VI Encontro Nacional da Anppas 18 a 21 de setembro de 2012 Belém - PA – Brasil _______________________________________________________ Resiliência e Vulnerabilidade de Cidades Brasileiras: Lições Aprendidas com os Desastres da Região Serrana do Rio de Janeiro e da Zona da Mata de Pernambuco Edinéa Alcântara de Barros e Silva Doutora em Desenvolvimento Urbano pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), e pósdoutorado em resiliência de cidades e de comunidades. [email protected] Cynthia Carneiro de Albuquerque Suassuna Doutoranda em Desenvolvimento Urbano, UFPE, professora da Universidade Católica de Pernambuco. [email protected] Maria de Fátima Ribeiro de Gusmão Furtado Doutorado em Planning Studies, University College London, professora associada do Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento Urbano, UFPE. [email protected] Onilda Gomes Bezerra Doutora em Desenvolvimento Urbano, UFPE, professora substituta do Departamento de Arquitetura e Urbanismo, UFPE [email protected] Resumo Este artigo busca discutir resiliência e vulnerabilidade urbana, tomando-se por referência os desastres ocorridos na Região Serrana do Rio de Janeiro e Zona da Mata de Pernambuco. É resultado de pesquisa exploratória, visando conhecer os meios pelos quais as cidades enfrentam desastres naturais, extraindo-se lições e propondo-se recomendações para o fortalecimento da resiliência urbana e comunitária das cidades. A investigação baseia-se em visitas aos locais dos eventos, entrevistas com o poder público e sociedade civil; observação direta; participação em audiências e manifestações públicas. A análise é de natureza comparativa, norteada pelo binômio resiliência/vulnerabilidade. Adota-se como categorias analíticas: a natureza dos eventos; atuação governamental e sociedade civil, antes, durante e depois; aporte de recursos; e implementação de ações reparadoras. Os resultados apontaram a importância da solidariedade da população, registrando-se seu protagonismo no processo, distintamente, nas três cidades: Teresópolis e Nova Friburgo destacaram-se pelo preponderante papel das redes sociais, na discussão e democratização dos problemas locais; Teresópolis destacou-se pela articulação e mobilização de grupos e vítimas de baixa renda, enquanto Nova Friburgo, o envolvimento da classe média foi maior; já Barreiros o papel de lideranças locais foi fundamental, no acolhimento aos moradores desabrigados e noutras ações, evitando perdas humanas, além da mobilização e envolvimento de municípios vizinhos e governo estadual, mediante aporte de recursos para reconstrução da cidade. Observa-se que a compreensão da resiliência urbana passa, não apenas pela gestão da vulnerabilidade ambiental do sítio urbano, mas pela capacidade de gerir recursos materiais e humanos com a participação e solidariedade da comunidade. Palavras-chave Resiliência, vulnerabilidade, desastres naturais, cidades brasileiras. VI Encontro Nacional da Anppas 18 a 21 de setembro de 2012 Belém - PA – Brasil _______________________________________________________ 1. Introdução Eventos extremos ligados às mudanças climáticas são hoje uma realidade presente em todas as regiões do Brasil. Inundações, deslizamentos, enxurradas, tempestades, ressacas e secas intensas são exemplos de fenômenos climáticos extremos ocorridos recentemente que provocaram grandes perdas humanas e materiais. Este artigo traz uma discussão sobre resiliência e vulnerabilidade de cidades tomando por referência os desastres ocorridos na Região Serrana do Rio de Janeiro, em 2011, e as enchentes ocorridas na Zona da Mata de Pernambuco, em 2010. O desastre da Região Serrana é considerado o maior desastre natural do Brasil, em número de óbitos, mais de 900 declarados, porém com um número indeterminado de desaparecidos. A enchente ocorrida em junho de 2010, na Zona da Mata Sul de Pernambuco, atingiu uma magnitude nunca antes alcançada na região, com um volume grande de perdas materiais. O evento que atingiu a cidade de Barreiros afetou 27 municípios, deixando 11 em estado de calamidade pública e 30 em situação de emergência. O número de mortos foi de 20, de acordo com dados publicados no site da Operação Reconstrução do Governo do Estado de Pernambuco. Intensas precipitações pluviométricas influenciadas pelo fenômeno conhecido como "Ondas do Leste" chegaram a 401,8mm acumulados até o dia 17/02/10, agravando-se no dia 18/02/2010 pelas precipitações de 90mm em menos de 12 horas, ao longo da bacia do rio Una, de acordo com a avaliação de danos do Sistema Nacional de Defesa Civil1 As características físicas, principalmente relevo e geologia, a intensidade de precipitações e a possibilidade de previsão de ocorrência, conduziram a eventos com natureza física e danos distintos. Os eventos da Região Serrana caracterizaram-se por deslizamentos de massas, mais precisamente corrida de lama e detritos, enquanto que na Mata Sul de Pernambuco o evento caracterizou-se por enxurradas ou inundações bruscas. Os municípios analisados na Região Serrana foram Teresópolis e Nova Friburgo, de um total de sete municípios atingidos, e na Zona da Mata Sul o município de Barreiros, por serem os locais onde as tragédias tiveram maior magnitude, em termos de óbitos e perdas materiais. Essas duas tragédias 1 Banco de Dados de Registro de Desastres, S2ID. Disponível em http://150.162.127.5:8000/ged/PE-A2601409-12302-100618.pdf VI Encontro Nacional da Anppas 18 a 21 de setembro de 2012 Belém - PA – Brasil _______________________________________________________ ocorreram devido a níveis de precipitações pluviométricas concentrados em um curto espaço de tempo. Deslizamentos associados a altas precipitações são os eventos que mais causam mortes no Brasil. Tanto para a Região Serrana, devido