de escurecimento; aspectos de acabamentos (cor, textura, regularidade); contato visual (internamente e com o mundo exterior) Conforto tátil Aspereza e flexibilidade das superfícies, umidade e temperatura das superfícies; ausência de descargas de eletricidade estática. Conforto antropodinâmico Limitação de acelerações e vibrações; conforto do pedestre em áreas ventosas; aspectos de resistência e manobrabilidade humana. Higiene Instalações para o cuidado do corpo humano; suprimento de água limpa; evacuação de águas servidas, materiais e fumaça. Adequabilidade a usos Número, tamanho, geometria e inter-relações dos espaços; provisão de serviços e equipamentos; flexibilidade. específicos Durabilidade Conservação do desempenho durante toda a vida útil; possibilidade de manutenção e reposição. Economia Custos de implantação; custos financeiros; custos de operação e manutenção. Fonte: COVELO B, 2005. 45 De acordo com Covelo B (2005), outro fator que contribui para a obtenção de custos baixos é um trabalho de racionalização no projeto. Os custos do empreendimento são determinados pelas características de projeto, sendo baixa a possibilidade de influir sobre os custos após o projeto estar definido. O trabalho de racionalização do projeto, depende da padronização das atividades de coordenação técnica e de gerenciamento de projetos. A coordenação técnica tem como objetivo atuar sobre o conteúdo técnico do projeto, para promover a integração necessária para custos, prazos e qualidade. O gerenciamento tem como objetivo planejar e controlar o processo de desenvolvimento do projeto quanto aos custos, prazos e qualidade do processo e do produto resultante. A operacionalização é responsável pelo encaminhamento dos projetos e execução de providências operacionais. Ainda segundo Covelo B, 2005, o desenvolvimento do projeto deve ser feito em fases: • Pré-requisito: Planejamento estratégico do projeto, onde estão o planejamento de empreendimentos a se desenvolver (relatório de análise das necessidades da empresa quanto as receitas e o volume de produção necessário); o estabelecimento de metas de empreendimentos a serem concebidos e lançados e a estratégia competitiva (caracterização da estratégia genérica por segmento de mercado, capacidade de financiamento da produção e definição dos produtos a serem trabalhados). • Fase I : Planejamento de empreendimentos, onde está a identificação das oportunidades de negócios (possibilidades de parcerias), a definição da tipologia do produto a ser desenvolvida, (premissas tecnológicas e critérios para a busca e análises dos terrenos), a busca e análise do terreno (relatório de potencialidade e aprovação do terreno), a análise da viabilidade técnica, econômica e comercial, (relatório consolidado), a confirmação desta viabilidade (decisão de desenvolver o empreendimento ou buscar nova oportunidade) e a compra do terreno. • Fase II: Concepção do produto, com a caracterização completa do produto, (programa de necessidades detalhado e indicadores de custos) a seleção tecnológica e o desenvolvimento do estudo preliminar de arquitetura (arquitetura, estruturas, sistemas prediais, paisagismo e fundações). 46 • Fase III: Desenvolvimento do produto, com o anteprojeto de arquitetura e estruturas avaliando a qualidade; o desenvolvimento do projeto legal, aprovação nos órgãos de administração pública; a elaboração do projeto préexecutivo e executivo; o projeto de produção do produto; “as built” e a entrega final dos projetos pelos profissionais contratados, com recebimento pelo contratante e entrega para a obra. • Fase IV: Acompanhamento Técnico e elaboração dos documentos para o manual do usuário, avaliação da qualidade desta fase. Fase V: Avaliação da satisfação do cliente final, com avaliação pós-ocupação FASE I Lançamento do empreendimento Ante-projeto Projeto legal Pré-executivo Executivo e detalhamento Entrega final do projeto Desenvolvimento do produto Concepção do produto Planejamento do empreendimento e avaliação da qualidade final. Pré requisito: Planejamento estratégico • Projeto de produção FASE II FASE III FASE IV Entregas parciais de projeto Obra FASE V FASE VI Coleta de dados e desenvolvimento do projeto “as built”. Acompanhamento técnico dos projetistas durante a obra. Avaliação da satisfação do cliente final. Avaliação pós– ocupação. FASE VII Figura 5-10 Fluxo geral do desenvolvimento de projeto (COVELO B, 2005). 