a sua situação na zona de convergência, quanto para a costa nordestina do Brasil, os modelos de mudanças climáticas apontam uma tendência de maior concentração de precipitações em menores espaços de tempo, não necessariamente com a mesma magnitude. Portanto, a comparação dessas duas situações, em contextos e características diferentes, poderá oferecer lições para fortalecimento da resiliência comunitária e de cidades, bem como para conhecer, enfrentar e, se possível, corrigir suas vulnerabilidades. Este artigo traz uma análise das diferenças e semelhanças entre os dois eventos, tendo como eixo norteador a análise do binômio resiliência/vulnerabilidade buscando identificar as lições aprendidas no que diz respeito: i) à ação governamental; ii) ao protagonismo da população e de instituições da sociedade civil; iii) à dimensão ambiental como condicionantes, limitadores e facilitadores dos cenários, alternativas e soluções encontradas. Problemas no enfrentamento e na superação dos eventos ligados ao clima são comuns a muitas cidades e tendem a se intensificar com as mudanças climáticas. Pretende-se, portanto, trazer ao debate questões para que se reflita sobre soluções mais sustentáveis de convivência SociedadeAmbiente. Conhecer e avaliar, em maior profundidade os erros e acertos, as fraquezas e as potencialidades dos dois eventos, poderá apontar lições e pistas para enfrentar outros desastres, a exemplo das enchentes que ocorreram no início do ano em outros municípios do Rio de Janeiro e de Minas Gerais. 2. Quadro Teórico: Vulnerabilidade e Resiliência O conceito adotado para entender a vulnerabilidade das localidades analisadas, foi o do ISDR (International Strategies for Disaster Reduction, 2004), que a define como o grau de susceptibilidade ou incapacidade de um sistema para lidar com os efeitos adversos da mudança, inclusive a variabilidade climática e os eventos extremos de tempo. Nos casos analisados, como foram desastres, tratou-se de eventos extremos. Já para a vulnerabilidade comunitária, define-se vulnerabilidade como um conjunto de condições e processos resultantes de fatores físicos, econômicos e ambientais, que aumentam a suscetibilidade de uma comunidade frente a um impacto·e/ou fenômeno perigoso (ISDR, 2004). VI Encontro Nacional da Anppas 18 a 21 de setembro de 2012 Belém - PA – Brasil _______________________________________________________ Quanto a resiliência, entende-se como a “capacidade de um sistema absorver perturbações e reorganizar-se, enquanto está sujeito a forças de mudança, sendo capaz de manter o essencial das suas funções, estrutura, identidade e retroalimentações”2 (WALKER et al, 2004). A resiliência é uma característica dos sistemas que pode ser produzida ou reforçada. Faz parte do conjunto de metas e ações que devem ser priorizadas quando se pensa em sustentabilidade urbana [...] promover a resiliência é uma das maneiras mais eficientes de promover sustentabilidade (HOGANN, et al, 2010, p. 95). A resiliência pode ser compreendida sob vários domínios, de acordo com Plodinec (2009), no domínio físico, ecológico, ecológico-social, comunitário, econômico e individual, conforme o foco tratado. Os conceitos mais próximos de resiliência comunitária para explicar as observações empíricas foram “a habilidade de se recuperar ou ajustar-se facilmente a adversidades ou a uma vida continuamente estressante” (BROWN, 1996 e Ganor, 2003, apud NORRIS et al., p. 129, 2008) E por que resiliência é importante? Godschalk (ibid., p. 138) aponta duas razões: (i) a primeira é que a vulnerabilidade da tecnologia e dos sistemas sociais não pode ser predizível completamente, assim resiliência – a capacidade de acomodar mudança com habilidade e sem falhas catastróficas – é crítica quando ocorre o desastre (FOSTER, 1997, apud ibidem). Sendo difícil prever os desastres, torna-se VI Encontro Nacional da Anppas 18 a 21 de setembro de 2012 Belém - PA – Brasil _______________________________________________________ mobilizar recursos materiais, físicos, sociopolíticos, sociocultural e psicológico para promover segurança dos moradores e amortecer as adversidades (PLODINEC, 2009). Nesse sentido, vale destacar a importância da resiliência comunitária nos casos tratados visto que foi através dela que os danos humanos e materiais nas localidades investigadas foram minimizados mediante intensa reação aos choques sofridos a partir do protagonismo individual e coletivo para remediar os impactos dos desastres. Segundo o Plano Nacional de Mudanças Climáticas (2008, pg. 88) muito se pode fazer na tentativa de reduzir os impactos e aumentar a resiliência das comunidades, melhorando as condições de adaptação às mudanças climáticas. Nesse contexto, recomenda que as ações de adaptação sejam trabalhadas em dois níveis: (i) na construção da capacidade de adaptação: gerando informações e condições (regulamentar, institucional e gerencial) para apoiar a adaptação, o que inclui o conhecimento dos impactos potenciais da mudança do clima e das opções de adaptação); e (ii) na implementação de medidas de adaptação: realizando ações que reduzam a vulnerabilidade ou que explorem as oportunidades originadas da mudança do clima, incluindo investimentos em infraestrutura, sistemas de gestão de riscos, promoção da informação e aumento da capacidade institucional. 3. O Objeto Empírico Os dois casos escolhidos para este estudo são classificados como eventos hidrológicos extremos e casos emblemáticas de desastres extremos de enchentes e deslizamentos. Juridicamente, a Zona Costeira brasileira tem status constitucional de patrimônio nacional, e sua utilização é objeto de determinação legal, dentro de condições que assegurem a conservação do meio ambiente visando a manutenção dos recursos naturais preservando-os para as presentes e futuras gerações, e o direito a um meio “ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida” (CF,1988). Apesar do conceito de meio ambiente na constituição enfatizar os processos naturais, do ponto de vista patrimonial, meio ambiente, atualmente, se insere numa abordagem teórica ampliada ao contemplar, não somente as dimensões biológicas e geofísicas do meio físico territorial, mas os processos humanos nele construídos, materiais ou imateriais. Nessa perspectiva, quando se analisa situações de desastres decorrentes de eventos hidrológicos extremos em zonas costeiras, não há como se deixar de lado as origens histórico-culturais da colonização. A ocupação das áreas costeiras brasileiras e das margens dos rios foi consequência de VI Encontro Nacional da Anppas 18 a 21 de setembro de 2012 Belém - PA – Brasil _______________________________________________________ uma cultura que se originou do processo histórico da colonização portuguesa. Os problemas de usos inadequados do solo são antigos, segundo Holanda (1995, p.110) A cidade que os portugueses construíram na América não é produto mental, não chega a contradizer o quadro da natureza, e sua silhueta se enlaça na linha da paisagem. Nenhum rigor, nenhum método, nenhuma prudência, sempre esse significativo abandono que exprime a palavra desleixo. Cabe destacar que o Plano Nacional de Gerenciamento Costeiro – PNGC (versão, 1997), sobretudo, o Plano de Ação Federal para a Zona Costeira - PAF-ZC (MMA, 2005), aprovados pela Comissão Interministerial para os Recursos do Mar – CIRM, prevêm linhas de ações que abarcam um conjunto de projetos visando ao planejamento e ordenamento territorial ambiental dessa faixa territorial, tendo em vista à conservação do patrimônio natural e cultural, bem como o controle e o monitoramento dos fenômenos e das dinâmicas e processos naturais e humanos que incidem na costa brasileira. Coordenado pelo MMA, de acordo com o Macrodiagnóstico da Zona Costeira e Marinha do Brasil (MMA, 2009), tais projetos buscam dar uma resposta às pressões concentradas particularmente na costa brasileira. Ressalte-se que um dos principais fatores é a intensa e desordenada urbanização promovendo a concentração populacional de 25% do total em apenas 7% dos municípios do Brasil, especialmente nas 16 regiões metropolitanas.3 Observa-se que aliado ao processo histórico-cultural de ocupação, a falta de cuidado, o desvalor acerca de normas de planejamento e organização territorial que se refletem, ainda nos dias atuais, como fatores que não podem ser esquecidos. Para a Zona da Mata Sul, é apresentado na Tabela 1 um histórico das enchentes a partir de 2010. Observa-se um crescimento no número de mortos, com exceção da enchente de 2010, e também uma tendência à ampliação da magnitude e da intensidade dos eventos, o que coincide com as previsões das mudanças climáticas: intensificação das precipitações nas duas regiões. 3 http://www.mma.gov.br/gestao-territorial/gerenciamento-costeiro. Acesso: 13.07.2012. VI Encontro Nacional da Anppas 18 a 21 de setembro de 2012 Belém - PA – Brasil _______________________________________________________ Tabela 1 Principais Cheias na Zona da Mata Sul de Pernambuco até 2010 30 de julho a 01 de agosto 2000 22 mortos, 100 feridos e mais de 60 mil desabrigados As chuvas anunciadas com 40 dias de antecedência atingiram 300mm em 3 dias, mas as autoridades governamentais deram pouca importância à previsão. Na RMR ocorreram 102 deslizamentos de barreiras. Dos 33 municípios atingidos, 16 decretaram emergência e 17 calamidade pública. Apenas 30% dos recursos foi liberado para recuperação. Janeiro e fevereiro de 2004 36 mortos e 20 mil desabrigados As chuvas (jamais registradas entre os dois primeiros meses do ano) foram provocadas por fenômenos atípicos (frente fria e outros) e destruíram pontes e estradas, açudes, casas e populações inteiras ficaram ilhadas. 13 cidades decretaram calamidade pública e 76 emergência. 30 de maio e 2 de junho 2005 36 mortos e mais de 30 mil desabrigados Fortes chuvas provocaram enchentes em 25 cidades do Agreste, Zona da Mata e Litoral pernambucanos: 36 mortos, mais de 30 mil desabrigados, 7000 casas destruídas, 40 pontes danificadas, 11 rodovias atingidas e 7 interditadas. 17 a 19 de junho de 2010 20 mortos e 26.970 desabrigados Maior tragédia da década: atingiu 67 municípios, 21 mortos, 26.970 desabrigados, 55.650 desalojados, 14.136 casas destruídas, 142 pontes e 5.000km de estradas danificadas, 12 municípios em calamidade pública e 27 em emergência. Em 24h choveu 170mm, 50% da média do mês. Fonte: Adaptação de Pernambuco de A a Z. (www.pe-az.com.br). 4 O Município de Barreiros , localizado na Zona da Mata Sul do estado de Pernambuco, dista 107,7 Km da capital do Estado, que tem uma área de 233,372 Km2 e altitude de 22m. Criado no ano de 1853 e instalado em 1860 possui uma população total de 40.732 habitantes, sendo 33.982 urbanos e 33.833 habitantes vivendo na sede municipal, de acordo com o Censo de 2010 do IBGE. De acordo com a Lei 14.258 de 23 de dezembro de 2010 (Política Estadual de Gerenciamento Costeiro), Barreiros faz parte do Setor Sul da zona costeira do Estado de Pernambuco, juntamente com os Municípios do Cabo de Santo Agostinho, Ipojuca, Serinhaém, Rio Formoso, Tamandaré e São José da Coroa Grande. A escolha desse município decorre do fato do mesmo ter sido atingido por uma enchente de grandes proporções em julho de 2010, o que faz com que se apresente com as características necessárias para a pesquisa ora em desenvolvimento. A enchente ocorrida na Região Serrana do Rio de Janeiro, mais especificamente nos municípios de Nova Friburgo e Teresópolis, em janeiro de 2011, foi considerada a maior tragédia climática do estado do Rio