47 5.4.5 Planejamento orçamentário e operacional do empreendimento O orçamento e o planejamento operacional do empreendimento devem seguir procedimentos específicos voltados para a construção de habitações. Segundo Assumpção (2005), um método eficaz para elaboração do orçamento é entender a produção do empreendimento compartimentada através de sub-sistemas de produção. No orçamento de um edifício, por exemplo, dividi-lo em (figura 5-11): • Sub - sistema torre • Sub - sistema periferia • Sub - sistema de apoio à produção Cada um destes sub-sistemas se sub-divide em módulos ou em sub-obras (Assumpção, 2005) : • Obras no pavimento tipo: Estruturas, obra bruta, obra fina. • Obras na cobertura: Cobertura geral; casa de máquinas • Obras no térreo e sub-solos Esta divisão facilitará tanto no orçamento, pelo fato de identificar facilmente em que local os valores estão acima ou abaixo de uma base, quanto para elaboração do planejamento operacional. Para tal, leva-se em consideração que cada uma dessas sub - obras tem suas particularidades e requer estudo específico de seqüência de serviços. Estas seqüências se repetem nas várias obras em que a empresa executa, caracterizando um padrão. Dependendo do número de pavimentos, trechos externos e fachadas, tem-se um número de repetição das seqüências padrões. Os ciclos de produção que estas seqüências serão executadas, em função das receitas e despesas e do prazo de execução, resultam do dimensionamento das equipes. Também mudam de acordo com as variáveis técnicas, como condições de acesso e disponibilidade para canteiro de obras, situação do terreno e vizinhança para realização de fundações e 48 contenções, estratégias de gestão da produção (produção própria ou terceirizada, produção ou compra de componentes, gestão isolada ou centralizada de compras), número de torres e disponibilidade de recursos para executá-las. Só então tem-se uma estratégia de produção ou um plano de ação do empreendimento (ASSUMPÇÃO, 2005). Figura 5-11 Os módulos ou sub sistemas do edifício (ASSUMPÇÃO, 2005). 5.4.6 Estratégias para gestão de suprimentos Para que todos as etapas ocorram da maneira planejada, a compra dos materiais e a contratação dos serviços também devem ser efetuadas estrategicamente, evitando atrasos inesperados, comprometendo todo o processo do Planejamento. Covelo B (2005), diz que para que tudo ocorra da maneira esperada, é necessário manter a qualidade nesta etapa, seguindo as especificações de desempenho dos materiais, e mantendo alguns sistemas como qualificação e avaliação dos fornecedores, elaborando um cronograma de compras e contratações, estipulando 49 prazos para os pedidos dos materiais e uma logística adequada das equipes de trabalho. Segundo Covelo B, (2005), deve-se ter os seguintes cuidados quanto aos itens: • Desempenho dos materiais: Definir claramente na contratação de projeto as responsabilidades dos projetistas na especificação; Estabelecer metodologia com os projetistas para definir até onde vai sua especificação e que esta especificação esteja essencialmente fundamentada em desempenho; Em caso de determinação de marca, modelo e referência certificar-se de que os fornecedores têm como comprovar a adequação dos produtos e a garantia. • Mecanismos a serem exigidos dos fornecedores de materiais: Atendimento às Normas técnicas pertinentes; Oferecimento de assistência técnica compatível com seu produto; Certificação obrigatória e voluntária • Para contratação se serviços, exigir que a empresa: Apresente suas características, mostrando obras executadas; Atenda a requisitos estabelecidos pelo contratante; Forneça segurança no trabalho, de acordo com as normas; Tenha processos administrativos e financeiros; Apresente regularidade legal e fiscal. Formalizando os processos de compra de materiais e contratação dos serviços, conclui-se as etapas do Planejamento Estratégico e é possível elaborar um fluxo de todos os processos envolvidos neste Planejamento, visto em capítulo à seguir. 