de Janeiro e do Brasil. Esse acidente colocou o Brasil em 3º lugar em mortes no mundo, em 2011. Segundo o Departamento Geral de Defesa Civil do Rio de Janeiro5 esta enchente provocou 910 mortos e 662 desaparecidos até o dia 18 de fevereiro. Em Nova Friburgo, foram r VI Encontro Nacional da Anppas 18 a 21 de setembro de 2012 Belém - PA – Brasil _______________________________________________________ Preto, Santo Antônio de Pádua e Bom Jardim, dois mortos em cada município. Segundo a Defesa Civil estadual, as chuvas deixaram 23.315 desalojados e 12.768 desabrigados em 15 cidades. Tabela 2 Relatório Diário de Desastre (18/02/2011) município ocorrência data n. de desabrigados 0 Vítimas fatais 0 n. de afetados 3.400 Alagamento/escorregamento 24/12/2010 ou deslizamento Teresópolis Alagamento/escorregamento 4/01/2010 6727 388 0 ou deslizamento Enxurradas ou inundações 12/01/2011 187 74 50.000 bruscas Nova Enxurradas ou inundações 12/01/2011 789 429 0 Friburgo bruscas Fonte: Departamento Geral de Defesa Civil do Rio de Janeiro Disponível http://www.dgdec.defesacivil.rj.gov.br/modules.php?name=News&file=print&sid=260. em 4. A Metodologia A base empírica das reflexões se constituiu dos resultados de trabalhos de campo centrados na observação direta em nove visitas aos três municípios e participação em oito eventos públicos (audiências, manifestações públicas de prestação de contas e apresentação dos projetos e entrevistas abertas e com roteiro). A escuta contemplou moradores e representantes de instituições da sociedade, das prefeituras e dos governos estaduais nos eventos públicos e em entrevistas privadas, de 16 órgãos públicos municipais e estaduais, 9 instituições da sociedade civil, que junto com líderes e moradores, totalizam 53 pessoas. 4.1 A Análise Comparativa A análise comparativa dos dois eventos teve como eixo norteador o binômio resiliência/vulnerabilidade buscando identificar as lições aprendidas e as alternativas e soluções encontradas. As categorias de análise foram: a natureza física dos dois eventos; a atuação governamental (união, estado e município) e sua credibilidade; a atuação da sociedade civil, com ênfase no grau de protagonismo da sociedade e da população antes, durante e depois do desastre; a atuação dos indivíduos; o aporte de recursos (governamentais e arrecadados pela sociedade); o nível de implementação das ações de recuperação das perdas. VI Encontro Nacional da Anppas 18 a 21 de setembro de 2012 Belém - PA – Brasil _______________________________________________________ Tabela 3 Matriz de análise Categorias de análise A natureza física dos eventos A atuação governament al Barreiros, PE Teresópolis e Nova Friburgo, RJ Semelhanças: Intensidade pluviométrica: 401,8mm até 17/02/10, 90mm (em 12h) no dia 18/02/2010 (Sistema Nacional de Defesa Civil) Diferenças: características fisiográficas: relevo, geologia, topografia, natureza física dos eventos, cheias frequentes no verão, enxurradas ou inundações bruscas, possibilidade de previsão da ocorrência pelo lapso de tempo que pode minimizar perdas e salvar vidas Poder local: defesa civil despreparada e inexistência de sistema de alerta. Força Nacional com grande credibilidade. Semelhanças: Intensidade pluviométrica: 300mm em horas Diferenças: características fisiográficas: relevo, geologia, topografia, natureza física dos eventos, zona de convergência – grandes intensidades de chuvas no verão (próximo a janeiro), mmisto de deslizamentos de massas (corrida de lama e detritos) e enchente A atuação da sociedade civil O padre e fiéis criaram um sistema de alerta informal, o sino da igreja, a rádio comunitária, visita às residências e abrigos A atuação dos indivíduos Grande solidariedade da população durante e depois do desastre: acolhimento aos desabrigados, limpeza da cidade, distribuição de alimentos e donativos, assistência aos desabrigados Criação do escritório de Reconstrução Nacional Poder local: incapacidade de gerenciar recursos; 3 pontes ainda não foram construídas. Construídas mais de 1000 casas sobre aterro, já com erosões O aporte de recursos Implementaç ão das ações de recuperação Antes: defesa civil local despreparada, inexistência de sistema de alerta e resgate de pessoas Depois: implantação de sistema precário de alerta; criação de 19 NUDECs (núcleo de defesa civil); Força Nacional com credibilidade Surgem organizações locais: AVIT Apoio de instituições nacionais e internacionais: CARE do Brasil,Cruz Vermelha Redes sociais com importante papel na discussão, mobilização e democratização dos problemas locais, aglutinando moradores de diversas classes e grupos sociais Grande solidariedade da população durante e depois do desastre: limpeza da cidade, distribuição de alimentos e donativos, assistência aos desabrigados, reconhecimento dos corpos Governamentais – mais de 10 milhões de reais Poucas obras de contenção realizadas, algumas já com erosão; pontes ainda não foram construídas; construção das casas não iniciadas, um ano depois. As fotos a seguir evidenciam algumas das categorias analisadas. VI Encontro Nacional da Anppas 18 a 21 de setembro de 2012 Belém - PA – Brasil _______________________________________________________ Região serrana do Rio de Janeiro VI Encontro Nacional da Anppas 18 a 21 de setembro de 2012 Belém - PA – Brasil _______________________________________________________ VI Encontro Nacional da Anppas 18 a 21 de setembro de 2012 Belém - PA – Brasil _______________________________________________________ Barreiros, Zona da Mata Sul de Pernambuco VI Encontro Nacional da Anppas 18 a 21 de setembro de 2012 Belém - PA – Brasil _______________________________________________________ VI Encontro Nacional da Anppas 18 a 21 de setembro de 2012 Belém - PA – Brasil _______________________________________________________ 5. Resultados 5.1 O Protagonismo da Sociedade e a Ação do Estado Nas três cidades analisadas, a solidariedade da própria população durante o desastre foi evidenciada em diversos jornais, bem como nos depoimentos dos entrevistados. Organizações e movimentos locais surgiram com este propósito, além de instituições nacionais e internacionais estabeleceram residência nos municípios atingidos. A manifestação do protagonismo da sociedade assumiu feições diferenciadas nas três cidades. Em Teresópolis, a rede de instituições e de articulação existentes tem como pilar estruturador a Associação de Vítimas da Tragédia de 11 de Janeiro (AVIT), que foi formada depois da tragédia e reúne vítimas e cidadãos de classe média que atuam na mobilização de pessoas de mais baixa renda. A Care do Brasil, junto com líderes comunitários, também fomentou a criação dos primeiros NUDECs (Núcleo de Defesa Civil) e entregou um documento ao prefeito de Teresópolis, solicitando sua adesão à Campanha “Construindo Cidades Resilientes: Minha cidade está se preparando”. Essa campanha aponta uma lista das prioridades a serem assumidas por prefeitos e gestores locais, advindas do Marco de Ação de Hyogo6 para redução de riscos de desastres, e do qual o Brasil é um signatário. Em Nova Friburgo, as redes sociais tiveram e ainda têm um papel preponderante na discussão e democratização dos problemas locais, por aglutinar os moradores e principalmente por envolver pessoas de classe média, que assumem um papel importante de articulação no mundo virtual, evidenciando a tendência mundial nesse sentido. Muitas são as instituições criadas após o desastre que tiveram ou tem atuação local: Grupo de Articulação Comunitária (GAM), Diálogos, Eu Luto, Care do Brasil, Cruz Vermelha, entre outras. O movimento por cidades resilientes também estava se formando, mas já havia sido criado um espaço virtual “Nova Friburgo em Transição (Transition Towns)”, no facebook, onde são postados comentários sobre os problemas locais e há muita participação da sociedade. Eles buscam seguir os princípios do movimento “Transition Towns”, em nível mundial, que busca construir cidades resilientes. Em Barreiros, o protagonismo de líderes locais, inclusive religiosos, como um padre da igreja católica e grupos de fiéis, teve importante papel durante e logo depois do desastre. O sistema de alerta criado 6 Marco de Acción de Hyogo 2005-2015 - Prioridades de acción n. 5 “Fortalecer la preparación en desastres para una respuesta eficaz a todo nível” VI Encontro Nacional da Anppas 18 a 21 de setembro de 2012 Belém - PA – Brasil _______________________________________________________ informalmente: o sino da igreja, a rádio comunitária e as visitas às residências e locais de abrigo, pouco antes do desastre; e o acolhimento dos moradores aos desabrigados, foram essenciais para evitar as perdas humanas. A mobilização e o envolvimento de municípios vizinhos e a ação do governo do estado também foram essenciais na recuperação da cidade, depois do desastre. Os resultados alcançados, as obras executadas e os depoimentos dos entrevistados são indícios de que a ação do Governo de Pernambuco no pós-desastre foi essencial na recuperação do município, enquanto que no Rio de Janeiro o atraso na realização das obras, por dificuldades ambientais que a própria região oferece, bem como os indícios de corrupção, que substituíram os prefeitos das duas cidades, vulnerabiliza e descredibiliza a atuação governamental local. Em Barreiros, a incapacidade da Prefeitura de receber recursos motivou a concentração das obras sob o comando do governo de Pernambuco. A Operação de Reconstrução montada pelo governo estadual irá construir mais de 4.000 casas e já conta com mais de mil construídas. A previsão de construção de cinco barragens deverá resolver, ou pelo menos mitigar, os problemas de enchentes da Zona da Mata Sul de Pernambuco. No caso da Região Serrana, em 2011, foram realizados diversos treinamentos para a implantação de sistema de alerta e um planejamento de locais de abrigo para a população. No entanto, os sistemas de alerta implantados ainda são precários e falhos. A construção das casas ainda não havia sido iniciada. Mesmo um ano após a tragédia, muitas das pontes ainda não foram construídas, os tratamentos nas encostas já começam a apresentar problemas de erosão e de comprometimento de pequenas obras localizadas. Diante do contexto, como uma população que sofreu e ainda sofre o trauma de um desastre da magnitude do ocorrido, foi submetida à instabilidade de gestão política com a troca de prefeitos, por suspeita de corrupção, pode acreditar e confiar nas instituições públicas, se a ação governamental ainda continua com esse nível de resposta? Mesmo que as soluções técnicas para a região da Zona da Mata Sul de Pernambuco sejam mais simples e haja uma maior credibilidade da atuação pública, devido à atuação do governo estadual, as duas regiões terão que enfrentar o grande problema, comum a quase toda cidade que é o de consolidação de habitações e de comércio às margens dos rios, ocupando, muitas vezes a própria calha de escoamento. O que fazer? Relocar os moradores para fora da zona de risco, marcadas em vermelho nos modelos de simulação, pode significar relocar praticamente toda a cidade. Como resolver isso, quando os modelos de simulação de cheias apresentam o alagamento de praticamente toda a cidade de Barreiros para uma enchente da magnitude da ocorrida em 2010? VI Encontro Nacional da Anppas 18 a 21 de setembro de 2012 Belém - PA – Brasil _______________________________________________________ Na região serrana, as cidades oferecem um clima ameno, cerca de 10º a menos do que na cidade do Rio de Janeiro, e um ambiente belíssimo de montanhas, que faz com que alguns moradores não queiram sair de lá, mesmo após essa tragédia. Como consolidar de forma segura, cidades que se assentam em locais com tal vulnerabilidade ambiental? Obviamente, não se pretende encontrar respostas a essas questões, apenas provocar uma reflexão nesse sentido, pois esses problemas são comuns a muitas cidades consolidadas a margem de rios e podem tender a se intensificar, com os adventos das mudanças climáticas. 