5.4.7 Fluxo de processos para viabilização dos empreendimentos Segundo Covelo B (2005), para viabilização dos empreendimentos habitacionais, pode-se adotar um fluxo de processos, definidos em etapas a seguir, conforme figura 5-12. O Planejamento Estratégico, conforme visto em capítulos anteriores, está em quase todas as etapas deste processo: • Definição da Estratégia Competitiva, Planejamento e Metas Empresariais: Análise dos dados do mercado, definição de estratégias, linha de produtos e 50 diretrizes para o desenvolvimento e planejamento e controle de metas empresariais. • Definição do Produto, Estudo de Viabilidade e Aquisição do Terreno: Diretrizes para aquisição do terreno em função do produto a desenvolver, seleção e análise inicial do terreno, estudo de viabilidade, negociação e formalização da aquisição do terreno. • Gestão do Empreendimento: Planejamento e controle físico do empreendimento, planejamento e controle do resultado financeiro do empreendimento, planejamento e controle do resultado econômico do empreendimento, captação e controle de recursos financeiros • Gestão de Projetos e da Documentação para legalização do empreendimento: Planejamento técnico/ físico/ financeiro dos projetos e documentos para o empreendimento, qualificação e avaliação de projetistas, contratação de projetistas, legalização do terreno e projeto legal, gerenciamento da documentação do empreendimento, gerenciamento físico/ financeiro e coordenação técnica dos projetos. • Gestão da Promoção e Vendas: Estratégias de promoção e vendas e planejamento comercial/ físico/ financeiro, qualificação e avaliação de serviços de promoção e vendas, contratação de fornecedores de serviços de promoção e vendas, definição do preço de venda, elaboração do contrato padrão de compra e venda de imóveis, gerenciamento físico/ financeiro e coordenação da promoção do empreendimento, administração da equipe de vendas, pesquisa, gerenciamento físico/ financeiro/ qualidade das vendas. • Gestão de Contratos e da cadeira de cobrança: Planejamento para gestão de contratos e carteira de cobrança, gerenciamento de contratos, gerenciamento da carteira de cobrança. • Gestão da Construção: Planejamento físico/financeiro da obra (executivo), plano de suprimentos, plano da qualidade, segurança e meio-ambiente, gerenciamento técnico / físico / financeiro da obra, regularização da conclusão da obra. • Gestão do Atendimento ao Cliente: Estratégias para atendimento e comunicação, gerenciamento do atendimento ao cliente pós-venda, instalação 51 do condomínio, entrega do empreendimento, assistência técnica, avaliação pós-ocupação. • Avaliação do empreendimento:Aretroalimentação e retorno ao início do processo. Figura 5-12 Processos para viabilização de empreendimento (COVELO B, 2005). 52 6 ESTUDO DE CASO O estudo da Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo (Bancoop), servirá como exemplo prático da necessidade de um Planejamento Estratégico em Cooperativas Habitacionais. A entidade passa por um período de transição, a diretoria está sob nova gestão e está sendo reestruturada. 6.1 Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo – Bancoop Para avaliar a importância de um Planejamento Estratégico e a falta que ele faz numa Cooperativa Habitacional, será mostrada a situação anterior da Bancoop, antes da decisão da implantação de um processo de melhoria. Foram identificadas as necessidades e elaborado um plano de ação envolvendo todas as etapas de produção de um imóvel. 6.1.1 Histórico da Bancoop A Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo – Bancoop, foi criada em 18 de junho de 1996, por iniciativa do Sindicato dos Bancários de São Paulo, com o intuito de construir moradias a preço de custo para os bancários da cidade de São Paulo. Inicialmente apenas bancários e familiares faziam parte da Cooperativa, porém, a partir de 1998, a diretoria da empresa decidiu oferecer a oportunidade para todos os cidadãos brasileiros que desejassem adquirir um imóvel. A Bancoop é uma entidade enquadrada na Política Nacional de Cooperativismo, estudada em capítulo anterior. Seu objetivo está no Art. 5, CAPÌTULO II, do seu estatuto de junho de 2003: 53 “A cooperativa tem por objetivo proporcionar aos seus associados, a construção e aquisição de unidade habitacional, imobiliária e a sua integração comunitária” De acordo com seu estatuto, no cumprimento de seu programa de ação a Cooperativa se propõe a: • Escolher e contratar a aquisição de terrenos e equipamentos indispensáveis à execução de seus empreendimentos habitacionais e ao pleno alcance de seus objetivos; • Projetar, construir e incorporar unidades habitacionais e imobiliárias; • Contratar a construção ou aquisição destas unidades habitacionais; • Contratar convênios com outras empresas com benefícios para os associados; • Proporcionar a obtenção de novos associados, de recursos e financiamentos; • Organizar, contratar e manter todos os serviços administrativos, técnicos e sociais; • Promover a inserção da Cooperativa na sociedade em geral, podendo utilizarse de verba para divulgação institucional da entidade e de suas seccionais, sempre com objetivo da viabilização própria e de seus empreendimentos. A missão da entidade é: “Proporcionar a casa própria aos seus cooperados, sustentando o tripé: preço, qualidade, pontualidade e paralelamente dinamizar a economia, contribuindo para a diminuição do déficit habitacional do Brasil.” (BANCOOP, 2006). Segundo Vaccari (2006), atual presidente da Cooperativa, a Bancoop é a maior Cooperativa Habitacional do Estado de São Paulo e, talvez a maior do Brasil. Em dez anos, 57 empreendimentos foram lançados. A entidade está em uma fase de mudanças, sob uma nova administração, elegida por assembléia em fevereiro de 2005. Está sendo realizado um levantamento em todos os documentos da entidade, uma empresa de auditoria foi contratada para tal. Estão se preparando para uma reformulação de processos e melhorias em todos os departamentos da empresa. 54 6.1.2 Dados da Bancoop A Bancoop tem sua sede na Rua Libero Badaró, número 152, 10º andar, Centro, São Paulo, SP, onde atuam cerca de 50 funcionários, em departamentos distintos, conforme figura 6-1. Além dos funcionários da sede, existem muitos outros contratados por empresas terceirizadas para efetiva execução das obras. Diretoria: 1 Presidente 1 Diretor técnico 1 Diretor administrativo – financeiro Suporte técnico: 1 Gerente técnico de obras 1 Gerente técnico de planejamento Obras: 2 coordenadores de obras 2 Engenheiros Civis Projetos: 1 Arquiteto 1 Assistente Suprimentos: 1 Comprador - materiais 1 Contratante de serviços Administração: 1 Gerente administrativo 5 Assistentes Recursos Humanos: 2 Assistentes de recursos humanos Informática: Seviços gerais: 2 Técnicos de informática 2 Assistentes de serviços gerais Contabilidade: 1 Gerente de contabilidade 7 Assistentes Financeiro: 1 Gerente financeiro 1 Tesoureiro 10 Assistentes Relacionamento: 1 Gerente de relacionamento 6 Assistentes Figura 6-1 Organograma Bancoop (MARQUES, 2006) 55 Desde 1996, foram lançados 57 empreendimentos. Destes, oito foram interrompidos por se tornarem inviáveis e os cooperados receberam seu dinheiro ou foram transferidos para outro empreendimento, conforme sua preferência. Alguns empreendimentos estão em recomposição de caixa, foram paralisados enquanto os recursos ainda não são suficientes, como o Residencial Casa Verde, localizado na Zona Norte de São Paulo, em figura 6-2. Figura 6-2 Residencial Casa Verde (FLORES, 2006) Como mostra tabela 6-1, são 8.510 unidades habitacionais, sendo que 5.626 já foram entregues, como as do condomínio “Parque do Mandaqui”, localizado na Zona Norte de São Paulo, (figura 6-3), somando 66,2% do total, e outros estão em construção, como o Residencial Ilhas D’Itália, na Zona Leste de São Paulo (figura 64). 56 Tabela 6-1 Números da Bancoop Números da Bancoop Total de empreendimentos lançados até o final de 2004 Total de empreendimentos descontinuados 57 8 Empreendimentos com todas as unidades entregues 24 Empreendimentos em construção 11 Empreendimentos em recomposição de caixa 5 Empreendimentos em lançamento 9 Total de cooperados até junho de 2006 Total de unidades concluídas Fonte: FLORES, 2006. Figura 6-3 Condomínio Parque do Mandaqui (FLORES, 2006) 14.500 5.626 57 Figura 6-4 Residencial Ilhas D’itália (FLORES, 2006). Quanto aos recursos utilizados para execução dos empreendimentos, a Bancoop utiliza das contribuições dos próprios cooperados, do seu capital social, de doações e legados, empréstimos e financiamentos obtidos, taxas, multas, juros e quaisquer outros recursos legais, como o Fundo de Investimento em Direitos Creditórios – FIDC, criado para adquirir recursos antecipadamente. No FIDC, a Cooperativa arrecada dinheiro junto aos investidores (empresas) e entrega como pagamento os documentos com as dívidas que têm a receber dos seus cooperados (FLORES, 2006). Os cooperados podem utilizar o seu FGTS, de acordo com a liberação da CEF, que varia pelas características de cada empreendimento, como cronograma físico (de execução) e financeiro (AFONSO, 2006). O ritmo das obras depende de quanto se arrecada nos grupos reunidos de cada empreendimento. Como a velocidade dos pagamentos pelos cooperados são lentas, as construções podem ser mais demoradas. Esporadicamente são realizadas assembléias em cada empreendimento lançado, com funcionários da Bancoop e uma comissão de cooperados, para esclarecimentos de dúvidas quanto à 58 regularizações e legalizações, aprovações, aplicação dos recursos, cronogramas