6. Conclusões Reflexões e Lições Aprendidas 6.1 Ações preventivas Sistemas de alerta antes e durante o desastre podem vir a salvar muitas vidas nos dois tipos de tragédias e deveriam ser efetivos e gerar credibilidade e confiança na população. Não foi o que ocorreu em Nova Friburgo, um ano depois da tragédia, e mesmo após treinamentos de gestão do desastre. Diante da ocorrência de chuvas intensas, ao soar o alarme e a população se dirigir aos abrigos, não encontraram abertos os locais previstos para passar a noite. Tal fato descredibiliza bastante a ação pública e reforça o sentimento de abandono declarado por muitos dos entrevistados. 6.2 Ações de Recuperação Agilidade na implementação das obras de reconstrução fortalece a credibilidade da ação governamental e produz dinamização econômica que pode superar situações anteriores de estagnação. A atuação do Governo de Pernambuco no pós-desastre foi essencial na recuperação do município. Há quem avalie um maior dinamismo econômico e de geração de empregos depois do desastre do que antes. Na região serrana do Rio de Janeiro, o atraso na realização das obras, por dificuldades ambientais que a própria região oferece, vulnerabilizou e descredibilizou a atuação governamental local. A corrupção e desvios de recursos se configuram nas maiores ameaças à implementação das obras de reconstrução, causando sérios impactos na qualidade de vida das pessoas e na credibilidade das instituições governamentais. Mecanismos eficazes de controle financeiro dos gastos devem ser implementados para evitar corrupção/desvio de recursos, pois o fato das localidades estarem em estado de emergência ou calamidade pública facilita práticas ilícitas de aplicação de recursos. VI Encontro Nacional da Anppas 18 a 21 de setembro de 2012 Belém - PA – Brasil _______________________________________________________ 6.3 Ações de Adaptação Estruturais Desastres como os provocados por inundações podem ser resolvidos por construção de barragens, como no caso da Zona da Mata Sul de Pernambuco. Na região serrana, a topografia extremamente acidentada potencializa a velocidade das águas, o que somado ao (quase) afloramento do cristalino, compromete a estabilidade dessas encostas, que mesmo cobertas de vegetação, podem deslizar devido a índices de precipitações como os que ocorreram em janeiro de 2011. Desastres como a corrida de lama e detritos impõem soluções de engenharia mais difíceis, caras e, muitas vezes paliativas, apenas para mitigar os impactos. Equipes internacionais estão estudando as soluções técnicas para a região. Entre as possíveis soluções apontam-se barragens ao longo dos rios para armazenamento e quebra da velocidade da água, diques laterais de contenção, que venham minimizar a ocorrência de riscos de futuros acidentes com a proporção do desastre de 2011. Mesmo que as soluções tenham caráter mitigador, lograrão êxito no sentido de evitar os óbitos e os danos materiais e psicológicos, assim como um eficiente sistema de alerta, inexistente na época do desastre. Cuidado e atenção especial deve ser dado a programas de saúde pública para tratar com os traumas pós-desastre, pelo qual passa a população vítima de desastres. No Brasil, esse aspecto é secundarizado, enquanto em países como o Japão, possui atenção prioritária pela saúde pública. 6.4 Considerações finais sobre a resiliência das duas cidades A Tabela 4 apresenta uma síntese com uma avaliação preliminar da resiliência das duas cidades. Tabela 4 - Avaliação preliminar da resiliência das duas cidades Categoria indicador Natureza física do desastre Barreiros, Zona da Mata Sul, PE Teresópolis e Nova Friburgo, Região Serrana, RJ Lapso de tempo razoável (de 12 a 18h) para prevenir perdas e danos Número de mortos e desaparecidos Impacto nos sobreviventes 20 mortos Lapso de tempo curto (praticamente imediato), exigindo monitoramento acurado das precipitações e sistemas de alarmes efetivos para desocupar as áreas de risco com rapidez Mais de 900 mortos e mais 300 desparecidos Solução técnica para resolver o problema Construção de barragens Perdas materiais e sofrimento durante e depois do desastre Grande número de mortos/desaparecidos marcou profundamente a população com forte trauma pósdesastre, com sequelas e perdas irreversíveis Obras de engenharia mitigadoras difíceis e caras VI Encontro Nacional da Anppas 18 a 21 de setembro de 2012 Belém - PA – Brasil _______________________________________________________ Construção de casas Mais de 1000 casas Ação governamental Operação de Reconstrução exitosa do Governo Ação individual A solidariedade contribuiu para a resiliência da cidade A atuação da sociedade civil Líderes locais e de municípios vizinhos (políticos, empresários, etc.) atuaram de forma decisiva para a resiliência da cidade Bases da resiliência das cidades Solidariedade das pessoas e da sociedade Ação de líderes (o padre, o governador, empresários e líderes políticos de municípios vizinhos) O nível de participação políticas coletiva Praticamente inexistente. A mobilização da sociedade se deu mais fortemente para o desastre. Dificuldade de construir novas casas devido à topografia da região para seguir a legislação e normas urbanísticas e ambientais A corrupção, os desvios de verbas e a morosidade para iniciar os trabalhos afetaram a credibilidade