e estatísticas de novas adesões (MARQUES, 2006). Os produtos da Cooperativa são bem variados, os residenciais de edifícios possuem blocos de 1 à 6 torres, de 11 à 21 andares, com 1, 2 ou 3 dormitórios, de 40 à 250 metros quadrados, alguns com coberturas duplex (dois andares) e triplex (três andares), e possuem até 4 subsolos, com vagas para automóveis. Possuem área de lazer, a maioria com piscinas, quadras e playgrounds. O modelo de planta de apartamento à seguir (figura 6-5) se refere ao Residencial Ilhas D’itália. Figura 6-5 Planta do apartamento - Residencial Ilhas D' Itália (BANCOOP, 2006). Existem também condomínios de sobrados de aproximadamente 70 metros quadrados cada, porém são apenas três entre os 49 empreendimentos efetivamente lançados (figura 6-6 e 6-7). Todos tem área de lazer, vaga para automóveis e portaria. 59 Figura 6-6 Condomínio Village Palmas (FLORES, 2006). Figura 6-7 Condomínio Villas da Penha (FLORES, 2006). O público alvo de seus produtos é a classe média e baixa, dependendo da região onde está localizado o empreendimento. Para aquisição, o interessado deve se associar à Cooperativa apresentando seus documentos de identificação e pagando uma única taxa referente à meio salário mínimo. Os imóveis podem ser financiados em 18, 36 ou até 48 meses, com uma entrada de aproximadamente 20% e 60 intermediárias anuais de aproximadamente 6% do valor total. Os cooperados podem acompanhar o andamento das obras pelo site da Bancoop. (BANCOOP, 2006). 6.1.3 Planejamento Estratégico na Bancoop A situação atual da Bancoop é uma fase de mudanças. Uma empresa de consultoria foi contratada (Núcleo de Gestão e Inovação, NGI) e com a participação dos funcionários, conseguiu-se avaliar a situação referente aos temas estudados anteriormente. A empresa propôs uma estratégia para cada etapa, que será inserida na entidade com um “plano de ação”, demonstrado na figura 6-8 (COVELO B, 2005). Estratégia competitiva - Análise de possíveis produtos, clientes e atributos. ETAPA DE INCORPORAÇÃO • • • • Avaliação de produtos Estudo de viabilidade – pesquisas, levantamentos de custos Terreno – requisitos legais, pesquisas, compra Desenvolvimento do produto – especificações, preço, qualidade, prazo ETAPA DE PROJETO Desenvolvimento de projetos – exigências dos usuários, qualidade, fases do projeto, avaliações, lançamento e início da comercialização. • • • Orçamento – Levantamento quantitativo, composição e atualização de preços Planejamento Operacional – processo de produção, definição da rede padrão, cronograma físico e financeiro. Compras e contratações – agendamento de entregas, prazos, realização de contratos e compras de acordo com cronograma físico e financeiro. ETAPA DE PRODUÇÂO Construção, compras e contratações, atualização de orçamentos e cronogramas ETAPA DE ENCERRAMENTO Legalizações, desligamento, entrega. Término do empreendimento. Figura 6-8 Plano de ação da Bancoop (COVELO B, 2005 e ASSUMPÇÃO, 2005) 61 7 ANÁLISE CRÍTICA A conseqüência da falta de Planejamento foi o reajuste dos valores de todos os empreendimentos, onde os cooperados (até os que já haviam quitado seu imóvel), tiveram que arcar com acréscimos de até trinta por cento do valor inicial. Algumas obras tiveram que ser interrompidas e todas estão progredindo com menor velocidade, até que se acertem os problemas causados pela falta de um Planejamento Estratégico adequado (MARQUES, 2006). Nas tabelas à seguir, estão analisados os problemas e dadas propostas de melhoria em cada etapa do plano de ação. Tabela 7-1 Estratégia Competitiva na Bancoop Situação Anterior Os resultados da pesquisa mostram que a estratégia competitiva existe mas não é E S T R A do conhecimento de todos, e nem todos a compreendem. Não existem registros de T É G I A Proposta de Planejamento Estratégico C O M P E T I T I V A pesquisas pós ocupação ou qualquer outro tipo de pesquisa. Há falta de comunicação e definição de função dos funcionários impedindo a integração da equipe. É necessário definir os segmentos de mercado no qual a Cooperativa faz parte, (susetor de empreendimentos imobiliários), observando quem são seus concorrentes e como eles atuam (edifícios residenciais para venda em mercado aberto com preço fechado e edifícios residenciais para incorporação com preço de custo). Buscar diferenciação, liderança em custos e enfoque no produto estipulado (como citado no ítem 5.4.4). Analisar os perfis de potenciais clientes (de baixa renda) e produtos em que a Bancoop é competitiva, estipulando atributos de competição (preço, condições de pagamento, flexibilidade). Realizar o desdobramento destes atributos para processos (definir qual processo a Bancoop precisa ter para efetivamente ofertar estes atributos de modo que o cliente perceba). Atender as exigências dos usuários, segundo norma NBR ISO 6241 (tabela 5-5, capítulo 5.4.4). Quanto aos valores da entidade é necessário tratar dos pré-requisitos para a sua implantação, como: liderança efetiva, comunicação, instrumentos e mecanismos de gestão. Fonte: COVELO B, 2005 e MARQUES, 2006. 62 Tabela 7-2 Produtos na Bancoop Situação Anterior A escolha do produto era feita com base no conhecimento dos membros da diretoria. Os aspectos levados em conta eram na maioria financeiros, o estilo e as características dos produtos eram determinados pelo nível econômico da região, porém sem pesquisas adequadas. Proposta de Planejamento Estratégico P R O D U T O S É necessário identificar os produtos imobiliários com maior potencial para cada terreno e localização. Para escolha das características, fazer uso de dados da própria Bancoop, como os questionários pós-ocupação. Enfocar o cliente que se quer atingir (de baixa renda). Identificar atributos necessários para que tenha maior velocidade de vendas que os produtos concorrentes existentes e futuros lançamentos (ver atributos em ítem 5.4.2). Pesquisar e tomar conhecimento sobre novas tecnologias disponíveis dos materiais e técnicas de aplicação, analisando os resultados obtidos por quem as aplicou e o desempenho que pode ser atingido, tendo em vista prazo, custos, qualidade, valor e diferenciação para o cliente. Fonte: COVELO B, 2005 e MARQUES, 2006. Tabela 7-3 Viabilidade técnica e financeira na Bancoop Situação Anterior O estudo de viabilidade também era elaborado pela diretoria, com base na experiência adquirida e nos outros empreendimentos. A viabilidade financeira era feita através de um modelo que não levava em consideração as características V I A B I L I D A D E específicas dos produtos, assim como a viabilidade técnica, que nem era avaliada. Proposta de Planejamento Estratégico Só após propor um produto, deve-se levantar os custos, com um orçamento preliminar, para depois definir o preço final, ao invés do contrário (ver o preço que a região pode pagar e estimar um valor). Este orçamento preliminar deve ter uma margem definida acima dos custos, de acordo com os indicadores econômicos e cobrindo os riscos (citados no ítem 5.4.3), considerando os custos pós-obra, efetuados pela assistência técnica, (despesas que ocorrem após a entrega das unidades, decorrentes de pequenas patologias). Os custos da assistência técnica devem ser apurados por empreendimento e por sub-sistema construtivo, (figura 511, ítem 5.4.4) de forma que se possa tabular dados estatísticos e avaliar onde ocorrem os maiores problemas. Fonte: COVELO B, 2005 e MARQUES, 2006. 63 Tabela 7-4 Terrenos e projetos na Bancoop Situação Anterior Os terrenos eram escolhidos da mesma maneira, a maioria sem ensaios técnicos como sondagens para conhecimento do tipo de solo (fator que também interfere na viabilidade técnica), apenas por avaliação do preço pelo conhecimento adquirido da diretoria. Os projetos eram contratados quase sempre pela mesma empresa e seguiam o mesmo modelo, com poucas variações e sem pesquisas de mercado. T E R R E N O S Haviam algumas pesquisas de avaliações pós ocupação, mas eram feitas e registradas de maneira inadequada, sem efeitos relevantes. Exigia-se pouco dos projetistas, por isso existiam poucos detalhamentos nos projetos, fato que prejudicava também o processo de orçamento e planejamento operacional. O prazo de entrega dos projetos não era respeitado, prejudicando várias etapas de construção. Proposta de Planejamento Estratégico E Para escolha do terreno, a Bancoop deve verificar os requisitos de legalizações e regulamentações do mesmo (ítem 5.4.4). Depois devem ser realizadas pesquisas competitivas que identifiquem a localização de terrenos com demandas imobiliárias P R O J E T O S no local, e a projeção do estoque imobiliário (com mapas de lançamentos de vendas nas regiões). Devem ser feitas também pesquisas de origem, para localizar imóveis de clientes que migraram para região do terreno analisado, a quantificação do fluxo migratório por produto e perfil de cliente e as áreas de influência. Já para o projeto, deve-se contratar projetistas que contribuam para levantar possibilidades de novas tecnologias a