das instituições públicas, principalmente a prefeitura Atuação exemplar de solidariedade uns com os outros, mesmo quem perdeu parentes, que contribuiu para a resiliência da cidade Criação de 19 NUDECs Instituições como Care do Brasil, Cruz Vermelha, AVIT, GAM, Diálogos, etc., contribuíram para mudar a realidade das vítimas durante o desastre e depois, prestando assistência às vitimas, como pressionando o poder público para implementar as obras. Solidariedade das pessoas e da sociedade. Ação das instituições da sociedade civil existentes e criadas, bem como as redes sociais virtuais tiveram um papel preponderante na mobilização, na democratização e discussão dos problemas locais, com destaque para Nova Friburgo, onde houve o surgimento de diversos grupos e instituições de origem virtual, mas que se materializaram em lutas e reivindicações O afastamento de dois prefeitos evidencia o nível de mobilização e de fiscalização dos órgãos de controle locais. 7. Recomendações para fortalecimento da resiliência Muito precisa ser feito para que as cidades se preparem para os desastres e para eventos extremos futuros. Primeiramente, no âmbito do seu fortalecimento institucional, por meio da redução de suas vulnerabilidades e aumentando a resiliência urbana e comunitária. Preventivamente, na direção de reduzir a contribuição para o aquecimento global, através da redução das emissões de gases e da redução do consumo dos recursos naturais. Falhas institucionais foram responsáveis por erros inaceitáveis. A estrutura política encoraja o fortalecimento administrativo e político no nível local, mas pode-se encontrar situações em que facilmente possa emergir a incompetência, a corrupção, principalmente durante situações de emergência e calamidade pública. Dado que os desafios para o enfrentamento dos desastres sejam tão grandes e se repitam sistematicamente, é necessária uma política nacional com grande envolvimento para controle e VI Encontro Nacional da Anppas 18 a 21 de setembro de 2012 Belém - PA – Brasil _______________________________________________________ monitoramento, inclusive pelos vários atores e instituições da sociedade, incluindo, mas não se limitando ao governo local. Se as condições adequadas forem disponibilizadas para fortalecer a resiliência, sendo a própria população um dos maiores recursos, a resiliência pode se consolidar. Houve atos extraordinários de solidariedade entre indivíduos, e em alguns casos, a sociedade civil também desempenhou um papel positivo na mobilização e organização durante e depois do desastre. Godschalk (2003, p. 137) argumenta que os programas tradicionais de “hazard mitigation” têm concentrado o foco em produzir sistemas físicos resistentes a desastres. No entanto, salienta que futuros programas de redução de riscos devem também ter o foco em ensinar/preparar as comunidades sociais da cidade e instituições a reduzir os “hazard risks” e responder de forma efetiva aos desastres, pois eles serão os grandes responsáveis em construir e efetivar a resiliência urbana. O autor salienta a importância das comunidades humanas como os componentes sociais e institucionais da cidade e inclui as formais e informais: escolas, vizinhança, agências, organizações, empresariado, “task forces”. Godschalk (ibidem) enfatiza que as comunidades atuam como o cérebro da cidade, direcionando suas atividades, em resposta a necessidades, e aprendendo com a experiência, pois devem possuir a capacidade de sobreviver e funcionar sob condições únicas e extremas. E conclui que uma cidade sem comunidades resilientes será extremamente vulnerável aos desastres. Mas o Estado necessita prover a estrutura institucional necessária para que essas contribuições possam ter pleno efeito, assim como o suporte na provisão de infraestrutura de liberação de recursos. É necessário que se fomente também a consciência acerca das causas e consequências das mudanças climáticas para a população e para o meio ambiente como um todo, considerando suas dimensões naturais e culturais. Agradecimentos À Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), à Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco (FACEPE) e à Pró-Reitoria para Assuntos de Pesquisa e Pós-graduação (PROPESQ) e à Pós Graduação em Desenvolvimento Urbano (MDU) e ao Departamento de Arquitetura e Urbanismo (DAU), da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) pelo apoio ao desenvolvimento das pesquisas que subsidiaram esse artigo. VI Encontro Nacional da Anppas 18 a 21 de setembro de 2012 Belém - PA – Brasil _______________________________________________________ Referências Bibliográficas ALCÂNTARA, Edinéa; FURTADO, Fátima; MONTEIRO, Circe. Urban Resilience: Understanding how Poor Communities Survive when Public Policies are Inappropriate. In: The Global Studies Journal. v.4, 2012. _______. Resiliência Comunitária: como as comunidades pobres enfrentam as dificuldades cotidianas encontrando apoio no outro In: BENEVIDES, Mário; VALDEZ, Sílvia (org). Nós e a Sustentabilidade, 2012. ALCÂNTARA, Edinéa; FURTADO, Fátima; SUASSUNA, Cynthia. The resilience and vulnerability of Brazilian cities: a comparative study together with the lessons learned from the catastrophes in Teresópolis, RJ, and Barreiros, PE. In: Planet under Pressure: new knowledge towards solutions. Londres: IGBP, 2012. ALCÂNTARA, Edinéa; FURTADO, Fátima; BEZERRA, Onilda. The urban resilience of coastal cities: a resource for meeting the challenge of climate change In: Planet under Pressure: new knowledge towards solutions., 2012, Londres: IGBP, 2012. BRASIL.Comitê Interministerial sobre mudança do clima. Decreto nº 6.263, de 21 de novembro de 2007. Plano Nacional sobre Mudança do Clima, 2008. Disponível em: http://www.mma.gov.br/estruturas/169/_arquivos/169_29092008073244.pdf BROWN, D., & KULIG, J. The concept of resiliency: Theoretical lessons from community research. 