serem utilizadas e que no seu desenvolvimento, sugiram alternativas dependendo das características do empreendimento e das interfaces entre arquitetura, estruturas, instalações. A Bancoop deve cobrar atendimento às necessidades dos usuários, (levantadas nas pesquisas citadas na fase da estratégia competitiva) de acordo com a norma ISO 6241 (tabela 5-4, item 5.4.4). Deve-se avaliar a qualidade dos projetos com relação ao atendimento das necessidades específicas (conciliar arquitetura e engenharia para definir um correto perfil do empreendimento quanto à premissas básicas tais como memoriais descritivos, ante-projetos e definições). Para racionalização e padronização das etapas do projeto, seguir as fases mostradas no item 5.4.4 e ilustradas na figura 5-10, do Fluxo de processos para racionalização dos projetos. FONTE: COVELO B, 2005 e LIMA C, 2006. 64 Tabela 7-5 Orçamentos e Planejamentos na Bancoop Situação Anterior Os orçamentos eram estimados de maneira irregular, sem uma base condizente com a realidade da Cooperativa e muitas vezes sem um levantamento quantitativo real, além de existirem poucos funcionários para elaborarem orçamentos de muitas obras. O fato de ocorrer atrasos na entrega dos projetos e estes não terem todos os detalhamentos necessários, também dificultava o trabalho. Não eram todos os empreendimentos que tinham um planejamento operacional com um cronograma à seguir e as decisões nem sempre eram centralizadas, perdendo-se o controle das mesmas em algumas obras. O R Ç A M E N T O S E P L A N E J A M E N T O S Proposta de Planejamento Estratégico Definir um sistema de orçamento executivo com base nos sistemas aplicativos de softwares, como planilhas eletrônicas (Excel), ou específicos para orçamentos (Volare, Tron Orc) e de planejamento operacional, com redes de precedência (Pert CPM) que trabalham com as atividades relacionadas, facilitando simulações, e sistemas de softwares (MS Project) ou ainda sistemas fechados de administração e controle, elaborados especificamente para a Bancoop. Definir as periodicidades das atualizações. Para elaboração destes orçamentos e do planejamento, utilizar-se do método de sub-sistemas visto no capítulo 5.4.5. Criar um plano de processos de produção (por onde caminhar com a obra), respondendo à questões como: Executar a estrutura da torre junto com a da periferia? E qual o ciclo de produção, isto é, quantos pavimentos serão executados por mês, e quantos trechos da periferia? Executar os trechos de periferia de baixo para cima após contenções e escavações ou de cima para baixo travando as contenções? A fachada será executada por pavimentos ou por vistas? Haverá sincronia entre os serviços de estruturas, obra bruta, e obra fina? Para edifícios que utilizem um mesmo sistema construtivo, pode-se construir uma rede padrão, utilizada em todos eles. Esta rede deve ser compatível com a equação de fundos disponível para executar o empreendimento, fazendo uma adequação entre os departamentos de planejamento e financeiro para se estruturar as obras dentro dos prazos. Deve-se dispor de computadores nas obras para que os engenheiros possam operar, modificar e ajustar os orçamentos e cronogramas. Outra opção é terceirizar os serviços de orçamento e Planejamento e manter uma equipe apenas para coordenar estes trabalhos. Fonte: ASSUMPÇÃO, 2005 e MARQUES, 2006. 65 Tabela 7-6 Compras e contratações na Bancoop Situação Anterior Os fornecedores não passavam por avaliações de qualidade, e nem sempre eram cadastrados. O desempenho dos materiais nem sempre era estipulado pelos C O M P R A S projetistas e tão pouco cobrado pelos compradores. A contratação dos serviços também era feita sem muitos procedimentos e exigências. Proposta de Planejamento Estratégico Planejar as compras de materiais e as contratações dos serviços de cada obra a partir do seu planejamento físico e financeiro. Definir prazos para que as obras solicitem as compras a fim de viabilizar o processo completo.Elaborar formulários E C O N T R A T A Ç Õ E S padronizados para solicitação de compras que permitam definir as características completas de especificações. Definir os itens que a Bancoop compra para todas as obras em conjunto fazendo negociação completa de preços e condições gerais de fornecimento. Qualificar e cadastrar os fornecedores, avaliando as condições vantajosas e desempenho. Estabelecer procedimentos para a realização de serviços de execução e exigi-los dos fornecedores de serviços, assim como para recebimento e inspeção dos materiais. Na assistência técnica pós entrega, registrar todas as solicitações e verificar quais são os itens de maior incidência, para poder preveni-los. Gerar contratos mais claros e especificados, com quantitativos anexados, descritivos de tipologia dos materiais, de forma a deixar os mesmos prontos para dar retaguarda as obras para fiscalização dos prestadores de serviços, conseguindo com isso melhores resultados na qualidade e minimização de custos. Fonte: COVELO B, 2005 e TORRES, 2006. Tabela 7-7 Processos na Bancoop Situação Anterior P R O E S S O S Sobre os processos da empresa, a maioria dos funcionários respondeu que não existem, ou que são compreendidos apenas por quem os executa. Nos métodos e procedimentos faltam padronizações. Proposta de Planejamento Estratégico Há necessidade de se implantar e padronizar estes processos, em cada setor da Cooperativa. Deve-se criar uma integração dos departamentos, intensificando a comunicação e criando uma unificação. Deve-se estabelecer prioridades e metas, e respeitar às normas técnicas e procedimentos. Fonte: COVELO B, 2005 e AFONSO, 2006. 66 8 CONCLUSÕES Ideal para comprovação da eficácia do plano de ação sugerido, será a realização de nova pesquisa feita com os funcionários após a implantação e avaliação dos resultados. Como a situação da entidade analisada prova, vemos a necessidade da implantação de melhorias nas fases do processo de concepção dos empreendimentos, que com o desenvolvimento e crescimento da entidade, ao longo dos anos, foram se tornando superficiais e insuficientes. A falta de qualidade nos procedimentos gera insatisfação aos clientes, diminui a produtividade e aumenta os gastos. A implantação da racionalização e padronização dos processos é a base para aquisição da qualidade. Nota-se que as empresas estão deixando de ser amadoras, devido ao mercado competitivo, a preocupação com a satisfação dos clientes, e ao excessivo e constante aumento dos custos. Torna-se necessária a implantação de um sistema de Planejamento Estratégico com etapas bem definidas de acordo com os objetivos e características de cada empresa, que pode buscar soluções alternativas específicas para cada situação, tendo saídas diferenciadas em relação aos concorrentes. A eficácia torna-se tão importante quanto à eficiência. Em Cooperativas Habitacionais, a maior dificuldade está no fato de que cada empreendimento tem um ritmo diferente, dependendo de uma maneira geral do número de adesões, da periodicidade dos pagamentos dos cooperados e das liberações dos fundos de investimentos das empresas. Por isso, cada cronograma é proposto e alterado de acordo com a situação financeira específica de cada obra. A tomada de decisões é um exercício constante, viabilizando a correção dos rumos do empreendimento. O Planejamento Estratégico é um processo em constante modificação, com aprimoramento contínuo. Ele permite às Cooperativas que operem com segurança nas decisões, pois cada etapa é analisada antecipadamente, partindo de premissas, diminuindo os riscos, preparando-as para atuar em qualquer situação inesperada. 67 Para a população de baixa renda, as Cooperativas Habitacionais aparecem como uma boa alternativa de aquisição de um imóvel, devido às facilidades: ao tornar-se um membro, não é preciso comprovar renda e a dívida pode ser parcelada em várias prestações, além de permitir a possibilidade de um financiamento da CEF e o uso do FGTS. Mas assim como acontece na maioria das produções do ramo de construção civil brasileiro, estas entidades também não dão a devida importância à qualidade. As necessidades dos usuários ainda não são totalmente sanadas, o controle de execução dos serviços não é suficiente para tal, e o fator principal: falta planejamento em todas as etapas. Percebe-se o início de uma preocupação, algumas empresas já têm se mobilizado, porém, a minoria. O Brasil tem excelentes profissionais e tecnologias inovadoras, o que falta é a conscientização dos profissionais do ramo de construção civil da precisão desta qualidade total, contribuindo com o desenvolvimento e crescimento da economia brasileira, oferecendo oportunidades à população de baixa renda e garantindo sua satisfação. 68 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AFONSO, Daniela. Gerente Administrativa da Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo - Bancoop. Planejamento Estratégico na Bancoop. São Paulo, maio 2006. 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