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VI Encontro Nacional da Anppas 18 a 21 de setembro de 2012 Belém - PA – Brasil _______________________________________________________ IBGE, cidade@. Disponível em http://www.ibge.gov.br/cidadesat/topwindow.htm?1 IPCC – Intergovernmental Panel on Climate Change. (2007a). Climate Change 2007: The Physical Science Basis. Contribution of Working Group I to the Fourth Assessment Report of the Intergovernmental Panel on Climate Change. Cambridge University Press, Cambridge, United Kingdom and New York, NY, USA, 996 pp. IPCC – Intergovernmental Panel on Climate Change. (2007b). Climate Change 2007: Impacts, Adaptation and Vulnerability. Contribution of Working Group II to the Fourth Assessment Report of the Intergovernmental Panel on Climate Change. Cambridge University Press, Cambridge, United Kingdom, 976pp. ISDR. International Strategies for Disaster Reduction (ISDR), 2004) MARCELINO, Emerson Vieira. Desastres naturais e geotecnologias: conceitos básicos. Cadernos Didáticos n. 1. Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais –INPE /CRS Santa Maria. Ministerio da Ciencai e Tecnologia, 2008. NORRIS, F. H.; STEVENS, Susan P.; PFEFFERBAUM, Betty; WICHE, Karen F.; PFEFFERBAUM, Rose L. Community Resilience as a Metaphor, Theory, Set of Capacities, and Strategy for Disaster Readiness. American Journal of Community Psychology. Voume 41. N 1-2, 2008, p. 127-150. PERNAMBUCO. Operação de Reconstrução. 2012. PERNAMBUCO, Lei nº 14. 258, DE 23 DE DEZEMBRO DE 2010. Institui a Política Estadual de Gerenciamento Costeiro, e dá outras providências. Disponível em http://www.cprh.pe.gov.br/ARQUIVOS_ANEXO/Lei%20Est%2014258;141010;20101228.pdf PLODINEC, M. John. Definitions of Resilience: An Analylis. CARRI – Associate Director for Community Resilience Certification, 2009. WALKER, B., C. S. HOLLING, S. R. CARPENTER, and A. Kinzig. 2004. Resilience, adaptability and transformability in social–ecological systems. Ecology and Society 9(2): 5. Disponível em http://www.ecologyandsociety.org/vol9/iss2/art5 VI Encontro Nacional da Anppas 18 a 21 de setembro de 2012 Belém - PA – Brasil _______________________________________________________ Autoras Edinéa Alcântara de Barros e Silva Engenheira civil pela Universidade Federal de Pernambuco (1983), mestre em Gestão e Políticas Ambientais pela UFPE (2001), doutora em Desenvolvimento Urbano na Pós-graduação em Desenvolvimento Urbano (MDU) na UFPE e pesquisadora de pós-doutorado da CAPES em resiliência de cidades e resiliência comunitária no MDU/UFPE. Tem atuado no setor público municipal e no terceiro setor, em projetos habitacionais, de desenvolvimento urbano e gestão ambiental e em atividades de ensino, treinamento e capacitação. Fellow da Ashoka - Associação Mundial de Empreendedores Sociais Eminentes (2001), fellow do LEAD - Leadership of Environment and Development (2000), e da Ford Motor Company International Fellowship Program of the 92nd Street Y (2004), e Analista Ambiental da Prefeitura Cidade do Recife. Coordenou o Plano de Revitalização da Bacia da Lagoa Olho d'Água, Jaboatão dos Guararapes, PE, reconhecido como uma das 100 "Best Practices" para a Conferência Habitat II, em 1996, em Istambul. Cynthia Carneiro de Albuquerque Suassuna Possui graduação em Química Industrial pela Universidade Federal de Pernambuco (1983), graduação em Direito pela Universidade Católica de Pernambuco (2002). Mestrado em Gestão e Políticas Ambientais pela Universidade Federal de Pernambuco (2005). Doutoranda em desenvolvimento urbano na Universidade Federal de Pernambuco (2009). Atualmente é professora da Universidade Católica de Pernambuco. Tem experiência na área de Direito, com ênfase em Direito ambiental e Gestão ambiental. Maria de Fátima Ribeiro de Gusmão Furtado Possui graduação em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal de Pernambuco (1979), mestrado em Desenvolvimento Urbano pela Universidade Federal de Pernambuco (1982) e doutorado em Planning Studies University College London (1996). Atualmente é professora associada do Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento Urbano da Universidade Federal de Pernambuco. Coordena o Laboratório de Estudos Periurbanos (LEPUR), grupo de pesquisa credenciado pelo CNPq desde 2004. Tem experiência na área de Planejamento Urbano e Regional, com ênfase em Técnicas de Planejamento e Projeto Urbanos e Regionais, atuando principalmente nos seguintes temas: planejamento urbano, conservação urbana, gestão ambiental municipal, indicadores de sustentabilidade e resiliência urbana, áreas periurbanas e requalificação de sítios históricos. Onilda Gomes Bezerra Arquiteta e urbanista pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), com Doutorado em Desenvolvimento Urbano e Mestrado em Geografia, ambos realizados na UFPE; Especialização em Gestão Ambiental pela Universidade Politécnica de Valência - Espanha; Especialização em Desenvolvimento Urbano e Rural pela Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP); professora substituta do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da UFPE e da Faculdade Maurício de Nassau (Recife/PE), nos cursos de Turismo e Arquitetura e Urbanismo; pesquisadora colaboradora dos Laboratórios da Paisagem e do LEPUR (Laboratório de Estudos Periurbanos), do Programa de Pós Graduação em Desenvolvimento da UFPE; e Técnica em Planejamento Urbano e Ambiental da Prefeitura do Recife, desde 1987. Tem experiência na área de Planejamento Urbano e Ambiental, Controle Urbano, Legislação Urbanística, Arquitetura, Urbanismo, Paisagismo, Meio Ambiente e Conservação do Patrimônio Natural e Cultural.